VALORIZAÇÃO DOCENTE E QUALIDADE DO ENSINO NO FUNDEF: TEXTO E CONTEXTO

Géssica P. Ramos (UFSCar) gessicaramos@yahoo.com.br Agência financiadora: CAPES

A presente pesquisa de doutorado foi iniciada no ano de 2004 e, portanto, encontra-se em processo. Ela tem como objeto de estudo o tema da valorização docente e da qualidade do ensino presente no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF). Segundo o documento “Balanço do primeiro ano do FUNDEF” (BRASIL. MEC, 1999), esse Fundo teria como um de seus principais objetivos melhorar a qualidade da educação pela valorização do magistério público. Por isso, os recursos recolhidos pelo FUNDEF seriam destinados prioritariamente à melhoria dos níveis de remuneração e de qualificação dos professores, com vistas à construção da escola pública de qualidade. Com isso, ficava oficialmente estabelecido no FUNDEF o pressuposto da existência de uma relação direta entre valorização docente e qualidade do ensino, pressuposto este que seria, posteriormente, reafirmado, inúmeras vezes, no discurso presidencial de Fernando Henrique Cardoso durante seu governo (BRASIL. PRESIDENTE, 2002). Mas que tipo de relação foi esta, posta oficialmente entre esses processos nas bases do FUNDEF, e quais suas implicações para a valorização docente? Fundada nessa questão, a referida pesquisa estabeleceu como seu objetivo central verificar qual a relação estabelecida entre valorização docente e qualidade do ensino na proposta federal do FUNDEF e em sua implementação estadual e municipal paulista, no contexto da década de 90, analisando como essa relação refletiu-se para o objetivo da valorização docente, inclusive em sua dimensão ideológica. Constam também como outros objetivos desse trabalho, a verificação: - das pesquisas sobre o tema; -dos fundamentos históricos, econômicos, políticos e educacionais da valorização proposta no FUNDEF, bem como de suas relações com a temática da qualidade do ensino;

periódicos etc sobre o tema e o período). está sendo concebida nesse trabalho como uma ação da “sociedade política” a ser incorporada pela “sociedade civil”. 1968). essa pesquisa optou pelo uso da perspectiva gramsciana para a análise desses processos. b) a análise documental e de discurso (no plano federal -especialmente da EC nº 14/96 e da lei 9. jurídicas e legais etc) e a sociedade civil. mas. dissertações. Metodologicamente. 1966). meios de comunicação etc). todavia. essa pesquisa vem contando com o uso dos seguintes recursos: a) a revisão bibliográfica (teses. livros. representando sua face de ação coercitiva (governo. com apoio contextual da revisão bibliográfica e de outros . A política de “valorização docente” presente no FUNDEF. p. livros e artigos de caráter científico-.50). que tanto a “sociedade política” quanto a “sociedade civil” nada mais seriam do que o próprio Estado -a “sociedade política”. representando sua face de ação consensual (igrejas. por sua vez. de modo que a qualidade não possa ser abordada distanciada da questão da quantidade e viceversa (GRAMSCI.)”. ele está sendo considerado a partir de sua relação dialética com a questão da “quantidade”. dissertações. Como não há um consenso sobre o que seja efetivamente “valorização docente” e “qualidade do ensino” na literatura educacional -apesar dos seus correntes usos em teses. o que não implicaria em esquecer sua qualidade.. escolas. forças militares. -da apropriação (material e simbólica) da relação valorização e qualidade ensino do FUNDEF feita pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (do período estudado) e da apropriação feita pela esfera local (Município de Américo Brasiliense/SP). para que não se mantivessem “intactas determinadas condições da vida social” que atuam na qualidade (GRAMSCI. 1966. colocar o “problema qualitativo da maneira mais concreta e realista (.. Entende-se nessa pesquisa que toda política educacional (cujo compromisso central declarado quase sempre é o da melhoria da qualidade do ensino) necessitaria desenvolver o aspecto quantitativo ou “ ‘corpóreo’ do real”.424/96. Assim.2 -da concepção de valorização do magistério e de qualidade do ensino implícita no FUNDEF e suas relações.e estariam continuamente sendo utilizadas pelo grupo dominante para exercer seu controle e ou influência sobre o grupo dominado (GRAMSCI. Cabe destacar. no que se refere ao conceito de “qualidade”.

Distrito Federal ou município. Conforme estabelecido no artigo 60. Sua implementação deu-se automaticamente a partir de 1º de janeiro de 1998.60 da EC 14.e no âmbito municipal -do Plano de Carreira do Magistério Municipal e dos outros documentos locais pertinentes ao assunto). desde que. O seu funcionamento ocorreria pela redistribuição das referidas verbas .3 documentos oficiais do governo Fernando Henrique-.889/96. proporcional às exportações (IPI-Exp). Pela emenda. tivesse sido editado um projeto de lei para abertura de Crédito Adicional Especial. no plano estadual paulista principalmente do Decreto nº 40.424. objetivando a coleta de informações completares aos dados legais sobre a implementação municipal do FUNDEF). da EC 14/96. Imposto sobre Produtos Industrializados.º 87/96 (Lei Kandir). O FUNDEF O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF) foi criado em 1996 pelo art.e contariam com a complementação da União nas localidades que não atingissem o valor aluno/ano mínimo fixado. no âmbito de cada Estado. Fundo de Participação dos Estados e Municípios (FPE/FPM). mas podia ter sido antecipada para 1997. Até o presente momento a referida pesquisa tem procurado analisar os documentos e discursos relativos ao período estudado (meados e fim da década de 90) e ao Governo Fernando Henrique Cardoso –berço de criação do FUNDEF. de que trata a Lei Complementar n. consignando dotação específica para a realização das despesas. Ele foi regulamentado em 24 de dezembro de 1996 pela lei n° 9. c) a entrevista semi-estruturada (com representantes da coordenação e direção da política educacional do Município de Américo Brasiliense/SP. a ser realizada posteriormente à montagem e ao teste do instrumento. 60. § 7º. Ressarcimento pela desoneração das exportações. do Plano de Carreira e Remuneração do Magistério Estadual e dos demais documentos relevantes para o tema. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. ficava estipulado que esse Fundo teria natureza contábil e seria instalado no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal do país. na forma prevista no art. as receitas desse Fundo seriam compostas por 15% de impostos e transferências de Estados e municípios Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A implantação do FUNDEF pelos Estados e municípios implicaria para essas instâncias na criação de um conselho (Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF) responsável pelo acompanhamento e controle social da repartição.04). . o foco seria os 32.424/96.Promoveria uma política nacional de eqüidade. em efetivo exercício no ensino fundamental público. Os 40% restantes de suas verbas seriam voltados para o investimento em desenvolvimento e manutenção do ensino fundamental. Conforme o documento “Balanço do primeiro ano do FUNDEF” (BRASIL. “aluno de estabelecimento de ensino especial” e “aluno de escola rural”. Os recursos vinculados ao ensino obrigatório seriam redistribuídos entre cada Estado e seus municípios de acordo . Nesse caso. 2. 1999. MEC. com a correspondente transferência de verbas segundo o número de alunos matriculados assumido pelo Estado e pelo município.Promoveria a justiça social na distribuição das verbas. LEI 9. sendo os Estados e os municípios das regiões mais pobres do país seus maiores beneficiados. § 2). materiais e encargos financeiros. “aluno de 5-8 série”. pois articularia os três níveis de governo e incentivaria a participação da sociedade para que fossem atingidos objetivos definidos como estratégicos pelo governo nesse setor: . da transferência e da aplicação dos recursos do Fundo e na apresentação de um Plano de Carreira e Remuneração do Magistério. 60% deveriam ser destinados para a remuneração dos profissionais do magistério. recursos humanos. conforme os critérios “aluno de 1-4 série”. art. 6.4 alocadas no Fundo entre os Estados e seus municípios. A relação entre os Estados e seus municípios poderia dar-se por meio de Convênios (BRASIL. p. LEI 9. art. art. segundo as Diretrizes do Conselho Nacional de Educação.424/96. Esse valor (e suas variações) seria fixado pelo Presidente da República e nunca poderia ser inferior a “razão entre a previsão da receita total para o Fundo e a matrícula total do ensino fundamental no ano anterior.4 milhões de alunos das escolas públicas de ensino fundamental. LEI 9. acrescida do total estimado para novas matrículas” (BRASIL. 3. esse Fundo seria um exemplo inovador de política social. De tal modo. segundo o número de alunos das respectivas redes de ensino fundamental. § 9). A distribuição de verbas seria proporcional ao número de alunos do ensino fundamental das redes de ensino fundamental público e presencial de cada instância (BRASIL.424/96. Do valor total do Fundo. § 1). O valor aluno-ano sofreria variações. Estados e municípios celebrariam convênios para a transferência de alunos.

284). . melhorar a “condição de vida do professor” (BRASIL.5 com o número de alunos atendidos em suas redes e o governo federal complementaria o Fundo sempre que não fosse atingido o valor mínimo anual por aluno. p. 2002). garantir uma “base mínima de formação de professor. PRESIDENTE. 2002. . p. sendo por isso. 2002. chamado unicamente pelo presidente de “Fundo de Valorização do Professor” (BRASIL. v. Nesse caso. Nas palavras do presidente. v.699). pelo discurso oficial. valorizando o professor.683) etc. p. PRESIDENTE. 2002.437).Efetivaria a melhoria da qualidade da educação e a valorização do magistério público. 7. .2. v.2. na “descentralização” das políticas públicas e na retração do papel financiador da União nos problemas sociais). v. p.Realizaria a efetiva descentralização educacional do país. 2002. segundo o governo.437). A relação valorização docente e qualidade do ensino no FUNDEF Embora o FUNDEF tenha sido criado com o objetivo central da redistribuição orçamentária das verbas entre Estados e municípios. PRESIDENTE. incluindo a questão do salário” (BRASIL. de pagamento de professor” (BRASIL. v.2. esse Fundo contribuiria decisivamente para aumentar “o atendimento ao professor. As redes estaduais e municipais de ensino passariam a dispor de recursos proporcionais aos seus encargos. . “valorizar o professor naquilo de que ele precisa também para sua dignidade (BRASIL. com vistas à construção da escola pública de qualidade. o seu papel mais destacado foi o da valorização docente. Com isso ficava definitivamente relacionado valorização docente e qualidade do ensino nas bases oficiais de criação do FUNDEF. 2002. sendo o ponto central para a “revolução” na qualidade do ensino brasileiro. o que incentivaria o esforço de ampliação da oferta da matrícula e ofereceria condições para garantir a permanência das crianças nas escolas e estimular maior autonomia das unidades. PRESIDENTE. os recursos seriam destinados prioritariamente à melhoria dos níveis de remuneração e de qualificação dos professores.2. muitas vezes. coerentemente com a grande reforma do Estado brasileiro em processo durante o governo Fernando Henrique Cardoso (centrada na racionalização. PRESIDENTE. “melhorar o salário dos professores das áreas mais pobres” (BRASIL. PRESIDENTE.

o governo de Fernando Henrique estabeleceu o avesso das bandeiras do campo educacional. 1999) etc.) aberta. (. isto é..)” (BRASIL. PRESIDENTE.6 Todavia. a da apropriação da priorização do ensino fundamental defendida largamente nos anos de transição democrática pela maioria da sociedade. Seguindo o pensamento gramsciano. como a do uso dos discursos elaborados por técnicos de organismo multilaterais. ao que tudo indica. a do uso da própria mídia no sentido de difundir suas idéias e políticas e confundir o grande público quanto ao atendimento das metas históricas da organização escolar (NEVES. em que o FUNDEF era um dos seus mais representativos exemplos. Entretanto. democrática. com vistas à . distanciando-se das bandeiras de luta defendidas pelo setor educacional (como a do piso salarial nacional unificado. pode-se dizer que se tratava na verdade de um movimento de caráter “transformista”. Moraes e Evangelista (2000). às lideranças sindicais etc (NEVES. Para o presidente. não é possível afirmar que essa relação tenha se posto de maneira plenamente consensual em toda a sociedade. a da implementação de programas de capacitação docente e de requalificação de dirigentes e administradores estaduais e municipais (dentro. uma “revolução pelo convencimento (. 2002. o que estava ocorrendo era uma “revolução branca” na educação. essas demandas acabaram conferindo legitimidade inicial ao chamado “consenso”. que se valeu de muitas estratégias políticas para a sua aparente sustentação. à intelectualidade. empresários. já que simbolizava o consenso da área educacional sobre o caminho viável para se alcançar o objetivo da valorização docente. o uso de várias estratégias de consenso. por meio da apropriação mutiladora das demandas do projeto concebido pelo setor de educação fundamentalmente durante as décadas de 80 e 90.446). de uma tentativa governamental para provocar a encefalite dos grupos de oposição. ao Congresso Nacional. por exemplo) e de sua concepção de qualidade do ensino. p.. entretanto. EVANGELISTA.. MORAES. Tudo isso. v. também. como a da realização de parcerias com o empresariado. entretanto. a valorização do magistério foi abordada no FUNDEF em termos individuais e meritocráticos.. como dizem Shiroma.5. Isso porque. a da reafirmação da necessidade de melhorar a remuneração dos professores defendida pelo campo educacional. 1999). 2000) e a da prática constante e autoritária de editar decretos e usar mecanismos clientelistas e de captação junto ao governo dos Estados. intelectuais etc (SHIROMA. da ótica educacional defendida em seu governo). Coerentemente ao contexto ideológico do período. sem deixar de lado. pela sedução e agregação de seus intelectuais orgânicos (sua direção política e ideológica) ao grupo dominante.

1991). o instrumento da greve para a simples reivindicação salarial. 2002). preocupadas exclusivamente com seus salários (BRASIL. acabava por se ancorar e enfatizar em seus mandatos os resultados numéricos. Com isso. Ao tornar-se um aparente aliado docente e ilusório promotor da valorização ansiada por intermédio da criação do FUNDEF.a impressão de que. toda e qualquer mobilização. tal como já vinha ocorrendo no início desse período (MORTARI. sustentando ideologicamente para todos -coerentemente ao pensamento de Hayek (1977).7 qualidade do ensino. todo esse discurso certamente contribuiu muito para enfraquecer na década de 90 a importância do “grupo”. ele incentivava o grupo à desmobilização ou à participação em movimentos de organização oficialmente consentida. PRESIDENTE. numa ação de tecnificação dos interesses políticos. a despolitização dos setores sociais foi um dos traços marcantes do Governo Fernando Henrique que. tornando a sociedade menos tolerante às mobilizações e às persistentes reivindicações docentes. omitindo a natureza fundamentalmente política inerente à área das relações sociais. a organização docente acabou focada como sinônimo de corporativismo sindical intransigente da classe. tal como interpreta Silva Júnior (2002). Do que se pode concluir. paralisação. Em suas palavras. Sustentar essa realidade exigiu que o Estado brasileiro assumisse. vigiando e registrando demandas. em detrimento da qualidade do ensino e da própria sociedade. greve etc seria tão somente resultado do corporativismo e da resistência ainda presente nesse setor. uma versão “panóptica” (com a hipotrofia dos poderes legislativo e judiciário e a hipertrofia do executivo). as demandas da classe docente. que infelizmente comportaria em si várias pessoas sem vocação. a EC nº 14 (criadora do FUNDEF) havia sido feita com base em uma decisão coletiva e consensual (BRASIL. construía-se a impressão de que o grupo do magistério estaria contaminado pelos reais “inimigos” da educação. . as simulações. PRESIDENTE. de forma egoísta. pela instalação do mito da superioridade do enfoque técnico. do “coletivo” na conscientização e no desenvolvimento sócio-político dos professores. Nessa perspectiva. ele desacreditava as causas das mobilizações dos professores perante a sociedade. FASSONI. que utilizava. 2002). De forma ideológica. ao mesmo tempo em que o governo brasileiro assumia. Segundo explica Vianna (1999). nesse contexto. 1990. ao seu modo. bem como confundia os próprios membros do grupo. as variáveis organizacionais pela lógica do cálculo do custo-benefício.

o governo federal efetivava mais uma de suas ações de caráter seletivo das políticas sociais do país e descartava a possibilidade de implementação de um piso salarial único para o magistério (tal como combinado no Acordo Nacional de Educação para Todos. distanciando-se das bandeiras de luta defendidas pelo setor educacional na década de 80 (como a do piso salarial nacional unificado. Dentro dessa miscelânea de “autoritarismo” e “consenso”. o referido governo apresentou cortes nos seus gastos com educação (inclusive com a limitação da participação financeira da União no FUNDEF). .8 conflitos. estabelecendo com a sociedade uma relação mais pacífica e sem mediadores. em 2001. 1999.O professor foi apontado inúmeras vezes nesse governo como o agente central da “qualidade” do ensino.Durante o governo Fernando Henrique houve um estreitamento discursivo da relação estabelecida entre valorização docente e qualidade do ensino. Com isso.Coerentemente ao contexto ideológico do período. por exemplo) e de sua concepção de qualidade do ensino. agindo assim mais no plano das leis do que de um efetivo consenso. justificando oficialmente as medidas de capacitação. Algumas considerações Em linhas gerais é possível afirmar-se que: . refletindo-se inclusive no objetivo da valorização do magistério presente no FUNDEF. desde o segundo semestre de 1995. . . a valorização do magistério foi abordada no FUNDEF em termos individuais e meritocráticos. perdendo destaque somente com a entrada do programa Bolsa-Escola. comprometendo seu objetivo de valorização docente e de melhoria da qualidade do ensino.Apesar do discurso governamental de valorização docente e de melhoria da qualidade do ensino. em 1994). protestos etc e antecipando-se nos seus “atendimentos”. . de profissionalização (via Plano de Carreira) e de remuneração do magistério contidas no FUNDEF. a questão da “qualidade do ensino” e da “valorização docente” no FUNDEF tornou-se o carro chefe dos discursos presidenciais sobre educação.138). definindo tão somente para os professores “um per capita nacional único” (NEVES. p.

camuflando o fato de que a deterioração da categoria do magistério nada mais era (como é) do que parte do próprio processo de destruição que vinha sofrendo há décadas (bem como sofre) a escola pública brasileira. escolar e administrativa. Ao contrário.começaram a ser transpostos de uma discussão pública.9 Todos esses pontos destacados indicam que a relação entre valorização docente e qualidade do ensino presente no FUNDEF mantém coerência à conjuntura política brasileira de Reforma do Estado da época (MARE. política e estatal para uma discussão estritamente pedagógica. se por um lado. que supostamente gastaria bastante com educação. conforme Ramos (2003). relacionando de forma a-histórica educação escolar e produtividade. 2002)-. por reforçar uma concepção de professor como vilão do sistema de ensino e de problemas educacionais como resultado da incompetência profissional docente. bem como ao contexto ideológico do período -em que idéias economicistas. até agora. técnica. a educação escolar e o professor tiveram cada vez mais o seu papel destacado no meio governamental. 1995) -especialmente no tocante à diminuição do papel financeiro da União e do aumento da importância da boa atuação do funcionário público para o funcionamento das reformas (SILVA JÚNIOR. estrutural. os problemas da qualidade do ensino -vistos como problemas de eficiência do ensino. apesar do FUNDEF poder ser interpretado como um avanço no tema da valorização docente durante a década de 90 (pelo destaque legal que deu à docência e ao magistério para a qualidade do ensino). invadiam os meios político e educacional do país. como as presentes nos pensamentos de Hayek (1990) e de Friedman (1988) e na Teoria de Gerenciamento da Qualidade Total. no contexto das políticas públicas nacionais. Referências bibliográficas . tratados como provenientes da má formação docente e da ineficiente gestão e financiamento da escola pela União. mas de forma não focalizada e não eficiente. Dessa forma. cada vez menos a resolução dos problemas educacionais foram abordados em termos de atuação do aparelho Estado. Assim.acabaram interferindo negativamente no plano ideológico dentro do objetivo da valorização. por outro lado. o que pode ser concluído é que seus argumentos oficiais para a valorização do professor -feitos inclusive pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

de. Lurita Fernandes. NEVES. Angélica M. In. João dos R. 1968. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. a política e o estado moderno.96. São Paulo. FASSONI. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Eneida O. (tradução de Carlos Nelson Coutinho).01-16. [Modifica os art. FRIEDMAN.133. 208. Capitalismo e liberdade.96. Palavra do presidente . . Olinda. O financiamento da educação brasileira no contexto das mudanças político-econômicas pós 90. Rio de Janeiro: DP&A.oponente ou proponente?: um estudo sobre contribuição do sindicato dos professores na construção de uma escola de qualidade para a classe trabalhadora. São Paulo: Nova Cultural. BRASIL. PRESIDENTE. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. (tradução de Luiz Mário Gazzaneo). BRASIL. Brasília. M. Balanço do primeiro ano do FUNDEF. RAMOS.152. GRAMSCI. São Paulo: Instituto Liberal. p. O professor – um trabalhoe a questão da quantidade/qualidade do produto de seu trabalho. 2002. 1995. 2003. 1990. Política educacional. 1966. Maquiavel. 1988. MARE. MORTARI. EVANGELISTA.Fernando Henrique Cardoso. Maria C.09. O caminho da servidão. HAYEK. SHIROMA. 34. 211 e 212 da Constituição Federal e dá nova redação ao art. v. Publicada no DOU de 26. Lúcia. Brasília: Presidência da República. Plano diretor da reforma do aparelho do Estado. (Dissertação de Mestrado). Educação: um caminhar para o mesmo lugar. Brasília. A APEOESP. SILVA JÚNIOR.. Petrópolis. BRASIL. Antonio. 1999. 2000. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. LESBAUPIN. Antonio. Milton. GRAMSCI. BRASIL. [Dispõe sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério]. EMENDA CONSTITUCIONAL nº 14 de 12 de setembro de 1996. O desmonte social da nação: balanço do governo FHC. MORAES. São Paulo. ( Dissertação de Mestrado). Vera L. Friedrich von. LEI nº 9.10 BRASIL. Publicada no DOU de 13. 1991. Brasília: MEC. São Paulo: Xamã. MEC.12. Reforma do Estado e da educação no Brasil de FHC. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias]. Ivo. 1999.424 de 24 de dezembro de 1996. RJ: Vozes. DF: Editora Plano. Concepção dialética da história. 2002. 1990. P.

Petrópolis. In. p. RJ: Vozes. Maria Lúcia W. 1999. As armas secretas que abateram a seguridade social.11 VIANNA. Ivo. . LESBAUPIN. O desmonte social da nação: balanço do governo FHC.91-114.

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