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CEAGESP 35 ANOS

Modernizando o agronegócio
Com uma grande rede de entrepostos e armazéns, a companhia
responde às necessidades de toda a cadeia produtiva:
da capacitação do produtor à garantia de produtos
de qualidade ao consumidor
E-1 REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV • ESPECIAL • SETEMBRO DE 2004

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PERFIL ENTREVISTA

Modernizar
para crescer
Valmir Prascidelli,
que comanda a
companhia,
fala sobre as
dificuldades
enfrentadas, e
as mudanças
já realizadas

Mais qualidade Na sua disposição de colocar a


estrutura da CEAGESP a serviço
do campo à mesa da horticultura, quais foram os
avanços?
Valmir Prascidelli - Preparar a
CEAGESP para ser instrumento de inter-
Nas instalações da companhia, face com a cadeia produtiva é um gran-
são comercializadas cerca de 350 mil de desafio. Embora seja uma empresa
consolidada e com papel estratégico no
toneladas de hortigranjeiros por mês escoamento da produção, havia proble-
mas sérios na sua saúde financeira e ad-
ministrativa.
Certas dificuldades, como o passi-

A os 35 anos, a CEAGESP – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São


Paulo – vivencia uma fase de revitalização e de preparação para o futuro. A empresa,
que fortaleceu sua atuação como canal de escoamento da produção agrícola do Estado
vo gerado por ações trabalhistas, quan-
do a empresa ainda pertencia ao go-
verno do Estado de São Paulo, oneram
planeja as mudanças necessárias para se tornar um agente de evolução dos diferentes os cofres, reduzem a agilidade e o fô-
elos das cadeias produtivas. Isto inclui ações como a capacitação do produtor, a lego para a implementação das ações.
implementação de programas voltados para a qualidade do alimento e redução de desper- Mas demos passos significativos, como
dícios e, ainda, o aperfeiçoamento dos sistemas de pesquisa de preços, que servem de a reestruturação do organograma, de
parâmetro para o mercado brasileiro de alimentos frescos. modo a valorizar o Centro de Qualida-
Hoje, seus entrepostos distribuídos pelo Estado reúnem cerca de 8 mil produtores e de em Horticultura. O Setor de Econo-
comerciantes que movimentam mais de 350 mil toneladas de hortigranjeiros por mês. E mia e Desenvolvimento, que dá apoio
graças a um conjunto de fatores, que inclui clima favorável e incentivos agrícolas, o volume aos produtores, é hoje essencial para
de alimentos comercializados no Entreposto da Capital cresceu 7,22% no primeiro a redução de perdas e o balizamento
quadrimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2003. dos preços. Cresceu a interação entre
Na área de armazenagem, a companhia enfrenta o desafio de racionalizar o uso da as várias unidades da empresa, e o
rede de silos e graneleiros, hoje com capacidade para 1,3 milhão de toneladas de grãos. conjunto de atacadistas e produtores.
Com essa meta, colocou à venda unidades deficitárias e está reinvestindo os recursos Com isso, avançamos no processo de
arrecadados em unidades com melhores perspectivas. Em 2003, o volume de investimen- rotulagem dos produtos hortícolas, pa-
tos em manutenção e recuperação estrutural da rede armazenadora cresceu 561% em ralisado desde 2000. Muitas unidades
relação ao ano anterior. Priorizando regiões com indicativos de aumento de produção, a tinham deficiências de infra-estrutura,
Companhia reativou unidades paralisadas, como Ribeirão Preto – capacidade para 17 mil mas fizemos progressos. Ampliamos a
toneladas de produtos – e retomou unidades terceirizadas, como Franca e Araçatuba. Con- capacidade de armazenamento e nos
vênios com prefeituras municipais permitiram, ainda, o reaproveitamento das unidades de credenciamos para a certificação de
Avaré e São Carlos, onde serão criados espaços para atender a agricultura familiar. grãos. Nos entrepostos, criamos alter-
Vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a CEAGESP, que nativas para a inclusão do pequeno pro-
integra o governo federal desde 1998, contribui com suas ações para a modernização da dutor, a exemplo do Pavilhão da Agri-
cadeia produtiva. cultura Familiar, em Bauru.

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privatizações. Trabalhamos espaços comercias dos entrepostos. Isso
para mostrar que a compa- implica na apresentação de documentos
nhia é eficiente, rentável e que normalmente os pequenos produtores
estratégica, pois contribui não têm. Estamos conversando com o Mi-
para a regulação de preços nistério da Agricultura sobre a possibilida-
e busca a inclusão dos pe- de de atender às especificidades do mer-
quenos produtores no mer- cado hortifrutícola. A meu ver, não há in-
cado. Apresentamos este compatibilidade entre a inclusão de peque-
mês ao Conselho de Admi- nos produtores e ampliar a relação com
nistração da CEAGESP um grandes produtores. Há espaço para todos.
plano de desenvolvimento A tendência é a de adaptarmos a norma
institucional. Em seguida, va- para dar aos pequenos produtores e as-
mos levá-lo ao grupo de tra- sentados condições de escoamento de sua
balho do PND. Outra medi- produção. Isso significa promover a inclu-
da importante adotada nes- são dessas famílias no agronegócio e dar-
tes últimos meses foi a reali- lhes condição de igualdade na comercia-
zação de um estudo, por es- lização de seus produtos. Mas o pequeno
pecialistas em transporte e produtor tem outras dificuldades ligadas à
logística da USP, que servi- produção, como adquirir tecnologia e co-
rá de base para um plano nhecimento, entender qual é a melhor for-
diretor interno. O trabalho ma de utilização de suas terras. É um de-
mostra, entre outras coisas, bate delicado, repito, mas estamos prepa-
que a localização ideal do rados e dispostos a enfrentá-lo.
entreposto é mesmo a Vila
Leopoldina. Também pre- Sendo uma empresa pública, qual é
tendemos levar ao governo o papel da CEAGESP no que diz res-
o projeto de um novo mer- peito à responsabilidade social?
cado de flores, setor que Valmir Prascidelli - Tanto as empre-
vem ganhando destaque sas públicas como as privadas precisam
na economia nacional e já pensar no seu papel social. As empre-
apresenta bom desempe- sas privadas geram empregos, movi-
nho nas exportações. A flo- mentam a economia e contribuem para
ricultura gera muitos em- o crescimento do País. Para a empresa
Quais foram as principais reformas pregos, e uma estrutura adequada dará pública, essa responsabilidade é redo-
realizadas? condições aos per missionários de brada. Na CEAGESP, quando incluímos
Valmir Prascidelli - Começamos otimizar suas empresas. os pequenos produtores, damos condi-
com as obras essenciais, necessárias à ções de igualdade para a cadeia produ-
redução de despesas. No Entreposto Ter- A viabilidade da companhia im- tiva. Queremos assegurar o acesso ao
minal São Paulo, por exemplo, onde o plica em gerar lucros? alimento de boa qualidade, por um pre-
consumo de água e de energia elétrica Valmir Prascidelli - Sim, implica na ço justo. Com eficiência operacional e
estava muito acima do normal, realiza- empresa gerar lucros para os acionistas; administrativa, combatemos o desperdí-
mos obras de manutenção que resulta- majoritariamente, o governo federal, mas cio e dividimos a responsabilidade com
ram numa economia de R$200 mil. Nos a CEAGESP não se compara a um ban- permissionários e produtores. Adotamos
Entreposto de São Paulo, Ribeirão Preto co ou à Petrobrás. No caso da CEAGESP, o programa Desperdício Zero, com o ob-
e Sorocaba, recapeamos as vias inter- ela precisa gerar lucro para ser reinves- jetivo do reaproveitar ao máximo os re-
nas para otimizar a circulação de veícu- tido na própria cadeia produtiva. Pensar síduos orgânicos, por meio de diferen-
los. Iniciamos o processo de reforma dos na empresa voltada para um horizonte tes processos de reciclagem. Criamos o
pavilhões do ETSP, com a CEAGESP as- de desenvolvimento e aprimoramento. Se Banco CEAGESP de Alimentos para
sumindo uma parte dos investimentos, e o seu faturamento restringe a sua atu- interagir com prefeituras e entidades pres-
os permissionários, a outra. Na rede de ação, ela não consegue pensar em um tadoras de serviços assistenciais à popu-
armazenagem, estamos trocando os horizonte mais amplo de modernização lação carente. Para dar destino a alimen-
equipamentos em situação precária. Em e investimento. O governo federal está tos sem condições de consumo, adotamos
Tatuí, investimos quase R$200 mil para preocupado com isso. Quer empresas uma normatização para os criadores de
reformar uma célula do silo graneleiro. rentáveis, eficazes, com capacidade animais poderem utilizá-los como ração.
São apenas alguns exemplos, mas temos para planejar seu crescimento em mé- Também implementamos sistemas de
um extenso cronograma de obras. dio e longo prazo. compostagem orgânica, que têm reduzi-
A possibilidade de privatização do em muito o volume de lixo do entreposto.
ainda causa instabilidade à cadeia A criação de espaços para peque- Com esse conjunto de ações, ampliamos
produtiva? nos agricultores pode não se consti- nosso papel para a redução das desigual-
Valmir Prascidelli - A lógica do go- tuir em atividade rentável, mas é es- dades, no combate à fome e na preserva-
verno federal não é privativista. Ao con- tratégica para o País? ção do ambiente. Também efetuamos uma
trário, a lógica é de que o Estado seja Valmir Prascidelli - Esse é um de- contribuição regular para a instituição Nos-
indutor e fomente a atividade econômi- bate delicado. A legislação determina o sa Turma, criada por voluntários da com-
ca. Nossa perspectiva é de que a cumprimento de processos de licitação panhia e está voltada à inclusão social de
CEAGESP seja retirada do programa de para se conceder a permissão de uso dos crianças carentes da região.

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SÃO PAULO REDE

O coração da metrópole A qualidade


O Entreposto Terminal São Paulo é a chega ao
maior central atacadista da
América Latina e terceira maior do mundo interior
Onze entrepostos,
instalados
D izem que São Paulo não dorme. E,
se há um lugar onde isso é fato, é no
Entreposto Terminal São Paulo (ETSP),
comercialização, perdendo apenas para
Nova York e Paris. Por seus portões pas-
sam toneladas de alimentos, vindos de
em regiões
coração pulsante e agitado da CEAGESP várias partes do Brasil, para o abasteci- estratégicas,
e da metrópole. Um lugar no qual o movi- mento de 60% da população da Grande comercializam
mento nunca pára e a vida parece bus- São Paulo.
car novos caminhos, tal como os milha- Nos últimos meses, a estrutura física 100 mil toneladas
res de carregadores que fazem o frenéti- do Entreposto recebeu investimentos de por mês
co transporte de frutas, verduras legu- aproximadamente R$ 1 milhão em refor-
mes, pescados e flores. mas e manutenção. Além da recupera-
Localizado na Zona Oeste da Capi- ção das vias, que contribuiu para a
tal, na Vila Leopoldina, numa área de 700
mil m2, o Entreposto Terminal São Paulo
melhoria do fluxo interno, a substituição
de instalações hidráulicas, somada à re-
D istribuídos pelo Estado de São
Paulo, os entrepostos da CEA-
GESP, conhecidos como CEASAS,
é a maior unidade de comercialização de forma de sanitários e a reparos em va- formam uma rede de distribuição or-
hortifrutigranjeiros da América Latina e zamentos, levou a uma redução de mais ganizada e pronta a servir à comuni-
terceira maior do mundo em volume de de 50% no consumo de água do Entre-
posto. De acordo com o diretor
técnico e operacional, Ademir
José Pereira, além destas, há VAREJO
uma série de obras concluídas e
em andamento que estão sendo
custeadas, em grande parte, pela
Mais próximo do
empresa. "As demandas por consumidor
melhorias no Entreposto são mui-
tas, mas estamos conseguindo Os varejões
atendê-las".
Para uma estrutura com qua- e sacolões atraem mais
se quarenta anos, tais obras são de 30 mil pessoas
necessárias e bem-vindas. Espe- por semana
cialmente depois do estudo reali-
zado pelo departamento de enge-
nharia de transportes da Escola
Politécnica da USP, que recomen-
da a permanência do Entreposto A lém da atividade atacadista, a
Ceagesp também atua no comércio
varejista, oferecendo amplo leque de
na Vila Leopoldina, local conside-
rado ideal e estratégico em relação produtos. Nos varejões, realizados no
às regiões de origem e destino das Entreposto da capital, e nos sacolões,
mercadorias. O estudo propõe, ain- instalados em diferentes bairros, o con-
da, a implementação de um plano sumidor encontra produtos de qualida-
diretor, como meio para atingir a de e a certeza de preço justo, já que o
modernização almejada. limite máximo é tabelado e fiscalizado
pela Companhia.
NÚMEROS DO DIA-A-DIA Atualmente, além dos varejões re-
alizados no Entreposto-Sede, a empre-
• 10 mil tonedadas de alimentos sa administra dois sacolões na Grande
• 4 mil produtores e atacadistas São Paulo.
• 10 mil caminhões O primeiro varejão estreou em setem-
• 1500 automóveis bro de 1979, dentro do ETSP. Semelhan-
• 50 mil pessoas tes às feiras-livres, eles são realizados
• R$ 6 milhões em negócios

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dade, com controle de qualidade e pa-
dronização.
De um lado, o produtor escoa sua
safra; do outro, o comerciante do vare-
jo compra frutas, verduras, legumes e
flores de qualidade, numa central de
distribuição que tem como modelo o
Entreposto Terminal de São Paulo.
Quem promove esse encontro en-
tre os elos da cadeia de agronegócios
do setor é a CEAGESP, que atende,
com suas unidades, a um dos maiores
centros consumidores do País.
São 11 entrepostos, que registram um
volume de comercialização de mais de
100 mil toneladas por mês, abastecendo
feiras-livres, supermercados, quitandas,
sacolões, restaurantes e distribuidoras de
hortifrutigranjeiros com a mesma quali-
dade encontrada na Capital. Lá também
os produtos comercializados obedecem
às normas, aos controles e padrões es-
tabelecidos para a comercialização.
Atuam nessas unidades do Interior Entrepostos do Interior
mais de mil permissionários – produ- agricultura familiar. Também a experi- • Araçatuba • Araraquara • Bauru
tores e atacadistas, que ocupam 1868 ência de sucesso da Feira de Flores • Franca • Marília • Piracicaba
módulos e 576 boxes. do Entreposto Terminal São Paulo co- • Presidente Prudente • Ribeirão Preto
Novas alternativas estão sendo cri- meça a se repetir nos entrepostos re- • São José do Rio Preto
adas nesses entrepostos, abrindo es- gionais, contribuindo para o desenvol- • São José dos Campos • Sorocaba
paço para o escoamento das safras da vimento do setor.

todos os sábados e domingos, das 7


às 13 horas. Há, ainda, o varejão no-
turno, todas as quartas-feiras, das 17
às 22 horas. Com seu horário diferen-
ciado, é hoje o mais visitado e, graças
à facilidade de estacionamento, se tor-
nou parada obrigatória para um gran-
de número de profissionais na volta do
trabalho. Além dos produtos tradicio-
nais das feiras-livres, o varejão notur-
no apresenta grande variedade de bar-
racas de comidas prontas. Com isso,
ganhou tradição de ponto de encontro,
um verdadeiro happy hour no meio da
semana.
Além do rigor no controle da quali-
dade e dos preços, a Ceagesp zela
pela padronização das bancas. Ao
todo, os varejões reúnem 2.300 ban-
cas e 412 permissionários, que co-
mercializam mensalmente cerca de
750 toneladas de alimentos.
No caso dos sacolões, a finalida-
de é oferecer ao público, especialmen-
te o de média e baixa renda, produtos
com classificação diferenciada, a um
preço máximo por quilo, e cuja oferta
pode variar de acordo com a sazonali-
dade. Atualmente, os sacolões movi-
mentam, juntos, 406 toneladas de pro-
dutos por mês.

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ros agrônomos do Centro de Qualidade pelo MAPA, demonstra como a moderniza-
CADEIAS PRODUTIVAS em Horticultura (CQH) da CEAGESP se ção é o caminho para o desenvolvimento
empenhou num trabalho de pesquisa e do setor. Nada aconteceu por acaso, tudo

Chegou a hora desenvolvimento, com estudos das carac-


terísticas e perspectivas de comercia-
lização de cada produto.
isso foi resultado de muito esforço, a partir
de uma luta deflagrada há dois anos, como
lembra a chefe do Centro de Qualidade em
de virar o jogo Aquilo que começou como uma ten-
tativa de organização, hoje, se tornou
uma rotina eficiente. A equipe promove
Horticultura da CEAGESP, Anita Gutierrez.
“Numa reunião técnica histórica da Câma-
ra de Frutas, todos os segmentos da pes-
rodadas de discussões com agricultores, quisa agrícola, da assistência técnica, da
Centro de comerciantes atacadistas e varejistas, fa- produção, do consumo e da comercia-
bricantes de máquinas e de embalagens; lização dos Estados produtores se mobili-
Qualidade em enfim, com representantes dos segmen- zaram e exigiram o início do trabalho de
Horticultura faz tos envolvidos com cada produto, em todo classificação do abacaxi”, explica.
o Brasil. Do consenso, nascem padrões Foi quando entrou em ação a equipe do
pesquisa e orienta de qualidade. O objetivo é sempre aten- Centro de Qualidade em Horticultura da
os produtores der às exigências dos mercados interno CEAGESP, para cumprir cada etapa do pro-
e externo, pela utilização de três instru- cesso utilizado em todos os produtos in
mentos básicos: classificação de produ- natura. Começou pela pesquisa das normas
tos, padronização de embalagens e já existentes no Brasil e pelo estudo deta-

A cadeia de produção de frutas e hor-


taliças abandona métodos arcaicos
de produção e comercialização para ado-
rotulagem de alimentos.
Numa etapa seguinte, a equipe orien-
ta o produtor e o comerciante para se ade-
lhado das características e do processo de
valoração no mercado. Depois, houve uma
primeira proposta de normas de classifica-
tar padrões de qualidade e atender às exi- quarem às mudanças; mostra como clas- ção, elaborada pelos técnicos da CEAGESP,
gências do mercado. O produtor rural per- sificar, rotular e embalar as frutas e horta- que passou pela avaliação das sugestões
cebe como é fundamental seguir as nor- liças de forma adequada, de acordo com dos produtores, técnicos, atacadistas e va-
mas de classificação, para sua sobrevivên- a legislação e os princípios básicos de con- rejistas. Em reunião nacional, o Grupo de Tra-
cia. Ele adota a rotulagem, não porque é servação dos alimentos; demonstra como balho do Abacaxi, composto por represen-
obrigado a obedecer a uma lei, mas tantes de todos os elos da cadeia
porque aprendeu que só ganha a de produção, discutiu e aprovou a
confiança do consumidor quando proposta, com a inclusão dos no-
identifica a origem e atesta, ‘assinan- vos levantamentos realizados e as
do embaixo’, a qualidade do seu pro- sugestões consolidadas. A aprova-
duto. Ele começa a sentir também ção final veio da Câmara Setorial.
que só ampliará sua participação no “O caminho estava aberto para
mercado interno e competir em a divulgação, pela publicação da
igualdade com os fornecedores das cartilha ilustrada das Normas de
principais regiões produtoras do Classificação do Abacaxi”, explica
mundo, quando utilizar embalagens Anita.
adequadas para acondicionar seus A regulamentação das normas
produtos. pelo MAPA oficializou o processo.
Para que tudo isso aconteces- Mas mesmo antes, a partir da di-
se, os representantes dos elos das vulgação das normas, o mercado
cadeias de produção, reunidos em passou a conhecer o abacaxi clas-
Câmaras Setoriais de Frutas e de sificado. Já havia um padrão pré-
Hortaliças, Cebola e Alho, provoca- estabelecido para fazer compara-
ram um movimento para gerar o Pro- ções entre produtos colocados à
grama Paulista para a Melhoria dos Pa- todos ganham ao se unirem para falar a venda pelas mais diversas regiões. O aba-
drões Comerciais e de Embalagens de mesma linguagem dos países mais avan- caxi classificado de Minas Gerais é o mes-
Hortigranjeiros, mais tarde, transformado çados e modernos do setor, como Chile, mo no Pará, na Paraíba e na Bahia, só para
em Programa Brasileiro para a Moderni- na América do Sul; Estados Unidos, na tomar como exemplo os quatro maiores pro-
zação da Horticultura. América do Norte; os países da União Eu- dutores do País.
Ficou claro, na época – final dos anos ropéia em geral e, em particular, Itália e Como acontece com os demais produ-
90 –, que a inexistência de padrões Espanha, e também o Japão, na Ásia. tos classificados, os lotes, separados por
mensuráveis de qualidade e a falta de características de tamanho, cor, peso, qua-
padronização de embalagens eram pro- Exemplo do abacaxi – Normatizado, lidade, variedade, classe, defeitos (graves,
blemas que impediam o desenvolvimen- classificado e embalado de acordo com leves, fora de categoria), tipos etc., são
to do setor. A CEAGESP, como integran- padrões técnicos, o abacaxi, produzido classificados em grupos, subgrupos, clas-
te das Câmaras Setoriais, assumiu a em 20 Estados e sendo uma das frutas ses ou calibre e categorias. Essa seleção
missão de criar mecanismos para dar um mais consumidas no Brasil, oferece, hoje, permite a formação de lotes de produtos
novo rumo ao mercado dos alimentos todas as condições para ampliar a renda homogêneos, caracterizados de maneira
frescos. E seus técnicos entraram em dos produtores, gerar mais empregos no clara, com medidas que atendem às exi-
campo para atuar diretamente no pro- campo e aumentar a aceitação da popu- gências do mercado.
cesso de modernização. lação consumidora. Com a norma à mão, fica fácil para o pro-
De lá para cá, a equipe de engenhei- A fruta, com normas regulamentadas dutor de abacaxi distinguir, por exemplo, os

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defeitos que devem ou não devem ser to- o Instituto Nacional de Metrologia, Na verdade, existe uma lei que obri-
lerados, para efeito de classificação. Ele Normatização e Qualidade Industrial ga o uso de embalagens padronizadas.
percebe as diferenças entre um defeito (INMETRO) e com o apoio do Código de Essa lei, que ainda não está difundida,
grave, que compromete a aparência, con- Defesa do Consumidor, iniciou uma cam- exige que as embalagens tenham medi-
servação e qualidade da sua fruta – como panha de conscientização do produtor ru- das paletizáveis. Podem ser descartáveis
uma lesão, a podridão, a queimadura do ral sobre o uso do rótulo em frutas, legu- ou retornáveis. Se forem descartáveis,
sol ou o efeito da geada – e o defeito leve, mes e verduras, a partir de uma discus- devem ser recicláveis ou com possibili-
que atinge apenas a coroa (torta, parcial- são que envolveu todos os setores da ca- dade de incineração limpa. Se forem
mente danificada ou múltipla). Pela cor da deia de produção dos alimentos in natura. retornáveis, devem ser higienizadas a
polpa ou da casca, divide o produto em “O produtor entendeu a mensagem. cada uso. Devem ter a garantia do fabri-
grupos e subgrupos. Percebeu que rotular o alimento é uma cante e podem ser de papelão ondulado,
Mas a regulamentação do abacaxi não forma de criar um vínculo com o consu- cartão, plástico ou madeira.
se restringe à classificação. Pelo rótulo, o midor. Sabendo de onde vem o produto, Anita Gutierrez reforça a idéia de que,
produtor identifica o seu produto, indica a as pessoas estabelecem suas preferên- mais uma vez, o trabalho de conscientiza-
origem da sua produção, fornece dados cias a partir de um critério básico de es- ção é o mais importante nesse momen-
de classificação, pesos e medidas. E os colha: a qualidade. E ninguém assina to. Embalagens inadequadas contribuem
padrões de embalagens estabelecem que embaixo de uma obra ruim”, diz Anita para o apodrecimento de frutas e hortali-
o abacaxi só deve ser comercializado no Gutierrez, que acompanhou diretamente ças. Esses defeitos diminuem a durabili-
mercado atacadista a granel ou em cai- o trabalho de orientação sobre rotulagem, dade dos produtos nas prateleiras dos
xas paletizáveis limpas e secas. Dentro do desenvolvido no dia-a-dia da comercia- pontos de venda. A qualidade diminui, os
mesmo lote, suas embalagens devem ser lização atacadista. consumidores se afastam, o comércio fica
do mesmo material, ter a mesma capaci- Hoje, 100% dos produtos comerciali- prejudicado, e quem sofre os efeitos dis-
dade e precisam assegurar a conserva- zados no Entreposto Terminal São Paulo, so tudo é o produtor.
ção e proteger o alimento de lesões, odo- a principal unidade de comercialização da Pa ra r eve r t e r e s s e q u a d r o, a
res e sabores estranhos. CEAGESP, entram rotulados. “É mais uma CEAGESP traça estratégias para que to-
vitória desse setor”, comemora Anita. dos os segmentos da cadeia de produ-
Classificação – Atualmente, as nor- ção entrem na luta para vencer. Seus téc-
mas de classificação desenvolvidas pela Embalagem: próximo desafio – O nicos fornecem pesquisas, estudos, in-
CEAGESP já compreendem mais de 90% mercado de produtos hortícolas se pre- formações e análises, para que o setor
do volume comercializado de frutas e hor- para para enfrentar novamente uma luta de embalagens possa desenvolver seus
taliças frescas. O primeiro alimento in antiga, que volta revigorada pelo esforço produtos. E orientam o produtor para uti-
natura classificado foi o tomate, por ser um dos técnicos envolvidos nos programas lizar embalagens adequadas, a fim de
dos produtos mais consumidos no País. de qualidade e modernização. Chegou a garantir sua participação nesse merca-
Somente na unidade da CEAGESP na Ca- hora de se implantar, de uma vez por to- do que só é competitivo para quem faz
pital, o Entreposto Terminal São Paulo, os das, o uso de embalagens padronizadas. da qualidade o seu padrão.
atacadistas comercializam, em média, se-
gundo dados apurados pela Seção de Eco-
nomia, um milhão de caixas de tomate por
mês, o equivalente a 22 mil toneladas. O pioneirismo do tomate
Hoje, trinta das hortaliças e frutas mais
consumidas no Brasil já têm normas apro-
vadas. São treze frutas e doze hortaliças
com cartilhas já lançadas; três frutas e cin-
O tomate foi o primeiro produto normatizado pelo Programa Brasileiro para a
Modernização da Horticultura. A norma foi lançada em dezembro de 1997,
quando as poucas máquinas de classificação existentes só classificavam por
co hortaliças com normas aprovadas, mas tamanho. Agora, em todas as grandes regiões produtoras, há galpões de classi-
ainda sem cartilhas. ficação, com máquinas que classificam por cor e tamanho.
Além do abacaxi, a uva fina e a uva As mudanças mais importantes envolveram a caracterização dos grupos de
rústica têm, além de cartilhas lançadas, variedades e da
normas oficiais regulamentadas pelo qualidade, que re-
MAPA. ceberam contribui-
Reuniões com representantes dos di- ção das empresas
versos segmentos do setor de todo o País de sementes.
definirão, até o final de 2004, a aprova- Agora, será possí-
ção de normas para a batata-doce e o vel, mesmo sem
chuchu. O abacate, o figo, a abóbora, o conhecer a varie-
agrião, a alcachofra, a beterraba, o cará dade, distinguir al-
e o inhame estão em fase de estudos para gumas caracterís-
a elaboração de normas. A adesão ao ticas do tomate
programa de classificação é voluntária, como: se ele é do
mas hoje quem adere sabe que agrega tipo longa vida ou
valor aos seus produtos. de durabilidade
normal, qual é seu
Rotulagem: 100% de adesão – Em formato e sua co-
outubro de 2003, a CEAGESP, em parce- loração final.
ria com os Ministérios de Agricultura, Pe-
cuária e Abastecimento e da Saúde, com

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legal é a Instrução Normativa nº 20, enfocamos o manejo de colheita e pós-
POMAR publicada no Diário Oficial da União, no colheita, sendo fundamental que as fru-
dia 15 de outubro de 2001. tas produzidas de acordo com a PIF si-

A CEAGESP Foram criados vários projetos de PIF,


sob a coordenação do Ministério da Agri-
cultura e com a parceria do Conselho
gam sistemas adequados nestas etapas,
para garantir a rastreabilidade e a alta
qualidade da fruta, e manter a confiança
na Produção Nacional de Pesquisa e Desenvolvimen-
to Tecnológico (CNPq), envolvendo cin-
no selo e na marca PIF Brasil.
É imprescindível estabelecermos

Integrada co universidades, seis instituições esta-


duais, nove centros da EMBRAPA e uma
Central de Abastecimento (CEAGESP).
parâmetros para os fatores que afetam a
qualidade da fruta, tais como índice de
maturação, normas de colheita, tratamen-

de Frutas Até agora, maçã, manga, uva, mamão,


caju, melão e pêssego passaram pelo
processo.
tos de pós-colheita, produtos de higiene,
refrigeração, transporte, embalagens,
classificação e comercialização. E há
No final, a PIF estabelece uma rela- também o grande desafio de garantir a
Gabriel Vicente ção de confiança com os consumidores, qualidade da ‘fruta PIF Brasil’ nas etapas
Bitencourt de Almeida no sentido de que o produto está de acor- do atacado e do varejo.
do com as normas técnicas específicas. Para enfrentar o desafio de termos re-

O conceito de Produção Integrada de


Frutas (PIF) surgiu na Europa, no
início dos anos 70, sob o ‘guarda-chuva’
Para assegurar isso, foi lançado o siste-
ma “Modelo de Avaliação da Conformi-
dade da Produção Integrada de Frutas” ,
gras para a colheita, pós-colheita e a
logística na PIF Brasil, foram criados dois
projetos: “Logística e Pós-Colheita”. Am-
da Organização Internacional para a Luta em agosto de 2002, e oficializado pelo bos trabalham de maneira muito próxima.
Biológica e Integrada (OILB), como uma MAPA em 11 de setembro de 2002, em O primeiro engloba maçã, manga, pêsse-
conseqüência natural do “Ma- go, mamão e melão e é coor-
nejo Integrado de Pragas, Do- denado pelo Dr. Fernando Flo-
enças e Plantas Invasoras”. res Cantillano, da EMBRAPA
O manejo integrado defen- Clima Temperado de Pelotas,
de que pragas, doenças e er- Rio Grande do Sul. E o segun-
vas invasoras só devem ser do grupo, que inclui: banana,
controladas quimicamente caqui, citros, goiaba e maracu-
quando, de fato, representam já, está com o Centro de Qua-
prejuízo econômico para as lidade em Horticultura da Com-
culturas. E os defensivos só panhia de Entrepostos e Arma-
devem ser usados em conjun- zéns Gerais de São Paulo
to com todas as outras técni- (CEAGESP).
cas preventivas para diminuir o Sendo o centro da fruticul-
ataque de pragas, doenças e tura, onde todos os elos se en-
ervas invasoras. contram, os gargalos real-
A Produção Integrada é, na mente se estreitam e os pro-
verdade, uma consolidação do blemas aparecem, é muito
melhor conhecimento agronô- oportuna a inserção da cen-
mico disponível, de modo a se tral de abastecimento na PIF
produzir frutas de alta qualida- Brasil. Para essa empreitada,
de de maneira ambientalmente a CEAGESP conta com a
sustentável, preservando o parceria de quatro universi-
meio-ambiente, e conservando e melho- conjunto com a logomarca PIF Brasil. dades (USP, UNISCAMP, UNESP,
rando o solo. Produtores e processadores de fru- UFRGS), da Coordenadoria de Assistên-
Leva-se também em conta o aspecto tas frescas, de acordo com as normas cia Técnica Integral (CATI), do Instituto
social da produção, como a saúde do tra- PIF já publicadas no Diário Oficial, que de Tecnologia de Alimentos (ITAL), do
balhador rural, a não utilização da mão- comprovarem ter experiência em pelo Instituto Biológico (IB), da EMBRAPA,
de-obra infantil e o constante treinamen- menos um ciclo agrícola, poderão aderir EPAGRI e CEASA-MG.
to das pessoas. Durante todo o proces- ao sistema e serem analisados por orga-
so, também são usadas técnicas que nismos de avaliação da conformidade
impeçam a contaminação microbiológica (OAC), ser credenciados pelo Instituto
das frutas, por meio de boas práticas Nacional de Metrologia (INMETRO) e
durante todos os processos. E, no final, receber o selo com a logomarca PIF Bra-
tudo isso é associado a um sistema de sil e a chancela do MAPA/INMETRO. Na
rastreabilidade completa, avaliação da numeração contida no selo, qualquer
conformidade e certificação. pessoa poderá obter informações sobre: Gabriel Vicente
Bitencourt de
No Brasil, as atividades da Produção • procedência dos produtos Almeida é
Integrada de Frutas começam com o Pro- • procedimentos adotados engenheiro
grama de Desenvolvimento da Fruticul- • produtos utilizados no processo agrônomo do Centro
tura–PROFRUTA, com o objetivo de ele- produtivo de Qualidade em
var os padrões de qualidade e competiti- Rastreabilidade – Depois das frutas Horticultura da
vidade da fruticultura brasileira. O marco colhidas, continuamos na cadeia e CEAGESP.

SETEMBRO DE 2004 • ESPECIAL • REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV E-8

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FEIRA DE FLORES

O reflexo
de um
mercado em
ascensão
S ão Paulo tem muito a comemorar
com a chegada da Primavera. Afi-
nal, é o maior produtor e o maior con-
sumidor de flores e plantas do Brasil.
A produção do Estado representa apro-
ximadamente 70% do total produzido
no País, o setor cresce anualmente
cerca de 20% e há uma expectativa de
aumento de 30% nas exportações até
o final de 2004, em relação ao ano
passado.
Esses dados explicam o sucesso da Crisântemos, begônias, orquídeas, buidores, e o próprio consumidor.
Feira de Flores da CEAGESP, na qual bromélias, antúrios, gérberas, giras- O volume comercializado de alguns
são movimentadas de 800 a 1.000 to- sóis, lírios, violetas, tulipas, azaléias, produtos, como begônias, gérberas,
neladas por feira e os negócios somam entre outras variedades, tomam conta azaléias e tulipas, têm crescido mais
entre R$2 milhões e R$2,5 milhões. da Feira, no entreposto da Capital, du- nos últimos anos. A divulgação, o au-
Este valor vem crescendo entre 3 e 5% rante o ano inteiro, atraindo floricultu- mento do hábito de comprar flores, o
ao ano. Só não é maior, pelas limita- ras, paisagistas, super mercados, crescimento da produção, a redução de
ções de espaço (35 mil metros quadra- decoradores, igrejas, feirantes, distri- custos e preços, entre outros motivos,
dos) e de horários de funciona- explicam a elevação do consumo.
mento. Cerca de 1.100 produtores
Por enquanto, a Feira de participam da Feira de Flores da
Flores funciona apenas poucas CEAGESP. Estes produtores re-
horas por semana: às terças e cebem e/ou produzem em todo o
sextas-feiras, das 6h às 10h30, Estado, especialmente, nas regi-
e às segundas e quintas-feiras, ões de Bragança, Atibaia, Cotia,
das 4h às 17h. " Deverá cres- Holambra, Arujá e Piedade.
cer mais quanto for transforma- Mas além de flores e plan-
da em mercado permanente", tas, são comercializados tam-
diz Edvaldo Pereira de Souza, bém produtos ligados ao setor:
gerente do Entreposto Terminal vasos, cestas, adubos, defen-
São Paulo. "É uma tendência de sivos, acessórios para jardina-
todo o setor". gem, embalagens, flores artifi-
Com base nesta perspecti- ciais e secas.
va, a diretoria da CEAGESP Como todas as experiênci-
está realizando estudos de via- as que dão certo, a Feira, que
bilidade para a implantação de é tradicional na Capital, se mul-
um shopping de flores no entre- tiplicou, e as flores ganharam
posto da capital paulista. "Es- espaço também nos entre-
tamos preparando o projeto postos de Presidente Pruden-
básico para debater com o Mi- te, Bauru, Ribeirão Preto, So-
nistério e, também, com os rocaba, São do José do Rio
permissionários do setor, que Preto e São José dos Campos.
serão os principais beneficia- "Essas unidades contribuem
dos com o projeto, pois pode- com um volume de comer-
rão expandir negócios e elevar cialização de 1.200 toneladas,
as vendas", adianta o diretor em média, por mês", diz Sebas-
administrativo e financeiro da tião Carlos Odoni, chefe dos
CEAGESP, Gilberto Belloque. entrepostos do Interior.

E-9 REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV • ESPECIAL • SETEMBRO DE 2004

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lizam no mercado. Para isso, contam
PESCADO com o amparo do Serviço de Inspeção SEGURANÇA DOS ALIMENTOS
Federal do Ministério de Agricultura, Pe-

A turma da cuária e Abastecimento, que fiscaliza as


condições sanitár ias dos produtos
comercializados. Enquanto isso, técni-
Monitoramento
madrugada cos do IBAMA fazem sua parte, com ins-
peções periódicas para verificar se os de resíduos de
pescadores estão respeitando a legis-
lação ambiental na captura do pescado
oferecido.
agrotóxicos
E mbora a comercialização de frutas e
legumes não atravesse a noite,
como ocorria no passado, há um se-
A área de comercialização atacadis-
ta de pescado movimenta por mês cin-
co mil toneladas de produtos que vem
em frutas
tor que guarda a tradição de operar
a todo o vapor quando as outras áre-
as param. É o setor do Pescado, que
principalmente do Rio Grande do Sul, de
Santa Catarina (Itajaí e Navegantes), do
Rio de Janeiro e do litoral do Estado de
e hortaliças
avança pela madrugada para abas- São Paulo - Santos,Ubatuba, Cananéia Ossir Gorestein
tecer feiras-livres e supermercados, e São Sebastião.
da capital e de outros municípios do A pescada é a campeã de vendas do
Estado de São Paulo.
De terça a sábado, da meia-noite
às 8 horas, a equipe de funcionários
mercado, participando com 16,5% do vo-
lume anual de comercialização e no
ranking de receita anual responde por
A CEAGESP, através do Instituto Bi-
ológico, realiza análises de resí-
duos de pesticidas desde 1978. O
que acompanha a comercialização de 13,8%. A sardinha ocupa o segundo lu- método empregado pelo Instituto Bi-
peixes, conhecida como a turma da ma- gar por volume de comercialização, com ológico é o de Multiresíduos DFG S-
drugada, dedica-se a controlar a entra- 11,8%. Mas por receita, é o salmão que 19, cuja pesquisa busca identificar e
da dos produtos, verificar notas fiscais, registra o segundo melhor resultado, quantificar 91 princípios ativos de in-
vistoriar cargas e dar apoio às 45 em- com 13,3%. teresse no controle químico de pra-
presas permissionárias que comercia- Segundo o gerente do Entreposto da gas e doenças vegetais. As analises
Capital, Edvaldo Pe- não contemplam as pesquisas para
Pescados – Ranking Comercialização (2003) – P/Receita Anual (R$) reira de Souza, a inseticidas piretróides e fungicidas
área de pescado se ditiocarbamatos .
Produto Volume (Ton) Receita Anual (R$) Partic.(%)
prepara agora para Tem também o propósito de des-
Pescada 6.930 17.741.129 13,8% ampliar seu atendi- mistificar, com os dados apresenta-
mento, com medidas dos, a falsa impressão provocada por
Salmão 1.221 17.088.274 13,3%
que atenderão as ne- matérias na mídia, ou declarações
Sardinha 4.944 10.588.320 8,2% cessidades dos pe- oficiais, que atribuem exagerada gra-
Cacão 3.125 9.639.295 7,5% quenos comprado- vidade à questão dos resíduos em ali-
res. Ele adianta que mentos, gerando apreensões e medo
Corvina 4.379 8.400.587 6,5% "a criação de um sis- entre os consumidores, levando à re-
Atum 902 7.025.738 5,5% tema de semi-ataca- jeição e retração do consumo de fru-
do de vendas dará tas e hortaliças.
Tilápia 3.203 4.898.625 3,8%
aos feirantes e pe- É importante estabelecer, assim,
Camarão 619 4.302.399 3,3% quenos comercian- o significado do termo resíduo de
Tainha 1.235 3.286.883 2,6% tes a oportunidade agrotóxico, que vem a ser substancia
de fazer suas com- ou mistura de substancias remanes-
Manjuba 914 2.836.653 2,2% pras durante o dia, cente ou existentes em alimentos de-
no fim da tarde, em corrente do uso ou da presença de
Pescados – Ranking Comercialização (2003) – P/Volume Anual (Ton) horário mais compa- agrotóxicos e afins, inclusive quais-
Produto Volume (Ton) Receita Anual (R$) Partic.(%) tível com as suas ati- quer derivados específicos, tais como
vidades". produtos de conversão e de degra-
Pescada 6.930 17.741.129 16,5% dação, metabolitos, produtos de rea-
Ainda com essa
Sardinha 4.944 10.588.320 11,8% perspectiva, a CEA- ção e impurezas, consideradas tóxi-
GESP pretende dis- cas e ambientalmente importantes.
Corvina 4.379 8.400.587 10,4%
ponibilizar um espa- Dentro deste contexto há o Limi-
Tilápia 3.203 4.898.625 7,6% ço para filetagem de te Maximo de Resíduos - LMR, um
Cacão 3.125 9.639.295 7,4% peixe. "Além de faci- conceito de caráter toxicológico es-
litar o trabalho dos tabelecido na legislação, definido
Espada 1.323 2.200.742 3,1% como a quantidade máxima de resí-
pequenos varejistas,
Tainha 1.235 3.286.883 2,9% estaremos contribu- duo de agrotóxico legalmente aceita
indo para melhorar a no alimento, em decorrência da apli-
Salmão 1.221 17.088.274 2,9%
qualidade do produ- cação adequada numa fase especifi-
Cascote 1.184 161.005 2,8% to oferecido ao con- ca, desde sua produção até o consu-
Castanha 954 1.080.044 2,3% sumidor", conclui Ed- mo, expressa em partes do agrotó-
valdo. xico por um milhão de partes de ali-

SETEMBRO DE 2004 • ESPECIAL • REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV E-10

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mento (em peso) - ppm ou mg/kg. leção dos pontos de coleta é orienta- resíduos acima dos Limites Máximos
Os limites máximos de resíduos da pelo ingresso de notas fiscais na en- de Resíduos, e em 21,6 % delas fo-
referem-se a valores provenientes de trada do entreposto. Na amostragem ram detectados resíduos de ingredi-
experimentos de campo, exigidos para procura-se o equilíbrio entre a quanti- entes ativos não registrados para os
cada cultura alimentar cujo registro é dade de amostras de frutas e hortali- produtos nos quais foram encontra-
requerido junto aos órgãos oficiais ças, mantendo produtos de consumo dos, comprovando mais uma vez que
(Ministérios da Agricultura, Saúde e tradicional, mas também agregando a ocorrência de princípios ativos
Meio Ambiente) e levam em conside- produtos de consumo crescente em sem registro para um número sig-
ração a Ingestão Diária Aceitável - IDA decorrência do aumento da refeição nificativo de culturas é o maior pro-
- que vem a ser a quantidade máxima fora de casa, sobretudo hortaliças lar- blema revelado pelo monitoramento
que, ingerida diariamente durante gamente oferecidas como saladas em de resíduos de agrotóxicos.
toda vida, parece não oferecer risco restaurantes por quilo. Pode-se ainda constatar que
apreciável à saúde, à luz dos conhe- Durante o ano de 2003 foram anali- 55% dos princípios ativos perten-
cimentos atuais. É expressa em mg sadas 365 amostras de produtos, sen- cem aos grupos de fungicidas, en-
do agrotóxico em kg de peso corpóreo do 179 amostras de hortaliças (49%) e quanto 45% foram inseticidas e
(mg/kg p.c.). 186 amostras de frutas (51%). Entre as acaricidas. Entre os fungicidas pre-
Os valores de LMR são encontra- hortaliças, a batata com 37 amostras d o m i n a m Clorotalonil, Captan e
dos nas monografias da Agencia Na- (10%), a alface 24 amostras (7%), a be- Vinclozolina, seguidos por Procimi-
cional de Vigilância Sanitária - ANVI- terraba 23 amostras (6%), a berinjela done, Folpet, Iprodiona, e Tetraco-
SA. Assim, princípios ativos para os e o tomate com 22 amostras de cada nazole. Entre os inseticidas e acarici-
quais não foram requeridos registros produto, (6% e 6% respectivamente), das predominam Clorpirifós, Metami-
para culturas especificas, não possu- representaram 35% das amostras ana- dofós, Endosulfan e Acefato, seguidos
em LMR definidos no país. lisadas. As demais hortaliças soman- por Dimetoato, Fentoato, Etion, Feni-
Outro conceito toxicológico utiliza- do 14% das amostras analisadas fo- trotion, Fenotiol e Ometoato. (3)
do diz respeito à DL 50, a dose letal ram: repolho 15 amostras, vagem 14 Nos resultados chamou a atenção
que provoca a morte de metade (50%) amostras, jiló 12 amostras e chuchu 10 também o numero de princípios ati-
das cobaias testadas em laboratório amostras. vos sem registro para determinados
e é expresso em mg do principio ati- Entre as frutas, o pêssego com 39 produtos, considerando-se o numero
vo em kg de peso vivo do animal sub- amostras (11%), o maracujá 34 amos- de amostras analisadas, a saber: Al-
metido a teste. Pode ser aplicada por tras (9%), a maçã 26 amostras (7%), o face 24 amostras com 32 principios
via oral em uma única dose - oral agu- melão 24 amostras (7%), representaram ativos sem registro; Vagem 14 amos-
da -, ou por via dérmica, quando apli- 34% das amostras analisadas. As de- tras com 18 principios ativos sem re-
cada sobre a pele depilada de animais mais frutas somando 17% das amostras gistro; Repolho 15 amostras com 12
de laboratório, através de uma única analisadas foram: uva 20 amostras, a principios ativos sem registro; e, Pês-
exposição - dérmica aguda. As con- melancia 17 amostras, a goiaba 11 sego com 39 amostras e 14 principios
centrações DL 50 pelas vias oral e amostras, a banana 7 amostras, o limão ativos sem registro, e, Melão 24 amos-
dérmica são utilizadas como critério 6 amostras e a laranja 2 amostras. tras com 8 principios ativos sem re-
para o estabelecimento da Classe De acordo com o resultado das ana- gistro.
Toxicológica do Principio Ativo: Classe lises as amostras são classificadas em A inexistência de registro de diver-
I - extremamente tóxico; Classe II - al- 4 (quatro) categorias. Na primeira ca- sos princípios ativos para culturas nas
tamente tóxico; Classe III - modera- tegoria são agrupadas as amostras quais são largamente utilizados es-
mente tóxico; Classe IV - pouco tóxico. nas quais não houve detecção de resí- conde ou mascara a real situação de
Em casos da ausência de LMR de- duos (ND). Na segunda categoria são contaminação dos alimentos frescos
finido em monografia da ANVISA, devi- reunidas as amostras cujos resultados pela presença de resíduos. E, embora
do à inexistência de registro, optou-se apresentaram resíduos em quantidade o uso de ingredientes ativos não
por efetuar comparações com valores inferior ao Limite Maximo de Resíduos registrados configure infração à legis-
de MLRs estabelecidos pelo Codex Ali- (< LMR) , e inversamente, na terceira lação, não significa, necessariamente,
mentarius. O Codex Alimentarius é um categoria são agrupadas as amostras que a contaminação de frutas e verdu-
Programa Conjunto da Organização das cujos resultados indicaram quantidade ras esteja atingindo níveis alarmantes
Nações Unidas para Agricultura e Ali- de resíduos superior ao limite maximo como a mídia freqüentemente costuma
mentação - FAO - e da Organização aceitável (> LMR). E, finalmente, na alardear.
Mundial da Saúde - OMS, cujo Grupo quarta categoria são enquadradas as
FAO/OMS de peritos sobre Resíduos de amostras cujos resíduos encontrados
Pesticidas estabelece padrões interna- pertencem a ingredientes ativos não
cionais sobre a matéria. Os valores de autorizados ou sem registro para cul-
LMR do Codex referem-se à ultima atu- tura (SR).
alização de 02 de setembro de 1999. Pode-se constatar que 77,5 % das
amostras analisadas podem ser consi- Ossir
Amostragem e resultados – Se- deradas toxicologicamente inócuas Gorestein
manalmente a Ceagesp coleta 8 (oito) para os princípios ativos pesquisados, é engenheiro
amostras, que são enviadas ao Labo- uma vez que em 63 % das mesmas não agrônomo do
ratório de Resíduos de Pesticidas do foram detectados resíduos, em 14,5% Centro de
Instituto Biológico. Os produtos são apresentaram resíduos abaixo do limi- Qualidade em
escolhidos antecipadamente, de acor- te de tolerância admitido. Assinale-se Horticultura
do com o calendário de safra, e a se- que 0,8% das amostras apresentaram da CEAGESP

E-11 REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV • ESPECIAL • SETEMBRO DE 2004

a-encarte-vale-novo.p65 11 17/09/2004, 18:08


ARMAZENAGEM

Em busca
de novos
desafios
Ao mesmo tempo
em que investe
em 21 unidades
rentáveis,
a empresa coloca
à venda outras que
trazem prejuízos

O Armazém Coliseu, na antiga Rua do


Rosário (hoje João Pessoa) em
Santos (SP), foi construido em 1922
para receber café. Ali, ao lado do
Teatro Coliseu, onde já funcionou até
uma arena de touros, os produtores
ganharam do Instituto do Café espa-
ço para guardar suas safras. Tempos
e realidades passadas. Comprado
pela CEAGESP em 1938, serviu para
guardar outros produtos. Nos últimos
anos, recebeu açúcar. Hoje, desa-
tualizado no tempo, no espaço e na
estrutura, se transformou num elefan-
te branco. Essa é a razão de estar à
venda uma das mais antigas unida- relhamento de unidades em regiões partir da aproximação com prefeituras
des da rede Ceagesp. com perspectivas de aumento de pro- e associações representativas. E, em
Já o armazém e o silo vertical da dução. vez de investir ou vender, cria novas
CEAGESP em Ribeirão Preto passa- alternativas de ocupação das suas uni-
ram por um processo inverso. Defici- Parcerias – Há casos, ainda, em dades menos rentáveis ou deficitárias.
tária, a unidade estava desativada que a CEAGESP abre novas frentes, a Assim acontece em São Carlos, por
pela falta de demanda. Em 2003,
quando a agroindústria da região
demonstrou interesse em utilizar os
espaços disponíveis, a CEAGESP SERVIÇO tadora de serviços no setor. Logo que
analisou as perspectivas da região e o grão é recebido na unidade, passa
decidiu investir em reformas estrutu- por um processo de classificação e
rais. "Hoje Ribeirão não só está em
condições de operação como gera re-
Testes verificam processamento. Os conferentes ve-
rificam os teores de impureza - se há
ceita para a empresa", diz Mirian impureza ou grãos quebrados e danificados (ar-
didos, ou seja, com fungo, e brota-
Cintra, gerente de Armazenagem da
CEAGESP. contaminação dos) - e umidade. Em seguida, os
grãos passam por limpeza e seca-
Os dois exemplos demonstram a
postura da empresa com relação à dos produtos gem, para atingir a umidade adequa-
sua atuação na área de armazena- da (13%) e é feito um monitoramento
gem. Para evitar despesas inúteis,
coloca-se à venda unidades deficitá-
rias. Os recursos arrecadados nes-
M ais do que mera locadora de
espaços para armazenagem,
a CEAGESP atua hoje como pres-
diário dos grãos armazenados, com
medição de temperatura.
Uma vez por mês os conferentes
sas operações são aplicados na re-
cuperação, modernização e reapa-

SETEMBRO DE 2004 • ESPECIAL • REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV E-12

a-encarte-vale-novo.p65 12 17/09/2004, 18:08


exemplo, onde a pla foi possível traçar um quadro real com associações agrícolas para in-
CEAGESP, a As- da situação da rede armazenadora vestir em obras de ampliação e aten-
sociação de Agri- da CEAGESP e iniciar um planeja- der a demanda de grãos da região.
cultura Familiar e mento estratégico para o setor. Em busca de novos desafios, a
a Prefeitura se A análise de cada unidade mos- CEAGESP revê seu papel na área de
uniram para des- trou qual o caminho a seguir. Como armazenagem. O diagnóstico traça-
tinar o armazém aconteceu com Ribeirão Preto, gas- do inicialmente aponta para uma so-
para atividades tar em manutenção, em alguns ca- lução: o enxugamento da rede. As-
de apoio à agri- sos, era mais do que preciso. Foi sim, ao mesmo tempo em que inves-
cultura familiar. assim que, a par tir de janeiro de te em 21 unidades rentáveis, a em-
Em Avaré, a 2003, a CEAGESP iniciou um proces- presa coloca à venda, via licitação,
empresa fez par- so de manutenção e recuperação es- outras que em vez de gerar receitas,
ceria com a Pre- trutural na sua rede armazenadora, trazem prejuízos. Constr uídas há
feitura, com o SE- que exigiu um investimento de R$860 mais de quarenta anos, não justifi-
BRAE e com as- mil em obras e serviços e R$ 252 mil cam investimentos. Distantes de re-
sociações de pro- em manutenção corretiva. giões produtoras, perdem a utilida-
dutores de frutas "Isto significou um aumento, em de como apoio aos agronegócios.
e hostaliças e ce- relação ao ano anterior, de 561% de A unidade de Taquarituba (arma-
deu um dos seus investimento em reformas, obras de zém e silo horizontal), por exemplo,
armazéns da uni- recuperação de unidades e compra já foi vendida para uma cooperativa
dade para implan- de equipamentos e mais 8% em ser- de produtores locais. O ar mazém
tar o Programa viços de manutenção da rede", diz o Coliseu de Santos e o armazém e silo
Barracão CEA- engenheiro Luiz Antônio Rossini, ge- de Marília aguardam sua vez. E es-
GESP do Produ- rente do Departamento de Manuten- tão na lista os armazéns de Adaman-
tor, que disponibi- ção da empresa. tina, Barretos, Paraguaçu Paulista e
liza espaço e ser- Essa iniciativa, aliada a outros fa- armazéns e silos de São Manoel e
viços de apoio à tores – como o incremento da pro- Itápolis.
comercialização dução de grãos no Estado – provo- Fim de um tempo. Início de uma
de pequenos pro- cou em um ano um aumento de 10% nova fase. Tudo para competir com
dutores de horta- na movimentação de entrada de pro- eficiência no mercado, modernizar
liças e frutas em dutos nas nas unidades da CEA- suas instalações para participar da
São Paulo. GESP (de 935.658 para 1.014.614 armazenagem das 4.200.000 tonela-
Segundo Mi- toneladas). E, como conseqüência, a das da produção de milho do Estado
rian, para esta- empresa comemorou a reversão no e 1.630.000 toneladas da produção
belecer uma li- resultado operacional, que passou de de soja e concorrer com cooperati-
nha de ação, a negativo em 2002 (R$ 1,132 milhão) vas e outras empresas do setor. É
C E AG E S P t r o - para positivo no final de 2003 (R$ hora de aproveitar o momento em
cou idéias e re- 1,105 milhão). que São Paulo volta a ganhar espa-
cebeu propostas Ainda seguindo o exemplo de Ri- ço na produção de grãos, especial-
das principais beirão Preto, duas outras unidades mente no Vale do Paranapanema,
entidades envolvidas com o agrone- estão virando o jogo em função das nas regiões de Assis, Avaré e Ouri-
gócio paulista, como a Federação da boas perspectivas de produção: o nhos e na região do Pontal do Para-
Agricultura do Estado de São Paulo, graneleiro de Avaré, antes deficitá- napanema, em Presidente Prudente,
Federação da Agricultura Famíliar e rio, hoje lota sua capacidade com 50 recuperando o que havia perdido
pesquisadores da UNICAMP, entre mil toneladas de soja e milho. E Pre- para a região Centro-Oeste do País
outros. A partir dessa discussão am- sidente Pr udente fecha parcerias nos últimos cinco anos.

treinados retiram amostram e verifi- credenciada como entidade classifi- bidos nas suas unidades. Se houver
cam teor de umidade, impureza, cadora oficial de grãos, oferecendo indícios de contaminação por afla-
grãos danificados e emitem boletins mais um serviço aos produtores ru- toxina (toxina produzida por fungo
com todas as informações. rais que armazenam na rede de uni- que afeta o grão na colheita ou du-
Produtores de grãos que armaze- dades. rante a armazenagem), o produto
nam seus produtos nos silos e grane- Ao utilizar o novo serviço, esses segue para o laboratório de análises
leiros da rede CEAGESP já podem clientes receberão laudos emitidos da CEAGESP no silo Jaguaré. Se for
contar com o serviço de classifica- pela CEAGESP, documentos que confirmada a contaminação, o lote
ção de grãos, prestado pelos própri- atestam a qualidade dos grãos arma- do produto é segregado. No caso do
os engenheiros agrônomos e técni- zenados. E ganharão um instrumen- controle de transgenia, a soja é ana-
cos agrícolas da empresa. to que facilitará a negociação com lisada no momento em que entra em
Com profissionais habilitados e seus compradores qualquer unidade da rede, para ve-
registrados no MAPA, a CEAGESP A rede faz ainda controle de aflato- rificação da presença de organismos
c u m p r e u m a ex i g ê n c i a l e g a l e é xinas e de transgenia nos grãos rece- geneticamente modificados.

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mentos. Ao final do dia, as informações
BOLETIM DE COTAÇÕES são disponibilizadas em boletins da com-
panhia e publicadas por jornais de gran-

O termômetro de circulação.
“A publicação de cotações é pratica-
mente tão antiga quanto a empresa”,
do mercado lembra o responsável pela seção de Eco-
nomia e Desenvolvimento da CEAGESP,
Flávio Godas. “No início, essa atividade
era realizada de forma artesanal, sem
Indicadores os recursos que a tecnologia da infor-
da CEAGESP mação hoje oferece. Os primeiros bole-
tins eram datilografados em máquinas de
regulam os escrever e divulgados pelo rádio, mas o
preços e auxiliam avanço tecnológico permitiu aperfeiçoar
as formas de coleta e divulgação de in-
pequenos formações”. por dia. As notas são agrupadas em lotes
e médios A chegada dos anos 90 foi marcada e encaminhadas à Seção de Economia,
pela informatização da maioria dos servi- onde é feita sua triagem e codificação, e
agricultores ços. Conforme recorda o economista, foi elas alimentam o sistema com informa-
a negociar adotado, nesse período, o coletor de da- ções essenciais, tais como: tipo de produ-
dos, para agilizar o processo de pesquisa tos, variedade e classificação, origem,
suas safras e ampliar a confiabilidade das informações. quantidade e destino (ou seja, qual ataca-
Os investimentos em informática permiti- dista irá receber a carga).
ram criar ferramentas valiosas de pesqui- A partir desses dados, o sistema indi-

C entral que todos os dias recebe um


volume excepcional de mercadorias,
vindas de todas as partes do País, o
sa, análise e divulgação de dados, e a
Internet foi, sem dúvida, o principal agen-
te da mudança. Atualmente, cerca de 90%
ca os 20 maiores atacadistas por produto,
e estes recebem a visita dos pesquisado-
res da Seção de Economia e Desenvolvi-
Entreposto da Ceagesp na Vila Leopoldina das consultas são realizadas pela Internet. mento. Além dos preços praticados, os ata-
responde pelo abastecimento de 60% da cadistas prestam informações como ex-
Grande São Paulo, e graças à regularida- As etapas de pesquisa – Se, por um pectativas de safra, oferta, demanda e
de na divulgação da cotação de preços lado, a tecnologia facilita o acesso às in- outras. Ponderados, os números apresen-
no atacado, se tornou referência para o formações, por outro, o contato pessoal e tam um retrato do mercado, com preços
mercado nacional. a proximidade com o mercado tornam as mínimos, médios e máximos. Por fim, este
As atividades de pesquisa, análise e informações ainda mais ricas, pois, na pes- histórico dá origem a diversas publicações,
divulgação das informações de merca- quisa de campo, surgem detalhes que tor- colocadas à disposição da empresa e da
do ocorrem desde o final da década de nam os números mais consistentes. sociedade.
60. Profissionais da companhia iniciam O levantamento de informações se ini- “Este bloco de informações, depois de
o dia percorrendo o mercado, conferin- cia nas portarias do Entreposto, com o lapidado e difundido, serve de subsídio ao
do preços e buscando informações so- recolhimento de uma via da Nota Fiscal planejamento da produção agrícola. Tam-
bre as safras de grande variedade de ali- de cada frete – ou seja, cerca de 3.500 bém influencia as escolhas do mercado e

como referência no mercado nacional, o confiança na realização de investimentos


Hortifrutícolas Entreposto Terminal São Paulo obteve re-
sultados bastante positivos no primeiro
no setor hortifrutícola e, portanto, espe-
rança de resultados positivos para as pró-
em alta semestre, com a movimentação de
1.365.098 toneladas de alimentos e flores,
ximas colheitas.
Ao analisarmos mais detalhadamente a
o que representa crescimento de 4,64% tendência dos volumes comercializados e
CEAGESP prevê um ano em relação ao mesmo período de 2003. do fluxo financeiro, podemos concluir tam-
de excelentes resultados As expectativas tornam-se ainda mais atra- bém que a expectativa é de oferta ao con-
entes quando observamos que este volu- sumidor de produtos hortifrutícolas com pre-
Flávio Godas me de mercadorias é praticamente igual ços mais baixos, uma vez que o volume
ao obtido no primeiro semestre de 2001, ofertado registra acréscimo de 4,64% en-

V ários setores da economia – incluin-


do o setor hortifrutícola – vivenciaram
no início do ano uma onda de pessimis-
ano em que se registrou o maior fluxo de
produtos da década.
O fluxo financeiro envolvido na comer-
quanto o fluxo financeiro sobe 3%. O inte-
ressante, neste caso, é que os padrões de
qualidade também apresentam elevação,
mo, que está se dissipando rapidamen- cialização também merece destaque. Em em virtude de novas embalagens, novas
te. Todos os estudos realizados na área 2003, a média mensal de vendas efetua- tecnologias, campanhas junto aos produto-
atacadista levam a crer que 2004 regis- da na CEAGESP foi de R$ 215,4 milhões. res rurais, entre outras iniciativas.
trará números excepcionais em relação Em 2004 a expectativa é de haja uma ele- Produtos hortifrutícolas que, por natu-
à quantidade de produtos ofertada e ao vação próxima aos 3%. Seguindo esta reza, são negociados a custo baixo, ao apre-
fluxo financeiro envolvido na comercia- vertente, podemos afirmar que o acrésci- sentarem ganhos em qualidade e redução
lização de hortifrutícolas. Considerado mo no fluxo financeiro representa maior de preços, deverão propiciar aumento de de-

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do consumidor, pois política nacional de combate à fome.
integra os principais PROGRAMA DE RECICLAGEM Coordenador dos Serviços de Apoio
índices de inflação e e Reciclagem, Legaspe afirma que o Pro-
custo de vida”, afirma
Godas. Desperdício grama implementado pela CEAGESP cria
uma nova lógica no mercado: a de consi-
derar o lixo como fonte de riqueza.
Trabalho minuci-
oso – Uma equipe ‘en- zero, Legaspe pondera que 60% do lixo pro-
duzido no País é constituído de matéria
xuta’, incluindo cinco
especialistas – agrô-
nomos e economistas
eficiência orgânica, mas apenas 1% dessa parcela
é reciclada. Quando rejeitada, a massa
de detritos sobrecarrega os aterros, ge-
– atua nos bastidores
deste esforço diário,
conhecido como “Bo-
dez rando grave impacto ambiental, mas
quando aproveitada, se transforma em
matéria-prima para a produção de ração
letim de Cotações”. animal, adubo orgânico ou fonte de ener-
São indicadores com Entre março gia. “Este é o quadro que pretendemos
espaço garantido nas editorias de econo- transformar, tanto no Entreposto da ca-
mia dos principais veículos de comunica-
de 2003 e agosto pital como nas unidades do interior”.
ção, ao lado dos números da Bolsa de de 2004, programa No ETSP, onde 80% dos resíduos são
Cereais e de outras instituições respeita- constituídos de matéria orgânica, foi im-
das no mercado.
gerou economia de plantada uma metodologia específica de
Os dados coletados nos setores de fru- R$ 412 mil coleta e seleção. Todo material coletado
tas, verduras, legumes, pescados, flores é classificado com base em três catego-
e outros, comercializados no atacado, tam- rias: alimentos em boas condições para
bém servem de referência a órgãos de o consumo humano; alimentos próprios
governo, associações ligadas ao setor de
alimentos e às universidades.
E, embora muitas transações sejam
A té fevereiro de 2003, a produção de
lixo da CEAGESP, especialmente no
entreposto da capital paulista, era um pro-
para ração animal e, por fim, resíduos im-
próprios ao consumo, destinados à pro-
dução de adubo. Os alimentos classifi-
firmadas com base nos números publica- blema crescente, para o qual existiam al- cados no primeiro grupo são destinados
dos, o Boletim não é uma tabela de con- gumas propostas e poucas iniciativas. ao Banco CEAGESP de Alimentos, pois,
trole de preços. “Seu papel é atuar como Não havia uma avaliação criteriosa dos embora não satisfaçam às exigências do
referencial para o mercado”, destaca o reflexos ambientais e econômicos resul- mercado, mantêm condições adequadas
economista. tantes da produção diária de cem tone- de consumo (veja o box).
No Entreposto da Vila Leopoldina, o ladas de resíduos sólidos. O destino do segundo grupo de resí-
boletim também dá origem a uma tabela De fato, se comparado ao volume de duos é a produção de ração líquida ou
utilizada nos varejões da CEAGESP. Nes- produtos comercializados, o
se caso, se aplica um percentual, não su- lixo produzido no principal cen-
perior a 30%, sobre os preços dos produ- tro atacadista de alimentos in
tos no atacado, e o cumprimento dos pre- natura do País seria pouco sig-
ços máximos estabelecidos é assegura- nificativo: apenas 1,2% de tudo
do pela equipe de fiscalização. o que entra no Entreposto se
torna lixo. No entanto, mais do
manda e, por conseqüência, a possibili- que a simples comparação de
dade de novos consumidores adquirirem volumes, a questão está estrei-
o hábito de consumir hortifrutícolas. tamente ligada à qualidade e ri-
Não podemos deixar de observar queza do lixo gerado nas uni-
que fatores climáticos influenciam dire- dades da CEAGESP; ao custo
tamente a produção agrícola. A anteci- operacional do serviço de co-
pação do frio, por exemplo, que, por si- leta e despejo em aterros e, es-
nal, foi um dos mais rigorosos dos últi- pecialmente, aos benefícios so-
mos anos em se tratando de um mês ciais que um programa de
atípico (maio), em conjunto com as chu- reaproveitamento representa.
vas de granizo ocorridas nas regiões pro- Avaliando a questão sob
dutoras, provocaram forte retração da novo prisma, a atual diretoria
quantidade comercializada e, por con- optou pela inovação: implantou
seqüência, elevação dos preços pratica- o Programa Desperdício Zero,
dos. Em junho, o veranico se instalou e que inclui o projeto de recicla-
a situação caminhou com destino aos gem de lixo orgânico, idealiza-
patamares habituais. Podemos afirmar, do pelo geógrafo Luciano Le-
portanto, que se as condições climáticas gaspe, e a criação do Banco
não interferirem acima do esperado, CEAGESP de Alimentos, am-
2004 poderá significar o início da reto- bos com atuação integrada e
mada do crescimento do setor. tendo por meta o aproveita-
mento máximo dos alimentos
e a contribuição efetiva com a

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de insumos. Obtida a partir da trituração
de restos de frutas, legumes e verduras, B ANCO DE ALIMENTOS
a ração líquida pode ser usada por cria-
dores, para complementar a alimentação
de suínos, aves e bovinos, reduzindo em Um instrumento de
até 30% os gastos com a criação. No pri-
meiro quadrimestre deste ano, 265 tone- inclusão e combate à fome
ladas de lixo do ETSP foram transforma-
das em ração. Outros componentes do
lixo, como os restos de peixes, por exem-
plo, podem ser transformados e reapro-
A implementação do Programa de redução de desperdícios, criado em sintonia
com a política nacional de combate à fome, propiciou, também, a cria-
ção de Bancos de Alimentos em várias unidades da rede de entrepostos da
veitados. No entreposto da Vila Leopol- CEAGESP. A experiência teve inicio a partir da capital paulista, onde o Ban-
dina, o refugo do pescado se tornou um co CEAGESP de Alimentos atende a mais de 300 entidades assistenciais
dos destaques do Programa. A produção cadastradas, em regime de rodízio. Ao longo de 2003, o volume total de
diária de sobras (cerca de duas tonela- alimentos distribuídos às instituições foi de 300 toneladas, enquanto em 2004,
das) já é transformada em farinha de de janeiro a agosto, o total de doações ultrapassou 400 toneladas. De acor-
peixe para exportação, graças a uma do com a coordenadora do projeto, Izabel Guerra de Araújo, estes números
parceria entre a CEAGESP e a Associa- refletem a dinâmica de atuação do Banco, pautada no constante aperfeiço-
ção de Permissionários do Pescado amento do método de trabalho e na qualificação profissional da equipe. “Além
(ACAPESP). de manter um cadastro atualizado das instituições beneficiárias e de emitir
A compostagem é a última etapa na recibo aos atacadistas que doam, o Banco de Alimentos disponibiliza
lógica do reaproveitamento de alimentos. balancetes men-
Trata-se da transformação de restos de sais, que ampliam a
verduras, frutas, cascas, folhagens, ca- confiabilidade do
pim seco e outros rejeitos em adubo or- nosso trabalho”, diz
gânico. Vários Entrepostos da CEAGESP Guerra.
utilizam diferentes processos de compos- O Banco Cea-
tagem para reduzir o volume de lixo e gesp de Alimentos
produzir adubo. Legaspe destaca as van- trabalha em parce-
tagens do adubo orgânico: “Rico em r ia com ONGs e
micro e macro-nutrientes, o composto Associações que
orgânico barateia o cultivo, à medida que atuam na área de
substitui fertilizantes químicos”. Em uma assistência social e
área reservada do Entreposto Terminal combate à fome –
São Paulo (ETSP), Legaspe mantém um incluindo a ONG
laboratório de compostagem, no qual, Banco de Alimen-
além da produção de adubo natural doa- tos, uma das mais
do a assentamentos, realiza as aulas prá- antigas de São
ticas do curso de compostagem, que ofe- Paulo na prática da
rece gratuitamente a produtores ou con- coleta urbana, além
sumidores, pequenos ou grandes gera- da Associação Pra-
dores de lixo. to Cheio, do Pro-
Implantado sem grandes investimen- grama Ajuda Ali-
tos, o Programa Desperdício Zero vem mentando, da Fe-
promovendo a redução contínua de cus- deração Israelita
tos operacionais. Com o reaproveita- (Fisp), e do Banco de Alimentos de Embu. Representantes destes grupos
mento e a redução média de 350 tonela- colaboram sensibilizando os atacadistas sobre a importância de doar os ali-
das na carga de lixo mensal, a Compa- mentos enquanto apresentam condições de consumo.
nhia economizou mais de 400 mil reais, Ação regionalizada – Graças aos resultados satisfatórios, a experiên-
com coleta, transporte e aterro de lixo, cia vem sendo multiplicada. As unidades da CEAGESP de Araçatuba, Ribei-
desde a implantação do projeto. Enquan- rão Preto, Presidente Prudente, Araraquara, São José dos Campos e
to o lixo e os custos diminuem, os resul- Sorocaba já criaram estuturas para organizar coletas e doações de alimen-
tados da reciclagem aumentam: de mar- tos, atendendo a dezenas de instituições e centenas de famílias.
ço a dezembro de 2003, foram reaprovei- Paralelamente, estas unidades desenvolvem outras ações importantes,
tados 8,3% do volume de resíduos pro- dentro da política de combate à fome, como a criação de Hortas Comunitá-
duzidos no ETSP. Já em 2004, o rias, adubadas com composto orgânico produzido nos próprios entrepostos,
percentual de reciclagem subiu para em valas de compostagem. É o caso, por exemplo, de São José dos Cam-
10,43% do lixo gerado de janeiro a ju- pos, onde o Banco Ceagesp de Alimentos atende a 140 entidades, e a pro-
lho. “A CEAGESP é o primeiro órgão dução da horta comunitária, que está em fase de implantação, será coorde-
público do Brasil voltado ao abastecimen- nada por um grupo de ex-catadoras e deverá beneficiar cerca de 60 famílias.
to a buscar uma solução dessa nature- As ex-catadoras, que até pouco tempo sobreviviam de restos de alimentos
za”, diz o coordenador. E completa: “A obtidos no mercado, hoje integram a ONG Cora Coralina, reflexo de um lon-
ampliação dos resultados será proporci- go trabalho de conscientização e persuasão que deu certo.
onal à conscientização dos atacadistas
e à conquista de parcerias”.

SETEMBRO DE 2004 • ESPECIAL • REVISTA DE AGRONEGÓCIOS DA FGV E-16

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