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- INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO

DIREITO (IED) -

PROF. RODRIGO MORAES CABRAL

1º SEMESTRE – 2022
CENTRO DE ENSINO SUPERIOR ALMEIDA RODRIGUES LTDA
CNPJ: 04.284.276/0001-04 – Insc. Est.: Isento
Rua Quinca Honório Leão, 1030 – Morada do Sol – Rio Verde – GO – Fone/Fax: (64) 3620-4700
Site: www.faculdadefar.com.br – E-mail: direito@faculdadefar.com.br

SUMÁRIO

Programa de disciplina – proposta de conteúdos, metodologia de ensino e avaliação.


Apresentação: professor/educando/curso ................................................................................... 3
TÓPICO 1 - A Dimensão Sociológica do Direito – parte I........................................................ 5
TÓPICO 2 - A Dimensão Sociológica do Direito – Parte II ...................................................... 9
TÓPICO 3 – Direito, Justiça e Equidade .................................................................................. 13
Eduardo Juan Couture ............................................................................................................. 13
TÓPICO 4 – Fontes do Direito ................................................................................................. 17
TÓPICO 5 – A Lei.................................................................................................................... 23
TÓPICO 6 – APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA NO ESPAÇO E NO TEMPO ............ 26
TÓPICO 7 – DA ARTICULAÇÃO E DA REDAÇÃO DAS LEIS ........................................ 30
TÓPICO 8 – A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA ..................................................................... 38
TÓPICO 09 – A Integração Jurídica e o Problema das Lacunas da Lei................................... 45
TÓPICO 10 - Retroatividade e Irretroatividade da Norma Jurídica ......................................... 49
TÓPICO 11 - Divisão do Direito Positivo: Subjetivo e Objetivo ............................................ 52
TÓPICO 12 - Relação Jurídica: Anotações Gerais da Personalidade e Capacidade da Pessoa
Física e Pessoa Jurídica ............................................................................................................ 56
TÓPICO 13 – DIVISÃO DO DIREITO: DIREITO PÚBLICO E PRIVADO ........................ 60
TÓPICO 14– PRINCÍPIOS GENÉRICOS DO DIREITO ....................................................... 65
TÓPICO 15 – Estado, Direito e Institutos Jurídicos ................................................................ 71
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 75

• Obs.: ATENÇÃO: este material serve como mero roteiro de aula, não
dispensa, em qualquer hipótese, a necessidade da utilização de doutrinas
e outros recursos afins para aprimorar o estudo.

• O material poderá sofrer alterações durante o semestre letivo a depender


das inovações ocorridas.

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Programa de disciplina – proposta de conteúdos, metodologia de


ensino e avaliação. Apresentação: professor/educando/curso

• Programa de disciplina

A disciplina de Introdução ao Estudo do Direito pressupõe a organização de uma


disciplina de base, introdutória à matéria, a quem cumpre definir o objeto de
estudo, indicar os limites da área de conhecimento, apresentar as características
da ciência, seus fundamentos, valores e princípios cardeais.

• Proposta de conteúdos

1. As diversas acepções do vocábulo Direito. Direito e Ciência.


2. O Direito como norma e sua relação com as demais ciências.
3. Sociedade, Justiça e Direito. O papel da Justiça. Problema das leis injustas.
4. Direito e Moral.
5. Direito Natural e Direito Positivo.
6. Direito Objetivo: direito público e direito privado.
7. Direito Subjetivo. O Direito alternativo. Fontes do Direito.
8. Meios de integração: analogia, costumes, princípios gerais de direito.
9. Teoria da Norma Jurídica. A Lei, seu processo de formação; classificação.
Hierarquia normativa. Teoria do ordenamento jurídico. Sistema jurídico nacional.
Sistemas de Direito.
10. Relações Jurídicas.
11. Aplicação da lei no tempo e no espaço.
12. Irretroatividade da lei: direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada.
13. Interpretação do Direito.

• Metodologia de Ensino

- Aulas. Expositivas, dialogadas com utilização de recursos áudio-visuais em


determinadas ocasiões. Realização de exercícios intra/extra sala de aula,
incluindo apresentações, atividades escritas e pesquisas solicitadas.

- Material de apoio: o professor disponibilizará via e-mail materiais de apoio da


disciplina, os quais contarão com um resumo sistemático do conteúdo trabalhado
em sala de aula. Sendo assim, sugere-se a criação de um e-mail da turma a
fim de que o material possa ser encaminhado.

- Chamada. Realizada todas as aulas no começo e no final, com tolerância a


primeira aula de 20 minutos.

Forma de avaliação:

• 1ª avaliação – valor total de 10,0, sendo essa nota composta de 8,0 pontos
da Avaliação e 2,0 pontos de Atividades desenvolvidas ao longo do bimestre.
• 2ª avaliação – valor total de 10,0, sendo essa nota composta de 8,0 pontos
da Avaliação e 2,0 pontos de Atividades desenvolvidas ao longo do bimestre.

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• 3ª avaliação – Trata-se de avaliação escrita e sem consulta. O exame


final tem obrigatoriamente o valor de 10,0 (dez) pontos, com questões
objetivas e discursivas acerca da toda a matéria do semestre. Está sujeito
à terceira avaliação (exame final) o aluno que não obtiver média 6,0 (seis)
nas duas primeiras avaliações 1º e 2º bimestres.

Na hipótese de realização do Exame Final, o(a) acadêmico(a) terá que


obter Média Final de no mínimo 5,0 (cinco) pontos, considerando o
seguinte cálculo:

1º nota + 2º nota = Média Provisória.


Média Provisória + 3º avaliação ÷ 2 = Média Final.

Caso o aluno não obtenha media 5,0 (cinco) será considerado reprovado.

As avaliações contam com 10 questões sendo 5 questões objetivas e 5 questões


subjetivas. Vale ressaltar que as respostas serão dispostas em folha gabarito que
não deverá constar rasuras sob pena de anulação.

2a CHAMADA - Apenas aplicável no caso do acadêmico não realizar a prova na


data regular. O requerimento deverá ser feito na secretaria da faculdade
em até 48h da aplicação regular da avaliação.

- Atividades Intra/Extra sala de aula: questionários, testes, análise de textos,


apresentações de trabalhos, participação em palestras, etc.

Referências Bibliográficas

MONTORO, André Franco. Introdução à Ciência do Direito. São Paulo: RT.

NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Forense.

RIZZATO NUNES, Luiz Antonio. Introdução ao direito. São Paulo: RT.

Existem outras obras da disciplina disponíveis na biblioteca, desta forma, caberá


ao acadêmico, de acordo com a sua disponibilidade e interesse, buscar a
doutrina que mais tenha afinidade.

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TÓPICO 1 - A Dimensão Sociológica do Direito – parte I

1. DO DIREITO

Em termos etimológicos gerais, pode-se sustentar que a palavra direito vem do


latim directum, que corresponde à ideia de regra, direção, sem desvio, isto é,
direito é qualidade de ser escorreito, correto.

Desta forma, na tentativa de traduzir o que vem a ser Direito, pode-se dizer que
a palavra possui 3 acepções:

1º) regra de conduta obrigatória (direito objetivo);


2º) sistema de conhecimentos jurídicos (ciência do direito);
3º) faculdade ou poderes que tem ou pode ter uma pessoa, ou seja, o que pode
uma pessoa exigir de outra (direito subjetivo).

Nesse enfoque, o Direito pode ser definido como o conjunto de normas


imperativas que regulam a vida em sociedade, dotadas de coercibilidade quanto
à sua observância, visando o bem estar social. Nesse contexto, seguem alguns
conceitos:

• Conceito 01: “Conjunto de normas/leis estabelecidas por um poder


soberano, que disciplinam a vida social de um povo” (Dicionário Aurélio)
• Hans Kelsen – jurista e filósofo austríaco, autor da Teoria Pura do Direito,
considerava que direito seria um conjunto de normas – era chamado de
positivista porque acreditava que direito era posto – positivado – transcrito
em normas escritas.
• Conceito 02: “O Direito é processo de adaptação social, que consiste em
se estabelecerem regras de conduta, cuja incidência é independente da
adesão daqueles a que a incidência da regra jurídica possa interessar”.
(Pontes de Miranda)

Logo, pode-se dizer que o Direito está em função da vida social. “Onde há
homem, há sociedade; onde há sociedade, há direito; Logo, onde há homem, há
direito”. Os seres humanos, por viverem em sociedade, necessitam de regras e
princípios que possibilitem o convívio entre as pessoas, permitindo a evolução, a
harmonia e a paz nas relações sociais. O Direito tem por finalidade a
coexistência pacífica.

1.1 Direito Natural e Direito Positivo

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São duas realidades distintas. O Direito Natural (Jusnaturalismo): revela ao


legislador os princípios fundamentais de proteção ao homem que forçosamente
deverão ser consagrados pela legislação a fim de que se obtenha um
ordenamento jurídico justo. O Direito Natural não é escrito, não é criado pela
sociedade e nem é formulado pelo Estado. É um Direito espontâneo que se
origina na natureza social do homem e que é revelado pela experiência e razão.
Princípios de caráter universal e imutáveis. Ex: o direito à vida, direito à
liberdade. Já o Direito Positivo é o Direito institucionalizado pelo Estado. É a
ordem jurídica obrigatória em determinado tempo e lugar. Ex: Código Civil,
Código Penal.

1.2. Da Imperatividade do Direito

Os preceitos jurídicos são normas imperativas de comportamento, no


sentido de que sua observância é obrigatória.
Para se alcançar essa imperatividade, as normas jurídicas são dotadas de
coercibilidade, que é a possibilidade de se ter a coação, como forma de
constranger (obrigar) a pessoa ao cumprimento da norma jurídica. Isso ocorre
mediante a previsão e a imposição de sanção, aplicada de forma organizada,
pela autoridade constituída, ou seja, pelo órgão para isso instituído, de modo a
garantir o respeito à ordem jurídica.
A sanção, assim, é a consequência jurídica prevista pela norma de
Direito, no caso do seu descumprimento. A coação, por sua vez, é a aplicação
efetiva da sanção. O Direito é dotado de coercibilidade, ou seja, possibilidade
de haver a coação, significando a coação potencial.

1.3. Características do Direito (sentido amplo)

No que tangem às características do direito, cabe-nos asseverar que o


Direito, como se acentua, é dinâmico, como dinâmica é a sociedade. Já vai
longe o tempo no qual se entendia que o direito possuía verdades inafastáveis e
cerradas. Em Direito não há dogmas, mas princípios, normas e leis que podem e
devem ser alterados de acordo com as necessidades sociais.
Ademais, pode-se dizer que o Direito é necessário. A sociedade não
existe sem ele. Não se trata de uma criação abstrata. O Direito não sobrevive
sobre entidades abstratas. O Direito concretiza-se na sociedade. Há toda uma
atividade racional orientada para a criação do Direito.
O Direito é um fenômeno histórico. Toda e qualquer relação jurídica
somente pode ser desnudada completamente com conhecimento da História. A
História é o laboratório do jurista. Não podemos provocar fenômenos sociais para
estudá-los, como faz o físico e o químico em seu laboratório. O estudo do
passado nos dá respostas para o presente e aponta caminhos por vir.

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Por outro lado, o Direito requer visão global, a qual apenas anos de
estudo propiciarão. Essa visão é indispensável ao raciocínio jurídico e à
elaboração de normas.
Desta forma, pode-se afirmar que o Direito nunca se apresenta
isolado. O jurista deve continuamente se valer dos princípios de outras ciências
a fim de corroborar com as suas aplicações e formalidades.

2. MÉTODOS JURÍDICOS ADVINDOS DA CIÊNCIA DO DIREITO

Dentre os métodos, pode-se elencar como principais:

A) Indutivo, raciocinando a partir de fatos particulares, para se alcançar


conclusões gerais.
B) Dedutivo, partindo de regras gerais conhecidas para se alcançar outras
conclusões diversas ou particulares.

3. DIREITO E RAMOS AFINS

Assim como sustentado anteriormente, o Direito deve ser analisado sob a


perspectiva global, onde o jurista, a fim de qualificar o fenômeno social, tem de
se colocar em uma posição onde possa analisar de forma criteriosa as formações
de outras ciências. Nesse passo, pode-se elencar alguns exemplos:

• Medicina Legal. Emprego de conhecimentos médico-cirúrgicos com o


objetivo de constituir prova, quando o homem em si é objeto dela.
• Psicologia Jurídica. Descobrir o falso testemunho e a autoria de delitos,
por exemplo.
• Criminologia. É o estudo do homem criminoso, isto é, do delinquente e
do crime, não do ponto de vista legal, mas dos fatores que o determinam.

4. ESSENCIALIDADES DO DIREITO

• Tem dimensão espaço-temporal. É


direito promulgado (legislação) ou declarado
(precedente judicial), tendo vigência
(validade) a partir de determinado momento
histórico, em perdendo-a quando revogado em
determinada época. Sua efetividade tem por
base a sua ordenação legislativa sendo esta de
caráter federal, estadual ou municipal.
• Tem caráter formal e estrutura
sistematizada. É instituído por meio de uma

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fonte formal, isto é, positivada, por escrito, bem como sua estrutura se dá por
meio de uma organização de normas como, por exemplo, códigos, tratados
internacionais etc.

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TÓPICO 2 - A Dimensão Sociológica do Direito – Parte II

1. NATUREZA, VALORES E CULTURA

Ao observador ressaltam três aspectos muito claros da realidade. Há a


realidade da natureza, a realidade dos valores e a realidade da cultura.

O mundo da natureza compreende tudo quando existe


independentemente da vontade e da atividade humana. Vigora nesse nível o
princípio da causalidade, as regras das leis naturais, que não admitem exceções
ou violações. Tratam-se de leis do SER, isto é, sob determinadas circunstâncias
sempre teremos os mesmos efeitos.

No mundo ou na realidade dos valores, o ser humano atribui


determinadas significações, qualidades aos fatos e às coisas conhecidas. Tudo
que nos afeta possui, nesse diapasão, um valor. Sempre haverá algo que nos
agrada ou nos desagrada mais ou menos; algo que tenhamos maiores ou
menores necessidades. Nesse passo, caberá à axiologia estudar os valores
sociais.

Em outro plano, o mundo ou realidade da cultura forma o universo das


realizações humanas. À medida que a natureza se mostra insuficiente para suprir
suas necessidades, o homem parte para a ação sobre ela: constrói abrigos,
armas, roupas etc. para adequar-se ao meio e tornar sua existência possível.
Nesse diapasão, o ser humano sente necessidade de regras para ordenar a sua
convivência.

Logo, o Direito é um dos muitos instrumentos de adaptação criados pelo


homem, onde pertence, portanto, ao mundo da cultura. A atividade valorativa
orientada para realizar a ordem, a segurança e a paz faz surgir o Direito,
posicionado na realidade cultural ou no mundo da cultura. Embora seja um dado
eminentemente cultural, o Direito participa igual e ativamente do mundo da
natureza e do mundo dos valores, pois fenômeno algum escapa à sua
integração.
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Sendo assim, o Direito disciplina condutas, impondo princípios à vida em


sociedade, tornando-se atributivo, porque realiza permanentemente valores de
convivência.

2. INSTRUMENTOS DE CONTROLE SOCIAL

O Direito não é o único instrumento responsável pela harmonia da vida social.


A Moral, Religião e Regras de Trato Social são outros processos normativos que
condicionam a vivência do homem na sociedade e que, também, podem
influenciar na cultura e consequentemente na disposição legal que a
regulamenta.

A) Direito e Moral. Nem sempre é fácil diferenciar as normas do direito das


normas da moral, em face de semelhança entre elas em muitos aspectos. Por
exemplo, ambos os sistemas de normas, direito e moral, valorizam princípios
como o respeito à vida, à liberdade, à integridade física, psicológica e espiritual
dos homens, à propriedade legitimamente obtida, à igualdade de direitos, entre
outros.
A diferença fundamental reside na sanção (consequência) aplicada
quando uma das normas é descumprida. As regras do direito têm caráter
obrigatório, impostas pelos poderes competentes de uma sociedade e, quando
descumpridas, dão origem a sanções para coagir os homens e reprimir novos
atos da mesma natureza. Já as regras da moral, quando descumpridas, ensejam
sentimentos de natureza íntima em cada indivíduo, ou seja, arrependimento,
vergonha, censura pessoal e mesmo social, mas não geram sanções de ordem
pública, aplicadas por autoridades legalmente constituídas.
Desta forma, considera-se o direito heterônomo porque somos obrigados a
cumprir a norma jurídica. Os cidadãos pagam impostos porque são obrigados
pela norma jurídica. A moral é autônoma porque não somos obrigados a cumprir
a norma moral. O homem presta esmola por força de sua consciência.
Sendo assim, pode-se elencar as diferenças entre Direito e Moral
conforme quadro comparativo abaixo:

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B) Direito e Religião. Por muito tempo o Direito era considerado como


expressão da vontade divina. O movimento de laicização do Direito cresceu ao
longo do século XVIII, especialmente na França, nos anos que antecederam a
Revolução Francesa. Um Estado é considerado laico quando promove
oficialmente a separação entre Estado e religião. A partir da ideia de laicidade, o
Estado não permitiria a interferência de correntes religiosas em assuntos
estatais, nem privilegiaria uma ou algumas religiões sobre as demais.
Modernamente, vários povos separam o Estado da Igreja, ficando cada qual, com
o seu ordenamento próprio. Alguns sistemas jurídicos, contudo, continuam a ser
regidos por livros religiosos, notadamente no mundo muçulmano.

C) Regras de Trato Social ou de Cortesia. Padrões de conduta social, criados


pela sociedade para amenizar a convivência social. São regras de cortesia,
etiqueta, protocolo, linguagem etc.
O papel das Regras de Trato Social é o de propiciar um ambiente de
efetivo bem-estar aos membros da coletividade, favorecendo os processos de
interação social.

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3. TEORIA DA BILATERALIDADE ATRIBUTIVA

“O caráter da bilateralidade consistiria no seguinte: a norma jurídica


institui ao mesmo tempo um direito a um sujeito e um dever a um outro; e a
relação intersubjetiva, ao constituir o conteúdo típico da norma jurídica,
consistiria precisamente na relação de interdependência entre um direito e um
dever.” (BOBBIO, Norberto. Teoria da Norma Jurídica. Bauru, SP:EDIPRO.2001.
Pg 147).
Desta forma, verifica-se, em via geral, que a relação jurídica se faz diante
de dois sujeitos base: sujeito ativo e o sujeito passivo, que litigam a respeito de
um objeto.

4. TEORIA DA TRIDIMENSIONALIDADE (TRIDIMENSIONALISMO


JURÍDICO POR MIGUEL REALE)

A Teoria Tridimensional do Direito foi criada pelo jurista brasileiro Miguel


Reale, em 1968. Segundo este filósofo, o direito deve ser estudado como Norma,
Valor e Fato Social. O primeiro aspecto, considerado em um evento jurídico,
enlaça os demais fatores, que se resumem no fato econômico, demográfico,
geográfico, etc. e no valor que imprime significado a este acontecimento,
gerando as tendências que guiarão as ações humanas desencadeadas a partir
destes fatos.
Percebe-se que o Direito não é um esboço lógico, uma mera abstração. Ele
deve ser compreendido em seu aspecto prático, como elemento social,
cotidianamente vivenciado na práxis. Esta ferramenta, portanto, deve estar ao
alcance das mãos dos indivíduos, pronta para ser manejada em prol do bem-
estar do grupo social, de sua evolução, como uma resposta aos desafios do dia-
a-dia. Como os acontecimentos sociais se sucedem de forma imprevisível, não é
possível mentalizar o Direito como algo estático, mas sim enquanto o resultado
de um movimento dialético, de um roteiro que está sendo escrito, à mercê das
mudanças e dos acontecimentos que oscilam no tempo e no espaço. É com esta
visão que as normas devem ser analisadas, visando atender as expectativas do
universo axiológico.

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TÓPICO 3 – Direito, Justiça e Equidade

“Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o


Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”.
Eduardo Juan Couture

Conceito de Justiça. Justo é aquilo que é adequado, correto. A ideia de Justiça,


então, poderá ser definida como a reunião de valores éticos e morais, que
atribui, a cada um, de forma igualitária, o que lhe pertence.

Há na doutrina uma discussão a cerca do caráter absoluto ou relativo da palavra


Justiça.

Na acepção relativa, a palavra Justiça possuiria significação ampla, e que poderia


divergir de tempos em tempos, pois o que estaria correto e adequado no
presente poderia se alterar no futuro e vice versa. Por isso, atentam aqueles que
concordam com esse posicionamento, que a colocação dessa palavra no corpo
dos textos jurídicos, poderá causar distorções, pois não haverá um comando
totalmente definido. A concepção de Justiça, então, seria relativa, por ser
extremamente subjetiva.

Entretanto, há estudiosos do Direito que atentam ao fato de que a Justiça não é


uma acepção relativa, mas absoluta, pois se esta é um valor, como os demais
valores advindos do Direito Natural, que são eternos, imutáveis e universais, ela,
a justiça, também deverá ser considerada de tal forma. Assim, não se pode
considerar que a Justiça é uma terminologia sem seu conteúdo e significado
definido.

A Justiça, então, deverá ser uma expressão muito ligada ao Direito e para a qual
o Direito sempre deve apontar. É importante dizer que a busca pela Justiça se
faz por meio de instrumentos, que facilitam e reduzem o caminho a ser
percorrido, que é pela elaboração de leis. Nas leis são descritos alguns valores e
regras que buscam os ideais de Justiça.

É importante ressaltar que o conceito de bem comum, ou seja, conjunto de bens


criados por uma sociedade e posto a disposição dos indivíduos para obtenção de

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seus objetivos pessoais, é abarcado pela ideia de Justiça, pois atuando de forma
justa, facilmente se chegará ao bem comum.

Critérios da Justiça.

Critérios Formais da Justiça. A ideia de Justiça deve ser tida como medida de
igualdade entre os homens, e essa igualdade deverá ser garantida às pessoas no
que diz respeito à lei, surgindo, dessa forma, o Princípio da Isonomia, segundo o
qual, todos são iguais perante a lei.

Mas deve-se lembrar que nem sempre as pessoas são e se encontram em igual
situação, e dessa forma, tratar todos da mesma maneira não seria uma medida
de Justiça, mas injustiça. Assim, a ideia de Justiça, deve ser complementada pela
proporcionalidade, pois se as pessoas que não são e nem se encontram iguais,
devem ser tratadas desigualmente, mas na medida dessa desigualdade, sob
pena de, também, não ser uma medida justa.

Assim a igualdade e proporcionalidade são critérios para se chegar à Justiça.


Critérios Materiais da Justiça. São o mérito, a capacidade e a necessidade de
cada indivíduo, mas somente se chegará a uma conduta justa se feitas algumas
ressalvas:

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Mérito, ou seja, atributo de cada pessoa, é subjetivo. Dessa forma para tomar
uma atitude justa, deve-se fazer um raciocínio de proporcionalidade, pois cada
um deverá ser recompensado na medida de seu mérito, de acordo com o grau de
intensidade de cada um. Portanto estaria afastada a ideia de igualdade para
aplicar a Justiça, observando o mérito.

Capacidade, diz respeito à qualidade de alguém para satisfazer a determinado


fim. Como critério de justiça, corresponde às obras realizadas, ao trabalho
produzido pelo homem. Este elemento deve ser tomado com base para a fixação
do salário a ser pago ao trabalhador e ser aplicado também nos exames e
concursos. Ao se estabelecer a contribuição de cada indivíduo para a
coletividade, deve ser observada a capacidade de todos. O imposto de renda,
cujo valor varia de acordo com os ganhos, é exemplo da aplicação deste critério.

Necessidade: dar a cada um o que é seu segundo as necessidades é algo que


tem uma conotação social, e vale dizer que esse critério está sendo largamente
utilizado no Direito. Exigem não só a fixação das necessidades essenciais, como
também a definição de uma hierarquia entre elas, para que se possa conhecer
aquelas que devem ser atendidas primeiramente. Estas são chamadas de
minimum vital.

Equidade. A norma jurídica, em suma, é a descrição de uma conduta geral e


abstrata, e, por isso, pode não se vincular diretamente a determinado caso
concreto, haja vista que os acontecimentos sociais são muito mais complexos.

Dessa forma, pode-se dizer que, em alguns casos, a norma deverá ser
adaptada ao caso concreto, para vislumbrar as particularidades trazidas
em cada caso. À essa adaptação dá-se o nome de equidade.

Assim, a equidade é a possibilidade do aplicador do Direito de moldar a norma no


intuito de que essa seja sensível às peculiaridades de cada situação trazida pela
realidade, e dessa forma, possa ser mais justa. Pode-se dizer, segundo alguns
doutrinadores, que a equidade é a aplicação da Justiça no caso particular.

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Devido a essa ideia, o Direito admite, em muitas leis, a aplicação da equidade


pelo juiz, que teria maior liberdade no julgamento dos casos submetidos à sua
apreciação. Mas ressalte-se, há de haver limites e regras, sob pena da equidade
se transformar num instrumento de arbítrio, ficando as partes à mercê dos
mandos, desmandos e vontades de um juiz.

No Direito brasileiro a equidade está prevista no art. 8º da CLT (Consolidação


das Leis do Trabalho), que determina a sua aplicação “na falta de disposições
legais ou contratuais”. Enquanto a LINDB (Lei de Introdução as Normas do
Direito Brasileiro) é omissa, o CPC (Código de Processo Civil), em seu art. 140,
parágrafo único, dispõe que: “o juiz decidirá por equidade nos casos previstos
em lei”. O CC (Código Civil) de 2002, no capítulo sobre indenização – parágrafo
único do art. 944 – autoriza o juiz a reduzir equitativamente a indenização na
hipótese de excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano.
Igualmente, autoriza a fixar o valor da indenização, equitativamente, quando a
vítima não puder comprovar prejuízo material (art. 953, parágrafo único). Dentre
outras, observa-se a previsão dos arts. 6º e 25 da Lei n. 9.099/95 (Juizados
Especiais) e do art. 1.109 do CPC, que permite ao juiz “adotar em cada caso a
solução que reputar mais conveniente ou oportuna”, em se tratando da chamada
jurisdição voluntária, isto é, quando não houver contenda a ser decidida,
conforme ocorre na separação consensual.

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TÓPICO 4 – Fontes do Direito

1. FONTES DO DIREITO – ASPECTOS GERAIS

A expressão “fontes do direito”, ou fontes jurídicas, pode ser considerada como


uma metáfora, num primeiro momento, aludindo a uma nascente de onde brota
uma corrente de água. De forma figurativa, então, o termo “fonte” designa a
origem, a procedência de alguma coisa.

Fontes jurídicas ou fontes do direito, nada mais são do que a origem primária do
direito, confundindo-se com sua gênese, ou seja, são fatores reais que
condicionam o surgimento do sistema jurídico. São o modo de expressão do
direito.

2. CLASSIFICAÇÃO

A) FONTES MATERIAIS (FATO SOCIAL E VALOR). Representam os


elementos centrais da elaboração jurídica, a própria matéria-prima a partir da
qual se produzem as normas. Correspondem ao fato social e ao valor, que são
conjugados para a construção de uma lei. O fato social equivale a todo
acontecimento de extrema importância para a vida coletiva, a ponto de
comprometer as relações sociais se não for disciplinado pelo direito, quando
menos importante, o fato permanece apenas social e eventualmente tratado por
outras esferas reguladoras da conduta humana (moral, religião, moda, etc.). O
valor representa o modo como a sociedade interpreta e reage ao fato,
condenando-o, tolerando-o ou exigindo-o; logo, o valor define o tratamento que
a lei deve dar ao fato social, segundo parâmetros éticos da sociedade.

B) FONTES FORMAIS (ESTATAIS E NÃO ESTATAIS). É os elementos que


atribuem forma a conjugação entre fato e valor, exteriorizando o tratamento
dado a eles pela sociedade por um instrumento normativo. Isso significa que
toda a fonte formal tem por característica constante expressar-se enquanto regra

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jurídica. Tais fontes dividem-se em: Fontes Estatais (leis e jurisprudência) e;


Fontes Não Estatais (costume e doutrina)

3. FONTES FORMAIS ESTATAIS

a) LEGISLAÇÃO. A legislação é a fonte primacial do direito, em virtude da maior


certeza e segurança que ela carrega, já que devidamente escrita. Necessário
falar em legislação e não somente em lei, uma vez que todas as espécies de
legislação (leis ordinárias, decretos, leis complementares, etc.) são consideradas
fontes do direito.

A lei mais importante do ordenamento jurídico é a Constituição Federal, uma vez


que ela é o ordenamento total do Estado, pois abrange todas aquelas NORMAS
cujo conteúdo se refere à matéria constitucional. A Constituição é uma LEI
hierarquicamente superior às demais leis, que com ela não poderão conflitar, sob
pena de invalidade. Nesse passo, quanto a Hierarquia das Leis, abordaremos em
tópico mais adiante sobre sua estrutura.

b) JURISPRUDÊNCIA. A jurisprudência é o conjunto de reiteradas decisões


dos tribunais sobre determinada matéria.

A jurisprudência não vincula o juiz,


mas acaba prevalecendo na maioria
dos casos, principalmente em
virtude da tendência que se tem à
sua uniformização, o que não
implica dizer, todavia, que o juiz
deva tabelar suas decisões, pois ao
contrário disso, deve o magistrado
analisar cada caso em concreto para
aplicar o direito da forma mais
adequada.

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Ainda que não seja obrigatória, sua contribuição é importantíssima para a


formação viva do Direito, no preenchimento de lacunas da lei e na sua
interpretação. Sob esse prisma, os tribunais, mormente entre nós o STF e STJ,
possuem um peso efetivo na atividade jurisdicional.

Exemplo de jurisprudência:

APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. TELEFONIA MÓVEL. ALTERAÇÃO DO PLANO
ORIGINAL DO CONTRATO SEM ANUÊNCIA DO CONSUMIDOR. FALHA NA
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DE TELEFONIA. MERO ABORRECIMENTO OU
DISSABOR. NÃO INCLUSÃO DO NOME DO AUTOR NOS CADASTROS DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA MAJORADOS.
RECURSOS DESPROVIDOS. SENTENÇA MANTIDA. 1. Demonstrado nos autos que
a empresa de telefonia modificou o plano contratado pelo consumidor sem a sua
anuência, com o aumento de tarifa, resta evidenciada a conduta abusiva da
empresa, o que impõe o restabelecimento do plano. 2. Resta pacificado perante
o Superior Tribunal de Justiça e nesta Corte Estadual que a cobrança indevida de
serviço de telefonia, quando não há inscrição do nome do consumidor em
cadastros dos órgãos de proteção ao crédito, não gera presunção de dano moral,
sendo imprescindível a sua comprovação. 3. As situações vivenciadas pelo autor
constituem meros aborrecimentos e dissabores da vida cotidiana, as quais não
têm o condão de ensejar danos morais indenizáveis. 4. Não comprovado o dano
moral sofrido pelo autor, não há se falar em indenização a esse título, razão pela
qual o ato sentencial deve ser mantido incólume. 5. O desprovimento do recurso
da parte vencida na demanda acarreta a majoração da verba honorária arbitrada
na sentença, nos termos do que prescreve o artigo 85, § 11, do Código de
Processo Civil. PRIMEIRO E SEGUNDO RECURSOS DE APELAÇÃO CÍVEL
CONHECIDOS E DESPROVIDOS.
(TJGO, PROCESSO CÍVEL E DO TRABALHO -> Recursos -> Apelação Cível
5108312-10.2017.8.09.0051, Rel. Des(a). ANDERSON MÁXIMO DE HOLANDA, 3ª
Câmara Cível, julgado em 26/04/2021, DJe de 26/04/2021)

Outro exemplo:

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B.1) Súmula e Jurisprudência

A jurisprudência é sem dúvida uma fonte que deve ser tanto quanto possível
uniforme, de modo permitir que a lei seja igualitariamente aplicada, extraindo
dela o mesmo alcance ou extensão. Assim, no tocante a jurisprudência
propriamente dita, isto é, aos julgados uniformes dos Tribunais, é incontestável
que de fato eles atuam como norma aplicável aos demais casos, enquanto não
houver nova lei ou modificação na jurisprudência. Logo, a uniformização da
jurisprudência se faz através da súmula em si.

A Súmula, portanto, é um enunciado que resume uma tendência de


julgamento sobre determinada matéria, decidida contínua e
reiteradamente pelo tribunal. Essas súmulas, mormente as dos tribunais
federais superiores, convertem-se em verdadeiras fontes formais de
Direito.
Contudo, não se trata de norma impositiva e não deve o operador do Direito
curvar-se à súmula, se entender que é hora de mudar. Nem mesmo os membros
do tribunal que expediu a súmula estão a ela vinculados, embora seja ampla a
importância desse instituto.

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A súmula significa a posição consolidada nos tribunais acerca de determinada


questão jurídica. São balizas a orientar os advogados e operadores do Direito.

*OBS.: Súmula Vinculante. É a jurisprudência que, quando votada pelo


Supremo Tribunal Federal, se torna um entendimento obrigatório ao qual
todos os outros tribunais e juízes terão que seguir. Adquire força de lei, criando
um vínculo jurídico e possuindo efeito erga omnes (atinge a todos).

Previsão legal. A EC n. 45/04, prevê, em seu art. 103-A, caput, a possibilidade


de uma súmula ter eficácia vinculante sobre decisões futuras, dispondo que: "o
Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria
constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa
oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e
à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e
municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma
estabelecida em lei". Com isso, uma súmula outrora meramente consultiva, pode
passar a ter verdadeiro efeito vinculante, e não mais facultativo, não podendo
ser contrariada.

Exemplo:

Súmula Vinculante n. 22 - A Justiça do Trabalho é competente para processar


e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de
acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive
aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da
promulgação da Emenda Constitucional no 45/04.

➢ Entendimentos acerca da súmula


vinculante.

Os argumentos que mais pesam em favor


da adoção da súmula vinculante é o da
celeridade da Justiça, pois devido a longa
demora no julgamento de processos, vem
sendo, a Justiça (leia-se Poder Judiciário),
alvo de inúmeras críticas por toda a
sociedade.

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Os argumentos contra utilizam-se da argumentação de que os juízes serão


estimulados a não pensar e podem ser transformados em uma coletividade
burocrática, homogênea e acrítica, retirando a criatividade dos juízes de primeiro
grau, em suma, engessa o judiciário em si.

4. FONTES FORMAIS NÃO ESTATAIS

a) COSTUME. Assim como a lei, também o costume é importante fonte do


direito e, dependendo de se considerar este ou aquele Estado, este ou aquele
momento histórico, poderá uma dessas fontes ser preponderante em relação à
outra.

O costume consiste, portanto, na prática de uma determinada forma de conduta,


repetida de maneira uniforme e constante pelos membros da comunidade.

A Doutrina costuma exigir a concorrência de dois elementos para a


caracterização do costume jurídico, o elemento objetivo e o elemento
subjetivo. O elemento objetivo ou material do costume corresponde à prática,
inveterada e universal, de uma determinada forma de conduta. O elemento
subjetivo ou espiritual consiste no consenso, na convicção da necessidade social
daquela prática.

Em nossa sistemática, o costume é colocado em posição secundária, conforme


decorre das disposições da Lei de Introdução ao Código Civil, que determina que
“Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais do direito”.

b) DOUTRINA. A Doutrina consiste na exposição, explicação e sistematização


do Direito, consubstanciada nas manifestações dos estudiosos, jurisperitos ou
jurisconsultos, através de tratados, livros didáticos, monografias, conferências,
etc.

A doutrina é resultado do estudo que pensadores – juristas e filósofos do direito


– fazem a respeito do direito. É através da doutrina que os conceitos
operacionais do Direito são elaborados.

A prática reiterada de juristas a respeito de determinado assunto, gera


interpretação da lei e a possibilidade de conceitos operacionais pode influenciar
um ordenamento jurídico, assim como também preencher lacunas, auxiliando os
intérpretes aplicadores na confecção de suas sentenças, desde que sob
beneplácito dos tribunais.

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TÓPICO 5 – A Lei

1. ACEPÇÕES DA PALAVRA

A palavra lei pode ser empregada em três sentidos diferentes: a) sentindo


amplíssimo, incluindo quaisquer regras escritas ou costumeiras; b) sentindo
amplo, onde a palavra lei é empregada para indicar quaisquer normas jurídicas
escritas, sejam as leis propriamente ditas, oriundas do Poder Legislativo, sejam
os decretos, medidas provisórias ou outras normas baixadas pelo Poder
Executivo, e; c) sentido restrito e próprio, onde lei é apenas a norma jurídica
aprovada regularmente pelo poder Legislativo.

2. ELEMENTOS MATERIAIS, FORMAIS E INSTRUMENTAIS

A lei é tida como a mais importante das fontes formais da ordem jurídica. É a
forma ordinária e fundamental de expressão do direito, pois fixa as linhas gerais
fundamentais no sistema jurídico e serve de base para a solução da maior parte
dos problemas do direito.

Três elementos integram o conceito de lei, um elemento material, que é o


conteúdo da lei: regra de direito geral e abstrata. Um elemento formal: a
vontade do legislador. Um elemento instrumental: a fórmula escrita.

A) ASPECTO MATERIAL

É abstrata porque prescreve uma conduta; geral porque se destina a um


número indeterminado de pessoas.

“Por força do seu atributo da generalidade, a norma jurídica, ao ser formulada,


deve ter em conta o que na vida sucede com mais frequência, abstraindo das
particularidades que ocorram múltiplas hipóteses. Isto oferece grande e dupla
vantagem do prévio conhecimento das soluções jurídicas e da igualdade no
tratamento das pessoas”. (VENOSA, 2010:84).

Quando, por exemplo, o Código Civil estampa, no art. 819, que “a fiança dar-se-
á por escrito, e não admite interpretação extensiva”, significa que todo e
qualquer contrato de fiança só pode ser elaborado e ter validade e eficácia se
feito na forma escrita, o intérprete não pode estender o alcance de sua
interpretação.

Ademais, cabe ressaltar que:

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“uma lei não pode nunca ser individual e concreta, pois doutro modo vilolar-se-ia
o princípio da igualdade perante a lei, e com ele o princípio da igualdade dos
encargos e vantagens, respectivamente impostos ou reconhecidos aos cidadãos.
Só serão admissíveis diferenciações fundadas em elementos objetivos (a
diversidade das circunstâncias, a ‘natureza das coisas’), e são justamente esses
elementos objetivos que permitirão conferir à categoria de situações visada pela
norma o seu recorte e caráter genérico”. (MACHADO, 2009:93)”.

B) ASPECTO FORMAL

A lei, no seu processo de formulação, passa por várias etapas, estabelecidas na


Constituição. Neste processo temos, em aspecto geral, a iniciativa da lei,
discussão, votação, aprovação, sanção, promulgação, publicação e vigência da
lei. Logo:

INICIATIVA = É a faculdade que a Constituição atribui a alguém ou a algum


órgão para apresentar projeto de lei, inaugurando o processo legislativo (Ex.art.
61, CF);

DISCUSSÃO E VOTAÇÃO = Na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal de


acordo com a apresentação do projeto. A primeira câmara que examina o projeto
é chamada de iniciadora. A segunda, de revisora. Na iniciadora, o projeto passa
primeiro pelo crivo das comissões permanentes e, posteriormente, é levado à
discussão e votação em plenário;

SANÇÃO E VETO = Respectivamente, são o ato pelo qual o Presidente da


República dá a sua aquiescência ao projeto de texto legal que lhe é submetido,
ou seja, o projeto de lei que acaba de chegar do Congresso Nacional discutido e
votado. Vetar significa dizer, discordar dos termos de um projeto de lei. O veto
pode ser total ou parcial;

No caso de veto, o projeto voltará ao Congresso e será considerado aprovado, se


obtiver o voto dos membros do Senado e da Câmara, no caso contrário prevalece
o veto.

PROMULGAÇÃO = Etapa do processo legislativo consistente em atestar,


oficialmente a existência da lei.

PUBLICAÇÃO = Última fase da elaboração de uma lei. Com ela a lei se torna
executável (vigente – eficaz) em todo o Território Nacional. É o modo oficial
estabelecido para possibilitar o conhecimento da lei por todos. A publicação
ocorre na imprensa oficial, por exemplo, no Diário Oficial da União (DOU).

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C) ASPECTO INSTRUMENTAL

É a sua fórmula escrita. A lei é sempre formulada num texto escrito dividido em
artigos e, muitas vezes, em capítulos, títulos e seções.

3. CLASSIFICAÇÃO

A) QUANTO À NATUREZA DE SUAS DISPOSIÇÕES

1. Leis substantivas. São as que definem relações jurídicas ou criam direitos. É


o caso das disposições do Código Civil, Comercial, Penal etc.

2. Leis adjetivas. São as que regulam o modo ou o processo para fazer cumprir
as leis substantivas.

B) QUANTO À SISTEMATIZAÇÃO

1. Esparsas ou extravagantes. Aquelas editadas isoladamente. Ex. Lei de


Falência, do Inquilinato etc.

2. Codificadas. Constituem um corpo orgânico de normas sobre determinado


campo do direito. Ex. Código Civil, Comercial, Penal etc.

C) QUANTO À ESFERA DO PODER PÚBLICO

1. Normas Federais – aplicação em todo o território brasileiro.

2. Normas Estaduais – aplicação em todo o território do Estado onde a lei fora


criada.

3. Normas Municipais – aplicação nos limites territoriais do município e


distritos a ele vinculados.

D) QUANTO A DURAÇÃO

1. Temporárias. São aquelas que deixam de viger automaticamente na data


nelas fixadas, isto é, o advento do termo, que pode estar contido na lei.
2. Permanentes. Trata-se de regra geral no sistema, são editadas para vigorar
por tempo indeterminado, deixando de ter vigência apenas mediante outro ato
legislativo que as revogue, implícita ou tacitamente.

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TÓPICO 6 – APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA NO ESPAÇO E NO


TEMPO

1. LIMITES AO CAMPO DE APLICAÇÃO DAS NORMAS

As leis, como as demais normas jurídicas, têm seu campo de aplicação limitado:

A) EM RELAÇÃO AO TEMPO

A.1) INÍCIO E FIM DA VIGÊNCIA DA LEI

Como todos os fenômenos culturais, as leis nascem, modificam-se e morrem. As


leis nascem pela promulgação, mas só entram em vigor após a sua publicação
oficial. No Brasil, a matéria é regulamentada pela Lei de Introdução às Normas
do Direito Brasileiro (Decreto n. 4.657/42) e pela Lei Complementar n. 95/98.

• “Vacatio legis”: prazo estipulado entre a publicação e o início de


vigência, entendido como o ideal para a divulgação e conhecimento da
norma.

• Critérios para a vigência da lei

I) 45 dias – quando a disposição legal não trouxer prazo específico para sua
entrada em vigor, tem-se que a mesma terá vigência após 45 dias de
oficialmente publicada;

II) prazo estipulado pelo legislador – trata-se de critério estipulado pelo


legislador tomando por base a razoabilidade e a proporcionalidade no que tange
a matéria legislada, isto é, leva em consideração qual o prazo necessário para
que a sociedade se adapte a nova legislação e, portanto, fixa um prazo para a
sua entrada em vigor.

III) entra em vigor na data de sua publicação – por tal disposição, o


legislador, por critério de emergência ou de facilidade na aplicação social, traz,

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no corpo da norma de modo expresso, que a mesma entrará em vigor assim que
ocorrer a sua publicação oficial.

Nesse passo, traz a lei Complementar 95/98 em seu art. 8º:

“Art. 8º - A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a


contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento,
reservada a cláusula ‘entra em vigor na data de sua publicação’ para as
leis de pequena repercussão.

§1º - (...)
§ 2º - As leis que estabeleçam período de vacância deverão utilizar a
cláusula ‘esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de
sua publicação oficial’ .(Parágrafo incluído pela Lei Complementar nº 107,
de 26.4.2001)”.

Sendo assim, segue quadro demonstrativo:

A.2) VIGÊNCIA TEMPORÁRIA

A Regra geral no Direito brasileiro é que as normas possuem vigência


permanente. Todavia, podem ocorrer casos onde o legislador cria um dispositivo
normativo que terá validade somente por um período específico de tempo, logo,
em tais casos, ocorrerá a disposição de normas de vigência temporária.

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• REVOGAÇÃO

o Quanto à disposição poderá ser:


- Expressa: quando o corpo da nova lei literalmente trazer disposição clara de
forma escrita.

- Tácita: quando se constatar a incompatibilidade, parcial ou total, do conteúdo


normativo.

o Quanto à forma poderá ser:

- Total (ab-rogação): uma nova disposição legal anula os efeitos de determinada


lei em sua totalidade. Ex.: Art. 2º da Lei X: “revoga-se os efeitos da Lei Y”.

- Parcial (Derrogação): uma nova disposição legal anula parcialmente os efeitos


da lei. Ex.: Art. 3º da Lei H: “revoga-se o art. 4º e 5º da Lei W”.

B) EM RELAÇÃO AO ESPAÇO OU TERRITÓRIO

Toda lei, em princípio, tem seu campo de aplicação limitado no espaço pelas
fronteiras do Estado que a promulgou, trata-se, portanto, do Princípio da
Territorialidade.

C) EM RELAÇÃO À MATÉRIA

A título exemplificativo, cite-se o Código Comercial em seu campo de aplicação


limitado às relações jurídicas de natureza comercial; a Consolidação das Leis do
Trabalho, às relações de trabalho etc.

D) EM RELAÇÃO À PESSOA

Sob esse aspecto, há “normas gerais”, que se aplicam a todas as pessoas


indistintamente como em regra as normas de Direito Civil ou Penal; “normas

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especiais”, que se aplicam a determinadas categorias de pessoas, como


menores (ECA), funcionários públicos, bancários, ferroviários, estrangeiros
naturalizados etc.; e, finalmente “normas individuais” ou individualizadas,
como as contratuais, testamentárias, as sentenças, despachos e outras que se
aplicam a pessoas individualmente determinadas.

2. DA OBRIGATORIEDADE DA LEI VIGENTE

Uma vez provido de vigência, ou seja, uma vez publicado oficialmente, torna-se
obrigatório para todos os membros da sociedade.

O caráter público e compulsório do texto legal contém o comando de que todos


devam conhecê-lo e, mais ainda, observá-lo, tão logo se encontre em vigor.
Desta forma, torna-se defesa a arguição de ignorância ou desconhecimento de
preceito normativo com o intuito de eximir-se das consequências de eventual
descumprimento de seu conteúdo.

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TÓPICO 7 – DA ARTICULAÇÃO E DA REDAÇÃO DAS LEIS

1. ASPECTOS GERAIS

Observa-se que as leis seguem as disposições contidas na Lei Complementar n.


95/98 no que tange a sua estruturação básica. Nesse passo, quanto aos critérios
essenciais de articulação temos as seguintes facetas legais:

A) Da estruturação formal da Lei: Art. 3º ao Art. 9º.

PARTE PRELIMINAR

Compreendida pela epígrafe, ementa, preâmbulo, enunciado e a indicação do


âmbito de aplicação de suas disposições.

a) Epígrafe - indica a espécie normativa da proposição, o respectivo número e a


data de edição do ato.

b) Ementa - sintetiza o conteúdo da lei de modo claro e conciso permitindo o


conhecimento da matéria legislada.

c) Preâmbulo - contém a declaração da autoridade e do fundamento


constitucional e legal, quando necessário, no qual se apoia para expedir o
decreto ou promulgar a lei.

No preâmbulo, a autoridade competente, mediante ordem de execução,


baixa o ato de que é titular, utilizando-se nas formas verbais “decreta”,
“resolve” ou “promulga”, nos termos da competência de que esteja
investido.

d) Enunciado e Especificação: compreende o objeto da norma e a especificação


do âmbito de sua aplicação, respectivamente. O Enunciado do objeto e o âmbito
de aplicação das disposições normativas serão indicados no artigo primeiro da
lei, de forma específica.

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PARTE NORMATIVA

Compreende o texto normativo de conteúdo substantivo relacionado com a


matéria regulada. Trata-se dos dispositivos que inovam ou alteram a ordem
jurídica.

- Articulação do Texto Legal

a) Artigo - unidade básica para a apresentação, divisão ou agrupamento de


assuntos num texto normativo. Deve conter um único comando normativo fixado
em seu caput, as exceções ou complementos devem ser fixados em suas
subdivisões (parágrafos e incisos).
b) Parágrafo - é o complemento aditivo ou restritivo do caput do artigo. Constitui
a imediata divisão de um artigo sendo representado pelo sinal gráfico “§”, salvo
quando se tratar de parágrafo único, caso em que se utiliza a expressão –
“Parágrafo único”. Deve abrir exceções ou completar o sentido do comando
normativo contemplado no caput do artigo.

c) Inciso – é o desdobramento do caput do artigo ou do parágrafo, comumente


destinado à enumeração ou quando o assunto tratado não puder ser concentrado
no próprio artigo ou não se mostrar adequado a constituir parágrafo.

d) Alínea - constitui desdobramento de inciso.

e) Item – usado para desdobramento da alínea.

- Agrupamentos

É necessário quando um grande número de artigos de um ato normativo exige a


sistematização da matéria, de acordo com ideias que se correlacionam. Usado
para divisão de leis mais extensas. Observa o seguinte esquema:

a) Um conjunto de artigos pode compor uma SEÇÃO OU SUBSEÇÃO;

b) Várias subseções compõem uma SEÇÃO;

c) Um conjunto de seções compõem um CAPÍTULO;

d) Um conjunto de capítulos compõem um TÍTULO e

e) Um conjunto de títulos compõem um LIVRO.

Abaixo a representação exemplificativa da parte normativa:

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PARTE FINAL

Compreende as disposições necessárias à implementação da norma, as


disposições de caráter transitório, a cláusula de vigência e a cláusula revogatória.

a) Cláusula de Vigência - dispõe sobre a data em que a lei entra em vigor: se na


data de sua publicação, em data futura ou após determinado período. Caso a lei
não determine data ou prazo para o início da vigência, aplica-se a Lei de
Introdução ao Código Civil segundo a qual, salvo disposição em contrário, a lei
começa a vigorar em todo o país 45 (quarenta e cinco) dias após a sua
publicação.

b) Cláusula Revogatória – é o artigo que deve indicar expressamente as leis ou


dispositivos legais revogados. É vedado utilizar a expressão genérica “Revogam-
se as disposições em contrário”.

Legislação:

Art. 3º. A lei será estruturada em três partes básicas:


I - parte preliminar, compreendendo a epígrafe, a ementa, o preâmbulo,
o enunciado do objeto e a indicação do âmbito de aplicação das
disposições normativas;

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II - parte normativa, compreendendo o texto das normas de conteúdo


substantivo relacionadas com a matéria regulada;
III - parte final, compreendendo as disposições pertinentes às medidas
necessárias à implementação das normas de conteúdo substantivo, às
disposições transitórias, se for o caso, a cláusula de vigência e a cláusula
de revogação, quando couber.

Art. 4º. A epígrafe, grafada em caracteres maiúsculos, propiciará


identificação numérica singular à lei e será formada pelo título designativo
da espécie normativa, pelo número respectivo e pelo ano de promulgação.

Art. 5º. A ementa será grafada por meio de caracteres que a realcem e
explicitará, de modo conciso e sob a forma de título, o objeto da lei.

Art. 6º. O preâmbulo indicará o órgão ou instituição competente para a


prática do ato e sua base legal.

Art. 7º. O primeiro artigo do texto indicará o objeto da lei e o


respectivo âmbito de aplicação, observados os seguintes princípios:

(...)

Art. 8º. A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a


contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento,
reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as
leis de pequena repercussão.
(...)

Art. 9º. A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis


ou disposições legais revogadas.

Parágrafo único. (VETADO)

B) Da articulação e da redação das Leis: art. 10 ao 11.

Art. 10. Os textos legais serão articulados com observância dos seguintes
princípios:

I - a unidade básica de articulação será o artigo, indicado pela abreviatura


"Art.", seguida de numeração ordinal até o nono e cardinal a partir deste;
II - os artigos desdobrar-se-ão em parágrafos ou em incisos; os
parágrafos em incisos, os incisos em alíneas e as alíneas em itens;

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III - os parágrafos serão representados pelo sinal gráfico "§", seguido de


numeração ordinal até o nono e cardinal a partir deste, utilizando-se,
quando existente apenas um, a expressão "parágrafo único" por extenso;
IV - os incisos serão representados por algarismos romanos, as alíneas
por letras minúsculas e os itens por algarismos arábicos;
V - o agrupamento de artigos poderá constituir Subseções; o de
Subseções, a Seção; o de Seções, o Capítulo; o de Capítulos, o Título; o
de Títulos, o Livro e o de Livros, a Parte;
VI - os Capítulos, Títulos, Livros e Partes serão grafados em letras
maiúsculas e identificados por algarismos romanos, podendo estas últimas
desdobrar-se em Parte Geral e Parte Especial ou ser subdivididas em
partes expressas em numeral ordinal, por extenso;
VII - as Subseções e Seções serão identificadas em algarismos romanos,
grafadas em letras minúsculas e postas em negrito ou caracteres que as
coloquem em realce;
VIII - a composição prevista no inciso V poderá também compreender
agrupamentos em Disposições Preliminares, Gerais, Finais ou Transitórias,
conforme necessário.

Ademais, pode-se observar, também, que a LC 95/98 orienta na redação das leis
no sentido de torná-las objetivas, onde sustenta no art. 11:

Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e


ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas:

I - para a obtenção de clareza:


a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando
a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a
nomenclatura própria da área em que se esteja legislando;
b) usar frases curtas e concisas;
c) construir as orações na ordem direta, evitando preciosismo, neologismo
e adjetivações dispensáveis;
d) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto das normas
legais, dando preferência ao tempo presente ou ao futuro simples do
presente;
e) usar os recursos de pontuação de forma judiciosa, evitando os abusos
de caráter estilístico;
II - para a obtenção de precisão:
a) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a ensejar perfeita
compreensão do objetivo da lei e a permitir que seu texto evidencie com
clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma;

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b) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas


palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente
estilístico;
c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao
texto;
d) escolher termos que tenham o mesmo sentido e significado na maior
parte do território nacional, evitando o uso de expressões locais ou
regionais;
e) usar apenas siglas consagradas pelo uso, observado o princípio de que
a primeira referência no texto seja acompanhada de explicitação de seu
significado;
f) grafar por extenso quaisquer referências feitas, no texto, a números e
percentuais;
f) grafar por extenso quaisquer referências a números e percentuais,
exceto data, número de lei e nos casos em que houver prejuízo para a
compreensão do texto; (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de
26.4.2001)
g) indicar, expressamente o dispositivo objeto de remissão, em vez de
usar as expressões ‘anterior’, ‘seguinte’ ou equivalentes; (Alínea incluída
pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001)
III - para a obtenção de ordem lógica:
a) reunir sob as categorias de agregação - subseção, seção, capítulo, título
e livro - apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei;
b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou
princípio;
c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à
norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este
estabelecida;
d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos,
alíneas e itens.

2. ASPECTOS CONCLUSIVOS SOBRE A LC 95/98

Desta forma, observa-se que a Lei Complementar 95/98 traz, em seu


contexto geral, as disposições de formalização sistemática das legislações em
âmbito nacional, com a finalidade de que se mantenha a uniformidade na
composição estrutural da ordem normativa, atingindo a clareza e eficiência para
a sua aplicação.

3. DA HIERARQUIA LEGISLATIVA

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Hans Kelsen, jurista e filósofo austríaco propôs em sua obra que o ordenamento
jurídico tem a forma de uma pirâmide ou, em suas palavras, “uma construção
escalonada de diferentes camadas ou níveis de normas jurídicas”.

A pirâmide de Kelsen representa um sistema normativo em que há normas de


hierarquia diversas. No topo da pirâmide está a Constituição. Em nível
intermediário estão as leis. Em níveis inferiores normas orientadoras gerais.

Tal teoria de hierarquia fora inserida nos termos da legislação brasileira, ao


passo que o art. 59 da CF normatiza o assunto em si. In verbis:

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:


I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração,
redação, alteração e consolidação das leis.

Diante disso, podemos dizer que a estrutura hierárquica da legislação


brasileira assim se dispõe:

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Nesse contexto, há de se asseverar que:

Exemplo:

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TÓPICO 8 – A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA

1. ASPECTOS GERAIS DA INTERPRETAÇÃO

Interpretar significa fixar o sentido de alguma coisa. Quem interpreta busca


captar do objeto de interpretação sua essência e colocá-la de forma traduzida
como um novo plano de entendimento. Em outras palavras, interpretar é extrair
do objeto tudo aquilo que ele tem de essencial. Quando o objeto de interpretação
é a norma jurídica, é preciso, além do sentido, fixar o seu alcance.

2. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO

O intérprete tem de considerar uma ou duas formas até de interpretação para


valer-se de seus argumentos.

2.1. Quanto aos elementos

A) Gramatical – É através das palavras da norma jurídica, nas suas funções


sintáticas e semântica, que o intérprete mantém o primeiro contato com o
texto posto.

Finalidade: eliminar as ambiguidades, equivocidades, imprecisões bem como


corrigir erros de redação encontrados nos textos normativos.

Exemplo:

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B) Lógica - leva em consideração os instrumentos fornecidos pela lógica


para o ato de intelecção, que, naturalmente, estão presentes no trabalho
interpretativo.

Exemplo:

C) Sistemática – leva em conta a norma jurídica inserida no contexto maior


de ordenamento ou sistema jurídico. Avaliando a norma dentro do
sistema, o intérprete observa todas as concatenações que ela estabelece
com as demais normas inseridas no mesmo sistema.
O intérprete, em função disso, deve dar atenção à estrutura do sistema,
isto é, aos comandos hierárquicos, à coerência das combinações entre as
normas e à unidade enquanto conjunto normativo global.

Ex.: duas normas de mesma hierarquia podem ser contraditórias entre si.
O recurso à avaliação das normas dentro do sistema pode permitir que se
chegue a conclusão de qual deve ser aplicada apontando a revogação de
uma delas ou, então, apontando a eficácia de ambas, mas com alcances
diversos – atingem pessoas diferentes – ou, ainda, que cada uma tem seu
sentido próprio.

Maneira de realizar interpretação sistemática:

a) Ler o artigo da norma jurídica de forma conjunta. Assim, os incisos e


parágrafos devem ser lidos em consonância com o que está dito no
corpo principal do artigo (caput). Ex.: §2º art. 52, CDC, que dispõe: “É
assegurada ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou

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parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais


acréscimos”, deve ser lido juntamente com o caput do art. 52.

Dessa forma, lendo-se o §2º em consonância com o caput do art. 52 e


seus incisos, percebe-se facilmente que a lei estipula que o consumidor
pode pagar antecipadamente seu débito, obtendo redução proporcional
de juros, quando a operação envolver concessão de um crédito ou
financiamento ao consumidor.

b) Os artigos devem ser lidos levando em consideração a seção ou


capítulo em que todos estão inseridos. Ex.: art. 42, CDC: “na cobrança
de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo nem
será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça”, não é
possível afirmar que as cobranças estão proibidas. Isto porque, dentre
outros motivos, o art. 42 pertencente à Seção V do Capítulo V (Das
práticas Comerciais) do Título I (Dos Direitos do Consumidor) e trata
exatamente da “cobrança de dívidas”. Em outras palavras, o que está
dito no art. 42 tem como pressuposto a cobrança de dívidas e não a
impossibilidade de cobrança.

Exemplo:

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D) Teleológica (Ontológica) - considera os fins aos quais a norma jurídica


se dirige. Nem sempre é fácil identificar a finalidade de uma norma, mas,
uma vez que ela seja determinada, constrói-se um parâmetro, no qual a
interpretação deve enquadrar-se.

Assim, por exemplo, quando se interpreta qualquer artigo do CDC, não se


pode esquecer das finalidades daquela lei, quais sejam: a proteção ampla
do consumidor; a presença, no mercado de consumo, da vontade e da
transparência no que se refere à qualidade dos produtos e serviços etc.

Outro exemplo vem da proteção integral das crianças e adolescentes por


meio da interpretação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.

E) Histórica – preocupa em investigar os antecedentes da norma: como ela


surgiu; por que surgiu; quais eram as condições sociais do momento em
que ela foi criada; quais eram as justificativas do projeto; que motivos
políticos levaram à sua aprovação etc.

Enfim, o intérprete tenta verificar historicamente o nascimento da norma,


bem como acompanhar seu desenrolar até o dia presente. Muitas vezes, a
norma permanece a mesma, mas a interpretação e a aplicação que lhe são
dadas alteram-se com o passar do tempo.

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Ex.: uma lei que punia o atentado violento ao pudor em 1940 e que esteja
em vigor até hoje deve ter tido seu sentido alterado em muito até chegar
em nossos dias.

F) Sociológica – Analisar a legislação vigente frente as necessidade sociais


da época de sua aplicação, adaptando-se no que for possível e lícito.

Portanto, em linhas gerais, no tocante a forma de ser realizada a interpretação,


podemos resumir da seguinte maneira:

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2.2 Quanto à origem

A) Autêntica – quando emana do próprio poder que fez o ato cujo sentido e
alcance ela declara. Há certos textos legais que, pela confusão que provocam
no mundo jurídico, levam o próprio legislador a determinar melhor o seu
conteúdo.

Ex.: o conceito de funcionário público contido no art. 327 do Código Penal (o


próprio Código já interpreta a expressão "funcionário público" nele contida).

B) Judicial - é a resultante das decisões prolatadas pela Justiça; vem a ser


aquela que realizam os juízes ao sentenciar, encontrando-se nas Sentenças,
nos Acórdãos e Súmulas dos Tribunais (formando a sua jurisprudência).

C) Doutrinária - vem a ser a realizada cientificamente pelos doutrinadores e


juristas em suas obras e pareceres. Há livros especializados de Direito, que
comentam artigo por artigo de uma lei, código ou consolidação, dando o
sentido do texto comentado, com base em critérios científicos.

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Portanto, em linhas gerais, no tocante a origem da interpretação, podemos


resumir da seguinte maneira:

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TÓPICO 09 – A Integração Jurídica e o Problema das Lacunas da


Lei

1. Anotações gerais. Na realidade, por


mais que as normas jurídicas - e os
legisladores – queiram, eles não
conseguem acompanhar a dinâmica de
transformações da realidade social. E,
até ao contrário, a norma tem entre suas
funções a de ser estabilizadora da
sociedade, o que contrasta com
movimentos contínuos de mudança.

Dessa forma, haverá casos que não foram previstos pelas normas jurídicas, e
nessa hipótese podemos falar que estamos diante de “vazios” ou “lacunas” nas
normas jurídicas. Todavia, frise-se, as lacunas não estão no sistema jurídico,
mas nas normas jurídicas. Isto porque, através dos meios de integração, o
intérprete colmata as lacunas, preenche os vazios.

No sistema jurídico brasileiro a própria LINDB – Lei de Introdução as Normas do


Direito Brasileiro, em seu art. 4º, dispõe que, “quando a lei for omissa, o juiz
decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de
direito”, isto é, no Brasil o próprio ordenamento jurídico, já antevendo sua
eventual omissão, estipulou regra a saná-la.

Em síntese, podemos dizer que há “interpretação”, em sentido estrito, quando


existe uma norma prevendo o caso; recorre-se à “integração” quando não existe
norma explícita. Logo, são meios de integração da norma jurídica:

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A chamada integração é o meio através do qual o intérprete colmata a lacuna


encontrada. Ele pressupõe, portanto, que o intérprete haja lançado mão de todas
as regras de interpretação à sua disposição, e ainda assim não tenha conseguido
detectar norma jurídica aplicável ao caso que ele está examinando.

2. DOS MEIOS DE INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA

Analogia – Consiste em aplicar a um caso não previsto a norma que rege outro
semelhante. Não basta, porém, a semelhança entre situações. É necessário que
exista a mesma razão para que o caso seja decidido de igual modo.

Exemplo: Aplicar à uma empresa de transportes rodoviários uma norma relativa


às companhias ferroviárias. O mesmo preceito de responsabilidade da companhia
ferroviária, em relação à vida e integridade dos passageiros, aplica-se
analogicamente às empresas de transportes rodoviários.

Costumes - Nas palavras de Rizzato Nunes, “o costume é uma norma jurídica


típica, só que não escrita. Desse modo, quando o intérprete, ao procurar no
sistema jurídico a norma a ser aplicada, encontra apenas o costume jurídico, não
há lacuna, pois o costume é norma prórpria do ordenamento jurídico e, como tal,
um elemento que faz parte do sistema. Se nãohá lei, mas há costume, não há
lacuna”.

Princípios Gerais do Direito – são os que inspiram e dão embasamento à


criação de toda e qualquer norma, inclusive e especialmente a Constituição, bem

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como os valores sociais que afetam o sistema e dirigem sua finalidade. São
exemplos de princípios gerais de direito: a justiça, a dignidade da pessoa
humana, a isonomia, o sistema federativo etc.

Caso não encontre ainda os preceitos necessários para ser realizada a integração
da norma, cabe então recorrer à equidade, como forma última de preenchimento
da lacuna.

A equidade implica num modo de avaliação do ato imperativo mais amplo do


que apenas o de ser última alternativa para a colmatação. Mas, no que diz
respeito à lacuna, deve ser utilizada pelo intérprete por exigência de uma
aplicação justa no caso concreto, tendo em vista a falta de norma jurídica e dos
outros meios de integração.

Anotações Finais. A nosso ver, desde que se considere todo o direito como
positivo, temos que admitir lacunas. Há lacunas da lei, dos códigos, da doutrina,
da jurisprudência e do próprio direito, porque este é um produto histórico, que
não pode dar, muitas vezes, solução para casos imprevisíveis na época em que
foi ditado.

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Nota-se, ademais que não há de se confundir a analogia com os princípios gerais


do direito, porque o próprio legislador os indica como distintos e porque a
aplicação destes pressupõe não haver norma alguma aplicável ao caso, enquanto
a analogia pressupõe a existência de norma disciplinadora de hipótese
semelhante ao caso não previsto.

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TÓPICO 10 - Retroatividade e Irretroatividade da Norma Jurídica

• Anotações gerais. A norma jurídica vige


do presente em direção ao futuro, mas sua
eficácia e especialmente a incidência concreta
podem ir para o passado.

Eficácia ou incidência para o passado é o que se


chama de retroatividade, isto é, a possibilidade de
a norma jurídica atingir situações pretéritas, ter
efeitos sobre o passado. Contudo, há limitações
impostas com o intuito principal de determinar a
segurança jurídica.

As normas jurídicas não podem retroagir atingindo o direito adquirido, o ato


jurídico perfeito e a coisa julgada. No Brasil tal garantia é constitucional (inc.
XXXVI do art. 5º da CF) e já estava prevista no art. 6º da LICC, que em seus
três parágrafos define tais institutos jurídicos.

Ato Jurídico Perfeito – é o ato praticado em certo momento da histórico, em


consonância com as normas jurídicas vigentes naquela ocasião. Em outras
palavras, é o ato já consumado, pelo exercício do direito estabelecido segundo as
norma vigente ao tempo em que ele foi exercido.

Por exemplo: Em 1977 o regime legal para o casamento, no Brasil, era o da


comunhão universal de bens. Após 1977, com a mudança da lei, o regime legal
passou a ser o da comunhão parcial de bens. Quem se casou antes, praticou ato
jurídico perfeito. A lei nova não atinge aquela situação jurídica. Quem se casou
depois e não manifestou qual o regime escolhido, já se adequou ao novo regime,
qual seja, o da comunhão parcial de bens.

Direito adquirido – é o que já se incorporou definitivamente ao patrimônio


e/ou personalidade do sujeito de direito.

Por exemplo: uma lei garante aposentadoria por tempo de serviço ao


trabalhador após 35 anos de serviço. Certo cidadão trabalhou 36 anos e ainda
não se aposentou. Requerendo ou não a aposentadoria ele já tem o direito
adquirido de se aposentar, pois já se verificou concretamente a hipótese legal
para a aquisição do direito: o trabalho por 35 anos.

**Não se deve confundir direito adquirido com expectativa de direito.


Esta é a mera possibilidade de aquisição de direito, que, dependendo da

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implementação de certas circunstancias, ainda não se consumou. A expectativa


por mais legítima que possa ser, não tem garantia contra lei nova.

Por exemplo: uma lei permite que o trabalhador se aposente com 35 anos de
serviço. Suponhamos que determinado trabalhador tenha prestado 34 anos de
serviço. Nesse caso, ele ainda não pode se aposentar, pois só terá o direito
(adquirido) de fazê-lo um ano depois (com 35 anos de trabalho). Nesse tempo
surge uma lei nova que estipula a concessão da aposentadoria após 40 anos de
serviço efetivo. Sendo assim, o trabalhador não poderá se aposentar, haja vista
que ele ainda não tinha o direito adquirido quando surgiu a lei nova, mas tão-
somente a expectativa de direito.

Coisa julgada – é a qualidade atribuída


aos efeitos da decisão judicial definitiva,
considerada esta decisão de que já não
cabe recurso. Não caber recurso quer
dizer que já se percorreram todas as
instancias recursais possíveis dos
tribunais superiores ou que já não pode
ser apresentado recurso, porque o prazo
para o seu ingresso transcorreu sem que
houvesse sido interposto.

Por exemplo: “A” ingressa com ação


judicial contra “B” pleiteando indenização
pelos danos que causou em seu veículo
num acidente de trânsito. “B” contesta a
ação, dizendo que não teve culpa pelo acidente. Na instrução do feito (fase
processual de colheita de provas), “A” prova por testemunha que “B” foi o
responsável pelo acidente e, em contrapartida, “B” não consegue demonstrar o
contrário. O juiz julga a ação procedente, dando ganho de causa a “A” e manda
que “B” pague o valor correspondente aos danos ocasionados ao imóvel.
Nesse caso a sentença se tornará coisa julgada se “B” não entrar com o recurso
cabível no prazo competente para tanto.

Observação: Ressalta-se que a coisa julgada pode vir a ser questionada através
da chamada Ação Rescisória, nos termos e pelas causas legais taxativamente
(exclusivamente) arroladas no art. 485 do CPC. A ação rescisória não é um
recurso, mas, como o nome diz, uma nova ação judicial, que pretende rescindir a
decisão judicial transitada em julgado.

Por exemplo: “Art. 485 – A sentença de mérito, transitada em julgado, pode


ser rescindida quando: VII – depois da sentença, o autor obtiver documento

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novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só,
de lhe assegurar pronunciamento favorável.

Recentemente, criou-se no Brasil nova exceção à coisa julgada, possibilitando-se


a modificação de sentenças sobre investigação de paternidade, em processos de
época anterior à existência do exame de DNA. A exceção não foi criada através
de lei, mas sim de entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o exame
de DNA constituiria “documento novo” para os fins de ação rescisória, nos
termos do artigo 485, inciso VII, do Código de Processo Civil brasileiro.

Casos de irretroatividade e de retroatividade benéfica

No Direito Penal a irretroatividade é plena e está garantida pelo inciso XXXIX do


art. 5º da CF (“não há crime sem lei anterior que a defina, nem pena sem prévia
cominação legal”). A tipificação posterior não atinge, de forma alguma, o fato
existente anteriormente.

Mas, a contrario sensu, no Direito Penal a lei sempre retroage para beneficiar o
réu. Tal benefício também é garantia constitucional previsto no inc. XL do art. 5º
da CF (“a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu).

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TÓPICO 11 - Divisão do Direito Positivo: Subjetivo e Objetivo

Designa-se por direito positivo o conjunto de normas jurídicas escritas e não-


escritas (costume), vigentes em determinado território, na órbita internacional
na relação entre os Estados, sendo o direito positivo aquele estabelecido nos
tratados e costumes internacionais.

Esse direito positivo pode ser separado em dois elementos: direito objetivo e
direito subjetivo. Note-se, porém, que ambos os elementos compõem um
mesmo direito, de tal forma que o primeiro não pode existir sem os segundos e
vice-versa.

DIREITO OBJETIVO

É o conjunto, em sim das normas jurídicas escritas e não-escritas


independentemente do momento do seu exercício e aplicação concreta.

DIREITO SUBJETIVO

Pode-se dizer que o direito subjetivo


é a prerrogativa colocada pelo direito
objetivo, à disposição do sujeito do
direito . Essa prerrogativa há de ser
entendida como a possibilidade de
uso e exercício efetivo do direito,
posto à disposição do sujeito com o
intuito de resolver um litígio, isto é,
um conflito de interesse entre as
partes. Desta forma, o direito
subjetivo é tanto o efetivo exercício
do direito objetivo quanto a
potencialidade do exercício desse
mesmo direito.

Por exemplo: tem-se o direito objetivado como Lei do Inquilinato (Locação),


que regula o despejo do inquilino por falta de pagamento, faz nascer para o
proprietário-locador o direito subjetivo de pleitear o despejo o inquilino.

Esse direito subjetivo – direito de propor a ação para despejar o inquilino – é


posto à disposição do locador como uma prerrogativa. Ou, em outras palavras, o
locador não tem a obrigação de ingressar com ação de despejo contra o
inquilino. Pode ingressar ou não. É direito subjetivo seu, e somente a ele cabe
decidir se o exercita ou não.

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Elementos do Direito Subjetivo

1. Sujeito. É o proprietário ou titular do direito. Todo direito possui pelo menos


dois sujeitos: um ativo (que é a pessoa que pode exigir a prestação) e outro
passivo (que é a pessoa obrigada a realizar a prestação, podendo ela ser
positiva ou negativa).

Por exemplo: No caso dos direitos de crédito, “sujeito ativo” é o credor e


“sujeito passivo” é o devedor.

1.1. Sujeitos de Direito. Na linguagem jurídica, a expressão “sujeitos de


direito” (ativo ou passivo) equivale à “pessoa”. O sujeito dos direitos e dos
deveres jurídicos chama-se pessoa. O direito admite duas espécies fundamentais
de pessoas: físicas e jurídicas.

Pessoas Físicas: são os considerados individualmente.

Pessoas Jurídicas: são as instituições ou entidades, capazes de ter direitos e


obrigações como associações, fundações, sociedades civis e comerciais,
autarquias e o próprio Estado.

2. Objeto. Pode ser mediato, sendo o “bem” sobre o qual recai o direito ou
imediato, sendo a “prestação” devida por outras pessoas.

• Objeto mediato: bens jurídicos (coisas e pessoas)

Os “bens jurídicos” sobre os quais recaem e para os quais se dirigem os


direitos e obrigações são os chamados objetos mediatos, porque tocam o sujeito
de maneira indireta.

• Objeto Imediato: obrigação de fazer, de dar e de não fazer

O objeto imediato, isto é, o que toca imediatamente o sujeito é chamado


de prestação. Esta consiste em certo ato, ou em sua abstenção, que o sujeito
ativo da relação jurídica tem direito de exigir do sujeito passivo. A prestação,
portanto, divide-se em positiva e negativa.

EXEMPLO:

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2.2. Classificação dos Bens quanto a Mobilidade. A) Móveis, sendo os


suscetíveis de movimento próprio ou semoventes (animais), bem como de
remoção por força alheia, como mercadorias, utensílios, máquinas etc., e; B)

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Imóveis, sendo as coisas que não podem ser removidas, sem que se altere a sua
natureza, como um terreno, uma casa etc.
2.3. Classificação dos Bens quanto à possibilidade de substituição. A)
Fungíveis, bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma
espécie, qualidade e quantidade. Por exemplo: dinheiro, uma saca de café etc.,
e; B) não fungíveis, o bem móvel que não pode ser substituído por outro da
mesma espécie, como um quadro artístico, uma relíquia etc.

2.3. Classificação dos Bens quanto à materialidade. A) Corpóreos ou


materiais, são as coisas que existem fisicamente no mundo e podem ser
percebidas pelos sentidos, como um rio, uma árvore etc. B) Incorpóreas ou
imateriais são as coisas perceptíveis apenas pela inteligência. Por exemplo, uma
obra literária, uma invenção etc.

2.4. Classificação dos Bens quanto ao sujeito a que pertencem. A)


Públicos: os bens de domínio nacional, pertencentes a União, aos Estados ou aos
Municípios. B) Particulares: todos os outros seja qual for a pessoa a que
pertencem.

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TÓPICO 12 - Relação Jurídica: Anotações Gerais da Personalidade


e Capacidade da Pessoa Física e Pessoa Jurídica

1. Anotações Gerais. O Código Civil disciplina as relações jurídicas de direito


privado, ou seja, regula as relações entre particulares, regulamentando os
direitos e deveres de todas as pessoas e regendo suas relações obrigacionais,
patrimoniais e familiares. Dentre as pessoas estão dispostas a física e a jurídica
bem como todos os critérios que as envolvem sua personalidade e sua
abrangência.

2. Personalidade. Consiste na a aptidão genérica para adquirir direitos e


contrair obrigações ou deveres na ordem civil.

Toda pessoa é dotada de personalidade, seja a pessoa natural (ser


humano), seja a pessoa jurídica (entidades morais). Deste modo, enquanto
sujeito de relações jurídicas, está dotado de personalidade, assim como aqueles
entes morais formados por agrupamentos de indivíduos que se associam para a
realização de fins econômicos ou sociais (sociedades e associações) ou aqueles
que se constituem mediante a destinação de um patrimônio para um fim
determinado (fundações).

2.1. Pessoa Natural. O art. 1º do Código Civil diz: “toda pessoa é capaz de
direitos e deveres na ordem civil”. Neste contexto, a pessoa natural é o ser
humano, sujeito das relações jurídicas, com aptidão para adquirir direitos e
contrair obrigações.

• Início da Personalidade. De acordo com o art. 2º do Código Civil, a


personalidade civil se inicia com o nascimento com vida da pessoa natural.
Porém, a lei põe a salvo os direitos do nascituro desde a sua concepção, estando
este condicionado ao nascimento com vida.

Observação: Teorias relacionadas ao nascituro

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Caso real:

• Capacidade jurídica. Toda pessoa possui aptidão para adquirir direitos ou contrair
obrigações. No entanto, nem todos possuem capacidade para aquisição desses direitos ou

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para o seu exercício por si mesmo. Alguns precisam ser assistidos para a prática de
determinados atos de seu interesse.

• Incapacidade. É a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil. Esta


expressamente prevista na lei.

- Incapacidade absoluta: total, nesse caso, o incapaz deverá ser representado


sob pena de nulidade do ato. Ex.: menores de 16 anos de idade (art. 3o, CC).

- Incapacidade relativa: parcial, nesse caso, o incapaz deverá ser assistido. Sob pena
de anulabilidade do ato. Ex.: maiores de 16 e menores de 18 anos (art. 4o, I, CC).

Cessação da incapacidade. Cessa a incapacidade quando cessarem as causas que lhe


deram à origem.

• Fim da personalidade. Pela morte, que pode ser real ou presumida.

- Morte real: término da existência da pessoa natural.

- Morte presumida: casos de ausência, ou seja, pessoa desaparecida de quem não se


tem mais notícia.

• Direitos da Personalidade

- Intransmissíveis: não podem ser transmitidos a outras pessoas.


- Irrenunciáveis: seu titular não pode renunciar nem abandoná-lo.

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2.2. Pessoa Jurídica. Consiste em um conjunto de pessoas ou de patrimônio,


dotado de personalidade pela ordem jurídica, com aptidão para adquirir e exercer
direitos e contrair obrigações. As pessoas jurídicas podem ser:

- Direito Público: União; Estados, Distrito Federal e Territórios; municípios;


autarquias e; demais entidades de caráter público criadas por lei.

- Direito Público Externo: Estados estrangeiros; todas as pessoas que forem


regidas pelo direito internacional público.

- Direito Privado: associações; sociedades; fundações; organizações religiosas;


partidos políticos etc.

• Início da personalidade.

- Direito Público e Público Externo: Iniciam-se em razão de fatos históricos,


de criação constitucional, de lei especial e de tratados internacionais, se se tratar
de pessoas jurídicas de direito público externo.

- Direito Privado: tem início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo


registro. Entretanto, determinadas pessoas jurídicas de direito privado
necessitam, além do registro, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
como é o caso, por exemplo, das cooperativas, das agencias de seguros, das
caixas econômicas, das bolsas de valores etc.

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TÓPICO 13 – DIVISÃO DO DIREITO: DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

1. INTRODUÇÃO

Embora a divisão do direito objetivo em público e privado remonte ao direito


romano, até hoje não há consenso sobre seus traços diferenciadores. Vários
critérios foram propostos, sem que todos eles estejam imunes a críticas. Essa
dicotomia tem, efetivamente, sua origem no direito romano, como se depreende
das palavras de Ulpiano: “Direito público é o que corresponde às coisas do
Estado; direito privado, o que pertence à utilidade das pessoas”. Pelo critério da
utilidade ou do interesse visado pela norma, o direito público era o direito do
Estado romano, o qual dizia respeito aos negócios de interesse deste. O direito
privado, por sua vez, disciplinava os interesses particulares dos cidadãos.

Na realidade, o direito deve ser visto como um todo, sendo dividido em direito
público e privado somente por motivos didáticos. A interpretação de suas normas
é comum, encontrando-se, com frequência, nos diplomas reguladores dos
direitos privados as atinentes ao direito público e vice-versa.

2. ASPECTOS CONCEITUAIS

2.1. Direito Público: é aquele que regula as relações em que o Estado é parte,
ou seja, rege a organização e a atividade do Estado considerado em si mesmo. O
Direito Público pode ser explicado como um grande ramo de normas que
possuem natureza pública, na qual o Estado atua com seu poder, por ser um
tema de relevante caráter social e organizacional da sociedade.

O Direito Público regula a organização e a atividade do Estado, este


considerado:

- em si mesmo (próprio Estado);


- em suas relações com os particulares;
- em suas relações com outros Estados.

Por “Estado”, tomado aqui em sentido amplo, devemos entender:

a) O Poder Público representado, no Brasil, pela União, os Estados e os


municípios, com todas as suas ramificações: ministérios, secretarias,
departamentos etc.

b) As autarquias e outros órgãos, que têm personalidade jurídica distinta da do


Estado, mas que a ele se ligam intimamente, por serem por ele criados e
exercerem funções públicas. Ex.: INSS etc.

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c) As organizações como a ONU, UNESCO, FAO etc., que são órgãos


supranacionais reconhecidos pelos Estados e que mantêm relações jurídicas com
organismos governamentais e não governamentais.

2.2. Direito Privado: é o que disciplina as relações entre particulares, nas que
predominam, de modo imediato, interesses de ordem particular, como compra e
venda, doação, usufruto, casamento etc.

O Direito Privado regula as relações dos particulares em si. Por particulares


devemos entender o caso:

a) Os indivíduos, também chamados de pessoas físicas ou naturais;

b) As instituições ou entidades particulares, como as associações, as fundações,


as sociedades civis ou comerciais etc., também chamadas pessoas jurídicas de
direito privado;

c) O próprio Estado, em condições especiais, quando participa de uma


transação jurídica, não na qualidade de Poder Público, mas na de simples
particular, como no caso em que, locatário de um prédio, ele figura na condição
de inquilino, como os demais, à lei do inquilinato.

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3. DISTRIBUIÇÃO DO DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

De uma forma geral, podemos dizer que:

• Direito Constitucional: as normas de Direito Constitucional são normas


internas e estruturais cada Estado. Elas disciplinam as instituições políticas, a
estrutura de governo, organização dos poderes do Estado, limites de
funcionamento, a sociedade, e as garantias fundamentais de cada indivíduo.

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Seriam normas que fornecem um modelo para as demais leis que surgirem. São
normas que montam toda a estrutura da sociedade e ditam os parâmetros
econômicos, políticos e sociais.

• Direito Administrativo: é o ramo do Direito Público que regulamenta a


atividade estatal, com todos os serviços públicos postos à disposição da
sociedade, em busca do bem comum. Vale dizer que o Direito Administrativo se
preocupa com a prestação do serviço público, a forma e limites de atuação e
ainda disciplina o relacionamento entre entes públicos e privados, e a relação dos
indivíduos com a Administração Pública.

• Direito Tributário: O Estado, para prestar os serviços públicos em prol dos


cidadãos, necessita de recursos, que advém dos tributos (impostos, taxas e
contribuições). Assim, seria a preocupação central do Direito Tributário o estudo
dos princípios e diretrizes que norteiam a forma de aplicação, administração e
gerenciamento desses recursos públicos para a execução destes serviços, e ainda
o planejamento necessário de forma que a receita e despesa pública se
equilibrem no grande orçamento público.

• Direito Penal: ramo do Direito que disciplina as condutas humanas que


podem por em risco a coexistência dos indivíduos na sociedade. O Direito Penal
vai regular essas condutas com base na proteção dos princípios relacionados à
vida, intimidade, propriedade, liberdade, enfim, princípios que devem ser
respeitados no convívio social. Dessa forma, o Direito Penal vai descrever as
condutas consideradas crimes (condutas mais graves) e contravenções (condutas
menos grave) e as respectivas penas cominadas. Vale dizer que o Estado é o
responsável pelo direito de punir, e o faz mediante critérios pré- estabelecidos,
com o intuito de desestimular os indivíduos a transgredirem as normas, e,
também, de readaptar o indivíduo ao convívio social.

• Direito Internacional Público: é o ramo do Direito voltado a disciplinar as


relações entre os vários Estados, possuindo princípios e diretrizes, que visam
uma interação pacífica entre os Estados, tanto na esfera política, econômica,
social e cultural. Vale dizer que são criados organismos internacionais, tais como
a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMC (Organização Mundial do
Comércio), para auxiliar na descoberta de interesses comuns, e de que forma
interação dos Estados vai se dar. Os instrumentos dos acordos entre os Estados
são denominados tratados.

• Direito Internacional Privado: ramo destinado a regular a situação do


estrangeiro no território nacional, pois como o estrangeiro está em local diverso
de seu país, haveria um conflito de leis a serem aplicadas no caso concreto: a lei
estrangeira, ou do local onde o indivíduo se encontra? Assim, a base do Direito

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Internacional Privado seria regular essas relações e estabelecer diretrizes e


normas, dirigidas às autoridades para a resolução inerente a esses conflitos.

• Direito Processual: para definir o objeto de estudo desse ramo do Direito,


primeiramente é importante dizer que é o Estado que detém o poder de aplicar o
Direito, estabelecendo a ordem, aplicando as penalidades, e solucionando os
conflitos entre as partes, por meio de um processo judicial. Dessa forma, o ramo
em questão visa disciplinar de que forma isso vai se dar, estabelecendo
princípios e regras a serem previamente obedecidas, tanto pelo Estado, quanto
pelas partes na disputa judicial. Assim a função do Direito processual é organizar
a forma de como o Estado vai prestar esse poder-dever de julgar, e como as
partes devem agir no embate judicial.

• Direito Eleitoral: conjunto de normas que regulamentam os partidos políticos,


o alistamento, a filiação partidária, as eleições, a apuração de votos etc.

• Direito Militar: conjunto de normas e ordenações reguladoras da organização


e funcionamento das Forças Armadas do País e seus sujeitos.

• Direito Civil: rege as relações entre particulares, considerando-os


simplesmente como homens e não membros de uma profissão ou nacionalidade.
Regula os direitos das pessoas enquanto tais, em suas relações de família e em
suas relações patrimoniais.

• Direito Comercial: estabelece normas especiais disciplinando a atividade


comercial.

• Direito do Consumidor: regula as relações de consumo em que figuram como


partes o fornecedor e o consumidor.

• Direito do Trabalho: regula as relações de emprego e a proteção à pessoa e


aos direitos do trabalho.

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TÓPICO 14– PRINCÍPIOS GENÉRICOS DO DIREITO

• CONCEITO DE PRINCÍPIO

Princípio significa doutrina, teoria, ideia básica, entendimento que deve nortear
vários outros, ou mesmo um sistema. Alguns princípios gerais têm aplicação
diversa no âmbito do civil, penal e administrativo.

Nesse passo, em termos genéricos, pode-se elencar os seguintes princípios


básicos que agregam valores ao Direito em si:

1. PRINCÍPIO DA ISONOMIA

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e os estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade(...)” (CF, Art. 5º,
caput).

O direito que têm os litigantes de receberem idêntico tratamento pelo juiz, ou


seja, ambas as partes devem gozar das mesmas faculdades e oportunidades
processuais oferecidas, conforme se vê mais claramente no artigo 125, I, do
Código de Processo Civil.

No entanto, a própria lei especifica desigualdades. Cita-se que tratar as partes


isonomicamente é tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na
exata proporção de suas igualdades e desigualdades, a “igualdade substancial
dos litigantes”.

Assim, temos o artigo 4º do Código do Consumidor, reconhecendo a fragilidade


deste perante o fornecedor, o artigo 188 do Código de Processo Civil, onde o
Ministério Público e a Fazenda Pública terão um prazo quatro vezes maior para
contestar e duas vezes maior para recorrer num litígio.

2. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

o conceito de dignidade humana é de imensa complexidade, dada sua grandeza.


Alexandre de Moraes a conceitua da seguinte forma: A dignidade da pessoa
humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta
singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e
que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas,
constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve
assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações
ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a

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necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos. Em


nosso ordenamento tal princípio encontra-se em nossa Carta Magna, art. 1º, III.
Sobre tal princípio, Nelson Nery doutrina que: É o fundamento axiológico do
Direito; é a razão de ser da proteção fundamental do valor da pessoa e, por
conseguinte, da humanidade do ser e da responsabilidade que cada homem tem
pelo outro.

3. PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE

A isenção, em relação às partes e aos fatos


da causa, é condição indeclinável do órgão
da jurisdicional, para o proferimento de um
julgamento justo. O juiz deve ser super
partes, colocar-se entre os litigantes e acima
deles: é a primeira condição para que possa
exercer sua função dentro do processo.

A imparcialidade do juiz resulta em garantia


de ordem pública. É garantia não só das
partes, que terão a lide solucionada com justiça, mas também do próprio Estado,
que quer que a lei seja aplicada corretamente, e do próprio juiz, que ficará
coberto de qualquer suspeita sobre seus atos (arbítrio ou parcialidade).

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4. PRINCÍPIO DA AÇÃO

Princípio da ação, ou princípio da demanda, ou princípio da iniciativa das partes,


indica que o Poder Judiciário, órgão incumbido de oferecer a jurisdição, para
movimentar-se no sentido de dirimir os conflitos intersubjetivos, depende da
provocação do titular da ação, instrumento processual destinado à defesa do
direito substancial litigioso.

5. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA

“Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral


são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes.” (CF, Art. 5º, LV).

Assim, o princípio do contraditório diz respeito à igualdade de oportunidade para


que cada uma das partes ofereça razões e as provas de seu direito; enquanto o
princípio da ampla defesa visa assegurar às partes o uso de qualquer meio ou
recurso legítimos para a plena defesa de seu direito, isso tanto em sede de
processo judicial quanto no procedimento administrativo.

6. PRINCÍPIO DO IMPULSO PROCESSUAL

Uma vez instaurada a relação processual, compete ao juiz mover o procedimento


de fase em fase, até exaurir a função jurisdicional. Trata-se, sem dúvida, de
princípio ligado intimamente ao procedimento (roupagem formal do processo),
nessa sede iremos abordá-lo mais profundamente.

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7. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE

Este princípio constitui uma preciosa garantia do indivíduo no tocante ao


exercício da jurisdição. A presença do público nas audiências e a possibilidade do
exame dos autos por qualquer pessoa representam o mais seguro instrumento
de fiscalização popular sobre a obra dos magistrados, promotores públicos e
advogados. O povo é o juiz dos juízes. Todavia, há casos em que não ocorrerá a
publicidade dos atos por serem os mesmos considerados “em segredo de
justiça”, onde os mesmos só farão referência às partes da causa, como nas
causas de família, quando surtir grande clamor social etc.

8. PRINCÍPIO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

“O Estado prestará assistência jurídica gratuita aos


que comprovarem insuficiência de recursos” (CF, art.
5º, LXXIV).

O objetivo da norma é garantir aos hipossuficientes


o acesso à Justiça, oferecendo-lhe assistência
jurídica, por meio de defensores públicos ou
advogados dativos, e gratuidade das custas e
defesas processuais.

Análise de caso:

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9. PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO

Não Há nenhuma menção explícita deste princípio no texto constitucional, razão


pela qual a doutrina diverge em considerá-lo ou não um princípio de processo
constitucional.

Considera-se esse princípio como a garantia do litigante de poder “submeter ao


reexame das decisões proferidas em primeiro grau, desde que atendidos os
requisitos previstos em lei”; considera-se implícito nos preceitos constitucionais,
a partir, por exemplo, dos artigos 5º, § 2º e LV, e artigos 102 e 105 da
Constituição Federal.

10. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS E


ADMINISTRATIVAS

A CF/88 em seu art. 93, IX estabelece que as decisões judiciais devem ser
motivadas sob pena de nulidade.

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Fundamentar significa que o magistrado dar as razões, de fato e de direito, que o


convenceram a decidir a questão daquela maneira. A fundamentação tem
implicação substancial e não meramente formal, donde é lícito concluir que o juiz
deve analisar as questões postas a seu julgamento, exteriorizando a base
fundamental de sua decisão.

O objetivo da fundamentação das decisões judiciais é o de ampliar o alcance


do princípio da ampla defesa, pois a parte somente poderá defender o seu direito
se entender os motivos que levaram o juiz a proferir a decisão.

11. PRINCÍPIO DA CELERIDADE E DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO


PROCESSO

A EC n. 45/2004 acrescentou ao rol dos direitos fundamentais da CF/88 o inciso


LXXVIII do art. 5º onde dispôs que “a todos, no âmbito judicial e administrativo,
são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação”.

Trata-se de desdobramento do princípio do direito da ação que se mostra como


garantidor do direito de obter-se a tutela jurisdicional adequada.

O princípio da duração razoável possui dupla função porque, de um lado, respeita


ao tempo do processo em sentido estrito, vale dizer, considerando-se a duração
que o processo tem desde seu início até o final com o trânsito em julgado judicial
ou administrativo, e, de outro lado, tem a ver com a adoção de meios
alternativos de solução de conflitos, de sorte a aliviar a carga de trabalho da
justiça ordinária, o que, sem dúvida, viria a contribuir para abreviar a duração
média do processo.

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TÓPICO 15 – Estado, Direito e Institutos Jurídicos

1. ESTADO E DIREITO

O Estado é a “sociedade politicamente organizada”, objetivando manter, pela


aplicação do Direito, como uma técnica social específica de “uma ordem da
conduta humana” as condições universais da ordem social em determinado
território, povo e governo.

O Estado, portanto, caracteriza-se pela soberania, internamente representada


pelo seu “poder de império”, ou seja, a faculdade de impor sua vontade, através
da força, se necessária, independente da vontade do cidadão em particular.

Com relação aos demais Estados a afirmação máxima da soberania é a


independência absoluta, admitindo até que haja outro poder igual, nenhum,
porém que lhe seja superior.

Princípios regentes do Estado: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade,


Publicidade e, Eficiência (art. 37, caput, CF). Ressalta-se que não há hierarquia
entre os princípios. Todos eles são importantes e a aplicação, caso a caso, é que
acaba dando mais valor a um ou outro. Contudo, todos os princípios devem ser
aplicados de forma conjunta e harmônica.

Legalidade: a Administração só pode fazer o que a lei determina ou permite.


Portanto, o silêncio da lei, a ausência de lei para a Administração significa uma
proibição.

Impessoalidade: é o princípio que impõe tratamento igualitário aos


administrados, bem como a idéia de que os agentes públicos devem ter uma
atuação neutra. É o caso de igualdade de tratamento dos administrados
(concursos públicos) e neutralidade do agente em sua atuação.

Moralidade: princípio que impõe à Administração não apenas uma atuação legal,
mas também moral, ou seja, caracterizada pela obediência à ética, à
honestidade, à lealdade, à boa-fé.

Publicidade: os atos da Administração Pública seja amplamente divulgados.

Eficiência: impõe à Administração Pública a melhor atuação possível diante dos


recursos disponíveis.

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2. INSTITUTOS DE DIREITO

O organograma do Poder Judiciário brasileiro assim se dispõe:

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Supremo Tribunal federal – STF: é a mais alta instância do Poder Judiciário do


Brasil e sua função institucional principal é de servir como guardião da
Constituição Federal, apreciando casos que envolvam lesão ou ameaça a esta
última.

No jargão jurídico o Supremo Tribunal Federal também é chamado Pretório


Excelso, Suprema Corte e Corte Maior.

Composição: 11 ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos


de 65 anos de idade, brasileiro nato, notável saber jurídico e reputação ilibada
(art. 102, caput, CF). Nomeados pelo Presidente da República depois de
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.

Superior Tribunal de Justiça – STJ: é um dos órgãos máximos do Poder


Judiciário do Brasil. Sua função primordial é zelar pela uniformidade de
interpretações da legislação federal brasileira.

Composição: segundo a Constituição Federal de no mínimo 33 ministros (art.


104, caput, CF), escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos
de idade, brasileiro, notável saber jurídico e reputação ilibada nomeados pelo
Presidente da República, após aprovação da indicação em sabatina do Senado
Federal.

Justiça Federal: À Justiça Federal compete processar e julgar todos os feitos


em que a União, autarquias, empresas públicas e fundações públicas e federais
sejam autoras, rés ou intervenientes, bem assim os processos criminais quando
se tratar de crimes que o Brasil, por convenção internacional, obrigou-se a coibir.
É formada por juízes federais, que representam a primeira instância, e os
Tribunais Regionais Federais (TRF), de segunda instância.

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Justiça do Trabalho: analisa matérias trabalhistas. Teve o rol de competência


estendido com a EC 45/04. Composição: art. 111-A, CF.

Tribunais e Juízes dos Estados: cabe a cada Estado organizar a sua Justiça,
observados os princípios estabelecidos na constituição.

Ministério Público: é uma instituição permanente, essencial à função


jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis ( art.127, CF/88).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MONTORO, André Franco. Introdução à Ciência do Direito. São Paulo: RT.

NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Forense.

RIZZATO NUNES, Luiz Antonio. Introdução ao direito. São Paulo: RT.

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