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Elementos da Personalidade Jurídica

O documento discute a personalidade jurídica conferida às pessoas jurídicas. Ele explica que a pessoa jurídica é reconhecida pela lei como um sujeito de direitos e obrigações distinto de seus membros, e analisa diferentes teorias sobre a natureza da personalidade jurídica. Também aborda a separação patrimonial entre a pessoa jurídica e seus sócios/administradores, e as exceções a essa regra por meio da desconsideração da personalidade jurídica.
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Elementos da Personalidade Jurídica

O documento discute a personalidade jurídica conferida às pessoas jurídicas. Ele explica que a pessoa jurídica é reconhecida pela lei como um sujeito de direitos e obrigações distinto de seus membros, e analisa diferentes teorias sobre a natureza da personalidade jurídica. Também aborda a separação patrimonial entre a pessoa jurídica e seus sócios/administradores, e as exceções a essa regra por meio da desconsideração da personalidade jurídica.
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Caroline Pelissaro Perin

Direito Civil
 

Conceito e elementos da personalidade conferida à pessoa jurídica

Pessoa jurídica é o ente constituído pelo homem ou pela lei, que ganhou da ordem jurídica
uma personalidade distinta de seus instituidores e membros, tendo assim personalidade
própria, para que possa ser titular de seus deveres e obrigações.
A pessoa jurídica pode ser conceituada como a unidade de pessoas naturais ou de
patrimônios, que visa a consecução de certos fins, reconhecida pela ordem jurídica como
sujeito de direitos e de obrigações.
Assim os seus requisitos são:

 Organização de pessoas ou bens;


 Licitude de propósitos ou fins;
 Capacidade jurídica reconhecida pelas normas;

Há várias teorias que abordam as questões referente se a pessoa jurídica tem ou não
personalidade jurídica.
1) Teoria da ficção legal (Savigny): Nessa teoria, a pessoa jurídica é uma ficção legal, ou seja,
uma criação artificial da lei para exercer direitos patrimoniais e facilitar a função de certas
atividades, pois só a pessoa natural é sujeito de direitos.
2) Teoria da equiparação (windscheid e Brinz): Para essa teoria, a pessoa jurídica é um
patrimônio equiparado no seu tratamentos jurídico às pessoas naturais. A crítica que se faz a
ela é que eleva os bens à categoria de sujeito de direitos e obrigações, confundindo pessoas
com coisas. Por esse motivo, não é adotada pela doutrina.
3) Teoria da realidade objetiva ou orgânica (Gierke e Zitelmann): junto às pessoas naturais,
que são organismos físicos, existem as pessoas jurídicas, que são organismos sociais com
existência e vontade próprias, distintas das de seus membros, tendo por finalidade realizar um
objetivo social. A crítica que se faz essa teoria é que ela recai na ficção ao afirmar que a
pessoa jurídica tem vontade própria, que a vontade é peculiar ao ser humano e não ao ente
coletivo. Por esse motivo não é adotada a doutrina.
4) Teoria da realidade das instituições jurídicas (Maurice Hauriou):Essa teoria admite um
pouco da verdade das anteriores. Como a personalidade humana deriva do direito (tanto que
privou os humanos de ter personalidade, como no caso dos escravos), da mesma forma pode
concede-la a agrupamentos de pessoas ou de bens que tenham por objetivo a realização de
interesses humanos. Assim, verifica-se que de fato a ordem jurídica estatal outorga
personalidade jurídica, tanto para a pessoa natural quanto para a personalidade jurídica. É a
teoria mais adequada e adotada pela doutrina, pois estabelece eu a pessoa jurídica é realidade
jurídica.

Separação entre a pessoa jurídica e a figura de seus sócios / associados /


administradores / fundadores

De acordo com o código civil brasileiro no Art. 985.” A sociedade adquire personalidade
jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts.
45 e 1.150).”, ou seja, a partir do momento que essas instituições tem seu registro do contrato
ou estatuto social, a sociedade passa a ser pessoa jurídica, assim adquirindo personalidade
jurídica com seus direitos e obrigações. Os efeitos imediatos da personalização é a separação
do patrimônio da personalidade jurídica com o de seus sócios, ou entes administradores da
instituição jurídica, não confundindo-os, pois uma sociedade responde como pessoa jurídica e
em coletivo e não como pessoa física, então perante seus atos, obrigações e deveres
necessitam de separação (Em exceção de alguns casos que será abordado em
“desconsideração jurídica). A responsabilidade da pessoa jurídica decorre de seus contratos,
ou de forma extracontratual de acordo com as leis responsáveis por suas relações jurídicas,
portanto, por tal lógica, os efeitos devem ser apenas referentes a ela, e não aos seus sócios e
administradores, mesmo que estes sujeitos sejam seus representantes.
A autonomia patrimonial é exatamente a separação dos bens entre a pessoa jurídica e seus
administradores, sócios e fundadores, fazendo com que a partir do momento que a empresa
tenha seu registro válido e ocorre o nascimento da mesma, em aspectos legislativos, há
separação dos bens, para que seus titulares não respondam por seus direitos e obrigações de
forma patrimonial como aquisição de bens, sendo credora ou devedora e etc, e também que
nem a empresa responda pelos direitos e obrigações de seus titulares, portanto assim nasce o
princípio da autonomia patrimonial. Esses são os efeitos da personalização, e é uma regra
geral que abrange todas as instituições a partir da autonomia patrimonial, a exceção dessa
regra geral também está prevista em lei. A exceção dessa regra, se chama Desconsideração
jurídica.

Da Desconsideração da Personalidade Jurídica – Disregard Doctrine

A pessoa jurídica tem sua existência distinta da dos seus membros, porém, como cita o art. 50
do Código Civil “  Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de
finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério
Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas
e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo
abuso”.

Por esse motivo, a teoria da desconsideração jurídica foi desenvolvida pelos tribunais norte-
americanos, quando a sociedade desviava de suas finalidades para fraudar algo, Ela recebeu o
nome de disregard doctrine, mas também pode ser chamada de teoria da penetração (nome
adotado na França). Para impedir a consumação de fraudes ou abuso de direito que
prejudiquem terceiros, pode o magistrado responsabilizar os sócios ou administradores
pessoalmente, “rompendo o véu” existente entre patrimônio de pessoa jurídica e pessoa física
aplicando então a norma imposta para esse tipo de situação.
Os requisitos como da desconsideração da personalidade jurídica no direito civil estão no art.
50 do Código Civil, alterado pela lei n13.874/2019, denominada “Lei da Liberdade Econômica”.

Redação Antiga Redação Atual

Art. 50. Em caso de abuso de abuso da Art. 50.  Em caso de abuso da personalidade
personalidade jurídica, caraterizado pelo jurídica, caracterizado pelo desvio de
desvio de finalidade ou pela confusão finalidade ou pela confusão patrimonial, pode
patrimonial, pode o juiz decidir, a o juiz, a requerimento da parte, ou do
requerimento da parte, ou do ministério Ministério Público quando lhe couber intervir
público quando lhe couber intervir no no processo, desconsiderá-la para que os
processo, que os efeitos de certas e efeitos de certas e determinadas relações de
determinadas relações de obrigações sejam obrigações sejam estendidos aos bens
estendidos aos bens particulares dos particulares de administradores ou de sócios
administradores ou sócios da pessoa da pessoa jurídica beneficiados direta ou
jurídica. indiretamente pelo abuso

§ 1º Para os fins do disposto neste artigo,


desvio de finalidade é a utilização da pessoa
jurídica com o propósito de lesar credores e
para a prática de atos ilícitos de qualquer
natureza.

§ 2º Entende-se por confusão patrimonial


a ausência de separação de fato entre os
patrimônios, caracterizada por: 

I - cumprimento repetitivo pela sociedade


de obrigações do sócio ou do administrador ou
vice-versa;

II - transferência de ativos ou de passivos


sem efetivas contraprestações, exceto os de
valor proporcionalmente insignificante;

III - outros atos de descumprimento da


autonomia patrimonial. 

§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º


deste artigo também se aplica à extensão das
obrigações de sócios ou de administradores à
pessoa jurídica. 

§ 4º A mera existência de grupo


econômico sem a presença dos requisitos de
que trata o caput deste artigo não autoriza a
desconsideração da personalidade da pessoa
jurídica. 

§ 5º Não constitui desvio de finalidade a


mera expansão ou a alteração da finalidade
original da atividade econômica específica da
pessoa jurídica.

A lei da liberdade econômica veio com o objetivo endurecer a norma que já era rígida, ou seja,
tornar mais difícil a desconsideração da personalidade jurídica do direito civil, e também
empresarial. Há outros dispositivos fora da esfera cível, que também utilizam da hipótese da
desconsideração da personalidade jurídica, como o Direito do trabalho, Código de Defesa do
Consumidor, Tributário e em outras normas do ordenamento jurídico, portanto sempre analisa-
se o caso concreto para que ocorra a aplicabilidade mais adequada.

Hipóteses da desconsideração da personalidade jurídica nas relações de direito civil –


Todas as hipóteses para ocorrência estão previstas em lei no art.50.

1 – Utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática


de atos ilícitos de qualquer natureza: Quando há uma prática de má fé utilizando da
personalidade jurídica, podendo ser o ato ilícito de qualquer natureza, onde a personalidade
jurídica lesa de alguma forma, seja contratual ou extracontratual outro sujeito, direta ou
indiretamente, fazendo com que o sujeito lesado (podendo ser de natureza jurídica ou física)
entre com uma ação indicando que houve algum ato ilícito. O desvio de finalidade caracteriza-
se, por exemplo, quando a empresa X tem sua finalidade desviada de sua real intenção
empresarial, lesando os credores dolosamente.

2 - Confusão patrimonial:

I - Cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do


administrador ou vice-versa: Quando há um ato repetitivo de confusão de patrimônios; Por
exemplo: A Carla é sócio administradora o caixa de uma empresa e todo mês ela retira uma
quantia que não está prevista em nenhum contrato, para que ela consiga pagar seu carro que
não tem nenhum vínculo com a sua empresa. Todo mês, então torna-se um ato repetitivo, e a
confusão patrimonial se dá devido ao fato de não haver a separação dos lucros da empresa
(pessoa jurídica), com a quitação do carro de Carla (Pessoa física). Quando não é possível
identificar de quem é o patrimônio de quem.

II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de


valor proporcionalmente insignificante: Transferências irregulares, demasiadas, sem
contraprestações, de uma pessoa física para outra, com valores acima do normal e de forma
desordenada. Por exemplo: Transferência de X para Y, ou de Y para X, de um valor
relativamente alto sem explicação, sem ser relacionado ao pró labore ou ações econômicas da
empresa, assim não sabendo a finalidade de tais transferências, configurando então uma
confusão patrimonial.

III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial: Inciso que disciplina de


forma ampla, necessitando de exemplos comprovados durante a abertura do requerimento da
desconsideração da personalidade jurídica, para que seja aplicável.

3 - O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das


obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica:  

4 - A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata
o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa
jurídica: Destaca a existência de um grupo econômico, sem o comprovado abuso da
personalidade jurídica, não tem atributo de ser causa para sua desconsideração.

5 - Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade


original da atividade econômica específica da pessoa jurídica: De maneira restritiva, não
entra na categoria de desvio de finalidade, quando a mera expansão ou alteração da finalidade
original da atividade econômica não é suficiente para possibilitar a desconsideração da
personalidade jurídica.

Lei nº 13.105 de 16 de Março de 2015

Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da


parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
§ 1º O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os pressupostos
previstos em lei.

§ 2º Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da


personalidade jurídica.

O código de Processo civil de 2015, nos Arts.133 a 137, criou o incidente de desconsideração
de personalidade jurídica para que a mesma seja requerida. Segundo o art.133, o incidente de
desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do ministério
público, quando lhe couber intervir no processo, e deverá observar os pressupostos previstos
em lei. Esta regra põe fim ao debate se poderia o magistrado desconsiderar a personalidade
jurídica do ofício, e a resposta é não.
O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no
cumprimento da sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial.
Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for
requerida na petição inicial, hipóteses em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
A instauração do acidente está imediatamente comunicada ao distribuidor para as anotações
devidas.
A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese de a desconsideração da
personalidade jurídica.
Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifesta-se e requerer
as provas cabíveis no prazo de 15 dias.
Concluída a instrução, se necessário, o incidente será resolvido por decisão interlocutória. Se
a decisão for proferida pelo relator, cabe o agravo interno.
Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração dos bens, havida em
fraude de execução, será ineficaz em relação requerente.
O § 2º do art. 133 do CPC/2015 incorporou no ordenamento jurídico a possibilidade de se
realizar a desconsideração inversa da personalidade jurídica, já consagrada pela jurisprudência
do STJ.
No direito da família, é possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, para
imputar a responsabilidade dos sócios para a pessoa jurídica quando há fraude, no caso de
alimentos e partilha de bens (casamentos, união estável e sucessão), bem como a criação da
empresa para a administração do patrimônio do casal.

Como a desconsideração jurídica possui ampla aplicabilidade em vários ramos do direito, a


doutrina brasileira se dividiu criando duas correntes: A teoria maior e a teoria menor.
Na teoria maior também conhecida como teoria subjetiva, usando de seu conhecimento, o
magistrado, se entender que houve fraude ou abuso de direito, pode aplicar a desconsideração
da personalidade jurídica. Para isso, é necessário fundamentação para tal aplicabilidade
normativa.
Na teoria menor, baseada em critérios objetivos, tem seu âmbito de aplicação restrito ao direito
ambiental (art. 4º da Lei n. 9.605/98) e ao Direito do Consumidor (art. 28, § 5º, da Lei n.
8.078/90) e, não se tratando desses dois casos, caberá a teoria maior, a qual exige
fundamentação robusta do magistrado, por ser subjetiva, e que é adotada pelo código Civil, no
art. 50.

Analises de Jurisprudências:

1)
2. Núm.:70084260686
Inteiro teor:  doc     html   
Tipo de processo: Agravo de Instrumento
Tribunal: Tribunal de Justiça do RS
Classe CNJ: Agravo de Instrumento
Relator: Marilene Bonzanini
Órgão Julgador: Vigésima Segunda Câmara Cível
Comarca de Origem: ALEGRETE
Seção: CIVEL
Assunto CNJ: Contratos Administrativos
Decisão: Acordao
Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. LICITAÇÃO E CONTRATO ADMINISTRATIVO.
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INCIDENTE
DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CAUTELAR DE
INDISPONIBILIDADE DE BENS. PROBABILIDADE DO DIREITO NÃO EVIDENCIADA. - O art. 50
do CC dispõe que, em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de
finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica. - A interpretação conferida a este dispositivo de lei
pelo Superior Tribunal de Justiça é consentânea com a teoria maior
da desconsideração da personalidade jurídica, segundo a qual tal remédio pressupõe não só a
insolvência da pessoa jurídica, mas, também, o desvio de finalidade e/ou a confusão patrimonial,
quer dizer, a desconsideração requer tanto o desvio de finalidade (Teoria Maior Subjetiva
da Desconsideração) caracterizado pelo ato intencional dos sócios de fraudar terceiros com o
uso abusivo da personalidade jurídica, ou quando evidenciada a confusão patrimonial (Teoria
Maior Objetiva da Desconsideração), demonstrada pela inexistência de separação entre o
patrimônio da pessoa jurídica e os de seus sócios (REsp 970.635/SP, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/11/2009, DJe 01/12/2009.) - No
caso, em juízo sumário de cognição, não se vislumbram indícios concretos de confusão
patrimonial, nem o desvio de finalidade, requisitos, como visto, imprescindíveis para que haja
a desconsideração da personalidade jurídica, pois a mera inadimplência ou ausência de bens
não é motivo suficiente para ensejar a dissolução da personalidade jurídica. A constituição, ao
longo de praticamente três décadas, de novas sociedades empresariais pelo filho do executado,
sem provas concretas de que o seu pai figure nelas como sócio oculto, não permite, a priori, o
deferimento da cautelar de indisponibilidade. Pretensão de anteriormente afastada por este
Colegiado quando da análise do Agravo Retido interposto ainda na fase de conhecimento.
AGRAVO DESPROVIDO.(Agravo de Instrumento, Nº 70084260686, Vigésima Segunda Câmara
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marilene Bonzanini, Julgado em: 26-11-2020)
Data de Julgamento: 26-11-2020
Publicação: 30-11-2020

Desconsideração da personalidade jurídica não validada por provas inexistentes para


sua aplicação, não sendo viável considerar como Desconsideração da personalidade
jurídica apenas pelo fato de inadimplência ou ausência de bens.

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 5074268-95.2021.8.21.7000/RS

TIPO DE AÇÃO: Extinção
RELATORA: DESEMBARGADORA ANA BEATRIZ ISER
AGRAVANTE: SEGREDO DE JUSTIÇA
AGRAVADO: SEGREDO DE JUSTIÇA

RELATÓRIO

Cuida-se de agravo de instrumento interposto por AVELINO


TONIOLLI contra decisão que, nos autos do incidente de desconsideração inversa da
personalidade jurídica ajuizado em desfavor de MARMURI EMPREENDIMENTOS
IMOBILIÁRIOS LTDA, indeferiu a tutela de urgência postulada.

Em suas razões, teceu considerações sobre o fato de Maurício Dal Agnol


ser sócio da empresa e das circunstâncias que envolvem referido causídico. Referiu que a
não concessão da medida postulada ensejará prejuízo ao resultado útil, pois os imóveis
podem ser negociados com terceiros de boa-fé, lesando eventuais credores do sócio.
Discorreu sobre outras empresas envolvendo o devedor em que foram autorizadas
penhoras. Asseverou estarem presentes os requisitos legais. Requereu a atribuição de
segredo de justiça ao feito, em razão de plágios que suas peças processuais estão
sofrendo. Pugnou pelo provimento do recurso. 

Recebido o recurso, sem atribuição de efeito suspensivo.

Não foram apresentadas contrarrazões, pois não angularizado o feito na


origem.

Após, vieram os autos conclusos para julgamento.

É o relatório. 

VOTO

Eminentes Colegas:

A jurisprudência deste Tribunal, em diversas lides, reconheceu a


possibilidade de penhora de bens pertences a empresas ligadas ao advogado Maurício Dal
Agnol, em razão dos conhecidos fatos que envolvem referido profissional. 

Na hipótese, embora não exista certeza quanto à utilização do dinheiro


desviado de clientes para a constituição da pessoa jurídica denominada
Marmuri Empreendimentos Imobiliários, a praxe tem demonstrado que os credores do
causídico enfrentam severas dificuldades na satisfação das condenações, já que os valores
indevidamente apropriados foram pulverizados em sociedades empresariais, transferência
para familiares e/ou amigos e saques, no nítido intuito de postergar os pagamentos.

Assim, em juízo de cognição sumária e sendo possível, a toda evidência, a


reversão da medida de urgência postulada, entendo que é possível a formalização da
penhora dos imóveis indicados pelo agravante, como forma de resguardar seus direitos.

Se, no decurso do incidente, a demandada comprovar que não existem


motivos jurídicos para a desconstituição postulada, certamente a constrição será baixada e
nenhum prejuízo advirá à empresa.

De outro lado, caso a penhora seja deferida apenas quando extenuado o


incidente, é possível que já não existam os bens, que podem ser transferidos a terceiros, ou
mesmo que outros credores já tenham obtido a ordem de constrição, em prejuízo ao
agravante, o que deve ser evitado. 

Portanto, satisfeitos os requisitos legais, impositiva a expedição de ofícios às


serventias imobiliárias, em ordem de anotarem nas matrículas dos imóveis a penhora em
favor do agravante.

Finalmente, relevantes os argumentos articulados na peça recursal, defiro o


pedido de atribuição de segredo de justiça ao feito.

Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, nos termos acima
delineados. 

2)

92. Núm.:50489588720218217000

Tipo de processo: Agravo de Instrumento


Tribunal: Tribunal de Justiça do RS
Classe CNJ: Agravo de Instrumento
Relator: Ana Beatriz Iser
Órgão Julgador: Décima Quinta Câmara Cível
Comarca de Origem: PORTO ALEGRE
Seção: CIVEL
Assunto CNJ: Mandato
Decisão: Acordao
Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDATOS. INCIDENTE
DE DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TUTELA DE
URGÊNCIA. PENHORA DE IMÓVEIS PERTENCENTES À EMPRESA DEMANDADA.
VIABILIDADE. MEDIDA PASSÍVEL DE REVERSÃO. EVITAÇÃO DE PREJUÍZO AO
AGRAVANTE E A TERCEIROS. REQUISITOS LEGAIS PLENAMENTE SATISFEITOS.
DECISÃO A QUO REFORMADA. RECURSO PROVIDO.(Agravo de Instrumento, Nº
50489588720218217000, Décima Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Ana Beatriz Iser, Julgado em: 04-08-2021)
Data de Julgamento: 04-08-2021

A partir desse caso, é possível analisar que o recurso foi provido e o mandato foi
liberado, pois há evidências concretas para a aplicabilidade da desconsideração inversa
da personalidade jurídica, para evitar lesar terceiros.
[Link]

[Link]

[Link]
personalidade-juridica

CASSETARI, Christiano. Elementos do Direito Civil – 8º edição. São Paulo: Saraiva Educação,
2020.

MADALENO, Rolf. A Desconsideração Judicial da Pessoa Jurídica e da Interposta Pessoa Física


no Direito da Família das Sucessões – 2º edição. Editora Forense
Disponível em: < [Link]
0/pageid/0 >

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