A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Juliana Raquel Fraga

Canoas 2010

JULIANA RAQUEL FRAGA

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Trabalho

de

conclusão

de

curso

apresentado à Faculdade de Direito do Centro Universitário Ritter dos Reis, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. Luis Felipe Spinelli

Canoas 2010

JULIANA RAQUEL FRAGA

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito, pela banca examinadora constituída por:

________________________________________ Nome do Professor

________________________________________ Nome do Professor

________________________________________ Nome do Professor

Canoas 2010

Irani e Ana. A todos que. . Ao Ismael. que esteve ao meu lado me auxiliando e preenchendo-me percurso de amor e carinho. me auxiliaram nessa empreitada. por todos estes anos de amor e dedicação destinados a mim e aos meus irmãos. Eloi. das mais diversas formas. Ao meu sogro. meu incentivador e amigo.DEDICATÓRIA Aos meus pais. E a Deus por todas as dádivas e felicidades que venho colhendo em meu caminho. por todas as dicas e ajudas que prestou durante esta jornada.

os quais participaram e são. Em especial quero agradecer a meu orientador. o Prof. Luiz Felipe Spinelli. que comigo esteve comprometido e me auxiliou de forma excepcional. em grande parte.GRADECIMENTOS Meus agradecimentos a todos os professores do Curso de Bacharel em Direito do Uniritter. . nessa empolgante jornada. responsáveis pelo meu desenvolvimento profissional e pessoal.

dos indivíduos. ele não poderá prescindir da luta. das classes sociais. dos governos. o meio de que se serve para consegui-lo é a luta. (Rudolf von Ihering) . A vida do direito é a luta: luta dos povos.O fim do direito é a paz. Enquanto o direito estiver sujeito às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o mundo for mundo -.

concordata preventiva. principalmente a concordata preventiva (por ser a que mais se aproxima da recuperação judicial). por meio de manifestações do Poder Judiciário demonstrar como a nova Lei vem se adaptando à realidade. Ainda procura. pois este não existia no Decreto – lei 7.661/1945 se faz necessário observar as principais diferenças e semelhanças entre o instituto da concordata. Sendo a recuperação judicial um instituto novo. preservação da empresa.661/1945 ser substituído pela Lei 11. O texto ainda traz os motivos que levaram o Decreto – lei 7. e identificar os possíveis impactos que o reconhecimento a função social da empresa irá causar no deferimento e andamento do processo de recuperação judicial. Palavras-chave: função social da empresa.101/2005. .RESUMO Este trabalho trata da função social da empresa e como esta influência o instituto da recuperação judicial. recuperação judicial.

.............2...................................1 A flexibilização do instituto da concordata e a função social da empresa........1.88 2........1 O reconhecimento da função social da empresa na recuperação judicial............94 CONCLUSÃO...............................2 Da recuperação judicial....................53 1.......SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...............................2 Contratualismo x Institucionalismo.............................................2..............................101/2005 E DE SUAS DIRETRIZES NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO DA EMPRESA EM CRISE..................105 .........................................2 Análise das manifestações do Judiciário.............................................................................102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...78 2...........................................................................14 1............................................9 1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A FUNÇÃO SOCIAL .............................................................................................................................................................................................................................16 1..........................71 2 REPERCUSSÃO DA LEI 11..661/45 ...................................................28 1..........32 1........1 Instituições.................1 A concordata no regime do Decreto – lei 7.......................................................................................

a prática demonstrava um índicie muito maior de quebra das empresas do que sua efetiva recuperação. No presente estudo a mais relevante é a concordata preventiva. O regime falimentar da legislação de 1945 demonstrou-se notadamente ultrapassada. Já a concordata suspensiva não foi mantida na nova lei. A concordata preventiva era um instrumento onde buscava-se. sobrecarregando de responsabilidades o devedor. tendo está vindo para substituir o Decreto-lei guarda algumas semelhanças com o antigo instituto. Na sistemática do Decreto – lei a falência do devedor poderia ser decretada pela simples impontualidade no pagamento de seus compromissos. o qual podia ser preventiva ou suspensiva. pois regia um processo concursal que não viabilizava mecanismos eficientes para que a empresa pudesse se recuperar da crise. bem pelo contrário. Mas seus métodos acabavam por não proporcionar a recuperação efetiva de que a empresa necessitava. não possibilitando a este muitas alternativas econômicas para solucionar a falta de liquidez. pois a recuperação judicial.INTRODUÇÃO Durante sessenta anos o Decreto – lei 7. prevista na Lei 11. a retirada da empresa da crise. através de dilação de prazos e remissão de parte das dívidas.101/2005.661/1945 foi quem ditou as regras e as formas para que o empresário em crise pudesse sair desta ou requerer a decretação de sua falência. .661/45 previa como formas de recuperação da empresa o instituto da concordata. a circulação de bens e serviços. por viabilizarem a recuperação deste devedor. mantendo assim postos de trabalho. não havendo mais como suspender o processo de falência em curso. Estas considerações são de suma importância. O Decreto – lei 7. entre outros benefícios a sociedade e ao próprio Estado com a arrecadação de impostos. não sendo levada em consideração questões como a capacidade econômica e financeira do devedor ou a boa-fé do mesmo em relação aos seus credores.

visa também à preservação da empresa e tudo que este significa. pois a nova lei também traz a recuperação extrajudicial. não sendo estes. a empresa deve ser preservada sempre que possível. pois não visa apenas à satisfação dos credores da empresa em crise.101/2005. contribuindo para o crescimento e desenvolvimento social do País 1”.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. pois gera riqueza econômica e cria emprego e renda. foco do presente estudo. loc cit. Mas não é apenas a recuperação judicial novidade no campo do direito concursal.pdf>. dividindo-a com os credores e Poder Judiciário. acabando por assumir responsabilidades.emerj. principalmente “pela missão de dar conteúdo social à legislação2”. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. em relatório sobre o projeto de Lei que institui a Lei 11.101/2005. ela é acima de tudo um poder. . tem seus objetivos bem mais abrangentes. mas.A recuperação judicial prevista na Lei 11. pois representa uma fonte geradora de empregos e expansão da comunidade e sociedade em geral. A empresa é uma das instituições mais significativa da atualidade. apesar de manter algumas semelhanças com o instituto da concordata preventiva. O Senador Ramez Tebet.jus. apresenta o principal objetivo da nova lei quando menciona que “em razão de sua função social. os quais passam a ter uma participação mais ativa no processo de recuperação da empresa. A nova lei diluiu a responsabilidade do devedor. Hoje a empresa não é apenas uma mera produtora de bens e serviços. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. mas também com seu 1 SCHELLES. O Senador ainda refere que o trabalho do legislativo foi ajustado. bem como um regime especial de recuperação para as pequenas e micro empresas.tjrj. Disponível em: < http://www. Marta Santiago de Oliveira. 2 SCHELLES. não apenas no aumento da eficiência econômica. não apenas com o seu interior. onde devedor e credores podem entrar em acordo sem a necessidade da participação atuante do judiciário.

segundo CAPPELLETTI. não apenas aos credores. Dentro das modificações trazidas pela Lei 11. 1982. Tradução Vera Borda. não havendo comparações com o direito de outros países. pois se dará mais espaço as questões técnicas do que históricas. que vão desde as mais essenciais até as relativamente sem importância. o que precisava ser contornado e o que as mudanças poderão causar. mas também aos outros interessados. a interpretação é também uma atividade vinculada. ed. p. dando assim liberdade ao juiz de interpretar a norma de forma que está seja favorável. poder aprovar o plano de recuperação mesmo que este não seja aprovado pelos credores em assembléia. Elementos de Sociologia. que se reconhece não se fazer de forma mecânica e literal. as instituições servem para satisfazer as necessidades da sociedade. embora inevitavelmente criador do direito.101/2005. não um interprete completamente livre de vínculos. Elas acabam por servir como um meio de regular e controlar as atividades do homem. p. 3 KOENIG. pois. A relação história do instituto e sua evolução trazem muitas noções de como este funcionava. O legislador. . Rio de Janeiro: Zahar Editores. Samuel. na sua nobre missão de complementador da regra legislada. 117. a criatividade desempenhada pelo juiz para atualizar e compatibilizar a norma com o caso concreto e o momento da sua aplicação não lhe dá uma liberdade que possa significar a abertura para o arbítrio e a aventura. como Samuel Koenig3 profere.exterior. como adverte PERLINGIERI. Rio de Janeiro: Forense. mas apesar disto este não será analisado no corpo do trabalho. Humberto. 92. ao reconhecer a função social da empresa. o juiz. pois como cita Humberto Theodoro Júnior4 sobre a questão: Mesmo na atividade de interpretação da lei. ou mais ou menos dispensáveis. 4 THEODORO JÚNIOR. Ou. É dentro deste conceito que surge a função social da empresa e sua importância nos tempos de hoje. Afinal. a que chama a atenção é a possibilidade de o juiz. 2ª ed. O contrato social e sua função. 6º. 2004. quando não definiu a função social da empresa foi muito sensato. pois esta se adequa ao seu tempo e seus significados podem: ser traduzidos de várias formas e possuírem significados diferentes para cada ordenamento jurídico. controlada e responsável. Neste trabalho interessará apenas o que a função social da empresa significa para o ordenamento brasileiro.

Portanto. acabando assim sendo entendidas como desnecessárias e que acabam indo ao encontro ao objetivo da Lei a qual é a preservação da empresa.661/45 e a Lei 11. se desenvolvem na Lei 11. sociedade e principalmente dentro do ordenamento jurídico. . serão analisadas algumas manifestações do judiciário sobre algumas matérias que acabam por impossibilitar a efetiva recuperação judicial da empresa se forem seguidas pelos juízes.101/2005. e como a recuperação judicial se apresenta o trabalho será composto de dois capítulos que possibilitarão identificar o instituto e como este.Para alcançar o entendimento do que é a função social da empresa. Por fim. e os principais institutos envolvidos na recuperação judicial da empresa. e como a função social da empresa enquadra-se nesses processos tão distintos. No primeiro capítulo se visualizará como funcionava o instituto da concordata preventiva e como este não se adequa mais a realidade brasileira. O segundo capítulo busca demonstrar algumas diferenças existentes entre o Decreto-lei 7. e o princípio da função social.101/2005. identificando suas relações. o problema que se propõe é identificar como a Lei 11. É identificado o funcionamento do processo de recuperação judicial. em especial na recuperação judicial da empresa.101/2005 entende ser função social da empresa e como esta se insere e vem se inserindo no cotidiano das empreses. e aquelas que merecem maior atenção por ainda trazer dúvidas em relação a sua utilização na prática pelos tribunais.

2008..72. ele busca indicações de que a empresa em crise tem potencialidade para se reerguer e permanecer no mercado.. sim averiguar as suas potencialidades futuras. Pois até então não havia qualquer referência à recuperação da empresa.7 5 BEZERRA FILHO. Luiz Inácio. seus princípios e fundamentos eram diversos da nova lei. 43. 3º ed. 5 O instituto da recuperação judicial da empresa só ingressou no ordenamento jurídico brasileiro com o advento da Lei 11. ela possibilita que o devedor busque junto aos credores as melhores formas de retirar a empresa da situação de crise.não pelo desempenho momentâneo. p. mas ainda assim ocorria no mundo dos fatos.6 A Lei 11. 2005. Manoel Justino. 2 tir.101 de 9 de fevereiro de 2005.101/05. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. mas pelo plano reorganizativo da empresa. Dentro dessa análise geral.101/2005.1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A FUNÇÃO SOCIAL Antes da promulgação da Lei 11. Ou seja. Na recuperação judicial o olhar do juiz não se restringe apenas ao momento atual da empresa. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.101/2005 a recuperação judicial já era contemplada. mas tenta. E está potencialidade futura é demonstrada de acordo com Vigil Neto: . . Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. 6 VIGIL NETO. apesar de o Decreto-lei 7.101/05. o qual prestava a possibilidade de o empresário buscar judicialmente o retorno da saúde econômica de seu empreendimento.71. p. No entanto ali. os credores também deverão observar a capacidade da empresa de cumprir as obrigações assumidas no plano recuperatório. 2008. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. Luiz Inácio. p.101/05 trouxe ao ordenamento jurídico uma abertura maior em relação à real crise econômica da empresa e a oportunidade de buscar formas mais efetivas para a recuperação da empresa. comentário artigo por artigo. mais como um fenômeno econômico do que jurídico. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. – São Paulo: Revista dos Tribunais. não especificamente.661/1945 disciplinar o instituto da concordata. que será avaliado pelos credores e pela sociedade. 7 VIGIL NETO. O regime da recuperação judicial não “pré-diagnostica a doença e nem pré-determina o remédio”..

Vigil Neto diz: . Mudanças estas que a prática já vinha exigindo. pois a recuperação judicial também visa a evitar a falência da empresa em crise. mas na própria reorganização da empresa.101/05 trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro. não dando muitas opções ao empresário para buscar sua melhora. tendo como principal diferença da concordata preventiva que a primeira busca alternativas junto aos credores para recuperar-se da crise enquanto a concordata preventiva é mais fechada. há algum tempo. caracterizando – se este como “um ônus de submissão ao plano recuperatório imposto aos credores em prol de um ganho social futuro”. .8 Outro avanço da Lei 11. devendo este ser aprovado pelos mesmos. se o caminho de reorganização da empresa passa pela construção coletiva de um projeto econômico e/ou financeiro deverá estender-se às relações jurídicas essenciais à manutenção da empresa.101/05 foi a ampliação do rol de credores. 8 9 Ibidem. Ibidem.72. que na concordata previa a participação apenas dos créditos quirografários. Pois. Quanto a isto. tem como objetivo buscar formas de recuperar a saúde da empresa.. dependendo a recuperação desta aprovação. Caso o plano seja reprovado poderá o juiz impor o plano aos credores.71. Estes são apenas alguns dos avanços que a Lei 11.O devedor deverá apresentar aos credores um plano reorganizativo da sociedade. e que agora se faz necessário sejam estudadas a fundo para que seja possível compreender por completo os novos rumos que foram dados ao instituto da recuperação da empresa em crise e quais os institutos que permaneceram. tendo em vista que a recuperação não se resume a uma forma de repactuação do pagamento de dívidas. p.fator que afetava a eficiência do regime foi ampliado na recuperação. p.9 No instituto da recuperação judicial é possível identificar algumas semelhanças com a concordata preventiva. desde que respeitado alguns requisitos e seja reconhecido o desempenho de função social da empresa.. independentemente da natureza do crédito.

. o qual pode ser conceituado como: Benefício concedido por lei ao negociante insolvente e de boa-fé para evitar ou suspender a declaração de sua falência. Celso Marcelo de. com o objetivo de superar o estado de pré-insolvência do devedor comerciante ou industrial. Desta forma. De acordo com Fábio Ulhoa Coelho.101/2005 trouxe ao direito falimentar brasileiro. a crise patrimonial é a insolvência. Com estas definições fica mais fácil entender como a recuperação judicial se dá e a quem afeta.1 A concordata no regime do Decreto – lei 7. ficando ele obrigado a liquidar suas dívidas segundo for estipulado pela sentença que concede o benefício..661/45 O Decreto – lei 7. semelhanças entre a concordata preventiva e recuperação judicial.É importante entender o que é a crise da empresa. (. para entender o seu significado é preciso distinguir as crises econômica. 2008. p. 12 Ibidem. p.. (. e as inovações que a Lei 11.) A crise financeira revela-se quando a sociedade empresária não tem caixa para honrar seus compromissos. para que a empresa possa passar pela recuperação judicial só pode estar em crise econômico-financeira.12 10 VIGIL NETO. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. evitando ou suspendendo a sua falência.10 A empresa para requerer o benefício da recuperação judicial não poderá ter as três espécies de crise. 11 OLIVEIRA. Por crise econômica deve-se entender a retração considerável nos negócios desenvolvidos pela sociedade empresária. Tratado de direito empresarial brasileiro. 105..661/45 previa o instituto da concordata. 2004.101/05. Campinas: LZN. isto é. financeira e patrimonial. Luiz Inácio. pois se assim o for ela só poderá requerer a falência da empresa.) Por fim. 1. Daqui para frente serão identificados os procedimentos. p. 104. 24-25.. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. do contrário a falência da empresa é inevitável. a insuficiência de bens no ativo para atender à satisfação do passivo.11 Para Ruben Ramalho concordata é Uma forma legal de prorrogação de prazo ou de redução da dívida.

15 OLIVEIRA. p. SP: Saraiva. a instauração do concurso falimentar. Rio de Janeiro: Elsevier. e a concordata suspensiva. 16 RENQUIÃO. SP: Saraiva. tendo o instituto uma natureza mercantil.Segundo Fábio Ulhoa Coelho. Tratado de direito empresarial brasileiro. tendo seus prazos e valores remidos nos artigos 156. e atual. sendo este desconto de no máximo 50%(cinqüenta por cento) do valor devido. 2004.15 A concordata era destinada apenas ao comerciante. Curso de direito falimentar. A mista possuía maior ênfase na lei. podendo elas ser: remissória. p. 2008. a qual era decretada quando o empreendimento já se encontrava em processo de falência. As concordatas podiam assumir diferentes modalidades. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. p. v. ao empresário evitar a quebra de seu empreendimento. Fábio. sendo ele o sujeito ativo da ação. 1995. interrompendo desta forma o procedimento liquidatório-solutório14 em curso. Entretanto existiam hipóteses de representatividade. 4º ed. Campinas: LZN. onde previa a conjugação dos dois efeitos. vol. Rubens. mas esta era afastada.13 Dentro destes conceitos a concordata era divida em duas espécies. ao empresário comercial. que poderia chegar até dois anos. Vera Helena de e SZTAJN. onde o empresário poderia conseguir a remissão parcial de suas dívidas. § 1º e 177. a dilação do prazo para pagamento e o abatimento de parte do valor da dívida. fosse ele individual ou coletivo. 359. 4º ed. parágrafo único do Decreto – lei. ou seja. por exemplo. Rachel. Os devedores civis eram excluídos do benefício. por ser a mais utilizada. 113. e moratória a qual visava a dilação dos prazos de vencimento das dívidas. o espólio do devedor o qual seria representado pelo 13 ULHOA COELHO. assim. 25 . a concordata preventiva. 14 MELLO FRANCO.2.16 A legitimidade para requerer a concordata era do devedor. como. possibilitando. o objetivo da concordata era resguardar a empresa em crise das conseqüências da falência. a qual era decretada antes da falência. rev. 213. e a mista.3. dando a possibilidade ao empresário de retornar ao comando de sua atividade econômica. p. visando desta forma a mantença do negócio. evitando. 2003. ou seja. Curso de direito comercial. assim. Celso Marcelo de.

1995. 17 Bem como no caso de sociedade anônima os legitimados para requerer o benefício seriam os seus diretores. 21 RENQUIÃO. 4º ed. devendo este ser nomeado pelo juiz no despacho inicial. Thomás Raimundo. Rubens. p.20 De acordo com Rubens Requião: O comissário.2. e as em liquidação seria o liquidante devidamente autorizado. bem como seus responsáveis e 17 BRITO. 4º ed. 36. bem como os procedimentos do empresário em crise.661/45. assim. relativos ao modo de gerir seu negócio. e na gerência de seus negócios. desregrada ou faustosa – deve comunicar o fato ao juiz. . Mas o comissário não pode determinar o modo de gestão da empresa. SP: Saraiva. O comissário. Grazieli e PEREIRA. nas demais sociedades seriam pelo sócio que tivesse a qualidade de obrigar a sociedade. declarando-lhe a falência. na concordata preventiva. 19 RENQUIÃO.inventariante do mesmo. se existiam atos revogáveis. de acordo com a deliberação da assembléia de acionistas.pdf>. 120.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. pode o juiz desde logo rescindir a concordata. apenas sob a fiscalização do comissário. p. Lívia Sampaio. p. 126. por ele verificado. estes deviam ser indicados. as possibilidades deste de cumprir a concordata.org.. não deve imiscuir-se na administração da empresa. op cit. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. Dada a gravidade do ocorrido e de sua repercussão patrimonial. junto com as razões que levaram o mesmo a requerer o benefício. Acesso em 05 de março de 2010. 36. 19 Ficando o devedor. 20 OLIVEIRA. Curso de direito falimentar. 1995. não só na sua atividade empresarial como em sua vida particular – como mantendo vida dissoluta. PINHEIRO. nem querer vetar certos atos do concordatário.2. SP: Saraiva. SOARES. se o procedimento do concordatário. ainda. op cit. devidamente autorizado pelos herdeiros.fesmip. até cinco dias após a publicação do quadro geral de credores.. p. for irregular. Disponível em: <http://www. Gabriela. vol. vol. antes e depois do pedido e.18 Na concordata o devedor – concordatário – permanecia na administração plena de seus bens.21 O comissário deveria apresentar em cartório. o qual era escolhido dentre os maiores credores estabelecidos no foro da concordata. Rubens. tinha que ter reconhecida sua idoneidade moral e financeira. 18 OLIVEIRA. estando suas funções dispostas no artigo 169 do Decreto – lei 7. o relatório onde constava o estado econômico do devedor. Curso de direito falimentar.

junto ao cartório onde foi devidamente arquivada. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. . p. 23 VASCONCELOS FERREIRA. Acesso em 17 de janeiro de 2010. mas com filial no Brasil.com. Fábio. p.os dispositivos penais aplicáveis.asp?id=6632>.lá da crise econômica. 24 KONDER COMPARATO. então. Comentários sistemáticos. os que mais necessitam de soluções e são os principais causadores da quebra das empresas.br/doutrina/texto. Com base neste relatório é que os credores poderiam buscar com segurança os fundamentos para seus embargos. sendo em relação a este ponto um tanto quanto deficiente. Primeira e Segunda Partes. até hoje. o credor com garantia real tinha a opção de renunciar a sua garantia.Direito empresarial: estudos e pareceres. Disponível em: <http://jus2. 22 OLIVEIRA. 2004. uma vez que os créditos com garantia reais e trabalhistas são. desde que esta fosse feita expressamente. A concordata. sendo este a sede dos negócios da empresa.661/45. Campinas: LZN.24 O pedido de concordata preventiva de acordo com o Decreto-lei 7. Em se tratando de empresa estrangeira. Tratado de direito empresarial brasileiro. a competência era do juízo onde se encontrava a filial. ou seja. tanto a suspensiva quanto a preventiva. 1995. não podendo deixar de lado o principal intuito da concordata o qual era pagar os credores conforme a proposta apresentada. São Paulo: Saraiva.uol. recuperá . Estes requisitos permaneceram os mesmos na Lei 11. A falta do reconhecimento dos créditos em garantia real e trabalhistas não permitia uma criatividade maior por parte do devedor e nem dos credores para criar possíveis soluções para o estado de bancarrota da empresa.661/45 deveria ser feito ao juízo da comarca em que estava situado o estabelecimento principal. e justamente estes não podiam ser remidos e nem ter seus vencimentos dilatados de acordo com o Decreto-lei 7. pois não há renuncia tácita.469-471. visando sempre o objetivo de retirar a empresa da crise. Celso Marcelo de.23 Sendo reconhecidos apenas os créditos quirografários. para assim. reconhecia apenas os créditos quirografários. Gecivaldo. estando dispostos no artigo 3º da lei. 132.101/2005.22 O devedor permanecia na administração da empresa. poder legitimar a habilitação de seu crédito no concurso de credores.

no prazo.Na petição inicial em que fosse requerida a concordata preventiva. Caso o pedido não estivesse devidamente instruído ou não existisse dúvida de que havia fraude o juiz declararia em 24 horas a abertura da falência.25 Cumprido os requisitos o juiz. . ou seja. Gabriela. o requerente.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. a íntegra do despacho e a 25 BRITO. não sendo necessária a aprovação dos credores. p. Acesso em 05 de março de 2010.pdf>. Celso Marcelo de. 26 OLIVEIRA. dilatória. observando o disposto no parágrafo único do art.fesmip. e os motivos que o levaram a requerer a concordata. Ou seja.26 Dado o despacho inicial pelo juiz deferindo o processamento da concordata. 140. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. Nos pedidos da inicial o devedor deveria formular sua proposta de pagamento das dívidas quirografárias. devia decidir pela concordata. SOARES. esta alcançava a principal conseqüência do instituto. quando seria pago 100% da dívida no prazo de 24(vinte quatro) meses e remissória-dilatória quando fosse fixado porcentagem de pagamento da dívida em 60%(sessenta por cento). Thomás Raimundo. junto com estas o juiz ainda nomeava o comissário. Tratado de direito empresarial brasileiro. independente da concordância dos credores u qualquer outro interessado ou princípio. bastava cumprir os requisitos e não havendo nenhuma irregularidade nos documentos exigidos o juiz era obrigado a deferir a concordata. 75%(setenta e cinco por cento) ou 90% (noventa por centro).org. bem como indicar todos os credores e respectivos endereços. necessariamente. Disponível em: <http://www. PINHEIRO. 2004. 14 do Decreto-lei. Campinas: LZN. de 6(seis). 12(doze) e 18(dezoito) meses. Grazieli e PEREIRA. o empresário em crise tinha de fundamentar minuciosamente seu estado econômico financeiro. sendo que a proposta de pagamento deveria ser dentre as opções: remissória. quando fosse pago 50% do valor da dívida à vista. respectivamente. Os efeitos do despacho retroagia até a propositura do pedido. se não houvesse nenhuma irregularidade. o vencimento antecipado de todos os créditos sujeitos aos seus efeitos e a suspensão das ações e execuções contra o devedor. Lívia Sampaio. mandava expedir edital com o pedido do devedor.

114. loc cit. Celso Marcelo de. OLIVEIRA. conforme J.661/45. bem como exercer regularmente a atividade comercial no mínimo há dois anos. e por isso. e por fim. 140 do Decreto-lei 7.lista de credores. e por fim não possuir título protestado por falta de pagamento. assim como os documentos indispensáveis ao exercício legal da atividade deviam estar arquivados no órgão em que fora registrado. amparando altos interesses do devedor comerciante. p. pois.29 27 28 OLIVEIRA. 29 ULHOA COELHO. precisa possuir ativo o qual correspondesse a mais de 50% (cinqüenta por cento) do seu passivo quirografário. Não só isso.27 Para que o devedor pudesse requerer a concordata este deveria ser comerciante e não possuir nenhum dos impedimentos elencados no art. Uma só mancha que tenha na sua profissão mercantil o privaria desse favor. Campinas: LZN. abria prazo para que os credores que não constavam da lista apresentassem as declarações e documentos justificativos de seus créditos. degenerar-se-á o belo instituto. não ser falido. 487. X. se aparecer qualquer oposição. 1995. é considerado um benefício. . determinava o prazo para que o devedor tornasse efetiva a garantia por acaso tivesse oferecido. um favor. São Paulo: Saraiva. Se não forem parcos em conceder a concordata preventiva. fica dependente da mais exata honestidade e da mais comprovada boa-fé por parte do devedor. Tratado de direito empresarial brasileiro. não poderia ter requerido igual benefício a menos de cinco anos. Fábio. mantendo-o à frente do seu estabelecimento e evitando a falência. sem relevante razão de direito. Compreende-se. 2004. e se já o tiver sido ter cumprido com suas obrigações. o comerciante deve apresentar o curriculum vivendi.28 Além dos requisitos formais já observados acima o empresário em crise ainda tinha que comprovar sua honestidade e boa-fé. Carvalho de Mendonça: A concordata preventiva. como os juízes devem ser rigorosos na apreciação das alegações do devedor. o qual exige que: o empresário deveria estar devidamente registrado. o devedor não deveria ter sido condenado por crime falimentar ou qualquer outro que pudesse por em dúvida sua honestidade em relação a manter os negócios. p. Direito empresarial: estudos e pareceres. devia ter requerido a autofalência no prazo de trinta dias do vencimento da obrigação líquida.

140 do Decreto-lei 7. Isto se devia a sua natureza alimentar. Permanecendo a competência da Justiça do Trabalho a ação e execução de seus créditos. Uma só mancha que tenha na sua profissão mercantil o privaria desse favor. Se não forem parcos em conceder a concordata preventiva. e por fim não possuir título protestado por falta de pagamento. 30 OLIVEIRA. Fábio. 31 ULHOA COELHO. não poderia ter requerido igual benefício a menos de cinco anos. X. p.Para que o devedor pudesse requerer a concordata este deveria ser comerciante e não possuir nenhum dos impedimentos elencados no art. p. Campinas: LZN. 114. precisa possuir ativo o qual correspondesse a mais de 50% (cinqüenta por cento) do seu passivo quirografário. e por isso. Carvalho de Mendonça: A concordata preventiva. Compreende-se.30 Além dos requisitos formais já observados acima o empresário em crise ainda tinha que comprovar sua honestidade e boa-fé. Celso Marcelo de. 1995. devia ter requerido a autofalência no prazo de trinta dias do vencimento da obrigação líquida. São Paulo: Saraiva. assim como os documentos indispensáveis ao exercício legal da atividade deviam estar arquivados no órgão em que fora registrado. Tratado de direito empresarial brasileiro. mantendo-o à frente do seu estabelecimento e evitando a falência.31 Os contratos e ações trabalhistas não sofriam nenhuma espécie de alteração com a instauração da concordata. como os juízes devem ser rigorosos na apreciação das alegações do devedor. 2004. não ser falido. o qual exige que: o empresário deveria estar devidamente registrado. o devedor não deveria ter sido condenado por crime falimentar ou qualquer outro que pudesse por em dúvida sua honestidade em relação a manter os negócios. Não só isso. bem como exercer regularmente a atividade comercial no mínimo há dois anos. o comerciante deve apresentar o curriculum vivendi. fica dependente da mais exata honestidade e da mais comprovada boa-fé por parte do devedor. Direito empresarial: estudos e pareceres. se aparecer qualquer oposição. amparando altos interesses do devedor comerciante.661/45. 487. sem relevante razão de direito. degenerar-se-á o belo instituto. conforme J. pois. sendo desta forma considerados privilegiados em face aos outros créditos. é considerado um benefício. . e se já o tiver sido ter cumprido com suas obrigações. um favor.

32 Os embargos constituíam um direito de oposição por parte dos credores referente ao pedido do autor e não do despacho inicial do juiz. o qual devia ser praticado antes da sentença final.Importante ressaltar que quando do deferimento da petição inicial da concordata preventiva pelo juiz este não a estava concedendo de imediato. 161 estabelece que. Tratado de direito empresarial brasileiro. porém. mas estes podiam opor-se judicialmente ao pedido através dos embargos. p. quando da inexatidão do relatório do comissário ou laudo que facilitasse a concessão do benefício. tão logo tenham sido cumpridas as formalidades inerentes à apresentação da petição inicial da concordata preventiva. a falência será também declarada se estiver equivocadamente caracterizada a fraude. SP: Saraiva. 155.2. Campinas: LZN. Rubens.34 Os fundamentos que possibilitavam o ingresso dos embargos estavam dispostos no artigo 143 do Decreto – lei. 155. 2004. 1995. Pois o deferimento do processamento da concordata dependia apenas do juiz. Mas como Celso Marcelo de Oliveira profere: Isso não significa. 35 OLIVEIRA. p. p. e se caracterizado qualquer ato de fraude ou má-fé ou crime falimentar. O art. 2004. desta cabia o recurso da sentença declaratória da falência. 48. . 34 OLIVEIRA. deva manter-se inerte até o momento oportuno para a apresentação dos embargos. 4º ed. sendo eles: quando o sacrifício do credor fosse maior do que se efetivasse a liquidação na falência ou a impossibilidade evidente de não cumprimento da concordata por parte do devedor. que qualquer credor.. p.35 32 33 RENQUIÃO. pois está não sofria nenhuma influência de aceitação por parte dos credores. ele apenas estava autorizando o processamento da mesma. Celso Marcelo de. mas se o juiz não reconhecesse a concordata e acabasse por decretar a falência. que poderá vir ao conhecimento do juiz por representação de qualquer credor ou mesmo quando o magistrado a constate. vol. Tratado de direito empresarial brasileiro.33 O despacho que defere o processamento da concordata era irrecorrível. Campinas: LZN. Ainda que estes embargos fossem restritos. tomando conhecimento de alguma fraude evidente. Curso de direito falimentar. Celso Marcelo de. 47 Ibidem.

vol. n. . no prazo de cinco dias. 156.37 O devedor após requerer a concordata poderia apresentar pedido de desistência. Isto ocorria porque após o deferimento os efeitos da instauração do processo não recaiam apenas sobre o devedor. Desistência. Não bastava a simples desistência por parte do devedor. conversão em falência. o devedor tinha 48 horas para apresentar a contestação e com estas indicar as provas do alegado. Rubens.2. a abertura do prazo de cinco dias para os credores opor embargos ao pedido de concordata. SP: Saraiva. OLIVEIRA.1. p. Curso de direito falimentar.. Concordata preventiva.99-110. os quais não poderiam ser ultrapassados. Revista de Direito Mercantil. o pagamento dos impostos federais.38 Mas a jurisprudência admitia a desistência após o despacho inicial.O prazo para ingressar com os embargos na concordata preventiva era após a fase informativa. 1995. não podendo de qualquer forma desistir após o deferimento do processamento quando este caracterizava a tentativa de burlar o 36 37 RENQUIÃO. p. e logo após os autos iam conclusos ao juiz. ficando a cargo do juiz decidir se procedente ou não à oposição dos credores. 1971.36 Decorrido o prazo sem apresentação dos embargos. quando os credores estavam habilitando seus créditos. 49. estaduais e municipais e das contribuições previdenciárias relativas ao exercício da atividade. ou seja. sendo após estes publicados pelo escrivão. Industrial. 38 REQUIÃO. havia à apresentação do relatório do comissário e o devedor comprovava. Caso houvesse a interposição de embargos. no Diário Oficial. p. Rubens. nesta mesma fase. Encerrando o prazo do devedor os autos iam conclusos ao juiz o qual tina 48 horas para proferir o despacho deferindo as provas que entendia necessárias e designando a audiência para julgamento dos embargos. desde que houvesse a concordância dos credores. concedendo ou não a concordata. op cit. dentro dos 10 dias seguintes. Título protestado. ano X. mas também sobre os seus credores. 4º ed. desde que esta fosse feita antes do despacho de deferimento do processamento da mesma. Econômico e Financeiro. o qual proferia a sentença. era ouvido o representante do Ministério Público. este tinha que justificar o pedido.

PERDA DO OBJETO. Apelação Cível nº 70020620431/2007. levando em conta o depósito judicial efetuado pela concordatária. Thomás Raimundo.43 O pedido da rescisão da concordata cabia aos credores.. ficando impedido.jus. a “alienar imóveis ou constituir garantias reais. fato que. 156. Grazieli e PEREIRA.106 julgados)/ Prefácio Paulo Fernando Campos Salles de Toledo. e atual. tanto que dessa sentença cabia o recurso de agravo de instrumento. não justifica a decretação de falência se não provada nos autos a falta dos requisitos do art. Campinas: LZN. 41 BEZERRA FILHO. após a interposição do presente recurso. Campinas: LZN. APELO PREJUDICADO.661/45 ou manifestamente constatada a insolvência do devedor. PINHEIRO. depois de ouvido o comissário” 42 A concessão da concordata por meio de sentença não podia confundirse com a decisão final de seu cumprimento. Segurança concedida. Lívia Sampaio.org. 157. ampl. DEPÓSITO DO VALOR. de per si. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. salvo evidente utilidade. podendo ser 39 OLIVEIRA. 2004. Gabriela. Comércio. 2º. ou seja. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. Fumus boni júris e periculum in mora caracterozados. 5º Câmara Cível. Desistência.tjrs. o devedor passava a se submeter ao controle jurisdicional. Disponível em< http://www1. Mandado de segurança visando a lhe dar efeito suspensivo. (TJSP – RT 643/81)41 O marco inicial da concordata era a sentença. Lei de Falências: comentada: método de estudo da lei de falências: doutrina: comentário artigo por artigo: jurisprudência recente (1. sendo esta a ação rescisória de sentença que concedeu a concordata. de acordo com o artigo 167 do Decreto – lei 7. 2003. Ed.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. Todavia. 162 do Dec.39 Conforme demonstram as decisões a seguir: APELAÇÃO CÍVEL. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Importação e Exportação LTDA. Deferimento do pedido. Apelante: Comabe Indústria. este era o momento em que o concordatário. OLIVEIRA. 42 BRITO. Celso Marcelo de. Agravo de instrumento interposto contra a setença declaratória da quebra em tais circunstâncias.40 Concordata preventiva. Tratado de direito empresarial brasileiro. reconhecidas pelo juiz. Celso Marcelo de.fesmip. Tratado de direito empresarial brasileiro. SOARES. p. Manoel Justino. fundamentando o pleito exclusivamente no fato de seu crédito não estar garantido.-lei 7. 447. p. Relator: Umberto Guasparine Sudbrack. Apelo prejudicado.661/45. CONCORDATA PREVENTIVA. Disponível em: <http://www. .br/busca/?tb=juris> Acesso em 07 de junho de 2010. p. o apelo resta prejudicado. A recorrente pretendia obstar a homologação da desistência da demanda. Publicada em: 04 de março de 2009.rev.pdf>.cumprimento das disposições legais ou interesses dos credores. COMPROVAÇÃO. 43 OLIVEIRA. Acesso em 05 de março de 2010. 2004. 40 PORTO ALEGRE.

Cumpridas todas as obrigações assumidas na concordata. pelos pagamentos antecipados feitos a alguns credores em prejuízo de outros. era declarada extinta a concordata. quando o devedor abandonasse o estabelecimento comercial. 2004. pela vida desregrada do devedor ou despesas evidentemente supérfluas do concordatário. iniciando. em se tratando de matéria concursal. Esta sentença era eminentemente declaratória. após a concordata. Mas. não poderia. Por igual. loc cit. uma vez que este setor jurídico sofre forte influência 44 OLIVEIRA. 158. nestes casos a falência podia ser decretada pelo juiz ex officio. e era caso de provocação dos credores os casos em que o devedor não adimplir com as obrigações nos tempos devidos. na moeda da concordata. depois de terem sido pagos todos os credores habilitados. quando da venda por preço vil de bens do ativo. as figuras do comissário e do quadro geral de credores. .45 1. A sentença que julgava cumprida a concordata devia ser publicada por edital. o credor não habilitado.661/45 em sua vigência sofreu pequenas alterações. o concordatário requeria ao juiz que este declarasse o cumprimento da mesma. 45 OLIVEIRA. Campinas: LZN. p. sendo desfeitas. Tratado de direito empresarial brasileiro. ficaria sem aplicação o artigo 147. Porém a declaração de cumprimento da concordata não se equivalia à expressão “extinção das obrigações44”. essas pequenas transformações não foram o suficientes. então.1. pelo qual o credor quirografário excluído. Conforme Rubens Requião: Se a sentença que julga cumprida a concordata declarasse extintas as obrigações do concordatário. no órgão oficial e em jornal de grande circulação. quando o responsável pela administração da empresa em crise tivesse sido condenado por crime falimentar. pode exigir deste o pagamento da percentagem da concordata. desta forma. § 2º.requerido de pleno direito quando o devedor não cumprir com as obrigações assumidas. o prazo de 10 dias para reclamação dos interessados. haver pela ação própria o seu crédito. quando. ou que teve negado o pagamento do seu crédito. quando da negligência por parte do concordatário em relação a continuação do negócio.1 A flexibilização do instituto da concordata e a função social da empresa O Decreto-lei 7. mas cujo crédito tenha sido reconhecido pelo concordatário. Celso Marcelo de. assim.

Campinas: LZN. 178. às vezes. Realmente. 48 SALAMANCHA. nem sempre tiveram como finalidade encontrar a melhor solução para o devedor ou a manutenção da empresa. José Eli. situações que demandavam um direito recursal mais ágil. Caderno Direito e Justiça. Ed. ter a decretação da falência de sua empresa. o qual é dinâmico e encontra-se em constantes modificações. A recuperação judicial de empresas e as dívidas fiscais. senão improdutiva. o contexto de seus comandos passou a regular de forma deficiente e. tanto que o comerciante em crise tinha que ter muita cautela ao requerer a concordata preventiva. as quais trazem conseqüências sociais. o âmbito da concordata era muito estreito e relegava a um plano secundário o 46 FAZZIO JÚNIOR. O Decreto-lei 7. Tratado de direito empresarial brasileiro. enquanto as demais 83% (oitenta e três por cento) acabavam por ter decretada sua falência. fatalmente. pois quase 80% das empresas que pedem concordata não se recuperam mais e caminham. no tocante aos efeitos do inadimplemento das obrigações. bem como os institutos semelhantes que a antecederam.do mercado econômico. São Paulo: Atlas.47 Estatísticas demonstram que durante a vigência do Decreto-lei 7. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. 2005. p. Celso Marcelo de. 2005. 49 OLIVEIRA. 48 Osvaldo Biolchi49 entendia que: Nestes dias se impetra uma concordata ou uma falência com muita facilidade. protectivo da empresa. 2. O Estado do Paraná. ao invés de ter deferida a concordata. observando-se um total abuso do instituto. 107.46 De acordo com o doutrinador Waldo Fazzio Júnior: A LFC – Decreto – lei 7. conservam relativa atualidade.661/45 – tornou-se obsoleta e se seus princípios. para a falência. . injusta. apenas 17% (dezessete por cento) das empresas sob concordata judicial se recuperavam e se mantinham em atividade. A concordata só interessava aos credores quirografários e ao devedor. 47 FAZZIO JÚNIOR. loc cit. Curitiba. 2004. Waldo. já que poderia. Conforme Waldo Fazzio Junior: A crítica mais freqüente e procedente que sempre se formulou em relação à concordata preventiva focalizava o particularismo daquela solução preventiva da falência. 25 dez. A concordata. p.661/45 era bem rigoroso quanto às formalidades. realista e eficaz.661/45.

São Paulo: Revista dos Tribunais. Eduardo. de Moraes Pitombo. em até no máximo trinta dias.verdadeiro significado da empresa. p. castigando a primeira pelas obrigações inadimplidas pelo segundo. p.661/45 não distinguia a empresa (atividade) da figura do empresário. levava em consideração o interesse público e social em manter operante a empresa em crise. 297-298. não sendo desta forma declarada a falência de imediato pelo juiz pela falta dos documentos. Sendo este o ponto mais próximo dos princípios da preservação e função social da empresa. 2007. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Um exemplo são os documentos que deviam ser juntados com o pedido inicial da concordata. Waldo. havia precedentes jurisprudenciais no sentido de que uma simples irregularidade não faria com que o juiz decretasse a falência. já que o novo dono herdava as dívidas tributárias e trabalhistas. Também. o que levava a um sistema em que todos os envolvidos perdiam. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 50 FAZZIO JÚNIOR. o qual podia ser dilatado. na tentativa de tornar o instituto mais de acordo com a realidade. 125.51 Durante a vida do Decreto-lei é possível identificar que alguns de seus comandos foram flexibilizados. isto porque o juiz. pois não era possível levantar grandes valores com a alienação dos bens da empresa em concordata devido aos riscos ao qual o comprador ficava exposto. 51 SECCHI MUNHOZ. que constam no artigo 47 da nova lei. Um exemplo era a sucessão tributária e trabalhista quando da alienação de filial ou unidade produtiva. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. pelos juízes. o que acabava por comprometer a manutenção dos empregos e o pagamento de novos tributos. . mesmo sem a lei reconhecer.101/2005. Ed. Era só uma garantia dos credores.50 O regime adotado pelo Decreto-lei 7. São Paulo: Atlas. 2005. 11. 2. E até mesmo o pagamento das obrigações inadimplidas do devedor sofria com o sistema.

tj. havendo incompatibilidade entre o disposto na Lei Maior e na lei ordinária. para que atenda a sua finalidade social. IV. 53 CASTRO. conforme decisão abaixo: FALÊNCIA .03. O valor social do trabalho do empresário. mesmo que houvesse título protestado. . Tribunal de Justiça de São Paulo. que tem de servir como norte ao intérprete do direito. 2007.Concordata . 1º. do Decreto-lei 7.sp. em 04. Agravante: Hachul Engenharia e Empreendimentos Imobiliários LTDA. Agravo Regimental nº 116. Protesto de título. assim como a livre iniciativa estão consagrados no referido dispositivo constitucional. conforme: Ao postulante dos benefícios da moratória pode vir a ser concedido prazo razoável para apresentação da documentação. este ressaltou a possibilidade de aumentar o prazo para a apresentação dos documentos. Agravado: Desembargador Relator. Existência. do contrário quebrar-se-ia a igualdade entre os credores. Isso se funda na circunstância de levantamentos e demonstrativos exigidos pela legislação especial serem de difícil elaboração. Não pode após o aforamento do pedido de concordata preventiva. em meio às dificuldades ínsitas aos procedimentos de obtenção de certidões e documentos. E.Ausência de cumprimento do art.1999 – DJ 29. Publicada em 02 de junho de 1999. A existência de protesto de título contra o devedor não impede o deferimento da concordata preventiva. pois.661/45 . as decisões judiciais se desencontravam em relação a essa exigência. a demandar tempo para sua confecção.Inocorreência de afronta aos fins sociais da lei e de desamparo legal ao ato judicial atacado . com o corolário do princípio fundamental insculpido na CF/88.gov. algo que não atenta contra preceitos e regramentos legais. 4º Câmara de Direito Privado.Descuido 52 SÃO PAULO. Preservação da Empresa no Código Civil. Deferimento. e da existência de bens no estabelecimento comercial . Disponível em <http://esaj. a inadequação verificada resolve-se em favor da Almeida Melo – j. art.847-4/2-01.do?cdAcordao=1523351> Acesso em 07 de junho de 2010.br/cjsg/getArquivo. 158.1999)53 Apesar desta decisão viabilizar a recuperação judicial. o qual teve deferida a concordata preventiva reconhecendo a finalidade social da empresa que requereu o benefício: Concordata preventiva. Devedor. p.Decretação . Curitiba: Juruá. eis que a empresa deve ser preservada.Favor legal que visa a manter saudável a vida econômica da empresa e. 46.Em decisão proferida pelo relator Fonseca Tavares 52 do Tribunal de Justiça de São Paulo. a requerente efetuar qualquer pagamento relativo ao quirografo até a respectiva data.10.Irrelevância da juntada de outros documentos e papéis. com isso. Carlos Alberto Farracha de. Relator: Fonseca Tavares. Outro exemplo de flexibilização é a ementa abaixo. garantir os interesses dos trabalhadores . mesmo que haja protesto.Decisão mantida .

257 – 4/1. “a confissão de falência. Tribunal de Justiça de São Paulo. SP: Saraiva. 57 BEZERRA FILHO. 4º ed.gov.2. Ed. supondo que esta enfrentando dificuldades econômico-financeiras transitórias. p. Agravante: Profissionais Gráficos e Editora LTDA. São Paulo: Editora dos Tribunais. 35. . pois em muitas situações o empresário. 29.do? cdAcordao=1706616> Acesso em 07 de junho de 2010. seria uma medida deplorável. 3. tendo a Lei 11. dentro de trinta dias do vencimento de obrigação líquida. 56 Ibidem. sem protesto. Curso de direito falimentar.sp. Publicada em 30 de outubro de 2001.tj. de 9 de fevereiro de 2005. já a outra amenizava o dispositivo. não impede a concordata preventiva”..101.54 O artigo 140. Manoel Justino. 1º Câmara de Direito Privado. e sem razões econômicas”. uma mais rígida que aplicava o preceito legal literalmente. após iterativas decisões apaziguou as divergências através da Súmula nº 190. acaba não confessando a falência dentro do prazo de trinta dias. 2005.na observância do ônus de instruir correta e completamente o pedido inicial . 55 RENQUIÃO. vol. entende que era necessário que houvesse o protesto para impedir a concessão da concordata preventiva.57 1. Mas a aplicação desta afigurou-se odiosa. já analisadas.br/cjsg/getArquivo.101/2005 buscado atender as estas necessidades. As empresas careciam de mecanismos que possibilitassem a garantia do interesse social e dos próprios credores. comentário artigo por artigo. 1995. surgiram duas correntes. p. Estas correntes perduraram por um tempo até que o Supremo Tribunal Federal. Rubens. 28-29.Agravo improvido.56 É possível verificar que a concordata não atendia mais as necessidades sócias que provêm da devida manutenção que as empresas necessitam. p. inciso II do Decreto-lei que declara a impossibilidade de requerer a concordata o devedor que deixou de confessar a falência no período de trinta dias após o vencimento de obrigação líquida não paga não deixa dúvidas. Disponível em <http://esaj. Relator: Alexandre Germano. Em meio às decisões. Agravada: Massa falida Profissionais Gráficos e Editora LTDA. Nova lei de recuperação e falências comentada/ Lei 11.2 Da recuperação judicial 54 SÃO PAULO. Agravo de instrumento nº 205. Como refere Rubens Requião55.2 tir. a qual previa que “o não pagamento de título vencido há mais de trinta dias.

na prática manter o negócio para assim satisfazer sua função social. cuja existência interessa à sociedade em geral. 2008. Rachel. São Paulo: Revista dos Tribunais. Manoel Justino. mas quanto aos regimes alternativos à liquidação a mudança foi principiológica e estrutural. aos consumidores ou clientes e ao Estado. 60 MELLO FRANCO. p.101/2005. 58 BEZERRA FILHO. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. aos exercentes da atividade. auxiliando sua conceituação no entendimento do processo de recuperação judicial.661/45. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. de acordo com Manuel Justino Bezerra Filho. intenta preservar a atividade empresaria para assim assegurar seu fim social. Nova lei de recuperação e falências comentada/ Lei 11. de Moraes Pitombo. bem como preservar os direitos e interesses dos credores60. comentário artigo por artigo.” Se faz necessário conceituar a figura do empresário. 59 VIGIL NETO. Esta semelhança encontra-se principalmente. a mudança foi mais principiológica do que estrutural..101/05 traz para o ordenamento é: Em relação ao regime liquidatório de falência. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. Rio de Janeiro: Elsevier. p. 2 tir. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. uma vez que a legislação brasileira não define o que é empresa e sim quem é empresário. p. Buscase. p. ou seja. Luiz Inácio. 218.68. Rachel Sztajn61 entende empresa como: “organização econômica que atua em mercados e. aos credores. “no sistema de existir uma decisão inicial que defere o processamento e uma segunda que defere o próprio pedido”58 Para Vigil Neto a modificação que Lei 11. pois este é sujeito fundamental para entender o que é empresa. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 2008. 2007.Apesar de a recuperação judicial ser um instituto novo. 3. a Lei 11.101/2005 manteve certa semelhança procedimental com a concordata preventiva do Decreto – lei 7. Rachel. mas uma profunda alteração de sua “fórmula. 128-129. .101/05. ed. não significando apenas uma nova nomenclatura do “remédio”. 2005.59 A recuperação judicial tem como objetivo sanear a crise econômicofinanceira do empresário ou da sociedade empresária. 61 SZTAJN. Vera Helena de e SZTAJN.101. de 9 de fevereiro de 2005. São Paulo: Editora dos Tribunais. 234.

estando todos voltados para a geração de lucros para quem explora a atividade empresária. dos empregados. De acordo com Eduardo Secchi Munhoz65: . trabalhadores. de 9-2-2005). insumos e tecnologia. coletividade em geral). os quais produzem ou circulam bens ou serviços em nome do empregador.189. Eduardo..62 A atividade econômica organizada significa que na atividade se encontram articulada. 2010. Da definição de empresário é possível identificar o que é empresa. revisada. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais.64 É importante salientar que só se deve optar pela recuperação judicial.Empresário tem sua definição no artigo 966 do Código Civil. assim. 7-8. sendo estes o capital. 64 Ibidem. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. e o profissionalismo. o profissional não pode realizar tarefas de modo esporádico. a lei falimentar deve procurar preservar os demais interesses envolvidos (investidores. ou seja. 36. o qual provém do monopólio das informações que o empresário detém sobre o produto ou serviço objeto de sua empresa.9. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 7 63 Ibidem. São Paulo. n. mão obra. devendo-se optar pela recuperação da 62 ULHOA COELHO. consumidores. comunidade local. p. as quais são a habitualidade. tem que ser habitual. 65 SECCHI MUNHOZ. atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços. v. pelo pessoa do empresário. diferenciando-o.63 A produção e circulação de bens ou serviço referem-se à fabricação de produtos ou mercadorias e a busca do bem no produtor para trazê-lo ao consumidor. 7º edição. os quatro fatores de produção. 11. p. Fábio. devendo o sujeito exercer a atividade empresarial pessoalmente. p.. sendo ela: Art. . a pessoalidade. São Paulo: Saraiva. O profissionalismo se caracteriza através de três ordens. Desta conceituação destacam-se as noções de profissionalismo. quando esta se demonstrar mais benéfica para a sociedade. 966. p.10.101.

p.66 Contudo o processamento da recuperação judicial traz alguns efeitos sobre as relações do requerente da recuperação e seus credores. sendo eles: Art. cumulativamente: 66 VIGIL NETO. não corresponde à realidade. requisitos que se encontram no artigo 48 da Lei 11. porém. Na primeira identificamos o processamento da recuperação judicial. Na primeira fase identificamos os requisitos para ingressar com o pedido de recuperação judicial. teremos a convolação da recuperação judicial em falência.101/05. já na fase do deferimento da recuperação. ainda. no momento do pedido. quando este recebe a inicial requerendo a recuperação judicial. o deferimento da petição inicial não garante a concessão do regime recuperatório e não obriga o magistrado a concedê-la no futuro. e na segunda fase identificamos o deferimento da recuperação judicial. A recuperação judicial pode ser dividida em duas fases. 48. pois os credores também podem ser beneficiados pela recuperação. a possibilidade de o credor continuar a fazer negócios com a empresa recuperada”.empresa sempre que essa solução gerar maiores benefícios do que custos para a sociedade. isso sempre ocorrerá quando a continuidade da empresa aumentar a probabilidade de recuperação de créditos e o valor respectivo em comparação com o que se obteria no processo de liquidação. devendo ser atendidos cumulativamente.101/2005. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. 2008. devido às possíveis conseqüências de cada uma. Em princípio. Faz-se importante esta separação. pois na fase de processamento da recuperação judicial caso esta venha a ser indeferida pelo juiz. ou seja. exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos.163. poder-se-ia imaginar que tal solução estaria em conflito com o interesse dos credores. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que. não acarretará na convolação da recuperação em falência. caso o empresário em dificuldades recaia sobre alguma das hipóteses elencadas no artigo 73 da Lei 11. Luiz Inácio. Cabe ressaltar que o primeiro exame feito pelo juiz. . este não se atrela ao mérito da recuperação judicial. Essa observação. pois o juiz no primeiro momento verifica apenas se a inicial atende a todas as exigências de ordem processual imposta pela legislação. “Considere-se. na maior parte das vezes.101/2005.

se o foi. contudo. SP: Saraiva.101/05. herdeiros do devedor. Parágrafo único. 2007. p. 4º ed. a mais de 24 meses. inventariante ou sócio remanescente De acordo com o artigo acima exposto apenas o devedor é legitimado a requerer a recuperação judicial. Curso de direito comercial. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. São Paulo: Revista dos Tribunais. de Moraes Pitombo.101/2005. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. e atual. v. há menos de 5 (cinco) anos.67 A lei reconhece outros legitimados no parágrafo único do referido dispositivo legal. como administrador ou sócio controlador. 68 VIGIL NETO. também. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo. Devendo a expressão “há mais de dois anos” ser interpretada como a exatos 24 meses de atividade empresarial. III – não ter. A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge sobrevivente. IV – não ter sido condenado ou não ter. 11. Luiz Inácio. . ou período superior a este. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.69 A regularidade da atividade não se refere apenas ao registro do empresário individual ou sociedade empresaria na Junta de Comércio. há menos de 8 (oito) anos. com legitimidade secundária. Ou seja. 2008. esta não tem como ser imposta a ele.I – não ser falido e. todos os legitimados previstos. por este motivo a Lei afastou a possibilidade do credor poder requerer a recuperação.68 Outro requisito do já referido artigo é estar exercendo a atividade empresaria regularmente a mais de dois anos. obtido concessão de recuperação judicial.146. p. não visam interesses próprios e sim os interesses da empresa em crise. II – não ter. e sim. 2003. Fábio. por sentença transitada em julgado. ou seja. 69 SZTAJN. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. as responsabilidades daí decorrentes. para preencher o requisito da 67 ULHOA COELHO. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. Caso o devedor não demonstre interesse em pedir a recuperação. 224. manter a escrituração atualizada e as publicações periódicas das demonstrações contábeis em dia.3. isto se dá pelo fato de que ele é quem está exposto ao risco de ter a falência decretada. Rachel. 125. estejam declaradas extintas. p. rev.

74 No Decreto – lei 7. MELLO FRANCO..70 Para Vera Helena de Mello. 11. 75 BEZERRA FILHO. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. se ocupe em regularizá-la. p. de 9-2-2005). Manoel Justino. terá direito ao beneficio. Rachel.regularidade temporal a empresa em crise deverá comprovar ter atendido os três requisitos mencionados. – São Paulo: Editora Revista . ou seja. pois se em período menor a empresa necessita. tardiamente. 2008. pois a lei entende que não faz mais sentido recuperar uma empresa a qual teve decretada sua falência.. exigidos na lei.75 70 71 VIGIL NETO. o risco é de. 73 O devedor não pode ter obtido o beneficio da recuperação judicial a menos de cinco anos. Se a empresa tiver apenas títulos protestados ou a falência requerida. 2 tir. o devedor poderá. a exigência do lapso temporal de dois anos “visa a demonstrar alguma viabilidade do empreendimento.125. no mesmo período. Encontramos também como requisito que o empresário não pode ser falido. op cit.124 125. Rachel. 235. no período de dois anos. Vera Helena de e SZTAJN. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. se já houve sentença instaurando o concurso falimentar de credores. através de declaração. Rio de Janeiro: Elsevier. p. comentário artigo por artigo. São Paulo: Saraiva. para quem já houvesse impetrado concordata. 73 ULHOA COELHO. que não se cuida de aventura passageira”.661/45 também havia a vedação. 72 SZTAJN. havendo a possibilidade da redução do lapso temporal caso houvesse desistência do pedido da mesma. de que todas as obrigações advindas da falência já formam extintas. 2005. novamente do beneficio para reorganizar os seu negocio. abrandar-se o rigor normativo para aceitar pedidos que exerça a atividade irregularmente por algum período e. 74 Ibidem. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. este “sugere falta de competência suficiente para exploração da atividade econômica em foco”.101. este não poderá requerer a recuperação judicial..71 Já para Rachel Sztajn72: . revisada. sendo os dois institutos incompatíveis. o que abre espaço para comportamentos oportunistas o que a norma não pode estimular nem consentir. requerer a recuperação judicial. 2º edição. bem como se este comprovar. paulatinamente.148. vendo-se diante da impossibilidade de obter a recuperação judicial por conta disso.. Fábio. p.101 de 9 de fevereiro de 2005. ainda assim.se o comando vier a ser relaxado para fins de reduzir o termo para 24 meses. loc cit. 3º Ed. p.

. ainda impedia que a sociedade empresarial. este requisito não é essencial para o indeferimento do pedido de recuperação judicial.78 dos Tribunais. Manoel Justino.101/05. relação de todos os credores. Luiz Inácio.101/2005. Luiz Inácio. tendo sido chamado de “pessoalidade” da lei falimentar. .101 de 9 de fevereiro de 2005. 133. 133. certidões de protesto de títulos. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/2005. 2008. uma vez que a “condição da empresa não pode ser confundida com a condição do empresário”. 2008. porém em crise passageira. pois de acordo com Manoel Bezerra Filho77: . – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. demonstrações contábeis. 2 tir.controlador e o administrador não podem ter sidos condenados por crimes previstos na Lei 11. certidão de regularidade do credor emitida pela Junta Comercial. relação das ações judiciais em que o devedor figure como parte. Para o professor Ricardo José Negrão Nogueira. mesmo que saneada e em boas condições. Estes requisitos são: exposição das causas concretas da crise.além de não privilegiar a manutenção da empresa em funcionamento. ante os problemas pessoas que atingiam determinado administrador ou sócio – controlador. dando como solução que dentre os meios de recuperação conste a previsão da substituição do sócio – controlador ou administrador. relação dos empregados. pudesse se valer então da concordata. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11.O último requisito define que o sócio .. 3º Ed. p. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. o qual indica os requisitos que devem estar presente na redação da petição inicial que irá requerer o beneficio da recuperação judicial. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. 76 VIGIL NETO. 78 VIGIL NETO.76 Este último requisito também constava da lei anterior. p 153. extratos atualizados das contas bancárias e aplicações financeiras. Estas condições estão elencadas no artigo 51 da Lei 11. entendo-se este como condenação por sentença condenatória com transito em julgado. comentário artigo por artigo. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. Depois de preenchido estes requisitos o devedor tem ainda que preencher algumas condições.. 2005.101/05. relação dos bens particulares dos sócios – controladores e administradores. p. 2005. 77 BEZERRA FILHO. e foi alvo de severas criticas. tanto formais quanto materiais. p 161.

2008. Devendo os credores sujeitos aos efeitos da recuperação ser relacionados em tópico especial. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. porem não se desvincula da atividade.101/05. Para Rachel Sztajn80 causa concreta significa: Servirá para indicar o real motivo gerador do desequilíbrio patrimonial. é preciso expor.82 Para complementar a peça informativa o empresário em crise deverá juntar as demonstrações contábeis do momento atual da empresa. 80 TAVARES GUERREIRO.101/2005. 243. não é resultado de uma só decisão equivocada.147.O primeiro requisito que é a exposição das causas concretas da crise deve ser feita através de um relatório. Esta exposição “permite avaliar as probabilidades de recuperação da atividade se a crise vier a ser debelada mediante a execução do plano79”. como se intui. os três últimos anos civis anteriores ao pedido. Ou seja. Em atividade.101. o qual auxiliara o 79 MELLO FRANCO. Luiz Inácio. Rachel. as razões que geraram a crise da empresa que. . O desfecho pode ser determinado pontualmente. mas também as obrigações de fazer e dar. fatores ou eventos que levaram à empresa a crise econômica – financeira. p.81 Dos três primeiros instrumentos o empresário em crise deve apresentar os últimos três exercícios sociais. Vera Helena de e SZTAJN. 81 ULHOA COELHO. onde há a exposição de forma detalhada e fundamentada das razões. Rio de Janeiro: Elsevier. demonstração de resultados acumulados. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. p 161. São Paulo: Revista dos Tribunais. de Moraes Pitombo. José Alexandre. 2008. série de atos ou negócios funcionalizados entre si para levar a um resultado. esta se caracteriza pelos instrumentos: balanço patrimonial. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. Na relação de credores deve o requerente da recuperação judicial listar nominalmente cada um e abranger não apenas as obrigações pecuniárias. ou seja. p. 250.. 2007. a crise é parte desse processo contínuo. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. de forma clara e articulada. de 9-2-2005). 2005. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. demonstração de resultado desde o último exercício e relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção. São Paulo: Saraiva. p. revisada. Fábio. 82 VIGIL NETO. 11. situações. a crise econômica – financeira. 2º edição. Quanto ao requisito das demonstrações contábeis. pois esta refletirá o estado presente dos negócios.

Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11.83Devem constar. 86 SZTAJN.101. Sem falar na possibilidade de os sócios e administradores procurarem formas de criar escudos para proteger seus bens mais precocemente. 2005. p.administrador judicial na realização da publicação dos credores.148. bem como a natureza de seus créditos e o valor atualizado dos mesmos.85 Umas das exigências para obter a recuperação judicial a qual não demonstra relevância é a apresentação da relação de bens particulares dos sócios – controladores e administradores..101 de 9 de fevereiro de 2005.87 É preciso juntar na inicial os extratos bancários atualizados. Podendo esta exigência permitir que os credores exerçam pressões para obterem a satisfação de seus créditos. ainda. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. revisada. 84 ULHOA COELHO. 2 tir. ou seja. loc cit. a título de saldo de salário. 85 ULHOA COELHO. de Moraes Pitombo.149. uma vez que existe a separação patrimonial dos sócios e da sociedade de que fazem parte. 255. uma vez que o processo de recuperação não tramita em segredo de justiça. Devendo constar os extratos de todas as contas bancárias que a empresa 83 BEZERRA FILHO. Rachel. de 9-2-2005). p.. bem como suas funções e seus créditos. indenização e outros encargos e o respectivo mês que se deu o vencimento da obrigação trabalhista. op cit. pois nada pode forçá-los a apresentar a relação de seus bens particulares. Manoel Justino.86 Mas é valida a negativa por parte do sócio – controlador e administrador em não apresentar a relação de seus bens. 11. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11.84 Na relação de empregados deve constar o rol completo dos funcionários da empresa em crise. São Paulo: Saraiva.101/2005. origem do crédito. 3º Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. pois a Constituição Federal de 1988 garante em seu artigo 5º a inviolabilidade da vida privada. 2005. Fábio.101/2005. 148. 2007. suas condições de vencimento e a indicação do respectivo registro contábil. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. p. 87 ULHOA COELHO. . estes devem conter data anterior ao da distribuição do pedido de recuperação. 2º edição. p. comentário artigo por artigo. exigido no artigo 7º da Lei 11. o endereço de cada um dos credores.

101 de 9 de fevereiro de 2005. pois este será essencial ao administrador judicial para saber o que vem acontecendo com o ente em recuperação. 2008.151. 2005. a fim de determinar o modo como tais valores serão incluídos na contabilidade da empresa”89. Manoel Justino. 2005.101/05.possui. comentário artigo por artigo. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. de 9-2-2005).90 Após a distribuição da petição inicial esta vai conclusa ao magistrado. Luiz Inácio. a qual serve para “caracterização de êxito provável ou remoto na ação judicial. 11. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. Fábio. Deste primeiro exame duas hipóteses poderão ocorrer. p. p.. 2 tir. devendo elas serem expedidas pelos cartórios das comarcas onde a empresa possui sede e filiais. conforme Luiz Inácio Vigil Neto91: 88 ULHOA COELHO.101. sendo tal análise meramente formal. Tais certidões servem apenas para informar os credores da real situação da empresa em crise. 151.88 O pedido de certidões de protestos de títulos não influência na concessão da recuperação judicial. p. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. o qual analisará se a inicial possui todos os requisitos exigidos pela Lei 11. O juiz só deve determinar o depósito da escrituração da requerente se houver risco de adulteração ou perda da mesma. p 163. revisada. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. 3º Ed. 91 VIGIL NETO. Esta disposição da escrituração existe porque a empresa que requer o benefício da recuperação necessita se submeter ao dever de transparência. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 90 ULHOA COELHO. . A escrituração da empresa em crise não precisa ser depositada em juízo. pois o juiz não avalia o mérito do pedido. A escrituração deve ficar à disposição do juiz e ser consultado por qualquer interessado que obtenha autorização judicial. op cit. 2º edição. a não ser que o juiz determine.150. 89 BEZERRA FILHO. bem como os fundos de investimentos. São Paulo: Saraiva. para que os credores saibam do montante ativo que a empresa em crise possui. Dentro da relação das ações judiciais em andamento faz-se necessário que conste a estimativa atualizada dos valores demandados.101/2005. fincando assim suspenso o sigilo da escrituração mercantil.

Gecivaldo. cabe postular a recuperação somente antes da decretação da falência. Mas quando deferida a inicial já visualizamos alguns efeitos. no prazo de defesa do devedor. conforme o artigo 95 da Lei. Primeira e Segunda Partes.asp?id=6632>. Deve-se observar que a recuperação judicial não pode ser requerida caso seja decreta a falência do devedor. a suspensão de todas as ações de execuções existentes contra o devedor. pois na Lei 11. exceto no caso de contrato com o Poder Publico ou outorga de benefícios ou isenções fiscais ou creditícios. deverá o juiz conceder prazo razoável para complementação da petição inicial. a nomeação do administrador judicial. ou seja. deverá observar algumas situações: 1. requerer a convocação da Assembléia Geral de Credores. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas.1) A petição inicial não se encontra em condições de deferimento: se não deferir pelo não atendimento de um ou vários requisitos. autorizando o processamento do pedido. abrindo-se prazo para habilitação dos créditos. Dessa forma. Ainda podem os credores.br/doutrina/texto.101/2005 não existe a figura da concordata suspensiva e nem figura similar. Também será publicado edital contendo o resumo do pedido e da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial. Caso seja feito o pedido de falência. não havendo como suspender o processo de falência. onde teremos a concessão real da recuperação judicial. 2) A petição se encontra em condições de deferimento: se todos os requisitos forem atendidos. por credor da empresa em crise. bem como a relação dos credores.2) se o indeferimento decorreu da impossibilidade de cumprir com algum(ns) do(s) pressuposto(s) ou condição da lei. o devedor pode requerer o benefício da recuperação.92 Após a autorização do processamento da recuperação judicial iniciamos a segunda fase. deverá o juiz indeferir a petição inicial. a dispensa da apresentação das certidões negativas para o exercício de suas atividades econômicas.com. . 1. no prazo para contestação. Comentários sistemáticos. o magistrado deferirá a petição inicial.uol. Disponível em: < http://jus2. 92 VASCONCELOS FERREIRA. após o deferimento da recuperação judicial. Acesso em 17 de janeiro de 2010. Nestas situações não haverá base jurídica para a decretação de oficio da falência.1) se o indeferimento decorreu da não apresentação de documento ou não atendimento de requisito indicado na lei. como a suspensão da tramitação dos pedidos de falência existentes contra o empresário em crise. encerrando o processo.

Waldo. Este deve ser profissional habilitado. A habilitação dos créditos compreende três fases: a publicação da relação de credores. § 1º. mas este não é taxativo. sobre pena de destituição de seus administradores.93 O devedor permanece na administração dos seus negócios. como retardatária. Vera Helena de e SZTAJN. evitar fraudes. conduta moral e responsabilidade no plano financeiro. 93 MELLO FRANCO. 54 94 MELLO FRANCO. p. assim. loc cit. parágrafo único da lei. 2. 79 96 Ibidem. mas este deve prestar contas do desenvolvimento da atividade durante o período em que perdurar a recuperação judicial. Também pode ocorrer fora do prazo previsto no art. impugnação ou postulação de inclusão e consolidação do quadro geral de credores. A primeira está no artigo 8º. São Paulo: Atlas.A figura do administrador judicial não existia no Decreto – lei. 7º. Ed. como o comissário das concordatas. quando não integrante daquela. O quadro geral de credores é de publicação obrigatória e pode ocorrer de duas formas.95 Segundo Waldo Fazzio Junior96: A apresentação do crédito decorre de sua inserção na relação oferecida pelo administrador judicial ou de sua posterior inclusão. 2005. O artigo 21 da lei indica alguns profissionais que podem assumir a função. na falência. sendo sua principal função a de fiscalizar o andamento da recuperação e cumprimento do plano. condutas de má-fé e assegura que todos os credores terão tratamento proporcional ao crédito. ou seja. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. pois pode ter que vir a responder por seus atos. onde não apresentação de impugnação à listagem de verificação provisória dos créditos. 80 .94 A habilitação dos créditos é de extrema importância. Podendo ser tanto pessoa natural quanto jurídica e vem substituir as figuras do antigo síndico. Rio de Janeiro: Elsevier. uma vez que se torna responsável pelo bom andamento do plano de recuperação. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. Rachel. Assim como no Decreto – lei o administrador judicial precisa ter idoneidade. p. 95 FAZZIO JÚNIOR. que exerça atividade que detenha alguma relação com as atribuições que lhe são deferidas. 2008. pois procura. P.

juntamente com o juiz. p. 98 Ibidem. 100 ULHOA COELHO. p. de 9-2-2005). São Paulo: Saraiva.101. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. a inclusão do crédito julgado não habilitado em primeiro grau até a apreciação do agravo para garantir ao credor. revisada.115. Luiz Inácio. manifestar-se sobre o pedido de desistência da recuperação judicial. o qual deve. A decisão proferida é recorrível. natureza e quantificação do crédito. eleger o gestor judicial.99 A Assembléia Geral de Credores é a reunião de todos os credores habilitados. 2010. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. A elaboração do quadro definitivo é função do administrador judicial. 2) determinar. A atribuição da Assembléia de Credores é: aprovar. o direito de votar em assembléia geral. a qual está prevista no artigo 8º da lei.a qual é elaborada pelo administrador judicial e publicada. para que estes possam expressar seus interesses e buscar a melhor forma para recuperar a empresa em crise para que seus créditos sejam satisfeitos. 11.97 A segunda forma se dá quando há apresentação de impugnação dentro do prazo.100 97 VIGIL NETO.101/05. Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. Não havendo impugnação o juiz homologará a listagem. pois o prazo para impugnação é definitivo. quando afastados os diretores da sociedade empresária em crise. Dessa forma inicia-se um processo judicial de comprovação da existência. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. exclusivamente. 2008. assinar o quadro geral de credores definitivo e publicá-lo ao término do prazo para impugnações ou do trânsito em julgado da última impugnação. de acordo com Vigil Neto98: 1) determinar a exclusão temporária do crédito do quadro – geral enquanto não julgado o agravo.115 e 116. não sendo necessária nova publicação. provisoriamente. deliberar sobre qualquer outra matéria de interesse dos credores. 2008. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. aprovar a instalação do comitê de credores e eleger seus membros. p. rejeitar e revisar o plano de recuperação judicial.115-116. 99 VIGIL NETO.101/05. 7º edição. Quando da tramitação do recurso duas situações se apresentam. não tendo os credores outra oportunidade. p. tornando-a definitiva. Fábio. fincando o juiz incumbido de decidir. tendo o legislador optado pelo recurso de agravo para modificação da decisão. 96 .

seus deveres serão exercidos pelo administrador. 3) titulares de créditos quirografários. podendo ser proposta por qualquer de suas classes. e têm a função de auxiliar o judiciário como os demais órgãos que fazem parte da recuperação judicial.101 Diferentemente do administrador judicial o Comitê de Credores é opcional. loc cit. P. se assim. compete a Assembléia Geral constituí-la. De acordo com Vera Helena de Mello Franco e Rachel Sztajn102: O comitê é órgão consultivo e de fiscalização e. pode uma pessoa representar mais de uma classe ao mesmo tempo.com. com privilégio especial.asp?id=6632>. zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. na sua constituição. Vera Helena de e SZTAJN.uol. e quando este for incompatível será exercido pelo juiz. deve ser integrado por 1 representante efetivo de cada uma das classes de credores e mais dois suplentes de cada classe (art. 26 da LRE). sendo necessário que este último seja especialista. Rio de Janeiro: Elsevier. pois basta a manifestação de apenas uma das classes para que seja feita a constituição do comitê. ainda. das seguintes classes de credores: 1) titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. 70. Gecivaldo. Como já visto. O representante pode ser escolhido entre os credores da classe ou. Primeira e Segunda Partes. acharem interessante. sendo suas atribuições: fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial. 2) titulares de créditos com garantia real. 104 MELLO FRANCO. 102 MELLO FRANCO. 2008. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas.104 Quando não houver a constituição do comitê. 103 Ibidem.br/doutrina/texto. caso detecte violação dos direitos ou 101 VASCONCELOS FERREIRA. Rachel. Acesso em 17 de janeiro de 2010. com privilégio geral. . Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. escolher pessoa natural ou jurídica estranha ao quadro geral de credores.A Assembléia Geral é composta. tendo em vista o possível conflito de interesses existente entre as classes. Disponível em: < http://jus2. de acordo com o artigo 41 da lei. p. “Para a constituição do comitê de credores não se exige a manifestação de todas as classes”103. Comentários sistemáticos. podendo as outras classes indicarem seus representantes. ou subordinado. comunicar ao juiz. 69.

Acesso em 17 de janeiro de 2010. apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados. do plano de recuperação da empresa em crise. Disponível em: < http://jus2.105 Após o deferimento do pedido de recuperação judicial o devedor não poderá desistir deste sem antes reunir em Assembléia – Geral os credores. A elaboração do plano é crucial para que os credores saibam como a empresa irá agir para sair da crise e como fará para pagar suas dívidas. fiscalizar a administração das atividades do devedor. requerer ao juiz a convocação da assembléia geral de credores. que sofrem os efeitos da recuperação judicial. pode-se considerar forma de garantia do cumprimento das obrigações assumidas..asp?id=6632>. devendo o plano ser um projeto detalhado das medidas a serem realizadas. homologado pelo juiz.br/doutrina/texto. Comentários sistemáticos. homologação. apresentando.um negócio de cooperação celebrado entre devedor e credor. p. a alienação de bens do ativo permanente. resulta. 106 MELLO FRANCO. bem como atos de endividamento necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que antecede a aprovação do plano de recuperação judicial. no que diz respeito à homologação. Rachel. por parte do devedor e votação pelos credores. a constituição de ônus reais e outras garantias. O principal objetivo desta segunda fase é a elaboração.. com o que se reduzem custos de transação dada a coercitividade que dela. Rio de Janeiro: Elsevier. No que diz respeito ao negócio de cooperação. Gecivaldo.com. apresentação. para que estes concordem com a desistência do processo. submeter à autorização do juiz. Primeira e Segunda Partes. Vera Helena de Mello e Rachel Sztajn106 entendem o plano de recuperação como sendo: . 2008. assemelha-se ao contrato plurilateral. . a cada trinta dias. 105 VASCONCELOS FERREIRA.prejuízos aos interesses dos credores. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. manifestar-se nas hipóteses previstas na lei. 234. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu.uol. quando ocorrer o afastamento do devedor nas hipóteses previstas na lei. Vera Helena de e SZTAJN. fiscalizar a execução do plano de recuperação. relatório de sua situação.

101/2005. matemática. deverá haver a sua expressa concordância. ele deve comprovar a capacidade da empresa para se restabelecer economicamente e financeiramente.101. se existirem dez credores que tenham a seu favor direitos reais de garantia hipotecária ao pagamento dos créditos. . produzirá efeitos 107 SZTAJN. p. Rachel. também. São Paulo: Revista dos Tribunais. Se o plano de recuperação é consistente. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. O plano deve demonstrar a viabilidade econômica da empresa em crise. revisada. 2º edição.159. 2007. ou seja. com a supressão ou a substituição da garantia (artigo 50. 11. Mas se o plano for inconsistente.107 De acordo com Fábio Ulhoa Coelho108: Depende exclusivamente dele a realização ou não dos objetivos associados ao instituto. O plano deverá ser apresentado 60 dias após a publicação da sentença que deferiu o pedido da recuperação judicial. o qual carecerá de profissional habilitado para tal. a preservação da atividade econômica e cumprimento de sua função social. as quais são: Cláusula que proponha a venda de bem dado em garantia. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 265. limitar-se a um papelório destinado a cumprir mera formalidade processual. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. caindo em uma das hipóteses existentes no artigo 73 da Lei 11. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. com uma hipoteca para cada dívida ativa. a proposição do devedor de substituição ou supressão das hipotecas para a venda dos respectivos imóveis não representa nulidade que afeta o plano de validade da cláusula. São Paulo: Saraiva.101/2005. que o devedor necessitará levar em conta quando da elaboração do projeto. 267. não podendo a demonstração ser apenas jurídica. não podendo este prazo ser prorrogado. Rachel. 109 Também deverá apresentar um laudo econômico – financeiro de avaliação dos bens e ativos da empresa. 2005. de Moraes Pitombo.101/2005. p. de 9-2-2005).. 2007. porém. não podendo a avaliação ser feito pelo próprio devedor. 108 ULHOA COELHO. § 1º): para produzir efeitos em relação ao credor beneficiário da garantia. Dessa forma. 109 SZTAJN.onde contará as delimitações das estratégias utilizadas para alcançar o sucesso da recuperação judicial. e a não apresentação do plano no prazo acarretará na decretação da falência. das medidas que serão aplicadas para que a crise seja superada. quais sejam. O plano possui apenas quatro restrições previstas na lei. de Moraes Pitombo. então o futuro do instituto é a completa desmoralização. mas. Fábio. há chances de a empresa se reestruturar e superar a crise em que mergulha. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. op cit. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.

. este irá publicar edital para conhecimento dos credores do mesmo.101/05. em havendo trinta credores em moeda estrangeira. implica a sua nulidade jurídica e a rejeição de oficio pelo magistrado. . “capvt”): diferentemente da fórmula anteriormente apresentada. Ou seja. p. O plano não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para o pagamento dos créditos trabalhistas (artigo 54. 272.110 Após a apresentação do plano ao juiz. para que o devedor tenha o plano aprovado sem a necessidade de deliberação da assembléia é necessário a aprovação unânime dos credores. 2007. pois se assim não o for. o devedor perderá 110 VIGIL NETO. a apresentação de cláusula de conversão será eficaz para aqueles que aceitarem esta proposição.111 Como o prazo para suspensão dos processos de execuções é de no máximo 180 dias contados do deferimento do processamento da recuperação. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. parágrafo único): o mesmo deverá ser aplicado para a restrição contida no parágrafo único do artigo 54. Seguindo a forma exemplificativa anterior. A negativa de alguns a cláusula nem repercute na decisão dos que com elas concordaram. O plano não poderá prever prazo superior a 30 (trinta) dias para o pagamento dos créditos eminentemente salariais vencidos nos últimos 3 (três) meses e não superiores a 5 (cinco) salários mínimos por credor (artigo 54.somente para os credores que com ela concordem. que deverão ser honrados pelo devedor em até trinta dias contados da aprovação do plano. Luiz Inácio. Para os demais.101/2005. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. . se faz necessário que a assembléia geral de credores ocorra dento do mesmo período. Eduardo. 2008. p 168. São Paulo: Revista dos Tribunais. e fixará prazo para que os credores apresentem objeções ao plano elaborado pelo devedor. e após este período. demanda a sua expressa concordância. mesmo que os empregados estivessem dispostos a aceitá-la. 111 SECCHI MUNHOZ. com a diferença que neste dispositivo legal são tratados apenas os créditos salariais vencidos nos últimos três meses anteriores ao pedido e não superiores a cinco salários mínimos por empregado. uma vez que se trata de norma cogente. de Moraes Pitombo.. A objeção por parte de qualquer credor torna imprescindível a convocação da Assembléia Geral de Credores para deliberar sobre sua aprovação. A cláusula que proponha a conversão dos créditos em moeda estrangeira para moeda nacional (artigo 50. a transgressão do enunciado. a partir da apresentação desta proposta em cláusula de plano recuperatório. § 2º): para produzir efeitos em relação aos credores. restabelece-se o direito dos credores de prosseguir com as suas execuções. será mantida a cotação em moeda estrangeira.

uma das principais proteções que o processo de recuperação lhe oferece, que é suspender as ações e execuções dos credores.112 Se não houver objeções ao plano o juiz concederá a recuperação judicial ao devedor, passando-se então à execução do mesmo. Caso haja objeções ao plano será realizada, então, a Assembléia Geral de Credores, onde a deliberação se dará de acordo com o disposto no artigo 45 da Lei 11.101/2005, o qual exige um quorum especial para aprovação do plano. Caso o plano seja rejeitado pela a assembléia geral, o juiz deverá decretar a falência, hipótese esta que está prevista no artigo 73 da Lei 11.101/2005. Porém o juiz tem o poder de impor aos credores o plano rejeitado, desde que estejam presentes determinados requisitos, evitando assim, a decretação da falência. Além dos requisitos presentes no artigo 58, §§ 1º e 2º, os quais são: aprovação pela maioria dos créditos presentes, independentes de classe; aprovação em pelo menos duas classes, se a assembléia tiver sido composta de três classes, ou por uma classe, se a assembléia tiver comparecido apenas duas classes; na classe que houver rejeitado, tiver o plano obtido mais de um terço dos votos; o juiz, ainda, terá que reconhecer o desempenho de função social pela empresa em crise, para assim poder impor aos credores o plano rejeitado na assembléia geral de credores.113 A imposição do plano rejeitado pela a assembléia geral de credores pelo juiz “não se constitui em um ato de vontade absoluta” 114, pois para esta imposição o magistrado tem de observar os requisitos acima enumerados e a partir daí analisar de forma subjetiva, “se a empresa é estrategicamente importante em seu contexto social”115. Apesar dos administradores e o devedor permaneceram na condução da empresa em crise, estes tem, após a distribuição do pedido de recuperação, sua liberdade de atuação cerceada. A restrição mais importante é a da
112

SECCHI MUNHOZ, Eduardo. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 273. 113 VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, 2008, p 172 e 173. 114 VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, 2008, p 172 e 173. 115 VIGIL NETO, loc cit..

impossibilidade alienar ou onerar bens do ativo permanente, salvo se for reconhecido pelo juiz a utilidade do ato, e depois de ouvido o comitê de credores. Mas a decisão do comitê não vincula o juiz, o qual pode proferir decisão contrária ao comitê, desde que, quando optar por permitir a alienação ou oneração dos bens do ativo, reconheça a existência de evidente utilidade do ato.116 A recuperação judicial pode se encerrar de duas formas. A primeira quando o cumprimento da recuperação corresponde ao período de dois anos, sendo, assim, proferida a sentença de encerramento pelo juiz, determinando, desta forma, a quitação dos honorários do administrador e das custas remanescentes, a apresentação, em quinze dias, do relatório do administrador judicial, a dissolução dos órgãos auxiliares da recuperação judicial, ao quais é o comitê de credores e assembléia geral, bem como a comunicação à Junta Comercial do término do processo. E a segunda ocorre quando houver a desistência por parte do devedor do benefício. Ao ser homologado a desistência o devedor retorna a sua antiga condição jurídica a que se encontrava antes do pedido de recuperação, podendo os credores retornar aos seus direitos originários, como se o processo de recuperação nunca houvesse existido.117 O juiz poderá decretar a falência durante o processo de recuperação, conforme o artigo 73 da lei, quando: a assembléia geral assim deliberar, ou seja, quando os credores que representam mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembléia geral deliberaram a favor da convolação; a não apresentação do plano de recuperação no prazo de sessenta dias, contados da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial; a rejeição do plano pela assembléia geral de credores, em conformidade com o procedimento próprio de votação estabelecido pela lei; e o descumprimento das obrigações assumidas no plano de recuperação.118
116

SECCHI MUNHOZ, Eduardo. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 315 e 316. 117 ULHOA COELHO, Fábio. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 11.101, de 9-2-2005). 7º edição, revisada. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 207. 118 KLEIN ZANINI, Carlos. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 332-334.

A convolação do procedimento da recuperação judicial em falência não anula os atos praticados durante a recuperação judicial, desde que estes estejam de acordo com a lei. Os credores retornam ao status quo ante, sendo deduzidos os valores eventualmente pagos pelo devedor durante o processo de recuperação.

1.2.1 O Reconhecimento da Função Social da Empresa na Recuperação Judicial
Há duas formas de o regime recuperatório ser concedido: 1º) o plano reorganizativo tenha sido aprovado pela maioria dos créditos presentes na assembléia geral de credores, contados de acordo com o artigo 45 da Lei 11.101/2005; 2º) quando o plano reorganizativo é imposto aos credores pelo juiz, uma vez que este identifique a função social da empresa, e que estejam preenchidos os requisitos do artigo 58, § 1º e § 2º da Lei 11.101/2005. Para o autor Luiz Inácio Vigil Neto119:
A função social, ainda que essencial para a decisão judicial de imposição do plano rejeitados aos credores, não recebeu, contudo, uma definição por parte do legislador. Essa correta opção do legislador brasileiro deveu-se à idéia de não se propor um modelo estático de cognação do instituto. Em outras palavras, a função social é um valor cultural de um povo que se expressa, nos eixos cartesianos de tempo e espaço sociais.

Não apenas o princípio da função social da empresa deve ser levado em consideração quando da imposição aos credores do projeto recuperatório, também necessitam ser observados todos os princípios dispostos no artigo 47 da Lei 11.101/2005, o qual prevê:
Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

O presente artigo demonstra a opção legislativa no que concerne à recuperação da empresa em crise econômica financeira. A busca pela manutenção de empregos, o respeito aos interesses dos credores, a garantia
119

VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.101/05. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora, 2008, p.143.

vir tutelar o devedor de boafé. mas também na livre iniciativa. em especial a Lei 11. antes da quebra. São Paulo: Revista dos Tribunais. A nova legislação procura analisar. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n.tjrj. p.emerj. instaurando assim um novo panorama jurídico. onde a ordem econômica é centrada não só na dignidade da pessoa humana.101/2005.101/2005. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. a qual bradava por um ordenamento que identificasse a atividade empresária e o próprio empresário como agentes sociais importantes para o desenvolvimento da sociedade. que ao longo do tempo identificou a necessidade de se modificar pra assim poder se adequar à nova realidade econômica e social. Preservação da Empresa no Código Civil. na valorização do trabalho humano e na função social da propriedade privada.da produção dos bens ou serviços em mercados são os objetivos tutelados na reorganização da empresa em crise. sendo a decretação da falência um ato compulsório. de respeitar os preceitos econômicos da organização das empresas. de Moraes Pitombo. Disponível em: < http://www. tendo a mesma administração ou outra.pdf>.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. o esforça da nova disciplina é manter a empresa em funcionamento quando está se demonstre viável. p.120 Os princípios alocados na Lei 11. no criar e distribuir bem estar e na geração de riquezas. 222-223 121 SCHELLES. Carlos Alberto Farracha de. . O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar.101/2005 são frutos da evolução do direito falimentar. não esquecendo. 23. o qual era antigamente o credor e a confiança. Marta Santiago de Oliveira.121 Tanto o princípio da preservação da empresa quanto o da função social da empresa tem sua origem no artigo 170 da Constituição Federal de 1988. É nítido o abandono da visão da legislação revogada. 2007. pois ela dava prioridade a retirada do comerciante inábel ou inepto do mercado.122 120 SZTAJN. para. tanto que por qualquer motivo a concordata preventiva era indeferida.jus. as probabilidades de sobrevida do negócio. proporcionando repercussões na forma de se interpretar e por em prática a legislação. agora. Curitiba: Juruá. 2007. Em suma. Rachel. sendo alterado assim o foco da tutela. sua participação no mercado. 122 CASTRO. 11.

123 Já o princípio da preservação da empresa não está expressamente previsto na Constituição Federal. mesmo que está encontre-se em crise. 126 CASTRO. deve ser aplicada essa última. Carlos Alberto Farracha de. desta forma. contribuindo. afinal é a atividade empresarial que gera boa parte dos postos de trabalho e é umas das principais fontes de tributos para o estado. o princípio da preservação da empresa um “princípio constitucional não escrito124”. mas também do princípio da função social da propriedade. o qual reconhece a necessidade e a importância da continuação das atividades empresariais. O princípio da preservação da empresa não deriva apenas da busca do pleno emprego. 125 Ibidem. assim. pois deste deriva o princípio da função social da empresa. P. desta forma. só porque não atende mais aos interesses individuais e patrimoniais de seus titulares. uma vez que a atividade das empresas ativa a economia como um todo. Curitiba: Juruá.126 123 124 CASTRO. Em outras palavras. razão pela qual não há como se valorizar o trabalho. mas é por ela defendido. 43. proporcionando a geração de postos de trabalho. Preservação da Empresa no Código Civil. ainda que implique sacrifício de outros direitos também dignos de tutela jurídica. p. loc cit. falar na busca do pleno emprego sem propiciar a preservação da empresa. o princípio da busca do pleno emprego. corresponde a preservação da empresa (de que é corolário o da recuperação da empresa). segundo o qual. Sendo. o qual não permite a aniquilamento de empresas produtivas. A Constituição Federal em seu artigo 170 elege também como princípio da ordem econômica a busca pelo pleno emprego. loc cit. . CASTRO. diante das opções legais que conduzem a dúvida entre aplicar regra que implique a paralisação da atividade empresaria e outra que possa também prestar-se à solução da mesma questão ou situação jurídica sem tal conseqüência. Como ressalta Carlos Alberto Farracha de Castro125: Sem preservação da atividade empresarial inexiste emprego. 2007. motivo por que a pretensão do legislador constituinte ficaria reservada ao seu imaginário. pois. para a satisfação das necessidades essenciais do indivíduo.O princípio da função social da propriedade merece destaque. uma vez que seu intuito é plenamente compatível com os direitos e princípios previstos na carta magna. não podendo. 42.

P. Para o bem da economia com um todo. “sua preservação está em conformidade com os postulados do atual sistema constitucional. para que seja possível a sua recuperação e preservação.O reconhecimento do princípio da preservação da empresa como princípio constitucional não escrito auxilia na concretização dos princípios fundamentais. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. 127 CASTRO. opera-se uma inversão inaceitável: o risco da atividade empresarial transfere-se do empresário para os seus credores. Quando o aparato estatal é utilizado para garantir a permanência de empresas insolventes inviáveis.127 Quando analisada a questão da empresa em dificuldade econômicofinanceira. Preservação da Empresa no Código Civil. aquelas que tenham relevante importância social.emerj. no momento de crise. p.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. 7º edição. descapitalizadas ou possuem organização administrativa precária. 47. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. cuja preocupação primeira é atender e preservar os interesse sociais do homem. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 129.pdf>. revisada. 129 SCHELLES. Carlos Alberto Farracha de.128 Ao se buscar a preservação da empresa deve-se se ter o cuidado de manter apenas as empresas viáveis. principalmente o da dignidade da pessoa humana. 2007. as más empresas devem falir para que as boas não se prejudiquem. Fábio. 11. se faz necessário privilegiar a preservação da empresa em prejuízo de outros princípios. . 2010. Disponível em: < http://www. em sua plenitude”. através do processo liquidatório.jus. É de extrema importância analisar os custos que serão gerados na conservação da empresa em crise no mercado. financeiros e humanos – empregados nessa atividade devem ser realocados para que tenham otimizada a capacidade de produzir riqueza. São Paulo: Saraiva. sempre que a empresa demonstrar-se viável. ou seja. de 9-2-2005). 130 ULHOA COELHO.101. não devendo estes custos superar os da extinção da mesma.tjrj. sendo esta transitória. Pelo contrário. os recursos – materiais. Marta Santiago de Oliveira. porque são tecnologicamente atrasadas. p. Curitiba: Juruá.129 Conforme Fábio Ulhoa Coelho130: Nem toda a falência é um mal. Algumas empresas. devem mesmo ser encerradas. Assim. a recuperação da empresa não deve ser vista como um valor jurídico a ser buscado a qualquer custo. 46 128 Ibidem.

Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 133 ULHOA COELHO. regional e nacional. podendo assim. nesse aspecto. revisada. “que valha a pena para a sociedade brasileira arcar com os ônus associados a qualquer medida recuperatória de empresa não derivada de solução de mercado133”. Luiz Inácio. ser observado se a empresa possui capacidade de cumprir com as obrigações assumidas no plano de recuperação. p. A mão-de-obra e tecnologia empregadas. . que assim ocorra. para decidir se a empresa merece o amparo judicial no sentido de ser preservada.132 A importância social refere-se a dois aspectos. 71. Fábio. acabam-se incumbindo aos operadores do direito a análise do caso concreto. 11. tempo de empresa e o porte econômico. 2008. ou caso. São Paulo: Saraiva. 7º edição. pois a recuperação da empresa com tecnologia defasada e que depende de modernização pode 131 VIGIL NETO. pelo judiciário. com base no princípio da preservação da empresa e outros que norteiam a ordem econômica.131 Para Fábio Ulhoa Coelho. através dos seguintes vetores: importância social. Para que ocorra a preservação da empresa é necessário que o juiz não se restrinja apenas ao momento atual. sendo eles: as condições econômicas que demonstrem possível o reerguimento da atividade empresária não podem ser ignoradas. devido à evolução das empresas. por muitas vezes se excluem e por outras se completam. 2010. 144145. Esta potencialidade deverá ser demonstrada não pelo desempenho momentâneo.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. p.Desta forma. mão de obra e tecnologias empregadas. mas em seu plano reorganizativo. loc cit. volume do ativo e passivo. 132 ULHOA COELHO. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. o exame da viabilidade da atividade empresária em crise deve ser feito. bem como a sua relevância para a economia local. o qual será avaliado pelos credores e pela sociedade. Em outros termos. se demonstre mais benéfico às outras empresas que integram o mercado e a sociedade que esta seja liquidada imediatamente. mas sim à potencialidade futura da empresa em crise.101. Sobrepesar estes vetores é complexo. de 9-2-2005).

O tempo da empresa leva em conta quanto tempo esta encontra-se atuando no mercado. Paulo. É importante salientar que a análise financeira da empresa cumpre papel relevante. o porte econômico trata do tamanho da empresa a se recuperar.2000. A principal influência do tempo na concessão da recuperação é que as empresas mais jovens terão que ter o potencial econômico e a importância social realmente relevante. São Paulo. mas se a tecnologia não for renovada. 134 PENALVA SANTOS. pois na medida em que estas se relacionam. pois as medidas reorganizativas de uma empresa grande não serão as mesmas adotas por um microempresário. A viabilidade dependeria./mar. Para Paulo Penalva Santos134 Naturalmente a apreciação da viabilidade não se deve se limitar a uma análise meramente financeira da empresa.. em resumo da resposta às seguintes indagações formuladas pelo Prof. . O volume do ativo e do passivo significa analisar qual a natureza da crise. v. jan. O novo projeto de recuperação da empresa. devendo desta forma identificar o porte da empresa. pois quanto menor está for. pelo contrário qualquer empresa viável e que preencha os requisitos da lei possuem esse direito.39. n. por fim.. E. Revista de Direito Mercantil. a empresa pode não conseguir se reorganizar. isto não significa que as empresa com menor tempo não possam requerer o benefício da recuperação.implicar o fim de postos de trabalho. 117. Todavia. p. 128. menor será sua importância social. Paillusseau: Qual a importância em relação aos concorrentes? Quanto valem seus produtos e serviços no mercado? Qual é a qualidade da sua organização de produção? Quais são os investimentos que devem ser feitos? Todas essas perguntas e outras mais é que permitem traçar ao menos um parâmetro para se saber se a empresa é ou não viável. a recuperação necessitará de soluções mais complexas.

7. São Paulo. Econômica e Financeira. O contrato social e sua função.135 De início não havia previsão legal expressa da função social da empresa. A função social ao ser entendida como princípio. força aplicativa.Outro princípio previsto no artigo 47 da lei é o da função social da empresa. 7-24. Calixto.8. 7-24.138 135 SALOMÃO FILHO. assim. n. São Paulo. 42. 132. na prática. 8. São Paulo. Rio de Janeiro: Editora Forense./dez. abre caminho para a aplicação deste não só para a empresa como para toda a relação civil. surgindo. v. 42./dez. . Função social do contrato: primeiras anotações. 42. p. passando a empresa a representar “o principal motor do sistema econômico. n. deriva da função social da propriedade. como dito. Econômica e Financeira. n. Econômica e Financeira. 2004. 132. influenciado. o qual. como a propriedade de bens de consumo e bens de produção -. v. 2ª edição. por outro lado a propriedade dos bens de consumo passaram a ter grande relevância social. Calixto. o controle da empresa. p. as interpretações restritivas do direito de propriedade. out. Para Calixto Salomão Filho quando a função social passa a se referir à empresa “sua disciplina transforma-se em algo fortemente ligado ao interesse estatal em uma disciplina ligada ao interesse de grupos afetados pela atividade da empresa137”. p. as transformações sofridas pelo direito empresarial brasileiro. Esta extensão da função social influenciou. 7-24. a idéia de função social do contrato. 2003.136 A extensão da função social para a empresa justifica o reconhecimento de alguns direitos fundamentais da pessoa jurídica./dez. out. pois estas eram sinônimo de poder econômico. Humberto. p. Logo se tornou evidente que a utilização do termo tinha que ser ampliada. 136 Ibidem. desta forma. 137 THEODORO JÚNIOR. 8. 2003. A função social da propriedade se restringiu por muitos anos as propriedades agrárias. o qual se encontra no artigo 170 da Carta Maior. influenciando de forma crescente as relações sociais”. 132. p. p. Revista de Direito Mercantil: Industrial. Revista de Direito Mercantil: Industrial. tendo a doutrina que identificar – a através das diversas formas de propriedade. 2003.Direito Mercantil: Industrial. dando-lhe. v. out. 138 SALOMÃO FILHO. p. Função social do contrato: primeiras anotações. assim.

140 Ibidem. p. 141 Função significa dizer que é o papel que alguém ou algo deve desempenhar em determinadas circunstâncias. possa passar a exercer. O contrato passa a exercer uma função social quando visa o princípio da igualdade. 43 143 SALOMÃO FILHO. Seria a idéia de igualdade na dignidade social ou na liberdade “para todos”. o interesse coletivo sobre o individual. 10. p. (. 132. 139 THEODORO JÚNIOR.. o qual atuaria. o que. out. Rio de Janeiro: Editora Forense. Econômica e Financeira. na sociedade./dez. a tendência natural é sempre no sentido de sua ampliação. sobrepondo-se. devendo impedir qualquer prejuízo à coletividade que provenha da relação firmada no contrato. no domínio do contrato. Função social do contrato: primeiras anotações. Humberto.142 Para Calixto Salomão Filho143: Não é tarefa fácil atribuir sentido jurídico específico ao termo função. 2004. o contrato “deve apresentar-se como um comportamento social sempre adequado”. Para o professor Antônio Junqueira de Azevedo140. loc cit.) É também bastante evidente que o simples envolvimento da esfera de terceiros não é o suficiente para definir e delimitar a função social. uma “função social”. 142 Ibidem. plena de significado moral e social. assim. outrora concebido de maneira individualista. Desta forma. 43. . A base da função social do contrato estaria no principio da igualdade. corresponde a definir um objetivo a ser alcançado. v. 2003. n. 42. p. São Paulo. 48 141 THEODORO JÚNIOR. os contratos devem estabelecer-se numa ordem social harmônica. 2ª edição. portanto.. 7-24. Falar em função. Expressão genérica. O contrato social e sua função. que faria com que o contrato. Alguns doutrinadores conceituam a função social do contrato situandoo apenas na relação dos contratantes com o meio social. a função social estaria localizada no propósito de colocar o interesse coletivo acima do interesse individual. p.De acordo com Humberto Theodoro Júnior139: Para uns. o qual se volta para a idéia de dignidade social ou liberdade “para todos”. implicaria a valorização da solidariedade e cooperação entre os contratantes. A expressão interesse de terceiros é por demais vaga para definir o objeto de tutela de princípio tão importante. Revista de Direito Mercantil: Industrial. de modo a fazer com que a liberdade de cada um dos contratantes “seja igual para todos”. para superar o individualismo. Calixto. in casu. p.

por exemplo. A função primária do contrato é a função econômica e está jamais pode ser descartada ou anulada em prol. Ressalta Humberto Theodoro Júnior147 O julgamento segundo clausulas gerais autorizadas pela lei não é. ou seja. mas define valores e princípios.144 O que se deve dizer é que tanto o direito de propriedade quanto o direito de contratar devem. estas descrevem valores.Presta-se um maior serviço ao instituto jurídico da função social do contrato se forem analisados os verdadeiros interesses sociais em jogo. p. É necessário que com o contrato se atinja o bem comum. é preciso que o contrato seja bom para os indivíduos que o celebram e bom para a sociedade. mas não uma função de assistência social.145 Humberto Theodoro Júnior. “uma tarefa arbitrária”. A função social e econômica são institutos jurídicos distintos. tendo a função social o atributo de indicar os limites do contrato em relação o quanto este pode atingir terceiros. pois a contrato cabe uma função social. Rio de Janeiro: Editora Forense. O contrato social e sua função. p. 2004. 2004.146 A função social é uma cláusula geral. Rio de Janeiro: Editora Forense. ou em outras palavras. atender a uma função na sociedade. e a segunda refere-se à preocupação com a ordem econômica e social. Onde o primeiro se aplica as regras como a da lealdade e solidariedade entre os contratantes. podendo estes interesses ser traduzidos nos princípios da eticidade e da socialidade. As cláusulas gerais são ponto de referência e oferecem ao interprete os limites para a aplicação das demais disposições normativas. 49. 2ª edição. em hipótese alguma. 2ª edição. p. está não prescreve uma conduta. Ao complementar uma 144 THEODORO JÚNIOR. Humberto. 100 147 Ibidem. de uma atividade assistencial. ainda ressalta que: Para que se conceba um conceito adequado de função social do contrato é preciso que se busque também um elemento externo ao contrato. ambos os princípios devem ser analisados no plano “do impacto do contrato com terceiros ou com o meio social em sentindo mais amplo”. 146 THEODORO JÚNIOR. Humberto. sendo assim. para ser dignos de alguma tutela pelo direito. mas devem coexistir harmonicamente. p. 83. O contrato social e sua função. 135 . Por isso não basta apenas aquela relação de proporcionalidade entre os princípios. 145 Ibidem.

De acordo com Arnoldo Wald: Se o direito tem a dupla finalidade de garantir tanto a justiça quanto a segurança. este pode ser concebido como a desmaterialização da riqueza. aos individuais e patrimoniais dos seus titulares”. o poder jurídico que o pressupõe deixa de ser. loc cit. 149 CASTRO. O momento é de reflexão e construção para o jurista. ou uma sociedade eficiente. que impede o desenvolvimento da sociedade. ato de conhecimento e de responsabilidade”. mas. um direito subjetivo puro. o qual não permite a extinção das empresas produtivas. . 43-44. (. senão um poder que. abandonando o absolutismo passado. este se deve a função social da propriedade. tem-se o entendimento que a empresa constitui a noção atual de propriedade. deve relativizar as soluções. quanto as realidades econômicas e sociais. Preservação da Empresa no Código Civil.) Dessa constatação. (. portanto. em primeiro lugar. o juiz tem de se ater à realidade da figura jurídica. pó que não é mais. 93. atada aos valores e diretivas do ordenamento. Curitiba: Juruá. exclusivamente “um poder da vontade para a realização de um interesse próprio”. “tão-somente. Ainda cabe ressaltar que sendo a preservação da empresa princípio constitucional. tendo em conta tanto os valores éticos. embora exercido com fim lucrativo. Não é por outra razão que a Constituição exige. que toda a decisão judicial seja fundamentada (CF. Somente com a explicitação dos elementos de fato e de direito em que a sentença se apoiou haverá condições de aferirlha a conformidade com o sistema normativo axiológico determinado pela Constituição. um dos modos de seu exercício e devendo subordinar-se esse exercício ao interesse geral. que não assegura a continuidade das instituições. IX). Conforme Orlando Gomes149: O jurista que observa a paisagem da vida econômica contemporânea se convencerá de que a evolução das estruturas da economia relegou a segundo plano. sob a perspectiva social. “Toda e qualquer reconstrução dogmática está.. quando é preciso conciliar justiça e eficiência. Não devem prevalecer nem o excesso de conservadorismo. surgiu a categoria jurídica da empresa. art.. no 148 CASTRO. aplicando sempre os princípios informativos do sistema. mas inviável. e. sob pena de criar um mundo justo.. os quais exigem do juiz não apenas ato de vontade. sua estrutura e funcionalidade.148 Ademais. p. Carlos Alberto Farracha de. introduzida no centro do sistema do direito privado. 2007. sob pena de nulidade. Sendo a empresa em última análise. mas injusta. que.norma legal em branco.) O exercício da atividade econômica pela organização de bens e pessoas nessas unidades orgânicas cada dia maiores e mais poderosas exige disciplina que encare o direito de propriedade sob novas perspectivas. pois sua extinção não atende aos interesses coletivos. fundamentalmente.. é preciso encontrar o justo equilíbrio entre as duas aspirações. a atividade de gôzo do proprietário quando comparado à atividade produtiva do empresa. nem o radicalismo destruidor. mas. nesse ponto.

não pela criação de coisas materiais. Função Social da propriedade dos bens de produção. Econômico e Financeiro. Calixto. revelando. 2003. o valor nele embutido. n. São Paulo. 1986. o qual dado a ele pela própria sociedade. Econômica e Financeira. p. Mas as mercadorias somente se consideram bens de produção enquanto englobadas na universalidade do fundo de comércio. 151 SALOMÃO FILHO. isto é. assim. A essência da função social decorre de sua evolução e utilização na realidade histórica. do direito de propriedade as relações jurídicas. São Paulo./dez. 42. n. sob a forma de moeda ou de crédito. ou elas incorporam a uma atividade industrial. Desse modo. . 7-24. Industrial. A classificação dos bens de produção e dos bens de consumo não se encontra em sua natureza ou consistência. tornando-se insumos de produção. uma vez destacadas dele. 63. Função social do contrato: primeiras anotações. deve ao mesmo tempo legitimar-se pela realização de interesse extra-pessoal transindividual. Desta forma. podem ser empregados como capital produtivo. assim. ao final do início do ciclo distributivo. 72.151 Antes de ser identificada a função social da empresa os doutrinadores buscavam na função social dos bens de produção e dos bens de consumo a forma de identificar o controle que empresa exercia na sociedade. out. em seguida. Fábio Konder Comparato152 classifica bens de produção e bens de consumo como: Os bens de produção são móveis ou imóveis. na análise econômica.interesse de quem exerce. jul. p. De igual modo os bens destinados ao mercado. v. Calixto. p. 71-79. 132. o proprietário na veste do empresário ou empreendedor tem deveres e responsabilidades. 42. as mercadorias. v. a essência contida no princípio tem de se transformar. 152 COMPARATO. Revista de Direito Mercantil: Industrial. “em um primeiro momento aquelas envolvidas pela empresa e. 25. Econômica e Financeira. Revista de Direito Mercantil: Industrial. 9. out. mas pela criação de valor. n. mas também o dinheiro. p. Fábio Konder. tornou-se importante prever como a esfera social era afetada por estas relações. Passando. Não somente a terra. pelos contratos em geral”. 2003. mas sim em sua destinação. ou passam à categora de bens de consumo. “A 150 SALOMÃO FILHO. 7-24. Função social do contrato: primeiras anotações. Revista de Direito Mercantil.150 Na medida em que a função social da propriedade deixa de vislumbrar apenas as propriedades agrárias e passa se fundar nas relações comerciais e industriais mais complexas. p./dez. v. p. 132.-set. indiferentemente. pois a atividade produtiva é reconhecido. São Paulo. 10.

25.155 Já o social demonstra o objetivo.função que as coisas exercem na vida social é independente da sua estrutura interna”. Hoje a propriedade privada deixou de ser o único meio de garantir a subsistência da família. e as “prestações sociais devidas ou garantidas pelo Estado. na acepção positiva. devendo está ser desempenhada para a satisfação da coletividade.154” Quando se fala em função social da propriedade não significa que este restringe o uso e o gozo dos bens de seu proprietário. .73 155 Ibidem. p. 63. 73. jul. “o poder de dar ao objeto da propriedade destino determinado. mas. sendo a forma de obter a subsistência do indivíduo e de sua família. em relação ao “respeito a certos limites estabelecidos em lei para o exercício da atividade. em seu lugar. p. e isto justifica a importância dada para a propriedade agrária. encontra-se a garantia de emprego. a habitação.157 Em outras palavras a função social da propriedade é um poder-dever não somente no sentido negativo. se está perante a um interesse coletivo. Fábio Konder. loc cit. 156 COMPARATO. p. em vez da subsistência.158 153 154 Ibidem. salário justo. “o que não significa que não possa haver harmonização entre um e outro”.75. Econômico e Financeiro. Revista de Direito Mercantil. o qual corresponde ao interesse coletivo e não ao interesse próprio do proprietário. p. como a previdência contra os riscos sociais. Função Social da propriedade dos bens de produção. v. de que algo deve ser feito ou cumprido”. 158 Ibidem. A função. podendo até mesmo ser sancionado pela justiça. de vinculá-lo a certo objetivo”. São Paulo. a educação e a formação profissional. COMPARATO. também. mais especificamente. n.153 Antigamente o intuito da propriedade privada era o de proteger o indivíduo e sua família de possíveis necessidades materiais. 1986. Industrial. mesmo assim. 41. deve ser entendida como um poder.-set. aqui. 157 COMPARATO. o transporte e o lazer. 71-79. sendo a função social um poder-dever do proprietário. loc cit. p.156 Mas.

Conforme destaca Fábio Konder Comparato: Uma instituição social que. Deste modo. em uma situação econômica. a função social da propriedade é apresentada “como imposição do dever positivo de uma adequada utilização dos bens. Ora. de sua existência. 5. predominantemente. pela sua influência. assegurar a satisfação de necessidades gerais. 135. na razão direta do lugar que nela ocupa. É em torno da empresa. É dela que depende. a escolha é indubitável: essa instituição é a empresa. dada a sua importância e movimentação da sociedade ser dependente. p. em conseqüência. . 135-136. os fornecedores. pois é por intermédia da empresa que o Estado arrecada tributos indispensáveis. Curitiba: Juruá. para que este possa cumprir com suas despesas e obrigações. A propriedade não é mais o direito subjetivo do proprietário. p.pela organização do trabalho assalariado. Temas de direito urbanístico. no Brasil. É das empresas que provém a grande maioria dos bens e serviços consumidos pelo povo. 161 CASTRO. e é delas que o Estado retira a parcela maior de suas receitas fiscais. fazendo valer o capital que detém. e este resulta do exercício do direito a propriedade. Adilson Abreu/ FIGUEIREDO.Dentro da Constituição Federal de 1988. Somente ele pode aumentar a riqueza geral. A massa salarial já equivale. diretamente. DALLARI. “o conceito de empresa antecede o seu reconhecimento pela ordem jurídica”. como os investidores de capital. 43. sem falar do alcance desta ao Estado como um todo. Lúcia Valle. os prestadores de serviço. em proveito da coletividade”. ademais. é a função social do detentor da riqueza. Está. 159 160 Ibidem. p. sirva de elemento explicativo e definidor da civilização contemporânea. configura-se.159 Adilson Abreu Dallari e Lúcia Valle Figueiredo160 entendem como função social da propriedade que: Todo o individuo tem a obrigação de cumprir na sociedade uma certa função. p. o detentor de riqueza. 162 Ibidem. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais LTDA. 1987. Preservação da Empresa no Código Civil. pode cumprir uma certa missão que só ele pode cumprir. A empresa. a 60% da renda nacional. pelo próprio fato de deter a riqueza. compõe-se na base da sociedade. socialmente obrigado a cumprir esta missão e só será socialmente protegido se cumpri-la e na medida em que o fizer. dinamismo e poder de transformação. Carlos Alberto Farracha de. hoje. 2007. de certo modo. que gravitam vários agentes econômicos não – assalariados. a subsistência da maior parte da população ativa deste país. Na opinião de Clóvis Couto e Silva161.162 Deste modo a função social da empresa é irreversível.

Preservação da Empresa no Código Civil. Fábio Konder. 45.164 Cabe ressalvar que a função social não deve ser encarada como algo exterior à propriedade. fisco e todos aqueles que têm relação com a empresa. 1996. 138. desta forma. . deve buscar o lucro de forma desenfreada. Revista dos Tribunais. como também. às necessidades sociais”. também. com a funcionalização do princípio. devendo o direito individual coexistir. meio ambiente. assim. a função social da empresa representa a superação do individualismo. 38. out.br/artigos/artigos_53. um papel produtivo. Em outras palavras “a atividade empresarial apresenta um caráter dúplice. v. 167 COMPARATO. Acesso em 24 de janeiro de 2010. p. a função social da empresa “implica um dever social que exige consonância entre interesses particulares da sociedade e o interesse coletivo”. exercendo. que não há como a empresa exercer sua atividade tendo em vista a função social da empresa. Estado. atingindo.Alguns doutrinadores entendem que a função social da empresa determina que a exploração da atividade empresarial não interesse apenas empresário e. Mariana. o qual favorece toda a sociedade. A razoabilidade da atuação dos administradores está estritamente ligada à lucratividade da empresa. a qual é a essência da sociedade. como componente integrante de sua própria estrutura.165 É entendimento de alguns doutrinadores. p. Estado. out. p. 45.html>. Carlos Alberto Farracha de. Curitiba: Juruá. p. A função social da empresa como Princípio do direito civil constitucional. São Paulo. Disponível em: <http://www. trabalhadores. loc cit. 38. como Fábio Konder Comparato. Em suma. 164 CASTRO.166 Nas palavras de Fábio Konder Comparato167: 163 CASTRO. Empresa e Função Social. não. fornecedores. Fábio Konder. 166 COMPARATO. Revista dos Tribunais. uma vez que serve não só ao sujeito proprietário. 165 ALVES PESSOA. 1996. pois não há como o administrador da empresa praticar atos gratuitos e não razoáveis em benefício da comunidade em torno da empresa.com. mesmo que autorizado legalmente. sem o lucro não há como a empresa resistir. 732. harmonicamente. pois os interesses e exercícios da exploração da propriedade devem ser tencionados à sociedade. mas sim.163 Sendo assim. 2007. 732. São Paulo. p. Empresa e Função Social. v.juspodivm.

enfim.. garante. a qual pode ser definida como instrumento de aparente conquista social que. por conseguinte. o que se espera e exige delas é./mar. não significando que a empresa deva substituir ou fazer às vezes do Estado169. por conseqüência. em suma.170 Em suma: Podemos afirmar que atribuir alguns deveres sociais a essas entidades não significa esquivar o Estado de funções que lhe são próprias. promoverá a justiça social. Novos enfoques da função social da empresa numa economia globalizada. p.39. A realização. no desempenho dessa atividade econômica. se considerarmos que a empresa possui função social. Colombo/MICHELAN. No regime capitalista. pois é notório que a atividade empresarial assumiu dimensões extraordinárias que cada vez mais vêm se acentuando nesta época de globalização. Carlos Alberto Farracha de. Na economia moderna. de sua finalidade lucrativa. ambos devem trabalhar juntos. da comunidade que nela está inserida. responsável em relação à garantia dos direitos individuais dos cidadãos. Paulo R. Importante ressaltar que sua contribuição à sociedade não significa diminuição dos lucros. Acesso em 17 de janeiro de 2010. Em outras palavras. Taís C. o sistema empresarial. jan.com/artigos/15411>. na realidade. Pelo contrário. fornecedores. v. a eficiência lucrativa. também. . consumidores. de Camargo. mas também o social.É imperioso reconhecer. Hélio. 170 ARNOLDI. a empresa passa a ser responsável não apenas por melhorar o aspecto econômico. 2007. admitindo-se que. n. 169 CAPEL FILHO. livre de todo controle dos Poderes Públicos. acaba por atuar exatamente de forma oposta. Mas é uma perigosa ilusão imaginar-se que. p. São Paulo. em busca do lucro. 140. por parte da empresa. podemos felizmente constatar uma sensível melhora nas condições econômico-financeiras das instituições que têm adotado medidas de caráter social. p. 168 CASTRO. Fábio Leandro Tokars168 entende a função social como: Um paliativo retórico aos efeitos concretos de nossas políticas econômicas. suprirá naturalmente as carências sociais e evitará abusos. Revista de Direito Mercantil. o sistema empresarial como um todo exerça a tarefa necessária de produzir ou distribuir bens e de prestar serviços no espaço de um mercado concorrencial.. a incongruência em se falar numa função social das empresas. 117. A Função Social da Empresa: adequação às exigências do mercado ou filantropia? Disponibilizado em: <http://jusvi. apenas. Preservação da Empresa no Código Civil. melhoria de vida aos seus empregados. ou seja.2000. então está acaba sendo. Curitiba: Juruá. 120. trás benefícios a sociedade. mantendo privilégios ou impedindo a real conquista dos interesses sociais. 159.

estando este disposto no artigo 116. p. devendo a empresa atender. p. Apesar do aludido diploma legal tratar apenas das sociedades por ações. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social. 63.171 Desta forma. São Paulo. pois o poder de controlar não se confunde com a propriedade.77. o regime de livre concorrência.. para com a comunidade em sua vota. os direitos do consumidor. de Moraes Pitombo. cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Por fim.404/1976: Art. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. exercida de modo individual ou sobre qualquer forma societária prevista no Código Civil. Função Social da propriedade dos bens de produção. Revista de Direito Mercantil. 71-79. (. a preservação do meio ambiente. 73. também. Econômico e Financeiro. não restam dúvidas de que este se aplica a qualquer atividade empresarial. e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa. parágrafo único da Lei 6. dentre outros. Industrial. Mauro Rodrigues. e que a lista de elementos extra-societários que a empresa deve respeitar e atender não pode pautar-se unicamente pela obtenção de lucro. do patrimônio histórico e cultural do País. Quando se trata de exploração empresarial a função social não cabe ao proprietário. exige-se do administrador que este empregue em suas funções o máximo dever de diligência.) Parágrafo único. o desenvolvimento econômico e em conseqüência a busca pelo lucro não se demonstram incompatíveis com a consolidação da função 171 COMPARATO. jul. não só com os acionistas da empresa. lealdade e informação. pois seus administradores também possuem deveres sociais. De acordo com Mauro Rodrigues Penteado172: Em razão dessa função de grande relevo é que a nova Lei estrutura mecanismos que conduzam à sua preservação. superando as naturais crises econômicas e financeiras pelas quais venha a passar o devedor empresário. Importante se faz distinguir. 172 PENTEADO. 11. 25. . também.-set. 2007.. São Paulo: Revista dos Tribunais. Fábio Konder.A função social não cabe apenas à empresa. 1986. p. mas.101/2005. v. 116. os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua. mas ao administrador ou controlador. n.

mas sim na acepção de que. Preservação da Empresa no Código Civil. p. 223 175 SALOMÃO FILHO. 3. Sendo o interesse dos sócios o interesse social da empresa. p. O Novo Direito Societário. 149. p. A visão alcançada pela sociedade unipessoal leva a dois entendimentos distintos. está apóia que o interesse da sociedade deva ser o mesmo do seu grupo de sócios.1.2.173 A função social da empresa.175 Considerado as teorias contratualista e institucionalista identificamos até que ponto as sociedades tem responsabilidades sociais com os terceiros que não estão envolvidos. Carlos Alberto Farracha de. Curitiba: Juruá. 174 SZTAJN.176 A teoria contratualista é contrária à concepção de que a empresa deve ter como prisma o interesse social. ou seja. Calixto. de Moraes Pitombo. ainda.174 que se busca sua 1. Ed.101/2005. refere-se à organização empresarial. Calixto. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. São Paulo: Malheiros. cuja existência está estritamente ligada à atuação responsável na esfera econômica. muito menos para substituí-lo.1 Contratualismo x institucionalismo Ao analisarmos os fundamentos do direito societário estamos ao mesmo tempo analisando as funções das sociedades. sua existência deve ser calculada para criar postos de trabalho. Estes entendimentos nos levam as teorias contratualista e institucionalista. 2006. p. 26 . um vê a sociedade como um contrato e o outro como uma sociedade organizada como instituição. São Paulo: Malheiros. não para cumprir as obrigações típicas do Estado. 3. ainda que este seja apontado como o gerador das desigualdades sociais e da “exploração econômica da classe de trabalhadores pelos detentores do capital”. 2007. respeitar o meio ambiente e a coletividade. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais.social da empresa. Dentro do contratualismo alguns autores 173 CASTRO. sendo por estes motivos preservação. e até onde pode ou deve ir esta responsabilidade da empresa com o universo que a cerca. 25 176 SALOMÃO FILHO. 2007. 11. O Novo Direito Societário. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 2006. Rachel.

Ibidem. 181 Ibidem. Está postulava o reconhecimento de diversas classes de interesses que iam além dos sócios. qualquer que fosse). não é requisito teórico para a explicação do funcionamento social. 177 O Contratualismo moderno não vê o interesso apenas em torno única e exclusivamente do grupo de sócios. O Novo Direito Societário. o efeito óbvio é o estímulo à busca desenfreada de aumento do valor de venda das ações por todos os agentes do mercado. dos trabalhadores e da coletividade.33 e 34. sendo vista como uma forma de desenvolver a sociedade que se encontrava destruída no pós .181 De acordo com Calixto Salomão Filho: Ao contrário da concepção contratualista. contudo os sócios se obrigam apenas com os interesses um dos outros e não com os da sociedade a sua volta. ou seja. p. São Paulo: Malheiros. 180 SALOMÃO FILHO. buscava-se a preservação da personalidade jurídica da sociedade. Calixto.definem interesse social de forma abstrata e típico.36. também. “reduzindo-o ao interesse à maximização do lucro”.179 A teoria institucionalista nasceu na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. 3.guerra. onde o interesse dos sócios não prevalecia sobre o interesse social. 179 Ibidem. Ed. veio um institucionalismo mais organizativo. o fulcro da definição do interesse era sua identificação com o interesse do grupo de sócios atuais. p.178 No contratualismo os sócios se unem para um fim comum.180 Após um período no qual o institucionalismo era mais publicista. no institucionalismo o conflito de interesses. onde. A soma destes interesses se “traduz no interesse à preservação da empresa”. p. O interesse social busca a manutenção da empresa e são discutidas formas para alcançar e garantir este objetivo. Com isso quer-se 177 178 Ibidem. 2006. p. devia-se reconhecer o interesse. Do ponto de vista prático. ainda que formalmente identificado à maximização de lucros.30. . ou seja.35. está constitui à noção clássica da teoria. De acordo com Calixto Salomão Filho: O interesse social é predefinido: sobre ele os órgãos sociais não têm qualquer influência (o que não corria na definição clássica pura. p. 26-28. ainda que existente na prática.

Ed. 57-74. v. nesta definição encontramos todos os traços da teoria contratualista. 186 Ibidem.42. loc cit. 187 COMPARATO. 1983. e um sistema autônomo (como o contratualismo). pois como profere Fábio Konder Comparato em “A reforma da empresa”187: 182 183 SALOMÃO FILHO. e nem tampouco ficar só na preservação da empresa.185 Hoje há uma junção das teorias contratualista e institucionalista. ambas paramentradas pelo interesse à preservação da empresa. 184 SALOMÃO FILHO. O Novo Direito Societário. De forma geral parte da doutrina encontra nas disposições legais a teoria contratualista da sociedade. onde as partes se obrigam entre si para alcançar um fim comum. Calixto. que pressupõe a existência de contraposição interna de interesses.38. está faz com que as outras regras do ordenamento devem ser revistas pela perspectiva institucionalista. SALOMÃO FILHO. p. 57.36. loc cit. pois de um lado temos os conflitos de interesse dos sócios conjuntamente com os interesses dos órgãos sociais.186 Devido esta mistura da teoria contratualista e da institucionalista o entendimento do que é a empresa teve que passar por uma reforma. “Deve isso sim ser relacionado à criação de uma organização capaz de estruturar de forma mais eficiente as relações jurídicas que envolvem a sociedade”. p. 50.404/76 em seu artigo 116 o qual prevê que o acionista controlador deverá realizar o objetivo a e função social da empresa. Industrial. A reforma da empresa. 185 Ibidem. p. O que a primeira concepção fez foi limitar o objeto do conflito às questões de rentabilidade e às questões organizativas. 3. pois não há como pensar só nos interesses dos sócios. 2006. p. Fábio Konder.184 Há vestígios da teoria institucionalista na Lei 6. .183 No sistema societário brasileiro visualizamos no artigo 981 do Código Civil que sociedade é um contrato plurilateral. Revista de Direito Mercantil.182 Na teoria institucionalista é possível visualizar os interesses efetivamente contrapostos. como na contratualista. Econômico e Financeiro. está na limitação do objeto do conflito. uma vez que este não vislumbra os interesses dos órgãos sociais. que pressupõe a colaboração na persecução de um interesse social predeterminado. São Paulo: Malheiros. p.dizer que a diferença entre um sistema integracionista (como é o institucionalismo).

desta forma quando a empresa entra em estado de crise a solução jurídica não pode apenas levar em consideração o interesse dos credores. p. dinamismo e poder de transformação. não sendo o lucro um objetivo obrigatório. COMPARATO. 50. p. 170 a lucratividade empresarial. Econômico e Financeiro. p. 191 Ibidem. 65. O maior questionamento dessa mistura de teorias é se levarmos a sério que a empresa deve cumprir sua função social como ficaria o lucro? Como compatibilizar o objetivo da empresa que é o lucro e sua função social? Comparato188 entende que: O lucro da gestão empresarial é o saldo positivo de um balanço geral de ingresso e dispêndios. Revista de Direito Mercantil. p. deve trabalhar em regime de economicidade. São Paulo. 57-74. nos interesses da coletividade. sirva como elemento explicativo e definidor da civilização contemporânea. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”. mesmo não lucrativa. 104. sendo eles: 188 189 Ibidem.. n. Alberto Asquine192 visualizou a empresa através de diversos perfis. 192 ASQUINI. 190 Ibidem. toda a empresa. pois não é justo a empresa sofrer a punição pelos atos faltosos do empresário. 123. Industrial. A reforma da empresa.. pois deve reconhecer o interesse da coletividade na preservação da instituição. Alberto. 62. 1983. a escolha é indubitável: essa instituição é a empresa.Se quiser indicar uma instituição social que. Fábio Konder. p. na Rivista del Diritto Commerciale. v. publicado em 1943. Mas a Constituição Federal não prevê nos princípios do art. I. 62. 66. p. . out. Perfis da empresa. não há sua inclusão na esfera social. 1996. pela sua influência. 109-126. devendo ser “a preservação da empresa como centro autônomo de interesses. ou seja.-dez. Revista de Direito Mercantil. sem prejuízo da punição e do afastamento do empresário faltoso191”. Econômico e Financeiro. p.190 Uma das reformas pela qual a empresa se submeteu foi separação da figura do empresário da empresa. comportando um equilíbrio estrutural entre ingressos e dispêndios. Industrial. v. O lucro é apenas um objetivo lícito. 41.189 Sendo assim uma empresa que tem sua atividade focada no interesse social não pode centrar-se no lucro.

pois nesta a empresa é uma organização de pessoas. Asquine também identifica a empresa como instituição. 41.o fenômeno econômico da empresa. Pois ele entende que de todos os perfis analisados. 1996. a empresa vem considerada como aquela especial organização de pessoas que é formada pelo empresário e pelos empregados. I. v. A organização econômica da empresa pelo seu vértice.a empresa em sentido funcional “é a atividade profissional organizada do empresário”. o engenheiro etc.a empresa é considerada do ponto de vista individualista do empresário. out. São Paulo. Alberto. 109-126.. n.. Perfil funcional. do restante patrimônio do empresário (exceto se o empresário é pessoa jurídica. não são de fato. Perfis da empresa. . portanto..-dez. projetado sobre o terreno patrimonial.Perfil subjetivo: A empresa como empresário. Assim como Comparato. empresário. I. funcionários. com fim individual. usando a palavra em sentido subjetivo como sinônimo de empresário. sendo identificado um fim comum. caso em que o patrimônio integral da pessoa jurídica serve àquele escopo).. v. O empresário e seus colaboradores dirigentes. operários. 104. mas formam um núcleo social organizado.. na Rivista del Diritto Commerciale. tampouco. seja de caráter intelectual. constituída para o exercício de uma determinada atividade empresarial. p. organizada sob forma de empresa”. .. p. no qual se fundem os fins individuais do empresário e dos singulares colaboradores: a obtenção do melhor resultado econômico. o carregador etc. Perfil corporativo: a empresa como instituição.. onde se compreende o empresário e seus colaboradores. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”..) a menos que o exercício da profissão intelectual “dê lugar a uma atividade especial.. quem exerce uma atividade econômica às custas de terceiros.. em função de um fim econômico comum. Não é. que supera os fins individuais do empresário (intermediação lucro) e dos empregados (salário). seus colaboradores.Diritto Commerciale. o médico. Industrial. Perfil patrimonial e objetivo: a empresa como patrimônio “aziendal” e como estabelecimento. 41.vista funcional ou dinâmica. seja de caráter material. o perfil corporativo da empresa é o exemplo típico de instituição. dá lugar a um patrimônio especial distinto. Econômico e Financeiro. uma pluralidade de pessoas ligadas entre si por uma soma de relações individuais de trabalho. Não é. Revista de Direito Mercantil.) nem de regra. “a conquista de um resultado produtivo. por seu escopo. Não é ainda empresário quem exerce uma simples profissão (o guia. segundo o perfil corporativo. na produção. simplesmente. ou seja. o mediador.193” 193 ASQUINI. empresário. publicado em 1943. socialmente útil. quem presta um trabalho autônomo de caráter exclusivamente pessoal. quem exerce uma profissão intelectual (a advogado. 124. a empresa aparece como aquela força em movimento que é a atividade empresarial dirigida para um determinado escopo produtivo.

denunciar ocasionais irregularidades. em caso de descumprimento do mesmo. O administrador judicial.194 O período para cumprimento da recuperação judicial. Waldo.101/2005. 2 REPERCUÇÃO DA LEI 11. de Moraes Pitombo. 36. 195 SECCHI MUNHOZ. pode requerer. 2007. apurar e emitir pareceres sobre as reclamações dos interessados. quando está for benéfica a sociedade. p. Mas o plano pode prever o cumprimento das obrigações em período superiores há estes dois anos. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.661/45.101/2005 E DIRETRIZES NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA EMPRESA EM CRISE Quando a lei 11. mas se as obrigações previstas no plano são superiores a este período. 2005. . Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. a exemplo do que ocorria na concordata. a falência do devedor. sua preservação. 302. além de fiscalizar o andamento do plano. Ed. Sendo que nos primeiros dois anos de execução do plano o devedor ficará sobre a fiscalização do Poder judiciário. 2. dos credores. ficando a cargo do comitê de credores informarem o juiz. é de dois anos. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. pois está não tem como fugir dos interesses que a circundam. através de relatórios mensais. através da assembléia geral. caso este 194 FAZZIO JÚNIOR. São Paulo: Revista dos Tribunais. o bom andamento do plano. p. do comitê de credores e do administrador judicial. São Paulo: Atlas.195 Após o período de dois anos o processo de recuperação judicial é encerrado por sentença. o devedor deverá seguir cumprindo-o. a primeira é de negociação do plano e a segunda refere-se à execução e cumprimento da recuperação judicial da empresa em crise. pois a passagem de um sistema para outro é delicada e há situações que merecem um tratamento diferenciado. onde identificamos duas fases. devendo. Assim como há mudanças significativas que devem ser analisadas com mais tenacidade. dar atenção a função social da empresa e buscar.101/05 entrou em vigor está não revogou de imediato o Decreto – lei 7. como foi visto. Eduardo.Hoje é inviável a empresa pensar apenas no lucro.

V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar. São Paulo: Revista dos Tribunais. dilatar o prazo e remir com parte dos créditos. o qual traz hipóteses exemplificativas e não taxativas como ocorria no Decreto – lei 7. p. ou seja. ou cessão de cotas ou ações. de Moraes Pitombo. Constituem meios de recuperação judicial. dentre outros: I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas. São Paulo: Revista dos Tribunais. Eduardo. remissão parcial do valor dos créditos quirografários ou combinar as duas opções. 1995. observada a legislação pertinente a cada caso. de Moraes Pitombo. inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados. Rubens.101/2005. 198 SZTAJN. caso contrário não haverá a convolação da recuperação em falência.101/2005 encontramos como meios para a recuperação judicial: Art. 2º Vol. onde os meios que a concordata podia adotar eram apenas os descritos no referido decreto. devendo o período ser contado a partir da data do ingresso do pedido da concordata em juízo. nos termos da legislação vigente. 2007. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. p. A concordata possuía o intuito de solucionar as crises de iliquidez temporária. 16º edição. 50.196 Enquanto que na concordata preventiva o cumprimento desta não poderia ser superior ao período de dois anos. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. sendo estes os únicos meios disponibilizados para a realização da concordata.venha a descumprir-lo o juiz só poderá decretar a falência quando os credores informarem o descumprimento. IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos. constituição de subsidiária integral. sendo disponibilizada a empresa em crise a dilação do prazo para pagamento. 2007. VI – aumento de capital social. 126-128. VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento. II – cisão. São Paulo. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. .197 A Lei 11.661/45. 303. fusão ou transformação de sociedade. 232. 196 SECCHI MUNHOZ. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Rachel. III – alteração do controle societário. respeitados os direitos dos sócios. Curso de Direito Falimentar. p.198 Já no artigo 50 da Lei 11.101/2005. 197 REQUIÃO.101/2005 inovou em seu artigo 50 ampliando os meios de recuperação judicial. incorporação.

404/1976 que dispõe sobre as sociedades anônimas. § 1o Na alienação de bem objeto de garantia real. A fusão ocorre quando há a soma dois ou mais patrimônios societários. com a diferença que a dilação referida no inciso I do artigo 50 não atinge os créditos posteriores a concessão do beneficio da recuperação. incorporação e cisão – incorporação. X – constituição de sociedade de credores. quando a organização da sociedade muda de forma. sem prejuízo do disposto em legislação específica. bem como a redução dos juros anteriormente cobrados. XIII – usufruto da empresa. ou seja. IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo. 237. desparecendo as anteriores. devendo está seguir o disposto no Código Civil. ou da Lei nº 6.661/45. XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial. A transformação.VIII – redução salarial. A cisão “é a divisão patrimonial com versão da(s) parcela(s) cindida(s) em nova(s) sociedade(s) e o 199 MELLO FRANCO Vera Helena de e SZTAJN Rachel. em pagamento dos créditos. p. XI – venda parcial dos bens. a variação cambial será conservada como parâmetro de indexação da correspondente obrigação e só poderá ser afastada se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente previsão diversa no plano de recuperação judicial. mediante acordo ou convenção coletiva. com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza. Rio de Janeiro: Elsevier. § 2o Nos créditos em moeda estrangeira. XIV – administração compartilhada. ou seja. os ativos do devedor. a criação de uma nova pessoa jurídica. O inciso II do art. fusão. A transformação é quando se modifica a estrutura societária. identificamos que a dilação do prazo é parecida com a existente na antiga concordata dilatória. refere a mecanismo de recuperação a reorganização societária da empresa. . aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural. XV – emissão de valores mobiliários. Quando o inciso fala em condições especiais. compensação de horários e redução da jornada. este pode ser considerado como a remissão de parte da divida. ainda que não esteja mencionada no inciso – recai tanto sobre as relações internas quanto externas da sociedade. a supressão da garantia ou sua substituição somente serão admitidas mediante aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia. No inciso I do artigo 50. 2008.199 Este inciso é o único meio o qual guarda alguma semelhança com o Decreto – lei 7.

204 O inciso VI quando considera o aumento do capital um dos meios de recuperação deveria indicar que este pode ser feito pelo aporte de recursos pelos próprios sócios da empresa em crise. sendo o controle “a forma de poder que leva tanto a formulação de políticas e estratégias administrativas quanto a condução dos negócios sociais. 237. 202 Ibidem. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 201 Ibidem. Das alternativas mencionadas. facilitar mudanças na formulação das diretrizes administrativas”. . a não ser que este agisse com culpa ou dolo. São Paulo: Revista dos Tribunais.desaparecimento da anterior200”. Rachel. p. Há dentro da sociedade o controle interno. tendo estes poder veto em relação há algumas matérias. mediante cessão de controle. o qual é praticado pelos sócios ou acionistas através das assembléias – gerais ou reuniões de sócios. 2007. 2007. 238. Deste inciso surgem diversos questionamentos sobre sua utilização. por novos investidores. devendo desta forma ter cuidado ao aplicá-lo.101/2005. Rachel.202”. 204 SZTAJN. apenas a transformação terá deliberação exclusiva dos sócios ou acionistas. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. p. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 232.201 O inciso III refere-se à troca do controlador. 200 SZTAJN. 233-234. e o controle externo o qual resulta de acordos entre a sociedade e terceiros. De acordo com Rachel Sztajn203: “Presume-se que a intenção é de. 235. como pela conversão de dívida em capital. de Moraes Pitombo. Já o inciso IV prevê a modificação dos administradores ou dos órgãos da administração. Outra possibilidade é a conferência de bens. p. p. pois as demais dependem da deliberação dos membros da outra sociedade que deverão demonstrar seu interesse.101/2005. de Moraes Pitombo. A questão que este inciso suscita é se a modificação dos administradores é uma avaliação da aptidão ou capacidade deste de administrar a sociedade? Não seria justo imputar ao administrador a responsabilidade pelo resultado. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. sendo interessante evidenciar quando da demonstração aos credores e magistrado a manifestação dos sócios da outra sociedade que venham a fazer parte da operação. 203 Ibidem.

os quais devem atender o disposto nos artigos 1.142 a 1. Quando da escolha do tipo societário dificilmente se optaria pela sociedade ilimitada. após aprovar a cisão da sociedade. p. entende Rachel Stanj207: O capital seria integralizado com os créditos contra o devedor e. 240. de Moraes Pitombo. 242.devendo está transferência de bem ser útil e necessária ao desenvolvimento da atividade. Conforme Rachel Stanj206: As obrigações a ele (estabelecimentos) vinculadas são transmitidas juntamente com os ativos que o compõem. Ibidem. 207 Ibidem.205 É permitido como meio de recuperação no inciso VII o trespasse ou arrendamento de estabelecimento. Rachel. devendo-se ter em mente que os bens que são necessários a manutenção da atividade não podem ser alienados. Surrealista imaginar que alguém. portanto. constante do inciso XI. 243. São Paulo: Revista dos Tribunais. exercer atividade e buscar lucros. Em relação à venda parcial dos bens da sociedade. . 239. 11. a versão da parcela cindida naquela organizada pelos credores. os credores subscritores seriam solidariamente responsáveis pela solvência do devedor. aceite esse novo risco. que pode significar diminuição 205 206 Ibidem. além do limite da Lei 11. Independente de quais das alternativas. 2007. as obrigações tributárias e as trabalhistas. p. devida a incoerência “entre o aumento de risco e a eventual ‘equalização’. pelo que ficariam excluídas. Em qualquer hipótese é preciso que a nova sociedade possa operar. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. ou que se siga à matrícula o trespasse de estabelecimento ou.101/2005. O inciso X inova permitindo que os credores constituam uma sociedade. por força das normas especiais. sem alguma garantia. p. Sendo que o plano de recuperação que prevê estes meios de recuperação deverá ter a aprovação de todos os credores ou a inexistência de oposição destes para ser eficaz. essa garantia pode estar na obrigatoriedade de a sociedade em crise fazer dação em pagamento de alguns bens que permitam operar a nova sociedade.101/2005. 208 SZTAJN.208 O inciso XII sofreu forte crítica da doutrina. cujo crédito já é de liquidação duvidosa. p. estes precisam ser qualificados. as quais seriam a sociedade limitada e anônima.149 do Código Civil. sobrando duas alternativas.

11. 242. 242. Rachel. p. o que justificaria o respectivo inciso. b) emitir títulos de dívida ou debêntures. . ou simples. São Paulo: Revista dos Tribunais. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. conversíveis. isto é. assim.213 O último inciso refere-se à constituição de sociedade de propósito especifico “para adjudicar os ativos do devedor em pagamento dos créditos214”. Vera Helena de e SZTAJN. c) emitir opções para a compra e ações o que implica previsão de aumento de capital. 244. 209 MELLO FRANCO. VI). p. Rio de Janeiro: Elsevier. 214 MELLO FRANCO. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. 212 SZTAJN. p. 2008. Rachel.210 O inciso XIII traz algumas dúvidas. A emissão de valores mobiliários constitui: a) emitir novas ações para aumento de capital (inc. Ocorre que. o qual o inciso XV refere. Sem falar que o inciso não institui o critério para estabelecer as taxas de juros a ser cobrada quando da equalização do percentual aplicável as obrigações. p.211 Mas alguns doutrinadores entendem que o usufruto mencionado no inciso se assemelha ao direito à anticrese.101/2005. Rio de Janeiro: Elsevier. as contingências enfrentadas pela sociedade. de Moraes Pitombo. Contudo quando analisamos o artigo 140 da Lei 11. 245. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. o usufruto recair apenas sobre o estabelecimento. só pode ser aplicada por sociedades anônimas. A emissão de valores mobiliários. em mercados eficientes o preço dos valores mobiliários reflete imediatamente. “o credor tem direito de administrar a empresa e fruir dos resultados produzidos212”.. 2008. 241 210 MELLO FRANCO. 211 Ibidem. . loc cit. Vera Helena de e SZTAJN.101/2005 identificamos a confusão do termo empresa com o conjunto de bens necessários e utilizados para seu exercício. Rachel.dos encargos financeiros em razão inversamente proporcional ao seu preço. representado pelos juros cobrados209”. 213 Ibidem. 2007. razão pela qual o preço de emissão das ações deverá ser baixo. p.. podendo. uma vez que apenas estas podem emitir este tipo de documento. pois a empresa como atividade não é objeto de direito.

sendo o suficiente a dilação no prazo de pagamento.217 A desoneração de qualquer ônus e obrigações quando da alienação de filiais ou unidades produtivas da empresa em crise no processo de recuperação é uma das mais importantes inovações da Lei 11. não podendo estes superar. uma vez que neste encontramos diversos instrumentos. Pois como Eduardo Secchi Munhoz218 ressalta: A sucessão das obrigações trabalhistas e. p. 297. pois os créditos com garantia real seriam cobrados mediante execução própria. Eduardo. metade do ativo da empresa. loc cit. em detrimento do interesse 215 ULHOA COELHO. buscando dessa forma a disposta entre credores de diferentes classes. p. em valor. Por este motivo é que os efeitos recaiam apenas sobre os créditos sem garantia real. revisada. ou a conjunção das duas. os credores que se submetiam aos efeitos da concordata era apenas os credores quirografários. A inclusão de todas as obrigações vencidas e vincendas aos efeitos da recuperação se deve ao objetivo da lei que é a preservação da empresa e da atividade. no sistema anterior. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. administrativos e jurídicos para restabelecer a empresa em crise. tendo como pressuposto apenas os problemas de liquidez da empresa que o requeria.Como o artigo 50 é exemplificativo podem-se criar outros meios ou ainda utilizar mais de uma das hipóteses sugeridos no artigo. 2º edição. sobretudo. de 9-2-2005). 218 Ibidem. Como a concordata era um favor legal.101. p. ou a remissão parcial das dívidas. das tributárias. . inviabilizava a manutenção da unidade produtiva (da empresa) viável nas mãos de terceiro. não interessando sua natureza. 11. como. 2005. 2007.101/2005. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 217 SECCHI MUNHOZ. de Moraes Pitombo. financeiros.215 Como já visto. dada as prioridades que a legislação dava a estas.101/2005 sujeita aos efeitos da recuperação judicial todas as obrigações existentes a época do pedido de recuperação. Fábio.216 O artigo 49 da Lei 11. não interessava se esta poderia adimplir com todas as obrigações assumidas. As obrigações fiscais e trabalhistas ficavam fora do quadro geral da concordata. São Paulo: Saraiva.101/2005. 228.134. São Paulo: Revista dos Tribunais. 216 SECCHI MUNHOZ. nem se há garantia ou não. 11.

222 ULHOA COELHO. 141. a continuidade da empresa sob o comando de terceiro. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. acabando por penitenciar a empresa pelas obrigações não adimplidas pelo empresário. O artigo 60 da Lei 11. devendo as obrigações do empresário adquiridas por ele ao longo da sua atividade empresarial permanecer sob sua responsabilidade. 2007. 297-298.661/45 o legislador não diferenciava a empresa da figura do empresário.220 As modalidades para efetuar a alienação. Assim como a sucessão dos ônus será aplicada quando o arrematante for: (i) sócio do devedor ou sociedade por ele controlada.101/2005 é o reconhecimento pelo ordenamento jurídico brasileiro da distinção entre empresa e a figura do empresário. Com o fim da sucessão tributária e trabalhista nas alienações efetivadas dentro do processo de recuperação judicial permite que a empresa seja transferida para um novo empresário. 2010. em linha reta ou colateral até o 4º grau. A alienação deve constar do plano de recuperação apresentado aos credores e juiz. são: leilão. propostas fechadas e pregão. a qual deverá ser judicial. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. p. inclusive as trabalhistas e tributárias219”. 11. p. assim. bem como deve respeitar os artigos 141 e 142 da Lei. Fábio.dos trabalhadores e credores (inclusive do próprio fisco) do devedor anterior. . (ii) parente. consangüíneo ou afim. No regime do Decreto – lei 7.101/2005 manteve as proibições existentes no Decreto – lei 7. ou seja. “obtendo-se dessa forma recursos que podem ser utilizados para o pagamento das obrigações do devedor. Eduardo. São Paulo: Revista dos Tribunais. loc cit. 221 SECCHI MUNHOZ. de 9-2-2005). não comprometendo. do devedor ou de sócio do devedor. revisada.101.222 O artigo 198 da Lei 11. (iii) identificado como agente do devedor com o objetivo de fraudar a lei (art. 220 SECCHI MUNHOZ. por lances orais.101/2005. pois este visa evitar a venda direta a terceiros estabelecido no plano de recuperação. os devedores que não podiam requerer a concordata ficaram impedidos de requerer a recuperação judicial.661/45. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo.221 Sendo a alienação por hasta pública obrigatória.60. § 1º). loc cit. 7º edição. dando assim mais segurança aos credores de que a venda não consiste em uma fraude. 11. São Paulo: Saraiva. Os 219 SECCHI MUNHOZ.

4º do Dec.479. § único. – lei 261/1967). 640. tendo sido os parágrafos adicionados quando da promulgação da Lei 11. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. – lei 73/1966). (iii) sociedades seguradoras (art. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.101. os quais não tratam de matéria transitória. pois podem trazer muitos 2. revisada. 11. Estes foram mais algumas das mudanças trazidas benefícios as empresas em crise. Fábio Ulho Coelha225 dá como exemplo: Se uma dessas cláusulas possibilitar ao arrendador rescindir o arrendamento e exigir a devolução da aeronave. Por outro lado. p. Fábio. mas sim dos contratos de locação. em caso de falência ou recuperação judicial da empresa de aviação arrendatária.196.impedimentos referentes à natureza da atividade são pertinentes aos empresários223: (i) instituições financeiras (art.402/1978). de Moraes Pitombo. 45. pela Lei 11. 7º edição.224 Está modificação está disposto no artigo 199 da nova lei. 23 da Lei 9. da Lei 4. loc cit. p. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. mas a nova Lei dispôs em contrario. (v) operadoras de planos privados de assistência à saúde (art. 11. 47 da LC 109/2001). 225 ULHOA COELHO.101/2005. dessa forma. (ii) empresas integrantes do sistema de distribuição de títulos ou valores mobiliários no mercado de capitais (art. que empresas desta natureza ingressem com o pedido de recuperação judicial. (iv) empresas de capitalização (art.656/1998).101/2005 que devem ser analisadas com cuidado.101/2005 as empresas exploradoras de serviços aéreos de qualquer natureza ou espécie aeronáutica eram proibidas de requerer a concordata.1 Institutos 223 ADAMEK. São Paulo: Saraiva. 224 ADAMEK. (vi) entidades fechadas de previdência complementar (art. 53 d Lei 6.595/1964) e entidades legalmente equiparadas. o exercício deste direito não ficará suspenso em hipótese nenhuma. 2007. . se o contrato estabelecer o contrário. as quais deverão ser cumpridas de acordo com as suas cláusulas. e (vii) entidades abertas de previdência complementar (art. de 21 de novembro de 2005. de 9-2-2005).024/1974). arrendamento mercantil ou outros similares de aeronaves ou de suas partes. Antes da entrada em vigor da Lei 11. Marcelo Vieira von. Marcelo Vieira von. 81. 77 do Dec. 26 do Dec. permitindo. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2010. o exercício do direito da arrendatária em recuperação ou da massa falida de continuar arrendando a aeronave também não poderá ser suspenso.

Anotações sobre os limites do poder do plano de recuperação judicial. aprovar o plano uma vez que seja reconhecida a função social da empresa. ainda. A busca da preservação da empresa.101/05 busca preservar não apenas o credor. jurisdicional na apreciação do Mercado de Capitais. enfim. Eduardo Secchi. 228 Para Eduardo Secchi Munhoz229 o juiz apenas homologa a vontade dos credores.101/05 dá a possibilidade ao juiz. 36. 189. os demais interessados envolvidos na constituição da empresa em crise. Revista de Direito Bancário e São Paulo.2007. Essa observação. os da coletividade em geral. trabalhadores. O dispositivo referido tem divergido a doutrina quanto a sua interpretação.10. jurisdicional na apreciação do Mercado de Capitais. não corresponde à realidade. comunidade local. porém. Eduardo Secchi. denota a discussão se a nova Lei proporcionou ao juiz mais poder de decisão. loc cit. a possibilidade de o credor continuar a fazer negócios com a empresa recuperada”. Pois. 47 da Lei 11. reconhecendo. pois alguns acreditam que este não dá ao juiz a faculdade de aceitar ou não a recuperação judicial. abr. os interesses não só dos credores como. na maior parte das vezes. v. assim. como já foi visto. também. p. devendo-se buscar a recuperação judicial sempre que está se demonstrar mais benéfica a sociedade. 228 MUNHOZ. loc cit. caso o plano de recuperação não seja aprovado pela assembléia geral de credores. 229 MUNHOZ. “Considere-se. consumidores. isso sempre ocorrerá quando a continuidade da empresa aumentar a probabilidade de recuperação de créditos e o valor respectivo em comparação com o que se obteria no processo de liquidação. Anotações sobre os limites do poder do plano de recuperação judicial. mas.2007. de acordo com o doutrinador: 226 MUNHOZ. 227 MUNHOZ. Pois uma vez preenchidos os requisitos da lei e aprovado o plano de recuperação pela assembléia geral de credores o juiz não tem nada a fazer a não ser conceder o benefício. abr. o art. p./jun. v. Revista de Direito Bancário e São Paulo.Como já foi visto a Lei 11. 189. a coletividade em geral.10. poder-se-ia imaginar que tal solução estaria em conflito com o interesse dos credores./jun. . n. n. pois os credores também podem ser beneficiados pela recuperação. como os investidores. o juiz procede apenas verificação dos aspectos formais da atuação da assembléia de credores. 36.226 Como Eduardo Secchi Munhoz ressalta227: Em princípio. também.

podendo aprovar o plano quando este for recusado pela assembléia. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. estes devem proferir seu voto na assembléia geral de credores para que a recuperação judicial se realize./jun. Um desses instrumentos poderia ser a teoria do conflito de interesses. MUNHOZ. 36. abr. o qual decorre da proibição do direito de voto. Pois o credor vota com o intuito de satisfazer o seu crédito perante o devedor.10.Não há. na opinião deste. o plano aceito seja ruim. portanto.232 Quando da transposição da teoria do conflito para a recuperação judicial devemos afastar a figura do conflito formal. O juiz não examina o conteúdo do plano aceito. 233 MUNHOZ. p. n. O juiz deve buscar instrumentos que possibilitem que este interfira na vontade dos credores e devedor. Mas há alguns doutrinadores que defendem que o juiz tem poder de decisão. assim como não examina o conteúdo dos acordos que ele homologa freqüentemente no processo. Eduardo Secchi.101/2005. permitindo assim uma interferência jurisdicional toda vez que o juiz identificar o desvio dos credores dos objetivos determinados no artigo 47. loc cit. v. loc cit. pois esta teoria que é pedra angular no direito societário poderia ser adaptada para o instituto da recuperação judicial. loc cit. como estabelecer qualquer espécie de conflito entre a deliberação da assembléia de credores e o juiz.233 230 231 MUNHOZ. 232 MUNHOZ. 191. São Paulo. já que este é uma cláusula e necessita de interpretação por parte do juiz.230 Devem-se buscar soluções procedimentais para resolver este dilema. assim como pode indeferir a recuperação se entender que os mesmos fundamentos e objetivos foram violados. para que assim possa garantir a função pública da respectiva lei. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. isto porque todo devedor encontra-se em conflito formal com os credores. ainda que. Ao juiz cabe o “papel de presidente do processo de negociação e de arbitro dos eventuais desvios de rota que possam comprometer o atendimento dos objetivos definidos pelo legislador231”.2007. desde que respeitado os fundamentos e objetivos do artigo 47 da Lei 11. .

MUNHOZ. tornando-se. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. movimentando-se para o campo ativo de um procedimento concursal destinado à solução dos conflitos. aliado ao excesso de processualismo. mas este não impede que se faça uso deste através da interpretação sistemática e teleológica do texto legal. fruto da obsoleta legislação revogada de 1945. 36. 80 . e ainda do sistema do Código napoleônico de 1807. A lei não utilizou a teoria ao disciplinar a assembléia geral de credores. mas também levando em consideração o interesse de todos os credores. em um instrumento de intervenção por parte do juiz na aprovação ou não do plano de recuperação judicial. 2009. a alavanca na interpretação e no conhecimento prático da legislação./jun. n.poder235. e não propriamente à criação de incidentes. Rita de Cássia Resquetti Tarifa.Já o conflito material poderia dar-se em função do interesse da coletividade de credores. sérias modificações e limitações. saindo da mera passividade. caso identificasse o desvio do interesse da coletividade por parte de algum credor. Dessa forma o voto do credor na assembléia geral de credores se tornaria um dever . não podendo o credor votar pensando apenas nele.2007. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais.10. São Paulo: Pearson Prentice Hall. Direito empresarial e trabalhista. 234 235 MUNHOZ. 191. mas sim com “otimização da satisfação dos seus respectivos créditos234”. sempre com as devidas adaptações. loc cit. loc cit. ficando sua utilidade restrita às hipóteses em que o credor votasse na recuperação judicial não em vista do seu interesse na satisfação do crédito. p. 238 ESPOLADOR. 236 MUNHOZ. loc cit. abr. o magistrado será. anular seu voto. Conforme Eduardo Secchi Munhoz236: A transposição da teoria do conflito do direito societário para o direito falimentar implicaria. mas em prol de um eventual interesse em relação ao devedor. o que não se confundiria com a preservação da empresa. Eduardo Secchi. portanto. 237 MUNHOZ. na condição de representante do Poder Judiciário. São Paulo. p. v.237 O entendimento de Rita de Cássia Espolador238 sobre o poder de decidir do juiz é: Com efeito. Podendo o juiz. assim.

transmita segurança e se dedique integralmente à recuperação.10. São Paulo. faz com que o significado do artigo esteja de acordo com os acontecimentos de cada época. alguns doutrinadores acreditam que a Lei 11. 132. jan. Mas para que possa ocorrer está intervenção é necessário. processam e julgam os recursos240”. p. o que chamam de cláusula geral. Quando se fala no poder de decidir do juiz não se pode esquecer que este não leva em consideração apenas as normas e o preenchimento destas quando toma a decisão final. p. n.239 Essa possibilidade oportunizada ao juiz. “entenda os mecanismos de mercado. 81-83. enquanto os tribunais. 37. 239 240 Ibidem./mar. como foi visto. Luciano Felix do Amaral. 241 SILVA.Apesar da liberdade dada ao judiciário nas decisões dos pedidos de recuperação judicial. loc cit.101/2005. este não poderá se afastar dos princípios norteadores da Lei 11. mas a questão é: até onde a cláusula aberta interfere na segurança jurídica? Pois será o juiz quem irá definir o que é função social e qual a empresa que a possuí.101/2005 garantiu ao juiz a chance de poder intervir no deferimento ou não da recuperação judicial. de ter maior discricionariedade em relação ao deferimento ou não da recuperação judicial exigirá que os magistrados busquem a renovação de seus conhecimentos. sendo este subjetivo. Revista de Direito Privado. até porque. buscando sempre a redução dos conflitos entre credores e devedor. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica. ESPOLADOR.2009. Para Luciano Felix do Amaral e Silva241: A atuação do juiz na aplicação das cláusulas gerais sempre encontrará sua origem na lei e estará sempre condicionada a um juízo marcado pela razoabilidade. v. conforme o artigo 47 da lei que o juiz identifique a função social da empresa. com agilidade e eficiência. . A cláusula geral evita o engessamento da norma.

37. Campo Grande. que exigem valoração para que o juiz possa preencher o seu conteúdo. SILVA. 1998. pois outorgariam ao juiz um enorme poder de decisão. Os conceitos legais indeterminados e as cláusulas gerais são enunciações abstratas feitas pela lei.243 As cláusulas abertas podem gerar insegurança jurídica. loc cit. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica./mar. A supremacia hierárquica das normas constitucionais. p. aniquilar os demais. o que poderia se traduzir em juízes arbitrários. sem. 246 BORGES NETO. 245 SILVA. maio/out. alias as decisões encontradas são até tímidas “diante do poder de integração proporcionado pelas cláusulas gerais244”. . Preenchido o conteúdo valorativo por obra do juiz. como a função social da empresa encontrada nas cláusulas gerais não são antagônicas ao objetivo da recuperação judicial.10. Revista de Direito Privado.1. 242 243 SILVA. sendo a fonte inicial de todo o ordenamento jurídico pátrio246”. 132. Não havendo como as normas ou o judiciário fugir de sua supremacia. contudo. este decidirá de acordo com a conseqüência previamente estabelecida pela lei (conceito legal indeterminado) ou construirá a solução que lhe parecer a mais adequada para o caso concreto (cláusula geral). n. 27. loc cit. Luciano Felix do Amaral. Neste sentido: É importante ressaltar que atuação do juiz no preenchimento das cláusulas gerais (e das normas de tipo aberto em geral) e no cumprimento das suas diretrizes só será legítima nos limites da legalidade.245 O juiz deve respeitar os princípios fundamentais que estão presentes na Constituição Federal do país. v. como se pode ver: Princípios gerais de direito são regras que norteiam o juiz na interpretação da relação jurídica discutida em juízo.2009. pois a Constituição “é o ato do poder constituinte originário. São Paulo. A aplicação de valores e princípios. Ciência e Direito: Revista Jurídica da FIC-UNAES. André. tanto que em certas situações tais valores e princípios devem prevalecer. loc cit. jan. da razoabilidade e da segurança jurídica. mas está não encontra amparo nas decisões emanadas pelo judiciário. 1.Os ensinamentos de Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery242 não são diferentes. n. p. v. 244 SILVA.

loc cit. dos grupos sociais. O instituto da falência clamava por renovações. Para André Borges Neto247: Constituição. estabelece os direitos e as responsabilidades fundamentais dos indivíduos. que trouxe um instituto novo. que o Decreto – lei 7. . visando a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana. portanto. Rachel. na definição abrangente de Dalmo de Abreu Dallari. não sendo prejudiciais à segurança jurídica as cláusulas gerais e nem o maior poder de decisão dado juiz através destas. de Moraes Pitombo.661/45 estava obsoleto. 2. pois estas vêm beneficiar a coletividade em geral. ao proferir a lei verificar se esta encontra-se de acordo com a carta magna. contudo.A aplicação e garantia dos princípios e regras constitucionais trazem aos indivíduos certeza e segurança jurídica de que o Estado está agindo de acordo com o preconizado pela lei maior. vista como um documento jurídico que abriga no seu seio as normas supremas da comunidade. “a declaração da vontade política de um povo. que submetem governantes e governados ao seu império. através deste atendido ao mandamento constitucional da função social da empresa. propiciando desta forma. 222. que se tenha presente aspectos econômicos que ficam subjacentes às normas legais. Devendo desta forma tanto juízes quanto legislador. do povo e governo”.2 Análise das Manifestações do Judiciário Demonstrou-se. servindo de limite jurídico ao Poder. p. o da recuperação judicial. no decorrer do presente trabalho.101/2005.101/2005. 247 248 BORGES NETO. as quais vieram através da promulgação da Lei 11. que se respeite o critério da eficiência e que o aplicador da Lei não se deixe levar por motivações ideológicas assistencialistas em que a preservação de atividades inviáveis seja deferida para atender a alguns interesses de certa parcela da sociedade (civil). Conforme Rachel Sztajn248: As boas intenções do legislador requerem. feita de modo solene por meio de uma lei que é superior a todas as outras e que. 2007. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. por ser documento jurídico que contém normas superiores às demais. tendo o legislador. vem a ser. SZTAJN. São Paulo: Revista dos Tribunais. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. mecanismos que retire a empresa da crise.

entra em crise econômico-financeira.. Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado.. da 1º Vara Cível da comarca de Ponta Grossa... (.com. entre os quais o da dignidade da pessoa humana. (. se coliga com o princípio da dignidade da pessoa humana. no estado do Paraná. O juiz manifestou-se em sentença desta forma249: Como é sabido. entendimento do qual não discrepa a doutrina. na prática. o qual prevê que o devedor deve apresentar certidões de quitação de tributos para que a recuperação judicial seja conferida. a exigência de apresentação de certidões negativas – que. Disponível em: <http://jus2.br/doutrina/texto. Uma das primeiras decisões neste sentido foi proferida pelo juiz Luiz Henrique Miranda. . o instituto da recuperação judicial se apresenta como um mecanismo voltado à preservação de uma empresa que atende a uma função social e que. apesar disso. pois boa parte.. se não todas. nos autos do processo nº 390/2005. por circunstâncias acidentais. ou seja.) Na realidade. mas que. (. Fazendo-o.) Nessa ordem de idéias. (. se mostra viável dependendo apenas de ajustes na sua rotina administrativa e de algumas concessões por parte dos credores para se reerguer e voltar a operar de forma saudável para o mercado. equivale a impor ao empresário estar em dia com as obrigações fiscais e previdenciárias – inviabiliza a recuperação judicial.uol. a prova de regularidade fiscal acaba com os objetivos da lei. a subordinação do deferimento da recuperação judicial à apresentação de certidões negativas de débitos tributários colide com os princípios constitucionais antes mencionados na medida em que inviabiliza a salvação da empresa. conflita com o princípio constitucional da função social da empresa e com os outros que a ele se ligam. Acesso em 24 de janeiro de 2010.asp?id=7900>. tornando para a maioria das empresas inviável requerer a recuperação judicial sob esta condição. as empresas que se encontram em crise devem tributos.) 249 CARVALHO DA SILVA. A concessão do benefício é condicionada a este artigo e não sendo atendida provoca o indeferimento da recuperação judicial. o instituto da recuperação judicial foi inspirado no princípio constitucional da função social da empresa. Para tanto alguns juízes devem conceder a recuperação judicial mesmo sem apresentação das certidões negativas de débitos tributários.. encontramos nela alguns pontos antagônicos.) Enfim.Apesar de a Lei ser voltada à recuperação da empresa. que por sua vez. dispositivos dispares à realização dos objetivos mencionados. Ronny. Um destes dispositivos é do artigo 57...

contudo é dinâmica. tendo sido o Ministério Público e o administrador judicial favoráveis ao deferimento da recuperação judicial sem a apresentação das certidões negativas tributárias. bem como nos princípios constitucionais. profligada pela jurisprudência dos tribunais. c) o descumprimento não acarreta a falência. em muitas das vezes resta prejudicada. historicamente. conseqüência não desejada pela lei.com. refere em artigo: Realmente. nos autos do processo da Parmalat: Em relação à exigência do art. elaborado por seu representante Alberto Camiña Moreira251. Como Ronny Carvalho da Silva250. Acesso em 24 de janeiro de 2010. Disponível em :<http://www. tendo sido a sentença prolata pelo juiz Alves Lazarini. antes de atender o que lei infraconstitucional requer. diferentemente da lei.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. . deve a Autora ser dispensada do cumprimento dessa mesma exigência. Priscyla.asp?id=7900>. o princípio tem caráter de norma.101/2005. ao contraditório e à ampla defesa dadas ao contribuinte. Acesso em 20 de maio de 2010. tendo ele se baseado nos princípios da própria lei. malfere o princípio da razoabilidade e agride garantias constitucionais ao devido processo legal. feita pelo artigo 57 da Lei 11. tendo em vista apresentar-se retrógrada – por não acompanhar a evolução social –. Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado. b) fere o princípio da proporcionalidade. a exigência de apresentação de certidões comprobatórias de inexistência de débitos junto ao fisco e à previdência. o que a constituição e seus princípios ditam. ou protecionista. ofende o princípio constitucional da função social da empresa. ao que se soma a aprovação unânime dos credores que compareceram à assembléia-geral ao plano de recuperação deve ser deferido o pedido inicial O juiz buscou. 57 da Lei 11. cuja aplicação ao caso concreto. por isso.conjur. que de diversas maneiras agride constantemente os direitos e garantias fundamentais.com. Por tal razão. Ronny. por ser um afloramento de interesses de setores da sociedade ou do próprio Poder Público. desprezou exigências fiscais de empresas 250 CARVALHO DA SILVA. da 1º Vara de Recuperação Judicial de São Paulo. Disponível em: <http://jus2.uol.101/05 e artigo 191-A do CTN: a) trata-se de sanção política. É o parecer do Ministério Público. Outro caso que o juiz não exigiu a certidão negativa de débito tributário para concessão do benefício o foi a da empresa Parmalat. são insubsistentes.br/doutrina/texto. d) a jurisprudência de nossos tribunais. e. e. 251 COSTA. porque preenchidos os demais requisitos legais.Sintetizando. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat.

253 COSTA. certamente. neste ponto. buscando no trabalho de Marcos de Barros Lisboa. Sem embargo de tudo isto. buscou nos ensinamento de Manoel Justino Bezerra Filho apoio doutrinário para sua decisão de deferir o pedido sem a obrigatoriedade de juntar as certidões negativas tributárias. fixando norma determinando “que as Receitas de cada ente federativo criem regras específicas sobre o parcelamento de dívidas tributárias para empresas em recuperação de empresas”. 174 seria levar a empresa. Assim sendo. sob pena de falência. Disponível em :<http://www.porque exigir o cumprimento daquele art. . 252 COSTA. demonstrando que as decisões vêm pacificando o entendimento de que este requisito não traz benefícios às empresas e nem a próprio fisco. Priscyla. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat. Acesso em 20 de maio de 2010. embora sem expressa previsão legal. 49. E a jurisprudência assim se firmou. este art. repete o erro de trazer obrigações de impossível cumprimento para sociedades empresárias em crise. O juiz que proferiu a sentença favorável à Parmalat ainda analisa o ponto econômico. à falência.com. a partir do exame do art. de praticamente impossível cumprimento. (fl. loc cit. como forma de ajudar a recuperação judicial. redundou na criação jurisprudencial que admitia o pedido de desistência da concordata. acoplado ao art. A Varig ao requerer a recuperação judicial também não necessitou apresentar as certidões negativas tributárias. sendo este ensinamento252: Aliás. “estabelecendo uma dilatação dos prazos para pagamento.conjur.661/45 trouxeram. aliviando as necessidades de fluxo de caixa da empresa e propiciando a regularização de sua situação fiscal”. Tal disposição.101/2005. 57.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. 5793) Na sentença o juiz que concedeu o pedido de recuperação judicial a Parmalat. o fisco possui mais possibilidades de receber seu crédito com a recuperação da empresa do que se essa vier a falir por não ter como cumprir o requisito do artigo 57 da Lei 11. antigo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda a seguinte colocação253: “O Fisco colabora com a recuperação da empresa mediante o parcelamento dos créditos tributários”. Este artigo exigia que. a Lei não aproveitou o ensinamento que os 60 anos de vigência do Dec. sem que isso represente proibição de cobrança de tributos pelas vias próprias. 174 daquela lei. o devedor apresentasse comprovação de que havia pago todos os impostos.-lei 7. para que a concordata fosse julgada cumprida.em crise econômica. já que dela não participa.

255 AYOUB. Acesso em 22 de fevereiro de 2010.272 – RJ (2006/0077383-7). evidentemente. Revista da Escola Nacional de Magistratura. FALÊNCIA. Luís Roberto. Caso em que o ato de arrecadação foi registrado no Ofício Imobiliário. v.Outra questão de extrema importância que a lei 11.br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empresas. o qual foi decido pela 3ª Turma. De acordo com o relator o Ministro Ari Pargendler254: Há incompatibilidade prática entre essas decisões. estando esta em formação. abr. Os bens arrecadados pelo síndico da massa falida estão sujeitos à jurisdição do juiz da falência. um conflito de competência.pdf? sequence=1>. cabendo ao arrematante apenas as obrigações discriminadas no edital do leilão. . 5. n.pdf? sequence=1>. deve prevalecer a decisão do juiz competente. manifesta-se sobre de quem é a competência pra decidir se há ou não sucessão trabalhista. As orientações doutrinárias sobre o assunto são diversas. quando esta se encontra em recuperação judicial. 2. PRAÇA. e no momento ainda não há manifestações dos tribunais superiores que direcionem as decisões para uma mesma interpretação. referente à recuperação judicial da Varig S/A.gov. 18/12/2006).br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empresas. No presente caso o juiz do trabalho se declarou competente para dispor do patrimônio da empresa em recuperação judicial. O Ministro relembrou que o Superior Tribunal de Justiça já havia passado por situação semelhante.255 O Ministro ressalta: 254 AYOUB. Luís Roberto. porque uma não pode ser executada sem prejuízo da outra – resultando disso. da seguinte forma: COMERCIAL. Disponível em: <http://bdjur. Recurso especial conhecido e provido” (DJ. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. 200898 Revista ENM nenhum outro pode designar praça para a alienação dos aludidos bens sem invadir a competência daquele.stj. Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais.stj. Disponível em: <http://bdjur.gov. bem o qual foi arrematado em leilão. tendo sido ele o relator. Mas o Superior Tribunal de Justiça no Conflito de Competência nº 61. onde constava no edital que o arrematante não responderia pelas obrigações trabalhistas da Varig S/A. Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais.101/2005 traz é a eliminação da sucessão trabalhista e fiscal quando da alienação de ativos da empresa.

O juízo que deferiu o pedido de recuperação judicial informou ao Tribunal de São Paulo e Rio de Janeiro que estes deviam suspender as ações de execução contra o devedor. emprestara recursos para a tentativa de reorganização da empresa em dificuldades momentâneas257”. e ainda complementa258: É evidente que ninguém estará interessado em adquirir qualquer unidade produtiva quando acompanhada do passivo fiscal. O Conflito de Competência nº 101. confirmando “o propósito legal de emprestar atividade ao ativo que. o qual foi atendido. Sobre a sucessão fiscal o Ministro segue o disposto na Lei Complementar nº 118. Não haverá mercado nem investidor para tanto. o qual prevê a não sucessão dos créditos fiscais por parte do comprador da filial da empresa em crise. por força do artigo 6º. que deixará de arrecadar com o desaparecimento da empresa. comprometendo o sucesso de seu plano de recuperação. o país perde porquanto riquezas não serão geradas. caput da Lei 11. loc cit. sob pena de prejudicar o funcionamento do estabelecimento. há terceiro. 256 257 AYOUB. tivesse suscitado conflito de competência para dispor sobre o respectivo objeto. . Outros não serão criados. antiga 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Não se manterão os empregos. eliminando desta forma a sucessão trabalhista e fiscal do arrematante. antes da ultimação do leilão processado pelo juiz de direito.552 – AL (2008/0272295-5) que foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. com sua alienação. 258 AYOUB. trazendo evidentes prejuízos para o próprio fisco. de acordo com o Ministro: O destino do patrimônio da empresa-ré em processo de recuperação judicial não pode ser atingido por decisões prolatadas por juízo diverso daquele da Recuperação. Nesta altura. o qual teve o Senhor Ministro Honildo Amaral de Mello Castro como relator. AYOUB. Com isso. loc cit. trata-se da suspensão pelo período de 180 dias das ações de execuções. Entende o Relator que estes devem sim ser suspensos. beneficiado pelo leilão.256 Por fim o Ministro declarou competência do Juiz de Direito da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. com interesses a proteger na jurisdição que lhe assegurou o direito de não responder por obrigações trabalhistas das empresas sujeitas à recuperação judicial. loc cit.101/2005.A situação seria diferente se o juiz do trabalho.

o qual é um dos principais objetivos da nova lei. os quais serão dirimidos com o tempo pelos tribunais. p. Uma vez concedida. a melhor forma de sanar a crise econômica – financeira por qual a empresa passa.)" ( in Curso Avançado de Direito Comercial .RT . mas já se visualiza a busca pela manutenção da empresa. O principio da unidade tem por finalidade a eficiência do processo. O Ministro ainda citou outra decisão com o mesmo entendimento. Seria inviável mais de uma recuperação. Bortoldi e Marcia Carla Pereira Ribeiro: O juízo universal da recuperação judicial está vinculado aos princípios da universalidade e da unidade. por isso a exigência da lei de um único processo para o mesmo devedor. evitar repetições de atos e contradições. sendo esta decisão do Superior Tribunal de Justiça.. assim. O Ministro ainda refere que a liberação dos bens arrestados pelo Tribunal de São Paulo e Rio de Janeiro é de competência do juízo da recuperação. pois a ele cabe a supervisão do processo de recuperação judicial. de que a suspensão das execuções é essencial para a recuperação judicial da empresa em crise.462). Todas as ações e processos estarão na competência do juízo da recuperação (. O principio da universalidade está na previsão de um só juízo para todas as medidas judiciais.Em sua decisão o Relator cita os ensinamentos de Marcelo M. o qual está previsto no artigo 47 da Lei. . mantendo assim o ativo da empresa em crise livre de qualquer constrição. demonstrando assim sua importância e demonstrando a possibilidade da consagração dos princípios da preservação e função social da empresa. Relator Senhor Ministro Castro Meira.. todos os atos relativos ao devedor empresário.3ª edição . facilitando assim o cumprimento do plano de recuperação. Entendem também os Ministros de que se deve privilegiar o principio da preservação da empresa. será aberto um leque de procedimentos que estarão sujeitos a uma direção única.101/2005 possui muitos pontos controversos. Estas decisões demonstram que a Lei 1. buscando.2006. Conflito de Competência nº 79170 – SP.

101/2005.661/1945. prevista no Decreto – lei 7. 2005. mas à recuperação judicial só tem 259 ULHOA COELHO Fábio.101. e suprimindo outras como a concordata suspensiva.661/45 e a Recuperação Judicial da Lei 11. trazendo consigo figuras novas. 2º edição. 11. São Paulo: Saraiva. p. . revisada. independentemente da viabilidade de sua recuperação econômica.CONCLUSÃO No transcorrer do trabalho foi possível observar as transformações sofridas no instituto da falência com a promulgação da Lei 11. de 9-2-2005). Para Fábio Ulhoa Coelho259 as principais diferenças entre a concordata. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. como a recuperação judicial da empresa.101/2005 são: a) a concordata é um direito a que tinha acesso todo empresário que preenchesse as condições da lei.XL. a qual veio substituir o Decreto – lei 7.

na recuperação judicial. b) enquanto a concordata produz efeito somente em relação aos credores quirografários. deve ser delimitado no plano de recuperação. inclusive os que titularizam privilégio ou preferência (a única limitação legal é o pagamento das dívidas trabalhistas em no máximo 1 ano). ou seja. p. ao passo que. Esta busca não pode ser cega. o sacrifício. se houver. sempre que for possível. e deve ser aprovado por todas as classes de credores. Uma das principais características trazidas pelo novo instituto é o reconhecimento da função social da empresa como forma de impor aos credores o plano reorganizativo da empresa pelo juiz. preservar a empresa. Devido às alterações do cenário socioeconômico o instituto da falência teve sua concepção atualizada para os novos caminhos que estavam sendo apontados. já vem definido na lei (dividendo mínimo) e é da unilateral escolha do devedor. Empresas viáveis devem permanecer em operação. dos credores e do Poder Judiciário pode levar a uma vitoriosa reestruturação financeira da empresa. o espírito da nova lei – que o magistrado há que entender – não é preservar a empresa a qualquer custo. determinando a convolação da recuperação em falência. Rita de Cássia Resquetti Tarifa. deve ser analisada a viabilidade da recuperação da empresa. o qual era voltar-se para o desenvolvimento do comércio e da atividade empresária em geral. 2009. 86 . 260 ESPOLADOR. sem qualquer limitação legal. o papel do magistrado é presidir sobre esse processo de forma célere. c) o sacrifício imposto aos credores. buscar. na concordata. com a menor perda possível para a sociedade. exceto os fiscais (que devem ser pagos ou parcelados antes da concessão do beneficio). São Paulo: Pearson Prentice Hall. como assevera a estudiosa Rita de Cássia Espolador260: Em suma. e as inviáveis devem ter sua quebra – com a conseqüente alienação de seus ativos – implementada. Direito empresarial e trabalhista. Se os ativos podem ser alocados a outros usos mais eficientes. podendo o juízo através do reconhecimento da função social da empresa evitar que uma empresa em condições de se recuperar acabe por não conseguir o benefício devido a ganância dos credores. a recuperação judicial sujeita todos os credores. Durante a vigência do Decreto – lei observou-se que a soma de esforços do devedor. Isto se dá porque o principal objetivo da lei a preservação da empresa.acesso o empresário cuja atividade econômica possa ser reorganizada.

devem se observar as reais condições da empresa em relação ao plano de recuperação apresentado. das pessoas sem nome e rosto que. ao invés de diminuir os custos sociais a recuperação trará prejuízos maiores ao envolvidos. pois há situações em que a soma de esforços devem ser poupadas. Nesse caso. As principais características introduzidas pela Lei 11. tendo estas em comum a satisfação de interesses sociais.101/2005 difere do Decreto – lei. assim. desta forma. por que aquela exalta os interesses sociais ao permitir que uma empresa que se encontra em crise econômica . ainda sim. a função social da empresa. as quais puderam ser visualizadas foram a flexibilização dos procedimentos 261 ESPOLADOR. não interessa apenas a relação devedor x credores. Considerando as teorias contratualista e institucionalista é possível identificar as duas na nova lei. pois se a recuperação for inviável. satisfazendo.financeira permaneça operando. A recuperação judicial da empresa deve ser usada de forma sensata. incentivando. hoje se busca o equilíbrio desta relação com o que a sociedade necessita e o quanto a extinção da empresa poderá prejudicá-la. os empreendedores a dar continuidade ao ciclo produtivo. É possível identificar que a Lei 11. são afetadas profundamente por suas decisões. pois agora é preciso respeitar alguns princípios como a preservação da empresa. Ainda se mantêm o interesse dos credores. O empregado demitido faz sua voz mais presente do que a do beneficiário do emprego que nem sequer foi criado. pois poderá trazer prejuízos maiores do que se decretada à falência da empresa. mas estes não são mais soberanos. o magistrado que adota a solução eficiente age como benfeitor do interesse difuso. ao arrepio de disposição expressa de lei? A resposta é óbvia: os prejudicados com a quebra estarão presentes no cotidiano do magistrado.É preciso lembrar que nem sempre é possível buscar a preservação da empresa. . enquanto os beneficiários da solução eficiente permanecerão invisíveis para os tribunais. A responsabilidade do magistrado é grande: incumbe-lhe tanto recuperar as empresas viáveis quanto resistir a tentação de manter artificialmente em funcionamento das empresas que há muito deveriam ter saído do mercado. Conforme Rita de Cássia Espolador261: Por que então será tão difícil resistir à tentação de manter empresas inviáveis indefinidamente em operação. seus interesses econômicos e mantendo o consumo da comunidade.101/2005. loc cit.

como foi visto na análise das manifestações do Judiciário. tendo seus objetivos levados a sério. maior amplitude nas possibilidades de acordo entre o devedor e os credores. ela busca.preventivos. as quais estão sendo dadas pelos juízes dos tribunais competentes. sua manutenção e preservação. sobretudo. diferente das mudanças ocorridas nas relações sociais e econômicas. e a simplificação dos procedimentos. O instituto da recuperação judicial já está tendo suas primeiras orientações práticas. demonstra que a recuperação judicial foi pensada para satisfazer a função social da empresa. Construindo através da aplicação da lei e a devida interpretação de seus preceitos seu enraizamento no direito empresarial. ampliação na participação dos credores no processo de recuperação. Desta forma cabe aos doutrinadores e Poder Judiciário fazer os ajustes necessários para que a Lei 11. adoção de novos mecanismos para a superação das crises empresariais.101/2005 seja aceita e respeitada. no direito falimentar brasileiro. e os acórdãos prolatados por juízes competentes. A adaptação da legislação já está ocorrendo. . acima de tudo. É corriqueiro que o processo de aperfeiçoamento da legislação seja lenta e gradual. a pesquisa entre autores eminentes. mitigação da função jurisdicional. de expressão nacional. Concluindo.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
ALTOÉ, Sônia. Sujeito do direito, sujeito do desejo: direito e psicanálise. 2ª edição. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Revinter LTDA, 2004. ALVES PESSOA, Mariana. A função social da empresa como Princípio do direito civil constitucional. Disponível em: <http://www.juspodivm.com.br/artigos/artigos_53.html>. Acesso em 24 de janeiro de 2010. ARNOLDI, Paulo R. Colombo/MICHELAN, Taís C. de Camargo. Novos enfoques da função social da empresa numa economia globalizada. Revista de Direito Mercantil, São Paulo, v.39, n. 117. p. 159, jan./mar.2000. ASQUINI, Alberto. Perfis da empresa. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, São Paulo, n. 104, p. 109-126, out.-dez. 1996. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”, publicado em 1943, na Rivista del Diritto Commerciale, v. 41, I. AYOUB, Luís Roberto. Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais. Disponível em: <http://bdjur.stj.gov.br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empres as.pdf?sequence=1>. Acesso em 22 de fevereiro de 2010.

BEZERRA FILHO, Manoel Justino. Lei de Falências: comentada: método de estudo da lei de falências: doutrina: comentário artigo por artigo: jurisprudência recente (1.106 julgados)/ Prefácio Paulo Fernando Campos Salles de Toledo, 2º. Ed.rev., ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2003. ______________, Manoel Justino. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11.101 de 9 de fevereiro de 2005, comentário artigo por artigo. 3º Ed., 2 tir. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005. BORGES NETO, André. A supremacia hierárquica das normas constitucionais. Ciência e Direito: Revista Jurídica da FIC-UNAES, Campo Grande, v.1, n. 1. p. 27, maio/out. 1998. BRITO, Thomás Raimundo; SOARES, Gabriela; PINHEIRO, Grazieli e PEREIRA, Lívia Sampaio. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. Disponível em: <http://www.fesmip.org.br/arquivo/publicacao/dir_comercial.pdf>. Acesso em 05 de março de 2010. CAPEL FILHO, Hélio. A Função Social da Empresa: adequação às exigências do mercado ou filantropia? Disponibilizado em: <http://jusvi.com/artigos/15411>. Acesso em 17 de janeiro de 2010. CARVALHO DA SILVA, Ronny. Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7900>. Acesso em 24 de janeiro de 2010. CASTRO, Carlos Alberto Farracha de. Preservação da Empresa no Código Civil. Curitiba: Juruá, 2007. COMPARATO, Fábio Konder. A reforma da empresa. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, v. 50, p. 57-74, 1983. ___________, Fábio Konder. Estado, Empresa, Função Social. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 732, p. 38, out. 1996. ___________, Fábio Konder. Função Social da propriedade dos bens de produção. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, São Paulo, v. 25, n. 63, p. 71-79, jul.-set. 1986. ___________, Fábio Konder. Direito empresarial: estudos e pareceres. São Paulo: Saraiva, 1990. COSTA, Priscyla. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat. Disponível em :<http://www.conjur.com.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. Acesso em 20 de maio de 2010.

DALLARI, Adilson Abreu/ FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Temas de direito urbanístico. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais LTDA. 1987. ESPOLADOR, Rita de Cássia Resquetti Tarifa. Direito empresarial e trabalhista, São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas, 2. Ed. São Paulo: Atlas, 2005. FÉLIX, Luiz Fernando Fortes. O ciclo virtuoso do desenvolvimento responsável. São Paulo: Editora Peirópolis. 2003. KOENIG, Samuel. Elementos de Sociologia. 6º. Ed. Tradução Vera Borda. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982. MAGALHÃES, Rodrigo Almeida. Autonomia privada e a função social da empresa. Disponível em: <http://books.google.com.br/books? id=kyo8LQ9h444C&pg=PA339&lpg=PA339&dq=a+função+social+e+a+respons abilidade+social+da+empresa+de+rodrigo+almeida+magalhães&source=bl&ots =d-o93Ku3sT&sig=KxxrrhSQ8a2HyvmnT9sYa0IkwXY&hl=ptBR&ei=YoC8S7LGH4uluAfZkcnDCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum =6&ved=0CBQQ6AEwBQ#v=onepage&q=a%20fun%C3%A7%C3%A3o %20social%20e%20a%20responsabilidade%20social%20da%20empresa %20de%20rodrigo%20almeida%20magalh%C3%A3es&f=false>. Acesso em 27 de março de 2010. MELLO FRANCO, Vera Helena de e SZTAJN, Rachel. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. MUNHOZ, Eduardo Secchi. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais, São Paulo, v.10, n. 36. p. 184, abr./jun.2007. NONES, Nelson. Sobre o princípio da preservação da empresa. Revista Jurídica CCJ - FURB, v. 12, nº. 23, p. 114-129, jan.-jun., 2008. OLIVEIRA, Celso Marcelo de. Tratado de direito empresarial brasileiro. Campinas: LZN, 2004. PENALVA SANTOS, Paulo. O novo projeto de recuperação da empresa. Revista de Direito Mercantil, São Paulo, v.39, n. 117. p. 128, jan./mar.2000. RENQUIÃO, Rubens. Curso de direito falimentar. 4º ed. SP: Saraiva, 1995, vol.2. ________, Rubens. Concordata preventiva. Desistência; conversão em falência. Título protestado. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, n.1, p.99-110, ano X, 1971. ________, Rubens. Curso de Direito Falimentar. 2º Vol. 16º edição. São Paulo, 1995.

3. n. ULHOA COELHO. v. de Moraes Pitombo.101. 11.jus. 25 dez. e atual.asp? id=6632>. Luciano Felix do Amaral. 3. SP: Saraiva. . out. Revista de Direito Mercantil. 7º edição. Marta Santiago de Oliveira. Econômica e Financeira. José Eli. São Paulo: Malheiros. Uma análise do princípio da preservação da empresa viável no contexto da nova lei de recuperação de empresas. 141. __________. Econômico e Financeiro. 185-191. Caderno Direito e Justiça. n. 2008.uol. O contrato social e sua função. __________. 2º edição. rev. 11. 37. Fábio. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. Acesso em 17 de janeiro de 2010. 42. SCHELLES.-mar. 2ª edição. SALOMÃO FILHO. 2007. VIGIL NETO. et all. Disponível em: < http://jus2. n. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. 4º ed. _____________. VASCONCELOS FERREIRA. 2010. Revista de Direito Mercantil: Industrial. de 9-2-2005)./dez.com. São Paulo: Saraiva. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.tjrj. 2005. Função social do contrato: primeiras anotações. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. p.emerj. p. THEODORO JÚNIOR. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica. ZILBERBERG. São Paulo. Gecivaldo. 132. Disponível em: < http://www.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. São Paulo: Saraiva. 2006. Rio de Janeiro: Editora Forense. Revista de Direito Privado.101/2005. ed. revisada. SZTAJN. revisada. 2003.10.2009. São Paulo: Revista dos Tribunais. pdf>. 45. Calixto. Curso de direito comercial.101. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. Fábio. SILVA. Luiz Inácio. São Paulo.101/05.br/doutrina/texto. v./mar. Curitiba. A recuperação judicial de empresas e as dívidas fiscais. 130. São Paulo. Primeira e Segunda Partes. Comentários sistemáticos. jan. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. 7-24. Eduardo. de 9-2-2005). v. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. 2006.SALAMANCHA. Fábio. Industrial. O Estado do Paraná. 11. 2005. O Novo Direito Societário. p. v. 2004. 2003. Rachel. Humberto. jan. Calixto.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful