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Um Pequeno Guia Aplicado ao Desenvolvimento Mediúnico

Texto baseado em mensagem proferida pelo Dr. Fritz em 04/10/2010

Quanto maior a exposição do Médium aos trabalhos espirituais, maior e mais forte torna-se o vínculo com
suas Entidades, Mentores e com toda relação espiritual com a qual atue, seja ela com o lado da luz ou
mesmo das trevas.

Nosso propósito é a relação e o vínculo com o plano de Luz, e quanto mais se desenvolve a sensibilidade
mediúnica e o aprimoramento da espiritualidade, mais intenso se torna esse vínculo. Acrescido a isso, para
uma maior ligação e fortalecimento na interação espiritual, o Médium deve se deter em desenvolver
principalmente suas Entidades predominantes, fazendo com que atuem com muito mais intensidade e
desenvoltura no uso de seus dotes com qualidade, pleno e total efeito.

O fortalecimento de um Médium, seja na Esquerda, na Direita ou na Cura e Atividade Médica Espiritual,


deve ser feito com e através de suas Entidades principais, as quais foram destinadas a acompanhá-lo já no
plano espiritual, por determinação de Oxalá, e sendo este um espírito com o desígnio da encarnação,
fazendo uso da faculdade mediúnica, este acompanhamento deve ser cada vez mais estreito e contínuo.

A especialidade de cada Entidade, bem como suas atividades em terra, são ditadas por Oxalá,
considerando a maior contribuição que possa dar, o resgate que tenha que cumprir ou mesmo um pedido
do próprio Espírito ou Entidade, visando sua evolução, sendo que todos estes visam o auxílio a seus
semelhantes, a prática consciente da caridade dentro de todos os requisitos que esta prática impõe. E são
exatamente essas Entidades que se tornarão as principais, cuja interação mais próxima e a sintonia mais
fina devem ser desenvolvidas e trabalhadas simultaneamente pelo Médium e pela Entidade.

Quando existe esta relação com a espiritualidade no uso das faculdades mediúnicas, o desígnio dado por
Oxalá passa a ser de ambos, da Entidade e do Espírito do Médium encarnado.

As demais Entidades que acompanham um espírito encarnado, que não são as que conceituamos como
predominantes ou principais, são as que chamamos de Entidades de apoio, sempre presentes, porém
somente se apresentam quando necessário, atendendo a um chamado para auxiliar ou compor, e fazem
parte da corrente de energia que circunda o Médium encarnado e, não necessariamente precisam
incorporar no Médium, mesmo porque sua atribuição é de apoio às Entidades predominantes. Mesmo as
Entidades predominantes podem em algum momento servir como Entidade de apoio, quando solicitada
por um Plano Superior ou no auxílio ao Plano Médico e de Cura sob o comando direto de Oxalá.

Assim, as entidades que um Médium deve desenvolver já foram pré-determinadas mesmo antes de sua
encarnação e NÃO é ele quem deve escolher qual ou quais Entidades ele GOSTARIA de desenvolver.
Existe um trabalho conjunto para estabelecer metas de aprendizado, resgate, depuração, aprimoramento
moral e ético, amadurecimento e evolução destinado a cada um, e a todos, sob aprovação e diferentes
critérios estabelecidos por Oxalá, que possui a visão clara da necessidade de cada um, na medida que cada
um é capaz de suportar .

Quanto mais as Entidades principais atuam, elas vão se tornando cada vez mais fortes e vão estreitando e
intensificando o vínculo com o Médium, com as Entidades de apoio, com a Corrente, com os Orixás e
com o ambiente como um todo. Estabelecem uma maior ligação e conseqüente troca de energia
sinergética com os planos espirituais superiores, que lhes dão maior capacidade e vigor às suas atuações e
contribuições nos trabalhos e atividades das quais participam, potencializando a qualidade e o resultado
atingido.
Desta forma, o Médium deve ter total noção do respeito com o qual deve tratar suas Entidades e os
desígnios de Oxalá, recebendo preferencialmente ou apenas as Entidades destinadas aos trabalhos, seja de
Esquerda ou Direita, visto que os desígnios de Oxalá não fazem nenhuma destinação, e a seus olhos para
atingir a evolução não há diferença entre Esquerda e Direita, pois são espíritos sob sua regência, buscando
os mesmos objetivos.

Além disso, o Médium deve ter plena consciência de seu potencial mediúnico, mantendo sob seu controle
a passagem que deve dar a Entidades que não as suas ou mesmo a Espíritos que por algum motivo
queiram se manifestar através dele. Explica-se: ao começo do desenvolvimento mediúnico, o Médium vai
ganhando experiência, que lhe traz maior confiança e, aos poucos a sua sensibilidade as energias que estão
ao seu redor vão aumentando, tornando-se um canal cada vez mais limpo.

Assim, ele deve permitir a incorporação apenas das Entidades que o acompanham no propósito de suas
missões, controlando quando e para quais Entidades ou Espíritos (quando isto se fizer necessário, para
limpeza, doutrina ou orientação e pacificação destes), será dada permissão para manifestação através de
seu corpo, e seja ela qual for, deve estar sempre sob os cuidados da Corrente de um Templo de Umbanda,
bem assentado. Todos os Médiuns, estejam em que estágio estiverem, em desenvolvimento ou mesmo já
maduros e experientes na relação com a espiritualidade, necessariamente precisam do amparo e firmeza de
um Templo e de sua Corrente que lhe dará todo o respaldo necessário.

Nenhum Médium deve realizar trabalhos ou atividades de incorporação ou qualquer outra que exija sua
participação como Médium fora de um Templo, pois por mais vivência e experiência que possa ter não
estará totalmente apto e protegido por uma retaguarda forte e bem assentada de um Templo. Aqueles que
se julgarem capazes acabarão por sofrer as conseqüências, às vezes sérias e penosas, ao longo de sua vida
com efeitos danosos para a matéria e para o próprio espírito.

Da mesma forma, não se pode simplesmente permitir uma incorporação sem ter a certeza do que está
sendo feito e nem qual Entidade está se aproximando e pedindo passagem. Cabe ao Médium em
desenvolvimento, como parte de seu aprendizado, aprimorar esta sensibilidade perceptiva, sempre sob a
orientação e doutrina de um Médium comprovadamente experiente. O Médium em desenvolvimento deve
ter a humildade de buscar esclarecimento, perguntando ao Médium e/ou Entidade que está acompanhando
seu desenvolvimento se realmente está se portando e agindo da maneira correta, se realmente está sentindo
a vibração correta e se a sensação sentida é a que deve ser sentida, sem que esteja sob efeito de uma
ansiedade ilusória que pode levá-lo a uma obcecação, e uma conseqüente mistificação. O Médium que não
possui esta equação determinante de controle e equilíbrio sob suas sensibilidade e ansiedade, não está
preparado para exercer, desenvolver e praticar a mediunidade, e a insistência neste sentido poderá expor,
desacreditar, bem como bloquear a faculdade mediúnica do Médium, podendo expor da mesma forma o
Médium e a Entidade que o estarão desenvolvendo, assim como o Templo que o abriga.

A Umbanda já foi diferente, fazendo uso freqüente da manifestação de várias Entidades através de um
mesmo Médium, além das principais, o que enfraquecia as Correntes, tornando os trabalhos meros rituais
para agrado muito mais dos Médiuns do que para manifestação das Entidades no objetivo de atendimento
aos consulentes.

Hoje existe outra visão, sabe-se que isso não deve ser feito ou somente em caso de uma necessidade
justificável. Os trabalhos devem ser conduzidos e, isto se aplica a todos os Médiuns em desenvolvimento,
desenvolvidos e os mais experientes, pelas Entidades predominantes, aquelas que receberam de Oxalá essa
missão, bem como estão autorizadas e capacitadas para este fim. Este requisito não é de escolha do
Médium, ou mesmo da Entidade, mas sim de um poder maior e deve ser respeitado como uma
determinação e imposição de Nosso Pai.

Orgulho, vaidade, exaltação de ego e ostentação de status, não podem, de maneira alguma, fazer parte do
desenvolvimento da mediunidade, muito menos da relação com a espiritualidade. É inadmissível que um
Médium se sobreponha à vontade de sua Entidade, das Entidades de Comando e Chefia do Templo, da
hierarquia do Terreiro, da Mãe de Santo, autoridade máxima em terra, dos Orixás e principalmente às
vontades de Oxalá, expressando aquilo que julga ser necessário ou que julga ser o melhor de acordo com
seus próprios conceitos.

Receber uma maior quantidade de Entidades, jamais será sinônimo de ter uma mediunidade mais
desenvolvida ou mais forte. Muito pelo contrário, sinônimo de mediunidade bem desenvolvida e forte, é a
mediunidade bem direcionada e altamente respeitada.

A Umbanda vem evoluindo cada vez mais e dentro deste conceito está o destaque e o respeito a suas
entidades principais, o que é parte importante deste processo. Seguindo esta mesma linha de evolução da
Umbanda, seus Templos e seguidores, está o desprendimento gradativo e natural aos adornos materiais.

Para a realização dos trabalhos, as Entidades não precisam fazer uso de enfeites e adereços que as
prendem aos desejos da matéria o que acaba por dificultar seu desempenho em espírito, como Entidade
que deve estar voltada somente ao plano espiritual, onde sua ação é livre, muito mais forte e eficaz. O
Médium deve valorizar aquilo que há de maior valor na espiritualidade pura e em seu real propósito.

Eventualmente alguns recursos materiais, objetos ou mesmo adornos podem ser solicitados por uma
Entidade na condução de seus trabalhos ou para um determinado trabalho ou situação especial apenas com
a finalidade de um vinculo com a matéria para aquele momento, sem que se perca o propósito e o valor da
espiritualidade, mas o uso constante e indiscriminado de adornos e objetos materiais, fugindo aos padrões
da Casa e sem um propósito definido para os trabalhos, deve ser evitado.

As próprias guias usadas pelos Médiuns devem ser o mais simples possível, pois devem representar
somente as cores, a proteção e a ligação com as Entidades. Virá o momento em que a Umbanda, seus
Médiuns e Entidades não precisarão nem de guias, pois a espiritualidade umbandista estará a tal ponto
desenvolvida e refinada que a relação e a interação entre o plano espiritual será muito mais intensa e
diferenciada, muito mais direta, quando a ligação com as Entidades estará e será feita através dos laços do
pensamento e do elo com a Corrente espiritual. O uso de objetos e adornos materiais passará a ser somente
parte de um passado que caminhou para a evolução natural do Espírito.

Outro fator essencial para um bom desenvolvimento mediúnico e também para uma manutenção do
crescente vínculo com o plano espiritual é o equilíbrio emocional, a contenção de seus anseios
desmedidos. Tanto o estado emocional do espírito encarnado quanto o seu estado de saúde física refletem
diretamente na incorporação, não sendo ela plena ou mesmo existindo, e quando incorporado, na atuação
das Entidades, podendo-se até ter o seu vínculo interrompido e com certeza bastante prejudicado. Lembre-
se que as Entidades preparam-se para aquele momento, para desempenhar suas atividades da melhor
maneira possível, e junto com elas as Entidades de apoio, a Corrente Mediúnica e Espiritual, o que torna a
responsabilidade do Médium de preservação de suas condições físicas e emocionais muito maior.

Uma boa firmeza com as velas e um período maior de concentração antes dos trabalhos ajudam em muito
na recuperação para um estado físico e emocional mais aceitável, e caso isto não ocorra é recomendável
que o Médium tenha o bom senso e responsabilidade de não se expor à incorporação.

A Entidade, ao incorporar, deve ter uma ligação, a mais pura e completa possível, com a matéria, onde
qualquer sintoma de desequilíbrio seja ele material ou emocional afetará de maneira direta e prejudicial
essa ligação, e por vezes chegando a causar repulsa das Entidades em relação ao Médium. Ao início, a
Entidade procura suprir esta descompensação, auxiliando o Médium, pode até contornar e compensar estas
alterações e manter uma ligação efetiva, mas com o tempo isso vai se tornando uma constante e os
sentimentos de frustração e repulsa vindos da Entidade vão se intensificando, dificultando cada vez mais a
aproximação, a ligação e a sintonia que une Médium e Entidade, assim como na troca do fluido energético
do qual compartilha Médium e Consulente.

Portanto, o Médium deve ser acima de tudo, um espírito encarnado equilibrado e praticante convicto dos
princípios da Umbanda. Desenvolver a mediunidade é ser um Umbandista de coração, mente e espírito.
Ser Umbandista praticante e convicto, é aceitar as Leis de Oxalá, é aceitar a busca pelo bem e pela
caridade. Isso inclui a busca pelo seu próprio bem, pela prática da caridade para com a sua pessoa, pelo
seu equilíbrio emocional, material e espiritual.

Desenvolver a mediunidade de maneira séria e respeitosa é fortalecer-se, é fortalecer suas Entidades, é


fortalecer e aumentar o vínculo da sua matéria com o plano espiritual e, consequentemente, fortalecer a
Casa onde trabalha, contribuindo com uma mais intensa energia para a Corrente do Templo, bem como
para seus irmãos de fé. Somente assim a disseminação do bem, do amor, da caridade, do respeito à sua
condição de Médium e à espiritualidade e das Leis de Oxalá estará sendo de fato realizada e a busca pela
evolução terá seu propósito garantido. Sempre tendo como base e diretriz, os conceitos sérios e nobres da
Umbanda.

Ricardo Moreno