Religião e memória na obra de Allan Kardec.

Augusto César Dias de Araujo 1

Resumo: A análise crítica dos escritos de Kardec tem-nos mostrado que, com certeza, este autor desejava que a doutrina e o movimento por ele iniciados tivessem um alcance universal. No entanto, ao contrário desta aspiração, não se pode deixar de notar que não só Kardec funda uma nova religião, como a vincula de maneira irrevogável à tradição e à memória cristãs. Isso fica claro não apenas com a publicação, em 1864, de L’Évangile selon le Spiritisme. Mas, desde a Conclusion de Le Livre des Esprits (1860), quando vincula a nova doutrina ao conjunto dos dogmas católico-romanos, e lhe atribui o caráter de uma chave hermenêutica para a recondução destes dogmas a seu verdadeiro significado. O objetivo deste trabalho é analisar os elementos desta vinculação, discutindo como aquilo que se constitui como o projeto pessoal de Allan Kardec para o espiritismo se converte, ainda durante em sua vida, num movimento de recuperação da memória da religião cristã, principalmente católicoromana, dos “desvios doutrinários” a que teria sido submetida. Um processo que, a meu ver, culminará na cristalização de uma nova identidade para a doutrina dos espíritos, a de “cristianismo redivivo”. Palavras-chave: Espiritismo, Allan Kardec, Religião, Memória. Résumé: L‟analyse critique des écrits de Allan Kardec (1804-1869) nous a montré en effet que cet auteur a voulu la doctrine et le mouvement qu'il a fondé a une portée universelle. Toutefois, il convient de noter que contrairement à ses aspirations, non seulement Kardec fonda une nouvelle religion, mais une religion liée irrévocablement à la tradition et mémoire chrétienne. C'est clair, non seulement par la publication de L'Evangile selon le Spiritisme en 1864, mais aussi dans la Conclusion de Le Livre des Esprits (1860), où relie la nouvelle doctrine à l‟ensemble du dogmes catholique romaines, et lui attribue le caractère d‟une clé herméneutique pour le renouvellement de ces principes à leur véritable signification. L'objectif de cette étude est d'analyser les éléments de ce lien, d'examiner comment ce qui est considéré comme le projet personnel d'Allan Kardec pour le Spiritisme devient, même pendant sa vie, un mouvement pour récupérer la mémoire de la religion chrétienne, en particulier Catholique Romaine, des «déviations doctrinales» qui ont été soumis. Un processus qui aboutira, à mon avis, dans la cristallisation d'une nouvelle identité pour la doctrine des esprits: «le christianisme ressuscité ». Mots-clés: Spiritisme, Allan Kardec, Religion, Mémoire.

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Doutorando em Ciência da Religião pelo Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPCIR / UFJF). Pesquisa realizada com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). E-mail: acadraujo@gmail.com

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Introdução:

A análise crítica dos escritos de Allan Kardec (1804-1869) tem mostrado que, embora este autor desejasse que a doutrina e o movimento por ele iniciados tivessem um caráter laico e um alcance universal, não se pode deixar de perceber que, com sua obra, não apenas é fundada uma nova religião, mas uma religião que se vincula de maneira irrevogável à tradição e à memória cristãs. Quando, na Conclusion de Le Livre des Esprits (1860), Kardec vincula a nova doutrina ao conjunto dos dogmas católico-romanos e nela encontra uma chave hermenêutica para a recondução destes dogmas a seu verdadeiro significado; ou quando, em 1864, com a publicação de L’Évangile selon le Spiritisme, apresenta o Espiritismo como a terceira revelação da lei de Deus, em continuidade com as revelações mosaica e cristã; encontra-se implícita a ideia de que “o Espiritismo [...] é o Cristianismo apropriado ao desenvolvimento da inteligência e isento dos abusos [...]” 2. Em outras palavras, para Kardec é como se o Espiritismo fosse um médium para a tradição cristã, atualizando-a para a mentalidade racional e científica do século XIX. O objetivo deste trabalho é analisar alguns elementos desta mediação e discutir de que maneira aquilo que se constitui como o projeto pessoal de Allan Kardec para o Espiritismo se converte, ainda durante em sua vida, num movimento de recuperação da memória da religião cristã. Antes, porém, será necessário retomar a problemática da formação identitária do Espiritismo, na obra de seu fundador, a fim de compreendermos porque Kardec rejeita identificá-lo como uma religião. Em seguida, analisaremos como, em suas obras, este autor cria vínculos suficientes com o cristianismo para caracterizar o Espiritismo como uma atualização do cristianismo para o século XIX. Por fim, verificaremos que, nesta dinâmica de reinterpretação da tradição cristã, encontra-se em jogo a ressemantização da memória coletiva de toda a tradição à qual o Espiritismo se vincula 3.

O Espiritismo não é uma religião:

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KARDEC, Allan. Nova tática dos adversários do Espiritismo. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano Oitavo – 1865. Junho de 1865, n. 6. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 255. 3 Este trabalho é o desenvolvimento de ideias apresentadas no artigo ARAUJO, Augusto. Identidade e Fronteiras do Espiritismo na obra de Allan Kardec. Horizonte, v. 8 n. 16, jan./mar. 2010. (Em Edição); e da comunicação por mim apresentada no 23º Congresso Internacional da SOTER, de 12 a 15 de Julho de 2010, O Espiritismo segundo Allan Kardec: um médium para a tradição cristã, a ser publicada em breve nos anais do referido Congresso.

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Em Identidade e Fronteiras do Espiritismo na obra de Allan Kardec 4, artigo no qual proponho uma reflexão sobre o processo de formação identitária do Espiritismo – doutrina e movimento – a partir de seu discurso fundador presente na obra de Allan Kardec, trabalho com a relação entre “Espiritismo” e as três instâncias a que Kardec recorre a fim de legitimar seu discurso: ciência, filosofia e religião. O objetivo ali era demonstrar como, nesta interação, a identidade do Espiritismo se consolida ao estabelecer fronteiras, numa relação de relativa superioridade e de superação, frente a essas três instâncias, sem, no entanto, abrir mão do uso de sua linguagem e de suas fontes. Neste contexto, o conceito de Espiritismo se apresentaria como um conceito híbrido, o qual indicaria o caráter mediador da nova doutrina e do movimento articulado em seu entorno. Já neste artigo ficava claro que embora o Espiritismo tangencie aquilo que Allan Kardec considera os elementos essenciais de toda religião – a existência de deus, a imortalidade da alma e as penas e recompensas da vida futura –, para ele de forma alguma este deve ser confundido com uma nova religião 5. De fato, para o autor, considerar o Espiritismo como uma religião é “[...] um erro grave e pode dar uma ideia muito falsa, quer do Espiritismo em geral, quer do caráter e do objetivo dos trabalhos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas” 6. Kardec chega mesmo a dizer que é “fácil demonstrar” que o espiritismo não é uma religião posto que “se o fosse teria seu culto, seus templos, seus ministros. [...]” 7. Ao contrário, afirma Kardec:

[...] o Espiritismo se ocupa de fatos e não das particularidades de tal ou qual crença, da pesquisa das causas, da explicação que esses fatos podem dar de fenômenos conhecidos, assim na ordem moral como na ordem física¸ e não impõe nenhum culto aos seus partidários, como a astronomia não impõe o culto dos astros, nem a pirotecnia o culto do fogo 8.

De fato, sua compreensão ao longo de todo o período em que se dedicou ao estudo, sistematização, divulgação e apologia da doutrina espírita era que o espiritismo fosse uma

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Cf.: ARAUJO, Augusto. Identidade e Fronteiras do Espiritismo... op. cit. Em abril de 1859 Kardec se envolve numa discussão com o Abade Chesnel. Em artigo publicado no Jornal L’Univers, e reproduzido por Kardec na Revue, o Abade denomina o espiritismo de nova religião e é refutado pelo codificador que ressalta o que compreende como caráter científico do espiritismo, e nega, peremptoriamente que o mesmo seja uma nova religião. 6 KARDEC, Allan. Refutação de um Artigo do “Univers”. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano Segundo. Maio de 1859. n. 5. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 196. 7 Idem, ibidem. p. 206. 8 Idem, ibidem.

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filosofia de bases científicas, ou uma ciência filosófica. Como se pode verificar em O que é o Espiritismo (1860):

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem de tais relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma Ciência que trata da origem e do destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corpóreo.9

Contudo, a veemente negação da natureza religiosa do Espiritismo¸ sua insistência em afirmar que este não é um culto novo, não significa, em definitivo, que Kardec aceite a acusação de que o Espiritismo seja antirreligioso. Ao contrário, ele seria mesmo “[...] o mais potente auxiliar da religião” 10, uma vez que lhe oferece a prova empírica de seus postulados básicos: a existência de deus, a imortalidade da alma e as penas e recompensas da vida futura. Na ambiguidade deste posicionamento se, por um lado, Kardec propõe uma cisão frente ao pensamento e às práticas religiosas, por outro, diante do crescente descrédito enfrentado pelas doutrinas e instituições religiosas ao longo do século XIX, o Espiritismo se apresenta como a chave que pode salvá-las do naufrágio absoluto. E, em O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), chega a afirmar que o espiritismo é o traço de união que promove, enfim, a aliança entre ciência e religião. Conferindo a esta última seu caráter racional.
A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem os movimentos dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo 11.

No entanto, ainda que pese sua opinião e seu desejo de que a nova doutrina e o movimento articulado a partir dela seja a expressão laica e universal (científica e filosófica) de verdades fundamentais comuns a todo culto ou confissão religiosa 12, será frente à tradição cristã – suas fontes, seus dogmas, suas práticas, que Kardec e o Espiritismo nascente terão de se
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KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2009. p.10-11. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 132. 11 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2008. p. 61. 12 Cf.: KARDEC, Refutação de um artigo do “Univers”, op.cit., p. 205-206.
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posicionar. E será a esta mesma tradição que a nova doutrina recorrerá em busca de legitimação para sua pretensão de se configurar como “traço de união” entre ciência e religião13. Isso fica claro desde 1860 quando, na Conclusão de O Livro dos Espíritos, Kardec afirma:
O Espiritismo não é obra de um homem. Ninguém pode dizer que é seu criador, pois ele é tão antigo quanto a Criação. Encontra-se por toda a parte, em todas as religiões, principalmente na religião católica e aí com mais autoridade do que em todas as outras, pois no catolicismo se acha o princípio de tudo quanto existe no Espiritismo: os Espíritos em todos os graus de elevação, suas relações ocultas e ostensivas com os homens, os anjos da guarda, a reencarnação, a emancipação da alma durante a vida, a dupla vista, as visões, todos os gêneros de manifestações e mesmo as aparições tangíveis. Quanto aos demônios, não passam de Espíritos maus e, salvo a crença de que os primeiros foram destinados a permanecer perpetuamente no mal, ao passo que a via do progresso não está proibida aos outros, não há entre eles mais do que simples diferença de nomenclatura. 14

E para explicar qual é papel da “moderna ciência espírita” frente a tais diferenças de nomenclatura, afirma logo em seguida que esta: “Reúne em corpo de doutrina o que estava esparso explica, em termos apropriados, o que só era dito em linguagem alegórica; suprime o que a superstição e a ignorância haviam criado, para só deixar o que é real e positivo: eis o seu papel” 15. Esta dupla citação demonstra, portanto, que a doutrina espírita se constitui como o espaço da correta interpretação dos dados da tradição cristã. Para Kardec, não é que a tradição seja de todo inválida, ela revela a verdade a seu modo, através da linguagem alegórica, que os modernos erram ao assumir como a descrição objetiva da verdade. Em outras palavras, o codificador identifica que falta à tradição uma chave hermenêutica que atualize seu verdadeiro sentido. E, para ele, esta chave é o Espiritismo.

O Espiritismo é a terceira revelação da lei de deus:

Contudo, para Kardec, a tarefa do Espiritismo não se encerra com a correta interpretação das fontes do Cristianismo, engloba ainda a percepção de que o primeiro é o sucessor deste. A partir de 1861 o autor principia a elaboração do que tenho chamado “a teoria das três revelações”, e que nada mais é que a perspectiva kardeciana de que o Espiritismo seria a

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Cf.: KARDEC, O Evangelho segundo o Espiritismo. op. cit. p. 60-61. KARDEC, O Livro dos Espíritos. op. cit. 632-633. 15 Idem, ibidem.

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“terceira revelação da lei de Deus” em linha de sucessão contínua e de complementaridade com as revelações mosaica e cristã.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários 16.

A origem desta “teoria” remonta a uma série de comunicações, obtidas por um médium de Mulhouse e publicadas por Kardec nas edições de Março e Setembro de 1861 da Revista Espírita
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. Em uma dessas comunicações, o Espírito identificado como Mardoché R...,

explica que, a moral evangélica é a moral mais pura, mais elevada e está destinada a aproximar todos os homens, tornando-os irmãos. Além disso, pela prática generalizada de tal moral, a Terra se tornaria morada para Espíritos superiores aos que atualmente a habitam. Explica ainda que Moisés foi enviado por Deus para torná-lo conhecido de todos os povos, e não apenas dos hebreus. Mas, a moral ensinada por Moisés estava circunscrita e era apropriada ao grau de adiantamento da humanidade de seu tempo e que ele se propunha regenerar. Mas, “os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, contêm os germes da mais ampla moral cristã” 18. E, conclui: “Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá”. 19 Na edição de Setembro do mesmo ano, sob o título Um Espírito Israelita a seus Correligionários, Kardec publica na Revista três novas comunicações produzidas pelo mesmo médium, e assinadas pelo Espírito Edouard Pereyre. O teor das duas primeiras é bem semelhante ao da comunicação assinada por Mardoché R..., possuindo, no entanto, o formato de cartas dirigidas a outros judeus pedindo-lhes que abracem o Espiritismo. O argumento central desta solicitação é baseado na seguinte assertiva: “Hoje, pois, é preciso alargar as bases do ensino; o que a lei de Moisés vos ensinou já não basta para fazer avançar a

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Idem, ibidem. p. 64-65. Para a discussão específica das comunicações que deram origem à “teoria das três revelações” remeto o leitor a meu texto O Espiritismo segundo Allan Kardec: um médium para a tradição cristã, a ser publicado brevemente nos anais do 23º Congresso Internacional de Teologia e Ciências da Religião da SOTER. 18 KARDEC, Allan. A lei de Moisés e a lei do Cristo. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV. Março 1861. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 144. 19 Idem, ibidem.

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Humanidade e Deus não quer que fiqueis sempre no mesmo ponto, porquanto, o que era bom há cinco mil anos já não o é hoje”. 20 E, continua:

Pois bem! São chegados os tempos, meus amigos, em que Deus quer ampliar o quadro dos vossos conhecimentos. O próprio Cristo, embora tenha feito a lei mosaica avançar um passo, não disse tudo, pois não teria sido compreendido, mas lançou sementes que deveriam ser recolhidas e aproveitadas pelas gerações futuras. Deus, em sua infinita bondade, vos envia hoje o Espiritismo, cujas bases estão, inteiras, na lei bíblica e na lei evangélica, para vos elevar e ensinar a vos amardes uns aos outros. 21

No entanto, a terceira e última comunicação desta série é a mais elaborada do ponto de vista que nos ocupa. Ela apresenta a teoria das três revelações de maneira explícita e com sua lógica plenamente articulada, tal como será assumida por Kardec posteriormente em O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) e no primeiro capítulo de A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo (1868). Em seu fundamento encontra-se a crença, tipicamente espírita, de que a história se desenvolve em sentido progressivo e com um fim ordenado por Deus, segundo sua previdência, para que se cumpra a perfeição intelecto-moral de todos os Espíritos. Ao longo dessa história, periodicamente, Deus envia personagens – Espíritos mais avançados – a fim de acelerar o progresso humano através de seu ensino e da revelação das leis divinas. Tudo isso é feito de modo também progressivo, de acordo com o grau de adiantamento da humanidade num certo período da história. Assim, segundo essa lógica, teria havido três revelações: a primeira delas veio a lume com Moisés; a segunda com o Cristo; e, a terceira, com os Espíritos que são, conforme o Prefácio de O Evangelho segundo o Espiritismo assinado pelo “Espírito de Verdade” 22, “[...] as virtudes dos céus [...]”
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, “[...] as grandes vozes do céu [...]”

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, responsáveis por

restabelecer todas as coisas no seu verdadeiro sentido, dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos 25. Se, na primeira revelação, Moisés revelara aos homens a existência de um Deus único; espiritual e não material como os deuses da antiguidade; se ele lançou os alicerces da
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KARDEC, Alan. Um Espírito Israelita a seus Correligionários. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV. Setembro 1861. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 408-409. 21 Idem, ibidem. p. 409. 22 Em toda a sua obra Kardec nunca identificou positivamente quem teria sido esse “Espírito de Verdade” o qual, desde 1856, se apresentara como seu “guia espiritual”. No entanto, existem diversos indícios de que, sob tal pseudônimo, Kardec compreendia que este fosse ninguém menos que o próprio Jesus de Nazaré. 23 Cf.: KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. op. cit. p.19-20. 24 Idem, ibidem. 25 Idem, ibidem.

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verdadeira fé e estabeleceu os pilares da moralidade na lei do Sinai; o Cristo trouxe a revelação da vida futura e das penas e recompensas que o homem receberá após sua morte, e assim, ampliou e completou o sentido da revelação mosaica. Contudo, a principal diferença do ensino do Cristo daquele dado por Moisés, “a parte mais importante [...]” de sua revelação, “[...] no sentido de fonte primeira, de pedra angular de toda a sua doutrina é o ponto de vista inteiramente novo sob o qual Ele considera a Divindade”.
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Em Jesus, já não se trata do “[...]

Deus de um único povo privilegiado, o Deus dos exércitos, presidindo aos combates para sustentar a sua própria causa contra o Deus de outros povos, mas pai comum do gênero humano, que estende sua proteção sobre todos os seus filhos e os chama todos a si [...]”
27

.

Não se trata mais de um Deus que deseje ser temido, mas de um Deus que, sobretudo, quer ser amado. Por sua vez, a terceira revelação, o Espiritismo, que, “assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também diz: „Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução‟.”
28

Em outras palavras: “O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo,

como este partiu das de Moisés, é consequência direta da sua doutrina”. 29 Ou, como diria José Herculano Pires (1914-1979), tido como o maior intérprete do pensamento kardeciano no Brasil:

O Espiritismo é o desenvolvimento histórico e profético do Cristianismo. Histórico na sucessão dos tempos, no lento e penoso desenvolvimento da Civilização Cristã, que ainda não superou a condição de esboço, mas já estendeu sua influência a todo o mundo. Profético no sentido real, objetivo, sem a mística deformadora das igrejas, de cumprimento da Promessa do Consolador, do Paráclito, do Espírito da Verdade que viria restaurar o ensino legítimo de Cristo 30.

Em outras palavras, o Espiritismo é o mais autêntico sucessor do Cristianismo posto que “[...] desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica”
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na mensagem evangélica, assim como o Cristo, a seu tempo, o fez com a

revelação de Moisés.

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KARDEC, Allan. A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB: 2009. p. 35. 27 Idem, ibidem. p. 36-37. 28 KARDEC, O Evangelho segundo o Espiritismo. op. cit. p. 59-60. 29 KARDEC, A Gênese..., op.cit. p. 39. 30 PIRES, J. H. Mediunidade. Conceituação da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais. São Paulo: Paideia, 2002. p. 127-128. 31 KARDEC, O Evangelho segundo o Espiritismo. op.cit. p. 59-60.

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O Espiritismo como “chave hermenêutica”:

Ao apresentar o Espiritismo como o legítimo sucessor do Cristianismo, Kardec assume como parte fundamental de sua missão uma releitura das fontes cristãs. Pois, como afirma em O Evangelho segundo o Espiritismo:

Muitos pontos do Evangelho, da Bíblia e dos autores sacros em geral só são ininteligíveis, parecendo alguns até irracionais, por falta da chave que nos faculte compreender o seu verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo, como já puderam convencer-se os que o estudaram seriamente, e como todos o reconhecerão, melhor ainda, mais tarde 32.

Esta ideia de que textos tradicionais, principalmente os de tradições religiosas, necessitem de uma chave de leitura e interpretação para serem adequadamente compreendidos não é uma ideia nova ou original. O pensamento ocidental conhece, pelo menos, desde Platão e Aristóteles, tentativas de interpretação racional dos mitos. Segundo Jean Grondin, a necessidade de uma “[...] interpretação só aparece quando um sentido estranho, ou percebido como estranho, deve ser tornado compreensível. Desta forma, o interpretar é um modo de tornar compreensível, ou um modo de traduzir um sentido estranho em algo compreensível [...]”.33 Dessa maneira, para este autor, a interpretação só aparece com destaque como problema quando acontecem experiências de quebra da tradição. Tais experiências são marcadas, sobretudo, pela exigência de racionalizar sentidos aparentemente chocantes ou irracionais nos mitos ou narrativas religiosas tradicionais a fim de atualizá-los para uma nova compreensão e sentido. Um exemplo disto pode ser encontrado na história do Cristianismo, quando o recurso à alegoria e à alegorese – ou seja, “[...] o processo explícito de interpretação, a recondução da letra à vontade de sentido que nela se comunica (a rigor: a conversão da alegoria)”
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– se fez

necessário para a releitura e interpretação dos escritos do Antigo Testamento. Um desafio ao qual a cristandade desde o início esteve exposta já que era necessária a relativização do Judaísmo frente ao anúncio de Jesus como o Messias esperado. Segundo Grondin, a partir da doutrina de Jesus:

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Idem, ibidem. p. 23. GRONDIN, Jean. Introdução à hermenêutica filosófica. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1999. p. 49. 34 Idem, ibidem. p. 59.

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[...] a lei mosaica e sobretudo sua profética esperança messiânica já não podiam ser entendidas literalmente. Mas, já que Jesus apelava explicitamente para a sua autoridade, a tradição judaica também não podia ser simplesmente posposta. Recomendava-se, pois, interpretá-la alegoricamente e reelacioná-la (sic) integralmente com a pessoa de Jesus. Jesus era o espírito, a partir do qual a letra do Antigo Testamento devia ser interpretada. [...] o messianismo judaico levava [...] a esperar por um poderoso soberano, que haveria de restaurar o reino dos judeus em sua antiga magnificência, e não um messias que se estabelecesse acima da lei e morresse crucificado como um blasfemo. Aqui não era possível sofismar sobre o sentido literal das Escrituras. Por isso, precisava ser proposta uma interpretação alegórica, com ajuda da chave hermenêutica, a qual era fornecida pela pessoa de Jesus. 35

Dessa forma, e de maneira similar ao que sucedeu com os fundadores do Cristianismo, Kardec encontra no Evangelho, e na Bíblia, lacunas de sentido que pretende preencher com a prática da alegorese à luz do Espiritismo. Assim, quando Jesus afirma: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena [...]” 36; o fundador do Espiritismo compreende que: “Se, portanto, o Espírito de Verdade devia vir mais tarde para ensinar todas as coisas, é que Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal-compreendido”.
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Para ele, Jesus “falou de tudo mas em termos mais ou menos

explícitos. Para apanhar o sentido de certas palavras suas, era necessário que novas ideias e novos conhecimentos lhes trouxessem a chave, e essas ideias não podiam surgir antes que o espírito humano houvesse alcançado um certo grau de maturidade” 38. Portanto:

O Espiritismo vem no tempo previsto cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que o Cristo só disse por parábolas. Disse o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque fala sem figuras e sem analogias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores. [...] O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. [...] Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba de onde vem, para onde vai e porque está na Terra; um chamamento aos verdadeiros princípios da lei de Deus e consolação pela fé e pela esperança. 39

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Idem, ibidem. p. 64-65. Jo 16, 12-13. (Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2000). 37 KARDEC, O Evangelho segundo o Espiritismo. op. cit. p. 150 38 Idem, ibidem, p. 58. 39 Idem, ibidem. p. 150.151.

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Assim configurado o Espiritismo se apresenta na obra kardeciana, e no processo de formação de sua identidade, como meio (médium) de interpretação/tradução da tradição cristã para o século XIX.

Conclusão: O Espiritismo como recuperação da memória cristã. Como afirma o sociólogo francês, Maurice Halbwachs (1877-1945), “[...] para melhor mostrar a originalidade da doutrina cristã, os fundadores do Cristianismo, em particular São Paulo, o opuseram ao Judaísmo tradicional: por meio de termos retirados do Antigo Testamento, e pela interpretação de profecias das quais os Judeus não entendiam senão o sentido literal [...]” 40, e, em seus textos fundacionais “[...] a oposição entre fariseus e cristãos, entre o Judaísmo ortodoxo e a religião do Filho do homem é evocada incessantemente [...]” 41 fazendo com que a história do Cristianismo nascente transforme-se na história de sua diferenciação do Judaísmo. Contudo, se esta oposição não contivesse em si os germes de uma aparente atualização – se as profecias e a lei mosaica não fossem interpretadas à luz da figura de Jesus – em outras palavras, se o Cristianismo nascente não se inserisse na linhagem judaica, “[...] se não tivesse se apresentado como a continuação, em certo sentido, da religião hebraica, pode-se questionar se teria podido se constituir como religião” 42. É que, para Halbwachs, como afirma Danièle Hervieu-Léger, ao interpretar sua obra, “[...] a dinâmica própria de uma tradição religiosa reside em sua capacidade de organizar sistematicamente, do ponto de vista dos jogos atuais da sociedade, ritos e crenças que vêm do passado [...]” 43, pois, “a dinâmica das relações sociais, a evolução dos saberes e das técnicas, as relações que a sociedade mantém com seu meio ambiente, os interesses das camadas dominantes em seu seio transformam as crenças antigas e fazem emergir ideias religiosas novas” 44. Assim aconteceu com as religiões antigas, cujo estudo revela “[...] a existência de diferentes estratos de crenças, que correspondem a cultos distantes no tempo e de orientações opostas” 45. Assim, com o Cristianismo Primitivo em sua relação com o Judaísmo. E, assim,
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HALBWACHS, Maurice. Les Cadres Sociaux de la Mémoire. Une édition électronique réalisée à partir du livre de Maurice Halbwachs (1925), Les cadres sociaux de la mémoire. Paris : Félix Alcan, 1925. Collection Les Travaux de l‟Année sociologique. p. 136. (Tradução minha). 41 Idem, ibidem. p. 136. (Tradução minha). 42 Idem, ibidem. p. 137. (Tradução minha). 43 HERVIEU-LÉGER, Danièle. Maurice Halbwachs (1877-1945). In: HERVIEU-LÉGER, Danièle; WILLAIME, Jean-Paul. Sociologia e Religião. Abordagens Clássicas. Aparecida : Ideias & Letras, 2009. p. 229. 44 Idem, ibidem. 45 Idem, ibidem.

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com o Espiritismo que, na obra kardeciana, reconstrói a tradição cristã transformando-a numa precursora necessária de si próprio, e a reinventa – através da releitura e reinterpretação de suas fontes e de alguns elementos de sua dogmática, para a mentalidade do século XIX. Tal prática, que deve ser contextualizada no âmbito dos jogos sociais de recuperação da memória coletiva religiosa, deu origem à compreensão dentro do movimento espírita – o qual toma a obra kardeciana como “[...] polo simbólico de identificação comum, a despeito das diversas formas de vivenciar o espiritismo [...]”
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– de que “[...] essa Doutrina é

simplesmente a volta do Cristianismo primitivo, sob mais precisas formas, com um imponente cortejo de provas experimentais, que tornará impossível todo monopólio, toda reincidência nas causas que desnaturaram o pensamento de Jesus” 47. De fato, desde sua inserção em terras brasileiras, ainda no século XIX, tornou-se comum no seio do movimento espírita a compreensão de que o Espiritismo seja “o cristianismo redivivo”. Neste período de implantação, como indica Emerson Giumbelli:

O discurso formulado e difundido pelos espíritas mais proeminentes do Rio de Janeiro [...] privilegiava duas categorias básicas, a de „religião‟ e a de „ciência‟, em torno das quais dispunham seus princípios, concepções, postulados e a partir de que interpretavam suas práticas. O mesmo par é recorrentemente utilizado pelos trabalhos sobre o Espiritismo no Brasil, especialmente naqueles voltados para a elucidação da dinâmica a que se prenderam seus grupos iniciais. O ponto comum entre todos esses trabalhos é uma avaliação mais ou menos elaborada, das obras de Allan Kardec, segundo a qual a doutrina nelas exposta constitui-se como produto de uma conciliação entre „ciência‟ e „religião‟. [...] No caso do Espiritismo brasileiro, é como se essa complementaridade tivesse se rompido, havendo, por um lado a formação de facções às quais corresponderiam apenas parte do legado de Kardec e, por outro, a predominância geral do aspecto „religioso‟ em detrimento do aspecto „científico‟. Assim, a especificidade do Espiritismo brasileiro é tratada por muitos autores basicamente a partir desse ponto, em uma explícita ou implícita contraposição a sua formulação inicial na França 48.

Essa longa citação, na verdade, ilustra parte do discurso dos próprios atores sociais que, no seio do movimento espírita brasileiro, fundamentam suas crenças e práticas a partir de um desses posicionamentos. Assim, por exemplo, enquanto os grupos e pensadores espíritas ligados pela Federação Espírita Brasileira (FEB) reforçam a ideia de um Espiritismo
46

LEWGOY, Bernardo. Incluídos e Letrados. Reflexões sobre a vitalidade do espiritismo kardecista no Brasil atual. In: TEIXEIRA, Faustino; MENEZES, Renata. As Religiões no Brasil. Continuidades e Rupturas. Petrópolis: Vozes, 2006. p. 173. 47 DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2008. p. 40 48 GIUMBELLI, Emerson. O cuidado dos mortos: Uma História da Condenação e Legitimação do Espiritismo. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1997. p. 65-66.

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genuinamente cristão, e não apenas, mas o Espiritismo como um retorno ao “Cristianismo primitivo”, um Cristianismo que não desnatura o genuíno pensamento de Jesus; outros grupos e pensadores, vinculados à Confederação Espírita Pan-americana (CEPA), não reconhecem como legítima – fundada na obra kardeciana – a adjetivação do Espiritismo como cristão 49. Como vimos, no entanto, ao longo deste trabalho: apesar da pretensão de universalidade da doutrina proposta por Kardec, pode-se, sim, encontrar em sua obra elementos suficientes para se afirmar a existência de uma identidade cristã da doutrina espírita. Em minha pesquisa tenho procurado trabalhar o problema da identidade do Espiritismo na obra de Kardec através do conceito de mediação. Um conceito caro ao próprio Kardec já que a doutrina é, segundo acredita, o resultado da mediação entre o mundo visível e o mundo invisível através dos médiuns (indivíduos que possuiriam a capacidade ostensiva de comunicação com os Espíritos); e, conforme defendo, pode igualmente ser aplicado para se compreender a doutrina espírita e o movimento que se articulou em seu entorno como médiuns para a tradição cristã, pois como afirma Kardec, “O Espiritismo [...] é o Cristianismo apropriado ao desenvolvimento da inteligência e isento dos abusos [...]”
50

. Em outras

palavras, o Espiritismo seria o Cristianismo, em sua forma mais pura, apresentado de maneira adequada à mentalidade moderna. Afirmação que encontrará eco nas palavras de Léon Denis, acima citadas e na prática da maioria dos adeptos da doutrina criada por Allan Kardec.

Bibliografia:

ARAUJO, Augusto. Identidade e Fronteiras do Espiritismo na obra de Allan Kardec. Horizonte, v. 8 n. 16, jan./mar. 2010. (Em Edição). BENCHAYA, Salomão J. Da Religião Espírita ao Laicismo. A trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Porto Alegre: Imprensa Livre, 2006. (Disponível em http://cepanet.org ). BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2000. DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2008. GIUMBELLI, Emerson. O cuidado dos mortos: Uma História da Condenação e Legitimação do Espiritismo. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1997.
49

Sobre os posicionamentos da CEPA e de seus afiliados, sugiro a leitura de: IMBASSAHY, Carlos de Brito; et al. Espiritismo: O Pensamento Atual da CEPA. Porto Alegre: Imprensa Livre, 2002. E BENCHAYA, Salomão J. Da Religião Espírita ao Laicismo. A trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre. Porto Alegre: Imprensa Livre, 2006. Ambos os volumes estão disponíveis no site da CEPA: http://cepanet.org . 50 KARDEC, Allan. Nova tática dos adversários do Espiritismo... op. cit. p. 255.

14

GRONDIN, Jean. Introdução à hermenêutica filosófica. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1999. HALBWACHS, Maurice. Les Cadres Sociaux de la Mémoire. Une édition électronique réalisée à partir du livre de Maurice Halbwachs (1925), Les cadres sociaux de la mémoire. Paris : Félix Alcan, 1925. Collection Les Travaux de l‟Année sociologique. (Disponível em : http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html). HERVIEU-LÉGER, Danièle. Maurice Halbwachs (1877-1945). In: HERVIEU-LÉGER, Danièle; WILLAIME, Jean-Paul. Sociologia e Religião. Abordagens Clássicas. Aparecida: Ideias & Letras, 2009. p. 215-254. IMBASSAHY, Carlos de Brito; et al. Espiritismo: O Pensamento Atual da CEPA. Porto Alegre: Imprensa Livre, 2002. (Disponível em http://cepanet.org ). KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2009. ______. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2007. ______. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2008. ______. A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB: 2009. ______. A lei de Moisés e a lei do Cristo. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV. Março 1861. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 142-145. ______. Um Espírito Israelita a seus Correligionários. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV. Setembro 1861. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 408-418. ______. Nova tática dos adversários do Espiritismo. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano Oitavo – 1865. Junho de 1865, n. 6. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 254-260. ______. Refutação de um Artigo do “Univers”. In: ______. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano Segundo. Maio de 1859. n. 5. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 196208. LEWGOY, Bernardo. Incluídos e Letrados. Reflexões sobre a vitalidade do espiritismo kardecista no Brasil atual. In: TEIXEIRA, Faustino; MENEZES, Renata. As Religiões no Brasil. Continuidades e Rupturas. Petrópolis: Vozes, 2006. p. 173-188. PIRES, J. H. Mediunidade. Conceituação da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais. São Paulo: Paideia, 2002.

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