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pensamento

nacional
Acadêmico

Fotos: Rodrigo Hamam

Os 6 Cs
do futuro
do trabalho
28 HSMManagement 79 • MARÇo-ABRIL 2010 hsmmanagement.com.br
Em entrevista exclusiva, Silvio Meira, especialista em Tecnologia
da informação e inovação, projeta a profunda mudança pela
qual a organização do trabalho, os profissionais, as empresas
e as cidades devem passar nos próximos anos

Q uanto tempo o leitor


leva no transporte en-
tre sua casa e o traba-
lho? Se for de 10 a 15
minutos, é saudável.
Se chegar a algo entre 40 e 90 minu-
tos, trata-se de um quadro doentio. E se
sua resposta for “não sei, varia muito”,
gasse o aeroporto ao centro da cidade)
e cuja taxa de crescimento demográfi-
co ainda é elevada –em 2025, estima-se
que o número de habitantes da Grande
São Paulo salte de 16 milhões para 25
milhões, acompanhando um PIB de
quase US$ 1 trilhão.
Conclusão? Estamos à beira da in-
As conversas da hora do cafezinho nas
empresas giram, na maioria, em torno
do sonho de trabalhar de maneira dife-
rente. Isso é utopia? Ou faz sentido?
É e-topia, mas factível [risos]. Esse é o
título de um livrinho brilhante do ar-
quiteto William Mitchell, que todos os
interessados no futuro do trabalho e
como já ocorre em São Paulo e começa viabilização do atual estilo de vida e das cidades deveriam ler. Eu tenho cer-
a ocorrer em cidades como Belo Hori- às vésperas de seu redesenho radical. teza de que vamos redesenhar o modus
zonte, Rio de Janeiro, Recife e Brasília, Esse foi o tema da entrevista exclu- vivendi e o modus operandi. Precisa-
o caso é terminal. Pior que isso, só se siva de HSM Management com Silvio mos viver e trabalhar de forma diferen-
você já estiver conformado com a situa- Meira, estudioso do assunto, uma das te. Não há como manter o jeito atual.
ção, achando-a “natural”. maiores autoridades do Brasil na área O modo de trabalhar ainda tem a ver
Vivemos, cada vez mais, em uma so- de tecnologia da informação, fundador com uma época em que os meios de
ciedade de serviços, em que a moeda do Centro de Estudos e Sistemas Avan- produção eram caros e escassos, e era
é o tempo das pessoas. Se, em um dia çados do Recife (C.E.S.A.R.), centro de preciso levar as pessoas até eles. Cons-
de 16 horas “líquidas”, três se com-
prometem no trânsito, isso precisa
ser encarado, microeconomicamente, “Este modo de trabalhar é de
como um custo de transação intolerá-
vel. Também não é pagável do ponto de
uma época em que os meios de
vista da macroeconomia, uma vez que produção eram caros e era
os danos ao meio ambiente decorrentes preciso levar as pessoas até eles”
comprometem a produção e o consu-
mo no longo prazo. E, se a vida huma-
na dura cerca de 100 anos, tal desper- pesquisas que é referência internacio- truíram-se cidades para juntar gente,
dício é inaceitável. Isso já está sendo nal em TI, e do também recifense Porto primeiro para abastecer os workshops
percebido, tanto que 57% dos morado- Digital, considerado o Vale do Silício [oficinas], depois as fábricas, porque,
res de São Paulo querem deixar a ci- brasileiro. Em conversa com Adriana sem massa crítica de trabalhadores,
dade, segundo pesquisa recente, e não Salles Gomes, editora-executiva de não fazia sentido o investimento na in-
é por considerá-la “horrível”. HSM Management, Meira, que também fraestrutura para produzir algo.
O cenário decorre de um descom- é professor da Universidade Federal Mas isso está mudando rapidamen-
passo. Temos um modo de trabalho or- de Pernambuco, projeta como o traba- te. Em uma economia contemporânea
ganizado nos moldes industriais, mas lho, as cidades e o próprio sistema de típica, entre 80% e 85% das pessoas já
nossa economia deixou de se basear produção se transformarão. E avisa: o trabalham em serviços, e apenas 15% a
na indústria. E ele se repete no mundo novo paradigma não será o do trabalho 20%, em produção agropecuária ou fa-
todo, ainda que seja mais agudo em paí- em casa, como desejam muitos, e sim bril. À medida que se automatizam as
ses como o Brasil, que têm um mode- o de empresas “deslocalizadas” e de máquinas e que se pode controlá-las de
lo de mobilidade urbana pré-moderno profissionais moldados segundo 6 Cs
(porque as âncoras do sistema de trans- de habilidades.
porte não são todas conectadas, como Mero exercício de futurologia? Quem A entrevista é de Adriana Salles Gomes,
seriam, por exemplo, se um metrô li- viver verá. editora-executiva de HSM MANAGEMENT.

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Agricultura 3.0, indústria 3.0


Não é apenas a concentração do mundo em serviços, com sistemas de autofabricação, que produziriam, por exem-
a automatização crescente nos outros setores, que impul- plo, vitaminas e outros produtos químicos de alto valor
siona a mudança do modo de trabalho. As próprias agricul- agregado a partir da modificação genética de plantas ou
tura e indústria tendem a se deslocalizar em certa medida. com uma cultura de bactérias. É claro que existem riscos
Como explica Silvio Meira, não seria estranho o surgimen- não triviais nisso, como o do processo de contaminação
to de agricultores urbanos, por exemplo, que trabalhariam por descuido ou intenção, pelos ditos überhackers.
em pequena escala para evitar o custo do transporte entre O Brasil, graças principalmente às pesquisas da Em-
a zona de produção e os centros de consumo. presa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),
Também é possível prever a indústria biológica e os está menos atrasado nesse aspecto do que se pensa.

longe, como vem acontecendo, há uma mento, combustível etc., como em pre- Mas, como sairá caro fazer essa redis-
diminuição significativa do número de ço de tempo. tribuição, a maioria das empresas evi-
pessoas necessárias à produção fabril O que vai acontecer? Provavelmente, tará fazê-la o máximo que puder, não?
ou agropecuária. E os meios de pro- em vez de 6 mil pessoas irem trabalhar Se essa “deslocalização” do negócio não
dução no caso dos serviços, intensivos em um megaprédio em um lugar, a acontecer em escala, não adianta. As
em informação, não são nem caros empresa se dividirá em 12 espaços de empresas têm de se redistribuir força-
nem escassos, o que faz com que eles trabalho espalhados pela cidade ou re- das pelas autoridades governamentais,
possam ser “deslocalizados”, em vez gião, cada qual com capacidade para por meio de uma redefinição da políti-
de serem centralizadores –e ordenado- 500 pessoas, para o pessoal se movi- ca de ocupação das cidades. Há muitos
res– do processo de produção. mentar menos. precedentes disso: a Londres dos anos
1980 era um cluster inviável como a
São Paulo de hoje, até que a prefeitura
“se essa ‘deslocalização’ não criou uma taxa pelo uso da rua por car-
ros privados na região central e todo
acontecer em escala, não mundo priorizou o transporte público,
adianta. a redistribuição deve fora as sedes de grandes empresas, que
ser forçada pelas autoridades” se transferiram para a periferia.
Imagine que, indo para a periferia,
as empresas poderiam já se dividir em
O meio de produção vai às pessoas... O futuro não é o trabalho em casa... várias unidades em vez de ir para um
Sim, tanto aos clientes como aos fun- Acho que não, até porque muita gente lugar único, fazendo isso voluntaria-
cionários. Exemplo corrente são os não consegue trabalhar em casa. É pre- mente, para reduzir o custo de transa-
restaurantes nos diversos bairros de ciso poder ter um escritório completa- ção por funcionário, ou incentivadas
uma cidade, contratando e servindo a mente separado, coisa que a grande por política governamental que enca-
quem está por perto. Tal tipo de “deslo- maioria não pode ter porque vive em reça os espaços maiores.
calização”, além de mudar as cidades, apartamentos de 56 metros quadrados. E surgem novas oportunidades de
modifica a essência de uma organiza- Até inventarem apartamentos transfor- empreender neste redesenho. Em-
ção de negócios. mer, não será possível isso [risos]. preendedores podem sair construin-
Há as idiossincrasias também. Eu do espaços de trabalho comunitários,
Como isso mudou? Tecnologia? não consigo trabalhar com cheiro de para as empresas alugarem ou para vi-
A infraestrutura digital disponível em comida cozinhando, por exemplo. A rarem centros de coworking, divididos
larga escala quase no mundo inteiro questão psicológica talvez seja mais re- por profissionais autônomos. Assim
nos permite discutir de forma muito levante que a própria barreira física. como se constroem shopping centers,
mais séria como reordenar o trabalho Para as empresas, o trabalho dos serão construídos work centers.
e as cidades que foram montadas nos funcionários em casa chegou a ser co-
últimos 150 anos. Temos de fazê-lo, gitado como parte do processo de reen- E, de certa maneira, os novos em-
porque o custo de transação para uma genharia; elas diminuíam o espaço alu- preendimentos compensarão, na ma-
pessoa ir de onde mora aonde trabalha gado para reduzir custo –e as pessoas croeconomia, os custos da mudança...
é astronômico, tanto em preço absolu- economizavam em locomoção. Mas a Mas qual a vantagem das empresas?
to, por conta dos preços de estaciona- ideia já ficou superada. A redução do estresse talvez não seja

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PROBLEMA:
5% DA FORÇA DE E MESMO A O QUE É O TRABALHO EM
TRABALHO NA INDÚSTRIA E A INSUSTENTÁVEL CASA NÃO É

C
AGRICULTURA, AGRICULTURA PARA AS CIDADES, SOLUÇÃO
10% NA INDÚSTRIA, DEVEM SE MOLDAR
85% NOS SERVIÇOS COMO SERVIÇOS
43%
1
chip
Embora cada pessoa possa
57% arcar com o custo tecnológico
O que se comprova hoje, a maioria das moradias é
agricultura com dados como o pequena demais para um local TE
Um novo tipo de indústria fato de 57% dos de trabalho. Cheiro de cozinha,
5% biológica (autofabricação), moradores de televisão ligada, movimento de
NO
EM
com bactérias fabricando São Paulo quererem faxina atrapalham a produtividade,
matérias-primas, e a ir embora assim como o isolamento e o
agricultura familiar medo de perder a visibilidade
10% localizada, reduzindo
custos e poluição de INSUSTENTÁVEL diante dos chefes
indústria transporte, vão ocupar PARA O MEIO
espaços equivalentes aos AMBIENTE Co
MAS O “SER HUMANO sh
de empresas de serviços
130kg
CO2 GREGÁRIO” TAMBÉM NÃO É se
85% DESCULPA PARA MANTER AS wo

2
serviços MAS MANTEMOS A O brasileiro emite, em COISAS COMO ESTÃO
ORGANIZAÇÃO DE média, 10 toneladas
O MUNDO MIGRA TRABALHO DA de CO2 por ano, acima
INDÚSTRIA da média mundial TO
DE INDÚSTRIAS AT
PARA SERVIÇOS NE
Fábrica de fiação mil x10 mil E, PORTANTO,
INSUSTENTÁVEL GA
empregava 30 mil NA
pessoas nos anos 1 pessoa precisa de 20 m2 PARA OS
1940 e emprega 100 para trabalhar. Hoje NEGÓCIOS
pessoas hoje trabalham 5 mil pessoas
num prédio (500 por
empresa, supondo um 15h 16h 17h
e
837374
02039

1940
prédio locado por dez
xmil
empresas) e, se 1 pessoa
atender 10 outras Não se pode viver em
Já foi provado que uma pessoa
consegue se relacionar com:
e
837374
02039

2010 pessoas em média em uma realidade em que o cpessoas no círculo


um dia, isso gera um funcionário não sabe a mais imediato
e
chip
chip

xcem movimento de 50 mil que horas chegará para cpessoas no círculo ampliado
pessoas num único local um compromisso c pessoas na rede máxima
837374
02039

mensurável imediatamente, mas a E o espírito gregário do ser humano? Agora, nem que perdesse... de que
queda do custo de transação para lo- Em primeiro lugar, não se trata de adianta garantir visibilidade se o es-
comover o funcionário e o aumento de trabalhar sozinho em casa, mas com tresse é tanto que você precisa de rotas
produtividade serão visíveis logo. outras pessoas em espaços de traba- de escape para não enlouquecer? É por
lho comunitários. Um cientista inglês isso que os executivos vão fazer parte
A comunicação, o espírito de equipe e já provou que é muito difícil conviver de grupos como os adoradores da lua...
a construção da cultura organizacional com mais de 150 pessoas. Você conse- É profundamente estressante quan-
não se arranharão com a distância? gue se relacionar intimamente com até do eu estou em São Paulo, tenho um
Vez por outra, gerentes e funcionários 15 pessoas, 50 são os que você sabe o voo marcado para 9 horas no aeroporto
precisarão ter reuniões presenciais que estão fazendo, em um núcleo inter- de Cumbica e, se eu sair às 7 horas, não
para a construção de confiança, sim. mediário, e 150 é o maior número de sei se eu chego, mas, se sair às 6 horas,
Mas sobram evidências de que a exe- pessoas que você sabe quem são. talvez chegue às 6 e meia e passe duas
cução de serviços, e de tudo que envol- horas e meia no aeroporto esperando o
va informação, prescinde de presença O trabalhador não perderá visibilidade avião, sem ter o que fazer.
física em tempo integral. Os funcio- e chance de promoção longe do chefe?
nários vão interagir por redes sociais, Se trabalhasse em casa, perderia. Mas E, se chove, você está perdido...
VoIP [Voice over Internet Protocol, como nesse esquema de espaços comunitá- Topograficamente falando, São Paulo
o Skype] e TVIP [TV por internet], além rios e com muito mais tecnologias de é uma cidade de altos e baixos, onde a
dos sistemas de informação clássicos. comunicação, preserva-se isso. inundação é, mais ou menos, previsível.

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Isso não é de agora; lembro de ter fi- poderiam deslocalizar todo o trabalho
cado três horas parado na Marginal de call center para lá, em língua portu-
Tietê em 1977! Mas, se apenas 20% das guesa, e sairia muito mais barato.
pessoas dependessem de carro para ir É perda de tempo nadar contra esta
ao trabalho e 80% fossem a pé, de bike maré: tudo que puder ser substituído
ou ônibus, e para perto de casa, como por tecnologia o será, cedo ou tarde. O
nesse novo urbanismo “em rede” que que precisa ser feito é resolver o proble-
acompanharia a mudança do trabalho, ma certo, ou seja, qualificar as pessoas
o impacto da chuva seria mínimo. maciçamente, por meio da educação.

Parece tudo muito adequado para pes- Nos anos 80, Charles Handy projetou
soas qualificadas profissionalmente. um futuro do trabalho dividido entre
Mas isso não ampliará o abismo social? agentes livres, as “pulgas”, e grandes
A única atividade digna do ser humano corporações, os “elefantes”, mais favo-
é a atividade mental em que há julga- rável aos primeiros, pela própria expe-
mento e tomada de decisão. A ativi- riência dele, que trocou a Shell por in-
dade braçal será 100% substituída por dependência. O que você pensa disso?
robô e a atividade mental repetitiva Handy errou sobre os elefantes e acer-
codificável, como a da maioria dos call tou sobre as pulgas. Sabe onde ele er-
centers, também será 100% substituída rou? O que constrói elefantes é dinheiro
por robô ou software; é uma questão de e inteligência conectados e isso sempre
tempo. E, antes de ser substituída por existirá. Toda vez que alguém descobrir
um robô, será trocada por uma mão de alguma coisa que não foi propriamente
obra mais barata. Para ficar no exem- interpretada como demanda, cercá-la
plo dos call centers, se Angola se organi- de inteligência, proteger esse conhe-
zasse para isso, as empresas brasileiras cimento na forma de produto, serviço

SOLUÇÃO:
1.
REDISTRIBUIÇÃO
2.
ISSO VALE ATÉ
4.
MUDARÁ A
DAS EMPRESAS EM PARA AULAS NAS ESSÊNCIA DO
WORK CENTERS INSTITUIÇÕES DE TRABALHO
Em vez de as empresas ENSINO
terem seis unidades com
500 pessoas cada uma,
devem ter 12 unidades de
250 e usar tecnologias de
videoconferências para
reuniões a distância,
intercaladas com
reuniões presenciais
quando necessário.
A imagem é de hubs
conectados, como os cNão se trabalhará mais
aeroportos conectados vendendo o tempo
por voos no mundo cNem se trabalhará por

3.
projeto
cNão haverá mais
x100 x100 x100 emprego, e sim trabalho
x100 x100 FUNCIONÁRIOS DEVEM
x100 x100 x100 MORAR A NO MÁXIMO 10 KM
x100 x100 x100 DE DISTÂNCIA

x100
x100
x100
x100
x100
x100 10km
x100 Para poderem ir de bicicleta ao trabalho em meia hora, a 24,5
km/h (que seria a velocidade de um carro no trânsito hoje)

CONSEQUÊNCIAS:
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ou patente, e entregá-la a clientes na
frente dos outros, vai criar um elefante. “um bom caminho para pulgas
Só muda o elefante da vez. Um dia é a
Microsoft, noutro o Google, o Twitter... hoje é montar empresas do tipo
‘boss’, acrônimo em inglês de
Você acaba de dar a receita para ser ele-
fante. Qual é a receita para ser pulga?
construa, opere e venda rápido”
Gosto de começar pela definição: a
pulga, ou agente livre, é alguém que O que terá menos espaço, talvez, é fará o papel de mestre será o coorde-
sabe alguma coisa e tem a capacidade a empresa de médio porte. Se a pulga nador, o sexto C na nossa lista.
de executar o que sabe sem a interme- crescer e virar tamanho médio, vem
diação de uma infraestrutura que de- um elefante e a compra. Um bom ca- Coordenar redes é função promissora?
penda de muito capital. A pulga deve minho para pulgas, hoje, é montar Sim! Imagine uma rede de agentes livres
ser essencialmente um colaborador, empresas do tipo BOSS, acrônimo em que operem um call center do tipo em
com habilidades que podem ser defi- inglês de build, operate and short sell, que se tomam decisões. Dá-se um celu-
nidas em 5 Cs: conceitos, capacidade, ou construa, opere e venda rápido. E a lar gratuito para cada um e combina-se
conexões, curiosidade –para aprender sequência é: sell and find a new boss! A que ele tem de trabalhar tantas horas
sempre– e confiança, tanto inspirando pulga, depois de vendê-la, monta outro por dia. E põe-se um coordenador.
confiança como confiando nos outros. negócio BOSS.
Nunca uma pulga teve tantas opor- O que também tende a acontecer no E essa onda 2.0 de trabalhar gratuita-
tunidades como agora. Hoje, se eu de- longo prazo é o surgimento mais fre- mente? Não é um antipulgas potencial?
senho o conceito de um sabonete novo, quente de redes montadas de forma ad O free será de livre, mas não de grátis
mesmo sem ter recurso disponível, hoc [temporariamente] por agentes li- –para que seja sustentável. Se se orga-
consigo tê-lo em produção daqui a três vres, motivados por grandes pulgas ou nizar em rede, o agente livre consegui-
meses, porque as cadeias de produção, por elefantes, para realizar trabalhos rá impor uma remuneração.
até as que produzem conhecimento, específicos. O trabalho será uma forma
distribuem-se pelo mundo. E os vários de escola e a rede, uma guilda, como Muda o jeito de pensar a carreira, não?
elos podem ser pulgas especializadas. aquelas da Idade Média, onde quem Muda. Por exemplo, vários alunos

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meus saíram da universidade para pu- volver conhecimento sobre esses –em Mas a ideia de proteger suas fron-
lar dentro de redes como essa e, de lá, função de uma rede de que participa. teiras para sempre não é factível. O
pularam para os elefantes, sem fazer o reordenamento já está acontecendo no
percurso clássico, estruturado. Qual será o papel da internet nisso? planeta, com a Europa tendo saído na
Mesmo quem trabalha contratado Tudo passará pela internet. A educação frente na criação da União Europeia.
por um elefante tem de pensar como toda será e-education; a ciência será Só não se sabe quanto tempo vai levar.
pulga, que fica pulando aqui e ali –in- e-science; o trabalho, e-work. Tudo po- Mas se for um século, pouco importa.
cluindo funcionário público; já há o derá ser deslocalizado, feito a distância. Dentro de 15 mil anos de vida inteli-
concurseiro, aliás. A carreira e, tam- gente organizada, mais ou menos, des-
bém, a formação vão ser sistemas de- Até consigo imaginar esse processo de de a agricultura, 100 anos não é nada!
sestruturados, em rede, em que cada “deslocalização” nas economias “con-
um vai sobreviver, em boa parte, em temporâneas”. Mas no Brasil... A transição do Brasil para esse novo
função da sua curiosidade, em que Isso ocorre porque o Brasil ainda é modo de trabalho será mais dolorosa...
ninguém ensina ninguém, até porque uma economia fechada –as trocas co- Se doerá mais no Brasil? Possivelmente.
ninguém sabe o que e quando ensinar. merciais brasileiras são cerca de 10% Além dessas razões que eu citei, temos
Sai o sistema clássico de formação e do PIB, quando, numa Alemanha, elas excesso de regulamentação –não só na
carreira, que adestrava pes­soas, e entra equivalem a 60% do PIB. O Brasil tam- área trabalhista, onde se fica criando
um sistema de criação de oportunida- bém tem uma rede regional muito fra- mais regulamentações cada dia em
des de aprendizado, em que a pessoa ca, que são os vizinhos sul-americanos, vez de desregulamentar, mas em toda
expande sua área de ataque a proble- em estágio de desenvolvimento ainda parte, porque somos um país cartorial,
mas e cria oportunidades de desen- mais precário que o nosso. em que os interesses de grupos são

Brasil e o redesenho do planeta


Há 15 mil anos, o homem era nômade e se adaptava ao ambiente. De repente,
fixou-se em um só lugar e começou a fazer com que o ambiente se adaptasse a
ele. Foi quando começou o desequilíbrio. Precisamos revertê-lo antes que seja
tarde, segundo Silvio Meira, redesenhando o planeta em uma versão 3.0, em que
não se possa mais dizer que determinado país “precisa crescer 10% ao ano” e
que, por isso, vamos destruir a floresta amazônica.
“Do mesmo modo, não podemos achar mais que todo norte-americano tem o
direito de dirigir 50 mil quilômetros por ano. Os Estados Unidos estão em situa-
ção difícil, em boa parte, por causa de sua economia baseada em automóvel, ou
seja, baseada em carbono. E, se eles não mudarem isso, vão falir, porque o custo
deles não é apenas o do litro da gasolina, mas o de manter o fornecimento de
óleo do Iraque e outros lugares com guerras, por exemplo”, explica Meira.
Por isso, conforme o pensador, o Brasil tem uma chance única de liderar esse
processo de transformação do trabalho e do planeta. “Só nós podemos dizer para
o mundo ‘somos independentes de gasolina’ e dar o exemplo. O Brasil tem aces-
so, hoje, a fontes absolutamente inéditas e gigantescas de energia solar, eólica
e marinha. Será que a gente precisa construir 50 centrais nucleares? Será que
deve furar o pré-sal e queimá-lo todo como combustível em vez de usá-lo como
matéria-prima para indústria química e têxtil, com bem mais valor agregado?”
Para Meira, se temos desvantagens monumentais em ser uma economia fe-
chada, podemos, por outro lado, tomar mais decisões sozinhos. “Por exemplo,
podemos trocar o paradigma de produzir a maior quantidade disso e daquilo pelo
da melhor qualidade, com sustentabilidade ambiental.” Basta o Brasil definir o
contexto, diz o professor. “Já fizemos isso outras vezes, como com o pró-álcool.
Quando você precisa mudar uma cultura, como é preciso fazer agora em um
nível planetário, as oportunidades que se criam são gigantescas, em todos os
níveis, de liderança inclusive.”

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3.
projeto
cNão haverá mais
x100 x100 x100 emprego, e sim trabalho
x100 x100 FUNCIONÁRIOS DEVEM
x100 x100 x100 MORAR A NO MÁXIMO 10 KM
x100 x100 x100 DE DISTÂNCIA

x100
x100
x100
x100
x100
x100 10km
x100 Para poderem ir de bicicleta ao trabalho em meia hora, a 24,5
km/h (que seria a velocidade de um carro no trânsito hoje)

CONSEQUÊNCIAS:
1.
TERÁ ORIGEM UM
3.
O TRABALHADOR TERÁ
5.
HAVERÁ MAIS EMPRESAS
NOVO BOOM DE SE REFORMULAR DO TIPO “BOSS”
de, EMPREENDEDOR Para ser um profissional colaborador,
que opera como agente livre, ele
precisará desenvolver 5 Cs: “BOSS”
Build, Operate, Short Sell

Como se constroem Que serão logo vendidas para as


shopping centers hoje, 5 Cs empresas-elefantes para as quais
serão construídos trabalharão os agentes livres-pulgas
S work centers

2. 6.
TODAS AS
ATIVIDADES E
4.
SERÁ IMPRESCINDÍVEL UM SEXTO C
PARA O BRASIL, DOIS
IMENSOS DESAFIOS
NEGÓCIOS Mudança institucional:
GANHARÃO UM “E” é preciso aumentar os graus de
NA FRENTE 6 Cs liberdade na regulamentação
5 Cs trabalhista sem descuidar da
proteção do trabalhador no que
5 Cs

e
5 Cs 5 Cs
5 Cs
5 Cs 5 Cs

importa (como no combate à


5 Cs 5 Cs

5 Cs
5 Cs 5 Cs
5 Cs

escravidão, por exemplo)


5 Cs
8373746823592482 5 Cs
0203985783763567

5 Cs 5 Cs
5 Cs 5 Cs 5 Cs
5 Cs

e
5 Cs
5 Cs

Mudança cultural:
5 Cs

5 Cs

5 Cs

Surgirá com força a figura do


8373746823592482

trocar o espírito de “concurseiro” (de


0203985783763567

coordenador, a pessoa que concurso público) pelo empreendedorismo


do e
8373746823592482
0203985783763567
coordena o trabalho de agentes
livres espalhados geograficamente,
do agente livre remunerado por resultado
somado a uma “attachment fee”, como os
formando até call centers virtuais artistas de novela da TV Globo

tombados. E também nosso proble- zes que descubram o problema a ser Mas não é especialização demais?
ma educacional é gigantesco. Saber resolvido e criem a solução, ao mesmo Não, se você partir do princípio de que
programar será no futuro como saber tempo que descubram, desenvolvam, o processo de aprender é contínuo,
escrever hoje. E muitos ainda mal sa- aprendam e reaprendam o conheci- assim como trabalhar é. Temos, isto
bem escrever. Para piorar, divulgou-se mento necessário. Ensina-se com base sim, de criar mecanismos de incentivo
recentemente a queda do número de em problemas em vez de se estar pre- e compensação para que a pessoa que
matrículas e da quantidade de estu- so a uma grade curricular. trabalha não pare de aprender.
dantes que sobrevivem à 5a série.
Trabalho é a soma de educação com Lembra o aprendizado de duplo loop, A urgência da questão climática nos
oportunidade. Se não temos educa- do Chris Argyris, de Harvard. Há esco- fará acelerar a mudança do trabalho?
ção, as oportunidades não poderão ser las adotando esse método de ensino Acho que sim. As cidades são os gran-
aproveitadas. É o que ocorre agora: as no Brasil? des polos geradores de poluição, o que
empresas reclamam que “falta gente”. O C.E.S.A.R. é uma delas, a escola de decorre em grande parte do modo
medicina da Faculdade Pernambu- como se trabalha [leia mais no quadro
Como deveria mudar a educação? cana de Medicina (FPM), em Recife, da página ao lado]. Fora isso, cada um
O ensino clássico é, por assim dizer, Universidade Federal do ABC, em São tem de fazer seu plano de carbono zero.
newtoniano. Parte do princípio de que, Paulo... Na FPM, em vez de começa- Eu estou fazendo o meu, indo de bici-
se você estruturar o conhecimento de rem por aulas de anatomia, os alunos cleta para o trabalho –gasto um pouco
uma área organizadamente, quem vão para o posto de saúde da família, menos de tempo do que de carro, aliás–,
houver passado por aquele processo na periferia, na primeira semana de plantando árvores e, este ano, começa-
de aprendizado pode saber tudo. aula, para ver o que é doença e do rei a dar aulas por videoconferência
Temos de migrar para um modelo que a população adoece. Do processo quando chover demais em Recife.
de escola mais darwiniano, que não de ensino clássico, muda-se para o
estabeleça, a priori, fundamentos para aprendizado baseado em problema, o
nada; ele deve fazer, de todos, aprendi- problem based learning. HSM Management

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