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Direito Europeu

1º Semestre

Quando se consegue entender a base e os motivos que levaram à origem da norma jurídica, mais facilmente
se consegue interpretar e aplicar a norma.
“e”  copulativo
Interpretação Júridica
“ou”  disjuntivo
Ex.: O João e a Maria estão? (Queremos saber se ambos estão, caso só um deles esteja, a
resposta é NÃO);
O João ou a Maria estão? (Queremos saber se um deles está, assim, se um deles estiver
satisfaz a nossa pergunta);
Comentar frases:
«Ganhamos o hábito de viver antes de adquirirmos o de pensar», Paul Valadier
Análise interpretativa:
- Sublinhar as palavras mestras;
- Os eléctricos só andam nos trilhos. Aqui, os trilhos são o hábito;
- Estas duas realidades são incompatíveis já que ao ser humano é impossível viver sem ganhar o hábito
de pensar. É como comer um ovo estrelado sem saber que o mesmo vem da galinha;
- Num país com 30 anos de democracia/liberdade, se no Inverno, a moda é vestir vermelho, toda a
gente se veste de vermelho. É uma ditadura em plena liberdade.
- É fundamental ganhar o hábito de pensar, não viver de acordo com as modas.
«Só um dia o porquê se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto», Paul Valadier
Análise interpretativa:
- O porquê é a dúvida, o conhecimento. Sem a dúvida não se atinge o conhecimento. A dúvida do ser
humano a cerca das suas capacidades é algo que chega com lassidão;
- Sem o porquê não evoluímos. O recomeço é lento (lassidão), quer a dúvida, quer a resposta.
«A simples preocupação está na origem de tudo», Kant
Análise interpretativa:
- A palavra simples é um ponto de partida para percebermos que diz respeito a um pensamento pré-
contemporaneo, porque em filosofia nada é simples;
- Entre a complexidade, do simples, e o, simples complexo, nasceu o pensamento socrático (Sócrates). A
estética em tudo na vida.
Nota à parte: O que são contos helénicos?
Têm menos de 60 páginas, são 10 histórias, cada uma com um título, uma das histórias é a história do livro.
Livro sugerido: “Escritos sobre a pele”, Maria Teresa Bracinha Vieira.
«Quaisquer que sejam os jogos de palavras e as acrobacias da lógica, compreender é antes de tudo
verificar», Kant
Análise interpretativa:
- Um jogo implica mais do que um sentido: é o jogo das palavras. É eticamente injusto numa mensagem
imperceptível. É deontologicamente incorrecto;
- A acrobacia da lógica poderá ser posterior ao jogo das palavras, ou as palavras servirão de explicação
para algo já sucedido.

António Manuel de Albuquerque Pereira 1


Direito – 2º ano – Universidade Lusófona – 2005-2006
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- Só vivendo uma experiência (verificação) é que se pode compreender;


- Jogos de palavras, argumentação.
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Iremos falar em primeiro lugar da recuperação da Europa do pós-guerra, a história cronológica dos
Estados-membros.
Antes de chegar ao modelo da integração é importante perceber a inter-relação dos Estados-membros.
Vamos analisar Direitos Fundamentais, Economias Sociais e Culturais. A Carta Social Europeia (Revista).
Cooperação europeia, veremos alguns artigos da Carta Social Europeia (Revista). Direitos Fundamentais:
Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Instituições da União Europeia. Fontes do Direito
Comunitário.
Temas da cadeira:
São por excelência matérias das aulas teóricas, não são
- Parte I, Cap. I, II e grande parte do III; matérias de fundo das práticas.
- Parte 2, Cap. I e II
As outras matérias serão mais aprofundadas nas aulas práticas. Serão mais ligadas com a vivência e o
espaço dos povos da União Europeia, bem como das legislações em vigor no quadro da União Europeia.
Matérias:
- A Cooperação Europeia;
- Carta dos Direitos Fundamentais da UE – Faz parte do texto definitivo da Constituição Europeia.
- As Instituições da UE, uma a uma;
- As Fontes do Direito Comunitário;
- Direito Derivado;
- O Direito Comunitário Originário.
Bibliografia obrigatória:
- A crise das fronteiras, Luís Sá
- Direito da União Europeia, Fausto Quadros
- Direito Comunitário, Prof. Mota Campos;
Legislação:
- Carta Social Europeia (Revista), DR n.º 241, I série A, 17/10/2001;
- Carta dos Direitos Fundamentais da EU, Jornal Oficial da Comunidade Europeia n.º 341/01, 18/12/2000;
- Tratado de Nice, Engloba todos os tratados;
- CRP;
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Da legalização de estrangeiros em Portugal
Almoçava eu sozinha num restaurante da capital e eis que da mesa contígua, ouvi como testemunha
de dizer alheio, Uns tantos advogados – lúcidos e cultos, dado o teor acutilante da conversa que escutava –
que tentavam arduamente entre si comunicar acerca dos laboriosos procedimentos que os sufocavam, no
que à legalização de estrangeiros e/ou “clandestinos” respeita sempre que estes enquanto seus clientes lhes
solicitavam apoio.

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Fiquei absolutamente convicta de que se trata de uma árdua tarefa que aqui resumirei de cor e ao
correr da pena, mas impossível seria não comunicar de imediato o que fui escutando, tendo em conta as
inúmeras atribulações e constrangimentos pelos quais passa um processo deste tipo.
1.º “Manda-se” de imediato o cliente para a Loja do Cidadão dos Restauradores (as outras lojas são
menos maçónicas e por isso menos agressivas na capacidade de resposta) e por lá deve o cliente afirmar, no
balcão mais achegado a este tipo de problemas, que se encontra ilegal no país;
2.º “Manda-se” o cliente solicitar prorrogação da permanência clandestina (?), caso tenha “entrado”
no país precariamente (parece absurdo mas foi assim que ouvi);
3.º “Manda-se” que o cliente se case (?) com urgência com não importa quem que legalmente
trabalhe em Portugal – para este efeito estão disponíveis estagiários de advocacia junto das conservatórias
que casam logo as pessoas em regime de separação de bens e ficando de imediato preenchidos os
formulários e demais requisitos para o divórcio, podendo praticar-se o casamento putativo e excluindo-se
expressamente qualquer vicio da vontade (???);
4.º “Manda-se” o cliente para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (Av. António Augusto de Aguiar
n.º 2 em Lisboa)). Aqui convém que o cliente esteja convicto de que ultrapassou uma fronteira
geograficamente definida, e, em relação à qual o sujeito em vias de legalização se sinta deveras estrangeiro,
tendo em conta que eles (os funcionários deste serviço) sabem que alguns astronautas disseram que da Lua
não se descortinam as tais fronteiras na Terra e que, se assim esta fosse questão que passasse nalgum
espírito em vias de se legalizar, não se justificaria a existência do próprio serviço. É, pois, preciso ter cuidado
com as convicções;
5.º “Manda-se” o cliente ao 2.º andar (?) do acima identificado serviço, onde lhe serão entregues
formulários vários. Todos devem ser preenchidos, mesmo aqueles que não se aplicam às finalidades do
requerente (?);
6.º “Manda-se” que o cliente leve consigo quer ao local mencionado em 1.º quer ao local referido
em 4.º, BI com fotografia a cores e cópia integral do passaporte. É bom que o cliente tenha consciência do
conteúdo da palavra “integral”, não vá o mesmo ter ido a algum país mais suspeito do que o nosso e não o
queira mencionar. Neste caso, se houver fundada suspeita que assim é, face à lei interna, este cliente é
desde logo considerado intruso obstrutivo ao emprego a um residente aqui nascituro e concebido;
7.º “Manda-se” que o cliente leve consigo a este serviço um comprovativo de alojamento (falso?) e
atestado pela junta de freguesia a que pertença o tal alojamento (aqui manda-se que o cliente pague (?) o
valor que lhe for solicitado a quem lho solicitar, ainda que o possa fazer de modo faseado, aproveitando
uma lacuna da lei neste campo especifico);
8.º “Manda-se” que o cliente arranje um recibo (falso?) do que pagou por verdade no referido em
7.º;
9.º “Manda-se” de novo o cliente para a loja que funciona de modo regular nos Restauradores e lá
deve o cliente entregar o passaporte mais parecido com o verdadeiro (?) que tenha em sua posse e aguarda
5 meses por qualquer resposta mesmo que ao assunto não respeite;
10.º “Manda-se” o cliente, não obstante o supramencionado em 9.º que solicite mera guia de
substituição do passaporte entregue, devendo esta guia ter renovação automática sempre que a mesma
deva servir a breves estadas fora do país onde decorre a legalização, considerando-se automaticamente
suspensa a ilegalidade durante as estadas acima identificadas;
11.º “Manda-se” o cliente à repartição de finanças do bairro do cônjuge e arranca-se de lá o IRS do
ano anterior. Caso o cônjuge não tenha trabalhado nesse ano, deve o mesmo ser enviado de imediato para
o subsídio de desemprego, que lhe atribui prova bastante (?) de quem tem capacidade para assegurar,
inequivocamente o bem-estar do companheiro(a);

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12.º “Manda-se” entretanto o cliente em vias de legalização, arranjar da forma mais expedita mas
conforme à jurisprudência instalada (?), junto de qualquer consulado que se preste (?) a assinar-lhe um
termo de responsabilidade que consubstancie o modelo 199 já então requerido nos Serviços de Criminologia
da Judiciária (?);
13.º “Manda-se” o cliente ao Instituto de Desenvolvimento e Inserção das Condições de Trabalho
que funciona na R. Gonçalves Crespo n.º 21 em Lisboa (?) para que possa entregar outro documento que por
lá se assina, sem questionar o conteúdo ou o objecto último de serventia do mesmo (?);
14.º “Manda-se” o cliente levar de imediato este documento referido em 13.º à Direcção-Geral do
Trabalho, que o visará para todos os efeitos que se mostrem adequados à pretensão em vista, sejam quais
forem as vistas ou as pretensões (?), eles costumam-no visar sempre (disseram);
15.º “Manda-se” que o cliente sempre oculte (?) que tem direito a segurança social e que para lá já
descontava anteriormente à actual legalização em curso;
16.º “Manda-se” enfim que o cliente interprete bem a Lei 20/98 de 12 de Maio, na redacção que lhe
foi dada pelo D.L. 34/2003 de 25 de Fevereiro, já que o desconhecimento da lei não aproveita ninguém;
17.º Enfim, solicitam-se honorários porque a procissão ainda vai no adro e já se deu muita da
informação que poucos colegas da Ordem dos Advogados (mesmo Bastonários no activo ou no passivo da
dita Ordem) podem ou sabem dar;
18.º “Manda-se” o cliente ler atentamente e compreender a carta de solicitação dos valores já
calculados em 17.º e explica-se que tanto mando é porque o advogado(a) não se pode deslocar aos
exaustivamente descritos lugares, já que ou estuda o processo da informação a prestar ou, pasma no tempo
perdido em todos estes centros de eficaz apoio aos sujeitos em vias de legalização.
Lembro-me ainda da generosa cedência de saber de um destes vizinhos da mesa. Em rigor ele ia
oferecer-se a um exausto colega, actualmente doutorando que todos estes procedimentos poderiam
constituir vários capítulos de sua tese, visto que se mostra pertinente conhecer o não-desfecho da situação
em causa.
Que me perdoem os leitores os lapsos de memória ou outras confusões e as inúmeras interrogações
que aqui se mostrem por de mais patentes. Contudo, o processo é difícil. Só escutei de raspão, mas
acrescentaria a vontade de acreditar que, qualquer parecença com a realidade é seguramente mera
coincidência. Nem me lembro de nenhum Mestre do Saber que se tenha pronunciado a respeito. Foi o
excesso de um bom almoço.
M. Teresa Bracinha Vieira, in Euronoticias, Secção Opinião, Titulo «Da Minha Tribuna», Tema «Da legalização de estrangeiros em
Portugal», P. 25, 8 de Agosto de 2003

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Comentar frases: continuação…
«Rawls desenvolve um certo conceito de razão pública. Razão pública é a característica de um povo
democrático: é a razão dos seus cidadãos, daqueles que partilham o estatuto de uma igual cidadania», John
Rawls, A Teoria da Justiça.
- Rawls admite que só existe razão pública no âmbito de um país democrático. Razão pública vai de
encontro à maioria das razões, embora com respeito por uma minoria respeitável que possa ter outra razão.
Dois conceitos de cidadania (Ex.: Eleições, os que as ganham e os que as perdem).
«Deve o jornalista dizer e mostrar tudo mesmo que isso faça o jogo do terrorismo de opinião ou por
indiscrição levantar suspeitas sobre inocentes?», Paul Valadier, Inevitável Moral.
- O jornalista tem um código deontológico.
«Em lugar de sonharmos com uma moral feita de betão é preciso aprender a decidir com base na urgência e
descobrir vias através das quais se pode e se deve arriscar fazer juízos», Paul Valadier, Inevitável Moral.
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- A moral de betão é a moral herdada (o que os pais nos ensinam a fazer). Uma moral segura, fechada, que
não nos deixa sair dali. É limitado. Descobrir que a moral não deve ser de betão.
- Em vez de betão, devemos aprender a decidir, com maleabilidade intelectual, com carácter na urgência de
acção. Pode e deve agir na hora, tomar decisões (imperativo categórico de Kant).
A UE debruçou-se sobre o conceito de moral nos diversos Estados Membros, nomeadamente do seu
passado, pois só conseguimos entender o nosso presente se entendermos o nosso passado, de acordo com
aquilo que é a sua moral. (Normas de acordo com a filosofia/moral de cada Estado Membro).
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Comentar frases: continuação…
(A interpretação feita, nesta aula, sobre as frases da aula anterior, foram registadas na data da aula de
origem das frases: Moral de Betão e John Rawls).
Frases: (Analisadas na aula T7 de 23/11/2005)
«Tudo o que é cientificamente possível torna-se moralmente aceitável».
Análise interpretativa:
- Aceitamos isto como possível, aceitamos como moralmente aceitável.
- Relacionado, em particular, com a morte.
- Não temos capacidade/conhecimentos para contrapor a definição científica.
«O Juiz não é livre de pensar, está subordinado à Constituição e à Lei».
Análise interpretativa:
- Qual é a margem maior que o Juiz tem?
- O Juiz interpreta e julga segundo a sua consciência que tem a ver com a equidade. Quando o Juiz não está
subordinado à Lei está subordinado à Constituição e vice-versa.
União Europeia
Para falarmos de globalização, podemos falar de algo mais lato que é a mundialização, fenómeno no
qual os países como a China, Índia, e os do Continente Africano estão abrangidos.
Será que o poder “cabe” num Espaço geograficamente delimitado?
Temos também os particularismos nacionalistas que a classe politica à direita entendeu que o problema
não foi Marx, mas sim os Marxistas, nem foi Lenine, mas sim os Leninistas. Estes particularismos que surgem
após a II Guerra Mundial deram origem a negociações do género “quem fica com o quê?”
O Comité de Regiões da UE tem tido o cuidado de analisar as delimitações geográficas dos diferentes
Estados Membros e as semelhanças culturais que existem em regiões diferentes inseridas em países
distintos.
 Conceito de Estado da UE, desde 1958. Em 1931 existiam 145 significados para o conceito de Estado
Físico.
 Se o conceito fosse determinado pelas fronteiras e determinado pelo numero de votos desse Estado,
onde se localizava o Poder desse Estado?
- Os poderes não têm a ver com a definição de Estado.
Ex.: Vaticano – quase inexistente em termos geográficos e que tem um poder enorme (Claro, poder
religioso).
 Estado – sede de Estado – está fora do conceito da UE.

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 ONG’s – Organizações Não Governamentais.


 Fenómenos como Nafta ou Mercosul não têm sede de poder inserido no conceito de fronteiras. Os seus
negócios decorrem além fronteiras;
 Fenómeno da Globalização, posterior aos anos 90;
 Mais lata é a mundialização que abarca fenómenos como a China, Índia, e o Continente Africano,
enquanto que a Globalização não os englobava. Mundialização engloba todos os conjuntos de países que
sofrem influências comerciais, económicas, politicas, sociais, etc.…;
 O Poder não se insere apenas dentro do Estado;
Ex.: Terrorismo, Islamismo, e outros que não têm sede.
 Os fenómenos não têm a ver com a génese do pensador, mas tem que se saber separar a do seu criador e
a dos seus seguidores.
Ex.: Marx, dos Marxistas; Lenine, dos Leninistas; Islão, dos islamitas; Cavaco, dos cavaquistas. Os
símbolos, e a forma como se fala deles.
Particularismos Nacionalistas – A IIª Grande Guerra Mundial deu origem a que se negociasse a
divisão dos países e até o surgimento de novos países, o caso mais grave foi o dos Balcãs (Joguslávia).
Há uma relação entre poder e a delimitação de Estado, a nível infraestadual temos também as forças
de poder exteriores.
Ex.: Lobbies, Grupos de pressão, corrupção, …
O Poder Local está mais ligado ao caciquismo (cacique é o "indivíduo que tem influência política numa
determinada região e que, na ocasião das eleições, arranja eleitores a favor de certo candidato.") e dá mais a
ideia de ser influenciável através do tráfico de influências.
Dentro do Direito Europeu fala-se na questão politica: na politica do politico ou do politico da
politica.
Político, política e administração.
A Aula/Matéria de hoje relaciona-se com “A crise das fronteiras”, Luís Sá;
1. «Politica», administração pública e administração comunitária.
1.1. «Político» e «política» no processo de integração comunitária.
Se a distinção tradicional entre político e política é questionável no campo da integração comunitária e
das relações com os Estados e as respectivas administrações o problema é ainda mais intrincado. Na história
da Comunidade Europeia as tentativas de criar uma Comunidade Europeia de Defesa, e de levar a cabo uma
integração marcada e assumidamente politica, começaram por se gorar. A experiência muito limitada de
criação da CECA correspondeu à tentativa de adoptar outro caminho, que contornasse a oposição a uma
integração assumidamente politica; mas não deixou, apesar do seu carácter economicamente sectorial e
predominantemente administrativo, de provocar profundas e acesas controvérsias politicas. Por outro lado,
essa decisão, apesar do seu carácter sectorial e limitado, teve, para além dos objectivos económicos,
finalidades marcadamente politicas. É o caso do objectivo de retirar à Alemanha a possibilidade de,
atendendo às características da indústria de armamento da época, voltar a provocar uma guerra; daí, em
grande medida, a administração do carvão e do aço por uma autoridade «supranacional».
Mas este é apenas uma caso: é nítida, desde que as comunidades se constituíram, em termos gerais, a
dificuldade de encontrar as fronteiras entre o campo político e o administrativo.
Por isso, a ideia de que com a CEE estaríamos apenas no domínio da administração, partindo da teoria
americana do funcionalismo supranacional e da sua reelaboração alemã, não tem em conta que o processo
de integração comunitária sempre teve uma natureza política. Incontestável, embora poucas vezes

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assumida. Os que estiveram historicamente envolvidos no processo de integração europeia tiveram


frequentemente ideias e objectivos contraditórios acerca do que deveriam ser a natureza e o alcance desse
processo; evidencia de que sempre houve uma componente política nessas ideias e objectivos, por parte das
figuras mais importantes.
Ao adoptarem medidas de integração económica os principais responsáveis da integração tinham
também o objectivo de preparar o campo para futuras evoluções mais abertamente políticas da integração
comunitária. Tratava-se de atingir, a longo prazo, uma meta de tipo federal, ou pelo menos uma
comunidade política. Para o efeito, optou-se por uma via «funcional», que não confessa nem torna
completamente explícita a meta final. Não querendo suscitar perplexidades, interrogações e oposições que
a pudessem vir a inviabilizar.
Essa meta deveria ser atingida através de pequenos passos, que começariam por estar situados ao nível
da cooperação económica e administrativa e que iriam abrindo caminho a uma cooperação, cada vez mais
vasta, até atingir o objectivo da União Política.
A distinção entre campos pretensamente não políticos no processo de integração e o campo
reconhecidamente político justifica que se aborde a caracterização da «política» e uma outra distinção
clássica, entre «política» e «político». Justifica-se apreciar se o processo comunitário pode ser encarado
como inserido na competição pelo poder entre os diversos sujeitos políticos, ou se há que encarar as
políticas comunitárias, e a sua definição como praticamente alheias à competição política e como se devem
encarar predominantemente como sendo meras medidas para satisfazer necessidades públicas, sem
influência na luta pelo poder, ao nível da CE ou dos Estados-membros.
São muitos os autores para quem o «campo da política» pode examinar-se como englobando
simultaneamente dois fenómenos diversos, a «política» e «o político». A política, na nossa época, em que se
reúne a competição eleitoral e o poderoso efeito dos media, é um campo de lutas simbólicas, de exercício
do poder simbólico, capaz de produzir «coisas sociais» e sobretudo grupos sociais, em geral em termos que
permitem substituir a força económica ou física para a obtenção de um efeito idêntico.
Os termos de exercício do poder simbólico são particularmente eficientes porque ignorados como
arbitrários e por implicarem a cumplicidade daqueles que estão sujeitos ao poder com aqueles que o
exercem, ou a complacência.
Uma das características do exercício do poder simbólico é a de negar que o «político» faça parte da
«política», onde esta, envolvendo a competição e a luta, seria para os adversários de quem controla o
poder. O «político» seria o campo exclusivo de quem o exerce. Faz parte do exercício do poder simbólico
afirmar-se exclusivamente preocupado com o «interesse público» e que se despreza a disputa do poder,
bem como proclamar que os adversários só por esta estão interessados. Logo o estudo científico do poder,
implica desmistificar a separação estanque entre «política» e «político», dificilmente aceitável em sistemas
baseados na competição eleitoral e no próprio processo de integração europeia.
José Adelino Maltez fala numa postura «essencialmente conceptualista» de que, acreditamos que, se
aceitássemos essa distinção, a Comunidade Europeia seria a estrutura que desenvolveria a sua actividade ao
nível do «político». Assim, a politica, entendida como a luta pela manutenção ou disputa do poder,
desenvolver-se-ia ainda ao nível de outras instâncias, dos sistemas políticos nacionais, embora o que se
passa nestes tenha reflexo na CE e o que se passa na CE tenha reflexos nas lutas pelo poder que se travam
sobretudo internamente.
Este facto não exclui a existência de contradições de interesses nas instituições comunitárias; é óbvio
que sim. O modo como existem e são resolvidas não é em função do objectivo constante e imediato da luta
pelo poder. É que a própria detenção do poder a nível comunitário passa por cada Estado: os membros do
Conselho Europeu são um chefe de Estado, ou primeiros-ministros, os membros do Conselho são ministros
do respectivo governo, os membros da Comissão apesar da sua passagem actual pelo Parlamento Europeu,
são igualmente propostos pelos governos nacionais; os próprios «eurodeputados» são eleitos em cada país,
com uma dinâmica essencialmente nacional e com base na lei e no sistema eleitoral dos diversos Estados.

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A distinção, já referida, entre política e político tem que ser relativizada e mesmo posta em causa, na
medida em que tenha subjacente a ideia de que é possível estabelecer fronteiras entre a luta política e as
propostas para a resolução dos problemas colectivos e o próprio exercício do poder, muito longe de ser
adequado. A postura cientificamente frutuosa seria investigar a medida em que a luta pelo poder influi nas
propostas e orientações para o seu exercício ou mesmo nesse exercício; e em que medida o discurso que
nega interesse na luta política e afirma o seu refúgio no «político» é uma das formas possíveis de exercício
de «poder simbólico».
Parece também evidente que a CE não é propriamente uma organização orientada para a imposição de
decisões por via coerciva, que em geral não procede, pelo menos directamente. É, acima de tudo, um dos
campos de exercício do referido poder simbólico de que fala Pierre Bourdieu e aqui já referido; tipicamente,
um campo de produção de «coisas sociais», de movimentação de grupos sociais e de interesses, de
organização de adesões através de actos a esse fim dirigidos; não é o campo, no imediato, de luta pelo
poder, nem o titular real do «monopólio da violência legítima»; é inequivocamente um campo de exercício
do poder que privilegia a organização e a procura do consentimento, até porque a grande maioria dos
detentores do poder comunitário acalenta o projecto de ampliar o poder que actualmente detém e visa a
procura de adesões a esse objectivo.
Acentue-se, que, há que reconhecer uma profunda interpenetração do campo da política e do campo do
político, caso se admita o interesse em manter a distinção. A ligação entre a definição e concepção de
políticas e a competição em torno do poder leva facilmente a que um programa político de governo possa
rapidamente transformar-se em objecto de luta política, no momento do debate parlamentar ou noutras
ocasiões; a que obras e investimentos sejam politicamente aproveitados, na luta pela conservação do poder,
com inaugurações, divulgação pela comunicação social, utilização em campanhas eleitorais, etc; ou a que
um programa partidário, que em princípio se situaria no campo da policy, possa vir a ser não só um
referencial para a sua intervenção futura no exercício do poder, caso o partido consiga alcançar, esse
objectivo, mas, eventualmente, um instrumento de intervenção no combate contra a política de outros
partidos.
No plano da integração comunitária, por outro lado, uma decisão pode situar-se no campo do «político»
e ter mesmo um carácter marcadamente administrativo num país e consequências significativas no plano da
«política» noutro: pense-se nos vários programas comunitários de apoio financeiro, a países ou regiões e no
diferente impacte de muitas directivas em diferentes países, por exemplo. Por outro lado, é sabido que o
reforço das competências comunitárias tem sido tanto melhor aceite pela população quanto mais
importantes são os fundos transferidos pela CE para esse país; basta ver os resultados que são apresentados
pelas sondagens que a CE há tantos anos realiza ou ainda os resultados dos referendos acerca do Tratado de
União Europeia, onde se verificaram.
Acontece ainda que o desempenho em cargos comunitários pode condicionar as carreiras políticas
internas e influenciar a luta interna pelo poder. Cada vez mais se verifica que assim como a definição de
certas políticas comunitárias com aceitação da «opinião pública» abre caminho a um reforço do apoio
popular à CE, assim também existem outras que fazem diminuir esse apoio, dificultando as adesões ao
alargamento dos poderes comunitários.
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A ideia de um Espaço único começou ainda na antiguidade clássica. Efectivamente os Tratados que
utilizamos e o Espaço a que pertencemos iniciaram-se no Pós Segunda Grande Guerra Mundial, por volta
dos anos 50, com a Declaração de Schuman. Este Espaço que se começou a delinear ficou conhecido com a
Carta da Europa Comunitária que englobava os três grandes Tratados que fizeram surgir a Ordem Jurídica
Comunitária. As bases constitutivas da União Europeia foram consagradas numa série de tratados:
- O Tratado de Paris, que instituiu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), em 1951;
- O Tratado de Roma, que instituiu a Comunidade Económica Europeia (CEE); e A Comunidade
Europeia da Energia Atómica (Euratom), em 1957.

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Em termos de modelo de integração europeia, foram estes Tratados que organizaram a Ordenamento
Jurídico da União Europeia. Ainda que, com culturas e civilizações diferentes, mas um mesmo Espaço
geográfico, foi necessário acabar com as hostilidades pós-guerra (Alemanha vs. Aliados) e foi nesse sentido
que surgiu a Declaração de Schuman. E, foi com base no incentivo do Professor Schuman que os países
conseguiram encontrar um sentido de identidade e assinaram o Tratado da CECA, em 1951, que entrou em
vigor em 1952 e que vigorou até 2005. Este Tratado serviu para incentivar as trocas comerciais entre os seis
países que o assinaram, embora tenha vivido sempre um pouco à margem, já que foi absorvido pelo próprio
Tratado da UE. Determinou-se que no Tratado de Nice o Tratado da CECA desse por finda a sua vigência,
pois, já não fazia qualquer sentido a existência de um Tratado autónomo, com despesas, com um orçamento
próprio. Os outros dois Tratados ainda se mantêm em vigor. Tanto o Tratado de Roma, com objectivos
económicos mais amplos, como o Tratado Euratom, com objectivos económicos mais específicos, que
entraram em vigor em 1958. Em 1992, Fevereiro, a assinatura do Tratado de Maastricht, pelos 12 Estados-
membros da CEE, reunidos na conferência intergovernamental, aprovaram um conjunto de alterações
relevantes e fundamentais no modelo de integração federalista que se queria levar adiante. Assim,
alteraram:
- O Tratado da CECA;
- O Tratado Euratom;
- O Tratado de Roma;
Estas alterações entraram em vigor em 1993, com o Tratado de Maastricht ou Tratado da União
Europeia. Este Tratado não vem revogar os anteriores, vem trazer alterações profundas, extinguindo,
alterando e aditando artigos.
Desde de 1993 que temos em vigor 4 Tratados com alguns artigos comuns, já que os aditamentos
não foram feitos nos tratados respectivos.
Como alteração fundamental atribui-se ao Espaço Europeu, uma Comunidade Europeia assente em
valores que pretendem ascender a mais do que uma comunidade (e a CEE tinha um objectivo meramente
económico). Assim, o nome foi alterado, e a partir desta data conhecemos apenas duas siglas: CE –
Comunidade Europeia.
O Tratado da UE, surge exactamente com o objectivo de criar uma comunidade europeia no espaço
europeu, com objectivos económicos, monetários e políticos, e não meramente económicos como
anteriormente era vista a ideia europeia.
O Tratado da UE entra em vigor a 11 Novembro de 1993. A regra é que os Tratados têm que ser
ratificados/referendados em todos os países membros e um NÃO, implica a não entrada em vigor em
nenhum Estado Membro, e com este Tratado a Dinamarca disse NÃO, só tendo dito SIM numa segunda
tentativa, o que fez com que houvesse uma demora entre a assinatura e a entrada em vigor, de 7 de
Fevereiro de 1992 a 1 de Novembro de 1993.
Em 1994, Áustria, Suécia e Finlândia pedem a adesão, tendo o Tratado da EU entrado em vigor nestes países
em 1995, data a partir da qual passaram a ser 15 os Estados Membros.
Em 1997, surge uma alteração muito pequena que ficou aquém das expectativas. O Tratado de Amesterdão,
que juridicamente corresponde a uma revisão dos Tratados CECA, EURATOM, ROMA e UE, mantendo-os
contudo todos em vigor. A última alteração, na Cimeira de Nice, em que foi assinado um novo Tratado,
exactamente com o nome da Cidade francesa onde decorreu a Cimeira, em 2001, e que já prevê o inicio das
negociações do Tratado Constitucional (assinado em 2004 mas que se encontra suspenso).
Nice trás profundas alterações, sobretudo ao nível institucional e perspectivou o alargamento à
Europa de Leste. O Tratado de Nice só entrou em vigor em 2003.
Assim, estão actualmente em vigor 4 Tratados:
- CE – Roma;
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- EU – Maastricht;
- Amesterdão;
- Nice;
___________ «» __________
Pós II Guerra Mundial (1946-1950) é um momento importante para a preparação daquilo que, após
1950, foi o modelo de integração comunitária.
Quando se aflorou o Direito Comunitário o programa da Cadeira era muito restrito. Com o decorrer
dos anos a própria Cadeira evoluiu, e, a partir de 1993 a dimensão do Espaço da Comunidade Europeia vai
muito mais além do que um mero modelo económico e até mesmo a nível institucional.
Cresceu geograficamente, ideologicamente, caminhou para a moeda única e para uma união
politica. Desta forma, e com um ordenamento jurídico próprio, o Doutor Fausto Quadros entendeu ser
melhor chamar-lhe Direito da União Europeia.
Origens da Europa
A ideia de uma só Europa, de identidade europeia, que pressupõe os “Laços de Pertença”, próprios
de uma comunidade e que conjugam um conjunto de pessoas que se perspectivam em dimensões culturais,
politicas, económicas não é dos nossos dias.
É uma ideia que vem desde o tempo da antiguidade clássica: Roma e Grécia antiga.
 Estes foram os primeiros conceitos de unidade dos povos, de valores e espaço comum, e, que, hoje
pressupõem que se caminhe para “Laços de Pertença”, sempre seguidos pela ideia de Direitos de Liberdade
consentidos. Na ideia já tida na antiguidade clássica, o conceito de união congrega já o espaço geográfico.
Unidade geográfica de um Estado a outro Estado. A identidade só é vista nesta época ao nível geográfico
(com várias raças, povos, línguas, etc.).
 Na idade média, a ideia de identidade europeia passa para uma dimensão ideológica e espiritual.

Com base nas origens cristãs da Europa e dos Doutores da Igreja.

Claramente acrescenta à unidade geográfica da antiguidade clássica uma ideia ideológica e


espiritual da Europa.
 Séc. XIV/XV – Viragem da Idade Média para o Renascimento.
Aqui, assistimos à primeira divisão dentro da Europa. A divisão aparece ao nível político, religioso e
económico.
A divisão politica é o fundamental para unir povos, mas também tem que existir para os tornar
independentes, uns dos outros. A afirmação da soberania estadual entre eles. Não põe em causa
nem as identidades geográfica, nem ideológica, nem espiritual. Reforça a união cultural.
Ao nível religioso assistimos a reformas da Igreja.
No plano económico, a divisão surge ao nível do crescimento do racionalismo e concentração de
desenvolvimento do próprio mercado. Dá-lhe maior desenvolvimento e destaque Politico, Social e
Económico;
Estes três planos de divisão vêm reforçar a identidade cultural europeia. As diferentes línguas e os
diferentes povos geram a identidade cultural.
 Séculos XVIII e XIX – Pré-guerra.

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Ao nível do espaço geográfico europeu surgem pela primeira vez as manifestações do conceito de
solidariedade politica entre os Estados soberanos da Europa (Revolução francesa: Os primeiros
direitos civis e políticos).
 I Grande Guerra Mundial e o Pós-guerra.
Surge a consciência dos Estados de como são frágeis perante hecatombes e a consciência dos
perigos da desunião, sem contudo terem tempo para se prepararem, já que o surgimento da II
Guerra não lhes permitiu.
 O Pós II Guerra.
A fragilidade vem ainda mais ao de cima. As necessidades básicas como a alimentação ou a
habitação estão arrasados.
Socialmente há uma devastação absoluta.
Politicamente a questão é ainda mais complicado, já que resultam duas potências mundiais (EUA e a
URSS) e depois os pequenos países, ainda que aliados, e a Alemanha vencida. Houve um poderio
militar tentando absorver os pequenos países. É daí que surge a Guerra-fria, O Muro de Berlim e
que os países europeus perceberam que têm que fazer algo em comum (surge então o conceito de
Europa Unida).
O discurso do Primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, (30 de Novembro de 1874, Blenheim - 24
de Janeiro de 1965, Londres), na Universidade de Zurique foi fundamental e passou pela reconciliação
Franco-alemã, como única via para ultrapassar as hostilidades do pós-guerra.
A apresentação do O Plano Marshall, conhecido oficialmente como Programa de Recuperação
Europeia, foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Europa, nos anos seguintes à
Segunda Guerra Mundial, apresentado pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos da América, George
Marshall.
Entre 1948 e 1951, os Estados Unidos haviam contribuído com mais de 13 biliões de dólares (100 biliões, em
valores actuais) para a recuperação de 16 diferentes países, todos no plano de influência americana.
O principal objectivo do Plano Marshall era fortalecer a Europa Ocidental, do bloco capitalista, de
influência norte-americana, contra a influência comunista, da União Soviética, ou um possível ataque desta
na Europa Ocidental. Com este Plano a Rússia e os países de Leste afastaram-se dando lugar à URSS (União
Revolucionária dos Socialistas Soviéticos).
Ainda, como consequência pós-guerra, nasce o Muro de Berlim, dividindo assim a Alemanha Federal
da Alemanha de Leste, ou seja, metade ficou para a Europa e a outra para a União Soviética. Isto quer dizer
que, toda a evolução que se deu, que culminou com a criação da CEE, foi apenas na Europa Ocidental.
1946 - Deram-se os primeiros passos para o movimento da Europa Federalista.
1947 - Surge o Plano Marshall. Como este é recusado pela URSS dá-se a já referida Guerra-fria.
1948 - Surgem os acordos de Benelux para criar uma Pauta Aduaneira Comum.
Nasce a OECE (Organização Europeia de Cooperação Económica) – para gerir o Plano
Marshall. Nasce uma outra organização de cooperação político-militar, a UEO (União da
Europa Ocidental) cujo Tratado que a instituiu previu intervenção mútua entre os Estados
Benelux (Bélgica, França, Luxemburgo, Países Baixos (Holanda) e Reino Unido) mas só em
casos de agressão.
Ainda neste ano desenvolve-se o Congresso de Haia presidido por Winston Churchill e
outros dirigentes políticos, nomeadamente Jean Omer Marie Gabriel Monnet, Ministro dos Negócios
Estrangeiros Francês, nascido em Cognac, 9 de Novembro de 1888, e faleceu em Houjarray, 16 de Março de
1979. Foi um político francês, visto por muitos como o arquitecto da unidade europeia. Nunca eleito para

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cargos públicos, Monnet actuou nos bastidores de governos europeus e americanos como um
internacionalista pragmático bem relacionado, e criam o movimento europeu que consolidou a proposta de
criação dos Estados Unidos da Europa com forte influencia do sistema federal norte americano e é este
movimento europeu que é o motor de arranque do nascimento do modelo de integração europeia.
OECE
“Pequenas” influencias para a criação do modelo de integração europeia UEO
Conselho Europeu (nasceu em 1949)
___________ «» __________
“Teoria da Inovação empresarial”, Schumpeter.
Joseph Alois Schumpeter (8 de Fevereiro de 1883 – 8 de Janeiro de 1950) foi um dos mais
importantes economistas do século XX. Nasceu na cidade de Triesch, (na época, parte do Império Austro-
Húngaro, actualmente na República Checa), em 1883, no mesmo ano da morte de Karl Marx e do
nascimento de John Maynard Keynes.
Começou a leccionar Antropologia em 1909 na Universidade de Czernovitz (hoje na Ucrânia) e, três
anos mais tarde, na Universidade de Graz. Em Março de 1919 assumiu o posto de Ministro das Finanças da
República Austríaca, permanecendo por poucos meses nesta função. Posteriormente assumiu a presidência
de um banco privado, o Bidermannbank de Viena, que faliu em 1924. A experiência custou a Schumpeter
toda a sua fortuna pessoal e deixou-o endividado por alguns anos. Depois desta passagem desastrosa pela
administração pública e pelo sector privado, decidiu voltar a leccionar, desta vez na Universidade de Bonn,
Alemanha, de 1925 a 1932. Com a ascensão do Nazismo, teve que deixar a Europa, e assim sendo, viajou
pelos Estados Unidos e pelo Japão, mudando-se, em 1932, para Cambridge (Massachusetts, EUA), onde
assumiu uma posição de docente na Universidade de Harvard. Permaneceu ali até sua morte em
08/01/1950. Geralmente Schumpeter não era considerado, pelos alunos, um professor muito bom, pois
costumava resumir muita coisa a cada palestra; porém, adquiriu vários leais seguidores.
Apesar de Schumpeter ter encorajado alguns jovens economistas matemáticos, e ter sido
presidente-fundador da Sociedade de Econometria (1933), ele não foi um matemático, mas um economista
que sempre foi um entusiasta da integração da Sociologia como uma forma de entendimento de suas
teorias económicas. Nas correntes de pensamento actual é discutido que as ideias de Schumpeter sobre
ciclos económicos e desenvolvimento económico não podiam ser assimiladas com a matemática do seu
tempo – elas precisam de uma linguagem de sistemas dinâmicos não-lineares para serem parcialmente
formalizadas.
As Suas principais obras foram:
- A natureza e a essência da economia política, de 1908;
- Teoria do desenvolvimento económico, de 1911;
- Ciclos económicos, de 1939;
- Capitalismo, socialismo e democracia, de 1942;
- História da análise económica, publicado postumamente em 1954.
No Século XX é o que mais importa saber para que um país se lance ou relance em momentos de
crise, e esta teoria mostra que não somos “macaquinhos de imitação” e que temos uma imaginação e
criatividade, e esta última é que relança economicamente um país.

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Onde é que se Forma, Onde é que se Transforma, Onde é que se Decide: - A Decisão Politica?
Desterritorialização do Poder, Deslocalização da Sede do Poder.
Seja onde for que se localize esse poder ele há-de se localizar no poder consciente do voto que
exercemos. É um poder consentido pelos cidadãos expresso através do seu voto. Independentemente de
termos votado, temos a obrigação para com o poder eleito.
 Poder de voto – relação – Liberdade: É aquilo que impede que um Governo possa verter sobre
nós numa democracia ditatorial – Limitação do Poder.
 O Dever de Revolta – Tratado nas Constituições dos países membros por serem democracias;
 O Principio do Não Acatamento – Não somos obrigados a cumprir normas que não sejam
legais, está consagrado constitucionalmente. Aqui liga-se com as Fianças Públicas, com a repercussão do
imposto. Com a “capa” da legalidade podemos ser obrigados a pagar algo que não nos compete/que não
somos obrigados a pagar;
 Obrigação Moral de Resistir. Se voto em democracia e me impõem ditaduras há que manifestar
para repor a verdade em que votamos. Estas obrigações constam de todas as Constituições dos países
democráticos.
 Liberdade e condicionalismo das soberanias; A atrocidade maior de um povo não é quando se
negoceia e em consequência se cede poder de soberania, mas sim quando atribuímos um preço e
“vendemos” soberania já que os fundos comunitários são o que têm feito.
 Territorialidade e soberania: O nível de evolução de um país vê-se também pelo número de
referendos, em particular os vinculativos, e a adesão dos eleitores aos mesmos. A Suécia perguntaram em
referendo se queriam maiores ordenados ou melhores meios de diagnóstico, as pessoas escolheram meios
de diagnostico. Em Portugal temos um grande nível abstencionista. A situação do referendo. A quantidade
de referendos, bem como a afluência às urnas, demonstra o grau de desenvolvimento de um país.
O funcionamento dos Lobbies na UE é com intenção de os institucionalizar. O exemplo da campanha
“anti-genéricos” levada a cabo pelas nossas farmácias só acabou com as directivas comunitárias já que o
poder nacional não foi capaz de pôr termo a tal situação.
 Principio de Territorialidade: Ao se afastar do conceito de Estado está a aproximar-se do conceito
de Estado Europeu. Sem nos afastarmos da noção de Estado, em Direito Europeu, aproximamo-nos do
conceito de Estado enquanto conjunto de um povo com uma história própria e a UE, põe-nos a raciocinar
num sistema “mundo” e não como Estado.
A Regulamentação e A Desregulamentação:
O debate entre regulamentação e desregulamentação é ampla. Ou se quer mais Privados e menos
Estado, ou menos Privados e melhor Estado.
Há que determinar que tipo de situação estatal se quer ou então temos a UE a regulamentar sobre
nós. O Estado não desaparece mas emergem localizações de poder, quer de dentro para fora, quer de fora
para dentro, e até dentro do próprio país. Podemos assim falar de uma pluralidade de cidadanias e também
uma pluralidade de territórios. Pluralidade de cidadanias que trás inerente uma pluralidade de povos.
Assim, surge um novo conceito: Laços de Pertença.
Laços de Pertença
Determinam a razão última de, (por que é que?), um povo estar mais ligado a uma realidade do que
a outra. Ainda hoje estamos ligados às ex-colónias por laços de linguagem, cultura, etc.…. São os chamados
Laços de Pertença. A realidade é muito mais do que sabermos lidar com as diferentes culturas. A ideia de
União Europeia tem um factor de coesão social, como é o caso do Euro (€). Já antes com a CECA essa ideia
existia. A base de tudo isto, não é politica, mas sim económica.

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Exemplo de Laços de Pertença: Trás-os-Montes têm mais laços de pertença com a Galiza do que
com o Algarve. Assim, a este conceito, temos que ligar um outro: O Estado Nação.
Perceber que existem laços de pertença entre diferentes países e haver motivos para que a UE se
debruce sobre eles, dá-nos o fundamento máximo da existência de um Comité Europeu das Regiões.
“A UE é filha do Estado e neta da Cidade, tal como a UE superou o Estado tradicional, assim, este
supera a Cidade na procura de laços de pertença” – Maurice Duverger.
O Comité das Regiões é a prova cabal de que a UE constatou o Principio das Estruturas de Poder
Desconcentrado. A possibilidade das pessoas se movimentarem levanta a questão da transnacionalização
que absorve desde logo processos económicos. Take Over de processos económicos de Espanha com
Portugal (quantos bancos espanhóis temos em Portugal?).
A União Europeia não proíbe a concentração de empresas, nem a posição de um Estado sobre o
Estado, o que a União Europeia proíbe é o abuso das posições de poder.
A Transnacionalização das multinacionais (Não tem a ver com a União Europeia):
Quando uma multinacional se quer implementar num país, este país favorece-a baixando os
impostos ou o preço dos terrenos. Mas, um dia, quando a multinacional se vai embora, deixa milhares de
desempregados.
Isto não tem que ser necessariamente assim, desde que se obrigasse a negociações para que a multinacional
deixe em contrapartida um Know-How que possa ser aproveitado se a multinacional se for embora.
Ex.: Suponhamos que a Timex fabricava em Portugal uma peça para os seus relógios. Deixou de o
fazer. No nosso país não ficou qualquer conhecimento (Know-how) que permitisse saber qual a função de tal
peça nos relógios.
Também a transnacionalização da força do trabalho e vai determinar uma sede de poder. Se for
trabalhar para o estrangeiro, fazemos descontos nesse país, mas elegemos o poder do nosso país de origem.
A comunicação Social é outro exemplo. A compra da Média Capital é o exemplo vivo. Não é a compra, mas
as noticias que recebemos. Serão manipuladas pelos espanhóis?
Pinto Balsemão  SIC  Expresso  Visão. Muitas vezes não é preciso comprar jornais diferentes,
basta saber a que grupo pertence. Se Espanha percebe que existe esta sede de poder da comunicação social,
então, porque não, serem eles a manipulá-la.
A Cultura:
Tendemos a uma harmonização da legislação comunitária em sede de cultura. Se a cultura está
ligada à instrução, a sede de poder cultural estará onde os níveis culturais e instrutivos forem mais fortes.
O 11 de Setembro e o fenómeno do terrorismo, a sede do poder (territorialidade):
- Este fenómeno analisado pela UE vem provar que o terrorismo não necessita de território próprio
para poder actuar e é de facto um poder fortíssimo. Se o terrorismo é um poder totalmente
desterritorializado em sede de poder, também a União Europeia devia ter acompanhado esta evolução das
transnacionalizações e da desterritorialização.
- Em 1986, 9% da população da Bélgica e 20% da população do Luxemburgo era oriunda de países
fora da União Europeia. Logo, quando Portugal aderiu à CEE já se falava de tudo isto. Hoje, com a livre
movimentação de pessoas dentro da União Europeia, quais serão as percentagens?
- Esta ideia de que a sede de poder não está num só local reporta-nos à ideia de que existe uma União
Politica para além da União Económica. E, a sua base, desde o Tratado da CECA já era de cariz político, tendo
em conta que aquele Tratado propunha controlar a produção do Carvão e do Aço, na Alemanha.

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Politica Externa:
Tem a ver com o facto de um país poder, ou não, isoladamente, integrar-se numa qualquer força
político-militar sem o consentimento/conhecimento dos países membros da União Europeia;
___________ «» __________
Temas para Trabalhos a apresentar, individualmente ou em grupos, no máximo de três elementos, em
Março:
 - A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (artigos seleccionados pela professora);
 - Órgãos e Instituições da União Europeia (Concelho Europeu e Órgãos e Instituições Complementares);
 - Órgãos e Instituições da União Europeia (Parlamento, Concelho da União, Comissão Europeia);
- Tribunal de Justiça e tribunal de Contas;

- Proeminência dos Tratados: Direito Originário e Direito Derivado;


- A questão do Primado do Direito Comunitário, Da Aplicabilidade Directa, Do Efeito Directo e Efeito Útil;
- As questões Pré-Judiciais, Os Processos de Co-Decisão, A Aplicação do Direito Comunitário e Controle
(Brevíssima abordagem);
Poder Simbólico:
Em que medida o poder politico se pode transformar em poder simbólico?
Votamos no poder politica e somos geridos pela administração.
Poder de Administração:
Nós votamos no poder político, mas depois somos governados por uma administração. O acto
administrativo define as regras de gestão do Governo e, simultaneamente, pode tornar-se, posteriormente,
num acto político.
Ex.: O acto administrativo define construir um hospital. Depois, o acto é político – quando se faz a
inauguração do hospital.
Poder da Administração vs. Poder Politico:
A União Europeia utiliza símbolos como factor de coesão; Moeda, Hino e Bandeira. Leva à ideia que
estes símbolos carecem de respeito como se estes fossem os símbolos de uma pátria.
Aqui põe-se a questão da lealdade, a pluralidade da lealdade (ao seu país e à EU); a pluralidade de
Cidadania não deve ser adversa a esta questão.
O Poder de um país mandar dentro de outro não é um fenómeno recente.
Ex.: Uma carta enviada de Portugal. Leva um selo português. Destino: França.
É o carteiro francês que a vai entregar. Ou seja, ele vai completar uma tarefa emanada de outro país.
Também se põe, actualmente, a questão de que, com a adesão dos últimos países à União, ela tenha
necessariamente de deixar de ser uma tradicional Europa a duas velocidades para passar a ser uma Europa
de Geometria Variável. Outra questão prende-se com a lealdade. Contudo, o que se pretende é que se
respeite um processo de lealdades de múltiplas naturezas, sem que se substitua uma pela outra. Todavia, a
pluralidade das lealdades implica que a União deve ter como um dos objectivos básicos a maior utilidade
que pode prestar aos seus povos, não permitindo excessos de hegemonias no seu seio ou que bloqueie o
seu poder pelo excesso de administração ou burocratização de agenda (ver aula de 2006-01-11).
Hoje falamos de uma Europa de Geometria Variável e não de uma União Europeia a duas
velocidades, como se fazia antes. Dentro da União Europeia existe um grande número de países com
vontade de chegar ao poder. Até pelos seus antecedentes, como o nosso caso com Salazar, mas, pergunta-

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se: serão os países membros capazes de se unirem para o desenvolvimento ou irão lutar uns contra os
outros?
A UE não descuida os termos: Sociedade, Comunidade, Povo, Nação e Território. Tendo em conta
as chamadas tentações imperiais, face ao passado de muitos países membros da UE. A UE também não
fomenta o conceito de Identidade que quer dizer Consciência, Coesão e Comunidade (valores culturais
existentes em cada país).
O professor Adriano Moreira entende que os Laços de Pertença envolvem a Comunidade, os Laços
de Sangue, os Laços de Lugar (local), os Laços de Família (não é consanguinidade), os Laços de Religião, Os
Laços de Cultura, os Laços de Aldeia e os Laços de Cidade.
O novo Lupem-proletariado tem a ver com o abandono da Aldeia, onde tudo se criava e usufruía
dessa criação (animais, agricultura, etc.) e vêm agora para a Cidade onde têm de pagar para obter tudo isso,
e ainda mais, não estão preparados para este tipo de vida.
A UE também tem um forte empenho em criar situações de adesão ao seu projecto por parte dos
cidadãos comunitários.
Ex.: - A utilização dos símbolos exteriores como o caso da Moeda, Hino, Bandeira, etc., europeias.
- Através do intercambio de Jovens, “Erasmus”, de Cientistas, de Programas transfronteiriços, e
outros.
Programas transfronteiriços – Oferta aos cidadãos da UE de congressos, conferências e outros
eventos em várias línguas, sobre diversos temas como os recentes sismos. Com propostas de preços
especiais.
A UE detém um poder que passa, também, pelo poder de cada Estado Membro. A Comissão na
composição dos seus membros integra indivíduos nomeados pelos Governos Nacionais, bem como, os
Eurodeputados, que são eleitos em cada país. Todavia, é inequívoco que a UE é um campo de exercício de
poder, de burocracia e de administração.
Os Euro-burocratas e os Técno-borucratas constituem o chamado poder de agenda. Por outro lado,
e em relação ao último alargamento, há que estar atento para que, os países que recebem mais verbas não
aceitem, por esse motivo, um poder mais absoluto da UE. Assim sendo, a própria EU conclui que, tanto
exercem poderes os órgãos de soberania, como os órgãos da administração pública.
Ex.: (voltamos ao exemplo do hospital) – A construção de um hospital é um acto
administrativo mas, na sua base costuma estar um acto/decisão político. Decisão, esta, mais notória quando
o acto administrativo se insere na luta pela conservação do poder, já que o poder politica o utiliza no Timing
da abertura do hospital.
Max Weber chamava a este poder «O campo da violência legitima», (não será legitima, tanto que
não votámos nesse acto). Dentro da União Europeia faz-se a distinção quanto ao impacto das directivas
comunitárias. As que têm significado político, porque geram controvérsia politica, as que têm significado
económico, porque colidem com interesses económicos e as que têm significado jurídico, consoante
introduzam ou não mudanças na legislação pré-existente.
___________ «» __________
Países pobres são cobaias da indústria farmacêutica
As multinacionais produtoras de medicamentos estão a recorrer às populações dos países mais
pobres para experimentar novos fármacos a introduzir no mercado. Este tipo de investigação, a troco de
dinheiro, levanta questões éticas graves.
- Multinacionais: Extraterritorialidade (Não se sabe qual a sede de poder)
- Poder: Económico.

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- “Países mais pobres” – Então quer dizer que há países ricos. Dão a entender que os países pobres são os
maus da fita. Aqueles que podem ser mais controlados, a troco de dinheiro, que levanta questões éticas,
graves. As multinacionais vão para os países mais pobres porque estes o permitem. O que quer dizer que
estes países não estão no poder. E quem recebe esse dinheiro? O Governo desses países.
- “A troco de dinheiro” – É essa a importância? Ser com ou sem dinheiro? E a ética relaciona-se só se existir
ou não dinheiro?
A utilização de «cobaias humanas» na investigação científica só é admissível tratando-se de voluntários, mas
o facto é que as dificuldades económicas sobrepõem-se muitas vezes à saúde e a realidade demonstra que
há populações que aceitam ser alvo de experiências com novos fármacos em troca de dinheiro.
- “Cobaias humanas” entre aspas (no texto) – É grave colocar aspas porque de facto as pessoas desses países
estão a ser realmente cobaias.
- “Tratando-se de voluntários” – Entre o desespero do que se está a passar/viver e a hipótese de receber
dinheiro não se podem considerar voluntários.
Ex.: Pessoas com HIV que se sujeitaram a uma vacina experimental. Não eram propriamente
voluntários, estavam desesperados.
- “Dificuldades económicas sobrepõem-se” – Se se sobrepõem então não são voluntários, se não à força.
A questão é ainda mais grave quando – conforme disse à Agência Lusa o professor Daniel Serrão, do
Conselho Nacional de Ética – são os próprios Governos a aceitarem uma compensação económica para
permitirem a realização de experiências nos seus estabelecimentos de saúde.
- “Próprios governos a aceitar” – Há corrupção nos dois lados, nas multinacionais e nos governos.
A chamada investigação científica transnacional não é ilegal mas obriga a um parecer técnico dos
conselhos de ética existentes em cada país e nunca se efectua sem o acordo do doente.
- “Investigação científica transnacional não é ilegal” – Transposto para o espírito do que se lê que não é
ilegal. O jornal dá-lhe ênfase.
- “Mas obriga a um parecer técnico” – A maioria dos países subdesenvolvidos não têm conselhos de ética.
Os que têm são também corruptos ao permitirem que isto aconteça/se faça.
Mas, se na Europa estes organismos existem, há países que só agora despertam para essa realidade
e necessitam do apoio de outros para levar adiante a criação de entidades que ponham fim a este abuso.
- “Só agora despertam” – Existência de conselhos de ética. Manda o país forte no país fraco. Um pouco
como a nota anterior.
A urgência de debater este assunto e encontrar soluções vai reunir hoje e amanhã, no Porto,
representantes das comissões de ética dos países membros do Conselho da Europa.
Serão cerca de 40 os países representados na IV Conferência Permanente dos Comités de Ética dos Países do
Conselho da Europa que irão analisar as controvérsias éticas deste tipo de investigação científica e debater
questões de metodologia de um conselho nacional e da sua criação em países que ainda não o possuem.
- “Controvérsias éticas” – Se no princípio do texto se fala de multinacionais e de países pobres, logo, não
necessitavam de chegar aqui para perceber que lá já existe muita ética, ou falta dela.
Daniel Serrão, que será o representante do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida
português no encontro, disse que a grande questão se coloca ao nível da inexistência deste tipo de
organismos em muitos países pobres, o que permite a investigação científica Transnacional sem a emissão
de um parecer ético.
- “Inexistência deste tipo de organismos” – Repete o anteriormente dito.

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Segundo o professor catedrático da Faculdade de Medicina do Porto, países como o Gana, Angola
Camarões, Brasil e Africa do Sul têm sido algumas das «vítimas» deste tipo de experiências, verificando-se
actualmente uma preferência por parte das multinacionais para os países do Leste como a Rússia, Ucrânia,
Eslováquia ou Estónia.
- “Gana, Angola, Camarões, Brasil, África do Sul e Leste Europeu” – A Estónia, mais os não referidos, Letónia
e Lituânia, já fazem parte da União Europeia.
«Eticamente este facto é inadmissível», referiu Daniel Serrão, tanto mais que a introdução no
mercado de novos fármacos desta maneira não está a seguir os passos habituais. Após a criação de um
determinado medicamento, este é experimentado em animais. A experimentação com humanos terá que
acontecer, mas só e unicamente com autorização do doente e sem que isto implique o pagamento de
compensações financeiras. Até porque todos os passos dados na investigação têm de ser publicados.
- “Têm de ser publicados” – Só depois de o fazerem é que nós vamos ficar a saber. Além de que não tenha-
mos conhecimento em que jornal ou revista foi explicada cientificamente a experiência. Assim, somos,
tanto, cobaias como os que são utilizados para as experiências.
«Se a experiência envolver o pagamento às pessoas que se sujeitam a este tipo de investigação
(transnacional), os comités de ética não o permitem», acrescentou.
- “Comités não o permitem” – Questão de responsabilidade.
Actualmente, não há conhecimento de mortes devido a estas experiências, mas Daniel Serrão
recorda um episódio passado nos anos 50 em Moçambique, quando a utilização de um medicamento contra
a desinteria amibiana causou vitimas.
- “Não há conhecimento de mortes” – No texto fala de Moçambique. Há dados que relatam que morreram
muitas pessoas mas aqui, no texto, é posto de parte.
«Os doentes que não têm qualquer esperança sujeitam-se a tudo. Há o caso dos doentes com sida
na Africa do Sul e de um medicamento para a malária que foi experimentado na Índia», sublinhou este
médico.
Neste encontro, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida irá apresentar aos seus
congéneres o trabalho efectuado nos sete anos de existência do organismo e dar a conhecer os pareceres
emitidos desde então.
Conclusão:
Se acreditarmos naquilo que, aquele que reconhecemos como um cientista consagrado nos diz,
estamos a fazer juízos, por vezes, errados, se não tivermos um conhecimento mais vasto sobre a matéria em
causa. O texto é como que um baralho de cartas em que se dá, baralha e volta a dar.
 Nota: Preto – Texto Original publicado In Jornal de Noticias, Secção: Sociedade/Ética.
Azul – Análise interpretativa, feita na aula.
Thomas Hobbes
Thomas Hobbes (5 de Abril de 1588 – 4 de Dezembro de 1679) foi um matemático, teórico político, e
filósofo inglês, autor de Leviatã (1651) e Do cidadão (1651).
No Leviatã, explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de
governos e sociedades. No estado natural, enquanto que alguns homens possam ser mais fortes ou mais
inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais de forma a estar além do medo de que
outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as
coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos. No entanto, os homens têm um
desejo, que é também por interesse próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades
entrando num contrato social.

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De acordo com Hobbes, tal sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros dessa
sociedade devem render o suficiente da sua liberdade natural, para que a autoridade possa assegurar a paz
interna e a defesa comum. Este soberano benevolente, quer seja um monarca ou um estado administrativo,
deveria ser o Leviatã, uma autoridade inquestionável. A teoria política do Leviatã mantém no essencial as
ideias das suas duas obras anteriores, Os elementos da lei e Do cidadão (onde tratou a questão das relações
entre Igreja e Estado).
Thomas Hobbes defendia a ideia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem
submeter-se a um poder absoluto e centralizado. Para ele, a Igreja cristã e o Estado cristão formavam um
mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o direito de interpretar as Escrituras, decidir questões
religiosas e presidir o culto. Neste sentido, critica a livre interpretação da Bíblia na Reforma Protestante por,
de certa forma, enfraquecer o monarca.
A sua filosofia política foi analisada pelo influente Richard Tuck como uma resposta para os
problemas que o método cartesiano introduziu para a filosofia moral. Hobbes argumenta, assim como os
cépticos e como René Descartes, que não podemos conhecer nada sobre o mundo exterior a partir das
impressões sensoriais que temos dele. Esta filosofia é vista como uma tentativa para ofuscar uma teoria
coerente de uma formação social puramente no facto das impressões por si, a partir da tese de que as
impressões sensoriais são suficientes para o homem agir em sentido de preserva sua própria vida, e
construir toda a sua filosofia política a partir desse imperativo.
Tuck dá peso considerável à segunda parte do Leviatã, que lida com espinhosas questões de religião,
e especificamente da autoridade em assuntos da fé. Interpretando o livro de Hobbes no contexto da Guerra
Civil Inglesa e período subsequente, Tuck argumenta que o Leviatã destinava-se a permitir ao monarca
exercer autoridade sobre assuntos de fé e doutrina, e que isso marca o apoio de Hobbes à política religiosa
da república inglesa do pós-guerra.
Hobbes ainda escreveu muitos outros livros falando sobre filosofia política e outros assuntos,
oferecendo uma descrição da natureza humana como cooperação em interesse próprio. Ele foi
contemporâneo de Descartes e escreveu uma das respostas para a obra Meditações (1641) sobre filosofia
primeira, deste último.
Thomas Hobbes – Leviatã (1651) – (Análise interpretativa, feita na aula)
 Hobbes é muito sufista (forma de misticismo e ascetismo islâmico, hostil à ortodoxia muçulmana,
caracterizado por uma crença de fundo panteísta e pela utilização da dança e da música para uma
comunhão directa com a divindade [Propagou-se especialmente na Índia e na Pérsia, do Séc. IX ao XII e foi
influenciado pelo hinduísmo, budismo e cristianismo.]) e ligado às teorias de Isaac Newton.
 A sua obra Leviathan ou Leviatã é um pacto de um povo sem alma. Quem tiver alma que a venda no
acto do voto. Quem tiver espírito (crítico) que também o venda no acto do voto.
 Relação com Newton e a Teoria Funcionalista – Num precipício a maça pode cair, basta para isso a ir
empurrando. O Poder sabe quando deve empurrar o homem para ele cair. O Poder de sublevação levou a
que nos pudéssemos defender. Isto, é que Hobbes não previu.
 Hobbes entende que o Estado deve ser visto como uma só entidade que representa todos os seres,
independentemente da sua vontade.
 A sociedade civil é tão só um corpo, sendo que o soberano, aquele que nele manda deverá ser o detentor
da própria alma do povo que representa.
 Para que tenha êxito há que instituir o medo, visto que este leva à luta de todos contra todos e dividindo
para mandar é a melhor forma de se instituir permissivamente a própria lei marcial.
 Hobbes entendia por Lei a palavra de quem tinha razão, quem vencia.
 Considerava que a vaidade, a inveja, a mal-formação nos afectos, o desejo de ser superior, deveriam
todos constituir motivo para que estes males fossem assirrados dentro dos homens e os levasse ao
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desespero. A partir dai seria muito fácil que o ser humano renunciasse ao seu próprio Direito Natural e
obedecesse a um qualquer poder que lhe desse sossego e paz. A tal situação de esperar um tal “D.
Sebastião” que surgisse de entre o nevoeiro como seu salvador.
 Esta situação levaria Leviathan – que é igual à soma de todas as vontades, mas prestadas mediante um
pacto de sujeição – donde a convicção era a de que o voto constitui-se a frase: “Delego em ti o poder de
pensares por mim”. Quanto mais insatisfeitos viverem os homens quanto mais se mantiverem as guerras
pelo Mundo, maior é o medo da morte, maior, também, é a possibilidade de governar quem sofre.
 Hobbes alerta que há que tirar partido sobre tudo do homem que julga ter experiência, daquele que se
julga convencido, pois que este é o mais estúpido, logo, é mais apto a ser comandado por qualquer poder
que queira tiranizar.
 “Assim, o poder politico e o poder económico e qualquer outro poder (afectos) deve estar atento na
manutenção da ignorância, porque só esta é o verdadeiro animal manso”.
___________ «» __________
Ideia de Europa Geográfica. – Continuação…
Antes do nascimento do modelo de nossa União Europeia, ou seja, antes da Integração dá-se a Cooperação.
(Relação com a aula P5, de 15/11/2005)
Falar de Cooperações é falar de Interacção/Solidariedade mútua para onde as pessoas vão de livre vontade.
Cooperação Económica – Exemplo onde funciona:
 Regra da unanimidade – nunca põe em causa o carácter de cooperação governamental. Significa que
cada decisão quer seja económica, social, politica, seja tomada por todos ou o não é.
… Objectivo…
 Mudar para a Regra da Maioria – É esta a pretensão mas que ainda não vigora.
O Parlamento Europeu é meramente consultivo. Não existem efeitos directos imediatos. As únicas
penalizações que podem existir são em termos económicos.
O Conselho da Europa
Organização europeia de cooperação politica e social de carácter intergovernamental. Mantém a sua
actualidade cujos membros, 41 os actuais, mantêm dentro do espaço europeu grande importância social e
politica. Dele fazem parte alguns países membros da União Europeia, não todos.
Os seus fundadores em 1949, no seio da UEO (que já não existe fisicamente apenas formalmente),
foram a Bélgica, a Dinamarca, a França, a República da Irlanda, a Itália, o Luxemburgo, os Países Baixos, a
Noruega, a Suécia e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Sempre com o compromisso de
não existir perda de soberania dos estados membros, ou seja, mantendo no seio da cooperação político-
social europeia a característica de intergovernamentabilidade. Esta característica exteriorizou-se na sua
estrutura institucional (embora não seja de carácter decisório, jurídico, etc.).
Órgãos:
- 2 Ministros;
- 1 Comité de Ministros: Representado por um conjunto de ministros, consoante as matérias que são
tratadas, de países membros. Assume nessas reuniões um centro decisório, sempre sujeito à regra da
unanimidade;
- 1 Assembleia Consultiva: Representado pelos parlamentos dos estados membros, indicados pelos países.
Não tem poder legislativo mas consultivo e recomendatório;

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– Secretariado; É um mero elemento de apoio, onde existe o Secretário-geral, que supervisiona o apoio
logístico da própria Assembleia. É nomeado pela Assembleia Constitutiva;
Objectivos: Adopção de uma acção comum nos domínios económico, social, cultural, científico, jurídico e
administrativo, bem como pela salvaguarda e desenvolvimento dos direitos do homem e das liberdades
fundamentais.
Ideais e Princípios:
- Liberdade Individual;
- Liberdade Politica;
- Proeminência do Direito, sem prejuízo do Favorecimento/Desenvolvimento do progresso Económico-
Social;
Sede: Estrasburgo – França.
Adesão de Portugal: 24 de Novembro de 1976.
Em que consiste a Acção do CE:
 Estão excluídos do seu campo de acção:
 Defesa Nacional (Todas as questões);
 Competências internacionais (todas as questões da área de competência de outras organizações
internacionais que tenham acções especificas a desenvolver)
 O Conselho Europeu é uma organização que actua por exclusão de partes, ou seja, quando a outros não
compete agir, o CE encontra aí o ponto para a sua actuação/acção, seja qual for o contexto;
 O Conselho Europeu é um centro de encontros onde se discutem as questões de Direitos “Culturais”.
Pode ser uma fonte para a organização interna de cada Estado-membro que pode beber para depois poder
aplicar no seu próprio país. As questões fundamentais são a Liberdade – Direitos Fundamentais.
Dois eventos extremamente importantes, nos nossos dias, que se destacam nesta actuação do CE,
de inicio não com esta ideia de debate, mas, sempre manteve este comportamento, são:
 4 de Novembro de 1950, Roma - A Convenção para a protecção dos Direitos do Homem e das
liberdades fundamentais foi elaborada no seio do Conselho da Europa. Aberta à assinatura em Roma, em 4
de Novembro de 1950, entrou em vigor em Setembro de 1953. Trata-se, na intenção dos seus autores, de
tomar as medidas a assegurar a garantia colectiva de alguns dos direitos previstos na Declaração Universal
dos Direitos do Homem de 1948.
A Convenção consagrava, por um lado, uma série de direitos e liberdades civis e políticos e estabelecia, por
outro lado, um sistema que visava garantir o respeito das obrigações assumidas pelos Estados Contratantes.
Três instituições partilhavam a responsabilidade deste controlo:
A Comissão Europeia dos Direitos do Homem (criada em 1954); Criados na Convenção de
O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (instituído em 1959); Roma, 1950

O Comité de Ministros do Conselho da Europa, composto pelos ministros dos Negócios


Estrangeiros dos Estados Membros ou pelos seus representantes.
Nos termos da Convenção de 1950, os Estados contratantes e, no caso dos Estados que reconheciam
o direito de recurso individual, os requerentes individuais (pessoas singulares, grupos de particulares ou
organizações não governamentais), podiam apresentar na Comissão queixas dirigidas contra os Estados
contratantes, por violação dos direitos garantidos pela Convenção.
As queixas eram examinadas a título preliminar pela Comissão, que decidia sobre a sua
admissibilidade. Existia uma tentativa de conciliação nas queixas declaradas admissíveis. Caso tal tentativa

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falhasse, a Comissão redigia um relatório estabelecendo os factos e formulando um parecer sobre o mérito
da causa. Este relatório era transmitido ao Comité de Ministros.
No caso de o Estado requerido ter aceite a jurisdição obrigatória do Tribunal, a Comissão e qualquer
Estado contratante dispunham de um prazo de três meses, a contar da transmissão do relatório ao Comité
de Ministros, para enviar o caso ao Tribunal. Este último proferiria então uma decisão definitiva e
vinculativa. Os particulares não podiam pedir a intervenção do Tribunal.
No caso de a queixa não ser transmitida ao Tribunal, incumbia ao Comité de Ministros decidir se
existia ou não uma violação da Convenção e arbitrar, eventualmente, uma reparação razoável à vítima. O
Comité de Ministros era igualmente responsável pela vigilância da execução dos acórdãos do Tribunal.
 Turim, 18 de Outubro de 1961 – Carta Social Europeia – (Entrada em vigor na ordem
internacional: 26 de Fevereiro de 1965). – Esta Carta tem em vista garantir a protecção internacional de
Direitos Económicos e Sociais, fixando com ela, aos próprios estados membros, os seus objectivos e
finalidades, no domínio do desenvolvimento da política social, dentro de cada ordem jurídica.
Carta Social Europeia
Como se caracterizam os Direitos Civis e Políticos que são protegidos Pela Convenção Europeia?
- São Direitos Fundamentais:
- São, por excelência, de atributos da pessoa humana;
- Direitos que garantem ao Homem a sua Liberdade (Ex.: Direito à Vida);
Direitos que devem ser respeitados pelo Estado que deve abster-se de qualquer ingerência no
exercício daqueles Direitos. São Direitos que existem por si, só pela existência da pessoa na sociedade e por
isso o Estado deve abster-se. O Estado é o seu inimigo virtual;
- Estes Direitos quando confrontados e aplicados obedecem a exigências de Liberdade pessoal e
contrabalançam com imperativos de vida social que tendem prioritariamente a favor do individuo (pessoa);
___________ «» __________
Apresentámos à professora, eu e a Rita, o tema para o nosso trabalho: “Carta dos Direitos Fundamentais”.
História
Um português precisa de uma máquina, muito cara, para trabalhar, recorre ao Aval do Estado para a
comprar. A máquina é comprada na Bélgica. Depois de enviada para Portugal, só funciona 11 dias (avariou).
O português comunica com o belga contando-lhe o sucedido, enviando-lhe posteriormente a
máquina para a Bélgica. O belga por sua vez tem que enviar a máquina para o fabricante, que é francês.
Entretanto, o português, sem máquina para trabalhar, os trabalhadores não lhe dão lucro. De
imediato ele solicita uma redução da taxa de juros, do aval do Estado, enquanto a máquina não voltar a
trabalhar.
Mas, independentemente de tudo, os trabalhadores têm direito a receber o vencimento. Ora, sem
máquina a trabalhar, não existem rendimentos e, antes pelo contrário, geram-se prejuízos. Então, o
português levanta um processo, simultaneamente, indemnizatório ao belga e ao francês.
Só que o português recebe dos dois a indemnização. (Dando-se aqui um enriquecimento sem causa).
Ramos de Direito utilizados:
Aval do Estado:
- Direito Financeiro e Finanças públicas;

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 Compra da máquina:
- Direito Internacional Privado;
- Direito Marítimo;
- Direito das Obrigações;
- Economia e Caracteres do Mercado;
 Comunicação da avaria:
- Direito Comunitário ou Direito Europeu.
 Pedido de indemnização:
- Direito Processual
- Direito Executivo (história – Lex visigotorum)
Nota: Quando temos em Direito um tema que começa por “Da” é um conjunto normativo, um sistema
jurídico.
Natureza Jurídica da União Europeia:
A União Europeia está confrontada com o seu próprio carácter atípico, na medida em que não há
uma realidade pré-existente que seja similar. Por outro lado, temos que analisar a realidade comunitária nas
relações com os sistemas políticos dos Estados-membros. Observe-se que estamos a excluir as ditaduras. A
natureza da União Europeia deve pois ser tratada numa óptica politológica (diversas áreas de saber) e há
discussões a nível de federação, confederação, organização internacional, supranacional, sui géneris,
condomínio e mesmo Jacques Delors definiu a UE como sendo um objecto político não identificado (OPNI).
Não se pode descuidar que os defensores do neofederalismo chamam a atenção para a existência
de impérios e da chamada tentação imperial, dentro da UE. Há também que saber se existe um primado da
Ordem Jurídica Comunitária sobre a Ordem de cada Estado-membro e quais os seus limites.
As Organizações Internacionais Tradicionais:
 São criadas na base de tratados internacionais com carácter multilateral.
 Têm objectivos específicos.
 Dispõem de uma estrutura organizativa através da qual os Estados cooperam entre si.
 São titulares de Direitos e Deveres distintos dos Estados-membros.
 A sua capacidade de imporem as suas decisões é muito restrita. (Ex.: Resolução 242 - Organização das
Nações Unidas, de 22 de Novembro de 1967, relativa à retirada de Israel (dos territórios ocupados), que não
foi comprida). Na verdade a força das decisões da ONU foi-se confundindo com obrigações morais com toda
a insegurança jurídica que isto implica. Hoje, fala-se mesmo numa entropia da Ordem Jurídica (pouca
firmeza da OJ);
 As organizações prestam serviços públicos internacionais, mas a ONU tem um carácter universal, por
oposição ao carácter regional da União Europeia (Laços de Pertença, etc., etc.);
 A ONU apesar do conjunto de assuntos de que trata não tem a possibilidade de criar Direitos e Deveres a
Cidadãos e a Empresas;
Nós temos quatro liberdades:
1. Serviços;
2. Capitais;
3. Pessoas;

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4. Bens;
Primado do Direito Comunitário:
Relativamente ao primado do Direito Comunitário há que ter em conta o acórdão de Van Gend en Loos (A
partir de Van Gend en Loos, o juiz nacional vê-se incumbido de uma dupla função: a de aplicar o seu Direito
nacional e o Direito comunitário.). Além de que o termo Cidadania Europeia põe em causa que se possa
estar a falar de uma organização.
Por outro lado, temos o Parlamento directamente eleito, e ainda por outro lado, a própria OMS
(Organização Mundial de Saúde) tem normas de aplicação directa, mas só pontualmente.
Também não se conhece uma organização supranacional que tenha, como a UE, um Banco Central
Europeu, uma moeda única ou o chamado grupo de famílias politicas, onde se inserem os partidos políticos
dos vários Estados-membros. De onde, apesar de não existir o poder constituinte soberano, dentro da UE,
isso não aproxima todo o sistema jurídico da UE a uma mera organização internacional. José Adelino
Maltez, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na obra “Curso de Relações
Internacionais”, p. 237, destaca que as teorias que procuram justificar a soberania absoluta do Estado
"implicam, se levadas até às suas últimas consequências positivistas, à inevitável negação do direito
internacional", posto que este se reduziria a simples "fórmula jurídica de coordenação, sem qualquer
possibilidade de transcendência".
___________ «» __________
Enquadramento do Direito Português com as normas comunitárias/europeias;
Constituição da República Portuguesa – Artigo 8.º – (Direito internacional)
1. As normas e os princípios de direito internacional geral ou comum fazem parte integrante do direito
português.
Primeiro estamos a falar de um Artigo Constitucional em sede de Princípios Fundamentais, pois está
enquadrado na Constituição, numa ampla parte primeira, onde se encontram os Princípios.
O artigo 8º está enquadrado nos Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito
Português, nomeadamente, enquanto membro da Comunidade Internacional e do seu relacionamento,
enquanto Estado soberano e independente, pela Ordem Interna, no caminho de uma Ordem Internacional.
Neste n.º 1, primeiro, estamos a falar de um Ramo de Direito (Direito Internacional – conjunto de
normas de Direito Internacional). Se pensarmos no Direito Interno, em Introdução ao Estudo do Direito
estudámos as Fontes de Direito – Para além da Lei existe o Costume (que só é modo de formação e
regulação de normas jurídicas se, na sua composição tiver duas características: o Uso (Prática social
reiterada e habitual) e a Convicção de Obrigatoriedade), porque, existindo só o Uso, este por si só, não é
Fonte de Direito e nem sequer é norma jurídica, está no Código Civil.
Em termos de Fontes de Direito Internacional, também, têm o Costume (De acordo com a Lei,
Contra a Lei e Segundo a Lei). Este Costume Internacional faz norma. As Leis Costumeiras não escritas que
fazem norma de acordo com o estabelecido entre os Estados, que se chama Direito Internacional Comum ou
Geral. Ao conjunto de normas que resultam, escritas, das Convenções ou Tratados chamam-se Direito
Internacional Tradicional. O Direito Internacional Comum ou Geral, ou seja, o Costume Internacional, tem
uma recepção plena na Ordem Interna Portuguesa.
2. As normas constantes de convenções internacionais regularmente ratificadas ou aprovadas vigoram na
ordem interna após a sua publicação oficial e enquanto vincularem internacionalmente o Estado Português.
Estamos a falar do Direito Internacional escrito. Sempre que haja uma Convenção Internacional, as
normas constantes tem que entrar na ordem interna, mas, só depois de ratificadas ou aprovadas. Isto é, o
n.º 2 fala de Direito Internacional Convencional. Qualquer aplicação/transposição que se entenda que
vincula o Estado português, enquanto membro, tem que passar por um Processo Interno Constitucional.

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Ratificação e aprovação, dependendo do acordo, ou, meramente a assinatura por parte do Governo e
depois, publicação no jornal oficial, ou seja, Diário da República.
3. As normas emanadas dos órgãos competentes das organizações internacionais de que Portugal seja parte
vigoram directamente na ordem interna, desde que tal se encontre estabelecido nos respectivos tratados
constitutivos.
Possibilidade dos órgãos poderem produzir normas (não só a União Europeia. Qualquer organismo
internacional do qual Portugal faça parte, além da União Europeia: Conselho da Europa, OCDE, ONU, OMS,
etc.) e vincula ou não, conforme a força jurídica que lhe seja aplicada (nos tratados ou convenções).
4. As disposições dos tratados que regem a União Europeia e as normas emanadas das suas instituições, no
exercício das respectivas competências, são aplicáveis na ordem interna, nos termos definidos pelo direito
da União, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático.
É específico para a união Europeia. Só se aplica para as normas do Tratado Comunitário. Para
entrarem na Ordem Jurídica Interna têm que respeitar os Princípios Fundamentais do Estado de Direito
Democrático Português. É o próprio Tratado que especifica como é que as normas entram na Ordem Interna
(Ex.: Tratado de Nice – que explica de que forma as normas entram na Ordem Interna).
Carta Social Europeia, continuação…
Direitos Económicos e Sociais e Económicos, características:
1. Esta Carta protege, por excelência, aos Estados-membros os Direitos Económico-sociais. Podemos dizer
que são verdadeiros Direitos de Crédito dos Indivíduos sobre a Sociedade;
2. São direitos que permitem a Libertação do Homem, das necessidades essenciais (alimentação,
alojamento, saúde, etc.);
3. São Direitos que devem ser respeitados pelo Estado, mas que, o Estado deve tomar a seu cargo uma parte
da sua efectiva realização e da sua garantia de realização;
4. O Estado neste tipo de Direitos é, por vezes, o único aliado, como protector dos cidadãos, do garante da
existência e do garante para o homem destes direitos;
5. Em regime contrário, os Direitos Económico-sociais traduzem, a maior parte das vezes, um conjunto de
reivindicações contra o próprio Estado e um conjunto de pedidos de protecção dirigidos a este mesmo
Estado.
A Carta Social Europeia teve a sua assinatura em 1961, nela participou, no seu texto inicial, a
Organização Internacional do Trabalho. A principio o seu texto contemplava, nos direitos em concreto, 19
direitos. Em 1991 os Estados-membros entenderam que havia necessidade de ser revista. O objectivo desta
revisão é o de progressivamente alterá-la, acompanhando as evoluções Socio-políticas e Socio-económicas).
A revisão desta carta só foi assinada em Maio de 1996. Portugal publicou esta Carta na Ordem Interna
através do Diário da República, em 17/10/2001.
CARTA SOCIAL EUROPEIA REVISTA
Preâmbulo
Os Governos signatários, membros do Conselho da Europa:
Considerando que o objectivo do Conselho da Europa é realizar uma união mais estreita entre os seus
membros, a fim de salvaguardar e de promover os ideais e os princípios, que são o seu património comum e
de favorecer o seu progresso económico e social, nomeadamente pela defesa e pelo desenvolvimento dos
direitos do homem e das liberdades fundamentais;
Análise do 1º Parágrafo: Primeiro aspecto – o modo do nascimento da CSE na dimensão Político-social da
ideia da construção da Carta, mostra que é um enquadramento em termos da CSE na dimensão político-
social do Conselho da Europa. Mostra que, em termos de texto normativo, está enraizado na organização

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onde ele próprio nasceu. Objectivo do Conselho da Europa, nomeadamente, promover os ideais e os
princípios, que são o seu património comum e de favorecer o seu progresso económico e social, e estamos a
falar aqui de uma questão de demografia politica, e depois, nunca largando mesmo num contexto
económico-social, a questão dos Direitos e Liberdades Fundamentais. A própria CSE na altura da sua
assinatura, no momento da revisão, os Estados quiseram sempre mostrar que o objectivo básico antes de
analisar o Económico-social é a coesão politica, e depois, da coesão político-social dos princípios
fundamentais e ideais dos Estados Democráticos e isso faz-se necessariamente em torno das situações que
são ramificações, sem a perda dos Direitos do homem e das liberdades Fundamentais. As três premissas,
Liberdade, Igualdade e Fraternidade são a base de qualquer texto em sede de Politica Social.
Considerando que, nos termos da Convenção para a Salvaguarda dos Direitos do Homem e das Liberdades
Fundamentais, assinada em Roma em 4 de Novembro de 1950, e dos seus Protocolos, os Estados membros
do Conselho da Europa comprometem-se a assegurar às suas populações os direitos civis e políticos e as
liberdades especificadas nestes instrumentos;
Análise do 2º Parágrafo: De novo o reiterar da defesa dos Direitos e das Liberdades Fundamentais. É,
sempre que se fala em desenvolvimento Económico-social, a base, só pode existir se houver a base coesa,
das políticas, da defesa dos direitos do homem.
Considerando que, pela Carta Social Europeia aberta à assinatura em Turim, em 18 de Outubro de 1991
(correcção 1961), e pelos seus Protocolos, os Estados membros do Conselho da Europa comprometem-se a
assegurar às suas populações os direitos sociais especificados nesses instrumentos, a fim de melhorar o seu
nível de vida e de promover o seu bem-estar;
Análise do 3º Parágrafo: Coesão na parte dos direitos civis e políticos, é necessário avançar para o
progresso Económico-social, é necessário avançar para o bem-estar geral dos povos, das populações. E, é o
texto que nasce nesta base.
Tendo em conta que a Conferência Ministerial sobre os Direitos do Homem, realizada em Roma em 5 de
Novembro de 1990, sublinhou a necessidade, por um lado, de preservar o carácter indivisível de todos os
direitos do homem, quer sejam civis, políticos, económicos, sociais ou culturais e, por outro, de dar um novo
impulso à Carta Social Europeia;
Decididos, conforme acordado na Conferência Ministerial reunida em Turim, em 21 e 22 de Outubro de
1991, a actualizar e a adaptar o conteúdo material da Carta, a fim de ter em conta, em particular, as
mudanças sociais fundamentais ocorridas desde a sua adopção;
Reconhecendo a utilidade de inscrever numa Carta revista, destinada a substituir progressivamente a Carta
Social Europeia, os direitos garantidos pela Carta tal como foram alterados, os direitos garantidos pelo
Protocolo Adicional de 1988, e de acrescentar novos direitos;
A Carta está dividida em partes:
I Parte: Enumeração em sede de princípios, um género de declaração de princípios, de todos os
direitos que são desenvolvidos/defendidos na CSE, actualmente são 31 Direitos;
II Parte: Já está tudo concretizado e definido, e, em que termos. Os Estados-membros entenderam
que seria mais claro, ou que chamaria mais à atenção, até mesmo em termos de força internacional,
enumerá-los em sede de declaração de princípios, para que fossem depois projectados, um a um, em
termos de conteúdo subjectivo de cada um desses direitos. Portanto, eles próprios, são todos, direitos
distintos, mas estão interligados, uns com os outros, não deixando de serem de dimensão Económica, Social
e Cultural, mas, sempre, tendo por base a perfeição, a salvaguarda, a promoção dos direitos e liberdades
fundamentais e dos direitos civis e políticos.
Até ao Principio n.º 19, embora possam ter sido alterados ou aditados, mantêm-se desde a CSE
inicial.
___________ «» __________

António Manuel de Albuquerque Pereira 26


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Direito Europeu
1º Semestre

Conclusão do Estudo do Movimento Europeu e da cooperação, nomeadamente da importância do


Conselho da Europeu e a sua influência no futuro espaço comunitário.
A importância do texto d’A Carta Social Europeia assenta sobretudo ao nível da dimensão dos
Direitos e da nova dimensão desses direitos que extravasam o ideal da Liberdade, Igualdade e Fraternidade
nascida com a Revolução francesa de 1789. Até esta altura não existia qualquer dúvida quanto à existência
de direitos civis e políticos, Direitos de Liberdade. Só começaram a sentir-se necessidades/exigências de
ordem social a partir do momento que se dá a industrialização, com a noção de que há direitos mais
privilegiados, e também a partir do momento em que se começou a sentir-se a necessidade de se
salvaguardar certos aspectos da própria vida na sociedade: A assistência Social; A assistência na Velhice,
assistência na Invalidez, a própria Habitação, etc. Factores que levaram a que se falasse de um outro nível
de direitos. É, diga-mos, aqui que a CSE vai buscar as suas bases.
Dimensões existentes no Direito ao Trabalho:
- Social: Nós temos direito ao trabalho, logo, Dimensão Positiva do Direito ao trabalho;
- Económica;
- Liberdade Pessoal: Temos o dever de trabalhar e o Estado tem o Direito de receber a contrapartida
daquilo que dá. Que é a nossa prestação, trabalho. Dimensão negativa do Direito ao trabalho;
- Todos: (CRP, CAPÍTULO I, Direitos e deveres económicos, n.º 1, Artigo 58.º - Direito ao trabalho) –
Significa Dimensão do Principio de Liberdade de trabalhar. Não há liberdade de não trabalhar.
Carta Social Europeia, Revista, PARTE II - As Partes comprometem-se a considerar-se ligadas, nos
termos previstos na parte III, pelas obrigações decorrentes dos artigos e parágrafos seguintes.
Artigo 1.º – Direito ao trabalho
Com vista a assegurar o exercício efectivo do direito ao trabalho, as Partes comprometem-se:
1) A reconhecer como um dos seus principais objectivos e responsabilidades a realização e a
manutenção do nível mais elevado e mais estável possível de emprego, com vista à realização do
pleno emprego;
2) A proteger de modo eficaz o direito de o trabalhador ganhar a sua vida por meio de um trabalho
livremente empreendido;
3) A estabelecer ou a manter serviços gratuitos de emprego para todos os trabalhadores;
4) A assegurar ou a favorecer uma orientação, uma formação e uma readaptação profissionais
apropriadas.
Com vista a assegurar o exercício efectivo do direito ao trabalho: primeiro devemos entender o que é o
Direito ao trabalho?
Classificação de Direito;
Direito sob a reserva do possível.
Que tipo de Direito?
É um típico direito social. É ao Estado que cabe assegurar esse direito. A nossa CRP também o
consagra, embora escrito de forma diferente, mas os direitos são os mesmos, os resultados são os mesmos.
É um Direito especial, mas dentro destes é, em concreto, um direito económico:

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CRP, CAPÍTULO I, Direitos e deveres económicos,


Artigo 58.º - Direito ao trabalho,
1. Todos têm direito ao trabalho.
2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:
a) A execução de políticas de pleno emprego;
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para
que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias
profissionais;
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.
___________ «» __________
União Europeia: Uma confederação?
Marcelo Caetano entendeu que a ter lugar uma situação como agora vivemos ela teria a natureza
de uma confederação. Oliveira Martins seguiu-lhe o rasto.
As Confederações caracterizam-se por serem: uma das formas de associação de Estados que
normalmente não dão origem a um novo Estado. É certo que a confederação implica a iluminação das
barreiras aduaneiras.
O estatuto da confederação resulta de um tratado que não pode ser modificado sem o acordo sem o
acordo unânime das partes. A confederação que precedeu os EUA mostra que quando há evolução de
confederação para federação.
Acresce que na confederação é livre o direito de cessação (característica da guerra Norte/Sul nos
EUA).
Na União Europeia a cooperação é mais profunda do que na confederação e não tende para a
desintegração. Também se levanta doutrina que afirma que a União Europeia é uma organização
supranacional ou supra estadual. Supranacional implica que nem é estado nem organização internacional,
logo, seria mais correcto falar em supra estadualidade, já que, as relações que a União Europeia estabelece
são com os estados. Todavia, também se afirma que as normas comunitárias prevalecem sobre as normas
estaduais, mesmo que posteriores, são directamente aplicáveis o que não implica uma relação de hierarquia
ou superintendência (aqui entramos no Direito Administrativo, delegação de poderes).
A transferência de poderes, dos estados para a UE, também tem, segundo a doutrina, uma natureza
de delegação de poderes (e não de uma irreversível transmissão de poderes).
A UE é uma associação que exerce, essencialmente, poderes que os estados lhe atribuem. E não está
hierarquicamente acima dos estados ou para além dos estados.
Também a teoria dos poderes implícitos só significa que a UE está delimitada nos seus objectivos
por tudo o que lhe é fixado pelos estados no uso dos seus poderes soberanos.
Também a teoria funcionalista admite que a função da UE é estritamente administrativa, todavia a
nossa escola assim não o entende na medida em que os propósitos políticos da integração europeia já são
claros desde a CECA.
Vitor Hugo já preconizou em 1851 a criação de uns estados unidos da Europa a que Churchill
acolheu em 1946.
Contudo, a proximidade de um conceito federalista é notório bastando para tanto pensar nalguns
artigos da debatida constituição europeia.
Normas programáticas (artigos programáticos): normas de qualquer constituição, de qualquer país,
que carecem de outros instrumentos jurídicos para lhes dar visibilidade. Não basta na constituição dizer que
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todos tem direito ao trabalho para que possamos chegar a um lado qualquer e exigir trabalho porque na
constituição vem expresso. Portanto, são normas de direito ao trabalho que depois se transferem para o
direito social e a partir daí é que se vê a ideia da função social de emprego.
A UE depende das competências que lhe são atribuídas pelos estados membros e não as pode
alargar contra a vontade desses estados. Contudo, o Estado-federal absorve a soberania dos estados
federados, os quais perdem para o Estado Federal os seus poderes, (Ex.: Finanças Públicas. Presidente
Reagon com a politica do Tax Cut (corte de impostos). Défice do Estado Federal é a soma dos défices dos
estados federados.), existindo um poder unificado, um chefe de estado, uma politica externa – conduzida
pelo estado federal. Quando os americanos decidiram ir para o Vietname, é obvio que, nenhum estado
federado disse não, pois o poder está no Estado Federal.
A violação das normas comunitárias, pelos estados, dá origem à inaplicabilidade e à ineficácia das
normas em causa. Enquanto que, o primado do Direito Federal dá origem à nulidade das normas dos
estados federados (Défice do Estado Federal).
Não desligado do federalismo, mas antes, inteiramente conexo, anda o principio da subsidiariedade,
que afirma que as atribuições devem ser exercidas pelo centro mais próximo das populações e só devem ser
transferidas para centros mais distantes caso aí não possam ser exercidas.
Este princípio assenta no pensamento aristotélico monista que, por sua vez, assentou na doutrina
social da igreja, sendo que tal como é concebido foi redigida pelo Papa João Paulo II e totalmente recolhido
dentro da União Europeia.
Carta Encíclica
«CENTESIMUS ANNUS»
João Paulo PP. II
1. Maio. 1991
Aos Veneráveis Irmãos no Episcopado, ao Clero, às Famílias Religiosas, aos fiéis da Igreja Católica e a todos
os homens de boa vontade no centenário da Rerum Novarum
APRESENTAÇÃO
Publicada, como o nome indica, para comemorar os cem anos da Encíclica Rerum Novarum, a terceira
encíclica social do Papa João Paulo II reflecte ainda o impacto sobre o seu autor do colapso dos regimes
comunistas na Europa de Leste ocorrido no final de 1989. O Papa encontra nos princípios enunciados por
Leão XIII razões que explicam o fracasso daquelas formas de organização social. A parte propositiva da
Centesimus Annus enfrenta os desafios da reconstrução política e económica, quer dos países do Leste
europeu, quer dos outros continentes, que ao longo da década de '80 viram substituídos os seus regimes
totalitários ou ditatoriais. A satisfação evidente de João Paulo II é moderada pela consciência dos perigos
duma explosão de violência nacionalista, étnica e religiosa em virtude dos «muitos ódios e rancores» que se
acumularam (CA 27).
Dois aspectos ressaltam em termos de desenvolvimento da doutrina social anterior. Na área da vida
económica, o Papa lembra que hoje os factores de riqueza não são tanto a posse dos recursos naturais ou
dos bens de produção, mas «a propriedade do conhecimento, da técnica e do saber» e as «capacidades de
iniciativa empresarial» (CA 32); reconhece o valor do «mercado livre» como «o instrumento mais eficaz para
dinamizar os recursos e corresponder às necessidades», mas com a ressalva de que «existem numerosas
carências humanas sem acesso ao mercado» (CA 34); chama a atenção para a «função do lucro» como
critério importante do bom funcionamento duma empresa, mas recordando que «a ele se deve associar a
consideração de outros factores de carácter humano. e moral que, a longo prazo, são igualmente essenciais
para a vida da empresa» (CA 35).
O segundo aspecto em que se detecta uma evolução na doutrina, é na simpatia declarada da Igreja
Católica pelo sistema democrático. Esta já se vinha fazendo sentir de forma explícita, mas é enriquecida
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agora ao nível das suas justificações. A objecção de que a verdade e a justiça não podem estar sujeitas a um
voto maioritário, dissipa-se diante duma melhor compreensão da finalidade e do funcionamento do sistema.
Trata-se do regime que melhor permite a «participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos
governados a possibilidade quer de escolher e controlar os seus governantes, quer de os substituir
pacificamente» (CA 46). A afirmação decorre não só duma reflexão teórica, mas da experiência duma Igreja
que, por opção pastoral ou imposição das circunstâncias, foi experimentando ao seu mais alto nível e em
muitos países a condição dos que não têm acesso ao poder social e político.
A trave mestra do magistério social, o lugar dos pobres na comunidade humana, emerge nesta Encíclica
sobretudo em termos de chamadas de atenção. Assim, por exemplo, é necessário apoiar os países do Leste
europeu, mas esse esforço não deve levar os países mais industrializados a descurar o apoio ao Terceiro
Mundo. De igual modo, há que ter em conta que as exigências humanas das economias modernas correm o
risco de marginalizar ainda mais os pobres, se não houver um esforço adequado de formação e de
transferência de conhecimentos.
O texto latino da Centesimus Annus (CA) encontra-se na AAS 83 (1991), p. 793-867. A numeração e os
títulos dos capítulos, e a numeração dos parágrafos, são conformes ao original latino. Sublinhados em
itálico, no corpo do texto, são da tradução oficial portuguesa e não existem no original latino.
In Caminhos da Justiça e da Paz, Doutrina Social da Igreja, 3ª ed., Rei dos livros, P. 653 e 654.
___________ «» __________
Processo de Integração Europeia.
Repete quase integralmente a matéria dada a 15-11-2005 – P5, sobre o Plano Schuman pela – Professora:
Cláudia Martins
Resumindo:
O plano Schuman visava colocar todo o conjunto da produção franco-alemã do carvão e do aço
debaixo de uma organização aberta à participação dos estados europeus.
Duas Grandes razões para começar pelo carvão e pelo aço dentro da França e da Alemanha:
- A produção do carvão e do aço seria a forma mais fácil de aproximar a França e a Alemanha na
medida em que seria o meio fundamental de criar uma paz duradoura na Europa.
- O carvão e o aço eram então simbolicamente os dois sectores económicos que mais tinham
alimentado o esforço da guerra.
Pretende-se que o plano Schuman seja uma carta fundadora da Europa Comunitária. Carta essa que
mais não foi que inspirada no plano de modernização e equipamento francês. Também, plano este,
desenvolvido com o estadista Jean Monnet.
O Plano Schuman vem assim defender a urgência de consolidar:
1.º A preservação da paz europeia;
2.º A Solidariedade europeia;
3.º O Desenvolvimento e progresso económico e social;
Notas: A professora referiu ainda: Cronologias e surgimentos da CECA, CEE e Euratom (ver aula 8/11/05)
Quatro grandes liberdades (ver aula de 7/12/05)
A CECA, CEE e CEEA vão formar até 1993, 1 de Novembro, a Carta da Europa Comunitária. Aquilo a
que se chama o esqueleto da integração europeia. (União Económica, União Monetária e União politica).

Voltando a 1952-1958, temos um outro aspecto importante:

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Falamos das 3 Comunidades Europeias em que integram os seus seis países fundadores, que
se mantiveram como fundadores e únicos membros das comunidades até 1973. A estrutura institucional
das Comunidades é composta por;

- 1 Centro Legislativo;
- 1 Centro Decisório/Executivo;
Bases Fundamentais do Sistema Integracionista
- 1 Centro Jurisdicional;
- 1 Centro Fiscalizador;
- 1 Centro Tributário;

Na CECA:
- Centro decisório/executivo, que depois desaparece nas outras comunidades, chama-se Alta Autoridade, o
seu primeiro presidente foi Jean Monnet, e que hoje é a Comissão Europeia.
- Conselho de Ministros
- Tribunal
- Assembleia Parlamentar
Em 1958 surgem com a CEE e a CEEA mais:
- 2 Comissões (já não é a Alta Autoridade), passando a ser 2 Comissões (uma para a CEE e outra para a
CEEA) mais a Alta Autoridade da CECA;
- 2 Conselhos de Ministros, passando a 3 (um para cada comunidade);
- Um Tribunal de Justiça e Uma Assembleia Parlamentar, comum às 3 Comunidades (CECA, CEE e CEEA);
1965 - 8 de Abril – É assinado o Tratado de fusão institucional dos executivos das três Comunidades. Entrará
em vigor em 1 de Julho de 1967. Deixa de existir a Alta Autoridade e passa a existir apenas um Conselho de
ministros, uma Comissão, um Parlamento, um Tribunal Jurisdicional (comuns).
Alargamentos:
1973 - 1 de Janeiro – A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido aderem às Comunidades Europeias, que
passam a ter 9 Estados Membros. A Noruega fica de fora, na sequência de um referendo em que o voto
maioritário foi desfavorável à adesão.
1981 - 1 de Janeiro – Entrada da Grécia nas Comunidades Europeias, que passam a contar 10 Estados
Membros.
1986 - 1 de Janeiro – Espanha e Portugal aderem às Comunidades Europeias, que passam a contar 12
Estados-Membros.
1995 - 1 de Janeiro – A Áustria, a Finlândia e a Suécia juntam-se à UE, que passa a ter 15 Estados-Membros.
A Noruega fica de fora, na sequência de um referendo em que o voto maioritário foi desfavorável à adesão.
2004 - 1 de Maio - Chipre, Malta, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia
e Eslovénia aderem à União Europeia, que passa a ter 25 Estados-Membros.
2007 - Data prevista em 2002, pelo Conselho Europeu de Copenhaga, para a adesão da Bulgária e da
Roménia à União Europeia, que passará a ter 27 Estados-Membros.
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O Principio da Subsidiariedade levou ao aprofundamento do conceito de nação, de laços de


pertença e ao reforço do comité das regiões. O que levou parte da doutrina a defender a preferência da
directiva em relação ao regulamento comunitário. A Directiva dá mais meios de adaptação do que o
Regulamento.
Entre nós após a terceira revisão constitucional este princípio passou a estar consagrado devendo
ser assumido como um conceito descentralizador, na medida em que aproxima o poder dos cidadãos.
OPNI – Objecto Politico Não Identificado – Esta expressão foi utilizada por Jacques Delors e
considera que a União Europeia evolui entre confederação e federação. Há quem refira elementos federais
no mercado interno e confederais na política externa. (Ex.: O base das Lajes – Se a Europa fosse uma
federação, não poderia, jamais, ser Portugal quem decidia se esse encontra se poderia realizar ou não, dado
que pertence ao Estado Federal decidir sobre os Estados federados)
Todavia, consoante as questões, pode-se verificar que a EU se ocupa de questões que vão para além
do que é usual num Estado federal. Aqui, faz-se o apelo a Kelsen, ou seja, fazer as várias formas de
interpretação das normas jurídicas (interpretação histórico-evolutiva, analógica, teleológica, etc.), vai-se
buscar esse tipo de interpretação e aplica-se à interpretação do Direito Europeu.
A questão do Condomínio: ou a questão da Comitologia e da Ordem Pós-Obesiana – Neste caso,
Condomínio quer dizer: conjunto de Estados Nacionais anteriormente independentes que concordam em
eliminar barreiras à troca de bens, serviços, pessoas, capitais e instituir autoridades específicas que regulem
essas trocas. Esta hipótese merece consideração em face do alargamento da União Europeia (aqui insere-se
o texto anexo de Jacques Delors, é urgente voltar a explicar o alargamento aos europeus) e da chamada
Europa a la Carte. Como se estivéssemos a defender um Condomínio e cada país tivesse um menu. União
quer dizer unanimidade ou máximo denominador comum de bem-estar, logo, não se pode escolher como se
fosse uma ementa, deixando para os outros aquilo que não nos interessa, ou não nos serve. Este princípio, a
la carte, é derrubado pelo princípio do Condomínio. Pelo próprio Direito Privado também implica que não se
possam ter relações que ofendam a legitimidade da propriedade do nosso vizinho e obrigam a respeitar as
partes comuns do prédio (A União é a tal parte comum, mas aqui, num conceito de união europeia é mais
ampla).
Por outro lado, o Condomínio implica que o modo de decisão atribuído ao Condomínio implicaria um
forte papel das comissões de peritos (havia necessidade de criar uma série de comissões de peritos a que se
chamaria a Comitologia e que Maurice Duverger chamou de Comitocracia e a que nas aulas chamámos de
Eurocracia ou Tecnocracia).
Assim, o Condomínio deve ser interpretado, na EU, como uma etapa transitória e a ser debatida,
pelas instituições da EU, e não apenas por um super administrador de todos os Estados pertencentes à UE.
___________ «» __________
“É urgente voltar a explicar o alargamento aos europeus”
Delors é contra a Europa a duas velocidades e a favor das cooperações
reforçadas. Tem dúvidas sobre o presidente do Conselho Europeu. E considera
urgente que se volte a explicar aos cidadãos a oportunidade do alargamento.
Não está muito de acordo com duas propostas da Convenção: o presidente do
Conselho Europeu e o futuro ministro europeu dos Negócios Estrangeiros.
O que digo é que é preciso praticar a linguagem da Verdade perante os
cidadãos. Dizer-lhes o que pensamos é respeitá-los, mas é também fazer apelo à
Jacques Delors
sua inteligência e à sua razão.
Como quer que um ministro dos Negócios Estrangeiros apague como que por milagre as divergências
profundas entre os Estados em matéria de política externa e de segurança comum? O "Sr. PESC" fez um

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óptimo trabalho, mas Javier Solana teve a inteligência de apagar-se de cada vez que a sua tarefa era
impossível.
Quanto ao presidente estável do Conselho Europeu, explico, ao terminar este livro, que o meu medo é
que haja uma oposição entre o poder de duas tecnocracias e que, uma vez mais, sejam os cidadãos a ficar
completamente desamparados perante isso.
Além disso, esta presidência estável também reflecte as segundas intenções dos que querem limitar o
método comunitário. Não sou contra, mas interrogo-me se vai ser possível encontrar uma "ave rara" que se
contentará em organizar os Conselhos Europeus e que, depois, esteja disposto a regressar a casa, limitando-
se a manter-se informado.
Foi a primeira pessoa a falar da necessidade de uma "vanguarda" europeia. Em 2000. Hoje, com o
fracasso da Constituição, toda a gente volta a falar em "vanguarda", na Europa a duas velocidades.
Para mim, o que é importante não é a Europa a duas velocidades. O importante é permitir que os que
querem ir mais longe possam fazê-lo, sem a oposição dos que não querem segui-los. Isto chama-se uma
“cooperação reforçada”. Qual deve ser a sua característica? Que se organize no interior dos tratados e que
mantenha aberta a todos os que querem e que podem entrar. Como o euro. Se tivéssemos esperado que os
quinze estivessem de acordo ainda hoje não teríamos o euro. É tão simples como isto. Não é a Europa a
duas velocidades. Mas hoje o clima é de tal ordem que não deixa passar nenhuma ideia positiva. É preciso
esperar que os espíritos se acalmem.
Há hoje um problema de adesão dos europeus à Europa. Verifica-se um recuo do europeísmo.
Há duas razões maiores. Como sempre que a conjuntura económica não é boa, os cidadãos europeus
pensam que isso é da responsabilidade da Europa. A segunda razão está em que; em alguns países, não se
explicou a extraordinária oportunidade histórica que é o alargamento. O alargamento é uma espécie de
"homem das neves" que nos mete medo, uma espécie de angústia. É urgente voltar a explicá-lo.
Conta muito bem no seu livro esses momentos de “aceleração da história” em que caiu o Muro e em
que muita gente voltou a interrogar-se sobre a Alemanha. Diz que nunca teve medo que a Alemanha ini-
ciasse uma deriva solitária. Olha para a Alemanha hoje com a mesma confiança?
Com a mesma confiança. Se dediquei 50 páginas a isso foi pensando nos jovens. E pensando nos que se
alarmam muito com a forma como a humanidade evolui.
Depois da queda do Muro, o medo era grande. Dizia-se que ia haver confrontos, milhares de mortos. Nada
disso aconteceu. Um pouco por sorte, mas também graças à sabedoria de muitos homens e mulheres que
eram responsáveis na altura. É realmente o testemunho de uma mutação fortíssima que a nossa fraca
humanidade soube conduzir.
Isso serve para dizer aos jovens que a política nem sempre é desencorajadora, que há momentos de
grandeza, que não estamos condenados à regressão, ao crime, às guerras, ao ódio.
In Jornal Público, Quarta-feira 4 Fev. 2004, Secção Mundo, P. 19
___________ «» __________
A nossa memória de Luís Sá

Neste último ensaio de jornalismo de ideias, com que encerrarei o século XX, decidi, mais uma
vez, dar a palavra à minha irmã M. Teresa Bracinha Vieira, cumprindo o sagrado dever de
revivermos o companheiro e amigo Luís Sá:
Adelino Maltez

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Sonhou sobre o mundo e sonhando abriu na realidade o baú que preservava algo de precioso, de
incondicional...
Excedeu-se como as raízes das árvores milenárias na contenção do discurso, atento que era à
degradação da palavra e à inexistente força individual das térmitas. Concentrava-se nos sentidos e nos
sentires decisivos de um povo, no interior do qual surgira, procurando a textura da natureza humana,
infinitamente em risco.
"Para quem o que vale a pena é o que se pode transformar em capital circulante é porque condena o
outro a inexistir", disse-me o Luis, citando um livro que acabara de ler.
Em rigor, sempre o conheci em esforço permanente num horizonte de inteligibilidade e de vontade que
forçavam os saberes inquietantes a revelarem-se.
Nunca esquecerei a Universidade com o Luís Sá; com o Professor Doutor Luís Sã no resgate vivo,
plenamente vivo da entreajuda na transmissão do Conhecimento, como um dos caminhos através do qual
escreveu a sua própria História.
Muitos dos seus alunos me relataram o evento relevante que constituíam as suas aulas, a sua força vital
e tranquila de invencível rival no método.
Assim e enfim se distinguia claramente dos pesquisadores míopes, dos investigadores de minudências,
dos seres diminutos por excelência.
Estou convicta que muitos o olharam sem ver, muitos o pensaram sem pensamento.
No mundo do Luís não se confiscavam segredos e ninguém era estrangeiro. Uma das suas grandes lutas era
a de alertar, constante e doridamente, para a ficção da igualdade de direitos dos cidadãos perante a lei.
Falávamos frequentemente sobre a grande monstruosidade de quem inflecte em seu proveito a acção
de vários seres, extraindo deles forças de manipulação inquietantes.
Disse-lhe, um dia, que me sentia desfalecida pela proliferação de anões análogos e de mesma função
discricionária de desrazão que nos faziam viver de alma viva e aflita. Respondeu-me: "Um dia, de tão
extenuados, de tão necessitados de dizer não, e sem que o esperemos, inverter-se-ão as desproporções de
forças, e os 'sábios' de olhar vasento já não serão sequer refutadores de pequenas teses."
Frequentemente, conversávamos, ora através de silêncios, ora atingidos de palavras que se nos consen-
tiam em diálogo de luz, ora através de deuses propícios a quem se entende viciado na comum solidariedade
ao mundo.
Assim, também na Causa de Timor Lorosae.
Diria ainda que, em acto de imensurável fraternidade, o Luís suspendia o seu poder de clivar ou de unir,
sempre que via no acaso de um olhar um ínfimo reflexo de uma ave que ainda não partira.
Procurava níveis diferentes do Ser, oferecendo, sem diferença, a proposta da fundação irreversível
da liberdade própria de cada Homem, ainda que intuísse, de alguma forma e em muitas situações, que
viesse a revelar-se inútil esse seu gesto.
De modo muito próprio, o Luís Sá era um sismo sobre o tecido social.
Cabe-me, também a mim, pela nossa profluente e genuína Amizade, por todos os momentos de
trabalho conjunto na Universidade, a robustez da palavra escrita, para que se não trate como trivial o que é
privilegiado, para que se não reduza a postura de uma vida distinta a um ciclo unificador de fenómenos
conhecidos, exorcizando-se deste modo qualquer inquietação à saciedade instalada.
Infelizmente, a comunicação e as posturas maciças que saturam o século, dissimulam a mentira
absoluta sob um invólucro que proclama algo de oposto: uma espécie de vazio abstracto que é tudo sem ser
nada..., como afirmava Kierkegaard.

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Contudo, há quem o saiba e tenha a coragem de combater num combate guerreiro e, por essa
mesma razão, por vezes, tremendamente só, sem que na sua origem falte a esperança e a dignidade do
Homem que questiona os fundamentos primeiros.
Este, também, um dos grandes exemplos que o Luís nos deixou e que em todos se deveria
imortalizar como seu legado.
Num mundo de infectos ares e onde se anima com arte a simulação de um futuro, o Luís Sá sonhou
sobre o mundo e sonhando abriu na realidade o baú que preservava algo de precioso, de incondicional...
M. Teresa Bracinha Vieira

A força e a beleza destas palavras esmagam todas as guerrazinhas de homenzinhos que


instrumentalizaram o nome de Luís Sá, a propósito do recente Congresso do PCP ou de um episódio mal
contado sobre a sua não contratação como professor de uma universidade pública portuguesa, a minha.
Aliás, poderia narrar duas outras histórias; sobre outras tantas recusas de contratação do mesmo Luís Sã por
mais universidades públicas portuguesas, até porque, em dois desses casos, tive intervenção directa, como
amigo, colega e orientador das respectivas dissertações de mestrado e doutoramento. Continuarei a
procurar cumprir o que com ele pactuei: calar.
Digo apenas que importa recuperar para a política o sentido da verdade. Em
Portugal, os valores da tolerância, do pluralismo e da racionalidade poderão frutificar se
o sentido da justiça prevalecer sobre o compadrio, o dogmatismo e os fantasmas da teoria
da conspiração
Quando fizermos um esforço racional e justo para superarmos as divisões
conjunturais do reino da opinião, convergindo em tomo dessa substancial procura da
sabedoria, que, não negando as opiniões, permite partir destas para a procura de um bem
Luis Sá maior. Quando houver sítios de humilde estudo e de convivência entre colegas, onde os
homens livres possam esquecer-se das divergências cívicas, dos desalinhos ideológicos,
das opções de conjuntura e das rupturas epistemológicas, pela procura do saber pe1o saber.
Só verdadeiramente seremos livres quando percebermos que as qualidades e a riqueza humana e
moral e a abertura de espírito na procura do conhecimento podem transcender outras diferenças (Luís Sá).
In Jornal desconhecido, 15 Dez. 2000, Opinião, P. 47
______ «» _____
1992 - 7 de Fevereiro – É assinado em Maastricht o Tratado da União Europeia, que entra em vigor em 1 de
Novembro de 1993.
Tratado de Maastricht ou da União Europeia
Vem assinalar o início de uma nova fase no processo de integração europeia, nomeadamente, para a
introdução de dois grandes objectivos incindíveis (inseparáveis);
 Criação de facto de uma UEM (União Económica Monetária) – Moeda Única;
 Criação de uma UP (União Politica) – CE em vez de CEE;
O facto de se considerarem incindíveis é porque a UEM só é sustentável com uma UP. A UEM foi
arquitectada antes do objectivo de UP, mas só é concretizada com a criação da UP.
Grandes Inovações de Maastricht
Alteração da designação da CEE (Comunidade Económica Europeia) para CE (Comunidade
Europeia), isto com base nos três pilares: Económico, Monetário e Politico, todos fundamentados na
supranacionalidade;
Alargamento das atribuições do próprio processo de integração que deixam de ser essencial e
exclusivamente económicas para serem extensivas aos domínios da politica, social e cultural;
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 Estabelecimento de um período temporal para a preparação e conclusão do processo de UEM


(criar e introduzir a moeda única nos estados-membros, em todo o espaço europeu) entre 1999 e 2002;
 Conceito de Cidadania europeia, pela primeira vez criado, extremamente importante (relaciona-
se com pessoas e com um conceito jurídico vinculativo, conceito politico, neste conceito de um espaço
federal: «direitos, liberdades fundamentais»)
 Novas formas de cooperação entre os governos dos estados-membros, num sistema
intergovernamental, em que a regra da unanimidade prevalece e a regra da maioria tem dificuldade em
impor-se. Como é o caso da criação da PESC (Politica Externa de Segurança Comum), PJAI (Politica de Justiça
e Assuntos Internos) e PCPJMP (Politica de Cooperação Policial Judiciária em Matéria Penal);
 Reforma institucional, profunda – surge ao nível do procedimento legislativo um novo processo,
chamado de Co-Decisão, que vem estabelecer que tanto o Parlamento Europeu como o Conselho de
Ministros têm em pé de igualdade os mesmos poderes ao nível decisório;
 Composição e designação da União Europeia;
 Verifica-se, ainda, um alargamento da regra da maioria qualificada nas votações do Conselho
em detrimento da regra da unanimidade;
___________ «» __________
1997 – Tratado de Amesterdão
- 16-17 de Junho – O Conselho Europeu de Amesterdão adopta um tratado que dá à União Europeia novas
competências.
- 2 de Outubro – É assinado o Tratado de Amesterdão, que entrará em vigor em 1 de Maio de 1999.
Em bom rigor é com o Tratado de Amesterdão que se concretiza a Politica Económica e Monetária,
decidida com o Tratado de Maastricht. O Euro só entra em vigor em 12 Estados, não aderiram a Suécia,
Reino Unido e Dinamarca.
A criação em termos de valores da União de um espaço de Liberdade, Segurança e Justiça.
Verifica-se uma maior aproximação da União relativamente aos Cidadãos.
Reforço do carácter democrático de união e aumento das suas capacidades de intervenção nas
relações externas.
2001 – Tratado de Nice
- 26 de Fevereiro – É assinado o Tratado de Nice, que entrará em vigor em 1 de Fevereiro de 2003.
2004 - 1 de Maio - Chipre, Malta, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia
e Eslovénia aderem à União Europeia, que passa a ter 25 Estados-Membros.
Instituições da União Europeia
No âmbito das atribuições e das responsabilidades que, as instituições da União Europeia,
apresentam ao nível dos Tratados Europeus, estas instituições têm, como objectivo, máximo conferir
expressão a uma união das nações europeias, cada vez mais coesa. Esta união traduz, assim, de um modo
inequívoco, ao nível de estrutura institucional, a ideia de uma soberania comum, de uma integração
comunitária reforçada no plano supranacionalidade, sempre identificada com uma identidade europeia,
dotada de verdadeiros laços de pertença, retratando-se, ao nível institucional, a aplicação do direito
consentido entre os povos.
Hoje em dia a UE é dotada de um sistema institucional único no género que a distingue das outras
organizações internacionais clássicas. Ou seja, os Estados-Membros ao aderirem aos Tratados europeus
vigentes concederam às instituições da UE autorizações, umas expressas outras implícitas, para diversos
actos de delegação de soberania em benefício de órgãos independentes que representam,

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simultaneamente, os interesses nacionais e o interesse comunitário. Estando essas instituições e órgãos


necessariamente nas suas atribuições e responsabilidades dotados (interligados) por relações de
complementaridade ao nível do processo de decisão.
Nesta dimensão, temos assistido ao nível das instituições ao aumento progressivo das suas
responsabilidades, temos assistido ao crescimento da sua dimensão de actuação, e ainda, ao seu
crescimento. Isto, desde o nascimento das comunidades europeias em particular dos Tratados da UE e do
Tratado de Nice.
Ao nível das sedes de poder do Parlamento Europeu, desde o Tratado de Maastricht altera-se o
Sistema Legislativo: O PE passa a actuar nas matérias previamente previstas nos tratados como cooperador
juntamente com o Conselho de Ministros da EU a que se chama de Co-Decisão – Tanto o PE como o CM
actuam em actos de forma co-legislativos, mas só quando o Tratado o permitir.
Para além deste processo assiste-se ainda a uma outra alteração: o PE passa a proferir pareceres
favoráveis ou pareceres consultivo (se for feita uma consulta), apenas.
Então nesse caso o TM ficou subordinado, em sede do poder legislativo, a estes três grandes níveis:
- Co-Decisão;
- Pareceres: Favorável e Consultivo;
Relevantes alterações trazidas pelo Tratado de Nice;
- 732, É o número máximo de deputados no PE.
- Representação politica adequada, ou seja, recorrendo-se da representação proporcional pelo
método de Hondt corria-se o risco de que a curto prazo um país como o Luxemburgo pudesse ficar sem
representação parlamentar. Para evitar tal situação ficou consagrado que o PE deve ter uma representação
politica adequado, mínima, de cada Estado-Membro, de pelo menos um. O que pode implicar que um outro
Estado possa ver diminuída a sua representatividade.
- Outro aspecto é o facto do PE poder ele próprio a apresentar proposta quanto ao seu próprio
método de eleição.
___________ «» __________
Cronologia da Construção Europeia (União Europeia)
1948
- 7-a-11 de Maio – Congresso de Haia: mais de mil delegados de uma vintena de países europeus debatem
novas formas de cooperação na Europa. Pronunciam se a favor da criação de uma “Assembleia Europeia”.
1949
- 27 E 28 de Janeiro – Na sequência do Congresso de Haia, é criado o Conselho da Europa, com sede em
Estrasburgo.
No mesmo ano, começa a ser redigida a Convenção Europeia dos Direitos do Homem. Assinada em Roma
em 1950, entrará em vigor em Setembro de 1953.
Com o decorrer do tempo, quase todos os países do continente se tornam membros do Conselho da
Europa.
1950
- 9 de Maio – Robert Schuman, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, profere um importante
discurso em que avança propostas inspiradas nas ideias de Jean Monnet. Propõe que a França e a
República Federal da Alemanha ponham em comum os seus recursos de carvão e de aço, numa
organização aberta aos outros países da Europa.

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Porque esta data pode ser considerada como a do nascimento da União Europeia, o dia 9 de Maio
é hoje comemorado como o “Dia da Europa”.
1951
- 18 de Abril – Seis países – Bélgica, França, República Federal da Alemanha, Itália, Luxemburgo e Países
Baixos – assinam em Paris o Tratado que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que
entrou em vigor em 23 de Julho de 1952, por um período de 50 anos.
1955
- 1 e 2 de Junho – Reunidos em Messina, os Ministros dos Negócios Estrangeiros dos Seis decidem estender
a integração europeia a toda a economia.
1957
- 25 de Março – Assinatura em Roma dos Tratados que instituem a Comunidade Económica Europeia (CEE)
e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom), que entrarão em vigor em 1 de Janeiro de 1958.
1960
- 4 de Janeiro – Por iniciativa do Reino Unido, a Convenção de Estocolmo cria a Associação Europeia de
Comércio Livre (EFTA), que reúne vários países europeus que não fazem parte da CEE.
1962
- 30 de Julho – Entra em vigor uma Política Agrícola Comum (PAC).
1963
- 14 de Janeiro – O General de Gaulle anuncia, numa conferência de imprensa, que a França veta a
entrada do Reino Unido nas Comunidades Europeias.
- 20 de Julho – É assinado em Yaoundé um acordo de associação entre a CEE e 18 países africanos.
1965
- 8 de Abril – É assinado o Tratado de fusão dos executivos das três Comunidades e que cria um Conselho e
uma Comissão únicos. Entrará em vigor em 1 de Julho de 1967.
1966
- 29 de Janeiro – “Compromisso do Luxemburgo”: na sequência de uma crise política, a França aceita
retomar o seu lugar nas reuniões do Conselho, a troco da manutenção da regra da unanimidade quando
estão em jogo “interesses nacionais de importância vital”.
1968
- 1 de Julho – Eliminação completa, com 18 meses de avanço sobre o previsto, dos direitos aduaneiros
intracomunitários sobre os produtos industriais. Entra em vigor uma Pauta Aduaneira Comum.
1969
- 1 e 2 de Dezembro – Na Cimeira de Haia, os dirigentes políticos da CEE decidem dar novo impulso ao
processo de integração europeia.
1970
- 22 de Abril – É assinado no Luxemburgo um tratado que permite que as Comunidades Europeias sejam
progressivamente financiadas por “recursos próprios” e que confere maiores poderes ao Parlamento
Europeu.
1972

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- 22 de Janeiro – São assinados em Bruxelas os tratados de adesão da Dinamarca, da Irlanda, da Noruega


e do Reino Unido às Comunidades Europeias.
- 24 de Abril – Os seis membros da CEE decidem limitar a 2,25% as margens de flutuação cambial entre as
suas moedas, um sistema que ficou conhecido por “serpente monetária”.
1973
- 1 de Janeiro – A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido aderem às Comunidades Europeias, que passam a
ter nove Estados Membros. A Noruega fica de fora, na sequência de um referendo em que o voto
maioritário foi desfavorável à adesão.
1974
- 9 e 10 de Dezembro – Na Cimeira de Paris, os líderes políticos dos Nove decidem reunir-se regularmente
em Conselho Europeu três vezes por ano. Dão igualmente luz verde às eleições directas para o Parlamento
Europeu e acordam na criação do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
1975
- 28 de Fevereiro – É assinada em Lomé uma convenção (Lomé I) entre a CEE e 46 Estados da África, das
Caraíbas e do Pacífico (ACP).
- 22 de Julho – É assinado um tratado que reforça os poderes orçamentais do Parlamento Europeu e cria o
Tribunal de Contas Europeu. Entrará em vigor em 1 de Junho de 1977.
1978
- 6 e 7 de Julho – Na Cimeira de Bremen, a França e a República Federal da Alemanha propõem um
relançamento da cooperação monetária através da criação de um Sistema Monetário Europeu (SME), que
deverá substituir a “serpente”. O SME começa a funcionar em 13 de Março de 1979.
1979
- 28 de Maio – É assinado o tratado de adesão da Grécia às Comunidades Europeias.
- 7 e 10 de Junho – Primeiras eleições directas dos 410 deputados do Parlamento Europeu.
1981
- 1 de Janeiro – Entrada da Grécia nas Comunidades Europeias, que passam a contar 10 Estados Membros.
1984
- 28 de Fevereiro – É adoptado o programa “Esprit”, que promove a investigação e o desenvolvimento no
domínio das tecnologias da informação.
- 14 e 17 de Junho – Segundas eleições directas para o Parlamento Europeu.
1985
- 7 de Janeiro – Jacques Delors assume a presidência da Comissão (1985-1995).
- 12 de Junho – Assinatura dos Tratados de adesão da Espanha e de Portugal às Comunidades Europeias.
- 2 a 4 de Dezembro – No Conselho Europeu do Luxemburgo, os Dez acordam em rever o Tratado de Roma e
relançar a integração europeia, através do “Acto Único Europeu”, que abre caminho à realização plena do
mercado interno até 1993.
1986
- 1 de Janeiro – Espanha e Portugal aderem às Comunidades Europeias, que passam a contar 12 Estados-
Membros.

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- 17 e 28 de Fevereiro – É assinado no Luxemburgo e em Haia o Acto Único Europeu, que entrará em vigor
em 1 de Julho de 1987.
1987
- 15 de Junho – Tem início o programa “Erasmus”, que apoia os jovens europeus que desejem estudar
noutros países da Europa.
1989
- 15 e 18 de Junho – Terceiras eleições directas para o Parlamento Europeu.
- 9 de Novembro – Queda do muro de Berlim.
- 9 de Dezembro – O Conselho Europeu de Estrasburgo decide convocar uma Conferência
Intergovernamental sobre o aprofundamento da União Económica e Monetária (UEM) e da união política.
1990
- 19 de Junho – É assinado o Acordo de Schengen, que visa suprimir os controlos nas fronteiras entre os
Estados Membros das Comunidades Europeias.
- 3 de Outubro – Reunificação da Alemanha.
- 14 de Dezembro – Têm início, em Roma, as conferências intergovernamentais sobre a UEM e a união
política.
1991
- 9-10 de Dezembro – O Conselho Europeu de Maastricht adopta o Tratado da União Europeia, que
estabelece as bases para uma política externa e de segurança comum, uma cooperação mais estreita nos
domínios da justiça e dos assuntos internos e a criação de uma União Económica e Monetária, incluindo
uma moeda única. A conjugação da cooperação intergovernamental nestes domínios com o sistema
comunitário existente dá origem à União Europeia (UE). A CEE passa a chamar-se “Comunidade Europeia”
(CE).
1992
- 7 de Fevereiro – É assinado em Maastricht o Tratado da União Europeia, que entra em vigor em 1 de
Novembro de 1993.
1993
- 1 de Janeiro – É criado o mercado interno.
1994
- 9 e 12 de Junho – Quartas eleições directas para o Parlamento Europeu.
- 24-25 de Junho – São assinados no Conselho Europeu de Corfu os tratados de adesão à União Europeia
da Áustria, da Finlândia, da Noruega e da Suécia.
1995
- 1 de Janeiro – A Áustria, a Finlândia e a Suécia juntam-se à UE, que passa a ter 15 Estados-Membros. A
Noruega fica de fora, na sequência de um referendo em que o voto maioritário foi desfavorável à adesão.
- 23 de Janeiro – Entra em funções uma nova Comissão Europeia (1995-1999), presidida por Jacques Santer.
- 27-28 de Novembro – A Conferência Euromediterrânica de Barcelona cria uma parceria entre a UE e os
países do sul do Mediterrâneo.
1997

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- 16-17 de Junho – O Conselho Europeu de Amesterdão adopta um tratado que dá à União Europeia novas
competências.
- 2 de Outubro – É assinado o Tratado de Amesterdão, que entrará em vigor em 1 de Maio de 1999.
1998
- 30 de Março – Tem início o processo de adesão dos novos países candidatos, que vai abranger Chipre,
Malta e 10 países da Europa Central e Oriental.
- 3 de Maio – O Conselho Europeu de Bruxelas decide que 11 Estados-Membros (Áustria, Bélgica,
Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Espanha) preenchem
as condições necessárias para a adopção da moeda única em Janeiro de 1999. A estes juntar-se-á mais
tarde a Grécia.
- 31 de Dezembro – Adopção de taxas de conversão fixas e irrevogáveis entre as moedas que serão
substituídas pelo euro.
1999
- 1 de Janeiro – Início da terceira fase da UEM: as moedas de 11 Estados-Membros são substituídas pelo
euro. A moeda única é introduzida nos mercados financeiros. A partir deste momento, o Banco Central
Europeu (BCE) passa a ser responsável pela política monetária europeia, que é definida e executada em
euros.
- 24-25 de Março – O Conselho Europeu de Berlim adopta as perspectivas financeiras para 2000-2006, no
quadro da “Agenda 2000”.
- 3-4 de Junho – O Conselho Europeu de Colónia decide confiar a redacção de uma Carta dos Direitos
Fundamentais a uma Convenção composta por representantes dos Chefes de Estado ou de Governo da
União Europeia e do Presidente da Comissão Europeia. Javier Solana é designado Alto Representante para a
Política Externa e de Segurança Comum (PESC).
- 10 e 13 de Junho – Quintas eleições directas para o Parlamento Europeu.
- 15 de Setembro – Entra em funções uma nova Comissão Europeia, presidida por Romano Prodi (1999-
2004).
- 15-16 de Outubro – O Conselho Europeu de Tampere decide tornar a UE um espaço de liberdade, de
segurança e de justiça.
- 10-11 de Dezembro – O Conselho Europeu de Helsínquia, dedicado principalmente ao alargamento da
União, reconhece oficialmente a Turquia como candidata à adesão à UE e decide avançar com as
negociações com os outros 12 países candidatos.
2000
- 23-24 de Março – O Conselho Europeu de Lisboa define uma nova estratégia para fomentar o emprego na
UE, modernizar a economia e reforçar a coesão social numa Europa baseada no conhecimento.
- 7-8 de Dezembro – Em Nice, o Conselho Europeu chega a acordo sobre o texto de um novo Tratado, que
reforma o sistema decisório da UE na perspectiva do alargamento. Os presidentes do Parlamento Europeu,
do Conselho Europeu e da Comissão Europeia proclamam solenemente a Carta dos Direitos Fundamentais
da União Europeia.
2001
- 26 de Fevereiro – É assinado o Tratado de Nice, que entrará em vigor em 1 de Fevereiro de 2003.
- 14-15 de Dezembro – O Conselho Europeu de Laeken adopta uma declaração sobre o futuro da União, que
abre caminho para a próxima grande reforma da UE e convoca uma Convenção para preparar uma
Constituição Europeia. Valéry Giscard d’Estaing é designado presidente da Convenção.

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2002
- 1 de Janeiro – Entrada em circulação das moedas e notas em euros.
- 31 de Maio – Os 15 Estados-Membros da UE ratificam em simultâneo o Protocolo de Quioto – um acordo
internacional para a redução da poluição atmosférica.
- 21-22 de Junho – O Conselho Europeu de Sevilha chega a acordo sobre uma política europeia de imigração
e de asilo.
- 13 de Dezembro – O Conselho Europeu de Copenhaga decide que 10 dos países candidatos (Chipre, Malta,
República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia e Eslovénia) poderão aderir à UE
em 1 de Maio de 2004. A adesão da Bulgária e da Roménia é prevista para 2007.
É decidido que as negociações com a Turquia poderão ter início se o Conselho Europeu, com base num
relatório e numa recomendação da Comissão, decidir, em Dezembro de 2004, que a Turquia cumpre todos
os “critérios de Copenhaga”.
2003
- 16 de Abril – São assinados em Atenas os tratados de adesão de Chipre, Malta, República Checa, Estónia,
Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia e Eslovénia.
- 10 de Julho – A Convenção sobre o futuro da Europa adopta um projecto de Constituição Europeia e
conclui os seus trabalhos.
- 4 de Outubro – Tem início a Conferência Intergovernamental que deverá redigir um novo Tratado
incorporando a Constituição Europeia.
2004
- 1 de Maio - Chipre, Malta, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia e
Eslovénia aderem à União Europeia.
- 10 e 13 de Junho – Sextas eleições directas para o Parlamento Europeu.
- 16-17 de Dezembro – Decisão de dar início em 2005 às negociações de adesão com a Croácia e a Turquia
desde que estejam preenchidas certas condições.
2005
- 25 de Abril – A UE assina no Luxemburgo os Tratados de adesão com a Bulgária e a Roménia.
2007
- Data prevista em 2002, pelo Conselho Europeu de Copenhaga, para a adesão da Bulgária e da Roménia à
União Europeia.
___________ «» __________
FINAL DO PRIMEIRO SEMESTRE

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