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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

JBMT
Nº 70016433187
2006/CRIME

FURTO QUALIFICADO PELO ARROMBAMENTO.


SENTENÇA ABSOLUTÓRIA POR APLICAÇÃO DO
PRINCIPIO DA INSIGNIFICANCIA. RECURSO
MINISTERIAL. INSUFICIENCIA DE PROVAS.
ABSOLVIÇÃO MANTIDA POR FUNDAMENTO
DIVERSO.
Recurso desprovido.

APELAÇÃO CRIME SEXTA CÂMARA CRIMINAL

Nº 70016433187 COMARCA DE ESPUMOSO

MINISTERIO PUBLICO APELANTE

ROMILDO VANDERLEI FAGUNDES APELADO


DOS SANTOS

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os Desembargadores integrantes da Sexta Câmara
Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em negar
provimento ao apelo ministerial e manter a absolvição do réu por
fundamento diverso.
Custas na forma da lei.
Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes
Senhores DES. AYMORÉ ROQUE POTTES DE MELLO (PRESIDENTE E
REVISOR) E DES. MARCO ANTONIO BANDEIRA SCAPINI.
Porto Alegre, 26 de abril de 2007.

DES. JOÃO BATISTA MARQUES TOVO,


Relator.

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Nº 70016433187
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RELATÓRIO
DES. JOÃO BATISTA MARQUES TOVO (RELATOR)

O MINISTÉRIO PÚBLICO ofereceu denúncia contra ROMILDO


VANDERLEI FAGUNDES DOS SANTOS, 28 anos, por incurso no artigo
155, § 4º, inciso I, combinado com o artigo 61, inciso I, ambos do Código
Penal, em razão da prática de fato assim narrado na inicial acusatória:

No dia 22 de janeiro de 2005, por volta 13h30min, na Rua Pedro Alvares


Cabral, n. 1805, bairro Maravalha, Município de Espumoso, RS, o denunciado,
Romildo Vanderlei Fagundes dos Santos, subtraiu, para si, 01 (uma)
espingarda, calibre 32, marca CBC, usada, oxidada, coronha de madeira; 18
(dezoito) cartuchos, calibre 32, intactos; 01 (uma) faca Inox, marca Águia,
aprendidos, conforme auto de apreensão da fl. 07, de propriedade da vítima
Salvador Gonçalves Neto.
Na oportunidade, o denunciado Romildo Vanderlei Fagundes dos
Santos, aproveitando-se da ausência de vigilância, fazendo uso de meio não
esclarecido nos autos, arrombou a porta dos fundos da residência da vítima,
adentrou no local e subtraiu os bens acima descritos, todos de propriedade de
Salvador Gonçalves Neto.
A res furtiva foi apreendida, conforme auto de apreensão da fl. 07, e
restituída à vítima, de acordo com auto de restituição de fl. 15, sendo avaliada
em R$ 243,20 (duzentos e quarenta e três reais e vinte centavos), consoante
auto de avaliação direta da fl. 14.
O crime foi praticado mediante destruição ou rompimento de obstáculo à
subtração da coisa, conforme verifica-se no auto de exame de furto qualificado
da fl. 36.
Compulsando a guia das fls. 18-29, verifica-se que o denunciado é
reincidente em delitos contra o patrimônio.

Denúncia recebida em 04 de abril de 2005 (f. 02, verso).


Citado pessoalmente (f. 61, verso), o réu foi interrogado na
presença de Defensor Público incumbido de patrocinar sua defesa (f. 62).
Defesa prévia oferecida (f. 66), sem rol de testemunhas.
No curso da instrução (f. 68-70 e 84), foram ouvidos DARCY,
SALVADOR, LUIZ e JOÃO.
Encerrada a instrução, no prazo do artigo 499 do Código de
Processo Penal, o Ministério Público pediu a atualização da certidão dos
antecedentes criminais (f. 85) e a defesa nada requereu (f. 85, verso).

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Em alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação


nos termos da denúncia (f. 98-105) e a defesa, absolvição (f. 106-116).
Sentença proferida (f. 117-125), a qual julgou improcedente a
denúncia para o fim de absolver o réu, com base no artigo 386, inciso I, do
Código de Processo Penal.
Intimado da sentença, o Ministério Público interpôs recurso (f.
127). Em razões (f. 130-137), pede condenação nos termos da denúncia.
Contra-razões oferecidas (f. 139-143).
Subida dos autos.
Neste grau, parecer do ilustre Procurador de Justiça Dr. Paulo
Antonio Todeschini, no sentido do provimento do apelo ministerial.
Conclusão dos autos.
É o relatório.

VOTOS
DES. JOÃO BATISTA MARQUES TOVO (RELATOR)
O réu foi absolvido, por atipicidade da conduta, em razão da
aplicação do princípio da insignificância.
O Ministério Público não se conforma e pede a condenação,
sustentando ser descabida a aplicação do princípio da insignificância, pelos
seguintes motivos: o valor dos bens subtraídos não é irrisório e está
presente o desvalor da conduta.
Razão lhe assiste no argumento – pois reconheço que os bens
tinham valor considerável, houve invasão domiciliar e o réu é reincidente, o que não permite

reconhecer a irrelevância penal da conduta – mas não na conclusão que dele retira.
É que não há prova suficiente para a condenação.
Explico.

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Em defesa pessoal, o réu negou a autoria do furto. Embora


tenha sido preso flagrante na posse da arma.

Mas isso não é suficiente, a meu sentir, pois a autoria do furto


não saiu da esfera da probabilidade.
Veja-se que ninguém presenciou o fato e a apreensão
acidental da arma ocorreu passado tempo indeterminado – o que consta dos
tardios registros de folhas 17 e 22 sugere o transcurso de duas horas e trinta minutos –e
em circunstâncias mal esclarecidas e sugestivas de prova ilícita – busca
domiciliar não autorizada (v. depoimento de João Pedro da Silva, à f. 47) – , tanto que o
réu não foi autuado em flagrante nem se providenciou no registro de
ocorrência, e quando estava presente terceira pessoa – o mesmo João Pedro da
Silva – que também poderia ser autor do furto. Some-se a tudo isso a
negativa de autoria e a não inquirição dos autores da apreensão.
Nesse contexto, resta confirmar a decisão por fundamento
diverso, desprovendo o recurso ministerial.
POSTO ISSO, voto no sentido de negar provimento ao apelo
ministerial e manter a absolvição do réu por fundamento diverso.
LS

DES. AYMORÉ ROQUE POTTES DE MELLO (PRESIDENTE E REVISOR)


- De acordo.
DES. MARCO ANTONIO BANDEIRA SCAPINI - De acordo.

DES. AYMORÉ ROQUE POTTES DE MELLO - Presidente - Apelação


Crime nº 70016433187, Comarca de Espumoso: "NEGARAM PROVIMENTO
AO RECURSO MINISTERIAL, MANTENDO A ABSOLVIÇÃO DO RÉU POR
FUNDAMENTO DIVERSO. UNÂNIME."

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Julgador(a) de 1º Grau: JOSE FRANCISCO DIAS DA COSTA LYRA