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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

ÍNDICE

1. LIGAÇÕES TELEFONICAS URBANAS E INTERURBANAS ...............................1

1.1 COMUNICAÇÕES..............................................................................................1

1.2 características preliminares de uma ligação telefônica ......................................1


1.2.1 Som ................................................................................................................1
1.2.2 Voz .................................................................................................................2
1.2.3 Ouvido ............................................................................................................2

1.3 faixa de frequências utilizadas ...........................................................................3

1.4 transformação de energia acústica em energia elétrica .....................................3

1.5 transformações de energia elétrica em energia acústica ...................................4

1.6 ligação telefônica elementar...............................................................................5

1.7 central telefônica ................................................................................................7

1.8 ligação telefônica urbana ...................................................................................9


1.8.1 Ligação Telefônica Manual com Bateria Local ............................................10
1.8.2 Ligação Telefônica Manual com Bateria Central ..........................................10
1.8.3 Ligação Telefônica Automática.....................................................................11

1.9 ligação telefônica interurbana...........................................................................11


1.9.1 Ligação Manual ............................................................................................11
1.9.2 Ligação Semi-Automática .............................................................................13

1.10 ligação automática ou Ddd – discagem direta À distância ...............................14

1. CONCEITOS BÁSICOS DE MULTIPLEXAÇÃO .................................................15

2.1 modos de operação de um meio de transmissão.............................................15

2.2 canal e circuito .................................................................................................15

2.3 circuito a 2 fios e a 4 fios ..................................................................................16

2.4 conceito de multiplexação ................................................................................18

2.5 tipos de multiplexação......................................................................................20

2. Meios de transmissão utilizados pelo multiplex..............................................20

3.1 SISTEMAS DE TRANSMISSÃO VIA RÁDIO ...................................................21


3.1.1 Sistemas de rádio HF ...................................................................................24
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3.1.2 Sistema de rádio VHF/UHF .......................................................................... 25


3.1.3 Sistemas de rádio-microondas em visibilidade............................................. 26
3.1.4 Sistemas de rádio-tropodifusão .................................................................... 27
3.1.5 Sistemas rádio-satélite ................................................................................. 29
3.1.6 Sistemas rádio em EHF................................................................................ 29

3.2 SISTEMAS DE TRANSMISSÃO VIA LINHA FÍSICA ....................................... 30


3.2.1 Pares de Fios ............................................................................................... 30
3.2.2 Linhas Abertas.............................................................................................. 32
3.2.3 Linhas de Transmissão de Energia Elétrica ................................................. 34
3.2.4 Cabos Coaxiais Terrestres ........................................................................... 34
3.2.5 Cabo Coaxial Submarino.............................................................................. 36

4 serviços de telecomunicações.......................................................................... 37

4.1 ASSINANTES DE TELEFONIA PÚBLICA ....................................................... 38

4.2 ASSINANTES DE REDE TELEGRÁFICA........................................................ 38

4.3 SERVIÇO MÓVEL MARÍTIMO......................................................................... 38

4.4 CIRCUITOS ..................................................................................................... 38

4.5 TRANSMISSÃO DE MÚSICA DE ALTA QUALIDADE..................................... 39

4.6 ASSINANTES DA REDE DE TRANSMISSÃO DE DADOS............................. 39

5 Introdução à Sinalização ................................................................................... 40

5.1 Sinalização Acústica ........................................................................................ 40

5.2 Sinalização de Linha ........................................................................................ 40


5.2.1 Tipos de Sinalização de Linha...................................................................... 42
5.2.2 Sinalização por Loop de Corrente Cotínua................................................... 42
5.2.3 Sinalização E & M pulsada ........................................................................... 43
5.2.4 Sinalização E & M contínua.......................................................................... 43

5.3 Sinalização R2 digital....................................................................................... 45

5.4 Sinalização multifrequencial............................................................................. 47

7. PRINCÍPIOS DA TÉCNICA PCM......................................................................... 49

7.1 teorema da amostragem .................................................................................. 50

7.2 CONVERSÃO ANALÓGICO/DIGITAL ............................................................. 50

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7.2.1 Amostragem .................................................................................................50


7.2.2 Quantização..................................................................................................51
7.2.3 Codificação ...................................................................................................52
7.2.4 Multiplexação................................................................................................53

7.3 conversão digital/analógico ..............................................................................53


7.3.1 Demultiplexação ...........................................................................................53
7.3.2 Decodificação ...............................................................................................54

8 sistemas de transmissão digital........................................................................55

8.1 características gerais dos sistemas de transmissão pcm.................................55


8.1.1 Circuito de conversão ...................................................................................55
8.1.2 Sincronismo entre emissor e receptor ..........................................................55
8.1.3 Código de linha.............................................................................................56
8.1.4 Equipamento terminal de linha .....................................................................57
8.1.5 Repetidores regeneradores ..........................................................................57

8.2 sistema de transmissão pcm 30 .......................................................................57


8.2.1 Quadro de pulsos .........................................................................................57
8.2.2 Palavra de alinhamento de quadro ...............................................................58
8.2.3 Palavra de serviço ........................................................................................58

9 comutação digital ...............................................................................................59

9.1 comutador temporal .........................................................................................59

9.2 comutador espacial ..........................................................................................60

9.3 diferença básica entre o comutador temporal e espacial .................................61

9.4 memória de controle.........................................................................................61

9.5 órgãos de uma central de comutação digital ....................................................62


9.5.1 Equipamentos de conexão ...........................................................................63
9.5.2 Matriz de acoplamento digital .......................................................................63
9.5.3 Comando ......................................................................................................64
9.5.4 Ligação entre dois assinantes ......................................................................64

10 sinalização ..........................................................................................................65

10.1 sinalização de assinante ..................................................................................65

10.2 sinalização acústica .........................................................................................68

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10.3 sinalização de linha.......................................................................................... 69

10.4 sinalização de registradores ............................................................................ 72

11 TEORIA DO SISTEMA CELULAR....................................................................... 75

11.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 75

11.2 SERVIÇO TELEFONIA FIXA ........................................................................... 76

11.3 SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL................................................................. 76

11.4 SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL APERFEIÇOADO ................................... 76

11.5 SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL APERFEIÇOADO ................................... 78

11.6 LAYOUT DE UM SISTEMA CELULAR ............................................................ 79

11.7 ARQUITETURA DO SISTEMA CELULAR COM DISTRIBUIÇÃO COMUTADA


79

11.8 CONEXÕES REDE DE TELEFONIA FIXA / TELEFONIA MÓVEL.................. 80

11.9 UM SISTEMA TELEFÔNICO CELULAR ......................................................... 80

11.10 ARQUITETURA DAS INTERFACES DO SISTEMA CELULAR ....................... 81

11.11 FAIXA DE FREQÜÊNCIA ................................................................................ 81

11.12 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................................ 82

11.13 DESIGNAÇÃO DE CANAIS PARA CONJUNTOS DE 12 CANAIS.................. 83

11.14 ATRIBUIÇÕES DE CANAIS PARA APARELHOS DE 21 CANAIS.................. 84

11.15 ESQUEMA DOS COMPONENTES DA UNIDADE MÓVEL............................. 85

11.16 UNIDADE DE CONTROLE .............................................................................. 86

11.17 UNIDADE MÓVEL (HAND SET) ...................................................................... 87

11.18 CLASSES DE UNIDADES MÓVEIS ................................................................ 88

11.19 FUNÇÕES ESPECIAIS E FUNÇÕES BÁSICAS ............................................. 89

11.20 PROPAGAÇÃO DAS ONDAS DE RÁDIO MÓVEL.......................................... 90

11.21 PROPAGAÇÃO DAS ONDAS DE RÁDIO - AMBIENTE MÓVEL .................... 90

12 ANTENA DE ESTAÇÃO RÁDIO – BASE............................................................ 91

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12.1 DIVERSIDADE - UNIDADE MÓVEL ................................................................92

12.2 CANAL DE VOZ CELULAR AMERICANO.......................................................93

12.3 HANDOFF ........................................................................................................95

13 ESTAÇÃO RÁDIO-BASE - ERB –.....................................................................96

13.1 PROCESSO DE CONFIGURAÇÃO DA CHAMADA ........................................96

13.2 CANAL DE CONTROLE DIRETO ....................................................................97

13.3 CANAL DE CONTROLE DIRETO ....................................................................97

13.4 TIPOS DE MENSAGENS DO CANAL DE CONTROLE DIRETO ....................97

13.5 TIPOS DE MENSAGENS DO CANAL DE CONTROLE DIRETO ....................98

13.6 CANAL DE CONTROLE REVERSO ................................................................99

13.7 FUNÇÕES DA ESTAÇÃO RÁDIO-BASE.......................................................100

13.8 EQUIPAMENTO DA ESTAÇÃO RÁDIO-BASE..............................................101

13.9 CONTROLE DINÂMICO DE POTÊNCIA .......................................................102

13.10 ARQUITETURA DA ESTAÇÃO RÁDIO-BASE VISÃO GERAL......................104

14 CENTRAL DE COMUTAÇÃO E CONTROLE –CCC-........................................105

14.1 COMPONENTES DO SISTEMA CELULAR...................................................105

14.2 ESQUEMA DOS COMPONENTES DA CCC.................................................106

14.3 FUNÇÕES DA CCC - PROCESSAMENTO DE CHAMADAS ........................107

14.4 FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS E DE MANUTENÇÃO TÍPICAS DA CCC ...107

14.5 INFORMAÇÕES ANALÓGICAS PELO CANAL DE VOZ..............................108

14.6 SINALIZAÇÃO DIGITAL NO CANAL DE VOZ ...............................................109

14.7 CHAMADA ORIGINADA PELO MÓVEL ........................................................110

14.8 CHAMADA TERMINADA NO MÓVEL ...........................................................111

14.9 DESCONEXÃO À PARTIR DO MÓVEL.........................................................112

14.10 DESCONEXÃO À PARTIR DA REDE PÚBLICA ...........................................112

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14.11 REGISTRO E MÓVEL EM SERVIÇO NO ESTADO DE REPOUSO ............. 113

14.12 ORIGINAÇÃO DE CHAMADAS A PARTIR DA UNIDADE MÓVEL ............... 113

14.13 ORIGINAÇÃO DE CHAMADAS PARA A UNIDADE MÓVEL ........................ 114

14.14 LIBERAÇÃO DE CHAMADAS ....................................................................... 115

15 CONCEITO DE ENGENHARIA CELULAR ....................................................... 116

15.1 CONCEITO DE REUTILIZAÇÃO DA FREQÜÊNCIA..................................... 116

15.2 MAPAS DE ESTAÇÃO RÁDIO-BASE NO MUNDO REAL ............................ 116

15.3 CÉLULA DIRECIONAL .................................................................................. 117

15.4 DIVISÃO DAS CÉLULAS............................................................................... 117

15.5 RESUMO ....................................................................................................... 118

16 HISTÓRICO DO SISTEMA MÓVEL CELULAR................................................. 120

16.1 A EVOLUÇÃO NAS COMUNICAÇÕES CELULARES................................... 120


16.1.1 Primeira Geração de Sistemas Móveis ...................................................... 120
16.1.2 Segunda Geração de Sistemas Móveis ..................................................... 121
16.1.3 Terceira Geração de Sistemas Móveis....................................................... 123

17 Tecnologias Utilizadas na Telefonia Celular .................................................. 126

17.1 Células CDMA: Padrão de Reuso Universal .................................................. 126

17.2 Modulação CDMA .......................................................................................... 126

17.3 Esquema Básico do CDMA............................................................................ 127

17.4 Handoff .......................................................................................................... 127

17.5 Privacidade .................................................................................................... 127

17.6 Custo.............................................................................................................. 128

17.7 Facilidades ..................................................................................................... 128

17.8 Reflexos para o Usuário da Tecnologia Digital .............................................. 128

17.9 W - CDMA ...................................................................................................... 129

18 PAGING ............................................................................................................. 130

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18.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................130

18.2 SISTEMA DE COMUNICAÇÃO SEM FIO......................................................131

18.3 SISTEMA DE COMUNICAÇÃO SEM FIO......................................................132

18.4 HISTÓRICO ...................................................................................................133

18.5 SISTEMA BÁSICO ATUAL ............................................................................134

18.6 PAGING TERMINAL OU CODIFICADOR......................................................134

18.7 FORMAS DE CONEXÃO DO PAGING TERMINAL AO CONJUNTO


TRANSMISSOR........................................................................................................135

18.8 SIMULCAST...................................................................................................136

18.9 PARÂMETROS PARA O AUMENTO DA ÁREA DE COBERTURA...............136

18.10 APLICAÇÕES PARA O PAGER ....................................................................138

18.11 Novas Tecnologias.........................................................................................138

18.12 CONCLUSÃO.................................................................................................140

19 SISTEMA TRONCALIZADO DE RADIOCOMUNICAÇÃO MÓVEL (STR)........141

19.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................141

19.2 COMPARAÇÃO .............................................................................................142

19.3 SISTEMA DE REPETIDORAS TRONCALIZADAS .......................................143

19.4 POR QUÊ TRONCALIZADO?........................................................................144

19.5 COMPARAÇÃO ENTRE CELULAR E TRONCALIZADO ..............................144

19.6 CANALIZAÇÃO ..............................................................................................144

19.7 STR SEM CANAL DE CONTROLE DEDICADO............................................144

19.8 STR COM CANAL DE CONTROLE DEDICADO ...........................................145

19.9 CANAL DE OPERAÇÃO ................................................................................145

19.10 CANAL DE CONTROLE ................................................................................145

19.11 COMPONENTES DO STR.............................................................................146

19.12 ENDEREÇAMENTO NO SISTEMA ...............................................................146

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19.13 PROCESSAMENTO DE CHAMADAS ........................................................... 147

19.14 ALGUNS TIPOS DE CHAMADAS ................................................................. 147

19.15 SEQÜÊNCIA DE CHAMADAS....................................................................... 147

19.16 RECURSOS DE ACESSO AO SISTEMA ...................................................... 148

19.17 RECURSOS DE CONFIABILIDADE .............................................................. 148

19.18 PROTOCOLOS.............................................................................................. 148

19.19 STR DIGITAL ................................................................................................. 149

19.20 CONCLUSÃO ................................................................................................ 149

20 Satélite............................................................................................................... 150

20.1 SATÉLITE GEO ............................................................................................. 150

20.2 SATÉLITE MEO ............................................................................................. 151

20.3 SATÉLITE LEO .............................................................................................. 151

20.4 SATÉLITE LLEO ............................................................................................ 151

20.5 RESUMO DOS PROJETOS DAS EMPRESAS PCSS .................................. 152

20.6 APLICAÇÕES ................................................................................................ 154

21 Projeto IRIDIUM ................................................................................................ 155

22 Introdução às comunicações móveis por satélite......................................... 161

22.1 Sistemas não geoestacionários ..................................................................... 161

22.2 Sistemas geoestacionários ............................................................................ 162

22.3 Iridium ............................................................................................................ 162

22.4 Globalstar....................................................................................................... 163

22.5 Odyssey ......................................................................................................... 164

22.6 Inmarsat ......................................................................................................... 164

23 Glossário Técnico ............................................................................................ 165

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1. LIGAÇÕES TELEFONICAS URBANAS E INTERURBANAS

1.1 COMUNICAÇÕES

A comunicação é inata ao homem e é graças a esta virtude, ao seu raciocínio e


ao seu dinamismo que ele atinge o progresso. A história das Telecomunicações
nasce quando o homem sente a necessidade de expressar o seu pensamento a um
semelhante, e isto ele faz através da mímica, da palavra e da grafia. Porém a
distância é um obstáculo a uma comunicação, principalmente quando se usam os
processos naturais.
O progresso do mundo tecnológico e a necessidade de comunicar-se a
grandes distâncias, exigiram do homem uma solução que buscasse os anseios de
todos os setores de atividade onde as comunicações se fizessem necessárias.
A solução técnica do problema surgiu então com o invento da telegrafia, da
comunicação via rádio e, finalmente, da telefonia. Porém, o crescente número de
comunicações urbanas e interurbanas exigiram novas medidas que culminaram com
o advento do sistema multipex, no qual será aqui explanado a guisa de iniciação
apenas, a fim de fornecer os conhecimentos básicos essenciais, que permitir ao
pessoal técnico um completo domínio desta tecnologia.
Para melhor compreensão do que vem a ser um sistema multiplex, é
necessário o prévio conhecimento de alguns elementos de telefonia relacionados com
a ligação telefônica.

1.2 CARACTERÍSTICAS PRELIMINARES DE UMA LIGAÇÃO TELEFÔNICA

1.2.1 Som

O som se produz por vibrações mecânicas de freqüências perceptíveis pelo


ouvido humano, num meio elétrico. Assim, se tivermos um pedaço de borracha
distendido entre dois pontos, ao esticar e soltar a parte central, haverá uma vibração
numa determinada freqüência, produzindo um som (fig. 1).

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Fig. 1 – Vibração de um pedaço de borracha produzindo som.


Nos meios gasosos, o som se propaga no sentido longitudinal, ou seja, na
direção da vibração. Nos meios sólidos, o som se propaga no sentido longitudinal e
transversal.

1.2.2 Voz

As cordas vocais do ser humano são capazes de produzir vibrações sonoras


dentro de uma gama de 100 a 10000Hz. Cada som emitido é composto
simultaneamente de vibrações de diversas freqüências, harmônicas de uma
freqüência fundamental das coras vocais, razão principal da diferença entre a voz de
um homem e uma mulher. Para o homem esta freqüente fundamental é de 125Hz e
para a mulher é de 250Hz.
Ao colocar a língua e os lábios em determinadas posições, obtém-se nas
cavidades bucais e nasais ressonâncias que fazem destacar harmônicos, dentro de
uma certa gama de freqüência, chamadas formativas, enquanto que acentua mais ou
menos os harmônios de outras faixas de freqüências. Desta maneira são obtidos os
sons vocais e consonantais, que em conjunto originam as sílabas, e estas as
palavras.
A potência média de voz de diversas pessoas pode variar dentro de amplos
limites, sendo no entanto de um valor muito baixo: uma pessoa falando baixo produz
0,001 microwatt, falando normalmente 10 microwatts, e gritando 1 a 2 miliwatts. Outra
característica importante da voz que deve ser lavada em conta, é que a maior parte
da energia está concentrada nas baixas freqüências.

1.2.3 Ouvido

A gama de freqüência audíveis pelo ouvido humano vai desde 16Hz até
20000Hz, e o limite superior varia da pessoa, descrevendo com a velhice.
Para que o som possa ser percebido pelos órgãos auditivos, tem que haver
uma intensidade mínima que corresponde ao limite inferior de audibilidade. Este limite
varia com a freqüência, sendo que o ouvido humano tem uma sensibilidade maior em
3000 Hz, decrescendo para freqüências mais baixas e mais altas. Em outras
palavras, um determinado nível na freqüência de 3000Hz pode ser percebido pelo
ouvido, enquanto que o mesmo nível 1000Hz não é percebido. Além disso, a
percepção de variações de intensidade dos sons pelo ouvido não é linear com a
intensidade do som, isto quer dizer: cada nível de um som, uma variação é percebida
de maneira diversa.

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1.3 FAIXA DE FREQUÊNCIAS UTILIZADAS

Diversos estudos foram realizados para determinar qual a faixa de freqüências


mais apropriada, sob o ponto de vista econômico e de qualidade, para as
comunicações.
Para fonia, foram basicamente levados em conta os seguintes fatores,
resultantes das características da voz e do ouvido humano: intelegibilidade e energia
da voz.
A intelegibilidade é definida como o percentual de palavras perfeitamente
reconhecidas numa conversação. Verificou-se que na faixa de 100 a 1500 HZ estava
concentrada 90% de energia da voz humana, enquanto que na faixa acima de 1500
Hz estava concentrada 70% de intelegibilidade das palavras.
Baseado num compromisso entre dois valores, foi escolhida a faixa de voz
entre 300 e 3400 Hz para comunicações telefônicas, o que garante 85%
intelegibilidade e 68% de energia da voz recebida pelo ouvinte. Para transmissão de
música, no entanto, é necessária uma faixa bem maior, de 50 a 10000 Hz.

1.4 TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA ACÚSTICA EM ENERGIA ELÉTRICA

A energia acústica produzida pela voz é transformada em energia elétrica por


intermédio de um microfone. Nos aparelhos telefônicos, o microfone é uma cápsula
de carvão, constituída basicamente de grânulos de carvão, limitados por uma
membrana (Fig. 2), onde a aplicada uma diferença de potencial que faz circular uma
corrente CC.

Fig. 2 – Transformação de energia acústica em elétrica

Quando as vibrações sonoras incidem sobre a membrana, fazendo-a vibrar,


este momento comprime mais ou menos os grânulos, diminuindo ou aumentando a
resistência, com uma correspondente variação na corrente no mesmo ritmo das
vibrações sonoras. Esta variação da corrente produz uma potência elétrica, que às

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vezes é maior que a potência aplicada na vibração da membrana, fazendo com que a
cápsula se comporte como um amplificador.
A cápsula de carvão é o microfone mais barato, porem apresenta algumas
restrições:
- Produz uma distorção maior que a dos outros microfones.
- Tem uma sensibilidade que varia com a freqüência, atenuando muito as
baixas freqüências.

1.5 TRANSFORMAÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA EM ENERGIA ACÚSTICA

Para a transformação de energia elétrica em energia acústica, nos aparelhos


telefônicos, utilizando-se cápsulas magnéticas e dinâmicas. A cápsula magnética é
constituída , basicamente de um ímã permanente com duas peças polares, providas
de bobinas, através das quais circula corrente CC; uma membrana metálica fecha o
circuito magnético, e a força que atua sobre a mesma é proporcional ao quadrado da
indução resultante (Fig. 3).

Fig. 3 – Transformação de energia elétrica em acústica (cápsula magnética)

Nas cápsulas receptora dinâmicas, a bobina pela qual circula a corrente CC


está unida a membrana, movendo-se num campo magnético cilíndrico (Fig. 4); a força
que atua sobre a bobina e a membrana é proporcional a força do campo magnético
permanente e a energia que passa pela bobina.
Nos dois tipos de cápsulas receptoras conseguem-se características lineares
para a faixa de freqüências de voz, bem como baixa distorção.

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Fig. 4 – Transformações de energia elétrica em acústica (cápsula dinâmica)

1.6 LIGAÇÃO TELEFÔNICA ELEMENTAR

Após tomarmos contato com os fatores que têm influência numa ligação
telefônica, podemos estabelecer uma comunicação entre duas pessoas quaisquer,
utilizando dois aparelhos telefônicos interligados por um par de fios, em que a
distância entre A e B é pequena (Fig. 5)

Fig. 5 – Ligação Telefônica elementar

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Na realidade, o problema de conversão mantida a dois fios é um pouco mais


complexo, pois o interlocutor em A deveria ter dois condutores ligando sua cápsula
transmissora com a receptora de B, e vice-versa, conforme a fig. 6.

Fig 6 – Ligação telefônica elementar a 4 fios

Como este tipo de ligação ficaria muito dispendiosa, pois teríamos o dobro de
condutores, foi criado um dispositivo (transformador diferencial) a fim de fazer o
acoplamento entre as cápsulas transmissora e receptora e a linha de dois condutores;
este dispositivo é chamado artilocal.
Portanto, a ligação apresentada na fig. 6 modifica-se para a fig. 7, que é a
representação real da comunicação telefônica da fig. 5.

Fig. 7 – A mesma ligação da Fig. 6 utilizando-se 2 condutores.

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1.7 CENTRAL TELEFÔNICA

A ligação telefônica apresentada no item anterior é a mais elementar, pois


envolve somente a necessidade de comunicação entre duas pessoas. Se o
interlocutor A deseja se comunicar com os outros três, conforme a fig. 8, verificamos
que o número de condutores necessários triplica.
Porém, se todos os quatro pontos desejam se comunicar entre si, o problema
se torna mais sério (fig. 9).

Fig. 8 e 9 – Ligação telefônica.

Como pode ser facilmente percebido, para um número muito grande de


comunicações, a quantidade de condutores torna o sistema economicamente
proibitivo. A fim de solucionar este problema, todos os interlocutores, chamados
assinantes, estão ligados a um centro telefônico, onde é executada a interligação
entre os assinantes que se desejam comunicar, operação esta chamada de
comunicação telefônica (fig. 10).

Fig. 10 – Ligação telefônica utilizando um centro telefônico.

É neste centro telefônico que se encontra o conjunto de equipamentos


essenciais e acessórios a comunicação telefônica, designado de Central Telefônica.

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A central Telefônica pode ser Local, Tandem, Interurbana e de Trânsito.

- Central telefônica Local é aquela para onde convergem as linhas de


assinantes.

- Central Telefônica Tandem é aquela usada como o centro comutador


para o tráfego entre outras estações da mesma área local.

Os circuitos que interligam os assinantes as Centrais Telefônicas Locais


chamam-se linhas de assinantes. Aqueles que interligam as Centrais Telefônicas
Locais e Tandem chamam-se linhas tronco.
- Central Telefônicas Interurbanas é aquela que interliga linhas de
assinantes ao circuitos interurbanos. Quando, alem desta última função, a Central
Telefônica Interurbana permite interligar circuitos interurbanos. Quando, além desta
última função, a Central Telefônica Interurbana permite interligar circuitos
interurbanos, chama-se Central Telefônica de Trânsito.
A fig. 11 apresenta a posição de todas as centrais descritas, bem como suas
funções.

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Fig, 11 – ligações telefônicas envolvendo diversas localidades

1.8 LIGAÇÃO TELEFÔNICA URBANA

Nas áreas urbanas os assinantes acham-se agrupados ao longo de ruas,


avenidas, etc, sendo as ligações feitas por circuitos (pares de fios) que seguem a
mesma rota e que podem ser economicamente reunidos em cabos de pares.
Os condutores empregados nos pares de fios são geralmente de cobre, tendo
diâmetro típicos em torno de 0,4 a 0,9mm. Cada condutor é recoberto, normalmente,
por papel especial ou plástico (polietileno ou PVC) – cloreto de polivinil. Os pares
assim isolados são todos enfeixados, sendo o feixe torcido de modo a diminuir a

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capacitância entre os pares. Sobre este feixe é passada um fita de papel ou plástico,
recebendo externamente uma capa de chumbo ou alumínio, dependendo do cabo.
Os pares de fios são geralmente chamados pares simétricos.
Embora estes cabos apresentem atenuação elevada por unidade de
comprimento, para sinais de voz este fator não impede o seu uso devido a pequenas
distância entre os assinantes e a Central Telefônica Local.
Nas ligações telefônicas urbanas existem três maneiras de se completar uma
conexão, de acordo com o sistema utilizado.
- Manual com bateria local.
- Manual com bateria central.
- Automático.

1.8.1 Ligação Telefônica Manual com Bateria Local

Neste sistema, a alimentação de cada aparelho telefônico é feita no local,


através da pilha seca.
O funcionamento deste sistema é o seguinte:

1º) O assinante aciona o magneto.


2º) O sinal assim gerado (20 Hz aproximadamente) aciona o dispositivo de
sinalização da telefonista que deverá atendê-lo.
3º) O assinante solicita que a telefonista o interligue com o assinante desejado.
4º) A telefonista sinaliza, para o assinante solicitado, desde que o circuito
correspondente ao mesmo esteja desocupado.
5º) Após o atendimento do assinante chamado, a telefonista estabelece a
ligação entre dois assinantes, retirando-se do circuito e predispondo-se a atender
novas chamadas.
6º) Ao encerrar a conversação entre os dois assinantes, estes devem repor o
fone no gancho e sinalizar rapidamente com a finalidade de fazer ciente a telefonista
do final da conversação. Esta desfaz a ligação e os circuitos estão preparados para
nova chamada.

1.8.2 Ligação Telefônica Manual com Bateria Central

Neste sistema, a alimentação dos aparelhos telefônicos é centralizada na


Central Telefônica Local.
O funcionamento deste sistema é quase o mesmo do manual, com exceção da
sinalização fornecida pelo assinante, pois basta que o assinante retire o fone do
gancho, para que o dispositivo de sinalização seja acionado na mesa da telefonista.

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A complementação é semelhante à anterior e, ao finalizar a conversão, os


assinantes repõem os fones nos ganchos respectivos, o que provoca o acionamento
do dispositivo de sinalização na mesa da telefonista que, desfaz a ligação e os
circuitos estão prontos para nova chamada.

1.8.3 Ligação Telefônica Automática

Neste sistema, a alimentação dos aparelhos telefônicos também é centralizada


na Central Telefônica Local.
O funcionamento deste sistema é o seguinte:

1º) O assinante retira o fone do gancho e espera o ruído de discar.


2º) Após o ruído de discar no receptor, o assinante disca o número desejado.
3º) O número funciona para Central Telefônica como um código que opera
determinados dispositivos e acessórios, de tal maneira que estabelece um elo de
ligação entre o assinante chamador e o assinante cujo número foi discado.
4º) Após ter sido completado o elo, a estação central envia um sinal em torno
de 17 a 25Hz para o assinante chamado, o que faz operar a campainha do seu
aparelho telefônico.
5º) O assinante chamado retira o fone do gancho e inicia-se a conversão.
6º) Ao findar a conversão, os dois assinantes repõem nos respectivos fones
nos ganchos, desfazendo o elo na Central Telefônica Local.

1.9 LIGAÇÃO TELEFÔNICA INTERURBANA

As ligações interurbanas envolvem cidades diferentes e até países diferentes


(ligações interurbanas internacionais).
Para uma ligação interurbana, o assinante deve atingir a central Telefônica
Local da maneira como foi explicado no item anterior.
Da Central Telefônica Local, o assinante poderá alcançar a Central Telefônica
Interurbana das seguintes maneiras:
• Manual - a telefonista ligará
• Automático – o simples discar de um código o colocará na Central Telefônica
Interurbana.

Ligações entre Centrais Interurbanas põem ser feitas das seguintes maneiras:

1.9.1 Ligação Manual

Neste tipo são necessárias duas telefonistas, uma em cada cidade distante.

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De acordo com o método utilizado para se estabelecer o circuito interurbano ou


internacional, temos dois processos de ligação manual:

a) “Ring Down” (fig. 12).

Neste processo a telefonista de origem envia, através de uma chave de mesa


IU, um sinal especial chamando a localidade de destino. Na mesa IU distante este
sinal faz soar uma capainha (“Ring”), e cair (“Down”) uma lâmina que indica a origem
da chamada. A telefonista de destino atende recebendo da operadora de origem as
informações a ser alcançado.

As duas telefonistas completam estão o elo interurbano ou internacional entre


os assinantes de origem e de destino.

Este tipo de ligação ocorre quando as Centrais Telefônicas Locais não estão
preparadas para se interligarem com as Centras Telefônicas Interurbanas
Automáticas, bem como as mesas IU não tem possibilidades desta ligação. Neste
caso as mesas IU estão conectadas entre si direta e constantemente pelo meio de
transmissão interurbano.

Mesa IU (mesa interurbana) é o equipamento onde a telefonista recebe as


chamadas da Central Telefônica Local selecionado o circuito interurbano para a
cidade onde o assinante deseja se comunicar.

b) ODO – Operando Disca Operadora (fig. 12b)


Neste processo a telefonista de origem se interliga com a de destino
automaticamente discando informações numéricas que possibilitam alcançar a mesa
IU distante.

Do mesmo modo que para a ligação telefônica automática urbana, os números


discados funcionam para a Central Interurbana Automática como um código que
opera determinados dispositivos e acessórios, de tal maneira que estabelece um elo
de ligação entre a telefonista de origem e a de destino.

O restante do progresso se efetua como na ligação “Ring Down”.

Este tipo de ligação ocorre quando as Centrais Telefônicas Locais não estão
preparadas para se interligarem com as Centrais Interurbanas Automáticas, porém as
mesas IU possuem esta facilidade.

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1.9.2 Ligação Semi-Automática

Neste tipo é necessária apenas uma telefonista.


De acordo com a localização da mesa IU, na origem ou no destino, temos dois
processos semi-automáticos:

a) ODD – Operadora Disca á Distância (fig. 12c)


Neste processo o assinante de origem alcança automaticamente o assinante
de destino.

Este tipo de ligação ocorre quando, na localidade de origem, a Central


Telefônica Local, preparada para se interligar com as Centrais Interurbanas
Automáticas, porém a mesa IU possui facilidade. Na localidade de destino a Central
Telefônica Local está conectada a Central Interurbana Automática.

b) DDO – Discagem Direta à Operadora (fig. 12d)


Neste processo a telefonista de origem se interliga com a de destino
automaticamente a telefonista de destino.

Este tipo de ligação ocorre quando, na localidade de origem, a Central


Telefônica Local está conectada à Central Interurbana Automática, enquanto que na
localidade de destino a Central telefônica Local não está preparada para se interligar
com as Centrais Interurbanas Automáticas, porém na mesa IU possui esta facilidade.

Observação: Operacionalmente, qualquer ligação que necessite a intervenção da


telefonista pode ser realizada de duas maneiras:

I – Método CLR (Combinação de Linha e Regional): a telefonista mantém o assinante


de origem na linha enquanto efetua a ligação para a telefonista ou assinante de
destino.

II – Método Demorado: a telefonista anota as informações dadas pelo assinantes de


origem e desfaz a ligação. Após efetuar a conexão com a telefonista ou assinante de
destino, chama o assinante de origem, completando a ligação interurbana.

O método CLR é mais rápido quando os circuitos interurbanos não estão todos
ocupados, porém a telefonista não pode conformar a intensidade do assinante de
origem.

O segundo método permite a confirmação da identidade do assinante de


origem, além de impedir que o mesmo fique aguardando a ligação no caso dos
circuitos interurbanos estarem todos ocupados.
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1.10 LIGAÇÃO AUTOMÁTICA OU DDD – DISCAGEM DIRETA À DISTÂNCIA

Neste tipo não é necessário a intervenção de nenhuma telefonista, pois o


assinante de origem alcança automaticamente o assinante de destino.
Este tipo de ligação ocorre quando as Centrais Telefônicas Locais, da origem a
de destino estão conectadas, respectivamente, a Centrais Interurbanas Automáticas.
É importante observar que, uma determinada localidade pode adotar um
processo para as ligações interurbanas originadas na mesma (ligações saintes),
tendo um segundo processo para as ligações interurbanas destinadas a mesma
(ligações entrantes).
Estas operações dependem somente das facilidades instaladas entre as
Centrais Telefônicas Local e Interurbana. Assim, podemos ter DDD para as ligações
saintes e DDO para as entrantes numa determinada localidade. Em outra é possível
ter ODD para as ligações saintes e DDD para as entrantes.
Como podemos verificar pela Fig. 12, as centrais Interurbanas Manuais ou
Automáticas das localidades de origem e destino estão conectadas aos respectivos
equipamentos multiplex. Estes, por sua vez, estão interligados entre si por um meio
de transmissão, cujos principais tipos utilizados pelo multiplex serão apresentados
nos próximos módulos.

Fig. 12

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1. CONCEITOS BÁSICOS DE MULTIPLEXAÇÃO

2.1 MODOS DE OPERAÇÃO DE UM MEIO DE TRANSMISSÃO

Um meio qualquer de transmissão pode ser operado de 3 modos: simplex,


semiduplex e duplex. No modo simplex interessa apenas transmitir uma informação
de A para B (transmissão unidirecional).
No modo semi duplex interessa não só transmitir informação de A para B,
como de B para A, porém num sentido de cada vez (transmissão bidirecional
alternada). A Fig. 01 exemplifica melhor estes modos de operação.

Fig. 01 – Modos de operação

2.2 CANAL E CIRCUITO

Canal é o conjunto de recursos técnicos que permitem a transmissão de um


ponto A para um ponto B. como verificamos, este conceito é o de uma ligação
unidirecional.
Na prática, entretanto, na maioria das utilizações, como por exemplo, numa
ligação telefônica, o que mais interessa é permitir que A converse com B, isto é, deve
haver recursos tanto para transmitir informações de A para B, quanto de B para A.
Em outras palavras, deve ser provido tanto um canal de ida (para transmitir de A para
B), quanto um canal de retorno (para transmitir de B para A). O conjunto canal de ida
e canal de retorno é denominado de circuito.
A Fig. 02 exemplifica ambos os conceitos: o conceito composto pela cápsula
transmissora de A, o par de fios e a cápsula receptora de B, compõem o canal de ida.
A cápsula transmissora de B, o par de fios e a cápsula receptora de A, compõem o
canal de volta. Os dois canais em conjunto formam o circuito telefônico AB.

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Fig. 02 – Ligação telefônica utilizando dispositivo antilocal.

Como verificamos, um canal só pode ser operado de modo simplex, enquanto


que um circuito admite tanto a operação semiduplex, como a duplex.

2.3 CIRCUITO A 2 FIOS E A 4 FIOS

As linhas telefônicas urbanas formadas por pares de fios metálicos, permitem


transmissão nos dois sentidos porque não possuem componentes unidirecionais em
sua composição. O mesmo par de fios pode funcionar como canal de ida e canal de
retorno e o circuito, por empregar apenas o par de fios, é chamado de circuito a 2
fios. (Fig. 02).
As vias interurbanas, devido à sua grande extensão, exigem a introdução de
amplificadores para compensar a atenuação do sinal no percurso e, como estes
componentes são unidirecionais (só permitem a passagem do sinal num sentido), o
canal de ida e o canal de retorno têm obrigatoriamente de ser individualizados.
Devido a isto, o circuito neste caso apresenta 4 terminais de cada lado, sendo
chamado circuito a 4 fios (Fig. 03).

Fig. 03 – Circuitos a 4 fios

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É possível, entretanto, mediante o emprego de um dispositivo chamado


híbrida, fazer a conversão de montagem a 4 fios para a montagem a 2 fios, dessa
forma podendo-se ligar a via interurbana à via urbana (Fig. 04)

Fig. 04 – Ligação interurbana.

A híbrida, cuja representação está feita na Fig. 05, permite a circulação da


informação, conforme a indicação das setas.

Fig. 05 - Híbrida

Para todos os efeitos, um circuito a 2 fios, com extensão interurbana a 4 fios,


adaptada por meio de uma híbrida, apresenta as mesmas características que um
circuito a 2 fios.
Como os circuitos interurbanos são aqueles que envolvem os sistemas
multiplex, os circuitos utilizados por esse sistema são os a 4 fios, sendo compostos
por um canal de ida e um canal de volta.

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2.4 CONCEITO DE MULTIPLEXAÇÃO

Se um circuito utilizando um par de condutores, permite que duas pessoas


possam estabelecer um diálogo sem problemas, vejamos o que poderia ocorrer se
colocássemos, num mesmo meio de transmissão, quatro circuitos telefônicos (Fig. 6).

Fig. 06 – Ligação telefônica de 4 assinantes

Percebe-se pela simples observação da figura que, se os quatro assinantes


tirassem o telefone do gancho ao mesmo tempo, todos ouviram a conversa dos
outros, sendo difícil entabular uma comunicação sem ser perturbado.
Quanto maior o número de circuitos telefônicos utilizando o mesmo meio,
maior seria o problema (Fig. 07).
Pelo exposto, verificamos que, quando são transmitidos vários circuitos
telefônicos entre dois pontos A e B, utilizando um meio de transmissão comum (par
de condutores, radioenlace, etc.), há necessidade da utilização de uma técnica que
possibilite a comunicação sem interferência entre os circuitos, e que permita a
identificação entre eles, essa técnica é conhecida como multiplexação. Como já foi
anteriormente informado, a multiplexação utiliza circuitos a 4 fios, em que são
empregados canais de ida e de volta.

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Fig. 07 – Ligação telefônica de 8 assinantes.

Na Fig. 08 temos do lado A a multiplexação, onde unimos vários canais 1A, 2A


... nA, e transmitimos os mesmos de A para B, através de um par de fios (de B para A
o processo é idêntico). No lado B temos a demultiplexação, ou seja, identificação e
separação dos canais transmitidos de A e B.

Fig. 08 – Ligação telefônica através do multiplex.

Se forem transmitidas diversas informações, conforme indica a Fig. 08 estas


serão identificadas perfeitamente e separadas sem que haja interferência entre as

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 19


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mesmas. Como verificamos, a multiplexação é uma técnica de grande utilização para


que se possa, racionalmente, aproveitar um meio de transmissão.

2.5 TIPOS DE MULTIPLEXAÇÃO

Atualmente são utilizados diversos tipos de multiplexação os quais estão


divididos em dois grupos, de acordo com a técnica utilizada:

TÉCNICA DIGITAL
A multiplexação que utiliza esta tecnologia é chamada multiplexação por
divisão de tempo (TDM – “Time Division Multiplex”) e será apresentada em outro
objetivo.

TÉCNICA ANALÓGICA
A multiplexação que utiliza esta tecnologia é chamada multiplexação por
divisão de freqüência (FDM – “Frequency Division Multiplex”), que será por nós
tratada de mux.

2. MEIOS DE TRANSMISSÃO UTILIZADOS PELO MULTIPLEX

A escolha do meio de transmissão a ser utilizada num sistema multiplex é,


primordialmente, baseado no número de canais a serem transmitidos, porém a
distância entre os pontos que desejam se comunicar, as dificuldades geográficas
entre os mesmos, bem como a confiabilidade e qualidade desejadas para o sistema,
também irão ditar qual o processo mais econômico a ser utilizado.
Os meios de transmissão basicamente não alteram o equipamento multiplex,
sendo divididos em dois grupos, conforme a propagação do sinal seja no espaço ou
num meio físico:
- Sistemas de transmissão via rádio.
- Sistemas de transmissão via linha física.

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3.1 SISTEMAS DE TRANSMISSÃO VIA RÁDIO

A Fig. 09 apresenta a configuração básica da ligação entre duas localidades


feitas por meio de um sistema rádio, onde está indicada como é realizada a conexão
entre a Estação Multiplex a Estação Rádio.

Fig. 09 – Ligação via rádio

A Estação Rádio é composta basicamente por um transmissor e um receptor,


chamado transceptor, por um modulador e um demodulador, chamado MODEM, e
pelas antenas de transmissão e recepção.
Um transmissor de rádio pode ser encarado como um elemento que provoca
continuamente, através de uma antena; uma perturbação eletromagnética, de forma
localizada, que se propaga no espaço, em todas as direções, atenuando-se com a
distância. Uma antena receptora pode sentir estas perturbações e, se estiver ligada a
um equipamento conveniente (receptor), haverá recepção dos sinais daquele
transmissor.
Vejamos como o sinal multiplex, que neste caso é a informação que desejamos
enviar, é processado pelo rádio.
Inicialmente, quando o transmissor é colocado em funcionamento, envia para o
espaço ondas eletromagnéticas de freqüência fixa, fazendo com que um receptor
sintonizado nesta freqüência, apenas saiba que o transmissor está no ar. No entanto,
se variarmos uma característica da onda gerada pelo transmissor, na recepção é
possível detectar estas variações impressas na onda original.
Esta onda original é chamada de portadora ou rádio-freqüência e serve apenas
para estabelecer o contato, através do espaço, entre o transmissor e o receptor.

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O sinal que representa a informação e que variará uma característica da onda


portadora, se chama onda moduladora, que será o nosso sinal mux.
Ao processo de variação de uma característica da onda portadora de acordo
com o sinal elétrico da informação, chamamos de modulação.
A variação da amplitude da onda portadora constitui o método denominado
modulação em amplitude (AM) e, para a variação da freqüência da onda portadora,
teremos a modulação em freqüência (FM).
Do lado da transmissão, o equipamento que produz a modulação chama-se
modulador e normalmente está junto ao transmissor.
Do lado da recepção, o equipamento que sente as variações da portadora e
recupera a informação chama-se demodulador, estando normalmente junto do
receptor.
Deste modo, na localidade A, ao enviarmos o sinal multiplex para a Estação
Rádio, esta informação é processada pelo modulador-transmissor, fazendo com que
tenhamos uma onda portadora modulada na antena transmissora. Esta onda é
captada pela antena receptora da Estação de Rádio da localidade B, sendo
processada pelo receptor-demodulador, regenerando-se a informação original da
localidade de A, que é então entregue ao multiplex de B.
A rádio-frequência (onda portadora) utilizada para a transmissão de informação
da localidade A para B, chamamos de canal de RF (canal de rádio-frequência). Como
este processo é unidirecional, para transmitirmos na direção inversa, isto é, a
informação de B para A, será necessário um outro canal de RF.
As estações Rádio de A e B são chamadas de estações terminais.
Quando existem obstáculos físicos que atrapalham a propagação das ondas
no espaço, ou quando este sinal está demasiadamente enfraquecido devido às
características de programação, utilizam-se estações intermediárias ao longo das
rotas de rádio, chamadas estações receptoras, a fim de regenerar ou retransmitir as
ondas.
Ao conjunto de estações repetidoras, chamamos de tronco de rádio.
É importante observar que num tronco de rádio podemos ter mais de um canal
de RF em cada direção. Geralmente, nos sistemas de alta confiabilidade, temos um
canal de RF para transmitir as informações, chamado principal, e um outro em
paralelo para substituir o principal em caso de falhas chamado de proteção.
As ondas eletromagnéticas propagam-se de maneiras diferentes, dependendo
da freqüência emitida pelo transmissor. Devido a isto, os sistemas rádio são
classificados internacionalmente de acordo com as faixas de freqüências utilizadas e
que estão apresentadas na tabela a seguir, onde são indicados alguns serviços que
empregam estes sistemas.
Como os sistemas de telecomunicações utilizam principalmente freqüências a
partir de HF, há interesse no estudo dessas propagações. Vamos então analisar de

22 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


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forma bem simples, os princípios básicos de propagações dos sistemas rádio


empregados pelo multiplex.

TABELA I - CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS RÁDIO

FAIXA DE DESIGNAÇÃO DESIGNAÇÃO LEIGA EXEMPLOS DE


FREQUÊNCIA TÉCNICA UTILIZAÇÃO
300 Hz
a E.L.F. Ondas Muito Longas Comunicações para
3000 Hz submarinos, para
3 KHz Ondas Extremamente escavações de minas
a V.L.F. Longas etc.
30 KHz
30 KHz
a L.F. Ondas Longas Auxílio a navegação
300 KHz aérea, serviços
300 KHz marítimos, radiodifusão
a M.F. local.
3000 KHz Ondas Médias
3 MHz Radiodifusão local e
a H.F Ondas Tropicais distante, serviços
30 MHz Ondas Curtas marítimos (Estações
Costeiras)
30 MHz Transmissão de TV,
a V.H.F. sistemas comerciais e
300 MHz particulares de
300 MHz comunicação, serviços
a U.H.F. de segurança pública
3000 MHz (polícia, bombeiros etc.)
3 GHz Comunicação pública a
a S.H.F. Microondas longa distância:
30 GHz sistemas interurbanos e
30 GHz internacional em
a E.H.F. radiovisibilidade,
300 GHz tropodifusão e satélite.

E.L.F. - Extremely Low Frequency


V.L.F. - Very Low Frequency
L.F. - Low Freequency
M.F. - Medium Frequency
H.C. - High Frequency
V.H.F. - Very High Frequency
U.H.F. - Ultra High Frequency
S.H.F - Super High Frequency
E.H.F. - Extremely High Frequency

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3.1.1 Sistemas de rádio HF

A Fig.10 apresenta uma antena de rádio HF emitindo ondas esféricas e


concêntricas. As partes inferiores das ondas se propagam junto à superfície da Terra
(onda terrestre), acompanhando a curvatura desta e perdendo energia rapidamente
com a distância, por absorção no terreno. As partes superiores da onda se expandem
para o espaço e, numa altura de 80 a 150 km, encontram uma das principais
camadas da atmosfera terrestre, chamada ionosfera. Nestas alturas, a atmosfera é
tão rarefeita, que as moléculas dos gases estão bem mais afastadas umas das outras
do que nas menores alturas. A energia solar, principalmente na forma de raios
ultravioletas, incidindo sobre essas moléculas, arrastam seus elétrons, transformando
em íons positivos. Desta maneira, nestas alturas formam-se camadas de íons e de
elétrons livres, determinando o nome de ionosfera.
Dependendo da concentração dos elétrons formados, a ionosfera apresenta
índices de refração diferentes das camadas mais baixas, encurvando e mudando de
direção as ondas de rádio que nela penetram de baixo para cima. Esta mudança de
direção é tal que faz as ondas retornarem para a Terra como se “refletissem” na
ionosfera. O fenômeno, na realidade, e de refração ionosférica (por mudança de
índice de refração) mas comumente se diz “reflexão ionosférica”, quando se refere
apenas ao efeito do retorno da onda.
Esta onda que retorna é chamada onda celeste; pode se refletir novamente na
superfície terrestre, repetindo o fenômeno da refração ionosférica e, através de vários
“pulos”, atingir grandes distâncias.

Fig. 10 – Transmissão em HF

24 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


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Este mecanismo de propagação não é confiável nem de boa qualidade porque,


sendo a energia solar incidente na alta atmosfera de intensidade variável, os índices
de refração na ionosfera são instáveis, fazendo com que a onda celeste tenha
também intensidade variável.
Quando ocorrem grandes perturbações solares, estas provocam tempestades
magnéticas que, atingindo a ionosfera, modificam os índices de refração de tal
maneira, fazendo com que as ondas não sejam mais refratadas de volta para a Terra.
Nesta situação interrompem-se as comunicações.
Os sistemas rádio HF utilizadas pelo multiplex possuem uma capacidade
máxima de 8 canais telefônicos, sendo empregados para as ligações internacionais
de longa distância, sem estações repetidoras.

3.1.2 Sistema de rádio VHF/UHF

Passando-se a transmissão para freqüências mais elevadas, nas faixas de


VHF (30 MHz a 300 MHz) e UHF baixa (300 MHz a 900 MHz), a experiência mostra
que a ionosfera é transparente a essas freqüências, não as refratando mais de volta
para a Terra. Além disso, nessas freqüências, as ondas de rádio começam a se
comportar como ondas de luz, isto é, propagam-se em linha reta, refletem-se em
obstáculos, podem ser focalizados por antenas convenientes.
Na Fig. 11 está exemplificado o que falamos: a parte das ondas que vai para
cima atravessa a ionosfera e se perde no espaço. A parte da onda que se irradia
junto a superfície terrestre é útil até o horizonte, ou seja, até uma distância de mais
ou menos 80 a 100 do ponto de transmissão. Daí em diante a onda se afasta da
Terra, perdendo-se no espaço exterior.

Fig. 11 – Propagação VHF/UHF

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Podemos imaginar que a antena transmissora ilumina diretamente a antena


receptora que, por sua vez deve estar quase ao alcance visual. Por isso este
mecanismo de propagação também se chama em linha de visão ou visada direta.
Este tipo de transmissão é utilizada em serviço que exige alta confiabilidade a
distância menores que em HF, podendo alcançar até 200 km se forem empregadas
duas a quatro estações repetidoras. Para distância maiores, a qualidade se deteriora
rapidamente.
Os sistemas rádio VHF/UHF utilizados pelo multiplex são empregados nas
comunicações interurbanas estaduais, tendo média capacidade (12, 24 ou 60 canais).

3.1.3 Sistemas de rádio-microondas em visibilidade

Subindo mais ainda a frequência, chegamos na região de microondas (900


MHz a 30000 MHz). Nestas freqüências as ondas de rádio se comportam
praticamente como ondas de luz, podem ser focalizadas como em grandes lanternas
e se propagam em linha reta, como mostra a Fig. 12. O rádio transmissor está ligado
a antena por um condutor especial, chamado guia de onda, estando fixada,
juntamente com o refletor, numa torre. A antena se comporta como a lâmpada de
uma lanterna e o refletor focaliza as ondas de rádio para a sua frente.
Devido a sua forma o refletor chama-se refletor parabólico ou parábola.
As microondas focalizadas pela parábola transmissora incidem diretamente
sobre a parábola receptora que, por sua vez, focaliza as ondas no seu ponto central,
onde está a antena receptora. Dessa antena as ondas são levadas por um guia de
onda até o rádio receptor. Cada antena de microondas com sua respectiva parábola,
geralmente, serve para transmitir e/ou receber mais um canal de RF.

Fig. 12 – Utilização de refletores parabólicos em microondas.

26 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


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Vemos, portanto, que nenhum obstáculo pode interceptar o feixe de


microondas entre duas antenas. Por isso as torres são normalmente colocadas em
pontos elevados (morros, edifícios) e estão distanciadas no máximo de 50 a 60 km,
ao longo da rota de transmissão, a fim de regenerar o sinal de radiofreqüência
enfraquecido devido as perdas na propagação. Esta propagação também se
denomina visada direta ou radiovisibilidade.

Fig. 13 – Tronco de microondas

Assim, através de repetições sucessivas, o sinal de microondas sai da estação


terminal da localidade de destino, conforme mostra a Fig. 13.
A este tronco de rádio chamamos, comumente, de tronco de microondas.
Os sistemas de rádio-microondas em visibilidade são de alta qualidade e
confiabilidade, sendo utilizados pelo multiplex para ligações interurbanas a longa
distância, possuindo capacidades típicas de 120, 300, 600, 960, 1800 e 2700 canais
telefônicos.

3.1.4 Sistemas de rádio-tropodifusão

Para estender os sistemas de telecomunicação às regiões inóspitas, sem vias


de fácil acesso, o que tornaria muito difícil a manutenção das estações repetidoras,
utiliza-se um outro sistema de propagação chamado tropodifusão. É também um
sistema de microondas mas que não utiliza a visada direta, empregando propriedades
da troposfera de difundir as ondas de rádio de alta freqüência.
A troposfera é uma camada da atmosfera que se situa entre 3 e 12 km de
altitude,apresentando não homogeneidades de índices de refração, como se fossem
nuvens invisíveis, que fazem um espalhamento em todas as direções de uma onda

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 27


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

de rádio incidente nessas freqüências. Este espalhamento se dá a uma altura de


aproximadamente 10 km.
Nas alturas próximas a 10 km, a atmosfera já é algo rarefeita e estável, pois
não há mais as influências climáticas da baixa atmosfera. Assim, estas “bolhas” de
índices de refração diferentes permanecem estáveis e não dependem da energia
solar para a sua formação, pois não se tratam de “bolhas ionizadas”. Desta forma, o
espalhamento troposférico das ondas de rádio é um fenômeno estável, o que
possibilita comunicação com boa confiabilidade.
O sistema consta, basicamente, de um transmissor na faixa de 1 a 2 GHz de
potência elevada, entre 1 e 2 kW, e uma antena parabólica, que pode ser de grades
dimensões, apontada para o horizonte na direção em que se deseja a transmissão. O
feixe de microondas tangenciando a Terra incide na troposfera, onde é difundido.
Uma outra antena receptora de iguais dimensões, situada cerca de 300 km de
distâncias, capta este sinal difundido que chega muito fraco ao destino (Fig. 14).
O processo é semelhante ao espelhamento da luz de holofotes anti-aéreos que
incide nas nuvens, sendo percebida na superfície terrestre.

Fig. 14 – Sistema de rádio tropo difusão

Como o sinal difundido na troposfera chega ao receptor com muito baixa


intensidade; esta deficiência limitará a capacidade de canalização desses sistemas,
que normalmente é de 120 e no máximo de 300 canais telefônicos.
Os sistemas de tropodifusão cobrem grandes distâncias sem necessidade de
estações repetidoras (300 a 400 km), sendo empregados principalmente em ligações
interurbanas em regiões inóspitas, tal como a Amazônia no Brasil.

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3.1.5 Sistemas rádio-satélite

Para as comunicações transoceânicas de alta confiabilidade e qualidade, são


empregados os sistemas de rádio-satélite que são mais econômicos que os cabos
submarinos.
Estes sistemas utilizam como repetidora um satélite artificial em órbita
geoestacionária, isto é, que tem um movimento de translação ao redor da Terra de
modo a ter a mesma velocidade angular que o planeta, permanecendo estacionário a
36000 km de altura. Isto ocorre porque nesta órbita do satélite e gravidade é
equilibrada pela força centrípeta. Neste caso o satélite denomina-se síncrono.
Neste satélites são instalados pequenos receptores e transmissores que,
basicamente, recebem, ampliam e reenviam os sinais para a Terra, cobrindo
praticamente um hemisfério. Como três satélites síncronos, colocados a 120° em
relação ao centro da Terra, pode-se cobrir todo o planeta.
Os países que se comunicam por este Processo dispõem de estações
terminais, chamadas de estações terrenas, que operam em microondas, na faixa de 4
a 6 GHz. Os transmissores são de potência elevada e os receptores são de alta
qualidade, possuindo amplificadores especiais (amplificadores paramétricos). As
antenas que focalizam as ondas de rádio em feixes muito fino, para concentrar toda a
potência devido a distância, normalmente são de grandes dimensões, permanecendo
apontadas para os satélites por processos automáticos.
Ao receber o sinal de uma das estações terrenas, o satélite amplifica e devolve
para a Terra, incidindo em todas as estações terrenas que focalizam este satélite,
porém somente o país para o qual se destina a comunicação poderá utilizá-la.
Assim, o satélite é uma repetidora de alta qualidade com acesso múltiplo por
vários países.

3.1.6 Sistemas rádio em EHF

Como nessa faixa de freqüência a onda de rádio sofre grandes perturbações


devidas, principalmente à condições atmosféricas no espaço livre, estes sistemas
rádios utilizam como meio de propagação guias de ondas. São condutores especiais
e ocos, de diversos tipos de seção reta (circular, elíptica, etc.), que guiam
internamente as ondas de rádio.
Estes sistemas são de altíssima capacidade (500000 canais telefônicos) e
estão em fase de desenvolvimento.

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3.2 SISTEMAS DE TRANSMISSÃO VIA LINHA FÍSICA

Ao contrário dos sistemas via rádio onde foi necessário processar o sinal
multiplex, convertendo-o em ondas eletromagnéticas, a fim de ser possível a sua
propagação no espaço, nos sistemas via linha física o sinal impresso neste meio é o
próprio sinal mutiplex.
As linhas físicas utilizadas para comunicações podem ser divididas em dois
grupos, conforme a sua construção mecânica: linhas bifilares e linhas coaxiais.
As linhas bifilares são construídas mecanicamente por dois condutores
idênticos e paralelos, geralmente de cobre ou alumínio, separados por um material
não condutor, que pode ser papel, plástico ou ar (Fig. 15).
As linhas coaxiais são construídas mecanicamente por um condutor interno,
envolto por um outro externo de forma cilíndrica, separadas por um material isolante.
Os condutores são geralmente de cobre, sendo o material isolante de polietileno
maciço ou discos do mesmo material (Fig. 15).
No primeiro grupo temos os pares de fios que compõem os cabos de pares, as
linhas abertas e as linhas de transmissão de energia elétrica.
No segundo grupo temos os cabos coaxiais terrestres e os cabos coaxiais
submarinos.

3.2.1 Pares de Fios

Como já vimos anteriormente, os pares de fios têm sua maior aplicação na


transmissão dos sinais de voz entre o telefone e a Central Telefônica Local (quando
compõem os cabos de assinantes) ou entre a Central Telefônica Local e outra Local
ou Central Tandem (quando compõem os cabos de linhas tronco).

Fig. 15 – Linhas físicas para comunicações

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Entretanto, quando os pares de um cabo de assinantes ou de um cabo de


linhas tronco estão todos ocupados, porém necessitamos de mais pares, a
capacidade de transmissão deste cabo pode ser ampliada pelo uso do multiplex com
capacidade variando desde 12 canais (usados em linhas de assinantes), até 120
canais (usados em linhas tronco).
Os primeiros, denominados “carrier de assinantes” são muito utilizados em
regiões limítrofes de pequenas cidades, onde um mesmo cabo de pares serve sítios,
casas de campo ou mesmo fazendas, visto que a instalação de novo cabo é muito
onerosa, normalmente pela sua grande extensão como geralmente é o caso.
O sistema de transmissão sobre par de fios é normalmente composto pelo
equipamento multiplex das Centrais Telefônicas Local e Tandem, e por repetidores de
linha. No caso do “carrier” de assinante existe também o equipamento multiplex junto
a cada assinante (Fig. 16).
Os repetidores de linha, à semelhança das estações repetidoras de rádio, têm
a finalidade de compensar principalmente a atenuação que o sistema multiplex sofre
ao se transmitir através do par de fios. Esta atenuação, para as faixas de frequência
utilizadas pelo multiplex, é muito maior que a atenuação para a faixa de voz no
mesmo par.
Como podemos ver pela Fig. 16, o repetidor de linha é basicamente composto
por 2 híbridas e 2 amplificadores, para permitir a amplificação do sinal nas duas
direções, visto que o par simétrico é um circuito a 2 fios.
Para se ter uma idéia prática da distância entre os repetidores de linha, um par
de fios cujo diâmetro do condutor é de 0,91 mm (19 AWG) e que é empregado num
cabo de linhas tronco necessita de repetidores de 10 em 10 km para transmitir 12
canais.
Como as características de transmissão dos pares de um cabo sofrem grandes
influências do meio externo, a instalação deste cabo é de grande importância.
Conforme a instalação os cabos de pares classificados em:
- Cabos Aéreos
- Cabos em Dutos
- Cabos Diretamente (enterrados)

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Fig. 16 – Sistemas de transmissão sobre par simétrico

Os cabos aéreos são instalados em postes e, dado o seu peso, são


sustentados longitudinalmente por um fio de aço, chamado cabo mensageiro ou
simplesmente mensageiro. Desta forma ele não se deforma sob a ação do seu
próprio peso, evitando variações em suas características. Por serem blindados,
podem admitir injeção interna de ar, caracterizando a pressurização, o que evita a
entrada de umidade. O aterramento elétrico da carcaça desses cabos é importante
para que não sofram a influência de ruídos externos ou ação de descargas
atmosféricas.
Os cabos passados em dutos são mais protegidos pois correm no subsolo.
Aqui é mais importante o aspecto da pressurização devido a presença direta da água.
Os cabos diretamente enterrados são especialmente protegidos contra a ação
direta das águas, ácidos presentes no subsolo e mesmo contra a ação de organismos
que atacam sua proteção.
De todos esses tipos, o cabo aéreo apresenta maior facilidade de manutenção,
enquanto que o cabo de dutos, maior estabilidade de característica de transmissão.

3.2.2 Linhas Abertas

As linhas abertas são linhas bifilares em que o material isolante (dialétrico) é o


ar, e os condutores utilizados geralmente são de cobre.
Os sistemas de linhas abertas são montados sobre isoladores, colocados em
postes que, além de permitirem a fixação e isolamento, garantem o espaçamento
entre os fios de cada par, bem como a distância entre os pares, mantendo inalteradas

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as características de transmissão ao longo da linha. Desde modo, num mesmo poste


podem passar diversos sistemas em linha aberta.
A distância entre os postes é normalmente de 50 m, se por circunstâncias
especiais não for necessária outra medida.
Na construção de linhas que sofram esforços mecânicos maiores, usam-se fios
com alma de aço recoberta de cobre, ou no caso de linhas de menor importância, fios
de ferro galvanizado.
Devido as características de construção, bem como o diâmetro dos condutores
empregados, as linhas abertas oferecem uma atenuação muito menor, mesmo em
freqüências mais elevadas, que o par simétrico. Daí a sua utilização, algumas vezes,
para ligações interurbanas em frequência de voz, porém o seu maior emprego é
como meio de transmissão multiplex, quando toma o nome consagrado de
transmissão por ondas portadoras.
Um sistema de transmissão por ondas portadoras é basicamente composto
pelos equipamentos multiplex terminais e por receptores de linha que, dependendo
do modo de transmissão do meio, podem ser 2 ou a 4 fios. Estes repetidores têm a
mesma função que aqueles utilizados nos sistemas de par simétrico.
Entretanto, como as linhas abertas apresentam pequena atenuação por
unidade de comprimento, o espaçamento entre os repetidores é muito maior que
aquele para o par simétrico. Por exemplo, um sistema de ondas portadoras para 12
canais telefônicos, que utiliza condutores com diâmetros de 2,60 mm, só necessita
repetidores de 100 em 100 km.
No entanto, devido ao fato dos sistemas de linha aberta correrem em paralelo
por longas distâncias, pode haver um acoplamento magnético ou mesmo elétrico
entre os fios de pares diferentes, através das indutâncias mútuas. Isto causará uma
perturbação elétrica entre os sistemas paralelos, chamada diafonia. Esta perturbação
é caracterizada pelo aparecimento de uma parcela do sinal de um sistema no outro
paralelo, aumentando a medida que cresce a freqüência do sinal perturbador, o que
limita a capacidade de canalização das linhas abertas.
Além disso, os sistemas de linha aberta são sujeitos as intempéries, isto é,
suas características ficam expostas as variações de temperatura e umidade.
Outros fatores que limitam o emprego desse meio são: roubo dos fios de cobre
(material bastante caro), apodrecimento dos postes (quando são de eucalipto) e
quebra de galhos ou árvores sobre os fios, provocando interrupção ou degradação da
qualidade.
Estes sistemas são normalmente utilizados em regiões muito montanhosas e
acidentadas, onde uma ligação rádio em VHF/UHF exigiria muitos repetidores, dado o
seu caráter de operação em visibilidade. Finalmente, estes sistemas são de baixa
capacidade, normalmente 3 ou 12 canais.

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3.2.3 Linhas de Transmissão de Energia Elétrica

As linhas de transmissão de energia elétrica de qualquer tensão podem ser


empregadas como meio de transmissão de multiplex. Entretanto, somente aquelas
que operam com tensões acima de 33 KV são utilizadas, visto que as tensões mais
baixas possuem um número muito grande de ramificações para a distribuição de
energia elétrica, obrigando o uso de uma quantidade muito grande de equipamentos
o que as torna economicamente inviáveis.
Estas linhas se comportam basicamente como linhas abertas, em que os
condutores empregados têm um diâmetro muito maior, o que faz com que as
atenuações por unidade de comprimento sejam ainda mais baixas que aquelas das
linhas abertas. Por exemplo, num sistema, de transmissão de energia elétrica de 200
KV, num sistema de ondas portadoras de 12 canais só necessita um repetidor de
linha a cada 300 km.
No entanto, existe uma serie de fatores que limita o seu emprego: comparada
com o par de fios e com a linha aberta, a linha de transmissão de energia elétrica tem
um nível de ruído consideravelmente, maior, devido principalmente as descargas
atmosféricas e mudanças bruscas de carga. Além disso, como as linhas são de alta
tensão, ocorrem interferências devido ao fenômeno de corona e as correntes
intermitentes de perda nos isoladores, quando o tempo está úmido. Outro fator
importante é que as características de transmissão de energia elétrica são muito
variáveis ao longo da linha.
Devido a estes fatores limitantes, basicamente os sistemas de transmissão de
energia elétrica só são empregados como meio de comunicação pelas próprias
companhias de distribuição de energia elétrica, tendo os sistemas de ondas
portadoras capacidade para 12 canais.

3.2.4 Cabos Coaxiais Terrestres

A fim de superar as limitações dos sistemas de transmissão sobre linha física


apresentados até agora, foram desenvolvidos os cabos coaxiais que funcionam como
linhas blindadas, evitando a irradiação de energia e a captação de sinais externos.
Deste modo, os cabos coaxiais permitem a utilização de faixas de freqüências bem
mais amplas, passando a constituir os principais meios de transmissão sobre linha
física para sistemas de comunicações de média e alta capacidade.
Os diâmetros dos condutores interno e externo, bem como o material isolante
entre eles, determinam as características de transmissão dos cabos coaxiais. Assim,
quanto maior a relação entre os diâmetros e quanto maior o diâmetro interno, menor
a atenuação por unidade de comprimento do cabo.

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Estes cabos são designados pelos diâmetros de seus condutores. Por


exemplo, o cabo de 2, 6/9, 5 mm significa diâmetro externo do condutor interno de 2,6
mm e diâmetro interno do condutor externo de 9,5 mm.
Os cabos coaxiais utilizados pelo multiplex estão padronizados em dois tipos:
1,2/4,4 mm e 2,6/9,5 mm (fig. 15). O primeiro é utilizado em sistemas de transmissão
de média capacidade, sendo o dielétrico maciço. O segundo, empregado em
sistemas de transmissão de alta capacidade, utiliza discos de plástico para diminuir
as perdas (menor atuação) e para torná-lo mais flexível, dado o seu maior diâmetro.
Os sistemas de cabos coaxiais podem ter um só cabo coaxial, ou vários cabos
coaxiais (2,4 ou 8) montados juntamente com vários pares de fios constituindo um
cabo misto.
Vale aqui ressaltar a nomenclatura corrente quanto a estes cabos mistos. É
denominado cabo, o cabo misto, sendo os seus cabos coaxiais chamados de tubos, e
os pares de fios de pares intersticiais.
Os sistemas de cabos coaxiais são constituídos basicamente de forma idêntica
aos outros sistemas via linha física, isto é, formado pelos equipamentos multiplex das
estações terminais e pelos repetidores.
A tabela da Fig. 17 a seguir apresenta os principais sistemas de cabos coaxiais
existentes onde, além do tipo de cabo empregado, estão indicados a banda de
transmissão do sinal multiplex, a distância nominal entre repetidores, o número de
tubos coaxiais empregados, bem como a capacidade de canalização de cada
sistema.
CABO COAXIAL DE

BANDA DE TRANSMISSÃO DISTÂNCIA NOMINAL TUBOS COAXIAIS

(KHz) ENTRE REPETIDORES 2 4 8


(Km) NÚMEROS DE CIRCUITOS MULTIPLEX
1,2 / 4,4 mm

60 - 1300 6 300 600 1200


60 - 4028 3 960 1920 3840
60 - 6000 3 1260 2520 5040
60 - 2540 9 600 1200 2400
COAXIAL
DE 2,6 / 9,5 mm

60 - 4028 9 960 1920 3840


60 - 6000 9 NORMALMENTE P/TV
CABO

300 - 12000 4,5 2700 5400 10800


4300 - 60000 1,5 10800 21600 43200

Fig. 17 - Tabela de Sistemas de Cabo Coaxial.

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3.2.5 Cabo Coaxial Submarino

É um sistema de cabo coaxial especial que se entende sobre leitos de


oceanos, interligando países.
A fig. 18 mostra a estrutura simplificada de um cabo submarino de tipo leve,
utilizado em águas profundas, onde não existem perturbações mecânicas. A parte
central é feita de cabos de aço trançados para dar maior resistência à tração, sendo o
condutor interno de cobre com diâmetro externo típico de 8,4 mm. O material isolante
é plástico, geralmente polietileno, sendo o condutor externo também de cobre com
diâmetro típico de 38,1 mm. Externamente há um material de proteção refratário aos
ataques da água do mar.
Quando o cabo já se aproxima da orla marítima, existe uma maior proteção
mecânica. Assim, da ordem de uma milha náutica (1853 m) da praia, o cabo
submarino recebe uma proteção extra de cabos de aço, tomando o nome de cabo
simples armado. Quando já aflora na costa, esta proteção é dupla, tomando o nome
de cabo duplo armado.
A composição de um sistema de cabo submarino é idêntica ao do cabo
terrestre, sendo a diferença básica a grande confiabilidade exigida para os
repetidores, visto que sendo os mesmos submersos, sua manutenção é altamente
dispendiosa, exigindo um navio para içar o cabo do fundo do mar.
A tecnologia de cabos submarinos está em franco progresso, atualmente já
existindo sistemas para até 1260 canais telefônicos.

Fig. 18 - cabos submarinos

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4 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES

Embora o multiplex telefônico se destine primordialmente a transmissão de


sinais de voz, também é utilizado para o envio de informações sob outras formas de
sinais, tais como: sinais telegráficos, sinais de fac-símile, sinais de cabos etc.
Deste modo, o multiplex telefônico é empregado por quase todos os serviços
de telecomunicações, onde tem a função de concentrar a fim de utilizar da maneira
mais racional um meio de transmissão da alta capacidade.
Fig. 19 mostra o esquema básico de um sistema de telecomunicações, onde
estão apresentados os diversos serviços que podem ser prestados por tal sistema,
indicando claramente o multiplex como concentrador dos mesmos.

Fig. 19 - Serviços de telecomunicações

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Como podemos notar, o único serviço que não utiliza o multiplex telefônico é o
de transmissão de programas de televisão. Neste serviço, o sinal gerado pela
emissora local é entregue a um centro distribuidor (Centro de TV) que envia através
de um meio de transmissão adequado, para a localidade de destino. Na localidade
distante, o sinal é recebido por outro Centro de TV que o distribui para as emissoras
e/ou outras localidades.
Pela Fig. 19 observamos que os canais de voz do multiplex telefônico recebem
diversos tipos de sinais, conforme o serviço de telecomunicações.

4.1 ASSINANTES DE TELEFONIA PÚBLICA

Neste serviço, como já vimos, os sinais de voz provenientes dos telefones dos
assinantes, através de Mesas IU ou de Centrais Telefônicas Local e Interurbana, são
devidamente concentrados no multiplex.

4.2 ASSINANTES DE REDE TELEGRÁFICA

Neste serviço a informação do assinante é convertida em sinais telegráficos


através da máquina telex, que tem função idêntica a do telefone para os sinais de
voz.
Os sinais telegráficos das máquinas telex são enviados diretamente (circuitos
ponto a ponto),ou através da Central Telex (circuito telex), cuja função é analógica
aquela desempenhada pela Central Telefônica, ao multiplex telegráfico. Este
equipamento concentra conjuntos de canais telegráficos, como por exemplo 24
canais telegráficos, num único canal de voz do multiplex telefônico.
Como podemos notar, os canais de voz do multiplex telefônico servem de meio
de transmissão para o multiplex telegráfico.

4.3 SERVIÇO MÓVEL MARÍTIMO

Este tipo de serviço permite a comunicações das embarcações em alto mar


com os assinantes da telefonia pública ou rede telegráfica. Para este fim o navios se
interligam, através de sistemas de rádio HF, com Estações Costeiras e, alcançam a
rede nacional de telefonia ou telegrafia.

4.4 CIRCUITOS

Conforme a necessidade do usuário, este circuitos podem ser alugados de


modo permanente ou temporário. Para ambas as modalidades, os circuitos passam

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pelo centro de áudio, que a finalidade de distribuir os sinais, através do multiplex


telefônico, para as localidades de destino.
Quanto aos tipos de sinais enviados através dos circuitos alugados, estes
podem ser os mais variados, a saber:

a) Sinais de voz

Transmissões radiofônicas, canais de áudio para TV etc.

b) Sinais de facsímile

Transmissões entre dois pontos distantes de informações gráficas, como por


exemplo páginas de jornais, que podem ser inclusive imagens estáticas (foto
telegráfica).

c) Sinais compostos

Por intermédio de um equipamento chamado fônica, é possível a transmissão


simultânea, num único circuito, de sinais de voz e telegráfica.

d) Sinais de dados

Provenientes das máquinas de Processamento de dados, como por exemplo


computadores.

4.5 TRANSMISSÃO DE MÚSICA DE ALTA QUALIDADE

Para este serviço é empregado um equipamento chamado canal programa,


para processar devidamente o sinal musical, cuja faixa de frequência é maior que
aquela para transmissão de voz, a fim de envia-lo ao multiplex.

4.6 ASSINANTES DA REDE DE TRANSMISSÃO DE DADOS

Para melhor aproveitar o multiplex telefônico, os sinais dos dados assinantes


desta rede são devidamente concentrados por um multiplex digital, a semelhança de
outros equipamentos multiplex.

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5 INTRODUÇÃO À SINALIZAÇÃO

Para o perfeito funcionamento de um sistema telefônico, há diversas


informações trocadas entre o assinante e a central e entre as centrais.

Para realizar esta troca de informações existe a sinalização podendo ser


dividida em três grupos:

• Sinalização Acústica
• Sinalização de Linha
• Sinalização de Registro

5.1 SINALIZAÇÃO ACÚSTICA

É que estabelece a integração usuário-equipamento, e consiste em uma série


de sinais audíveis emitidos da central para o assinante e referem-se a estados da
conexão. Compreendem-se os seguintes sinais:

• Tom de Discar
• Corrente de Toque de Chamada
• Tom de Controle de Chamada
• Tom de Ocupado
• Tom de Número Inacessível

5.2 SINALIZAÇÃO DE LINHA

É o conjunto de sinais destinados a efetuar a ocupação e supervisão enlace a


enlace dos circuitos que interligam duas centrais telefônicas; opcionalmente, permite
o envio de sinais de tarifação.

Juntor - É o órgão ou função de uma central de comutação, responsável pela


interface com o meio de transmissão.

Equipamento de Comutação de Saída - É o órgão associado à extremidade de


origem do canal de sinalização, responsável pelo envio dos sinais de linha no sentido
“para frente”, e recebimento dos sinais de linha no sentido “para trás”.

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Equipamento de Comutação de Entrada - É o órgão associado à extremidade de


destino do canal de sinalização, responsável pelo recebimento dos sinais de linha no
sentido “para frente”, e transmissão dos sinais de linha no sentido “para trás”.

Sinal de Ocupação - É o sinal emitido para frente, pelo juntor de saída para levar o
juntor de entrada associado à condição de ocupado.

Sinal de Atendimento - É um sinal emitido para trás, pelo juntor de entrada


associado. Para indicar que o assinante chamado atendeu.

Sinal de Desligar para Trás - É um sinal emitido para trás, pelo juntor de entrada ao
juntor de saída associado, para indicar que o assinante chamado desligou.

Sinal de Desligar para Frente - É um sinal emitido para frente, pelo juntor de saída
ao juntor de entrada associado, para liberar, a partir deste, todos os órgãos
envolvidos na chamada.

Sinal de Confirmação de Desconexão - É um sinal emitido para trás, pelo juntor de


entrada ao juntor de saída associado, em resposta a um sinal de desligar para frente,
para indicar que ocorreu a liberação dos órgãos associados ao juntor de entrada.

Sinal de Desconexão Forçada - É um sinal que substituí o sinal de desligar para


trás, nos circuitos entre a estação local de origem e o primeiro ponto de tarifação. O
sinal é emitido, a partir deste ponto, após ocorrida temporização, que se inicia com o
recebimento do sinal de desligar para trás. Tendo emitido o sinal de desconexão
forçada, o primeiro ponto de tarifação inicia a liberação da cadeia de comutação para
frente; recebendo o sinal de desconexão forçada a central local desfaz a conexão
estabelecida.

Sinal de Bloqueio - É o sinal emitido para trás, pelo juntor de entrada ao juntor de
saída associado, provocando o bloqueio do mesmo.

Sinal de Tarifação - É um sinal emitido para trás, pelo juntor de entrada ao juntor de
saída associado, de acordo com a cadência correspondente ao degrau tarifário, a
partir do ponto de tarifação por multimedição.

Sinal de Confirmação de Ocupação - É um sinal emitido para trás, pelo juntor de


entrada ao juntor de saída associado, em resposta a um sinal de ocupação, para
indicar que ocorreu a ocupação dos órgãos associados ao juntor de entrada.

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Sinal de Falha - É um sina emitido para frente, a partir do juntor de saída associado,
para indicar que houve falha no equipamento de origem.

5.2.1 Tipos de Sinalização de Linha

A sinalização de linha a ser adotada consta de quatro variantes, todas do tipo


enlace a enlace, aplicáveis de acordo com as condições técnicas de transmissão e
comutação. Estas variantes são:

Tecnologia de Transmissão Tecnologia de Comutação

Cabos de pares sinalização por loop de corrente contínua

FDM Multiplexação por divisão de sinalização: E + M contínua


freqüência
E + M pulsada

Digital sinalização: E + M contínua

E + M pulsada

R2 Digital

5.2.2 Sinalização por Loop de Corrente Cotínua

Por motivos principalmente econômicos, muitos sistemas telefônicos


empregam a sinalização de loop de corrente contínua a 2 fios.

Os critérios básicos deste tipo de sinalização são:

• Variação da resistência (e consequentemente da corrente) na linha.

• Variação da polaridade na linha.

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5.2.3 Sinalização E & M pulsada

O sistema E & M pulsada utiliza um canal de sinalização para transmissão


(canal M) e um canal de sinalização para recepção (canal E) dos sinais.

São utilizados dois tipos de sinais cujos tempos de emissão são:

• curto - duração de (150 ± 30) ms - ocupação, atendimento, tarifação e rechamada;

• longo - duração de (600 ± 120) ms - desligar para trás, desligar para frente,
confirmação de desconexão e desconexão forçada.

A presença de um sinal é caracterizada pela presença de terra referida a um


potencial de -48V, entre os equipamentos de comutação e de transmissão, o que
deverá corresponder, nos equipamentos de transmissão:

• analógicos, a presença de tom em freqüência fora de faixa (3825 Hz), em nível


alto.

• digitais, a presença de “1” (um) nos bits correspondentes ao canal de sinalização.

5.2.4 Sinalização E & M contínua

O sistema E & M contínua utiliza um canal de sinalização para transmissão


(canal M) e um canal de sinalização para recepção (canal E) dos sinais,

A presença de um sinal é caracterizada pela presença de terra referida a um


potencial de - 48 V, entre os equipamentos de comutação e de transmissão, o que
deverá corresponder, nos equipamentos de transmissão:

analógicos, a presença de tom em freqüência fora de faixa (3825 Hz), em nível baixo.

digitais, a presença de “1” (um) nos bits correspondentes ao canal de sinalização.

A presença ou ausência de sinal denota um certo estado de sinalização. A


linha, portanto, tem dois estados possíveis em cada direção, isto é, um total de 4
estados de sinalização. Levando-se em conta a seqüência de tempo, o circuito terá
as condições mostradas a seguir:

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FASES DA DESIGNAÇÃO SENTIDO SINALIZAÇÃO E+ M SINALIZAÇÃO E + M


CHAMADA DO SINAL DO SINAL CONTÍNUA PULSADA

FIO M FIO E FIO M FIO E

Livre ausente ausente

Ocupação sinal de → presente ausente 150 ms


ocupação

chamada em troca de presente ausente


progresso sinalização entre
registradores

Atendimento sinal de ← presente presente 150 ms


atendimento

Conversaçã presente presente


o

Tarifação sinal de tarifação ← presente ausente 150 ms


durante 150
ms

Início da sinal de desligar ← presente ausente 600 ms


desconexão para trás
pelo destino

Início da sinal de desligar → ausente presente 600 ms


desconexão para frente
pela origem

Fim da sinal de ← ausente ausente 600 ms


desconexão confirmação de
desconexão

Bloqueio sinal de bloqueio ← ausente presente permanente

Sinalização E+M contínua / Pulsada

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Sinalização de Registradores

A sinalização entre registradores é a responsável pela troca de informações entre os


órgãos de controle das centrais. São informações relacionadas ao número do
assinante chamado ou chamador, tipos de assinantes, condições de assinantes, etc.,
que devem ser trocadas entre as centrais para estabelecer uma conexão. Em
resumo, pode-se dizer que a sinalização de registro é a troca de informações de
controle entre as centrais.

5.3 SINALIZAÇÃO R2 DIGITAL

O sistema utiliza dois canais de sinalização para frente (af e bf) e dois canais
de sinalização para trás (ab e bb). Estes canais são utilizados na troca de
informações entre os juntores que utilizam enlaces PCM.

O canal af indica as condições de operação do equipamento de comutação de


saída, como estas condições estão sob controle do assinante chamador, este canal
também reflete as condições de enlace do assinante chamador (enlace aberto ou
fechado).

O canal bf fornece ao equipamento de comutação de entrada indicação de


falhas ocorridas no equipamento de comutação de saída.

O canal ab reflete as condições do enlace do assinante chamado (enlace


aberto ou fechado).

O canal bb reflete as condições de ocupação do equipamento de comutação


de entrada.

Na tabela: Sinalização R2 digital, apresentada a seguir, na próxima página, são


mostrados como os sinais de linha são codificados.

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FASE DA CHAMADA DESIGNAÇÃO DO SENTIDO CANAIS DE OBSERVAÇÕES


SINAL DO SINAL SINALIZAÇÃO

af bf ab bb

tronco livre 1 0 1 0

ocupação do tronco sinal de ocupação → 0 0 1 0

sinal de confirmação ← 0 0 1 1
de ocupação

chamada em progresso 0 0 1 1

atendimento da sinal de atendimento ← 0 0 0 1


chamada

conversação 0 0 0 1

sinal de desligar para ← 0 0 1 1


trás

desligamento da sinal de desligar para → 1 0 X 1 X=0: A desliga


chamada frente primeiro

X=1: B desliga
primeiro

sinal de confirmação ← 1 0 1 0
de desconexão

sinal de desconexão → 0 0 0 0
forçada

sinal de confirmação → 1 0 0 0
de desconexão
forçada

situações especiais sinal de bloqueio ← 1 0 1 1

sinal de falha → 1 1 1 0

Sinalização R2 Digital.

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5.4 SINALIZAÇÃO MULTIFREQUENCIAL

A troca de informações na sinalização MFC efetua-se entre órgãos situados


nos extremos de uma via de conexão, onde se utiliza essa sinalização.
Na origem há um órgão chamado emissor que transmite os sinais para frente,
e que são recebidos por um órgão no extremo da via denominado receptor. Este
transmite os sinais para trás (sentido contrário ao do tráfego) que alcançam o emissor
citado. Estes órgãos recebem portanto essas designações em relação aos sinais para
frente, embora ambos sejam, simultaneamente, emissores e receptores.
Os sinais MFC ocorrem numa fase em que não há, ainda, conversação e os
receptores estão dispensados de apresentarem imunidades às freqüências vocais
provocadas pelos assinantes. A sinalização é do tipo compelido, em que os sinais
para frente e para trás são interdependentes, de forma que a duração de cada sinal é
determinada pela recepção do sinal gerado pelo primeiro, conforme figura abaixo.
A troca de sinais MFC começa sempre com a emissão de um sinal para frente,
emitido pelo registrador, na origem do circuito. Este sinal não tem duração definida,
exceto, uma limitação de tempo pelos elementos de temporização dos circuitos.
Assim em condições normais, o sinal para frente durará até o emissor constatar a
presença de um sinal para trás disparado pelo receptor, quando este tomou
conhecimento da recepção do sinal para frente. A duração do sinal para trás também
não é definida a ser, devido a uma limitação causada pela temporização, citada
anteriormente. O sinal para trás permanecerá até que o receptor constante o
desaparecimento do sinal para frente.
O próximo sinal para frente marca o início do ciclo MFC seguinte e somente
poderá ser emitido, quando o emissor reconhecer o desaparecimento do sinal para
trás do ciclo anterior que, além de desempenhar a função de confirmação dos sinais
para frente transporta, também ordens ao emissor sobre seu modo de
comportamento subseqüente.
emissor receptor

a b
Sinal
para c
d Sinal
frente e
para trás
h g

Sinal
para
frente Sinal
para trás

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a) O emissor envia um sinal para frente composto de duas freqüências.

b) Quando estas atingem o receptor, o sinal é interpretado e o receptor ordena o


envio do sinal para trás.

c) O receptor envia continuamente um sinal para trás. Neste instante há


simultaneamente quatro freqüências na linha.

d) Quando o emissor recebe o sinal para trás, ordena o corte do sinal para frente.

e) A transmissão do sinal para frente é interrompida.

f) O receptor percebe a interrupção do sinal para frente e ordena o corte do sinal para
trás.

g) Cessa a transmissão do sinal para trás.

h) O emissor percebe a interrupção do sinal para trás e ordena a transmissão do sinal


para frente.

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7. PRINCÍPIOS DA TÉCNICA PCM

A modulação por codificação de pulsos (PCM) é um método de modulação


que converte um sinal analógico contínuo em um sinal digital. Para tanto, o sinal
analógico é formado por palavras de código, atribuídas a intervalos de quantização
(amostras) de acordo com um código de pulso. Um sinal PCM pode ser transmitido
sozinho ou entrelaçado com palavras de código de outros sinais PCM.

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7.1 TEOREMA DA AMOSTRAGEM

O teorema da amostragem especifica a menor freqüência de amostragem de


um sinal analógico, para que na reconstituição do sinal analógico original, a partir das
amostras, não ocorram perdas na informação.
A freqüência de amostragem (fA) deve ser maior que duas vezes a freqüência
contida no sinal analógico (fs):

f A > 2 fS

7.2 CONVERSÃO ANALÓGICO/DIGITAL

7.2.1 Amostragem

Para a faixa de freqüência de 300 a 400 Hz, utilizada na telefonia, foi fixada
internacionalmente, uma freqüência de amostragem (fA) de 8000Hz. Desta forma, o
intervalo entre duas amostras sucessivas de um mesmo sinal telefônico (intervalo de
amostragem = TA) resulta de:

TA = 1 / fA

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7.2.2 Quantização

Em função do sinal PAM ser ainda de uma forma analógica de um sinal


telefônico e as amostras serem mais facilmente processadas e transmitidas na forma
digital, o primeiro passo para a conversão da amostra em sinal digital (sinal PCM) é a
quantização. Para isto, o espectro de valores possíveis do sinal é subdividido em
intervalos de quantização que, para o caso dos sistemas de transmissão PCM30
utilizados no Brasil, representam 256 intervalos de quantização.
Os intervalos de quantização são delimitados entre si por valores de decisão. A
amostra que ultrapassar a um valor de decisão é enquadrada no intervalo
imediatamente superior e aquela que ficar abaixo, no intervalo imediatamente inferior.
Portanto, no lado da emissão, diferentes valores analógicos são reunidos em um
intervalo de quantização. O desvio (erro de quantização) corresponde, no máximo, a
meio intervalo para cada amostra. O erro de quantização daí resultante pode
transformar-se em ruído no lado de recepção, sobreposto ao sinal útil. O erro de
quantização é tanto menor quanto maior for o número de intervalos de quantização.
A recomendação G.711 do CCITT especifica duas curvas características que
fixam os detalhes da quantização:

• curva de 13 segmentos (lei A, utilizada no sistema PCM30)


• curva de 15 segmentos (lei µ, utilizada no sistema PCM24)

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7.2.3 Codificação

O sinal PCM a ser transmitido é obtido pela codificação dos números dos
intervalos de quantização. O codificador atribui a cada amostra uma palavra de
código de 8 bits em correspondência ao valor de quantização fixado. Os 128
intervalos positivos e os 128 intervalos negativos de quantização são representados
nos sistemas de transmissão PCM, através de um código binário de 8 dígitos,
portanto, as palavras de código são de 8 bits.

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7.2.4 Multiplexação

As palavras de código de 8 bits de diversos sinais telefônicos podem ser


transmitidas em uma seqüência cíclica, isto é, entre duas palavras de um mesmo
sinal telefônico são introduzidas em seqüência de palavras de código de outros sinais
telefônicos, formando assim, o sinal PCM multiplexado por divisão no tempo.
A seqüência de bits, que contém uma palavra de código de cada sinal é
denominada de quadro de pulsos.
No sistema de transmissão PCM30, o quadro de pulsos é formado por 32
palavras de código.

7.3 CONVERSÃO DIGITAL/ANALÓGICO

7.3.1 Demultiplexação

Do sinal multiplexado no tempo obtém-se na recepção novamente os sinais


PCM, isto é, as palavras de código de 8 bits referentes a cada sinal telefônico
transmitido de forma multiplexada.

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7.3.2 Decodificação

A cada palavra de código de 8 bits é atribuído um valor de tensão na recepção


que corresponde ao valor médio do correspondente valor de quantização. A curva de
decodificação é a mesma da codificação na emissão.

As palavras de código são decodificadas na seqüência de recepção e


convertidas em sinais PAM. A seguir o sinal PAM é conduzido a um filtro passa-baixa
que reconstitui o sinal telefônico original.

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8 SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DIGITAL

Os sistemas analógicos são convertidos em sinais digitais com o auxílio da


modulação por codificação de pulsos, para então serem transmitidos na forma digital.
Os sistemas básicos de transmissão digital são o PCM30 e o PCM24. A partir destes
sistemas podem ser formados sistemas de ordem superior.

8.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO PCM

8.1.1 Circuito de conversão

Em um sistema de transmissão PCM existe um canal para cada sentido da


conexão (assinante A B; assinante B A). Os “time-slots” de canal de mesma
numeração em um quadro de pulso dois sentidos opostos de um sistema de
transmissão PCM formam um círculo de conversação com dois sentidos distintos e
separados entre si.

8.1.2 Sincronismo entre emissor e receptor

Os sistemas de transmissão PCM estão terminados nas duas extremidades


por equipamentos multiplex. Cada equipamento multiplex tem um emissor e um
receptor. O emissor forma as palavras de código de 8 bits a serem emitidas e o
receptor converte estas palavras de código novamente em sinais analógicos. Para a
reconstituição destes sinais analógicos, o receptor de um sentido de conversação
deve trabalhar com o mesmo sinal de sincronismo que o emissor no lado oposto. Por
este motivo, o emissor envia ao receptor não só os sinais PCM, mas com eles
também o sinal de sincronismo com o qual estes foram formados. Para tal, o emissor
contém um gerador e um receptor, um receptor de sinais de sincronismo, que filtra
estes sinais do sinal PCM recebido.

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8.1.3 Código de linha

O sinal PCM formado pelo emissor é composto por sucessivas palavras de


código de 8 bits no código binário NRZ (non-return-to-zero). No entanto, este sinal
digital não pode ser aplicado diretamente à linha física devido à sua componente de
corrente contínua. Por este motivo, o emissor no equipamento multiplex converte o
sinal PCM em um sinal pseudo-ternário em um sinal AMI (alternate mark inversion),
isento da componente corrente contínua. Neste sinal, contudo, pode ocorrer uma
longa seqüência de bits 0 (zero) ocasionando, eventualmente, a perda do sinal de
sincronismo retirado pelos repetidores regeneradores do sinal enviado. Por isto, para
linhas de transmissão PCM, é utilizada uma variante do código AMI pseudo-ternário:
o código HDB3 (third-order high-density-bipolar). Com este código limita-se em três a
quantidade de bits 0 (zero) sucessivos.

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8.1.4 Equipamento terminal de linha

O equipamento terminal de linha é o elo de ligação entre o equipamento


multiplex e as linhas de transmissão. No lado de emissão é injetado o potencial para
telealimentação dos repetidores regeneradores; no lado da recepção é regenerado o
sinal PCM e dali levado ao receptor do equipamento multiplex.

8.1.5 Repetidores regeneradores

Nos enlaces PCM são instalados repetidores regeneradores a cada 2 a 5 km.


Estes regeneram os sinais PCM nos dois sentidos de transmissão e eliminam desta
forma as distorções ocasionadas por influências externas e pelos parâmetros de
transmissão na linha.

8.2 SISTEMA DE TRANSMISSÃO PCM 30

O sistema de transmissão PCM30 permite a transmissão simultânea de 30


conversações.

8.2.1 Quadro de pulsos

Para cada um dos 30 circuitos de conversação são enviados, nos dois


sentidos. 8000 amostras por segundo em forma de palavra de código de 8 bits.
Portanto, em cada sentido deve haver a transmissão sucessiva de 30 palavras de
código de 8 bits no intervalo de 125 s (valor inverso de 8 kHz). A essas 30 palavras
de código soma-se 2 x 8 bits; 8 bits para a sinalização e 8 bits que contêm
alternadamente, uma palavra de alinhamento do quadro e uma palavra de serviço. As
30 palavras de código formam, com 2 x 8 bits, um quadro de pulsos. Os quadro de
pulsos são transmitidos obrigatoriamente em ordem sucessiva.

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8.2.2 Palavra de alinhamento de quadro

As palavras de alinhamento de quadro sincronizam o emissor e o receptor do


sistema PCM30. Os bits 2 a 8 desta palavra têm sempre o mesmo formato: 0011011.
O receptor determina a posição do quadro de pulsos a partir da palavra alinhamento,
o que permite a correta distribuição dos bits aos circuitos telefônicos.
A palavra de alinhamento de quadro é transmitida alternadamente com a
palavra de serviço no canal 0 (zero).

Número do bit 1 2 3 4 5 6 7 8
Valor binário X 0 0 1 1 0 1 1

8.2.3 Palavra de serviço

Os bits 4 a 8 são reservados para uso nacional.

Número do bit 1 2 3 4 5 6 7 8
Valor binário X 1 A Y Y Y Y Y

Palavra de serviço no “time-slot” no canal 0 do PCM. Essa palavra transmite


sinais de serviço. O 3º bit-alarme urgente 0 sem alarme e o 1 informa o seguinte:

• falha alimentação;
• falha codec;
• falha sinal entrada 2.048 kbps;
• perda alinhamento quadro pulsos;
• taxa de erro da palavra alinhamento quadro > 10-3(escrito).

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9 COMUTAÇÃO DIGITAL

As interconexões na central de comutação digital ocorrem pela redisposição


das palavras de código de 8 bits de diferentes sinais telefônicos em função da
conexão desejada. Em correspondência à freqüência de amostragem, ocorre o envio
de 8000 palavras de código por segundo e por sentido da conexão. Desta maneira,
resultam na central de comutação períodos sucessivos de 125 s, e dentro destes
períodos cada palavra de código tem um “time-slot”.
Em uma central de comutação digital são utilizados basicamente dois
princípios de comutação:

• comutação temporal;
• comutação espacial.

9.1 COMUTADOR TEMPORAL

O comutador temporal pode transferir toda a palavra de código de 8 bits de


uma linha multiplex de entrada a qualquer “time-slot” de uma linha multiplex de saída
(acessibilidade plena).
Devido a redisposição dos “time-slots”, as palavras de código sofrem um
retardo no comutador temporal, diferente para cada conexão.

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O comutador temporal-espacial é uma variante de alta velocidade do


comutador temporal. Devido à alta velocidade de operação, o comutador temporal-
espacial pode transferir palavras de código de 8 bits das linhas multiplex de entrada a
qualquer “time-slot” de diversas linhas multiplex de saída. Para tanto, faz-se
necessário multiplexar as palavras de código das linhas de entrada e conduzi-las a
uma memória de dados. Isto significa, que na linha entre o multiplexador e a memória
de dados ocorre uma taxa de bits muitas vezes maior que nas linhas de entrada. Na
figura abaixo pode se observar que a taxa de bits entre o multiplexador e a memória
de dados é quatro vezes maior que em uma linha multiplex de entrada. Após o
processo de comutação, o demultiplexador distribui as palavras de código às quatro
linhas de saída com a taxa de bits original. Portanto, toda palavra de código entrante
pode ser transferida, sem bloqueio, a qualquer “time-slot” das linhas multiplex de
saída (acessibilidade plena).

9.2 COMUTADOR ESPACIAL

O comutador espacial comuta qualquer palavra de código de 8 bits de uma


linha multiplex de entrada a qualquer multiplex de saída sem alterar o “time-slot”.
Portanto, as palavras de código permanecem em seus “time-slots” originais durante e
após a comutação e, conseqüentemente não ocorre retardo. Existe sim a alteração
de posição espacial, isto é, a atribuição às diversas linhas multiplex.

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9.3 DIFERENÇA BÁSICA ENTRE O COMUTADOR TEMPORAL E ESPACIAL

Em ligações através de um comutador temporal, as palavras de código trocam


de “time-slots” entre a entrada e a saída. Em ligações através de um comutador
espacial, as palavras de código trocam de linhas multiplex, permanecendo contudo no
mesmo “time-slot”.

9.4 MEMÓRIA DE CONTROLE

A cada comutador temporal e a cada comutador espacial está atribuída uma


memória de controle. Esta é uma memória do tipo RAM, cujo conteúdo pode ser
modificado aleatoriamente.
Baseado nos dados de comutação recebidos, será realizado a inscrição dos
endereços de controle em determinadas posições de memória e apagados em outras.
Os endereços de controle inscritos determinam as interconexões a serem
realizadas e permanecem inscritos durante toda a conversação.
Uma memória de controle tem uma posição de memorização para cada “time-
slot” de um período de 125 µs. Cada posição de memória pode conter um endereço

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da memória de dados (comutador temporal) ou de uma linha multiplex de entrada


(comutador espacial). Dentro de um período de 125 µs ocorre uma exploração cíclica
de todas as posições de memória e a conseqüente leitura dos endereços de controle
memorizados.

• No comutador temporal, o endereço de controle indica uma determinada


posição na memória de dados para as palavras de código de 8 bits. O endereço
de controle determina no comutador temporal, com inscrição cíclica, de que
posição da memória de dados deve ser lida a palavra de código a ser
transmitida. No comutador temporal com leitura cíclica, o endereço de controle
indica a posição da memória de dados na qual a palavra de código recebida
deve ser inscrita.
• No comutador espacial, o endereço de controle identifica uma linha multiplex de
entrada. Desta forma é liberada, durante o “time-slot” em questão, uma
determina porta que corresponde a uma linha multiplex de saída,
interconectando a linha multiplex de entrada endereçada com a linha multiplex
de saída especificada na memória de controle.

9.5 ÓRGÃOS DE UMA CENTRAL DE COMUTAÇÃO DIGITAL

As centrais de comutação digitais têm as seguintes áreas principais:

• equipamentos de conexão que adaptam os diferentes tipos de linhas


às vias digitais;
• matriz de acoplamento digital que estabelece as conexões;
• comando.

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9.5.1 Equipamentos de conexão

Os equipamentos de conexão são os elos de entre a periferia de uma central


de comutação digital e a matriz de acoplamento. Eles preparam os sinais telefônicos
provenientes das linhas para a interconexão pela matriz de acoplamento. Da mesma
forma, eles convertem a informação interconectada pela matriz de acoplamento à
forma necessária para a transmissão através da linha. As funções a serem
executadas pelo sistema de comutação digital para cada assinante analógico podem
ser expressas pela expressão BORSCHT:

• B = Batery feed;
• O = Overvoltage protection;
• R = Ringing;
• S = Signaling;
• C = CODEC;
• H = Hybrid;
• T = Test access.

A maioria destas funções também é realizada por terminais de troncos


analógicos. Nas linhas de assinantes e troncos digitais,estes sinais são transmitidos
na forma digital, isto é, as funções de codificações e decodificações não são
necessárias nos equipamentos de conexão.

9.5.2 Matriz de acoplamento digital

As matrizes de acoplamento são formadas por comutadores temporais,


espaciais-temporais e espaciais. A configuração mais usual de uma matriz de
comutação é temporal-espacial-temporal, podendo variar em função da capacidade
da central de comutação.

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9.5.3 Comando

O comando é a parte constituída de um ou mais processadores que controlam


todas as áreas de uma central de comutação digital. As centrais de comutação digital
podem ser distinguidas entre:

• central de comutação com controle de processamento centralizado: neste


tipo de arquitetura todas as funções de controle são realizadas através de
uma única unidade centralizada, a qual por questões de segurança deve
ser duplicada;
• central de comutação com controle de processamento semi-centralizado:
neste tipo de arquitetura o processamento de eventos esta distribuído entre
diversos processadores periféricos, existindo entretanto um elemento ou
uma unidade com funções de coordenação de todos os demais;
• central de comutação com controle de processamento descentralizado:
neste tipo de arquitetura o processamento de eventos está totalmente
distribuído entre vários processadores periféricos, não existindo entretanto,
nenhuma unidade com funções de coordenação centralizada.

Dentre as diversas funções do comando de uma central digital pode-se


exemplificar a interpretação da sinalização, a realização do roteamento, comutação e
do procedimento de tarifação.

9.5.4 Ligação entre dois assinantes

Cada ligação possui dois sentidos de conversação e, por este motivo, são
interconectadas duas vias na matriz de comutação digital (sentido A B e sentido B
A). Portanto, interconexões digitais correspondem sempre a interconexões a 4 fios,
se consideradas do ponto de vista da técnica analógica.
Para a conservação entre o assinante A e B, em cada período de 125 µs são
interconectadas duas vias de conversação na matriz do acoplamento. Ao final da
conversação, estas vias são liberadas, o conteúdo das memórias de controle
“apagados” e os “time-slots” dos períodos de 125 µs liberados para que possam ser
utilizados para outras ligações.

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10 SINALIZAÇÃO

Para o correto desempenho de um sistema telefônico, faz-se necessário a


troca de diversas informações entre o assinante e a central de comutação e entre
várias centrais. Para tanto, são utilizadas sinalizações que permitem esta troca de
informações.
Os tipos de sinalizações utilizados podem ser distinguidos entre:

• sinalização de assinante;
• sinalização acústica;
• sinalização de linha;
• sinalização de registradores;
• sinalização associada ao canal para 30 circuitos de conversação;
• sinalização por canal comum com taxa de 64 kbits/s.

10.1 SINALIZAÇÃO DE ASSINANTE

A sinalização de assinante é aquela trocada a partir do assinante em direção à


central de comutação com o objetivo de estabelecer ou desconectar uma chamada.
A sinalização de assinante pode ser subdividida em sinalização para:

• Assinante analógico, consistindo dos seguintes sinais:

- sinal de ocupação: caracteriza o fechamento de loop no assinante


chamador;
- sinal de atendimento: caracteriza o fechamento de loop no assinante
chamado;
- sinal de desligamento: caracteriza a reposição do monofone no
gancho;
- seleção numérica:
- por impulsos: enviada pelo telefone a disco através de impulsos com
período de 100 ms, sendo 67 ms de abertura e 37 ms de
fechamento.
- por teclado: são sinais multifrequenciais enviados através do teclado
que representam a combinação de 2 freqüências.

• Assinante digital, que permite a oferta de novos serviços (integração de


dados, texto, voz e imagem) aos assinantes pertencentes a rede
denominada RDSI. O ITU-T especificou 2 tipos de acesso para o RDSI
denominados de acesso básico (2B + D) e acesso primário (30B + D). O
sistema de sinalização para assinante digital recomendado pelo ITU-T para
a sinalização entre a central e os terminais de rede é o DSS1 (Digital
Subscriber Signaling System nº 1), o qual é estruturado de acordo com o
modelo de 7 camadas OSI (Open Systems Interconnection) da ISSO

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(International Standards Organization). O protocolo de sinalização DSS1


permite o estabelecimento, solicitação de facilidades e desconexão de
chamada através da troca de sinalização (mensagens) entre o equipamento
terminal e a central.

Como exemplo, são apresentados a seguir o fluxo de troca de mensagens de


nível 3 que possibilitam o estabelecimento e desconexão de uma chamada solicitada
por um assinante digital pertencente à rede RDSI.

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10.2 SINALIZAÇÃO ACÚSTICA

A sinalização acústica é a sinalização que é transmitida pela central ao


assinante. Como exemplo de sinalização acústica, temos:

• Tom de seleção: é um sinal contínuo de 425 ± 25 Hz que informa ao


assinante chamador que a central está pronta para receber as cifras do
assinante desejado.

• Tom de ocupado: é um sinal utilizado para indicar ao assinante chamador


que o assinante chamado encontra-se ocupado. É um sinal que intercala
tom e silêncio e utiliza a freqüência de 425 ± 25 Hz e duração de 500 ± 25
ms.

• Tom de numero inacessível: é um sinal enviado ao assinante chamador


significando que o numero selecionado não existe na central. É um sinal
que intercala tom e silêncio e utiliza a freqüência de 425 ± 25 Hz e duração
de 1500 ± 150 ms conforma indicado na figura abaixo.

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• Tom de controle de chamada: é um sinal enviado ao assinante chamador


para indicar que o assinante chamado está livre e está recebendo corrente
de chamada. É um sinal que utiliza a freqüência de 425 ± 25 Hz, com um
período de 5000 ± 500 ms, intercalando tom e silêncio conforme a figura
abaixo.

• Corrente de chamada: é um sinal que utiliza uma freqüência de 25 ± 1,25


Hz (tensão de 75 V), com tempos iguais ao do tom de controle de
chamada. É um sinal utilizado para fazer soar a campainha do telefone do
assinante analógico chamado.

10.3 SINALIZAÇÃO DE LINHA

A sinalização de linha é a sinalização que estabelece a comunicação entre as


centrais de comutação e atuam durante todo o período da conexão. A sinalização a
ser adotada é aplicável de acordo com as condições técnicas de transmissão e
comutação. Os principais tipos de sinalização de linha são:

• Sinalização E + M pulsada: utiliza um canal de sinalização para a


transmissão (canal M) e um canal de sinalização para recepção (canal E)
dos sinais. Utiliza dois tipos de sinais, cujos tempos de emissão são:

- curto: duração de 150 ± 30 ms;


- longo: duração de 600 ± 120 ms.

O intervalo mínimo entre dois sinais consecutivos deve ser de 240 ms.

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A presença de um sinal é caracterizada pela presença de terra referia a uma


potência de -48V, entre os equipamentos de comutação e de transmissão, o que
deverá corresponder nos equipamentos de transmissão:

• analógicos, a presença de tom em freqüência fora da faixa (3825 Hz);


• digitais, a presença de “1” nos bits correspondentes ao canal de
sinalização.

Os sinais de linha utilizados encontram-se indicados na tabela abaixo:

• Sinalização E + M contínua: utiliza um canal de sinalização para a


transmissão (canal M) e um canal de sinalização para recepção (canal E)
dos sinais. A presença ou ausência de sinal denota um determinado estado
de sinalização. O tempo de reconhecimento de “tone-off” para “tone-on” e
vice-versa é de 40 ± 10 ms.

A presença de um sinal é caracterizada pela presença de terra referia a uma


potência de -48V, entre os equipamentos de comutação e de transmissão, o que
deverá corresponder nos equipamentos de transmissão:

• analógicos, a presença de tom em freqüência fora da faixa (3825 Hz);


• digitais, a presença de “1” nos bits correspondentes ao canal de
sinalização.

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Os sinais de linha utilizados encontram-se indicados na tabela abaixo:

• Sinalização R2 digital: utiliza dois canais de sinalização para frente (af e bf)
e dois canais de sinalização para trás (ab e bb). Estes canais são utilizados
na troca de informações entre os troncos que utilizam enlaces PCM.
O canal af indica as condições de operação do equipamento de comutação
de saída. Este canal também reflete as condições de enlace do assinante
chamador (enlace aberto ou fechado).
O canal bf fornece ao equipamento de comutação de entrada indicação de
falhas ocorridas no equipamento de comutação de saída.
O canal bb reflete as condições do enlace do assinante chamado (enlace
aberto ou fechado)

O Tempo de reconhecimento da transição do estado 0 para 1 ou vice-versa é


20 ± 10 ms. A diferença entre duas transições, aplicadas simultaneamente nos dois
canais de sinalização da mesma direção não deve ultrapassar 2 ms. A seguir são
mostrados como os sinais de linha são codificados:

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 71


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

10.4 SINALIZAÇÃO DE REGISTRADORES

A sinalização de registradores é responsável pela troca de informações entre


os órgãos de controle das centrais. São informações relacionadas ao número de
assinantes, chamado ou chamador, categoria do assinante chamador, condição do
assinante chamado...etc, que devem ser trocadas entre as centrais para se
estabelecer à conexão.
Os sinais MFC são transportados através de códigos multifreqüenciais, em que
cada sinal é composto da emissão simultânea de duas freqüências distintas tomadas
de um grupo de “n” freqüências. Para “n” igual a seis freqüências, pode se formar 15
códigos multifreqüenciais em cada sentido de transmissão como indicado na tabela a
seguir:

72 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

O significado primário dos códigos para frente denomina-se GRUPO I de


sinais. Sua finalidade é transportar as informações numéricas para seleção do
assinante chamado, identificação do assinante chamador, etc.
O significado secundário recebe a designação de GRUPO II de sinais e tem a
finalidade de informar o receptor sobre a categoria do assinante chamador. A
passagem do GRUPO I para o GRUPO II é ordenada por alguns sinais para trás.
O significado primário dos códigos para trás constitui o GRUPO A de sinais.
Estes têm a finalidade de solicitar a identidade do assinante chamador, categoria do
assinante chamador, etc.
O significado secundário dos códigos para trás constitui o GRUPO B de sinais
e tem a finalidade de informar o emissor da condição da linha do assinante chamado.

Freqüências DTMF (utilizadas em telefones – MFC)

1209 Hz 1336 Hz 1477 Hz 1633 Hz


697 Hz 1 2 3 -
770 Hz 4 5 6 -
852 Hz 7 8 9 -
941 Hz * 0 # -

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Sinais para frente, grupo I Sinais para frente, grupo II

I–1 Algarismo 1 II – 1 Assinante comum


I–2 Algarismo 2 II – 2 Assinante com tarifação especial
I–3 Algarismo 3 II – 3 Equipamento de manutenção
I–4 Algarismo 4 II – 4 Telefone público
I–5 Algarismo 5 II – 5 Operadora
I–6 Algarismo 6 II – 6 Equipamentos de transmissão de
dados
I–7 Algarismo 7 II – 7 Serviço internacional
I–8 Algarismo 8 II – 8 Serviço internacional
I–9 Algarismo 9 II – 9 Serviço internacional
I –10 Algarismo 10 II –10 Serviço internacional
I –11 Inserção de semi-supressores II –11 Reserva
de eco
I –12 Pedido recusado, indicação de II –12 Reserva
trânsito internacional
I –13 Inserção de supressor eco II –13 Reserva
I –14 Acesso ao equipamento de II –14 Reserva
manutenção
I –15 Fim de número II –15 Reserva
Sinais para trás, grupo A Sinais para trás, grupo B

A–1 Enviar próximo algarismo B–1 Assinante livre com tarifação


A–2 Enviar primeiro algarismo B–2 Assinante ocupado
A–3 Passaram para o grupo B B–3 Assinante com número mudado
A–4 Congestionamento B–4 Congestionamento
A–5 Enviar categoria, identidade do B – 5 Assinante livre sem tarifação
assinante chamador
A–6 Reserva B–6 Assinante livre sem tarifação; colocar
retenção sob controle do assinante
chamado
A–7 Enviar algarismo (n – 2) * B–7 Nível vago
A–8 Enviar algarismo (n – 3) B–8 Assinante com defeito
A–9 Enviar algarismo (n – 1) B–9 Reserva
A – 10 Reserva B – 10 Reserva
A – 11 Enviar chamador de trânsito B – 11 Serviço internacional
internacional
A – 12 Serviço internacional B – 12 Serviço internacional
A – 13 Serviço internacional B – 13 Serviço internacional
A – 14 Serviço internacional B – 14 Serviço internacional
A – 15 Serviço internacional B – 15 Serviço internacional
* “n” indica o último algarismo recebido

74 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

11 TEORIA DO SISTEMA CELULAR

11.1 INTRODUÇÃO

O sistema fixo de telefonia funciona da seguinte forma: quando a interligação


de dois assinantes é feita pela linha telefônica do aparelho até a central da região que
cobre este assinante. A Central se interliga com outras centrais através de troncos
(linha física, fibra óptica via rádio) e através da linha com o outro assinante.
O assinante móvel celular nasceu da idéia de se querer ter um sistema de
telefonia que não dependesse da linha física, ou seja, que pudéssemos usufruir do
sistema e aparelho em qualquer lugar.
Os primeiros sistemas (1964) nasceram do princípio básico de uma
transmissor central que cobrisse toda a área de interesse.
Daí concluí-se que esse transmissor teria de ser muito potente; as unidades
receptoras (telefones móveis) teriam de ser muito potentes causando interferências
além do custo deste equipamento, tendo que ter uma faixa de freqüência muito
grande e que o alcance do sistema estaria limitado de 30 até no máximo 80 Km. Das
desvantagens citadas acima, surgiu em 1969 um sistema aperfeiçoado sugerindo a
idéia de um transmissor, porém agora com vários receptores evitando assim o
problema de interferência e de potência dos receptores.
Mas continuávamos a ter problemas, como o de não poder falar entre a
transmissão de uma área e de outra. Foi então que a partir de 1974 foi concebida a
filosofia de Sistema de Telefonia Móvel Celular. O sistema é dito celular, pois é
composto por várias células distribuídas ao longo de uma determinada área. Portanto
cada célula tem um antena ligada a uma estação que controla esta área. Esta
estação recebe o nome de ERB - Estação Rádio Base.
Existem também uma central que controla todas as ERB’s de uma área. Esta
central é chamada de CCC - Central de Controle Celular. É ela que interliga o
sistema celular à central pública.
A interligação entre assinante fixo e assinante móvel se processa da seguinte
forma: para um assinante fixo acessar uma unidade móvel, passará pela central
pública e através de troncos chegará até a CCC que se encarregará de localizar em
que ERB estará o móvel.
A respectiva ERB enviará então um sinal, via antena, para o assinante móvel
avisando que existe uma chamada para este. A partir daí estará feita a conexão entre
os dois tipos de usuários. Caso o assinante móvel queira efetuar tal operação, o
percurso será o oposto do descrito acima. A unidade móvel acessará a ERB da sua
área via antena, solicitando uma conexão. A ERB enviará uma solicitação até a CCC
que, por sua vez, encaminhará a ligação para a central que concluirá até o assinante
fixo.

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11.2 SERVIÇO TELEFONIA FIXA

11.3 SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL

11.4 SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL APERFEIÇOADO

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11.5 SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL APERFEIÇOADO

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11.6 LAYOUT DE UM SISTEMA CELULAR

11.7 ARQUITETURA DO SISTEMA CELULAR COM DISTRIBUIÇÃO COMUTADA

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11.8 CONEXÕES REDE DE TELEFONIA FIXA / TELEFONIA MÓVEL

11.9 UM SISTEMA TELEFÔNICO CELULAR

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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

11.10 ARQUITETURA DAS INTERFACES DO SISTEMA CELULAR

11.11 FAIXA DE FREQÜÊNCIA

A faixa de operação para o Serviço Móvel no Brasil, situa-se entre 825 a 890
MHz. Dentro dessa faixa, subdividimos em bandas A e B.

A banda A no início da telefonia móvel no Brasil foi destinada a exploração de


serviços somente pelas concessionárias públicas (“Tele´s”) e a banda B, somente
pelas empresas privadas.

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11.12 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

11.13 DESIGNAÇÃO DE CANAIS PARA CONJUNTOS DE 12 CANAIS

Partindo da alocação original na largura de faixa de 20 MHz, 10 MHz para uma


concessionária privada e 10 MHz para uma concessionária pública, temos

2 x 10 MHz = 666 canais


30 kHz

onde 30 kHz é a largura de faixa de um canal.

Os canais de números 1-333 são para as concessionárias públicas e os canais


de números 334-666 são para a concessionária privada.
A tabela abaixo ilustra o número de canais e as freqüências de centro.

A TABELA A
ATRIBUIÇÃO DA NUMERAÇÃO E FREQÜÊNCIA DOS CANAIS DO ESPECTRO
ORIGINAL
Faixa MHz Número de Canais Número de Canais Freqüências do
Limite Centro Transmissor,
MHz

Assinante Rádio-Base
A 10 333 1 825,030 870,030

333 834,990 879,990


B 10 333 334 835,020 880,020

666 844,980 889,980

A freqüência central em MHz, corresponde ao número do canal N, é calculada como


se segue:

TRANSMISSOR NÚMERO DO CANAL FREQÜÊNCIA DO CENTRO (MHz)


Assinante 1 < N < 866 0,03N + 825,000
Estação Rádio-base 1 < N < 866 0,03N + 870,000

Observe que 21 canais, em cada uma das faixas A e B, estão reservados para
funções de controle como acesso, localização e estabelecimento das chamadas.

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11.14 ATRIBUIÇÕES DE CANAIS PARA APARELHOS DE 21 CANAIS

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11.15 ESQUEMA DOS COMPONENTES DA UNIDADE MÓVEL

Os equipamentos das unidades móveis utilizadas nos sistemas de telefonia


celular são de projeto compacto e ocupam um mínimo de espaço do veículo. Eles
consistem em 3 unidades:
A unidade do transceptor/lógica que aloja o rádio e o equipamento lógico do
microprocessador. O transceptor utiliza um sintetizador de freqüência para sintonizar
qualquer canal designado do sistema celular. A unidade lógica interpreta as ações do
cliente e os comandos do sistema, e controla o transceptor e a unidade de controle.
A antena, incluindo a bobina de carga (para compor uma antena com ganho de
3 dB). As antenas montadas no teto são, pelo menos, de um quadro de onda.
A unidade de controle, que contém todas as interfaces do usuário, incluindo um
fone e diversos controles e indicadores do usuário. A unidade móvel utiliza um
processo chamado DISCAGEM PRÉ-ORGANIZADA. Quando o usuário pressionar as
teclas numeradas no teclado, a unidade móvel simplesmente armazena internamente
do dígitos teclados. Esses dígitos não são enviados à Central de Comutação um de
cada vez, à medida em que são teclados, como acontece com os telefones
convencionais. A maioria da unidades móveis mostrará os dígitos que foram teclados.
Diferentes aparelhos apresentarão diferentes números de dígitos. A maioria
apresentará, pelo menos 10 dígitos. Uma vez teclado o número de lista completo do
telefone chamado, o usuário aperta o botão de envio (SEND). Somente então, a
unidade móvel tentará comunicar-se com a estação rádio-base, ao longo do canal de
Configuração. Quando isso ocorrer, a unidade enviará o número teclado completo em
uma curta seqüência de dados. Isso utiliza um intervalo mínimo de tempo para cada
unidade móvel e permite que o canal de controle, da Estação rádio-base, seja
utilizado na comunicação com muitas unidades móveis diferentes.

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11.16 UNIDADE DE CONTROLE

A unidade de controle contém os seguintes equipamentos:

NORMAIS

• Um fone de mão com tom lateral (sidetone).


• Um teclado de discagem.
• Um dispositivo de alerta.
• Comutadores de controle das chamadas (envio, término etc.).
• Lâmpadas indicadores (em uso, nenhum serviço, fora de área).
• Controles de áudio e alteração do volume.
• Um código de desbloqueio de 3 dígitos, com indicador.

OPCIONAIS

• Visor do número teclado.


• Teclagem automática.
• Dispositivo viva-voz (hand free)
• Alerta com alarme externo.

Os usuários de telefones móveis freqüentemente experimentam diversos níveis


de ruído externo quando fazem as chamadas. Na maioria dos automóveis, o ruído de
fundo modifica-se acentuadamente à medida em que os vidros estejam abertos ou
fechados. Mesmo com os vidros fechados, existe uma diferença substancial no ruído
de fundo, nas diferentes marcas e modelos de automóveis ou caminhões. Por essas
razões, as unidades móveis estão equipadas com controles de volume do fone (de
mão), alto-falante e níveis de alerta.

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11.17 UNIDADE MÓVEL (HAND SET)

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11.18 CLASSES DE UNIDADES MÓVEIS

As especificações dos transmissores móveis destinam-se a garantir um nível


de potência nominal de RF de saída, não atenuada, de 3 W (Classe I), no conector de
antena e sob uma carga de 50 Ohms. A potência de RF da unidade móvel pode ser
controlada em etapas de 4 dB, numa escala de 0 a 7, conforme ilustrado na tabela
abaixo:

NÍVEIS DE POTÊNCIA NOMINAL DOS TRANSMISSORES MÓVEIS


Nível de Potência do Transmissor Potência de Saída
Móvel (PL) Nominal de RF
0 - Sem acentuação 34,8 dBm - 3W (Classe I)
1- -4dB 30,8 dBm - 1,2W (Classe II)
2- -8dB 26,8 dBm - 0,5W (Classe III)
3- -12dB 22,8 dBm
4- -16dB 18,8 dBm
5- -20dB 14,8 dBm
6- -24dB 10,8 dBm
7- -28dB 6,8 dBm

Observe que um transmissor móvel não pode exceder a potência máxima transmitida
para a sua classe. Um transmissor da Classe III, por exemplo, pode ir de PL -2 até
PL-7, isto é de -8dB até -28dB, em escalas de 4 dB.

CLASSES DE UNIDADES MÓVEIS


Classe Potência Máxima Transmitida
I 3 Watts 34,8 dBm
II 1,2 Watts 30,8 dBm
III 0,5 Watts 26,8 dBm

TIPOS DE TERMINAIS

• TRANSPORTÁVEL
• VEICULAR
• PORTÁTIL

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11.19 FUNÇÕES ESPECIAIS E FUNÇÕES BÁSICAS

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11.20 PROPAGAÇÃO DAS ONDAS DE RÁDIO MÓVEL

11.21 PROPAGAÇÃO DAS ONDAS DE RÁDIO - AMBIENTE MÓVEL

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12 ANTENA DE ESTAÇÃO RÁDIO – BASE

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12.1 DIVERSIDADE - UNIDADE MÓVEL

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12.2 CANAL DE VOZ CELULAR AMERICANO

LARGURA DA FAIXA DO CANAL 30kHz


MODULAÇÃO FM
DESVIO DE FREQÜÊNCIA ± 12 kHz
SAT 6000 ± 30 Hz
ST 10 kHz
CANAL DE “SET UP” 10 kbps entrelaçados FSK

Existem 3 tons de áudio de supervisão (SATs):


5970,6000 e 6030 Hz, com uma tolerância de +- 20 Hz.

• É atribuído um SAT dentre os três, a cada Estação rádio-base.


• O tom SAT é adicionado à transmissão pela estação rádio-base (Estação Fixa). A
estação móvel detecta, filtra e retorna o mesmo tom SAT. A presença do SAT
implica na utilização contínua do canal de voz.
• O transmissor da estação fixa é desligado, se não for detectado nenhum tom SAT
válido ou o tom detectado não corresponder àquele da estação rádio-base.
O tom de sinalização é um tom de 10 KHz e é também utilizado ao longo do canal de
voz. Ele atende às funções de sinalização para terminação de chamada, confirmação
de solicitação e seqüência para solicitações especiais.

Definições:

• Canal

Um canal refere-se a um par de freqüências utilizadas para comunicações móveis.


Uma das freqüências é utilizada na transmissão da estação rádio-base para a
unidade móvel, enquanto que a outra freqüência é utilizada na transmissão da
unidade móvel para a estação rádio-base.

• FSK

Modulação por Desvio de Freqüência (utilizada para sinais digitais, para


entrelaçamento numa determinada gama de freqüências).

• SAT

Tons de áudio de supervisão.

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SAT

Transmitindo no canal de voz.


Transmitindo fora da faixa de voz 9300 a 3400 Hz. Portanto não interferindo na
conversação.
Transmitindo do C.S. para móvel. Esta reconhece e transmite de volta.

Assim:
Monitora-se a comunicação para efetuar o HANDOFF.
São 3 para evitar interferência, quando for utilizado o mesmo conjunto de canais de
voz em células diferentes dentro da mesma área de cobertura.

ST

Transmitindo do canal de voz só sentido móvel para C.S.


Transmite 1.8s para finalizar a conversação.
Transmite 15 a 50ms quando a conversação é interrompida para o HANDOFF.

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12.3 HANDOFF

• Constantemente é monitorado o nível de sinal da portadora e a rel. sinal-ruído do


SAT durante a conversação. Se ocorrer degradação em qualquer dos 2 sinais, a
ERB envia a CCC a mensagem de degradação do nível e/ou sinal/ruído.

• Ao receber essa mensagem, a CCC envia a ordem de medição do nível da


portadora a todas as células adjacentes. Nesta mensagem, a CCC ordena que
todas as células adjacentes sintonizem o canal de voz que está sendo usado e
efetuam a medição do nível de sinal.

• As células adjacentes ao receberem esta mensagem devem mudar a sintonia de


seus receptores LOCATE para a freqüência do canal em que está sendo efetuada
a conversação (e que será feito o handoff) cada célula adjacente envia o resultado
da medida efetuada para a CCC.

• A CCC compara o nível do sinal de todas as células adjacentes e escolhe a


melhor. Após isto, a CCC seleciona 1 canal livre dentre os canais correspondentes
àquela determinada célula adjacente e envia:

* Mensagem de Handoff para a nova célula.


* Mensagem de designação de canal de voz para o móvel através da célula
original.

• A nova célula ao receber a mensagem de HANDOFF, liga a transmissão do SAT


no canal designado.

• O móvel ao receber a mensagem de designação e canal de voz envia durante 15 a


50 ms o ST para a célula original. Após isso, o móvel sintoniza o novo canal de voz
e retransmite o SAT para a nova célula.

• A nova célula recebe de volta o SAT e envia esta informação à CCC através de
mensagem de HANDOFF.

• Recebemos essa mensagem, a CCC reconhece que já foi executada a troca de


canais e envia a mensagem de canal de voz vago para que a célula original
desligue o transmissor correspondente. A conversação passa a utilizar o novo
canal de voz.

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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

13 ESTAÇÃO RÁDIO-BASE - ERB –

13.1 PROCESSO DE CONFIGURAÇÃO DA CHAMADA

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13.2 CANAL DE CONTROLE DIRETO

O canal de controle direto é um fluxo contínuo de dados de faixa larga, a 10k


bits por segundo, enviado das estações rádio-base para as unidades móveis quando
não estão envolvidas numa conversação real, as unidades móveis monitoram esse
fluxo de dados. Cada repetição inicia-se por uma seqüência intercalada de dez dígitos
(1010101010), seguida por um sinal seqüencial síncrono de 11 bits. A isso seguem-
se cinco repetições de cada um dos dois fluxos de dados. As unidades móveis
utilizam as seqüências intercaladas e do sinal de seqüência síncrona, para
retornarem-se sincronizadas com o fluxo de dados geral. A unidade estará então
capacitada a decodificar as informações contidas nos fluxos de dados. Existem bits
especiais intercalados por todas as mensagens, chamados de bits ocupado/vago.
Esses bis indicam se o canal de controle reverso está ou não ocupado recebendo
informações de uma unidade móvel. O Bi tem que indicar o estado vago, antes que
uma unidade móvel possa tentar comunicar uma mensagem à estação rádio-base, ao
longo do canal de controle reverso.

13.3 CANAL DE CONTROLE DIRETO

• Fluxo contínuo de dados de faixa larga - 10 k bits/seg.


• Envia dados das estações rádio-base para as unidades móveis.

FORMATO

• Seqüência Intercalada.
• Sinal de sincronismo.
• Cinco repartições a cada dois fluxos de mensagem.
• Bits de ocupado/vago.

13.4 TIPOS DE MENSAGENS DO CANAL DE CONTROLE DIRETO

Ao longo do canal de controle direto. As informações enquadram-se em dois


tipos gerais - mensagens destinadas a todas as unidades móveis e mensagens
destinadas a unidades móveis específicas. As informações enviadas a todas as
unidades móveis incluem informações a cerca do sistema e de como as unidades
móveis deverão acessá-lo. Um exemplo é a ID do sistema, que é utilizada pela
unidade móvel para ligar ou desligar a lâmpada indicadora de fora do alcance (roam)
mencionada anteriormente. A impossibilidade da unidade móvel em utilizar a
seqüência e o sinal de seqüência síncrona para sincronizar com o fluxo de

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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

mensagens, é utilizada pela unidade móvel para ligar sua lâmpada indicadora de não
funcionamento, também mencionada anteriormente.

Existem também mensagens de informações transmitidas a unidades móveis


específicas, ao longo do canal de controle direto. Se uma unidade móvel encontrar-se
no processo de originar uma chamada, o canal de controle direto será utilizado para
notificá-la que ela deverá sintonizar um canal de rádio de voz especificado, para
completar a chamada. Se uma unidade móvel estiver livre e receber uma chamada,
sua localização será realizada ao longo do canal de controle direto.

Definições:

MENSAGEM DE SOLICITAÇÃO: Uma mensagem enviada da CCC para uma


estação rádio-base, ou de uma estação rádio-base para uma unidade móvel,
direcionando o receptor a realizar uma determinada ação.

CONFIRMAÇÃO DE SOLICITAÇÃO: Uma mensagem enviada de uma unidade


móvel para uma estação rádio-base, ou de uma estação rádio-base para a CCC, em
resposta a uma mensagem de solicitação. A resposta constitui uma confirmação da
recepção da solicitação.

13.5 TIPOS DE MENSAGENS DO CANAL DE CONTROLE DIRETO

Para todas as unidades móveis:

• Dados extras (overhead)


• Controle / ocupação

Para unidades móveis específicas:

• Designação inicial do canal de voz


• Localização
• Nova tentativa direcionada
• Solicitação
• Confirmação de solicitação

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13.6 CANAL DE CONTROLE REVERSO

O canal de controle reverso é utilizado pelas unidades móveis, para transmitir


informações à estação rádio-base. As unidades móveis transmitem seqüências de
dados e então colocam-se de lado para permitir que outras unidades móveis utilizem
o mesmo canal. A velocidade de transmissão de dados, neste canal, também é de
10k bits por segundo. Os dois tipos principais de mensagens, transmitidas pelas
unidades móveis ao longo do canal de controle reverso são mensagens de originação
e mensagens de resposta de localização. As mensagens de originação são enviadas
quando o usuário tecla um número de lista e aperta o botão SEND. A mensagem de
originação contém o número de lista de telefone chamado e determinadas
informações acerca da própria unidade móvel. Especificamente, ela tem que se
identificar através do seu próprio número de lista e classe de potência, bem como do
seu número de série eletrônico. A mensagem de resposta de localização é enviada
quando a unidade móvel reconhece que existe uma mensagem chegando a ela,
através do seu número de lista no fluxo de mensagens de localização. A unidade
móvel notifica então à estação rádio-base acessada de que se encontra em sua área
de cobertura, de forma que a chamada possa ser estabelecida em um canal de voz
atribuído a essa célula.

Canal de Controle Reverso:

• Fluxo de dados descontínuos em faixa larga - 10 kbits/seg.


• Envia dados da unidade móvel para a estação rádio-base.

Definições:

Mensagem de Solicitação: Uma mensagem enviada de um transmissor a receptor,


direcionando-o a realizar uma determinada ação.

Confirmação de Solicitação: Uma resposta à mensagem de solicitação.

Tipos de Mensagens

• Originação;
• Resposta à localização;
• Solicitação;
• Confirmação de Solicitação.

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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

13.7 FUNÇÕES DA ESTAÇÃO RÁDIO-BASE

Fornecer irradiação e recuperação de RF.

Fornecer comunicações de dados com a MTSO e as unidades móveis.

Localizar as unidades móveis.

Executar Rotinas de Testes e Manutenção.

Executar funções de controle e reconfiguração dos equipamentos.

Executar funções de processamento de voz.

Executar funções de Configuração, supervisão e Funções de Terminação de


Chamadas.

“ Handoff ” ou receber uma unidade móvel de outra Estação rádio-base, quando a


chamada de voz se encontra em andamento.

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ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

13.8 EQUIPAMENTO DA ESTAÇÃO RÁDIO-BASE

• Componentes de Hardware Significativos.

• Rádios de Voz - utilizados para percurso de voz nas chamadas entre estações
rádio-base e unidades móveis.

• Rádios de Controle - utilizados para configurar as chamadas.

• Rádios de Localização - utilizados para localizar as unidades móveis.

• Potência de saída do transmissor e complexo da antena.

• Frente de recepção final e complexo da antena.

• Troncos de voz - percursos de voz nas chamadas entre estações rádio-base e a


MTSO.

• Complexo de controle de rádio - Estação rádio-base controladora do processador


principal.

• Enlaces de dados - percursos de Comunicação entre estações rádio-base e a


MTSO.

• Equipamentos de manutenção e teste - utilizados para a execução de rotinas de


teste e manutenção, dos equipamentos da Estação rádio-base.

Componentes de R.F.

Rádios
• Fontes de freqüência.

Distribuição de R.F.
• amplificador de potência.
• combinadores.

Antenas
• omnidirecionais e direcionais.
• torre e cabo coaxial.

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Componentes de canal de áudio.

• Troncos de voz até a MTSO

Componentes de controle:

• Controlador da Estação rádio-base.


• Enlaces de dados até a CCC.

Outros Componentes:

• Fontes de alimentação.
• Alarmes.

13.9 CONTROLE DINÂMICO DE POTÊNCIA

O controle dinâmico de potência é um recurso que possibilita o sistema ajustar


automaticamente o nível de potência do transmissor da unidade do assinante e do
rádio de voz da estação rádio-base, enquanto uma chamada está em andamento em
um canal de voz.

Sem o controle dinâmico da potência, cada radiotransmissor de estação rádio-


base iria operar a um nível de potência fixo, durante todas as chamadas, e cada
transmissor de unidade móvel permaneceria ao nível de potência fixa associado ao
canal de voz que estivesse atendendo. Esses níveis de potência fixos são referidos
como normais ou default do transmissor e são regulados independentemente. O
controle dinâmico da potência possibilita ao sistema elevar ou reduzir os níveis de
potência dos transmissores, em patamares de 4 dB acima ou abaixo dos valores
normais para cada chamada. A potência pode ser elevada (incrementada) ou
diminuída (atenuada).

O controle dinâmico da potência regula a potência do transmissor da unidade


móvel ou da estação rádio-base. Na estação rádio-base, é necessário um
amplificador de potência programável de 45 W, para o controle dinâmico.

Controle Dinâmico de Potência

Estação Rádio-base
• patamares de 4 dB (0 a 7)
• nível 0 de potência: 45 W de amplificação programada

102 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

Transmissor Móvel
• patamares de 4 dB (0 a 7)
• nível 0 de potência: 3 W (Classe I)

Benefícios do Controle Dinâmico de Potência

• Interferência de RF - Elevando-se a potência do transmissor de uma unidade


móvel, é possível se intensificar a C/I para uma unidade móvel próxima do limite
da célula. Por outro lado, se o sinal recebido da unidade móvel for muito forte,
torna-se útil atenuar o sinal, de forma a reduzir a interferência devida ao sinal, no
co-canal e nos canais adjacentes.

Exemplo: Uma unidade portátil em um edifício muito alto requer menos potência de
transmissão nos pisos mais altos e maior potência de transmissão ao nível do solo.

Para as unidades portáteis com baterias, a utilização de uma potência reduzida


incrementa a vida útil das baterias.

Sobrecarga do Receptor - Os receptores são projetados para determinados níveis de


potência de recepção ( -130 dBm a -30 dBm, por exemplo, nos receptores de estação
radio-base). Se o sinal recebido exceder o limite superior dessa faixa, diz-se que ele
fica sobrecarregado. O receptor fica então com a sensibilidade reduzida, de forma
que os sinais que seriam normalmente fáceis de detetar não são mais detetados.
Além disso, se forem recebidos na estação rádio-base dois sinais igualmente fortes,
um deles será recebido também na freqüência modulada e resultará em diafonia
nessa freqüência. isso é conhecido como diafonia por intermodulação.

Os sinais recebidos pela antena da estação rádio-base não devem exceder -


60 dBm.

Uma situação reconhecidamente causadora de sobrecarga é a presença de


uma rodovia elevada muito próxima a estação rádio-base ,quando existir um percurso
de transmissão curto e direto entre a estação rádio-base e uma unidade móvel em
trânsito.

Além disso, um sinal excessivamente forte pode colocar a extremidade


dianteira do receptor na região de operação não linear, causando distorção e diafonia
por intermodulação. A faixa de sinais de entrada aceitáveis é conhecida como faixa
dinâmica do receptor.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 103


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

Controle Dinâmico de Potência - Benefícios:

• Controlar a interferência;
• Incrementar a vida útil das baterias das unidades portáteis;
• Controlar a sobrecarga do receptor

13.10 ARQUITETURA DA ESTAÇÃO RÁDIO-BASE VISÃO GERAL

104 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14 CENTRAL DE COMUTAÇÃO E CONTROLE –CCC-

14.1 COMPONENTES DO SISTEMA CELULAR

Unidade de Assinante (Aparelho).

• Unidade de controle
• Transceptor
• Sistema de Antena

Estação Rádio-base.

• Rádio de controle
• Rádios de localização
• Transceptores de rádio.
• Enlaces de dados / troncos de voz.
• Antenas direcionais e omnidirecionais
• Equipamentos de Manutenção e testes.

CCC

• Processador celular.
• Central celular
• Interfaces Estação rádio-base/Rede Pública de Comutação.

A CCC (MTSO) controla não apenas as comunicações com a Rede Pública de


Comutação fixa (PSTN), como também atua como comutador de mensagens para a
Comunicação entre as estações rádio-base.

CCC ou MTSO - Central de Telefonia Móvel (Mobile Telephone Switching Office).


PSTN - Rede de Telefone Público Comutado (Public Switched Telephone Network).

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 105


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.2 ESQUEMA DOS COMPONENTES DA CCC

106 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.3 FUNÇÕES DA CCC - PROCESSAMENTO DE CHAMADAS

• Fornecer conexão comutadas com a PSTN. ( Rede Pública de Comutação).

• Fornecer conexões comutadas entre assinantes móveis.

• Administrar a utilização dos canais de rádio de voz.

• Fornecer a coordenação sobre a sinalização com as unidades móveis.

• Coordenar o processo de localização intercelular e intracelular e resultante “


Handoff”

• Fornecer serviços especiais aos usuários móveis.

14.4 FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS E DE MANUTENÇÃO TÍPICAS DA CCC

Coletar dados de bilhetagem.

• Chamadas originadas pela unidade móvel.


• Chamadas recebidas pela unidade móvel.

Coletar dados de tráfego.

• Contagem do número de tentativas.


• Conclusão das chamadas.

Provisionamento / ordem de serviço.

• Número de lista da unidade móvel.


• Dados de classificação de bilhetagem.
• Serviços especiais por assinatura.
• Atribuição de troncos / estação rádio-base.
• Atividade de alteração recentes.

Manutenção

• Reconhecimento de falhas e recuperação de erros.


• Diagnóstico, setorização e isolamento de falhas.
• Rotinas de testes / exercícios do sistema, para detecção de problemas transitórios.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 107


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.5 INFORMAÇÕES ANALÓGICAS PELO CANAL DE VOZ

Quando uma chamada já foi estabelecida no canal de voz, torna-se necessário


transmitir outras informações além daquelas da conversação, entre a unidade móvel
e estação rádio base, isso é conseguido através de sinalização tanto analógica
quanto digital.

Existem dois tipos de sinais analógicos, o primeiro deles é chamado Tom de


Áudio Supervisor (SAT). Na realidade, são utilizados três tons SAT diferentes,
constituídos por tons contínuos de 5070 Hz ou 6030 Hz. É atribuído um tom
específico a cada canal de voz, em cada estação rádio-base. A finalidade desse tom
é atuar como controle de continuidade no enlace de rádio. Quando uma rádio de voz
é atribuído a uma chamada, o transmissor da estação rádio-base sobrepõe a
freqüência do SAT acima do sinal de voz. O tom não é audível para as pessoas
envolvidas na conversação. A unidade móvel deteta o SAT no sinal que recebe e
retransmite-o de volta para a estação rádio-base. Quando detecta o SAT correto
retomando a unidade móvel, a estação rádio-base reconhece que está completo o
enlace de RF do circuito de voz. Se o SAT desaparecer durante um intervalo superior
ao especificado, presume-se que alguma coisa interrompeu o enlace de RF e a
chamada é desconectada.

O segundo sinal analógico é chamado tom de sinalização (ST). Este tom é


sempre de 10 kHz. Ele é ativado pela unidade móvel durante intervalos de tempo
específicos, para comunicar informações à esta rádio-base, por exemplo, a Unidade
Móvel ativa o ST 1,8 segundos antes de desativar a transmissão ao fim de uma
conversação. Isso informa à estação rádio-base que a unidade móvel está liberando a
chamada.

Tom de Áudio Supervisão (SAT)

• 5970 Hz
• 6000 Hz
• 6030 Hz

Tom de Sinalização

• 10 kHz

108 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.6 SINALIZAÇÃO DIGITAL NO CANAL DE VOZ

A sinalização digital também é realizada ao longo do canal de voz, utilizando-


se uma técnica chamada black and burst (apagamento e seqüência). Isso significa
que o sinal de voz é momentaneamente interrompido ou “blancked” (apagado).
Durante essa interrupção, é transmitido uma seqüência de informações digitais,
novamente a uma velocidade de 10 kbits/s, ao invés da voz. A transmissão digital,
incluindo seqüência intercalada, sinal de sincronismo e repetições, dos bits de
mensagem, leva apenas uma fração de segundo. Na maioria dos casos, as pessoas
envolvidas na conversação não percebem a interrupção. Pode ficar perdida no
máximo parte de uma sílaba.
Existe uma série de usos para sinalização por black and burst. Provavelmente
a ocorrência mais comum é o controle da potência transmitida pela unidade móvel,
utilizando a característica de controle dinâmico da potência dos sistemas celulares.
Nesse caso, a estação rádio-base enviam um comando para as unidades móveis,
orientando-se a modificar sua potência de transmissão para um nível especificado.
Isso é feito por meio de uma seqüência de black and burst. A estação rádio-base
envia o comando e a unidade móvel confirma que recebeu a mensagem.
Um uso muito importante da sinalização black and burst, na direção direta
(estação rádio-base para unidade móvel), encontra-se no processo de “Handoff”.
Quando é necessário transferir uma chamada de uma estação rádio-base para outra,
a estação cedente envia uma mensagem de black and burst para a unidade móvel,
obrigando-a a sintonizar um novo canal. O número do novo canal é transmitido à
unidade móvel na própria mensagem.
Um exemplo de black and burst na direção reversa (unidade móvel para a
estação rádio-base) é o recurso da chamada de conferência a três. Para utilizar esta
característica durante uma conversação estabelecida, o assinante da unidade móvel
tecla o número de lista do terceiro participante que ele deseja incorporar à
conversação e então aperta o botão SEND. A unidade móvel irá gerar inicialmente
um sinal intermitente para a estação rádio-base, ativando momentaneamente o tom
de sinalização. A estação rádio-base responderá com uma mensagem black and
burst de envio dos dígitos teclados. A unidade móvel enviará então uma seqüência
de black and burst no canal de voz reverso, para transmitir o número teclado à
estação rádio-base. A estação rádio-base transferirá os dados para a CCC, onde o
terceiro participante será incluído na conversação.

Sinalização Digital no Canal de Voz

• Black-and-burst - Fluxo de mensagem digital de 10 kbits/s.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 109


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

Tipos de mensagens:

• Solicitação.
• Confirmação de solicitação.
• Designação de canal de voz para “handoff”.
• Número de lista do terceiro participante chamado.
• Número de lista de transferência de chamada (call forwarding).

14.7 CHAMADA ORIGINADA PELO MÓVEL

1. No estado livre, o móvel fica sintonizado no canal de controle. Quando o


assinante efetuar a discagem e pressionar a tecla SEND, o móvel faz a
varredura dos canais de controle, captura aquele com nível de sinal mais forte
e envia a mensagem de originação.

2. Na mensagem de originação, a CCC recebe o número de células setor e envia


à ERB a mensagem de designação do canal de voz.

3. Ao receber essa mensagem, a ERB liga o transmissor correspondente e inicia


o envio do SAT no canal de voz designado. A ERB também envia ao móvel a
mensagem de designação ao canal de voz.

4. O móvel então sintoniza este canal de voz e retransmite o SAT para a ERB.

5. A ERB recebendo de volta o SAT entende que o móvel sintonizou o canal


correto. A ERB envia então a mensagem SAT para a CCC.

6. A CCC analisa o número discado, captura um juntor de saída e se conecta à


rede pública.

7. Quando o processo de comutação da rede pública é terminado, a CCC recebe


o tom de chamada e o retransmite ao móvel via canal de voz.

8. No instante em que o assinante chamado atende, cessa o tom de chamada e


tem início a conversação.

110 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.8 CHAMADA TERMINADA NO MÓVEL

1. A chamada de entrada é recebida da rede pública através do juntor de entrada. A


CCC após determinar que o número chamado pertence a esta área de serviço,
verifica se o móvel está no estado livre e envia:

• Sinal para a rede pública.


• Mensagem de busca aos móveis via ERB

1. O móvel, ao receber a mensagem de busca, deve reconhecer seu número e


responder através da mensagem de resposta à busca.

2. Na mensagem de resposta à busca, a CCC recebe a informação do número da


célula/setor onde se encontra o móvel. Com esta informação, a CCC seleciona um
canal de voz utilizado por esta célula/setor e envia à ERB a mensagem de
designação do canal de voz.

3. Ao receber esta mensagem, a ERB liga o transmissor correspondente e inicia o


envio do SAT no canal designado. A ERB também envia ao móvel a mensagem de
designação do canal de voz.

4. O móvel então sintoniza este canal de voz e retransmite o SAT para a ERB.

5. A ERB recebendo de volta o SAT, entende que o móvel sintonizou o canal correto.
A ERB envia então a mensagem de alerta.

6. A CCC inicia o envio da corrente de toque ao assinante chamado, ao mesmo


tempo em que o móvel envia o tom SAT à ERB. A ERB retransmite essa
informação à CCC através da mensagem de tom de controle de chamada.

7. Quando o assinante chamado atende o móvel cessa o envio do tom e a ERB


retransmite esta informação à CCC através da mensagem de tom de controle de
chamada OFF e tem início a conversação.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 111


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.9 DESCONEXÃO À PARTIR DO MÓVEL

1. Terminada a conversação, o assinante pressiona a tecla END. O móvel envia o ST


durante 1,8s.

2. A ERB recebe o ST e envia esta informação à CCC através da mensagem de


desligar portadora.

3. A CCC recebendo esta mensagem, envia o sinal de linha de desconexão para a


rede pública e a mensagem de canal de voz vago para a ERB.

4. A ERB desliga o Transmissor correspondente e termina a supervisão do SAT,


colocando o canal de voz no estado vago.

14.10 DESCONEXÃO À PARTIR DA REDE PÚBLICA

1. Terminada a conversação, a CCC recebe o sinal de desconexão e envia ao móvel


via ERB a mensagem de liberação do canal de voz.

2. O móvel ao receber este sinal envia á ERB durante 1,8 s o ST.

3. A ERB recebe o ST e envia esta informação à CCC através da mensagem de


desligar portadora.

4. A CCC envia então à ERB a informação: mensagem de canal de voz vago.

5. Recebendo essa mensagem a ERB desliga o transmissor correspondente e


termina a supervisão do SAT, colocando o canal de voz no estado vago.

112 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.11 REGISTRO E MÓVEL EM SERVIÇO NO ESTADO DE REPOUSO

Passo CCC ERB Móvel


1 Ligar o móvel (power on), indica “NO SERVICE”
2 Varre canais de dados primários medindo RSSI
3 Se o nível de RSSI não é aceitável varre canais secundários para RSSI
4 Sintoniza canal mais forte e decodifica os dados
5 Se os dados não puderem ser decodificados vai ao passo 2
6 Determina situação de HOME ou ROAM e indica situação de ROAM
7 Apaga indicação de “NO SERVICE”
8 Móvel em serviço pronto para receber ou fazer chamada
9 Reinicia varredura após determinado período. (passo 2)

14.12 ORIGINAÇÃO DE CHAMADAS A PARTIR DA UNIDADE MÓVEL

Passo CCC ERB Móvel


1 Móvel em serviço no estado
de repouso (pronto para
realizar uma chamada).
2 Usuário digita o número
telefônico e preciona a tecla
“SEND”
3 Envio do MIN e do número
do telefone chamado para a
ERB via canal de controle
reverso
4 Libera solicitação de serviço à CCC
5 Verifica se ESN e
MIN são válidos
6 Seleciona canal de
voz desocupado
para a ERB e para o
móvel
7 Notifica o móvel do canal de voz a utilizar
via canal de controle direto
8 Prepara o canal de voz e transmite SAT Sintoniza o canal de voz
designado
9 Detecta e verifica SAT.
Retransmite SAT à ERB.
10 Detecta e verifica SAT
11 Coloca a situação de “fora-de-gancho”
do tronco de voz até CCC
12 Detecta “fora-de-
gancho”
13 Completa chamada
através da rede

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 113


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.13 ORIGINAÇÃO DE CHAMADAS PARA A UNIDADE MÓVEL

Passo CCC ERB Móvel


1 Móvel em serviço no estado de
repouso (pronto para realizar
uma chamada).
2 Recebe chamada dirigida
ao móvel e envia
mensagem de paging a
todas as células
3 Células enviam page ao
móvel
4 Móvel detecta page e ocupa o
canal de controle mais forte
usando RSSI
5 Libera solicitação de
serviço à CCC
6 Verifica se ESN e MIN
são válidos
8 Seleciona canal de voz
desocupado para a ERB
e para o móvel
9 Notifica o móvel do canal
de voz a utilizar via canal
de controle direto
10 Prepara o canal de voz e Sintoniza o canal de voz
transmite SAT designado.
11 Detecta e verifica SAT.
Retransmite SAT à ERB.
12 Detecta e verifica SAT
13 Coloca situação de “fora-
do-gancho” no tronco de
voz até a CCC.
14 Detecta “fora-do-gancho”
e envia ordem de alerta.
15 Envia ordem de alerta ao
móvel via blank-and-burst
no canal de voz.
16 Gera tom de toque e envia ST
à ERB
17 Envia ST à CCC
18 Envia toque de chamada
ao chamador
19 Usuário responde à chamada
Alerta e ST são desligados.
20 Detecta ausência de ST
informa à CCC.
21 Completa a chamada
através da rede.

114 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

14.14 LIBERAÇÃO DE CHAMADAS

Passo CCC ERB Móvel


1 Unidade móvel ou Unidade móvel ou
chamador terminam a chamador terminam a
chamada chamada
2 Ordem de liberação
enviada ao móvel
3 Audio do móvel é
emudecido e tom ST
transmitido com SAT
durante 1,8s.
4 Móvel para de transmitir
e retorna ao estado em
serviço na condição de
repouso.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 115


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

15 CONCEITO DE ENGENHARIA CELULAR

15.1 CONCEITO DE REUTILIZAÇÃO DA FREQÜÊNCIA

O problema tradicional em um rádio móvel é o aparente conflito entre as


exigências de cobertura de área e a capacidade do usuário. Admitindo-se um
determinado número de canais numa faixa de freqüências, qual deverá ser o tamanho
da área coberta e quantos usuários deverão ser admitidos?

Se uma estação base tiver que fornecer atendimento às unidades móveis em


uma grande área, ela terá que dispor de alta potência e estar localizada no ponto
mais elevado da área cuja cobertura é exigida. No entanto, os canais alocados ao
local de transmissão não poderão ser reutilizados para um serviço semelhante, até
uma considerável distância. Nesse caso, a única forma de incrementar a capacidade
será utilizar um amplo espectro. Disso deriva o conceito de reutilização de freqüência-
viabilizado restringindo-se a potência do transmissor da estação base e utilizando-se
repetidamente a freqüência, na mesma área geral de um sistema.

Os parâmetros de projeto são os seguintes:

• Interferência de co-canal - interferência entre sinais que possuem a mesma


freqüência.
• Interferência de canal adjacente - interferência entre sinais que possuem
freqüências muito próximas.

Exemplo:

Canal 1, com freqüências de 825,030 MHz e 870,030 MHz.


Canal 2, com freqüências de 825,060 MHz e 870,060 MHz.

Os canais 1 e 2 são canais adjacentes. Os sinais que possuam freqüências de


canal 1 825,030 MHz (unidade móvel) e 870,030 MHz (estação base) são sinais de
co-canal.

15.2 MAPAS DE ESTAÇÃO RÁDIO-BASE NO MUNDO REAL

Todas as células são consideradas hexágonas, numa discussão teórica. Na


realidade entretanto, as células raramente tem a forma hexagonal. A geometria de
cada célula depende do contorno e topografia do terreno, da presença ou não de

116 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

água, folhagem, estruturas feitas pelo homem - altura e densidade - e localização e


altura da antena.

15.3 CÉLULA DIRECIONAL

ANTENA DE 120°

A célula direcional pode ser construída a partir de uma célula omnidirecional.


instalando-se antenas direcionais na estação rádio base.

• A antena omnidirecional irradia e recebe sinais de todas as direções.

• A antena direcional irradia e recebe sinais de uma determinada direção.

• A antena é vertical (polarização vertical) porquê os sinais irradiados


verticalmente não podem atingir a unidade móvel. Apenas os sinais irradiados
perpendicularmente à antena são passíveis de atingir a unidade móvel.

Tipicamente, são utilizadas antenas direcionais de 120°, para um agrupamento de


células K=7. O padrão de reutilização da freqüência K=7, com antenas direcionais de
120° requer um conjunto de 3 x 7 = 21 canais.

ANTENA DE 60°

Ao invés de se construir três antenas direcionais de 120° numa estação rádio-


base, podemos instalar antenas de seis setores, cada um deles cobrindo um ângulo,
reduzindo assim ainda mais a interferência do co-canal. No entanto, para que haja
uma eficiência de entroncamento razoável, as antenas de seis setores são usadas
com agrupamento de células K=4. Os arranjos de antenas de seis setores com
padrão de agrupamento de células K=4, são geralmente usados por vários
fabricantes de sistemas celulares.

15.4 DIVISÃO DAS CÉLULAS

A divisão das células torna-se necessária quando a carga de tráfego suportada


pelas células originais excedem sua capacidade. Na divisão das células a distância
entre as estações rádio-base adjacentes é reduzida a metade e a área de cobertura

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 117


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

nominal da célula recém estabelecida fica reduzida a um quarto da área


anteriormente coberta da estação rádio-base, anteriormente existente.
Assim, a densidade de estações rádio-base fica quadruplicada. Idealmente, as
localizações das novas estações rádio-base ficarão a meio caminho, entre as
estações vizinhas já existentes. A divisão das células pode suportar quatro vezes o
volume de tráfego suportado pelas células existentes. Nem todas as células
existentes precisam ser desdobradas simultaneamente. São candidatas ao
desdobramento, apenas as células que tiverem sobrecarga de tráfego. A atribuição
de canais para as células desdobradas 120º (mantendo-se o padrão de atribuição
K=7). No entanto a atribuição de canais poderá ser K=4 ou K=3, utilizando-se antenas
direcionais, com um pequeno prejuízo para a relação C/I (canal/interferência).

15.5 RESUMO

• As células de foram hexagonal são encontradas muito raramente nos


sistemas reais.
• Podemos esquematizar estações rádio-base com diferentes padrões de
reutilização, dependendo de K=3, 4, 7, 19, etc.
• Para se reduzir a interferência do co-canal, são utilizadas antenas
direcionais. No entanto, existe um impacto sobre a capacidade de transporte
de chamadas de cada face da antena. A utilização de antenas direcionais
incrementa a probabilidade de “handoff”. Isso incrementa a carga sobre o
sistema e pode, em última instância degradar o seu desempenho.
• A divisão torna-se necessária quando uma determinada célula não
consegue suportar uma carga de tráfego (mesmo depois de se adicionar a
ela outros canais de rádio). As células superpostas tornam-se necessárias
quando nem todas as células são divididas ao mesmo tempo.
• Quando coexistem células de tamanho grande e pequeno, a atribuição de
freqüência às células menores deverá ser cuidadosamente executada.
Nesses casos teremos células duplas utilizando freqüências diferentes,
dentro do software. Não é necessário nenhum hardware adicional para as
células duplas.
• O compartilhamento da reutilização pode ser utilizado para as estações
rádio-base duplas. A implementação do compartilhamento da reutilização
incrementa a capacidade do sistema, sem afetar significantemente seu
desempenho.
• Padrões diferentes de reutilização da freqüência:
• interferência do co-canal
• eficiência de entroncamento
• custo

118 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

• Tipos diferentes de estação rádio-base:


• Omnidirecionais
• 3 faces
• 6 setores
• Divisão da célula:
• cuidados na atribuição da freqüência
• estação rádio-base superpostas (duplas)
• Compartilhamento da reutilização.

“Entre os empresários e executivos da Comunidade Econômica Européia, corre


uma estorinha segundo a qual, no futuro,
ao nascer, todo o cidadão receberá um telefone celular,
que o acompanhará pelo resto da vida.

Se um dia, o aparelho não responder,


é porque o indivíduo está morto.”

Folha de São Paulo - 05/05/92

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 119


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

16 HISTÓRICO DO SISTEMA MÓVEL CELULAR

16.1 A EVOLUÇÃO NAS COMUNICAÇÕES CELULARES

16.1.1 Primeira Geração de Sistemas Móveis

A partir de sua primeira geração o serviço celular passou a funcionar através


da divisão de uma cidade ou região em pequenas áreas geográficas denominadas
células, sendo cada uma delas servida pelo seu próprio conjunto de rádios
transmissores e receptores de baixa potência. Quando a chamada de um celular
alcança uma torre de transmissão e recepção, a mesma é transferida para o sistema
de telefonia fixa regular. Cada célula possui diversos canais com o objetivo de prover
serviços para muitos usuários simultaneamente. À medida em que um usuário se
movimenta na cidade, o sinal do seu telefone celular passa automaticamente de uma
célula para outra, sem sofrer interrupção.
Os Laboratórios Bell, da AT&T, desenvolveram o conceito do celular em 1947,
sendo que em 1970 a própria AT&T propôs a construção do primeiro sistema
telefônico celular de alta capacidade que ficou conhecido pela sigla AMPS, ou seja,
Advanced Mobile Phone Service. Em 13 de Outubro de 1983, o primeiro sistema
celular nos EUA entrava em operação comercial em Chicago. No entanto, a NTT
(Nippon Telephone & Telegraph) havia se antecipado colocando um sistema
semelhante ao AMPS em operação em 1979 na cidade de Tóquio, no Japão.
Na Europa a primeira geração de sistemas celulares era composta de diversos
sistemas. O NMT (Nordic Mobile Telecommunications), adotado por diversos outros
países além dos nórdicos, o TACS (Total Access Communications System), no Reino
Unido, Itália, Áustria, Espanha e Irlanda, o C-450 na Alemanha e Portugal, o
Radiocom 2000 na França e o RTMS na Itália. Todos esses sistemas eram bastante
parecidos entre si, sendo que as principais diferenças concentravam-se no uso do
espectro de freqüência e no espaçamento entre canais. O AMPS, por exemplo, opera
na faixa de 869-894 MHz para recepção e 824-849 MHz para transmissão; o NMT-
450 opera na faixa de 463-468 MHz para recepção e 453-458 MHz para transmissão
enquanto que o NMT-900 utiliza a faixa de 935-960 MHz para recepção e 890-915
MHz para transmissão, etc. Com relação ao espaçamento entre os canais pode-se
citar, por exemplo, o AMPS que adota 30 kHz, o TACS e vários outros que adotam 25
kHz, etc.
Essa primeira geração de sistemas celulares caracterizava-se basicamente por
ser analógica, utilizando modulação em freqüência para voz e modulação digital FSK
(Frequency Shift Keying) para sinalização. O acesso à canalização é obtido através
do FDMA (Frequency Division Multiple Access). O tamanho das células situa-se na
faixa de 500 metros a 10 quilômetros, sendo permitido o "handoff" ou "handover"

120 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

(permite a transferência automática de ligações de uma célula para outra). Possibilita


igualmente o "roaming" (transferência automática de ligações entre sistemas) entre os
diferentes provedores de serviço, desde que adotem o mesmo sistema.

16.1.2 Segunda Geração de Sistemas Móveis

Em função da pressão de demanda, particularmente nos EUA, onde o sistema


analógico havia atingido o limite de sua capacidade nas maiores áreas
metropolitanas, e pela necessidade de se ter um sistema Pan Europeu na Europa, foi
necessário dar início ao desenvolvimento de sistemas digitais que em princípio, além
da maior capacidade, ofereciam as seguintes vantagens sobre os analógicos:
técnicas de codificação digital de voz mais poderosas, maior eficiência espectral,
melhor qualidade de voz, trabalham com bastante facilidade a comunicação de dados
e facilitam significativamente a criptografia da informação transmitida.
Como resultado desse esforço, surgiram os sistemas GSM (Groupe Speciale
Mobile/Global System for Mobile Communications) na Europa, o TDMA (Time Division
Multiple Access), o CDMA (Code Division Multiple Access) nos EUA e o PDC
(Japanese Personal Digital Cellular) no Japão.
O TDMA opera dividindo o tempo de um canal, que opera em uma
determinada freqüência, em um certo número de partes e designando cada uma das
diversas conversações telefônicas para cada uma dessas partes.
O CDMA, um forte concorrente do TDMA, é um sistema proprietário
desenvolvido pela empresa QUALCOMM, baseada em San Diego, nos EUA. O
sistema utiliza a técnica de espalhamento espectral e foi originalmente utilizado pelos
militares para espalhar o sinal em uma faixa de espectro bastante larga, tornando as
transmissões difíceis de interceptar ou mesmo interferir.
Existe também o CDMA de banda larga (Broadband CDMA ou B-CDMA),
estando as patentes em poder da empresa InterDigital. Essencialmente, o B-CDMA
opera partilhando o espectro de freqüência com as demais tecnologias celulares
existentes.
O GSM foi adotado como padrão Europeu em meados dos anos 80 e
introduzido comercialmente em 1992, operando na faixa de freqüência 935-960 MHz
para recepção e 890-915 MHz para transmissão. O GSM possui uma arquitetura
aberta, o que permite a combinação de equipamentos de diferentes fabricantes,
possibilitando assim a manutenção de preços baixos. A seu favor, contabiliza-se
ainda uma larga infra-estrutura já implantada de mais de US$ 50 bilhões de dólares,
com mais de 150 redes celulares do tipo GSM-900, DCS-1800 e PCS-1900 com mais
de 57 milhões de assinantes distribuídos em 98 países; mais de 45 milhões de
assinantes se concentram somente na Europa Ocidental (23 países). O GSM é hoje,
indiscutivelmente, o padrão mais popular implementado mundialmente.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 121


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

Em resumo, os serviços de comunicações de segunda geração são baseados


em sistemas de alto desempenho, alguns com capacidade, no mínimo, três vezes
superior à dos sistemas de primeira geração. Caracterizam-se, em geral, pela
utilização de tecnologia digital para transmissão tanto de voz quanto de sinalização.
Além dos sistemas celulares vistos até aqui, existe ainda uma outra linha de
desenvolvimento, conhecida como "cordless systems" ou "cordless telephones", ou
seja, sistemas sem fio ou telefones sem fio, ou ainda CT. Esses sistemas têm
experimentado diferentes níveis de sucesso ao longo do tempo e encontram-se em
uso em milhões de residências ao redor do mundo.
Estima-se que nos EUA existam mais de 60 milhões de telefones sem fio, dos
mais diferentes tipos e/ou modelos. O seu uso era considerado ilegal na Europa nos
anos 80, embora certamente um considerável número de aparelhos operasse em
milhares de residências. Surgiu então um padrão europeu, o CT1 (Cordless
Telephone 1), com 80 canais, operando nas faixas 914-915 MHz (móvel para base) e
959-960 MHz (base para móvel).
Vários novos padrões se sucederam ao CT1 e foram considerados digitais na
medida em que digitalizavam o tráfego de voz para transmissão sobre a interface
aérea. Uma das suas principais atrações é a qualidade do sinal, que é enviada a uma
taxa de 32 kbit/s - os sistemas celulares digitais convencionais adotam geralmente
taxas de até 13 kbit/s. Dentre esses padrões convém ressaltar o CT2 (Cordless
Telephone 2), o DECT (Digital European Cordless Telephone), o PHS (Personal
Handyphone System) desenvolvido no Japão e o PACS (Personal Access
Communications Services ) proposto pelo Bellcore nos EUA.
O CT2 foi projetado para uso em ambientes domésticos e empresariais e pode
ser usado como teleponto, ou seja, oferece ao usuário a possibilidade, quando este
estiver próximo de cabinas ou postes devidamente equipados, de ingressar na rede
de telefonia pública comum. O DECT oferece uma estrutura de comunicações sem fio
para alta densidade de tráfego, telecomunicações de curta distância e cobre uma
ampla gama de aplicações e ambientes. O PACS suporta serviços de voz, dados e
imagens de vídeo para uso em interiores e microcélulas.
Como resposta à má qualidade de serviço oferecida por sistemas analógicos, à
sua inabilidade de adequar capacidade à demanda e à elitização de seus serviços
dada a exorbitância dos preços, surgiu, na Inglaterra, em 1989, o conceito PCN
(Personal Communications Network). O "Department of Trade and Industry" (DTI),
órgão governamental responsável pelo setor de telecomunicações do Reino Unido,
disparou um processo de consulta sobre o desenvolvimento de um sistema rádio que
fornecesse serviços bidirecionais de telecomunicações de alta qualidade, para
ambientes fixos e móveis, a um custo acessível. A meta era o mercado de massa,
constituído potencialmente por milhões de usuários, promovendo, desta forma, uma
competição com o sistema celular. A arquitetura do sistema seria suportada por uma
ampla estrutura microcelular para possibilitar o uso de terminais de baixa potência e,

122 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

conseqüentemente, leves para serem transportados no bolso (pocket-size). A faixa de


freqüência mais adequada estaria entre 1,7 e 2,3 GHz, por estar menos
congestionada que a faixa do celular convencional, em torno dos 900 MHz, e a
atenuação adicional da nova faixa seria compensada pela menor dimensão das
células. Nos EUA, esse serviço, que pretende ser cada vez mais o meio de
comunicações entre pessoas e não entre lugares ficou, conhecido como PCS
(Personal Communications Service). O termo PERSONAL ou PESSOAIS é visto
como ponto-chave em termos mercadológicos porque captura a imaginação e inspira
liberdade, individualidade e algo feito sob medida. As operadoras vêem nessa
solução uma forma de melhorar os serviços já oferecidos onde se incluem atualmente
os celulares, os "pagers" e a própria rede fixa de telefonia convencional.
Na Europa, as primeiras aplicações de PCS surgiram no final de 1993 com o
sistema DCS-1800, uma variante do GSM operando com potências menores e em
uma faixa de freqüência mais alta. Em janeiro de 1998, apenas na Alemanha, França
e Inglaterra, existiam cerca de 3,7 milhões de assinantes nessa tecnologia.

16.1.3 Terceira Geração de Sistemas Móveis

Mesmo não estando ainda os sistemas de segunda geração totalmente


amadurecidos e firmemente estabelecidos, já se trabalha intensamente no
desenvolvimento da terceira geração. Este trabalho está sendo liderado mais uma
vez pela Europa e patrocinado pelo ITUR (International Telecommunications Union -
Radiocommunications sector) e ETSI (European Telecommunications Standard
Institute). O objetivo é criar um sistema móvel de terceira geração por volta do ano
2000. Esse sistema está sendo denominado UMTS (Universal Mobile
Telecommunications System).
Progressos significativos já foram obtidos, como por exemplo a reserva de 230
MHz de espectro, com a aprovação de 127 países, na "World Administrative Radio
Conference" (WARC) em 1992.
A topologia provável desse novo sistema será baseada em uma forma de
arquitetura mista de células; células de tamanho variável serão implementadas com
dimensionamento adequado para áreas geográficas específicas e em função das
diferentes demandas de tráfego. Células diminutas, ou seja, picocélulas, instaladas
em interiores, serão versões melhoradas das atuais tecnologias "cordless", com
"handsets", isto é, aparelhos de assinante, bastante pequenos e leves; células
maiores, ou seja, microcélulas e macrocélulas, poderão operar segundo
características evoluídas a partir do GSM. "Handsets" diferentes precisarão
reconhecer e operar indistintamente em pico, micro e macrocélulas. Ou seja, o
objetivo é criar uma plataforma de rede SEM FIO, oferecendo aos usuários a
possibilidade de acesso, através de ondas de rádio, como extensão do sistema
telefônico do escritório quando se encontram no trabalho ou como telefone móvel

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 123


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

convencional quando se encontram ausentes ou ainda como telefone principal de


suas residências quando estão em casa.
A evolução em direção aos serviços de telecomunicações móveis universais,
UMTS, muito provavelmente, deverá ter como base a estrutura do GSM. Econômica e
tecnicamente falando, a criação de um padrão independente para o UMTS seria
injustificável dado o enorme investimento para a viabilização das redes celulares
digitais já em uso.
O objetivo do UMTS é prover um padrão universal para as comunicações
pessoais com o apelo do mercado de massa e com a qualidade de serviços
eqüivalente à rede fixa. Na visão UMTS, um sistema de comunicações deverá
suportar diversas facilidades: (1) portadoras realocáveis, banda atribuível sob
demanda (por exemplo, 2 Mbps para comunicações em ambientes internos e pelo
menos 144 kbps para ambientes externos); (2) variedade de tipos de tráfego
compartilhando o mesmo meio; (3) tarifação adequada para aplicações multimídia; (4)
serviços personalizados; (5) facilidade de implementação de novos serviços (por
exemplo, utilizando ferramentas de rede inteligente); (6) WLL (Wireless Local Loop)
de banda larga, etc. O WLL de banda estreita tem sido utilizado em substituição aos
fios/cabos de cobre para conectar telefones e outros dispositivos de comunicação
com a rede de telefonia comutada pública, ou PSTN (Public Switched Telephone
Network).
O GSM já atende a alguns destes requisitos, a uma taxa de adesão da ordem
de 50 mil assinaturas por dia e prevêem-se algumas centenas de milhões de usuários
por volta de 2002, época prevista para a entrada em operação do UMTS. Sem
dúvida, o emprego em larga escala da tecnologia não pode ser o único fator a ser
ponderado na adoção de padrões. Especificamente em relação ao UMTS, três
quesitos são de primordial importância: (1) rádio acesso de banda larga; (2) "roaming"
inteligente; e (3) alta capacidade. O GSM, em sua evolução natural, tem plenas
condições de atender também a esses quesitos.
Os delegados do ETSI reunidos em Paris em 29/01/98 concordaram com a
adoção de um padrão de interface aérea para a terceira geração que incorpora
elementos de duas tecnologias: W-CDMA (Wideband Code Division Multiple Access)
e TDMA/CDMA (híbrido de "Time Division Multiple Access/Code Division Multiple
Access"). A versão detalhada da solução européia será apresentada à ITU
(International Telecommunications Union) em junho de 1998. A rede básica do
sistema deverá ter como base o GSM.
O projeto de um produto pessoal como o terminal de assinante para o celular
ou PCS vem também se tornando num desafio crescente para a indústria. Os
terminais têm se tornado cada vez menores, mais leves, as baterias têm durado mais
e os novos modelos que surgem apresentam sempre uma série de novas
características e funcionalidades.

124 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

A Hewlett-Packard Co. e outros estão tentando concentrar todas as funções de


um telefone em um cartão de crédito comum. Os laboratórios de pesquisa da British
Telecom, Reino Unido, estão desenvolvendo um comunicador pessoal como peça de
vestuário e que combine vídeo, telefonia, comunicação de dados e um assistente
digital pessoal, conhecido como PDA (Personal Digital Assistant).
A Sony vem trabalhando há anos num sistema que efetua traduções em
tempo real, de forma que pessoas de países diferentes possam estabelecer uma
conversação normal em línguas diferentes. Adicionalmente, todo esse poder de
processamento deverá estar concentrado em um único "chip".
A AT&T, divisão de "Wireless Services", está introduzindo um equipamento
que permite aos usuários enviar e receber dados em uma rede celular e que recebe
"e-mails" no próprio terminal equipado com uma tela de cristal líquido, LCD (Liquid
Crystal Display), com capacidade para três linhas. A Nortel já introduziu um terminal
GSM que combina voz digital e serviço de dados e serve também como um
organizador eletrônico pessoal. O novo "Nokia 9000 Communicator" pode enviar e
receber "faxes", "e-mails" e mensagens curtas, ter acesso a serviços da Internet e
bases de dados, públicas ou de corporações, funcionar como calendário, livro de
endereços, bloco de rascunho e calculadora. A Alcatel e a Sharp Electronics
desenvolveram terminais GSM equipados com telas com capacidade gráfica onde
são apresentados ícones e teclados que permitem acesso a funções com apenas um
toque.
A integração da tecnologia de computação com a de comunicações e a
eletrônica de estado sólido deve se constituir na base para sistemas multimídia com
fantásticos poderes de processamento. Virtualmente, dentro de algum tempo,
qualquer indivíduo poderá ter acesso às comunicações sem fio e estará enviando ou
recebendo "e-mails", "faxes", vídeo e, na maioria dos casos, utilizando dispositivos
portáteis.

Mais detalhes sobre o assunto podem ser encontrados, por exemplo, nas
seguintes publicações:

• Hélio Waldman e Michel Daoud Yacoub: Telecomunicações - Princípios e


Tendências, Editora Érica, 1997.

• Ron Schneiderman: Future talk - The changing wireless game, IEEE Press,
1997.

• Uyless Black: Emerging communications technologies, 2nd edition, Prentice


Hall series in advanced communications technologies, 1997.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 125


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

17 TECNOLOGIAS UTILIZADAS NA TELEFONIA CELULAR

17.1 CÉLULAS CDMA: PADRÃO DE REUSO UNIVERSAL

AMPS, TDMA e GSM CDMA

1 1
2 3 1 1
4 1
5 6 1 1
7 1

Sistema AMPS - 3 setores, padrão de reuso de 7 células


Sistema CDMA - 3 setores, padrão de reuso universal

17.2 MODULAÇÃO CDMA

Técnicas de Spread Spectrum

Consiste em se combinar o sinal de informação com um código cuja taxa é bem


superior.

Espalhamento Espectral

Espectro necessário para o sinal


f
A

Espectro necessário para o código


f
A
Espectro necessário para o sinal +
o código
f
126 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS
ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

17.3 ESQUEMA BÁSICO DO CDMA

Todos os equipamentos (Estação Rádio Base e Unidades Móveis) trabalham na


mesma freqüência. O receptor recebe o sinal de todos

Todos os sinais chegam superpostos. Só o código pode separá-los.

17.4 HANDOFF

AMPS e TDMA - Ocorre o handoff de uma célula para outra, ou seja a unidade móvel
troca de célula de operação.

CDMA - Ocorre o handoff entre os diferentes setores da mesma célula e também


entre células. Além da possibilidade da unidade móvel trocar de célula de operação
poderá dentro de uma mesma célula trocar de setor.

Soft Handoff - CDMA - CDMA


O telefone móvel não troca de freqüência de uma para outra célula CDMA.

Hard Handoff - CDMA - CDMA


O telefone troca de freqüência de uma para a outra célula CDMA.

Hard Handoff - CDMA - AMPS


O telefone troca de freqüência, de um canal digital para um canal analógico.

Hard Handoff - AMPS - CDMA


O telefone troca de freqüência, de um canal analógico para um canal digital.

17.5 PRIVACIDADE

AMPS - Vulnerável

TDMA - Dificulta Pirataria

CDMA - Praticamente Impossível

15.6 Qualidade de Voz

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 127


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

AMPS - Boa, sujeito a interferências


TDMA - Pouco inferior, menos sujeito a interferências

CDMA - Idêntico ao TDMA (vocoder 9,6 k bits/s).


Melhor que o TDMA (vocoder 14,4 k bits/s).

17.6 CUSTO

AMPS - Baixo custo das Estações Móveis e Estações Rádio Base.

TDMA - Baixo custo das Estações Rádio Base.


Alto custo das Estações Móveis.

CDMA - Alto custo das Estações Móveis e Estações Rádio Base.

17.7 FACILIDADES

AMPS - Nenhuma facilidade adicional.

TDMA e CDMA - Interceptação de número chamador.


Pager.
Caixa Postal (identificação).

17.8 REFLEXOS PARA O USUÁRIO DA TECNOLOGIA DIGITAL

Qualidade de voz

Menor consumo de bateria

Novos serviços
• Identificação usuário chamador
• Identificação de mensagem no Correio de Voz (Caixa Postal Inteligente)
• Pager
• Fax
• WAP

128 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

17.9 W - CDMA

Regulamentação:

• ITU-T (INTERNATIONAL TELECOMMUNICATION UNION)

• IMT2000 (INTERNATIONAL MOBILE TELECOM) ou FPLMTS (FUTURE PUBLIC


LAND MOBILE TELECOM SYSTEMS).
• 1875-1975 MHz e 2110-2160 MHz.

• ETSI (EUROPEAN TELECOMS STANDARDS INSTITUTE)

• UMTS (UNIVERSAL MOBILE TELECOMS SYSTEM)


• 1925-1975 MHHz E 2110-2170 MHz.

Taxas de Dados do W - CDMA:

• 144 kbps
• 384 kbps
• 2 Mbps

O primeiro teste de campo do W-CDMA foi realizado no Japão.

Características do teste:

• W-CDMA de 5 MHz de Largura de Banda.

• Ericsson + Nokia, Matsushita e NEC.

• Em Abril de 1998 foram realizados testes INDOOR

• Em Outubro de 1998 foram realizados testes OUTDOOR

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 129


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

18 PAGING

18.1 INTRODUÇÃO

Paging é um sistema de telecomunicações sem fio, cujas características são:

• Unidirecional;

• Recepção instantânea;

• Portátil;

• Excelente relação custo benefício;

• Melhor penetração em edificações;

• Bateria de longa duração;

Benefícios do Paging:

• Privacidade;

• Memória (Follow-UP);

• Velocidade;

• Desafogamento das Linhas Telefônicas;

• Economia de Tempo;

• Agenda Eletrônica;

• Chamadas em Grupo;

• Baixo Custo;

• Serviços Agregados

130 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

18.2 SISTEMA DE COMUNICAÇÃO SEM FIO

PAGING CELULAR TRUNKING

Comunicação Unidirecional Bidirecional Bidirecional

Custo Fixo Variável Variável

Privacidade Total Parcial Parcial

Portabilidade Ótima Boa Boa

Duração da Bateria Longa Curta Curta

Chamada Grupo Sim Não Sim

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 131


ELETRÔNICA INDUSTRIAL - TELECOMUNICAÇÕES

18.3 SISTEMA DE COMUNICAÇÃO SEM FIO

TIPO VANTAGENS DESVANTAGENS

PAGING • baixo custo • unidirecional


• total privacidade • garantia de recepção da mensagem
• acesso a grupos
• memória
• portabilidade
• bateria

CELULAR • bidirecional • alto custo


• status • pouca privacidade
• portabilidade • cobertura limitada
• baixa penetração
• bateria

TRUNKING • bidirecional • cobertura limitada


• acesso a grupos • acesso restrito
• sem privacidade
• tamanho
• bateria

132 PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

18.4 HISTÓRICO

• 1921 - Início das Telecomunicações sem fio - Rádio Móvel da Polícia de Detroit -
USA;

• Anos 70 - Operação do 1º sistema no Brasil - “BIP” Intelco S/A;

• 1976 - Criação do protocolo POCSAG;

• Anos 80 - Operação do 1º sistema alfanumérico POCSAG no Brasil;

• 1995 - Criação dos protocolos Flex, Reflex e Inflexion.

Visão Geral do Pager:

• Os primeiros sistemas eram não seletivos e assistidos por voz;

• Depois disto vieram os sistemas seletivos assistidos por operador - microdiapasão;

• Sistemas seletivos assistidos ou não por operador para o protocolo POCSAG


(Tom, Voz, Numérico e Alfanumérico).

TOM: Economia do uso do espectro ao tempo;


Não sabe quem ligou

VOZ: Recebimento agradável;


Ocupa muito espectro;
Alcance limitado

NUMÉRICO: Econômico (preço e uso do espectro);


Objetiva a mensagem.

ALFANUMÉRICO: Cairam bem ao gosto do brasileiro;


Ocupam espectro.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 133


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

18.5 SISTEMA BÁSICO ATUAL

1 - Fonte de Entrada:

• Assistida - Operadora;
• Automática - DTMF;
• Digital - Modem/RS232;
• Expressa - Gravação.

2 - Codificador ou Paging Terminal:

• Recebe o número do pager e a informação;


• Executa a validação do capcode e converte o número e a mensagem no
protocolo apropriado.

3 - Conjunto Transmissor ou estação - base:

Converte os dados provenientes do paging terminal em um sinal modulado em uma


dada freqüência (931 MHz) a uma dada potência (até 500 W).

4 - Receptor ou Pager

Típico receptor FM ajustado para as freqüências específicas do sistema paging com


sensibilidades típicas entre 6 a 10 micro V/m.

18.6 PAGING TERMINAL OU CODIFICADOR

O paging terminal ou codificador é um bastidor que contém um processador


direcionador ao banco de dados do sistema.

A informação armazenada no banco de dados diz ao terminal VDT:

• Para qual pager que está indo a informação;


• Qual a prioridade dele;
• Que formato está (protocolo GSC ou POCSAG);
• Quanto tempo a mensagem de voz ou dados é permitida;
• Que área de cobertura de saída o pager deve ser usado.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 134


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

18.7 FORMAS DE CONEXÃO DO PAGING TERMINAL AO CONJUNTO


TRANSMISSOR

Conexão par trançado ou cabo coaxial

• Um par de fios na saída do terminal;

• Muito utilizado em sistemas com um único transmissor.

Link de RF

• Pode-se conectar mais de 1 transmissor;

• Freqüência do Link 75 MHz.

Microondas

• A saída do terminal conecta com o transmissor de microondas;

• A saída do receptor de microondas é conectado ao transmissor do


sistema paging.

Satélite

• A saída do terminal é conectado ao enlace de subida do transmissor do


satélite.

• A saída do receptor do satélite é conectado ao transmissor do sistema


paging.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 135


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

18.8 SIMULCAST

SIMULCAST - É a técnica do envio do sinal paging a partir de 2 ou mais


transmissores ao mesmo tempo (para o aumento da área de cobertura):

Problema: Área de sobreposição de sinais

Solução: Sincronismo dos atrasos de envio da mesma informação para vários


transmissores do sistema através de um controlador de rede.

18.9 PARÂMETROS PARA O AUMENTO DA ÁREA DE COBERTURA

Potência de Transmissão:

• Dobrando a potência do transmissor na prática, o aumento da intensidade de


campo será de 1,4 vezes maior num dado ponto da recepção;

• Aumento do consumo de energia;

• Limitação pelo Ministério das Comunicações.

Altura da Antena:

• Dobrando a altura da antena, dobramos a intensidade do campo;

• Perda nos cabos

Sensibilidade de Recepção:

• É a intensidade de campo necessária para o pager atender a chegada do sinal de


RF.

• Depende somente da especificações do fabricante.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 136


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

Ganho da Antena

• Depende das especificações do fabricante (não há variações significativas).

Freqüência de Transmissão:

• Em áreas urbanas / metropolitanas, obtém-se melhores resultados em altas


freqüências.

• O Ministério das Comunicações especificou as seguintes freqüências:

• VHF: 35 MHz e 169 MHz;


• UHF: 451 MHz e 931 MHz.

Perda no Caminho:

• Atenuação do sinal propagado ao longo do caminho do transmissor ao pager.

Fading:

• É o fenômeno no qual o nível de sinal varia dentro de uma pequena distância


devido a propagação multicaminho (reflexão por obstruções naturais (chuva,
neblina) ou artificiais (edifícios, muros, etc.)).

Existem 2 tipos de protocolos: em formato de tom (transmissão analógica e


binário (transmissão digital)

Analógica:

• Formato de codificação em tons.


Ex.: 2 tons; 5/6 tons - bip.

Digital:

• FSK.
Ex.:
• GOLAY - 1983 Motorola
PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 137
SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

• POCSAG - Post Code Standardisation Adivision Group


Acomoda até 2 milhões de códigos/pagers.
• ERMES - European Radio Message System - 1992
Possui sistema Roaming.
• FLEX - Apresenta velocidade de até 6400 bps
- Suporta até 5 bilhões de endereços e até 600 mil pager numérico por
canal (redução do custo por usuário);
- Vida útil da bateria é alta (4 meses para 2 mensagens/dia);
- Possui proteção de erros contra fadings multipercurso (causado por
Simulcast);
- Pode ser implantado em cima da infra-estrutura já existente e trabalha
conjuntamente à outros sistemas (POGSAG, GOLAY, ERMES, etc);
- Apresenta sistema aperfeiçoado de detecção de erros do envio de
mensagens;
- Incorpora plataforma de implantação para os sistemas direcionais e de
voz.

18.10 APLICAÇÕES PARA O PAGER

• Chamadas em grupo;
• Agendamento de compromissos;
• Auxílio para os serviços e-mail, caixa postal de voz, desvio de ligações, secretária
eletrônica, etc.;
• Uso em outras cidades/estados/países através de acordo entre as operadoras ou
com a utilização de pagers de freqüência sintetizada;
• Sistema 900;
• Pager Privado:
• Alcancer em torno de 4Km (P=5W);
• 4 Frequências (451, 456, 462 e 467 MHz);
• Ramal telefônico virtual;
• Monitoração remota de máquinas.

18.11 NOVAS TECNOLOGIAS

• Comunicação de Dados Unidirecional (ponto a ponto ou multiponto) - modem sem


fio.
• Conexão (via RS232) do pager com o laptop, notbooks, palmtops, etc.
• Criação de redes tipo EMBARC (Eletronic Mail Broadcast to a Roaming Computer).

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 138


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

• Comunicação de Dados Bidirecional: (Paging two way)

• 1994 - EUA - PCS de banda estreita (NCPS);


• Técnica de reutilização geográfica de freqüência;
• Melhora substancial na utilização eficiente do espectro (901 e 902 MHz para
a transmissão e 930 e 940 MHz para a recepção);
• Envio garantido através da confirmação da mensagem enviada - Resposta
longo ou ao simples apertar de 1 botão de identificação do usuário;
• Alta capacidade de transmissão/recepção de dados.
• Voz também.

Protocolos:

• Reflex e Inflexion da Motorola - assimétrico


• Pact da AT&T - simétrico.

Aplicações:

• Rastreamento nacional de veículos;


• Atualização remota de um banco de dados;
• Controle e levantamento de inventários em tempo real de máquinas
automáticas (refrigerantes, sinais vitais do corpo humano, combustíveis,
sistemas de alarmes, etc);
• Sistemas de despachos eficientes para entregadores e operadores de frotas
de veículos;
• Aplicações que combinem a utilização de PDA’S com atualização de banco
de dados;
• Transmissão de texto, dados e fax a partir de 1 computador conectado a
internet para os sistemas paging bidirecionais (protocolo TME/TDP).

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 139


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

18.12 CONCLUSÃO

• Paging - simples, baixo custo e satisfatório para a maioria das necessidades dos
usuários;

• Maturidade do serviço;

• Complementar aos sistemas novos (aperfeiçoamento em relação a estes).

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 140


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

19 SISTEMA TRONCALIZADO DE RADIOCOMUNICAÇÃO MÓVEL (STR)

19.1 INTRODUÇÃO

Conceito de Troncalização:

I
N
U T
L E
S
CENTRAL I D R
U
TELEFÔNICA N E L
Á
H I
R
A G
I
S A
O
Ç
Â
O

U
L T
S
CENTRAL I R
U
TELEFÔNICA N O
Á
H N
R
A C
I
S O
O
S

Fundamenta-se no princípio de compartilhar um número reduzido de enlaces de


comunicação por um grande número de assinantes.

Histórico:

Os STR nasceram nos EUA entre 77 / 78 como imposição do FCC para solucionar
problemas de interferências e congestionamentos nas bandas de VHF tendo como
documento básico o APCO 16.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 141


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

Banda de freqüência: 800 MHz com separação de 45 MHz entre TX e RX

Em New York existem 56 STRs em 800 MHz sem nenhum tipo de degradação de
serviço ou interferência.

Aplicação

Empresas prestadoras de serviços (água, telefone e luz).

Segurança pública (polícia, bombeiros e defesa civil)

Empresas de Petróleo

Serviços de segurança em geral (aeroportos, shoppings e fábricas).

19.2 COMPARAÇÃO

Sistema Sistema
Convencional Troncalizado
1 canal para cada grupo de conversação Todos os grupos de conversação
acessam qualquer canal
Utilização ineficiente dos canais Uso eficiente dos canais melhorando a
utilização dos canais
Espera por canais Estabelece filas de espera

Convencional Troncalizado

BALCÃO BALCÃO

CLIENTE (CHAMADOR) CLIENTE (CHAMADOR)

ATENDENTES DO BANCO (CANAIS) ATENDENTES DO BANCO (CANAIS)

PESSOAL LIVRE (CANAIS)

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 142


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

19.3 SISTEMA DE REPETIDORAS TRONCALIZADAS

RPTR RPTR
A B

B B
A A

B
A

- Qualquer rádio pode usar as repetidoras A ou B.

- O sistema seleciona qual repetidora usar.

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 143


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

19.4 POR QUÊ TRONCALIZADO?

• O sistema troncalizado melhora a utilização espectral;


• Usuário não precisa selecionar canais;
• Estabelece comunicações privadas;
• Dificulta a escuta por “Scanners”;
• Habilita prioridades no alto tráfego;
• Estabelece filas de espera.

19.5 COMPARAÇÃO ENTRE CELULAR E TRONCALIZADO

CELULAR TRONCALIZADO
Muitos sítios com pequena cobertura Alguns sítios com grande cobertura
Unidades com baixa potência (1/2-3 watts) Unidades com potência maior (3-35 watts)
Decisões do sítio realizadas pelo sistema Decisões do sítio depende do rádio
Chamadas orientadas para telefone Chamadas orientadas de rádio para rádio e
telefone
Chamadas orientadas de um para um Chamadas orientadas
Despacho/Grupo e individuais
Comunicações em full duplex Comunicação em rádios semi-duplex e full-
duplex

19.6 CANALIZAÇÃO

Existem duas técnicas para realizar o controle da troncalização:

1. Sem canal de controle dedicado


2. Com canal de controle dedicado

19.7 STR SEM CANAL DE CONTROLE DEDICADO

VANTAGENS DESVANTAGENS
- Custo Baixo - Tempos de acesso longos
- Fácil implantação - Controle de colisões limitado
- Todos os canais para transmissão de - Interferência entre usuários de mesmo
voz grupo
- Não estabelece filas
- Não possibilita sítios de repetição
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19.8 STR COM CANAL DE CONTROLE DEDICADO

VANTAGENS
- Tempos de acesso baixos
- Controle de colisões/estabelecimento de filas
- Priorização de filas de espera (Emergência)
- Eliminação de interferências entre usuários
- Permite cobertura ampla (redes)
- Rastreamento das unidades (Roaming)
- Transmissão de dados e voz criptografada

DESVANGEM
- Custo alto

19.9 CANAL DE OPERAÇÃO

• Quantos forem necessários

• Processa as mensagens de comunicação (voz, dados)

• Dados alta velocidade (9600 BPS) para:


• Confirmação e Handshake
• Número Telefônico
• Desconexão digital

• Dados em baixa velocidade (150 BPS) para controle das unidades:


• Chamadas individuais/ de grupo/ de sistema
• Rechamada ao grupo original

• Unidades emitem tom de 75 HZ

19.10 CANAL DE CONTROLE

• Somente um em cada sítio, qualquer canal


• Dados em alta velocidade (9600 BPS) para controle positivo das unidades
• Unidades ficam sintonizadas no canal de controle, esperando por uma atribuição
ao canal de operação.
• Dados pelo canal de controle:
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

• Pedido de chamada, cada vez que o PTT é acionado


• Direciona os rádios para canal de operação
• Atualiza atividades em andamento para entradas tardias
• Desabilita unidades
• Login no multisítio
• Reagrupamento dinâmico

19.11 COMPONENTES DO STR

1. Sítio de Repetição
2. Gerência do Sistema
3. Equipamentos para Cobertura Ampla
4. Equipamentos de Usuários

19.12 ENDEREÇAMENTO NO SISTEMA

• Divisão das unidades de rádios em grupos


• Usuários de rádios de um grupo podem se comunicar, sem interferir em outro
grupo
• Hierarquia de endereçamento
• Sistema (Paraná)
• Agência (Superintendência Regional)
• Frota (Departamentos Regionais)
• Subfrota (Centros Regionais)
• Unidade Individual

Informações importantes:
• Todo rádio tem um único ID de unidade.
• Existem 16.383 ID’S de unidade no sistema Ericsson e 48.000 no Motorola.
• Todo rádio tem um ID físico (número de série), porém não é utilizado para
sinalização.
• Todo rádio pode selecionar entre um ou mais grupos de conversação.
• Existem 2.048 ID’S de grupos de conversação no sistema Ericsson e 4.000 no
Motorola.
• Um grupo de conversação é um conjunto lógico de unidades.
• Um dos canais será sempre o canal de controle, e estará sempre controlando os
rádios do sistema.

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19.13 PROCESSAMENTO DE CHAMADAS

CHAMADA
Parâmetros
Modos de Comunicação Tipos de Chamadas
- Voz Analógica Chamadas de:
- Voz Digital - Grupo
- Dados Digital - Emergência
- Sistema
- Individuais

19.14 ALGUNS TIPOS DE CHAMADAS

1. De grupo
2. De anúncio
3. De alerta
4. Privativa
5. De emergência
6. De sistema
7. Interconexão telefônica

19.15 SEQÜÊNCIA DE CHAMADAS

• O rádio continuamente monitora o canal de controle, esperando por instruções.


• Quando uma chamada deve ser realizada, operador do rádio pressiona o botão
PTT e o rádio envia uma mensagem digital via canal de controle para indicar ao
equipamento a necessidade de um canal para comunicação.
• O equipamento recebe requisição, conecta um canal de operação disponível e
envia uma mensagem digital de retorno através do canal de controle.
• A unidade de rádio recebe a cessão do canal de operação e conecta seu
transmissor e receptor de Frequências ao novo canal.
• A unidade de rádio e o canal de operação se conectam rapidamente.
• Um sinal audível de rádio indica ao operador que um canal foi conectado e que a
comunicação pode ser iniciada.
• Em menos de meio segundo o canal é conectado e o operador é orientado que a
comunicação pode prosseguir.
• Este procedimento é repetido várias vezes durante a conversação.
• Transmissões subsequentes são realizadas através de qualquer um dos canais de
operação disponíveis.
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

• Devido a alta rapidez da sinalização digital usada no STR, nenhum retardamento é


imposto ao usuários em obter uma liberação de reconhecimento do canal.

19.16 RECURSOS DE ACESSO AO SISTEMA

1. Acesso rápido
2. Repetição de acesso
3. Fila de espera e chamada de retorno
4. Prioridade ao usuário recente
5. Tons de restrição de acesso
6. Atualização contínua das designações
7. Proteção contra designação incorreta
8. Proteção de acesso.

19.17 RECURSOS DE CONFIABILIDADE

1. Múltiplos canais de voz


2. Rotação do canal de controle
3. Desativação de receptor e transmissor por interferência
4. Auto diagnósticos
5. Failsoft

19.18 PROTOCOLOS

1. Especificação britânica MPT 1327


2. LTR (E.F.Johnson)
3. Smartnet (Motorola)
4. EDACS (Ericsson)

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19.19 STR DIGITAL

Vantagens:
• Aumento da capacidade dos canais
• Aumento da qualidade do serviço
• Aumento do sigilo
• Oferece serviços de telefonia em mais alta escala

19.20 CONCLUSÃO

• LEGISLAÇÃO
• Interconexão com rede pública e telefonia móvel celular estão garantidas na
lei mínima que regulamenta o setor, assegurando a interconectividade e a
interoperabilidade de várias redes, atraindo de vez a atenção dos
investidores externos.
• MERCADO
• Ainda é um serviços desconhecido com dificuldade de comercialização.
• Existem aproximadamente 460 permissionárias para operar o serviço em
149 locais.
• 1995 ..... 80.000 usuários
• 1996 .....100.000 usuários
• 1997 .....200.000 usuários
• Principais fornecedores: Motorola, Ericsson e EF Johnson.
• Mercado mais concorrido: São Paulo, onde os consórcios Airlink e
Mcomcast têm 315 dos 420 canais disponíveis estando ainda presente a
MCS rádio e telefonia, RMD e Splice.
• Sistema digital: viável para grandes metrópoles (SP, RJ e BH)
• Possível competição com o celular no futuro (depende da Legislação)

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20 SATÉLITE

20.1 SATÉLITE GEO

GEO - Geoestacionarius Earth Orbit - 36.000 km de altitude. “Parados” na linha do


Equador.

Características:

• Bandas C (6/4 GHz) e Ku (14/11/12 GHz)


• Alto tempo de retardo para telecomunicações bidirecionais.
• Os Satélites tem vida útil de 15 anos.
• Atualmente não é possível o PCSS (Personal Communications Satellites
Services).

Exemplos de Sistemas:

Intelsat, Imarsat, Panamsat, Orion, Columbia (NASA), Intersputrik, ,Brasilsat - B.

Aplicações:

Telefonia, dados (DATASAT, DIGISAT).

DTH - Direct to home - Tecnologia Ku - Antenas de 60 cm + decoder (TVA e Globo -


transmissão digital + de 100 canais de audio e vídeo).

VSAT - Very Small Aperture Terminal - rede de dados de grande porte (+ de 100
pontos).

SCPC - Single Channel per Carrier - rede de dados de menor porte - mais barata.

SCPC - DAMA - (Demand Assigned Multiple Acess). Intermediário entre VSAT e


SCPC.

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20.2 SATÉLITE MEO

MEO - Medium Earth Orbit - 10 a 15.000 km de altitude.

Características:

• Menor Custo em relação ao GEO.


• Aceita PCSS.
• Necessita mais satélites para cobertura mundial em relação ao GEO.
• Hand off em média de 6,5 minutos.
• Terá sistema dual para os terminais PCSS (infra-estrutura terrestre e
espacial=parceria). Ex. de PCSS - Inmasat - P e Odyssey.

20.3 SATÉLITE LEO

LEO - Low Earth Orbit - 2.000 km de altitude.

Características:

• Menor custo em relação ao sistema MEO.


• Necessidade de antenas de recepção menores.
• Melhor qualidade do sinal.
• Maior quantidade de satélites em relação ao MEO.
• Aceita PCSS.
• Hand off entre um minuto e 30 segundos.

Exemplos de Sistemas:

Exemplos de PCSS: Iridium, Globalstar, Ecco.

20.4 SATÉLITE LLEO

LLEO - Litle Leos - satélites pequenos de baixa órbita.

Exemplos de Sistemas:

Exemplos de PCSS: Orcomm, Vitasat, Starsys.


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20.5 RESUMO DOS PROJETOS DAS EMPRESAS PCSS

GLOBALSTAR - Loral / Qualcomm / Alcatel.

• Sistema CDMA.
• 56 satélites (48 ativos e 8 reservas) - vida útil 7,5 anos.
• previsão de operação: 1998.
• terminais compatíveis com AMPS, TDMA, CDMA, GSM.
• hand off de 1 minuto.

IRIDIUM - Motorola / Sprint / INEPAR

• Início de operação: 1998.


• 66 satélites (os primeiros serão lançados no final de 96).
• Projeto de US$ 4,2 bilhões.
• 2 centros de controle: EUA e Itália.
• Estações de rastreamento dos satélites: Canadá.
• US$ 2.500,00 - linha e aparelho, mensalidade de US$ 50 e US$ 3 por
minuto.
• Banda Ka para comunicação entre os satélites (23 GHz) e para acesso as
estações de controle gateway (19 e 29GHz).
• Banda L (1,6 GHz) para o acesso usuário - satélite.
• Gateway - central Siemens GSM - D900.
• Numeração de 15 dígitos.
• Vida útil de satélite - 5 anos.
• Land off de 30 segundos.
• Duas estações na América do Sul - uma no Brasil.

ODYSSEY - TRW / Teleglobe.

• 12 satélites
• Hand off de 6,5 minutos.
• Custo mais baixo - US$25,00 / mês - US$ 1,00 / minuto
• Vida útil dos satélites: 5 anos.

INMARSAT - Internacional Maritime Satellite Organization.

• Possui 11 satélites geoestacionários.

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• Vários serviços: Irmarsat M, B, C, A e P - sistema voz e dados com baixa


velocidades para unidades móveis (veículos, navios, etc...) e portáteis
(maleta).
• Supervisão de frotas.

IRMARSAT P

• PCSS composto de 10 satélites - MEO.


• Vida útil: 10 anos.
• US$ 2,00 / minuto.

ECCO - 8 - Ministério das Comunicações / INPE.

• 12 Satélites (um de reserva).

COMPARATIVO ENTRE OS PROJETOS


Características GLOBALSTAR IRIDIUM ICO ODISSEY
Nº de satélites 48 66 10 12
Vida útil dos 7,5 anos 5 anos 10 anos 15 anos
satélites
Tecnologia CDMA TDMA TDMA CDMA
utilizada
Nº de gateways 70-100 11 12 7
(mundo)
Nº de gateways 46 1 não definido não definido
(Brasil)
Investimentos US$ 2,5 bilhões US$ 5,25 US$ 3 bilhões US$ 3,2 bilhões
bilhões
Valor do US$ 0,35 a US$ 3,00 US$ 2,00 US$ 0,65
impulso US$ 0,50
Valor estimado US$ 750,00 US$ 3 mil US$ 1 mil a US$ 400,00
do aparelho US$ 1.500
Início das 1998 1998 2000-2005 2000
operações
Parceiros do Loral/Qualcom Motorola, 44 INMARSAT TWR,
projeto m, Hyundai, Kyocera, Portugal Teleglobe
DASA, France Lockheed Telecom
Telecom,
Fimmecanica,
Vodafone,
Alcatel, Air
Touch
Parceiros no Grupo JAN Inepar não definido não definido
Brasil

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20.6 APLICAÇÕES

AVL - Automatic Vehicle Location.

Supervisão de frota, sistemas de segurança. Utiliza transmissões via rádio


convencional ou troncalizado (trunking) para comunicação de voz e de dados, Informa
a posição exata dos veículos em transito, além de captar os dados gerados pelos
sensores instalados na frota. É um monitoramento baseado em comunicação de duas
vias (Central de Controle - Veículo e Veículo-Central de Controle).

GPS - Global Position System.

Sistema composto por 24 satélites que transmitem continuamente (24 horas por dia)
sinais de rádio sob qualquer condição de tempo. A partir dos sinais transmitidos é que
a antena GPS informa a posição do veículo.

Data broadcasting - distribuição de informações.


Ex.: Gazeta Mercantil - Impressão simultânea por todo o país.
Rádio AM e FM.

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21 PROJETO IRIDIUM

Histórico

1987 - Concepção por 2 engenheiros da Divisão de Comunicações por Satélite da


Motorola - Arizona (EUA).

Iridium - nº atômico = 77 satélites inicialmente - hoje 66 satélites.

1990 - Anúncio Oficial e Solicitação da Licença junto a FCC.

1991 - Criação da Iridium Inc.

1993 - Iridium Inc. assina contrato de compra do Sistema Iridium da Motorola


(US$3,4 bilhões).

1995 - FCC regulamenta as freqüências.

1997 - Lançamento dos primeiros satélites.

1998 - Setembro - Ativação comercial.

2000 - Desativação do Sistema no Brasil.

Objetivo: Globalidade

O sistema Iridium foi projetado tendo em conta o objetivo de globalidade.


Devido a existência de localidades onde não é possível ou conveniente instalar uma
estação terrestre, a fim de ser realmente global, o sistema teria que depender o
menos possível da existência de tais estações.

Satélites Inteligentes

Resultam de um sistema que permite a conexão de cada um dos satélites com os


satélites que se encontram a sua volta.
Esta solução tecnológica extremamente avançada requer satélites “inteligentes”,
capazes de processar a informação e de enviá-la de acordo com o destino e nível de
utilização da rede.

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Estruturação

Iridium, LLC - Infra-estrutura Internacional


Operador de Gateway(s) - Responsabilidade Regional
Provedor de Serviço - Presença no Mercado
Modo Dual - Complementar ao Serviço Celular Terrestre

O Terminal Iridium

Quando um terminal é ativado, o satélite mais próximo, conjuntamente a rede


Iridium, determina automaticamente a situação do crédito e da localização do
terminal. Desta forma, o usuário, em função da compatibilidade e disponibilidade do
serviço celular terrestre, seleciona a modalidade satelital ou terrestre.
O terminal Iridium prevê também a utilização de um cartão SIM que tem todos
os dados do usuário (número telefônico, nome, empresa, crédito, domicílio, etc...)
podendo ser utilizado em qualquer terminal Iridium.

Segmento de Espaço

Número de Satélites = 66 interconectados ( mais 6 de reserva - 1 por plano orbital).

Número de planos orbitais = 6 ( 11 satélites por plano).

Altura Orbital = 780 quilômetros.

Período Orbital = 100 minutos e 28 segundos.

Peso do Satélite (com combustível) = 700 quilos.

Feixes/Satélite = 48 dinamicamente controlados - 3 antenas - 16 feixes / antena.

Vida Útil = 5 - 8 anos.

Bandas / Faixas de Freqüência

Enlaces de serviços de Banda L = 1610 a 1626,5 / 1990 a 2200 MHz (terra-espaço).


2170 a 2220 MHz / 2483,5 a 2500 MHz (espaço-terra).

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Enlaces inter-satélites = 23,18 - 23,38 GHz, Banda Ka.

Enlaces Gateway
Downlinks (Enlace de Descida) = 19,4 - 19,6 GHz, Banda Ka
Uplinks (Enlace de Subida) 29,1 - 29,3 GHz , Banda Ka.

Equipamentos

Siemens GSM-D900 - Tecnologia GSM - Global Systemm for Mobile


Communications.

Sede: Washington DC.

11 Gateway: 1 no Rio de Janeiro: Guaratiba - Estação Costeira da Embratel - de 60 a


120 mil ligações ao mesmo tempo.

Cada satélite poderá controlar até 1920 conversações simultâneas de voz.

Taxas de Transmissão / Lançamento

Taxas de transmissão
• Telefone / Voz = Full-duplex, 2,4 kbits / s - multi mode
• Dados / Fax / Paging = 2400 baud

Lançamento

McDonnel Douglas Delta II = 5 Satélites Iridium

Khrunichev Proton = 7 Satélites Iridium

China Great Wall Long March = 2 Satélites Iridium

Preços Estimados

Terminal = US$ 3.000,00


Assinatura = US$ 50,00
Ligação por minuto = US$ 3,00
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22 INTRODUÇÃO ÀS COMUNICAÇÕES MÓVEIS POR SATÉLITE

Estabelecer um sistema de cobertura global, ou


para-global, não é, no entanto, tarefa fácil. Os avolumados
investimentos, na ordem dos biliões de dólares, só são
possíveis mediante o estabelecimento de grandes
conglomerados internacionais. Mesmo assim, a experiência
mostra que a viabilização dos projectos passa quase
inevitavelmente por alguns reveses. Os exemplos da
Iridium e da Globalstar, dois dos principais operadores,
ambos tendo enfrentado processos tortuosos de falência
eminente e sido salvas por expedientes de última hora,
demonstram-no.
Com unidades de tamanho variável mas que, no
essencial, com um peso médio a orçar a casa das 200
gramas, se aproximam estética e funcionalmente dos
aparelhos GSM, os telemóveis por satélite combinam normalmente a ligação à rede
orbital com a possibilidade do roaming alargado com as redes GSM.
Assim sendo, dependendo do modo de funcionamento por que opte, o
utilizador tanto pode fazer as chamadas invariavelmente por satélite; por GSM
(quando disponível) ou deixar o aparelho escolher a melhor solução. Quando efectua
uma chamada com recurso à rede por satélite, o móvel entra em contacto com o
artefacto espacial mais próximo que orienta a chamada, consoante os casos, ora
directa, ora indirectamente por intermédio de ou mais satélites da mesma
constelação, para um gateway (estação de rasteio) no solo. O gateway encarrega-se
de a inserir na rede por fios convencional.
As redes que oferecem serviços de telefone móvel por satélite funcionam, de
acordo com o tipo de órbita do(s) satélite(s) usado(s), de duas formas: usando
constelações em órbita geoestacionária e usando satélites não geoestacionários.

22.1 SISTEMAS NÃO GEOESTACIONÁRIOS

Os sistemas não geoestacionários, como é o caso dos empregues pela Iridium


e pela Globalstar, utilizam satélites em órbitas baixas (700 a 1500 Km acima da
superfície) a médias (10000 Km, como os ICO). Em deslocação permanente, estes
satélite podem ter períodos orbitais - de revolução em torno da Terra - tão baixos
quanto 100 minutos. Dada a sua proximidade, oferecem a vantagem imediata de não
necessitarem de emissores muito potentes, sendo assim possível oferecer telefones
movéis pouco maiores do que os convencionais GSM, apenas com antenas,
normalmente retrácteis, maiores.
Como estão em movimento, a cada instante a zona da crosta terrestre deverá
ser coberta por pelo menos um, normalmente mais (em média 2) deles. O utilizador
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

estabelece a chamada com um e esse, quando desaparece sobre o horizonte,


transfere-a para outro. Tecnicamente é assim possível fazer face à ocultação por
edifícios e árvores, ou devido à morfologia do terreno ou deslocação do utilizador, de
modo a que seja sempre possível obter cobertura.

22.2 SISTEMAS GEOESTACIONÁRIOS

Outra concepção da cobertura por satélite é a que emprega sistemas


geoestacionários. Em que é que consiste um satélite geoestacionário? Trata-se,
basicamente, de um artefacto espacial colocado em tal ponto no espaço que adquire
sincronia com o próprio movimento terrestre, cobrindo, por conseguinte,
permanentemente, uma mesma zona do globo. Para um utilizador no solo, um satélite
geoestacionário manterá sempre a mesma posição relativa no céu. É, por exemplo, o
caso dos satélites emissores de canais televisivos.
Tal como sucede com os receptores de TV, porém, os sistemas que se apoiam
numa constelação geoestacionário, caso do Inmarsat e dos Thuraya, forçam o
utilizador a utilizar unidades móveis mais volumosas.
Isto deve-se ao fato de a órbita geoestacionária, normalmente sobre o
equador, só ser possível a distâncias na ordem dos 36.000 Km da Terra.
Em adição, dada a pequena fracção temporal que o sinal demora entre o
telefone, o satélite e a estação terrestre que o recebe e o retransmite para o
destinatário, e vice-versa para esta, este sistema tende a introduzir um pequeno
efeito de retardamento nas mensagens.

22.3 IRIDIUM

O consórcio Iridium nasceu em 1991, reunindo 19 investidores de entre os


quais a Motorola, com 20% de participação, foi um dos principais responsáveis pelo
conceito e pelo fabrico dos telemóveis.
Depois de um investimento de sete biliões de dólares, e com uma constelação
operacional de 66 satélites, mais seis em reserva, cobrindo 100% do globo com
serviços de comunicação por voz e paging, a Iridium disponibilizou o seu serviço
comercialmente em Novembro de 1998.
Volvidos apenas dez meses, em Agosto de 1999, porém, a empresa foi
obrigada a declara a falência tendo as suas acções sido suspensas da bolsa. No ano
seguinte sucederam-se os rumores de, na sucessão da inviabilização comercial do
projecto, o conjunto dos satélites seria desorbitado. Quando a Motorola já tinha
anunciado o início da destruição dos satélites, em Novembro de 2000, surgiu um
novo consórcio, designado Iridium Satellite LCL que adquiriu a massa falida por
apenas 25 milhões de dólares.

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No mês seguinte, o departamento de defesa norte-americano disponibilizou-se


para pagar mensalmente dois a três milhões de dólares com acesso a tempo ilimitado
de uso, contribuindo decisivamente para salvar a situação.
Assim sendo, no inicio de 2001 o novo consórcio Iridium Satellite LCL anunciou
ter completado o de reconstituição da empresa e o restabelecimento das operações.
Deverão, assim, ser disponibilizados serviços de voz e dados predominantemente
para a indústria e clientes governamentais. O que representa uma mudança de
estratégia face à ambição original de fornecer, sobretudo, o mercado dos pequenos
utilizadores.
A empresa espera oferecer brevemente um serviço de transmissão de dados a
10Kbps; a operação dos satélites foi contratada com a Boeing e a Motorola
comprometeu-se a continuar a fornecer o equipamento aos subscritores do serviço.

22.4 GLOBALSTAR

A Globalstar é um consórcio multinacional, estabelecido em 1991, com a


especial participação da France Télécom, da Alcatel e da Vodaphone.
Após um investimento de cerca de três biliões de dólares, o início da
exploração comercial estava previsto para meados de 1999 mas um acidente com o
lançamento de um foguetão russo que transportava 12 satélites, em Setembro de
1998, adiou o arranque operacional para Outubro de 1999.
A partir de uma constelação de 48 satélites em órbita baixa (1414 Km), a
Globalstar oferece serviços de dados, voz e GPS - cobrindo cerca de 80% da
superfície terrestre.
As chamadas por voz da Globalstar são das mais baratas no segmento das
comunicações móveis por satélite. Com preços orçando os 750 dólares americanos, e
manufacturados pela Ericsson, Qualcomm e Telital, os telefones Globalstar são,
igualmente, dos menos dispendiosos.
Os satélites Globalstar têm um peso médio de 450 Kgs e assentam numa
arquitectura bastante simples, empregando a tecnologia CDMA (Code Division
Multiple Access). Estão colocados em oito planos orbitais de seis satélites cada,
inclinados a 52 graus de forma a fornecer uma cobertura desde os 70 graus de
latitude norte aos 70 graus de latitude sul.
A empresa tem enfrentado problemas de viabilização comercial, estando
correntemente endividada em várias centenas de milhão de dólares.

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22.5 ODYSSEY

Orbitando numa órbita circular a média altitude, 10 (10350 Km), a constelação


estará dividida em grupos de quatro satélites, repartidos por três planos orbitais e
com um período de rotação terrestre na ordem das seis horas. Os satélites Odyssey
reclamam uma vida útil de 15 anos, bastante elevada para a média. O serviço estará
disponível a partir de 2002.

22.6 INMARSAT

Acrónimo de International Maritime Satellite Organization, a Inmarsat foi constituída


em 1979, tendo iniciado operações em 1982.
Originalmente produto da cooperação inter-estadual, nascida no seio da então
International Maritime Consultative Organization, actualmente the International
Maritime Organization (IMO) a joint-venture Inmarsat chegou a agrupar oitenta e
cinquenta estados cooperantes antes de ser privatizada, em 1999.
Destinada, inicialmente, a providenciar serviços de comunicação para navios, a
Inmasar lançou no início da década de noventa um serviço de telefonia móvel por
satélite e tem, ainda, alargado o seu leque de operações à comunicação em banda
larga de dados.
Dos consórcios multinacionais de comunicação por satélite a Inmarsat deve ser o
único de que se não conhece registo de haver enfrentado a bancarrota.
Os satélites Inmarsat estão situados numa órbita geoestacionária, a 35,786 km da
Terra, o que força a que os telefones móveis tenham volumes na ordem mínima do
tamanho aproximado de um laptop.

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23 GLOSSÁRIO TÉCNICO

3G
Terceira geração de telefonia sem fio, designa a nova linhagem de telefones móvel
capaz de oferecer uma infinidade de recursos não disponíveis na geração atual, como
desempenho entre 144 Kbps e 2 Mbps. Pelos telefones 3G devem trafegar voz,
dados e vídeo, incluindo vídeo sob demanda. Outra característica é o serviço de
roaming global avançado. A geração 3G está sendo desenvolvida pela ITU (Internet
Telecommunication Union). Simultaneamente, Europa (UMTS - Universal Mobile
Telecommunication System), América do Norte (cdma2000) e Japão (NTT DoCoMo)
trabalham na sua implantação.

Acesso Múltiplo por Divisão de Código – CDMA


Também conhecido pela sigla CDMA (Code Division Multiple Access), usa uma
técnica de espalhamento espectral que consiste na utilização de toda a largura da
banda do canal para a transmissão. Com essa tecnologia, um grande número de
usuários acessa simultaneamente um único canal da estação radiobase sem que haja
interferências entre as conversas.

Acesso Múltiplo por Divisão de Tempo – TDMA


Um dos padrões de comunicação de voz via ondas de rádio, usado por operadoras
nos serviços de telefonia celular digital. Consiste na divisão de cada canal celular em
três períodos de tempo para aumentar a quantidade de dados que pode ser
transmitida.

ADSL
Asymmetric Digital Subscriber Line, tecnologia de transmissão de dados de alta
velocidade que usa como meio de comunicação os fios de cobre da linha telefônica
comum. Outras características importantes da tecnologia ADSL são o
compartilhamento da linha de telefone como acesso à internet e a conexão sempre
ativa. O adjetivo assimétrico deve-se ao fato de a tecnologia trabalhar com
velocidades diferentes nas duas direções: o usuário envia dados numa faixa entre 16
Kbps e 640 Kbps e recebe dados a velocidades entre 1,5 Mbps e 9 Mbps. A variação
é decorrência de uma série de fatores, entre eles a distância entre o cliente e a
central de telecomunicações. Disponível em algumas regiões da Grande São Paulo,
os serviços básicos de ADSL da Telefônica - Speedy e SpeedyBusiness -, por
exemplo, atingem 128 Kbps (upload) e 256 Kbps (download). Mas o usuário pode
assinar outros planos. O mais avançado atinge 300 Kbps (upload) e 2 Mbps
(download). A conexão ADSL exige a instalação de modem compatível e a assinatura
num provedor que oferece acesso por meio da tecnologia.

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AMPS
Sigla de Advanced Mobile Phone System, padrão analógico de telefonia celular, que
opera na freqüência de 800MHz. E utilizado em várias partes do mundo. No Brasil, é
adotado nos serviços de operadoras da banda A.

Anatel
Agência Nacional de Telecomunicações, órgão ligado ao Ministério das
Telecomunicações, encarregado da regulamentação do mercado e dos serviços do
setor no Brasil.

ATM
Sigla de asynchronous transfer mode, ou modo de transferência assíncrono, é uma
tecnologia para a transmissão de dados, voz e vídeo em alta velocidade em meio
digital como fibras ópticas ou satélites. A tecnologia ATM é baseada na comutação de
pacotes de dados (células) com tamanho fixo de 53 bytes. Atualmente, as taxas de
transferência atingem até 2,4 Gbps. Em setembro do ano de 2000, no entanto, o
Fórum ATM anunciou uma nova especificação, denominada Utopia Nível 4, que eleva
essa taxa a 10 Gbps. Segundo o organismo, diversos projetos que empregam a nova
especificação já estão em andamento. O padrão foi definido pela ITU (Internet
Telecommunication Union), e é objeto de desenvolvimento pelo Fórum ATM.

Backbone
Conexão de alta velocidade que funciona como a espinha dorsal de uma rede de
comunicação, transportando os dados reunidos pelas redes menores que estão a ela
conectados. Localmente, o backbone é uma linha - ou conjunto de linhas - à qual as
redes locais se conectam para formar uma WAN (Wide Area Network). Na internet ou
em outras WANs, o backbone é um conjunto de linhas com as quais as redes locais
ou regionais se comunicam para interligações de longa distância

Banda
Nome que designa uma faixa de freqüência delimitada no espectro magnético. A
autoridade que regulamenta as telecomunicações reserva uma banda para cada tipo
de serviço, para evitar interferências entre os sinais.

Banda A
Primeira faixa de freqüência do espectro eletromagnético reservada pelas autoridades
que regulam as telecomunicações para telefonia móvel. No Brasil, o início da telefonia
celular ocorreu pela banda A, com serviços analógicos oferecidos pelas empresas do
extinto sistema Telebrás. Hoje privatizada, a banda A oferece também serviço digital.

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Banda B
Segunda faixa de freqüência reservada para a telefonia móvel. No Brasil, a banda B
começou a operar em 1998, oferecendo serviços digitais.

Banda C
Em telefonia móvel, é a terceira faixa de freqüência reservada para o celular, cujas
concessões foram leiloadas pelo governo brasileiro no início de 2001. Essa faixa varia
de país para país, sendo as mais usadas comercialmente as de 1,8 GHz e 1,9 GHz.
No Brasil, a faixa definida é a de 1,8 GHz A banda C trará novidades em relação às
bandas A e B, principalmente em aplicações multimídia, com recepção de dados e
vídeo no aparelho telefônico. Nas transmissões via satélite, a banda C é composta
por duas faixas: a que vai de 3,7 GHz a 4,2 GHz é usada para recepção (downlink) e
a que vai de 5,925 GHz a 6,425 GHz é usada na transmissão (uplink).

Banda D e Banda E
Juntamente com a banda C, são as novas faixas de freqüência que o governo
brasileiro concedeu por meio de leilão para novas operadoras de telefonia móvel
pessoal, ou SMP. A faixa de operação das estações radiobase da banda D é de 1805
MHz a 1820 MHZ, enquanto a banda E opera entre 1835 MHz e 1850 MHz. A banda
C, por sua vez, fica entre 1820 MHz e 1835 MHz.

Banda larga
Comunicação de dados em alta velocidade. Há diversas tecnologias de comunicação
em banda larga. ISDN, ADSL e cable modem são três exemplos. As duas primeiras
usam linhas telefônicas para a transmissão, enquanto a tecnologia de cable modem
faz uso dos cabos de TV por assinatura.

Baud
Unidade de medida de velocidade de transmissão de dados na qual 1 baud equivale
a uma mudança de estado eletrônico por segundo. Como uma única mudança de
estado pode envolver mais de um bit de dado, acabou sendo substituído, na prática,
pelo uso da unidade de medida bps (bits por segundo).

BER
Bit Error Ratio, ou taxa de erro de bits, é a relação entre o número de bits com erro e
o total de bits enviados numa transmissão. Geralmente, é representado por potência
de 10.

Broadcast
Sistema de difusão de sinais em que é transmitido o mesmo conteúdo para todos os
receptores. Numa transmissão de TV por exemplo, todas as pessoas sintonizadas no
PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 167
SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

mesmo canal assistem ao mesmo programa. Em internet, o termo é usado muitas


vezes para designar o envio de uma mensagem para todos os membros de um
grupo, em vez da remessa para membros específicos.

Buffer
Rotina ou meio de armazenamento temporário de dados. Em comunicação de dados,
é usado para compensar as diferenças de taxas do fluxo dos dados ou de sincronia
de eventos na transmissão de um dispositivo a outro.

Cable Modem
Tipo de modem que permite a um computador conectar-se aos cabos de TV por
assinatura para acesso rápido à internet. Como na tecnologia ADSL, a velocidade de
transmissão é variável. Normalmente, não excede 1,5 Mbps. No Brasil, é usado, por
exemplo, com os serviços de acesso à internet da TVA (Ajato) e Globocabo (Vírtua).

Call Center
Centro de atendimento telefônico. Estrutura montada para centralizar o
relacionamento com clientes que entram em contato com uma empresa pelo telefone.
É realizado pelas próprias empresas ou, seguindo uma tendência crescente, por
operadoras especializadas, que contam com grande número de linhas telefônicas,
atendentes e computadores para acesso às informações contidas nos bancos de
dados dos clientes.

Canal
Percurso definido para a transmissão elétrica entre dois ou mais pontos. Também
denominado de enlace, linha, circuito ou instalação. Designa também o serviço
oferecido pelas emissoras de televisão.

Célula
Área de cobertura de uma antena de telefonia móvel sem fio, razão pela qual o
serviço é conhecido como telefonia celular. Sua extensão depende da topografia da
região e da potência da antena, chamada estação radiobase (ERB). O usuário do
telefone móvel que se desloca dentro de uma região delimitada por uma célula
recebe o sinal de sua chamada telefônica de uma única ERB. No momento em que
sai de uma célula para outra, outra ERB assume a chamada e responsabiliza-se pela
continuação da conversa.

Clonagem
Forma ilegal de copiar as características de uma linha telefônica celular para outro
aparelho que não aquele pertencente ao assinante legítimo.

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Comutação de Pacotes
Técnica de transmissão de dados que divide a informação em envelopes de dados
discretos, denominados pacotes. Desse modo, em caso de falha durante a
transmissão, a informação perdida afeta uma fração do conteúdo total, em vez de
afetar o todo. A estação receptora encarrega-se de montar os pacotes recebidos na
seqüência correta para reconstruir o arquivo ou sinal enviado.

Concessão
Autorização dada pelo órgão competente que regulamenta as telecomunicações para
que uma operadora possa usar uma faixa de freqüência ou instalar uma rede de
cabos para oferecer seus serviços ao público. No Brasil, a concessão de serviços de
telefonia é alvo de leilões. No caso dos canais de televisão, a concessão é cedida
pelo governo.

Convergência
Palavra que sintetiza a tendência de união de várias tecnologias num único
equipamento - por exemplo, palmtops e celulares, TVs e computadores, etc. Também
pode significar, no âmbito da prestação de serviços, a transmissão de voz, dados,
áudio e vídeo - com e sem fio, por uma única operadora.

Criptografia
Técnica que consiste em cifrar o conteúdo de uma mensagem ou um sinal de voz
digitalizado, por meio de algoritmos matemáticos complexos. Funciona com o uso de
chaves ou senhas. A mensagem é codificada pelo remetente em sua origem e viaja
pela internet ou outro circuito de comunicação embaralhada para que pessoas não
autorizadas não consigam ver seu conteúdo. O destinatário decodifica a mensagem
com uma chave privada.

Crosstalk
Linha cruzada, em português, refere-se à condição que ocorre quando uma linha de
comunicação interfere em outra. As causas mais comuns são o curto-circuito e a
junção indutiva entre duas linhas independentes.

Decoder
Nome dado ao aparelho que recebe o sinal transmitido por uma operadora de TV por
assinatura e o decodifica para que possa ser visto em um televisor.

Deslocamento
Valor adicional pago pelo assinante de um serviço de telefonia celular quando recebe
chamadas fora da área de cobertura original. Varia de acordo com o tempo de
duração da chamada.
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

Diafonia
Transferência indesejada de energia de um circuito de comunicação a outro. A
diafonia normalmente ocorre entre circuitos adjacentes.

Dial-up
Tipo de conexão de dados via internet, realizada por um modem conectado a uma
linha telefônica comum.

Downlink
Nome dado ao sinal de comunicação que parte de um satélite em direção a uma
estação terrestre.

DSL
Digital Subscriber Line, ou linha digital de assinante. Tecnologia que utiliza a linha
telefônica comum para a transmissão de dados em alta velocidade. O serviço requer
um modem especial e sua qualidade depende da distância entre o terminal do
assinante e a central telefônica. Veja ADSL.

DSP
Digital Signal Processing, ou processamento digital de sinais, é a técnica usada para
aumentar a acuidade e a confiabilidade das transmissões de dados em formato
digital.

Dual Mode
Característica dos telefones móveis que permite ao aparelho operarem duas bandas
de freqüências diferentes. O usuário de uma operadora pode usar o mesmo telefone
em uma região diferente da área de cobertura original. Os aparelhos GSM, por
exemplo. operam nas freqüências de 900 MHz e 1800 MHz.

DWDM
Dense Wavelength Division Multiplexing System, ou sistema de multiplexação por
divisão de complemento de onda densa. Tecnologia de transmissão de dados usada
em anéis de redes metropolitanas (MANs) equipadas com cabos de fibras ópticas.

E-Commerce
Em português, comércio eletrônico. Forma de realizar negócios entre empresa e
consumidor (B2C) ou entre empresas (B2B), usando a internet como plataforma de
troca de informações, encomenda e realização das transações financeiras.

ERB
Estação Radiobase. Antena utilizada na telefonia celular, que cobre uma determinada
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

área geográfica (célula), com capacidade para atender um determinado número de


usuários simultaneamente.

FCC
Federal Communications Commission, órgão americano que regulamenta todas as
comunicações interestaduais de rádio e equipamentos eletrônicos.

Fibras Ópticas
Filamentos finos de vidro ou plástico que transportam o feixe de luz gerado por um
LED ou laser Sua capacidade de transmissão de dados, em número de canais e
velocidade, supera a tecnologia de fios de cobre.

Firewall
Dispositivo para a proteção de contra-invasões de hackers ou transmissões não
autorizadas de dados. Existe na forma de software e hardware, ou na combinação de
ambos. O modelo a ser instalado depende do tamanho da rede, da complexidade das
regras que autorizam o fluxo de entrada e saída de informações e do grau de
segurança desejado.

Frame Relay
Protocolo de transmissão de dados em rede que trafega quadros (frames) ou pacotes
em alta velocidade (até 1,5 Mbps), com um atraso mínimo e uma utilização eficiente
da largura de banda.

Gateways
Pontos de entrada e saída de uma rede de comunicações. Do ponto de vista físico, o
gateway é um nó de rede que realiza a tradução de pacotes entre duas redes
incompatíveis ou entre dois segmentos de rede. O dispositivo que executa essa
função realiza a conversão de código e protocolo para facilitar o tráfego de linhas de
dados de alta velocidade com arquiteturas diferentes.

GPRS
General Packet Radio Service, serviço de comunicação sem fio baseado em pacotes
para tecnologia de telefonia móvel padrão GSM. Entre suas promessas estão a taxa
de transmissão de até 114 Kbps e a conexão contínua com a internet.

GPS
Sigla de Global Positioning System, tecnologia de localização geográfica de altíssima
precisão que fornece as coordenadas (latitude e longitude) do local onde está o
portador do aparelho equipado com essa tecnologia. Os sinais são enviados pela

PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 171


SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

constelação de 24 satélites Navstar, vinculada ao Departamento de Defesa dos


Estados Unidos.

GSM
Global System for Mobile Communications, ou sistema global para comunicações
móveis. Padrão digital para telefonia móvel amplamente usado na Europa e cuja
presença está aumentando na América Latina, inclusive no Brasil, onde será adotado
para os serviços das bandas C, D e E. Suas especificações são abertas e favorecem
a mobilidade do usuário (roaming). O padrão está sendo desenvolvido para o uso de
serviços multimídia de terceira geração (3G).

HDSL
High-bit-rate Digital Subscriber Line, tecnologia de transmissão de alto desempenho
por dois pares de cabos telefônicos. Diferencia-se de outras tecnologias DSL porque
proporciona transmissão simétrica, ou seja, a mesma taxa de transmissão em ambas
as direções (download e upload).

HDTV
High Definition Television, ou televisão de alta definição. Padrão de transmissão de
TV com tecnologia digital que proporciona imagens com qualidade similar à dos
filmes de 35 milímetros e som com o padrão de qualidade dos CDs.

Host
Na internet, é um computador que tem acesso bidirecional completo a outros
computadores. Um host tem um número específico que, somado ao número da rede,
forma seu endereço IP. O host armazena, centraliza e distribui arquivos, serviços de
correio eletrônico, redes de impressão, etc. Sua capacidade vai de um micro a um
supercomputador.

HTML
Sigla de Hypertext Markup Language, é um conjunto de códigos ou descrições
usados para a construção de páginas de internet. Baseia-se no uso de etiquetas,
chamadas tags, para a formatação dos elementos que compõem a página web, como
tamanho e tipo de fonte, alinhamento de texto, inserção de links, etc.

Hub
Aparelho de interconexão utilizado em redes de dados como Ethernet e Token Ring.
O hub é o elemento central de uma rede local, responsável por receber informações
que chegam de várias direções e passar adiante em uma ou mais direções.

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IEEE
Institute of Electrical and Electronic Engineers. Sociedade internacional que responde
pela definição de padrões seguidos pela indústria mundialmente. Exemplos são as
especificações IEEE 802.3 para LANs com CSMA/CD, ou IEEE 802.5, para redes
locais baseadas em Token Ring.

IMT-2000
International Mobile Telecommunications 2000. Iniciativa da União Internacional de
Telecomunicações para criar uma família de terceira geração de telefonia móvel. É
planejada para operar na faixa de freqüência de 2 GHz e trafegar aplicações
multimídia, com voz, dados e vídeo. Veja 3G.

Intelsat
International Telecommunications Satellite Organization ou Organização Internacional
de Telecomunicações por Satélite. Consórcio internacional fundado em 1964, que
opera uma rede de dezenove satélites. Participam da Intelsat mais de 200 países,
incluindo o Brasil. As maiores operadoras de telecomunicações e canais de TV do
mundo são usuárias do serviço.

Interferência Eletromagnética
Dispersão de radiação do meio de transmissão, como um cabo, resultante
principalmente do uso de energia de ondas de alta freqüência e da modulação do
sinal. Pode ser reduzida com o uso da blindagem adequada no cabo.

Internet
Nome dado à rede mundial de computadores, na verdade a reunião de milhares de
redes conectadas entre si. Nascida como um projeto militar, a internet evoluiu para
uma rede acadêmica e hoje transformou-se no maior maio de intercâmbio de
informações do mundo. Assume faces como meio de comunicação, entretenimento,
ambiente de negócios e fórum de discussão dos mais diversos temas.

Internet2
Internet para fins acadêmicos, governamentais e de pesquisa, está sendo
desenvolvida conjuntamente por mais de 100 universidades americanas. O principal
foco dos trabalhos é o desenvolvimento de uma infra-estrutura de rede capaz de
suportar aplicações de ensino, aprendizado e pesquisa colaborativa. Deve incluir,
entre outros recursos, multimídia em tempo real e interconexão em banda larga.

Intranet
Rede interna de informações baseada na tecnologia da internet. É usada por
qualquer tipo de organização (empresa, entidade ou órgão publico) que deseje
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

compartilhar informações apenas entre seus usuários registrados, sem permitir o


acesso de outras pessoas. O que o usuário vê é uma interface igual à da internet.

IP
Internet Protocol ou protocolo internet. Conjunto de 32 bits que atribui o endereço de
um computador em redes TCP/IP como propósito de localizá-lo dentro da internet. É
o protocolo da camada 3 de rede na arquitetura ISSO. Entre suas funções,
proporciona uma conexão para protocolos de nível superior, assumindo funções
como rastrear endereços de nós, rotas para envio de mensagens, reconhecimento de
mensagens recebidas, além de se responsabilizar por localizar e manter o melhor
caminho de tráfego na topologia da rede.

Iridium
Sistema de telefonia móvel e pager via satélite, caracterizado pela combinação de
aparelhos de mão, rede de satélites de baixa altitude e serviços de celular para
promover a comunicação. Suas vendas fracassaram e a empreitada foi à falência em
1999. O destino dos satélites da Iridium que circundam a Terra ainda está indefinido.

ITU
International Telecommunications Union, ou União Internacicnal de
Telecomunicações. Órgão internacional vinculado à Organização das Nações Unidas,
atua como comitê consultor internacional na recomendação de padrões de
telecomunicações. Tem sede em Genebra, na Suíça.

LAN
Local Area Network ou rede local. Estrutura que conecta vários computadores e
outros dispositivos numa área definida. A capacidade de comunicação entre os
aparelhos é limitada ao alcance dos cabos de rede, ou da antena, no caso de redes
sem fio. Normalmente, a área geográfica de uma LAN restringe-se a uma sala, um
departamento, um andar ou um prédio. Para viabilizar uma boa performance, a LAN
deve ser conectada ao backbone da rede por meio de aparelhos como bridges, hubs
ou switches.

Largura de Banda
A largura de uma banda de freqüência eletromagnética significa quão rápido os dados
fluem, seja numa linha de comunicação ou no barramento de um computador. Quanto
maior a largura de banda, mais informações podem ser enviadas num dado intervalo
de tempo. Pode ser expressa em bits por segundo (bps), bytes por segundo (Bps) ou
ciclos por segundo (Hz).

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Linha
Meio físico de comunicação que liga dois pontos de uma rede de comunicação. É
contratada com uma operadora de telecomunicações, que se encarrega de estender
o fio até as instalações do cliente.

Link
Conexão estabelecida entre dois pontos de uma rede de comunicação. Diz-se que o
link está estabelecido quando as duas pontas estão efetivamente conectadas, o que
pode ser indicado por uma luz de controle (LED) no aparelho de rede. Em
broadcasting, é o termo usado para representar a transmissão entre unidades móveis e a
sede da emissora, ou entre a conexão estabelecida com satélites e estações terrestres para a
geração, por exemplo, de eventos ao vivo. Na web, link é o endereço para outro documento
no mesmo servidor ou em outro servidor remoto.

M-commerce
Abreviatura de mobile commerce, modalidade de comércio eletrônico móvel que se
diferencia do comércio eletrônico convencional porque é realizada por meio de
telefones ou terminais sem fio, em vez de equipamentos fixos.

Modem
Modulador-demodulador. É o equipamento mais utilizado para transmitir e receber
dados pela internet Os sinais digitais saem do computador por uma porta serial e são
convertidos pelo modem em sinais analógicos adequados para trafegar por longas
distâncias, via linhas telefônica. Essa operação chama-se modulação. A
demodulação ocorre quando o modem recebe o sinal analógico e o decodifica para
um sinal digital, entendido pelo computador. A taxa de transmissão real depende do
modelo do aparelho e da qualidade da linha telefônica à qual o modem está
conectado. A mais comum é 56 Kbps. Há modelos que juntam duas linhas telefônicas
para conseguir taxas de 112 Kbps.

Multiplexador (mux)
Dispositivo de rede que permite que dois ou mais sinais sejam enviados por um
circuito de comunicação e compartilhem o percurso de transmissão. O mux divide a
largura de banda total do circuito em várias bandas menores, pelas quais trafegam os
subcanais de transmissão. É usado, por exemplo, para transportar dados e voz por
uma mesma linha, sem que essa interfira no sinal - dois muxs concentram o sinal
numa ponta e o dividem na outra.

Narrowband
Em português, banda estreita, nome dado às conexões de baixa velocidade (abaixo
de 64 Kbps) para contrapor-se à banda larga.

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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

Operadora
Empresa que possui a concessão para oferecer um serviço público de comunicação
de voz ou dados. É adotado como referência para as empresas de telefonia fixa,
celular, de longa distância ou transmissão de dados.

Paging
Serviço de comunicação baseado na transmissão de mensagens alfanuméricas para
pequenos aparelhos portáteis. Chamados pagers, os aparelhos recebem as
mensagens num visor de cristal líquido, mas, em geral, não permitem o envio de
respostas. Nos últimos três anos, surgiram os primeiros pagers "two-way", que
oferecem o recurso de transmissão de mensagens.

PBX
Private Branch Exchange ou central telefônica privada. Equipamento que concentra o
fluxo de ligações telefônicas recebidas por uma entidade, desde um condomínio até
uma grande corporação, realizando a comutação e o encaminhamento das chamadas
aos ramais que estão a ele conectados. Seu tamanho e características variam
conforme o modelo e as necessidades do cliente.

PCM
Pulse Code Modulation ou modulação de código de pulsos, é um procedimento para
a adaptação, durante a transmissão, de um sinal analógico (como voz) num feixe
digital de bits a 64 Kbps.

Porta
Interface física para a conexão entre computadores, terminais, impressoras, modems,
switches, roteadores, multiplexadores e outros equipamentos.

Protocolo
Conjunto formal de convenções que regulam o formato e o sincronismo da troca de
mensagens entre dois sistemas de comunicações. Em outras palavras, pode ser
definido como o idioma falado na conversa entre dois dispositivos durante o
estabelecimento de uma comunicação.

QoS
Quality Of Service, ou qualidade de serviço. É um parâmetro de eficiência do serviço
acertado previamente em contrato pela operadora de serviços de telecomunicações e
o cliente. Por exemplo, disponibilidade de 99,9% significa que a conexão contratada
não pode ficar mais de 0,1% (quase nove horas num ano) fora do ar, ou sem serviço,
sob pena de multa ou outro tipo de ressarcimento. O QoS é medido também em
variáveis como tempo de atraso dos pacotes ou velocidade média da conexão.
PROF. MARCELO DIOGO DOS SANTOS 176
SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

RDSI
Sigla para Rede Digital de Serviços Integrados, serviço fornecido por operadoras de
telefonia fixa que permite transmissão de dados, voz e vídeo simultaneamente. Há
dois níveis de serviço RDSI. O nível básico emprega dois canais independentes tipo
B de 64 Kbps para transmissão, mais um terceiro canal D de 16 Kbps para
sinalização e controle. Os canais B podem ser combinados para garantir velocidade
de acesso de 128 Kbps. O nível primário é composto por trinta canais tipo B de 64
Kbps (no padrão europeu, ou 23 canais tipo B nos Estados Unidos) e um tipo D de 64
Kbps. Nesse caso, a combinação dos trinta canais de transmissão de dados garante
uma taxa de até 2 Mbps.

Roaming
Sistema que permite que o cliente de uma empresa de telefonia móvel possa acessar
e ser acessado pelo serviço móvel celular mesmo estando fora da área de
abrangência da operadora. Por exemplo, o paulistano em viagem ao Rio de Janeiro
pode fazer e receber ligações, seja ele cliente da BCP ou da Telesp Celular, com o
uso da infra-estrutura das operadoras de telefonia local (ATL ou Telefônica Celular). A
operação ocorre automaticamente, sem que o usuário precise configurar o aparelho
ou pedir o serviço à operadora. No caso de roaming internacional, no entanto, o
cliente precisa requisitar o serviço e pagar um adicional por ele.

RPTC
Sigla de Rede Pública de Telefonia Comutada, é a rede acessada por telefones
comuns, sistemas de ramais, troncos PBX e equipamentos de transmissão de dados.
Em inglês, PSTN ou Public Switched Telephone Network.

Satélite
Equipamento de comunicação que gira sobre a órbita terrestre. Seu funcionamento
consiste em refletir sinais de microondas enviados da superfície da Terra para outro
satélite ou diretamente para uma antena no solo. Surgido na esteira da corrida
espacial, o satélite viabiliza a transmissão de sinais de TV, rádio, telefonia e dados
para todo o mundo, aproveitando o fato de estar acima do obstáculo representado
pela curvatura terrestre.

Smart Phone
Terminal de telefonia móvel, do padrão GSM, desenvolvido para facilitar a recepção
de e-mails, faxes e telas de intranet no visor dos aparelhos. Possui pequeno teclado e
software que faz a ligação direta do telefone com serviços ou aplicações específicos.

SMC
Serviço móvel de comunicação terrestre que utiliza sistema de radiodifusão com
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

tecnologia celular e se interconecta com a rede pública de telecomunicações. É


baseado na cobertura de áreas por células. Nesse sistema, estações radiobase
transmitem os sinais a aparelhos móveis.

SME
Serviço Móvel Especializado, conecta grupos de usuários por ligações diretas de
rádio, além de realizar chamadas para telefones da rede pública (fixa e móvel), por
meio dos gateways da operadora. Conhecido originalmente como trunking.

SMP
Sigla para Serviço Móvel Pessoal nome dado pela Anatel aos novos serviços de
telefonia móvel terrestre que foram oferecidos ao consumidor, a partir de 2001, com a
entrada em operação das concessionárias das bandas C, D e E.

SMS
Short Message Service, ou serviço de mensagens curtas. Tecnologia que habilita
telefones celulares a receber mensagens alfanuméricas, de modo similar a um
aparelho pager. O usuário visualiza a mensagem no visor, mas não pode enviar uma
mensagem de volta.

Sombra
Área geográfica em que o sinal da operadora de telefonia móvel é deficiente e as
ligações ficam entrecortadas ou não são completadas. É causado por fenômenos
atmosféricos ou devido à topologia do local. Acidentes geográficos, edifícios, túneis e
garagens subterrâneas são alguns dos fatores que interferem na qualidade das
ligações.

STP
Shielded Twisted Pair, ou par trançado com blindagem, designa os fios telefônicos
encapados com uma blindagem metálica. O objetivo é eliminar interferências
externas, principalmente no uso em sistemas de transmissão de dados.

Switch
Aparelho dotado de múltiplas portas para a conexão de dispositivos ligados a uma
rede. Realiza a operação de comutação (switching), ou seja, recebe dados de uma
estação ou do roteador conectado ao mundo externo (WAN) e os envia para as
estações locais (LANs), conforme o endereço do destinatário. A taxa de transmissão
é personalizada para cada usuário, até a capacidade total da banda do switch. O
dispositivo é usado para conectar LANs entre si ou segmentar LANs, atuando
normalmente na camada 3 (rede) da arquitetura OSI.

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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

T1
Padrão norte-americano que define a linha digital de alta velocidade, com capacidade
de transmissão de 1,544 Mbps. Termo criado pela AT&T, T1 é amplamente utilizado
em redes privadas e na interconexão entre redes locais e redes públicas de
telecomunicações.

TCP/IP
Transmission Control Protocol/Internet Protocol, protocolos de comunicação básicos
da internet, utilizados também na implementação de redes privativas como intranets e
extranets. E composto de dois níveis. O nível mais elevado é o de controle de
transmissão. Ele gerencia a reunião de mensagens e arquivos em pacotes e vice-
versa. O segundo cuida da parte de endereçamento dos pacotes, de modo que
cheguem ao lugar de destino.

TDM
Time Division Multiplexer, ou multiplexador por divisão de tempo em português.
Dispositivo que divide o tempo disponível de um circuito de comunicação de dados
composto por seus vários canais, geralmente por meio de bits de intercalação (bits
TDM) ou caracteres (caracteres TDM) de dados referentes a cada terminal.

Tronco
Circuito único entre dois pontos, sendo que ambos são centros de comutação ou
pontos de distribuição individual. Um tronco geralmente processa diversos canais de
comunicação simultaneamente.

UHF
Ultra High Frequency faixa de freqüências muito alta (entre 300 MHz e 3 GHz)
destinada à transmissão de canais de TV aberta (do canal 14 para cima).

Uplink
Sinal de transmissão de dados enviado de uma estação terrestre para o satélite em
Órbita.

VHF
Very High Frequency, faixa de freqüências entre 30 MHz e 300 MHz, destinada à
transmissão de canais de televisão aberta (do canal 2 ao 13).

VPN
Virtual Private Network, ou rede privada virtual, é uma rede para uso exclusivo dos
usuários autorizados por uma empresa, para que se conectem a ela de qualquer
lugar do mundo. A VPN funciona como uma rede privada, com a diferença de que
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SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO

trafega dados sobre a infra-estrutura da rede pública de dados ou da própria internet.


Requer a contratação de uma operadora de telecomunicações, além de hardware de
rede e software especiais para a autenticação de usuários.

WAP
Wireless Application Protocol, ou protocolo de aplicações sem fio. É um embrião da
tecnologia que fará o telefone celular tornar-se um terminal pleno de acesso à
internet. O WAP já está em operação no Brasil e consiste na transformação,
adaptação e criação de conteúdo da internet para visualização na tela de um celular.
Como as telas atuais têm capacidade reduzida, o conteúdo é apresentado como uma
lista. Os serviços oferecidos incluem notícias, transações bancárias e operações de
reserva de vôos.

Wireless
Expressão genérica que designa sistemas de telecomunicações nos quais as ondas
eletromagnéticas – e não fios – se encarregam do transporte dos sinais.

WLL
Sigla de Wireless Local Loop, ou circuito local sem fio. Designa a tecnologia baseada
num terminal de telefone fixo que se comunica via ondas de rádio com a central
telefônica de trânsito público. É utilizada no Brasil pelas empresas espelho,
concorrentes das companhias de telefonia fixa já estabelecidas com sua rede de fios
de cobre.

WML
Wireless Markup Language, espécie de versão WAP da metodologia de descrição de
dados XML. Baseada em tags, permite que porções de textos de páginas web sejam
apresentadas na tela de telefones celulares e outros dispositivos WAP.

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