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Questão 03

O amicus curiae, ou amigo da Corte, é um instituto que permite a participação de terceiros (ou seja, de quem não é parte na demanda) no processo do controle de constitucionalidade, a fim de ampliar a quantidade de sujeitos e, portanto, de visões e argumentos na tomada de decisão da Suprema Corte.

Ao viabilizar a participação no processo de interessados e afetados pela decisão do Tribunal, a figura do amicus curiae objetiva conferir caráter pluralista ao debate constitucional, enriquecendo os princípios democráticos. Isto é, representa um instrumento de diálogo entre a sociedade e a Suprema Corte, a fim de conferir legitimação democrática às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos termos do processualista Cássio Scarpinella Bueno, o instituto do amicus curiae permite que “terceiros possam vir, perante os Ministros do Supremo Tribunal Federal e tecer suas considerações sobre o que está para ser julgado, contribuindo, com sua iniciativa, para a qualidade da decisão.” (BUENO, 2006, pp. 135-136).

A

figura

do

amicus

curie

encontra

possibilidade

de

emprego

na

Ação

Direta

de

Inconstitucionalidade (ADI) e na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), podendo ser extraída, embora sem nomenclatura específica, das leis 9.868 e 9.882, ambas do ano de 1999.

A Lei n. 9.868/99, em seu art. 7º, caput, apresenta regra geral que veda a intervenção de terceiros no processo de ADI, no entanto, o § 2º do referido artigo trata da admissibilidade da participação de interessados, abrandando a vedação absoluta e introduzindo a figura do amicus curie no direito positivo:

Art. 7º. Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade.

§ 1º. (VETADO)

§

2º.

O

relator,

considerando

a

relevância

da

matéria

e

a

representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível,

admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos ou entidades.

A leitura deste dispositivo revela que compete exclusivamente ao relator a admissão, por decisão que não cabe recurso, dos amici curiae, considerando, cumulativamente, a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. Aqui também cabe ressaltar que o STF vem entendendo que pessoas físicas não suprem o requisito de representatividade, que é adstrito aos órgãos e entidades que representam interesses gerais da sociedade.

Por sua vez, o art. 6º, § 2º da Lei n. 9882/99 tem a seguinte redação:

Art. 6º.

(

...

)

§ 1º. (

...

)

§ 2º. Poderão ser autorizadas,

a critério do relator, sustentação oral e

juntada de memoriais, por requerimento dos interessados no processo.

A supracitada lei, que dispõe sobre o processo e julgamento da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), não possui regra que prevê claramente a possibilidade de amicus curie em seu procedimento, competindo ao STF processo interpretativo quanto à admissão deste instituto.

Neste diapasão, nota-se uma divergência interna ao STF em relação ao tratamento conferido à matéria. O Ministro Marco Aurélio adotou a posição da admissibilidade do amicus curiae na ADPF como exceção à regra geral, conforme ADPF 46, denotando clara distinção entre o art. 7º, § 2º da Lei n. 9868/99 e o art. 6º, § 2º da Lei n. 9882/99. Diversamente, os Ministros Eros Grau e Gilmar Mendes conferiram certa equivalência do instituto nos dois mecanismos de controle concentrado de constitucionalidade, como é possível notar na leitura da ADPF 73 e da ADPF 97, nas quais se admite o ingresso de entidades de classe na qualidade de amicus curiae valendo-se analogicamente da norma inscrita no art. 7º, § 2º da Lei n. 9868/99.

Questão 05

A liminar tem por escopo a proteção provisória de um direito até que exista provimento definitivo, servindo como instrumento para obtenção de medidas em caráter urgente.

Em relação à Ação Direta de Inconstitucionalidade, o art. 102, I, p, da Constituição de 1988 prevê a possibilidade de liminar, que consiste na suspensão da vigência da norma impugnada. Estabelece o art. 11 da Lei n. 9.868/99 que a decisão de cautelar possui eficácia erga omnes e que será concedida, regra geral, com eficácia ex nunc, salvo entendimento do STF a favor da eficácia retroativa. Ademais, a supracitada lei determina que a concessão de liminar na ADI se dará por decisão da maioria dos membros do Supremo, salvo em casos de excepcional urgência.

Na Ação de Declaratória de Constitucionalidade a possibilidade de medida limitar encontra-se prevista no art. 21 da mesma lei (n. 9.868/99), que traz a determinação, através da maioria absoluta dos membros do STF, de suspensão de julgamento por parte de juízes tribunais de processos que envolvam a aplicação do ato normativo ou lei que sejam objeto da ADC até o julgamento definitivo. A decisão liminar numa ADC tem eficácia erga omnes e, conforme vários julgados da Corte Suprema, eficácia ex tunc com efeito vinculante.

A possibilidade de concessão de medida liminar na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental está prevista no art. 5º da Lei n. 9.882/99, igualmente mediante decisão da maioria absoluta dos membros do STF, podendo excepcionalmente ser concedida pelo relator ad referendum do Tribunal. Admite-se a suspensão direta do ato impugnado, bem como a suspensão por meio de juízes ou tribunais do andamento do processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que trate da matéria discutida em sede da ADPF.

BUENO, Cassio Scarpinella. Amicus curiae no processo civil brasileiro: um terceiro enigmático. 2. ed. rev. ampl. e atual. São Paulo : Saraiva, 2006. 743 p.

LAURENTIIS, Thais Catib de. A Caracterização do amicus curiae à luz do Supremo

Tribunal Federal.

São

Paulo,

2007.

Disponível

na

Internet:

<http://www.sbdp.org.br/arquivos/material/298_MonografiaThaisCatibamicuscuriaeSTF>.

Acesso em: 24 de outubro de 2011.

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 15. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo:

Saraiva, 2011. 1196 p.

MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. 1432 p.

MENDES, Gilmar. Controle de constitucionalidade: uma análise das leis 9868/99 e 9882/99.

Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ - Centro de Atualização Jurídica, nº. 11, fevereiro,

2002.

Disponível na Internet: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 24 de outubro de

2011.

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 15. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2011. 1196

SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 33. ed. rev. e atual. até a Emenda Constituciona São Paulo: Malheiros, 2010. 926 p.