Agregado Nada Familiar: Comédia Familiar
Agregado Nada Familiar: Comédia Familiar
nada
familiar
Personagens:
Avô (Armindo): Homem casado, surdo que nem um cacho, recusa‐se a usar aparelho auditivo,
teimoso, mandão e com mobilidade reduzida.
Joana (Dobra 4): Nora do avô, mulher de Rui. É uma mulher bem vestida, cuidada, preocupa‐se
demasiado com a imagem e deve muito a inteligência.
Inês: Jovem com ar cuidado e inocente, filha de Joana e Rui, gosta de música e rapazes
rebeldes e problemáticos. Procura o seu verdadeiro amor.
Marco: Filho de Joana e Rui, jovem bem-comportado, sincero e amigável que está a descobrir
a sua (homo)sexualidade.
Faísca (DOBRA 3): Rapaz rebelde, com ar de rebelde e mania que fala criolo. Namorado de
Inês.
Rosário: Criada da casa. Fala muito rápido, faz tudo muito rápido exceto beber vinho ás
escondidas.
Avó (Dobra 4): Senhora chata e rabugenta que o que mais deseja é que tudo volta ao
“Antigamente”.
Abra a cortina
Sala de estar
Entra um senhor de idade, muito lentamente a gatinhar como se procurasse algo no chão.
Logo atrás dele vem a avó a olhar com ar desconfiado
Avó: ENTÃO ESTÁS AI A TER TANTO TRABALHO POR CAUSA DE UM CARAMELO? VAI LÁ
DENTRO BUSCAR OUTRO.
Avó: MAS QUERES ESSE PORQUÊ? DEVE ESTAR CHEIO DE COTÃO E TUDO.
Avó: Não entendo…Estou cada vez mais gorda. Cada vez mais velha… AMOR, SINTO ME
GORDA, VELHA E FLÁCIDA… PRECISO DE UM ELOGIO.
Avô: Oh amor, vê as coisas pelo lado positivo, pelo menos ainda tens boa visão.
Avô faz um ar de seca e limpa o ouvido com uma caneta falando para o público.
Avô: Sim…pois é isso mesmo... Pois…..Pois é….. Ai sim? Que chatisse…. Não posso…
Avô: Sim, mas só porque o nosso casamento foi tão fantástico. (Irónico)
Avó: O quê?
Avó levanta-se e sai… Entra Marco acompanhado de Rui. Rui despede-se e sai de casa,
Marco segue para a cozinha quando o avô grita.
Avô: Mas não se almoça nesta casa? Onde anda a jeitosa da empregada? E o meu filho Rui?!
RUIIII, JOANAAAAA.
Avô: RRRRUUUUUUUUUUUUIIIIIIIIIIIIIIIIIII?
Avô: Fugiu? Para onde? Isto é tudo culpa da tua mãe…ela dá‐lhe cabo do juízo. Eu já sabia
que mais cedo ou mais tarde ele ia fugir com a moça da fruta ali do minimercado… Eu vi-o a
galar‐lhe os melões…
Marco: Esquece…
Marco vira as costas ao avô e abre a porta, entra uma senhora bem-
parecida.
Joana: Sim
Marco: Onde?
Joana senta‐se e coloca a mala numa mesa à sua frente. Começa a procurar a chave na
mala, tira um guarda chuva da mala… uma camisola…uma panela e finalmente
um
candeeiro (a mesa tem um furo com tudo la escondido).
Marco sai da sala. Joana olha para o avô.
Avô: Ananás? Sim podes trazer enquanto a outra não traz o almoço.
Avô: INÊS?
Avô: Olha Inês, sabes que o pai e a mãe gostam muito de ti não sabes? E não importa o que
acontece, eles vão estar sempre cá para ti.
Avô: Mas há algo que precisas de saber… o teu pai…ele…fugiu com a mulher da fruta. A dos
melões grandes.
Avô: Não, não foi com a tua mãe… foi com a dos melões.
Toca o telefone de Inês, ela levanta‐se sem perceber a conversa e vai para o quarto a
correr.
Entra Marco na sala.
Marco: Avô, o que é que fizeste a Inês? Ela saiu daqui a correr…
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Avô: Sim quero comer porra, Todos me oferecem e ninguém me traz nada… OH INÊS? O
MEU ANANÁS?
Marco sai de cena.
Toca a campainha…novamente três vezes. Joana vem abrir.
Joana vira costas e abre a porta. Entra um jovem mal vestido e com ar de rufia.
Faísca: Porque sou rápido a conquistar damas…e sou…quente. (Diz passando a mão na
língua e a tocar no seu corpo fazendo o som de quente)
Faísca: Hê lá Dama… Eu não curto nada dessas intimidades. Isto é só um sentido… Exit
only. Bem Cota, tou a curtir bué do teu cubico, mas demanda lá a minha Mboa que tenho
o bote lá em baixo atravessado.
Avô: Quem é o senhor? Anda a vender bíblias é? Raios parta estes fanáticos. Não me diga
que vem pedir dinheiro.
Faísca: Xé dinossauro, não venho pedir nada, mas se quiseres dar é numa boa.
Faísca: Xé teia de aranha, eu broas só a noite…daquelas que batem bué…. Mas agora só venho
buscar a minha garina.
Faísa: Da-se que é surdo… Olha lá mumia, vai masé limoar os ouvidos com um piaçaba pá.
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Inês avança para beijar Faísca, mas no ultimo momento antes dos lábios se tocarem
Faísca pousa para uma selfie a fazer o número dois com a mão.
Avô: Vais sair com o vendedor? Mas isto anda tudo doido?
Joana: Mas onde andará o Rui? (Diz para si mesma enquanto sai da sala)
Avô: Não percebo, todos me oferecem comida e ninguém me traz… Porra que daqui a pouco
já não tenho fome.
Avô: Hé lá…que é isso pá? A tua mãe não te deu dinheiro suficiente para comprares o resto
da roupa?
Marco: Não avô, eu decidi ser livre…ser como eu quero… Não me esconder mais.
Marco desliza saindo da sala enquanto Joana entra pelo outro lado.
Avô: Sim senhora…. Gasta todo o dinheiro em aventais e comprar roupa para os filhos é á
metade.
Avó: Somos casados há quarente e sete anos, vais me dizer que na tua vida, nunca foste
feliz?
Avó: Vês…
Rosário: Ó meu xenhor, eu bou ali ao xuper buscar umas xebolas que num tenho ma nada
aqui. Tá o frango no lume, beja lá se num deixa queimar xenão despopis xobra é pra mim.
Lebo aqui binte aeros pra pagar ax xebolas e dexpois eu estrago o que xobrar. Daqui a xinco
minutoz apague alio lume pa num exturricar o arrox. Se estiber a queimar, tire a tampa e
deixa desxcanxar. Está tumbém o bolo no forno, daqui a pouco bá lá e xpete um expaguete
ber se tá no punto… Agora xquexa dixo e despois quero ber o que bai comer… (Fala tão
rápido que mal se percebe)
Avô: Mas onde raio vai aquela jeitosa também? E o que raio estava ali a rezar? E foi‐se
embora e almoço nada… Mas lá que gosto de ver aquela boquinha a mexer gosto… (Diz
enquando lambe os labios)
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Avô: Festa? Com essa cara a festa não foi muito boa.
Inês: Uma broa apanhou ele na tromba…a tentar obrigar-me a fazer o que não quero…
Avô: Posso ser velho filha…mas já fui jovem um dia, podes -me explicar.
Inês: Então é assim, a Raquel foi dizer ao Marco que eu não queria fazer amor com o Faísca,
mas o Marco que é o melhor amigo do Pedro, amigo do João, vizinho do Marco, foi dizer o
contrário, que eu queria mesmo fazer isso rapidamente senão ia ter com o Jorge, que é
primo afastado da Raquel. Como é óbvio, o Gonçalo que é um granda chibo, foi logo correr
contar isso a irmã, tu sabes, a Vanessa?! E ela muito inocente, a cabra, foi mandar
mensagem ao Faísca a dizer para ele se despachar a fazer isso comigo senão eu virava
lésbica. Achas isto normal?
Avô: Juventude… No meu tempo era bem mais fácil, gostas dela? Corteja‐a durante uns
anos sem lhe tocares, passa horas a janela dela a cantarolar e apanhar chuva nos cornos,
conheces o pai dela, demonstras as tuas intenções com esperanças de não levares um tiro
do pai dela e no fim, ainda sem sequer lhe teres tocado, casas-te com ela só para
perceberes que afinal ela já foi “tocada“.
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Joana: Mas onde será que anda o Rui? Ele saiu de manha e ainda não disse nada…tem o
telemóvel desligado… Ó sogro, onde anda o seu filho? Ainda não apareceu…
Joana: NÃO SEJA PARVO HOMEM… NÃO SE BRINCA COM ISSO. NINGUÉM MORREU. ONDE É
QUE FOI O SEU FILHO?
Avô: Pois, mas a fruta cá de casa já está a murchar, ele quer fruta nova…mais fresca.
Avô: Pois, mas o frigorífico seca a fruta toda. Ele quer fruta gostosa, saborosa e com muito
sumo.
Joana: Mas o que é que ele vai fazer com a fruta? Comê‐la ou fazer sexo com ela?
Joana: Quem?
Joana: Quem?
Avó: (Com ar apaixonado) Já reparaste, quando éramos novos tu davas me sempre a mão
quando víamos televisão.
Avó: E sempre que estávamos assim no sofá tu tentavas sentar sempre o mais perto de mim
possível.
Avô: Então, vou buscar a cola da dentadura senão fica agarrada a orelha.
Nisto, uma das luzes começa a piscar e a luz na mesinha do avô desliga‐
se.
Marco: O que se passa avô? (Diz com jeitos femininos e voz fininha)
Marco: Deixa estar avô, eu ligo ao Leonel para vir arranjar isso.
Marco: Estou? Sr. Leonel? Fala Marco do 3º D. Se poder passe aqui em casa que temos
uma lâmpada fundida. Obrigado xuxu…até já.
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O avô e o neto olham um para o outro enquanto Leonel fica todo contente por ter
descoberto.
Leonel: Agora? Então agora…. De acordo com a alínea C da lei como disposto no artigo
número 156 do código do eletricista, é necessário mandar o candeeiro para o lixo e comprar
outro.
Marco: O que? Mandar o candeeiro fora? Porque não trocamos simplesmente a lâmpada?
Leonel com muito cuidado tenta tirar a lâmpada. Avô e Marco olham para ele. Ao meter a
mão no candeeiro, Leonel apanha um enorme choque e cai no chão. Todas as luzes se
apagam.
Marco: Quem haveria de ser avô? Nem conhece a voz dos seus?
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Avô: Deus? És tu Deus? Ai… raios parta televisão tinha razão… chegou o fim. Por favor
Deus…mostra‐te.
A luz acende e está Leonel em pé com o cabelo todo no ar, e a cara e toda queimada e
com o corpo a tremer.
Leonel: Luz…fome…eu…AUUUUU.
Avô: Mas que se passa homem? Está tudo bem? Parece-me um pouco elétrico.
Leonel: Lâmpada…corrente…AUUUUU.
Marco entra na sala com um copo de água e senta‐se ao lado de Leonel. Dá‐lhe o copo à
boca.
Limpa-lhe a boca com a sua manga e fica a olhar com ar de desejo para Leonel.
Marco levanta‐se e levanta Leonel, leva o para o quarto lutando um pouco com ele.
Avô: Mas onde é que eles vão? Bem...nem quero saber. Eu quero é comer alguma coisa. Oh
Rosário? Rosário? Onde será que está aquela jeitosa? Bem, vamos la tentar ler isto outravez.
Avô: Ah sim… Foi Deus que apagou a Luz e depois foi para o quarto com o teu irmão.
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Inês: Óh avô, já ques estamos aqui só os dois, diga me uma coisa. Não nota nada de estranho
no Marco?
Avô: Mas o teu irmão tem um barco? BEm…eu já tinha reparado que ele gosta muito de pegar
no leme….
Inês: Óh avô… estou a perguntar se não nota algo de estranho no seu neto?
Avô: Sim Inês, ele é estranho ao perto. Mas olha que não é muito melhor ao longe. Não achas
que o teu irmão anda um pouco estranho?
Inês: Mas… Bem, continuando. Sim avô, ele anda estranho, as roupas, a forma de falar, o
andar…
Ouvimos a música “Ela não anda, ela desfila” e o Marco passa pros trás do sofa a deslizar
e a dançar em direção á cozinha, sem tshirt, enquanto avô e neta olham com ar
assustado.
Inês: Exctamente avô… Ele anda muito estranho. No outro dia apanheio a…. tu sabes avô.
Avô: Com uma pena? Mas que raio fazia ele com uma pena?
Inês: Não avô…ele estava a…. tu sabes….com a mão…e a por a aquilo na boca.
Avô: Ai que nojo… Mas onde é que ele andava a fazer essas poucas vergonhas?
Avô: No espelho? Mas para quê que ele precisa de ver ao espelho?
Ouvimos a música “Single Ladies” e o Marco passa por trás do sofa a dançar em direção
ao quarto, com os mamilos tapados com chantili e a por mais na boca enquanto dança e
enquanto avô e neta olham com ar assustado.
Avô: OH MARCO… TU NÃO USES O CHANTILI TODO… OLHA QUE EU PRECISO DISSO PARA POR
NOS MORANGOS DA ROSÁRIO. Como eu adoro quando a Rosário me dá os morangos dela.
Avô: Tem comichão? Então afaste‐se dela meu caro. Isso são chatos.
Abílio: Ela tem umas grande ma…..ma….ma…E mãos na cu…cu…E cozinha. E muitas v…. v….
vezes quando faz bro….bro….bro….Boculos a mais, tras me sempre um po…po….po…
Avô: Olha lá, vê se ela não é daquelas que só quer um velho cheio de papel para lho limpar
todo.
Abílio: Isso não é…é….é… E é verdade. Ela gosta de…de….de… e de mim porque
sou…Bu..Bu…Bu.. E bonito e sou um ca….ca….ca…
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Avô: Cavalo?
Abílio: Ca…ca…ca…
Avô: Cabeludo?
Abílio: Ca…ca….ca…
Avô: Calão?
Marco sai do quarto a puxar as calças para cima com ar satisfeito. Senta-se no sofa. Avô
olha com ar confuso.
Marco: Então não está…. Não podia estar melhor… Sinto me tão bem avozinho… tão feliz…tão
extasiado…
Avô: Saciado?
Inês: Marco, há algo que nos queiras dizer? Sabes que podes falar comigo mano.
Marco: Oh Inês… Então. Tomava por mais inteligente. Sabes bem o que se passa.
Inês: Sim Marco. Eu sei, mas queria que tu falasses comigo e me contasses as coisas. Em vez
de eu te apanhar com os meus vestidos no quarto e a por batom.
Marco: Não sejas assim… sabes tão bem quanto eu que aquele vestido realça muito mais as
minhas pernas.
Marco: Então mas antes disso conta-me lá… como correu o teu date com o Bad Boy?!
Marco: Uiii, isso soa me a mexerico. Conta lá aqui a mana ao mano o que é que ele fez?
Avô: Ai é?
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Marco: Sim, eu imagino o que ele queria. Mas olha… diz lhe que aquele vestido preto é meu e
não lho emprestas.
Entra Leonel na sala com ar assustado… roupa rasgada e cheio de btom na cara…
Marco levanta-se e olha para ele acenado com a mão. Leonel vai andando para a porta
com um andar estranho… quado esta quase a sair, vemos que vem algemado. Marco vai la
abrir e retirar as algemas.
Avô: Bem… vamos lá acabar de lêr as noticias que hoje não está facil.
Ao virar a página deixa cair o jornal e vê-mos que tem uma playboy escondida a frente
do jornal. Pega nervosamente no jornal, tapa a revista e continua a ler.
Avô: Olha pra isto… Assim sim… parece a Rosário. Que bela marmita tu tens…
Vemos um homem a entrar pela janela, encapuçado. Depois de entrar anda lentamente
e com cuidado.
Vai vasculhando algumas coisas enquanto avô está distraído com a revista.
Continua a procurar pelas gavetas. Entra também pela janela uma mulher também
encapuçada. Ao entrar tropeça e cai e faz barulho.
Amélia: Desculpa pá… Quem manda ter uma porcaria de uma mesa mesmo à janela? Uma
pessoa já não pode roubar a vontade.
Adelino: Olha, o velho adormeceu…ou morreu. Qual quer que seja o caso vamos aproveitar e
limpar tudo. Vê ai as gavetas se tem algo que possamos vender.
Amélia abre uma gaveta e encontra um maço de notas…Olha para elas, conta‐as e volta
a guardar.
Adelino: Só um monte de notas? Então e porque raio não as tiras e guardas ignorante?
Amélia: Porra, tu disseste que querias coisas para vender. Vais vender o dinheiro seu
inteligente?
Adelino desesperado vai tirar as notas da gaveta e guarda‐as no bolso e continua a sua
procura.
Amélia: Sempre a mesma coisa…sou sempre ignorante e nunca faço nada de jeito. Deve estar
esquecido que a minha média na faculdade de ladrões foi bastante superior à dele.
Amélia: Encontrei o pote do ouro…isto deve valer uma fortuna. (aponta para dentro da
gaveta)
Adelino: O que é?
Amélia: É um colar…
Amélia tira o colar da gaveta e fica a olhar para ela com ar de desejo.
Amélia: Olha…fica me tão bem, não fica? (Pondo o colar a sua frente)
Adelino: Não te metas com ideias. Estamos aqui para limpar e vender. Não é limpar e usar.
Mete isso já no saco.
Amélia vai olhando para o colar e começa a dançar com ele pela sala. Tropeça no tapete e
o colar cai no colo do avô.
Adelino: Mas que porra foste fazer Amélia?! Agora vai lá tirar sem acordar o velho.
Amélia chega‐se ao pé do avô, com muito cuidado estica a mão para agarrar o fio. O avô
mexe‐se um pouco e Amélia esconde-se rapidamente assim como Adelino se atira para o
chão.
Insiste mais uma vez esticando o braço para o fio, mas desta vez o avô mexe‐se e solta
um peido enorme. Amélia afasta‐se com nojo. Insiste novamente, o avô solta outro
peido este mais alto e longo. Amélia quase desmaia com o cheiro.
Amélia: Porra Adelino, o velho está mesmo morto. É um cheiro que não se pode.
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Adelino: Claro que vem atrás de nós. Quem haveria de ser? Bora…vamos sair daqui Amélia.
(salta pela janela)
Amélia vai atrás dele, mas não resiste e tenta agarrar o fio. O avô mexe‐se e prende-lhe o
braço. Amélia tenta várias vezes se soltar, mas não consegue.
Adelino não responde, Amélia tenta mais uma vez e não consegue se soltar. Irritada
encosta o rabo a cara do avô e solta um peido, o avô faz cara feia e desvia‐se soltando
assim o braço de Amélia, que agarra o colar e atira‐se da janela de cabeça, ouvindo‐se um
estrondo lá fora.
Amélia: Auuuuuuuuuu.
Avô: Que estranho… Cheira me a queimado…. E a peido ao mesmo tempo. Que raio?!
A criada entra em casa carregada de sacos. Vê fumo a sair da cozinha e corre para lá em
pânico.
Rosário: O noxa xenhora da agrela que o raio do velho deixou o almoxo queimar.
Avô: Raios partam aquela maluca. Peidou-se, queimou o almoço e agora foi se embora. Não
faz nada de jeito. Oh Rosário? Olha o almoço? Anda cá que quero te comer… Comer, quero
comer.
Entra Rosário e Leonel.
Leonel: Afaste‐se menina. Aqui o Leonel trata disso. Sabe que eu já fui bombeiro? Quer dizer,
chumbei 5 vezes no curso, mas ainda assim aprendi muito.
Leonel manda‐se para o chão, rebola e dá cambalhotas, faz pose de super-herói. Chega‐
se a porta da cozinha e começa a soprar com muita força, várias vezes. Depois atira‐se lá
para dentro.
Leonel: Auuuuuuuu.
Avó: AUUUUUUUUU.
Avô: Vais me obrigar a perguntar não vais?… Pareces mesmo um fantasma... o que foi
assombração?
Avó: Nada…
Avô encolhe os ombros e não liga nenhuma.
Avó: Claro que não, eu não como chocolates. (Tira a mão da boca e está toda suja de
chocolate)
Avô: Não gostas não é? Liga lá pra vizinha do 6ºD que ela é dentista e vem ai ver o que se
passa com o teu para‐choques.
Avó: Estou? É a Dra. Noémia? Como está Dra.? Olhe, fala a assombração do 5º… Ai desculpe, a
vizinha do 5ºD, precisava que a Dra. Viesse ver o que se passa com o meu para‐choques…Ai
desculpe, com o meu dente que me está a doer muito… Não, não comi doces. Sim sim, vem já?
Obrigado então.
Desliga o telefone.
Avô: Antes que ela chegue, vai lavar a boca que está suja de chocolate.
Avó faz cara de culpada passa a mão na boca e sai para os quartos.
Avô: Mas que raio… Esquece, já nem tento perceber. Liga lá ao teu amigo…Deus para vir
arranjar o telefone que não se ouve nada.
Marco abre a porta e Leonel solta um grito de medo. Entra fugindo de Marco. Marco sai
para a rua.
Marco: Tenho que sair amor…mas espera por mim… temos que acabar esse… curto
circuito.ZZZZZ
Avô: Óh tu aí...rapazito…Leonel…ou Deus…ou o que for, mete aqui o telefone mais alto que eu
não ouço nada.
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Dra. Noémia: Muito boa tarde, então o que se passa com o seu dentinho? Andou a portar‐se
mal e a comer docinhos foi?
Avó: Não, não Dra. Portei me muito bem. Não lhes toquei nem com um dedo.
Dra. Noémia: Nem tinha reparado que estava ai. Como está meu caro?
Avó: Não ligue Dra. Veja lá o que se passa aqui com o meu dente por favor.
Avó senta‐se no sofá e abre a boca. Quando Leonel repara na Dentista tudo fica em
camara lenta… Ouvimos a musica “Stand by ME” e Leonel vai em direção a dentista em
camara lenta… Esta só termina quando Leonel Grita “caramel” e ouvimos o som de um
sico riscado.
A dra. aproxima‐se e olha para a boca da avó. Leonel volta ao trabalho. Sem a dra. tocar
na avó, esta começa a gritar.
sofá.
Dra. Noémia: Ah pois, uma cáriezinha aqui escondida. Vamos ter que tratar dela.
Avó: Por favor Dra., tem que me anestesiar que eu não aguento.
Dra. Noémia: Anestesia? Muito bem… deixe‐me preparar aqui uma mistura então.
Leonel: Bem meu caro, já sei o que se ASTEROIDE se passa aqui. Então passo a explicar.
Avô: Não preciso de explicações homem. Só quero esse telefone mais alto para eu ouvir
melhor.
Volta a examinar o telefone. Pega nele, olha por cima, por baixo pelo lado… poisa o
telefone…afasta‐se e olha para ele…
Leonel: Bem, isto é um caso complicado… (ladra duas vezes) mas eu consigo resolver.
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Dá mais uma volta ao telefone e subitamente tem uma ideia. Abre a sua mala, tira
duas listas telefónicas e coloca‐as por baixo do telefone e faz um ar vitorioso.
Dra. Noémia: Pronto, aqui está, uma anestesia que vai adormecer a sua cara toda.
Leonel arruma o seu saco e dirige‐se para a porta. A Dra. quando vai a espetar a agulha na
avó esta contrai‐se tanto que com o susto a Dra. dá um salto e acaba espetando a agulha
na cara de Leonel. Dra. Noémia fica em pânico.
Dra. Noémia: Ai desculpa Senhor Leonel. Peço imensas desculpas. O senhor está bem?
Leonel: Sim sim, Dra., está tudo bemmmmm (Leonel não consegue terminar a palavra e a sua
boca abre‐se e a lingua cai para fora.)
Leonel: Uaaa uaaaaa uaaaaaaa (tenta com a mão por a língua para dentro mas ela volta
sempre a cair.)
Leonel tenta falar, mas não consegue. Vai em direção a porta resmungando.
Dra Noémia: Lamento muito mas tenho que ir ao consultório buscar mais anestesia que era a
última que tinha comigo. Entretanto vá-se deitar um pouco e descansar.
Joana: Bem minha filha, chegou uma altura muito importante na tua vida. Estás a descobrir
coisas novas e é normal ter perguntas. Está na altura de termos a tal conversa que todas as
mães e filhas devem ter.
Joana: Não filha, está na altura de eu te ensinar um processo que faz parte da vida de todas as
jovens. É normal e devemos estar sempre recetivos a aprender com quem mais sabe.
Inês: Mãe…a sério. Não vás por ai. Não precisas falar disso comigo.
Joana: Não precisas ter vergonha filha. Temos que aprender, ninguém nasce ensinado. Temos
que aprender o que é melhor para nós, aquilo que gostamos e o uso que lhe damos.
Joana: Sim, por vezes é desconfortável, ás vezes faz dor de cabeça… mas quando é assim faz‐se
sem mãos que ajuda sempre.
Joana: Claro Inês, os cientistas dizem que usar muito pode fazer mal e que o melhor remédio é
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Inês: Mas que raio… Mãe, isto está a ser estranho demais. Quero mudar de assunto.
Joana: Não filha. Como tua mãe sinto me na obrigação de falar isto contigo, de te encaminhar,
tal qual o meu pai me fez a mim. Falou comigo e até me ajudou na primeira vez.
Joana: Claro que sim… eu estava muito nervosa e não sabia como agarrar. Então o meu pai
segurou para mim com uma mão para eu ver como era.
Joana: Olha, então é assim, quando o tiveres na mão, tens que ter muito cuidado para não o
arranhar com as unhas.
Inês mostra‐se chocada.
Joana: Mas espera…não há nada como ter um na mão para perceberes melhor.
Joana: Juventude… Não entendem a importância de escolher bem o seu primeiro telemóvel.
Como os tempos mudam…
Avô: Quê?
Avô: E o que raio estás a fazer com essa faca? Onde arranjas-te isso?
Marco: Sim estava perdida… Mas estava à minha espera…como se o destino nos junta-se….
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Avô: Porra, só quero ver mamas em paz…noticias… noticias em paz e ninguém me deixa.
Inês: Avô, tenho que lhe pedir um favor, preciso que se retire para o seu quarto.
Inês: Eu sei avô, mas vem cá uma psicóloga falar comigo e preciso de privacidade.
Avô: Olha que ésta… era só o que me faltava, mais uma maluca cá em casa.
Avô retira‐se para o quarto e Inês deita‐se no sofá e baixa as luzes. Começa a ouvir‐se
uma musica lamechas como se fosse da mente de Inês. Entra a avó a dançar sozinha.
Toca a campaínha e musica para e luz levanta. Avó foge para dentro. Inês vai abrir. É a
psicóloga.
Inês volta a deitar se no sofá. Psicóloga senta‐se na poltrona do avô e abre um bloco.
Dra. Ticha: Hum…estou a ver…Se não estás bem, será porque estás mal.
Inês: Se estás mal…é porque não estás bem. Mas diz‐me, o que se passa?
Inês: Foi o Faísca Dra. Ele magoou‐me. Ele não gosta de mim… Mas eu gosto tanto dele.
Dta Ticha: Hum…estou a ver. Então se o odeias será porque não gostas dele…
Dra Ticha: Então se me vais contar…é porque não vais estar calada.
Inês: Não!
Dra Ticha: Então se não queres estar calada é porque queres falar…
Inês: Então foi assim, eu andava com o Faísca, ele queria foni foni, mas eu não me sentia
preparada. Achei que ainda não seria altura certa para o fazer, e ao que parece esta
informação chegou a Raquel que como é uma linguaruda foi logo dar com a língua nos dentes.
A Dra levanta‐se com ar de seca e começa a passear pela sala a mexer nas coisas.
Inês: O Faísca depois de saber isto tudo ficou chateado e telefonema após telefonema, a
noticia correu a escola toda e ao que parece ele diz que se eu não fizer com ele, ele vai fazer
com a Raquel. Todos sabemos que a Raquel se devia chamar Maria, Maria vai com todos,
porque ela já percorreu a escola toda, só lhe falta o Faísca, mas ele como é estúpido ainda
vai cair nas mãos dela.
A Dra. volta a sentar‐se e tira uma garrafa de vinho da mala, vai buscar um copo ao
armário e começa a beber.
Inês: Agora não sei o que fazer porque gosto muito dele, mas se ele só pensa nisso não
posso ficar com ele. Acha isto normal Dra.?
Inês: Exato Dra., ele é um anormal. Ele não me merece. Foi injusto comigo.
Dra. Ticha: Bem, o nosso tempo acabou, foi uma boa sessão. Aprendemos muito e
analisámos muito. São 375 Euros por favor.
Inês: Desculpe? 375 Euros por 10 minutos a dizer o óbvio? Mas onde raio isso é normal?
Dra. Ticha: Minha querida, eu tirei o meu curso de psicologia com o grande Professor Bambo.
Ele ensinou‐me tudo o que sei. E os meus honorários são estes. 15 minutos da minha
preciosa ajuda são 375 euros.
Dra. Ticha: Desculpa? Ouve lá minha maluca dum raio, eu não tenho nada que levar com
os teus problemas vaginais. Se te queres manter pura até ao casamento o problema é teu,
não sabes o que perdes. Agora, se eu tenho que te aturar a falar disso, tens que pagar.
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Dra. Ticha: Ou pagas ou eu chamo a polícia, que por acaso são meus clientes também e
satisfeitos.
Dra. sai.
Avô: Há aqui qualquer coisa diferente…algo não está bem. Alguém sentou o cu no meu sofá.
Avô senta‐se com ar pensativo… A luz baixa e recomeça a musica lamechas. Avó volta a
entrar em cena a dançar e nem repara no avô. Dança pela sala toda enquanto o avô
olha para ela. Avô com ar de gozo põe o aparelho e grita pra avó.
Avô: Limpar o pó… Parecias era uma vaca com a doença das vacas loucas.
Avô: Mas é vaca ou mula? Decide‐te. E tu não chames nomes á minha mãezinha que Deus
a tenha. Ela era uma santa…tinha toda a razão, sempre a dizer para não casar contigo…que
eras arraçada de bruxa.
Rosário: Ixto é que é vida... Ninguém em caxa... caxa só pra mim... Patrão fora dia xanto na
loja.
Bebe vinho e fica deitada na calma... no silêncio. Até que entra de repente a Joana na sala
com o Marco vestido de mulher. Rosário, muito lentamente encolhe‐se no chão ficando de
gatas a frente da poltrona sem ninguém a ver.
Joana: Ainda és muito novo para andar com facas assim Marco, e se magoas alguém?
Marco: Não magoou ninguém, mas assim também sei que ninguém me magoa, se alguém se
meter comigo leva logo uma naifada.
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Joana: Sim claro, qualquer pessoa anda com uma faca desse tamanho pela rua, não é... mais
vale andares com uma motosserra no bolso, não vá ser preciso.
Joana: Não sejas parvo, não ficas nem com faca, nem com motosserra.
Sai para o quarto e o Marco vai atrás, mas ouve um som. Nisto, Rosário mexe‐se e deixa o
copo tombar.
Marco: Que foi isto? Quem está ai?
Marco: Estás doida? Essa faca vale uma fortuna, temos que a guardar.
Marco: Sempre a mesma coisa, nunca posso ter nada meu. (Sai da sala chateado)
Joana dirige‐se a porta, mas ouve um som. Ao ir andando para a cozinha, a criada deixa
cair o copo.
Marco: Não sei o que se passa comigo... Num momento sinto‐me uma coisa, noutro
momento sinto outra. Hoje desejo a pela macia de uma mulher, noutro dia desejo os pêlos
de um Homem... Mas o que se passa comigo?!
Marco: Eu estou confuso avó, não sei o que quero nem quando quero.
Marco: Hã?
Avó: Sim, sim, eu prefiro ovos. Antes gostava muito de salsicha, era todos os dias se eu
pudesse, muitas vezes duas vezes ao dia. E gostava mesmo daquelas grandes, as alemãs.
Depois de uma daquelas ficava logo cheia.
Avó: Sim... fartei me de comer salsichas. Acho que é por ter provado todas as salsichas que
havia, fiquei sem nada de novo. Então decidi virar‐me para os ovos...
Avó: Claro que sim, ele até me leva a comer ovos de vez em quando. Se bem que eu não
gosto muito de ter de pagar para comer o que posso comer aqui em casa.
Avó: Claro que sim, mais que uma vez. Ás vezes, durante à noite dá-me assim umas vontades,
então tenho que ir bater ao quarto da Rosário e pedir-lhe para me dar ovo.
Avó: Sou o quê? Fofa? Agora diz‐se Fufa? Nunca vou perceber esses dialetos. Mas és um
querido. Tu também amor. És uma fufa também. (E sai da sala)
Marco: O avô sabe que a avó durante a noite vai comer o... ovo da Rosário?
Avô: Claro que sim... eu sei que ela adora isso. O que ela não sabe é que eu as vezes
durante a noite vou comer salsichas com o teu pai.
Avô: Olha olha, agora não posso comer salsicha descansado. Isto anda tudo doido.
Ticha: É aqui senhor agente... Ela é a ladra que não me quer pagar.
Entram em casa.
Agente Roberto: Ora bem, então a senhora usou os serviços desta colega e não quer pagar
é isso?
Inês: Mas quais serviços? Ela é que usou o meu serviço. Usou o meu serviço de loiça para
beber enquanto eu estava ali a falar.
Agente Roberto: Mas se estava a falar não estava calada, logo tem que pagar.
Inês: Mas ela não me ajudou em nada, fui eu que fiz tudo sozinha...
Joana: Mas o que é isto, eu não fiz nada... eu só ia entregar a faca à polícia.
Agente Roberto: A SENHORA ESTÁ PRESA POR POSSE DE ARMA BRANCA E TENTATIVA DE
AGRESSÃO A UM AGENTE DA AUTORIDADE.
Entra Marco na sala e vê a mãe a ser algemada e a Inês a discutir com a Ticha.
Marco vai ter com o polícia para discutir com ele. Avô levanta-se para defender Marco.
Todos se deitam e deixam-se algemar. Entra Rosário na sala e todos olham para ela.
Rosário: Ixto realmente parexe impossivle, nada funxiona nexta caxa. Agora o raio do cano
intupiu, e a áuga num corre. Quero coxinhar num tenho fuorno, quero lavar, num tenho
canos, poxa que num tenho nada.
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Rosário: Extou Leonel, anda cá xima ver o raio do cano k ta intupido. Num corre nada. Até
xa.
Leonel bate a porta e todos olham para a porta. Ele entra na sala e fica a olhar para todos
com ar assustado.
Rosário: Não liguex Leonel, anda lá, max é ver o cano que num corre nada.
Passado um tempo voltam Leonel e Rosário todos sorridentes da cozinha ainda a vestirem‐
se.
Rosário: Obrigado por teres desentupido o meu cano... agora tudo corre
naturalmente. Finalmente conseguiste arranjar algo.
Ao ouvirem isto todos se dirigem ao Leonel e fazem uma grande festa por ele ter
conseguido arranjar algo. Todos ficam num círculo a felicitar o Leonel.
Começa a ouvir se o barulho de canos e todos percorrem a sala com os olhos até ficarem a
olhar para a cozinha. Nisto ouve‐se um cano a rebentar e um jato de água sai da cozinha e
molha toda a gente. Todos começam a discutir com Leonel e expulsam no de casa. Todos
saem de casa aos gritos excepto o avô e a avó que voltam a sentar se como no inicio.
Avó: Realmente… esta casa está cada vez pior… O Marco anda armado em esquesito não sabe
o que quer. A Inês anda com a mania que é santinha. A Joana não toma conta do marido. O Rui
desapareceu e ninguém sabe dele. Vou é ligar-lhe.
Avó pega no telephone e liga para Rui. Toca o telephone de uma pessoa do público. Este
atende.
Rui: Estou?
Avó: Estou Rui, onde é que tu estás que ninguém sabe de ti filho?
Rui: Vim sozinho… O Leonel arranjou me um bilhete. Mas olha, esta peça está a ser uma treta.
É que não tem piada nenhuma…
Rui olha em volta e ao aperceber que estão todos a aolhar para ele desliga o telefone…
Avó: Olha o teu filho está muito estranho. Diz que foi ver uma peça de teatro sozinho.
Avó: O quê?
Avô: Nada nada… e eu é que sou surdo. Sabes muito…Só ouves o que queres.
Avó estende a mão ao avõ e este percebe. Levanta-se e senta-se ao pé dela. Dá-lhe a mão
como no inicio… ficam os dois a rir internamente.
O sofa “parte-se” e cai para trás com eles dois sentados. Luzes apagam-se e ambos gritam ao
mesmo tempo “Leonel”.
FIM