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Apostila Sociologia Rural

Apostila Sociologia Rural

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A “vocação atual” da sociologia rural

Para uma abordagem das questões atuais que se colocam à sociologia rural - o verdadeiro objetivo deste texto1[1] -, é indispensável introduzir um quadro geral que esclareça a respeito da possibilidade de formulação dessas questões e mostre o sentido que é preciso trabalhar a fim de respondê-las. Este texto está organizado em torno de três eixos: um posicionamento da sociologia rural em relação à sociologia geral, que é o seu pressuposto absoluto; um posicionamento da sociologia rural diante das outras ciências sociais que estudam o mundo ou o espaço rural, o que se justifica pelas trocas importantes que ela tem com as mesmas - e, inversamente, as relações que as ciências sociais mantêm com a disciplina -; e uma reflexão sobre a curta história da sociologia rural, um preâmbulo indispensável para uma reflexão sobre sua presente situação e sobre o modo de perceber suas tarefas atuais e futuras. Três referências básicas A sociologia rural: aplicação da sociologia geral2[2] A sociologia rural - antes de tudo, trata-se aqui da sociologia rural francesa, podendo, contudo, o que será dito ser generalizável - jamais reivindicou o estatuto (absurdo) de disciplina única, à parte.3[3] Uma tal afirmação pareceria evidente. Em compensação, as conseqüências que necessariamente devem ser tiradas disto, são menos freqüentemente (para não dizer jamais) mencionadas e não são objeto da atenção que se impõe, se se pretende ver a sociologia rural como sociologia: se a sociologia rural, antes de tudo, é sociologia, ela pura e simplesmente se integra nas evoluções gerais - temáticas, metodológicas, teóricas - da sociologia. Isto, aliás, é patente, se se considera a sua própria história: é assim que ela, cada vez mais - ou simultaneamente - foi durkheimiana, funcionalista, culturalista, marxista, estruturalista, weberiana etc. Não existe, portanto, “escola” de sociologia rural, mas, através da sociologia rural, há análises de inspirações teóricas diversas que propõem diferentes maneiras de integrar as dimensões sociológicas da atividade agrícola e do mundo rural em uma análise de conjunto da sociedade francesa e, mais largamente, das “sociedades industriais”. (Henri Mendras propôs inclusive uma teoria geral válida para todas as sociedades). Desta proposição - que também é uma constatação - decorre toda uma série de indagações: como a sociologia rural seguiu estas evoluções? Ela simplesmente as seguiu ou, a seu modo, contribuiu para provocá-las? Uma resposta suporia uma análise mais detalhada, o que não será feita aqui, porque isto exigiria uma pesquisa específica.

1[1] O leitor já deve ter percebido a referência implícita ao título da obra de Georges Gurvitch (1950).
Contudo, devemos esclarecer aqui que ela não é propriamente uma obra de sociologia rural.

2[2] Precisemos bem: dizer que a sociologia rural é uma “aplicação” da sociologia geral não quer
dizer que a sociologia rural seja uma “ciência aplicada” (como foi algumas vezes afirmado). Quer-se dizer que a sociologia rural é um “ramo” da sociologia geral, tão fundamental quanto esta.

3[3] É interessante a este propósito consultar os primeiros escritos referentes à sociologia rural do
pós-guerra. Uma rápida pesquisa neste sentido conduz a resultados um pouco surpreendentes: o primeiro indício que encontrei de um curso de “sociologia rural” faz pensar que foi o Instituto de Estudos Políticos de Paris quem teve o papel pioneiro na matéria! Outras surpresas: este curso foi inicialmente confiado a dois geógrafos (em 1948-1949), em seguida a Jean Stoetzel (1951-1952), antes de ser atribuído a Henri Mendras. As apostilas dos cursos de Jean Stoetzel e Henri Mendras (cf. particularmente a apostila de 1963-1964), assim como a do curso dado por Henri Mendras no IHEDREA (s/d), começam sempre por uma precisão muito fundamentada referente à vinculação da sociologia rural à sociologia geral: Jean Stoetzel, Sociologie rurale, 1951-52 (curso ministrado no Instituto de Estudos Políticos de Paris, 304 p. datil.; Henri Mendras, Sociologie rurale, Paris. Os cursos de Direito, 1956-1957, 3 fascículos, 282 p. mimeo.; Henri Mendras, Sociologie rurale, Paris, Institut d’Études Politiques de Paris, Amicale des Éleves, 1963-1964, 216 p. mimeo.; Henri Mendras, Sociologie rurale, Paris, IEP de Paris, Amicale des Éleves, 1967-1968, 3 fascículos, 295 p. mimeo.; Henri Mendras, Sociologie de la campagne française, Que sais-je? n. 842, Paris, Presses universitaires de France, 1959 (reedição 1965), 128 p.; Henri Mendras, Sociologie rurale: notions générales et sociologie du changement, Institut des hautes études de droit rural et d’économie agricole (IHEDREA), s/d, 59p, mimeo.

Sociologia rural e ciências sociais da ruralidade: uma escola ruralista? Uma vez feitas as referências aos fundadores, pode-se continuar discutindo este tema que parece ser realmente central para a sociologia rural. Eis, por exemplo, o que escreveu Henri Mendras em 1958: “O ‘meio’ rural é um campo de investigação para todas as ciências sociais e seu estudo não poderia constituir uma disciplina autônoma. Os geógrafos que analisam as relações entre o homem e o meio natural e a distribuição espacial dos fenômenos humanos começaram naturalmente a se debruçar sobre o campo. A economia rural é um ramo (um dos mais antigos) da economia política. Ligando-se a um passado em que a agricultura era a atividade exercida pela maioria dos homens, a história social dá um grande destaque à descrição da vida camponesa. Os etnólogos estudam as estruturas ditas ‘arcaicas’ nas quais a busca ou a produção de alimentos ocupam todos os homens. Enfim, citadinos e rurais interessam igualmente ao psicólogo, ao demógrafo, etc. Enquanto homens iguais aos outros, os rurais também dizem respeito a cada ciência social. Entretanto, eles vivem em um meio particular que requer uma certa especialização do pesquisador e, às vezes, uma problemática diferente. Como o etnógrafo, o sociólogo rural deve, portanto, conhecer os métodos e as técnicas de todas as outras ciências sociais, a não ser que conte com a colaboração de uma equipe de diversos especialistas.” Encontra-se aqui uma profissão de fé que remete ao que se chama a interdisciplinaridade dos “ruralistas”.4[4] A démarche do “ruralista” ambiciona integrar todas as dimensões do social, o tempo, o espaço, o local e o global. Trata-se de uma démarche que se qualificaria hoje de holística (ou holista). Do ponto de vista sociológico stricto sensu, esta démarche se caracteriza também pela sua “transversalidade”. Isto aparece, por exemplo, particularmente nos planos das obras gerais de sociologia rural: por um desvio de alguma forma paradoxal, a sociologia rural, em princípio “especialidade” da sociologia, aparece de fato como uma sociologia “generalista” em si. O sociólogo rural se interessa por todo um conjunto de aspectos da vida social que é dividido, por sua vez, em várias “especialidades” da sociologia - sociologia política, sociologia da família, sociologia das religiões etc. Portanto, é pelo seu “objeto” - seria melhor falar de “campo de aplicação” - e não por uma “teoria” ou uma “escola de pensamento” particular, que a sociologia rural se define. Deste ponto de vista, podese bem seguir Michel Robert (1986: 5-6) quando ele escreve: “Com suas duas correntes bem nítidas, a sociologia rural se definirá, portanto, mais pelo seu campo de ação do que por uma coloração teórica original. Nisto, pode-se compará-la à sociologia urbana na qual se pensa imediatamente, embora a sociologia rural não seja sua antítese. Estas duas disciplinas não são construídas uma em relação à outra, nem a fortiori, uma contra a outra. Tendo dividido entre si o espaço e seus habitantes, elas seguem cada uma a sua rota teórica sem mesmo ter sempre relações elementares que seriam desejáveis”. É o que diz também Henri Mendras, escrevendo no Traité de Sociologie de Georges Gurvitch: “Se não se limita a uma sociologia agrícola especializada, a sociologia rural se define, portanto, pelo seu campo de estudo, as sociedades rurais” (Mendras, 1958: 316). É desta proposição que decorre uma interdisciplinaridade que “exige (pois) o concurso de todas as ciências sociais para chegar a uma integração dos diversos aspectos da vida rural. Nesta perspectiva, o sociólogo rural atribui a si mesmo uma dupla tarefa, por um lado, estudar os aspectos da sociedade que dizem respeito a sua ou a suas especialidades, e, por outro lado, reinterpretar e integrar, desde seu ponto de vista, os materiais que os pesquisadores de outras disciplinas lhe oferecem” (Mendras, 1958). Henri Mendras imediatamente acrescenta uma precisão que muda uma leitura à primeira vista estritamente “objetiva” da afirmação (no sentido de constitutiva de um “objeto” de uma certa forma “físico”): “Esta definição compreensiva parece-nos impor-se nos países de campesinato tradicional, notadamente na França. A sociedade rural conserva aí uma certa autonomia diante da sociedade global e é impossível reduzi-la a um grupo profissional, a um setor econômico ou a uma classe social, entre outros” (Mendras, 1958). Segundo ele, a justificativa da sociologia rural repousa, assim, no postulado - que poderia também ser tratado como uma hipótese - da existência, “nos países que têm um campesinato tradicional”, de uma “sociedade rural” (?) que “conserva uma certa autonomia face à sociedade global”. Assim definido esta é a definição de Henri Mendras, mas que pesou fortemente na sociologia rural durante pelo

4[4] Esta interdisciplinaridade está, por exemplo, na própria base da filosofia e da ação da Associação
dos Ruralistas Franceses.

menos 20 anos - o objetivo da sociologia rural é, de uma certa forma, demonstrar a validade desta proposição (desta hipótese, poderíamos dizer). Daí, a ênfase posta progressivamente na “mudança social” que deslocará as “sociedades rurais” de seu estatuto de “autonomia relativa” - o das sociedades camponesas - à sua integração total à sociedade global - através da passagem dos “camponeses” à condição de “agricultores”, estes últimos cada vez mais vistos como “um grupo profissional... um setor econômico ou... uma classe social, entre outros”. Uma hipótese forte cimenta as análises especificamente sociológicas de temas precisos do mundo rural: a de que existem laços estreitos entre os diferentes aspectos da vida social que leva a que estes aspectos sejam do domínio de diferentes áreas da sociologia ou de outras ciências sociais - a economia, a geografia, a etnologia, e a história, evidentemente - e a se reconhecer que é preciso, portanto, tratar de considerar todos estes aspectos conjuntamente como condição para compreender as evoluções do mundo rural e lhes dar uma interpretação verdadeiramente sociológica. Daí a busca constante da transversalidade no seio da sociologia e da interdisciplinaridade com as outras ciências sociais dedicadas ao tema. Daí, também o risco que os sociólogos rurais correm de parecerem fechados - juntamente com os outros “ruralistas” - limitados ao estudo do mundo rural “específico” e “fechado”. De fato, uma análise detalhada dos trabalhos dos sociólogos rurais mostraria que não se trata disto e que a preocupação de situar as evoluções do mundo rural no interior das evoluções da sociedade global é constante e sistemática. Deve-se sublinhar que esta dupla preocupação já é uma característica forte da sociologia rural, mantendo ao mesmo tempo suas preocupações com uma coerência de uma certa forma “interna” ao “mundo rural” (a expressão assume aqui todo o seu sentido) e com a integração deste conjunto a uma lógica global (uma coerência, de uma certa forma “externa”) de uma sociedade dita “englobante” para marcar esta “exterioridade atuante”. Pode-se dizer que esta é uma proposição e uma “postura” sociológicas de caráter geral e básico (que exigiria, diga-se de passagem, um exame aprofundado): ao mesmo tempo um exercício difícil de se fazer, uma espécie de desafio difícil de se manter. Mas, afinal de contas, não é o que torna interessante e mesmo justifica uma démarche de sociologia aplicada a qualquer uma das malhas, elementos ou aspectos da vida social? Em suma, não é essa uma das exigências fundamentais da análise sociológica e, portanto, do próprio trabalho do sociólogo? Sociologia rural e sociedade: dentro e fora Uma análise mais atenta da história da sociologia rural mostraria sem dificuldade o quanto esta história está ligada, através de suas temáticas - e talvez precisamente através da própria orientação de suas análises - às questões que são colocadas (às vezes, inclusive nos termos em que são postas) a respeito do mundo rural, da agricultura e dos agricultores na própria sociedade francesa. Não me parece esquematizar excessivamente se disséssemos que cinco e principais temas organizaram ao longo do tempo o questionamento que sociólogos rurais constantemente se têm feito através de ponderações variáveis e de enunciados igualmente diversos, se comparados os momentos em que são apresentados. O primeiro deles diz respeito às relações - e mais precisamente, na linguagem da época, à oposição cidade-campo. Este velho tema, que reaparece com mais força desde o final da guerra, tem um lado “acadêmico”: ele remete a antigas reflexões dos geógrafos e dos historiadores. Mas a forma como é retomada no pós-guerra corresponde muito diretamente a preocupações sociopolíticas maiores. Tratava-se então de lançar a França a uma política de reconstrução, industrialização e modernização e a questão que se punha era a de saber se esta componente essencial da sociedade que são os campos - entendamos “agrícolas” - na França dos anos 1950 será capaz de se adaptar às mudanças indispensáveis. Para a cidade, “civilização de conquista”, como Braudel a caracterizará mais tarde, a questão não se coloca: apenas se põe a questão de saber o que vai acontecer com elas em uma fase de crescimento rápido - o que será a questão central e “organizadora” da sociologia urbana. Está-se, assim, em um campo sócio-político e a sociologia rural vai tomar para si, sob diferentes formas, as questões decorrentes. Estas questões ressurgem periodicamente durante todo este meio século, com as formulações que evoluem em função das mutações sociais, econômicas, demográficas, etc. Algumas noções servem de referência nesta interrogação permanente da sociedade francesa sobre si mesma: desertificação (dos campos), rurbanização, terras não cultivadas, uniformização (dos modos de vida), morte (ou renascimento) do rural, etc. A sociologia rural - mas as outras ciências sociais igualmente o são - é constantemente interpelada pelo que se poderia chamar o “discurso social” sobre o rural. Ela também tenta dar as suas respostas.

Se nos fixarmos na cronologia, parece-me que o segundo tema a evocar é o das transformações da agricultura, não só do estabelecimento agrícola, e do trabalho do agricultor, mas também - tendo em vista o estreito laço entre o estabelecimento e a família - a transformação da família agrícola. Trata-se aqui do domínio da política agrícola que ocupa um lugar crescente na vida política a partir dos anos 50 até hoje. Tendo experimentado uma considerável “modernização”, sob o impacto de um movimento social poderoso e dinâmico na Quinta República - já em curso na Quarta, mas uma das grandes construções daquela - a agricultura ocupa um lugar de destaque na vida social - e sobretudo política - nesse período. Uma tal voragem sociológica era, evidentemente, um estímulo para os sociólogos rurais, a tal ponto de a sociologia rural ser considerada, com justiça, como tendo sido largamente infiel a sua vocação para se reduzir a uma sociologia dos agricultores (Robert, 1986). O terceiro tema, que já aparece no primeiro e prossegue no segundo, é o do lugar que os camponeses, e depois, os agricultores, ocupam na sociedade francesa e, mais particularmente, na estrutura e na vida política do país. Esta questão não é apenas o pano de fundo das transformações em curso, tanto nas relações entre a agricultura e a economia nacional, quanto nas relações entre cidade e campo: ela é claramente colocada pelos líderes do movimento social dos “jovens agricultores” (Debatisse, 1963; Lambert: 1970) e por aqueles que se poderia chamar de seus “intelectuais orgânicos” (Faure: 1966). Esse tema constitui, como já se viu, um dos capítulos inevitáveis - e, por assim dizer, até mesmo, uma forma de conclusão - em qualquer apresentação de conjunto da sociologia rural. O quarto tema, embora tenha surgido bem depois e mais como uma resposta a ele, poderia ser incluído no primeiro como um dos seus itens. Trata-se do tema do desenvolvimento local, inicialmente com o movimento das localidades (“pays”), o slogan “viver em sua própria localidade” (vivre au pays); depois, com as políticas de desenvolvimento rural, seus múltiplos recortes espaciais e procedimentos às vezes bastante inovadores na ação da administração (com a introdução dos planos de desenvolvimento rural, por exemplo). E hoje com os debates sobre o futuro do mundo rural no quadro de uma política de organização do território. Um último tema deve, enfim, ser evocado (embora este texto não pretenda exauri-lo): o do meio ambiente. É a questão mais nova, mesmo que sejam muitos os seus antecedentes que podem ser encontrados na sociologia rural (Mathieu & Jollivet, 1989). Como “discurso social”, ele é incontestavelmente um tema recente. Nele pode-se incluir a referência, tão atual quanto florescente, às paisagens. E, de forma mais geral, o problema das relações com a “natureza”, que constitui o pano de fundo - para não dizer o próprio fundamento - da questão do meio ambiente. Se não foi a partir da agricultura e do campo que as preocupações ambientais tomaram corpo (as primeiras vieram com a indústria e suas “poluições”), a agricultura, os recursos naturais renováveis (a água em particular, mas também os solos, as florestas, etc), a qualidade dos produtos agrícolas e do espaço rural não tardaram a entrar em cena, e mesmo a ocupar um lugar especial no tema do meio ambiente. Os “ruralistas” - e em particular os sociólogos - no campo das ciências sociais, foram os primeiros a se interessar por estas questões, a ponto de Bernard Kalaora dizer que seria necessário que as pesquisas em ciências sociais sobre o meio ambiente se liberassem da influência daquelas, influência julgada excessiva e tendente a se fechar. Até aqui, esta lista de temas recobre o essencial e ilustra suficientemente o nosso propósito, de apenas chamar a atenção para a estreita correspondência entre as grandes temáticas da sociologia rural e o que se poderia chamar as “questões da sociedade”. Em função da ótica considerada, três observações podem ser formuladas. Primeiro, foi sem razão que se acusou a sociologia rural de se fechar em sua “torre de marfim”; ao contrário, ela tentou trazer suas respostas às interrogações da sociedade que eram de seu domínio. Segundo, teria ela, ao fazer isto, pecado por um excesso de oportunismo? Foi ela, afinal, “teleguiada” de alguma forma pela “demanda social?” Observemos, desde logo, que parece lógico que as ciências sociais tratem dos problemas que se colocam na sociedade e para os quais elas são competentes. Sobre este ponto, notar-se-á que todos os temas evocados fazem parte da matriz inicial da sociologia rural. De fato, estes temas são mais recorrentes que sucessivos; apenas, ao “gosto do dia”, suas formulações sucessivas lhes dão uma aparência de novidade irredutível. Ao contrário, o que devem fazer as ciências sociais é precisamente mostrar que se trata de avatares, de desenvolvimentos circunstanciais de questões de fundo. Para isto, o que elas devem fazer é igualmente abandonar o discurso comum, na medida em que este é susceptível de ocultar os problemas reais. Emprega-se aqui uma fórmula da qual a prudência esconde mal a pretensão, para não dizer a imprudência: cada ator social tem sua concepção do que sejam os problemas reais - são aqueles que eles enfrentam em sua ação ou em seus interesses imediatos.

a característica da sua “postura” durante este meio século de sua história. e que parecem indispensáveis para a discussão presente. Portanto. elaborar um instrumental intelectual à altura de suas ambições.e. o mais preparados possível. A terceira questão que pode ser colocada consiste em saber se a sociologia rural conseguiu.e em vigor especialmente na Holanda. que formularia questões-chave estruturantes da disciplina em torno das quais o trabalho da comunidade dos sociólogos se organizaria. tal como foi herdada das últimas quatro ou cinco últimas décadas. Considerada no primeiro aspecto. seria preciso sociólogos competentes no estudo dos aspectos da realidade social em questão para realizar de maneira rigorosa e informada as pesquisas necessárias. configurando os dois grandes esquemas analíticos que ela propõe para compreender as evoluções contemporâneas da agricultura e das sociedades rurais nas sociedades ditas “industriais”. uma visão essencialista e idealista. a sua análise crítica do processo de inovação .as “sociedades rurais” . digamos. esta atitude é uma das grandes características da sociologia rural francesa e um dos pontos sobre os quais ela mais se diferenciou da “sociologia agrícola” de inspiração americana . ao movimento “neo-ruralista”. A crítica que ela fez ao discurso da “rotina camponesa” ou. o que se pode dizer é que essas questões têm importância e mereceriam hoje um exame atento para que possamos. ela suporia a existência de um esquema de referência teórico aceito por todos os sociólogos. Esse tipo de atitude pode ser vista sob dois ângulos: um remete à história. mais tarde. mesmo neste caso. pelo menos. no curso deste período. nem às exigências da especialização dos conhecimentos pela divisão do trabalho científico. abordar as tarefas futuras. aquela atitude equivaleria a uma negação da história social que vai da sociedade feudal à sociedade industrial ou. até mesmo.Mas esta “pretensão” é a mesma da sociologia. Deste ponto de vista.e que conserva o seu modo próprio de ver: eis aí. entre outras. por exemplo. um novo relevo e ao “modelo de desenvolvimento” operado pela política agrícola a partir dos anos 60 (agora questionado). no domínio das pesquisas sobre a inovação. Deve-se precisar ainda que. à recusa da idéia de que as sociedades industriais possam conservar traços. que em nada corresponde. uma sociologia rural muito sensível aos avatares do questionamento social sobre o rural . e ainda menos lhes fornecer. uma análise comparada das duas démarches. mas não se justifica mais atualmente. Além disso. quase próxima do seu “objeto” . Segundo esta maneira de ver.e isso talvez faça uma grande diferença em relação à economia (ou pelo menos a uma certa economia) e à geografia (ou pelo menos uma certa geografia). qual seria essa pertinência? qual a base das suas problemáticas e “objetos”? No que se refere às justificativas da sociologia rural há duas maneiras possíveis de ver as coisas. algumas pistas para realizar aquele balanço. o “rural” não existe mais. são. querer responder com precisão a tal questão seria uma pesada tarefa. tanto da sociedade quanto da sociologia. dar conta. que é a de evidenciar as “lógicas sociais” implícitas ou. neste caso. ao que parece. Ao contrário. A primeira consiste em afirmar que a sociologia rural nunca teve pertinência e sempre foi um artefato ideológico. a uma epistemologia da sociologia. A identificação de um ramo da sociologia que se dedica a sua análise pôde se justificar.que assume hoje. herdadas das sociedades agrárias de onde elas procedem. Sobre este balanço. as suas razões. Estes são elementos gerais básicos para um “enquadramento” da sociologia rural. Se a sociologia rural foi acusada de permanecer em sua “torre de marfim”. ter-se-ia. de “sociedades rurais . Considerada do ponto de vista da estrutura interna da sociologia. não teria sido porque ela nunca aceitou responder às questões tal qual estas lhe foram colocadas . enquanto tais. e cujos discursos não podem. aquelas que escapam à consciência dos atores. seria muito instrutiva. com a renovação das questões sobre as “tecnologias”. Em outras palavras. os pontos de vista e as avaliações são evidentemente diferentes. A propósito.continuam existindo (se é que existiram em algum momento). e inclusive estruturas. Questões atuais Duas questões definem o essencial: a sociologia rural. nem ao caráter basicamente empírico da sociologia. Devese notar que uma tal afirmação é coerente com a definição de Henri Mendras. a sociologia rural opôs sua formulação própria dos problemas à dos atores profissionais e do Estado? Por sua “distância crítica” em relação ao real. o outro. A segunda maneira de negar a pertinência da sociologia rural é indagar se o “objeto” que ela reivindica como seu . tem ainda pertinência? Se sim.

própria sociologia. de um lado. é igualmente indispensável recolocar tais evoluções e as interpretações que o sociólogo pode fazer sobre o passado no médio e longo prazos. por outro. interrogando-se sobre as problemáticas atuais com as quais ela poderia se ocupar. trata-se de repensar o desenvolvimento. através de uma . “produtividade”. Um primeiro bloco de questões gira em torno da diminuição da população ativa agrícola e suas conseqüências: há um debate particularmente aberto sobre o tema do número de estabelecimentos agrícolas (inclusive sobre o número que se deve ter como meta) que haverão de subsistir nos futuros dez ou vinte anos. ou ainda através das tensões produzidas pela intervenção da regulamentação européia sobre a matéria etc. etc.com o necessário abandono à referência às “2 UTH” (unidade de trabalho utilizada como referência nas análises sobre a moderna agricultura familiar). que seria possível justificar a pertinência ainda hoje da sociologia rural. Para caracterizá-la. É claro que estamos aqui no cerne do problema. se tais “sociedades rurais” são habitadas cada vez menos por populações de agricultores e cada vez mais por trânsfugas da cidade ou por assalariados das zonas rurais industrializadas ou terciarizadas. através do grupo dos agricultores em dificuldade . as “sociedades rurais”. portanto. que trata da evolução da população dita rural. isto é. É. Se. basta remeter às reflexões sobre o “renascimento” rural. através dos conflitos. Um outro debate refere-se mais diretamente à agricultura e ao modelo de desenvolvimento . levar em conta. O questionamento social e a sociologia rural Quatro séries de questões podem ser colocadas. mas seria necessário. Em uma palavra. clarificar o discurso por sua análise interna . de definir sistemas técnicos de produção que levem em conta.e. Que problemáticas e que objetos? Esta reflexão se inscreve no prolongamento da análise acima desenvolvida. Esta primeira discussão se prolonga em outra. Trata-se. o que implica em evidenciar suas dimensões propriamente sociológicas e/ou dos objetos referidos. antes de mais nada. ainda segundo Henri Mendras. “extensificação”. ele precisa evidenciar o que se poderia chamar os “silêncios significativos”. quer a emergência de políticas relacionadas com as novas funções do espaço rural. o sociólogo tem uma sêxtupla tarefa a cumprir. Diante desta avalanche de questões e de argumentos contraditórios. Após o enunciado da questão. considerando. os dois planos sobre os quais elas devem ser examinadas . como este autor afirma. é necessário.em crise . O último debate a ser feito refere-se ao meio ambiente. enfim.isto é. em outras palavras. antes de mais nada. poder-se-ia acrescentar com maior razão. acima lembradas. quer as reivindicações das populações locais relativas a sua situação de vida. as evoluções contraditórias nos domínios técnicos (com as biotecnologias e as técnicas “extensivas”). as questões reais que não são objeto de nenhum discurso. É preciso ainda analisar as conseqüências do modelo de desenvolvimento . Estas reflexões desembocam em todo o debate sobre o futuro do espaço e do mundo rurais e sobre quais deveriam ser as políticas que lhes dizem respeito. convém redefinir o estabelecimento agrícola e a atividade profissional dos agricultores em seus próprios fundamentos . ainda. ele enriquece o seu aparelho analítico e oferece os meios para escapar dos desvios da interpretação de curto tempo e sem recuo freqüentemente associada a uma visão dramática. em seguida. “pluriatividade”. desaparecem quando os camponeses se transformam em agricultores. como as que se presume existir nas sociedades industriais. deve passar à sua formulação sociológica. é o caso da França. Pode-se acrescentar uma terceira dimensão que remete a um movimento de conjunto que diz respeito ao questionamento científico considerado globalmente. quanto dos discursos que elas suscitam.a saber: o questionamento social. as trocas e os mercados (e não mais os temas centrados apenas na intensificação da produção) e. a sociologia rural não tem mais razão de ser em uma sociedade sem camponeses . simultaneamente. de sua amplitude real. os movimentos de mundialização das relações de troca entre os grandes produtos básicos e o desenvolvimento dos circuitos curtos dos produtos mais especializados etc. dar uma imagem “objetiva” das evoluções e situações reais e proceder ao que se poderia chamar uma “crítica externa” do discurso. distinguindo os dois contextos em relação aos quais as evoluções da sociologia rural parecem estar referidas . na qual os camponeses se tornaram agricultores.por exemplo.ou. de outro. em termos sociais e ideológicos. apoiando-se em um corpus de textos ad hoc.tanto das mudanças em curso. E isto.e inversamente. estabelecer os fatos para se ter uma distância em relação aos discursos e.que ela vem adotando há um terço de século. através da necessidade de se conceber os sistemas de produção agrícolas “respeitadores do meio ambiente”. catastrofista das coisas . como. aprofundar a análise para sermos mais precisos neste ponto. assim procedendo. as interrogações vindas da ou referentes à . o sociólogo também deve demonstrar que as suas análises enriquecem o conhecimento da sociedade francesa.camponesas”. por um lado e. os termos que aparecem aqui são “diversificação”. Ele deve.quem os emite? com que coerência? no quadro de que estratégias e com que objetivos? . ao mesmo tempo.

a um contexto incerto. porém. a das transformações de uma “sociedade local” de base agrária em direção a uma “sociedade local”. que representam o futuro do espaço rural.para não dizer uma contradição fundamental . assim. Que se possa fazer um cruzamento entre as duas análises é. Tais análises devem ser retomadas atualmente por duas razões: primeiro. se se estima que os agricultores já se tornaram um “grupo profissional”. considerado enquanto “sociedade” (local). da inovação nos setores produtivos não-industriais. A análise do que se poderia chamar um “sistema social localizado”. Sobre este ponto poder-se-ia comparar o seu procedimento com o da sociologia das organizações. Reduzir.uma tal proposição leva a sublinhar seus limites. ele próprio. A sociologia rural foi pioneira nas análises sociológicas do trabalho não-assalariado.000 municípios. “agro-managers”. Primeira observação: aquelas duas assertivas . imagens e estatísticas que constroem o “senso comum” nesse nosso tema. analisar o papel que eles representam no processo de integração social através das suas funções tanto institucionais quanto simbólicas e notadamente identitárias. aberto e complexo.devem ser tomadas como verdades estabelecidas? Não poderiam ser tratadas como hipóteses.. por esta mesma razão. entre tantos outros e se as “sociedades rurais”. um poder local que. é também um domínio no qual a sociologia rural investiu particularmente. Ela pode. é ocultar toda uma diversidade de situações que corresponde a uma multiplicidade de vias experimentadas num processo de adaptação . é a de um retorno maciço e metódico às pesquisas de campo. cujo lugar na estrutura e na vida política se vincula ao poder local. depois. em particular. porque a situação dos agricultores evolui rapidamente.a “sociedade local” . todas são razões para se repensar a teoria sobre a profissão e para se criar um novo quadro de análise que permita caracterizar sociologicamente os “villages” enquanto “sistema social” e. é uma sociologia da “transição” . de alguma forma espacial do que podemos chamar de uma “sociedade local”. de fato. portanto. as formas associativas. a emergência de novas solidariedades territoriais . Toda tentativa de generalizar ao conjunto da Europa . este procedimento deve se situar no quadro de uma análise das transformações da sociedade global e. qual seria. Além disso. além das “sociedades camponesas”. nem para todos os campos.o campesinato . se as duas razões de ser da sociologia rural desapareceram? Duas observações podem ser feitas em relação a esta maneira de colocar o problema. Não há apenas o campesinato. dos seus processos de reestruturação sociopolítica. e uma abordagem atualizada das “sociedades rurais” deve ser precisamente.os novos “territórios rurais” . “molecultores”. são apenas uma só . está longe de ter um peso insignificante no conjunto do sistema político. serem submetidas a exame e. em suma. enquanto tais. porque faltam as observações concretas para fazer um contrapeso à crescente invasão de discursos. enfim.é arbitrário: existem outras “sociedades locais”. mas ainda indispensável. então. um . nos 36. seja esta transição para uma formação de base não-agrária. isto é. pura e simplesmente. ele tem de mostrar que as suas análises robustecem o corpus teórico da sociologia..e também as novas problemáticas e os novos conflitos. também já perderam toda a sua “autonomia relativa”.) é ir um pouco depressa demais. antes de mais nada.ou da mudança social .ao outro . O questionamento sociológico e a sociologia rural A sociologia rural trata de todos os aspectos da vida social no campo. seja para uma outra já sem fundamentos agrários. em processo de rápidas mutações.que é requerida e isto supõe análises finas. não somente certo. . minuciosas e circunstanciadas capazes de perceberem as continuidades e as transformações nos processos de reprodução da sociabilidade e o sentido do ser-conjuntamente. porque o contexto que a sociedade global constitui está. O mínimo que se pode dizer é que ela coloca um problema histórica e geograficamente. A hora. as novas funções que deles se espera. A pluriatividade.as quais.sem falar do conjunto do mundo . dar uma contribuição em todos os capítulos da sociologia. As transformações sociais internas radicais que os municípios conhecem. das relações entre o pequeno produtor independente e os setores industriais a montante e a jusante. mas ela não é válida para todos os períodos históricos. Tanto em um caso como no outro.entre a análise de um longo período de transformações estruturais do campesinato e a análise. as recomposições espaciais às quais são levados. É possível indagar sobre a equivalência estabelecida por Henri Mendras entre “sociedades rurais” e “sociedades camponesas”. precisamente. No entanto. O mesmo pode ser dito a respeito das “sociedades rurais”.melhor compreensão dos processos sociológicos e da sua adaptação às transformações gerais nas quais o país está inserido.esta também podendo assumir uma variedade de formas . e. tal contribuição. a diversificação produtiva voltam a ser temas da ordem do dia que precisam ser considerados para caracterizar sociologicamente a situação atual dos agricultores. Existe um verdadeiro hiato . em conseqüência. etc. da relação social. serem confrontadas com observações empíricas realizadas em trabalho de campo? Admitir a afirmação segundo a qual os camponeses tornaram-se agricultores (empresários.

os saberes e os conhecimentos adquiridos de um lado e.no caso. Dedicarse a esta análise seria tanto mais judicioso quanto o termo volta hoje à ordem do dia. Em suma. Esta proposição é generalizável a todas as formações sociais nacionais. ao mesmo tempo. de uma forma geral.ocultação de uma ruptura e. poder-se-ia chamar as sociedades “de villages” ou “de fraca dimensão”. Estas análises de sociologia política permitiriam evidenciar e compreender as atuais mudanças em curso no controle de uma parte. Tal extensão à Europa da “construção rural” representa uma ocasião excepcional de renovação das problemáticas. tanto das políticas de cooperação intermunicipal. percebida aqui sob o ângulo das relações entre o Estado. levando em conta. por exemplo. francesa) tomada em seu conjunto. Por fim. ainda. precisamente. em seguida. da integração e da exclusão em “contextos” sociológicos bem definidos e diferentes dos subúrbios e dos bairros urbanos. como prejulgar este interesse? Tudo o que se pode fazer não é formular hipóteses sobre o que poderia ser. relativas aos processos de socialização. Esta é uma outra vertente de uma sociologia do político. em um momento em que ele adquire cada vez mais relevo. Também seria interessante ver em que medida o seu sentido não está. os contextos. no quadro de uma análise dos processos de “integração” européia. da fraca densidade relativa de seu povoamento.ou não . ao mesmo tempo. aqui. Porém. Isto se traduz naquilo que se poderia chamar “dispositivos locais de ação”. as competências. propor uma série de questões importantes para uma sociologia especializada na análise do atual mundo rural. interrogações sobre a noção de rural como categoria simbólica da representação que a sociedade constrói sobre si mesma.e neste caso. portanto. confrontá-los aos fatos e evidenciar a forma como a sociedade . e ainda em que medida. a condição social. referentes aos fundamentos das reestruturações sociais locais e às transformações das relações locais de poder subseqüentes às evoluções das estruturas agrárias. uma contribuição para uma sociologia da relação social. justamente. em que haveria uma forma de “banalização” tal que pudesse retirar todo o interesse à análise sociológica de uns e de outros? Aqui há uma atitude que se parece àquela segundo a qual nós teríamos chegado a uma espécie de “fim da história”. exigem que os seus aspectos referentes à “ruralidade” sejam analisados como facetas incontornáveis das evoluções da sociedade (no caso. uma vez que ela remete a uma história em curso. a profissão. da economia agrícola e da composição social da população rural. Evidentemente. em vias de se emancipar do seu conteúdo agrícola tradicional. para serem tratadas. especial e quantitativamente importante do poder “territorial”. Questões.no caso. ao mesmo tempo que é uma exigência que se poderia qualificar de histórica. não é porque estes problemas não ocupam o primeiro plano na mídia que não devem mais ser estudados. Ter-se-ia. Evocá-las aqui. a sociedade civil e o território . a fisionomia e as funções sociais e territoriais dos segundos continuarão a evoluir.utiliza . Estas são apenas algumas pistas.como a análise da evolução do lugar dos agricultores na sociedade e a de seus comportamentos profissionais e políticos.e quanto muito.Agora. as formas e o conteúdo da sociabilidade naquilo que.o seu passado “rural” para se adaptar ao presente. A abertura a uma abordagem comparativa internacional. as questões que parecem dever ser consideradas como as questões centrais de hoje? Em todo caso. Questões. Cabe ainda aos sociólogos decifrar os discursos e as políticas. os “municípios rurais” e outros vilarejos e pequenas cidades continuarão a existir. questionamentos sobre as evoluções das solidariedades territoriais sob a influência. pode-se. A questão que se coloca é a do interesse de uma análise sociológica destes fenômenos. em um setor produtivo sobre o qual se pode dizer que faz parte das “indústrias pesadas” mas não está baseado no modelo da grande empresa com salariado. Inicialmente. a questão se coloca em dar sentido a esta necessidade de continuidade . os quais constituem novos modos de socialização do espaço e de regulação dos conflitos. a segunda observação: mesmo supondo que os camponeses tenham se tornado agricultores e que as “sociedades rurais” tenham deixado de ser “sociedades camponesas”. Deste ponto de vista. uma das bases da pirâmide dos poderes. por uma comodidade pelo menos provisória. interrogações sobre as formas sociais de mobilização do trabalho agrícola: seria a contribuição de tal sociologia para uma sociologia do trabalho. é uma necessidade. quanto dos novos tipos de pressão ou de dependência de ordem espacial. e tudo isto continuará a fazer parte da sociedade global. a francesa . isso é uma ilusão de ótica: os “agricultores”. Outras já estão bem exploradas . . das múltiplas pressões que recebe e das expectativas as mais contraditórias que se tem sobre ele. esta mutação também não estaria exprimindo a necessidade de uma continuidade tanto simbólica quanto prática . o território ”rural” que representa uma problemática particular em razão da importância de seu lugar no conjunto do território nacional. a título de exemplo. tem por objetivo apenas mostrar que numerosos são os temas de pesquisa de dimensão geral que se pode abordar através das evoluções do mundo rural . a cidadania dos primeiros. os fundamentos. um começo de reconhecimento desta ruptura. ela deve particularmente ser aplicada ao conjunto dos países europeus. isto é. a ser associado a suas evoluções e a pesar também sobre elas. de outro.

os solos.de um lado. não somente em seu âmbito. a concepção da pesquisa científica que se situa a montante da técnica.. social e economicamente utilizado e vivido.Para caracterizar este conjunto de pesquisas a realizar. a interdisciplinaridade entre ciências sociais constitui um trunfo: é na interdisciplinaridade que existe entre os ruralistas que reside a oportunidade para reforça-la ou reanimá-la. E em conseqüência. no qual o ambiente natural predomina sobre o construído. de fato. a questão do meio ambiente. O mesmo acontece com o rural. não tem razão de ser e criar um contra-senso sobre o próprio “rural” e sua inserção na sociedade global. ligadas umas às outras. Esse rural oferece campos os mais variados para uma análise das relações sociais organizadas entre uma coletividade humana . o nacional e o europeu. e transforma os meios . as populações animais e vegetais . que se utiliza dos recursos naturais renováveis . um dos grupos sociais mais ricos em ensinamentos para o estudo das relações entre o social e o técnico.quadro da vida imediato e base de vida a longo prazo. Essa vantagem aparece com seus próprios problemas. O que a sociologia rural . em cujo estudo a ciência tem o hábito de estabelecer cortes. os solos. A sociologia rural também está implicada nos seus próprios procedimentos.e os meios naturais. enfim. contraditória . triar o que é pertinente para cada pesquisador em sua própria disciplina e separar o resto. o procedimento holístico na medida em que a análise sistêmica pode ser considerada como uma de suas versões. Isto quer dizer que são descobertas múltiplas relações entre fenômenos de ordens muito diferentes. as biotecnologias e a informática. com a necessidade de se situar em diferentes dimensões simultaneamente que vão do nível do village a do planeta. da mesma forma que entre o social e o técnico. entre as ciências sociais e as ciências que podem ser globalmente qualificadas de “ciências da natureza”. Seria preciso também que os sociólogos que se lancem a este gênero de pesquisas tenham uma cultura em ciências sociais suficiente para abordar o rural e notadamente para situar as suas evoluções presentes na história de suas relações com a sociedade global. que revêem. e de múltiplas formas. Tudo isto faz dela um dos domínios privilegiados.superprodução. Para tratar destas questões.uma sociedade? . Essas interrogações põem em questão um certo “credo” no “progresso técnico”. os ecossistemas. e que haveria de alguma forma uma mutação a fazer: seria necessário acreditar em uma ruptura radical que. o do desemprego e a questão do lugar e o papel do trabalho na socialização e integração social e. São várias evoluções. o técnico e a natureza em relação a todos os tipos de sociedades. a atmosfera. Ela o está por alguns dos seus temas e pelos elementos da vida social que estuda: a agricultura. problemas de qualidade da produção e do meio ambiente.a água. ainda mais claramente nestes últimos anos . Reencontra-se. “modelização”. enquanto atividade de rápida inovação tecnológica . tanto sobre a sociedade quanto sobre o meio ambiente . “análise sistêmica”.a água. se isto clarifica as coisas? Mas. os fenômenos de marginalização. “interdisciplinaridade”. A agricultura enquanto setor de atividade aplicada ao ser vivo (animal e vegetal). cada vez com mais insistência. Procura-se uma ciência mais preocupada com suas próprias conseqüências. criado. embora seja socialmente apropriado.há quase um quarto de século. 1991) ao invés de uma “sociologia rural”? Por que não. passando pelo microregional. assim.. tais como “complexidade”.donde o êxodo agrícola que alimenta o desemprego e provoca a migração rural. O caminho que assim se abre é balizado por palavras-chave. que atingem proporções crescentes da população na maioria dos países. O movimento científico e a sociologia rural Desde o começo dos anos 1970 . Todas elas procedem de interrogações em curso há vinte anos. os recursos genéticos. mas também entre o social. A sociologia rural está diretamente implicada nestas evoluções. o tema das desigualdades sociais crescentes.. de outro.mas isto também é válido para as outras ciências sociais do rural tem a aprender é a estender o seu projeto interdisciplinar às ciências da natureza que analisam os “sistemas naturais” envolvidos com os “sistemas sociais” que ela estuda. que esta condição não leve a pensar que a “sociologia rural” não tenha sido precisamente senão uma “sociologia do rural”. o regional. a extensificação e a agrobiologia . seria melhor falar de uma “sociologia do rural” (Lagrave. um rural herdado da história e constantemente remanejado. de fato. . mais particularmente. entre as diferentes ciências e. modelado pelas práticas e pelas técnicas. e dos agricultores.e também controversa .assiste-se a uma evolução muito nítida da concepção das relações entre ciência e sociedade.

constituem puros artefatos do método adotado. No que ele se tornará? Que formas tomará em uma sociedade “industrial” em mudança rápida? Esta é a questão. este deveria ser o ponto central. das evoluções e das características sociológicas daquilo que se estuda. senão negligenciado.as evoluções das sociedades globais. Ora. A segunda questão refere-se ao fato de saber se para realizar essas tarefas há necessidade de sociólogos que se qualifiquem como “rurais” e de uma sociologia dita “rural”. Por exemplo: não é porque os agricultores não são mais camponeses .de sua forma “camponesa” anterior. Tenhamos cuidado para. Poder-se-ia “declinar” este modo de ver de múltiplas maneiras. este é um ponto sobre o qual a reflexão não avançou suficientemente nem se tem atualizado muito. levada mais em consideração. não o vendo mais. O que é preciso fazer.centrem sua atenção sobre a agricultura. Se se pode dizer.que a sociologia rural destes últimos cinqüenta anos pecou por carência neste ponto (o que sucedeu em vários casos). tem-se a sensação de que. a sociologia rural pode. isto exige competência específica.. seja porque se trata de um universo que lhes é estranho ou o rejeitam. que importância tem isto? Terceira observação: o importante é que as análises sociológicas que se façam situem os aspectos particulares da vida social no contexto da sociedade global . torna-se necessário.incluindo a agricultura e os agricultores . enquanto que. cada vez mais. não acaba de acabar. Ora. Seria acreditar. hoje. ao mesmo tempo especializada e geral.Para concluir. que ocupa um lugar bem determinado na estrutura social das sociedades capitalistas. eles tendem a ignorá-lo e a se abster de considerá-lo em suas problemáticas.que ela não é mais “familiar” (Lamarche. que o rural só existiu em um contexto e em um período bem determinado e passado. Sem dúvida. pode-se dizer também. não cairmos na cegueira do olhar centrado no presente e nos discursos próprios da sociedade sobre si mesma. pelos sociólogos que se ocupam destas questões.ou. de fato. por gosto.teria se banalizado e dissolvido na sociedade global. Referências bibliográficas . Uma abordagem setorial fecha e limita a compreensão. ela seria a de empreender tal reflexão teórica. com base nas suas pesquisas deste último meio século. os agricultores e o rural. a partir de agora. então. de “sociólogos rurais”? Por que não? Mas. é saber dar conta de maneira precisa dos processos. na verdade.e que são privilegiadas . É cada vez mais pertinente querer analisar em termos sociológicos as evoluções do mundo rural? Hugues Lamarche explica que não é porque a unidade de produção agrícola não é mais “camponesa” . Se um balanço da sociologia rural viesse a ser feito. tentando compreender de onde procedem suas formas específicas. condições que valem para qualquer domínio ou tema. é preciso que eles o façam efetivamente. Se se tiver que mencionar uma tarefa prioritária para a sociologia rural. em outras palavras. que as “entradas” específicas no funcionamento da sociedade . É preciso assegurar os meios que caracterizam sociologicamente esta forma particular de organização produtiva e de mobilização do trabalho que é a atual unidade de produção agrícola. Uma segunda observação decorre da primeira: é preciso que os sociólogos invistam neste domínio. as quais. Seria enganar-se acerca do estatuto histórico do rural.que eles não constituem um “grupo profissional”. uma observação vem logo à mente: os sociólogos rurais. interesse. E importa que tudo isto seja feito porque são componentes da sociedade global. ou fora dele. ele assume formas constantemente novas que correspondem a . evidentemente. um bom conhecimento do “objeto” do meio rural e uma cultura científica apoiada em bibliografia. Se a pesquisa de questões “transversais” é a que deve prevalecer e se a idéia de comparação deve ser um princípio de método privilegiado. e até mesmo leva a erros de interpretação principalmente em termos de “especificidades” do objeto estudado. igualmente. isto suporia fazer um balanço preciso .se isto se justifica .e vão paralelas com . não têm nenhum monopólio a reivindicar nos domínios que são hoje de sua predileção. cujo estudo é necessário para compreender as transformações gerais e as vias pelas quais estas se produzem. incluindo os camponeses. Quinta e última observação: em todo caso. seja por falta de interesse. e esta é uma outra faceta da observação precedente.isto é tão evidente? . é preciso voltar a duas questões essenciais. Quarta observação: o que conta. dar uma contribuição original aos grandes debates da sociologia.aquelas que interessam . Há todo interesse em que os sociólogos não rurais invistam no campo rural a partir de suas questões e de seus procedimentos. Seria preciso chamar os sociólogos que fazem esta escolha e se submetem a tal preparação. Em resposta a esta questão.termo que precisaria ser bem definido . o ponto de partida pode se situar no rural. Ou ainda: não é porque a população agrícola não é mais dominante na população rural que a “ruralidade” não existe mais etc. realizar uma avaliação crítica do que foi escrito e que esta exigência metodológica fundamental seja. distinguindo-a . Mas.. é que as mesmas análises sejam feitas apoiando-se em procedimentos e questionamentos maiores da sociologia. com efeito. A história. pode-se dizer. 1991-94). curiosidade. constitui um contra-senso não dizer que a sociologia rural teria perdido o seu sentido porque o rural . E tanto mais indispensável quanto o peso destes componentes geralmente é subestimado.

Traité de sociologie. Les paysans dans la lutte des classes. Michel. 1958:316 apud JOLLIVET. no contexto desse trabalho seria ligar a Sociologia Agrícola com a Rural. De acordo com o esquema proposto por Fernando de Azevedo. Notas Sociologia rural 2 Sociologia RURAL 2. 1963. Presses Universitaires de France. Mendras. 1989. Robert. 1986. pelo qual a Sociologia Especial consiste no estudo de categorias específicas de fatos sociais. entre outras.1. Lambert. as relações que as ciências sociais mantém com a disciplina" (JOLLIVET. Tome II: Dy mythe à la réalité. não somente entre si. mas quando se pensa no Rural. Librairie Armand Colin. a reforma agrária. Editions L’Harmattan. 1991.Debatisse. Georges. como por exemplo as lutas pela posse da terra. 1991-1994. Le combat des paysans. Que-sais-je? n. Paris. como sendo a mesma coisa. Bernard. Mathieu. 1998:1). 1958. "o bóia fria". In: George Gurvitch (dir). 1970. a grilagem. Paris. ARF éditions/L’Harmattan. Comparaison internationale. Paris. Cahiers de l‘IMPSA. Sociologie rurale. Michel. Lagrave. La révolution silencieuse. Presses Universitaires de France. 2. Tome I: Une réalité polymorphe. Éditions du Seuil. forçoso . Paris. os métodos que essa Ciência utiliza para concretizar as suas investigações. 1998:2). igualmente.297. la question de la nature aujourd’hui. certamente não se está pensando apenas na agricultura. Rose-Marie. Henri “Sociologie du milieu rural”. Há muitas relações sociais que se desenvolvem no campo que não dizem respeito à agricultura. 1950. a industrialização do campo. mar. Paris. a "Sociologia Rural é uma das subdivisões da Sociologia Especial "que estuda o modo de vida rural e a natureza das diferenças rurais e urbanas" LAKATOS & MARCONI (1999:29-30). Todavia. Calmann-Lévy. 5261. Presses universitaires de France. Faure. usará. Ainda considerando que a Sociologia Rural é uma subdivisão da Sociologia Geral. Paris. Perspectivas teóricas. como também com as demais "ciências sociais que estudam o mundo ou o espaço rural. 2 volumes. Paris. Hugues. Gurvitch. desnecessário se faz dizer sobre o inter-relacionamento que as duas disciplinas possuem. discours savants sur le rural”. Sendo um ramo da Sociologia. A tendência natural. p. inversamente. Paris. Marcel. La vocation actuelle de la sociologie: vers une sociologie différentielle. Nicole e Jollivet. L’agriculture familiale. “Discours communs. que é o modo de cultivar a terra. Lamarche. ou apenas "o estudo das sociedades rurais" (MENDRAS. Les paysans dans la société française. o que se justifica pelas trocas importantes que ela tem com as mesmas e. Du rural à l’environnement. Marcel (dir). 1966.

1998). acaba assumindo ares de disciplina geral.então nos é admitir que. "A realidade de nossos dias tem gerado uma sociedade que se urbaniza velozmente. senão que a síntese de todas elas. Destaca-se. Enquanto homens iguais aos outros. É dessa forma que deve ser feito o estudo da Sociologia Rural. aliás. A economia rural é um ramo (um dos mais antigos) da economia política. antes de ser Rural ou Especial. portanto. Como o etnógrafo. o mais apropriado é referir-se ao seu campo de atuação: as sociedades rurais. citadinos e rurais interessam igualmente ao psicólogo. Esse é um dos aspectos pouco considerados pelos estudiosos. da religião. seus precursores. conhecer os métodos e as técnicas de todas as outras ciências sociais. global." (MENDRAS apud JOLLIVET. a Sociologia Rural que deveria ser uma das especificidades em que se divide a Sociologia Especial. O conhecimento é uno. perde também o seu caráter de disciplina específica. Ligando-se a um passado em que a agricultura era a atividade exercida pela maioria dos homens. tal qual a Rural. tanto interna quanto externamente. essa disciplina é também Sociologia Geral. A Sociologia Urbana. As divisões têm implicações meramente didáticas. Nesse sentido. Essa . ao invés de se falar em objeto. é a matriz que direciona o epistemológico. na medida em que sua análise pode ser dividida em áreas como a da família. O seu objeto de estudo é. Enfim. fazem questão de destacar logo ao início dos cursos que ministraram no Instituto de Estudos Políticos de Paris. às vezes. Assim. por conseguinte. o sociólogo rural deve. Os etnólogos estudam as estruturas ditas ‘arcaicas’ nas quais a busca ou a produção de alimentos ocupam todos os homens. que estudam as particularidades dos fatos sociais. mas que Jean Stoetzel (1951-1952) e Henri Mendras (1963-1964). Entretanto. Vale dizer ainda que não se deve compreender o rural com o oposto do urbano. em 1958: "O ‘meio’ rural é um campo de investigação para todas as ciências sociais e seu estudo não poderia constituir uma disciplina autônoma. e dela herda igualmente as origens históricas e as perspectivas teóricas traçadas pelas diversas escolas e pensadores sociológicos. os rurais também dizem respeito a cada ciência social. Assim se posiciona Mendras. uma problemática diferente. etc. mais do que uma das especificidades da Sociologia Especial. dessa forma. bem como a mesma interdisciplinaridade com as demais ciências sociais. Os geógrafos que analisam as relações entre o homem e o meio natural e a distribuição espacial dos fenômenos humanos começaram naturalmente a se debruçar sobre o campo. grande parte da problemática rural atual é decorrente do entendimento errôneo de que aquilo que não é urbano é rural e vice-versa ou daquele que trata tudo como sendo a mesma coisa. promover a integração das análises feitas pelo rural. Uma das pretensões do ruralista é. por exemplo. ao demógrafo. pois o Urbano também é analisado por vários ângulos e planos diferentes e o que vai interessar à Sociologia Urbana não é uma dessas análises em particular. mas nenhum fenômeno social pode ser perfeitamente compreendido se dissociado do contexto geral em que se encontra e do qual recebe influência. a não ser que conte com a colaboração de uma equipe de diversos especialistas. entre outras. produzindo um único conhecimento que. inclusive que. a história social dá um grande destaque à descrição da vida camponesa. eles vivem em um meio particular que requer uma certa especialização do pesquisador e.

reinterpretar. 1958).1.2. e. criou rapidamente um forte contingente de trabalhadores rurais-urbanos. a análise ruralista se fundamentará na hipótese de "existência nos países que têm um campesinato tradicional. A tarefa do Sociólogo Rural. todavia o faz. Quando ao estudo particular da sociologia rural. os estudos das demais ciências sociais rurais. 2. sintetizar e integrar sob o seu ponto de vista. haja vista que esta não reconhece a sociedade rural como um de seus grupos sociais. Dessa forma. certamente várias nações do mundo. JOLLIVET (1998). o meio ambiente. a posição dos camponeses na sociedade. ou qualquer outro grupo reconhecido. Isso ocorre porque se está implantando no campo o modo industrial de produzir. Não se trata de "agricultores" ou "pecuaristas". 2002:8). com relação ao grupo dos agricultores e dos pecuaristas. A sociedade rural goza apenas de uma certa autonomia diante da sociedade global. tem uma dupla orientação: estudar as especificidades próprias de sua área de estudos. demonstrar a validade dessa proposição. comandada pelo processo de industrialização que o campo está conhecendo. As relações cidade-campo. levado a efeito pelos seus pesquisadores ao longo da história.urbanização. as transformações da agricultura. podendo ser sintetizados em cinco temas principais: as relações cidade-campo. que conserva uma certa autonomia em face da sociedade global" (MENDRAS. por exemplo. esquecendo que as especificidades de cada um não foram ainda eliminadas" (OLIVEIRA. Para alcançar esses resultados propostos. tem feito com que vários colegas autores tratem o campo como se trata a cidade/indústria. o desenvolvimento local. Nesse sentido. tomando como ponto de partido a questão francesa. como se esse formasse um bloco independente. o estudo da sociedade rural se baseia no entendimento de que existem elos de ligação muito finos entre os diversos tratamentos dados ao seu "objeto material" por cada uma das ciências sociais que abordam essa temática. Esse seria um dos motivos para o trabalho integrado dessas ciências. "o bloco do rural". de uma sociedade rural. Essa temática começou a ser tratada com mais intensidade após a segunda grande guerra.2. e. de forma a poder integrar-se à sociedade global. Essa postura parece dar ao trabalho do grupo um caráter fechado e isolado do restante do conhecimento. a fim de se obter a compreensão global da sociedade rural. entende que eles estão interligados. sendo o objetivo da Sociologia Rural. ou seja. mas isso é apenas aparência. Esses temas não foram exclusividades do povo francês. sem maiores dificuldades. incontestável. os brasileiros também vivem o mesmo drama. sendo impossível reduzi-la a um grupo econômico profissional. A questão . 2. Esse fato. O que deve ser vislumbrado é o fato de que o trabalho do sociólogo rural tem uma duplicidade de objetivos: compreender o social rural e integrá-lo no social global. a industrialização e a modernização. segundo Mendras (1958). a ênfase do trabalho será na mudança social que se caracterizará com a transformação do camponês em agricultor ou pecuarista. – O Objetivo da Sociologia Rural. quando o mundo destruído envidava um esforço generalizado para a reconstrução. o trabalho deve ter coerência interna e externa para que seja realmente um conhecimento científico válido.

E. pode-se perceber as mudanças que esse tipo de empreendedor (que não é do campo. pois essas são questões mais pertinentemente urbanas do que rurais. várias partes do mundo. a uniformização dos modos de vida. 2001:132b). levaria ao desaparecimento da floresta até o final do século XX. Mas a própria Britânica. como obstáculo para o desenvolvimento do país. em especial na bacia amazônica. absorvendo as lições da guerra. mas que apenas explora o campo). no entanto. A título de ilustração. em princípio. Esse ritmo de devastação. considera-se uma região desértica quando sua precipitação média anual é inferior a 250 mm" (BARSA. antes coberto por uma vegetação natural. principalmente de muito alimento. não é autárquica. a conceituar a desertificação. como: a desertificação. Mas e o campo? O progresso sempre demorou um pouco mais a chegar lá. Alguns ainda estão vivendo esses dramas rurais. Agora ela deveria ser utilizada para a reconstrução e a implantação do novo mundo. igualmente. plantação e plantação. onde normalmente acontecem as novidades. cuja única preocupação é produzir e ganhar dinheiro. esse esforço seria normal. problemas com terras não cultivadas. que não vive no campo. declara que ela "é a degradação do meio natural. pode-se destacar o fato de que várias áreas do Brasil vêm se desertificando.que se discutia era a de saber se os campos seriam capazes de suportar as mudanças. como a caatinga. ou derivadas da ação humana. apenas soja.uma área maior do que a França. Partir do nada destruído e retomar o ritmo da vida. onde não se vê uma árvore sequer. Produzida por causas naturais. De que forma a sociedade rural enfrentará os problemas modernos? A cidade não é capaz de bastar-se. o Brasil tem "regiões semi-áridas. Atender essa demanda vai implicar em muitas mudanças. Seria apenas uma questão de acomodação a um estilo de desenvolvimento mais acelerado. Essa riqueza vegetal foi encarada. aqueles que não podem continuam passando e morrendo de fome) criou o empresário rural. veio a enfrentar situações as mais complicadas. como o desmatamento" (BARSA. plantação. algodão. segundo os ambientalistas. milho. A preocupação em produzir para atender a demanda mundial de alimentos (principalmente do mundo que pode pagar por eles. Para a cidade. No início da década de 1990. a morte ou o renascimento do rural. Segundo a Enciclopédia Britânica. a qual fora usada para matar e destruir. no . 2001). pouco se incomodando com as conseqüências dos atos que pratica para assegurar essa produção. a rurbanização. em conseqüência do desmatamento desenfreado para aumentar a produção. Em geral. principalmente a partir da década de 1970. Por conta dessa situação. vieram a passar pela mesma situação. posteriormente. com tendência à criação de zonas desérticas. "Trinta por cento das áreas de floresta tropical do planeta estão concentradas no Brasil. hoje coberto por extensas plantações. a sociedade rural européia. vem ocasionando na paisagem brasileira. mas nenhum deserto. Os maiores danos são causados na região dos cerrados. Viajando pelo país afora. E que lições! Quanta diferença houve entre o corpo-a-corpo dos soldados na primeira grande guerra e o corpo-a-máquina da segunda! A modernidade trouxera a tecnologia. arroz. como as mudanças climáticas. é dependente da matéria-prima e. Fotografias de satélite tiradas em 1988 revelaram que o desmatamento realizado em pouco mais de dez anos na Amazônia atingia 12% da região .

esta exige novas e constantes transformações para atender a demanda dos demais grupos sociais que a completam e que implicam na adoção de um modo de vida totalmente diferente. em todas as regiões da Terra. As principais causas do desmatamento na região eram a criação de gado. eram as regiões mais preocupantes (PANORAMA. construção de estradas e hidrelétricas. mesmo ao incluírem a exploração econômica da floresta. Em novembro de 1998. É. a II Cúpula Mundial sobre desertificação. Ásia e África. e os camponeses a ser agricultores – um grupo reconhecido pela sociedade –. nos municípios de Jaciara e Campo Verde. e a África. planta-se o que é requerido. uma vez transformado em agricultor e feito membro ativo da sociedade global. favoreçam sua recuperação gradual. em particular. a desertificação causa prejuízos de 42 bilhões de dólares ao ano. porque a derrubada de árvores destrói as bacias hidrográficas e empobrece o solo. as taxas de desmatamento apresentaram uma redução.entanto. A América do Norte. representantes de 150 países iniciaram em Dacar. é a meta maior da Sociologia Rural. Mas. As ações desenvolvidas pelos homens do campo que conduzem às transformações da agricultura e que levam a propriedade rural a tornar-se uma propriedade agrícola. As transformações atingem "não só o estabelecimento agrícola e o trabalho do agricultor. onde as pequenas propriedades plantam cana e criam frangos . 2004). capital do Senegal. onde a devastação da vegetação natural reduziu a capacidade de armazenamento de umidade da terra e agravou os efeitos da estiagem sobre a agricultura. 1998). Exemplo óbvio é o da Etiópia. A Sociologia Rural depende da análise realizada por cada uma das diversas ciências sociais que analisam os fenômenos rurais. por meio de programas de reflorestamento. Muitas vezes elas apenas complementam a produção daquelas. mas também – tendo em vista o estreito laço entre o estabelecimento e a família – a transformação da família agrícola" (JOLLIVET. mineração. O processo de degradação afeta diretamente 250 milhões de pessoas e pode chegar a prejudicar um bilhão. com 74% de terras áridas ou semiáridas. o que já foi degradado. 2001:137). com a reposição garantida do que for retirado e respeito aos ciclos biológicos das diversas espécies" (BARSA. 2. agricultura em pequenas propriedades e crescimento urbano". Segundo dados das Nações Unidas. As pequenas fazendas precisam se adequar às grandes. portanto. São toleradas.2. O que plantar também deixa de ser uma decisão particular. para que possa fazer a sua síntese integradora que assegure a explicação unitária e global da sociedade rural. um fator intensificador da pobreza em países da América Latina. mas cujas conclusões interessam à Sociologia Rural para complementar a sua análise da sociedade rural. Esse fenômeno é bastante comum na região centro-sul de Mato Grosso. impedir que o processo de desmatamento indiscriminado tenha continuidade e desenvolver projetos que. cujo estudo é a meta da Sociologia Agrícola. "O desmatamento é uma das principais causas da seca. O grande desafio ambiental do mundo contemporâneo consiste em recuperar. mais atribuída à recessão econômica do que à consciência ecológica.2 – As transformações da agricultura. exploração de madeira. Já não se trata de produzir apenas para a subsistência da família. com 73%.

por exemplo. ao granjeiro" (OLIVEIRA. A mesma situação acontece em Nova Olímpia. "O processo de desenvolvimento recente no campo brasileiro tem criado condições para que uma fração do campesinato amplie a produtividade no trabalho familiar. onde se planta cana para a Itamarati. "A implantação do "TecnoFrutas . como alternativa para a mudança de atividade econômica. de outro. não obtendo sucesso. abandonando-se a idéia original do assentamento de profissionais rurais. Na região de Poxoréo. a indústria de ração que também industrializa e comercializa o frango. em decorrência do esgotamento das jazidas diamantíferas que sustentara o seu desenvolvimento desde 1924. Isso significa que. enquanto tentava viabilizar os recursos que viabilizariam o projeto. do acesso tecnológico colocado à disposição da agricultura capitalista. respectivamente. que foi modificado e transformado em apenas um projeto de produção. de Minas Gerais e em 2001. a ser cultivada com frutas tropicais. os frangos são entregues para o abate. do estabelecimento de novas relações com a indústria. O Tecnofrutas visava produzir alimentos de forma orientada para atender à demanda das indústrias. do garimpo para a fruticultura.500 empregos diretos. Na expectativa de garantia de venda da produção.5 kg. Este processo tem sido possível em função. Depois de atingirem um peso médio de 1. ainda não houve o envolvimento esperado e. As indústrias consumidoras de produtos de origem agrícola ou pecuária chamam estas relações de produção integrada. 2002:71). A indústria destina uma percentagem do preço final. desde 1997 a Administração Municipal vem incentivando o plantio do maracujá para fins industriais. no caso da avicultura. Em todas as propostas de assentamento fundiário postas em prática no Brasil. que pode variar em torno de 15%. beneficiando um total estimado de 30 mil pessoas" (SOUSA. alguns pequenos proprietários aderiram ao projeto. "Trata-se de algo inédito. Todavia. é uma proposta de geração de emprego e renda. através do assentamento fundiário de 200 profissionais agrícolas. por gerenciamento inadequado. Este processo tem sido objeto de muitos estudos. e. O "TecnoFrutas" — como foi batizado o projeto —. mas não . Barra do Bugres e região. para superar a recessão que passou a vivenciar desde o início desta década. por exemplo. Normalmente os assentados são pessoas que trabalhavam como arrendatários e foram desagregados. o costume é assentar "sem-terras". a própria Prefeitura implantou dos "Casulos" com o apoio do INCRA.400 hectares.para atender à demanda das indústria de açúcar e do frango. foi a forma encontrada pelo Governo do Município. diferente das formas convencionais tradicionalmente utilizadas pelo INCRA. em uma área de 6. ou então eram sertanejos que saíram do campo e se mudaram para as cidades acreditando que sua sorte mudaria e que. através do INCRA. Tangará da Serra.o processo de produção e industrialização de Poxoréo – MT". 1999:6). de um lado. mesmo com essa mudança. Em 1997 o Município fez acordos com a Maguari. cujas metas são a geração de 7. entregue ao granjeiro os pintinhos e a ração que comerão até o abate. desejam voltar ao campo. com a Superbom. Para começar a vender a idéia. os acordos com as industrias acabaram sendo cancelados e o projeto está temporariamente desativado.

promove o seu deslocamento territorial. São pessoas que.possuem mais os campos para voltar.o número de propriedades rurais na região sul caiu de 1. Tem ele. é o caso dos camponeses do sul produtores de soja. Onde conseguem comprar grandes áreas de terras. pois. 1999. acumularam condições para produzirem mais. a mudança cultural é praticamente inviável. pessoas formadas e qualificadas para trabalhar a terra de forma adequada.145 mil em 1980. possuem apenas a experiência rural. ao longo dos anos. com o esgotamento das jazidas. vêm abrindo no espaço distante a possibilidade de acumulação" (OLIVEIRA. "O que estamos assistindo de fato é. sujeita a renda da terra aos interesses do capital. 2. mas sim no seio de um processo contraditório. A questão em Poxoréo é cultural e cultura é algo arraigado na personalidade das pessoas.3. A posição dos camponeses na sociedade.264 mil em 1970 para 1. ao mesmo tempo que o subordina mais. o Município de Poxoréo se propõe a realizar o assentamento de "profissionais da terra". Assim. e. No registro de Ariovaldo de Oliveira. antes que eles sigam os exemplos de seus pais. As pequenas propriedades do sul estão no limite máximo de sua capacidade produtiva. As propriedades são pequenas e limitam a sua capacidade de produção. Não se muda de um dia para o outro. não estão diante da expropriação inevitável pelo avanço das relações capitalistas de produção no campo. o momento em que se deu a transição da pré-história para o período neolítico. pois. Além das situações particularizadas de Mato Grosso. em sua grande maioria. mas não possuem espaço territorial para fazê-lo. "A origem da civilização. "Dessa forma. os quais devem ser deixados como representantes históricos de uma classe de garimpeiros que está fadada ao desaparecimento na região.2. 10). não fica com quem produziu. em virtude da enorme variação de preço do hectare nessa região em comparação com o sul do país. abrindo espaço no Sul para a continuidade e possibilidade da concentração de terras para uma fração de camponeses que têm acumulado riqueza neste processo. Para eles. 2002:72). o processo de industrialização da agricultura que. mas se realiza parte na indústria e parte no sistema financeiro" (OLIVEIRA. importância capital na história . Normalmente vendem suas propriedades para os vizinhos. camponês. ou seja. MT. Dessa forma eles estão vendendo as suas propriedades e vindo para o Centro-Oeste e Rondônia. A renda da terra. produzida pelo trabalho familiar. sem necessariamente expropriar a terra do camponês. conseqüentemente. Contrariando essa linha. Uma experiência diferente e que se relaciona com Primavera do Leste. os quais vão se tornando médios e futuros grandes proprietários. Uma das idéias que está implícita no Tecnofrutas é que se deve trabalhar as novas gerações para uma nova forma de trabalho que não seja o garimpo. a produção integrada campo/indústria atingiu também o sul do país no que tange à suinocultura – os granjeiros produzem milho e engordam suínos para as indústrias de carne – e à produção de fumo – que atende aos oligopólios das indústrias de cigarros. 2002:72). utilizando o conhecimento e a tecnologia disponível" (SOUSA. nada foi senão o surgimento do primeiro campesinato. mas que não dominam as modernas tecnologias e conhecimentos. Os camponeses.

Surgiram. segundo Bloch. em oposição ao senhoriato. Com a revolução agrícola. quando esta não é própria. congregando várias gerações e famílias colaterais estabelecidas na mesma vizinhança. o que caracteriza a sociedade camponesa da França é sua relação com a instituição senhorial. sendo . o campesinato francês desenvolveu-se. O desaparecimento da escravatura possibilitou o aumento das parcelas arrendadas a colonos. "O campesinato está longe de ser homogêneo. podendo ser vendido ou não o excedente da colheita. deduzida a parte do aluguel da terra. Teoria histórica.2. "Segundo essa corrente. e a dos jornaleiros. chefiada pelo pai. Cada família-membro cultivava sua parcela para subsistência e o excedente era vendido ou trocado. e o socioantropológico. possuidores de animais de lavoura e de transporte e que eventualmente contratam assalariados. Outro tipo de senhoriato foi herdado de Roma. O campesinato caracterizava-se por ser uma camada inferior.1. que se empregam como assalariados. Nele se identificam essencialmente três camadas: a dos camponeses ricos. 2. usando instrumentos e técnicas rudimentares e mão-de-obra familiar. florestas e rios um sistema de direitos coletivos que eram respeitados e defendidos por todos os camponeses.humana. No entanto. denominados parceiros. "As comunidades passaram a desenvolver sobre os pastos. defendido pelo antropólogo americano Robert Redfield. Assim. A família.3. A classe dos senhores se originou da existência de diferenças de recursos e de prestígio entre os próprios camponeses: o membro do grupo que se destacava por suas qualidades ou riquezas rodeava-se de seguidores. difundiram-se as empresas agrícolas em moldes capitalistas cujo objetivo era a produção e a venda da colheita. subordinada e explorada pelo senhoriato. constitui sempre a unidade social de exploração da propriedade. O campesinato cultiva extensões limitadas. os lavradores ricos. existiam na França grandes conjuntos familiares. "As principais características desse tipo de campesinato perduram até hoje. e ela permaneceu subordinada a um conjunto de camadas sociais nas quais se inseria como inferior. preconizado pelo francês Marc Bloch. que utilizam os membros da família como força de trabalho. como é o caso dos "bóias-frias" brasileiros. "O fenômeno do campesinato tem sido estudado sob dois aspectos: o histórico. homem livre que pagava o aluguel da terra ao senhor com parte da colheita. O produto de seu trabalho destina-se primordialmente ao sustento da própria família. uma vez que dos primeiros núcleos camponeses derivariam as posteriores culturas urbanas. braçais. "Campesinato é o grupo social formado pela massa de trabalhadores da terra e pequenos proprietários rurais. reservando pequena parcela para o sustento do proprietário. no início. então. às vezes por temporada. a dos camponeses remediados. em coexistência no entanto com as unidades agrárias camponesas remanescentes. no início do século XVIII. O desaparecimento dessa subordinação ao senhoriato não logrou alçar a camada camponesa a uma posição elevada. Essa tendência foi diminuindo à medida que se desenvolvia a sociedade e aumentava o empobrecimento dos senhores. trabalhadores sem terra. sem a qual não seria possível compreender nem uma nem outra. coexistiam em propriedades gaulesas o escravo e o colono.

os mais abastados. submetida à camada urbana. é iletrado. Os camponeses surgem nas sociedades em que a cidade e o meio rural coexistem em situação mais ou menos equilibrada. acentuou-se a subordinação do campesinato à sociedade urbana em desenvolvimento. Durante a revolução. sempre existiram: (1) posseiros. possui tecnologia pré-industrial. como poder central. ao mesmo tempo em que se multiplicavam os pequenos proprietários camponeses. Teoria antropológica.2. praticamente monopolizavam a comercialização dos produtos agrícolas. desejo de enriquecer. a desapropriação dos bens da nobreza e do clero possibilitou a venda de terras a burgueses citadinos. Sitiantes independentes formavam parte da comunidade camponesa. O camponês constitui uma camada social inferior. valorização positiva do trabalho. "No Brasil. possuidores de animais. "Com a revolução francesa.2. 2. considerado como um mandamento divino a ser cumprido. encarregado da produção de alimentos para essas fazendas e para os povoados. o regime de pagamento do aluguel da terra com parte da colheita (meia. a comunidade permite que seus membros se desliguem para criar situações socioeconômicas distintas. "O camponês latino-americano pratica a policultura e a criação em pequena escala. contudo. (2) parceiros. A família é a unidade econômica de base e se insere em um grupo de vizinhança. onde se instalavam. em segundo plano diante dos fazendeiros monocultores e grandes criadores de gado. uma preocupação com a segurança. A relação entre o campesinato e a cidade é de complementaridade econômica.3. e noções básicas de ética derivadas da importância atribuída ao trabalho. localizados em terras devolutas ou sem autorização do proprietário. 2. um campesinato livre. Era freqüente. que passaram a alugar ou arrendar suas terras aos camponeses. em regra. terça). No decorrer do século XIX. Os instrumentos de trabalho são rudimentares e o excedente de produção é vendido ou trocado em mercados locais. coexistiu com a escravidão uma camada camponesa semelhante à descrita por Marc Bloch na Europa feudal.3. ao lado dos escravos. e suas características são: atitudes práticas e utilitárias com relação à natureza.que. os lavradores abastados passaram a se utilizar dos métodos capitalistas.3. vendendo o excedente da produção nas cidades e passando a ser comandados por citadinos. Permaneceram. "Além de camponeses proprietários. consagra uma porção significativa da colheita à subsistência e utiliza mão-de-obra familiar. Nas fazendas monocultoras ou de criação de gado havia. ou o equivalente em . que pagam o aluguel da terra com uma percentagem da colheita.2. Os camponeses tornaram-se policultores. cultiva pequenas áreas. Apesar de sua feição autoritária. Essa complementaridade deriva da dominação política que a cidade. orientadas primariamente para a subsistência da família. exerce sobre o campo. Esse tipo de campesinato é formado por unidades domésticas de produção. com os quais não tinham condições de competir. Entre esses. elevado apreço à procriação e à progênie. e continuou após a abolição da escravatura. uma vez que cabe ao camponês abastecer a cidade. "Essa segunda orientação relaciona o campesinato com diferentes tipos de sociedades. América Latina. seu trabalho satisfaz as necessidades essenciais da vida.

procedentes de vários países da Europa. João sancionou decreto que permitia a concessão de sesmarias a estrangeiros. "O Brasil apresenta uma estrutura agrária em que convivem extensos latifúndios improdutivos. pois os que não possuíam recursos suficientes para receber e cultivar sesmarias. com permissão do proprietário. grandes monoculturas de exportação e milhões de trabalhadores rurais sem terra. cultivassem e tornassem rentáveis. "Observa-se hoje no campesinato brasileiro um movimento de migração para as cidades. Por esse direito. que habitam as propriedades monocultoras. para os quais o aluguel da terra é fixo. "A concentração de terras em mãos de poucos grandes fazendeiros. a formação da família patriarcal e a delimitação da propriedade privada. (4) moradores ou agregados.1. .dinheiro. o que resulta em elevados índices de mortalidade. Os colonos. "Reforma agrária é o termo empregado para designar o conjunto de medidas jurídicoeconômicas que visam a desconcentrar a propriedade das terras cultiváveis a fim de torná-las produtivas. (3) arrendatários. Sua implantação tem como resultados o aumento da produção agrícola. medidas que refletem os privilégios dos proprietários mais próximos da metrópole. tem sido o maior entrave à justiça social no campo. 2. os estados. fertilização e recuperação do solo são desconhecidos. Interessada na produção do açúcar.2. no norte da colônia.2. No tocante às leis agrárias. porém. estimulou a instalação de engenhos e concedeu vastas sesmarias a indivíduos que estivessem em condições de investir na lavoura canavieira.4 .3. localizaram-se no sul e deram início ali ao processo de formação da pequena propriedade agrária. o colono podia conservar legalmente as terras que seu trabalho e dinheiro recuperassem. que concedia autonomia legislativa aos estados da federação. Questão agrária no Brasil. exceto por compra. quando a coroa portuguesa simplesmente transplantou o sistema feudal inoperante da metrópole para as terras da colônia. 2001:339) 2. Inauguraram também o regime de posse. Sua problemática confunde-se com os primórdios da agricultura. (BARSA. independentemente da quantidade colhida. Algumas sesmarias chegaram a atingir uma extensão de cinqüenta léguas. "A primeira Lei de Terras do Brasil data de 1850 e proibia a aquisição de terras devolutas.Reforma agrária. A área média das pequenas propriedades não ultrapassa os vinte hectares e a numerosa população rural vive em péssimas condições de higiene e alimentação. numa tentativa de coibir o regime de posse. "A primeira modificação importante na legislação agrária do Brasil data da vinda da corte portuguesa em 1808. quando o príncipe regente D. apropriavam-se de terras incultas. e apenas três no sul.3. Há regiões no país nas quais os processos de irrigação. a ampliação do mercado interno de um país e a melhora do nível de vida das populações rurais. cultivando nelas certos gêneros. "A má distribuição da terra no Brasil data do início da colonização. adquirindo-as pelo chamado direito de fogo morto. o analfabetismo prevalece e inexistem as escolas técnico-agrícolas. (5) camponeses sem terra. A lei vigorou até a promulgação da constituição republicana de 1891. em conseqüência da falta de um projeto global de política agrária que solucione seus problemas estruturais". a quem pagam com dias de serviço.4. sistema de propriedade rural que se denomina latifúndio. que alugam seu trabalho.

reversão à posse do poder público de . seja no de harmonizá-las com o processo de industrialização do país". arrecadação dos bens vagos.4. "A partir da proclamação da república. Problemas sociais e ação política. doação. se pretendia distribuir pequenos lotes a dez milhões de famílias. sobrevivendo assim à industrialização e às mudanças sociais ocorridas nos meios urbanos. que exigia aprovação do Senado para qualquer concessão superior a dez mil hectares. Por meio de seus representantes nos órgãos de governo locais e federais.2. a fim de atender aos princípios de justiça social e ao aumento da produtividade". Aqueles que não tivessem regularizado suas posses até o início da vigência do código só poderiam fazê-lo com base no instituto do usucapião. mas nenhum modificou fundamentalmente a má distribuição da propriedade fundiária no país. proliferaram as denúncias de exploração do trabalho escravo. que interrompeu a ampla mobilização nacional em favor da reforma agrária. pela execução das seguintes medidas: desapropriação por interesse social mediante prévia indenização em títulos da dívida pública.3. Em seu artigo primeiro. modificando o regime de sua posse e uso. o latifúndio exerceu sempre poderosa influência sobre as decisões oficiais. regeu a ocupação do Centro-Oeste e da Amazônia. seja no sentido de garantir o pleno emprego. proibiu a legitimação das posses e a revalidação de sesmarias.exceto por alterações muito superficiais. "Em 30 de novembro de 1964 o Congresso Nacional aprovou a lei número 4. As diferenças sociais se agravaram e estenderam. 2. ainda. já arcaica e ineficaz no início da colonização. conseguiu manter incólume o regime de propriedade e os privilégios de que desfrutava.4. O código civil brasileiro. uma vasta classe de despossuídos foi relegada à mais extrema miséria e teve suas reivindicações reprimidas sistematicamente com violência. "O governo do presidente João Goulart propôs. na segunda metade do século XX. Reza.3. em 1963. o estatuto define a reforma agrária como "o conjunto de medidas que visam a promover melhor distribuição da terra. que dispôs sobre o Estatuto da Terra. sucederam-se os decretos que regulamentaram aspectos da propriedade da terra.504. promulgado em 1916. "A mesma legislação. Multiplicaram-se as propriedades de dez mil. Estatuto da Terra. que o acesso à propriedade territorial será efetivado mediante a distribuição ou a redistribuição de terras. Sobreveio então o golpe militar de 1964. em flagrante desobediência à constituição de 1946.1.1. Na base da pirâmide social. compra e venda. grilagem de terras. "O princípio segundo o qual a posse não garante a propriedade vedou ao trabalhador rural o acesso à terra e propiciou a formação de uma casta de latifundiários que se apossou das áreas rurais brasileiras. endossaram os princípios e normas da Lei de Terras. assassinato de líderes dos trabalhadores rurais e toda sorte de violência. O parágrafo segundo do mesmo artigo esclarece que "o objetivo dessa política é amparar e orientar. a aprovação de um princípio constitucional segundo o qual a terra não poderia ser mantida improdutiva por força do direito de propriedade. Depois da constituição das organizações internacionais de direitos humanos.1.22. "Tradicionalmente identificado com o setor mais conservador da cena política brasileira.2. no interesse da economia rural. Por essa via. as atividades agropecuárias. 2. cem mil e até um milhão de hectares.

por terceiros.2.5.4. de 25 de abril de 1969. O mais importante deles foi o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Hoje trabalha-se com a idéia do desenvolvimento local integrado e sustentável (DLIS). A base da indenização aprovada foi o valor declarado para efeito de pagamento do imposto territorial rural. Tais comunidades mantêm entre si. os minerais. O desenvolvimento local. nem os organismos financeiros internacionais estão querendo financiar projetos que não apresentam um retorno concreto. sua existência em comum. Durante muitos anos trabalhou-se com a idéia de fundo perdido. o bem-estar futuro da humanidade depende fundamentalmente de uma atitude positiva voltada para a conservação da natureza. "A constituição de 1967 endossou o estatuto ao permitir a desapropriação da propriedade rural com o objetivo de promover a justiça social. Esse desenvolvimento vem sendo controlado por empresas contratadas pelo governo especialmente para auxiliar e orientar os pequenos proprietários na montagem dos projetos. A fim de promover e coordenar a implementação do estatuto e decretos complementares. o Congresso aprovou duas medidas para facilitar a reforma agrária: o aumento dos percentuais do imposto territorial rural (ITR) para as propriedades improdutivas e o rito sumário. para executar o Estatuto da Terra. em zonas críticas ou de tensão social. que absorveu as atribuições dos órgãos anteriores. Com o DLIS surge uma nova situação em que faz-se necessário comprovar a viabilidade do projeto. relevo. O decreto-lei nº 554.um profundo equilíbrio. que permite a desapropriação imediata das terras. água." . Financiava-se a pequena propriedade e não se avaliava os resultados do investimento. solo. "Em julho de 1985 o governo instituiu o Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário.2. O meio ambiente." "Em sentido amplo. constituindo comunidades bióticas. cuja ação se baseia na ocupação de terras para pressionar o governo a fazer a reforma agrária. O Plano Nacional de Reforma Agrária. nas biocenoses. composta de centenas de milhares de espécies e variedades de animais e plantas. o governo federal criou. Em 1996.ar. o solo. entende-se por conservação da natureza ou conservacionismo o esforço centrado em políticas e técnicas que têm por fim preservar na Terra condições propícias à vida e a uma integração maior entre as espécies. herança ou legado. segundo os quais a matéria viva. a qualquer título. 2. Nem o governo.terras de sua propriedade indevidamente ocupadas e exploradas. o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). proposto pelo novo ministério. se distribui no planeta segundo uma ordem naturalmente harmoniosa. em 1970. a água. 2. regulou o processo especial de desapropriação dos imóveis rurais situados em áreas declaradas prioritárias. ou seja. tinha como principal instrumento a desapropriação e previa o assentamento de sete milhões de trabalhadores. A partir do fim da década de 1980 intensificaram-se os conflitos no campo e surgiram novos grupos em defesa da reforma agrária. as plantas e os animais são essenciais à vida do homem. Como esses recursos não são inesgotáveis. energia solar etc. um grau de risco pequeno. Os princípios básicos de conservação da natureza foram enunciados pelos ecologistas. mas enfrentou forte resistência no campo para sua implementação. e com o meio ambiente . . "O ar. ou seja. no ecossistema. que é a essência que determina e regula.

a maior parte da água que se infiltra penetra diretamente no solo até o lençol freático. Essa erosão pode ocorrer sem leito definido. das águas continentais e marinhas. se desaparece. arrastando húmus e minerais solúveis. todo o regime de águas é logo perturbado. A carga sólida dos cursos fluviais também sofre considerável aumento. após seu esfriamento. mas sobretudo em áreas planas. blocos de pedra e eventuais construções. quando as primeiras dessas leis são transgredidas. fontes alimentares e locais de procriação. isto é. que podem ser lateríticas ou calcárias. alteração do regime de águas ou do clima. o conservacionista não toma o vocábulo "recursos" no mesmo sentido que o economista." "Aspectos da degradação. os troncos das árvores e as raízes expostas." "Basta que seja alterado um dos elementos do ecossistema. no caso. em qualquer tipo de topografia. o homem tornouse cada vez mais capaz de criar ambientes artificiais. A mata exerce. e diferenciados em escala crescente à medida que os meios técnicos evoluíam. com a extinção de seus refúgios. capazes de arrastar ladeira abaixo árvores. A rápida transformação do ambiente provocada pelo homem não obedeceu. após chuvas prolongadas. mas apenas no de "condições ambientais". Nessas circunstâncias. formando enxurradas. por exemplo. a formação de crostas no solo."Assim. Desde o surgimento da sociedade humana. variável em cada região natural. erosão ou lixiviação (lavagem de sais do solo) aceleradas. que não ocorria antes devido aos obstáculos impostos pela capa de húmus do solo. São essas as principais causas da erosão acelerada. em que se alternam inundações e secas. da flora. significando riqueza potencial. ditos antropogenéticos (as "paisagens culturais" dos geógrafos). desencadeiamse processos como degradação ou devastação da flora. para que todo o conjunto venha a se modificar profundamente. ou então em ravinas. são freqüentes os deslizamentos de terra. É comum que esse processo de ravinamento tenha início num corte de estrada ou de caminho carroçável. eliminando-se a cobertura florestal numa vasta superfície de relevo acidentado. Assim se explica. estudados pormenorizadamente cada um dos componentes dos ecossistemas. razão pela qual ficam obstruídos muitos rios outrora navegáveis. formando sulcos profundos nas encostas. poluição. acarretando profundas alterações na distribuição das populações animais. foram determinados os princípios da conservação dos solos." "Os incêndios nas matas. a leis de conservação da natureza. chamadas voçorocas no sul do Brasil. aumentam muito o número de fissuras do solo. da fauna. o papel de uma verdadeira esponja. bem como partículas finas em suspensão." "A derrubada de matas ou sua destruição pelo fogo causam danos imediatos à fauna. Em determinadas . torna-se muito menor a evaporação da água das chuvas. por onde as águas se infiltrarão. segundo o clima reinante na região. em zonas de vegetação aberta. Assim. O calor do fogo dilata as partículas minerais que." "Em trechos de encostas íngremes." "Já a água de escoamento superficial aumenta de volume e desce incontrolada pelas vertentes. Não sendo absorvida pelas raízes. Ao procurar defender os "recursos naturais". Os rios que percorrem regiões florestais devastadas alteram em pouco tempo sua descarga e tendem a um regime torrencial. extermínio da fauna. porém. e sim a leis econômicas. além de um determinado ponto crítico. empobrecimento ou esgotamento dos solos. podem provocar a lixiviação.

levaram a uma visão bem diversa das relações entre o homem e as diferentes espécies que com ele compartilham a existência na Terra. Certas iniciativas pioneiras já datavam de fins do século XIX. ante a evidência de que. da Índia. Relevante foi o empenho do naturalista suíço Paul Sarasin. possibilitaram a descoberta do fator sanguíneo Rh." "Graças ao estudo dos morcegos. difundiram a teoria e a prática da arquitetura paisagística. com sua longa tradição de respeito pelas coisas da terra. no Japão implantaram-se em 1868 as áreas verdes de Matsushima. cuja influência se estenderia a todo o mundo entre as duas guerras mundiais. que. que criou condições para que sejam poupadas centenas de milhares de vidas infantis.circunstâncias. como em Sarnath. Fontainebleau. Daí aos sensores remotos foi um passo. O movimento protecionista. todos têm um papel a desempenhar. A observação científica dos animais. a etologia. nos Estados Unidos preservou-se em 1864 o vale do Yosemite e em 1872 foi criado o primeiro parque nacional do país. na organicidade de cada ecossistema. e na China. evitando acidentes. Há milhares de anos existem nessa região áreas destinadas a proteger animais. onde os mandarins mantinham espécies de particular interesse em pequenos parques". Assim. Amanohasidate e Miyajima. feita com isenção de julgamentos prévios. alguns governos. Os japoneses. bem como entidades privadas. ressurgiu como The International Union for Protection of Nature (União Internacional para a Proteção da Natureza. lutou pelo estabelecimento de uma Comissão Internacional de Proteção à Natureza. Em 1895 foi criada uma Comissão Internacional para a Proteção das Aves Úteis à Agricultura. Da mesma forma. já ampliou em muito a noção de sua utilidade para os seres humanos. que permite a orientação na neblina ou na escuridão. O Extremo Oriente teve a primazia da mentalidade conservacionista. no México. após organizar-se como Office International pour la Protection de la Nature (Organização Internacional para a Proteção da Natureza. voltada para o estudo do comportamento animal. aves corredoras e rapaces começam a predominar. por exemplo. Os macacos Rhesus. simples fungos que infestavam lâminas de microscópio conduziram à invenção da penicilina e à produção de toda uma gama de antibióticos . Bruxelas. os zoólogos abriram caminho para a descoberta do radar. 1928). "Desde o início do século XX." "Impondo-se a mentalidade conservacionista e o conceito da essencialidade de manutenção do equilíbrio. desde 1910 até sua morte em 1929." "Evolução da mentalidade ecológica. justificando-se sua conservação e proteção cuidadosa pelas próprias razões que esses papéis indicam. o de Yellowstone. os enfoques de uma nova ciência. onde o Buda se inspirava. na Índia. de seus recursos instintivos e de seus modos de vida. 1948) e finalmente se estabilizou como International Union for Conservation of Nature and Natural Resources (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos . instituiu-se em 1898 o parque El Chico. passaram a reconhecer que a proteção da natureza é assunto de alcance internacional.fato tomado como exemplo dos benefícios que paralelamente procedem da observação da vida das plantas. sobre espécies arborícolas e voadoras que se alimentam de plantas." "O antigo conceito simplista de animais úteis e nocivos teve de ser abandonado." "Em 1900 realizou-se em Londres a Conferência Internacional de Proteção aos Animais da África.

Edimburgo. mobilizando-se em campanhas ao sentir o impacto da degradação de seus ambientes. "Conservacionismo no Brasil.Naturais. Francisco Peixoto de Lacerda Werneck. como a Convenção da Biodiversidade. a partir das décadas de 1920 e 1930. nas florestas das Paineiras. o barão de Pati do Alferes. Almanaque. passando a figurar com destaque entre as plataformas partidárias e as metas de novos governantes". a consciência da necessidade de proteger a natureza só começou a difundir-se entre a população brasileira após as décadas de 1960 e 1970.2." "O evento de maior amplitude e de repercussão mais profunda. sem que se fizessem novas plantações de bosques". .5. São Paulo: Abril. José Bonifácio de Andrada e Silva propôs que "em todas as vendas de terras que se fizessem e sesmarias que se dessem. A luta pela defesa da natureza. "A própria sociedade. em 1937. como a Convenção para a Proteção da América. se pusessem a condição de que a sexta parte do terreno nunca haveria de ser derrubada e queimada. teve a adesão de 178 países e contou com a presença de mais de cem chefes de estado. a Convenção do Clima e a Agenda 21". Na Eco-92. Grupos e entidades ecológicas tornaram-se cada vez mais comuns. promoveram-se diversos congressos. "Malgrado a criação. em sintonia com o que então ocorria no restante do mundo"." "Na década de 1860. sob os auspícios da União Pan-Americana. 2001:361) BIBLIOGRAFIA ABRIL. foi a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. foram aprovados documentos de fundamental importância para a conservação da natureza. em Washington. tomou feição crescentemente política. de diversos órgãos governamentais que se sucederam no tempo com específicas atribuições conservacionistas. em 1940. Realizada no Rio de Janeiro. como ficou conhecida. no Rio de Janeiro". 1997. 2. Em 1861 fez-se a primeira experiência brasileira de reflorestamento tropical. e a Conferência Intergovernamental de Especialistas sobre as Bases Científicas para o Uso Racional e Conservação dos Recursos da Biosfera. em junho de 1992. dos primeiros parques nacionais e. O primeiro documento a referir-se expressamente à conservação da natureza. em vista dos problemas de poluição e degradação ambiental que se acumulavam no final do século XX. no Brasil.1. (BARSA." "Objetivando o intercâmbio técnico-científico e a difusão dos conhecimentos conservacionistas. com a presença de representantes de 62 países e observadores de numerosas entidades. em 1968. Silvestre e Tijuca. não raro exercendo pressão sobre as autoridades públicas por decisões mais enérgicas. a Declaração de Princípios das Florestas. sugeriu em seu livro Memória sobre a fundação e custeio de uma fazenda que os fazendeiros evitassem reduzir a cinza as preciosidades vegetais e que o governo tornasse obrigatório o plantio de "paus de lei" à beira das estradas. foi a carta régia de 13 de março de 1797. ratificada pelo Brasil em 1965. começou a agir de forma organizada pela conservação da natureza. Em 1821. ao mesmo tempo. em Paris. que advertia contra o perigo de destruição das matas. 1956).

Disponível na Internet via WWW. SOLUÇÕES. Cuiabá: UFMT. Tecnofrutas: o processo de produção e industrialização de Poxoréo. Alvin. 11. Carlos Benedito.com Última atualização em 01 de janeiro de 2001. Sociologia geral. URL: http://www. O que é sociologia.BARSA. Citações e referências a documentos eletrônicos. INTRODUÇÃO A produção teórica sobre o “mundo rural” no Brasil dos últimos trinta anos poderia ser caracterizada. São Paulo: Brasiliense.ed. Porém é . pela variedade de temas tratados. MT. A "vocação atual" da sociologia rural in Estudos Sociedade e Agricultura. Nova Enciclopédia. São Paulo: Record. ed. 1992. Marcel. [online]. São Paulo: Atlas. 2. 7. Brasil: para compreender a história.quatrocantos. Miguel. 7ª série. LAKATOS. Marina de Andrade. Gevilacio Aguiar Coêlho de... Sociedades camponesas. A terceira onda. JOLLIVET. Ariovaldo Umbelino de. Disponível na Internet via WWW. São Paulo: Editora do Brasil.biomania. São Paulo: Contexto.. A CRISE DA SOCIOLOGIA RURAL NO BRASIL E SUAS TRADIÇÕES TEÓRICAS William Héctor Gómez Soto1 RESUMO Este artigo faz uma avaliação da crise da sociologia rural no Brasil a partir da análise das tradições teóricas que a influenciam principalmente a vertente sociológica americana e o marxismo clássico. Arquivo consultado em 02 de maio de 2004. 2001. 5. MOURA. 1999. Oreste. URL: http://www. TOFFLER. Cuiabá: UFMT. Arquivo consultado em 02 de maio de 2004. 2003. 1997. Rio de Janeiro: Zahar. PRETI. URL: http://www. [online]. [online]. Teoria tridimensional do Direito. MARCELIB. Pesquisa educacional. 1999. Disponível na Internet via WWW. 1994.br/biografias. Disponível na Internet via WWW. São Paulo: Barsa. OLIVEIRA.ed. Busca-se compreender de que forma essas influências teóricas determinam a forma em que os cientistas sociais têm interpretado o “mundo rural” brasileiro. SOUSA. e pelo outro. pelo número significativo das pesquisas empíricas realizadas que possibilitaram a coleta de abundantes informações e dados sobre a realidade agrária.cjb. Izaias Resplandes de. 1976..poxoreo. pela influência de referenciais marxistas. 2002. WOLFO. URL: http://www. novembro 1998: 5-25. 57).ed.net Arquivo consultado em 02 de maio de 2004. por um lado. Eva Maria & MARCONI.. Eric R. MARTINS.com. 22. Biografia de Thomas Robert Malthus.ed. REALE. (Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Saraiva. Sample. Vol. Renato.. 1997. 1. A geografia das lutas no campo. [online]. 11.

Apesar disso. predominantes na sociologia americana da década de 60. tendo como ponto de partida a compreensão da evolução da sociologia rural americana. alguns autores começam a chamar a atenção sobre a necessidade de repensar o “mundo rural” a partir das transformações que estão ocorrendo em escala mundial. ao mesmo tempo contemple as mudanças da realidade e as discussões a nível internacional. enquanto que a nível internacional existe uma outra dinâmica que incorpora novas questões e novas perspectivas teórico-metodológicas para entender velhos problemas. trata sobre a produção teórica brasileira sobre o “mundo rural”. . Alguns autores brasileiros parecem ter dificuldade em deixar de lado “velhas idéias” como a “diferenciação social na agricultura e a polarização de classes” oriunda da “tradição marxista clássica”. Este artigo está estruturado em cinco partes. Na quarta 1 Doutor em Sociologia (UFRGS) e Prof. tentamos apreender o processo de mudanças dentro da sociologia rural americana. existe uma relativa incapacidade da “sociologia rural” brasileira de explicar as mudanças no “mundo rural”. em menor grau. às tradições teórico-metodológicas funcionalistas. A ausência de um debate científico e livre de conotações “ideológicas” sobre a problemática agrária. Na primeira parte. parece ter reduzido as possibilidades de inovações teóricometodológicas que. A terceira parte. do Instituto de Sociologia e Política (UFPEL). Em seguida. iniciado a meados da década de 70 e caracterizado pela recuperação crítica das tradições teóricas de Marx e de Weber e pela emergência de novas questões de pesquisas. Atualmente. seu contexto histórico e as principais visões.necessário assinalar que uma parte importante dessa produção teórica está vinculada. discutimos as tradições teóricas da sociologia rural.

onde o estudo sobre a agricultura foi construído como um dos muitos elementos necessários para compreender a estrutura social da vida comunitária rural. Newby (1982) tem argumentado que os trabalhos inovadores sobre a agricultura. O continuum rural-urbano perdeu utilidade na medida em que a população rural diferenciava-se cada vez menos da população rural. Durante esse período a sociologia rural americana foi dominada por uma perspectiva que definia os produtores como atores que podiam responder a estímulos e a novas tecnologias. Minnesota. portanto totalmente incapaz de abrigar o caráter explicativo que se lhe atribuia. Alguns autores (Gans e Pahl apud Newby. A terceira época. é conhecida como a época do enfoque do comportamento psico-social. 1. devido a razões teóricas e empíricas. Esses autores mostraram que o conceito de “rural” era essencialmente descritivo e empírico e. queremos chamar a atenção sobre as transformações econômicas e sociais que estão fazendo emergir um novo “mundo rural” . Essa situação de “esgotamento” está dando lugar a novas concepções teóricas-metodológicas que alguns autores chamam de “nova sociologia rural” (Newby) ou “sociologia da agricultura” (Buttel). O aspecto mais importante dessa nova sociologia rural refere-se ao conceito de “estrutura da agricultura”. Uma que pode ser chamada de “funcionalista” e a outra de “marxista clássica”. A inícios da década de 50 essa tradição foi questionada por um novo grupo de sociólogos rurais influenciados pela Psicologia Social e formados principalmente na Cornell University e nas universidades de Wisconsin. Ambas as tradições parecem insuficientes para dar conta das mudanças que estão ocorrendo no mundo rural brasileiro. na sociologia rural americana pode-se identificar três etapas: a primeira vai do início deste século até os primeiros anos da década de 50. a perspectiva teórica que dominava a sociologia rural (o continuum rural-urbano) entrou em crise. refere-se à “nova sociologia da agricultura”. A meados dos anos 60.2 parte. 1982) mostraram que os conceitos de “urbano” e “rural” não eram nem variáveis explicativas nem categorias sociológicas. Missouri. A sociologia rural anterior a 1950 teve uma orientação teórica baseada no continuum rural-urbano (Toennies. Sorokin e Zimmerman)2. cuja manifestação mais conhecida foi a difusãoadoção de inovações. A noção de continuum rural-urbano estabelece uma série de traços da sociedade urbana e a sociedade rural que se supõem funcional e causalmente conectados. constituem uma “nova sociologia rural”. desde a metade da década de 70. Kentucky e Iowa. A sociologia do “mundo rural” e suas tradições teóricas A sociologia do “mundo rural” tem estado influenciada principalmente por duas tradições clássicas. um conceito que foi deixado de lado na pesquisa social anterior aos anos 70. A segunda época. e que separam a sociedade rural da urbana. De acordo com Buttel et al (1990). Essas diferenças são apresentadas . início da década de 50 até início da década de 70.

1973:12) 2 . existe um contínuo. “Desde a habitação rural isolada e até a grande cidade.” (Solari.por Sorokin e Zimmerman como extremos de uma escala polar de muitas gradações. Entre o meio rural e o meio urbano existe uma gradação infinita. existem inúmeros escalões intermediários que vão criando uma transição insensível entre o meio rural propriamente dito e o meio urbano. Em outras palavras.

1950. familiares e organizacionais) e relacionados com determinadas unidades de análise. organização e mudanças sociais. assim como dos meios de comunicação e do sistema educacional. De acordo com Buttel et alii (1990) os primeiros estudos dentro dessa tradição foram. A teoria de adoção-difusão de inovações foi o protótipo da “Theory os Middle-Range”. O mesmo pode se dizer em relação ao método históricocomparativo de Weber. Por exemplo. Wilkening (1949. mantém sua influência até hoje. a agenda mertoniana das Teorias de alcance médio (Middle-Range Theory). Emile Durkheim e Max Weber eram considerados os modelos clássicos de pesquisa dentro da tradição da psicologia social da sociologia rural. Apesar dessas críticas. a partir da síntese parsoniana e de uma incipiente Teoria da Ação enquanto que a noção da Theories of the middle range3 de Merton era a noção central na pesquisa sociológica e na sociologia rural das décadas de 50 e 60. Ocupa uma situaçào intermediária entre as teorias gerais de sistemas sociais. como a teoria da difusão e adoção de inovações. 1954)6 da Universidade de Chicago Merton denomina. revolucionou a pesquisa e deu coerência à sociologia americana e definiu um modelo de pesquisa sociológico que em muitos aspectos. elaborados por Hoffer (1942)4 e Ryan e Gross (1943)5 em Michigan e Iowa respectivamente. a noção de que a adoção de novas tecnologias poderia contribuir para uma mudança social positiva). “A teoria de médio alcance é usada principalmente na sociologia para servir de guia às pesquisas empíricas.3 Os sociólogos rurais.A. Essa orientação teórico-metodológica reflete-se na sociologia rural até inícios da década de 70. mas hipóteses necessárias de trabalho que surgem em abudância durante a rotina das pesquisas diárias e os amplos esforços sistemáticos para desenvolver uma teoria unificada capaz de explicar todas as uniformidades observadas de comportamento. 1952. as teorias intermediárias entre as pequenas. onde se combinava o raciocínio da psicologia social com um tipo de análise funcional (ou seja. as quais estão muito afastadas das espécies particulares de . Isto era uma premissa para compreender a expansão de novas tecnologias e significava uma postura a favor das mudanças tecnológicas. apenas guardam uma superficial semelhança com as obras de Durkheim e Weber. dentro da tradição da psicologia social consideravam que os agricultores eram atores sociais capazes de responder ao estímulo de novas tecnologias agrícolas. E. Para Buttel et alii (1990) a síntese parsoniana e a elaboração de Merton. Nesse período a sociologia rural foi mais quantitativa que durante a tradição dos estudos da comunidade rural (1900-1950). Na tradição de pesquisa dentro da linha da difusão/adoção o agricultor era visto como um ator que respondia a diversos estímulos para melhorar a produção agrícola. Weber criticou amplamente as metodologias que implicavam a imposição da proposta hipotético-dedutiva das ciências naturais sobre as ciências sociais. Teorias de médio alcance. a sintonia do funcionalismo com a análise causal a nível micro era estranha às noções centrais de Durkheim na sua análise da sociedade. A noção de Merton tinha como objetivo permitir que os sociólogos transformassem certas proposições abstratas do funcionalismo parsoniano em hipóteses testáveis com dados a nível micro (individuais.

Charles M. 1949: 68-69 3 . Rural Sociology 8 (March): 15-24 6 Wilkening. “A sociopsychological study of the adoption of improved farming practices”. Acceptance of approved Farming Practices Among Farmers of Dutch Descent. East Lansing: Michigan Agricultural Experiment Station. Bryce e Gross.comportamento. organização e mudanças sociais para explicar o que é observado e as minuciosas ordenadas descrições de pormenores que não estão de modo algum generalizados. 316. 5 Ryan. “The diffusion of hybrid seed corn in two Iowa communities”. Eugene A. Special Bulletin No. Neal C. Rural Sociology 14 (March).”Merton (1970:55) 4 Hoffer.

”Rural Sociology 23 (June). As críticas de Mill receberam pouca atenção dos sociólogos rurais. por exemplo. por acreditar que os pequenos produtores agrícolas não tinham acesso às novas tecnologias além de serem ecologicamente destrutivas. . Lionberger (1960)9. Gouldner e outros. “A multiple correlation analysis of factors associated with adoption of farm practices. Lenin.” Rural Sociology 15 (December). 1952: 272-275. particularnente das obras de Marx.4 exerceu uma grande influência nas primeiras pesquisas de difusão e adoção de tecnologias agrícolas. ____________________ “An introductory note on the social aspects of practice adoption. 1954: 29-37. 1950: 352-364. na sua Imaginação Sociológica. essa tecnologia tinha como efeitos a marginalização da agricultura familiar e dos trabalhadores. Essa busca significou a redescoberta de um conjunto de propostas clássicas para a compreensão do desenvolvimento agrário. A segunda tradição (19751985). Essas perspectivas teóricas sobre a agricultura eram principalmente dedutivistas na medida em que buscavam identificar a lógica particular do desenvolvimento agrário. George e Bohlen. mas inevitável. Em 1959. and family integration. do campesinato. lento. Coughenour (1960)10 e Rogers (1962)11. Beal e Bohlen (1957)8. A reavaliação da perspectiva teórica dominante na sociologia rural nas décadas de 50 e 60 pode levar a uma nova sociologia rural. baseada no marxismo. ____________________”Change in farm technology as related to familism. 1958:97-102 7 Fliegel. Igualmente.” Amercican Sociological Review 19 (February). ____________________ “Informal leaders and innovators in farm practices” Rural Sociology 17 (September). Beal. Joe. Na década de 70 uma nova geração de sociólogos rurais foram influenciados pelas críticas de Mill. a dinâmica central era a penetração do capital urbano-industrial na agricultura e o desaparecimento. Também foram notáveis as contribuições de Fliegel (1956)7. family decision-making. Frederick. Wright Mill criticou a teoria parsoniana e chamava a atenção de que as Teorias de Médio Alcance de Merton conduziam a um empiricismo abstrato que sufocava a imaginação sociológica. Outros analisaram os impactos ecológicos da modernização da agricultura e argumentaram que os pesquisadores deviam considerar as variáveis ecológicas se eles queriam compreender a organização social e as mudanças tecnológicas na agricultura. caracteriza-se pela busca de teorias adequadas para compreender as estruturas agrárias modernas. Para Lenin. ____________________ “A sociopsychological approach to the study of the acceptance of innovations in farming.” Rural Sociology 21 (September/December). Alguns sociólogos rurais analisaram a estrutura da pesquisa agrícola e o papel da sociologia rural no desenvolvimento e difusão de novas tecnologias. 1956: 284-292. Para Kautsky. a lógica básica do desenvolvimento agrário era a vinculação entre a estrutura de classes e a diferenciação social na agricultura e a formação de um mercado interno no capitalismo. Kautsky e Chayanov. Muitas das preocupações da sociologia rural traduziam-se em crítica da revolução verde.

Ames: Iowa State University Press. Adoption of New Ideas and Practices.The Diffusion Process. C. Diffusion of innovations. 8 . New York: Free Press. 1960: 283-297 11 Rogers. “The functioning of farmers charecteristcs in relation to contact with media and practice of adoption. Everett M. 1960 10 Coughenour. Ames: Iowa Agricultural Extension Service 9 Lionberger. 1962. Milton.” Rural sociology 25 (September). Herbert F. Special Report 18.

De acordo com Abramovay (1992:36). ao mesmo tempo.. situa-se no plano de uma fenomenologia das formas sociais. Quando os trabalhadores exerçam a cooperação e a propriedade comum da terra e dos meios de produção será superada a contradição entre o trabalho social e a apropriação privada. Se receber salário tratase de um trabalhador assalariado. Portanto é na produção de mercadorias que se encontra a base da diferenciação social que provoca o surgimento das classes sociais. O Capital de Marx: “. o produtor de mercadorias. Os debates da socialdemocracia alemã e Russa e os trabalhos de Kautsky e Lenin não se apoiavam nas conclusões de O Capital nem nas partes das Teorias da Mais-Valia em que Marx analisa a questão agrária. sociais. o campesinato está fatalmente condenado a desaparecer. somente os camponeses pobres apoiariam a revolução socialista. A ênfase de Lenin na diferenciação social do campesinato deve ser entendida na sua tentativa de demonstrar a impossibilidade de estabelecer uma ampla aliança de classes para realizar a Revolução na Rússia. . Porém. Se o camponês obtém lucro.” Abramovay (1992:33) No capitalismo. Isto se explica pela própria lógica de sua obra. ele se torna um capitalista. um operário e não um camponês. Segundo Abramovay (1992). ou para racionalizar a produção agrícola. as duas obras clássicas sobre a problemática agrária dentro da tradição marxista devem ser analisadas de acordo com o contexto de debate político em que seus autores estavam inseridos. a “impossibilidade de definir claramente seus rendimentos demonstra que o conceito de camponês n’O Capital é logicamente impossível”. Sendo a burguesia e o proletariado as classes fundamentais da sociedade capitalista. A burguesia e o proletariado expressam essa contradição. onde o ponto de partida contém o destino final da trajetória: a mercadoria resulta de atividade particular. por exemplo para garantir a acumulação do capital urbano-industrial. Dessa forma surge uma nova relação social baseada na cooperação. Para Lenin se o campesinato em seu conjunto apoiaria a revolução democrática. Cabe salientar que Marx não trata sobre as tendências e funções da agricultura familiar no desenvolvimento capitalista.5 Essas teorias dedutivas da estrutura agrária foram úteis no seu tempo e ainda podem fornecer elementos importantes para a pesquisa. mas voltada. somente pode satisfazer suas necessidades através do mercado e é ali onde se manifesta a contradição entre o caráter social do trabalho e a apropriação privada de seu resultado. Além disso. Referimos-nos a Questão Agrária de Kautsky e a Desenvolvimento do capitalismo na Rússia de Lenin. privada. Esses caráter transitório do campesinato (e de todos os pequenos proprietários) explica a ausência de um conceito de camponês na obra de Marx. essas teorias dedutivas tendem a estar baseadas em argumentos teleológicos.. Portanto os esforços dos socialdemocratas russos deveriam centrar-se na organização naqueles camponeses que mesmo sendo proprietários vendiam sua força de trabalho. esses argumentos dedutivos abstratos tendem a perder força explicativa diante variações espaciais e temporais. Esses argumentos enfatizam que existe uma lógica última do desenvolvimento que se explica pela necessidade de sua própria dinâmica. para a satisfação de necessidades gerais.

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Pelo outro. Além disso. No passado esse problema permaneceu oculto devido a que na maior parte das zonas rurais dos países capitalistas industrializados coincidiam as localidades de residência e de trabalho.propriedades objetivas e universais do desenvolvimento do capitalismo no campo”. aqueles que consideravam o campesinato em processo de rápido desaparecimento. Na base dessa argumentação encontra-se a idéia de que os socialdemocratas não poderiam levantar reivindicações de qualquer setor social proprietário de meios de produção. Enquanto as populações rurais ficavam menos homogêneas. a contradição entre progresso técnico e agricultura familiar enfatizada por Kautsky. Contudo. ou estavam estreitamente vinculados a ela. Para Engels. Para eles. Na Questão Agrária.. se insere nesse dilema e denuncia a falsidade dos socialdemocratas que fomentavam a ilusão da permanência dos camponeses no capitalismo e no socialismo. os . No interior do partido havia duas tendências. O desaparecimento desse objeto de estudo subverteu a confiança dos sociólogos rurais dedicados a analisar as diferenças entre o “rural” e o “urbano”.. Por sua vez. Por um lado. por exemplo). O trabalho de Engels A questão camponesa na França e na Alemanha. mais do que “. A sociologia rural podia definir-se como o estudo dos que moravam numa localidade rural e se dedicavam à produção de alimentos. a obra de Kautsky deve ser compreendida no contexto do debate da socialdemocracia alemã na busca do apoio da população rural para ampliar sua representação parlamentar. 2.1995 Os problemas de definição da sociologia rural partem do fato de que o “rural” não constitui uma categoria sociológica. aqueles que buscavam levantar algumas reivindicações específicas para o campesinato (crédito. Para Abramovay (1992:42) a idéia da diferenciação social de Lenin deve ser entendida no contexto do debate entre bolcheviques e mencheviques. as previsões de Lenin e Kautsky não se realizaram. Kautsky tentou demonstrar a inutilidade de dedicar esforços na organização do campesinato em processo de desaparecimento devido principalmente à superioridade técnica da grande exploração agrícola. os camponeses se tornariam capitalistas ou proletários. Argumentavam também que a pequena produção era tecnicamente superior à grande exploração capitalista. os camponeses poderiam se unir aos proletários na construção da sociedade socialista. Portanto o partido não deveria incluir nenhuma reivindicação camponesa (enquanto proprietários) no seu programa. Igualmente Kautsky rejeita qualquer possibilidade de incluir no programa do partido qualquer tipo de reivindicação camponesa. mostrou ser falsa. tornado esta idéia o ponto de partida e de chegada de suas análises. Para os primeiros.6 É sobre essa idéia da diferenciação social do campesinato que se formou o mais importante paradigma marxista sobre a questão agrária. Os marxistas estudiosos da problemática agrária dedicaram-se a encontrar a tendência da diferenciação social. a tarefa o partido deveria organizar os trabalhadores assalariados agrícolas e explicar aos camponeses a inevitabilidade de seu desaparecimento. Os anos de mudança: 1975 . O desenvolvimento do capitalismo no campo não resultou na proletarização dos pequenos produtores. a não ser exigir as mesmas condições de trabalho no campo e na cidade.

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a sua pertinência teórica. constitui uma mera “expressão geográfica”. Muitos sociólogos têm negado a possibilidade de estudar a sociedade rural como uma parte da sociedade em seu conjunto. Segundo Newby (1982) a sociologia rural tem-se caracterizado por sua natureza a-teórica e inclusive anti-teórica e até pela sua tentativa de elaborar. mas há populações específicas que por razões diversas estão localizadas em zonas rurais. resulta irônico que a influência da sociologia rural americana tenha se estendido com maior rapidez e amplitude que antes. esse termo é apenas um “referente empírico”. isto simplesmente desloca a questão central de se a “sociedade rural” pode definir-se sociologicamente.7 sociólogos também perdiam a clareza em relação ao que era o “rural”. sem referência às teorias “gerais” da sociedade. Novos problemas sociais e sociológicos emergentes estariam provocando nos sociólogos rurais o sentimento de que eles não estavam suficientemente preparados para responder a essa nova situação. a sua responsabilidade pública e inclusive a sua competência para fazer pesquisa. na década de 70 a sociologia rural parecia ter perdido o rumo. A sociologia rural se define melhor como a sociologia das localidades geográficas que têm uma população escassa e de pouca densidade em termos relativos. As origens da crise Existe certa confusão sobre a possibilidade de uma definição significativa do ponto de vista sociológico do “rural”. A sociologia rural parece enfrentar um conjunto de problemas relativos ao seu objeto de estudo. Na falta de uma definição do “rural” aceitável do ponto de vista sociológico. não pode existir uma teoria da sociedade rural sem uma teoria da sociedade geral. Mas isto poderia ser compreensível se levamos em conta que os autores clássicos têm descuidado a sociologia rural no seu esforço por criar teorias da sociedade industrial . De acordo com Newby (1982) as características do estilo “científico” da sociologia rural são as seguintes: positivista. combinado com uma teoria que explique essa estrutura e essas relações. Esta tarefa seguirá exigindo um conhecimento empírico muito responsável da estrutura e as relações sociais. Esta confusão é sintomática de uma dificuldade conceitual mais profunda. quantitativo e “aplicado”. A formulação desta “nova sociologia rural” é um desafio para os sociólogos rurais na atualidade. Apesar disso. A história desta disciplina tem sido obstaculizada pela busca fútil de uma definição sociológica do “rural” e pela resistência a desconhecer que esse termo é uma categoria empírica mais que sociológica. Ainda que a definição mais comum da sociologia rural consiste em considerá-la “o estudo científico da sociedade rural”. indutivo. não existe uma população rural. Contudo. Para alguns autores como Newby (1982). A perda de confiança na orientação que segue a sociologia rural tem sido maior nos Estados Unidos. Além disso. uma teoria sociológica especificamente rural. que requer uma análise mais cuidadosa. Do anterior derivam-se duas consequências: Em primeiro lugar. Sem dúvida trata-se de redefinir os velhos problemas a partir de novas abordagens. ou seja. as críticas à sociologia rural ainda não permitiram uma mudança importante nos programas de pesquisa nesse campo. de forma indutiva.

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urbana, além de que frequentemente têm ignorado a natureza da sociedade rural. O rural tem sido considerado como um resíduo e, portanto tem recebido pouca atenção na teoria sociológica geral.

Em segundo lugar, dado que o “rural” é uma categoria espacial é necessário uma teoria que vincule o espacial com o social. Além de que, uma teoria sociológica deverá enfatizar o social. A sociologia rural americana tornou-se sinônimo de um empirismo superficial, rejeição da teoria e banalização de temas importantes. A sociologia rural buscou a legitimidade científica nas instituições de ensino superior através da utilização de instrumentos estatísticos e a quantificação e manejo de dados, tentando compensar a negligência teórica com a competência metodológica. Porém, essas técnicas de coleta e análise de dados não significaram uma melhora no conhecimento produzido. A lentidão para entender esses fatos tem contribuído para o aprofundamento da crise da sociologia rural. Nos últimos anos acreditou-se que as falhas na compreensão do funcionamento da sociedade rural deviam-se unicamente à falta de dados e ao caráter rudimentar dos instrumentos disponíveis para medição e elaboração de modelos. O irônico é que na medida em que se aperfeiçoavam as técnicas de coleta e análise de dados ficava mais longe a possibilidade de entender a sociedade rural (Newby, 1982). Recentemente há indícios que as fraquezas teóricas da sociologia rural estão sendo questionadas, sobretudo nos Estados Unidos, mesmo que ainda não foi substituída a teoria do continuum rural-urbano por um novo corpo conceitual ou por um conjunto de problemas teóricos que poderia possibilitar novos temas de pesquisas para a sociologia rural. Não se trata de propor uma teorização abstrata, mas de reconhecer que a elaboração teórica e a pesquisa empírica não são exercícios separados. Como mencionado anteriormente, a sociologia rural requer de uma teoria da sociedade, dentro da qual pode ser localizado o “rural”. O que implica que os sociólogos rurais devem conhecer melhor as teorias sociológicas gerais, ainda que, não há uma teoria geral da sociedade aceita pelos sociólogos. Os sociólogos rurais devem adotar uma visão mais totalizadora para estudar a sociedade rural. É importante que os sociólogos rurais se considerem a si mesmos como sociólogos que tem como objetivo estudar certos aspectos das zonas rurais. Para Newby (1982) uma nova sociologia rural deve partir de um enfoque totalizador no estudo da sociedade rural. O debate internacional: a “nova sociologia rural” A nova sociologia rural procura entender a estrutura interna e a dinâmica da agricultura a partir de teorias neo-weberianas e neo-marxistas. Dentre os temas tratados por esta nova perspectiva estão: o papel da etnicidade na persistência da agricultura familiar; a indústria agrícola; a força de trabalho assalariado agrícola; pequenos produtores e a agricultura em tempo parcial e, gênero e agricultura. Ultimamente, o “meio ambiente da agricultura”, tanto no sentido literal como metafórico, também ocupa as preocupações desta nova perspectiva. No sentido literal, explora temas relacionados com os fatores naturais e

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ecológicos e os impactos da agricultura sobre o meio ambiente. A nova sociologia rural também trata sobre temas relacionados ao ambiente sócio-econômico da agricultura como as mudanças tecnológicas na agricultura, a sociologia das ciências agrárias e a crise agrícola (principalmente sua origem no ambiente das políticas públicas). De acordo com Buttel et alii (1990), um dos traços da nova sociologia que emergiu entre a metade e fins da década de 70 foi a diversidade de seus enfoques teóricos. Por exemplo, Rodefeld e Heffernan revisaram teorias tradicionais e demonstraram que a tendência aparentemente “natural” da diferenciação na agricultura tinha implicações negativas para os agricultores familiares e as comunidades rurais. Mais tarde foi desenvolvida uma tradição teórica baseada na economia política marxista e, especialmente, na abordagem clássica da economia política agrícola de Marx, Kautsky e Lenin. Nesse mesmo período, foram publicados um conjunto de artículos escritos por Mann e Dickinson (1987), Friedmann, e Newby que abriram novas visões na análise sociológica da agricultura, através da aplicação da teoria marxista. Esta tendência foi consolidada com a antologia editada por Buttel e Newby (1980), a publicação de um livro de Friedland et al (1981) e uma antologia por Havens et al (1986)12. Recentemente a economia política da agricultura tem tomado uma orientação neo-weberiana, estimulada por Newby e Mooney. Finalmente, a partir de 1980, a nova sociologia da agricultura tem sido influenciada por uma postura ecológica. A nova sociologia da agricultura tem sido teoricamente diversa, porém existem características comuns desta reorientação da pesquisa sociológica rural. Primeiro, a nova sociologia da agricultura tem sido teoricamente mais ambiciosa que as pesquisas tradicionais dominantes antes do início da década de 70, tentando combinar, a teorização macrosocial com a elaboração de formulações teóricas falsificáveis e hipóteses testáveis. Segundo, na nova sociologia da agricultura, os métodos qualitativo e histórico da pesquisa, têm uma maior importância, do que tiveram na pesquisa sociológica rural durante a década de 60. Da mesma forma que a perspectiva behaviorista, que era dominante nos anos 50 e 60, não substituiu a perspectiva dos estudos da comunidade rural, assim, também, a nova sociologia da agricultura não tem significado a substituição, da perspectiva behaviorista, em particular, da difusão-adoção de inovações. Certamente, a perspectiva da difusão-adoção, precisa ser revisada para manter-se viável e contribuir para a compreensão da agricultura. O maior aspecto distintivo - e sem precedentes - da nova sociologia da agricultura nos Estados Unidos tem sido a importância que tem concedido às perspectivas marxistas e neo-marxistas. Tal vez o trabalho de Steeves (1972)13 na Rural Sociology, foi o primeiro exemplo de um artigo publicado numa revista oficial, baseado amplamente na teoria marxista. Porém foi só até finais da década de 70 que começaram a ser elaboradas sistematicamente explicações marxistas, nas universidades, sobre a dinâmica da agricultura nos Estados Unidos.

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Havens, Eugene. Studies in the Transformation of U.S. Agriculture. Boulder, CO: Westiew Press, 1986 apud Buttel, F. et al. (1990) 13 Trata-se do artigo de Allan D. Steeves, “Proletarianization and class identification” Rural sociology 37 (march), 1972: 5-26 apud Buttel, F. et alii (1990)

Kautsky e Weber. O valor não é criado nessas interrupções. os artigos pioneiros nesta tradição foram preparados por Mann e Dickinson (1987). Friedmann (1978a. reforçando com isto a idéia de que as atividades . Mann e Dickinson sugeriram que a realização das mercadorias agrícolas implica um maior tempo (tempo de produção mais tempo de circulação [tempo requerido para a venda das mercadorias]) do que a indústria. Portanto a agricultura torna-se não-lucrativa e por isso relegada aos agricultores familiares. o “trabalho vivo” é o único que cria mais-valia. E como já foi mencionado anteriormente. Marx foi quase totalmente ignorado nas análises das mudanças estruturais na agricultura dos sociólogos rurais norteamericanos até finais da década de 70. Newby (1978) centrou seus esforços na obra de Kautsky. por exemplo. A terceira grande contribuição para o desenvolvimento da economia política da agricultura foi o trabalho de Newby (1978)15. 1978b)14 e Newby (1978). negado pela persistência da agricultura familiar Mann e Dickinson (1987) identificaram as fraquezas dos argumentos subjetivistas dominantes (Chayanov) sobre a persistência da agricultura familiar nas sociedades capitalistas avançadas. uma revista britânica que tem sido vanguarda na revitalização de uma economia política de estudos camponeses e da história agrária da Europa. No seu artigo de 1983. Por tal razão. Eles enfatizaram que por causa da sazonalidade na agricultura existe uma tendência à separação entre o “tempo de produção” e o “tempo de trabalho”. Apesar dessas inovações. está baseado principalmente no O Capital e os Gundrisse de Marx e secundariamente no trabalho de Lenin. O artigo de Mann e Dickinson. um dos mais influentes “neo-weberianos” na Inglaterra. o que dificulta a “calendarização” do processo de trabalho tornando a agricultura menos lucrativa que a indústria. Newby16 sugere que uma sociologia da agricultura proveitosa deveria basear-se na integração das perspectivas de Marx. dessa forma se produz a não identidade entre “tempo de produção” e “tempo de trabalho”. A razão chave para entender o descaso da obra de Marx nos estudos sobre a agricultura tem sido tal vez o modelo marxista da polarização do processo econômico (de acordo com as leis da centralização e concentração do capital e a proletarização) entre capital e trabalho. o “trabalho vivo” contribui modestamente no processo de produção. Seu estudo sobre a Questão Agrária de Kautsky. especialmente de seu Tratado de Economia Marxista. Friedmann baseou-se na obra de Ernest Mandel.10 Como já foi dito. Em termos marxistas. Eles sugeriram que na obra de Marx encontram-se elementos de uma explicação não-voluntarista e não-subjetivista de porque o desenvolvimento capitalista é entendido em termos de proletarização e o estabelecimento da relação capital-trabalho é um processo mais lento na agricultura que na indústria. O que é extraordinário dessa primeira fase do desenvolvimento da economia política marxista da agricultura é que essas primeiras contribuições basearam-se nos clássicos da economia política. foi relevante para compreender a dinâmica estrutural da agricultura americana. O artigo de MannDickinson e um de Friedmann (1978b) foram publicados no Journal of Peasant Studies.

(org).” In: Newby H.Trata-se dos artigos de Harriet Friedmann: “World market.”Annual Review of Sociology 9: 67-81. 1978b. and family farm: social bases of household production in an era of wage labor”. 1983 14 . England: Wiley. state.” Journal Peasant Studies 6. 1978 16 ”A sociology of agricultura: toward a new rural sociology. 15 ”The rural sociology of advanced capitalist societies. Chichester. 1: 71-99. Comparative Studies in Society and History 20: 545-586. International Perspectives in Rural Sociology. 1978a e “Simple commodity production and wage labour in the American plains.

11 agrícolas estariam nas mãos de produtores agrícolas não-capitalistas. portanto resulta menos atraente para os capitalistas. minimizando a perecibilidade das mercadorias agrícolas e reduzindo o tempo “biológico” das plantas. Friedmann testou empiricamente essa proposição com dados históricos que mostraram que durante a crise do preço do trigo no fim do século passado. os capitalistas são obrigados pela lógica da concorrência a competir para obter a taxa média de lucro para que suas empresas não fiquem fora do mercado. Mann e Dickinson. o produtores independentes são uma classe transicional no capitalismo avançado. emergiu uma tradição neo-marxista diferente. Friedmann reconhece que existem condições que podem levar para sua transformação em formas capitalistas de produção. aumentam o risco de produção e. Eles enfatizaram que a pesquisa agrícola pode reduzir ou eliminar a distância entre tempo de produção e tempo de trabalho. Mesmo enfatizando as particularidades da agricultura que leva à persistência da agricultura familiar. refirindo-se a América Latina. Friedmann considera que os produtores simples de mercadorias agrícolas têm um maior grau de flexibilidade que os capitalistas reduzindo seu consumo ao nível de subsistência para sobreviver nos períodos de crise. na visão de De Janvry. De Janvry argumentou que o desenvolvimento capitalista na agricultura é mais lento que na indústria e que torna bastante provável que as forças da proletarização e a acumulação capitalista na agricultura destruam lentamente a agricultura familiar. não obtém excedente para sua reprodução. Friedmann indica o alto grau de risco e a demanda cíclica de trabalho da maioria dos sistemas de produção agrícola. Mann e Dickinson observaram que dado que os produtos agrícolas são perecíveis. Os produtores simples de mercadorias necessitam apenas de sua “reprodução simples”. Por outro lado. porém a sua explicação da persistência da agricultura familiar (que ela denomina de produção simples de mercadorias) descansa amplamente em como a agricultura familiar pode enfrentar a concorrência das empresas capitalistas no contexto hostil de mercados competitivos de meios de produção e mercadoria agrícolas. De Janvry (1980). Finalmente. ao contrário enfatizam porque o capital não está interessado em investir na produção agrícola. da Prusia e dos Estados Unidos não conseguiram competir com os produtores familiares dos Estados Unidos. Porém. subsídios estatais para pesquisa e investimento de capital . os produtores capitalistas da Inglaterra. provocando a sua diferenciação em classes sociais antagônicas. eles não chegam a afirmar que o desenvolvimento na agricultura não tem um caráter capitalista. seguindo as obras de Kautsky e Lenin. considera que o desenvolvimento do capitalismo tardio tem significado a destruição da agricultura familiar e que as forças que afetam a produção agrícola .fazem improvável a sobrevivência da agricultura familiar. Simultaneamente com os trabalhos de Mann-Dickinson e Friedmann. Então. As análises de Friedmann estão baseadas na tradição teórica marxista. Porém. Os capitalistas agrícolas tendem a liquidar seus negócios quando estes não são capazes de gerar a taxa média de lucro. Ela argumentou que a produção agrícola familiar. um dos representantes dessa tradição. as relações capitalistas devem penetrar irreversível e .mudança tecnológica. diferentemente dos capitalistas.

inevitavelmente na agricultura familiar levando assim a seu desaparecimento como tem acontecido na indústria nas sociedades capitalistas avançadas. Kautsky argumentou . É útil notar que A questão agrária de Kautsky contém um conjunto de argumentos sofisticados sobre a lenta penetração do capitalismo na agricultura.

Dentro desta concepção as empresas industriais deslocam-se para as áreas rurais onde os trabalhadores não são sindicalizados e os salários são mais baixos porque muitos trabalhadores potenciais têm suas pequenas propriedades produzindo ineficientemente e. vários programas estatais que tentam resolver os problemas da agricultura. baseado na agricultura da Califórnia. Apesar disso. No seu livro. Esta integração das esferas de produção agrícola e não-agrícola tem sido elaborada por Bonanno (1985. torna-se comum o trabalho por peça. 198717). Neste contexto. principalmente na Itália e nos Estados Unidos. O trabalho está também aumentando sua informalidade. Outro impulso na literatura de economia política neo-marxista. os trabalhadores desempregados com pequenas propriedades poderiam temporariamente retornar à produção de subsistência até melhorar as condições na indústria. Um primeiro passo dentro desta linha de pensamento foi a do teórico marxista Kautsky. que analisou o papel do estado no estímulo às pequenas propriedades como uma estratégia para mediar os conflitos de classes nas sociedades avançadas. Ele analisou particularmente a produção de alface. mas as causas que permitem a emergência de formas organizacionais da produção agrícola. a agricultura em tempo parcial servia de reserva de trabalhadores das indústrias localizadas nas áreas rurais. uvas-passas e tomates.12 que o capitalismo. podem ter a função de permitir a continuidade da agricultura familiar. acerca da lenta penetração do capitalismo na agricultura. variam de acordo com o sistema de produção. tem sido o argumento de que a diferenciação dos agricultores no capitalismo pode ser incompleta no futuro previsível quando a produção agrícola e não-agrícola venha a ser integrada dentro de um sistema particular que incorpore diferentes formas de organização da produção. enfatizando o predomínio das análises sobre a emergência das relações capital-trabalho na agricultura e a separação dos produtores independentes de seus meios de produção. está em constante crescimento. Manufacturing Green Gold. Ele argumentou que a questão central para compreender a evolução da agricultura nas sociedades industriais avançadas não era simplesmente o tipo dominante de posse das empresas agrícolas. apesar de sua lentidão resultaria na descomposição do campesinato alemão. A agricultura familiar resulta importante nas políticas dos Estados que buscam a descentralização do sistema industrial. tornando-se desta forma uma força de trabalho de reserva. a agricultura familiar aparece como tendo a . além disso. numa análise histórica da pequena agricultura familiar de tempo-parcial no sul da Itália e das funções da agricultura familiar no desenvolvimento econômico contemporâneo. há poucas oportunidades alternativas. mas que as relações capitalistas igual que na indústria. O argumento central era que enquanto mais a produção agrícola organizava-se sob formas capitalistas. Na indústria de algodão. Nesse sentido. Friedland afirma que o ritmo e a amplitude da penetração do capitalismo na agricultura. Em períodos de contração industrial e desemprego. Os trabalhos de Friedland representam também uma notável contribuição dentro da tradição de Kautsky e Lenin. Esta proposta foi mais desenvolvida por Mottura e Pugliesi (1980). ele tomou uma postura similar a de De Janvry.

1987 apud Buttel.17 Bonanno. Boulder. . Departamento de Sociologia. (1990).” Tese de Doutorado. Et alii. “The persistence of small farms in marginal areas of advanced Western societies: the case of Italy. Alessandro. F. CO: Westview Press. 1985 e “Small Farms. Universidade de Kentucky.

na agricultura. pela agroindústria. A esfera domestica torna-se uma reserva de trabalho que subsidia a esfera capitalista. fornecendo ao mesmo tempo. Friedland e outros na tradição de Lenin (e em menor medida de Kautsky). Esta super-exploração permite a transferência de valor da esfera domestica da produção para a esfera capitalista. Particularmente. pelos latifundiários. pelos capitalistas não-agrícolas e no endividamento. esses . na agricultura de tempo-parcial. Wenger e Buck (1988)18. Uma vez que as perspectivas de Mann-Dickinson e Friedmann por um lado e de De Janvry.13 função de “keeper of surplus labor”. Mooney observa que muitos agricultores são motivados mais pelas formas de racionalidade substantiva (por exemplo. direta ou indiretamente. Por exemplo. o desejo por autonomia no seu trabalho) que pela racionalidade capitalista formal. agricultura em tempo-parcial e endividamento. contribui a pagar os custos da produção agrícola. O salário que os membros da família obtêm fora da sua propriedade. pelo outro. Mooney desenvolveu um modelo da estrutura de classes na agricultura incluindo as “localizações contraditórias de classes” que podem ser encontradas na agricultura familiar (unidade de capital e trabalho na agricultura familiar): o capitalista agrícola e o trabalhador assalariado agrícola. Então. Por conseguinte. num certo sentido. Além disso. seguindo essa linha de pensamento e principalmente a partir dos primeiros trabalhos de Andre Gunder Frank (1967)19. Esses “desvios” implicam arrendamento. nos contratos agrícolas. muitos dos trabalhos mais provocativos na tradição marxista dentro da “nova sociologia da agricultura” representam uma tentativa explicita ou implicitamente de realizar uma síntese. A explicação de Mooney de porque essas “localizações contraditórias de classes” têm um componente subjetivista e está baseada na distinção weberiana de racionalidade substantiva e formal. Mooney considera que esses “desvios” podem ser mais significativos. Mooney observa que há alguns “desvios” que podem ser tomados pelos agricultores para evitar a proletarização. Mooney argumentou que a exploração dos trabalhadores assalariados agrícolas é somente uma forma que a penetração capitalista na agricultura pode tomar. analisaram a exploração e a super-exploração (extraindo maior valor daquele permitido para a reprodução da força de trabalho) dos membros da agricultura familiar. através de vários mecanismos. são. A principal contribuição de Mooney tem sido lançar dúvidas se a existência convencional das relações capital-trabalho é uma adequada referência para avaliar a existência da penetração capitalista na agricultura. Seguindo Wright (1985). contratos agrícolas. Sendo esta idéia um aspecto central para a compreensão das sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento. Em cada um desses “desvios” não existe a relação capitaltrabalho na produção agrícola e onde os agricultores são explorados por uma fração de capital não-agrícola (no arrendamento. pelo capital financeiro). que as relações capital-trabalho. uma fonte de trabalho de baixo custo e de segurança para os membros da família com pequenas propriedades. o trabalho não-pago dos agricultores familiares reduz o salário dos trabalhadores empregados na indústria e os preços dos produtos agrícolas requeridos pelos agricultores. diametralmente opostas.

Capitalism and Underdevelopment in Latin America. Andre Gunder. 1988. apud Buttel. “Farms. 1967. Pem Davison.” Rural Sociology 53 (Winter).agricultores tendem a ser tenazes na participação dentro das empresas e freqüentemente tendem a tomar Wenger. 18 . (1990) 19 `Frank.. apud Buttel. et alii (1990). Morton G. et alii. F. and superexplotation: an integrative reappraisal. e Buck. families. New York: Monthly Review. F.

de permanecer na Mann e Dickinson (1987) replicaram vigorosamente aos argumentos de Mooney e também criticaram seu projeto de sintetizar a proposta marxista e weberiana dado que algumas dessas teses são incompatíveis. A diferença da Revolução industrial inglesa. A politização do debate resultou das condições desfavoráveis que impediam a continuidade do processo de industrialização iniciado na década de 30. Por outro lado. 3. Essas condições desfavoráveis marcam um novo período que pode caracterizar-se da seguinte maneira: O fortalecimento do capitalismo americano e suas novas formas de intervenção: investimentos diretos na indústria. Por sua vez. compras de empresas nacionais já instaladas. abastecimento. expansão do crédito. a escassez de divisas. obras de infraestrutura. Mooney argumentou que sua proposta superava as incompatibilidades das teorias marxistas e weberianas. queda da taxa de acumulação da indústria. a crise capitalista da década de 30 estimulou um crescimento industrial considerável para suprir o mercado interno de bens industriais. organização sindical. No Brasil. deterioração dos termos de intercâmbio comercial e em conseqüência. inflação dos preços. a industrialização brasileira não implicou oposições e divisões entre a burguesia comercial/aristocracia agrária e classes industriais. etc. a menos de que se adotasse uma perspectiva marxista ou leninista mecânica. Foi nesse contexto que se desenvolveu o debate no Brasil sobre a situação de atraso e as formas de superá-lo. empréstimos e cooperação técnica. A tendência a aumentar a concentração de renda. O processo de industrialização ficou num impasse: ou expandir o mercado interno ou reequipar o parque industrial através . da polarização de blocos (soviético e americano) e da descolonização. que possibilitou a implementação de uma política estatal de industrialização no governo Vargas. Com esse incipiente processo de industrialização também se iniciou o ciclo de intervenção do Estado em vários setores da economia: investimento na siderurgia. O êxodo rural e a existência de uma massa de desempregados nas cidades contribuíram para a aliança de classes de caráter populista. reorganização político-administrativa. ajuda militar. queda do salário real. A produção teórica brasileira sobre o “mundo rural”: a influência do marxismo clássico A segunda guerra mundial (1939-1945) alterou profundamente as condições do comércio internacional e impactou de forma significativa nos países exportadores de alimentos e de matérias primas.14 um dos quatro “desvios” do desenvolvimento capitalista a fim agricultura. Esse debate deve ser compreendido no contexto político da “guerra fria”. Foi nesse contexto que emergiu um amplo debate de idéias sobre os problemas sociais e econômicos dos países do ‘terceiro mundo”. o alinhamento dos países da América Latina à política da “guerra fria” significou a subordinação à estratégia de reconstrução do capitalismo sob hegemonia dos estados Unidos.

A primeira opção implicava um amplo movimento de apoio político para impulsionar mudanças estruturais onde a .da introdução de capitais estrangeiros.

tentaram mostrar a existência do feudalismo no Brasil a partir dos “fatos econômicos” e da legislação. Por sua vez. nos textos de Clóvis Caldeira. a transformação da agricultura era indispensável para o desenvolvimento capitalista. o principal obstáculo estaria localizado no reduzido mercado interno. existia uma clara 20 . tiveram que conhecer o debate que existia entre historiadores espanhóis e portugueses acerca do feudalismo na Península Ibérica. que para entender as “instituições feudais” no Brasil.15 agricultura teria que desempenhar um papel-chave. esse debate adquire um novo conteúdo. Entretanto foi a polarização entre nacionalismo e entreguismo que colocou os termos do debate sobre o desenvolvimento capitalista nas décadas de 50 e 60. De acordo com Palmeira (1983) nos trabalhos da Comissão Nacional de Política Agrária. Em conseqüência. durante o segundo governo de Getúlio Vargas. a modernização das forças produtivas e as relações de produção possibilitariam a expansão do capitalismo no Brasil. o interesse de estudo desses historiadores limitava-se às instituições. Entre os anos 30 e 50 o debate entre os autores que tratavam sobre a agricultura referiam-se obrigatoriamente a esse debate. Essa idéia era decorrente de uma visão feudalista da sociedade brasileira. Para os ideólogos do desenvolvimento o processo de transformação estrutural20 seria conduzido pela burguesia nacional em aliança com o proletariado urbano e onde a agricultura teria o papel de produzir alimentos e matérias primas e consumir bens industriais. Roberto Simonsen salienta que está preocupado com os “fatos econômicos” e não com as intenções dos legisladores. autores como Nestor Duarte. a segunda opção demandaria uma rearticulação das classes e grupos sociais e econômicos vinculados aos interesses da “desnacionalização”. capitalistas ou escravistas. A estrutura agrária baseada no latifúndio-minifúndio explicava o atraso das forças produtivas e sua incapacidade de produzir alimentos a baixo custo para suprir o mercado interno e em segundo lugar. posicionando-se ao qualificar alguns aspectos da estrutura agrária como feudais. a polarização internacional existente na “guerra fria” traduziou-se a nível interno na polarização entre nacionalismo e entreguismo ou entre comunismo e democracia. O debate desses anos enfocava duas questões centrais: em primeiro lugar. Acioli Borges e outros. Nas décadas de 20 e 30 com a constituição de um campo intelectual independente e separado do Estado. A produção teórica brasileira sobre o “mundo rural” A produção teórica dos anos 60 sobre o “mundo rural” esteve fortemente marcada pelo debate em torno da natureza das relações de produção no campo. especificamente sobre o caráter do latifúndio. Dessa forma. que o atraso da agricultura era um obstáculo para o desenvolvimento capitalista. que as relações de produção por não serem capitalistas retardavam a expansão do consumo de produtos industriais. A reforma agrária seria a forma proposta para superar esse obstáculo e romper a aliança de poder dominante. Na sua História Econômica. Portanto. Um debate que já existia entre os juristas brasileiros do século XIX. De acordo com os ideólogos do desenvolvimento. Desde essa nova perspectiva. Cabe mencionar que.

.Esse processo de transformações estruturais é conhecido na literatura como “Revolução Brasileira”.

Para os defensores dessa interpretação a modificação da estrutura fundiária não era fundamental ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil. A visão dualista A visão dualista da sociedade brasileira deriva-se das idéias de dois sociólogos franceses (professores de universidades brasileiras): Jaques Lambert e Roger Bastide. a monocultura e o atraso técnico. E também eram a favor da participação do capital estrangeiro. A segunda: o surgimento de novos partidos e grupos de esquerda que questionaram o “monopólio” exercido pelo Partido Comunista. a sociedade brasileira (e dos países com passado colonial) estaria dividida em dois setores: um “aberto e moderno”. E isto passava necessariamente pela caracterização das relações dominantes na agricultura brasileira. Cada grupo tinha sua versão da “revolução brasileira”. Assim. no início da década de 60 o debate feudalismo x capitalismo ultrapassa o campo intelectual e torna-se uma questão política por duas razões principais. portanto a reforma agrária não era necessária. O primeiro refere-se ao setor urbano e o segundo ao campo. levando-lhe tecnologias e capital. Uma visão diferente tinha Furtado quando afirmava que a estruturas arcaicas só poderiam ser rompidas por indução. a definição do estágio dessa “revolução”. a agricultura e indústria progressista de São Paulo (o setor moderno) teria que vencer a resistência do outro Brasil (o setor arcaico). desempregada e pobre. ou seja. criando uma população rural inútil. A primeira: a emergência de um movimento camponês e as lutas pela reforma agrária. . O “arcaico” explicava-se pelo passado colonial assim como por resíduos de formas atrasadas de produção. O camponês converte-se num protagonista político através da sua participação nos sindicatos rurais e nas ligas camponesas. Segundo essa concepção dualista. através de ações impostas pelo setor moderno urbano e industrial. o latifúndio e os capitais estrangeiros. O “moderno” em oposição ao “arcaico” era resultado da importação da “civilização industrial”. o outro “fechado e arcaico”. Segundo Palmeira (1983). sobretudo reconhecendo que a mentalidade dos capitalistas brasileiros impedia a poupança e o investimento produtivos. A concepção dualista partia da premissa que a colonização gerou o latifúndio de caráter feudal (socialmente hierarquizado. ao mesmo tempo em que ampliaria o consumo de bens industriais. constituindo unidades auto-suficientes separadas entre si) e resistente às mudanças. Essa posição aproximava Furtado de outras correntes dualistas intituladas “marxistas” que defendiam a “revolução democráticoburguesa” para eliminar os “restos feudais” (relações de trabalho no campo).16 preocupação em caracterizar as relações entre proprietários e agregados ou determinadas formas de arrendamento. a reforma agrária passava a ser uma condição necessária para superar a produção insuficiente de alimentos e baixar os preços dos produtos agrícolas. Entre seus aspectos negativos estavam: a fixação do homem no latifúndio. No caso do Brasil. Tratava-se principalmente de aumentar a produtividade agrícola através da modernização tecnológica e a reorganização da produção em grandes empresas capitalistas.

Caio Prado Júnior e André Gunder Frank foram os primeiros a criticar a visão feudal da sociedade brasileira.Editora Brasiliense: São Paulo. Caio Prado Júnior rejeita a idéia dos autores que viam na parceria (remuneração do trabalho e serviços prestados com participação no produto) a representação do caráter feudal da agricultura brasileira. foi na Revolução Brasileira (1966) que criticou profundamente o modelo desenvolvimentista. A revolução brasileira. nem muito menos 21 Prado Júnior. vinculadas à empresa colonial portuguesa e à expansão do capital mercantil. às classes médias urbanas e ao proletariado. é evidentemente falso. 1963) e difundida nas publicações soviéticas. e sim a circunstâncias peculiares da cotonicultura e conveniências técnicas e financeiras que lhe dizem respeito. Uma idéia que se aproximava da visão dualista mais conservadora. Caio. criticaram a idéia “marxista” da coexistência de dois modos de produção: o feudal e o capitalista. Da mesma forma. Porém caberia aos camponeses participar da aliança popular na “revolução democráticoburguesa”. única instância de grande expressão em que a parceria se apresenta em proporções apreciáveis ela se acha ligada não a reminiscência ou anacronismo feudais ou outros quaisquer.” (Prado Júnior.17 As teses marxistas “tradicionais” e o nacional-desenvolvimentismo Segundo as teses “marxistas” das décadas de 50 e 60 as estruturas econômicas e sociais do Brasil caracterizavam-se pela coexistência de dois modos de produção: o feudal e o capitalista. na sua Formação do Brasil Contemporâneo. Os “feudais latifundiários”. No início da década de 40. Caio Prado Júnior enfatizava as origens capitalistas do Brasil. Tanto mais que no próprio caso da cultura algodoeira. os grupos comerciais em aliança com o imperialismo e ainda os camponeses representavam o obstáculo para o desenvolvimento capitalista. Essa visão determinista nem leva em conta os processos históricos nem aceita modificações na sucessão dos modos de produção no tempo. 1972:30)21 Dessa forma rejeita a visão linear da evolução dos modos de produção preconizada por Alberto Passos Guimarães (Quatro Séculos de Latifúndio. O fortalecimento dessa “burguesia nacional” estaria sendo obstaculizada pela limitação do mercado interno (pobreza do campesinato). 1972 . ao negar o caráter nacional da industrialização do período Kubitscheik e caracterizar como capitalistas as relações de trabalho no campo. “Falar assim da parceria como forma institucional de relações de trabalho e de produção que sobrevive anacronicamente de um passado feudal. Mas. De acordo com as teses “marxistas” o setor moderno estaria composto pela “burguesia nacional” em oposição às empresas estrangeiras instaladas no país (o imperialismo).

apesar de que a burguesia comercial era um elemento hegemônico do Estado português. reacionária. por que reformá-la? A teoria do capitalismo colonial não é assim um achado histórico tão inocente quanto parece. aparecer como um obstáculo à prática política e à própria prática científica”. ou mesmo indicações concretas que fundamentassem suas idéias. para sustentar suas posições. eles dificilmente podem ser eliminados pela extensão do capitalismo ainda mais longe. 1983) As argumentações dos dois autores refletem as divergências e as lutas políticas da esquerda brasileira. bem arrumada. Gunder Frank influenciado pelas análises teóricas do grupo “marxista”americano da Monthly Review (Sweezy. “A questão política vivida como questão intelectual iria atribuir um sentido político às querelas intelectuais do passado.23 Os defensores da tese feudalista consideravam que. É uma teoria conservadora. defensores da tese feudal.) Se o desenvolvimento atual e os males da agricultura são devidos ao capitalismo. cada um dos autores que defendia a tese feudal ou a tese capitalista. Então uma série de formulações que estavam dispersas naquele momento foram sistematizadas em um grande debate. Baran) rejeita a possibilidade de coexistirem numa mesma sociedade setores independentes uns de outros. 22 Citado em “Revisão crítica da produção sociológica voltada para a agricultura” ASEP-CEBRAP (1983) . Como disse Palmeira (1983: 16) “A necessidade de demarcar posições é que irá mover o debate. que. No início dos anos 60. e Roberto Simonsen e Gunder Frank.18 poderia reconhecer a existência de outros sistemas de produção além dos definidos previamente. De acordo com Palmeira (1983)22 o caráter político do debate fica evidente no confronto entre o texto de Alberto Passos Guimarães e André Gunder Frank. dandolhe uma densidade ideológica até então inexistente e fazendo-o. derivada logicamente desta análise é. (Guimarães). como os países mais desenvolvidos. o que se transplantou para o Brasil foi o “feudalismo colonial”.. de um certo modo. Gunder Frank responde da seguinte forma: “A conclusão política. que aproximava no tempo autores como Alberto Passos e Nestor Duarte. transformado-as e a seus protagonistas em elementos de um só e mesmo debate. na verdade abolir o feudalismo e seguir o mesmo caminho geral de desenvolvimento.. partidários da tese capitalista e assim por diante” (Palmeira. ia buscar em autores do passado argumentos de autoridade. enquanto que para os defensores da tese capitalista. “Se a estrutura agrária brasileira sempre teve uma configuração capitalista por que revolucioná-la. Nesse caso é o próprio capitalismo e não o feudalismo que tem que ser abolido” (Gunder Frank apud Palmeira. 1983: 16). (. se encaixa perfeitamente nos esquemas políticos mais retrógrados”.

a menos que se indique o contrário.Todas as referências de Palmeira provêm do documento do ASEP-CEBRAP. 23 .

que ao mesmo tempo diferenciavam do proletário. Por sua vez. O debate sobre o caráter do latifúndio levou os sociólogos rurais a discutir à problemática das classes sociais. Palmeira afirma que essa manipulação de dados evidencia que o que estava em jogo não era uma questão de demonstração científica. conclui que a população rural estava constituída em quase dois terços por camponeses. submetida ao mesmo tipo de exploração econômica que os trabalhadores urbanos. Dentro desse projeto a estrutura brasileira era concebida como uma “fase de transformação” orientada para o desenvolvimento nacional. nas suas teses de doutorado realizadas em Paris. para os defensores da tese capitalista. Por sua vez. utilizando os mesmos dados chegam à conclusão que uma metade da população rural eram camponeses e a outra. para . a luta pela terra seria secundária. mas não sua propriedade jurídica. E quem se opunha aos empresários rurais seria uma massa de trabalhadores agrícolas (proletários). enquanto os defensores da tese feudal afirmavam que no Brasil existia uma classe camponesa que tinha a posse efetiva dos meios de produção. Para Palmeira (1983) alguns autores manipulavam as estatísticas com o objetivo de defender suas posições. além da dualidade capitalista/feudalista: a plantation. Maria Isaura Pereira de Queiroz. mas um jogo de relações políticas em que os autores estavam imersos. baseando-se em dados do Censo Demográfico e Agrícola de 1950. o que se transplantou foi o capitalismo. Essas propostas representavam uma mudança importante no debate sobre as estruturas sócio-econômicas do Brasil. que se opunha a uma classe latifundiária numa luta pela propriedade da terra. a estruturação do projeto político da “revolução democráticoburguesa” caberia a um grupo de intelectuais liderados por Hélio Jaguaribe e organizados no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiro) criado no Governo de Jucelino Kubitschek. a pequena produção mercantil ou a economia camponesa vista desde a perspectiva de Chayanov. Como conseqüência. Por exemplo. Diegues Júnior e o CIDA (Comité Interamericano de Desenvolvimento Agrícola). Sociólogos como Moacir Palmeira e historiadores como Ciro F. André Gunder Frank descobre dois terços de proletários e semiproletários. Como resultado do debate. Cardoso. Mas. o latifúndio. É por isso que. os partidários da tese capitalista consideravam que não existia nada no Brasil que se assemelhasse a uma classe camponesa e que o que existia era uma classe de empresários rurais possuidores e na maior parte dos casos. S. onde a questão chave era determinar a existência ou não de uma classe camponesa no Brasil.19 mesmo que a colonização tenha sido uma empresa feudal. propunham a existência de sistemas de produção específicos. ou o escravismo colonial. proprietários dos meios de produção. No início da década de 70. O corpo das idéias organizadas em torno desse projeto político passou a ser conhecido como “ideologia nacional-desenvolvimentista”. Tanto os defensores da tese feudalista como os defensores da tese capitalista identificavam o camponês com o pequeno produtor. os pesquisadores abandonaram a visão dualista capitalismo/feudalismo e passaram a ter uma postura crítica em relação aos esquemas evolutivos dos modos de produção. proletários. Esses empresários rurais formariam parte da burguesia.

Jaguaribe. com . a ideologia mais representativa desse período era o nacionalismo que permitiria articular os diversos setores sociais.

ausência de uma consciência nacional da burguesia brasileira que tendia a privilegiar sua essência burguesa antes que seus traços nacionais. Essas críticas referem-se à visão da agricultura brasileira como “ineficiente” e incapaz de reagir aos estímulos da dinâmica da demanda da indústria nacional (por matérias primas e alimentos) e por produtos exportáveis. Binagri Edições. A necessidade de reajustar o modelo nacional-capitalista dava passo a um novo modelo o nacional-trabalhismo. Mas para isto era necessário o concurso de todos os setores “progressistas” em torno do “desenvolvimentismo” encarnado inicialmente no Plano de Metas do Governo Kubitschek. numa visão ecumênica das classes sociais.20 exceção dos latifundiários comprometidos com o statu quo. Em conseqüência. as forças sociais semifeudais remanescentes. A prática política dos anos seguintes mostrou a fragilidade dos postulados teóricos do nacional-desenvolvimentismo. era o nacional-capitalismo. o qual. “Tal ideologia implicava na adoção de determinado modelo para a então ‘atual fase da vida nacional’.” (Castro. dentro do sistema de iniciativa privada e tendo no Estado a instância de planejamento coordenação e suplementação. portanto. no dizer de Jaguaribe. Evolução recente e situação atual da agricultura brasileira. 1979: 38). sob um objetivo comum: a expansão das forças produtivas. Brasília. em propriedades familiares médias. Kubitschek. estas tinham em comum o esforço pelo desenvolvimento. o único capaz de promover o desenvolvimento. Deveriam reduzir-se rapidamente as desigualdades sociais e o desequilíbrio entre o campo e a cidade. sob a direção dos ‘empreendedores nacionais’. Ana Célia et al. Compreendia Jaguaribe como nacional-capitalismo o conjunto de políticas adotadas por Vargas.24 O modelo nacional-capitalista entra em crise no final de 1963 devido ao reconhecimento da heterogeneidade da sociedade brasileira o que significava por um lado desigualdades regionais e por outro. As propriedades tradicionais seriam transformadas em modernas fazendas capitalistas. 24 . Além de que a agricultura era incapaz de incorporar inovações tecnológicas em proporções significativas o que limitava a constituição de um mercado interno para os produtos industriais. O novo modelo nacional-trabalhista propunha uma drástica intervenção na agricultura para extinguir o seu caráter semifeudal e. surgiram diversas tentativas críticas da análise dualista que buscavam outra interpretação das transformações que de fato estavam acontecendo na sociedade e em especial na agricultura. em fazendas cooperativas médias e grandes fazendas estatais. A implementação do novo modelo possibilitaria a aliança entre a burguesia nacional e o proletariado porque o desenvolvimento capitalista levaria à criação de mais emprego. Quadros e (até meados de 1963) Goulart. 1979. assim como ao aumento do salário e do consumo. Castro. autônomo e endógeno.

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sem gerar uma crise de abastecimento ou de fornecimento de matérias-primas. a um só tempo. na crítica conservadora a tese que afirma que a agricultura é um obstáculo para o desenvolvimento. a diversidade das relações de produção. Schultz. c) fornecer recursos para a formação de capital. a diferença entre o Nordeste “tradicional” e o Centro-Sul “moderno”. fundamentalmente. é refutada empiricamente. libera mãode-obra e eleva o nível de rendimento dos que ficaram no campo.. e) produzir gêneros exportáveis para possibilitar a capacidade de importação. estava na forma de encarar o objeto de estudo.21 As análises da nova fase distinguem-se das interpretações anteriores. A visão modernizante Por sua vez a crítica conservadora (Delfim Netto. Pereira de Carvalho e Ruy Miller Paiva) aos modelos aceitos na década de 50 e 60. o que. b) liberar mão-deobra para a indústria. por sua aparente “despolitização” e por estarem construídas a partir de levantamento de dados nas pesquisas de campo para sustentar os postulados teóricos. Enquanto na visão dualista o “obstáculo” ao desenvolvimento poderia ser eliminado através da reforma agrária e reformas estruturais. A análise centrase na posição de equilíbrio e as políticas propostas têm como objetivo a maximização dos recursos disponíveis. por exemplo. a diferença fundamental entre essa e outras concepções em relação às funções que deveria cumprir a agricultura. a industrialização baseada na exportação de produtos agrícolas levou a uma especialização em torno de produtos como café. numa melhoria da produtividade do setor agrícola. através de uma transferência de mão-de-obra do setor agrícola para os outros setores. Affonso Celso Pastore. Nessa visão a agricultura tem um lugar central no desenvolvimento econômico. buscando responder afirmativamente à questão de se a agricultura poderia cumprir as cinco “funções” definidas por Johnston e Mellor: a) produzir alimentos a baixo preço para as cidades. Por outro lado. Para Delfim Neto apud Castro (1979:50) “. manifestava a preocupação por buscar a compreensão da realidade efetiva. a situação do pequeno produtor e as particularidades da pequena produção.” De acordo com esta concepção a agricultura financiaria o desenvolvimento industrial. reduzindo a influência de posturas ideológicas e sem fundamentação empírica. dependeria do tipo de insumos utilizados e disponíveis (intensidade do fator capital no Centro-Sul e intensidade do fator Trabalho no Nordeste) e não de fatores estruturais. Yufiro Hayami e Vernon Ruttan. a chave do processo de desenvolvimento econômico reside. Segundo Delfim Neto essa política a favor da agricultura de exportação manteve no mercado produtores .W. o que elimina algumas questões como. Nesta perspectiva neoclássica a empresa agrícola é considerada uma empresa capitalista comum. d) abrir mercado consumidor para produtos industriais. aumentando a taxa de remuneração dos capitais investidos. baseou-se na proposta teórica-metodológica de T. A pesquisa em nível universitário.. No entanto. Por exemplo. cacau e açúcar.

considera que a agricultura longe de cumprir um papel passivo. A. USP. Maria de Conceição d’Incao) as relações sociais no campo são predominantemente capitalistas e portanto se faria desnecessário a reforma agrária. a adoção de uma nova tecnologia depende da avaliação que faça o agricultor do custo-benéficio. Para outros (Maria Isaura Delfin Neto. Delfim Neto25 considerava que o livre mercado liberaria fatores de produção para serem utilizados em outras atividades mais lucrativas (criação de gado e de aves). desconsiderando outras variáveis econômicas importantes como informação. No seu estudo sobre o café. Tese de Doutorado. Primeiro. a estrutura social e o processo histórico. Para ele. porque a decisão de um grande número de produtores afetaria os preços dos fatores de produção e essas modificações no preços reduziriam as vantagens da nova tecnologia. Octávio Guilherme Velho. Em consequência. Outros autores como. os autores divergem quando se trata das relações sociais no campo. Esses autores na busca de elaborar uma análise mais flexível introduziram noções como: articulação de diferentes modos de produção. 25 . Por sua vez. A diferença de outros autores “modernizantes” . Miller Paiva situa-se numa das correntes mais importantes conhecidas como “modernizadoras” da agricultura. imprime suas próprias características no desenvolvimento urbanoindustrial. disponibilidade de capital. Nas suas análises incorpora variáveis não econômicas como a demografia. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas. os trabalhadores assalariados em lugar de lutar pela terra deveriam organizarse nos sindicatos e lutar pelas suas reivindicações de classe. b) O desenvolvimento do capitalismo necessitava recriar formas não capitalistas de produção para seu próprio funcionamento e portanto não se constituem em “obstáculo” de seu próprio desenvolvimento. A crítica radical A crítica radical (uma visão modificada da tese capitalista) às posições dualistas baseia-se na capacidade que tem o desenvolvimento capitalista de refuncionalizar as formas existentes e de criar outras relações não-capitalistas de produção. diferentes relações de produção nas formações econômico-sociais e “subsunção formal do trabalho ao capital”. Porém. a questão da mudança tecnológica implicava dois aspectos. E segundo. Para alguns (Francisco de Oliveira. 1979. O problema do café no Brasil. Essa crítica é sustentada por autores como José de Souza Martins. a disseminação de novas tecnologias tinha um significado macroeconômico. Maria Rita Loureiro. Antônio Barros de Castro afirmavam que a agricultura desempenhou seu papel requerido pela industrialização. Francisco de Oliveira e Maria de Conceição de d’Íncao. Ruy Miller Paiva centrava sua análise nos preços para explicar a mudança tecnológica na agricultura.22 ineficientes. Alguns pontos devem ser salientados dessa crítica radical: a) O Brasil foi construído historicamente a partir da expansão do capitalismo europeu e seu desenvolvimento capitalista pode ser caracterizado como “dependente” ou “periférico”.

como resultado da racionalização fordista. tecnologias. 4. Taylor. No entanto. que descrevia como uma melhor organização do trabalho (que implicava uma racionalização do tempo e de cada movimento do trabalhador) poderia aumentar a produtividade. introduzia a jornada de 8 horas e 5 dólares de recompensa para os trabalhadores de sua fábrica de automóveis em Michigan. o perfil dos trabalhadores. que vigoraram desde o fim da Segunda Guerra Mundial até inícios dos anos 70. observa-se uma absorção. Essas contribuições se expressam na incorporação de novos temas como a questão do meio ambiente. em 1911 tinha sido publicados Os Princípios de Administração Científica de F. 1992)26. Antes. na gerência da produção e no consumo de massa. os hábitos de produção e de consumo. mas pelas práticas e representações ideológicas. Mesmo assim. que alguns autores denominam de “acumulação flexível” (Harvey. Henry Ford com o objetivo de aumentar a produtividade. José de Sousa Martins. do regime de acumulação fordista para outro. hábitos de consumo e configurações de poder político e econômico. As transformações do capitalismo mundial neste fim de século estão mudando radicalmente os processos de produção. exigia a exportação dos excedentes. Autores como Graziano da Silva (1996) percebem a emergência de um novo rural brasileiro produto da urbanização do meio rural brasileiro e da industrialização da agricultura e que formam parte de profundas transformações econômicas. W. as noções do que é rural e do que é urbano. já em 1914. Nos Estados Unidos . Octávio Guilherme Velho). Na segunda metade da década de 60. O objetivo da jornada de oito horas e os cinco dólares não era só aumentar a produtividade mas permitir que os trabalhadores tivessem as condições de tornar-se consumidores em massa. A crise do regime fordista está associada à perda da hegemonia política e financeira dos Estados Unidos. o significado do espaço e do tempo e as práticas do Estado. culturais e sociais. Estamos vivendo numa era de incerteza. sociais e culturais que estão acontecendo em escala mundial e que estão mudando o caráter dos empregos e a organização das economias.23 Pereira de Queirós. desde finais do século passado. ainda que lentamente. Porém. de novas contribuições teóricas e metodológicas. caracterizada por um processo de transição. Com o fordismo emergia uma nova sociedade baseada no controle racional do trabalho. A produção teórica brasileira sobre o “mundo rural” Apesar de que a nível geral existe uma espécie de estancamento e até refluxo da produção teórica sobre o “mundo rural”. O regime fordista pode ser definido como um conjunto de práticas de controle do trabalho. a existência de um campesinato brasileiro estaria evidenciado não só pela posse jurídica da terra. o desenvolvimento sustentável (José Elí da Veiga) e a emergência de um “novo mundo rural” (Graziano da Silva). milhares de trabalhadores estavam sendo deslocados da manufatura. o que Ford fez foi racionalizar velhas tecnologias e uma divisão do trabalho que já existia. a saturação dos mercados internos da Europa e do Japão.

Edições Loyola: São Paulo. David. a partir de 26 Harvey.esse declínio da demanda efetiva foi compensado pela produção de armas para a guerra de Vietnã e pelo combate à pobreza. Porém. Condição Pós-moderna. 1992 .

(Harvey. Esse novo regime de acumulação cria as condições para o crescimento do emprego no chamado “setor serviço” e uma alta mobilidade geográfica ou uma compressão do espaço tempo. a queda da produtividade e da lucratividade das empresas. nos Estados Unidos. Essas possibilidades de comunicação e a redução do espaço têm aumentado a capacidade dos empregadores para o controle da força de trabalho e em conseqüência. a mudança mais importante têm sido a queda do emprego regular e o crescimento do trabalho em tempo-parcial. a falta de segurança do emprego e dos direitos de pensão afetará negativamente aos trabalhadores. os “trabalhadores “flexíveis” aumentaram 16% enquanto os empregos permanentes caíram em 6%. Na Inglaterra. marca o início dos graves problemas fiscais dos Estados Unidos que seria resolvido a custas da aceleração da inflação. Em 1983. quando as empresas obrigam os trabalhadores regulares a trabalhar mais nas épocas pico de demanda. enquanto a intensidade de trabalho se reduz com a queda da demanda. As economias de escalas foram substituídas pela produção de pequenas quantidades de bens a preços baixos. entre 1984 e 1985.24 1966. 1992: 148) A subcontratação e a . comerciais e organizacionais. cerca de um terço dos novos empregos criados estavam na categoria de “temporários”. Porém. a redução do emprego e destruição do poder sindical. cresce o número dos trabalhadores temporários e subcontratados sem nenhuma garantia de emprego. produto da redução dos custos de transporte e da comunicação via satélite. Como contraponto. Porém. ser flexível e geograficamente móvel. como o setor serviços. A flexibilização do mercado de trabalho se dá. assim como por rápidas mudanças das práticas de consumo e do surgimento de novos setores de produção. 1992: 144) Mudanças importantes aconteceram também na organização industrial. novas formas de financiamento e inovações tecnológicas. Apesar de que a flexibilização do mercado de trabalho não tem criado uma forte insatisfação trabalhista porque às vezes pode ser mutuamente benéfica. O regime de “acumulação flexível” rompe com a “rigidez” do fordismo e caracteriza-se pela emergência de mercados de trabalho e processos de produção mais flexíveis. A subcontratação organizada possibilita o surgimento de pequenos negócios. com o crescimento de outros setores da economia. provocando o fechamento de numerosas fábricas e estimulando um processo de desindustrialização. a longo prazo. Os “trabalhadores flexíveis” são contratados facilmente e são demitidos sem custos quando a empresa está em crise. (Harvey. Também se observa o crescimento de economias “informais” nos países capitalistas avançados e a reformulação do papel das mulheres no mercado de trabalho. Nesse mesmo período. temporário ou subcontratado. As novas formas de organização da produção colocaram em xeque a organização tradicional. O mercado de trabalho no regime de acumulação “flexível” caracteriza-se pela redução dos trabalhadores em tempo integral e pelo grau de adaptação às novas condições. ou seja. por exemplo. O excedente de força de trabalho e a redução do poder dos sindicatos têm permitido aos patrões impor contratos de trabalho mais flexíveis. a revista Fortune publicou que setenta e cinco por cento das peças de máquina eram produzidas em lotes de cinquenta ou menos.

produção de pequenos lotes permitiram superar a rigidez do sistema fordista e atender a um mercado mais diversificado e dinâmico. A flexibilização .

O “mundo rural” nos países desenvolvidos tem um novo ator social: o agricultor em tempo parcial (part-time farmer) e que se caracteriza por combinar atividades agropecuárias com outras atividades não-agrícolas seja dentro da propriedade ou fora dela. o turismo. Em consequência. dos preços das matérias primas. os funcionalistas americanos continuaram a identificar o campo com o atraso para justificar as ações de fora. Para sobreviver. moradia. imóveis e finanças) em detrimento do emprego industrial. saúde. A idéia de que as cidades representam o “novo” e o “progresso” e que o campo o “atraso” e o “velho” baseia-se na concepção de autores clássicos como Marx e Weber que identificavam as cidades com o capitalismo e o campo com o feudalismo. adubos químicos. as empresas devem ter a capacidade de responder às variações da taxa de câmbio. a informação e a ciência tornaram-se uma mercadoria. A agricultura deixou de ser um setor relativamente autárquico. A idéia que identifica o “rural” exclusivamente com a agricultura não corresponde com a realidade. conservação do meio ambiente são novas atividades em crescimento no campo. com seu próprio mercado de trabalho. moradia e prestação de serviços pessoais. seguros. e às mudanças nos gostos dos consumidores. o controle da informação assim como a rapidez na análise de dados. máquinas e equipamentos que permitissem a superação da pobreza dos agricultores (Graziano da Silva. conservação da natureza. e se integrou ao resto da economia. a diferença entre o urbano e o rural é cada vez menos importante. Por sua vez. Essa é a sua característica nova: uma . também foi reduzido o tempo de giro no consumo. No processo de flexibilização e de mobilidade geográfica. Nesse contexto. O rápido acesso às informações assim como ao conhecimento científico pode significar altas margens de lucro. elemento central para a lucratividade das empresas. O lazer. como a assistência técnica e a extensão rural. “Em resumo. são essenciais para a tomada de decisões. As novas tecnologias ( automação. duas realidades em confronto. As cidades não podem continuar a ser sinônimos de produção industrial nem o campo de produção agrícola e pecuária. mas um trabalhador autônomo que combina diversas formas de ocupação (assalariadas ou não). A modernização da agricultura era entendida como a introdução de sementes geneticamente melhoradas. robôs) e novas formas organizacionais reduziram o tempo de giro na produção. o parttime não é mais um fazendeiro especializado. Agora a agricultura não pode ser entendida sem sua vinculação com os setores que lhes fornecem os insumos industriais e lhes compram seus produtos. Com as transformações na produção e no consumo também emergiu uma nova estrutura de emprego que privilegia o emprego no setor de serviços (educação. ou seja caiu a média da vida útil dos bens produzidos. 1996). No “mundo rural” estão emergindo novas formas sociais e de organização econômica na medida em que a sociedade transita para um novo regime de acumulação. turismo.25 também provocou a aceleração das inovações e as conquistas de novos mercados. tanto em atividades urbano-industrial ou nas atividades emergentes de lazer. De que forma essas transformações estão afetando o “mundo rural”? Para alguns autores como Graziano da Silva (1996)27. a prestação de serviços.

pluriatividade que combina atividades agrícolas e não-agrícolas. 27 Graziano da silva. O novo rural. José. 1996:4).” (Graziano da Silva. 1996 (mimeo) .

vidro. etc.) e. algumas características próprias do mundo rural como as formas flexíveis de contratação e o emprego sazonal e temporário. através de um mercado de trabalho relativamente indiferenciado.26 É precisamente essa combinação de atividades não-agrícolas fora de seu estabelecimento que diferencia o part-time da visão marxista clássica da proletarização do campesinato. constituem a nova fisonomia da indústria do final do século XX. etc. Em consequência. Ainda Graziano da Silva (1996:6-7) enfatiza outros fenômenos relacionados com a pluriatividade nos países desenvolvidos: “a) O ‘desmonte’ das unidades produtivas em função da possibilidade de externalização de várias atividades que antes tinham que ser realizadas na própria fazenda através de contratação de serviços externos (aluguel de máquinas. assistência técnica. b) especialização produtiva crescente permitindo o aparecimento de novos produtos e de mercados secundários. Ironicamente. têxtil. como por exemplo. bebidas. . Muitas indústrias deslocam-se para o campo buscando uma maior proximidade de matérias-primas e de mão-de-obra barata e desindicalizada.). segundo. individualizou-se a gestão produtiva das propriedades agrícolas e com isso os membros da família foram liberados para realizar outras atividades nãoagrícolas fora da propriedade. e o trabalho a domicílio. com o objetivo de diminuir os custos. A combinação de atividades agrícolas com não-agrícolas faz parte de um processo de “desespecialização” da divisão social do trabalho e que se origina nas mudanças recentes no processo de trabalho tanto na indústria fordista como na agricultura moderna. O surgimento do part-time nos países capitalistas desenvolvidos é resultado da redução do tempo de trabalho necessário dos agricultores devido ao aumento da mecanização das atividades agrícolas e da automação das atividades de criação. A pluriatividade manifesta-se de duas formas. através da combinação de atividades tipicamente urbanas com a gerência especificamente agropecuária (Graziano da Silva. de animais jovens. 1996). O novo “mundo rural” caracteriza-se pelo crescimento das atividades rurais nãoagrícolas e pela transferência de atividades urbanas e industrias para o campo. os clássicos (Marx. Igualmente. muitas empresas têm migrado para o campo na busca de uma melhor qualidade de vida para seus funcionários e também por que no campo existe menor controle da poluição. mudas e insumo. assim como pela redução de áreas cultivadas e/ou a extensificação das atividades agropecuárias. Além disso. que combina desde a prestação de serviços manuais até o emprego temporário nas indústrias tradicionais (agroindústrias. Kautsky) consideravam que esse processo de proletarização implicava o desaparecimento do campesinato. Primeiro. forma característica de transição da manufatura à indústria mecanizada.

Os conceitos de “urbano” e “rural” resultam obsoletos e não há elementos teóricos que nos expliquem as complexas relações entre eles. saneamento básico. assim como também cabe salientar a multiplicação de sítios de recreio (pequenas áreas de lazer de famílias de classe média urbana). agricultores.. mecânicos. frutas e hortaliças. constituída de bens e serviços não materiais. prestadores de serviços. ou seja. d) crescimento do emprego qualificado no meio rural. peixes e outros animais. Considerações finais Conclui-se que o “mundo rural” não pode continuar a ser considerado apenas como o espaço onde se realiza a produção agropecuária e fornecedor de mão-de-obra. aves. exigem um marco conceitual distinto que possibilite entender essas mudanças. e) melhoria na infraestrutura social e de lazer. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul. que se assalariam nas fábricas de calçados. além de uma melhora substancial na qualidade de vida para os que moram nas zonas rurais. além de maiores facilidades de transporte e meios de comunicação. agroindústrias e empresas de distribuição comercial.. atividades de recreação e turismo). especialmente de profissões técnicas e administrativas de conteúdo tipicamente urbano. como motoristas. lazer e outros serviços) e com a preservação do meio ambiente. a desarticulação do sistema agrícola colonial dá lugar à emergência da ‘part-time farming’ e da ‘pluriactivite’ da força de trabalho dos colonos. têm crescido as atividades não agrícolas. digitadores e profissionais liberais vinculados a atividades rurais nãoagrícolas. “. assistência médica e educação. . Muitas vezes os proprietários dessas pequenas áreas combinan o lazer com o desenvolvimento de alguma atividade produtiva (criação de abelha.” (Schneider. As transformações da agricultura.27 c) formação de redes vinculando fornecedores de insumos. emboram permaneçam residindo e vivendo no espaço rural-agrário. no Brasil e na América Latina nas últimas décadas. turismo. nos países subdesenvolvidos também pode-se observar a emergência da pluriatividade e do “part-farmer”.” Apesar das diferenças. O meio rural está criando um outro tipo de riqueza. possibilitando maiores facilidades de acesso aos bens públicos como previdência. principalmente aquelas relacionadas com a proliferação das agroindústrias e as relacionadas com a urbanização do meio rural (moradia. 1996). o “mundo rural” ganhou novas funções e novos tipos de ocupações (Graziano da Silva. 1996: 310) No campo brasileiro. produção de flores e plantas ornamentais.

uma “extrema ideologização”. em uma formação social determinada”. determinarem novas questões a serem analisadas e esboçar tendências e definir as características. desde uma perspectiva sociológica.. (Tavares dos Santos 1991: 15). 1993. 1991). na medida em que perde sua importância relativa.a explicação dos múltiplos entrelaçamentos existentes entre esses diferentes fenômenos e a sociedade em termos amplos. o campo deve continuar (ou não) a ser objeto de estudo da Teoria Sociológica. mas não necessariamente objetos científicos. Na mesma linha de Gómez (1994). a distinção entre cidade e campo”. nas últimas décadas os estudos sobre o “campo” representam parte substancial da produção sociológica brasileira. De acordo com Tavares dos Santos (1991). foram estudados fenômenos relativos à estrutura da posse da terra. O “rural” representa um conjunto de objetos empíricos. às políticas de intervenção do Estado para a modernização da agricultura (novas áreas de colonização. o valor das agroindústrias supera o valor da terra. 1991). (D’incao et al. um novo enfoque sobre a agricultura”. os fenômenos que ocorrem no espaço agrário (Tavares dos Santos. Como nos desafia Cavalcanti (1993:62). torna-se mais dependente da sociedade global. que dificultam a construção de uma nova abordagem teórica sobre os processos agrários. Ainda. além do que. A partir de uma perspectiva teórica.parece sobre determinar a visão analítica”. enfatiza que a produção teórica brasileira sobre o “rural” tem sofrido. até a atualidade.28 A utilização de critérios espaciais e ocupacionais é insuficiente para explicar as especificidades da sociedade rural. resultado da crescente exclusão social e onde a perspectiva política “. como descobrir facetas diferentes de fenômenos já estudados. inovações tecnológicas na agricultura e estímulos para exportação) e seus impactos na organização da produção e nas relações de trabalho. Tavares dos Santos (1991: 15). Grossi Porto. de acordo com as quais. os resultados desses estudos parecem requerer novos questionamentos e instrumentos teóricos-metodológicos que possibilitem “. Nesse período... pois sua estrutura interna baseia-se na propriedade e no uso da terra como fator produtivo e simbólico. 1994). chamam a atenção sobre a necessidade de “revisitar o campo” e de construir um outro “olhar sociológico” (Tavares dos Santos. como por exemplo. alguns sociólogos brasileiros (Cavalcanti.. A produção teórica sobre o “mundo rural” produzida nos últimos quarenta anos merece ser objeto de avaliação profunda e de reflexão crítica que permita encontrar seus obstáculos epistemológicos frente às transformações da sociedade contemporânea. A definição de um novo campo de estudos da . “trata-se de reconhecer que tais processos sociais agrários constituem expressões do processo histórico da divisão social do trabalho. A “tarefa” de revisitar o campo se traduz na definição de fenômenos antes não considerados na análise. Entendendo o espaço agrário “como um locus de relações sociais de produção específicas. dos clássicos aos contemporâneos. Para formar esses objetos científicos é necessário fazer uso de conceitos e teorias disponíveis no conhecimento sociológico. deriva-se daí a necessidade de estudar. apesar das semelhanças que esta tem com outros setores. mais especialmente. 1993) que explore novas perspectivas teórico-metodológicas e defina novos temas de pesquisa. (Gómez. 1993). No entanto. assentamentos.

Como afirma Solari (1972).sociologia sobre a agricultura implica algumas limitações e impasses científicos. o desenvolvimento da sociologia está vinculado à mudança social e a uma situação de crise. .

completado esse processo. Apesar de algumas revisões na produção teórica sobre os processos sociais agrários. Como foi mencionado anteriormente. para converter-se num ramo das sociologias das ocupações. 1993: 57). para facilitar comparações com outros países (Cavalcanti. quando a agricultura nesse país atravessa uma crise profunda. Avaliar essa produção. a sociologia rural teria que desaparecer. As críticas têm levado teóricos americanos. Inglaterra. provoca efeitos negativos na expansão da análise sociológica do campo brasileiro. é dentro dessa preocupação epistemológica que tem emergido. Esses problemas têm uma relação direta com a chamada crise dos paradigmas. (Tavares dos Santos. 1991). questiona em que medida a denominada “crise dos paradigmas”. dado o processo de urbanização da sociedade brasileira. ao menos em seu conteúdo tradicional. A partir da leitura dos estudos agrários recentes. obstáculos e tendências da agricultura brasileira. (que em certa medida é produto da crise do marxismo estruturalista e da análise funcionalista da “sociologia rural”). sua vinculação às tradições teóricometodológicas funcionalistas. porque pouco se afasta dos antigos conceitos dos estudos da comunidade e pela sua incapacidade de criticar o sistema no qual se insere (Friedland apud Cavalcanti. Esta situação agrava-se pelo fato de que na sociologia rural há uma certa inércia explicativa. das ocupações agrícolas em sentido amplo. Nesse caminho. pode-se propor alguns elementos que possibilitem a superação a denominada “crise dos paradigmas” e construir um outro olhar sobre o campo. os estudos realizados até agora requerem uma análise crítica sobre as possibilidades. busca-se um . Lenin. a partir das quais. seja pelo pouco rigor científico no tratamento dos mesmos. por exemplo. seja pela significância e abrangência dos temas selecionados. “sociologia da agricultura”. A Sociologia Rural nos Estados Unidos está sendo questionada pela sua fragilidade. uma nova tendência intelectual denominada “nova sociologia rural”. França. produto de obstáculos epistemológicos como. baseado em tendências neomarxistas e neo-weberianas que resgatam as constribuições de Marx. O debate destas perspectivas teórico-metodológicas poderiam contribuir na definição de novos problemas ou questões. 1993). Tavares dos Santos (1993). Canadá. na década de 80 foram feitas algumas avaliações sobre a produção sociológica que teve o campo como objeto e. além de ser uma obrigação de ofício. Espanha e Alemanha. a propor novas questões de estudos. Kautsky e Chayanov. Segundo Cavalcanti (1993).29 Dessa forma. no que se referem aos processos sociais que aí se desenvolvem. desde meados da década de 70. . 1993).28 Nos Estados Unidos essa corrente intelectual surge em meados da década de 70. Como afirma (Grossi. Esse movimento crítico é denominado “nova sociologia rural” ou “sociologia da agricultura”. é uma condição necessária para novas abordagens. predominantes na Sociologia Rural Americana dos anos 60 ou pela tendência a se utilizar esquemas classificatórios rígidos para enquadrar grupos e classes sociais. em alguns países de capitalismo avançado como Estados Unidos. “economia política da agricultura” ou “sociologia dos processos agrários”. a sociologia rural mostra-se como expressão da dominação do campo pela cidade e. foram emitidos pareceres contra ou a favor da continuidade dessas análises.

percorrer os mesmos 28 Os teóricos que formam parte da “sociologia da agricultura” publicam a revista International Journal of Sociology and Food . Trata-se de “..retorno que possibilite ir ao encontro do novo..

” A avaliação da produção teórica sobre o “mundo rural” possibilitará o delineamento de perspectivas de análise que abordem tanto temáticas já tratadas. horizontes mais abrangentes. para enfocá-las sob novas dimensões. Dentro desta visão. assumindo uma postura dualista: o “tradicional” e o “moderno” ou “rural” e o “urbano”. para retornar. Contudo é possível observar que há. a emergência de uma nova forma de pensar o “mundo rural” no Brasil seguindo a vertente internacional que incorpora de forma criativa as contribuições teóricas de Weber e Marx. 1993). Com o olhar atento ao invisível. O segundo. buscou-se a análise das classes a partir da sua posição no processo produtivo. E ao não existente em visitas anteriores. (Grossi. visão esta que está presente especialmente nos estudos sobre a difusão de inovações. Um terceiro obstáculo refere-se às análises sobre as classes sociais e os grupos sociais. Essa visão é criticada por Marx quando reconhece uma nãolinearidade do processo histórico. mesmo com lentidão. ao dissimulado. Visões que alcancem. quase sempre.. ao enterrado. no âmbito da construção teórica. O primeiro. Finalmente se pode afirmar que a influência e predominância do “marxismo clássico” na sociologia rural brasileira têm impedido um desenvolvimento mais amplo das análises acerca da nova dinâmica do “mundo rural”. as práticas sociais dos grupos dominados são entendidas dentro do processo de modernização. é a sua vinculação com a orientação funcionalista. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . Nelas. quanto questões emergentes que carecem de reflexões sociológicas pertinentes. com novos olhos. as mesmas trilhas e veredas. Tavares dos Santos (1991) identifica alguns obstáculos epistemológicos da Sociologia “Rural” brasileira. é a vinculação da Sociologia “Rural” a uma perspectiva evolucionista do pensamento histórico.30 caminhos.

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Literatura Econômica. NJ: Allanheld. 1996. a Sociologia pode vir a interessar. 1. 1985 O que é Sociologia A Sociologia é uma das ciências humanas que estuda as unidades que formam a sociedade. Os colonos da indústria calçadista e as transformações da agricultura familiar. Boulder. 1988 MOTTURA. A revolução brasileira. Montclair. PRADO JR. analisando os homens em suas relações de interdependência.) The Rural Sociology of the Advanced Societies. Patrick H. México. normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica. In: Szmrecsányi. a diversas outras áreas do saber. Crítica da Sociologia Rural e a construção de uma outra Sociologia dos processos agrários. 9(1): 7-26. Porto Alegre. Comércio Exterior. ou seja.” In: Buttel. Compreender as diferentes sociedades e culturas é um dos objetivos da sociologia. El desafio de la sociologia rural en la actualidad. Ciências Sociais Hoje. vol. Patrick H. Erick Olin. n. CO: Westview Press. a Sociologia tem uma base teórico-metodológica. José Vicente. 1993. Associação dos sociólogos de São Paulo (ASEP)Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Tempo de trabalho. RS. Tamás e Queda Oriowaldo. e Newby. A construção de um outro olhar sociológico sobre o campo. o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é o Estado. Aldo. 347-356. . TAVARES DOS SANTOS.32 MOONEY. Vida Rural e mudança social. estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações. abril de 1982. em diferentes graus de intensidade. REVISÃO CRÍTICA DA PRODUÇÃO SOCIOLÓGICA VOLTADA PARA A AGRICULTURA. 24-25 de março de 1983 SCHNEIDER. (UFRGS). São Paulo: ANPOCS/Vértice. Ensaios FEE. Classes. O Objeto da sociologia rural. tentando explicá-los. Porto Alegre: Programa de PósGraduação em Sociologia.. Entretanto. que serve para estudar os fenômenos sociais. London: Verso Editions. Frederick H. MOONEY. 1980 NEWBY. 1991 WRIGHT. My Own Boss. SOLARI. ano 17-n. Howard.Número Especial. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia. 4. o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso —. José Vicente. Osmund & Co. Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos. TAVARES DOS SANTOS. São Paulo: Brasileinse. Giovanni e Pugliese. Howard (org. São Paulo: Companhia Editora Nacional. grupos e instituições. Caio. “Capitalism in agriculture and capitalism agriculture: the Italian case. tempo de produção e desenvolvimento capitalista na agricultura: uma reconsideração da tese de Mann-Dickinson.. 1972. 32. Enrico. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as relações na família até a organização das grandes empresas. 1973. Sérgio. p. 1987. São Paulo. Cadernos de Sociologia.

as técnicas qualitativas — como entrevistas dirigidas. História |[pic] |[pic] |[pic] |[pic] | . das observações do que é repetitivo nas relações sociais para daí formular generalizações teóricas. E pesquisam os microprocessos como relações interpessoais. Isto ajuda a desenvolver modelos que possam entender mudanças sociais e como os indivíduos responderão a essas mudanças. Hoje os sociólogos pesquisam macroestruturas inerentes à organização da sociedade. Em alguns campos de estudo da Sociologia. A Sociologia ocupa-se. Por essa razão. de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. uma vez que os estudos micro-sociológicos podem estar associados ou ajudarem no melhor entendimento de problemas macrosociológicos. discussões em grupo e métodos etnográficos — permitem um melhor entendimento dos processos sociais de acordo com o objetivo explicativo.Assim como toda ciência. a experiência de pessoas do mundo é crescentemente atomizada e dispersada. o surgimento do capitalismo ou a gênese do Estado Moderno). ou desarranjos. A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII. além de instituições como a família. Sociólogos fazem uso frequente de técnicas quantitativas de pesquisa social (como a estatística) para descrever padrões generalizados nas relações sociais. as qualitativas. Entretanto. das suas múltiplas relações sociais e. nestas estruturas. a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. teorias e métodos. inclusive crime e divórcio. o uso de ambas as técnicas de coleta de dados pode ser complementar. pode constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida cotidiana. Ainda que esta tarefa não seja objetivamente alcançável. processos sociais que representam divergência. através dos seus conceitos. normalmente. Sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais. consequentemente. é tarefa da Sociologia transformar as malhas da rede com a qual a ela capta a realidade social cada vez mais estreitas. por exemplo. na forma de resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo está ficando mais integrado. a objetivos explicativos distintos ou dependem da natureza do objeto explicado por certa pesquisa sociológica: o uso das técnicas quantitativas é associado às pesquisas macro-sociológicas. classe e gênero. como raça ou etnicidade. mas também desenvolver um "antídoto" para a desintegração social. Os cursos de técnicas quantitativas/qualitativas servem. e também se interessa por eventos únicos sujeitos à inferência sociológica (como. o conhecimento sociológico. às pesquisas micro-sociológicas. procurando explicá-los no seu significado e importância singulares. ao mesmo tempo.

as terras e as ferramentas sob o controle de um grupo social. Assim é que a Revolução Industrial significou. é necessário frisar. Antes. mas foi a primeira ciência social a se institucionalizar. portanto. políticas e culturais ocorridas no século XVIII. para o pensamento social. colocaram em destaque mudanças significativas da vida em sociedade com relação a suas formas passadas. da Ciência Política e da Antropologia. O triunfo da indústria capitalista foi pouco a pouco concentrando as máquinas. desvinculando-se das preocupações especulativas e metafísicas e diferenciandose progressivamente enquanto forma racional e sistemática de compreensão da mesma. e ele acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que. A Sociologia surge no século XIX como forma de entender essas mudanças e explicá-las. seu esquema sociológico era tipicamente positivista.talvez como o último pensador clássico ou o primeiro pensador moderno. poderia prescrever os "remédios" para os problemas de ordem social. baseadas principalmente nas tradições. de forma muito clara. Ela representou a racionalização da produção da materialidade da vida social. como as Revoluções Industrial e Francesa. No entanto. Em Comte. Neste momento. convertendo grandes massas camponesas em trabalhadores industriais. algo mais do que a introdução da máquina a vapor. que esperava unificar todos os estudos relativos ao homem — inclusive a História. que a Sociologia é datada historicamente e que o seu surgimento está vinculado à consolidação do capitalismo moderno. Esta disciplina marca uma mudança na maneira de se pensar a realidade social.| | | |Gilberto Freyre | |Karl Marx | |Vilfredo Pareto | |Émile Durkheim |[pic] | | |[pic] | |[pic] | | |Georg Simmel |Ferdinand Tönnies |Max Weber | A Sociologia é uma área de interesse muito recente. se a pessoa pudesse compreender este progresso. (corrente que teve grande força no século XIX). se consolida . As transformações econômicas. a Psicologia e a Economia. 2 Em que pese o termo Sociologie tenha sido criado por Auguste Comte (em 1838). Montesquieu também pode ser encarado como um dos fundadores da Sociologia .

como objeto que deveria ser investigado tanto por seus novos problemas intrínsecos. originada pelo Iluminismo. como por seu novo protagonismo político já que junto a estas transformações de ordem econômica pôde-se perceber o papel ativo da sociedade e seus diversos componentes na produção e reprodução da vida social. atos de sabotagem e exploração de algumas oficinas. pode-se claramente observar que a Sociologia tem ao menos três linhas mestras explicativas. tendo como fundador Auguste Comte e seu principal expoente clássico em Émile Durkheim. o que se distingue da percepção de que este papel seja privilégio de um Estado que se sobrepõe ao seu povo. que se achavam em curso no ocidente europeu desde o século XVI. iniciada por Karl Marx. Há paralelamente um aumento do funcionalismo do Estado que representa um aumento da burocratização de suas funções e que está ligado majoritariamente aos estratos médios da população. de fundamentação analítica. não poderiam deixar de provocar modificações na forma de conhecer a natureza e a cultura. que mesmo não sendo um sociólogo e sequer se pretendendo a tal. de matriz teórico-metodológica hermenêutico-compreensiva. tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao modificar radicalmente suas formas tradicionais de vida. a Sociologia não é uma ciência de apenas uma orientação teóricometodológica dominante. Ela traz diferentes estudos e diferentes caminhos para a explicação da realidade social. . As transformações econômicas. deu início a uma profícua linha de explicação sociológica. Trata-se das modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento. pelas novas condições de existência por ela criada. Correntes sociológicas Porém. pois colocava a sociedade num plano de análise relevante. Este fato é importante para o surgimento da Sociologia. a imposição de prolongadas horas de trabalho. e etc. O desaparecimento dos proprietários rurais. das quais podem se citar.. e (3) a linha de explicação sociológica dialética. (2) a sociologia compreensiva iniciada por Max Weber. formação de sindicatos e movimentos revolucionários. O surgimento da Sociologia prende-se em parte aos desenvolvimentos oriundos da Revolução Industrial. roubos e crimes. Máquinas foram destruídas. não necessariamente em ordem de importância: (1) a positivista-funcionalista. evoluindo para a criação de associações livres.a sociedade capitalista. Mas uma outra circunstância concorreria também para a sua formação. Assim. Não demorou para que as manifestações de revolta dos trabalhadores se iniciassem. que divide de modo central a sociedade entre burgueses (donos dos meios de produção) e proletários (possuidores apenas de sua força de trabalho). dos artesãos independentes. fundadas pelos seus autores clássicos.

lhe será uma "jaula" que o transcenderá e lhe determinará a identidade. nesse contexto histórico social. políticas. Nos EUA a Sociologia esteve de certo modo "engajada" na resolução dos "problemas sociais". A Sociologia. instituições sociais e suas interações sociais. assim. É interessante notar que a Sociologia não se desenvolve apenas no contexto europeu. Esta disciplina tem se concentrado particularmente em organizações complexas de sociedades industriais. Robert E. as ciências teóricas e experimentais desenvolvidas nos séculos XVII. com enfoque científico. especialmente pela sociologia britânica e positivista de Herbert Spencer). psicológicas. Thomas. Desde o funcionamento de estruturas macro-sociológicas como o Estado. ela estuda organizações humanas. Park. ele se dá. é importante perceber que. Martin Bulmer e Roscoe C. inevitavelmente. Ainda que seja relativamente mais tardio seu aparecimento nos Estados Unidos. algo bem diverso da perspectiva acadêmica europeia. econômicas. O sociólogo dentro da organização intervem diretamente sobre os resultados da empresa. por motivações diferentes que as da velha Europa (mas certamente influenciada pelos europeus. a classe social ou longos processos históricos de transformação social ao comportamento dos indivíduo num nível micro-sociológico. 3 especialmente a teuto-francesa. A sociologia como ciência da sociedade Ainda que a Sociologia tenha emergido em grande parte da convicção de Comte de que ela eventualmente suprimiria todas as outras áreas do conhecimento científico. educacionais. hoje ela é mais uma entre as ciências.Estas três matrizes explicativas. levando à sua consolidação como disciplina acadêmica já no início do século XX. Atualmente. quando a organização é observada e estudada podem se verificar as falhas assim alterar seu sistema de funcionamento e gerar lucro. em grande medida. XVIII e XIX inspiraram os pensadores a analisar as questões sociais. vai debruçar-se sobre todos os aspectos da vida social. originaram quase todos os posteriores desenvolvimentos da Sociologia. Hinkle. Entre os principais nomes do estágio inicial da sociologia norte-americana. . Para compreender o surgimento da sociologia como ciência do século XIX. originadas pelos seus três principais autores clássicos. sem jamais esquecerse que o homem só pode existir na sociedade e que esta. aplicando mormente o método comparativo. podem ser citados: William I. contribuindo com os lucros e resultados da organização.

estética e históricas. Deve ser notado. a Filosofia social intenta criar uma teoria ou "teorias" da sociedade. ora tentando aproximar as ciências. Dessa forma foram empregados métodos estatísticos. a diferença entre Sociologia e Antropologia tem mais a ver com os problemas teóricos colocados e os métodos de pesquisa do que com os objetos de estudo. buscaram nas ciências naturais as bases de sua metodologia já mais avançada. consequentemente. ora afastando-as e. além de se interessar mais pelos comportamentos do que pelas estruturas sociais. foram e continuam sendo o foco de muitas discussões. negando às humanas tal estatuto com base na inviabilidade de qualquer controle dos dados tipicamente humanos.Ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais. Já a Economia diferencia-se da Sociologia por estudar apenas um aspecto das relações sociais. entretanto. apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos de natureza e. sociólogos e antropólogos que conduziam estudos sobre sociedades não-industrializadas ofereceram contribuições à Antropologia. Quanto a Psicologia social. as explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete. Esforços nesse sentido são visíveis nas obras de modernos teóricos sociais. Tais peculiaridades. e as discussões epistemológicas mais desenvolvidas. a Sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios gerais válidos para todos os ramos de conhecimento científico. da abordagem científica da sociedade. a ciência se presta à explicação e à compreensão dos fenômenos. que visa discernir entre bem e mal. Muitos dos teóricos que almejavam conferir à sociologia o estatuto de ciência. como mostrado por Karl Marx e outros. sejam estes naturais ou sociais. a observação empírica. a pesquisa em Economia é frequentemente influenciada por teorias sociológicas. reunindo um arcabouço de conhecimento que . objetivando explicar as variâncias no comportamento social em suas ordens moral. Uma das primeiras e grandes preocupações para com a sociologia foi eliminar juízos de valor feitos em seu nome. e um ceticismo metodológico a fim de extirpar os elementos "incontroláveis" e "dóxicos" recorrentes numa ciência ainda muito nova e dada a grandes elucubrações. Como ciência. Nesse aspecto. Diferentemente da ética. imprevisíveis e impassíveis de uma análise objetiva. na observação casual de alguns fatos. quando muito. aquele que se refere a produção e troca de mercadorias. Comparação com outras ciências sociais No começo do século XX. baseada. ela se preocupa também com as motivações exteriores que levam o indivíduo a agir de uma forma ou de outra. até mesmo. Já o enfoque da Sociologia é na ação dos grupos. considerados por muitos. que mesmo a Antropologia faz pesquisa em sociedades industrializadas. na ação geral. Por fim. no entanto.

Entretanto. talvez. 4 A produção sociológica pode estar voltada para engendrar uma forma de conhecimento comprometida com emancipação humana.entrelaça a filosofia hegeliana. seus resultados podem ser utilizados com vistas à melhoria dos mecanismos de dominação por parte do Estado ou de grupos minoritários. como na orientação de políticas públicas promovidas nem sempre de acordo com o interesse das maiorias ou no respeito às minorias. Há. a teoria social de Marx e. como principal ente financiador de pesquisas nas áreas da sociologia escolhe financiar aquelas pesquisas que lhe renderam algum tipo de resultado ou orientação estratégicas claras: pode ser tanto como melhor controlar o fluxo de pessoas dentro de um território. ao mesmo tempo. representam uma das mais profícuas vertentes da filosofia social. autoritárias e arbitrárias. em vista do tipo de conhecimento que produz. pode servir a diferentes tipos de interesses. submetendo a produção do conhecimento não ao progresso da ciência por si ou da sociedade. o meio indireto. À primeira vista. no qual o Estado. Escola de Frankfurt. isto é. utilizando-se de os valores morais e políticos do iluminismo liberal mesclados com os ideais socialistas. porém. como mais popularmente se diz. seja complexo apreender tal abordagem. sejam eles empresas privadas ou Centrais de Inteligência. representada por aquilo que ficou conhecido como Teoria Crítica ou. mas aos seus interesses materiais imediatos. Sociologia da Ordem e Sociologia da Crítica da Ordem A Sociologia. A evolução da Sociologia como disciplina . Theodor Adorno. kantiana. Por outro lado. para alcançarem maiores patamares de liberdades políticas e de bem-estar social. podendo mesmo servir à finalidades antidemocráticas. Jürgen Habermas. Max Weber. a Sociologia pode ser orientada como uma 'ciência da ordem'. à revelia dos interesses e valores da comunidade democrática com vistas a manter o status quo. as obras de Max Horkheimer. Ela pode ser um tipo de conhecimento orientado no sentido de promover um melhor entendimento dos homens acerca de si mesmos. o uso do conhecimento sociológico é potencialmente perigoso. Ela pode partir desde a perspectiva do sociólogo individual. Nesse sentido. As formas como a Sociologia pode ser uma 'ciência da ordem' são diversas. entre outros.

As pessoas começam a se rebelar. A prática do lucro era condenada pela Igreja Católica. Mas para os fugitivos dos feudos. No Brasil nas décadas de 20 e 30 a sociologia estava num estudo sobre a formação da sociedade brasileira. e outros assuntos culminantes. tida como “desonesta” por praticamente todas as culturas e civilizações do mundo a partir de todos os pontos de vista éticos.. ou seja. fogem dos feudos (a que eram “presas” por laços de honra) e passam a roubar ou com parcos recursos comprar bens baratos a grandes distâncias vendendo-os mais caro onde eram desejados – ressaltem-se as famosas “especiarias” -. ao trabalhador rural. isto diz respeito. nas questões de reforma agrária e movimentos sociais na cidade e no campo e a partir de 1964 o trabalho dos sociólogos se voltou para os problemas sócio políticos e econômicos originados pela tensão de se viver em um país cuja forma de poder é o regime militar. voltam também em relação ao estudo da mulher. Na década de 80 a sociologia finalmente volta a ser disciplina no ensino médio. aos conflitos entre as classes sociais. Na América Latina. crise do Modo de Produção Feudal. que serão mais tarde chamados de “burgueses”. embora a densidade demográfica crescesse assustadoramente. não restava alternativa exceto a atividade comercial voltada ao lucro. e estudos sobre índios e negros Nas décadas seguintes de 40 e 50 a sociologia voltou para as classes trabalhistas tais como salários e jornadas de trabalho.. e analisando temas como abolição da escravatura.A sociologia no mundo foi-se mostrando presente em várias datas importantes desde as grandes revoluções. O surgimento da Sociologia e o Socialismo Europa. fundadores de burgos. na Europa. e também comunidades rurais. Na década de 60 a sociologia se preocupou com o processo de industrialização do país. a sociologia sofreu influencias americanas e europeias. por exemplo. . desde lá cada vez mais foi de fundamental participação para a sociedade mundial e também brasileira. por exemplo.e também ocorreu a profissionalização da sociologia. êxodos. de nada adiantava produzir mais porque o excedente não iria para aqueles deles necessitados. na medida em que as suas preocupações passam a ser o subdesenvolvimento. se diz que o Modo de Produção entrou em contradição com os interesses das Forças Produtivas. Naquele caso. a maior potência do mundo à época. iria engordar ainda mais os cofres da Nobreza. final da Idade Média. Desde o início a sociologia vem-se preocupando com a sociedade no seu interior. Além da preocupação com a economia política e mudanças sociais apropriadas com a instalação da nova república. Classicamente. ela vai sofrer influências das teorias marxistas.

preferiria o discurso do padre (vale repetir. em contradição com a sua prática) ou o do pastor? Assim cresceram as seitas protestantes pelo mundo afora. por vezes aberta mas sempre e imediatamente proclamadas ilegais ou heréticas e perseguidas por todo o aparato estatal e religioso que a burguesia podia colocar em marcha! . Estes. Os burgueses convocaram seus empregados. a burguesia e seus interesses comerciais se sobrepõem ao ser humano numa infecção que contamina todo o planeta. lucros. agora praticamente falida. por vezes secretas. muito mais interessante e lucrativo para a burguesia. uso da força física.. “Usurários”. reiterando serem pecaminosos aqueles que praticavam a cobrança de juros. no Afeganistão – um com proposta socialista.. “duque”. no limite. você prosperará imensamente nesta terra. maçônicas mesmo.. agora pastores que passam a informar: “se a mão de Deus estiver sobre a sua cabeça. No início compravam títulos de nobres aos de antiga linhagem – que os discriminavam! – a seguir passaram a pensar em alternativas mais radicais (ser radical é ir à raiz e a burguesia foi radical no período de suas glórias revolucionárias!) como convocar os trabalhadores a uma aliança contra a nobreza e implantar um novo tipo de regime político. Politicamente a burguesia endinheirada sentia-se lesada tendo de pagar tributos à antiga nobreza. Os padres diziam nas missas – embora sua prática fosse bem outra. eram todos enfileirados 5 no caminho que conduz ao fogo do inferno. desempregados e desesperados. nisso você verá um sinal de estar sendo por ele abençoado”. saem-se vitoriosos. mais recentemente. Aquelas sociedades que buscam a cura para este mal são “reconvertidas” ao satanismo pagão de holocaustos ao deus-mercado através de diversas formas de pressão e.. Por outro lado começam a surgir expadres.. outro com proposta islâmica. ambos intoleráveis hereges dentro do fundamentalismo de mercado. “king” e “marquesa” passam a ser nomes de animais domésticos da burguesia! O passo seguinte foi agradecer e condecorar trabalhadores. a “república”. crescendo e hoje. como ocorreu no Chile de Salvador Allende e. superiores em número. ou do empréstimo a juros. – ser “mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Agora. após muitos percalços. Se você tivesse enriquecido à beça na base do comércio lucrativo. Era fundamental reorganizar a sociedade de maneira a que os novos donos da riqueza fossem também os donos do poder. a seus desempregos e a seu desespero.. Surge uma nova religião para reforçar uma ética mais consentânea com os tempos cambiantes: surge o protestantismo. desempregados e desesperados e mandá-los de volta a seus trabalhos. enfim. Foi crescendo. à medida que se conscientizavam de que foram usados para uma troca de poder que em absolutamente nada lhes beneficiou começam a organizar-se em sindicatos e outras agremiações classistas.O capitalismo era como um pequenino câncer que surgiu no final da sociedade feudal. para uma aliança contra a nobreza ou “antigo regime” e.

A essência é mais significativa que a aparência: Este postulado fez com que a Dialética ficasse conhecida como “Filosofia Negativa”. filosofia voltada não apenas à ascensão da classe trabalhadora ao poder. filho de burgueses e educados no mais rigoroso protestantismo. a configuração já mudou completamente. do “Positivo”. Era necessário esquecer a “filosofia negativa” e.Karl Marx Originário da Renânia. Dialética Há muito que dizer e em que refletir sobre a Dialética. está de um jeito. Era necessário olvidar a essência e trabalhar com o que é perceptível aos sentidos físicos mais grosseiros e imediatos. cedo percebeu que enquanto houver neste mundo gente que se alimenta e gente que passa fome.. Movimento: Tudo está em movimento.. Adotando o ponto de vista dos trabalhadores criou um ferramental intelectual inédito e até hoje embatido para a compreensão do Real. Augusto Comte e a “Física Social” Evidentemente era necessário que a burguesia também produzisse uma teoria em defesa de seus pontos de vista e poucos foram tão brilhantes – e influenciaram tanto a nossa combalida Nação – quanto o positivismo. olha novamente. voltando ao reino das aparências criar uma filosofia capaz de . um pedaço da enorme colcha de retalhos que mais tarde constituiria a Nação Alemã. Chegou à conclusão de que somente a partir do ponto de vista de quem não tem absolutamente nada a perder se pode almejar a vislumbrar a verdade. da filosofia clássica alemã (em particular o materialismo de Feuerbach e a dialética de Hegel) e a economia clássica inglesa construiu o MATERIALISMO DIALÉTICO. tudo se transforma freqüentemente em seu contrário. menciono apenas dois pontos. pois buscava a compreensão do que está para além da superfície. É como as nuvens no céu: você olha. enquanto houver opressores e oprimidos a espécie humana inteira estará refém da insânia. da mera aparência fenomênica de alguma coisa. mas à libertação de toda a espécie humana de toda a classe de opressão e exploração.. Com base no socialismo chamado “utópico” dos franceses.. incrivelmente perspicaz.

não filosófica.. O que é fato social? Tudo o que é coletivo... Se o fosse? Seria desejável? Se a filosofia responde a muitas questões que dizem respeito ao ser do homem no mundo.. em linhas gerais. Comte pregava a necessidade de “libertar o conhecimento social de toda a ingerência filosófica”. a Luta de Classes. Durkheim tem contudo enorme valor para a Sociologia contemporânea.. mantêm suas mesmas raízes. Émile Durkheim sistematizou algumas de suas idéias e foi o primeiro a usar efetivamente a expressão “Sociologia” para referirse ao estudo em pauta. Olvidando totalmente a existência concreta de interesses antagônicos na Sociedade Burguesa. tem de ser filosófica! O oposto disso é simplesmente fechar os olhos ao que constitui o SER do homem. como se isso fosse possível. emoções. aquelas mesmas que pavimentam todas as estradas do inferno. Falando claramente: para que uma ciência humana mereça ser chamada de “científica”. impregnado de boas intenções. por sinal. busca integrar a todos em torno do ideal ou meta burguesa – “integralismo”... Como se fosse possível ao ser humano estar acima de todos os sentimentos.compreender o social com tanta precisão quanto a matemática ou a física – que hoje sabemos também serem imprecisas. “que os ricos sejam mais ricos para que.... exterior ao indivíduo e coercitivo. que seu mestre ainda chamava de “Física Social”. Mas Comte e seus discípulos criaram um sistema “científico” voltado a conciliar o inconciliável: a Luta de Classes.. e outras idiotices só críveis porque repetidas em altos brados e ad nauseam. Posição hoje indefensável. que já percebem as falhas do positivismo clássico. e “juízos de valor”... crescendo por etapas ou degraus seria possível chegar-se a uma precisão “científica”. Eivado de motivos nobres. Weber – a jaula de ferro do capitalismo. Como compreender o fato social? Primeiro passo: “Afastar sistematicamente as pré-noções”.... suas mesmas motivações – “conciliar Capital e Trabalho”.. tem esta raiz. –. . Os positivistas contemporâneos. Durkheim e “As Regras.” Discípulo genial de Comte. qualquer ciência que se volte a compreender o homem “afastando a ingerência filosófica” tende mais a falsear a compreensão do ser humano do que a compreendê-lo.. Como se a própria colocação da questão – seja ela qual for – não traga nela embutidos os juízos ou as pré-noções.. através deles os pobres sejam menos pobres”. 6 acerca da sociedade e do ser do homem. Mas..

a inteligência deve ser livre de vínculos (em alemão. Freischwebend Intelligenz). Sua posição de professor conservador. Teologia da Libertação . “Zerstorung der Vernunft”). um dos maiores gênios do século XX. O Capital é irracional: desiguala os semelhantes e equaliza os dessemelhantes. mas do quanto você tem em bens materiais.Max Weber. militar e evangélico talvez explique os motivos do “acidente de trabalho” que o conduziu a uma profundíssima crise depressiva que durou quatro longos anos em que até a alimentação era levada à sua boca pela esposa. O peso de sua erudição não tira o interesse do trabalho. que resgata a Dialética Materialista com grande ênfase à Dialética. o mais notável discípulo de Weber. O Clássico “História e Consciência de Classe” é um leitura obrigatória a todo aquele que queira compreender o ser humano vivendo em sociedade. filho de pastor evangélico. ao contrário. percebe-lhe as limitações e conduz os avanços sociológicos que esta corrente positivista havia logrado atingir ao marxismo. a que se alinha com muito maior conforto. lutou na Primeira Guerra Mundial como capitão do exército prussiano chegou à conclusão de que é necessário não tomar partido. Você vale o quanto é capaz de produzir e é avaliado não pela grandeza de sua alma e de seus valores humanos. não escreveu uma única linha. Quatro anos em que. Sua grande obra ainda é “Razão e Revolução”. Foi um dos últimos brilhos a ir mais longe que Marx dentro do pensamento marxista. Escola de Frankfurt É fundamental citar o lugar dos teóricos de Frankfurt. particularmente Herbert Marcuse. consta. o gênio adormecido desperta para o espanto de todos e compõe uma das mais geniais obras sociológicas do século XX – “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. De repente. Isso é a Destruição da Razão (em alemão. Segundo o capitão evangélico. separar o “lugar da teoria” do “lugar da prática” em ciência política. não pronunciou uma única palavra. É nela que se defende que o grande critério a submeter o Real é a Razão Humanista. Georg Lukács Húngaro. liberal.

O comunismo nascente comparado ao cristianismo também em processo de parturição no Império Romano. Mas o poder regenerativo do Humano surpreende mesmo aos 7 médicos e. morto e era aterrorizado pelo fantasma de seu cadáver insepulto o Capital proclama reiterado e repetidas vezes a “morte do comunismo”. O revolucionário em busca de um mundo melhor. seguramente capitalista não será! Origens e Definições da Sociologia • Surge após revoluções Burguesas (Inglesa/ industrial e Francesa: Por volta de 1830. No início como um pequenino carcinoma que hoje tomou conta do planeta todo. tampouco o foi o feudalismo (que durou cerca de um milênio). • O século XVIII constituiu um marco importante para a história do pensamento ocidental e para o surgimento da sociologia: As profundas transformações políticas. proclamando-lhe extinto. da prostituição. Não é crível que a espécie humana tenha de ser condenada ao inferno capitalista pelo resto da eternidade. acabado. Assim como o Império Romano negou o cristianismo por quase 400 anos. eles dizem: “não tem jeito”. a travessia do “Mar Tenebroso” que todos “sabiam” intransponível e a chegada ao Novo Mundo. o que fazer? Como o saudoso Capitão Luís Carlos Prestes. • As conseqüências da rápida industrialização foram trágicas: aumento da violência. Além da conflituosa . mesmo sem saber como será a Sociedade do Futuro. os exemplos se multiplicam. econômicas e culturais levam ao surgimento da Sociologia (Ciência Social ou Ciência da Sociedade). da criminalidade. E agora.Segundo os grandes filósofos europeus contemporâneos. morrerei convicto do Futuro Comunista da Humanidade! Não é possível saber como vamos suplantar esta situação amarga em que “o homem é o lobo do homem”. O que Weber chamava de “jaula de ferro” os Teólogos da Libertação chamam de “pessimismo defensivo” da burguesia. caso o próprio nome “comunismo” tenha se tornado pouco palatável do ponto de vista do marketing político. do alcoolismo. esta é a grande contribuição da América Latina em geral e do Brasil em particular ao Saber Universal. “Sempre foi e sempre será assim” – preenchendo o futuro como se houvesse uma linha invisível a ligar todos os tempos. O capitalismo existe no mundo aí há uns quinhentos anos. Em síntese. como Che Guevara ou o padre Camilo Torres é equiparado aos primeiros cristãos. O escravismo antigo não foi eterno (durou alguns milhares de anos). como se a Vontade humana não houvesse sido capaz de proezas memoráveis como a transformação do Império Romano num Império Cristão.

porém. • Pós revoluções burguesas. • Não é por mero acaso que a sociologia – enquanto instrumento de análise – inexistia nas sociedades pré-capitalistas. Sociologia: Ciência da Sociedade • É a formação de uma estrutura social muito específica – a sociedade capitalista – que impulsiona uma reflexão sobre a sociedade. a se constituir em problema. religiosa para explicar a realidade. em objeto que deveria ser investigado. marca dos ideais iluministas que orientou o projeto revolucionário da burguesia deveria ser superado em nome da organização da sociedade e manutenção do status quo. uma vez que o ritmo e o nível das mudanças que aí se verificam não chegavam a colocar a sociedade como “um problema” a ser investigado. • Conteúdo estabilizador – reforma conservadora – leis imutáveis da vida social. a ênfase continuará sendo no pensamento e explicação racional. • Busca estado de equilíbrio numa sociedade dividida pelos conflitos de classe. suas crises e seus antagonismos de classe. vai pensar a ordem social enfatizando a importância das instituições burguesas: a autoridade. sobre suas transformações.relação Capital x Trabalho. . • Surge com um interesse prático: resposta a crise social da época(XIX). Diante desta nova realidade e das transformações sociais surge a sociologia: 1) Positivista 2) Dialética Sociologia Positivista • Ênfase na ordem. • Passa a prevalecer a busca por uma indagaçãoracional: método da observação e da experimentação – método científico. hierarquia e harmonia social. a família. mítica. pelas novas condições de existência por ela criadas e também devido as modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento: na forma de buscar conhecer a natureza e a cultura. Qual a importância desses acontecimentos para a Sociologia? • Essas transformações colocavam a sociedade num plano de análise. • Assim sendo. • Não maistransformar a realidade masorganizar através de regras a sociedade: Ordem e Progresso. a hierarquia social. já no século XIX. o surgimento da sociologia prende-se em parte aos abalos provocados pela revolução industrial. • Neste momento (que se iniciou com o renascimento) há uma renuncia da visão sobrenatural. a interpretação crítica e negadora da realidade.

políticos. como tese novamente. do choque dialético entre esses dois pólos sobrevém uma nova situação histórica (síntese) que ainda carrega em si elementos do velho (tese) e do novo (antítese). entre o pensamento dialético e o pensamento positivista/conservador.• Procura criar um objeto autônomo “o social” independente dos fenômenos econômicos. Sociologia Crítica/Dialética • Fenômenos sociais não são independentes dos fatores econômicos. • Relação intrínseca entre teoria e prática. “Ordem e Progresso”. • O caráter antagônico e contraditório da sociedade capitalista impediu um entendimento comum por parte da sociologia em torno ao objeto e aos métodos de investigação da nova ciência social. tanto no que se refere a manter a ordem social vigente como para contestá-la. Importante Considerar: • As explicações sociológicas sempre tiveram e têm intenções práticas: desejo de interferir nos rumos da sociedade. políticos e culturais. se divide entre aqueles que olhando a realidade querem mantê-la e aqueles que querem transformá-la. bem como as explicações sociológicas. evidencia as contradições e antagonismos de classe desta sociedade. culturais. • Realidade entendida como totalidade histórica: conhecimento crítico e negador da sociedade capitalista. marcada pelos antagonismos e conflitos de classe. • O mundo. mudá-la. • Luta de opostos: luta de classes como motor da história. . por sua vez. • Compreensão dialética da realidade: (tese – antítese – síntese – tese) oposição sistemática: umatese gera dentro de si umaantítese. Teoria Social voltada à transformação da realidade. indica a forte influência do positivismo na formação política do Estado brasileiro. Teoria Social visa a manutenção da ordem social. Exercícios 1.(UEL) O lema da bandeira do Brasil. 8 • A falta de um entendimento comum na sociologia (no estudo dos fenômenos sociais) tem haver com o fato de vivermos numa sociedade dividida. que se instala.

Assinale a alternativa correta. O fato social é exterior ao indivíduo e apresenta-se generalizado na coletividade. IV. O fato social caracteriza-se por exercer um poder de coerção sobre as consciências individuais. b) Ideais de movimentos juvenis. como fato social. Ao entrar na festa. e) Negação da instituição estatal e da harmonia coletiva baseada na hierarquia social. O calouro não estava vestido de acordo com o grupo e sentiu as represálias sobre o seu comportamento. No convite distribuído pelos veteranos não havia informação sobre o traje apropriado para a festa. a) Apenas as afirmativas I e II são corretas. III e IV são corretas. provocando risos. a) Crença na resolução dos conflitos sociais por meio do estímulo à coesão social e à evolução natural da nação. cochichos com comentários maldosos. c) Denúncia dos laços de funcionalidade que unem as instituições sociais e garantem os privilégios dos ricos. causou estranheza.(UEL) Um jovem que havia ingressado recentemente na universidade foi convidado para uma festa de recepção de calouros. c) Apenas as afirmativas II e III são corretas. d) Ideal de superação da sociedade burguesa através da revolução das classes populares. que visam superar os valores das gerações adultas.Assinale a alternativa que apresenta idéias contidas nesse lema. d) Apenas as afirmativas I. II. imaginando que a festa seria formal. segundo Émile Durkheim (1858-1917). O fato social expressa o predomínio do ser individual sobre o ser social. 2. Considere as afirmativas abaixo sobre as características do fato social para Émile Durkheim. O calouro. b) Apenas as afirmativas I e IV são corretas. O fato social é todo fenômeno que ocorre ocasionalmente na sociedade. olhares de espanto e de admiração. I. As regras que regem o comportamento e as maneiras de se conduzir em sociedade podem ser denominadas. III. compareceu vestido com traje social. . em que todos estavam trajando roupas esportivas.

pois são eles que determinam os comportamentos individuais. as motivações que se repetem nos votos dos eleitores. Marilena. suas funções e suas finalidades. e) pesquisar os sentidos e os significados recíprocos que orientam os indivíduos na maioria de suas ações e que configuram as relações sociais. acompanham as conversas de grupos de pessoas comuns de diferentes classes que. em troca de um sanduíche e um refrigerante. até compor um mito geral. além de auto definir-se. escondidos atrás de vidros espelhados. Convite à filosofia. Perto das eleições. Pesquisadores. São Paulo: Ática. descobrem-se. d) estudar a psique humana que revela a autonomia do indivíduo em relação à sociedade. buscando descobrir quais as tendências dos eleitores. as narrativas. comentam e debatem as campanhas políticas. é possível encontrar a definição de pensamento mítico como aquele que “vai 09 reunindo as experiências. 2000. 161. os poderes divinos sobre a natureza e sobre os humanos”. p. A aplicação do modelo de pesquisa que aparece descrito no texto baseia-se. na teoria sociológica de Max Weber (1864-1920). (CHAUÍ. as razões gerais que poderiam fazê-los mudar de opção. para entender o comportamento dos grupos sociais. principalmente. II e IV são corretas.) Assinale a alternativa que apresenta a afirmação que está de acordo com a definição de pensamento mítico dada acima. A utilização dessa teoria indica que os pesquisadores pretendem: a) investigar as funções sociais das instituições. Por exemplo. como eles propõem e ouvem argumentos sobre o tema. . 3. c) analisar os aparelhos repressores do Estado. b) pesquisar o proletariado como a classe social mais importante na estruturação da vida social. os concorrentes debruçam-se sobre gráficos. também classifica e conceitua outras formas de pensamento. escola e família. há uma base minuciosa de informações. Nessa técnica de pesquisa qualitativa. planilhas e tabelas de preferências de voto. além da convergência das intenções. 4. Com esses materiais heterogêneos produz a explicação sobre a origem e a forma das coisas. tais como igreja.e) Apenas as afirmativas I.(UEL) Por trás das disputas que os candidatos travam pela preferência do eleitorado.(UEL) O pensamento científico. os relatos.

são a pobreza. altos-fornos. quem com Deus está. para amolecer o deus do lucro.(UEL) “A casa não é destinada a morar. se é que se quer que haja Lucro! Apenas: para onde com a mercadoria? A boa lógica diz: Lã e trigo. Para mim. a distância entre a escola e a residência. Estaleiros. minas e moinhos: Tudo quebrado e. tudo junto É sacrificado ao fogo. a fim de aquentar o deus do lucro! Montanhas de maquinaria. Não “creio que ocorram coisas ruins para mim. lanifícios. por que Alugar mãos? Elas têm de fazer coisas maiores no banco da fábrica Do que alimentar seu dono e os seus. o tecido não é disposto a vestir. a distorção idade série e até o tráfico de drogas. (declaração da capitã do time de vôlei do Vasco da Gama ao comemorar a transferência da partida contra o Flamengo para um ginásio de sua preferência) b) “Considero a sexta-feira 13 um dia ‘nebuloso’. (estudante. Estamos atrás do ‘paraíso’ sonhado por nossos ancestrais e ele se encontra por essas regiões.” (divulgação na imprensa de dados do IBGE sobre educação) 5. mas prefiro me precaver com patuás e incensos”. Mas se a produção apenas é consumida. 24 anos) c) “Não temo o desemprego.a) “Acredito em coincidência e essa [a transferência do local do jogo] é uma vantagem a mais para nós nesta final. atrás do ‘Éden’.” (explicação dada por líder guarani diante do questionamento sobre a instalação de grupos indígenas em áreas de mata atlântica protegidas por lei) e) “As principais causas da exclusão educacional apontadas pelo censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística].” (depoimento de um candidato a emprego de gari no Rio de Janeiro. sacrificado! . e não é também vendida Porque o salário dos produtores é muito baixo – quando é aumentado Já não vale mais a pena mandar produzir a mercadoria –. café e frutas e peixes e porcos. tudo pode. disputando vaga com outros 40 mil candidatos) d) “Viemos em busca da ‘Terra sem males’. o poder da mente é forte e aquelas pessoas que pensam negativamente podem atrair má sorte. ferramentas de exércitos em trabalho. “Foi lá que conquistamos nosso primeiro título”. O pão ainda é destinado a alimentar: ele tem de dar lucro. além do trabalho infantil.

Começam a entender que o mundo burguês tem seus dias contados Por se mostrar pequeno demais para comportar a riqueza que ele próprio criou. 2003. seu deus do lucro está tomado pela cegueira.. a burguesia atormentada Despedaça os próprios bens e desvaira com seus restos Pelo mundo afora em busca de novos e maiores mercados. é correto afirmar que. (E pensando evitar a peste alguém apenas a carrega consigo. d) Frutos do egoísmo próprio ao homem e que poderiam ser resolvidos com políticas emergenciais.” (BRECHT. Atirando-os a saunas e depois de volta a estradas geladas. As vítimas Ele não vê. mar. . quando a casa cai em estrondos Sobre as nossas cabeças. São Paulo. Que ela. planejadamente. Bertolt. p. e) Fenômenos característicos das sociedades humanas desde as suas origens. b) Frutos da má gestão das políticas públicas. [. a concentração da renda. n. De acordo com o poema e com os conhecimentos da teoria de Marx sobre o capitalismo. mas sem planos. O manifesto.. Em pânico. empestando Também os recantos onde se refugia!) Em novas e maiores crises A burguesia volta atônita a si. a pobreza e a fome são: 10 a) Oriundos da inveja que sentem os miseráveis por aqueles que conseguiram enriquecer. Crítica marxista. Mas os miseráveis.116.] As leis da economia se revelam Como a lei da gravidade.De fato. arrasta consigo. exércitos gigantes. na sociedade burguesa. c) Inerentes a esse modo de produção e a essa formação social. 16. as crises econômicas e políticas.) Os versos anteriores fazem parte de um poema inacabado de Brecht (1898-1956) numa tentativa de versificar O manifesto do partido comunista de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895).

Entre conceito e realidade existe um hiato intransponível. b) II e III.2005) Leia o texto a seguir. porque ele pode somente transpô-lo. é correto afirmar que. Julien. . reflete suas principais transformações e procura desvendar os dilemas sociais por ele produzidos. deve limitar-se a descrever sua aparência. implica uma seleção. de outra parte. IV. e) I.. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e III. c) II e IV. A Sociologia é produto da Revolução Industrial. A emergência da Sociologia só pode ser compreendida se for observada sua correspondência com o cientificismo europeu e com a crença no poder da razão e da observação. II. a desigualdade social e a concentração populacional nos centros urbanos. p.] nos é também impossível abraçar inteiramente a seqüência de todos os eventos físicos e mentais no espaço e no tempo. tais como a pobreza. A Sociologia surge como uma tentativa de romper com as técnicas e métodos das ciências naturais. Max Weber. De um lado. enquanto recursos de produção do conhecimento. assim como esgotar integralmente o mínimo elemento do real. que reflete sobre a relação entre ciência social e verdade: “[. por tratar de um objeto cujas causas são infinitas. III. na análise dos problemas sociais decorrentes das reminiscências do modo de produção feudal. 7. ao invés de buscar compreendê-lo. inclusive a ciência.6.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. Nesse sentido. para Weber: a) A ciência social. (Traduzido de: FREUND. II e IV. A Sociologia tem como principal referência a explicação teológica sobre os problemas sociais decorrentes da industrialização. Paris: PUF. escrito por Max Weber (1864-1920).(UEL . considere as afirmativas a seguir: I. por refletir sobre a transformação de formas tradicionais de existência social e as mudanças decorrentes da urbanização e da industrialização. 1969. sendo chamada de “ciência da crise”. nosso conhecimento não é uma reprodução do real. Sobre a emergência da sociologia.. Disso resulta que todo conhecimento. d) I. nenhum conceito e nem também a totalidade dos conceitos são perfeitamente adequados ao objeto ou ao mundo que eles se esforçam em explicar e compreender. reconstruí-lo com a ajuda de conceitos. 33. III e IV. seguindo a orientação de nossa curiosidade e a significação que damos a isto que tentamos apreender”.(UEL) A Sociologia é uma ciência moderna que surge e se desenvolve juntamente com o avanço do capitalismo.

B) I. podemos afirmar que: I – A consolidação do sistema capitalista na Europa no século XIX forneceu os elementos que serviram de base 11 para o surgimento da Sociologia enquanto ciência particular. I – A Sociologia é um produto das revoluções francesa e industrial e foi uma resposta às novas situações colocadas por estas revoluções. II – O homem passou a ser visto. que se industrializava e se urbanizava em ritmo crescente. D) I e II.b) A ciência social revela que a infinitude das variáveis envolvidas na geração dos fatos sociais permite a elaboração teórica totalizante a seu respeito. portanto. do ponto de vista sociológico. C) II. alternativas estão corretas. IV – A formação de uma sociedade. d) Alguns fenômenos sociais podem ser analisados cientificamente na sua totalidade porque são menos complexos do que outros nas conexões internas de suas causas. E) Todas as 9 – (UFUB) Sobre o surgimento da Sociologia. III e IV. Assinale a alternativa correta: A) III e IV. III – Aquilo que a Sociologia estuda constitui-se historicamente como o conjunto de relacionamentos que os homens estabelecem entre si na vida em sociedade. c) O conhecimento nas ciências sociais pode estabelecer parcialmente as conexões internas de um objeto. sendo a Teologia a forma norteadora desse pensamento. e) O obstáculo para a ciência social estabelecer um conhecimento totalizante do objeto é o fato de desconsiderar contribuições de áreas como a biologia e a psicologia. II – Com o desenvolvimento do industrialismo. III – O pensamento filosófico dos séculos XVII e XVIII contribuiu para popularizar os avanços científicos. II e III. que tratam dos eventos físicos e mentais. a partir de sua inserção na sociedade e nos grupos sociais que a constituem. . o sistema social passou da produção de guerra para a produção das coisas úteis. através da organização da ciência e das artes. social e filosófico que possibilitou a gênese da Sociologia. 8 – (UFUB) Selecione as afirmativas que indicam o contexto histórico. é limitado para abordá-lo em sua plenitude. propiciou o fortalecimento da servidão e da família patriarcal.

B) Incentivar o espírito crítico na sociedade e. B) Todas as afirmativas estão corretas. a família. B) Manter uma estrutura de pensamento mítica para a explicação do mundo. Assinale a alternativa correta quanto a essa tarefa. E) II. como a escola. 10 – (UFUB) Assinale a alternativa correta: O surgimento da Sociologia foi propiciado pela necessidade de: A) Manter a interpretação mágica da realidade como patrimônio de um restrito círculo sacerdotal. deixando a solução dos problemas sociais por conta dos homens de ação. sem maiores preocupações de natureza prática. C) Contribuir para a solução dos problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial. dentre os quais se destaca Auguste Comte. A) II e III estão corretas. C) Condicionar o indivíduo. III e IV estão corretas. C) I e IV estão corretas.IV – Interessa para a Sociologia. 11 – (UFUB) Surgida no momento de consolidação da sociedade capitalista. D) I. D) Considerar os fenômenos sociais como propriedade exclusiva de forças transcendentais. mas inter-relacionados com os diferentes grupos sociais dos quais fazem parte. dessa forma. as classes sociais e etc. medir e comprovar as regras que tornassem possível. III e IV estão corretas. através dos rituais. prever os fenômenos sociais. a agir e pensar conforme os ensinamentos transmitidos pelos deuses. E) Observar. . A) Desenvolver o puro espírito científico e investigativo. tendo em vista a necessária estabilização da ordem social burguesa. a Sociologia tinha uma importante tarefa a cumprir na visão de seus fundadores. não indivíduos isolados. colaborar para transformar radicalmente a ordem capitalista responsável pela exploração dos trabalhadores. através da razão.

C) O objetivo da Sociologia é estabelecer leis gerais explicativas da realidade social. estabelecer conceitos e definir uma metodologia. como uma das formas de pensamento social. 13 – (UFUB) De acordo com o pensamento weberiano. segundo um modelo físico ou mecânico. A) II. D) I e III estão corretas. III – Foi um pensamento predominante na Alemanha no século XIX. B) A sociologia de Weber é um esforço de explicação da sociedade enquanto totalidade social. D) A Sociologia compreensiva busca apreender o sentido da ação social e de seus nexos causais. nascido principalmente de correntes filosóficas da Ilustração. é correto afirmar que: A) Os juízos de valor do pesquisador não interferem em nenhuma fase do processo de investigação científica. 12 – (UFUB) Sobre o positivismo.D) Tornar realidade o chamado “socialismo utópico”. 12 . a sociedade foi concebida como organismo constituído de partes integradas e coisas que funcionam harmoniosamente. C) I. IV – Nele. E) Nenhuma das anteriores. visto como única alternativa para a superação das lutas de classe em que a sociedade capitalista estava mergulhada. E) Nenhuma das anteriores. III e IV estão corretas. E) Todas as afirmativas estão corretas. B) I. II e IV estão corretas. II – Derivou-se da crença no poder absoluto e exclusivo da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. podemos afirmar que: I – É a primeira corrente teórica do pensamento sociológico preocupada em definir o objeto. II e III estão corretas.

ao contrário do comunitário. 02) Nas sociedades industriais. cupins e abelhas. 15.) Quando comparamos as ‘sociedades’ animais não humanas. assinale o que for correto. particularmente a sociedade daqueles insetos. homens e animais são padronizados devido ao peso da herança genética em todos os tipos de sociedades. 08) Os fluxos migratórios indicam como as atividades econômicas estão distribuídas no território e. Considerando o que diz o texto acima. os sociólogos não teriam se interessado pelas leis de padronização existentes nas sociedades humanas. tais como os macacos.(UEM – Verão 2008) A urbanização tornou-se o processo padrão de transformação do meio ambiente nas sociedades industriais. Sebastião. São Paulo: Atlas. 16) Podemos deduzir do texto que tanto os pesquisadores dos animais quanto os sociólogos se preocupam com as ações regulares produzidas pela vida em sociedade. 01) Para alguns sociólogos.. o crescimento das cidades foi acompanhado pela progressiva transformação do espaço urbano em mercadoria.14 – (UEM – Inverno 2008) “Todos nós sabemos da existência de um certo tipo de ‘organização social’ entre animais não humanos. 04) Podemos concluir do texto que são os fatores do meio ambiente que levam à padronização dos comportamentos dos animais e dos seres humanos. é caracterizado pela formalidade e pela impessoalidade. . o fazemos porque constatamos que o comportamento de tais animais apresenta certas padronizações parecidas com algumas padronizações verificadas entre os seres humanos” (VILA NOVA. Introdução à Sociologia. p. podem retratar também as desigualdades regionais existentes. 01) Segundo o autor. o avanço da urbanização faz predominar o padrão de relação societário. notadamente. 08) Segundo o autor. produzindo modos particulares de convívio social. a introdução de novas tecnologias no campo foi um dos fatores que produziu o êxodo rural e contribuiu decisivamente para o crescimento populacional das cidades. por exemplo. 02) De acordo com o texto. assinale o que for correto. 04) No modo de produção capitalista. não há diferença essencial alguma entre o estudo das sociedades humanas feito pela sociologia e o das sociedades de insetos feito pela entomologia.. (. por isso. 1985. se não fosse a descoberta das leis de padronização das sociedades de animais. mas também insetos: formigas. Sobre esse assunto. 29). que. não apenas entre mamíferos superiores.

para se ver os mitos morrerem’. Georges. Com base nos conhecimentos sobre o tema. dando início assim a uma guerra interminável contra o pensamento mítico.17. Alain Touraine e André Gorz permitiram ampliar a compreensão do processo de passagem da sociedade industrial para a pósindustrial.16) A forte influência dos padrões de convívio tipicamente urbanos sobre a vida no campo e o acesso massivo e indiferenciado a bens e a serviços produzem uma notável homogeneização da realidade social. 1997. os trabalhos publicados por Ralph Dahrendorf. basta o rigor do olhar e os golpes múltiplos e convergentes das questões e interrogações categóricas. 17. o mito está ausente dos espaços sociais contemporâneos. e) O pensamento mítico se disseminou porque se pauta em conceitos e categorias. além da concentração do capital. Do mesmo modo. Na sociedade pós-industrial. como a razão quis a supressão do irracional. Daniel Bell. ocorre a perda da identidade coletiva dos trabalhadores. Valéry glorificou esta luta destruidora contra as ‘coisas vagas’: ‘Aquilo que deixa de ser. considere as afirmativas a seguir. Desde então. O mito por sua vez trabalha duro para se manter e. muitos dos conceitos que haviam norteado o campo da análise social desde o século XIX perderam relevância. b) A delimitação da área de atuação do saber científico implica na constituição de um lugar próprio para o mito. é um mito. I.) Com base no texto. d) Na modernidade.” (BALANDIER. armas do espírito ativo. por meio de suas metamorfoses. visto como obstáculo a uma verdadeira compreensão do mundo. A desordem: elogio do movimento. é correto afirmar: a) Pelo fato de ser destituído de significado social. ela reserva ao mito – e ao sonho – o lugar que lhe é próprio. c) A morte e o extermínio do mito no ocidente decorrem da supervalorização e conseqüente predomínio da razão. que se tornam cada vez mais individualistas. .(UEL – 2006) Nas três últimas décadas. Quando a ciência traça seus próprios limites. por ser pouco preciso.p. está presente em todos os espaços. 16. o pensamento mítico é crucial para a compreensão científica do mundo.(UEL – 2006) “No início a ciência quis a morte do mito. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. a ciência atual busca menos sua erradicação que seu confinamento.

que não segui os passos indicados. aprisionando meu presente. e não sei. assim como eu a ele. sinais. Não vim com muitas esperanças e tinha medo do previsível. O outro me aprisiona com o olhar. nos dias partilhados em intimidade. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. Não tentarei ser comportado. Partirei de minhas impressões gerais. Mesmo assim o olhar do outro me congela em meu movimento em direção ao próximo segundo. Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior Estar diante do outro. II e IV. o campo da investigação sociológica amplia-se para além dos estudos dos movimentos de classe. admito. Diante do outro. após finalizado o percurso de um semestre. Sempre me será um estranho. desde o início. num adjetivo. sem pestanejar. não consigo deixar de ser eu mesmo. como lago. como eu a ele. na experiência que dele tenho a partir dos encontros travados anteriormente. de um momento passageiro. IV. sempre serei um pouco desconhecido – para ele e para mim mesmo – e cada nova revelação será um choque. Comecei o disciplina descrente na possibilidade de eu vir a “aceitar” uma perspectiva sociológica do humano. cristalizando minha existência num olhar. diante do outro. b) I e III. Vim cheio de preconceitos. dada a mobilidade 13 socioeconômica desde o advento da sociedade industrial. O retorno aos conceitos elaborados à luz da análise social do século XIX impõese. na parcialidade de um ângulo. Diante do outro conhecido tento ser o que para mim e mais fácil ser. Uma tentativa de síntese. Mesmo na cotidianidade. sempre fingindo uma segurança ou uma meninice que não tenho verdadeiramente. Admito. sempre gaguejando. numa crença concebida na superfície que demonstro ser.II. Como diria Sartre: “O inferno são os outros”. um estranho. não fiz resenhas de capítulos. num instante de lapso. III. d) I. c) III e IV. não li tudo o que devia(?) ter lido. sempre tropeçando. O estranho é o que melhor e mais apto está para me julgar de forma incondicional. num conceito. O estranho se revela a mim. se eles foram . III e IV. de forma corajosa ou suicida. e cada novo encontro vai deixando indícios. tento ser eu mesmo. que confirmam ou negam a primeira impressão. conhecido. agora. estranho. quando creio minimamente conhece-lo. e) II. Mas caio na dúvida se o que sou ou creio ser realmente condiz com a imagem que faço de minha figura. em minha dança encenada de papéis. Não fui sistemático e rigoroso. O uso de sistemas técnicos oriundos das descobertas científicas é o que distingue a sociedade pós-industrial da sociedade industrial. Diante do outro. é defrontar-me com a sensação de fragilidade. Com o advento da sociedade pós-industrial.

em contraposição à vida errante e democrática.desfeitos. Nessa abertura para o mundo. Desde este princípio me coloquei como estrangeiro. criamos crenças e dogmas em que possamos nos segurar. Tentei prestar atenção no que emergia. herança. a cada devis. De resto. identidade. numa relação mutualista. de corpo fechado. os colegas – até hoje desconhecidos – que emitiam suas opiniões. as identidades múltiplas. nossa família. nos tornamos anônimos e invisíveis. O tempo das cirurgias plásticas. 14 E nas relações em grupo repetimos esses mesmos falseamentos de realidade. Apenas 15 minutos. como diria Andy Warhol. como em Josefina. o qual fui expositor. como fantoches ou ventrílocos. lembrei-me de minha viagem a São Paulo no início do ano e do meu desagrado narcísico diante do que não era meu próprio espelho. fluidas. Ninguém é o que realmente aparenta ser. melodramas mexicanos. uma tentativa de formular um opinião. em que se finge santidade e competência. Os trabalhadores em equipes que surgem e se desfazem após a realização de uma tarefa. as falas que surgiam das leituras. bastando apenas parecer o que não se é. O único movimento que tive foi o inicial estranhamento manifestado na leitura do primeiro texto. E as cidades? Haverão realmente espaços para negociações – o grande mercado mundial de homens especialistas -. para uma questão que acho sem solução. conto de Franz Kafka. a pé e de ônibus. da moda sempre em mutação. As aulas consistiram para mim como exposições de teses para as quais eu já vinha com todas as minhas antíteses. As palavras agora são pronunciadas de forma encenada. da sociabilidade e dos jogos de papéis vivido nas cidade. Criamos ficção de um mundo improvável. E todos escondem algo por traz do sorriso. do clareamento dental. O exercício da teatralidade de papéis assumidos e dissolvidos a cada momento. nos dissolvemos. evitando o olhar constrangedor. ou os papéis estão dados e legitimados por nós mesmos. tango. em que manipulamos o mundo em que somos manipuláveis. na política midiatizada. Quinze minutos de fama. sem que se conheça sequer algo do outro. negociáveis na pólis. Há algo ainda em suspensão. As outras aulas mantive um posição de ouvinte (des)interessado. Associações entre o burguês e o proletário. dos escândalos que se tornam espetáculo de contemplação e êxtase. numa massa que corre em busca da própria sobrevivência. Indivíduo e sociedade? Indivíduo ou sociedade? Indivíduo-sociedade? Papéis. Não sei. Somos nossa casa. Todos emitindo seus pontos de vista. cada qual se apropriando do que lhe é bem pra uso e abuso. que questionava a relação de intimidade típica da organização familiar. perdemos a condição de pessoa. somos como os ratos. na perda do . o receio de expressá-la. desconhecidos que sentam-se um ao lado dos outro ou se esbarram. utopias e “ismos” para remediar o mal estar que a civilização instaura na impossibilidade de saciedade do desejo. nossa cultura local e provinciana? Ou somos a polis. Lembro-me das minhas andanças pela cidade. no “mundo real” da polis. sem que se espere mais nada.

Entre nós há. na liberdade que acredito ter nesse espaço aberto à reflexão. nossa forma “melhor” de ver o mundo. Também eu tenho meus vieses. Situação atípica. Desde o início apontei para minha descompostura intencional. Senti . Tantos pontos de vista. digitalizando-nos. aparentemente sem nenhuma conexão com o que ela trabalhado. Todos nós temos nossas ideologias. construímos vidas e vias. Algo que destoa do resto do grupo. caminhando movida por uma mão abstrata. O que mais me resta? Posso tentar fazer mais algumas correlações com o que eu já trazia como idéia. Nesse ponto. Mas bem posso estar enganado. Uma presença. e se reproduz. Discorrendo livremente. Mentira! Trago incômodos. para ser eu mesmo. e defendemos como se fossem reais. A sociedade formada de homens. fazendo comentários e perguntas incômodas.verdadeiro desejo. vivemos em agrupamentos. só consigo ver a arte como salvação. Ela estava lá. Mas todo um discurso de contrariedade e tudo isso é. ou incorporar novas formas. e será que realmente preciso lapidá-los. Posso omitir meus sentimentos e acreditar que tudo transcorreu conforme o previsível. de que serve tantas discussões teóricas? De que serve a universidade que nos prende nas utopias de um mundo possível de salvação. transformandonos em porcentagens e estatísticas. ou é uma grande confusão? Não sei. ou simplesmente nos deixamos levar pela correnteza. outras vezes confrontando a figura central de facilitadora. Posso emitir opinião sobre a vivência do grupo. para ser um outro em alteridade? Será que há essa alteridade ou nos suportamos? A diferença ideológica às vezes é tão mais marcante e conflitiva que as aparentes. o desconforto. Isso até parece uma provocação ou uma pirraça. Tolerar ou não tolerar? Será que esse meu falatório tem sentido. Nada tenho a perder. planejamos e nos projetamos existencialmente. Unindo forças por uma coletividade que é tão abstrata quanto a geometria das formas platônicas. e precisamos conquistar o pão com o suor do próprio rosto. todos eles defendendo vieses. e. um ensaio de intelectualismo que vai do nada ao nada. Ainda assim somos humanos. O mundo inteligível das idéias. irrealidade e virtualidade. Uma saída ensaiada da caverna. Às vezes ingênua. maquinaria pesada ou tecnologia digital. mas será que realmente saímos do estado de cegueira e entorpecimento? Ou cairemos novamente numa outra cegueira de luminosidade ofuscante onde os contornos das formas são as mesmas sombras projetadas? Quando digo isso tento pensar no que lemos e discutimos. É o mundo das caixas registradoras. Estou apenas sumariando. E me pergunto. Mas esse mundo não é o mundo dos poetas. sublimado ou transformado em sintoma e compulsão. situações. tantos sinais de fumaça sinalizando conceitos. trabalhamos e funcionamos. Citando. Estou tentando me arriscar. traçamos rumos que desejamos trilhar. Despertar para a visão disso tudo é necessário. também. na minha crença herética de que minha voz solitária me basta. nossas verdades. E a tentativa de síntese é falsa. e o previsível seja o que se espera.

mas não mudei meus pontos de vista. e domesticados. e que o imprevisível é desconcertante. posto que dissociada da vivência real com o outro. quando não censurado e reprimido. Se exercitei meu papel nas arenas da polis acadêmica. Acho que é o lugar da loucura no mundo. mas eis que emerge e se cristaliza o “bode expiratório”. Nada se fala. às fenomenologias do outro homem. ao marxismo. O espaço. Como saio afinal? Não sei. Não sei se isso é o bastante. para as referências à filosofia alemã. Fazemos um aqui um parâmetro com conceitos próprios (respostas pessoais de alunos nas questões abaixo. Algo se moveu. Já não estou mais no início do percurso. à antropologia. realizadas em sala e entregue ao professor): . gostos. Janelas se abrem para que articulações possam ser feitas no futuro. o mais forte que submete o outro por prazer de gozar. E também temos aquela que na risada de deboche abre espaço para as opiniões bem fundamentadas. é importante. foi por minha escolha pela omissão consentida. Quero sedimentá-los um pouco. pois mostrou o quanto estamos conformados com os papéis dados. Momentos inesquecíveis nesse período. Nada me pereceu tão novo que não seja velho. o relativismo dos valores como verdade afirmada. Senti-me contente. eu sei. Eu guardei coisas em mim. fica a situação velada. Jogo na lata de lixo de minha cachola. preocupações e costumes. pois tentei ser poeta. A sociedade é o objeto de estudo das ciências sociais especialmente da Sociologia. defendendo o absurdo. Saio de uma turma de desconhecidos. o discurso sobre o desejo. que não foram ainda assimiladas. para depois ruminar. e que interagem entre si constituindo uma comunidade. Sinto muito. Acho que é tudo o que posso emitir enquanto registro de minhas idéias e síntese de minha participação desse círculo de pessoas. Não sei se tenho mais nada a falar. É motivo de risos e desconforto. 15 Indivíduo X sociedade Conceitos = a palavra indivíduo habitualmente descreve qualquer coisa.prazer em ver essa situação se instaurar. e sofista. teimar na minha ignorância e resistir à psicanálise. à sociologia. Mas sei-me em mutação. contra a ciência dos conceitos e da busca pela verdade. O que é uma sociedade? Conceitos = Em Sociologia uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos. Como exercitar a própria existência é o que me pergunto. Já estou um tanto cansado das discussões que não levam a lugar nenhum.

trabalhar de forma polarizada a relação entre indivíduo e sociedade. .Ação: para Weber.A determinação social é admitida em Weber. o lugar de criador de seu mundo.Objeto de investigação da sociologia weberiana: a ação social.Não existe acaso. move a construção da sociedade. . .O indivíduo tem. interpretando-a para explicá-la em seu desenvolvimento e efeitos. já que. mas caráter de reflexo. . . já que todos agem de acordo com o significado atribuídos às ações.A explicação sociológica busca compreender e interpretar o sentido. . . a ação passa a ser social. estudará o homem em relação de interdependência com o outro.Recusa. . para ele. não havendo como existir uma imersão passiva do indivíduo em uma sociedade que o põe a mercê dos acasos. na contemporaneidade. Quando esta ação visa a ação de uma pluralidade de indivíduos totalmente desconhecidos. como em Marx e Durkheim. . o desenvolvimento e os efeitos da conduta de um ou mais indivíduos em relação a . é toda conduta humana dotada de significado subjetivo dado por seu executor. já que não têm um sentido pensado. compartilhando sentidos e significados. .Nega a polarização indivíduo X sociedade. .Portanto.a) Sua vida esta vinculada a sociedade? (Você faz o que bem quer?) b) Quais foram as experiência e influências que vocês receberam da família? * Dos amigos * Dos vizinhos c) Como vocês apreender a ler e a escrever? d) Onde aprenderam normas sociais? e) O que vocês aprenderam na rua? f) Vocês vão algum culto religioso? Max Weber .Sociologia como a ciência que. o sentido é o definidor da ação social. mas considerada uma fase posterior à criação do mundo por ele. entendida como a ação realizada pelo indivíduo tendo como orientação a ação do outro indivíduo. mas não é central. em sua teoria. a natureza e seu meio social. A influência social sobre o indivíduo é admitida. mas sua interdependência.Ações reativas não interessam à sociologia.Sociologia para Weber: a ciência que busca entender a ação social.

para tanto. o cientista pode isolar. nas estruturas conceituais disponíveis e nas normas de pensamento vigentes. Assim. . nem muito menos pelo ponto de partida do conhecimento. Barbosa e Oliveira. ao contrário da capacidade humana de compreensão.Aspecto fundamental da sociologia de Weber: busca pela conexão de sentidos presentes no contexto das ações praticadas por indivíduos e grupos no processo de interação social. se busca compreender a natureza particular das conexões que se estabelecem empiricamente. que cause a conduta dos indivíduos. Por exemplo. contextualizada à realidade social vivenciada por indivíduos e grupos. uma vez que o tipo ideal é construídos por critérios que dizem respeito à cada pesquisador. um fragmento ínfimo que considera relevante” (…) Pode-se dizer. . .A objetividade weberiana. . ou seja.Relação social: diz respeito a uma ação de reciprocidade orientada. então. abstrai certos aspectos da realidade na tentativa de explicar as causas associadas à produção de determinados fenômenos”.Metodologia de Weber: Método Compreensivo.Segundo Quintaneiro. que consistem em conceitos selecionados que permitem a tradução adequada de aspectos da realidade. . Os tipos ideais permitem essa relação. já que. que poderá ser mais ou menos evidente par ao sociólogo. compreensão da qual consiste em captar e interpretar sua conexão de sentido. o alvo da sociologia de Weber é “a especificidade dos fenômenos e seus significados” (…) “Por isso. obtendo-se resultados válidos não apenas para si. O método utilizado baseia-se no estágio de desenvolvimento dos conhecimentos. que pode ser entendido como compartilhado pela maioria dos membros de uma sociedade. tem um forte componente subjetivo.outros (ação social). que haja conteúdo de sentido em si. pelo qual busca o nexo causal dos sentidos compartilhados entre indivíduos e grupos em seu existir socialmente. da imensidade absoluta. . que busca trabalhar com elementos da realidade.Os tipos ideais permitem a relação entre objetividade do conceito puro e a própria compreensão histórica. que é infinita. mas o resultado de um esforço cognitivo 16 que discrimina. tem-se o aperto de mãos: seu conteúdo de sentido é de amizade e cortesia. que o particular ou específico não é aquilo que vem dado pela experiência. . ou seja. segundo Weber. . através destes fatores. fica clara a impossibilidade de análise humana de toda a realidade. organiza e. enfim.O referido método utiliza-se de um recurso teórico chamado tipo ideal.Método Compreensivo: resgate interpretativo do passado para a compreensão do presente. .Tipologias da sociologia weberiana: a da ação social e da tipologia da dominação. . sendo necessário.

na qual se encontra vinculação com elementos da lei no contexto das sociedades completas. 3) Dominação de caráter carismático. 2)afetiva. . A principal socialização se dá na primeira infância.Tipologia da dominação: o homem não busca o poder apenas para enriquecer economicamente. . por meio da família e da escola. . o que devem pensar. O processo de socialização Compreender a perspectiva sociológica acerca do ser humano é compreender também como o ser humano é socializado. onde a ação social é determinada por elementos fortes das personalidades individuais que propiciam a alguns ascenderem sobre os demais. 4) conforme fins. o que é o certo e o que é errado.Ao contrário de Marx. nossa identidade. tipicamente ocidentais e marcos distintivos deste lado do planeta. É interessante notarmos que a criança descobre quem ela é quando descobre o que a sociedade é. É por meio da socialização que vamos adquirindo o nosso Eu. na qual a tradição determina de indivíduos e grupos. ou seja. . ela vai aprendendo a agir em sua sociedade porque . a sociedade e o Eu são o verso e o reverso de uma mesma realidade. Socialização é o processo pelo qual a sociedade ou comunidade ou grupo social ensina a seus membros seus costumes e regras. Para que a sociedade funcione sem graves conflitos. Ela ocorre por meio dos outros significativos. . Weber não vê o capitalismo como dominado pelo conflito de classes. . vista como a única maneira de organizar um grande número de pessoas efetivamente. irmãos mais velhos e amigos íntimos. expande-se com o crescimento econômico e político. temia a excessiva regulamentação da sociedade moderna. entretanto.Weber descreve o desenvolvimento da ciência. que são todas as pessoas muito importantes em nossa vida e dos quais dependemos.Weber. consideradas forças motrizes do agir social dos indivíduos e de suas interações. que poderia esmagar o espírito humano justamente por tentar regulares todas as esferas da vida social. que consiste na organização da vida sócio-econômica de acordo com os princípios de eficiência e baseada no conhecimento técnico. e.A legitimação da dominação é a crença de que determinado indivíduo é capaz de governá-lo.A tipologia da dominação é subdividida em: 1) Dominação racional-legal. É o que podemos chamar de socialização primária.. 3)racional conforme valores e. mas pela ascensão da ciência e da burocracia. A socialização secundária se dá num âmbito maior. isto é. A burocracia. o ser humano tem de ser socializado. por meio de todas as interações que travamos durante a vida. 2) Dominação tradicional. mas aspira às honras sociais derivados dele. como nossos pais. já que Weber concentra sua análise nos atores sociais e suas ações. Na medida em que os outros significativos vão dizendo para as crianças como elas devem agir. Por meio da socialização adquirimos o “direito” de atuarmos no grupo social em questão. tecnologia e burocracia como racionalização.Tipologia da ação social é subdividida em: 1) ação social tradicional.

conforme os padrões da sociedade em que está inserido. 60). o principal fator de formação da identidade e personalidade de um indivíduo é sua socialização. crenças. Estamos sempre sendo socializados. p. é crucial para a reprodução do universo simbólico. dentre elas. conforme a idéia de reciprocidade. O processo de socialização de novos membros. os funcionários precisam ser apresentados aos valores. Ao mesmo tempo a socialização nunca termina.vai descobrindo como é sua sociedade. existem algumas determinações genéticas. Tais valores vão se consolidando e determinando suas escolhas. Impossível. criando uma identidade. Os outros significativos vão se tornando o que. vivenciar tudo. a socialização é um processo contínuo no qual o indivíduo ao longo da vida aprende. Nessa constante interação com o meio. podemos perder nossa identidade se ela não for. Durkheim (1987) ressalta a importância da socialização ao mostrar que a sociedade só pode existir porque penetra no interior do ser humano. É por meio das estratégias de integração do indivíduo à . o indivíduo vai internalizando crenças e valores. denominamos de Outros Generalizados. suas idéias e valores. segundo autores de diversas correntes teóricas. Segundo Levy (1973). ao mesmo tempo. A cada vez que ingressamos em um novo grupo social. construindo padrões de comportamento próprios para interação em cada grupo. que lhes permitirá articular-se com os processos de comunicação e de integração que permeiam o fazer coletivo. criando sua consciência. Ao longo do processo de desenvolvimento humano. “em estado de isolamento social. uma psiquê humana e outros fatores de influência tratados por outras ciências. A socialização faz com que a pessoa adquira as normas definidoras dos critérios morais e éticos. as escolhas profissionais. Ou seja. normas e práticas da organização. pois este deve ser aprendido ao longo de suas interações com os grupos sociais”. passando por um processo de socialização. hábitos estes que não são inatos. tornando-o sociável. E as crianças vão. o indivíduo participa de inúmeros grupos sociais. moldando sua vida. Este mesmo processo revela-se crucial no contexto de uma organização. para o pensamento sociológico. a sociedade. nesse momento se inicia um novo processo de socialização onde aprendemos os códigos para bem atuarmos 17 nesse grupo social. Por meio do processo de socialização as estruturas da sociedade tornam-se as estruturas de nossa mente. Imaginem em nossa sociedade complexa. identifica hábitos e valores característicos que o ajudam no desenvolvimento de sua personalidade e na integração de seu grupo. Os homens adquirem uma “natureza” ou uma identidade por meio de suas associações e podem perdê-la (ou ela declina) quando se encontram isolados. isto é. E ninguém é capaz de ser socializado em todos os aspectos de sua sociedade. Obviamente. O processo de socialização nunca é completo e perfeito. em sociologia. urbana e industrializada: para a socialização ser completa teríamos que aprender tudo. participar de tudo. aprendendo a usar os símbolos (linguagem) e aprendendo os seus papéis sociais. o indivíduo não é capaz de desenvolver um comportamento humano. Para Levy (1973. Se assim o fosse seríamos robôs. verdadeiros autômatos. Podemos afirmar que a “natureza” humana não surge no momento do nascimento. reforçada e atualizada pelos outros de nosso grupo social. Ao ingressarem em um novo grupo. Mas.

3. Definindo a palavra socialização. Grupo de trabalho: O grupo de trabalho pode desempenhar um papel importante na socialização dos novos empregados. como: aculturação. os colegas de trabalho. as atividades desenvolvidas. Leavitt (1991) apresenta alguns termos. Antes mesmo do candidato ser aprovado. além de reforço positivo sobre comportamentos adequados ou. Se o supervisor realiza um bom trabalho neste sentido. o supervisor representa o ponto de ligação com a organização e a imagem da empresa. A aceitação grupal é fonte crucial de satisfação das necessidades sociais. até mesmo. até mesmo. Os novos empregados que recebem tarefas relativamente solicitadoras estão mais preparados para desempenhar as tarefas posteriores com mais sucesso.organização que os valores e comportamentos vão sendo transmitidos e incorporados pelos novos membros. A integração do novo funcionário deve ser atribuída a um grupo de trabalho que possa provocar nele um impacto positivo e duradouro. o gerente e o estilo da administração existente etc. manipulação e. o processo seletivo permite que ele obtenha informações e veja com seus próprios olhos como funciona a organização e como se comportam as pessoas que nela convivem. Com isso. O supervisor deve cuidar dos novos funcionários como um verdadeiro tutor. com os usos e costumes internos (cultura . Quando os principiantes são colocados em tarefas inicialmente fáceis. lavagem cerebral. não têm chance de experimentar o sucesso e nem a motivação dele decorrente. Os métodos de socialização organizacionais mais utilizados são os seguintes: 1. Processo seletivo: A socialização tem início na entrevista de seleção através da qual o candidato fica conhecendo o seu futuro ambiente de trabalho. os desafios e recompensas em vista. os empregados principiantes tendem a internalizar altos padrões de desempenho e expectativas positivas a respeito de recompensas resultantes do desempenho excelente. Além disso. os grupos de trabalho têm uma forte influência sobre as crenças a atitudes dos indivíduos a respeito da organização e de como eles devem se comportar. Supervisor como tutor: O novo funcionário pode ligar-se a um tutor capaz de cuidar de sua integração na organização. para depois receber tarefas gradativamente mais complicadas e crescentemente desafiadoras. 5. 4. Para os novos empregados. a organização tende a ser vista de forma positiva. a cultura predominante na organização. educação. 2. A idéia principal é a persuasão das pessoas para adotarem determinadas atitudes e crenças. Programa de integração: É um programa formal e intensivo de treinamento inicial destinado aos novos membros da organização para familiarizá-los com a linguagem usual da organização. Conteúdo do cargo: O novo funcionário deve receber tarefas suficientemente solicitadoras e capazes de proporcionar-lhe sucesso no início de sua carreira na organização. reforço negativo sobre comportamentos impróprios. por meio de exemplos e pressões sociais. que os acompanha e orienta durante o período inicial na organização. treinamento.

a estrutura de organização (as áreas ou departamentos existentes). Em uma atmosfera informal. os programas de integração são totalmente desenvolvidos pelo órgão de treinamento. o que influencia as atitudes e valores dos novatos. em uma situação real ou de laboratório. as quais serão descritas a seguir. normas e padrões de comportamento que a organização considera imprescindíveis e relevante para um bom desempenho em seus quadros. Quase sempre. a missão da organização e os objetivos organizacionais etc. a socialização representa uma etapa de iniciação particularmente importante para moldar um bom relacionamento em longo prazo entre o indivíduo e a organização. Na realidade. O autor apresenta sete estratégias de socialização organizacional empregadas pelas empresas. enquanto em outras são coordenados pelo órgão de treinamento e executados por gerentes de linha nos diversos assuntos abordados. Em algumas organizações. Maanen (1989) apresenta uma definição mais completa para socialização organizacional: é o processo pelo qual o indivíduo aprende valores. na prática. . A socialização organizacional implica também na renúncia de certas atitudes. normas de comportamentos esperados. não existe forma de . em níveis de gerência ou direção. e maior a tensão. do novo participante pelo gerente ou supervisor que funcionam como seus tutores e que se responsabilizam pela avaliação de seu desempenho. em médio prazo. a cultura da organização e se comporte daí para frente como um membro 18 que veste definitivamente a camisa da organização. Quanto mais formal for o processo. o novo funcionário recebe um manual com informações básicas para sua integração na organização. estão combinadas de diversas formas. A socialização organizacional constitui o esquema de recepção e de boas-vindas aos novos participantes. O programa de integração procura fazer com que o novo participante assimile de maneira intensiva e rápida. que permitem a ele participar como membro de uma organização. os principais produtos e serviços. Este é um processo que ocorre durante toda a carreira do indivíduo dentro da organização.Estratégias formais e informais de socialização: o processo formal de socialização age na preparação do novato para ocupar um cargo específico na organização. mas que depois contam com um acompanhamento. dependendo da intensidade de socialização que a organização pretende imprimir. Mais: ela funciona como elemento de fixação e manutenção da cultura organizacional. mais o papel de novato é segregado e especificado. Sua finalidade é fazer com que o novo participante aprenda e incorpore os valores.organizacional). com uma agenda que programa sua permanência nas diversas áreas ou departamentos da organização com um tutor permanente (seu gerente ou diretor) e um tutor específico para cada área ou departamento envolvido na agenda. São programas que duram de um a cinco dias. o programa de integração pode durar meses. que não são mutuamente exclusivas e que. valores e comportamentos. Nos casos em que o novo membro ocupa posição de destaque.

perdem em termos de homogeneidade de resultados. da relação estabelecida entre o agente socializador e o novato.diferenciação e grande parte da aprendizagem do novato necessariamente ocorre no interior das redes sociais e das tarefas relacionadas que envolvem sua posição. o indivíduo é socializado com base em sua iniciativa e não por qualquer padrão a ser seguido.Estratégias fixas e variáveis de socialização: os processos de socialização fixa proporcionam a um novato um conhecimento preciso do tempo que necessitará para completar determinado estágio. Assim. por meio dos quais um indivíduo deve passar a ocupar uma posição e exercer um papel na organização. com resultados relativamente similares. . é necessário que exista um programa seqüencial para que o processo de aprendizagem seja facilitado. . sendo uma garantia de que a organização não sofrerá qualquer mudança ao longo do tempo. ou seja. pois o novo integrante poderá ficar confuso e se perder durante o processo de socialização. os indivíduos desconhecem a dimensão tempo do período de transição. os novatos são agrupados em conjunto para o início e processados por um conjunto de experiências idênticas. o tempo de transição é padronizado.Estratégias de socialização por competição ou por concurso: as estratégias de socialização por competição caracterizam-se pela separação dos novos integrantes em grupos ou diferentes programas de socialização. contra ou a favor da organização. Entretanto. devendo aprender informalmente as práticas reais em seu setor. As mudanças são isoladas e dependem. As estratégias individuais também geram mudanças mas.Estratégias de socialização em série e isoladas: a estratégia de socialização em série é aquela que prepara os novos integrantes para assumir diversos papéis organizacionais similares. quando comparadas às coletivas. . o que pode gerar certa incompatibilidade entre os objetivos organizacionais e os do grupo. em grande parte. Por outro lado. A segunda etapa ocorre quando o novato é colocado em sua posição organizacional designada. Contudo. o processo formal de socialização é apenas a primeira etapa da socialização. Quando um grupo é introduzido em um programa de socialização. Os processos não seqüenciais são realizados em um estágio transitório e sem uma relação com outras etapas anteriormente realizadas. Essa estratégia apresenta um elevado risco. poderá também estimular a criatividade e a iniciativa dos novos integrantes. de acordo com as habilidades e ambições dos indivíduos. . Nas estratégias isoladas de socialização. 19 . Dessa forma. . Nas estratégias de socialização variáveis. as estratégias por concurso possibilitam uma certa participação e uma cooperação entre os indivíduos.Estratégias individuais e coletivas de socialização: na socialização coletiva. cada um atua por conta própria e dificilmente procura apoio do grupo para as ações de sintonia.Estratégias seqüenciais e não seqüenciais de socialização: a socialização seqüencial caracteriza-se por processos transitórios marcados por uma série de estratégias discretas e identificáveis. ele desenvolve quase sempre uma consciência coletiva.

candidatos que identifiquem com os valores organizacionais e que reforcem a cultura da organização.. Maanen (1989.Estratégias de socialização por meio de investidura e despojamento: estas estratégias objetivam confirmar ou destruir a identidade do novato na organização. submetido a uma série de “testes” rigorosos para obter acesso privilegiado na organização. 1985). . procura confirmar e estabelecer a viabilidade e utilidade dos valores pessoais dos novatos. .A seleção: esta fase é dirigida a atrair candidatos “certos” e predispostos a aceitar as crenças e valores da organização. ou designar trabalhos que exigem pouca qualificação a indivíduos mais qualificados. Ou seja. Exceto a satisfação narcísica que isso provocou. de modo a promover uma maior abertura para as normas e valores da organização. que estruturam o processo de socialização dos indivíduos na cultura organizacional: . crenças e valores. (1987. 1991. Os candidatos que são recrutados passam por uma bateria de testes e entrevistas para que sejam selecionados somente aqueles indivíduos predispostos a aceitar as crenças e valores da organização. no lugar das estratégias de investiduras. 1986. RYNES & BOUDREAU. HOLLAND. 114). Ele é bem-vindo da forma como ele é. ainda. Maanen (1989) enfatiza. p. Ele é. a organização procura reduzir a autocomplacência do indivíduo. tais como atribuir metas difíceis de serem cumpridas. “a seleção é bastante rígida (…) aquele que for escolhido terá tendência a considerar-se como entrando numa elite. na investidura. p. a organização procura criar condições para que os novos integrantes passem a questionar seus comportamentos. selecionando-se assim. Já no processo de despojamento procura-se destruir e despojar certos valores e crenças dos novatos. Para os autores. Outro autor importante e que vem complementar a teoria de Maanen (1989) é Pascale (1985) que também destaca sete passos inter-relacionados. Essa fase procura evocar uma auto-análise que facilite a aceitação dos valores da organização e assemelha-se às estratégias de despojamento relatadas por Maanen (1989). isso cria uma ligação tão sólida que não se consegue abandonar o que foi conseguido com tanta dificuldade”. 60) ressalta que “as estratégias de despojamento. Outro aspecto que merece destaque no processo de seleção é o reforço do sentimento de ultrapassar barreiras e de forte identificação do indivíduo com a organização na qual ele está ingressando. As estratégias descritas acima são utilizadas pelas organizações para controlar e dirigir o comportamento de seus membros. como mostram Pagés et al. Essas . geralmente. que grande parte do controle sobre o comportamento do indivíduo nas organizações é resultado direto da maneira pela qual a pessoa é socializada. Outros estudos também têm considerado o processo de seleção como a oportunidade inicial de atrair indivíduos que se identifiquem com os valores organizacionais e que reforcem a cultura da organização (CHATMAN.Treinamento na linha de fogo: os esforços de treinamento específico para o trabalho voltam-se para o domínio das disciplinas básicas da organização. Por meio de “experiências indutoras de humildade”. provavelmente produzem resultados similares entre os novatos”.Experiências indutoras de humildade: particularmente nos primeiros meses.

Particularmente. o folclore reforça o código de conduta sobre “como realizamos as coisas por aqui”. as organizações exercem um controle muito forte sobre os indivíduos. 20 . os indivíduos podem ser aprisionados pelas estruturas de poder nas organizações e também pela sua própria conduta. 41) complementa com a seguinte afirmação. 8). Esse poder de restrição e de opressão controla corpo. .Modelos consistentes de papéis: os processos de socialização organizacional abrangentes oferecem modelos consistentes de papéis a desempenhar. Nas organizações. os indivíduos “nunca podem ou devem perder a sua pose. “ …quaisquer que sejam as modalidades e a intensidade do poder disciplinar. para os novos integrantes. porém. o processo de socialização organizacional pode ser considerado como uma estratégia de poder e influência utilizada pela empresa para formar corpos dóceis e produtivos. Eles devem dar provas constantes de sua competência. rituais e símbolos da organização oferecem imagens fortes da empresa. p. por meio de um poder disciplinar presente nas suas práticas sociais cotidianas. além do repasse do conhecimento técnico necessário à realização do trabalho. que influenciam a maneira como as pessoas vêem a organização. 1989) e até mesmo a memória. O treinamento é uma espécie de materialização da cultura. a fim de serem reconhecidos e recompensados. Para Motta (1991.Aderência aos valores centrais da organização: a identificação com as crenças e valores comuns capacita os indivíduos a reconciliarem os sacrifícios pessoais. a organização comunica as maneiras . ele tem sempre o mesmo objetivo: formar corpos dóceis e produtivos”. com o propósito de medir os resultados operacionais e recompensar o desempenho individual. Visa. . devem dar prova de coerência e persistência de seus pensamentos”. que mantêm a organização em sintonia com a sociedade. freqüentemente necessários para o sucesso da organização. . por meio do comprometimento contínuo com os valores compartilhados. mitos. Nesse sentido é também importante tratar da questão do poder nas organizações.Uso de sistemas de recompensa e controle: a organização dedica um extremo cuidado à criação de sistemas abrangentes e consistentes.experiências extensivas e cuidadosas têm por objetivo inculcar no novo integrante os valores da organização. p. Dessa forma. Motta (1981. Nesse ínterim. a construção da subjetividade dos indivíduos que estão a ele submetidos. Essa fase essencial cria uma base de confiança entre a organização e o indivíduo. O enfoque se dá particularmente nos aspectos relacionados ao sucesso competitivo e aos valores da organização. Neste sentido.Folclore do reforço: as histórias. gestos e risos (FOUCAULT.

04) As classes sociais. assinale o que for correto sobre o conceito de classes sociais. Ele terá absorvido as normas da organização e de seus colegas de trabalho. atos e valores. que favoreça a cooperação. Exercícios . Processos O estágio da pré-chegada: reconhece explicitamente que cada pessoa chega a uma empresa com um conjunto de valores. O estágio da metamorfose: é a etapa onde o novo funcionário irá superar alguns problemas descobertos durante o estágio de encontro. Para esse autor. Finalmente. atitudes e expectativas. para Marx. Pascale (1985) advoga que essas fases. . para que conheça melhor a cultura organizacional da empresa e desempenhe com maior sucesso sua nova função. a integridade e a comunicação. Entretanto. Ou seja. É nesta etapa que o novo empregado terá o primeiro contato com a empresa. quando bem gerenciadas. Se as expectativas forem mais ou menos de encontro com a realidade. Identidade e Socialização 01. etc. cursos. o objetivo da socialização é estabelecer uma base de atitudes. O estágio do encontro: é a etapa onde o novo funcionário se vê diante da diferente posição entre suas expectativas e a realidade. que carregam de maneira bem forte os traços e atributos que a organização valoriza. substituindoos pelos padrões fundamentais. definem-se.(UEM – Inverno 2008) Em termos sociológicos. sentindo-se assim aceito pelos colegas como pessoas de valor e digna de confiança. pelas relações de cooperação que se desenvolvem entre os diversos grupos envolvidos no sistema produtivo.Indivíduo. 02) De acordo com Karl Marx. A socialização é um processo de adaptação que ocorre quando uma pessoa passa de fora para dentro da empresa. sendo que este pode abranger tanto o trabalho a ser feito quanto a organização. as relações entre as classes sociais transformamse ao longo da história conforme a dinâmica dos modos de produção. os novos empregados devem passar por uma socialização que vai desligá-los de suas pressuposições anteriores. proporcionam uma forte identidade organizacional. palestras. sobretudo. o estágio de encontro irá confundir as percepções geradas antes. acarretando algumas mudanças. quando as expectativas e a realidade são diferentes. 01) Sua utilização visa explicar as formas pelas quais as desigualdades se estruturam e se reproduzem nas sociedades.como reconhece formal ou informalmente seus “vencedores”. o novo funcionário é submetido a treinamentos.

Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. p.2006) “Três grandes dimensões fundamentam o vínculo social.” (BOURDIN. a complementaridade e a troca: a divisão do trabalho social cria diferenças com base na complementaridade. 16) A afirmação “a história da humanidade é a história das lutas de classes” expressa a idéia de que as transformações sociais estão profundamente associadas às contradições existentes entre as classes. A biografia do indivíduo. das regras e dos valores sociais.08) A formação de uma classe social. de partilhar uma mesma cotidianidade. afirmação de um destino comum da humanidade por grandes sistemas religiosos e metafísicos. que designa o aprendizado. In FORACCHI. os componentes não sociais das experiências da criança estão entremeados e são modificados por outros componentes. 1977. Em segundo lugar. José de Souza.(UEL. A questão local. como a fome. 08) as experiências individuais. 3.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. pelos indivíduos. no caso do exemplo. o frio e a dor. Brigitte. a burguesia. pode receber dos adultos distintas respostas de satisfação. 28. Primeiro. 2001 p. 16) o desconforto físico que uma criança sente. “Socialização: como ser um membro da sociedade”. Rio de Janeiro: DP&A. desde o nascimento. o fato de viver junto. Sociologia e Sociedade. o sentimento de pertença à humanidade que nos leva a reforçar nossos vínculos com os outros seres humanos: força da linhagem. só se realiza na sua relação com a classe opositora. 04) o fenômeno tratado pelo autor corresponde ao conceito de socialização. Podemos concluir do texto que 01) os indivíduos.(UEM – Verão 2008) Leia o texto a seguir: “Desde o início a criança desenvolve uma interação não apenas com o próprio corpo e o ambiente físico. Por fim. são influenciados pelos valores e pelos costumes que caracterizam sua sociedade. contêm dimensões sociais. 200).” (BERGER. dependendo da sociedade na qual eles estão inseridos. 02) a relação que a criança estabelece com o seu corpo não deveria ser do interesse das ciências biológicas. desde o nascimento. a proximidade surge então como produtora do vínculo social e o camponês sedentário como o ser social por excelência. Peter L. Além disso. é correto afirmar: . do vínculo sexual e familiar. Marialice M. até mesmo aquelas que parecem mais relacionadas às nossas necessidades físicas. Alain. 2. ou seja. e MARTINS. o que permite aumentar as 21 trocas. pela experiência social. é a história de suas relações com outras pessoas. mas apenas da sociologia. mas também com outros seres humanos. como os proletários. e BERGER.

como fato social. b) Os sistemas religiosos e metafísicos são fatores de isolamento social. d) Pela ausência da cotidianidade. 4. por resultarem de criações subjetivas dos indivíduos. I. cochichos com comentários maldosos. imaginando que a festa seria formal. No convite distribuído pelos veteranos não havia informação sobre o traje apropriado para a festa. b) Apenas as afirmativas I e IV são corretas. O fato social é todo fenômeno que ocorre ocasionalmente na sociedade. Considere as afirmativas abaixo sobre as características do fato social para Émile Durkheim. IV. O fato social expressa o predomínio do ser individual sobre o ser social. segundo Émile Durkheim (1858-1917). O fato social caracteriza-se por exercer um poder de coerção sobre as consciências individuais. d) Apenas as afirmativas I. causou estranheza. e) Apenas as afirmativas I. compareceu vestido com traje social. III e IV são corretas.(UEL . O calouro não estava vestido de acordo com o grupo e sentiu as represálias sobre o seu comportamento. as grandes metrópoles deixaram de ser lugares de complementaridade e de trocas. O fato social é exterior ao indivíduo e apresenta-se generalizado na coletividade. O calouro. e) O forte sentimento de pertencer à humanidade desmantela a noção de comunidade e minimiza o papel da afetividade nas relações sociais. olhares de espanto e de admiração. As regras que regem o comportamento e as maneiras de se conduzir em sociedade podem ser denominadas. c) Apenas as afirmativas II e III são corretas. provocando risos.(UEL – 2004) O texto a seguir refere-se à situação dos apátridas na 2ª Guerra Mundial: . c) O cotidiano das pequenas cidades e do mundo campesino favorece a criação de vínculos sociais. 5. Ao entrar na festa. II. Assinale a alternativa correta. II e IV são corretas.a) A divisão do trabalho social na sociedade contemporânea desagrega os vínculos sociais.2003) Um jovem que havia ingressado recentemente na universidade foi convidado para uma festa de recepção de calouros. a) Apenas as afirmativas I e II são corretas. em que todos estavam trajando roupas esportivas. III.

da liberdade ou da procura da felicidade. por sua vez.. é produzido pela cooperação entre os indivíduos através de um processo de interação que Durkheim chamou de divisão do trabalho social.. 1989.” (ARENDT. é correto afirmar: a) Obter o reconhecimento por uma comunidade é condição básica para o gozo de direitos. na privação de um lugar no mundo que torne a opinião significativa e a ação eficaz.] A calamidade dos que não têm direitos não decorre do fato de terem sido privados da vida. não há vida social. portanto. nenhum país ao qual pudessem ser assimilados. De súbito revelou-se não existir lugar algum na terra aonde os emigrantes pudessem se dirigir sem as mais severas restrições. 229. primeiro e acima de tudo. b) A condição em que se encontra o apátrida é igual à condição de escravo. Durkheim destaca dois tipos de solidariedade: a mecânica e a orgânica.) Considere as afirmativas a seguir.(UEL – 2005) Emile Durkheim observa que uma condição fundamental para que a sociedade possa existir é a presença de um consenso social. Origens do totalitarismo: anti-semitismo. Pois sem consenso não há cooperação entre os indivíduos e. está em jogo quando deixa de ser natural que um homem pertença à comunidade em que nasceu. conforme o tipo de divisão do trabalho social que predomina na vida coletiva numa determinada época tem-se um tipo diferente de solidariedade entre os indivíduos. imperialismo.. São Paulo: Companhia das Letras. . 227.27-28. nenhum território em que pudessem fundar uma nova comunidade própria [. Hannah. e) Ser um apátrida é ser reconhecido como um indivíduo com direitos fora de seu país de origem. totalitarismo. 6. Desse modo. 2000. Sociologia da Educação. No Brasil. por exemplo.“O que era sem precedentes não era a perda do lar.) Com base no texto. Alberto T. Rio de Janeiro: DP&A. nota-se a influência das idéias 22 positivistas em boa parte de sua legislação. p.. que apresentam artigos e parágrafos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT. (Adaptado de: RODRIGUES. mas a impossibilidade de encontrar um novo lar. p. o qual.] A privação fundamental dos direitos humanos manifesta-se. que são os direitos do cidadão.Edição de 1988) e da Constituição de 1988. nem da igualdade perante a lei ou da liberdade de opinião – fórmulas que se destinavam a resolver problemas dentro de certas comunidades – mas do fato de já não pertencerem a qualquer comunidade [. 230. Algo mais fundamental do que a liberdade e a justiça. d) Ao apátrida é garantida ressonância às suas opiniões mais significativas. c) Ser privado da vida é menos importante que ser privado da liberdade. Este consenso é garantido pelo meio moral que compartilhamos.

.. III e IV. “[São condições para o funcionamento do Sindicato:] a proibição de qualquer propaganda de doutrinas incompatíveis com as instituições e os interesses da Nação [. leis. (Folha de São Paulo. trabalho escravo. menores para prostituição. . d) I. de causa.]. II e IV. as condições sub-humanas a que são submetidas centenas de milhões de pessoas [. como órgãos técnicos e consultivos.. tratados. [. como pensamos. No Brasil. b) I e IV. similares ou conexas constitui o vínculo social básico que se denomina aqui categoria econômica”.(UEL – 2005) “A despeito de se viver na era dos direitos. não se estaria na era do vazio [de direitos]?” [Situações sociais desse tipo são analisadas por alguns sociólogos a partir da consideração de que nos encontramos em] “uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento perderam a sua validade. aí estão assassínios praticados por graúdos mandantes que se servem de pistoleiros profissionais.]. etc. c) II e III.. são significativos os homicídios no mundo inteiro. c) Coerção social.]”. d) Consciência coletiva.] Mas. IV. a deplorável guerra do tráfico de drogas e as chacinas em grandes cidades brasileiras. de personalidade etc.. as categorias são representações essencialmente coletivas.. no estudo e solução dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal”. está-se na era dos direitos.(UEL – 2006) “Na raiz de nossos julgamentos existe um certo número de noções essenciais que dominam toda a vida intelectual. na forma da lei. Pelo número de concepções. e) Conflito social.. de número.. III. a) Anomia. “[Da Organização Sindical:] A solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas.. são aquelas que os filósofos chamam de categorias do entendimento: noções de tempo. “[São prerrogativas dos Sindicatos:] colaborar com o Estado. em pleno século XXI [. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”..].. de substância. “[Dos direitos e deveres individuais e coletivos:] a criação de associações e. 8. se. a de cooperativas independem de autorização. Remetem ao conceito de solidariedade orgânica.I. No plano da efetivação dos direitos. b) Fato social. tráfico de mulheres. para utilizar a expressão de Lipovetsky [. de gênero. p. II. São Paulo. 2004. [onde] a eficácia das normas está em perigo”. e) II. 30 ago. de espaço. A 3. apenas as afirmativas: a) I e III.) Assinale a alternativa que indica o conceito utilizado por Emile Durkheim (18581917) para definir uma “condição social” do tipo descrito no texto. 7.

e parte do seu conteúdo se materializa em normas e regras. e) As noções incomuns à vida intelectual de uma sociedade que deturpa os julgamentos dos sujeitos. a respeito das condições para o bom convívio dos indivíduos numa coletividade.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. Esses pressupostos. de sua morfologia. b) Estimular a produção econômica para a geração de empregos. enfatizando aqueles voltados à população de 15 a 24 anos. a moral (conjunto de valores e juízos direcionados à vida em comum) é o amálgama que une os indivíduos à vida em grupo. 1981. morais. p. Émile. d) A tradução de estados mentais dos indivíduos portadores de distintas visões de mundo. sem o qual as sociedades não podem viver em harmonia. 9. c) Promover a instituição familiar. algumas possíveis propostas de ação para enfrentar esse problema.traduzem antes de tudo estados da coletividade: elas dependem da maneira pela qual esta é constituída e organizada. insistindo que a moral é o mínimo indispensável. Sociologia. . Durkheim afirma o papel do regulamento moral para a integração social. permitem a formulação de uma avaliação específica sobre o problema da criminalidade violenta praticada por jovens no Brasil. morais e econômicas. a seguir. é correto afirmar que a noção de categorias do entendimento compreende: a) Os estados emocionais fugazes dos indivíduos de distintas sociedades. A moral traça as orientações da conduta ideal para as pessoas. 154-157. Assinale a alternativa que está em conformidade imediata com os pressupostos sociológicos mostrados no texto. Indicam-se. aos esquadrões da morte e a unificação das polícias. b) Aquelas representações cuja formação é exterior às instituições religiosas. a) Priorizar o combate ao narcotráfico. ao crime organizado. de suas instituições religiosas. São Paulo: Ática. c) O modo como a sociedade vê a si mesma nos modos de agir e pensar coletivos. econômicas etc.(UEL – 2004) O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) considera a “comunhão de valores morais” a condição fundamental e primeira para a construção da coesão social. Para ele. hoje. reforçar o papel socializador da escola com ênfase na educação para a paz e 23 para a cidadania e melhorar o funcionamento do sistema legal.” (DURKHEIM.

I. Segundo o sociólogo francês Marcel Mauss. penso apenas com minhas idéias. faço só o que desejo. se o vizinho nos convida para o casamento de seu filho. O ato de presentear instaura e reforça as alianças e os vínculos sociais. Do mesmo modo. 11. (Jovem estudante e trabalhadora em uma loja de shopping). é comum que o convidado leve um presente. O presentear como prática social originou-se quando da consolidação do modo capitalista de produção. considere as afirmativas a seguir. II. II e IV. a prática de “presentear” é algo fundamental a todas as sociedades: segundo ele. IV. mas é difícil! Às vezes faço o que quero. temos certa obrigação em convidá-lo para o casamento do nosso filho. d) I. mas na maioria das vezes sigo meu grupo. reduzindo o número de nascimentos a médias compatíveis com os índices de desenvolvimento econômico previstos 10. autônomo. Reciprocamente. esta obrigatoriedade de dar. e) II. minha religião. trocamos presentes. III. e) Investir no controle da natalidade. impulsiva e impaciente e providenciar o tratamento terapêutico como política pública. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema. minha família.(UEL – 2006) Ao receber um convite para uma festa de aniversário. O lucro obtido a partir dos bens trocados é o que fundamenta as relações de troca de presentes. meus amigos. este indivíduo espera receber presentes de seus convidados. nos casamentos. a escola. de receber e de retribuir é mais importante que o bem trocado. na festa de seu aniversário. sou único. nas festas de amigo-secreto e em muitas outras ocasiões. Nos aniversários. da minha cabeça. sei lá. gostaria de fazer o que desejo.. b) I e III.d) Detectar antecipadamente os jovens portadores de personalidade irritável.2008) Leia os depoimentos a seguir: • Sou um ser livre. o que penso veio da minha família. • Sou um ser social. Não sigo o que me obrigam e pronto! Acredito que com a força dos meus pensamentos poderei realizar todos os meus sonhos. dos meus amigos e parentes. A troca de presentes cria e alimenta um circuito de comunicação nas sociedades. c) III e IV.(UEL . III e IV. independente. e o meu esforço ajuda a sociedade a progredir. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. a relação da troca. Sinto que dependo disso tudo e gostaria muito de ser ..

12. Marx. Nas raves existem regras. . no sentido de defender o princípio segundo o qual nenhuma ciência é possível sem definição de um objeto próprio e independente. d) Sociologia compreensiva. taxas. fundada em K. as explicações sociológicas sobre a relação entre indivíduo e sociedade presentes nas falas. fundada em K. Então. (Jovem estudante e Office boy). mas não sou! (Jovem estudante em uma escola pública que trabalha em empregos temporários). respectivamente. c) Individualismo. e) Corporativismo positivista. teoria da consciência de classe. teoria organicista de Spencer. Marx.livre. Weber. base da divisão social e transformação do modo de produção. fundado no conceito dos três estados de Augusto Comte. fundado na teoria política liberal. etc. sociologia compreensiva. a) O conflito de classe. posso escolher coisas. teoria da consciência de classe. Marx. b) Teoria da consciência de classe. fundado no liberalismo de vários autores dos séculos XVIII a XX. fundado em Augusto Comte. sociologia compreensiva. Em outros momentos faço o que me mandam e acho que deve ser assim mesmo. individualismo. segundo Emile Durkheim (1858-1917). b) O fato social. (FERNANDES.(UEL . teoria da consciência de classe. fundada em K. 1967. Rio de Janeiro: Cia Editora Nacional. fundado no conceito de consciência coletiva de E. Assinale a alternativa que descreve o objeto próprio da Sociologia. é realista. exterior e coercitivo em relação à vontade dos indivíduos. funcionalismo. Durkheim. • Sinto que às vezes consigo fazer as coisas que desejo.2008 ) De acordo com Florestan Fernandes: A concepção fundamental de ciência. como ir a raves. mas com alguns limites. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. Durkheim. p. fundada no funcionalismo de E. Marx. É legal a gente viver segundo as regras e ao mesmo tempo poder mudá-las. fundado no liberalismo de vários autores dos séculos XVIII a XX. seguranças. F. a) Solidariedade mecânica. fundada no conceito de ação social e suas tipologias de M. mesmo que minha mãe não permita ou concorde. fundada no conceito de ação social e suas tipologias de M. funcionalismo. fundada em K. de Emile Durkheim (1858-1917). sinto que sou livre. Weber. individualismo metodológico. fundada no conceito de ação social e suas tipologias de M. muita gente não percebe. Weber. Assinale a alternativa que expressa. mas há toda uma estrutura. 73).

. é um líder econômico. 106. quando o afilhado cresce.2008) De acordo com Max Weber. 247. revela o contrário.” (CANDIDO. a gente paga o batismo e. Hoje. p. um forte. p. o fazendeiro que manda nos seus agregados. ao primeiro lance de vista. porém. entretanto.. não necessariamente. como se diz sempre. empregados ou dependentes. Brasília: Editora UnB. M. que se traduziriam no mero prolongamento do poder privado na ordem na ordem pública [. São Paulo : Círculo do Livro. “Não há assim por que considerar que as formas anacrônicas e remanescentes do escravismo. “O coronel.c) A ação social que define as inter-relações compartilhadas de sentido entre os indivíduos. Os Sertões.(UEL . A sua aparência. I. dando com isso origem a relações semi-feudais que implicariam uma situação de ‘latifúndios de tipo senhorial a explorarem camponeses ainda envolvidos em restrições da servidão da gleba’.) II. se o pai morria. São Paulo : Brasiliense. o desempeno.. 2000. O nonagenário Nhô Samuel lembrava com saudade o dia em que o pai. [. 1989. “O sertanejo é. produto da vontade e da ação de indivíduos que agem independentes uns dos outros. lhe disse que era tempo de irem buscar a novilha dada pelo padrinho. diz Nhô Roque. a estrutura corretíssima das organizações atléticas. resultado das relações de produção e da divisão social do trabalho. nem vem dar louvado (pedir a benção). p. Isso tudo não tem sentido na estrutura social brasileira. 3) Com base no texto. antes de tudo. ainda presentes nas relações de trabalho rural brasileiro. Falta-lhe a plástica impecável. 95.. sitiante perto de Tatuí.] Ocorre que o coronel não manda porque tem riqueza. 24 e) A cultura.” Por ação social entendem-se as ações que: “quanto ao seu sentido visado pelo agente. funcionava o sistema de obrigações recíprocas. 1982. considere as afirmativas a seguir: I. São Paulo: Livraria Duas Cidades. “Mesmo entre gente humilde. 13. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.) III. A Revolução Brasileira..]. d) A sociedade. antes de ser um líder político. 1987. O vínculo não obedece a linhas tão simples.. Traduzido por Regis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa.” (CUNHA. Diz que era costume. vol. A.” (WEBER. orientando-se por este em seu curso.” (PRADO Jr. a Sociologia significa: “uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la casualmente em seu curso e em seus efeitos.. mas . p. E.) IV. C. Os Parceiros do Rio Bonito. se refere ao comportamento dos outros. Economia e sociedade. o padrinho ajudar a comadre até ‘arranjar a vida’.

mesmo. Os donos do poder. p. divulgado em jornal e/ou televisão. II e III. o professor pode lançar mão da narração de um conto ou da exposição de um caso real. 622. os casos em que nos relacionamentos familiares . utilizando os conceitos e idéias centrais referentes ao tópico. Como. Outra maneira de iniciar o estudo desse tópico é através de um convite aos estudantes para que apresentem. do conhecimento público.) Correspondem ao conceito de ação social citado anteriormente somente as afirmativas a) I e IV. como a diferença entre os termos “sexo” e “gênero”. criando oportunidade para o professor provocar questões iniciais que permitirão o desenvolvimento do assunto.entre mulher e marido. e) II. relacionado a preconceitos e discriminações de vários tipos. claramente. oralmente. entre irmãos de diferentes gêneros . nos grupos de convivência. Porto Alegre: Editora Globo. 2. Gênero como fator de desigualdade: Gênero e desigualdade As atividades sugeridas devem propiciar aos alunos desenvolver as capacidades de identificar. analisar e debater os problemas envolvidos nas situações apresentadas em cada trabalho proposto.” (FAORO. III e IV b) II e III c) II e IV. num pacto não escrito. e que propicie o debate em torno das questões relacionadas às desigualdades de gênero. 25 . na escola. A introdução ao estudo deste tópico pode ser realizada com a apresentação de um filme que propicie o debate sobre o tema (caso a escola tenha os recursos necessários). O principal propósito dessa atividade inicial é provocar o reconhecimento por parte dos alunos da existência de tratamento desigual entre homens e mulheres nos vários aspectos e dimensões da vida social. por exemplo. os aspectos culturais e sociais envolvidos nas desigualdades e os preconceitos referentes ao gênero e à sexualidade. Filmes sugeridos: Na falta de condições para a apresentação de um filme. É também possível identificar tratamentos desiguais entre meninos e meninas não só na família como nas escolas. tanto por parte da direção como dos professores e funcionários. situações vividas ou observadas em que. As meninas e as jovens também são capazes de expressar situações em que a discriminação e o preconceito contra o gênero feminino aparecem nos relacionamentos cotidianos na família.manda porque se lhe reconhece esse poder. 1973. v. é manifesta a desigualdade no tratamento ou na posição socialmente ocupada por homens e mulheres. d) I.se manifestam tratamentos discriminatórios em relação à mulher e às crianças do sexo feminino. R. entre pais e filhos e.

forças socialmente aplicadas que recompensam ou restringem o comportamento.. as teorias de socialização ignoram a capacidade dos indivíduos de rejeitar ou modificar as expectativas sociais acerca dos papéis sexuais. Além disso. mesmo quando os pais acreditam que suas reações para ambos sejam iguais.. as crianças internalizam gradualmente as normas e as expectativas sociais que são percebidas como correspondentes ao seu sexo. um menino poderia ser sancionado positivamente em seu comportamento (“Que menino valente você é!”). Por exemplo. a aprendizagem de papéis do gênero com o auxílio de organismos sociais. 2005) “Um caminho dentro da Sociologia para se analisar “as origens das diferenças de gênero é estudar a socialização do gênero. mostram diferenças distintas no tratamento de meninos e meninas. Os personagens masculinos tendem a representar papéis mais ativos e aventurosos. Artmed Editora S.. os personagens masculinos em geral superam em número os femininos na maior parte dos livros infantis. 105-6. em certa medida. as identidades de gênero são resultados de influências sociais”. encarnam atitudes tradicionais . são culturalmente produzidas.A.” Essa interpretação dos papéis sexuais e da socialização foi criticada e muitos escritores argumentam que “a socialização de gênero não é por si mesma um processo tranqüilo: diferentes organismos como a família. “As influências sociais na identidade de gênero fluem por meio de diversos canais. Pesquisadoras feministas demonstraram como produtos culturais e de mídia. as desigualdades de gênero surgem porque homens e mulheres são socializados em papéis diferentes. as escolas e outros núcleos de agrupamento talvez estejam em divergência com outros. Essas afirmações positivas e negativas ajudam meninos e meninas a aprender os papéis sociais esperados e a adequar-se a eles. como a família e a mídia. “ Estudos sobre as interações entre pais e filhos. As diferenças de gênero não são biológicamente determinadas. muitos estudos mostram que. de alguma forma. Estudo dirigido do texto abaixo e discussão sobre o tema:Após terem sidos expostos a uma introdução geral sobre o tema da sexualidade e do gênero. Pelo contato com vários organismos sociais. do livro Sociologia.2.”. Embora a situação. Os brinquedos. Essa abordagem faz distinção entre sexo biológico e gênero social – uma criança nasce com o primeiro e desenvolve o segundo. ou ser alvo de sanções negativas (“Meninos não brincam com bonecas”). esteja mudando.” Na socialização do gênero “meninos e meninas são guiados por “sanções” positivas e negativas. comercializados para audiências jovens. por exemplo.. programas de televisão e filmes. contos de fadas. os alunos poderão ler e discutir o seguinte trecho do capítulo sobre “Gênero e Sexualidade”.. “Embora convenha nutrir certo ceticismo com relação a qualquer adoção indiscriminada da abordagem que postula os papéis dos sexos.”. enquanto os femininos são retratados passivos. esperançosos e voltados à vida doméstica. os livros ilustrados e os programas de televisão experienciados por crianças tendem a enfatizar diferenças entre os atributos masculinos e femininos. tanto primários como secundários. de Anthony Giddens (pp. De acordo com essa visão.

condenados a tantos sacrifícios. de pai. em revista. enfim. para cada gênero. influenciando comportamentos diferenciais entre meninos e meninas? . a serem assim. esta constatação é preocupante. se atribui aos termos “sexo” e “gênero”? Por que é importante para a análise sociológica fazer tal distinção? .atribuição de natureza social relacionada a alguma função e/ou desempenho esperado.para com o gênero e os tipos de objetivos e ambições esperados em meninos e meninas. de esposa. papel . coitados.Cite exemplos de “sanções” negativas ou positivas ( outros que os apresentados no texto) e que fazem parte do processo de socialização de gênero. Os papéis sociais são expectativas socialmente definidas que uma pessoa segue numa dada posição social. tão fortes. tendo que se mostrar tão duros. Antes que alguém comece a sentir pena dos homens. em programa de televisão ou em propaganda . nem dispostos a "comer todas" usando o sexo como arma contra as mulheres. violência e poder: dá para mudar esta equação? Fernando Seffner1 Homens não nascem prontos. em nossa sociedade.) GÊNERO. SEXUALIDADE.em que claramente está manifesto um preconceito contra mulheres ou homossexuais. não custam lembrar que este "sacrifício" todo não é feito . de estudante.Indique alguma situação .apresentada em filme. coloca em ação estratégias que exigem do homem desempenhos que o produzem enquanto um guerreiro: indivíduo violento. não nascem violentos. pois nos indica uma sociedade 26 com mecanismos bastante violentos de produção de indivíduos. tão competitivos. dia a dia. Glossário: sanção – pena ou recompensa (reforço positivo ou negativo) com que se tenta garantir a execução de uma norma ou lei social. tão "homens". de acordo com o que é esperado. etc. O que o termo “papéis” significa para a análise sociológica? (recordar o estudo sobre o tema da socialização em sua relação com a desigualdade de gênero) . Os homens são ensinados. (Por exemplo: assumir o papel de médico. Dá medo viver numa sociedade que.Explique com suas palavras o que se quer dizer com a afirmação “homens e mulheres são socializados em papéis diferentes”. de professor. Por um lado. socialmente. nem saem da barriga da mãe sedentos de poder.” Algumas questões para orientar o estudo e o debate em sala: . cotidianamente. em Sociologia. VIOLÊNCIA E PODER Homens = sexo. competitivo e agressor.Qual o sentido que. No caso do texto o sentido do termo está diretamente associado às formas de aprovação ou reprovação dos comportamentos.

Ou construir uma nova conceituação de poder. para "provar" sua masculinidade continuamente). O quesito raça atua promovendo um desequilíbrio na masculinidade. Os modos de constituir agregados familiares podem gerar situações de maior equidade de gênero. essa mesma constatação – os homens são assim porque foram educados para serem assim – nos permite pensar em modos de mexer na equação. em alguns grupos populacionais. e que implica retirar poder dos homens e distribuir numa relação igualitária com as mulheres. Aliás. porque a questão não se resume aos pólos homem e mulher. Entre um jovem negro e pobre e um jovem branco e pobre. diariamente atestado pelas manchetes dos grandes jornais. de cargos de mando e de benefícios em nossa sociedade. A situação é mais complicada. que na maior parte dos casos convivem de modo a permitir que os homens tenham estes comportamentos violentos. também. vale lembrar que as coisas são mais complicadas. inclusive. Por outro lado. mas fica o alerta: a situação é complexa. ou não. se forem educados de outro modo poderemos ter homens com outras características. x e y têm muito a ver com a discussão dos regimes de gênero. buscando um regime de equidade de gênero. mas o princípio é esse mesmo: investir na educação de homens e mulheres.em vão. de carreira política. No interior do campo masculino. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO é. com muitas variáveis. O nível de escolaridade estratifica as oportunidades também. e bem antes das mulheres. tendo como objetivo um regime de equidade de gênero. é sempre possível localizar. Mas as dificuldades são muitas. e embora muitos homens confessem que o período escolar foi de grande tensão. a distribuição de poder é muito desigual. as coisas não são tão simples como podem parecer. a equação que colocamos no título. são os homens que estudam mais (embora as mulheres tenham conseguido avanços espetaculares nesta área. São os homens que acessam as melhores oportunidades de emprego. no interior de . mesmo quando deles discordam. É necessário mudar elementos centrais de nossa estrutura social e. na estrutura econômica. bem além do x e do y tradicionais. não? De fato. São os homens que gozam da maior mobilidade na sociedade (carro. no mínimo. Homens jovens e negros são alvo de um verdadeiro genocídio no Brasil. uma situação em que homens e mulheres possam conviver com distribuição igualitária de poder. Não vamos seguir exemplificando. uma equação de segundo grau. por exemplo. e são também eles que morrem mais em acidentes automobilísticos). Simples. é coisa de homem. Homens negros têm menos possibilidades de sucesso do que homens brancos. Enfim. Se os homens são assim porque foram educados para serem assim. de salários. E os processos educativos devem abranger também as mulheres. porque não estamos apenas tratando de processos educativos. o jovem negro tem muito mais chances de estar na mira da agressão policial. e partilhar desse poder conjuntamente. o que está diretamente relacionado a este esforço em galgar postos elevados e neles se manter). E antes que alguém comece a invejar os homens por causa desses benefícios. por exemplo. mas de uma redistribuição de poder. Só que a mudança não virá apenas por conta de projetos de educação dos homens. são os homens que galgam os mais elevados postos na vida política e na esfera das empresas privadas (mas vale lembrar que os homens morrem primeiro.

e a balança tem pendido para as mulheres. o homem em crise. Mas não é por acaso que a imprensa escolhe chamar isso de crise dos homens. é claro. não precisamos de escola. Mas ainda falta muito para que os aprendizados escolares façam diferença na vida dos alunos. e isto tem gerado boa parte do que a imprensa descreve como sendo a crise dos homens. basicamente nas relações entre homem e mulher. A crise nas relações de gênero é uma crise em torno da distribuição do poder. ao acaso. Conseguem mandar nas mulheres e em muitos homens. posicionaram as mulheres com possibilidades de disputar em regimes de quase igualdade com os homens o acesso a oportunidades na sociedade. e a Lei Maria da Penha é um bom exemplo disso. folheie suas páginas. aprendeu técnicas de prazer amoroso para melhor desempenho sexual. atuante desde o século XIX. o que em boa parte já foi conseguido. Penso que a melhor expressão para designar o que está acontecendo não é essa. Fala-se muito hoje em crise das masculinidades. pois essa designação tem permitido que uma parte da "saída" da crise seja produzida pelo mercado. em algumas situações. Para quem pode. Este modo hegemônico designa homens que conseguem EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Homens negros têm lutado por uma justa distribuição de oportunidades quando . Aparecem na imprensa numerosas matérias sobre a crise do homem. tudo se resume ao mercado e ao consumo. Outra frente de luta é para garantir o pleno acesso das mulheres à escola. até mesmo em crise do macho se fala.uma determinada ordem de gênero. um conjunto de características que configura um modo hegemônico de masculinidade. Diversos motivos. Uma parte da luta feminista se dá no sentido de conter a violência masculina sobre as mulheres. Em determinados contextos. e você verá que o "novo homem" que busca "superar a crise" é um homem que vai a salão de beleza. faz curso de gastronomia. embora ainda esteja longe do estado de equilíbrio. Tome uma revista semanal. podemos ter homens e mulheres como aliados na luta pela democratização do poder concentrado em mãos de determinados grupos de homens. Aceder a mais benefícios do que outros. mais violência. dentre eles em especial o movimento feminista. Mas não podemos deixar de reconhecer que a perda de poder dos homens tem gerado. via consumo de produtos e serviços. auxiliando-os a compreender e atuar no contexto social em que vivem. O que ocorre é uma crise nas relações de gênero. escolhe roupas com apuro e aceita dividir a conta 27 do restaurante com a parceira. Ela é também um ótimo conteúdo para ser estudado em sala de aula. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. não faltando materiais em sítios da internet e em organizações não governamentais feministas sobre a lei. Se este é o caminho para superar a crise da masculinidade. Outro aspecto é que determinados grupos de homens têm questionado o privilégio de outros grupos de homens. sua trajetória de aprovação e os casos em que ela já foi aplicada. o que causa preocupação.

Homens portadores de alguma modalidade de deficiência física. que valoriza a diversidade. em sistemas de recrutamento de recursos humanos. Dagmar Estermann Meyer2 . em muitos discursos religiosos que asseguram para o homem a posição de mando sobre a mulher e justificam isso de modo "divino". A escola não tem como "resolver" sozinha esta questão. Os homens não são "culpados" pela distribuição injusta de poder nas relações de gênero. Docente e orientador junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação na linha de pesquisa Educação. que os "obrigam" a manter uma atitude guerreira. Aliás. Sexualidade e Relações de Gênero.Todos estes movimentos sociais podem ser objetos de estudo e discussão na sala de aula. E em Educação Física. única chave para assegurar a manutenção do regime democrático entre nós. Mas os homens podem ser educados para perceber estas situações e para lutar por um mundo onde a equidade de gênero seja a regra. e de vivência num contexto onde a equidade de gênero é a regra. professores e professoras têm que perceber que meninas podem ser boas em Matemática. com evidentes prejuízos em termos emocionais e de saúde. Não vai ser fácil. lutar por isso é dar mesmo um salto para o futuro. nem para alunas. e os meninos podem aprender a fazer poemas na aula de Língua Portuguesa e a tirarem boas notas em Educação Artística. nos discursos sobre segurança e família. juntamente com as mulheres negras. nem para alunos. Da mesma forma como o movimento negro conseguiu tornar as atitudes racistas crime. como no caso da discussão dos regimes de cotas.concorrem com homens brancos por uma vaga no mercado de trabalho. lutam para ter acesso a oportunidades de trabalho em pé de igualdade com os demais homens. Homens homossexuais têm lutado para que sua orientação sexual não lhes impeça o exercício de direitos reservados até agora aos homens heterossexuais. que temos uma história em que os momentos de ditaduras e do domínio de oligarquias superam amplamente os momentos de exercício da democracia. ou o direito de pensão por morte do companheiro. e até mental. nem para professores. por exemplo. brasileiros. Mas valerá a pena como construção de um futuro mais justo. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Também não se pode dizer que sejam simplesmente "vítimas" dos chamados "papéis de gênero". Homens homossexuais têm lutado para que a homofobia seja crime. Para isso. incentivando os alunos a uma participação cidadã na vida em sociedade. o da escola inclusiva. Mas a escola pode ser um ambiente onde os meninos e as meninas passem por uma experiência de estudo e discussão destes temas. Nota: Professor da Faculdade de Educação / UFRGS. Exemplo disso são os casos de adoção de filhos por casais homossexuais masculinos. até porque as pedagogias de construção da masculinidade estão presentes em propagandas da mídia. Ou para ingresso no ensino superior público. nem para professoras. O estudo desses temas se conjuga com um dos principais objetivos em educação hoje em dia.

ao longo do tempo e nas diferentes sociedades e culturas ocidentais modernas. bons cidadãos e estes termos não significavam exatamente as mesmas coisas quando essa educação escolar era dirigida para homens ou mulheres ou era desenvolvida em tempos e espaços diversos. que quase não percebemos como sendo educativas (MEYER. Nesses campos eles assumem uma grande importância. o que se privilegia discutir como objeto específico desse campo se inclui nessa categoria de processos educativos intencionais – que poderiam. contidas em (ou derivadas de) artefatos culturais contemporâneos da mídia. a um conjunto amplo de forças. da igreja e da escola e engloba uma ampla e variada gama de processos educativos. O propósito neste texto é. Tomada em sentido amplo e. incluindo aqueles que são chamados. uma vez que a produção dessas identidades e. então. Tais processos educativos podem. na perspectiva que aqui nos interessa. 2006b. de ‘socialização’ (MEYER e COLS. Os processos educativos não intencionais têm sido muito pouco re-conhecidos. 2006a). é preciso que estejamos expostos. e é esse seu envolvimento com a produção de identidades sociais que faz com ela continue sendo. visibilizados e problematizados.A discussão proposta por esta série de Programas nos encaminha na direção de nos ocuparmos um pouco mais explicitamente da noção de educação. Encontram-se as chamadas pedagogias culturais. Esta função “formativa” da escola parece ter sido bem mais importante do que a mera transmissão de determinados conhecimentos em sentido estrito. na maioria das vezes. refinadas e naturalizadas. bons trabalhadores. das diferenciações e desigualdades sociais delas decorrentes resulta. ainda hoje. uma infinidade de “lugares pedagógicos” além da família. sendo que quase tudo o que aprendemos a definir como educação nos cursos de formação de professores/as e. hoje. raça e sexualidade. de questões vinculadas a gênero. uma vez que esta é central nesse contexto. em outras teorizações. também. de forma continuada. esse conjunto inclui. grosso modo. voltar o olhar para o espaço escolar propriamente dito. as quais se têm revelado como processos educativos potentes quando se trata de instituir relações entre corpo. uma vez que a instituição escola que conhecemos (e na qual muitos/as de nós trabalhamos) esteve. exaustivamente repetidas e atualizadas na cultura. a não ser em alguns campos específicos que se ocupam. ser desdobrados em formais e não formais. também. de pedagogias que envolvem estratégias sutis. educação envolve o conjunto dos processos pelos quais aprendemos a nos tornar e a nos reconhecer como sujeitos de uma cultura. 28 por exemplo. . envolvida com projetos de formação de determinados tipos de pessoas ou de identidades sociais: bons cristãos. ser divididos em intencionais e não intencionais. Dentre esses processos educativos EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. ainda. no prelo). de processos de aprendizagem e de instituições nem sempre convergentes e harmoniosas do ponto de vista de suas prioridades e objetivos políticos. gênero e sexualidade e outros programas trataram desse tema de forma mais específica. Para que nos tornemos sujeitos de uma cultura.

EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. as interações pedagógicas. negro. Nesse sentido. que ele assim resume: [. destes com os/as funcionários/as e entre os/as próprios/as estudantes. de 16 anos. atualizam e modificam algumas dessas identidades. é que a escola contemporânea é.. suas regras disciplinares. interesses). lembra com nitidez de fatos ocorridos quando tinha 12 anos e estava na 6ª série. de forma nem sempre harmoniosa. E exatamente porque vivemos. diferentes grupos e identidades sociais. um tempo de emergência e de visibilização de uma multiplicidade de identidades sociais. palco de disputas e de conflitos importantes. Economicamente diferentes e estão relacionados. classe social. E é nesse embate entre uma heterogeneidade que se quer visível e representada e uma homogeneização que se busca implementar – tomando como referência determinados padrões de normalidade instituídos a priori e que nos são apresentados como ‘igualdade’ – que a escola se torna um espaço social de disputas e enfrentamentos. os movimentos de libertação nacional. também. Para descrever a sutileza do funcionamento de alguns dos mecanismos envolvidos com a produção de diferenças e de desigualdades sociais e culturais de gênero e de sexualidade. hoje.] foi o ano em que virei chacota. muitas vezes. a escola é tanto uma instituição na qual convivem. era chato. os movimentos gays e lésbicos. ou desejam se fazer representar no espaço escolar e nos currículos que nele se desenvolvem. religião.. os movimentos étnicoraciais. ou talvez em função delas. e todos estes grupos se fazem representar. entre professores/as e estudantes. os movimentos ecológicos (para ficar nos exemplos mais conhecidos e nomeados). Apesar dessas características. entre professores/as e gestores/as. definidas e disputadas por diferentes movimentos como os feministas. Dentre os fatores internos implicados com a complexidade e a heterogeneidade do espaço escolar podemos citar suas formas específicas de organização do tempo e do espaço.um espaço institucional constantemente disputado pelas mais diferentes vertentes políticas e por distintos movimentos sociais. hoje cursando o 2º ano do Ensino Médio. ainda. no âmbito da escola e do currículo que nela é implementado. morador da Zona Sul de São Paulo. eu não suportava ir para a escola [. o que precisa ser compreendido e valorizado. raça/etnia. as relações entre professores/as. relato três exemplos ‘banais’ que se repetem. com o impacto dos meios de comunicação nas culturas que a atravessam bem como decorrem do contexto social particular em que cada escola se situa. Por isso a escola é um espaço social complexo e plural na qual interagem fatores internos e externos à instituição. é que a escola (como muitas outras instituições sociais) investe muito de seu esforço na elaboração e na implementação de mecanismos e de estratégias que objetivam uniformizar os indivíduos que a compõem. em nossas escolas e salas de aula: Flavio. quanto é uma instância em que se disputam significados que produzem. sexo. Os fatores externos decorrem exatamente do fato de que nela convivem pessoas que são social (idade. por .].. de rivalidades e associações entre grupos e pessoas. política..

que [...] Era briga todo dia. A diretora me chamava pra conversar, então era desagradável, eu chegava na escola e virava o pivô, entendeu? [...] Eu pensei em mudar de escola, de tanto que era horrível, fiquei assim, querendo muito sair de lá e não voltar mais. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. [...] Os professores não falavam nada. Eu tava sentado, fazendo minha lição, nem sentava no fundo, eu nunca sentei no fundo porque eu não gosto, eu sentava na frente [...] E era aquela atacação de papel. Eu abria o papel e tava escrito“seu viado” e não sei o que lá. Era horrível, era muita humilhação. [Entrevistador: E os professores viam isso?] Viam e não faziam nada3. O segundo exemplo está relatado na mesma dissertação4. Conta Fabiano: 29 [...] foi na sétima série, no primeiro dia de aula. A professora chegou e falou para nos apresentarmos para todo mundo. Não sei se foi uma brincadeira que ela fez, mas eu guardo até hoje essa coisa dela. Eu estava me apresentando e ela disse: – ‘qual é mesmo o teu nome?’ Eu falei: – ‘Fabiano’. – ‘Como é mesmo, Fabiana?’ Nisso eu fui motivo de gozação o ano inteiro e até terminar a oitava série. Foram dois anos agüentando ser chamado de viado! Fabiana! O terceiro exemplo desloca nosso olhar da relação professora-aluno-aluno para a relação entre alunos/as e multiplica mais ainda as diferenciações e os seus impactos na vida dos/as estudantes. A pessoa que nos ofende e nos maltrata e faz todas as outras coisas se acha melhor que todos. Só porque usam roupas caras, são altos e magros, bonitos e até mais inteligentes, quando na verdade não são grande coisa. Existe muito preconceito com negros, gordos, baixinhos e burros e isso nos faz sentir as piores pessoas no mundo. As pessoas inventam coisas sobre você e você é obrigado a ouvir comentários desagradáveis. Isso nos deixa péssimos e preocupados com o que pensam de você, ou o que será a próxima pegadinha (menina de 8ª série, 14 anos) 5. O que nós, educadores e educadoras, podemos aprender com esses depoimentos, tendo em vista as temáticas que estamos discutindo nesta série de programas? Como já enfatizei, aqui, os processos de homogeneização implementados pela escola e que pretendem definir o que – ou quem – é igual, estão estreitamente vinculados a referências daquilo ou daquele que são definidos como diferentes e, quase que por extensão, desiguais; e essa discussão tem sido EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Feita, com novos enfoques e com redobrado vigor, no contexto das teorizações educacionais agrupadas sob o termo pós-críticas. Tomando como referência a educação escolar, estas teorizações trabalham com uma importante ressignificação do conceito de currículo, considerando-o como sendo o núcleo que corporifica o conjunto de todas as experiências cognitivas e afetivas vividas pelos estudantes no decorrer do processo de educação escolar, o que significa

entendê-lo como sendo um espaço conflituoso e ativo de produção cultural (SILVA, 1995). No currículo confrontam-se diferentes culturas e linguagens, produzidas na escola e, sobretudo, em outras instâncias do social. Nesse sentido, a escola proporciona um espaço narrativo privilegiado para alguns enquanto produz ou reforça a desigualdade e a subordinação de outros. Uma afirmação que sugere a necessidade de se investir em discussões que nos permitam, exatamente, exercitar outros olhares sobre as práticas pedagógicas e sobre as relações sociais que se desenvolvem ou que desenvolvemos no contexto escolar. E fornecer os instrumentos para favorecer este tipo de reflexão acerca da própria prática é, do meu ponto de vista, uma grande contribuição dessas teorizações. Nesse sentido e considerando-se os depoimentos que apresentei neste texto, de que forma escola e currículo, com os diferentes atravessamentos externos que os afetam, podem estar implicados com a produção de diferenças e desigualdades de gênero e sexualidade? Como cultura e poder se combinam, nas práticas pedagógicas escolares em sentido amplo, para construir fronteiras entre grupos e populações, para instituir posições sociais de menino e de menina, de mulher e de homem, de heterossexual e homossexual, por exemplo, e para possibilitar o exercício de práticas sexistas, racistas e homofônicas no espaço escolar? Essa é uma questão que foi (e continua sendo) exaustivamente discutida na interface que se estabelece entre estudos que procuram articular educação, gênero e sexualidade. O conceito de gênero passa a ser utilizado no campo dos Estudos Feministas, por estudiosas anglo-saxãs, a partir da década de setenta. De forma sintética gênero pode ser definido como construção e organização social das diferenças entre os sexos, que se realiza em múltiplas instâncias, em diferentes práticas e instituições sociais e através de muitas linguagens. O que isso significa? EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Até então, o movimento feminista vinha se debatendo com a dificuldade de desvincular a discussão que se fazia para entender a subordinação das mulheres aos homens e também a sua flagrante desvantagem social e econômica, de um fato biológico que era (é) a diferença anatômica e fisiológica entre os sexos. Enquanto se buscava entender esse processo tomando como base a via biológica, ficava muito difícil sustentar projetos políticos de transformação dessas relações de desigualdade, porque, afinal de contas, a biologia é imutável, é o que se pensava há 30 ou 40 anos. Hoje, já sabemos que até a biologia é histórica, ou seja, ela também está sujeita a (enormes!) transformações, mas isso já é ir bem mais adiante nessa história. O conceito de gênero indica o seguinte: nós aprendemos a ser homens e mulheres desde o momento em que nascemos até o dia em que morremos e essa aprendizagem se processa em diversas instituições sociais, a começar pela família, passando pela escola, pela mídia, pelo grupo de amigos, pelo trabalho, etc. Mas significa mais ainda: como nós nascemos e vivemos em tempos e lugares específicos, gênero reforça a necessidade de se pensar que há muitas formas de sermos mulheres e homens, ao longo do tempo, ou no mesmo tempo histórico, nos diferentes grupos e segmentos sociais. O conceito de gênero também não se refere mais ao estudo da mulher, ele é um conceito que procura enfatizar a construção relacional e a organização social das diferenças entre os sexos, desestabilizando desta forma o determinismo biológico e

30 econômico vigente, até então, em algumas das teorizações anteriores. Esse conceito nos leva, pois, a procurar entender as construções de feminino, de forma articulada com o masculino, uma vez que ambos estão implicados nas mesmas relações. E tem mais: o que é apresentado como feminino, nas sociedades ocidentais, toma o masculino como referência. A mulher é apresentada como o oposto do homem, só que esta não é uma simples oposição: ela é, como todas as oposições binárias que estruturam o pensamento moderno, uma oposição hierarquizada, em que um dos termos da equação é socialmente menos valorizado que o outro. As oposições binárias são, também, relações de poder (LOURO, 2001; MEYER, 2005). EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Gênero, então, enfatiza a construção relacional do sexo e a organização social desta construção, entendendo que ela é uma construção que é histórica e que precisa ser entendida a partir de sua articulação com outras categorias sociais como classe social, raça/etnia, geração, sexualidade, para citar algumas das mais importantes. A noção de poder que está presente nessa relação introduz aí a dimensão de conflito, uma vez que as mulheres e os homens não são apenas mulheres ou apenas homens, mas são muitas outras coisas ao mesmo tempo. Isso significa dizer que não existe uma essência de mulher ou de homem nem a possibilidade de uma solidariedade dada a priori, a partir de uma única posição, neste caso, a partir da posição de gênero. Uma outra questão a ser reforçada, aqui, é que o conceito de gênero introduz uma virada importante nos estudos feministas. Ainda que esse campo continue priorizando análises sobre as mulheres, não se está falando mais de mulher no singular, mas entendendo que muitas outras formas de diferença e desigualdade se imbricam com o gênero e que elas precisam ser problematizadas de forma articulada. Uma dessas diferenças que se conecta de forma importante ao gênero é, exatamente, a de sexualidade. Sexualidade é um conceito que, muito freqüentemente, se confunde com gênero e, embora precisemos reconhecer que eles estão estreitamente ligados, cada um deles guarda suas especificidades e inscreve os sujeitos em sistemas de diferenciação diversos. Enquanto que gênero aponta para as formas pelas quais sociedades e culturas produzem homens e mulheres e organizam/dividem o mundo em torno de noções de masculinidade e feminilidade, a sexualidade tem a ver com as formas pelas quais os diferentes sujeitos, homens e mulheres, vivem seus desejos e prazeres corporais, em sentido amplo. Com isso, o que se quer dizer, nesta perspectiva teórica, é que os nossos desejos corporais e os focos de nossos desejos são produzidos e legitimados pela cultura e não são decorrências naturais da “posse” de um determinado aparelho genital ou do funcionamento de determinados hormônios. Homens e mulheres vivem de muitas formas e com diferentes tipos de parceiros os seus desejos e prazeres corporais: com parceiros de sexos diferentes, com parceiros do mesmo sexo, com parceiros de ambos os sexos e, crescentemente, com parceiros virtuais “descorporificados”. E

sexo é um termo usado, aqui, então, para fazer referência àquelas diferenças anatômicas. EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO. Fenotípicas, inscritas no e sobre o corpo, que cada cultura institui para marcar e diferenciar fisicamente mulheres de homens (LOURO, 1999; WEEKS, 1999). Tendo estes conceitos presentes, volto à questão antes colocada: o que nós, educadores e educadoras, podemos aprender com isto? Penso que, num primeiro momento, eles nos instigam a analisar os processos, as estratégias e as práticas sociais que nos constroem como sujeitos de gênero e sexuais. A pergunta norteadora, aqui, é: como vimos a nos tornar o que somos? E como funcionam os mecanismos de diferenciação e de hierarquização que, nesse processo de tornarse, desigualam sujeitos em função de seu gênero e de suas práticas sexuais? Essas são duas perguntas importantes para quem pretende investir em intervenções que permitam modificar, minimamente, as relações de gênero e sexuais que se desenvolvem na sociedade em que vivemos. Outra questão que precisamos colocar-nos, como educadores e educadoras comprometidos/as com mudanças nessas relações, é: como as diferentes linguagens que constituem os currículos escolares que planejamos e implementamos constroem, ajudam a manter ou re-definem posições sociais de gênero e de sexualidade? Uma das primeiras implicações dessa pergunta é considerar que, provavelmente, não existem disciplinas formais em que se objetiva ensinar como transformar crianças em meninos e meninas e estes e estas em homens e mulheres, a exemplo do que se faz em matemática quando aprendemos a adicionar, multiplicar ou dividir; ou, ainda, de como se pretende fazer, com relação ao sexo, no contexto de determinadas propostas de educação sexual escolar. Precisamos, então, reconhecer como aprendemos essas coisas que fazemos e em que espaços e em que lugares aprendemos a fazê-las de uma determinada maneira e não de outras. Vamos perceber que essas aprendizagens estão incorporadas em práticas quotidianas formais e informais que nem questionamos mais. Que elas atravessam os conteúdos das disciplinas que compõem o currículo oficial ou estão imbricadas na literatura que selecionamos, nas revistas que colocamos à disposição das estudantes para pesquisa e colagem, nos filmes que passamos, no material escolar que indicamos para consumo, no vestuário que permitimos e naquele que é proibido, nas normas disciplinares que organizam o espaço e o tempo escolares, nas piadas

31 EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE DE GÊNERO.Que fazemos ou que ouvimos sem nos manifestar, nas dinâmicas em sala de aula e em outros espaços escolares que não vemos ou decidimos ignorar, nos castigos e nas premiações, nos processos de avaliação... E pensar dessa forma, a partir desses conceitos e do que eles nos sugerem considerar, colocamos a necessidade de questionar não só

Recentemente. Esse conceito chama a atenção para os processos culturais. isso aponta para a dimensão política que reside na problematização de práticas aparentemente banais. constroem e ajudam a manter. E isso nos ajuda a reconhecer como estamos. sociais. Se fatores biológicos produzem ou não diferenças no cérebro ou no corpo de mulheres e homens. 2 . fez com que gênero voltasse a ocupar um lugar de destaque em várias discussões nos media. por exemplo. frequentemente designando mulheres a uma posição subalterna. de quem e em que condições. e não propriamente. à identidade associada ao sexo masculino ou feminino. políticos e morais que atribuem valores a essas ralações.Desigualdade de Gênero Introdução: Gênero & Diferenças Nos últimos 100 anos assuntos relativos a gênero. frequentemente designando mulheres a uma posição subalterna. à identidade associada ao sexo masculino ou feminino. sociais. e o caráter público desse comentário. Esse conceito chama a atenção para os processos culturais. nós mesmas. como essas que foram relatadas nos depoimentos que aqui apresentei. estávamos mais uma vez as voltas com questões básicas que marcaram as lutas . Desigualdade de Gênero 1 . O gênero refere-se a essa ação e às relações que ela gera entre homens e mulheres. Entendemos melhor quem tem autoridade para dizer o que. também. Se fatores biológicos produzem ou não diferenças no cérebro ou no corpo de mulheres e homens. o Presidente da prestigiosa Harvard University fez alguns comentários sobre as mulheres terem. Desigualdade de Gênero . E. a desenvolver a sensibilidade para perceber o sexismo. e não propriamente. políticos e morais que atribuem valores a essas ralações. ao mesmo tempo. A autoridade que acompanha este posto. o meio social age fortemente nos dois sexos.os conhecimentos e saberes com que lidamos mas. De repente. periodicamente dominam os títulos dos jornais. O gênero refere-se a essa ação e às relações que ela gera entre homens e mulheres. inscritas nesses processos de nomeação em que a diferença é hierarquizada e transformada em desigualdade.Conceito de Gênero Gênero não se refere exatamente aos homens e mulheres mas a relações entre os dois sexos. profissionais da educação. o meio social age fortemente nos dois sexos. menos capacidades como cientistas. o racismo e a discriminação que estes saberes veiculam.O conceito de gênero Gênero não se refere exatamente aos homens e mulheres mas a relações entre os dois sexos. de nascença.

obrigações e oportunidades a igualdade prevalece. no trabalho. 2 -Desigualdade de Gênero . entre outras. geração e habilidade.Desigualdade de Gênero Durante todos esses anos. Mas não existe nenhuma evidência final que prove a existência da capacidade científica ou de qualquer outra capacidade inteiramente genética. Em resumo. etnia. Pode-se concluir que tanto os homens como as mulheres podem ser portadores dos relevantes genes. 32 1 . será que refletem atitudes ou interesses? * Ou será que as diferenças refletem os diferentes processos de socialização e expectativas? * É possível determinar reações. identidade sexual. mas no que se refere aos direitos. benefícios. uma coisa é absolutamente certa: mesmo que existissem provas concretas e definitivas de que os sexos são claramente diferentes. em interação com gênero constituem e são também reproduzidas em relações sociais determinando injustiças e exclusões.Desigualdade de Gênero Seja qual for a situação. como era de se esperar. políticos e morais associados a essas diferenças. Portanto. geografia. mais adequado. algumas pessoas continuam a formular perguntas: 4 . Isso pode significar um tratamento diferente.que mantêm uma posição desigual entre grupos diferentes de homens e mulheres. comportamentos ou funcionamento baseado no sexo da pessoa? Enquanto essa discussão continua.feministas do começo do século XX. raça. marcados por muitos ganhos a favor da igualdade entre os gêneros. continuaria a ser necessário evidenciar que isso é distinto dos valores sociais. no estado e na sociedade em geral . muito se investigou. as regras e práticas dentro de casa e com a família.Desigualdade de Gênero Várias diferenças de classe social. 1 . a igualdade de tratamento tem que estar de acordo com as respectivas necessidades de homens e mulheres. para reconhecimento da igualdade entre mulheres e homens. o enfoque de gênero requer o exame de fatores estruturais na sociedade – isto é. 3 .Desigualdade de Gênero * Existem diferenças? * Se existem. questionou ou qualificou. na comunidade.

* a violação. os direitos das mulheres têm ainda velhos e novos desafios por conquistar. permitirá acelerar o desenvolvimento a longo prazo. * Em 2006 a Lei da Paridade (Lei Orgânica n.000 mulheres morrem por problemas relacionados com a gravidez e pela falta de acesso aos anticoncepcionais. * o tráfico de mulheres. estabelece que “A participação direta e ativa dos homens e das mulheres na vida política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático. Desigualdade de Gênero B . são fracos os progressos registrados ao longo de 30 anos de democracia. A discriminação é um dos principais responsáveis pelo aumento dos índices de mortalidade das mulheres entre os 15 e os 44 anos. cerca de 530. Por outro lado. o risco de fortalecer a influência da pobreza nas gerações futuras aumentará" * Fim da discriminação de gênero é a chave para o desenvolvimento. * Acesso das mulheres à tomada de decisão É na área da tomada de decisão que o crescimento da presença das mulheres se tem produzido a um ritmo mais lento. de 4 de Outubro 2006) vem estabelecer que as listas . alterada pela Declaração 7/2006. devendo a lei promover a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos”. e não podemos deixar de fora outras faces da realidade igualmente assentes em discriminações de gênero como sejam. Anualmente.A discriminação não afeta só a população portuguesa. Nesta matéria. responsáveis por cerca de 76 milhões de gestações não desejadas nos países em vias de desenvolvimento e por cerca de 19 milhões de abortos praticados em condições perigosas. a prostituição forçada * o casamento forçado O que nos leva a afirmar que em matéria de direitos humanos. que representam a maior parte da população mundial. entre outras: * a mutilação genital feminina. Se tal medida não for tomada.A . de 21 de Agosto. A Constituição Portuguesa consigna o direito de todos os cidadãos a “tomar parte na vida política e na direção dos assuntos públicos do país”.º 3/2006.Fim da discriminação de gênero é a chave para o desenvolvimento O Fundo de População das Nações Unidas (UNPFA) defende a igualdade entre os sexos e acrescenta que: "Investir nas mulheres e nos jovens.

de forma a estabelecer uma relação social. Conclusão Segundo os dados do Eurostat. sem nenhuma correspondência com a realidade histórica. ao reconhecer que a democracia só estará completa se for representada por homens e mulheres. B) Implica necessariamente uma relação social. Acesso das mulheres à tomada de decisão *TOMADA DE DECISÃO POLÍTICA Fontes: Womenandmenindecision-making (Base de Dados Europeia)Dossier de Gênero. QUESTÃO 59 (Abril 2006) . exceto na Alemanha. para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos. Vamos concluir este trabalho com uma questão. Esta Lei significa uma enorme vitória para a Democracia Portuguesa e para os Direitos das Mulheres. prescindindo de significação. sendo. “Se a nível de licenciaturas há mais mulheres a entrarem nas faculdades e se são também elas a terem mais sucesso. assinale a alternativa correta. D) É aquela que se orienta pela ação dos outros. porque será que não ocupam mais lugares de topo?” 33 Exercícios 1 .para a Assembleia da República. INE *TOMADA DE DECISÃ ECONÓMICA Fonte: BDAP (data de referência de 31 de Dezembro de 2005) *DIRIGENTES E CHEFIAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (2005) FORÇAS ARMADAS 1. as mulheres consolidaram nos últimos anos a sua maioria entre os estudantes universitários em todos os países da UE. C) É um conceito de análise típico-ideal. A) Está fundada na coletividade. Outras Instâncias CARREIRA DIPLOMÁTICA Fonte: Ministério dos Negócios Estrangeiros 2.2%). portanto. reciprocamente referida.Sobre a definição de ação social para Weber. apresentando Portugal um número muito próximo da média europeia (55. que traduz o quanto ainda há para fazer em relação à descriminação.

B) O poder está fundamentado na desigualdade de oportunidades que afeta cada indivíduo em dado contexto social. D) as castas se organizam segundo as relações de produção e aquisição de bens. cujos privilégios estão desigualmente definidos por leis. é correto afirmar que: A) as classes sociais se organizam segundo seus princípios de consumo de bens nas diversas formas especificas de vida.constituem uma tipologia construída por Weber a partir da realidade histórica. Considere os exemplos de ação social citados abaixo: I – o consumidor adquire um relógio motivado pela emoção que este lhe causa. propõe uma classificação típicoideal da ação social. C) Faz parte de uma relação de dominação estatal o uso da força física para assegurar a obediência. Marque a alternativa correta.tradicional.Acerca das formulações de Weber sobre poder e dominação. III – o católico caminha noventa quilômetros para demonstrar sua fé. os partidos. A) A dominação exercida pelos dominantes somente é legítima quando assume um caráter do tipo burocrático-legal. IV – o(a) estudante escolhe o colégio X só porque ali estudaram seus pais e avós. assinale a alternativa INCORRETA. em sua obra Economia e Sociedade. D) Os tipos puros de dominação . . convenções e rituais. C) os estamentos são grupos de status fechados. QUESTÃO 53 (Fevereiro 2003) Max Weber. legal e carismático . B) as diferenças que correspondem às classes ou aos estacamentos geram. de acordo com o sentido ou orientação dos atores. II – o empresário estabelece uma gratificação para os empregados mais produtivos. na esfera do poder social e dentro das respectivas ordens sociais. QUESTÃO 53 (Dezembro 2004) Sobre a teoria weberiana acerca das várias formas de estratificação social.

B) Os exemplos I e III ilustram. uma vez que os indivíduos que se submetem a uma ordem de dominação não levam em conta os recursos que possuem aqueles que exercem a dominação. portanto. D) Os exemplos II e III ilustram. motivações. D) A ação racional implica uma adequação entre meios e fins. a ação racional com relação a fins e a ação racional com relação a valores. a ação tradicional funda-se no costume ou em um hábito já arraigado. 34 C) Os tipos de ação burocrática. é correto afirmar que: A) a dominação prescinde do poder. B) são equivalentes. respectivamente. pois tanto um quanto outro são relações sociais às quais os indivíduos atribuem sentido. marque a alternativa correta. A) Os conceitos de ação burocrática. C) Os exemplos II e IV ilustram. D) não são equivalentes. tradicional e carismática a partir de uma construção típico-ideal que é estabelecida apenas no plano conceitual. tal como elaborados por Max Weber. respectivamente. B) Weber define as ações sociais burocrática.A) Os exemplos III e IV ilustram. o que. compartilhando. QUESTÃO 54 (Fevereiro 2007) Sobre os tipos de ação social em Max Weber. tradicional e carismática pensadas por Weber constituem uma construção intelectual pautada na história e visam explicar uma dada realidade histórica. a ação afetiva e a ação racional com relação a valores. tradicional e carismática pensados por Weber são construções históricas. respectivamente. não se dá com o poder. a ação racional com relação a fins e a ação tradicional. QUESTÃO 56 (Fevereiro 2003) Sobre os conceitos de poder e dominação. necessariamente. C) toda relação de poder implica uma relação de dominação. a ação afetiva e a ação racional com relação a fins. pois a dominação supõe a presença do consentimento na relação entre “X” e “Y”. que acontecem sucessivamente em determinadas realidades histórico-culturais. uma vez que a ação . respectivamente. já que a força sem uma base de legitimação não pode ser exercida.

carismática ou afetiva se estabelece. é correto afirmar que: A) os juízos de valor do pesquisador não interferem em nenhuma fase do processo de investigação científica. que prescinde da dimensão de dominação. ideológico e político são. fundamentalmente. respectivamente. QUESTÃO 57 (Fevereiro 2007) A respeito das definições de Max Weber para poder e dominação. B) a sociologia de Weber é um esforço de explicação da sociedade enquanto totalidade social. QUESTÃO 42 (Janeiro 2000) De acordo com o pensamento weberiana. C) a dominação implica. em alguma medida. C) o objetivo da sociologia é estabelecer leis gerais explicativas da realidade social. Weber propôs um instrumento de análise que chamou de tipo ideal. III. o consentimento da parte do dominado para a ordem dada pelo dominante. II. .um modelo perfeito a ser buscado pelas formações sociais históricas e qualquer realidade observável. em uma crença através dos tempos. B) o poder é a probabilidade de alguém determinar o comportamento do outro. QUESTÃO 49 (Janeiro 2001) Para explicar os fenômenos sociais. é INCORRETO afirmar que: A) o Estado é uma relação estritamente de poder.uma construção do pensamento que permite conceituar fenômenos e formações sociais. D) os fundamentos dos poderes econômico. Esse instrumento pode ser definido como: I. a riqueza.uma construção do pensamento que permite identificar na realidade observada as manifestações dos fenômenos e compará-las. D) a sociologia compreensiva busca apreender o sentido da ação social e de seus nexos causais. o saber e a força.

um modelo que tem a ver com as espécies sociais de Durkheim. Assinale a alternativa correta. II e V estão corretas. quanto à teoria weberiana sobre poder e dominação. Isso ocorre porque os tipos ideais são conceitos limites. A) I.IV. como Max Weber demonstrou no estudo da conexão entre a ética protestante e o espírito do capitalismo nos EUA. V. exemplos de sociedades observadas em diferentes graus de complexidade. avalia os meios relativamente aos fins. amor. B) O procedimento científico pode ser considerado um modelo típico ideal de ação tradicional com relação a valores. III e IV estão corretas.uma construção teórica abstrata a partir de casos particulares analisados. QUESTÃO 57 (Janeiro 2004) Assinale a alternativa correta. até mesmo com certa irracionalidade. III e V estão corretas. paixão. B) I. guarda bastante racionalidade combinada com a tradição. ciúme. como se pode ver na Física e na Química. Max Weber propõe quatro tipos puros ideais de ação social. raiva. cuja conexão cabe aos cientistas sociais captar para compreender a realidade social. na medida em que os cientistas operam pela lógica da crença na emancipação do homem das mazelas sociais. C) A ação afetiva típica ideal é a causada pelos sentimentos de ódio. estes em relação às conseqüências implicadas e os diferentes fins possíveis. . A) O procedimento econômico corresponde ao modelo típico de ação racional com relação a fins. QUESTÃO 54 (Janeiro 2004) Em sua teoria sociológica. por isso. que buscam captar realidades totalmente autônomas. Assinale a alternativa correta sobre a articulação dos tipos de ação social propostas por Weber. II e III estão corretas. que apresentam sentidos. C) II. pois considera um conjunto de necessidades sob uma quantidade escassa de meios para chegar ao objetivo pretendido. D) A articulação de dois ou mais tipos de ação social não oferecem sentidos compreensíveis aos cientistas sociais. D) II. como se observa na competição individualista das sociedades capitalistas e.

é correto afirmar que: A) o exercício religioso da fé é uma ação afetiva. Após definir seu nicho de mercado. A) Ação social racional com referência a fins. Menin resolveu projetar um negócio para atender aquela clientela. D) uma ação que se caracteriza pela livre escolha é tradicional. QUESTÃO 44 (Julho 1999) A respeito do conceito weberiano de ação social. Menin elaborou uma cartilha que a empresa segue à risca até hoje. Primeiro. C) A dominação fundada no carisma do líder nunca pode integrar o padrão de dominação capitalista. em que a crença na validade da norma 35 impessoal se estabelece.A) A dominação racional-legal é típica da sociedade capitalista. D) O poder sempre exige o consentimento por parte daquele que se comporta de acordo com a determinação do outro. .. 15. 12/04/2000.... B) a decisão empresarial de inovação tecnológica para enfrentar a concorrência no mercado é uma ação racional com relação a fins.. construiu pequenas casas em bairros populares de Belo Horizonte. p.. B) Ação social afetiva. (VEJA N. Percebendo que ali podia estar sua galinha-dos-ovos-de-ouro. B) O poder econômico e o poder ideológico definem-se.". Como o senhor da foto virou milionário. Depois. QUESTÃO 43 (Julho 2000) "300 milhões . O mérito de Menin foi ter vislumbrado uma oportunidade e apostado suas fichas nela. pelas posses do saber e da riqueza. passou a vender apartamentos semipadronizados com preços até 25% mais baixos. respectivamente. Assinale a alternativa que corresponde ao tipo de ação social descrita no texto. 148) Max Weber define uma tipologia da ação social que é apresentada nas afirmativas abaixo. C) Ação social tradicional. C) a ação que se orienta por valores não é uma ação social racional. . D) Ação social racional com relação a valores.

. II) O poder decorre da posse básica e exclusiva de meios econômicos. suas causas. Rio de Janeiro: Eldorado Tijuca. costumes e situações de interesse produzidos por diversos sujeitos. sem a qual não há poder nas sociedades capitalistas. (. em toda espécie de probabilidade de exercer ‘poder’ ou ‘influência’ sobre outros homens. a partir da conexão natural de sentidos entre a ética protestante e as imposições do capitalismo de Estado.. E ainda menos tem toda dominação fins econômicos. In: Castro. C) I e IV estão corretas. embora dispense coerções morais para operar com legitimidade.” WEBER. físicas e materiais. 1976. apenas por agentes do Estado nas sociedades capitalistas.QUESTÃO 47 (Julho 2001) “Deve-se entender por ‘dominação’. seja esta jurídica. Assinalar a alternativa correta. Não consiste. Dias. B) I e III estão corretas. C) Max Weber define ação social como uma conduta dotada de um significado subjetivo dado por um sujeito . o conceito de ação social tem sido fundamental em inúmeros estudos importantes sobre as sociedades modernas. Anna Maria. que se expressam na forma de usos. Edmundo Fernandes. a Sociologia é a ciência que pretende interpretar os sentidos prováveis da ação social. III) O poder emerge de mandatos extra-econômicos. D) Apenas I está correta. Max. A) O conceito de ação social em Max Weber pretende comprovar a coerção. A) I e II estão corretas.) Nem toda dominação se serve do meio econômico. que são obtidos com ou sem legitimidade. como se vê nos EUA.) a probabilidade de encontrar obediência dentro de um grupo determinado para mandatos específicos (ou para toda sorte de mandatos). (.. B) Para Max Weber. a particularidade e a generalização dos fatos sociais. o poder depende de coerções objetivas. analise as afirmativas: I) O poder decorrente de qualquer tipo ideal de dominação tem sempre um conteúdo que lhe atribui legitimidade. Considere as alternativas teóricas abaixo e assinale a alternativa INCORRETA. portanto.. IV) Para ser exercido. Com base no texto acima. costumeira ou afetiva. QUESTÃO 51 (Julho 2003) Na sociologia de Max Weber. seus efeitos e suas regularidades. Introdução ao Pensamento Sociológico. a interioridade.

como a caridade. independentemente dos seus resultados.morria em Uberaba. considerando tais acontecimentos dotados de sentido. predominando uma orientação consciente dos agentes. implicando reações desenfreadas a estímulos não-cotidianos. predominando reações surdas a estímulos habituais. de acordo com a teoria de Max Weber e. orientando seu próprio comportamento. Seu velório atraiu nada menos que 100 mil pessoas. coloridas. Músicas e roupas alegres. O motivo era simples: para o espiritismo kardecista não existe luto. por seus laços afetivos com o grande líder religioso. uma orientação consciente dos agentes quanto aos meios e fins. A) A dominação legal-racional fundamenta-se na crença dos indivíduos acerca da validade de um dado instrumento normativo. o famoso médium Chico Xavier. Por isso. D) Para Max Weber. por suas crenças na reencarnação e na comunicação com os espíritos. seu caráter social. o desenvolvimento e os efeitos da conduta de um ou mais indivíduos em relação a outros. QUESTÃO 56 (Julho 2003) No dia 30 de junho de 2002 – mesmo dia em que a seleção brasileira de futebol conquistou o tetra . B) está mais próximo das ações racionais. a maioria delas. D) vincula-se a ações racionais. implicando. por seus valores éticos. não se propondo a julgar a validez da ação dos sujeitos. sendo a morte vista apenas como mais uma etapa cumprida num longo processo de aperfeiçoamento do espírito. ou seja. independentemente de fins conscientes. no Triângulo Mineiro. independentemente de fins conscientes. deram ao velório um clima de festa. apesar de sentida. C) vincula-se a ações totalmente irracionais. aparentemente incompatível com um acontecimento fúnebre. por suas esperanças em curas extraordinárias. sempre e unicamente. movidas. tendo em vista a ação de outros sujeitos conhecidos ou desconhecidos. . a morte de Chico Xavier não deveria ser lamentada. de 10 de julho de 2002. QUESTÃO 60 (Julho 2003) Assinale a alternativa que corresponde à formulação de Max Weber acerca dos chamados tipos puros de dominação legítima. pode-se afirmar que esse sentido: A) está mais próximo das ações irracionais.36 que o executa. naturalmente. e. a explicação sociológica busca compreender os sentidos. Analisando os acontecimentos descritos. Texto adaptado da Revista IstoÉ.

QUESTÃO 57 (Julho 2005) Quanto à definição weberiana de Estado. C) É a expressão político-institucional dos antagonismos entre as classes sociais. assinale a alternativa correta. A) Define-se pelo meio que lhe é próprio. ou seja. que a estes se impõe também pela educação. as relações sociais. é INCORRETO afirmar que: . uma vez que assegura aos investimentos privados um ambiente mais propício ao lucro desejado. reciprocamente referidas de forma a estabelecer relações sociais. estabelecendo-se. D) É o produto de processos sociais coercitivos e externos aos indivíduos. orientando-se pela própria ação e estabelecendo relações sociais significativas. em patamar superior. C) toda ação social está condicionada por idéias de valores que são fenômenos histórico-material. assim. 37 QUESTÃO 54 (Julho 2006) Quanto às análises weberianas sobre o desencantamento do mundo e o processo de secularização. o monopólio considerado legítimo do recurso à força. B) Corresponde a uma autoridade moral. D) A dominação carismática realiza. D) a vida social é resultado de um conjunto de ações coletivas.B) A dominação carismática articula-se à motivação que os indivíduos têm com vistas à obtenção de determinados fins para suas ações sociais. o espírito do capitalismo. cuja função é a de preservar a sociedade de crises em que a coesão esteja ameaçada. QUESTÃO 53 (Julho 2005) Segundo Weber é correto afirmar que: A) a ação social é qualquer ação que o grupo social pratica. C) A dominação tradicional é a mais apropriada à sociedade capitalista e está presente nas empresas e nos órgãos governamentais. B) a vida social é resultado de um conjunto de ações individuais orientadas a um determinado fim e reciprocamente referidas.

] Ora. e o espírito do capitalismo. com base na ética religiosa católica. D) há uma relação causal entre o desenvolvimento da ética religiosa protestante.] o racionalismo econômico. São Paulo: Livraria Pioneira Editora.” WEBER. o processo de racionalização do mundo e as religiões de salvação. que possibilitou o desenvolvimento deste último no Ocidente. levando ao desenvolvimento deste último no Ocidente. 11. B) a perspectiva de Max Weber é evolucionista e prevê o fim da religião em uma sociedade moderna. “[. e os ideais éticos de dever deles decorrentes. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. QUESTÃO 54 (Julho 2007) Considere a citação. assinale a alternativa correta. fundada na contemplação. A) Coube às éticas religiosas do confucionismo (China) e hinduísmo (Índia) redefinirem o padrão das relações econômicas que. e o espírito do capitalismo. fundada no trabalho. C) a decadência do poder hierocrático seria um sentido forte da secularização. . Max. as forças mágicas e religiosas. [“. QUESTÃO 57 (Julho 2006) Sobre a ética do trabalho. B) há uma relação impositiva entre a ética protestante e o espírito do capitalismo no sentido do desenvolvimento da moderna economia burguesa. sempre estiveram no passado entre os mais importantes elementos formativos da conduta. a partir do século XVI..A) a secularização diz respeito tanto à expropriação dos bens eclesiásticos quanto ao desencantamento do mundo. D) o desencantamento do mundo refere-se tanto à desmagificação via religião ética (os profetas.. por exemplo) quanto à ciência e à tecnologia. p. 6 ed. A respeito das relações de causalidade que o sociólogo Max Weber propõe entre as origens do capitalismo moderno.. é ao mesmo tempo determinado pela capacidade e disposição dos homens em adotar certos tipos de conduta racional..1989.. embora dependa parcialmente da técnica e do direito racional. possibilitou o desenvolvimento da mentalidade econômica burguesa no Ocidente. é correto afirmar que A) o estilo de vida normativo. conforme a sociologia de Max Weber. C) há uma relação causal entre a ética racional protestante. culminaria no capitalismo de tipo moderno.

a economia. a música. Carlos B.” MARTINS. Martins afirma que: “A obra de Weber representou uma inegável contribuição à pesquisa sociológica. QUESTÃO 57 (Julho 2007) Sobre o legado do pensamento científico de Max Weber. A respeito das contribuições de Weber acerca dos conceitos de poder e dominação. mesmo contra resistências. para Weber. abrangendo os mais variados temas. Carlos B. Seus trabalhos sobre a burocracia tornaram-no um dos grandes analistas deste fenômeno. a carismática (típica das sociedades tradicionais) e a legal-racional (típica das sociedades modernas).. a política. considerada legítima. ao estimular a racionalização da conduta cotidiana de seus fiéis. C) A transição de uma ordem política patrimonial-tradicional para uma ordem burocrático-legal é acompanhada por uma consolidação do tipo de dominação carismática. quais sejam. China e Índia no cenário econômico internacional que se seguiu à Revolução Industrial. cujas prescrições de conduta se revelaram condição imprescindível para o desenvolvimento e consolidação das relações capitalistas modernas. a partir do século XVI. 1991. dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo. a história. são responsáveis pela prematura posição de destaque do Japão. . 28 ed. D) O processo de encantamento do mundo (irracionalização do conhecimento e das relações cotidianas) encontra-se na base da ética protestante. C) A partir de sua doutrina da predestinação.B) As seitas protestantes que floresceram nas sociedades orientais. B) Há. A) Ao passo que poder é toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social. como o direito. O Que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. a religião. em 38 detrimento de estatutos impessoalmente estabelecidos. contribuiu de maneira inédita para o desenvolvimento das relações capitalistas modernas. a arte. assinale a alternativa correta. o calvinismo foi responsável pela introdução de um padrão ético que. D) A dominação legal-racional dá-se por meio da obediência do quadro administrativo à pessoa do senhor. de modo destacado. p. 66. não mais que dois tipos puros de dominação.

passou os últimos dois anos em um hospital psiquiátrico. ou a uma devoção afetiva ou. um homem de 40 anos com problemas mentais. Confesso que. duração: 90 min gênero: Drama status: Inéditos Sinopse Elling (Per Christian Ellefsen). A) O indivíduo age socialmente. a expressão das classes sociais em luta. daqueles que levantam seu astral após a sessão. pela sinopse. fazendo com que o público acabe torcendo por eles. sendo. como força exterior a eles.” “ Gattaca . a uma racionalidade. Sugestões de Filmes Parte superior do formulário Parte inferior do formulário Elling 2010-05-22 Francisco título original: (Elling) lançamento: 2001 (Noruega) direção:Petter Nass atores:Per Christian Ellefsen. mas sempre a partir de uma situação dada. um ser social. Ledo engano. B) A sociedade se opõe aos indivíduos. “Uns filmes gostosos de assistir. podendo estar relacionadas ou a uma tradição. esperava que "Elling" fosse um daqueles dramalhões que a Academia tanto adora. D) O Estado capitalista nada tem a ver com as escolhas que os indivíduos fazem a partir das motivações que possuem. na verdade. razão pela qual os indivíduos refletem as normas sociais vigentes. Jorgen Langhelle. A dupla protagonista brilha em cena. Marit Pia Jacobsen. C) O gênero humano é. condição expressa pelo fato dos homens e mulheres fazerem a história. ainda.QUESTÃO 42 (Março 2002) Segundo as concepções de indivíduo e de sociedade na sociologia de Max Weber.A Experiência Genética” (Gattaca). Sven Nordin. Um programa de socialização faz com que ele surpreendente. principalmente o ator que interpreta Elling. de acordo com as motivações e escolhas que possui e faz. O filme possui um ritmo ágil e divertido. de Andrew Niccol (1997) . onde foi internado após a morte da mãe. assinale a alternativa correta. que arranca boas gargalhadas do público. irremediavelmente.

no caso do filme SF.|Eixo Temático | | O desenvolvimento das técnicas de manipulação genética decorrem do desenvolvimento das forças produtivas do trabalho social e da redução das barreiras | |naturais. “IA . 1990). principalmente em se tratando de um filme SF. Nesse caso. Neste caso. o capital tende a se apropriar do | |desenvolvimento das forças produtivas sociais para aprofundar seu controle de classe. dos Irmãos Wachowski. “Metropólis”. tal avanço da| |ciência genética se traduz em possibilidades concretas de incremento do controle social estranhado. Ou seja. ela não poderia deixar de estar no centro estruturante da trama filmica. Na verdade. Robô”. nas condições de uma sociedade de classes. O que acontece é que. | |de Stanley Kubrick. identidade e memória | |social. o gênero Science Fiction (SF) tende a se confundir com outros gêneros fílmicos. . o Policial. de Ridley Scott. “Eu. e a aguda vigência de determinações de controle social | |estranhado e de exploração de classe. a técnica e a tecnologia pulam adiante do argumento dramático. estruturando-o. “2001-Uma Odisséia no Espaço”. como a tecnologia perpassa os mais diversos aspectos da vida cotidiana moderna. O que poderia significar essa intertextualidade do gênero Science Fiction? Ela é característica peculiar de um gênero fílmico (o de ficção-científica) que constitui sua trama narrativa a partir de uma determinada racionalidade (a racionalidade tecnológica). de Alex Proyas. que é a própria racionalidade da sociedade moderna. em seu livro Alien Zone: Cultural Theory and Contemporary Science Fiction Cinema (Verso. ecossistema social e contradições do capital. Temas-chave: técnica e tecnologia. observa que uma das características do cinema de ficção-científica é a sua intertextualidade. | Análise do Filme Annette Kuhn.Inteligência Artificial”. sem dissolver sua linha argumentativa (que incorpora outras textualidades). “Matrix”. a trama filmica se constitui em função de uma determinada racionalidade tecnológica. É claro que. Estamos diante de uma visceral contradição entre as imensas | |potencilaidades de desenvolvimento humano-genérico e da plena socialização da sociedade humana. Ao lado do admirável mundo novo. onde predomina a divisão hierárquica do trabalho e a propriedade privada. capital e processo civilizatório. por exemplo. de Fritz Lang. como.Filmes relacionados: “Blade Runner”. de Steven Spielberg. subsiste velhos valores estranhados e sociabilidades corrompidas pela lógica do | |capital. a Comédia ou Horror.

A partir de um certo momento. que almeja ir além do seu destino genético e decide assumir a personalidade de Jerome Morrow. produtos da engenharia genética e da eugenia social. No final. Ao lado dos mais sofisticados recursos de manipulação genética. de Gattaca (representado pelo escritor Gore Vidal. um Inválido condenado 39 pelo seu código genético a tarefas degradantes (Freeman significa. submetidos ao acaso da Natureza e às impurezas genéticas. Numa sociedade de controle social quase-absoluto. de Andrew Niccol (1997) é um caso exemplar.O filme Gattaca – A Experiência Genética. “filho de Deus”. como forma de resistência individual ao totalitarismo do destino genético. como a atitude . num papel especial). ficou paralítico. e os Inválidos. os “filhos de Deus”. quando Vincent encontra em Gattaca. Nesse ambiente de resistência individual. que descobre a verdadeira personalidade de Jerome e ameaça denuncia-lo. assistimos a um jogo de ambição e fraude. Vincent é um jovem ambicioso. A sociedade de Gattaca está dividida em duas “classes sociais”. ou do diretor Josef. Gattaca parece se tornar um filme policial ou de suspense quando a trama narrativa se desloca para a busca do assassino de um dos diretores da corporação Gattaca. a rivalidade entre irmãos (que é. “homem livre”). que assassina outro diretor num jogo de poder. seja a de Vincent para ter acesso à corporação Gattaca e realizar seu sonho de tornar-se astronauta. cabe salientar): um. satélite de Júpiter (seria uma alegoria de fuga do sistema do capital. Sua ambição é driblar as restrições de classe e se integrar na elite intelectual e moral de Gattaca e realizar seu maior sonho: ir para o planeta Titã. no filme. os Válidos. produto de um planejamento genético quase perfeito. O que se observa é que o tema da técnica de manipulação genética perpassa todo o drama policial (e familiar) de Gattaca. mais uma vez. os “de baixo” apelam para fraudes sutis. No desenrolar da trama. nascido do acaso da Natureza. pode-se perceber certa solidariedade entre os “de baixo”. a espécie humana continua a mesma: dividida em classes sociais e se utilizando de subterfúgios escusos e clandestinos para atingir seus interesses egoístas. a transfiguração de uma rivalidade de classe. de agudo cariz regressivo. Utilizando os serviços clandestinos de um “pirata genético”. que hoje estão se tornando realidade pelos avanços da engenharia genética e da biologia molecular. os “filhos da Ciência”. em virtude de um acidente. de Elia Kazan (com James Dean). Apesar de ser um filme de ficção-científica deixa claro sua intertextualidade. a trama de Gattaca sugere um drama familiar. outro. tal como um "retorno ao útero materno"?). Gattaca retrata uma sociedade de classe cuja técnica de manipulação do código genético tornou-se prática cotidiana de controle social. todo o suspense se concentra no personagem Vincent Freeman. Torna-se claro. literalmente. Apesar do mais alto controle social garantido pelo registro genético. clandestinas. Vincent clona os registros genéticos de Jerome. seu irmão Anton. no estilo de East of Eden. um Válido que.

A ambição individualista de Vincent é que conduz a trama. Na ótica do Cinema de Hollywood.em sua luta contra o sistema. os Condenados da Terra. mas poderia se passar num Campo de Concentração ou numa sociedade totalitária qualquer. que aparentam certa simpatia pelos ideais transgressores de Vincent/Jerome. e não um registro genético capaz de denunciar a identidade de classe das pessoas. na medida em que é produto de um afastamento das barreiras naturais – o domínio do código da vida . apesar do drama possuir. mas o final não é propriamente um final feliz. Em Gattaca. certa nostalgia de um passado distante em que um fio de cabelo era apenas um fio de cabelo (ou uma mera lembrança afetiva). sejam da classe dos Inválidos. conteúdo de classe. O filme se passa na corporação Gattaca. mesmo entre os Válidos existe uma certa hierarquia de classe . capaz de aprofundar o controle social do capital. mas que. considerar mesmo uma divisão de classe. numa certa passagem do filme. nesse caso. que Vincent se revolta e busca uma saída individual. Pode-se apreender no filme. É o estranhamento assumindo proporções abismais. não deixa de ser um protesto contra a sociedade de Gattaca. atingindo o próprio ser orgânico do homem. tende a tornar-se uma “segunda natureza”. graças ao avanço da técnica. já desumanizado pelo capital. Mas apesar do clima totalitário. É um destino genético produzido pelo homem. o diretor e roteirista Andrew Niccol sugere uma “natureza humana” recalcitrante às imposições sistêmicas. na verdade. guardiães da Ordem genético-fascista da sociedade de Gattaca. uma divisão em casta ou de acordo com o sangue. Contra a técnica que supostamente desumaniza o homem. no sentido clássico. o filme expõe as falhas irremediáveis de Gattaca e do seu sistema de controle.numa sociedade de classe. É contra essa “segunda natureza”. mas a forma social que a desenvolve e se apropria dela.a não ser que os policiais.agora demarcado. ou sim. baseada na divisão hierárquica do trabalho. as saídas são individuais. produzida pela manipulação técnica. antes de tudo. Apesar disso. agora representado pelos imperativos categóricos da eugenia social. sugere que. Não podemos culpar a técnica em si. os proletários seriam os Inválidos. mas contra si mesmo. dividida em classe. através de exame de DNA. a atitude arrogante do verdadeiro Jerome diante de um policial que o interroga.que comete suicido se incinerando num auto-forno no exato momento em que Vincent parte para Titã. A perspectiva do filme Gattaca é tipicamente americana. de uma “grade”. tende a incorporar novas determinações de poder e de controle cada vez mais rígidas e com um lastro natural (pode-se. que . bem ao estilo das sociedades tradicionais?). pelo estigma do destino genético. contra seus fluidos e restos corporais capazes de denúncia-lo como Inválido. A luta de Vincent não é apenas contra o Sistema de Gattaca. O destino trágico do verdadeiro Jerome. A sua luta é contra o destino de classe – ou casta? .condescendente do faxineiro Caesar (representado por Ernest Borgnine) ou pelo médico Lamar. objeto de uma rede controlativa. talvez uma nova forma de ciberespaço. Gattaca sugere o dualismo Acaso (ligado a “primeira natureza”) versus Planejamento (imperativo da “segunda natureza”). A sociedade do capital. E Vincent representa o herói americano – um anti-herói ao estilo de Charles Chaplin? . com o desenvolvimento da técnica.

A sua mente ficou afetada e agora está internado num hospital psiquiátrico. . inovações tecnológicas e desempenho produtivo No capítulo introdutório foram realizadas as primeiras observações sobre o tema a ser desenvolvido no trabalho. adaptar-se. ou seja. O Seu cérebro é demasiado inteligente para confundir os seus médicos e perceber o que está para além da realidade fundir os seus médicos e perceber o que está para além da realidade. é claro. não deixa de ser singelo e desesperador. no sentido weberiano. agora num sentido amplo. uma sociedade de classe em que só restaria. Mas Adam não é um homem vulgar nem um doente comum. uma alegoria da sociedade (pós)-moderna. Seria a sociedade de Gattaca uma “gaiola de ferro”. Capitulo II Agropecuária brasileira. Foram levantados ainda o problema de pesquisa. onde o tentam reconduzir a uma existência o mais normal possível para quem viveu os horrores do Holocausto. apresentar-se como um Válido) ? Giovanni Alves (2003) 40 Filme Adam: Memórias de Uma Guerra Gênero: Drama Ano de Lançamento: 2010 Formato: Avi Qualidade: DVDRip Idioma: Português | Inglês Legenda: S/L Tamanho: 814 MB Sinopse: Em Adam: Memórias de Uma Guerra a estranha história de Adam Stein. sejam eles por incapacidade adquirida. para as pessoas. sejam eles de nascimento. E o sonho de Vincent (ir a lua Titã). se auto-incinerar ou então viajar para Titã (se conseguir. É como se o único herói do filme busca-se lá fora o sentido da vida. os objetivos. um homem que viveu o drama de ser judeu na Alemanha nazi e sobreviveu aos traumas dos campos de concentração.exclui como lixo humano todos os Inválidos. as limitações e as delimitações do trabalho.

Figura 2. a borracha e o cacau foram os principais geradores de renda para o país no período de 1500 a 1930. o fumo. Entretanto. o algodão. O fato da agropecuária ter uma menor participação na formação do PIB. Figura 2. esteve voltada para o desenvolvimento da indústria.1. pelo fornecimento de insumos às agro-industrias e pela produção de alimentos às pessoas que vivem nas cidades. O setor agropecuário continua sendo a base para o bom desempenho do complexo agro-industrial que envolve toda a produção agrícola e pecuária. e principalmente após a década de 30. Mesmo assim.Este capítulo apresenta a evolução histórica da agropecuária brasileira desde a colonização até os dias atuais. em detrimento da agropecuária. Nesta fase. 1997). o complexo agro-industrial corresponde cerca de 40% do PIB e. este fato não significa que a agropecuária diminuiu sua importância para o desenvolvimento do país. no segundo capítulo. quase todos os outros bens de consumo que não eram produzidos internamente dependiam da renda gerada pela exportação dos produtos agropecuários para serem adquiridos3. Também é destacada a importância da agropecuária para a economia brasileira. caracterizada como modelo econômico primário-exportador. com relação aos outros setores (indústria e serviços). O financiamento desse crescimento é baseado na riqueza gerada pela agropecuária. a cana-de-açúcar. como pode ser visto no gráfico da Figura 2. De acordo com Lima apud Rossi (1995). o setor de serviços e o setor industrial têm maior participação na geração da renda interna (cerca de 88 %). até os dias atuais.1 Gráfico dos produtos de maior importância econômica para o Brasil. a riqueza interna gerada pela indústria só se distancia da riqueza interna gerada pelo setor agropecuário no final da década de 50 ( Brum 1991). a indústria brasileira começa a desenvolver-se com maior intensidade. de lá para cá.1 Evolução histórica da agropecuária brasileira Desde o início da colonização.2 Gráfico da participação percentual dos setores no PIB6 Atualmente. a agropecuária sempre teve um papel de destaque na economia brasileira. 2. Ainda são apresentados. Como pode ser observado no gráfico da figura 2. A maior parte dos incentivos e políticas governamentais. passando este último a ganhar cada vez mais destaque na economia brasileira. a partir da década de 70. produção de insumos e máquinas. Ao contrário. bem como o processo de modernização pelo qual ela passou. pode-se afirmar que ela foi e ainda continua sendo de fundamental importância para a economia brasileira. cabendo apenas 12 % ao setor agropecuário (Mueller. Pode-se dizer que produtos agrícolas como o pau-Brasil (extrativismo). . a industrialização e a distribuição da produção do setor agropecuário. o café. sendo que ela foi e ainda continua sendo de fundamental importância para a geração de riquezas e o aumento do bem-estar social. não diminui a sua importância como setor alavancador da economia. em 1960 a renda gerada pelo setor agropecuário já é menor que a produzida pelo setor industrial. através da geração de divisas pelas exportações de produtos agropecuários. os estudos relacionados ao tema produtividade e agropecuária brasileira. no período observado4 A partir de 1920.25.

2 Processo de modernização do setor agropecuário brasileiro Com a intensificação do crescimento dos setores industrial e de serviços. deixa de produzir alimentos e passa a requerer que a população restante no campo a alimente nas cidades. Daí surge a necessidade de expansão da produção agropecuária para atender às necessidades emergentes. 2.2. O fluxograma da Figura 2. o setor urbano brasileiro intensifica o seu processo de expansão7. basicamente. ocorre em sua maioria no interior do país. como máquinas.3 apresenta uma simplificação das inter-relações do complexo agro-industrial. no outro. dentre outros.1 Necessidade de crescimento da produção e modelo de geração de tecnologias A partir da década de 40. através do aumento da utilização de insumos modernos (máquinas. estas áreas se encontram longe dos grandes mercados consumidores. Na área agropecuária. Entretanto. exigindo investimentos em infra-estrutura. Uma característica importante do complexo agro-industrial é a de que o processo de industrialização. bem como o caminho seguido. o setor agropecuário é a base para todo o complexo agro-industrial. Diante de tal questão. existem basicamente dois modelos ou processos para a geração de tecnologias. segundo Alves e Contini (1988). onde se desenvolvem com grande rapidez os setores industrial e de serviços. ou seja.aproximadamente. o modelo de produção agropecuária baseado no senso comum passa a ter dificuldades em atender às necessidades emergentes. tem-se uma elevação da demanda por produtos agropecuários. a utilização de insumos modernos e práticas adequadas ao cultivo. Este crescimento é reflexo do aumento do setor industrial e do setor de serviços. a partir dos anos 70. a partir dos anos 40. que surgiu em correspondência com a transformação de uma economia puramente voltada à atividade primária para uma economia mais industrializada. Esse processo de modernização é apresentado a seguir. surge a necessidade de novas opções para a modernização da produção agropecuária. produtos químicos e sementes melhoradas). que migra para as cidades. Em função destes fatos. neste tipo de atividade. seria necessário a disponibilização de insumos modernos. A expansão da produção agropecuária brasileira. o caminho a ser seguido requer a utilização de um maior nível tecnológico na produção. e com maior intensidade nas décadas seguintes. 40% das exportações brasileiras. pois esta mudança estrutural na economia do país acarreta o deslocamento das pessoas do campo para a cidade. 2. O desenvolvimento de pólos regionais proporcionado pelo agronegócio foi destacado por Neto e Edward (1999). no caso brasileiro. se dá. As possibilidades para a modernização. A primeira forma de expansão da produção pode ser viável no Brasil pela disponibilidade de áreas. No caso da segunda forma de expansão da produção. funcionando como descentralizadora dos investimentos nos grandes centros e promovedora do progresso no interior. Esta expansão pode ser realizada basicamente de duas formas: em um caso pode-se optar pela expansão da fronteira agropecuária. Figura 2. serão expostos a seguir. defensivos. Esta parte da população. O primeiro processo ou modelo A não tem ligação . fertilizantes.3 Representação simplificada das relações do complexo agro-industrial Como pode-se notar.

com o aprofundamento das crises como a de abastecimento. o que acarretaria em pesados investimentos. 25% do território brasileiro. não conseguindo recuperar o desgaste de solos. neste caso. devido ao processo de industrialização. o processo de geração do conhecimento científico é baseado na existência de instituições especializadas. com o decorrer do tempo. O modelo baseado no senso comum foi predominante na agropecuária brasileira. necessitando. pois possibilitam a conquista de novas fronteiras. do início da colonização (1500) até os anos 50 deste século. Esta pesquisa. Como se pode observar. a busca de novas fronteiras. a partir dos anos 50. O problema de abastecimento. No caso brasileiro. Desta forma. foi gerado em função do crescimento da população urbana que. tanto pode ser feita pela iniciativa privada8. Como o país vinha há séculos utilizando o modelo tradicional e este atendendo às necessidades. O conhecimento é desenvolvido pelos próprios agropecuáristas. sementes geneticamente melhoradas. para a geração de conhecimentos. Dentre eles estão os defensivos capazes de controlar os desequilíbrios provocados na flora. apesar de gerarem outros desequilíbrios. Como se pode notar. A partir da década de 50 ele começa a entrar em crise. em Estados localizados no sul do Brasil. de exportação e de doenças. Eles adaptavam experiências trazidas de suas regiões de origem às regiões similares. Outra limitação desse modelo. para mudar do modelo A para o modelo B. Esse fato se dá devido a pouca ou nenhuma utilização de insumos modernos ou das práticas adequadas de manejo integrado dos solos. como descrito há pouco. como o cerrado brasileiro. O outro processo ou modelo B é o que está baseado na pesquisa científica. e os conhecimentos são repassados através das gerações. que geram e difundem as inovações ou novos processos produtivos. aumentou intensamente e causou uma maior pressão na demanda por alimentos. . Este fato aconteceu. a provável forma de transformação do modelo tradicional para o modelo de base científica seria através de insuficiência de atendimento das necessidades do país pelo modelo clássico. sempre existirá. e a Amazônia. resistentes a doenças e com capacidade de adaptação a condições ambientais adversas à sua origem. É o caso de fronteiras agropecuárias como o Cerrado. visando o aumento da produção. neste modelo. por exemplo. da geração de conhecimentos específicos àquele meio ambiente a ser explorado. é necessária uma profunda transformação na infra-estrutura de base do setor agropecuário brasileiro. Estas inovações são o que freqüentemente chamam-se de insumos modernos. máquinas adequadas às culturas. por parte dos agropecuaristas. os imigrantes europeus e japoneses tiveram papel fundamental na geração e difusão do conhecimento. é praticamente inexistente. práticas adequadas de uso do solos e formas de controle biológico10. A capacidade do aumento progressivo da produtividade. principalmente. Todos esses recursos facilitam o atendimento das necessidades emergentes. ocorre quando o ambiente de atuação agropecuária não permite a plena aplicação dos conhecimentos dos agropecuaristas.estrita com a pesquisa organizada. pelo cultivo específico de uma ou de poucas culturas. que anteriormente eram tecnicamente inviáveis para o cultivo e ainda contribuem para o melhor aproveitamento das atualmente exploradas. como. na base da tentativa e erro. onde uma exploração agropecuária adequada deve suceder em moldes diferentes daqueles trazidos pelos imigrantes. mal ou intensamente utilizados. abrindo espaço para a expansão da outra forma de geração de tecnologia. A necessidade da manutenção e ampliação das exportações agropecuárias era indispensável para a manutenção do equilíbrio no Balanço de Pagamentos. que passar-se-á a expor. Como conseqüência. quanto por entidades públicas9. adubos capazes de corrigirem deficiências nutricionais dos solos.

exigindo que a pesquisa apresentasse resposta a elas (Alves e Contini. que apenas se aproveitavam da disponibilidade de mão-de-obra e terra. pois. . não consideravam fundamental a criação de uma estrutura agrária adequada à absorção destas novas tecnologias. Por outro lado. a agropecuária sempre teve papel de destaque na economia brasileira.2 Políticas para a modernização da agropecuária brasileira Como enfatizado anteriormente. segundo esta corrente. insumos modernos. da agropecuária brasileira: a neoclássica e a estruturalista. Estes autores. em grande parte. existiam outros fatores. destinando sua produção quase que exclusivamente ao atendimento das próprias necessidades (Santos. Conforme apresentado. Pode-se considerar que existiam duas correntes teóricas tentando explicar esta falta de crescimento da produtividade. como a de preços mínimos e subsídios para a disponibilização de insumos modernos. de latifúndios despreocupados com a maximização dos lucros e por minifúndios.2. ou por extensos latifúndios desinteressados em inovações. não existia uma classe dinâmica na agropecuária que ansiasse por inovações. Esse processo é que será discutido no próximo item do capítulo. de acordo com os autores. A sua estrutura agrária ainda continuava constituída. na criação da infra-estrutura. que poderiam impedir o desenvolvimento e a implementação de novos processos produtivos na agropecuária. onde os agropecuaristas estavam muito mais preocupados com o atendimento de suas necessidades do que com o mercado. 1988). Teóricos neoclássicos como Schuh e Nicholls apud Santos (1988) atribuem a baixa produtividade da agropecuária ao reduzido nível de tecnificação utilizado pelos agropecuaristas. 1988). as inovações foram retardadas por fatores como a estrutura agrária. como destaca Santos (1988). que possibilitassem o aumento da produção por espaço de terra e ainda a conquista de fronteiras antes tecnologicamente inacessíveis. era composta. por parte do governo. o processo de modernização só foi consolidado com maior intensidade a partir de 1970. que. com pouca aplicação de tecnologia.Algumas doenças passaram a ameaçar a produção de culturas importantes como o cacau. ou por minifúndios que "não estavam interessados no mercado". quando muitas políticas foram realmente direcionadas para o aumento do nível tecnológico do setor. ou de modernização. a exploração agropecuária ocorreu de modo praticamente artesanal. em sua maioria. nos anos 50 e 60. A partir dos anos 50. Eles também reconhecem que a disponibilização destes insumos exigiria uma política de incentivos e investimentos pesados. Estes fatores mencionados pressionavam a implementação de mudanças estruturais na agropecuária. que levassem ao progresso técnico. em função das crises. Devido a isto. Essas questões estavam relacionadas à própria estrutura agrária brasileira. faltavam mecanismos que facilitassem o acesso dos agropecuaristas aos meios. A segunda sugeria a inadequada estrutura de distribuição de terra como fator limitante à modernização. cria-se espaço para a modernização. Essa corrente também dava ênfase à grande disponibilidade de terra e mão-de-obra como fator inibidor das inovações. Do início da colonização até a década de 50 deste século. disponibilização de mão-deobra e terra. A primeira sugere que o problema estava relacionado à falta de políticas adequadas ao setor. Pois. 2. Apesar dessa oportunidade. por outro lado. a agropecuária brasileira até meados dos anos 60 não apresentava sinais significativos de utilização de insumos industriais ou de processos produtivos adequados às suas condições edafo-climáticas.

inicia-se a ampliação do uso da mecanização. e a utilização de fatores abundantes. 1988) A partir de 1965. à agropecuária eram consideradas racionais pelos autores neoclássicos. os caminhos da modernização não visavam o longo prazo. E os que existiam apresentavam um nível de desenvolvimento muito primitivo. então.O atraso técnico e a falta de infra-estrutura moderna de apoio ao setor agropecuário eram explicados pela abundância de terra e mão-de-obra verificadas até meados dos anos 60. Deste modo. autores estruturalistas. já que a adoção de inovações técnicas era economicamente inviável. de adubos. estas políticas que facilitavam a disponibilização dos insumos tradicionais. a infra-estrutura rural. de defensivos agrícolas e de outros insumos. como a melhoria da estrutura agrária. existiam. do Mato Grosso do Sul e Goiás. não foi desenvolvida. A disponibilização destes fatores era corroborada pela expansão de fronteiras férteis. Essa corrente considerava a não utilização do capital. Por outro lado. Apenas os grandes e médios produtores é que poderiam se beneficiar destas políticas. como Furtado apud Santos (1988). como a do Paraná. em termos de distribuição de terras. na estrutura de distribuição da terra. pode-se afirmar com bastante precisão que. por outro lado. não existia uma classe dinâmica de pequenos produtores capaz de absorver inovações tecnológicas. que privilegiou as políticas de disponibilização de terras e mão-de-obra11 a grandes empresas agropecuárias. Assim sendo. a necessidade de investimentos elevados para a utilização de novos processos produtivos que possibilitassem a expansão da produção agropecuária. até 1975. Como foi apresentado. terra e trabalho uma saída inteligente. como preço mínimo. terra e trabalho. Em decorrência deste fator. encontram. terras férteis disponíveis e ainda não utilizadas. e que. A partir destas condições descritas. fator escasso. (Santos. parece ficar evidente a necessidade de aumentar os índices de produtividade da agropecuária. para explicar a falta de modernização da agropecuária brasileira. os autores consideram útil. Diante disto. torna-se possível a utilização de áreas de grandes dimensões em uma mesma propriedade. dificultou o acesso de terras a pequenos colonos à não modernização da agropecuária brasileira. Deste modo. na maioria dos Estados brasileiros. crédito e assistência técnica. que seriam os únicos em condições de se adequarem ao processo de inovação. o fator limitante à expansão de tecnologias modernas que proporcionassem o aumento de produtividade da agropecuária. o modelo de inovação induzida de Hayami e Ruttan apud Santos (1988). E isso não seria possível utilizando-se apenas os instrumentos já existentes. Por outro lado. as políticas que visavam o aumento da produtividade rural ficaram atreladas aos grandes e médios produtores. Esta corrente se baseia no processo de formação da estrutura agrária brasileira. o processo de modernização da agropecuária brasileira ocorrido a partir dos anos 60 foi moldado segundo a estrutura agrária. Deste modo. via utilização de fortes subsídios. Já o preço da mão-de-obra era mantido estável tendo em vista o deslocamento das populações marginais do Rio Grande do Sul e do Nordeste para estas regiões. Apesar de não contribuírem para o progresso técnico. Nota-se que as políticas sugeridas eram de curto prazo. E viabiliza-se o cultivo de culturas . o progresso tecnológico nos meios de transporte evitava aumentos expressivos dos preços devido à fronteira agropecuária estar se tornando cada vez mais distante dos centros de consumo. Em decorrência deste modo de exploração agropecuária. Surgia. dentro das propriedades agropecuárias.

apresentaram uma expansão até meados da década de 70. o caso do consumo aparente de fertilizantes. Neste caso. Entretanto é importante observar que o Brasil é muito grande e possui diferenças estruturais.45612 unidades. A partir daí. o milho. auxiliando o crescimento do setor industrial. um pouco superior a 1994. como o soja. que se deu intensivamente até os anos 60. e em 1994 passa a ser de 5. ou até inferir que a agropecuária brasileira intensificou o processo de modernização a partir da década de 70. como observado por Monteiro (1985). Como pôde-se notar. poupadores de terra e trabalho. pelo governo.959. realizado por Barros e Manoel (1988). Estes fatores estavam relacionados à disponibilização da mão-de-obra e com a viabilização da utilização de terras por grandes empresas. por Estados e regiões que possuíam as condições mais adequadas de assimilação das inovações . Outro fator que influenciou a modernização da agropecuária brasileira foi a saída gradativa de um período de substituição de importações. Em outras palavras. como exemplo. no mesmo período. dentre outras.97513. em 1974. que era de 630. de acordo com eles. devido ao incentivo à produção interna. e mais intensivamente a partir da década de 70.080.208.1974/1979).636. por fatores relacionados às políticas dirigidas ao setor. pois passava a demandar insumos industriais em escala. segundo os autores. esse foi exógeno à agropecuária.380 toneladas de ingrediente ativo em 1969. existe uma queda no consumo de defensivos no período14. para um mercado internacional exponencialmente crescente. ocorre uma estabilidade no consumo. e fruto da disponibilidade de pacotes tecnológicos do exterior e do apoio ao desenvolvimento do setor rural. Esse período ficou conhecido como "revolução verde". sociais e edafo-climáticas entre seus Estados e regiões. desde a colonização do país até meados dos anos 60. o trigo. pode-se verificar que houve uma intensificação no uso de insumos modernos. Os defensivos (inseticidas. 5 anos depois. De forma agregada. o processo de modernização pode ter sido absorvido. observa-se que em 1974 eram consumidos internamente 5 vezes mais tratores do que em 1969. econômicas. No caso da venda doméstica de tratores agrícolas. Quando se iniciou o processo de modernização. respectivamente. Deste modo. o consumo aparente de inseticidas e de fungicidas diminui entre 1974 e 1991 e o consumo de herbicidas aumenta.995 e 9. Pode-se citar. Estas diferenças. para entrar em uma era de incentivos às exportações. aliadas à ação de grupos de interesses. sendo alguns deles proporcionados pelo II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento. com maior intensidade. onde a agropecuária teria um papel importante. fungicidas e herbicidas). porém é interessante observar que a potência média dos tratores aumentou. A modernização da agropecuária brasileira foi simultânea ao desenvolvimento de uma tendência mundial. o desenvolvimento da agropecuária foi atrapalhado. a partir do final dos anos 60. e ainda incentivaria a expansão industrial interna.664 unidades.824. demonstra que estes se expandiram. O consumo interno de tratores agrícolas em 1994 foi de 46.910.que são comercializadas em larga escala. Na realidade. salta para 1. influenciam a geração e a utilização dos novos processos produtivos. 45.775 e em 1995 salta para 52. O número de HP disponíveis em 1970 era de 7. Um estudo sobre a utilização dos insumos modernos na agropecuária. a agropecuária participaria com a exportação de produtos. em que os processos produtivos da agropecuária eram voltados ao uso intensivo de insumos industriais. a cana-de-açúcar. principalmente.

e concluiu que a produtividade do cacau. que trataram das relações entre o preço da cana-de-açúcar e a produtividade desta cultura no Estado do Rio de Janeiro. estes utilizaram-se do tema produtividade e agropecuária.vindas do exterior e das desenvolvidas internamente.3. Entretanto. alguns trabalhos correlatos ao tema foram desenvolvidos. apesar das dificuldades estruturais. que provavelmente acarretariam modificações na produção e na produtividade da agropecuária brasileira. Trevisam (1984) desenvolveu um estudo que trata sobre o relacionamento entre a estrutura fundiária e a produtividade alcançada pela cultura do cacau no Estado da Bahia. sofre um processo de modernização. pode-se destacar trabalhos como o de Pinazza e Noronha (1980). Como se pode observar. a seguir. Também fica destacado que o processo de modernização. é fruto das crises que se iniciam nos anos 40 e 50. Diante desta questão. Os trabalhos que serão apresentados a seguir apontam deficiências similares. Recentemente. Frente às mudanças ocorridas no setor.3 Estudos relacionados à produtividade e à agropecuária brasileira Como se pôde observar. Já em uma análise que leva em consideração indicadores globais. o autor utilizou a produtividade da terra como indicador. pois eles utilizaram o rendimento por hectare como indicador de produtividade. É importante salientar que alguns dos trabalhos não trataram diretamente sobre a questão de inovações e reflexos na produtividade. alguns pesquisadores vêm desenvolvendo trabalhos visando a melhoria do dimensionamento das reais alterações de produtividade. não devendo ter sido distribuído de modo uniforme no país. É bom enfatizar que a maioria dos estudos. Os autores concluíram que a produtividade da cana-de-açúcar era sensível ao aumento de preço da cultura. Entretanto. No próximo item serão apresentados os trabalhos relacionados ao tema. alguns destes trabalhos que abordam a questão da mensuração da produtividade da agropecuária brasileira. Destacar-se-á. a produtividade poderia não estar aumentando. o que os autores verificaram realmente foi que a produção por hectare estava crescendo em função do aumento do preço da cana-de-açúcar. estava aumentando e que extratos muito grandes de terra apresentavam um menor rendimento. principalmente. . em geral. a agropecuária brasileira sofreu grandes mudanças. foram desenvolvidos alguns estudos visando identificar alterações na produtividade da agropecuária brasileira. sendo que o aumento da produção por hectare poderia ser fruto do crescimento da utilização de outros insumos. Esses estudos consideraram a produtividade total dos fatores. que se intensifica nos anos 70. a partir da década de 70. 2.1 Estudos regionais relacionados à produtividade que utilizaram indicadores parciais Dentre os estudos regionais relacionados à produtividade. além de analisar somente casos regionais. os Estados e regiões que não se moldavam às inovações. 2. não trata a produtividade em um sentido global. surge a necessidade de verificação das conseqüências no desempenho produtivo da agropecuária. a agropecuária brasileira. Assim sendo. Em seu estudo. podem ter participado com menor intensidade deste processo. Frente a este fato. Este problema persiste em todos os estudos que contemplam indicadores parciais em suas análises. Estas alterações estavam relacionadas à expansão da utilização de insumos modernos. considerando apenas a produtividade parcial dos fatores.

Para alcançar tal objetivo. Avaliando a agricultura brasileira frente à sua estrutura de produção. O autor considera como indicador de produtividade a produção por área. todos estes autores empregaram indicadores parciais de produtividade em suas análises. Os autores utilizaram a produtividade da terra no auxílio à análise de desempenho.2 Estudos em âmbito nacional relacionados à produtividade e indicadores parciais Dentre os estudos voltados à análise da produtividade da agropecuária brasileira. no desempenho e na composição da produção agrícola paranaense. os indicadores parciais de produtividade não devem ser confundidos com a produtividade da agropecuária. frente ao processo de modernização. Para analisar o desempenho produtivo agropecuário de 332 microregiões do Brasil. Como já mencionado anteriormente. Os autores discutem o efeito do progresso técnico no crescimento da produtividade. e o aumento das possibilidades da exploração do trabalho. eles desenvolveram um modelo de análise baseado no índice da evolução da produtividade da terra de 1956 a 1983. Silva (1983) baseia-se em indicadores parciais para explicar o comportamento dos diferentes extratos de produtores que compõem esta estrutura. com uma visão marxista. que. foi estudado por Pereira e Lugnani (1991) e Pereira (1992). Foi verificado.Silva et al (1985) estudaram os efeitos das condições do tempo sobre a produtividade agrícola no Estado de São Paulo. As diferenças de produtividade da terra e do trabalho entre microregiões homogêneas da agropecuária paranaense. como o desempenho insatisfatório da economia e cortes de incentivos ao setor. como arroz e feijão. Os efeitos das políticas institucionais. O autor usa indicadores parciais para comparar as diferentes regiões do Estado. É ressaltado na análise que grande parte do crescimento ocorreu em função do aumento de produtividade. Hoffamann e Jamas (1990) se fundamentaram em indicadores parciais de produtividade da . Albuquerque e Nicol (1987) desenvolvem um trabalho fazendo comparações da produtividade da agricultura brasileira em relação à de outros países. Eles usam conceitos parciais de produtividade do trabalho e da terra para analisar o aumento do progresso tecnológico e o aumento da produtividade agrícola. A seguir serão expostos estudos de âmbito nacional que são baseados em indicadores parciais. Caso isto ocorra. Os autores utilizam indicadores parciais de produtividade para realizar a análise. neste trabalho. em relação aos produtos destinados ao mercado interno. como soja e laranja. 2. que existiam grandes variações de produtividade entre as microregiões. se apoiam no aumento de produtividade para discutir a transformação do emprego na agricultura. Como se pode observar.3. pode-se citar o de Kageyma e Silva (1983). pode-se estar incidindo no erro de superestimar ou subestimar os aumentos de produtividade. foi analisada por Guerreiro (1996). apesar de destacarem os limites desses indicadores. Mello (1990) investiga o crescimento não desprezível da agricultura brasileira na década de 80 frente a fatores adversos. no período de 1975 a 1970. O autor destaca o crescimento mais acentuado dos produtos destinados ao mercado externo. O objetivo dos autores era de conhecer os efeitos das condições climáticas adversas sobre a produtividade agrícola.

rações. Os insumos utilizados eram: força de trabalho. que consideram a PTF. O estudo de Valente (1994) trata do desempenho da agricultura brasileira no período compreendido entre 1975 a 1993. os autores relacionam o crescimento da produtividade com a pesquisa agropecuária. a utilização do preço de insumos e produtos como fator homogeneizador. 2. tentam apresentar um tratamento mais adequado à questão de mensuração da produtividade. conhecendo os limites dos indicadores parciais de produtividade. Baseando-se em indicadores parciais. nas alterações de produtividade. Os autores também pretendiam avaliar o papel da pesquisa agropecuária. Os preços dos produtos e dos insumos foram coletados dos Censos e de outras fontes secundárias. Diante da relevância do problema e da importância de uma análise mais acurada sobre a produtividade da agropecuária brasileira. os indicadores parciais de produtividade podem levar a resultados distorcidos. requer. apesar da melhoria.3. pretendia-se averiguar se os aumentos de produtividade poderiam ser explicados pelo desenvolvimento das pesquisas. como mencionado. foram desenvolvidos alguns estudos que trataram a questão em um sentido mais amplo. A característica comum destes trabalhos apresentados é que em todos foram utilizados indicadores parciais de produtividade em suas análises para explicar alguma situação ocorrida na agropecuária brasileira.3 Abordagens nacionais sobre a produtividade considerando indicadores PTF Os estudos relacionados à produtividade. apontaram aumento de produtividade. A produção considerada na análise foi composta pelos principais produtos da agropecuária brasileira. tratores. Os índices de produtividade (PTF) foram construídos com base no índice de Tornqvist. ele conclui que o desempenho produtivo dos anos 80 foi um pouco superior do que o verificado no início da década seguinte. como é o caso do objeto de estudo. que tinha como objetivo analisar as mudanças da produtividade na agropecuária brasileira durante o período de 1970 a 1985. apresentam resultados mais próximos da realidade. Os autores desses trabalhos. alguns estudos nesse sentido vêm sendo desenvolvidos visando a análise das alterações da produtividade da agropecuária brasileira. principalmente a desenvolvida pelo sistema EMBRAPA15. significativa. e com o valor agregado por hectare cultivado. Estes trabalhos serão analisados no próximo item. para o período de 1970 a 1985. em seu cálculo. pode-se destacar o trabalho de Ávila e Evensom (1994). defensivos agrícolas.terra e do trabalho. Na tentativa de minimizar a deficiência das medidas parciais. Dentre estes. o qual. os autores trabalharam com o valor agregado do trabalho na produção agropecuária. no terceiro capítulo.45%. como a Fundação Getúlio Vargas (FGV). principalmente a gerada pelo sistema EMBRAPA. considerando indicadores de PTF. vacinas e medicamentos. Recentemente. ainda é preciso ser mais produtivo. A taxa anual de crescimento da PTF encontrada foi de 2. Os dados utilizados para a construção dos índices de produtividade foram extraídos dos censos agropecuários do IBGE. . A partir desta taxa. face à análise de ambientes complexos. para encarar desafios da competição internacional. Os resultados demonstram que a pesquisa contribuiu para o crescimento da PTF. Como já evidenciado anteriormente. Desta forma. Os resultados. no geral. área utilizada para produção. fertilizantes. da produtividade da agricultura em relação a década de 70. O autor ainda destaca que.

9%. também apresenta certas limitações. Outro problema relacionado à utilização de preços está ligado a fatores conjunturais da economia. uma relação física. Outra limitação dos indicadores de PTF utilizados pelos autores reside no fato de que a produtividade. haveria um crescimento do índice de produtividade. conseqüentemente. Os autores fazem a seguinte colocação: " Assim. fato este que poderia repercutir em aumento de produtividade sem que exista um real crescimento da relação produto/insumo. No caso da utilização dos preços como fator do cálculo do índice de produtividade. relacionando o papel das pesquisas nas mudanças de tecnologia. Outro trabalho que analisou a evolução da produtividade da agropecuária brasileira. como comentam Kageyama e Hoffmann (1984). O indicador de produtividade utilizado não apresentava a possibilidade de desmembramento das mudanças de produtividade em mudanças tecnológica e alterações no indicador de eficiência. principalmente. como se está considerando o valor produção pelo valor dos insumos utilizados. eles poderiam detalhar mais a análise. . 1984)". Desta forma. foi o de Gasques e Conceição (1997). a análise de produtividade pode sofrer a influência de fatores econômicos. ceteris paribus. é influenciada por fatores como a evolução tecnológica e as mudanças no indicador de eficiência. Como foi definido. uma desvalorização cambial poderia representar um aumento do valor dos produtos relacionados ao mercado externo. No caso da utilização dos preços dos insumos e produtos. p. passou por sérios problemas inflacionários no período da análise. para as alterações de tecnologia de produção. como a necessidade de utilização de preços dos produtos e insumos e o não detalhamento das causas das mudanças de produtividade. tenhamos razões objetivas e fortes para rejeitar um ou outro resultado. Entretanto. ( Kageyama e Hoffmann. é importante observar que o índice de PTF. a pesquisa agropecuária vem a contribuir. pode interferir no resultado da análise. ou dos deflatores utilizados. utilizado pelos autores. como salientado no terceiro capítulo. eles criticam os indicadores parciais de produtividade e ressaltam o objetivo de avaliar a evolução da produtividade total dos fatores da agropecuária brasileira. as elevadas taxas de inflação deixam os resultados extremamente sensíveis à escolha de um deflator. Deste modo. desvalorização cambial. a análise pode ser prejudicada de algumas formas. em primeira instância. Neste trabalho também foram desenvolvidos os indicadores parciais da terra e do trabalho. se adotarmos os dados dos Censos deflacionados pelo Índice de Preços Recebidos pelos Agricultores (da FGV). ao invés da produtividade parcial. sem que. por exemplo. representaria um aumento do valor total da produção em moeda nacional e. Nesse caso. Tendo os autores do trabalho estas informações à disposição. Uma acontece quando está se estudando uma série temporal e o objeto de estudo. Por exemplo. considerando a produtividade total dos fatores. se nos reportamos aos dados das Contas Nacionais. a produtividade é uma relação produto/insumo. no período de 1976 – 1994. ou cresceu 25. Tendo que um fato econômico. a simples mudança da fonte de preço. tendem a apresentar resultados muito mais próximos da realidade. Os autores o iniciam destacando a importância do tema e a pequena quantidade de trabalhos direcionados à questão. Na seqüência. 242. poderíamos concluir alternativamente que o valor agregado da agricultura brasileira entre 1975 e 1980 decresceu 3. ou seja.0%. Este fato não pode ser corrigido por uma simples correção de preços.Como destacado por Gasques e Conceição (1997) os trabalhos que consideram a produtividade total dos fatores. no caso. a agropecuária brasileira.

foi a forma mais viável de cálculo do preço da mão-de-obra. segundo os autores. Como se observou. ao progresso técnico. Essa. o custo ou preço foi obtido pela multiplicação do ponto médio de cada classe de rendimento pelo número de pessoas ocupadas na classe de rendimentos. entre 1976 e 1985. Como destacado há pouco.a. As informações relativas ao preço das máquinas também apresentaram dificuldades de quantificação. utilizados pelos autores. diante dos resultados. apesar dos indicadores de PTF. é evidente a dificuldade de obtenção dos preços de insumos importantes para a análise. O fator terra foi composto pela área de lavouras temporária e permanente.. os autores basearam seus indicadores no índice de Tornqvist.a. E como se mencionou. máquinas e terra. conforme os autores.5% a. ainda persistem os problemas relacionados à utilização de preços dos produtos e insumos..11% a. obtidas na mesma fonte. O período de 1976 a 1994 apresentou a taxa média de 3. já que os pesos das variáveis que são obtidos através dos preços podem não estar sendo representados da melhor . O não conhecimento das causas das mudanças de produtividade também se faz presente neste trabalho. Os insumos considerados na análise foram mão-de-obra. sendo que os autores atribuem as causas do aumento de produtividade.88% a. e os insumos intermediários: fertilizantes e defensivos. demonstram certo grau de preocupação com a tendência de crescimento a taxas decrescentes. sendo que os preços dos produtos foram obtidos junto ao IBGE e à FGV. As terras utilizadas pela pecuária não foram consideradas devido à pequena quantidade de informações disponíveis. a mudança no indicador de eficiência também pode interferir no crescimento da produtividade. sendo as informações encontradas na PAM. refere-se ao número de unidades vendidas.. e de 3.O produto utilizado na análise foi obtido através da agregação das lavouras. A obtenção do preço da terra se deu pela utilização do preço médio dos arrendamentos de terra para a lavoura. ocorre por intermédio dos preços das variáveis. Os insumos fertilizantes e defensivos têm seus preços facilmente encontrados no mercado. entre 1986 e 1994. No caso da mão-de-obra. Os autores. A alternativa encontrada pelos autores foi utilizar as informações sobre o faturamento líquido definido pela Associação Nacional de Veículos Automotores (ANFAVEA) como sendo a soma das vendas de máquinas e peças de reposição. segundo eles. Os problemas relacionados ao estabelecimento de preços de certas variáveis da análise também ficam evidentes. apresentarem resultados mais consistentes que os indicadores de PPF. publicado pela FGV. Os índices médios de crescimento da PTF. e dos produtos de origem animal. frente à dificuldade de obtenção de informações. o que é preocupante devido a mesma ainda não se encontrar em um patamar elevado de utilização de tecnologias. Todos os dados foram obtidos com periodicidade anual. foram de 4. essa queda pode ocorrer em função da redução do crescimento do progresso tecnológico na agropecuária. por sua vez. A quantidade de máquinas. que foi apresentada pela agropecuária brasileira. pois. exibidos pela análise. na análise do trabalho anterior. Os dados foram conseguidos junto às publicações Produção Agrícola Municipal (PAM) e Produção Pecuária Municipal (PPM) do IBGE. ou seja. Fato que pode levar a sérias distorções nos resultados. pura e exclusivamente.a. "mesmo sem saber se este existe". A metodologia utilizada para o cálculo dos indicadores de produtividade total dos fatores foi a mesma utilizada por Ávila e Evenson (1994). temporária e permanente. A agregação dos insumos e produtos.

Entretanto. Pereira et al (1998a) e Pereira et al (1998b) iniciaram um trabalho visando minimizar estes problemas. de uma maneira geral. pois poderiam ser utilizados agregados de produtos ou insumos similares. Posteriormente. não possui renda suficiente para um bom padrão alimentar) e pela produção de matérias-primas para vários setores industriais e energéticos.forma. Encontramos vários tipos de solos no país. Fato este que poderia melhorar os resultados da análise. A análise também perde em qualidade quando insumos importantes. foram exibidos os estudos relacionados à produtividade e ao setor agropecuário e as limitações apresentadas por estes. No próximo capítulo serão apresentadas as considerações teóricas sobre produtividade e evolução tecnológica e ainda as formas de quantificação destas questões. ou ainda utilizar mais de um produto ou mais de um agregado de produtos. o . trabalhando com um agregado de produtos e um agregado de insumos. Seria interessante que existissem resultados desagregados relativos aos Estados e regiões. pelo emprego de aproximadamente 1/5 da PEA. seria possível verificar se houveram diferenças de crescimento da produtividade entre Estados e regiões. predominantemente quentes. A Agropecuária no Brasil A atividade da agropecuária pertence ao setor primário da economia. Apesar de não ser mais a atividade de maior importância na economia brasileira continua se destacando pela significativa participação em nosso comércio exterior. consequentemente. Enfrentamos problemas de geadas no Sul e Sudeste durante o inverno. Desta forma. Há dificuldades em se obter uma grande produção de gêneros de climas de temperaturas moderadas com custos aceitáveis. 2. Mas. A produtividade da agropecuária brasileira foi analisada somente no âmbito nacional. Destacou-se ainda o seu processo de modernização. era impossível usar mais de um insumo ou mais de um agregado de insumos.4 Considerações finais Neste capítulo foi apresentada uma síntese da evolução histórica da agropecuária brasileira. infelizmente. auxiliando as políticas para sanar as possíveis distorções regionais existentes. É interessante salientar que os trabalhos apresentados utilizaram indicadores de PTF. não podem ser considerados devido à falta de informações. O Brasil possui um extenso território com relativa variedade de climas. como a área destinada à pastagem. alguns de grande fertilidade como a terra-roxa. bem como a sua importância para a economia brasileira. inundações de verão em algumas porções do território nacional e secas prolongadas especialmente no Sertão. pela produção de alimentos para uma população numerosa (com uma parcela que. mesmo tendo os preços como ponderador. não temos grandes problemas climáticos que nos impeça a prática agrícola. tendo o fator preço como homogeneizador. que nos permite o cultivo de quase todos os produtos em larga escala.

seus constituintes minerais e orgânicos. na África). necessitam da aplicação de adubos. A recuperação de um solo pode ser demorada e muito cara. Sistemas de produção na agricultura A agricultura pode ser praticada de diversas formas com um conjunto de características que passamos a apresentar a seguir: Sistema extensivo técnicas simples mão-de-obra desqualificada abundância de terras baixa produtividade rápido esgotamento dos solos Esse sistema é característico de regiões com grandes extensões de terras vazias e de menor grau de desenvolvimento. realiza-se uma queimada para limpeza do terreno. Quando desprotegido. predatórias e prejudiciais ao solo: desmatamento (especialmente junto às margens dos rios). Ocorre em áreas de clima tropical em que se alternam uma estação chuvosa (dissolução desses óxidos) e seca (quando esse material se acumula próximo à superfície e forma a crosta). realizando-se o mesmo procedimento. acentua-se esse processo. É causado pela ação do clima. com procedimentos muito simples e de caráter itinerante: retira-se uma porção da mata. monocultura sem os cuidados necessários (reposição do material fértil ao solo). *erosão e esgotamento do solo – provoca a destruição física do solo e a perda de sua qualidade. Os solos constituem um importante recurso natural que deve ser preservado através de técnicas conservacionistas.massapé e o solo de várzea ou aluvial. corretivos químicos e fertilizantes. entre caboclos e indígenas). em áreas com chuvas intensas. Quando em estágio avançado provoca a formação de sulcos profundos denominados voçorocas. *laterização – constitui na formação de uma crosta ferruginosa endurecida próxima à superfície do solo pela concentração de óxidos de ferro e alumínio. pela retirada da vegetação. Nele podemos incluir uma simples roça (como na Amazônia. Mas é agravado pelo uso de técnicas agropecuárias incorretas. Infelizmente. Em algumas áreas o processo de desertificação avança sobre áreas que antes produziam alimentos (ex: sahel. Muitos solos do país. os solos possuem baixa fertilidade ou problemas como acidez elevada. grandes parcelas de solo são sistematicamente destruídas em todo o mundo. excesso de animais sobre o solo e excesso de peso sobre o mesmo. em muitas áreas do território brasileiro. cultivo seguindo a mesma linha do declive do terreno (sem a aplicação das curvas de nível e/ou terraceamento). Mas. . quando então o solo se esgota e parte-se para outra área. para produzirem satisfatoriamente. retirando-se as partículas que formam o solo. misturam-se as cinzas ao solo e se realiza uma monocultura sem maiores cuidados por um breve período de dois a três anos. Alguns problemas específicos também afetam os solos do Brasil: *lixiviação – constitui no empobrecimento dos solos em regiões de climas muito úmidos com chuvas freqüentes que através do escoamento superficial retiram o material fértil do solo.

Plantation grandes áreas técnicas modernas muita mão-de-obra elevada produtividade monocultura agroindústria/exportação Esse sistema passou a ocupar grandes áreas em países subdesenvolvidos ocupando seus melhores solos. geralmente com maior ocupação humana e com o uso de pequenas e médias propriedades. observa-se uma rápida evolução qualitativa nas técnicas de criação. Está principalmente voltada para o mercado externo. Os pecuaristas têm se preocupado em acompanhar as tendências desse mercado muito competitivo. bem como o serviço de técnicos agrícolas e agrônomos. com a modernização progressiva e exigências cada vez maiores do mercado. São comuns a prática da policultura e pecuária leiteira através desse sistema.Sistema intensivo técnicas modernas mão-de-obra qualificada terras exíguas alta produtividade conservação dos solos É um sistema característico de regiões de maior desenvolvimento. especialmente produzindo para abastecimento do mercado interno. Mesmo assim utiliza muita mão-de-obra (trabalha com propriedades. mas na prática é muito comum que se combinem características dos dois sistemas e. . Aplica a mecanização quando possível (lembre-se que não é todo cultivo que permite mecanização). principalmente temporária (o bóia-fria ou trabalhador volante). por vezes. Sistema Extensivo grandes propriedades gado criado a solta sem cuidados veterinários raças simples uso de pastagens naturais baixa qualidade e produtividade destinado ao corte Sistema Intensivo Pequenas e médias propriedades Criação confinada em estábulos ou currais Cuidados veterinários Raças selecionadas e aprimoradas Uso de pastagens cultivadas Rações balanceadas Alta qualidade e produtividade Destinado à produção de leite Evidentemente essa classificação e características são de natureza bem didática. Sistemas de produção na pecuária Podemos também pensar nas características dos sistemas de criação de animais que lembram muito as características acima citadas. com milhares de hectares de extensão).

traz problemas como um desemprego acelerado no campo e até mesmo intensificação da erosão do solo.). piscinas em mansões rurais. A adoção de uma política de preços mínimos. embalagens. *crédito rural e preços mínimos – para que o agricultor possa produzir ele precisa de uma linha de financiamentos. fertilizantes. . *nível de mecanização – o avanço da mecanização na agricultura vem ocorrendo especialmente no Centro-Sul do país. no caso do agricultor é necessário que ele possa evoluir também em seus conhecimentos técnicos para que deixe de utilizar técnicas antiquadas que contribuem para a baixa produtividade e desgaste do solo.. justa. *arrendatário – aquele que paga um aluguel ao proprietário pelo uso da terra. Historicamente. traz segurança e tranqüilidade ao produtor. *posseiro – aquele que utiliza terras que encontra vazias para uma produção de subsistência. ferramentas. Ocupa terras que não são suas. A sua aplicação indiscriminada. no Brasil. ou são mesmo analfabetos. Melhorar o padrão de cultura da população é importante e. equipamentos de irrigação. Na última década o Brasil conseguiu evoluir nessa questão e além disso tem aumentado o percentual de agricultores capitalizados o suficiente para bancar seu próprio empreendimento. é o ocupante. combustível. adubos. o volume de recursos à disposição para o agricultor não tem conseguido atender a todos e muitas vezes foi mal distribuído e desviado de suas reais finalidades (construção de hotéis-fazenda. mão-de-obra) como na colheita (máquinas. mão-de-obra.. *baixo nível de instrução e cultura do agricultor – grande parte dos que trabalham na terra tem um nível de instrução muito baixo. com juros reduzidos. para fazer frente aos gastos tanto no plantio (sementes. desde que não se concentre apenas em uma prática de subsídios que onerem o Estado e dificulte a capacidade de evolução da competitividade da agropecuária brasileira (como ocorre em países europeus). estocagem e transporte). *grileiro – falsifica títulos de propriedade e vende terras que também não são suas Problemas enfrentados pela agropecuária no Brasil: *reduzido aproveitamento dos espaços disponíveis – muitas terras no Brasil não apresentam qualquer forma de utilização. Deve ser introduzida de maneira planejada e deve ser estimulada como uma forma de permitir ao produtor a competitividade para sobreviver no mercado. irracional.Formas de exploração da terra As propriedades agropecuárias podem ser exploradas diretamente pelo proprietário ou indiretamente pelo: *parceiro ou meeiro – aquele que utiliza as terras do proprietário e divide com este a produção obtida. A mecanização e o uso de técnicas modernas permite um aumento da produtividade. Parte do crescimento de nossas safras agrícolas tem dependido da incorporação de novos espaços a esse setor produtivo mas ainda podemos ampliar e muito o espaço agrícola do país.

Juntam-se a todos esses atores alguns setores progressistas da Igreja e grupos políticos ideologicamente de uma esquerda mais radical (revolucionários) que também defendem seus pontos de vista e interferem na questão. consolidando-se no Centro-Sul do país e estendendo-se pelo Nordeste e Amazônia. muitas vezes inapropriados para guardar a safra) e no transporte inadequado. multiplicando-se casos de invasões de propriedades. muitas vezes massacrados na luta com os brancos. não precisaria escoar toda a sua produção imediatamente para o mercado e poderia conseguir um melhor preço posteriormente. Em 1985. organizados ou não. Preocupada com o aumento da produtividade. por exemplo). de responsabilidade do Estado. a necessidade pela execução de uma reforma agrária no país foi se tornando urgente e inadiável. mas deve garantir condições mínimas para que o camponês pobre possa produzir: linhas especiais e subsidiadas de financiamento. A formação de grupos armados por fazendeiros para proteção de suas terras (legais ou griladas) e a expansão das fronteiras agrícolas brasileiras contribuíram para definir um quadro de violência e ilegalidade nas áreas rurais. é importante frisar que uma Reforma Agrária não pode parar simplesmente no ato de redistribuição de terras. o que leva a perdas significativas da colheita e a prejuízos ao agricultor.*armazenamento e transporte . assim como a presença de posseiros preocupados com sua sobrevivência e de sua família. incluindo-se aí a invasão de terras indígenas. Assim. com a melhoria da qualidade na . Vale lembrar que existem interesses conflitantes nessa questão e. Caso ele tivesse acesso a uma capacidade maior de armazenagem. estímulo à formação de cooperativas e criação de centros de apoio para armazenagem. com falta de silos e armazéns. A grilagem de terras contribuiu para agravar a revolta social no campo brasileiro. assim como a redistribuição de terras. transporte e comercialização da produção. Mas ainda permanecem problemas na armazenagem (deficiente e/ou insuficiente. treinamento e qualificação de mão-de-obra. o governo de José Sarney cria o Ministério da Reforma Agrária e a Constituição promulgada em 1988 contempla um Plano Nacional de Reforma Agrária.a safra agrícola tem conseguido recordes de produção. Ao mesmo tempo em que avança a execução do PNRA (ainda que não seja a Reforma Agrária desejada por alguns setores da sociedade) avança a moderna produção agroindustrial. enquanto se incentivava também a ocupação do cerrado por grandes propriedades exportadoras (como a produção de soja. O ritmo dessa reforma é contestado por alguns que a julgam lenta e tímida. A atuação do INCRA durante os governos militares preocupou-se mais com a colonização agrícola de áreas vazias do território nacional (como a Amazônia) do que com a redistribuição de terras. *distribuição de terras – historicamente o modelo econômico adotado pelo Brasil e as legislações criadas favoreceram a formação de grandes propriedades através de um processo de concentração de terras. Nas últimas décadas a continuidade desse processo associado à modernização agrícola (expansão da mecanização) e à pressão por uma agricultura cada vez mais capitalizada expulsou muitos trabalhadores do campo que se dirigiram para as cidades no movimento migratório do êxodo rural. Além disso. conflitos e mortes nas áreas rurais. no início de redemocratização do país. Os que permaneceram no campo engrossaram movimentos sociais. nem sempre os recursos suficientes para uma intensificação desse processo. A desapropriação de terras improdutivas que não estejam cumprindo sua função social está sendo feita.

*trigo – talvez o maior problema em nossa produção agrícola porque 2/3 do mercado interno continuam sendo abastecidos com o trigo importado da Argentina e EUA. Grande parte da produção é exportada no momento de entressafra para os países do hemisfério norte. São Paulo é o líder da produção nacional. Cultura afetada pela praga da vassoura-de-bruxa que levou produtores do cacau a partirem para outros empreendimentos. controle rigoroso do rebanho e até mesmo o polêmico cultivo de trasngênicos. invadindo o Centro-Oeste e até a Amazônia. de amplo consumo interno. Essa moderna agropecuária tem se preocupado com o uso progressivo de sementes selecionadas. não só pelas pessoas mas também utilizado como ração animal. *cacau – com dificuldades para manter posição de destaque no mercado externo. o maior produtor nacional. O Centro-Oeste tem se tornado a principal área de cultivo. As áreas mais recentes de produção estão no Centro-Oeste e Amazônia. *soja – o maior produto agrícola de exportação do país. Minas Gerais é o maior produtor nacional. pode ser encontrado do sul ao norte do país. Principais produtos agrícolas O Brasil apresenta atualmente uma produção agrícola muito diversificada. pesquisas agropecuárias. com maior produção no Centro-Sul do país. Estamos apresentando aumento no total colhido. especialmente na indústria têxtil. Novas áreas de produção em climas mais quentes permitem um aumento da colheita do trigo no país. *algodão – a produção é crescente para um mercado interno também em expansão. Observe o mapa com a produção agrícola e veja alguns destaques: *milho – é o principal produto de nossa agricultura. No entanto. a grande expansão da cana a partir de meados da década de 1970 se deveu a criação do Pró-álcool que levou a cana a ocupar grandes extensões no Estado de São Paulo. a principal área de produção é o sul da Bahia. na região de Ilhéus e Itabuna. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais. muitas vezes com produção insuficiente para abastecê-lo. informatização no campo. É cultivado em simples roçados e também em grandes propriedades mecanizadas. *arroz – importante alimento para abastecer o mercado interno. com destaque para o Mato Grosso. *cana – o Brasil também costuma aparecer como o maior produtor mundial e um grande exportador de açúcar. mas com uma produtividade menor e a um custo mais elevado. O Brasil chega a ser o maior produtor ocidental desse gênero agrícola. *café – o Brasil continua sendo o maior produtor e exportador mundial e procura atualmente melhorar a imagem de qualidade do café que produz e exporta para conquistar novos mercados mais seletivos. *laranja – o Brasil disputa com os EUA a liderança mundial e é grande exportador.produção agropecuária e com ganhos de competitividade busca expandir seus mercados externos e enfrenta a prática protecionista de muitos mercados como o europeu e o norteamericano. bem como melhoria de . rebanhos melhorados. com destino para a produção de vinho. *uva – destaca-se a área de produção das Serras Gaúchas. É grande produtor mundial de vários produtos. O problema de geadas em terras paulistas e paranaenses deslocou esse cultivo mais para o norte. especialmente para o próprio mercado norte-americano. Foi o cultivo de maior expansão nas últimas décadas do século XX.

qualidade, indispensável para vendas externas de vinho. Além desses produtos podemos lembrar do feijão (MG-SP), importante alimento para o mercado interno, a mandioca, a banana (Vale do Ribeira) além da maior produção de frutas tropicais. Principais rebanhos brasileiros A pecuária brasileira começa a ser reconhecida como de boa qualidade. Os investimentos que estão sendo progressivamente realizados para livrar o rebanho de doenças como a febre aftosa e o comprometimento de rebanhos na Europa (como o mal da vaca-louca) têm levado a ampliação de alguns e a conquista de novos mercados de exportação (analistas indicam que o Brasil deve se tornar o maior fornecedor internacional nos próximos dez a quinze anos). Os principais rebanhos brasileiros são os de bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Observe o mapa com a distribuição geográfica dos principais rebanhos no Brasil: *bovinos – na pecuária de corte destacam-se as regiões dos Pampas Gaúchos, oeste paulista e Triângulo Mineiro. Pecuaristas de outras áreas de criação preocupam-se em melhorar a qualidade de seu rebanho. Na pecuária leiteira podemos destacar Minas Gerais (várias áreas de criação, especialmente o sul do Estado), São Paulo (Vale do Paraíba, São João da Boa Vista, Araras, Mococa) e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba e norte do Estado); *suínos – apresenta significativos ganhos de qualidade e especialização (mais carne e menos gordura, melhor higienização nos locais de criação, cuidados veterinários, selecionamento dos animais) o que tem permitido a busca de um aumento nas exportações dessa carne; *ovinos – o Brasil não tem destaque mundial. A maior parte do rebanho é encontrada no Rio Grande do Sul; *caprinos – também sem grande destaque mundial é uma criação que está evoluindo qualitativamente. Boa parte do rebanho, rústico, pode ser encontrada na Região Nordeste. Podemos também destacar o rebanho de eqüinos, especialmente em Minas Gerais e bubalinos (Ilha de Marajó, Pantanal e Vale do Ribeira). O Brasil parece apresentar condições favoráveis para a criação de búfalos e pode se tornar um grande criador mundial. O Brasil tem um dos maiores rebanhos de asininos e muares e é um dos maiores criadores de aves no mundo.

Estrutura Fundiária e os Conflitos de Terra
Alimentar com seus frutos é o que a agricultura brasileira vem fazendo há mais de quatro séculos, infelizmente sem a harmonia sugerida pela letra da bela canção transcrita ao lado. Como vimos, a agricultura brasileira sempre esteve entre as principais atividades econômicas do país. Mas o Brasil não se tornou uma potência agrícola, pois alguns dos maiores problemas sociais brasileiros estão centralizados no campo, como a estrutura fundiária marcada pela concentração de terras, os conflitos pela posse da terra e as relações desiguais de trabalho. Uma distribuição Irregular de terras

À forma como as propriedades rurais estão distribuídas, segundo suas dimensões, denominamos estrutura fundiária. A principal característica da estrutura fundiária brasileira é o predomínio de grandes propriedades. As origens dessa distribuição desigual de terras em nosso país estão em seu passado colonial. As capitanias hereditárias, que inseriram o Brasil no sistema colonial mercantilista, foram os primeiros latifúndios brasileiros: a colônia foi dividida em quinze grandes lotes entre doze donatários. A expansão da lavoura açucareira no litoral manteve o latifúndio como uma de suas características, ao lado da monocultura e da escravidão da mâo-de-obra africana no sistema de plantation voltado para a exportação. Portanto, a ocupação das terras brasileiras aponta para uma acentuada concentração de terras. Foi a Lei de Terras, promulgada em 18 de agosto de 1850, que praticamente instituiu a propriedade privada da terra no Brasil, Ao determinar que as terras públicas ou devolutas (ociosas) só poderiam ser adquiridas por meio de compra, essa lei limitou o acesso à posse de terras a quem tivesse recursos para satisfazer essa condição. Dessa forma, imigrantes europeus recém-chegados, negros libertos e pessoas sem recursos ficaram sem direito às terras livres, que foram compradas por abastados proprietários rurais. Com o passar do tempo, essa desigual distribuição de terras acabou gerando conflitos cada vez mais violentos e generalizados entre proprietários e não proprietários. As décadas de 1950e 1960 marcaram o surgimento de organizações que lutavam pêlos direitos dos trabalhadores rurais. Entre elas, podemos citar as ligas camponesas e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Campo (Contag). Membros do regime militar (1964-1985), preocupados com o descontentamento social no campo, elaboraram um conjunto de leis para tentar controlar os trabalhadores rurais e acalmar os proprietários de terras. Essa tentativa deu-se através de um projeto de reforma agrária para promover uma distribuição mais igualitária da terra, que resultou no Estatuto da Terra, cujos pontos principais veremos a seguir. Em 1993, durante o governo do presidente Itamar Franco, a Lei n" 8 629 reafirmou que a terra tem de cumprir uma função social. Foram definidos novos conceitos referentes às dimensões e classificações dos imóveis rurais. Com base no conceito de módulo rural foi utilizado o conceito de módulo fiscal. Segundo o Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, entende-se por módulo fiscal a unidade de medida expressa em hectares, fixada para cada região, considerando os seguintes fatores: - Tipo de exploração predominante no município. - Renda obtida com a exploração predominante. - Outras explorações existentes no município que, embora não sejam predominantes, são significativas em função da renda e da área utilizada. - Conceito de propriedade familiar, O tamanho do módulo fiscal varia de região para região, pois depende de alguns fatores, como as características do clima de cada área ou região. Ainda, segundo a Lei n° 8 629, ficou assim a classificação dos imóveis rurais quanto ao tamanho: - Minifúndio. O imóvel rural com área inferior a um módulo fiscal. - Pequena propriedade. O imóvel rural de área compreendida entre um e quatro módulos fiscais. - Média propriedade. O imóvel rural de área superior a quatro e até quinze módulos fiscais. - Grande propriedade. O imóvel rural de área superior a quinze módulos fiscais. Características da estrutura fundiária brasileira

A análise dos dados expressos nos gráficos abaixo nos mostra as principais características da estrutura fundiária no Brasil. Existe uma absurda concentração de terras em nosso país, onde poucos latifúndios ocupam a maior parte da área total brasileira e o grande número de minifúndios não chega a ocupar 2% dessa área. Como consequência temos um grave quadro socioeconômico: - Poucas propriedades rurais (43 956) com 1000 hectares ou mais concentram mais de 50% da área total do país. Geralmente, uma grande concentração fundiária pode gerar terras ociosas e improdutivas porque seus donos aguardam melhores preços para arrendá-las ou vendê-las (estão concentradas nas regiões Norte e Centro-Oeste). - Muitas propriedades rurais (947 408) não chegam a possuir 2% da área total, inviabilizando, muitas vezes, o plantio de algum produto. A despesa com sementes pode ser maior que o montante obtido com a colheita. - Êxodo rural como consequência da mecanização em algumas grandes propriedades rurais no Centro-Sul e entre os pequenos proprietários, porque produzem pouco, ficam endividados e não têm capital para investir. - Aumento do número de desempregados e subempregados que migram para as periferias das cidades e acabam ocupando áreas de mananciais. E o fato mais grave: o aumento dos conflitos sociais no campo. Mais de 50% dos conflitos de terra no Brasil ocorrem, respectivamente, nas regiões Nordeste e Norte. São regiões de grande concentração de propriedades rurais e de imóveis improdutivos, onde muitas vezes a polícia é mal preparada e mal equipada e os latifundiários impõem sua vontade às leis. Porcentagem da área improdutiva por região Outro triste exemplo da violência no campo são os assassinatos ocorridos entre 1986 e 1996, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Incra e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Soma-se a esse quadro brutal e desumano o uso improdutivo de muitas propriedades rurais que geram o ciclo: êxodo rural – desemprego -violência. A porcentagem dos imóveis improdutivos no Brasil mostra a necessidade urgente de uma política agrícola e de uma reforma agrária que contemple os trabalhadores rurais excluídos. As relações de trabalho no campo Geralmente encontramos entre os trabalhadores rurais brasileiros baixos indicadores socioecon&micos, como elevada natalidade, elevado analfabetismo, pequena qualificação profissional e baixa remuneração. Além disso, eles sofrem com a falta de cumprimento da legislação trabalhista por parte de alguns patrões e o elevado número de acidentes com ferramentas, como facões. Quanto mais distantes das principais cidades e capitais, mais tensas são as relações sociais no campo. O trabalho assalariado temporário é a forma predominante no Brasil. O predomínio do trabalho assalariado é consequência do processo capitalista (capitalização da atividade agrícola) que, por um lado, aumenta a produtividade rural (máquinas, irrigação, sementes selecionadas) e, por outro, dispensa o trabalhador residente ou permanente (aumento do número de assalariados). Tivemos no Brasil uma grande redução das modalidades tradicionais de trabalhadores rurais (permanentes, residentes, colonos e parceiros) e o

aumento de trabalhadores temporários sem vínculo empregatício. Geralmente, eles recebem no fim do dia pelo serviço prestado, trabalhando no plantio ou na colheita de canade-açúcar, laranja ou café. Moram na periferia das cidades onde os aluguéis são menores. Recebem a denominação de peões na região Norte, corumbás, nas regiões Centro-Oeste e Nordeste e bóias - frias nas regiões Sul e Sudeste. Outras formas de trabalho no campo Trabalho familiar. Realizado geralmente nas pequenas e médias propriedades rurais de subsistência. A falta de capital para investir na lavoura e as secas periódicas têm aumentado o número de trabalhadores familiares que abandonam o campo e migram para as periferias das cidades, onde se tornam trabalhadores temporários. Uma exceção entre os trabalhadores familiares é encontrada nas áreas vizinhas dos grandes centros urbanos (cinturões verdes) porque conseguem vender sua produção para os centros de abastecimento, redes de supermercados, feiras livres e até em carros ou caminhões que percorrem as ruas dessas cidades. Arrendamento. Forma de utilização da terra destinada ao cultivo ou à pastagem, que o proprietário arrenda (aluga) a quem tem capital para explorá-la. E comum no interior de São Paulo um grande proprietário arrendar propriedades menores vizinhas para o cultivo da cana-de-açúcar. Parceria. Forma de utilização da terra em que o proprietário dispõe de sua terra para um terceiro (o parceiro) que a cultiva. Em troca, o parceiro entrega ao proprietário parte de sua colheita. A forma de obter a propriedade da terra fez surgir duas figuras que estão frequentemente envolvidas nos conflitos pela terra: o posseiro e o grileiro. Posseiro. Indivíduo que tem a posse da terra e nela trabalha sem, porém, possuir o título de propriedade. Grileiro. Pessoa que toma posse da terra de outros, usando para isso falsas escrituras de propriedade. O peão, trabalhador volante mais recente que o bóia fria, é muito utilizado nas regiões de fronteiras agrícolas, sobretudo em projetos agropecuários da Amazônia. É "contratado" por um intermediário (gato) para trabalhar em regiões distantes, com promessas de salários, alojamento e alimentação. Quando recebe o pagamento, aparecem os "descontos": custos de transporte, alimentação, hospedagem, etc., quase nada restando do seu salário, chegando, às vezes, a ficar devendo. Muitas vezes jagunços e pistoleiros são contratados para evitar a fuga de trabalhadores, reproduzindo uma situação de escravidão (peonagem).

EVOLUÇÃO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO, DESAFIOS E PERSPECTIVAS

Joaquim César Emanoel carlosadm2006@gmail.com

Carlos Barbosa

de

Lourenço Lima

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato: Carlos Lourenço y Barbosa de Lima: "Evolução do agronegócio brasileiro. identificando a sua situação no cenário mundial. Logistic restriction. Economic growth. Although the positive numbers. faz-se mister ressaltar seus antecedentes históricos até o cenário atual. Abstract This study it had for objective sample as if it gave the evolution of the Brazilian agribusiness. it was used of bibliographical boardings that the historical evolution demonstrates. Today one of the biggest impediments for the deslanchamento of the sector is the logistic one of infrastructure of the country. já que ele apresenta muitas vantagens do ponto de vista natural e econômico. além de elevada tecnologia utilizada no campo. identifying its situation in the world-wide scene. chuvas regulares. suas restrições e desafios. 2007). energia solar abundante e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta. eficiente e competitivo no cenário internacional. Texto completo en http://www. passando pelo ponto onde houve um maior impulso ate chegar à posição de destaque que é o de ser uma das maiores potências mundiais do Agronegócio. desafios e perspectivas" en Observatorio de la Economía Latinoamericana. Segundo Rodrigues (2006). Para isso. utilizou-se de abordagens bibliográficas que demonstra a evolução histórica.Resumo Este estudo teve por objetivo mostra como se deu a evolução do Agronegócio brasileiro. Key Words: Agribusiness. Hoje um dos maiores entraves para o deslanchamento do setor é a logística de infraestrutura do país. o Brasil tem 388 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade. segura e rentável. Palavras-Chave: Agronegócio. por meio de uma pesquisa bibliográfica. Com um clima diversificado. O Brasil situa-se.eumed. o país possui 22% das terras agricultáveis do mundo.net/cursecon/ecolat/br/ Introdução O cenário atual aponta que o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. Número 118. . como celeiro mundial em termos de agronegócio. (BORGES. Todo esse cenário brasileiro atual do agronegócio enquadra-se em uma evolução que remonta ao século XVI. Crescimento econômico. O artigo tem como objetivo geral identificar o cenário atual do agronegócio brasileiro. podendo o país explorar melhor suas potencialidades. (MAPA. since it presents many advantages of the natural and economic point of view. the sector presents restrictions and challenges that threaten its permanence enter the greaters in the activity. Esses fatores fazem do país um lugar de vocação natural para a agropecuária e todos os negócios relacionados à suas cadeias produtivas. O agronegócio é hoje a principal locomotiva da economia brasileira e responde por um em cada três reais gerados no país. Restrição logística. o setor apresenta restrições e desafios que ameaçam sua permanência entre os maiores na atividade. dos quais 90 milhões ainda não foram explorados. Apesar dos números positivos. passing for the point where it had a bigger impulse ties to arrive at the prominence position that is of being one of the biggest world-wide powers of the agribusiness. being able the country to explore its potentialities better. 2009. O agronegócio brasileiro é uma atividade próspera. However the percipient ones of the agribusiness are sufficiently promising. dados estes que fazem do agronegócio brasileiro um setor moderno. e como objetivos específicos mostrar a sua evolução. no contexto mundial atual. Com isso. 2005). Contudo as perceptivas do Agronegócio são bastante promissoras. For this.

empacotadores. A agricultura moderna. têm fortes raízes junto ao agronegócio.Agronegócio Agronegócio também chamado de agribusiness. Depende cada vez mais de insumos adquiridos fora da fazenda e sua decisão de o que. No Brasil. o agronegócio é um conjunto de empresas que produzem insumos agrícolas. do armazenamento. sejam eles pequenos. o agronegócio como sendo 'a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas. as indústrias têxteis e calçadistas. extrapolou os limites físicos da propriedade. A primeira parte trata dos negócios agropecuários propriamente ditos (ou de "dentro da porteira") que representam os produtores rurais. essa abordagem sistêmica foi utilizada explicitamente por Araújo. ou de "pós-porteira". se fundamentam na propriedade latifundiária bem como na prática de arrendamentos. processavam os produtos e os comercializavam. transporte. onde estão a compra. até chegar ao consumidor final. dois pesquisadores americanos reconheceram que não seria mais adequado analisar a economia nos moldes tradicionais. com suas implicações sociais. Estes autores concluíram que o agribusiness brasileiro representava 46% dos gastos relativos ao consumo das famílias. ( WIKIPÉDIA. E. os fabricantes de fertilizantes. como comércio de sementes e de máquinas e equipamentos. inclusive o agricultor. o transporte da produção e as atividades voltadas à distribuição. 2009). (JUNIOR PADILHA. O termo inclui todos os setores relacionados às plantações e às criações de animais. Há diferentes agentes no processo produtivo. beneficiamento e venda dos produtos agropecuários. médios ou grandes produtores. segundo Batalha (2002). representados pela indústrias e comércios que fornecem insumos para a produção rural. A definição correta de agronegócio é muito mais antiga do que se imagina e incorpora qualquer tipo de empresa rural. é o conjunto de negócios relacionados à agricultura dentro do ponto de vista econômico. constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeiros ou camponeses) ou de pessoas jurídicas (empresas). Costuma-se dividir o estudo do agronegócio em três partes. estão os negócios à jusante dos negócios agropecuários. na terceira parte. Na segunda parte. via de regra. os abatedouros. baseada no plantio ou na criação de rebanhos e em grandes extensões de terra. Por exemplo. Histórico e Evolução do Agronegócio Brasileiro A história econômica brasileira. Assim. A ocupação do território brasileiro iniciada durante o século XVI e apoiada na doação de . o que correspondia ao equivalente a 32% do PIB brasileiro em 1980. defensivos químicos. com seus elos entrelaçados e sua interdependência. o Agronegócio é toda relação comercial envolvendo produtos agrícolas. Em 1957. com setores isolados que fabricavam insumos. em uma permanente negociação de quantidades e preços. Wedekin e Pinazza (1990). O conceito de agronegócio implica na idéia de cadeia produtiva. substituindo a análise parcial dos estudos sobre economia agrícola pela análise sistêmica da agricultura. 2004). Este conceito procura abarcar todos os vínculos intersetoriais do setor agrícola. as empresas de processamento e toda a distribuição. os negócios à montante (ou "da pré-porteira") aos da agropecuária. mesmo a familiar. políticas e culturais. supermercados e distribuidores de alimentos. caracterizada pela agricultura em grande escala. as propriedades rurais. deslocando o centro de análise de dentro para fora da fazenda. etc. No Brasil o termo é usado quando se refere a um tipo especial de produção agrícola. Davis e Goldberg (1957) definem. Foi à exploração de uma madeira. está fortemente relacionada ao mercado consumidor. Já para Callado (2006). quanto e de que como produzir. Estes negócios. que deu nome definitivo ao nosso País. equipamentos. das operações de produção na fazenda. Este tipo de produção agrícola também é chamada de agribusiness ou agrobusiness. com a finalidade de levantar as dimensões básicas do agribusiness brasileiro. as indústrias agrícolas. o pau Brasil. processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles'. Enquadram-se nesta definição os frigoríficos.

(RENAI. o país é visto por muitos especialistas como principal candidato ao posto de grande fornecedor alimentício global. a borracha dá exuberância à região amazônica. proporcionando o domínio de regiões antes consideradas “inóspitas” para a agropecuária. hortaliças. mão-de-obra acessível e diversas questões ligadas à conjuntura internacional. a exploração da madeira nas serras e a agricultura se desenvolvem com a participação das várias etnias que compõem o mosaico populacional da região. por exemplo. as perspectivas são promissoras. Por conta de condições extremamente favoráveis para a contínua expansão deste mercado. consolidado na forte rede de interligação entre a agricultura e a indústria. transformando Manaus numa metrópole mundial. a suinocultura . 2006). conquistando metade do mercado internacional. Até 2015. como a do vinho e dos móveis. com o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia. madeira (papel. como são os cerrados com uma reserva de 80 milhões de hectares.terras por intermédio de sesmarias. a soja ganha destaque como principal commodity brasileira de exportação. Perspectivas Para o Agronegócio Brasileiro Para Contini (2001). com maior intensidade na de 1960 até a de 1980. dispõe de produtores rurais experimentes e capazes de transformar essas potencialidades em produtos comercializáveis e detém um estoque de conhecimentos e tecnologias agropecuárias. a participação nacional no mercado internacional de soja deve crescer dos atuais 36% para 46%. tabaco. a ser um especialista. O país passou então a ser considerado como aquele que dominou a “agricultura tropical”. chá. envolvido quase exclusivamente com as operações de cultivo e criação de animais. transformadoras de recursos em produtos. com isso. 2006). processar e distribuir produtos agropecuários. café. processamento e distribuição final constituem o vetor de maior propulsão no valor da produção vendida ao consumidor. da carne bovina. Atualmente. açúcar e álcool. monocultura da cana-de-açúcar e no regime escravocrata foi responsável pela expansão do latifúndio. chamando a atenção de todos os nossos parceiros e competidores em nível mundial. instalam-se agroindústrias. Nas áreas em que o país ainda tem uma fatia pequena do comércio mundial. (VILARINHO. gradativamente. Em síntese. as funções de armazenar. a partir da década de 1930. O agronegócio brasileiro passou por um grande impulso entre as décadas de 1970 e 1990. carnes e derivados de animais. as evoluções devem ser muito maiores. celulose e outros). Isso fez surgir à oferta de um grande número de produtos. planas e baratas. de acordo com previsões dos especialistas da área. "Num futuro próximo. O progresso do Sul do Brasil também está ligado ao agronegócio. logo depois o café torna-se a mais importante fonte de poupança interna e o principal financiador do processo de industrialização. produtos oriundos do complexo de soja. Por qualquer ângulo que se analise o mercado. fica evidente que. o tamanho que o Brasil adquiriu no campo do agronegócio é impressionante. algodão e fibras têxteis vegetais. o salto será de 58% para 66%. Na suinocultura. impulsionando. cereais e derivados e a borracha natural são itens importantes da pauta de exportação brasileira (VILARINHO. Antes da expansão deste sistema monocultor. com grande desenvolvimento no Nordeste. como a cana-de-açúcar. o Brasil deve quadruplicar sua participação. A extinção do pau-brasil coincidiu com o início da implantação da lavoura canavieira. fumo. frutas e derivados. O Brasil detém terras abundantes. como farto espaço territorial. No caso do frango. que durante esse período serviu de base e sustentação para a economia. no início do século. O processo de colonização e crescimento está ligado a vários ciclos agroindustriais. A evolução da composição do Complexo do Agronegócio confirma que as cadeias do agronegócio adicionam valor às matérias-primas agrícolas onde o setor de armazenamento. Da poupança da agricultura. de suínos e aves. o produtor rural passou. já havia se instalado no país como primeira atividade econômica a extração do pau-brasil. bem como as de suprir insumos e fatores de produção. mais recentemente. foram transferidas para organizações produtivas e de serviços nacionais e/ou internacionais fora da fazenda. por sua vez. A pecuária domina os pampas. 2007). ainda mais a indústria de base agrícola.

49% menor do que o registrado no mesmo período de 2008. 2009) A Tabela mostra o superávit do agronegócio brasileiro. já sentindo os efeitos da crise. em 1995. ou 26% do PIB (29%. Estes são pontos que reforçam a importância do agronegócio no Brasil.86 US$ 8. Mesmo reconhecendo-se os benefícios da transformação de uma sociedade agrária para uma industrial-urbana.811 US$ 19.799 US$ 4.863 US$ 24. abrangendo o suprimento de insumos. Importância Econômico-Social do Agronegócio Brasileiro O agronegócio é também importante na geração de renda e riqueza do País.366 bilhões. No entanto.639 US$ 39. no Brasil.492 US$ 4.040 US$ 58. era de 182 para a agropecuária. No aspecto social. um crescimento espetacular do setor.848 US$ 34. de janeiro a maio deste ano. não se pode esquecer que esta tem capacidade limitada de absorver mão-de-obra. no total.180 US$ 49. o número de ocupados. De acordo com os números.53% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no primeiro trimestre de 2009.7 bilhões em 2007.016 US$ 20. o crescimento do superávit do ano 2000 até 2007 foi de 235% no período. O agronegócio como um todo envolve mais de 1/3 do PIB brasileiro.CNA). os setores da agricultura. A agricultura contribuiu decisivamente para as exportações com saldo comercial setorial positivo da ordem de US$ 40. No contexto da recente crise cambial. A maior parte deste montante refere-se a negócios fora das porteiras.18 bilhões de dólares em 2006 e de 49. 2001). 38 para a construção civil.200 Saldo US$ 14. Tabela 1 – Balança comercial do agronegócio brasileiro (US$ bilhões) Período 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Exportações US$ 20. Pecuária e Abastecimento. 2009).400 US$ 69.000 US$ 40. 25 para a extração mineral.000 US$ 52. além de sua grande competitividade. utilização de alta tecnologia e gerador de empregos e riquezas para o país. o beneficiamento/processamento das matérias-primas e a distribuição dos produtos. o agronegócio tem sido um fator que minimizou os desequilíbrios das contas externas do Brasil.015 US$ 42.200 Fonte: Mapa (Ministério da Agricultura. É o setor que ocupa mais mão-de-obra em relação ao valor de produção: para cada R$ 1 milhão. (RENAI.737 bilhões. as importações chegaram a US$ 4. O agronegócio é o maior negócio mundial e brasileiro. que somados a 10 milhões dos demais componentes do agronegócio.700 US$ 11. No mundo. 2002).134 US$ 37. o resultado é 12. saldo acumulado é de US$ 19.103 bilhões. segundo a Confederação Nacional da Agricultura .847 US$ 4. Enquanto as exportações renderam US$ 24.791 US$ 4. em torno de R$ 350 bilhões. (CNA.881 US$ 5. ao redor de 17 milhões de pessoas. da agroindustrialização e de áreas correlatas serão importantes para o crescimento da renda e do emprego. 2007 apud SEIBEL. representa a geração de U$ 6. a balança comercial do agronegócio teve uma queda de 0.400 Importações US$ 5. (Ver Tabela1). evidenciando que o setor tem participação importante para o equilíbrio de nossas contas. Principalmente em regiões menos desenvolvidas. representa 27 milhões de pessoas.será tão importante para a balança comercial do país quanto são hoje o frango e a carne bovina” (NETO. a agricultura é o setor econômico que ainda mais ocupa mão-de-obra.839 US$ 30. Apesar do saldo.700 US$ 58.5 trilhões/ano e. . 2007). (STEFANELO.610 US$ 23.347 US$ 25. 2007).000 US$ 11. (CONTINI.

açúcar. a velocidade média das composições não ultrapassa lentos 25 km/h. o Governo Federal criou o (PAC) Programa de Aceleração do Crescimento lançado no começo de 2007. dos 84. reduzir custos e aumentar a produtividade . com 2. elaborada pela CNT Confederação Nacional do Transporte (2007). o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. assim como as expectativas futuras. 2007). 2009). um aumento de 10. foi concebido para eliminar esse descompasso e afastar o risco de gargalos nos próximos anos. suco de laranja e soja. O gargalo logístico envolve praticamente toda a infra-estrutura de transporte do país. Em razão desse tipo de problema.Quando os efeitos da crise passar. portos e canais de irrigação nos próximos anos. em que apenas 10 mil quilômetros são efetivamente utilizados. em particular a precariedade da malha rodoviária do país. Na certeza que só as Parcerias Público-Privada. ainda estão longe de suprir a demanda do setor de agronegócio e se consolidar como uma alternativa viável ao transporte rodoviário.29% em relação a 2005. 2007). a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. (PAC. Embora a privatização tenha contribuído para a modernização dos portos. Como resultado. caso dos 42 mil quilômetros de hidrovias.8% acima dos US$ 52.832 quilômetros avaliados. ferrovias. As ferrovias.4 bilhões. O país é líder mundial de exportação de açúcar. ainda não conseguiram deslanchar. Enquanto o índice internacional de movimentação é de 40 contêineres/hora. Em 2006 as exportações cresceram 19. em termos de saldo. (BORGES. Consciente de que sozinho não conseguirá reverter esse quadro. Esse montante coloca o Brasil entre os líderes mundiais na produção de soja.o maior obstáculo para o desenvolvimento do agronegócio do Brasil. não será suficiente para dotar o país de bom infra-estrutura. De acordo com uma das pesquisas mais recentes sobre o assunto. que pretende investir R$ 13. segundo estudo do Centro de Estudos de Logística da Universidade do Rio de Janeiro. como o Nordeste. deixamos de fazer uso de canais de transporte de grande potencial. o governo federal já busca o apoio da iniciativa privada. Assumiu também a dianteira nos segmentos de carne bovina e frango. café. o excesso de mão-de-obra (que chega a ser de três a nove vezes superiores aos portos europeus e sul-americanos) ainda mantém os padrões de produtividade baixos. carne bovina e de frango. de que o agronegócio pode sair dessa melhor do que entrou. não forem solucionados. regiões com potencial no agronegócio. apenas 10% de sua capacidade total. café. 37% encontram-se em estado péssimo de conservação e outros 32% possuem alguma deficiência. Ainda de acordo com a mesma fonte. cujas deficiências são responsáveis por prejuízo correspondente a 16% do PIB. No transporte marítimo de cabotagem (outro canal com grande potencial no Brasil) assistimos a uma situação semelhante. Um dos grandes entraves é a infra-estrutura. nos portos brasileiros essa média é de 27. escoa apenas 2 milhões de toneladas de carga/ano. Ao mesmo tempo. sistemas como o do Tietê-Paraná. país 22 vezes menor que o Brasil) é urgente a modernização do maquinário. a ampliação em 2007 foi de cerca de US$ 58. Por meio do plano de Parceria Público-Privada. O agronegócio é justamente o que mais sofre com a ineficiência dos canais de transporte.4 mil quilômetros e que consumiu US$ 2 bilhões em investimentos públicos em vários governos. as perspectivas acompanham as já anunciadas para o Brasil. correm sérios riscos de sofrer um pesado revés se os problemas relacionados à infra-estrutura logística . embora tenham recebido investimentos com a privatização. Mas todos esses bons resultados. Além da ampliação da malha de 30 mil quilômetros de extensão (praticamente igual a do Japão. Com os trens e bitolas atuais. É um dos motivos pelos quais todos os anos caminhões formam filas de até 150 quilômetros de extensão para descarregar suas cargas no porto de Paranaguá (PR). milho. (BORGES. O objetivo do programa é aumentar o investimento em infra-estrutura para: eliminar os principais gargalos que podem restringir o crescimento da economia.04 bilhões de 2006. depois de ultrapassar tradicionais concorrentes. Desafios do Agronegócio no Brasil Segundo indicadores da (Unctad). Essas boas posições devem consolidar-se ainda mais nos próximos anos. como Estados Unidos e Austrália.68 bilhões em 23 projetos de reformas em rodovias.

Para ilustrar o que estamos falando. o SAI brasileiro ocupa lugar de destaque entre os países produtores de alimento no mundo. marítimo. basta destacar que um único comboio na hidrovia Rio Madeira tem capacidade para 18 mil toneladas de grãos. Mesmo assim. a carga tributária deve ser compatível com a dos nossos competidores. mas as soluções também existem e precisam ser colocadas em prática.das empresas. . o mesmo encontra muitos problemas e desafios a serem superados que dependem. é indiscutível a importância do agronegócio à nossa economia. Além das medidas de controle sanitário que também estão na relação de assuntos importantes que vêm sendo negligenciados pelo governo. Com uma economia aberta ao exterior. Muito embora o potencial de comércio do agronegócio brasileiro seja muito grande. Já em 2000. Não há como o produtor rural e a agroindústria serem competitivos com governos vorazes em criar novos impostos. vezes há que perde o próprio mercado interno porque os produtos importados chegam mais baratos. Os investimentos em Infra-Estrutura logística do PAC previstos até 2010 são de R$ 58 bilhões de reais. É preciso destacar também que. mantenham a sua determinação em modernizar a infra-estrutura brasileira. Por causa do surgimento de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná. ferroviário. incentivando a criação de pólos intermodais de transporte (integração entre os sistemas rodoviário. tornando-os mais competitivos no mercado internacional. de investimentos tanto públicos como privados. quanto a iniciativa privada. Outro obstáculo sério ao desenvolvimento pleno do agronegócio está relacionado ao sistema tributário. com diminuição da carga e simplificação dos procedimentos na tributação. Isso sem falar da economia de combustível e de fretes. a iniciativa privada ainda tem muito a contribuir para o desenvolvimento da infra-estrutura do país. que prejudicou as exportações mesmo de países que não registraram casos da doença (como o Brasil). isto é com possibilidade de exportar e importar qualquer produto do agronegócio. poderia ser ainda maior se houvesse políticas sérias agrárias e de infra-estrutura. Apesar das grandes vantagens encontradas no agronegócio brasileiro e das suas boas perspectivas futuras. substituindo 600 carretas de 30 toneladas nos eixos Cuiabá (MT) / Santos (SP) e Cuiabá (MT) /Paranaguá (PR). é que tanto o governo nas esferas federal. fluvial e aéreo) para redução de custos e aumento do nível de serviços. estadual e municipal. fica difícil ao produtor brasileiro competir nos mercados externos. o agronegócio brasileiro sofreu com o surto de gripe aviária. Além do embargo à carne bovina. o que aumenta os custos de produção. segundo Seibel (2007) mais de 50 países impuseram embargo à carne bovina desses estados. Considerações Finais Como se observa. essencialmente. estimular o aumento do investimento privado. O potencial de prejuízos que isso pode acarretar aos produtores já foi demonstrado nos últimos anos. e reduzir as desigualdades regionais. na redução do tráfego e desgaste das rodovias. Essa redução dos custos de transporte contribuiria diretamente para reduzir os custos de nossos produtos. e resolva os problemas domésticos para que o pais se torne a potência do agronegócio do futuro. A reforma tributária é urgente. além dos recursos. Como nossos concorrentes. os obstáculos para o crescimento do agronegócio brasileiro são imensos. inclusive no Mercosul. têm impostos baixos. ligada ao Ministério dos Transportes). Um exemplo do potencial desses pólos é representado por um estudo do Geipot (Empresa Brasileira de Planejamento em Transportes. O que esperamos. O agronegócio se tornou o setor chave para que o Brasil se inclua no comercio mundial. que estão entre os maiores produtores nacionais. Como se vê. a empresa alertava que o melhor aproveitamento e a utilização racional dos canais de transporte seria capaz de economizar em cerca de US$ 75 milhões os custos anuais de escoamento de grãos. bem como de mudanças nas políticas econômicas internas. Como se vê. os obstáculos para o crescimento do agronegócio brasileiro são imensos. mas podem ser superados. aumentar os atuais e com mecanismos complexos de arrecadação.

Acesso em: 09 jul. Referências ARAÚJO. N. R. 1990. A.. Acesso em: 09 jan. cresce sua participação no mercado internacional. Munoz. ainda. Gestão agroindustrial. entretanto. A. incremental e aplicação de políticas mais flexíveis e ágeis de crédito ao setor agrário.2009. Os juros bem como as altas taxas de importação de aparatos agrícolas vêm. BORGES. restringindo a inserção de novas tecnologias e/ou tecnologias de ponta à agricultura de determinadas regiões.net/cursecon/ecolat/br/>.br>. deve-se calcar na viabilidade produtiva.com. J.agronline. estrategicamente suplanta qualquer problema. que dê sustentabilidade continuada ao setor. como o NE brasileiro. Disponível em: < http://www. Nas contingências atuais. Cunha. climas favoráveis. o agronegócio brasileiro é persistente e.empreendedorrural. CALLADO. L. BATALHA.CNA. Antonio A. ed. 1. 2. CARDOZO. Wedekin. Acesso em: 16 dez. fazendo do agronegócio o nosso maior negócio. 2001. B. Acesso em: 06 fev. Boston: Harvard University.eumed. São Paulo: Atlas. Disponível em: <http://www. CONTINI. Brasil. Pinazza. Goldberg.br>. por exemplo.br/artigos/artigo>. através. Altamiro. do PPP. São Paulo: Agroceres. Logo. com que os investimentos se tornarem lucros financeiros e socialmente.2009.cna. Se faz necessário ainda. de fato. A concept of agribusiness. Alardear o potencial do agronegócio brasileiro é o que tem sido feito pelo poder público. potencial de produção. Agronegócio. 2006. y Mauch Palmeira. ao Estado brasileiro promover a modernização de máquinas e equipamentos que dá suporte ao desenvolvimento da boa performance do campo. contigencialmente não tem passado de engodo da velha política brasileira. DAVIS. 1957. 135 p.com.2009. apesar desses obstáculos. já passou da fase de discussão. ed. H. Complexo agroindustrial: o agribusiness brasileiro. Acesso em: 09 jan. nas diretrizes corretas fomentadas pelo Estado e na vertiginosa capacidade privada de produzir de racionalizar e de fazer. O grande desafio do agronegócio no http://www. Disponível em: < CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL . I. Número 71. Elisio. 238p. as políticas econômicas impedem que o rendimento seja maior e os problemas de logística geram custos elevados. o país precisa resolver problemas estruturais. São Paulo: Atlas.Cabe ainda lembrar que para o Brasil se tornar a grande potência mundial do agronegócio. Além do mais.: "Desafios de logística nas exportações brasileiras do complexo agronegocial da soja" en Observatorio de la Economia Latino americana. Dinamismo do Agronegócio Brasileiro. .br/site/agencia/>. que discute com a iniciativa privada a reconstrução da malha logística do Brasil em todos os segmentos modais. Mário Otávio.Ministério da Agricultura. Cabe. Contudo.2009.. Pecuária e Abastecimento (MAPA). Isto implica dizer que as nossas vantagens como terras abundantes. http://www.agricultura. 2006. buscar soluções práticas e definitivas. E. Disponível em: < http://www. Disponível em: < BRASIL .2008. pois somos competitivos em algumas cadeias produtivas e em outras não. imensa disponibilidade de água doce e energia renovável e sua capacidade empresarial. se faz necessário a criação de políticas públicas urgentes voltadas à infra-estrutura do país.gov. C. ao longo dos anos. a articulação.org.

RENAI.br/portal/>. Ministério da Agricultura. em um Ambiente de Risco. Agronegócio Brasileiro: Uma Oportunidade de Investimentos. V.br/intern>.2009. O Impacto da Reserva Legal Florestal sobre a Agropecuária Paranaense. Curitiba. n. Pecuária e Abastecimento.br>. Acesso em: 09 jan.2009. O novo salto do agronegócio. Maria Regina. Exame. Disponível em: < http://www.br/embrapa/ >. Disponível em: < http://www.gov. A Rede Nacional de Informações sobre o Investimento. Entre o tutorial e o participativo.wikipedia. Dissertação (Doutorado em Ciências Florestais). Disponível em: <www. Acesso em: 09 jan. Disponível http://www.gov. p.pac.com.desenvolvimento.doc . Rio de Janeiro. WIKIPEDIA. 2004. Felipe.br>.portalexame.2009. Acesso em: 29 jan.JUNIOR PADILHA. Eugênio L. em: < STEFANELO.60. Questões sanitárias e o agronegócio brasileiro. Universidade Federal do Paraná. n 3. SEIBEL. MAPA.2009. Conjuntura Econômica.gov.abril. Nov.2009.Tecnologia Google DocsOrkut Gmail Agenda Docs Fotos Web mais ▼Reader Sites Grupos YouTube Imagens . Programa de Aceleração do Crescimento. set.11. Acesso em: 09 jan. Acesso em: 29 jan.2009.com. O Setor de Agronegócio no Brasil: Histórico e Evolução do Agronegócio Brasileiro. B.14-15.agricultura.br/berto/anuarioagrone>. PAC.embrapa. Roberto. Acesso em: 29 jan. 2002. O céu é o limite para o agronegócio brasileiro. Disponível em: <http://www. VILARINHO.2006. João. Revista FAE Business. Agronegócio brasileiro: propostas e tendências. RODRIGUES. Disponível em: < http://investimentos.

doc Salvar no Google DocsEditar ArquivoVisualizar Visualizar Salvar no Google Docs Download Imprimir (PDF)ENTRE O TUTORIAL E O PARTICIPATIVO: A ABORDAGEM DE INTERVENÇÃO NA ESTRATÉGIA DE AÇÃO DO BANCO DO NORDESTE1 .Docs | Fazer login Entre o tutorial e o participativo.Vídeos Mapas Notícias Livros Tradutor Acadêmico Blogs Em tempo real e muito mais » Configurações .

Maria Odete Alves2 Lucimar Leão Silveira3

RESUMO

Analisam-se os aspectos da abordagem de intervenção utilizada pelo Banco do Nordeste do Brasil S.A, ao implementar uma estratégia de apoio ao pequeno produtor rural nordestino, além dos efeitos de um programa específico de capacitação inserido na mesma estratégia (Projeto Banco do Nordeste/PNUD), no nível de participação de associados na gestão e nos processos decisórios das organizações associativas. Verifica-se a existência de um processo em que há delineamentos de duas abordagens distintas: a) uma primeira etapa, com base no estímulo ao associativismo, cuja ação é tipicamente tutorial b) uma segunda etapa, através de um programa de capacitação inserido na mesma estratégia, ocorrendo de forma simultânea e dirigido ao mesmo público, contemplando uma ação ativa dos grupos para os quais se dirige, com características da intervenção participativa. Há um avanço na consciência dos sócios submetidos ao processo de capacitação, quando assumem que a participação não se refere apenas à qualidade de membro do grupo, mas significa tomar parte ativa nas decisões, planejar e executar determinada ação. Apesar dos avanços, a participação ainda se apresenta em nível micro, pois não se percebe uma intervenção dos indivíduos no sentido de modificar a sociedade.

Termos para indexação - estratégias de intervenção, intervenção pública, desenvolvimento rural,

participação.

Artigo apresentado no XXXVI Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural, Poços de Caldas, 1998. Enga Agrônoma, pesquisadora do BNB/ETENE e mestranda em Administração Rural e Desenvolvimento pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), CP 37, CEP 37.200-000 - Lavras - MG. 3 MS pela UFMG, professor do Departamento Educação da Universidade Federal de Lavras (UFLA), CP 37, CEP 37.200-000 - Lavras - MG.

1

1. A PARTICIPAÇÃO POPULAR NOS PROJETOS GOVERNAMENTAIS

As propostas de participação do povo em projetos governamentais surgiram após a Segunda Guerra

Mundial, inseridas numa proposta de Desenvolvimento de Comunidade (DC), cujo objetivo

institucionalizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) seria solucionar problemas de integração de

esforços da população a planos regionais e nacionais de desenvolvimento econômico e social.

Estudo realizado por Ammann (1987) acerca do DC dá conta de que sua proposta, na prática,

consistia na implementação de programa de assistência técnica e social nos países subdesenvolvidos,

sobretudo da América Latina.

As primeiras propostas de DC no Brasil surgem no final dos anos 40. O apoio oficial se dá no

sentido de incrementar a produção de alimentos e a educação rural e industrial, reproduzindo o modelo

americano de extensão rural. Apesar de proclamar a participação popular como ingrediente necessário ao

processo de desenvolvimento nacional, o DC apresenta o conceito de participação de forma muito vaga e,

na prática, se afirma como instrumento do Estado para favorecer o consentimento espontâneo das classes

subordinadas às estratégias por ele definidas (Ammann, 1987).

Este método de intervenção passou a sofrer severas críticas, principalmente a partir da década de 70,

devido aos fracassos acumulados em termos de resposta aos problemas de exclusão social. Nesse período

surgiram abordagens alternativas, tendo como fundamento a participação consciente do povo no seu próprio

desenvolvimento e a prática da educação (Alencar, 1990). Esta outra visão de desenvolvimento sugere

mudanças no eixo do planejamento, desde as altas esferas de decisão até a localidade onde os agentes do

meio podem envolver-se plenamente nas decisões de sua comunidade.

Nos últimos anos, embora de forma tímida, algumas agências estatais têm caminhando no sentido dessa outra visão de desenvolvimento, a exemplo do Banco do Nordeste, que desde o início dos anos 90 vem promovendo algumas mudanças no processo de intervenção. A proposta deste trabalho surge, então, do interesse em fazer uma análise desse novo processo de intervenção, bem como verificar alguns dos seus efeitos na prática. A análise realizada apóia-se nos trabalhos de Oakley (1980) e Alencar (1990), que tratam das abordagens de intervenção convencional e educação participativa, e naqueles desenvolvidos por Ammann (1987), Bordenave (1987) e Demo (1993),

que fundamentam o conceito de participação.

2. A INTERVENÇÃO DO BANCO DO NORDESTE DO BRASIL (BNB)

O BNB é um órgão auxiliar para gestão e execução de políticas de crédito do Governo Federal.

Criado em 1952, tem a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável do Nordeste do Brasil,

promover a integração econômica regional com a economia brasileira e internacional e redução das

desigualdades regionais (Banco do Nordeste, 1993). A partir de 1967 torna-se o principal repassador de

recursos do Banco Central (BC) para a região Nordeste (Gondim et al., 1991).

Em 1991 Gondim et al. propõem ao Banco do Nordeste uma estratégia de apoio ao pequeno produtor

em que o associativismo é o instrumento para implementação. Criado pela Constituição de 1988. É atualmente a principal fonte de que dispõe a Instituição para financiar as atividades produtivas da Região (Banco do Nordeste. acentuada a partir de 1990 com o início da operacionalização do referido Fundo. O documento reconhece que os resultados da ação do Banco junto aos pequenos produtores rurais têm sido frustrantes. o documento sugere algumas medidas. FNE: Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. Implícita no documento se observa a preocupação principal em dar maior capilaridade ao crédito fornecido pela Instituição.8% do total arrecadado do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. nesse ano constata-se uma grande concentração do crédito em mãos de grandes produtores. o desenvolvimento de um programa de capacitação técnica para os pequenos produtores rurais. alegando a falta de uma estratégia adequada para apoiar essa categoria de produtores. Assim. em particular. em complemento ao suprimento creditício. os recursos do FNE4. dentre as quais.rural da Região. . 1993). é formado pela alocação de 1.

bem como aos papéis atribuídos aos agentes externos e ao público alvo. Na abordagem “ educação participativa” o agente externo passa a ter um papel de educador: . por ele denominada de convencional ou “tutorial” e a abordagem “educação participativa”. Na abordagem “tutorial” o agente externo é o responsável pelo diagnóstico da realidade e pelo estabelecimento de meios para solucionar os problemas detectados. A INTERVENÇÃO NO MEIO RURAL: O CONFRONTO ENTRE DUAS ABORDAGENS Com base em estudos publicados a partir da década de 70. As duas abordagens apresentam diferenças metodológicas fundamentais no que diz respeito à unidade social para a qual se dirige a ação.2 3. A comunidade é vista como um sistema social homogêneo. ou seja. Alencar (1990) estabelece um paralelo entre duas abordagens de intervenção no meio rural: aquela normalmente utilizada nas políticas tradicionais. enquanto os membros do grupo exercem um papel passivo. as estratégias de intervenção são lineares.

1980. . A partir dos resultados da avaliação o próprio grupo assume a responsabilidade de buscar novas ações. promove a organização inicial dos grupos identificados e orienta a identificação dos problemas. pelo estabelecimento de meios para solucioná-los e pela avaliação das ações executadas. Os membros do grupo responsabilizam-se pelo diagnóstico da realidade.identifica os grupos com interesses comuns. sendo vista então como um grupo internamente diferenciado. O processo de educação utilizado na abordagem “educação participativa” é fundamentado na conscientização. Nessa abordagem a comunidade deixa de ter estrutura homogênea. p. fundamentada em Paulo Freire. para quem a conscientização não significa simplesmente a tomada de consciência da realidade ou “estar frente à realidade”. que requer tratamento diferenciado.26). pois “Implica que os homens assumem o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo” e só existe quando há o ato “ação-reflexão-ação” (Freire.

desenvolvimento da consciência da realidade por parte dos 3 indivíduos e dos grupos. 4) solidariedade predisposição dos indivíduos em cooperar dentro do grupo.estruturação do grupo e controle que os membros do grupo possuem sobre sua organização ou estrutura. planejamento e execução de ações para solucioná-los. por parte dos membros do grupo. PARTICIPAR É CONTRIBUIR PARA A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE . na tomada de decisões. 5) articulação - estabelecimento. à capacidade dos indivíduos para analisá- los. identificando as possíveis causas e propondo soluções. 3) organização . 4. 2) participação envolvimento ativo dos indivíduos na identificação dos problemas e de suas causas.Oakley (1980) identificou no processo de “educação participativa” cinco subprocessos fundamentais e interrelacionados: 1) faculdade crítica . desenvolvendo ações que visem à solução dos problemas. o que contribui para o aumento do seu poder de barganha. de curso de ações para lidar com os problemas com os quais se defrontam. e conduz à identificação de problemas.

no entender de Ammann (1978) e Bordenave (1987). Em cada nível e em cada caso. a dinâmica da participação será diferente. Isto é. A participação é concebida como uma necessidade básica. . no entanto. a fazer valer seus direitos e a lutar pela transformação da estrutura social. não nasce sabendo participar. É através dela que uma comunidade é estimulada a buscar seu próprio espaço. A pessoa. 1987). ocorre quando há a intervenção das pessoas nos processos dinâmicos que constituem ou modificam a sociedade. as diversas forças e operações que constituem a dinâmica da participação devem ser apreendidas e dominadas pelas pessoas. A macroparticipação ou participação social.O entendimento da intervenção na perspectiva de educação participativa requer algumas considerações sobre a natureza e o conteúdo do processo participativo. O que quer dizer que existe uma diferença entre as dinâmicas da microparticipação em grupos primários e associativos e da macroparticipação na luta social e política de grandes massas (Bordenave. A participação é uma habilidade que se aprende e se aperfeiçoa.

Não existe participação suficiente. na busca do próprio espaço de participação. p. sempre se 4 fazendo.) a participação é em essência autopromoção e existe enquanto conquista processual. nem acabada.. o processo de construção de uma sociedade participativa se inicia na aprendizagem do dia-a-dia na família. na comunidade etc. participação imposta (quando o indivíduo é obrigado a fazer parte do grupo e exercer certas atividades consideradas . Neste sentido.18): é um processo de conquista. Bordenave (1987) classifica a participação em cinco tipos: participação de fato (é o primeiro tipo de participação do indivíduo).. nisto mesmo começa a regredir”. um processo no sentido legítimo do termo: “. na tentativa de defender interesses individuais ou coletivos mais imediatos.. como coloca Demo (1993. em constante vir-a-ser. Participação que se imagina completa. (.A participação social não é algo acabado. de vizinhos etc). participação espontânea (no grupo de amigos. na escola.. infindável..

que objetiva manter a participação do indivíduo e dos grupos restrito a relações sociais primárias. mesmo o planejamento participativo tem seu lado positivo. pois a participação. as cooperativas. que decidem sobre a organização. de modo a criar uma “ilusão de participação” política e social. Na medida em que . Contudo. objetivos e métodos de trabalho) e participação concedida (a parte de poder ou de influência exercida pelos subordinados e considerada legítima por eles mesmos e seus superiores). como o local de trabalho. as associações profissionais etc. Este faz parte da ideologia necessária para o exercício do projeto de direção-dominação. da capacidade de tomar decisões e de adquirir poder. encerra em si mesma uma contradição e um potencial de conhecimento da realidade. embora concedida. participação voluntária (o grupo é criado pelos próprios participantes. a vizinhança.indispensáveis). de crescimento da consciência crítica. Este autor cita como um exemplo típico de participação concedida o “planejamento participativo” implantado por alguns organismos oficiais. as paróquias.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A coleta de informações foi dividida em duas partes distintas: para a análise realizada no item 6. cujo fenômeno básico é o controle do poder. não se deve perder de vista que a participação terá a constante oposição das classes dirigentes. a forçar os mandantes a servirem à comunidade. a deseleger. poder-se considerar a participação como o exercício da democracia. pois coloca em julgamento seu poder e privilégios. a exigir prestação de contas. para a análise do item 6. 1993). qualquer oportunidade de participação constitui um avanço e não retrocesso. e não para o aumento da dependência.2. Entretanto. e assim por diante (Demo. Daí. a estabelecer rodízio no poder. recorreu-se a publicações e documentos do Banco do Nordeste que orientam o FNE.se aproveitem as oportunidades de participação para tal crescimento. a dados de uma . a desburocratizar. 5. pois através dela aprende-se a 5 eleger..1. a estratégia de apoio ao pequeno produtor e o Projeto Banco do Nordeste/PNUD5.

Portanto. Utilizou-se nessa pesquisa uma população selecionada através de amostragem probabilística estratificada.pesquisa do tipo Survey6. cooperativas de crédito e associações atendidas no âmbito do PROGER7. cooperativas de eletrificação/telefonia rural. cooperativas de irrigação. do total de entrevistados. 59 organizações (26 cooperativas e 33 associações) e 687 produtores não haviam recebido o apoio do Projeto até o momento da pesquisa. Os produtores vinculados a tais organizações e atendidos pelo mesmo Programa perfaziam um total de 158. quando foram utilizados questionários estruturados específicos para cada categoria. junto a 70 entidades (35 cooperativas e 35 associações) e 910 produtores rurais nordestinos associados dessas organizações. Nesta etapa utilizou-se o Experimento: tomaram-se os dados da pesquisa Survey e procedeu-se a um corte entre o grupo . além dos atributos: organizações atendidas pelo Projeto Banco do Nordeste/PNUD. realizada entre dez/94 e nov/95. correspondiam a 9 cooperativas e 2 associações. As organizações atendidas pelo Projeto Banco do Nordeste/PNUD.

4) participação no uso de bens e prestação de serviços. A INTERVENÇÃO: DA ABORDAGEM AOS EFEITOS . representado pelas organizações e associados expostos ao processo de capacitação através do Projeto (aqui denominado de PNUD ou capacitados) e o grupo de controle ou testemunha. Em seguida foram segregados.experimental. 3) participação na gestão econômico-financeira. tomando-se por base os valores absolutos para posterior comparação. Foram então selecionadas todas as variáveis relacionadas com a participação dos associados na gestão e no processo decisório da organização: 1) participação na organização social. tabulados e analisados os dados dos grupos 6. (capacitados e não-capacitados). 2) participação na PNUD: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 6 gestão administrativa. formado pelos não expostos ao processo (denominado de DEMAIS ou não-capacitados).

até então concentrado na categoria dos grandes produtores.7%.6%. o crédito associativo passou a desfrutar de algumas vantagens comparativamente ao crédito direto8. que receberam nos anos de 1990/92. ao passar a vigorar essa política. os pequenos produtores apesar de constituírem a maioria nos anos de 1990/92 (86. Assim. respectivamente). 68.1%.1. A estratégia elaborada elegia o associativismo como o instrumento para dar maior capilaridade ao crédito fornecido pela Instituição.1%. .3%.8%. 20. para uma pequena participação no número de beneficiários (3. respectivamente). dos recursos do FNE (Valente Junior et al.6. a partir da necessidade da própria Instituição de promover uma melhor distribuição do crédito do FNE.4%: 2. respectivamente. a partir do ano de 1992.6%. A abordagem de intervenção na estratégia de ação do Banco do Nordeste A estratégia de apoio ao pequeno produtor foi elaborada pelo Banco do Nordeste. Enquanto isso. receberam no período apenas 38.7% e 22.5% e 96. 45. 94. respectivamente.3% e 64. 1995).0% e 2. do crédito do FNE.

Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste. 8 Foi introduzida nos programas do FNE a concessão de subsídios adicionais a pequenos produtores que buscassem crédito via organização associativa e a cooperativas/associações que apresentassem planos integrados de desenvolvimento. bem como o crescimento do número de associados por organização. no Departamento de Desenvolvimento Rural. para servir de ponto de apoio para as ações daquela Instituição (Banco do Nordeste.As modificações promovidas nos programas do FNE. e 34% se . 66% das organizações pesquisadas existiam antes de 1992. pela data de constituição. 7 Programa de Fomento à Geração de Emprego e Renda. 7 mostra que. A nível de aparato administrativo foi criada. 1993). Órgão do Banco do Nordeste do Brasil responsável pelos estudos e pesquisas que dão suporte à formulação de políticas regionais. Relatório de pesquisa realizada entre 1995/96 para avaliação da Estratégia Banco de dados existente no ETENE . uma Divisão de Cooperativismo (Divisão de apoio ao pequeno produtor e ao associativismo-COOPE). além de criarem condições de acesso ao crédito por parte dos pequenos produtores nordestinos. favoreceram sobremaneira o surgimento de novas cooperativas e associações de pequenos produtores rurais na Região.

através de convênio com o PNUD.4% dos recursos do Fundo (Valente Junior et al. “. Observou-se também que a partir de 1993 ocorreu uma reversão no processo de concentração do crédito.. sistemática de capacitação junto a tais organizações. em sua grande maioria. A metodologia GESPAR. 1994).. a organização. sendo direcionado a pequenos produtores rurais nordestinos organizados em associações ou cooperativas. O Projeto adota a Metodologia GESPAR9. A implementação de ações de capacitação se deu a partir de 1993. 1997).6% e 98. a gerência e o controle dos seus empreendimentos (Banco do Nordeste. 1995). quando foi criado o Projeto Banco do Nordeste/PNUD. respectivamente). segundo Zapata10.3% e 69.. bem como aos dirigentes de tais organizações (Banco do Nordeste. o projeto busca treiná-los para o planejamento. Os pequenos produtores continuaram sendo a maioria em 1993/94 (94. Constatou-se que as associações. 1993a).6%.constituíram após aquele ano. busca desenvolver o caráter empresarial das . resultaram como condição prévia de acesso ao crédito (Giovenardi. tendo absorvido 55.

treinamentos e monitoração (Goni.05). Apresentação. ZAPATA. p. seminários. são realizadas oficinas de apoio à gestão. Fundamenta-se na sensibilização. 1995). cuja conseqüência é o conhecimento que o indivíduo passa a ter da realidade e o comprometimento com as ações desenvolvidas. produção e comercialização. Tânia. mas facilita o Metodologia GESPAR: Gestão Participativa para o Desenvolvimento Empresarial.Organizações e o sentido de ‘pertencer’ dos sócios. preparada pela reflexão e pelo diálogo. cursos. Para Goni (1995.27). a instrumentalização do grupo: “É papel do capacitador facilitar o desabrochar das idéias. In: GONI (1995. p. . Para tal. Através de ação integrada e não capacita. instrumentalizando-os através do planejamento estratégico e da gestão participativa para que suas organizações tenham sustentabilidade no ambiente e assim contribuam para a melhoria da qualidade de vida das famílias”. na metodologia GESPAR o capacitador processo. sua priorização e sistematização”.

desenvolvidos planos integrados. ter parte.7). 1993a). a partir deles. Segundo Goni (1993. tornando-se responsáveis pelo diagnóstico da realidade e pela busca de soluções para os problemas detectados: o próprio indivíduo vai “identificar e analisar os elementos relevantes no Sistema para estabelecer um Diagnóstico e abrir perspectivas de intervenção e mudança”.16) os produtores exercem um papel ativo. no controle”(Goni. A participação dos associados nas organizações associativas: efeitos do Projeto Banco do Nordeste/PNUD . p.2. p. são realizados diagnósticos dos empreendimentos e. Ser Parte no planejamento. a metodologia postula que o envolvimento dos produtores nas atividades tem por base o entendimento da participação como sendo o ato de “fazer parte. nos quais estão inseridos projetos gerenciais e propostas de crédito (Banco do Nordeste. 1995.. tomar parte.8 No processo em que se busca envolver os produtores em todas as atividades. na direção. Ainda. 6.. na organização.

6. em relação a 1990. no grupo DEMAIS. Participação do associado na organização social da Entidade A freqüência dos associados às atividades de sua Organização cresceu em ambos os grupos no ano de 1994. A Assembléia Geral constitui-se na instância em que é exercido o poder dos associados na Organização.2. Esse crescimento pode significar maior peso dos associados nas decisões a partir do voto. Freqüência dos sócios às atividades da organização associativa ATIVIDADE Assembléias Gerais Ordinárias Assembléias Gerais Extraordinárias Reuniões de Núcleos de Base Reuniões Seccionais FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE 1990 . 1995).1. em nível de igualdade (Valadares. Embora a freqüência do grupo PNUD seja maior em todas as atividades no ano de 1994. um crescimento bem mais expressivo no mesmo período (TABELA 1). TABELA 1. se verifica.

Absoluto 535 403 76 88 94/ 90 % .Vr. Absoluto 245 181 40 35 % 36 26 6 5 DEMAIS 1994 Vr.

% Absoluto 99 63 76 48 23 15 10 6 78 59 11 13 118 123 90 151 PNUD 1990 .% Vr.

Vr. de todos os . Absoluto 33 104 36 13 1994 94/ 90 % % 84 66 23 8 34 37 57 30 9 Os associados do grupo PNUD utilizam-se em maior proporção que os DEMAIS.

veículos de comunicação disponíveis. Veículos de comunicação utilizados pelo associado para se informar sobre as ocorrências relativas à sua organização associativa TIPOS Conversas informais Meios de comunicação social Meios de comunicação empresarial Visitas à Entidade Reuniões Outros Nenhum FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr. TABELA 2. Em ambos os grupos a pesquisa revelou que é alto o número de associados que se preocupa em estar a par dos acontecimentos de sua Organização (TABELA 2). Absoluto 334 86 17 315 430 .

5 3.12 24 PNUD Vr. Absoluto 88 27 19 86 95 19 8 % 49 13 2 46 63 1.5 % 56 17 12 54 60 12 .

na medida em que revelam o aumento da percepção que estes têm da realidade em que vivem. de crescimento da consciência crítica.5 Na tabela a seguir (TABELA 3). o que justifica o fato do alto percentual de membros (45% dos “não capacitados” . é importante observar que o próprio título pressupõe a existência da participação “concedida” conforme prevista por Bordenave (1987). Participação pressupõe abertura de oportunidades de conhecimento da realidade. Daí a resistência por parte dos dirigentes . em relação ao grupo DEMAIS. que pode refletir a ideologia necessária para o exercício do projeto de direção-dominação.quanto a envolver os membros nas decisões. pela queda de 22% para 16. 1987).5%.segundo a percepção dos associados . o que significa uma ameaça ao poder estabelecido dentro da organização (Bordenave. os dados correspondentes ao grupo PNUD são ilustrativos do desenvolvimento da “faculdade crítica” dos associados. do percentual de associados sem opinião formada ou que não responderam sobre a forma pela qual os dirigentes procuram envolvê-los nas decisões. Mesmo assim.

e 47% dos “capacitados”) atribuírem a tais dirigentes o conceito de regular a ruim. Absoluto 225 312 150 687 % 33 45 . Conceito do associado sobre os dirigentes de sua organização associativa quanto ao envolvimento dos associados nas decisões CONCEITO Ótimo/Bom Regular/Ruim Não possui opinião formada/ Não responderam TOTAL FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr. 10 TABELA 3.

2. Participação do associado na gestão administrativa da Entidade Observando-se a TABELA 4 é possível identificar alguns traços do que Oakley (1980) denominou de subprocessos da Educação Participativa. quando se comparam os dados dos dois grupos. quando 18% destes tomam parte do planejamento das áreas de capacitação e . É perceptível a diferença entre ambos.2.5 100 6. quanto à análise da realidade e identificação das possíveis causas dos problemas.22 100 PNUD Vr. Absoluto 57 74 27 158 % 36. a favor do grupo PNUD.5 47 16.

o interesse é bem maior no que diz respeito à produção (49%). não participa do planejamento da Entidade. No grupo PNUD é significativamente maior o número de associados que se preocupa com a forma como está sendo conduzido o planejamento dos diversos segmentos de sua Entidade. respectivamente. Áreas de planejamento das organizações associativas em que ocorre participação do associado . comercialização e aquisição de insumos. que despertam o interesse de 24%. Quanto ao envolvimento no planejamento das atividades como um todo. é insignificante a participação destes no planejamento de suas organizações associativas. ao se verificar que grande número de associados pertencentes ao grupo DEMAIS (64%).assistência técnica da Organização. também é perceptível a vantagem do grupo “capacitados”. Com exceção das áreas de produção. 18% e 17% dos associados.5% de membros do grupo DEMAIS. Aí. 11 TABELA 4. aquisição de insumos e máquinas e implementos (47% cada) e comercialização (42%). contra apenas 3.

técnica Propaganda e marketing Rec. Humanos e materiais Definição de preços de revenda Não participa do planejamento FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr. Absoluto 164 124 118 91 58 44 25 1 5 33 .ÁREAS Produção Comercialização Aquisição de insumos Máquinas e implementos Armazenamento Benefic/industrialização Capacitação/assist.

Absoluto 78 67 74 74 26 11 29 1 8 31 1 % 24 18 17 13 8 6.5 0.5 3.439 PNUD Vr.1 0.7 5 64 .

ainda é maior a participação dos associados do grupo PNUD. Porém.demonstração de consciência dessa necessidade . Em ambos os grupos. pois ao mesmo tempo que existe uma grande preocupação com o planejamento das atividades da organização . comparativamente à questão do planejamento (TABELA 4).% 49 42 47 47 16 7 18 0.5 Ocorre um retrocesso na questão do controle das atividades (TABELA 5). no que diz . embora com índices aquém do esperado.5 5 20 0.uma situação inversa é visível quando o assunto é controle. grande número de associados não participa das atividades de controle (78% entre os DEMAIS e 76% entre PNUD).

Assim. patronagem. partindo-se do pressuposto de que as atividades de controle dão certo nível de poder aos associados e. pode-se sugerir que existam resistências por parte dos dirigentes no sentido de envolver os sócios nas atividades de controle da Organização. Por outro lado.respeito às atividades de controle realizadas pelas organizações associativas (TABELA 5). na opinião de Oakley (1980) são propícias ao surgimento de 12 . indicativo de que existe certa dependência do grupo com relação aos líderes (no caso. clientelismo ou outros traços comuns na intervenção tutorial. apesar de tomar parte do planejamento das atividades da Organização. levando-se em conta os dados constantes da TABELA 3 (47% dos componentes do grupo PNUD consideram os dirigentes de suas organizações de Regulares a Ruins quanto à preocupação em envolvê-los nas atividades). os membros não assumem o seu controle de forma efetiva. os dirigentes). Situações desta ordem.

TABELA 5. Absoluto 75 63 87 36 35 533 % 11 9 13 5 5 . Participação do associado nas atividades de controle da sua organização associativa TIPOS Custos Estoques Preços Qualidade dos produtos Qualidade dos serviços Não participa das atividades FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE DEMAIS Vr.

Participação do associado na gestão econômico-financeira da Entidade Verifica-se que enquanto no grupo PNUD 16.2% (TABELA 6).5% dos associados não possui opinião formada sobre o nível de transparência das informações contábeis de sua Entidade.78 PNUD Vr. Absoluto 33 3 34 15 10 120 % 21 2 21 9 6 76 6.3. Isso é uma demonstração de que é bem maior no primeiro grupo o nível de .2. no grupo DEMAIS esse percentual chega a 45.

6%). Verifica-se também que é quase o dobro no grupo PNUD (44%). TABELA 6.envolvimento dos sócios nesse tipo de atividade da Organização. demonstrando maior nível de consciência crítica desenvolvido no primeiro grupo em relação ao segundo. Conceito do associado a respeito de seus dirigentes/organização associativa quanto ao nível de transparência nas informações contábeis CONCEITO Ótimo/Bom Regular/Ruim Não possui opinião formada Não respondeu Total FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE GRUPOS DE ASSOCIADOS DEMAIS PNUD . com relação aos DEMAIS (21. o percentual dos que atribuem um conceito de Regular a Ruim ao nível de transparência das informações contábeis fornecidas pelos dirigentes de suas organizações associativas.

Absoluto % Vr.5 44 16.5 100 Apesar de ser elevado o nível de freqüência dos sócios nas assembléias. em ambos os grupos . Absoluto 206 30 63 148 21.Vr.2 26 22 3.2 687 100 158 % 39.6 69 311 45.

além dos 3% que se recusou a tratar do assunto. além de demonstrarem uma maior percepção da realidade por parte dos componentes do grupo . No grupo PNUD 44% dos associados atribuiu aos dirigentes de suas organizações conceito de Regular a Ruim quanto ao nível de transparência nas informações contábeis. percebe-se que há um percentual bem maior de associados no grupo PNUD que efetivamente está a par do que acontece na Entidade e se preocupa com o controle do seu destino. Estes dados. 13 Os dados da TABELA 7 revelam que é bem maior no grupo DEMAIS o percentual dos associados que sequer possui opinião formada sobre a ocorrência de prestação de contas/balanço de sua organização associativa (39.5%). o que corresponde ao dobro do percentual daqueles pertencentes ao grupo DEMAIS que atribuíram o mesmo conceito (22.9%). e apenas 13% se mostrou desinformado sobre a matéria. No grupo PNUD todos os associados entrevistados responderam quando questionados.(TABELA 1).

Conceito do associado a respeito de seus dirigentes/organização associativa quanto à prestação de contas/balanço CONCEITO Ótimo/Bom Regular/Ruim Não possui opinião formada Não respondeu Total FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE GRUPOS DE ASSOCIADOS DEMAIS Vr.PNUD. significa também um reforço do que vem sendo identificado nos dados das tabelas analisadas anteriormente. TABELA 7. Absoluto 238 157 271 21 687 . de que há uma resistência dos dirigentes quanto a colocar os sócios a par dos acontecimentos da organização.

4.PNUD Vr.5 3 100 % 43 44 13 100 6.2. Absoluto 68 69 21 158 % 34. Participação do associado no uso de bens e prestação de serviços da Entidade A TABELA 8 apresenta o resultado da pesquisa quanto ao número de entidades que disponibiliza .9 39.6 22.

14 considerando-se que a prioridade do Projeto Banco do Nordeste/PNUD está na capacitação técnica gerencial dos dirigentes das organizações associativas. cujo percentual (9%). Ademais. Os dados deixam transparecer traços do que sugere Bordenave (1987) a respeito do jogo do poder: capacitar os membros do grupo . Verifica-se que é maior o percentual de entidades do grupo PNUD que oferece os serviços mencionados. exceto no que diz respeito à capacitação técnica gerencial. conforme revelam os dados da TABELA 4. No mínimo. deveria haver uma preocupação por parte de tais dirigentes em ofertar os mesmos serviços aos seus associados.serviços aos associados nas áreas de assistência técnica gerencial e agronômica. Este dado é estranho. aos seus associados. os associados do grupo PNUD demonstram certo interesse em participar do planejamento das áreas de capacitação e assistência técnica da Entidade. bem como de capacitação técnica gerencial e tecnológica. é inferior ao do grupo DEMAIS (12%).

TABELA 8. Alguns serviços prestados pelas organizações aos seus associados Assist. técnica gerencial Assist. que por sua vez geram conflito e fragilização do poder estabelecido. Absoluto 3 16 7 5 PNUD Vr.significa abrir para questionamentos destes sobre as decisões para dentro e para fora da organização. técnica agronômica Capacitação técnica gerencial Capacitação tecnológica FONTE: Banco de Dados BNB/ETENE SERVIÇOS DEMAIS Vr. Absoluto 2 7 1 2 .

que se apresenta inserido na mesma estratégia.% 5 27 12 8 % 18 64 9 18 CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se de forma clara a existência de um processo em que aparecem na estratégia de intervenção da instituição em questão. pelo menos no discurso contempla uma ação ativa dos grupos para os quais se dirige. e dirigido ao mesmo público. com características da intervenção participativa. . 2) o programa de capacitação.. cuja ação se dá de forma tipicamente tutorial. delineamentos das duas abordagens descritas por Alencar (1990): 1) o estímulo ao associativismo.

. iniciado em fase posterior ao estímulo do associativismo. buscando descobrir até que ponto a estratégia atinge os objetivos propostos. 15 A análise tentou aprofundar esta questão. porém. além de ter contribuído para o aumento da freqüência às assembléias realizadas em tais organizações. Tais resultados. mas também do número de associados por organização.O processo de capacitação. A primeira constatação é que a intervenção tutorial de estímulo ao associativismo via concessão de crédito associativo provocou não apenas o crescimento do número de organizações associativas no Nordeste. encontra um grupo de indivíduos vivenciando uma experiência que se poderia denominar de “deseducação”. exercendo um papel passivo num processo cuja tendência é de reforço dos traços de dependência. não são suficientes para responder a questões do tipo: os associados estariam exercendo o controle democrático da organização? Estariam as assembléias funcionando como instância do exercício do poder do associado.

Percebe-se algum avanço na consciência dos sócios submetidos ao processo de capacitação. da “solidariedade” e da “articulação”.ou como meros instrumentos formais para a obtenção de financiamento. principalmente quando se sabe. balanços etc? Maior número de votos em assembléias pode não significar necessariamente maior peso dos associados nas decisões. aprovação de relatórios. Participar significa tomar parte ativa nas decisões. da “organização”. limitado. Não é percebido claramente o desenvolvimento nos membros do grupo PNUD da “faculdade crítica”. Os dados revelam. que o crescimento se deu. Deve-se admitir que o voto. pois nada impede que seja passivo. da “participação”. . quando assumem que a participação não se refere apenas à qualidade de membro do grupo. conforme revelam os dados. com o objetivo principal de acesso ao crédito. pois o processo não ocorre de forma integral. porém. em grande parte. planejar e executar uma ação. identificados por Oakley (1980). como alertado por Demo (1993) tem controle relativo.

porém.a participação social . o que deveria ocorrer para que se efetivasse a participação no sentido macro . em alguns momentos se percebe a existência de envolvimento ativo dos sócios nas tomadas de decisão dentro da sua organização associativa e na cobrança de ações por parte dos dirigentes. pois não se percebe uma intervenção dos indivíduos no sentido de modificar a sociedade. Por outro lado. ou controle por parte destes sobre a Organização. pois à medida que estes adquirem o conhecimento da realidade e a consciência crítica. nas decisões. . Em outros momentos. há uma ameaça ao poder estabelecido dentro da Organização. transparece a resistência dos dirigentes de tais organizações quanto ao envolvimento dos sócios nas atividades. ou seja. Entretanto. as atitudes deixam transparecer que ainda não há uma estruturação do grupo. conforme 16 A participação ainda se apresenta em nível micro.um avanço neste sentido.como sugerem Ammann (1987) e Bordenave (1987).

Fortaleza. 1994. B. n. Exercício de 1993./jun. Informações Básicas sobre o FNE. pois se verifica que os sócios das organizações buscam agora um espaço nas decisões. Ideologia do desenvolvimento de comunidade no Brasil. São Paulo: Cortez. 1993. ____________________. Administração Rural. 1990. Lavras-MG. p.tendo-se em mente o que coloca Demo (1993) que a participação é um processo de conquista.23-43. Jan. que vai sendo construído e nunca se completa. Impactos das aplicações.2. BANCO DO NORDESTE. Projeto BNB/PNUD. 1993a. S. . pode-se considerar que o processo de capacitação contribuiu no sentido dessa construção. 1987. ____________________. AMMANN. E. v. FNE .Fundo constitucional de financiamento do Nordeste. na tentativa de defesa dos assuntos que lhes interessam. a partir de uma consciência crítica da realidade. Fortaleza.1. BIBLIOGRAFIA ALENCAR. Fortaleza.

Cadernos de 17 OAKLEY.1. FREIRE. São Paulo: Brasiliense. H. Lavras: . 1980. Community Development journal. 1993. 84p. Intervenção tutorial ou participativa: dois enfoques da extensão rural. São Paulo: Cortez. DEMO. (Coord. GIOVENARDI.). O que é participação. O que é a Metodologia GESPAR? PROJETO BNB/PNUD.. J. P. Conscientização. São Paulo: Moraes. S. n. E. Fortaleza: BNB. GONDIM. 176p. G. Recife: 1995. 188p. Participação é conquista. J. N.BORDENAVE.15. P. 1987. de. SOUZA. 1980. Participação e poder: o comitê educativo na cooperativa agropecuária. S. Brazil. 102p. P. J. T. Participation in development in N. VALADARES. p. COSTA. GONI. Oxford. D.10-22. 1997. M. 1991 (mimeo). P. v. E. Avaliação da estratégia de ação do Banco do Nordeste do Brasil em apoio ao pequeno produtor nordestino. E. Fortaleza: Banco do Nordeste. A. H. Uma estratégia de apoio aos pequenos produtores rurais do Nordeste. P.

335-349.1. ALVES. 33. O. p. Curitiba: SOBER.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE 18 Carregando. A. C.. ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. 1995. M. dos S. (Tese de Mestrado)..UFLA.. 19 / 19 Nenhuma correspondência encontrada 1 2 3 4 5 6 7 .. Curitiba. v. 81p. S. Anais. 1995. VALENTE JUNIOR.. FILHO. Estratégia de ação do Banco do Nordeste do Brasil junto ao pequeno produtor nordestino e distribuição do crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE): avaliação preliminar. 2v. 1995.

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