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PLANO DE AULA 2

TEMA: Aspectos Introdutórios dos Direitos Humanos, segunda Parte

1. Questões norteadoras:
1.1 Qual a função utópica dos Direitos Humanos e no que exatamente ela
consistiria?
1.2 No que consiste a ideia de Direitos Humanos enquanto projeto contínuo?
1.3 De que forma se dá a expansão dos Direitos Humanos a partir do
“alargamento” do conceito de humano?
1.4 Quais são as principais formas de justificar o aspecto intrínseco dos Direitos
Humanos e no que elas se baseiam?
1.5 Quais seriam os principais limites dos Direitos Humanos, tanto os teóricos e
filosóficos quanto os práticos, políticos e jurídicos?

2. Direitos Humanos como Utopia?


2.1 Utopia como fracasso:
2.1.1 Os Direitos Humanos se apresentam como um objetivo inalcançável,
de modo que a busca por eles é uma tarefa quixotesca, inútil, incapaz
de alcançar reais resultados e que deve, portanto, ser deixada de lado.

2.2 Utopia como projeto:


2.2.1 Os Direitos Humanos se apresentam como uma empreitada sem fim,
um projeto cujo resultado não pode ser efetivamente alcançado. No
entanto, sua função não é essa, mas sim a de fornecer um mecanismo
que nos permita avançar constantemente em direção a esse objetivo.
 A função dos Direitos Humanos como algo utópico serve como
parâmetro para aquilo que se pretende alcançar, portanto, é uma
busca constante em direção do objetivo.

2.2.2 “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se


afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez
passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a
utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. -
Eduardo Galeano
Os direitos humanos são utópicos, pois é impossível ter uma cidade em que
todos são positivados, ou seja, é idealização. No entanto, embora pareça ser
negativo, a utopia serve como um projeto, parâmetro para aquilo que quer
ser alcançado.

3. O Projeto e o Processo Constante de Desenvolvimento dos Direitos


Humanos:
3.1 Direitos Humanos como Projeto:
3.1.1 Os Direitos Humanos devem ser um projeto em comum, voltado para
toda a humanidade e dependente do seu comprometimento e
participação para que sejam de fato possíveis.
 Os Direitos Humanos devem ser um projeto em comum, de toda
a sociedade, ou seja, não é um projeto a ser desenvolvido só
pelo Estado.

3.1.2 O escopo de tal projeto engloba aspectos teóricos, filosóficos,


políticos e práticos; não há como prescindir de nenhum deles para
que alcancemos aquilo que os Direitos Humanos almejam e podem
ser.
 É um projeto construído a partir de várias dimensões.

3.2 Direitos Humanos como Processo:


3.2.1 Enquanto projeto, os Direitos Humanos pressupõem um processo
necessário de constante desenvolvimento, visando propiciar a sua
consolidação e melhor efetivação.

3.2.2 Enquanto Processo, os Direitos Humanos se enquadram na ideia de


utopia tratada anteriormente: uma forma de propiciar a caminhada, o
desenvolvimento rumo aos objetivos postulados.

As conquistas dos direitos humanos não são “dadas”, mas sim


construídos por meio das suas lutas cotidianas
4. A Busca pela “Expansão” do Conceito de Humano:
4.1 Direitos Humanos e a Falsa Universalidade do Conceito de Humano:
4.1.1 Desde os seus aspectos embrionários, os Direitos Humanos se
encontram vinculados com a ideia de Universalidade, a qual se
apresentaria como um pressuposto para essa categoria de direitos,
explicando o seu caráter inerente.

4.1.2 Contudo, pode-se averiguar que o conceito de Universalidade


professado era demasiadamente limitado, não sendo capaz de abarcar
adequadamente a categoria humana e, portanto, não corresponderia à
sua função.

4.2 Direitos Humanos e a busca da Verdadeira Universalidade do Conceito


de Humano:
4.2.1 Trata-se, portanto, de buscar “alargar” esta Universalidade, tornando-
a de fato universal ou, melhor dizendo, tornando-a constantemente
mais universal em um processo de constante atualização.
 Ampliar o nível de proteção para abarcar o maior número de
pessoas, observando essa questão como um projeto também dos
Direitos Humanos.

4.2.2 Uma das principais e mais importantes formas de se fazer isso é a


partir da expansão do conceito de “humano” considerado por essa
categoria de Direitos, vez que é a partir dele que se limita ou permite
uma maior abrangência.

5. Direitos Humanos: quais as formas de justificar tais Direitos como


intrínsecos?
5.1 Justificativa religiosa: imagem e semelhança
5.1.1 Somos todos criados à imagem e semelhança de, logo portadores de
tais Direitos em função disso (esteio cristão).
5.1.1.1 Vantagens: Fundamentação cosmológica.
5.1.1.2 Desvantagens: Pressupõe vinculação à visão religiosa específica.
5.1.1.3 Problemática: nem todos adotam, aceitam a religião cristã. E se
há presunção de uma visão religiosa específica, nem todos os
demais indivíduos serão protegidos por tais Direitos.
Logo, ainda teria como consequência, a criação de uma
intolerância religiosa.

5.2 Justificativa Metafísica Clássica: lei natural


5.2.1 A ordem metafísica da realidade é estruturada de tal forma que
confere aos seres humanos tais Direitos.
5.2.1.1 Vantagens: Fundamentação abrangente e robusta.
5.2.1.2 Desvantagens: Pressupõe uma visão específica da realidade.
5.2.1.3 Problemática: nem todos vão aceitar essa justificativa, pois
pressupõe uma organização específica de realidade, o que deixa
de lado, por exemplo, o tempo e local observado.

5.3 Justificativa Metafísica Moderna: racionalidade humana


5.3.1 O ser humano é dotado de racionalidade e, por conta disso, é detentor
de Direitos intrínsecos provenientes dessa capacidade racional.
5.3.1.1 Vantagens: Fundamentação consistente e que se afasta de
resquícios religiosos.
5.3.1.2 Desvantagens: Vulnerável à objeção de se tratar de um modelo
específico de racionalidade e de deixar de fora pessoas com
problemas cognitivos.
5.3.1.3 Problemática: abre margem para exclusão social, pois nem todos
tem esse modelo de racionalidade, isto é, existem pessoas com
problemas relacionados a sua cognição.

5.4 Justificativa Contemporânea: dignidade humana


5.4.1 Todo ser humano, independentemente de suas particularidades, é
detentor de uma dignidade intrínseca pelo simples fato de ser
humano.
5.4.1.1 Vantagens: Diversas formas de se argumentar em favor desse
conceito.
5.4.1.2 Desvantagens: Difícil definição e justificação do que seria a
dignidade e porque ela existiria.

6. Os Limites dos Direitos Humanos:


6.1 Limites Teóricos e Filosóficos:
6.1.1 Os Direitos Humanos enfrentam diversos obstáculos no âmbito
teórico, muitos sendo limites provenientes do seu histórico de
desenvolvimento.

6.1.2 Ainda que não se trate de solucionar todos os desafios teóricos e


filosóficos existentes, os Direitos Humanos precisam
necessariamente superar alguns dos obstáculos mais fortes, como a
questão do universalismo x multiculturalismo e da crítica
descolonial.

6.2 Limites Práticos:


6.2.1 A prática dos Direitos Humanos, isto é, sua efetividade, depende em
grande parte de aspectos que fogem do controle do plano teórico e
filosófico, ligados inclusive a questões geopolíticas.

6.2.2 Dessa forma, na ausência da realização de mudanças necessárias


nesse aspecto, os Direitos Humanos não podem alcançar o grau de
efetividade que almejam, permanecendo, assim, um projeto
inconcluso.

Obs.: respostas as perguntas norteadoras

1. Qual a função utópica dos Direitos Humanos e no que exatamente ela


consistiria?

Embora relacionem os Direitos Humanos como uma utopia fracassada, vez que a busca
por eles se apresenta como tarefa incapaz de alcançar reais resultado, logo, seria um
projeto sem fim.
Os Direitos Humanos, na verdade, possuem outra função que é de se apresentar como
parâmetro para aquilo que se pretende alcançar, portanto, é uma busca constante em
direção do objetivo.

2. No que consiste a ideia de Direitos Humanos enquanto projeto contínuo?

Os Direitos Humanos enquanto projeto se apresenta como “comum”, voltado a


sociedade, dependente do comprometimento e participação dessa para ser desenvolvido.
O propósito de tal projeto abarca aspectos não só filosóficos e teóricos, mas também
políticos e práticos, ou seja, é um projeto que quer se construir a partir de várias
dimensões.

Além disso, há a ideia de que os Direitos Humanos enquanto projeto deve ter um
processo contínuo, necessário para sua melhor consolidação e efetivação e, enquanto
àquele último, os Direitos Humanos se enquadram na ideia de utopia tratada
anteriormente: uma forma de propiciar a caminhada, o desenvolvimento rumo aos
objetivos postulados.

3. De que forma se dá a expansão dos Direitos Humanos a partir do


“alargamento” do conceito de humano?

Desde as primeiras idealizações do conceito de Direitos Humanos, estes se encontram


vinculados com a concepção de Universalidade, pressuposto para essa categoria de
direitos, explicando o seu caráter inerente. Contudo, tal concepção ainda se mostrava
limitada, incapaz de abarcar a totalidade da categoria humana, o que impossibilitava que
os Direitos Humanos cumprisse com a sua função, que em suma é: apresenta-se como
direitos inerentes a todos os seres humanos. Logo, se tais direitos não alcançavam todos
os seres humanos, então não cumpria sua função.

Dessa forma, se mostrou necessário ampliar esta Universalidade, de modo que tal
concepção realmente se mostra-se como universal. Para isso, tornou-se fundamental a
expansão do conceito de “humano” considerado por essa categoria de Direitos, vez que
é a partir dele que se limita ou permite uma maior abrangência.
Assim, os Direitos Humanos se expandiu em consequência da ampliação do conceito de
“humano”, para que fosse ampliado o nível de proteção daqueles direitos, abarcando-o o
maior número de pessoas, observando essa questão como um projeto também dos
Direitos Humanos.

4. Quais são as principais formas de justificar o aspecto intrínseco dos Direitos


Humanos e no que elas se baseiam?

A explicação dos aspectos intrínsecos dos Direitos Humanos apresenta diversas


justificativas com suas respectivas vantagens e desvantagens, dentre elas: 1) religiosa,
fundamentada na ideia de somos todos criados à imagem e semelhança de, logo
portadores de tais Direitos em função disso (esteio cristão), contudo, percebe-se que
essa justificativa pressupõe vinculação à visão religiosa específica, a cristã, logo,
deixava de fora aqueles que não se vinculava a ela; 2) metafísica clássica, que concebia
a ordem metafísica da realidade como estrutura que conferia aos seres humanos tais
Direitos, contudo, pressupunha visão específica da realidade e, se específica, por
consequência, deixava de fora aqueles que não se encaixavam nessa realidade; 3)
metafísica moderna, que trouxe a idealização do ser humano racional e, por isso,
detentor de Direitos intrínsecos provenientes dessa capacidade racional, o que afastava
quaisquer justificativa religiosa, contudo, deixou a margem aquelas pessoas com
problemas cognitivos e 4) justificativa contemporânea que ampliou a justificativa dos
aspectos intrínsecos dos Direitos Humanos, pois trouxe a concepção de que todo ser
humano, independentemente de suas particularidades, é detentor de uma dignidade
intrínseca pelo simples fato de ser humano, mas ainda trouxe uma problemática: o que
seria a dignidade e porque ela existiria?

5. Quais seriam os principais limites dos Direitos Humanos, tanto os teóricos e


filosóficos quanto os práticos, políticos e jurídicos?

Os Direitos Humanos apresentam limites, quais sejam, teóricos e filosóficos, práticos,


políticos e jurídicos. No que diz respeito aos primeiro, corresponde as óbices no meio
teóricos, provenientes do seu histórico de desenvolvimento, por exemplo
necessariamente superar alguns dos obstáculos mais fortes, como a questão do
universalismo x multiculturalismo e da crítica descolonial.

Quanto aos últimos, diz respeito a ideia de que a prática/efetividade desses direitos
depende de questões, por exemplo, geopolíticas, que fogem ao aspecto teórico e
filosófico

Dessa forma, na ausência da realização de mudanças necessárias nesse aspecto, os


Direitos Humanos não podem alcançar o grau de efetividade que almejam,
permanecendo, assim, um projeto inconcluso.