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INDICE

0.

INTRODUÇÃO

3

1.

CONTEXTUALIZAÇÃO TEÓRICA DO PROBLEMA

4

1.1.

Família com filhos pequenos

4

1.2.

Desenvolvimento da criança

6

1.3.

Desenvolvimento dos vínculos na criança

8

2.

JUSTIFICAÇÃO DO PROBLEMA

10

2.1

Factores que influenciam as competências materna e paterna

10

2.2.

Estratégias que o enfermeiro deve desenvolver, na capacitação dos pais em relação às competências dos filhos.

11

3. OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS DO PROJECTO

14

4. DISCUSSÃO DOS OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

16

5. CONCLUSÃO

23

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

24

ANEXOS ANEXO I ANEXO II ANEXO III

26

0.

INTRODUÇÃO

No âmbito do Plano de Estudos do 2º Curso de Pós-Licenciatura da Especialidade em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria, foi-nos proposto a realização de um projecto de autoformação. A minha escolha incidiu, sobre um aspecto que lido diariamente na minha prática profissional, que são as dificuldades que os pais (pela primeira vez) sentem, quando lidam com as competências dos filhos no primeiro ano de vida.

Este projecto constituiu uma ferramenta necessária para reflectir acerca de alguns conceitos inerentes à minha preocupação, tais como: o processo do desenvolvimento da criança desde o nascimento até um ano de idade; conceitos sobre a paternidade para pais com o primeiro filho; conceito de família actual, das suas funções e da importância que tem para a socialização da criança. Finalmente procurarei estabelecer uma ligação para a tríade Pais, filho e profissionais de saúde, tendo em conta os pontos de referência das etapas do desenvolvimento. Os estudos inerentes à capacitação dos pais em relação às competências dos filhos pelos enfermeiros são escassos. Compreende-se a importância da relação pais/filho no desenvolvimento da criança, mas ainda não há uma definição muito clara em relação ao papel enfermeiro e qual a postura a assumir. Daí a dificuldade em encontrar estudos que documente propriamente o que já é feito em termos de abordagens pelo profissional de saúde, dirigido aos pais que enfrentam os problemas dos filhos. Assim, o presente relatório é uma exposição escrita de factos verificados mediante pesquisas ou experiências. Atendendo a este pressuposto, este relatório foi estruturado em três partes, nomeadamente:

Contextualização teórica do problema

Justificação do problema

Apresentação dos objectivos e estratégias delineadas

Relato e discussão dos objectivos actividades desenvolvidas

Conclusão

1-CONTEXTUALIZAÇÃO TEÓRICA DO PROBLEMA

Muitos especialistas acreditam que para o ser humano tudo começa, já muito antes da sua concepção. Os pais idealizam e sonham com o filho imaginado, vivem as emoções entre si e o bebé. Após o nascimento, tudo se modifica, há um confronto com um bebé que é real e que muitas vezes não é o que os pais idealizaram, no sentido em que tudo deixa de ser tão perfeito. O bebé, come dorme e chora… e inicialmente não se expressa de forma perceptível para os pais. Os pais por sua vez podem sentir-se “perdidos”, por não conseguirem identificar as necessidades do bebé e não saberem agir de acordo com a situação.

1.1- Família com filhos pequenos

Após a formação do casal, a família é sujeita a novas transformações, a uma nova etapa do seu ciclo de vida, esta segunda etapa do ciclo vital, surge com o nascimento do primeiro filho. Estas transformações dão origem a um novo subsistema familiar, que é o subsistema parental e com ele surgem novas funções, novas tarefas, nova reorganização relacional intra e inter-familiares e sistémicas. Os novos pais adquirem um novo estatuto e papel e experimentam responsabilidades e experiências, que pertenciam aos seus pais. A gravidez anuncia a chegada de um novo elemento para a família e consequentemente alterações no seio dessa família. No entanto é com o nascimento do bebé real que acontece o ajustamento conjugal que a parentalidade e as crianças exigem.

O casal comporta dois subsistemas o conjugal (enquanto casal) e o parental (enquanto pais). Estes dois subsistemas devem existir articulados. Cada um deles tem o seu ciclo de vida, e desenvolvem-se num espaço e num tempo próprios. A dimensão conjugal comporta duas particularidades, a primeira é o desejo de se prolongar para todo o tempo activo da parentalidade, mas que poderá ser impossível se for anulado ou interrompido por um dos cônjuges. “ Pelo contrário é-se pai ou mãe para toda a vida e não há vontade pessoal, que nos possa anular essa filiação.” Alarcão

(2006,132). A segunda particularidade é que o tempo conjugal é interceptado pela parentalidade, essencialmente nos primeiros vinte anos de cada filho. Esta dualidade de sistemas poderá originar conflitos pelo que as relações familiares nem sempre são favorecedoras. Inicialmente o sistema conjugal enfrenta as dificuldades que surgem na articulação espácio-temporal de funções diferentes exercidas pelos mesmos adultos. Primeiro o enriquecimento da relação do casal e posteriormente a ajuda no crescimento dos filhos, a socialização possibilitando-lhes a construção de uma identidade própria e níveis crescentes de autonomia. Posteriormente o casal sofre uma transformação nas relações passando de uma díade, para uma tríade, aquando do nascimento do primeiro filho. A partir desse momento a família estabelece relações diádicas e triádicas. A díade é a unidade relacional, fundamental à sobrevivência (física mas sobretudo psíquica) do ser humano. A vinculação mãe-filho é uma fusão que se estabelece durante os primeiros meses de vida, é intensa e exclusiva para os dois, o que poderá afectar muitas vezes as outras díades (pai-mãe ou pai-filho). A relação mãe - bebé é muito forte, influencia ritmos, rotinas, espaços que até então eram partilhados pelos pais. O filho altera o equilíbrio do casal e põe á prova as capacidades para ultrapassarem estes problemas. É muitas vezes durante este período crítico que se procuram envolvimentos exteriores ao ambiente familiar. “Com efeito, não é apenas o bebé que, após um período de simbiose normal, tem que aceitar um terceiro, abrindo-se a novas relações. São também os pais que têm que aprender a relacionar-se díadicamente na presença de um terceiro.” Alarcão (2006,135). Foi com as alterações sociais que ocorreram na Segunda Guerra Mundial, que a família também sofreu uma transformação. As famílias deixaram de ser alargadas e passou-se ao reforço da família nuclear, pelas condições laborais, pela oportunidade da mulher no mundo do trabalho remunerado, pelas alterações habitacionais, enfim foram vários os factores que permitiram ao homem assumir um papel, mais activo e mais próximo da família, colaborando e partilhando tarefas. Contudo, estas transformações, por vezes não são suficientes nos dias de hoje. Para a díade parental e conjugal poder satisfazer as necessidades, biológicas, cognitivas ou até mesmo afectivas, deve aproveitar o apoio oferecido pela família de origem e/ou família extensa. A diversificação da rede

social permite expandir as potencialidades de apoio e evita que os protagonistas da díade

conjugal procurem outro apoio ou outros relacionamentos extraconjugal.

“O exercício da função parental, por parte dos pais, conduz-nos, imediatamente,

para a definição do modelo educativo.” Alarcão (2005, 141)

1.2- Desenvolvimento da criança

A primeira infância é simultaneamente a fase mais crítica e vulnerável no

desenvolvimento de qualquer criança. Brazelton (2002).

O desenvolvimento pode ser definido como um conjunto de transformações que

ocorrem ao nível físico e psicológico, desde o nascimento até a morte da pessoa. É

durante a infância e a adolescência que ocorrem grandes transformações fisiológicas e

psicológicas. Todo o processo corresponde a uma adaptação progressiva às condições e

exigências do meio, a um processo de auto-organização. È de natureza adaptativa e

construtivista.

O desenvolvimento humano depende de vários factores: anatómicos,

bioquímicos, neurofisiológicos, motores, perceptuais, cognitivos, linguísticos e sociais.

Estes factores estão interligados de tal maneira, que uma alteração num deles influencia

os outros todos. Por sua vez, existe ainda a capacidade integrativa, pois as aquisições

anteriores são incorporadas nos estádios do desenvolvimento contínuo. Em suma, no

desenvolvimento dá-se uma adaptação progressiva, e só se pode passar ao estádio

seguinte, se as aquisições anteriores tiverem sido incorporadas, para que não haja

descontinuidades ou rupturas de um estádio para outro.

São várias as concepções sobre o desenvolvimento, que se destacam pelos

princípios e pelos aspectos que privilegiam. Existem 3 autores essenciais na descrição do

desenvolvimento humano: Piaget, Freud e Erickson.

Piaget apresenta uma teoria que privilegia o aspecto cognitivo do

desenvolvimento, encarado como um processo descontínuo, uma evolução por quatro

estádios que correspondem a uma adaptação progressiva do sujeito ao meio. Destaco o

primeiro estádio (vai desde 0 meses até os 2 anos), em que a inteligência da criança é

fundamentalmente sensorial e motora. O bebé capta todas as informações que recebe

através dos órgãos dos sentidos e exprime-se através dos movimentos. Começando por

uma actividade essencialmente reflexa, o bebé vai construindo progressivamente novos

meios que lhe permitem explorar o ambiente, agindo sobre ele. È através da observação

e exploração do mundo que a criança constrói as estruturas cognitivas essenciais ao

desenvolvimento das estruturas lógicas que surgirão mais tarde. A inteligência prática nas

acções directas, progressivamente dá lugar à inteligência representativa e ao pensamento

constituído por acções interiorizadas, características do estádio seguinte. O bebé é

dinâmico, interage activamente com o meio envolvente. O período sensoriomotor é

decisivo no processo de desenvolvimento intelectual. Os esquemas de acção

conquistados neste estádio vão ser interiorizados permitindo a construção progressiva do

pensamento.

A teoria de Freud privilegia a evolução da psicossexualidade e identifica 5

estádios psicosexuais. A sexualidade é vivida de forma diferente e com conflitos

específicos em cada estádio. De todos os estádios destaco o estádio oral (dos 0 meses até

1 ano de idade). Neste estádio a zona erógena principal é a boca: o bebé obtém prazer ao

mamar, ao levar objectos à boca e através de estimulações corporais. A sexualidade é

auto-erótica. O desmame (na amamentação) corresponde a um dos primeiros conflitos

vividos: o Id., orientado pelo princípio do prazer é dominante, opondo-se ao ego, que se

rege pelo princípio da realidade. È neste estádio que o ego se forma. A forma como este

período é vivido na relação com a mãe vai marcar muitas características da

personalidade. É na relação com a mãe, (centrada na amamentação), que o bebé vai

satisfazer as suas necessidades fisiológicas e emocionais. A estruturação da personalidade

inicia-se no estádio oral.

O autor Erickson apresenta uma teoria que entende o desenvolvimento como

um processo que decorre desde o nascimento até à morte. Considera oito idades do ciclo

de vida, sendo cada uma delas atravessada por crises. Destaca a componente psicossocial

do desenvolvimento e o passado sociocultural do sujeito. A primeira idade (0-18 meses)

confiança versus desconfiança é um estádio que é marcado pela relação que o bebé

estabelece com a mãe. Se relação é compensadora, a criança sente-se segura

manifestando uma atitude de confiança face ao mundo. Se a relação com a mãe não é

satisfatória, desenvolve sentimentos de modo que conduz à formação de uma atitude de

desconfiança. Poderá haver duas vertentes: uma positiva em que há um sentimento de

confiança relativamente aos outros e ao meio e outra vertente negativa em que surge

suspeita, medo e insegurança relativamente aos outros e ao meio. Na primeira idade,

opõem-se sentimentos positivos e negativos. A relação com a mãe é decisiva no

desenvolvimento destes sentimentos. A forma como se resolve o conflito que atravessa esta idade vai marcar a personalidade futura. Durante muito tempo considerou-se que a relação mãe-bebé se fundava apenas na satisfação das necessidades do recém-nascido. No entanto hoje com as novas concepções sobre o recém-nascido sabe-se que este é um ser activo com um conjunto de competências que dependem muito da relação mãe-bebé. Esta relação permite o equilíbrio psicológico e a construção da identidade humana.

1.3- Desenvolvimento dos vínculos na criança

Como atrás verificámos, os três autores encaram o bebé como um ser activo que age e interage com o meio. A relação mãe-filho constitui o ponto principal de todo o processo, pois através dela o bebé inicia e realiza as suas primeiras aprendizagens sociais. A mãe constitui o primeiro elemento na socialização. Daí se atribuir uma grande importância à relação precoce mãe-bebé no processo de socialização e no equilíbrio psicológico da criança. As experiências desenvolvidas por Spitz, Bowlby e Harlow, evidenciaram a necessidade de estabelecer laços, relações de vinculação com uma pessoa próxima. Esta relação de vinculação alarga-se progressivamente a outras pessoas significativas para a criança, permitindo a sua independência e segurança para explorar o meio ambiente. O desenvolvimento da criança é marcado pela qualidade afectiva dos primeiros tempos de vida. “Como é que o bebé transforma cada comunicação em interacção e, acima de tudo, como é que transforma algumas das suas interacções em relações significativas?” Gomes -Pedro (1997, 307). Para muitos o que ainda permanece um mistério é o processo ou a forma pela qual o bebé é capaz de “seleccionar” o que é mais importante de uma comunicação em interacção e consequentemente em relações significativas. Cada interacção é especial e representa uma relação única. De acordo com o autor Gomes- Pedro (1997,308) existe cinco aspectos que fundamentam este conceito supra enunciado. Acrescenta ainda que um modelo baseado neste conceito favorece o desenvolvimento da criança. È aplicável à família, mas o alvo principal é a criança e tudo isto faz-se através de um processo de comunicação.

1.

O desenvolvimento humano é um contínuo de descontinuidades. Só é possível entender cada idade em cada etapa deste desenvolvimento tendo por base as influências e a dinâmica que cada parte tem no Todo.

2. As descontinuidades do desenvolvimento são os patamares que tornam o desenvolvimento uma linha com quebras. Normalmente antecedem grandes surtos de aprendizagem na criança, mas são geralmente representados por regressões ou desfasamentos. São oportunidades essenciais para intervir junto da família.

3. A comunicação, inserida nas interacções mais precoces, é o meio pelo qual se pode elaborar a estruturação cognitiva da criança.

4. Os modelos interiores de vinculação são representações que a criança constrói, assimila, acumula e prediz. Estes por sua vez influenciam as sucessivas relações e descobertas.

5. Auto-estima, auto-conceito, resiliência, são aspectos da comunicação que

a criança constrói com base naquilo que sente dos outros em relação a si própria. O seu Eu constrói-se através do que sente em relação ao que os outros dizem. “O desenvolvimento da criança é potenciado pelo modo como ela gosta de viver na proporção do modo como ela se sente gostada.” Gomes-Pedro (2005,69). Conclui-se então que no bebé a comunicação é algo precoce, que não há um momento específico, para o seu inicio. O bebé quando nasce já é um verdadeiro comunicador.

2-JUSTIFICAÇÃO DO PROBLEMA

A revisão de literatura de carácter qualitativo, que se segue procura responder à seguinte questão: Quais as estratégias de intervenção a desenvolver pelos enfermeiros na capacitação dos pais para as competências dos seus filhos no primeiro ano de vida? Da pesquisa elaborada, não encontrei nenhum trabalho de investigação que respondesse directamente à minha questão, no entanto os que encontrei, abrangem temas que de alguma forma se relacionam com o problema que me levou a esta pergunta. Foram seleccionados os estudos que incluíam as competências parentais no primeiro ano de vida da criança. Também foram incluídos trabalhos relacionados com o apoio dado aos pais pela enfermeira de saúde pública, sendo esta especialista em saúde infantil e pediatria ou não. Foram utilizados 10 artigos para análise, 2 dos quais são revisões sistemáticas de literatura e os restantes estudos exploratório descritivos com metodologia qualitativa. São na grande maioria posteriores ao ano 2000, excepto dois, que datam de 1994 e 1996. De forma a permitir uma fácil visualização da informação contida em cada estudo foi elaborada uma tabela (ver anexo I) onde constam dados como: título, autores, ano de publicação, tipo de estudo, objectivos amostra/instrumentos e conclusões. Explorando os estudos seleccionados existem dois aspectos abordados: factores que influenciam as competências maternas e paternas, e as estratégias que o enfermeiro deve desenvolver, na capacitação dos pais em relação às competências dos filhos.

2.1 Factores que influenciam as competências materna e paterna

Todos os pais referiram ser importante prestar cuidados aos filhos (Oliveira,

2005), isso deu-lhes muito prazer, e acrescenta que continuam a ter o mesmo sentimento. No período, na maternidade os pais referiram estar envolvidos nos cuidados ao bebé e as informações facultadas foram dadas para o casal, considerando-os como um

todo. No entanto, no trabalho de Strandmark (2001) verificou-se que quando a criança se

torna o foco da atenção, poderá haver um conflito entre os sentimentos da recente mãe

e do recente pai o que poderá contribuir para a alteração da saúde mental do pai. Ainda

assim se houver uma boa comunicação, troca de carinho e reciprocidade emocional

positiva entre o casal, haverá benefícios na relação marital. Peter et al. (2007), seguindo a

mesma linha de pensamento acrescenta que se a interacção entre pais-criança, não for

genuína, a criança poderá sofrer um processo de formação da personalidade pouco

saudável. As relações inseguras, abusivas inconsistentes e desorganizadas contribuem

para uma má formação da personalidade. Contudo em ambientes de privação poderão

existir crianças que quebrem este ciclo e se consigam afirmar, mesmo tendo estabelecido

com os pais uma relação insegura. O mesmo autor conclui que a relação forte entre

pais/criança permite uma educação saudável, verdadeira, fazendo com que a criança

forme uma personalidade saudável e auto controlada. A pedagogia cria um contexto para

os pais poderem educar a criança e ao mesmo tempo contribuir para a formação do EU,

além disso torna as relações com os outros, momentos de aprendizagem e interacção.

Em alguns estudos, os pais manifestaram dificuldades no cuidar, sendo a

identificação das necessidades dos bebés e o contacto físico, as dificuldades mais

referidas pelos homens facto que atribuem, sobretudo à falta de preparação e à prática.

(Salgado, 2005). Tarkka et al. (1999) no seu estudo exploratório, integrante num projecto

longitudinal extenso, refere que os resultados mostram que o coping das mães primíparas

em relação aos cuidados com o filho de 3 meses de idade, é afectado pelas características

da mãe, do filho, e do apoio social que recebe dos mais próximos como a avó e a

enfermeira de saúde pública. Noutro estudo do mesmo autor (Tarkka, 2002), os factores

que influenciam a competência materna são todos os acima enunciados e incluindo o

isolamento. O trabalho de Drake et al. (2005) acrescenta factores como a satisfação com

a vida, a auto-estima e o número de crianças, como contributos positivos para a

sensibilidade maternal.

2.2 Estratégias que o enfermeiro deve desenvolver, na capacitação dos pais em

relação às competências dos filhos.

Os autores Fagerskiold et al. (2003) no seu estudo enunciam o apoio recebido,

assim como a insatisfação pela falta do mesmo referenciado pelas mulheres, que

participaram no questionário, daí se conclui que para os pais o apoio é um factor importante. No mesmo trabalho o autor acrescenta que as mães apreciam a enfermeira com conhecimento, experiência, conselhos válidos e intervenções práticas, no entanto procuram mais informação para tomar a sua decisão. Também as mães preocupadas apreciam uma enfermeira com segurança e acessível em relação ao tempo que disponibiliza. Atendendo ao estudo de Tarkka (2003), um aspecto referido nas conclusões é que as enfermeiras de saúde pública devem tentar identificar e apoiar a competência maternal necessária em mães com mais dificuldades, nomeadamente devem reconhecer que as mulheres que têm dificuldades na amamentação, poderá ser por falta de conhecimentos acerca desse assunto. Os investigadores Nystrom e Ohrling (2003) reforçam a importância do enfermeiro especialista em saúde infantil e pediatria para minimizar os sentimentos de frustração vividos pelos pais. A criação de um sentido de segurança na família e cooperação entre enfermeiro cliente são estratégias sugeridas por Vehvilainen-julkunen (1994). O estudo de Drake et al. (2005) salienta que um período precoce junto dos bebés favorece o desenvolvimento de competências parentais, no entanto o pai fica um pouco mais prejudicado, porque o tempo de licença atribuída é ainda curto. Estes dados parecem reforçar a ideia que as competências parentais são construídas e que privilegiam as mulheres em vários contextos. Assim as mães envolvidas no mesmo estudo referem a importância de envolver os pais nas actividades do cuidar desde o início, responsabilizando-os pelos cuidados prestados. Uma estratégia encontrada por Tarkka (2003) consiste em fomentar maiores períodos da criança com o pai e criar grupos de apoio dirigidos ao Pai. Na mesma linha de pensamento Fagerskiold (2006) acrescenta que os grupos de pais do sexo masculino é uma excelente alternativa para os apoiar e discutir experiências mútuas. Os pais querem partilhar com as mães os cuidados dos seus filhos e mais comunicação com a enfermeira. Se o pai estabelecer uma relação verdadeira com a enfermeira, haverá um aumento no envolvimento nos cuidados. A longo prazo o apoio dado aos pais será uma mais-valia para os filhos. Outra forma de intervenção será criar grupos de preparação pré natal para minimizar o stress e a ansiedade vivida pelos pais e fomentar a vivência de uma paternidade saudável (Nystrom e Ohrling, 2003). Em outro trabalho o autor Tarkka

(2003), refere que as medidas de apoio poderão ser, sessões educativas e grupos de discussão onde podem obter mais informação acerca dos cuidados à criança. Vehvilainen-junlkunen (1994) realça alguns aspectos importantes da visita domiciliária, como outra estratégia a adoptar pelos enfermeiros. Conclui no seu estudo que ambos, cliente e enfermeira concordam que o ambiente estabelecido é um aspecto muito importante nas visitas. As enfermeiras consideram o ambiente importante pelo facto de a família poder permanecer no seu ambiente e mais rapidamente se sentir relaxada. Além disso têm a oportunidade de conhecer o pai e a mãe não precisa de fazer a visita ao centro de saúde. Os clientes por sua vez consideram que as vantagens da visita domiciliária são conhecer o pai e o facto de a mãe poder permanecer em casa para se restabelecer.

3-OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS DO PROJECTO

Atendendo ao problema identificado, durante a minha prática profissional,

reflecti acerca das temáticas inerentes à minha preocupação e coloquei a seguinte

questão:

Como podemos capacitar os pais (pela primeira vez) para lidarem com as

competências dos filhos no primeiro ano de vida?

Com o objectivo de encontrar respostas à minha questão delineei alguns

objectivos e estratégias de forma a organizar todo o planeamento do projecto. Para cada

objectivo tracei determinadas estratégias.

OBJECTIVOS

ESTRATÉGIAS

Aprofundar conhecimentos em relação as dificuldades que os pais (pela primeira vez) sentem, quando lidam com as competências dos filhos no primeiro ano de vida.

Pesquisar bibliografia pela internet e manualmente

Realizar uma revisão sistemática de literatura

Seleccionar um campo de estágio com uma enfermeira especialista que tenha feito o “curso touchpoints”

 

Se possível realizar o curso “touchpoints” se possível

Conhecer o trabalho realizado

Realizar a prática de opção no Centro de saúde de Santa Cruz

pelos enfermeiros no apoio aos

pais em

relação às

1. Observar a consulta de desenvolvimento da criança pela enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediatria

2. Consultar os registos de enfermagem

competências dos seus filhos

Elaborar linhas orientadoras de intervenção para os

Organizar guias de orientação (de acordo com as etapas do desenvolvimento) para a consulta de Saúde Infantil no primeiro ano de vida

Realizar consultas de

enfermeiros na consulta Saúde Infantil

de

 
 

enfermagem atendendo às etapas do desenvolvimento Infantil

Realizar reuniões acerca de temáticas inerentes ao desenvolvimento da criança no primeiro ano de vida com grupos de pais.

Realizar

um

relatório

do

projecto

4- DISCUSSÃO DOS OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

Neste ponto são descritos, analisados e avaliados os métodos utilizados e resultados obtidos nas diferentes áreas de aprendizagem. Para um melhor entendimento do que é exposto, é feito uma exposição dos objectivos. A metodologia de projecto de auto-formação implicou a necessidade de compreender a realidade profissional e de partilhar experiências e saberes, contribuindo assim para a revalorização da minha prática.

Para poder aprofundar conhecimentos em relação às dificuldades que os pais (pela primeira vez) sentem, quando lidam com as competências dos filhos no primeiro ano de vida delineei estratégias que foram muito importantes para a minha pesquisa inerente a esta temática. A pesquisa bibliográfica manual e através das bases de dados informatizadas, permitiu conhecer a qualidade e quantidade de trabalhos realizados acerca desta temática. A análise dos trabalhos permitiu-me verificar que existem factores que influenciam as competências parentais. Nos estudos atrás enunciados as grandes referências incidem essencialmente acerca dos laços afectivos que se criam, inicialmente com o casal e posteriormente com o bebé. Os autores reconhecem que esta é a base de todo o desenvolvimento harmonioso da criança. A relação forte entre pais/criança permite uma educação saudável, verdadeira, fazendo com que a criança forme uma personalidade saudável e auto controlada. A pedagogia cria um contexto para os pais poderem educar a criança e ao mesmo tempo contribui para a formação do EU, além disso torna as relações com os outros, momentos de aprendizagem e interacção. Contudo é essencialmente nos primeiros meses de vida que os pais têm dificuldade em identificar as necessidades do seu bebé. Consideram o sono e a alimentação, indicadores muito precisos acerca dos cuidados que prestam. No entanto não são estes aspectos inerentes ao desenvolvimento do bebé que mais os angustiam e que mais situações de stress criam

na família. Conhecer a criança, a etapa do desenvolvimento, as características que lhe são próprias e indicadoras de um desenvolvimento adequado, são aspectos em que os pais nem sempre estão preparados. Lidar com situações de regressão da criança e que

antecedem um salto no desenvolvimento, são aspectos que causam frustração e incerteza ao casal e simultaneamente condiciona o desenvolvimento progressivo e harmonioso da criança. Nestas situações, a necessidade de apoio não se limita unicamente ao casal. A família alargada é um meio importante para a “sobrevivência e equilíbrio” da família. Além disso o Enfermeiro é também um elemento essencial para apoiar a família num momento da sua vida com algumas ambivalências, como a chegada de um novo elemento. Apreciam a enfermeira com conhecimento, experiência, conselhos válidos e intervenções práticas, com tempo e disponibilidade para os atender, e responder às suas dúvidas. Reforçam a importância do enfermeiro especialista em saúde infantil e pediatria para minimizar os sentimentos de frustração vividos. Outras intervenções poderão ser a criação de grupos para a partilha de experiências e a visita domiciliária. Nesta ultima, o factor ambiente é importante pelo facto que a família pode permanecer no seu meio e mais rapidamente se sente relaxada. Outra estratégia delineada para este objectivo, foi seleccionar um campo de estágio com uma Enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediatria que tenha feito o curso “Touchpoints”. Este aspecto é importante na medida em que os autores defensores desta teoria do desenvolvimento, consideram o desenvolvimento com determinados pontos de referência, durante os quais determinados avanços ou saltos, na dinâmica do desenvolvimento de cada criança, se projectam como rupturas no equilíbrio da família de que essa criança é membro. A cada avanço no desenvolvimento, sucede previsivelmente a um período de desorganização da criança. Simultaneamente e durante os períodos de desorganização ocorrem estados de ansiedade e de crise parental. È nesta perspectiva que considero muito importante o papel do enfermeiro Especialista em Saúde infantil e Pediatria. A consciência de estes pontos de viragem, associados à avaliação da criança no seu contexto social e familiar permite uma intervenção mais personalizada e verdadeira. Além disso os pais tornam-se espectadores activos na estimulação da sua criança nas diferentes áreas, pois são informados e esclarecidos acerca das competências do seu bebé.

Em relação à última estratégia delineada para este objectivo, não pôde ser realizada, devido à incompatibilidade de datas entre os dois cursos. Tenho muita pena de não ter sido possível, pois considero que seria uma forma de enriquecer a minha intervenção como futura profissional especializada na área de Saúde Infantil e pediatria,

considero que o futuro do desenvolvimento harmonioso da criança passa por ter pais presentes e esclarecidos. No entanto fico a aguardar por uma nova oportunidade. No que toca ao segundo objectivo: Conhecer o trabalho realizado pelos enfermeiros no apoio aos pais em relação às competências dos seus filhos, considero que a escolha do meu campo de estágio foi muito proveitosa. Tive oportunidade de realizar a minha prática clínica nos cuidados de Saúde Primários, no Centro de Saúde de Santa Cruz do Funchal. Atendendo à situação em geral do país, considero que a nossa região usufrui de um sistema de saúde organizado, com uma participação muito activa dos enfermeiros, nomeadamente os Especialistas em saúde Infantil e pediatria. Existem directrizes centrais e regionais, que delineiam o seu papel e permitem que seja valorizado pela população que a eles recorre. Considero a minha orientadora um elemento essencial, na minha aprendizagem e aquisição de novos conhecimentos. É uma profissional, que direcciona a sua atenção para o desenvolvimento da criança e simultaneamente interage com as crianças, permitindo aos pais conhecerem as competências dos seus filhos. Não descura a criança no seu contexto social e simultaneamente adapta-se a esse contexto, para poder dotar ou esclarecer as preocupações dos pais em relação ao desenvolvimento, às “regressões e alterações” próprias de cada etapa do desenvolvimento. Além disso quando a criança possui alguma incapacidade, em que o desenvolvimento não se processa de uma forma gradual e normal, os pais consideram a Enfermeira especialista em Saúde Infantil, um elemento de grande apoio e de ajuda para encontrarem estratégias para ultrapassarem os problemas. Os registos de Enfermagem consultados, permitiram-me conhecer o bebé em relação: a vinculação Pais/filho, evolução estato-ponderal, status nutricional, desenvolvimento infantil e também compreender quais os conhecimentos dos pais em relação ao seu filho, as suas dúvidas para depois intervir. Além disso, considero pertinentes as observações feitas pela minha orientadora em que considera que o registo de enfermagem deve transparecer a criança que está a ser observada e simultaneamente as intervenções, realizadas para resolver os verdadeiros problemas. Por sua vez também devem dar-se continuidade aos cuidados consultando os registos anteriores, pois só assim se poderá saber se a criança e família conseguiram ultrapassar as dificuldades detectadas anteriormente.

No terceiro e último objectivo: Elaborar linhas orientadoras de intervenção para os enfermeiros na consulta de saúde infantil, delineei três estratégias, que passarei a descrever de seguida. Durante todo o estágio tive oportunidade para realizar consultas de enfermagem, tendo em consideração as etapas do desenvolvimento das crianças. Inicialmente aprofundei conhecimentos em relação às etapas do desenvolvimento atendendo às vertentes motora, cognitiva e emocional que são únicas de cada criança e que podem causar dúvidas em relação aos pais. Nas consultas de Enfermagem, encaminhadas pela primeira vez para a Enfermeira especialista, senti uma grande abertura por parte dos pais. Quando se demonstravam as competências do bebé, estes ficavam extasiados com aquilo que a sua criança já era capaz de fazer. Havia troca de informação, nomeadamente em relação às dificuldades sentidas por eles, como por exemplo, lidar com determinados aspectos considerados normais como as competências cognitivas e motoras, naquela etapa do desenvolvimento. As suas grandes preocupações incidiam sobre as competências que o seu bebé tinha adquirido. Queriam ter certeza se eram normais para a etapa do desenvolvimento e o que é que poderiam fazer para dar continuidade a esse desenvolvimento. Por outro lado outro aspecto muito importante para os pais era a personalidade

e temperamento do bebé. Os progenitores com bebés exigentes, viam-se muitas vezes

com grandes dificuldades para poder gerir a sua vida familiar, isto porque o bebé exigia os

pais mais daquilo que eles estavam preparados. As dificuldades em encontrar estratégias para descansar e corresponder às necessidades do bebé foram também expressas em várias consultas não só por casais jovem com o primeiro filho, mas também em casais que

já tinham filhos mais crescidos e que agora encontravam-se com dificuldade em lidar com

estas situações. Os momentos de interacção entre Pais/filhos também foram referenciados pelos progenitores, visto que em algumas situações o bebé não correspondia às solicitações dos pais, ou tinha períodos de choro e agitação o que impedia os pais de interagirem com

eles. Os pais embora conhecessem o seu filho, tinham dificuldade em compreender alguns estados de consciência do bebé e o tipo de interacção que o bebé poderia ter em cada um deles.

Como seria de esperar dúvidas em relação à evolução estato-ponderal e ciclos de sono foram sobejamente enunciadas pelos pais, com o objectivo de esclarecer e desmistificar dívidas como por exemplo: a amamentação e os cuidados com o leite materno; a preparação dos leites artificiais; a capacidade gástrica do bebé; o intervalo entre as refeições, entre outras. Houve consultas em que interagindo com as crianças tive alguma dificuldade em comunicar com os pais. Algumas penso, que se deveram ao facto da relação existente entre a minha orientadora e família. A imagem de referência técnica não era eu e isso muitas vezes fez com que me sentisse um pouco inibida e com dificuldade em interagir com os pais. Noutras situações as crianças e famílias estavam em situação de risco e já há muito tempo do conhecimento da minha orientadora, que também colabora na comissão de protecção de crianças e jovens em risco daquele concelho. O facto também de ser aluna também de certa forma inibe e pode transmitir alguma insegurança aos pais. No entanto saliento as situações com crianças e famílias que inicialmente eram distantes, mas que com a continuidade das consultas, fui estabelecendo relações de empatia com as crianças e as mães e posteriormente havia partilha de dúvidas, troca de informação e acompanhamento dos progressos das crianças. A segunda estratégia foi realizar reuniões, com um grupo de pais e conversar sobre temas (consultar anexo II) que versavam o desenvolvimento da criança, proporcionando o esclarecimento de dúvidas e simultaneamente a partilha de experiências. Acompanhei então o grupo da massagem (6 mães e os respectivos bebés) que iniciou durante o meu estágio, até à última sessão que terminou no meu último dia de estágio. Inicialmente fiz um levantamento em relação às idades dos bebés, que se situavam entre um e dois meses de idade, para adequar os temas às necessidades dos bebés e respectivas famílias. Na primeira reunião (3/02/09) apresentei o tema: O bebé e os pais. Foram abordados os pontos de referência da etapa do desenvolvimento inerente ao primeiro e segundo mês de vida (6-8 semanas). Desenvolvi os temas: da alimentação, do choro; dormir e acordar, da comunicação, do temperamento, das capacidades motoras e capacidades cognitivas. Em cada um destes pontos de referência, foi explicado às mães as capacidades e competências adquiridas pelos seus bebés. As mães por sua vez partilharam experiências, fazendo a ligação do que foi apresentado com o que os seus bebés demonstravam.

Na segunda reunião (10/02/09) apresentei o tema. Os estados de consciência do

bebé. Nesta formação, realizei uma pequena introdução sobre o condicionamento dos

estados de consciência do bebé, sobre o tipo e grau de resposta que emitirá.

Posteriormente referi os seis estados, caracterizando-os um a um. Os estádios são seis:

Sono Profundo, Sono Activo ou Sono REM, Sonolência ou intermédio, Acordado em

estado de alerta, Alerta mas irritado, e o Choro. Em cada um deles foi descrito o estado

do bebé, assim como o tipo de resposta aos estímulos.

Esta formação foi importante na medida que esclareceu as mãe acerca de quais

os estados em que podem interagir com o seu bebé promovendo a vinculação pais/filhos.

Além disso também permitiu às mães compreenderem que os bebés conseguem passar

rapidamente de uma etapa para outra, situação que foi possível demonstrar com alguns

bebés na sala. Também foi possível aos pais compreenderam que os comportamentos

durante o dia, o temperamento do bebé também tem influência na resposta em cada

estádio de sono assim como a duração de cada estado.

Sugerido pelas mães apresentei, na terceira sessão o tema: A separação. Nesta

temática foram abordados os aspectos da separação quando o bebé é confinado aos

cuidados de uma ama, de uma creche ou jardim infantil e ainda quando os pais têm que

mudar de casa. A dificuldade em separar-se é grande parte um problema dos pais, pois

provoca sentimentos de ambivalência e de culpa. Contudo quando os pais compreendem

que a dor da separação é sobretudo, um problema deles, conseguem aprender a superá-

lo. Foram também discutidas algumas estratégias para atenuar a separação.

Na última sessão foi apresentado o tema: Modelos Pai e Mãe. Nesta sessão foi

reforçada a importância dos pais como modelos para os filhos, da imagem que

transmitem à criança na identificação do papel sexual. Alem disso acrescentou-se a

importância da partilha de tarefas e cuidados pelo casal.

No fim das sessões as mães referiram que este espaço de reflexão, ajudou-as

pois desmistificou alguns medos e dúvidas em relação aos seus bebés. Foi ainda um

momento muito rico na partilha de experiências com outras mães em idêntica situação.

Houve um reforço na relação de proximidade e empatia com o enfermeiro especialista

em Saúde Infantil e Pediatria.

Finalmente como última estratégia, tive a ousadia de elaborar guias de

orientação tendo em consideração as etapas do desenvolvimento (e no primeiro ano de

vida), de forma a orientar as consultas de

a

saúde

Infantil

e

pediatria,

adequar

intervenção à criança e família, promover o desenvolvimento infantil de forma harmoniosa e simultaneamente complementar a informação do manual de boas práticas de saúde infantil e pediatria (consultar anexo III).

5- CONCLUSÃO

Os pais representam o papel de educadores mais marcante, para a construção da personalidade da criança, é com eles que tudo começa, são eles que abrem as portas para a sociedade e todas as influências que a criança estará sujeita. Tudo este processo progride pela adolescência até à fase adulta. Contudo com a evolução da neurociência constatou-se que, existem múltiplos factores que podem comprometer a adaptação social e emocional de cada criança. De acordo com Gomes - Pedro (2005,50) enuncio os mais importantes:

A exposição do feto ao álcool e às drogas torna vulnerável o seu sistema nervoso, pois influencia a adaptação progressiva aos estádios de desenvolvimento.

Indisponibilidade ou incapacidade dos pais em se adaptarem às competências e às

características individuais do bebé. Dificulta a vinculação, ligação determinante para

desenvolver os afectos, as emoções e a adaptação social. Assim é importante para os profissionais de saúde, permitirem que cada criança possa exprimir-se, sentir-se amada e respeitada, pelos que a rodeiam e marcam o seu crescimento como pessoa. As suas preocupações devem incidir sobre alguns aspectos enunciados por Gomes-Pedro (2005,51):

Manter uma motivação apropriada por parte do ambiente (família e sociedade) e

adaptada às características do bebé e de acordo com as suas competências.

Estar atento às novas descobertas relacionais, novos estímulos… adquiridas pela criança.

Proporcionar a troca de afectos e a construção da confiança e do respeito na família e na criança.

Acreditar no sorriso de volta de uma criança… Desistir de acreditar é permitir a desconfiança o desrespeito e a incoerência na

criança.

“…o que a Criança espera é sentir coerência em si em função do modo como é tratada e respeitada.” Gomes - Pedro (2005,52).

6-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alarcão, Madalena (2006). (Des) Equilíbrios familiares. 3ª Edição. Coimbra: Quarteto.

Brazelton, T.B. & Greenspan, S.I. (2004). A criança e o seu mundo, requisitos essenciais para o crescimento e aprendizagem. 4ª edição, Lisboa: Editorial Presença.

Brazelton, T.B. & Cramer, B.G. (2007). A relação mais precoce os pais, os bebés e a interacção precoce. 5ª Reimpressão, Lisboa: Terramar.

Brazelton, T. Berry (1994). Tornar-se família, o crescimento da vinculação antes e depois do nascimento. 1ª Reimpressão Lisboa: Terramar.

Brazelton, T. Berry. Brazelton Touchpoints Approach. (consulta dia 16 de Dezembro de 2008), Brazelton Touchpoints center. URL: http://www.touchpoints.org/

Gomes-Pedro, João (Abril/Junho, 1985). A interacção Mãe-Filho. Pediatria Básica ,vol.2 (nº2), 61-72.

A criança, revista de

Gomes-Pedro, João (2005). Para um sentido coerência na criança. Lisboa: Publicações Europa-América.

Gomes-Pedro,

João

e

tal.

(1992).

Relação

e

desenvolvimento

precoce.

Revista

do

Desenvolvimento da Criança, vol.VII (nº 1 & 2), 17-20.

Leitão, Francisco A. L. (1994). Interacção mãe-criança e actividade simbólica. Lisboa:

secretariado Nacional de reabilitação.

Pocinho, M. Dias. (2007). A música na relação mãe-bebé. 2ª Edição. Lisboa: Instituto Piaget.

ANEXOS

ANEXO- I

ANEXO-II

ANEXO-III