UMA INTRODUÇÃO À LÓGICA, MATEMÁTICA E COMPUTACIONAL

AUGUSTO J. FRANCO DE OLIVEIRA Universidade de Évora

LÓGICA & ARITMÉTICA
Introdução à Lógica, Matemática e Computacional

Terceira edição revista e ampliada

r/c Esqo . 21. Reservados os direitos para Portugal por: Gradiva — Publicações.a edição revista e ampliada da obra com o título Lógica e Artmética. . 2.© Augusto J. Lda. Depósito legal N 9 . 1399-041 LISBOA 3. 1998.ª edição. Rua Almeida e Sousa. /06 AMS Subject Classification (2000): 03-01 . Lda. Franco de Oliveira/Gradiva Capa: Fotocomposição: Gradiva Impressão e acabamento: Manuel Barbosa e Filhos.

Monteiro (1907-1980) . R.À memória de António A.

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.. 135 20... 16 3.................................. 31 11........................................................................ 98 *16....................................................... 54 6................... Introdução de teses...................................................... Outros sistemas dedutivos (IV): resolução....... 47 2... 118 *18..............13 2........................ Interpretações................................................................ Condições.....................................36 13.................21 6................................................. enumerabilidade efectiva... Introdução.................................................. 30 10. Forma vs................................................................................... Regras para a disjunção...... Um sistema dedutivo: dedução natural.................... Outros sistemas dedutivos (III): axiomatização à Hilbert........ Nível quantificacional.. CÁLCULO PROPOSICIONAL 1............. 93 *15............... Análise lógica................... 70 *12..................................................... ARGUMENTACÃO VÁLIDA....... Mais exemplos............................................25 8...................................................................145 vii ............................................................................................. Outros sistemas dedutivos (II): cálculo de sequentes........ Árvores...65 10....................................................................................................................... conteúdo.................27 9..................................................19 5........... 65 11...... Exercícios e Complementos................................... Definições indutivas........................................... Sobre a implicação material................................... Completude funcional e formas normais....................................35 *12............................................... Regras para a conjunção............................................ complexidade....... Descrições definidas................................17 4... Nível proposicional.. Outros sistemas dedutivos (I): tableaux semânticos............ÍNDICE PREFÁCIO................ Exercícios e Complementos........................................... ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 1........................126 *19... Compacidade proposicional e aplicações........................................................................ 84 *14......... Decidibilidade........................ 106 *17............................................................. Terceiro excluído. Valorações.......................................................................................................................................... 48 3.................................................41 II........ 63 9.. Resolução de ambiguidades..........49 4.............................. O silogismo aristotélico.............................. 53 5.. Semântica e metateoria.......................................................... substituição e quantificação.. Introdução às Álgebras de Boole.............. Regras para o bicondicional.................. 7 I.... Sobre a igualdade......................................................... Argumentos............................... 22 7.................................................................................................................................. Regras para a negação e o condicional..................................62 8..........79 13......... 56 7......................................................................... A linguagem proposicional..............

....... 262 Exercícios e Complementos.......................................................................... 3...................... 159 3................................................................. ARITMÉTICA DE PEANO Linguagem e axiomas... 8....................................................268 V...... viii ........................................ Termos e fórmulas.............. Completude definicional........................................................................................ 175 7................................................................................157 2......................... 2....................291 Exercícios e Complementos....... 19............. 4.................................... 299 BIBLIOGRAFIA........................... Indecidibilidade na lógica elementar..............297 1............................ SOLUÇÕES................................................................273 Sobre a natureza da matemática....250 Divisibilidade....................................................... Teoria de Herbrand e unificação....... Semântica tarskiana.............................................. CÁLCULO DE PREDICADOS 1.................. Outras formas de indução.................................................................... 3........................ Validade e completude semântica...................................... 237 Sobre a axiomática de Dedekind-Peano........................................................................................ Os metateoremas de Gödel e Tarski....... 276 Sobre a teoria dos conjuntos............................................................................227 IV.............255 Modelos de AP.......................... Sobre os conceitos de «elementar» e de «validade universal»........190 *9......................................... 2.........200 11.............................. 162 4.................. 5........... 7............. 6................................................... Exercícios e Complementos........ Outros sistemas dedutivos (I): tableaux semânticos............ Isomorfismos.......................................................... 172 6.273 O universo da lógica matemática........................... Formas normais........................................................203 *12..........III...................... Teorias elementares: introdução de símbolos definidos............ 6.........................................................................195 10........................ 246 Propriedades da ordem..............225 16......... 168 5........ Um sistema dedutivo: dedução natural.................................... 212 *13..... Metateoria................................ 285 Sobre a lógica e a matemática intuicionistas........................240 Desenvolvimento de AP..................................................... 1................................................. 5..........................................187 8.................................. 260 Metateoria......................... 4.................. 309 ÍNDICE REMISSIVO...................................................................... O QUE É A LÓGICA MATEMÁTICA? Explicação prévia......................... rectificação e skolemização................................................. Regras para a igualdade.............................. As linguagens elementares: alfabeto...........

tendo em conta opções e condicionamentos diversos. não aprofundo discussões filosóficas ou técnicas de questões de fundamentos.Prefácio Este livro pretende ser uma iniciação informal à lógica e aritmética (formais). a todo e qualquer ramo do saber ou pensamento. com algumas reservas. aliás. ix . algumas noções conjuntistas. contudo. e notações (simbolismo lógico e não lógico) que são precisadas e desenvolvidas em capítulos posteriores. como as noções de função ou aplicação e de estrutura matemática. obviamente. consequência lógica). por exemplo. no entanto. interpretação. sistema esse que é caracterizado por um grande número de regras de inferência de fácil aceitação e manipulação. não demonstro as propriedade de validade (ou 1 Por exemplo. bastante ameno e destina-se apenas a introduzir informalmente algumas ideias (formalização. em curtas incisões. deixar de reflectir a preferência e a experiência pessoais. IV e no Cap. trato essencialmente daquela parte da lógica «clássica» que analisa as proposições e sistematiza o raciocínio. ou logo após o primeiro. e o sintáctico-dedutivo. Assim. exigindo. a este respeito. As primeiras secções do último capítulo podem. são. como a seguir se explica. com maior desenvolvimento no final do Cap. V. ser lidas em primeiro lugar. abordados mais levemente do que seria natural num livro ou curso avançado de lógica matemática. o seu conteúdo matemático é praticamente nulo (exceptuando a última secção. nomeadamente as proposições matemáticas e o raciocínio dedutivo comum em matemática. em geral. Por esses motivos. sem. O primeiro capítulo é. o semântico. e interessa. No que respeita à lógica. maior destreza e maturidade matemática1 e os resultados metamatemáticos mais importantes. que se traduzem na escolha e nível de aprofundamento dos tópicos abordados. O ponto de vista dedutivo é desenvolvido a partir do segundo capítulo através de um sistema de dedução natural. Mas alguma coisa vou dizendo. primeiro para o cálculo proposicional e depois para o cálculo de predicados com igualdade. validade. sobre árvores). O ponto de vista semântico. onde são discutidas algumas questões de filosofia e fundamentos da matemática. como motivação. Por esta razão. Esta lógica é apresentada sob dois pontos de vista.

quer no final. Por outro lado. durante alguns anos. novamente informal. complementar o texto dos primeiros capítulos com um pouco de teoria axiomática dos conjuntos ou de teoria da computabilidade. intuicionista. sobretudo nos capítulos intermédios. se ele for utilizado como base de um curso universitário.) às extensões infinitárias da lógica clássica. num encontro da Associação de Professores de Matemática (APM) em Viana do Castelo. assim. penso que a selecção e nível de aprofundamento dos assuntos abordados tipifica os interesses e necessidades de um vasto leque de potenciais leitores que poderão. No Cap. tais referências existem nas nossas bibliotecas universitárias. quer em notas de rodapé. mas chamo a atenção para a importância dessas propriedades. como já se disse. deôntica. com relativo sucesso. Com esta finalidade se dão bastantes referências bibliográficas. no curso de Lógica Matemática. próprio de uma iniciação. ao nível dos anos terminais do ensino secundário ou do primeiro ano de uma licenciatura em Matemática. O mesmo sistema dedutivo foi leccionado. Em resumo. Informática. desde as lógicas não-clássicas (modais. Julgo parte do conteúdo (as secções não assinaladas com *) adequado para um primeiro contacto com coisas lógicas. e muitos acompanham o texto. Os mais difíceis são. podendo ser omitidos numa primeira leitura. mas entendo que tais demonstrações se justificam somente num livro ou curso um tanto mais avançado (talvez. identificar mais facilmente as ideias centrais de uma disciplina de lógica concebida em moldes actuais e orientar-se para os tópicos ou variantes mais especializados. no fim de cada capítulo. IV desenvolve-se um pouco a aritmética elementar (como teoria formal). mas suficientemente preciso para permitir voos mais altos a quem se queira aventurar seriamente na lógica matemática. O último capítulo. numa futura reedição) quando há oportunidade para desenvolver e aplicar as suas inúmeras e importantes consequências. contudo. mas nenhum é excessivamente difícil. No fim do livro encontram-se algumas soluções. de grande importância para os fundamentos. e de alguns pontos de vista alternativos. paraconsistente. etc. o quinto. Sem dificuldade se complementa o texto com as demonstrações omissas. como os metateoremas de Gödel e Tarski. Uma versão reduzida dos três primeiros capítulos foi leccionada. dá conta de algumas linhas directrizes de desenvolvimento dos tópicos apresentados e de possibilidades de extensão ou aplicação. Os exercícios constituem parte integrante do livro. O estilo da prosa é intencionalmente informal. são acompanhados de sugestões. Este capítulo termina com uma discussão. em Outubro de 1989. é talvez mais vantajoso. Alguns exercícios. quem sabe. no primeiro e segundo anos da licenciatura em Matemática da Faculdade de Ciências de Lisboa. .x adequação) e de completude semântica do sistema dedutivo para o cálculo de predicados. de alguns resultados limitativos acerca das teorias formais contendo a aritmética elementar. outra disciplina lamentavelmente ausente dos programas liceais e universitários. Na sua grande maioria. num tal primeiro curso de lógica e fundamentos. criteriosamente escolhidas. assinalados com *.

resolver uma equação do segundo grau ou calcular uma área. Utilizei-o em algumas passagens e para os exercícios do Cap. recorro muitas vezes a ele pelo prazer da leitura e para inspiração no seu extraordinário sentido didáctico. em 1945. As secções novas de índole mais técnica são assinaladas com * e podem ser omitidas sem quebra de continuidade ou deixadas para leitura posterior. A 2. O Cap. Antes de partir. Devo também agradecer à APM (na 1. com o mínimo de pressupostos. que é do melhor que conheço em termos de iniciação matemática (e metamatemática!) em qualquer língua e época.0. Paulo Almeida (IST) a paciente revisão e os inúmeros comentários que muito contribuíram para a clareza e acuidade da exposição. acolheram bem as duas primeiras edições. é um livrinho actualíssimo que urge reeditar. Ao Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências de Lisboa e ao Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais agradeço as facilidades de preparação do manuscrito original. entre outras. IV.xi Engenharia ou Letras (Filosofia). Dedico este trabalho à memória do matemático e lógico António Aniceto Ribeiro Monteiro que. o livro como está já . Mencionemos. IV foi o que teve menos alterações. Mas trata-se. Carlos Lourenço (CERN) e Prof. cuja primeira parte (V. ao Prof. porém. Algumas dessas secções contêm aplicações não triviais para as quais se exigem alguns conhecimentos matemáticos. aparentemente. ou até para o leitor autodidacta. Paulo Almeida. aliás. Aqui fica a recomendação. Muitas matérias que eu gostaria de ver incluídas num manual de (introdução à) lógica matemática ficam ainda de fora. mas mais do que gostaríamos fossem necessárias). por me ter convencido a reescrever o prefácio e acrescentar o capítulo final. em particular. Além disso. O texto foi todo revisto e composto em ê 5. Não apenas por estas razões.2. Em todo o caso. do mínimo que o leitor intencional quererá saber (e saber fazer). Agradeço aos meus amigos Dr. fundou e expandiu uma escola de lógica matemática. Mais algumas correcções para a primeira edição brasileira foram incorporadas em 1968.ª edição (1996) teve algumas alterações e acrescentos à primeira. um pouco de teoria dos modelos e de lógica e matemática intuicionistas e uma introdução folgada à teoria da computabilidade. em todo o caso. tem fortemente em conta este público vasto e heterogéneo. Espero que resulte num incentivo a todos os meus colegas e mestres para tornarem acessíveis a um vasto público (que por certo existe ou existirá) os frutos da sua experiência e labor. talvez. para além das correcções que se impunham (não muitas.ª edição) e à Gradiva terem proporcionado esta nova experiência editorial. o cálculo de sequentes de Gentzen. para não alterar substancialmente o carácter informal e popular que intencionalmente se quis imprimir à obra desde o primeiro momento. Aumentou-se o leque de exercícios propostos e resolvidos de cada secção (alguns saídos em exames) e acrescentaram-se algumas secções novas para satisfazer os interesses dos vários públicos que. publicou entre nós (em colaboração com José da Silva Paulo) um livrinho de Aritmética Racional. em terras distantes de outro continente. aplicar uma regra de três. A escolha de assuntos e o nível de tratamento dos mesmos.1-V. tão bem como saberá.3) constitui uma versão revista e ampliada de um pequeno texto escrito noutra ocasião.

A todos os meus sinceros agradecimentos e votos para que continuem criticando e sugerindo melhorias. Aos Professores F. e aos alunos de Lógica Computacional na Universidade de Évora.xii contém matéria que excede as possibilidades de leccionação num semestre universitário. Agradeço particularmente a três pessoas e colectivamente a todas as outras. e ao Francisco Coelho pelo apoio logístico relativamente a esta edição. O Prefácio da primeira edição foi ligeiramente retocado e a bibliografia foi também actualizada com algumas das melhores obras que têm sido publicadas nos últimos anos. Dias Agudo e aos meus colegas Fernando Ferreira e Ana Isabel Matos. as críticas a alguns aspectos (terminológicos e não só) da primeira edição e ao acompanhamento da redacção das alterações e acrescentos na segunda. incluindo os meus alunos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa das cadeiras de Lógica e Fundamentos da Geometria e de Lógica de Primeira Ordem em anos recentes. R. respectivamente. Colégio Luís Verney 1 de Fevereiro de 2006. T] Y b .

«logo» (ou similares). digamos (‡ ) 9" . forçam (racionalmente) a aceitação da conclusão como verdadeira sempre que as premissas forem aceites como verdadeiras. Ao fazermos um raciocínio. 13 . < 9" ã . 98 < 9" ß ÞÞÞß 98 Î< . 98 . ou Interessa distinguir entre os argumentos correctos ou válidos e os argumentos incorrectos.1 Argumentos Um argumento é uma sequência finita de proposições (asserções. 2 A ordem de colocação das premissas é irrelevante: é o conjunto Ö9" ß á ß 98 × das premissas que se deve considerar como relevante. sentenças) de determinada linguagem. dizem-se as premissas do argumento (‡). portanto <». «por conseguinte». mas tentemos primeiramente precisar um pouco o que foi dito. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA I. é a conclusão do dito argumento. ÞÞÞ. interessa-nos que as conclusões a que chegamos sejam pelo menos tão aceitáveis quanto as premissas de que partimos. e isto acontece se utilizarmos somente argumentos válidos. entre as premissas e a conclusão. «9" . 98 .Capítulo I ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. 9" . Veremos adiante alguns exemplos de argumentos correctos e de argumentos incorrectos. por exemplo. 98 . ÞÞÞ. e a última proposição. <. ao argumentarmos com alguém. inválidos ou falaciosos (do latim fallacia — engano). pois só estes preservam a verdade. Ao fazer a leitura de (‡) é costume inserir uma das locuções «portanto». < (8   ") As 8 primeiras proposições. «Portanto» abrevia-se « ¾ ».2 E para sugerir esta leitura usam-se frequentemente as seguintes notações alternativas para (‡): 9" ß ÞÞÞß 98 . ÞÞÞ. lendo. isto é.

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I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA

1.1 Definição Um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< diz-se correcto ou válido sse a conclusão < for verdadeira sempre que as premissas 9" , ÞÞÞ, 98 forem simultaneamente verdadeiras, e diz-se incorrecto ou inválido no caso contrário, isto é, sse alguma situação ou circunstância permitir que as premissas sejam simultaneamente verdadeiras e a conclusão falsa.
A definição anterior envolve-nos com os conceitos semânticos de verdade e falsidade, e com o conceito sintáctico de proposição, não sendo uma definição precisa enquanto estes conceitos não forem previamente definidos com rigor. Nenhuma destas tarefas é tão fácil quanto se poderia julgar. Sem problematizar, diremos apenas, de momento, que tomamos o termo «proposição» na acepção linguística corrente, como sinónimo de «frase (asserção, expressão) declarativa (ou enunciativa) de um juízo ou pensamento, que tem o verbo no indicativo, e pode ser afirmativa ou negativa»3. Isto quer dizer que, num determinado contexto ou referencial interpretativo, a cada proposição 9 pode ser atribuído sem ambiguidade, pelo menos em princípio, um dos valores lógicos verdade (símbolo “Z ”, ou “"”) ou falsidade (“J ”, ou “!”); além disso, considera-se 9 verdadeira se e somente se a situação ou estado de coisas que 9 exprime acontece de facto [concepção tarskiana da verdade ou veracidade enquanto correspondência com os factos ou a (uma) realidade]4. Exemplificando: A proposição «A relva é verde» é verdadeira sse a relva é verde.5 Note-se que o valor lógico de uma proposição como «A relva é verde» não é um absoluto categórico e intemporal, pois depende do contexto interpretativo. Por exemplo, no contexto de um campo de golfe bem tratado, a dita proposição é certamente verdadeira, mas noutro contexto, como o alentejano no pino do estio ela é, provavelmente, falsa. Esta dependência do valor lógico relativamente ao contexto interpretativo é ainda mais evidente nas proposições matemáticas expressas em notação totalmente simbólica como, por exemplo, a proposição seguinte, que exprime a comutatividade de uma operação binária indeterminada  : Para todo o B e todo o C, B  C œ C  B. Esta proposição é verdadeira em certas estruturas matemáticas (por exemplo, nos
Gr. Dic. da Líng. Port., Soc. Líng. Port., Lisboa, 1981, tomo IX, p. 462. Alfred Tarski (1902-1983), um dos maiores lógicos de todos os tempos, criador da moderna semântica, enquanto disciplina científica (também chamada teoria dos modelos, como ramo da lógica matemática). Autor de um dos primeiros livros de introdução à lógica moderna e à metodologia das teorias dedutivas destinados ao grande público, um clássico escrito durante a ascenção do nazismo na Alemanha, recentemente reeditado (ver bibliografia). 5 Uma frase clássica com que se costuma exemplificar este ponto é devida a A. Tarski: a proposição «A neve é branca» é verdadeira sse a neve é branca. A expressão «sse» é uma abreviatura de «se e só se», ou de «se e somente se», muito do agrado dos matemáticos.
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I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA

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grupos comutativos, em que o símbolo “  ” denota a operação de grupo) e é falsa noutras estruturas matemáticas (por exemplo, nos grupos não comutativos). Por outro lado, não é necessário que saibamos determinar, no momento actual, o valor lógico de cada proposição com que lidamos, mas apenas exigimos que ela possua um determinado valor lógico, independentemente do nosso conhecimento dele.6 Por exemplo, não sabemos, de momento, qual o valor lógico da proposição aritmética «existem infinitos pares de primos gémeos»7, mas admitimos que possua um valor lógico determinado no momento presente. Analogamente para a proposição «existe um bloco de cem zeros consecutivos na dízima infinita de 1.» Mas já não se poderá dizer que possua um valor lógico determinado no momento presente a frase (dita contingente futura) «Qualquer dia vou ser eleito Presidente da República.» Vejamos alguns exemplos de argumentos válidos e inválidos.

1.2 Exemplos (1) Consideremos o clássico
Todo o homem é mortal Sócrates é homem Sócrates é mortal. Este argumento é válido: se as premissas forem ambas verdadeiras (e são, de facto, na acepção corrente), a conclusão é também verdadeira. (2) Substituindo no argumento anterior «mortal» por «mudo», uma das premissas e a conclusão são falsas (interpretadas no sentido corrente); no entanto, o argumento continua válido: se ambas as premissas forem verdadeiras, a conclusão é verdadeira também.

Esta questão não é pacífica. A suposição de que toda a proposição matemática possui um valor lógico, independentemente do nosso conhecimento, releva já de certa atitude filosófica, de índole idealista ou platonista, que não é partilhada por todos os lógicos e matemáticos, nomeadamente, pelos intuicionistas/construtivistas, para quem uma proposição matemática só possui valor lógico a partir do momento em que é demonstrada ou é refutada. Veja-se a secção V.5. 7 Um par de primos gémeos é um par de números primos da forma Ð:ß :  #Ñ. O maior número primo : conhecido (Setembro de 2005) nestas condições, é 16 869 987 339 975 † 2"(" *'!  1, que se escreve com 51 779 algarismos.

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16 (3) O argumento

I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA

A relva é verde e o céu é azul A relva é verde é obviamente válido, quaisquer que sejam a localização do relvado e o estado do tempo. (4) Substituindo no argumento anterior «e» por «ou», obtém-se um argumento inválido, pois é concebível uma situação em que a relva não é verde, mas o céu é mesmo azul, tornando verdadeira a premissa, mas falsa a conclusão. (5) O argumento Os mesões têm spin " e a Lua é um queijo # Os mesões têm spin " # é válido, e este facto é reconhecido por qualquer pessoa, mesmo que ignorante de Física ou que não tenha ido à Lua saborear o queijo!

I.2 Forma vs. conteúdo
Das ilações que podem ser tiradas dos exemplos acima, a mais importante é a de que a validade (ou invalidade) de um dado argumento é independente do seu conteúdo concreto ou significado das proposições intervenientes, e portanto é independente da sua verdade ou falsidade factual, só dependendo da presença ou não de uma certa relação entre a verdade (factual ou hipotética) das premissas e a verdade (factual ou hipotética) da conclusão, relação essa que tem o nome de relação de consequência (lógica ou semântica).8 O argumento é válido se a relação de consequência se manifesta (dizendo-se neste caso que a conclusão é consequência das premissas) e é inválido no caso contrário. E tal relação está ou não presente num dado argumento somente por virtude da forma lógica do argumento a qual, por sua vez, depende da forma lógica das proposições intervenientes. Em última análise, pois, a validade ou invalidade de um argumento só depende da sua forma. Antes de prosseguir, fixemos o conceito de consequência numa definição geral.

2.1 Definição Seja D um conjunto de proposições, < uma proposição. Dizemos que < é consequência (lógica, ou semântica) de D sse < é verdadeira sempre que as proposições de D são simultaneamente verdadeiras.

8 A razão porque se utiliza o adjectivo «lógica», no presente contexto, é a seguinte: se 9" ß …ß 98 } <, isto acontece somente por virtude do significado dos símbolos lógicos (conectivos) que ocorrem nas fórmulas 9" ß …ß 98 ß <.

Quanto à igualdade (símbolo “ œ ”).9 Na tabela seguinte indicam-se os símbolos dos conectivos e dos quantificadores e sua interpretação a utilizar neste livro. e ao conceito de igualdade. TARSKI “What are logical notions?”. 143-154. chamada análise lógica. entre muitas. particularmente no que respeita à linguagem (linguagens) da matemática (das teorias matemáticas). O conectivo de condicionalização também é chamado de implicação material. a igualdade pode ser definida a partir de outros conceitos. Peirce. Comparando as definições 1. ou «D implica (logica ou semanticamente) <».3 Análise lógica Explicitar a forma lógica de uma proposição 9 é explicitar o modo como essa proposição é formada ou construída a partir de proposições (ou condições) mais simples. A coluna da direita contém alguns dos símbolos mais antigos. . n. digamos D œ Ö9" ß ÞÞÞß 98 ×. Frege. houve progressos notáveis desde meados do século passado. deve-se referir que em certos sistemas lógicos mais fortes do que os considerados neste livro (por exemplo. < I. Se D for vazio (D œ g) escrevemos } < em vez de g } <. aos quantificadores (incluindo o uso de variáveis). 6. entre outros factores. e o de bicondicionalização de equivalência material.I. Hist. pp. 1986. Schröder. De Morgan. Peano e Russell. devidos a matemáticos e lógicos como Boole. por meio de certas operações (ou operadores) lógicas. São os que dizem respeito aos chamados conectivos proposicionais. A expressão «D } < » também se pode ler «de D conclui-se (logica ou semanticamente) <». já um tanto em desuso. of Logic 7. ÞÞÞ. dos lógicos e linguistas.10) e em certas teorias matemáticas (como a teoria axiomática dos conjuntos). ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Escreve-se D}< 17 para exprimir que < é consequência (lógica. o artigo de A. Identificar e classificar as componentes lógicas e não lógicas das proposições (e demais expressões) de uma língua ou linguagem é uma tarefa.1 e 2. 9 V. As linguagens formais que abordaremos são o (um) resultado de tais progressos. ou semântica) de D. escrevemos simplesmente 9" . ver III. Graças à criação de um simbolismo adequado. Se D for finito. na chamada lógica de segunda ordem. Há um consenso relativamente grande entre os lógicos sobre quais os conceitos lógicos fundamentais presentes nas expressões e proposições matemáticas. and Phil. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. 98 } < em vez de Ö9" ß ÞÞÞß 98 × } <.1 concluimos imediatamente que um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 é válido sse 9" ß ÞÞÞß 98 } <. É tarefa bem complexa e delicada.

tentou-se considerar o conceito de pertença (símbolo “ − ”). por exemplo. Ð Ñ D. obviamente. e o nível quantificacional. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Por outro lado. contudo. aceitando-se hoje em dia que aquele conceito é especificamente matemático. não lógico. na ligação das variáveis aos quantificadores. para exprimir leis físicas. mas há conceitos específicos de cada ramo que não fazem sentido noutros ramos. ¨ Í. etc. identidades algébricas. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA.1. é uma prática já centenária em matemática e nas ciências que utilizam a matemática. na definição 1. que mais não são do que letras de certos alfabetos. mesmo as encaradas como simples no nível proposicional. . eivados de dificuldades (quando não contradições) e artificialismos inultrapassáveis. O simbolismo adoptado para efectuar a análise ao nível quantificacional é. mais rico e variado do que o adoptado para a análise ao nível proposicional.10 CONECTIVOS E QUANTIFICADORES Símbolo • ” c p op a b Leitura e ou não seÞÞÞ. Por exemplo. q Ê. em que utilizamos letras “93 ”. em certos sistemas lógicos desenvolvidos no final do século passado e princípios deste. em que só nos interessa o modo como uma proposição é composta de proposições mais simples por meio dos conectivos proposicionais. no âmbito de um ambicioso programa de redução da matemática à lógica (o chamado programa logicista). em que todas as proposições. são analisadas na sua estrutura gramatical interna. do mesmo modo que o conceito de número primo não é um conceito específico da Biologia e o conceito matemático de pertença não é um conceito da lógica. Do ponto de vista da lógica tradicional os conceitos lógicos são aqueles que são os mais gerais e comuns a todos os ramos do saber (incluindo a matemática). conceito fundamental da teoria dos conjuntos. “<” para representar proposições arbitrárias). por exemplo. na relação sujeito-predicado. † + ~. nomeadamente por Gottlob Frege e por Bertrand Russell. E A utilização de variáveis. É costume distinguir dois níveis de análise lógica das proposições — o nível proposicional. ´ C. como conceito lógico. 10 . Tais sistemas revelaram-se.18 I. por exemplo. o conceito botânico de semente não é um conceito específico em Química. então se e só se para todo existe Operação lógica conjunção disjunção negação condicionalização bicondicionalização quantificação universal quantificação existencial Alternativos &. etc. Em análise lógica as variáveis são imprescindíveis para exibir a forma das proposições e argumentos e até para podermos dizer algo acerca de proposições arbitrárias (como.

<. e as letras gregas 9. ñ c9 — a negação de 9. .14159á ). Usando essa convenção. Quando não houver possibilidade de confusão. Os conectivos12 • . é frequente lêr-se «9 implica < » para exprimir que a proposição 9 p < é verdadeira. mas não podemos usar a convenção autonómica relativamente a esta letra. deixando-se para o leitor. <. simples ou p compostas. podemos suprimir os parênteses (mais sobre esta supressão no Cap. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 19 I. Nomeadamente.11 possivelmente com índices. porém. «9 é condição necessária e suficiente de <». «9 é equivalente (materialmente) a <». «< é condição necessária de (ou para) 9 ». II). só (ou somente) se < ». 4. lê-se «9 e < ». os argumentos dos exemplos (1)-(5) acima podem ser simbolizados (ou formalizados) do seguinte modo: Recorde-se que para formar um nome de um símbolo ou de uma expressão se coloca esse símbolo ou expressão entre aspas “ ” ou entre comas ‘ ’. Os lógicos recorrem muitas vezes. ). 12 Alguns colegas de ofício sugerem que deveriámos dizer «as conectivas». por razões que mais adiante se explicam e têm a ver com os diferentes significados ou usos possíveis do termo «implica».a componente <. p . ñ Ð9 ” <Ñ — a proposição disjunta [ou disjunção (inclusiva)] com 1a componente 9 e 2. para representar proposições simples. ñ Ð9 p <Ñ — a proposição condicional (ou implicação material) com antecedente 9 e consequente <. Das leituras possíveis indicadas para p e o devem preferir-se as primeiras p alternativas. A convenção autonómica não é utilizável em matemática: por exemplo. ÞÞÞ. possivelmente com índices. «9 implica (materialmente) < ». se 9. pois um número não é uma letra. ” . . < são proposições.ÞÞÞ. o devem ser encarados como operadores que actuam sobre proposições e produzem proposições. também o são: ñ Ð9 • <Ñ — a proposição conjunta (ou conjunção) com 1a componente 9 e 2.4 Nível proposicional A este nível é costume usar as letras latinas :.I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. «9 é condição suficiente de (ou para) <». c . por exemplo: «a letra : denota uma proposição simples». que se pode ler de muitas maneiras diferentes: «se 9. em vez de «a letra ‘:’ denotaá ». ou «não se tem 9». «9 . diremos.a componente <. «<. conforme o contexto. então < ».1 Exemplos Ao nível proposicional. se 9 ». a letra ‘1’ denota em matemática um certo número irracional (1 œ 3. segundo a qual cada símbolo ou expressão se considera como um nome de si própria. à chamada convenção autonómica.a componente <. que se lê «9 ou < ». que se lê «não 9». ñ Ð9 o <Ñ — a proposição bicondicional (ou equivalência material) com 1a p componente 9 e 2. daí a possível ambiguidade. para representar proposições arbitrárias. Assim. que se lê «9 sse <». 11 . a distinção uso/menção.

< os valores ". . Este facto exprime-se esquematicamente. tenha-se em conta o modo como proposições da forma 9 p < são utilizadas em matemática. indicamos já o valor respectivo. : (4w ): :”. ser verdadeira e a conclusão : ser falsa: basta . Ora. p . ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA : . As tabelas de verdade para • . E é assim devido ao modo como utilizamos ‘e’ na língua comum. a invalidade de (4) pode ser reconhecida pela forma (4w ). de modo a tornar a premissa : • . E. então certamente que 9 não implica <. o que mostra a insuficiência da análise lógica ao nível proposicional. isto é. ser verdadeira. que resulta do facto de uma disjunção (inclusiva) se considerar verdadeira quando e só quando uma. c. . no sentido seguinte: admite-se 9 como verdadeira e tenta-se demonstrar a veracidade de <. e a sua demonstração procede normalmente (pelo chamado método directo) de 9 para <. na conhecida tabela de verdade para o conectivo • (ver adiante). TABELAS DE VERDADE DOS CONECTIVOS 9 ! " c9 " ! 9 ! ! " " < ! " ! " 9•< ! ! ! " 9”< ! " " " 9p< " " ! " 9o < p " ! ! " Nos casos em que o antecedente tem o valor ". ” . já não pode ser reconhecida pela forma proposicional (1w ) (pois somos livres de atribuir a :. Muitos teoremas em matemática têm aquela forma condicional. das componentes for verdadeira. . : (3w ) e (5w ): A validade de (3) [e de (5)] pode ser reconhecida através da forma (3w ): sempre que atribuirmos valores lógicos às letras :. !. a condicional 9 p < é falsa. mas < é falsa. por exemplo). resulta a conclusão : verdadeira também. de qualquer modo. Uma p justificação da tabela de p . se porventura 9 é verdadeira. nas linhas em que o antecedente tem o valor !. será feita mais adiante mas. pelo menos.20 (1w ) e (2w ): I. de modo condensado. A validade do argumento (1) [ou (2)]. ". Do mesmo modo. verdadeira. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. e a tabela de verdade para ” . porém. que nos leva a considerar uma proposição conjuntiva como verdadeira quando e só quando ambas as componentes são verdadeiras. < :•. o são indicadas a seguir. . é possível a premissa : ” . respectivamente.

ÞÞÞ. -# . I.. em que seja tida em conta a «estrutura interna» das proposições :. pois... +w . nas proposições (6) Sócrates é homem.. . 4 e os predicados e relações â é homem. sendo o primeiro predicado unário (uma posição livre ou «grau de liberdade». B ama C. isto é. 13 . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA.1 Notações Neste capítulo usaremos as letras . (7) Manuel ama Maria.13 No lugar dos espaços em branco «â» colocaremos variáveis. D . … para este fim. consideradas simples ao nível proposicional. pois.. . . . ou aridade 1). como veremos. está um certo domínio ou universo (do discurso): uma colecção a que pertencem os indivíduos ou sujeitos referidos (cujos nomes podem ocupar as posições livres nos predicados). â ama â .. II. B está entre C e D . 5. . possivelmente com índices. C. possivelmente com índices.5 Nível quantificacional No segundo nível da análise lógica das proposições encontramos como componente fundamental a ligação sujeito-predicado: certos objectos ou indivíduos têm certa propriedade. os predicados e relações acima podem ser representados pelas expressões (‡‡) B é homem. concreta ou abstracta) — os sujeitos — e certos predicados ou relações entre eles. o segundo binário (duas posições livres ou dois «graus de liberdade». .. Manuel. Em cada proposição analisada identificamos certos indivíduos ou objectos (de natureza qualquer. ou estão em certa relação com certos outros. Assim. de passar a um nível mais profundo da análise. Por razões que só serão explicadas no Cap. ou aridade 2) e o terceiro ternário (aridade 3). mas já não ao nível quantificacional. Implícita ou explicitamente. para representar indivíduos arbitrários do domínio dado. preferimos não utilizar as letras +. como nomes (próprios) de indivíduos ou objectos particulares de um dado domínio. â está entre â e â . identificamos os indivíduos particulares Sócrates. Por exemplo. 2. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 21 Necessitamos. -" .I. 3. letras (do fim do alfabeto latino) B. < do exemplo (1). . . (8) 3 está entre 3 e 4. Maria. Tais letras são também chamadas constantes.

-# . por exemplo.. Notações alternativas. V . um predicado ou relação binária por UBC e um ternário por VBCD .. 15 Definições mais precisas são dadas no Cap.22 I. podemos abreviar as expressões (‡‡) em T B. porém. possivelmente com índices. um predicado unário pode ser expresso por T B. que num contexto diferente se denote por T BC ou T ÐBß CÑ um predicado ou relação binária.. respectivamente.. UBC. como nomes de predicados e relações (unários. Assim. são T ÐBÑ. Relativamente às proposições (6)-(8) acima. U. UBC. Em geometria (euclidiana). VBCD .. usaremos letras como T . e colocaremos as variáveis e nomes de indivíduos à direita. como B  #. 14 . dizer que x está entre C e D equivale (por definição) a dizer que C é menor do que x e x é menor do que D . para números. Em exemplos matemáticos recorremos às notações comuns. substituição e quantificação15 Os símbolos T . III. . binários. por exemplo). UÐBß CÑ (ou BUC). mas nem por isso deixamos de ter aqui uma relação ternária num universo numérico (números inteiros.6 Condições. A partir de condições atómicas outras condições (ou proposições) se podem obter. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. quer por meio de duas outras operações Pese embora o facto de que. Nada impede. U-# -$ . -$ como nomes dos indivíduos particulares Sócrates. Manuel. V . VÐ$ß #ß %Ñ. simbolicamente ÐC  x • x  D Ñ ” ÐD  x • x  C Ñ. ou espaço) dos pontos. #  $  %. é conhecida a relação ternária (estar situado) entre. VÐBß Cß DÑ respectivamente.14 Mais geralmente. obtemos para expressão simbólica de (6)-(8) T -" . são chamados símbolos predicativos (ou relacionais). respectivamente. . associadas aos conectivos proposicionais. e se usarmos as letras -" . B œ C ou similares são chamadas condições simples ou atómicas. U. VÐBß Cß D Ñ. conforme o caso). num dado contexto. I. por vezes mais convenientes. por VB" ÞÞÞB8 uma relação 8-ária (8   #). etc.. ou D é menor do que x e x é menor do que C. etc. Maria. e expressões como T B. quer por meio das operações lógicas já indicadas. ocupando tantas posições quanto o grau ou aridade respectivo. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA respectivamente. etc. respectivamente. no domínio (plano.

excepto se algo se disser em contrário). aB». mas se permanecerem variáveis por substituir obteremos ainda uma condição. Então podemos formar as seguintes expressões.17 16 Menos correcta. a quantificação de condições nem sempre produz proposições. U+C. com a leitura «existe (pelo menos um) B tal que 9ÐBÑ». obtemos a proposição T + mas. fazendo a mesma substituição na condição UBC. pelo menos (quer dizer. que corresponde literalmente à escrita (incorrecta e absurda. mas isto não esgota as possibilidades gramaticais para obter condições (ver adiante). por quantificação da variável B: ñ aB9ÐBÑ — a quantificada universalmente em B de 9ÐBÑ. Todavia. Por exemplo. não quantificadas.. O resultado de substituir numa condição atómica uma variável por um nome pode ser uma proposição ou ainda uma condição.16 ñ bB9ÐBÑ — a quantificada existencialmente em B de 9ÐBÑ. ou similarmente. obtém-se a condição na variável C. substituindo B por + em T B. c9 . Introduzimos agora outra maneira — a quantificação de variáveis. 9 p < . obtemos uma proposição. bB». para todo B». se 9 . Admitiremos então que. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 23 lógicas. mas frequente.I. atómicas ou não). e. que ninguém utiliza!) «9ÐBÑ. . 19). a única maneira de obter proposições consistiu em substituir variáveis por nomes. correspondente à escrita (formalmente incorrecta mas muito comum) «9ÐBÑ. que se lê «para todo B. mas com menos variáveis.. A substituição de uma variável por um nome (constante) pode efectuar-se. ou similarmente. 9 ” < . é a leitura «9ÐBÑ. outras variáveis além destas podem ocorrer em 9. 9ÐBÑ». 9ÐBÑ». Até este momento. a saber. ou 9Ð-" ÎB" ß ÞÞÞß -8 ÎB8 Ñ o resultado da substituição. numa dada condição 9. como é óbvio. É usual a notação 9ÐB" ß ÞÞÞß B8 Ñ para indicar que 9 é uma condição nas variáveis B" . Seja 9ÐBÑ uma condição numa variável B (e possivelmente noutras variáveis). 9ÐBÑ». desde que essa variável ocorra em 9 . .. ou «para qualquer B. 9 o < p (mesma leitura que a indicada na pág. B8 . em condições. para algum B». mas com menos variáveis livres. Se todas as variáveis em 9 forem substituídas por nomes (constantes). pois pode também produzir condições. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. isto é. ou «para algum B. 17 Também é frequente a leitura «9ÐBÑ. ou ainda «todo B tem a propriedade 9 ». denota-se por 9Ð-" ß ÞÞÞß -8 Ñ. < forem condições (ou proposições. então também o são as expressões 9 • < . a substituição de variáveis por outras variáveis ou por nomes e a quantificação de variáveis. ou «algum B tem a propriedade 9». se cada B3 for substituída por um nome -3 (" Ÿ 3 Ÿ 8).

. bB são os quantificadores em B. bC Ð? œ C  CÑ. devemos ter o cuidado de verificar que ? não ocorre já em 9ÐBß ÞÞÞÑ pois. 9ÐBß Cß Dß ÞÞÞÑ é uma condição nas variáveis B. C. já nada diz acerca de B. que. são variáveis para números inteiros). bB 9ÐBß Cß D ß ÞÞÞÑ são condições nas variáveis C . D . a condição em B bC ÐB œ C  CÑ exprime algo acerca de B.. por outro lado. . então as expressões aB 9ÐBß Cß D ß ÞÞÞÑ. uma ocorrência livre em B. bB 9ÐBÑ são proposições (ou sentenças). digamos ?. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA As expressões aB.24 I. É claro que nas proposições não pode haver variáveis livres. Ocorrências de variáveis em condições que não são mudas dizem-se livres.. ocorrem livres em 9ÐBÑ [isto é. resultaria. C. se outras variáveis C. respectivamente. Assim é no caso acima. D . que exprime que existe um número inteiro igual ao seu dobro (o que é verdade: é o inteiro zero. Por abuso. exprime algo acerca de B. Enquanto uma condição em B. e naquelas expressões as ocorrências de B são mudas ou aparentes.. se se substituísse B por C em bCÐB œ C  CÑ. D . Mas. uma condição com significado totalmente diferente do pretendido.. por exemplo. uma proposição da forma aB 9ÐBÑ ou da forma bB 9ÐBÑ.. nomeadamente «B é par». . pois todas as variáveis ou foram substituídas por nomes ou foram quantificadas.. 9ÐBÑ é o alcance do quantificador em B. pois exprime «todo o número inteiro é par» (o que. supondo que B. isto é. Observe-se. por sinal. Em expressões da forma aB9ÐBÑ ou bB9ÐBÑ. resultando a proposição bC ÐC œ C  CÑ. . pelo menos.. exprimindo «existe um número par» (o que é verdade). pelo contrário. . do mesmo modo. elemento neutro para a adição). se somente B é livre em 9ÐBÑ. dizemos que B é livre em 9 se B tem. D . exactamente o mesmo que exprime aD bC ÐD œ C  CÑ. é falso). . substituir a variável B por uma outra. a proposição que se obtém da condição em B acima quantificando universalmente esta variável aB bC ÐB œ C  CÑ já nada diz acerca de B. aB ou bB. possivelmente. numa dada condição 9ÐBß ÞÞÞÑ. somente. se quisermos. exprime «? é par».. Por exemplo. nada diz acerca de B a proposição bB bC ÐB œ C  CÑ. na álgebra dos números inteiros (isto é. então aB 9ÐBÑ. 0. em contrapartida. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. caso ocorra. ?. e exactamente o mesmo exprime a proposição seguinte onde nem sequer ocorre B b? bC Ð? œ C  CÑ Como é também manifesto através destes exemplos. Analogamente. a condição em ?. 9ÐBÑ. que não exprime acerca de ? o mesmo que a inicial exprimia acerca de B.

B são mudas. — A constante .7 Interpretações As proposições da língua portuguesa (9) Sócrates ama alguém. .denota o indivíduo Sócrates. etc. isto é. nas quais as variáveis 8. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 25 A distinção livre/muda é também pertinente em expressões matemáticas. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. uma colecção ou conjunto de objectos ou indivíduos onde as variáveis tomam valores. . 7. respectivamente. — O símbolo U denota a relação de amar. Em geral. desde que façamos as convenções seguintes: — As variáveis B.1 Exemplos Simbolizemos agora os argumentos (1)-(5) ao nível quantificacional.B. supomos fixado um domínio [ou universo (do discurso)] para as variáveis.I. # ÖB − ‘ À " Ÿ B  8× œ Ò"ß 8Ò. UBC significa B ama C. ? ! 8Ð8  "Ñ . e é sempre através de uma interpretação (dissemos anteriormente: um contexto interpretativo.. C. denotam pessoas arbitrárias. I.) que as proposições simbólicas podem tomar um ou outro dos valores lógicos verdade (") ou falsidade (!). (10w ) aBbC UBC.. podemos também dizer: um referencial. indicando ao mesmo tempo a interpretação respectiva. suporemos tacitamente que tais substituições são feitas com os devidos cuidados para evitar a alteração do significado. neste capítulo. como por exemplo na seguintes condições " 8 3œ" 3œ J Ð?Ñ œ ( 0 ÐBÑ . isto é. (10) Toda a pessoa ama alguém. ? são livres mas as variáveis 3. a fixação de um domínio para as variáveis e a atribuição de significado aos nomes e aos símbolos predicativos de um dado simbolismo é o que se chama uma interpretação desse simbolismo. por outras palavras. Sempre que efectuarmos substituições de variáveis (livres) por outras variáveis. podem ser simbolizadas por (9w ) bC U-C.

excepto que UB: B é mudo: Idem. (3ww ) Domínio: todas as coisas. em cada domínio) na simbolização de um dado argumento.• VBÑ. UB: B é mortal. -: a Lua: aB ÐT B p UBÑ • V. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA (1ww ) Domínio: (colecção das) pessoas. Outro exemplo mais complicado: a 2. . na maioria dos casos. o predicado unário Q B: B é amante de Maria (ou: B ama Maria). é devido ao lógico americano Willard van Orman Quine. VB: B é um queijo. T B: B é um mesão. de estilo inconfundível (ver bibliografia).18 18 W.• U. A complicação é aqui dispensável. . van O. mas há casos em que é mesmo necessário utilizar o predicado de igualdade (interpretado como a relação de identidade. pode ser simbolizada por bB ÐB œ . UB: B é azul. T B: B é verde. T B: B é homem. famoso.: Sócrates: aBÐT B p UBÑ TU-. professor na Universidade de Harvard. T(4ww ) Idem. : o céu: T . no domínio das pessoas. aB ÐT B p UBÑ Devemos chamar a atenção para o facto de. UB: B tem spin # .. " (5ww ) Domínio: todas as coisas. com ” no lugar de • . haver mais de uma simbolização e de uma interpretação possíveis.a componente da premissa do argumento (5). Quine (1908-2000). autor de alguns dos livros mais bem escritos de introdução à lógica. se queremos obter uma forma válida.: a relva.26 I. Só para dar um exemplo. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. «A Lua é um queijo». . . (2ww ) Idem. reputado lógico e filósofo da lógica e da linguagem da actualidade. Idem. O seguinte exemplo. na frase (7) acima podíamos ter preferido considerar. . de modo que (7) se simbolizaria simplesmente por Q .

HENKIN “A Matemática e a Lógica são idênticas?”. (15) A honestidade é a virtude que mais admiro. Mas também em (13)-(15) o «é» não é predicativo (como em «Sócrates é mortal») mas sim um «é idêntico a». (15w ) A honestidade œ a virtude que mais admiro. œ . Todavia. respectivamente. . onde se procura pôr em prática o programa logicista de «redução» da matemática à lógica. em três volumes (dos quatro previstos). obviamente. são chamadas descrições definidas por Bertrand Russell. . das próprias designações: «Lisboa» Á «capital de Portugal»!).8 Sobre a igualdade. podendo-se escrever. Soc. UB: B rouba munições.I. Formalização: aB ÐT B p B œ .” U.2 Exemplo (11) Argumento: Somente o General e a Sentinela sabem a senha de passagem Alguém que sabe a senha de passagem rouba munições O General ou a Sentinela rouba munições. de colaboração com A. o artigo de L. n. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Paranaense de Matemática.” B œ . por AYDA ARRUDA]. Bol. Interpretação: Domínio: pessoas.19 Estamos encarando tais 19 O termo é utilizado no trabalho monumental Principia Mathematica (1910-1913).: o General. . T B: B sabe a senha de passagem. 138 (1962) pp. Descrições definidas Quando escrevemos. ou «o autor de Os Maias». (13w ) Sócrates œ mestre de Platão.o 3 (1964) Òtraduzido de Science. vol. Þ I. vol. Whitehead. N. expressões como «o mestre de Platão». (14) Lisboa é a capital de Portugal. 788-794. o símbolo de igualdade ‘ œ ’ emprega-se entre duas designações ou expressões designatórias para exprimir a identidade dos entes designados (e não. : a Sentinela. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 27 7. expresso pelo símbolo de igualdade. (14w ) Lisboa œ capital de Portugal. equivalentemente. estamos a utilizar o conceito de identidade. Em geral. a propósito. Isto é claro em (12): o resultado de somar 2 com 3 é o mesmo número que o resultado de somar 4 com 1. Ñ bB ÐT B • UBÑ U. (13) Sócrates é o mestre de Platão. Ver. 7. por exemplo: (12) 2  3 œ 4  1.

que uma única pessoa escreveu Os Maias e que essa mesma pessoa escreveu O Crime do Padre Amaro. por bB Ð9ÐBÑ • aC Ð9ÐCÑ p B œ CÑÑ. Com esta interpretação. já se obtém uma forma válida.28 I. Substituindo na forma (16w ) a premissa por (17). implícito na descrição «o autor de Os Maias». A razão da discrepância reside no facto insuspeitado de a validade de (16) depender do predicado Q B. A existência e unicidade de um indivíduo ou objecto sujeito a certa condição também tem de ser expressa através do predicado de igualdade. que se omitiu na premissa de (16w ). o argumento acima tem a forma (16w ) TbB ÐQ B • T BÑ mas esta forma não é válida. Reflectindo. com a finalidade de poder simbolizar expressões como «o único B tal que 9ÐBÑ». ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA expressões como descrições ou designações ordinárias (tal como os nomes próprios). exprime-se «existe um único B tal que 9ÐBÑ» pela conjunção bB9ÐBÑ • aCaD ÐÐ9ÐCÑ • 9ÐD ÑÑ p C œ D Ñ. T B: B escreveu O Crime do Padre Amaro. como facilmente se verifica por um contra-exemplo obtido com uma interpretação diferente (exercício). + (letra grega iota).: o autor de Os Maias. Supondo 9ÐBÑ uma condição em B. devido essencialmente a Quine. Damos a seguir outro exemplo. onde 9ÐCÑ œ 9ÐCÎBÑ e 9ÐDÑ œ 9ÐDÎBÑ. adaptado à nossa literatura. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. para efeitos de simbolização de frases. equivalentemente (equivalência a demonstrar no Cap. . o que se pode simbolizar por (17) bB ÐQ B • aC ÐQ C p B œ CÑ • T BÑ. actualmente em desuso. vemos que a premissa de (16) afirma. mas a verdade é que nem sempre este modo de proceder é conveniente para efeitos de estabelecimento da validade de certas formas de argumentos. implicitamente. Consideremos a seguinte interpretação: Domínio: pessoas. abreviadamente . Q B: B escreveu Os Maias. III). ou. (16) Argumento: O autor de Os Maias escreveu O Crime do Padre Amaro Alguém escreveu Os Maias e O Crime do Padre Amaro Este argumento é válido. podendo qualquer destas expressões ser abreviada em b" B 9ÐBÑ. Bertrand Russell introduziu o chamado operador de descrição (definida).

Em boa verdade. isto é. Note-se que (17) acima é precisamente da forma <Ð+B 9ÐBÑÑ. Semanticamente. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. O livrinho de COSTA & CARRION apresenta a lógica com o operador de Hilbert. antes fornece uma definição em contexto. 2003). Bourbaki denota 7 . a qual se considera como abreviatura de bBÐ9ÐBÑ • aC Ð9ÐCÑ p B œ CÑ • <ÐBÑÑ. e não denota coisa alguma no caso contrário. porém. não dá uma definição da forma +B 9ÐBÑ œ ---]. 7 (o que se faz com eles pode-se fazer sem eles). tendo como subjacente uma lógica sem o operador de Hilbert.20 Grosso modo. David Hilbert dá um tratamento inovador ao operador de descrição. De qualquer modo. BOURBAKI Éléments de Mathématique. considerando 7 como primitivo. se o operador de selecção (também dito de escolha) 7 é de natureza puramente lógica. o operador de descrição indefinida. que também foram recentemente traduzidos em português. a lógica clássica prescinde dos operadores + . diz como se deve encarar uma expressão em que ocorra a designação +B 9ÐBÑ. ou se houver mais de um. considera-se <Ð+B 9ÐBÑÑ falsa se não existir nenhum objecto satisfazendo 9 . como Apêndices ao seu livro Fundamentos da Geometria (Gradiva. torna-se possível definir os quantificadores: define-se bB 9ÐBÑ como abreviatura de 9Ð7B 9ÐBÑÑ e depois aB 9ÐBÑ como abreviatura de cbB c9ÐBÑ. o papel atribuído a 7 na lógica com este operador. Russell não define +B 9ÐBÑ explicitamente [isto é. 20 Ver os artigos de HILBERT insertos na colectânea de Van HEIJENOORT indicada na bibliografia. onde T e Q são como acima se indicou. 29 onde 9ÐBÑ é uma condição tal que a proposição b" B 9ÐBÑ é verdadeira. O que é mais interessante é que. digamos <Ð+B 9ÐBÑÑ. grosso modo. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA +B 9ÐBÑ. popularizado entre o mundo matemático a partir da década de 40 pelo tratado de N. &. e verdadeira no caso de haver um único tal objecto. embora a «alta» matemática (e a teoria dos conjuntos). substituindo + por um operador mais simples e eficiente. este operador resulta de + suprimindo a exigência de unicidade relativamente a uma condição 9ÐBÑ a que se aplique: 7B 9ÐBÑ denota um qualquer objecto B tal que 9ÐBÑ. pois não é mais que do que T Ð+B Q BÑ. não prescinda de um axioma (o chamado Axioma da Escolha) que desempenha. .I. Bertrand Russell (1872-1970) David Hilbert (1862-1943) Uns anos mais tarde. se existir pelo menos um. ou de selecção. que N. É discutível.

no domínio das pessoas) aBÐT B p bCWCBÑ como significar que há uma mesma Santa Padroeira para todos os pescadores (que é tendencialmente. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA I. até porque estas já se apresentam.21 Por exemplo.. na frase Os diâmetros de uma circunferência cortam-se num ponto. Também é frequente. Por exemplo. a presença de quantificadores implícitos. isto é. semiformalizadas. e . .30 I. Explicitando: «Para toda a circunferência existe um ponto no qual todos os diâmetros se cortam».22 Note-se ainda que o artigo indefinido «um» («uma») é utilizado como significando o mesmo que «um(a) qualquer». É claro que nesta expressão falta um quantificador em B. Todo o pescador tem uma Santa Padroeira tanto pode significar. que cada pescador tem a sua padroeira. estão implícitos nada menos que três quantificadores. & − ‘ e $  !. . o significado consensual). simbolicamente bCaBÐT B p WCBÑ Escusado será dizer que as duas formalizações não são equivalentes. Um outro exemplo de quantificador implícito muito frequente em matemática ocorre com a definição de limite. &  !). com a convenção usual de que $ .l  $ Ñ. como um quantificador universal. na frase Uma coisa bela é uma alegria eterna. por exemplo. Francisco Calheiros a chamada de atenção para este ponto. simbolicamente (com a interpretação óbvia. digamos. & são variáveis para números reais positivos (quer dizer. 22 Mas a frase que figurava em edições anteriores «Todos os pescadores têm uma Santa Padroeira» já tem o significado consensual. antes de passarmos à formalização. como. $ . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. frequentemente. sse BÄ- a$ b& Ð!  lB  -l  & Ê l0 ÐBÑ  . imediatamente à direita do quantificador existencial em & (supondo tacitamente que B é uma variável para números reais): devia ser 21 A questão não é tão pertinente em se tratando de proposições matemáticas. são números reais (fixos): lim 0 ÐBÑ œ . que é necessário saber explicitar para uma boa compreensão do significado. em que uma dada proposição da língua natural possui um significado ambíguo.9 Resolução de ambiguidades Casos há. digamos de uma função real de variável real 0 À ‘ Ä ‘. aB. também. Agradecemos ao Prof. do ponto de vista lógico. cabendo-nos resolver primeiro a ambiguidade. em certas frases matemáticas e não só.

Estas notações foram utilizadas por Sebastião e Silva nos anos B quarenta. 98 . I. & $ mas quantas vezes se esquecem as pessoas do ponto por cima do símbolo de Þ implicação. provérbio traduzido de uma frase na Ética). of Mathematics.l  $ Ñ. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. reprod. Fundou a Escola Peripatética (assim designada pelo facto de o mestre ensinar.. “ Ê ”. em B)?!23 Atendendo a que a interpretação de proposições com quantificadores é algo mais complexa do que no caso proposicional. < proposições.l  $ Ñ. e uma vintena de anos mais tarde nos seus manuais e guias para o ensino secundário (reforma das «matemáticas modernas»). . pelo menos.1 Definição Sejam 9" . 24 «Amigo de Platão..I. em oposição à filosofia de Platão (Amicus Plato. Em Russell (Mathematical logic as based on the theory of types. C. que significa precisamente uma implicação formal. 31 Em certos manuais encontramos as notações mais antigas (de há cem anos trás) e a expressão Þ a b Ð!  lB  -l  & Ê l0 ÐBÑ  . a relação de consequência) de uma maneira um pouco mais explícita. fazendo intervir o conceito de interpretação. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA a$ b& aB Ð!  lB  -l  & Ê l0 ÐBÑ  . mas mais amigo da Verdade. 150-182) encontramos a notação ¨B . isto é.) foi discípulo de Platão durante cerca de vinte anos e é justamente considerado um dos maiores sábios da antiguidade. Todos os conceitos sintácticos e semânticos introduzidos informalmente neste capítulo serão precisados nos capítulos seguintes. 222-262..» . em Van HEIJENOORT. razão porque ainda têm a preferência de algumas pessoas e ainda se encontram em alguns livros. 30 (1908). Uma tal interpretação dir-se-á um contra-exemplo para a validade do argumento dado. substituíam à Dialética («Ciência das Ideias») a Metafísica («Ciência das Causas»). Notação alternativa é ‘ Ê ’. 9. Amer. sed magis amica veritas24. Um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< diz-se válido sse toda a interpretação que torne as premissas simultaneamente verdadeiras torna a conclusão verdadeira também. quantificada universalmente (no caso. reformulamos a definição de validade de um argumento (ou seja. pois contemplou nos seus escritos todos os ramos do saber com grande profundidade.10 O silogismo aristotélico Aristóteles (384-322 a. Journ. Resulta que um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< é inválido sse existir uma interpretação. A maior obra de Aristóteles no campo das matemáticas e coisas afins é a sua formulação dos 23 A colocação do quantificador em B é imediatamente antes do parêntese esquerdo. passeando) em princípios que. que torne verdadeiras as premissas e falsa a conclusão.

interpretando T . o emprego de letras para a representação de grandezas e de proposições. as Analíticas Segundas. ñ Particular (ou existencial) negativa (O): Algum T não é U. ou tratado do Silogismo. Também podemos dar uma representação conjuntista a estas quatro proposições simbólicas. U de um conjunto dado H 25 As letras ‘A’ e ‘I’ são as duas primeiras vogais da palavra latina «AFFIRMO».) e. os Tópicos e os Argumentos Sofísticos. . respectivamente. também. com o mesmo sentido: Todo o lusitano é não-temeroso). U como subconjuntos T . exemplo seguido por Euclides nos seus tratados geométricos e aritméticos. (I): Algum aluno é aplicado. estes quatro tipos de proposições podem ser representados simbolicamente (domínio das pessoas) por: (A): aBÐT B p UBÑ. Nos Analíticas Segundas.1 Exemplos (A): Todo o homem é mortal. as Analíticas Primeiras. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA princípios e regras da lógica (clássica e modal). desde então. (O): bBÐT B • cUBÑ.25 10.32 I. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. (E): Nenhum lusitano é temeroso (ou. Modernamente. enquanto ‘E’ e ‘O’ são as da palavra «NEGO». ou tratado da Demonstração. Nas Analíticas Primeiras Aristóteles distingue quatro tipos básicos de proposições: ñ Universal afirmativa (A): Todo T é U. C. característico das matemáticas (e não só) nas sua forma expositória mais perfeita. ñ Universal negativa (E): Nenhum T é U. a qual exerceu grande influência no desenvolvimento posterior dos métodos de exposição e tratamento das ciências matemáticas. (E): cbBÐT B • UBÑ [ou aBÐT B p cUBÑ]. ñ Particular (ou existencial) afirmativa (I): Algum T é U. as Hermeneias ou tratado da Proposição. (I): bBÐT B • UBÑ. (O): Algum professor não é competente. Aristóteles formula o método hipotético-dedutivo (ou método axiomático) adoptado por Euclides nos Elementos (300 a. O Organon (ou Lógica) compreende as Categorias. É dele.

onde tentou clarificar. p como as operações conjuntistas de intersecção (  ). ” . consideraria a proposição Todo o unicórnio tem guelras como falsa.26 Nas figura seguintes. por considerarem a dita proposição verdadeira (trivialmente. ou (I) e (O) são ditas contrárias. a tentativa de «algebrização» da lógica do seu conterrâneo George Boole (1815-1864). pelo menos. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 33 (o domínio da interpretação) e as operações lógicas • . As proposições dos tipos (A) e (E). respectivamente. respectivamente. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. mediante diagramas conjuntistas.œ H Ï U. por não existirem unicórnios. Um passo mais adiante.Á g. Pela mesma razão. enquanto (A) e (O). o círculo mais pequeno é T e o maior é U. mais conhecido por Lewis Carroll (autor de Alice no País das Maravilhas). complementação relativamente ao domínio (H Ï ) e inclusão ( © ). o que é impossível. que em 1854 publicara o importante tratado An Investigation of the Laws of Thought on which are founded The Mathematical Theories of Logic and Probabilities.]. e representamos tudo isto pelos chamados diagramas de Venn. precisamente por não existirem unicórnios: a falsidade da proposição significaria a existência de. é Jonh Venn (1834-1923). ou (E) e (I) são contraditórias: Aristóteles entendia que uma universal afirmativa (A) implicava uma particular afirmativa (I) correspondente e. Neste aspecto estão os lógicos e matemáticos modernos em desacordo com Aristóteles. Charles Dodgson (1832-1898). 26 . representando por g o conjunto vazio: as formas (A). as zonas sombreadas são intersecções. portanto. como sói dizer-se). (E).I. lógico inglês que publicou o livro Symbolic Logic em 1881. T  U œ g [ou T © U. (I) e (O) significam T © U. um unicórnio sem guelras. c. união (  ). A ideia de incluir os diagramas num rectângulo que representa o domínio ou universo do discurso é de outro lógico inglês. onde U. T  U Á g e T  U. Assim.

os da Segunda Figura são Cesare. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. conforme as relações entre o termo médio e os extremos. As designações dos silogismos da Primeira Figura são Barbara. Bocardo e Ferison São todos válidos excepto. Para mais informações sobre a lógica aristotélica. no moderno entendimento. Datisi. consulte-se LUKASIEWICZ ou KNEALE & KNEALE. por nomes próprios com três vogais apenas (de entre a. O livro de MATES tem um tratamento moderno da lógica aristotélica muito interessante. Festino e Baroco. Celarent. T –U V –U T –U . e a terceira vogal à forma da conclusão). divididos em três Figuras. Um silogismo aristotélico é um argumento com duas premissas e uma conclusão. pelos escolásticos medievais. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA verdade que todo o camelo com asas é daltónico e que o conjunto vazio está contido em qualquer conjunto. Estes esquemas não são os aristotélicos. por exemplo. 27 . os dois primeiros da Terceira Figura. T –U respectivamente.34 I. Aristóteles identifica 14 silogismos. para fácil memorização. As três Figuras podem ser representadas esquematicamente por27 V –U T –V . Darii e Ferio. Aristóteles escreveria B–A para significar que o ‘sujeito’ A tem o atributo ou ‘predicado’ B (como. da forma Todo V é U. Dimasis. Camestres. i. umas e outra de uma das formas acima. os silogismos destas Figuras foram designados. o: as duas primeiras vogais respeitam à forma das premissas. em que as premissas devem ter em comum uma única partícula predicativa (a que Aristóteles chama o termo médio) e a conclusão deve conter as outras duas partículas predicativas das premissas (os extremos). Felapton. na universal afirmativa Todo A é um B). enquanto nós escrevemos A–B simplesmente para indicar a ordem (da esquerda para a direita) pela qual ocorrem as partículas predicativas. O primeiro silogismo da Primeira Figura é o silogismo Barbara [premissas e conclusão da forma (A)]. Todo T é V Î Todo T é U . e. e os da Terceira Figura são Darapti. T –V V –U V –T . ou a história da lógica em geral.

. que é verdadeira (por definição de número primo28). também os silogismos válidos podem ser representados por diagramas de Venn. as premissas de Felapton correspondem às relações conjuntistas (E) V  U œ g e (A) V © T . IV)..).Á g: I.. #.11 Sobre a implicação material A terminar. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. nos dois casos em que o antecedente é falso: (i) (ii) 9 ! ! < " ! 9p< ? ? Vamos supor que não sabemos qual deva ser o valor lógico da condicional nestes dois casos. hão-de ser verdadeiras as particularizações a 8 œ %. Convencionemos utilizar a letra ‘8’ como variável para os números naturais (!. no qual também se assinalou a sombreado a conclusão (O) T  U. pois. vamos dar uma justificação da tabela de verdade do conectivo p . Todo V é T Î Algum T é U.I. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Darapti: Todo V é U. ". 35 respectivamente. que representamos num mesmo rectângulo. Sendo esta proposição universal verdadeira no domínio dos números naturais. Por exemplo. de modo que a referida proposição admite a seguinte simbolização (parcial) a8 Ð8 é primo p 8   #Ñ. Consideremos a proposição aritmética Todo o número natural primo é maior ou igual a #. Felapton: Nenhum V é U. Como é de esperar. Em particular. 28 Um número natural é primo sse é maior do que 1 e só é divisível por si próprio e por 1 (ver Cap. Todo V é T Î Algum T não é U. atendendo ao significado intuitivo do quantificador «para todo». . há-de aceitar-se que todas as suas particularizações são verdadeiras também.

sem nunca parar (algumas outras.36 I. Ambas estas particularizações (verdadeiras!) são da forma 9 p <. que é uma parte da lógica mais vocacionada para as aplicações nas ciências da computação (programação em lógica. . sucessões binárias e outras bases de dados diversas. Outras árvores podem diferir desta em diferentes aspectos. a árvore binária completa (ver página seguinte). ea8œ" " é primo p "   #. análise de programas. ou simples= mente por v #.12 Árvores As árvores (matemáticas!) são estruturas ordenadas muito comuns na lógica e nas ciências da computação. no número de nós por debaixo de cada nó. respectivamente. g. no nível seguinte as quatro sucessões de comprimento #. a primeira com antecedente falso e consequente verdadeiro [caso (i)]. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA % é primo p %   #. Esta secção. No topo ou raiz da árvore colocou-se a sucessão vazia. Observe-se que esta árvore «cresce de cima para baixo».. Antes de dar as definições pertinentes apresentamos um exemplo de uma árvore. para que não se quebre a harmonia do universo da lógica! *I. cujos «nós» são ocupados pelas sucessões binárias finitas. O leitor atento há-de reparar que esta árvore tem uma «lógica formativa» deveras simples e ordenada. de leitura opcional. etc. demonstração automática. nas linhas (i) e (ii) da tabela acima. Esta árvore é habitualmente designada por Ö!ß "ׇ ( œ conjunto das sucessões finitas de elementos de Ö!ß "×). sucessões finitas de !’s e "’s.). e assim sucessivamente. mas todas elas têm algo em comum que será estipulado numa definição. no nível imediatamente abaixo desta as duas sucessões de comprimento ". e não de qualquer diferença conceptual). Representamos abreviadamente tais sucessões por Ø=" =# ÞÞÞ=5 Ù (5   "). também opcionais. contém algumas definições e resultados a utilizar noutras secções. A leitura profícua desta secção exige do leitor certos conhecimentos e maturidade matemática em maior grau do que as secções precedentes deste capítulo. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. a segunda com antecedente e consequente ambos falsos [caso (ii)]. uma vez que se destina a aplicações mais especializadas.ª edição e se destinam primordialmente a contemplar alguns assuntos mais próximos da chamada lógica computacional. que foram introduzidas na 3. crescem «de baixo para cima» — trata-se apenas de conveniências de representação. deduções formais. em vez de Ø=" ß =# ß ÞÞÞß =5 Ù. no número total de nós. a considerar no próximo capítulo. Portanto. cuja utilidade advém principalmente da sua adequação para a representação de quantidades finitas (ou até infinitas) de informação organizada: fórmulas. onde cada =3 é ! ou ". o valor lógico da condicional 9 p < que deve figurar é o valor ". etc. isto é. por exemplo. no número de níveis.

229): para quaisquer elementos B. São habituais as convenções seguintes: C   B é sinónimo de B Ÿ C. antisimétrica (se B Ÿ C e C Ÿ B. Ø!!"Ù  Ø!!""!Ù. 229). …. = para qualquer 5 em v #. D de X ). então B œ C . Uma maneira de obter uma extensão de uma sucessão finita 5 œ Ø=" …=5 Ù é mediante a sua concatenação com uma qualquer sucessão finita 7 œ Ø>" …>7 Ù: 5 s7 œ Ø=" …=5 =5" …=57 Ù. 7. .I. Uma ordem parcial num conjunto X é uma relação binária Ÿ («menor ou igual») em X que é reflexiva (B Ÿ B. num contexto mais formal. ou uma cadeia sse a relação associada  tiver a propriedade de tricotomia fraca (ver Nota 135. C de X ) e transitiva (se B Ÿ C e C Ÿ D . atendendo a que as sucessões finitas (e infinitas) são. então B Ÿ D . tem-se B  C ou B œ C ou C  B. 5 Ð3Ñ œ 5 3 œ =3 . de modo que 5 © 5 s7 para qualquer 7 . pág. para quaisquer elementos B. e para quaisquer sucessões binárias não vazias 5 e 7 . para 3 œ ". para quaisquer elementos B. onde =45 œ >4 para 4 œ ". …. mas Ø!!"Ù  Ø!"!Ù nem Ø!"!Ù  Ø!!"Ù (dizemos que Ø!!"Ù e Ø!"!Ù são incomparáveis). 5 é a função definida em Ö"ß …ß 5× com valores em Ö!ß "× tal que. claro está. y y Uma ordem parcial Ÿ é ordem total. funções. uma ordem total Ÿ é uma boa ordem sse não existir nenhuma cadeia infinita 29 Por outras palavras. Se 5 œ Ø=" …=5 Ù. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 37 Precisamos de algumas noções sobre as ordens parciais (elas são dadas novamente em alguns exercícios do Cap.29 Por exemplo. C . temse 5 Ÿ 7 sse 5 œ 7 ou 5 œ Ø=" ÞÞÞ=5 Ù e 7 œ Ø=" ÞÞÞ=5 =5 +1 ÞÞÞ=5 7 Ù para algum 5   " e algum 7   ". tem-se 5 Ÿ 7 sse 5 © 7 (isto é. C de X . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. 7 é uma extensão ou prolongamento de 5 ). e B  C de B Ÿ C • B Á C. Finalmente. III. a conformidade com a definição de árvore que será dada mais adiante) está de facto definida uma ordem parcial Ÿ : g Ÿ 5 . respectivamente (  é a relação estrita associada a Ÿ ). onde cada =3 é ! ou ". 5 . ver pág. afinal de contas. Na árvore = v # acima (estamos supondo. para qualquer elemento B de X ).

Devíamos dizer que uma árvore é um par ÐX ß Ÿ X Ñ. Observe-se. chamado raiz. Outra propriedade que esta árvore possui em comum com todas as outras que serão consideradas neste livro é a de que todo o elemento. nem com elementos intermédios nem com elementos no fim diz-se maximal. por outro lado. possui um único predecessor imediato. g é o primeiro = elemento. estamos prontos para a definição principal desta secção. um sucessor imediato de B. etc.1 Definição Uma árvore é um conjunto não vazio X . Um ramo em X é uma cadeia maximal de elementos de X . 12. excepto a raiz. Com o exemplo da árvore binária completa em mente. é um sucessor D de B tal que não existe nenhum outro elemento > entre B e D . a cujos elementos chamamos nós. e não é difícil concluir que não pode haver mais de um primeiro elemento (exercício).38 I. uma boa ordem. ou elemento mínimo: será um elemento + de X tal que + Ÿ B. ou que são os predecessores de B. Dado um elemento B de X . no qual está definida uma ordem parcial Ÿ com primeiro elemento. e um predecessor imediato de B é um predecessor D de = B tal que não existe nenhum elemento > entre D e B. por exemplo: g  Ø=" Ù  Ø=" =# Ù  â  Ø=" ÞÞÞ=5" Ù  Ø=" ÞÞÞ=5" !Ù  Ø=" ÞÞÞ=5" !"Ù  ÞÞÞ Em geral. de mais de uma maneira (aliás. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA ØB! ß B" ß B# ß ÞÞÞÙ de elementos de X tais que â  B#  B "  B ! . ou que são os sucessores de B. se não houver confusão possível. Na árvore v #. para todo B em X . e tal que os predecessores de todo o elemento diferente da raiz formam uma cadeia bem ordenada. mas é claro que esta cadeia pode ser estendida ad infinitum. . de infinitas maneiras). que da definição de árvore resulta que todo o elemento diferente da raiz possui um único predecessor imediato (porquê?). mas se pensarmos no conjunto dos predecessores de um elemento dado 5 œ Ø=" ÞÞÞ=5 Ù Á g.30 30 Estamos cometendo um pequeno abuso. Observe-se que = uma cadeia maximal em v # começa sempre com g (porquê?). diz-se dos elementos C tais que C  B que precedem B. uma cadeia que não pode ser estendida de nenhuma maneira. isto é. tal que B  >  D . Pode acontecer que uma ordem parcial Ÿ num conjunto X tenha um primeiro elemento. escreve-se simplesmente Ÿ em vez de Ÿ X e designa-se a árvore por X . e qualquer elemento de v # tem exactamente dois sucessores imediatos = (quais?). eles formam uma cadeia bem ordenada. e dos elementos D tais que B  D que sucedem B. por conseguinte. onde Ÿ X é uma ordem parcial em X . que são g  Ø=" Ù  Ø=" =# Ù  â  Ø=" ÞÞÞ=5" Ù. se existir. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Na prática. A ordem parcial Ÿ em v # acima definida não é uma ordem total (porquê?) nem.

= é o primeiro ordinal infinito.. quando muito. se existir um tal 8. >8" . 8 sucessores imediatos. mas então um destes.32 Uma árvore diz-se finita ou infinita conforme tenha um número finito ou infinito de nós. é apenas a forma ou «esqueleto» de uma árvore que é importante e não o conteúdo de cada nó. >" . >! . um número finito de sucessores imediatos. pelo menos. A altura (cota ou profundidade) de uma árvore X é o maior natural 8 tal que existe um nó de nível 8. para todo o natural 8. A árvore v # é um exemplo de árvore de altura =. II. . que está no nível 8. ao todo. 34 O sinal ‘è’. por hipótese. Ponhamos >! œ raiz de X . ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. por recorrência. Ponhamos >8 œ ?..2 Lema de König Toda a árvore infinita de ramificação finita tem. mediante uma função que associa a cada nó um objecto de certa espécie. Supondo já definidos os primeiros 8 termos da sucessão. para cada natural 8   !. é claro que >! possui uma infinidade de sucessores.. O principal resultado sobre as árvores de ramificação finita é o seguinte: 12. ". no final de um parágrafo de uma demonstração. de tal modo que cada >3 possui uma infinidade de sucessores. . pelo menos. visto que X é infinita.3. Nas árvores de altura finita ou =. Um elemento que não possui sucessores diz-se terminal. mais propriamente. o nível 8  " é constituído por todos os sucessores imediatos dos nós do nível 8. digamos ?. um número finito de sucessores).. por hipótese >8" possui um número finito de sucessores imediatos. Seja X uma árvore infinita de ramificação finita...4 do Cap. diz-se de ramificação finita se cada nó possui.è34 Frequentemente.. e possui uma infinidade de sucessores. portanto. um ramo infinito. a propriedade de que todo o elemento diferente da raiz possui um único predecessor imediato implica a boa ordenação do conjunto (cadeia) dos predecessores de um tal elemento. . é dado no exercício 2. num contexto muito particular. 31 32 . quer dizerÀ fim da demonstração. De entre as árvores com altura infinita. Definimos indutivamente33 um sucessão Ø>! ß >" ß ÞÞÞß >8 ß ÞÞÞÙ de elementos de X que constitui um ramo infinito . caso contrário a árvore tem altura infinita. quando muito. nos níveis !. 8  ". Uma ideia das definições por recorrência. Dem. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 39 Os níveis de uma árvore X definem-se indutivamente:31 o nível ! é constituído pela raiz. Neste livro nunca consideraremos árvores de altura = superior a =.I. respectivamente. de . e o objecto associado a Para uma discussão geral sobre definições indutivas ver secção II. Uma tal função é chamada uma etiquetagem. diz-se 8-ária (binária. possui uma infinidade de sucessores (caso contrário >8" possuiría. se 8 œ #) se cada nó possui. 33 Ou. têm altura = aquelas cujos nós se dividem por todos os níveis 8. de modo que podemos prosseguir com a definição de >8" e. A mesma forma pode servir para vários conteúdos diferentes.

que são descrições de predicados na forma condicional. que representam factos. como no exemplo seguinte). 51). Também é possível ordenar os nós de cada nível (ordem lexicográfica). lógicos e filósofos. mas encontrou novas aplicações e motivos de interesse nas ciências informáticas ou da computação. como comerÐursoß peixeÑ comerÐursoß melÑ comerÐgazelaß ervaÑ comerÐleãoß gazelaÑ . interessava apenas aos matemáticos. mas não vamos prosseguir nestes desenvolvimentos. As árvores que utilizaremos aparecem já etiquetadas de origem. como PROLOG (de PROgramação em LÓGica) são linguagens declarativas ou descritivas. até há poucas décadas. em forma de declarações ou descrições predicativas. são essencialmente linguagens procedimentais: os seus programas consistem em grande parte de instruções para executar determinados algoritmos para resolver os problemas pretendidos.40 I. 1. e (ii) regras. mui abreviadamente. algumas destas novas perspectivas. (mas são frequentes notações mais explícitas ou descritivas. num domínio constituído por todos os entes (constantes) que são argumentos dos . Nesta secção descrevemos. Outras linguagens mais recentes e próximas da lógica do discurso. Convencionamos que comerÐBß CÑ significa «B come C». ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA cada nó será a etiqueta que o nó recebe.1 Exemplo Uma base de dados para certa cadeia alimentar (em certo meio ambiente) é constituída por certos factos. 13. como PASCAL. UÐ-Ñ. manipular e extrair informação de bases de dados.13 Programação em lógica A lógica quantificacional (cálculo de predicados). As linguagens de programação. como é o caso das árvores de formação das fórmulas. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. etc. Outros factos podem fazer parte da base de dados.Ñ. e foram concebidas para organizar. bases estas que são constituídas por itens de dois tipos: (i) expressões predicativas como T Ð+ß . como as descrições animalÐursoÑ animalÐpeixeÑ animalÐgazelaÑ animalÐleão) plantaÐervaÑ líquidoÐmelÑ . Esta base de dados tem subjacente uma determinada interpretação. que exemplificamos a seguir à definição de conectivo principal (pág.

erva. à pergunta baseÐanimalÐpeixeÑÑ. À pergunta argumentoÐB À comeÐursoß BÑÑ responde com a lista peixe mel . na realidade.1 Simbolize ao nível proposicional os seguintes argumentos: (a) Se não existe petróleo no Algarve então os peritos estão certos ou o Governo mente. argumentoÐB À comeÐBß CÑ e plantaÐCÑÑ. no caso. Os itens do segundo tipo de uma base de dados PROLOG chamam-se regras mas são. peixe. que no caso acima são: urso. À pergunta argumentoÐB À carnívoroÐBÑÑ o programa responde com a lista urso leão. gazela. Em qualquer momento a base de dados pode ser ampliada com novos factos e o respectivo domínio expandido com novos entes.Ñ: o ente B é um argumento do facto . 1. está na base de dados? ñ argumentoÐB À . ao que o programa responde SIM ou NÃO.15 Exercícios e Complementos §1. Portanto. ou. uma listagem de indivíduos). ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. o Governo não mente.Ñ: o facto . cuja resposta é a lista dos entes que comem plantas.I. somente a gazela. Perguntas mais elaboradas podem conter os conectivos e.9 1. .1-1. não. a regra para definir o predicado carnívoro: carnívoroÐBÑ se comerÐBß CÑ e animalÐCÑ. Entre o utilizador e o programa é possível estabelecer certos diálogos: ao utilizador é permitido formular certas perguntas sobre os factos ou inquirir se certa conclusão é consequência dos factos que compõem a base de dados. conforme a pergunta que for feita. descrições predicativas especiais. ? Por exemplo. mel. por exemplo. mas à pergunta baseÐplantaÐmelÑÑ o programa responde NÃO. ou fornece uma resposta de outro tipo (por exemplo. Existe petróleo no Algarve ou os peritos estão errados. Isto exprime que B é carnívoro se B come animais. por tomarem a forma condicional. por exemplo. Perguntas simples típicas são da forma: ñ baseÐ. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 41 predicados que lá estão. o programa responde SIM. como.

1. se a conclusão é verdadeira sempre que as premissas são simultaneamente verdadeiras. (d) Maria João é boa pianista ou é boa bailarina. # é primo. [NB. (g) aB ÐMB p aC ÐVC p cUÐBß CÑÑÑ. (f) aB ÐVB p bC ÐPC • UÐBß CÑÑÑ. (e) Só se eu ganhar o totoloto é que pago aos credores. (5) Somente . nelas. então " não é primo. (c) bB ÐMB • UÐ!ß BÑÑ. Maria João é boa pianista.4 (a) Para cada um dos três grupos seguintes. (b) bB ÐPB • UÐBß $ÑÑ. então é o menor primo. e verifique.2 (a) Quais dos argumentos anteriores são válidos e quais são inválidos? [Sugestão: construa tabelas de verdade para as premissas e conclusão. PB: B é par. ou C é múltiplo de B. Portanto. VB: B é primo. Maria João não é boa bailarina. ou de «se não»]. «excepto se» considera-se sinónimo de «ou». (d) aB Ð cPB p cUÐ#ß BÑÑ.] (b) O argumento Todo o homem é mortal Sócrates é homem ##œ& Sócrates é mortal é válido ou inválido? 1. Portanto.3 Tendo em conta a interpretação com Domínio: conjunto dos números naturais (   0). fixe uma interpretação adequada e simbolize as proposições respectivas: AÞ (1) Toda a modelo é vaidosa. (e) aB ÐPB p aC ÐUÐBß CÑ p PCÑÑ. Os vencimentos não aumentam. MB: B é ímpar. (3) Nenhuma modelo é vaidosa. traduza para português coloquial as expressões simbólicas seguintes e diga quais as verdadeiras e quais as falsas para a interpretação dada: (a) aB ÐUÐ#ß BÑ p PBÑ. " não é primo. Os credores não ficam satisfeitos excepto se eu lhes pagar. o custo de vida aumenta. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA (b) Os vencimentos aumentam somente se há inflação. (4) Algumas modelos não são vaidosas. Portanto. Portanto. Se há inflação. Se # é o menor primo. (2) Algumas modelos são vaidosas. então o custo de vida aumenta.42 I. (c) Se # é primo. UÐBß CÑ: B divide C . ganho o totoloto ou os credores não ficam satisfeitos. 1.

e “. simbolicamente +M. não definidos (pontos e linhas).35 (2) Por dois pontos passa. excepto as modelos. (e) Conexa (ou dicotómica). (4) Para todo o número existe um primo maior do que ele. 1.36 (j) Não transitiva. (g) Não reflexiva. é linha” abrevia-se Pb. (r) Uma permutação do domínio interpretativo. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 43 as modelos são vaidosas. quando muito. (3) Existe um e não mais de um primo par [não utilize b" ]. quando muito. (h) Não vazia. (2) Existe um primo par. (5) 8 é primo [utilizando Ÿ e ‚ ]. uma e uma só das condições B œ C . um domínio com pontos e linhas e uma relação de incidência. é linha Ç bB BM. (o) Uma função no domínio interpretativo. BÞ (1) Todo o (número natural) primo maior que 2 é ímpar. (7) Algumas modelos são bonitas. (k) Não simétrica. Como domínio pode-se considerar a colecção dos objectos geométricos primitivos. (l) Definida em todo o domínio interpretativo37 (isto é. todo o objecto está na relação V com. Quando aqui se diz «dois» ou «duas» subentende-se «distintos(as)». CÞ (1) Com toda a linha incidem. D . (q) Sobrejectiva. 37 Não confundir o domínio interpretativo (universo do discurso) com o domínio da relação V . (b) Relativamente à parte C. (c) Transitiva. (4) Quaisquer duas linhas têm um ponto comum. (i) Tricotómica fraca (com «ÞÞÞouÞÞÞouÞÞÞ»). mas vaidosas. pode-se definir no domínio dos pontos e linhas: + é ponto Ç bC +MC . . passa por +Ñ. CVB tem lugar. . 35 . + é linha e o predicado binário de incidência + incide com . (ou . que é o conjunto dos elementos B do domínio interpretativo tais que BVC para algum C. BVC . (n) Funcional (isto é. “+ é ponto” pode-se abreviar T +. (5) Duas linhas têm. um ponto comum. (6) Todas são vaidosas. (m) Serial (isto é. uma linha.5 Utilizando um símbolo predicativo binário V e simbolizando «B está na relação V com C » por BVC. um objecto). Aliás. (b) Simétrica. (3) Por dois pontos não passa mais de uma linha. introduzindo-se neste domínio os predicados unários + é ponto. C . para quaisquer B. (f) Irreflexiva. pelo menos. que pode ser a pertença de pontos em linhas. exprima simbolicamente (utilizando œ . . dois pontos. todo o objecto está na relação V com algum outro). 36 A tricotomia forte é a propriedade de que. quando necessário) que V é: (a) Reflexiva. (p) Injectiva. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. todo o objecto está na relação V com algum objecto). pelo menos. − ) com as propriedades 1-5). (d) Anti-simétrica.I. dê um exemplo de uma interpretação (isto é.

Russell é um lógico coerente [use œ ] . +: Alice no País das Maravilhas. o mordomo (C) e o jardineiro (D). alguns animais ferozes não bebem água [domínio: animais]. . (3) Os problemas matemáticos são mais fáceis de resolver do que os problemas lógicos. a partir dos quais conclui. (c) Idem. (1) Quem compreende Alice no País das Maravilhas ou Principia Mathematica compreende Lógica e Aritmética.. são fleumáticos. 9# . J BC: B é mais fácil de resolver do que C . Q B: B é um problema matemático. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 1.6 Simbolize ao nível quantificacional. O famoso detective Sherlock Holmes investiga e descobre certos factos (9" . Russell não é Frege. intuitiva ou semanticamente. mas não tem o dinheiro todo que há. para a interpretação: Domínio: tudo. (b) Todos os britânicos. Frege é um lógico incoerente. (2) Ninguém compreende tudo. um lógico incoerente. excepto os escoceses. (4) Somente quem compreende Principia Mathematica compreende Lógica e Aritmética. T B: B é uma pessoa. mas não é fleumático.: Principia Mathematica. qual dos suspeitos é o . mas não tem o dinheiro todo que há. fornecendo ao mesmo tempo uma interpretação conveniente. ..: Bill Gates. (1) Existem problemas matemáticos insolúveis. Portanto.: Lógica e Aritmética.44 I. 1. (c) Há. para a interpretação com domínio: tudo. VBC: B possui (ou tem) C. (4) Alguns problemas lógicos são mais fáceis de resolver do que outros (problemas lógicos). tendo em conta a seguinte interpretação: Domínio: todas as coisas. . Portanto. HB: B é dinheiro. quando muito. (2) Bill Gates tem algum dinheiro. T B: B é uma pessoa. várias pessoas são suspeitas de um crime. 97 ).8 Numa mansão victoriana. WB: B é solúvel. Portanto. (3) Ninguém compreende nada. 1. o cozinheiro (B). Ricardo Coração de Leão é escocês [domínio: pessoas]. (2) Nenhum problema lógico é insolúvel. GBC: B compreende C. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. Ricardo Coração de Leão é britânico.. . PB: B é um problema lógico. e traduza em português coloquial a última proposição ou sentença: (1) Existem pessoas sem dinheiro nenhum.7 (a) Simbolize ao nível quantificacional. Alguns leões não bebem água. São elas o motorista (A). (3) Toda a gente tem algum dinheiro. e diga se são válidos os argumentos seguintes: (a) Todo o leão é feroz. (b) Idem. (4) aBÐT B • aCÐHC p VBCÑ p aDVBDÑ.

*1.] §1. tais línguas incluem a sua própria metalíngua). Represente os silogismos válidos por relações entre subconjuntos (T .10 Simbolize e dê exemplos de silogismos aristotélicos válidos e contraexemplos para os inválidos (Darapti e Felapton).13 *1. O crime não foi cometido suavemente. assim. U. as mais adequadas à expressão de teorias científicas. <. # œ  ‚  œ ÖÐ7ß 8Ñ À 7 −  • 8 − ×. Tais paradoxos mostram que as línguas naturais não são. como a do paradoxo de Tarski.» [NB. _____ é culpado. «algum T é U» exprime que a intersecção T  U é não vazia. Querendo. como o português.11 Dê exemplos de: (a) uma árvore de ramificação finita que não seja 8-ária para nenhum 8. B é culpado ou A é culpado. 7.38 §1. Simbolize ao nível proposicional o argumento seguinte (cujas premissas são os sete factos descobertos por Sherlock Holmes). Designando por 9 a frase escrita na página 1. possivelmente. (c) uma árvora de altura = com apenas # ramos.9 Numa folha em branco. define-se da seguinte maneira: 38 A situação descrita é conhecida como o paradoxo de Tarski e constitui um dos mais conhecidos paradoxos de natureza semântica de que está eivada qualquer língua natural.. A é culpado sse o crime foi cometido com um revólver.13 A ordem lexicográfica Ÿ P no conjunto de todos os pares ordenados de números naturais. numere as páginas 1. «todo T é U» exprime que o conjunto T é subconjunto do conjunto U. . Portanto. . e proceda como Sherlock Holmes descobrindo o culpado: «B é culpado somente se A é culpado. [Por exemplo. dando. 2 e escreva em cada página as frases seguintes: na página 1 escreva «A frase escrita na página 2 é verdadeira» e na página 2 escreva «A frase escrita na página 1 é falsa». Se o crime foi cometido com um revólver ou com um machado então o crime foi premeditado e foi cometido suavemente. T © U. . ou C é culpado ou D é culpado.. . pode utilizar +. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA 45 culpado (<). verifique que 9 é verdadeira se e só se 9 é falsa. = como letras proposicionais]. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. *1. etc. . Se C é culpado então o crime não foi cometido com um revólver.10 1. lugar a situações paradoxais. :.I. na medida em que permitem que nelas se exprima a sua própria semântica (quer dizer.12 Prove que uma ordem total Ÿ num conjunto X é uma boa ordem sse todo o subconjunto não vazio W de X possui elemento mínimo. D não é culpado se o crime não foi cometido com um machado. V ) de um domínio interpretativo. 1. (b) uma árvore infinita de altura #.

pág. com a topologia produto da topologia discreta sobre Ö!ß "×. final de II. Este espaço é vulgarmente chamado espaço de Cantor. ELEMENTOS DE ANÁLISE LÓGICA Ð7ß 8Ñ  P Ð:ß . *1. ARGUMENTAÇÃO VÁLIDA. descrita acima como a topologia produto da topologia discreta sobre Ö!ß "×.46 I. tem ela mesma intersecção não vazia. 154). onde Ÿ é a ordem usual em . Equivalentemente: toda a família (não vazia) de fechados tal que toda a subfamília finita tem intersecção não vazia.Ñ sse 7  : ou (7 œ : e 8  . é o conjunto dos conjuntos da forma = Ò5 Ó œ Ö7 − C À 7 ª 5 ×. chamados abertos básicosÞ Isto significa que um conjunto E © G é aberto sse para todo 5 − E existe 8 tal que todas as sucessões em G que coincidem com 5 nos primeiros 8 termos também pertencem a E. onde 5 − v #. ). (Ver também II. Os conjuntos fechados são os complementares dos abertos.16 e exercícios respectivos. 39 . A compacidade topológica de G pode ser formulada da seguinte maneira: toda a cobertura de G (formada por abertos) possui uma subcobertura finita.14. especialmente 2.14 Mostre que o lema de König para árvores binárias é equivalente à compacidade do espaço G œ = # œ  Ö!ß "× œ conjunto de todas as sucessões (infinitas) de !’s e "’s. Prove que Ÿ P é uma boa ordem.39.39 Uma base para a topologia do espaço de Cantor G .

Capítulo II CÁLCULO PROPOSICIONAL

II.1 Introdução
Tendo apresentado no capítulo anterior alguns elementos de análise lógica, diversos exemplos de argumentos e uma definição informal da noção de validade de um argumento, é altura de matematizar um pouco a discussão, passo indispensável para a tarefa de sistematização e classificação das formas de argumentação válida, entre outras coisas. A fim de facilitar um pouco a nossa tarefa, concebemos uma linguagem artificial, com sintaxe e semântica perfeitamente definidas (matematicamente falando), coisa assaz difícil (quiçá impossível) de conseguir para uma língua natural. Tal linguagem é uma entidade abstracta e formal, mas sem grande esforço se compreende que ela formaliza um fragmento significativo da língua natural particularmente adequado à expressão de proposições e teorias matemáticas. Por conveniência táctica, dividimos a nossa tarefa em duas etapas. A primeira, neste capítulo, lida apenas com a chamada lógica proposicional (ou cálculo proposicional), e a segunda, no capítulo seguinte, com a lógica de primeira ordem (ou lógica elementar, ou cálculo de predicados). Em ambos os casos especificaremos uma linguagem formal e um sistema dedutivo (dito de dedução natural), isto é, um sistema de regras (daí a tónica no aspecto cálculo), ditas de inferência, para efectuar deduções, regras essas correspondentes a formas particularmente simples de argumentos ou raciocínios válidos (incluindo os tradicionalmente chamados silogismos) ou a métodos demonstrativos muito comuns em matemática, como o método directo, o método indirecto ou de redução ao absurdo e o método da demonstração por casos. Após o desenvolvimento do sistema dedutivo diremos também alguma coisa sobre a semântica da linguagem e as relações entre o cálculo dedutivo e a noção semântica de consequência — a chamada metateoria, porventura a parte mais interessante dos estudos lógicos. Na parte final de cada capítulo estudaremos outros sistemas dedutivos (e respectiva metateoria) equivalentes ao sistema de dedução natural anteriormente proposto, com características e funcionalidas específicas, em função das aplicações pretendidas, nomeadamente, das aplicações à chamada lógica computacional.

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II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

II.2 A linguagem proposicional
Uma linguagem formal compreende sempre um alfabeto (ou vocabulário) primitivo e uma gramática ou sintaxe. Nesta secção introduzimos a linguagem do cálculo proposicional, _! . O alfabeto de _! compreende os seguintes símbolos: ñ Letras proposicionais :, ; , <, ... (também chamadas átomos, possivelmente com índices40); ñ Conectivos proposicionais primitivos • , ” , c, p ; ñ Parênteses Ð, Ñ. Com estes símbolos formaremos certas expressões41, chamadas as fórmulas (subentenda-se, salvo aviso em contrário, de _0 ), de acordo com certas regras sintácticas ou gramaticais, regras essas que constituem a gramática ou sintaxe de _! . As fórmulas de _! são definidas pelas seguintes regras de formação: F" . Toda a letra proposicional é uma fórmula; F# . Se 9 é uma fórmula então c9 é uma fórmula; F$ . Se 9, < são fórmulas então Ð9 • <Ñ, Ð9 ” <Ñ, Ð9 p <Ñ são fórmulas; F% . Nada mais é fórmula, isto é, uma expressão é uma fórmula sse puder ser obtida ou construída a partir de letras proposicionais de acordo com as regras F# , F$ aplicadas um número finito qualquer de vezes. Exemplos de fórmulas de _! : :, ; , <, c:, ccc; , Ð: • ; Ñ, ÐÐ: • ; Ñ p c<Ñ; exemplos de expressões que não são fórmulas: Ð Ñ, : c, : • ; , Ðcc; Ñ, p Ðc::.

2.1 Convenções de escrita Note-se que não incluímos o como símbolo p primitivo. Preferimos introduzir o como símbolo definido. Para quaisquer p fórmulas 9 e <, definimos
Ð9 o <Ñ œ ÐÐ9 p <Ñ • Ð< p 9ÑÑ.42 p

Muitas vezes é conveniente supor que as letras proposicionais estão indexadas pelos numerais, :! , :" , :# , á . 41 Uma expressão sobre um alfabeto é simplesmente um arranjo, possivelmente com repetições, inteiramente arbitrário, dos símbolos do alfabeto, isto é, uma sequência finita obtida justapondo ou concatenando horizontalmente os símbolos do alfabeto. Admitimos tacitamente que os símbolos do alfabeto são distintos dois a dois, e que nenhum símbolo é uma sequência de outros símbolos. Isto garante que a escrita de expressões é única: se =" , =# , á , =8 e =w" , =w# , á , =w7 são símbolos e =" =# â=8 œ =w" =w# â=w7 , então 8 œ 7 e =3 œ =w3 para 3 œ ", á , 8. 42 Utilizamos o símbolo œ em definições, que se deve ler «idêntico a, por definição». Também é frequente encontrar-se, na literatura, ³ , œ df , com o mesmo significado. Em qualquer caso, numa definição, a expressão à esquerda de œ deve-se encarar como uma abreviatura da expressão que figura à direita de œ . Analogamente, usa-se também o símbolo o (ou o df ) em definições, com o significado «equivalente a, por definição». p p

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Note-se também que, em rigor, 9 e < não são fórmulas, estritamente falando, antes são letras do alfabeto grego (privilégio do relator) que utilizamos como variáveis para fórmulas.43 Por outro lado, os parênteses Ð, Ñ são necessários para evitar ambiguidades de escrita e de leitura, mas convencionamos desde já suprimir alguns sempre que tal supressão se puder fazer sem comprometer a leitura correcta.44 Nomeadamente, parênteses exteriores podem-se suprimir e, além disso, as expressões Ð9 ˆ <Ñ p ), 9 p Ð< ˆ )Ñ, 9 ˆ Ð< ˆ )Ñ abreviam-se 9 ˆ < p ), 9 p < ˆ ), 9 ˆ < ˆ ), respectivamente, onde ˆ é • , ou é ” . Finalmente, 9 p Ð< p )Ñ [ou seja, oficialmente, Ð9 p Ð< p )ÑÑ] abrevia-se 9 p < p ) . Note que para Ð9 p <Ñ p ) não é proposta nenhuma abreviatura e não deve, pois, simplificar-se.

II.3 Definições indutivas. Valorações
A definição de fórmula que foi dada é um exemplo do que em lógica se chama uma definição indutiva. Tais definições são muito comuns em lógica, e há toda uma teoria relativamente sofisticada sobre a legitimidade, o alcance e as aplicações de definições desse tipo. Aqui diremos apenas umas breves palavras sobre tais definições, particularizadas à lógica proposicional. A forma geral de uma definição indutiva é a seguinte. Supõem-se dados: um conjunto I , uma parte não vazia T de I , e um conjunto J de operações definidas em I com valores em I . Um conjunto H © I diz-se indutivo sse (i) T © H (isto é, T é subconjunto de H), e (ii) H é fechado para as operações de J (isto é, as operações de J aplicadas a elementos de H produzem elementos de H). Note-se que há, pelo menos, um conjunto indutivo: o próprio conjunto I é indutivo mas, em geral, pode haver outros conjuntos indutivos contidos em I . O mais pequeno conjunto indutivo contido em I (isto é, a intersecção de todos os conjuntos indutivos contidos em I ) denota-se J ‡ , e é este conjunto que se diz ter sido definido indutivamente (ou gerado) pelas operações de J com base T .

43 São chamadas, na gíria dos lógicos, metavariáveis, ou variáveis sintácticas. A linguagem em que está escrito este texto, isto é, o português corrente é, relativamente à linguagem objecto _! que acaba de ser criada, uma metalinguagem, chamada a linguagem do observador (ou do relator). 44 A chamada notação polaca, ainda em uso por alguns lógicos (polacos, e não só) dispensa os parênteses. Nesta notação escreve-se • 9<, ” 9<, p9< em vez de Ð9 • <Ñ, Ð9 ” <Ñ, Ð9 p <Ñ, respectivamente.

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II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

No nosso caso, I é o conjunto de todas as expressões de _! (incluindo a expressão vazia), T é o conjunto das letras proposicionais e J o conjunto das operações lógicas em I determinadas pelos conectivos • , ” , c, p . O conjunto J ‡ vem a ser, finalmente, o conjunto das fórmulas de _! , que também pode ser designado por uma das notações seguintes: Form(_! ), ou Prop(T ). Em geral, é mais fácil mostrar que uma expressão é uma fórmula (se ela o é) do que mostrar que não é (se ela não é). No primeiro caso basta constatar que ela foi construída a partir de letras proposicionais (as letras proposicionais que nela ocorrem) de acordo com as regras F" a F$ . No segundo caso, o argumento tem de ser de outra natureza.

3.1 Exemplo Mostramos que a expressão p Ðc:: não é fórmula. Suponhamos, com vista a um absurdo, que esta expressão é fórmula, e seja J w o conjunto que se obtém de J ‡ suprimindo aquela suposta fórmula. Facilmente se vê que J w é indutivo. Por exemplo, se 9 está em J w , então c9 também está em J w , pois o primeiro símbolo desta expressão é ‘c’, enquanto o primeiro símbolo de p Ðc:: é ‘p’. Como J ‡ é o mais pequeno conjunto indutivo, tem-se J ‡ © J w , logo p Ðc:: pertence a J w , o que é absurdo. Uma outra maneira de caracterizar o conjunto das fórmulas de _! será dada no primeiro exercício deste capítulo, mas convém ler primeiro o que segue sobre indução nas fórmulas.
Uma fórmula é um objecto concreto espácio-temporal: é uma sequência finita de símbolos. Como tal, tem um comprimento, que é o número total de símbolos que ocorrem na fórmula. E como esse número é um inteiro positivo, é possível e conveniente, por vezes, demonstrar certos factos acerca das fórmulas por indução no seu comprimento. Porém, atendendo a que a definição de fórmula é uma definição indutiva, é também possível uma indução de outro tipo, chamada indução na complexidade das fórmulas. Seja Q uma propriedades que as fórmulas podem ter ou não, e escrevamos Q[9] para exprimir que a fórmula 9 tem a propriedade Q. Para provar, por indução na complexidade das fórmulas, que todas as fórmulas possuem certa propriedade Q, isto é, que para todo 9 − Form(_! ) se tem Q[9 ], basta provar que: I" . As letras proposicionais possuem a propriedade Q; em símbolos: Q[:], para toda a letra proposicional :; I# . Sempre que 9 possui a propriedade Q, então c9 também possui a propriedade Q; em símbolos: sempre que se tem Q[9], então tem-se Q[c9]; I$ . Sempre que 9 e < possuem a propriedade Q, então Ð9 • <Ñ, Ð9 ” <Ñ e Ð9 p <Ñ também possuem a propriedade Q; em símbolos: sempre que se tem Q[9] e Q[<], então tem-se Q[Ð9 • <Ñ], etc.

o 3. então o seu conectivo principal é c. conforme se trate de uma negação (c<) ou uma conjunção. facilmente se verifica que H é indutivo (exercício). disjunção ou condicional (< • ). ” . só figuram as letras proposicionais que ocorrem em 9. )) sucessores imediatos. então existem e são bem determinadas fórmulas <. < p )). Exercício [Sugestão: mostre que o conjunto das fórmulas equilibradas é indutivo. logo necessariamente H œ Form(_! ). que não demonstramos (ver. Dem. ela terá um (<) ou dois (<. CÁLCULO PROPOSICIONAL 51 Com efeito.4 Propriedade da unicidade de representação Toda a fórmula escreve-se de uma e uma só maneira como sucessão finita (justaposição. como se queria demonstrar. mas H está contido em J ‡ œ Form(_! ) e este é o mais pequeno conjunto indutivo. Uma expressão 9 diz-se equilibrada sse tiver o mesmo número de parênteses esquerdos ‘Ð’ que de parênteses direitos ‘Ñ’ (em notação óbvia: /[9] œ . < ” ). p (op). em todo o caso. *3.2 Princípio de indução nas fórmulas Se H é um conjunto indutivo de fórmulas de _! . ou concatenação) de símbolos do alfabeto. 3. supondo demonstradas estas três cláusulas. No resultado seguinte as fórmulas supõem--se escritas na notação oficial (isto é. e portanto todas as fórmulas de _! têm a propriedade F. por exemplo. são intuitivamente evidentes. • . Podemos enunciar assim. e assim sucessivamente até que. Dada uma fórmula 9.].5 Árvores de formação A formação de fórmulas de _! pode ser representada por árvores finitas. Se uma fórmula é uma negação. e analogamente para estas componentes. construídas de acordo com as regras de formação. os primeiros exercícios no final deste capítulo) mas que. que se uma fórmula 9 é uma conjunção. Exemplifiquemos com a . [9]). então H œ Form(_! ). etc.3 Lema do equilíbrio Toda a fórmula de _! é equilibrada. em termos gerais. Vejamos uma aplicação deste princípio.è Da definição indutiva de fórmula resultam algumas outras propriedades das fórmulas. Mencionemos duas dessas propriedades. uma disjunção ou uma condicional (ou bicondicional). Isto quer dizer. Analogamente para disjunções. arranjo. e considerando o conjunto H constituído por todas as fórmulas com a propriedade Q.II. 3. nos nós terminais. que ocupa a raiz. uma conjunção. ) tais que 9 é a fórmula Ð< • )Ñ. antes de se aplicarem as convenções relativas à supressão de parênteses). todavia. respectivamente.

@ À T Ä Ö ! ß "× . a lista de letras proposicionais que podem ocorrer em fórmulas é infinita. CÁLCULO PROPOSICIONAL Ð: p Ð. bastando para isso consultar as tabelas dos conectivos (p.45 Dadas uma valoração @ e uma fórmula qualquer 9. por meio de alguns conectivos. Antes de enunciar outra propriedade. Porém. de que. respectivamente) :. que são funções definidas em partes (usualmente finitas) de T com valores em Ö!ß "×.6 Definição Chamamos valoração (ou valuação) a toda a aplicação @ do conjunto das letras proposicionais no conjunto dos valores lógicos.. o subconjunto W formado por todos os : − T tais que @Ð:Ñ œ ". digamos :" . nomeadamente. ! atribuídos às letras proposicionais :3 que ocorrem em 9. é possível determinar o valor lógico resultante para 9. Note-se que. dizer que a valuação @ se pode estender (ou prolongar) ao conjunto de todas as fórmulas.. . 3. alguns autores preferem os subconjuntos de T às valorações: a ideia é que cada valoração @ não é mais do que a chamada função característica de um (único) conjunto W © T . • Ð< ” c:ÑÑ ÎÏ . com linhas de entrada para todos os arranjos possíveis (com repetições) dos valores lógicos ". conformemente às tabelas dos conectivos (p. Mais geralmente. e atribuídos certos valores lógicos às letras :3 . isto é. que existe uma aplicação 45 Em algumas situações parece conveniente considerar valorações parcias. • Ð< ” c:ÑÑÑ: II. dizemos que : é verdadeira (falsa) para @. então há ao todo #5 tais arranjos.. Por outro lado. mencionemos o facto. intuitivamente evidente. construída a partir de certas letras proposicionais. :5 . 20). Se @Ð:Ñ œ " ( œ !). Ð< ” c:Ñ ÎÏ < c: Ï :. calculado de acordo com as tabelas dos conectivos é. se em 9 ocorrem 5 letras proposicionais. • Ð< ” c:ÑÑÑ ÎÏ : Ð.52 fórmula Ð: p Ð. daí a necessidade de uma noção mais geral do que a de arranjo. que atribua de uma vez só valores lógicos a todas as letras proposicionais de _! . pois. ou que @ satisfaz ou realiza ou é um modelo de (não satisfaz ou não realiza. isto é. é possível construir uma tabela de verdade para 9. . dada uma fórmula qualquer 9. dizer que é possível determinar o valor lógico resultante para 9. 20).

com a qual. HATCHER. @ @ sÐ<Ñ œ " ou sÐ)Ñ œ ". @ @ sÐ<Ñ œ ! ou sÐ)Ñ œ ". 3.46 se não houver possibilidade de confusão. Modelada na Linguagem da Aritmética.4). etc. @ @ Podemos então enunciar a última das propriedades das fórmulas que nos interessa assinalar (ver sugestão para demonstração no exercício 2. Foi introduzido por Gottlob Frege (1848-1925). sÐ:Ñ œ @Ð:Ñ para todo : em T ] e que satisfaz as condições @ seguintes. ou simplesmente DN. Uma aplicação s À Prop(T ) Ä Ö!ß "× com estas propriedades diz-se uma @ valuação (ou valoração) booleana. V. 46 .4 Um sistema dedutivo: dedução natural Iremos agora estabelecer um sistema (ou cálculo) dedutivo para a nossa linguagem _! . ou ainda que 9 é verdadeira para s sse sÐ9Ñ œ ". HEIJENOORT. CÁLCULO PROPOSICIONAL @ s À Prop(T ) Ä Ö!ß "× 53 que estende @ [isto é. num trabalho de 1879 intitulado Begriffsschrift. e que é uma relação entre conjuntos de fórmulas e fórmulas (tal como a relação } . o cálculo proposicional e o cálculo de predicados de feição moderna. correspondente à noção intuitiva de demonstrabilidade em matemática. Dizemos que s satisfaz ou realiza ou é um @ modelo de 9. precisamente o trabalho onde se apresenta pela primeira vez a noção de linguagem formal e se desenvolvem. justamente considerado o maior lógico do seu tempo. que será designado por DNP (Dedução Natural Proposicional). como já foi dito.II. ): @ sÐc<Ñ œ " @ sÐ< • )Ñ œ " @ sÐ< ” )Ñ œ " @ sÐ< p )Ñ œ " sse sse sse sse @ sÐ<Ñ œ !. Tal sistema compreende duas coisas: (i) uma lista finita de regras de inferência.è @ II. para o Pensamento Puro). porém. obviamente. que se designa por ¯DN . @ @ sÐ<Ñ œ " œ sÐ)Ñ. ou simplesmente ¯ . O sinal ‘ ¯ ’ não pertence à linguagem _! . para quaisquer fórmulas <. neste capítulo. correspondem a certas formas muito simples e frequentes de argumentação válida. não se deve confundir). de maneira sistemática.7 Propriedade de extensão das valorações Toda a valoração @ estende-se de uma e uma só maneira a uma valoração booleana s. (ii) um conceito de derivabilidade ou dedutibilidade. que. eine der arithmetischen nachgebildete Formelsprache des reinen Denkens (Uma Linguagem Simbólica.

.... e isto significa que existe uma sequência ou sucessão finita de fórmulas 9" . . Vamos então indicar as regras do sistema DN. ... Dizemos «em geral» porque. Em todo o caso. mas há-de ser reformulada de modo a admitir um conceito mais geral de regra de inferência a introduzir proximamente.48 Após a indicação de algumas regras e derivações daremos uma definição indutiva de derivação. que precedem < são as fórmulas (hipóteses descarregadas ou teses) intermédias. nomeadamente. < tal que cada fórmula da sequência.. 47 . em todo o caso. há algumas excepções a este simplismo. as fórmulas 98" . II. . como veremos. .. Para cada conectivo daremos duas ou três regras. CÁLCULO PROPOSICIONAL (ler: «de 9" .. incluindo <... umas de introdução e outras de eliminação. 98 (no sistema DN). pois. . 98+1 .... 98 deduz-se (ou deriva-se) < » ou «< deduz-se de 9" .. e a última fórmula < e a tese (final). é uma das 8 primeiras 9" . Por outro lado.. a definição agora dada serve para os primeiros exemplos de regras e deduções. Em geral. é a conclusão) de uma ou mais fórmulas precedentes (premissas) por uma das regras de inferência admitidas. . tenha regras suficientes para de < poder deduzir <.. 98+1 ...5 Regras para a conjunção As regras de inferência para a conjunção são as seguintes: Em rigor isto só é verdade desde que o sistema de regras seja suficientemente rico... . 98 . as primeiras 8 fórmulas (9" . de deduções sem hipóteses.. pelo facto de algumas regras fundamentais do sistema não terem a forma simples «premissasÎconclusão». a regra H a introduzir adiante dá conta desta possibilidade.. . 98 ») para exprimir que < é dedutível ou derivável de 9" . Admitimos.. o que. 98 . < são as hipóteses (iniciais). uma tal sequência é chamada uma derivação (formal) ou uma dedução (formal) da tese < com hipóteses 9" .. a possibilidade de < ser ela própria uma das fórmulas 93 com 3 Ÿ 8 já que isso em nada afecta o poder dedutivo do sistema... .47 Se 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ <.. . sendo nesse caso as teses apelidadas de leis lógicas (proposicionais). 98 (sempre subentendido: no sistema DN). as primeiras dizem-nos de que premissas podemos tirar uma conclusão em que ocorre o conectivo. ´ 98 . isto é. 98 ) de uma dedução 9" ... 48 Admitiremos adiante a possibilidade de se ter 8 œ !.54 Escrevemos 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < II. ou é uma hipótese descarregada (ver adiante) ou é inferida (isto é.. isto é... acontecerá com todos os sistemas a utilizar neste livro. as segundas dizem-nos que conclusões podemos tirar de premissas em que ocorre o conectivo em questão.

Na maioria das vezes designaremos a regra de eliminação da conjunção simplesmente – por ( • – ). e a sequência 9. Por outro lado. se o primeiro ( • " ). (4w ) 9 ¯ 9 • 9 Para facilitar a verificação de que uma dada sucessão de fórmulas é. a sequência 9 • 9. se – o segundo ( • # ). o que mostra que (4) 9 • 9 ¯ 9. Uma hipótese só depende de si mesma. 9 é uma derivação da tese 9 com hipótese 9 • <. < Em cada aplicação de uma destas regras. numa coluna à esquerda. a sequência 9 • <. deixando para o contexto a identificação do caso. Mostramos de imediato que (1) 9 ¯ 9 (2) 9 • < ¯ 9 (3) 9ß < ¯ 9 • < Quanto a (1).II. de facto. Para (2). 9 – ( • #) 9•< . 9 • 9 é uma dedução de 9 • 9 com hipótese 9 . Analogamente para a regra ( • # ). Quanto a (3). . no seio de uma derivação. numa coluna à (2w ) 9 • < ¯ < (3w ) 9ß < ¯ < • 9 49 Como já acontecia no Cap. dizemos que a conclusão depende das hipóteses de que dependem as premissas. para cada linha. 9 é uma dedução de 9 aplicando ( • – ). uma derivação de certa tese com certas hipóteses adoptaremos daqui em diante uma disposição na vertical das deduções. a sequência 9. a ordem de colocação das premissas é irrelevante. Para (2w ) é análogo. CÁLCULO PROPOSICIONAL Eliminação da conjunção – ( • ") 55 Introdução da conjunção ( • ) 9ß < 49 9•< 9•< . numerando consecutivamente as fórmulas. a sequência 9 é uma dedução de 9 com hipótese 9. 9 • < é uma derivação da tese 9 • < com hipóteses 9 . – A regra ( • " ) diz-nos que de uma conjunção se pode inferir a primeira – componente. A regra ( • ) diz-nos que de duas premissas (não necessariamente distintas) se pode inferir a sua conjunção. <. I com a noção de argumento. < . e indicando.

para o qual ainda não demos qualquer regra. isto é. por isso. muitos autores afirmam «9 implica <» precisamente quando e só quando a proposição «9 p <» é verdadeira. não se deve ler «9 p <» como «9 implica <» excepto nos casos em que esta proposição é verdadeira. 50 Estamos aqui a afirmar. a justificação respectiva. Na realidade. embora certos autores a designem como regra de eliminação da negação. Como estas são hipóteses. uma das quais permitirá simplificar um pouco a formulação da regra de introdução da negação. 2 ( • ). logo c9 é verdadeira. a regra de introdução de hipótese. A conclusão depende das hipóteses de que depende a premissa.56 II. e não da negação simples. CÁLCULO PROPOSICIONAL direita. a dedução de (2) acima poderá ser apresentada esquematicamente por: 1 2 3 9 < 9•< H H 1. II. uma fórmula da forma < • c<). como o nome indica. ou simplesmente ‘H’. podemos também encarar (Hip) como uma regra sem premissas. qual a regra que foi aplicada e qual ou quais os números de ordem das premissas de que a fórmula nessa linha foi inferida. De facto. aquela depende destas na dedução. como tal. Mas a formulação (c*) tem a desvantagem de envolver o condicional p . então 9 é falsa. . uma regra de eliminação da dupla negação. A fórmula da linha 3 foi inferida das fórmulas das linhas 1 e 2 por meio da regra ( • ). por isso. sendo. Assim. A introdução da negação podia ser formulada desde já como sendo a regra (c*) 9 p Ð< • c < Ñ c9 e. indicaremos apenas na coluna à direita ‘Hip’. (c*) não será. corresponde a uma versão do método de demonstração em matemática conhecido como método de redução ao absurdo: se 9 «implica»50 uma contradição (isto é. por exemplo.6 Regras para a negação e o condicional A nossa primeira regra para lidar com a negação é a seguinte: Eliminação da dupla negação (cc– ) cc9 9 É. Para as hipóteses. que uma proposição 9 implica uma outra < quando se quer apenas afirmar que a proposição condicional 9 p < é verdadeira. conveniente dar primeiro as regras para este conectivo. como é habitual fazer-se em matemática. Assim.

embora passe despercebida. ou seja. 4 (MP). Somente efectuamos algumas das deduções. 3 (MP) 4. das hipóteses 1. Acrescentaremos agora que algumas regras correspondem mais propriamente a certos métodos de demonstração em matemática. Dedução: 1 2 3 4 5 9 9p< <p) < ) H H H 1.II. Eliminação do condicional (p– ). (5) cc9 ¯ 9. a conclusão depende das hipóteses de que dependem as premissas. mas é de natureza um pouco diferente das anteriores. 1 2 3 4 5 6 9 9 p Ð< p )Ñ 9p< <p) < ) H H H 1. 9 p <. Dissemos anteriormente que as nossas regras iriam corresponder a certas formas de argumentação válida frequentes. (6) 9. 5 (MP). Como se vê. as deduções que não exibirmos ficam como outros tantos exercícios. 9 p < ¯ <. enquanto a fórmula da linha 5 depende das hipóteses de que dependem as linhas 3 e 4. (8) Dedução: 9ß 9 p Ð< p )Ñß 9 p < ¯ ). a fórmula da linha 4 depende das hipóteses das linhas 1 e 2. e as regras (c ). A regra (p ) é uma dessas. então < é verdadeira. 2 e 3. CÁLCULO PROPOSICIONAL adoptada como regra fundamental do sistema. 2 (MP) 1. < p ). 2 (MP) 3. ( ” – ) a indicar mais adiante serão outras. A regra de introdução do condicional (p ) que se formula a seguir é uma das mais importantes do nosso sistema. ou (MP) 9ß 9 p < < 57 Esta regra é de aplicação muito frequente em demonstrações matemáticas. Vejamos uns exemplos de aplicação. e é conhecida classicamente como modus (ponendo) ponens: se 9 implica < e 9 é verdadeira. Numa aplicação desta regra. uma derivação. pois a sua premissa é. ela própria. (7) 9. .

52 De notar que se uma hipótese (9) descarregada por uma aplicação da regra (p+ Ñ [ou de uma das regras (c ). é admitir (temporariamente) o antecedente 9 como nova hipótese e demonstrar o consequente <. da forma 9 p <. isto é. tal linha posterior continua a depender daquela hipótese (9). tanto mais que o 9p< 51 esta regra se poderá justificar facilmente mediante (39). no sentido prévio. englobando os itens singulares ou premissas. Formalmente. Dizemos. excluindo 9. o método em causa é o conhecido método directo para demonstrar uma proposição condicional. Cada linha de eliminação da dependência uma dedução fica a depender apenas das hipóteses não descarregadas utilizadas anteriormente para aceder a essa linha. mas apenas das outras hipóteses iniciais (se algumas houver) de que < depende naquela dedução. O que se faz. como anteriormente. descartada ou eliminada. a hipótese temporária 9 foi descarregada. 52 Podíamos admitir desde já o caso degenerado da regra (p ). se pode inferir a conclusão 9 p <. CÁLCULO PROPOSICIONAL No caso de (p ). Colocámos ‘H’ entre parênteses rectos ‘[ ]’ para chamar a atenção para o facto de 9 ser somente hipótese relativamente a <. que. de acordo com este método. o termo ‘item’ na definição de dedução. no sentido alargado. por exemplo. mas apenas das hipóteses de que < depende. (p ) < . a qual. como premissa. Em vez do termo ‘premissa’ seria mais conveniente. pois esta não depende de 9 como hipótese. Introdução do condicional 9 ã < 9p< [H] (p + ) . mas não o faremos. no nosso cálculo dedutivo isto quer dizer construir uma dedução de < com hipótese adicional 9 . já não depende de 9 como hipótese. . Em vez y de escrever ‘[H]’ à direita de 9 também se pode escrever ‘H’ para assinalar a 51 no momento de aplicação da regra. mas já não relativamente à conclusão final 9 p <. porém. ( ” – ) a introduzir mais adiante] voltar a ser utilizada numa linha posterior àquela em que foi descarregada (9 p <). e itens compostos ou derivações-premissa. digamos 9 ã < H A regra (p ) diz-nos que de uma tal dedução. As deduções continuam a ser sequências finitas de fórmulas.58 II. por isso. mas o conceito de premissa deve ser alargado de modo a contemplar regras como (p ). quando se aplica a regra (p ).

mas. por uma aplicação de (p ). (9w ) 9 p < ¯ Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ. como regra de eliminação de hipótese. 3} 5 {1. Alguns exemplos ajudarão a compreender melhor esta regra. obtemos uma dedução de . 2. 3} 4 {1. 2} 6 9p< <p) 9 < ) 9p) H H [H] 1. Assim. a dependência da linha 3 foi eliminada. pois. Veremos adiante uma outra maneira de encarar esta regra. 4 (MP) 3-5 (p ) 2-6 (p ). veremos que esta última só tem a mais a linha 7 e o facto de a hipótese 2 ser encarada como hipótese auxiliar. Aconselhamos o leitor a preencher as dependências de hipóteses para auto-controlo do processo dedutivo. 4 (MP) 3-5 (p ). 3 (MP) 2. indicámos na coluna mais à esquerda (o número de ordem de) as hipóteses de que cada fórmula depende nesta dedução. como acima se disse: qualquer hipótese pode ser eliminada. (9) 9 p <ß < p ) ¯ 9 p ) (silogismo hipotético). e permite um certo controlo sobre a aplicação das regras. CÁLCULO PROPOSICIONAL 59 A regra (p ) também é conhecida como regra da dedução condicional. por aplicação de (p ). Esta exibição das dependências pode ser feita relativamente a qualquer dedução. 3 (MP) 2. e da regra (p ) que permite concluir a fórmula condicional. A justificação da linha 6 (coluna à direita) consiste na indicação da subderivação entre as linhas 3 e 5. por exemplo. regra do método directo. Tudo se passa. Se compararmos as deduções de (9) e de (9w ). ou regra da hipótese auxiliar. enquanto tal. Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 9p< <p) 9 < ) 9p) Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ H [H] [H] 1. como se (p ) funcionasse como regra de eliminação de hipótese. Para tornar visível a dependência. com hipótese auxiliar 9 e conclusão ). mas a tese na linha 6 já só depende das hipóteses iniciais uma vez que. a fórmula da linha 5 depende das hipóteses iniciais e da hipótese auxiliar. por aplicação da regra (p ).II. E o que se pode fazer uma vez pode fazer-se duas ou trêsÞÞÞ Repetindo o feito à dedução de (9w ). não sobrecarregamos a notação das deduções com a indicação das dependências. vindo a ser eliminada na linha 7. Dedução: {1} 1 {2} 2 {3} 3 {1. em geral. passando a antecedente de uma implicação.

Exactamente qual a contradição (< • c<) que a hipótese provisória (9) permite obter não é possível saber-se de antemão: é coisa a descobrir caso a caso. conforme a fórmula 9 cuja negação se pretende derivar. Estas são ditas primitivas. (10w ) 9 • < p <. (MTw3 ). Pode ser encarada. (13) 9 p Ð9 p <Ñ p <. como uma versão ou variante (fraca) da regra de redução ao absurdo. II. por sua vez. para obter ) há que aplicar (cc– ) — ver (RA) adiante]. . podemos reformulá-la como uma regra estruturalmente semelhante a (p ). É o que se chama uma dedução sem hipóteses. a conclusão final ( c9) só depende das hipóteses de que depende a conclusão da derivação-premissa (< • c<). a conclusão da regra continua a ser a negação de 9 [no caso. Regressando à regra de introdução da negação (c ). Em todo o caso.60 (9ww ) Ð9 p <Ñ p Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ. Uma fórmula 9 que possua uma dedução sem hipóteses é o que se chama uma lei. Dos exemplos anteriores obtêm-se. e escreve-se ¯ 9 para exprimir esse facto. (11) 9 p < p 9 • <. 3 œ 1. aplicando (p ) tantas vezes quantas as necessárias.8 estão duas outras versões desta regra. as seguintes leis: (10) 9 • < p 9. sem dificuldade. excluindo a hipótese temporária (9). ela própria. uma derivação de uma contradição (digamos < • c<) a partir de uma hipótese auxiliar (9) e a conclusão é uma negação (c9). teorema lógico ou princípio lógico (proposicional). Trata-se da regra seguinte: Introdução da negação 9 ã < • c< c9 [H] (c ) ou (RA*) . No exercício 2. em que a premissa é. e regras como (MT) que se possam derivar a partir das primitivas dizem-se derivadas. cc) . (12) cc9 p 9. (11w ) 9 p < p < • 9. como já se disse. 2. uma negação (digamos c)). Note-se que nada impede que 9 seja. Como primeira aplicação desta regra derivamos a clássica modus (tolendo) tollens: (MT) 9 p < ß c< c9 Derivar esta regra é mostrar que das suas premissas é possível deduzir a sua conclusão usando as regras do sistema DN. CÁLCULO PROPOSICIONAL com a particularidade de nela estarem eliminadas todas as hipóteses.

II. de modo que o ónus do classicismo está. a regra (c ) é redundante. H H [H] 1. são intuicionisticamente válidas. pode ser discutida a adequação da designação da regra (c ) como «regra de redução ao absurdo». a que chamaremos com propriedade regra de redução ao absurdo e designaremos (RA). Dedução de (14): 1 2 3 4 5 6 9p< c< 9 < < • c< c9 (15) 9 ¯ cÐc9 • c<Ñ. tipicamente. a qual não é. reserva-se a designação (RA) para a regra derivada a introduzir adiante. onde ¼ denota o absurdo (uma contradição indeterminada ou proposição sempre falsa)]. a quem devo e agradeço a sugestão da inclusão da presente nota. clássica mas não intuicionisticamente válida. Acontece que todas as regras do sistema DN. nesta regra. 60). nesta lógica. CÁLCULO PROPOSICIONAL (14) 9 p <ß c< ¯ c9. (16) 9 p < ¯ c< p c9. é sabido que na matemática intuicionista/construtivista. que é o contexto privilegiado da lógica clássica. a designação referida não é gravosa. com excepção de (cc– ). 4 ( • ) 3-5 (RA*). senão a maioria das demonstrações pelo método de redução ao absurdo procedem de acordo com aquela regra pois. é a regra derivada seguinte. Fernando Ferreira a este respeito. (17) 9 ¯ cc9. um grande número. Não fica bem. que não são negações). adimita pelos intuicionistas: Como este livro é primordialmente de lógica clássica. portanto. atendendo à maneira sui generis como os intuicionistas definem habitualmente a negação [c9 œ 9 p ¼ . pois é um caso particular da regra (p ). em geral.53 Outra aplicação importante de (c ). com o auxílio de (cc– ) como acima se explicou (pág. 53 . não se faz uso do método de redução ao absurdo no estabelecimento de proposições não negativas (isto é. em que se utiliza a lógica intuicionista (ver último capítulo). Em consequência. 61 Por razões a desenvolver no último capítulo. ter uma regra (mesmo que derivada) com uma designação que choca claramente com a filosofia e praxis intuicionistas. a proposição a demonstrar por tal método é negativa. Não há dúvida de que na matemática clássica. já que utiliza (cc– ) na sua derivação. Todavia. portanto. mas reconheço a pertinência da objecção que me foi levantada pelo meu colega Prof. 3 (MP) 2. Ora.

pela simples razão de (MT) ser derivável. Ao invés. derive-se novamente (18). II. Por outras palavras.7 Introdução de teses A regra (MT) pode ser utilizada em deduções. cc9 Utilizando as regras derivadas (MT) e (cc ) derive-se. aplicável em qualquer dedução. cuja justificação pode ser dada exactamente nos mesmos termos em que acima se justificaram as regras derivadas como (MT). c<). (18) c< p c9 ¯ 9 p < . fique alterada a força dedutiva do sistema. Analogamente para a regra derivada correspondente a (17). introdução da dupla negação (cc ) 9 . Na verdade. Veremos adiante algumas aplicações desta regra. por isso. em qualquer aplicação de (MT) no seio de uma dedução podemos substituir essa aplicação (aumentando o número de linhas) pela derivação (utilizando as regras primitivas) da conclusão da regra (c9) a partir das suas premissas (9 p <. utilizando somente regras primitivas. tal como se fosse uma regra primitiva sem que.62 Redução ao absurdo c9 ã < • c< 9 [H] II. CÁLCULO PROPOSICIONAL (RA) . O mesmo que se disse para (MT) e (cc ) pode ser dito de outras regras derivadas. formulamos um princípio geral. não se obtêm teses nem leis que não possam já ser obtidas sem utilizar (MT). a título de exercício. sempre que estabelecemos uma relação de derivabilidade da forma 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < podemos formular uma regra derivada correspondente 9" ß ÞÞÞß 98 < mas a maioria das regras assim obtidas não é suficientemente interessante para merecer uma designação especial e faria aumentar excessivamente o número de regras do sistema. Como continuação do exercício. Quer dizer. .

Comecemos pelas mais simples regras de introdução da disjunção. por causa da maior complicação estrutural de uma delas.1 Princípio de introdução de teses (T ) Em qualquer linha de uma dedução pode-se introduzir uma lei ou tese anteriormente deduzida.. recordemos o conhecido método de demonstração por casos em matemática... 8 é par ou 8 não é par (é ímpar)] se pretende concluir certa tese ) . também )). Introdução da disjunção ( ” +) " 9 9”< ( ” +) # < . II. da regra de eliminação da disjunção. 9”< Numa dedução em que se aplique uma destas regras a conclusão depende das hipóteses de que dependem as premissas. usualmente exclusivos e exaustivos. Vejamos um exemplo de aplicação. . também. a proposição a demonstrar ) é conhecida antes de se aventar uma hipótese disjuntiva que permita uma demonstração por (dois ou mais) casos. . desde que as hipóteses de que essa tese depende (numa sua dedução) ocorram em linhas precedentes (não necessariamente como hipóteses) naquela mesma dedução. Antes de formular a regra de eliminação da disjunção.8 Regras para a disjunção Deixámos para o fim as regras da disjunção. Muito frequentemente. procurando demonstrar ) no caso 9 (no caso 8 par. 14) 4 (cc– ) 2-5 (p ). . 17) 1. partindo de certa hipótese disjuntiva 9 ” < [por exemplo. CÁLCULO PROPOSICIONAL 63 7. no caso (18) acima: 1 2 3 4 5 6 c< p c 9 9 cc9 cc< < 9p< H [H] 2 (T . uma tal hipótese disjuntiva é da forma 9 ” c 9 (lei do terceiro excluído. nomeadamente. em que. a deduzir adiante).54 Procede-se então por casos. )) e também no caso < (no caso 8 ímpar.. 54 Na maior parte das vezes. 3 (T .II.

isto é. No segundo exemplo (exercício) a regra ( ” – ) utiliza-se duas vezes. Numa dedução em que se aplique esta regra a conclusão final ) não vai depender das hipóteses auxiliares 9 e <. que de uma premissa disjuntiva 9 ” < e de duas derivações com hipóteses auxiliares 9 e <. como se fossem premissas ordinárias. 6-11 ( ” – ). se pode concluir ). Estas derivações comportam-se. excluindo 9 e <. . mas somente das hipóteses de que 9 ” < depende e das hipóteses de que ) depende nas subderivações (*) acima. isto significa admitir temporariamente 9 e < como hipóteses e em cada um dos casos derivar ) . precisamente. para todos os efeitos. 4 ( • ) [H# ] 6 ( •–) 7 ( ”+) 6 ( •–) 9 ( ”+) 8.64 II. 10 ( • ) 1. (19) 9 ” Ð< • )Ñ ¯ Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ (20) Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ ¯ 9 ” Ð< • )Ñ Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 9 ” Ð< • )Ñ 9 9”< 9”) Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ <•) < 9”< ) 9”) Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ H [H" ] 2 ( ”+) 2 ( ”+) 3. respectivamente. Chama-se a atenção para que a hipótese de uma subderivação (*) não deve ser utilizada como hipótese na outra. 2-5. como em (*). já que estas são descarregadas no momento de aplicação da regra. CÁLCULO PROPOSICIONAL No nosso cálculo. construir duas derivações: (*) 9 ã ) H < ã ) H A regra ( ” – ) diz. Esquematicamente: Eliminação da disjunção 9 ã ) [H" ] < ã ) ) [H# ] 9”< (” ) – Vejamos dois exemplos onde se aplica esta regra.

Para a dedução utilize-se (c ). escrevemos 9 °¯ < para significar que 9 ¯ < e < ¯ 9. p p Iterando (*) um número suficiente de vezes conclui-se que (***) 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < sse ¯ 9" p 9# p â p 98 p <. neste caso dizemos que 9 e < são interderiváveis. e (**) 9 °¯ < sse ¯ 9 o < sse 9 o < é uma lei lógica.9 Regras para o bicondicional Atendendo à definição de o e às regras da conjunção. a chamada regra de trivialização (ou regra do absurdo) que.II. p (24) 9 p < °¯ cÐ9 • c<Ñ Muito útil no estabelecimento de outras leis de conversão.10 Mais exemplos. . Terceiro excluído O exemplo seguinte está na base de uma importante lei de conversão [usando (**) acima]: a lei Ð9 p <Ñ o cÐ9 • c<Ñ. facilmente se justificam p as seguintes regras derivadas para o bicondicional seguintes:55 (o + ) p 9 p <ß < p 9 . e não só. II. Em virtude das regras para p e o facilmente se justifica que: p (*) 9 ¯ < sse ¯ 9 p < sse 9 p < é uma lei lógica. informalmente. é a seguinte regra derivada. <p9 (21) ¯ 9 ” Ð< • )Ñ o Ð9 ” <Ñ • Ð9 ” )Ñ p (22) 9 o <ß < o ) ¯ 9 o ) p p p (23) ¯ Ð9 p )Ñ p Ð< p )Ñ p Ð9 ” < p )Ñ (lei distributiva de ” com respeito a • ) No que segue. CÁLCULO PROPOSICIONAL 65 II. p 9o < (o – ) p p 9o < . < 55 No caso de o bicondicional ser considerado como primitivo. 9p< p 9o < . nos diz que de um par de fórmulas contrárias (9 e c9) toda e qualquer coisa se pode inferir: (¼) que se justifica mostrando que (25) 9 ß c9 ¯ < 9 ß c9 . seriam adoptadas estas duas regras como regras primitivas do sistema DN.

daí o artifício a que recorremos com ) • c) . a fórmula : ). etc.66 Dedução: 1 2 3 4 5 6 9 c9 c< 9 • c9 cc< < H H [H] 1. como as leis associativas. 3-5. 2 ( • ) 3 . CÁLCULO PROPOSICIONAL Uma primeira aplicação desta regra pode ser feita na dedução de (26) 9 • < ¯ cÐ c9 ” c<Ñ. 6-8 ( ” – ) 2-9 (c ). distributivas. onde ) é uma fórmula qualquer (por exemplo. 7 ( ¼ ) 2. comutativas. Alguns dos exemplos seguintes estão na base de outras tantas leis conhecidas. Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 9•< c9 ” c < c9 9 ) • c) c< < ) • c) ) • c) cÐ c9 ” c<Ñ H [H] [H" ] 1 ( •–) 3. (27) 9 • < °¯ < • 9 (28) 9 ” < °¯ < ” 9 (29) 9 • Ð< • )Ñ °¯ Ð9 • <Ñ • ) (30) 9 ” Ð< ” )Ñ °¯ Ð9 ” <Ñ ” ) (31) 9 • Ð< ” )Ñ °¯ Ð9 • <Ñ ” Ð9 • )Ñ (32) Ð9 • <Ñ ” Ð9 • c<Ñ ¯ 9 (33) 9 °¯ 9 ” Ð< • c<Ñ (34) 9 p Ð< p )Ñ ¯ Ð9 p <Ñ p Ð9 p )Ñ (35) 9 p < ¯ Ð< p )Ñ p Ð9 p )Ñ (36) 9 p Ð< p )Ñ °¯ 9 • < p ) (37) 9 o < °¯ c9 o c< p p . Note-se a necessidade de obter a mesma contradição nas linhas 5 e 8. com vista a uma aplicação da regra ( ”  ) na linha 9. 4 ( ¼ ) [H# ] 1 ( •–) 6.4 (c  ) 5 (cc– ). II.

II. CÁLCULO PROPOSICIONAL (38) c9 ¯ 9 p < (39) < ¯ 9 p < (40) Ð9 p <Ñ p 9 ¯ 9

67

As leis que resultam de (38) e (39) são conhecidas tradicionalmente como paradoxos da implicação material, mas não são realmente paradoxos em nenhum sentido técnico. Informalmente, (38) interpreta-se assim: uma proposição falsa implica qualquer proposição; (39) pode-se interpretar: uma proposição verdadeira é implicada por qualquer proposição. Se há algo de «paradoxal» nos paradoxos da implicação material é apenas o facto de, num caso como no outro, poder não haver qualquer «relação» entre antecedente e consequente na fórmula condicional que é deduzida. Semanticamente já sabíamos ser assim (ver secção I.11). Uma lei da lógica clássica muito importante que não é uma condicional nem uma bicondicional é a chamada lei do terceiro excluído: (41) ¯ 9 ” c9 Dedução: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 cÐ9 ” c9Ñ [H] [H] 9 2 ( ”+) 9 ” c9 Ð9 ” c9Ñ • cÐ9 ” c9Ñ 1, 3 ( • ) 2-4 (RA*) c9 5 ( ”+) 9 ” c9 Ð9 ” c9Ñ • cÐ9 ” c9Ñ 1, 6 ( • ) 1-7 (RA*) ccÐ9 ” c9Ñ 8 (cc– ). 9 ” c9

A utilização desta lei em deduções, introduzida por meio de (T ), facilita a derivação de certas outras como, por exemplo, a importante lei de conversão Ð9 p <Ñ o c9 ” <, que se obtém a partir das derivações indicadas a seguir: p (42) 9 p < °¯ c9 ” < Dedução: ¯ : 1 2 3 4 5 6 7 8 9p< 9 ” c9 9 < c9 ” < c9 c9 ” < c9 ” < H (T  ) [H] 1, 3 (MP) 4 ( ”+) [H] 6 ( ”+) 2, 3-5, 6-7 ( ” – ).

° : Utilize os paradoxos da implicação material.

68 (43) 9 ¯ Ð9 • <Ñ ” Ð9 • c<Ñ (44) cÐc9 ” c<Ñ ¯ 9 • <

II. CÁLCULO PROPOSICIONAL

Daqui sai facilmente a lei cÐc9 ” c<Ñ p 9 • < e, contrapondo e eliminando a dupla negação, obtemos outra lei: (45) ¯ cÐ9 • <Ñ p c9 ” c< Analogamente, de (26) sai facilmente a lei 9 • < p cÐ c9 ” c<Ñ, e desta, c9 ” c< p cÐ9 • <Ñ. Combinando os resultados, obtemos uma das leis de De Morgan, (46) ¯ cÐ9 • <Ñ op c9 ” c< A outra lei de De Morgan é igualmente muito útil: (47) ¯ cÐ9 ” <Ñ op c9 • c< Como princípio estratégico geral na construção de deduções, deve-se começar tentando uma abordagem directa; falhando esta (por vezes, é simples falta de persistência!) tente-se a indirecta [(c ), (RA), etc.]; como último recurso, introduza-se uma lei do terceiro excluído conveniente e prossiga-se por casos. Os paradoxos da implicação material e a regra ( ¼ ) são também recursos muito úteis. Finalizamos esta secção com uma breve apresentação alternativa à «linear vertical» da configuração das deduções, e as definições que foram prometidas acima, nomeadamente as de derivação com hipóteses e hipóteses descarregadas. De facto, as deduções também podem ser configuradas como árvores binárias, com raiz em baixo e as hipóteses nos topos, podendo uma mesma hipótese figurar em mais de um topo. Vejamos o exemplo (27), da esquerda para a direita, a esta luz: 9•< < <•9 9•< 9 .

Acrescentando mais um nível obtemos uma derivação da lei 9 • < p < • 9 : Ò9 • < Ó < <•9 9 • <p< • 9 Ò9 • < Ó 9 .

Se quisermos ser mais informativos, colocamos à direita de cada traço inferencial ‘———’ a regra que foi aplicada e, se for o caso, o número, em índice superior, da hipótese (auxiliar) numerada que foi cancelada por aplicação dessa regra:

II. CÁLCULO PROPOSICIONAL
" Ò9 • < Ó " ( •  ) Ò9 • < Ó ( •  ) < 9 ( •) <•9 ( p  )" . 9 • <p< • 9

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Agora, as definições prometidas, após algumas notações. Designamos as derivações (sucessões finitas de fórmulas) em geral por W, Ww , Www , W" , W# , ÞÞÞ, mas escrevemos (D) W <, 9 W <

para indicar que W é uma derivação com última fórmula < (portanto, < faz parte de W), e que W é uma derivação com hipótese 9 a descarregar de seguida [quando se aplica uma das regras (p ), ( ”  ), (c )] e última fórmula < (portanto, 9 e < fazem parte de W), respectivamente. As regras de inferência são regras para construir derivações a partir de uma, duas ou três derivações dadas (como premissas), e têm uma das formas (R) W W" W # W , , < < W" < W# 56 ,

onde as premissas W, W" , W# serão sempre apresentadas como em (D), quer dizer, exibindo a última fórmula que faz parte da derivação; < é a conclusão da regra respectiva. Do lado esquerdo da regra indicamos o seu nome ou designação (como acima). Algumas regras são sujeitas a restrições especificadas a seguir.

10.1 Definição indutiva das derivações
I Parte: 1. (Regra H) Uma sucessão finita constituída por uma única fórmula 9, é uma derivação com hipótese 9. Não há hipóteses descarregadas nesta derivação. 2. (Regras de introdução e eliminação dos conectivos • , ” , p ) Se W, W" , W# são derivações, então W" W# W" W" 9 < 9•< 9•<    9 , (•# ) < , (• ) 9 • < , (•" )

56

Estas disposições correspondem às sucessões Wß F ; W" ß W# ß F ; W" ß W# ß W$ ß F , respectivamente, com a convenção de que se podem permutar as premissas W3 de qualquer maneira.

que o conjunto das derivações com hipóteses em > é o mais pequeno conjunto (de sucessões finitas de fórmulas) que contém as fórmulas de > (regra H) e é fechado para as outras regras. II. (”) " # são derivações. se quisermos. W" W" W 9 < 9”< (”) 9 ” < . Pode-se dizer.. é muito possível que ao fim de algum . 9n . onde ¼ representa uma contradição qualquer. activas ou abertas após a aplicação da regra (e diz-se que a conclusão depende dessas hipóteses). . . CÁLCULO PROPOSICIONAL W" 9 (p ) W# 9p< < Ò9 Ó W" ) ) Ò< Ó W# ) . 58). de facto. Este tipo de definição (indutiva) permite que se façam demonstrações (metamatemáticas) por indução nas derivações (ou. e que inquirimos (Q" ) 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ < ? Como obter a resposta a uma questão deste tipo? Se existe. Também se pode dar uma definição indutiva das derivações em forma de árvore. W# . a hipótese 9 em W é descarregada.. (Regra de eliminação da dupla negação) Se W é uma derivação... por outras palavras. se estiver presente (ver caso degenerado. em aplicações da regra (p ).70 Ò9 Ó W <  (p ) 9 p < . (”) 9 ” < . 98 .. 3. <. Nada mais é derivação. e em aplicações da regra (c ) é descarregada a hipótese c9. nota 52.. II Parte: Além disso. < de W" . mas não iremos prosseguir nesta via com este sistema (ver II. são descarregadas as hipóteses 9. Todas as hipóteses de uma premissa que não são descarregadas por uma destas regras permanecem não descarregadas.16). uma dedução de < com hipóteses 9" . respectivamente. II.11 Semântica e metateoria Suponhamos dadas ao acaso certas fórmulas 9" . no comprimento das derivações). 4. pág. então W ¼ – (cc ) 9 é uma derivação. em aplicações da regra ( ”  ).

se ao fim de algum tempo (razoável) não for encontrada nenhuma dedução.II. @w Ð9Ñ œ !. Durante muitos e muitos séculos os geómetras tentaram fazer a quadratura do círculo. p • q p q. Não seria a primeira vez. pois existe mesmo um algoritmo58 para decidir questões do tipo (Q" ). p p Ðq p pÑ. Exemplos: ñ Válidas: p ” cp. valoração e valoração booleana.57 No cálculo proposicional as questões anteriores têm respostas afirmativas. As negações dos conceitos de fórmula válida. afinal. Conforme os valores lógicos que uma fórmula 9 pode tomar para as diferentes valorações possíveis [quer dizer. para todo @.3)]. O ramo da lógica matemática que estuda os algoritmos chama-se teoria da computabilidade e desenvolveu-se grandemente a partir de meados dos anos trinta do século XX. existe @ tal que @Ð9Ñ œ !]. como veremos. respectivamente. Somente durante o século XIX se descobriu porque uns e outros falharam nas suas tentativas: era impossível! 58 Entendemos por algoritmo (procedimento efectivo ou mecânico) um sistema finito de regras deterministas que permite obter respostas a questões de certo tipo dado num número finito de passos. e no melhor sentido possível. ou (ii) Não existe. chefiou a equipa que decifrou o código secreto nazi Enigma. duas explicações são possíveis: (i) Não tentámos o tempo suficiente. porém. Um dos criadores deste ramo. compatível. 53. são inválida [isto é. @Ð9Ñ œ ". ñ 9 é compatível: existe @ tal que @Ð9Ñ œ ". contraditória [isto é. condenadas ao fracasso. CÁLCULO PROPOSICIONAL 71 tempo se encontre uma mas. @Ð9Ñ œ !]. V). para os diferentes arranjos de valores lógicos atribuídos às letras proposicionais que ocorrem em 9 (ver exercício 2. ñ 9 é contingente: existem @. convém recordar as noções semânticas de consequência. contribuindo para a vitória dos aliados na II Grande Guerra (ver Cap. Antes de formular as respostas de maneira precisa. ou uma tautologia. o matemático e lógico inglês Alan Turing. ou é válida: para toda a valoração booleana @. antes de embarcarmos em tentativas de dedução que podem estar. no cálculo de predicados. a trissecção do ângulo arbitrário e a duplicação do cubo com régua e compasso. Em virtude da propriedade de extensão das valorações. Os algebristas italianos da Renascença. e deixaremos de @ usar o adjectivo «booleana». e muitos outros depois deles tentaram descobrir fórmulas resolventes para equações algébricas de grau maior ou igual a &. @w tais que @Ð9Ñ œ ". obtemos a seguinte classificação das fórmulas de _! : ñ 9 é taulológica. Como saber qual destes casos se dá? Seria interessante poder responder a estas questões em tempo útil. de facto. podemos designar também por @ a extensão booleana s de uma valoração simples @. nenhuma dedução. enunciada na pág. Não será exactamente assim. 57 .

Uma valoração @ que satisfaz uma fórmula 9 também se diz um modelo de 9. p. . e escreve-se 9 µ <.2 Definição Seja D um conjunto (finito ou infinito) de fórmulas de _! .. < é consequência de 9" . se sÐ9" Ñ œ â œ sÐ98 Ñ œ ". 11. onde 9 é válida. sse 9 } < e < } 9 (ou seja. a definição de validade de um argumento ou de consequência é: um argumento 9" ß ÞÞÞß 98 Î< é válido. .. se e somente se para toda a valoração @. Dizemos que < é consequência lógica de D. CÁLCULO PROPOSICIONAL ñ Compatíveis: p • q. e uma valoração @ que satisfaz todas as fórmulas de um conjunto D diz-se um modelo de D.1 Definição Seja D um conjunto de fórmulas. e respectivas designações.. Para quaisquer fórmulas 9. então @ @ @ sÐ<Ñ œ ". A notação habitual para exprimir que uma fórmula 9 é válida é a seguinte: } 9. ñ Contraditórias: : • c:ß cÐ: ” c:Ñ. p p r. < uma fórmula. < e ). pelo menos. sse 9 op < é válida). uma valoração @ que satisfaz todas as fórmulas de D. ou.72 II. p ” q. ñ Contingentes: p. qualquer c9. idempotência comutatividade associatividade absorção distributividade DeMorgan dupla negação 11. se e só se toda a valoração @ que satisfaz todas as fórmulas de D satisfaz <. p ” cp. Vejamos alguns exemplos de equivalências lógicas notáveis. equivalentemente. e escrevemos 9" ß ÞÞÞß 98 } <. Dizemos que D é compatível sse existe. 9 é logicamente equivalente a <. p • q. e escreve-se D } <. tem-se: 9•9 µ9 9”9 µ9 9•< µ<•9 9”< µ<”9 Ð9 • < Ñ • ) µ 9 • Ð < • ) Ñ Ð 9 ” < Ñ ” ) µ 9 ” Ð < ” ) Ñ Ð9 • < Ñ ” 9 µ 9 Ð 9 ” < Ñ • 9 µ 9 Ð9 • < Ñ ” ) µ Ð 9 • ) Ñ ” Ð < • ) Ñ Ð 9 ” < Ñ • ) µ Ð 9 ” ) Ñ • Ð < ” ) Ñ cÐ9 • <Ñ µ c9 ” c< cÐ9 ” <Ñ µ c9 • c< cc9 µ 9 Além disso: 9•< µ< 9•< µ9 9”< µ9 9”< µ< se 9 é válida se 9 é incompatível. Em termos de valorações. 98 .

Mais pormenorizadamente. . . também podemos dizer que 9" ß ÞÞÞß 98 } < sse todo o modelo de Ö9" ß ÞÞÞß 98 × é modelo de <. 11. é óbvio que sempre que as hipóteses forem verdadeiras. com excepção da hipótese auxiliar 9 . fosse lei. 98 . como facilmente se constata.4 Corolário (Propriedade da consistência) O sistema DN é consistente (ou não contraditório). é verdadeira. observando que as regras do sistema DN são válidas. isto é.. . < de _! .. a noção de validade para fórmulas é um caso particular da noção de consequência: g } < sse } <... então seria válida. Dem. : não é derivável das hipóteses : p . isto é. Particularizemos ao caso da regra (p+ ): a conclusão 9 p < é verdadeira sempre que todas as hipóteses de que < depende na subderivaçãopremissa. onde g é o conjunto vazio.. . Por exemplo. então < não é.. são verdadeiras. pois.. preservam a verdade. Analogamente para as outras regras com subderivações-premissas (c+ ) e ( ” – ). D é compatível sse possui. se 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ 9. . então 9" ß ÞÞÞß 98 } 9. : não é consequência de : p . podemos agora enunciar os resultados fundamentais que lhes dão resposta. então 9 é válida: se ¯ 9. derivável das hipóteses 9" . CÁLCULO PROPOSICIONAL 73 Portanto. Vê-se facilmente que. .. o que é impossível (pois 9 • c9 é contraditória. Em particular.60 Ora. Esta propriedade fornece imediatamente59 um critério de não dedutibilidade: se < não é consequência de 9" . Em particular. então } 9.II.è Podemos argumentar a favor da plausibilidade da propriedade de validade. por certo. Uma demonstração rigorosa pode ser feita por indução no comprimento das derivações. 98 . a propriedade de validade resulta do seguinte resultado um pouco mais geral: 59 60 Por contraposição ao nível metalinguístico. isto é. se 9 é uma lei lógica. . sempre falsa). . os quais também são conhecidos como metateoremas da lógica proposicional: 11. que contém a fórmula deduzida (tese final). Se alguma 9 • c9 fosse derivável.3 Propriedade da validade (MV) Para quaisquer fórmulas 9" . um modelo. . De de acordo com a definição acima. no sentido seguinte: não existe nenhuma fórmula 9 tal que 9 • c9 é derivável. a última linha. 98 . cada linha que figure abaixo das hipóteses é verdadeira também (mesmo que só dependa de algumas das hipóteses). pelo menos. se < não é válida. Regressando às questões acima formuladas. e em particular. A validade de regras como as de introdução de p e de c e a regra de eliminação de ” tem de ser entendida de modo apropriado. então < não é lei lógica. numa dedução em que tais regras são aplicadas.. de acordo com as definições acima.

então QÐ8Ñ é verdadeira para todo 8   ". conforme a justificação para esta linha.. CÁLCULO PROPOSICIONAL 11. 9 só pode ser uma hipótese. <7 são todas as hipóteses de que 9 depende nessa dedução. (ii) Seja 8   " ao arbítrio e suponhamos (hipótese de indução) que QÐ5Ñ é verdadeira para qualquer 5 Ÿ 8.74 II. . no número de ordem (número da linha) 8   " em que 9 se insere numa dedução. Dem.... de algumas hipóteses auxiliares entretanto assumidas. 9 } 9. A demonstração é por indução nas deduções. (i) Se 9 é a linha 1 de uma dedução. supomos que a regra (T ) não foi utilizada. QÐ8Ñ. Precisando. e neste caso a conclusão é que 9 é válida. <# . eventualmente também. IV. e este caso trata-se como em (i). Há vários casos a considerar. e as hipóteses de que <. linha essa que pode depender de algumas hipóteses iniciais e. Para simplificar. se <" . se QÐ8  "Ñ é verdadeira sempre que QÐ5Ñ é verdadeira para todo 5 Ÿ 8. <# . j ( •  ) . 252) que aqui reformulamos para a condição em 8. então <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } 9. e que 9 é inserida na linha 8  ". quando 9 é a última fórmula de uma dedução. e (ii) para cada 8   ". Caso ( •  ). 2. então <" • <# • ÞÞÞ • <7 p 9 é válida (ou. Diz o referido princípio de indução completa que se (i) QÐ"Ñ é verdadeira. <7 . Caso Hip. O enunciado (MV) acima está obviamente contemplado como caso particular. <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } 9). neste caso. Esquematicamente. Considera-se incluído o caso em que 7 œ !.. e é óbvio que. ) dependem estão entre <" ß <# ß ÞÞÞß <7 . que exprime que se 9 é a fórmula número 8 (   ") numa dedução e 9 depende exactamente das hipóteses <" . estamos na situação seguinte:  ã i ã j ã n+1 ã < ã ) ã <•) ›<" ß <# ß ÞÞÞß <7 i. equivalentemente.ª forma (ver Cap. 9 é da forma < • ) e é inferida de <. o tipo de indução mais apropriado é o de indução completa. . 9 é uma hipótese inicial ou auxiliar..5 Metateorema Para cada fórmula 9 de uma dedução com hipóteses em DN. ou melhor. que só depende de si mesma. ) em linhas precedentes por ( • ). pág.

É. e diz-se inconsistente ou contraditório no caso contrário. isto é. Quer dizer.. Para responder cabalmente a esta questão temos o resultado seguinte. Caso (p ).62 Um conjunto > de fórmulas de _! diz-se consistente ou não contraditório sse não existe nenhuma fórmula < tal que > ¯ < • c<. que é a propriedade recíproca da propriedade de validade. Esquematicamente estamos na situação seguinte: ã i ã j ã n+1 ã < ã ) ã <p) ›<" ß <# ß ÞÞÞß <7 H i-j (p ) (ver Nota 61) e Por hipótese de indução. se existir. ou ainda que é um teorema de >. não é). não tem de ser necessariamente membro de > (e. A propósito da última parte desta definição observe-se que uma fórmula < tal que > ¯ < • c<.. então é certamente consequência delas todas. <" ß <# ß ÞÞÞß <7 ß < } < <" ß <# ß ÞÞÞß <7 ß < } ) . 98 em > tais que 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ 9. Deixamos os outros casos como exercícios para o leitor.6 Definição Para qualquer conjunto (finito ou infinito) > de fórmulas de _! e qualquer fórmula 9 . donde <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } < p ) . diz-se que 9 é dedutível (ou derivável) de >. 61 ..II. o resultado mais importante da metateoria do cálculo Por maioria de razão: se < (ou ) ) depende de algumas das <6 e é consequência delas. existem 8   0 e 9" .è 11. sse existe. bem mais difícil de demonstrar. porém. A consistência do sistema DN definida no enunciado do corolário acima não é mais do que a consistência do conjunto vazio > œ g. em que < é uma hipótese auxiliar (diferente das <6 . pelo menos. e escreve-se > ¯ 9. sse existe uma dedução de 9 com hipóteses em >. CÁLCULO PROPOSICIONAL 75 Por hipótese de indução. 9 é da forma < p ) . uma fórmula < tal que > ¯ < • c<. em geral. por hipótese de indução. .61 donde se conclui facilmente que <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } < • ) . mas ) depende de < e de algumas das <6 . A propriedade de validade responde somente de modo parcial à questão (Q" ) acima. todas as leis lógicas são automaticamente teoremas de >. " Ÿ 6 Ÿ 7) de que 9 não depende. 62 O caso 8 œ ! é para contemplar a possibilidade de 9 ser uma lei lógica. talvez. isto é. <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } < e <" ß <# ß ÞÞÞß <7 } ) .

64 Historicamente. o artigo de E.. V. Post para um sistema dedutivo diferente. a saber. como é óbvio. Há diversas demonstrações desta propriedade.63 algumas das quais fornecem mesmo um método para construir uma derivação de < com hipóteses 9" . o que será feito nos exercícios: 11. 163-185.. toda a fórmula válida é derivável: se } <. Uma terceira via seria recorrer ao teorema 63 .. possivelmente com repetições. o próprio :! ). Math.7 Propriedade da completude semântica (MCS) Para quaisquer fórmulas 9" .76 II. < de _! . então > é compatível. CÁLCULO PROPOSICIONAL proposicional. enumerar todas as fórmulas de comprimento Ÿ # onde só podem ocorrer :! ou :" . e outras há baseadas noutros sistemas dedutivos (ver secções finais deste capítulo). 9" . então ¯ <. 98 .. para o sistema dedutivo dos Principia Mathematica de RUSSELL & WHITEHEAD. Todavia. embora equivalente ao nosso.. reproduzido em HEIJENOORT. 9# . Em várias etapas. Uma enumeração mais comedida pode-se obter codificando os símbolos do alfabeto e as fórmulas por números naturais. 98 ß ÞÞÞ Existem várias maneiras de obter uma tal enumeração. Denotamos as versões generalizadas de uma e outra por (MVG ) e (MCSG ). respectivamente. e deste simples facto podemos obter uma enumeração de todas as fórmulas de _! . 64 Esta enumeração peca por excesso de repetições. Estamos supondo T œ Ö:! ß :" ß ÞÞÞ×. de seguida. Journ. digamos (1) 9! .. POST “Introduction to a general theory of elementary propositions”. IV.. . 9n .8 Completude semântica generalizada (2. 43 (1921). Uma delas será: enumerar todas as fórmulas de comprimento 1 onde só ocorre :! (há só uma.ª versão) (MCSwG ) Para todo o conjunto > de fórmulas de _! . todas as fórmulas de comprimento Ÿ $ onde só podem ocorrer letras proposicionais de entre :! . *Dem. não são estas mas sim outras versões das propriedades generalizadas que demonstramos. se 9" ß ÞÞÞß 98 } <. se > é consistente. . e assim sucessivamente. Em particular. Alguns passos serão deixados para os exercícios. Refira-se ainda que quer uma quer outra das propriedades acima (validade e completude semântica) se pode generalizar a um conjunto arbitrário > de hipóteses. 11. conhecida uma tabela de verdade que estabeleça que < é consequência daquelas hipóteses. :" e :# . de seguida. pois é a prova de que o sistema dedutivo DN realiza completamente o objectivo que se propunha de «captar» dedutivamente a noção semântica de consequência.. Amer. ficando por estabelecer a equivalência entre as duas versões de uma e de outra. por um processo explicado no Cap. a primeira foi obtida por E. então 9" ß ÞÞÞß 98 ¯ <.. .

>8 é consistente. <5 estão todos em >8 . >8  Öc98 × é consistente [ver exercício 2. Se 9  >_ . resultará > compatível..12 (b)].. um ou outro dos conjuntos >8  Ö98 ×. definimos se este conjunto é consistente no caso contrário. como >_  Ö9× ª >8  Ö9×. Ora. porque neste caso teriámos 9 − >8" œ >8  Ö98 × œ >8  Ö9× © >_ .. (3) >_ é consistente maximal. A demonstração do metateorema estende-se a conjuntos T arbitrários (não numeráveis) mas. >  Ö98 × >8" œ œ 8 >8  Öc98 × Finalmente. como o axioma da escolha ou o equivalente princípio da boa ordenação. >_ œ . para cada 8   !. cada <3 está em algum >83 e. <" . tendo em conta que. portanto. e (ii) para qualquer 9 . observe-se que se >_ fosse contraditório.. (2) para todo 8.. Das propriedades anteriores outras resultam.II. se 9  >_ . existe 98 tal que 9 œ 98 . isto é. Quanto a (i). . 3. . (i) >_ é consistente. para cada 8. Definimos indutivamente uma sucessão crescente de conjuntos de fórmulas >! © >" © ># © â © >8 © >8" © â pondo >! œ > e. logo >8 ¯ < • c<. _ É claro que > © >_ . >_  Ö9× também não é consistente. então existiriam <" . então >_  Ö9× é contraditório. neste caso. Quanto a (ii). como >_ é a união dos conjuntos >8 (8   !) e estes formam uma sucessão crescente. há que recorrer a instrumentos mais poderosos da teoria dos conjuntos. etc. contra o estabelecido em (2). CÁLCULO PROPOSICIONAL 77 Seja então > um conjunto consistente qualquer. a saber: da teoria dos conjuntos que diz que a união numerável de conjuntos numeráveis é numerável. não pode ser >8  Ö9× œ >8  Ö98 × consistente. para obter uma enumeração das fórmulas.. Se provarmos que >_ é compatível. 2. para 8 suficientemente grande. atendendo a que (1) é uma enumeração de todas as fórmulas. <5 em >_ e < tais que <" ß ÞÞÞß <5 ¯ < • c<.8œ! >8 . . Vejamos primeiramente algumas propriedades dos conjuntos >8 e da sua união >_ . Isto prova-se facilmente por indução matemática. observando que o conjunto das fórmulas é a união dos conjuntos de fórmulas de comprimentos 1. dada 9 ao arbítrio.

as propriedades seguintes.. Tendo em conta. Por indução na complexidade das fórmulas prova-se facilmente que. >_  Ö9× seria contraditório. Tiramos partido desta analogia definindo uma valoração @ pondo @Ð:3 Ñ œ " sse :3 − >_ . a utilizar no último passo da demonstração: (7) Para quaisquer fórmulas 9 e <. >_ ¯ 9 ou >_ ¯ c9. principalmente.17(c)]. por conter um dos conjuntos Ö9 • <ß c9×. (i) 9 • < − >_ sse 9 − >_ e < − >_ . 9 − >_ ou c9 − >_ . (ii) 9 ” < − >_ sse 9 − >_ ou < − >_ . (iii) 9 p < − >_ sse 9  >_ ou < − >_ . se 9 fosse dedutível de >_ mas não pertencesse a >_ . para qualquer 9 . Portanto. seria c9 − >_ ou c< − >_ . > é compatível. ambos contraditórios.. as propriedades (6) e (7). em qualquer dos casos. então. portanto. @Ð9Ñ œ " sse 9 − >_ . com vista a provar que 9 − >_ e < − >_ . >_ é compatível e. Isto significa que @ é modelo de >_ . Estamos próximos da conclusão da demonstração.78 II. por (3ii). isto é. Se fosse 9  >_ ou <  >_ . então. isto é. contra o estabelecido em (3i). CÁLCULO PROPOSICIONAL (4) >_ é dedutivamente fechado. para qualquer 9. também. >_ ¯ 9. ou «se. donde >_ ¯ 9 • c9 [utilizando a regra ( • )]. no sentido ( Ê )65: suponhamos que 9 • < − >_ . (5) >_ é completo. y Se tivermos >_ ¯ c9. Exemplifiquemos com a demonstração de (i). De (4) e (5) resulta imediatamente (6) Para qualquer 9 . mais exactamente. é aparente uma analogia formal entre as condições «9 − >_ » e «9 é verdadeira». então >_  Ö9× é consistente [exercício 2. >_ seria contraditório. por maioria de razão. por (6). então 9 − >_ . já se adivinha que o conjunto >_ tem algumas parecenças formais com as valorações booleanas.então» (exactamente as mesmas que motivaram o ‘ p ’ de _! ).è Utilizamos aqui o símbolo ‘ Ê ’ como abreviatura da expressão metalinguística «implica». logo 9 − >_ por (3ii) e. se >_ ¯ 9. 65 . Ö9 • <ß c<×. O conjunto >_ tem. Com efeito. logo Ö9 • <ß c9× © >_ ou Ö9 • <ß c<× © >_ e. para toda a fórmula 9. logo >_ ¯ c9 (exercício).

. validade. sempre relativas ao sistema DN): para qualquer conjunto D de fórmulas e qualquer fórmula 9 tem-se D ¯ 9 sse D } 9.12 Decidibilidade. (4) decidir se uma dada fórmula < é ou não uma lei lógica e. pelo lado da validade (D ¯ 9 Ê D } 9) que o sistema dedutivo DN é correcto ou adequado.. consequência. tabelas de verdade ou valorações. (2) decidir se uma sucessão de fórmulas 9" .. enumerabilidade efectiva. . 98 é ou não uma dedução no sistema DN (ou num outro sistema).. A questão complica-se um pouco no caso de o conjunto de hipóteses ser infinito. atendendo a que a construção de uma tabela de verdade é um procedimento mecânico que termina ao fim de um número finito de passos (isto é.. podemos também concluir que o problema de decisão para a noção de dedutibilidade (de um número finito de hipóteses) tem solução positiva: existe um algoritmo para decidir questões do tipo (Q" ). 98 .. Não é demais sublinhar a importância filosófica deste resultado. A secção seguinte é uma mui breve e informal introdução a questões de decidibilidade na lógica proposicional. pois não permite deduzir de um conjunto D senão consequências semânticas de D e. a par de outras que poderíamos ter formulado e que também podem ser resolvidas algoritmicamente: (1) Decidir se uma dada expressão no alfabeto de _! é ou não uma fórmula de _! . em última análise.. se ela é ou não consequência de certas fórmulas 9" .II. etc. . pelo lado da completude semântica (D } 9 Ê D ¯ 9) que ele é suficiente. Relativamente à lógica proposicional clássica podemos dizer. portanto que foi plenamente atingido o objectivo tradicional dos estudos lógicos.. pela impossibilidade de construção de tabelas de verdade com uma infinidade de entradas (linhas). pode-se concluir a «equivalência» entre as abordagens semântica (valores lógicos.. (3) dedidir se uma dada fórmula < é ou não válida e.) e axiomático-dedutiva (regras de inferência. Por outro lado. deduções formais. Se D é um conjunto infinito de fórmulas e queremos decidir questões da forma «D } 9?» ou da forma «D ¯ 9?» depara-se logo uma dificuldade de ordem prática. Ele significa. do tipo (5) + − \ ? . CÁLCULO PROPOSICIONAL 79 Das propriedades generalizadas da validade e da completude semântica. *II. pois todas as consequências semânticas de D são dedutíveis de D. mais geralmente. conjugadas. 98 no sistema DN (ou num outro sistema — ver adiante). se ela é ou não derivável de certas fórmulas 9" . . etc. complexidade Por mais de uma vez neste capítulo deparámos com certas questões de decisão que podem ser resolvidas algoritmicamente (ver Nota 58). um algoritmo). mais geralmente. Mas todas as questões anteriores são..

É decidível todo o conjunto finito. mas não é de esperar que todo o conjunto infinito seja decidível. os elementos de \ . para cada objecto +. 12. .3 Lema Um conjunto D de expressões é efectivamente enumerável sse existe um algoritmo que. Deste modo. se 66 Se 5  D. \ é o conjunto de todas as deduções no sistema DN. descrito por um número finito de regras ou instruções e completamente determinista) que permite decidir.1 Definição Um conjunto \ diz-se decidível sse existe um algoritmo (procedimento mecânico ou efectivo. como o conjunto das fórmulas válidas de _! (estamos admitindo tacitamente que o alfabeto de _! é decidível). Um conjunto não decidível diz-se indecidível. se realmente + está em \ . CÁLCULO PROPOSICIONAL No caso (1). 5# . no caso (2). Suponhamos D efectivamente enumerável e seja 5 uma expressão qualquer. em geral. . Iniciando o algoritmo T que gera D. mas podemos obter um resultado que está a meio caminho entre a decidibilidade e a indecidibilidade. Se D é um conjunto infinito de fórmulas de _! . o algoritmo que gera os elementos de \ não pára nunca mas. 5" . por exemplo. o conjunto de todas as consequências de D.80 II. \ é o conjunto das expressões sobre o alfabeto. então mais tarde ou mais cedo + será gerado. Mais precisamente. . o conjunto de todos os conjuntos de expressões c ÐI Ñ [de que Form(_! ) e o conjunto das fórmulas válidas são membros] é não numerável. o novo algoritmo dá a resposta SIM. etc. e alguns conjuntos infinitos são também decidíveis. a questão (5) num número finito de passos. Se \ for infinito. o algoritmo poderá produzir a resposta NÃO ou continuar indefinidamente sem produzir resposta alguma. dá a resposta SIM se e só se 5 − D. D‡ œ Ö9 − Form(_! ) À D } 9× œ Ö9 À D ¯ 9× não é. para cada objecto +. decidível. 12. tem-se o seguinte resultado. um a um. Definimos um novo algoritmo U do seguinte modo: se e quando 5 aparecer nesta listagem. ele começa a produzir expressões 5! .2 Definição Dizemos que um conjunto \ é efectivamente enumerável sse existe um algoritmo que permite gerar. que particularizamos a conjuntos de expressões mas se aplica também a situações mais gerais: 12. para cada expressão 5. mas nunca terminará num SIM.. por um simples argumento de cardinalidade: a totalidade dos algoritmos é numerável mas.66 Dem..

suponhamos que existe um algoritmo U que. Se 5 Â D o novo algoritmo continua esperando sem dar resposta nenhumaÞÞÞ Reciprocamente. e aplicamos o algoritmo U a cada uma destas.. «9 − D* ?») é SIM. então o conjunto das consequências de D é efectivamente enumerável. Dem. 9" . para cada expressão 5 . . procedendo do seguinte modo: enumeramos por qualquer processo (ver início da demonstração do metateorema da completude semântica) todas as expressões. Assim.. a resposta à questão «D } 9 ?» (isto é. se D } 9 . 3) testamos «5! − D ?» durante 3 minutos. procedemos assim: 1) testamos «5! − D ?» durante 1 minuto. podemos decidir algoritmicamente cada uma das questões 9! } 9 ?. o novo algoritmo acabará por dar a resposta SIM e termina aí. a qual virá a constituir a enumeração efectiva pretendida. I . 12. então 9! ß 9" ß ÞÞÞß 98 } 9 para algum 8 suficientemente grande. Sempre que obtemos um SIM como resposta colocamos a expressão correspondente numa outra lista. ..5 Teorema da enumerabilidade efectiva Se D é um conjunto decidível ou efectivamente enumerável de fórmulas de _! .è Mesmo que D seja decidível. e assim sucessivamente. Seja 9! .è . podemos realmente produzir uma enumeração efectiva das consequências de D..è Das definições e lema precedentes facilmente de conclui a importante caracterização seguinte. dá a resposta SIM sse 5 − D. Se e quando alguma destas questões tem resposta positiva. em geral. uma enumeração efectiva de D.4 Teorema de Post Um conjunto D é decidível sse D e o seu complementar no conjunto de todas as expressões. CÁLCULO PROPOSICIONAL 81 realmente 5 − D. 5# . 2) testamos «5! − D ?» durante 2 minutos e «5" − D ?» durante mais 2 minutos. 9! ß 9" ß 9# } 9 ?. 5! . cuja demonstração deixamos como exercício: 12. Acontece que. . o conjunto D* das consequências de D não é.II.14 (metateorema da compacidade).. mas. efectivamente enumerável. Dada uma fórmula qualquer 9. em todo o caso. «5" − D ?» durante mais 3 minutos e «5# − D ?» durante 3 minutos.. decidível mas é. sucessivamente. 5" . 9! ß 9" } 9 ?. são ambos efectivamente enumeráveis. Mostramos que existe um algoritmo T que gera todas as expressões de D. para que não se esgote o tempo todo com uma só expressão (o que poderia acontecer se ela não pertencer a D). por um resultado a estabelecer adiante na secção II.

7 Exemplos (1) Um exemplo típico de um algoritmo não determinista para a compatibilidade das fórmulas é o seguinte: T: escolhemos ao arbítrio uma atribuição de valores lógicos às letras proposicionais que ocorrem em 9 (isto é. para cada entrada. Um exemplo típico de um algoritmo ou procedimento efectivo ou determinista é o da construção de tabelas de verdade para decidir se uma fórmula ao arbítrio é ou não válida (compatível. para alguma atribuição @. consequentemente. 80) uma ideia de algoritmo que. Estes conceitos são medidas da eficiência ou complexidade computacional dos algoritmos. útil no reconhecimento e na aplicação de certo tipo de procedimentos. O algoritmo das tabelas de verdade não é eficiente. @9 œ "). escolhemos um de vários caminhos possíveis com vista a deduzir 9 dada. CÁLCULO PROPOSICIONAL 12. mais de um resultado possível. Admitiremos agora uma extensão do conceito de algoritmo — a de algoritmo não determinista: um procedimento descrito por um número finito de regras ou instruções.). . (2) Outros exemplos de algoritmos não deterministas são fornecidos pelas construções de derivações em alguns sistemas dedutivos: a partir de uma dada lista (finita) de premissas. No caso das tabelas de verdade para decidir da validade ou não de uma fórmula dada. o resultado é correcto (isto é. a computação e o resultado («output») são únicos e completamente determinados pela entrada.. que a resposta ou resultado produzido seja correcto. apesar de tudo. e dizemos que corre em tempo exponencial se o referido tempo é minorado por #-8 para alguma constante positiva . 12.8 Definição Dizemos que um algoritmo (melhor: uma qualquer computação do algoritmo) corre em tempo polinomial se o tempo durante o qual ele corre até produzir um resultado é majorado por um polinómio no comprimento 8 da entrada. está de acordo com o conceito informal clássico de algoritmo e é. Estes não são algoritmos não deterministas típicos. Uma característica deste e doutros algoritmos deterministas é que. O algoritmo considera-se correcto sse pelo menos um resultado é correcto. Além disso. como se sabe. mas em que para uma entrada. etc. @9 œ "). possa haver mais de uma computação possível e. É claro que se 9 for compatível. esperamos que o algoritmo seja adequado ou correcto.82 II. para qualquer entrada ou dado («input»). pelo menos.6 Algoritmos não deterministas Demos acima (pág. então 9 é compatível. 12. pois. isto é. Outras respostas (para outras atribuições) podem não dar a resposta correcta (se 9 vier falsa para elas). então. pois alguns deles podem ser montados de maneira a que toda a construção produza uma resposta correcta (se alguma existe). a correcção significa que o resultado do algoritmo é a conclusão de que a fórmula é válida sse a fórmula é realmente válida. uma valoração @). se 9 for verdadeira para essa atribuição (isto é. mas isto não impede que o algoritmo T seja considerado como correcto. contingente. embora não totalmente precisa. todavia.

portanto. O método dos tableaux semânticos (ver adiante. todavia. Trata-se de uma questão. de complexidade exponencial para certos tipos de fórmulas. todo o problema da classe P é de classe NP. Uma das aplicações de maior sucesso desta nova teoria é a criptografia. Uma questão central da teoria da complexidade ainda em aberto é a de saber se a compatibilidade é ou não de classe P (quer dizer. é compreender a razão pela qual alguns problemas são computacionalmente fáceis e outros difíceis de resolver. 1971. conhecida como o problema P œ NP? Este problema foi formulado por S. quer dizer. embora geralmente mais eficiente que o das tabelas de verdade. O objectivo central da teoria da complexidade. que a teoria da computabilidade (noção de algoritmo. que estão na base da descoberta de novas codificações difíceis de decifrar.II. . o que torna P œ PN bastante improvável aos olhos dos especialistas. Deve dizer-se que a maioria dos resultados e indícios aponta no sentido de resposta negativa a esta questão. mas a possibilidade de existir um problema de classe NP que não é de classe P permanece em aberto. todos os outros terão uma tal. quer dizer. pág. 12.9 As classes P e NP O algoritmo T acima para a compatibilidade 12. II. um ramo recente (pouco mais de 40 anos) na fronteira da lógica matemática e das ciências da computação. função computável) subjacente a esta discussão é a clássica. Cook67 em 1971. mas todas as tentativas fracassaram até ao presente para encontrar tal coisa. em Proceedings of the Third Anual ACM Symposium on the Theory of Computing. Ora. 67 Ver o artigo “The complexity of theorem-proving procedures”. Association for Computing Machinery. A. P œ NP. o algoritmo das tabelas de verdade cresce exponencialmente em complexidade. Se algum destes possuir uma solução determinista em tempo polinomial. pp. os especialistas da teoria da complexidade têm fornecido aos criptógrafos elementos sobre problemas computacionalmente difíceis. ainda é. muito díficil de resolver. se este problema for de classe P. há que construir #8 linhas: para fórmulas cujo comprimento é função polinomial do número de átomos. CÁLCULO PROPOSICIONAL 83 para uma fórmula com 8 átomos. solúvel por um algoritmo determinista de complexidade polinomial). precisamente. 151-158. é solúvel por um algoritmo NP (Não determinista em tempo Polinomial). Como é evidente.16. Dizemos por isso que a compatibilidade é um de classe NP. nascida nos anos 30 do séc. são já conhecidas muitas centenas de problemas NP-completos. todavia. Cook demonstrou que o problema da compatibilidade na lógica proposicional é NP-completo.7 (1) é bastante eficiente: é de crescimento polinomial como função do comprimento da fórmula. Ora. aparentemente. em geral. códigos difíceis de decifrar. computação. na qual se procuram. 106 e seguintes). então todo o problema NP é P e. Não devemos perder de vista.

1 Definição Uma função booleana 8-ária (8   !) é uma função ? À Ö!ß "×8 Ä Ö!ß "×. . \ " œ \ . Este problema é aparentemente mais difícil que o da compatibilidade.Ñ œ œ valor lógico de : • . Por exemplo. p <. Como tão-pouco sabemos se existe um algoritmo não determinista de crescimento polinomial para a incompatibilidade.. \ 8 œ \ ‚ â ‚ \ (8 factores) e que. de EPSTEIN & CARNIELLI. ou de BOOLOS.. Por exemplo.. digamos :" . Trata-se de um problema de classe co-NP: classe dos problemas cujo complementar está em NP.− Ö!ß "×. < os valores lógicos +. p < e : p . . por razões expostas acima (é necessário considerar todas as valorações.13 Completude funcional e formas normais Uma fórmula 9 de _! determina uma função ? œ ?9 cujos argumentos e valores são valores lógicos.. Para terminar. CÁLCULO PROPOSICIONAL XX68.p< " " ã ! " ?Ð+ß . 13.69 Se 9 é uma fórmula de _! onde ocorrem exactamente 8 letras proposicionais. duas tais fórmulas são sempre logicamente equivalentes (porquê?). no problema da incompatibilidade ou da validade (porque 9 é incompatível sse c9 é válida). as tabelas dos valores lógicos de 9 e a tabela de ?9 são em tudo idênticas. ! ! ã " " . 69 Recorde-se que para qualquer conjunto \ e qualquer natural 8   !. Por outras palavras. . a função booleana associada a 9 é a 68 As monografias de BRIDGES.. etc.. porém.84 II. Isto mesmo exibimos na tabela seguinte: : ! ! ã " " + . ?Ð+ß . pensemos no problema complementar ao da compatibilidade. ... para quaisquer +..Ñ Note-se.. p < determina a função ternária ? tal que. ?Ð!ß "ß !Ñ œ ". \ ! œ Ög×. respectivamente. . < ! " ã ! " : • .ß . No entanto. quando se atribuem a :. Não é improvável que a discussão adquira outras tonalidades se o conceito de algoritmo (computação. . que fórmulas diferentes podem corresponder à mesma função ?. . por convenção. ?Ð"ß "ß !Ñ œ !. Prova-se que co-NP œ NP sse o problema da incompatibilidade (ou o da validade) está em NP.ß . . a fórmula : • . como é o caso das fórmulas : • . permanece em aberto a questão: co-NP œ NP? II. p <.). :8 .) for alterado (computação quântica?.). BURGESS & JEFFREY constituem excelentes introduções à moderna teoria da computabilidade. isto é.

ver adiante) e ?" . 98 são fórmulas [ou Ð9N <Ñ. também.. • . outros conectivos se podem definir. +7 . mas diferentes fórmulas (logicamente equivalentes) podem ter a mesma função booleana associada. +8 desta: basta que ?w não dependa realmente de +8" ... mais exactamente. por outro lado. . ?! (ou ?¼ . .. definir c9 œ 9 p ¼ . pois @Ð9Ñ só depende dos valores @Ð:3 Ñ para os :3 que ocorrem em 9 (exercício 2. a nível sintáctico. isto é. p podemos ter. .. . é encarado tal como se fosse uma letra proposicional (modificando. podemos supor que no alfabeto de _! está um (ou mais) conectivo 8-ário N .. A partir dos primitivos c. quer dizer. ?" ÐgÑ œ ". Intuitivamente. . Existem. em princípio. ?p respectivamente. a função booleana associada ?9 é única. :" • :# . que para quaisquer +" ... então. conectivos 8-ários para qualquer 8   !. semanticamente. Na realidade. Podemos. que se 9 é uma fórmula onde ocorrem exactamente 8 letras proposicionais. digamos :" . :8 .. ?• . ¼ denota uma falsidade absoluta. incondicional.. 8... :" ” :# . CÁLCULO PROPOSICIONAL função booleana 8-ária ?9 definida por ?9 Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ @Ð9Ñ. V) e mesmo de alguns tratadistas de lógica clássica é o conectivo ¼ (absurdo) que. em conformidade. que se denotam ?c . . Mais geralmente. 85 Note-se que ?9 está bem definida. +7 − Ö!ß "× se tenha ?w Ð+" ß ÞÞÞß +8 ß +8" ß ÞÞÞß +7 Ñ œ ?Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ Mais interessante é a questão seguinte. existe uma fórmula 9 tal que ? é a função booleana associada a 9. então existem funções booleanas 7-árias ?w que tomam exactamente os mesmos valores que ? nos primeiros 8 argumentos +" . para qualquer valoração @ tal que @3 Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ ". Um conectivo !-ário muito do agrado dos lógicos intuicionistas (Cap. como já fizémos com o (ver exercício 2.19).3). de que nos ocuparemos a seguir: (Q# ) Dada uma função booleana ao arbítrio ?. isto é. tal que ? œ ?9 ? Antes de dar a resposta a esta questão vamos reformulá-la em termos de conectivos generalizados.. com 8   " ao arbítrio.. no caso de N ser binário] e estipulando que. é suposto ter o valor lógico @Ð ¼ Ñ œ 0 para qualquer valoração @. definidas por ?! ÐgÑ œ !.II. a cláusula F" na definição de fórmula de _! ) e.. se 9" . ?” . Devemos ainda observar que se ? é uma função booleana 8-ária e 7  8. São particularmente importantes as funções booleanas correspondentes aos conectivos proposicionais. Observe-se.. redifinindo a noção de fórmula de _! para acomodar expressões da forma N9" ÞÞÞ98 como fórmulas. como se viu acima. . duas funções booleanas unárias. :" p :# . respectivamente. ” e p. correspondentes às fórmulas c:" ... quer primitivos quer definidos. ?9 .

• . 2. a tabela de verdade de N é a tabela correspondente a uma função booleana 8-ária dada ? (ou ?N ): 9" â +" â 9# â +# â â â â â 98 â +8 â N9" 9# â98 â ?Ð+" ß +# ß ÞÞÞß +8 Ñ â Dizemos que N é o conectivo generalizado 8-ário associado a (ou determinado por) ? e podemos. 8. p. eles nem são todos necessários (na lógica clássica).2 Metateorema da completude funcional (MCF) Para toda a função booleana 8-ária (8   ") ? existe. <. 5. uma fórmula 9 de _! . também. 9 ! ! ! ! " " " " < ! ! " " ! ! " " ) ! " ! " ! " ! " #9<) ! ! ! " ! " " " A questão anterior. • . Dem. ” . 4. 6.86 II. querendo. pode ser agora reformulada como a questão de saber se todo o conectivo generalizado pode ser definido a partir dos primitivos c. Por exemplo. o conectivo ternário de maioria é o conectivo # com a tabela da seguinte. Observe-se que #9<) tem o valor " quando e só quando a maioria das componentes 9. A resposta é afirmativa. que do ponto de vista expressivo da lógica proposicional clássica nada se ganha de essencial em possuír mais conectivos primitivos do que aqueles. ” . contendo apenas os conectivos c. Na realidade. 1. o que nos diz. designá-lo por N? . Seja ? uma função booleana 8-ária (8   ") qualquer. 13. pelo menos. 7. tal que ? œ ?9 . 3. de saber se toda a função booleana ? é a função booleana associada a alguma fórmula (da linguagem _! primitiva). CÁLCULO PROPOSICIONAL semanticamente. ) tem o valor ". Há dois casos a considerar. .

?Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ !. Neste caso toma-se para 9 a fórmula contraditória Ð:" • c:" Ñ ” Ð:# • c:# Ñ ” ÞÞÞ ” Ð:8 • c:8 Ñ.. . Caso 2. 5 e todo 3 œ ". que toma o valor " nas linhas 4. 9% œ :" • :# • :$ . . 70 Letras proposicionais ou suas negações são chamadas literais. Existe. 5 . o que deixamos como exercício.. formamos as fórmulas 9" œ c:" • :# • :$ . isto é. se +4 œ ! 3 e. e. finalmente. T34 De seguida definamos 4 4 93 œ T" • ÞÞÞ • T8 para 4 œ ". no sentido seguinte: 9# œ :" • c:# • :$ . ?9 œ ?. Para quaisquer valores lógicos +3 (" Ÿ 3 Ÿ 8). que ?9 œ ?. 9$ œ :" • :# • c:$ . 6. .. • .. Tem-se. 9 œ 9" ” 9# ” 9$ ” 9% .3 Exemplo Particularizando à função booleana ? asociada ao conectivo ternário # acima considerado. :# . já que têm sempre os mesmos valores lógicos para as mesmas atribuições de valores lógicos às letras proposicionais :" .è Mais geralmente. que a função booleana dada ? é a função booleana associada à fórmula 9 construída na demonstraçãoÞè 13. : œ 3 c:3 se +4 œ " 70 3 . Ð+# ß ÞÞÞß +8 Ñ... Resta verificar.II.. CÁLCULO PROPOSICIONAL 87 Caso 1. " # Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ. ponhamos 9 œ 9" ” 9# ” ÞÞÞ ” 95 . :$ ... .. ponhamos. ” . Ð+5 ß ÞÞÞß +5 Ñ " " " 8 (onde " Ÿ 5 Ÿ #8 para certo 5).. finalmente. . Numerando estes 8-uplos onde ? toma o valor ". e podemos afirmar que 9 e #:" :# :$ são logicamente equivalentes. 7 e 8. para todo 4 œ ". se N é um conectivo generalizado determinado por uma função booleana ?. pelo menos. um 8-uplo de valores lógicos Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ onde ? toma o valor ". N pode ser definido a partir dos conectivos c. então.. 8.

.20 estuda-se a possibilidade de economizar ainda mais. . a forma normal conjuntiva é a conjunção das disjunções :3 ” c:3 para 3 œ ".4 Corolário Para todo o conectivo generalizado 8-ário (8   ") N . No exercício 2. onde cada T34 é uma literal :3 ou c:3 . ” tal que 9 e < são logicamente equivalentes. A fórmula 9 construída na demonstração do (MCF) é uma disjunção de conjunções de literais (ver Nota 70). Analogamente para as disjunções. 48). Observe-se. Uma consequência adicional importante da demonstração do metateorema da completude funcional é o facto de ela fornecer formas normais para as fórmulas de _! . • . obtemos 9 com as mesmas letras proposicionais que < tal que ?9 œ ?< .5 Corolário Para toda a fórmula < de _! existe. 72 No caso de a função booleana u ter sempre o valor "... por outro lado. mas trabalhando com as linhas onde a função booleana dada ? toma os valores ! permitiria construir 9w na chamada forma normal conjuntiva: (FNC) 4 5 4œ" 2 8 3œ" T34 . uma fórmula 9 com as mesmas letras proposicionais que < e somente os conectivos c.è Por virtude do metateorema de completude funcional (ou qualquer um dos corolários anteriores) dizemos que o conjunto Öcß • ß ” × é funcionalmente completo (para a lógica proposicional clássica71).72 Temos. CÁLCULO PROPOSICIONAL 13. Dem. • . que se diz estar na forma normal disjuntiva: (FND) 2 5 4œ" 4 8 3œ" T34 . pelo menos. Pelo metateorema de completude funcional. existe. uma fórmula 9 de _! com 8 letras proposicionais e os conectivos c. assim.88 II. o referido conjunto não é funcionalmente completo. ” tal que ?9 œ ? N .. Uma demonstração (como exercício) análoga à que foi feita. ou seja. para a lógica proposicional intuicionista. que estamos pondo em prática a convenção de escrita de associação da direita para a esquerda (pág. justificação suficiente para concluir o 71 A qualificação é necessária pois.è 13. 8. < tem uma função booleana associada ?< cuja aridade é o número de letras proposicionais que ocorrem em <. pelo menos. tal que < e 9 têm os mesmos valores lógicos para as mesmas atribuições. segundo a qual 38 93 œ 9" • 9# • … • 98 é uma abreviatura de 9" • 3œ" Ð9# • …Ð98" • 98 Ñ…Ñ.

CÁLCULO PROPOSICIONAL 89 13. se necessário. c< • c). subfórmulas da forma < o ) por Ð< p )Ñ • Ð) p <Ñ. Dizemos de uma literal que é positiva ou negativa conforme é uma letra proposicional ou uma negação de letra proposicional. muitas vezes é mais prático utilizar equivalências lógicas conhecidas para obter formas normais para uma dada fórmula 9 do que recorrer à demonstração do metateorema da completude funcional. quer dizer.è Regressando ao exemplo do conectivo ternário # acima (valor ! nas linhas 1. 2. cÐ< ” )Ñ por <. conforme pretendido. Todavia. Ñ ” c< µ c: ” c. . 3 e 5). ” se apliquem somente a letras proposicionais. p ñ substituir. 9 µ < sse } 9 o < p Observe-se (exercício) que µ é uma relação de equivalência no conjunto das fórmulas (e não um conectivo). chamadas fórmulas de Horn (em homenagem ao lógico americano Alfred Horn que primeiro as identificou e estudou).6 Corolário (Formas normais) Toda a fórmula de _! é logicamente equivalente a uma fórmula na forma normal disjuntiva e a uma fórmula na forma normal conjuntiva. cÐ< • )Ñ. • . p c< µ cÐ: • . 9. e repetir a operação até obter uma equivalente 9ww em que c. dada uma fórmula qualquer. p. se necessário. eliminando das disjunções componentes da forma : • c: e eliminando das conjunções componentes da forma : ” c:. 13. para obter uma equivalente numa forma normal pode-se proceder sistematicamente do seguinte modo: ñ substituir. Uma fórmula de Horn é então uma fórmula na FNC tal que cada disjunção contém. respectivamente. quando muito. p e < p ) por c< ” ). 5 œ "). : • . ñ utilizar as leis associativas e distributivas para obter equivalentes na FND ou FNC. por exemplo. e simplificar o resultado. Escrevamos 9µ< para significar que 9 e < são logicamente equivalentes. obtemos a fórmula equivalente na FNC seguinte: Ð:" ” :# ” :$ Ñ • Ð:" ” :# ” c:$ Ñ • Ð:" ” c:# ” :$ Ñ • Ðc:" ” :# ” :$Ñ. uma literal positiva. respectivamente — isto produz uma equivalente 9w sem ocorrências de o .II.7 Fórmulas de Horn São muito importantes nas ciências da computação as fórmulas na FNC de um tipo particular. c< ” c). ” c< e esta última já está na forma normal conjuntiva (uma só componente conjuntiva. Tem-se. subfórmulas da forma cc<. Em geral.

ao invés. Mostramos a seguir que a pesquisa da compatibilidade de fórmulas de Horn é extraordinariamente eficiente em comparação com a construção de tabelas de verdade. Em seguida. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " ! " . atribuindo "’s ou !’s. tivéssemos atribuído o valor ! a <. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " ! . nos casos afirmativos. mas : • Ðc. " < : • Ð.90 II. O algoritmo termina quando não for possível continuar este procedimento. Por exemplo. basta fazer a pesquisa numa única linha! Este método é conhecido por algoritmo da compatibilidade das fórmulas de Horn. se 9 œ : • Ð. conforme o caso. : • Ðc. respectivamente. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ. também colocamos "’s ou !’s debaixo das posições onde se encontre :4 ou c:4 . A primeira coisa a fazer é verificar se alguma (algumas) :4 é uma componente disjuntiva da conjunção. de modo a obter o valor " para a segunda componente (. Se. CÁLCULO PROPOSICIONAL Por exemplo. por baixo de 9. o resultado após esta primeira etapa do algoritmo é: : " . ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " ! . . Começamos por dispor estas letras e 9 como no cabeçário de uma tabela de verdade para 9. Na realidade. No exemplo dado. e consiste basicamente no seguinte: Seja 9 œ 9Ð:" ß ÞÞÞß :8 Ñ œ 35œ" <4 œ 35œ" 18 T34 uma fórmula de Horn 4 4 3œ" contendo apenas as letras proposicionais :" . com vista a tornar verdadeira a segunda e a terceira disjunção. :8 . a componente disjuntiva <4 œ 18 T34 reduz-se a :4 ). colocamos “"” na 3œ" coluna 4 respectiva e. I Etapa. ” c<Ñ • c: não é. não perdendo de vista que estamos tentando obter uma valoração que satisfaça a fórmula de Horn dada.. II Etapa. . ” c<). obteríamos (2) : " . por si mesma (isto é. a todas as outras letras nas diferentes componentes disjuntivas (ocorrências positivas) que permitam atribuir o valor " a essas componentes. ” <Ñ • c: é uma fórmula de Horn. tentamos completar o máximo possível a tabela. tendo atribuído o valor " a . < ! : • Ð. mas deixando espaço para uma única linha: :" :# ÞÞÞ ÞÞÞ :8 9 . obtemos: (1) : " ... . < : • Ð. Cada <4 œ 18 T34 (" Ÿ 4 3œ" Ÿ 5) é uma disjunção de literais e é chamada uma componente disjuntiva de 9.

testar e classificar correctamente. para fixar ideias. . com a certeza de que a fórmula dada é compatível. isto. neste caso a fórmula dada é compatível. quando já não é possível prosseguir na execução da etapa II. portanto. mas o que interessa é saber como o algoritmo de comporta relativamente a 9 . e podemos completar a atribuição de valores lógicos às letras proposicionais que ainda não receberam nenhum valor (se algumas houver) de maneira arbitrária — por exemplo. e agora sim. produz sempre e exactamente o resultado que é suposto produzir. ). para qualquer fórmula de Horn dada. ” c:Ñ • . O leitor pode nesta altura resolver alguns exercícios [2. CÁLCULO PROPOSICIONAL 91 No caso (1) ainda podemos prosseguir e atribuir a < o valor !.8 Correcção do algoritmo (compatibilidade das fórmulas de Horn) Seja dada ao arbítrio uma fórmula de Horn. (b) alguma atribuição de valores lógicas a algumas ou a todas as letras proposicionais que ocorrem na fórmula faz com que todas as componentes disjuntivas sejam verdadeiras. Damos de seguida uma ideia dademonstração. Em geral. já terminou a pesquisa. ” c:Ñ • . Atribuindo a . de modo a tornar verdadeira a última disjunção. atribuindo valores às letras proposicionais de modo a tornar verdadeiras certas componentes disjuntivas (o algoritmo terminou) uma de duas coisas tem de acontecer: (a) tendo em conta todos os valores possíveis atribuídos às letras proposicionais em jogo. que não é necessário continuar. Já se vê. 9 . . pois as três componentes disjuntivas são verdadeiras (qualquer que seja o valor a atribuir a . Vejamos outro exemplo. se ela é ou não compatível. " < ! : • Ð. 13. nomeadamente.25(c)] e ficar intuitivamente convencido que o algoritmo é correcto. isto é. Mas ainda não se vê isso em (1). pois a segunda disjunção é forçosamente falsa. em (2). ficando (2w ) : " . conforme os requisitos das duas etapas. a fórmula dada é incompatível. com 9 œ : • Ðc. " : • Ðc. ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " " ! " . nenhuma valoração satisfaz a fórmula. " ! ! ". ” c<Ñ • Ðc: ” c<Ñ " " " ! ". Ou 9 é compatível ou não é. e já não há nenhuma solução possível. resulta forçosamente o valor ! para alguma componente disjuntiva: — neste caso. só com !’s. incompatível. obtemos (1w ) : " . o valor ".II. Isto pode e deve ser demonstrado. A fórmula dada é. " < ! : • Ð. Após a primeira etapa do algoritmo obtemos : " .

9 ser incompatível) é sermos «forçados» a isso quando nenhuma atribuição às letras proposicionais que ocorrem em 9 satisfaz esta fórmula (o que é impossível. pois a letra que lhe deu origem recebeu o valor !: ÞÞÞ ÞÞÞ . pois 9 é compatível. pois a única maneira de resultar para 9 o valor ! (e. para 3œ" 4 4 isto acontecer. reciprocamente. então. o algoritmo classifica 9 como tal. e...92 II. das literais T" . o algoritmo atribuiu ! a uma letra proposicional cuja negação é uma literal que ocorre em <4 . e tal que } 9 p ) e } ) p <. então (i) 9 é uma contradição. se o algoritmo classifica 9 como compatível. . para esta demonstração. uma fórmula ) cujas letras proposicionais ocorrem em 9 e em <. se não somos «forçados» a dar a 9 o valor ! (pelo facto de alguma componente disjuntiva ter de ser falsa).. Dadas 9 e <. ou (i) cada uma das literais negativas acabou por receber o valor ! e. para cada índice 4. Dem. as notações seguintes: :" . CÁLCULO PROPOSICIONAL Se 9 é realmente compatível. a única literal positiva tem de ter o valor " (conforme execução da etapa II). como suposemos que 9 não foi classificada como falsa. neste caso estamos na presença de uma disjunção de literais negativas. portanto. e pôde finalmente receber o valor ". para cada 4. adoptemos... T# . ou (ii) < é válida. :8 são as letras proposicionais que ocorrem simultaneamente em 9 e em <. isto é.è " Terminamos esta secção com uma outra consequência do (MCF). Se a componente <4 se reduz a uma letra proposicional.. 13. uma destas literais negativas nunca recebeu o valor ! durante a execução do algoritmo. ! ÞÞÞ ÞÞÞ <4 œ â ” c. que vem confirmar que. portanto. Falta mostrar que. Para 9 ser satisfeita por certa valoração @ basta. Ora 9 é da 5 forma 9 œ 34œ" <4 œ 35œ" 18 T34 onde. T8 seja satisfeita por v. neste caso. foi-lhe atribuído o valor " na primeira etapa do algoritmo. excepto em casos especiais. T# . ou (ii) durante a execução. se a componente tem uma literal positiva e também algumas literais negativas. isto é.. mas. . numa tautologia da forma 9 p <. então 9 é realmente compatível. ” â . . . que cada componente <4 œ 18 T34 seja satisfeita por v. ou (iii) existe uma interpoladora entre 9 e < ..9 Lema de interpolação (LI) Se } 9 p <. T8 é positiva. basta que uma. quando muito uma 4 3œ" 4 4 4 das literais T" . por hipótese). há sempre algo comum a 9 e < que faz a «ponte» de uma a outra.. pelo menos.

. 5 possam ser nulos. Mas 9 p < é válida. . Pondo +3 œ @Ð:3 Ñ para 3 œ ".. se fosse 8 œ !. de leitura opcional. com vista a mostrar que @Ð<Ñ œ ". ... Vejamos que também } ) p <.. a ligação do referido metateorema com a topologia. . o que significa que não há que considerar as letras proposicionais respectivas.. então @ww Ð9Ñ œ @w Ð9Ñ œ " e @ww Ð<Ñ œ @Ð<Ñ. Definamos uma função booleana 8-ária ? pondo ?Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ œ " ! se existe @ tal que @Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !." . portanto. 8. de diferentes maneiras. o nosso artigo “Sobre os conceitos de verdade em matemática”. ... E se @ww coincide com @w nos :3 e nos ..73 que se pode demonstrar directamente. Pelo (MCF) existe ) nas letras proposicionais :" . ou como corolário da segunda versão da propriedade de completude semântica generalizada (ver exercício 2. :8 tal que ? œ ?) e. e <" . Portanto. CÁLCULO PROPOSICIONAL 93 . quer dizer... vem ?) Ð+" ß ÞÞÞß +8 Ñ œ ". 8. .. se nem (i) nem (ii).4 e com @ nos <6 .14 Compacidade proposicional e aplicações Mencionemos um outro resultado. 8 e @Ð9Ñ œ " no caso contrário. As duas aplicações que dele fazemos requerem do leitor um pouco mais de sofisticação matemática do que tem sido o mote neste livro e são.. por hipótese.. Mostramos que. Admitimos que alguns dos inteiros 7.è Observe-se que a demonstração anterior é construtiva: conhecendo apenas a tabela de verdade de 9 e as letras proposicionais comuns a 9 e <.7 são as letras proposicionais em 9 mas não em <. Aí se mostra. Pois seja @ ao arbítrio tal que @Ð)Ñ œ "." . com aplicações não triviais em matemática. também. .. De facto. há uma letra proposicional. embora este facto em nada influa na obtenção do metateorema de compacidade ou das suas aplicações. Falta encontrar uma interpoladora.7 e com @# em <" . contra a hipótese de 9 p < ser válida.. pelo menos. então existe um modelo @" de 9 (pois 9 é compatível) e existe uma valoração @# tal que @# Ð<Ñ œ ! (pois < é inválida). } 9 p ). <5 são as exclusivas de <.. <5 .II. . então 8   " e tem-se (iii).. então @Ð9Ñ œ @" Ð9Ñ œ " e @Ð<Ñ œ @" Ð<Ñ œ !. Se @ coincide com @" em . 3-4 (1980). N. 8   ". comum a 9 e <.. *II.. logo @Ð9 p <Ñ œ !... Neste artigo refere-se um sistema dedutivo diferente de DN. logo @ww Ð<Ñ œ @Ð<Ñ œ ". uma interpoladora ) [no caso (iii)]. que explica a razão de designação «compacidade».. . de Mat. Port. por construção. podemos construir ? e. logo existe @w tal que @w coincide com @ nos :3 e @Ð9Ñ œ ".17). . in Boletim da Soc. 73 V. por isso.

por hipótese. e mostremos que a sequência Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß +8" Ù œ Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß "Ù é prestável. a sequência Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù é prestável. . reciprocamente. a demonstração do metateorema de completude semântica generalizado (p... logo @ Ð9 Ñ œ " . . se @Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. finita ou infinita. que Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß "Ù é prestável. então também é compatível qualquer parte de D. Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù.. . Ponhamos. diz-se prestável sse para toda a parte finita Dw de D existe um modelo @ de Dw tal que @Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. .. :8 . portanto. p. que toda a parte finita de D é compatível (mas.. +8" œ ". e então nada mais há a fazer.. ou Ø+! ß +" ß ÞÞÞ ß +8 ß !Ù é prestável..1 Metateorema da compacidade (MCw ) Um conjunto D de fórmulas de _! é compatível sse todo o subconjunto finito de D é compatível. Seja Dw uma parte finita qualquer de D. 8. que as letras proposicionais estão enumeradas: T œ Ö:! ß :" ß ÞÞÞ× (ver Nota 40. é claro. coincidem em 9 . para todo o modelo @ de D! . Definindo @ por @Ð:3 Ñ œ +3 . Seja Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù uma sequência prestável ao arbítrio. . …. 8  " e. +8 . como @w é modelo de D! . è O processo de definição de Ø+! ß +" ß …ß +8 ß +8" ß …Ù é um exemplo de definição por recorrência. Suporemos. 8. atendendo à hipótese sobre D. 8. neste caso. +" . Como a sequência Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù é prestável. CÁLCULO PROPOSICIONAL 14.. o que significa que existe uma parte finita D! de D tal que. Mostramos que toda a sequência prestável Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 Ù pode estender-se a uma sequência prestável Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß +8" Ù. Ora. 76) pode ser adaptada para se obter outra demonstração do (MC): substituir «consistente» por «finitamente compatível» (significando que toda a parte finita é compatível).. para 3 œ !.74 tal que.. Uma sequência finita de !’s e "’s. "... É claro que se D é compatível.. portanto. 74 . no qual cada novo valor +8" depende de todos os valores anteriormente obtidos +! . para todo 8. é fácil verificar que @ é modelo de D: se 9 − D. . Por outro lado. Ø+! ß +" ß ÞÞÞß +8 ß +8" ß ÞÞÞÙ.. 8. então @Ð:3" Ñ œ ". mas. Suponhamos. o que mostre que Dw possui um modelo @w tal que @w Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. para esta demonstração. e o argumento anterior adapta-se trivialmente para mostrar que existe +! tal que Ø+! Ù. ou não é.. . existe um modelo @w de D!  Dw tal que @w Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !. Note que a sequência vazia é prestável.. e existe um modelo @w de 9 tal que @w Ð:3 Ñ œ +3 para 3 œ !.94 II. para 8 suficientemente grande. todas as letras proposicionais que ocorrem em 9 estão entre :! .. *Dem. de modo que D!  Dw (com D! como no parágrafo anterior) ainda é uma parte finita de D.. 48). Resulta do que precede que existe uma sequência infinita de !’s e "’s. então é @w Ð:8" Ñ œ ". 8.. diferentes partes finitas podem ter modelos diferentes). então @ e @w coincidem nas letras proposicionais que ocorrem em 9 e...

24Ñ. cada rapaz tem um número finito de namoradas e.3 Lema do casamento Se Q é um conjunto finito de 7   " rapazes tal que. 4 Á 5×. As fórmulas de ># e >$ exprimem que não há bigamia. O significado intuitivo das fórmulas que compõem estes conjuntos é claro.2 O problema do casamento Seja dado um conjunto Q de rapazes e um conjunto R de raparigas suas namoradas. Seja Q œ Ö<! ß <" ß ÞÞÞ× o conjunto dos rapazes. 72 (1950). Por exemplo.. quaisquer 5 rapazes dispõem de.. O caso finito é contemplado no seguinte resultado Ðexercício 2. =38 são as namoradas de <3 ×. 4   !. Amer. do caso em que o conjunto dos rapazes e o conjunto das raparigas são infinitos. se encararmos :34 como verdadeira sse o rapaz <3 casa com a rapariga =4 . 3 Á 4×. ponhamos :34 œ Ð<3 ß =4 Ñ para 3   !. para cada inteiro positivo 5 . Consideremos os :34 como letras proposicionais da linguagem proposicional sobre T e. . os conjuntos de fórmulas >" œ Ö:33" ” ÞÞÞ ” :338 À 3   ! e =3" . para cada 5 Ÿ 7. sem que seja cometida bigamia. 5   !. então o problema do casamento tem solução. VAUGHAN. R œ Ö=! ß =" ß ÞÞÞ× o conjunto das raparigas. 14. o problema é solúvel. Dem. Trataremos agora do caso infinito... J. 5 namoradas. 5   !.75 Sob certas condições. . quaisquer 5 rapazes dispõem de. 14. 4.. HALMOS & H.4 Teorema do casamento Se Q é um conjunto infinito (numerável) de rapazes. e ponhamos T œ Q ‚ R œ ÖÐ<3 ß =4 Ñ À 3   !ß 4   !×. ># œ ÖcÐ:34 • c:35 Ñ À 3. isto é. 214-215.II. 4. pelo menos. O problema do casamento é o problema de casar cada rapaz com uma das suas namoradas. Math. . >$ œ ÖcÐ:35 • :45 Ñ À 3. a fórmula :##" ” ÞÞÞ ” :##8 exprime que o rapaz <# casa com uma das suas namoradas =#" . pelo menos. =#8 . então o problema do casamento tem solução. “The marriage problem”. 5 namoradas. CÁLCULO PROPOSICIONAL 95 14.. Para facilitar a notação. nesta linguagem. 75 Para a história deste problema ver P.

é a conjectura de que todo o mapa finito admite uma coloração própria. pois. É o que mostramos de seguida. duas a duas disjuntas ou adjacentes mas. > é compatível. neste último caso. De Morgan. Seja >! uma parte finita qualquer de >. ou conjectura das quatro cores.. excepto no que respeita ao número de rapazes).. Seja @ um modelo de >. Falta agora a grande núpcia final. sem bigamia. muitos matemáticos investiram na tentativa de . as quais dizem respeito a um número finito de rapazes. Definimos o casamento da totalidade dos rapazes do seguinte modo: casamos <3 com =4 sse @Ð:3 4 Ñ œ ". e @! Ð:34 Ñ œ ! (este valor é. que a passou a seu irmão Frederick. . >! é compatível. vê-se que o problema do casamento tem solução e o teorema está demonstrado. Portanto. e atendendo ao que as fórmulas de > exprimem. que o conjunto > œ >"  >#  >$ seja compatível e. <37 Pelo Lema do Casamento (cujas hipóteses são as mesmas que as do teorema. A Conjectura de Guthrie.. a parte comum das fronteiras não se reduzindo a pontos isolados. 47 . Foi formulada por um jovem licenciado da Universidade de Londres em 1852. Digamos de uma tal coloração que é própria. para isto acontecer. irrelevante) para os :34 que não ocorrem em fórmulas de >! .96 II. isto é.. o problema do casamento tem solução para estes rapazes. Como acima se disse. Por @ ser modelo de >. por compacidade. que por sua vez a passou ao seu mestre A. mas quanto à conjecturaÞÞÞ passou-a aos seus discípulos e colegas. Arthur Cayley fez publicar a conjectura nos Proceedings da Sociedade Matemática de Londres em 1878 e. por (MCw ).. . pois. que toda a parte finita de > seja compatível. definimos a valoração @! pondo @! Ð:34 Ñ œ " sse o rapaz <3 casou com a rapariga =4 . estudante de Física. Em >! há somente um número finito de fórmulas de >. O problema das quatro cores é um problema clássico de coloração de mapas: colorir as regiões do mapa utilizando somente 4 cores. desde então. basta. . que @! é modelo de >! . e também mostrou (mais difícil) que não é possível 5 regiões de um mapa estarem numa posição tal que cada uma delas seja adjacente às outras quatro. Assim dito e feito. Francis Guthrie. 4 œ 4" .. mas de tal modo que duas regiões adjacentes recebam cores diferentes.. De Morgan mostrou facilmente que 3 cores não são suficientes. digamos <3" .è 14. Feito o casamento destes 7 rapazes com 7 raparigas... porém. para 3 œ 3" . facilmente verificamos que todas as fórmulas de >! são satisfeitas por @! . nas quais ocorrem ao todo. CÁLCULO PROPOSICIONAL Para que o problema do casamento tenha solução basta. 37 . também um número finito de letras :34 .5 O problema das quatro cores Chamemos mapa a um conjunto Q de regiões fechadas (com interior não vazio) do plano euclidiano.

82 (1976). vol. provaremos a versão infinita do mesmo: 14. ># œ Ö:34 p c:35 À 3   !. . Multicolor Problems. Soc. HAKEN. já que repousava ou parecia repousar na crença de que o programa utilizado fazia exactamente o que os seus autores haviam projectado. USPENSKI. 1963 e o Cap. Bull. pois.A. " Ÿ 4 Ÿ %. 1977. anunciaram76 ter demonstrado o 14. 7 de K. CÁLCULO PROPOSICIONAL 97 resolver a conjectura. que o conjunto > é compatível e definir a coloração a partir de um modelo @ de > do 76 K. Math. >$ œ Ö:35 p c:45 À 3. B. SAATY & P. #. e dando o teorema das quatro cores como provado. Scientific American. partes substanciais e cruciais de uma demonstração (?) foram realizadas por um computador. no caso finito. Finalmente. Pela primeira vez na história da matemática.6 Teorema das quatro cores (caso finito) Todo o mapa planar finito admite uma coloração própria. Dem. 237 (1977). Penguin Books. Para um tratamento matemático mais detalhado ver T. L. V3 e V4 são adjacentes×. $ e % e consideremos a linguagem proposicional cujas letras proposicionais são :34 . as formulas do conjunto > œ >"  >#  >$ exprimem que o mapa Q admite uma coloração própria. C.. após quatro anos de labor intenso e mais de 1200 horas de cálculo num super-computador. Heath & Co. 1988.U.A. “The solution of the four-color-map problem”. utilizando ideias formuladas durante e como consequência do próprio decurso da computação. 711-712. para todo 3   !. Assim. um novo tipo de argumentação matemática parece ter nascido: a análise da correcção de um programa computacional. A validade e legitimidade da demonstração foram questionadas por alguns críticos. 4   !. APPEL & W. Para demonstrar o teorema basta mostrar. Se interpretarmos intuitivamente :34 como verdadeira sse a região V3 recebe a cor ´ 4.II. Amer. Sobre o assunto ver também o livrinho de E. 4 Á 5×. em 1976. DYNKIN & V. McGrawHill. KAINEN.. DEVLIN. “Every planar map is four colorable”. " Ÿ 5 Ÿ %.7 Teorema das quatro cores (caso infinito) Todo o mapa infinito (numerável) Q œ ÖV! ß V" ß ÞÞÞ× admite uma coloração própria. The Four Colour Problem. 108-121. Pensemos nos conjuntos de fórmulas >" œ Ö:3" ” :3# ” :3$ ” :3% À 3   !×. nos E. Mathematics: The New Golden Age. Em todo o caso. Designemos as quatro cores por ". dois jovens matemáticos da Universidade de Ilinnois. " Ÿ 5 Ÿ %. " Ÿ 4 Ÿ %.

Nesta secção fazemos uma breve introdução a algumas questões pertinentes neste tipo de abordagem da lógica. D. Seja >! uma parte finita qualquer de >.15 Introdução às Álgebras de Boole A utilização de leis lógicas ou tautologias notáveis (como as leis distributivas. então 9 µ ) . Já vimos um exemplo de tal manipulação na pág. se esta região recebeu a cor 4. Nas fórmulas de >! há não mais do que um número finito de letras :34 . De Morgan (1806-1871). S. etc. utilizando a transitividade da relação de equivalência lógica: se 9 µ < e < µ ) . Para mostrar que > é compatível basta mostrar que toda a parte finita de > é compatível e aplicar o metateorema da compacidade. as leis de De Morgan. as quais dizem respeito a um número finito de regiões e formam. e foi iniciada em meados do século passado por G.. que trata do estudo da lógica do ponto de vista algébrico. um mapa finito. Quer dizer. donde s! Ð:34 p c:35 Ñ œ ". p :Ñ µ c: ” Ðc. estes outros valores de @! são irrelevantes). É o que fazemos de seguida. A sistematização e desenvolvimento deste procedimento é um dos aspectos característicos da chamada «lógica algébrica». 1 Ÿ 4 Ÿ %. Por exemplo. Ñ ” < µ cÐ: • . Facilmente se pode concluir que @! (ou melhor. . Ñ ” < µ Ð: • . ” <Ñ Ðc: ” c. e @! Ð:34 Ñ œ ! nos outros casos (na ralidade. Definimos a valoração @! pondo @! Ð:34 Ñ œ " sse V3 recebeu a cor 4. logo @! Ð:34 Ñ œ " e @! Ð:35 Ñ œ ! para todo 5 Á 4. Monk e também o nosso António Aniceto Monteiro. se a fórmula :34 p c:35 está em >! . este mapa admite uma coloração própria. Já nos nossos dias o assunto foi retomado com grande fôlego por A. Halmos. a valoração booleana correspondente s! ) satisfaz todas as fórmulas de >! . A primeira coisa a fazer é considerar os conectivos (ou conectivas) proposicionais como operações algébricas no conjunto J œ Form(_0 ). logo este conjunto é @ compatível. durante o cerco de Varsóvia). CÁLCULO PROPOSICIONAL V3 recebe a cor 4 sse @Ð:34 Ñ œ ". então não recebeu nenhuma outra cor. Pelo teorema das quatro cores no caso finito. . C.. para 3 œ 3" . p <Ñ µ µ c: ” Ð. Outro exemplo: : p Ð. portanto. Lindenbaum (jovem matemático polaco falecido em 1941.) permite manipular «algebricamente» as fórmulas para obter fórmulas logicamente equivalentes. 89. 37 . Tarski. digamos Q! œ ÖV3" ß ÞÞÞß V37 ×.98 seguinte modo: II. Ñ p <. então a região V3 está em Q! .è @ *II. Boole (1815-1864) e continuada por A.. A. Pierce (1839-1914) e outros. no que respeita à lógica proposicional clássica. P.

determinadas pelas @ valorações @ À T Ä F! . sÐ T Ñ œ ". Note-se que alguns autores preferem as notações «+ ” . podemos dizer. conjunção ( • ). s Ð ¼ Ñ œ !. " † " œ ". " œ !. Outra estrutura do mesmo tipo que ¹ é a álgebra dos valores lógicos µ! œ ÐF! ß  ß † ß  ß !ß "Ñ. As valorações booleanas s À J Ä F! são. † . e neste caso µ! œ ÐF! ß ” ß • ß ß !ß "Ñ. O conjunto quociente J ε é o conjunto das classes de equivalência modulo µ . que resulta de J «identificando» fórmulas . CÁLCULO PROPOSICIONAL 99 vamos encarar J como uma «álgebra». ¼ e T (secção II. !  " œ "  ! œ "  " œ " .  são as operações usuais sobre valores lógicos correspondentes às tabelas de ” . utilizando a terminologia algébrica usual. chamamos álgebra das fórmulas de _! . enquanto ÒTÓ é o conjunto das fórmulas válidas ou tautologias de _! . Como. @ A relação µ em J é uma relação de equivalência. ! † ! œ ! † " œ " † ! œ !. Ò ¼ Ó é o conjunto das contradições. • e c . T representa uma fórmula válida (sempre verdadeira) e ¼ uma contradição (sempre falsa).» e «+ † . sÐ9 • <Ñ œ sÐ9Ñ † sÐ<Ñ. como sempre.12).» e «+ • .» a «+  . As classes de equivalência modulo µ são os conjuntos de fórmulas da forma Ò9 Ó œ Ö < − J À < µ 9 × Em particular. < se tem @ @ @ @ @ @ sÐ9 ” <Ñ œ sÐ9Ñ  sÐ<Ñ. e + é o complemento de +. Por outro lado. respectivamente: !  ! œ !. na qual distinguimos as seguintes operações: as operações binárias usuais de disjunção ( ” ). que uma valoração booleana é um homomorfismo sobrejectivo (ou epimorfismo) s À ¹ Ä µ! . À estrutura ¹ œ ÐJ ß ” ß • ß cß ¼ ß TÑ. uma operação unária de negação (c). para quaisquer fórmulas 9. @ @ @ @ sÐc9Ñ œ "  sÐ9Ñ. mas como agora se consideram os símbolos ¼ e T como elementos de T estipulamos @Ð ¼ Ñ œ ! e @Ð T Ñ œ ". Intencionalmente.II. respectivamente. ! œ ". a operação unária  À F! Ä F! é usualmente chamada complementação. e duas constantes ou operações 0-árias menos familiares.». onde F! œ Ö!ß "× é o conjunto dos valores lógicos e  .

o conjunto quociente J ε é o conjunto das proposições. ~ ~ ~ ~ ~ ¿ œ ÐJ Î ß ” .Ñ. Deixamos a verificação destes factos como outros tantos exercícios. Examinemos as propriedades algébricas desta estrutura. pois. ) e . Frege. ¼ œ Ò ¼ Ó. esperando que o leitor saiba interpretar bem o contexto. por exemplo. então 9 ” < µ < ” . ! µ Por abuso. Ò 9 Ó • Ò < Ó œ Ò 9 • < Ó . ¼ . + ” Ð. 1956. CÁLCULO PROPOSICIONAL Em homenagem a G. + • + œ +. Com estas definições obtém-se a álgebra das proposições ou álgebra de Lindenbaum de _! . 77 Estamos simplificando muito o que é. podemos proceder do seguinte modo: supondo + œ Ò9Ó. ¼ . Assim.Ñ œ Ð+ ” . se 9 µ ) e < µ . ~ ~ ~ c Ò9Ó œ Òc9Ó. • . dando assim origem a uma só proposição — a classe de equivalência de 9 modulo µ 77. • . neste caso. CHURCH. c9 µ c) .. • . a quem se devem várias distinções pertinentes na teoria das linguagens formais. e muitas outras vêm imediatamente à ideia. a passagem ao quociente das operações ” . <. atendendo a que a relação µ é uma congruência com respeito àquelas operações: para quaisquer fórmulas 9. Press.) . (O volume II desta obra nunca chegou a ser publicado. ficam bem definidas as operações em J ε seguintes: ~ ~ Ò9 Ó ” Ò < Ó œ Ò 9 ” < Ó . T em vez de ” . ” +. c. Para verificar qualquer delas.100 logicamente equivalentes: Ò9Ó œ Ò<Ó sse 9 µ <. ~ ~ ~ c. Princeton Univ. na realidade. possuindo todas elas. 9 • < µ < • . c. por um processo familiar aos algebristas. • . Tal é possível. é costume chamar proposições às classes de equivalência modulo µ . • e c . T . Introduction to Mathematical Logic I. Põe-se naturalmente a questão de «algebrizar» o conjunto das proposições de modo a obter uma «álgebra de proposições» do mesmo tipo que ¹ e µ! . T œ ÒT Ó. Para melhor esclarecimento ver a Introdução (68 páginas!) da monografia de A. o mesmo significado. ~ ~ continuaremos a utilizar os símbolos habituais ” . a primeira.. Ñ • Ð+ ” . II.T Ñ. A distinção fregeana. Deste modo... é entre o objecto sintáctico que é a fórmula 9 e a proposição ou significado da fórmula. Diferentes fórmulas podem ser logicamente equivalentes. como + ” . Os elementos de ¿! satisfazem certas identidades. œ . ¼ . uma teoria bastante elaborada.

.ÑÑÑ é uma identidade. œ Ò<Ó. pertencem à chamada lógica equacional. ou em qualquer outra estrutura do mesmo tipo. precisando os conceitos de «identidade» e de «identidade válida em ¿! » (ou em µ! . pois existem infinitas tais identidades! Mas talvez seja possível caracterizá-las de alguma maneira «finitária»ÞÞÞ A resolução deste problema pode ser feita de diferentes maneiras.Ñ ” Ð. que se abrevia Ð+ ” . se não houver possibilidade de confusão na leitura dos termos. onde = e > são expressões designatórias ou termos construídos de acordo com as regras seguintes: (i) as variáveis +. Chamemos identidade a toda a igualdade da forma = œ >. isto é.1 Metateorema As identidades válidas em ¿! são exactamente as mesmas que as válidas em µ! . e o resultado em questão. Começamos por mostrar que este problema é equivalente a um problema do mesmo género relativo à álgebra dos valores lógicos.Ñ œ ÐÐ+ • . Todavia. utilizando os símbolos operatórios “ ” ”. ” + .Ñ • . Estes conceitos. como é óbvio. uma unária e dois elementos fixos). III.œ Ð+ • . . Trata-se. com duas operações binárias. 15. (ii) se = e > são termos. de uma definição indutiva de termo. a estudar no Cap. respectivamente. Ð= • >Ñ e Ð=Ñ são termos. ÐÐ+ ” . (possivelmente com índices) e as constantes ¼ e T são termos. Antes de tentar demonstrar este resultado devemos tornar preciso o seu enunciado. Por exemplo. um ramo particularmente simples da lógica de primeira ordem com igualdade.. .Ñ ” Ð. “ • ” preferivelmente a “  ” e “ † ”. .Ñ. µ! ... Tarefa impossível. tem-se + ” . as ideias básicas são suficientemente simples e naturais para anteciparmos (informalmente) alguns aspectos. Os parênteses podem ser omitidos. CÁLCULO PROPOSICIONAL . . nomeadamente. œ Ò9 Ó ” Ò < Ó œ Ò 9 ” < Ó œ Ò < ” 9 Ó œ Ò < Ó ” Ò 9 Ó œ . então Ð= ” >Ñ. 101 Seria interessante poder conhecer ¿! através da especificação de todas as identidades válidas entre os seus elementos. os suficientes para se entender o enunciado e a sua demonstração.II. • .Ñ • . • Ð. (iii) nada mais é termo.

. para simplificar a notação. por indução na complexidade dos termos. .ß ÞÞÞÑ construídos. obtém-se uma igualdade verdadeira. CÁLCULO PROPOSICIONAL para representar uma identidade entre os termos =Ð+ß . que acima se mostrou ser válida em ¿! . @ Dem. .78 Dem.2 Lema Se 2 é um homomorfismo de ¿! em µ! e >Ð+ß .. Ao invés. forem dados valores no domínio ou suporte F de µ e os símbolos operatórios que ocorrem em =Ð+ß . Muito simples: dada s.. .ß ÞÞÞÑ e >Ð+ß .. de acordo com a definição.102 Será muito conveniente a notação (*) =Ð+ß . Exercício. para quaisquer fórmulas 9.. ” +. 15. como se pode verificar exaustivamente: !  ! œ !  !.ß ÞÞÞÑ II. .Ñ • .ß ÞÞÞÑ œ >Ð+ß .. 2>ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ >Ð2Ò9Óß 2Ò<Óß ÞÞÞÑ. . Dizemos que uma identidade (*) é válida em ¿! sse resultar de (*) uma igualdade verdadeira sempre que às variáveis +. • .. a identidade + ” . sÐ9Ñ œ 2Ò9Ó. utilizando as variáveis +. .è 15.Ñ ” Ð. Seja µ œ ÐF ß ” ß • ß  ß ¼ ß T Ñ uma estrutura do mesmo tipo que ¿! .ß ÞÞÞÑ forem interpretados da maneira natural.Ñ do exemplo de construção não é válida em µ! : tem-se o contra-exemplo Ð!  "Ñ † " Á Ð! † "Ñ  Ð" † "Ñ Para a demonstração do metateorema necessitamos de alguns resultados preliminares.œ Ð+ • . para toda a fórmula 9. <. Por exemplo. "  " œ "  ".ß ÞÞÞÑ é um termo.3 Lema Para toda a valoração booleana s À ¹ Ä µ! existe um único epimorfismo @ 2 À ¿! Ä µ! tal que. œ . !  " œ "  !... quer dizer. 2Ò9Ó só depende de Ò9Ó e não do 78 Escrevemos 2> em vez de 2Ð>Ñ. então. é também válida em µ! œ ÐF! ß  ß † ß  ß !ß "Ñ: quaisquer que sejam os valores em F! atribuídos a + e . .ß ÞÞÞÑ ou em >Ð+ß . 2 está bem definido. defina-se 2 pondo 2Ò9Ó œ sÐ9Ñ (ver diagrama @ @ seguinte). a identidade Ð+ ” . por vezes. "  ! œ !  ".

tanto =ÐÒ9Ó. que )" µ )# .ÞÞÞÑ como >ÐÒ9Ó. Ò)# Ó œ >ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ.Ò<Ó. ou seja. e é claramente um epimorfismo. A unicidade é também óbvia. digamos Ò)" Ó œ =ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ. )# . pode-se tomar para )" a fórmula =Ð9ß <ß á Ñ. com vista a provar que a igualdade =ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ >ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ é verdadeira em ¿! . @Ð)" Ñ œ 2Ò)" Ó œ 2=ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ =Ð2Ò9Óß 2Ò<Óß ÞÞÞÑ œ =Ð@Ð9Ñß @Ð<Ñß ÞÞÞÑ œ >Ð@Ð9Ñß @Ð<Ñß ÞÞÞÑ œ >Ð2Ò9Óß 2Ò<Óß ÞÞÞÑ œ 2>ÐÒ9Óß Ò<Óß ÞÞÞÑ œ 2Ò)# Ó œ @Ð)# Ñ..ß ÞÞÞÑ œ >Ð+ß . pelo lema 2 pelo lema 3 pois = œ > em µ! o que demonstra uma parte do metateorema. CÁLCULO PROPOSICIONAL 103 representante 9. tomando 2 como no lema 15.II. e analogamente para )# .Ò<Ó.ß ÞÞÞÑ válida em µ! . são classes de equivalência. Pois suponhamos a identidade =Ð+ß .1: as identidades válidas µ! são válidas em ¿! .è @ Este lema já permite demonstrar uma parte do metateorema 15. <. @Ð)" Ñ œ @Ð)# Ñ. 79 De facto. para qualquer valoração booleana @. para certas fórmulas )" . que para toda a valoração booleana @. Tem-se.79 Queremos mostrar que Ò)" Ó œ Ò)# Ó.ÞÞÞÑ são elementos de J ε . Para demonstrar a outra parte utilizase o resultado seguinte. isto é. já que 2 é determinado por s. Ora.3. .. com efeito. . isto é. e sejam 9 . fórmulas quaisquer.

µ œ ÐF ß  ß  ß  ß gß MÑ. etc.104 II. como objectos distintos de F .5 Teorema Toda a álgebra de conjuntos é uma álgebra de Boole. que toda a identidade válida em µ! é válida em ÃM . Seja M um conjunto não vazio. 23 À c ÐMÑ Ä F! por 23 Ð\Ñ œ " sse 3 − \ .4 Lema Para todo o epimorfismo 2 À ¿! Ä µ! . considerando ainda os conjuntos g e M .è Uma álgebra µ œ ÐF ß ” ß • ß  ß ¼ . ÃM œ Ðc ÐMÑß  ß  ß  ß gß MÑ. tal que g − F e M − F . para toda a fórmula 9. Mostramos. Dem. @ @ Dem.  e complementação relativa. CÁLCULO PROPOSICIONAL 15. intersecção  e complementação com respeito a M .] que valida exactamente as mesmas identidades que ¿! (ou µ! . se @ À T Ä F! é definida por @Ð:3 Ñ œ 2Ò:3 Ó. Veremos de seguida uma outra maneira de obter álgebras de Boole. desde que subentendido que F é um conjunto com. obtemos a álgebra dos subconjuntos (ou das partes) de M . µ! é a álgebra de Boole dita matriz ou minimal. apenas. para cada 3 − M .è Outro exercício finaliza a demonstração do metateorema 1. dois elementos ! e ". Uma estrutura assim definida. Em particular. cÐMÑ o conjunto das partes ou subconjuntos de M . T Ñ [ou µ œ ÐF ß ” ß • ß  ß !ß "Ñ. diz-se uma álgebra de conjuntos (sobre M ). Mais geralmente. pelo menos. @Ð ¼ Ñ œ ! e @Ð T Ñ œ ". em vez de c ÐMÑ podemos considerar uma parte F © c ÐMÑ fechada para  . . Definamos. ou ainda µ œ ÐF ß  ß † ß  ß !ß "Ñ — para cada gosto a sua notação. e consideremos em cÐMÑ as operações de união  . que denotamos simplesmente  . como vimos) diz-se uma álgebra de Boole. 15. então @ estende-se a uma valoração booleana s tal que sÐ9Ñ œ 2Ò9Ó. por indução na complexidade das fórmulas. Exercício.

por 23 ser homomorfismo. 23 Ð\Ñ œ 23 Ð] Ñ. Não demonstramos o teorema de representação de Stone mas demonstramos o seguinte. ] − c ÐMÑ. Pode-se demonstrar (mas a demonstração sai fora do âmbito deste curso) o seguinte *15. œ >Ð23 Ð\Ñß 23 Ð] Ñß ÞÞÞÑ. Isto quer dizer. CÁLCULO PROPOSICIONAL 105 Cada 23 é um homomorfismo de ÃM em µ! (exercício) e. como Euclides tentou fazer com a geometria há dois mil e trezentos anos atrás. ] − c ÐMÑ. s Dem. 23 =Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ œ 23 >Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ. Seja Z o conjunto de todas as valorações booleanas s À J Ä F! . Fica como exercício mostrar que a função @ s s 2 À J ε Ä c ÐZ Ñ assim definida é o isomorfismo procurado.è A definição de álgebra de Boole que foi dada é de pouca utilidade ou conveniência prática (embora importante do ponto de vista da motivação histórica). @ Façamos corresponder a cada classe Ò9Ó − J ε o conjunto 9 œ 2Ò9Ó das valorações s − Z que satisfazem 9. que é isomorfa a µ! . por = œ > ser válida em µ! . A álgebra de conjuntos minimal sobre um conjunto não vazio M é a álgebra de Boole Ã! œ ÐÖgß M ×ß  ß  ß  ß gß MÑ. bastará ver que. Tem-se.ß ÞÞÞÑ válida em µ! . œ 23 >Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ. para cada 3 − M . que as álgebras de conjuntos são as álgebras de Boole típicas. de Boole) maximal sobre M . o de tentar axioma- . para quaisquer \ . para quaisquer \ . visto que a quantidade e variedade de identidades válidas em µ! é infinita! O procedimento típico de um matemático numa situação como esta é.7 Teorema A álgebra de Lindenbaum ¿! é isomorfa a uma álgebra de conjuntos. por 23 ser homomorfismo. por outro lado. a álgebra de conjuntos (portanto. ÃM é. de facto. para todo 3 − M .6 Teorema de representação de Stone Toda a álgebra de Boole é isomorfa a uma álgebra de conjuntos. tem-se \ œ ] sse para todo 3 − M . 23 =Ð\ ß ] ß ÞÞÞÑ œ =Ð23 Ð\Ñß 23 Ð] Ñß ÞÞÞÑ.è Um homomorfismo bijectivo 2 À µ" Ä µ# entre duas álgebras do mesmo tipo diz-se um isomorfismo. como melhor aproximação: 15.ß ÞÞÞÑ œ >Ð+ß . Supondo =Ð+ß .II. por outras palavras.

† .Ñ œ Ð+  . Quanto às regras do cálculo dedutivo.Ñ † Ð+  . (ii) uma álgebra µ não qual são válidas as 11 identidades acima. elas são simplesmente as propriedades e regras lógicas da igualdade (reflexividade. III. + † .Ñ. do metateorema de completude semântica para o sistema DN.18). naturalmente. Ñ † . +  Ð+Ñ œ ". 47) que iríamos apresentar outros sistemas dedutivos. ! Á ". ou o livrinho de P. podemos montar um sistema que vai permitir gerá-las uma a uma. † +. Deste modo. é mais conveniente uma outra axiomatização da lógica proposicional (ver II.  +. HALMOS. isto é. + † Ð. que constitui um método para examinar sistematicamente as possibilidades 80 Pode-se consultar uma tal prova nos capítulos iniciais de BELL & SLOMSON.  . se o sistema estiver bem montado e tivermos escolhido bem os axiomas.Ñ. os axiomas das álgebras de Boole. Utilizando a álgebra de Lindenbaum ¿! e o teorema de representação de Stone é possível dar uma outra demonstração. a estudar mais em pormenor no Cap. œ . CÁLCULO PROPOSICIONAL tizar as identidades válidas em µ! .  . + † Ð. procurar de entre elas um pequeno número (os axiomas ou postulados). " — é simples rotina transcrever para outra notação) são suficientes para o fim em vista. embora não possamos enumerar todas as identidades válidas de uma vez só. +  ! œ +. Springer-Verlag. O resultado das pesquisas que foram feitas no sentido indicado permitiu concluir que as identidades seguintes (na notação  .. porém.Ñ œ Ð+ † .Ñ œ Ð+  . !. e montar um cálculo dedutivo. 1977. . O primeiro a ser aqui apresentado é o sistema BP.80 Para tal.. +  Ð. simetria. + † " œ +.  . ou simplesmente B. *II.16 Outros sistemas dedutivos (I): tableaux semânticos Dissemos acima (pág.Ñ œ Ð+ † . + † Ð+Ñ œ !. Sobre álgebras de Boole veja-se também o Cap. transitividade e substituibilidade de iguais por iguais em termos). de tal modo que todas as outras se possam deduzir logicamente a partir daquelas primeiras. AXIOMAS DAS ÁLGEBRAS DE BOOLE +  Ð. œ . +  . † . alternativos ao sistema de dedução natural para _! . Elas são chamadas.106 II.Ñ  . dos tableaux semânticos de Beth (1955). Lectures on Boolean Algebras. inteiramente algébrica. todas elas e só elas serão mais cedo ou mais tarde geradas pelo sistema. † . O leitor pode ensaiar (mas não é imediato!) uma demonstração da equivalência entre as duas definições propostas de álgebra de Boole: (i) uma álgebra µ que valida exactamente as mesmas identidades que µ! . Ñ  Ð+ † . 5 de STOLL.

p Z Ð9 o <Ñ ÎÏ Z 9 J9 l l Z < J< 6b. Cada tableau é uma árvore binária (ver secção I. respectivamente. e um tanto mais eficiente que este. J: J c9 l Z9 J Ð9 • < Ñ ÎÏ J9 J< 3a.12). Z: Z c9 l J9 Z Ð9 • < Ñ l Z9 l Z< Z Ð9 ” < Ñ ÎÏ Z9 Z< 1b. expressões de uma das formas Z 9 . 4a. A construção de um tableau para uma fórmula proposicional composta 9 é feita indutivamente. 2b. J 9 . dois para letras proposicionais ou átomos e dois para cada conectivo principal (incluindo o ). cujos nós ou entradas são fórmulas valoradas. isto é. 4b. Z Ð9 p <Ñ ÎÏ J9 Z < 5b. como tal. J Ð9 ” < Ñ ¸ J9 l J< J Ð9 p < Ñ l Z9 l J< p J Ð9 o < Ñ ÎÏ Z 9 J9 l l J< Z < 5a. Os tableaux atómicos são os tableaux seguintes.II. . «9 é falsa». também pode ser considerado um método alternativo ao das tabelas de verdade. . à custa de tableaux para as componentes de 9. p TABLEAUX ATÓMICOS 1a. que exprimem intuitivamente «9 é verdadeira». 2a. 6a. 3b. CÁLCULO PROPOSICIONAL 107 de uma fórmula dada tomar os valores lógicos ! ou " e.

em 5b. ela é válida. Os outros dois ramos não são contraditórios. Que conclusão podemos tirar do tableau acima? Podemos concluir que a fórmula Ð: • c:Ñ ” Ð. e no caso da raiz J 9." ) Neste exemplo há 3 ramos (. em 4a. portanto. É essencialmente por esta última razão que o método dos tableaux semânticos de Beth constitui um sistema dedutivo equivalente ao sistema de dedução natural — tal como este. desdobrando-se de cima para baixo de acordo com os tableaux atómicos. no final." . é contraditório. significa que é impossível falsificar a fórmula dada e. ou quando < e = são ambas verdadeiras (ramo . Podemos ainda encarar a construção do tableau como uma tentativa sistemática para satisfazer a fórmula dada. ela é incompatível. um tableau com raiz J 9 pode-se encarar como uma tentativa para falsificar a fórmula 9. finalmente. o método de Beth permite derivar todas as fórmulas válidas. Antes de dar a definição geral de tableau semântico para uma fórmula valorada arbitrária damos um exemplo. por isso. a fórmula valorada Z Ð9 ” <Ñ ramifica-se nas valoradas Z 9 e Z < — a ramificação significa «ou». Uma e outra destas tentativas consideram-se falhadas se. CÁLCULO PROPOSICIONAL Por exemplo. e. ” Ð< • =ÑÑ l ÎÏ Z: Z . e somente fórmulas válidas. a qual. além .$ ). ” Ð< • =ÑÑÑ. isto significa que é impossível satisfazer a fórmula e.$ ) (. Esta fórmula valorada será colocada no topo ou raiz." . 16. até que cada ramo termine com uma fórmula atómica valorada. Z : e J :). quando . o que significa que tem duas entradas que se contradizem (no caso. nomeadamente. teve sucesso. Analogamente. Z Ð< • =Ñ l (.# ) l Z c: Z< l l J: Z= Œ (. O ramo mais à esquerda.108 II. Nestes e nos outros casos observa-se uma conformidade com o significado intuitivo dos conectivos e respectivas tabelas de verdade. ” Ð< • =ÑÑÑ ÎÏ Z Ð: • c:Ñ Z Ð. e por isso foi também assinalado com Œ .# ). ” Ð< • =ÑÑ é verdadeira sob certas condições. . todos os ramos forem contraditórios. para a fórmula valorada Z ÐÐ: • c:Ñ ” Ð. no caso da raiz Z 9.1 Exemplo Z ÐÐ: • c:Ñ ” Ð.# e . a fórmula valorada J Ð9 p <Ñ dá origem à sequência Z 9 e J < — sequência significa «e».$ ). é verdadeira (ramo . como veremos —. .

a entrada \ ser reinserida por baixo do nó terminal de .. em princípio. CÁLCULO PROPOSICIONAL 109 disso. no caso contrário. e no caso contrário diz-se não contraditório. caso contrário diz-se não terminado. escolhe-se o que estiver mais próximo da raiz de X8 e. III.. do seguinte modo: Etapa inicial (ou etapa 0): coloca-se uma fórmula valorada. para certa fórmula 9 .81 (iii) Se X! .2 Definição (1) Um tableau semântico é uma árvore binária de fórmulas valoradas. É altura de dar algumas definições rigorosas. mas não será assim na secção 12 do Cap.. também chamadas as entradas do tableau. (3) um ramo de um tableau diz-se contraditório sse contiver as entradas Z 9 e J 9. como raiz. . (2) uma entrada \ diz-se reduzida (usada ou marcada) num dado ramo . e diz-se não contraditório.. 81 . então X œ -8 ! X8 é um tableau. (4) um tableau diz-se terminado (ou completo82) sse nenhum dos seus ramos não contraditórios tiver nós não usados. então X w é um tableau finito. escolhe-se a entrada não reduzida mais à esquerda. neste nível. . 82 Nesta secção tomamos «terminado» e «completo» como sinónimos. e diz-se não reduzida no caso contrário.3 Algoritmo de construção indutiva dos tableaux completos Constrói-se um tableau semântico para uma fórmula 9 procedendo por etapas. mas no sistema de tableaux para o cálculo de predicados ela é mesmo indispensável.. fornece um método de decisão alternativo e mais eficiente do que o método das tabelas de verdade. Z 9 ou J 9. reduzindo certas entradas de X8 (que não voltarão a ser reduzidas): Etapa 8  ": de entre todos os níveis de X8 contendo entradas não reduzidas. 16.. cada ramo não contraditório Chama-se a atenção para o facto de. satisfazendo as seguintes regras indutivas: (i) os tableaux atómicos são tableaux finitos. X" . digamos \ . X8 . (5) um tableau diz-se contraditório sse todos os seus ramos forem contraditórios. 16. um ramo de X e \ uma entrada em ..II. Acontece que no cálculo proposicional esta reinserção pode ser dispensada na prática. para cada 8   !. e X w resulta de X apensando o único tableau atómico com raiz \ no nó terminal de .. de um tableau sse \ for a raiz de um tableau atómico de tal modo que todas as entradas num ramo através daquele tableau atómico ocorrem em . estende-se X8 a um tableaux X8" na etapa seguinte. (ii) se X é um tableau finito. é uma sucessão finita ou infinita de tableaux tal que. . . Supondo construído um tableau X8 na etapa 8. X8" é construído a partir de X8 por aplicação de (ii).

resultando sempre em fórmulas valoradas de menor complexidade lógica (menos conectivos). Uma refutação à Beth de 9 é um tableau completo e contraditório com raiz Z 9. Este facto é intuitivamente plausível. 0 1 2 3 4 5 J ÐÐ: p . para certo 7 suficientemente grande. ou derivável-B sse existir uma derivação à Beth de 9.5 Exemplos Aplicamos o algoritmo acima na construção de dois tableaux para a chamada lei de Peirce ÐÐ: p . onde X8 é o tableau construído na etapa 8. Observe-se que todo o X8 é finito.Ñ p :Ñ p : l Z Ð: p . Voltaremos a esta questão a seguir à definição seguinte e alguns exemplos. Œ Este tableau é contraditório. acontece que no caso da lógica proposicional todos os tableaux assim construídos são finitos — o algoritmo acima termina sempre com a produção de um tableau completo e finito 7 X œ -8 ! X8 œ -8œ! X8 . Embora a definição acima contemple tableaux infinitos.4 Definição Uma derivação à Beth de uma fórmula 9 é um tableau completo e contraditório com raiz J 9 . uma vez que cada nível tem um número finito de entradas e cada entrada é reduzida mais tarde ou mais cedo.8 ! X8 .Ñ p : l J: ÎÏ J:p. o que quer dizer que a tentativa de falsificar a lei de Peirce falhou — ela é derivável à Beth (e válida. CÁLCULO PROPOSICIONAL que passa por \ estende-se acrescentando à entrada terminal do ramo o sucessor ou sucessores de um tableau atómico com raiz \ . uma única vez. 9 diz-se derivável à Beth. a partir das quais é impossível reduzir mais. 16. e escreve-se neste caso ¯B 9. 9 diz-se refutável à Beth. 16.110 II. ou refutável-B sse existir uma refutação à Beth de 9. A construção termina quando todo o ramo não contraditório já não tiver entradas não reduzidas. Z : l Œ Z: l J.Ñ p :Ñ p :. como sabíamos). até chegarmos a fórmulas atómicas valoradas. e o tableau construído é X œ . Numerámos .

. o tal conjunto de entradas X w é finito e. logo. todo o ramo . pelo menos no caso das derivações. isto é. consequentemente. é contraditório. 39). dada ao arbítrio uma entrada de X . existe 7 tal que X e X7 coincidem até ao nível 8  ". «visualizável». Retomemos a questão da possibilidade de tableaux infinitos que. Se este conjunto é infinito. 16. tais entradas estão todas em níveis Ÿ que certo nível 8 de X . usando a entrada na raiz. então X7 é um tableau contraditório.w é não contraditório e também é um ramo de X . Assim.. Em particular. Recordemos. numa coluna à esquerda. Aqui não há ramos contraditórios: a fórmula não é refutável à Beth (ela é compatível. digamos . Pensemos no conjunto de todas as entradas de X sem predecessores contraditórios (quer dizer. da forma Z ) e J )). que X é uma árvore de ramificação finita.Ñ l J: ÎÏ J : Z .II. usando a única entrada não reduzida no nível 1. X7 é o tableau finito e contraditório pretendido. ao menos em princípio. Portanto. toda a derivação à Beth é um tableau finito. como já sabíamos). Se X œ -8 X8 é um tableau contraditório.º caso. é contraditório. É claro que . derivação ou demonstração deve ser essencialmente um objecto finito.º caso. o nível 3 resulta da etapa 2. inclusive.Ñ p : Z : l Z Ð: p . no ramo em que ela está. na etapa 1 resultam os níveis 1 e 2. por escolha de 8 e 7.Ñ p :Ñ p : ÎÏ J Ð: p . Isto quer dizer que toda a entrada de nível 8  " de X é contraditória com alguma predecessora de nível inferior. Assim. por hipótese sobre X . Façamos agora a tentativa para satisfazer a mesma fórmula: Z ÐÐ: p . No 1. pelo lema de König (p. para melhor se observar a aplicação do algoritmo: na etapa inicial apenas se escreve o nível 0 (raiz). ou há dois predecessores dela que são contraditórios.w . É o lema de König que nos vem reconfortar a este respeito. o que contradiz o facto de todo o ramo em X ser contraditório. em X7 é um ramo em X (terminando numa entrada de nível Ÿ 8) ou contém uma entrada de nível 8  ". .6 Metateorema dos tableaux contraditórios (MTC) Dem. . Ora. para começar. então ele constitui uma árvore X w «contida» em X que também é de ramificação finita. e nela e acima dela não há duas entradas contraditórias. No 2. para algum 7. CÁLCULO PROPOSICIONAL 111 os níveis de 1 a 5. tem um ramo infinito. parece chocar com a ideia de que uma dedução.

sse para todo 3 œ ". Deixamos ao cuidado do leitor a formulação de um tal princípio de indução nos tableaux. Se X é atómico é imediato. ou melhor. CÁLCULO PROPOSICIONAL Em particular.. .. R3 œ Z 9. mas o número de ramos permanece o mesmo. @9 œ " se a raiz é Z 9. Por indução nos tableaux. por simples inspecção.è Devemos agora encetar as provas das propriedades de validade ( ¯ B 9 Ê } 9) e de completude semântica ( } 9 Ê ¯ B 9) do sistema de Beth. o número de nós aumenta uma unidade. e @9 œ ! se a raiz é J 9 ).. Suponhamos (hipótese de indução) que o número de nós de X é maior ou igual ao número de ramos. e seja X w uma extensão X com um tableau atómico com raiz \ . o que sugere imediatamente a possibilidade de uma indução nos tableaux.112 II. Suponhamos que ela é verdadeira para X . R3 œ Z 9 Ê @ 9 œ " . se X œ -8 X8 é uma derivação construída de acordo com o algoritmo acima e 7 é o mínimo possível tal que X7 é contraditório. de X . 5 . entendendo por comprimento de um tableaux o número de tableaux atómicos utilizados na sua construção. para alguma fórmula 9.8 Lema básico Se uma valoração booleana @ concorda com a raiz de um tableau (isto é. e seja X w o resultado de estender X com um tableaux atómico (conforme o algoritmo indicado na pág. R 3 œ J 9 Ê @ 9 œ ! .. mais dois nós e não mais de dois ramos novos. Dem. no seu comprimento. então X7 já não pode ser estendido em mais nenhuma etapa da construção de X . no final de um ramo .7 Definição Seja . Dizemos que uma valoração booleana @ concorda com o ramo . A propriedade é obviamente verdadeira para tableaux atómicos. pois estamos certos que não terá dificuldade de maior se atender ao seguinte exemplo de demonstração da propriedade dos tableaux QÐX Ñ: o número de nós de X é maior ou igual ao número de ramos. #. Se o nó terminal deste é Z c9 ou J c9 . um ramo de um tableau X . das quais resultará que ¯B 9 Í ¯ DN 9. . há sempre. pelo menos. e portanto X œ X7 é finito. 109). pelo que a relação   entre nós e ramos se mantém. onde cada R3 é uma fórmula valorada: para cada 3. Nos outros casos. Recorde-se que a definição de tableaux é indutiva. 16. 16. O œ ÖR" ß R# ß ÞÞÞß R5 × o conjunto das entradas em . então @ concorda com algum ramo do tableau. ou R3 œ J 9. embora esta última equivalência também pudesse ser estabelecida directamente.

. se ele é contraditório. o lema mostra como construir uma valoração booleana que falsifica 9. vejamos num exemplo concreto de como isto funciona. Mas . Então existe @ tal que @9 œ !. Ú Ú ã Ý Ý Ý Ý Ý Ý \ XÛ Xw Û Ý ã Ý Ý Ý Ü (. y Dem. concorda com um dos ramos (possivelmente há um só ramo na continuação de . Suponhamos que } 9.. então 9 é válida: ¯B 9 Ê } 9. existe outro ramo . mas se o tableau exibir um ramo não contraditório . mas concorda com a raiz de X (caso contrário não haveria nada para provar).. então @ concorda com \ e. e portanto um tal ramo é não contraditório. logo.. portanto (examine os tableaux atómicos a este respeito!). então 9 é realmente válida. ) Ý Ý Ü åä 113 Há dois casos a considerar. .w também é ramo de X w . Antes da demonstração.è 16.w de X com o qual @ concorda. Por hipótese de indução. com o qual @ concorda. . Caso 2: @ não concorda com . Se @ é uma valoração booleana tal que @Ð:Ñ œ œ " ! se Z : é uma entrada em . Por contraposição. logo neste caso também há um ramo de X w com o qual @ concorda. então @ concorda com o ramo . ) do tableau atómico com raiz \ .è 16. o que prova que 9 não é derivável-B. CÁLCULO PROPOSICIONAL conforme o algoritmo na pág.9 Metateorema da validade (MV) Se 9 é derivável-B. de qualquer tableau com raiz J 9 que seja construído.10 Lema de Hintikka Seja . 109. Caso 1: @ concorda com todos os nós em . Este lema fornece um algoritmo para a obtenção de um contra-exemplo para a pretensa validade de certa fórmula 9 : construindo um tableau completo com raiz J 9. Então existe um ramo . @ concorda com algum ramo . pelo lema básico. um ramo não contraditório de um tableau completo X .II." de X w que assim estende . no caso contrário.

Dem. como X é completo. œ ! (não interessam os valores lógicos dos restantes átomos).ÑÑ œ !. então @: œ " e @ concorda com . . (i) Se : é um átomo e Z : é uma entrada em .Ñ p Ð: ” .è . CÁLCULO PROPOSICIONAL 16. . . @9 œ " e @< œ ". então. l l J: J: l l J. logo @ : œ !. Se Z Ð9 • <Ñ é uma entrada em . Os casos dos restantes conectivos são deixados como outros tantos exercícios. e portanto @Ð9 • <Ñ œ !. Por hipótese de indução. . . então. ou J 9 ou J < é uma entrada de . (ii) Admitamos a propriedade verdadeira para 9 e para <. como fórmulas valoradas. .ÑÑ œ !.11 Exemplo Determinar @ tal que @ÐÐ: p . não é contraditório. definimos @ tal que @: œ @. Se J Ð9 • <Ñ é uma entrada em . por hipótese de indução tem-se @9 œ ! ou @< œ !. pois .." . Por indução nas fórmulas que entram em . logo @Ð9 • <Ñ œ ". . então Z : não o é. como X é completo. se J : é uma entrada em . de modo que Z 9 e Z < são entradas em . conforme o caso. Em qualquer dos casos. (." ) Œ (. . esta entrada foi reduzida alguma vez e a sequência Z9 l Z< faz parte de . quer dizer. e então temse @ÐÐ: p .# ) Aplicando o lema ao único ramo não contraditório.Ñ o ” .Ñ l J Ð: ” .Ñ o pÐ: ” .ÑÑ l Z Ð: p . esta entrada foi reduzida alguma vez e um dos ramos da ramificação ÎÏ J9 J< faz parte de .Ñ ÎÏ J: Z. J.114 II. pÐ: J ÐÐ: p . .

o que é absurdo. um ramo não contraditório. Além disso. 109). pág. então @9 œ " para toda a valoração booleana @. Por outro lado. D œ Ö<! ß <" ß ÞÞÞß <7 × ou D œ Ö<! ß <" ß ÞÞÞß <7 ß ÞÞÞ×. mas neste caso será por existir nesse tableau um ramo não contraditório. Construamos um tableau completo com raiz J 9 (por exemplo. (ii" ) como (ii). isto é. Os resultados anteriores para a derivabilidade à Beth e a validade possuem correspondentes para a refutabilidade à Beth e a compatibilidade. a claúsula (ii) desdobra-se em duas. pelo menos. usando o algoritmo). respectivamente. temos a certeza de que 9 não é válida. Suponhamos. a que chamamos hipóteses. É claro que o algoritmo de construção de tableaux (pág. na definição de tableau completo com hipóteses em D. ou conseguimos uma derivação à Beth (e neste caso a fórmula é válida). portanto. reservando as pares para este efeito. o algoritmo resulta sempre num tableau completo. que 9 não é derivável-B.13 Tableaux com hipóteses Finalizamos esta secção com uma breve discussão da derivabilidade (à Beth) com hipóteses: D ¯B 9. Portanto. com justificações semelhantes. 109) terá uma etapa correspondente a esta claúsula: desdobram-se as etapas a seguir à inicial em etapas pares e ímpares. é permitido entrar fórmulas valoradas da forma Z <. A única diferença para a definição de derivabilidade que foi dada ( ¯B 9. 83 Expressão latina que significa «mudando o que deve ser mudado». mutatis mutandis:83 9 é refutável-B sse 9 é incompatível. O lema de Hintikka mostra como construir uma valoração booleana @ que concorda com este ramo e. nos permite obter uma valoração que falsifica 9 e. @9 œ !. com vista a um absurdo. 110) é que. todo o tableau completo com raiz J 9 é uma derivação à Beth de 9. o qual. em particular. para cada hipótese <. agora chamados tableaux com hipóteses em D. 16.è Este resultado. entende-se que existe uma entrada com Z < em cada ramo não contraditório. onde < é uma hipótese. Se 9 é válida. Um tal tableau tem. então 9 é derivável-B: } 9 Ê ¯B 9.II. e a seguinte: (ii# ) Se X é um tableau finito com hipóteses em D e < − D. fornecem um método de decisão para a validade de fórmulas proposicionais: se tentamos construir (pelo algoritmo) um tableau completo com raiz J 9. na construção de tableaux. ou não conseguimos. Dem. CÁLCULO PROPOSICIONAL 115 16. pelo lema. 9 é derivável-B. onde D é um conjunto arbitrário (finito ou infinito) de fórmulas. . então o tableau que se forma entrando Z < no término de cada ramo não contraditório que não contenha Z < é um tableau finito com hipóteses em D. com a sua raiz J 9 . Na definição de tableau (pág.12 Metateorema da completude semântica (MCS) Se 9 é válida. Assim. e o lema em que se baseia.

p =Ñ Œ J. a valoração @ é definida exactamente da mesma maneira e. O Lema de König aplica-se tal e qual na demonstração do metateorema dos tableaux contraditórios (pág. ß : p <ß . Z Ð: p <Ñ Z Ð: p <Ñ J: Z< J: Z< Œ Œ Z Ð. ñ Na demonstração do metateorema da validade generalizado (D ¯B 9 Ê D } 9). especialmente. Vale a pena expandir um pouco a discussão sobre a «finitude» das derivações com hipóteses. e a demonstração prossegue como dantes.. e não as linhas das sequências ou ramificações. aplica-se o algoritmo modificado para construir um tableau completo com hipóteses em D e raiz J 9 e utiliza-se a nova versão do Lema de Hintikka. CÁLCULO PROPOSICIONAL No exemplo da página seguinte escrevemos apenas as entradas da árvore. ñ Assim. p = ¯ B < ” =: J Ð< ” =Ñ J< J= Z Ð: ” . existe @ que satisfaz todas as hipóteses mas não satisfaz 9 . uma vez que todas elas são entradas em .14 Exemplo : ” . ao concordar com o ramo não contraditório . ñ No Lema de Hintikka. há que supor que a valoração satisfaz todas as hipóteses. para tableaux com hipóteses. o facto de o conjunto D de hipóteses ser infinito. Os resultados anteriores conducentes às propriedades de validade e de completude semântica estendem-se imediatamente (com as modificações pertinentes) à derivabilidade com hipóteses. no enunciado do Lema Básico para tableaux com hipóteses. 16. Z= Œ Œ. do tableau completo X . 0). ñ Na demonstração do metateorema de completude semântica generalizado (D } 9 Ê D ¯B 9). vai necessariamente concordar com todas as hipóteses. tendo em vista. supondo que 9 não é consequência de D.116 II. por exemplo. que aqui designamos por .Ñ Z: Z.

são totalmente ordenadas pela relação de extensão Ÿ . @Ð<3 Ñ œ ". pelo menos. e seja @ a única valoração que estende as valorações parciais determinadas pelos 54 . isto é. Reciprocamente. sse 54 Ð3Ñ œ " para todo 3 Ÿ . Dem. então. Este resultado pode ser encarado como a versão sintáctica do metateorema da compacidade (MC) (ver exercícios 2. . onde 5 Ÿ T 7 sse 7 é uma extensão de 5 (5 © 7 . por definição. . tal que @Ð:3 Ñ œ " sse 54 Ð3Ñ œ " para algum 4.II. ver pág. suponhamos que . para algum 7. e @Ð:3 Ñ œ " sse 53 œ "×. ou seja. é um ramo em X .Ð5Ñ. œ Ø54 À 4   !Ù é um ramo infinito em X . CÁLCULO PROPOSICIONAL 117 Se X œ -8 X8 é um tableau contraditório com hipóteses em D. 16. no caso . 37 e Nota 29). Damos a seguir uma demonstração baseada no Lema de König. Mas este facto só depende dos valores lógicos atribuídos a um número finito de letras proposicionais 84 Não perder de vista que as sucessões binárias finitas que constituem um ramo. formam uma cadeia.Ð5Ñ œ 5 se 5 œ Ø5"ß ÞÞÞß 55Ù. 5 é uma entrada na árvore X excepto se. Começamos por mostrar que (1) existe um ramo infinito em X sse D é compatível.13 Metateorema da finitude Da segunda parte deste resultado resulta a propriedade seguinte. do (MC). Se @ é um modelo de D. Num sentido (esquerda para a direita) é imediato. existiria <4 − D tal que @Ð<4 Ñ œ !.Ð5Ñ o comprimento de 5 [. ou © . Designamos por .22): (‡‡) D } 9 sse D! } 9 para alguma parte finita D! de D. T œ Ö:3 À 3   !×. Supomos D œ Ö<3 À 3   !×. Em particular.Ð5Ñ].Ð5Ñ.12 e 2. Quer dizer. mas pode ser demonstrado independentemente de várias maneiras. isso já força a falsidade de uma <4 [4 Ÿ . É claro que (‡‡) resulta imediatamente de (‡) pelos metateoremas de validade e completude semântica para o sistema dos tableaux com hipóteses. isto é. o conjunto de todas as sucessões finitas 5 tais que 53 œ 1 sse @Ð:3 Ñ œ ".84 Se @ não fosse modelo de D. Definimos uma árvore X de sucessões binárias finitas. suponhamos que toda a parte finita de D é compatível.Ð54 Ñ. toda a derivação à Beth com hipóteses em D é um tableau finito. então X7 é um tableau contraditório com hipóteses em D. que lhe dá o nome: (‡ ) D ¯B 9 sse D! ¯B 9 para alguma parte finita D! de D. encarando 5 como uma sucessão de valores lógicos (valoração @) atribuídos aos :3 com 3 Ÿ . No outro sentido ( É ). para todo 3 Ÿ . onde cada 53 œ 5Ð3Ñ é ! ou "] e definimos X œ Ö5 À existe @ tal que.

logo.118 II. Por hipótese. possui um ramo infinito. As deduções ou derivações no sistema G são sucessões (ou árvores — ver adiante) finitas de itens sequenciais. é um método para examinar sistematicamente as possibilidades de uma fórmula dada tomar os valores lógicos ! ou ". ou sequentes. embora as estratégias dedutivas sejam. toda a parte finita de D é compatível. Mostramos a seguir que (2) para todo 8.85 de Gentzen. Isto contradiz a hipótese de . Nesta secção veremos um método de decisão para a derivabilidade em DN (e. alternativo ao método das tabelas de verdade. também para a validade) baseado numa mecanização. como se disse (pág. Concluindo: por (2). O novo sistema dedutivo é um cálculo de sequentes. e designa-se por GP. @ } D. X é infinita. da forma 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   "). do processo dedutivo.17 Outros sistemas dedutivos (II): cálculo de sequentes Na secção anterior vimos um método de decisão para a validade proposicional baseado nos tableaux semânticos. D é compatível. :" . pelo Lema de König. buscamos sistematicamente a única ou únicas premissas que podem ter 9 como conclusão. que este processo regressivo termine sempre. existe uma sucessão binária 5 em X de comprimento 8. Portanto. visto que só há um número finito de sucessões binárias de comprimento Ÿ 8. além disso. . ou uma derivação no sistema ou a confirmação de que tal não é possível. diversas maneiras de deduzir correctamente uma fórmula (a partir de hipóteses dadas). Sem perda de generalidade. que linha ou linhas a devem preceder para que a linha (fórmula) dada seja inferida dessa ou dessas precedentes por uma das regras dadas? Requeremos. 85 Existem diversas versões. portanto. podemos supor que elas são :! . que permite responder sem ambiguidade a todas as questões do tipo: dada uma linha (fórmula) qualquer de uma dedução.. no maior grau possível. Então. ou simplesmente por G. Tal 5 está em X . Por (1). para cada 8 existe um modelo @8 de Ö<3 À 3 Ÿ 8×. isto é. ser um ramo infinito em X . :8 . neste capítulo. Os sistemas de dedução natural são «progressivos» ou «de cima para baixo». em geral. 106). mais tarde ou mais cedo. O novo método que vamos apresentar é essencialmente «regressivo» ou «de baixo para cima»: partindo de 9 . Da definição de X resulta então que nenhuma 5 com comprimento   8 pode estar em X . por definição de X . sendo cada sequente uma sucessão finita de fórmulas. em larga medida «naturais». os quais.3(b)]. mas existem. CÁLCULO PROPOSICIONAL [as que ocorrem em <4 — ver exercício 2. ao fim de um número finito de passos obtemos. diversas estratégias «ganhantes» possíveis. em particular. Definamos 5 pondo 5Ð3Ñ œ " sse @8 Ð:3 Ñ œ " para 3 Ÿ 8.. esta é apenas uma das mais simples. ..è *II.

as seguintes convenções e restrições: (a) A ordem das fórmulas nas premissas é irrelevante. @. cÐ9 p <Ñß ? Fazemos. ?. REGRAS DE G 9ß ? cc9ß ? 9 ß ? l <ß ? 9 • <ß ? 9 ß <ß ? 9 ” <ß ? c9 ß < ß ? 9 p <ß ? (cc) ( • ) ( ” ) ( p) (c•) (c ” ) (cp) c9 ß c < ß ? cÐ9 • <Ñß ? c9 ß ? l c< ß ? cÐ9 ” <Ñß ? 9 ß ? l c< ß ? . isto é. @ A interpretação intencional de um sequente > œ 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é a de que > corresponde a uma disjunção dos 93 . todas elas. possivelmente vazia. Este sistema tem as propriedades seguintes: (1) é dedutivamente equivalente a DN. com a associatividade já imbuída na própria notação.. As regras de inferência são de uma das formas > . de um sequente. sendo a premissa ou premissas bem determinadas (a menos de uma permutação). Gerhard Gentzen (1909-1945) (2) para qualquer sequente @ existe. a vírgula ‘ß ’ funciona como uma disjunção disfarçada. . .. além disso.II. @ >¸? @ Œou > ? . sendo agora ? a parte final. CÁLCULO PROPOSICIONAL 119 Os sequentes são designados por gregas maiúsculas >. possivelmente com índices.. regras de introdução de conectivos e certas combinações de conectivos. somente literais (átomos :3 ou suas negações) podem preceder a fórmula introduzida pela regra. Por comodidade abrevia-se 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 em 9" ß ? ou 9" ß 9# ß ?. quando muito. uma regra de G da qual esse sequente pode ser a conclusão por uma das regras. (b) a ordem das fórmulas numa conclusão. As regras de inferência de G são.

A árvore não tem 15 nós. p. p <Ñ p Ð: ” . cÐ9 p <Ñ. Como ilustração de (b). a regra (cc) pode-se aplicar à premissa :ß . 4 Ÿ 8). . na qual cada ?3 é um axioma ou é inferido de um ou dois sequentes precedentes por uma regra. seguinte apresentamos uma lista de 15 sequentes. Por exemplo. como exemplificamos logo a seguir à derivação na vertical. c •. c”. Como ilustração de (c). e pode ter como conclusão cc:ß . 17. até. Com estas convenções e restrições fica garantida a propriedade (2) acima. com a raiz em baixo e os axiomas no topo (nós terminais). 9 p <. convém percorrê-la de baixo para cima. a configuração «vertical» não é a mais conveniente.1 Definição (i) Um axioma de G é um sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   #) em que algum 93 é uma negação c94 (" Ÿ 3. (d) uma fórmula é um sequente. sendo a regra em causa cc. Na pág. ß . 9 ” <. . Para se compreender bem a derivação. para a construção de uma derivação (se alguma existe — ver adiante) de baixo para cima. ß c: e 9 p <ß c)ß cÐ9 p <Ñ são axiomas. 7 e 8. cÐ9 • <Ñ. Na linha 10 pode-se omitir a fórmula repetida c<. pois juntamos num mesmo nó duas premissas. e . ”. ß cc: nem : p . correspondentes aos pares de linhas 1 e 2. e para saber qual a regra e premissa ou premissas para obter @ como conclusão basta inspeccionar @ da esquerda para a direita até se encontrar a primeira fórmula que não é uma literal. Para esta análise regressiva e. mas apenas 11. cÐ9 ” <Ñ. cp conforme essa primeira fórmula é da forma cc9. ß cc:ß : p . ß : p . os sequentes cc:ß . . mas sim a configuração em árvore. mas não : p . tentanto perceber como cada linha (conclusão) determina uma regra e uma ou duas linhas imediatamente acima dela. 9 • <. . •. 11 e 12 na derivação vertical. ß :p . (ii) Uma dedução ou derivação em G é uma sucessão finita de sequentes ?" ß ?# ß ÞÞÞß ?7 (7   "). p <Ñ. que constitui uma derivação da fórmula Ð: p <Ñ • Ð. CÁLCULO PROPOSICIONAL (c) num sequente (numa premissa ou conclusão) podem omitir-se fórmulas repetidas. ß cc:ß . entre outras. assinalando com ‘Ax’ os topos que são axiomas. no sequente c:ß . 9 e 10. ß c:ß : p < pode-se omitir uma única das ocorrências de “c:”. respectivamente.120 II.

ß c. p < l c<ß c<ß : ” . p < cÐÐ: p <Ñ • Ð.p <Ñß : ” .p <Ñ p Ð: ” . ß : ” . p < l :ß c<ß : ” . 8 cp 9.36) não são ainda inteiramente deterministas. 12 cp 13 c• 14 p. p < :ß cÐ: p <Ñß : ” .Ñß < c<ß cÐ: ” . p < cÐ: p <Ñß cÐ. ß cÐ: ” . A forma ou esqueleto desta árvore é As derivações obtidas neste e noutros exemplo (ver exercícios 2. p < Ð: p <Ñ • Ð.p <Ñß : ” . ß : ” .Ñß < :ß c<ß cÐ: ” . ß < :ß . p < cÐ: p <Ñß cÐ.Ñß < :ß c<ß cÐ: ” . p < c<ß cÐ. ß c:ß <l:ß .II.Ñß < c<ß cÐ: ” .Ñß < :ß . ß c.Ñß < . à medida que vamos «subindo» na árvore. pois resta uma margem de arbitrariedade no que diz respeito à ordenação das fórmulas nas premissas.p <Ñ p Ð: ” . 10 cp 11. CÁLCULO PROPOSICIONAL 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 :ß . 2 c” Axioma Axioma Axioma 3 p 4 p 5 p 6 p 7. ß c<ß cÐ: ” . ß c<ß cÐ: ” . p < l :ß cÐ: p <Ñß : ” . p <Ñ. p < c<ß . p < cÐÐ: p <Ñ • Ð. p < c<ß cÐ. p < c<ß c<ß : ” . ß c<ß : ” . ß cÐ: ” .p <Ñß : ” .p <ÑÑß : ” .p <Ñß : ” . p <Ñ Axioma Axioma 1. ß c:ß < :ß . 121 Ax Ax :ß .Ñß < :ß . p < Ð: p <Ñ • Ð.Ñß < . p < c<ß :ß : ” . p < . ß : ” . ß < Ax Ax Ax :ß .p <ÑÑß : ” . Para eliminar completamente esta réstea de indeterminação .

Sequente dado ?ß cc9ß @ ?ß 9 • <ß @ ?ß cÐ9 • <Ñß @ ?ß 9 ” <ß @ ?ß cÐ9 ” <Ñß @ ?ß 9 p <ß @ ?ß cÐ9 p <Ñß @ Premissas ?ß 9ß @ ?ß 9ß @ ?ß <ß @ ?ß c9ß c<ß @ ?ß 9ß <ß @ ?ß c9ß @ ?ß c<ß @ ?ß c9ß <ß @ ?ß 9ß @ ?ß c<ß @. pág. CÁLCULO PROPOSICIONAL descrevemos um algoritmo para a construção de possíveis derivações em forma de árvore. @ possivelmente vazias) e a 3ª coluna contém a premissa ou premissas de que esse sequente é conclusão por uma das 7 regras do sistema. o algoritmo pára — este caso será analisado mais adiante. (ver definição de peso no exercício 2. Observando o quadro da página seguinte. Se todos os topos da árvore assim obtida forem axiomas. aplica-se a cada uma o procedimento acima. Obtida a premissa ou premissas. e tal sequente é uma derivação em G. o peso de uma premissa > œ 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 . VI. então a árvore é uma derivação no sistema G. que facilmente se converte numa derivação sequencial (linear vertical). Há sete casos a considerar. e não apenas a menos de uma permutação. ñ se o sequente não é um axioma mas toda a fórmula do sequente é uma literal (:3 ou c:3 ). atendendo à diminuição progressiva dos pesos.122 II. III. teremos de provar. que ela é inválida. Além disso. conforme a forma de 95 . há uma primeira tal fórmula (contando da esquerda para a direita). o que tem de acontecer mais tarde ou mais cedo.2 Algoritmo para a construção de possíveis derivações em G. II. digamos 95 . Dado um sequente qualquer 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   ") como raiz: ñ se o sequente é um axioma o algoritmo pára. que resumimos no quadro seguinte. no caso de ser uma fórmula. Casos I. IV. para completar o método de decisão. não há dúvida de que. premissa ou premissas essas que são escritas por cima do sequente dado. 153) é sempre menor que o peso da conclusão. V. ñ se o sequente não é um axioma e alguma fórmula não é uma literal. 17. a premissa ou premissas são bem determinadas. onde a 2ª coluna contém o sequente dado (da forma ?ß 95 ß @. agora. até que todos os topos são axiomas ou são sequentes formados por literais. que o sequente não é derivável e. pesoÐ>Ñ œ pesoÐ9" Ñ  pesoÐ9# Ñ  â  pesoÐ98 Ñ.35. Se algum topo não for axioma. VII. sendo ?. .

ao invés. Em particular. Mais geralmente. 73-75). também já demonstrada anteriormente (pp. (3) Val © TeorG : as fórmulas válidas são deriváveis em G. então 9 não é válida.4 Exemplo Aplicando o algoritmo a Ð: p . Tal árvore não é uma derivação em G. então a conclusão é inválida. É então possível definir uma valoração @ nos átomos que falsifique todos os T3 (se T3 é :3 . estabelecemos as seguintes relações entre a derivabilidade nos sistemas DN e G e a noção de validade: (1) TeorDN © Val: os teoremas lógicos de DN são válidos. (4) TeorG © TeorDN : as fórmulas deriváveis em G são deriváveis em DN. e se é c:3 dá-se a :3 o valor " — não interessam os valores lógicos dos átomos que não ocorrem no sequente >). verificamos facilmente que se uma premissa (de uma regra de G) é inválida. Será demonstrado directamente. todos os sequentes do ramo da árvore que termina em > é formado por sequentes inválidos. 122 até obter uma árvore que não possa prolongar-se mais em nenhum ramo. de (3). via G e (3). o que é possível atendendo à diminuição sucessiva dos pesos dos sequentes. o que só é possível porque algum topo não é axioma. digamos > œ T" ß T# ß ÞÞÞß T8 . Esta é a propriedade de validade do sistema DN. um sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é inválido sse existe uma valoração que falsifica todas as fórmulas (o que está de acordo com o considerar-se a vírgula ‘ß ’ como uma disjunção disfarçada).è 17.3 Relações entre diferentes conceitos de derivabilidade Resumindo. onde cada T3 é literal (:3 ou c:3 ) mas nenhum deles é a negação de um outro. afinal de contas. mas a maneira como agora é estabelecida [de maneira alternativa e independente de (2)]. Ora. Esta é a propriedade de completude semântica do sistema G. Deste modo. p < ” :Ñ. (5) TeorG œ TeorDN œ Val. por (1) e (3). 76-78). ” <Ñ p Ð. donde se conclui. Dizemos que > é inválido. dá-se a :3 o valor !. (2) Val © TeorDN : as fórmulas válidas são teoremas lógicos de DN.II. o que prova (3). que demonstramos a seguir. o que. A última igualdade já fora estabelecida anteriormente [por (1) e (2)]. que se 9 não é derivável em G. CÁLCULO PROPOSICIONAL 123 17. já demonstrada anteriormente (pp. Esta é a propriedade de completude semântica do sistema DN. pesquisando caso a caso. é o objectivo fundamental da concepção do sistema de Gentzen. Dem. obtemos: . Pois apliquemos a 9 o algoritmo da pág. Mostramos. portanto 9 é inválida. fornece ao mesmo tempo um método de decisão para a derivabilidade em DN.

48 e Nota 72). ) são disjunções sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. ” <Ñß . Analogamente para as conjunções. p < ” : cÐ: p . de saber traduzir sequentes > œ 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 em fórmulas de _! . ” <Ñ p Ð. ß c. ß <ß : c. ß . o procedimento indicado seria por indução no comprimento das deduções (configuração linear vertical) de 9 em G. mas não reciprocamente. ß < ” : c<ß c. p < ” :Ñ.38: . 17. Ð9# ” 9" Ñ ” 9# é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß 9$ ×. Por exemplo.124 II.5 Definição Chama-se disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × a qualquer fórmula construída de acordo com as seguintes regras: (i) cada 93 é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. pois falta uma ocorrência de 9$ . Mas precisamos. ou outra. não interessa qual. Necessitamos do seguinte resultado. que é confirmar que o topo assinalado e. p < ” : :ß . (ii) se <. ” <Ñß . ß c. então Ð< ” )Ñ é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. mas não se ganharia grande coisa com isso. cuja demonstração deixamos para o exercício 2. até à raiz. Chama-se disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × a qualquer disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × que não seja uma disjunção sobre nenhum subconjunto próprio de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. e não se completou o ramo à esquerda por ser desnecessário fazê-lo para o fim em vista. @Ð<Ñ œ @Ð:Ñ œ !. ß <ß : c<ß c. p < ” : Ð: p . p < ” : l cÐ.Ñ œ ". mas não é disjunção de Ö9" ß 9# ß 9$ ×. portanto. mas qual? Na realidade. mas para justificar isso há que recorrer à associatividade generalizada da disjunção em DN. p < ” : l c<ß . antes de mais. Podíamos simplesmente adoptar a convenção de escrita de associação da direita para a esquerda (pág. são inválidos: basta definir @ pondo @Ð. Quanto a (4). Note-se que toda a disjunção de é uma disjunção sobre. todos os sequentes por baixo dele. CÁLCULO PROPOSICIONAL Ð‡Ñ Ax c. A tradução óbvia é numa disjunção dos 93 . ß < ” : ã c. Com Ð‡Ñ assinala-se um topo que não é axioma mas não se pode prolongar mais.

Lidamos apenas com este último e dois dos primeiros sete. um para cada regra de G. Seja $ uma disjunção qualquer de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×.ß 98 ×. Podemos obter do ..II. Caso 0. (ii) Suponhamos (hip.. Há oito casos a considerar. (aw ) ¯DN <w ” $ e (bw ) ¯DN <ww ” $ . de indução) que a propriedade a demonstrar é verdadeira para todas derivações com Ÿ 5 linhas. Ora 94 ” c94 é uma lei lógica (3º excluído) de DN. (i) 5 œ ": 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é um axioma. e mais um para os axiomas. e cada uma das premissas (a menos de permutação) (a) <w ß 9# ß ÞÞÞß 98 . CÁLCULO PROPOSICIONAL 125 17. Caso II. Trata-se como em (i). então < ¯DN ). 74) no comprimento 5 das deduções do sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 em G. respectivamente. e que 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é derivável em 5  " linhas. mas esta propriedade resulta imediatamente do seguinte 17.6 Metateorema da subdisjunção (MSD) Se < é uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × e ) é uma disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. Por indução completa (2. logo ¯DN ) . (b) <ww ß 9# ß ÞÞÞß 98 possui derivações de comprimento Ÿ 5 . ) é Ð<w • <ww Ñ ” $ ou alguma outra disjunção de Ö<w • <ww ß 9" ß 9# ß . então ¯DN ). por hipótese de indução.ª forma. Dem.7 Metateorema Se o sequente 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é derivável em G e ) é uma disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×.è Nas condições deste enunciado. então <w ” $ e <ww ” $ são disjunções de (a) e (b). ver pág. Ora. Podemos então prosseguir com a demonstração de (4). digamos que 93 œ c94 . e. e é uma subdisjunção de ) . 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é um axioma. deixando os restantes como exercícios. < diz-se uma subdisjunção de ) . em todo o caso interderivável com Ð<w • <ww Ñ ” $ pelo (MSD). 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é obtido pela regra •. Quer dizer que 9" é da forma <w • <ww .

.126 seguinte modo uma dedução de ) em DN: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ã 12 + 7 <w ” $ <w <ww ” $ <ww <w • <ww Ð<w • <ww Ñ ” $ $ Ð<w • <ww Ñ ” $ Ð<w • <ww Ñ ” $ $ Ð<w • <ww Ñ ” $ Ð<w • <ww Ñ ” $ ã ) II. 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 é obtido pela regra c”. pág.ß 98 ×. pelo (MSD). respectivamente. 2-9. 67]. (c) c<ww ß 9# ß ÞÞÞß 98 possui derivações de comprimento Ÿ 5 . ou seja.è *II. e ) é cÐ<w ” <ww Ñ ” $ ou uma outra disjunção de ÖcÐ<w ” <ww Ñß 9" ß 9# ß . 4 ( •  ) 5 ( ”) [Hw# ] 7 ( ”) 3. Seja $ como anteriormente. na medida em que se procura essencialmente refutar determinada fórmula ou consequência. pretendem «modelar» de maneira natural os raciocínios lógicos. sistemas como o dos tableaux semânticos de Beth e os sistemas de resolução (secção seguinte) são sistemas refutacionais. (cww ) ¯DN <w p $ e (dww ) ¯DN <ww p $ . CÁLCULO PROPOSICIONAL (T ) (aw ) [H" ] (T ) (bw ) [Hw" ] 2.. ¯DN cÐ<w ” <ww Ñ ” $ . enquanto os de Gentzen mecanizam em maior grau o processo dedutivo e se prestam melhor a uma análise estrutural das deduções em si mesmas (tópico predilecto da chamada teoria da demonstração). 7-8 ( ”  ) [H# ] 10 ( ”  ) 1. Por hipótese de indução. mais do que quaisquer outros. Caso V. 4-6. e usando estas duas é fácil obter ¯DN Ð<w ” <ww Ñ p $ (exercício). por uma conhecida lei de conversão [(42). e cada uma das premissas (ou uma sua permutação) (c) c<w ß 9# ß ÞÞÞß 98 . Então 9" é da forma cÐ<w ” <ww Ñ.18 Outros sistemas dedutivos (III): axiomatização à Hilbert Os sistemas de dedução natural. pela mesma lei de conversão.. 10-11 ( ”  ) (T ) de 12. (cw ) ¯DN c<w ” $ e (dw ) ¯DN c<ww ” $ . Podemos obter do seguinte modo uma dedução de ) em DN: de (cw ) e (dw ) obtemos. Por outro lado. em todo o caso interderivável com cÐ<w ” <ww Ñ ” $ pelo (MSD).

Lukasiewicz e outros. (H2 ) ÐÐ9 p Ð< p )ÑÑ p ÐÐ9 p <Ñ p Ð9 p )ÑÑ. CÁLCULO PROPOSICIONAL 127 no sentido de estabelecer que ela é incompatível. É claro que na definição de fórmula (p. nomeadamente por Frege. todos estes sistemas. o que. Uma axiomatização à Hilbert consta tipicamente de um certo número de axiomas (numa linguagem com o mínimo possível de primitivos) e de um pequeno número de regras de inferência. por terem sido preferidos por Hilbert e a sua escola nos estudos de fundamentos nos anos vinte do século passado. XX. é claro também. p. :" p Ð:! p :" Ñ. mas a lista compreende uma infinidade de axiomas. Designamos por H o sistema dedutivo com os axiomas e regras seguintes86: 18. são escolhidos de modo a garantir a propriedade recíproca. e 9 ” < abrevia c9 p <.1 Axiomas e regras proposicionais de H As fórmulas e regras de uma das formas seguintes são os axiomas e regras do sistema H: (H" ) 9 p Ð< p 9Ñ. 35. facilita grandemente os estudos metateóricos. etc. de modo a garantir a propriedade de validade e a consistência do sistema e. o define-se à custa de p e p • pelo modo habitual].87 Regra de inferência modus ponens (MP): 9ß 9 p < . conforme a lista dos conectivos adoptados como primitivos e as listas de axiomas e regras. 86 87 . XIX e princípios do séc. de que são casos (axiomas) particulares as fórmulas :! p Ð:! p :! Ñ. concebidos com características e objectivos específicos em mente. Fiéis à economia de meios que pervade as axiomatizações à Hilbert. a parte respeitante a p . por um lado. e caracterizam-se pela economia de meios. mas. O insucesso da tentativa de refutação corresponde à busta do sucesso da derivação nos anteriores sistemas. Pode não parecer à vista descuidada. São conhecidas muitas axiomatizações à Hilbert para a lógica proposicional clássica. :" p Ð:" p :" Ñ. (H$ ) Ðc9 p c<Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ. são de génese mais recente do que os primeiros sistemas dedutivos para a lógica concebidos no final do séc. consideramos como primitivos somente c e p . 48) só se retém. de completude semântica. dificulta e artificializa o processo dedutivo em si mesmo. :! p Ð:" p :! Ñ.II. mas um número finito de esquemas de axiomas: por exemplo. < A deribabilidade e a derivabilidade com hipóteses neste sistema definem-se como é de esperar: Este sistema é designado por L em MENDELSON. mas em todas elas os axiomas são fórmulas válidas e as regras são válidas. em compensação. e são conhecidos genericamente por axiomatizações à Hilbert. Todavia. em F$ . sob o esquema (H" ) estão compreendidas todas as fórmulas de _! da forma 9 p Ð< p 9Ñ. Russell e Whitehead. Estes sistemas constituem axiomatizações da lógica num sentido tradicional. e como definidos • e ” e o p [9 • < abrevia cÐ9 p c<Ñ.

uma tal sucessão é uma derivação ou dedução de 9. 5  3) pela regra (MP). pelo menos em comparação com as deduções em DN. Como se vê pelas definições. Se ¯H 9. 4 (MP). um teorema lógico ou uma lei lógica.128 II. 5  3) pela regra (MP). e a derivabilidade é um caso particular da derivabilidade com hipóteses. nomeadamente. uma tal sucessão é uma derivação (ou dedução) de 9 com hipóteses em > (ou: a partir de >). O primeiro e mais importante passo nesse . a última das quais é 9. Além disso. (2) c< ¯H Ðc9 p <Ñ p 9 1 2 3 4 5 c< c< p Ðc9 p c<Ñ c9 p c < Ðc9 p c<Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ Ðc9 p <Ñ p 9 Hip. tal que cada 93 com 3 Ÿ 8 é um axioma ou é inferida de duas fórmulas precedentes 94 . (H# ) 1. 95 (4. 2 (MP) Ax. dizemos que 9 é derivável (em H). é só substituir em toda a parte “:” por “9”: 1 2 3 4 5 : p ÐÐ: p :Ñ p :Ñ Ð: p ÐÐ: p :Ñ p :ÑÑ p ÐÐ: p Ð: p :ÑÑ p Ð: p :ÑÑ ÐÐ: p Ð: p :ÑÑ p Ð: p :ÑÑ : p Ð: p :Ñ :p: Ax. para obter uma dedução de 9 p 9. 2 (MP) (H$ ) 3. o facto de todas as derivações serem sucessões finitas de fórmulas implica logo a propriedade de finitude: (PF) > ¯H 9 sse existe uma parte finita >! de > tal que >! ¯H 9 . através de regras derivadas (tal como se fez para DN). ou que é derivável de >. (H# ) 1. Por outro lado. 4 (MP). quando o conjunto de hipóteses é > œ g. e se > ¯H 9 dizemos que 9 é um teorema com hipóteses em >. Deduzimos : p :. ñ se > é um conjunto de fórmulas (finito ou infinito). ou simplesmente que é um teorema de >. os axiomas são trivialmente deriváveis. ou é inferida de duas fórmulas precedentes 94 . > ¯H 9 sse existe uma sucessão finita de fórmulas 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   "). Mas alguma coisa se pode fazer no sentido de facilitar o trabalho dedutivo. todo o teorema lógico é um teorema de >. CÁLCULO PROPOSICIONAL ñ ¯H 9 sse existe uma sucessão finita de fórmulas 9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 (8   "). (H" ) 3. tal que cada 93 com 3 Ÿ 8 é um axioma. 18. 95 (4. ou é uma hipótese (em >).2 Exemplos (1) ¯H 9 p 9 (lei da identidade). qualquer que seja o conjunto >. (H" ) Ax. qualquer que seja 9. Por estes exemplos já se vê como são «artificiais» as deduções no sistema H. a última das quais é 9.

Esquematicamente. portanto. 9 pode estar ou não entre os 93 (" Ÿ 3 Ÿ 7). Acontece. Em seguida forme-se a sucessão (‡‡) 9 p 9" ß ÞÞÞß 9 p 97" ß 9 p 97 . um número finito delas [pela propriedade de finitude (PF)]. Mostraremos como transformar toda a derivação de < com hipóteses em >  Ö9× numa derivação de 9 p < com hipóteses em >. 93 é 9 . então > ¯H 9 p <. Neste caso inserimos imediatamente antes de 9 p 93 œ 9 p 9 as quatro primeiras linhas da dedução de 9 p 9 . as fórmulas a inserir antes de 9 p 93 dependem da justificação de 93 na derivação (‡). Herbrand-Tarski. porém. vários casos a considerar: Caso 1. . sem perda de generalidade. CÁLCULO PROPOSICIONAL 129 sentido é o resultado seguinte. Dem. Há. e analogamente para as fórmulas de >. a qual não é. 93 é um axioma — trata-se de maneira análoga à do caso 1. que inserindo mais algumas fórmulas nos locais apropriados se obtém uma tal derivação. (>) (H" ) i. i+1 (MP) Caso 2. que corresponde à regra de introdução de p . uma derivação de 9 p < com hipóteses em >. Pois seja (‡ ) 9" ß ÞÞÞß 97" ß 97 uma derivação qualquer de < œ 97 com hipóteses em >  Ö9×.II. 1930) Se >  Ö9× ¯H <. (>) { i ã m 9 p 9" 9 p 93 9 p 97 m+2 9 p 97 1 ã i { i+1 i+2 9 p 9" 93 93 p Ð9 p 93 Ñ 9 p 93 Hip. como no exemplo 1 acima (com “9” no lugar de “:”). mas. . quando muito. e podemos supor. Caso 3.. no sistema de dedução natural. 7. sendo a segunda delas um axioma (H" ). 18.3 Metateorema da dedução (MD. 93 é uma hipótese em >. Para cada 3 œ ". ( p )... Neste caso inserimos as duas fórmulas seguintes 93 ß 93 p Ð9 p 93 Ñ imediatamente antes de 9 p 93 . embora a última fórmula seja a pretendida. em geral. e é claro que esta é inferida daquelas duas por (MP). que esta fórmula não está em > (caso 1). as transformações efectuadas foram: 1 ã i ã m 9" 93 97 1 ã Hip.

130 II. a lei de permutação dos antecedentes (4d) ¯H Ð9 p Ð< p )ÑÑ p Ð< p Ð9 p )ÑÑ. que só utiliza a regra (MP)]. Sem estes recursos teríamos de «encaixar» no seio da derivação seguinte mais quatro linhas a seguir à primeira e. noutros passos. sem necessidade de fazer qualquer derivação adicional.4 Exemplos (3) Como exemplo de aplicação. [exercício deveras simples. 9 p Ð< p )Ñ ¯H < p Ð9 p )Ñ. começando por estabelecer (4a) 9 p Ð< p )Ñß <ß 9 ¯H ). obtemos sucessivamente. 2 (4b) (H" ) 3. portanto. a seguir à actual segunda. CÁLCULO PROPOSICIONAL Caso 4. uma dedução de 9 p < com hipóteses em >. e. 95 por (MP). Por exemplo. (4b) (4c) 9 p Ð< p )Ñß < ¯H 9 p ) . donde (5a) 9 p <ß < p ) ¯H 9 p ) (silogismo hipotético). Obtemos. (5) 9 p <ß < p )ß 9 ¯H ) (exercício). Deixamos os pormenores como exercício. (4) O (MD) facilita enormemente o processo dedutivo de fórmulas condicionais. por (MD). recorrendo num certo passo à lei da identidade (1) anteriormente estabelecida e. a teses anteriormente derivada de duas fórmulas precedentes. exactamente as mesmas que as hipóteses de > utilizadas em (‡). 93 é inferida de duas fórmulas precedentes 94 . finalmente.è 18. utilizando o exemplo 2 acima podemos concluir imediatamente que ¯H c< p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ. correspondentes a (4b) e a (5a) acima. (6) ¯H cc9 p 9 (lei de eliminação da dupla negação). . Fazemos uma derivação abreviada. inserir tantas quantas as necessárias correspondentes a (4b): 1 2 3 4 5 Ðc9 p cc9Ñ p ÐÐc9 p c9Ñ p 9Ñ c9 p c 9 Ðc9 p cc9Ñ p 9 cc9 p Ðc9 p cc9Ñ cc9 p 9 (H$ ) (1) [com “9” em vez de “:”] 1. 4 (5a).

5 (MP). 4 T+ (5a). (11) ¯H Ð9 p <Ñ p ÐÐ9 p c<Ñ p c9Ñ. 2 (MP) (H" ) 3. o comprimento das derivações. para o que basta mostrar que 9 p < ß 9 p c< ¯H c9. O seu enunciado até se pode simplificar um pouco. donde (8a) (9) c< p c9. Todavia.II. 2 T+ (7) T+ (3) 3. . Hip. aplicaremos o princípio todas as vezes que for conveniente. (8) c9 ß 9 ¯H < [exercício: use (H" ). CÁLCULO PROPOSICIONAL 131 O leitor reconhece nos expedientes utilizados nesta derivação abreviada uma situação descrita anteriormente no sistema DN: o Princípio da Introdução de Teses (T+ ) (p. T+ (6) 1. c< p c9 9 cc9 cc9 p ÐÐc< p c9Ñ p <Ñ Ðc< p c9Ñ p < < Hip. 2 T+ (5a) 5 T+ (9a). (9a) (10) 9 p < ¯H c< p c9: 1 2 3 4 5 6 9p< cc9 p 9 cc9 p < < p cc< cc9 p cc< c< p c9 Hip. 9 ¯H <: 1 2 3 4 5 6 Então. (H# ) e (MD)]. por (MD). 2 T+ (5a) T+ (7) 1. abreviando. ¯H c9 p Ð9 p <Ñ. mas escusamos fazê-lo. 63). c< p c9 ¯H 9 p <. assim. omitindo as referências às «dependências de hipóteses». 4 (MP) 1. (7) ¯H 9 p cc9 (lei de introdução da dupla negação): 1 2 3 4 5 Ðccc9 p c9Ñ p ÐÐccc p 9Ñ p cc9Ñ ccc9 p c9 Ðccc9 p 9Ñ p cc9 9 p Ðccc9 p 9Ñ 9 p cc9 (H$ ) T+ (6) 1. A justificação deste princípio no presente sistema é exactamente a mesma que foi aí dada e acima exemplificada duas vezes.

resulta (ii) cc9 p <. (ii) e a regra (MP). a primeira hipótese 9 p < e o silogismo hipotético (5a) resulta (i) cc9 p <. Como se disse. contem (H" ) e (H2 ) entre os seus axiomas e a regra (MP).5 Axiomas e regras proposicionais de K As fórmulas e regras de uma das formas seguintes são os axiomas e regras do sistema K: (K" ) 9 p Ð< p 9Ñ. (K%b ) 9 • < p <. (K' ) Ð9 p )Ñ p ÐÐ< p )Ñ p Ð9 ” < p )ÑÑ. (K) ) cc9 p 9Þ Regra de inferência modus ponens (MP) 9ß 9 p < . (K( ) Ð9 p <Ñ p ÐÐ9 p c<Ñ p c9Ñ. obtemos c9. nos primitivos c. Kleene (1952). • e ” . para o da lógica proposicional sem negação) e para subsistemas de sistemas que sejam variantes de H ou que. Um exemplo paradigmático do que acabamos de dizer é o sistema seguinte. (i). (13) ¯H Ð9 p <Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p <Ñ: exercício. Além disso. com sistemas com outros primitivos. para as transformações a efectuar. usando o axioma (H$ ). CÁLCULO PROPOSICIONAL Ora.88 (K3 ) 9 p Ð< p 9 • <Ñ.132 II. que designamos por K. devido essencialmente a S. (K&a ) 9 p 9 ” <. a qual também se deriva sem dificuldade no sistema K. pela lei (6) cc9 p 9 . (12) ¯H 9 p Ðc< p cÐ9 p <ÑÑ: exercício. como se pretendia. 18. além de facilitar a comparação com outros sistemas com estes primitivos e. o que. em virtude da lei de permutação dos antecedentes do exemplo (4). pelo menos. até. p. Uma observação importante a respeito da demonstração do metateorema da dedução (MD) é que. (K&b ) < p 9 ” <. (K%a ) 9 • < p 9. e em vez dos axiomas (K# ) = (H# Ñ encontramos Ð9 p <Ñ p ÐÐ9 p Ð< p )ÑÑ p Ð9 p )ÑÑ. a diferença não é essencial. como H. a demonstração é construtiva. apenas são necessários os axiomas (H" ) e (H2 ). < 88 No sistema original de Kleene a numeração dos axiomas é ligeiramente diferente. analogamente.C. (K2 ) ÐÐ9 p Ð< p )ÑÑ p ÐÐ9 p <Ñ p Ð9 p )ÑÑ. duas vezes. . Isto significa que o (MD) é válido para diversos subsistemas de H (nomeadamente. e a regra (MP). pois mostra como construir efectivamente uma derivação a partir de uma derivação dada. usando agora a segunda hipótese.

grosso modo. em > 9p< 9 < Hip. é muito simples de provar (em H e em K). m m+1 m+2 Para facilitar a comparação de K com DN e não só. duas vezes. 48) e às propriedades da p conjunção. 61. (‡ ) se > ¯K 9 p <. Tal como em DN. V). Os exemplos (1)-(13) acima. eliminando a dupla negação.II.. nos primitivos c.. juntamente com os exercícios 2. então >  Ö9× ¯K <. A propriedade recíproca desta também vale. enquanto (K( ) é a versão fraca do referido método. 9# . serão suficientes para convencer o leitor de que o sistema H é. por exemplo. pelo facto de as listas de primitivos serem diferentes também). 98 ¯H <. utilizando (K( ) Ðc9 p <Ñ p ÐÐc9 p c<Ñ p cc9Ñ e (MP). Abreviamos >  Ö9× em >ß 9 e ¯K em ¯ . em particular. pois basta acrescentar duas linhas a uma dedução de 9 p < com hipóteses em > para obter uma dedução de < com hipóteses em >  Ö9×: 1 ã Hip. o tratamento do bicondicional (o ) reduz-se à sua definição (pág. (K) ). . que podemos encarar como propriedades de introdução e de eliminação dos conectivos. obtemos cc9. os quais. . reside nos axiomas (K( ) e (K) ). a nota 53. obtém-se uma axiomatização da lógica proposicional intuicionista.. juntar simplesmente (K$ )-(K' ) a (H" )-(H# )] é a seguinte: mediante a omissão de um único axioma. .. tão forte como o sistema K: 9" . A propriedade recíproca do metateorema da dedução. Para mais pormenores veja-se o capítulo V e. KM . m. CÁLCULO PROPOSICIONAL 133 A diferença mais significativa relativamente ao sistema H (descurando as diferenças mais óbvias. A razão fundamental para a escolha por Kleene destas axiomas [em vez de. p. a qual já é intuicionisticamente válido. clássica mas não intuicionisticamente válido. é conveniente dispor de algumas propriedades adicionais da relação de derivabilidade em K. 89 Esta lei justifica a versão forte do método de redução ao absudo.40. ¯K Ðc9 p c<Ñ p ÐÐc9 p <Ñ p 9Ñ. pelo menos. Para isso. 98 ¯K < Ö 9" . e na presença dos dois primeiros. m+1 (MP). 9# . p. c9 p < ¯K 9: a partir das duas hipóteses.. e daqui são 9.. limitamo-nos a mostrar que ¯K (H$ ). isto é. • e ” (ver final do Cap.89 para o que basta mostrar que c9 p c<. possuem uma força dedutiva equivalente ao axioma (H$ ).

por (Ic). justificamos (Ic). donde. 9 • < ¯ <. Como ilustração. 9•< < Tratamos de seguida da relação entre K e DN. (E ” ) e (Ec). (I ” ): 9 ¯ 9 ” <. (Ec) = ( ¼ ): 9ß c9 ¯ <. utilizando os axiomas (K' ) e (MP). e finalmente >ß 9 ” < ¯ ) . na maioria.6 Metateorema (Introdução e eliminação dos conectivos) (a) Introdução dos conectivos: (I p) = (MD): >ß 9 ¯ < Ê > ¯ 9 p <. imediatas. (Io ): 9 p <ß < p 9 ¯ 9 o <. donde 9ß c9 ¯ cc<. (Ic): supondo >ß 9 ¯ < e >ß 9 ¯ c<. etc. e a indirecta. passando pelos metateoremas da validade e da completude semântica para um ou outro dos . por (‡) acima. Não é difícil prever que TeorK œ TeorDN . p p (b) Eliminação dos conectivos: (E p) = (MP): 9ß 9 p < ¯ <.è As propriedades acima desempenham o papel de regras derivadas e algumas podem. (I • ): 9ß < ¯ 9 • <. (E ” ): supondo >ß 9 ¯ ) e >ß < ¯ ). (E • ): 9 • < ¯ 9. duas vezes. pelo metateorema da dedução vem > ¯ 9 p ) e > ¯ < p ) . donde. (E ” ): >ß 9 ¯ ) e >ß < ¯ ) Ê >ß 9 ” < ¯ ) . pelo metateorema da dedução vem > ¯ 9 p < e > ¯ 9 p c<. p p p Dem. (Ec): tem-se. vem 9ß c9 ¯ <. ser formuladas como tal. As justificações são. (Ecc): cc9 ¯ 9. Para chegar a este resultado há duas vias. 9ß c9ß c< ¯ 9 e 9ß c9ß c< ¯ c9 . por (Ecc). (Eo ): 9 o < ¯ 9 p <. 9 o < ¯ < p 9 . utilizando os axiomas (K( ) e a regra (MP). é claro. obtém-se > ¯ 9 ” < p ). (Ec) = ( ¼ ) . < ¯ 9 ” <. a directa (mostrando que para qualquer fórmula 9 se tem ¯ K 9 × ¯ DN 9). (Ic) = (RA*): >ß 9 ¯ < e >ß 9 ¯ c< Ê > ¯ c9.134 II. e como cc< ¯ <. CÁLCULO PROPOSICIONAL 18. por exemplo (I • ) 9ß < 9ß c9 . obtém-se > ¯ c9. trivialmente.

às leis associativas. pelo que é conveniente conhecer técnicas para obter fórmulas logicamente equivalentes na FNC mais expeditas do que a exposta em II. aliás. e outras equivalências lógicas como 9 ” 9 µ 9. 90 “A Machine oriented logic based on the resolution principal”. pp. então 9" µ 9$ . Um tal procedimento algoritmico. porém.13. A. atendendo a que os axiomas de K são válidos e a regra (MP) é válida. cc9 µ 9. por exemplo. comutativas e distributivas. 9 • Ð< ” c < Ñ µ 9 . . Num extremo.90 O método de resolução só se aplica. Robinson. nele se baseando a linguagem PROLOG. 9 • 9 µ 9. 9 ” Ð < • c < Ñ µ 9 . (2) a transitividade da relação de equivalência lógica: se 9" µ 9# e 9# µ 9$ . reproduzido em SIECKMANN & WRIGHTSON (onde também se reproduzem outros trabalhos seminais sobre a demonstração automática). e está no cerne de muitas aplicações da lógica às ciências da computação.II. dos tableaux ou de Gentzen são bastante bons para a lógica proposicional. 9w œ 9Ò5# Ó resulta de 9 substituindo uma ou mais ocorrências de 5" pela fórmula 5# . tal como o dos tableaux de Beth. 12 (1965). TeorK © Val © TeorK . Os sistemas de dedução natural. e é particularmente vantajoso na lógica de primeira ordem. como: (1) Equivalências lógicas diversas. Deixamos os pormenores ao cuidado do leitor. (3) a propriedade de substituição de equivalentes: se 5" é uma subfórmula de 9 œ 9Ò5" Ó. e 5" µ 5# . incluindo as referentes às leis de De Morgan. depende de certos conhecimentos e propriedades. a fórmulas na FNC. os sistemas à Hilbert são ineficazes na busca. mas perdem eficiência na lógica de primeira ordem. 76-78 e exercícios respectivos). que descrevemos mais adiante. ACM. J. O método dedutivo chamado resolução é o sistema mais eficiente para a lógica proposicional. CÁLCULO PROPOSICIONAL sistemas. 23-41. então 9 µ 9w . Foi concebido em 1963 pelo lógico americano J. Diferentes sistemas satisfazem este requisito de diferentes maneiras. com o qual tem. É um método refutacional. 135 A primeira inclusão é simples de estabelecer por indução no comprimento das deduções. algumas semelhanças. *II.19 Outros sistemas dedutivos (IV): resolução Uma propriedade desejável de um sistema dedutivo é a facilidade de mecanizar eficientemente a busca de derivações. A segunda inclusão (na versão generalizada) demonstra-se exactamente como para DN (pp.

Juntar as literais dos mesmos átomos utilizando as leis associativas e comutativas. 9 µ ÐcÐ: ” .Ñ ” . resulta 9w œ 9Òc. pois . ” <Ó œ : ” Ð.136 Por exemplo.Ñ ” Ð: • .Ñ ” Ðcc: • cc.ÑÑ • < µ Ðc: ” :Ñ • Ðc. de II. ” :Ñ • Ðc: ” . Ao mesmo tempo que descrevemos o algoritmo de conversão na FNC. utilizando a propriedade de substituição (4). e 5 o ) por p Ðc5 ” )Ñ • Ðc) ” 5 Ñ. mas na chamada forma clausural.ÑÑ • <. Mover as negações para junto das fórmulas atómicas (letras proposicionais) utilizando as leis de De Morgan (1). simplificar as duplas negações cc:3 . p <ÑÑ. Para aplicar o método de resolução é conveniente apresentar as fómulas não na FNC usual (conjunção de disjunções de literais) 9 œ ÐT"" ” â ” T"58 Ñ • ÐT#" ” â ” T#58 Ñ • â • ÐT8" ” â ” T858 Ñ. ” . A propriedade (3) pode-se demonstrar facilmente por indução na complexidade das fórmulas. quer dizer. possivelmente.Ñ • < µ Ðc: ” . com o bicondicional definido o ) obter p 9w tal que 9w está na FNC e 9w µ 9 (ver quadro seguinte). 3. dada 9 ao arbítrio (na linguagem com primitivos c. p e. Exemplo de aplicação a 9: Nada a fazer a 9 nesta etapa. Etapas do algoritmo: 1. 5. 4. Regressar às etapas 3 e 4 tantas vezes quantas necessárias. aplicamo-lo à fórmula 9 œ cÐÐ: ” . conforme as equivalências lógicas (1). • . ” <. ” <ÑÑ µ 9. p < µ c.Ñ • <. Aplicar as leis distributivas (1).Ñ • Ðc: ” . p cÐc. O algoritmo consiste em instruções para. CÁLCULO PROPOSICIONAL 9 œ 9Ò. 2. ” . como um conjunto de conjuntos de literais . até obter uma equivalente a 9 na FNC. p <Ó œ : ” Ð. p cÐ.Ñ ” cÐc: ” c.ÑÑ • < µ ÐÐc: • c.Ñ • • Ðc.Ñ • Ðc: ” c.ÑÑ • < µ ÐÐÐc: • c. Substituir toda a subfórmula de 9 da forma 5 p ) por c5 ” ).ÑÑ • < µ ÐÐc: • c.Ñ ” :Ñ • ÐÐc: • c. as iteradas :3 • :3 e :3 ” :3 e eliminar :3 • c:3 e :3 ” c:3 .

CÁLCULO PROPOSICIONAL V9 œ ÖÖT"" ß ÞÞÞß T"58 ×ß ÖT#" ß ÞÞÞß T#58 ×ß ÞÞÞß ÖT8" ß ÞÞÞß T858 ××. s satisfaz todas as fórmulas de g. s tal que s œ s œ s œ " satisfaz V9 . pois nenhuma valoração booleana satisfaz . 91 Queremos assim. por vezes também designamos por 9. um modelo. então. das literais em é verdadeira (como se continuasse a ser uma disjunção aos nossos olhos). designada por . pelas leis de De Morgan.. admitiremos que existe uma cláusula nula (ou vazia). Por razões técnicas. G8 .II. Note-se o papel diferenciado da vírgula ‘ß ’ separando as literais dentro das cláusulas — correspondente a ‘ ” ’ — e separando as cláusulas dentro da forma clausural — como se fosse ‘ • ’. pelo menos. Uma forma clausural V é compatível sse V tem. portanto." • â • . ß :×ß Öc:ß .×. por abuso. pelo menos. caso contrário existiria. . g. sse @ satisfaz a disjunção T3" ” â ” T358 ).4 ’s são átomos." • â • .1 Definição Dizemos que uma valoração booleana s satisfaz (ou é modelo @ @ de) uma cláusula G3 œ ÖT3" ß ÞÞÞß T358 × sse s satisfaz alguma literal T34 (isto é. .m Ñ µ . @< cláusulas G" œ Öc. 8 desta forma clausural é chamado uma cláusula." ” â ” c.. 92 Na realidade. 19. 137 o qual. uma fórmula 9 − g que não era satisfeita por s. 19. onde os :3 ’s e os . por convenção. ” :Ñ • Ðc: ” ...m p :" ” â ” :5 . para qualquer s. @ .92 É claro. Por exemplo. G$ œ Ö<×. 9 µ :" ” â ” :5 ” cÐ. comutativas e de conversão.m .×ß Ö<××. não devemos confundir com o conjunto vazio de literais. a qual é incompatível. o que é impossível..Ñ • < tem a forma clausural 9 œ V9 œ ÖÖc. e dizemos que s satisfaz a forma clausural @ V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 × sse s satisfaz todas as cláusulas G" . No exemplo acima. 3 œ ". G# œ Öc:ß .91 Por virtude desta convenção.2 Notações da «programação em lógica» Em várias versões do PROLOG e da «Programação em lógica» são comuns a terminologia e as notações seguintes: Se 9 é da forma :" ” â ” :5 ” c. já que este é trivialmente compatível.. pois satisfaz as três @ @: @. 9 œ Ðc. pois não deixamos de interpretar (e qualquer outra cláusula) como «verdadeira» quando e só quando uma. ß :×. @ @ pelo menos. que qualquer forma clausural V contendo é incompatível. Cada membro ÖT3" ß ÞÞÞß T358 ×.

A esta terminologia junta-se uma outra. (3) diznos que.." . :" à ÞÞÞà :5 : .. e significa simplesmente que :" é «verdadeira» ou bem sucedida e. e. que os lógicos informáticos abreviam em (2) Com 5 œ ". se . que é chamada uma cláusula de objectivo definido ou objectivo de programa. por ser equivalente a c. ." ß âß c.m formam o corpo de (3) (será caso para dizer. em conformidade. proveniente de uma fórmula de Horn (p. Observe-se ainda que um conjunto de cláusuras. o átomo :" é o objectivo («goal») ou a cabeça de (3).m também são chamados os subobjectivos: intuitivamente.4 .m — primeiro o corpo. pelo menos. . significa que um dos ." ß ÞÞÞß . . por isso. CÁLCULO PROPOSICIONAL :" ” â ” : 5 o . interpretamos intuitivamente a afirmação (como «verdadeira») de uma cláusula de Horn (4) como a especificação das condições em que o objectivo :" é «verdadeiro». . e as componentes . onde as cláusulas que constituem V representam informação sobre as relações entre as cláusulas. 89).m ). que é. devemos primeiro estabelecer . e. Se 5 œ ! em (2)." ” â ” c.. de . Os átomos do corpo . pode ser considerado como uma base de dados. m ." e â e . a do sucesso/fracasso: o objectivo :" é bem sucedido se for «verdadeiro» quando os subobjectivos são «verdadeiros» (em termos de programação.m ..m («:" . a cláusula de Horn fica reduzida a (4) : .m .." ß ÞÞÞß . o objectivo falhou ou fracassou.m . também é chamada um facto.m p :" . . isto pode significar ter uma derivação de :" a partir do corpo). V. Se 7 œ !." ß ÞÞÞß . " • â • . no caso contrário." . que o símbolo ‘ : ’ representa o pescoço que liga a cabeça ao tronco).. ou à cláusula Ö:" ß c. portanto... Como estamos normalmente interessados em estabelecer certo resultado. é «falso» ou fracassou." . e depois. para estabelecer :" .. a cabeça. ou seja. obtemos (3) :" : . Em termos de «derivabilidade» ou da escrita de programas. . razão por que se chama também a (3).138 sendo todavia mais comum a escrita sinónima (1) II. uma abreviatura de :" o .m ). uma cláusula de Horn.m . (que se lê e significa intencionalmente: «:" ou â ou :5 se . ." • â • ." • â • .m ×. a cláusula (5) :" : é uma cláusula unitária." e â e .

faz corresponder uma outra cláusula H. Ö. Resumindo. onde G" œ Ö:ß c.II. ß c:× . chamada uma resolvente daquelas duas. (R). CÁLCULO PROPOSICIONAL 139 19. a resolvente de G" e G# é H œ ÐG" Ï ÖP×Ñ  ÐG# Ï ÖP×Ñ. Para se poder aplicar a regra (R) às cláusulas G" e G# é necessário que para alguma literal P se tenha P − G" e P − G# . ÐG" Ï ÖP×Ñ  ÐG# Ï ÖP×Ñ 19. G$ œ Öc:. Öc. ß <× (2) Ö:" ß :# ß ÞÞÞß :5 ß c. que a cada par de cláusulas. G# œ Ö. se P œ c:. o que pode ser indicado por um esquema como G" ß G # . Ö:# ß ÞÞÞß :5 ß c. R. Por exemplo.7 ×ß Öc:" ß :# ß ÞÞÞß :5 ß c<" ß ÞÞÞß c<6 × . então a regra tem a forma (R) G" ß G # . se P − G" e P − G# para alguma literal P. onde Pœœ c: : se P œ :.×ß Ö:ß <× . se V œ ÖG" ß G# ß G$ ×." ß ÞÞÞß c. a regra (R) poderá aplicar-se a vários pares de cláusulas. H G" ou ÏÎ H G# . é baseado numa única regra. a regra de resolução. ß c<×.c=×." ß ÞÞÞß c. G" e G# em certas condições. Ö:ß c<ß =× G" ß G$ . ß =×. Ö.7 ß c<" ß ÞÞÞß c<6 × (3) Se V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 × é um conjunto finito de cláusulas.4 Exemplos (1) Öc:ß . ß c<ß c=× G# ß G$ . então a regra de resolução pode-se aplicar aos três pares possíveis: G" ß G # .3 Regra de resolução O sistema de resolução. Nestas condições.

e. se V é finito. se V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 ×.× . Ö. é claro. Definimos recursivamente os conjuntos de cláusulas V8 ÐVÑ (8   !) por V! ÐVÑ œ V. Ö:ß c<ß =×ß Öc. isto é. (ii) se G" . chama-se conjunto resolvente de V ao conjunto de cláusulas VÐVÑ œ V  ÖH À H é uma resolvente de duas cláusulas em V×. o mais pequeno conjunto de cláusulas tal que: (i) se G − V. então G − V‡ ÐVÑ. e o exercício 2.5 Observações 1) Um par de cláusulas pode ter mais do que uma resolvente. 49. o fecho de V por V . Ö:ß c:× . ß c. G# − V e H é uma resolvente de G" e G# .×. então cada conjunto V8 ÐVÑ também é finito mas. Öc:ß c. o fecho V‡ ÐVÑ pode não ser finito.1) de fecho V‡ ÐVÑ: é o mais pequeno conjunto de cláusulas contendo (as cláusulas de) V e fechado para V . V8" ÐVÑ œ V ÐV8 ÐVÑÑ. por exemplo. Ö:ß c<ß c.8œ! V8 ÐVÑ œ V  V ÐVÑ  V# ÐVÑ  â . finalmente. Por outro lado. ß c:××. 19. pelo menos em princípio. pág. tem-se VÐVÑ œ ÖG" ß G# ß G$ . ÞÞÞ.×. ÞÞÞ. ß c<ß c=×ß Ö.× . CÁLCULO PROPOSICIONAL Às resolventes H" œ Ö:ß c<ß =× e H# œ Öc. Öc:ß c.3. V# ÐVÑ œ V ÐV ÐVÑÑ. então H − V‡ ÐVÑ. Note-se que.× Em geral. mesmo que V seja finito.140 II. é conveniente ter em conta uma outra definição possível (equivalente à dada — veja-se a secção II. V" ÐVÑ œ V ÐVÑ. ß c<ß c=×. podemos voltar a aplicar a regra (R): H" ß H# . Para o exemplo V œ ÖG" ß G# ß G$ × acima. Ö:ß .× Ö:ß . pondo _ V‡ ÐVÑ œ .

então @ satisfaz uma das literais P. e H é uma resolvente de G" e G# . facilmente se compreende e demonstra que a regra de resolução é válida: sempre que uma valoração booleana @ satisfaz as cláusulas G" e G# . então @ satisfaz H. estende-se natural e . pelo menos.. Por conseguinte. a regra (R) preserva a compatibilidade: se V é compatível.. . por exemplo. Sem perda de generalidade podemos supor G" œ w w w w G"  ÖP×.. Uma cláusula H diz-se derivável-R a partir de V œ V9 (ou de 9). mediante a definição do que constitui um derivação neste sistema. H3 − V ou existem 4.6 ). logo @ é modelo de H.. Öc:× . 7. Por outro lado. Ö:×.. Atendendo à definição de VÐVÑ. se @ satisfaz ambas as cláusulas. podem-se omitir o prefixo «-R» e a expressão «a partir de V» quando não houver perigo de confusão." ” â ” c. então @ é modelo de H. ou. pelo menos.93 93 Na prática. H7 de tal modo que. e H é uma resolvente de G" e G# . abusivamente. a qual ainda está na resolvente H. por conseguinte.7 Definição Uma derivação-R a partir de um conjunto de cláusulas (em particular. a derivação de H a partir de V chama-se uma refutação-R de V.6 × representa uma disjunção (:" ” â ” :5 ” c. por isso. uma derivação a partir de V cuja última cláusula é precisamente H (e dizemos que se se trata de uma derivação de H a partir de V). a partir de 9 ) é uma sequência finita de cláusulas H" .6 Lema [Validade da regra (R)] Se uma valoração booleana s satisfaz uma forma clausal V. Assim. Se H œ . G# œ G#  ÖP× (com P  G" e P  G# ). tem-se o seguinte: 19. V é um conjunto arbitrário (finito ou infinito) de cláusulas e. e também uma das w w literais em G"  G# . para cada 3 œ 1. basta realmente mostrar que se uma valoração @ é modelo das cláusulas G" e G# . e escreve-se V ¯ R H (ou 9 ¯ R H).II. Dem. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2) Uma resolvente possível é a cláusula vazia. a partir de uma forma clausural V œ V9 . e H é refutável-R a partir de V sse existe uma refutação-R de H a partir de V. 5  7 tais que H3 − VÐÖH4 ß H5 ×Ñ. sse existe.è Montaremos agora o sistema dedutivo baseado na regra de resolução. 19. P. nesta definição de derivabilidade a partir de V. Ora. . e que uma forma clausural ou conjunto de cláusulas V œ ÖG" ß ÞÞÞß G8 × representa uma conjunção («G" • â • G8 ») e. Mais geralmente. então VÐVÑ é compatível.. uma fórmula na FNC: V œ V9 œ 9 œ 31T34 . 141 3) Recorde-se que uma cláusula G œ Ö:" ß ÞÞÞß :5 ß c. então @ satisfaz @ VÐVÑ." ß ÞÞÞß c.

abreviamos ‘V ¯ H’ em ‘G" ß …ß G8 ¯ H’ . ß <× Öc:ß c<× Öc:ß c. De quaiquer duas destas quatro cláusulas não se obtém nenhuma resolvente nova e. todavia.Ñ • Ðc. ” <Ñ • Ð. na forma clausal. portanto. ß :× Öc. Ö. se é derivável-R de V. 3. A primeira coisa a fazer. ” :Ñ • • Ðc: ” c<Ñ • Ð< ” c:Ñ. . é obter 9 na FNC e. V œ V9 œ ÖÖc:ß c.142 II. Atendendo ao lema acima e ao facto de ser incompatível. ß :×ß Öc<ß :×ß Öc:ß . 7 R 3. 4. ß :× Ö:× Öc:ß c.××.Ñ • Ð: o c<Ñ ¯ R p p p Derivando: 1. ß c. então uma tal derivação é uma indicação de que V é incompatível (ver metateorema da validade mais adiante). 7.×ß Ö:ß c:××. 6. 5 R V 6. Ora. 8. de modo que V" ÐVÑ œ ÖÖ:ß . …. V8 considerando a união V œ -8 V3 . CÁLCULO PROPOSICIONAL Observe-se que esta definição assegura. desde logo. construindo uma derivação-R de a partir de 9. 2 R V V 4. mostramos que 9 é incomp p p patível. Exibimos a seguir a prova de que Ð: o Ð. podemos concluir que V" ÐVÑ œ V# ÐVÑ œ V‡ ÐVÑ. Tem-se 9 µ Ðc: ” c. 8 R. (2) Dada 9 œ Ð: o Ð. ß :×ß Öc:ß c<×ß Ö<ß c:××.×ß Öc:ß c.×ß Öc.× e Ö:ß c:×. as resolventes possíveis são Ö.Ñ • Ð: o c<Ñ. 19. ß c.8 Exemplos (1) Vamos determinar V‡ ÐVÑ.× Öc:× V V 1.×ß Öc:ß c. Se 3œ" V œ ÖG" ß …ß G8 ×. 9.×ß Ö. portanto. então existe um conjunto finito de cláusulas V! © V tal que V! ¯ R G . ß <×ß Ö. e. 5. p <ÑÑ • Ð: o . compreende-se que. p <ÑÑ • Ð: o . depois.× Öc:ß . 2. imediatamente à derivabilidade a partir de V" . a propriedade de finitude: se V ¯ R G . onde V œ ÖÖ:ß . ” <Ñ • Ðc< ” :Ñ • Ðc: ” .

e é evidente que G − V‡ ÐVÑ œ V  ÞÞÞ . ( Ê ) Suponhamos que V ¯ R G .×ß Öc:ß c. Exemplificando: Öc:ß c. ß c<× Öc:ß c.. ß <×ß Ö.×: Öc:ß c.× ÏÎ Öc. o que vai permitir demonstrar o lema por indução. existe uma derivação-R de G a partir de V sse G − V‡ ÐVÑ. por indução no comprimento 8 das derivações G" . Até final desta secção ocupamo-nos da metateoria. . G# . . V ¯ R Í − V ‡ ÐV Ñ . G é refutável-R a partir de V sse − V‡ ÐVÑ: V ¯ R G Í G − V‡ ÐVÑ. ß <× ÏÎ Ö:ß c. Isto acarreta.×ß Öc:ß c. só pode ser G − V. que que G − V‡ ÐVÑ]. em particular. ß :× Öc. ß c<×ß Öc:ß c. ß :× Öc:ß c.× Öc:ß c. em ambos os sentidos. que para todo 3 Ÿ 8 se tem G3 − V‡ ÐVÑ [com 3 œ 8 resulta.× ÏÎ ÏÎ Ö:× Öc:× ÏÎ . . nomeadamente. em ambas as demonstrações.. G# .×× ¯ R .. dos metateoremas da validade e da completude semântica.. (3) ÖÖ:ß c. em particular. ß <× Öc:ß c<× ÏÎ Ö. em particular.II.×. que se demonstre um pouco mais do que o que aparenta ser necessário. As definições da derivabilidade e do fecho por V são ambas indutivas.× Öc:ß . G8 de G œ G8 a partir de V. ß c<×ß Öc:ß c.. Suponhamos que a propriedade em questão é verdadeira para 8 e seja G" .. Provamos. A derivabilidade-R pode ser caracterizada em termos do fecho por V do seguinte modo: 19. ß <×× ¯ R Öc. Se esse comprimento é 8 œ ".9 Lema (Caracterização da derivabilidade-R) Para toda a cláusula G e forma V. CÁLCULO PROPOSICIONAL 143 As derivações-R também podem ser apresentadas sob a forma de árvore. Daqui também podemos facilmente obter uma outra derivação que mostre que: ÖÖ:ß c. Dem.

144 II.è 19. digamos G4 . 19. então G8" − V7" ÐVÑ © V‡ ÐVÑ.. Então. nomeadamente. o que é absurdo.. @# Ð:5 Ñ œ !.. Então c:5 − G" . G" .. ..6 tantas vezes quantas as necessárias. 0) é a chave para o resultado mais «fácil».. por hipótese de indução.. nenhuma tal derivação pode ser uma derivação de . que toda a cláusula de V8 ÐVÑ é derivável-R a partir de V... e V5" é o conjunto da cláusulas deriváveis-R a partir de V contendo apenas literais nos átomos :" .. ou (b) :5 − G" . Deixamos os pormenores ao cuidado do leitor.. pois @" Ð:5 Ñ œ ". logo @" satisfaz G" . CÁLCULO PROPOSICIONAL G8 . digamos G − V 5 ÐVÑ. :5 (5   "). suponhamos que G − V ‡ ÐVÑ. . :5" e tais que @" Ð:5 Ñ œ ". por hipótese. ( É ) Reciprocamente. então cada G3 (1 Ÿ 3 Ÿ 8) é compatível. G8 − V‡ ÐVÑ. Dem. e dois casos se podem dar: (i) G8" − V — neste caso é imediato que G8" − V‡ ÐVÑ. Como é incompatível. G8" uma derivação de G de comprimento 8  ".. ou (ii) G8" é uma resolvente de G4 e G5 para alguns 4. G5 − V7 ÐVÑ com 7 suficientemente grande. caso em que G" − V5" e @" satisfaz G" . dos metateoremas da validade e da completude semântica. Tomando V e V5" como no enunciado. como G4 . seja @ um modelo de V5" e sejam @" . G8 for uma derivação a partir de V. Analogamente se pode chegar à conclusão que existe G# − V que não é satisfeita por @# e tal que :5 − G# . @# valorações que coincidem com @ em :" . e neste caso @" satisfaz V5" e @" Ð:5 Ñ œ ". por indução em 8. com vista a uma contradição. . . G5 − V‡ ÐVÑ por hipótese de indução.10 Metateorema da validade do sistema de resolução Se V é refutável-R.. O lema 19. pois. :5" .. então V5" é incompatível. digamos G" − V que não é satisfeita por @" . e supondo V5" compatível. Como V é incompatível. se assim não fosse. Iterando o lema 19.11 Lema Se V é uma forma incompatível contendo apenas literais nos átomos :" . 5 Ÿ 8. então V é incompatível: V ¯R Ê V incompatível. . . existe alguma cláusula em V. vê-se que se V for compatível e G" . Dem.è Até final desta secção ocupamo-nos da metateoria. Bastará provar.6 acima (p.. o que é igualmente absurdo. G# . ou (a) :5  G" .

5# .. e podemos aplicar o lema 19. que J‡ © PropÐT Ñ94. 94 Mostre que (i) toda a expressão que possui uma construção formativa de comprimento 1 pertence a Prop(T ) e que (ii) para todo 8. (a) Prove. onde ˆ é • ..12 Metateorema da completude semântica do sistema R Se V é uma forma clausural finita e incompatível. Denota-se J‡ o conjunto das expressões que possuem construções formativas. ou existe 4  3 tal que 53 œ c54 . obtendo V5" incompatível. de comprimento 5. Ð. 8.è II. ou existem 4. ou (bw ) @ satisfaz G# Ï Ö:5 ×. 145 Então H é uma resolvente de G" e G# e H − V5" . Isto conduz a uma das condições seguintes: (aw ) @ satisfaz G" Ï Öc:5 ×.1 2..11 uma vez. CÁLCULO PROPOSICIONAL Ponhamos H œ ÐG" Ï Öc:5 ×Ñ  ÐG# Ï Ö:5 ×Ñ. por indução na complexidade das fórmulas. e conclua que J ‡ œ J‡ œ PropÐT Ñ. Portanto. 5  3 tais que 53 œ Ð54 ˆ 55 Ñ. . nos átomos :" . c:. então toda a expressão que possui uma construção formativa de comprimento 8  " pertence a Prop(T ).è 19.. . . mas. ” ou p. que PropÐT Ñ © J‡ . *(b) Mostre. V5" é incompatível. As fórmulas que antecedem a fórmula 9 numa construção formativa de 9 [ver (a) e (b) adiante] de comprimento mínimo são as subfórmulas próprias de 9. . .. • c:Ñ de comprimento 4 e :.1 Uma construção formativa de uma expressão 5 é uma sequência finita de expressões 51 . por conseguinte. o que é absurdo. portanto.. :5" . • c:Ñ é outra.. logo @" satisfaz G" .II. . uma construção formativa. com literais nos átomos :" . . 58 (8   ") tal que 58 œ 5 e para cada 3 œ ". :. O inteiro positivo 8 é o comprimento da construção formativa 51 . . 53 é uma letra proposicional. se toda a expressão que possui uma construção formativa de comprimento Ÿ 8 pertence a Prop(T ) (hipótese de indução). Dem.. − V‡ ÐVÑ. então V é refutável-R: V incompatível Ê V ¯ R .. c:. . só pode ser V! œ Ö × e. então V contém apenas um número finito de literais. :5 .... Se V é uma forma clausural finita e incompatível... Por exemplo. por indução completa no comprimento das construções formativas das expressões. logo @# satisfaz G# . digamos. o que é igualmente absurdo.. toda a fórmula possui. 58 . <. @ satisfaz H. 5# . como em V! não há literais alguns.20 Exercícios e Complementos §II. . • c:Ñ é uma construção formativa de Ð. Ð. isto é. concluimos que V! é incompatível. pelo menos. Repetindo 5 vezes.

<. Sejam ?c . símbolos do alfabeto).95 (b) Enuncie e demonstre para s um princípio de indução. uma relação de E para F (isto é.2 Seja 5 œ =" â=8 uma expressão de comprimento 8   " (onde os =3 são. Não pretendemos aqui embarcar nessa generalidade. Dada uma valoração @ À PropÐT Ñ Ä Ö!ß "×. @ (d) Prove que s é a única função definida em PropÐT Ñ tal que (i).3 Demonstre. sÐ9 ˆ <Ñ œ ?ˆ ÐsÐ9Ñß sÐ<ÑÑ. as seguintes propriedades: (a) Lema do Equilíbrio. . tecnicamente. O contexto adequado para enunciar e demonstrar este princípio. como conjunto de pares ordenados Ð9ß 3Ñ. Um segmento inicial próprio de 5 é uma expressão da forma =" â=5 com " Ÿ 5  8. (b) Para toda a fórmula 9 e toda a valoração booleana @.146 II. mas fornecemos as indicações suficientes para demonstrar a referida propriedade. um subconjunto do produto cartesiano E ‚ F ) definida em E (todo o elemento de E está em relação com um elemento de F ) e funcional (nenhum elemento de E está em relação com mais de um elemento de F [ver exercícios 1. respectivamente. @ (c) Prove que s é uma função definida em PropÐT Ñ.5 (n). onde ˆ é • . @Ð9Ñ só depende dos valores @Ðp3 Ñ atribuídos às letras proposicionais p3 que ocorrem em 9. (o)]. (a) Prove que nenhum segmento inicial próprio de uma fórmula de _! é fórmula. @ com 9 em PropÐT Ñ e 3 em Ö!ß "×. (ii) e (iii).] (b) Utilize o resultado anterior para demonstrar a Propriedade de Unicidade de Representação das fórmulas. 95 Não perder de vista que uma função de um conjunto E para um conjunto F é. pretende-se provar que existe uma única valoração booleana s tal que @ (i) sÐ:Ñ œ @Ð:Ñ para todo : em T . os segmentos iniciais próprios de 9 começam com c ou têm mais parênteses esquerdos do que direitos. @ (ii) para qualquer fórmula 9. sÐc9Ñ œ ?c ÐsÐ9ÑÑ e @ @ (iii) para quaisquer fórmulas 9. IV). @ Este modo de proceder é legitimado por uma versão do Princípio de Indução Completa nos números naturais (ver Cap. [Sugestão: para quaisquer valorações @ e @w tais que @Ðp3 Ñ œ @w Ðp3 Ñ para toda a letra proposicional p3 que ocorre em 9. portanto. [Sugestão: mostre que. 2. tem-se @Ð9Ñ œ @w Ð9Ñ.] *2. na sua máxima generalidade.4 A Propriedade de Extensão das Valorações é um caso particular de um princípio mais geral de definição de funções por recorrência. ?p as funções booleanas correspondentes aos conectivos proposicionais. por indução na complexidade das fórmulas. é a teoria dos conjuntos. (a) Dê uma definição indutiva de s. @ @ @ ” ou p. ?• . para toda a fórmula 9. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. ?” .

> } 9. (a) Os três depoimentos são compatíveis? (b) Algum dos depoimentos é consequência dos outros dois? (c) Construa deduções correspondentes à alínea anterior. 97 Este exercício [sem a parte (c)] correu o mundo e é devido ao lógico americano H.6 Três indivíduos.II. A fim de chamar a atenção para a(s) possível(eis) ocorrência(s) de : em 9 e para a substituição efectuada podemos denotar 9 por 9Ò:Ó e 9Ò<Ó por 9Ò:Î<Ó. B e C. (b) Demonstre a seguinte: 96 Note que alguma hipótese pode ser redundante.8 Mostre que as seguintes versões de modus tollens são regras derivadas no sistema DN: (MTw" ) 9 ” <ß c< . 9 (MTw# ) 9 ” < ß c9 . : uma letra proposicional que pode ou não ocorrer em 9. isto é. que o conjunto D é compatível sse y 9" ß ÞÞÞß 98 } < ). suspeitos de um crime. <:— Se A é culpado. Denota-se por 9Ò<Ó o resultado de substituir todas as ocorrências de p em 9 por <. equivalentemente. respectivamente: 9:— B é culpado. não necessita ser utilizada na dedução da tese.96 (d) Supondo os três réus inocentes. se > é incompatível. < 2. respectivamente. §II.9 (Substituições) Seja 9 uma fórmula. 2. (a) Prove. < uma fórmula qualquer.4-II. >  Öc9× é incompatível sse > } 9 (b) Prove que. Se não houver ocorrências de : em 9 tem-se 9Ò<Ó œ 9. fazem os seguintes depoimentos.10 2.7 (a) Mostre que um conjunto D œ Ö9" ß ÞÞÞß 98 ß c<× é incompatível sse 9" ß ÞÞÞß 98 } < (ou. J. Keisler. mas um dos outros dois é culpado. mas C é inocente. na qual também : pode ou não ocorrer.5 Efectue todas as deduções que foram indicadas no texto. ) :— Eu estou inocente. por indução na complexidade das fórmulas (9) que 9Ò:Î<Ó é fórmula. para qualquer conjunto > e qualquer fórmula 9. quem mentiu? (e) Supondo que todos disseram a verdade. explicitando as dependências de hipóteses. quem é inocente e quem é culpado? (f) Supondo que os inocentes disseram a verdade e os culpados mentiram. Mais geralmente. . se algumas houver. então C é culpado. então para qualquer 9. quem é inocente e quem é culpado?97 2. CÁLCULO PROPOSICIONAL 147 2. aqui designados por A.

então. um dos conjuntos >  Ö9×. (a) Diga se são verdadeiras ou falsas as asserções metateóricas seguintes. onde @w é como @. (b) Demonstre a seguinte Propriedade da validade generalizada (MVG ) Para quaisquer conjunto > e fórmula 9. derivando uma contradição com hipóteses em >. o valor @Ð9Ò<ÓÑ é igual ao valor @w Ð9ÒpÓÑ. a partir da definição 3 (p. . CÁLCULO PROPOSICIONAL Propriedade de substituição numa tautologia Para quaisquer fórmulas 9. as leis de De Morgan. ” <Ñ. Observe que.Ñ • <ß c.14 Mostre que o conjunto > œ Ö:ß Ðc: ” . 5   #. e denota-se TmaÐDÑ o conjunto dos teoremas de D. p (b) Seja 9 uma fórmula qualquer de _! . 2. c= ” <. utilizando tabelas de verdade. se > ¯ 9. >  Öc9× é consistente. para qualquer fórmula 9.98 [Sugestão: estude primeiramente um caso particular. 2.15 Se D é um conjunto de fórmulas de _! . no sistema DN. (b) se > é consistente. então >! ¯ 9 para alguma parte finita >! de >.13 Mostre que: (a) um conjunto > é contraditório sse é trivial. Prove que 9 o c9 é interderivável (no sistema DN) com a contradição 9 • c9. denota-se CnÐDÑ o conjunto das consequências lógicas ou semânticas de D. para cada valoração booleana @. então > } 9.148 II.11 (a) Deduza ? p = com hipóteses : • Ð. formule e justifique diversas leis de conversão.10 Formule todas as leis que resultam de deduções efectuadas e descubra leis não formuladas anteriormente. então } 9Ò:Î<Ó. se > ¯ 9 . < e letra proposicional :. conforme o caso: 98 Este resultado pode-se generalizar a mais de uma substituição simultânea 9Ò:" Î<" ß á ß :5 Î<5 Ó e também a substituições iteradas Ðá Ð9Ò:" Î<" ÓÑá ÑÒ:5 Î<5 Ó. > ¯ 9.] 2. justificando com uma demonstração (utilizando apenas noções semânticas) ou um contra-exemplo. excepto que @w ÐpÑ œ @Ð<Ñ.11 2. 2. etc. Ðc= p p c>Ñ • c. §II. [Por exemplo.] 2. no sistema DN. a importante propriedade seguinte: Propriedade de finitude (MF) Para quaisquer conjunto > e fórmula 9. ” c<× é inconsistente. se } 9. em geral.12 (a) Demonstre. 75). no sentido: para toda a fórmula 9. Ð: • <Ñ o >.

20 Discuta a possibilidade de definir alguns dos conectivos à custa de outros. para toda a fórmula 9. >  Öc9} é compatível sse > } 9 (equivalentemente.II. então D* œ CnÐDÑ é decidível. (b) Complete os passos que faltam na demonstração do metateorema da completude semântica generalizado. então D  ?. (2) Para quaisquer conjuntos D. se D © > então CnÐDÑ © CnÐ>Ñ. se > é compatível. >. D  ?. [Sugestão: 2. (c) Mostre que se D é efectivamente enumerável e. (4) Para qualquer conjunto D.19 (a) Mostre que se D e ? são conjuntos efectivamente enumeráveis de expressões. >. então > é compatível. CnÐDÑ © CnÐCnÐDÑÑ. «compatível» por «consistente» e «incompatível» por «contraditório». então D  ? e D  ? também são. §II. (b) Demonstre.7 substituindo em toda a parte “ } ” por “ ¯ DN ”. respectivamente. D } 9 ou D } c9.7(b). que se > é consistente.18 (a) Dê exemplos de conjuntos > e fórmula 9 tais que > ¯ 9 e > ¯ c9. se CnÐDÑ © CnÐ>Ñ então D © >. utilizando apenas noções semânticas. y y 2. DÏ? ( œ Ö5 À 5 − D e 5  ?×) e I ÏD também são. . na lista dos símbolos primitivos de _! . então > é consistente. utilizando a propriedade de completude semântica generalizada.13-II. 2.] (c) Prove que para qualquer conjunto > e qualquer fórmula 9. >  Öc9× é inconsistente sse > ¯ 9). assim.17 (a) Demonstre. substituindo em toda a parte “Cn” por “Tma”. 149 (b) Análogo a (a). a propriedade seguinte. (3) Para qualquer conjunto D. e utilizando somente noções sintácticas nas demonstrações. CnÐCnÐDÑÑ © CnÐDÑ. §II. que para qualquer conjunto > e / qualquer fórmula 9. ” .12 2.16 Enuncie e demonstre propriedades análogas às do exercício 2. p à custa de c. >  Öc9} é / consistente sse > ¯ 9 (equivalentemente. 2. nomeadamente nos casos indicados a seguir: (a) Definir • . >  Öc9× é incompatível sse > } 9). utilizando (MVG ). CÁLCULO PROPOSICIONAL (1) Para quaisquer conjuntos D. que é outra versão da referida propriedade: (MVwG ) Para todo o conjunto > de fórmulas. (b) Mostre que se D e ? são conjuntos decidíveis de expressões. (d) Prove. economizando.14 2.

21 (a) Quantas funções booleanas 8-árias (8   0) existem? E quantos conectivos generalizados 8-ários? (b) Determine todos os conectivos generalizados binários (além dos já conhecidos). • à custa de c.de K.150 (b) definir ” . p à custa de c. .. (d) Idem. . Öcß p × são funcionalmente completos (exercício 2. ± nem».. (d) definir o conectivo de disjunção exclusiva ” à custa dos conectivos c. ” são sempre verdadeiras para todas as valorações que atribuem o valor " a todos os :3 ’s. • . CÁLCULO PROPOSICIONAL . II. para o conjunto > œ Ö:! ß :" ß :! • :" ß :# ß :! • :# ß :$ ß :! • :$ ß ÞÞÞ×. (c) Mostre que os conjuntos Öcß • ×. então +  .22 (a) Mostre que a versão (MCw ) do metateorema da compacidade é equivalente à proposição seguinte: (MC) Para qualquer conjunto de fórmulas D e qualquer fórmula 9.] 2. mas Ö ” × não é funcionalmente completo.. ". .] ± (e) Os conectivos de Sheffer são os conectivos binários de rejeição ” [«nem± < œ cÐ9 ” <Ñ ] e de incompatibilidade • [«negação conjunta». . • . pode-se definir 9 • < œ cÐ c9 ” c<Ñ. Mostre que os conjuntos Ö ” ×. ” . 9 ” ± ± ± 9 • < œ cÐ9 • <Ñ ]. Öcß ” ×. D } 9 sse existe uma parte finita D! de D tal que D! } 9. Ö • × são funcionalmente Þ completos.  .17). 2.23 Um grupo abeliano (numerável) ÐKß  ß 0Ñ diz-se ordenável sse existe uma relação binária  em K que é uma ordem total estrita e. (b) Demonstre a versão anterior directamente a partir dos metateoremas da validade e da completude semântica generalizados. pois as fórmulas 9 • < e cÐ c9 ” c<Ñ são lógica e dedutivamente equivalentes. se +  . para quaisquer elementos +. (f) Mostre que os únicos conectivos binários N tais que ÖN × é funcionalmente completo são os conectivos de Sheffer. . (c) definir ” . (d) Mostre que Ö • ß ” × não é funcionalmente completo. (c) Mostre que o conjunto > œ Ö:3 ” :3" ß c:3 ” c:3" À 3 œ !. *2.. [Sugestão: fórmulas construídas só com • . . p . [Por exemplo.× é compatível. #.

seja 9‡ a fórmula que se obtém de 9 permutando • com ” e substituindo cada letra proposicional :3 em 9 por c:3 . (v) : ” Ð. CÁLCULO PROPOSICIONAL 151 Prove que um grupo abeliano é ordenável sse todo o subgrupo finitamente gerado é ordenável.II. nas formas normal conjuntiva e disjuntiva. 5  " namoradas. (ii) Ð: p ..Ñ ” Ð: • . considerando os dois casos (i) para todo 5  7.Ñ • c<. (a) Dê uma definição indutiva de 9‡ e formule um princípio de indução na complexidade das fórmulas de Form(c.25 (a) Obtenha fórmulas logicamente equivalentes a (i) : o . • .] 2.Ñ ” <ч œ Ðc: ” cc.Ñ e Ðc: • c.Ñ • : • Ðc.Ñ • c<. :+. ” ). • . • cÐ< • =ÑÑ. .Ñ ” c:. 9 e c9‡ são logicamente equivalentes. (c) Prove que para toda a fórmula 9 de Form(c. ” <Ñ • Ðc: ” . intuitivamente.. respectivamente. ” c:Ñ • Ðc. • c<Ñ. há um conjunto . (ii) : • Ðc: ” .Ñ de elementos de K. • . pelo menos. Ðc<ч œ c<‡ . p :Ñ ” <Ñ • ÐÐ< p :Ñ ” c. ” <Ñ. (c) Aplique o algoritmo da pág. p < p =. 2. (iii) Ð: p . Para cada fórmula 9 em Form(c. (iv) : • Ðc.Ñ p . ÐÐ: • c. . A propriedade é verdadeira para 7 œ ". para cada par ordenado Ð+ß . 9‡ é chamada a dual de 9. 9‡ é uma fórmula do mesmo conjunto.Ñ • :. prove que é verdadeira para 7. ” <. (b) Prove que para toda a fórmula 9 em Form(c. ” ) o conjunto das fórmulas sobre T contendo somente os conectivos indicados. . Por exemplo. (ii) para algum 5  7. (v) Ð: • . de 5 rapazes com exactamente 5 namoradas. Ð< • )ч œ c< ” c) e analogamente permutando • com ” . 90 para testar se as fórmulas de Horn seguintes são ou não compatíveis: (i) : • Ð. quaisquer 5 rapazes têm. [Sugestão: exprima por fórmulas proposicionais que o grupo é ordenável.Ñ • =. 2.Ñ. ” ). ‡ Indutivamente. [Sugestão: por indução completa em 7   ". usando letras :+. é verdadeira sse +  . (iii) : p .26 (Dualidade) Seja Form(c. ” <Ñ. (iii) Ðc: ” c.Ñ ” Ð: • c. ” ). (b) Determine equivalentes mais simples para as fórmulas (i) Ð: p .Ñ ” : . • . p (ii) : p c. pode-se definir 9‡ pelas regras: :3 œ c:3 .. (iv) : p Ð: • .24 Demonstre o Lema do Casamento. (d) Determine três interpoladoras (logicamente equivalentes entre si) entre ÐÐ. supondo (hipótese de indução) que é verdadeira para todo 8  7. • . ” ). na versão seguinte. utilize o metateorema da compacidade.

28 Demonstre o lema 15. œ ". (g) +  Ð+ † . − F . Ÿ . sse +  .tal que: (i) + Ÿ . CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. . (c) Ð+Ñ œ +. infÖ+ß .Ñ œ +. 2. (h) Ð+  . isto é. (f) +  " œ ". onde supÖ+ß . o lema 15.e . tal que +  . ” ..×. œ supÖ+ß . e pode ser caracterizado por duas condições análogas a (i) e (ii) (a fazer!).Ñ.5 da secção II. anti-simétrica e transitiva) com elemento mínimo 0 e elemento máximo ". um elemento . (sse + † .Ñ œ Ð+Ñ  Ð. + † 0 œ 0.2. definindo + Ÿ . (b) + é o único elemento . (d) 0 œ ". œ infÖ+ß .27 Mostre que a relação µ é uma congruência com respeito às operações • . œ 0.Ÿ B.28. œ +).152 §II. (e) +  + œ + œ + † +.31 Numa álgebra de Boole µ œ ÐF ß ÞÞÞÑ. 2. e demonstre-a a partir dos axiomas das álgebras de Boole e das propriedades do exercício 2.15 II.Ñ œ Ð+Ñ † Ð. 2.15.1 e do teorema 15.Ñ œ + é válida na álgebra de Lindenbaum. + † " œ +.× é o supremo de Ö+ß .×. ou o menor dos majorantes de Ö+ß . + † . para todo + − F .4 e conclua as demonstrações do metateorema 15. +  . Ð+ † . prove que: (a) ÐFß Ÿ Ñ é parcialmente ordenado (quer dizer: Ÿ é reflexiva.e (ii) para qualquer elemento B. se B Ÿ + e B Ÿ . 2.×. œ .× é o ínfimo de Ö+ß . então . ou o maior dos minorantes de Ö+ß . + † Ð+  . (b) para quaisquer elementos +.29 Prove que numa álgebra de Boole µ œ ÐF ß  ß † ß  ß 0ß "Ñ: (a) 0 e " são os únicos elementos tais que +  0 œ +.Ñ œ +.×. (b) Mostre que a identidade + † Ð+  . " œ 0.30 (a) Quais as equivalências lógicas na álgebra ¹ correspondentes às identidades (c)-(h) do exercício anterior? [Exemplo: Ð+Ñ œ + corresponde a cc9 µ 9].×.× e + † .Ñ. c em J . .

.. pp. p em 9. (d) se 5MMM é teorema. . um fabuloso manual moderno de lógica matemática. toda a expressão é fórmula. com 5   !. respectivamente. M 5 œ MMâM (5 vezes).35 Chama-se peso de uma fórmula 9 ao número pesoÐ9Ñ œ 8Ð9Ñ  #. Mostre que: (a) Q Y MM é teorema de MU. note que não ser múltiplo de $ é ser de uma das formas $<  " ou $<  #]. isto é. então ¯B <. utilizando as propriedades de validade e de completude semântica. ” . Q M 8 é teorema [por (e).II. (b) o número de M ’s de um teorema de MU nunca é múltiplo de $ [Sugestão: indução completa no comprimento das deduções). Conclua que MU é decidível.17 153 2. (g) uma expressão 5 é teorema de MU sse é da forma Q 7 . (e) se 8 é da forma #7  $5 .32 O sistema dedutivo MU aparece no livro de HOFSTADTER.. o sistema tem um axioma (regra sem premissas) Q M e as seguintes regras de inferência. dÐ9Ñ e iÐ9Ñ são os números de ocorrências dos conectivos c. Q M # é teorema de MU onde. . 5MY (R# ) Q5 . para qualquer expressão 5.33 Construa derivações à Beth de diversas leis anteriormente estabelecidas no sistema DN.34 Mostre. CÁLCULO PROPOSICIONAL §II. 33-41. Mostre que se uma fórmula é derivável em G. cuja leitura se recomenda. então ela é derivável em Ÿ #pesoÐ9Ñ linhas. onde 5 e 7 denotam expressões arbitrárias (possivelmente vazias): (R" ) 5M . Q . (f) para todo 8 que não é múltiplo de $.16-II. 57 Uma dedução no sistema é uma sequência finita de expressões 5" . 8 . onde 7 é uma expressão só com M ’s e Y ’s mas o número de M ’s não é múltiplo de $. para qualquer 5 . Q 55 (R$ ) 5MMM 7 . basta mostrar que todo 8 que não é múltiplo de $ é da forma indicada: supondo 7 tal que #7   8. então Q M 8 é teorema. ou #7  8 ou #7"  8 é múltiplo de #. que se ¯B 9 e ¯B 9 p <. existe um algoritmo para decidir. onde 8Ð9Ñ. 58 (8   ") tal que cada 53 é um axioma ou é inferida de alguma 54 com 4  3 por uma regra de inferência. • . A última expressão de uma dedução é um teorema de MU.Ð9Ñ. M e Y . *2. 5Y 7 (R% ) 5Y Y 7 . se 5 é ou não teorema de MU. *2. *2. (c) para todo 8. O problema seguinte foi retirado do livro de HODEL.Ð9Ñ  dÐ9Ñ  #iÐ9Ñ. A linguagem do sistema tem somente os símbolos. então 5 é teorema. Tente melhorar esta majoração.

Ñ • ÐÐ< p :Ñ ” Ð< p . 2. 9 é um aberto básico. p <ÑÑ p Ð. uma sucessão infinita de !’s e "’s não é mais do que uma valoração simples @ À T Ä Ö!ß "×. (b) para quaisquer 9 ” < œ 9  <. onde T œ Ö:! ß :" ß ÞÞÞ×.38 (a) Mostre que se < é uma disjunção de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. e é constituído por todas as sucessões infinitas de !’s e "’s. Utilizando (a). (b) Ð: p Ð. ß . e converta-as na configuração linear vertical. — se <. *2. c9 œ Z Ï 9. fórmulas 9 e <. no que segue. Z . ) são disjunções sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. (c) Ð: p Ð. p Ð< p :ÑÑ. .14). 2. então grauÐ< ” )Ñ œ "  maxÖgrauÐ<Ñß grauÐ)Ñ×. 71). p <ÑÑ p Ð. Associamos a cada fórmula 9 de _! o conjunto de valorações o = 9 œ Ö@ À sÐ9Ñ œ "× © Z . então. em G. para cada 3. 93 ¯ DN <. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. demonstre o Metateorema da Subdisjunção (pág.Ñ p <Ñ. e também é fechado. (b) : • Ð. os conjuntos de valorações da forma Ò?Ó œ Ö@ À @ ª ?×.154 II. Designamos por Z o conjunto de todas as valorações. p <ÑÑ p Ð.37 Aplique o algoritmo descrito na pág. @ e a cada conjunto D de fórmulas o conjunto D œ Ö@ À sÐ9Ñ œ " para todo 9 − D× @ (Recorde que toda a valoração simples @ determina uma única valoração booleana @ s — ver pág.36 Construa derivações em forma de árvore. p Ð: p <ÑÑ. 74) no grau 7 de Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 ×. 53 e a convenção feita na pág. Mostre que: (a) para cada fórmula 9. ver pág. Os abertos básicos deste espaço são. Ora. portanto. p Ð: p <ÑÑ.ÑÑ p Ð. 125). p <Ñ p ÐÐ: p . p =Ñ. das fórmulas: (a) Ð: p Ð.39 (Compacidade do espaço de Cantor) O espaço de Cantor C œ # œ  Ö!ß "× foi definido na pág. pelo que não advém grande mal se «identificarmos» C com o espaço das valorações. aparte a notação. 122 aos sequentes (a) : p . p <ß < p :. 9 • < œ 9  <. por indução completa (2ª forma. 46 (exercício 2. (b) Chama-se grau de uma disjunção sobre Ö9" ß 9# ß ÞÞÞß 98 × ao número natural definido pelas seguintes regras: — o grau de cada 93 é !. (c) Ðc: • c. onde ? é uma função booleana (ou uma valoração parcial ? À Ö:! ß ÞÞÞß :8" × Ä Ö!ß "× para algum 8   !).

××. (e) o metateorema da compacidade. e } 9 p < sse 9 © <. 2. ß <×ß Öc<ß :×ß Ö:ß <×ß Öc:ß c<××. 2. } 9 sse Vc9 ¯R . 2. p §II.×ß Ö.×ß Öc:ß .45 Complete a demonstração do lema 19.×. que os conjuntos de cláusulas seguintes são incompatíveis: (a) ÖÖc:ß . (d) para qualquer fórmula 9 e conjunto D de fórmulas.×ß Ö:ß . ß =ß :×ß Öc=ß <×ß Öc=ß :×ß Ö:ß .II. mediante o sistema de resolução. onde V œ ÖÖ:ß c. no caso afirmativo.42 Diga se são ou não compatíveis e. ß =×ß Öc. tendo em conta as definições dos conectivos • . (e) ÐÐ9 p <Ñ p 9Ñ p 9.×ß Öc:ß c.  V ‡ ÐV 9 Ñ . 2.×ß Öc. (d) Ð9 p )Ñ p ÐÐ< p )Ñ p Ð9 ” < p )ÑÑ.×ß Ö. na forma (MC) (pág.18 2. (c) ÖÖ:×ß ×. 143). (b) ÖÖc:×ß Ö:ß c.46 Justifique as afirmações seguintes: (a) Para qualquer fórmula 9. ß c<×ß Öc:ß c. (b) 9 ” < p < ” 9. D é fechado e D } 9 sse D © 9. 2. ” e o : p (a) 9 p Ð9 ” <Ñ. 9 é compatível sse (b) para qualquer fórmula 9. . indique um modelo da forma clausural: (a) ÖÖ:ß .9 (pág.××.43 Determine V‡ ÐVÑ. 150) corresponde exactamente à compacidade do espaço das valorações [Sugestão: alínea (d) e formulação da compacidade em termos de fechados.44 Mostre. ¼ œ g (onde ¼ representa uma contradição qualquer). • c<Ñ.40 Mostre que são teoremas lógicos do sistema H. (b) : op Ðc.×ß Öc:××.41 Obtenha a forma clausural de: (a) cÐ: • . • c<Ñ. (c) 9 • < p 9. CÁLCULO PROPOSICIONAL 155  (c) para quaisquer fórmulas 9 e <.19 2.] §II. (f) 9 p Ð< p Ð9 • <ÑÑ. (c) o sistema de resolução constitui um método de decisão para a compatibilidade de fórmulas de _! . (b) ÖÖc:ß . } 9 sse 9 œ Z . (g) Ð9 p <Ñ o Ðc< p c9Ñ.

156 II. CÁLCULO PROPOSICIONAL 2. (b)]. mediante o sistema de resolução [exercício anterior.40 são válidas.47 Mostre. . que as fórmulas do exercício 2.

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