Centro de Saúde Mental e Biofilia em Natal
Centro de Saúde Mental e Biofilia em Natal
CENTRO DE TECNOLOGIA
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
NATAL / RN
NOVEMBRO - 2019
ANA LETÍCIA AVELINO SILVA BARROS
NATAL / RN
NOVEMBRO - 2019
2
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinôco - DARQ - -CT
BANCA EXAMINADORA
____________________________________________
Professora Doutora Luciana de Medeiros – Orientadora
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
_____________________________________________
Membro Interno
DARQ - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
_____________________________________________
Membro Externo
NATAL / RN
NOVEMBRO – 2019
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos meus pais, Carlos e Maria José, por todo o carinho e
educação que me deram diariamente ao longo dos anos.
Aos meus irmãos, Beatriz e Paulo Vítor, e minha cunhada, Júlia, por auxiliarem no
meu crescimento e, mesmo quando distantes, se fazerem presentes.
Aos meus avós, por todo o amor incondicional que desde sempre me foi dado.
Aos meus colegas de curso, especialmente Beatriz e Mansour, por serem minha
família dentro da universidade.
Agradeço também a todos os meus familiares, amigos e alunos, que contribuíram para
o meu desenvolvimento e estiveram lá em cada etapa do processo.
5
“Somos apenas hóspedes da natureza e
devemos nos comportar de acordo. O homem
hoje é a ‘praga’ mais perigosa que já devastou
esta terra.”
Friedensreich Hundertwasser
6
RESUMO
Apesar de representar grande parte da população brasileira, os indivíduos sofrendo com
transtornos mentais ainda enfrentam fortes dificuldades na busca por tratamento e ajuda
profissional. O processo de terapia e cura pode ser extremamente desgastante, sensação essa
potencialmente agravada pelas consequências do uso de espaços cuja arquitetura apresente
atributos inadequados para a função de acolhimento e apoio a neuroatípicos. Ambientes
intimidadores, áridos e desagradáveis contribuem negativamente para a relação do paciente
com seu espaço de recuperação física e mental. Ao realizar o desenvolvimento de terapias em
espaços propícios para a construção de relações agradáveis, de pertencimento, torna-se mais
fácil a continuidade e qualidade do tratamento dos distúrbios mentais, colaborando para a
recuperação do paciente. Os princípios da biofilia, a afinidade do ser humano com a natureza,
podem entrar nesse aspecto facilitando, a partir de sua inserção nas diretrizes projetuais, a
criação de ambientes agradáveis, prazerosos e acolhedores, os quais não colaborem
negativamente ou mantenham-se neutros quanto aos tratamentos de problemas de natureza
psicológica, mas sim sirvam como parte do processo de cura, de manutenção e recuperação da
saúde mental de seus usuários. Dessa forma, o trabalho se propõe a analisar os princípios da
arquitetura terapêutica voltada para ambientes de saúde mental a fim de desenvolver
anteprojeto de um centro de saúde mental orientado pelos princípios da biofilia.
7
ABSTRACT
Despite representing a large part of the Brazilian population, individuals suffering from
mental disorders still face strong difficulties in seeking treatment and professional help. The
process of therapy and healing can be extremely stressful, a sentiment that is potentially
aggravated by the consequences of the use of spaces whose architecture has inadequate
attributes for the welcoming and supporting of neurodivergent people. Sterile, intimidating
and unpleasant environments hurt the patient's relationship with their space for physical and
mental recovery. By carrying out the development of therapies in spaces that are adequate for
the construction of pleasant connections, the continuity and quality of the treatment of mental
disorders become easier, contributing to the patient's recovery. The principles of biophilia, the
inclination of the human being towards nature, can enter this aspect by facilitating, when
inserted in the project guidelines, the creation of pleasant and welcoming surroundings which
do not negatively collaborate or remain neutral in face of treatments for psychological
problems, but serve as part of the processes of healing, maintaining and recovering the mental
health of its users. Thus, this paper proposes to analyze the principles of therapeutic
architecture focused on mental health environments to develop the preliminary design of a
mental health center guided by the principles of biophilia.
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Pintura de parede em jardim do Império Romano .................................................... 19
Figura 2 - Lago artificial Paranoá e ponte Juscelino Kubitschek, Brasília............................... 20
Figura 3 - Fotografia interna do Newport Health Center ......................................................... 24
Figura 4 - Fotografia externa do Newport Health Center ......................................................... 24
Figura 5 - Fotografia voo de pássaro de Clínica Viver Bem Psiquiatria .................................. 25
Figura 6 - Pátio de Clínica Viver Bem Psiquiatria ................................................................... 26
Figura 7 - Fachada de CAPS II Oeste ...................................................................................... 28
Figura 8 - Croqui de implantação CAPS II Oeste .................................................................... 29
Figura 9 - Vista superior de Lote 01 ......................................................................................... 32
Figura 10 - Vista superior de Lote 02 ....................................................................................... 33
Figura 11 - Rua dos Tororós e canteiro .................................................................................... 34
Figura 12 - Localização do bairro de Lagoa Nova em Natal e localização do terreno no bairro
.................................................................................................................................................. 35
Figura 13 - Vegetação existente no terreno .............................................................................. 36
Figura 14 - Ventilação predominante no terreno ...................................................................... 36
Figura 15 - Trajetória do sol no terreno.................................................................................... 37
Figura 16 - Zoneamento de entorno do terreno ........................................................................ 37
Figura 17 - Setor de atividades silenciosas............................................................................... 42
Figura 18 - Setor de atividades barulhentas ............................................................................. 43
Figura 19 - Setor de atendimento ............................................................................................. 43
Figura 20 - Setor de espaço interno de convivência ................................................................. 44
Figura 21 - Relação entre setores ............................................................................................. 45
Figura 22 – Planta baixa preliminar da proposta ...................................................................... 46
Figura 23- Croqui de implantação preliminar da proposta ....................................................... 47
Figura 24 - Estudo volumétrico ................................................................................................ 48
Figura 25 - Recorte de estudo volumétrico .............................................................................. 48
Figura 26 - Volumetria em desenvolvimento ........................................................................... 49
Figura 27 - Terreno com curvas de nível.................................................................................. 50
Figura 28 – Implantação com passeios externos ...................................................................... 51
Figura 29 - Planta de estacionamento ....................................................................................... 52
Figura 30 - Implantação com rota de ambulância destacada .................................................... 53
Figura 31 - Ambientes livres, restritos e parcialmente restritos ............................................... 54
9
Figura 32 - Planta baixa de bloco de acolhimento ................................................................... 55
Figura 33 - Planta baixa do bloco de atividades coletivas........................................................ 56
Figura 34 - Planta baixa do bloco de atendimento ................................................................... 57
Figura 35 - Tinta acrílica Coral Renova Creme ....................................................................... 58
Figura 36 - Parede e jardineira em tijolo aparente ................................................................... 59
Figura 37 - Madeiramento de cobertura em telha colonial ....................................................... 59
Figura 38 - Cobertura em policarbonato e madeira .................................................................. 60
Figura 39 - Cobertura do bloco de acolhimento ....................................................................... 61
Figura 40 - Cobertura do bloco de atendimento ....................................................................... 61
Figura 41 - Muro de alvenaria e madeira ................................................................................. 63
Figura 42 - Gráfico de benefícios ............................................................................................. 65
Figura 43 - Gráfico de malefícios ............................................................................................. 66
Figura 44 - Horta elevada do Gramorezinho ............................................................................ 67
10
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Programa de necessidades e pré-dimensionamento realizado com base em BRASIL
(2015) ....................................................................................................................................... 39
Tabela 2 - Dimensionamento de caixa d'água .......................................................................... 60
11
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 14
5.3.2- COBERTURA........................................................................................ 59
5.3.4- MUROS.................................................................................................. 62
12
5.4.1- HORTA ORGÂNICA URBANA .......................................................... 65
REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 71
13
INTRODUÇÃO
De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que pelo menos 30% dos brasileiros
tenham ou venham a ter problemas referentes à saúde mental, sendo a depressão, síndrome do
pânico e ansiedade os principais problemas dessa categoria (BRASIL, 2019). Segundo a
Organização Mundial de Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014),
aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo sofrem de distúrbios de saúde mental, e
os problemas dessa natureza ocupam metade das posições no ranking das dez principais
causas de incapacidade.
A OMS por meio do Atlas de Saúde Mental 2017 divulgou que apesar de 139 países
(mais de 70% das nações) terem instituído políticas e planos a respeito da saúde mental,
menos da metade desses estão de acordo com a declaração dos direitos humanos, a qual
enfatiza a necessidade de desviar o foco das instituições psiquiátricas e direcioná-lo a serviços
baseados na comunidade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2017). Os benefícios das
práticas de desmanicomialização não são exclusivos aos pacientes e suas famílias, mas
também abrangem a saúde pública e a economia dos países. Somente os problemas de
depressão e ansiedade já custam à economia global mais de um trilhão de dólares a cada ano,
um número que pode ser diminuído com as devidas políticas e investimentos visando à
manutenção e recuperação da saúde mental dos indivíduos, uma vez que cada dólar
despendido em tratamento desses transtornos mentais comuns reflete em um retorno de quatro
dólares em melhores condições de saúde e trabalho, assim como evita os altos custos
referentes à internação psiquiátrica de indivíduos (CHISHOLM et al., 2016).
14
doenças e tratamentos aos pacientes, prometer a preferência por tratamentos menos invasivos,
entre outras políticas inclinadas ao tratamento digno dos pacientes e à busca por inclusão dos
enfermos em suas comunidades.
Duramente criticado por grande parte dos especialistas da área, o texto foi removido
do ar dois dias após a publicação, entretanto, não é possível interpretar essa remoção como o
fim dessas novas políticas. De acordo com o Ministério da Saúde, conforme relatado pelo
jornal O Globo (2019), o documento, até o presente momento, ainda está em construção,
atualmente em consulta interna ao Ministério visando à contribuição de diferentes setores e
órgãos governamentais em seu desenvolvimento.
15
Durante muito tempo os locais de assistência à saúde mental foram tidos como
espaços desagradáveis e inóspitos. Entretanto, mediante todas as mudanças ocorridas nas
redes pública e privada de saúde mental, torna-se necessária a ressignificação desses espaços,
a fim de converter os sítios de tratamento e o entendimento geral acerca deles em ambientes
terapêuticos, de cura. Pois, quando em um espaço propício para a construção de relações
agradáveis, de pertencimento, torna-se mais fácil a continuidade e qualidade do tratamento
dos distúrbios mentais, colaborando para a recuperação do paciente.
Objetivos específicos:
o Esclarecer a importância de espaços biofílicos na arquitetura
o Compreender as necessidades de espaços voltados para a manutenção
da saúde mental
o Aplicar os princípios da biofilia na criação de espaço restaurador
16
1. A TEORIA DA BIOFILIA APLICADA À SAÚDE MENTAL
O entomologista e biólogo americano Edward Wilson, em seu livro Biophilia (1984)
apresentou o termo “biofilia” como uma forma de explicar a relação entre as pessoas e a
natureza, definindo o novo termo como a tendência inata ao ser humano de focar na vida e em
seus processos. Beatriz Fedrizzi (2011), graduada em agronomia e doutora na área de
paisagismo, apresenta o conceito de biofilia como referente à ideia que durante a evolução da
espécie humana os aspectos dos ambientes naturais foram críticos para a sobrevivência e
seleção natural da espécie, e os seres têm sido preparados pelo processo evolutivo para
interagir com o meio ambiente, aprendendo e retendo respostas positivas à natureza.
De acordo com Wilson (1984), o ser humano teria exageradamente negado a sua
proximidade com a natureza, acelerando o curso da humanidade em direção à antípoda,
representada pela máquina, e ignorando a necessidade de proporcionalidade entre os aspectos
mencionados. A população estaria, então, enfrentando a precisão de retomar esse vínculo,
enfraquecido pela extrema urbanização do meio em que se vive. Wilson (1984) defende a
ideia que o Homo Sapiens naturalmente, desde a infância, foca sua atenção em si mesmos e
em outros seres vivos, e esse desejo, chamado por ele de biofilia, dá-se de forma inata.
Segundo o seu propositor, a tendência biofílica é facilmente evidenciada na vida cotidiana e
também refletida em padrões culturais repetidos por sociedades ao redor de todo o mundo.
Esses processos aparentam fazer parte das programações cerebrais. Eles são
marcados pela rapidez e determinação com a qual nós aprendemos coisas específicas
sobre certos tipos de plantas e animais. Eles são muito consistentes para serem vistas
como o resultado de eventos puramente históricos sob uma tela mental em branco.
(WILSON, 1984, p.85).
17
O biólogo Charles Darwin, em 1832, durante visita ao Brasil, ao se deparar pela
primeira vez com a floresta tropical em Niterói, RJ, exclamou ser quase impossível passar
uma ideia adequada dos sentimentos superiores os quais são exaltados pela visão da natureza,
mencionando a maravilha, o espanto e a devoção sublime como alguns dos sentimentos que
enchem e elevam a mente nessas circunstâncias (PLEINS, 2013). Edward Wilson, em visita
ao Suriname para estudar formigas e cupins, ao encontrar-se em um pequeno vilarejo próximo
a uma floresta, decidiu explorar o bioma em questão. Ao adentrar a floresta, Wilson notou os
efeitos estranhamente calmantes da sua imersão na natureza, a respiração e os batimentos
cardíacos diminuindo e a concentração se intensificando (WILSON, 1984).
Reações dessa natureza não são exclusivas aos estudiosos das ciências naturais. De
acordo com Wilson (1984), é fácil verificar a presença da biofilia na vida cotidiana, uma vez
que o ser humano se inclina naturalmente à exploração daquilo que é vivo. Ele defende sua
teoria de que o humano sente uma necessidade intrínseca a si de explorar a vida, ainda que
estejam presentes as adversidades do meio selvagem, como bichos venenosos e peçonhentos,
plantas tóxicas e enormes riscos de doenças e acidentes impactarem a integridade física do
explorador. Segundo Wilson, o naturalista moderno faz uso das ferramentas da vida
urbanizada (medicamentos, repelentes, bússolas e outros equipamentos) para diminuir os
riscos da selva, ao mesmo tempo em que possibilita o contato entre a pessoa e a natureza.
Edward Wilson (1984) menciona ainda a teoria de Gordon Orian, a qual elenca três
pontos principais que caracterizam o ambiente ancestral que o ser humano evolutivamente
buscaria. Essas características seriam: a abundância de alimentação na própria savana (de
18
fontes animais e vegetais), alívio topográfico (pontos de vantagem em relação à segurança e
abrigos naturais) e a presença de rios e lagos (que poderiam prover animais e plantas
comestíveis para a alimentação). A associação desses três fatores constituiria o ambiente
preferível: arborizado, localizado em proeminências e que possibilite visão de corpos de água.
A preferência humana por essa tipologia natural não se daria apenas por motivos evolutivos,
mas também por um senso estético comum o qual interpretaria essa constituição física como a
situação mais agradável.
Tendo sido Brasília uma cidade encomendada, cujo desenho urbano original se fez de
maneira estudada e planejada, é possível entendê-la como um exemplo prático das demandas
que se fazem necessárias para garantir a vivência com maior qualidade, especialmente em
uma região do país notadamente seca e árida.
21
controle pessoal reduzido e o aumento de erros em atividades que exigem atenção
direta. (GRESSLER; GÜNTHER, 2013, p. 489).
Das áreas da saúde, uma das que mais se beneficiaria da aplicação dos princípios de
ambientes restauradores no tratamento dos pacientes é o campo da saúde mental. No contexto
da saúde mental, os usuários se constituem majoritariamente de pacientes, familiares e
profissionais da saúde, grupos os quais podem se beneficiar de locais que reduzam o estresse
e promovam o bem-estar, principalmente para abrigar os processos de tratamento e cura dos
pacientes. Ambientes restauradores também podem contribuir com o alívio da fadiga mental
daqueles que lidam diariamente no âmbito pessoal e profissional com acometidos de doenças
mentais.
De acordo com Kaplan e Kaplan (1989), alguns dos efeitos negativos da fadiga mental
incluem agir de forma imprudente, incompetente e não cooperativa, além de apresentar menor
tendência a ajudar alguém em necessidade. Indivíduos sofrendo de fadiga mental também são
mais agressivos, menos tolerantes e menos sensíveis a sinais ligados às relações interpessoais.
Esses efeitos são indesejáveis a profissionais da saúde mental, aos pacientes, e aos seus
familiares e acompanhantes, uma vez que o processo de diagnóstico e tratamento, bem como
o dia a dia de neuroatípicos deve ser administrado de forma cautelosa, sempre levando em
consideração os sentimentos e o bem-estar dos pacientes.
22
saúde mental também pode contribuir para afastar o usuário do meio urbano, causador e
complicador de diversas neuropatias, integrando-o a um local mais tranquilo, distante da
aridez do meio urbano e da correria dos grandes centros.
2. REFERÊNCIAS PROJETUAIS
23
Figura 3 - Fotografia interna do Newport Health Center
24
2.2 CLÍNICA VIVER BEM
Apesar do termo cunhado por Wilson (1984), biofilia, não ser popularmente utilizado
no contexto brasileiro de arquitetura e design, é possível encontrar exemplos da aplicação de
propriedades da natureza em edificações brasileiras. Mesmo não usando termos da psicologia
ambiental, a clínica Viver Bem Psiquiatria, localizada em Camboriú, Santa Catarina, anuncia
como parte de suas estruturas área de lazer cercada por natureza e horta orgânica. De acordo
com o site da instituição, a missão da empresa é de tratar pacientes neuroatípicos de forma
humanizada a fim de promover saúde mental.
25
Figura 6 - Pátio de Clínica Viver Bem Psiquiatria
Além das características físicas, a Clínica Viver Bem Psiquiatria foi utilizada como
referência por apresentar serviços semelhantes ao desejado para o projeto do Centro de Saúde
Mental. Na mesma edificação são ofertados diversos serviços terapêuticos, de forma a
centralizar o tratamento dos pacientes de saúde mental em um só espaço. Devido à maior
sensibilidade aos arredores causada por algumas neuropatias, o processo de adaptação do
paciente a diferentes ambientes pode ser desgastante, dificultando o tratamento. Ao focar
diferentes atividades em uma só edificação, de preferência de pequeno ou médio porte,
aumenta-se a capacidade de apropriação do ambiente por parte do paciente, contribuindo
positivamente com o processo de cura.
26
Psicossocial), existentes em seis diferentes modalidades. Apesar do Centro de Saúde Mental
que se propõe não fazer parte do SUS, optou-se por utilizar um CAPS como estudo de caso
devido à proximidade dos usos realizados com o idealizado para a proposta.
A ideia de organização e uso dos espaços é dificultada pela estrutura da sede, uma casa
alugada pelo governo municipal a mais de treze anos. A título de exemplo, o banheiro dos
funcionários, o único que dispõe de chuveiro, localiza-se dentro da sala administrativa.
Havendo a necessidade de uso do chuveiro por parte dos pacientes, o banheiro dos
funcionários (atualmente usado por funcionários dos sexos masculino e feminino) é
disponibilizado. Dependendo do paciente, faz-se necessário atendimento mais privativo,
necessidade essa dificultada pelo fluxo existente na sala administrativa para uso do banheiro.
27
copa, entretanto, não existe a devida proteção solar nas aberturas, tornando o espaço
desagradável e inviável para a permanência.
O CAPS II Oeste, em particular, foi escolhido para uso como referência por dispor de
uma fachada frontal (Figura 7) com forte presença de vegetação, indicando possível desejo
dos responsáveis em estreitar o vínculo entre os frequentadores e a natureza, suposição
confirmada em entrevista com Rafaela Pessoa, diretora da unidade. Durante a entrevista a
importância do uso de natureza no tratamento de pacientes com transtornos mentais graves foi
reforçado pela diretora.
Figura 7 - Fachada de CAPS II Oeste
Devido às limitações estruturais não é possível oferecer na casa muitas atividades com
a natureza, porém, o CAPS II Oeste possibilita como parte dos serviços terapêuticos
atividades de colaboração com as hortas orgânicas localizadas nos fundos do lote, conforme
ilustrado pela Figura 8. Também são conduzidas, duas vezes por semana, visitas ao Bosque
das Mangueiras, localizado a duas ruas de distância da sede do CAPS. Lá são oferecidas
atividades de expressão corporal e atividade física, além da contemplação da natureza, como
parte do tratamento. As atividades no Bosque se fazem possíveis uma vez que o uso do
território faz parte da proposta da RAPS para a ressocialização dos pacientes.
28
Figura 8 - Croqui de implantação CAPS II Oeste
29
As diretrizes mais relevantes são:
A fim de permitir maior apropriação do espaço por parte dos pacientes, o centro deve
apresentar características físicas não monumentais ou intimidadoras. Além disso, para manter
relação de pertencimento dos clientes com o espaço, limita-se a quantidade de pacientes por
turno em quarenta.
A escolha do terreno teve como base a preferência por áreas centrais, com fácil acesso,
área suficiente para implantação do edifício e características relacionadas à ambiência
desejada ao entorno. Foram identificadas, a princípio, as zonas administrativas de preferência
usando como princípio o conhecimento da autora de cada uma das áreas da cidade e o
entendimento de quais seriam as zonas em que a proposta melhor se encaixaria. Dessa forma,
foram identificadas a Zona Sul e a Zona Leste de Natal.
Posteriormente, dos dezenove bairros que compõem essas duas zonas administrativas,
foram elencados sete seguindo os mesmos critérios aplicados às zonas da cidade. Esses sete
bairros foram, então, listados em ordem decrescente de compatibilidade com a proposta de
uso. A listagem pode ser observada a seguir:
● Lagoa Nova
● Lagoa Seca
● Candelária
● Capim Macio
● Nova Descoberta (especificamente a região referente a Morro Branco)
● Ponta Negra
● Tirol
Por meio de uso das ferramentas Google Maps e Google Earth, foram buscados
terrenos com áreas superiores a 2.000m², visto que, a fim de aplicar os princípios da biofilia e
dispor de ampla área verde, o lote não poderia ter área muito reduzida. Cada um dos terrenos
31
foi analisado com base em diferentes características desejadas (mas não obrigatórias) no lote a
ser escolhido. Essas características são:
● Pouco ruído
● Não muito tráfego ao redor
● Não muito isolado
● Espaçoso
● Visual interessante
O Lote 01 (Figura 9), localizado na Vila de Ponta Negra, no encontro das ruas José
Bragança e José Seledom, possui área de aproximadamente 3.300m² e é situado ao lado da
ZPA (Zona de Proteção Ambiental) 6, o Morro do Careca. Dentre as desvantagens do lote
podem ser citadas sua topografia acidentada e sua localização dentro de uma ilha de calor
gerada pelo Morro do Careca.
Figura 9 - Vista superior de Lote 01
32
O Lote 02 (Figura 10) é localizado no bairro de Lagoa Nova, no encontro entre a
Avenida Lima e Silva e a Rua dos Tororós. Sua área também totaliza aproximadamente
3.300m². Enquanto o diferencial do Lote 01 é sua localização visualmente privilegiada,
facilitando a aplicação de aspectos biofílicos devido à ampla existência de vegetação no
entorno, o maior diferencial do Lote 02 é sua localização privilegiada na cidade, em uma área
central e com fácil acesso por veículo particular ou por meio de transporte público.
Figura 10 - Vista superior de Lote 02
Quanto à vegetação, a Rua dos Tororós, uma das três ruas a limitar o terreno, dispõe
de canteiro consideravelmente arborizado na área próxima ao lote, conforme ilustra a Figura
11. No interior do Lote 02 existem duas árvores frutíferas de grande porte (uma mangueira e
um cajueiro), que podem ser utilizadas para aumentar o contato direto entre os usuários e a
vegetação.
33
Figura 11 - Rua dos Tororós e canteiro
Trata-se de um lote de esquina, ocupa meio quarteirão e pode ser acessado por três
vias. Ao Norte está a Rua Vicente Mesquita, ao Sul está a Avenida Lima e Silva e ao Oeste, a
Rua dos Tororós. Localizado no bairro de Lagoa Nova (Figura 12), o terreno escolhido possui
área de 3.323m² e situa-se a aproximadamente 1km de distância do CAPS II Oeste.
34
Figura 12 - Localização do bairro de Lagoa Nova em Natal e localização do terreno no bairro
35
Figura 13 - Vegetação existente no terreno
37
3.2.2 CONDICIONANTES URBANÍSTICOS
As distâncias aplicáveis são de 3m para recuos frontais com a adição de h/10 a partir
do segundo pavimento elevado e de 1,5 para os recuos laterais com a adição de h/10 a partir
do segundo pavimento elevado. Devido à diretriz de manter a edificação em um único
pavimento, os recuos não devem ser alterados, mantendo-os em 3m para cada uma das três
fachadas limitadas por vias e em 1,5m para as três fachadas situadas aos fundos do lote.
38
3.3 PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO
39
Área unitária
Quantidade mínima Quantidade Área
Ambiente Atividade Ambiência desejada mínima Área total
obrigatória adotada adotada
obrigatória
Armazenamento e venda de
Cantina - - 1 - 15 15
lanches
Espaço semi-aberto que possibilite
Consumo de lanches
Espaço para integração visual com a natureza e
provenientes da cantina ou - 1 - 30 30
refeições mobiliário que promova interação
levados pelos usuários
entre frequentadores
Integrar público e ambientes
internos com a natureza, Espaço semi-aberto que possibilite
Jardins
promover os benefícios da integração visual com a natureza Indeterminado
internos
biofilia, promover a sensação de (física também, se possível)
espaço aberto, natural
Reuniões entre funcionários,
Sala de reuniões com pacientes e Espaço agradável, que fuja à ideia
1 1 20 20 20
reuniões familiares, reuniões de de aridez
planejamento etc.
Sala para Armazenar arquivos e
- 1 1 5 5 5
arquivos documentos
Sala
Atividades competentes à equipe
administrativ - 1 1 22 22 22
administrativa
a
Ambiente iluminado (uso prioritário
de iluminação natural), mobiliário
Função de atividades coletivas
Cozinha configurado de forma a possibilitar 1 1 16 30 30
com usuários
interação dos usuários em
atividades promovidas
Espaço agradável, que possibilite o
Função de copa para
Estar/Copa distanciamento dos funcionários 1 1 2,6 5 5
funcionários
dos pacientes
Banheiros
adaptados Banheiros com dimensões que
- 2 2 4,8 4,8 9,6
para seguem a NBR 9050.
funcionários
40
Área unitária
Quantidade mínima Quantidade Área
Ambiente Atividade Ambiência desejada mínima Área total
obrigatória adotada adotada
obrigatória
41
4. EVOLUÇÃO DA PROPOSTA
4.1 SETORIZAÇÃO
A setorização das atividades silenciosas, conforme ilustrado pela Figura 17, separou
em um dos setores as atividades que, preferencialmente, não deveriam receber alta incidência
de ruído proveniente dos serviços e práticas conduzidos na própria edificação. Foi adicionado
aos ambientes listados o almoxarifado devido à sua relação com a sala administrativa. O
banheiro de funcionários, a sala de utilidades e a copa também foram encaixados juntamente
às atividades silenciosas a fim de se localizarem em proximidade com as salas de maior uso
dos funcionários. Esses três, por serem ambientes de acesso restrito, foram agrupados a fim de
reduzir a impressão de diversos ambientes serem fora do alcance dos pacientes.
Figura 17 - Setor de atividades silenciosas
42
assim como um banheiro com chuveiro para os clientes que realizam atividades mais
dinâmicas ou que permanecem na edificação durante os dois turnos de funcionamento.
O depósito de material de jardinagem, DMJ, foi agregado a esse setor devido à sua
similaridade em uso com o DML. Esses ambientes de depósito são geralmente restritos aos
funcionários responsáveis e apenas abertos para entrada e saída de materiais. Devido às
características neurodivergentes do público do centro é especialmente recomendado que esses
espaços fiquem trancados, longe do alcance dos pacientes.
Figura 18 - Setor de atividades barulhentas
43
Os ambientes internos restantes foram, então, agregados ao setor denominado Espaço
interno de convivência (Figura 20). Esses ambientes servem como apoio para a apropriação
do espaço pelo paciente e entendimento do centro como uma extensão do seu lar. Por se tratar
de um serviço privado, a cantina e o espaço de refeições substituem a cozinha e o refeitório
para fornecimento de alimentos, considerado essencial em um CAPS.
Figura 20 - Setor de espaço interno de convivência
A sala de descanso pode ser utilizada tanto para situações de pacientes exaltados que
precisem de um local mais reservado e tranquilo para se acalmar, como por usuários que
desejam passar o dia no centro e usar o espaço para descanso e cochilos.
44
A aplicação das diretrizes no terreno resultou, a princípio, em uma organização de
setores, ilustrada a seguir na Figura 21.
Figura 21 - Relação entre setores
45
Figura 22 – Planta baixa preliminar da proposta
Jardins internos foram idealizados em dois dos três blocos e no pátio central,
entretanto. Ainda não haviam sido definidos, nessa etapa, a estrutura a ser adotada ou se os
jardins possuiriam aberturas verticais até a cobertura.
46
Figura 23- Croqui de implantação preliminar da proposta
47
Figura 24 - Estudo volumétrico
Quanto à cobertura, a princípio foi imaginado o uso de uma grande estrutura que
servisse todos os blocos, entretanto, devido à necessidade observada de tornar o telhado mais
aberto e promover a iluminação natural no espaço central, optou-se pelo uso de telhados
individuais a cada um dos três segmentos da edificação. Para dois dos blocos é imaginado
telhado aparente de quatro águas, enquanto para o outro é previsto o uso de platibandas.
49
5. MEMORIAL DESCRITIVO
O terreno, o qual possui topografia irregular (Figura 27), apresentando declive máximo
de aproximadamente 3m, deve sofrer movimentação de terra a fim de facilitar os percursos
externos para usuários com mobilidade reduzida.
Figura 27 - Terreno com curvas de nível
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Figura 29 - Planta de estacionamento
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Figura 30 - Implantação com rota de ambulância destacada
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As relações funcionais no projeto acontecem de acordo com a divisão de setores
mencionada no tópico 4.1: setorização. No bloco de acolhimento (Figura 32), previamente
referido como bloco de atividades silenciosas, a recepção e a área de acolhimento funcionam
no mesmo cômodo, simultaneamente, sem barreiras físicas delimitando o início e fim de cada
espaço. As salas administrativa e de reuniões, por serem de uso voltado, principalmente, aos
funcionários, situam-se lado a lado. A sala de leitura encaixa-se nesse bloco devido à
condução de atividades silenciosas em seu interior. A prática de atividades silenciosas é o
principal aspecto coesivo entre os mais relevantes ambientes do bloco de acolhimento.
Figura 32 - Planta baixa de bloco de acolhimento
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O bloco de atividades coletivas (Figura 33), previamente referido como bloco de
atividades barulhentas, contém três ambientes principais, todos com seus acessos orientados
para os espaços de convivência. A cozinha terapêutica, na qual seriam realizadas ações
coletivas de preparo de alimentos, possui proximidade com o espaço de refeições, uma vez
que, mediante produção de alimentos com os pacientes, faz-se necessário espaço para o
consumo. A sala de atividades motoras e a sala de oficinas artísticas foram posicionadas de
maneira privilegiada quanto à ventilação, visto que, a depender dos materiais utilizados nas
oficinas e das atividades motoras realizadas, a presença de ventilação cruzada se faz mais
necessária. Os depósitos de material de limpeza e jardinagem e dois banheiros com chuveiro
para o público foram anexados ao bloco devido às atividades físicas, de culinária, de artes e
de jardinagem realizadas no setor e na área do jardim localizada em proximidade ao bloco.
Figura 33 - Planta baixa do bloco de atividades coletivas
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mobilidade reduzida e estimulando o uso e permanência de áreas com configurações
paisagísticas variadas.
5.3.1 PAREDES
O sistema construtivo para as paredes externas (com exceção da parede cega voltada
para Sul no bloco de atendimento) é alvenaria de tijolo cerâmico com camada de chapisco,
emboço, reboco e pintura em tinta acrílica Coral Renova na cor Creme (Figura 35).
Figura 35 - Tinta acrílica Coral Renova Creme
Para a parede mencionada será utilizado sistema de alvenaria de tijolo cerâmico com
camada de chapisco, emboço e revestimento em tijolo aparente em tom semelhante ao
ilustrado pela Figura 36. As paredes internas se constituem de alvenaria de tijolo cerâmico
com camada de chapisco, emboço, reboco e pintura em tinta acrílica ou porcelanato, a
depender do ambiente.
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Figura 36 - Parede e jardineira em tijolo aparente
5.3.2 COBERTURA
Número de pacientes 40
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Na cobertura do bloco de acolhimento (Figura 39) é prevista a instalação de uma
secção em policarbonato substituindo parte das telhas coloniais a fim de promover iluminação
difusa, possibilitando o plantio de vegetação de pequeno porte dentro da área edificada.
Figura 39 - Cobertura do bloco de acolhimento
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5.3.3 PISOS E FORROS
5.3.4 ESQUADRIAS
A maior parte das janelas e portas indicadas para a proposta são de madeira ou
madeira e vidro, indo de acordo com a estética naturalista do projeto. A fim de não obstruir a
visual entre o interior da edificação e os ambientes externos, não foi indicado o uso de brises
nas janelas. Tratando-se de uma edificação de único pavimento que dispõe de duas árvores de
grande porte no lote (ambas em proximidade com a edificação), compreende-se a suficiência
do uso da vegetação associado aos beirais determinados no projeto para proteção solar nas
janelas. Os portões de acesso ao lote são compostos por seis tábuas horizontais de madeira,
com altura baixa, assim como os muros, a fim de diminuir a sensação de aprisionamento
atribuída a muros e portões altos.
5.3.4 MUROS
Quanto aos muros, utilizados como elemento de separação nos limites do lote, optou-
se por utilizar alguns segmentos com muro de alvenaria e outros com muro de alvenaria e
madeira. A altura dos muros, predominantemente baixa, foi limitada (com altura variando
entre 1,20m e 2,00m) de forma a não proporcionar sensação de aprisionamento aos
frequentadores. A região em que o muro é mais alto justifica-se pela proximidade entre a
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Avenida Lima e Silva, de alto fluxo, e o Jardim de atividades, onde os clientes realizariam
atividades externas. Optou-se por maior altura de muro nessa seção a fim de reduzir a
exposição dos pacientes aos pedestres e à visual do tráfego de veículos.
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áreas abertas a pessoas com mobilidade reduzida. Esses aspectos devem refletir diretamente
nas diretrizes paisagísticas associadas à proposta de centro de saúde mental.
Devido ao caráter efêmero das espécies vegetais, as quais mudam de aspecto ao longo
das suas vidas, o desenvolvimento de projeto paisagístico deve ser especialmente sensível a
fatores como tempo, clima, longevidade de espécies, período de flora etc. No caso de jardim
desenvolvido para assistência ao tratamento de pessoas com transtornos mentais, cuidados
ainda mais específicos devem ser tomados, dentre eles, dificultar a interação dos usuários com
espécies venenosas e inseguras para o contato.
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de existir compatibilidade entre a preferência de cada frequentador e, ao menos, um dos
espaços.
A fim de compreender melhor como se dá a relação dos usuários com as hortas e quais
são seus impactos, foram aplicados questionários on-line acerca dos efeitos positivos e
negativos de hortas urbanas em seus frequentadores e da experiência do público. Foram
obtidas 30 respostas de indivíduos com diferentes perspectivas e vínculos com hortas. Deve
ser compreendido como horta urbana o espaço de produção agrícola de alimento situado
dentro dos limites de uma cidade.
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Implantado em proximidade com a sala de atividades motoras e o espaço de
alimentação e convivência, o Jardim de Relaxamento foi criado com objetivo de abrigar
práticas externas tranquilas, sejam em grupo ou individualmente. Devido à proximidade com
a sala de atividades motoras seria possível a condução das atividades coletivas em mais de um
espaço, estendendo para o jardim essas práticas coletivas.
5.5 O NOME
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Além dessas dificuldades, foi observado déficit de material instrutivo acerca de como
projetar para pessoas acometidas por diferentes transtornos mentais, especialmente para
transtornos de natureza transitiva, que não são necessariamente constantes ao indivíduo em
toda (ou a maior parte de) sua vida. Grande parte das orientações aplicadas no
desenvolvimento do projeto tem origem em conhecimento geral (e conhecimento pessoal da
autora) acerca de indivíduos acometidos por doenças mentais, especialmente depressão,
síndrome do pânico e ansiedade.
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Apesar dos obstáculos encontrados no processo, considera-se que os objetivos iniciais
expostos neste trabalho foram satisfatoriamente atingidos pela proposta do Centro de Saúde
Mental Angatu. Espera-se que este trabalho sirva de referência para o desenvolvimento de
futuras pesquisas nos temas de Saúde Mental e Biofilia. É almejada também a contribuição na
disseminação do tema de Biofilia e do uso da natureza como estratégia de manutenção e cura
da saúde física e mental, conferindo maior qualidade de vida aos seres.
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REFERÊNCIAS
CHISHOLM, Dan et al. Scaling-up treatment of depression and anxiety: a global return on
investment analysis. 2016. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 27 mar. 2019.
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(Julho-Setembro) : Disponivel em:
<[Link] 1413-294X.
PLEINS, J. David. The Evolving God: Charles Darwin on the Naturalness of Religion. [S.l]:
Bloomsbury Academic, 2013. 171 p.
ULRICH, Roger. Behavior and the Natural Environment: Aesthetic and Affective
Response to Natural Environment. Londres: Plenum Press, 1983
WILSON, Edward. Biophilia. 12. ed. Londres: Harvard University Press, 1984. 168 p.
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