A “vocação atual” da sociologia rural

Para uma abordagem das questões atuais que se colocam à sociologia rural - o verdadeiro objetivo deste texto1[1] -, é indispensável introduzir um quadro geral que esclareça a respeito da possibilidade de formulação dessas questões e mostre o sentido que é preciso trabalhar a fim de respondê-las. Este texto está organizado em torno de três eixos: um posicionamento da sociologia rural em relação à sociologia geral, que é o seu pressuposto absoluto; um posicionamento da sociologia rural diante das outras ciências sociais que estudam o mundo ou o espaço rural, o que se justifica pelas trocas importantes que ela tem com as mesmas - e, inversamente, as relações que as ciências sociais mantêm com a disciplina -; e uma reflexão sobre a curta história da sociologia rural, um preâmbulo indispensável para uma reflexão sobre sua presente situação e sobre o modo de perceber suas tarefas atuais e futuras. Três referências básicas A sociologia rural: aplicação da sociologia geral2[2] A sociologia rural - antes de tudo, trata-se aqui da sociologia rural francesa, podendo, contudo, o que será dito ser generalizável - jamais reivindicou o estatuto (absurdo) de disciplina única, à parte.3[3] Uma tal afirmação pareceria evidente. Em compensação, as conseqüências que necessariamente devem ser tiradas disto, são menos freqüentemente (para não dizer jamais) mencionadas e não são objeto da atenção que se impõe, se se pretende ver a sociologia rural como sociologia: se a sociologia rural, antes de tudo, é sociologia, ela pura e simplesmente se integra nas evoluções gerais - temáticas, metodológicas, teóricas - da sociologia. Isto, aliás, é patente, se se considera a sua própria história: é assim que ela, cada vez mais - ou simultaneamente - foi durkheimiana, funcionalista, culturalista, marxista, estruturalista, weberiana etc. Não existe, portanto, “escola” de sociologia rural, mas, através da sociologia rural, há análises de inspirações teóricas diversas que propõem diferentes maneiras de integrar as dimensões sociológicas da atividade agrícola e do mundo rural em uma análise de conjunto da sociedade francesa e, mais largamente, das “sociedades industriais”. (Henri Mendras propôs inclusive uma teoria geral válida para todas as sociedades). Desta proposição - que também é uma constatação - decorre toda uma série de indagações: como a sociologia rural seguiu estas evoluções? Ela simplesmente as seguiu ou, a seu modo, contribuiu para provocá-las? Uma resposta suporia uma análise mais detalhada, o que não será feita aqui, porque isto exigiria uma pesquisa específica.

1[1] O leitor já deve ter percebido a referência implícita ao título da obra de Georges Gurvitch (1950).
Contudo, devemos esclarecer aqui que ela não é propriamente uma obra de sociologia rural.

2[2] Precisemos bem: dizer que a sociologia rural é uma “aplicação” da sociologia geral não quer
dizer que a sociologia rural seja uma “ciência aplicada” (como foi algumas vezes afirmado). Quer-se dizer que a sociologia rural é um “ramo” da sociologia geral, tão fundamental quanto esta.

3[3] É interessante a este propósito consultar os primeiros escritos referentes à sociologia rural do
pós-guerra. Uma rápida pesquisa neste sentido conduz a resultados um pouco surpreendentes: o primeiro indício que encontrei de um curso de “sociologia rural” faz pensar que foi o Instituto de Estudos Políticos de Paris quem teve o papel pioneiro na matéria! Outras surpresas: este curso foi inicialmente confiado a dois geógrafos (em 1948-1949), em seguida a Jean Stoetzel (1951-1952), antes de ser atribuído a Henri Mendras. As apostilas dos cursos de Jean Stoetzel e Henri Mendras (cf. particularmente a apostila de 1963-1964), assim como a do curso dado por Henri Mendras no IHEDREA (s/d), começam sempre por uma precisão muito fundamentada referente à vinculação da sociologia rural à sociologia geral: Jean Stoetzel, Sociologie rurale, 1951-52 (curso ministrado no Instituto de Estudos Políticos de Paris, 304 p. datil.; Henri Mendras, Sociologie rurale, Paris. Os cursos de Direito, 1956-1957, 3 fascículos, 282 p. mimeo.; Henri Mendras, Sociologie rurale, Paris, Institut d’Études Politiques de Paris, Amicale des Éleves, 1963-1964, 216 p. mimeo.; Henri Mendras, Sociologie rurale, Paris, IEP de Paris, Amicale des Éleves, 1967-1968, 3 fascículos, 295 p. mimeo.; Henri Mendras, Sociologie de la campagne française, Que sais-je? n. 842, Paris, Presses universitaires de France, 1959 (reedição 1965), 128 p.; Henri Mendras, Sociologie rurale: notions générales et sociologie du changement, Institut des hautes études de droit rural et d’économie agricole (IHEDREA), s/d, 59p, mimeo.

Sociologia rural e ciências sociais da ruralidade: uma escola ruralista? Uma vez feitas as referências aos fundadores, pode-se continuar discutindo este tema que parece ser realmente central para a sociologia rural. Eis, por exemplo, o que escreveu Henri Mendras em 1958: “O ‘meio’ rural é um campo de investigação para todas as ciências sociais e seu estudo não poderia constituir uma disciplina autônoma. Os geógrafos que analisam as relações entre o homem e o meio natural e a distribuição espacial dos fenômenos humanos começaram naturalmente a se debruçar sobre o campo. A economia rural é um ramo (um dos mais antigos) da economia política. Ligando-se a um passado em que a agricultura era a atividade exercida pela maioria dos homens, a história social dá um grande destaque à descrição da vida camponesa. Os etnólogos estudam as estruturas ditas ‘arcaicas’ nas quais a busca ou a produção de alimentos ocupam todos os homens. Enfim, citadinos e rurais interessam igualmente ao psicólogo, ao demógrafo, etc. Enquanto homens iguais aos outros, os rurais também dizem respeito a cada ciência social. Entretanto, eles vivem em um meio particular que requer uma certa especialização do pesquisador e, às vezes, uma problemática diferente. Como o etnógrafo, o sociólogo rural deve, portanto, conhecer os métodos e as técnicas de todas as outras ciências sociais, a não ser que conte com a colaboração de uma equipe de diversos especialistas.” Encontra-se aqui uma profissão de fé que remete ao que se chama a interdisciplinaridade dos “ruralistas”.4[4] A démarche do “ruralista” ambiciona integrar todas as dimensões do social, o tempo, o espaço, o local e o global. Trata-se de uma démarche que se qualificaria hoje de holística (ou holista). Do ponto de vista sociológico stricto sensu, esta démarche se caracteriza também pela sua “transversalidade”. Isto aparece, por exemplo, particularmente nos planos das obras gerais de sociologia rural: por um desvio de alguma forma paradoxal, a sociologia rural, em princípio “especialidade” da sociologia, aparece de fato como uma sociologia “generalista” em si. O sociólogo rural se interessa por todo um conjunto de aspectos da vida social que é dividido, por sua vez, em várias “especialidades” da sociologia - sociologia política, sociologia da família, sociologia das religiões etc. Portanto, é pelo seu “objeto” - seria melhor falar de “campo de aplicação” - e não por uma “teoria” ou uma “escola de pensamento” particular, que a sociologia rural se define. Deste ponto de vista, podese bem seguir Michel Robert (1986: 5-6) quando ele escreve: “Com suas duas correntes bem nítidas, a sociologia rural se definirá, portanto, mais pelo seu campo de ação do que por uma coloração teórica original. Nisto, pode-se compará-la à sociologia urbana na qual se pensa imediatamente, embora a sociologia rural não seja sua antítese. Estas duas disciplinas não são construídas uma em relação à outra, nem a fortiori, uma contra a outra. Tendo dividido entre si o espaço e seus habitantes, elas seguem cada uma a sua rota teórica sem mesmo ter sempre relações elementares que seriam desejáveis”. É o que diz também Henri Mendras, escrevendo no Traité de Sociologie de Georges Gurvitch: “Se não se limita a uma sociologia agrícola especializada, a sociologia rural se define, portanto, pelo seu campo de estudo, as sociedades rurais” (Mendras, 1958: 316). É desta proposição que decorre uma interdisciplinaridade que “exige (pois) o concurso de todas as ciências sociais para chegar a uma integração dos diversos aspectos da vida rural. Nesta perspectiva, o sociólogo rural atribui a si mesmo uma dupla tarefa, por um lado, estudar os aspectos da sociedade que dizem respeito a sua ou a suas especialidades, e, por outro lado, reinterpretar e integrar, desde seu ponto de vista, os materiais que os pesquisadores de outras disciplinas lhe oferecem” (Mendras, 1958). Henri Mendras imediatamente acrescenta uma precisão que muda uma leitura à primeira vista estritamente “objetiva” da afirmação (no sentido de constitutiva de um “objeto” de uma certa forma “físico”): “Esta definição compreensiva parece-nos impor-se nos países de campesinato tradicional, notadamente na França. A sociedade rural conserva aí uma certa autonomia diante da sociedade global e é impossível reduzi-la a um grupo profissional, a um setor econômico ou a uma classe social, entre outros” (Mendras, 1958). Segundo ele, a justificativa da sociologia rural repousa, assim, no postulado - que poderia também ser tratado como uma hipótese - da existência, “nos países que têm um campesinato tradicional”, de uma “sociedade rural” (?) que “conserva uma certa autonomia face à sociedade global”. Assim definido esta é a definição de Henri Mendras, mas que pesou fortemente na sociologia rural durante pelo

4[4] Esta interdisciplinaridade está, por exemplo, na própria base da filosofia e da ação da Associação
dos Ruralistas Franceses.

menos 20 anos - o objetivo da sociologia rural é, de uma certa forma, demonstrar a validade desta proposição (desta hipótese, poderíamos dizer). Daí, a ênfase posta progressivamente na “mudança social” que deslocará as “sociedades rurais” de seu estatuto de “autonomia relativa” - o das sociedades camponesas - à sua integração total à sociedade global - através da passagem dos “camponeses” à condição de “agricultores”, estes últimos cada vez mais vistos como “um grupo profissional... um setor econômico ou... uma classe social, entre outros”. Uma hipótese forte cimenta as análises especificamente sociológicas de temas precisos do mundo rural: a de que existem laços estreitos entre os diferentes aspectos da vida social que leva a que estes aspectos sejam do domínio de diferentes áreas da sociologia ou de outras ciências sociais - a economia, a geografia, a etnologia, e a história, evidentemente - e a se reconhecer que é preciso, portanto, tratar de considerar todos estes aspectos conjuntamente como condição para compreender as evoluções do mundo rural e lhes dar uma interpretação verdadeiramente sociológica. Daí a busca constante da transversalidade no seio da sociologia e da interdisciplinaridade com as outras ciências sociais dedicadas ao tema. Daí, também o risco que os sociólogos rurais correm de parecerem fechados - juntamente com os outros “ruralistas” - limitados ao estudo do mundo rural “específico” e “fechado”. De fato, uma análise detalhada dos trabalhos dos sociólogos rurais mostraria que não se trata disto e que a preocupação de situar as evoluções do mundo rural no interior das evoluções da sociedade global é constante e sistemática. Deve-se sublinhar que esta dupla preocupação já é uma característica forte da sociologia rural, mantendo ao mesmo tempo suas preocupações com uma coerência de uma certa forma “interna” ao “mundo rural” (a expressão assume aqui todo o seu sentido) e com a integração deste conjunto a uma lógica global (uma coerência, de uma certa forma “externa”) de uma sociedade dita “englobante” para marcar esta “exterioridade atuante”. Pode-se dizer que esta é uma proposição e uma “postura” sociológicas de caráter geral e básico (que exigiria, diga-se de passagem, um exame aprofundado): ao mesmo tempo um exercício difícil de se fazer, uma espécie de desafio difícil de se manter. Mas, afinal de contas, não é o que torna interessante e mesmo justifica uma démarche de sociologia aplicada a qualquer uma das malhas, elementos ou aspectos da vida social? Em suma, não é essa uma das exigências fundamentais da análise sociológica e, portanto, do próprio trabalho do sociólogo? Sociologia rural e sociedade: dentro e fora Uma análise mais atenta da história da sociologia rural mostraria sem dificuldade o quanto esta história está ligada, através de suas temáticas - e talvez precisamente através da própria orientação de suas análises - às questões que são colocadas (às vezes, inclusive nos termos em que são postas) a respeito do mundo rural, da agricultura e dos agricultores na própria sociedade francesa. Não me parece esquematizar excessivamente se disséssemos que cinco e principais temas organizaram ao longo do tempo o questionamento que sociólogos rurais constantemente se têm feito através de ponderações variáveis e de enunciados igualmente diversos, se comparados os momentos em que são apresentados. O primeiro deles diz respeito às relações - e mais precisamente, na linguagem da época, à oposição cidade-campo. Este velho tema, que reaparece com mais força desde o final da guerra, tem um lado “acadêmico”: ele remete a antigas reflexões dos geógrafos e dos historiadores. Mas a forma como é retomada no pós-guerra corresponde muito diretamente a preocupações sociopolíticas maiores. Tratava-se então de lançar a França a uma política de reconstrução, industrialização e modernização e a questão que se punha era a de saber se esta componente essencial da sociedade que são os campos - entendamos “agrícolas” - na França dos anos 1950 será capaz de se adaptar às mudanças indispensáveis. Para a cidade, “civilização de conquista”, como Braudel a caracterizará mais tarde, a questão não se coloca: apenas se põe a questão de saber o que vai acontecer com elas em uma fase de crescimento rápido - o que será a questão central e “organizadora” da sociologia urbana. Está-se, assim, em um campo sócio-político e a sociologia rural vai tomar para si, sob diferentes formas, as questões decorrentes. Estas questões ressurgem periodicamente durante todo este meio século, com as formulações que evoluem em função das mutações sociais, econômicas, demográficas, etc. Algumas noções servem de referência nesta interrogação permanente da sociedade francesa sobre si mesma: desertificação (dos campos), rurbanização, terras não cultivadas, uniformização (dos modos de vida), morte (ou renascimento) do rural, etc. A sociologia rural - mas as outras ciências sociais igualmente o são - é constantemente interpelada pelo que se poderia chamar o “discurso social” sobre o rural. Ela também tenta dar as suas respostas.

Se nos fixarmos na cronologia, parece-me que o segundo tema a evocar é o das transformações da agricultura, não só do estabelecimento agrícola, e do trabalho do agricultor, mas também - tendo em vista o estreito laço entre o estabelecimento e a família - a transformação da família agrícola. Trata-se aqui do domínio da política agrícola que ocupa um lugar crescente na vida política a partir dos anos 50 até hoje. Tendo experimentado uma considerável “modernização”, sob o impacto de um movimento social poderoso e dinâmico na Quinta República - já em curso na Quarta, mas uma das grandes construções daquela - a agricultura ocupa um lugar de destaque na vida social - e sobretudo política - nesse período. Uma tal voragem sociológica era, evidentemente, um estímulo para os sociólogos rurais, a tal ponto de a sociologia rural ser considerada, com justiça, como tendo sido largamente infiel a sua vocação para se reduzir a uma sociologia dos agricultores (Robert, 1986). O terceiro tema, que já aparece no primeiro e prossegue no segundo, é o do lugar que os camponeses, e depois, os agricultores, ocupam na sociedade francesa e, mais particularmente, na estrutura e na vida política do país. Esta questão não é apenas o pano de fundo das transformações em curso, tanto nas relações entre a agricultura e a economia nacional, quanto nas relações entre cidade e campo: ela é claramente colocada pelos líderes do movimento social dos “jovens agricultores” (Debatisse, 1963; Lambert: 1970) e por aqueles que se poderia chamar de seus “intelectuais orgânicos” (Faure: 1966). Esse tema constitui, como já se viu, um dos capítulos inevitáveis - e, por assim dizer, até mesmo, uma forma de conclusão - em qualquer apresentação de conjunto da sociologia rural. O quarto tema, embora tenha surgido bem depois e mais como uma resposta a ele, poderia ser incluído no primeiro como um dos seus itens. Trata-se do tema do desenvolvimento local, inicialmente com o movimento das localidades (“pays”), o slogan “viver em sua própria localidade” (vivre au pays); depois, com as políticas de desenvolvimento rural, seus múltiplos recortes espaciais e procedimentos às vezes bastante inovadores na ação da administração (com a introdução dos planos de desenvolvimento rural, por exemplo). E hoje com os debates sobre o futuro do mundo rural no quadro de uma política de organização do território. Um último tema deve, enfim, ser evocado (embora este texto não pretenda exauri-lo): o do meio ambiente. É a questão mais nova, mesmo que sejam muitos os seus antecedentes que podem ser encontrados na sociologia rural (Mathieu & Jollivet, 1989). Como “discurso social”, ele é incontestavelmente um tema recente. Nele pode-se incluir a referência, tão atual quanto florescente, às paisagens. E, de forma mais geral, o problema das relações com a “natureza”, que constitui o pano de fundo - para não dizer o próprio fundamento - da questão do meio ambiente. Se não foi a partir da agricultura e do campo que as preocupações ambientais tomaram corpo (as primeiras vieram com a indústria e suas “poluições”), a agricultura, os recursos naturais renováveis (a água em particular, mas também os solos, as florestas, etc), a qualidade dos produtos agrícolas e do espaço rural não tardaram a entrar em cena, e mesmo a ocupar um lugar especial no tema do meio ambiente. Os “ruralistas” - e em particular os sociólogos - no campo das ciências sociais, foram os primeiros a se interessar por estas questões, a ponto de Bernard Kalaora dizer que seria necessário que as pesquisas em ciências sociais sobre o meio ambiente se liberassem da influência daquelas, influência julgada excessiva e tendente a se fechar. Até aqui, esta lista de temas recobre o essencial e ilustra suficientemente o nosso propósito, de apenas chamar a atenção para a estreita correspondência entre as grandes temáticas da sociologia rural e o que se poderia chamar as “questões da sociedade”. Em função da ótica considerada, três observações podem ser formuladas. Primeiro, foi sem razão que se acusou a sociologia rural de se fechar em sua “torre de marfim”; ao contrário, ela tentou trazer suas respostas às interrogações da sociedade que eram de seu domínio. Segundo, teria ela, ao fazer isto, pecado por um excesso de oportunismo? Foi ela, afinal, “teleguiada” de alguma forma pela “demanda social?” Observemos, desde logo, que parece lógico que as ciências sociais tratem dos problemas que se colocam na sociedade e para os quais elas são competentes. Sobre este ponto, notar-se-á que todos os temas evocados fazem parte da matriz inicial da sociologia rural. De fato, estes temas são mais recorrentes que sucessivos; apenas, ao “gosto do dia”, suas formulações sucessivas lhes dão uma aparência de novidade irredutível. Ao contrário, o que devem fazer as ciências sociais é precisamente mostrar que se trata de avatares, de desenvolvimentos circunstanciais de questões de fundo. Para isto, o que elas devem fazer é igualmente abandonar o discurso comum, na medida em que este é susceptível de ocultar os problemas reais. Emprega-se aqui uma fórmula da qual a prudência esconde mal a pretensão, para não dizer a imprudência: cada ator social tem sua concepção do que sejam os problemas reais - são aqueles que eles enfrentam em sua ação ou em seus interesses imediatos.

no domínio das pesquisas sobre a inovação. até mesmo.continuam existindo (se é que existiram em algum momento). pelo menos. querer responder com precisão a tal questão seria uma pesada tarefa. uma sociologia rural muito sensível aos avatares do questionamento social sobre o rural .as “sociedades rurais” . ao movimento “neo-ruralista”. uma análise comparada das duas démarches. entre outras. a sua análise crítica do processo de inovação . A crítica que ela fez ao discurso da “rotina camponesa” ou. Estes são elementos gerais básicos para um “enquadramento” da sociologia rural. que em nada corresponde. A identificação de um ramo da sociologia que se dedica a sua análise pôde se justificar.e que conserva o seu modo próprio de ver: eis aí. Se a sociologia rural foi acusada de permanecer em sua “torre de marfim”. a uma epistemologia da sociologia. A propósito. mas não se justifica mais atualmente. que é a de evidenciar as “lógicas sociais” implícitas ou. mais tarde. Portanto. seria muito instrutiva. seria preciso sociólogos competentes no estudo dos aspectos da realidade social em questão para realizar de maneira rigorosa e informada as pesquisas necessárias. o outro. ao que parece. as suas razões. o “rural” não existe mais. elaborar um instrumental intelectual à altura de suas ambições. Deve-se precisar ainda que. Devese notar que uma tal afirmação é coerente com a definição de Henri Mendras. os pontos de vista e as avaliações são evidentemente diferentes. Deste ponto de vista. são. com a renovação das questões sobre as “tecnologias”. e cujos discursos não podem. neste caso. A terceira questão que pode ser colocada consiste em saber se a sociologia rural conseguiu. Considerada do ponto de vista da estrutura interna da sociologia. qual seria essa pertinência? qual a base das suas problemáticas e “objetos”? No que se refere às justificativas da sociologia rural há duas maneiras possíveis de ver as coisas. esta atitude é uma das grandes características da sociologia rural francesa e um dos pontos sobre os quais ela mais se diferenciou da “sociologia agrícola” de inspiração americana . dar conta. o que se pode dizer é que essas questões têm importância e mereceriam hoje um exame atento para que possamos. um novo relevo e ao “modelo de desenvolvimento” operado pela política agrícola a partir dos anos 60 (agora questionado). que formularia questões-chave estruturantes da disciplina em torno das quais o trabalho da comunidade dos sociólogos se organizaria. digamos. A segunda maneira de negar a pertinência da sociologia rural é indagar se o “objeto” que ela reivindica como seu . abordar as tarefas futuras. algumas pistas para realizar aquele balanço.Mas esta “pretensão” é a mesma da sociologia. aquelas que escapam à consciência dos atores. nem ao caráter basicamente empírico da sociologia. por exemplo. e inclusive estruturas. e que parecem indispensáveis para a discussão presente. enquanto tais. tal como foi herdada das últimas quatro ou cinco últimas décadas. Segundo esta maneira de ver. ter-se-ia. o mais preparados possível. Questões atuais Duas questões definem o essencial: a sociologia rural. ela suporia a existência de um esquema de referência teórico aceito por todos os sociólogos. e ainda menos lhes fornecer. Em outras palavras. configurando os dois grandes esquemas analíticos que ela propõe para compreender as evoluções contemporâneas da agricultura e das sociedades rurais nas sociedades ditas “industriais”. quase próxima do seu “objeto” . herdadas das sociedades agrárias de onde elas procedem.e. nem às exigências da especialização dos conhecimentos pela divisão do trabalho científico. não teria sido porque ela nunca aceitou responder às questões tal qual estas lhe foram colocadas . Esse tipo de atitude pode ser vista sob dois ângulos: um remete à história. uma visão essencialista e idealista. A primeira consiste em afirmar que a sociologia rural nunca teve pertinência e sempre foi um artefato ideológico.que assume hoje. tem ainda pertinência? Se sim. a sociologia rural opôs sua formulação própria dos problemas à dos atores profissionais e do Estado? Por sua “distância crítica” em relação ao real. Ao contrário. Sobre este balanço. a característica da sua “postura” durante este meio século de sua história. no curso deste período. Considerada no primeiro aspecto.e isso talvez faça uma grande diferença em relação à economia (ou pelo menos a uma certa economia) e à geografia (ou pelo menos uma certa geografia). à recusa da idéia de que as sociedades industriais possam conservar traços. Além disso. tanto da sociedade quanto da sociologia. mesmo neste caso. de “sociedades rurais . aquela atitude equivaleria a uma negação da história social que vai da sociedade feudal à sociedade industrial ou.e em vigor especialmente na Holanda.

isto é.por exemplo. as evoluções contraditórias nos domínios técnicos (com as biotecnologias e as técnicas “extensivas”). catastrofista das coisas . levar em conta. portanto. através da necessidade de se conceber os sistemas de produção agrícolas “respeitadores do meio ambiente”. convém redefinir o estabelecimento agrícola e a atividade profissional dos agricultores em seus próprios fundamentos . em outras palavras. Para caracterizá-la. Pode-se acrescentar uma terceira dimensão que remete a um movimento de conjunto que diz respeito ao questionamento científico considerado globalmente. simultaneamente. É claro que estamos aqui no cerne do problema.isto é. clarificar o discurso por sua análise interna . O questionamento social e a sociologia rural Quatro séries de questões podem ser colocadas. as trocas e os mercados (e não mais os temas centrados apenas na intensificação da produção) e. acima lembradas. ao mesmo tempo. antes de mais nada. desaparecem quando os camponeses se transformam em agricultores. Ele deve. em termos sociais e ideológicos. se tais “sociedades rurais” são habitadas cada vez menos por populações de agricultores e cada vez mais por trânsfugas da cidade ou por assalariados das zonas rurais industrializadas ou terciarizadas.tanto das mudanças em curso. de sua amplitude real. ou ainda através das tensões produzidas pela intervenção da regulamentação européia sobre a matéria etc. como. na qual os camponeses se tornaram agricultores. quer a emergência de políticas relacionadas com as novas funções do espaço rural. É preciso ainda analisar as conseqüências do modelo de desenvolvimento .e inversamente.e. Após o enunciado da questão. Diante desta avalanche de questões e de argumentos contraditórios. assim procedendo. a sociologia rural não tem mais razão de ser em uma sociedade sem camponeses . em seguida. de definir sistemas técnicos de produção que levem em conta.em crise . etc. basta remeter às reflexões sobre o “renascimento” rural. Trata-se. estabelecer os fatos para se ter uma distância em relação aos discursos e. ainda.quem os emite? com que coerência? no quadro de que estratégias e com que objetivos? . É. é necessário. E isto. os termos que aparecem aqui são “diversificação”. Em uma palavra. de um lado. distinguindo os dois contextos em relação aos quais as evoluções da sociologia rural parecem estar referidas . “extensificação”. como as que se presume existir nas sociedades industriais.que ela vem adotando há um terço de século. aprofundar a análise para sermos mais precisos neste ponto. mas seria necessário.a saber: o questionamento social. o que implica em evidenciar suas dimensões propriamente sociológicas e/ou dos objetos referidos. as questões reais que não são objeto de nenhum discurso. através do grupo dos agricultores em dificuldade . enfim.camponesas”. O último debate a ser feito refere-se ao meio ambiente. que seria possível justificar a pertinência ainda hoje da sociologia rural. Que problemáticas e que objetos? Esta reflexão se inscreve no prolongamento da análise acima desenvolvida. Esta primeira discussão se prolonga em outra. dar uma imagem “objetiva” das evoluções e situações reais e proceder ao que se poderia chamar uma “crítica externa” do discurso. por um lado e. as “sociedades rurais”. “pluriatividade”. interrogando-se sobre as problemáticas atuais com as quais ela poderia se ocupar. de outro. Um primeiro bloco de questões gira em torno da diminuição da população ativa agrícola e suas conseqüências: há um debate particularmente aberto sobre o tema do número de estabelecimentos agrícolas (inclusive sobre o número que se deve ter como meta) que haverão de subsistir nos futuros dez ou vinte anos. através dos conflitos. os dois planos sobre os quais elas devem ser examinadas . o sociólogo também deve demonstrar que as suas análises enriquecem o conhecimento da sociedade francesa. deve passar à sua formulação sociológica. Um outro debate refere-se mais diretamente à agricultura e ao modelo de desenvolvimento . antes de mais nada. que trata da evolução da população dita rural. trata-se de repensar o desenvolvimento. é o caso da França.ou. considerando. como este autor afirma. Estas reflexões desembocam em todo o debate sobre o futuro do espaço e do mundo rurais e sobre quais deveriam ser as políticas que lhes dizem respeito. quanto dos discursos que elas suscitam. apoiando-se em um corpus de textos ad hoc. o sociólogo tem uma sêxtupla tarefa a cumprir. é igualmente indispensável recolocar tais evoluções e as interpretações que o sociólogo pode fazer sobre o passado no médio e longo prazos. “produtividade”. as interrogações vindas da ou referentes à . quer as reivindicações das populações locais relativas a sua situação de vida. Se. ainda segundo Henri Mendras. ele enriquece o seu aparelho analítico e oferece os meios para escapar dos desvios da interpretação de curto tempo e sem recuo freqüentemente associada a uma visão dramática. através de uma .própria sociologia. poder-se-ia acrescentar com maior razão. ele precisa evidenciar o que se poderia chamar os “silêncios significativos”. os movimentos de mundialização das relações de troca entre os grandes produtos básicos e o desenvolvimento dos circuitos curtos dos produtos mais especializados etc. por outro.com o necessário abandono à referência às “2 UTH” (unidade de trabalho utilizada como referência nas análises sobre a moderna agricultura familiar).

em suma.que é requerida e isto supõe análises finas. A análise do que se poderia chamar um “sistema social localizado”.) é ir um pouco depressa demais.para não dizer uma contradição fundamental . se as duas razões de ser da sociologia rural desapareceram? Duas observações podem ser feitas em relação a esta maneira de colocar o problema. O mínimo que se pode dizer é que ela coloca um problema histórica e geograficamente.ou da mudança social . também já perderam toda a sua “autonomia relativa”. Toda tentativa de generalizar ao conjunto da Europa . serem confrontadas com observações empíricas realizadas em trabalho de campo? Admitir a afirmação segundo a qual os camponeses tornaram-se agricultores (empresários. em processo de rápidas mutações..000 municípios. não somente certo. serem submetidas a exame e. então.melhor compreensão dos processos sociológicos e da sua adaptação às transformações gerais nas quais o país está inserido. isto é. este procedimento deve se situar no quadro de uma análise das transformações da sociedade global e. .o campesinato .e também as novas problemáticas e os novos conflitos. porém. Que se possa fazer um cruzamento entre as duas análises é. analisar o papel que eles representam no processo de integração social através das suas funções tanto institucionais quanto simbólicas e notadamente identitárias. nem para todos os campos. é a de um retorno maciço e metódico às pesquisas de campo. um . Existe um verdadeiro hiato . Primeira observação: aquelas duas assertivas . seja esta transição para uma formação de base não-agrária. “agro-managers”. em particular. Tais análises devem ser retomadas atualmente por duas razões: primeiro. precisamente. mas ela não é válida para todos os períodos históricos. O mesmo pode ser dito a respeito das “sociedades rurais”. é uma sociologia da “transição” . em conseqüência. que representam o futuro do espaço rural. porque a situação dos agricultores evolui rapidamente. imagens e estatísticas que constroem o “senso comum” nesse nosso tema.as quais. ele próprio. um poder local que. A pluriatividade.devem ser tomadas como verdades estabelecidas? Não poderiam ser tratadas como hipóteses. das relações entre o pequeno produtor independente e os setores industriais a montante e a jusante. etc. as recomposições espaciais às quais são levados. cujo lugar na estrutura e na vida política se vincula ao poder local. nos 36. porque faltam as observações concretas para fazer um contrapeso à crescente invasão de discursos. Não há apenas o campesinato. enfim. seja para uma outra já sem fundamentos agrários. além das “sociedades camponesas”. e.entre a análise de um longo período de transformações estruturais do campesinato e a análise.sem falar do conjunto do mundo . A hora. minuciosas e circunstanciadas capazes de perceberem as continuidades e as transformações nos processos de reprodução da sociabilidade e o sentido do ser-conjuntamente. tal contribuição. as formas associativas.ao outro . No entanto. Ela pode. A sociologia rural foi pioneira nas análises sociológicas do trabalho não-assalariado.esta também podendo assumir uma variedade de formas . assim. É possível indagar sobre a equivalência estabelecida por Henri Mendras entre “sociedades rurais” e “sociedades camponesas”. dar uma contribuição em todos os capítulos da sociologia.. por esta mesma razão. está longe de ter um peso insignificante no conjunto do sistema político.é arbitrário: existem outras “sociedades locais”. porque o contexto que a sociedade global constitui está. Além disso. a das transformações de uma “sociedade local” de base agrária em direção a uma “sociedade local”.a “sociedade local” .a um contexto incerto. portanto. aberto e complexo. Reduzir. enquanto tais. é também um domínio no qual a sociologia rural investiu particularmente. da inovação nos setores produtivos não-industriais. de fato. As transformações sociais internas radicais que os municípios conhecem. depois. antes de mais nada. Sobre este ponto poder-se-ia comparar o seu procedimento com o da sociologia das organizações. todas são razões para se repensar a teoria sobre a profissão e para se criar um novo quadro de análise que permita caracterizar sociologicamente os “villages” enquanto “sistema social” e. considerado enquanto “sociedade” (local). de alguma forma espacial do que podemos chamar de uma “sociedade local”. O questionamento sociológico e a sociologia rural A sociologia rural trata de todos os aspectos da vida social no campo. são apenas uma só . “molecultores”. qual seria. a emergência de novas solidariedades territoriais . mas ainda indispensável.os novos “territórios rurais” . se se estima que os agricultores já se tornaram um “grupo profissional”. é ocultar toda uma diversidade de situações que corresponde a uma multiplicidade de vias experimentadas num processo de adaptação . da relação social. ele tem de mostrar que as suas análises robustecem o corpus teórico da sociologia. e uma abordagem atualizada das “sociedades rurais” deve ser precisamente. Tanto em um caso como no outro.uma tal proposição leva a sublinhar seus limites. dos seus processos de reestruturação sociopolítica. a diversificação produtiva voltam a ser temas da ordem do dia que precisam ser considerados para caracterizar sociologicamente a situação atual dos agricultores. entre tantos outros e se as “sociedades rurais”. pura e simplesmente. as novas funções que deles se espera.

relativas aos processos de socialização. Questões. a condição social. Estas são apenas algumas pistas.ou não . a segunda observação: mesmo supondo que os camponeses tenham se tornado agricultores e que as “sociedades rurais” tenham deixado de ser “sociedades camponesas”. Em suma. a ser associado a suas evoluções e a pesar também sobre elas. tanto das políticas de cooperação intermunicipal. da economia agrícola e da composição social da população rural. de uma forma geral. referentes aos fundamentos das reestruturações sociais locais e às transformações das relações locais de poder subseqüentes às evoluções das estruturas agrárias. o território ”rural” que representa uma problemática particular em razão da importância de seu lugar no conjunto do território nacional. tem por objetivo apenas mostrar que numerosos são os temas de pesquisa de dimensão geral que se pode abordar através das evoluções do mundo rural . Porém. para serem tratadas. esta mutação também não estaria exprimindo a necessidade de uma continuidade tanto simbólica quanto prática . Questões. A abertura a uma abordagem comparativa internacional. no quadro de uma análise dos processos de “integração” européia. Esta é uma outra vertente de uma sociologia do político. a questão se coloca em dar sentido a esta necessidade de continuidade . Estas análises de sociologia política permitiriam evidenciar e compreender as atuais mudanças em curso no controle de uma parte. propor uma série de questões importantes para uma sociologia especializada na análise do atual mundo rural. especial e quantitativamente importante do poder “territorial”. Isto se traduz naquilo que se poderia chamar “dispositivos locais de ação”. precisamente. uma vez que ela remete a uma história em curso. os fundamentos. as formas e o conteúdo da sociabilidade naquilo que. os quais constituem novos modos de socialização do espaço e de regulação dos conflitos. aqui. isso é uma ilusão de ótica: os “agricultores”. os contextos. e tudo isto continuará a fazer parte da sociedade global. ela deve particularmente ser aplicada ao conjunto dos países europeus.como a análise da evolução do lugar dos agricultores na sociedade e a de seus comportamentos profissionais e políticos. as competências. isto é. A questão que se coloca é a do interesse de uma análise sociológica destes fenômenos.no caso. Também seria interessante ver em que medida o seu sentido não está. em um momento em que ele adquire cada vez mais relevo. da integração e da exclusão em “contextos” sociológicos bem definidos e diferentes dos subúrbios e dos bairros urbanos. Esta proposição é generalizável a todas as formações sociais nacionais. a francesa . Tal extensão à Europa da “construção rural” representa uma ocasião excepcional de renovação das problemáticas. as questões que parecem dever ser consideradas como as questões centrais de hoje? Em todo caso. Ter-se-ia. ao mesmo tempo. Evidentemente. por exemplo.no caso. em seguida. Inicialmente. por uma comodidade pelo menos provisória. é uma necessidade. como prejulgar este interesse? Tudo o que se pode fazer não é formular hipóteses sobre o que poderia ser. a profissão. em um setor produtivo sobre o qual se pode dizer que faz parte das “indústrias pesadas” mas não está baseado no modelo da grande empresa com salariado. ainda. Por fim.e quanto muito.Agora. interrogações sobre a noção de rural como categoria simbólica da representação que a sociedade constrói sobre si mesma. da fraca densidade relativa de seu povoamento. a título de exemplo. a sociedade civil e o território . pode-se. ao mesmo tempo que é uma exigência que se poderia qualificar de histórica.e neste caso.o seu passado “rural” para se adaptar ao presente. portanto. Deste ponto de vista. os saberes e os conhecimentos adquiridos de um lado e. em que haveria uma forma de “banalização” tal que pudesse retirar todo o interesse à análise sociológica de uns e de outros? Aqui há uma atitude que se parece àquela segundo a qual nós teríamos chegado a uma espécie de “fim da história”. francesa) tomada em seu conjunto. Dedicarse a esta análise seria tanto mais judicioso quanto o termo volta hoje à ordem do dia. Cabe ainda aos sociólogos decifrar os discursos e as políticas. uma das bases da pirâmide dos poderes. uma contribuição para uma sociologia da relação social. . a fisionomia e as funções sociais e territoriais dos segundos continuarão a evoluir. justamente. um começo de reconhecimento desta ruptura.ocultação de uma ruptura e. ao mesmo tempo. os “municípios rurais” e outros vilarejos e pequenas cidades continuarão a existir. a cidadania dos primeiros. exigem que os seus aspectos referentes à “ruralidade” sejam analisados como facetas incontornáveis das evoluções da sociedade (no caso. interrogações sobre as formas sociais de mobilização do trabalho agrícola: seria a contribuição de tal sociologia para uma sociologia do trabalho. das múltiplas pressões que recebe e das expectativas as mais contraditórias que se tem sobre ele. Evocá-las aqui. questionamentos sobre as evoluções das solidariedades territoriais sob a influência. percebida aqui sob o ângulo das relações entre o Estado. de outro. não é porque estes problemas não ocupam o primeiro plano na mídia que não devem mais ser estudados.utiliza . quanto dos novos tipos de pressão ou de dependência de ordem espacial. e ainda em que medida. levando em conta. em vias de se emancipar do seu conteúdo agrícola tradicional. Outras já estão bem exploradas . poder-se-ia chamar as sociedades “de villages” ou “de fraca dimensão”. confrontá-los aos fatos e evidenciar a forma como a sociedade .

contraditória . Procura-se uma ciência mais preocupada com suas próprias conseqüências. modelado pelas práticas e pelas técnicas. problemas de qualidade da produção e do meio ambiente. se isto clarifica as coisas? Mas.superprodução. Todas elas procedem de interrogações em curso há vinte anos. tais como “complexidade”. ainda mais claramente nestes últimos anos . Reencontra-se. que revêem. triar o que é pertinente para cada pesquisador em sua própria disciplina e separar o resto. “modelização”. em cujo estudo a ciência tem o hábito de estabelecer cortes.assiste-se a uma evolução muito nítida da concepção das relações entre ciência e sociedade. que esta condição não leve a pensar que a “sociologia rural” não tenha sido precisamente senão uma “sociologia do rural”. os solos..e os meios naturais.. não somente em seu âmbito. mais particularmente.uma sociedade? .há quase um quarto de século. ligadas umas às outras. e que haveria de alguma forma uma mutação a fazer: seria necessário acreditar em uma ruptura radical que. o do desemprego e a questão do lugar e o papel do trabalho na socialização e integração social e. seria melhor falar de uma “sociologia do rural” (Lagrave. de outro. de fato. os recursos genéticos. O movimento científico e a sociologia rural Desde o começo dos anos 1970 . Isto quer dizer que são descobertas múltiplas relações entre fenômenos de ordens muito diferentes. “interdisciplinaridade”. os fenômenos de marginalização. Esse rural oferece campos os mais variados para uma análise das relações sociais organizadas entre uma coletividade humana . entre as diferentes ciências e. a concepção da pesquisa científica que se situa a montante da técnica. o técnico e a natureza em relação a todos os tipos de sociedades. um dos grupos sociais mais ricos em ensinamentos para o estudo das relações entre o social e o técnico. Ela o está por alguns dos seus temas e pelos elementos da vida social que estuda: a agricultura. . cada vez com mais insistência. enfim. não tem razão de ser e criar um contra-senso sobre o próprio “rural” e sua inserção na sociedade global. um rural herdado da história e constantemente remanejado.de um lado. O que a sociologia rural . Tudo isto faz dela um dos domínios privilegiados. social e economicamente utilizado e vivido. embora seja socialmente apropriado. “análise sistêmica”. que se utiliza dos recursos naturais renováveis . entre as ciências sociais e as ciências que podem ser globalmente qualificadas de “ciências da natureza”. e de múltiplas formas. O caminho que assim se abre é balizado por palavras-chave. que atingem proporções crescentes da população na maioria dos países.donde o êxodo agrícola que alimenta o desemprego e provoca a migração rural. tanto sobre a sociedade quanto sobre o meio ambiente . o nacional e o europeu. os solos.mas isto também é válido para as outras ciências sociais do rural tem a aprender é a estender o seu projeto interdisciplinar às ciências da natureza que analisam os “sistemas naturais” envolvidos com os “sistemas sociais” que ela estuda.e também controversa . A agricultura enquanto setor de atividade aplicada ao ser vivo (animal e vegetal).quadro da vida imediato e base de vida a longo prazo. da mesma forma que entre o social e o técnico. no qual o ambiente natural predomina sobre o construído. a questão do meio ambiente. o tema das desigualdades sociais crescentes. o regional. as populações animais e vegetais . São várias evoluções. e transforma os meios . Essa vantagem aparece com seus próprios problemas. enquanto atividade de rápida inovação tecnológica . passando pelo microregional. E em conseqüência. os ecossistemas. a interdisciplinaridade entre ciências sociais constitui um trunfo: é na interdisciplinaridade que existe entre os ruralistas que reside a oportunidade para reforça-la ou reanimá-la. com a necessidade de se situar em diferentes dimensões simultaneamente que vão do nível do village a do planeta. 1991) ao invés de uma “sociologia rural”? Por que não. de fato..a água. mas também entre o social. Essas interrogações põem em questão um certo “credo” no “progresso técnico”.Para caracterizar este conjunto de pesquisas a realizar. o procedimento holístico na medida em que a análise sistêmica pode ser considerada como uma de suas versões. A sociologia rural também está implicada nos seus próprios procedimentos. e dos agricultores. assim. A sociologia rural está diretamente implicada nestas evoluções.a água. a atmosfera. a extensificação e a agrobiologia . Para tratar destas questões. Seria preciso também que os sociólogos que se lancem a este gênero de pesquisas tenham uma cultura em ciências sociais suficiente para abordar o rural e notadamente para situar as suas evoluções presentes na história de suas relações com a sociedade global. criado. as biotecnologias e a informática. O mesmo acontece com o rural.

que ela não é mais “familiar” (Lamarche. das evoluções e das características sociológicas daquilo que se estuda.e vão paralelas com . Referências bibliográficas . Uma segunda observação decorre da primeira: é preciso que os sociólogos invistam neste domínio. com base nas suas pesquisas deste último meio século. pelos sociólogos que se ocupam destas questões.. Há todo interesse em que os sociólogos não rurais invistam no campo rural a partir de suas questões e de seus procedimentos. o ponto de partida pode se situar no rural. levada mais em consideração. E tanto mais indispensável quanto o peso destes componentes geralmente é subestimado. pode-se dizer também. Por exemplo: não é porque os agricultores não são mais camponeses . não acaba de acabar. isto exige competência específica. tentando compreender de onde procedem suas formas específicas. com efeito. Quarta observação: o que conta. senão negligenciado. um bom conhecimento do “objeto” do meio rural e uma cultura científica apoiada em bibliografia. O que é preciso fazer. dar uma contribuição original aos grandes debates da sociologia. e até mesmo leva a erros de interpretação principalmente em termos de “especificidades” do objeto estudado. é preciso que eles o façam efetivamente. que as “entradas” específicas no funcionamento da sociedade . é preciso voltar a duas questões essenciais. constitui um contra-senso não dizer que a sociologia rural teria perdido o seu sentido porque o rural .que a sociologia rural destes últimos cinqüenta anos pecou por carência neste ponto (o que sucedeu em vários casos).. ou fora dele. e esta é uma outra faceta da observação precedente. Seria enganar-se acerca do estatuto histórico do rural. É cada vez mais pertinente querer analisar em termos sociológicos as evoluções do mundo rural? Hugues Lamarche explica que não é porque a unidade de produção agrícola não é mais “camponesa” . hoje.ou. A segunda questão refere-se ao fato de saber se para realizar essas tarefas há necessidade de sociólogos que se qualifiquem como “rurais” e de uma sociologia dita “rural”. realizar uma avaliação crítica do que foi escrito e que esta exigência metodológica fundamental seja. a partir de agora. não têm nenhum monopólio a reivindicar nos domínios que são hoje de sua predileção. que ocupa um lugar bem determinado na estrutura social das sociedades capitalistas. seja porque se trata de um universo que lhes é estranho ou o rejeitam. uma observação vem logo à mente: os sociólogos rurais. é saber dar conta de maneira precisa dos processos. Ou ainda: não é porque a população agrícola não é mais dominante na população rural que a “ruralidade” não existe mais etc.que eles não constituem um “grupo profissional”. de fato.termo que precisaria ser bem definido . na verdade. condições que valem para qualquer domínio ou tema. tem-se a sensação de que. evidentemente.incluindo a agricultura e os agricultores . este deveria ser o ponto central. No que ele se tornará? Que formas tomará em uma sociedade “industrial” em mudança rápida? Esta é a questão. torna-se necessário.Para concluir. as quais. que importância tem isto? Terceira observação: o importante é que as análises sociológicas que se façam situem os aspectos particulares da vida social no contexto da sociedade global . Seria acreditar. A história. Poder-se-ia “declinar” este modo de ver de múltiplas maneiras. Seria preciso chamar os sociólogos que fazem esta escolha e se submetem a tal preparação. ele assume formas constantemente novas que correspondem a . os agricultores e o rural. em outras palavras. é que as mesmas análises sejam feitas apoiando-se em procedimentos e questionamentos maiores da sociologia. ao mesmo tempo especializada e geral.as evoluções das sociedades globais. cada vez mais. distinguindo-a . Sem dúvida.de sua forma “camponesa” anterior. interesse. este é um ponto sobre o qual a reflexão não avançou suficientemente nem se tem atualizado muito. Se a pesquisa de questões “transversais” é a que deve prevalecer e se a idéia de comparação deve ser um princípio de método privilegiado. seja por falta de interesse. constituem puros artefatos do método adotado. Mas. Ora. incluindo os camponeses. Se se pode dizer. cujo estudo é necessário para compreender as transformações gerais e as vias pelas quais estas se produzem. igualmente.centrem sua atenção sobre a agricultura. ela seria a de empreender tal reflexão teórica. curiosidade. enquanto que.aquelas que interessam . pode-se dizer. Quinta e última observação: em todo caso. E importa que tudo isto seja feito porque são componentes da sociedade global.se isto se justifica . Tenhamos cuidado para. Se se tiver que mencionar uma tarefa prioritária para a sociologia rural. É preciso assegurar os meios que caracterizam sociologicamente esta forma particular de organização produtiva e de mobilização do trabalho que é a atual unidade de produção agrícola. a sociologia rural pode. que o rural só existiu em um contexto e em um período bem determinado e passado. Uma abordagem setorial fecha e limita a compreensão.isto é tão evidente? . de “sociólogos rurais”? Por que não? Mas. eles tendem a ignorá-lo e a se abster de considerá-lo em suas problemáticas. Em resposta a esta questão. 1991-94). Se um balanço da sociologia rural viesse a ser feito. isto suporia fazer um balanço preciso .teria se banalizado e dissolvido na sociedade global. por gosto. então. Ora. não o vendo mais.e que são privilegiadas . não cairmos na cegueira do olhar centrado no presente e nos discursos próprios da sociedade sobre si mesma.

p. entre outras. Lagrave. Nicole e Jollivet. 1970. Paris. Marcel (dir). Que-sais-je? n. Lamarche.1. Éditions du Seuil. a "Sociologia Rural é uma das subdivisões da Sociologia Especial "que estuda o modo de vida rural e a natureza das diferenças rurais e urbanas" LAKATOS & MARCONI (1999:29-30). 1958:316 apud JOLLIVET. Georges. ARF éditions/L’Harmattan. 1991-1994. como sendo a mesma coisa. certamente não se está pensando apenas na agricultura. Paris. mas quando se pensa no Rural. no contexto desse trabalho seria ligar a Sociologia Agrícola com a Rural. 1963. Sociologie rurale. 1989. “Discours communs. Henri “Sociologie du milieu rural”. Mendras. Comparaison internationale. ou apenas "o estudo das sociedades rurais" (MENDRAS. Gurvitch. Du rural à l’environnement. Le combat des paysans. La révolution silencieuse. "o bóia fria". a reforma agrária. Paris. Notas Sociologia rural 2 Sociologia RURAL 2. Calmann-Lévy. 1966. Paris. Mathieu. igualmente. Cahiers de l‘IMPSA. Faure.Debatisse. Perspectivas teóricas. pelo qual a Sociologia Especial consiste no estudo de categorias específicas de fatos sociais. Sendo um ramo da Sociologia. desnecessário se faz dizer sobre o inter-relacionamento que as duas disciplinas possuem. 1998:1). la question de la nature aujourd’hui. a grilagem. 5261. Presses Universitaires de France. o que se justifica pelas trocas importantes que ela tem com as mesmas e. Rose-Marie. Tome II: Dy mythe à la réalité.297. as relações que as ciências sociais mantém com a disciplina" (JOLLIVET. 1950. inversamente. Paris. Librairie Armand Colin. Les paysans dans la société française. 2. Traité de sociologie. não somente entre si. Marcel. forçoso . Presses Universitaires de France. A tendência natural. 1958. Robert. Tome I: Une réalité polymorphe. mar. que é o modo de cultivar a terra. Ainda considerando que a Sociologia Rural é uma subdivisão da Sociologia Geral. 2 volumes. Hugues. 1986. como por exemplo as lutas pela posse da terra. L’agriculture familiale. a industrialização do campo. Todavia. Presses universitaires de France. Michel. Paris. Bernard. 1991. Les paysans dans la lutte des classes. Editions L’Harmattan. Paris. Paris. Michel. como também com as demais "ciências sociais que estudam o mundo ou o espaço rural. In: George Gurvitch (dir). Há muitas relações sociais que se desenvolvem no campo que não dizem respeito à agricultura. La vocation actuelle de la sociologie: vers une sociologie différentielle. discours savants sur le rural”. 1998:2). os métodos que essa Ciência utiliza para concretizar as suas investigações. Lambert. usará. De acordo com o esquema proposto por Fernando de Azevedo.

Essa . O seu objeto de estudo é. o mais apropriado é referir-se ao seu campo de atuação: as sociedades rurais. a Sociologia Rural que deveria ser uma das especificidades em que se divide a Sociologia Especial. o sociólogo rural deve. a não ser que conte com a colaboração de uma equipe de diversos especialistas. "A realidade de nossos dias tem gerado uma sociedade que se urbaniza velozmente. Os geógrafos que analisam as relações entre o homem e o meio natural e a distribuição espacial dos fenômenos humanos começaram naturalmente a se debruçar sobre o campo. é a matriz que direciona o epistemológico. uma problemática diferente. Destaca-se. etc. inclusive que. fazem questão de destacar logo ao início dos cursos que ministraram no Instituto de Estudos Políticos de Paris. global. tal qual a Rural. perde também o seu caráter de disciplina específica. por conseguinte. aliás. mas nenhum fenômeno social pode ser perfeitamente compreendido se dissociado do contexto geral em que se encontra e do qual recebe influência. Esse é um dos aspectos pouco considerados pelos estudiosos. grande parte da problemática rural atual é decorrente do entendimento errôneo de que aquilo que não é urbano é rural e vice-versa ou daquele que trata tudo como sendo a mesma coisa. na medida em que sua análise pode ser dividida em áreas como a da família. produzindo um único conhecimento que. Assim. O conhecimento é uno. Ligando-se a um passado em que a agricultura era a atividade exercida pela maioria dos homens. As divisões têm implicações meramente didáticas. promover a integração das análises feitas pelo rural. a história social dá um grande destaque à descrição da vida camponesa. Uma das pretensões do ruralista é. conhecer os métodos e as técnicas de todas as outras ciências sociais. A Sociologia Urbana. entre outras. às vezes." (MENDRAS apud JOLLIVET. pois o Urbano também é analisado por vários ângulos e planos diferentes e o que vai interessar à Sociologia Urbana não é uma dessas análises em particular. que estudam as particularidades dos fatos sociais. ao demógrafo. mais do que uma das especificidades da Sociologia Especial. e dela herda igualmente as origens históricas e as perspectivas teóricas traçadas pelas diversas escolas e pensadores sociológicos. acaba assumindo ares de disciplina geral. Entretanto. Os etnólogos estudam as estruturas ditas ‘arcaicas’ nas quais a busca ou a produção de alimentos ocupam todos os homens. Nesse sentido. os rurais também dizem respeito a cada ciência social. seus precursores. da religião. 1998). em 1958: "O ‘meio’ rural é um campo de investigação para todas as ciências sociais e seu estudo não poderia constituir uma disciplina autônoma. Enfim. por exemplo. tanto interna quanto externamente. Enquanto homens iguais aos outros. antes de ser Rural ou Especial. senão que a síntese de todas elas. ao invés de se falar em objeto. mas que Jean Stoetzel (1951-1952) e Henri Mendras (1963-1964). Vale dizer ainda que não se deve compreender o rural com o oposto do urbano. portanto. dessa forma. Como o etnógrafo. essa disciplina é também Sociologia Geral. A economia rural é um ramo (um dos mais antigos) da economia política. citadinos e rurais interessam igualmente ao psicólogo.então nos é admitir que. eles vivem em um meio particular que requer uma certa especialização do pesquisador e. Assim se posiciona Mendras. bem como a mesma interdisciplinaridade com as demais ciências sociais. É dessa forma que deve ser feito o estudo da Sociologia Rural.

ou seja. a ênfase do trabalho será na mudança social que se caracterizará com a transformação do camponês em agricultor ou pecuarista. o trabalho deve ter coerência interna e externa para que seja realmente um conhecimento científico válido. Para alcançar esses resultados propostos. certamente várias nações do mundo. incontestável. sem maiores dificuldades. que conserva uma certa autonomia em face da sociedade global" (MENDRAS. criou rapidamente um forte contingente de trabalhadores rurais-urbanos. 2002:8). a posição dos camponeses na sociedade. segundo Mendras (1958). as transformações da agricultura. como se esse formasse um bloco independente. A sociedade rural goza apenas de uma certa autonomia diante da sociedade global. JOLLIVET (1998). A questão . sintetizar e integrar sob o seu ponto de vista. Esse seria um dos motivos para o trabalho integrado dessas ciências. de forma a poder integrar-se à sociedade global. Nesse sentido. tem uma dupla orientação: estudar as especificidades próprias de sua área de estudos. Dessa forma. os brasileiros também vivem o mesmo drama. Essa temática começou a ser tratada com mais intensidade após a segunda grande guerra. "o bloco do rural". podendo ser sintetizados em cinco temas principais: as relações cidade-campo. e. Esses temas não foram exclusividades do povo francês. os estudos das demais ciências sociais rurais. por exemplo. O que deve ser vislumbrado é o fato de que o trabalho do sociólogo rural tem uma duplicidade de objetivos: compreender o social rural e integrá-lo no social global. ou qualquer outro grupo reconhecido. sendo impossível reduzi-la a um grupo econômico profissional. – O Objetivo da Sociologia Rural. entende que eles estão interligados.urbanização. tomando como ponto de partido a questão francesa. comandada pelo processo de industrialização que o campo está conhecendo. com relação ao grupo dos agricultores e dos pecuaristas. 2. Essa postura parece dar ao trabalho do grupo um caráter fechado e isolado do restante do conhecimento.1. 1958). a fim de se obter a compreensão global da sociedade rural. sendo o objetivo da Sociologia Rural. quando o mundo destruído envidava um esforço generalizado para a reconstrução. 2. esquecendo que as especificidades de cada um não foram ainda eliminadas" (OLIVEIRA. Quando ao estudo particular da sociologia rural. levado a efeito pelos seus pesquisadores ao longo da história.2. a industrialização e a modernização. a análise ruralista se fundamentará na hipótese de "existência nos países que têm um campesinato tradicional. Esse fato. As relações cidade-campo.2. mas isso é apenas aparência. o estudo da sociedade rural se baseia no entendimento de que existem elos de ligação muito finos entre os diversos tratamentos dados ao seu "objeto material" por cada uma das ciências sociais que abordam essa temática. haja vista que esta não reconhece a sociedade rural como um de seus grupos sociais. demonstrar a validade dessa proposição. o desenvolvimento local. e. Isso ocorre porque se está implantando no campo o modo industrial de produzir. de uma sociedade rural. A tarefa do Sociólogo Rural. todavia o faz. o meio ambiente. reinterpretar. tem feito com que vários colegas autores tratem o campo como se trata a cidade/indústria. Não se trata de "agricultores" ou "pecuaristas".

principalmente de muito alimento. como: a desertificação. em conseqüência do desmatamento desenfreado para aumentar a produção. em especial na bacia amazônica. não é autárquica. 2001:132b). declara que ela "é a degradação do meio natural. que não vive no campo. Atender essa demanda vai implicar em muitas mudanças. mas nenhum deserto. E que lições! Quanta diferença houve entre o corpo-a-corpo dos soldados na primeira grande guerra e o corpo-a-máquina da segunda! A modernidade trouxera a tecnologia. plantação e plantação. segundo os ambientalistas. absorvendo as lições da guerra. é dependente da matéria-prima e. E. Para a cidade. Os maiores danos são causados na região dos cerrados. posteriormente. a conceituar a desertificação. levaria ao desaparecimento da floresta até o final do século XX. vem ocasionando na paisagem brasileira. Alguns ainda estão vivendo esses dramas rurais. apenas soja. 2001). o Brasil tem "regiões semi-áridas. pouco se incomodando com as conseqüências dos atos que pratica para assegurar essa produção. a sociedade rural européia. A preocupação em produzir para atender a demanda mundial de alimentos (principalmente do mundo que pode pagar por eles. pois essas são questões mais pertinentemente urbanas do que rurais.uma área maior do que a França. algodão. considera-se uma região desértica quando sua precipitação média anual é inferior a 250 mm" (BARSA. Em geral. como obstáculo para o desenvolvimento do país. Viajando pelo país afora. Seria apenas uma questão de acomodação a um estilo de desenvolvimento mais acelerado. hoje coberto por extensas plantações. Essa riqueza vegetal foi encarada. várias partes do mundo. a uniformização dos modos de vida. Produzida por causas naturais. a rurbanização. ou derivadas da ação humana. mas que apenas explora o campo). como o desmatamento" (BARSA. como as mudanças climáticas. Partir do nada destruído e retomar o ritmo da vida. Por conta dessa situação. "Trinta por cento das áreas de floresta tropical do planeta estão concentradas no Brasil. arroz. antes coberto por uma vegetação natural. como a caatinga. Segundo a Enciclopédia Britânica. com tendência à criação de zonas desérticas.que se discutia era a de saber se os campos seriam capazes de suportar as mudanças. De que forma a sociedade rural enfrentará os problemas modernos? A cidade não é capaz de bastar-se. a qual fora usada para matar e destruir. cuja única preocupação é produzir e ganhar dinheiro. No início da década de 1990. em princípio. principalmente a partir da década de 1970. Fotografias de satélite tiradas em 1988 revelaram que o desmatamento realizado em pouco mais de dez anos na Amazônia atingia 12% da região . veio a enfrentar situações as mais complicadas. problemas com terras não cultivadas. Mas a própria Britânica. no . onde não se vê uma árvore sequer. pode-se destacar o fato de que várias áreas do Brasil vêm se desertificando. pode-se perceber as mudanças que esse tipo de empreendedor (que não é do campo. Agora ela deveria ser utilizada para a reconstrução e a implantação do novo mundo. Esse ritmo de devastação. esse esforço seria normal. a morte ou o renascimento do rural. milho. onde normalmente acontecem as novidades. plantação. Mas e o campo? O progresso sempre demorou um pouco mais a chegar lá. aqueles que não podem continuam passando e morrendo de fome) criou o empresário rural. no entanto. A título de ilustração. vieram a passar pela mesma situação. igualmente.

As ações desenvolvidas pelos homens do campo que conduzem às transformações da agricultura e que levam a propriedade rural a tornar-se uma propriedade agrícola. Já não se trata de produzir apenas para a subsistência da família. onde as pequenas propriedades plantam cana e criam frangos .2. O grande desafio ambiental do mundo contemporâneo consiste em recuperar. onde a devastação da vegetação natural reduziu a capacidade de armazenamento de umidade da terra e agravou os efeitos da estiagem sobre a agricultura. Segundo dados das Nações Unidas. com a reposição garantida do que for retirado e respeito aos ciclos biológicos das diversas espécies" (BARSA. portanto. para que possa fazer a sua síntese integradora que assegure a explicação unitária e global da sociedade rural. em todas as regiões da Terra. 2004). mineração. As principais causas do desmatamento na região eram a criação de gado. É. porque a derrubada de árvores destrói as bacias hidrográficas e empobrece o solo. Esse fenômeno é bastante comum na região centro-sul de Mato Grosso. As transformações atingem "não só o estabelecimento agrícola e o trabalho do agricultor. mais atribuída à recessão econômica do que à consciência ecológica. A Sociologia Rural depende da análise realizada por cada uma das diversas ciências sociais que analisam os fenômenos rurais. o que já foi degradado.2 – As transformações da agricultura. 1998). construção de estradas e hidrelétricas. impedir que o processo de desmatamento indiscriminado tenha continuidade e desenvolver projetos que. As pequenas fazendas precisam se adequar às grandes. Exemplo óbvio é o da Etiópia. exploração de madeira. Muitas vezes elas apenas complementam a produção daquelas. "O desmatamento é uma das principais causas da seca. esta exige novas e constantes transformações para atender a demanda dos demais grupos sociais que a completam e que implicam na adoção de um modo de vida totalmente diferente. cujo estudo é a meta da Sociologia Agrícola. Ásia e África. O processo de degradação afeta diretamente 250 milhões de pessoas e pode chegar a prejudicar um bilhão. agricultura em pequenas propriedades e crescimento urbano". planta-se o que é requerido. mas também – tendo em vista o estreito laço entre o estabelecimento e a família – a transformação da família agrícola" (JOLLIVET. um fator intensificador da pobreza em países da América Latina. com 73%. capital do Senegal. 2. a desertificação causa prejuízos de 42 bilhões de dólares ao ano. uma vez transformado em agricultor e feito membro ativo da sociedade global. e a África. a II Cúpula Mundial sobre desertificação. Em novembro de 1998. 2001:137). as taxas de desmatamento apresentaram uma redução. com 74% de terras áridas ou semiáridas. mesmo ao incluírem a exploração econômica da floresta. São toleradas. e os camponeses a ser agricultores – um grupo reconhecido pela sociedade –. Mas. eram as regiões mais preocupantes (PANORAMA. representantes de 150 países iniciaram em Dacar. por meio de programas de reflorestamento. favoreçam sua recuperação gradual. mas cujas conclusões interessam à Sociologia Rural para complementar a sua análise da sociedade rural. nos municípios de Jaciara e Campo Verde. em particular. é a meta maior da Sociologia Rural.entanto. A América do Norte. O que plantar também deixa de ser uma decisão particular.

entregue ao granjeiro os pintinhos e a ração que comerão até o abate. desejam voltar ao campo. do estabelecimento de novas relações com a indústria. Na expectativa de garantia de venda da produção. por exemplo. de um lado. abandonando-se a idéia original do assentamento de profissionais rurais. Em todas as propostas de assentamento fundiário postas em prática no Brasil. e. Este processo tem sido objeto de muitos estudos. beneficiando um total estimado de 30 mil pessoas" (SOUSA. Na região de Poxoréo. diferente das formas convencionais tradicionalmente utilizadas pelo INCRA. mas não . os acordos com as industrias acabaram sendo cancelados e o projeto está temporariamente desativado. não obtendo sucesso. por exemplo. alguns pequenos proprietários aderiram ao projeto. Tangará da Serra. respectivamente. por gerenciamento inadequado. no caso da avicultura. ainda não houve o envolvimento esperado e. Barra do Bugres e região. Normalmente os assentados são pessoas que trabalhavam como arrendatários e foram desagregados. Depois de atingirem um peso médio de 1. é uma proposta de geração de emprego e renda. a indústria de ração que também industrializa e comercializa o frango. Isso significa que. em decorrência do esgotamento das jazidas diamantíferas que sustentara o seu desenvolvimento desde 1924. em uma área de 6. A indústria destina uma percentagem do preço final. através do assentamento fundiário de 200 profissionais agrícolas. ou então eram sertanejos que saíram do campo e se mudaram para as cidades acreditando que sua sorte mudaria e que. de outro. do acesso tecnológico colocado à disposição da agricultura capitalista. A mesma situação acontece em Nova Olímpia. 1999:6). foi a forma encontrada pelo Governo do Município. As indústrias consumidoras de produtos de origem agrícola ou pecuária chamam estas relações de produção integrada. "A implantação do "TecnoFrutas . com a Superbom. Em 1997 o Município fez acordos com a Maguari. para superar a recessão que passou a vivenciar desde o início desta década. os frangos são entregues para o abate. que pode variar em torno de 15%. Todavia. mesmo com essa mudança. ao granjeiro" (OLIVEIRA. O "TecnoFrutas" — como foi batizado o projeto —. O Tecnofrutas visava produzir alimentos de forma orientada para atender à demanda das indústrias. onde se planta cana para a Itamarati. Para começar a vender a idéia. como alternativa para a mudança de atividade econômica. que foi modificado e transformado em apenas um projeto de produção. Este processo tem sido possível em função. do garimpo para a fruticultura. "Trata-se de algo inédito. desde 1997 a Administração Municipal vem incentivando o plantio do maracujá para fins industriais. a própria Prefeitura implantou dos "Casulos" com o apoio do INCRA.para atender à demanda das indústria de açúcar e do frango. "O processo de desenvolvimento recente no campo brasileiro tem criado condições para que uma fração do campesinato amplie a produtividade no trabalho familiar. 2002:71). cujas metas são a geração de 7.500 empregos diretos.400 hectares.5 kg.o processo de produção e industrialização de Poxoréo – MT". a ser cultivada com frutas tropicais. o costume é assentar "sem-terras". de Minas Gerais e em 2001. através do INCRA. enquanto tentava viabilizar os recursos que viabilizariam o projeto.

o momento em que se deu a transição da pré-história para o período neolítico. em sua grande maioria. com o esgotamento das jazidas. não estão diante da expropriação inevitável pelo avanço das relações capitalistas de produção no campo. Assim.264 mil em 1970 para 1. 2002:72). Dessa forma eles estão vendendo as suas propriedades e vindo para o Centro-Oeste e Rondônia. "A origem da civilização. Onde conseguem comprar grandes áreas de terras. a produção integrada campo/indústria atingiu também o sul do país no que tange à suinocultura – os granjeiros produzem milho e engordam suínos para as indústrias de carne – e à produção de fumo – que atende aos oligopólios das indústrias de cigarros. utilizando o conhecimento e a tecnologia disponível" (SOUSA. "Dessa forma. Para eles. mas sim no seio de um processo contraditório.3. antes que eles sigam os exemplos de seus pais. em virtude da enorme variação de preço do hectare nessa região em comparação com o sul do país. produzida pelo trabalho familiar. acumularam condições para produzirem mais. Normalmente vendem suas propriedades para os vizinhos.o número de propriedades rurais na região sul caiu de 1. pois. pois. os quais devem ser deixados como representantes históricos de uma classe de garimpeiros que está fadada ao desaparecimento na região. Contrariando essa linha. e.145 mil em 1980. As pequenas propriedades do sul estão no limite máximo de sua capacidade produtiva. Uma das idéias que está implícita no Tecnofrutas é que se deve trabalhar as novas gerações para uma nova forma de trabalho que não seja o garimpo. possuem apenas a experiência rural. A renda da terra. o Município de Poxoréo se propõe a realizar o assentamento de "profissionais da terra". mas se realiza parte na indústria e parte no sistema financeiro" (OLIVEIRA. 2. No registro de Ariovaldo de Oliveira. mas que não dominam as modernas tecnologias e conhecimentos. camponês. ao mesmo tempo que o subordina mais. A posição dos camponeses na sociedade. os quais vão se tornando médios e futuros grandes proprietários. Além das situações particularizadas de Mato Grosso. importância capital na história .possuem mais os campos para voltar. ou seja. 1999. o processo de industrialização da agricultura que. 2002:72). a mudança cultural é praticamente inviável. "O que estamos assistindo de fato é. As propriedades são pequenas e limitam a sua capacidade de produção. nada foi senão o surgimento do primeiro campesinato. conseqüentemente. mas não possuem espaço territorial para fazê-lo. São pessoas que. Uma experiência diferente e que se relaciona com Primavera do Leste. vêm abrindo no espaço distante a possibilidade de acumulação" (OLIVEIRA. Não se muda de um dia para o outro. é o caso dos camponeses do sul produtores de soja. não fica com quem produziu. 10). sujeita a renda da terra aos interesses do capital. ao longo dos anos. MT. abrindo espaço no Sul para a continuidade e possibilidade da concentração de terras para uma fração de camponeses que têm acumulado riqueza neste processo. promove o seu deslocamento territorial. A questão em Poxoréo é cultural e cultura é algo arraigado na personalidade das pessoas. pessoas formadas e qualificadas para trabalhar a terra de forma adequada. Os camponeses.2. sem necessariamente expropriar a terra do camponês. Tem ele.

usando instrumentos e técnicas rudimentares e mão-de-obra familiar. florestas e rios um sistema de direitos coletivos que eram respeitados e defendidos por todos os camponeses. O campesinato caracterizava-se por ser uma camada inferior. difundiram-se as empresas agrícolas em moldes capitalistas cujo objetivo era a produção e a venda da colheita. que utilizam os membros da família como força de trabalho. podendo ser vendido ou não o excedente da colheita. no início. preconizado pelo francês Marc Bloch. em oposição ao senhoriato. sendo . No entanto.3. o campesinato francês desenvolveu-se. O produto de seu trabalho destina-se primordialmente ao sustento da própria família. às vezes por temporada. O desaparecimento da escravatura possibilitou o aumento das parcelas arrendadas a colonos. "As principais características desse tipo de campesinato perduram até hoje. constitui sempre a unidade social de exploração da propriedade. "As comunidades passaram a desenvolver sobre os pastos. o que caracteriza a sociedade camponesa da França é sua relação com a instituição senhorial. sem a qual não seria possível compreender nem uma nem outra. como é o caso dos "bóias-frias" brasileiros. coexistiam em propriedades gaulesas o escravo e o colono. "Segundo essa corrente. homem livre que pagava o aluguel da terra ao senhor com parte da colheita. deduzida a parte do aluguel da terra. Surgiram. Teoria histórica. que se empregam como assalariados. O campesinato cultiva extensões limitadas. A classe dos senhores se originou da existência de diferenças de recursos e de prestígio entre os próprios camponeses: o membro do grupo que se destacava por suas qualidades ou riquezas rodeava-se de seguidores. e a dos jornaleiros. subordinada e explorada pelo senhoriato. segundo Bloch. reservando pequena parcela para o sustento do proprietário. denominados parceiros.1. uma vez que dos primeiros núcleos camponeses derivariam as posteriores culturas urbanas. "Campesinato é o grupo social formado pela massa de trabalhadores da terra e pequenos proprietários rurais. Cada família-membro cultivava sua parcela para subsistência e o excedente era vendido ou trocado. no início do século XVIII. então. e o socioantropológico. "O fenômeno do campesinato tem sido estudado sob dois aspectos: o histórico. possuidores de animais de lavoura e de transporte e que eventualmente contratam assalariados. chefiada pelo pai.humana. braçais. O desaparecimento dessa subordinação ao senhoriato não logrou alçar a camada camponesa a uma posição elevada. existiam na França grandes conjuntos familiares. A família. defendido pelo antropólogo americano Robert Redfield. trabalhadores sem terra. os lavradores ricos. a dos camponeses remediados. Outro tipo de senhoriato foi herdado de Roma. e ela permaneceu subordinada a um conjunto de camadas sociais nas quais se inseria como inferior. congregando várias gerações e famílias colaterais estabelecidas na mesma vizinhança.2. Nele se identificam essencialmente três camadas: a dos camponeses ricos. 2. "O campesinato está longe de ser homogêneo. Assim. quando esta não é própria. Com a revolução agrícola. Essa tendência foi diminuindo à medida que se desenvolvia a sociedade e aumentava o empobrecimento dos senhores. em coexistência no entanto com as unidades agrárias camponesas remanescentes.

em regra. "Essa segunda orientação relaciona o campesinato com diferentes tipos de sociedades. submetida à camada urbana. vendendo o excedente da produção nas cidades e passando a ser comandados por citadinos. coexistiu com a escravidão uma camada camponesa semelhante à descrita por Marc Bloch na Europa feudal. praticamente monopolizavam a comercialização dos produtos agrícolas. que passaram a alugar ou arrendar suas terras aos camponeses. ao mesmo tempo em que se multiplicavam os pequenos proprietários camponeses. em segundo plano diante dos fazendeiros monocultores e grandes criadores de gado. possui tecnologia pré-industrial.2. consagra uma porção significativa da colheita à subsistência e utiliza mão-de-obra familiar. Esse tipo de campesinato é formado por unidades domésticas de produção. e continuou após a abolição da escravatura. América Latina. seu trabalho satisfaz as necessidades essenciais da vida. como poder central.2. 2. com os quais não tinham condições de competir. A relação entre o campesinato e a cidade é de complementaridade econômica. 2. Os instrumentos de trabalho são rudimentares e o excedente de produção é vendido ou trocado em mercados locais. Os camponeses tornaram-se policultores. a desapropriação dos bens da nobreza e do clero possibilitou a venda de terras a burgueses citadinos. orientadas primariamente para a subsistência da família. possuidores de animais. "Além de camponeses proprietários. Teoria antropológica. é iletrado.que. localizados em terras devolutas ou sem autorização do proprietário. Sitiantes independentes formavam parte da comunidade camponesa. Entre esses. a comunidade permite que seus membros se desliguem para criar situações socioeconômicas distintas. Nas fazendas monocultoras ou de criação de gado havia. encarregado da produção de alimentos para essas fazendas e para os povoados.3. O camponês constitui uma camada social inferior. e suas características são: atitudes práticas e utilitárias com relação à natureza. cultiva pequenas áreas. os mais abastados. Apesar de sua feição autoritária. (2) parceiros. valorização positiva do trabalho.3. um campesinato livre. acentuou-se a subordinação do campesinato à sociedade urbana em desenvolvimento. uma preocupação com a segurança. uma vez que cabe ao camponês abastecer a cidade. No decorrer do século XIX. o regime de pagamento do aluguel da terra com parte da colheita (meia. elevado apreço à procriação e à progênie. A família é a unidade econômica de base e se insere em um grupo de vizinhança. desejo de enriquecer. contudo. exerce sobre o campo. que pagam o aluguel da terra com uma percentagem da colheita. considerado como um mandamento divino a ser cumprido. Durante a revolução.2.3. sempre existiram: (1) posseiros. os lavradores abastados passaram a se utilizar dos métodos capitalistas. e noções básicas de ética derivadas da importância atribuída ao trabalho. ou o equivalente em . Permaneceram. Os camponeses surgem nas sociedades em que a cidade e o meio rural coexistem em situação mais ou menos equilibrada. "O camponês latino-americano pratica a policultura e a criação em pequena escala. Essa complementaridade deriva da dominação política que a cidade. Era freqüente. "Com a revolução francesa. terça). onde se instalavam. "No Brasil. ao lado dos escravos.

fertilização e recuperação do solo são desconhecidos.4 . que habitam as propriedades monocultoras. No tocante às leis agrárias. adquirindo-as pelo chamado direito de fogo morto.4. Sua problemática confunde-se com os primórdios da agricultura. "O Brasil apresenta uma estrutura agrária em que convivem extensos latifúndios improdutivos. pois os que não possuíam recursos suficientes para receber e cultivar sesmarias. a quem pagam com dias de serviço. Há regiões no país nas quais os processos de irrigação. quando o príncipe regente D. apropriavam-se de terras incultas. . procedentes de vários países da Europa. o analfabetismo prevalece e inexistem as escolas técnico-agrícolas. (3) arrendatários. quando a coroa portuguesa simplesmente transplantou o sistema feudal inoperante da metrópole para as terras da colônia. Por esse direito.1. (4) moradores ou agregados. porém. independentemente da quantidade colhida. medidas que refletem os privilégios dos proprietários mais próximos da metrópole. e apenas três no sul. para os quais o aluguel da terra é fixo. Algumas sesmarias chegaram a atingir uma extensão de cinqüenta léguas. Inauguraram também o regime de posse. A área média das pequenas propriedades não ultrapassa os vinte hectares e a numerosa população rural vive em péssimas condições de higiene e alimentação. "A primeira Lei de Terras do Brasil data de 1850 e proibia a aquisição de terras devolutas. tem sido o maior entrave à justiça social no campo. "A concentração de terras em mãos de poucos grandes fazendeiros. "A má distribuição da terra no Brasil data do início da colonização. localizaram-se no sul e deram início ali ao processo de formação da pequena propriedade agrária. Sua implantação tem como resultados o aumento da produção agrícola.2. cultivassem e tornassem rentáveis. Os colonos. no norte da colônia.3. que concedia autonomia legislativa aos estados da federação. grandes monoculturas de exportação e milhões de trabalhadores rurais sem terra. 2001:339) 2. Questão agrária no Brasil. (5) camponeses sem terra. 2. (BARSA. A lei vigorou até a promulgação da constituição republicana de 1891.2. numa tentativa de coibir o regime de posse.3. o que resulta em elevados índices de mortalidade. estimulou a instalação de engenhos e concedeu vastas sesmarias a indivíduos que estivessem em condições de investir na lavoura canavieira. cultivando nelas certos gêneros.Reforma agrária. exceto por compra. a formação da família patriarcal e a delimitação da propriedade privada. que alugam seu trabalho. o colono podia conservar legalmente as terras que seu trabalho e dinheiro recuperassem. "A primeira modificação importante na legislação agrária do Brasil data da vinda da corte portuguesa em 1808. João sancionou decreto que permitia a concessão de sesmarias a estrangeiros.dinheiro. "Reforma agrária é o termo empregado para designar o conjunto de medidas jurídicoeconômicas que visam a desconcentrar a propriedade das terras cultiváveis a fim de torná-las produtivas. os estados. com permissão do proprietário. "Observa-se hoje no campesinato brasileiro um movimento de migração para as cidades. a ampliação do mercado interno de um país e a melhora do nível de vida das populações rurais. Interessada na produção do açúcar. sistema de propriedade rural que se denomina latifúndio. em conseqüência da falta de um projeto global de política agrária que solucione seus problemas estruturais".

a fim de atender aos princípios de justiça social e ao aumento da produtividade". as atividades agropecuárias. O código civil brasileiro. conseguiu manter incólume o regime de propriedade e os privilégios de que desfrutava. já arcaica e ineficaz no início da colonização.22. proliferaram as denúncias de exploração do trabalho escravo. na segunda metade do século XX. grilagem de terras. O parágrafo segundo do mesmo artigo esclarece que "o objetivo dessa política é amparar e orientar.1. no interesse da economia rural.4. sobrevivendo assim à industrialização e às mudanças sociais ocorridas nos meios urbanos. seja no de harmonizá-las com o processo de industrialização do país".exceto por alterações muito superficiais.2. "O princípio segundo o qual a posse não garante a propriedade vedou ao trabalhador rural o acesso à terra e propiciou a formação de uma casta de latifundiários que se apossou das áreas rurais brasileiras. doação. Na base da pirâmide social. a aprovação de um princípio constitucional segundo o qual a terra não poderia ser mantida improdutiva por força do direito de propriedade. As diferenças sociais se agravaram e estenderam. modificando o regime de sua posse e uso. sucederam-se os decretos que regulamentaram aspectos da propriedade da terra. "Tradicionalmente identificado com o setor mais conservador da cena política brasileira. regeu a ocupação do Centro-Oeste e da Amazônia. compra e venda. Em seu artigo primeiro. mas nenhum modificou fundamentalmente a má distribuição da propriedade fundiária no país. em 1963. "Em 30 de novembro de 1964 o Congresso Nacional aprovou a lei número 4. Depois da constituição das organizações internacionais de direitos humanos. o latifúndio exerceu sempre poderosa influência sobre as decisões oficiais. que dispôs sobre o Estatuto da Terra. ainda. endossaram os princípios e normas da Lei de Terras. que interrompeu a ampla mobilização nacional em favor da reforma agrária. Multiplicaram-se as propriedades de dez mil. reversão à posse do poder público de .4. Por meio de seus representantes nos órgãos de governo locais e federais. Reza. que exigia aprovação do Senado para qualquer concessão superior a dez mil hectares. promulgado em 1916. Estatuto da Terra. 2. 2.1. assassinato de líderes dos trabalhadores rurais e toda sorte de violência.504. em flagrante desobediência à constituição de 1946. uma vasta classe de despossuídos foi relegada à mais extrema miséria e teve suas reivindicações reprimidas sistematicamente com violência. pela execução das seguintes medidas: desapropriação por interesse social mediante prévia indenização em títulos da dívida pública. arrecadação dos bens vagos. que o acesso à propriedade territorial será efetivado mediante a distribuição ou a redistribuição de terras. cem mil e até um milhão de hectares. Por essa via. Sobreveio então o golpe militar de 1964. "A partir da proclamação da república. Aqueles que não tivessem regularizado suas posses até o início da vigência do código só poderiam fazê-lo com base no instituto do usucapião. "A mesma legislação. Problemas sociais e ação política. o estatuto define a reforma agrária como "o conjunto de medidas que visam a promover melhor distribuição da terra.2.1. "O governo do presidente João Goulart propôs. seja no sentido de garantir o pleno emprego.3. proibiu a legitimação das posses e a revalidação de sesmarias. se pretendia distribuir pequenos lotes a dez milhões de famílias.3.

água. relevo. e com o meio ambiente . o bem-estar futuro da humanidade depende fundamentalmente de uma atitude positiva voltada para a conservação da natureza.um profundo equilíbrio. A fim de promover e coordenar a implementação do estatuto e decretos complementares. Financiava-se a pequena propriedade e não se avaliava os resultados do investimento. cuja ação se baseia na ocupação de terras para pressionar o governo a fazer a reforma agrária. que permite a desapropriação imediata das terras. "Em julho de 1985 o governo instituiu o Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário.2. O meio ambiente.5. o Congresso aprovou duas medidas para facilitar a reforma agrária: o aumento dos percentuais do imposto territorial rural (ITR) para as propriedades improdutivas e o rito sumário. a qualquer título. Durante muitos anos trabalhou-se com a idéia de fundo perdido. as plantas e os animais são essenciais à vida do homem. a água. herança ou legado.2. ou seja. entende-se por conservação da natureza ou conservacionismo o esforço centrado em políticas e técnicas que têm por fim preservar na Terra condições propícias à vida e a uma integração maior entre as espécies. sua existência em comum. para executar o Estatuto da Terra. um grau de risco pequeno. Como esses recursos não são inesgotáveis. "A constituição de 1967 endossou o estatuto ao permitir a desapropriação da propriedade rural com o objetivo de promover a justiça social. 2. em 1970. o solo. "O ar. Nem o governo. proposto pelo novo ministério. energia solar etc. solo. de 25 de abril de 1969. mas enfrentou forte resistência no campo para sua implementação. por terceiros. o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). segundo os quais a matéria viva." .4.terras de sua propriedade indevidamente ocupadas e exploradas. Os princípios básicos de conservação da natureza foram enunciados pelos ecologistas. Tais comunidades mantêm entre si. que absorveu as atribuições dos órgãos anteriores. constituindo comunidades bióticas. o governo federal criou. . Em 1996. A partir do fim da década de 1980 intensificaram-se os conflitos no campo e surgiram novos grupos em defesa da reforma agrária. Esse desenvolvimento vem sendo controlado por empresas contratadas pelo governo especialmente para auxiliar e orientar os pequenos proprietários na montagem dos projetos. 2. no ecossistema. composta de centenas de milhares de espécies e variedades de animais e plantas. Hoje trabalha-se com a idéia do desenvolvimento local integrado e sustentável (DLIS). que é a essência que determina e regula. nem os organismos financeiros internacionais estão querendo financiar projetos que não apresentam um retorno concreto.ar. tinha como principal instrumento a desapropriação e previa o assentamento de sete milhões de trabalhadores." "Em sentido amplo. em zonas críticas ou de tensão social. O mais importante deles foi o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). se distribui no planeta segundo uma ordem naturalmente harmoniosa. nas biocenoses. ou seja. O Plano Nacional de Reforma Agrária. O desenvolvimento local. A base da indenização aprovada foi o valor declarado para efeito de pagamento do imposto territorial rural. regulou o processo especial de desapropriação dos imóveis rurais situados em áreas declaradas prioritárias. os minerais. O decreto-lei nº 554. Com o DLIS surge uma nova situação em que faz-se necessário comprovar a viabilidade do projeto.

fontes alimentares e locais de procriação." "Basta que seja alterado um dos elementos do ecossistema. os troncos das árvores e as raízes expostas. arrastando húmus e minerais solúveis. São essas as principais causas da erosão acelerada. Nessas circunstâncias. A rápida transformação do ambiente provocada pelo homem não obedeceu. mas sobretudo em áreas planas. O calor do fogo dilata as partículas minerais que. acarretando profundas alterações na distribuição das populações animais. capazes de arrastar ladeira abaixo árvores." "Já a água de escoamento superficial aumenta de volume e desce incontrolada pelas vertentes. após chuvas prolongadas." "Em trechos de encostas íngremes. Não sendo absorvida pelas raízes."Assim." "Os incêndios nas matas. poluição. da fauna. Assim se explica. mas apenas no de "condições ambientais". Ao procurar defender os "recursos naturais". empobrecimento ou esgotamento dos solos. A carga sólida dos cursos fluviais também sofre considerável aumento. formando enxurradas. bem como partículas finas em suspensão. quando as primeiras dessas leis são transgredidas. eliminando-se a cobertura florestal numa vasta superfície de relevo acidentado. todo o regime de águas é logo perturbado. o papel de uma verdadeira esponja. porém. o conservacionista não toma o vocábulo "recursos" no mesmo sentido que o economista. É comum que esse processo de ravinamento tenha início num corte de estrada ou de caminho carroçável. a formação de crostas no solo. e sim a leis econômicas. a maior parte da água que se infiltra penetra diretamente no solo até o lençol freático. e diferenciados em escala crescente à medida que os meios técnicos evoluíam. se desaparece. ou então em ravinas. que não ocorria antes devido aos obstáculos impostos pela capa de húmus do solo. torna-se muito menor a evaporação da água das chuvas. foram determinados os princípios da conservação dos solos." "A derrubada de matas ou sua destruição pelo fogo causam danos imediatos à fauna. Desde o surgimento da sociedade humana. Essa erosão pode ocorrer sem leito definido. para que todo o conjunto venha a se modificar profundamente. podem provocar a lixiviação. além de um determinado ponto crítico. a leis de conservação da natureza. Assim. erosão ou lixiviação (lavagem de sais do solo) aceleradas. com a extinção de seus refúgios. isto é. o homem tornouse cada vez mais capaz de criar ambientes artificiais. em qualquer tipo de topografia. Em determinadas . segundo o clima reinante na região. Os rios que percorrem regiões florestais devastadas alteram em pouco tempo sua descarga e tendem a um regime torrencial. ditos antropogenéticos (as "paisagens culturais" dos geógrafos). estudados pormenorizadamente cada um dos componentes dos ecossistemas. chamadas voçorocas no sul do Brasil. por exemplo. no caso. desencadeiamse processos como degradação ou devastação da flora. blocos de pedra e eventuais construções. razão pela qual ficam obstruídos muitos rios outrora navegáveis. da flora. que podem ser lateríticas ou calcárias. variável em cada região natural. são freqüentes os deslizamentos de terra. alteração do regime de águas ou do clima. por onde as águas se infiltrarão. das águas continentais e marinhas. A mata exerce. aumentam muito o número de fissuras do solo." "Aspectos da degradação. após seu esfriamento. significando riqueza potencial. em que se alternam inundações e secas. extermínio da fauna. em zonas de vegetação aberta. formando sulcos profundos nas encostas.

O movimento protecionista. nos Estados Unidos preservou-se em 1864 o vale do Yosemite e em 1872 foi criado o primeiro parque nacional do país. Bruxelas." "Graças ao estudo dos morcegos." "Impondo-se a mentalidade conservacionista e o conceito da essencialidade de manutenção do equilíbrio. bem como entidades privadas. o de Yellowstone.circunstâncias. por exemplo. voltada para o estudo do comportamento animal. já ampliou em muito a noção de sua utilidade para os seres humanos. todos têm um papel a desempenhar. que criou condições para que sejam poupadas centenas de milhares de vidas infantis. da Índia. de seus recursos instintivos e de seus modos de vida. ante a evidência de que. Os japoneses." "Em 1900 realizou-se em Londres a Conferência Internacional de Proteção aos Animais da África. Certas iniciativas pioneiras já datavam de fins do século XIX. onde o Buda se inspirava. no Japão implantaram-se em 1868 as áreas verdes de Matsushima. onde os mandarins mantinham espécies de particular interesse em pequenos parques". justificando-se sua conservação e proteção cuidadosa pelas próprias razões que esses papéis indicam. desde 1910 até sua morte em 1929. Amanohasidate e Miyajima. passaram a reconhecer que a proteção da natureza é assunto de alcance internacional. aves corredoras e rapaces começam a predominar. que. e na China. com sua longa tradição de respeito pelas coisas da terra. alguns governos. Da mesma forma." "Evolução da mentalidade ecológica. Relevante foi o empenho do naturalista suíço Paul Sarasin. na organicidade de cada ecossistema. 1928). Assim. Fontainebleau. lutou pelo estabelecimento de uma Comissão Internacional de Proteção à Natureza. os enfoques de uma nova ciência. na Índia.fato tomado como exemplo dos benefícios que paralelamente procedem da observação da vida das plantas. feita com isenção de julgamentos prévios. instituiu-se em 1898 o parque El Chico. simples fungos que infestavam lâminas de microscópio conduziram à invenção da penicilina e à produção de toda uma gama de antibióticos . 1948) e finalmente se estabilizou como International Union for Conservation of Nature and Natural Resources (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos . Daí aos sensores remotos foi um passo. A observação científica dos animais. Há milhares de anos existem nessa região áreas destinadas a proteger animais. que permite a orientação na neblina ou na escuridão. possibilitaram a descoberta do fator sanguíneo Rh. como em Sarnath. O Extremo Oriente teve a primazia da mentalidade conservacionista." "O antigo conceito simplista de animais úteis e nocivos teve de ser abandonado. evitando acidentes. no México. cuja influência se estenderia a todo o mundo entre as duas guerras mundiais. Em 1895 foi criada uma Comissão Internacional para a Proteção das Aves Úteis à Agricultura. "Desde o início do século XX. ressurgiu como The International Union for Protection of Nature (União Internacional para a Proteção da Natureza. a etologia. sobre espécies arborícolas e voadoras que se alimentam de plantas. difundiram a teoria e a prática da arquitetura paisagística. levaram a uma visão bem diversa das relações entre o homem e as diferentes espécies que com ele compartilham a existência na Terra. Os macacos Rhesus. os zoólogos abriram caminho para a descoberta do radar. após organizar-se como Office International pour la Protection de la Nature (Organização Internacional para a Proteção da Natureza.

" "O evento de maior amplitude e de repercussão mais profunda.5. a Declaração de Princípios das Florestas. O primeiro documento a referir-se expressamente à conservação da natureza. "Conservacionismo no Brasil. foram aprovados documentos de fundamental importância para a conservação da natureza. a Convenção do Clima e a Agenda 21". . Em 1861 fez-se a primeira experiência brasileira de reflorestamento tropical. sugeriu em seu livro Memória sobre a fundação e custeio de uma fazenda que os fazendeiros evitassem reduzir a cinza as preciosidades vegetais e que o governo tornasse obrigatório o plantio de "paus de lei" à beira das estradas. como ficou conhecida. com a presença de representantes de 62 países e observadores de numerosas entidades. em 1940. ao mesmo tempo. Em 1821. foi a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. 1997. se pusessem a condição de que a sexta parte do terreno nunca haveria de ser derrubada e queimada. em Washington. passando a figurar com destaque entre as plataformas partidárias e as metas de novos governantes". e a Conferência Intergovernamental de Especialistas sobre as Bases Científicas para o Uso Racional e Conservação dos Recursos da Biosfera. "A própria sociedade. "Malgrado a criação. teve a adesão de 178 países e contou com a presença de mais de cem chefes de estado. Francisco Peixoto de Lacerda Werneck. promoveram-se diversos congressos. em Paris. Edimburgo. começou a agir de forma organizada pela conservação da natureza. como a Convenção da Biodiversidade. em 1937. 2001:361) BIBLIOGRAFIA ABRIL. em vista dos problemas de poluição e degradação ambiental que se acumulavam no final do século XX." "Objetivando o intercâmbio técnico-científico e a difusão dos conhecimentos conservacionistas. sem que se fizessem novas plantações de bosques". foi a carta régia de 13 de março de 1797. Silvestre e Tijuca. São Paulo: Abril. no Brasil. ratificada pelo Brasil em 1965. no Rio de Janeiro".Naturais.2. em 1968. 1956). A luta pela defesa da natureza. de diversos órgãos governamentais que se sucederam no tempo com específicas atribuições conservacionistas. 2. como a Convenção para a Proteção da América. a partir das décadas de 1920 e 1930. o barão de Pati do Alferes. não raro exercendo pressão sobre as autoridades públicas por decisões mais enérgicas. que advertia contra o perigo de destruição das matas. Grupos e entidades ecológicas tornaram-se cada vez mais comuns. sob os auspícios da União Pan-Americana. Na Eco-92." "Na década de 1860. em sintonia com o que então ocorria no restante do mundo". José Bonifácio de Andrada e Silva propôs que "em todas as vendas de terras que se fizessem e sesmarias que se dessem. Realizada no Rio de Janeiro. Almanaque. tomou feição crescentemente política. dos primeiros parques nacionais e. a consciência da necessidade de proteger a natureza só começou a difundir-se entre a população brasileira após as décadas de 1960 e 1970. nas florestas das Paineiras. em junho de 1992. mobilizando-se em campanhas ao sentir o impacto da degradação de seus ambientes.1. (BARSA.

com Última atualização em 01 de janeiro de 2001. LAKATOS. URL: http://www. Sample. Eva Maria & MARCONI. Porém é . Pesquisa educacional. Busca-se compreender de que forma essas influências teóricas determinam a forma em que os cientistas sociais têm interpretado o “mundo rural” brasileiro.net Arquivo consultado em 02 de maio de 2004. pela variedade de temas tratados. Gevilacio Aguiar Coêlho de. Brasil: para compreender a história.poxoreo. SOLUÇÕES. pela influência de referenciais marxistas. PRETI.com. SOUSA. Disponível na Internet via WWW. 1976. Eric R. Cuiabá: UFMT. Izaias Resplandes de. URL: http://www. Arquivo consultado em 02 de maio de 2004. e pelo outro. Nova Enciclopédia. 2002. O que é sociologia. Miguel.ed. MT.ed. 1994. WOLFO.. Arquivo consultado em 02 de maio de 2004. 2001. Marcel. [online]. Oreste. São Paulo: Saraiva. URL: http://www. MARTINS. Rio de Janeiro: Zahar. pelo número significativo das pesquisas empíricas realizadas que possibilitaram a coleta de abundantes informações e dados sobre a realidade agrária. (Coleção Primeiros Passos. 5. São Paulo: Contexto. Sociedades camponesas.cjb. Disponível na Internet via WWW. MOURA. A "vocação atual" da sociologia rural in Estudos Sociedade e Agricultura. A CRISE DA SOCIOLOGIA RURAL NO BRASIL E SUAS TRADIÇÕES TEÓRICAS William Héctor Gómez Soto1 RESUMO Este artigo faz uma avaliação da crise da sociologia rural no Brasil a partir da análise das tradições teóricas que a influenciam principalmente a vertente sociológica americana e o marxismo clássico. Teoria tridimensional do Direito. 2003.biomania. Biografia de Thomas Robert Malthus.ed. [online].BARSA. Ariovaldo Umbelino de. por um lado. [online]. Vol. A terceira onda. A geografia das lutas no campo. novembro 1998: 5-25. São Paulo: Barsa. 1999. 57). 1.quatrocantos. URL: http://www. MARCELIB. Cuiabá: UFMT. Disponível na Internet via WWW. Sociologia geral. 1997. TOFFLER. [online]. OLIVEIRA... INTRODUÇÃO A produção teórica sobre o “mundo rural” no Brasil dos últimos trinta anos poderia ser caracterizada. São Paulo: Editora do Brasil. São Paulo: Record. JOLLIVET.. REALE. 11.br/biografias. Tecnofrutas: o processo de produção e industrialização de Poxoréo. Renato. 22. São Paulo: Brasiliense. 7. 1999. Marina de Andrade.ed. 11. Alvin. Disponível na Internet via WWW. Citações e referências a documentos eletrônicos. 7ª série.. 1997. ed. Carlos Benedito.. 2. São Paulo: Atlas. 1992.

enquanto que a nível internacional existe uma outra dinâmica que incorpora novas questões e novas perspectivas teórico-metodológicas para entender velhos problemas. Na quarta 1 Doutor em Sociologia (UFRGS) e Prof. Em seguida. tendo como ponto de partida a compreensão da evolução da sociologia rural americana. trata sobre a produção teórica brasileira sobre o “mundo rural”. Alguns autores brasileiros parecem ter dificuldade em deixar de lado “velhas idéias” como a “diferenciação social na agricultura e a polarização de classes” oriunda da “tradição marxista clássica”. seu contexto histórico e as principais visões. Na primeira parte. existe uma relativa incapacidade da “sociologia rural” brasileira de explicar as mudanças no “mundo rural”. às tradições teórico-metodológicas funcionalistas. parece ter reduzido as possibilidades de inovações teóricometodológicas que. iniciado a meados da década de 70 e caracterizado pela recuperação crítica das tradições teóricas de Marx e de Weber e pela emergência de novas questões de pesquisas. do Instituto de Sociologia e Política (UFPEL). Apesar disso. tentamos apreender o processo de mudanças dentro da sociologia rural americana. em menor grau. Atualmente. Este artigo está estruturado em cinco partes. A ausência de um debate científico e livre de conotações “ideológicas” sobre a problemática agrária. A terceira parte. .necessário assinalar que uma parte importante dessa produção teórica está vinculada. discutimos as tradições teóricas da sociologia rural. ao mesmo tempo contemple as mudanças da realidade e as discussões a nível internacional. predominantes na sociologia americana da década de 60. alguns autores começam a chamar a atenção sobre a necessidade de repensar o “mundo rural” a partir das transformações que estão ocorrendo em escala mundial.

Uma que pode ser chamada de “funcionalista” e a outra de “marxista clássica”. onde o estudo sobre a agricultura foi construído como um dos muitos elementos necessários para compreender a estrutura social da vida comunitária rural. a perspectiva teórica que dominava a sociologia rural (o continuum rural-urbano) entrou em crise. Kentucky e Iowa. queremos chamar a atenção sobre as transformações econômicas e sociais que estão fazendo emergir um novo “mundo rural” . A terceira época. cuja manifestação mais conhecida foi a difusãoadoção de inovações. na sociologia rural americana pode-se identificar três etapas: a primeira vai do início deste século até os primeiros anos da década de 50. 1982) mostraram que os conceitos de “urbano” e “rural” não eram nem variáveis explicativas nem categorias sociológicas.2 parte. O aspecto mais importante dessa nova sociologia rural refere-se ao conceito de “estrutura da agricultura”. De acordo com Buttel et al (1990). Newby (1982) tem argumentado que os trabalhos inovadores sobre a agricultura. início da década de 50 até início da década de 70. Durante esse período a sociologia rural americana foi dominada por uma perspectiva que definia os produtores como atores que podiam responder a estímulos e a novas tecnologias. um conceito que foi deixado de lado na pesquisa social anterior aos anos 70. Sorokin e Zimmerman)2. A sociologia do “mundo rural” e suas tradições teóricas A sociologia do “mundo rural” tem estado influenciada principalmente por duas tradições clássicas. é conhecida como a época do enfoque do comportamento psico-social. A inícios da década de 50 essa tradição foi questionada por um novo grupo de sociólogos rurais influenciados pela Psicologia Social e formados principalmente na Cornell University e nas universidades de Wisconsin. A segunda época. A sociologia rural anterior a 1950 teve uma orientação teórica baseada no continuum rural-urbano (Toennies. Essa situação de “esgotamento” está dando lugar a novas concepções teóricas-metodológicas que alguns autores chamam de “nova sociologia rural” (Newby) ou “sociologia da agricultura” (Buttel). refere-se à “nova sociologia da agricultura”. desde a metade da década de 70. Ambas as tradições parecem insuficientes para dar conta das mudanças que estão ocorrendo no mundo rural brasileiro. Alguns autores (Gans e Pahl apud Newby. portanto totalmente incapaz de abrigar o caráter explicativo que se lhe atribuia. e que separam a sociedade rural da urbana. constituem uma “nova sociologia rural”. 1. A meados dos anos 60. A noção de continuum rural-urbano estabelece uma série de traços da sociedade urbana e a sociedade rural que se supõem funcional e causalmente conectados. Essas diferenças são apresentadas . Missouri. O continuum rural-urbano perdeu utilidade na medida em que a população rural diferenciava-se cada vez menos da população rural. devido a razões teóricas e empíricas. Minnesota. Esses autores mostraram que o conceito de “rural” era essencialmente descritivo e empírico e.

Em outras palavras.por Sorokin e Zimmerman como extremos de uma escala polar de muitas gradações. Entre o meio rural e o meio urbano existe uma gradação infinita. existem inúmeros escalões intermediários que vão criando uma transição insensível entre o meio rural propriamente dito e o meio urbano. “Desde a habitação rural isolada e até a grande cidade. 1973:12) 2 . existe um contínuo.” (Solari.

organização e mudanças sociais. Teorias de médio alcance. Por exemplo. 1952. apenas guardam uma superficial semelhança com as obras de Durkheim e Weber. Nesse período a sociologia rural foi mais quantitativa que durante a tradição dos estudos da comunidade rural (1900-1950). Para Buttel et alii (1990) a síntese parsoniana e a elaboração de Merton. onde se combinava o raciocínio da psicologia social com um tipo de análise funcional (ou seja. Apesar dessas críticas. 1950. De acordo com Buttel et alii (1990) os primeiros estudos dentro dessa tradição foram. familiares e organizacionais) e relacionados com determinadas unidades de análise.3 Os sociólogos rurais. Ocupa uma situaçào intermediária entre as teorias gerais de sistemas sociais. como a teoria da difusão e adoção de inovações. mas hipóteses necessárias de trabalho que surgem em abudância durante a rotina das pesquisas diárias e os amplos esforços sistemáticos para desenvolver uma teoria unificada capaz de explicar todas as uniformidades observadas de comportamento. Weber criticou amplamente as metodologias que implicavam a imposição da proposta hipotético-dedutiva das ciências naturais sobre as ciências sociais. dentro da tradição da psicologia social consideravam que os agricultores eram atores sociais capazes de responder ao estímulo de novas tecnologias agrícolas. assim como dos meios de comunicação e do sistema educacional. a noção de que a adoção de novas tecnologias poderia contribuir para uma mudança social positiva). as quais estão muito afastadas das espécies particulares de . E. elaborados por Hoffer (1942)4 e Ryan e Gross (1943)5 em Michigan e Iowa respectivamente. 1954)6 da Universidade de Chicago Merton denomina. revolucionou a pesquisa e deu coerência à sociologia americana e definiu um modelo de pesquisa sociológico que em muitos aspectos. a sintonia do funcionalismo com a análise causal a nível micro era estranha às noções centrais de Durkheim na sua análise da sociedade. Isto era uma premissa para compreender a expansão de novas tecnologias e significava uma postura a favor das mudanças tecnológicas. A noção de Merton tinha como objetivo permitir que os sociólogos transformassem certas proposições abstratas do funcionalismo parsoniano em hipóteses testáveis com dados a nível micro (individuais. Emile Durkheim e Max Weber eram considerados os modelos clássicos de pesquisa dentro da tradição da psicologia social da sociologia rural. Wilkening (1949. O mesmo pode se dizer em relação ao método históricocomparativo de Weber. A teoria de adoção-difusão de inovações foi o protótipo da “Theory os Middle-Range”. a partir da síntese parsoniana e de uma incipiente Teoria da Ação enquanto que a noção da Theories of the middle range3 de Merton era a noção central na pesquisa sociológica e na sociologia rural das décadas de 50 e 60.A. mantém sua influência até hoje. Essa orientação teórico-metodológica reflete-se na sociologia rural até inícios da década de 70. as teorias intermediárias entre as pequenas. “A teoria de médio alcance é usada principalmente na sociologia para servir de guia às pesquisas empíricas. Na tradição de pesquisa dentro da linha da difusão/adoção o agricultor era visto como um ator que respondia a diversos estímulos para melhorar a produção agrícola. a agenda mertoniana das Teorias de alcance médio (Middle-Range Theory).

Charles M. 316. “A sociopsychological study of the adoption of improved farming practices”. Eugene A.”Merton (1970:55) 4 Hoffer. Bryce e Gross. Special Bulletin No. 5 Ryan. Acceptance of approved Farming Practices Among Farmers of Dutch Descent. Rural Sociology 14 (March).comportamento. “The diffusion of hybrid seed corn in two Iowa communities”. East Lansing: Michigan Agricultural Experiment Station. Neal C. Rural Sociology 8 (March): 15-24 6 Wilkening. organização e mudanças sociais para explicar o que é observado e as minuciosas ordenadas descrições de pormenores que não estão de modo algum generalizados. 1949: 68-69 3 .

Também foram notáveis as contribuições de Fliegel (1956)7. por acreditar que os pequenos produtores agrícolas não tinham acesso às novas tecnologias além de serem ecologicamente destrutivas. do campesinato. particularnente das obras de Marx. Frederick. Outros analisaram os impactos ecológicos da modernização da agricultura e argumentaram que os pesquisadores deviam considerar as variáveis ecológicas se eles queriam compreender a organização social e as mudanças tecnológicas na agricultura. a dinâmica central era a penetração do capital urbano-industrial na agricultura e o desaparecimento. Na década de 70 uma nova geração de sociólogos rurais foram influenciados pelas críticas de Mill. 1952: 272-275. Em 1959. Essas perspectivas teóricas sobre a agricultura eram principalmente dedutivistas na medida em que buscavam identificar a lógica particular do desenvolvimento agrário. 1954: 29-37. Para Lenin. A reavaliação da perspectiva teórica dominante na sociologia rural nas décadas de 50 e 60 pode levar a uma nova sociologia rural. Essa busca significou a redescoberta de um conjunto de propostas clássicas para a compreensão do desenvolvimento agrário. Beal. Joe.” Rural Sociology 21 (September/December). .” Amercican Sociological Review 19 (February). Alguns sociólogos rurais analisaram a estrutura da pesquisa agrícola e o papel da sociologia rural no desenvolvimento e difusão de novas tecnologias. George e Bohlen. na sua Imaginação Sociológica. Kautsky e Chayanov. Lionberger (1960)9. Lenin. 1958:97-102 7 Fliegel. and family integration. ____________________ “An introductory note on the social aspects of practice adoption. ____________________ “A sociopsychological approach to the study of the acceptance of innovations in farming. Igualmente. baseada no marxismo. “A multiple correlation analysis of factors associated with adoption of farm practices. family decision-making. Muitas das preocupações da sociologia rural traduziam-se em crítica da revolução verde. Coughenour (1960)10 e Rogers (1962)11. Beal e Bohlen (1957)8.4 exerceu uma grande influência nas primeiras pesquisas de difusão e adoção de tecnologias agrícolas. A segunda tradição (19751985). por exemplo. essa tecnologia tinha como efeitos a marginalização da agricultura familiar e dos trabalhadores. As críticas de Mill receberam pouca atenção dos sociólogos rurais. lento. Gouldner e outros. 1956: 284-292. mas inevitável. 1950: 352-364. caracteriza-se pela busca de teorias adequadas para compreender as estruturas agrárias modernas. ____________________ “Informal leaders and innovators in farm practices” Rural Sociology 17 (September).” Rural Sociology 15 (December). ____________________”Change in farm technology as related to familism. Wright Mill criticou a teoria parsoniana e chamava a atenção de que as Teorias de Médio Alcance de Merton conduziam a um empiricismo abstrato que sufocava a imaginação sociológica. Para Kautsky. a lógica básica do desenvolvimento agrário era a vinculação entre a estrutura de classes e a diferenciação social na agricultura e a formação de um mercado interno no capitalismo.”Rural Sociology 23 (June).

Ames: Iowa State University Press. Adoption of New Ideas and Practices. Milton. 1962. Special Report 18. 8 .” Rural sociology 25 (September). “The functioning of farmers charecteristcs in relation to contact with media and practice of adoption. Everett M.The Diffusion Process. Diffusion of innovations. 1960 10 Coughenour. Ames: Iowa Agricultural Extension Service 9 Lionberger. Herbert F. C. 1960: 283-297 11 Rogers. New York: Free Press.

Porém.. Quando os trabalhadores exerçam a cooperação e a propriedade comum da terra e dos meios de produção será superada a contradição entre o trabalho social e a apropriação privada. O Capital de Marx: “. Esses caráter transitório do campesinato (e de todos os pequenos proprietários) explica a ausência de um conceito de camponês na obra de Marx. mas voltada. somente os camponeses pobres apoiariam a revolução socialista. sociais. De acordo com Abramovay (1992:36). ao mesmo tempo. Para Lenin se o campesinato em seu conjunto apoiaria a revolução democrática. Cabe salientar que Marx não trata sobre as tendências e funções da agricultura familiar no desenvolvimento capitalista. por exemplo para garantir a acumulação do capital urbano-industrial. essas teorias dedutivas tendem a estar baseadas em argumentos teleológicos.5 Essas teorias dedutivas da estrutura agrária foram úteis no seu tempo e ainda podem fornecer elementos importantes para a pesquisa. Portanto é na produção de mercadorias que se encontra a base da diferenciação social que provoca o surgimento das classes sociais. Isto se explica pela própria lógica de sua obra. A ênfase de Lenin na diferenciação social do campesinato deve ser entendida na sua tentativa de demonstrar a impossibilidade de estabelecer uma ampla aliança de classes para realizar a Revolução na Rússia.” Abramovay (1992:33) No capitalismo. Portanto os esforços dos socialdemocratas russos deveriam centrar-se na organização naqueles camponeses que mesmo sendo proprietários vendiam sua força de trabalho. somente pode satisfazer suas necessidades através do mercado e é ali onde se manifesta a contradição entre o caráter social do trabalho e a apropriação privada de seu resultado. Segundo Abramovay (1992). Se receber salário tratase de um trabalhador assalariado. Referimos-nos a Questão Agrária de Kautsky e a Desenvolvimento do capitalismo na Rússia de Lenin. um operário e não um camponês. . o produtor de mercadorias. ou para racionalizar a produção agrícola. Dessa forma surge uma nova relação social baseada na cooperação. Sendo a burguesia e o proletariado as classes fundamentais da sociedade capitalista. Além disso. A burguesia e o proletariado expressam essa contradição. onde o ponto de partida contém o destino final da trajetória: a mercadoria resulta de atividade particular. situa-se no plano de uma fenomenologia das formas sociais. a “impossibilidade de definir claramente seus rendimentos demonstra que o conceito de camponês n’O Capital é logicamente impossível”. Se o camponês obtém lucro. o campesinato está fatalmente condenado a desaparecer. as duas obras clássicas sobre a problemática agrária dentro da tradição marxista devem ser analisadas de acordo com o contexto de debate político em que seus autores estavam inseridos. Os debates da socialdemocracia alemã e Russa e os trabalhos de Kautsky e Lenin não se apoiavam nas conclusões de O Capital nem nas partes das Teorias da Mais-Valia em que Marx analisa a questão agrária.. para a satisfação de necessidades gerais. privada. ele se torna um capitalista. esses argumentos dedutivos abstratos tendem a perder força explicativa diante variações espaciais e temporais. Esses argumentos enfatizam que existe uma lógica última do desenvolvimento que se explica pela necessidade de sua própria dinâmica.

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os . Pelo outro. Para Abramovay (1992:42) a idéia da diferenciação social de Lenin deve ser entendida no contexto do debate entre bolcheviques e mencheviques. Para eles.. O trabalho de Engels A questão camponesa na França e na Alemanha. O desaparecimento desse objeto de estudo subverteu a confiança dos sociólogos rurais dedicados a analisar as diferenças entre o “rural” e o “urbano”. Para os primeiros. Por sua vez.6 É sobre essa idéia da diferenciação social do campesinato que se formou o mais importante paradigma marxista sobre a questão agrária. os camponeses poderiam se unir aos proletários na construção da sociedade socialista. se insere nesse dilema e denuncia a falsidade dos socialdemocratas que fomentavam a ilusão da permanência dos camponeses no capitalismo e no socialismo. No interior do partido havia duas tendências.1995 Os problemas de definição da sociologia rural partem do fato de que o “rural” não constitui uma categoria sociológica. mostrou ser falsa. tornado esta idéia o ponto de partida e de chegada de suas análises. ou estavam estreitamente vinculados a ela. Além disso. a não ser exigir as mesmas condições de trabalho no campo e na cidade. a contradição entre progresso técnico e agricultura familiar enfatizada por Kautsky. O desenvolvimento do capitalismo no campo não resultou na proletarização dos pequenos produtores. os camponeses se tornariam capitalistas ou proletários. Na Questão Agrária. A sociologia rural podia definir-se como o estudo dos que moravam numa localidade rural e se dedicavam à produção de alimentos. aqueles que buscavam levantar algumas reivindicações específicas para o campesinato (crédito. No passado esse problema permaneceu oculto devido a que na maior parte das zonas rurais dos países capitalistas industrializados coincidiam as localidades de residência e de trabalho. aqueles que consideravam o campesinato em processo de rápido desaparecimento. Portanto o partido não deveria incluir nenhuma reivindicação camponesa (enquanto proprietários) no seu programa. Igualmente Kautsky rejeita qualquer possibilidade de incluir no programa do partido qualquer tipo de reivindicação camponesa. Argumentavam também que a pequena produção era tecnicamente superior à grande exploração capitalista.. Kautsky tentou demonstrar a inutilidade de dedicar esforços na organização do campesinato em processo de desaparecimento devido principalmente à superioridade técnica da grande exploração agrícola. Contudo. a tarefa o partido deveria organizar os trabalhadores assalariados agrícolas e explicar aos camponeses a inevitabilidade de seu desaparecimento. Por um lado.propriedades objetivas e universais do desenvolvimento do capitalismo no campo”. por exemplo). Os anos de mudança: 1975 . mais do que “. a obra de Kautsky deve ser compreendida no contexto do debate da socialdemocracia alemã na busca do apoio da população rural para ampliar sua representação parlamentar. Para Engels. 2. Enquanto as populações rurais ficavam menos homogêneas. Os marxistas estudiosos da problemática agrária dedicaram-se a encontrar a tendência da diferenciação social. as previsões de Lenin e Kautsky não se realizaram. Na base dessa argumentação encontra-se a idéia de que os socialdemocratas não poderiam levantar reivindicações de qualquer setor social proprietário de meios de produção.

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de forma indutiva. A sociologia rural parece enfrentar um conjunto de problemas relativos ao seu objeto de estudo. A história desta disciplina tem sido obstaculizada pela busca fútil de uma definição sociológica do “rural” e pela resistência a desconhecer que esse termo é uma categoria empírica mais que sociológica. quantitativo e “aplicado”. Muitos sociólogos têm negado a possibilidade de estudar a sociedade rural como uma parte da sociedade em seu conjunto. Contudo. Novos problemas sociais e sociológicos emergentes estariam provocando nos sociólogos rurais o sentimento de que eles não estavam suficientemente preparados para responder a essa nova situação. uma teoria sociológica especificamente rural. Na falta de uma definição do “rural” aceitável do ponto de vista sociológico. Esta tarefa seguirá exigindo um conhecimento empírico muito responsável da estrutura e as relações sociais. Do anterior derivam-se duas consequências: Em primeiro lugar. Para alguns autores como Newby (1982). Ainda que a definição mais comum da sociologia rural consiste em considerá-la “o estudo científico da sociedade rural”. Esta confusão é sintomática de uma dificuldade conceitual mais profunda.7 sociólogos também perdiam a clareza em relação ao que era o “rural”. Sem dúvida trata-se de redefinir os velhos problemas a partir de novas abordagens. De acordo com Newby (1982) as características do estilo “científico” da sociologia rural são as seguintes: positivista. a sua responsabilidade pública e inclusive a sua competência para fazer pesquisa. Mas isto poderia ser compreensível se levamos em conta que os autores clássicos têm descuidado a sociologia rural no seu esforço por criar teorias da sociedade industrial . a sua pertinência teórica. constitui uma mera “expressão geográfica”. combinado com uma teoria que explique essa estrutura e essas relações. resulta irônico que a influência da sociologia rural americana tenha se estendido com maior rapidez e amplitude que antes. Segundo Newby (1982) a sociologia rural tem-se caracterizado por sua natureza a-teórica e inclusive anti-teórica e até pela sua tentativa de elaborar. indutivo. A sociologia rural se define melhor como a sociologia das localidades geográficas que têm uma população escassa e de pouca densidade em termos relativos. não pode existir uma teoria da sociedade rural sem uma teoria da sociedade geral. não existe uma população rural. esse termo é apenas um “referente empírico”. ou seja. A formulação desta “nova sociologia rural” é um desafio para os sociólogos rurais na atualidade. que requer uma análise mais cuidadosa. as críticas à sociologia rural ainda não permitiram uma mudança importante nos programas de pesquisa nesse campo. A perda de confiança na orientação que segue a sociologia rural tem sido maior nos Estados Unidos. na década de 70 a sociologia rural parecia ter perdido o rumo. Apesar disso. isto simplesmente desloca a questão central de se a “sociedade rural” pode definir-se sociologicamente. As origens da crise Existe certa confusão sobre a possibilidade de uma definição significativa do ponto de vista sociológico do “rural”. Além disso. mas há populações específicas que por razões diversas estão localizadas em zonas rurais. sem referência às teorias “gerais” da sociedade.

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urbana, além de que frequentemente têm ignorado a natureza da sociedade rural. O rural tem sido considerado como um resíduo e, portanto tem recebido pouca atenção na teoria sociológica geral.

Em segundo lugar, dado que o “rural” é uma categoria espacial é necessário uma teoria que vincule o espacial com o social. Além de que, uma teoria sociológica deverá enfatizar o social. A sociologia rural americana tornou-se sinônimo de um empirismo superficial, rejeição da teoria e banalização de temas importantes. A sociologia rural buscou a legitimidade científica nas instituições de ensino superior através da utilização de instrumentos estatísticos e a quantificação e manejo de dados, tentando compensar a negligência teórica com a competência metodológica. Porém, essas técnicas de coleta e análise de dados não significaram uma melhora no conhecimento produzido. A lentidão para entender esses fatos tem contribuído para o aprofundamento da crise da sociologia rural. Nos últimos anos acreditou-se que as falhas na compreensão do funcionamento da sociedade rural deviam-se unicamente à falta de dados e ao caráter rudimentar dos instrumentos disponíveis para medição e elaboração de modelos. O irônico é que na medida em que se aperfeiçoavam as técnicas de coleta e análise de dados ficava mais longe a possibilidade de entender a sociedade rural (Newby, 1982). Recentemente há indícios que as fraquezas teóricas da sociologia rural estão sendo questionadas, sobretudo nos Estados Unidos, mesmo que ainda não foi substituída a teoria do continuum rural-urbano por um novo corpo conceitual ou por um conjunto de problemas teóricos que poderia possibilitar novos temas de pesquisas para a sociologia rural. Não se trata de propor uma teorização abstrata, mas de reconhecer que a elaboração teórica e a pesquisa empírica não são exercícios separados. Como mencionado anteriormente, a sociologia rural requer de uma teoria da sociedade, dentro da qual pode ser localizado o “rural”. O que implica que os sociólogos rurais devem conhecer melhor as teorias sociológicas gerais, ainda que, não há uma teoria geral da sociedade aceita pelos sociólogos. Os sociólogos rurais devem adotar uma visão mais totalizadora para estudar a sociedade rural. É importante que os sociólogos rurais se considerem a si mesmos como sociólogos que tem como objetivo estudar certos aspectos das zonas rurais. Para Newby (1982) uma nova sociologia rural deve partir de um enfoque totalizador no estudo da sociedade rural. O debate internacional: a “nova sociologia rural” A nova sociologia rural procura entender a estrutura interna e a dinâmica da agricultura a partir de teorias neo-weberianas e neo-marxistas. Dentre os temas tratados por esta nova perspectiva estão: o papel da etnicidade na persistência da agricultura familiar; a indústria agrícola; a força de trabalho assalariado agrícola; pequenos produtores e a agricultura em tempo parcial e, gênero e agricultura. Ultimamente, o “meio ambiente da agricultura”, tanto no sentido literal como metafórico, também ocupa as preocupações desta nova perspectiva. No sentido literal, explora temas relacionados com os fatores naturais e

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ecológicos e os impactos da agricultura sobre o meio ambiente. A nova sociologia rural também trata sobre temas relacionados ao ambiente sócio-econômico da agricultura como as mudanças tecnológicas na agricultura, a sociologia das ciências agrárias e a crise agrícola (principalmente sua origem no ambiente das políticas públicas). De acordo com Buttel et alii (1990), um dos traços da nova sociologia que emergiu entre a metade e fins da década de 70 foi a diversidade de seus enfoques teóricos. Por exemplo, Rodefeld e Heffernan revisaram teorias tradicionais e demonstraram que a tendência aparentemente “natural” da diferenciação na agricultura tinha implicações negativas para os agricultores familiares e as comunidades rurais. Mais tarde foi desenvolvida uma tradição teórica baseada na economia política marxista e, especialmente, na abordagem clássica da economia política agrícola de Marx, Kautsky e Lenin. Nesse mesmo período, foram publicados um conjunto de artículos escritos por Mann e Dickinson (1987), Friedmann, e Newby que abriram novas visões na análise sociológica da agricultura, através da aplicação da teoria marxista. Esta tendência foi consolidada com a antologia editada por Buttel e Newby (1980), a publicação de um livro de Friedland et al (1981) e uma antologia por Havens et al (1986)12. Recentemente a economia política da agricultura tem tomado uma orientação neo-weberiana, estimulada por Newby e Mooney. Finalmente, a partir de 1980, a nova sociologia da agricultura tem sido influenciada por uma postura ecológica. A nova sociologia da agricultura tem sido teoricamente diversa, porém existem características comuns desta reorientação da pesquisa sociológica rural. Primeiro, a nova sociologia da agricultura tem sido teoricamente mais ambiciosa que as pesquisas tradicionais dominantes antes do início da década de 70, tentando combinar, a teorização macrosocial com a elaboração de formulações teóricas falsificáveis e hipóteses testáveis. Segundo, na nova sociologia da agricultura, os métodos qualitativo e histórico da pesquisa, têm uma maior importância, do que tiveram na pesquisa sociológica rural durante a década de 60. Da mesma forma que a perspectiva behaviorista, que era dominante nos anos 50 e 60, não substituiu a perspectiva dos estudos da comunidade rural, assim, também, a nova sociologia da agricultura não tem significado a substituição, da perspectiva behaviorista, em particular, da difusão-adoção de inovações. Certamente, a perspectiva da difusão-adoção, precisa ser revisada para manter-se viável e contribuir para a compreensão da agricultura. O maior aspecto distintivo - e sem precedentes - da nova sociologia da agricultura nos Estados Unidos tem sido a importância que tem concedido às perspectivas marxistas e neo-marxistas. Tal vez o trabalho de Steeves (1972)13 na Rural Sociology, foi o primeiro exemplo de um artigo publicado numa revista oficial, baseado amplamente na teoria marxista. Porém foi só até finais da década de 70 que começaram a ser elaboradas sistematicamente explicações marxistas, nas universidades, sobre a dinâmica da agricultura nos Estados Unidos.

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Havens, Eugene. Studies in the Transformation of U.S. Agriculture. Boulder, CO: Westiew Press, 1986 apud Buttel, F. et al. (1990) 13 Trata-se do artigo de Allan D. Steeves, “Proletarianization and class identification” Rural sociology 37 (march), 1972: 5-26 apud Buttel, F. et alii (1990)

dessa forma se produz a não identidade entre “tempo de produção” e “tempo de trabalho”. Em termos marxistas. um dos mais influentes “neo-weberianos” na Inglaterra. o “trabalho vivo” contribui modestamente no processo de produção. Eles enfatizaram que por causa da sazonalidade na agricultura existe uma tendência à separação entre o “tempo de produção” e o “tempo de trabalho”. Por tal razão. A terceira grande contribuição para o desenvolvimento da economia política da agricultura foi o trabalho de Newby (1978)15. está baseado principalmente no O Capital e os Gundrisse de Marx e secundariamente no trabalho de Lenin.10 Como já foi dito. foi relevante para compreender a dinâmica estrutural da agricultura americana. reforçando com isto a idéia de que as atividades . negado pela persistência da agricultura familiar Mann e Dickinson (1987) identificaram as fraquezas dos argumentos subjetivistas dominantes (Chayanov) sobre a persistência da agricultura familiar nas sociedades capitalistas avançadas. Newby16 sugere que uma sociologia da agricultura proveitosa deveria basear-se na integração das perspectivas de Marx. especialmente de seu Tratado de Economia Marxista. E como já foi mencionado anteriormente. Portanto a agricultura torna-se não-lucrativa e por isso relegada aos agricultores familiares. O artigo de Mann e Dickinson. No seu artigo de 1983. Marx foi quase totalmente ignorado nas análises das mudanças estruturais na agricultura dos sociólogos rurais norteamericanos até finais da década de 70. por exemplo. O artigo de MannDickinson e um de Friedmann (1978b) foram publicados no Journal of Peasant Studies. Newby (1978) centrou seus esforços na obra de Kautsky. os artigos pioneiros nesta tradição foram preparados por Mann e Dickinson (1987). A razão chave para entender o descaso da obra de Marx nos estudos sobre a agricultura tem sido tal vez o modelo marxista da polarização do processo econômico (de acordo com as leis da centralização e concentração do capital e a proletarização) entre capital e trabalho. Friedmann (1978a. Seu estudo sobre a Questão Agrária de Kautsky. Eles sugeriram que na obra de Marx encontram-se elementos de uma explicação não-voluntarista e não-subjetivista de porque o desenvolvimento capitalista é entendido em termos de proletarização e o estabelecimento da relação capital-trabalho é um processo mais lento na agricultura que na indústria. uma revista britânica que tem sido vanguarda na revitalização de uma economia política de estudos camponeses e da história agrária da Europa. Friedmann baseou-se na obra de Ernest Mandel. o que dificulta a “calendarização” do processo de trabalho tornando a agricultura menos lucrativa que a indústria. Mann e Dickinson sugeriram que a realização das mercadorias agrícolas implica um maior tempo (tempo de produção mais tempo de circulação [tempo requerido para a venda das mercadorias]) do que a indústria. O que é extraordinário dessa primeira fase do desenvolvimento da economia política marxista da agricultura é que essas primeiras contribuições basearam-se nos clássicos da economia política. O valor não é criado nessas interrupções. Apesar dessas inovações. 1978b)14 e Newby (1978). Kautsky e Weber. o “trabalho vivo” é o único que cria mais-valia.

International Perspectives in Rural Sociology. and family farm: social bases of household production in an era of wage labor”. Comparative Studies in Society and History 20: 545-586. Chichester. 1978b.Trata-se dos artigos de Harriet Friedmann: “World market. 1978 16 ”A sociology of agricultura: toward a new rural sociology. state.” Journal Peasant Studies 6. England: Wiley. 1983 14 .” In: Newby H. 1: 71-99. 1978a e “Simple commodity production and wage labour in the American plains.”Annual Review of Sociology 9: 67-81. (org). 15 ”The rural sociology of advanced capitalist societies.

fazem improvável a sobrevivência da agricultura familiar. as relações capitalistas devem penetrar irreversível e . Os produtores simples de mercadorias necessitam apenas de sua “reprodução simples”. portanto resulta menos atraente para os capitalistas. os produtores capitalistas da Inglaterra. Finalmente. Mesmo enfatizando as particularidades da agricultura que leva à persistência da agricultura familiar. não obtém excedente para sua reprodução. da Prusia e dos Estados Unidos não conseguiram competir com os produtores familiares dos Estados Unidos. ao contrário enfatizam porque o capital não está interessado em investir na produção agrícola. Friedmann testou empiricamente essa proposição com dados históricos que mostraram que durante a crise do preço do trigo no fim do século passado. emergiu uma tradição neo-marxista diferente. Friedmann reconhece que existem condições que podem levar para sua transformação em formas capitalistas de produção. o produtores independentes são uma classe transicional no capitalismo avançado. Eles enfatizaram que a pesquisa agrícola pode reduzir ou eliminar a distância entre tempo de produção e tempo de trabalho. os capitalistas são obrigados pela lógica da concorrência a competir para obter a taxa média de lucro para que suas empresas não fiquem fora do mercado. Simultaneamente com os trabalhos de Mann-Dickinson e Friedmann. seguindo as obras de Kautsky e Lenin. minimizando a perecibilidade das mercadorias agrícolas e reduzindo o tempo “biológico” das plantas. Friedmann indica o alto grau de risco e a demanda cíclica de trabalho da maioria dos sistemas de produção agrícola. diferentemente dos capitalistas. Mann e Dickinson observaram que dado que os produtos agrícolas são perecíveis. Porém. um dos representantes dessa tradição. Ela argumentou que a produção agrícola familiar. aumentam o risco de produção e. Por outro lado.11 agrícolas estariam nas mãos de produtores agrícolas não-capitalistas. subsídios estatais para pesquisa e investimento de capital .mudança tecnológica. porém a sua explicação da persistência da agricultura familiar (que ela denomina de produção simples de mercadorias) descansa amplamente em como a agricultura familiar pode enfrentar a concorrência das empresas capitalistas no contexto hostil de mercados competitivos de meios de produção e mercadoria agrícolas. provocando a sua diferenciação em classes sociais antagônicas. na visão de De Janvry. Mann e Dickinson. De Janvry (1980). eles não chegam a afirmar que o desenvolvimento na agricultura não tem um caráter capitalista. As análises de Friedmann estão baseadas na tradição teórica marxista. Porém. considera que o desenvolvimento do capitalismo tardio tem significado a destruição da agricultura familiar e que as forças que afetam a produção agrícola . refirindo-se a América Latina. Então. Friedmann considera que os produtores simples de mercadorias agrícolas têm um maior grau de flexibilidade que os capitalistas reduzindo seu consumo ao nível de subsistência para sobreviver nos períodos de crise. De Janvry argumentou que o desenvolvimento capitalista na agricultura é mais lento que na indústria e que torna bastante provável que as forças da proletarização e a acumulação capitalista na agricultura destruam lentamente a agricultura familiar. Os capitalistas agrícolas tendem a liquidar seus negócios quando estes não são capazes de gerar a taxa média de lucro.

Kautsky argumentou .inevitavelmente na agricultura familiar levando assim a seu desaparecimento como tem acontecido na indústria nas sociedades capitalistas avançadas. É útil notar que A questão agrária de Kautsky contém um conjunto de argumentos sofisticados sobre a lenta penetração do capitalismo na agricultura.

torna-se comum o trabalho por peça. tem sido o argumento de que a diferenciação dos agricultores no capitalismo pode ser incompleta no futuro previsível quando a produção agrícola e não-agrícola venha a ser integrada dentro de um sistema particular que incorpore diferentes formas de organização da produção. há poucas oportunidades alternativas. mas as causas que permitem a emergência de formas organizacionais da produção agrícola. mas que as relações capitalistas igual que na indústria. Neste contexto. uvas-passas e tomates. Os trabalhos de Friedland representam também uma notável contribuição dentro da tradição de Kautsky e Lenin. Em períodos de contração industrial e desemprego. apesar de sua lentidão resultaria na descomposição do campesinato alemão. Esta proposta foi mais desenvolvida por Mottura e Pugliesi (1980). além disso. Na indústria de algodão. os trabalhadores desempregados com pequenas propriedades poderiam temporariamente retornar à produção de subsistência até melhorar as condições na indústria. No seu livro. Ele analisou particularmente a produção de alface. O trabalho está também aumentando sua informalidade. está em constante crescimento. O argumento central era que enquanto mais a produção agrícola organizava-se sob formas capitalistas. a agricultura em tempo parcial servia de reserva de trabalhadores das indústrias localizadas nas áreas rurais. enfatizando o predomínio das análises sobre a emergência das relações capital-trabalho na agricultura e a separação dos produtores independentes de seus meios de produção. que analisou o papel do estado no estímulo às pequenas propriedades como uma estratégia para mediar os conflitos de classes nas sociedades avançadas. Esta integração das esferas de produção agrícola e não-agrícola tem sido elaborada por Bonanno (1985. principalmente na Itália e nos Estados Unidos. baseado na agricultura da Califórnia. a agricultura familiar aparece como tendo a .12 que o capitalismo. numa análise histórica da pequena agricultura familiar de tempo-parcial no sul da Itália e das funções da agricultura familiar no desenvolvimento econômico contemporâneo. tornando-se desta forma uma força de trabalho de reserva. Outro impulso na literatura de economia política neo-marxista. 198717). Dentro desta concepção as empresas industriais deslocam-se para as áreas rurais onde os trabalhadores não são sindicalizados e os salários são mais baixos porque muitos trabalhadores potenciais têm suas pequenas propriedades produzindo ineficientemente e. Ele argumentou que a questão central para compreender a evolução da agricultura nas sociedades industriais avançadas não era simplesmente o tipo dominante de posse das empresas agrícolas. A agricultura familiar resulta importante nas políticas dos Estados que buscam a descentralização do sistema industrial. Um primeiro passo dentro desta linha de pensamento foi a do teórico marxista Kautsky. Friedland afirma que o ritmo e a amplitude da penetração do capitalismo na agricultura. variam de acordo com o sistema de produção. Manufacturing Green Gold. vários programas estatais que tentam resolver os problemas da agricultura. Nesse sentido. Apesar disso. ele tomou uma postura similar a de De Janvry. podem ter a função de permitir a continuidade da agricultura familiar. acerca da lenta penetração do capitalismo na agricultura.

“The persistence of small farms in marginal areas of advanced Western societies: the case of Italy.17 Bonanno. CO: Westview Press. (1990). F. Universidade de Kentucky. . Departamento de Sociologia. Alessandro. 1985 e “Small Farms.” Tese de Doutorado. Boulder. 1987 apud Buttel. Et alii.

agricultura em tempo-parcial e endividamento. na agricultura. Mooney desenvolveu um modelo da estrutura de classes na agricultura incluindo as “localizações contraditórias de classes” que podem ser encontradas na agricultura familiar (unidade de capital e trabalho na agricultura familiar): o capitalista agrícola e o trabalhador assalariado agrícola. Por conseguinte. através de vários mecanismos. analisaram a exploração e a super-exploração (extraindo maior valor daquele permitido para a reprodução da força de trabalho) dos membros da agricultura familiar. Por exemplo. o trabalho não-pago dos agricultores familiares reduz o salário dos trabalhadores empregados na indústria e os preços dos produtos agrícolas requeridos pelos agricultores. pelo capital financeiro). direta ou indiretamente. Wenger e Buck (1988)18. Mooney observa que muitos agricultores são motivados mais pelas formas de racionalidade substantiva (por exemplo. pela agroindústria. Mooney observa que há alguns “desvios” que podem ser tomados pelos agricultores para evitar a proletarização.13 função de “keeper of surplus labor”. contribui a pagar os custos da produção agrícola. Mooney considera que esses “desvios” podem ser mais significativos. Friedland e outros na tradição de Lenin (e em menor medida de Kautsky). nos contratos agrícolas. fornecendo ao mesmo tempo. Sendo esta idéia um aspecto central para a compreensão das sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento. seguindo essa linha de pensamento e principalmente a partir dos primeiros trabalhos de Andre Gunder Frank (1967)19. Uma vez que as perspectivas de Mann-Dickinson e Friedmann por um lado e de De Janvry. são. Mooney argumentou que a exploração dos trabalhadores assalariados agrícolas é somente uma forma que a penetração capitalista na agricultura pode tomar. Esta super-exploração permite a transferência de valor da esfera domestica da produção para a esfera capitalista. contratos agrícolas. na agricultura de tempo-parcial. Em cada um desses “desvios” não existe a relação capitaltrabalho na produção agrícola e onde os agricultores são explorados por uma fração de capital não-agrícola (no arrendamento. A explicação de Mooney de porque essas “localizações contraditórias de classes” têm um componente subjetivista e está baseada na distinção weberiana de racionalidade substantiva e formal. Esses “desvios” implicam arrendamento. Seguindo Wright (1985). o desejo por autonomia no seu trabalho) que pela racionalidade capitalista formal. Além disso. diametralmente opostas. muitos dos trabalhos mais provocativos na tradição marxista dentro da “nova sociologia da agricultura” representam uma tentativa explicita ou implicitamente de realizar uma síntese. Então. num certo sentido. pelos capitalistas não-agrícolas e no endividamento. A principal contribuição de Mooney tem sido lançar dúvidas se a existência convencional das relações capital-trabalho é uma adequada referência para avaliar a existência da penetração capitalista na agricultura. pelos latifundiários. pelo outro. esses . Particularmente. O salário que os membros da família obtêm fora da sua propriedade. que as relações capital-trabalho. A esfera domestica torna-se uma reserva de trabalho que subsidia a esfera capitalista. uma fonte de trabalho de baixo custo e de segurança para os membros da família com pequenas propriedades.

“Farms. 1967. Pem Davison. Andre Gunder. et alii. 1988. F. 18 . Morton G. F. Capitalism and Underdevelopment in Latin America. e Buck.agricultores tendem a ser tenazes na participação dentro das empresas e freqüentemente tendem a tomar Wenger. apud Buttel.. and superexplotation: an integrative reappraisal. apud Buttel. et alii (1990). New York: Monthly Review. families. (1990) 19 `Frank.” Rural Sociology 53 (Winter).

A produção teórica brasileira sobre o “mundo rural”: a influência do marxismo clássico A segunda guerra mundial (1939-1945) alterou profundamente as condições do comércio internacional e impactou de forma significativa nos países exportadores de alimentos e de matérias primas. Por sua vez. organização sindical. que possibilitou a implementação de uma política estatal de industrialização no governo Vargas. abastecimento. Mooney argumentou que sua proposta superava as incompatibilidades das teorias marxistas e weberianas. O êxodo rural e a existência de uma massa de desempregados nas cidades contribuíram para a aliança de classes de caráter populista. Esse debate deve ser compreendido no contexto político da “guerra fria”. da polarização de blocos (soviético e americano) e da descolonização. Com esse incipiente processo de industrialização também se iniciou o ciclo de intervenção do Estado em vários setores da economia: investimento na siderurgia. deterioração dos termos de intercâmbio comercial e em conseqüência. A politização do debate resultou das condições desfavoráveis que impediam a continuidade do processo de industrialização iniciado na década de 30. o alinhamento dos países da América Latina à política da “guerra fria” significou a subordinação à estratégia de reconstrução do capitalismo sob hegemonia dos estados Unidos. No Brasil. queda da taxa de acumulação da indústria. Foi nesse contexto que emergiu um amplo debate de idéias sobre os problemas sociais e econômicos dos países do ‘terceiro mundo”. O processo de industrialização ficou num impasse: ou expandir o mercado interno ou reequipar o parque industrial através . a crise capitalista da década de 30 estimulou um crescimento industrial considerável para suprir o mercado interno de bens industriais. A tendência a aumentar a concentração de renda. a menos de que se adotasse uma perspectiva marxista ou leninista mecânica. 3. a escassez de divisas.14 um dos quatro “desvios” do desenvolvimento capitalista a fim agricultura. inflação dos preços. Essas condições desfavoráveis marcam um novo período que pode caracterizar-se da seguinte maneira: O fortalecimento do capitalismo americano e suas novas formas de intervenção: investimentos diretos na indústria. obras de infraestrutura. queda do salário real. Por outro lado. expansão do crédito. compras de empresas nacionais já instaladas. reorganização político-administrativa. etc. empréstimos e cooperação técnica. Foi nesse contexto que se desenvolveu o debate no Brasil sobre a situação de atraso e as formas de superá-lo. ajuda militar. A diferença da Revolução industrial inglesa. a industrialização brasileira não implicou oposições e divisões entre a burguesia comercial/aristocracia agrária e classes industriais. de permanecer na Mann e Dickinson (1987) replicaram vigorosamente aos argumentos de Mooney e também criticaram seu projeto de sintetizar a proposta marxista e weberiana dado que algumas dessas teses são incompatíveis.

da introdução de capitais estrangeiros. A primeira opção implicava um amplo movimento de apoio político para impulsionar mudanças estruturais onde a .

De acordo com Palmeira (1983) nos trabalhos da Comissão Nacional de Política Agrária. Entre os anos 30 e 50 o debate entre os autores que tratavam sobre a agricultura referiam-se obrigatoriamente a esse debate. a segunda opção demandaria uma rearticulação das classes e grupos sociais e econômicos vinculados aos interesses da “desnacionalização”. o principal obstáculo estaria localizado no reduzido mercado interno. Essa idéia era decorrente de uma visão feudalista da sociedade brasileira. De acordo com os ideólogos do desenvolvimento. tiveram que conhecer o debate que existia entre historiadores espanhóis e portugueses acerca do feudalismo na Península Ibérica. Por sua vez. nos textos de Clóvis Caldeira. O debate desses anos enfocava duas questões centrais: em primeiro lugar. que o atraso da agricultura era um obstáculo para o desenvolvimento capitalista. A estrutura agrária baseada no latifúndio-minifúndio explicava o atraso das forças produtivas e sua incapacidade de produzir alimentos a baixo custo para suprir o mercado interno e em segundo lugar. Cabe mencionar que. tentaram mostrar a existência do feudalismo no Brasil a partir dos “fatos econômicos” e da legislação. que para entender as “instituições feudais” no Brasil. Um debate que já existia entre os juristas brasileiros do século XIX. durante o segundo governo de Getúlio Vargas. Desde essa nova perspectiva. Na sua História Econômica. Para os ideólogos do desenvolvimento o processo de transformação estrutural20 seria conduzido pela burguesia nacional em aliança com o proletariado urbano e onde a agricultura teria o papel de produzir alimentos e matérias primas e consumir bens industriais. Roberto Simonsen salienta que está preocupado com os “fatos econômicos” e não com as intenções dos legisladores. esse debate adquire um novo conteúdo. Portanto.15 agricultura teria que desempenhar um papel-chave. Entretanto foi a polarização entre nacionalismo e entreguismo que colocou os termos do debate sobre o desenvolvimento capitalista nas décadas de 50 e 60. posicionando-se ao qualificar alguns aspectos da estrutura agrária como feudais. autores como Nestor Duarte. capitalistas ou escravistas. especificamente sobre o caráter do latifúndio. A reforma agrária seria a forma proposta para superar esse obstáculo e romper a aliança de poder dominante. a transformação da agricultura era indispensável para o desenvolvimento capitalista. Em conseqüência. que as relações de produção por não serem capitalistas retardavam a expansão do consumo de produtos industriais. A produção teórica brasileira sobre o “mundo rural” A produção teórica dos anos 60 sobre o “mundo rural” esteve fortemente marcada pelo debate em torno da natureza das relações de produção no campo. a polarização internacional existente na “guerra fria” traduziou-se a nível interno na polarização entre nacionalismo e entreguismo ou entre comunismo e democracia. Acioli Borges e outros. a modernização das forças produtivas e as relações de produção possibilitariam a expansão do capitalismo no Brasil. o interesse de estudo desses historiadores limitava-se às instituições. Dessa forma. existia uma clara 20 . Nas décadas de 20 e 30 com a constituição de um campo intelectual independente e separado do Estado.

.Esse processo de transformações estruturais é conhecido na literatura como “Revolução Brasileira”.

a reforma agrária passava a ser uma condição necessária para superar a produção insuficiente de alimentos e baixar os preços dos produtos agrícolas. a monocultura e o atraso técnico. a agricultura e indústria progressista de São Paulo (o setor moderno) teria que vencer a resistência do outro Brasil (o setor arcaico). ou seja. Tratava-se principalmente de aumentar a produtividade agrícola através da modernização tecnológica e a reorganização da produção em grandes empresas capitalistas. Assim. O “moderno” em oposição ao “arcaico” era resultado da importação da “civilização industrial”. O primeiro refere-se ao setor urbano e o segundo ao campo. desempregada e pobre. portanto a reforma agrária não era necessária. o latifúndio e os capitais estrangeiros. no início da década de 60 o debate feudalismo x capitalismo ultrapassa o campo intelectual e torna-se uma questão política por duas razões principais. A segunda: o surgimento de novos partidos e grupos de esquerda que questionaram o “monopólio” exercido pelo Partido Comunista. Segundo Palmeira (1983). o outro “fechado e arcaico”. No caso do Brasil. . A visão dualista A visão dualista da sociedade brasileira deriva-se das idéias de dois sociólogos franceses (professores de universidades brasileiras): Jaques Lambert e Roger Bastide. Segundo essa concepção dualista. Para os defensores dessa interpretação a modificação da estrutura fundiária não era fundamental ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil. a sociedade brasileira (e dos países com passado colonial) estaria dividida em dois setores: um “aberto e moderno”. sobretudo reconhecendo que a mentalidade dos capitalistas brasileiros impedia a poupança e o investimento produtivos. E também eram a favor da participação do capital estrangeiro. ao mesmo tempo em que ampliaria o consumo de bens industriais. criando uma população rural inútil. Entre seus aspectos negativos estavam: a fixação do homem no latifúndio. O camponês converte-se num protagonista político através da sua participação nos sindicatos rurais e nas ligas camponesas. Cada grupo tinha sua versão da “revolução brasileira”.16 preocupação em caracterizar as relações entre proprietários e agregados ou determinadas formas de arrendamento. A concepção dualista partia da premissa que a colonização gerou o latifúndio de caráter feudal (socialmente hierarquizado. Essa posição aproximava Furtado de outras correntes dualistas intituladas “marxistas” que defendiam a “revolução democráticoburguesa” para eliminar os “restos feudais” (relações de trabalho no campo). O “arcaico” explicava-se pelo passado colonial assim como por resíduos de formas atrasadas de produção. constituindo unidades auto-suficientes separadas entre si) e resistente às mudanças. A primeira: a emergência de um movimento camponês e as lutas pela reforma agrária. através de ações impostas pelo setor moderno urbano e industrial. a definição do estágio dessa “revolução”. E isto passava necessariamente pela caracterização das relações dominantes na agricultura brasileira. levando-lhe tecnologias e capital. Uma visão diferente tinha Furtado quando afirmava que a estruturas arcaicas só poderiam ser rompidas por indução.

1972:30)21 Dessa forma rejeita a visão linear da evolução dos modos de produção preconizada por Alberto Passos Guimarães (Quatro Séculos de Latifúndio. Uma idéia que se aproximava da visão dualista mais conservadora. ao negar o caráter nacional da industrialização do período Kubitscheik e caracterizar como capitalistas as relações de trabalho no campo.” (Prado Júnior. Essa visão determinista nem leva em conta os processos históricos nem aceita modificações na sucessão dos modos de produção no tempo. vinculadas à empresa colonial portuguesa e à expansão do capital mercantil. foi na Revolução Brasileira (1966) que criticou profundamente o modelo desenvolvimentista. criticaram a idéia “marxista” da coexistência de dois modos de produção: o feudal e o capitalista. Caio Prado Júnior rejeita a idéia dos autores que viam na parceria (remuneração do trabalho e serviços prestados com participação no produto) a representação do caráter feudal da agricultura brasileira. Tanto mais que no próprio caso da cultura algodoeira. “Falar assim da parceria como forma institucional de relações de trabalho e de produção que sobrevive anacronicamente de um passado feudal. Caio Prado Júnior enfatizava as origens capitalistas do Brasil. 1972 . Mas. Os “feudais latifundiários”.Editora Brasiliense: São Paulo. às classes médias urbanas e ao proletariado. 1963) e difundida nas publicações soviéticas. Porém caberia aos camponeses participar da aliança popular na “revolução democráticoburguesa”. Caio. A revolução brasileira. No início da década de 40.17 As teses marxistas “tradicionais” e o nacional-desenvolvimentismo Segundo as teses “marxistas” das décadas de 50 e 60 as estruturas econômicas e sociais do Brasil caracterizavam-se pela coexistência de dois modos de produção: o feudal e o capitalista. única instância de grande expressão em que a parceria se apresenta em proporções apreciáveis ela se acha ligada não a reminiscência ou anacronismo feudais ou outros quaisquer. O fortalecimento dessa “burguesia nacional” estaria sendo obstaculizada pela limitação do mercado interno (pobreza do campesinato). e sim a circunstâncias peculiares da cotonicultura e conveniências técnicas e financeiras que lhe dizem respeito. nem muito menos 21 Prado Júnior. é evidentemente falso. De acordo com as teses “marxistas” o setor moderno estaria composto pela “burguesia nacional” em oposição às empresas estrangeiras instaladas no país (o imperialismo). Caio Prado Júnior e André Gunder Frank foram os primeiros a criticar a visão feudal da sociedade brasileira. na sua Formação do Brasil Contemporâneo. Da mesma forma. os grupos comerciais em aliança com o imperialismo e ainda os camponeses representavam o obstáculo para o desenvolvimento capitalista.

transformado-as e a seus protagonistas em elementos de um só e mesmo debate. apesar de que a burguesia comercial era um elemento hegemônico do Estado português. de um certo modo. 1983) As argumentações dos dois autores refletem as divergências e as lutas políticas da esquerda brasileira. No início dos anos 60.) Se o desenvolvimento atual e os males da agricultura são devidos ao capitalismo. que. “A questão política vivida como questão intelectual iria atribuir um sentido político às querelas intelectuais do passado. partidários da tese capitalista e assim por diante” (Palmeira.. o que se transplantou para o Brasil foi o “feudalismo colonial”. 22 Citado em “Revisão crítica da produção sociológica voltada para a agricultura” ASEP-CEBRAP (1983) . ia buscar em autores do passado argumentos de autoridade.. para sustentar suas posições. De acordo com Palmeira (1983)22 o caráter político do debate fica evidente no confronto entre o texto de Alberto Passos Guimarães e André Gunder Frank. defensores da tese feudal. 1983: 16). eles dificilmente podem ser eliminados pela extensão do capitalismo ainda mais longe. que aproximava no tempo autores como Alberto Passos e Nestor Duarte. ou mesmo indicações concretas que fundamentassem suas idéias. derivada logicamente desta análise é. na verdade abolir o feudalismo e seguir o mesmo caminho geral de desenvolvimento. Baran) rejeita a possibilidade de coexistirem numa mesma sociedade setores independentes uns de outros. cada um dos autores que defendia a tese feudal ou a tese capitalista. aparecer como um obstáculo à prática política e à própria prática científica”.23 Os defensores da tese feudalista consideravam que. (Guimarães). bem arrumada. Como disse Palmeira (1983: 16) “A necessidade de demarcar posições é que irá mover o debate. enquanto que para os defensores da tese capitalista. Gunder Frank responde da seguinte forma: “A conclusão política. e Roberto Simonsen e Gunder Frank. É uma teoria conservadora. se encaixa perfeitamente nos esquemas políticos mais retrógrados”. Então uma série de formulações que estavam dispersas naquele momento foram sistematizadas em um grande debate. “Se a estrutura agrária brasileira sempre teve uma configuração capitalista por que revolucioná-la. por que reformá-la? A teoria do capitalismo colonial não é assim um achado histórico tão inocente quanto parece. dandolhe uma densidade ideológica até então inexistente e fazendo-o. como os países mais desenvolvidos. Nesse caso é o próprio capitalismo e não o feudalismo que tem que ser abolido” (Gunder Frank apud Palmeira. Gunder Frank influenciado pelas análises teóricas do grupo “marxista”americano da Monthly Review (Sweezy. reacionária.18 poderia reconhecer a existência de outros sistemas de produção além dos definidos previamente. (.

a menos que se indique o contrário. 23 .Todas as referências de Palmeira provêm do documento do ASEP-CEBRAP.

Por exemplo. para os defensores da tese capitalista. Dentro desse projeto a estrutura brasileira era concebida como uma “fase de transformação” orientada para o desenvolvimento nacional. que se opunha a uma classe latifundiária numa luta pela propriedade da terra. Sociólogos como Moacir Palmeira e historiadores como Ciro F. O corpo das idéias organizadas em torno desse projeto político passou a ser conhecido como “ideologia nacional-desenvolvimentista”. o latifúndio. os partidários da tese capitalista consideravam que não existia nada no Brasil que se assemelhasse a uma classe camponesa e que o que existia era uma classe de empresários rurais possuidores e na maior parte dos casos. para . submetida ao mesmo tipo de exploração econômica que os trabalhadores urbanos. além da dualidade capitalista/feudalista: a plantation. Diegues Júnior e o CIDA (Comité Interamericano de Desenvolvimento Agrícola). a pequena produção mercantil ou a economia camponesa vista desde a perspectiva de Chayanov. que ao mesmo tempo diferenciavam do proletário. No início da década de 70. os pesquisadores abandonaram a visão dualista capitalismo/feudalismo e passaram a ter uma postura crítica em relação aos esquemas evolutivos dos modos de produção. proletários. Mas. a luta pela terra seria secundária. Para Palmeira (1983) alguns autores manipulavam as estatísticas com o objetivo de defender suas posições. proprietários dos meios de produção. mas não sua propriedade jurídica. ou o escravismo colonial. o que se transplantou foi o capitalismo. utilizando os mesmos dados chegam à conclusão que uma metade da população rural eram camponeses e a outra. André Gunder Frank descobre dois terços de proletários e semiproletários. conclui que a população rural estava constituída em quase dois terços por camponeses. Esses empresários rurais formariam parte da burguesia. propunham a existência de sistemas de produção específicos.19 mesmo que a colonização tenha sido uma empresa feudal. nas suas teses de doutorado realizadas em Paris. É por isso que. baseando-se em dados do Censo Demográfico e Agrícola de 1950. Como resultado do debate. Por sua vez. a estruturação do projeto político da “revolução democráticoburguesa” caberia a um grupo de intelectuais liderados por Hélio Jaguaribe e organizados no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiro) criado no Governo de Jucelino Kubitschek. O debate sobre o caráter do latifúndio levou os sociólogos rurais a discutir à problemática das classes sociais. S. Cardoso. Palmeira afirma que essa manipulação de dados evidencia que o que estava em jogo não era uma questão de demonstração científica. Essas propostas representavam uma mudança importante no debate sobre as estruturas sócio-econômicas do Brasil. onde a questão chave era determinar a existência ou não de uma classe camponesa no Brasil. Como conseqüência. E quem se opunha aos empresários rurais seria uma massa de trabalhadores agrícolas (proletários). Tanto os defensores da tese feudalista como os defensores da tese capitalista identificavam o camponês com o pequeno produtor. enquanto os defensores da tese feudal afirmavam que no Brasil existia uma classe camponesa que tinha a posse efetiva dos meios de produção. Maria Isaura Pereira de Queiroz. mas um jogo de relações políticas em que os autores estavam imersos. Por sua vez.

com . a ideologia mais representativa desse período era o nacionalismo que permitiria articular os diversos setores sociais.Jaguaribe.

Kubitschek.” (Castro. o qual.20 exceção dos latifundiários comprometidos com o statu quo. numa visão ecumênica das classes sociais. Castro. Quadros e (até meados de 1963) Goulart. Além de que a agricultura era incapaz de incorporar inovações tecnológicas em proporções significativas o que limitava a constituição de um mercado interno para os produtos industriais. assim como ao aumento do salário e do consumo.24 O modelo nacional-capitalista entra em crise no final de 1963 devido ao reconhecimento da heterogeneidade da sociedade brasileira o que significava por um lado desigualdades regionais e por outro. ausência de uma consciência nacional da burguesia brasileira que tendia a privilegiar sua essência burguesa antes que seus traços nacionais. Binagri Edições. as forças sociais semifeudais remanescentes. dentro do sistema de iniciativa privada e tendo no Estado a instância de planejamento coordenação e suplementação. Evolução recente e situação atual da agricultura brasileira. portanto. em fazendas cooperativas médias e grandes fazendas estatais. Mas para isto era necessário o concurso de todos os setores “progressistas” em torno do “desenvolvimentismo” encarnado inicialmente no Plano de Metas do Governo Kubitschek. sob um objetivo comum: a expansão das forças produtivas. Em conseqüência. Brasília. 1979: 38). A implementação do novo modelo possibilitaria a aliança entre a burguesia nacional e o proletariado porque o desenvolvimento capitalista levaria à criação de mais emprego. A necessidade de reajustar o modelo nacional-capitalista dava passo a um novo modelo o nacional-trabalhismo. Ana Célia et al. era o nacional-capitalismo. 24 . o único capaz de promover o desenvolvimento. A prática política dos anos seguintes mostrou a fragilidade dos postulados teóricos do nacional-desenvolvimentismo. As propriedades tradicionais seriam transformadas em modernas fazendas capitalistas. surgiram diversas tentativas críticas da análise dualista que buscavam outra interpretação das transformações que de fato estavam acontecendo na sociedade e em especial na agricultura. autônomo e endógeno. O novo modelo nacional-trabalhista propunha uma drástica intervenção na agricultura para extinguir o seu caráter semifeudal e. sob a direção dos ‘empreendedores nacionais’. “Tal ideologia implicava na adoção de determinado modelo para a então ‘atual fase da vida nacional’. estas tinham em comum o esforço pelo desenvolvimento. no dizer de Jaguaribe. 1979. Deveriam reduzir-se rapidamente as desigualdades sociais e o desequilíbrio entre o campo e a cidade. Essas críticas referem-se à visão da agricultura brasileira como “ineficiente” e incapaz de reagir aos estímulos da dinâmica da demanda da indústria nacional (por matérias primas e alimentos) e por produtos exportáveis. Compreendia Jaguaribe como nacional-capitalismo o conjunto de políticas adotadas por Vargas. em propriedades familiares médias.

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a industrialização baseada na exportação de produtos agrícolas levou a uma especialização em torno de produtos como café.. a um só tempo. por sua aparente “despolitização” e por estarem construídas a partir de levantamento de dados nas pesquisas de campo para sustentar os postulados teóricos. libera mãode-obra e eleva o nível de rendimento dos que ficaram no campo. d) abrir mercado consumidor para produtos industriais. A análise centrase na posição de equilíbrio e as políticas propostas têm como objetivo a maximização dos recursos disponíveis. A visão modernizante Por sua vez a crítica conservadora (Delfim Netto. Yufiro Hayami e Vernon Ruttan. dependeria do tipo de insumos utilizados e disponíveis (intensidade do fator capital no Centro-Sul e intensidade do fator Trabalho no Nordeste) e não de fatores estruturais. o que elimina algumas questões como. na crítica conservadora a tese que afirma que a agricultura é um obstáculo para o desenvolvimento. através de uma transferência de mão-de-obra do setor agrícola para os outros setores. a chave do processo de desenvolvimento econômico reside. fundamentalmente. A pesquisa em nível universitário. Por outro lado. Schultz. a situação do pequeno produtor e as particularidades da pequena produção. No entanto. a diferença entre o Nordeste “tradicional” e o Centro-Sul “moderno”. c) fornecer recursos para a formação de capital. a diferença fundamental entre essa e outras concepções em relação às funções que deveria cumprir a agricultura. por exemplo. Para Delfim Neto apud Castro (1979:50) “. Nessa visão a agricultura tem um lugar central no desenvolvimento econômico. Nesta perspectiva neoclássica a empresa agrícola é considerada uma empresa capitalista comum.” De acordo com esta concepção a agricultura financiaria o desenvolvimento industrial. estava na forma de encarar o objeto de estudo. a diversidade das relações de produção. cacau e açúcar. Pereira de Carvalho e Ruy Miller Paiva) aos modelos aceitos na década de 50 e 60. Segundo Delfim Neto essa política a favor da agricultura de exportação manteve no mercado produtores . Por exemplo. reduzindo a influência de posturas ideológicas e sem fundamentação empírica. sem gerar uma crise de abastecimento ou de fornecimento de matérias-primas. manifestava a preocupação por buscar a compreensão da realidade efetiva. Affonso Celso Pastore. numa melhoria da produtividade do setor agrícola. é refutada empiricamente. o que. aumentando a taxa de remuneração dos capitais investidos. baseou-se na proposta teórica-metodológica de T.21 As análises da nova fase distinguem-se das interpretações anteriores. Enquanto na visão dualista o “obstáculo” ao desenvolvimento poderia ser eliminado através da reforma agrária e reformas estruturais. buscando responder afirmativamente à questão de se a agricultura poderia cumprir as cinco “funções” definidas por Johnston e Mellor: a) produzir alimentos a baixo preço para as cidades. b) liberar mão-deobra para a indústria. e) produzir gêneros exportáveis para possibilitar a capacidade de importação..W.

Antônio Barros de Castro afirmavam que a agricultura desempenhou seu papel requerido pela industrialização. Para ele. E segundo. desconsiderando outras variáveis econômicas importantes como informação. Outros autores como. No seu estudo sobre o café. Essa crítica é sustentada por autores como José de Souza Martins. considera que a agricultura longe de cumprir um papel passivo. a disseminação de novas tecnologias tinha um significado macroeconômico. Esses autores na busca de elaborar uma análise mais flexível introduziram noções como: articulação de diferentes modos de produção. a questão da mudança tecnológica implicava dois aspectos. b) O desenvolvimento do capitalismo necessitava recriar formas não capitalistas de produção para seu próprio funcionamento e portanto não se constituem em “obstáculo” de seu próprio desenvolvimento. imprime suas próprias características no desenvolvimento urbanoindustrial. USP. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas. Alguns pontos devem ser salientados dessa crítica radical: a) O Brasil foi construído historicamente a partir da expansão do capitalismo europeu e seu desenvolvimento capitalista pode ser caracterizado como “dependente” ou “periférico”. Para outros (Maria Isaura Delfin Neto. 25 . Nas suas análises incorpora variáveis não econômicas como a demografia. Tese de Doutorado. Para alguns (Francisco de Oliveira. 1979. Em consequência. os trabalhadores assalariados em lugar de lutar pela terra deveriam organizarse nos sindicatos e lutar pelas suas reivindicações de classe. porque a decisão de um grande número de produtores afetaria os preços dos fatores de produção e essas modificações no preços reduziriam as vantagens da nova tecnologia. Francisco de Oliveira e Maria de Conceição de d’Íncao. Maria de Conceição d’Incao) as relações sociais no campo são predominantemente capitalistas e portanto se faria desnecessário a reforma agrária. a estrutura social e o processo histórico. os autores divergem quando se trata das relações sociais no campo. Delfim Neto25 considerava que o livre mercado liberaria fatores de produção para serem utilizados em outras atividades mais lucrativas (criação de gado e de aves). diferentes relações de produção nas formações econômico-sociais e “subsunção formal do trabalho ao capital”. Octávio Guilherme Velho. a adoção de uma nova tecnologia depende da avaliação que faça o agricultor do custo-benéficio. disponibilidade de capital. A crítica radical A crítica radical (uma visão modificada da tese capitalista) às posições dualistas baseia-se na capacidade que tem o desenvolvimento capitalista de refuncionalizar as formas existentes e de criar outras relações não-capitalistas de produção. A. A diferença de outros autores “modernizantes” . Maria Rita Loureiro. Ruy Miller Paiva centrava sua análise nos preços para explicar a mudança tecnológica na agricultura. Por sua vez.22 ineficientes. O problema do café no Brasil. Primeiro. Porém. Miller Paiva situa-se numa das correntes mais importantes conhecidas como “modernizadoras” da agricultura.

observa-se uma absorção. o significado do espaço e do tempo e as práticas do Estado. A crise do regime fordista está associada à perda da hegemonia política e financeira dos Estados Unidos. que alguns autores denominam de “acumulação flexível” (Harvey. as noções do que é rural e do que é urbano. Estamos vivendo numa era de incerteza. já em 1914. Taylor. exigia a exportação dos excedentes. milhares de trabalhadores estavam sendo deslocados da manufatura. a existência de um campesinato brasileiro estaria evidenciado não só pela posse jurídica da terra. em 1911 tinha sido publicados Os Princípios de Administração Científica de F. Octávio Guilherme Velho).23 Pereira de Queirós. 1992)26. na gerência da produção e no consumo de massa. Porém. sociais e culturais que estão acontecendo em escala mundial e que estão mudando o caráter dos empregos e a organização das economias. os hábitos de produção e de consumo. que descrevia como uma melhor organização do trabalho (que implicava uma racionalização do tempo e de cada movimento do trabalhador) poderia aumentar a produtividade. desde finais do século passado. tecnologias. a saturação dos mercados internos da Europa e do Japão. ainda que lentamente. o que Ford fez foi racionalizar velhas tecnologias e uma divisão do trabalho que já existia. A produção teórica brasileira sobre o “mundo rural” Apesar de que a nível geral existe uma espécie de estancamento e até refluxo da produção teórica sobre o “mundo rural”. que vigoraram desde o fim da Segunda Guerra Mundial até inícios dos anos 70. mas pelas práticas e representações ideológicas. Nos Estados Unidos . o desenvolvimento sustentável (José Elí da Veiga) e a emergência de um “novo mundo rural” (Graziano da Silva). Autores como Graziano da Silva (1996) percebem a emergência de um novo rural brasileiro produto da urbanização do meio rural brasileiro e da industrialização da agricultura e que formam parte de profundas transformações econômicas. O regime fordista pode ser definido como um conjunto de práticas de controle do trabalho. No entanto. culturais e sociais. hábitos de consumo e configurações de poder político e econômico. Essas contribuições se expressam na incorporação de novos temas como a questão do meio ambiente. caracterizada por um processo de transição. do regime de acumulação fordista para outro. de novas contribuições teóricas e metodológicas. Mesmo assim. As transformações do capitalismo mundial neste fim de século estão mudando radicalmente os processos de produção. Na segunda metade da década de 60. 4. W. como resultado da racionalização fordista. Com o fordismo emergia uma nova sociedade baseada no controle racional do trabalho. introduzia a jornada de 8 horas e 5 dólares de recompensa para os trabalhadores de sua fábrica de automóveis em Michigan. Antes. o perfil dos trabalhadores. Henry Ford com o objetivo de aumentar a produtividade. José de Sousa Martins. O objetivo da jornada de oito horas e os cinco dólares não era só aumentar a produtividade mas permitir que os trabalhadores tivessem as condições de tornar-se consumidores em massa.

1992 .Edições Loyola: São Paulo. Porém. a partir de 26 Harvey. David.esse declínio da demanda efetiva foi compensado pela produção de armas para a guerra de Vietnã e pelo combate à pobreza. Condição Pós-moderna.

novas formas de financiamento e inovações tecnológicas. enquanto a intensidade de trabalho se reduz com a queda da demanda. temporário ou subcontratado. O mercado de trabalho no regime de acumulação “flexível” caracteriza-se pela redução dos trabalhadores em tempo integral e pelo grau de adaptação às novas condições. entre 1984 e 1985. assim como por rápidas mudanças das práticas de consumo e do surgimento de novos setores de produção. marca o início dos graves problemas fiscais dos Estados Unidos que seria resolvido a custas da aceleração da inflação. Em 1983. Também se observa o crescimento de economias “informais” nos países capitalistas avançados e a reformulação do papel das mulheres no mercado de trabalho. A flexibilização do mercado de trabalho se dá. A subcontratação organizada possibilita o surgimento de pequenos negócios. a revista Fortune publicou que setenta e cinco por cento das peças de máquina eram produzidas em lotes de cinquenta ou menos. provocando o fechamento de numerosas fábricas e estimulando um processo de desindustrialização. nos Estados Unidos. como o setor serviços. Esse novo regime de acumulação cria as condições para o crescimento do emprego no chamado “setor serviço” e uma alta mobilidade geográfica ou uma compressão do espaço tempo. Nesse mesmo período. ou seja. As economias de escalas foram substituídas pela produção de pequenas quantidades de bens a preços baixos. As novas formas de organização da produção colocaram em xeque a organização tradicional. 1992: 148) A subcontratação e a . (Harvey. Porém. ser flexível e geograficamente móvel. a mudança mais importante têm sido a queda do emprego regular e o crescimento do trabalho em tempo-parcial. Essas possibilidades de comunicação e a redução do espaço têm aumentado a capacidade dos empregadores para o controle da força de trabalho e em conseqüência. cresce o número dos trabalhadores temporários e subcontratados sem nenhuma garantia de emprego. produto da redução dos custos de transporte e da comunicação via satélite. Como contraponto. O regime de “acumulação flexível” rompe com a “rigidez” do fordismo e caracteriza-se pela emergência de mercados de trabalho e processos de produção mais flexíveis. a falta de segurança do emprego e dos direitos de pensão afetará negativamente aos trabalhadores. comerciais e organizacionais. a redução do emprego e destruição do poder sindical. Os “trabalhadores flexíveis” são contratados facilmente e são demitidos sem custos quando a empresa está em crise.24 1966. cerca de um terço dos novos empregos criados estavam na categoria de “temporários”. os “trabalhadores “flexíveis” aumentaram 16% enquanto os empregos permanentes caíram em 6%. 1992: 144) Mudanças importantes aconteceram também na organização industrial. a queda da produtividade e da lucratividade das empresas. a longo prazo. (Harvey. quando as empresas obrigam os trabalhadores regulares a trabalhar mais nas épocas pico de demanda. Na Inglaterra. Apesar de que a flexibilização do mercado de trabalho não tem criado uma forte insatisfação trabalhista porque às vezes pode ser mutuamente benéfica. Porém. O excedente de força de trabalho e a redução do poder dos sindicatos têm permitido aos patrões impor contratos de trabalho mais flexíveis. por exemplo. com o crescimento de outros setores da economia.

A flexibilização .produção de pequenos lotes permitiram superar a rigidez do sistema fordista e atender a um mercado mais diversificado e dinâmico.

O “mundo rural” nos países desenvolvidos tem um novo ator social: o agricultor em tempo parcial (part-time farmer) e que se caracteriza por combinar atividades agropecuárias com outras atividades não-agrícolas seja dentro da propriedade ou fora dela. e às mudanças nos gostos dos consumidores. Nesse contexto. A idéia que identifica o “rural” exclusivamente com a agricultura não corresponde com a realidade. dos preços das matérias primas. e se integrou ao resto da economia. Agora a agricultura não pode ser entendida sem sua vinculação com os setores que lhes fornecem os insumos industriais e lhes compram seus produtos. imóveis e finanças) em detrimento do emprego industrial. Em consequência. saúde. O lazer. robôs) e novas formas organizacionais reduziram o tempo de giro na produção. moradia. ou seja caiu a média da vida útil dos bens produzidos. seguros. Por sua vez. o parttime não é mais um fazendeiro especializado. como a assistência técnica e a extensão rural. A agricultura deixou de ser um setor relativamente autárquico.25 também provocou a aceleração das inovações e as conquistas de novos mercados. mas um trabalhador autônomo que combina diversas formas de ocupação (assalariadas ou não). a informação e a ciência tornaram-se uma mercadoria. No processo de flexibilização e de mobilidade geográfica. O rápido acesso às informações assim como ao conhecimento científico pode significar altas margens de lucro. o turismo. duas realidades em confronto. As cidades não podem continuar a ser sinônimos de produção industrial nem o campo de produção agrícola e pecuária. 1996). são essenciais para a tomada de decisões. Para sobreviver. A idéia de que as cidades representam o “novo” e o “progresso” e que o campo o “atraso” e o “velho” baseia-se na concepção de autores clássicos como Marx e Weber que identificavam as cidades com o capitalismo e o campo com o feudalismo. conservação do meio ambiente são novas atividades em crescimento no campo. elemento central para a lucratividade das empresas. adubos químicos. máquinas e equipamentos que permitissem a superação da pobreza dos agricultores (Graziano da Silva. No “mundo rural” estão emergindo novas formas sociais e de organização econômica na medida em que a sociedade transita para um novo regime de acumulação. A modernização da agricultura era entendida como a introdução de sementes geneticamente melhoradas. as empresas devem ter a capacidade de responder às variações da taxa de câmbio. De que forma essas transformações estão afetando o “mundo rural”? Para alguns autores como Graziano da Silva (1996)27. moradia e prestação de serviços pessoais. também foi reduzido o tempo de giro no consumo. a diferença entre o urbano e o rural é cada vez menos importante. turismo. a prestação de serviços. o controle da informação assim como a rapidez na análise de dados. os funcionalistas americanos continuaram a identificar o campo com o atraso para justificar as ações de fora. com seu próprio mercado de trabalho. tanto em atividades urbano-industrial ou nas atividades emergentes de lazer. “Em resumo. conservação da natureza. Com as transformações na produção e no consumo também emergiu uma nova estrutura de emprego que privilegia o emprego no setor de serviços (educação. As novas tecnologias ( automação. Essa é a sua característica nova: uma .

1996:4).” (Graziano da Silva. 1996 (mimeo) . 27 Graziano da silva. O novo rural. José.pluriatividade que combina atividades agrícolas e não-agrícolas.

individualizou-se a gestão produtiva das propriedades agrícolas e com isso os membros da família foram liberados para realizar outras atividades nãoagrícolas fora da propriedade. muitas empresas têm migrado para o campo na busca de uma melhor qualidade de vida para seus funcionários e também por que no campo existe menor controle da poluição. etc. Em consequência. e o trabalho a domicílio. 1996). A pluriatividade manifesta-se de duas formas. os clássicos (Marx. Primeiro. mudas e insumo. segundo. Ironicamente. Ainda Graziano da Silva (1996:6-7) enfatiza outros fenômenos relacionados com a pluriatividade nos países desenvolvidos: “a) O ‘desmonte’ das unidades produtivas em função da possibilidade de externalização de várias atividades que antes tinham que ser realizadas na própria fazenda através de contratação de serviços externos (aluguel de máquinas. assistência técnica. bebidas. O novo “mundo rural” caracteriza-se pelo crescimento das atividades rurais nãoagrícolas e pela transferência de atividades urbanas e industrias para o campo. que combina desde a prestação de serviços manuais até o emprego temporário nas indústrias tradicionais (agroindústrias. b) especialização produtiva crescente permitindo o aparecimento de novos produtos e de mercados secundários. constituem a nova fisonomia da indústria do final do século XX. forma característica de transição da manufatura à indústria mecanizada. assim como pela redução de áreas cultivadas e/ou a extensificação das atividades agropecuárias. através da combinação de atividades tipicamente urbanas com a gerência especificamente agropecuária (Graziano da Silva.) e.26 É precisamente essa combinação de atividades não-agrícolas fora de seu estabelecimento que diferencia o part-time da visão marxista clássica da proletarização do campesinato. Além disso. Igualmente. vidro. algumas características próprias do mundo rural como as formas flexíveis de contratação e o emprego sazonal e temporário. com o objetivo de diminuir os custos. Muitas indústrias deslocam-se para o campo buscando uma maior proximidade de matérias-primas e de mão-de-obra barata e desindicalizada. de animais jovens. através de um mercado de trabalho relativamente indiferenciado. Kautsky) consideravam que esse processo de proletarização implicava o desaparecimento do campesinato. como por exemplo. etc. têxtil. .). O surgimento do part-time nos países capitalistas desenvolvidos é resultado da redução do tempo de trabalho necessário dos agricultores devido ao aumento da mecanização das atividades agrícolas e da automação das atividades de criação. A combinação de atividades agrícolas com não-agrícolas faz parte de um processo de “desespecialização” da divisão social do trabalho e que se origina nas mudanças recentes no processo de trabalho tanto na indústria fordista como na agricultura moderna.

o “mundo rural” ganhou novas funções e novos tipos de ocupações (Graziano da Silva. . 1996). agricultores. Muitas vezes os proprietários dessas pequenas áreas combinan o lazer com o desenvolvimento de alguma atividade produtiva (criação de abelha. exigem um marco conceitual distinto que possibilite entender essas mudanças. ou seja. que se assalariam nas fábricas de calçados. “. digitadores e profissionais liberais vinculados a atividades rurais nãoagrícolas. especialmente de profissões técnicas e administrativas de conteúdo tipicamente urbano. d) crescimento do emprego qualificado no meio rural. Considerações finais Conclui-se que o “mundo rural” não pode continuar a ser considerado apenas como o espaço onde se realiza a produção agropecuária e fornecedor de mão-de-obra. assim como também cabe salientar a multiplicação de sítios de recreio (pequenas áreas de lazer de famílias de classe média urbana). prestadores de serviços. principalmente aquelas relacionadas com a proliferação das agroindústrias e as relacionadas com a urbanização do meio rural (moradia. lazer e outros serviços) e com a preservação do meio ambiente. além de uma melhora substancial na qualidade de vida para os que moram nas zonas rurais. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul. Os conceitos de “urbano” e “rural” resultam obsoletos e não há elementos teóricos que nos expliquem as complexas relações entre eles. atividades de recreação e turismo). e) melhoria na infraestrutura social e de lazer. peixes e outros animais. constituída de bens e serviços não materiais. nos países subdesenvolvidos também pode-se observar a emergência da pluriatividade e do “part-farmer”. têm crescido as atividades não agrícolas. 1996: 310) No campo brasileiro. a desarticulação do sistema agrícola colonial dá lugar à emergência da ‘part-time farming’ e da ‘pluriactivite’ da força de trabalho dos colonos.” Apesar das diferenças. além de maiores facilidades de transporte e meios de comunicação.27 c) formação de redes vinculando fornecedores de insumos.. O meio rural está criando um outro tipo de riqueza. emboram permaneçam residindo e vivendo no espaço rural-agrário.. mecânicos. turismo. As transformações da agricultura. agroindústrias e empresas de distribuição comercial. frutas e hortaliças. possibilitando maiores facilidades de acesso aos bens públicos como previdência. no Brasil e na América Latina nas últimas décadas.” (Schneider. aves. assistência médica e educação. saneamento básico. como motoristas. produção de flores e plantas ornamentais.

um novo enfoque sobre a agricultura”. às políticas de intervenção do Estado para a modernização da agricultura (novas áreas de colonização. o valor das agroindústrias supera o valor da terra. além do que. 1994). De acordo com Tavares dos Santos (1991).parece sobre determinar a visão analítica”. (Tavares dos Santos 1991: 15). alguns sociólogos brasileiros (Cavalcanti. mas não necessariamente objetos científicos. Para formar esses objetos científicos é necessário fazer uso de conceitos e teorias disponíveis no conhecimento sociológico. 1993) que explore novas perspectivas teórico-metodológicas e defina novos temas de pesquisa. Entendendo o espaço agrário “como um locus de relações sociais de produção específicas. 1993). resultado da crescente exclusão social e onde a perspectiva política “. na medida em que perde sua importância relativa. os resultados desses estudos parecem requerer novos questionamentos e instrumentos teóricos-metodológicos que possibilitem “..28 A utilização de critérios espaciais e ocupacionais é insuficiente para explicar as especificidades da sociedade rural.a explicação dos múltiplos entrelaçamentos existentes entre esses diferentes fenômenos e a sociedade em termos amplos. inovações tecnológicas na agricultura e estímulos para exportação) e seus impactos na organização da produção e nas relações de trabalho. enfatiza que a produção teórica brasileira sobre o “rural” tem sofrido. Nesse período. No entanto. a distinção entre cidade e campo”. chamam a atenção sobre a necessidade de “revisitar o campo” e de construir um outro “olhar sociológico” (Tavares dos Santos. nas últimas décadas os estudos sobre o “campo” representam parte substancial da produção sociológica brasileira. o campo deve continuar (ou não) a ser objeto de estudo da Teoria Sociológica. (D’incao et al. como descobrir facetas diferentes de fenômenos já estudados. dos clássicos aos contemporâneos. apesar das semelhanças que esta tem com outros setores. (Gómez... deriva-se daí a necessidade de estudar. foram estudados fenômenos relativos à estrutura da posse da terra. 1991). 1993. desde uma perspectiva sociológica. O “rural” representa um conjunto de objetos empíricos. Ainda. determinarem novas questões a serem analisadas e esboçar tendências e definir as características. que dificultam a construção de uma nova abordagem teórica sobre os processos agrários. até a atualidade. em uma formação social determinada”. Como nos desafia Cavalcanti (1993:62). Na mesma linha de Gómez (1994). uma “extrema ideologização”. os fenômenos que ocorrem no espaço agrário (Tavares dos Santos. A definição de um novo campo de estudos da . pois sua estrutura interna baseia-se na propriedade e no uso da terra como fator produtivo e simbólico. A “tarefa” de revisitar o campo se traduz na definição de fenômenos antes não considerados na análise. Grossi Porto. Tavares dos Santos (1991: 15). assentamentos. de acordo com as quais.. “trata-se de reconhecer que tais processos sociais agrários constituem expressões do processo histórico da divisão social do trabalho. A partir de uma perspectiva teórica. torna-se mais dependente da sociedade global. como por exemplo. 1991). mais especialmente. A produção teórica sobre o “mundo rural” produzida nos últimos quarenta anos merece ser objeto de avaliação profunda e de reflexão crítica que permita encontrar seus obstáculos epistemológicos frente às transformações da sociedade contemporânea.

o desenvolvimento da sociologia está vinculado à mudança social e a uma situação de crise. . Como afirma Solari (1972).sociologia sobre a agricultura implica algumas limitações e impasses científicos.

Esses problemas têm uma relação direta com a chamada crise dos paradigmas. Nesse caminho.29 Dessa forma. 1993). por exemplo. seja pelo pouco rigor científico no tratamento dos mesmos. ao menos em seu conteúdo tradicional. Tavares dos Santos (1993). os estudos realizados até agora requerem uma análise crítica sobre as possibilidades. Inglaterra. uma nova tendência intelectual denominada “nova sociologia rural”. dado o processo de urbanização da sociedade brasileira. O debate destas perspectivas teórico-metodológicas poderiam contribuir na definição de novos problemas ou questões. em alguns países de capitalismo avançado como Estados Unidos. baseado em tendências neomarxistas e neo-weberianas que resgatam as constribuições de Marx. porque pouco se afasta dos antigos conceitos dos estudos da comunidade e pela sua incapacidade de criticar o sistema no qual se insere (Friedland apud Cavalcanti. na década de 80 foram feitas algumas avaliações sobre a produção sociológica que teve o campo como objeto e. . (Tavares dos Santos. foram emitidos pareceres contra ou a favor da continuidade dessas análises. Canadá. Esta situação agrava-se pelo fato de que na sociologia rural há uma certa inércia explicativa. busca-se um . Lenin. das ocupações agrícolas em sentido amplo. produto de obstáculos epistemológicos como. pode-se propor alguns elementos que possibilitem a superação a denominada “crise dos paradigmas” e construir um outro olhar sobre o campo. “economia política da agricultura” ou “sociologia dos processos agrários”. a partir das quais. (que em certa medida é produto da crise do marxismo estruturalista e da análise funcionalista da “sociologia rural”). A partir da leitura dos estudos agrários recentes. obstáculos e tendências da agricultura brasileira. 1993: 57). seja pela significância e abrangência dos temas selecionados. provoca efeitos negativos na expansão da análise sociológica do campo brasileiro. 1991). no que se referem aos processos sociais que aí se desenvolvem. Avaliar essa produção. Segundo Cavalcanti (1993). Apesar de algumas revisões na produção teórica sobre os processos sociais agrários. além de ser uma obrigação de ofício. a propor novas questões de estudos. França. Espanha e Alemanha. é dentro dessa preocupação epistemológica que tem emergido. completado esse processo. quando a agricultura nesse país atravessa uma crise profunda. Kautsky e Chayanov. “sociologia da agricultura”. Como afirma (Grossi. Esse movimento crítico é denominado “nova sociologia rural” ou “sociologia da agricultura”. a sociologia rural mostra-se como expressão da dominação do campo pela cidade e. A Sociologia Rural nos Estados Unidos está sendo questionada pela sua fragilidade. a sociologia rural teria que desaparecer. questiona em que medida a denominada “crise dos paradigmas”. desde meados da década de 70.28 Nos Estados Unidos essa corrente intelectual surge em meados da década de 70. para facilitar comparações com outros países (Cavalcanti. 1993). predominantes na Sociologia Rural Americana dos anos 60 ou pela tendência a se utilizar esquemas classificatórios rígidos para enquadrar grupos e classes sociais. para converter-se num ramo das sociologias das ocupações. Como foi mencionado anteriormente. é uma condição necessária para novas abordagens. sua vinculação às tradições teóricometodológicas funcionalistas. As críticas têm levado teóricos americanos.

.retorno que possibilite ir ao encontro do novo. Trata-se de “. percorrer os mesmos 28 Os teóricos que formam parte da “sociologia da agricultura” publicam a revista International Journal of Sociology and Food ..

quanto questões emergentes que carecem de reflexões sociológicas pertinentes. O segundo.30 caminhos. ao dissimulado. Dentro desta visão. Um terceiro obstáculo refere-se às análises sobre as classes sociais e os grupos sociais. Contudo é possível observar que há. horizontes mais abrangentes. a emergência de uma nova forma de pensar o “mundo rural” no Brasil seguindo a vertente internacional que incorpora de forma criativa as contribuições teóricas de Weber e Marx. 1993). Tavares dos Santos (1991) identifica alguns obstáculos epistemológicos da Sociologia “Rural” brasileira. as práticas sociais dos grupos dominados são entendidas dentro do processo de modernização. mesmo com lentidão. as mesmas trilhas e veredas. (Grossi. Com o olhar atento ao invisível. O primeiro. para enfocá-las sob novas dimensões. Finalmente se pode afirmar que a influência e predominância do “marxismo clássico” na sociologia rural brasileira têm impedido um desenvolvimento mais amplo das análises acerca da nova dinâmica do “mundo rural”. E ao não existente em visitas anteriores. assumindo uma postura dualista: o “tradicional” e o “moderno” ou “rural” e o “urbano”. Visões que alcancem.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . buscou-se a análise das classes a partir da sua posição no processo produtivo.” A avaliação da produção teórica sobre o “mundo rural” possibilitará o delineamento de perspectivas de análise que abordem tanto temáticas já tratadas. no âmbito da construção teórica. é a sua vinculação com a orientação funcionalista. ao enterrado. é a vinculação da Sociologia “Rural” a uma perspectiva evolucionista do pensamento histórico. quase sempre. Essa visão é criticada por Marx quando reconhece uma nãolinearidade do processo histórico. com novos olhos. para retornar. Nelas. visão esta que está presente especialmente nos estudos sobre a difusão de inovações.

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que serve para estudar os fenômenos sociais. Howard (org. a Sociologia pode vir a interessar. . vol. analisando os homens em suas relações de interdependência. MOONEY.. n. Sérgio. O Objeto da sociologia rural. 1980 NEWBY. Caio. 1972.32 MOONEY. José Vicente. SOLARI. México. São Paulo: Brasileinse. Osmund & Co. Ensaios FEE. Crítica da Sociologia Rural e a construção de uma outra Sociologia dos processos agrários. TAVARES DOS SANTOS. CO: Westview Press. Aldo. London: Verso Editions. Comércio Exterior. 1985 O que é Sociologia A Sociologia é uma das ciências humanas que estuda as unidades que formam a sociedade. 1993. My Own Boss. (UFRGS). Boulder. normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica. 347-356. Literatura Econômica. 1. Erick Olin. 1987. 1988 MOTTURA. Vida Rural e mudança social. Howard. 9(1): 7-26. grupos e instituições. estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações. ano 17-n. Ciências Sociais Hoje. José Vicente. Os colonos da indústria calçadista e as transformações da agricultura familiar. e Newby. 1973. A construção de um outro olhar sociológico sobre o campo. Porto Alegre. 4. a Sociologia tem uma base teórico-metodológica. 32.Número Especial. p. tempo de produção e desenvolvimento capitalista na agricultura: uma reconsideração da tese de Mann-Dickinson. NJ: Allanheld. Classes. Tamás e Queda Oriowaldo. o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso —. 24-25 de março de 1983 SCHNEIDER. São Paulo: Companhia Editora Nacional. A revolução brasileira. Montclair. Porto Alegre: Programa de PósGraduação em Sociologia. Frederick H. RS. PRADO JR. Tempo de trabalho.” In: Buttel. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as relações na família até a organização das grandes empresas. Entretanto. TAVARES DOS SANTOS. Patrick H. “Capitalism in agriculture and capitalism agriculture: the Italian case. El desafio de la sociologia rural en la actualidad. a diversas outras áreas do saber. Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos. São Paulo.) The Rural Sociology of the Advanced Societies. Patrick H. em diferentes graus de intensidade. tentando explicá-los. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia. Associação dos sociólogos de São Paulo (ASEP)Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. ou seja. Cadernos de Sociologia. Compreender as diferentes sociedades e culturas é um dos objetivos da sociologia. 1991 WRIGHT. Giovanni e Pugliese. REVISÃO CRÍTICA DA PRODUÇÃO SOCIOLÓGICA VOLTADA PARA A AGRICULTURA. São Paulo: ANPOCS/Vértice. abril de 1982. o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é o Estado.. In: Szmrecsányi. Enrico. 1996.

nestas estruturas. Os cursos de técnicas quantitativas/qualitativas servem. Sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais.Assim como toda ciência. das suas múltiplas relações sociais e. A Sociologia ocupa-se. das observações do que é repetitivo nas relações sociais para daí formular generalizações teóricas. além de instituições como a família. a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. Sociólogos fazem uso frequente de técnicas quantitativas de pesquisa social (como a estatística) para descrever padrões generalizados nas relações sociais. na forma de resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo está ficando mais integrado. e também se interessa por eventos únicos sujeitos à inferência sociológica (como. o conhecimento sociológico. teorias e métodos. através dos seus conceitos. Isto ajuda a desenvolver modelos que possam entender mudanças sociais e como os indivíduos responderão a essas mudanças. é tarefa da Sociologia transformar as malhas da rede com a qual a ela capta a realidade social cada vez mais estreitas. ao mesmo tempo. normalmente. Ainda que esta tarefa não seja objetivamente alcançável. a objetivos explicativos distintos ou dependem da natureza do objeto explicado por certa pesquisa sociológica: o uso das técnicas quantitativas é associado às pesquisas macro-sociológicas. pode constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida cotidiana. as técnicas qualitativas — como entrevistas dirigidas. discussões em grupo e métodos etnográficos — permitem um melhor entendimento dos processos sociais de acordo com o objetivo explicativo. como raça ou etnicidade. o surgimento do capitalismo ou a gênese do Estado Moderno). Por essa razão. as qualitativas. a experiência de pessoas do mundo é crescentemente atomizada e dispersada. A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII. consequentemente. de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. E pesquisam os microprocessos como relações interpessoais. Em alguns campos de estudo da Sociologia. procurando explicá-los no seu significado e importância singulares. mas também desenvolver um "antídoto" para a desintegração social. inclusive crime e divórcio. ou desarranjos. Entretanto. História |[pic] |[pic] |[pic] |[pic] | . processos sociais que representam divergência. o uso de ambas as técnicas de coleta de dados pode ser complementar. Hoje os sociólogos pesquisam macroestruturas inerentes à organização da sociedade. por exemplo. classe e gênero. às pesquisas micro-sociológicas. uma vez que os estudos micro-sociológicos podem estar associados ou ajudarem no melhor entendimento de problemas macrosociológicos.

e ele acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que. da Ciência Política e da Antropologia. algo mais do que a introdução da máquina a vapor. Antes. (corrente que teve grande força no século XIX). portanto. convertendo grandes massas camponesas em trabalhadores industriais. que esperava unificar todos os estudos relativos ao homem — inclusive a História. como as Revoluções Industrial e Francesa. Esta disciplina marca uma mudança na maneira de se pensar a realidade social. de forma muito clara. Assim é que a Revolução Industrial significou. As transformações econômicas.talvez como o último pensador clássico ou o primeiro pensador moderno. Em Comte. para o pensamento social. Montesquieu também pode ser encarado como um dos fundadores da Sociologia . Neste momento. Ela representou a racionalização da produção da materialidade da vida social. baseadas principalmente nas tradições. mas foi a primeira ciência social a se institucionalizar. é necessário frisar. a Psicologia e a Economia. O triunfo da indústria capitalista foi pouco a pouco concentrando as máquinas. que a Sociologia é datada historicamente e que o seu surgimento está vinculado à consolidação do capitalismo moderno. se a pessoa pudesse compreender este progresso. 2 Em que pese o termo Sociologie tenha sido criado por Auguste Comte (em 1838). se consolida . desvinculando-se das preocupações especulativas e metafísicas e diferenciandose progressivamente enquanto forma racional e sistemática de compreensão da mesma. poderia prescrever os "remédios" para os problemas de ordem social. políticas e culturais ocorridas no século XVIII. colocaram em destaque mudanças significativas da vida em sociedade com relação a suas formas passadas. as terras e as ferramentas sob o controle de um grupo social.| | | |Gilberto Freyre | |Karl Marx | |Vilfredo Pareto | |Émile Durkheim |[pic] | | |[pic] | |[pic] | | |Georg Simmel |Ferdinand Tönnies |Max Weber | A Sociologia é uma área de interesse muito recente. No entanto. seu esquema sociológico era tipicamente positivista. A Sociologia surge no século XIX como forma de entender essas mudanças e explicá-las.

. formação de sindicatos e movimentos revolucionários. o que se distingue da percepção de que este papel seja privilégio de um Estado que se sobrepõe ao seu povo. Trata-se das modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento. As transformações econômicas. Correntes sociológicas Porém. a imposição de prolongadas horas de trabalho. que mesmo não sendo um sociólogo e sequer se pretendendo a tal. O surgimento da Sociologia prende-se em parte aos desenvolvimentos oriundos da Revolução Industrial. Não demorou para que as manifestações de revolta dos trabalhadores se iniciassem. como por seu novo protagonismo político já que junto a estas transformações de ordem econômica pôde-se perceber o papel ativo da sociedade e seus diversos componentes na produção e reprodução da vida social. iniciada por Karl Marx. e etc. pelas novas condições de existência por ela criada. não necessariamente em ordem de importância: (1) a positivista-funcionalista. de matriz teórico-metodológica hermenêutico-compreensiva. de fundamentação analítica. . dos artesãos independentes. Há paralelamente um aumento do funcionalismo do Estado que representa um aumento da burocratização de suas funções e que está ligado majoritariamente aos estratos médios da população. atos de sabotagem e exploração de algumas oficinas. originada pelo Iluminismo. pode-se claramente observar que a Sociologia tem ao menos três linhas mestras explicativas. que se achavam em curso no ocidente europeu desde o século XVI. fundadas pelos seus autores clássicos. deu início a uma profícua linha de explicação sociológica. que divide de modo central a sociedade entre burgueses (donos dos meios de produção) e proletários (possuidores apenas de sua força de trabalho). tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao modificar radicalmente suas formas tradicionais de vida. tendo como fundador Auguste Comte e seu principal expoente clássico em Émile Durkheim. pois colocava a sociedade num plano de análise relevante. como objeto que deveria ser investigado tanto por seus novos problemas intrínsecos. evoluindo para a criação de associações livres. e (3) a linha de explicação sociológica dialética. das quais podem se citar. Mas uma outra circunstância concorreria também para a sua formação. Máquinas foram destruídas. Este fato é importante para o surgimento da Sociologia.a sociedade capitalista. O desaparecimento dos proprietários rurais. Ela traz diferentes estudos e diferentes caminhos para a explicação da realidade social. (2) a sociologia compreensiva iniciada por Max Weber. não poderiam deixar de provocar modificações na forma de conhecer a natureza e a cultura. roubos e crimes. a Sociologia não é uma ciência de apenas uma orientação teóricometodológica dominante. Assim.

hoje ela é mais uma entre as ciências. instituições sociais e suas interações sociais. Atualmente. Hinkle. ele se dá. . as ciências teóricas e experimentais desenvolvidas nos séculos XVII. políticas. Para compreender o surgimento da sociologia como ciência do século XIX. 3 especialmente a teuto-francesa. originadas pelos seus três principais autores clássicos. sem jamais esquecerse que o homem só pode existir na sociedade e que esta. contribuindo com os lucros e resultados da organização. vai debruçar-se sobre todos os aspectos da vida social. é importante perceber que.Estas três matrizes explicativas. em grande medida. psicológicas. Desde o funcionamento de estruturas macro-sociológicas como o Estado. Park. Esta disciplina tem se concentrado particularmente em organizações complexas de sociedades industriais. O sociólogo dentro da organização intervem diretamente sobre os resultados da empresa. É interessante notar que a Sociologia não se desenvolve apenas no contexto europeu. econômicas. podem ser citados: William I. lhe será uma "jaula" que o transcenderá e lhe determinará a identidade. Martin Bulmer e Roscoe C. A Sociologia. ela estuda organizações humanas. Ainda que seja relativamente mais tardio seu aparecimento nos Estados Unidos. nesse contexto histórico social. com enfoque científico. originaram quase todos os posteriores desenvolvimentos da Sociologia. algo bem diverso da perspectiva acadêmica europeia. levando à sua consolidação como disciplina acadêmica já no início do século XX. educacionais. a classe social ou longos processos históricos de transformação social ao comportamento dos indivíduo num nível micro-sociológico. assim. especialmente pela sociologia britânica e positivista de Herbert Spencer). Nos EUA a Sociologia esteve de certo modo "engajada" na resolução dos "problemas sociais". Entre os principais nomes do estágio inicial da sociologia norte-americana. XVIII e XIX inspiraram os pensadores a analisar as questões sociais. Thomas. Robert E. A sociologia como ciência da sociedade Ainda que a Sociologia tenha emergido em grande parte da convicção de Comte de que ela eventualmente suprimiria todas as outras áreas do conhecimento científico. quando a organização é observada e estudada podem se verificar as falhas assim alterar seu sistema de funcionamento e gerar lucro. por motivações diferentes que as da velha Europa (mas certamente influenciada pelos europeus. aplicando mormente o método comparativo. inevitavelmente.

da abordagem científica da sociedade. ela se preocupa também com as motivações exteriores que levam o indivíduo a agir de uma forma ou de outra. ora afastando-as e. apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos de natureza e. foram e continuam sendo o foco de muitas discussões. a Filosofia social intenta criar uma teoria ou "teorias" da sociedade. que visa discernir entre bem e mal. a Sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios gerais válidos para todos os ramos de conhecimento científico. objetivando explicar as variâncias no comportamento social em suas ordens moral. consequentemente. na observação casual de alguns fatos. Dessa forma foram empregados métodos estatísticos. e um ceticismo metodológico a fim de extirpar os elementos "incontroláveis" e "dóxicos" recorrentes numa ciência ainda muito nova e dada a grandes elucubrações. Já o enfoque da Sociologia é na ação dos grupos. negando às humanas tal estatuto com base na inviabilidade de qualquer controle dos dados tipicamente humanos. Já a Economia diferencia-se da Sociologia por estudar apenas um aspecto das relações sociais. as explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete. entretanto. a observação empírica. sociólogos e antropólogos que conduziam estudos sobre sociedades não-industrializadas ofereceram contribuições à Antropologia. reunindo um arcabouço de conhecimento que . Uma das primeiras e grandes preocupações para com a sociologia foi eliminar juízos de valor feitos em seu nome. aquele que se refere a produção e troca de mercadorias. Diferentemente da ética. a diferença entre Sociologia e Antropologia tem mais a ver com os problemas teóricos colocados e os métodos de pesquisa do que com os objetos de estudo. estética e históricas. Quanto a Psicologia social. que mesmo a Antropologia faz pesquisa em sociedades industrializadas. e as discussões epistemológicas mais desenvolvidas. como mostrado por Karl Marx e outros. no entanto. imprevisíveis e impassíveis de uma análise objetiva. Muitos dos teóricos que almejavam conferir à sociologia o estatuto de ciência. Comparação com outras ciências sociais No começo do século XX. a ciência se presta à explicação e à compreensão dos fenômenos. até mesmo. baseada. Por fim. Como ciência. quando muito. a pesquisa em Economia é frequentemente influenciada por teorias sociológicas. ora tentando aproximar as ciências.Ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais. buscaram nas ciências naturais as bases de sua metodologia já mais avançada. na ação geral. Nesse aspecto. Esforços nesse sentido são visíveis nas obras de modernos teóricos sociais. Deve ser notado. além de se interessar mais pelos comportamentos do que pelas estruturas sociais. sejam estes naturais ou sociais. considerados por muitos. Tais peculiaridades.

a teoria social de Marx e. Entretanto. kantiana. a Sociologia pode ser orientada como uma 'ciência da ordem'. utilizando-se de os valores morais e políticos do iluminismo liberal mesclados com os ideais socialistas. As formas como a Sociologia pode ser uma 'ciência da ordem' são diversas. representada por aquilo que ficou conhecido como Teoria Crítica ou. Jürgen Habermas. como mais popularmente se diz. Ela pode partir desde a perspectiva do sociólogo individual. pode servir a diferentes tipos de interesses. seja complexo apreender tal abordagem. no qual o Estado. as obras de Max Horkheimer. Sociologia da Ordem e Sociologia da Crítica da Ordem A Sociologia. Há. à revelia dos interesses e valores da comunidade democrática com vistas a manter o status quo. 4 A produção sociológica pode estar voltada para engendrar uma forma de conhecimento comprometida com emancipação humana. Ela pode ser um tipo de conhecimento orientado no sentido de promover um melhor entendimento dos homens acerca de si mesmos. autoritárias e arbitrárias. Max Weber. porém. Por outro lado. mas aos seus interesses materiais imediatos. Nesse sentido. podendo mesmo servir à finalidades antidemocráticas. representam uma das mais profícuas vertentes da filosofia social. Escola de Frankfurt.entrelaça a filosofia hegeliana. A evolução da Sociologia como disciplina . o uso do conhecimento sociológico é potencialmente perigoso. ao mesmo tempo. como na orientação de políticas públicas promovidas nem sempre de acordo com o interesse das maiorias ou no respeito às minorias. submetendo a produção do conhecimento não ao progresso da ciência por si ou da sociedade. em vista do tipo de conhecimento que produz. À primeira vista. sejam eles empresas privadas ou Centrais de Inteligência. para alcançarem maiores patamares de liberdades políticas e de bem-estar social. seus resultados podem ser utilizados com vistas à melhoria dos mecanismos de dominação por parte do Estado ou de grupos minoritários. como principal ente financiador de pesquisas nas áreas da sociologia escolhe financiar aquelas pesquisas que lhe renderam algum tipo de resultado ou orientação estratégicas claras: pode ser tanto como melhor controlar o fluxo de pessoas dentro de um território. talvez. o meio indireto. Theodor Adorno. isto é. entre outros.

e outros assuntos culminantes. a sociologia sofreu influencias americanas e europeias. Naquele caso. ou seja. Na década de 60 a sociologia se preocupou com o processo de industrialização do país. por exemplo. na Europa. desde lá cada vez mais foi de fundamental participação para a sociedade mundial e também brasileira. O surgimento da Sociologia e o Socialismo Europa. e analisando temas como abolição da escravatura. A prática do lucro era condenada pela Igreja Católica. e também comunidades rurais. tida como “desonesta” por praticamente todas as culturas e civilizações do mundo a partir de todos os pontos de vista éticos. crise do Modo de Produção Feudal. não restava alternativa exceto a atividade comercial voltada ao lucro. final da Idade Média. na medida em que as suas preocupações passam a ser o subdesenvolvimento. êxodos. No Brasil nas décadas de 20 e 30 a sociologia estava num estudo sobre a formação da sociedade brasileira. fogem dos feudos (a que eram “presas” por laços de honra) e passam a roubar ou com parcos recursos comprar bens baratos a grandes distâncias vendendo-os mais caro onde eram desejados – ressaltem-se as famosas “especiarias” -. ela vai sofrer influências das teorias marxistas. iria engordar ainda mais os cofres da Nobreza.. Na América Latina. ao trabalhador rural. embora a densidade demográfica crescesse assustadoramente. aos conflitos entre as classes sociais. Na década de 80 a sociologia finalmente volta a ser disciplina no ensino médio. Desde o início a sociologia vem-se preocupando com a sociedade no seu interior. se diz que o Modo de Produção entrou em contradição com os interesses das Forças Produtivas.. de nada adiantava produzir mais porque o excedente não iria para aqueles deles necessitados. voltam também em relação ao estudo da mulher. nas questões de reforma agrária e movimentos sociais na cidade e no campo e a partir de 1964 o trabalho dos sociólogos se voltou para os problemas sócio políticos e econômicos originados pela tensão de se viver em um país cuja forma de poder é o regime militar. Além da preocupação com a economia política e mudanças sociais apropriadas com a instalação da nova república. isto diz respeito. e estudos sobre índios e negros Nas décadas seguintes de 40 e 50 a sociologia voltou para as classes trabalhistas tais como salários e jornadas de trabalho. que serão mais tarde chamados de “burgueses”. .e também ocorreu a profissionalização da sociologia. por exemplo. Classicamente. Mas para os fugitivos dos feudos. fundadores de burgos. As pessoas começam a se rebelar.A sociologia no mundo foi-se mostrando presente em várias datas importantes desde as grandes revoluções. a maior potência do mundo à época.

nisso você verá um sinal de estar sendo por ele abençoado”. Os burgueses convocaram seus empregados. à medida que se conscientizavam de que foram usados para uma troca de poder que em absolutamente nada lhes beneficiou começam a organizar-se em sindicatos e outras agremiações classistas. Agora. uso da força física. – ser “mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Aquelas sociedades que buscam a cura para este mal são “reconvertidas” ao satanismo pagão de holocaustos ao deus-mercado através de diversas formas de pressão e. como ocorreu no Chile de Salvador Allende e. superiores em número.. eram todos enfileirados 5 no caminho que conduz ao fogo do inferno. agora praticamente falida. no limite. muito mais interessante e lucrativo para a burguesia.. preferiria o discurso do padre (vale repetir. No início compravam títulos de nobres aos de antiga linhagem – que os discriminavam! – a seguir passaram a pensar em alternativas mais radicais (ser radical é ir à raiz e a burguesia foi radical no período de suas glórias revolucionárias!) como convocar os trabalhadores a uma aliança contra a nobreza e implantar um novo tipo de regime político. Politicamente a burguesia endinheirada sentia-se lesada tendo de pagar tributos à antiga nobreza. você prosperará imensamente nesta terra.. maçônicas mesmo. por vezes aberta mas sempre e imediatamente proclamadas ilegais ou heréticas e perseguidas por todo o aparato estatal e religioso que a burguesia podia colocar em marcha! . “duque”. Estes. “Usurários”. lucros. “king” e “marquesa” passam a ser nomes de animais domésticos da burguesia! O passo seguinte foi agradecer e condecorar trabalhadores. por vezes secretas. reiterando serem pecaminosos aqueles que praticavam a cobrança de juros. crescendo e hoje. em contradição com a sua prática) ou o do pastor? Assim cresceram as seitas protestantes pelo mundo afora. desempregados e desesperados. Por outro lado começam a surgir expadres. Se você tivesse enriquecido à beça na base do comércio lucrativo. desempregados e desesperados e mandá-los de volta a seus trabalhos. ambos intoleráveis hereges dentro do fundamentalismo de mercado. após muitos percalços. mais recentemente. no Afeganistão – um com proposta socialista... a “república”. saem-se vitoriosos. a seus desempregos e a seu desespero. Foi crescendo. enfim. agora pastores que passam a informar: “se a mão de Deus estiver sobre a sua cabeça.. Surge uma nova religião para reforçar uma ética mais consentânea com os tempos cambiantes: surge o protestantismo. ou do empréstimo a juros. Os padres diziam nas missas – embora sua prática fosse bem outra. outro com proposta islâmica. Era fundamental reorganizar a sociedade de maneira a que os novos donos da riqueza fossem também os donos do poder. para uma aliança contra a nobreza ou “antigo regime” e. a burguesia e seus interesses comerciais se sobrepõem ao ser humano numa infecção que contamina todo o planeta.O capitalismo era como um pequenino câncer que surgiu no final da sociedade feudal.

Dialética Há muito que dizer e em que refletir sobre a Dialética. pois buscava a compreensão do que está para além da superfície. voltando ao reino das aparências criar uma filosofia capaz de . Augusto Comte e a “Física Social” Evidentemente era necessário que a burguesia também produzisse uma teoria em defesa de seus pontos de vista e poucos foram tão brilhantes – e influenciaram tanto a nossa combalida Nação – quanto o positivismo. cedo percebeu que enquanto houver neste mundo gente que se alimenta e gente que passa fome. Movimento: Tudo está em movimento. enquanto houver opressores e oprimidos a espécie humana inteira estará refém da insânia. A essência é mais significativa que a aparência: Este postulado fez com que a Dialética ficasse conhecida como “Filosofia Negativa”. da mera aparência fenomênica de alguma coisa. É como as nuvens no céu: você olha. incrivelmente perspicaz. um pedaço da enorme colcha de retalhos que mais tarde constituiria a Nação Alemã. mas à libertação de toda a espécie humana de toda a classe de opressão e exploração. Chegou à conclusão de que somente a partir do ponto de vista de quem não tem absolutamente nada a perder se pode almejar a vislumbrar a verdade. do “Positivo”. está de um jeito.. Com base no socialismo chamado “utópico” dos franceses. Era necessário olvidar a essência e trabalhar com o que é perceptível aos sentidos físicos mais grosseiros e imediatos. olha novamente.Karl Marx Originário da Renânia. filho de burgueses e educados no mais rigoroso protestantismo. Era necessário esquecer a “filosofia negativa” e... a configuração já mudou completamente. da filosofia clássica alemã (em particular o materialismo de Feuerbach e a dialética de Hegel) e a economia clássica inglesa construiu o MATERIALISMO DIALÉTICO. tudo se transforma freqüentemente em seu contrário.. Adotando o ponto de vista dos trabalhadores criou um ferramental intelectual inédito e até hoje embatido para a compreensão do Real. menciono apenas dois pontos. filosofia voltada não apenas à ascensão da classe trabalhadora ao poder.

Émile Durkheim sistematizou algumas de suas idéias e foi o primeiro a usar efetivamente a expressão “Sociologia” para referirse ao estudo em pauta. Mas. emoções. “que os ricos sejam mais ricos para que.. Como compreender o fato social? Primeiro passo: “Afastar sistematicamente as pré-noções”.. Comte pregava a necessidade de “libertar o conhecimento social de toda a ingerência filosófica”.. Mas Comte e seus discípulos criaram um sistema “científico” voltado a conciliar o inconciliável: a Luta de Classes.compreender o social com tanta precisão quanto a matemática ou a física – que hoje sabemos também serem imprecisas... qualquer ciência que se volte a compreender o homem “afastando a ingerência filosófica” tende mais a falsear a compreensão do ser humano do que a compreendê-lo. e “juízos de valor”.” Discípulo genial de Comte. que seu mestre ainda chamava de “Física Social”. aquelas mesmas que pavimentam todas as estradas do inferno. . e outras idiotices só críveis porque repetidas em altos brados e ad nauseam... mantêm suas mesmas raízes. O que é fato social? Tudo o que é coletivo..... Durkheim e “As Regras.. Se o fosse? Seria desejável? Se a filosofia responde a muitas questões que dizem respeito ao ser do homem no mundo. que já percebem as falhas do positivismo clássico. a Luta de Classes. impregnado de boas intenções.. Weber – a jaula de ferro do capitalismo. Como se a própria colocação da questão – seja ela qual for – não traga nela embutidos os juízos ou as pré-noções.... tem esta raiz. crescendo por etapas ou degraus seria possível chegar-se a uma precisão “científica”.. por sinal. como se isso fosse possível.. suas mesmas motivações – “conciliar Capital e Trabalho”. Olvidando totalmente a existência concreta de interesses antagônicos na Sociedade Burguesa.. Eivado de motivos nobres. Como se fosse possível ao ser humano estar acima de todos os sentimentos. através deles os pobres sejam menos pobres”. busca integrar a todos em torno do ideal ou meta burguesa – “integralismo”.. 6 acerca da sociedade e do ser do homem. Os positivistas contemporâneos. Durkheim tem contudo enorme valor para a Sociologia contemporânea. tem de ser filosófica! O oposto disso é simplesmente fechar os olhos ao que constitui o SER do homem. não filosófica. exterior ao indivíduo e coercitivo. Falando claramente: para que uma ciência humana mereça ser chamada de “científica”. –. Posição hoje indefensável. em linhas gerais.

militar e evangélico talvez explique os motivos do “acidente de trabalho” que o conduziu a uma profundíssima crise depressiva que durou quatro longos anos em que até a alimentação era levada à sua boca pela esposa. Sua posição de professor conservador. particularmente Herbert Marcuse. O peso de sua erudição não tira o interesse do trabalho. O Capital é irracional: desiguala os semelhantes e equaliza os dessemelhantes. separar o “lugar da teoria” do “lugar da prática” em ciência política. percebe-lhe as limitações e conduz os avanços sociológicos que esta corrente positivista havia logrado atingir ao marxismo. a que se alinha com muito maior conforto. “Zerstorung der Vernunft”). Sua grande obra ainda é “Razão e Revolução”. De repente. lutou na Primeira Guerra Mundial como capitão do exército prussiano chegou à conclusão de que é necessário não tomar partido. Segundo o capitão evangélico. não pronunciou uma única palavra. O Clássico “História e Consciência de Classe” é um leitura obrigatória a todo aquele que queira compreender o ser humano vivendo em sociedade. que resgata a Dialética Materialista com grande ênfase à Dialética. um dos maiores gênios do século XX. Freischwebend Intelligenz). Foi um dos últimos brilhos a ir mais longe que Marx dentro do pensamento marxista. Quatro anos em que.Max Weber. o mais notável discípulo de Weber. não escreveu uma única linha. a inteligência deve ser livre de vínculos (em alemão. É nela que se defende que o grande critério a submeter o Real é a Razão Humanista. Você vale o quanto é capaz de produzir e é avaliado não pela grandeza de sua alma e de seus valores humanos. mas do quanto você tem em bens materiais. liberal. Escola de Frankfurt É fundamental citar o lugar dos teóricos de Frankfurt. filho de pastor evangélico. consta. Isso é a Destruição da Razão (em alemão. Teologia da Libertação . Georg Lukács Húngaro. o gênio adormecido desperta para o espanto de todos e compõe uma das mais geniais obras sociológicas do século XX – “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. ao contrário.

como Che Guevara ou o padre Camilo Torres é equiparado aos primeiros cristãos. • O século XVIII constituiu um marco importante para a história do pensamento ocidental e para o surgimento da sociologia: As profundas transformações políticas. tampouco o foi o feudalismo (que durou cerca de um milênio). a travessia do “Mar Tenebroso” que todos “sabiam” intransponível e a chegada ao Novo Mundo. No início como um pequenino carcinoma que hoje tomou conta do planeta todo. “Sempre foi e sempre será assim” – preenchendo o futuro como se houvesse uma linha invisível a ligar todos os tempos.Segundo os grandes filósofos europeus contemporâneos. E agora. acabado. seguramente capitalista não será! Origens e Definições da Sociologia • Surge após revoluções Burguesas (Inglesa/ industrial e Francesa: Por volta de 1830. os exemplos se multiplicam. Mas o poder regenerativo do Humano surpreende mesmo aos 7 médicos e. como se a Vontade humana não houvesse sido capaz de proezas memoráveis como a transformação do Império Romano num Império Cristão. O comunismo nascente comparado ao cristianismo também em processo de parturição no Império Romano. eles dizem: “não tem jeito”. o que fazer? Como o saudoso Capitão Luís Carlos Prestes. esta é a grande contribuição da América Latina em geral e do Brasil em particular ao Saber Universal. econômicas e culturais levam ao surgimento da Sociologia (Ciência Social ou Ciência da Sociedade). O que Weber chamava de “jaula de ferro” os Teólogos da Libertação chamam de “pessimismo defensivo” da burguesia. da criminalidade. Assim como o Império Romano negou o cristianismo por quase 400 anos. do alcoolismo. proclamando-lhe extinto. Não é crível que a espécie humana tenha de ser condenada ao inferno capitalista pelo resto da eternidade. caso o próprio nome “comunismo” tenha se tornado pouco palatável do ponto de vista do marketing político. Além da conflituosa . da prostituição. O revolucionário em busca de um mundo melhor. O capitalismo existe no mundo aí há uns quinhentos anos. O escravismo antigo não foi eterno (durou alguns milhares de anos). • As conseqüências da rápida industrialização foram trágicas: aumento da violência. mesmo sem saber como será a Sociedade do Futuro. Em síntese. morto e era aterrorizado pelo fantasma de seu cadáver insepulto o Capital proclama reiterado e repetidas vezes a “morte do comunismo”. morrerei convicto do Futuro Comunista da Humanidade! Não é possível saber como vamos suplantar esta situação amarga em que “o homem é o lobo do homem”.

sobre suas transformações. vai pensar a ordem social enfatizando a importância das instituições burguesas: a autoridade. • Busca estado de equilíbrio numa sociedade dividida pelos conflitos de classe. • Pós revoluções burguesas. religiosa para explicar a realidade. em objeto que deveria ser investigado. • Conteúdo estabilizador – reforma conservadora – leis imutáveis da vida social. • Não maistransformar a realidade masorganizar através de regras a sociedade: Ordem e Progresso. Qual a importância desses acontecimentos para a Sociologia? • Essas transformações colocavam a sociedade num plano de análise. o surgimento da sociologia prende-se em parte aos abalos provocados pela revolução industrial. hierarquia e harmonia social. • Surge com um interesse prático: resposta a crise social da época(XIX). a interpretação crítica e negadora da realidade. Diante desta nova realidade e das transformações sociais surge a sociologia: 1) Positivista 2) Dialética Sociologia Positivista • Ênfase na ordem. a hierarquia social. • Neste momento (que se iniciou com o renascimento) há uma renuncia da visão sobrenatural. a ênfase continuará sendo no pensamento e explicação racional. já no século XIX. Sociologia: Ciência da Sociedade • É a formação de uma estrutura social muito específica – a sociedade capitalista – que impulsiona uma reflexão sobre a sociedade. marca dos ideais iluministas que orientou o projeto revolucionário da burguesia deveria ser superado em nome da organização da sociedade e manutenção do status quo. uma vez que o ritmo e o nível das mudanças que aí se verificam não chegavam a colocar a sociedade como “um problema” a ser investigado. pelas novas condições de existência por ela criadas e também devido as modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento: na forma de buscar conhecer a natureza e a cultura. • Não é por mero acaso que a sociologia – enquanto instrumento de análise – inexistia nas sociedades pré-capitalistas. a se constituir em problema. . • Passa a prevalecer a busca por uma indagaçãoracional: método da observação e da experimentação – método científico. • Assim sendo. suas crises e seus antagonismos de classe. mítica.relação Capital x Trabalho. a família. porém.

por sua vez. que se instala. • O caráter antagônico e contraditório da sociedade capitalista impediu um entendimento comum por parte da sociologia em torno ao objeto e aos métodos de investigação da nova ciência social. Sociologia Crítica/Dialética • Fenômenos sociais não são independentes dos fatores econômicos. políticos. políticos e culturais. • Relação intrínseca entre teoria e prática. culturais. como tese novamente. tanto no que se refere a manter a ordem social vigente como para contestá-la. Exercícios 1.• Procura criar um objeto autônomo “o social” independente dos fenômenos econômicos. marcada pelos antagonismos e conflitos de classe. indica a forte influência do positivismo na formação política do Estado brasileiro. entre o pensamento dialético e o pensamento positivista/conservador. Importante Considerar: • As explicações sociológicas sempre tiveram e têm intenções práticas: desejo de interferir nos rumos da sociedade. evidencia as contradições e antagonismos de classe desta sociedade. “Ordem e Progresso”.(UEL) O lema da bandeira do Brasil. • Luta de opostos: luta de classes como motor da história. se divide entre aqueles que olhando a realidade querem mantê-la e aqueles que querem transformá-la. 8 • A falta de um entendimento comum na sociologia (no estudo dos fenômenos sociais) tem haver com o fato de vivermos numa sociedade dividida. mudá-la. . • Realidade entendida como totalidade histórica: conhecimento crítico e negador da sociedade capitalista. Teoria Social voltada à transformação da realidade. Teoria Social visa a manutenção da ordem social. bem como as explicações sociológicas. • Compreensão dialética da realidade: (tese – antítese – síntese – tese) oposição sistemática: umatese gera dentro de si umaantítese. do choque dialético entre esses dois pólos sobrevém uma nova situação histórica (síntese) que ainda carrega em si elementos do velho (tese) e do novo (antítese). • O mundo.

Assinale a alternativa que apresenta idéias contidas nesse lema. O fato social é todo fenômeno que ocorre ocasionalmente na sociedade. O calouro. provocando risos. cochichos com comentários maldosos. 2. O calouro não estava vestido de acordo com o grupo e sentiu as represálias sobre o seu comportamento. I. causou estranheza. a) Crença na resolução dos conflitos sociais por meio do estímulo à coesão social e à evolução natural da nação. Considere as afirmativas abaixo sobre as características do fato social para Émile Durkheim. compareceu vestido com traje social. O fato social é exterior ao indivíduo e apresenta-se generalizado na coletividade. d) Ideal de superação da sociedade burguesa através da revolução das classes populares. O fato social caracteriza-se por exercer um poder de coerção sobre as consciências individuais. segundo Émile Durkheim (1858-1917). imaginando que a festa seria formal. III. O fato social expressa o predomínio do ser individual sobre o ser social. d) Apenas as afirmativas I. As regras que regem o comportamento e as maneiras de se conduzir em sociedade podem ser denominadas. e) Negação da instituição estatal e da harmonia coletiva baseada na hierarquia social. II. III e IV são corretas. em que todos estavam trajando roupas esportivas. a) Apenas as afirmativas I e II são corretas.(UEL) Um jovem que havia ingressado recentemente na universidade foi convidado para uma festa de recepção de calouros. Assinale a alternativa correta. . c) Denúncia dos laços de funcionalidade que unem as instituições sociais e garantem os privilégios dos ricos. IV. b) Ideais de movimentos juvenis. c) Apenas as afirmativas II e III são corretas. Ao entrar na festa. No convite distribuído pelos veteranos não havia informação sobre o traje apropriado para a festa. b) Apenas as afirmativas I e IV são corretas. como fato social. olhares de espanto e de admiração. que visam superar os valores das gerações adultas.

Nessa técnica de pesquisa qualitativa. escondidos atrás de vidros espelhados. até compor um mito geral. suas funções e suas finalidades. buscando descobrir quais as tendências dos eleitores. os relatos.) Assinale a alternativa que apresenta a afirmação que está de acordo com a definição de pensamento mítico dada acima. principalmente. c) analisar os aparelhos repressores do Estado. além da convergência das intenções. e) pesquisar os sentidos e os significados recíprocos que orientam os indivíduos na maioria de suas ações e que configuram as relações sociais. (CHAUÍ. II e IV são corretas. além de auto definir-se. A utilização dessa teoria indica que os pesquisadores pretendem: a) investigar as funções sociais das instituições. é possível encontrar a definição de pensamento mítico como aquele que “vai 09 reunindo as experiências. as motivações que se repetem nos votos dos eleitores. para entender o comportamento dos grupos sociais.(UEL) Por trás das disputas que os candidatos travam pela preferência do eleitorado. . Com esses materiais heterogêneos produz a explicação sobre a origem e a forma das coisas.(UEL) O pensamento científico. os concorrentes debruçam-se sobre gráficos. comentam e debatem as campanhas políticas. escola e família. Pesquisadores. na teoria sociológica de Max Weber (1864-1920). descobrem-se. p. b) pesquisar o proletariado como a classe social mais importante na estruturação da vida social.e) Apenas as afirmativas I. 2000. os poderes divinos sobre a natureza e sobre os humanos”. 3. Por exemplo. como eles propõem e ouvem argumentos sobre o tema. d) estudar a psique humana que revela a autonomia do indivíduo em relação à sociedade. em troca de um sanduíche e um refrigerante. as razões gerais que poderiam fazê-los mudar de opção. acompanham as conversas de grupos de pessoas comuns de diferentes classes que. 4. as narrativas. Perto das eleições. tais como igreja. Convite à filosofia. planilhas e tabelas de preferências de voto. 161. Marilena. também classifica e conceitua outras formas de pensamento. A aplicação do modelo de pesquisa que aparece descrito no texto baseia-se. pois são eles que determinam os comportamentos individuais. há uma base minuciosa de informações. São Paulo: Ática.

se é que se quer que haja Lucro! Apenas: para onde com a mercadoria? A boa lógica diz: Lã e trigo. mas prefiro me precaver com patuás e incensos”. Não “creio que ocorram coisas ruins para mim.a) “Acredito em coincidência e essa [a transferência do local do jogo] é uma vantagem a mais para nós nesta final.” (depoimento de um candidato a emprego de gari no Rio de Janeiro. atrás do ‘Éden’. sacrificado! . O pão ainda é destinado a alimentar: ele tem de dar lucro. a distorção idade série e até o tráfico de drogas. Mas se a produção apenas é consumida.” (explicação dada por líder guarani diante do questionamento sobre a instalação de grupos indígenas em áreas de mata atlântica protegidas por lei) e) “As principais causas da exclusão educacional apontadas pelo censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. e não é também vendida Porque o salário dos produtores é muito baixo – quando é aumentado Já não vale mais a pena mandar produzir a mercadoria –. quem com Deus está. (estudante. “Foi lá que conquistamos nosso primeiro título”. tudo junto É sacrificado ao fogo. café e frutas e peixes e porcos. a fim de aquentar o deus do lucro! Montanhas de maquinaria. minas e moinhos: Tudo quebrado e. por que Alugar mãos? Elas têm de fazer coisas maiores no banco da fábrica Do que alimentar seu dono e os seus. (declaração da capitã do time de vôlei do Vasco da Gama ao comemorar a transferência da partida contra o Flamengo para um ginásio de sua preferência) b) “Considero a sexta-feira 13 um dia ‘nebuloso’.(UEL) “A casa não é destinada a morar. além do trabalho infantil. o poder da mente é forte e aquelas pessoas que pensam negativamente podem atrair má sorte. tudo pode. ferramentas de exércitos em trabalho. a distância entre a escola e a residência. 24 anos) c) “Não temo o desemprego. o tecido não é disposto a vestir. Para mim. disputando vaga com outros 40 mil candidatos) d) “Viemos em busca da ‘Terra sem males’. lanifícios. Estamos atrás do ‘paraíso’ sonhado por nossos ancestrais e ele se encontra por essas regiões. para amolecer o deus do lucro. altos-fornos. são a pobreza.” (divulgação na imprensa de dados do IBGE sobre educação) 5. Estaleiros.

é correto afirmar que. Em pânico. 2003.) Os versos anteriores fazem parte de um poema inacabado de Brecht (1898-1956) numa tentativa de versificar O manifesto do partido comunista de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). empestando Também os recantos onde se refugia!) Em novas e maiores crises A burguesia volta atônita a si.. quando a casa cai em estrondos Sobre as nossas cabeças. seu deus do lucro está tomado pela cegueira. [. mas sem planos. a concentração da renda. De acordo com o poema e com os conhecimentos da teoria de Marx sobre o capitalismo. São Paulo. As vítimas Ele não vê. c) Inerentes a esse modo de produção e a essa formação social. p. Bertolt. Atirando-os a saunas e depois de volta a estradas geladas.. na sociedade burguesa. (E pensando evitar a peste alguém apenas a carrega consigo. Mas os miseráveis. planejadamente. d) Frutos do egoísmo próprio ao homem e que poderiam ser resolvidos com políticas emergenciais. b) Frutos da má gestão das políticas públicas. as crises econômicas e políticas.116. a pobreza e a fome são: 10 a) Oriundos da inveja que sentem os miseráveis por aqueles que conseguiram enriquecer.] As leis da economia se revelam Como a lei da gravidade. 16. Começam a entender que o mundo burguês tem seus dias contados Por se mostrar pequeno demais para comportar a riqueza que ele próprio criou.De fato. mar. n. Que ela.” (BRECHT. a burguesia atormentada Despedaça os próprios bens e desvaira com seus restos Pelo mundo afora em busca de novos e maiores mercados. O manifesto. arrasta consigo. Crítica marxista. exércitos gigantes. e) Fenômenos característicos das sociedades humanas desde as suas origens. .

ao invés de buscar compreendê-lo. Disso resulta que todo conhecimento. Paris: PUF. implica uma seleção. deve limitar-se a descrever sua aparência.(UEL .6.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. A Sociologia surge como uma tentativa de romper com as técnicas e métodos das ciências naturais. porque ele pode somente transpô-lo. enquanto recursos de produção do conhecimento. 7. 1969. Nesse sentido. na análise dos problemas sociais decorrentes das reminiscências do modo de produção feudal. II e IV.2005) Leia o texto a seguir. A emergência da Sociologia só pode ser compreendida se for observada sua correspondência com o cientificismo europeu e com a crença no poder da razão e da observação. c) II e IV.] nos é também impossível abraçar inteiramente a seqüência de todos os eventos físicos e mentais no espaço e no tempo. Entre conceito e realidade existe um hiato intransponível. Julien. para Weber: a) A ciência social. reconstruí-lo com a ajuda de conceitos.. é correto afirmar que. b) II e III.(UEL) A Sociologia é uma ciência moderna que surge e se desenvolve juntamente com o avanço do capitalismo.. por tratar de um objeto cujas causas são infinitas. de outra parte. tais como a pobreza. A Sociologia tem como principal referência a explicação teológica sobre os problemas sociais decorrentes da industrialização. Max Weber. d) I. III. . escrito por Max Weber (1864-1920). assim como esgotar integralmente o mínimo elemento do real. seguindo a orientação de nossa curiosidade e a significação que damos a isto que tentamos apreender”. sendo chamada de “ciência da crise”. reflete suas principais transformações e procura desvendar os dilemas sociais por ele produzidos. por refletir sobre a transformação de formas tradicionais de existência social e as mudanças decorrentes da urbanização e da industrialização. nenhum conceito e nem também a totalidade dos conceitos são perfeitamente adequados ao objeto ou ao mundo que eles se esforçam em explicar e compreender. II. considere as afirmativas a seguir: I. A Sociologia é produto da Revolução Industrial. p. inclusive a ciência. IV. a desigualdade social e a concentração populacional nos centros urbanos. (Traduzido de: FREUND. Sobre a emergência da sociologia. De um lado. e) I. que reflete sobre a relação entre ciência social e verdade: “[. III e IV. nosso conhecimento não é uma reprodução do real. 33. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e III.

II e III. II – Com o desenvolvimento do industrialismo. sendo a Teologia a forma norteadora desse pensamento. d) Alguns fenômenos sociais podem ser analisados cientificamente na sua totalidade porque são menos complexos do que outros nas conexões internas de suas causas. a partir de sua inserção na sociedade e nos grupos sociais que a constituem. é limitado para abordá-lo em sua plenitude. e) O obstáculo para a ciência social estabelecer um conhecimento totalizante do objeto é o fato de desconsiderar contribuições de áreas como a biologia e a psicologia. portanto. que tratam dos eventos físicos e mentais. C) II. que se industrializava e se urbanizava em ritmo crescente. IV – A formação de uma sociedade. D) I e II. do ponto de vista sociológico. E) Todas as 9 – (UFUB) Sobre o surgimento da Sociologia. III e IV. III – Aquilo que a Sociologia estuda constitui-se historicamente como o conjunto de relacionamentos que os homens estabelecem entre si na vida em sociedade. III – O pensamento filosófico dos séculos XVII e XVIII contribuiu para popularizar os avanços científicos. podemos afirmar que: I – A consolidação do sistema capitalista na Europa no século XIX forneceu os elementos que serviram de base 11 para o surgimento da Sociologia enquanto ciência particular. II – O homem passou a ser visto. . B) I.b) A ciência social revela que a infinitude das variáveis envolvidas na geração dos fatos sociais permite a elaboração teórica totalizante a seu respeito. I – A Sociologia é um produto das revoluções francesa e industrial e foi uma resposta às novas situações colocadas por estas revoluções. propiciou o fortalecimento da servidão e da família patriarcal. Assinale a alternativa correta: A) III e IV. c) O conhecimento nas ciências sociais pode estabelecer parcialmente as conexões internas de um objeto. o sistema social passou da produção de guerra para a produção das coisas úteis. alternativas estão corretas. através da organização da ciência e das artes. 8 – (UFUB) Selecione as afirmativas que indicam o contexto histórico. social e filosófico que possibilitou a gênese da Sociologia.

E) II. Assinale a alternativa correta quanto a essa tarefa. colaborar para transformar radicalmente a ordem capitalista responsável pela exploração dos trabalhadores. dessa forma. deixando a solução dos problemas sociais por conta dos homens de ação. III e IV estão corretas. B) Incentivar o espírito crítico na sociedade e. B) Manter uma estrutura de pensamento mítica para a explicação do mundo. não indivíduos isolados. III e IV estão corretas. dentre os quais se destaca Auguste Comte. sem maiores preocupações de natureza prática. através dos rituais. E) Observar. a agir e pensar conforme os ensinamentos transmitidos pelos deuses. a família. a Sociologia tinha uma importante tarefa a cumprir na visão de seus fundadores. tendo em vista a necessária estabilização da ordem social burguesa. B) Todas as afirmativas estão corretas. C) I e IV estão corretas.IV – Interessa para a Sociologia. C) Contribuir para a solução dos problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial. através da razão. as classes sociais e etc. mas inter-relacionados com os diferentes grupos sociais dos quais fazem parte. . A) II e III estão corretas. A) Desenvolver o puro espírito científico e investigativo. como a escola. 11 – (UFUB) Surgida no momento de consolidação da sociedade capitalista. medir e comprovar as regras que tornassem possível. C) Condicionar o indivíduo. prever os fenômenos sociais. 10 – (UFUB) Assinale a alternativa correta: O surgimento da Sociologia foi propiciado pela necessidade de: A) Manter a interpretação mágica da realidade como patrimônio de um restrito círculo sacerdotal. D) I. D) Considerar os fenômenos sociais como propriedade exclusiva de forças transcendentais.

nascido principalmente de correntes filosóficas da Ilustração. C) I. D) A Sociologia compreensiva busca apreender o sentido da ação social e de seus nexos causais. II – Derivou-se da crença no poder absoluto e exclusivo da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. C) O objetivo da Sociologia é estabelecer leis gerais explicativas da realidade social. IV – Nele. B) A sociologia de Weber é um esforço de explicação da sociedade enquanto totalidade social. A) II. segundo um modelo físico ou mecânico. visto como única alternativa para a superação das lutas de classe em que a sociedade capitalista estava mergulhada. a sociedade foi concebida como organismo constituído de partes integradas e coisas que funcionam harmoniosamente. como uma das formas de pensamento social. D) I e III estão corretas. podemos afirmar que: I – É a primeira corrente teórica do pensamento sociológico preocupada em definir o objeto.D) Tornar realidade o chamado “socialismo utópico”. 13 – (UFUB) De acordo com o pensamento weberiano. 12 . E) Nenhuma das anteriores. II e III estão corretas. 12 – (UFUB) Sobre o positivismo. II e IV estão corretas. E) Nenhuma das anteriores. estabelecer conceitos e definir uma metodologia. III e IV estão corretas. III – Foi um pensamento predominante na Alemanha no século XIX. E) Todas as afirmativas estão corretas. é correto afirmar que: A) Os juízos de valor do pesquisador não interferem em nenhuma fase do processo de investigação científica. B) I.

os sociólogos não teriam se interessado pelas leis de padronização existentes nas sociedades humanas. por exemplo. não há diferença essencial alguma entre o estudo das sociedades humanas feito pela sociologia e o das sociedades de insetos feito pela entomologia.) Quando comparamos as ‘sociedades’ animais não humanas. Sobre esse assunto. cupins e abelhas. 15. p. notadamente. homens e animais são padronizados devido ao peso da herança genética em todos os tipos de sociedades. 08) Segundo o autor. (. Introdução à Sociologia. 01) Para alguns sociólogos. 01) Segundo o autor.(UEM – Verão 2008) A urbanização tornou-se o processo padrão de transformação do meio ambiente nas sociedades industriais. não apenas entre mamíferos superiores. particularmente a sociedade daqueles insetos. se não fosse a descoberta das leis de padronização das sociedades de animais. 02) Nas sociedades industriais. a introdução de novas tecnologias no campo foi um dos fatores que produziu o êxodo rural e contribuiu decisivamente para o crescimento populacional das cidades. 04) Podemos concluir do texto que são os fatores do meio ambiente que levam à padronização dos comportamentos dos animais e dos seres humanos. Sebastião. tais como os macacos. que. 02) De acordo com o texto. o fazemos porque constatamos que o comportamento de tais animais apresenta certas padronizações parecidas com algumas padronizações verificadas entre os seres humanos” (VILA NOVA. 29). Considerando o que diz o texto acima. por isso. ao contrário do comunitário. mas também insetos: formigas. . 08) Os fluxos migratórios indicam como as atividades econômicas estão distribuídas no território e. 16) Podemos deduzir do texto que tanto os pesquisadores dos animais quanto os sociólogos se preocupam com as ações regulares produzidas pela vida em sociedade.14 – (UEM – Inverno 2008) “Todos nós sabemos da existência de um certo tipo de ‘organização social’ entre animais não humanos. o avanço da urbanização faz predominar o padrão de relação societário. assinale o que for correto. é caracterizado pela formalidade e pela impessoalidade. assinale o que for correto. 1985. podem retratar também as desigualdades regionais existentes. produzindo modos particulares de convívio social... o crescimento das cidades foi acompanhado pela progressiva transformação do espaço urbano em mercadoria. São Paulo: Atlas. 04) No modo de produção capitalista.

. Com base nos conhecimentos sobre o tema. Daniel Bell. está presente em todos os espaços. por ser pouco preciso. como a razão quis a supressão do irracional. Valéry glorificou esta luta destruidora contra as ‘coisas vagas’: ‘Aquilo que deixa de ser.(UEL – 2006) Nas três últimas décadas. para se ver os mitos morrerem’. é correto afirmar: a) Pelo fato de ser destituído de significado social. 1997. é um mito. Do mesmo modo. ela reserva ao mito – e ao sonho – o lugar que lhe é próprio. Desde então.p.17. c) A morte e o extermínio do mito no ocidente decorrem da supervalorização e conseqüente predomínio da razão. além da concentração do capital. Georges.16) A forte influência dos padrões de convívio tipicamente urbanos sobre a vida no campo e o acesso massivo e indiferenciado a bens e a serviços produzem uma notável homogeneização da realidade social. a ciência atual busca menos sua erradicação que seu confinamento. O mito por sua vez trabalha duro para se manter e. 17.(UEL – 2006) “No início a ciência quis a morte do mito. Quando a ciência traça seus próprios limites. Alain Touraine e André Gorz permitiram ampliar a compreensão do processo de passagem da sociedade industrial para a pósindustrial. os trabalhos publicados por Ralph Dahrendorf. basta o rigor do olhar e os golpes múltiplos e convergentes das questões e interrogações categóricas. ocorre a perda da identidade coletiva dos trabalhadores. que se tornam cada vez mais individualistas. por meio de suas metamorfoses. muitos dos conceitos que haviam norteado o campo da análise social desde o século XIX perderam relevância. dando início assim a uma guerra interminável contra o pensamento mítico. visto como obstáculo a uma verdadeira compreensão do mundo. o pensamento mítico é crucial para a compreensão científica do mundo. Na sociedade pós-industrial. considere as afirmativas a seguir. 16. A desordem: elogio do movimento. I. d) Na modernidade. e) O pensamento mítico se disseminou porque se pauta em conceitos e categorias.” (BALANDIER. b) A delimitação da área de atuação do saber científico implica na constituição de um lugar próprio para o mito. armas do espírito ativo. o mito está ausente dos espaços sociais contemporâneos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.) Com base no texto.

Partirei de minhas impressões gerais. num conceito. Sempre me será um estranho. Não tentarei ser comportado. em minha dança encenada de papéis. após finalizado o percurso de um semestre. não fiz resenhas de capítulos. Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior Estar diante do outro. O estranho é o que melhor e mais apto está para me julgar de forma incondicional. que não segui os passos indicados. um estranho. IV.II. e não sei. b) I e III. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. Uma tentativa de síntese. num instante de lapso. de um momento passageiro. Mesmo assim o olhar do outro me congela em meu movimento em direção ao próximo segundo. num adjetivo. como eu a ele. Diante do outro. nos dias partilhados em intimidade. Não vim com muitas esperanças e tinha medo do previsível. O estranho se revela a mim. se eles foram . é defrontar-me com a sensação de fragilidade. que confirmam ou negam a primeira impressão. III e IV. d) I. estranho. numa crença concebida na superfície que demonstro ser. sinais. e cada novo encontro vai deixando indícios. sempre serei um pouco desconhecido – para ele e para mim mesmo – e cada nova revelação será um choque. sem pestanejar. Diante do outro. assim como eu a ele. Mas caio na dúvida se o que sou ou creio ser realmente condiz com a imagem que faço de minha figura. Não fui sistemático e rigoroso. sempre tropeçando. III. O outro me aprisiona com o olhar. tento ser eu mesmo. sempre gaguejando. O uso de sistemas técnicos oriundos das descobertas científicas é o que distingue a sociedade pós-industrial da sociedade industrial. de forma corajosa ou suicida. II e IV. não li tudo o que devia(?) ter lido. admito. sempre fingindo uma segurança ou uma meninice que não tenho verdadeiramente. quando creio minimamente conhece-lo. e) II. diante do outro. o campo da investigação sociológica amplia-se para além dos estudos dos movimentos de classe. agora. como lago. Comecei o disciplina descrente na possibilidade de eu vir a “aceitar” uma perspectiva sociológica do humano. c) III e IV. Com o advento da sociedade pós-industrial. não consigo deixar de ser eu mesmo. Vim cheio de preconceitos. na parcialidade de um ângulo. cristalizando minha existência num olhar. na experiência que dele tenho a partir dos encontros travados anteriormente. Diante do outro conhecido tento ser o que para mim e mais fácil ser. desde o início. Como diria Sartre: “O inferno são os outros”. dada a mobilidade 13 socioeconômica desde o advento da sociedade industrial. Admito. aprisionando meu presente. conhecido. Mesmo na cotidianidade. O retorno aos conceitos elaborados à luz da análise social do século XIX impõese.

Quinze minutos de fama. 14 E nas relações em grupo repetimos esses mesmos falseamentos de realidade. negociáveis na pólis. como fantoches ou ventrílocos. como diria Andy Warhol. conto de Franz Kafka. desconhecidos que sentam-se um ao lado dos outro ou se esbarram. As outras aulas mantive um posição de ouvinte (des)interessado. Todos emitindo seus pontos de vista. como em Josefina. O tempo das cirurgias plásticas. bastando apenas parecer o que não se é. as falas que surgiam das leituras. Ninguém é o que realmente aparenta ser. a cada devis. tango. em que manipulamos o mundo em que somos manipuláveis. uma tentativa de formular um opinião. em que se finge santidade e competência. O exercício da teatralidade de papéis assumidos e dissolvidos a cada momento. nossa cultura local e provinciana? Ou somos a polis. nos dissolvemos. que questionava a relação de intimidade típica da organização familiar. numa relação mutualista. Lembro-me das minhas andanças pela cidade. E todos escondem algo por traz do sorriso. em contraposição à vida errante e democrática. do clareamento dental. Tentei prestar atenção no que emergia. o receio de expressá-la. numa massa que corre em busca da própria sobrevivência. fluidas. herança. As palavras agora são pronunciadas de forma encenada. Criamos ficção de um mundo improvável. o qual fui expositor. Somos nossa casa. perdemos a condição de pessoa. Não sei. a pé e de ônibus. Associações entre o burguês e o proletário. da sociabilidade e dos jogos de papéis vivido nas cidade. da moda sempre em mutação. cada qual se apropriando do que lhe é bem pra uso e abuso. na perda do . melodramas mexicanos. sem que se espere mais nada. E as cidades? Haverão realmente espaços para negociações – o grande mercado mundial de homens especialistas -. as identidades múltiplas. ou os papéis estão dados e legitimados por nós mesmos. evitando o olhar constrangedor. O único movimento que tive foi o inicial estranhamento manifestado na leitura do primeiro texto. utopias e “ismos” para remediar o mal estar que a civilização instaura na impossibilidade de saciedade do desejo. criamos crenças e dogmas em que possamos nos segurar. lembrei-me de minha viagem a São Paulo no início do ano e do meu desagrado narcísico diante do que não era meu próprio espelho. Desde este princípio me coloquei como estrangeiro. Nessa abertura para o mundo.desfeitos. de corpo fechado. somos como os ratos. Há algo ainda em suspensão. Os trabalhadores em equipes que surgem e se desfazem após a realização de uma tarefa. na política midiatizada. sem que se conheça sequer algo do outro. As aulas consistiram para mim como exposições de teses para as quais eu já vinha com todas as minhas antíteses. nossa família. De resto. Apenas 15 minutos. para uma questão que acho sem solução. no “mundo real” da polis. Indivíduo e sociedade? Indivíduo ou sociedade? Indivíduo-sociedade? Papéis. nos tornamos anônimos e invisíveis. os colegas – até hoje desconhecidos – que emitiam suas opiniões. identidade. dos escândalos que se tornam espetáculo de contemplação e êxtase.

Estou tentando me arriscar. Citando. Mas esse mundo não é o mundo dos poetas. um ensaio de intelectualismo que vai do nada ao nada. Nada tenho a perder. Mentira! Trago incômodos. Ainda assim somos humanos. Também eu tenho meus vieses. nossas verdades. nossa forma “melhor” de ver o mundo. na minha crença herética de que minha voz solitária me basta. Mas bem posso estar enganado. O que mais me resta? Posso tentar fazer mais algumas correlações com o que eu já trazia como idéia. outras vezes confrontando a figura central de facilitadora. e será que realmente preciso lapidá-los.verdadeiro desejo. para ser um outro em alteridade? Será que há essa alteridade ou nos suportamos? A diferença ideológica às vezes é tão mais marcante e conflitiva que as aparentes. traçamos rumos que desejamos trilhar. Despertar para a visão disso tudo é necessário. Desde o início apontei para minha descompostura intencional. ou incorporar novas formas. O mundo inteligível das idéias. e. situações. caminhando movida por uma mão abstrata. Uma presença. É o mundo das caixas registradoras. Uma saída ensaiada da caverna. Situação atípica. Isso até parece uma provocação ou uma pirraça. e precisamos conquistar o pão com o suor do próprio rosto. Ela estava lá. fazendo comentários e perguntas incômodas. de que serve tantas discussões teóricas? De que serve a universidade que nos prende nas utopias de um mundo possível de salvação. Estou apenas sumariando. aparentemente sem nenhuma conexão com o que ela trabalhado. Unindo forças por uma coletividade que é tão abstrata quanto a geometria das formas platônicas. Tolerar ou não tolerar? Será que esse meu falatório tem sentido. A sociedade formada de homens. também. Posso emitir opinião sobre a vivência do grupo. Mas todo um discurso de contrariedade e tudo isso é. Todos nós temos nossas ideologias. trabalhamos e funcionamos. Senti . e se reproduz. para ser eu mesmo. Discorrendo livremente. todos eles defendendo vieses. digitalizando-nos. tantos sinais de fumaça sinalizando conceitos. e defendemos como se fossem reais. só consigo ver a arte como salvação. e o previsível seja o que se espera. vivemos em agrupamentos. transformandonos em porcentagens e estatísticas. na liberdade que acredito ter nesse espaço aberto à reflexão. ou simplesmente nos deixamos levar pela correnteza. irrealidade e virtualidade. Entre nós há. Às vezes ingênua. ou é uma grande confusão? Não sei. maquinaria pesada ou tecnologia digital. Nesse ponto. sublimado ou transformado em sintoma e compulsão. mas será que realmente saímos do estado de cegueira e entorpecimento? Ou cairemos novamente numa outra cegueira de luminosidade ofuscante onde os contornos das formas são as mesmas sombras projetadas? Quando digo isso tento pensar no que lemos e discutimos. planejamos e nos projetamos existencialmente. Posso omitir meus sentimentos e acreditar que tudo transcorreu conforme o previsível. E me pergunto. construímos vidas e vias. o desconforto. Algo que destoa do resto do grupo. Tantos pontos de vista. E a tentativa de síntese é falsa.

Mas sei-me em mutação. Como exercitar a própria existência é o que me pergunto. posto que dissociada da vivência real com o outro. preocupações e costumes. e domesticados. Se exercitei meu papel nas arenas da polis acadêmica. Saio de uma turma de desconhecidos. contra a ciência dos conceitos e da busca pela verdade.prazer em ver essa situação se instaurar. E também temos aquela que na risada de deboche abre espaço para as opiniões bem fundamentadas. e que o imprevisível é desconcertante. Fazemos um aqui um parâmetro com conceitos próprios (respostas pessoais de alunos nas questões abaixo. à sociologia. mas não mudei meus pontos de vista. Nada me pereceu tão novo que não seja velho. para depois ruminar. o mais forte que submete o outro por prazer de gozar. Não sei se tenho mais nada a falar. Momentos inesquecíveis nesse período. para as referências à filosofia alemã. Janelas se abrem para que articulações possam ser feitas no futuro. Nada se fala. pois tentei ser poeta. Quero sedimentá-los um pouco. 15 Indivíduo X sociedade Conceitos = a palavra indivíduo habitualmente descreve qualquer coisa. Algo se moveu. teimar na minha ignorância e resistir à psicanálise. às fenomenologias do outro homem. é importante. O que é uma sociedade? Conceitos = Em Sociologia uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos. e sofista. Acho que é tudo o que posso emitir enquanto registro de minhas idéias e síntese de minha participação desse círculo de pessoas. Senti-me contente. o discurso sobre o desejo. gostos. eu sei. Não sei se isso é o bastante. O espaço. pois mostrou o quanto estamos conformados com os papéis dados. à antropologia. mas eis que emerge e se cristaliza o “bode expiratório”. Sinto muito. e que interagem entre si constituindo uma comunidade. o relativismo dos valores como verdade afirmada. defendendo o absurdo. que não foram ainda assimiladas. Jogo na lata de lixo de minha cachola. Acho que é o lugar da loucura no mundo. A sociedade é o objeto de estudo das ciências sociais especialmente da Sociologia. realizadas em sala e entregue ao professor): . foi por minha escolha pela omissão consentida. quando não censurado e reprimido. Como saio afinal? Não sei. Já estou um tanto cansado das discussões que não levam a lugar nenhum. ao marxismo. Eu guardei coisas em mim. fica a situação velada. Já não estou mais no início do percurso. É motivo de risos e desconforto.

já que todos agem de acordo com o significado atribuídos às ações.Ação: para Weber. a natureza e seu meio social.Recusa. mas caráter de reflexo. interpretando-a para explicá-la em seu desenvolvimento e efeitos. o desenvolvimento e os efeitos da conduta de um ou mais indivíduos em relação a . entendida como a ação realizada pelo indivíduo tendo como orientação a ação do outro indivíduo. . em sua teoria. . para ele. Quando esta ação visa a ação de uma pluralidade de indivíduos totalmente desconhecidos. na contemporaneidade. . .a) Sua vida esta vinculada a sociedade? (Você faz o que bem quer?) b) Quais foram as experiência e influências que vocês receberam da família? * Dos amigos * Dos vizinhos c) Como vocês apreender a ler e a escrever? d) Onde aprenderam normas sociais? e) O que vocês aprenderam na rua? f) Vocês vão algum culto religioso? Max Weber .Nega a polarização indivíduo X sociedade. já que não têm um sentido pensado. . . . . . não havendo como existir uma imersão passiva do indivíduo em uma sociedade que o põe a mercê dos acasos.Ações reativas não interessam à sociologia. a ação passa a ser social. .Objeto de investigação da sociologia weberiana: a ação social. move a construção da sociedade. estudará o homem em relação de interdependência com o outro.A determinação social é admitida em Weber. mas sua interdependência.Sociologia para Weber: a ciência que busca entender a ação social. é toda conduta humana dotada de significado subjetivo dado por seu executor. mas não é central. já que. trabalhar de forma polarizada a relação entre indivíduo e sociedade.O indivíduo tem.Portanto. A influência social sobre o indivíduo é admitida. compartilhando sentidos e significados. mas considerada uma fase posterior à criação do mundo por ele.A explicação sociológica busca compreender e interpretar o sentido. . o sentido é o definidor da ação social. como em Marx e Durkheim.Sociologia como a ciência que.Não existe acaso. o lugar de criador de seu mundo.

Aspecto fundamental da sociologia de Weber: busca pela conexão de sentidos presentes no contexto das ações praticadas por indivíduos e grupos no processo de interação social. ao contrário da capacidade humana de compreensão. . tem um forte componente subjetivo. ou seja. compreensão da qual consiste em captar e interpretar sua conexão de sentido. . Por exemplo. que poderá ser mais ou menos evidente par ao sociólogo. sendo necessário. tem-se o aperto de mãos: seu conteúdo de sentido é de amizade e cortesia. que é infinita. através destes fatores. enfim. para tanto. pelo qual busca o nexo causal dos sentidos compartilhados entre indivíduos e grupos em seu existir socialmente. . organiza e. já que. . o alvo da sociologia de Weber é “a especificidade dos fenômenos e seus significados” (…) “Por isso. contextualizada à realidade social vivenciada por indivíduos e grupos. Os tipos ideais permitem essa relação. . que cause a conduta dos indivíduos.Método Compreensivo: resgate interpretativo do passado para a compreensão do presente. o cientista pode isolar. . obtendo-se resultados válidos não apenas para si. . Assim. O método utilizado baseia-se no estágio de desenvolvimento dos conhecimentos.Tipologias da sociologia weberiana: a da ação social e da tipologia da dominação.O referido método utiliza-se de um recurso teórico chamado tipo ideal. Barbosa e Oliveira. . que o particular ou específico não é aquilo que vem dado pela experiência. mas o resultado de um esforço cognitivo 16 que discrimina. da imensidade absoluta. que consistem em conceitos selecionados que permitem a tradução adequada de aspectos da realidade. que busca trabalhar com elementos da realidade.Os tipos ideais permitem a relação entre objetividade do conceito puro e a própria compreensão histórica. nem muito menos pelo ponto de partida do conhecimento.Metodologia de Weber: Método Compreensivo. . ou seja. . um fragmento ínfimo que considera relevante” (…) Pode-se dizer. que pode ser entendido como compartilhado pela maioria dos membros de uma sociedade.outros (ação social).Relação social: diz respeito a uma ação de reciprocidade orientada.Segundo Quintaneiro. fica clara a impossibilidade de análise humana de toda a realidade. então. segundo Weber. abstrai certos aspectos da realidade na tentativa de explicar as causas associadas à produção de determinados fenômenos”. nas estruturas conceituais disponíveis e nas normas de pensamento vigentes.A objetividade weberiana. que haja conteúdo de sentido em si. uma vez que o tipo ideal é construídos por critérios que dizem respeito à cada pesquisador. se busca compreender a natureza particular das conexões que se estabelecem empiricamente.

. A principal socialização se dá na primeira infância.Ao contrário de Marx. . . que poderia esmagar o espírito humano justamente por tentar regulares todas as esferas da vida social. expande-se com o crescimento econômico e político. 2) Dominação tradicional.Tipologia da dominação: o homem não busca o poder apenas para enriquecer economicamente. onde a ação social é determinada por elementos fortes das personalidades individuais que propiciam a alguns ascenderem sobre os demais. O processo de socialização Compreender a perspectiva sociológica acerca do ser humano é compreender também como o ser humano é socializado. já que Weber concentra sua análise nos atores sociais e suas ações. Weber não vê o capitalismo como dominado pelo conflito de classes.A legitimação da dominação é a crença de que determinado indivíduo é capaz de governá-lo. nossa identidade. Socialização é o processo pelo qual a sociedade ou comunidade ou grupo social ensina a seus membros seus costumes e regras. por meio da família e da escola.Tipologia da ação social é subdividida em: 1) ação social tradicional. 3) Dominação de caráter carismático. 2)afetiva. o ser humano tem de ser socializado. consideradas forças motrizes do agir social dos indivíduos e de suas interações. e. Ela ocorre por meio dos outros significativos. temia a excessiva regulamentação da sociedade moderna. ou seja. que são todas as pessoas muito importantes em nossa vida e dos quais dependemos. mas aspira às honras sociais derivados dele.Weber descreve o desenvolvimento da ciência. por meio de todas as interações que travamos durante a vida. . o que devem pensar.A tipologia da dominação é subdividida em: 1) Dominação racional-legal. É o que podemos chamar de socialização primária. tipicamente ocidentais e marcos distintivos deste lado do planeta. a sociedade e o Eu são o verso e o reverso de uma mesma realidade. tecnologia e burocracia como racionalização. que consiste na organização da vida sócio-econômica de acordo com os princípios de eficiência e baseada no conhecimento técnico. Para que a sociedade funcione sem graves conflitos. É por meio da socialização que vamos adquirindo o nosso Eu. como nossos pais. vista como a única maneira de organizar um grande número de pessoas efetivamente. o que é o certo e o que é errado. Na medida em que os outros significativos vão dizendo para as crianças como elas devem agir. . Por meio da socialização adquirimos o “direito” de atuarmos no grupo social em questão. ela vai aprendendo a agir em sua sociedade porque . 4) conforme fins. 3)racional conforme valores e..Weber. na qual a tradição determina de indivíduos e grupos. mas pela ascensão da ciência e da burocracia. . irmãos mais velhos e amigos íntimos. isto é. É interessante notarmos que a criança descobre quem ela é quando descobre o que a sociedade é. na qual se encontra vinculação com elementos da lei no contexto das sociedades completas. A socialização secundária se dá num âmbito maior. A burocracia. entretanto.

denominamos de Outros Generalizados. suas idéias e valores. Obviamente. E as crianças vão. hábitos estes que não são inatos. Ou seja. crenças. dentre elas. É por meio das estratégias de integração do indivíduo à . urbana e industrializada: para a socialização ser completa teríamos que aprender tudo. isto é. a socialização é um processo contínuo no qual o indivíduo ao longo da vida aprende. Impossível. p. Os outros significativos vão se tornando o que. em sociologia. Ao ingressarem em um novo grupo. criando sua consciência. aprendendo a usar os símbolos (linguagem) e aprendendo os seus papéis sociais. Ao mesmo tempo a socialização nunca termina. Tais valores vão se consolidando e determinando suas escolhas. “em estado de isolamento social. moldando sua vida. conforme os padrões da sociedade em que está inserido. o indivíduo não é capaz de desenvolver um comportamento humano. Mas. A cada vez que ingressamos em um novo grupo social. nesse momento se inicia um novo processo de socialização onde aprendemos os códigos para bem atuarmos 17 nesse grupo social. Nessa constante interação com o meio. podemos perder nossa identidade se ela não for. segundo autores de diversas correntes teóricas. as escolhas profissionais. criando uma identidade. E ninguém é capaz de ser socializado em todos os aspectos de sua sociedade. vivenciar tudo. para o pensamento sociológico. Estamos sempre sendo socializados. conforme a idéia de reciprocidade. que lhes permitirá articular-se com os processos de comunicação e de integração que permeiam o fazer coletivo. Durkheim (1987) ressalta a importância da socialização ao mostrar que a sociedade só pode existir porque penetra no interior do ser humano. Os homens adquirem uma “natureza” ou uma identidade por meio de suas associações e podem perdê-la (ou ela declina) quando se encontram isolados. A socialização faz com que a pessoa adquira as normas definidoras dos critérios morais e éticos. uma psiquê humana e outros fatores de influência tratados por outras ciências. tornando-o sociável. o indivíduo vai internalizando crenças e valores. Podemos afirmar que a “natureza” humana não surge no momento do nascimento. normas e práticas da organização. construindo padrões de comportamento próprios para interação em cada grupo. é crucial para a reprodução do universo simbólico. Segundo Levy (1973). Imaginem em nossa sociedade complexa. Para Levy (1973. pois este deve ser aprendido ao longo de suas interações com os grupos sociais”. 60). Ao longo do processo de desenvolvimento humano. Se assim o fosse seríamos robôs. o principal fator de formação da identidade e personalidade de um indivíduo é sua socialização. ao mesmo tempo. existem algumas determinações genéticas. verdadeiros autômatos. identifica hábitos e valores característicos que o ajudam no desenvolvimento de sua personalidade e na integração de seu grupo. Este mesmo processo revela-se crucial no contexto de uma organização. o indivíduo participa de inúmeros grupos sociais. a sociedade. O processo de socialização nunca é completo e perfeito. reforçada e atualizada pelos outros de nosso grupo social. participar de tudo. passando por um processo de socialização. os funcionários precisam ser apresentados aos valores.vai descobrindo como é sua sociedade. Por meio do processo de socialização as estruturas da sociedade tornam-se as estruturas de nossa mente. O processo de socialização de novos membros.

a cultura predominante na organização. a organização tende a ser vista de forma positiva. até mesmo. A idéia principal é a persuasão das pessoas para adotarem determinadas atitudes e crenças. não têm chance de experimentar o sucesso e nem a motivação dele decorrente. Quando os principiantes são colocados em tarefas inicialmente fáceis. O supervisor deve cuidar dos novos funcionários como um verdadeiro tutor. os desafios e recompensas em vista. Supervisor como tutor: O novo funcionário pode ligar-se a um tutor capaz de cuidar de sua integração na organização. que os acompanha e orienta durante o período inicial na organização. manipulação e. educação. os empregados principiantes tendem a internalizar altos padrões de desempenho e expectativas positivas a respeito de recompensas resultantes do desempenho excelente. Antes mesmo do candidato ser aprovado. Processo seletivo: A socialização tem início na entrevista de seleção através da qual o candidato fica conhecendo o seu futuro ambiente de trabalho. 3. Definindo a palavra socialização. os grupos de trabalho têm uma forte influência sobre as crenças a atitudes dos indivíduos a respeito da organização e de como eles devem se comportar. Além disso. como: aculturação. Com isso. as atividades desenvolvidas. Programa de integração: É um programa formal e intensivo de treinamento inicial destinado aos novos membros da organização para familiarizá-los com a linguagem usual da organização. A aceitação grupal é fonte crucial de satisfação das necessidades sociais. por meio de exemplos e pressões sociais. Leavitt (1991) apresenta alguns termos. lavagem cerebral. Se o supervisor realiza um bom trabalho neste sentido. o gerente e o estilo da administração existente etc. 5. além de reforço positivo sobre comportamentos adequados ou.organização que os valores e comportamentos vão sendo transmitidos e incorporados pelos novos membros. treinamento. até mesmo. 2. reforço negativo sobre comportamentos impróprios. A integração do novo funcionário deve ser atribuída a um grupo de trabalho que possa provocar nele um impacto positivo e duradouro. Os métodos de socialização organizacionais mais utilizados são os seguintes: 1. os colegas de trabalho. Grupo de trabalho: O grupo de trabalho pode desempenhar um papel importante na socialização dos novos empregados. Conteúdo do cargo: O novo funcionário deve receber tarefas suficientemente solicitadoras e capazes de proporcionar-lhe sucesso no início de sua carreira na organização. com os usos e costumes internos (cultura . Para os novos empregados. o supervisor representa o ponto de ligação com a organização e a imagem da empresa. 4. o processo seletivo permite que ele obtenha informações e veja com seus próprios olhos como funciona a organização e como se comportam as pessoas que nela convivem. Os novos empregados que recebem tarefas relativamente solicitadoras estão mais preparados para desempenhar as tarefas posteriores com mais sucesso. para depois receber tarefas gradativamente mais complicadas e crescentemente desafiadoras.

a cultura da organização e se comporte daí para frente como um membro 18 que veste definitivamente a camisa da organização. não existe forma de . os programas de integração são totalmente desenvolvidos pelo órgão de treinamento. enquanto em outras são coordenados pelo órgão de treinamento e executados por gerentes de linha nos diversos assuntos abordados. Nos casos em que o novo membro ocupa posição de destaque. em níveis de gerência ou direção. valores e comportamentos. os principais produtos e serviços. Mais: ela funciona como elemento de fixação e manutenção da cultura organizacional. que não são mutuamente exclusivas e que. Quase sempre. A socialização organizacional constitui o esquema de recepção e de boas-vindas aos novos participantes. O programa de integração procura fazer com que o novo participante assimile de maneira intensiva e rápida. a missão da organização e os objetivos organizacionais etc. estão combinadas de diversas formas. mais o papel de novato é segregado e especificado. o programa de integração pode durar meses. com uma agenda que programa sua permanência nas diversas áreas ou departamentos da organização com um tutor permanente (seu gerente ou diretor) e um tutor específico para cada área ou departamento envolvido na agenda. as quais serão descritas a seguir. a estrutura de organização (as áreas ou departamentos existentes). e maior a tensão.Estratégias formais e informais de socialização: o processo formal de socialização age na preparação do novato para ocupar um cargo específico na organização. a socialização representa uma etapa de iniciação particularmente importante para moldar um bom relacionamento em longo prazo entre o indivíduo e a organização. o novo funcionário recebe um manual com informações básicas para sua integração na organização.organizacional). Maanen (1989) apresenta uma definição mais completa para socialização organizacional: é o processo pelo qual o indivíduo aprende valores. O autor apresenta sete estratégias de socialização organizacional empregadas pelas empresas. normas e padrões de comportamento que a organização considera imprescindíveis e relevante para um bom desempenho em seus quadros. na prática. normas de comportamentos esperados. em médio prazo. Quanto mais formal for o processo. que permitem a ele participar como membro de uma organização. Sua finalidade é fazer com que o novo participante aprenda e incorpore os valores. o que influencia as atitudes e valores dos novatos. . em uma situação real ou de laboratório. dependendo da intensidade de socialização que a organização pretende imprimir. do novo participante pelo gerente ou supervisor que funcionam como seus tutores e que se responsabilizam pela avaliação de seu desempenho. Em algumas organizações. mas que depois contam com um acompanhamento. São programas que duram de um a cinco dias. Este é um processo que ocorre durante toda a carreira do indivíduo dentro da organização. A socialização organizacional implica também na renúncia de certas atitudes. Em uma atmosfera informal. Na realidade.

Por outro lado. cada um atua por conta própria e dificilmente procura apoio do grupo para as ações de sintonia. . Contudo. A segunda etapa ocorre quando o novato é colocado em sua posição organizacional designada.Estratégias seqüenciais e não seqüenciais de socialização: a socialização seqüencial caracteriza-se por processos transitórios marcados por uma série de estratégias discretas e identificáveis. . poderá também estimular a criatividade e a iniciativa dos novos integrantes. os novatos são agrupados em conjunto para o início e processados por um conjunto de experiências idênticas.Estratégias fixas e variáveis de socialização: os processos de socialização fixa proporcionam a um novato um conhecimento preciso do tempo que necessitará para completar determinado estágio. Quando um grupo é introduzido em um programa de socialização.diferenciação e grande parte da aprendizagem do novato necessariamente ocorre no interior das redes sociais e das tarefas relacionadas que envolvem sua posição. de acordo com as habilidades e ambições dos indivíduos. ele desenvolve quase sempre uma consciência coletiva. ou seja. . quando comparadas às coletivas. Entretanto. . Assim. As mudanças são isoladas e dependem. da relação estabelecida entre o agente socializador e o novato. é necessário que exista um programa seqüencial para que o processo de aprendizagem seja facilitado. . as estratégias por concurso possibilitam uma certa participação e uma cooperação entre os indivíduos. Essa estratégia apresenta um elevado risco. Dessa forma. perdem em termos de homogeneidade de resultados. o tempo de transição é padronizado. 19 .Estratégias de socialização em série e isoladas: a estratégia de socialização em série é aquela que prepara os novos integrantes para assumir diversos papéis organizacionais similares. com resultados relativamente similares. contra ou a favor da organização. o processo formal de socialização é apenas a primeira etapa da socialização. Nas estratégias de socialização variáveis. em grande parte.Estratégias de socialização por competição ou por concurso: as estratégias de socialização por competição caracterizam-se pela separação dos novos integrantes em grupos ou diferentes programas de socialização. o que pode gerar certa incompatibilidade entre os objetivos organizacionais e os do grupo. devendo aprender informalmente as práticas reais em seu setor. Nas estratégias isoladas de socialização. pois o novo integrante poderá ficar confuso e se perder durante o processo de socialização. sendo uma garantia de que a organização não sofrerá qualquer mudança ao longo do tempo. o indivíduo é socializado com base em sua iniciativa e não por qualquer padrão a ser seguido. Os processos não seqüenciais são realizados em um estágio transitório e sem uma relação com outras etapas anteriormente realizadas. As estratégias individuais também geram mudanças mas.Estratégias individuais e coletivas de socialização: na socialização coletiva. os indivíduos desconhecem a dimensão tempo do período de transição. por meio dos quais um indivíduo deve passar a ocupar uma posição e exercer um papel na organização.

Experiências indutoras de humildade: particularmente nos primeiros meses. Outro autor importante e que vem complementar a teoria de Maanen (1989) é Pascale (1985) que também destaca sete passos inter-relacionados. “a seleção é bastante rígida (…) aquele que for escolhido terá tendência a considerar-se como entrando numa elite. procura confirmar e estabelecer a viabilidade e utilidade dos valores pessoais dos novatos. HOLLAND. Maanen (1989. ainda. na investidura. que estruturam o processo de socialização dos indivíduos na cultura organizacional: . (1987. Exceto a satisfação narcísica que isso provocou. . isso cria uma ligação tão sólida que não se consegue abandonar o que foi conseguido com tanta dificuldade”. 1986. Ele é bem-vindo da forma como ele é.. no lugar das estratégias de investiduras. Maanen (1989) enfatiza. provavelmente produzem resultados similares entre os novatos”. . crenças e valores. que grande parte do controle sobre o comportamento do indivíduo nas organizações é resultado direto da maneira pela qual a pessoa é socializada. 1985). de modo a promover uma maior abertura para as normas e valores da organização. 1991. 60) ressalta que “as estratégias de despojamento. As estratégias descritas acima são utilizadas pelas organizações para controlar e dirigir o comportamento de seus membros. Ou seja. a organização procura reduzir a autocomplacência do indivíduo. Para os autores. Ele é. Outro aspecto que merece destaque no processo de seleção é o reforço do sentimento de ultrapassar barreiras e de forte identificação do indivíduo com a organização na qual ele está ingressando. selecionando-se assim. 114). RYNES & BOUDREAU. Essas . geralmente. p. candidatos que identifiquem com os valores organizacionais e que reforcem a cultura da organização. tais como atribuir metas difíceis de serem cumpridas.A seleção: esta fase é dirigida a atrair candidatos “certos” e predispostos a aceitar as crenças e valores da organização.Estratégias de socialização por meio de investidura e despojamento: estas estratégias objetivam confirmar ou destruir a identidade do novato na organização. submetido a uma série de “testes” rigorosos para obter acesso privilegiado na organização. p. Já no processo de despojamento procura-se destruir e despojar certos valores e crenças dos novatos. Essa fase procura evocar uma auto-análise que facilite a aceitação dos valores da organização e assemelha-se às estratégias de despojamento relatadas por Maanen (1989). como mostram Pagés et al. Por meio de “experiências indutoras de humildade”. a organização procura criar condições para que os novos integrantes passem a questionar seus comportamentos. Os candidatos que são recrutados passam por uma bateria de testes e entrevistas para que sejam selecionados somente aqueles indivíduos predispostos a aceitar as crenças e valores da organização. Outros estudos também têm considerado o processo de seleção como a oportunidade inicial de atrair indivíduos que se identifiquem com os valores organizacionais e que reforcem a cultura da organização (CHATMAN.Treinamento na linha de fogo: os esforços de treinamento específico para o trabalho voltam-se para o domínio das disciplinas básicas da organização. ou designar trabalhos que exigem pouca qualificação a indivíduos mais qualificados.

Nas organizações. o folclore reforça o código de conduta sobre “como realizamos as coisas por aqui”. Essa fase essencial cria uma base de confiança entre a organização e o indivíduo. 20 . O treinamento é uma espécie de materialização da cultura. Neste sentido. a organização comunica as maneiras . Particularmente. porém. as organizações exercem um controle muito forte sobre os indivíduos. 8). mitos. rituais e símbolos da organização oferecem imagens fortes da empresa. por meio de um poder disciplinar presente nas suas práticas sociais cotidianas. Dessa forma. por meio do comprometimento contínuo com os valores compartilhados. ele tem sempre o mesmo objetivo: formar corpos dóceis e produtivos”. o processo de socialização organizacional pode ser considerado como uma estratégia de poder e influência utilizada pela empresa para formar corpos dóceis e produtivos. a fim de serem reconhecidos e recompensados. além do repasse do conhecimento técnico necessário à realização do trabalho. os indivíduos podem ser aprisionados pelas estruturas de poder nas organizações e também pela sua própria conduta. Nesse ínterim. Visa. com o propósito de medir os resultados operacionais e recompensar o desempenho individual. para os novos integrantes. p. . que mantêm a organização em sintonia com a sociedade. p.Folclore do reforço: as histórias. a construção da subjetividade dos indivíduos que estão a ele submetidos. Nesse sentido é também importante tratar da questão do poder nas organizações. devem dar prova de coerência e persistência de seus pensamentos”. Motta (1981. gestos e risos (FOUCAULT. Esse poder de restrição e de opressão controla corpo. “ …quaisquer que sejam as modalidades e a intensidade do poder disciplinar. Eles devem dar provas constantes de sua competência.Aderência aos valores centrais da organização: a identificação com as crenças e valores comuns capacita os indivíduos a reconciliarem os sacrifícios pessoais. freqüentemente necessários para o sucesso da organização.Uso de sistemas de recompensa e controle: a organização dedica um extremo cuidado à criação de sistemas abrangentes e consistentes.Modelos consistentes de papéis: os processos de socialização organizacional abrangentes oferecem modelos consistentes de papéis a desempenhar. os indivíduos “nunca podem ou devem perder a sua pose. Para Motta (1991. . 1989) e até mesmo a memória. que influenciam a maneira como as pessoas vêem a organização. 41) complementa com a seguinte afirmação.experiências extensivas e cuidadosas têm por objetivo inculcar no novo integrante os valores da organização. O enfoque se dá particularmente nos aspectos relacionados ao sucesso competitivo e aos valores da organização. .

É nesta etapa que o novo empregado terá o primeiro contato com a empresa. Identidade e Socialização 01. a integridade e a comunicação. etc. que carregam de maneira bem forte os traços e atributos que a organização valoriza. acarretando algumas mudanças.como reconhece formal ou informalmente seus “vencedores”. para que conheça melhor a cultura organizacional da empresa e desempenhe com maior sucesso sua nova função. Entretanto. pelas relações de cooperação que se desenvolvem entre os diversos grupos envolvidos no sistema produtivo. atos e valores. 02) De acordo com Karl Marx. os novos empregados devem passar por uma socialização que vai desligá-los de suas pressuposições anteriores. proporcionam uma forte identidade organizacional. Pascale (1985) advoga que essas fases. Ele terá absorvido as normas da organização e de seus colegas de trabalho. definem-se. o novo funcionário é submetido a treinamentos. quando as expectativas e a realidade são diferentes. . O estágio do encontro: é a etapa onde o novo funcionário se vê diante da diferente posição entre suas expectativas e a realidade. sendo que este pode abranger tanto o trabalho a ser feito quanto a organização. para Marx. A socialização é um processo de adaptação que ocorre quando uma pessoa passa de fora para dentro da empresa. O estágio da metamorfose: é a etapa onde o novo funcionário irá superar alguns problemas descobertos durante o estágio de encontro. assinale o que for correto sobre o conceito de classes sociais. o estágio de encontro irá confundir as percepções geradas antes. quando bem gerenciadas. substituindoos pelos padrões fundamentais. sobretudo. sentindo-se assim aceito pelos colegas como pessoas de valor e digna de confiança. o objetivo da socialização é estabelecer uma base de atitudes. Ou seja. cursos.Indivíduo. as relações entre as classes sociais transformamse ao longo da história conforme a dinâmica dos modos de produção. que favoreça a cooperação. 04) As classes sociais. Finalmente. Exercícios . palestras. Para esse autor. 01) Sua utilização visa explicar as formas pelas quais as desigualdades se estruturam e se reproduzem nas sociedades. atitudes e expectativas. Processos O estágio da pré-chegada: reconhece explicitamente que cada pessoa chega a uma empresa com um conjunto de valores. Se as expectativas forem mais ou menos de encontro com a realidade.(UEM – Inverno 2008) Em termos sociológicos.

02) a relação que a criança estabelece com o seu corpo não deveria ser do interesse das ciências biológicas. mas também com outros seres humanos. mas apenas da sociologia. 08) as experiências individuais. A biografia do indivíduo. a complementaridade e a troca: a divisão do trabalho social cria diferenças com base na complementaridade. José de Souza. Além disso.” (BOURDIN. dependendo da sociedade na qual eles estão inseridos. é correto afirmar: .(UEM – Verão 2008) Leia o texto a seguir: “Desde o início a criança desenvolve uma interação não apenas com o próprio corpo e o ambiente físico. Brigitte.08) A formação de uma classe social. 1977. como os proletários. o fato de viver junto.2006) “Três grandes dimensões fundamentam o vínculo social. Sociologia e Sociedade. p. do vínculo sexual e familiar. pelos indivíduos. 28. 16) o desconforto físico que uma criança sente. “Socialização: como ser um membro da sociedade”. a proximidade surge então como produtora do vínculo social e o camponês sedentário como o ser social por excelência. pode receber dos adultos distintas respostas de satisfação.(UEL. A questão local. 2. das regras e dos valores sociais. Peter L. é a história de suas relações com outras pessoas. 3. Alain. e BERGER. só se realiza na sua relação com a classe opositora. 200). o frio e a dor. Rio de Janeiro: DP&A. Em segundo lugar. 16) A afirmação “a história da humanidade é a história das lutas de classes” expressa a idéia de que as transformações sociais estão profundamente associadas às contradições existentes entre as classes. In FORACCHI. os componentes não sociais das experiências da criança estão entremeados e são modificados por outros componentes. 2001 p. o sentimento de pertença à humanidade que nos leva a reforçar nossos vínculos com os outros seres humanos: força da linhagem. contêm dimensões sociais. no caso do exemplo. que designa o aprendizado. o que permite aumentar as 21 trocas. Por fim. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. são influenciados pelos valores e pelos costumes que caracterizam sua sociedade.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. desde o nascimento. Podemos concluir do texto que 01) os indivíduos. desde o nascimento.” (BERGER. de partilhar uma mesma cotidianidade. afirmação de um destino comum da humanidade por grandes sistemas religiosos e metafísicos. pela experiência social. como a fome. Marialice M. Primeiro. ou seja. a burguesia. 04) o fenômeno tratado pelo autor corresponde ao conceito de socialização. até mesmo aquelas que parecem mais relacionadas às nossas necessidades físicas. e MARTINS.

provocando risos. c) Apenas as afirmativas II e III são corretas. 5. II e IV são corretas. cochichos com comentários maldosos. a) Apenas as afirmativas I e II são corretas.(UEL . O fato social é exterior ao indivíduo e apresenta-se generalizado na coletividade. I. c) O cotidiano das pequenas cidades e do mundo campesino favorece a criação de vínculos sociais. imaginando que a festa seria formal.a) A divisão do trabalho social na sociedade contemporânea desagrega os vínculos sociais. as grandes metrópoles deixaram de ser lugares de complementaridade e de trocas. Assinale a alternativa correta. 4.(UEL – 2004) O texto a seguir refere-se à situação dos apátridas na 2ª Guerra Mundial: . Considere as afirmativas abaixo sobre as características do fato social para Émile Durkheim. III. IV. O calouro não estava vestido de acordo com o grupo e sentiu as represálias sobre o seu comportamento. III e IV são corretas. e) O forte sentimento de pertencer à humanidade desmantela a noção de comunidade e minimiza o papel da afetividade nas relações sociais. por resultarem de criações subjetivas dos indivíduos. As regras que regem o comportamento e as maneiras de se conduzir em sociedade podem ser denominadas. d) Pela ausência da cotidianidade.2003) Um jovem que havia ingressado recentemente na universidade foi convidado para uma festa de recepção de calouros. b) Os sistemas religiosos e metafísicos são fatores de isolamento social. O fato social é todo fenômeno que ocorre ocasionalmente na sociedade. O calouro. II. causou estranheza. olhares de espanto e de admiração. Ao entrar na festa. segundo Émile Durkheim (1858-1917). b) Apenas as afirmativas I e IV são corretas. e) Apenas as afirmativas I. compareceu vestido com traje social. como fato social. d) Apenas as afirmativas I. O fato social expressa o predomínio do ser individual sobre o ser social. No convite distribuído pelos veteranos não havia informação sobre o traje apropriado para a festa. em que todos estavam trajando roupas esportivas. O fato social caracteriza-se por exercer um poder de coerção sobre as consciências individuais.

totalitarismo. Rio de Janeiro: DP&A. d) Ao apátrida é garantida ressonância às suas opiniões mais significativas.(UEL – 2005) Emile Durkheim observa que uma condição fundamental para que a sociedade possa existir é a presença de um consenso social. c) Ser privado da vida é menos importante que ser privado da liberdade. imperialismo. 2000. o qual. Pois sem consenso não há cooperação entre os indivíduos e.” (ARENDT. nem da igualdade perante a lei ou da liberdade de opinião – fórmulas que se destinavam a resolver problemas dentro de certas comunidades – mas do fato de já não pertencerem a qualquer comunidade [. da liberdade ou da procura da felicidade. portanto.) Com base no texto. e) Ser um apátrida é ser reconhecido como um indivíduo com direitos fora de seu país de origem. por exemplo. (Adaptado de: RODRIGUES. por sua vez. é produzido pela cooperação entre os indivíduos através de um processo de interação que Durkheim chamou de divisão do trabalho social. que apresentam artigos e parágrafos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT. é correto afirmar: a) Obter o reconhecimento por uma comunidade é condição básica para o gozo de direitos. primeiro e acima de tudo.“O que era sem precedentes não era a perda do lar.. Algo mais fundamental do que a liberdade e a justiça.) Considere as afirmativas a seguir. nenhum país ao qual pudessem ser assimilados.Edição de 1988) e da Constituição de 1988.] A privação fundamental dos direitos humanos manifesta-se. 6. mas a impossibilidade de encontrar um novo lar. na privação de um lugar no mundo que torne a opinião significativa e a ação eficaz. Este consenso é garantido pelo meio moral que compartilhamos. 1989. Desse modo.] A calamidade dos que não têm direitos não decorre do fato de terem sido privados da vida. p. Durkheim destaca dois tipos de solidariedade: a mecânica e a orgânica. 229.. nenhum território em que pudessem fundar uma nova comunidade própria [. conforme o tipo de divisão do trabalho social que predomina na vida coletiva numa determinada época tem-se um tipo diferente de solidariedade entre os indivíduos. que são os direitos do cidadão.. está em jogo quando deixa de ser natural que um homem pertença à comunidade em que nasceu.. São Paulo: Companhia das Letras. 230. b) A condição em que se encontra o apátrida é igual à condição de escravo. De súbito revelou-se não existir lugar algum na terra aonde os emigrantes pudessem se dirigir sem as mais severas restrições. Alberto T. 227. Hannah. . No Brasil. p. não há vida social.27-28. nota-se a influência das idéias 22 positivistas em boa parte de sua legislação. Origens do totalitarismo: anti-semitismo. Sociologia da Educação.

de espaço. 2004.]. a) Anomia. etc. são significativos os homicídios no mundo inteiro.. as categorias são representações essencialmente coletivas. Pelo número de concepções. (Folha de São Paulo. tratados. de personalidade etc. não se estaria na era do vazio [de direitos]?” [Situações sociais desse tipo são analisadas por alguns sociólogos a partir da consideração de que nos encontramos em] “uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento perderam a sua validade. leis. 8. está-se na era dos direitos. a de cooperativas independem de autorização.(UEL – 2005) “A despeito de se viver na era dos direitos. tráfico de mulheres. se. e) Conflito social. apenas as afirmativas: a) I e III.) Assinale a alternativa que indica o conceito utilizado por Emile Durkheim (18581917) para definir uma “condição social” do tipo descrito no texto. b) Fato social. p.].. menores para prostituição. e) II.... como pensamos. são aquelas que os filósofos chamam de categorias do entendimento: noções de tempo.. d) I. “[São condições para o funcionamento do Sindicato:] a proibição de qualquer propaganda de doutrinas incompatíveis com as instituições e os interesses da Nação [. as condições sub-humanas a que são submetidas centenas de milhões de pessoas [.] Mas. A 3.. No plano da efetivação dos direitos. de causa. III e IV. como órgãos técnicos e consultivos. c) II e III.. a deplorável guerra do tráfico de drogas e as chacinas em grandes cidades brasileiras. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”. “[Da Organização Sindical:] A solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas. d) Consciência coletiva. São Paulo. [. “[São prerrogativas dos Sindicatos:] colaborar com o Estado. para utilizar a expressão de Lipovetsky [. IV.I. no estudo e solução dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal”. aí estão assassínios praticados por graúdos mandantes que se servem de pistoleiros profissionais.].(UEL – 2006) “Na raiz de nossos julgamentos existe um certo número de noções essenciais que dominam toda a vida intelectual. Remetem ao conceito de solidariedade orgânica.. . 30 ago. de substância. 7. b) I e IV. de gênero. “[Dos direitos e deveres individuais e coletivos:] a criação de associações e. No Brasil. em pleno século XXI [.. II e IV. III.]”. [onde] a eficácia das normas está em perigo”. similares ou conexas constitui o vínculo social básico que se denomina aqui categoria econômica”. na forma da lei. trabalho escravo. II. c) Coerção social.. de número.

aos esquadrões da morte e a unificação das polícias. reforçar o papel socializador da escola com ênfase na educação para a paz e 23 para a cidadania e melhorar o funcionamento do sistema legal. a seguir. enfatizando aqueles voltados à população de 15 a 24 anos. São Paulo: Ática. p. 154-157. Esses pressupostos. 9. a respeito das condições para o bom convívio dos indivíduos numa coletividade.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. é correto afirmar que a noção de categorias do entendimento compreende: a) Os estados emocionais fugazes dos indivíduos de distintas sociedades. A moral traça as orientações da conduta ideal para as pessoas. sem o qual as sociedades não podem viver em harmonia. e parte do seu conteúdo se materializa em normas e regras. b) Estimular a produção econômica para a geração de empregos. 1981. morais. de suas instituições religiosas. e) As noções incomuns à vida intelectual de uma sociedade que deturpa os julgamentos dos sujeitos. Sociologia. c) O modo como a sociedade vê a si mesma nos modos de agir e pensar coletivos. algumas possíveis propostas de ação para enfrentar esse problema. morais e econômicas. Indicam-se. insistindo que a moral é o mínimo indispensável. b) Aquelas representações cuja formação é exterior às instituições religiosas. Para ele. hoje. de sua morfologia.(UEL – 2004) O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) considera a “comunhão de valores morais” a condição fundamental e primeira para a construção da coesão social. Émile. c) Promover a instituição familiar. econômicas etc. . d) A tradução de estados mentais dos indivíduos portadores de distintas visões de mundo. a) Priorizar o combate ao narcotráfico. a moral (conjunto de valores e juízos direcionados à vida em comum) é o amálgama que une os indivíduos à vida em grupo. Durkheim afirma o papel do regulamento moral para a integração social. ao crime organizado. Assinale a alternativa que está em conformidade imediata com os pressupostos sociológicos mostrados no texto. permitem a formulação de uma avaliação específica sobre o problema da criminalidade violenta praticada por jovens no Brasil.traduzem antes de tudo estados da coletividade: elas dependem da maneira pela qual esta é constituída e organizada.” (DURKHEIM.

III. dos meus amigos e parentes. O ato de presentear instaura e reforça as alianças e os vínculos sociais. impulsiva e impaciente e providenciar o tratamento terapêutico como política pública. trocamos presentes. temos certa obrigação em convidá-lo para o casamento do nosso filho. é comum que o convidado leve um presente. sei lá. mas é difícil! Às vezes faço o que quero.(UEL – 2006) Ao receber um convite para uma festa de aniversário. A troca de presentes cria e alimenta um circuito de comunicação nas sociedades. meus amigos. minha família. este indivíduo espera receber presentes de seus convidados.(UEL . de receber e de retribuir é mais importante que o bem trocado.2008) Leia os depoimentos a seguir: • Sou um ser livre. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. nas festas de amigo-secreto e em muitas outras ocasiões.. da minha cabeça. • Sou um ser social. O lucro obtido a partir dos bens trocados é o que fundamenta as relações de troca de presentes. d) I. na festa de seu aniversário. independente. se o vizinho nos convida para o casamento de seu filho. a relação da troca. autônomo. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. mas na maioria das vezes sigo meu grupo. penso apenas com minhas idéias. esta obrigatoriedade de dar. considere as afirmativas a seguir.d) Detectar antecipadamente os jovens portadores de personalidade irritável.. e o meu esforço ajuda a sociedade a progredir. minha religião. e) II. I. Não sigo o que me obrigam e pronto! Acredito que com a força dos meus pensamentos poderei realizar todos os meus sonhos. a escola. faço só o que desejo. II. O presentear como prática social originou-se quando da consolidação do modo capitalista de produção. III e IV. Nos aniversários. reduzindo o número de nascimentos a médias compatíveis com os índices de desenvolvimento econômico previstos 10. Sinto que dependo disso tudo e gostaria muito de ser . 11. o que penso veio da minha família. a prática de “presentear” é algo fundamental a todas as sociedades: segundo ele. b) I e III. II e IV. e) Investir no controle da natalidade. IV. (Jovem estudante e trabalhadora em uma loja de shopping). gostaria de fazer o que desejo. Do mesmo modo. c) III e IV. Reciprocamente. Segundo o sociólogo francês Marcel Mauss. nos casamentos. sou único.

(Jovem estudante e Office boy).livre. mas com alguns limites. muita gente não percebe. Durkheim. seguranças. fundada em K. segundo Emile Durkheim (1858-1917). . Durkheim. exterior e coercitivo em relação à vontade dos indivíduos. sinto que sou livre. 12. a) O conflito de classe. Assinale a alternativa que descreve o objeto próprio da Sociologia. e) Corporativismo positivista. Em outros momentos faço o que me mandam e acho que deve ser assim mesmo. fundada em K. fundado no conceito dos três estados de Augusto Comte. fundado no liberalismo de vários autores dos séculos XVIII a XX. p. taxas. Nas raves existem regras. d) Sociologia compreensiva. Rio de Janeiro: Cia Editora Nacional. etc. fundada em K. teoria da consciência de classe. como ir a raves. Então. fundada no funcionalismo de E. fundada no conceito de ação social e suas tipologias de M. as explicações sociológicas sobre a relação entre indivíduo e sociedade presentes nas falas.(UEL . (FERNANDES. fundado no liberalismo de vários autores dos séculos XVIII a XX. fundado em Augusto Comte. funcionalismo. a) Solidariedade mecânica. individualismo. fundado na teoria política liberal. c) Individualismo. • Sinto que às vezes consigo fazer as coisas que desejo. mas não sou! (Jovem estudante em uma escola pública que trabalha em empregos temporários). fundada em K. fundada no conceito de ação social e suas tipologias de M. b) Teoria da consciência de classe. Marx. teoria da consciência de classe.2008 ) De acordo com Florestan Fernandes: A concepção fundamental de ciência. teoria da consciência de classe. Marx. fundado no conceito de consciência coletiva de E. sociologia compreensiva. F. mas há toda uma estrutura. sociologia compreensiva. Marx. funcionalismo. Assinale a alternativa que expressa. Weber. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. 1967. base da divisão social e transformação do modo de produção. É legal a gente viver segundo as regras e ao mesmo tempo poder mudá-las. Weber. Marx. mesmo que minha mãe não permita ou concorde. é realista. 73). b) O fato social. individualismo metodológico. no sentido de defender o princípio segundo o qual nenhuma ciência é possível sem definição de um objeto próprio e independente. posso escolher coisas. fundada no conceito de ação social e suas tipologias de M. Weber. teoria organicista de Spencer. de Emile Durkheim (1858-1917). respectivamente.

2000. antes de tudo.. “Não há assim por que considerar que as formas anacrônicas e remanescentes do escravismo. considere as afirmativas a seguir: I. p. vol. “Mesmo entre gente humilde. o desempeno. empregados ou dependentes. “O coronel.) III. p. São Paulo : Brasiliense.” (WEBER.” Por ação social entendem-se as ações que: “quanto ao seu sentido visado pelo agente. ainda presentes nas relações de trabalho rural brasileiro. d) A sociedade. 24 e) A cultura. revela o contrário. quando o afilhado cresce. a estrutura corretíssima das organizações atléticas. A. Os Sertões. M. p. I.) IV. orientando-se por este em seu curso.. dando com isso origem a relações semi-feudais que implicariam uma situação de ‘latifúndios de tipo senhorial a explorarem camponeses ainda envolvidos em restrições da servidão da gleba’. São Paulo: Livraria Duas Cidades.) II. São Paulo : Círculo do Livro. não necessariamente. A sua aparência. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. 106. E..2008) De acordo com Max Weber. O nonagenário Nhô Samuel lembrava com saudade o dia em que o pai.. se refere ao comportamento dos outros. o fazendeiro que manda nos seus agregados.. 95. 1989. “O sertanejo é.(UEL . Brasília: Editora UnB. antes de ser um líder político.. se o pai morria. 1987. diz Nhô Roque.. é um líder econômico. a Sociologia significa: “uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la casualmente em seu curso e em seus efeitos. A Revolução Brasileira.]. Os Parceiros do Rio Bonito. funcionava o sistema de obrigações recíprocas. ao primeiro lance de vista. lhe disse que era tempo de irem buscar a novilha dada pelo padrinho. resultado das relações de produção e da divisão social do trabalho. C. 1982.] Ocorre que o coronel não manda porque tem riqueza. 3) Com base no texto. que se traduziriam no mero prolongamento do poder privado na ordem na ordem pública [. p. Hoje. Diz que era costume.” (CANDIDO. a gente paga o batismo e. produto da vontade e da ação de indivíduos que agem independentes uns dos outros. Traduzido por Regis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa.” (CUNHA. porém. Economia e sociedade. o padrinho ajudar a comadre até ‘arranjar a vida’. como se diz sempre. 13. O vínculo não obedece a linhas tão simples. um forte. entretanto. nem vem dar louvado (pedir a benção). Falta-lhe a plástica impecável.c) A ação social que define as inter-relações compartilhadas de sentido entre os indivíduos. Isso tudo não tem sentido na estrutura social brasileira. [. sitiante perto de Tatuí. 247.” (PRADO Jr. mas .

do conhecimento público. os casos em que nos relacionamentos familiares .) Correspondem ao conceito de ação social citado anteriormente somente as afirmativas a) I e IV. As meninas e as jovens também são capazes de expressar situações em que a discriminação e o preconceito contra o gênero feminino aparecem nos relacionamentos cotidianos na família.manda porque se lhe reconhece esse poder.se manifestam tratamentos discriminatórios em relação à mulher e às crianças do sexo feminino. oralmente. A introdução ao estudo deste tópico pode ser realizada com a apresentação de um filme que propicie o debate sobre o tema (caso a escola tenha os recursos necessários). II e III. Gênero como fator de desigualdade: Gênero e desigualdade As atividades sugeridas devem propiciar aos alunos desenvolver as capacidades de identificar. nos grupos de convivência. 1973. utilizando os conceitos e idéias centrais referentes ao tópico. 622. v. analisar e debater os problemas envolvidos nas situações apresentadas em cada trabalho proposto. os aspectos culturais e sociais envolvidos nas desigualdades e os preconceitos referentes ao gênero e à sexualidade. Outra maneira de iniciar o estudo desse tópico é através de um convite aos estudantes para que apresentem. d) I. Como. tanto por parte da direção como dos professores e funcionários. e que propicie o debate em torno das questões relacionadas às desigualdades de gênero. Porto Alegre: Editora Globo. situações vividas ou observadas em que. criando oportunidade para o professor provocar questões iniciais que permitirão o desenvolvimento do assunto. e) II. p. por exemplo. entre irmãos de diferentes gêneros . relacionado a preconceitos e discriminações de vários tipos. 25 .entre mulher e marido. num pacto não escrito. entre pais e filhos e. É também possível identificar tratamentos desiguais entre meninos e meninas não só na família como nas escolas. III e IV b) II e III c) II e IV. 2. mesmo. Os donos do poder. O principal propósito dessa atividade inicial é provocar o reconhecimento por parte dos alunos da existência de tratamento desigual entre homens e mulheres nos vários aspectos e dimensões da vida social. divulgado em jornal e/ou televisão.” (FAORO. na escola. o professor pode lançar mão da narração de um conto ou da exposição de um caso real. é manifesta a desigualdade no tratamento ou na posição socialmente ocupada por homens e mulheres. Filmes sugeridos: Na falta de condições para a apresentação de um filme. como a diferença entre os termos “sexo” e “gênero”. R. claramente.

”.. contos de fadas. as desigualdades de gênero surgem porque homens e mulheres são socializados em papéis diferentes. “ Estudos sobre as interações entre pais e filhos. comercializados para audiências jovens. programas de televisão e filmes. “As influências sociais na identidade de gênero fluem por meio de diversos canais. as escolas e outros núcleos de agrupamento talvez estejam em divergência com outros. Pelo contato com vários organismos sociais. Além disso. Embora a situação. muitos estudos mostram que. as identidades de gênero são resultados de influências sociais”.. os alunos poderão ler e discutir o seguinte trecho do capítulo sobre “Gênero e Sexualidade”. Pesquisadoras feministas demonstraram como produtos culturais e de mídia. do livro Sociologia. as teorias de socialização ignoram a capacidade dos indivíduos de rejeitar ou modificar as expectativas sociais acerca dos papéis sexuais. Essas afirmações positivas e negativas ajudam meninos e meninas a aprender os papéis sociais esperados e a adequar-se a eles. 105-6. mesmo quando os pais acreditam que suas reações para ambos sejam iguais. mostram diferenças distintas no tratamento de meninos e meninas..A. esteja mudando. De acordo com essa visão. esperançosos e voltados à vida doméstica. “Embora convenha nutrir certo ceticismo com relação a qualquer adoção indiscriminada da abordagem que postula os papéis dos sexos. forças socialmente aplicadas que recompensam ou restringem o comportamento. em certa medida. as crianças internalizam gradualmente as normas e as expectativas sociais que são percebidas como correspondentes ao seu sexo. Estudo dirigido do texto abaixo e discussão sobre o tema:Após terem sidos expostos a uma introdução geral sobre o tema da sexualidade e do gênero. 2005) “Um caminho dentro da Sociologia para se analisar “as origens das diferenças de gênero é estudar a socialização do gênero. encarnam atitudes tradicionais . enquanto os femininos são retratados passivos.” Na socialização do gênero “meninos e meninas são guiados por “sanções” positivas e negativas. de Anthony Giddens (pp. de alguma forma. Essa abordagem faz distinção entre sexo biológico e gênero social – uma criança nasce com o primeiro e desenvolve o segundo. tanto primários como secundários. os livros ilustrados e os programas de televisão experienciados por crianças tendem a enfatizar diferenças entre os atributos masculinos e femininos. Os personagens masculinos tendem a representar papéis mais ativos e aventurosos. Por exemplo. os personagens masculinos em geral superam em número os femininos na maior parte dos livros infantis. Artmed Editora S.. por exemplo. Os brinquedos.” Essa interpretação dos papéis sexuais e da socialização foi criticada e muitos escritores argumentam que “a socialização de gênero não é por si mesma um processo tranqüilo: diferentes organismos como a família. As diferenças de gênero não são biológicamente determinadas.2. ou ser alvo de sanções negativas (“Meninos não brincam com bonecas”). são culturalmente produzidas. a aprendizagem de papéis do gênero com o auxílio de organismos sociais.”.. como a família e a mídia. um menino poderia ser sancionado positivamente em seu comportamento (“Que menino valente você é!”).

tão fortes. não nascem violentos. em revista. dia a dia. Os homens são ensinados. tendo que se mostrar tão duros.em que claramente está manifesto um preconceito contra mulheres ou homossexuais. condenados a tantos sacrifícios. Dá medo viver numa sociedade que. de pai. coloca em ação estratégias que exigem do homem desempenhos que o produzem enquanto um guerreiro: indivíduo violento. violência e poder: dá para mudar esta equação? Fernando Seffner1 Homens não nascem prontos.) GÊNERO. nem dispostos a "comer todas" usando o sexo como arma contra as mulheres. enfim. VIOLÊNCIA E PODER Homens = sexo. pois nos indica uma sociedade 26 com mecanismos bastante violentos de produção de indivíduos. de estudante.apresentada em filme. nem saem da barriga da mãe sedentos de poder. em Sociologia.” Algumas questões para orientar o estudo e o debate em sala: .Qual o sentido que. não custam lembrar que este "sacrifício" todo não é feito . em nossa sociedade. socialmente. de acordo com o que é esperado. Os papéis sociais são expectativas socialmente definidas que uma pessoa segue numa dada posição social. competitivo e agressor. O que o termo “papéis” significa para a análise sociológica? (recordar o estudo sobre o tema da socialização em sua relação com a desigualdade de gênero) .Indique alguma situação . etc. tão competitivos. Glossário: sanção – pena ou recompensa (reforço positivo ou negativo) com que se tenta garantir a execução de uma norma ou lei social.atribuição de natureza social relacionada a alguma função e/ou desempenho esperado. cotidianamente. SEXUALIDADE. No caso do texto o sentido do termo está diretamente associado às formas de aprovação ou reprovação dos comportamentos. para cada gênero. esta constatação é preocupante. coitados.Cite exemplos de “sanções” negativas ou positivas ( outros que os apresentados no texto) e que fazem parte do processo de socialização de gênero.Explique com suas palavras o que se quer dizer com a afirmação “homens e mulheres são socializados em papéis diferentes”. tão "homens". de professor. (Por exemplo: assumir o papel de médico. se atribui aos termos “sexo” e “gênero”? Por que é importante para a análise sociológica fazer tal distinção? . a serem assim. Antes que alguém comece a sentir pena dos homens. Por um lado. influenciando comportamentos diferenciais entre meninos e meninas? . de esposa. papel . em programa de televisão ou em propaganda .para com o gênero e os tipos de objetivos e ambições esperados em meninos e meninas.

E os processos educativos devem abranger também as mulheres. é coisa de homem. no interior de . Aliás. bem além do x e do y tradicionais. que na maior parte dos casos convivem de modo a permitir que os homens tenham estes comportamentos violentos. a distribuição de poder é muito desigual. mas o princípio é esse mesmo: investir na educação de homens e mulheres. o que está diretamente relacionado a este esforço em galgar postos elevados e neles se manter). Enfim. mesmo quando deles discordam. uma equação de segundo grau. e bem antes das mulheres. de cargos de mando e de benefícios em nossa sociedade. O quesito raça atua promovendo um desequilíbrio na masculinidade. buscando um regime de equidade de gênero. por exemplo. inclusive. de carreira política. mas de uma redistribuição de poder. Simples. essa mesma constatação – os homens são assim porque foram educados para serem assim – nos permite pensar em modos de mexer na equação. São os homens que gozam da maior mobilidade na sociedade (carro. Os modos de constituir agregados familiares podem gerar situações de maior equidade de gênero. Não vamos seguir exemplificando. Mas as dificuldades são muitas. No interior do campo masculino. por exemplo. na estrutura econômica. Só que a mudança não virá apenas por conta de projetos de educação dos homens. a equação que colocamos no título. mas fica o alerta: a situação é complexa. são os homens que galgam os mais elevados postos na vida política e na esfera das empresas privadas (mas vale lembrar que os homens morrem primeiro. Entre um jovem negro e pobre e um jovem branco e pobre. Homens negros têm menos possibilidades de sucesso do que homens brancos. para "provar" sua masculinidade continuamente). uma situação em que homens e mulheres possam conviver com distribuição igualitária de poder. em alguns grupos populacionais. ou não. com muitas variáveis. É necessário mudar elementos centrais de nossa estrutura social e. também. são os homens que estudam mais (embora as mulheres tenham conseguido avanços espetaculares nesta área. se forem educados de outro modo poderemos ter homens com outras características. e embora muitos homens confessem que o período escolar foi de grande tensão. e que implica retirar poder dos homens e distribuir numa relação igualitária com as mulheres. São os homens que acessam as melhores oportunidades de emprego. porque a questão não se resume aos pólos homem e mulher. O nível de escolaridade estratifica as oportunidades também. de salários. e partilhar desse poder conjuntamente. Se os homens são assim porque foram educados para serem assim. tendo como objetivo um regime de equidade de gênero. Ou construir uma nova conceituação de poder. A situação é mais complicada. Por outro lado. e são também eles que morrem mais em acidentes automobilísticos). as coisas não são tão simples como podem parecer. x e y têm muito a ver com a discussão dos regimes de gênero. no mínimo.em vão. o jovem negro tem muito mais chances de estar na mira da agressão policial. é sempre possível localizar. diariamente atestado pelas manchetes dos grandes jornais. vale lembrar que as coisas são mais complicadas. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO é. porque não estamos apenas tratando de processos educativos. não? De fato. E antes que alguém comece a invejar os homens por causa desses benefícios. Homens jovens e negros são alvo de um verdadeiro genocídio no Brasil.

Uma parte da luta feminista se dá no sentido de conter a violência masculina sobre as mulheres. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Aceder a mais benefícios do que outros. o que em boa parte já foi conseguido. Outro aspecto é que determinados grupos de homens têm questionado o privilégio de outros grupos de homens. sua trajetória de aprovação e os casos em que ela já foi aplicada. Fala-se muito hoje em crise das masculinidades. o que causa preocupação. posicionaram as mulheres com possibilidades de disputar em regimes de quase igualdade com os homens o acesso a oportunidades na sociedade. Penso que a melhor expressão para designar o que está acontecendo não é essa. pois essa designação tem permitido que uma parte da "saída" da crise seja produzida pelo mercado. não precisamos de escola. atuante desde o século XIX. Este modo hegemônico designa homens que conseguem EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. faz curso de gastronomia. Mas não podemos deixar de reconhecer que a perda de poder dos homens tem gerado. Aparecem na imprensa numerosas matérias sobre a crise do homem. A crise nas relações de gênero é uma crise em torno da distribuição do poder. é claro. embora ainda esteja longe do estado de equilíbrio. Conseguem mandar nas mulheres e em muitos homens. Para quem pode. escolhe roupas com apuro e aceita dividir a conta 27 do restaurante com a parceira. aprendeu técnicas de prazer amoroso para melhor desempenho sexual. tudo se resume ao mercado e ao consumo. e isto tem gerado boa parte do que a imprensa descreve como sendo a crise dos homens. basicamente nas relações entre homem e mulher. Em determinados contextos. e você verá que o "novo homem" que busca "superar a crise" é um homem que vai a salão de beleza. Ela é também um ótimo conteúdo para ser estudado em sala de aula. Mas ainda falta muito para que os aprendizados escolares façam diferença na vida dos alunos.uma determinada ordem de gênero. podemos ter homens e mulheres como aliados na luta pela democratização do poder concentrado em mãos de determinados grupos de homens. auxiliando-os a compreender e atuar no contexto social em que vivem. O que ocorre é uma crise nas relações de gênero. Homens negros têm lutado por uma justa distribuição de oportunidades quando . Tome uma revista semanal. Se este é o caminho para superar a crise da masculinidade. folheie suas páginas. via consumo de produtos e serviços. um conjunto de características que configura um modo hegemônico de masculinidade. não faltando materiais em sítios da internet e em organizações não governamentais feministas sobre a lei. dentre eles em especial o movimento feminista. o homem em crise. e a balança tem pendido para as mulheres. mais violência. Diversos motivos. em algumas situações. Mas não é por acaso que a imprensa escolhe chamar isso de crise dos homens. ao acaso. e a Lei Maria da Penha é um bom exemplo disso. Outra frente de luta é para garantir o pleno acesso das mulheres à escola. até mesmo em crise do macho se fala.

e até mental. que valoriza a diversidade. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. o da escola inclusiva. como no caso da discussão dos regimes de cotas. Homens homossexuais têm lutado para que a homofobia seja crime. nos discursos sobre segurança e família. Dagmar Estermann Meyer2 . E em Educação Física. com evidentes prejuízos em termos emocionais e de saúde. juntamente com as mulheres negras.concorrem com homens brancos por uma vaga no mercado de trabalho. Exemplo disso são os casos de adoção de filhos por casais homossexuais masculinos. nem para alunas. por exemplo. O estudo desses temas se conjuga com um dos principais objetivos em educação hoje em dia. Aliás. A escola não tem como "resolver" sozinha esta questão. Homens portadores de alguma modalidade de deficiência física. lutam para ter acesso a oportunidades de trabalho em pé de igualdade com os demais homens. única chave para assegurar a manutenção do regime democrático entre nós. nem para professores. em sistemas de recrutamento de recursos humanos.Todos estes movimentos sociais podem ser objetos de estudo e discussão na sala de aula. Para isso. até porque as pedagogias de construção da masculinidade estão presentes em propagandas da mídia. e os meninos podem aprender a fazer poemas na aula de Língua Portuguesa e a tirarem boas notas em Educação Artística. lutar por isso é dar mesmo um salto para o futuro. Homens homossexuais têm lutado para que sua orientação sexual não lhes impeça o exercício de direitos reservados até agora aos homens heterossexuais. Sexualidade e Relações de Gênero. Docente e orientador junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação na linha de pesquisa Educação. ou o direito de pensão por morte do companheiro. brasileiros. professores e professoras têm que perceber que meninas podem ser boas em Matemática. Também não se pode dizer que sejam simplesmente "vítimas" dos chamados "papéis de gênero". Não vai ser fácil. Da mesma forma como o movimento negro conseguiu tornar as atitudes racistas crime. Mas valerá a pena como construção de um futuro mais justo. em muitos discursos religiosos que asseguram para o homem a posição de mando sobre a mulher e justificam isso de modo "divino". Nota: Professor da Faculdade de Educação / UFRGS. e de vivência num contexto onde a equidade de gênero é a regra. que os "obrigam" a manter uma atitude guerreira. nem para alunos. nem para professoras. Mas os homens podem ser educados para perceber estas situações e para lutar por um mundo onde a equidade de gênero seja a regra. Ou para ingresso no ensino superior público. Mas a escola pode ser um ambiente onde os meninos e as meninas passem por uma experiência de estudo e discussão destes temas. Os homens não são "culpados" pela distribuição injusta de poder nas relações de gênero. que temos uma história em que os momentos de ditaduras e do domínio de oligarquias superam amplamente os momentos de exercício da democracia. incentivando os alunos a uma participação cidadã na vida em sociedade.

2006b. então.A discussão proposta por esta série de Programas nos encaminha na direção de nos ocuparmos um pouco mais explicitamente da noção de educação. de ‘socialização’ (MEYER e COLS. educação envolve o conjunto dos processos pelos quais aprendemos a nos tornar e a nos reconhecer como sujeitos de uma cultura. raça e sexualidade. gênero e sexualidade e outros programas trataram desse tema de forma mais específica. ser desdobrados em formais e não formais. uma infinidade de “lugares pedagógicos” além da família. incluindo aqueles que são chamados. ainda hoje. 2006a). grosso modo. Os processos educativos não intencionais têm sido muito pouco re-conhecidos. bons trabalhadores. da igreja e da escola e engloba uma ampla e variada gama de processos educativos. a não ser em alguns campos específicos que se ocupam. das diferenciações e desigualdades sociais delas decorrentes resulta. ser divididos em intencionais e não intencionais. de pedagogias que envolvem estratégias sutis. O propósito neste texto é. de questões vinculadas a gênero. de processos de aprendizagem e de instituições nem sempre convergentes e harmoniosas do ponto de vista de suas prioridades e objetivos políticos. também. Para que nos tornemos sujeitos de uma cultura. voltar o olhar para o espaço escolar propriamente dito. Esta função “formativa” da escola parece ter sido bem mais importante do que a mera transmissão de determinados conhecimentos em sentido estrito. contidas em (ou derivadas de) artefatos culturais contemporâneos da mídia. é preciso que estejamos expostos. e é esse seu envolvimento com a produção de identidades sociais que faz com ela continue sendo. uma vez que a produção dessas identidades e. bons cidadãos e estes termos não significavam exatamente as mesmas coisas quando essa educação escolar era dirigida para homens ou mulheres ou era desenvolvida em tempos e espaços diversos. as quais se têm revelado como processos educativos potentes quando se trata de instituir relações entre corpo. que quase não percebemos como sendo educativas (MEYER. esse conjunto inclui. sendo que quase tudo o que aprendemos a definir como educação nos cursos de formação de professores/as e. ao longo do tempo e nas diferentes sociedades e culturas ocidentais modernas. Tomada em sentido amplo e. a um conjunto amplo de forças. . refinadas e naturalizadas. no prelo). na maioria das vezes. o que se privilegia discutir como objeto específico desse campo se inclui nessa categoria de processos educativos intencionais – que poderiam. Dentre esses processos educativos EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. na perspectiva que aqui nos interessa. visibilizados e problematizados. Encontram-se as chamadas pedagogias culturais. ainda. Tais processos educativos podem. Nesses campos eles assumem uma grande importância. em outras teorizações. uma vez que a instituição escola que conhecemos (e na qual muitos/as de nós trabalhamos) esteve. hoje. envolvida com projetos de formação de determinados tipos de pessoas ou de identidades sociais: bons cristãos. uma vez que esta é central nesse contexto. 28 por exemplo. também. exaustivamente repetidas e atualizadas na cultura. de forma continuada.

diferentes grupos e identidades sociais. suas regras disciplinares. Economicamente diferentes e estão relacionados. E é nesse embate entre uma heterogeneidade que se quer visível e representada e uma homogeneização que se busca implementar – tomando como referência determinados padrões de normalidade instituídos a priori e que nos são apresentados como ‘igualdade’ – que a escola se torna um espaço social de disputas e enfrentamentos.. que ele assim resume: [. de rivalidades e associações entre grupos e pessoas. o que precisa ser compreendido e valorizado. classe social. a escola é tanto uma instituição na qual convivem. também. destes com os/as funcionários/as e entre os/as próprios/as estudantes. Apesar dessas características. quanto é uma instância em que se disputam significados que produzem. religião. E exatamente porque vivemos. ou talvez em função delas. os movimentos étnicoraciais. no âmbito da escola e do currículo que nela é implementado.. ou desejam se fazer representar no espaço escolar e nos currículos que nele se desenvolvem.] foi o ano em que virei chacota.. Por isso a escola é um espaço social complexo e plural na qual interagem fatores internos e externos à instituição. os movimentos de libertação nacional. é que a escola contemporânea é. morador da Zona Sul de São Paulo. entre professores/as e gestores/as. um tempo de emergência e de visibilização de uma multiplicidade de identidades sociais. era chato. hoje.um espaço institucional constantemente disputado pelas mais diferentes vertentes políticas e por distintos movimentos sociais. Nesse sentido. entre professores/as e estudantes. muitas vezes. de forma nem sempre harmoniosa. e todos estes grupos se fazem representar. em nossas escolas e salas de aula: Flavio. negro. com o impacto dos meios de comunicação nas culturas que a atravessam bem como decorrem do contexto social particular em que cada escola se situa. Os fatores externos decorrem exatamente do fato de que nela convivem pessoas que são social (idade. palco de disputas e de conflitos importantes.]. Dentre os fatores internos implicados com a complexidade e a heterogeneidade do espaço escolar podemos citar suas formas específicas de organização do tempo e do espaço. Para descrever a sutileza do funcionamento de alguns dos mecanismos envolvidos com a produção de diferenças e de desigualdades sociais e culturais de gênero e de sexualidade. definidas e disputadas por diferentes movimentos como os feministas. de 16 anos. as relações entre professores/as. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. os movimentos gays e lésbicos. eu não suportava ir para a escola [. é que a escola (como muitas outras instituições sociais) investe muito de seu esforço na elaboração e na implementação de mecanismos e de estratégias que objetivam uniformizar os indivíduos que a compõem. interesses). atualizam e modificam algumas dessas identidades. política. ainda. os movimentos ecológicos (para ficar nos exemplos mais conhecidos e nomeados). hoje cursando o 2º ano do Ensino Médio. sexo. relato três exemplos ‘banais’ que se repetem.. as interações pedagógicas. por . raça/etnia. lembra com nitidez de fatos ocorridos quando tinha 12 anos e estava na 6ª série.

que [...] Era briga todo dia. A diretora me chamava pra conversar, então era desagradável, eu chegava na escola e virava o pivô, entendeu? [...] Eu pensei em mudar de escola, de tanto que era horrível, fiquei assim, querendo muito sair de lá e não voltar mais. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. [...] Os professores não falavam nada. Eu tava sentado, fazendo minha lição, nem sentava no fundo, eu nunca sentei no fundo porque eu não gosto, eu sentava na frente [...] E era aquela atacação de papel. Eu abria o papel e tava escrito“seu viado” e não sei o que lá. Era horrível, era muita humilhação. [Entrevistador: E os professores viam isso?] Viam e não faziam nada3. O segundo exemplo está relatado na mesma dissertação4. Conta Fabiano: 29 [...] foi na sétima série, no primeiro dia de aula. A professora chegou e falou para nos apresentarmos para todo mundo. Não sei se foi uma brincadeira que ela fez, mas eu guardo até hoje essa coisa dela. Eu estava me apresentando e ela disse: – ‘qual é mesmo o teu nome?’ Eu falei: – ‘Fabiano’. – ‘Como é mesmo, Fabiana?’ Nisso eu fui motivo de gozação o ano inteiro e até terminar a oitava série. Foram dois anos agüentando ser chamado de viado! Fabiana! O terceiro exemplo desloca nosso olhar da relação professora-aluno-aluno para a relação entre alunos/as e multiplica mais ainda as diferenciações e os seus impactos na vida dos/as estudantes. A pessoa que nos ofende e nos maltrata e faz todas as outras coisas se acha melhor que todos. Só porque usam roupas caras, são altos e magros, bonitos e até mais inteligentes, quando na verdade não são grande coisa. Existe muito preconceito com negros, gordos, baixinhos e burros e isso nos faz sentir as piores pessoas no mundo. As pessoas inventam coisas sobre você e você é obrigado a ouvir comentários desagradáveis. Isso nos deixa péssimos e preocupados com o que pensam de você, ou o que será a próxima pegadinha (menina de 8ª série, 14 anos) 5. O que nós, educadores e educadoras, podemos aprender com esses depoimentos, tendo em vista as temáticas que estamos discutindo nesta série de programas? Como já enfatizei, aqui, os processos de homogeneização implementados pela escola e que pretendem definir o que – ou quem – é igual, estão estreitamente vinculados a referências daquilo ou daquele que são definidos como diferentes e, quase que por extensão, desiguais; e essa discussão tem sido EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Feita, com novos enfoques e com redobrado vigor, no contexto das teorizações educacionais agrupadas sob o termo pós-críticas. Tomando como referência a educação escolar, estas teorizações trabalham com uma importante ressignificação do conceito de currículo, considerando-o como sendo o núcleo que corporifica o conjunto de todas as experiências cognitivas e afetivas vividas pelos estudantes no decorrer do processo de educação escolar, o que significa

entendê-lo como sendo um espaço conflituoso e ativo de produção cultural (SILVA, 1995). No currículo confrontam-se diferentes culturas e linguagens, produzidas na escola e, sobretudo, em outras instâncias do social. Nesse sentido, a escola proporciona um espaço narrativo privilegiado para alguns enquanto produz ou reforça a desigualdade e a subordinação de outros. Uma afirmação que sugere a necessidade de se investir em discussões que nos permitam, exatamente, exercitar outros olhares sobre as práticas pedagógicas e sobre as relações sociais que se desenvolvem ou que desenvolvemos no contexto escolar. E fornecer os instrumentos para favorecer este tipo de reflexão acerca da própria prática é, do meu ponto de vista, uma grande contribuição dessas teorizações. Nesse sentido e considerando-se os depoimentos que apresentei neste texto, de que forma escola e currículo, com os diferentes atravessamentos externos que os afetam, podem estar implicados com a produção de diferenças e desigualdades de gênero e sexualidade? Como cultura e poder se combinam, nas práticas pedagógicas escolares em sentido amplo, para construir fronteiras entre grupos e populações, para instituir posições sociais de menino e de menina, de mulher e de homem, de heterossexual e homossexual, por exemplo, e para possibilitar o exercício de práticas sexistas, racistas e homofônicas no espaço escolar? Essa é uma questão que foi (e continua sendo) exaustivamente discutida na interface que se estabelece entre estudos que procuram articular educação, gênero e sexualidade. O conceito de gênero passa a ser utilizado no campo dos Estudos Feministas, por estudiosas anglo-saxãs, a partir da década de setenta. De forma sintética gênero pode ser definido como construção e organização social das diferenças entre os sexos, que se realiza em múltiplas instâncias, em diferentes práticas e instituições sociais e através de muitas linguagens. O que isso significa? EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Até então, o movimento feminista vinha se debatendo com a dificuldade de desvincular a discussão que se fazia para entender a subordinação das mulheres aos homens e também a sua flagrante desvantagem social e econômica, de um fato biológico que era (é) a diferença anatômica e fisiológica entre os sexos. Enquanto se buscava entender esse processo tomando como base a via biológica, ficava muito difícil sustentar projetos políticos de transformação dessas relações de desigualdade, porque, afinal de contas, a biologia é imutável, é o que se pensava há 30 ou 40 anos. Hoje, já sabemos que até a biologia é histórica, ou seja, ela também está sujeita a (enormes!) transformações, mas isso já é ir bem mais adiante nessa história. O conceito de gênero indica o seguinte: nós aprendemos a ser homens e mulheres desde o momento em que nascemos até o dia em que morremos e essa aprendizagem se processa em diversas instituições sociais, a começar pela família, passando pela escola, pela mídia, pelo grupo de amigos, pelo trabalho, etc. Mas significa mais ainda: como nós nascemos e vivemos em tempos e lugares específicos, gênero reforça a necessidade de se pensar que há muitas formas de sermos mulheres e homens, ao longo do tempo, ou no mesmo tempo histórico, nos diferentes grupos e segmentos sociais. O conceito de gênero também não se refere mais ao estudo da mulher, ele é um conceito que procura enfatizar a construção relacional e a organização social das diferenças entre os sexos, desestabilizando desta forma o determinismo biológico e

30 econômico vigente, até então, em algumas das teorizações anteriores. Esse conceito nos leva, pois, a procurar entender as construções de feminino, de forma articulada com o masculino, uma vez que ambos estão implicados nas mesmas relações. E tem mais: o que é apresentado como feminino, nas sociedades ocidentais, toma o masculino como referência. A mulher é apresentada como o oposto do homem, só que esta não é uma simples oposição: ela é, como todas as oposições binárias que estruturam o pensamento moderno, uma oposição hierarquizada, em que um dos termos da equação é socialmente menos valorizado que o outro. As oposições binárias são, também, relações de poder (LOURO, 2001; MEYER, 2005). EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Gênero, então, enfatiza a construção relacional do sexo e a organização social desta construção, entendendo que ela é uma construção que é histórica e que precisa ser entendida a partir de sua articulação com outras categorias sociais como classe social, raça/etnia, geração, sexualidade, para citar algumas das mais importantes. A noção de poder que está presente nessa relação introduz aí a dimensão de conflito, uma vez que as mulheres e os homens não são apenas mulheres ou apenas homens, mas são muitas outras coisas ao mesmo tempo. Isso significa dizer que não existe uma essência de mulher ou de homem nem a possibilidade de uma solidariedade dada a priori, a partir de uma única posição, neste caso, a partir da posição de gênero. Uma outra questão a ser reforçada, aqui, é que o conceito de gênero introduz uma virada importante nos estudos feministas. Ainda que esse campo continue priorizando análises sobre as mulheres, não se está falando mais de mulher no singular, mas entendendo que muitas outras formas de diferença e desigualdade se imbricam com o gênero e que elas precisam ser problematizadas de forma articulada. Uma dessas diferenças que se conecta de forma importante ao gênero é, exatamente, a de sexualidade. Sexualidade é um conceito que, muito freqüentemente, se confunde com gênero e, embora precisemos reconhecer que eles estão estreitamente ligados, cada um deles guarda suas especificidades e inscreve os sujeitos em sistemas de diferenciação diversos. Enquanto que gênero aponta para as formas pelas quais sociedades e culturas produzem homens e mulheres e organizam/dividem o mundo em torno de noções de masculinidade e feminilidade, a sexualidade tem a ver com as formas pelas quais os diferentes sujeitos, homens e mulheres, vivem seus desejos e prazeres corporais, em sentido amplo. Com isso, o que se quer dizer, nesta perspectiva teórica, é que os nossos desejos corporais e os focos de nossos desejos são produzidos e legitimados pela cultura e não são decorrências naturais da “posse” de um determinado aparelho genital ou do funcionamento de determinados hormônios. Homens e mulheres vivem de muitas formas e com diferentes tipos de parceiros os seus desejos e prazeres corporais: com parceiros de sexos diferentes, com parceiros do mesmo sexo, com parceiros de ambos os sexos e, crescentemente, com parceiros virtuais “descorporificados”. E

sexo é um termo usado, aqui, então, para fazer referência àquelas diferenças anatômicas. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Fenotípicas, inscritas no e sobre o corpo, que cada cultura institui para marcar e diferenciar fisicamente mulheres de homens (LOURO, 1999; WEEKS, 1999). Tendo estes conceitos presentes, volto à questão antes colocada: o que nós, educadores e educadoras, podemos aprender com isto? Penso que, num primeiro momento, eles nos instigam a analisar os processos, as estratégias e as práticas sociais que nos constroem como sujeitos de gênero e sexuais. A pergunta norteadora, aqui, é: como vimos a nos tornar o que somos? E como funcionam os mecanismos de diferenciação e de hierarquização que, nesse processo de tornarse, desigualam sujeitos em função de seu gênero e de suas práticas sexuais? Essas são duas perguntas importantes para quem pretende investir em intervenções que permitam modificar, minimamente, as relações de gênero e sexuais que se desenvolvem na sociedade em que vivemos. Outra questão que precisamos colocar-nos, como educadores e educadoras comprometidos/as com mudanças nessas relações, é: como as diferentes linguagens que constituem os currículos escolares que planejamos e implementamos constroem, ajudam a manter ou re-definem posições sociais de gênero e de sexualidade? Uma das primeiras implicações dessa pergunta é considerar que, provavelmente, não existem disciplinas formais em que se objetiva ensinar como transformar crianças em meninos e meninas e estes e estas em homens e mulheres, a exemplo do que se faz em matemática quando aprendemos a adicionar, multiplicar ou dividir; ou, ainda, de como se pretende fazer, com relação ao sexo, no contexto de determinadas propostas de educação sexual escolar. Precisamos, então, reconhecer como aprendemos essas coisas que fazemos e em que espaços e em que lugares aprendemos a fazê-las de uma determinada maneira e não de outras. Vamos perceber que essas aprendizagens estão incorporadas em práticas quotidianas formais e informais que nem questionamos mais. Que elas atravessam os conteúdos das disciplinas que compõem o currículo oficial ou estão imbricadas na literatura que selecionamos, nas revistas que colocamos à disposição das estudantes para pesquisa e colagem, nos filmes que passamos, no material escolar que indicamos para consumo, no vestuário que permitimos e naquele que é proibido, nas normas disciplinares que organizam o espaço e o tempo escolares, nas piadas

31 EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO.Que fazemos ou que ouvimos sem nos manifestar, nas dinâmicas em sala de aula e em outros espaços escolares que não vemos ou decidimos ignorar, nos castigos e nas premiações, nos processos de avaliação... E pensar dessa forma, a partir desses conceitos e do que eles nos sugerem considerar, colocamos a necessidade de questionar não só

o racismo e a discriminação que estes saberes veiculam. O gênero refere-se a essa ação e às relações que ela gera entre homens e mulheres. sociais. Esse conceito chama a atenção para os processos culturais. periodicamente dominam os títulos dos jornais. frequentemente designando mulheres a uma posição subalterna. 2 . inscritas nesses processos de nomeação em que a diferença é hierarquizada e transformada em desigualdade. constroem e ajudam a manter. Entendemos melhor quem tem autoridade para dizer o que. como essas que foram relatadas nos depoimentos que aqui apresentei. políticos e morais que atribuem valores a essas ralações. Desigualdade de Gênero 1 . O gênero refere-se a essa ação e às relações que ela gera entre homens e mulheres. isso aponta para a dimensão política que reside na problematização de práticas aparentemente banais. menos capacidades como cientistas. profissionais da educação. estávamos mais uma vez as voltas com questões básicas que marcaram as lutas . e não propriamente. também.Desigualdade de Gênero Introdução: Gênero & Diferenças Nos últimos 100 anos assuntos relativos a gênero. frequentemente designando mulheres a uma posição subalterna. e não propriamente. a desenvolver a sensibilidade para perceber o sexismo. Se fatores biológicos produzem ou não diferenças no cérebro ou no corpo de mulheres e homens. Desigualdade de Gênero .O conceito de gênero Gênero não se refere exatamente aos homens e mulheres mas a relações entre os dois sexos. sociais. E. o Presidente da prestigiosa Harvard University fez alguns comentários sobre as mulheres terem. ao mesmo tempo. fez com que gênero voltasse a ocupar um lugar de destaque em várias discussões nos media. Esse conceito chama a atenção para os processos culturais. o meio social age fortemente nos dois sexos. nós mesmas.os conhecimentos e saberes com que lidamos mas. o meio social age fortemente nos dois sexos. E isso nos ajuda a reconhecer como estamos. Recentemente. políticos e morais que atribuem valores a essas ralações. De repente. e o caráter público desse comentário.Conceito de Gênero Gênero não se refere exatamente aos homens e mulheres mas a relações entre os dois sexos. A autoridade que acompanha este posto. à identidade associada ao sexo masculino ou feminino. Se fatores biológicos produzem ou não diferenças no cérebro ou no corpo de mulheres e homens. de nascença. de quem e em que condições. à identidade associada ao sexo masculino ou feminino. por exemplo.

3 . raça. mais adequado. como era de se esperar. as regras e práticas dentro de casa e com a família. 2 -Desigualdade de Gênero . algumas pessoas continuam a formular perguntas: 4 . 32 1 .Desigualdade de Gênero Durante todos esses anos. Em resumo. identidade sexual. entre outras. Pode-se concluir que tanto os homens como as mulheres podem ser portadores dos relevantes genes. Mas não existe nenhuma evidência final que prove a existência da capacidade científica ou de qualquer outra capacidade inteiramente genética.Desigualdade de Gênero Seja qual for a situação. no estado e na sociedade em geral . o enfoque de gênero requer o exame de fatores estruturais na sociedade – isto é. continuaria a ser necessário evidenciar que isso é distinto dos valores sociais.Desigualdade de Gênero * Existem diferenças? * Se existem. obrigações e oportunidades a igualdade prevalece. uma coisa é absolutamente certa: mesmo que existissem provas concretas e definitivas de que os sexos são claramente diferentes. em interação com gênero constituem e são também reproduzidas em relações sociais determinando injustiças e exclusões. geografia. Isso pode significar um tratamento diferente. Portanto. a igualdade de tratamento tem que estar de acordo com as respectivas necessidades de homens e mulheres. será que refletem atitudes ou interesses? * Ou será que as diferenças refletem os diferentes processos de socialização e expectativas? * É possível determinar reações.feministas do começo do século XX. muito se investigou. benefícios.Desigualdade de Gênero Várias diferenças de classe social. mas no que se refere aos direitos. questionou ou qualificou. políticos e morais associados a essas diferenças. etnia. na comunidade. no trabalho.que mantêm uma posição desigual entre grupos diferentes de homens e mulheres. para reconhecimento da igualdade entre mulheres e homens. 1 . geração e habilidade. comportamentos ou funcionamento baseado no sexo da pessoa? Enquanto essa discussão continua. marcados por muitos ganhos a favor da igualdade entre os gêneros.

Se tal medida não for tomada.º 3/2006. de 4 de Outubro 2006) vem estabelecer que as listas . estabelece que “A participação direta e ativa dos homens e das mulheres na vida política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático. cerca de 530. * Em 2006 a Lei da Paridade (Lei Orgânica n. os direitos das mulheres têm ainda velhos e novos desafios por conquistar.A discriminação não afeta só a população portuguesa. Desigualdade de Gênero B . Por outro lado.A . que representam a maior parte da população mundial. A discriminação é um dos principais responsáveis pelo aumento dos índices de mortalidade das mulheres entre os 15 e os 44 anos.Fim da discriminação de gênero é a chave para o desenvolvimento O Fundo de População das Nações Unidas (UNPFA) defende a igualdade entre os sexos e acrescenta que: "Investir nas mulheres e nos jovens. * Acesso das mulheres à tomada de decisão É na área da tomada de decisão que o crescimento da presença das mulheres se tem produzido a um ritmo mais lento. * o tráfico de mulheres. Nesta matéria. responsáveis por cerca de 76 milhões de gestações não desejadas nos países em vias de desenvolvimento e por cerca de 19 milhões de abortos praticados em condições perigosas.000 mulheres morrem por problemas relacionados com a gravidez e pela falta de acesso aos anticoncepcionais. A Constituição Portuguesa consigna o direito de todos os cidadãos a “tomar parte na vida política e na direção dos assuntos públicos do país”. permitirá acelerar o desenvolvimento a longo prazo. são fracos os progressos registrados ao longo de 30 anos de democracia. de 21 de Agosto. alterada pela Declaração 7/2006. entre outras: * a mutilação genital feminina. devendo a lei promover a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos”. Anualmente. e não podemos deixar de fora outras faces da realidade igualmente assentes em discriminações de gênero como sejam. * a violação. o risco de fortalecer a influência da pobreza nas gerações futuras aumentará" * Fim da discriminação de gênero é a chave para o desenvolvimento. a prostituição forçada * o casamento forçado O que nos leva a afirmar que em matéria de direitos humanos.

QUESTÃO 59 (Abril 2006) . porque será que não ocupam mais lugares de topo?” 33 Exercícios 1 . Outras Instâncias CARREIRA DIPLOMÁTICA Fonte: Ministério dos Negócios Estrangeiros 2. Conclusão Segundo os dados do Eurostat.Sobre a definição de ação social para Weber.2%). “Se a nível de licenciaturas há mais mulheres a entrarem nas faculdades e se são também elas a terem mais sucesso. exceto na Alemanha. portanto. sendo. de forma a estabelecer uma relação social. Vamos concluir este trabalho com uma questão. reciprocamente referida. sem nenhuma correspondência com a realidade histórica. que traduz o quanto ainda há para fazer em relação à descriminação.para a Assembleia da República. as mulheres consolidaram nos últimos anos a sua maioria entre os estudantes universitários em todos os países da UE. D) É aquela que se orienta pela ação dos outros. para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos. A) Está fundada na coletividade. assinale a alternativa correta. Esta Lei significa uma enorme vitória para a Democracia Portuguesa e para os Direitos das Mulheres. INE *TOMADA DE DECISÃ ECONÓMICA Fonte: BDAP (data de referência de 31 de Dezembro de 2005) *DIRIGENTES E CHEFIAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (2005) FORÇAS ARMADAS 1. ao reconhecer que a democracia só estará completa se for representada por homens e mulheres. apresentando Portugal um número muito próximo da média europeia (55. Acesso das mulheres à tomada de decisão *TOMADA DE DECISÃO POLÍTICA Fontes: Womenandmenindecision-making (Base de Dados Europeia)Dossier de Gênero. B) Implica necessariamente uma relação social. C) É um conceito de análise típico-ideal. prescindindo de significação.

B) as diferenças que correspondem às classes ou aos estacamentos geram. A) A dominação exercida pelos dominantes somente é legítima quando assume um caráter do tipo burocrático-legal.Acerca das formulações de Weber sobre poder e dominação. II – o empresário estabelece uma gratificação para os empregados mais produtivos. C) os estamentos são grupos de status fechados.tradicional. Marque a alternativa correta. D) Os tipos puros de dominação .constituem uma tipologia construída por Weber a partir da realidade histórica. . QUESTÃO 53 (Dezembro 2004) Sobre a teoria weberiana acerca das várias formas de estratificação social. em sua obra Economia e Sociedade. é correto afirmar que: A) as classes sociais se organizam segundo seus princípios de consumo de bens nas diversas formas especificas de vida. III – o católico caminha noventa quilômetros para demonstrar sua fé. na esfera do poder social e dentro das respectivas ordens sociais. propõe uma classificação típicoideal da ação social. convenções e rituais. cujos privilégios estão desigualmente definidos por leis. C) Faz parte de uma relação de dominação estatal o uso da força física para assegurar a obediência. de acordo com o sentido ou orientação dos atores. assinale a alternativa INCORRETA. QUESTÃO 53 (Fevereiro 2003) Max Weber. Considere os exemplos de ação social citados abaixo: I – o consumidor adquire um relógio motivado pela emoção que este lhe causa. os partidos. D) as castas se organizam segundo as relações de produção e aquisição de bens. legal e carismático . IV – o(a) estudante escolhe o colégio X só porque ali estudaram seus pais e avós. B) O poder está fundamentado na desigualdade de oportunidades que afeta cada indivíduo em dado contexto social.

motivações. respectivamente. pois a dominação supõe a presença do consentimento na relação entre “X” e “Y”. D) não são equivalentes. o que. C) toda relação de poder implica uma relação de dominação. tal como elaborados por Max Weber. a ação racional com relação a fins e a ação racional com relação a valores. uma vez que os indivíduos que se submetem a uma ordem de dominação não levam em conta os recursos que possuem aqueles que exercem a dominação. portanto. C) Os exemplos II e IV ilustram. a ação racional com relação a fins e a ação tradicional. tradicional e carismática pensados por Weber são construções históricas. necessariamente. já que a força sem uma base de legitimação não pode ser exercida. tradicional e carismática pensadas por Weber constituem uma construção intelectual pautada na história e visam explicar uma dada realidade histórica. respectivamente. D) Os exemplos II e III ilustram. B) Weber define as ações sociais burocrática. QUESTÃO 56 (Fevereiro 2003) Sobre os conceitos de poder e dominação. respectivamente. B) são equivalentes. a ação tradicional funda-se no costume ou em um hábito já arraigado. pois tanto um quanto outro são relações sociais às quais os indivíduos atribuem sentido. D) A ação racional implica uma adequação entre meios e fins. marque a alternativa correta. a ação afetiva e a ação racional com relação a fins. A) Os conceitos de ação burocrática. não se dá com o poder.A) Os exemplos III e IV ilustram. tradicional e carismática a partir de uma construção típico-ideal que é estabelecida apenas no plano conceitual. a ação afetiva e a ação racional com relação a valores. B) Os exemplos I e III ilustram. compartilhando. respectivamente. que acontecem sucessivamente em determinadas realidades histórico-culturais. 34 C) Os tipos de ação burocrática. QUESTÃO 54 (Fevereiro 2007) Sobre os tipos de ação social em Max Weber. é correto afirmar que: A) a dominação prescinde do poder. uma vez que a ação .

II. a riqueza. B) a sociologia de Weber é um esforço de explicação da sociedade enquanto totalidade social. é INCORRETO afirmar que: A) o Estado é uma relação estritamente de poder. QUESTÃO 49 (Janeiro 2001) Para explicar os fenômenos sociais. . Esse instrumento pode ser definido como: I. QUESTÃO 57 (Fevereiro 2007) A respeito das definições de Max Weber para poder e dominação. C) a dominação implica. ideológico e político são. que prescinde da dimensão de dominação. Weber propôs um instrumento de análise que chamou de tipo ideal. D) a sociologia compreensiva busca apreender o sentido da ação social e de seus nexos causais. fundamentalmente.carismática ou afetiva se estabelece. em alguma medida. C) o objetivo da sociologia é estabelecer leis gerais explicativas da realidade social. respectivamente. é correto afirmar que: A) os juízos de valor do pesquisador não interferem em nenhuma fase do processo de investigação científica. o consentimento da parte do dominado para a ordem dada pelo dominante. em uma crença através dos tempos.um modelo perfeito a ser buscado pelas formações sociais históricas e qualquer realidade observável. B) o poder é a probabilidade de alguém determinar o comportamento do outro. D) os fundamentos dos poderes econômico. QUESTÃO 42 (Janeiro 2000) De acordo com o pensamento weberiana.uma construção do pensamento que permite identificar na realidade observada as manifestações dos fenômenos e compará-las. III. o saber e a força.uma construção do pensamento que permite conceituar fenômenos e formações sociais.

raiva. D) II. QUESTÃO 57 (Janeiro 2004) Assinale a alternativa correta. que buscam captar realidades totalmente autônomas.uma construção teórica abstrata a partir de casos particulares analisados. estes em relação às conseqüências implicadas e os diferentes fins possíveis. V.IV. Assinale a alternativa correta sobre a articulação dos tipos de ação social propostas por Weber. II e V estão corretas. B) I. cuja conexão cabe aos cientistas sociais captar para compreender a realidade social. por isso. II e III estão corretas. quanto à teoria weberiana sobre poder e dominação. C) II. na medida em que os cientistas operam pela lógica da crença na emancipação do homem das mazelas sociais. que apresentam sentidos. Isso ocorre porque os tipos ideais são conceitos limites. A) O procedimento econômico corresponde ao modelo típico de ação racional com relação a fins.um modelo que tem a ver com as espécies sociais de Durkheim. QUESTÃO 54 (Janeiro 2004) Em sua teoria sociológica. A) I. exemplos de sociedades observadas em diferentes graus de complexidade. III e IV estão corretas. ciúme. paixão. amor. III e V estão corretas. até mesmo com certa irracionalidade. pois considera um conjunto de necessidades sob uma quantidade escassa de meios para chegar ao objetivo pretendido. como Max Weber demonstrou no estudo da conexão entre a ética protestante e o espírito do capitalismo nos EUA. D) A articulação de dois ou mais tipos de ação social não oferecem sentidos compreensíveis aos cientistas sociais. como se pode ver na Física e na Química. . C) A ação afetiva típica ideal é a causada pelos sentimentos de ódio. Max Weber propõe quatro tipos puros ideais de ação social. Assinale a alternativa correta. B) O procedimento científico pode ser considerado um modelo típico ideal de ação tradicional com relação a valores. avalia os meios relativamente aos fins. guarda bastante racionalidade combinada com a tradição. como se observa na competição individualista das sociedades capitalistas e.

. p.. B) a decisão empresarial de inovação tecnológica para enfrentar a concorrência no mercado é uma ação racional com relação a fins. respectivamente. Percebendo que ali podia estar sua galinha-dos-ovos-de-ouro. em que a crença na validade da norma 35 impessoal se estabelece.. D) uma ação que se caracteriza pela livre escolha é tradicional. O mérito de Menin foi ter vislumbrado uma oportunidade e apostado suas fichas nela. (VEJA N. pelas posses do saber e da riqueza. Primeiro.A) A dominação racional-legal é típica da sociedade capitalista. Após definir seu nicho de mercado. Como o senhor da foto virou milionário. . C) a ação que se orienta por valores não é uma ação social racional..". passou a vender apartamentos semipadronizados com preços até 25% mais baixos. D) Ação social racional com relação a valores. A) Ação social racional com referência a fins. B) Ação social afetiva. 12/04/2000.. C) Ação social tradicional. C) A dominação fundada no carisma do líder nunca pode integrar o padrão de dominação capitalista. D) O poder sempre exige o consentimento por parte daquele que se comporta de acordo com a determinação do outro.. Assinale a alternativa que corresponde ao tipo de ação social descrita no texto. é correto afirmar que: A) o exercício religioso da fé é uma ação afetiva. QUESTÃO 43 (Julho 2000) "300 milhões . 148) Max Weber define uma tipologia da ação social que é apresentada nas afirmativas abaixo. construiu pequenas casas em bairros populares de Belo Horizonte. Menin resolveu projetar um negócio para atender aquela clientela. B) O poder econômico e o poder ideológico definem-se.. QUESTÃO 44 (Julho 1999) A respeito do conceito weberiano de ação social. Depois. Menin elaborou uma cartilha que a empresa segue à risca até hoje. 15.

que se expressam na forma de usos. a Sociologia é a ciência que pretende interpretar os sentidos prováveis da ação social. analise as afirmativas: I) O poder decorrente de qualquer tipo ideal de dominação tem sempre um conteúdo que lhe atribui legitimidade.) Nem toda dominação se serve do meio econômico. seus efeitos e suas regularidades. D) Apenas I está correta. Não consiste. 1976. seja esta jurídica. costumes e situações de interesse produzidos por diversos sujeitos. (. físicas e materiais.. sem a qual não há poder nas sociedades capitalistas. que são obtidos com ou sem legitimidade. Introdução ao Pensamento Sociológico.. Max. Rio de Janeiro: Eldorado Tijuca.” WEBER. QUESTÃO 51 (Julho 2003) Na sociologia de Max Weber..QUESTÃO 47 (Julho 2001) “Deve-se entender por ‘dominação’. In: Castro. Dias. como se vê nos EUA. B) Para Max Weber. a partir da conexão natural de sentidos entre a ética protestante e as imposições do capitalismo de Estado. E ainda menos tem toda dominação fins econômicos.. III) O poder emerge de mandatos extra-econômicos. o poder depende de coerções objetivas. A) O conceito de ação social em Max Weber pretende comprovar a coerção. C) Max Weber define ação social como uma conduta dotada de um significado subjetivo dado por um sujeito . apenas por agentes do Estado nas sociedades capitalistas. Assinalar a alternativa correta. Considere as alternativas teóricas abaixo e assinale a alternativa INCORRETA. Anna Maria. (. a particularidade e a generalização dos fatos sociais. a interioridade. B) I e III estão corretas. em toda espécie de probabilidade de exercer ‘poder’ ou ‘influência’ sobre outros homens. Edmundo Fernandes. A) I e II estão corretas. Com base no texto acima. suas causas. embora dispense coerções morais para operar com legitimidade. costumeira ou afetiva. o conceito de ação social tem sido fundamental em inúmeros estudos importantes sobre as sociedades modernas. portanto. IV) Para ser exercido. II) O poder decorre da posse básica e exclusiva de meios econômicos.) a probabilidade de encontrar obediência dentro de um grupo determinado para mandatos específicos (ou para toda sorte de mandatos). C) I e IV estão corretas.

deram ao velório um clima de festa. Analisando os acontecimentos descritos. tendo em vista a ação de outros sujeitos conhecidos ou desconhecidos. a explicação sociológica busca compreender os sentidos. QUESTÃO 60 (Julho 2003) Assinale a alternativa que corresponde à formulação de Max Weber acerca dos chamados tipos puros de dominação legítima. pode-se afirmar que esse sentido: A) está mais próximo das ações irracionais. D) vincula-se a ações racionais. coloridas. O motivo era simples: para o espiritismo kardecista não existe luto. A) A dominação legal-racional fundamenta-se na crença dos indivíduos acerca da validade de um dado instrumento normativo. considerando tais acontecimentos dotados de sentido. o famoso médium Chico Xavier. no Triângulo Mineiro. Por isso. sempre e unicamente.36 que o executa. a maioria delas. o desenvolvimento e os efeitos da conduta de um ou mais indivíduos em relação a outros. . sendo a morte vista apenas como mais uma etapa cumprida num longo processo de aperfeiçoamento do espírito. seu caráter social. como a caridade. apesar de sentida. Músicas e roupas alegres. naturalmente.morria em Uberaba. independentemente de fins conscientes. ou seja. QUESTÃO 56 (Julho 2003) No dia 30 de junho de 2002 – mesmo dia em que a seleção brasileira de futebol conquistou o tetra . B) está mais próximo das ações racionais. implicando. de acordo com a teoria de Max Weber e. por suas esperanças em curas extraordinárias. Seu velório atraiu nada menos que 100 mil pessoas. por seus valores éticos. independentemente dos seus resultados. e. orientando seu próprio comportamento. Texto adaptado da Revista IstoÉ. predominando uma orientação consciente dos agentes. por suas crenças na reencarnação e na comunicação com os espíritos. uma orientação consciente dos agentes quanto aos meios e fins. independentemente de fins conscientes. movidas. por seus laços afetivos com o grande líder religioso. aparentemente incompatível com um acontecimento fúnebre. não se propondo a julgar a validez da ação dos sujeitos. implicando reações desenfreadas a estímulos não-cotidianos. C) vincula-se a ações totalmente irracionais. a morte de Chico Xavier não deveria ser lamentada. predominando reações surdas a estímulos habituais. de 10 de julho de 2002. D) Para Max Weber.

o monopólio considerado legítimo do recurso à força. C) A dominação tradicional é a mais apropriada à sociedade capitalista e está presente nas empresas e nos órgãos governamentais. B) Corresponde a uma autoridade moral. A) Define-se pelo meio que lhe é próprio. estabelecendo-se. D) a vida social é resultado de um conjunto de ações coletivas. C) É a expressão político-institucional dos antagonismos entre as classes sociais. D) É o produto de processos sociais coercitivos e externos aos indivíduos. orientando-se pela própria ação e estabelecendo relações sociais significativas.B) A dominação carismática articula-se à motivação que os indivíduos têm com vistas à obtenção de determinados fins para suas ações sociais. QUESTÃO 57 (Julho 2005) Quanto à definição weberiana de Estado. o espírito do capitalismo. reciprocamente referidas de forma a estabelecer relações sociais. assinale a alternativa correta. cuja função é a de preservar a sociedade de crises em que a coesão esteja ameaçada. em patamar superior. QUESTÃO 53 (Julho 2005) Segundo Weber é correto afirmar que: A) a ação social é qualquer ação que o grupo social pratica. ou seja. que a estes se impõe também pela educação. D) A dominação carismática realiza. é INCORRETO afirmar que: . B) a vida social é resultado de um conjunto de ações individuais orientadas a um determinado fim e reciprocamente referidas. assim. uma vez que assegura aos investimentos privados um ambiente mais propício ao lucro desejado. 37 QUESTÃO 54 (Julho 2006) Quanto às análises weberianas sobre o desencantamento do mundo e o processo de secularização. as relações sociais. C) toda ação social está condicionada por idéias de valores que são fenômenos histórico-material.

11. embora dependa parcialmente da técnica e do direito racional..] Ora. 6 ed. que possibilitou o desenvolvimento deste último no Ocidente. São Paulo: Livraria Pioneira Editora. [“. Max. é ao mesmo tempo determinado pela capacidade e disposição dos homens em adotar certos tipos de conduta racional. C) a decadência do poder hierocrático seria um sentido forte da secularização. as forças mágicas e religiosas. assinale a alternativa correta.] o racionalismo econômico. QUESTÃO 54 (Julho 2007) Considere a citação.A) a secularização diz respeito tanto à expropriação dos bens eclesiásticos quanto ao desencantamento do mundo. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. e o espírito do capitalismo.1989. sempre estiveram no passado entre os mais importantes elementos formativos da conduta. p.. . e os ideais éticos de dever deles decorrentes. e o espírito do capitalismo. é correto afirmar que A) o estilo de vida normativo. A) Coube às éticas religiosas do confucionismo (China) e hinduísmo (Índia) redefinirem o padrão das relações econômicas que.. fundada na contemplação. “[.. D) há uma relação causal entre o desenvolvimento da ética religiosa protestante. D) o desencantamento do mundo refere-se tanto à desmagificação via religião ética (os profetas. fundada no trabalho. com base na ética religiosa católica. a partir do século XVI. levando ao desenvolvimento deste último no Ocidente. B) há uma relação impositiva entre a ética protestante e o espírito do capitalismo no sentido do desenvolvimento da moderna economia burguesa.. B) a perspectiva de Max Weber é evolucionista e prevê o fim da religião em uma sociedade moderna. A respeito das relações de causalidade que o sociólogo Max Weber propõe entre as origens do capitalismo moderno. por exemplo) quanto à ciência e à tecnologia. possibilitou o desenvolvimento da mentalidade econômica burguesa no Ocidente. culminaria no capitalismo de tipo moderno. C) há uma relação causal entre a ética racional protestante.” WEBER. QUESTÃO 57 (Julho 2006) Sobre a ética do trabalho. o processo de racionalização do mundo e as religiões de salvação. conforme a sociologia de Max Weber.

a música. B) Há. não mais que dois tipos puros de dominação. 66. considerada legítima.B) As seitas protestantes que floresceram nas sociedades orientais. Carlos B. abrangendo os mais variados temas. a economia. . 1991. são responsáveis pela prematura posição de destaque do Japão. a política. a história.. cujas prescrições de conduta se revelaram condição imprescindível para o desenvolvimento e consolidação das relações capitalistas modernas. mesmo contra resistências. Seus trabalhos sobre a burocracia tornaram-no um dos grandes analistas deste fenômeno. o calvinismo foi responsável pela introdução de um padrão ético que. Carlos B. dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo. a carismática (típica das sociedades tradicionais) e a legal-racional (típica das sociedades modernas). a religião. 28 ed. China e Índia no cenário econômico internacional que se seguiu à Revolução Industrial. a partir do século XVI. quais sejam. QUESTÃO 57 (Julho 2007) Sobre o legado do pensamento científico de Max Weber. a arte. contribuiu de maneira inédita para o desenvolvimento das relações capitalistas modernas. para Weber. C) A transição de uma ordem política patrimonial-tradicional para uma ordem burocrático-legal é acompanhada por uma consolidação do tipo de dominação carismática. A respeito das contribuições de Weber acerca dos conceitos de poder e dominação. A) Ao passo que poder é toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social. em 38 detrimento de estatutos impessoalmente estabelecidos. assinale a alternativa correta. como o direito. ao estimular a racionalização da conduta cotidiana de seus fiéis. p. O Que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. D) A dominação legal-racional dá-se por meio da obediência do quadro administrativo à pessoa do senhor.” MARTINS. Martins afirma que: “A obra de Weber representou uma inegável contribuição à pesquisa sociológica. de modo destacado. C) A partir de sua doutrina da predestinação. D) O processo de encantamento do mundo (irracionalização do conhecimento e das relações cotidianas) encontra-se na base da ética protestante.

duração: 90 min gênero: Drama status: Inéditos Sinopse Elling (Per Christian Ellefsen). D) O Estado capitalista nada tem a ver com as escolhas que os indivíduos fazem a partir das motivações que possuem. ainda. “Uns filmes gostosos de assistir. principalmente o ator que interpreta Elling.” “ Gattaca . A) O indivíduo age socialmente. de acordo com as motivações e escolhas que possui e faz. pela sinopse. a uma racionalidade. condição expressa pelo fato dos homens e mulheres fazerem a história. podendo estar relacionadas ou a uma tradição.QUESTÃO 42 (Março 2002) Segundo as concepções de indivíduo e de sociedade na sociologia de Max Weber. na verdade. Sugestões de Filmes Parte superior do formulário Parte inferior do formulário Elling 2010-05-22 Francisco título original: (Elling) lançamento: 2001 (Noruega) direção:Petter Nass atores:Per Christian Ellefsen. como força exterior a eles. Um programa de socialização faz com que ele surpreendente. Confesso que.A Experiência Genética” (Gattaca). Ledo engano. que arranca boas gargalhadas do público. um ser social. onde foi internado após a morte da mãe. A dupla protagonista brilha em cena. assinale a alternativa correta. C) O gênero humano é. irremediavelmente. passou os últimos dois anos em um hospital psiquiátrico. um homem de 40 anos com problemas mentais. Jorgen Langhelle. mas sempre a partir de uma situação dada. fazendo com que o público acabe torcendo por eles. Sven Nordin. Marit Pia Jacobsen. ou a uma devoção afetiva ou. O filme possui um ritmo ágil e divertido. daqueles que levantam seu astral após a sessão. a expressão das classes sociais em luta. razão pela qual os indivíduos refletem as normas sociais vigentes. esperava que "Elling" fosse um daqueles dramalhões que a Academia tanto adora. B) A sociedade se opõe aos indivíduos. sendo. de Andrew Niccol (1997) .

Nesse caso. Temas-chave: técnica e tecnologia. como a tecnologia perpassa os mais diversos aspectos da vida cotidiana moderna. no caso do filme SF.Inteligência Artificial”. | |de Stanley Kubrick. “Matrix”. por exemplo. . principalmente em se tratando de um filme SF. identidade e memória | |social. ecossistema social e contradições do capital. Neste caso. em seu livro Alien Zone: Cultural Theory and Contemporary Science Fiction Cinema (Verso. nas condições de uma sociedade de classes. “IA . ela não poderia deixar de estar no centro estruturante da trama filmica. o Policial. a Comédia ou Horror. onde predomina a divisão hierárquica do trabalho e a propriedade privada. subsiste velhos valores estranhados e sociabilidades corrompidas pela lógica do | |capital. 1990). Ou seja. O que acontece é que. de Alex Proyas. o gênero Science Fiction (SF) tende a se confundir com outros gêneros fílmicos. “Metropólis”. tal avanço da| |ciência genética se traduz em possibilidades concretas de incremento do controle social estranhado. que é a própria racionalidade da sociedade moderna. Ao lado do admirável mundo novo. de Ridley Scott. É claro que.Filmes relacionados: “Blade Runner”. “2001-Uma Odisséia no Espaço”. capital e processo civilizatório. O que poderia significar essa intertextualidade do gênero Science Fiction? Ela é característica peculiar de um gênero fílmico (o de ficção-científica) que constitui sua trama narrativa a partir de uma determinada racionalidade (a racionalidade tecnológica). de Steven Spielberg. dos Irmãos Wachowski. Robô”. observa que uma das características do cinema de ficção-científica é a sua intertextualidade. | Análise do Filme Annette Kuhn. Estamos diante de uma visceral contradição entre as imensas | |potencilaidades de desenvolvimento humano-genérico e da plena socialização da sociedade humana. a técnica e a tecnologia pulam adiante do argumento dramático. de Fritz Lang.|Eixo Temático | | O desenvolvimento das técnicas de manipulação genética decorrem do desenvolvimento das forças produtivas do trabalho social e da redução das barreiras | |naturais. sem dissolver sua linha argumentativa (que incorpora outras textualidades). o capital tende a se apropriar do | |desenvolvimento das forças produtivas sociais para aprofundar seu controle de classe. como. a trama filmica se constitui em função de uma determinada racionalidade tecnológica. “Eu. Na verdade. e a aguda vigência de determinações de controle social | |estranhado e de exploração de classe. estruturando-o.

Numa sociedade de controle social quase-absoluto. O que se observa é que o tema da técnica de manipulação genética perpassa todo o drama policial (e familiar) de Gattaca. os Válidos. seja a de Vincent para ter acesso à corporação Gattaca e realizar seu sonho de tornar-se astronauta. a trama de Gattaca sugere um drama familiar. “filho de Deus”. No final. produto de um planejamento genético quase perfeito. seu irmão Anton. como a atitude . que almeja ir além do seu destino genético e decide assumir a personalidade de Jerome Morrow. Apesar de ser um filme de ficção-científica deixa claro sua intertextualidade. a espécie humana continua a mesma: dividida em classes sociais e se utilizando de subterfúgios escusos e clandestinos para atingir seus interesses egoístas. ficou paralítico. Apesar do mais alto controle social garantido pelo registro genético. mais uma vez. No desenrolar da trama. Sua ambição é driblar as restrições de classe e se integrar na elite intelectual e moral de Gattaca e realizar seu maior sonho: ir para o planeta Titã. Gattaca retrata uma sociedade de classe cuja técnica de manipulação do código genético tornou-se prática cotidiana de controle social. e os Inválidos. os “filhos de Deus”. que assassina outro diretor num jogo de poder. tal como um "retorno ao útero materno"?). Torna-se claro. clandestinas. Ao lado dos mais sofisticados recursos de manipulação genética. no estilo de East of Eden. que descobre a verdadeira personalidade de Jerome e ameaça denuncia-lo. A partir de um certo momento. no filme. os “filhos da Ciência”. satélite de Júpiter (seria uma alegoria de fuga do sistema do capital. um Válido que. a transfiguração de uma rivalidade de classe. de Andrew Niccol (1997) é um caso exemplar. um Inválido condenado 39 pelo seu código genético a tarefas degradantes (Freeman significa. de Elia Kazan (com James Dean). Vincent clona os registros genéticos de Jerome. num papel especial). pode-se perceber certa solidariedade entre os “de baixo”. Vincent é um jovem ambicioso. nascido do acaso da Natureza. Utilizando os serviços clandestinos de um “pirata genético”. submetidos ao acaso da Natureza e às impurezas genéticas. literalmente. de agudo cariz regressivo. ou do diretor Josef. todo o suspense se concentra no personagem Vincent Freeman. a rivalidade entre irmãos (que é. assistimos a um jogo de ambição e fraude. de Gattaca (representado pelo escritor Gore Vidal. outro.O filme Gattaca – A Experiência Genética. produtos da engenharia genética e da eugenia social. A sociedade de Gattaca está dividida em duas “classes sociais”. quando Vincent encontra em Gattaca. cabe salientar): um. Gattaca parece se tornar um filme policial ou de suspense quando a trama narrativa se desloca para a busca do assassino de um dos diretores da corporação Gattaca. que hoje estão se tornando realidade pelos avanços da engenharia genética e da biologia molecular. Nesse ambiente de resistência individual. como forma de resistência individual ao totalitarismo do destino genético. “homem livre”). os “de baixo” apelam para fraudes sutis. em virtude de um acidente.

A sociedade do capital. apesar do drama possuir.que comete suicido se incinerando num auto-forno no exato momento em que Vincent parte para Titã. contra seus fluidos e restos corporais capazes de denúncia-lo como Inválido.numa sociedade de classe. e não um registro genético capaz de denunciar a identidade de classe das pessoas. nesse caso.em sua luta contra o sistema. Pode-se apreender no filme. através de exame de DNA. atingindo o próprio ser orgânico do homem. uma divisão em casta ou de acordo com o sangue. sugere que. pelo estigma do destino genético. mas poderia se passar num Campo de Concentração ou numa sociedade totalitária qualquer. os proletários seriam os Inválidos. tende a incorporar novas determinações de poder e de controle cada vez mais rígidas e com um lastro natural (pode-se. no sentido clássico. mas o final não é propriamente um final feliz. talvez uma nova forma de ciberespaço. Em Gattaca. mas contra si mesmo. capaz de aprofundar o controle social do capital. A sua luta é contra o destino de classe – ou casta? . os Condenados da Terra. a atitude arrogante do verdadeiro Jerome diante de um policial que o interroga. antes de tudo. A luta de Vincent não é apenas contra o Sistema de Gattaca. Gattaca sugere o dualismo Acaso (ligado a “primeira natureza”) versus Planejamento (imperativo da “segunda natureza”). mas a forma social que a desenvolve e se apropria dela. na verdade.agora demarcado. que Vincent se revolta e busca uma saída individual. Mas apesar do clima totalitário. baseada na divisão hierárquica do trabalho. É um destino genético produzido pelo homem. O filme se passa na corporação Gattaca. numa certa passagem do filme. tende a tornar-se uma “segunda natureza”. com o desenvolvimento da técnica. de uma “grade”. conteúdo de classe. Na ótica do Cinema de Hollywood. A ambição individualista de Vincent é que conduz a trama. as saídas são individuais. não deixa de ser um protesto contra a sociedade de Gattaca. É o estranhamento assumindo proporções abismais. que . É contra essa “segunda natureza”. graças ao avanço da técnica. que aparentam certa simpatia pelos ideais transgressores de Vincent/Jerome. certa nostalgia de um passado distante em que um fio de cabelo era apenas um fio de cabelo (ou uma mera lembrança afetiva). A perspectiva do filme Gattaca é tipicamente americana. guardiães da Ordem genético-fascista da sociedade de Gattaca. mas que. Não podemos culpar a técnica em si. sejam da classe dos Inválidos. na medida em que é produto de um afastamento das barreiras naturais – o domínio do código da vida . Contra a técnica que supostamente desumaniza o homem. já desumanizado pelo capital. Apesar disso.condescendente do faxineiro Caesar (representado por Ernest Borgnine) ou pelo médico Lamar. produzida pela manipulação técnica. objeto de uma rede controlativa. mesmo entre os Válidos existe uma certa hierarquia de classe . o filme expõe as falhas irremediáveis de Gattaca e do seu sistema de controle. E Vincent representa o herói americano – um anti-herói ao estilo de Charles Chaplin? . ou sim. considerar mesmo uma divisão de classe. bem ao estilo das sociedades tradicionais?).a não ser que os policiais. O destino trágico do verdadeiro Jerome. agora representado pelos imperativos categóricos da eugenia social. o diretor e roteirista Andrew Niccol sugere uma “natureza humana” recalcitrante às imposições sistêmicas. dividida em classe.

é claro. para as pessoas. os objetivos. se auto-incinerar ou então viajar para Titã (se conseguir. um homem que viveu o drama de ser judeu na Alemanha nazi e sobreviveu aos traumas dos campos de concentração. . inovações tecnológicas e desempenho produtivo No capítulo introdutório foram realizadas as primeiras observações sobre o tema a ser desenvolvido no trabalho. É como se o único herói do filme busca-se lá fora o sentido da vida. não deixa de ser singelo e desesperador. A sua mente ficou afetada e agora está internado num hospital psiquiátrico. agora num sentido amplo. ou seja. uma sociedade de classe em que só restaria. adaptar-se. Capitulo II Agropecuária brasileira. no sentido weberiano. onde o tentam reconduzir a uma existência o mais normal possível para quem viveu os horrores do Holocausto. uma alegoria da sociedade (pós)-moderna.exclui como lixo humano todos os Inválidos. as limitações e as delimitações do trabalho. Foram levantados ainda o problema de pesquisa. O Seu cérebro é demasiado inteligente para confundir os seus médicos e perceber o que está para além da realidade fundir os seus médicos e perceber o que está para além da realidade. E o sonho de Vincent (ir a lua Titã). apresentar-se como um Válido) ? Giovanni Alves (2003) 40 Filme Adam: Memórias de Uma Guerra Gênero: Drama Ano de Lançamento: 2010 Formato: Avi Qualidade: DVDRip Idioma: Português | Inglês Legenda: S/L Tamanho: 814 MB Sinopse: Em Adam: Memórias de Uma Guerra a estranha história de Adam Stein. Seria a sociedade de Gattaca uma “gaiola de ferro”. sejam eles de nascimento. Mas Adam não é um homem vulgar nem um doente comum. sejam eles por incapacidade adquirida.

esteve voltada para o desenvolvimento da indústria. até os dias atuais. De acordo com Lima apud Rossi (1995). Como pode ser observado no gráfico da figura 2. bem como o processo de modernização pelo qual ela passou. Figura 2. Também é destacada a importância da agropecuária para a economia brasileira. Pode-se dizer que produtos agrícolas como o pau-Brasil (extrativismo). a industrialização e a distribuição da produção do setor agropecuário. 1997). em 1960 a renda gerada pelo setor agropecuário já é menor que a produzida pelo setor industrial. Nesta fase. no período observado4 A partir de 1920. através da geração de divisas pelas exportações de produtos agropecuários.2 Gráfico da participação percentual dos setores no PIB6 Atualmente. quase todos os outros bens de consumo que não eram produzidos internamente dependiam da renda gerada pela exportação dos produtos agropecuários para serem adquiridos3. a partir da década de 70. O setor agropecuário continua sendo a base para o bom desempenho do complexo agro-industrial que envolve toda a produção agrícola e pecuária. O financiamento desse crescimento é baseado na riqueza gerada pela agropecuária. a agropecuária sempre teve um papel de destaque na economia brasileira. caracterizada como modelo econômico primário-exportador. a indústria brasileira começa a desenvolver-se com maior intensidade. 2. passando este último a ganhar cada vez mais destaque na economia brasileira. . o café. de lá para cá. o algodão. produção de insumos e máquinas. a riqueza interna gerada pela indústria só se distancia da riqueza interna gerada pelo setor agropecuário no final da década de 50 ( Brum 1991). Entretanto.25. o setor de serviços e o setor industrial têm maior participação na geração da renda interna (cerca de 88 %). a cana-de-açúcar. com relação aos outros setores (indústria e serviços).1. como pode ser visto no gráfico da Figura 2.Este capítulo apresenta a evolução histórica da agropecuária brasileira desde a colonização até os dias atuais. Figura 2. o fumo.1 Gráfico dos produtos de maior importância econômica para o Brasil. pode-se afirmar que ela foi e ainda continua sendo de fundamental importância para a economia brasileira. em detrimento da agropecuária. não diminui a sua importância como setor alavancador da economia. este fato não significa que a agropecuária diminuiu sua importância para o desenvolvimento do país. sendo que ela foi e ainda continua sendo de fundamental importância para a geração de riquezas e o aumento do bem-estar social. Mesmo assim. e principalmente após a década de 30.1 Evolução histórica da agropecuária brasileira Desde o início da colonização. os estudos relacionados ao tema produtividade e agropecuária brasileira. Ao contrário. a borracha e o cacau foram os principais geradores de renda para o país no período de 1500 a 1930. cabendo apenas 12 % ao setor agropecuário (Mueller. Ainda são apresentados. O fato da agropecuária ter uma menor participação na formação do PIB. A maior parte dos incentivos e políticas governamentais. pelo fornecimento de insumos às agro-industrias e pela produção de alimentos às pessoas que vivem nas cidades. o complexo agro-industrial corresponde cerca de 40% do PIB e. no segundo capítulo.

exigindo investimentos em infra-estrutura. existem basicamente dois modelos ou processos para a geração de tecnologias. a utilização de insumos modernos e práticas adequadas ao cultivo. 2. Esta expansão pode ser realizada basicamente de duas formas: em um caso pode-se optar pela expansão da fronteira agropecuária. Esse processo de modernização é apresentado a seguir. A primeira forma de expansão da produção pode ser viável no Brasil pela disponibilidade de áreas. seria necessário a disponibilização de insumos modernos. o caminho a ser seguido requer a utilização de um maior nível tecnológico na produção. e com maior intensidade nas décadas seguintes. Figura 2. ocorre em sua maioria no interior do país. o setor urbano brasileiro intensifica o seu processo de expansão7. o modelo de produção agropecuária baseado no senso comum passa a ter dificuldades em atender às necessidades emergentes. Este crescimento é reflexo do aumento do setor industrial e do setor de serviços. no caso brasileiro. estas áreas se encontram longe dos grandes mercados consumidores. a partir dos anos 40. no outro. ou seja. que migra para as cidades. onde se desenvolvem com grande rapidez os setores industrial e de serviços. O desenvolvimento de pólos regionais proporcionado pelo agronegócio foi destacado por Neto e Edward (1999).3 Representação simplificada das relações do complexo agro-industrial Como pode-se notar. 40% das exportações brasileiras. deixa de produzir alimentos e passa a requerer que a população restante no campo a alimente nas cidades.2 Processo de modernização do setor agropecuário brasileiro Com a intensificação do crescimento dos setores industrial e de serviços. Na área agropecuária. defensivos. funcionando como descentralizadora dos investimentos nos grandes centros e promovedora do progresso no interior. fertilizantes. Entretanto. O primeiro processo ou modelo A não tem ligação . através do aumento da utilização de insumos modernos (máquinas. pois esta mudança estrutural na economia do país acarreta o deslocamento das pessoas do campo para a cidade.3 apresenta uma simplificação das inter-relações do complexo agro-industrial. Esta parte da população. a partir dos anos 70. A expansão da produção agropecuária brasileira. serão expostos a seguir. bem como o caminho seguido. surge a necessidade de novas opções para a modernização da produção agropecuária. o setor agropecuário é a base para todo o complexo agro-industrial. produtos químicos e sementes melhoradas). neste tipo de atividade. segundo Alves e Contini (1988). se dá. que surgiu em correspondência com a transformação de uma economia puramente voltada à atividade primária para uma economia mais industrializada. tem-se uma elevação da demanda por produtos agropecuários. As possibilidades para a modernização. Em função destes fatos.2.1 Necessidade de crescimento da produção e modelo de geração de tecnologias A partir da década de 40. No caso da segunda forma de expansão da produção. 2. Diante de tal questão. basicamente.aproximadamente. dentre outros. como máquinas. Daí surge a necessidade de expansão da produção agropecuária para atender às necessidades emergentes. O fluxograma da Figura 2. Uma característica importante do complexo agro-industrial é a de que o processo de industrialização.

do início da colonização (1500) até os anos 50 deste século. Desta forma. os imigrantes europeus e japoneses tiveram papel fundamental na geração e difusão do conhecimento. Como se pode observar. o que acarretaria em pesados investimentos. para mudar do modelo A para o modelo B. Estas inovações são o que freqüentemente chamam-se de insumos modernos. O problema de abastecimento. neste modelo. quanto por entidades públicas9. em Estados localizados no sul do Brasil. Esta pesquisa. Como se pode notar. tanto pode ser feita pela iniciativa privada8. a provável forma de transformação do modelo tradicional para o modelo de base científica seria através de insuficiência de atendimento das necessidades do país pelo modelo clássico. Este fato aconteceu. que passar-se-á a expor. pois possibilitam a conquista de novas fronteiras.estrita com a pesquisa organizada. sementes geneticamente melhoradas. pelo cultivo específico de uma ou de poucas culturas. e a Amazônia. mal ou intensamente utilizados. É o caso de fronteiras agropecuárias como o Cerrado. é necessária uma profunda transformação na infra-estrutura de base do setor agropecuário brasileiro. No caso brasileiro. da geração de conhecimentos específicos àquele meio ambiente a ser explorado. por exemplo. para a geração de conhecimentos. . a busca de novas fronteiras. o processo de geração do conhecimento científico é baseado na existência de instituições especializadas. Outra limitação desse modelo. devido ao processo de industrialização. ocorre quando o ambiente de atuação agropecuária não permite a plena aplicação dos conhecimentos dos agropecuaristas. Como o país vinha há séculos utilizando o modelo tradicional e este atendendo às necessidades. é praticamente inexistente. como o cerrado brasileiro. foi gerado em função do crescimento da população urbana que. O conhecimento é desenvolvido pelos próprios agropecuáristas. visando o aumento da produção. aumentou intensamente e causou uma maior pressão na demanda por alimentos. como descrito há pouco. principalmente. sempre existirá. que geram e difundem as inovações ou novos processos produtivos. Como conseqüência. necessitando. não conseguindo recuperar o desgaste de solos. A partir da década de 50 ele começa a entrar em crise. por parte dos agropecuaristas. O outro processo ou modelo B é o que está baseado na pesquisa científica. práticas adequadas de uso do solos e formas de controle biológico10. como. O modelo baseado no senso comum foi predominante na agropecuária brasileira. adubos capazes de corrigirem deficiências nutricionais dos solos. com o decorrer do tempo. Dentre eles estão os defensivos capazes de controlar os desequilíbrios provocados na flora. resistentes a doenças e com capacidade de adaptação a condições ambientais adversas à sua origem. que anteriormente eram tecnicamente inviáveis para o cultivo e ainda contribuem para o melhor aproveitamento das atualmente exploradas. A necessidade da manutenção e ampliação das exportações agropecuárias era indispensável para a manutenção do equilíbrio no Balanço de Pagamentos. e os conhecimentos são repassados através das gerações. máquinas adequadas às culturas. Eles adaptavam experiências trazidas de suas regiões de origem às regiões similares. a partir dos anos 50. onde uma exploração agropecuária adequada deve suceder em moldes diferentes daqueles trazidos pelos imigrantes. abrindo espaço para a expansão da outra forma de geração de tecnologia. neste caso. com o aprofundamento das crises como a de abastecimento. 25% do território brasileiro. Esse fato se dá devido a pouca ou nenhuma utilização de insumos modernos ou das práticas adequadas de manejo integrado dos solos. Todos esses recursos facilitam o atendimento das necessidades emergentes. de exportação e de doenças. na base da tentativa e erro. apesar de gerarem outros desequilíbrios. A capacidade do aumento progressivo da produtividade.

como a de preços mínimos e subsídios para a disponibilização de insumos modernos. o processo de modernização só foi consolidado com maior intensidade a partir de 1970. Esse processo é que será discutido no próximo item do capítulo. . 2. a agropecuária sempre teve papel de destaque na economia brasileira. 1988). insumos modernos.Algumas doenças passaram a ameaçar a produção de culturas importantes como o cacau. A partir dos anos 50. que poderiam impedir o desenvolvimento e a implementação de novos processos produtivos na agropecuária. onde os agropecuaristas estavam muito mais preocupados com o atendimento de suas necessidades do que com o mercado. pois. na criação da infra-estrutura. que apenas se aproveitavam da disponibilidade de mão-de-obra e terra. Por outro lado. as inovações foram retardadas por fatores como a estrutura agrária. 1988). que possibilitassem o aumento da produção por espaço de terra e ainda a conquista de fronteiras antes tecnologicamente inacessíveis. quando muitas políticas foram realmente direcionadas para o aumento do nível tecnológico do setor. faltavam mecanismos que facilitassem o acesso dos agropecuaristas aos meios. que levassem ao progresso técnico. Pois. Do início da colonização até a década de 50 deste século. ou de modernização. disponibilização de mão-deobra e terra. Eles também reconhecem que a disponibilização destes insumos exigiria uma política de incentivos e investimentos pesados. A sua estrutura agrária ainda continuava constituída. não existia uma classe dinâmica na agropecuária que ansiasse por inovações. Essa corrente também dava ênfase à grande disponibilidade de terra e mão-de-obra como fator inibidor das inovações. ou por minifúndios que "não estavam interessados no mercado". cria-se espaço para a modernização. ou por extensos latifúndios desinteressados em inovações. Essas questões estavam relacionadas à própria estrutura agrária brasileira. por parte do governo. a exploração agropecuária ocorreu de modo praticamente artesanal. como destaca Santos (1988). Conforme apresentado.2 Políticas para a modernização da agropecuária brasileira Como enfatizado anteriormente. existiam outros fatores. em sua maioria. de acordo com os autores. exigindo que a pesquisa apresentasse resposta a elas (Alves e Contini. nos anos 50 e 60. destinando sua produção quase que exclusivamente ao atendimento das próprias necessidades (Santos. com pouca aplicação de tecnologia. segundo esta corrente. que. em função das crises. Pode-se considerar que existiam duas correntes teóricas tentando explicar esta falta de crescimento da produtividade. a agropecuária brasileira até meados dos anos 60 não apresentava sinais significativos de utilização de insumos industriais ou de processos produtivos adequados às suas condições edafo-climáticas.2. A primeira sugere que o problema estava relacionado à falta de políticas adequadas ao setor. Devido a isto. não consideravam fundamental a criação de uma estrutura agrária adequada à absorção destas novas tecnologias. por outro lado. Estes fatores mencionados pressionavam a implementação de mudanças estruturais na agropecuária. era composta. Teóricos neoclássicos como Schuh e Nicholls apud Santos (1988) atribuem a baixa produtividade da agropecuária ao reduzido nível de tecnificação utilizado pelos agropecuaristas. Estes autores. da agropecuária brasileira: a neoclássica e a estruturalista. A segunda sugeria a inadequada estrutura de distribuição de terra como fator limitante à modernização. de latifúndios despreocupados com a maximização dos lucros e por minifúndios. em grande parte. Apesar dessa oportunidade.

dentro das propriedades agropecuárias. em termos de distribuição de terras. e que. 1988) A partir de 1965. E viabiliza-se o cultivo de culturas . existiam. Em decorrência deste modo de exploração agropecuária. E isso não seria possível utilizando-se apenas os instrumentos já existentes. as políticas que visavam o aumento da produtividade rural ficaram atreladas aos grandes e médios produtores. parece ficar evidente a necessidade de aumentar os índices de produtividade da agropecuária. para explicar a falta de modernização da agropecuária brasileira. torna-se possível a utilização de áreas de grandes dimensões em uma mesma propriedade. a necessidade de investimentos elevados para a utilização de novos processos produtivos que possibilitassem a expansão da produção agropecuária. como a do Paraná. terra e trabalho uma saída inteligente.O atraso técnico e a falta de infra-estrutura moderna de apoio ao setor agropecuário eram explicados pela abundância de terra e mão-de-obra verificadas até meados dos anos 60. Apesar de não contribuírem para o progresso técnico. Diante disto. os autores consideram útil. por outro lado. de adubos. estas políticas que facilitavam a disponibilização dos insumos tradicionais. não foi desenvolvida. o modelo de inovação induzida de Hayami e Ruttan apud Santos (1988). Essa corrente considerava a não utilização do capital. Por outro lado. A partir destas condições descritas. Já o preço da mão-de-obra era mantido estável tendo em vista o deslocamento das populações marginais do Rio Grande do Sul e do Nordeste para estas regiões. Deste modo. como a melhoria da estrutura agrária. como preço mínimo. Em decorrência deste fator. o progresso tecnológico nos meios de transporte evitava aumentos expressivos dos preços devido à fronteira agropecuária estar se tornando cada vez mais distante dos centros de consumo. os caminhos da modernização não visavam o longo prazo. inicia-se a ampliação do uso da mecanização. Como foi apresentado. pode-se afirmar com bastante precisão que. Apenas os grandes e médios produtores é que poderiam se beneficiar destas políticas. terra e trabalho. Deste modo. que privilegiou as políticas de disponibilização de terras e mão-de-obra11 a grandes empresas agropecuárias. (Santos. do Mato Grosso do Sul e Goiás. fator escasso. A disponibilização destes fatores era corroborada pela expansão de fronteiras férteis. como Furtado apud Santos (1988). já que a adoção de inovações técnicas era economicamente inviável. não existia uma classe dinâmica de pequenos produtores capaz de absorver inovações tecnológicas. na estrutura de distribuição da terra. o processo de modernização da agropecuária brasileira ocorrido a partir dos anos 60 foi moldado segundo a estrutura agrária. e a utilização de fatores abundantes. a infra-estrutura rural. o fator limitante à expansão de tecnologias modernas que proporcionassem o aumento de produtividade da agropecuária. crédito e assistência técnica. que seriam os únicos em condições de se adequarem ao processo de inovação. Por outro lado. E os que existiam apresentavam um nível de desenvolvimento muito primitivo. autores estruturalistas. encontram. terras férteis disponíveis e ainda não utilizadas. então. Surgia. via utilização de fortes subsídios. até 1975. Nota-se que as políticas sugeridas eram de curto prazo. de defensivos agrícolas e de outros insumos. à agropecuária eram consideradas racionais pelos autores neoclássicos. Assim sendo. na maioria dos Estados brasileiros. Deste modo. dificultou o acesso de terras a pequenos colonos à não modernização da agropecuária brasileira. Esta corrente se baseia no processo de formação da estrutura agrária brasileira.

Pode-se citar. 5 anos depois.995 e 9. desde a colonização do país até meados dos anos 60. a agropecuária participaria com a exportação de produtos. observa-se que em 1974 eram consumidos internamente 5 vezes mais tratores do que em 1969. Em outras palavras. o desenvolvimento da agropecuária foi atrapalhado. e mais intensivamente a partir da década de 70. como observado por Monteiro (1985). Neste caso. Outro fator que influenciou a modernização da agropecuária brasileira foi a saída gradativa de um período de substituição de importações.775 e em 1995 salta para 52. existe uma queda no consumo de defensivos no período14.636. A partir daí. Deste modo. o trigo. ocorre uma estabilidade no consumo.910. o caso do consumo aparente de fertilizantes. devido ao incentivo à produção interna. pelo governo. por Estados e regiões que possuíam as condições mais adequadas de assimilação das inovações . salta para 1. como o soja. e fruto da disponibilidade de pacotes tecnológicos do exterior e do apoio ao desenvolvimento do setor rural. auxiliando o crescimento do setor industrial. o milho. de acordo com eles. Estas diferenças. para um mercado internacional exponencialmente crescente. para entrar em uma era de incentivos às exportações. No caso da venda doméstica de tratores agrícolas. 45. Um estudo sobre a utilização dos insumos modernos na agropecuária. apresentaram uma expansão até meados da década de 70. A modernização da agropecuária brasileira foi simultânea ao desenvolvimento de uma tendência mundial. o processo de modernização pode ter sido absorvido. que se deu intensivamente até os anos 60.959. poupadores de terra e trabalho.45612 unidades.que são comercializadas em larga escala. pode-se verificar que houve uma intensificação no uso de insumos modernos. dentre outras. onde a agropecuária teria um papel importante. De forma agregada. Quando se iniciou o processo de modernização. O consumo interno de tratores agrícolas em 1994 foi de 46.824. econômicas.97513. Como pôde-se notar. Na realidade. por fatores relacionados às políticas dirigidas ao setor. Esse período ficou conhecido como "revolução verde". a partir do final dos anos 60. Os defensivos (inseticidas.380 toneladas de ingrediente ativo em 1969. Entretanto é importante observar que o Brasil é muito grande e possui diferenças estruturais. Estes fatores estavam relacionados à disponibilização da mão-de-obra e com a viabilização da utilização de terras por grandes empresas. ou até inferir que a agropecuária brasileira intensificou o processo de modernização a partir da década de 70. aliadas à ação de grupos de interesses. realizado por Barros e Manoel (1988). como exemplo. O número de HP disponíveis em 1970 era de 7.664 unidades. que era de 630. um pouco superior a 1994. e em 1994 passa a ser de 5. segundo os autores. principalmente. com maior intensidade. fungicidas e herbicidas). respectivamente. esse foi exógeno à agropecuária. sociais e edafo-climáticas entre seus Estados e regiões. sendo alguns deles proporcionados pelo II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento.1974/1979). em que os processos produtivos da agropecuária eram voltados ao uso intensivo de insumos industriais. em 1974. influenciam a geração e a utilização dos novos processos produtivos. demonstra que estes se expandiram. porém é interessante observar que a potência média dos tratores aumentou. o consumo aparente de inseticidas e de fungicidas diminui entre 1974 e 1991 e o consumo de herbicidas aumenta.080. pois passava a demandar insumos industriais em escala. a cana-de-açúcar.208. no mesmo período. e ainda incentivaria a expansão industrial interna.

que provavelmente acarretariam modificações na produção e na produtividade da agropecuária brasileira. Estas alterações estavam relacionadas à expansão da utilização de insumos modernos. em geral. Esses estudos consideraram a produtividade total dos fatores. principalmente. 2. Também fica destacado que o processo de modernização. o autor utilizou a produtividade da terra como indicador. Já em uma análise que leva em consideração indicadores globais. Assim sendo. alguns destes trabalhos que abordam a questão da mensuração da produtividade da agropecuária brasileira. Em seu estudo. considerando apenas a produtividade parcial dos fatores. 2. e concluiu que a produtividade do cacau. a agropecuária brasileira. o que os autores verificaram realmente foi que a produção por hectare estava crescendo em função do aumento do preço da cana-de-açúcar. Entretanto. É bom enfatizar que a maioria dos estudos. Destacar-se-á. alguns trabalhos correlatos ao tema foram desenvolvidos. podem ter participado com menor intensidade deste processo. estes utilizaram-se do tema produtividade e agropecuária. sofre um processo de modernização. Como se pode observar. os Estados e regiões que não se moldavam às inovações. . é fruto das crises que se iniciam nos anos 40 e 50.1 Estudos regionais relacionados à produtividade que utilizaram indicadores parciais Dentre os estudos regionais relacionados à produtividade. foram desenvolvidos alguns estudos visando identificar alterações na produtividade da agropecuária brasileira. que se intensifica nos anos 70. a agropecuária brasileira sofreu grandes mudanças. Recentemente. surge a necessidade de verificação das conseqüências no desempenho produtivo da agropecuária. não trata a produtividade em um sentido global.vindas do exterior e das desenvolvidas internamente. que trataram das relações entre o preço da cana-de-açúcar e a produtividade desta cultura no Estado do Rio de Janeiro. Os autores concluíram que a produtividade da cana-de-açúcar era sensível ao aumento de preço da cultura. Entretanto.3. Os trabalhos que serão apresentados a seguir apontam deficiências similares. pois eles utilizaram o rendimento por hectare como indicador de produtividade. estava aumentando e que extratos muito grandes de terra apresentavam um menor rendimento. É importante salientar que alguns dos trabalhos não trataram diretamente sobre a questão de inovações e reflexos na produtividade. a partir da década de 70. pode-se destacar trabalhos como o de Pinazza e Noronha (1980). No próximo item serão apresentados os trabalhos relacionados ao tema. Trevisam (1984) desenvolveu um estudo que trata sobre o relacionamento entre a estrutura fundiária e a produtividade alcançada pela cultura do cacau no Estado da Bahia. alguns pesquisadores vêm desenvolvendo trabalhos visando a melhoria do dimensionamento das reais alterações de produtividade. a seguir. não devendo ter sido distribuído de modo uniforme no país. Frente às mudanças ocorridas no setor. apesar das dificuldades estruturais. Frente a este fato. a produtividade poderia não estar aumentando. além de analisar somente casos regionais.3 Estudos relacionados à produtividade e à agropecuária brasileira Como se pôde observar. Este problema persiste em todos os estudos que contemplam indicadores parciais em suas análises. Diante desta questão. sendo que o aumento da produção por hectare poderia ser fruto do crescimento da utilização de outros insumos.

Como se pode observar. pode-se citar o de Kageyma e Silva (1983). É ressaltado na análise que grande parte do crescimento ocorreu em função do aumento de produtividade. Os efeitos das políticas institucionais. como soja e laranja. como o desempenho insatisfatório da economia e cortes de incentivos ao setor. eles desenvolveram um modelo de análise baseado no índice da evolução da produtividade da terra de 1956 a 1983. foi estudado por Pereira e Lugnani (1991) e Pereira (1992). O autor considera como indicador de produtividade a produção por área. O objetivo dos autores era de conhecer os efeitos das condições climáticas adversas sobre a produtividade agrícola. Para alcançar tal objetivo. apesar de destacarem os limites desses indicadores. O autor usa indicadores parciais para comparar as diferentes regiões do Estado. Eles usam conceitos parciais de produtividade do trabalho e da terra para analisar o aumento do progresso tecnológico e o aumento da produtividade agrícola. Como já mencionado anteriormente. todos estes autores empregaram indicadores parciais de produtividade em suas análises. As diferenças de produtividade da terra e do trabalho entre microregiões homogêneas da agropecuária paranaense. que. no desempenho e na composição da produção agrícola paranaense. Mello (1990) investiga o crescimento não desprezível da agricultura brasileira na década de 80 frente a fatores adversos. 2. frente ao processo de modernização. Hoffamann e Jamas (1990) se fundamentaram em indicadores parciais de produtividade da . Os autores discutem o efeito do progresso técnico no crescimento da produtividade. Os autores utilizam indicadores parciais de produtividade para realizar a análise. em relação aos produtos destinados ao mercado interno. Caso isto ocorra. O autor destaca o crescimento mais acentuado dos produtos destinados ao mercado externo.Silva et al (1985) estudaram os efeitos das condições do tempo sobre a produtividade agrícola no Estado de São Paulo. A seguir serão expostos estudos de âmbito nacional que são baseados em indicadores parciais. como arroz e feijão. os indicadores parciais de produtividade não devem ser confundidos com a produtividade da agropecuária. com uma visão marxista. no período de 1975 a 1970. Avaliando a agricultura brasileira frente à sua estrutura de produção. Os autores utilizaram a produtividade da terra no auxílio à análise de desempenho. Albuquerque e Nicol (1987) desenvolvem um trabalho fazendo comparações da produtividade da agricultura brasileira em relação à de outros países.3. neste trabalho. Para analisar o desempenho produtivo agropecuário de 332 microregiões do Brasil. pode-se estar incidindo no erro de superestimar ou subestimar os aumentos de produtividade. Silva (1983) baseia-se em indicadores parciais para explicar o comportamento dos diferentes extratos de produtores que compõem esta estrutura. que existiam grandes variações de produtividade entre as microregiões. e o aumento das possibilidades da exploração do trabalho.2 Estudos em âmbito nacional relacionados à produtividade e indicadores parciais Dentre os estudos voltados à análise da produtividade da agropecuária brasileira. Foi verificado. se apoiam no aumento de produtividade para discutir a transformação do emprego na agricultura. foi analisada por Guerreiro (1996).

em seu cálculo. considerando indicadores de PTF. conhecendo os limites dos indicadores parciais de produtividade. fertilizantes. defensivos agrícolas. como é o caso do objeto de estudo. foram desenvolvidos alguns estudos que trataram a questão em um sentido mais amplo. Os autores também pretendiam avaliar o papel da pesquisa agropecuária. . Os autores desses trabalhos. pode-se destacar o trabalho de Ávila e Evensom (1994). principalmente a desenvolvida pelo sistema EMBRAPA15. Na tentativa de minimizar a deficiência das medidas parciais. no terceiro capítulo. alguns estudos nesse sentido vêm sendo desenvolvidos visando a análise das alterações da produtividade da agropecuária brasileira. pretendia-se averiguar se os aumentos de produtividade poderiam ser explicados pelo desenvolvimento das pesquisas. apresentam resultados mais próximos da realidade. O autor ainda destaca que. para encarar desafios da competição internacional. A taxa anual de crescimento da PTF encontrada foi de 2. que consideram a PTF. a utilização do preço de insumos e produtos como fator homogeneizador. para o período de 1970 a 1985. principalmente a gerada pelo sistema EMBRAPA. Os insumos utilizados eram: força de trabalho. Estes trabalhos serão analisados no próximo item. os autores trabalharam com o valor agregado do trabalho na produção agropecuária. A produção considerada na análise foi composta pelos principais produtos da agropecuária brasileira. como a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Dentre estes. Os índices de produtividade (PTF) foram construídos com base no índice de Tornqvist. Recentemente. 2. como mencionado. significativa. o qual. tentam apresentar um tratamento mais adequado à questão de mensuração da produtividade. Desta forma. apesar da melhoria. e com o valor agregado por hectare cultivado.3 Abordagens nacionais sobre a produtividade considerando indicadores PTF Os estudos relacionados à produtividade. no geral.3.45%. apontaram aumento de produtividade. Os dados utilizados para a construção dos índices de produtividade foram extraídos dos censos agropecuários do IBGE. Baseando-se em indicadores parciais. A partir desta taxa. nas alterações de produtividade. que tinha como objetivo analisar as mudanças da produtividade na agropecuária brasileira durante o período de 1970 a 1985. os autores relacionam o crescimento da produtividade com a pesquisa agropecuária. face à análise de ambientes complexos. os indicadores parciais de produtividade podem levar a resultados distorcidos. tratores. rações. O estudo de Valente (1994) trata do desempenho da agricultura brasileira no período compreendido entre 1975 a 1993. ele conclui que o desempenho produtivo dos anos 80 foi um pouco superior do que o verificado no início da década seguinte. Os resultados. Como já evidenciado anteriormente. Os preços dos produtos e dos insumos foram coletados dos Censos e de outras fontes secundárias. Os resultados demonstram que a pesquisa contribuiu para o crescimento da PTF. vacinas e medicamentos. ainda é preciso ser mais produtivo. área utilizada para produção. requer. A característica comum destes trabalhos apresentados é que em todos foram utilizados indicadores parciais de produtividade em suas análises para explicar alguma situação ocorrida na agropecuária brasileira. Diante da relevância do problema e da importância de uma análise mais acurada sobre a produtividade da agropecuária brasileira.terra e do trabalho. da produtividade da agricultura em relação a década de 70.

0%. considerando a produtividade total dos fatores. ou cresceu 25. como se está considerando o valor produção pelo valor dos insumos utilizados. pode interferir no resultado da análise. também apresenta certas limitações. ou dos deflatores utilizados. a pesquisa agropecuária vem a contribuir. por exemplo. Este fato não pode ser corrigido por uma simples correção de preços. O indicador de produtividade utilizado não apresentava a possibilidade de desmembramento das mudanças de produtividade em mudanças tecnológica e alterações no indicador de eficiência. 1984)". ceteris paribus. ou seja. . tenhamos razões objetivas e fortes para rejeitar um ou outro resultado. poderíamos concluir alternativamente que o valor agregado da agricultura brasileira entre 1975 e 1980 decresceu 3. conseqüentemente. haveria um crescimento do índice de produtividade. ( Kageyama e Hoffmann. em primeira instância. Os autores o iniciam destacando a importância do tema e a pequena quantidade de trabalhos direcionados à questão. como comentam Kageyama e Hoffmann (1984). passou por sérios problemas inflacionários no período da análise. Outro problema relacionado à utilização de preços está ligado a fatores conjunturais da economia.9%. principalmente. representaria um aumento do valor total da produção em moeda nacional e. se nos reportamos aos dados das Contas Nacionais. é importante observar que o índice de PTF. Os autores fazem a seguinte colocação: " Assim. a simples mudança da fonte de preço. Como foi definido. Neste trabalho também foram desenvolvidos os indicadores parciais da terra e do trabalho. Desta forma. sem que. foi o de Gasques e Conceição (1997). as elevadas taxas de inflação deixam os resultados extremamente sensíveis à escolha de um deflator. No caso da utilização dos preços dos insumos e produtos. fato este que poderia repercutir em aumento de produtividade sem que exista um real crescimento da relação produto/insumo. Outro trabalho que analisou a evolução da produtividade da agropecuária brasileira. Na seqüência. Tendo os autores do trabalho estas informações à disposição. relacionando o papel das pesquisas nas mudanças de tecnologia. como salientado no terceiro capítulo. a análise de produtividade pode sofrer a influência de fatores econômicos. utilizado pelos autores. é influenciada por fatores como a evolução tecnológica e as mudanças no indicador de eficiência. uma relação física. eles poderiam detalhar mais a análise. Entretanto. no período de 1976 – 1994. Por exemplo. Deste modo. eles criticam os indicadores parciais de produtividade e ressaltam o objetivo de avaliar a evolução da produtividade total dos fatores da agropecuária brasileira. 242. a produtividade é uma relação produto/insumo. tendem a apresentar resultados muito mais próximos da realidade. uma desvalorização cambial poderia representar um aumento do valor dos produtos relacionados ao mercado externo. Tendo que um fato econômico. Nesse caso. ao invés da produtividade parcial. no caso. No caso da utilização dos preços como fator do cálculo do índice de produtividade. a agropecuária brasileira. para as alterações de tecnologia de produção. como a necessidade de utilização de preços dos produtos e insumos e o não detalhamento das causas das mudanças de produtividade. a análise pode ser prejudicada de algumas formas. p. Outra limitação dos indicadores de PTF utilizados pelos autores reside no fato de que a produtividade.Como destacado por Gasques e Conceição (1997) os trabalhos que consideram a produtividade total dos fatores. se adotarmos os dados dos Censos deflacionados pelo Índice de Preços Recebidos pelos Agricultores (da FGV). desvalorização cambial. Uma acontece quando está se estudando uma série temporal e o objeto de estudo.

utilizados pelos autores. segundo eles. conforme os autores. e de 3. Todos os dados foram obtidos com periodicidade anual. Os autores. Os dados foram conseguidos junto às publicações Produção Agrícola Municipal (PAM) e Produção Pecuária Municipal (PPM) do IBGE. é evidente a dificuldade de obtenção dos preços de insumos importantes para a análise.. a mudança no indicador de eficiência também pode interferir no crescimento da produtividade. pois. entre 1986 e 1994. Os problemas relacionados ao estabelecimento de preços de certas variáveis da análise também ficam evidentes. E como se mencionou. Fato que pode levar a sérias distorções nos resultados. apresentarem resultados mais consistentes que os indicadores de PPF. exibidos pela análise. temporária e permanente. o que é preocupante devido a mesma ainda não se encontrar em um patamar elevado de utilização de tecnologias. frente à dificuldade de obtenção de informações. obtidas na mesma fonte. sendo que os preços dos produtos foram obtidos junto ao IBGE e à FGV. O período de 1976 a 1994 apresentou a taxa média de 3. máquinas e terra. refere-se ao número de unidades vendidas. que foi apresentada pela agropecuária brasileira. A alternativa encontrada pelos autores foi utilizar as informações sobre o faturamento líquido definido pela Associação Nacional de Veículos Automotores (ANFAVEA) como sendo a soma das vendas de máquinas e peças de reposição. essa queda pode ocorrer em função da redução do crescimento do progresso tecnológico na agropecuária. o custo ou preço foi obtido pela multiplicação do ponto médio de cada classe de rendimento pelo número de pessoas ocupadas na classe de rendimentos.O produto utilizado na análise foi obtido através da agregação das lavouras. A quantidade de máquinas. A agregação dos insumos e produtos. segundo os autores. Como se observou. sendo as informações encontradas na PAM. Os insumos fertilizantes e defensivos têm seus preços facilmente encontrados no mercado. por sua vez. publicado pela FGV. As informações relativas ao preço das máquinas também apresentaram dificuldades de quantificação. e os insumos intermediários: fertilizantes e defensivos. No caso da mão-de-obra. na análise do trabalho anterior. As terras utilizadas pela pecuária não foram consideradas devido à pequena quantidade de informações disponíveis. foram de 4.5% a. Os índices médios de crescimento da PTF. "mesmo sem saber se este existe". Os insumos considerados na análise foram mão-de-obra. Essa. foi a forma mais viável de cálculo do preço da mão-de-obra. pura e exclusivamente. O fator terra foi composto pela área de lavouras temporária e permanente.. apesar dos indicadores de PTF. os autores basearam seus indicadores no índice de Tornqvist.. O não conhecimento das causas das mudanças de produtividade também se faz presente neste trabalho.a.11% a. e dos produtos de origem animal. A obtenção do preço da terra se deu pela utilização do preço médio dos arrendamentos de terra para a lavoura.88% a. sendo que os autores atribuem as causas do aumento de produtividade. ainda persistem os problemas relacionados à utilização de preços dos produtos e insumos. já que os pesos das variáveis que são obtidos através dos preços podem não estar sendo representados da melhor . ocorre por intermédio dos preços das variáveis. entre 1976 e 1985. demonstram certo grau de preocupação com a tendência de crescimento a taxas decrescentes.a. Como destacado há pouco.a. ao progresso técnico. diante dos resultados. A metodologia utilizada para o cálculo dos indicadores de produtividade total dos fatores foi a mesma utilizada por Ávila e Evenson (1994). ou seja.

forma. O Brasil possui um extenso território com relativa variedade de climas. 2. como a área destinada à pastagem. seria possível verificar se houveram diferenças de crescimento da produtividade entre Estados e regiões. era impossível usar mais de um insumo ou mais de um agregado de insumos. não temos grandes problemas climáticos que nos impeça a prática agrícola. Desta forma. auxiliando as políticas para sanar as possíveis distorções regionais existentes. predominantemente quentes. Há dificuldades em se obter uma grande produção de gêneros de climas de temperaturas moderadas com custos aceitáveis. A análise também perde em qualidade quando insumos importantes. de uma maneira geral. Pereira et al (1998a) e Pereira et al (1998b) iniciaram um trabalho visando minimizar estes problemas. É interessante salientar que os trabalhos apresentados utilizaram indicadores de PTF. pois poderiam ser utilizados agregados de produtos ou insumos similares. Fato este que poderia melhorar os resultados da análise. não podem ser considerados devido à falta de informações. Entretanto. Posteriormente. A produtividade da agropecuária brasileira foi analisada somente no âmbito nacional. tendo o fator preço como homogeneizador. A Agropecuária no Brasil A atividade da agropecuária pertence ao setor primário da economia. No próximo capítulo serão apresentadas as considerações teóricas sobre produtividade e evolução tecnológica e ainda as formas de quantificação destas questões. trabalhando com um agregado de produtos e um agregado de insumos. o . Mas. que nos permite o cultivo de quase todos os produtos em larga escala. alguns de grande fertilidade como a terra-roxa. infelizmente. Encontramos vários tipos de solos no país. Destacou-se ainda o seu processo de modernização. pelo emprego de aproximadamente 1/5 da PEA. Seria interessante que existissem resultados desagregados relativos aos Estados e regiões. ou ainda utilizar mais de um produto ou mais de um agregado de produtos. foram exibidos os estudos relacionados à produtividade e ao setor agropecuário e as limitações apresentadas por estes. bem como a sua importância para a economia brasileira. inundações de verão em algumas porções do território nacional e secas prolongadas especialmente no Sertão. não possui renda suficiente para um bom padrão alimentar) e pela produção de matérias-primas para vários setores industriais e energéticos. consequentemente. pela produção de alimentos para uma população numerosa (com uma parcela que.4 Considerações finais Neste capítulo foi apresentada uma síntese da evolução histórica da agropecuária brasileira. mesmo tendo os preços como ponderador. Apesar de não ser mais a atividade de maior importância na economia brasileira continua se destacando pela significativa participação em nosso comércio exterior. Enfrentamos problemas de geadas no Sul e Sudeste durante o inverno.

*laterização – constitui na formação de uma crosta ferruginosa endurecida próxima à superfície do solo pela concentração de óxidos de ferro e alumínio. É causado pela ação do clima. os solos possuem baixa fertilidade ou problemas como acidez elevada. para produzirem satisfatoriamente. acentua-se esse processo. *erosão e esgotamento do solo – provoca a destruição física do solo e a perda de sua qualidade. Os solos constituem um importante recurso natural que deve ser preservado através de técnicas conservacionistas. pela retirada da vegetação. predatórias e prejudiciais ao solo: desmatamento (especialmente junto às margens dos rios). Mas é agravado pelo uso de técnicas agropecuárias incorretas. na África). quando então o solo se esgota e parte-se para outra área. realizando-se o mesmo procedimento. A recuperação de um solo pode ser demorada e muito cara. Ocorre em áreas de clima tropical em que se alternam uma estação chuvosa (dissolução desses óxidos) e seca (quando esse material se acumula próximo à superfície e forma a crosta). com procedimentos muito simples e de caráter itinerante: retira-se uma porção da mata. retirando-se as partículas que formam o solo. seus constituintes minerais e orgânicos.massapé e o solo de várzea ou aluvial. Sistemas de produção na agricultura A agricultura pode ser praticada de diversas formas com um conjunto de características que passamos a apresentar a seguir: Sistema extensivo técnicas simples mão-de-obra desqualificada abundância de terras baixa produtividade rápido esgotamento dos solos Esse sistema é característico de regiões com grandes extensões de terras vazias e de menor grau de desenvolvimento. misturam-se as cinzas ao solo e se realiza uma monocultura sem maiores cuidados por um breve período de dois a três anos. necessitam da aplicação de adubos. entre caboclos e indígenas). Nele podemos incluir uma simples roça (como na Amazônia. em muitas áreas do território brasileiro. realiza-se uma queimada para limpeza do terreno. Mas. em áreas com chuvas intensas. Em algumas áreas o processo de desertificação avança sobre áreas que antes produziam alimentos (ex: sahel. Alguns problemas específicos também afetam os solos do Brasil: *lixiviação – constitui no empobrecimento dos solos em regiões de climas muito úmidos com chuvas freqüentes que através do escoamento superficial retiram o material fértil do solo. grandes parcelas de solo são sistematicamente destruídas em todo o mundo. Muitos solos do país. excesso de animais sobre o solo e excesso de peso sobre o mesmo. . Infelizmente. Quando desprotegido. cultivo seguindo a mesma linha do declive do terreno (sem a aplicação das curvas de nível e/ou terraceamento). monocultura sem os cuidados necessários (reposição do material fértil ao solo). corretivos químicos e fertilizantes. Quando em estágio avançado provoca a formação de sulcos profundos denominados voçorocas.

geralmente com maior ocupação humana e com o uso de pequenas e médias propriedades. Sistemas de produção na pecuária Podemos também pensar nas características dos sistemas de criação de animais que lembram muito as características acima citadas. São comuns a prática da policultura e pecuária leiteira através desse sistema. . especialmente produzindo para abastecimento do mercado interno. bem como o serviço de técnicos agrícolas e agrônomos. Sistema Extensivo grandes propriedades gado criado a solta sem cuidados veterinários raças simples uso de pastagens naturais baixa qualidade e produtividade destinado ao corte Sistema Intensivo Pequenas e médias propriedades Criação confinada em estábulos ou currais Cuidados veterinários Raças selecionadas e aprimoradas Uso de pastagens cultivadas Rações balanceadas Alta qualidade e produtividade Destinado à produção de leite Evidentemente essa classificação e características são de natureza bem didática. Plantation grandes áreas técnicas modernas muita mão-de-obra elevada produtividade monocultura agroindústria/exportação Esse sistema passou a ocupar grandes áreas em países subdesenvolvidos ocupando seus melhores solos. observa-se uma rápida evolução qualitativa nas técnicas de criação. com a modernização progressiva e exigências cada vez maiores do mercado. por vezes. Está principalmente voltada para o mercado externo. mas na prática é muito comum que se combinem características dos dois sistemas e. principalmente temporária (o bóia-fria ou trabalhador volante). Os pecuaristas têm se preocupado em acompanhar as tendências desse mercado muito competitivo. Aplica a mecanização quando possível (lembre-se que não é todo cultivo que permite mecanização). Mesmo assim utiliza muita mão-de-obra (trabalha com propriedades. com milhares de hectares de extensão).Sistema intensivo técnicas modernas mão-de-obra qualificada terras exíguas alta produtividade conservação dos solos É um sistema característico de regiões de maior desenvolvimento.

. Melhorar o padrão de cultura da população é importante e. *crédito rural e preços mínimos – para que o agricultor possa produzir ele precisa de uma linha de financiamentos. *grileiro – falsifica títulos de propriedade e vende terras que também não são suas Problemas enfrentados pela agropecuária no Brasil: *reduzido aproveitamento dos espaços disponíveis – muitas terras no Brasil não apresentam qualquer forma de utilização. A mecanização e o uso de técnicas modernas permite um aumento da produtividade. com juros reduzidos. estocagem e transporte). para fazer frente aos gastos tanto no plantio (sementes. Deve ser introduzida de maneira planejada e deve ser estimulada como uma forma de permitir ao produtor a competitividade para sobreviver no mercado. ferramentas. desde que não se concentre apenas em uma prática de subsídios que onerem o Estado e dificulte a capacidade de evolução da competitividade da agropecuária brasileira (como ocorre em países europeus). Na última década o Brasil conseguiu evoluir nessa questão e além disso tem aumentado o percentual de agricultores capitalizados o suficiente para bancar seu próprio empreendimento. *nível de mecanização – o avanço da mecanização na agricultura vem ocorrendo especialmente no Centro-Sul do país. *arrendatário – aquele que paga um aluguel ao proprietário pelo uso da terra. traz problemas como um desemprego acelerado no campo e até mesmo intensificação da erosão do solo. irracional.). *posseiro – aquele que utiliza terras que encontra vazias para uma produção de subsistência. *baixo nível de instrução e cultura do agricultor – grande parte dos que trabalham na terra tem um nível de instrução muito baixo.Formas de exploração da terra As propriedades agropecuárias podem ser exploradas diretamente pelo proprietário ou indiretamente pelo: *parceiro ou meeiro – aquele que utiliza as terras do proprietário e divide com este a produção obtida. embalagens. fertilizantes. . mão-de-obra. traz segurança e tranqüilidade ao produtor. combustível. justa. adubos. Parte do crescimento de nossas safras agrícolas tem dependido da incorporação de novos espaços a esse setor produtivo mas ainda podemos ampliar e muito o espaço agrícola do país.. Ocupa terras que não são suas. A sua aplicação indiscriminada. o volume de recursos à disposição para o agricultor não tem conseguido atender a todos e muitas vezes foi mal distribuído e desviado de suas reais finalidades (construção de hotéis-fazenda. piscinas em mansões rurais. no caso do agricultor é necessário que ele possa evoluir também em seus conhecimentos técnicos para que deixe de utilizar técnicas antiquadas que contribuem para a baixa produtividade e desgaste do solo. A adoção de uma política de preços mínimos. é o ocupante. no Brasil. ou são mesmo analfabetos. mão-de-obra) como na colheita (máquinas. equipamentos de irrigação. Historicamente.

*distribuição de terras – historicamente o modelo econômico adotado pelo Brasil e as legislações criadas favoreceram a formação de grandes propriedades através de um processo de concentração de terras. A desapropriação de terras improdutivas que não estejam cumprindo sua função social está sendo feita. consolidando-se no Centro-Sul do país e estendendo-se pelo Nordeste e Amazônia. por exemplo). Preocupada com o aumento da produtividade. com falta de silos e armazéns. A grilagem de terras contribuiu para agravar a revolta social no campo brasileiro. A formação de grupos armados por fazendeiros para proteção de suas terras (legais ou griladas) e a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras contribuíram para definir um quadro de violência e ilegalidade nas áreas rurais. Ao mesmo tempo em que avança a execução do PNRA (ainda que não seja a Reforma Agrária desejada por alguns setores da sociedade) avança a moderna produção agroindustrial. não precisaria escoar toda a sua produção imediatamente para o mercado e poderia conseguir um melhor preço posteriormente. Em 1985. a necessidade pela execução de uma reforma agrária no país foi se tornando urgente e inadiável. treinamento e qualificação de mão-de-obra. Além disso. assim como a redistribuição de terras. organizados ou não. com a melhoria da qualidade na . Caso ele tivesse acesso a uma capacidade maior de armazenagem. Mas ainda permanecem problemas na armazenagem (deficiente e/ou insuficiente. muitas vezes massacrados na luta com os brancos. transporte e comercialização da produção. incluindo-se aí a invasão de terras indígenas. de responsabilidade do Estado. muitas vezes inapropriados para guardar a safra) e no transporte inadequado.a safra agrícola tem conseguido recordes de produção. Juntam-se a todos esses atores alguns setores progressistas da Igreja e grupos políticos ideologicamente de uma esquerda mais radical (revolucionários) que também defendem seus pontos de vista e interferem na questão. é importante frisar que uma Reforma Agrária não pode parar simplesmente no ato de redistribuição de terras. nem sempre os recursos suficientes para uma intensificação desse processo. Os que permaneceram no campo engrossaram movimentos sociais. estímulo à formação de cooperativas e criação de centros de apoio para armazenagem. o que leva a perdas significativas da colheita e a prejuízos ao agricultor. assim como a presença de posseiros preocupados com sua sobrevivência e de sua família. o governo de José Sarney cria o Ministério da Reforma Agrária e a Constituição promulgada em 1988 contempla um Plano Nacional de Reforma Agrária. O ritmo dessa reforma é contestado por alguns que a julgam lenta e tímida. A atuação do INCRA durante os governos militares preocupou-se mais com a colonização agrícola de áreas vazias do território nacional (como a Amazônia) do que com a redistribuição de terras. Vale lembrar que existem interesses conflitantes nessa questão e. Assim. enquanto se incentivava também a ocupação do cerrado por grandes propriedades exportadoras (como a produção de soja. no início de redemocratização do país. Nas últimas décadas a continuidade desse processo associado à modernização agrícola (expansão da mecanização) e à pressão por uma agricultura cada vez mais capitalizada expulsou muitos trabalhadores do campo que se dirigiram para as cidades no movimento migratório do êxodo rural.*armazenamento e transporte . conflitos e mortes nas áreas rurais. mas deve garantir condições mínimas para que o camponês pobre possa produzir: linhas especiais e subsidiadas de financiamento. multiplicando-se casos de invasões de propriedades.

Minas Gerais é o maior produtor nacional. especialmente para o próprio mercado norte-americano. Estamos apresentando aumento no total colhido. As áreas mais recentes de produção estão no Centro-Oeste e Amazônia. São Paulo é o líder da produção nacional. Foi o cultivo de maior expansão nas últimas décadas do século XX.produção agropecuária e com ganhos de competitividade busca expandir seus mercados externos e enfrenta a prática protecionista de muitos mercados como o europeu e o norteamericano. controle rigoroso do rebanho e até mesmo o polêmico cultivo de trasngênicos. de amplo consumo interno. muitas vezes com produção insuficiente para abastecê-lo. a principal área de produção é o sul da Bahia. É cultivado em simples roçados e também em grandes propriedades mecanizadas. na região de Ilhéus e Itabuna. informatização no campo. *laranja – o Brasil disputa com os EUA a liderança mundial e é grande exportador. *trigo – talvez o maior problema em nossa produção agrícola porque 2/3 do mercado interno continuam sendo abastecidos com o trigo importado da Argentina e EUA. não só pelas pessoas mas também utilizado como ração animal. Grande parte da produção é exportada no momento de entressafra para os países do hemisfério norte. É grande produtor mundial de vários produtos. *uva – destaca-se a área de produção das Serras Gaúchas. com destino para a produção de vinho. rebanhos melhorados. *café – o Brasil continua sendo o maior produtor e exportador mundial e procura atualmente melhorar a imagem de qualidade do café que produz e exporta para conquistar novos mercados mais seletivos. especialmente na indústria têxtil. *algodão – a produção é crescente para um mercado interno também em expansão. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais. O Centro-Oeste tem se tornado a principal área de cultivo. No entanto. *soja – o maior produto agrícola de exportação do país. Principais produtos agrícolas O Brasil apresenta atualmente uma produção agrícola muito diversificada. o maior produtor nacional. pesquisas agropecuárias. bem como melhoria de . *cana – o Brasil também costuma aparecer como o maior produtor mundial e um grande exportador de açúcar. Observe o mapa com a produção agrícola e veja alguns destaques: *milho – é o principal produto de nossa agricultura. invadindo o Centro-Oeste e até a Amazônia. pode ser encontrado do sul ao norte do país. a grande expansão da cana a partir de meados da década de 1970 se deveu a criação do Pró-álcool que levou a cana a ocupar grandes extensões no Estado de São Paulo. O Brasil chega a ser o maior produtor ocidental desse gênero agrícola. mas com uma produtividade menor e a um custo mais elevado. Essa moderna agropecuária tem se preocupado com o uso progressivo de sementes selecionadas. Cultura afetada pela praga da vassoura-de-bruxa que levou produtores do cacau a partirem para outros empreendimentos. com maior produção no Centro-Sul do país. O problema de geadas em terras paulistas e paranaenses deslocou esse cultivo mais para o norte. *cacau – com dificuldades para manter posição de destaque no mercado externo. Novas áreas de produção em climas mais quentes permitem um aumento da colheita do trigo no país. *arroz – importante alimento para abastecer o mercado interno. com destaque para o Mato Grosso.

qualidade, indispensável para vendas externas de vinho. Além desses produtos podemos lembrar do feijão (MG-SP), importante alimento para o mercado interno, a mandioca, a banana (Vale do Ribeira) além da maior produção de frutas tropicais. Principais rebanhos brasileiros A pecuária brasileira começa a ser reconhecida como de boa qualidade. Os investimentos que estão sendo progressivamente realizados para livrar o rebanho de doenças como a febre aftosa e o comprometimento de rebanhos na Europa (como o mal da vaca-louca) têm levado a ampliação de alguns e a conquista de novos mercados de exportação (analistas indicam que o Brasil deve se tornar o maior fornecedor internacional nos próximos dez a quinze anos). Os principais rebanhos brasileiros são os de bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Observe o mapa com a distribuição geográfica dos principais rebanhos no Brasil: *bovinos – na pecuária de corte destacam-se as regiões dos Pampas Gaúchos, oeste paulista e Triângulo Mineiro. Pecuaristas de outras áreas de criação preocupam-se em melhorar a qualidade de seu rebanho. Na pecuária leiteira podemos destacar Minas Gerais (várias áreas de criação, especialmente o sul do Estado), São Paulo (Vale do Paraíba, São João da Boa Vista, Araras, Mococa) e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba e norte do Estado); *suínos – apresenta significativos ganhos de qualidade e especialização (mais carne e menos gordura, melhor higienização nos locais de criação, cuidados veterinários, selecionamento dos animais) o que tem permitido a busca de um aumento nas exportações dessa carne; *ovinos – o Brasil não tem destaque mundial. A maior parte do rebanho é encontrada no Rio Grande do Sul; *caprinos – também sem grande destaque mundial é uma criação que está evoluindo qualitativamente. Boa parte do rebanho, rústico, pode ser encontrada na Região Nordeste. Podemos também destacar o rebanho de eqüinos, especialmente em Minas Gerais e bubalinos (Ilha de Marajó, Pantanal e Vale do Ribeira). O Brasil parece apresentar condições favoráveis para a criação de búfalos e pode se tornar um grande criador mundial. O Brasil tem um dos maiores rebanhos de asininos e muares e é um dos maiores criadores de aves no mundo.

Estrutura Fundiária e os Conflitos de Terra
Alimentar com seus frutos é o que a agricultura brasileira vem fazendo há mais de quatro séculos, infelizmente sem a harmonia sugerida pela letra da bela canção transcrita ao lado. Como vimos, a agricultura brasileira sempre esteve entre as principais atividades econômicas do país. Mas o Brasil não se tornou uma potência agrícola, pois alguns dos maiores problemas sociais brasileiros estão centralizados no campo, como a estrutura fundiária marcada pela concentração de terras, os conflitos pela posse da terra e as relações desiguais de trabalho. Uma distribuição Irregular de terras

À forma como as propriedades rurais estão distribuídas, segundo suas dimensões, denominamos estrutura fundiária. A principal característica da estrutura fundiária brasileira é o predomínio de grandes propriedades. As origens dessa distribuição desigual de terras em nosso país estão em seu passado colonial. As capitanias hereditárias, que inseriram o Brasil no sistema colonial mercantilista, foram os primeiros latifúndios brasileiros: a colônia foi dividida em quinze grandes lotes entre doze donatários. A expansão da lavoura açucareira no litoral manteve o latifúndio como uma de suas características, ao lado da monocultura e da escravidão da mâo-de-obra africana no sistema de plantation voltado para a exportação. Portanto, a ocupação das terras brasileiras aponta para uma acentuada concentração de terras. Foi a Lei de Terras, promulgada em 18 de agosto de 1850, que praticamente instituiu a propriedade privada da terra no Brasil, Ao determinar que as terras públicas ou devolutas (ociosas) só poderiam ser adquiridas por meio de compra, essa lei limitou o acesso à posse de terras a quem tivesse recursos para satisfazer essa condição. Dessa forma, imigrantes europeus recém-chegados, negros libertos e pessoas sem recursos ficaram sem direito às terras livres, que foram compradas por abastados proprietários rurais. Com o passar do tempo, essa desigual distribuição de terras acabou gerando conflitos cada vez mais violentos e generalizados entre proprietários e não proprietários. As décadas de 1950e 1960 marcaram o surgimento de organizações que lutavam pêlos direitos dos trabalhadores rurais. Entre elas, podemos citar as ligas camponesas e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Campo (Contag). Membros do regime militar (1964-1985), preocupados com o descontentamento social no campo, elaboraram um conjunto de leis para tentar controlar os trabalhadores rurais e acalmar os proprietários de terras. Essa tentativa deu-se através de um projeto de reforma agrária para promover uma distribuição mais igualitária da terra, que resultou no Estatuto da Terra, cujos pontos principais veremos a seguir. Em 1993, durante o governo do presidente Itamar Franco, a Lei n" 8 629 reafirmou que a terra tem de cumprir uma função social. Foram definidos novos conceitos referentes às dimensões e classificações dos imóveis rurais. Com base no conceito de módulo rural foi utilizado o conceito de módulo fiscal. Segundo o Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, entende-se por módulo fiscal a unidade de medida expressa em hectares, fixada para cada região, considerando os seguintes fatores: - Tipo de exploração predominante no município. - Renda obtida com a exploração predominante. - Outras explorações existentes no município que, embora não sejam predominantes, são significativas em função da renda e da área utilizada. - Conceito de propriedade familiar, O tamanho do módulo fiscal varia de região para região, pois depende de alguns fatores, como as características do clima de cada área ou região. Ainda, segundo a Lei n° 8 629, ficou assim a classificação dos imóveis rurais quanto ao tamanho: - Minifúndio. O imóvel rural com área inferior a um módulo fiscal. - Pequena propriedade. O imóvel rural de área compreendida entre um e quatro módulos fiscais. - Média propriedade. O imóvel rural de área superior a quatro e até quinze módulos fiscais. - Grande propriedade. O imóvel rural de área superior a quinze módulos fiscais. Características da estrutura fundiária brasileira

A análise dos dados expressos nos gráficos abaixo nos mostra as principais características da estrutura fundiária no Brasil. Existe uma absurda concentração de terras em nosso país, onde poucos latifúndios ocupam a maior parte da área total brasileira e o grande número de minifúndios não chega a ocupar 2% dessa área. Como consequência temos um grave quadro socioeconômico: - Poucas propriedades rurais (43 956) com 1000 hectares ou mais concentram mais de 50% da área total do país. Geralmente, uma grande concentração fundiária pode gerar terras ociosas e improdutivas porque seus donos aguardam melhores preços para arrendá-las ou vendê-las (estão concentradas nas regiões Norte e Centro-Oeste). - Muitas propriedades rurais (947 408) não chegam a possuir 2% da área total, inviabilizando, muitas vezes, o plantio de algum produto. A despesa com sementes pode ser maior que o montante obtido com a colheita. - Êxodo rural como consequência da mecanização em algumas grandes propriedades rurais no Centro-Sul e entre os pequenos proprietários, porque produzem pouco, ficam endividados e não têm capital para investir. - Aumento do número de desempregados e subempregados que migram para as periferias das cidades e acabam ocupando áreas de mananciais. E o fato mais grave: o aumento dos conflitos sociais no campo. Mais de 50% dos conflitos de terra no Brasil ocorrem, respectivamente, nas regiões Nordeste e Norte. São regiões de grande concentração de propriedades rurais e de imóveis improdutivos, onde muitas vezes a polícia é mal preparada e mal equipada e os latifundiários impõem sua vontade às leis. Porcentagem da área improdutiva por região Outro triste exemplo da violência no campo são os assassinatos ocorridos entre 1986 e 1996, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Incra e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Soma-se a esse quadro brutal e desumano o uso improdutivo de muitas propriedades rurais que geram o ciclo: êxodo rural – desemprego -violência. A porcentagem dos imóveis improdutivos no Brasil mostra a necessidade urgente de uma política agrícola e de uma reforma agrária que contemple os trabalhadores rurais excluídos. As relações de trabalho no campo Geralmente encontramos entre os trabalhadores rurais brasileiros baixos indicadores socioecon&micos, como elevada natalidade, elevado analfabetismo, pequena qualificação profissional e baixa remuneração. Além disso, eles sofrem com a falta de cumprimento da legislação trabalhista por parte de alguns patrões e o elevado número de acidentes com ferramentas, como facões. Quanto mais distantes das principais cidades e capitais, mais tensas são as relações sociais no campo. O trabalho assalariado temporário é a forma predominante no Brasil. O predomínio do trabalho assalariado é consequência do processo capitalista (capitalização da atividade agrícola) que, por um lado, aumenta a produtividade rural (máquinas, irrigação, sementes selecionadas) e, por outro, dispensa o trabalhador residente ou permanente (aumento do número de assalariados). Tivemos no Brasil uma grande redução das modalidades tradicionais de trabalhadores rurais (permanentes, residentes, colonos e parceiros) e o

aumento de trabalhadores temporários sem vínculo empregatício. Geralmente, eles recebem no fim do dia pelo serviço prestado, trabalhando no plantio ou na colheita de canade-açúcar, laranja ou café. Moram na periferia das cidades onde os aluguéis são menores. Recebem a denominação de peões na região Norte, corumbás, nas regiões Centro-Oeste e Nordeste e bóias - frias nas regiões Sul e Sudeste. Outras formas de trabalho no campo Trabalho familiar. Realizado geralmente nas pequenas e médias propriedades rurais de subsistência. A falta de capital para investir na lavoura e as secas periódicas têm aumentado o número de trabalhadores familiares que abandonam o campo e migram para as periferias das cidades, onde se tornam trabalhadores temporários. Uma exceção entre os trabalhadores familiares é encontrada nas áreas vizinhas dos grandes centros urbanos (cinturões verdes) porque conseguem vender sua produção para os centros de abastecimento, redes de supermercados, feiras livres e até em carros ou caminhões que percorrem as ruas dessas cidades. Arrendamento. Forma de utilização da terra destinada ao cultivo ou à pastagem, que o proprietário arrenda (aluga) a quem tem capital para explorá-la. E comum no interior de São Paulo um grande proprietário arrendar propriedades menores vizinhas para o cultivo da cana-de-açúcar. Parceria. Forma de utilização da terra em que o proprietário dispõe de sua terra para um terceiro (o parceiro) que a cultiva. Em troca, o parceiro entrega ao proprietário parte de sua colheita. A forma de obter a propriedade da terra fez surgir duas figuras que estão frequentemente envolvidas nos conflitos pela terra: o posseiro e o grileiro. Posseiro. Indivíduo que tem a posse da terra e nela trabalha sem, porém, possuir o título de propriedade. Grileiro. Pessoa que toma posse da terra de outros, usando para isso falsas escrituras de propriedade. O peão, trabalhador volante mais recente que o bóia fria, é muito utilizado nas regiões de fronteiras agrícolas, sobretudo em projetos agropecuários da Amazônia. É "contratado" por um intermediário (gato) para trabalhar em regiões distantes, com promessas de salários, alojamento e alimentação. Quando recebe o pagamento, aparecem os "descontos": custos de transporte, alimentação, hospedagem, etc., quase nada restando do seu salário, chegando, às vezes, a ficar devendo. Muitas vezes jagunços e pistoleiros são contratados para evitar a fuga de trabalhadores, reproduzindo uma situação de escravidão (peonagem).

EVOLUÇÃO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO, DESAFIOS E PERSPECTIVAS

Joaquim César Emanoel carlosadm2006@gmail.com

Carlos Barbosa

de

Lourenço Lima

o setor apresenta restrições e desafios que ameaçam sua permanência entre os maiores na atividade.eumed. além de elevada tecnologia utilizada no campo. podendo o país explorar melhor suas potencialidades. Crescimento econômico. energia solar abundante e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta. passing for the point where it had a bigger impulse ties to arrive at the prominence position that is of being one of the biggest world-wide powers of the agribusiness. being able the country to explore its potentialities better. por meio de uma pesquisa bibliográfica. (MAPA. faz-se mister ressaltar seus antecedentes históricos até o cenário atual.Resumo Este estudo teve por objetivo mostra como se deu a evolução do Agronegócio brasileiro. passando pelo ponto onde houve um maior impulso ate chegar à posição de destaque que é o de ser uma das maiores potências mundiais do Agronegócio. However the percipient ones of the agribusiness are sufficiently promising. o Brasil tem 388 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade. Logistic restriction. e como objetivos específicos mostrar a sua evolução. Today one of the biggest impediments for the deslanchamento of the sector is the logistic one of infrastructure of the country. Contudo as perceptivas do Agronegócio são bastante promissoras. Key Words: Agribusiness. identifying its situation in the world-wide scene. Economic growth. O artigo tem como objetivo geral identificar o cenário atual do agronegócio brasileiro. Todo esse cenário brasileiro atual do agronegócio enquadra-se em uma evolução que remonta ao século XVI. dados estes que fazem do agronegócio brasileiro um setor moderno. identificando a sua situação no cenário mundial. 2009. Com isso. O agronegócio brasileiro é uma atividade próspera. Apesar dos números positivos. o país possui 22% das terras agricultáveis do mundo. it was used of bibliographical boardings that the historical evolution demonstrates. chuvas regulares. Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato: Carlos Lourenço y Barbosa de Lima: "Evolução do agronegócio brasileiro. dos quais 90 milhões ainda não foram explorados. eficiente e competitivo no cenário internacional. desafios e perspectivas" en Observatorio de la Economía Latinoamericana. Número 118. since it presents many advantages of the natural and economic point of view. Hoje um dos maiores entraves para o deslanchamento do setor é a logística de infraestrutura do país. Although the positive numbers. O agronegócio é hoje a principal locomotiva da economia brasileira e responde por um em cada três reais gerados no país. no contexto mundial atual. Palavras-Chave: Agronegócio. Para isso. (BORGES. suas restrições e desafios. Texto completo en http://www. the sector presents restrictions and challenges that threaten its permanence enter the greaters in the activity. como celeiro mundial em termos de agronegócio. já que ele apresenta muitas vantagens do ponto de vista natural e econômico. Abstract This study it had for objective sample as if it gave the evolution of the Brazilian agribusiness. Restrição logística. Esses fatores fazem do país um lugar de vocação natural para a agropecuária e todos os negócios relacionados à suas cadeias produtivas.net/cursecon/ecolat/br/ Introdução O cenário atual aponta que o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. O Brasil situa-se. 2007). Segundo Rodrigues (2006). 2005). . segura e rentável. For this. Com um clima diversificado. utilizou-se de abordagens bibliográficas que demonstra a evolução histórica.

Na segunda parte. onde estão a compra. extrapolou os limites físicos da propriedade. empacotadores. com suas implicações sociais. que deu nome definitivo ao nosso País. Este conceito procura abarcar todos os vínculos intersetoriais do setor agrícola. com setores isolados que fabricavam insumos. as indústrias têxteis e calçadistas. têm fortes raízes junto ao agronegócio. deslocando o centro de análise de dentro para fora da fazenda. os negócios à montante (ou "da pré-porteira") aos da agropecuária. os fabricantes de fertilizantes. as propriedades rurais. 2004). inclusive o agricultor. baseada no plantio ou na criação de rebanhos e em grandes extensões de terra. A agricultura moderna. o agronegócio é um conjunto de empresas que produzem insumos agrícolas. estão os negócios à jusante dos negócios agropecuários. equipamentos. E. constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeiros ou camponeses) ou de pessoas jurídicas (empresas). está fortemente relacionada ao mercado consumidor. Histórico e Evolução do Agronegócio Brasileiro A história econômica brasileira. Em 1957. as indústrias agrícolas. se fundamentam na propriedade latifundiária bem como na prática de arrendamentos. No Brasil. os abatedouros. o Agronegócio é toda relação comercial envolvendo produtos agrícolas. defensivos químicos. quanto e de que como produzir. com a finalidade de levantar as dimensões básicas do agribusiness brasileiro. Há diferentes agentes no processo produtivo. Enquadram-se nesta definição os frigoríficos. segundo Batalha (2002). processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles'. é o conjunto de negócios relacionados à agricultura dentro do ponto de vista econômico. A definição correta de agronegócio é muito mais antiga do que se imagina e incorpora qualquer tipo de empresa rural. dois pesquisadores americanos reconheceram que não seria mais adequado analisar a economia nos moldes tradicionais. O termo inclui todos os setores relacionados às plantações e às criações de animais. ( WIKIPÉDIA. das operações de produção na fazenda. A ocupação do território brasileiro iniciada durante o século XVI e apoiada na doação de . supermercados e distribuidores de alimentos. 2009). via de regra. processavam os produtos e os comercializavam. representados pela indústrias e comércios que fornecem insumos para a produção rural.Agronegócio Agronegócio também chamado de agribusiness. essa abordagem sistêmica foi utilizada explicitamente por Araújo. Depende cada vez mais de insumos adquiridos fora da fazenda e sua decisão de o que. o transporte da produção e as atividades voltadas à distribuição. com seus elos entrelaçados e sua interdependência. o que correspondia ao equivalente a 32% do PIB brasileiro em 1980. o agronegócio como sendo 'a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas. No Brasil o termo é usado quando se refere a um tipo especial de produção agrícola. as empresas de processamento e toda a distribuição. médios ou grandes produtores. Foi à exploração de uma madeira. Costuma-se dividir o estudo do agronegócio em três partes. beneficiamento e venda dos produtos agropecuários. sejam eles pequenos. Por exemplo. Estes negócios. mesmo a familiar. etc. ou de "pós-porteira". Este tipo de produção agrícola também é chamada de agribusiness ou agrobusiness. o pau Brasil. até chegar ao consumidor final. caracterizada pela agricultura em grande escala. na terceira parte. transporte. Já para Callado (2006). Estes autores concluíram que o agribusiness brasileiro representava 46% dos gastos relativos ao consumo das famílias. em uma permanente negociação de quantidades e preços. políticas e culturais. O conceito de agronegócio implica na idéia de cadeia produtiva. (JUNIOR PADILHA. do armazenamento. substituindo a análise parcial dos estudos sobre economia agrícola pela análise sistêmica da agricultura. A primeira parte trata dos negócios agropecuários propriamente ditos (ou de "dentro da porteira") que representam os produtores rurais. Wedekin e Pinazza (1990). Assim. como comércio de sementes e de máquinas e equipamentos. Davis e Goldberg (1957) definem.

terras por intermédio de sesmarias. proporcionando o domínio de regiões antes consideradas “inóspitas” para a agropecuária. as perspectivas são promissoras. as evoluções devem ser muito maiores. (VILARINHO. Isso fez surgir à oferta de um grande número de produtos. monocultura da cana-de-açúcar e no regime escravocrata foi responsável pela expansão do latifúndio. mais recentemente. O processo de colonização e crescimento está ligado a vários ciclos agroindustriais. planas e baratas. 2006). gradativamente. a ser um especialista. dispõe de produtores rurais experimentes e capazes de transformar essas potencialidades em produtos comercializáveis e detém um estoque de conhecimentos e tecnologias agropecuárias. frutas e derivados. O agronegócio brasileiro passou por um grande impulso entre as décadas de 1970 e 1990. como farto espaço territorial. por sua vez. que durante esse período serviu de base e sustentação para a economia. tabaco. com o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia. chá. produtos oriundos do complexo de soja. como a cana-de-açúcar. Até 2015. o produtor rural passou. ainda mais a indústria de base agrícola. a borracha dá exuberância à região amazônica. a partir da década de 1930. com isso. hortaliças. a participação nacional no mercado internacional de soja deve crescer dos atuais 36% para 46%. o Brasil deve quadruplicar sua participação. cereais e derivados e a borracha natural são itens importantes da pauta de exportação brasileira (VILARINHO. A pecuária domina os pampas. a suinocultura . instalam-se agroindústrias. 2007). madeira (papel. "Num futuro próximo. Em síntese. logo depois o café torna-se a mais importante fonte de poupança interna e o principal financiador do processo de industrialização. conquistando metade do mercado internacional. o país é visto por muitos especialistas como principal candidato ao posto de grande fornecedor alimentício global. A extinção do pau-brasil coincidiu com o início da implantação da lavoura canavieira. por exemplo. como são os cerrados com uma reserva de 80 milhões de hectares. bem como as de suprir insumos e fatores de produção. algodão e fibras têxteis vegetais. a exploração da madeira nas serras e a agricultura se desenvolvem com a participação das várias etnias que compõem o mosaico populacional da região. da carne bovina. Na suinocultura. transformadoras de recursos em produtos. A evolução da composição do Complexo do Agronegócio confirma que as cadeias do agronegócio adicionam valor às matérias-primas agrícolas onde o setor de armazenamento. O Brasil detém terras abundantes. fumo. consolidado na forte rede de interligação entre a agricultura e a indústria. processar e distribuir produtos agropecuários. O progresso do Sul do Brasil também está ligado ao agronegócio. fica evidente que. processamento e distribuição final constituem o vetor de maior propulsão no valor da produção vendida ao consumidor. Por qualquer ângulo que se analise o mercado. o salto será de 58% para 66%. já havia se instalado no país como primeira atividade econômica a extração do pau-brasil. as funções de armazenar. No caso do frango. (RENAI. café. de acordo com previsões dos especialistas da área. Atualmente. mão-de-obra acessível e diversas questões ligadas à conjuntura internacional. transformando Manaus numa metrópole mundial. o tamanho que o Brasil adquiriu no campo do agronegócio é impressionante. O país passou então a ser considerado como aquele que dominou a “agricultura tropical”. açúcar e álcool. envolvido quase exclusivamente com as operações de cultivo e criação de animais. com grande desenvolvimento no Nordeste. 2006). chamando a atenção de todos os nossos parceiros e competidores em nível mundial. Perspectivas Para o Agronegócio Brasileiro Para Contini (2001). com maior intensidade na de 1960 até a de 1980. de suínos e aves. como a do vinho e dos móveis. no início do século. foram transferidas para organizações produtivas e de serviços nacionais e/ou internacionais fora da fazenda. impulsionando. Por conta de condições extremamente favoráveis para a contínua expansão deste mercado. carnes e derivados de animais. Antes da expansão deste sistema monocultor. a soja ganha destaque como principal commodity brasileira de exportação. Da poupança da agricultura. celulose e outros). Nas áreas em que o país ainda tem uma fatia pequena do comércio mundial.

as importações chegaram a US$ 4.será tão importante para a balança comercial do país quanto são hoje o frango e a carne bovina” (NETO. Importância Econômico-Social do Agronegócio Brasileiro O agronegócio é também importante na geração de renda e riqueza do País. no Brasil. representa a geração de U$ 6. saldo acumulado é de US$ 19.000 US$ 52.180 US$ 49.49% menor do que o registrado no mesmo período de 2008. De acordo com os números.86 US$ 8. em torno de R$ 350 bilhões. da agroindustrialização e de áreas correlatas serão importantes para o crescimento da renda e do emprego. Enquanto as exportações renderam US$ 24. evidenciando que o setor tem participação importante para o equilíbrio de nossas contas. (STEFANELO. utilização de alta tecnologia e gerador de empregos e riquezas para o país. a agricultura é o setor econômico que ainda mais ocupa mão-de-obra. que somados a 10 milhões dos demais componentes do agronegócio.000 US$ 11. 2009). ou 26% do PIB (29%. segundo a Confederação Nacional da Agricultura .791 US$ 4. o agronegócio tem sido um fator que minimizou os desequilíbrios das contas externas do Brasil.863 US$ 24. era de 182 para a agropecuária.700 US$ 11. ao redor de 17 milhões de pessoas. O agronegócio como um todo envolve mais de 1/3 do PIB brasileiro. 38 para a construção civil. o número de ocupados. No contexto da recente crise cambial. .134 US$ 37. A agricultura contribuiu decisivamente para as exportações com saldo comercial setorial positivo da ordem de US$ 40. o crescimento do superávit do ano 2000 até 2007 foi de 235% no período.610 US$ 23. o beneficiamento/processamento das matérias-primas e a distribuição dos produtos.5 trilhões/ano e. já sentindo os efeitos da crise. Mesmo reconhecendo-se os benefícios da transformação de uma sociedade agrária para uma industrial-urbana.CNA).000 US$ 40. 2007 apud SEIBEL. de janeiro a maio deste ano. (CNA.7 bilhões em 2007.700 US$ 58. 2002).040 US$ 58. no total.639 US$ 39.847 US$ 4. No mundo.347 US$ 25.016 US$ 20.200 Fonte: Mapa (Ministério da Agricultura.400 Importações US$ 5.492 US$ 4. Pecuária e Abastecimento. Estes são pontos que reforçam a importância do agronegócio no Brasil. 2007).400 US$ 69. (RENAI. Tabela 1 – Balança comercial do agronegócio brasileiro (US$ bilhões) Período 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Exportações US$ 20. 2001). os setores da agricultura. a balança comercial do agronegócio teve uma queda de 0.53% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no primeiro trimestre de 2009.015 US$ 42. não se pode esquecer que esta tem capacidade limitada de absorver mão-de-obra. A maior parte deste montante refere-se a negócios fora das porteiras. abrangendo o suprimento de insumos. 2007). Principalmente em regiões menos desenvolvidas. em 1995.811 US$ 19.366 bilhões.848 US$ 34.103 bilhões. um crescimento espetacular do setor.799 US$ 4. No aspecto social.839 US$ 30. O agronegócio é o maior negócio mundial e brasileiro.881 US$ 5. 25 para a extração mineral. No entanto. o resultado é 12.18 bilhões de dólares em 2006 e de 49. Apesar do saldo. além de sua grande competitividade.200 Saldo US$ 14. É o setor que ocupa mais mão-de-obra em relação ao valor de produção: para cada R$ 1 milhão.737 bilhões. (CONTINI. representa 27 milhões de pessoas. (Ver Tabela1). 2009) A Tabela mostra o superávit do agronegócio brasileiro.

(PAC. Em 2006 as exportações cresceram 19.29% em relação a 2005. milho. o Governo Federal criou o (PAC) Programa de Aceleração do Crescimento lançado no começo de 2007. Ainda de acordo com a mesma fonte. a velocidade média das composições não ultrapassa lentos 25 km/h. ainda estão longe de suprir a demanda do setor de agronegócio e se consolidar como uma alternativa viável ao transporte rodoviário. De acordo com uma das pesquisas mais recentes sobre o assunto. Esse montante coloca o Brasil entre os líderes mundiais na produção de soja. cujas deficiências são responsáveis por prejuízo correspondente a 16% do PIB. ainda não conseguiram deslanchar. suco de laranja e soja. as perspectivas acompanham as já anunciadas para o Brasil. foi concebido para eliminar esse descompasso e afastar o risco de gargalos nos próximos anos. reduzir custos e aumentar a produtividade .Quando os efeitos da crise passar. Por meio do plano de Parceria Público-Privada. sistemas como o do Tietê-Paraná. Mas todos esses bons resultados. Ao mesmo tempo. açúcar.o maior obstáculo para o desenvolvimento do agronegócio do Brasil.832 quilômetros avaliados. em particular a precariedade da malha rodoviária do país. café. (BORGES. Além da ampliação da malha de 30 mil quilômetros de extensão (praticamente igual a do Japão. Na certeza que só as Parcerias Público-Privada. 2009). em termos de saldo. assim como as expectativas futuras. Essas boas posições devem consolidar-se ainda mais nos próximos anos. a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. carne bovina e de frango. elaborada pela CNT Confederação Nacional do Transporte (2007). Desafios do Agronegócio no Brasil Segundo indicadores da (Unctad). Como resultado. país 22 vezes menor que o Brasil) é urgente a modernização do maquinário. como o Nordeste. depois de ultrapassar tradicionais concorrentes. O gargalo logístico envolve praticamente toda a infra-estrutura de transporte do país. em que apenas 10 mil quilômetros são efetivamente utilizados. Enquanto o índice internacional de movimentação é de 40 contêineres/hora. 2007). a ampliação em 2007 foi de cerca de US$ 58. Consciente de que sozinho não conseguirá reverter esse quadro. deixamos de fazer uso de canais de transporte de grande potencial. O agronegócio é justamente o que mais sofre com a ineficiência dos canais de transporte. segundo estudo do Centro de Estudos de Logística da Universidade do Rio de Janeiro. (BORGES. É um dos motivos pelos quais todos os anos caminhões formam filas de até 150 quilômetros de extensão para descarregar suas cargas no porto de Paranaguá (PR).04 bilhões de 2006. portos e canais de irrigação nos próximos anos. caso dos 42 mil quilômetros de hidrovias. de que o agronegócio pode sair dessa melhor do que entrou. nos portos brasileiros essa média é de 27. o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. As ferrovias. não será suficiente para dotar o país de bom infra-estrutura. ferrovias. que pretende investir R$ 13. café. Um dos grandes entraves é a infra-estrutura. escoa apenas 2 milhões de toneladas de carga/ano. o governo federal já busca o apoio da iniciativa privada. como Estados Unidos e Austrália. O objetivo do programa é aumentar o investimento em infra-estrutura para: eliminar os principais gargalos que podem restringir o crescimento da economia. Com os trens e bitolas atuais. apenas 10% de sua capacidade total. O país é líder mundial de exportação de açúcar.4 mil quilômetros e que consumiu US$ 2 bilhões em investimentos públicos em vários governos. 2007). dos 84. 37% encontram-se em estado péssimo de conservação e outros 32% possuem alguma deficiência. embora tenham recebido investimentos com a privatização. um aumento de 10. Assumiu também a dianteira nos segmentos de carne bovina e frango. No transporte marítimo de cabotagem (outro canal com grande potencial no Brasil) assistimos a uma situação semelhante.68 bilhões em 23 projetos de reformas em rodovias.8% acima dos US$ 52. regiões com potencial no agronegócio. Em razão desse tipo de problema. Embora a privatização tenha contribuído para a modernização dos portos. com 2.4 bilhões. correm sérios riscos de sofrer um pesado revés se os problemas relacionados à infra-estrutura logística . não forem solucionados. o excesso de mão-de-obra (que chega a ser de três a nove vezes superiores aos portos europeus e sul-americanos) ainda mantém os padrões de produtividade baixos.

Já em 2000. estadual e municipal. tornando-os mais competitivos no mercado internacional. Além das medidas de controle sanitário que também estão na relação de assuntos importantes que vêm sendo negligenciados pelo governo. o que aumenta os custos de produção. Muito embora o potencial de comércio do agronegócio brasileiro seja muito grande. Como se vê. Os investimentos em Infra-Estrutura logística do PAC previstos até 2010 são de R$ 58 bilhões de reais.das empresas. a iniciativa privada ainda tem muito a contribuir para o desenvolvimento da infra-estrutura do país. ferroviário. é que tanto o governo nas esferas federal. e resolva os problemas domésticos para que o pais se torne a potência do agronegócio do futuro. É preciso destacar também que. Não há como o produtor rural e a agroindústria serem competitivos com governos vorazes em criar novos impostos. que prejudicou as exportações mesmo de países que não registraram casos da doença (como o Brasil). que estão entre os maiores produtores nacionais. . essencialmente. fica difícil ao produtor brasileiro competir nos mercados externos. quanto a iniciativa privada. Apesar das grandes vantagens encontradas no agronegócio brasileiro e das suas boas perspectivas futuras. O que esperamos. Um exemplo do potencial desses pólos é representado por um estudo do Geipot (Empresa Brasileira de Planejamento em Transportes. Por causa do surgimento de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná. os obstáculos para o crescimento do agronegócio brasileiro são imensos. Considerações Finais Como se observa. Mesmo assim. inclusive no Mercosul. mas as soluções também existem e precisam ser colocadas em prática. basta destacar que um único comboio na hidrovia Rio Madeira tem capacidade para 18 mil toneladas de grãos. a empresa alertava que o melhor aproveitamento e a utilização racional dos canais de transporte seria capaz de economizar em cerca de US$ 75 milhões os custos anuais de escoamento de grãos. Essa redução dos custos de transporte contribuiria diretamente para reduzir os custos de nossos produtos. fluvial e aéreo) para redução de custos e aumento do nível de serviços. segundo Seibel (2007) mais de 50 países impuseram embargo à carne bovina desses estados. bem como de mudanças nas políticas econômicas internas. O potencial de prejuízos que isso pode acarretar aos produtores já foi demonstrado nos últimos anos. e reduzir as desigualdades regionais. estimular o aumento do investimento privado. O agronegócio se tornou o setor chave para que o Brasil se inclua no comercio mundial. Outro obstáculo sério ao desenvolvimento pleno do agronegócio está relacionado ao sistema tributário. têm impostos baixos. Isso sem falar da economia de combustível e de fretes. na redução do tráfego e desgaste das rodovias. incentivando a criação de pólos intermodais de transporte (integração entre os sistemas rodoviário. a carga tributária deve ser compatível com a dos nossos competidores. marítimo. isto é com possibilidade de exportar e importar qualquer produto do agronegócio. Com uma economia aberta ao exterior. o mesmo encontra muitos problemas e desafios a serem superados que dependem. mantenham a sua determinação em modernizar a infra-estrutura brasileira. vezes há que perde o próprio mercado interno porque os produtos importados chegam mais baratos. Além do embargo à carne bovina. o agronegócio brasileiro sofreu com o surto de gripe aviária. de investimentos tanto públicos como privados. Como nossos concorrentes. A reforma tributária é urgente. ligada ao Ministério dos Transportes). além dos recursos. poderia ser ainda maior se houvesse políticas sérias agrárias e de infra-estrutura. mas podem ser superados. Para ilustrar o que estamos falando. substituindo 600 carretas de 30 toneladas nos eixos Cuiabá (MT) / Santos (SP) e Cuiabá (MT) /Paranaguá (PR). Como se vê. com diminuição da carga e simplificação dos procedimentos na tributação. o SAI brasileiro ocupa lugar de destaque entre os países produtores de alimento no mundo. aumentar os atuais e com mecanismos complexos de arrecadação. é indiscutível a importância do agronegócio à nossa economia. os obstáculos para o crescimento do agronegócio brasileiro são imensos.

Contudo. que dê sustentabilidade continuada ao setor. Munoz. Nas contingências atuais. o país precisa resolver problemas estruturais. Disponível em: <http://www. Acesso em: 06 fev. DAVIS. A. Pecuária e Abastecimento (MAPA). O grande desafio do agronegócio no http://www.net/cursecon/ecolat/br/>. Mário Otávio. Boston: Harvard University. Disponível em: < BRASIL . de fato. 1957. ed.2009.org. ainda. Acesso em: 09 jan.br/artigos/artigo>. com que os investimentos se tornarem lucros financeiros e socialmente. que discute com a iniciativa privada a reconstrução da malha logística do Brasil em todos os segmentos modais.cna. CALLADO.com. . se faz necessário a criação de políticas públicas urgentes voltadas à infra-estrutura do país. B. Cunha. Alardear o potencial do agronegócio brasileiro é o que tem sido feito pelo poder público. Goldberg.gov.agricultura..Ministério da Agricultura. 2006.2009. fazendo do agronegócio o nosso maior negócio. as políticas econômicas impedem que o rendimento seja maior e os problemas de logística geram custos elevados. H. 2006. cresce sua participação no mercado internacional. Elisio. Disponível em: < http://www. incremental e aplicação de políticas mais flexíveis e ágeis de crédito ao setor agrário. CONTINI. através. imensa disponibilidade de água doce e energia renovável e sua capacidade empresarial.br>. http://www. 1. BORGES. Complexo agroindustrial: o agribusiness brasileiro.2009. apesar desses obstáculos. 238p.empreendedorrural. Cabe.. potencial de produção. Antonio A.br/site/agencia/>.Cabe ainda lembrar que para o Brasil se tornar a grande potência mundial do agronegócio. E. Altamiro. deve-se calcar na viabilidade produtiva. Acesso em: 09 jul. estrategicamente suplanta qualquer problema. Disponível em: < CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL . 135 p. C.2009.br>. N. Isto implica dizer que as nossas vantagens como terras abundantes. Dinamismo do Agronegócio Brasileiro. pois somos competitivos em algumas cadeias produtivas e em outras não. entretanto. o agronegócio brasileiro é persistente e. a articulação.CNA.com. nas diretrizes corretas fomentadas pelo Estado e na vertiginosa capacidade privada de produzir de racionalizar e de fazer. CARDOZO. I. ao longo dos anos. 2001. contigencialmente não tem passado de engodo da velha política brasileira. São Paulo: Atlas. Wedekin. ed. Acesso em: 09 jan. Número 71. como o NE brasileiro. 1990.2008. A concept of agribusiness. y Mauch Palmeira. BATALHA. São Paulo: Atlas. L. buscar soluções práticas e definitivas. Acesso em: 16 dez. Pinazza. por exemplo. Agronegócio. Gestão agroindustrial. Disponível em: < http://www. ao Estado brasileiro promover a modernização de máquinas e equipamentos que dá suporte ao desenvolvimento da boa performance do campo.eumed. já passou da fase de discussão. Brasil. 2.: "Desafios de logística nas exportações brasileiras do complexo agronegocial da soja" en Observatorio de la Economia Latino americana. do PPP. Se faz necessário ainda. A. R. Logo.agronline. restringindo a inserção de novas tecnologias e/ou tecnologias de ponta à agricultura de determinadas regiões. J. Os juros bem como as altas taxas de importação de aparatos agrícolas vêm. Além do mais. Referências ARAÚJO. São Paulo: Agroceres. climas favoráveis.

VILARINHO. em um Ambiente de Risco. set.agricultura.com.abril.portalexame. Ministério da Agricultura. Questões sanitárias e o agronegócio brasileiro. em: < STEFANELO. Felipe. Rio de Janeiro.JUNIOR PADILHA.pac. Disponível em: <http://www. Disponível em: < http://www. Acesso em: 09 jan.br/intern>. Universidade Federal do Paraná.2009.gov. Acesso em: 29 jan.2009. Eugênio L. Nov. SEIBEL. p. Acesso em: 29 jan.Tecnologia Google DocsOrkut Gmail Agenda Docs Fotos Web mais ▼Reader Sites Grupos YouTube Imagens . Disponível http://www. Maria Regina.br>. Disponível em: <www. MAPA. Conjuntura Econômica. Disponível em: < http://www.60. O Impacto da Reserva Legal Florestal sobre a Agropecuária Paranaense. Dissertação (Doutorado em Ciências Florestais). V.2009.br/berto/anuarioagrone>.br>. 2004.2009. Acesso em: 09 jan. Curitiba. Acesso em: 09 jan. Entre o tutorial e o participativo. Disponível em: < http://investimentos.14-15. Exame.br/embrapa/ >. 2002. Agronegócio Brasileiro: Uma Oportunidade de Investimentos. Roberto. O Setor de Agronegócio no Brasil: Histórico e Evolução do Agronegócio Brasileiro. B.2009.gov.com.desenvolvimento.embrapa. A Rede Nacional de Informações sobre o Investimento. João. Revista FAE Business. RODRIGUES.2006. O céu é o limite para o agronegócio brasileiro.2009. n. n 3.doc .11. RENAI. O novo salto do agronegócio. PAC. Pecuária e Abastecimento.wikipedia. Acesso em: 29 jan.br/portal/>. Programa de Aceleração do Crescimento. WIKIPEDIA. Agronegócio brasileiro: propostas e tendências.gov.

Docs | Fazer login Entre o tutorial e o participativo.Vídeos Mapas Notícias Livros Tradutor Acadêmico Blogs Em tempo real e muito mais » Configurações .doc Salvar no Google DocsEditar ArquivoVisualizar Visualizar Salvar no Google Docs Download Imprimir (PDF)ENTRE O TUTORIAL E O PARTICIPATIVO: A ABORDAGEM DE INTERVENÇÃO NA ESTRATÉGIA DE AÇÃO DO BANCO DO NORDESTE1 .

Maria Odete Alves2 Lucimar Leão Silveira3

RESUMO

Analisam-se os aspectos da abordagem de intervenção utilizada pelo Banco do Nordeste do Brasil S.A, ao implementar uma estratégia de apoio ao pequeno produtor rural nordestino, além dos efeitos de um programa específico de capacitação inserido na mesma estratégia (Projeto Banco do Nordeste/PNUD), no nível de participação de associados na gestão e nos processos decisórios das organizações associativas. Verifica-se a existência de um processo em que há delineamentos de duas abordagens distintas: a) uma primeira etapa, com base no estímulo ao associativismo, cuja ação é tipicamente tutorial b) uma segunda etapa, através de um programa de capacitação inserido na mesma estratégia, ocorrendo de forma simultânea e dirigido ao mesmo público, contemplando uma ação ativa dos grupos para os quais se dirige, com características da intervenção participativa. Há um avanço na consciência dos sócios submetidos ao processo de capacitação, quando assumem que a participação não se refere apenas à qualidade de membro do grupo, mas significa tomar parte ativa nas decisões, planejar e executar determinada ação. Apesar dos avanços, a participação ainda se apresenta em nível micro, pois não se percebe uma intervenção dos indivíduos no sentido de modificar a sociedade.

Termos para indexação - estratégias de intervenção, intervenção pública, desenvolvimento rural,

participação.

Artigo apresentado no XXXVI Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural, Poços de Caldas, 1998. Enga Agrônoma, pesquisadora do BNB/ETENE e mestranda em Administração Rural e Desenvolvimento pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), CP 37, CEP 37.200-000 - Lavras - MG. 3 MS pela UFMG, professor do Departamento Educação da Universidade Federal de Lavras (UFLA), CP 37, CEP 37.200-000 - Lavras - MG.

1

1. A PARTICIPAÇÃO POPULAR NOS PROJETOS GOVERNAMENTAIS

As propostas de participação do povo em projetos governamentais surgiram após a Segunda Guerra

Mundial, inseridas numa proposta de Desenvolvimento de Comunidade (DC), cujo objetivo

institucionalizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) seria solucionar problemas de integração de

esforços da população a planos regionais e nacionais de desenvolvimento econômico e social.

Estudo realizado por Ammann (1987) acerca do DC dá conta de que sua proposta, na prática,

consistia na implementação de programa de assistência técnica e social nos países subdesenvolvidos,

sobretudo da América Latina.

As primeiras propostas de DC no Brasil surgem no final dos anos 40. O apoio oficial se dá no

sentido de incrementar a produção de alimentos e a educação rural e industrial, reproduzindo o modelo

americano de extensão rural. Apesar de proclamar a participação popular como ingrediente necessário ao

processo de desenvolvimento nacional, o DC apresenta o conceito de participação de forma muito vaga e,

na prática, se afirma como instrumento do Estado para favorecer o consentimento espontâneo das classes

subordinadas às estratégias por ele definidas (Ammann, 1987).

Este método de intervenção passou a sofrer severas críticas, principalmente a partir da década de 70,

devido aos fracassos acumulados em termos de resposta aos problemas de exclusão social. Nesse período

surgiram abordagens alternativas, tendo como fundamento a participação consciente do povo no seu próprio

desenvolvimento e a prática da educação (Alencar, 1990). Esta outra visão de desenvolvimento sugere

mudanças no eixo do planejamento, desde as altas esferas de decisão até a localidade onde os agentes do

meio podem envolver-se plenamente nas decisões de sua comunidade.

Nos últimos anos, embora de forma tímida, algumas agências estatais têm caminhando no sentido dessa outra visão de desenvolvimento, a exemplo do Banco do Nordeste, que desde o início dos anos 90 vem promovendo algumas mudanças no processo de intervenção. A proposta deste trabalho surge, então, do interesse em fazer uma análise desse novo processo de intervenção, bem como verificar alguns dos seus efeitos na prática. A análise realizada apóia-se nos trabalhos de Oakley (1980) e Alencar (1990), que tratam das abordagens de intervenção convencional e educação participativa, e naqueles desenvolvidos por Ammann (1987), Bordenave (1987) e Demo (1993),

que fundamentam o conceito de participação.

2. A INTERVENÇÃO DO BANCO DO NORDESTE DO BRASIL (BNB)

O BNB é um órgão auxiliar para gestão e execução de políticas de crédito do Governo Federal.

Criado em 1952, tem a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável do Nordeste do Brasil,

promover a integração econômica regional com a economia brasileira e internacional e redução das

desigualdades regionais (Banco do Nordeste, 1993). A partir de 1967 torna-se o principal repassador de

recursos do Banco Central (BC) para a região Nordeste (Gondim et al., 1991).

Em 1991 Gondim et al. propõem ao Banco do Nordeste uma estratégia de apoio ao pequeno produtor

em particular. O documento reconhece que os resultados da ação do Banco junto aos pequenos produtores rurais têm sido frustrantes. em que o associativismo é o instrumento para implementação. os recursos do FNE4.8% do total arrecadado do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. o desenvolvimento de um programa de capacitação técnica para os pequenos produtores rurais. o documento sugere algumas medidas. Criado pela Constituição de 1988. dentre as quais. alegando a falta de uma estratégia adequada para apoiar essa categoria de produtores.rural da Região. acentuada a partir de 1990 com o início da operacionalização do referido Fundo. FNE: Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. . Implícita no documento se observa a preocupação principal em dar maior capilaridade ao crédito fornecido pela Instituição. em complemento ao suprimento creditício. É atualmente a principal fonte de que dispõe a Instituição para financiar as atividades produtivas da Região (Banco do Nordeste. é formado pela alocação de 1. nesse ano constata-se uma grande concentração do crédito em mãos de grandes produtores. Assim. 1993).

bem como aos papéis atribuídos aos agentes externos e ao público alvo. enquanto os membros do grupo exercem um papel passivo. A INTERVENÇÃO NO MEIO RURAL: O CONFRONTO ENTRE DUAS ABORDAGENS Com base em estudos publicados a partir da década de 70. A comunidade é vista como um sistema social homogêneo. as estratégias de intervenção são lineares. ou seja. Na abordagem “tutorial” o agente externo é o responsável pelo diagnóstico da realidade e pelo estabelecimento de meios para solucionar os problemas detectados. As duas abordagens apresentam diferenças metodológicas fundamentais no que diz respeito à unidade social para a qual se dirige a ação. Na abordagem “ educação participativa” o agente externo passa a ter um papel de educador: . por ele denominada de convencional ou “tutorial” e a abordagem “educação participativa”. Alencar (1990) estabelece um paralelo entre duas abordagens de intervenção no meio rural: aquela normalmente utilizada nas políticas tradicionais.2 3.

26). para quem a conscientização não significa simplesmente a tomada de consciência da realidade ou “estar frente à realidade”. sendo vista então como um grupo internamente diferenciado. pois “Implica que os homens assumem o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo” e só existe quando há o ato “ação-reflexão-ação” (Freire. Nessa abordagem a comunidade deixa de ter estrutura homogênea. O processo de educação utilizado na abordagem “educação participativa” é fundamentado na conscientização. . que requer tratamento diferenciado.identifica os grupos com interesses comuns. A partir dos resultados da avaliação o próprio grupo assume a responsabilidade de buscar novas ações. fundamentada em Paulo Freire. promove a organização inicial dos grupos identificados e orienta a identificação dos problemas. Os membros do grupo responsabilizam-se pelo diagnóstico da realidade. p. 1980. pelo estabelecimento de meios para solucioná-los e pela avaliação das ações executadas.

por parte dos membros do grupo. e conduz à identificação de problemas. 4. 3) organização . planejamento e execução de ações para solucioná-los. de curso de ações para lidar com os problemas com os quais se defrontam.desenvolvimento da consciência da realidade por parte dos 3 indivíduos e dos grupos. identificando as possíveis causas e propondo soluções. desenvolvendo ações que visem à solução dos problemas. à capacidade dos indivíduos para analisá- los.estruturação do grupo e controle que os membros do grupo possuem sobre sua organização ou estrutura. 5) articulação - estabelecimento. 4) solidariedade predisposição dos indivíduos em cooperar dentro do grupo.Oakley (1980) identificou no processo de “educação participativa” cinco subprocessos fundamentais e interrelacionados: 1) faculdade crítica . o que contribui para o aumento do seu poder de barganha. 2) participação envolvimento ativo dos indivíduos na identificação dos problemas e de suas causas. PARTICIPAR É CONTRIBUIR PARA A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE . na tomada de decisões.

É através dela que uma comunidade é estimulada a buscar seu próprio espaço. ocorre quando há a intervenção das pessoas nos processos dinâmicos que constituem ou modificam a sociedade. no entanto. as diversas forças e operações que constituem a dinâmica da participação devem ser apreendidas e dominadas pelas pessoas. 1987). A participação é uma habilidade que se aprende e se aperfeiçoa. a dinâmica da participação será diferente. A pessoa. A macroparticipação ou participação social. a fazer valer seus direitos e a lutar pela transformação da estrutura social. . não nasce sabendo participar. Em cada nível e em cada caso. O que quer dizer que existe uma diferença entre as dinâmicas da microparticipação em grupos primários e associativos e da macroparticipação na luta social e política de grandes massas (Bordenave. Isto é.O entendimento da intervenção na perspectiva de educação participativa requer algumas considerações sobre a natureza e o conteúdo do processo participativo. no entender de Ammann (1978) e Bordenave (1987). A participação é concebida como uma necessidade básica.

nem acabada.. p.) a participação é em essência autopromoção e existe enquanto conquista processual.. participação espontânea (no grupo de amigos. infindável. na comunidade etc. em constante vir-a-ser.18): é um processo de conquista. um processo no sentido legítimo do termo: “. nisto mesmo começa a regredir”. como coloca Demo (1993.A participação social não é algo acabado. (. na tentativa de defender interesses individuais ou coletivos mais imediatos. Não existe participação suficiente. sempre se 4 fazendo... de vizinhos etc). o processo de construção de uma sociedade participativa se inicia na aprendizagem do dia-a-dia na família. participação imposta (quando o indivíduo é obrigado a fazer parte do grupo e exercer certas atividades consideradas . Bordenave (1987) classifica a participação em cinco tipos: participação de fato (é o primeiro tipo de participação do indivíduo).. na escola. na busca do próprio espaço de participação. Participação que se imagina completa. Neste sentido.

a vizinhança. embora concedida. mesmo o planejamento participativo tem seu lado positivo. como o local de trabalho. as cooperativas. de crescimento da consciência crítica. encerra em si mesma uma contradição e um potencial de conhecimento da realidade. Na medida em que . Contudo. de modo a criar uma “ilusão de participação” política e social. Este faz parte da ideologia necessária para o exercício do projeto de direção-dominação. as associações profissionais etc. da capacidade de tomar decisões e de adquirir poder. que objetiva manter a participação do indivíduo e dos grupos restrito a relações sociais primárias. pois a participação. que decidem sobre a organização. objetivos e métodos de trabalho) e participação concedida (a parte de poder ou de influência exercida pelos subordinados e considerada legítima por eles mesmos e seus superiores).indispensáveis). participação voluntária (o grupo é criado pelos próprios participantes. Este autor cita como um exemplo típico de participação concedida o “planejamento participativo” implantado por alguns organismos oficiais. as paróquias.

a estratégia de apoio ao pequeno produtor e o Projeto Banco do Nordeste/PNUD5. a deseleger. para a análise do item 6. recorreu-se a publicações e documentos do Banco do Nordeste que orientam o FNE. pois coloca em julgamento seu poder e privilégios. a estabelecer rodízio no poder.1. 1993).2.se aproveitem as oportunidades de participação para tal crescimento.. Daí. e assim por diante (Demo. a exigir prestação de contas. a forçar os mandantes a servirem à comunidade. qualquer oportunidade de participação constitui um avanço e não retrocesso. a desburocratizar. 5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A coleta de informações foi dividida em duas partes distintas: para a análise realizada no item 6. poder-se considerar a participação como o exercício da democracia. e não para o aumento da dependência. a dados de uma . Entretanto. não se deve perder de vista que a participação terá a constante oposição das classes dirigentes. pois através dela aprende-se a 5 eleger. cujo fenômeno básico é o controle do poder.

As organizações atendidas pelo Projeto Banco do Nordeste/PNUD. realizada entre dez/94 e nov/95. Portanto. cooperativas de eletrificação/telefonia rural. do total de entrevistados. Os produtores vinculados a tais organizações e atendidos pelo mesmo Programa perfaziam um total de 158. além dos atributos: organizações atendidas pelo Projeto Banco do Nordeste/PNUD. correspondiam a 9 cooperativas e 2 associações. Nesta etapa utilizou-se o Experimento: tomaram-se os dados da pesquisa Survey e procedeu-se a um corte entre o grupo .pesquisa do tipo Survey6. cooperativas de irrigação. 59 organizações (26 cooperativas e 33 associações) e 687 produtores não haviam recebido o apoio do Projeto até o momento da pesquisa. quando foram utilizados questionários estruturados específicos para cada categoria. cooperativas de crédito e associações atendidas no âmbito do PROGER7. junto a 70 entidades (35 cooperativas e 35 associações) e 910 produtores rurais nordestinos associados dessas organizações. Utilizou-se nessa pesquisa uma população selecionada através de amostragem probabilística estratificada.

(capacitados e não-capacitados). 2) participação na PNUD: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 6 gestão administrativa. 3) participação na gestão econômico-financeira. formado pelos não expostos ao processo (denominado de DEMAIS ou não-capacitados). 4) participação no uso de bens e prestação de serviços. representado pelas organizações e associados expostos ao processo de capacitação através do Projeto (aqui denominado de PNUD ou capacitados) e o grupo de controle ou testemunha. tabulados e analisados os dados dos grupos 6.experimental. Em seguida foram segregados. Foram então selecionadas todas as variáveis relacionadas com a participação dos associados na gestão e no processo decisório da organização: 1) participação na organização social. A INTERVENÇÃO: DA ABORDAGEM AOS EFEITOS . tomando-se por base os valores absolutos para posterior comparação.

. ao passar a vigorar essa política. 94. a partir da necessidade da própria Instituição de promover uma melhor distribuição do crédito do FNE.6. respectivamente).7%.0% e 2. a partir do ano de 1992. A estratégia elaborada elegia o associativismo como o instrumento para dar maior capilaridade ao crédito fornecido pela Instituição. que receberam nos anos de 1990/92. os pequenos produtores apesar de constituírem a maioria nos anos de 1990/92 (86.3%. Assim. Enquanto isso.1%.7% e 22. receberam no período apenas 38. 20. 1995).3% e 64. respectivamente). A abordagem de intervenção na estratégia de ação do Banco do Nordeste A estratégia de apoio ao pequeno produtor foi elaborada pelo Banco do Nordeste.6%. dos recursos do FNE (Valente Junior et al.5% e 96. o crédito associativo passou a desfrutar de algumas vantagens comparativamente ao crédito direto8.1%.6%.1.4%: 2. do crédito do FNE. para uma pequena participação no número de beneficiários (3. 68. respectivamente.8%. 45. respectivamente. até então concentrado na categoria dos grandes produtores.

uma Divisão de Cooperativismo (Divisão de apoio ao pequeno produtor e ao associativismo-COOPE). para servir de ponto de apoio para as ações daquela Instituição (Banco do Nordeste. 7 mostra que. 7 Programa de Fomento à Geração de Emprego e Renda. Órgão do Banco do Nordeste do Brasil responsável pelos estudos e pesquisas que dão suporte à formulação de políticas regionais. e 34% se . pela data de constituição. Relatório de pesquisa realizada entre 1995/96 para avaliação da Estratégia Banco de dados existente no ETENE . 1993).Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste. favoreceram sobremaneira o surgimento de novas cooperativas e associações de pequenos produtores rurais na Região. A nível de aparato administrativo foi criada. no Departamento de Desenvolvimento Rural. 8 Foi introduzida nos programas do FNE a concessão de subsídios adicionais a pequenos produtores que buscassem crédito via organização associativa e a cooperativas/associações que apresentassem planos integrados de desenvolvimento. bem como o crescimento do número de associados por organização. além de criarem condições de acesso ao crédito por parte dos pequenos produtores nordestinos. 66% das organizações pesquisadas existiam antes de 1992.As modificações promovidas nos programas do FNE.

A metodologia GESPAR. “. a gerência e o controle dos seus empreendimentos (Banco do Nordeste. busca desenvolver o caráter empresarial das . em sua grande maioria. Constatou-se que as associações. através de convênio com o PNUD. Observou-se também que a partir de 1993 ocorreu uma reversão no processo de concentração do crédito. sistemática de capacitação junto a tais organizações..constituíram após aquele ano.6% e 98. respectivamente). Os pequenos produtores continuaram sendo a maioria em 1993/94 (94.4% dos recursos do Fundo (Valente Junior et al.3% e 69. 1994). 1993a). sendo direcionado a pequenos produtores rurais nordestinos organizados em associações ou cooperativas. bem como aos dirigentes de tais organizações (Banco do Nordeste. 1997). O Projeto adota a Metodologia GESPAR9. A implementação de ações de capacitação se deu a partir de 1993.6%. tendo absorvido 55. quando foi criado o Projeto Banco do Nordeste/PNUD. a organização.. resultaram como condição prévia de acesso ao crédito (Giovenardi. o projeto busca treiná-los para o planejamento.. 1995). segundo Zapata10.

p. sua priorização e sistematização”.05). mas facilita o Metodologia GESPAR: Gestão Participativa para o Desenvolvimento Empresarial. Apresentação. 1995). In: GONI (1995. Fundamenta-se na sensibilização. ZAPATA. . Para tal. instrumentalizando-os através do planejamento estratégico e da gestão participativa para que suas organizações tenham sustentabilidade no ambiente e assim contribuam para a melhoria da qualidade de vida das famílias”. cursos. são realizadas oficinas de apoio à gestão. Tânia. preparada pela reflexão e pelo diálogo.Organizações e o sentido de ‘pertencer’ dos sócios. seminários. produção e comercialização. Para Goni (1995. treinamentos e monitoração (Goni. Através de ação integrada e não capacita. p. cuja conseqüência é o conhecimento que o indivíduo passa a ter da realidade e o comprometimento com as ações desenvolvidas.27). na metodologia GESPAR o capacitador processo. a instrumentalização do grupo: “É papel do capacitador facilitar o desabrochar das idéias.

a metodologia postula que o envolvimento dos produtores nas atividades tem por base o entendimento da participação como sendo o ato de “fazer parte. A participação dos associados nas organizações associativas: efeitos do Projeto Banco do Nordeste/PNUD . nos quais estão inseridos projetos gerenciais e propostas de crédito (Banco do Nordeste. a partir deles. são realizados diagnósticos dos empreendimentos e. Ainda. tomar parte. desenvolvidos planos integrados. p. 1995. 6.. na direção. Ser Parte no planejamento. ter parte. na organização.8 No processo em que se busca envolver os produtores em todas as atividades. p. tornando-se responsáveis pelo diagnóstico da realidade e pela busca de soluções para os problemas detectados: o próprio indivíduo vai “identificar e analisar os elementos relevantes no Sistema para estabelecer um Diagnóstico e abrir perspectivas de intervenção e mudança”. Segundo Goni (1993. 1993a).2..7). no controle”(Goni.16) os produtores exercem um papel ativo.

6. A Assembléia Geral constitui-se na instância em que é exercido o poder dos associados na Organização. 1995). em nível de igualdade (Valadares.2. Esse crescimento pode significar maior peso dos associados nas decisões a partir do voto. um crescimento bem mais expressivo no mesmo período (TABELA 1).1. no grupo DEMAIS. Participação do associado na organização social da Entidade A freqüência dos associados às atividades de sua Organização cresceu em ambos os grupos no ano de 1994. Embora a freqüência do grupo PNUD seja maior em todas as atividades no ano de 1994. em relação a 1990. se verifica. TABELA 1. Freqüência dos sócios às atividades da organização associativa ATIVIDADE Assembléias Gerais Ordinárias Assembléias Gerais Extraordinárias Reuniões de Núcleos de Base Reuniões Seccionais FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE 1990 .

Vr. Absoluto 245 181 40 35 % 36 26 6 5 DEMAIS 1994 Vr. Absoluto 535 403 76 88 94/ 90 % .

% Absoluto 99 63 76 48 23 15 10 6 78 59 11 13 118 123 90 151 PNUD 1990 .% Vr.

Absoluto 33 104 36 13 1994 94/ 90 % % 84 66 23 8 34 37 57 30 9 Os associados do grupo PNUD utilizam-se em maior proporção que os DEMAIS. de todos os .Vr.

veículos de comunicação disponíveis. TABELA 2. Veículos de comunicação utilizados pelo associado para se informar sobre as ocorrências relativas à sua organização associativa TIPOS Conversas informais Meios de comunicação social Meios de comunicação empresarial Visitas à Entidade Reuniões Outros Nenhum FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr. Absoluto 334 86 17 315 430 . Em ambos os grupos a pesquisa revelou que é alto o número de associados que se preocupa em estar a par dos acontecimentos de sua Organização (TABELA 2).

Absoluto 88 27 19 86 95 19 8 % 49 13 2 46 63 1.12 24 PNUD Vr.5 % 56 17 12 54 60 12 .5 3.

o que significa uma ameaça ao poder estabelecido dentro da organização (Bordenave. Daí a resistência por parte dos dirigentes . Participação pressupõe abertura de oportunidades de conhecimento da realidade.segundo a percepção dos associados .5%. pela queda de 22% para 16. o que justifica o fato do alto percentual de membros (45% dos “não capacitados” .quanto a envolver os membros nas decisões. 1987). em relação ao grupo DEMAIS.5 Na tabela a seguir (TABELA 3). do percentual de associados sem opinião formada ou que não responderam sobre a forma pela qual os dirigentes procuram envolvê-los nas decisões. de crescimento da consciência crítica. que pode refletir a ideologia necessária para o exercício do projeto de direção-dominação. na medida em que revelam o aumento da percepção que estes têm da realidade em que vivem. os dados correspondentes ao grupo PNUD são ilustrativos do desenvolvimento da “faculdade crítica” dos associados. é importante observar que o próprio título pressupõe a existência da participação “concedida” conforme prevista por Bordenave (1987). Mesmo assim.

e 47% dos “capacitados”) atribuírem a tais dirigentes o conceito de regular a ruim. Conceito do associado sobre os dirigentes de sua organização associativa quanto ao envolvimento dos associados nas decisões CONCEITO Ótimo/Bom Regular/Ruim Não possui opinião formada/ Não responderam TOTAL FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr. Absoluto 225 312 150 687 % 33 45 . 10 TABELA 3.

5 100 6. quanto à análise da realidade e identificação das possíveis causas dos problemas. Participação do associado na gestão administrativa da Entidade Observando-se a TABELA 4 é possível identificar alguns traços do que Oakley (1980) denominou de subprocessos da Educação Participativa. a favor do grupo PNUD. quando se comparam os dados dos dois grupos. quando 18% destes tomam parte do planejamento das áreas de capacitação e .22 100 PNUD Vr.2.5 47 16. É perceptível a diferença entre ambos.2. Absoluto 57 74 27 158 % 36.

5% de membros do grupo DEMAIS. Aí. Com exceção das áreas de produção. não participa do planejamento da Entidade. é insignificante a participação destes no planejamento de suas organizações associativas. Áreas de planejamento das organizações associativas em que ocorre participação do associado . 11 TABELA 4. respectivamente. que despertam o interesse de 24%. também é perceptível a vantagem do grupo “capacitados”. ao se verificar que grande número de associados pertencentes ao grupo DEMAIS (64%). Quanto ao envolvimento no planejamento das atividades como um todo. comercialização e aquisição de insumos. aquisição de insumos e máquinas e implementos (47% cada) e comercialização (42%). contra apenas 3. No grupo PNUD é significativamente maior o número de associados que se preocupa com a forma como está sendo conduzido o planejamento dos diversos segmentos de sua Entidade.assistência técnica da Organização. o interesse é bem maior no que diz respeito à produção (49%). 18% e 17% dos associados.

ÁREAS Produção Comercialização Aquisição de insumos Máquinas e implementos Armazenamento Benefic/industrialização Capacitação/assist. Humanos e materiais Definição de preços de revenda Não participa do planejamento FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr. Absoluto 164 124 118 91 58 44 25 1 5 33 . técnica Propaganda e marketing Rec.

5 3. Absoluto 78 67 74 74 26 11 29 1 8 31 1 % 24 18 17 13 8 6.439 PNUD Vr.5 0.1 0.7 5 64 .

ainda é maior a participação dos associados do grupo PNUD. no que diz . Em ambos os grupos. embora com índices aquém do esperado.demonstração de consciência dessa necessidade .% 49 42 47 47 16 7 18 0.uma situação inversa é visível quando o assunto é controle. Porém.5 Ocorre um retrocesso na questão do controle das atividades (TABELA 5).5 5 20 0. comparativamente à questão do planejamento (TABELA 4). grande número de associados não participa das atividades de controle (78% entre os DEMAIS e 76% entre PNUD). pois ao mesmo tempo que existe uma grande preocupação com o planejamento das atividades da organização .

Assim. levando-se em conta os dados constantes da TABELA 3 (47% dos componentes do grupo PNUD consideram os dirigentes de suas organizações de Regulares a Ruins quanto à preocupação em envolvê-los nas atividades). indicativo de que existe certa dependência do grupo com relação aos líderes (no caso. pode-se sugerir que existam resistências por parte dos dirigentes no sentido de envolver os sócios nas atividades de controle da Organização. os dirigentes). partindo-se do pressuposto de que as atividades de controle dão certo nível de poder aos associados e. patronagem. na opinião de Oakley (1980) são propícias ao surgimento de 12 . apesar de tomar parte do planejamento das atividades da Organização. os membros não assumem o seu controle de forma efetiva. Por outro lado. Situações desta ordem.respeito às atividades de controle realizadas pelas organizações associativas (TABELA 5). clientelismo ou outros traços comuns na intervenção tutorial.

Absoluto 75 63 87 36 35 533 % 11 9 13 5 5 .TABELA 5. Participação do associado nas atividades de controle da sua organização associativa TIPOS Custos Estoques Preços Qualidade dos produtos Qualidade dos serviços Não participa das atividades FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr.

2% (TABELA 6).3.78 PNUD Vr. no grupo DEMAIS esse percentual chega a 45.2. Isso é uma demonstração de que é bem maior no primeiro grupo o nível de . Absoluto 33 3 34 15 10 120 % 21 2 21 9 6 76 6. Participação do associado na gestão econômico-financeira da Entidade Verifica-se que enquanto no grupo PNUD 16.5% dos associados não possui opinião formada sobre o nível de transparência das informações contábeis de sua Entidade.

6%). com relação aos DEMAIS (21. Conceito do associado a respeito de seus dirigentes/organização associativa quanto ao nível de transparência nas informações contábeis CONCEITO Ótimo/Bom Regular/Ruim Não possui opinião formada Não respondeu Total FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE GRUPOS DE ASSOCIADOS DEMAIS PNUD . Verifica-se também que é quase o dobro no grupo PNUD (44%).envolvimento dos sócios nesse tipo de atividade da Organização. TABELA 6. o percentual dos que atribuem um conceito de Regular a Ruim ao nível de transparência das informações contábeis fornecidas pelos dirigentes de suas organizações associativas. demonstrando maior nível de consciência crítica desenvolvido no primeiro grupo em relação ao segundo.

Absoluto % Vr.2 687 100 158 % 39.5 100 Apesar de ser elevado o nível de freqüência dos sócios nas assembléias.5 44 16.6 69 311 45. em ambos os grupos .Vr.2 26 22 3. Absoluto 206 30 63 148 21.

5%). No grupo PNUD todos os associados entrevistados responderam quando questionados. 13 Os dados da TABELA 7 revelam que é bem maior no grupo DEMAIS o percentual dos associados que sequer possui opinião formada sobre a ocorrência de prestação de contas/balanço de sua organização associativa (39.(TABELA 1). além dos 3% que se recusou a tratar do assunto. percebe-se que há um percentual bem maior de associados no grupo PNUD que efetivamente está a par do que acontece na Entidade e se preocupa com o controle do seu destino. Estes dados. além de demonstrarem uma maior percepção da realidade por parte dos componentes do grupo . No grupo PNUD 44% dos associados atribuiu aos dirigentes de suas organizações conceito de Regular a Ruim quanto ao nível de transparência nas informações contábeis.9%). e apenas 13% se mostrou desinformado sobre a matéria. o que corresponde ao dobro do percentual daqueles pertencentes ao grupo DEMAIS que atribuíram o mesmo conceito (22.

significa também um reforço do que vem sendo identificado nos dados das tabelas analisadas anteriormente. Absoluto 238 157 271 21 687 . TABELA 7.PNUD. de que há uma resistência dos dirigentes quanto a colocar os sócios a par dos acontecimentos da organização. Conceito do associado a respeito de seus dirigentes/organização associativa quanto à prestação de contas/balanço CONCEITO Ótimo/Bom Regular/Ruim Não possui opinião formada Não respondeu Total FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE GRUPOS DE ASSOCIADOS DEMAIS Vr.

Absoluto 68 69 21 158 % 34.2.6 22. Participação do associado no uso de bens e prestação de serviços da Entidade A TABELA 8 apresenta o resultado da pesquisa quanto ao número de entidades que disponibiliza .PNUD Vr.5 3 100 % 43 44 13 100 6.4.9 39.

No mínimo. 14 considerando-se que a prioridade do Projeto Banco do Nordeste/PNUD está na capacitação técnica gerencial dos dirigentes das organizações associativas. Ademais. Verifica-se que é maior o percentual de entidades do grupo PNUD que oferece os serviços mencionados. bem como de capacitação técnica gerencial e tecnológica. Este dado é estranho. é inferior ao do grupo DEMAIS (12%). Os dados deixam transparecer traços do que sugere Bordenave (1987) a respeito do jogo do poder: capacitar os membros do grupo . conforme revelam os dados da TABELA 4. exceto no que diz respeito à capacitação técnica gerencial. aos seus associados. deveria haver uma preocupação por parte de tais dirigentes em ofertar os mesmos serviços aos seus associados. cujo percentual (9%).serviços aos associados nas áreas de assistência técnica gerencial e agronômica. os associados do grupo PNUD demonstram certo interesse em participar do planejamento das áreas de capacitação e assistência técnica da Entidade.

Absoluto 3 16 7 5 PNUD Vr. TABELA 8. Absoluto 2 7 1 2 . Alguns serviços prestados pelas organizações aos seus associados Assist. técnica gerencial Assist. técnica agronômica Capacitação técnica gerencial Capacitação tecnológica FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE SERVIÇOS DEMAIS Vr.significa abrir para questionamentos destes sobre as decisões para dentro e para fora da organização. que por sua vez geram conflito e fragilização do poder estabelecido.

% 5 27 12 8 % 18 64 9 18 CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se de forma clara a existência de um processo em que aparecem na estratégia de intervenção da instituição em questão. .. cuja ação se dá de forma tipicamente tutorial. delineamentos das duas abordagens descritas por Alencar (1990): 1) o estímulo ao associativismo. que se apresenta inserido na mesma estratégia. 2) o programa de capacitação. pelo menos no discurso contempla uma ação ativa dos grupos para os quais se dirige. com características da intervenção participativa. e dirigido ao mesmo público.

. iniciado em fase posterior ao estímulo do associativismo. A primeira constatação é que a intervenção tutorial de estímulo ao associativismo via concessão de crédito associativo provocou não apenas o crescimento do número de organizações associativas no Nordeste. exercendo um papel passivo num processo cuja tendência é de reforço dos traços de dependência.O processo de capacitação. mas também do número de associados por organização. Tais resultados. porém. não são suficientes para responder a questões do tipo: os associados estariam exercendo o controle democrático da organização? Estariam as assembléias funcionando como instância do exercício do poder do associado. encontra um grupo de indivíduos vivenciando uma experiência que se poderia denominar de “deseducação”. 15 A análise tentou aprofundar esta questão. além de ter contribuído para o aumento da freqüência às assembléias realizadas em tais organizações. buscando descobrir até que ponto a estratégia atinge os objetivos propostos.

Os dados revelam. em grande parte. da “solidariedade” e da “articulação”. balanços etc? Maior número de votos em assembléias pode não significar necessariamente maior peso dos associados nas decisões. aprovação de relatórios. limitado. principalmente quando se sabe. conforme revelam os dados. como alertado por Demo (1993) tem controle relativo. com o objetivo principal de acesso ao crédito. da “organização”. quando assumem que a participação não se refere apenas à qualidade de membro do grupo. pois nada impede que seja passivo.ou como meros instrumentos formais para a obtenção de financiamento. Não é percebido claramente o desenvolvimento nos membros do grupo PNUD da “faculdade crítica”. planejar e executar uma ação. Participar significa tomar parte ativa nas decisões. Deve-se admitir que o voto. porém. . Percebe-se algum avanço na consciência dos sócios submetidos ao processo de capacitação. pois o processo não ocorre de forma integral. da “participação”. identificados por Oakley (1980). que o crescimento se deu.

Por outro lado. porém. conforme 16 A participação ainda se apresenta em nível micro. o que deveria ocorrer para que se efetivasse a participação no sentido macro . Entretanto. pois não se percebe uma intervenção dos indivíduos no sentido de modificar a sociedade. Em outros momentos.um avanço neste sentido. em alguns momentos se percebe a existência de envolvimento ativo dos sócios nas tomadas de decisão dentro da sua organização associativa e na cobrança de ações por parte dos dirigentes. as atitudes deixam transparecer que ainda não há uma estruturação do grupo.como sugerem Ammann (1987) e Bordenave (1987). há uma ameaça ao poder estabelecido dentro da Organização. ou controle por parte destes sobre a Organização. ou seja. pois à medida que estes adquirem o conhecimento da realidade e a consciência crítica.a participação social . nas decisões. . transparece a resistência dos dirigentes de tais organizações quanto ao envolvimento dos sócios nas atividades.

FNE .1. 1993a. 1987. ____________________. Informações Básicas sobre o FNE. Exercício de 1993. pois se verifica que os sócios das organizações buscam agora um espaço nas decisões./jun. a partir de uma consciência crítica da realidade. Fortaleza. que vai sendo construído e nunca se completa. 1990. E. 1993. p. S.Fundo constitucional de financiamento do Nordeste. Jan. Administração Rural. . v. Fortaleza. Fortaleza. São Paulo: Cortez. n. Impactos das aplicações. BIBLIOGRAFIA ALENCAR. 1994. B.tendo-se em mente o que coloca Demo (1993) que a participação é um processo de conquista. Projeto BNB/PNUD.23-43. AMMANN. BANCO DO NORDESTE. pode-se considerar que o processo de capacitação contribuiu no sentido dessa construção. Lavras-MG. Ideologia do desenvolvimento de comunidade no Brasil.2. na tentativa de defesa dos assuntos que lhes interessam. ____________________.

DEMO. 102p. São Paulo: Brasiliense. p. SOUZA. Community Development journal. S. 176p. Lavras: . Participação e poder: o comitê educativo na cooperativa agropecuária.BORDENAVE.). Fortaleza: BNB. de. S. H. E.10-22. n. 1980. Intervenção tutorial ou participativa: dois enfoques da extensão rural. Brazil. T. 188p. GONI.1. Recife: 1995. GONDIM. D. 84p. 1991 (mimeo). Fortaleza: Banco do Nordeste. 1980. O que é a Metodologia GESPAR? PROJETO BNB/PNUD. P. Participação é conquista. J. J. P. VALADARES. Avaliação da estratégia de ação do Banco do Nordeste do Brasil em apoio ao pequeno produtor nordestino. GIOVENARDI. E. P. Participation in development in N. A.. H. 1997. 1993. v. São Paulo: Cortez. M. COSTA. Conscientização. O que é participação. E.15. P. (Coord. G. FREIRE. 1987. Oxford. N. P. J. Uma estratégia de apoio aos pequenos produtores rurais do Nordeste. São Paulo: Moraes. Cadernos de 17 OAKLEY.

A.UFLA. v. 2v. M. 33.1. dos S... 1995. Curitiba: SOBER. Anais.. Estratégia de ação do Banco do Nordeste do Brasil junto ao pequeno produtor nordestino e distribuição do crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE): avaliação preliminar. VALENTE JUNIOR. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE 18 Carregando. O. (Tese de Mestrado). 19 / 19 Nenhuma correspondência encontrada 1 2 3 4 5 6 7 .. C. Curitiba. 1995. 81p. FILHO. 1995..335-349. S. ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. p. ALVES..

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