Você está na página 1de 8

Universidade: Universidade Federal do Paraná

Comitê Acadêmico: Gênero e Sociedade – Representações, Cidadania e Trabalho.


Título do Trabalho: A Representação Feminina no Legislativo Paranaense
Autores: Camila Tribess1 e Renato Monseff Perissinotto2 (Orientador).
Email dos Autores: catrisociais@yahoo.com.br e monseff@uol.com.br
Palavras-Chave: Representação Feminina, Poder Legislativo Paranaense, Perfil Político,
Trajetória Política.

Introdução
Desde 1951, ano em que a primeira mulher foi eleita para uma cadeira no legislativo
paranaense, até a legislatura de 2003, apenas 10 mulheres passaram pela Assembléia Legislativa
do Paraná – ALEP. Sendo que quatro delas foram eleitas nesta última legislatura (2003) e duas
foram reeleitas (1999 e 2003). O ano de 2003 foi o mais significativo desse ponto de vista, pois
nesta legislatura assumiu o maior número de mulheres na história da ALEP. Apesar de ainda ser
um número muito baixo proporcionalmente, em relação à legislatura anterior houve um aumento
significativo da inserção feminina.
Existem alguns fatores que podem ter contribuído para esse aumento: o maior número de
candidatas, o reflexo da política de cotas de gênero nos partidos ou até mesmo uma maior
abertura social, tendo em vista que pela primeira vez na história do Paraná uma mulher foi eleita
também deputada federal3. As eleições de 2002 foram de fato diferentes das anteriores no Paraná
e é importante que se aprofundem as análises sobre este período de legislatura. Este panorama
nos coloca uma questão importante: qual o perfil das mulheres que são eleitas para o legislativo
do Paraná?
Traçar um perfil das parlamentares paranaenses se torna essencial nesse contexto para
podermos identificar quem são essas mulheres, quais grupos elas representam e que trajetória
uma mulher percorre antes de se tornar deputada estadual no Paraná, ou seja, quais são os capitais
políticos e sociais necessários para a entrada no legislativo paranaense. Ou colocando a questão

1
Aluna pesquisadora do Núcleo de Sociologia Política da UFPR e aluna bolsista do Grupo PET de
Ciências Sociais.
2
Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFPR e coordenador do Núcleo de Sociologia
Política.
3
Referência à deputada Clair da Flora Martins, eleita em 2002 pelo PT.
de uma outra maneira: por que e como essas mulheres conseguem superar as dificuldades que
usualmente se colocam às outras mulheres para se tornarem postulantes a cargos políticos?
O Núcleo de Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná entrevistou os
deputados e deputadas da 15ª legislatura, que se iniciou no ano de 2003. Essas entrevistas contêm
três blocos, sendo o primeiro sobre a trajetória política do deputado, outro sobre seus valores
políticos e o terceiro sobre a origem social. Nesse trabalho utilizarei as informações referentes à
trajetória política e à origem social, utilizando apenas a questão sobre o autoposicionamento no
espectro ideológico do bloco sobre valores.
O texto inicia com uma contextualização histórica da participação feminina no Brasil
como um todo e especialmente no Paraná e com uma breve reflexão sobre o atual sistema de
cotas de gênero nas candidaturas ao legislativo. Em seguida traço o perfil social e profissional das
atuais deputadas mulheres da Assembléia Legislativa do Paraná e suas trajetórias política e
partidária, para então tecer algumas considerações.

Contextualização
O voto feminino foi implementado no Brasil com o código eleitoral de 1932 e permitiu a
eleição da primeira deputada federal, pelo estado de São Paulo, no mesmo ano, para a
Assembléia Constituinte. A partir da eleição de Carlota Pereira de Queirós (São Paulo) em 1932 e
depois de Berta Lutz (Distrito Federal, hoje Rio de Janeiro) em 1934 o Brasil passa por um
período de regime autoritário, o Estado Novo de Getúlio Vargas, e volta ao regime democrático
apenas em 1947 com nova Assembléia Constituinte, dessa vez, sem nenhuma representação
feminina.
Há uma nova mobilização pela igualdade de representação política entre homens e
mulheres. No Paraná, apenas em 1951 a primeira mulher é eleita para a Assembléia Legislativa,
Iraci Ribeiro Viana, eleita pelo PDS. Essa eleição se configura como uma exceção, visto que nos
anos seguintes nenhuma mulher volta à ALEP e o Brasil entra, novamente, em um sistema
político autoritário, que desta vez se estende de 1965 até 1985 com a ditadura militar. Após esse
período uma mulher é eleita para a Assembléia Legislativa Paranaense, ainda no período de
redemocratização, em 1983.
A partir da redemocratização há a eleição de duas mulheres na legislatura de 1987, uma
em 1991, nenhuma em 1995 e uma em 1999 com a posterior entrada de uma suplente. Somente
no ano de 2003 é que existe um aumento significativo de mulheres eleitas para a ALEP. São
eleitas quatro mulheres, o que equivale a 7,1% do total de deputados estaduais nessa legislatura, a
maior média já alcançada no estado do Paraná, mas ainda muito abaixo dos 12,5% da média
nacional para legislaturas estaduais (Rodrigues, 2004b).
A implementação do sistema de cotas nas eleições, adotado a partir de 1995 e
reformulado em 1997, prevê que 30% dos candidatos dos partidos em todas as esferas legislativas
sejam mulheres, o que garante em parte uma maior representatividade, mas ainda exclui do poder
executivo essa representação, sendo que as cotas são adotadas, a princípio, apenas nas eleições
proporcionais4. No Paraná os efeitos dessa política afirmativa são visíveis. Em 1994, um ano
antes da implementação das cotas de gênero, nenhuma mulher foi eleita para o legislativo
paranaense. Já nas eleições seguintes, em 1998, uma mulher foi eleita como titular e,
posteriormente, outra mulher assumiu como suplente, mas só depois de oito anos da
implementação das cotas, nas eleições de 2002, é que, mesmo de maneira ainda tímida, essa
política começa a ter seus efeitos visíveis nas eleições do estado.
Em âmbito nacional esse crescimento não ocorreu. Rodrigues (2001) apresenta números
que demonstram a baixa eficácia das cotas quando comparadas às eleições anteriores a elas, mas
também afirma que ainda é cedo para que se refutem as cotas de gênero, visto que esse tipo de
política afirmativa trouxe resultados positivos em vários países, inclusive latino-americanos.
Mesmo se considerarmos países com listas fechadas para o legislativo, como França e Argentina,
as políticas afirmativas se mostram eficazes, possibilitando ampla participação feminina na esfera
política, seja ela municipal, estadual ou nacional (Rodrigues, 2004a). O questionamento da forma
como essa política foi implementada no Brasil e qual o papel dos partidos quanto ao apoio
efetivo, político e financeiro, para as campanhas femininas é necessário. Parece óbvio que o
lançamento de candidaturas femininas apenas para cumprir uma legislação não colabora com a
efetiva afirmação da mulher na esfera política. (Boselli, 2003; Rodrigues, 2004a e 2004b).
A política de cotas para mulheres gera diversas controvérsias. Muitas argumentações
reconhecem que as cotas são importantes, mas que não aumentam de fato a participação
feminina. Outras colocam que este sistema é o único passível para que se criem grupos ativos de
mulheres dentro dos partidos (Tabak, 2002). De uma forma ou de outra, a discussão iniciada pelo

4
Existem alguns projetos de leis e emendas que prevêem a utilização das cotas para as eleições
majoritárias também, mas que ainda estão em discussão e aprimoramento.
sistema de cotas traz uma visibilidade necessária ao problema da representação feminina na
política e é de extrema importância para garantir, ao menos no âmbito eleitoral, um percentual de
representatividade feminina e abrir, dessa forma, caminhos para a ampliação do debate e da
mobilização feminina.

As Deputadas Paranaenses
Neste trabalho utilizo os dados da pesquisa realizada no ano de 2005 pelo Núcleo de
Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná, que através de entrevistas com os
deputados e deputadas recolheu dados sobre a origem social, a trajetória política e os valores dos
parlamentares. Nosso universo é muito reduzido, se limita às quatro mulheres eleitas para a
Assembléia Legislativa no ano de 2003, e uma delas não nos concedeu a entrevista, sendo seus
dados retirados de fontes paralelas5.
As deputadas do nosso universo são em sua maioria brancas e católicas, sendo que uma se
declara negra e de religião espírita. Esse índice pode ser considerado alto, visto que a proporção
geral de deputados não brancos (negros e pardos) na ALEP é muito baixa, apenas nove em um
universo de 84 deputados. Esse dado é de extrema importância se considerarmos que ao lado do
preconceito de gênero, o de raça é também muito forte, o que torna a mulher negra a que encontra
maior dificuldade de inserção na vida política.
Todas as deputadas da 15ª Legislatura advêm do que conceituamos como estrato médio da
sociedade, três da área urbana e uma da área rural. Seus pais eram assalariados de empresas
privadas em três casos e pequeno proprietário rural no último caso. As mães das deputadas
apresentam um panorama diferente do padrão encontrado entre os deputados em geral, visto que
metade destas mães exerceram atividades profissionais, enquanto que no quadro geral, a grande
maioria das mães foi declarada como “dona de casa”.
Nenhuma das deputadas nasceu em Curitiba, e das quatro, três não são naturais do Paraná,
sendo duas de Santa Catarina, uma do Rio Grande do Sul e uma do interior do estado - Londrina.
Este fato aponta para um recrutamento não provinciano das deputadas mulheres, porém todas
ocuparam cargos públicos em cidades do Paraná antes de serem eleitas para a ALEP. Estes
cargos são, em três casos, de vereança e apenas um caso de coordenação de programas de

5
Tais como: página oficial da Assembléia Legislativa Paranaense; página pessoal da deputada; dados
obtidos na página do Partido Progressista; artigos de jornais e revistas do estado.
assistência social, o que indica, seguindo os padrões de experiência política encontrados nos
deputados em geral, que as mulheres que se elegem para a legislatura estadual já possuem
experiência de legislaturas municipais.
Duas das quatro deputadas possuem curso superior completo, uma possui curso superior
incompleto e a quarta possui o ensino médio completo, o que nos revela um nível de escolaridade
relativamente alto entre as deputadas mulheres. Este padrão é encontrado também nos dados
gerais dos deputados, sendo que mais de 66% dos deputados possuem ensino superior, completo
ou incompleto. Mas uma diferença interessante é que entre as mulheres, nenhuma possui
especialização, enquanto que entre os homens, cerca de 20% têm especialização, mestrado ou
doutorado. Esse fato pode ser explicado, talvez, pela ainda baixa presença de mulheres nos graus
mais elevados de especialização profissional e pela profissão declarada pelas deputadas. Das que
possuem curso superior uma declara-se empresária e a outra política profissional e não são
ligadas, portanto, aos ramos que tradicionalmente exigem uma maior especialização acadêmica.
Entre a outra metade que é considerada como de nível educacional médio, uma se declara
funcionária assalariada de empresa privada e a outra como pequena proprietária rural, o que
evidencia serem de um estrato social mais baixo que aquelas que possuem ensino superior.
Todas as deputadas exerceram algum tipo de cargo público antes de entrarem para a
ALEP, o que evidencia que o recrutamento feminino privilegia uma experiência anterior na vida
política, porém não em carreira partidária visto que nenhuma das deputadas exerceu qualquer tipo
de direção partidária entes de ingressar no legislativo paranaense. A relação com cargos
administrativos parece não influir no recrutamento feminino, visto que, metade teve experiência
prévia e a outra metade não. Um dado interessante é que as mesmas deputadas que exerceram
cargos administrativos são as que possuem ensino superior completo.
As deputadas do nosso universo militam ou militaram em movimentos feministas ou de
organização de mulheres, o que sugere que este tipo de atividade auxilia no recrutamento das
parlamentares, além de que três das quatro deputadas consideram que estes movimentos foram de
essencial importância para sua eleição e a quarta considera que obteve da imprensa o principal
apoio para sua campanha.
A inserção nos movimentos feministas nos demonstra uma formação política e ideológica
mais aprofundada e voltada especialmente para as questões dos direitos femininos. Essa
militância auxilia na captação de votos entre as próprias mulheres e ter a base eleitoral voltada
para os assuntos referentes à participação feminina e propostas que englobem a defesa dos
direitos femininos e de combate à opressão e discriminação às mulheres se apresenta como
recurso importante nas campanhas. Ao estarem intimamente ligadas com esses movimentos, as
mulheres candidatas e posteriormente eleitas têm uma base eleitoral que lhes permite uma
atuação voltada, principalmente, às questões que são normalmente denominadas de “femininas”.
Este fato pode ter duas interpretações: a primeira de que o fato de as mulheres voltarem sua
atuação para as questões femininas no legislativo é positivo e necessário para a diminuição da
desigualdade, porém também pode ser visto como uma espécie de divisão do trabalho
parlamentar, em que as mulheres, mesmo estando nas posições de poder, não participam das
decisões políticas mais amplas e se limitam às questões de gênero. Porém, as deputadas tendem a
se destacar também nas funções administrativas da ALEP, o que enfraquece esta segunda
interpretação.
A atuação das mulheres nas bancadas e na direção da ALEP se define da seguinte forma:
uma das deputadas foi líder de bancada na ALEP, fato conseguido, provavelmente, por ser seu
segundo mandato (ela foi eleita também em 1999), visto que, mesmo entre os deputados homens,
dificilmente se alcança uma liderança de bancada no primeiro mandato; e duas das quatro
deputadas exerceram alguma função administrativa na ALEP, como 3ª vice-presidente (Arlete
Caramês) e como secretária (Cida Borghetti). Este fato demonstra que, vencida a barreira
eleitoral, as mulheres na ALEP conseguem destacar-se dentro da Assembléia e alcançam os
cargos de direção e liderança, mesmo em uma Assembléia em que a mesa diretora possui grande
poder de decisão e forte centralismo na figura do presidente, como apontam algumas pesquisas
sobre a elite política paranaense.6
Três, das quatro deputadas trocaram de partido pelo menos uma vez durante sua trajetória
política, a exceção se encontra na parlamentar do Partido dos Trabalhadores, que por sua história
no país se mostra como um dos partidos com maior índice de fidelidade partidária. Entre as
deputadas que mudaram de partido nota-se uma considerável fidelidade ideológica, visto que uma
se manteve sempre em partidos de direita (PDS, PFL e PP), outra se manteve em partidos de

6
Em especial pesquisas realizadas pelo Núcleo de Pesquisa em Comunicação Política da UFPR sob a
coordenação dos professores Nelson Rosário de Souza e Luciana Fernandes Veiga.
esquerda (PCB, PC do B e PMDB) e a última se manteve em partidos de centro (PPB e PPS).7
Essa trajetória partidária também condiz com a autodefinição ideológica de cada uma das
deputadas.

Conclusões
Diante desses dados podemos apontar para alguns padrões encontrados entre as deputadas
estaduais eleitas no Paraná na atual legislatura, o mais claro deles é a importância dos
movimentos de mulheres na atividade política e na eleição dessas deputadas. Além da
participação nos movimentos as deputadas também reconhecem como indispensável o apoio
destes para suas candidaturas e legislaturas.
As deputadas paranaenses são do estrato médio da sociedade e possuem escolaridade
relativamente alta, apesar de não possuírem especialização, panorama diferente do quadro geral
da ALEP. Possuem experiência prévia de legislatura municipal ou atuação política local e não
possuem carreira de direção partidária. Apesar de não serem, em sua maioria, naturais do Paraná,
suas experiências políticas ocorreram nesse estado.
Todas as deputadas apresentam grande fidelidade ideológica, há mudanças de partido,
mas as parlamentares tendem a circular entre partidos de mesma linha ideológica. Outra
característica das parlamentares paranaenses é sua inserção nos cargos de direção dentro da
ALEP o que nos demonstra que, vencida a barreira para a entrada no legislativo, a atuação
feminina se destaca. Podemos observar este fato também pelo alto índice de reapresentação das
deputadas mulheres, das quatro deputadas dessa legislatura (2003/2006), duas estão em seu
segundo mandato, ou seja, todas as deputadas que legislaram no período de 1999 a 2002 foram
reeleitas.
A participação feminina na política paranaense vem crescendo paulatinamente, com alta
relativa principalmente após a implementação das cotas de gênero para as eleições proporcionais,
fato que se diferencia do panorama nacional. Essas mulheres, apesar de ainda poucas,
representam, em questão de gênero, mais de 50% dos eleitores do estado (3.348.343 eleitores do
sexo feminino)8 e demonstram que os movimentos sociais voltados à organização de mulheres

7
Esta divisão do espectro ideológico foi feita com base na orientação predominante na literatura e na
atuação específica dos partidos no Paraná. A mesma divisão é utilizada em outros trabalhos do Núcleo de
Sociologia Política da UFPR.
8
Dados das eleições de 2002, segundo o IBGE. Disponível em www.ibge.gov.br Acesso em 14 jul 2006.
são essenciais para a politização e inserção destas mulheres no campo político, além de serem, de
forma destacada, a base eleitoral que sustenta a candidatura e o mandato dessas deputadas.
As deputadas são mulheres brancas e negras, da direita e da esquerda, envolvidas em
movimentos de mulheres agricultoras ou em organizações beneficentes da classe média, que
trazem um novo panorama para o legislativo estadual, abrindo um caminho que no Paraná foi
tardiamente iniciado e que só agora começa a se rotinizar, com o aumento gradual da participação
feminina na política estadual. A participação feminina ainda é tímida e proporcionalmente sub-
representada, mas aponta para uma situação em que, ao entrar na esfera política, essas mulheres
tendem não só a se destacar, mas também a permanecer nesta atividade.

Referências:
BOSELLI, Giane. O Desafio da Política de Cotas na Conquista da Igualdade. Linha
Direta, São Paulo. Ano 13 - nº 595, p.4-5, dez 2003. Disponível em www.cfemea.org.br, acesso
em 14 jul 2006.
RODRIGUES, Almira. Mulheres: Movimentos Sociais e Partidos Políticos. Anais do
Seminário Nacional de Formação Política: Mulheres Socialistas. Cfemea: Brasília, jan 2001.
Disponível em www.cfemea.org.br, acesso em: 14 jul 2006.
RODRIGUES, Almira. Reforma Política e Ações Afirmativas. Cfemea: Brasília, jan
2004a. Disponível em www.cfemea.org.br, acesso em: 14 jul 2006.
RODRIGUES, Almira. Reforma Política e Participação. Cfemea: Brasília, jul 2004b.
Disponível em www.cfemea.org.br, acesso em: 14 jul 2006.
TABAK, Fanny. Mulheres Públicas: Participação Política & Poder. Rio de Janeiro: Letra
Capital, 2002.