CORROSÃO MICROBIOLÓGICA

José Zacarias Rodrigues da Silva Júnior 1 RESUMO A corrosão microbiológica é uma patologia que assola principalmente as estruturas de esgotos ETAs e ETEs, e neste esgoto aborda-se o conceito, e os mecanismos de corrosão, e a classificação dos microorganismo de agridem as estruturas. O conceito de Corrosão Induzida por Microorganismo (CIM) as manifestações patológicas que se desenvolvem em ambiente aquoso, ou em presença de água livre, ou ainda em presença de solventes orgânicos e combustíveis. Discute-se a influência da temperatura no desenvolvimento desta patologia, bem como os mecanismos desta corrosão que tão precocemente deteriorou as estruturas de obras de saneamento. Mostra-se a classificação das bactérias causadas de biocorrosão, e ainda a profilaxia de biocorrosão nas estruturas de saneamento. PALAVRAS -CHAVE: Biocorrosão. CIM. Corrosão. Microorganismos.

1 INTRODUÇÃO Dentro das patologias das estruturas de concreto armado, encontra-se a corrosão das amaduras, provocadas por carbonatação ou por difusão de cloretos. Esta manifestação patológica já está sendo pesquisada em vários centros de pesquisa em todo o mundo e também no Brasil, pois trata-se de um problema que causa prejuízos incalculáveis e custos excessivos de recuperação. É a patologia que mais assola as estruturas em todo mundo. Entretanto existe uma outra forma de corrosão bem pouco conhecida da comunidade técnica, que é a biocorrosão. Segundo Rocha (2001) os microorganismos se apresentam de maneira fácil e formam colônias em quaisquer locais, desde que nestes existam a presença de água e os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Este tipo de corrosão se caracteriza pela rapidez de sua implantação e da forma quase que imperceptível. Se faz necessário portanto, saber-se distinguir a corrosão induzida por microorganismos (CIM) ou biocorrosão da corrosão não biológica, posto que para solução desta manifestação patológica depende fundamentalmente do conhecimento das causas e dos mecanismos (ROCHA, 2001).

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Engenheiro Civil, Mestre, Professor Titular da UNAMA.

A figura 1 mostra o mecanismo de implantação de um processo de CIM Figura 1 – Ação da CIM em galerias e Tubulações . 2001). às manifestações patológicas que se desenvolvem em ambiente aquoso. denominando-se a mesma de “corrosão generalizada não uniforme” (ROCHA. 2001). pela proximidade dos pites. Esta atividade biológica pode ocorrer em ETEs. as temperaturas compreendidas entre 20 e 50oC Fora deste limite a corrosão é limitada ou estacionada (ROCHA. ou na presença de água livre. ou seja. ou ainda na presença de solventes orgânicos e combustíveis. considerando-se como ótimas para o seu desenvolvimento. ETAs. entretanto. sendo interveniente tanto no início como na velocidade do processo (BATISTA. Quando por ventura a corrosão ainda que localizada apresente um formato com uma relação inversa denomina-se de corrosão por fresta (BATISTA. aquela em cujo formato apresenta a profundidade igual ou maior do que a largura. 3 MECANISMOS DE CORROSÃO De um modo geral as CIM se caracterizam por serem do tipo localizada. de lagoas ou em peças metálicas que estejam em contato com ambientes aquosos onde exista a presença de bactérias redutoras de sulfatos. fundo de tanques. podem surgir ocorrências de corrosão generalizada. estando estes.2 CONCEITO Conceitua-se como Corrosão Induzida por Microorganismos (CIM). 2001). A atividade da CIM é muito influenciada pela temperatura. intimamente ligados à superfície em estado de corrosão. Os microorganismos que intervém na CIM são aqueles formados por bactérias e fungos. Considera-se corrosão por pite em uma superfície livre. 2001). apresentam pites de corrosão.

Depósitos de bactérias em um tubo de ar A foto 2 mostra o processo de corrosão com a deterioração da parede de um tanque. Bactéria que fixa o manganês.Processo de corrosão na parede de um tanque 4 CLASSIFICAÇÃO DOS MICROORGANISMOS Segundo BATISTA (2001).A foto 1 mostra os depósitos de bactérias em uma tubulação de ar. • • • Bactéria oxidante de sulfetos e enxofre. • Bactéria oxidante de ferro. Foto 1 . A outra forma de classificá-los é estabelecer uma relação com as bactérias geradoras das patologias como segue: • Bactérias redutoras de sulfatos (BRS). . Bactéria e fungos que produzem ácidos. Foto 2 . Uma das formas é associá-la ao seu metabolismo. muitas são as formas de classificar os microorganismos causadores de biocorrosão.

Micrografia de bactérias oxidantes de ferro A foto 4 mostra a micrografia de bactérias BRS. tiradas de uma biocorrosão por pite. .Micrografia de bactérias BRS Ainda segundo BATISTA (2001). uma outra classificação dos microorganismos diz respeito à sua morfologia.A foto 3 mostra uma micrografia de bactérias oxidantes de ferro no formato de filamentos. aqueles que formam células arredondadas. “BACILUS”. “MICES”. Foto 3 . como se mostra a seguir: • • • • “VÍBRIO”. “COCUS”. Foto 4 . para as células com forma de fungos. possuem células com formato de haste ou vareta. que tem suas células com o formato de um cabelo comprido.

De maneira antagônica os biodepósitos. tendo por isto mesmo.5 ESTRUTURAS SUJEITAS À CORROSÃO MICROBIOLÓGICA Normalmente as estruturas mais afetadas por esta manifestação patológica são as ETEs. como exemplo. Já na manifestação microbiológica. pois um pH menor que 5 pode muito bem inibir o crescimento de bactérias do tipo BRS. As algas por sua vez são usadas como vetores e hospedeiros para esses microorganismos. O detalhe importante é que os biofilmes normalmente ocorrem em áreas expostas à fluxos de água doce ou com cloretos. onde existam bactérias anaeróbicas. onde existam bactérias anaeróbicas. 6 PROFILAXIA DA BIOCORROSÃO EM ESTRUTURAS A proteção da manifestação patológica da corrosão. . de maneira que se crie incompatibilidades ao desenvolvimento dos microorganismos. ingerência direta na iniciação e na velocidade de corrosão. a remoção de enxofre para o caso de tiobacilus. 2001). • Mudando-se as características do meio onde se desenvolve a proliferação da corrosão. a profilaxia pode ser feita através de algumas atitudes elencadas a seguir (BATISTA. Estes fungos e bactérias estão diretamente ligados ao local submetido ao estado de corrosão. Os microorganismos que despertam interesse no processo de biocorrosão são as bactérias e os fungos. é garantida pela aplicação de barreiras na forma de pinturas. as tubulações de esgotos e tanques metálicos industriais. • Mudança da concentração de oxigênio. adquirindo por isso mesmo sua fase “adulta” já após algumas semanas. • O pH é importante para o desenvolvimento das bactérias. e proteção catódica. durante um período de tempo compreendido entre duas e quatro horas de imersão. podem forma montículos de alguns centímetros de diâmetro(BATISTA. Como exemplo pode-se citar a imposição de aeração. de maneira que se possa inibir o metabolismo do microorganismo. 2001): • Aplicação de biocidas(bactericidas ou bacteriostáticos) e biodispersantes ao meio. • Retirada dos nutrientes necessários à bactéria.

bem como para garantir a durabilidade das mesmas. posto que atualmente o tempo de vida útil de obras de saneamento como ETEs. absolutamente impermeável aos gases. seguido de um revestimento protetor de PVC. galeria de esgotos etc.2 mm de seu cobrimento por ano. . • O estudo da microestrutura dos concretos de estruturas submetidas à este tipo de agressividade é muito importante no sentido de melhor especificar os materiais a serem utilizados. • As ETEs devem possuir revestimentos protetores formados por elastômeros base • • poliuretano. é de aproximadamente 10 anos ou menos. Uma estrutura de concreto armado sem proteção contra a corrosão podem perder em média 6. mas também pelos esgotos domésticos.7 CONSIDERAÇÕES FINAIS • Necessita-se estabelecer programas de monitoramento do processo industrial de obras de saneamento. de maneira que se possa impedir ou minorar o ataque microbiológico às estruturas. A proliferação da CIM não é provocada apenas por esgotos ou efluentes industriais.

1999.C. I. Corrosão bacteriológica no concreto de Etes. ./dez. Recupera: revista do Instituto de Patologia da Construção. HORNER. ROCHA.[S. WITZGALL. RODRIGUES.l]. C.n.l]. [20-?]. R.l. [20-?]. [S.:s. [S. Recupera: revista do Instituto de Patologia da Construção. Corrosão bactedriológica destrói o concreto de fundação.l.REFERÊNCIAS BATISTA. Biocorrosão em umaete.nov. Recupera: revista do Instituto de Patologia da Construção.l]. Water enviromental and technology.P./dez. G. M. [S. nov.]. [20-?]. A Pratical manual on microbiológica Lly Influenced Corrosion. 2001. J. KOBRIN.n]. SCHAFER. [S.: s.

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