Você está na página 1de 55

Unidade III

Unidade III
7 GRUPO HEME

O que será que citocromos, hemoglobina e mioglobina têm em comum? O grupo heme.
Trata-se de um grupo prostético, a porção não peptídica de uma proteína. Algumas proteínas
apresentam grupos químicos além da parte formada pela união entre aminoácidos, e esse grupo
é denominado grupo prostético. E qual é a sua importância? Ele está presente em proteínas
denominadas hemeproteínas. Uma das mais conhecidas é a hemoglobina, que tem a função de
transportar o oxigênio no sangue.

Milhares de moléculas de hemoglobina estão presentes dentro das hemácias, que são as células
mais abundantes do sangue. O grupo heme tem importância biológica, por ser grupo prostético
de proteínas, conhecidas como hemeproteínas. Uma das mais conhecidas é a hemoglobina, que é
responsável por carrear O2 no sangue e pela sua coloração vermelha. Além da hemoglobina, o grupo
heme está presente na mioglobina, nos citocromos, nas catalases e nas peroxidases. Já a mioglobina
é uma proteína de baixo peso molecular, que está presente nos músculos e tem como função o
armazenamento de oxigênio.

Figura 94 – Molécula de hemoglobina formada por


quatro cadeias globínicas e quatro grupos heme

112
BIOQUÍMICA METABÓLICA

Figura 95 – Hemácias

7.1 Estrutura química do grupo heme

Em relação à estrutura química, o grupo heme é constituído de um grande anel orgânico


heterocíclico que contém um átomo de ferro (Fe+2) no centro (figura a seguir). Seus principais
locais de produção são medula óssea e fígado. Na medula óssea, ocorre o processo de produção
das hemácias. As hemácias humanas não possuem núcleo. Mas as células precursoras de
hemácias, que ficam alojadas na medula óssea, possuem núcleo e por isso ocorre a síntese de
hemoglobina. Esse processo é denominado eritropoese. Nela, as células precursoras de hemácias
apresentam núcleo e sintetizam hemoglobina até a fase de reticulócitos, os quais não apresentam
núcleo, mas apresentam RNA mensageiro. Nessa etapa, a célula produz a máxima quantidade de
hemoglobina e, portanto, de grupo heme. Depois disso, os reticulócitos deixam a medula óssea
e seguem para o sangue periférico, onde amadurecem e se transformam em hemácias, em um
período de 12 a 36 horas.

113
Unidade III

Molécula de
oxigênio

O
CH CH2 O
H3C

CH3
N

H3C N
Fe
N CH CH2
N

CH2

CH2
CH3
COOH CH2

CH2

COOH
Heme

Figura 96 – Esquema da parte não proteica da hemoglobina: o grupo heme

7.2 Síntese do grupo heme

A síntese do heme ocorre a partir de um conjunto de reações catalisadas por várias enzimas diferentes.
Então vamos estudar suas etapas de síntese.

Observe que cada reação é catalisada por uma enzima e que o ferro é incorporado na última reação.
A síntese do grupo heme é constituída por oito reações que ocorrem no citoplasma (a primeira e as
três últimas reações) e na mitocôndria das células. A síntese do grupo heme depende da participação
de oito enzimas:

• ALA-sintetase.

• ALA-deidratase.

• Porfobilinogênio-deaminase.

• Urobilinogênio-sintetase.

114
BIOQUÍMICA METABÓLICA

• Uroporfirinogênio-decarboxilase.

• Coproporfirinogênio-oxidase.

• Protoporfirinogênio-oxidase.

• Ferroquelatase.

Inicialmente, ocorre a condensação do aminoácido glicina com a molécula de succinil-CoA


(intermediário do ciclo de Krebs) para a formação do ácido delta levulínico ou Δ-ALA. Em seguida, ocorre
a condensação de duas moléculas de ALA para a formação de um anel pirrólico. Depois disso, quatro
anéis pirrólicos reagem e forma-se um anel tetrapirrólico. Na reação final, a protoporfirina combina-se
com o ferro (Fe+2) para formar o grupo heme. A produção do heme é regulada por um mecanismo de
retroalimentação, ou seja, a produção das enzimas, especialmente a da ALA-sintetase, pode aumentar
sempre que houver aumento da produção de hemácias.

Lembrete

O succinil-CoA é um intermediário do ciclo de Krebs.

A biossíntese de heme tem início quando uma molécula de succinil-CoA em conjunto com uma
glicina, sob ação da enzima ALA sintase, dão origem ao ácido aminolevulínico (ALA). Duas moléculas
de ácido aminolevulínico, no citosol, são condensadas pela enzima ALA desidratase, dando origem
ao porfobilinogênio (PBG). Quatro moléculas de PBG são convertidas a hidroxometilbilano pela
enzima PBG desaminase. O hidroximetilbilano pode ser convertido a uroporfirinogênio III, através
da uroporfirinogênio sintase, ou a uroporfirinogênio I, através de via não enzimática. O uroporfirinogênio III
é descarboxilado a coproporfirinogênio III através da uroporfirinogênio descarboxilase, e a
uroporfirinogênio I é, por sua vez, convertida a coproporfirinogênio I, o qual não é intermediário para
a biossíntese do heme. O corpoporfirinogênio III, através da coproporfirinogênio oxidade, é transformada
em protoporfirinogênio IX, a qual é convertida a protoporfirina IX pela protoporfirinogênio oxidase.
Finalmente, o ferro é inserido na molécula de protoporfirina IX, através da ação da ferroquelatase,
dando origem ao heme.

115
Unidade III

Mitocôndria Citoplasma

2 x ALA
Glicina + succinil‑CoA

ALA desidratase
ALA sintase

Ácido aminolevulínico (ALA) 4 × porfobilinogênio (PBG)

PBG desaminase

Hidroximetilbilano (HMB)
Heme
Uroporfirinogênio III sintase

Ferroquelatase Uroporfirinogênio III (URO III)


Fe+2
Uroporfirinogênio descarboxilase

Protoporfirina IX
Coproporfirinogênio III
Protoporfirinogênio
oxidase

Protoporfirinogênio IX Coproporfirinogênio oxidase

Figura 97 – Reações da síntese do grupo heme

7.3 Porfirias

Caso o indivíduo apresente mutação genética em uma dessas enzimas, haverá acúmulo de
determinados intermediários da síntese do grupo heme na medula óssea ou no fígado. Um
fato importante é que esses intermediários são potencialmente tóxicos, consequentemente,
o seu acúmulo em pele ou vísceras pode desencadear a sintomatologia das doenças que são
denominadas porfirias.

As principais porfirias podem ser classificadas de várias formas: de acordo com a deficiência
da enzima específica, de acordo com os sintomas do paciente (aguda ou crônica) ou baseado
no local de origem dos precursores em excesso (eritropoéticas ou hepáticas). As porfirias
hepáticas agudas são caracterizadas por episódios neuroviscerais, sendo a porfiria aguda
intermitente a mais comum.

116
BIOQUÍMICA METABÓLICA

Glicina Succinil‑CoA
ALA-sintetase Porfiria dominante ligada ao X
ALA
ALA-desidratase Porfiria por deficiência de ALA-desidratase
PBG
PBG-desaminase Porfiria intermitente aguda
Hidroximetilbilano
Uroporfirinogênio Porfiria eritropoiética congênita
sintase
Uroporfirinogênio III
Deficiência Porfiria hepatoeritropoiética
URO descarboxilase Porfiria cutânea tarda Doença
enzimática
Coproporfirinogênio IX

Copro-oxidase Coproporfiria hereditária

Protoporfirinogênio IX

Protogene oxidase Porfiria variegata


Protoporfirina

Ferroquelatase Protoporfirina eritropoiética


Ferro
Heme

Figura 98 – Classificação das porfirias de acordo com a deficiência enzimática

O quadro a seguir resume a classificação das porfirias em crônicas e agudas.

Quadro 6

Porfiria eritropoiética congênita


Porfirias eritropoiéticas
Porfirias Protoporfiria eritropoiética
crônicas
Porfiria cutânea tarda
Porfirias hepáticas crônicas
Porfiria hepatoeritropoiética
Porfiria por deficiência de ALA-desidratase
Porfirias Porfirias hepáticas Porfiria aguda intermitente
agudas agudas Coproporfiria hereditária
Porfiria variegata

Fonte: Dinardo et al. (2010, p. 108).

Os pacientes portadores de porfiria aguda apresentam crises intermitentes de dores abdominais,


sintomas mentais e neurológicos, como depressão, convulsões e que podem levar ao suicídio. Essas
crises ocorrem geralmente em virtude de medicamentos, álcool ou ainda por estresse, infecções e jejum.
117
Unidade III

Já os portadores de porfirias cutâneas, apresentam erupções bolhosas na pele, vermelhidão ou inchaço


após exposição solar. Nesses pacientes, certas porfirinas ficam depositadas na pele. Após exposição à
luz e ao oxigênio, essas porfirinas podem gerar uma forma carregada e instável de oxigênio capaz de
danificar a pele.

O diagnóstico das porfirias é feito a partir da dosagem das porfirinas nas fezes e na urina e por testes
de biologia molecular. A solubilidade na água desses intermediários determina sua forma de excreção:
produtos solúveis em água são excretados na urina, produtos insolúveis em água são excretados nas
fezes e produtos com solubilidade intermediária são excretados tanto na urina quanto nas fezes.

As porfirias são doenças de difícil diagnóstico, e as crises se manifestam na presença de alguns


fatores, tais como: medicamentos, jejum, tabagismo, álcool, substâncias ilícitas (maconha, ecstasy,
anfetaminas e cocaína), infecções, estresse físico e emocional e ciclos menstruais.

O tratamento apresenta quatro pilares principais: estudo da genética familiar, retirada ou controle
dos fatores precipitantes, condutas gerais e uso de derivados do grupo heme.

Para finalizar, vale a pena ressaltar que em diversas doenças, não relacionadas à mutação dos
genes que regulam a síntese de enzimas, pode ocorrer aumento da quantidade de porfirinas na
urina. Esse fenômeno é descrito como porfirinúria secundária e pode estar associado à exposição ao
chumbo, por exemplo.

Saiba mais

O assunto porfiria é abordado em vários livros, seriados e filmes. No


livro indicado, a escritora Isabel Allende relata a história da própria filha,
Paula, portadora de porfiria, que ficou em coma durante um ano e faleceu
na casa da mãe e do padrasto, em 1992, com apenas 29 anos de idade.

ALLENDE, I. Paula. 16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017.

7.4 Degradação do grupo heme

Observamos que em algumas patologias os pacientes apresentam uma coloração amarelada em


pele, esclera ou língua. Essa coloração é consequência da degradação do grupo heme que acabamos
de estudar. Vejamos por que isso ocorre. Esse sinal clínico denomina-se icterícia e ocorre pelo aumento
da concentração plasmática do produto de degradação do grupo heme, a bilirrubina. A coloração
amarelada da pele torna-se evidente quando a bilirrubinemia (concentração plasmática de bilirrubina)
está acima de 2,0 a 3,0 mg/dL. A produção da bilirrubina é decorrente, majoritariamente (cerca de
80%) da degradação do grupo heme das hemácias senescentes, 15% é proveniente da destruição
de células eritroides imaturas, e 1% a 5% formadas a partir da renovação das hemeproteínas (mioglobina,
catalase e citocromos).

118
BIOQUÍMICA METABÓLICA

As hemácias circulam no sangue por cerca de 120 dias e depois se autodestroem no sistema mononuclear
fagocitário do baço (alguns livros podem trazer a denominação mais antiga; sistema retículo‑endotelial).
Nessa etapa, a hemoglobina é liberada e o grupo heme é transformado pela enzima heme oxigenase em
biliverdina, ferro e monóxido de carbono. Em seguida, a biliverdina, pela ação da biliverdina redutase, é
convertida em bilirrubina livre (figura a seguir). A bilirrubina pode atravessar a barreira hematoencefálica
e provocar danos ao sistema nervoso, por isso a preocupação clínica no tratamento da icterícia.

Grupo heme

Heme‑oxigenase Fe+2

Biliverdina

Biliverdina redutase

Bilirrubina

Figura 99 – Degradação do grupo heme

Vamos dividir o metabolismo da bilirrubina em três fases: captação, conjugação e secreção hepática.
Vejamos os principais eventos de cada fase.

• Captação: a bilirrubina é lipossolúvel e apolar, ligando-se à albumina para ser transportada até o
fígado. Essa fração é denominada bilirrubina indireta ou não conjugada. Aqui ocorre a captação
da bilirrubina pelos hepatócitos, por meio de proteínas de membrana. Apenas a bilirrubina é
captada, a albumina é reutilizada no plasma.

• Conjugação: a bilirrubina é conjugada a moléculas de ácido glicurônico por ação da


uridina‑difosfato-glicuroniltransferase (UDP-glicuroniltrasnferase), o que resulta na bilirrubina
conjugada ou direta. Isso permite a formação de um composto mais polar e hidrossolúvel. Parte
dessa bilirrubina se liga à ligandina (proteína citoplasmática) que impede a saída dessa substância
do hepatócito para o plasma.

• Secreção: a bilirrubina conjugada é secretada para os canalíbulos biliares que estão em íntimo
contato com os hepatócitos, fica armazenada na vesícula biliar e em seguida participa da digestão
dos lipídios no intestino. No cólon, por ação das glicuronidases bacterianas, a bilirrubina é
desconjugada e forma o estercolbilinogênio (pigmento marrom), que é excretado nas fezes. Parte
desse pigmento é reabsorvido na mucosa intestinal e retorna ao sangue, sendo filtrado nos rins.
Esse pigmento na urina é denominado urobilinogênio e tem coloração amarelada.

119
Unidade III

Bilirrubina não conjugada

Fase pré-hepática
Captação Albumina

Bilirrubina não conjugada

Fase hepática Glicuronil


Conjugação transferase

Bilirrubina conjugada

Fase pós-hepática
Secreção Vesícula biliar (bile)

Intestino Sangue Rins Urina (Urobilinogênio)

Fezes
(Estercobilinogênio)

Figura 100 – Fases do metabolismo da bilirrubina

Quando o metabolismo da bilirrubina está alterado, ocorre a hiperbilirrubinemia, que pode ter origem
no aumento da destruição das hemácias, por comprometimento hepático ou ainda por obstrução nos
canalículos biliares, o que compromete a secreção da bilirrubina. Vejamos algumas situações.

Uma condição relativamente comum é a icterícia fisiológica do recém-nascido, que aparece no


terceiro dia após o nascimento, pela imaturidade do fígado em metabolizar a bilirrubina. A fração não
conjugada está aumentada e é tóxica para o sistema nervoso, podendo causar danos irreversíveis, daí a
importância do banho de sol e da fototerapia, que provoca a degradação da bilirrubina. O aumento da
fração não conjugada ou indireta também ocorre na síndrome de Gilbert, uma condição hereditária em
que o indivíduo apesenta baixos níveis enzimáticos, necessários para a conjugação da bilirrubina. Nessas
condições, a velocidade de produção de bilirrubina está aumentada.

Em outros casos, a velocidade de remoção do pigmento está diminuída, com aumento da fração
direta na urina. Essa condição pode ser observada nas hepatites (provocadas por álcool, vírus ou
medicamentos) ou ainda na cirrose (condição mais grave caracterizada pela fibrose do tecido hepático),
o que reflete a perda de integridade e funcionalidade dos hepatócitos. Outras vezes, a presença de
cálculos ou tumores obstruindo os canalículos do fígado ou vesícula biliar dificultam a secreção da
bilirrubina, ocasionando aumento da fração direta ou conjugada.

Para o diagnóstico dessas patologias, além da bilirrubina total e frações, o médico deverá solicitar
outros exames, como hemograma, exames para avaliação da coagulação, enzimas hepáticas (AST, ALT,
gama-GT e fosfatase alcalina), albumina, proteína totais, exames de imagem, entre outros.

120
BIOQUÍMICA METABÓLICA

8 VITAMINAS E SAIS MINERAIS

O assunto vitaminas e sais minerais está sempre presente nas mídias, pois o bom funcionamento
do organismo também depende desses dois micronutrientes. Mas o que eles têm de diferente dos
nutrientes estudados até agora? Vitaminas e sais minerais são micronutrientes, ou seja, são necessários
em quantidades reduzidas e devem ser obtidos por meio da alimentação. Embora as vitaminas e sais
minerais estejam amplamente distribuídos em frutas, verduras, hortaliças, ovos e carnes, infelizmente
os estudos apontam inúmeros casos de hipovitaminose em algumas regiões do Brasil. A deficiência
de micronutrientes é um importante problema de saúde pública que afeta o bem-estar da população
e representa um sério obstáculo para o desenvolvimento socioeconômico na maioria dos países em
desenvolvimento. As principais causas de hipovitaminose estão associadas à deficiência alimentar e à
má absorção dos nutrientes, por causas diversas.

As vitaminas e os sais minerais recebem o nome de micronutrientes. São essenciais para o bom
funcionamento do corpo e para a manutenção da saúde. Diferentemente dos macronutrientes
(carboidratos, proteínas e gorduras) são necessários em quantidade reduzida, obtidos por meio da
alimentação. Vale a pena citar que o consumo alimentar é influenciado por fatores culturais, entre
eles os hábitos alimentares, as preferências individuais e familiares, e por fatores socioeconômicos que
influenciam a escolha e compra desses alimentos.

8.1 Vitaminas

As vitaminas ocorrem na natureza como tal ou sob a forma de precursores, que são ingeridos através
dos alimentos. Diferentemente dos macronutrientes, as vitaminas não produzem energia, portanto não
geram calorias. E por que são importantes? Porque atuam como coenzimas, ou seja, facilitam a ação das
enzimas que transformam os substratos através das reações metabólicas.

Observação

As enzimas são constituídas por uma parte proteica, chamada


apoenzima; e outra parte não proteica, chamada cofator. Quando o cofator
é uma molécula orgânica, recebe a denominação de coenzima. Muitas
vitaminas atuam como coenzimas.

Mas será que todos os indivíduos necessitam da mesma quantidade de vitaminas? As necessidades
diárias variam de acordo com idade, gênero, estado fisiológico e atividade física do indivíduo. Em algumas
situações, a necessidade é aumentada, por exemplo, na fase de crescimento, gestação, lactação ou na
presença de doenças.

Quanto à classificação, as vitaminas podem ser lipossolúveis ou hidrossolúveis. Essa informação é


importante para entendermos a importância dos lipídios para a adequada absorção das vitaminas lipossolúveis
que são representadas pelas vitaminas A, D, E, e K. Já as hidrossolúveis necessitam de água, e esse grupo
compreende as vitaminas do complexo B e da vitamina C. Vejamos a classificação das vitaminas a seguir:
121
Unidade III

Vitaminas

Hidrossolúveis Lipossolúveis:
A
D
Vitamina C Complexo B: E
K
B1 (tiamina)
B2 (riboflavina)
B3 (niacina)
B5 (ácido pantotênico)
B6 (piridoxina, pirodoxal e piridoxamina)
B7 (biotina)
B9 (ácido fólico)
B12 (cianocobalamina)

Figura 101 – Esquema de classificação das vitaminas quanto à solubilidade

8.1.1 Vitamina A

Em tecidos animais, a vitamina A é encontrada predominantemente sob a forma de retinol ou de


seus ésteres, de retinal e, em menor quantidade, como ácido retinoico. O retinol é um álcool primário
que apresenta um anel β-ionona com cadeia lateral insaturada (figura a seguir), é encontrado em
tecidos animais como éster retinila com ácidos graxos de cadeia longa. Já o retinal é o aldeído derivado
da oxidação do retinol. O retinal e o retinol podem ser facilmente interconvertidos. O ácido retinoico é
o ácido derivado da oxidação do retinal. Esse ácido não pode ser reduzido no organismo e, assim, não
pode originar retinal ou retinol.
Anel de β‑ionona Anel de β‑ionona
β‑caroteno

Cadeia poliênica

H3C CH3 CH3 CH3


β‑Caroteno
OH
β‑caroteno CH3
H3C CH3 CH3 H3C
Retinol
CH3 CH3 H3C CH3
CH3
H3C

CH3
CH3 CH3 H3C CH3

Figura 102 – Estrutura química e clivagem do β-caroteno

122
BIOQUÍMICA METABÓLICA

O termo retinoide refere-se à classe de compostos com quatro unidades isoprenoides e inclui retinol
e seus derivados químicos. A indústria de alimentos utiliza o acetato de retinil e o palmitato de retinil
para a fortificação de alimentos. Mas você já ouviu falar que cenoura é rica em vitamina A e é excelente
para a visão? Então vamos entender bioquimicamente essa conversa. Os carotenoides contribuem
significativamente para a atividade da vitamina A em alimentos tanto de origem vegetal como animal.

Os carotenoides (figura a seguir) são geralmente tetraterpenoides de 40 átomos de carbono e


apresentam‑se na natureza com coloração amarela, laranja ou vermelha. São encontrados em vegetais e
classificam‑se em carotenos ou xantofilas. Os alimentos de origem vegetal contêm β-caroteno, que pode ser
quebrado no intestino em duas moléculas de retinal (aldeído). Entre os carotenoides, o β-caroteno apresenta
maior atividade pró-vitamina A. Na maioria dos animais, a absorção da vitamina A varia de 70% a 90%, mas
a eficiência na absorção de carotenoides adicionados à dieta é de 40% a 60%, dependendo do carotenoide.

Figura 103 – Estrutura química de alguns carotenoides

Na dieta, estão presentes os ésteres de retinol que são hidrolisados na mucosa intestinal e originam
retinol e ácidos graxos livres. O retinol é novamente esterificado a ácidos graxos de cadeia longa na
mucosa do intestino e secretado como componente dos quilomícrons que são transportados para o
sistema linfático.

123
Unidade III

β‑caroteno

Emulsão

Lipases pancreáticas e
sais biliares

Micelas

Lúmen intestinal

Linfa
Sangue

Figura 104 – Digestão e absorção da vitamina A

Os ésteres de retinol presentes nos quilomícrons remanescentes são captados pelo fígado
e nele armazenados como ésteres de retinil. Quando as células precisam de retinol, este é liberado
do fígado e transportado para os tecidos extra-hepáticos pela proteína ligadora de retinol (PLR).
O complexo PLR-retinol liga-se a receptores específicos na superfície das células dos tecidos periféricos,
permitindo a entrada do retinol. A partir daí, ocorre a transcrição de genes que originarão proteínas
importantes para o nosso organismo. E quais são essas proteínas? Quais são as principais funções da
vitamina A no organismo?

Lembrete

Quilomícrons são lipoproteínas formadas no intestino delgado.

A vitamina A desempenha papel imprescindível no ciclo visual, na diferenciação e manutenção celular


epitelial, na promoção do crescimento, na atividade do sistema imunológico e na reprodução. No entanto,
merece especial atenção a participação na manutenção da integridade epitelial do globo ocular, pois a
consequência das lesões oculares decorrentes de sua carência é a cegueira noturna, em virtude da dificuldade
de visão em ambientes com pouca luminosidade.

124
BIOQUÍMICA METABÓLICA

No processo da visão, a vitamina A é importante componente dos pigmentos visuais das células
cones e bastonetes. Os bastonetes da retina contêm um pigmento denominado rodopsina que consiste
em 11-cis-retinal ligado especificamente à proteína opsina. Quando a rodopsina é exposta à luz, ocorre
uma série de reações denominadas isomerizações fotoquímicas, as quais resultam no desbotamento do
pigmento visual e a liberação de trans-retinal e opsina. Esse processo origina um impulso nervoso, que
é transmitido pelo nervo óptico para o encéfalo. A regeneração da rodopsina necessita da isomerização
do trans-retinal, formando novamente o 11-cis-retinal. O trans-retinal, após ser liberado da rodopsina, é
isomerizado a 11-cis-retinal, que se combina espontaneamente com a opsina, para formar a rodopsina,
completando o ciclo.

A deficiência prolongada de vitamina A leva à perda irreversível do número de células visuais.


A deficiência grave leva à xeroftalmia, o ressecamento patológico da conjuntiva e da córnea. Se não for
tratada, resulta em ulceração da córnea e, por fim, cegueira, devido à formação de tecido de cicatrização
opaco. A vitamina A, administrada como retinol ou ésteres de retinila, é utilizada para o tratamento de
pacientes deficientes dessa vitamina.

E quais alimentos são ricos em vitamina A? O fígado e o rim de boi, manteiga e ovos também são
boas fontes de vitamina A. Os vegetais amarelos e verde-escuros e as frutas são boas fontes dietéticas
de carotenos. Alimentos de origem vegetal contêm precursores de vitamina A, que são os retinoides,
particularmente o β-caroteno, com atividade pró-vitamina A de 100%. Vamos verificar a quantidade de
vitamina A em alguns frutos brasileiros? Observe o quadro a seguir.

Quadro 7 – Conteúdo de vitamina A em frutos brasileiros

Alimento Vitamina A (ER/100 g)


Abacate 1,2
Caqui 250,0
Damasco seco 724,0
Manga 289,0
Polpa de acerola 720,0
Pupunha 1.500,0
Suco de laranja com cenoura 1.081,6
Pajurá 255,0
Piquiá 305,0
Tucumã 1.450,0
Umari 1.470,0
Nota: ER: equivalentes de retinol

Adaptado de: Marinho; Castro (2002).

E a ingestão excessiva? Será que pode provocar danos ao organismo? A resposta é sim, por conta da
hipervitaminose A. Verifica-se pele seca e pruriginosa, aumento do fígado, podendo evoluir para cirrose. E nas
gestantes, a hipervitaminose A pode provocar malformações congênitas no feto em desenvolvimento.

125
Unidade III

8.1.2 Vitamina D
A vitamina D possui diversas formas químicas (figura a seguir), entretanto, as formas principais
são a vitamina D2 (ergocalciferol) e a vitamina D3 (colecalciferol). A vitamina D2 é obtida de fontes
vegetais da alimentação, e suplementos orais. A vitamina D3 é obtida da irradiação ultravioleta B (RUVB)
presente na luz solar do percursor do colesterol, 7-dihidrocolesterol, e pela ingestão de alimentos, tais
como leite e derivados, cereais e soja, suplementos orais e óleos de peixe.

21 22 24 26
18 20
12 23 25
11 17
19
C 27 H
H 13 C D
1 14 D 16
9
2
10 8 H 15
H A B H (b) 7‑deidrocolesterol
3
A B 7 (a) 5‑a‑colestano
5
4 6 HO

H H

(c) Colecalciferol‑D3
(d) Ergosterol‑D2
HO HO

H OH H OH

H H

(e) 25(OH)‑Vitamina D3 (f) 1α, 25(OH)2‑Vitamina D3


HO HO OH

Figura 105 – Fórmulas esterioquímicas da vitamina D: (a) 5α-colestano, com a respectiva numeração dos carbonos e a denominação
dos anéis do ciclo pentanoperidrofenantreno; (b) 7-deidrocolesterol; (c) colecalciferol (Vitamina D3 ); (d) ergosterol (Vitamina D2 );
(e) 25-hidroxivitamina D [25(OH)D ou calcidiol]; (f) 1α,25-di-hidroxivitamina D [1α,25(OH)2D ou calcitriol]; a: o 5-α-colestano é
um dos esteroides utilizados como referência para numeração dos carbonos, segundo orientações da IUPAC (16); b: as estruturas
apresentadas para a 25(OH)D e 1α,25(OH)2D são aquelas derivadas do colecalciferol

126
BIOQUÍMICA METABÓLICA

As vitaminas D2 e D3 não são biologicamente ativas, mas são convertidas in vivo na forma ativa da
vitamina D por uma série de reações de hidroxilação. A primeira reação ocorre no fígado, e é formada
a 25-hidroxicolecalciferol (25-OH-D3), que é a forma predominante da vitamina D no plasma e o
principal modo de armazenamento da vitamina, que é posteriormente hidroxilada nos rins, resultando
na formação de 1,25-diOH-D3 (vitamina D3 ou calcitriol). Observe a figura a seguir:

Sol
UVB

ProD3 PreD3 Vitamina D3

Pele
Alimentação
Vitamina D2
Fígado Vitamina D3

25(OH)D

Rim

1,25(OH)2D

Figura 106 – Hidroxilação da vitamina D

É possível que você tenha obtido a informação de que a vitamina D é um hormônio. Apesar de não
ser produzida por uma glândula endócrina, estudos recentes demonstraram que a vitamina D participa
de inúmeras funções regulatórias vitais, ou seja, regula a expressão de mais de mil genes e, por isso, é
considerada um hormônio.

Os valores séricos da vitamina D considerados satisfatórios vão de 20 a 100 ng/mL. Valores abaixo de
20 ng/mL resultam em hipovitaminose. Para se atingir valores adequados, é necessária a exposição solar
com duração média de 15 minutos por dia no momento da emissão de RUVB. Entretanto, vários fatores
influenciam os níveis séricos de vitamina D, tais como o uso de protetor solar ou não, pigmentação da
pele, estado nutricional do indivíduo etc.

A forma biologicamente ativa da vitamina D está associada na regulação do crescimento das células,
prevenção do diabetes, prevenção da progressão do câncer a partir da redução da angiogênese, aumento

127
Unidade III

da diferenciação celular e apoptose das células cancerígenas, além de reduzir a proliferação de células
e as metástases.

Caso você tenha algum resultado de exame de dosagem de vitamina D, verifique no laudo qual foi
a forma de vitamina D dosada. Apesar da forma ativa da vitamina D ser a 1,25OH2D3, ela não é utilizada
para avaliar sua concentração sérica, pois sua meia-vida é de apenas quatro horas e sua concentração
é mil vezes menor do que a de 25(OH)D. Além disso, em caso de hipovitaminose D, ocorre aumento
compensatório na secreção do paratormônio (PTH), o que estimula o rim a produzir mais a 1,25OH2D3.
Desse modo, quando ocorre deficiência de vitamina D e queda dos níveis de 25(OH)D, as concentrações
de 1,25OH2D3 se mantêm dentro dos níveis normais e, em alguns casos, até mesmo mais elevadas. Isso
justifica a dosagem da forma 25(OH)D, que representa sua forma circulante em maior quantidade, com
meia-vida de cerca de duas semanas. Verifique no quadro a seguir algumas fontes da vitamina D.

Quadro 8 – Fontes de vitamina D

Alimento (100 g) Quantidade de vitamina D (VD)


Salmão selvagem 600 a 1.000 UI de VD3
Salmão de cativeiro 100 a 250 UI de VD2 OU VD3
Sardinha em lata 300 UI de VD3
Cavala em lata 250 UI de VD3
Atum em lata 230 UI de VD3
Cogumelo tipo shitake fresco 100 UI de VD2
Cogumelo tipo shitake ao sol 1.600 UI de VD2
Gema de ovo 20 UI de VD3

Adaptado de: Holick (2007).

Classicamente, a vitamina D é necessária para a mineralização óssea. Receptores de vitamina D


presentes nos osteoblastos controlam a síntese de proteínas como o colágeno, osteopontina,
osteocalcina e osteonectina, que constituem a fração proteica do osso sobre o qual será depositada
a matriz mineral.

A vitamina D também participa da absorção e utilização de cálcio e fósforo pelo organismo.


Esse mecanismo será estudado logo adiante na seção de sais minerais, no metabolismo do cálcio.
A deficiência de vitamina D é uma das principais causas de raquitismo e osteomalácia.

128
BIOQUÍMICA METABÓLICA

Ossos normais Raquitismo

Figura 107 – Ossos normais e raquitismo

O raquitismo é um distúrbio da mineralização da matriz óssea ainda em crescimento. Já a


osteomalácia também é um defeito de mineralização óssea, entretanto ocorre após o término do
crescimento e, portanto, só atinge a porção corticoendosteal do osso. A hipovitaminose D também
está associada a casos de osteoporose, que é a mais comum das doenças osteometabólicas. É uma
doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea, tornando o osso menos resistente e mais
sujeitos a fraturas.

É importante ressaltar que os receptores de vitamina D estão presentes em muitas células do


organismo e, assim, verificou-se a importância dessa vitamina para o bom funcionamento do sistema
imunológico. A quantidade ideal de vitamina D necessária não está completamente elucidada e é alvo
de muitas controvérsias clínicas.

Saiba mais

As pesquisas já comprovaram clinicamente que pacientes acometidos


por doenças autoimunes, em sua maioria, apresentam baixos níveis de
vitamina D. Vale a pena a leitura do artigo científico indicado.

MARQUES, C. D. L. et al. A importância dos níveis de vitamina D nas


doenças autoimunes. Revista Brasileira de Reumatologia, São Paulo, v. 50,
n. 1, jan./fev. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0482-50042010000100007. Acesso em: 31 jul. 2020.

129
Unidade III

Os casos de hipervitaminose D geralmente ocorrem em situações de excesso de suplementação.


Especial atenção deve-se ao fato de que os suplementos de vitamina D podem ser facilmente adquiridos
sem prescrição médica, em apresentações e dosagens variadas. Como a vitamina D é lipossolúvel e pode
ser armazenada no organismo, não raramente casos de intoxicação podem ocorrer. Não se sabe qual
é o limite superior de ingestão diária de vitamina D necessária para causar toxicidade, entretanto, até
10.000 UI por dia foi considerado seguro em uma população saudável. Doses acima de 100.000 UI por
semana ou meses podem causar perda de apetite, náuseas, sede e estupor.

8.1.3 Vitamina E

Vitamina E é o termo genérico para dois grupos de compostos que apresentam atividade vitamínica
semelhante: os tocóis e os tocotrienois. Os tocóis apresentam uma cadeia lateral saturada
contendo 16 átomos de carbono. Esse grupo inclui quatro dos oito compostos, sendo eles o α-tocoferol,
β-tocoferol, γ-tocoferol e o δ-tocoferol. A diferença entre essas moléculas reside na quantidade de
grupos metil, que substituem o anel aromático do tocol, (figura a seguir). Já os tocotrieóis incluem:
α-tocotrienol, β-tocotrienol, γ-tocotrienol e δ-tocotrienol. A diferença entre essas moléculas e as suas
homólogas anteriores é o fato de estas possuírem uma cadeia lateral insaturada contendo 16 átomos
de carbono. Todas essas moléculas homólogas possuem atividade biológica.
R1 R1
4 R1 R2
HO 6 5 HO
3 a CH3 CH3
2 R R R β CH3 H 2 R
7
O γ H CH3 O
R2 8 R2
1 4’ 8’ δ H H 3’ 7’ 11’
Tocoferóis Tocotrienóis

Figura 108 – Estrutura química dos tocoferóis e tocotrienóis

Os tocoferóis estão na forma de óleo viscoso amarelo-pálido quando estão à temperatura ambiente.
São muito solúveis em óleos e solventes orgânicos, e pouco sensíveis ao calor e à luz. São constituintes
naturais de todas as membranas biológicas e contribuem para a estabilidade da membrana devido a sua
atividade antioxidante. Os tocoferóis e os tocotrienóis de ocorrência natural também contribuem para
a estabilidade de óleos vegetais. Dessa forma, os tocoferóis são os únicos, entre as vitaminas, que agem
primariamente como antioxidantes, ou seja, diferentemente das demais vitaminas eles não atuam como
cofatores. Primariamente, essa vitamina protege os ácidos graxos insaturados da camada fosfolipídica
da membrana celular e, também, protege a partícula LDL da oxidação. A LDL oxidada é um importante
mediador de aterosclerose. A vitamina E também está associada com melhora da resposta imune e
estudos apontam que a associação dessa vitamina ao selênio mostrou-se benéfica.

8.1.4 Vitamina K

A descoberta da vitamina K tem um aspecto curioso, foi em 1929 que o bioquímico dinamarquês
Henrik Dam observou a presença de hemorragia em galinhas, como sinal característico de uma dieta
livre de gorduras. Posteriormente, em 1935, Dam reportou que o sintoma era aliviado pela ingestão
de uma substância solúvel em gordura, a qual denominou vitamina K ou vitamina da coagulação.

130
BIOQUÍMICA METABÓLICA

A designação vitamina K deriva da primeira letra da palavra dinamarquesa koagulation. As formas da


vitamina K são: filoquinona, di-hidrofiloquinona, menaquinona e menadiona. O quadro a seguir resume
as características das formas de vitamina K.

Quadro 9 – Diferentes formas de vitamina K

Vitamina K Fontes
K1 (Filoquinona) Presente nos vegetais, óleos vegetais e hortaliças
Sintetizada por bactérias, presente em produtos animais e
K2 (Menaquinona) alimentos fermentados
Composto sintético utilizado para terapia, a ser convertido
K3 (Menadiona) em K2 no intestino

A família das menaquinonas é composta por uma série de vitaminas designadas MK-n,
onde o n indica o número de resíduos isoprenoides na cadeia lateral. A menadiona (2-metil-1,4
naftoquinona) é um composto sintético normalmente utilizado como fonte da vitamina para
a alimentação animal. A figura a seguir indica a estrutura química das formas biologicamente
ativas da vitamina K.

O 3
O
Filoquinona O

O 6 O
Menaquinona‑7 Menadiona
[ ] * Número de resíduos isoprenoides das cadeias

Figura 109 – Estruturas das formas biologicamente ativas da vitamina K

O principal papel da vitamina K é a participação na coagulação sanguínea. E de que forma isso


acontece? A vitamina K é necessária para a síntese hepática de protrombina e dos fatores de coagulação
sanguínea II, VII, IX e X. Essas proteínas são sintetizadas como moléculas precursoras inativas.
A formação dos fatores de coagulação requer carboxilação de resíduos de ácido glutâmico, que é
dependente de vitamina K.

Deve-se ter atenção quanto ao uso de varfarina (anticoagulante cumarínico) e o consumo de


alimentos ricos em vitamina K. A varfarina é utilizada para tratar pacientes em risco por coagulação
excessiva, como pacientes cirúrgicos e trombose. Atua como um antagonista da vitamina K, inibindo
redutases envolvidas na síntese de hidroquinona a partir do epóxido, particularmente a epóxido-redutase.
Assim, a ação da varfarina e da vitamina K é antagônica.

131
Unidade III

Pró‑zimógeno Pró‑zimógeno
inativo carboxilado

CO2

O2
Vitamina KH2 Vitamina K epóxido
(hidroquinona)
OH O

CH3 CH3
O
R

OH O O

CH3

Vitamina K R Vitamina K
quinona‑redutase epóxido‑redutase
O
Vitamina K
Inibição pelo
varfarina

Figura 110 – Ação da varfarina na síntese dos fatores da cascata de coagulação

As principais fontes de vitamina K são os vegetais e óleos, sendo esses os responsáveis pelo aumento
da absorção da filoquinona. Boas fontes de vitamina K são: brócolis, couve-flor, agrião, rúcula, repolho,
alface, espinafre e outros vegetais verdes. Os óleos vegetais, como o azeite, também contam com o
nutriente. As oleaginosas e o abacate também possuem vitamina K.

Quadro 10 – Conteúdo de filoquinona nos alimentos

Faixa de concentração (µg de filoquinina por 100 g de alimento)


0,1-1,0 1-10 10-100 100-1000
Abacate (1,0) Maçã (6) Repolho roxo (19) Brócolis (179)
Bananas (0,1) Farelo de trigo (10) Couve-flor (31) Repolho (339)
Carne, bife (0,8) Manteiga (7) Ervilhas (34) Alface (129)
Leite de vaca (0,6) Cenoura (6) Óleo de oliva (80) Óleo de canola (123)
Arroz branco (0,1) Óleo de milho (3) Óleo de soja (173)
Batata (0,5) Aveia (10) Espinafre (380)
Iogurte (0,8) Gema de ovo (2) Agrião (315)

Adaptado de: Dôres; Paiva; Campana (2001).

Agora vamos resumir as funções e fontes das vitaminas estudadas até o momento.

132
BIOQUÍMICA METABÓLICA

Quadro 11 – Vitaminas lipossolúveis

Vitaminas Funções Fontes


lipossolúveis
Fígado, rins, ovos, laticínios,
Vitamina A Mecanismo da visão cenoura, espinafre e mamão
Fígado, gema de ovo, laticínios,
Vitamina D Manutenção óssea gérmen de trigo
Antioxidante Azeites, fígado, abacate e
Vitamina E
Previne peroxidação lipídica das membranas celulares vegetais de folhas verdes
Previne sangramentos
Vitamina K Vegetais verdes folhosos
Síntese de fatores da cascata da coagulação

8.1.5 Complexo B

O complexo B envolve um conjunto de vitaminas, são elas: vitamina B1 (tiamina), B2 (riboflavina),


B3 (niacina), B5 (ácido pantotênico), B6 (piridoxina), B7 (biotina), B9 (ácido fólico) e B12 (cianocobalamina).

De um modo geral, as vitaminas do complexo B participam como cofatores de inúmeras reações


bioquímicas do metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. A seguir iremos estudar individualmente
as vitaminas do complexo B.

Vitamina B1 (tiamina)

A forma ativa da tiamina é o pirofosfato de tiamina (TPP), formada pela transferência do grupo
pirofosfato do ATP para a tiamina. O pirofosfato de tiamina atua como coenzima na formação ou
degradação de α-cetóis pela transcetolase e na descarboxilação oxidativa dos α-cetoácidos. Também
atua como coenzima na descarboxilação-oxidação do piruvato, com sua conversão em acetil-CoA, e
do α-cetoglutarato no ciclo de Krebs, formando succinil-CoA; e nas reações das transcetolases, na
via das pentoses-fosfato. Desempenha papel importante na maioria das células, mas especialmente
no tecido nervoso, na descarboxilação oxidativa do piruvato e do α-cetoglutarato. A TTP é
importante na transmissão do impulso nervoso: a coenzima se localiza nas membranas periféricas
dos neurônios e é necessária para a biossíntese de acetillcolina e nas reações de translocação de íons
na estimulação nervosa.

A deficiência de tiamina resulta em perda do apetite, constipação, enjoo, depressão, neuropatia


periférica, irritabilidade e fadiga. Em casos de deficiência moderada, verifica-se confusão mental,
ataxia (andar cambaleante e disfunção motora) e oftalmoplegia (perda da coordenação ocular). E na
deficiência severa ocorre o beribéri em humanos, caracterizada pelo edema no sistema neuromuscular,
dor, atrofia e debilidade muscular, paralisia e que podem levar ao óbito.

A tiamina está presente no fígado e outras vísceras, gérmen de trigo, carnes magras, feijões, peixes,
gema de ovo e amendoim. A absorção da vitamina B1 é diminuída com o consumo de álcool.

133
Unidade III

Vitamina B2 (riboflavina)

As duas formas biologicamente ativas são flavina mononucleotídeo (FMN) e flavina-adenina


dinucleotídeo (FAD), formadas pela transferência de um AMP do ATP para o FMN. O FMN e o FAD podem
aceitar reversivelmente dois átomos de hidrogênio, formando FMNH2 ou FADH2.

A deficiência de riboflavina provoca dermatite, glossite (língua lisa e púrpura) e queilose (fissuras
nos cantos da boca). O FMN e o FAD provenientes dos alimentos são hidrolisados no intestino e liberam
a riboflavina. Esta, por sua vez, é absorvida e transportada pela corrente sanguínea para os tecidos alvos
em associação com a albumina. A riboflavina está presente em laticínios, fígado, rins, cereais, carnes
magras, peixes, ovos, brócolis e folhas verdes.

Vitamina B3 (niacina)

Também conhecida como ácido nicotínico. As formas biologicamente ativas da coenzima são
nicotinamida-adenina-dinucleotídeo (NAD+) e a nicotinamida-adenina-dinucleotídeo-fosfato (NADP+).
A nicotinamida é derivada do ácido nicotínico, que contém uma amida substituindo um grupo carboxila
e, também, ocorre na alimentação. A nicotinamida é desaminada no organismo e é nutricionalmente
equivalente ao ácido nicotínico. O NAD+ e o NADP+ são coenzimas que podem se transformar nas
formas reduzidas NADH e NADPH, respectivamente. Essas coenzimas também já foram estudadas
anteriormente e originam muitos ATP quando reoxidadas na cadeia respiratória.

A niacina está presente em cereais, levedura, amendoim, leite e carnes, principalmente no fígado.
A carência de niacina está associada à pelagra, cujos sintomas compreendem: dermatite, diarreia e
demência. O não tratamento da pelagra pode levar ao óbito.

Vitamina B5 (ácido pantotênico)

É um componente da coenzima A, a qual participa da transferência de grupos acila. A coenzima A


contém um grupo tiol que transporta compostos acila como ésteres do tiol ativados. Essas estruturas
foram estudadas na forma de succinil-CoA, acil-CoA e a acetil-CoA na unidade de carboidratos, e,
também, na unidade de lipídios, pois o ácido pantotênico é também um componente da sintetase
dos ácidos graxos.

A vitamina B5 é encontrada principalmente em fígado, coração, abacate, cogumelos, brócolis, gema


de ovo, leveduras, cereais integrais e legumes. A deficiência dessa vitamina é rara, geralmente associada
à desnutrição grave.

Vitamina B6

É uma denominação que engloba a piridoxina, o piridoxal e a piridoxamina, todos derivados


da piridina. A diferença entre essas estruturas reside na natureza do grupo funcional ligado ao
anel. A piridoxina ocorre principalmente nas plantas, enquanto o piridoxal e a piridoxamina são de
origem animal. As três formas de vitamina B6 podem ser precursoras da coenzima biologicamente
134
BIOQUÍMICA METABÓLICA

ativa, o piridoxal-fosfato. A vitamina B6 atua como coenzima nas reações de transaminação e


descarboxilação de aminoácidos e, também, participa do metabolismo da glicose e lipídios.

A piridoxina 5-fosfato (PLP) participa da síntese de neurotransmissores (GABA, serotonina,


epinefrina, noraepinefrina e GABA). Além disso, a PLP também é necessária para a reação de
conversão do triptofano em niacina (vitamina B3), que por sua vez é utilizada como coenzima pela
enzima glicogênio fosforilase, importante para via de glicogenólise e gliconeogênese.

A vitamina B6 pode ser encontrada em carnes, batata, grão-de-bico, cerais e banana. Os casos
graves de hipovitaminose B6 são as neuropatias e a anemia sideroblástica (deficiência na síntese
de hemoglobina).

Vitamina B7 (biotina)

É o grupo prostético de várias enzimas que participam em reações de carboxilação (atua como
carregador do CO2 ativado). As mais importantes dessas enzimas são a piruvato carboxilase (catalisa a
conversão do piruvato em oxalacetato), que participa da gliconeogênese; e a acetil-CoA carboxilase, que
catalisa a conversão do acetil-CoA em malonil-CoA e participa da biossíntese de ácidos graxos.

A deficiência de biotina é rara, pois essa vitamina está amplamente distribuída nos alimentos.
Além disso, as bactérias intestinais também produzem a biotina. Alimentos ricos em biotina incluem
amendoim, avelã, amêndoa, farelo de aveia, ovos e leite.

Vitamina B9 (ácido fólico)

A deficiência de ácido fólico pode ser causada por aumento na demanda (por exemplo, durante a
gestação e a lactação), absorção deficiente (causada por patologia do intestino delgado), alcoolismo
ou tratamento com drogas que são inibidoras da di-hidrofolato-redutase, como, por exemplo, o
metotrexato. A principal consequência da deficiência de ácido fólico é a anemia megaloblástica, causada
pela diminuição na síntese de bases nitrogenadas, o que leva a uma incapacidade da célula em produzir
DNA, o que consequentemente impede as células de se dividirem.

A deficiência de ácido fólico também pode causar defeitos do tubo neural ao nascimento, como
espinha bífida e anencefalia. Portanto é extremamente importante que as gestantes façam suplementação
de ácido fólico na dieta. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil (MS)
recomendam a dose de 400 µg (0,4 mg), diariamente, por pelo menos 30 dias antes da concepção até o
primeiro trimestre de gestação, para prevenir os defeitos do tubo neural, e durante toda a gestação para
prevenção da anemia. Em casos de antecedentes de malformações congênitas, a gestante deve tomar a
dose de 5 mg/dia a fim de reduzir o risco de recorrência de malformação.

Vitamina B12 (cianocobalamina)

É sintetizada somente por microrganismos. O termo vitamina B12 compreende uma família de
substâncias que apresentam um anel tetrapirrólico, que circunda um átomo central de cobalto,
135
Unidade III

um grupo nucleotídico que consiste na base 5,6-dimetilbenzimidazol, e numa ribose fosforilada


esterificada com 1-amino e 2-propanol, como esquematizado:
O R
H2N

CH3
CH3 NH2
O
H3C

H 2N O
H3C N N
NH2
Co
O O
N N CH3
H2N CH3
H3C O
O

CH3 NH2

N CH3
O O
P N
O CH3
H3C O
OH

HO

Figura 111 – Estrutura da vitamina B12

Os animais podem obter a vitamina B12 a partir da microbiota ou pela ingestão de alimentos de
origem animal. Essa vitamina não está presente nos vegetais. Os alimentos ricos em vitamina B12 são
fígado, leite e ovos.

Quadro 12 – Fontes de vitamina B12

Alimentos Peso (g) Vitamina B12 (µg)


Bife de fígado cozido 100 112
Mariscos no vapor 100 99
Ostras cozidas 100 27
Fígado de frango cozido 100 19
Coração cozido 100 14
Caranguejo cozido 100 9
Leite desnatado 245 0,93
Ovo cozido 50 0,49

Adaptado de: Cozzolino; Cominetti (2013).

136
BIOQUÍMICA METABÓLICA

A vitamina B12 é liberada das proteínas de origem animal e atravessa o estômago ligada ao fator
intrínseco gástrico (FI) produzido pelas células parietais gástricas. Essa ligação também protege a
vitamina B12 da ação das enzimas proteolíticas da luz intestinal. Posteriormente, a vitamina B12 se
adere a receptores específicos das células epiteliais do íleo terminal, onde é absorvida e ligada a um
transportador plasmático e lançada na circulação (figura a seguir). A vitamina B12, absorvida no íleo
terminal, é então ligada à transcobalamina (Tc II), adentra a circulação portal e é distribuída para as
células que expressam receptores específicos, os quais internalizam a vitamina na forma de complexo
Tc-vitamina B12. A presença de anticorpos bloqueadores de FI ou de anticorpos anticélulas parietais
pode levar à anemia perniciosa.
Dieta

B12
B12

Fl
Estômago Para o íleo
B12

Fl

Célula da mucosa
no íleo
B12
Fl

B12
B12

Proteína
ligadora
de B12

Figura 112 – Transporte da vitamina B12 ao longo do sistema digestório

A vitamina B12 participa da síntese da metionina e da isomerização da metilmalonil-CoA, que é


produzida na degradação de alguns aminoácidos e de ácidos graxos com número ímpar de carbono.
Na carência da vitamina B12, ácidos graxos anormais acumulam-se e são incorporados nas membranas
celulares, incluindo as do sistema nervoso. Isso pode contribuir para algumas manifestações neurológicas
da deficiência da vitamina B12.

137
Unidade III

A principal consequência da hipovitaminose B12 é a anemia megaloblástica. Isso ocorre porque,


durante a eritropoiese (processo de produção de hemácias), as células se dividem rapidamente e
necessitam de vitamina B12 para a síntese de nucleotídeos. Durante a formação das hemácias, as
formas N5-N10-metileno e N10-formil do tetraidrofolato são necessárias para a síntese de nucleotídeos,
utilizados na replicação do DNA.
Ácido fólico His Anel de purina

H2folato
N5, N10‑formil H4folato dTMP
H4folato H4folato
N5, N10‑metileno H4folato Ser

N10‑formil H4folato
Gly

HCOOH Anel de purina

N5‑metil H4folato

Metionina Homocisteína

Figura 113 – Interconversões metabólicas de ácido fólico e vitamina B12; a importante reação,
que depende de vitamina B12 e converte N5-metil tetra-hidrofloato (H4folato) de volta em
H4folato (indicada pela seta tracejada), desoxitimidina 5’ monofosfato (dTMP), serina (Ser) e glicina (Gly)

Especial atenção deve ser dada aos indivíduos que tenham sofrido gastrectomia total ou parcial,
os quais tornam-se deficientes ao fator intrínseco e não conseguem mais absorver a vitamina B12.
Vamos entender esse processo: a deficiência de vitamina B12 ocorre devido à retirada da mucosa
gástrica que produz o fator intrínseco. Esse fator liga-se à vitamina B12 para que ocorra sua absorção
no intestino. Essa falta de absorção pode gerar uma anemia carencial, podendo ser por deficiência de
vitamina B12 (anemia megaloblástica). Por isso é importante a suplementação com vitamina B12 após
a cirurgia bariátrica.

Observação

Quem precisa suplementar a alimentação com vitamina B12?


O vegetarianismo tem criado adeptos no Brasil e é importante saber que
há diferentes modalidades dentro dessa prática. O vegetariano é aquele

138
BIOQUÍMICA METABÓLICA

que não come nenhum tipo de carne. O vegano, não consome nenhum
produto proveniente de origem animal. Já os lactovegetarianos consomem
leite e laticínios e os ovolactovegetarianos também incluem os ovos na
sua alimentação. Vale lembrar que ovos, leite e queijos são de origem
animal e contêm essa vitamina. Assim, quem consome esses alimentos
regularmente, talvez não precise de complementação. Vegetarianos estritos
(que não utilizam alimentos fortificados) e vegetarianos que utilizam ovos
e laticínios com pouca frequência, talvez não obtenham a quantidade
diária recomendada de vitamina B12.

8.1.6 Vitamina C (ácido ascórbico)

Os seres humanos e outros primatas, bem como a cobaia, são os únicos mamíferos que não podem
sintetizar a vitamina C. Esse fato se deve à deficiência genética da enzima gulonolactona oxidase, que
impede a síntese do ácido L-ascórbico a partir da glicose.

A forma ativa da vitamina C é o ácido ascórbico. A principal função do ascorbato é como agente
redutor em diversas reações diferentes. Veja o potencial redutor da vitamina C:
HO HO HO

O O O
O – e–, – H+ O – e– O
.–
HO HO HO
+ e–, + H+ + e–

O OH O O O O

AscH– Asc.– DHA


Ascorbato Radical ascorbila Ácido desidroascórbico

Figura 114 – A oxidação do ácido ascórbico por um elétron (e−)


forma o radical ascorbila que, ao ser oxidado novamente,
gera ácido desidroascórbico; os elétrons são recebidos por compostos oxidantes

A vitamina C tem um papel essencial nas reações de hidroxilação da prolina para formar
hidroxiprolina, necessária para a síntese de colágeno. A deficiência de ácido ascórbico resulta no
escorbuto, uma doença caracterizada por sangramento gengival, dentes frouxos, fragilidade dos
vasos sanguíneos, edemas nas articulações e anemia. Esses sintomas foram verificados na época
das grandes navegações, quando a tripulação permanecia meses no mar. O médico escocês James
Lind foi o primeiro a correlacionar a alta morbidade e a mortalidade dos marinheiros ingleses com a
deficiência da vitamina C.

Outro papel importante da vitamina C é também facilitar a absorção do ferro da dieta no intestino.
Talvez você já tenha escutado que tomar suco de laranja favorece a absorção do ferro do feijão,
e isso é verdade.

139
Unidade III

Quadro 13 – Teor de vitamina C em alimentos

Alimentos Vitamina C mg/100 g


Acerola 1.700
Caju 252
Couve 105
Goiaba 273
Quiuí 71
Laranja 48,3
Mamão papaia 61,4
Tangerina poncã 48,8

Adaptado de: Cozzolino; Cominetti (2013).

O quadro a seguir resume as funções e as fontes das vitaminas hidrossolúveis estudadas anteriormente.

Quadro 14 – Vitaminas hidrossolúveis

Vitaminas hidrossolúveis Funções Fontes


Biossíntese da acetilcolina; participa no Carnes, gema de ovo, leveduras, cereais
B1 (tiamina) funcionamento do sistema nervoso integrais e frutas secas
Flavina mononucleotídeo (FMN) e flavina adenina Carnes e laticínios, cereais, leveduras e
B2 (riboflavina) dinucleotídeo (FAD); respiração celular; integridade da vegetais verdes
pele, mucosas e sistema ocular
Nicotinamida-adenina-dinucleotídeo (NAD+) e a Carnes, fígado e rins, laticínios, ovos,
B3 (niacina) nicotinamida-adenina-dinucleotídeo-fosfato NADP+ cereais integrais, levedura e legumes
Fígado, coração, abacate, cogumelos,
Componente da coenzima A, utilizada na síntese de
B5 (ácido pantotênico) brócolis, gema de ovo, leveduras, cereais
ácidos graxos integrais e legumes
Reações de transaminação e descarboxilação de
B6 (piridoxina, piridoxal e aminoácidos; síntese de neurotransmissores (GABA, Carnes, batata, grão-de-bico, cerais e
piridoxamina) serotonina, epinefrina, noraepinefrina e GABA); banana
conversão do triptofano em niacina (vitamina B3)
Participam de reações de carboxilação (atua como Amendoim, avelã, amêndoa, farelo de
B7 (biotina) carregador do CO2 ativado) aveia, ovo e leite
Divisão celular, formação das hemácias, fechamento Carnes, fígado, verduras verde-escuras e
B9 (ácido fólico) do tubo neural cereais integrais
Elaboração de células, síntese de hemoglobina, atua no Sintetizada pelo organismo; carnes e
B12 (cianocobalamina) sistema nervoso laticínios
Formação do colágeno, antioxidante, favorece a
C (ácido ascórbico) Vegetais verdes e frutas cítricas
absorção do ferro

Exemplo de aplicação

Estudos mostram que algumas vitaminas podem ser utilizadas no tratamento da dor neuropática.
Pesquise qual das vitaminas estudadas podem ser utilizadas em monoterapia ou combinada a outros
fármacos como os anti-inflamatórios.

140
BIOQUÍMICA METABÓLICA

8.2 Sais minerais

Os sais minerais são micronutrientes essenciais para as reações metabólicas e atuam como cofatores.
Também participam da regulação dos impulsos nervosos, da atividade muscular e do equilíbrio ácido‑base.
Fazem parte desse grupo cálcio, sódio, iodo, fósforo, entre outros.

E onde estão presentes os minerais? Nos alimentos de origem animal e vegetal. Os minerais podem ser
classificados de acordo com sua necessidade diária em: macrominerais, microminerais e elementos‑traço.
Os macrominerais são aqueles cuja necessidade diária é maior que 100 mg. As principais funções
estão associadas à estrutura e formação óssea, regulação dos fluidos corporais e secreções digestivas.
Fazem parte desse grupo: cálcio, fósforo, magnésio, cloreto, sódio e potássio. Já os microminerais são
aqueles que possuem necessidade inferior a 50 mg por dia, como é o caso de ferro, zinco, selênio, cobre,
iodo e manganês. As funções desses minerais estão relacionadas às reações bioquímicas, ao sistema
imunológico e à ação antioxidante.

A seguir iremos discorrer sobre as funções e fontes dos principais minerais.

8.2.1 Cálcio

A maior parte do cálcio no corpo humano (99%) está sob a forma de fosfato de cálcio na matriz
óssea de ossos e dentes. O restante do cálcio (1%) localiza-se nos meios intra e extracelular. O cálcio
participa de formação óssea, coagulação, transmissão nervosa e, também, contração muscular.
A absorção desse mineral ocorre na borda em escova do enterócito onde se liga a calbindina, de
modo a manter o cálcio em solução, já que é pouco solúvel em meio aquoso. Esse processo é
regulado pela vitamina D, que interage na membrana plasmática da borda em escova, abrindo
canais de cálcio. A vitamina D também atua facilitando a absorção de cálcio nos rins, aumentando a
calcificação e a mineralização óssea. Quando o equilíbrio homeostático do cálcio é rompido, podem
ocorrer quadros de hipercalcemia ou hipocalcemia. E como manter a homeostasia do cálcio? Esse
equilíbrio é realizado pelo paratormônio (PTH) e pela vitamina 1,25(OH)2D. Quando os níveis de
cálcio no plasma diminuem, ocorre aumento da produção de PTH, que age em várias células, entre
elas os osteoclastos, e isso favorece a atividade dessas células, que aumentam a reabsorção óssea
e, consequentemente, ocorre elevação da calcemia. Além disso, o PTH favorece a expressão gênica
de vitamina D, que, na sua forma ativa, intensifica a absorção intestinal do cálcio, por aumentar
a concentração das bombas de cálcio nas células intestinais. Desse modo, PTH e vitamina D estão
relacionados na manutenção da calcemia.

141
Unidade III

UVB
Alimentos

Pele Vitamina D3 Vitamina D2


7‑deidrocolesterol

25‑Hidroxilase

Fígado

25(OH)D

Rim

1,25‑Hidroxilase

Paratireoides
PTH – 1,25(OH)D2

Absorção/Excreção
Túbulos renais de
cálcio e fósforo
Osso Intestino

+ +
Homeostase do
cálcio e fósforo

Figura 115 – Fontes e metabolismo da vitamina D: UVB (ultravioleta B); vitamina D3: colecalciferol; vitamina D2:
ergocalciferol; 25(OH)D: 25 hidroxivitamina D; 1,25(OH)2 D: 1,25 di-hidroxivitamina D (calcitriol); PTH: hormônio paratireoidiano

Esse mineral está presente nos alimentos de origem animal e vegetal, no entanto, o cálcio de fontes
vegetais sofre a ação de substâncias, como o oxalato e o fitato, que reduzem sua absorção, sendo o
cálcio de fontes animais mais prontamente disponível. A hipocalcemia está associada à osteoporose, a
fraturas e à fraqueza muscular. Já o excesso de cálcio plasmático está associado à presença de cálculo
renal e insuficiência renal. As principais fontes são: leites e derivados, cereais integrais, castanhas, soja e
derivados, vegetais verde-escuros.
142
BIOQUÍMICA METABÓLICA

8.2.2 Fósforo

Assim como o cálcio, participa da estrutura de ossos e dentes. É essencial na composição das
moléculas de DNA, RNA e ATP. A carência de fósforo é rara, uma vez que está presente na maioria dos
alimentos, mas em casos isolados pode causar fraturas e atrofia muscular. Os alimentos ricos em fósforo
são: leites e derivados, cereais integrais, leguminosas e carnes.

8.2.3 Magnésio

É o segundo cátion em maior concentração no organismo. Participa como cofator de várias reações,
modula a função de canais iônicos e atua em associação ao ATP na ativação ou desativação de vias de
transdução de sinal, por exemplo, na sinalização da insulina. Cerca de 60% do magnésio no organismo
encontra-se nos tecidos mineralizados (ossos e dentes), e o restante distribuído no musculoesquelético
e outros tecidos. Observa-se um crescente interesse na elucidação dos processos bioquímicos regulados
pelo magnésio. A carência de magnésio acarreta fraqueza e hipertensão. Já o excesso causa diarreia.
E as principais fontes são: leite e derivados, castanhas, vegetais verde-escuros, frutas cítricas e
chocolate amargo.

8.2.4 Sódio, cloreto e potássio

Vamos abordar em conjunto esses três eletrólitos juntos, pois são componentes essenciais de fluidos
corporais, como sangue e urina, e regulam a distribuição de água ao longo do organismo, além de
desempenhar papel importante no equilíbrio ácido-básico. Considerando os fluídos corporais, o sódio
(Na+) é o principal cátion extracelular, o potássio (K+) é o principal cátion intracelular, e o cloro (Cl-) é o
principal ânion extracelular. A bomba de Na-K ATPase das membranas celulares tem a propriedade de
manter as concentrações de Na+ e K+ constantes. Essa bomba transporta de forma ativa o Na+ para o
exterior das células e K+ para o interior.

O sódio também é essencial para as contrações musculares e transmissão de impulsos nervosos.


A regulação da concentração de sódio no organismo é controlada pela aldosterona, um hormônio
secretado pelo córtex adrenal que estimula a reabsorção de sódio nos túbulos renais ao mesmo tempo
em que facilita e excreção de potássio. A carência de sódio provoca câimbras, desidratação, tonturas
e hipotensão arterial. E o excesso leva a pressão alta, ataque cardíaco e aumento da perda de cálcio.
As principais fontes de sódio são: sal de cozinha, alimentos processados e carnes defumadas.

A importância do potássio no equilíbrio ácido-básico deve-se à competição entre os íons potássio


e prótons (H+). Na acidose, para cada potássio retido, ocorre eliminação de um hidrogênio, enquanto
que na alcalose ocorre o contrário, ou seja, no caso de uma acidose, na tentativa de manter o pH do
sangue, o potássio sai da célula com a entrada do próton, enquanto que na alcalose o potássio entra na
célula com a saída do próton. A carência de potássio reduz a atividade muscular, inclusive do miocárdio.
Algumas fontes de potássio são frutas, verduras, leite e derivados.

O cloro, além de participar do equilíbrio ácido-básico, também tem importância na produção do


ácido clorídrico. O cloreto das secreções gástricas é proveniente do cloreto do sangue, que é reabsorvido
143
Unidade III

durante os últimos estágios da digestão no intestino. O cloreto está presente principalmente no sal de
cozinha e nos alimentos processados.

8.2.5 Ferro

Apresenta a propriedade de aceitar e doar elétrons, o que o torna essencial em várias reações
biológicas. Estudamos anteriormente que o ferro está presente na molécula heme e em diversas
proteínas. O ferro utilizado pelo organismo é proveniente da alimentação e da reciclagem de
hemácias senescentes.

O ferro da dieta é encontrado sob duas formas: heme e não heme. A aquisição da forma heme
corresponde a 1/3 do total e é proveniente da degradação da hemoglobina e da mioglobina presentes
na carne vermelha. Os ovos e laticínios fornecem menor quantidade de ferro heme, que é mais bem
absorvido do que a forma não heme. O ferro inorgânico está presente em grãos e vegetais, principalmente
na forma férrica (Fe+3). A absorção do ferro férrico é melhor na presença de vitamina C. A carência de
ferro provoca a anemia ferropriva, o que acarreta fornecimento diminuído de oxigênio para os tecidos e
fadiga, entre outros sintomas. Já o excesso de ferro é tóxico e pode ter origem hereditária ou secundária,
sendo a causa mais comum aquela determinada por condições genéticas.

Na hemocromatose hereditária verifica-se alteração no controle de absorção de ferro pelo intestino que,
além de inapropriada, resulta em acúmulo e toxicidade de diferentes tecidos (coração, fígado e pâncreas.)
prejudicando o seu funcionamento. Além disso, o acúmulo de ferro pode estar relacionado às anemias
hereditárias. As fontes alimentares de ferro são carnes, miúdos, gema de ovo, leguminosas e cereais integrais.

Observação

O estoque de ferro no organismo fica nas células reticuloendoteliais do


fígado, baço e medula óssea, nas formas de ferritina e hemossiderina.

8.2.6 Zinco

É cofator de várias enzimas, entre elas fosfatase alcalina, anidrase carbônica, carboxipeptidase e
desidrogenase alcoólica. Também é ativador das enzimas DNA e RNA polimerases, estudadas na temática
de ácidos nucleicos. Em caso de deficiência, observa-se diminuição na velocidade de crescimento, perda
do paladar e do olfato.

As principais fontes de zinco são as carnes, frutos do mar, ovos, leguminosas e castanhas.

8.2.7 Selênio

Atua em conjunto à vitamina E na proteção das membranas celulares prevenindo a ação


dos radicais livres. O selênio é cofator de várias enzimas e um componente essencial da enzima
glutationa peroxidase (GSH-Px), que está presente em grande quantidade nas hemácias. Essa
144
BIOQUÍMICA METABÓLICA

enzima converte o H2O2 em O2 e H2O, com a conversão de glutationa reduzida (GSH) para glutationa
oxidada (GSSG). Essa reação permite a eliminação de espécies reativas de oxigênio das células
e, portanto, protege as células de agentes oxidantes. O excesso de selênio é tóxico e a ingestão
de altas doses promove a perda de cabelo, unhas e dentes. Essa informação é importante, pois o
selênio está presente em grandes quantidades nas castanhas, sobretudo na castanha-do-pará.
E qual é a quantidade de castanhas que podemos ingerir de forma segura? Será que já realizaram
estudos científicos a respeito?

Saiba mais

Para saber mais sobre a castanha-do-pará, sugerimos a leitura do


seguinte artigo científico:

DONADIO, J. et al. Influence of genetic variations in selenoprotein genes


on the pattern of gene expression after supplementation with Brazil nuts.
Nutrients, v. 9, n. 7, p. 739, 11 jul. 2017. Disponível em: https://www.ncbi.
nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5537853/. Acesso em: 14 ago. 2020.

8.2.8 Cobre

É cofator de várias enzimas, entre elas a citocromo oxidase, as transaminases e a superóxido


dismutase. A carência de cobre resulta em falha na produção de colágeno e de elastina, fraturas
ósseas, osteoporose, anemia e diminuição do número de leucócitos (leucopenia). O transporte e o
armazenamento do cobre são realizados pela ceruloplasmina, e a dosagem dessa proteína plasmática
pode indicar estados carenciais.

Observação

Alguns casos de intoxicação pelo cobre foram descritos em agricultores


de Portugal que utilizavam na produção do vinho misturas à base de cobre,
conhecidas como misturas de Bordeaux. Esses agricultores apresentaram
febre, diminuição de apetite, fraqueza muscular e complicações hepáticas
e pulmonares. As principais fontes de cobre são os miúdos, frutos do mar,
cereais integrais e vegetais verde-escuros.

8.2.9 Iodo

É essencial para a produção dos hormônios tireoidianos: tirosina (T4) e tri-iodotironina (T3) que
controlam o metabolismo da água, das proteínas, dos carboidratos, dos lipídeos e de outros minerais.
A carência do iodo pode resultar em uma patologia denominada bócio, e o excesso resulta no

145
Unidade III

aumento da concentração do hormônio estimulante da tireoide (TSH). Desde 1957 é obrigatória a


iodação do sal no Brasil e essa é a maneira mais eficiente para controlar os distúrbios por deficiência
de iodo, pois não afeta as propriedades organolépticas do sal. Além do sal, o iodo está presente nos
alimentos marinhos.

Observação

A síntese dos hormônios tireoidianos são a tiroxina e a tri-iodotironina,


que contém, respectivamente, quatro e três átomos de iodo, e depende do
aminoácido tirosina.

Resumo

O grupo heme tem importância biológica por ser grupo prostético de


proteínas, as hemeproteínas. Uma das mais conhecidas é a hemoglobina,
responsável por carrear O2 no sangue e pela sua coloração vermelha.
Além da hemoglobina, o grupo heme está presente na mioglobina, nos
citocromos, nas catalases e nas peroxidases. Assim, estudamos a síntese e a
degradação do grupo heme.

A síntese do grupo heme é constituída por oito reações que ocorrem


no citoplasma e na mitocôndria das células. Caso o indivíduo apresente
mutação genética em uma dessas enzimas, haverá acúmulo de determinados
intermediários da síntese do grupo heme na medula óssea ou no fígado.
Um fato importante é que esses intermediários são potencialmente
tóxicos, consequentemente, o seu acúmulo na pele ou nas vísceras pode
desencadear a sintomatologia das doenças que são denominadas porfirias.

Já na degradação do grupo heme estudamos as icterícias. Esse sinal clínico,


denominado icterícia, ocorre pelo aumento da concentração plasmática do
produto de degradação do grupo heme, a bilirrubina. A sua produção está
dividida em três fases: captação, conjugação e secreção hepática. E as patologias
que levam ao aparecimento da icterícia podem afetar uma das fases citadas.

Vitaminas são moléculas orgânicas necessárias ao correto funcionamento


do metabolismo e devem ser obtidas através da alimentação. Grande
parte das vitaminas funciona como coenzimas ou cofatores enzimáticos,
mas algumas funcionam como hormônios (vitamina D). As vitaminas são
classificadas como hidrossolúveis (complexo B e vitamina C) ou lipossolúveis
(A, D, E e K) de acordo com a sua solubilidade em água. A carência de
vitaminas provoca estados clínicos bem estabelecidos. Em muitos casos, a
ingestão excessiva desses micronutrientes também pode provocar doenças.
146
BIOQUÍMICA METABÓLICA

Já os sais minerais, assim como as vitaminas, não fornecem calorias,


mas se encontram no organismo desempenhando diversas funções,
como a regulação do metabolismo ácido-base; participando do equilíbrio
hidro-osmótico, facilitam a transferência de compostos pelas membranas
celulares, entre outras funções. As quantidades a serem ingeridas de
cada mineral variam de microgramas a gramas por dia. E as necessidades
nutricionais são atingidas quando o indivíduo realiza uma alimentação
diversificada, com o fornecimento adequado de alimentos, tanto de origem
animal quanto vegetal.

O consumo adequado de vitaminas e minerais é importante para a


manutenção de diversas funções celulares. Assim, a ingestão inadequada
desses micronutrientes pode potencialmente levar a estados de carência
nutricional, sendo conhecidas diversas manifestações patológicas por
elas produzidas.

Exercícios

Questão 1. (IBFC 2016) A bilirrubina é o produto catabólico do heme. Cerca de 75% de toda a bilirrubina
é derivada da hemoglobina das hemácias senescentes, que são fagocitadas pelas células mononucleares
do baço, medula óssea e fígado. As concentrações aumentadas de bilirrubina são rapidamente
reconhecidas clinicamente, porque a bilirrubina dá a cor amarela à pele (icterícia). Anormalidades no
metabolismo da bilirrubina são importantes indicadores no diagnóstico da doença hepática. Sobre o
metabolismo, dosagem e significados clínicos da bilirrubina, assinale a alternativa incorreta:

A) No paciente ictérico, sempre há o predomínio no aumento da bilirrubina indireta.

B) Níveis elevados de bilirrubina total e direta podem ser encontrados em doença hepatocelular ou biliar.

C) Aumento isolado de bilirrubina indireta pode ocorrer quando a taxa de produção excede
à de conjugação.

D) Na cirrose, ocorre uma piora na excreção biliar, resultando em hiperbilirrubinemia direta.

E) A bilirrubina total é formada pela soma da bilirrubina indireta (não conjugada) e da bilirrubina
direta (conjugada).

Resposta correta: alternativa A.

Análise das alternativas

A) Alternativa incorreta.

147
Unidade III

Justificativa: no paciente ictérico, sempre há o predomínio no aumento da bilirrubina direta ou


conjugada, que corresponde a alguma lesão hepática ou obstrução biliar.

B) Alternativa correta.

Justificativa: o aumento da bilirrubina direta é problema relacionado ao fígado ou às vias biliares,


incluindo nas causas hepatite viral, pedra nas vias biliares, tumor no fígado ou bile e cirrose.

C) Alternativa correta.

Justificativa: os níveis de bilirrubina indireta (não conjugada) ocorrem por alteração no sangue, cuja
substância se forma quando os glóbulos vermelhos são destruídos e depois transportados para o fígado
(causas: anemia hemolítica, anemia perniciosa, transfusões de sangue, hemoglobinopatias), e sua taxa
fica maior que a bilirrubina direta.

D) Alternativa correta.

Justificativa: os pacientes cirróticos parecem ter depleção de glicogênio hepático e muscular


por apresentarem alteração na sua síntese. Desse modo, a oxidação de glicose está diminuída, o que
aumenta a dependência à gordura como substrato energético e, portanto, ocorre a piora na excreção da
bile, produzida pelo fígado.

E) Alternativa correta.

Justificativa: a bilirrubina total e os níveis de bilirrubina direta são medidos no sangue, enquanto
os níveis de bilirrubina indireta são derivados a partir das medições de bilirrubina total e direta.

Questão 2. (UDESC-SC 2014) As vitaminas são compostos orgânicos presentes nos mais
variados tipos de alimentos, e são essenciais ao bom funcionamento do metabolismo humano.
Associe os tipos de vitaminas e as suas funções no organismo.

(1) Vitamina A

(2) Vitamina D

(3) Vitamina E

(4) Vitamina B6

(5) Vitamina B12

I – Imprescindível à produção de insulina e à manutenção do sistema imunológico. Regulação


do cálcio no sangue e nos ossos. Reduz o risco de doenças renais. É sintetizada com ajuda
de raios solares.
148
BIOQUÍMICA METABÓLICA

II – Importante oxidante que protege a membrana das células da ação de radicais livres. Está
relacionada à formação dos ossos e proteção da pele. Desempenha função vital no ciclo visual.

III – Participa da multiplicação de todas as células e da produção de hemácias e das células do


sistema imunológico. Influencia o sistema nervoso e é responsável pela produção de hormônios.

IV – Responsável pela formação de hemácias e multiplicação celular. Evita a anemia, auxilia na


coagulação do sangue e acelera o crescimento.

V – É antioxidante e previne abortos. Alivia cãibras, distensões musculares e acelera a cura de


lesões na pele.

Assinale a alternativa que apresenta a associação correta.

A) I-3, II-4, III-5, IV-2, V-1.

B) I-2, II-1, III-5, IV-3, V-4.

C) I-3, II-1, III-5, IV-4, V-2.

D) I-2, II-4, III-1, IV-5, V-3.

E) I-2, II-1, III-4, IV-5, V-3.

Resposta correta: alternativa E.

Análise da questão

I – (2) Vitamina D: necessária para a manutenção do tecido ósseo, também influencia o sistema
imunológico. É produzida na exposição à luz solar.

II – (1) Vitamina A: essencial para a visão e o crescimento. Pode ser encontrada nos alimentos
de origem animal, na forma de retinoides, e naqueles de origem vegetal, em forma de grupos de
carotenoides, que inclui o betacaroteno.

III – (4) Vitamina B6: também chamada de piridoxina, está presente em alimentos como peixes, fígado,
batata e frutas. Mantém o metabolismo e a produção de energia adequados, protege os neurônios e
produz neurotransmissores, substâncias importantes para o bom funcionamento do sistema nervoso.

IV – (5) Vitamina B12: também chamada cobalamina ou cianocobalamina, pertence às vitaminas do


complexo B, é biodisponível e sua absorção ocorre no íleo (intestino delgado). Metabolizado no fígado e
excretado pelos rins. É importante para a saúde dos sistemas nervoso e cardiovascular.

V – (3) Vitamina E: é um poderoso antioxidante, que age combatendo os radicais livres e reduzindo
os riscos de doenças cardiovasculares e cerebrais degenerativas.
149
Unidade III

FIGURAS E ILUSTRAÇÕES

Figura 1

MARZZOCO, A.; TORRES, B. B. Bioquímica básica. 3. ed. São Paulo: Guanabara-Koogan, 2011. p. 8.

Figura 2

PG120_03.PNG. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_9755/


pg120_03.png. Acesso em: 10 set. 2020. Adaptada.

Figura 10

ALBINISMO_EN_LA_RAZA_NEGRA.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/


commons/4/44/Albinismo_en_la_raza_negra.jpg. Acesso em: 29 jun. 2020. Adaptada.

Figura 11

CONTEUDO_9320/A_55_1.JPG. Disponível em: https://conteudoonline.objetivo.br/imagens/


conteudo_9320/A_55_1.jpg. Acesso em: 29 jun. 2020.

Figura 18

1088F1.GIF. Disponível em: http://www.scielo.br/img/fbpe/qn/v22n3/1088f1.gif. Acesso em: 29


jun. 2020. Adaptado.

Figura 19

PRODUCTION/B7DAB7692E1881902DFF6249322DA49E1293A468-3792X1556.PNG. Disponível em:


https://cdn.sanity.io/images/ziron7ww/production/b7dab7692e1881902dff6249322da49e1293a468-
3792x1556.png. Acesso em: 11 ago. 2020.

Figura 33

AULA_14971/01.PNG. Disponível em: https://conteudoonline.objetivo.br/imagens/aula_14971/01.png.


Acesso em: 29 jun. 2020. Adaptada.

Figura 34

AULA_14971/02.PNG. Disponível em: https://conteudoonline.objetivo.br/imagens/aula_14971/02.png.


Acesso em: 29 jun. 2020. Adaptada.

150
Figura 35

AULA_1307/01.20.PNG. Disponível em: https://conteudoonline.objetivo.br/imagens/Aula_1307/01.20.


png. Acesso em: 11 ago. 2020.

Figura 37

KREBS-13091-CONTENT-PORTRAIT-MOBILE-TINY.JPG. Disponível em: https://www.nobelprize.org/


images/krebs-13091-content-portrait-mobile-tiny.jpg. Acesso em: 29 jun. 2020.

Figura 50

IMAGENS/2020/01/25/E591C4D5-BFD5-4D7C-973F-015B6443D0EE.PNG. Disponível em: https://


conteudoonline.objetivo.br/Imagens/2020/01/25/e591c4d5-bfd5-4d7c-973f-015b6443d0ee.png
Acesso em: 29 jun. 2020.

Figura 56

FERREIRA, C. P.; JARROUGE, M. G.; MARTIN, N. F. Bioquímica básica. 10 ed. São Paulo: Luana, 2003.
p. 101. Adaptado.

Figura 58

CORI-GT-13052-CONTENT-PORTRAIT-MOBILE-TINY.JPG. Disponível em: https://www.nobelprize.org/


images/cori-gt-13052-content-portrait-mobile-tiny.jpg. Acesso em: 29 jun. 2020.

Figura 64

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 89.

Figura 65

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 88.

Figura 66

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 94.

Figura 67

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 99.

151
Figura 68

AULAS2D/FOSFATIDATO.GIF. Disponível em: http://www.lbqp.unb.br/bioq/images/aulas2D/fosfatidato.


gif. Acesso em: 11 ago. 2020.

Figura 69

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 97.

Figura 70

TRAMONTANO, L. A fixação e a transitoriedade do gênero molecular. Horizontes Antropológicos, a. 23,


n. 47, p. 163-189, abr. 2017. p. 175. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ha/v23n47/0104-7183-
ha-23-47-0163.pdf. Acesso em: 17 ago. 2020.

Figura 72

IMAGENS/CONTEUDO_9643/131_0.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/


imagens/conteudo_9643/131_0.gif. Acesso em: 29 jul. 2020.

Figura 73

A) CONTEUDO_9643/IMAGEM133.JPG. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/


imagens/conteudo_9643/imagem133.jpg.

B) CONTEUDO_9643/IMAGEM139.JPG. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/


imagens/conteudo_9643/imagem139.jpg. Acesso em: 11 ago. 2020. Adaptadas.

Figura 74

A) CONTEUDO_6859/149.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_6859/149.gif. Acesso em: 29 jul. 2020. Adaptada.

B) CONTEUDO_6859/148.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_6859/148.gif. Acesso em: 29 jul. 2020. Adaptada.

Figura 75

CONTEUDO_9643/139_0.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9643/139_0.gif. Acesso em: 29 jul. 2020.

Figura 76

CELL_CYCLE-ES.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/45/Cell_Cycle-


es.jpg. Acesso em: 29 jul. 2020.
152
Figura 77

AULA_9550/13.JPG. Disponível em: https://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/Aula_9550/13.jpg.


Acesso em: 29 jul. 2020.

Figura 78

CONTEUDO_9643/138_0.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9643/138_0.gif. Acesso em: 29 jul. 2020. Adaptada.

Figura 80

EXON-INTRON_2.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fd/Exon-


intron_2.jpg. Acesso em: 29 jul. 2020.

Figura 82

COMMONS/5/5D/2_K%C3%B6SZV%C3%A9NY.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/


wikipedia/commons/5/5d/2_k%C3%B6szv%C3%A9ny.JPG. Acesso em: 30 jul. 2020. Adaptada.

Figura 83

CONTEUDO_9643/150_0.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9643/150_0.gif. Acesso em: 30 jul. 2020.

Figura 84

CODONES-ARN.PNG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5a/Codones-


ARN.png. Acesso em: 30 jul. 2020.

Figura 85

CONTEUDO_9643/143_0.GIF. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9643/143_0.gif. Acesso em: 11 ago. 2020. Adaptada.

Figura 86

IMAGEM180_MENOR.JPG. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9694/imagem180_menor.jpg. Acesso em: 30 jul. 2020.

Figura 87

MARZZOCO, A.; TORRES, B. B. Bioquímica básica. 3. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2011. p. 146.

153
Figura 88

MARZZOCO, A.; TORRES, B. B. Bioquímica básica. 3. ed. São Paulo: Guanabara-Koogan, 2011. p. 259.

Figura 89

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 149.

Figura 90

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 150.

Figura 91

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 150.

Figura 92

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 152.

Figura 93

MANTZOURANIS, L. Bioquímica. São Paulo: Sol, 2018. p. 153.

Figura 94

CONTEUDO_9694/IMAGEM150. Disponível em: https://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9694/imagem150.jpg. Acesso em: 31 jul. 2020.

Figura 95

CONTEUDO_9694/04.PNG. Disponível em: https://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9694/04.png. Acesso em: 31 jul. 2020.

Figura 96

CONTEUDO_9694/02.PNG. Disponível em: https://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/


conteudo_9694/02.png. Acesso em: 11 ago. 2020. Adaptada.

Figura 97

GROTTO, H. Z. W. Fisiologia e metabolismo do ferro. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia,


v. 32, s. 2, pp. 8-17, maio 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbhh/v32s2/aop50010.pdf.
Acesso em: 30 jul. 2020. Adaptada.
154
Figura 98

FERREIRA, F. R. L.; SILVA, C. A. de A.; COSTA, S. X. DA. Porfiria aguda intermitente, um importante e raro
diagnóstico diferencial de abdômen agudo: relato de caso e revisão da literatura. Revista Brasileira de
Terapia Intensiva, v. 23, n. 4, p. 510-514, dez. 2011. p. 512. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/
rbti/v23n4/a18v23n4.pdf. Acesso em: 14 ago. 2020. Adaptada.

Figura 102

AMBRÓSIO, C. L. B.; CAMPOS, F. de A. C. S.; FARO, Z. P. DE. Carotenoides como alternativa contra a
hipovitaminose A. Revista de Nutrição, v. 19, n. 2, p. 233-243, abr. 2006. Disponível em: https://www.
scielo.br/pdf/rn/v19n2/a10v19n2.pdf. Acesso em: 14 ago. 2020. p. 235.

Figura 103

AMBRÓSIO, C. L. B.; CAMPOS, F. de A. C. S.; FARO, Z. P. DE. Carotenoides como alternativa contra
a hipovitaminose A. Revista de Nutrição, v. 19, n. 2, p. 233-243, abr. 2006. Disponível em: https://
www.scielo.br/pdf/rn/v19n2/a10v19n2.pdf. Acesso em: 14 ago. 2020. p. 234.

Figura 104

YONEKURA, L.; NAGAO, A. Intestinal absorption of dietary carotenoids. Molecular Nutrition &
Food Research, v. 51, n. 1, p. 107-115, jan. 2007. Adaptada.

Figura 105

CASTRO, L. C. G. O sistema endocrinológico vitamina D. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia


Metabólica, v. 55, n. 8, p. 566-575, out. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/abem/
v55n8/10.pdf. Acesso em: 14 ago. 2020. p. 568.

Figura 106

REKHAWI, H. A. S.; ABU-NASER, S. S.; AYYAD, A. Rickets Expert System Diagnoses and Treatment.
International Journal de Engineering e Information Systems, v. 1, n. 1, p. 149-159, jun. 2017.
Disponível em: https://zenodo.org/record/821188/files/IJEAIS170613.pdf?download=1. Acesso em:
31 jul. 2020. p. 152. Adaptada.

Figura 107

AL REKHAWI, H.; AYYAD, A. A.; NASER, S. S. A. Rickets expert system diagnoses and treatment.
International Journal of Engineering and Information Systems, v. 1, n. 1, p. 149-159, 2017.
Disponível em: https://zenodo.org/record/821188/files/IJEAIS170613.pdf?download=1. Acesso em:
37 jul. 2020. p. 149.

155
Figura 108

BAJ, A. et al. Synthesis, DFT calculations, and in vitro antioxidant study on novel carba-analogs
of vitamin E. Antioxidants, v. 8, n. 12, 589, 2019. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-
3921/8/12/589/htm. Acesso em: 31 jul. 2020. p. 2 Adaptada.

Figura 109

DÔRES, S. M. C. das; PAIVA, S. A. R. de; CAMPANA, Á. O. Vitamina K: metabolismo e nutrição. Revista


de Nutrição, v. 14, n. 3, p. 207-218, dez. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rn/v14n3/7787.
pdf. Acesso em: 14 ago. 2020. p. 208.

Figura 110

TELES, J. S.; FUKUDA, E. Y.; FEDER, D. Varfarina: perfil farmacológico e interações medicamentosas
com antidepressivos. Einstein, v. 10, n. 1, p. 110-115, fev. 2012. Disponível em: https://journal.
einstein.br/wp-content/uploads/articles_xml/1679-4508-eins-S1679-45082012000100024/1679-
4508-eins-S1679-45082012000100024-pt.x26000.pdf. Acesso em: 14 ago. 2020. p. 111.

Figura 111

PANIZ, C. et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. Jornal
Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 41, n. 5, out. 2005. Disponível em: https://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442005000500007&nrm=iso. Acesso
em: 14 ago. 2020.

Figura 114

CERQUEIRA, F. M.; MEDEIROS, M. H. G.; AUGUSTO, O. Antioxidantes dietéticos: controvérsias e


perspectivas. Quim. Nova, v. 30, n. 2, p. 441-449, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/
qn/v30n2/35.pdf. Acesso em: 31 jul. 2020. p. 444.

Figura 115

INDA FILHO, A. J.; MELAMED, M. L. Vitamina D e doença renal. O que nós sabemos e o que nós
não sabemos. J. Bras. Nefrol., 35(4):323-331, 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbn/
v35n4/pt_v35n4a12.pdf. Acesso em: 31 jul. 2020. p. 324. Adaptada.

156
REFERÊNCIAS

Textuais

AL REKHAWI, H.; AYYAD, A. A.; NASER, S. S. A. Rickets expert system diagnoses and treatment.
International Journal of Engineering and Information Systems, v. 1, p. 149-159, 2017. Disponível em:
https://zenodo.org/record/821188/files/IJEAIS170613.pdf?download=1. Acesso em: 17 jul. 2020.

ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

ALLENDE, I. Paula. 16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017.

ALTMAN, S. Ribonuclease P: an enzyme with a catalytic RNA subunit. Advances in Enzymology and
Related Areas of Molecular Biology, n. 62, p. 1-36, 1989.

AMBRÓSIO, C. L. B.; CAMPOS, F. de A. C. E S.; FARO, Z. P. de. Carotenoides como alternativa contra a
hipovitaminose A. Revista de Nutrição, v. 19, n. 2, p. 233-243, abr. 2006. Disponível em: https://www.
scielo.br/pdf/rn/v19n2/a10v19n2.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

ARAKI, T. et al. Vitamin D intoxication with severe hypercalcemia due to manufacturing and labeling
errors of two dietary supplements made in the United States. Journal of Clinical Endocrinology and
Metabolism, v. 96, n. 12, 2011.

BAJ, A. et al. Synthesis, DFT calculations, and in vitro antioxidant study on novel carba-analogs of
vitamin E. Antioxidants, v. 8, n. 12, p. 589, nov. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.


Atenção ao pré-natal de baixo risco. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.
saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

BROWN, G. K. Glucose transporter: structure, function and consequences of deficiency. Journal of


Inherited Metabolic Disease, v. 23, p. 237-246, 2000.

BROWN, T. Bioquímica. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2018.

CAMPANHA Incor de prevenção e controle do colesterol. Incor/FMUsp. 2012. Disponível em: http://
www.incor.usp.br/sites/incor2013/docs/imprensa/2012/Set_2012_Hipercolesterolemia_familiar_
Hipercol.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

CAMPBELL, M., FARREL, S. Bioquímica. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2016.

157
CARREIRA, R. et al. Distribuição de coprostanol (5β(H)-colestan-3β-OL) em sedimentos superficiais
da Baía de Guanabara: indicador da poluição recente por esgotos domésticos. Química Nova,
v. 24, n. 1, p. 37-42, 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/qn/v24n1/4447.pdf. Acesso
em: 17 ago. 2020.

CASTRO, L. C. G. de. O sistema endocrinológico vitamina D. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia


& Metabologia, v. 55, n. 8, p. 566-575, nov. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800010. Acesso em: 6 ago. 2020.

CECH, T. R. RNA as an enzyme. Scientific American, v. 255, n. 5, p. 76-84, 1986.

CERQUEIRA, F. M.; MEDEIROS, M. H. G. DE; AUGUSTO, O. Antioxidantes dietéticos: controvérsias e


perspectivas. Química Nova, v. 30, n. 2, p. 441-449, abr. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422007000200036. Acesso em: 6 ago. 2020.

CHAMPE, P. C.; HARVEY, R. A.; FERRIER, D. R. Bioquímica. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

CHAMPE, P. C.; HARVEY, R. A. Bioquímica ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

CONN, E.; STUMPF, P. K. Introdução à bioquímica. São Paulo: Blucher, 1980.

COZZOLINO, S. M. F. Biodisponibilidade de nutrientes. São Paulo. 5. ed. Barueri: Manole. 2016

COZZOLINO, S. M. F.; COMINETTI, C. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição nas diferentes fases da
vida na saúde e na doença. Barueri: Manole, 2013.

CRUZAT, V. F.; PETRY, E. R.; TIRAPEGUI, J. Glutamina: aspectos bioquímicos, metabólicos, moleculares
e suplementação. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 15, n. 5, set./out. 2009. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbme/v15n5/15.pdf. Acesso em: 31 jul. 2020.

QUEIROZ, D. et al. Deficiência de vitamina A e fatores associados em crianças de áreas urbanas. Revista
de Saúde Pública, v. 47, n. 2, p. 248-256, jun. 2013.

DENG, Y. et al. Lactose intolerance in adults: biological mechanism and dietary management.
Nutrients, v. 7, n. 9, p. 8020-8035, set. 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/
articles/PMC4586575/pdf/nutrients-07-05380.pdf. Acesso em: 29 jun. 2020.

DEVLIN, T. M. Manual de bioquímica com correlações clínicas. São Paulo: Blucher, 2007.

DINARDO, C. L. et al. Porfirias: quadro clínico, diagnóstico e tratamento. Revista de Medicina, v. 89,
n. 2, p. 106-114, abr./jun. 2010. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/revistadc/article/
view/46282/49937. Acesso em: 31 jul. 2020.

158
DONADIO, J. et al. Influence of genetic variations in selenoprotein genes on the pattern of gene
expression after supplementation with Brazil nuts. Nutrients, v. 9, n. 7, p. 739, 11 jul. 2017. Disponível
em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5537853/. Acesso em: 14 ago. 2020.

DÔRES, S. M. C.; PAIVA, S. A. R.; CAMPANA, Á. O. Vitamina K: metabolismo e nutrição. Revista de


Nutrição, v. 14, n. 3, p. 207-218, dez. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rn/v14n3/7787.
pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

EDEL, Y.; MAMET, R. Porphyria: what is it and who should be evaluated? Rambam Maimonides Medical
Journal, v. 9, n. 2, p. e0013, 19 abr. 2018. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/
PMC5916231/. Acesso em: 6 ago. 2020.

FERREIRA, C. P. et al. Bioquímica básica. São Paulo: Luana, 2018.

GERTY CORI. Biográfico. The Nobel Prize. Nobel Media AB, 2020. Disponível em: https://www.
nobelprize.org/prizes/medicine/1947/cori-gt/biographical/. Acesso em: 30 jun. 2020.

HANDS, E. S. Nutrients in food. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2000.

HANS KREBS. Biográfico. The Nobel Prize. Nobel Media AB, 2020. Disponível em: https://www.
nobelprize.org/prizes/medicine/1953/krebs/biographical/. Acesso em: 30 jun. 2020.

HARVEY, R. A.; FERRIER, D. R. Bioquímica ilustrada. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

HOLICK, M. F. Vitamin D deficiency. New England Journal of Medicine, v. 357, n. 3, p. 266-281, 19 jul. 2007.

INDA FILHO, A. J.; MELAMED, M. L. Vitamin D and kidney disease. What we know and what we do not
know. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v. 35, n. 4, p. 323-331, 2013. Disponível em: https://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-28002013000400012. Acesso em: 6 ago. 2020.

KAKUDA, D. K.; MACLEOD, C. Na (+) − independent transport (uniport) of aminoacids and glucose in
mammalian cells. Journal of Experimental Biology, v. 196, p. 93-108, 1994.

KIRWAN, J. P.; AGUILA, L. F. Insulin signaling, exercise and cellular integrity. Biochemical Society
Transactions, v. 31, p. 1281-1285, dez. 2003.

LEHNINGER, A. L.; NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2018.

MACHADO, V. G.; NOME, F. Compostos fosfatados ricos em energia. Química Nova, v. 22, n. 3, p. 351-
357, jun. 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/qn/v22n3/1088.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

MARINHO, H. A.; CASTRO, J. S. Carotenoides e valor de pró-vitamina A em frutos da região amazônica:


pajurá, piquiá, tucumã e umari. In: XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 17, 2002.
159
MARQUES, C. D. L. et al. A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes. Revista
Brasileira de Reumatologia, São Paulo, v. 50, n. 1, jan./fev. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000100007. Acesso em: 31 jul. 2020.

MARZZOCO, A.; TORRES, B. B. Bioquímica básica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2015.

MONTEIRO, W. M. et al. G6PD deficiency in Latin America: systematic review on prevalence and
variants. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 109, n. 5, p. 553-568, ago. 2014. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0074-02762014005040123&lng=en&nrm=i
so&tlng=en. Acesso em: 1º jul. 2020.

MUKHERJEE, S. O imperador de todos os males. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MURRAY, R. K. et al. Bioquímica ilustrada de Harper. 29. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.

MUSCULAÇÃO melhora os níveis de colesterol e função cardíaca. HCor –Assistência Beneficente


Síria. Disponível em: https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/musculacao-melhora-os-niveis-de-
colesterol-e-funcao-cardiaca/. Acesso em: 6 ago. 2020.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Diretriz: suplementação diária de ferro e ácido fólico
em gestantes. Genebra: OMS, 2013. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/
documentos/guia_gestantes.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

PANIZ, C. et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial.


Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 41, n. 5, out. 2005. Disponível em:
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442005000500007&nrm=iso.
Acesso em: 6 ago. 2020.

PHILIPPI ST. Tabela de composição de alimentos: suporte para decisão nutricional. 2. ed. São
Paulo: Coronário; 2002.

SCHULZ, I. Tratamento das dislipidemias: como e quando indicar a combinação de medicamentos


hipolipemiantes. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 50, n. 2, abr. 2006.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abem/v50n2/29318.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

STRYER, L. Bioquímica. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2008.

VOET, D.; VOET, J. G. Bioquímica. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

VOET, D.; VOET, J.; PRATT, C. W. Fundamentos de bioquímica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

WATSON, J. D. et al. Biologia molecular do gene. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

YONEKURA, L.; NAGAO, A. Intestinal absorption of dietary carotenoids. Molecular Nutrition &
Food Research, v. 51, n. 1, p. 107-115, jan. 2007.
160
Exercícios

Unidade I – Questão 1: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR). Processo Seletivo Itaipu


Binacional 2019. Profissional de Nível Universitário Jr.: Ciências Biológicas. Questão 42. Disponível em:
http://portal.nc.ufpr.br/documentos/itaipu/2018/provas/117.pdf. Acesso em: 5 ago. 2020.

Unidade I – Questão 2: INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO (IBFC). Processo


Seletivo Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) – Hospital Universitário Polydoro Ernani
de São Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina (HUPEST) 2016. Farmacêutico. Questão 43.
Disponível em: https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/51946/ibfc-2016-ebserh-farma
ceutico-hupest-ufsc-prova.pdf?_ga=2.93436381.1957948178.1599750811-430424504.1589380421.
Acesso em: 10 set. 2020.

Unidade II – Questão 1: INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATO GROSSO


DO SUL (IF-MS). Processo Seletivo Instituto Federal De Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso
do Sul 2016. Biologia. Questão 11. Disponível em: https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_pro
va/51535/if-ms-2016-if-ms-professor-biologia-prova.pdf?_ga=2.127530573.1957948178.159975081
1-430424504.1589380421. Acesso em: 10 set. 2020.

Unidade II – Questão 2: PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ (PUC-PR). Processo Seletivo


de Transferência externa (PUC-PR). Curso de Medicina 2019. Questão 21. Disponível em: https://www.
pucpr.br/wp-content/uploads/2019/07/transferencia-externa-de-medicina-3o-periodo-curitiba.pdf.
Acesso em: 5 ago 2020.

Unidade III – Questão 1: INSTITUTO BRASILEIRO DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO (IBFC). Processo


Seletivo Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) – Hospital Universitário Polydoro Ernani
de São Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina (HUPEST) 2016. Farmacêutico. Questão 44.
Disponível em: https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/51946/ibfc-2016-ebserh-farma
ceutico-hupest-ufsc-prova.pdf?_ga=2.152754681.1957948178.1599750811-430424504.1589380421.
Acesso em: 10 set. 2020.

Unidade III – Questão 2: UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA (UDESC-SC). Processo


Seletivo Vestibular 2014. Questão 15. Disponível em: http://vestibular.udesc.br/arquivos/id_
submenu/1711/manha_corrigidaok.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020.

161
162
163
164
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

Você também pode gostar