A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Juliana Raquel Fraga

Canoas 2010

JULIANA RAQUEL FRAGA

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Trabalho

de

conclusão

de

curso

apresentado à Faculdade de Direito do Centro Universitário Ritter dos Reis, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. Luis Felipe Spinelli

Canoas 2010

JULIANA RAQUEL FRAGA

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito, pela banca examinadora constituída por:

________________________________________ Nome do Professor

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Canoas 2010

Irani e Ana. Ao Ismael. Eloi. que esteve ao meu lado me auxiliando e preenchendo-me percurso de amor e carinho. das mais diversas formas. A todos que. por todas as dicas e ajudas que prestou durante esta jornada.DEDICATÓRIA Aos meus pais. Ao meu sogro. me auxiliaram nessa empreitada. . por todos estes anos de amor e dedicação destinados a mim e aos meus irmãos. E a Deus por todas as dádivas e felicidades que venho colhendo em meu caminho. meu incentivador e amigo.

GRADECIMENTOS Meus agradecimentos a todos os professores do Curso de Bacharel em Direito do Uniritter. nessa empolgante jornada. o Prof. responsáveis pelo meu desenvolvimento profissional e pessoal. Em especial quero agradecer a meu orientador. que comigo esteve comprometido e me auxiliou de forma excepcional. os quais participaram e são. . em grande parte. Luiz Felipe Spinelli.

o meio de que se serve para consegui-lo é a luta. (Rudolf von Ihering) . das classes sociais. Enquanto o direito estiver sujeito às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o mundo for mundo -. A vida do direito é a luta: luta dos povos. ele não poderá prescindir da luta. dos indivíduos.O fim do direito é a paz. dos governos.

Ainda procura. . O texto ainda traz os motivos que levaram o Decreto – lei 7. principalmente a concordata preventiva (por ser a que mais se aproxima da recuperação judicial). Palavras-chave: função social da empresa.661/1945 ser substituído pela Lei 11. por meio de manifestações do Poder Judiciário demonstrar como a nova Lei vem se adaptando à realidade. pois este não existia no Decreto – lei 7. e identificar os possíveis impactos que o reconhecimento a função social da empresa irá causar no deferimento e andamento do processo de recuperação judicial.661/1945 se faz necessário observar as principais diferenças e semelhanças entre o instituto da concordata.RESUMO Este trabalho trata da função social da empresa e como esta influência o instituto da recuperação judicial. preservação da empresa.101/2005. concordata preventiva. recuperação judicial. Sendo a recuperação judicial um instituto novo.

..................................................................88 2...........101/2005 E DE SUAS DIRETRIZES NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO DA EMPRESA EM CRISE........102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................71 2 REPERCUSSÃO DA LEI 11............................14 1..................................................................2 Análise das manifestações do Judiciário.................28 1........661/45 .....................................................................53 1..............................2.......1 A concordata no regime do Decreto – lei 7...................................1 Instituições............78 2..............................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........9 1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A FUNÇÃO SOCIAL ............2 Da recuperação judicial...........94 CONCLUSÃO........................................................................1 A flexibilização do instituto da concordata e a função social da empresa...........1...............................................................................2...................................2 Contratualismo x Institucionalismo.......16 1............................................................................................................................................................105 .........32 1......................................1 O reconhecimento da função social da empresa na recuperação judicial..............................................................

A concordata preventiva era um instrumento onde buscava-se.101/2005.661/1945 foi quem ditou as regras e as formas para que o empresário em crise pudesse sair desta ou requerer a decretação de sua falência. não havendo mais como suspender o processo de falência em curso. O regime falimentar da legislação de 1945 demonstrou-se notadamente ultrapassada.INTRODUÇÃO Durante sessenta anos o Decreto – lei 7. No presente estudo a mais relevante é a concordata preventiva. não possibilitando a este muitas alternativas econômicas para solucionar a falta de liquidez. a retirada da empresa da crise. a prática demonstrava um índicie muito maior de quebra das empresas do que sua efetiva recuperação. . bem pelo contrário. entre outros benefícios a sociedade e ao próprio Estado com a arrecadação de impostos. através de dilação de prazos e remissão de parte das dívidas. mantendo assim postos de trabalho. Já a concordata suspensiva não foi mantida na nova lei. pois a recuperação judicial. Mas seus métodos acabavam por não proporcionar a recuperação efetiva de que a empresa necessitava. prevista na Lei 11. O Decreto – lei 7. tendo está vindo para substituir o Decreto-lei guarda algumas semelhanças com o antigo instituto. Na sistemática do Decreto – lei a falência do devedor poderia ser decretada pela simples impontualidade no pagamento de seus compromissos. o qual podia ser preventiva ou suspensiva. a circulação de bens e serviços. Estas considerações são de suma importância. pois regia um processo concursal que não viabilizava mecanismos eficientes para que a empresa pudesse se recuperar da crise. por viabilizarem a recuperação deste devedor. sobrecarregando de responsabilidades o devedor.661/45 previa como formas de recuperação da empresa o instituto da concordata. não sendo levada em consideração questões como a capacidade econômica e financeira do devedor ou a boa-fé do mesmo em relação aos seus credores.

apesar de manter algumas semelhanças com o instituto da concordata preventiva. pois não visa apenas à satisfação dos credores da empresa em crise. O Senador ainda refere que o trabalho do legislativo foi ajustado. principalmente “pela missão de dar conteúdo social à legislação2”. não sendo estes. pois representa uma fonte geradora de empregos e expansão da comunidade e sociedade em geral. pois a nova lei também traz a recuperação extrajudicial. O Senador Ramez Tebet. onde devedor e credores podem entrar em acordo sem a necessidade da participação atuante do judiciário. Hoje a empresa não é apenas uma mera produtora de bens e serviços. bem como um regime especial de recuperação para as pequenas e micro empresas. . em relatório sobre o projeto de Lei que institui a Lei 11. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. loc cit. Mas não é apenas a recuperação judicial novidade no campo do direito concursal. apresenta o principal objetivo da nova lei quando menciona que “em razão de sua função social. foco do presente estudo. a empresa deve ser preservada sempre que possível.A recuperação judicial prevista na Lei 11. mas.101/2005. 2 SCHELLES. os quais passam a ter uma participação mais ativa no processo de recuperação da empresa.tjrj. visa também à preservação da empresa e tudo que este significa. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. A empresa é uma das instituições mais significativa da atualidade. Disponível em: < http://www. não apenas no aumento da eficiência econômica. ela é acima de tudo um poder. não apenas com o seu interior.emerj. tem seus objetivos bem mais abrangentes.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. contribuindo para o crescimento e desenvolvimento social do País 1”.jus. mas também com seu 1 SCHELLES. dividindo-a com os credores e Poder Judiciário. acabando por assumir responsabilidades.pdf>. Marta Santiago de Oliveira. A nova lei diluiu a responsabilidade do devedor. pois gera riqueza econômica e cria emprego e renda.101/2005.

poder aprovar o plano de recuperação mesmo que este não seja aprovado pelos credores em assembléia. pois se dará mais espaço as questões técnicas do que históricas. 2004. Samuel. ed. pois. Tradução Vera Borda. ao reconhecer a função social da empresa. mas apesar disto este não será analisado no corpo do trabalho. não apenas aos credores. 1982. como Samuel Koenig3 profere. A relação história do instituto e sua evolução trazem muitas noções de como este funcionava. não havendo comparações com o direito de outros países. 4 THEODORO JÚNIOR. que vão desde as mais essenciais até as relativamente sem importância. 6º. p. não um interprete completamente livre de vínculos. embora inevitavelmente criador do direito. Neste trabalho interessará apenas o que a função social da empresa significa para o ordenamento brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Elas acabam por servir como um meio de regular e controlar as atividades do homem. pois esta se adequa ao seu tempo e seus significados podem: ser traduzidos de várias formas e possuírem significados diferentes para cada ordenamento jurídico. o juiz. Elementos de Sociologia. O contrato social e sua função. 2ª ed. 92. a criatividade desempenhada pelo juiz para atualizar e compatibilizar a norma com o caso concreto e o momento da sua aplicação não lhe dá uma liberdade que possa significar a abertura para o arbítrio e a aventura. a interpretação é também uma atividade vinculada. pois como cita Humberto Theodoro Júnior4 sobre a questão: Mesmo na atividade de interpretação da lei. É dentro deste conceito que surge a função social da empresa e sua importância nos tempos de hoje.exterior. Dentro das modificações trazidas pela Lei 11.101/2005. ou mais ou menos dispensáveis. que se reconhece não se fazer de forma mecânica e literal. o que precisava ser contornado e o que as mudanças poderão causar. Afinal. 117. . O legislador. Ou. Humberto. controlada e responsável. mas também aos outros interessados. segundo CAPPELLETTI. como adverte PERLINGIERI. quando não definiu a função social da empresa foi muito sensato. Rio de Janeiro: Forense. dando assim liberdade ao juiz de interpretar a norma de forma que está seja favorável. na sua nobre missão de complementador da regra legislada. p. 3 KOENIG. a que chama a atenção é a possibilidade de o juiz. as instituições servem para satisfazer as necessidades da sociedade.

e como a recuperação judicial se apresenta o trabalho será composto de dois capítulos que possibilitarão identificar o instituto e como este. É identificado o funcionamento do processo de recuperação judicial.101/2005.101/2005 entende ser função social da empresa e como esta se insere e vem se inserindo no cotidiano das empreses. O segundo capítulo busca demonstrar algumas diferenças existentes entre o Decreto-lei 7. em especial na recuperação judicial da empresa. . identificando suas relações. e aquelas que merecem maior atenção por ainda trazer dúvidas em relação a sua utilização na prática pelos tribunais. Portanto.101/2005. e como a função social da empresa enquadra-se nesses processos tão distintos. sociedade e principalmente dentro do ordenamento jurídico. Por fim. No primeiro capítulo se visualizará como funcionava o instituto da concordata preventiva e como este não se adequa mais a realidade brasileira.Para alcançar o entendimento do que é a função social da empresa. se desenvolvem na Lei 11.661/45 e a Lei 11. o problema que se propõe é identificar como a Lei 11. e os principais institutos envolvidos na recuperação judicial da empresa. serão analisadas algumas manifestações do judiciário sobre algumas matérias que acabam por impossibilitar a efetiva recuperação judicial da empresa se forem seguidas pelos juízes. acabando assim sendo entendidas como desnecessárias e que acabam indo ao encontro ao objetivo da Lei a qual é a preservação da empresa. e o princípio da função social.

6 A Lei 11. p. não especificamente.não pelo desempenho momentâneo. O regime da recuperação judicial não “pré-diagnostica a doença e nem pré-determina o remédio”. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. mais como um fenômeno econômico do que jurídico. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. p.. Luiz Inácio. No entanto ali.71. – São Paulo: Revista dos Tribunais. ela possibilita que o devedor busque junto aos credores as melhores formas de retirar a empresa da situação de crise. seus princípios e fundamentos eram diversos da nova lei.1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A FUNÇÃO SOCIAL Antes da promulgação da Lei 11.7 5 BEZERRA FILHO. o qual prestava a possibilidade de o empresário buscar judicialmente o retorno da saúde econômica de seu empreendimento.. Ou seja. Manoel Justino.72. p. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. E está potencialidade futura é demonstrada de acordo com Vigil Neto: .101/05 trouxe ao ordenamento jurídico uma abertura maior em relação à real crise econômica da empresa e a oportunidade de buscar formas mais efetivas para a recuperação da empresa. .101/05.. apesar de o Decreto-lei 7. que será avaliado pelos credores e pela sociedade. os credores também deverão observar a capacidade da empresa de cumprir as obrigações assumidas no plano recuperatório. Na recuperação judicial o olhar do juiz não se restringe apenas ao momento atual da empresa. 7 VIGIL NETO.101 de 9 de fevereiro de 2005. 2008.101/2005 a recuperação judicial já era contemplada. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. 2005. mas tenta. comentário artigo por artigo.101/05. Dentro dessa análise geral. 2008. 43. mas ainda assim ocorria no mundo dos fatos. 3º ed. ele busca indicações de que a empresa em crise tem potencialidade para se reerguer e permanecer no mercado.661/1945 disciplinar o instituto da concordata. Pois até então não havia qualquer referência à recuperação da empresa. sim averiguar as suas potencialidades futuras.101/2005. 6 VIGIL NETO. 5 O instituto da recuperação judicial da empresa só ingressou no ordenamento jurídico brasileiro com o advento da Lei 11. mas pelo plano reorganizativo da empresa. 2 tir. Luiz Inácio.

72. tendo como principal diferença da concordata preventiva que a primeira busca alternativas junto aos credores para recuperar-se da crise enquanto a concordata preventiva é mais fechada. pois a recuperação judicial também visa a evitar a falência da empresa em crise.fator que afetava a eficiência do regime foi ampliado na recuperação. caracterizando – se este como “um ônus de submissão ao plano recuperatório imposto aos credores em prol de um ganho social futuro”.101/05 trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro. p. p. e que agora se faz necessário sejam estudadas a fundo para que seja possível compreender por completo os novos rumos que foram dados ao instituto da recuperação da empresa em crise e quais os institutos que permaneceram. tem como objetivo buscar formas de recuperar a saúde da empresa. mas na própria reorganização da empresa. Caso o plano seja reprovado poderá o juiz impor o plano aos credores. Mudanças estas que a prática já vinha exigindo.. Quanto a isto. se o caminho de reorganização da empresa passa pela construção coletiva de um projeto econômico e/ou financeiro deverá estender-se às relações jurídicas essenciais à manutenção da empresa. dependendo a recuperação desta aprovação.O devedor deverá apresentar aos credores um plano reorganizativo da sociedade. Pois. tendo em vista que a recuperação não se resume a uma forma de repactuação do pagamento de dívidas. 8 9 Ibidem. devendo este ser aprovado pelos mesmos. desde que respeitado alguns requisitos e seja reconhecido o desempenho de função social da empresa. há algum tempo. . independentemente da natureza do crédito. que na concordata previa a participação apenas dos créditos quirografários. Vigil Neto diz: ..9 No instituto da recuperação judicial é possível identificar algumas semelhanças com a concordata preventiva.71. Estes são apenas alguns dos avanços que a Lei 11.8 Outro avanço da Lei 11. Ibidem.101/05 foi a ampliação do rol de credores. não dando muitas opções ao empresário para buscar sua melhora.

com o objetivo de superar o estado de pré-insolvência do devedor comerciante ou industrial. do contrário a falência da empresa é inevitável.11 Para Ruben Ramalho concordata é Uma forma legal de prorrogação de prazo ou de redução da dívida. 104. Com estas definições fica mais fácil entender como a recuperação judicial se dá e a quem afeta.10 A empresa para requerer o benefício da recuperação judicial não poderá ter as três espécies de crise.) Por fim.101/05. pois se assim o for ela só poderá requerer a falência da empresa. (. Campinas: LZN.) A crise financeira revela-se quando a sociedade empresária não tem caixa para honrar seus compromissos. a insuficiência de bens no ativo para atender à satisfação do passivo. 2008.. 2004.101/2005 trouxe ao direito falimentar brasileiro. a crise patrimonial é a insolvência. Celso Marcelo de. p. 24-25. para que a empresa possa passar pela recuperação judicial só pode estar em crise econômico-financeira.. Por crise econômica deve-se entender a retração considerável nos negócios desenvolvidos pela sociedade empresária. Tratado de direito empresarial brasileiro. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. p. 1. financeira e patrimonial. p.12 10 VIGIL NETO. . De acordo com Fábio Ulhoa Coelho. 11 OLIVEIRA.. para entender o seu significado é preciso distinguir as crises econômica. 12 Ibidem. (. semelhanças entre a concordata preventiva e recuperação judicial. o qual pode ser conceituado como: Benefício concedido por lei ao negociante insolvente e de boa-fé para evitar ou suspender a declaração de sua falência. 105. ficando ele obrigado a liquidar suas dívidas segundo for estipulado pela sentença que concede o benefício. e as inovações que a Lei 11.1 A concordata no regime do Decreto – lei 7.É importante entender o que é a crise da empresa.. evitando ou suspendendo a sua falência. Desta forma. Daqui para frente serão identificados os procedimentos.661/45 previa o instituto da concordata. Luiz Inácio. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora.661/45 O Decreto – lei 7. isto é.

possibilitando. mas esta era afastada. p. interrompendo desta forma o procedimento liquidatório-solutório14 em curso. por ser a mais utilizada. como. que poderia chegar até dois anos. e a mista. a qual era decretada quando o empreendimento já se encontrava em processo de falência. ou seja. assim. p. Rubens. SP: Saraiva. o objetivo da concordata era resguardar a empresa em crise das conseqüências da falência. 4º ed. 213. Vera Helena de e SZTAJN. tendo seus prazos e valores remidos nos artigos 156. ao empresário evitar a quebra de seu empreendimento. a instauração do concurso falimentar. p. 4º ed. e atual. A mista possuía maior ênfase na lei. sendo ele o sujeito ativo da ação. 16 RENQUIÃO. 113. Os devedores civis eram excluídos do benefício. 14 MELLO FRANCO. fosse ele individual ou coletivo. 2008. p. 2003.15 A concordata era destinada apenas ao comerciante. parágrafo único do Decreto – lei. 15 OLIVEIRA. Campinas: LZN. onde o empresário poderia conseguir a remissão parcial de suas dívidas. podendo elas ser: remissória.Segundo Fábio Ulhoa Coelho. SP: Saraiva. As concordatas podiam assumir diferentes modalidades. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu.13 Dentro destes conceitos a concordata era divida em duas espécies. ou seja. Rio de Janeiro: Elsevier. tendo o instituto uma natureza mercantil. e moratória a qual visava a dilação dos prazos de vencimento das dívidas. 2004.2. por exemplo. 359. Celso Marcelo de. Rachel. vol. a concordata preventiva. ao empresário comercial. Tratado de direito empresarial brasileiro. o espólio do devedor o qual seria representado pelo 13 ULHOA COELHO. a qual era decretada antes da falência. dando a possibilidade ao empresário de retornar ao comando de sua atividade econômica. v. Curso de direito comercial. Entretanto existiam hipóteses de representatividade. visando desta forma a mantença do negócio. 1995. 25 . Curso de direito falimentar.3. evitando. e a concordata suspensiva. sendo este desconto de no máximo 50%(cinqüenta por cento) do valor devido. Fábio.16 A legitimidade para requerer a concordata era do devedor. onde previa a conjugação dos dois efeitos. § 1º e 177. a dilação do prazo para pagamento e o abatimento de parte do valor da dívida. rev. assim.

bem como seus responsáveis e 17 BRITO. 19 RENQUIÃO. 18 OLIVEIRA. vol. 4º ed. nas demais sociedades seriam pelo sócio que tivesse a qualidade de obrigar a sociedade. PINHEIRO.org. p. Mas o comissário não pode determinar o modo de gestão da empresa. Grazieli e PEREIRA. as possibilidades deste de cumprir a concordata. O comissário. vol. 36. ainda. Disponível em: <http://www.. 19 Ficando o devedor. Thomás Raimundo.fesmip. e na gerência de seus negócios. 20 OLIVEIRA. op cit. Rubens.inventariante do mesmo. devidamente autorizado pelos herdeiros. por ele verificado. SOARES. p. antes e depois do pedido e. 4º ed. 17 Bem como no caso de sociedade anônima os legitimados para requerer o benefício seriam os seus diretores. Gabriela. o relatório onde constava o estado econômico do devedor.2. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. 126. for irregular.21 O comissário deveria apresentar em cartório. p. SP: Saraiva. se o procedimento do concordatário. tinha que ter reconhecida sua idoneidade moral e financeira. não só na sua atividade empresarial como em sua vida particular – como mantendo vida dissoluta. pode o juiz desde logo rescindir a concordata. apenas sob a fiscalização do comissário. o qual era escolhido dentre os maiores credores estabelecidos no foro da concordata. desregrada ou faustosa – deve comunicar o fato ao juiz.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. op cit.20 De acordo com Rubens Requião: O comissário. de acordo com a deliberação da assembléia de acionistas. estando suas funções dispostas no artigo 169 do Decreto – lei 7. 21 RENQUIÃO. Rubens. declarando-lhe a falência. nem querer vetar certos atos do concordatário. devendo este ser nomeado pelo juiz no despacho inicial. .2. estes deviam ser indicados.18 Na concordata o devedor – concordatário – permanecia na administração plena de seus bens. Dada a gravidade do ocorrido e de sua repercussão patrimonial. 1995. e as em liquidação seria o liquidante devidamente autorizado. SP: Saraiva. 36. na concordata preventiva. 1995. não deve imiscuir-se na administração da empresa.661/45. junto com as razões que levaram o mesmo a requerer o benefício. 120. Curso de direito falimentar. bem como os procedimentos do empresário em crise. assim. Curso de direito falimentar. Acesso em 05 de março de 2010. Lívia Sampaio.. p. relativos ao modo de gerir seu negócio. até cinco dias após a publicação do quadro geral de credores.pdf>. se existiam atos revogáveis.

São Paulo: Saraiva. ou seja. Celso Marcelo de.br/doutrina/texto.Direito empresarial: estudos e pareceres. Primeira e Segunda Partes. poder legitimar a habilitação de seu crédito no concurso de credores. p. junto ao cartório onde foi devidamente arquivada. não podendo deixar de lado o principal intuito da concordata o qual era pagar os credores conforme a proposta apresentada. 2004.469-471. 24 KONDER COMPARATO. mas com filial no Brasil. a competência era do juízo onde se encontrava a filial.lá da crise econômica.uol.661/45 deveria ser feito ao juízo da comarca em que estava situado o estabelecimento principal. 132.com. desde que esta fosse feita expressamente. visando sempre o objetivo de retirar a empresa da crise. A falta do reconhecimento dos créditos em garantia real e trabalhistas não permitia uma criatividade maior por parte do devedor e nem dos credores para criar possíveis soluções para o estado de bancarrota da empresa. uma vez que os créditos com garantia reais e trabalhistas são. para assim. .23 Sendo reconhecidos apenas os créditos quirografários. 23 VASCONCELOS FERREIRA. 22 OLIVEIRA. recuperá .22 O devedor permanecia na administração da empresa. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. o credor com garantia real tinha a opção de renunciar a sua garantia. Tratado de direito empresarial brasileiro. 1995. sendo este a sede dos negócios da empresa.asp?id=6632>. então. Em se tratando de empresa estrangeira.661/45. os que mais necessitam de soluções e são os principais causadores da quebra das empresas. até hoje. Acesso em 17 de janeiro de 2010. sendo em relação a este ponto um tanto quanto deficiente.24 O pedido de concordata preventiva de acordo com o Decreto-lei 7. reconhecia apenas os créditos quirografários. Fábio. Com base neste relatório é que os credores poderiam buscar com segurança os fundamentos para seus embargos. A concordata.101/2005. Campinas: LZN. tanto a suspensiva quanto a preventiva. Gecivaldo. pois não há renuncia tácita. Estes requisitos permaneceram os mesmos na Lei 11. Disponível em: <http://jus2. estando dispostos no artigo 3º da lei. Comentários sistemáticos. p.os dispositivos penais aplicáveis. e justamente estes não podiam ser remidos e nem ter seus vencimentos dilatados de acordo com o Decreto-lei 7.

p. o empresário em crise tinha de fundamentar minuciosamente seu estado econômico financeiro. ou seja. . Tratado de direito empresarial brasileiro. 2004. e os motivos que o levaram a requerer a concordata. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. mandava expedir edital com o pedido do devedor. Caso o pedido não estivesse devidamente instruído ou não existisse dúvida de que havia fraude o juiz declararia em 24 horas a abertura da falência. independente da concordância dos credores u qualquer outro interessado ou princípio. o vencimento antecipado de todos os créditos sujeitos aos seus efeitos e a suspensão das ações e execuções contra o devedor. sendo que a proposta de pagamento deveria ser dentre as opções: remissória. no prazo. 12(doze) e 18(dezoito) meses. Gabriela. Lívia Sampaio. esta alcançava a principal conseqüência do instituto. Disponível em: <http://www. Grazieli e PEREIRA. quando fosse pago 50% do valor da dívida à vista. Ou seja. SOARES. necessariamente. o requerente. respectivamente. bem como indicar todos os credores e respectivos endereços. bastava cumprir os requisitos e não havendo nenhuma irregularidade nos documentos exigidos o juiz era obrigado a deferir a concordata. dilatória. quando seria pago 100% da dívida no prazo de 24(vinte quatro) meses e remissória-dilatória quando fosse fixado porcentagem de pagamento da dívida em 60%(sessenta por cento). devia decidir pela concordata. Celso Marcelo de. Nos pedidos da inicial o devedor deveria formular sua proposta de pagamento das dívidas quirografárias.pdf>. Os efeitos do despacho retroagia até a propositura do pedido.25 Cumprido os requisitos o juiz. 75%(setenta e cinco por cento) ou 90% (noventa por centro). observando o disposto no parágrafo único do art.Na petição inicial em que fosse requerida a concordata preventiva. se não houvesse nenhuma irregularidade. 26 OLIVEIRA. Thomás Raimundo. Campinas: LZN. Acesso em 05 de março de 2010. não sendo necessária a aprovação dos credores. de 6(seis).fesmip. junto com estas o juiz ainda nomeava o comissário.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. 140.org. 14 do Decreto-lei. a íntegra do despacho e a 25 BRITO.26 Dado o despacho inicial pelo juiz deferindo o processamento da concordata. PINHEIRO.

28 Além dos requisitos formais já observados acima o empresário em crise ainda tinha que comprovar sua honestidade e boa-fé. assim como os documentos indispensáveis ao exercício legal da atividade deviam estar arquivados no órgão em que fora registrado. Campinas: LZN. p. fica dependente da mais exata honestidade e da mais comprovada boa-fé por parte do devedor.661/45. Celso Marcelo de. se aparecer qualquer oposição. loc cit.lista de credores.29 27 28 OLIVEIRA. 114. mantendo-o à frente do seu estabelecimento e evitando a falência. Compreende-se. não poderia ter requerido igual benefício a menos de cinco anos. 487. o devedor não deveria ter sido condenado por crime falimentar ou qualquer outro que pudesse por em dúvida sua honestidade em relação a manter os negócios. Não só isso. 140 do Decreto-lei 7. o qual exige que: o empresário deveria estar devidamente registrado. degenerar-se-á o belo instituto. Direito empresarial: estudos e pareceres. abria prazo para que os credores que não constavam da lista apresentassem as declarações e documentos justificativos de seus créditos. Se não forem parcos em conceder a concordata preventiva. X. é considerado um benefício. não ser falido. amparando altos interesses do devedor comerciante. sem relevante razão de direito. determinava o prazo para que o devedor tornasse efetiva a garantia por acaso tivesse oferecido. . Uma só mancha que tenha na sua profissão mercantil o privaria desse favor. e por fim. como os juízes devem ser rigorosos na apreciação das alegações do devedor. Tratado de direito empresarial brasileiro. 1995. OLIVEIRA. o comerciante deve apresentar o curriculum vivendi. Carvalho de Mendonça: A concordata preventiva. p. 29 ULHOA COELHO. devia ter requerido a autofalência no prazo de trinta dias do vencimento da obrigação líquida. bem como exercer regularmente a atividade comercial no mínimo há dois anos. pois. e se já o tiver sido ter cumprido com suas obrigações. precisa possuir ativo o qual correspondesse a mais de 50% (cinqüenta por cento) do seu passivo quirografário. Fábio. e por isso. um favor. e por fim não possuir título protestado por falta de pagamento. conforme J. 2004.27 Para que o devedor pudesse requerer a concordata este deveria ser comerciante e não possuir nenhum dos impedimentos elencados no art. São Paulo: Saraiva.

Direito empresarial: estudos e pareceres. conforme J. e por fim não possuir título protestado por falta de pagamento. Carvalho de Mendonça: A concordata preventiva. . pois. como os juízes devem ser rigorosos na apreciação das alegações do devedor. Isto se devia a sua natureza alimentar. é considerado um benefício. Permanecendo a competência da Justiça do Trabalho a ação e execução de seus créditos.Para que o devedor pudesse requerer a concordata este deveria ser comerciante e não possuir nenhum dos impedimentos elencados no art. 1995. Uma só mancha que tenha na sua profissão mercantil o privaria desse favor. amparando altos interesses do devedor comerciante. p. Fábio. se aparecer qualquer oposição. mantendo-o à frente do seu estabelecimento e evitando a falência. o devedor não deveria ter sido condenado por crime falimentar ou qualquer outro que pudesse por em dúvida sua honestidade em relação a manter os negócios. assim como os documentos indispensáveis ao exercício legal da atividade deviam estar arquivados no órgão em que fora registrado. 487. Não só isso. e se já o tiver sido ter cumprido com suas obrigações. 30 OLIVEIRA. Celso Marcelo de. degenerar-se-á o belo instituto. Tratado de direito empresarial brasileiro. 114. Campinas: LZN. um favor.30 Além dos requisitos formais já observados acima o empresário em crise ainda tinha que comprovar sua honestidade e boa-fé. 140 do Decreto-lei 7. devia ter requerido a autofalência no prazo de trinta dias do vencimento da obrigação líquida. sem relevante razão de direito. X. 2004. São Paulo: Saraiva. o qual exige que: o empresário deveria estar devidamente registrado. precisa possuir ativo o qual correspondesse a mais de 50% (cinqüenta por cento) do seu passivo quirografário. não ser falido. p. Se não forem parcos em conceder a concordata preventiva. fica dependente da mais exata honestidade e da mais comprovada boa-fé por parte do devedor. e por isso. o comerciante deve apresentar o curriculum vivendi.31 Os contratos e ações trabalhistas não sofriam nenhuma espécie de alteração com a instauração da concordata. bem como exercer regularmente a atividade comercial no mínimo há dois anos. sendo desta forma considerados privilegiados em face aos outros créditos. Compreende-se.661/45. 31 ULHOA COELHO. não poderia ter requerido igual benefício a menos de cinco anos.

Campinas: LZN. 35 OLIVEIRA. 2004. pois está não sofria nenhuma influência de aceitação por parte dos credores. Mas como Celso Marcelo de Oliveira profere: Isso não significa. 161 estabelece que.Importante ressaltar que quando do deferimento da petição inicial da concordata preventiva pelo juiz este não a estava concedendo de imediato.32 Os embargos constituíam um direito de oposição por parte dos credores referente ao pedido do autor e não do despacho inicial do juiz. vol. que poderá vir ao conhecimento do juiz por representação de qualquer credor ou mesmo quando o magistrado a constate. 155. Curso de direito falimentar.34 Os fundamentos que possibilitavam o ingresso dos embargos estavam dispostos no artigo 143 do Decreto – lei. quando da inexatidão do relatório do comissário ou laudo que facilitasse a concessão do benefício.2. 1995. SP: Saraiva. 47 Ibidem. o qual devia ser praticado antes da sentença final. tão logo tenham sido cumpridas as formalidades inerentes à apresentação da petição inicial da concordata preventiva. 2004. a falência será também declarada se estiver equivocadamente caracterizada a fraude. e se caracterizado qualquer ato de fraude ou má-fé ou crime falimentar. Celso Marcelo de. p. Ainda que estes embargos fossem restritos.. mas se o juiz não reconhecesse a concordata e acabasse por decretar a falência. tomando conhecimento de alguma fraude evidente. mas estes podiam opor-se judicialmente ao pedido através dos embargos. sendo eles: quando o sacrifício do credor fosse maior do que se efetivasse a liquidação na falência ou a impossibilidade evidente de não cumprimento da concordata por parte do devedor. p. Campinas: LZN. 155. . desta cabia o recurso da sentença declaratória da falência. Tratado de direito empresarial brasileiro. ele apenas estava autorizando o processamento da mesma. Pois o deferimento do processamento da concordata dependia apenas do juiz. 48. deva manter-se inerte até o momento oportuno para a apresentação dos embargos. porém. Rubens.35 32 33 RENQUIÃO. Celso Marcelo de.33 O despacho que defere o processamento da concordata era irrecorrível. Tratado de direito empresarial brasileiro. p. que qualquer credor. 4º ed. 34 OLIVEIRA. p. O art.

p.99-110. vol. Revista de Direito Mercantil. Encerrando o prazo do devedor os autos iam conclusos ao juiz o qual tina 48 horas para proferir o despacho deferindo as provas que entendia necessárias e designando a audiência para julgamento dos embargos. 156. no prazo de cinco dias. ficando a cargo do juiz decidir se procedente ou não à oposição dos credores. sendo após estes publicados pelo escrivão. Isto ocorria porque após o deferimento os efeitos da instauração do processo não recaiam apenas sobre o devedor. 49.37 O devedor após requerer a concordata poderia apresentar pedido de desistência.1. conversão em falência.2. Concordata preventiva. n. OLIVEIRA. mas também sobre os seus credores. o qual proferia a sentença. concedendo ou não a concordata. 4º ed. no Diário Oficial. Caso houvesse a interposição de embargos. e logo após os autos iam conclusos ao juiz.38 Mas a jurisprudência admitia a desistência após o despacho inicial. 38 REQUIÃO.36 Decorrido o prazo sem apresentação dos embargos. a abertura do prazo de cinco dias para os credores opor embargos ao pedido de concordata. o pagamento dos impostos federais. SP: Saraiva. desde que houvesse a concordância dos credores. Industrial. não podendo de qualquer forma desistir após o deferimento do processamento quando este caracterizava a tentativa de burlar o 36 37 RENQUIÃO. estaduais e municipais e das contribuições previdenciárias relativas ao exercício da atividade. Não bastava a simples desistência por parte do devedor. Econômico e Financeiro. quando os credores estavam habilitando seus créditos. 1971. havia à apresentação do relatório do comissário e o devedor comprovava. Rubens. ou seja. o devedor tinha 48 horas para apresentar a contestação e com estas indicar as provas do alegado. p. este tinha que justificar o pedido. Rubens. ano X. Desistência.O prazo para ingressar com os embargos na concordata preventiva era após a fase informativa.. desde que esta fosse feita antes do despacho de deferimento do processamento da mesma. os quais não poderiam ser ultrapassados. op cit. Curso de direito falimentar. . dentro dos 10 dias seguintes. era ouvido o representante do Ministério Público. Título protestado. nesta mesma fase. 1995. p.

Campinas: LZN.br/busca/?tb=juris> Acesso em 07 de junho de 2010. A recorrente pretendia obstar a homologação da desistência da demanda. Segurança concedida. COMPROVAÇÃO. Apelante: Comabe Indústria. OLIVEIRA.40 Concordata preventiva. Thomás Raimundo. o devedor passava a se submeter ao controle jurisdicional. Campinas: LZN. Grazieli e PEREIRA. fundamentando o pleito exclusivamente no fato de seu crédito não estar garantido.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Disponível em< http://www1. Agravo de instrumento interposto contra a setença declaratória da quebra em tais circunstâncias. este era o momento em que o concordatário. APELO PREJUDICADO. de acordo com o artigo 167 do Decreto – lei 7. ficando impedido. Gabriela.661/45 ou manifestamente constatada a insolvência do devedor. CONCORDATA PREVENTIVA. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. .jus.cumprimento das disposições legais ou interesses dos credores.39 Conforme demonstram as decisões a seguir: APELAÇÃO CÍVEL.106 julgados)/ Prefácio Paulo Fernando Campos Salles de Toledo. Desistência. 2004. Apelação Cível nº 70020620431/2007. 40 PORTO ALEGRE. e atual.rev. fato que. Celso Marcelo de. Mandado de segurança visando a lhe dar efeito suspensivo. Disponível em: <http://www. Ed. Comércio. após a interposição do presente recurso. o apelo resta prejudicado.. tanto que dessa sentença cabia o recurso de agravo de instrumento. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. 162 do Dec. Todavia. Publicada em: 04 de março de 2009. Tratado de direito empresarial brasileiro. Deferimento do pedido. 41 BEZERRA FILHO. Manoel Justino. 2003. 2º. ou seja. (TJSP – RT 643/81)41 O marco inicial da concordata era a sentença.661/45.org. SOARES.-lei 7. de per si. 2004. 5º Câmara Cível. 43 OLIVEIRA. Relator: Umberto Guasparine Sudbrack.pdf>. PINHEIRO. p. a “alienar imóveis ou constituir garantias reais.43 O pedido da rescisão da concordata cabia aos credores. 42 BRITO. depois de ouvido o comissário” 42 A concessão da concordata por meio de sentença não podia confundirse com a decisão final de seu cumprimento. PERDA DO OBJETO. salvo evidente utilidade. Apelo prejudicado. Importação e Exportação LTDA. reconhecidas pelo juiz. Lívia Sampaio. Tratado de direito empresarial brasileiro. Acesso em 05 de março de 2010. p. não justifica a decretação de falência se não provada nos autos a falta dos requisitos do art. ampl. sendo esta a ação rescisória de sentença que concedeu a concordata.fesmip. 156. Celso Marcelo de. 157.tjrs. levando em conta o depósito judicial efetuado pela concordatária. DEPÓSITO DO VALOR. Fumus boni júris e periculum in mora caracterozados. p. 447. podendo ser 39 OLIVEIRA. Lei de Falências: comentada: método de estudo da lei de falências: doutrina: comentário artigo por artigo: jurisprudência recente (1.

e era caso de provocação dos credores os casos em que o devedor não adimplir com as obrigações nos tempos devidos. Conforme Rubens Requião: Se a sentença que julga cumprida a concordata declarasse extintas as obrigações do concordatário. A sentença que julgava cumprida a concordata devia ser publicada por edital. Tratado de direito empresarial brasileiro. na moeda da concordata. quando o responsável pela administração da empresa em crise tivesse sido condenado por crime falimentar.requerido de pleno direito quando o devedor não cumprir com as obrigações assumidas. uma vez que este setor jurídico sofre forte influência 44 OLIVEIRA. não poderia. loc cit. pode exigir deste o pagamento da percentagem da concordata. ou que teve negado o pagamento do seu crédito.1. após a concordata. 158. em se tratando de matéria concursal. o credor não habilitado. assim. 2004. quando da venda por preço vil de bens do ativo. Mas. sendo desfeitas. quando da negligência por parte do concordatário em relação a continuação do negócio. Porém a declaração de cumprimento da concordata não se equivalia à expressão “extinção das obrigações44”. desta forma. pelos pagamentos antecipados feitos a alguns credores em prejuízo de outros. essas pequenas transformações não foram o suficientes. quando. Campinas: LZN. mas cujo crédito tenha sido reconhecido pelo concordatário. .45 1. ficaria sem aplicação o artigo 147. o concordatário requeria ao juiz que este declarasse o cumprimento da mesma. p.1 A flexibilização do instituto da concordata e a função social da empresa O Decreto-lei 7. § 2º. Celso Marcelo de.661/45 em sua vigência sofreu pequenas alterações. Cumpridas todas as obrigações assumidas na concordata. as figuras do comissário e do quadro geral de credores. pelo qual o credor quirografário excluído. pela vida desregrada do devedor ou despesas evidentemente supérfluas do concordatário. Esta sentença era eminentemente declaratória. era declarada extinta a concordata. então. no órgão oficial e em jornal de grande circulação. quando o devedor abandonasse o estabelecimento comercial. depois de terem sido pagos todos os credores habilitados. nestes casos a falência podia ser decretada pelo juiz ex officio. o prazo de 10 dias para reclamação dos interessados. Por igual. iniciando. haver pela ação própria o seu crédito. 45 OLIVEIRA.

o contexto de seus comandos passou a regular de forma deficiente e. ter a decretação da falência de sua empresa. 2. Celso Marcelo de. Realmente. realista e eficaz. o qual é dinâmico e encontra-se em constantes modificações.661/45 – tornou-se obsoleta e se seus princípios. no tocante aos efeitos do inadimplemento das obrigações. 2005. 2005.661/45. 107. O Estado do Paraná. para a falência. São Paulo: Atlas. . Campinas: LZN. as quais trazem conseqüências sociais. o âmbito da concordata era muito estreito e relegava a um plano secundário o 46 FAZZIO JÚNIOR. Tratado de direito empresarial brasileiro. conservam relativa atualidade. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. 48 SALAMANCHA. loc cit. nem sempre tiveram como finalidade encontrar a melhor solução para o devedor ou a manutenção da empresa. às vezes. Conforme Waldo Fazzio Junior: A crítica mais freqüente e procedente que sempre se formulou em relação à concordata preventiva focalizava o particularismo daquela solução preventiva da falência. fatalmente. Curitiba. Ed. observando-se um total abuso do instituto. A recuperação judicial de empresas e as dívidas fiscais. injusta. O Decreto-lei 7. protectivo da empresa. 178. bem como os institutos semelhantes que a antecederam. 48 Osvaldo Biolchi49 entendia que: Nestes dias se impetra uma concordata ou uma falência com muita facilidade. A concordata. José Eli. pois quase 80% das empresas que pedem concordata não se recuperam mais e caminham. 47 FAZZIO JÚNIOR.661/45 era bem rigoroso quanto às formalidades. já que poderia. 49 OLIVEIRA. 25 dez. p. senão improdutiva.47 Estatísticas demonstram que durante a vigência do Decreto-lei 7. enquanto as demais 83% (oitenta e três por cento) acabavam por ter decretada sua falência. 2004. ao invés de ter deferida a concordata. Caderno Direito e Justiça. A concordata só interessava aos credores quirografários e ao devedor. apenas 17% (dezessete por cento) das empresas sob concordata judicial se recuperavam e se mantinham em atividade. situações que demandavam um direito recursal mais ágil. Waldo.46 De acordo com o doutrinador Waldo Fazzio Júnior: A LFC – Decreto – lei 7.do mercado econômico. p. tanto que o comerciante em crise tinha que ter muita cautela ao requerer a concordata preventiva.

castigando a primeira pelas obrigações inadimplidas pelo segundo. isto porque o juiz. Sendo este o ponto mais próximo dos princípios da preservação e função social da empresa. Também. 2. pois não era possível levantar grandes valores com a alienação dos bens da empresa em concordata devido aos riscos ao qual o comprador ficava exposto. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11. 2005.51 Durante a vida do Decreto-lei é possível identificar que alguns de seus comandos foram flexibilizados.101/2005. pelos juízes. 50 FAZZIO JÚNIOR. o que levava a um sistema em que todos os envolvidos perdiam. Ed. na tentativa de tornar o instituto mais de acordo com a realidade. Eduardo. o que acabava por comprometer a manutenção dos empregos e o pagamento de novos tributos. São Paulo: Atlas. Era só uma garantia dos credores.50 O regime adotado pelo Decreto-lei 7. não sendo desta forma declarada a falência de imediato pelo juiz pela falta dos documentos. p. p. já que o novo dono herdava as dívidas tributárias e trabalhistas. E até mesmo o pagamento das obrigações inadimplidas do devedor sofria com o sistema. em até no máximo trinta dias. de Moraes Pitombo. 51 SECCHI MUNHOZ. 297-298.661/45 não distinguia a empresa (atividade) da figura do empresário. Waldo. mesmo sem a lei reconhecer. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. . levava em consideração o interesse público e social em manter operante a empresa em crise. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas.verdadeiro significado da empresa. o qual podia ser dilatado. Um exemplo era a sucessão tributária e trabalhista quando da alienação de filial ou unidade produtiva. que constam no artigo 47 da nova lei. Um exemplo são os documentos que deviam ser juntados com o pedido inicial da concordata. 125. 2007. São Paulo: Revista dos Tribunais. havia precedentes jurisprudenciais no sentido de que uma simples irregularidade não faria com que o juiz decretasse a falência.

Agravo Regimental nº 116. do Decreto-lei 7. as decisões judiciais se desencontravam em relação a essa exigência.Decretação . 46. . 1º. Devedor.1999)53 Apesar desta decisão viabilizar a recuperação judicial. Agravante: Hachul Engenharia e Empreendimentos Imobiliários LTDA. que tem de servir como norte ao intérprete do direito. Curitiba: Juruá. p.661/45 . este ressaltou a possibilidade de aumentar o prazo para a apresentação dos documentos. a requerente efetuar qualquer pagamento relativo ao quirografo até a respectiva data. Publicada em 02 de junho de 1999. em meio às dificuldades ínsitas aos procedimentos de obtenção de certidões e documentos. a demandar tempo para sua confecção.br/cjsg/getArquivo. conforme: Ao postulante dos benefícios da moratória pode vir a ser concedido prazo razoável para apresentação da documentação.Inocorreência de afronta aos fins sociais da lei e de desamparo legal ao ato judicial atacado . com isso.do?cdAcordao=1523351> Acesso em 07 de junho de 2010.gov.tj. Agravado: Desembargador Relator. 158. IV. havendo incompatibilidade entre o disposto na Lei Maior e na lei ordinária.Decisão mantida .10.sp. Carlos Alberto Farracha de. mesmo que haja protesto. Não pode após o aforamento do pedido de concordata preventiva.Favor legal que visa a manter saudável a vida econômica da empresa e. Isso se funda na circunstância de levantamentos e demonstrativos exigidos pela legislação especial serem de difícil elaboração. Preservação da Empresa no Código Civil. O valor social do trabalho do empresário. Existência. mesmo que houvesse título protestado.847-4/2-01.03. em 04. Disponível em <http://esaj. Relator: Fonseca Tavares. para que atenda a sua finalidade social. do contrário quebrar-se-ia a igualdade entre os credores. pois. E. assim como a livre iniciativa estão consagrados no referido dispositivo constitucional. eis que a empresa deve ser preservada. A existência de protesto de título contra o devedor não impede o deferimento da concordata preventiva. 2007. art.Descuido 52 SÃO PAULO. Protesto de título.Ausência de cumprimento do art. a inadequação verificada resolve-se em favor da Almeida Melo – j. 53 CASTRO. com o corolário do princípio fundamental insculpido na CF/88.Em decisão proferida pelo relator Fonseca Tavares 52 do Tribunal de Justiça de São Paulo.1999 – DJ 29. o qual teve deferida a concordata preventiva reconhecendo a finalidade social da empresa que requereu o benefício: Concordata preventiva. Tribunal de Justiça de São Paulo.Concordata . e da existência de bens no estabelecimento comercial .Irrelevância da juntada de outros documentos e papéis. algo que não atenta contra preceitos e regramentos legais. conforme decisão abaixo: FALÊNCIA . 4º Câmara de Direito Privado. Outro exemplo de flexibilização é a ementa abaixo. garantir os interesses dos trabalhadores . Deferimento.

101/2005 buscado atender as estas necessidades. após iterativas decisões apaziguou as divergências através da Súmula nº 190. sem protesto. acaba não confessando a falência dentro do prazo de trinta dias. vol.54 O artigo 140. 28-29. 1995. Como refere Rubens Requião55. 2005.gov. não impede a concordata preventiva”. já a outra amenizava o dispositivo.57 1.101. 29. Tribunal de Justiça de São Paulo. 4º ed. Manoel Justino.. Agravo de instrumento nº 205. surgiram duas correntes. p. 56 Ibidem. Publicada em 30 de outubro de 2001. Relator: Alexandre Germano. São Paulo: Editora dos Tribunais. As empresas careciam de mecanismos que possibilitassem a garantia do interesse social e dos próprios credores.56 É possível verificar que a concordata não atendia mais as necessidades sócias que provêm da devida manutenção que as empresas necessitam. já analisadas. Nova lei de recuperação e falências comentada/ Lei 11. dentro de trinta dias do vencimento de obrigação líquida. uma mais rígida que aplicava o preceito legal literalmente. Ed. Estas correntes perduraram por um tempo até que o Supremo Tribunal Federal.do? cdAcordao=1706616> Acesso em 07 de junho de 2010. tendo a Lei 11. Agravante: Profissionais Gráficos e Editora LTDA.2 Da recuperação judicial 54 SÃO PAULO. p. supondo que esta enfrentando dificuldades econômico-financeiras transitórias. 57 BEZERRA FILHO.257 – 4/1. .tj. Agravada: Massa falida Profissionais Gráficos e Editora LTDA. a qual previa que “o não pagamento de título vencido há mais de trinta dias.2.2 tir. 55 RENQUIÃO. p. Curso de direito falimentar. 35. e sem razões econômicas”. pois em muitas situações o empresário.br/cjsg/getArquivo. Em meio às decisões. Disponível em <http://esaj. entende que era necessário que houvesse o protesto para impedir a concessão da concordata preventiva. “a confissão de falência.sp. comentário artigo por artigo. SP: Saraiva.Agravo improvido. seria uma medida deplorável.na observância do ônus de instruir correta e completamente o pedido inicial . Rubens. de 9 de fevereiro de 2005. 1º Câmara de Direito Privado. inciso II do Decreto-lei que declara a impossibilidade de requerer a concordata o devedor que deixou de confessar a falência no período de trinta dias após o vencimento de obrigação líquida não paga não deixa dúvidas. Mas a aplicação desta afigurou-se odiosa. 3.

cuja existência interessa à sociedade em geral. 2008. Rachel Sztajn61 entende empresa como: “organização econômica que atua em mercados e.101/2005 manteve certa semelhança procedimental com a concordata preventiva do Decreto – lei 7. p. aos exercentes da atividade. . São Paulo: Revista dos Tribunais. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 2007. Buscase.59 A recuperação judicial tem como objetivo sanear a crise econômicofinanceira do empresário ou da sociedade empresária.” Se faz necessário conceituar a figura do empresário. aos credores. mas uma profunda alteração de sua “fórmula. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. 2008. Rachel.101/05. p. 2 tir. 61 SZTAJN. ou seja.68. auxiliando sua conceituação no entendimento do processo de recuperação judicial. 128-129. 59 VIGIL NETO. Esta semelhança encontra-se principalmente. a mudança foi mais principiológica do que estrutural. aos consumidores ou clientes e ao Estado. Vera Helena de e SZTAJN. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. de Moraes Pitombo. “no sistema de existir uma decisão inicial que defere o processamento e uma segunda que defere o próprio pedido”58 Para Vigil Neto a modificação que Lei 11. intenta preservar a atividade empresaria para assim assegurar seu fim social. 2005. comentário artigo por artigo. uma vez que a legislação brasileira não define o que é empresa e sim quem é empresário. ed.101/2005. na prática manter o negócio para assim satisfazer sua função social. Manoel Justino. mas quanto aos regimes alternativos à liquidação a mudança foi principiológica e estrutural. 3. de 9 de fevereiro de 2005. p.661/45. não significando apenas uma nova nomenclatura do “remédio”. São Paulo: Editora dos Tribunais.. 234. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. 58 BEZERRA FILHO.101/05 traz para o ordenamento é: Em relação ao regime liquidatório de falência. bem como preservar os direitos e interesses dos credores60. 218. Rachel.101. pois este é sujeito fundamental para entender o que é empresa. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Rio de Janeiro: Elsevier. p. Nova lei de recuperação e falências comentada/ Lei 11. a Lei 11. Luiz Inácio. de acordo com Manuel Justino Bezerra Filho.Apesar de a recuperação judicial ser um instituto novo. 60 MELLO FRANCO.

36. e o profissionalismo. pelo pessoa do empresário.63 A produção e circulação de bens ou serviço referem-se à fabricação de produtos ou mercadorias e a busca do bem no produtor para trazê-lo ao consumidor. Fábio. São Paulo. assim. estando todos voltados para a geração de lucros para quem explora a atividade empresária. trabalhadores. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. de 9-2-2005).101. p. Da definição de empresário é possível identificar o que é empresa. os quais produzem ou circulam bens ou serviços em nome do empregador. diferenciando-o. consumidores. tem que ser habitual. a lei falimentar deve procurar preservar os demais interesses envolvidos (investidores. 966.Empresário tem sua definição no artigo 966 do Código Civil. 11. p. p. O profissionalismo se caracteriza através de três ordens. os quatro fatores de produção. p. devendo o sujeito exercer a atividade empresarial pessoalmente.. ou seja. as quais são a habitualidade. 7 63 Ibidem.10. insumos e tecnologia. 2010.62 A atividade econômica organizada significa que na atividade se encontram articulada. mão obra. 64 Ibidem. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços. São Paulo: Saraiva.64 É importante salientar que só se deve optar pela recuperação judicial. a pessoalidade. revisada. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.189. o profissional não pode realizar tarefas de modo esporádico. 7-8. 7º edição. . Eduardo. quando esta se demonstrar mais benéfica para a sociedade.9. De acordo com Eduardo Secchi Munhoz65: . dos empregados. sendo ela: Art. coletividade em geral). sendo estes o capital. 65 SECCHI MUNHOZ. Desta conceituação destacam-se as noções de profissionalismo. comunidade local. v. n.. devendo-se optar pela recuperação da 62 ULHOA COELHO. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. o qual provém do monopólio das informações que o empresário detém sobre o produto ou serviço objeto de sua empresa.

a possibilidade de o credor continuar a fazer negócios com a empresa recuperada”.66 Contudo o processamento da recuperação judicial traz alguns efeitos sobre as relações do requerente da recuperação e seus credores. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. Na primeira identificamos o processamento da recuperação judicial.101/05. exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos. Faz-se importante esta separação.163. no momento do pedido. Na primeira fase identificamos os requisitos para ingressar com o pedido de recuperação judicial. Em princípio. ou seja. na maior parte das vezes. Luiz Inácio. 48. porém. já na fase do deferimento da recuperação. e na segunda fase identificamos o deferimento da recuperação judicial. teremos a convolação da recuperação judicial em falência. não corresponde à realidade. poder-se-ia imaginar que tal solução estaria em conflito com o interesse dos credores. não acarretará na convolação da recuperação em falência. pois os credores também podem ser beneficiados pela recuperação. caso o empresário em dificuldades recaia sobre alguma das hipóteses elencadas no artigo 73 da Lei 11. . “Considere-se. pois na fase de processamento da recuperação judicial caso esta venha a ser indeferida pelo juiz.101/2005. 2008.empresa sempre que essa solução gerar maiores benefícios do que custos para a sociedade. Cabe ressaltar que o primeiro exame feito pelo juiz. quando este recebe a inicial requerendo a recuperação judicial. p. isso sempre ocorrerá quando a continuidade da empresa aumentar a probabilidade de recuperação de créditos e o valor respectivo em comparação com o que se obteria no processo de liquidação. devido às possíveis conseqüências de cada uma. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que. Essa observação.101/2005. pois o juiz no primeiro momento verifica apenas se a inicial atende a todas as exigências de ordem processual imposta pela legislação. sendo eles: Art. este não se atrela ao mérito da recuperação judicial. cumulativamente: 66 VIGIL NETO. A recuperação judicial pode ser dividida em duas fases. requisitos que se encontram no artigo 48 da Lei 11. ainda. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. devendo ser atendidos cumulativamente. o deferimento da petição inicial não garante a concessão do regime recuperatório e não obriga o magistrado a concedê-la no futuro.

para preencher o requisito da 67 ULHOA COELHO. p. não visam interesses próprios e sim os interesses da empresa em crise. todos os legitimados previstos. v.101/2005. Luiz Inácio. III – não ter. Caso o devedor não demonstre interesse em pedir a recuperação. 2007. se o foi. há menos de 8 (oito) anos. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Fábio.68 Outro requisito do já referido artigo é estar exercendo a atividade empresaria regularmente a mais de dois anos. também. . 2008. Devendo a expressão “há mais de dois anos” ser interpretada como a exatos 24 meses de atividade empresarial. São Paulo: Revista dos Tribunais.3. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. ou período superior a este. e atual. estejam declaradas extintas.69 A regularidade da atividade não se refere apenas ao registro do empresário individual ou sociedade empresaria na Junta de Comércio. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo. contudo.I – não ser falido e. 11. II – não ter. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei. e sim. há menos de 5 (cinco) anos. p. isto se dá pelo fato de que ele é quem está exposto ao risco de ter a falência decretada. ou seja. 69 SZTAJN. Curso de direito comercial.67 A lei reconhece outros legitimados no parágrafo único do referido dispositivo legal. por sentença transitada em julgado. esta não tem como ser imposta a ele. Parágrafo único. 4º ed. A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge sobrevivente. 125.146. com legitimidade secundária. 224. obtido concessão de recuperação judicial. herdeiros do devedor. por este motivo a Lei afastou a possibilidade do credor poder requerer a recuperação. p. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. Ou seja.101/05. as responsabilidades daí decorrentes. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. Rachel. manter a escrituração atualizada e as publicações periódicas das demonstrações contábeis em dia. a mais de 24 meses. IV – não ter sido condenado ou não ter. inventariante ou sócio remanescente De acordo com o artigo acima exposto apenas o devedor é legitimado a requerer a recuperação judicial. 2003. SP: Saraiva. como administrador ou sócio controlador. de Moraes Pitombo. rev. 68 VIGIL NETO.

pois se em período menor a empresa necessita.124 125. ou seja. p. 2º edição. o risco é de. 2008. Se a empresa tiver apenas títulos protestados ou a falência requerida..661/45 também havia a vedação. Rachel. havendo a possibilidade da redução do lapso temporal caso houvesse desistência do pedido da mesma. de 9-2-2005). se já houve sentença instaurando o concurso falimentar de credores. este “sugere falta de competência suficiente para exploração da atividade econômica em foco”.101 de 9 de fevereiro de 2005. revisada. novamente do beneficio para reorganizar os seu negocio. no período de dois anos. 3º Ed.75 70 71 VIGIL NETO. se ocupe em regularizá-la.148. 73 ULHOA COELHO.se o comando vier a ser relaxado para fins de reduzir o termo para 24 meses. vendo-se diante da impossibilidade de obter a recuperação judicial por conta disso. p. 72 SZTAJN. ainda assim. através de declaração. MELLO FRANCO. que não se cuida de aventura passageira”. – São Paulo: Editora Revista .regularidade temporal a empresa em crise deverá comprovar ter atendido os três requisitos mencionados. de que todas as obrigações advindas da falência já formam extintas. para quem já houvesse impetrado concordata. Rachel. 74 No Decreto – lei 7.. o que abre espaço para comportamentos oportunistas o que a norma não pode estimular nem consentir.71 Já para Rachel Sztajn72: . Fábio. tardiamente. paulatinamente. 75 BEZERRA FILHO. bem como se este comprovar. comentário artigo por artigo. loc cit.101. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. p. terá direito ao beneficio. requerer a recuperação judicial. este não poderá requerer a recuperação judicial. abrandar-se o rigor normativo para aceitar pedidos que exerça a atividade irregularmente por algum período e.125. São Paulo: Saraiva. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.70 Para Vera Helena de Mello. Manoel Justino. 2005. exigidos na lei. op cit. 235. Vera Helena de e SZTAJN. pois a lei entende que não faz mais sentido recuperar uma empresa a qual teve decretada sua falência. p. no mesmo período. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. sendo os dois institutos incompatíveis. 2 tir. 11. o devedor poderá. 74 Ibidem.. 73 O devedor não pode ter obtido o beneficio da recuperação judicial a menos de cinco anos.. Rio de Janeiro: Elsevier. Encontramos também como requisito que o empresário não pode ser falido. a exigência do lapso temporal de dois anos “visa a demonstrar alguma viabilidade do empreendimento.

Depois de preenchido estes requisitos o devedor tem ainda que preencher algumas condições.76 Este último requisito também constava da lei anterior. 2008. . relação das ações judiciais em que o devedor figure como parte. demonstrações contábeis.. 78 VIGIL NETO.O último requisito define que o sócio . 2008. 2 tir. tanto formais quanto materiais.além de não privilegiar a manutenção da empresa em funcionamento. ainda impedia que a sociedade empresarial.. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05.78 dos Tribunais. 2005. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. relação de todos os credores. relação dos bens particulares dos sócios – controladores e administradores. p 161. Estes requisitos são: exposição das causas concretas da crise. comentário artigo por artigo. certidões de protesto de títulos. p. porém em crise passageira.101/2005. Estas condições estão elencadas no artigo 51 da Lei 11. este requisito não é essencial para o indeferimento do pedido de recuperação judicial. ante os problemas pessoas que atingiam determinado administrador ou sócio – controlador. pudesse se valer então da concordata. p 153.101 de 9 de fevereiro de 2005. 3º Ed. Luiz Inácio. dando como solução que dentre os meios de recuperação conste a previsão da substituição do sócio – controlador ou administrador. entendo-se este como condenação por sentença condenatória com transito em julgado. Para o professor Ricardo José Negrão Nogueira. Manoel Justino. 76 VIGIL NETO.. mesmo que saneada e em boas condições. o qual indica os requisitos que devem estar presente na redação da petição inicial que irá requerer o beneficio da recuperação judicial. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. certidão de regularidade do credor emitida pela Junta Comercial. 2005. p. 133.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora.101/2005. 77 BEZERRA FILHO. tendo sido chamado de “pessoalidade” da lei falimentar. extratos atualizados das contas bancárias e aplicações financeiras.controlador e o administrador não podem ter sidos condenados por crimes previstos na Lei 11. 133. Luiz Inácio. relação dos empregados. pois de acordo com Manoel Bezerra Filho77: . e foi alvo de severas criticas. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. uma vez que a “condição da empresa não pode ser confundida com a condição do empresário”.

82 Para complementar a peça informativa o empresário em crise deverá juntar as demonstrações contábeis do momento atual da empresa. . demonstração de resultado desde o último exercício e relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção. a crise econômica – financeira. 11. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. Luiz Inácio. de Moraes Pitombo.101. p. Rachel. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. O desfecho pode ser determinado pontualmente. Fábio.81 Dos três primeiros instrumentos o empresário em crise deve apresentar os últimos três exercícios sociais. fatores ou eventos que levaram à empresa a crise econômica – financeira. pois esta refletirá o estado presente dos negócios. de forma clara e articulada. 2008. porem não se desvincula da atividade. Quanto ao requisito das demonstrações contábeis. Devendo os credores sujeitos aos efeitos da recuperação ser relacionados em tópico especial. série de atos ou negócios funcionalizados entre si para levar a um resultado. Na relação de credores deve o requerente da recuperação judicial listar nominalmente cada um e abranger não apenas as obrigações pecuniárias. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. como se intui. 2005. esta se caracteriza pelos instrumentos: balanço patrimonial. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/2005. demonstração de resultados acumulados.O primeiro requisito que é a exposição das causas concretas da crise deve ser feita através de um relatório.. 243. São Paulo: Saraiva.101/05. é preciso expor. Esta exposição “permite avaliar as probabilidades de recuperação da atividade se a crise vier a ser debelada mediante a execução do plano79”. 81 ULHOA COELHO. revisada. 80 TAVARES GUERREIRO. 2007.147. não é resultado de uma só decisão equivocada. de 9-2-2005). José Alexandre. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. mas também as obrigações de fazer e dar. Vera Helena de e SZTAJN. 82 VIGIL NETO. Ou seja. a crise é parte desse processo contínuo. p 161. Rio de Janeiro: Elsevier. 2º edição. p. ou seja. os três últimos anos civis anteriores ao pedido. situações. 250. onde há a exposição de forma detalhada e fundamentada das razões. Em atividade. Para Rachel Sztajn80 causa concreta significa: Servirá para indicar o real motivo gerador do desequilíbrio patrimonial. o qual auxiliara o 79 MELLO FRANCO. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2008. as razões que geraram a crise da empresa que.

Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. uma vez que o processo de recuperação não tramita em segredo de justiça. . p. Manoel Justino. op cit. bem como a natureza de seus créditos e o valor atualizado dos mesmos. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.85 Umas das exigências para obter a recuperação judicial a qual não demonstra relevância é a apresentação da relação de bens particulares dos sócios – controladores e administradores. p. loc cit. 148. Fábio. suas condições de vencimento e a indicação do respectivo registro contábil.. de Moraes Pitombo. 87 ULHOA COELHO. 86 SZTAJN. 11. 2005. uma vez que existe a separação patrimonial dos sócios e da sociedade de que fazem parte. Rachel.148. Sem falar na possibilidade de os sócios e administradores procurarem formas de criar escudos para proteger seus bens mais precocemente.101. pois nada pode forçá-los a apresentar a relação de seus bens particulares.86 Mas é valida a negativa por parte do sócio – controlador e administrador em não apresentar a relação de seus bens. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. exigido no artigo 7º da Lei 11. 255.87 É preciso juntar na inicial os extratos bancários atualizados. ainda. comentário artigo por artigo. 85 ULHOA COELHO. indenização e outros encargos e o respectivo mês que se deu o vencimento da obrigação trabalhista. 2007. bem como suas funções e seus créditos. São Paulo: Saraiva.administrador judicial na realização da publicação dos credores.101/2005. estes devem conter data anterior ao da distribuição do pedido de recuperação. de 9-2-2005). Podendo esta exigência permitir que os credores exerçam pressões para obterem a satisfação de seus créditos. ou seja.84 Na relação de empregados deve constar o rol completo dos funcionários da empresa em crise. revisada. 3º Ed. a título de saldo de salário.. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.149.83Devem constar. 2005. p. Devendo constar os extratos de todas as contas bancárias que a empresa 83 BEZERRA FILHO. o endereço de cada um dos credores.101/2005. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 2 tir. origem do crédito.101 de 9 de fevereiro de 2005. 84 ULHOA COELHO. pois a Constituição Federal de 1988 garante em seu artigo 5º a inviolabilidade da vida privada. 2º edição.

Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. p 163. para que os credores saibam do montante ativo que a empresa em crise possui. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. 91 VIGIL NETO. pois o juiz não avalia o mérito do pedido. Deste primeiro exame duas hipóteses poderão ocorrer.101 de 9 de fevereiro de 2005. A escrituração deve ficar à disposição do juiz e ser consultado por qualquer interessado que obtenha autorização judicial. Esta disposição da escrituração existe porque a empresa que requer o benefício da recuperação necessita se submeter ao dever de transparência. sendo tal análise meramente formal. 2008. 89 BEZERRA FILHO. fincando assim suspenso o sigilo da escrituração mercantil.88 O pedido de certidões de protestos de títulos não influência na concessão da recuperação judicial. 90 ULHOA COELHO.. p. .101/05. comentário artigo por artigo. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. a qual serve para “caracterização de êxito provável ou remoto na ação judicial. de 9-2-2005). p. 2º edição.151. A escrituração da empresa em crise não precisa ser depositada em juízo. São Paulo: Saraiva. bem como os fundos de investimentos.101/2005. Dentro da relação das ações judiciais em andamento faz-se necessário que conste a estimativa atualizada dos valores demandados. 3º Ed. o qual analisará se a inicial possui todos os requisitos exigidos pela Lei 11. 2 tir. O juiz só deve determinar o depósito da escrituração da requerente se houver risco de adulteração ou perda da mesma. pois este será essencial ao administrador judicial para saber o que vem acontecendo com o ente em recuperação. conforme Luiz Inácio Vigil Neto91: 88 ULHOA COELHO.101. op cit. 2005. 2005. Manoel Justino. 11. Luiz Inácio. devendo elas serem expedidas pelos cartórios das comarcas onde a empresa possui sede e filiais. revisada. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.150.90 Após a distribuição da petição inicial esta vai conclusa ao magistrado. a não ser que o juiz determine. Tais certidões servem apenas para informar os credores da real situação da empresa em crise. 151. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. Fábio.possui. p. a fim de determinar o modo como tais valores serão incluídos na contabilidade da empresa”89.

Dessa forma.101/2005 não existe a figura da concordata suspensiva e nem figura similar.uol. deverá o juiz indeferir a petição inicial. . abrindo-se prazo para habilitação dos créditos. encerrando o processo. Comentários sistemáticos. cabe postular a recuperação somente antes da decretação da falência. Ainda podem os credores. o magistrado deferirá a petição inicial. a dispensa da apresentação das certidões negativas para o exercício de suas atividades econômicas. Mas quando deferida a inicial já visualizamos alguns efeitos.1) A petição inicial não se encontra em condições de deferimento: se não deferir pelo não atendimento de um ou vários requisitos. Gecivaldo. onde teremos a concessão real da recuperação judicial.com. a nomeação do administrador judicial. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. como a suspensão da tramitação dos pedidos de falência existentes contra o empresário em crise. por credor da empresa em crise. não havendo como suspender o processo de falência.asp?id=6632>. a suspensão de todas as ações de execuções existentes contra o devedor. requerer a convocação da Assembléia Geral de Credores. após o deferimento da recuperação judicial. Também será publicado edital contendo o resumo do pedido e da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial.2) se o indeferimento decorreu da impossibilidade de cumprir com algum(ns) do(s) pressuposto(s) ou condição da lei.br/doutrina/texto. Acesso em 17 de janeiro de 2010. bem como a relação dos credores.1) se o indeferimento decorreu da não apresentação de documento ou não atendimento de requisito indicado na lei. deverá observar algumas situações: 1. Disponível em: < http://jus2. pois na Lei 11. 1. Nestas situações não haverá base jurídica para a decretação de oficio da falência. conforme o artigo 95 da Lei. Deve-se observar que a recuperação judicial não pode ser requerida caso seja decreta a falência do devedor. no prazo de defesa do devedor. Caso seja feito o pedido de falência. o devedor pode requerer o benefício da recuperação.92 Após a autorização do processamento da recuperação judicial iniciamos a segunda fase. deverá o juiz conceder prazo razoável para complementação da petição inicial. 2) A petição se encontra em condições de deferimento: se todos os requisitos forem atendidos. autorizando o processamento do pedido. no prazo para contestação. ou seja. Primeira e Segunda Partes. exceto no caso de contrato com o Poder Publico ou outorga de benefícios ou isenções fiscais ou creditícios. 92 VASCONCELOS FERREIRA.

Rachel. ou seja. assim. p. 7º. mas este não é taxativo.A figura do administrador judicial não existia no Decreto – lei. evitar fraudes. mas este deve prestar contas do desenvolvimento da atividade durante o período em que perdurar a recuperação judicial. pois procura. Também pode ocorrer fora do prazo previsto no art. uma vez que se torna responsável pelo bom andamento do plano de recuperação. como o comissário das concordatas. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. conduta moral e responsabilidade no plano financeiro. São Paulo: Atlas. como retardatária. 2008. A primeira está no artigo 8º.93 O devedor permanece na administração dos seus negócios. p. 93 MELLO FRANCO. O quadro geral de credores é de publicação obrigatória e pode ocorrer de duas formas. onde não apresentação de impugnação à listagem de verificação provisória dos créditos. O artigo 21 da lei indica alguns profissionais que podem assumir a função. Waldo. 80 .95 Segundo Waldo Fazzio Junior96: A apresentação do crédito decorre de sua inserção na relação oferecida pelo administrador judicial ou de sua posterior inclusão. P. § 1º. Vera Helena de e SZTAJN. 95 FAZZIO JÚNIOR. condutas de má-fé e assegura que todos os credores terão tratamento proporcional ao crédito. sobre pena de destituição de seus administradores. sendo sua principal função a de fiscalizar o andamento da recuperação e cumprimento do plano. quando não integrante daquela. 2005. A habilitação dos créditos compreende três fases: a publicação da relação de credores. Podendo ser tanto pessoa natural quanto jurídica e vem substituir as figuras do antigo síndico. Assim como no Decreto – lei o administrador judicial precisa ter idoneidade. Ed. 2. Este deve ser profissional habilitado.94 A habilitação dos créditos é de extrema importância. loc cit. Rio de Janeiro: Elsevier. na falência. pois pode ter que vir a responder por seus atos. 79 96 Ibidem. 54 94 MELLO FRANCO. parágrafo único da lei. impugnação ou postulação de inclusão e consolidação do quadro geral de credores. que exerça atividade que detenha alguma relação com as atribuições que lhe são deferidas.

quando afastados os diretores da sociedade empresária em crise. pois o prazo para impugnação é definitivo. manifestar-se sobre o pedido de desistência da recuperação judicial. A atribuição da Assembléia de Credores é: aprovar. a inclusão do crédito julgado não habilitado em primeiro grau até a apreciação do agravo para garantir ao credor. deliberar sobre qualquer outra matéria de interesse dos credores.99 A Assembléia Geral de Credores é a reunião de todos os credores habilitados. p.115-116. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. p. Não havendo impugnação o juiz homologará a listagem. 98 Ibidem. não tendo os credores outra oportunidade. aprovar a instalação do comitê de credores e eleger seus membros. tornando-a definitiva. de acordo com Vigil Neto98: 1) determinar a exclusão temporária do crédito do quadro – geral enquanto não julgado o agravo. Dessa forma inicia-se um processo judicial de comprovação da existência. A elaboração do quadro definitivo é função do administrador judicial. Fábio. 2) determinar. exclusivamente. Luiz Inácio. tendo o legislador optado pelo recurso de agravo para modificação da decisão.100 97 VIGIL NETO. 100 ULHOA COELHO. de 9-2-2005). Quando da tramitação do recurso duas situações se apresentam.115. 2008. eleger o gestor judicial. 99 VIGIL NETO. rejeitar e revisar o plano de recuperação judicial. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. revisada. não sendo necessária nova publicação. 2010. p.101. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. fincando o juiz incumbido de decidir. a qual está prevista no artigo 8º da lei. o qual deve. p.101/05. natureza e quantificação do crédito. 7º edição.a qual é elaborada pelo administrador judicial e publicada. assinar o quadro geral de credores definitivo e publicá-lo ao término do prazo para impugnações ou do trânsito em julgado da última impugnação.97 A segunda forma se dá quando há apresentação de impugnação dentro do prazo.115 e 116. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. Luiz Inácio.101/05. provisoriamente. 96 . Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 11. o direito de votar em assembléia geral. para que estes possam expressar seus interesses e buscar a melhor forma para recuperar a empresa em crise para que seus créditos sejam satisfeitos. A decisão proferida é recorrível. São Paulo: Saraiva. 2008. juntamente com o juiz.

zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. .com. ainda. com privilégio especial. pois basta a manifestação de apenas uma das classes para que seja feita a constituição do comitê. Vera Helena de e SZTAJN. 103 Ibidem. “Para a constituição do comitê de credores não se exige a manifestação de todas as classes”103. O representante pode ser escolhido entre os credores da classe ou. na sua constituição.asp?id=6632>. comunicar ao juiz. Rachel. p. P. acharem interessante. 3) titulares de créditos quirografários. Como já visto. de acordo com o artigo 41 da lei. ou subordinado. 26 da LRE). Acesso em 17 de janeiro de 2010. sendo suas atribuições: fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial. 70. 102 MELLO FRANCO. Primeira e Segunda Partes. seus deveres serão exercidos pelo administrador. Disponível em: < http://jus2. 69. escolher pessoa natural ou jurídica estranha ao quadro geral de credores. Gecivaldo.101 Diferentemente do administrador judicial o Comitê de Credores é opcional. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. e quando este for incompatível será exercido pelo juiz. sendo necessário que este último seja especialista. Rio de Janeiro: Elsevier. compete a Assembléia Geral constituí-la. 2) titulares de créditos com garantia real.104 Quando não houver a constituição do comitê.A Assembléia Geral é composta. deve ser integrado por 1 representante efetivo de cada uma das classes de credores e mais dois suplentes de cada classe (art.br/doutrina/texto. 104 MELLO FRANCO. 2008. das seguintes classes de credores: 1) titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. com privilégio geral. pode uma pessoa representar mais de uma classe ao mesmo tempo. e têm a função de auxiliar o judiciário como os demais órgãos que fazem parte da recuperação judicial. Comentários sistemáticos. se assim. caso detecte violação dos direitos ou 101 VASCONCELOS FERREIRA. podendo ser proposta por qualquer de suas classes. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. loc cit. podendo as outras classes indicarem seus representantes.uol. De acordo com Vera Helena de Mello Franco e Rachel Sztajn102: O comitê é órgão consultivo e de fiscalização e. tendo em vista o possível conflito de interesses existente entre as classes.

apresentando.um negócio de cooperação celebrado entre devedor e credor. Rio de Janeiro: Elsevier. a cada trinta dias. Vera Helena de e SZTAJN.. resulta. O principal objetivo desta segunda fase é a elaboração.prejuízos aos interesses dos credores. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. apresentação. A elaboração do plano é crucial para que os credores saibam como a empresa irá agir para sair da crise e como fará para pagar suas dívidas. relatório de sua situação. a alienação de bens do ativo permanente. requerer ao juiz a convocação da assembléia geral de credores. devendo o plano ser um projeto detalhado das medidas a serem realizadas. No que diz respeito ao negócio de cooperação. fiscalizar a execução do plano de recuperação. pode-se considerar forma de garantia do cumprimento das obrigações assumidas. Comentários sistemáticos. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu.. Vera Helena de Mello e Rachel Sztajn106 entendem o plano de recuperação como sendo: .105 Após o deferimento do pedido de recuperação judicial o devedor não poderá desistir deste sem antes reunir em Assembléia – Geral os credores.com. 105 VASCONCELOS FERREIRA. .uol. 106 MELLO FRANCO. fiscalizar a administração das atividades do devedor. Gecivaldo. apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados. manifestar-se nas hipóteses previstas na lei. no que diz respeito à homologação. quando ocorrer o afastamento do devedor nas hipóteses previstas na lei. 2008.br/doutrina/texto. submeter à autorização do juiz. do plano de recuperação da empresa em crise. homologado pelo juiz. por parte do devedor e votação pelos credores. a constituição de ônus reais e outras garantias. Acesso em 17 de janeiro de 2010. para que estes concordem com a desistência do processo. p. 234. que sofrem os efeitos da recuperação judicial. bem como atos de endividamento necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que antecede a aprovação do plano de recuperação judicial. Primeira e Segunda Partes. Rachel.asp?id=6632>. homologação. com o que se reduzem custos de transação dada a coercitividade que dela. assemelha-se ao contrato plurilateral. Disponível em: < http://jus2.

onde contará as delimitações das estratégias utilizadas para alcançar o sucesso da recuperação judicial. 2007. São Paulo: Saraiva. 2007.101/2005. Mas se o plano for inconsistente.101/2005. quais sejam. Dessa forma. de Moraes Pitombo. op cit. de Moraes Pitombo. não podendo a avaliação ser feito pelo próprio devedor. 108 ULHOA COELHO. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. há chances de a empresa se reestruturar e superar a crise em que mergulha. ele deve comprovar a capacidade da empresa para se restabelecer economicamente e financeiramente. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 265. e a não apresentação do plano no prazo acarretará na decretação da falência. Fábio.101. produzirá efeitos 107 SZTAJN.159. O plano deverá ser apresentado 60 dias após a publicação da sentença que deferiu o pedido da recuperação judicial. limitar-se a um papelório destinado a cumprir mera formalidade processual. mas. Se o plano de recuperação é consistente. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. p. não podendo a demonstração ser apenas jurídica. O plano possui apenas quatro restrições previstas na lei. ou seja. p. 109 SZTAJN. matemática. que o devedor necessitará levar em conta quando da elaboração do projeto. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 2005. deverá haver a sua expressa concordância. a proposição do devedor de substituição ou supressão das hipotecas para a venda dos respectivos imóveis não representa nulidade que afeta o plano de validade da cláusula.107 De acordo com Fábio Ulhoa Coelho108: Depende exclusivamente dele a realização ou não dos objetivos associados ao instituto.101/2005.. das medidas que serão aplicadas para que a crise seja superada. 11. de 9-2-2005). revisada. Rachel. São Paulo: Revista dos Tribunais. também. 109 Também deverá apresentar um laudo econômico – financeiro de avaliação dos bens e ativos da empresa. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. com a supressão ou a substituição da garantia (artigo 50. então o futuro do instituto é a completa desmoralização. a preservação da atividade econômica e cumprimento de sua função social. se existirem dez credores que tenham a seu favor direitos reais de garantia hipotecária ao pagamento dos créditos. porém. não podendo este prazo ser prorrogado. O plano deve demonstrar a viabilidade econômica da empresa em crise. o qual carecerá de profissional habilitado para tal. as quais são: Cláusula que proponha a venda de bem dado em garantia. caindo em uma das hipóteses existentes no artigo 73 da Lei 11. Rachel. 2º edição. . 267. § 1º): para produzir efeitos em relação ao credor beneficiário da garantia. com uma hipoteca para cada dívida ativa.

este irá publicar edital para conhecimento dos credores do mesmo. para que o devedor tenha o plano aprovado sem a necessidade de deliberação da assembléia é necessário a aprovação unânime dos credores. São Paulo: Revista dos Tribunais. o devedor perderá 110 VIGIL NETO. A objeção por parte de qualquer credor torna imprescindível a convocação da Assembléia Geral de Credores para deliberar sobre sua aprovação. 2007.somente para os credores que com ela concordem. p. uma vez que se trata de norma cogente. . O plano não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para o pagamento dos créditos trabalhistas (artigo 54. implica a sua nulidade jurídica e a rejeição de oficio pelo magistrado. 111 SECCHI MUNHOZ. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. a transgressão do enunciado. 272. de Moraes Pitombo.101/2005. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. Seguindo a forma exemplificativa anterior. mesmo que os empregados estivessem dispostos a aceitá-la. Ou seja. pois se assim não o for.111 Como o prazo para suspensão dos processos de execuções é de no máximo 180 dias contados do deferimento do processamento da recuperação. “capvt”): diferentemente da fórmula anteriormente apresentada. será mantida a cotação em moeda estrangeira. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. a partir da apresentação desta proposta em cláusula de plano recuperatório. Luiz Inácio. parágrafo único): o mesmo deverá ser aplicado para a restrição contida no parágrafo único do artigo 54. . restabelece-se o direito dos credores de prosseguir com as suas execuções..110 Após a apresentação do plano ao juiz. se faz necessário que a assembléia geral de credores ocorra dento do mesmo período. e fixará prazo para que os credores apresentem objeções ao plano elaborado pelo devedor. em havendo trinta credores em moeda estrangeira. O plano não poderá prever prazo superior a 30 (trinta) dias para o pagamento dos créditos eminentemente salariais vencidos nos últimos 3 (três) meses e não superiores a 5 (cinco) salários mínimos por credor (artigo 54.. que deverão ser honrados pelo devedor em até trinta dias contados da aprovação do plano. demanda a sua expressa concordância. Eduardo. e após este período. Para os demais. com a diferença que neste dispositivo legal são tratados apenas os créditos salariais vencidos nos últimos três meses anteriores ao pedido e não superiores a cinco salários mínimos por empregado. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. A negativa de alguns a cláusula nem repercute na decisão dos que com elas concordaram. § 2º): para produzir efeitos em relação aos credores. p 168. A cláusula que proponha a conversão dos créditos em moeda estrangeira para moeda nacional (artigo 50. a apresentação de cláusula de conversão será eficaz para aqueles que aceitarem esta proposição. 2008.

uma das principais proteções que o processo de recuperação lhe oferece, que é suspender as ações e execuções dos credores.112 Se não houver objeções ao plano o juiz concederá a recuperação judicial ao devedor, passando-se então à execução do mesmo. Caso haja objeções ao plano será realizada, então, a Assembléia Geral de Credores, onde a deliberação se dará de acordo com o disposto no artigo 45 da Lei 11.101/2005, o qual exige um quorum especial para aprovação do plano. Caso o plano seja rejeitado pela a assembléia geral, o juiz deverá decretar a falência, hipótese esta que está prevista no artigo 73 da Lei 11.101/2005. Porém o juiz tem o poder de impor aos credores o plano rejeitado, desde que estejam presentes determinados requisitos, evitando assim, a decretação da falência. Além dos requisitos presentes no artigo 58, §§ 1º e 2º, os quais são: aprovação pela maioria dos créditos presentes, independentes de classe; aprovação em pelo menos duas classes, se a assembléia tiver sido composta de três classes, ou por uma classe, se a assembléia tiver comparecido apenas duas classes; na classe que houver rejeitado, tiver o plano obtido mais de um terço dos votos; o juiz, ainda, terá que reconhecer o desempenho de função social pela empresa em crise, para assim poder impor aos credores o plano rejeitado na assembléia geral de credores.113 A imposição do plano rejeitado pela a assembléia geral de credores pelo juiz “não se constitui em um ato de vontade absoluta” 114, pois para esta imposição o magistrado tem de observar os requisitos acima enumerados e a partir daí analisar de forma subjetiva, “se a empresa é estrategicamente importante em seu contexto social”115. Apesar dos administradores e o devedor permaneceram na condução da empresa em crise, estes tem, após a distribuição do pedido de recuperação, sua liberdade de atuação cerceada. A restrição mais importante é a da
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SECCHI MUNHOZ, Eduardo. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 273. 113 VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, 2008, p 172 e 173. 114 VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, 2008, p 172 e 173. 115 VIGIL NETO, loc cit..

impossibilidade alienar ou onerar bens do ativo permanente, salvo se for reconhecido pelo juiz a utilidade do ato, e depois de ouvido o comitê de credores. Mas a decisão do comitê não vincula o juiz, o qual pode proferir decisão contrária ao comitê, desde que, quando optar por permitir a alienação ou oneração dos bens do ativo, reconheça a existência de evidente utilidade do ato.116 A recuperação judicial pode se encerrar de duas formas. A primeira quando o cumprimento da recuperação corresponde ao período de dois anos, sendo, assim, proferida a sentença de encerramento pelo juiz, determinando, desta forma, a quitação dos honorários do administrador e das custas remanescentes, a apresentação, em quinze dias, do relatório do administrador judicial, a dissolução dos órgãos auxiliares da recuperação judicial, ao quais é o comitê de credores e assembléia geral, bem como a comunicação à Junta Comercial do término do processo. E a segunda ocorre quando houver a desistência por parte do devedor do benefício. Ao ser homologado a desistência o devedor retorna a sua antiga condição jurídica a que se encontrava antes do pedido de recuperação, podendo os credores retornar aos seus direitos originários, como se o processo de recuperação nunca houvesse existido.117 O juiz poderá decretar a falência durante o processo de recuperação, conforme o artigo 73 da lei, quando: a assembléia geral assim deliberar, ou seja, quando os credores que representam mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembléia geral deliberaram a favor da convolação; a não apresentação do plano de recuperação no prazo de sessenta dias, contados da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial; a rejeição do plano pela assembléia geral de credores, em conformidade com o procedimento próprio de votação estabelecido pela lei; e o descumprimento das obrigações assumidas no plano de recuperação.118
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SECCHI MUNHOZ, Eduardo. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 315 e 316. 117 ULHOA COELHO, Fábio. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 11.101, de 9-2-2005). 7º edição, revisada. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 207. 118 KLEIN ZANINI, Carlos. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 332-334.

A convolação do procedimento da recuperação judicial em falência não anula os atos praticados durante a recuperação judicial, desde que estes estejam de acordo com a lei. Os credores retornam ao status quo ante, sendo deduzidos os valores eventualmente pagos pelo devedor durante o processo de recuperação.

1.2.1 O Reconhecimento da Função Social da Empresa na Recuperação Judicial
Há duas formas de o regime recuperatório ser concedido: 1º) o plano reorganizativo tenha sido aprovado pela maioria dos créditos presentes na assembléia geral de credores, contados de acordo com o artigo 45 da Lei 11.101/2005; 2º) quando o plano reorganizativo é imposto aos credores pelo juiz, uma vez que este identifique a função social da empresa, e que estejam preenchidos os requisitos do artigo 58, § 1º e § 2º da Lei 11.101/2005. Para o autor Luiz Inácio Vigil Neto119:
A função social, ainda que essencial para a decisão judicial de imposição do plano rejeitados aos credores, não recebeu, contudo, uma definição por parte do legislador. Essa correta opção do legislador brasileiro deveu-se à idéia de não se propor um modelo estático de cognação do instituto. Em outras palavras, a função social é um valor cultural de um povo que se expressa, nos eixos cartesianos de tempo e espaço sociais.

Não apenas o princípio da função social da empresa deve ser levado em consideração quando da imposição aos credores do projeto recuperatório, também necessitam ser observados todos os princípios dispostos no artigo 47 da Lei 11.101/2005, o qual prevê:
Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

O presente artigo demonstra a opção legislativa no que concerne à recuperação da empresa em crise econômica financeira. A busca pela manutenção de empregos, o respeito aos interesses dos credores, a garantia
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VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.101/05. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora, 2008, p.143.

101/2005 são frutos da evolução do direito falimentar. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. pois ela dava prioridade a retirada do comerciante inábel ou inepto do mercado. A nova legislação procura analisar. em especial a Lei 11. as probabilidades de sobrevida do negócio. Em suma. para. 122 CASTRO. 23. Disponível em: < http://www. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. 2007. no criar e distribuir bem estar e na geração de riquezas. 2007.jus. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. É nítido o abandono da visão da legislação revogada. tanto que por qualquer motivo a concordata preventiva era indeferida. sendo alterado assim o foco da tutela. 11. Carlos Alberto Farracha de.pdf>. vir tutelar o devedor de boafé. São Paulo: Revista dos Tribunais. antes da quebra. Preservação da Empresa no Código Civil. onde a ordem econômica é centrada não só na dignidade da pessoa humana. sua participação no mercado.da produção dos bens ou serviços em mercados são os objetivos tutelados na reorganização da empresa em crise. na valorização do trabalho humano e na função social da propriedade privada. de Moraes Pitombo. agora. a qual bradava por um ordenamento que identificasse a atividade empresária e o próprio empresário como agentes sociais importantes para o desenvolvimento da sociedade. instaurando assim um novo panorama jurídico. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar.101/2005. tendo a mesma administração ou outra. sendo a decretação da falência um ato compulsório. Marta Santiago de Oliveira. p. Curitiba: Juruá. Rachel. . o qual era antigamente o credor e a confiança. que ao longo do tempo identificou a necessidade de se modificar pra assim poder se adequar à nova realidade econômica e social. de respeitar os preceitos econômicos da organização das empresas. não esquecendo. o esforça da nova disciplina é manter a empresa em funcionamento quando está se demonstre viável. 222-223 121 SCHELLES.tjrj.120 Os princípios alocados na Lei 11.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles.101/2005. proporcionando repercussões na forma de se interpretar e por em prática a legislação.121 Tanto o princípio da preservação da empresa quanto o da função social da empresa tem sua origem no artigo 170 da Constituição Federal de 1988.122 120 SZTAJN.emerj. mas também na livre iniciativa. p.

ainda que implique sacrifício de outros direitos também dignos de tutela jurídica.126 123 124 CASTRO. mas é por ela defendido. p. o qual reconhece a necessidade e a importância da continuação das atividades empresariais. para a satisfação das necessidades essenciais do indivíduo. loc cit. uma vez que seu intuito é plenamente compatível com os direitos e princípios previstos na carta magna. Sendo.O princípio da função social da propriedade merece destaque. P.123 Já o princípio da preservação da empresa não está expressamente previsto na Constituição Federal. o qual não permite a aniquilamento de empresas produtivas. só porque não atende mais aos interesses individuais e patrimoniais de seus titulares. 43. corresponde a preservação da empresa (de que é corolário o da recuperação da empresa). deve ser aplicada essa última. diante das opções legais que conduzem a dúvida entre aplicar regra que implique a paralisação da atividade empresaria e outra que possa também prestar-se à solução da mesma questão ou situação jurídica sem tal conseqüência. proporcionando a geração de postos de trabalho. mas também do princípio da função social da propriedade. desta forma. o princípio da busca do pleno emprego. 2007. CASTRO. o princípio da preservação da empresa um “princípio constitucional não escrito124”. contribuindo. Em outras palavras. Curitiba: Juruá. Como ressalta Carlos Alberto Farracha de Castro125: Sem preservação da atividade empresarial inexiste emprego. segundo o qual. 125 Ibidem. motivo por que a pretensão do legislador constituinte ficaria reservada ao seu imaginário. uma vez que a atividade das empresas ativa a economia como um todo. assim. A Constituição Federal em seu artigo 170 elege também como princípio da ordem econômica a busca pelo pleno emprego. 42. O princípio da preservação da empresa não deriva apenas da busca do pleno emprego. pois deste deriva o princípio da função social da empresa. pois. 126 CASTRO. Preservação da Empresa no Código Civil. afinal é a atividade empresarial que gera boa parte dos postos de trabalho e é umas das principais fontes de tributos para o estado. Carlos Alberto Farracha de. falar na busca do pleno emprego sem propiciar a preservação da empresa. mesmo que está encontre-se em crise. não podendo. desta forma. . loc cit. razão pela qual não há como se valorizar o trabalho.

Para o bem da economia com um todo. opera-se uma inversão inaceitável: o risco da atividade empresarial transfere-se do empresário para os seus credores. financeiros e humanos – empregados nessa atividade devem ser realocados para que tenham otimizada a capacidade de produzir riqueza. 129.tjrj. P. os recursos – materiais. Fábio.128 Ao se buscar a preservação da empresa deve-se se ter o cuidado de manter apenas as empresas viáveis. devem mesmo ser encerradas.pdf>. 47. a recuperação da empresa não deve ser vista como um valor jurídico a ser buscado a qualquer custo. Pelo contrário. 127 CASTRO. ou seja.129 Conforme Fábio Ulhoa Coelho130: Nem toda a falência é um mal. Disponível em: < http://www. 7º edição. É de extrema importância analisar os custos que serão gerados na conservação da empresa em crise no mercado. principalmente o da dignidade da pessoa humana. . 11. 129 SCHELLES. no momento de crise. aquelas que tenham relevante importância social. revisada.jus. 2007. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. Assim. não devendo estes custos superar os da extinção da mesma. p. de 9-2-2005). Preservação da Empresa no Código Civil.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. São Paulo: Saraiva. 46 128 Ibidem. descapitalizadas ou possuem organização administrativa precária. Quando o aparato estatal é utilizado para garantir a permanência de empresas insolventes inviáveis. 130 ULHOA COELHO. se faz necessário privilegiar a preservação da empresa em prejuízo de outros princípios. em sua plenitude”. 2010.O reconhecimento do princípio da preservação da empresa como princípio constitucional não escrito auxilia na concretização dos princípios fundamentais. sempre que a empresa demonstrar-se viável. cuja preocupação primeira é atender e preservar os interesse sociais do homem. Carlos Alberto Farracha de. através do processo liquidatório. p. sendo esta transitória. porque são tecnologicamente atrasadas. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. Curitiba: Juruá. Algumas empresas. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. para que seja possível a sua recuperação e preservação. “sua preservação está em conformidade com os postulados do atual sistema constitucional. Marta Santiago de Oliveira.127 Quando analisada a questão da empresa em dificuldade econômicofinanceira.101. as más empresas devem falir para que as boas não se prejudiquem.emerj.

ser observado se a empresa possui capacidade de cumprir com as obrigações assumidas no plano de recuperação. por muitas vezes se excluem e por outras se completam. . A mão-de-obra e tecnologia empregadas. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. mão de obra e tecnologias empregadas. “que valha a pena para a sociedade brasileira arcar com os ônus associados a qualquer medida recuperatória de empresa não derivada de solução de mercado133”. Esta potencialidade deverá ser demonstrada não pelo desempenho momentâneo. revisada. pois a recuperação da empresa com tecnologia defasada e que depende de modernização pode 131 VIGIL NETO. Para que ocorra a preservação da empresa é necessário que o juiz não se restrinja apenas ao momento atual. 132 ULHOA COELHO. regional e nacional. São Paulo: Saraiva. 71. podendo assim. sendo eles: as condições econômicas que demonstrem possível o reerguimento da atividade empresária não podem ser ignoradas. 11. que assim ocorra. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. para decidir se a empresa merece o amparo judicial no sentido de ser preservada. com base no princípio da preservação da empresa e outros que norteiam a ordem econômica. loc cit. 2008.101. devido à evolução das empresas.131 Para Fábio Ulhoa Coelho. através dos seguintes vetores: importância social. o exame da viabilidade da atividade empresária em crise deve ser feito.101/05. ou caso. Luiz Inácio.132 A importância social refere-se a dois aspectos. se demonstre mais benéfico às outras empresas que integram o mercado e a sociedade que esta seja liquidada imediatamente. 2010.Desta forma. tempo de empresa e o porte econômico. Fábio. p. p. pelo judiciário. mas sim à potencialidade futura da empresa em crise. bem como a sua relevância para a economia local. Em outros termos. 133 ULHOA COELHO. acabam-se incumbindo aos operadores do direito a análise do caso concreto. 7º edição. de 9-2-2005). Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. nesse aspecto. Sobrepesar estes vetores é complexo. volume do ativo e passivo. o qual será avaliado pelos credores e pela sociedade. mas em seu plano reorganizativo. 144145.

128. pois na medida em que estas se relacionam. Paulo. Revista de Direito Mercantil. O volume do ativo e do passivo significa analisar qual a natureza da crise. Para Paulo Penalva Santos134 Naturalmente a apreciação da viabilidade não se deve se limitar a uma análise meramente financeira da empresa. mas se a tecnologia não for renovada.implicar o fim de postos de trabalho. São Paulo.. 117. Paillusseau: Qual a importância em relação aos concorrentes? Quanto valem seus produtos e serviços no mercado? Qual é a qualidade da sua organização de produção? Quais são os investimentos que devem ser feitos? Todas essas perguntas e outras mais é que permitem traçar ao menos um parâmetro para se saber se a empresa é ou não viável.39. E. A principal influência do tempo na concessão da recuperação é que as empresas mais jovens terão que ter o potencial econômico e a importância social realmente relevante. p. . em resumo da resposta às seguintes indagações formuladas pelo Prof. devendo desta forma identificar o porte da empresa. A viabilidade dependeria. O tempo da empresa leva em conta quanto tempo esta encontra-se atuando no mercado. n. menor será sua importância social. 134 PENALVA SANTOS. a empresa pode não conseguir se reorganizar. pelo contrário qualquer empresa viável e que preencha os requisitos da lei possuem esse direito.2000. isto não significa que as empresa com menor tempo não possam requerer o benefício da recuperação. a recuperação necessitará de soluções mais complexas. por fim. v. jan. o porte econômico trata do tamanho da empresa a se recuperar./mar.. O novo projeto de recuperação da empresa. pois as medidas reorganizativas de uma empresa grande não serão as mesmas adotas por um microempresário. Todavia. É importante salientar que a análise financeira da empresa cumpre papel relevante. pois quanto menor está for.

assim. o qual se encontra no artigo 170 da Carta Maior. 136 Ibidem. influenciado. O contrato social e sua função. São Paulo./dez. Função social do contrato: primeiras anotações. Humberto. n. o qual. Para Calixto Salomão Filho quando a função social passa a se referir à empresa “sua disciplina transforma-se em algo fortemente ligado ao interesse estatal em uma disciplina ligada ao interesse de grupos afetados pela atividade da empresa137”. 8. 2004. como dito. A função social da propriedade se restringiu por muitos anos as propriedades agrárias. força aplicativa. São Paulo. as transformações sofridas pelo direito empresarial brasileiro. n. 138 SALOMÃO FILHO. Calixto. desta forma. 42. por outro lado a propriedade dos bens de consumo passaram a ter grande relevância social. 7-24. v.136 A extensão da função social para a empresa justifica o reconhecimento de alguns direitos fundamentais da pessoa jurídica. influenciando de forma crescente as relações sociais”.135 De início não havia previsão legal expressa da função social da empresa. Logo se tornou evidente que a utilização do termo tinha que ser ampliada. 2003. deriva da função social da propriedade. na prática. Revista de Direito Mercantil: Industrial. v.138 135 SALOMÃO FILHO.Outro princípio previsto no artigo 47 da lei é o da função social da empresa. Econômica e Financeira. p. dando-lhe. como a propriedade de bens de consumo e bens de produção -. p. out. 7-24. 2ª edição. 42. assim. out. . passando a empresa a representar “o principal motor do sistema econômico. 132. n. out. 2003. 8. Rio de Janeiro: Editora Forense. p. tendo a doutrina que identificar – a através das diversas formas de propriedade. Econômica e Financeira. 2003. as interpretações restritivas do direito de propriedade. pois estas eram sinônimo de poder econômico. 132. a idéia de função social do contrato. o controle da empresa. surgindo. 7-24./dez. 137 THEODORO JÚNIOR. p. abre caminho para a aplicação deste não só para a empresa como para toda a relação civil. São Paulo. p. Revista de Direito Mercantil: Industrial. p.8. A função social ao ser entendida como princípio.Direito Mercantil: Industrial./dez. v. Esta extensão da função social influenciou. Função social do contrato: primeiras anotações. 7. 132. 42. Econômica e Financeira. p. Calixto.

que faria com que o contrato. o qual atuaria. loc cit. implicaria a valorização da solidariedade e cooperação entre os contratantes. n. os contratos devem estabelecer-se numa ordem social harmônica. p. 2004. 43. in casu. Seria a idéia de igualdade na dignidade social ou na liberdade “para todos”. de modo a fazer com que a liberdade de cada um dos contratantes “seja igual para todos”. Alguns doutrinadores conceituam a função social do contrato situandoo apenas na relação dos contratantes com o meio social. Função social do contrato: primeiras anotações. o qual se volta para a idéia de dignidade social ou liberdade “para todos”. .. 43 143 SALOMÃO FILHO. 142 Ibidem. uma “função social”. v. out. outrora concebido de maneira individualista. assim. O contrato passa a exercer uma função social quando visa o princípio da igualdade. a tendência natural é sempre no sentido de sua ampliação. A expressão interesse de terceiros é por demais vaga para definir o objeto de tutela de princípio tão importante. plena de significado moral e social. Expressão genérica. no domínio do contrato. Revista de Direito Mercantil: Industrial. sobrepondo-se. Desta forma.) É também bastante evidente que o simples envolvimento da esfera de terceiros não é o suficiente para definir e delimitar a função social. p. 140 Ibidem. para superar o individualismo. corresponde a definir um objetivo a ser alcançado. p. possa passar a exercer. o que. A base da função social do contrato estaria no principio da igualdade. a função social estaria localizada no propósito de colocar o interesse coletivo acima do interesse individual. São Paulo. Econômica e Financeira. 139 THEODORO JÚNIOR. 2ª edição.142 Para Calixto Salomão Filho143: Não é tarefa fácil atribuir sentido jurídico específico ao termo função. devendo impedir qualquer prejuízo à coletividade que provenha da relação firmada no contrato. p. O contrato social e sua função. 42. na sociedade. o contrato “deve apresentar-se como um comportamento social sempre adequado”. Rio de Janeiro: Editora Forense. Falar em função.De acordo com Humberto Theodoro Júnior139: Para uns. o interesse coletivo sobre o individual. 48 141 THEODORO JÚNIOR. Humberto. 141 Função significa dizer que é o papel que alguém ou algo deve desempenhar em determinadas circunstâncias. Para o professor Antônio Junqueira de Azevedo140./dez.. 132. 10. 2003. 7-24. (. Calixto. portanto. p.

é preciso que o contrato seja bom para os indivíduos que o celebram e bom para a sociedade. 135 . A função social e econômica são institutos jurídicos distintos. estas descrevem valores. A função primária do contrato é a função econômica e está jamais pode ser descartada ou anulada em prol. p. p.146 A função social é uma cláusula geral. está não prescreve uma conduta. atender a uma função na sociedade. 2ª edição. em hipótese alguma.144 O que se deve dizer é que tanto o direito de propriedade quanto o direito de contratar devem. podendo estes interesses ser traduzidos nos princípios da eticidade e da socialidade. ou em outras palavras. 145 Ibidem. p. sendo assim. para ser dignos de alguma tutela pelo direito. p.Presta-se um maior serviço ao instituto jurídico da função social do contrato se forem analisados os verdadeiros interesses sociais em jogo. tendo a função social o atributo de indicar os limites do contrato em relação o quanto este pode atingir terceiros. mas devem coexistir harmonicamente. pois a contrato cabe uma função social. e a segunda refere-se à preocupação com a ordem econômica e social. 2ª edição. Humberto. Rio de Janeiro: Editora Forense.145 Humberto Theodoro Júnior. mas define valores e princípios. Rio de Janeiro: Editora Forense. 49. mas não uma função de assistência social. por exemplo. 2004. Humberto. É necessário que com o contrato se atinja o bem comum. ambos os princípios devem ser analisados no plano “do impacto do contrato com terceiros ou com o meio social em sentindo mais amplo”. ou seja. O contrato social e sua função. 100 147 Ibidem. Ressalta Humberto Theodoro Júnior147 O julgamento segundo clausulas gerais autorizadas pela lei não é. de uma atividade assistencial. 2004. Onde o primeiro se aplica as regras como a da lealdade e solidariedade entre os contratantes. Ao complementar uma 144 THEODORO JÚNIOR. ainda ressalta que: Para que se conceba um conceito adequado de função social do contrato é preciso que se busque também um elemento externo ao contrato. “uma tarefa arbitrária”. As cláusulas gerais são ponto de referência e oferecem ao interprete os limites para a aplicação das demais disposições normativas. 146 THEODORO JÚNIOR. 83. Por isso não basta apenas aquela relação de proporcionalidade entre os princípios. O contrato social e sua função.

senão um poder que. (.. (.) Dessa constatação. e. Ainda cabe ressaltar que sendo a preservação da empresa princípio constitucional. os quais exigem do juiz não apenas ato de vontade. ou uma sociedade eficiente. pois sua extinção não atende aos interesses coletivos. sob pena de criar um mundo justo. Não é por outra razão que a Constituição exige. que toda a decisão judicial seja fundamentada (CF. 2007. Carlos Alberto Farracha de. mas inviável. fundamentalmente. “Toda e qualquer reconstrução dogmática está. exclusivamente “um poder da vontade para a realização de um interesse próprio”. Conforme Orlando Gomes149: O jurista que observa a paisagem da vida econômica contemporânea se convencerá de que a evolução das estruturas da economia relegou a segundo plano. loc cit. a atividade de gôzo do proprietário quando comparado à atividade produtiva do empresa.. introduzida no centro do sistema do direito privado. portanto. IX). quando é preciso conciliar justiça e eficiência. Somente com a explicitação dos elementos de fato e de direito em que a sentença se apoiou haverá condições de aferirlha a conformidade com o sistema normativo axiológico determinado pela Constituição. que não assegura a continuidade das instituições. em primeiro lugar. mas injusta. o poder jurídico que o pressupõe deixa de ser. que. mas. sua estrutura e funcionalidade. O momento é de reflexão e construção para o jurista. 43-44. embora exercido com fim lucrativo. abandonando o absolutismo passado. o qual não permite a extinção das empresas produtivas. 149 CASTRO. o juiz tem de se ater à realidade da figura jurídica. Sendo a empresa em última análise. sob pena de nulidade.148 Ademais. De acordo com Arnoldo Wald: Se o direito tem a dupla finalidade de garantir tanto a justiça quanto a segurança.) O exercício da atividade econômica pela organização de bens e pessoas nessas unidades orgânicas cada dia maiores e mais poderosas exige disciplina que encare o direito de propriedade sob novas perspectivas.. Preservação da Empresa no Código Civil. ato de conhecimento e de responsabilidade”. art. surgiu a categoria jurídica da empresa. mas. no 148 CASTRO. é preciso encontrar o justo equilíbrio entre as duas aspirações. “tão-somente. quanto as realidades econômicas e sociais. nesse ponto. um dos modos de seu exercício e devendo subordinar-se esse exercício ao interesse geral. aos individuais e patrimoniais dos seus titulares”. Curitiba: Juruá. aplicando sempre os princípios informativos do sistema. que impede o desenvolvimento da sociedade. um direito subjetivo puro. este pode ser concebido como a desmaterialização da riqueza.norma legal em branco. . tendo em conta tanto os valores éticos. Não devem prevalecer nem o excesso de conservadorismo. pó que não é mais. p. sob a perspectiva social. atada aos valores e diretivas do ordenamento. nem o radicalismo destruidor.. este se deve a função social da propriedade. 93. tem-se o entendimento que a empresa constitui a noção atual de propriedade. deve relativizar as soluções.

São Paulo. 152 COMPARATO. mas sim em sua destinação. A essência da função social decorre de sua evolução e utilização na realidade histórica. Revista de Direito Mercantil. Calixto. 2003. as mercadorias. jul. ao final do início do ciclo distributivo. do direito de propriedade as relações jurídicas. 7-24.150 Na medida em que a função social da propriedade deixa de vislumbrar apenas as propriedades agrárias e passa se fundar nas relações comerciais e industriais mais complexas. p. p. 9. na análise econômica. assim. n.interesse de quem exerce. deve ao mesmo tempo legitimar-se pela realização de interesse extra-pessoal transindividual. ou elas incorporam a uma atividade industrial. p. uma vez destacadas dele. a essência contida no princípio tem de se transformar. Função social do contrato: primeiras anotações. Fábio Konder. Econômica e Financeira.151 Antes de ser identificada a função social da empresa os doutrinadores buscavam na função social dos bens de produção e dos bens de consumo a forma de identificar o controle que empresa exercia na sociedade. “em um primeiro momento aquelas envolvidas pela empresa e. Não somente a terra. São Paulo. 63. Passando. 7-24. tornou-se importante prever como a esfera social era afetada por estas relações. n. Mas as mercadorias somente se consideram bens de produção enquanto englobadas na universalidade do fundo de comércio. p. Industrial. Função Social da propriedade dos bens de produção. Desta forma. 71-79. isto é. 132. “A 150 SALOMÃO FILHO. assim. De igual modo os bens destinados ao mercado. Função social do contrato: primeiras anotações. v. indiferentemente. 151 SALOMÃO FILHO./dez. pois a atividade produtiva é reconhecido. o qual dado a ele pela própria sociedade.-set. A classificação dos bens de produção e dos bens de consumo não se encontra em sua natureza ou consistência. sob a forma de moeda ou de crédito. v. revelando. 25. Revista de Direito Mercantil: Industrial. pelos contratos em geral”. 10. out. ou passam à categora de bens de consumo. Calixto. 42. n. tornando-se insumos de produção. podem ser empregados como capital produtivo. 72. São Paulo. Desse modo. em seguida. mas pela criação de valor. Fábio Konder Comparato152 classifica bens de produção e bens de consumo como: Os bens de produção são móveis ou imóveis. 132. p. ./dez. mas também o dinheiro. 1986. o valor nele embutido. v. Econômica e Financeira. out. p. Econômico e Financeiro. 2003. Revista de Direito Mercantil: Industrial. o proprietário na veste do empresário ou empreendedor tem deveres e responsabilidades. não pela criação de coisas materiais. 42.

“o poder de dar ao objeto da propriedade destino determinado. devendo está ser desempenhada para a satisfação da coletividade. 73. 156 COMPARATO. mais especificamente. também. de que algo deve ser feito ou cumprido”. sendo a função social um poder-dever do proprietário. Econômico e Financeiro.75. o qual corresponde ao interesse coletivo e não ao interesse próprio do proprietário.-set. p. 63. p. 25. jul. sendo a forma de obter a subsistência do indivíduo e de sua família. . São Paulo. COMPARATO. 71-79.155 Já o social demonstra o objetivo.156 Mas. mas. na acepção positiva. podendo até mesmo ser sancionado pela justiça. salário justo. como a previdência contra os riscos sociais. em relação ao “respeito a certos limites estabelecidos em lei para o exercício da atividade. e as “prestações sociais devidas ou garantidas pelo Estado. p.158 153 154 Ibidem. o transporte e o lazer. loc cit. p. de vinculá-lo a certo objetivo”.73 155 Ibidem. A função. Fábio Konder. e isto justifica a importância dada para a propriedade agrária. 1986. em vez da subsistência. v. 158 Ibidem.153 Antigamente o intuito da propriedade privada era o de proteger o indivíduo e sua família de possíveis necessidades materiais. mesmo assim. em seu lugar. 41. “o que não significa que não possa haver harmonização entre um e outro”. Função Social da propriedade dos bens de produção.157 Em outras palavras a função social da propriedade é um poder-dever não somente no sentido negativo. encontra-se a garantia de emprego. se está perante a um interesse coletivo.154” Quando se fala em função social da propriedade não significa que este restringe o uso e o gozo dos bens de seu proprietário. aqui. p. deve ser entendida como um poder. Revista de Direito Mercantil. a habitação. 157 COMPARATO. Industrial.função que as coisas exercem na vida social é independente da sua estrutura interna”. n. Hoje a propriedade privada deixou de ser o único meio de garantir a subsistência da família. a educação e a formação profissional. loc cit.

2007. 43. 5. É dela que depende. sem falar do alcance desta ao Estado como um todo. compõe-se na base da sociedade. p. É das empresas que provém a grande maioria dos bens e serviços consumidos pelo povo. Carlos Alberto Farracha de. é a função social do detentor da riqueza. os fornecedores. A propriedade não é mais o direito subjetivo do proprietário. de sua existência. Preservação da Empresa no Código Civil. DALLARI. “o conceito de empresa antecede o seu reconhecimento pela ordem jurídica”. É em torno da empresa. p. hoje. Temas de direito urbanístico. e é delas que o Estado retira a parcela maior de suas receitas fiscais. em conseqüência. pois é por intermédia da empresa que o Estado arrecada tributos indispensáveis.pela organização do trabalho assalariado. pela sua influência. ademais. pelo próprio fato de deter a riqueza. que gravitam vários agentes econômicos não – assalariados. predominantemente. e este resulta do exercício do direito a propriedade. Está. no Brasil. o detentor de riqueza. em uma situação econômica. diretamente. assegurar a satisfação de necessidades gerais. Adilson Abreu/ FIGUEIREDO. sirva de elemento explicativo e definidor da civilização contemporânea. Conforme destaca Fábio Konder Comparato: Uma instituição social que. de certo modo. dinamismo e poder de transformação. em proveito da coletividade”. 161 CASTRO. configura-se. pode cumprir uma certa missão que só ele pode cumprir. 135. Somente ele pode aumentar a riqueza geral. como os investidores de capital. Curitiba: Juruá.159 Adilson Abreu Dallari e Lúcia Valle Figueiredo160 entendem como função social da propriedade que: Todo o individuo tem a obrigação de cumprir na sociedade uma certa função. 135-136. Deste modo. a escolha é indubitável: essa instituição é a empresa. Na opinião de Clóvis Couto e Silva161.Dentro da Constituição Federal de 1988. p. 162 Ibidem. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais LTDA. 1987. p. para que este possa cumprir com suas despesas e obrigações. a subsistência da maior parte da população ativa deste país. a função social da propriedade é apresentada “como imposição do dever positivo de uma adequada utilização dos bens.162 Deste modo a função social da empresa é irreversível. Lúcia Valle. 159 160 Ibidem. dada a sua importância e movimentação da sociedade ser dependente. Ora. na razão direta do lugar que nela ocupa. a 60% da renda nacional. fazendo valer o capital que detém. . A empresa. os prestadores de serviço. A massa salarial já equivale. socialmente obrigado a cumprir esta missão e só será socialmente protegido se cumpri-la e na medida em que o fizer.

. desta forma. deve buscar o lucro de forma desenfreada. Em suma. como também. 138. p. A função social da empresa como Princípio do direito civil constitucional. p. Disponível em: <http://www. 164 CASTRO. Mariana. devendo o direito individual coexistir. 38. fornecedores. exercendo. 45.166 Nas palavras de Fábio Konder Comparato167: 163 CASTRO. que não há como a empresa exercer sua atividade tendo em vista a função social da empresa. mas sim. uma vez que serve não só ao sujeito proprietário. 732. com a funcionalização do princípio. loc cit. 38. Estado. Empresa e Função Social. sem o lucro não há como a empresa resistir. Revista dos Tribunais. mesmo que autorizado legalmente. 45.Alguns doutrinadores entendem que a função social da empresa determina que a exploração da atividade empresarial não interesse apenas empresário e. como Fábio Konder Comparato. Em outras palavras “a atividade empresarial apresenta um caráter dúplice. fisco e todos aqueles que têm relação com a empresa. 167 COMPARATO. assim. out. não. 1996. v.br/artigos/artigos_53. Curitiba: Juruá.html>.165 É entendimento de alguns doutrinadores. Revista dos Tribunais. às necessidades sociais”. pois não há como o administrador da empresa praticar atos gratuitos e não razoáveis em benefício da comunidade em torno da empresa. 166 COMPARATO.164 Cabe ressalvar que a função social não deve ser encarada como algo exterior à propriedade. A razoabilidade da atuação dos administradores está estritamente ligada à lucratividade da empresa. Carlos Alberto Farracha de. out. um papel produtivo. p. atingindo. harmonicamente. p. Empresa e Função Social. Fábio Konder. p. como componente integrante de sua própria estrutura. Estado. o qual favorece toda a sociedade. 165 ALVES PESSOA. 1996. meio ambiente.com. 2007. Fábio Konder.163 Sendo assim. trabalhadores. a função social da empresa representa a superação do individualismo.juspodivm. a qual é a essência da sociedade. São Paulo. São Paulo. a função social da empresa “implica um dever social que exige consonância entre interesses particulares da sociedade e o interesse coletivo”. Acesso em 24 de janeiro de 2010. 732. também. Preservação da Empresa no Código Civil. pois os interesses e exercícios da exploração da propriedade devem ser tencionados à sociedade. v.

melhoria de vida aos seus empregados. 2007. no desempenho dessa atividade econômica. podemos felizmente constatar uma sensível melhora nas condições econômico-financeiras das instituições que têm adotado medidas de caráter social. promoverá a justiça social. São Paulo. v. No regime capitalista. suprirá naturalmente as carências sociais e evitará abusos. n. . a qual pode ser definida como instrumento de aparente conquista social que. fornecedores. da comunidade que nela está inserida. jan.É imperioso reconhecer. consumidores. mantendo privilégios ou impedindo a real conquista dos interesses sociais. Preservação da Empresa no Código Civil. o sistema empresarial. em busca do lucro. Novos enfoques da função social da empresa numa economia globalizada. Paulo R. Taís C.com/artigos/15411>. enfim. não significando que a empresa deva substituir ou fazer às vezes do Estado169. 159. Carlos Alberto Farracha de. mas também o social. de Camargo.2000. se considerarmos que a empresa possui função social. ou seja. livre de todo controle dos Poderes Públicos. Pelo contrário. Revista de Direito Mercantil. por conseqüência. 120. admitindo-se que. 140. na realidade. também. a incongruência em se falar numa função social das empresas.. Mas é uma perigosa ilusão imaginar-se que. o que se espera e exige delas é. responsável em relação à garantia dos direitos individuais dos cidadãos. apenas. pois é notório que a atividade empresarial assumiu dimensões extraordinárias que cada vez mais vêm se acentuando nesta época de globalização.39. Acesso em 17 de janeiro de 2010. Fábio Leandro Tokars168 entende a função social como: Um paliativo retórico aos efeitos concretos de nossas políticas econômicas. p. A Função Social da Empresa: adequação às exigências do mercado ou filantropia? Disponibilizado em: <http://jusvi. 169 CAPEL FILHO. Na economia moderna.. garante. a eficiência lucrativa. 117. Colombo/MICHELAN. de sua finalidade lucrativa./mar.170 Em suma: Podemos afirmar que atribuir alguns deveres sociais a essas entidades não significa esquivar o Estado de funções que lhe são próprias. por conseguinte. a empresa passa a ser responsável não apenas por melhorar o aspecto econômico. Em outras palavras. acaba por atuar exatamente de forma oposta. Hélio. 170 ARNOLDI. p. p. trás benefícios a sociedade. o sistema empresarial como um todo exerça a tarefa necessária de produzir ou distribuir bens e de prestar serviços no espaço de um mercado concorrencial. Importante ressaltar que sua contribuição à sociedade não significa diminuição dos lucros. por parte da empresa. A realização. Curitiba: Juruá. 168 CASTRO. ambos devem trabalhar juntos. em suma. então está acaba sendo.

e que a lista de elementos extra-societários que a empresa deve respeitar e atender não pode pautar-se unicamente pela obtenção de lucro. a preservação do meio ambiente. não só com os acionistas da empresa. 63. 1986. Econômico e Financeiro. 172 PENTEADO. p.404/1976: Art.171 Desta forma. Por fim. os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua. De acordo com Mauro Rodrigues Penteado172: Em razão dessa função de grande relevo é que a nova Lei estrutura mecanismos que conduzam à sua preservação. superando as naturais crises econômicas e financeiras pelas quais venha a passar o devedor empresário. lealdade e informação. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. também.. para com a comunidade em sua vota. p. e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa.101/2005. do patrimônio histórico e cultural do País. Mauro Rodrigues. 116. também. parágrafo único da Lei 6. o regime de livre concorrência. pois o poder de controlar não se confunde com a propriedade. Revista de Direito Mercantil. São Paulo: Revista dos Tribunais. jul. o desenvolvimento econômico e em conseqüência a busca pelo lucro não se demonstram incompatíveis com a consolidação da função 171 COMPARATO. devendo a empresa atender. exercida de modo individual ou sobre qualquer forma societária prevista no Código Civil. não restam dúvidas de que este se aplica a qualquer atividade empresarial. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social. mas. Importante se faz distinguir. cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. (. 2007. São Paulo.. mas ao administrador ou controlador. n. os direitos do consumidor. v. exige-se do administrador que este empregue em suas funções o máximo dever de diligência.) Parágrafo único. de Moraes Pitombo. Industrial.77. estando este disposto no artigo 116. Fábio Konder. Quando se trata de exploração empresarial a função social não cabe ao proprietário. . dentre outros.-set. 73. pois seus administradores também possuem deveres sociais. p. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. Apesar do aludido diploma legal tratar apenas das sociedades por ações. 25. 11. Função Social da propriedade dos bens de produção. 71-79.A função social não cabe apenas à empresa.

Preservação da Empresa no Código Civil.1 Contratualismo x institucionalismo Ao analisarmos os fundamentos do direito societário estamos ao mesmo tempo analisando as funções das sociedades.1. não para cumprir as obrigações típicas do Estado. 2006. mas sim na acepção de que. Dentro do contratualismo alguns autores 173 CASTRO. 174 SZTAJN. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 3. muito menos para substituí-lo. ainda.173 A função social da empresa. está apóia que o interesse da sociedade deva ser o mesmo do seu grupo de sócios. p. 3. 25 176 SALOMÃO FILHO. Rachel. 11. São Paulo: Malheiros. refere-se à organização empresarial. ou seja. 26 . Calixto. Sendo o interesse dos sócios o interesse social da empresa. cuja existência está estritamente ligada à atuação responsável na esfera econômica.174 que se busca sua 1. Carlos Alberto Farracha de.175 Considerado as teorias contratualista e institucionalista identificamos até que ponto as sociedades tem responsabilidades sociais com os terceiros que não estão envolvidos. p.101/2005. 149. p. um vê a sociedade como um contrato e o outro como uma sociedade organizada como instituição. São Paulo: Revista dos Tribunais. de Moraes Pitombo. Ed. O Novo Direito Societário. Calixto.176 A teoria contratualista é contrária à concepção de que a empresa deve ter como prisma o interesse social. sendo por estes motivos preservação. 2007. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. O Novo Direito Societário. Estes entendimentos nos levam as teorias contratualista e institucionalista. 223 175 SALOMÃO FILHO.social da empresa. respeitar o meio ambiente e a coletividade. sua existência deve ser calculada para criar postos de trabalho. Ed. Curitiba: Juruá. 2007.2. e até onde pode ou deve ir esta responsabilidade da empresa com o universo que a cerca. ainda que este seja apontado como o gerador das desigualdades sociais e da “exploração econômica da classe de trabalhadores pelos detentores do capital”. A visão alcançada pela sociedade unipessoal leva a dois entendimentos distintos. São Paulo: Malheiros. 2006. p.

ou seja. Ed. está constitui à noção clássica da teoria. no institucionalismo o conflito de interesses.30. qualquer que fosse). Calixto. O interesse social busca a manutenção da empresa e são discutidas formas para alcançar e garantir este objetivo. 180 SALOMÃO FILHO. p.178 No contratualismo os sócios se unem para um fim comum. 179 Ibidem. . 181 Ibidem. De acordo com Calixto Salomão Filho: O interesse social é predefinido: sobre ele os órgãos sociais não têm qualquer influência (o que não corria na definição clássica pura. também. veio um institucionalismo mais organizativo. p.guerra. buscava-se a preservação da personalidade jurídica da sociedade. ainda que formalmente identificado à maximização de lucros.180 Após um período no qual o institucionalismo era mais publicista. A soma destes interesses se “traduz no interesse à preservação da empresa”. dos trabalhadores e da coletividade. Do ponto de vista prático.definem interesse social de forma abstrata e típico. o fulcro da definição do interesse era sua identificação com o interesse do grupo de sócios atuais. 26-28. “reduzindo-o ao interesse à maximização do lucro”. ainda que existente na prática. onde. São Paulo: Malheiros. não é requisito teórico para a explicação do funcionamento social. contudo os sócios se obrigam apenas com os interesses um dos outros e não com os da sociedade a sua volta. 177 O Contratualismo moderno não vê o interesso apenas em torno única e exclusivamente do grupo de sócios. 3.179 A teoria institucionalista nasceu na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Com isso quer-se 177 178 Ibidem.181 De acordo com Calixto Salomão Filho: Ao contrário da concepção contratualista. 2006. onde o interesse dos sócios não prevalecia sobre o interesse social. O Novo Direito Societário. p.36. devia-se reconhecer o interesse. o efeito óbvio é o estímulo à busca desenfreada de aumento do valor de venda das ações por todos os agentes do mercado. sendo vista como uma forma de desenvolver a sociedade que se encontrava destruída no pós . Ibidem. p. p.33 e 34. Está postulava o reconhecimento de diversas classes de interesses que iam além dos sócios. ou seja.35.

2006. p. v. e um sistema autônomo (como o contratualismo). loc cit. Ed. Fábio Konder. onde as partes se obrigam entre si para alcançar um fim comum. e nem tampouco ficar só na preservação da empresa. pois como profere Fábio Konder Comparato em “A reforma da empresa”187: 182 183 SALOMÃO FILHO. Econômico e Financeiro. está faz com que as outras regras do ordenamento devem ser revistas pela perspectiva institucionalista. p. está na limitação do objeto do conflito. São Paulo: Malheiros. O Novo Direito Societário. A reforma da empresa. O que a primeira concepção fez foi limitar o objeto do conflito às questões de rentabilidade e às questões organizativas. 187 COMPARATO. Industrial. 50.dizer que a diferença entre um sistema integracionista (como é o institucionalismo). Calixto. p. loc cit. p. pois de um lado temos os conflitos de interesse dos sócios conjuntamente com os interesses dos órgãos sociais. p. que pressupõe a colaboração na persecução de um interesse social predeterminado. 185 Ibidem.185 Hoje há uma junção das teorias contratualista e institucionalista. 186 Ibidem. que pressupõe a existência de contraposição interna de interesses.182 Na teoria institucionalista é possível visualizar os interesses efetivamente contrapostos. Revista de Direito Mercantil. De forma geral parte da doutrina encontra nas disposições legais a teoria contratualista da sociedade. . uma vez que este não vislumbra os interesses dos órgãos sociais. pois não há como pensar só nos interesses dos sócios. 184 SALOMÃO FILHO.38. “Deve isso sim ser relacionado à criação de uma organização capaz de estruturar de forma mais eficiente as relações jurídicas que envolvem a sociedade”. nesta definição encontramos todos os traços da teoria contratualista.184 Há vestígios da teoria institucionalista na Lei 6.404/76 em seu artigo 116 o qual prevê que o acionista controlador deverá realizar o objetivo a e função social da empresa. como na contratualista. 3.42.186 Devido esta mistura da teoria contratualista e da institucionalista o entendimento do que é a empresa teve que passar por uma reforma. SALOMÃO FILHO. 1983. 57-74. ambas paramentradas pelo interesse à preservação da empresa.36. 57.183 No sistema societário brasileiro visualizamos no artigo 981 do Código Civil que sociedade é um contrato plurilateral.

I. O lucro é apenas um objetivo lícito. desta forma quando a empresa entra em estado de crise a solução jurídica não pode apenas levar em consideração o interesse dos credores. 57-74. pois não é justo a empresa sofrer a punição pelos atos faltosos do empresário. sirva como elemento explicativo e definidor da civilização contemporânea. p. ou seja. p. p. 62. pois deve reconhecer o interesse da coletividade na preservação da instituição. n. Alberto. p. 190 Ibidem. 104. 1996. A reforma da empresa. Industrial. comportando um equilíbrio estrutural entre ingressos e dispêndios. 50. a escolha é indubitável: essa instituição é a empresa. 192 ASQUINI. 170 a lucratividade empresarial. v.190 Uma das reformas pela qual a empresa se submeteu foi separação da figura do empresário da empresa. p. não sendo o lucro um objetivo obrigatório. . 62. 66. publicado em 1943. pela sua influência. 123. na Rivista del Diritto Commerciale. Econômico e Financeiro. Revista de Direito Mercantil. mesmo não lucrativa. 41. Perfis da empresa. dinamismo e poder de transformação. Revista de Direito Mercantil. 1983. Mas a Constituição Federal não prevê nos princípios do art. COMPARATO.. sem prejuízo da punição e do afastamento do empresário faltoso191”. out.-dez. Econômico e Financeiro. v. O maior questionamento dessa mistura de teorias é se levarmos a sério que a empresa deve cumprir sua função social como ficaria o lucro? Como compatibilizar o objetivo da empresa que é o lucro e sua função social? Comparato188 entende que: O lucro da gestão empresarial é o saldo positivo de um balanço geral de ingresso e dispêndios. São Paulo..Se quiser indicar uma instituição social que. p. Alberto Asquine192 visualizou a empresa através de diversos perfis.189 Sendo assim uma empresa que tem sua atividade focada no interesse social não pode centrar-se no lucro. 65. nos interesses da coletividade. 109-126. deve trabalhar em regime de economicidade. 191 Ibidem. devendo ser “a preservação da empresa como centro autônomo de interesses. sendo eles: 188 189 Ibidem. toda a empresa. não há sua inclusão na esfera social. Industrial. p. Fábio Konder. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”.

41. Não é. Perfil patrimonial e objetivo: a empresa como patrimônio “aziendal” e como estabelecimento. 124. onde se compreende o empresário e seus colaboradores. Asquine também identifica a empresa como instituição. o engenheiro etc.. socialmente útil. na Rivista del Diritto Commerciale. sendo identificado um fim comum. o mediador.. Perfil funcional. tampouco. . dá lugar a um patrimônio especial distinto. que supera os fins individuais do empresário (intermediação lucro) e dos empregados (salário). p. empresário. seja de caráter material. I. usando a palavra em sentido subjetivo como sinônimo de empresário. projetado sobre o terreno patrimonial.Perfil subjetivo: A empresa como empresário.. quem exerce uma atividade econômica às custas de terceiros. caso em que o patrimônio integral da pessoa jurídica serve àquele escopo). Industrial. quem presta um trabalho autônomo de caráter exclusivamente pessoal.. out. na produção. Assim como Comparato. ou seja. Não é ainda empresário quem exerce uma simples profissão (o guia.. Pois ele entende que de todos os perfis analisados. funcionários. 41. portanto. n.a empresa é considerada do ponto de vista individualista do empresário. seus colaboradores. Perfis da empresa. O empresário e seus colaboradores dirigentes. I. constituída para o exercício de uma determinada atividade empresarial.193” 193 ASQUINI. a empresa vem considerada como aquela especial organização de pessoas que é formada pelo empresário e pelos empregados. no qual se fundem os fins individuais do empresário e dos singulares colaboradores: a obtenção do melhor resultado econômico. Econômico e Financeiro. mas formam um núcleo social organizado. uma pluralidade de pessoas ligadas entre si por uma soma de relações individuais de trabalho. não são de fato. Revista de Direito Mercantil. A organização econômica da empresa pelo seu vértice. Perfil corporativo: a empresa como instituição. a empresa aparece como aquela força em movimento que é a atividade empresarial dirigida para um determinado escopo produtivo.. pois nesta a empresa é uma organização de pessoas.... v. v.o fenômeno econômico da empresa. com fim individual. do restante patrimônio do empresário (exceto se o empresário é pessoa jurídica. quem exerce uma profissão intelectual (a advogado. Alberto.) nem de regra. p. segundo o perfil corporativo. seja de caráter intelectual. 1996. empresário.. . o carregador etc.vista funcional ou dinâmica. São Paulo. Não é. 104. o perfil corporativo da empresa é o exemplo típico de instituição. o médico. em função de um fim econômico comum. por seu escopo. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”. operários.a empresa em sentido funcional “é a atividade profissional organizada do empresário”. simplesmente. 109-126.-dez. publicado em 1943.) a menos que o exercício da profissão intelectual “dê lugar a uma atividade especial.Diritto Commerciale. “a conquista de um resultado produtivo. organizada sob forma de empresa”.

mas se as obrigações previstas no plano são superiores a este período. Mas o plano pode prever o cumprimento das obrigações em período superiores há estes dois anos. pois a passagem de um sistema para outro é delicada e há situações que merecem um tratamento diferenciado. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 195 SECCHI MUNHOZ.Hoje é inviável a empresa pensar apenas no lucro. devendo. 2. de Moraes Pitombo. 2005. o bom andamento do plano. além de fiscalizar o andamento do plano. dar atenção a função social da empresa e buscar. Assim como há mudanças significativas que devem ser analisadas com mais tenacidade. 36.101/2005 E DIRETRIZES NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA EMPRESA EM CRISE Quando a lei 11. o devedor deverá seguir cumprindo-o. apurar e emitir pareceres sobre as reclamações dos interessados. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas.101/2005. pois está não tem como fugir dos interesses que a circundam. é de dois anos. caso este 194 FAZZIO JÚNIOR. p. dos credores.194 O período para cumprimento da recuperação judicial. do comitê de credores e do administrador judicial. ficando a cargo do comitê de credores informarem o juiz. onde identificamos duas fases.101/05 entrou em vigor está não revogou de imediato o Decreto – lei 7. p. através de relatórios mensais. . 302. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 2 REPERCUÇÃO DA LEI 11. São Paulo: Atlas. sua preservação. Sendo que nos primeiros dois anos de execução do plano o devedor ficará sobre a fiscalização do Poder judiciário. Waldo. quando está for benéfica a sociedade. a exemplo do que ocorria na concordata. em caso de descumprimento do mesmo. O administrador judicial. a primeira é de negociação do plano e a segunda refere-se à execução e cumprimento da recuperação judicial da empresa em crise. 2007. a falência do devedor. São Paulo: Revista dos Tribunais. Eduardo.195 Após o período de dois anos o processo de recuperação judicial é encerrado por sentença. como foi visto. pode requerer. Ed. denunciar ocasionais irregularidades. através da assembléia geral.661/45.

o qual traz hipóteses exemplificativas e não taxativas como ocorria no Decreto – lei 7. VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento. remissão parcial do valor dos créditos quirografários ou combinar as duas opções. 1995. incorporação. Eduardo. onde os meios que a concordata podia adotar eram apenas os descritos no referido decreto. 50. Rubens. São Paulo. 2007. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. observada a legislação pertinente a cada caso. ou seja. p. 303. fusão ou transformação de sociedade. 2007.661/45. A concordata possuía o intuito de solucionar as crises de iliquidez temporária. III – alteração do controle societário.101/2005 encontramos como meios para a recuperação judicial: Art.101/2005. caso contrário não haverá a convolação da recuperação em falência.197 A Lei 11. IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos. V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar. nos termos da legislação vigente.venha a descumprir-lo o juiz só poderá decretar a falência quando os credores informarem o descumprimento. de Moraes Pitombo. de Moraes Pitombo. constituição de subsidiária integral. dentre outros: I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas. São Paulo: Revista dos Tribunais. 232. p. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 198 SZTAJN. ou cessão de cotas ou ações. inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados. 126-128.198 Já no artigo 50 da Lei 11. Constituem meios de recuperação judicial. 197 REQUIÃO.101/2005. p. dilatar o prazo e remir com parte dos créditos. sendo disponibilizada a empresa em crise a dilação do prazo para pagamento. VI – aumento de capital social. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.196 Enquanto que na concordata preventiva o cumprimento desta não poderia ser superior ao período de dois anos. devendo o período ser contado a partir da data do ingresso do pedido da concordata em juízo. 196 SECCHI MUNHOZ. 2º Vol. . respeitados os direitos dos sócios. 16º edição. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. sendo estes os únicos meios disponibilizados para a realização da concordata. São Paulo: Revista dos Tribunais. II – cisão. Curso de Direito Falimentar.101/2005 inovou em seu artigo 50 ampliando os meios de recuperação judicial. Rachel.

ou seja. identificamos que a dilação do prazo é parecida com a existente na antiga concordata dilatória. sem prejuízo do disposto em legislação específica. A transformação é quando se modifica a estrutura societária. XIII – usufruto da empresa. A fusão ocorre quando há a soma dois ou mais patrimônios societários. IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo. desparecendo as anteriores. a variação cambial será conservada como parâmetro de indexação da correspondente obrigação e só poderá ser afastada se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente previsão diversa no plano de recuperação judicial. em pagamento dos créditos. aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural. § 1o Na alienação de bem objeto de garantia real. A transformação. a supressão da garantia ou sua substituição somente serão admitidas mediante aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia. X – constituição de sociedade de credores. fusão. XIV – administração compartilhada. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. . No inciso I do artigo 50. p.661/45. XI – venda parcial dos bens. ou seja. ainda que não esteja mencionada no inciso – recai tanto sobre as relações internas quanto externas da sociedade. XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza. bem como a redução dos juros anteriormente cobrados. com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro. O inciso II do art. XV – emissão de valores mobiliários. A cisão “é a divisão patrimonial com versão da(s) parcela(s) cindida(s) em nova(s) sociedade(s) e o 199 MELLO FRANCO Vera Helena de e SZTAJN Rachel. quando a organização da sociedade muda de forma. com a diferença que a dilação referida no inciso I do artigo 50 não atinge os créditos posteriores a concessão do beneficio da recuperação. incorporação e cisão – incorporação. a criação de uma nova pessoa jurídica. refere a mecanismo de recuperação a reorganização societária da empresa. Rio de Janeiro: Elsevier. este pode ser considerado como a remissão de parte da divida.199 Este inciso é o único meio o qual guarda alguma semelhança com o Decreto – lei 7. os ativos do devedor. Quando o inciso fala em condições especiais. mediante acordo ou convenção coletiva. compensação de horários e redução da jornada. 2008. 237.VIII – redução salarial. tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial. ou da Lei nº 6.404/1976 que dispõe sobre as sociedades anônimas. devendo está seguir o disposto no Código Civil. XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. § 2o Nos créditos em moeda estrangeira.

desaparecimento da anterior200”. 200 SZTAJN. 204 SZTAJN. apenas a transformação terá deliberação exclusiva dos sócios ou acionistas. Outra possibilidade é a conferência de bens.101/2005.201 O inciso III refere-se à troca do controlador. Já o inciso IV prevê a modificação dos administradores ou dos órgãos da administração. devendo desta forma ter cuidado ao aplicá-lo. Das alternativas mencionadas. p. 203 Ibidem. 201 Ibidem. De acordo com Rachel Sztajn203: “Presume-se que a intenção é de. 237. por novos investidores. facilitar mudanças na formulação das diretrizes administrativas”.204 O inciso VI quando considera o aumento do capital um dos meios de recuperação deveria indicar que este pode ser feito pelo aporte de recursos pelos próprios sócios da empresa em crise. pois as demais dependem da deliberação dos membros da outra sociedade que deverão demonstrar seu interesse. 202 Ibidem. de Moraes Pitombo. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. Há dentro da sociedade o controle interno. Deste inciso surgem diversos questionamentos sobre sua utilização. .101/2005. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. sendo o controle “a forma de poder que leva tanto a formulação de políticas e estratégias administrativas quanto a condução dos negócios sociais. 2007. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 2007. tendo estes poder veto em relação há algumas matérias. São Paulo: Revista dos Tribunais. e o controle externo o qual resulta de acordos entre a sociedade e terceiros. 235. 233-234. p. como pela conversão de dívida em capital.202”. p. p. mediante cessão de controle. o qual é praticado pelos sócios ou acionistas através das assembléias – gerais ou reuniões de sócios. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. Rachel. 238. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. A questão que este inciso suscita é se a modificação dos administradores é uma avaliação da aptidão ou capacidade deste de administrar a sociedade? Não seria justo imputar ao administrador a responsabilidade pelo resultado. Rachel. a não ser que este agisse com culpa ou dolo. 232. sendo interessante evidenciar quando da demonstração aos credores e magistrado a manifestação dos sócios da outra sociedade que venham a fazer parte da operação. de Moraes Pitombo.

Conforme Rachel Stanj206: As obrigações a ele (estabelecimentos) vinculadas são transmitidas juntamente com os ativos que o compõem. 11.208 O inciso XII sofreu forte crítica da doutrina. cujo crédito já é de liquidação duvidosa. as obrigações tributárias e as trabalhistas. ou que se siga à matrícula o trespasse de estabelecimento ou. entende Rachel Stanj207: O capital seria integralizado com os créditos contra o devedor e. p. Ibidem.101/2005. essa garantia pode estar na obrigatoriedade de a sociedade em crise fazer dação em pagamento de alguns bens que permitam operar a nova sociedade. sobrando duas alternativas. Sendo que o plano de recuperação que prevê estes meios de recuperação deverá ter a aprovação de todos os credores ou a inexistência de oposição destes para ser eficaz. p. aceite esse novo risco. Em relação à venda parcial dos bens da sociedade.149 do Código Civil. Em qualquer hipótese é preciso que a nova sociedade possa operar. sem alguma garantia. pelo que ficariam excluídas. p. Rachel. 243. os credores subscritores seriam solidariamente responsáveis pela solvência do devedor. por força das normas especiais. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. os quais devem atender o disposto nos artigos 1.205 É permitido como meio de recuperação no inciso VII o trespasse ou arrendamento de estabelecimento. 2007. . p. 242. Independente de quais das alternativas. portanto. 208 SZTAJN. as quais seriam a sociedade limitada e anônima. devendo-se ter em mente que os bens que são necessários a manutenção da atividade não podem ser alienados. que pode significar diminuição 205 206 Ibidem. São Paulo: Revista dos Tribunais.142 a 1. 239. após aprovar a cisão da sociedade. 240. exercer atividade e buscar lucros. constante do inciso XI. a versão da parcela cindida naquela organizada pelos credores. de Moraes Pitombo.101/2005. Surrealista imaginar que alguém. O inciso X inova permitindo que os credores constituam uma sociedade. além do limite da Lei 11. Quando da escolha do tipo societário dificilmente se optaria pela sociedade ilimitada.devendo está transferência de bem ser útil e necessária ao desenvolvimento da atividade. estes precisam ser qualificados. 207 Ibidem. devida a incoerência “entre o aumento de risco e a eventual ‘equalização’.

244. p. razão pela qual o preço de emissão das ações deverá ser baixo.213 O último inciso refere-se à constituição de sociedade de propósito especifico “para adjudicar os ativos do devedor em pagamento dos créditos214”. uma vez que apenas estas podem emitir este tipo de documento. 245. 241 210 MELLO FRANCO. Vera Helena de e SZTAJN. 209 MELLO FRANCO. 11. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. “o credor tem direito de administrar a empresa e fruir dos resultados produzidos212”. . Rio de Janeiro: Elsevier. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. VI). b) emitir títulos de dívida ou debêntures. Rachel. p. c) emitir opções para a compra e ações o que implica previsão de aumento de capital. loc cit. 242. pois a empresa como atividade não é objeto de direito. Vera Helena de e SZTAJN. Sem falar que o inciso não institui o critério para estabelecer as taxas de juros a ser cobrada quando da equalização do percentual aplicável as obrigações.dos encargos financeiros em razão inversamente proporcional ao seu preço.101/2005 identificamos a confusão do termo empresa com o conjunto de bens necessários e utilizados para seu exercício. . 211 Ibidem.211 Mas alguns doutrinadores entendem que o usufruto mencionado no inciso se assemelha ao direito à anticrese..210 O inciso XIII traz algumas dúvidas. as contingências enfrentadas pela sociedade. assim. 2007. Rachel. em mercados eficientes o preço dos valores mobiliários reflete imediatamente. A emissão de valores mobiliários constitui: a) emitir novas ações para aumento de capital (inc.101/2005. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. o que justificaria o respectivo inciso. A emissão de valores mobiliários. p. Rio de Janeiro: Elsevier. 2008. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. isto é. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. Rachel. Ocorre que. 242.. podendo. Contudo quando analisamos o artigo 140 da Lei 11. 214 MELLO FRANCO. só pode ser aplicada por sociedades anônimas. 213 Ibidem. de Moraes Pitombo. 2008. p. ou simples. conversíveis. o usufruto recair apenas sobre o estabelecimento. o qual o inciso XV refere. representado pelos juros cobrados209”. 212 SZTAJN.

em valor. das tributárias. não podendo estes superar. loc cit. 218 Ibidem. p.101/2005 sujeita aos efeitos da recuperação judicial todas as obrigações existentes a época do pedido de recuperação. ou a conjunção das duas. no sistema anterior.216 O artigo 49 da Lei 11. . nem se há garantia ou não. 297. dada as prioridades que a legislação dava a estas. sobretudo. 2º edição. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. Eduardo. 228. 2007. uma vez que neste encontramos diversos instrumentos. sendo o suficiente a dilação no prazo de pagamento. financeiros. não interessava se esta poderia adimplir com todas as obrigações assumidas. administrativos e jurídicos para restabelecer a empresa em crise. os credores que se submetiam aos efeitos da concordata era apenas os credores quirografários. buscando dessa forma a disposta entre credores de diferentes classes. As obrigações fiscais e trabalhistas ficavam fora do quadro geral da concordata. de 9-2-2005). não interessando sua natureza. em detrimento do interesse 215 ULHOA COELHO. metade do ativo da empresa.134.101/2005. 11. tendo como pressuposto apenas os problemas de liquidez da empresa que o requeria.215 Como já visto.101. como. p. A inclusão de todas as obrigações vencidas e vincendas aos efeitos da recuperação se deve ao objetivo da lei que é a preservação da empresa e da atividade. Por este motivo é que os efeitos recaiam apenas sobre os créditos sem garantia real. São Paulo: Revista dos Tribunais.Como o artigo 50 é exemplificativo podem-se criar outros meios ou ainda utilizar mais de uma das hipóteses sugeridos no artigo. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. São Paulo: Saraiva.101/2005. de Moraes Pitombo.217 A desoneração de qualquer ônus e obrigações quando da alienação de filiais ou unidades produtivas da empresa em crise no processo de recuperação é uma das mais importantes inovações da Lei 11. 217 SECCHI MUNHOZ. Fábio. 2005. 11. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. ou a remissão parcial das dívidas. inviabilizava a manutenção da unidade produtiva (da empresa) viável nas mãos de terceiro. revisada. Pois como Eduardo Secchi Munhoz218 ressalta: A sucessão das obrigações trabalhistas e. Como a concordata era um favor legal. p. pois os créditos com garantia real seriam cobrados mediante execução própria. 216 SECCHI MUNHOZ.

141. 11. 2010. Os 219 SECCHI MUNHOZ. O artigo 60 da Lei 11. do devedor ou de sócio do devedor. 297-298. (iii) identificado como agente do devedor com o objetivo de fraudar a lei (art. 2007. em linha reta ou colateral até o 4º grau. Com o fim da sucessão tributária e trabalhista nas alienações efetivadas dentro do processo de recuperação judicial permite que a empresa seja transferida para um novo empresário. 220 SECCHI MUNHOZ. por lances orais. . p.60.222 O artigo 198 da Lei 11. Fábio. de 9-2-2005). bem como deve respeitar os artigos 141 e 142 da Lei. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.101/2005 manteve as proibições existentes no Decreto – lei 7. a continuidade da empresa sob o comando de terceiro. A alienação deve constar do plano de recuperação apresentado aos credores e juiz. propostas fechadas e pregão. assim. São Paulo: Revista dos Tribunais.101. (ii) parente. os devedores que não podiam requerer a concordata ficaram impedidos de requerer a recuperação judicial. São Paulo: Saraiva.221 Sendo a alienação por hasta pública obrigatória. acabando por penitenciar a empresa pelas obrigações não adimplidas pelo empresário. são: leilão. inclusive as trabalhistas e tributárias219”.101/2005. 222 ULHOA COELHO. loc cit. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. de Moraes Pitombo. 11. revisada. Eduardo.661/45. ou seja. não comprometendo. devendo as obrigações do empresário adquiridas por ele ao longo da sua atividade empresarial permanecer sob sua responsabilidade. 7º edição.220 As modalidades para efetuar a alienação. No regime do Decreto – lei 7. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. Assim como a sucessão dos ônus será aplicada quando o arrematante for: (i) sócio do devedor ou sociedade por ele controlada. dando assim mais segurança aos credores de que a venda não consiste em uma fraude. loc cit. consangüíneo ou afim. a qual deverá ser judicial. p. pois este visa evitar a venda direta a terceiros estabelecido no plano de recuperação.101/2005 é o reconhecimento pelo ordenamento jurídico brasileiro da distinção entre empresa e a figura do empresário. § 1º). “obtendo-se dessa forma recursos que podem ser utilizados para o pagamento das obrigações do devedor.dos trabalhadores e credores (inclusive do próprio fisco) do devedor anterior. 221 SECCHI MUNHOZ.661/45 o legislador não diferenciava a empresa da figura do empresário.

101/2005. 640. em caso de falência ou recuperação judicial da empresa de aviação arrendatária. Fábio. as quais deverão ser cumpridas de acordo com as suas cláusulas. § único. 224 ADAMEK.impedimentos referentes à natureza da atividade são pertinentes aos empresários223: (i) instituições financeiras (art. . e (vii) entidades abertas de previdência complementar (art. de 21 de novembro de 2005. se o contrato estabelecer o contrário. Marcelo Vieira von. p. 7º edição. loc cit. 26 do Dec. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. dessa forma. pois podem trazer muitos 2.1 Institutos 223 ADAMEK.656/1998). 53 d Lei 6. de 9-2-2005). – lei 261/1967). Estes foram mais algumas das mudanças trazidas benefícios as empresas em crise. 11.024/1974).402/1978). pela Lei 11. (iii) sociedades seguradoras (art. 23 da Lei 9. Antes da entrada em vigor da Lei 11. o exercício do direito da arrendatária em recuperação ou da massa falida de continuar arrendando a aeronave também não poderá ser suspenso. 2010. p.196. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. da Lei 4. Marcelo Vieira von. (v) operadoras de planos privados de assistência à saúde (art. 4º do Dec.101/2005 as empresas exploradoras de serviços aéreos de qualquer natureza ou espécie aeronáutica eram proibidas de requerer a concordata.101/2005 que devem ser analisadas com cuidado.101. 77 do Dec. (vi) entidades fechadas de previdência complementar (art. permitindo. São Paulo: Saraiva. (iv) empresas de capitalização (art. revisada. (ii) empresas integrantes do sistema de distribuição de títulos ou valores mobiliários no mercado de capitais (art.595/1964) e entidades legalmente equiparadas. 11. 45. o exercício deste direito não ficará suspenso em hipótese nenhuma. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 2007. – lei 73/1966). Fábio Ulho Coelha225 dá como exemplo: Se uma dessas cláusulas possibilitar ao arrendador rescindir o arrendamento e exigir a devolução da aeronave. que empresas desta natureza ingressem com o pedido de recuperação judicial. 225 ULHOA COELHO.224 Está modificação está disposto no artigo 199 da nova lei.479. tendo sido os parágrafos adicionados quando da promulgação da Lei 11. 81. os quais não tratam de matéria transitória. mas a nova Lei dispôs em contrario. mas sim dos contratos de locação. 47 da LC 109/2001). de Moraes Pitombo. Por outro lado. arrendamento mercantil ou outros similares de aeronaves ou de suas partes. São Paulo: Revista dos Tribunais.

não corresponde à realidade. n. ainda. reconhecendo. Eduardo Secchi. também. 36. p. os interesses não só dos credores como. assim. mas. O dispositivo referido tem divergido a doutrina quanto a sua interpretação. 229 MUNHOZ. Anotações sobre os limites do poder do plano de recuperação judicial. 227 MUNHOZ. enfim. na maior parte das vezes. aprovar o plano uma vez que seja reconhecida a função social da empresa. v. 228 Para Eduardo Secchi Munhoz229 o juiz apenas homologa a vontade dos credores. Pois uma vez preenchidos os requisitos da lei e aprovado o plano de recuperação pela assembléia geral de credores o juiz não tem nada a fazer a não ser conceder o benefício. loc cit. porém. o art. p. como os investidores. Anotações sobre os limites do poder do plano de recuperação judicial.Como já foi visto a Lei 11. caso o plano de recuperação não seja aprovado pela assembléia geral de credores. de acordo com o doutrinador: 226 MUNHOZ. Revista de Direito Bancário e São Paulo. o juiz procede apenas verificação dos aspectos formais da atuação da assembléia de credores. 47 da Lei 11. abr.2007. Revista de Direito Bancário e São Paulo. pois alguns acreditam que este não dá ao juiz a faculdade de aceitar ou não a recuperação judicial.101/05 dá a possibilidade ao juiz. isso sempre ocorrerá quando a continuidade da empresa aumentar a probabilidade de recuperação de créditos e o valor respectivo em comparação com o que se obteria no processo de liquidação. loc cit. os da coletividade em geral. denota a discussão se a nova Lei proporcionou ao juiz mais poder de decisão. jurisdicional na apreciação do Mercado de Capitais. “Considere-se.2007.226 Como Eduardo Secchi Munhoz ressalta227: Em princípio. os demais interessados envolvidos na constituição da empresa em crise. também. comunidade local. a coletividade em geral. n.10. 36.101/05 busca preservar não apenas o credor./jun. devendo-se buscar a recuperação judicial sempre que está se demonstrar mais benéfica a sociedade. Essa observação. Pois. abr. 189. v. 189. a possibilidade de o credor continuar a fazer negócios com a empresa recuperada”. trabalhadores. poder-se-ia imaginar que tal solução estaria em conflito com o interesse dos credores./jun. A busca da preservação da empresa. consumidores. Eduardo Secchi. pois os credores também podem ser beneficiados pela recuperação. jurisdicional na apreciação do Mercado de Capitais. como já foi visto. .10. 228 MUNHOZ.

estes devem proferir seu voto na assembléia geral de credores para que a recuperação judicial se realize. como estabelecer qualquer espécie de conflito entre a deliberação da assembléia de credores e o juiz. ainda que. 36. permitindo assim uma interferência jurisdicional toda vez que o juiz identificar o desvio dos credores dos objetivos determinados no artigo 47./jun. O juiz deve buscar instrumentos que possibilitem que este interfira na vontade dos credores e devedor. 191. Um desses instrumentos poderia ser a teoria do conflito de interesses. assim como pode indeferir a recuperação se entender que os mesmos fundamentos e objetivos foram violados. desde que respeitado os fundamentos e objetivos do artigo 47 da Lei 11. n. Eduardo Secchi.2007. Mas há alguns doutrinadores que defendem que o juiz tem poder de decisão.101/2005. v. portanto. abr. o plano aceito seja ruim. para que assim possa garantir a função pública da respectiva lei. loc cit. pois esta teoria que é pedra angular no direito societário poderia ser adaptada para o instituto da recuperação judicial. MUNHOZ. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais.230 Devem-se buscar soluções procedimentais para resolver este dilema. Ao juiz cabe o “papel de presidente do processo de negociação e de arbitro dos eventuais desvios de rota que possam comprometer o atendimento dos objetivos definidos pelo legislador231”.10.233 230 231 MUNHOZ. o qual decorre da proibição do direito de voto. loc cit. assim como não examina o conteúdo dos acordos que ele homologa freqüentemente no processo. isto porque todo devedor encontra-se em conflito formal com os credores. 232 MUNHOZ. já que este é uma cláusula e necessita de interpretação por parte do juiz.232 Quando da transposição da teoria do conflito para a recuperação judicial devemos afastar a figura do conflito formal.Não há. 233 MUNHOZ. podendo aprovar o plano quando este for recusado pela assembléia. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. p. loc cit. O juiz não examina o conteúdo do plano aceito. na opinião deste. . São Paulo. Pois o credor vota com o intuito de satisfazer o seu crédito perante o devedor.

10. mas sim com “otimização da satisfação dos seus respectivos créditos234”.2007. 80 . 234 235 MUNHOZ. abr. sérias modificações e limitações. loc cit. 238 ESPOLADOR.237 O entendimento de Rita de Cássia Espolador238 sobre o poder de decidir do juiz é: Com efeito. o que não se confundiria com a preservação da empresa. mas também levando em consideração o interesse de todos os credores. e não propriamente à criação de incidentes. loc cit. Conforme Eduardo Secchi Munhoz236: A transposição da teoria do conflito do direito societário para o direito falimentar implicaria. 237 MUNHOZ. saindo da mera passividade. em um instrumento de intervenção por parte do juiz na aprovação ou não do plano de recuperação judicial. movimentando-se para o campo ativo de um procedimento concursal destinado à solução dos conflitos. tornando-se. caso identificasse o desvio do interesse da coletividade por parte de algum credor. 191. assim. mas em prol de um eventual interesse em relação ao devedor.Já o conflito material poderia dar-se em função do interesse da coletividade de credores. portanto. Podendo o juiz. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. p. p. mas este não impede que se faça uso deste através da interpretação sistemática e teleológica do texto legal. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. MUNHOZ. não podendo o credor votar pensando apenas nele.poder235. anular seu voto. sempre com as devidas adaptações. 36. aliado ao excesso de processualismo. Direito empresarial e trabalhista./jun. loc cit. São Paulo: Pearson Prentice Hall. o magistrado será. Eduardo Secchi. São Paulo. na condição de representante do Poder Judiciário. fruto da obsoleta legislação revogada de 1945. e ainda do sistema do Código napoleônico de 1807. 2009. Dessa forma o voto do credor na assembléia geral de credores se tornaria um dever . v. A lei não utilizou a teoria ao disciplinar a assembléia geral de credores. a alavanca na interpretação e no conhecimento prático da legislação. n. Rita de Cássia Resquetti Tarifa. 236 MUNHOZ. ficando sua utilidade restrita às hipóteses em que o credor votasse na recuperação judicial não em vista do seu interesse na satisfação do crédito.

Quando se fala no poder de decidir do juiz não se pode esquecer que este não leva em consideração apenas as normas e o preenchimento destas quando toma a decisão final. Luciano Felix do Amaral. o que chamam de cláusula geral. 241 SILVA. com agilidade e eficiência. São Paulo.10. faz com que o significado do artigo esteja de acordo com os acontecimentos de cada época. 37. transmita segurança e se dedique integralmente à recuperação.101/2005. p. como foi visto. de ter maior discricionariedade em relação ao deferimento ou não da recuperação judicial exigirá que os magistrados busquem a renovação de seus conhecimentos. Revista de Direito Privado. 239 240 Ibidem. n. v. Mas para que possa ocorrer está intervenção é necessário. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica. sendo este subjetivo. alguns doutrinadores acreditam que a Lei 11. até porque./mar.2009. ESPOLADOR. 132.239 Essa possibilidade oportunizada ao juiz. . “entenda os mecanismos de mercado. buscando sempre a redução dos conflitos entre credores e devedor. conforme o artigo 47 da lei que o juiz identifique a função social da empresa. A cláusula geral evita o engessamento da norma. Para Luciano Felix do Amaral e Silva241: A atuação do juiz na aplicação das cláusulas gerais sempre encontrará sua origem na lei e estará sempre condicionada a um juízo marcado pela razoabilidade.101/2005 garantiu ao juiz a chance de poder intervir no deferimento ou não da recuperação judicial. enquanto os tribunais. este não poderá se afastar dos princípios norteadores da Lei 11. loc cit. processam e julgam os recursos240”. jan. p.Apesar da liberdade dada ao judiciário nas decisões dos pedidos de recuperação judicial. 81-83. mas a questão é: até onde a cláusula aberta interfere na segurança jurídica? Pois será o juiz quem irá definir o que é função social e qual a empresa que a possuí.

Preenchido o conteúdo valorativo por obra do juiz. jan. maio/out. A supremacia hierárquica das normas constitucionais. 1998. n. 1. mas está não encontra amparo nas decisões emanadas pelo judiciário. aniquilar os demais.10. 245 SILVA. . Luciano Felix do Amaral. pois outorgariam ao juiz um enorme poder de decisão. v. loc cit. São Paulo. p. André. SILVA. o que poderia se traduzir em juízes arbitrários. pois a Constituição “é o ato do poder constituinte originário. loc cit. 246 BORGES NETO. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica. contudo. tanto que em certas situações tais valores e princípios devem prevalecer.243 As cláusulas abertas podem gerar insegurança jurídica. 244 SILVA. Campo Grande.245 O juiz deve respeitar os princípios fundamentais que estão presentes na Constituição Federal do país. Neste sentido: É importante ressaltar que atuação do juiz no preenchimento das cláusulas gerais (e das normas de tipo aberto em geral) e no cumprimento das suas diretrizes só será legítima nos limites da legalidade.2009. da razoabilidade e da segurança jurídica. este decidirá de acordo com a conseqüência previamente estabelecida pela lei (conceito legal indeterminado) ou construirá a solução que lhe parecer a mais adequada para o caso concreto (cláusula geral). n. Os conceitos legais indeterminados e as cláusulas gerais são enunciações abstratas feitas pela lei. sendo a fonte inicial de todo o ordenamento jurídico pátrio246”. 132. v. p. Não havendo como as normas ou o judiciário fugir de sua supremacia.1. Ciência e Direito: Revista Jurídica da FIC-UNAES. 37. A aplicação de valores e princípios. Revista de Direito Privado. sem./mar. que exigem valoração para que o juiz possa preencher o seu conteúdo. loc cit. alias as decisões encontradas são até tímidas “diante do poder de integração proporcionado pelas cláusulas gerais244”. 27. 242 243 SILVA.Os ensinamentos de Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery242 não são diferentes. como a função social da empresa encontrada nas cláusulas gerais não são antagônicas ao objetivo da recuperação judicial. como se pode ver: Princípios gerais de direito são regras que norteiam o juiz na interpretação da relação jurídica discutida em juízo.

coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. “a declaração da vontade política de um povo. o da recuperação judicial. que trouxe um instituto novo. 247 248 BORGES NETO. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. do povo e governo”.2 Análise das Manifestações do Judiciário Demonstrou-se. SZTAJN.661/45 estava obsoleto. que submetem governantes e governados ao seu império. Rachel. São Paulo: Revista dos Tribunais. não sendo prejudiciais à segurança jurídica as cláusulas gerais e nem o maior poder de decisão dado juiz através destas. de Moraes Pitombo. Devendo desta forma tanto juízes quanto legislador.A aplicação e garantia dos princípios e regras constitucionais trazem aos indivíduos certeza e segurança jurídica de que o Estado está agindo de acordo com o preconizado pela lei maior. contudo. ao proferir a lei verificar se esta encontra-se de acordo com a carta magna. 222. mecanismos que retire a empresa da crise. no decorrer do presente trabalho. vista como um documento jurídico que abriga no seu seio as normas supremas da comunidade. que se tenha presente aspectos econômicos que ficam subjacentes às normas legais. as quais vieram através da promulgação da Lei 11.101/2005. por ser documento jurídico que contém normas superiores às demais. Para André Borges Neto247: Constituição. . Conforme Rachel Sztajn248: As boas intenções do legislador requerem. através deste atendido ao mandamento constitucional da função social da empresa. dos grupos sociais. servindo de limite jurídico ao Poder. propiciando desta forma. pois estas vêm beneficiar a coletividade em geral. visando a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana. portanto. estabelece os direitos e as responsabilidades fundamentais dos indivíduos. 2. na definição abrangente de Dalmo de Abreu Dallari.101/2005. tendo o legislador. que se respeite o critério da eficiência e que o aplicador da Lei não se deixe levar por motivações ideológicas assistencialistas em que a preservação de atividades inviáveis seja deferida para atender a alguns interesses de certa parcela da sociedade (civil). que o Decreto – lei 7. p. O instituto da falência clamava por renovações. vem a ser. loc cit. 2007. feita de modo solene por meio de uma lei que é superior a todas as outras e que.

da 1º Vara Cível da comarca de Ponta Grossa. a prova de regularidade fiscal acaba com os objetivos da lei. entra em crise econômico-financeira.. que por sua vez. o instituto da recuperação judicial se apresenta como um mecanismo voltado à preservação de uma empresa que atende a uma função social e que. Ronny. a exigência de apresentação de certidões negativas – que. se coliga com o princípio da dignidade da pessoa humana. O juiz manifestou-se em sentença desta forma249: Como é sabido. encontramos nela alguns pontos antagônicos. A concessão do benefício é condicionada a este artigo e não sendo atendida provoca o indeferimento da recuperação judicial. Disponível em: <http://jus2. no estado do Paraná. as empresas que se encontram em crise devem tributos..) 249 CARVALHO DA SILVA.Apesar de a Lei ser voltada à recuperação da empresa. mas que.. (.) Nessa ordem de idéias. Para tanto alguns juízes devem conceder a recuperação judicial mesmo sem apresentação das certidões negativas de débitos tributários. (.. a subordinação do deferimento da recuperação judicial à apresentação de certidões negativas de débitos tributários colide com os princípios constitucionais antes mencionados na medida em que inviabiliza a salvação da empresa. (. se não todas.) Enfim. por circunstâncias acidentais. tornando para a maioria das empresas inviável requerer a recuperação judicial sob esta condição. entre os quais o da dignidade da pessoa humana. equivale a impor ao empresário estar em dia com as obrigações fiscais e previdenciárias – inviabiliza a recuperação judicial. Um destes dispositivos é do artigo 57. o qual prevê que o devedor deve apresentar certidões de quitação de tributos para que a recuperação judicial seja conferida. entendimento do qual não discrepa a doutrina. Acesso em 24 de janeiro de 2010. o instituto da recuperação judicial foi inspirado no princípio constitucional da função social da empresa. (.. conflita com o princípio constitucional da função social da empresa e com os outros que a ele se ligam. Fazendo-o.br/doutrina/texto. Uma das primeiras decisões neste sentido foi proferida pelo juiz Luiz Henrique Miranda.. apesar disso. nos autos do processo nº 390/2005. pois boa parte.uol.) Na realidade. . Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado.com.asp?id=7900>. dispositivos dispares à realização dos objetivos mencionados. ou seja.. se mostra viável dependendo apenas de ajustes na sua rotina administrativa e de algumas concessões por parte dos credores para se reerguer e voltar a operar de forma saudável para o mercado.. na prática.

101/05 e artigo 191-A do CTN: a) trata-se de sanção política. bem como nos princípios constitucionais.asp?id=7900>. o princípio tem caráter de norma. tendo em vista apresentar-se retrógrada – por não acompanhar a evolução social –. nos autos do processo da Parmalat: Em relação à exigência do art. por ser um afloramento de interesses de setores da sociedade ou do próprio Poder Público. deve a Autora ser dispensada do cumprimento dessa mesma exigência. tendo sido a sentença prolata pelo juiz Alves Lazarini. o que a constituição e seus princípios ditam. por isso. e. que de diversas maneiras agride constantemente os direitos e garantias fundamentais. malfere o princípio da razoabilidade e agride garantias constitucionais ao devido processo legal. tendo sido o Ministério Público e o administrador judicial favoráveis ao deferimento da recuperação judicial sem a apresentação das certidões negativas tributárias. Acesso em 24 de janeiro de 2010. ou protecionista. 251 COSTA. refere em artigo: Realmente. Ronny. em muitas das vezes resta prejudicada. feita pelo artigo 57 da Lei 11. porque preenchidos os demais requisitos legais. Disponível em: <http://jus2.uol. Como Ronny Carvalho da Silva250. são insubsistentes.br/doutrina/texto. d) a jurisprudência de nossos tribunais. tendo ele se baseado nos princípios da própria lei.101/2005. diferentemente da lei. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat. ofende o princípio constitucional da função social da empresa.conjur. conseqüência não desejada pela lei. ao que se soma a aprovação unânime dos credores que compareceram à assembléia-geral ao plano de recuperação deve ser deferido o pedido inicial O juiz buscou.com. b) fere o princípio da proporcionalidade. da 1º Vara de Recuperação Judicial de São Paulo. cuja aplicação ao caso concreto. ao contraditório e à ampla defesa dadas ao contribuinte. profligada pela jurisprudência dos tribunais. historicamente. Disponível em :<http://www. .Sintetizando. contudo é dinâmica. a exigência de apresentação de certidões comprobatórias de inexistência de débitos junto ao fisco e à previdência. Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado. Por tal razão. elaborado por seu representante Alberto Camiña Moreira251. e. desprezou exigências fiscais de empresas 250 CARVALHO DA SILVA. Acesso em 20 de maio de 2010.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. Outro caso que o juiz não exigiu a certidão negativa de débito tributário para concessão do benefício o foi a da empresa Parmalat. Priscyla. c) o descumprimento não acarreta a falência.com. É o parecer do Ministério Público. antes de atender o que lei infraconstitucional requer. 57 da Lei 11.

Priscyla.porque exigir o cumprimento daquele art. 174 seria levar a empresa. sob pena de falência. Sem embargo de tudo isto. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat. sem que isso represente proibição de cobrança de tributos pelas vias próprias. buscando no trabalho de Marcos de Barros Lisboa. Disponível em :<http://www. 57. aliviando as necessidades de fluxo de caixa da empresa e propiciando a regularização de sua situação fiscal”.com. antigo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda a seguinte colocação253: “O Fisco colabora com a recuperação da empresa mediante o parcelamento dos créditos tributários”. este art. “estabelecendo uma dilatação dos prazos para pagamento. a Lei não aproveitou o ensinamento que os 60 anos de vigência do Dec. a partir do exame do art. Tal disposição. de praticamente impossível cumprimento. Acesso em 20 de maio de 2010. . como forma de ajudar a recuperação judicial.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. 49. 174 daquela lei.-lei 7. buscou nos ensinamento de Manoel Justino Bezerra Filho apoio doutrinário para sua decisão de deferir o pedido sem a obrigatoriedade de juntar as certidões negativas tributárias. embora sem expressa previsão legal. Assim sendo. E a jurisprudência assim se firmou. Este artigo exigia que. o fisco possui mais possibilidades de receber seu crédito com a recuperação da empresa do que se essa vier a falir por não ter como cumprir o requisito do artigo 57 da Lei 11. neste ponto. para que a concordata fosse julgada cumprida. sendo este ensinamento252: Aliás.em crise econômica. redundou na criação jurisprudencial que admitia o pedido de desistência da concordata. acoplado ao art. 252 COSTA. repete o erro de trazer obrigações de impossível cumprimento para sociedades empresárias em crise. O juiz que proferiu a sentença favorável à Parmalat ainda analisa o ponto econômico. 253 COSTA. (fl.101/2005. já que dela não participa. loc cit. 5793) Na sentença o juiz que concedeu o pedido de recuperação judicial a Parmalat. certamente.conjur. fixando norma determinando “que as Receitas de cada ente federativo criem regras específicas sobre o parcelamento de dívidas tributárias para empresas em recuperação de empresas”.661/45 trouxeram. A Varig ao requerer a recuperação judicial também não necessitou apresentar as certidões negativas tributárias. à falência. demonstrando que as decisões vêm pacificando o entendimento de que este requisito não traz benefícios às empresas e nem a próprio fisco. o devedor apresentasse comprovação de que havia pago todos os impostos.

onde constava no edital que o arrematante não responderia pelas obrigações trabalhistas da Varig S/A.pdf? sequence=1>. 255 AYOUB. estando esta em formação. 18/12/2006). Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais. quando esta se encontra em recuperação judicial. deve prevalecer a decisão do juiz competente. PRAÇA. bem o qual foi arrematado em leilão.272 – RJ (2006/0077383-7). No presente caso o juiz do trabalho se declarou competente para dispor do patrimônio da empresa em recuperação judicial.br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empresas. Os bens arrecadados pelo síndico da massa falida estão sujeitos à jurisdição do juiz da falência.stj.gov.gov.101/2005 traz é a eliminação da sucessão trabalhista e fiscal quando da alienação de ativos da empresa. da seguinte forma: COMERCIAL. Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais. o qual foi decido pela 3ª Turma. 5. tendo sido ele o relator. Caso em que o ato de arrecadação foi registrado no Ofício Imobiliário.stj. n. Disponível em: <http://bdjur. evidentemente. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. De acordo com o relator o Ministro Ari Pargendler254: Há incompatibilidade prática entre essas decisões. e no momento ainda não há manifestações dos tribunais superiores que direcionem as decisões para uma mesma interpretação. Disponível em: <http://bdjur. referente à recuperação judicial da Varig S/A. As orientações doutrinárias sobre o assunto são diversas. O Ministro relembrou que o Superior Tribunal de Justiça já havia passado por situação semelhante. Luís Roberto.br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empresas. 200898 Revista ENM nenhum outro pode designar praça para a alienação dos aludidos bens sem invadir a competência daquele. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. Luís Roberto. Mas o Superior Tribunal de Justiça no Conflito de Competência nº 61. porque uma não pode ser executada sem prejuízo da outra – resultando disso. .Outra questão de extrema importância que a lei 11. Recurso especial conhecido e provido” (DJ. manifesta-se sobre de quem é a competência pra decidir se há ou não sucessão trabalhista. um conflito de competência. Revista da Escola Nacional de Magistratura. abr. v. 2. FALÊNCIA.255 O Ministro ressalta: 254 AYOUB. cabendo ao arrematante apenas as obrigações discriminadas no edital do leilão.pdf? sequence=1>.

Com isso. Não se manterão os empregos. emprestara recursos para a tentativa de reorganização da empresa em dificuldades momentâneas257”. confirmando “o propósito legal de emprestar atividade ao ativo que. há terceiro. Nesta altura. Sobre a sucessão fiscal o Ministro segue o disposto na Lei Complementar nº 118. com sua alienação. loc cit. Não haverá mercado nem investidor para tanto. com interesses a proteger na jurisdição que lhe assegurou o direito de não responder por obrigações trabalhistas das empresas sujeitas à recuperação judicial. por força do artigo 6º. beneficiado pelo leilão. Outros não serão criados. AYOUB. tivesse suscitado conflito de competência para dispor sobre o respectivo objeto.256 Por fim o Ministro declarou competência do Juiz de Direito da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O juízo que deferiu o pedido de recuperação judicial informou ao Tribunal de São Paulo e Rio de Janeiro que estes deviam suspender as ações de execução contra o devedor. antiga 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. antes da ultimação do leilão processado pelo juiz de direito. caput da Lei 11.101/2005. o país perde porquanto riquezas não serão geradas. 256 257 AYOUB. e ainda complementa258: É evidente que ninguém estará interessado em adquirir qualquer unidade produtiva quando acompanhada do passivo fiscal. o qual foi atendido. loc cit. Entende o Relator que estes devem sim ser suspensos. loc cit. comprometendo o sucesso de seu plano de recuperação. sob pena de prejudicar o funcionamento do estabelecimento. de acordo com o Ministro: O destino do patrimônio da empresa-ré em processo de recuperação judicial não pode ser atingido por decisões prolatadas por juízo diverso daquele da Recuperação. o qual prevê a não sucessão dos créditos fiscais por parte do comprador da filial da empresa em crise. trata-se da suspensão pelo período de 180 dias das ações de execuções.552 – AL (2008/0272295-5) que foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. 258 AYOUB.A situação seria diferente se o juiz do trabalho. que deixará de arrecadar com o desaparecimento da empresa. o qual teve o Senhor Ministro Honildo Amaral de Mello Castro como relator. O Conflito de Competência nº 101. trazendo evidentes prejuízos para o próprio fisco. eliminando desta forma a sucessão trabalhista e fiscal do arrematante. .

mantendo assim o ativo da empresa em crise livre de qualquer constrição. Relator Senhor Ministro Castro Meira. pois a ele cabe a supervisão do processo de recuperação judicial.2006. o qual é um dos principais objetivos da nova lei.)" ( in Curso Avançado de Direito Comercial . Todas as ações e processos estarão na competência do juízo da recuperação (. Entendem também os Ministros de que se deve privilegiar o principio da preservação da empresa. O principio da unidade tem por finalidade a eficiência do processo.. buscando. evitar repetições de atos e contradições. demonstrando assim sua importância e demonstrando a possibilidade da consagração dos princípios da preservação e função social da empresa. todos os atos relativos ao devedor empresário. O Ministro ainda refere que a liberação dos bens arrestados pelo Tribunal de São Paulo e Rio de Janeiro é de competência do juízo da recuperação. Uma vez concedida. será aberto um leque de procedimentos que estarão sujeitos a uma direção única. Estas decisões demonstram que a Lei 1. Seria inviável mais de uma recuperação. O principio da universalidade está na previsão de um só juízo para todas as medidas judiciais. p. O Ministro ainda citou outra decisão com o mesmo entendimento. Bortoldi e Marcia Carla Pereira Ribeiro: O juízo universal da recuperação judicial está vinculado aos princípios da universalidade e da unidade. Conflito de Competência nº 79170 – SP.RT . assim. por isso a exigência da lei de um único processo para o mesmo devedor. facilitando assim o cumprimento do plano de recuperação.462). sendo esta decisão do Superior Tribunal de Justiça. .101/2005 possui muitos pontos controversos.Em sua decisão o Relator cita os ensinamentos de Marcelo M. os quais serão dirimidos com o tempo pelos tribunais. a melhor forma de sanar a crise econômica – financeira por qual a empresa passa.. de que a suspensão das execuções é essencial para a recuperação judicial da empresa em crise. mas já se visualiza a busca pela manutenção da empresa. o qual está previsto no artigo 47 da Lei.3ª edição .

mas à recuperação judicial só tem 259 ULHOA COELHO Fábio. Para Fábio Ulhoa Coelho259 as principais diferenças entre a concordata.101/2005 são: a) a concordata é um direito a que tinha acesso todo empresário que preenchesse as condições da lei. prevista no Decreto – lei 7. como a recuperação judicial da empresa.661/45 e a Recuperação Judicial da Lei 11.CONCLUSÃO No transcorrer do trabalho foi possível observar as transformações sofridas no instituto da falência com a promulgação da Lei 11.661/1945.101/2005. p. a qual veio substituir o Decreto – lei 7. trazendo consigo figuras novas. revisada. São Paulo: Saraiva. 11. de 9-2-2005). e suprimindo outras como a concordata suspensiva. 2º edição. .XL. independentemente da viabilidade de sua recuperação econômica. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.101. 2005.

Uma das principais características trazidas pelo novo instituto é o reconhecimento da função social da empresa como forma de impor aos credores o plano reorganizativo da empresa pelo juiz. Direito empresarial e trabalhista. ou seja. deve ser analisada a viabilidade da recuperação da empresa. e as inviáveis devem ter sua quebra – com a conseqüente alienação de seus ativos – implementada. c) o sacrifício imposto aos credores. p.acesso o empresário cuja atividade econômica possa ser reorganizada. Devido às alterações do cenário socioeconômico o instituto da falência teve sua concepção atualizada para os novos caminhos que estavam sendo apontados. sem qualquer limitação legal. ao passo que. preservar a empresa. 260 ESPOLADOR. inclusive os que titularizam privilégio ou preferência (a única limitação legal é o pagamento das dívidas trabalhistas em no máximo 1 ano). dos credores e do Poder Judiciário pode levar a uma vitoriosa reestruturação financeira da empresa. b) enquanto a concordata produz efeito somente em relação aos credores quirografários. Isto se dá porque o principal objetivo da lei a preservação da empresa. podendo o juízo através do reconhecimento da função social da empresa evitar que uma empresa em condições de se recuperar acabe por não conseguir o benefício devido a ganância dos credores. Empresas viáveis devem permanecer em operação. e deve ser aprovado por todas as classes de credores. como assevera a estudiosa Rita de Cássia Espolador260: Em suma. a recuperação judicial sujeita todos os credores. Esta busca não pode ser cega. Durante a vigência do Decreto – lei observou-se que a soma de esforços do devedor. já vem definido na lei (dividendo mínimo) e é da unilateral escolha do devedor. na recuperação judicial. sempre que for possível. deve ser delimitado no plano de recuperação. 2009. exceto os fiscais (que devem ser pagos ou parcelados antes da concessão do beneficio). Se os ativos podem ser alocados a outros usos mais eficientes. se houver. o papel do magistrado é presidir sobre esse processo de forma célere. com a menor perda possível para a sociedade. o sacrifício. o qual era voltar-se para o desenvolvimento do comércio e da atividade empresária em geral. São Paulo: Pearson Prentice Hall. buscar. 86 . na concordata. determinando a convolação da recuperação em falência. o espírito da nova lei – que o magistrado há que entender – não é preservar a empresa a qualquer custo. Rita de Cássia Resquetti Tarifa.

a função social da empresa. hoje se busca o equilíbrio desta relação com o que a sociedade necessita e o quanto a extinção da empresa poderá prejudicá-la. das pessoas sem nome e rosto que. A responsabilidade do magistrado é grande: incumbe-lhe tanto recuperar as empresas viáveis quanto resistir a tentação de manter artificialmente em funcionamento das empresas que há muito deveriam ter saído do mercado. ao arrepio de disposição expressa de lei? A resposta é óbvia: os prejudicados com a quebra estarão presentes no cotidiano do magistrado. por que aquela exalta os interesses sociais ao permitir que uma empresa que se encontra em crise econômica . são afetadas profundamente por suas decisões. assim.financeira permaneça operando. ainda sim. As principais características introduzidas pela Lei 11.101/2005 difere do Decreto – lei. os empreendedores a dar continuidade ao ciclo produtivo. não interessa apenas a relação devedor x credores. pois há situações em que a soma de esforços devem ser poupadas. pois se a recuperação for inviável. enquanto os beneficiários da solução eficiente permanecerão invisíveis para os tribunais. devem se observar as reais condições da empresa em relação ao plano de recuperação apresentado. pois poderá trazer prejuízos maiores do que se decretada à falência da empresa. incentivando. satisfazendo. pois agora é preciso respeitar alguns princípios como a preservação da empresa. . Considerando as teorias contratualista e institucionalista é possível identificar as duas na nova lei. A recuperação judicial da empresa deve ser usada de forma sensata. mas estes não são mais soberanos. O empregado demitido faz sua voz mais presente do que a do beneficiário do emprego que nem sequer foi criado. seus interesses econômicos e mantendo o consumo da comunidade. ao invés de diminuir os custos sociais a recuperação trará prejuízos maiores ao envolvidos. o magistrado que adota a solução eficiente age como benfeitor do interesse difuso. desta forma. tendo estas em comum a satisfação de interesses sociais. as quais puderam ser visualizadas foram a flexibilização dos procedimentos 261 ESPOLADOR. Conforme Rita de Cássia Espolador261: Por que então será tão difícil resistir à tentação de manter empresas inviáveis indefinidamente em operação. É possível identificar que a Lei 11. Ainda se mantêm o interesse dos credores. loc cit.101/2005.É preciso lembrar que nem sempre é possível buscar a preservação da empresa. Nesse caso.

Concluindo. as quais estão sendo dadas pelos juízes dos tribunais competentes. ampliação na participação dos credores no processo de recuperação. ela busca. diferente das mudanças ocorridas nas relações sociais e econômicas. acima de tudo. adoção de novos mecanismos para a superação das crises empresariais. de expressão nacional. mitigação da função jurisdicional. a pesquisa entre autores eminentes.preventivos. e a simplificação dos procedimentos. maior amplitude nas possibilidades de acordo entre o devedor e os credores. como foi visto na análise das manifestações do Judiciário.101/2005 seja aceita e respeitada. . sua manutenção e preservação. A adaptação da legislação já está ocorrendo. sobretudo. Construindo através da aplicação da lei e a devida interpretação de seus preceitos seu enraizamento no direito empresarial. É corriqueiro que o processo de aperfeiçoamento da legislação seja lenta e gradual. e os acórdãos prolatados por juízes competentes. Desta forma cabe aos doutrinadores e Poder Judiciário fazer os ajustes necessários para que a Lei 11. no direito falimentar brasileiro. O instituto da recuperação judicial já está tendo suas primeiras orientações práticas. demonstra que a recuperação judicial foi pensada para satisfazer a função social da empresa. tendo seus objetivos levados a sério.

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