FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DOM ANDRÉ ARCOVERDE – FAA A FACULDADE DE DIREITO DE VALENÇA

TRABALHO DE DIREITO PENAL I

VALENÇA 2011

TRABALHO DE DIREITO PENAL I

Trabalho a respeito das escolas de Direito Penal e a consequente evolução do próprio Direito Penal a ser apresentado Jorge Pires ao pela professor Alexander

acadêmica Gisela da Silva Romano – matrícula 7296, aluna do 2º período de Direito como nota parcial da primeira Avaliação .

VALENÇA 2011

................16 7 O DIREITO PENAL NO BRASIL..............................................................8 4................................ \...............................3 Direito Penal Germânico....19 7......18 7......................... \..........................................................................15 6...............SUMÁRIO 1 RESUMO.......................................................................................................8 4...................................................1 \.............4 Escolas Ecléticas............................. O Código Penal de 1940.................................1 Direito Penal Romano...............................................5 Direito Penal Medieval.....................18 7..................8 4.5 3.......................................................................................................................................9 4............................17 7...........................................................................................................................................................................................21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........11 6...............................................................................5 3...............................3 Vingança Pública...3 Escola Técnico-Jurídica.............................................................................1 Escola Clássica...........................6 3.........................................................................................................................................................................................................1 Vingança Privada..............................3......................................................................................................................................4 3 FASE DA VINGANÇA PENAL......................................................................17 7....................................................................................23 ............................................................................................................................ O Código Penal de 1969.................5................4 Direito Penal Canônico....................................................11 6.....................................................................7..............3 2 INTRODUÇÃO................................................17 7......................................................................................................20 8 CONCLUSÃO...................2 \.........................................................................2 Escola Positivista.......................................................................................4 \............................................6.............2 Vingança Divina............................................................9 5 PERÍODO HUMANITÁRIO............................2 Direito Penal dos Hebreus.....................................................................................................................................................................................19 7........................................................................................10 6 ESCOLAS PENAIS......................13 6.......................................................6 4 DIREITO PENAL PELO MUNDO........................8 4....

Esta evolução é demonstrada através das Escolas de Direito Penal e as mudanças ocorridas no decorrer dos séculos.1 RESUMO O presente trabalho é um estudo a respeito da evolução do Direito Penal. em especial. a partir do século XVIII. As diferentes formas de penas utilizadas desde o surgimento da humanidade e os conceitos filosóficojurídicos que foram modificando as forças coercitivas. A forma com que os povos começaram a codificar suas leis com o marco da história (surgimento da escrita). 3 .

a honra. de acordo com cada sociedade em que está introduzido.2 INTRODUÇÃO Há tempos o homem evolui em todos os sentidos. assim como também para concluí-lo. sempre organizou-se em grupos e sociedades. a integridade física e os bens jurídicos do cidadão. através da razão. E diante de tal estudo não há frase mais propícia para introduzi-lo. garantido por um aparelho coercitivo capaz de pô-lo em prática. nela ele revela seu lado instintivo que é a agressividade.” E é por isso que o Direito Penal é obrigado a evoluir junto com a humanidade. surge o Direito Penal. dom exclusivo da espécie humana. porém essa interação nem sempre é pacífica. Se houvesse certeza de que se respeitaria. nunca dele afastou-se. não seria necessário um acervo normativo punitivo. o “jus puniendi” cujo titular exclusivo. pois. Para entender o Direito Penal que temos hoje é preciso conhecer sua evolução histórica. qual sombra sinistra. atualmente. E este por necessidade de sobrevivência. é o Estado. 4 . Não haveria. assim. saindo dos primórdios até penetrar nos dias atuais onde ainda requer mudanças e estudos e assim acontecerá pois não temos comportamentos homogêneos e muito menos imutáveis. o que o levou a mudar e as Escolas de Direito Penal que foram evoluindo e com isso trazendo melhoras para a sociedade em geral. Desde os primórdios o homem vive numa verdadeira “societas criminis” e com o intuito de defender a coletividade e promover a harmonia. como a de Magalhães Noronha: “ O Direito Penal surge com o homem e o acompanha através dos tempos. isso porque o crime.

não raro. ocorria a reação da vítima. mas de um instrumento moderador da pena. Constituia em aplicar ao delinquente ou ofensor o mal que ele causou ao ofendido na mesma proporção. a morte. Se alguém bate numa mulher livre e a faz abortar. como ele tiver desfigurado a algum homem. como também todo o seu grupo. Na denominada fase da vingança privada. podia ser punido com a "expulsão da paz" (banimento). por isso foi apenas uma realidade sociológica. que agiam sem proporção à ofensa. assim lhe fará. vida por vida “19 Quando também alguém desfigurar o seu próximo. como ele fez assim lhe será feito.” 5 . não uma instituição jurídica. dente por dente” A vingança privada constituía a reação natural e instintiva. a reação era a da "vingança de sangue". 210. Se o transgressor fosse membro da tribo. encontrou a vingança privada: o Talião e a Composição. com a eliminação completa de um dos grupos".3 FASE DA VINGANÇA PENAL 3. invariavelmente. deverá pagar dez siclos pelo feto. esta não tratava-se propriamente de uma pena. com o envolver dos tempos. o restituirá. considerada como obrigação religiosa e sagrada. cometido um crime. 209.1 Vingança Privada “Olho por olho. 17-20 “17 E quem matar a alguém certamente morrerá “18 Mas quem matar um animal. então deverá matar o filho dele. Se essa mulher morre. As penas eram severas e o corpo pagava pelo delito cometido. Duas grandes regulamentações. que lhe infligiam. culminando. São exemplos da adoção do Talião: a) Código de Hamurabi – na Babilônia “Art. que o deixava à mercê de outros grupos. Caso a violação fosse praticada por elemento estranho à tribo. "verdadeira guerra movida pelo grupo ofendido àquele a que pertencia o ofensor. atingindo não só o ofensor.” b) Bíblia Sagrada – Religião Católica/Protestante Livro Levítico 24. dente por dente. olho por olho. Apesar de dizer-se comumente a pena de Talião. “20 Quebradura por quebradura. dos parentes e até do grupo social (tribo).” “Art.

Já a Composição surge posteriormente. a figura do chefe ou da Assembleia. armas. etc. Foram aplicadas penas cruéis. 6 . foi largamente aceita pelo Direito Germânico. A administração da sanção penal ficava a cargo dos sacerdotes que.c) A Lei das XII Tábuas Tábua VII. encarregavam-se da justiça. e assim. especialmente com o desenvolvimento político. severas.” Neste período. desumanas. através da qual o ofensor comprava sua liberdade. revelando-se um grande avanço na história do Direito Penal por limitar a abrangência da ação punitiva. sendo a origem remota das indenizações cíveis e das multas penais. pode-se afirmar que a religião confundia-se co o Direito. surge. É importante ressaltar “Ut Supra”. tornam-se leis em vigor. com dinheiro. A índole sacra das penas perde sua força e a partir daí uma sanção passava a ser imposta em nome da autoridade pública. o Talião foi adotado por vários documentos. a religião atinge influência decisiva na vida dos povos antigos. representativa dos interesses da comunidade. A “vis corpolis” era usada como meio de intimidação. no meio das comunidades. pelo Pentateuco (Hebreus) e pelo Código de Manu (Índia). 11 – Se alguém fere a outrem. à sociedade” Com maior organização social. gado. São exemplos de legislações típicas deste período: a) Código de Manu – com seus princípios sendo adotados na Babilônia.3 Vingança Pública “Crimes ao Estado. No Antigo Oriente.2 Vingança Divina “A repressão ao crime é satisfação dos deuses. salvo se houver acordo. que sofra a pena de Talião. b) Cinco Livros – no Egito c) Livro das Cinco Penas – na China d) Avesta – na Pérsia e pelo povo de Israel 3. como mandatários dos deuses. 3. Adotada também pelo Código de Hamurabi (Babilônia). os preceitos de cunho meramente religioso ou moral.

7 . os responsáveis pela punição mas o soberano (rei. príncipe. devido à falta de segurança jurídica.Não era mais o ofendido ou mesmo os sacerdotes. Este exercia sua autoridade em nome de Deus e cometia inúmeras arbitrariedades (Monarquias Absolutas – Direito Divino). regente). A pena de morte fora sanção largamente difundida e aplicada nessa época. Mesmo assim verifica-se avanço no fato de a pena não ser mais aplicada por terceiros e sim pelo Estado.

assim.4 DIREITO PENAL PELO MUNDO 4. As sanções são mitigadas. sendo praticamente extinta a pena de morte. Dividem-se os delitos em crimina pública (segurança da cidade. Outra característica do direito bárbaro foi a ausência de distinção entre dolo. agravantes. Ditado por características acentuadamente de vingança privada. Direito e Religião separam-se. coação irresistível. legítima defesa etc. e é praticamente abolida a pena de morte. máxime num sistema repressivo em que a palavra das testemunhas assumia excepcional importância na pesquisa da verdade. evoluindo-se das fases de vingança. evoluiu o Direito Penal do Povo hebreu com o Talmud. O Talmud. culpa (leve e lata). de conseqüências gravíssimas e tantas vezes irreparáveis para o condenado inocente. pública. parricidium).2 Direito Penal dos Hebreus Após a etapa da Legislação Mosaica. em regra. por meio do talião e da composição. imputabilidade. a pena torna-se. determinando-se a punição do autor do fato sempre em 8 . substituída pelo exílio e pela deportação (interdictio acquae et igni).3 Direito Penal Germânico O Direito Penal germânico primitivo não era composto de leis escritas. prisão e imposição de gravames físicos. Estabeleciam-se. ou crimes majestatis. Só muito mais tarde foi aplicado o talião por influência do Direito Romano e do cristianismo. Seguiu-se a eles a criação dos crimina extraordinária (entre as outras duas categorias). reprimidas por particulares). 4. e delicta privata (infrações consideradas menos graves. mas constituído apenas pelo costume. estava ele sujeito à reação indiscriminada e à composição. garantias rudimentares em favor do réu. Contribuiu o Direito Romano decisivamente para a evolução do Direito Penal com a criação de princípios penais sobre o erro. Finalmente. 4. dolo (bonus e malus). culpa e caso fortuito. inclusive. bem como da vingança divina na época da realeza.1 Direito Penal Romano Em Roma. Substituiu-se a pena de talião pela multa. Os crimes poderiam ser classificados em duas espécies: delitos contra a divindade e crimes contra o semelhante. contra os perigos da denunciação caluniosa e do falso testemunho. atenuantes. aplicando-se em seu lugar a prisão perpétua sem trabalhos forçados. foi um formidável suavizador dos rigores da lei mosaica.

Proscrito o sistema de composição. O Direito Penal.4 Direito Penal Canônico Entre a época dos direitos romano e germânico e a do direito moderno. com a influência decisiva do cristianismo na legislação penal. 4. mas também a regeneração do criminoso pelo arrependimento e purgação da culpa. com os quais se decidiam os litígios. o que levou. A jurisdição penal eclesiástica. sendo exercido em defesa do Estado e da religião. pródigo na cominação da pena de morte.' 4. canônico e bárbaro. todavia.relação ao dano por ele causado e não de acordo com o aspecto subjetivo de seu ato. enforcamento etc.) e os duelos judiciários.). Proclamou-se a igualdade entre os homens. insegurança e verdadeiro terror. executada pelas formas mais cruéis (fogueira. era infensa à pena de morte. a mutilação. acentuou-se o aspecto subjetivo do crime e da responsabilidade penal e tentou-se banir as ordálias e os duelos judiciários. No processo. aos excessos da Inquisição. as práticas penais entrelaçaram-se e influenciaram-se reciprocamente nos direitos romano. Promoveu-se a mitigação das penas que passaram a ter como fim não só a expiação. "pessoalmente ou através de lutadores profissionais". cria em torno da justiça penal uma atmosfera de incerteza. paradoxalmente. o carácter público do Direito Penal é exclusivo. estendeu-se o Direito Canônico ou o Direito Penal da Igreja. vigoravam as "ordálias" ou "juízos de Deus" (prova de água fervente. de ferro em brasa etc. O arbítrio judiciário. afogamento. 9 . a tortura e as penas infamantes. Assimilando o Direito Romano e adaptando este às novas condições sociais. a Igreja contribuiu de maneira relevante para a humanização do Direito Penal. os açoites. As sanções penais eram desiguais. sendo comuns o confisco. entregando-se o condenado ao poder civil para a execução. dependendo da condição social e política do réu. embora politicamente sua luta metódica visasse obter o predomínio do Papado sobre o poder temporal para proteger os interesses religiosos de dominação.5 Direito Penal Medieval No período medieval. entretanto. soterramento. visava especificamente à intimidação.

Em 1764. não sendo totalmente original. firmou em sua obra os postulados básicos do Direito Penal moderno. 10 . os do fundamento do direito de punir e da legitimidade das penas. Marquês de Beccaria (nascido em Florença. determinar a priori a duração da pena. sobretudo. que considera o Direito como necessário a que se cumpra o destino do homem. de inspiração clássica. muitos dos quais adotados pela Declaração dos Direitos do Homem. Concepción Arenal e Luís Jiménez de Asúa. a obra Dei delitti e delle pene (Dos delitos e das penas). devendo ela existir apenas enquanto necessária à recuperação do delinqüente. filósofo imbuído dos princípios pregados por Rousseau e Montesquieu. Os temas em torno dos quais se desenvolve a nova ciência são.5 PERÍODO HUMANITÁRIO É no decorrer do Iluminismo que se inicia o denominado Período Humanitário do Direito Penal. em 1738). Deve-se estudar o criminoso para corrigilo e recuperá-lo. ser sempre limitado pela lei moral. Demonstrando a necessidade de reforma das leis penais. Não se pode. movimento que pregou a reforma das leis e da administração da justiça penal no fim do século XVIII. porém. segundo tais idéias. por meio da pena indeterminada. Beccaria. fez publicar em Milão. Cesar Bonesana. É nesse momento que o homem moderno toma consciência crítica do problema penal como problema filosófico e jurídico que é. Participaram dessas idéias Dorado Montero. da Revolução Francesa: Deve-se mencionar também a chamada Escola Correcionalista. de Carlos Cristian Frederico Krause e Carlos David Augusto Roeder (ou Rõder). São os seguintes os princípios básicos pregados pelo filósofo que. inspirado na concepção do Contrato Social de Rousseau. um pequeno livro que se tornou o símbolo da reação liberal ao desumano panorama penal então vigente. como uma missão moral da descoberta da liberdade. propõe novo fundamento à justiça penal: um fim utilitário e político que deve.

em particular. assim chamada pelos positivistas em sentido pejorativo. cometida voluntária e conscientemente. Crítico Forense. expressaram o pensamento dos juristas sobre as questões criminais fundamentais". A Escola Clássica dividiu-se em dois grandes períodos: a)Filosófico/teórico: No qual a figura de maior destaque foi Beccaria. Filosófico-jurídica. sobre os fundamentos e objetos do sistema penal. através da longa evolução histórica" Antônio Moniz Sodré de Aragão "As escolas penais são um sistema de idéias e teorias político-jurídicas e filosóficas que.José Leal 6. de cunho humanitário e liberal (defende os direitos individuais e o principio da reserva legal. onde o Estado deveria punir os delinqüentes mas tinha de se submeter às limitações da lei. num determinado momento histórico. Para a Escola Clássica. sendo contra o absolutismo.1 Escola Clássica Também chamada de Idealista. a tortura e o processo inquisitório). a pena é um mal imposto ao indivíduo merecedor de um castigo por motivo de uma falta considerada crime.Ele desenvolveu sua tese com base na idéias de Rousseau e de Montesquieu. Lidam com problemas que abordam o fenômeno do crime e os fundamentos e objetivos do sistema penal. "O Direito Penal é o produto da civilização dos povos. Elas se formaram e se distinguiram umas das outras. Foi uma escola importantíssima para a evolução do direito penal na medida em que defendeu o individuo contra o arbítrio do Estado. A finalidade da pena é o restabelecimento da ordem externa na sociedade.6 ESCOLAS PENAIS "As escolas penais são corpos de doutrinas mais ou menos coerentes sobre os problemas em relação com o fenômeno do crime e. de linha filosófica." Aníbal Bruno São chamadas "escolas penais" as diversas correntes filosófico-juridico em matéria penal que surgiram nos Tempos Modernos. 11 . nasceu sob os ideais iluministas. construindo um sistema baseado na legalidade. Esta doutrina possui princípios básicos e comuns.

Outros representantes do classicismo italiano: Filangieri ( 1752/1788): jusnaturalista que via o direito de punir como uma necessidade política do Estado para se preservar a ordem. Obra: Scienza delle costituzioni. a defesa contra este crime deverá se encontrar no seu próprio seio. Defendia que o crime era uma infração da lei do Estado (promulgada pra proteger os cidadãos). A pena não pode ser arbitrária. desta forma. sem se preocupar com a figura do criminoso. e a moral. É interessante notar que em um filme[10] muito atual retratou-se uma sociedade na qual a tecnologia permitia que a polícia 12 ." Carrara A pena é um conteúdo necessário do direito. que viola a lei.O pacto social define que o individuo se comprometa a viver conforme as leis estipuladas pela sociedade e deverá ser punido pelo Estado quando transgredi-las. "Três fatos constituem a essência de nossa ciência: o homem. Ele estudou o crime em si mesmo. porém a figura do delinqüente não é importante. movimento corpóreo que produzirá o resultado. deverá ser do tamanho exato do dano sofrido.Este é talvez um dos pontos fracos desta escola.Esta deveria ser preventiva a fim de deter o delinqüente em potencial. limitada pelo talião. considerava a pena como uma arma de defesa social. sumo mestre de Pisa. desproporcional. Obras: Trouté du droit penal e Cours d´économie politique No classicismo alemão temos a figura de Paulo Anselm Ritter Von Feuerbach (17751833). o juiz. que se dedicou a filosofia e não aceitava a pena como um imperativo categórico. que exige que seja castigado esse homem. para que a ordem social seja restabelecida.. se o crime é uma violação do direito. é impelido por duas forças: a física. É o mal que a autoridade pública inflige a um culpado por causa de seu delito. a lei. a vontade consciente e livre de praticar um delito. deve se também retributiva. antes dele iniciar o inter criminis. b) Jurídico ou prático: em que o grande nome foi Franchesco Carrara. Obra: Scienza della legis lazione Carmignani (1768/1847): : Obras: Juris criminalis elementa (1831) e Teoria delle leggi della sicurezza sociale (1831) Gian Romagnosi (1761-1835): foi um dos maiores pensadores italianos. que comprova a violação e dá o castigo. A pena é meio de tutela jurídica. Che cosa é l ´eguaglianza? Pellegrino Rossi ( 1768-1847): : Com base numa justiça moral deu ênfase ao jusnaturalismo.

nulla poena sine lege[11]. além de aspectos como a estatura. Na concepção deste médico existia a idéia de um criminoso nato. escolhendo pelo caminho do crime. impulsividade. braçada. 2) Livre arbítrio no qual o homem nasce livre e pode tomar qualquer caminho. que seria aquele que já nascia com esta predisposição orgânica.soubesse quando e onde um crime ocorreria. preguiça e imprevidência. um direito e dever do Estado. arcada superior predominante. 3) A pena é uma retribuição ao crime (Pena retributiva) 4) Método dedutivo (aquele que as premissas são proposições evidentes ou definições razoáveis). se tornando o centro das investigações biopsicológicas. orelhas de abano. Este movimento foi iniciado pelo médico Cesare Lombroso (1835-1909) com sua obra L´uomo delinqüente (1875). face ampla e larga. que representou a ascensão da burguesia emergente após a Revolução de 1789. Lombroso estudou o cadáver de diversos criminosos procurando encontrar elementos que os distinguissem dos homens normais. Princípios fundamentais: 1) O crime é um ente jurídico. responderá pela sua opção. e o criminoso passou também a ser estudado. zigomas[14] salientes. vaidade. *Psicológicos: insensibilidade moral. uma vez que é ciência jurídica. Foi a fase em que as ciências fundamentais adquiriram posição como a biologia e a sociologia. ou seja é a infração do direito. Após anos de pesquisa declarou que os criminosos já nasciam delinqüentes e que apresentam deformações e anomalias anatômicas físicas e psicológicas. ou seja qualquer ameaça de sanção deve estar anteriormente prevista em lei. 6. Feuerbach defendeu o princípio da legalidade sendo dele a fórmula nullum crimen sine lege. peso. * Físicos: assimetria craniada. os guardas lá chegavam antes do evento e o frustrado criminoso era preso. 13 . cabelos abundantes. mancinismo[15] e distúrbio dos sentidos. era um ser atávico[13] uma regressão ao homem primitivo. insensibilidade física.O crime começou a ser examinado sob o ângulo sociológico. Com a promulgação do Código da Alemanha (1871) surgiu através de Karl Binding uma visão que considerava a pena como uma retribuição e satisfação.2 Escola Positivista Esta nova corrente filosófica teve como precursor Augusto Comte.

Contudo esta concepção ainda não explicava a etiologia do delito. "Para os positivistas. Isto nos remete ao nazismo e seus parâmetros que visavam provar a superioridade da raça ariana. nariz e queixo etc. vindo o indivíduo a confessar e arrepender-se depois. era um brilhante advogado criminalista que fundou a Sociologia Criminal[17]. entrando em contato com delinqüentes que acabam por o corromper. pois é um ser temível. um degenerado. Freqüentemente ocorrem suicídios. Jesse Owens[16]. Em sua obra Criminologia (1891) insiste que o crime está no indivíduo. o jovem vai cumprir pena em local inadequado. eram inconsistentes perante qualquer análise científica. físicos e sociais. Verifica-se então que esta escola nega o livre-arbítrio. Garafalo defendeu a pena capital. * Passional ( sob o efeito da paixão):ser de bom caráter mas de temperamento nervoso e com sensibilidade exagerada. como o ângulo do nariz em relação à orelha. uma vez que o indivíduo age sem liberdade. de meio social inadequado. *Ocasional :é aquele ser fraco de espírito. A responsabilidade criminal é social por fatores endógenos e a pena não poderia ser retributiva. atualmente a psicologia utiliza o termo "Border line" para classificar esse tipo de disfunção. abomina a idéia da Escola Clássica que afirmava que o crime era o resultado da vontade livre do homem. ganhou diversas medalhas de ouro. Também classificou os criminosos em: *Natos: são aqueles indivíduos com atrofia do senso moral. como a periculosidade. Ex: ao cometer um pequeno delito. O termo temiblididade gerou alguns princípios utilizados nos estatutos penais. O delinqüente é um ser anormal portador de anomalia de sentido moral. o que leva ao desaparecimento 14 . Normalmente o crime acontece na juventude.podemos dizer dele que foi o discípulo de Lombroso. sem nenhuma firmeza de caráter. com fundo epiléptico e semelhante ao louco penal" Cuello Calón Enrico Ferri (1856-1929) . *Habitual: é aquele indivíduo que sofreu a influência de aspectos externos. *Loucos: também se incluíam os matóides. a proporcionalidade entre os tamanhos da testa. então Lombroso tentou achar a causa desta degeneração na epilepsia. o criminoso é um ser atávico. Nesta nova concepção o crime era determinado por fatores antropológicos. As idéias deste médico não se sustentaram. Mas foi em Berlim e sob os olhares de Hitler e seus colaboradores que um negro americano. Outro expoente foi Rafael Garafalo (1851-1934). que são aqueles indivíduos que estão na linha entre a sanidade e a insanidade.

6. sociologia. filosofia. com sua famosa aula magna na Universidade de Sassari[19]." "Os positivistas procuraram elaborar um conceito de delito natural que resistisse às transformações impostas pelos costumes. Leal Princípios Fundamentais: a) método indutivo[18] b) o crime é visto como um fenômeno social e natural oriundo de causas biológicas físicas e sociais c) responsabilidade social em decorrência do determinismo e da periculosidade. e o jurista deve-se ater apenas a ela. psicologia e política) numa verdadeira desorganização.3 Escola Técnico-Jurídica Esta escola inicia-se em 1905 e é uma reação à corrente positivista. "É a lei expressando os interesses sociais. Rocco propõe uma reorganização onde o estudo do Direito Criminal se restringiria apenas ao Direito Positivo vigente. com objeto e métodos próprios. uma sanção criminal que defende o grupo e ao mesmo tempo recupera o delinqüente. Esta medida deveria ser indeterminada até a periculosidade do indivíduo desaparecer por completo. e que viria em substituição à pena criminal.da culpa voluntária. O seu primeiro expoente é Arturo Rocco. O seu estudo compõe-se de três partes: *exegese: irá dar sentido as disposições do ordenamento jurídico *dogmática: investigação dos princípios que irão nortear o direito penal fixando assim os seus elementos *crítica: que irá orientar na consideração do direito vigente demonstrando assim o seu acerto ou a sua conveniência de reforma. O Direito penal seria aquele expresso na lei. pela moral e pela própria realidade socioeconômica e política" J. O Direito Penal é o que está na lei. O Direito Penal continha de tudo. Procura restaurar o critério propriamente jurídico da ciência do Direito Penal. O maior objetivo é desenvolver a idéia que a ciência penal é autônoma. Propõem-se então a medida de segurança. d) a pena era vista como um fim a defesa social e a tutela jurídica. 15 . estatística. ou seja ela é única não se misturando com outras ciências (antropologia. que atribui responsabilidade criminal aos indivíduos. menos Direito.

excluindo o tipo criminal antropológico. VON LISZT defendia a pena como uma defesa social. o livramento condicional. o sursis etc. como a Terceira Escola (Alimena. O crime é um fenômeno social e individual e a finalidade da pena é a defesa social.preventiva -. O crime passou a ser estudado pela sua causalidade e por sua fatalidade. A diferenciação entre imputável e inimputável não está no critério do livre-arbítrio. 6.Outros importantes defensores dessa escola são: Manzini. b) a pena constitui uma reação e uma conseqüência do crime (tutela jurídica). A escola fundada por VON LISZT. de conteúdo individual e social. Carnevale. e pregando a reforma social como dever do Estado no combate ao crime. é aplicável aos imputáveis. Impalomeni) e a Escola Moderna Alemã. a escola moderna da Alemanha. Da Escola Moderna Alemã resultou avanços como a elaboração de leis. criação de medidas de segurança. e) o método utilizado é técnico-jurídico. é uma das mais importantes da corrente eclética. mas na normalidade de determinação do sujeito. Princípios Fundamentais: a) o delito é pura relação jurídica. mas não o livre-arbítrio. com função preventiva geral e especial. f) refuta o emprego da filosofia no campo penal. não existe criminoso nato. Conti. Cicala. c) a medida de segurança . d) a responsabilidade é moral (vontade livre). Seus principais teóricos foram CARNEVALE.4 Escolas Ecléticas Procurando conciliar os princípios da Escola Clássica e o tecnicismo jurídico com a Escola Positiva. assim como a escola clássica. Segundo ele. Vannini. 16 . Para essa escola a responsabilidade moral tinha uma importância fundamental na responsabilidade penal. surgiram escolas ecléticas. Massari. é aplicável aos inimputáveis. A “terza scuola” italiana foi a primeira das escolas ecléticas. ALIMENA e IMPALLOMENI. mas por trás dele há uma realidade social (condição social). Delitala. humana e econômica. mistas.

então. Fundamentava-se largamente nos preceitos religiosos. mutilação. a ser executada pela força.1 "1603": Nasce o Livro V do Rei Filipe II. Sebastião (até 1603). É o Código Filipino. que se elaborasse uma nova legislação penal e. o que se dava uma vez por ano. punindo-se severamente os hereges. A pena de morte. Foi. aliás. degredo. putrefazendo-se. com torturas. bem como no Código francês de 1810 e o Napolitano de 1819.) visavam infundir o temor pelo castigo. vinha ao solo. e estabelecia-se um julgamento especial para os menores de 14 anos. O crime era confundido com o pecado e com a ofensa moral. De índole liberal. o Livro V das Ordenações do Rei Filipe II (compiladas. em 11 de janeiro de 1603.2 "1830": É sancionado o Código Criminal do Império do Brasil. queimaduras etc. Eram desiguais e aplicadas com extrema perversidade. então. em 16 de dezembro de 1830 D. assim ficando. inspirava-se na doutrina utilitária de Betham. a chamada "morte para sempre". que refletiam o Direito Penal dos tempos medievais. executada pela força. As penas severas e cruéis (açoites. para as Ordenações Filipinas. o nosso primeiro Código Penal. só foi aceita após acalorados debates entre liberais e conservadores no congresso e visava coibir a prática de crimes pelos escravos. Além da larga cominação da pena de morte. eram comuns as penas infamantes. em que o corpo do condenado ficava suspenso e. Pedro I sancionava o Código Criminal do Império. Fixava-se na nova lei um esboço de individualização da pena. não sendo fixadas antecipadamente. previa-se a existência de atenuantes e agravantes. Aplicava-se. Passou-se. as penas eram desproporcionadas à falta praticada. mandava que fossem observadas). No Brasil Colonial estiveram em vigor as ordenações Afonsinas (até 1512) e Manuelinas (até 1569). e que aquele. por Filipe I. 17 . substituídas estas últimas pelo código de D.. 7. pelo fogo etc. Proclamada a independência. previa a Constituição de 1824. apóstatas. até mesmo. Além de tudo isso. o confisco e os galés. até que a ossamenta fosse recolhida pela Confraria da Misericórdia.7 O DIREITO PENAL NO BRASIL 7. feiticeiros e benzedores.

o Código Criminal da República. a denominada Consolidação das Leis Penais de Piragibe.4 "1932" : A Consolidação de Piragibe. tais como. dentre outros defeitos. o que gerou críticas . indeterminação relativa e individualização da pena. muito embora aceitasse postulados positivistas. etc. logo alvo de duras críticas pelas falhas que apresentava que decorriam. evidentemente. de 14 de dezembro de 1932. instalou o regime penitenciário de caráter correcional. Coube ao desembargador Vicente Piragibe o encargo de consolidar essas leis extravagantes. interdição (suspensão dos direitos políticos. continha diversas figuras delituosas. uma vez que. que pelo grande número. portanto. da pressa com que fora elaborado. havia desigualdade no tratamento das pessoas. o Código Criminal da República. 7. assim. a de galés e a de banimento judicial. da mesma forma.213. suspensão e perda de emprego público e multa. portanto. que vigorariam até 1940. que importava apenas em privação temporária). Surgia. 7. aludindo apenas ao dolo. Uma vez que não poder-se-ia transformá-lo imediatamente. mormente os escravos. previsão da menoridade como atenuante. 18 . Apesar de suas inegáveis qualidades.3. O Código era de orientação clássica. acabaram gerando enorme confusão e incerteza na aplicação. representando ofensas à religião estatal. em 11 de outubro de 1890. "1890" : A República traz seu Código Penal. surgiu. Costuma-se dizer que com o Código de 1890 nasceu a necessidade de modificá-lo. banimento ( o que a Carta Magna punia era o banimento judicial que consistia em pena perpétua. constituiu um avanço na legislação penal da época. Em virtude de a Constituição de 1891 haver abolido a pena de morte. apresentava defeitos que eram comuns à época: não definira a culpa. além de abolir a pena de morte. desse. a indenização do dano "ex delicto". através do Decreto nº 22. Com a República foi editado. o Código Republicano de 1890 contemplou as seguintes sanções: prisão.). Apesar de Ter sido mal sistematizado. diversa. várias leis para remendá-lo.Não separada a Igreja do Estado.

O Código Penal de 1940. O Código Penal de 1969. de maneira precária. após vários adiamento da data em que deveria viger. de 21 de outubro de 1969. o Estatuto Penal Brasileiro. adiada sucessivamente. o professor – ministro Nelson Hungria. aproveitando o que de melhor havia nas legislações modernas de orientação liberal. 7. declarou que ele representa "um notável progresso jurídico.Composta de quatro livros e quatrocentos e dez artigos. porém.5778. passou a ser. que não assumiu compromisso com qualquer das escolas ou correntes que disputavam o acerto na solução dos problemas penais. Após submetido a várias comissões revisoras. Mesmo assim. de 31 de Dezembro de 1973.6. por incubência do governo federal. Várias foram as tentativas de mudança da nossa legislação penal. Embora promulgado em dezembro de 1940. tanto por sua estrutura. Críticas acerbadas se lhe fez. Marcélio de Queiroz e Roberto Lira. Magalhães Noronha comenta que "é o Código obra harmônica: soube valer-se das mais modernas idéias doutrinárias e aproveitar o que de aconselhável indicavam as legislações dos últimos anos". em especial nos códigos italiano e Suíço. como também para coincidir sua vigência com a do Código de Processo Penal. o anteprojeto Hungria foi finalmente convertido em lei pelo Decreto-Lei Nº 1004. Ainda sendo nossa legislação penal fundamental.5. ou "pecados" (como assinala o autor supra citado). de 11 de outubro de 1978. submetido ao trabalho de uma comissão revisora composta de Nelson Hungria. em 1941. o Congresso de Santiago do Chile.016. quanto por sua técnica e avançadas instituições que contém". o novo Código Penal somente passou a vigorar em 1º de Janeiro de 1942. É uma legislação eclética. Fazia uma conciliação entre os postulados das Escolas Clássicas e Positiva. foi ele revogado pela Lei Nº 6. não só para que se pudesse melhor conhecê-lo. tanto que foi modificado substancialmente pela Lei Nº 6. a Consolidação das Leis Penais realizada pelo Desembargador Vicente Piragibe. porém. Em 1963. o Código de 1940 teve origem em projeto de Alcântara Machado. 19 . Vieira Braga. A vigência do código de 1969 foi. Apesar de suas imperfeições. 7. apresentou anteprojeto de sua autoria.

209 de 11/07/1984. antecedentes. qualquer que se seja a pena aplicada. o projeto foi aprovado e promulgada a Lei Nº7.210 de 11/07/1984). foi promulgada a nova Lei de execução Penal (nº 7. primeiro se modificou a parte geral. A exemplo da Alemanha. haverá a substituição. em sendo o crime culposo. "1984": Altera-se a Parte Geral.7. da Universidade de Brasília. Depois de discutido no Congresso. conduta social. Em 1980. Vale salientar que. Destarte. que alterou substancialmente a parte geral. Com a nova Parte Geral. personalidade. da reforma do Código em vigor. não raro tem se transformado em verdadeira "Universidade da delinquencia". é de se vislumbrar que. o aprisionamento deixa de ser regra para se tornar exceção. poderá ela se dar quando. no que tange à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. atendidos os requisitos específicos – não reincidência. o Ministro da Justiça incumbiu o professor Francisco de Assis Toledo. cada vez mais. Incluídos foram mais dois tipos de penas: a prestação pecuniária e a perda de bens e valores. foi o Estatuto repressivo pátrio alterado pela Lei nº 9.7. ao invés de proporcionar a ressocialização. motivos e circunstâncias do crime favoráveis – a pena aplicada não for superior a quatro anos. tanto que já se fala na criação de um novo ramo jurídico: o Direito de execução Penal. 20 . É que o cárcere. o que era súplica geral.714/98 no que concerne às penas restritivas de direitos. É uma lei especifica para regular a execução das penas e das medidas de segurança. Recentemente. principalmente adotando o sistema vicoriante (pena ou medida de segurança). Ademais. foi publicado o anteprojeto. Em 1981. para receber sugestões. comprovado está. culpabilidade.

Sem poder deixar de citar a fase do Iluminismo que proporcionou ao Direito Penal uma visão ética sobre o homem e o tratamento que lhe deveria ser dado. um dos livros mais antigos que se tem acesso. houve a possibilidade da gravação das leis. Depois temos o “Direito Romano” que foi o grande antepassado das leis atuais e introduziu conceitos novos como graus de culpa. isso porque o crime qual sombra sinistra. as chamadas Escolas de Direito Penal. há o relato do assassinato de Abel por seu irmão Caim e a pena de banimento que Deus aplicou-lhe. A Escola Clássica. Surgiu. muitas vezes utilizada erroneamente em um cotidiano leigo no que diz respeito ao Direito.” A Bíblia. juntamente. o Período Humanitário com contribuição importante do Marquês de Beccaria. No “Direito Germânico” a inovação foi a definição de uma ordem de paz que poderia ser rompida pelo crime. mesmo que assim seja possível esboçar uma linha do tempo para que didaticamente fique mais fácil entender como foram ocorrendo as mudanças. visa propiciar ao homem uma defesa contra o arbítrio do Estado. de Magalhães Noronha. que teve papel decisivo em um Direito Penal mais compassivo. de inspiração iluminista. . nunca dele se afastou. É incontestável z frase que iniciamos nosso estude. pela “Vingança Divina” onde o direito e a religião se confundiam e pela “Vingança Pública” cuja principal finalidade era a segurança do monarca. A história do Direito Penal é descrita em fases nas quais os princípios e aspectos não se sucedem de forma estreitamente linear. 21 . E o Direito Canônico substituiu as penas patrimoniais pelo encarceramento. A preocupação com as regras que definem o crime e as penas a serem aplicadas aos infratores vem desde os tempos antigos. podendo ser citado o Código de Hamurabi. Caminhamos pela “Vingança Privada” com a famosa Lei de Talião.8 CONCLUSÃO Para que possamos entender a filosofia e os princípios que direcionam o direito penal hoje foi preciso retornar na história e descobrir suas bases. Com o surgimento da escrita. Então vamos passado pelas diversas correntes filosófico-jurídicas sobre crimes e punições.“O Direito Penal surge com o homem e o acompanha através dos tempos. com a Teoria do Contrato Social. marco entre a pré-história e a história.

denegrida. Não se pode perder de vista que ao ser humano deve ser outorgada toda a dignidade a ele inerente e que tudo que se contrapõe a isso seja repudiado com toda a força da lei. Muito foi adquirido até aqui mas até onde aqueles que cumprem pena de reclusão estão sofrendo somente a coerção inerente ao crime cometido? Ou será que aquela “pessoa” protegida pelo artigo 5º da Constituição Federal. Hoje. mas cujo intento sempre foi melhorar a vida dos homens. Como muito bem falou Thomas Jefferson[21] "Nós abraçamos essas verdades por serem evidentes por si próprias: que todos os homens são criados iguais. cheio de ensaios e erros. base da responsabilidade inalienável que cabe ao homem por seus atos. É pertinente ressaltar que nenhum Estado pode se sobrepor à justiça e que todos os atos de genocídios e expurgos são imorais. Nosso sistema carcerário fere um dos princípios basilares da CF que é a “Dignidade da Pessoa Humana” e deixa de cumprir assim seu papel precípuo que seria o de reabilitar o infrator à sociedade. mesmo quando previstos por leis ditatoriais como o nazismo e fascismo. decisões de Tribunais que não vão de encontro a nossa Constituição Federal. cuja visão muitas vezes foi deturpada pelo chamado "espírito da época"[20]. foram sendo elaborados os parâmetros do legalmente certo e errado e das punições permitidas ao Estado. ainda mais tratando-se do brasileiro. A ”Escola Técnico-Jurídica” iniciada e m 1905 reage contra a positivista e objetiva a restauração do critério propriamente jurídico do Direito Penal como ciência. Graças ao árduo trabalho de juristas competentes. destituída de seus direitos em todas as suas formas? Caminhamos até aqui mas precisamos prosseguir para que o Direito Penal possa cumprir sua finalidade na sociedade. que passou por todas as gradações do profundo desrespeito à pessoa até à moderna proposta da valorização dos direitos humanos.A Escola Positivista encara o crime sob a óptica sociológica e o criminoso torna-se alvo de investigações biopsicológicas com fundamentos que não resistem a uma análise mais minuciosa e negam o livre-arbítrio. o Direito Pena precisa de muitas reformas. está sendo sugada. outras refeitas. Há leis que poderiam ser abolidas. que eles são investidos por seu Criador com alguns direitos inalienáveis entre os quais se encontram a vida. A observação dessa abordagem cronológica propicia o entendimento da evolução do pensamento humano sobre o conceito e o significado de crime e sobre as penas que ao infrator devem ser imputadas. a liberdade e a busca da felicidade"[22]. A construção da ciência do Direito Penal foi um processo lento. 22 .

23 . Dos Delitos e das Penas (1764). São Paulo. Saraiva. Ana Célia Couto . Rogério – TV Justiça – Saber Direito: Aula sobre a Evolução do direito Penal.Evolução Histórica do Direito Penal e Escolas Penais BECCARIA. Manual de Direito Penal. 2000 NORONHA. editora Martin Claret. Cesare. E. Júlio Fabrini. 2003 GRECCO.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HORTA. Magalhães. Direito Penal. Volume 1. 2010 MIRABETE.

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