Universidade Federal de São Paulo – Campus Baixada Santista
Bacharelado em Engenharia Ambiental
Nury Bernal
Avaliação dos impactos do aumento da população flutuante no
município de Bertioga no período da pandemia de COVID-19
Santos
2021
Universidade Federal de São Paulo – Campus Baixada Santista
Bacharelado em Engenharia Ambiental
Nury Bernal
Avaliação dos impactos do aumento da população flutuante no
município de Bertioga no período da pandemia de COVID-19
Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) apresentado ao curso de
Bacharelado em Engenharia
Ambiental
Discente: Nury Bernal
Orientador: Ronaldo José Torres
Santos
2021
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a minha mãe Soraya Bertini Barbosa pelo sacrifício
que fez pelos meus estudos e por sempre me apoiar mesmo nos mais longos
caminhos a serem percorridos, me dando força, inspiração e amor, ainda que não
possa ter acompanhado a minha trajetória de perto. Agradeço à minha avó e irmã
Clara Bertini Barbosa e Huara Bernal, pela confiança, exemplo de força e por tanto
amor a mim dedicado.
Pela confiança e diligência no meu processo de aprendizagem agradeço ao
professor Ronaldo José Torres, que admiro não só pelo profissional comprometido
em fazer da ciência ferramenta na transformação de realidade, mas também pela
pessoa iluminada que é.
Agradeço também pelos dados gentilmente cedidos e disponibilizados para o
estudo, pelo Geraldo e Raphael Roberto, membro do Conselho Comunitário de
Defesa do Meio Ambiente do Município de Bertioga/SP.
Ficha catalográfica elaborada por sistema automatizado
com os dados fornecidos pelo(a) autor(a)
Bernal, Nury .
B517a Avaliação dos impactos do aumento da população
flutuante no município de Bertioga no período da
pandemia de COVID-19. / Nury Bernal; Orientador
Ronaldo José Torres; Coorientador . -- Santos,
2021.
49 p. ; 30cm
TCC (Graduação - Engenharia Ambiental) --
Instituto do Mar, Universidade Federal de São Paulo,
2021.
1. População Flutuante. 2. Pandemia. 3. COVID-19.
4. Bertioga. I. Torres, Ronaldo José , Orient. II.
Título.
CDD 628
Bibliotecária Daianny Seoni de Oliveira - CRB 8/7469
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a minha mãe Soraya Bertini Barbosa pelo sacrifício
que fez pelos meus estudos e por sempre me apoiar mesmo nos mais longos
caminhos a serem percorridos, me dando força, inspiração e amor, ainda que não
possa ter acompanhado a minha trajetória de perto. Agradeço à minha avó e irmã
Clara Bertini Barbosa e Huara Bernal, pela confiança, exemplo de força e por tanto
amor a mim dedicado.
Pela confiança e diligência no meu processo de aprendizagem agradeço ao
professor Ronaldo José Torres, que admiro não só pelo profissional comprometido
em fazer da ciência ferramenta na transformação de realidade, mas também pela
pessoa iluminada que é.
Agradeço também pelos dados gentilmente cedidos e disponibilizados para o
estudo, pelo Geraldo e Raphael Roberto, membro do Conselho Comunitário de
Defesa do Meio Ambiente do Município de Bertioga/SP.
RESUMO
O presente trabalho analisou as consequências do aumento da população
flutuante no município de Bertioga durante a pandemia de COVID-19 no ano de
2020 e a relação desse crescimento com o impacto ocasionado na infraestrutura
sócio ambiental do município e na qualidade de vida da população. A variável
selecionada foi o consumo de água dos moradores da área Sul da cidade nesse
período, região com alta densidade demográfica e muito frequentada pelos turistas.
Como não há informações sobre o processo migratório, que pode ser considerado
“pendular”, dado que o período de permanência no lugar de destino geralmente é
incerto pela situação da pandemia, a metodologia usada para estimar o volume dos
moradores com domicílio de uso ocasional teve que lançar mão de variáveis
sintomáticas. A correlação dos dados censitários e do levantamento do consumo de
água, obtido através do Conselho Comunitário de Defesa do Meio Ambiente de
Bertioga, mostrou aumento na população flutuante, fator preponderante no
mapeamento de áreas de possíveis riscos e vulnerabilidade, principalmente
relacionados ao saneamento básico. O enfrentamento à pandemia trouxe o
distanciamento social e com ele o aspecto mais afetado para dirimir a transmissão
do coronavírus foi o convívio social. Trabalhadores tiveram suas atividades
ajustadas, a tecnologia deu autonomia laboral e possivelmente o trabalho remoto,
ocupação sem local específico, tenha relação com o aumento da população de
Bertioga, cidade litorânea de bela paisagem que conquistou as pessoas na busca
por qualidade de vida.
Palavras-chave: população flutuante, pandemia de COVID-19, Bertioga.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT Associação Brasileira de Normas técnicas
AARSL Associação dos Amigos da Riviera de São Lourenço
Agem Agência Metropolitana da Baixada Santista
BNH Banco Nacional de Habitação
BH-BS Bacia Hidrográfica da Baixada Santista
CBH-BS Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista
CETESB Companhia Ambiental do estado de São Paulo
CIRM Comissão Interministerial para os Recursos do Mar
COMSAIB Conselho Municipal de Saneamento Ambiental e de
Infraestrutura de Bertioga
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
CONDEMA Conselho Comunitário de Defesa do Meio Ambiente
CONDEPHAAT Conselho Nacional de Defesa do Patrimônio Histórico,
Arqueológico, Artístico e Turístico
ETA Estação de Tratamento de Água
ETE Estação de Tratamento de Esgoto
Fehidro Fundo Estadual de Recursos Hídricos
FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
GI-Gerco Grupo de Integração do Gerenciamento Costeiro
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas
IQR Índice de Qualidade de Resíduos
MMA Ministério do Meio Ambiente
OMS Organização Mundial da Saúde
ONU Organização das Nações Unidas
OPAS Organização Pan- Americana da Saúde
PERB Parque Estadual Restinga de Bertioga
PESM Parque Estadual da Serra do Mar
PIB Produto Interno Bruto
PMGIRS Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos
PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PNGC Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro
PNMA Política Nacional do Meio Ambiente
PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos
PNRM Política Nacional para os Recursos do Mar
PRIMAC Programa Regional de Identificação e Monitoramento de Áreas
Críticas de Inundações, Erosão e Deslizamentos
RMBS Região Metropolitana da Baixada Santista
RPPN Reservas Particulares do Patrimônio Natural
RSD Resíduos Sólidos Domiciliares
RSU Resíduos Sólidos Urbanos
Sabesp Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
SEADE Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados
Sesc Serviço Social do Comércio
SMA Secretaria do Meio Ambiente
SNUC Sistema Nacional de Unidades de Conservação
TIC Tecnologias da Informação e Comunicação
UC Unidades de Conservação
UGRHI Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos
ZEE Zoneamento Ecológico-Econômico
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 7
2 MARCO TEÓRICO METODOLÓGICO 9
3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS 10
4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 12
4.1 Características físicas 13
4.1.1 Origem e evolução 13
4.1.2 Hidrografia 14
4.1.3 Clima 16
4.1.4 Solo 17
4.1.5 Vegetação 17
4.2 População 20
4.2.1 Densidade populacional 21
4.2.2 Dados socioeconômicos 22
4.2.3 Adensamento urbano 23
4.2.4 Limites de crescimento 24
4.3 Ocupação do solo: urbanização e turismo 25
4.4 Legislação ambiental 26
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS 29
5.1 Resultados: impactos do aumento da população 31
5.2 Urbanização e poluição 32
5.3 Saneamento ambiental 33
5.4 Abastecimento de água 35
5.5 Balneabilidade das praias 35
5.6 Resíduos sólidos 36
5.7 Águas pluviais urbanas 40
5.8 Áreas de risco 41
5.9 Enchentes e inundação 42
5.10 Deslizamento 43
5.11 Pandemia 43
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 44
REFERÊNCIAS 45
7
1 INTRODUÇÃO
A comprovação de que zonas costeiras centralizam um crescente número de
habitantes e atividade econômica gerando transformação não é nova. As grandes
aglomerações de população urbana geralmente se concentram próximas à faixa
costeira, na companhia de portos, praias turísticas e indústrias. A área litorânea
mesmo sendo pequena geralmente tem uma grande concentração, o que resulta em
mudanças ambientais intensas derivadas dessa urbanização, fato que implica numa
série de riscos voltados à própria população.
Essa apropriação do espaço, condicionado pela atração da localidade, efeito
dos processos ambientais de transição entre o oceano e o continente, dão ao
ambiente costeiro um status de lugar privilegiado e frágil, foco de uma ocupação que
concentra desigualdades, oportunidades e riscos em várias partes do planeta.
O ano de 2020 foi marcado por impactos nos mais diversos âmbitos da
sociedade, resultado da introdução do novo coronavírus. As rotinas e o modo de
viver das pessoas foram afetadas por mudanças, desafios e iniciativas para a
preservação da vida, que se tornaram centrais neste contexto. A necessidade de
medidas sanitárias para controle da pandemia de COVID-19 invadiu a vida de todos,
trabalhos realizados na própria residência, através do uso da tecnologia e a
suspensão das aulas presenciais nas instituições de ensino, aumentaram a
permanência dos turistas na região litorânea, ocorrência anteriormente comum
apenas nos finais de semana e feriados. Esse fenômeno crescente gerou grandes
consequências para o município de Bertioga, com riscos a todos os grupos
populacionais, mesmo aqueles com diferentes níveis de renda, sujeitos aos perigos
ambientais, com ênfase às enchentes, movimento anormal das ondas marítimas e
aumento do nível do mar.
Diante das atuais alterações do meio urbano na zona costeira, o presente
trabalho abordou os riscos e consequências do aumento da população na área
litorânea em Bertioga durante a pandemia de COVID-19, doença infecciosa causada
pelo novo coronavírus (OPAS, 2020). Expôs os riscos ambientais que estão
diretamente relacionados com as transformações induzidas pelo homem e que estão
associadas às ocorrências sociais e econômicas referentes aos processos sociais
de centralização ocupacional, gerando um baixo nível de desenvolvimento humano,
sendo os resultados mais visíveis a vulnerabilidade nas condições de habitação
8
(EGLER, 1996 apud BRASIL, 2008). Nos dias atuais esses riscos impactam de uma
maneira efetiva nas mudanças climáticas verificadas nos últimos anos (DAWSON et
al., 2020).
Os indicadores levantados estão relacionados especialmente à atividade de
saneamento básico, os quais são essenciais para qualidade de vida e saúde
humana.
O principal objetivo da pesquisa foi identificar e analisar as consequências do
aumento da população flutuante no município de Bertioga durante a pandemia de
COVID-19, com base em informações censitárias e do CONDEMA de 2020 e da
relação entre indicadores dos serviços de saneamento básico, tendo em vista as
especificidades da área litorânea.
O propósito específico se fundamenta na compreensão de como a
infraestrutura e o planejamento do saneamento básico são suportes para a
qualidade de vida da população em Bertioga.
9
2 MARCO TEÓRICO METODOLÓGICO
De acordo com os dados demográficos fornecidos pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), temos o número da população residente na cidade
de Bertioga, isto é, moradores alocados em seus domicílios e devidamente
registrados nos Censos Demográficos, que são conhecidos conforme metodologia
desenvolvida para este fim. Já a população flutuante que se locomove e ocupa
eventualmente domicílios classificados nos censos como de uso ocasional, não são
submetidos a nenhum tipo de registro, dificultando assim a clareza de seu número
(IBGE, 1993). Considerando a necessidade de recorrer a um parâmetro no qual
considere o aumento populacional das pessoas que se deslocaram para Bertioga no
período de 2020, localidade usualmente apreciada para fins turísticos em finais de
semana, feriados e férias escolares e reconhecendo o momento especial de
pandemia e as muitas medidas não farmacológicas implementadas de março a
dezembro de 2020, principalmente o distanciamento social, a variável trabalhada
juntamente com o Censo Demográfico foi o volume de água utilizada neste intervalo
de tempo.
No final dos anos 80, foi possível estimar a população flutuante com base no
número de domicílios, conforme seu tipo de uso, local de residência habitual ou
ocasional, apesar disso uma nova alternativa metodológica foi desenvolvida
baseada em outras variáveis que pudessem aprimorar a projeção da população
flutuante, são elas: fluxo de veículos nas estradas, geração de resíduos sólidos,
consumo mensal de energia elétrica e consumo mensal de água (GODINHO, 1988).
Dada a falta de informações sobre o consumo de energia elétrica em
Bertioga, não foi possível o acesso a esses dados, nem à quantidade de descarte de
resíduos sólidos para o objetivo proposto. Assim sendo, foi utilizado o consumo de
água para avaliar o volume de pessoas que se deslocaram para o município de
Bertioga no período estudado.
O aumento da população em uma cidade impacta diretamente o consumo de
água, sendo uma ferramenta importante no diagnóstico voltado à proposição de
políticas, que consideram o desenvolvimento urbano populacional das cidades junto
ao bem-estar da população (ZUANAZZI; BARTELS, 2016).
10
3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
A avaliação dos impactos do aumento da população flutuante no município de
Bertioga, consistiu no levantamento de indicadores que foram utilizados como
parâmetros capazes de descrever o fenômeno do aumento da população. Estes
indicadores foram levantados após uma investigação do consumo de água no
município.
A metodologia exposta foi aplicada primeiramente, para correlacionar dados
numa análise integrada do aumento da população flutuante e possíveis impactos
gerados, podendo afetar principalmente no saneamento básico (abastecimento de
água, coleta e tratamento de esgoto, o destino do resíduo sólido e a drenagem
pluvial urbana), balneabilidade das praias, áreas de riscos e cobertura vegetal.
O crescimento da população flutuante foi avaliado através de um indicador
apresentado em uma reunião do Conselho Comunitário de Defesa do Meio
Ambiente (CONDEMA). A variável foi o consumo de água em Bertioga e
principalmente no bairro Riviera de São Lourenço, que conforme relata Costa
(2016), normalmente tem um grande número de população flutuante. Não foi
atribuído valor quantitativo aos atributos levantados, sendo o consumo de água
analisado de forma relativa e representado segundo a presença ou não dos
indicadores, onde cada um foi considerado com o mesmo peso na capacidade de
impactar a população.
Foi selecionada uma área de alta densidade demográfica e principalmente de
grande fluxo de população flutuante. A Densidade Demográfica foi obtida pelo
número de moradores de Bertioga por setor censitário, que de acordo com o IBGE
(2010) é “a unidade territorial estabelecida para fins de controle cadastral, formado
por área contínua, situada em um único quadro urbano ou rural, com dimensão de
domicílios que permitem o levantamento por um recenseador”, dividido pela área
urbana de cada um destes setores.
O presente estudo se limitou em diagnosticar condições físicas da região que
concentra maior parte da população do município de Bertioga, região sul. Esta
região de estudo foi delimitada por concentrar um maior número de habitantes por
área e o indicador considerado foi o consumo de água dos moradores da Riviera de
São Lourenço. Para uma melhor investigação do impacto do aumento da população
flutuante no período de pandemia, analisou-se as consequências socioambientais,
11
através de dados e relatórios de órgãos oficiais como: o IBGE, o Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
(CETESB) e pesquisas bibliográficas.
Quanto aos desafios da pesquisa, ressalta-se a subjetividade da mensuração
de aumento dos gastos do consumo de água, já que não foi possível ter acesso aos
valores de consumo mensal de água na cidade de Bertioga.
Os dados utilizados para estimar o aumento da população flutuante neste
trabalho, foram obtidos, através das atas das Reuniões Ordinárias do CONDEMA de
Bertioga dos dias 24 de novembro e 15 de dezembro de 2020 (CONDEMA, 2020a,
2020b).
12
4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
Localizada na região sudeste do estado de São Paulo, a Estância Balneária
de Bertioga é um município ao Norte da Região Metropolitana da Baixada Santista
(RMBS), que compreende também os municípios de: Cubatão, Guarujá, Itanhaém,
Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente, microrregião de Santos.
Segundo o censo demográfico de 2010 a população da cidade era de 47.645
habitantes, já em 2020 conforme estimativa do IBGE (2020), a população foi para
64.723 habitantes, aumento de aproximadamente 36% em 10 anos (ver Mapa 1).
De acordo com a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), a
extensão territorial de Bertioga é de 482 km², correspondendo a 20,3% da área total
da Baixada Santista e a extensão da sua linha de costa totaliza 45 km, sendo 36 km
de linha de praia, dividida em sete praias, e 9 km de extensão de costões rochosos
(Agem, 2002). Com uma densidade demográfica de 115,38 habitantes/km², está
localizada a 121 km da capital São Paulo, entre as latitudes 23º38’34”S e 23º53’22”S
e entre as longitudes 45º47’31”W e 46º14’36”W.
De acordo com o Plano de Saneamento Básico do município de Bertioga
(2017), a cidade enquadra-se na Província Costeira que diz respeito à área drenada
diretamente do mar. A região possui superfície alagadiça, terrenos arenosos e seu
relevo pode chegar a 900 m de altitude.
13
Mapa 1 - Município de Bertioga, mostrando as cidades que fazem divisa e as
áreas mais urbanizadas.
Fonte: Plano Municipal de Saneamento Básico do Município de Bertioga 2017.
4.1 Características físicas
4.1.1 Origem e evolução
O município de Bertioga, integrante do litoral paulista, apresenta morfologia
composta por serras e baixadas. Toda a Serra do Mar é uma escarpa de
epirogênese e alguns falhamentos foram gerados entre o Cretáceo e o Terciário da
Era Cenozóica. Depois da gênese das escarpas alinhadas, ocorreu uma abrupta
fase de intemperismo e erosão, cujo nível de base se voltou majoritariamente à leste
(AB’SABER, 1995 apud FIERZ; ROSA, 1999).
Rochas ígneas são formadas em grandes profundidades principalmente
durante o chamado Ciclo Brasiliano, período de intensa atividade tectônica e
magmática, estas rochas afloram em superfície epirogênese, conferindo à escarpa
erosiva cerca de 1000 metros de altitude, ora mergulhando em sua linha de costa
que se distribui em direção L-NE, ora se afastando até cerca de 8 km, dando espaço
para a acomodação de sedimentos na planície costeira, também chamada de
Baixada (FIERZ; ROSA, 1999).
14
4.1.2 Hidrografia
Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS),
órgão colegiado, tripartite entre estado, município e sociedade civil, o qual é
responsável pelo gerenciamento e destinação dos recursos do Fundo Estadual de
Recursos Hídricos (Fehidro) e do qual a cidade de Bertioga faz parte, estabeleceu
como área integrante da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (BH-BS), que está
localizada na Região Hidrográfica do Atlântico Sul, o estuário de Santos, São
Vicente e Cubatão, as bacias do litoral norte em Guarujá e Bertioga, e as bacias do
litoral centro-sul e sul em Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe (CBH-BS,
2018), conforme mostra o Mapa 2.
15
Mapa 2 - Apresentação da rede hidrográfica da BH-BS
Fonte: Plano de Bacia Hidrográfica da Baixada Santista de 2009-2011.
A BH-BS tem uma extensão aproximada de 160 km e drena uma área de
2.818,40 km². Esse cálculo é feito através dos “Polígonos de Thiessen”, que
somando as áreas das bacias ultrapassam as divisas municipais. Bertioga tem as
sub-bacias do Rio Itapanhaú, Rio Itatinga, Rio dos Alhos, Ribeirão Sertãozinho e Rio
Guaratuba (ver mapa 3). A soma delas é 25% maior que a região total da cidade
(BERTIOGA, 2017b).
16
Mapa 3 - Bacia hidrográfica do município de Bertioga
Fonte: Plano de Saneamento Básico do Município de Bertioga de 2017.
4.1.3 Clima
O clima do litoral paulista incluindo a região de Bertioga está exposto a
massas atmosféricas como a Tropical Continental, Equatorial Continental e a
Equatorial Atlântica, porém o clima é mais influenciado pela massa Polar Atlântica e
Tropical Atlântica (FIERZ; ROSA, 1999). A Serra do Mar influencia o clima da região,
pois barra o ar quente que penetra no continente, aumentando as precipitações de
chuva condicionada pela topografia acidentada, consequência de um aumento na
turbulência do ar pela ascendência orográfica, principalmente no verão.
De acordo com estudo feito por Pereira e Gouveia (2010), a temperatura
média anual no ano de 2009 em Bertioga permaneceu entre 20ºC e 22ºC, as
temperaturas mais baixas foram entre 16ºC e 18ºC, registradas nos meses de junho
e agosto, sendo que as temperaturas mais altas foram nos meses de dezembro e
março 22ºC e 24ºC. Janeiro teve o maior índice pluviométrico no ano, chegando a
283,68 mm e agosto teve o menor índice de precipitação, atingindo 77,88 mm.
No esquema da classificação climática de Köppen que leva em consideração
a temperatura, a precipitação pluvial e as características sazonais, Bertioga é
classificada como área Tropical Chuvosa de Floresta e segundo Martins et al.
17
(2008), esta área é uma das regiões mais úmidas do Brasil, com precipitação média
chegando a 3.200 mm anuais.
4.1.4 Solo
O município de Bertioga possui características geoambientais totalmente
relacionadas com alguns tipos de relevo como Planalto Atlântico, Serra do Mar e
Planície Costeira, levando-se em consideração a sua localização na Província
Costeira e no Planalto Atlântico (ALMEIDA, 2018).
O Planalto Atlântico está localizado nos níveis mais elevados do terreno de
Bertioga, os aspectos geológicos a serem considerados apontam a presença de
rochas cristalinas Pré-Cambrianas de formação antiga e de características
resistentes. Travalini (2012) ressalta que seu relevo possui morfologia com aspecto
heterogêneo, além de ser repleto de colinas e morros cheios de Cambissolos, que
sustentam todo o bioma Mata Atlântica.
De acordo com Travalini (2012) a Serra do Mar possui uma escarpa serrana
com um declive elevado, constituído por material litológico do período
Pré-Cambriano, o seu solo dá suporte a mata atlântica, sendo um elemento
significativo no equilíbrio do relevo de topos, que é fragilizado pelo predomínio da
alta declividade. A Planície Costeira é composta por materiais sedimentares
recentes, sendo assim do período Quaternário, possui lençol freático superficial e
solo coberto por vegetação de restinga e manguezal.
4.1.5 Vegetação
As formações florísticas que compõem o bioma de Bertioga são a Mata
Atlântica, os Manguezais e a Restinga. Em decorrência das formações litorâneas, o
perfil esquemático da floresta dominante é Ombrófila Densa ou de Encosta, que está
altamente relacionada à vegetação de regiões úmidas. Elas apresentam distintas
formações de acordo com a altitude em que a vegetação cresce (ver Figura 1). Há
predomínio do bioma Mata Atlântica, caracterizado pela grande composição de
espécies e significativa riqueza faunística que usa essa floresta como habitat
(TRAVALINI, 2012).
18
Figura 1 - Perfil Esquemático da Floresta Ombrófila Densa.
Fonte: VELOSO; RANGEL FILHO; LIMA, 1991 (adaptado).
Apesar do município de Bertioga apresentar intervenções ambientais antigas
da década de 70, possui o trecho mais bem preservado do litoral central de São
Paulo, dispõe de grandes extensões de biodiversidade florística, havendo vegetação
de restinga ainda preservada, com reduzido número de coletas de material botânico
(MARTINS et al., 2008).
As formações vegetais próximas às praias são denominadas restingas ou
também chamadas de Formação Arbórea, conforme a Classificação Internacional.
Elas são conhecidas pela resistência da ação das marés e ventos costeiros,
apresentam vegetação rasteira (bromélias, orquídeas terrestres, cactos e arbustos)
e solo arenoso, que afeta a fertilidade da terra composta de silicatos friáveis (ALVES,
2009). As fisionomias vegetais e suas florestas estão refletidas em suas variações
alta e baixa (ver Figura 2).
19
Figura 2 - Zona de Restinga.
Fonte: Projeto Ecossistemas Costeiros - IB-USP (adaptado).
Fonte: Projeto Ecossistemas Costeiros - IB-USP (adaptado).
A constituição do manguezal está associada à desembocadura dos rios. Os
mangues são responsáveis pela fertilidade de águas costeiras, sendo que sua
constituição é feita por um ecossistema de transição do ambiente terrestre e
aquático (ver Figura 3). Sua importância ambiental consiste em ser um enorme
berçário de espécies da fauna e da flora, com formação litorânea que se fixa em
material lodoso, rico em matéria orgânica. Daí sua relevância na manutenção do
equilíbrio da biodiversidade (TRAVALINI, 2012).
20
Figura 3 - Perfil de um Manguezal
Fonte: SCHAEFFER-NOVELLI, 1995.
Todos os costões rochosos, são ecossistemas muito importantes para o meio
marinho, representam uma adaptação à flora continental, que são expostas a
impactos de ondas e água do mar. Os primeiros seres vivos a habitarem este local
foram as algas e os líquens, seguidos das bromélias (FIERZ; ROSA, 1999).
O bioma Mata Atlântica é considerado preservado em Bertioga se comparado
a algumas outras cidades na Baixada Santista. Apesar do crescimento urbano no
município de Bertioga a preservação ambiental é uma realidade. Foram criados o
Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) e o Parque Estadual Restinga de Bertioga
(PERB), ambos de Proteção Integral e que juntos protegem cerca de 63.659
hectares. Além destas áreas, Bertioga apresenta três Reservas Particulares do
Patrimônio Natural (RPPN) e a Terra Indígena Silveiras, todas compostas pelo
Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC) de acordo com a Lei n°
9.985 de 18 de julho de 2000 (BRASIL, 2000). O município também tem uma área
tombada pelo Conselho Nacional de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico,
Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) do Estado de São Paulo.
4.2 População
Segundo estimativa do IBGE, Bertioga tem uma população estimada em
64.723 pessoas (2020) e um crescimento de 17.078 habitantes comparado com o
21
último censo de 2010, quando a pesquisa mostrou 47.645 pessoas e uma densidade
demográfica de 97,21 habitantes/ km² (IBGE, 2020).
Grande parte da população residente em Bertioga habita aglomerados
precários, que segundo Souza (2008) e Alves (2009), foram projetados por leis
ambientais que impediram a implementação de planos residenciais regulares, devido
à especulação imobiliária. Fato que tornou mais viável a migração das pessoas para
áreas de riscos, geralmente de proteção ambiental, sendo inapropriadas segundo a
legislação, mas não dando outra alternativa à população de baixa renda.
Bertioga possui característica de uma cidade de baixa densidade
populacional e uma concentração fixa afastada do litoral. Um projeto realizado pelo
Instituto Pólis (2012) em convênio com o Governo Federal e a Petrobrás,
demonstrou a tendência turística da cidade, ou seja, apresentou uma população
flutuante de 170% da população residente em 2010 (80.992 veranistas), além da
projeção de aumento de 137% na população fixa residente para 2039. Segundo o
IBGE, Bertioga tinha 62% de domicílios de uso ocasional, firmando dessa forma sua
forte posição na atividade de veraneio (2010).
4.2.1 Densidade populacional
Densidade demográfica ou população relativa é a medida expressa pela
relação entre o número de habitantes por área territorial. A alta concentração de
pessoas, sem ampla oferta de infraestrutura, seja pública ou privada, pode estar
ligada a doenças tanto sociais quanto físicas, sendo os danos sempre associados
aos governos, empreendedores e especulação imobiliária. O aumento populacional
provoca um crescimento na geração dos resíduos sólidos, elevação na demanda de
saneamento básico e piora na poluição, resultando na necessidade de melhores
serviços de saneamento básico (NUCCI, 2008).
Com base nas informações da Fundação Sistema Estadual de Análise de
Dados (SEADE), a densidade demográfica na cidade de Bertioga era de 120,98
habitantes/km² em 2017, sem a adição da população flutuante. Entretanto, segundo
o censo realizado pelo IBGE no ano de 2010, setores censitários de Bertioga
mostraram densidades demográficas maiores que 250,00 habitantes/km²,
principalmente no sul da cidade (ver Mapa 4).
22
Mapa 4 - Uso da Terra do Município de Bertioga/SP - 2010
Fonte: TRAVALINI, 2012 (adaptado).
4.2.2 Dados socioeconômicos
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que é um indicador para avaliar o
nível de vida da população, foi calculado para o município de Bertioga no ano de
2018 pelo IBGE atingindo R $27.384,29.
Em estudo feito pelo Instituto Pólis (2012), foi possível destacar a grande
desigualdade social existente entre moradores da Riviera de São Lourenço, área da
região sul e moradores de outras regiões de Bertioga. Na comparação dos Setores
Censitários houve uma grande discrepância na renda do responsável domiciliar, ou
seja, enquanto alguns setores chegaram a ter renda de dez salários mínimos, a
grande maioria da cidade apresentou renda não maior que três salários mínimos
(ver Mapa 5).
23
Mapa 5 - Rendimentos Nominais dos Responsáveis pelos Domicílios em reais,
segundo Setores Censitários, 2010. Sem escala definida.
Fonte: Resumo Executivo de Bertioga - Litoral Sustentável (2013).
4.2.3 Adensamento urbano
O adensamento urbano ganhou força nos anos 60, pois o Estado brasileiro
passou a financiar incorporação imobiliária com financiamento público através do
Banco Nacional de Habitação (BNH) pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) dos trabalhadores, facilitando assim, o repasse à classe média.
Segundo Nucci (2008), algumas consequências do adensamento urbano
apontadas, através da comparação de diferentes estudos, causam inúmeros
problemas:
a) aumento da impermeabilização do solo;
b) crescimento da densidade populacional;
c) aumento do tráfego e da especialização das ruas;
d) maior concentração populacional e a consequente criação de espaços
“mortos” ao uso em áreas internas às quadras;
e) sobrecarga de diferentes infraestruturas como viária, sanitária e energética;
f) favorecimento de microclima específico;
g) diminuição dos espaços livres e incremento no volume construído;
h) diminuição da incidência solar e alteração na dinâmica dos ventos;
24
i) aumento da poluição dos corpos d’água;
j) maior produção de resíduos;
k) maior escoamento superficial de águas pluviais (runoff);
O aumento das sombras com a verticalização das moradias que os prédios a
beira mar causam, diminui a radiação solar afetando toda área costeira, esse fato
vem acompanhado do adensamento populacional e consequentemente maior
demanda em saneamento básico, serviços de saúde, transporte público e a
necessidade de espaços para atividades recreativas.
Nucci, que é um crítico da pressão das construções em altura sobre os
espaços abertos, recomenda que a verticalização tenha um limite no quarto
pavimento, com bloqueio do avanço dos espaços construídos sobre áreas naturais e
mais que isso, propõe a construção de jardins internos o qual acredita ser:
“[...] um benefício tanto para o seu proprietário, que tem nele um
verdadeiro espaço de repouso, quanto para os moradores dos
arredores, aos quais a área verde garante um ar mais puro, uma
melhor iluminação e uma paisagem agradável” (NUCCI, 2008, p. 43).
4.2.4 Limites de crescimento
A atenção com os limites do crescimento populacional teve início nas cidades
helênicas com os povos gregos, a intenção era de que sempre as cidades tivessem
um número de habitantes baixo para uma melhor qualidade de vida (NUCCI, 2008).
Estes limites estão voltados principalmente a aspectos estruturais, como falta de
saneamento básico, além de zonas de proteção e conservação.
No Brasil, Saturnino de Brito destacou-se como engenheiro que realizou
alguns dos mais importantes estudos de saneamento básico e urbanismo do país.
Elaborou projetos visando um crescimento harmônico das cidades. Propôs para o
município de São Paulo a implantação de parques com a preocupação do
escoamento de águas e a intenção de preservar os rios da cidade, porém opondo-se
às suas justificativas, venceu o projeto elaborado pelo engenheiro Prestes Maia,
“Plano de Avenidas”, que defendia a vontade dos proprietários e a administração do
local, proposta favorável ao crescimento orgânico da cidade. (NUCCI, 2008)
Ainda que possam ser errôneos os dados dos limites do crescimento em
Bertioga, é possível relacionar a constante pressão que as zonas urbanas, que
25
totalizam 8% do território, exercem sobre as áreas protegidas, que são habitadas
pela população de baixa renda, que residem em locais considerados impróprios,
crescendo a carência de um conjunto de serviços básicos indispensáveis a uma
cidade.
Para a delimitação do crescimento urbano, as zonas de uso mais
abrangentes da Baixada Santista, têm um Plano de Zoneamento
Ecológico-Econômico (ZEE), limitando zonas de proteção ambiental, com a
finalidade de viabilizar um desenvolvimento sustentável (SÃO PAULO (Estado),
2013).
4.3 Ocupação do solo: urbanização e turismo
Bertioga, município litorâneo colonizado pelos portugueses, participou da
construção da Baixada Santista. Como era habitado por comunidades indígenas
herdou o nome de “buriquioca”, que mais tarde foi modificado pelos portugueses,
mas cujo significado era “morada” na língua guarani e referia-se a um morro que
servia de abrigo aos macacos buriquis (SOUZA, 2008).
A expansão urbana na baixada santista enfrentou seus principais problemas
após a década de 1950, quando a atividade industrial foi instalada com um amplo
parque em Cubatão que repercutiu no crescimento da degradação ambiental, como
relata Silva et al. (2010). Neste período as atividades portuárias aumentaram, a via
Anchieta já inaugurada em 1947 facilitou o acesso à área litorânea e a construção
mais tarde da pista ascendente da Rodovia dos Imigrantes, inaugurada em 1976,
estabeleceu a Baixada Santista como polo turístico, aumentando assim a população
flutuante (SILVA et al., 2010).
A melhoria das grandes rodovias como Mogi-Bertioga em 1980, facilitou o
acesso a cidade de Bertioga, consequentemente a ampliação do turismo, do setor
imobiliário e da segunda residência, ao mesmo tempo que aumentaram as vigências
de leis ambientais impondo restrições à supressão da vegetação de Mata Atlântica,
dificultando a aprovação de novas construções. O incentivo ao turismo continua a
crescer em Bertioga até hoje, mas teve um maior desenvolvimento a partir da
década de 90, período em que a população de Bertioga chegou a aumentar 300%
(SILVA et al., 2010).
Apesar da urbanização dos municípios da Baixada Santista, Bertioga que foi
distrito de Santos até o início da década de 1990 e tinha como entrave turístico a
26
dificuldade no acesso, projetou-se como núcleo balneário principalmente após a
instalação da Colônia de Férias do Serviço Social do Comércio (Sesc) em 1948,
quando houve a ampliação do acesso, através da Rio-Santos (SP-55), Rodovia Dom
Paulo Rolim Loureiro (SP-98) e pelo ferry-boat entre Guarujá e Bertioga (SILVA,
2010). No entanto, durante muito tempo Bertioga foi vista como uma área rural
bucólica de pequeno comércio abastecido por feirantes de Santos como relata Maia
sobre a simplicidade de sua população:
A população de Bertioga, até a década de 1950, era composta por
pescadores, funcionários do serviço de balsa, representantes da
prefeitura, alguns homens trazidos para trabalharem no arruamento
dos escassos loteamentos que apareciam e por funcionários da
colônia de férias do Serviço Social do Comércio (Sesc) instalados em
Bertioga no ano de 1948. A maioria da população, no entanto,
abandonava a vila e buscava oportunidade no centro de Santos
(MAIA, 1965, apud Alves, 2009. p. 55).
Após a década de 60, o setor terciário e a construção civil tiveram grande
crescimento no litoral paulista. O turismo enquanto se consolidava como gerador de
renda, tornava-se um problema para a região. A ocupação com casas de veraneio
aumentou com os investimentos imobiliários e apesar da urbanização não ser
contínua devido às barreiras naturais escarpadas e alagadiças, muitas dessas áreas
posteriormente viraram objeto de ocupação clandestina (AFONSO, 1996 apud
ALVES, 2009, p. 51).
O incentivo ao empreendedorismo não pode relegar as políticas públicas
sociais, uma vez que as classes mais altas encontram soluções apropriadas de
sustentabilidade, enquanto a população de baixa renda arca com a precariedade de
serviços de infraestrutura, provocando um ônus ambiental com inviabilidade de
resolução sem aporte do serviço público. Atualmente é grande o crescimento de
ocupações irregulares compostas principalmente por residências de população fixa.
4.4 Legislação ambiental
Ao final da década de 70 apareceram as primeiras leis ambientais, permitindo
assim definir o bioma Mata Atlântica, dispondo as diretrizes para a preservação
vegetal nas escarpas da Serra do Mar. Em 1977 foi criado o Parque Estadual da
27
Serra do Mar (PESM), um espaço de 315.000 hectares, com abrangência de 26
municípios, sendo que no município de Bertioga essa área foi de 24.000 ha. Em
1985, oito anos passados da criação do PESM, foi tombado pelo CONDEPHAAT
uma área correspondente a 39.600 hectares no município, que se sobrepõe à área
do Parque Estadual.
Criadas com a função de proteger áreas com características naturais
relevantes e o uso sustentável de seus recursos, as Unidades de Conservação (UC)
possuem uma classificação de atividades que seguem as diretrizes definidas pelo
Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) de 2000. Nas indicadas
como Unidades de Proteção Integral são permitidos somente o uso indireto dos
recursos naturais, já nas Unidades de Uso Sustentável, que incluem a conservação
e o uso dos recursos naturais, classe cuja categoria de Parque está inserida, concilia
a presença humana nas áreas protegidas e está mais voltado à pesquisa, educação
ambiental, turismo, além da prática constante de manutenção dos recursos
ambientais renováveis.
A fim de alavancar a política ambiental, foi sancionada a Lei n° 7.661 de 16
de maio de 1988, que instituiu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC)
para integrar a Política Nacional para os Recursos do Mar (PNRM) e a Política
Nacional do Meio Ambiente (PNMA). O PNGC tem uma Comissão Interministerial
para os Recursos do Mar (CIRM), sua instância máxima de deliberação, sendo que
o responsável pela área executiva é o Grupo de Integração do Gerenciamento
Costeiro (GI-Gerco), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Outra importante regionalização no espaço geográfico paulista em relação a
gestão foi a criação das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(UGRHI), através da Lei Estadual n°16.337 de 14 de dezembro de 2016, onde 22
regiões são agrupadas segundo suas características físicas, sociais e econômicas
de uso do solo (SÃO PAULO (Estado), 2016).
Em Bertioga, a Lei nº 294 de 1998, que instituiu o Código Ambiental de
Bertioga e deu outras providências, recebeu nova redação em 9 de novembro de
2011 e definiu diretrizes para o uso adequado dos recursos naturais e contenção de
conflitos urbanos com a finalidade de um desenvolvimento sustentável (BERTIOGA,
1998b) .
Nesse contexto de melhoria gerencial, foi sancionada a Lei nº 1340 de 2019,
que instituiu o Conselho Municipal de Saneamento Ambiental e de Infraestrutura de
28
Bertioga (COMSAIB). Um órgão colegiado de caráter consultivo, criado para
participar da formulação, planejamento e avaliação da política pública de
saneamento básico do Município de Bertioga (BERTIOGA, 2019).
Visando o relevante valor ambiental, sua preservação e a significância de um
desenvolvimento sustentável, foi criado através da Lei Municipal nº 289 de 1998 o
Conselho Comunitário de Defesa do Meio Ambiente (CONDEMA) de Bertioga, órgão
colegiado, consultivo e deliberativo, que tem em sua composição representantes de
órgãos governamentais e de entidades representativas da sociedade civil
organizada e está ligado à Secretaria de Meio Ambiente do município (BERTIOGA,
1998a).
29
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS
No atual cenário global, em que discussões em prol do bem estar humano se
destacam com o reconhecimento por grande parte dos governos, que o planeta
enfrenta sérios problemas ambientais, torna-se imprescindível estabelecer uma
relação forte da sociedade com o meio ambiente, possibilitando um estilo de vida em
harmonia com a natureza, apoiado em um desenvolvimento sustentável (ONU,
2019).
No propósito de envolver a população a engajar-se nos projetos e na
implementação de tudo que abrange o meio ambiente, foi criado no município de
Bertioga o CONDEMA, órgão consultivo e deliberativo, que trabalha em parceria
com organizações da sociedade civil por meio de reuniões ordinárias para debater,
recomendar normas, planos e programas de ações ligadas à proteção do meio
ambiente e uso sustentável de recursos naturais. Também realiza deliberação, sobre
todo e qualquer projeto no âmbito ambiental.
A eficiência singular da sociedade civil em mobilizar pautas e pessoas,
influenciando assim, na definição de prioridades é destacada por Gondim (1988),
que ressalta a importância da mobilização dessas entidades representativas por
meio de segmentos organizados, que proporcionam condições favoráveis no
planejamento e desenvolvimento de políticas públicas.
Tendo em vista o valor da conscientização ecológica, adquirida por meio de
discussões públicas e transparentes com a presença de múltiplas instituições,
considerou-se relevante o conteúdo das atas das Reuniões Ordinárias do
CONDEMA para este estudo.
No dia 24 de novembro de 2020, um dos componentes do CONDEMA, o
representante do Movimento Salve o Itapanhaú, informou que a população do
município de Bertioga havia aumentado durante a pandemia de COVID-19. Em
virtude disso, representantes do Conselho, solicitaram junto aos órgãos competentes
os indicadores na área de saneamento, que possibilitasse a análise do
abastecimento e o consumo de água no município de Bertioga para a comparação
entre os anos de 2019 e 2020, com o propósito de acompanhar o monitoramento da
gestão dos recursos hídricos e a possível mudança nos padrões estabelecidos
anteriormente (CONDEMA, 2020a).
30
Desta forma, em nova reunião no dia 15 de dezembro de 2020, foram obtidas
informações para a comparação das referências existentes. A Associação dos
Amigos da Riviera de São Lourenço (AARSL), área responsável pelo bairro de
mesmo nome, cujo tratamento e distribuição de água é particular, informou que
houve um aumento no período de 2019 comparado a 2020 de aproximadamente
42% na população, considerando o cálculo do consumo médio de 280 litros de água
por habitante (CONDEMA, 2020b). A análise dos dados obtidos através do volume
de água medido pelos hidrômetros é exaltada por Zuanazzi e Bartels (2016) em
pesquisa de estimativa para população flutuante no litoral do Rio Grande do Sul, em
que afirmam não haver variável com melhor padrão para este uso.
Já os dados comparativos de consumo de água da SABESP, responsável
pelo subsistema público, referente aos meses de março a outubro dos anos de 2019
e 2020, revelaram ligeiro aumento a partir de maio e elevação na média de gasto no
mês de setembro, sem explicação oficial para este fato. Neste intervalo também
houve grande queda da tarifa comercial e pequeno aumento da tarifa residencial
(SABESP, 2020).
Bertioga é uma cidade litorânea com muitos imóveis de veraneio e frequentes
oscilações na demanda de água com aumento principalmente durante os meses de
verão, consequência da população flutuante. Apesar dessa instabilidade ocorrer nos
meses de verão, no ano de 2020 o município apresentou uma mudança atípica no
consumo de água, uma vez que neste período iniciou a pandemia de COVID-19,
doença infecciosa de alta transmissibilidade, que surgiu como um surto de
coronavírus na cidade chinesa de Wuhan e rapidamente teve uma disseminação
internacional, aparecendo assim em vários países e regiões do mundo (OPAS,
2020).
A COVID-19 foi caracterizada como pandemia no dia 11 de março de 2020
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), acontecimento que modificou os
hábitos de toda população mundial. Documentos técnicos foram desenvolvidos para
orientar estratégias e políticas para controle da pandemia e desta forma os
municípios estabelecerem protocolos para a prevenção da disseminação do vírus
(OPAS, 2020). O distanciamento social foi apontado como uma das principais
orientações a seguir, impactando demasiado a vida em sociedade e assim, alguns
desafios tiveram que ser enfrentados, como o encerramento temporário das
atividades comerciais não emergenciais, proibição de aglomerações, acesso às
31
praias e atividades externas, além da necessidade de ajuste para muitos
trabalhadores na forma laboral, que passou de presencial para home office,
denominação muito usada no Brasil para se referir ao trabalho feito em casa.
Segundo o IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) COVID
19, no período da primeira semana de junho de 2020, aproximadamente 8.9 milhões
de trabalhadores exerceram atividade remota (2021).
O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação (TIC)
possibilitaram um aumento no nível de autonomia do trabalhador, flexibilizando as
formas de desempenhar as atividades e permitindo que elas pudessem ser
realizadas em qualquer lugar sem prejuízo de desempenho. Esta maleabilidade de
local possibilitou vislumbrar novas alternativas no desempenho das atividades
laborais. (MENDES; HASTENREITER FILHO; TELLECHEA, 2020).
5.1 Resultados: impactos do aumento da população
O ambiente frágil do município de Bertioga, tornou-se fortemente impactado
no período da pandemia, sofrendo ainda mais pressão decorrente da falta de
infraestrutura devido ao crescimento no fluxo de pessoas, maior entrada de
mercadorias e aumento na geração de lixo, resultando em uma situação perigosa.
De acordo com Nucci (2008), a concentração da população leva os municípios a
apresentarem características que podem influenciar nas necessidades básicas para
a sobrevivência humana, como a água, o ar e o espaço, interferindo assim, na
qualidade de vida. Desde o início da pandemia, o município também totalizou 5.676
casos de coronavírus, segundo o balanço epidemiológico da Prefeitura de Bertioga
do dia 13 de julho de 2021, sendo 2.430 casos ocorridos até o dia 31 de dezembro
de 2020 (BERTIOGA, 2021).
O investimento em água, saneamento e higiene que já era uma prioridade,
torna-se ainda mais importante num cenário como o atual, aspecto que o CBH-BS,
aborda com clareza:
Apesar deste Relatório de Situação ser referente ao ano base 2019
[...] destaca-se que atualmente (em 2020) surgem novos desafios na
área dos recursos hídricos, relacionados à pandemia do novo
coronavírus (COVID-19) e as medidas para conter a disseminação
do vírus. É fato que essa pandemia tem mudado o hábito e a vida
das pessoas, e tais mudanças podem alterar diretamente nos
padrões de consumo de água, assim como a qualidade das águas.
32
Nesse sentido, o CBH-BS precisa acompanhar e monitorar essas
alterações nesses padrões (CBH-BS, 2020, p. 59).
5.2 Urbanização e poluição
A urbanização e a industrialização estão diretamente relacionadas à
concentração da população, o que por sua vez causa maior pressão a natureza,
mudando drasticamente recursos que são naturais, tais como solo, a água, o ar e
principalmente a biota local, levando ao comprometimento da qualidade de vida de
todos os habitantes.
O desenvolvimento turístico com especulação imobiliária, estimula o avanço
da urbanização principalmente nas áreas costeiras, apesar da preocupação de
manter a qualidade paisagística das praias, as ocupações de pessoas de baixa
renda sobre áreas frágeis como restinga, mangue e cursos de água, podem gerar
alterações ambientais, uma vez que esses problemas habitacionais contribuem para
a supressão de vegetação, aumento da produção de resíduos sem adequado
destino, maior demanda em saneamento básico, diminuição na vazão hídrica e
dispersão de poluentes (ALVES , 2009).
33
Mapa 6 - Habitações Irregulares
Fonte: Sabesp- Abastecimento público de água e esgotamento sanitário. Anexo I .Plano de
Metas 2018-2047. Município de Bertioga.
5.3 Saneamento ambiental
O abastecimento de água e o saneamento, serviços fundamentais a serem
oferecidos, tornam-se essenciais num momento como o atual de pandemia, cuja
precariedade na higiene pode deixar as pessoas em grande vulnerabilidade.
De acordo com a Fundação Nacional da Saúde (2015), a poluição do meio
ambiente na atualidade é tema relevante em todo o mundo, fato decorrente do
crescimento econômico agregado ao uso dos recursos naturais de forma
descontrolada. Na intenção de reverter esse processo, a Organização das Nações
Unidas (ONU) vem tentando proteger o planeta da degradação para atingir um
desenvolvimento sustentável. Um processo de urbanização desajustado gera riscos
e desastres, uma vez que o crescimento e a expansão urbana não se harmonizam
com o sistema natural, conforme relata Marandola Júnior (2013).
Segundo o censo de 2010, Bertioga tinha 77,1% das habitações com
esgotamento sanitário e as moradias urbanas em vias públicas com adequada
urbanização, ou seja, a presença de bueiros e calçadas pavimentadas era de 10,1%
(IBGE, 2010).
34
Atualmente, o sistema de esgotamento sanitário no município de Bertioga é
dividido em dois subsistemas: um público e um autônomo, com três Estações de
Tratamento de Esgoto (ETE). O Sesc de Bertioga dispõe de um sistema privado de
tratamento de esgoto, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
(Sabesp) é operadora do subsistema público e a Associação dos Amigos da Riviera
de São Lourenço opera uma unidade autônoma, sendo que todos realizam todos os
procedimentos necessários para o tratamento do esgoto.
Mapa 7 - Estações de Tratamento de Esgoto do Município de Bertioga
Fonte: Plano de Saneamento Básico do Município de Bertioga, 2017.
5.4 Abastecimento de água
O município de Bertioga possui três sistemas de captação e fornecimento de
água, sendo um deles operado pela Sabesp e dois por entidades particulares, a
Unidade Sesc Bertioga e a Associação Amigos da Riviera de São Lourenço
(AARLS), responsável pelo Loteamento da Riviera de São Lourenço.
A Sabesp tem cinco sistemas independentes com serviços convencionais de
Estações de Tratamento de Água (ETA) para suprir bairros de Bertioga e quatro
tanques com capacidade de reserva para 3.000 m³.
35
5.5 Balneabilidade das praias
Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que é
a agência governamental responsável pelo controle de atividades geradoras de
sujeira em zonas urbanas, balneabilidade é a qualidade das águas destinadas à
recreação de contato direto como: natação e mergulho, entre outras atividades em
que a possibilidade de consumir água é elevada. Desta forma, um adequado
esgotamento sanitário está diretamente ligado à qualidade da água do mar para uso
turístico.
Em 1968 a CETESB fez uma avaliação onde classificou as praias em próprias
e impróprias, criando um indicador básico para sua classificação, quanto à
balneabilidade em padrões sanitários de coliformes fecais, sendo esta afetada pelos
seguintes fatores:
1. Existência de sistemas de coleta e disposição dos despejos
domésticos gerados nas proximidades
2. Existência de córregos afluindo ao mar
3. Afluência turística durante os períodos de temporada
4. Fisiografia da praia
5. Ocorrência de chuvas
6. Condições de maré
De acordo com a Resolução CONAMA nº 274 de 29 de novembro de 2000,
as regiões litorâneas passaram a ser classificadas levando-se em consideração os
indicadores biológicos de poluição fecal. Segundo a CETESB, o critério para a
avaliação da qualidade das águas marinhas é a presença de enterococos, que em
densidade superior à 100 UFC/1000 ml em duas ou mais amostras de um conjunto
de cinco semanas, ou valores superiores a 400 UFC/100ml na última amostragem,
caracterizam a praia como imprópria para uso de recreação e contato primário
(CONAMA, 2001).
O litoral de Bertioga tem uma extensão costeira de 45 km segundo a Agência
Metropolitana da Baixada Santista. Situa-se na transição entre o litoral sul e o norte,
apresentando algumas planícies pequenas e praias estreitas no lado norte. Sua
metragem está dividida em 9 km de costões e 36 km de praias monitoradas pela
CETESB, conforme rígidos critérios de avaliação sanitária (Agem, 2002).
36
5.6 Resíduos sólidos
A Política Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) de São Paulo, instituída pela
Lei n° 12.300 de 2006, apresenta em sua gestão dos resíduos sólidos, foco na
sustentabilidade, preservação ambiental, e progressivo empenho na erradicação dos
aterros sanitários e em seu Artigo 5° define resíduos sólidos como “materiais
decorrentes de atividades humanas em sociedade e que se apresentam nos
estados, sólido ou semi-sólido, como líquidos não passíveis de tratamento como
efluentes, ou ainda os gases contidos” . Esta definição é muito próxima da adotada
na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei Federal nº
12.305 de 2010, Artigo 3º, compreendendo resíduos sólidos como:
[…] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de
atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se
procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos
estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em
recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu
lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou
exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em
face da melhor tecnologia disponível.
A classificação brasileira dos Resíduos Sólidos é encontrada na norma NBR
10.004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de 1987, que sofreu
revisão em 2004. Segundo esta norma, os resíduos são classificados a partir de
seus riscos ao meio ambiente e à saúde. Outra classificação muito usada é nas
atividades de origem dos resíduos, podendo ser: industriais, hospitalares, agrícolas
e entulhos. Neste trabalho priorizou-se o levantamento dos Resíduos Sólidos
Urbanos (RSU), derivados de atividades domésticas, comerciais, de serviços e de
limpeza urbana, esta última corresponde ao poder público, gerada por limpeza de
ruas, parques e praças, praias e feiras livres (CARVALHO; OLIVEIRA, 2010).
Em 2017 foi realizada uma projeção média de geração de resíduos para os
próximos 20 anos, a fim de planejamento de custos. Desta forma, a projeção para o
ano de 2020 chegou a 34.904,01 toneladas por mês. O cálculo não considerou os
meses de alta temporada ou o possível aumento de resíduos devido a pandemia
(BERTIOGA, 2017a).
A escassez na coleta e a destinação errada do lixo, deprecia áreas e diminui
espaços habitáveis, origina consequências negativas para o meio ambiente com a
poluição e a obstrução dos cursos d’água. A população também é prejudicada, pois
37
sofre com o acúmulo dos resíduos, pois o ambiente torna-se esteticamente
desagradável, há mau cheiro, proliferação de insetos, roedores e doenças por
contato direto e indireto (NUCCI, 2008).
Os serviços de limpeza urbana foram outorgados à empresa Monte Azul,
sendo a fiscalização de responsabilidade da Secretaria de Serviços Urbanos. O
município não possui serviço de tratamento de resíduos orgânicos e seu primeiro
Centro de Gerenciamento e Beneficiamento de Resíduos iniciou suas atividades no
ano de 2015. Os Resíduos Sólidos dos Serviços de Saúde do município são
incinerados, enquanto seus Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) são dispostos em um
aterro sanitário de Santos, cuja disposição gera passivos ambientais e a vida útil é
limitada (SSE-SP, 2010).
A destinação dos RSU de Bertioga acontece em conjunto com outros
municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista, eles são coletados,
encaminhados e depositados no Aterro Sanitário Sítio das Neves, que está
localizado na Área Continental do município de Santos, espaço onde funciona o
Centro de Gerenciamento de Resíduos Terrestre e Ambiental. O aterro possui todas
as licenças ambientais e atua dentro dos padrões estabelecidos pela CETESB. Este
aterro recebe não somente o lixo de Bertioga, mas também de Cubatão, Mongaguá,
Guarujá e Praia Grande, sendo os resíduos de São Vicente e Itanhaém depositados
no Aterro Lara, no município de Mauá. Somente Peruíbe destina seus resíduos em
aterro controlado pelo próprio município.
O Aterro Sítio das Neves é administrado pela empresa Terracom e recebe
cerca de 1.200 toneladas diárias de resíduos, quantidade duas vezes maior do que a
projetada no início das operações do aterro em 2002, diminuindo assim sua vida útil
estimada em 20 anos (SSE-SP, 2010). O transporte dos resíduos de Bertioga para o
descarte, requer longas viagens, sendo a distância rodoviária do transbordo
municipal até o aterro aproximadamente 32 km (ver Mapa 7).
38
Mapa 8: Destinação dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) de Bertioga
Fonte Plano Regional Integrado de Saneamento Básico para a UGRHI 7 - Baixada Santista
(SSE-SP, 2010).
O Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos (CETESB, 2020)
levantou o Índice de Qualidade de Resíduos (IQR), classificou os municípios de São
Paulo em adequados e inadequados e estimou a quantidade de resíduos gerados
com base na relação entre população e índice de produção de resíduo por habitante,
sendo Bertioga um município considerado adequado. Segundo o estudo, Bertioga
produziu uma média diária de 45,60 toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos entre
os anos de 2011 e 2016. Durante todo o ano de 2016 foram gerados em Bertioga
29.260,13 toneladas de Resíduos Sólidos Domiciliares, com concentração no mês
de janeiro, quando a população flutuante supera a população fixa (ver Gráfico 1).
39
Gráfico 1: Resíduos Sólidos Domiciliares em 2016 - Bertioga, SP.
Fonte: Banco de Dados Ambientais de Bertioga (BERTIOGA, 2017a).
A utilização dos aterros sanitários como saída para a destinação dos resíduos
urbanos, deixa passivos ambientais, já que seu uso está atrelado à sua vida útil e
estes ligados não somente à própria deposição dos resíduos, como também à
lixiviação de material contaminante para os cursos d’água. A disposição inadequada
de resíduos domésticos e da construção civil nas margens dos rios, evento que afeta
o meio ambiente, ocorre como resultado da administração pública que não oferece
serviço de coleta de resíduos volumosos e de forma abrangente. Segundo o IBGE
(2010), cerca de 44% das favelas não possuíam coleta de lixo, sendo as más
condições viárias o maior dificultador do serviço, favorecendo o acúmulo de resíduos
e riscos para a saúde e o meio ambiente.
As alterações nas formas de produção de materiais e o consumo desmedido
das pessoas, consequência do desenvolvimento econômico, urbanização e
revolução tecnológica, conduz a um processo de ascensão na produção de resíduos
sólidos em número e diversidade, geração estimada em 1 Kg por habitante por dia,
como destaca Gouveia (2012).
A formulação de políticas públicas com enfoque na sustentabilidade torna-se
imprescindível no momento atual, pois o manejo inadequado dos resíduos pode
gerar impactos ambientais e na saúde da população. Ações que contribuam na
40
mitigação de mudanças climáticas relativas à atividade humana, ajudarão no
desenvolvimento da proteção dos ecossistemas (GOUVEIA, 2012).
O Plano Gerencial para Resíduos Sólidos do Município de Bertioga (2016),
denominado Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS),
estabelece estratégias e ações que visam o gerenciamento sustentável a nível legal,
social e ambiental dos diversos tipos de resíduos gerados no município. Ele abrange
também um processo de inclusão social, através da implantação do sistema de
reciclagem com indicadores econômicos e atividades educativas e mobilização
social com enfoque no processo de segregação na fonte geradora.
5.7 Águas pluviais urbanas
As águas pluviais vem diretamente da coleta de água das chuvas em locais
urbanizados, e não tem como propósito o consumo humano, mas pode ser tratada e
destinada a rede hídrica. Seu principal objetivo consiste em evitar que ocorram
alagamentos em áreas urbanas. A falta da capacidade de escoamento nos canais é
uma realidade que pode interferir no esgotamento sanitário, contribuindo para isso
está o lixo que muitas vezes é descartado de maneira incorreta dentro dos canais de
drenagem. Essa situação não é incomum diante das populações que residem em
locais sem saneamento básico, com o esgoto conectado às redes, porém sem a
adequada drenagem (ALVES, 2009).
Com o aumento da população Bertioga pode exceder os problemas de
alagamento já existentes. O município de Bertioga possui um Plano Diretor de
Macrodrenagem de Bertioga, que auxilia financeiramente as necessidades de zonas
com estruturas prioritárias e estabelece medidas a longo prazo, mesmo assim não
há nenhum Plano Diretor de Drenagem para a cidade (SSE-SP, 2010).
5.8 Áreas de risco
Áreas de riscos são regiões em que processos naturais apresentam riscos à
vida, sendo assim não é recomendável a construção em tais áreas. Elas podem
ocorrer tanto por interferência humana, quanto por causas naturais como raios,
furacões, tempestades e processos geológico-geomorfológico como deslizamentos e
erosões.
Segundo os estudos feitos na região Metropolitana da Baixada Santista em
2002 pelo Programa Regional de Identificação e Monitoramento de Áreas Críticas de
41
Inundações, Erosão e Deslizamentos (PRIMAC) e pelo Instituto de Pesquisas
Tecnológicas (IPT) em 2014, estudos estes com intervalo de 12 anos entre eles, as
áreas de risco modificaram-se com o tempo. No estudo de 2002 feito pelo PRIMAC
(2002) havia 18 áreas de risco de inundações, três dentre elas ofereciam perigo a
residências, uma área com risco de erosão pela chuva e uma área com risco de
deslizamento. Já no estudo realizado em 2014 pelo IPT (2014), não foram
encontradas áreas de risco de deslizamento, somente áreas de risco de inundações.
Mapa 8 - Zonas de risco ambiental, Bertioga
Fonte: Google Earth e Malha Digital do IBGE - Censo Demográfico 2000.
5.9 Enchentes e inundação
No Brasil, segundo dados do último censo de 2010 do IBGE , 84,4 % da
população vive em zonas urbanas (IBGE, 2010). Essa concentração populacional no
território urbano, nem sempre foi preocupação para um adequado processo de
ordenação do solo e correlata política habitacional, resultando por isso, em inúmeros
problemas aos habitantes da cidade, como déficit de moradias, falta de
infraestrutura, desemprego, carência de serviços de saúde e educação, suscitando
na perda da qualidade e condições dignas de vida para muitos, com exclusão e
segregação espacial e social.
As planícies costeiras são constituídas por áreas baixas, aumentando assim a
possibilidade de inundações. Segundo Ross e Moroz (1997, p. 52), essas terras
42
"possuem potencial de fragilidade muito alto por serem áreas sujeitas a inundações
periódicas, com lençol freático pouco profundo e sedimentos inconsolidados sujeitos
a acomodações constantes”.
As cheias são o aumento do nível da água até a cota máxima que seria a
vazão, já as inundações correspondem ao extravasamento da água, devido ao seu
grande acúmulo em terrenos com drenagem deficiente. Fenômenos
hidrometeorológicos iguais aos descritos acontecem tanto por fatores naturais
quanto por causas humanas, podendo ser frequente por chuvas intensas (SMA,
2012). Os pontos de inundações e enchentes em Bertioga, têm como característica
locais como a beira do rio Itapanhaú, onde moradias estão expostas não somente
aos riscos das chuvas, mas também a alta das marés.
Figura 4 - Perfil de enchente e inundação.
Fonte: IPT, 2014
5.10 Deslizamento
Vistos como processos naturais de movimentos gravitacionais de massa, os
deslizamentos também chamados de escorregamentos ou rupturas de taludes,
podem apresentar diferentes geomorfologias condicionadas pelos seus aspectos
naturais, como forma de relevo, tipo de rocha, vegetação e dinâmica hídrica
(CUNHA, 2018).
Apesar da proximidade com a costa oceânica, a declividade das escarpas e a
alta precipitação pluvial em Bertioga, no mapeamento de áreas de risco alto e muito
alto, a cidade não apresentou deslizamentos segundo o levantamento feito pelo IPT
(2014), isso se deve ao fato das ocupações de Bertioga se limitarem à planície
costeira, no entanto, riscos de deslizamentos sempre existe, uma vez que eles estão
43
associados às declividades como as encontradas no relevo da Serra do Mar e as
populações que ocupam as imediações de áreas de morros.
5.11 Pandemia
A pandemia pelo novo coronavírus gerou uma crise sanitária que despertou
novos hábitos. As pessoas tiveram que se adequar a novas rotinas de trabalho
remoto e a moradias com incorporação de conforto e tranquilidade. O
distanciamento social foi incluído como item necessário e indispensável, visto que a
COVID-19 é uma doença altamente transmissível e protocolos sanitários de
isolamento tiveram que ser impostos, levando pessoas de todas as idades a
diversas alterações em sua saúde mental (REIS, 2020).
Segundo Bezerra (2020), o convívio social foi o aspecto que mais atingiu as
pessoas com maior escolaridade e renda, 45,8% durante a pandemia. Efeitos
psicossociais devido ao distanciamento social surgiram ou se intensificaram dentro
do ambiente familiar como indica Rocha (2021), mas em estudo que analisou
indivíduos com moradias voltadas a áreas abertas, relatou que em 63%, o fato das
pessoas conviverem em um espaço externo, colabora muito no próprio bem estar
nesse momento de afastamento do convívio social. Já os praticantes de atividades
físicas foram os que apontaram os menores níveis de estresse, 13%, assim como
uma melhora na qualidade do sono, 50,3% dos entrevistados por Bezerra (2020).
Dentro deste contexto vieram as mudanças comportamentais e profissionais.
O uso da tecnologia no trabalho unido à segurança e a produtividade, possibilitou às
pessoas manterem a renda ao se adaptarem no universo online, aproveitando o
prazer de estar em um lugar agradável num tempo maior com a família. Alves
expressa claramente essa realidade “A natureza como cenário e ambiente agradável
para a fruição é o principal fator de atração para Bertioga” (2009, p. 113).
44
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
. A necessidade de se conhecer o impacto causado pelo aumento no número
de pessoas, que se deslocaram para o município de Bertioga no período da
pandemia de COVID-19, está ligada à elevação no consumo de serviços de toda
espécie na cidade, principalmente a água.
Como não se tem informações sobre esse processo migratório, que pode ser
considerado “pendular”, dado que o período de permanência no lugar de destino é,
em geral, incerto pela situação da pandemia, a metodologia usada para estimar o
volume destes migrantes teve que lançar mão de variáveis sintomáticas.
Essas variáveis poderiam ser de diversas naturezas considerando, por
exemplo, o aumento da produção de resíduos sólidos, porém o que se dispôs com
maior fidedignidade foram os dados de fornecimento de água, o qual foi utilizado
neste trabalho.
Todos os dados referidos no atual trabalho levam a crer que o período de
pandemia fez com que aumentassem o número de pessoas trabalhando dentro da
própria casa, sendo assim, possível trabalhar em qualquer cidade. Em busca por
qualidade de vida, muitas pessoas procuraram Bertioga, uma cidade praiana para
residir. A cidade não tem infraestrutura para receber um aumento de população tão
grande em pouco tempo, isso acarreta em possíveis impactos, prejudicando a todos
os moradores ou turistas. O principal impacto é no saneamento básico que
infelizmente não é possível atender toda a população.
Finalmente, a validade dos dados citados poderá ser questionada quando se
dispuser de resultado do próximo Censo Demográfico, cujo dado confirmará ou
corrigirá as estimativas aqui obtidas.
45
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