Você está na página 1de 5

Avaliação:

O livro apresenta de forma séria, metódica e responsável um estudo sobre casos sugestivos de
reencarnação. Dentre os inúmeros casos pesquisados o autor seleciona um conjunto de 20
casos realmente representativos do total pesquisado. Cada caso apresenta particularidades
distintas e isto estimula a continuação da leitura. Ao longo dos capítulos o autor também vai se
referindo corretamente aos casos anteriores de tal forma que permite ao leitor construir uma
linha de raciocínio interessante.

Os casos são apresentados cheios de detalhes. É o que se espera de um estudo rigoroso,


mas, por outro lado, a leitura fica um pouco cansativa e exige um certo esforço do leitor. Ainda
assim o autor procura ser objetivo e organizado. Apresenta as idéias de forma metódica e sem
dispersão. Particularmente interessante é o registro em tabelas das afirmações das crianças
sobre suas outras vidas.

É digna de nota a responsabilidade e honestidade na apresentação das hipóteses explicativas


para os casos. Há um cuidado todo especial ao utilizar os adjetivos. Por exemplo, o autor não
esquece de colocar o adjetivo sugestivo para os casos de reencarnação. Também trata todas
as possíveis hipóteses com a mesma seriedade e respeito. Aliás, em todos os casos o autor
examina primeiramente as hipóteses ditas normais como a fraude, a criptomnésia, e a
imposição de personalidade. Somente depois de analisá-las o autor parte para hipóteses que
consideram a sobrevivência após a morte como a possessão e a reencarnação.

Além do cerne principal do livro, que é a análise da hipótese reencarnacionista, o leitor ainda
pode refletir sobre vários aspectos específicos de cada caso apresentado. Por exemplo, pode
se perguntar sobre o momento da reencarnação. Pode pensar a respeito da questão da justiça
divina. Pode refletir sobre os conceitos de individualidade e personalidade. Enfim, este estudo
amplia a visão do leitor para esta possível realidade da reencarnação.

Discussão:
Seguem abaixo algumas passagens:

Página 20 do Artigo do dr. Ian Stevenson:

"Todos nós morremos de algum tipo de aflição. O que determina a natureza dessa aflição? Eu
acredito que a busca da resposta nos leva a pensar que a natureza de nossas doenças pode
ser proveniente, pelo menos em parte, de vidas passadas."
O autor instiga o leitor a refletir sobre certos pontos e estimula a leitura do estudo.

Página 27 do Prefácio da segunda edição:

"Apenas aproveito para reiterar que considero estes casos sugestivos de reencarnação, e nada
mais que isso. Todos os casos têm falhas, assim como todos os relatórios."
A preocupação em ser bem compreendido é um dos pontos fortes do autor.

Página 69 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação na Índia:

"Esse caso [do Jasbir] tem a característica incomum de que a personalidade anterior com a
qual o indivíduo se identificou só morreu cerca de três anos e meio depois do nascimento do
'corpo físico do indivíduo atual'."
Será que o processo de reencarnação se inicia mesmo na concepção?

Página 121 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação na Índia:

"As lembranças aparentes de muitos casos do tipo reencarnação incluem detalhes dos últimos
dias ou meses da vida da personalidade anterior."
Informação interessante. Será que as memórias mais recentes do espírito são mais vivas?

Página 140 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação na Índia:

"... acho que existem muitos outros casos na Índia (e em outros países) em que uma criança se
lembra de alguns (ou talvez muitos) detalhes de uma vida anterior, mas como o caso não tem
traços sensacionalistas, ou os pais não desejam investigar o assunto, ou se envolver em
qualquer publicidade, as afirmações são ignoradas e a criança, aos poucos, se esquece do que
se lembrou."
Talvez isto explique porque em algumas culturas a ocorrência dos casos é mais frequente.

Página 142 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação na Índia:

"Alguns anos depois, Sri Jageshwar Prasad ficou sabendo que um menino nascido em outro
Distrito de Kanauj, em julho de 1951 (seis meses depois da morte de Munna), ..."
Mais um caso em que podemos nos perguntar se a reencarnação se inicia mesmo na
concepção.

Página 143 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação na Índia:

"A mãe de Ravi Shankar relatou que o menino tinha uma marca linear que lembrava a cicatriz
de uma faca comprida em seu pescoço. (...) A marca parecia de nascença. Quando Ravi
Shankar falava sobre o assassinato de sua vida anterior, dizia que a marca no pescoço tinha
sido causada por ferimentos no assassinato."
Será que o espírito molda a marca de nascença de acordo com suas lembranças?

Página 185 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação na Índia:

"... a vantagem de minhas pesquisas, se é que existe, será espalhada de modo mais geral com
as contribuições que elas possam dar à nossa compreensão da personalidade humana e da
evidência de que pelo menos uma parte de nós sobrevive à morte."
Boas contribuições!

Página 205 do capítulo Três Casos que sugerem reencarnação no Ceilão:

"Em um total de 600 casos do tipo [reencarnação], as diferenças de sexo entre as duas
personalidades ocorreram em apenas 5%."
Dado muito interessante! Então nas minhas possíveis últimas vinte reencarnações em apenas
uma eu fui uma mulher.

Página 213 do capítulo Três Casos que sugerem reencarnação no Ceilão:

"Percebe-se que, no caso de Wijeratne, a marca de nascença (na verdade, a deformidade) é


associada com a suposta personalidade anterior de um assassino. Por outro lado, nos casos
de Ravi Shankar e em alguns casos do Alasca neste trabalho, as marcas de nascença são
associadas com as personalidades anteriores de pessoas assassinadas."
Será que há uma explicação única para isto?

Página 236 do capítulo Três Casos que sugerem reencarnação no Ceilão:

"De modo geral, adotei a política de não incluir referência às vidas de animais não humanos
que às vezes aparecem em alguns dos casos do tipo reencarnação, o que costuma ser
chamado de metempsicose. (...) Seria muito difícil encontrar evidências sobre o renascimento
de criaturas subumanas, mas, mesmo assim, fico surpreso com a quantidade de material
apresentado a mim sobre esse assunto, em comparação com as evidências relacionadas às
afirmações de reencarnação em corpos humanos."
Curioso!

Página 247 do capítulo Três Casos que sugerem reencarnação no Ceilão:

"... o caso [Ranjith] pode ser explicado pela 'identificação imposta'. De acordo com essa
hipótese, uma pessoa mais velha, geralmente um pai (neste caso, o Sr. de Silva),
inconscientemente impõe uma determinada personalidade em uma criança, que aos poucos
assume as características desejadas pelo pai."
Explicação interessante!
Página 274 do capítulo Dois Casos que sugerem reencarnação no Brasil:

"Acredito que podemos considerar a vulnerabilidade de Marta à bronquite e à laringite um tipo


de 'marca de nascença interna' relacionada à vida anterior e à morte de Sinhá."
Mais um exemplo das marcas de nascença.

Página 308 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação entre os Tlingits do Sudeste do
Alasca:

"Costumamos observar, em casos sugestivos de reencarnação, que conforme a criança fica


mais velha, suas lembranças da vida anterior e a identificação com a outra personalidade
diminui."
Informação importante.

Página 331 do capítulo Sete Casos que sugerem reencarnação entre os Tlingits do Sudeste do
Alasca:

"Muitos dos casos sugestivos de reencarnação apresentam uma forte preponderância entre os
eventos aparentemente recordados, e os ocorridos nos últimos anos de vida, ou perto da morte
da personalidade anterior."
Faz sentido.

Página 415 do capítulo Um Caso sugestivo de reencarnação no Líbano:

"A veracidade das pessoas envolvidas e o fato de que as afirmações da criança foram
registradas antes de qualquer verificação, tornam o caso [de Imad Elawar] mais autêntico do
que muitos casos deste tipo."
Realmente, o acompanhamento do caso desde o início o torna mais confiável.

Página 425 do capítulo Discussões de resultados obtidos em entrevistas de acompanhamento:

"Durante minhas primeiras investigações destes casos [de reencarnação], nunca recebi
informações que me fizessem crer que os indivíduos tivessem doença mental."
Informação importante.

Página 427 do capítulo Discussões de resultados obtidos em entrevistas de acompanhamento:

"Um (Parmod) disse que o fato de se lembrar de uma vida anterior, lhe dava uma visão mais
ampla da vida e um maior desapego e sabedoria para lidar com suas vicissitudes da vida, do
que uma pessoa comum que tivesse apenas 'uma visão da vida';"
Faz todo o sentido.

Página 435 do capítulo Discussões de resultados obtidos em entrevistas de acompanhamento:

"De qualquer modo, o paciente deve ter acesso mais fácil às lembranças de acontecimentos
acompanhados por fortes emoções, como mortes violentas."
Também faz sentido.

Página 437 do capítulo Discussão Geral:

"A fraude parece ser a primeira teoria séria que deve ser excluída nestes casos."
O autor se mostra muito preocupado com esta possibilidade de fraude nos casos.

Página 444 do capítulo Discussão Geral:

"Todo aluno de psicologia anormal ou de pesquisa psíquica sabe de muitos casos que
demonstram a ocorrência de criptomnesia. As pessoas têm reproduzido, geralmente, anos
mais tarde, trechos e livros ou outras informações que tinham aprendido muitos anos antes e
esquecido que haviam aprendido."
O autor tem plena consciência das hipóteses explicativas para os casos.
Página 446 do capítulo Discussão Geral:

"Pickford mencionou outro caso com personificação de comunicadores e informações


provavelmente derivadas totalmente de fontes normais. O suposto médium, nesse caso,
ofereceu comunicações de compositores notáveis, por exemplo, Weber e Beethoven, mas ele
havia lido muito (possivelmente em estados dissociados) sobre a vida dessas pessoas."
Caso bem interessante.

Página 453 do capítulo Discussão Geral:

"Essa teoria [percepção extrassensorial e personificação] supõe que o indivíduo em um caso


deste, recebe a informação que ele tem sobre uma personalidade anterior, através da
percepção extrassensorial, logo, ele integra essa informação e a personifica completamente, a
ponto de acreditar que ele e a pessoa são as mesmas e também convence as pessoas ao seu
redor dessa identidade."
Hipótese possível mas de difícil aceitação.

Página 455 do capítulo Discussão Geral:

"A segunda personalidade da entidade reencarnada, se desenvolve como uma 'camada' ao


redor da personalidade anterior, juntamente com resquícios de experiências passadas. As
personalidades se desenvolvem como os anéis de madeira de uma árvore ou como a concha
ao redor de uma outra. Essas analogias cruas simplificam muito as mudanças, e pode ser que,
na morte, a personalidade persista sem grandes mudanças ou passe por uma redução, para
que reste apenas, uma série de disposições e aptidões que podemos chamar de
individualidade e não de hábitos reais, habilidades que chamamos de personalidade."
Imagem bonita!

Página 459 do capítulo Discussão Geral:

"Existe uma grande relação entre a ocorrência de casos sugestivos de renascimento e as


atitudes culturais que favorecem o relato de 'lembranças' de vidas anteriores."
Informação importante.

Página 467 do capítulo Discussão Geral:

"Mas se eles [casos de comunicações mediúnicas não esperadas] contribuem para a evidência
de sobrevivência, essas 'visitas' dificultam a avaliação de casos do tipo reencarnação, uma vez
que tornam possíveis para nós, supor que as crianças podem ter obtido a informação que
tinham sobre as personalidades anteriores por meio da percepção extrassensorial sem
qualquer elo de pessoas ou objetos."
Quem diria?! As comunicações mediúnicas espontâneas são um empecilho para se chegar a
conclusão pela hipótese reencarnacionista.

Página 471 do capítulo Discussão Geral:

"Em primeiro lugar, a criança (ou adulto, com menos frequência) afirma (ou seu comportamento
sugere), uma continuidade de sua personalidade com aquela de outra pessoa que morreu:
como já foi mencionado, em poucos casos, a identificação com a personalidade anterior, se
torna tão forte que a criança rejeita o nome dado a ela pelos pais atuais e tenta forçá-los a
chamá-la pelo outro nome. Na maioria dos casos, o indivíduo examina o ser anterior como
contínuo com sua personalidade atual, e não em substituição."
Característica bem interessante.

Página 474 do capítulo Discussão Geral:

"Raramente encontro um caso no qual as testemunhas disseram que o comportamento da


criança não era como o da personalidade anterior ou que era, de modo geral, inapropriado ao
que seria esperado da personalidade anterior, se ela tivesse sobrevivido."
Embora de avaliação subjetiva o comportamento da criança parece ser um dos pontos mais
importantes para a avaliação dos casos.

Página 478 do capítulo Discussão Geral:

"Resta uma possibilidade de que os indivíduos obtêm suas informações em uma condição
parecida com um transe de dissociação (ou mesmo em sonhos), mas apenas posteriormente
comunicam com outros quando eles retomam a personalidade normal."
Sempre existe outra explicação.

Página 493 do capítulo Discussão Geral:

"Em resumo, se a personalidade anterior parece se associar com o organismo físico na época
da concepção ou durante o desenvolvimento embrionário, falamos de reencarnação; se a
associação entre a personalidade anterior e o organismo físico só vem depois, falamos de
possessão."
Conceituação arbitrária, mas interessante.

Página 496 do capítulo Discussão Geral:

"De modo geral, não permiti nesta discussão de casos comunicações por meio de médiuns, de
comunicadores desencarnados em relação aos assuntos envolvidos na escolha das hipóteses
relevantes aos casos."
Acho que ele fez bem.

Página 503 do capítulo Comentários finais:

"Podemos encontrar casos que são mais bem explicados por fraude, criptomnesia ou
percepção extrassensorial com personificação, (talvez com telepatia ou retrocognição). Para os
outros casos, podemos dar explicações de sobrevivência, como possessão ou reencarnação."
Há várias explicações.

Página 504 do capítulo Comentários finais:

"É possível que uma solução para a questão da sobrevivência se encontra na observação de
padrões, dentro de uma personalidade ou organismo que não eram ou não podiam ter sido
herdadas ou adquiridas na vida atual da personalidade."
Vamos ficar atento aos padrões.

Você também pode gostar