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UFRN – CCSA – DepAd – PPGA Prof: Maria Arlete e Jomária Alloufa

Disc: Teoria da Pesquisa Aluno: Carlos Eduardo Cavalcante

Texto: FREITAG, Bárbara. A Teoria Crítica Ontem e Hoje. 4 ed. SP: Brasiliense, 1993

Esta resenha crítica terá como objeto delinear a obra de Bárbara Freitag que apresenta a Escola de
Frankfurt. A obra esta dividida em cinco partes. A autora apresenta um breve e elucidativo histórico do
Instituto de Pesquisa Social, em tomo do qual sempre gravitaram os teóricos da "Escola de Frankfurt."
Na segunda parte discute o conteúdo programático da Teoria Crítica, explicitando os temas e as
teses centrais debatidas entre os teóricos de Frankfurt e seus críticos. Já na terceira parte, avalia a
repercussão da Teoria Crítica dentro e fora da Alemanha (incluído o Brasil). Na quarta parte apresenta as
conclusões, nas quais faz um balanço da trajetória da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt nos seus 64
anos de existência. Finalmente em sua última parte uma traz uma bibliografia comentada.
A primeira parte do livro apresenta as quatro fases na história do Instituto: a de sua criação e
consolidação em Frankfurt (1922 a 1932); a de sua emigração para a Suíça e depois para os EUA, no
período de pré Guerra e da Segunda Guerra Mundial (1933 a 1950); a de retorno à Alemanha após a
Guerra, sem alguns de seus autores que decidiram ficar nos EUA e sua reconstrução em Frankfurt; e
finalmente, sua fase atual, que começou com os movimentos de protesto estudantil na Europa e após os
falecimentos de seus principais fundadores (Horkheimer, Adorno, Marcuse, Benjamin). Freitag finaliza
esta parte colocando uma questão para os leitores: há uma unidade teórica, metodológica e de orientação
prático-política entre os autores à tradição da Teoria Crítica?
Na segunda parte da obra é comentado o conteúdo Teoria Crítica. Freitag divide este conteúdo em
três eixos temáticos. O primeiro seria o da dialética da Razão Iluminista e a crítica da ciência
experimental moderna e suas aplicações técnicas, eixo este baseado nos estudos de Horkheimer e Adorno.
O segundo discute a dupla face da cultura e a indústria cultural indo agora da Teoria Crítica à Teoria
Estética. A partir de análises da relação entre capitalismo e cultura, discutem-se os temas da cultura
popular e cultura de massa, indústria cultural, funções da arte e da cultura em sociedades industrialmente
avançadas. E o terceiro eixo apresenta-se a questão do Estado e de suas formas de legitimação. Neste eixo
há ainda uma subdivisão em três linhas de pesquisa. Na primeira, discute-se a questão do
intervencionismo do Estado influenciado pelas mudanças estruturais ocorridas na base econômica do
capitalismo desde Marx. Na segunda linha comenta-se o problema do Estado e o da dominação
confundindo-se com a crítica à Razão Instrumental e às práticas políticas tecnocráticas. Finalmente
elaboram-se teorias sobre as funções do Estado e suas formas de legitimação nas sociedades
industrialmente avançadas.
Já na terceira parte a autora avalia a repercussão da Teoria Crítica dentro e fora da Alemanha,
principalmente após a morte de seus principais representantes: Horkheimer, Adorno, Benjamim, Marcuse
e diz que atualidade dessa corrente de deve-se não a capacidade de preservação de um pensamento de
Escola mas a sua permanente de renovação, reformulação e autocrítica.
Agora na quarta parte, a autora apresenta as conclusões da obra, nas quais faz um balanço da
trajetória da Teoria Crítica e de sua importância relativa diante das correntes intelectuais de hoje. Sobre o
Brasil diz que ele "teria tudo a lucrar se procurasse aprofundar e adaptar às condições locais a leitura
racionalista e emancipatória" (p. 153) e sugere então uma agenda para a Teoria Crítica no país. Afirma
também que a teoria crítica pode ajudar a solucionar equívocos que cercam o conceito de Razão,
mostrando que ela seria é o único instrumento de emancipação e de denúncia do uso instrumental da
ciência e da técnica.
Ainda ligada ao Brasil, Freitag, agora relacionada ao tema da cultura, diz que a Escola de
Frankfurt oferece vasto instrumental de crítica da "indústria cultural", considerada como "instrumento de
unidimensionalização e de submissão da consciência à lógica da mercadoria, assimiladas com tanta
eficácia pela TV (... ) e pelo rádio" (p. 154). Quanto às teorias do Estado, a Escola poderia ajudar a
entender o Estado brasileiro, tanto no modo geral – pois o capitalismo brasileiro está exposto a crises de
racionalidade e legitimidade semelhantes das destacadas por Habermas e Offe – tanto de modo
específico, considerando a condição de país capitalista periférico.
Freitag conclui a obra apresenta com uma bibliografia comentada, incluindo as principais obras
dos próprios membros da "Escola de Frankfurt" e de outras obras complementares que auxiliariam na
compreensão do pensamento da Escola. Percebe-se que a autora faz uma espécie de síntese dos autores, o
que deixa espaço para um maior aprofundamento dessas obras pelos leitores, caso se interessem.