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UEM- UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

FAPF – FACULDADE DE ARQUITECTURA E PLANEAMENTO FÍSICO

TECNOLOGIAS PARA O CONTROLE


AMBIENTAL E DOS SISTEMAS DE SERVIÇOS II
DOCENTE: ARQ. ONIONS

ACÚSTICA
DISCENTE: JÉSSICA LAGE
SETEMBRO DE 2009
TECNOLOGIAS PARA CONTROLE AMBIENTAL E DOS SISTEMAS DE SERVIÇO II

ÍNDICE
2
ONDAS SONORAS 4

SOM 6

QUALIDADES FISIOLÓGICAS DO SOM 6

FREQUÊNCIA DO SOM 6

TIMBRE DO SOM 9

TRANSMISSÃO DO SOM 11

FENÓMENOS SONOROS 11

EFEITO DE DOPPLER 14

CORDAS VIBRANTES 16

OUVIDO 17

RUÍDO 22

MATERIAIS ACÚSTICOS 24

PROPAGAÇÃO SONORA EM CAMPO LIVRE E PAINÉIS 25

PROPAGAÇÃO SONORA EM CAMPO DIFUSO 25

ISOLAMENTO ACÚSTICO 27

ORDENS DE GRANDEZA DOS NÍVEIS 29

A IMPORTÂNCIA DO SOM E DA ARQUITECTURA 30

INTERACÇÃO SOM – EDIFÍCIO 30

A ARQUITECTURA, RUÍDOS, PROBLEMAS DE CONTEXTO 31

ACÚSTICA ARQUITECTÓNICA 33

BIBLIOGRAFIA 35

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INTRODUÇÃO
3
Acústica é o estudo das ondas sonoras
• Ondas sonoras são mecânicas, longitudinais e tridimensionais;
• Ondas sonoras não se propagam no vácuo;

É o segmento da Física que interpreta o comportamento das ondas sonoras audíveis frente aos
diversos fenômenos ondulatórios.

A Acústica Arquitectónica estuda as relações entre as variáveis do som que interagem com os
espaços edificados e o meio sonoro resultante da geração, propagação e percepção sonora,
com enfoque no conforto humano.

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1. ONDAS SONORAS
1.1 COMO SÃO PRODUZIDAS?
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Da mesma maneira que, oscilando nossa mão mão de cima para baixo, somos capazes de criar
perturbações numa corda esticada, certos elementos (determinados tipos de cristais, cordas e
couros esticados de alguns instrumentos musicais, pregas vocais,...) quando postos a vibrar,
produzem, nos meios ao seu
eu redor (geralmente o ar), perturbações que se propagam ao longo
desses meios com uma determinada velocidade.

Ao vibrarem, tais elementos empurram, repetidamente, as partículas do meio, localizadas em


suas proximidades que, estimuladas, colidem com suas vizinhas e voltam à ocupar sua posição
anterior para serem novamente impelidas pela vibração da fonte. As partículas vizinhas
procedem da mesma maneira e assim por diante. Esse movimento oscilatório das partículas
cria variações localizadas na densidade do
do meio, pois ora estão mais próximas, ora mais
afastadas umas das outras.

A lâmina, ao executar o movimento oscilatório, empurra e puxa, sucessivamente, as moléculas


do ar, criando várias regiões de compressão e de rarefacção, respectivamente.

O efeito
ito se traduz na formação de regiões com grande densidade de partículas, onde se
encontram bem comprimidas (região de compressão), alternadas com outras de pequena
densidade (região de rarefacção), que juntas, propagam-se
propagam se ao longo desse meio em todas as
direcções.
recções. É por esse motivo que tais ondas são, frequentemente, chamadas de ondas de
pressão.

Observe que uma determinada partícula do meio nunca consegue se movimentar para muito
longe. O que viaja através do meio é a agitação, ou seja, a energia. O fenómeno
fenómeno se assemelha a
uma fileira de dominós que decaem uns sobre os outros após o primeiro ser empurrado.

Observe que as partículas do meio vibram na mesma direcção de propagação da onda. Por
esse motivo, o som é classificado como sendo uma onda longitudinal.
l

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1.2 O QUE SÃO?


São perturbações alternadas (regiões de compressão seguidas de regiões de rarefação) que se
propagam ao longo de um determinado meio, transmitindo energia sem, entretanto, produzir
5
grandes deslocamentos nas partículas desse meio.
Tais partículas, ao serem atingidas pela onda, passam a executar um movimento oscilatório de
amplitude desprezível comparada ao alcance dessa onda.

• Podemos perceber que a energia emitida pela fonte se propaga ao longo do meio
através das vibrações de suas partículas constituintes. Isso significa que a onda sonora
não seria transferida de uma posição à outra se não existissem tais partículas para
conduzir a energia. Portanto, esse tipo de onda só pode ser transmitido através de
materiais flexíveis, erráticos, ou seja, sistemas que permitam que suas “porções” se
movimentem umas em relação às outras e que, portanto, sofram pequenas
deformações. É por esse motivo que a onda sonora é classificada como onda
mecânica.
• Sendo assim, o som consegue se propagar no ar, na água, nos metais…

• O som não consegue se propagar através do vácuo (ausência de matéria). É por esse
motivo que não conseguimos escutar as grandes explosões estelares que acontecem
no universo.

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2. O som é uma ondaa mecânica longitudinal,


qualquer
longitudinal, sendo também normalmente definido como
ualquer variação de pressão que o ouvido possa detectar.
6
2.1 QUALIDADES FISIOLÓGICAS DO SOM

2.1.1 FREQUÊNCIA DO SOM

A frequência medida em Hertz (Hz), é a quantidade de ondas de um som propagado


propagado no tempo
de 1 segundo. Os sons de baixa frequência são chamados de graves e os de alta frequência de
agudo.

A frequência de uma onda sonora é determinada pela fonte, ou seja, a frequência do som
emitido é exactamente igual à frequência de oscilação
oscilação da fonte que o produziu. É essa
propriedade que nos possibilita distinguir um som agudo de um grave.

Quanto maior a frequência de oscilação da fonte, maior será a frequência do som produzido
por ela. Após ser detectado pelo nosso sistema auditivo e transmitido
transmitido ao cérebro, esse tipo de
onda é interpretado como um som agudo. Dizemos que essa onda de alta frequência é um
som “alto” ou possui alto volume.

Ao contrário, um som grave é aquele que possui pequena frequência. Isso significa que a fonte
que produz
uz esse tipo de onda oscila com pequena frequência. Dizemos que esse som é “baixo”
ou possui baixo volume.

• Infra-som: sons com frequências abaixo de 20Hz. Não perceptível ao ser humano;
• Ultra-som: sons com frequências acima de 20000Hz. Não perceptível
rceptível ao ser humano;
• Som audível: sons com frequências perceptíveis ao ser humano (20Hz a 20000Hz)

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Volume do Som
7

2.1.2 INTENSIDADE DO SOM

A intensidade, medida em decibel (db), é a força ou pressão que o som exerce nos nossos
ouvidos. É conhecido
cido como altura, volume. Um lugar tranquilo tem sons de baixa intensidade,
enquanto que uma máquina ruidosa tem alta intensidade. Quando a intensidade alcança altos
valores, o som se transforma em risco para audição dos trabalhadores.

Resumindo é a qualidade que permite diferenciar um som forte de um som fraco. A


intensidade do som está relacionada com energia que a onda transfere e com a amplitude da
onda.

Intensidade sonora é a potência sonora por unidade de área1.


A intensidade mínima da audição é, geralmente, I0 = 10-12 W/m2.

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INTENSIDADE FÍSICA
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J W
m2 ⋅s m2

• Mínima intensidade física ou limiar de audibilidade (Io): é o menor valor da intensidade


física ainda audível, vale:

W
I o = 10 −12
m2

• Máxima intensidade física ou limiar de dor (Imáx): é o maior valor da intensidade física
suportável pelo ouvido, vale:

W
I máx = 1
m2

• Intensidade auditiva ou nível sonoro ( β ):

I
β = 10 ⋅ log
Io

A unidade de nível sonoro, para a equação dada, é o decibel (dB).


Um ambiente com:
• 40dB é calmo;
• 60dB é barulhento
• mais de 80dB já constitui poluição sonora

Resumo

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2.1.3 TIMBRE DO SOM

Qualidade que permite diferenciar duas ondas sonoras de mesma altura e mesma intensidade,
emitidos por fontes distintas.
9
O timbre está relacionado à forma da onda emitida pelo instrumento.

D ia p a s ão

F lau ta

V io lin o

V o z ( letra a )

C la rin e ta

A figura seguinte mostra a extensão dos espectros de emissão de ondas sonoras de vários
animais. Através dela, podemos perceber que alguns deles são capazes de ouvir sons que os
seres humanos não conseguem perceber.

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NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA


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2.2 Transmissão do Som


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A maioria dos sons chega ao ouvido transmitida pelo ar, que age como meio de transmissão.

Nas pequenas altitudes, os sons são bem audíveis, o que não ocorre em altitudes maiores,
onde o ar é menos denso.

O ar denso é melhor transmissor do som que o ar rarefeito, pois as moléculas gasosas estão
mais próximas e transmitem a energia cinética da onda de umas para outras com maior
facilidade.

Os sons não se transmitem no vácuo, porque exigem um meio material para sua propagação.

De uma maneira geral, os sólidos transmitem o som melhor que os líquidos, e estes, melhor do
que os gases.

Observe a tabela que apresenta a velocidade de propagação do som a 25°C.

Meio Velocidade (m/s)


Ar 346
Água 1498
Ferro 5200
Vidro 4540

2.3 Fenómenos Sonoros


Sendo o som uma onda, ele apresenta as seguintes propriedades características: reflexão,
refracção, difracção, interferência e ressonância.

1a. Propriedade: Reflexão

Quando ondas sonoras AB, A’B’, A”B” provenientes de um ponto P encontram um obstáculo
plano, rígido, MN, produz-se reflexão das ondas sobre o obstáculo.

Na volta, produz-se uma série de ondas reflectidas CD, C’D’, que se propagam em sentido
inverso ao das ondas incidentes e se comportam como se emanassem de uma fonte P’,
simétrica da fonte P em relação ao ponto reflector.

A reflexão do som pode ocasionar os fenómenos eco e reverberação.

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Eco

Os obstáculos que reflectem o som podem apresentar superfícies muito ásperas. Assim, o som
pode ser reflectido por um muro, uma montanha etc.

O som reflectido chama-se eco, quando se distingue do som directo.

Para uma pessoa ouvir o eco de um som por ela produzido, deve ficar situada a, no mínimo,
17 m do obstáculo reflector, pois o ouvido humano só pode distinguir dois sons com intervalo
de 0,1 s. O som, que tem velocidade de 340 m/s, percorre 34 m nesse tempo.

O sonar é um aparelho capaz de emitir ondas


sonoras na água e captar seus ecos, permitindo,
assim, a localização de objectos sob a água.

Reverberação

Em grandes salas fechadas ocorre o encontro do som com as paredes. Esse encontro produz
reflexões múltiplas que, além de reforçar o som, prolongam-no durante algum tempo depois
de cessada a emissão.

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É esse prolongamento que constitui a reverberação.


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A reverberação ocorre quando o som reflectido atinge o observador no instante em que o som
direito está se extinguindo, ocasionando o prolongamento da sensação auditiva.

2a. Propriedade: Refracção

Consiste em a onda sonora passar de um meio para o outro, mudando sua velocidade de
propagação e comprimento de onda, mas mantendo constante a frequência.

3a. Propriedade: Difracção

Fenómeno em que uma onda sonora pode transpor obstáculos.

Quando se coloca um obstáculo entre uma fonte sonora e o ouvido, por exemplo, o som é
enfraquecido, porém não extinto.
Logo, as ondas sonoras não se propagam somente em linha recta, mas sofrem desvios nas
extremidades dos obstáculos que encontram.

4a. Propriedade: Interferência

Consiste em um recebimento de dois ou mais sons de fontes diferentes.

Neste caso, teremos uma região do espaço na qual, em certos pontos, ouviremos um som
forte, e em outros, um som fraco ou ausência de som.

Som forte  interferência construtiva

Som fraco  interferência destrutiva

5a. Propriedade: Ressonância

Quando um corpo começa a vibrar por influência de outro, na mesma frequência deste, ocorre
um fenómeno chamado ressonância.

Como exemplo, podemos citar o vidro de uma janela que se quebra ao entrar em ressonância
com as ondas sonoras produzidas por um avião a jacto.

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Efeito Doppler
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Quando uma pessoa se aproxima de uma fonte sonora fixa, a frequência do som do ouvido é
maior do que aquela de quando a pessoa se afasta da fonte.

O mesmo resultado seria obtido se a fonte se aproximasse ou se afastasse de uma pessoa


parada.

Você pode observar esse fenómeno ouvido o apito de uma locomotiva em movimento. O apito
é mais grave (frequência menor) quando está se afastando, após ter passado por você.

Observe que, quando há aproximação entre o observador e a fonte, o observador recebe


maior número de ondas por unidade de tempo e, quando há afastamento, recebe um menor
número de ondas:

Essa variação aparente da frequência de onda é chamada efeito Doppler, em homenagem ao


físico e matemático austríaco Christian Johann Doppler (1803-1853), que ficou célebre por
esse princípio.
Denominando f’ a frequência recebida pelo observador e f a frequência emitida pela fonte,
temos:

Aproximação: f’ > f
Afastamento: f’ < f

Essas grandezas são relacionadas pela expressão:

Onde:
v = velocidade da onda
vF = velocidade da fonte
vo = velocidade do observador
f = frequência real emitida pela fonte
f’ = frequência aparente recebida pelo observador.

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Os sinais mais (+) ou menos (-)


convenção:
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( que precedem o vo ou vF são utilizados de acordo com a

A trajectória será positiva de O para F.


F Portanto:

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CORDAS VIBRANTES

Quando uma corda, tensa e fixa nas extremidades, é posta a vibrar, originam-se
transversais que se propagam ao longo do seu comprimento, reflectem-se
originam ondas
reflectem se nas extremidades e,
16
por interferência, ocasionam
asionam a formação de ondas estacionárias.

A corda, vibrando estacionariamente, transfere energia ao ar em sua volta, dando origem às


ondas sonoras que se propagam no ar. A frequência dessa onda é igual à frequência de
vibração da corda. Assim, uma corda vibrante (ou corda sonora) é uma fonte sonora.
sonora

As cordas vibrantes são fios flexíveis e traccionados


tra cionados nos seus extremos. São utilizados nos
instrumentos musicais de corda como a guitarra, o violino, o violão e o piano.

Velocidade e tracção na corda


rda

T
v=
µ

HARMÓNICOS NAS CORDAS

Primeiro Harmónico ou Frequência Fundamental forma-se,


se, na corda, um fuso com 2 nós.

λ 1
L = 1 ⋅ 1º HARMÓNICO
2
2 ⋅ L
λ 1 =
1

Segundo Harmônico formam--se, na corda, dois fusos com 3 nós.

λ 2
L = 2 ⋅
2º HARMÓNICO 2
2 ⋅ L
λ 2 =
2

Terceiro Harmônico forma-se,


se, na corda, três fusos com 4 nós
λ 3
L = 3 ⋅
2
2 ⋅ L 3º HARMÓNICO
λ 3 =
3

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3. OUVIDO
ANATOMIA DA ORELHA
17
O órgão responsável pela audição é a orelha (antigamente denominado ouvido), também
chamada órgão vestíbulo-coclear ou estato-acústico.

A maior parte da orelha fica no osso temporal, que se localiza na caixa craniana. Além da
função de ouvir, o ouvido também é responsável pelo equilíbrio.
A orelha está dividida em três partes: orelhas externas, média e interna (antigamente
denominadas ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno).

ORELHA EXTERNA

A orelha externa é formada pelo


pavilhão auditivo (antigamente
denominado orelha) e pelo canal
auditivo externo ou meato auditivo.

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recoberto por pele, tendo como função captar e canalizar os sons para a orelha média.
A orelha ela foi criada especificamente para transmitir o som.
O som começa com movimentos. Quando os objectos vibram, as
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Todo o pavilhão auditivo (excepto o lobo ou lóbulo) é constituído por tecido cartilaginoso

moléculas de ar são definidas em movimento e transmitidas como


ondas sonoras. Os contornos da orelha externa, com forma de
funil, guiam e focalizam estas ondas sonoras no canal externo,
onde elas são captadas e amplificadas pelo formato do mesmo.
Simultaneamente capta o som dentro do espaço formado e
restringe a entrada do ruído de fundo. Depois de estar dentro do
canal auditivo, as ondas sonoras viajam até encontrarem o
tímpano, o ponto divisório entre a orelha externa e a orelha
média.

O canal auditivo externo estabelece a comunicação entre a orelha média e o meio externo,
tem cerca de três centímetros de comprimento e está escavado em nosso osso temporal. É
revestido internamente por pêlos e glândulas, que fabricam uma substância gordurosa e
amarelada, denominada cerume ou cera.

Tanto os pêlos como o cerume retêm poeira e micróbios que normalmente existem no ar e
eventualmente entram nos ouvidos.

O canal auditivo externo termina numa delicada membrana - tímpano ou membrana


timpânica - firmemente fixada ao conduto auditivo externo por um anel de tecido fibroso,
chamado anel timpânico.

ORELHA MÉDIA

A orelha média começa na membrana timpânica e consiste, em sua totalidade, de um espaço


aéreo – a cavidade timpânica – no osso temporal. Dentro dela estão três ossículos articulados
entre si, cujos nomes descrevem sua forma: martelo, bigorna e estribo. Esses ossículos
encontram-se suspensos na orelha média, através de ligamentos.

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O cabo do martelo está encostado no tímpano; o estribo apoia-se na janela oval, um dos

média. O outro orifício é a janela redonda. A orelha média comunica-se também com a
faringe, através de um canal denominada tuba auditiva (antigamente denominada trompa de
Eustáquio). Esse canal permite que o ar penetre. Dessa forma, de um lado e de outro do
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orifícios dotados de membrana da orelha interna que estabelecem comunicação com a orelha

tímpano, a pressão do ar atmosférico é igual. Quando essas pressões ficam diferentes, não
ouvimos bem, até que o equilíbrio seja restabelecido.

ORELHA INTERNA

A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal, revestidas
por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas janelas oval e a
redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol - relacionada com a
audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e constituída pelo vestíbulo e
pelos canais semicirculares.

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A cóclea é um aparelho membranoso formado por tubos espiralados.


20

O diagrama da secção transversal (ao lado),


mostra que a cóclea é composta por três
tubos individuais, colados uns ao lado do
outro: as escalas ou rampas timpânica,
média ou coclear e vestibular. Todos esses
tubos são separados um do outro por
membranas. A membrana existente entre a
escala vestibular e a escala média é tão fina
que não oferece obstáculo para a
passagem das ondas sonoras. Sua função é
simplesmente separar os líquidos das
escalas médias e vestibular, pois esses têm
origem e composição química distintas
entre si e são importantes para o adequado
Imagens: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª funcionamento das células receptoras de
ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981. som.

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O ouvido interno consiste de uma coclea, canais semicirculares, e do nervo auditivo.


A coclea e os canais semicirculares
semicircu
21
são cheios de um líquido. O líquido e as células nervosas
dos canais semicirculares não têm função na audição; eles simplesmente servem como
acelerômetros para detectar movimentos acelerados e na manutenção do equilíbrio do corpo.

gão em forma de um caramujo que pode esticar até 3 cm. Além de estar
A coclea é um órgão
cheio de um fluido, a superfície interna da coclea está alinhada com cerca de 20.000 células
nervosas que performam a funções mais críticas na nossa capacidade de ouvir.

ervosas possuem comprimentos diferentes, por diferenças minúsculas; eles


Estas células nervosas
também possuem diferentes graus de elasticidade no fluido que passa sobre eles. À medida
que uma onda de compressão se move da interface entre o martelo do ouvido médio para a
janela oval do ouvido interno através da coclea, as células nervosas na forma de cabelos
entram em movimento.

Cada célula capilar possui uma sensibilidade natural a uma frequência de vibração particular.
Quando a frequência da onda de compressão casa com a frequência
frequência natural da célula nervosa,
a célula irá ressoar com uma grande amplitude de vibração. Esta vibração ressonante induz a
célula a liberar um impulso eléctrico que passa ao longo do nervo auditivo para o cérebro. Em
um processo que ainda não é compreendido
compreendido inteiramente, o cérebro é capaz de interpretar as
qualidades do som pela reacção dos impulsos nervosos.

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4. RUÍDO
Definição
22
O ruído é uma oscilação do ar que, ao bater no tímpano
é interpretado pelo ouvido e o cérebro.

Desconforto

Falamos geralmente de ruído para os sons (músicas, letras, …) não necessários e que
incomodam. O ruído dos outros é muito mais incómodo que nosso próprio ruído. Desta
maneira, reduzir o ruído dos outros, impedindo que o mesmo se propague de um posto de
trabalho a outro, diminui muito o desconforto.

Surdez (perda auditiva induzida pelo ruído)

Entretanto todos os ruídos, sons, músicas, agradáveis ou não, são da mesma forma
susceptíveis de provocar surdez a partir de um certo nível.
Não podemos nos contentar de reduzir o ruído dos outros, mas devemos lutar contra o ruído
na fonte, de tal forma que a pessoa que trabalha com uma máquina barulhenta seja protegida.

Frequências e tonalidades

Os ruídos podem ser:


Graves: ruídos de um motor diesel, de um caminhão, de um compressor. Estes são ruídos
chamados de “baixas frequências” difíceis para eliminar dentro de um local e de impedir sua
passagem de um local para outro.
Médios: principalmente os ruídos da voz masculina e feminina. Os ruídos deste tipo vão
principalmente atrapalhar a conversação.
Agudos: ruído de uma serra circular. Esses ruídos são particularmente perigosos e podem
rapidamente provocar surdez.
Muito agudos: ruído estridente como um apito, são ruídos de altas frequências

Além desses tipos de sons audíveis, falamos:


De infra-sons para as frequências muito baixas
De ultra-sons para as frequências muito altas

Unidades

O ruído se mede em decibéis (dB). Entretanto o ouvido não ouve os ruídos de todas as
frequências da mesma maneira e tem tendência a reduzir os ruídos graves. Para levar em
conta este fenómeno, os aparelhos têm um circuito electrónico permitindo igualmente
atenuar esses ruídos de baixas frequências.
Quando medimos o ruído, não como ele existe, mas como ele é ouvido, falamos em dB (A).

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23

O ruído se propaga dentro de um local de três maneiras diferentes e os meios de combate não
são os mesmos.

1. Via directa: o ruído se propaga directamente da fonte ao ouvido do trabalhador. Seu nível
será, sobretudo em função da distância.
dis
Para diminuir este ruído directo, pode-se
pode
• Afastar o trabalhador
• Colocar um painel: o que acorre por exemplo na beira das auto-estradas.
auto

2. Via reverberada: o ruído se reflecte sobre as paredes, tetos, chão, máquina e chega de
maneira indirecta ao ouvido do trabalhador.
A solução consiste em diminuir estes reflexos tornando as paredes mais absorventes. Um forro
falso absorvente é quase sempre útil.

3. Por transmissão: as vibrações da máquina passam para o chão e se transmitem para uma
placa de ferro ou um painel que entra em vibração e emite ruído.
Esta transmissão das vibrações no chão é bloqueada por materiais amortecedores tais como
molas, borracha ou cortiça.
O nível sonoro ouvido pelo operador é a soma dos três componentes e é muito difícil de
identificar a fonte do ruído.

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5. MATERIAIS ACÚSTICOS
É importante fazer uma distinção entre os 3 tipos de materiais acústicos:
24
1. Materiais absorventes: lã mineral, espuma, madeira expandida, materiais porosos.
• Eles são utilizados para reduzir a reverberação do ruído dentro de um local
• O material deve ser poroso para absorver o ruído:
O concreto não absorve nada (coeficiente de absorção = 0)
Os materiais porosos absorvem mais os ruídos agudos (frequências altas).

2. Materiais isolantes: concreto, tijolo, gesso, materiais pesados


• Eles impedem o ruído de passar de um local para outro
• O material deve ser pesado para não vibrar:
A espuma é muito leve e não isola de jeito nenhum
Os materiais pesados bloqueiam melhor os ruídos agudos
(exemplo: podemos ouvir as baixas frequências da música do vizinho).

3. Materiais amortecedores: feltro, cortiça, borracha, molas, …


• Eles impedem a vibração mecânica: uma mão sobre um sino ou uma placa de ferro que
vibra, pára as vibrações e o ruído emitido
• O material deve ser emborrachado e não pode ser comprimido
• O concreto não bloqueia nada e um choque sobre uma parede é ouvido em todo lugar
• Uma espuma é comprimida e não bloqueia nada
• Os materiais emborrachados (silent blocs) bloqueiam melhor as vibrações rápidas que as
lentas.
Frequentemente os 3 materiais, devem ser utilizados juntos
• Um silent bloc (bloco silenciador) em baixo de uma máquina para que as vibrações não sejam
transmitidas ao chão e ao edifício
• Um invólucro (capota) em material pesado para bloquear o ruído ao nível da máquina
• Um material absorvente no interior da capota para absorver e eliminar o ruído acumulado.

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6. PROPAGAÇÃO SONORA EM CAMPO LIVRE E PAINÉIS

1. Campo livre
25
• Propagação directa do ruído sem reflexão (reverberação) sobre as paredes: situação típica no
exterior ou dentro de um local transformado em muito absorvente.

2. Propagação do ruído em campo livre


• Redução de 6 dB do nível sonoro quando a distância entre a fonte e o trabalhador, é
duplicada.
Exemplo:
Se a 1 m da fonte 90 dB (A)
a 2 m da fonte 84 dB(A), - 6 dB
a 8 m da fonte 72 dB(A), - 18dB

3. Instalação de um painel
• Em campo livre, a instalação de um painel entre a fonte e o trabalhador provoca uma
atenuação complementar.
• Entretanto é preciso que
• No plano horizontal, a largura do painel
• E no plano vertical, a altura do painel,
• Sejam feitas de tal maneira que os ângulos indicados nas figuras seguintes sejam superiores
a 60°.

7. PROPAGAÇÃO SONORA EM CAMPO DIFUSO (MATERIAIS ABSORVENTES)

1. Campo difuso
• Propagação directa e por reflexão sobre as paredes (campo reverberado) entre a fonte de
ruído e o trabalhador (caso mais frequente no meio profissional).

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2. Propagação em campo difuso

O nível sonoro junto ao trabalhador é função:


• Do nível emitido pela fonte
• Da distância entre a fonte e o trabalhador (campo directo)
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• Da superfície das paredes e do volume do local:
O nível sonoro diminui, se o local é maior
• Da absorção do ruído pelos materiais que recobrem as paredes:
O nível sonoro do campo reverberado diminui se as paredes são mais absorventes
Ele diminui de cerca de 3 dB (em campo reverberado) pela duplicação do coeficiente
de absorção médio das superfícies.

3. Materiais absorventes

• Os materiais absorventes são destinados a reduzir a reverberação do ruído dentro de um


local
• Eles são caracterizados por seu coeficiente de absorção a (%):
a = 0%: nada foi absorvido e todo o ruído é reverberado
Exemplo: concreto liso
a = 100%: tudo é absorvido
Exemplo: porta aberta
• A absorção é em geral melhor para as frequências altas, portanto é muito mais fácil reduzir
os ruídos agudos que os ruídos graves.

4. Tipos de materiais absorventes

Os materiais absorventes são de 3 tipos: materiais porosos, membranas e aqueles que vibram
por ressonância.
• Materiais absorventes porosos
Lã de vidro, de rocha
Espumas plásticas, madeira expandida
• Caracterizados por:
Uma absorção muita elevada nas altas frequências
Uma absorção muito mais fraca nas baixas frequências
• A absorção nas baixas frequências pode ser aumentada utilizando painéis porosos semi-
rígidos, colocados 20 a 40 cm da parede de trás.
• Materiais membranas e que ressonam:
Painéis leves de madeira, vidro, metal
• Caracterizados por:
Uma absorção fraca nas altas frequências
Uma absorção mais elevada nas baixas frequências.
• Na prática, tenta-se utilizar materiais com membranas recobertas de um material poroso:
Painéis acústicos rígidos de teto
• Caracterizados por uma absorção mais uniforme para todas as frequências.

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8. ISOLAMENTO ACÚSTICO (MATERIAIS ISOLANTES)

1. Definição: Um material isolante impede o ruído de passar de um local para outro.


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• O isolamento entre dois locais representa uma atenuação do ruído de um local para outro.
Ele varia em função do conjunto da estrutura e todos os materiais separando os dois locais.
• A atenuação acústica é uma característica intrínseca de um material.

2. Atenuação de um material sobre parede de simples espessura

• Quanto mais o material for pesado, mais a atenuação acústica será elevada.
• Tipicamente a atenuação ( R ) varia em função da frequência segundo a figura seguinte:

• Ela é normalmente mais importante para os sons agudos que para os sons graves.
• Ela apresenta uma queda em torno de uma frequência «crítica» característica do material.

A ordem de grandeza da atenuação a 500 Hz :


• Cerca de 40 dB para uma parede de 100 kg/m²
• Ela aumenta de 4 dB se duplicamos o peso
• Ela aumenta de 4 dB se duplicamos a frequência.

3. Tipos de materiais isolantes em paredes simples

Materiais pesados (concreto pesado)


• O peso por m² é elevado, portanto a atenuação também
• A frequência critica é baixa, portanto a queda na atenuação incomoda pouco.

Materiais semi-pesados (tijolos e sobretudo gesso)


• O peso por m² é mais fraco, portanto a atenuação também
• A frequência critica chega perto de 500 Hz, portanto acontece uma queda na atenuação, de
tal maneira que a voz humana é menos atenuada.

Materiais leves (madeira, tijolos furados, vidro...)


• O peso por m² e, portanto a atenuação é nitidamente mais fraca.

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4. Paredes duplas

• As paredes duplas são constituídas de duas camadas isoladas uma da outra.


• Elas permitem obter atenuações do mesmo nível ou mais importantes que uma parede
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simples de concreto

5. Perda de atenuação por fendas, orifícios, …

Fenómeno:
• Um orifício ou uma fenda deixa passar toda a energia sonora incidente
• Um material que atenua 40 dB, deixa passar 1/10.000 da energia sonora incidente
• Um orifício de superfície S deixa portanto passar a mesma quantidade de ruído que um
material de atenuação de 40 dB e de superfície 10.000 S
• Desta maneira, um orifício de 1 dm² deixa passar a mesma quantidade de ruído que um
material de atenuação 40 dB e de 100 m² de superfície
• Portanto um orifício prejudica a atenuação dos materiais acústicos e ainda mais, se for
grande

Recomendações:
• Suprimir ou reduzir ao mínimo os orifícios, as fendas ou os elementos de fraca atenuação
Os orifícios nas capotas;
As passagens das canalizações, principalmente os condutos de ventilação nas paredes;
As caixas eléctricas;
As fendas em volta das portas e janelas;
Os espaços atrás das guarnições das portas;

6. Diferenças entre atenuação e isolamento

O isolamento entre dois locais é função:


• Da atenuação dos materiais da parede comum
• Da atenuação dos materiais das paredes laterais
• Da superfície dessas paredes laterais e da parede comum
• Do tipo de ligação entre essas paredes
• Da homogeneidade das superfícies: portas, fendas, orifícios, elementos fracos, …

7. Melhoria do isolamento acústico

• Em caso de isolamento acústico insuficiente entre dois locais, as acções prioritárias são:
• Procurar as fendas, orifícios, elementos fracos e tampa-los.
• Agir sobre a parede comum.

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9. ORDENS DE GRANDEZA DOS NÍVEIS SONOROS

Unidades
O ruído é caracterizado por:
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• Sua frequência (Hz): gama audível 20 a 20.000 Hz, sons graves : frequências baixas (<400 Hz),
sons agudos: frequências altas (>1600 Hz).
• Sua amplitude em decibéis (dB)
• Sua velocidade de propagação: 340 m/s no ar

Em termos de exposição profissional, a unidade dos níveis sonoros


• é sempre o dB(A) que caracteriza o ruído como ele é ouvido,
• Considerando a sensibilidade da orelha humana.

1. Ordens de grandeza
• A figura abaixo caracteriza alguns ruídos comuns em termos de frequências e de amplitude.

2. Adição de decibéis

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10. A IMPORTÂNCIA DO SOM E O ARQUITECTO

O som é a mais antiga e importante forma de comunicação humana por intermédio da palavra
falada. Fonte de prazer estético através da música, da oratória e dos sons agradáveis do
ambiente natural, também comporta valores negativos trazidos por ruídos desagradáveis ou
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muito intensos, que podem vir a perturbar a comunicação sonora, a privacidade, o repouso e o
sono das pessoas e em situações críticas, provocar danos físicos e mentais em indivíduos
expostos a ruídos intensos durante longo tempo.

Desta forma, o conforto acústico em um recinto - qualquer que seja sua destinação - está
ligado tanto à eficiência da comunicação sonora no seu interior, imprescindível em todas as
actividades humanas, como pela ausência de ruídos perturbadores. O conforto acústico será
obtido quando as duas condições - comunicação e ausência de ruídos perturbadores - forem
atingidas, de acordo com as exigências específicas do uso de cada ambiente.

Para o Arquitecto preocupado com a qualidade de seus projectos em todos os aspectos, a


solução dos problemas acústicos em uma edificação qualquer pertence a duas categorias de
técnicas interdependentes:

• Protecção contra os ruídos, tendo em vista o conforto, o repouso, a saúde, a satisfação


e a eficiência do desempenho das pessoas em suas actividades;

• Condicionamento acústico, obtido pelo controle da energia sonora e da propagação


do som nos recintos, tendo em vista a qualidade da comunicação e a boa audição.

É responsabilidade do arquitecto ao elaborar seus projectos, oferecer soluções arquitectónicas


que integrem a qualidade acústica das salas aos factores determinantes do projecto como a
localização da obra, função, recursos técnicos, aparência e às demais condições ligadas à
iluminação, ao ambiente térmico e ao meio físico.

Para atingir o objectivo de atingir qualidade em qualquer área de conforto, normalmente o


arquitecto trabalha com o apoio de especialistas sem, entretanto, abrir mão da qualidade de
seu projecto cuja concepção, que inclui o controlo ambiental é, em última analise, de sua
inteira responsabilidade.

O som interage com os edifícios em todos os aspectos: a acústica de uma sala, qualquer que
seja a sua destinação de uso, depende integralmente de sua arquitectura. O projecto executivo
de acústica de uma sala é, portanto, um projecto de arquitectura de interiores com
qualidades técnicas precisas, exigindo uma perfeita interacção entre a concepção
arquitectónica e o especialista na área.

10.1 INTERAÇÃO SOM-EDIFÍCIO

Os edifícios funcionam como operadores sonoros, condicionando o meio acústico em seu


interior pelas qualidades formais, construtivas e funcionais de seus ambientes. Nestas
condições, os edifícios criam condições sonoras diversas das existentes no meio exterior, bem
como diferenças acústicas sensíveis entre seus próprios recintos.
A expectativa é que os edifícios ofereçam aos seus usuários condições adequadas tanto em
relação à qualidade da comunicação sonora desejada, como em relação à protecção contra
ruídos indesejáveis.

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Nas decisões do projecto arquitectónico os aspectos relacionados com a implantação, o uso, a
composição formal e construtiva de um edifício vão contribuir em maior ou menor grau para o
comportamento sonoro de seus recintos, com a anuência intencional ou não do projectista:

• A implantação e orientação do edifício e de suas aberturas em relação às fontes


externas podem favorecer ou dificultar o controlo dos ruídos gerados no meio urbano;

• A ocupação das salas define as exigências de conforto acústico que as actividades que
abriga requerem, assim como podem possuir fontes de ruídos e, portanto, serem
parte do problema;

• A organização espacial condiciona a propagação do som no edifício pela relação


topológica entre os ambientes ruidosos e os que requerem controlo de ruídos, bem
como pela compartimentalização das salas ou pela existência de continuidade espacial
entre recintos;

• A forma, as proporções e as dimensões dos recintos têm um importante papel na


distribuição do som e na formação do campo acústico, assim como pelo risco de
formação de fenómenos de interferência sonora perceptível, ressonância, ecos e
focalizações;

• O sistema construtivo, os materiais de vedação e os revestimentos definem a


capacidade de isolamento acústico das superfícies da construção e a capacidade da
estrutura em absorver energia sonora, contribuindo para o volume audível e o tempo
de permanência do som nos recintos;

• Os componentes agregados às salas como o mobiliário, painéis, tapetes, máquinas e


equipamentos, instrumentos musicais, cortinas e pessoas por contribuírem para a
reflexão, a absorção e a difusão do som nos recintos.

Como acontece com a iluminação natural e o meio térmico, o ambiente acústico tem a sua
configuração definida na própria concepção do edifício sendo o seu resultado, consciente ou
não, do processo de tomada de decisões de projecto.

Mas ao contrário das instalações de iluminação artificial e de ar condicionado, que podem


oferecer - independente das características do edifício - soluções activas satisfatórias no
controle do ambiente, a electroacústica oferece recursos limitados para a correcção acústica
de ambientes, salvo na amplificação do som e em sua distribuição, não contribuindo para a
correcção de defeitos geométricos das salas, protecção contra ruídos e ao isolamento sonoro.

10.2 ARQUITETURA, RUÍDOS E PROBLEMAS DE CONTEXTO.

Em princípio, todos os locais habitados estão sujeitos a terem problemas de natureza sonora.
As novas tecnologias da construção e a preponderância da forma visual dos edifícios na visão
dos arquitectos têm contribuído para isto.

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As cidades estão cada vez mais ruidosas e em contraponto, as construções estão sendo
executadas com materiais mais leves e esbeltos, reduzindo a capacidade de divisórias,
paredes, pisos e coberturas de isolarem adequadamente os ruídos, tanto os que vêm da rua
como entre os ambientes de um mesmo edifício.
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O reconhecimento dos factores que fazem os problemas acústicos da actualidade cada vez
mais importantes tem provocado a edição de normas e medidas legais do governo e têm
merecido a atenção de incorporadores, construtores e arquitectos para o conforto auditivo,
além da tradicional atenção dispensada apenas para salas de espectáculos.

Estes factores são:

O contexto urbano. O tráfego de veículos, as indústrias, obras civis e as actividades sociais têm
fomentado progressivamente o aumento dos níveis de ruídos nas cidades modernas, assim
como a crescente parafernália de motores, equipamentos e máquinas barulhentas usadas nas
edificações;

A tecnologia construtiva actual privilegia a utilização de componentes cada vez mais leves e
esbeltos para divisórias de ambientes, pavimentos e coberturas. Opções técnicas resultantes
da liberação da função estrutural das paredes, da crescente industrialização da construção e
por razões económicas. Paredes, pavimentos e coberturas leves e esbeltas têm pequena
capacidade de isolamento acústico1. O uso intenso de painéis de vidro em fachadas, o que tem
sido uma tendência corrente desde a popularização do modernismo, é um exemplo típico do
problema;

A continuidade espacial. Recurso comummente utilizado pela arquitectura moderna e mantido


pelos movimentos e tendências contemporâneas. A interligação entre recintos por aberturas
permanentes dificulta ou impossibilita o controlo da propagação do som pelos espaços dos
edifícios. As aberturas de janelas e portas necessárias para a ventilação e a circulação de
pessoas são exemplos comuns de continuidade estabelecidas entre ambientes, constituindo
pontes para a entrada e a circulação de ruídos nas edificações;

Imprevisão do planeamento. Nenhum dos aspectos citados é, em princípio, insolúvel ou


impossível de ser corrigido ou minimizado através do projecto do edifício ou de medidas legais
e administrativas para o controle de ruídos. Infelizmente, no que concerne ao trabalho do
arquitecto, os problemas acústicos são, via de regra, ignorados, salvo quando se trata de salas
de espectáculos.

Os projectos de arquitectura são geralmente elaborados sem planeamento sonoro, mesmo


quando implantados em um ambiente ruidoso e hostil. Apesar do crescimento do problema e
das reclamações de usuários, os arquitectos tendem a ver a arquitectura como arte
meramente visual e ignoram a existência do som em seus projectos, seja para favorecer a
comunicação ou para prevenirem incómodos;

Mitos. Circulam e permeiam a crença de pessoas com problemas acústicos a resolver,


inúmeros mitos e falsas verdades a respeito da acústica dos edifícios e de supostas
propriedades dos materiais, que são utilizadas por se ouvir falar não somente por leigos, mas
inclusive por engenheiros, arquitectos e decoradores. São exemplos com os quais o Autor tem
se deparado com frequência:

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O uso do poliestireno expandido (isopor) como isolante. O material é muito leve e por
isso, um mau isolante acústico. A confusão, provavelmente, se deve ao fato de que é
usado como isolante térmico;

As caixas de ovos como revestimento absorvente. As paredes de papelão ou isopor das


caixas são muito finas para ter um efeito significativo. Se funcionassem bem para fins
de absorção sonora estariam disponíveis no mercado com esta finalidade, e a um
preço bastante competitivo;

• A colocação de um forro de gesso para isolar ruídos de impacto. Os ruídos produzidos


por choque de objectos sobre o piso do pavimento superior de um recinto só podem
ser atenuados de forma eficiente e económica pelo isolamento das vibrações no
próprio piso onde são gerados;

• A eficiência de janelas de vidro duplo. O isolamento de um painel de vidro duplo é


superior ao de um vidro simples com espessura equivalente à soma das duas lâminas.
Mas havendo necessidade de serem abertos para a ventilação ou existindo frestas mal
vedadas na esquadria tornam o ganho inoperante. É útil em esquadrias com painéis
fixos associados a um sistema de ventilação mecânica;

• A crença no poder isolante da vegetação. É uma crença muito comum entre os


arquitectos e estudantes de arquitectura. Segundo JOSSE o poder de isolamento da
vegetação é insignificante. A vegetação não cria descontinuidade no meio aéreo, não
oferecendo resistência à propagação do som;

• O uso de equipamentos electrónicos para correcção acústica. O uso de equipamentos


sonoros permite gravar e editar sons gravados, equalizar frequências, reproduzir,
amplificar e distribuir sons através de alto-falantes, mas não resolvem deficiências
próprias dos ambientes, como o controle da reverberação e os problemas geométricos
das salas.

10.3 ACÚSTICA ARQUITETÓNICA

A acústica arquitectónica trata das técnicas passivas de controlo dos sons nos edifícios,
utilizando a disposição dos componentes espaciais e as propriedades físicas das edificações
para atender critérios de audibilidade, protecção contra ruídos e conforto requeridos para as
diferentes categorias de salas. Divide-se nas seguintes áreas de estudo:

• Acústica subjectiva: estuda a audição, a percepção sonora e os parâmetros de conforto


acústico aceitáveis para as diferentes categorias de salas;

• Acústica física: estuda o som como forma de energia e a sua distribuição e


permanência nos espaços da construção. Estabelece padrões de qualidade sonora das
salas e de protecção contra ruídos;

• Acústica ondulatória: estuda o som como fenómeno ondulatório, cujos efeitos podem
criar campos acústicos irregulares devido a fenómenos de interferência e ressonância,
que podem vir a causar o reforço ou o enfraquecimento do som em determinados
pontos no interior das salas;

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Acústica geométrica: estuda a distribuição do som nas salas, utilizando métodos
gráficos e analíticos baseados na reflexão dirigida do som e o risco de formação de
interferência sonora, ecos e focalização do som.

Cada uma das áreas envolve procedimentos de análise e técnicas de projecto específicas, mas
são interdependentes entre si tanto em relação à metodologia de projecto como em relação
aos resultados pretendidos para a acústica das salas, estando integradas nos conteúdos
estudados nos módulos didácticos.

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BIBLIOGRAFIA

• pt.wikipedia.org/wiki/Acústica
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• ww2.unime.it/weblab/.../acustica.htm

• www.algosobre.com.br/fisica/acustica.html

• arquitectura.pt/forum/.../avalia-ac-stica-11925.html

• www.pronorma.pt/Arquitectura.htm

• www.acustica.org.br/revistas.cfm

• www.casadellibro.com/...arquitectura-acustica

• br.syvum.com/cgi/online/serve.cgi/.../som.html

• w3.ualg.pt/~rguerra/Acustica/introducao.pdf

• www.sea-acustica.es/Coimbra08/id303.pdf

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