“Mãe cansada não está
cansada de ser mãe”
Se você chegou até aqui, é porque está cansada.
Deve estar pensando que não dá conta, que chegou ao
seu limite, que não aguenta mais. Parabéns! Você está no
lugar certo.
Antes de mais nada, precisamos esclarecer um
ponto: este não é um tratado ou tese a respeito do
cansaço materno. Não é um livro teórico ou psicológico.
Você tem em suas mãos as confissões de uma mãe que
já se sentiu inúmeras, ou até incontáveis vezes, cansada.
São reflexões colhidas aqui e acolá pela vida, dessa e
daquela ideia, que ajudaram a mãe-cansada a passar
pelas fases de “não vou dar conta”, “cheguei ao meu
limite” ou “não aguento mais”.
Este é um pequeno livro escrito por
uma mulher que já se sentiu pequena
demais para a tarefa da maternidade. O
desejo de escrevê-lo surgiu ao perceber
que o CANSAÇO é o sofrimento mais
relatado pelas mães e cada vez mais tem
se tornado motivo de sofrimento psíquico.
O e-book em suas mãos apresenta
um outro olhar sobre o cansaço materno,
busca sua gênese, suas origens, e dá
dicas concretas para lidar com ele. Aqui,
você vai descobrir os quatro erros mais
comuns que geram e mantêm o ciclo
vicioso de falta de tempo, cansaço,
frustração e culpa.
02
Pode ser que se torne um manual de sobrevivência da
mãe-cansada, mas não é autoajuda, porque o que mais vai te
ajudar é autoconhecimento. Afinal, tudo que lhe ajudar a se
conhecer melhor, lhe ajudará a ser uma mãe melhor.
É domingo (na verdade já é segunda, pois
passa da meia-noite). Ela está escorada ao balcão da
cozinha tomando bem lentamente seu café com leite
quente, como a saborear o silêncio da casa e a
sensação boa que sente ao ver as coisas organizadas.
Não consegue saborear seu bem-estar por
muito tempo, logo se lembra de algumas coisas
que estão por vir na semana que inicia e sente
uma ponta de tristeza. Talvez não seja exatamente
tristeza, por que consegue sorrir ao colocar os
olhos na parede branca com manchas de canetinha
riscadas pelo caçula. “Preciso agendar a revisão no
pediatra para ele...” Pensa ela, já sabe que a
angústia maior virá com a saúde da
adolescente, que parece muito ansiosa
nos últimos dias.
Antes de entrar para seu banho,
a última revisada na sala: tudo mais
ou menos ok, deixa para amanhã o
que pode esperar. Na intimidade do
banheiro, percebe que precisa depilar
as pernas, mas decide deixar para
outro dia em que possa demorar mais
no banho. Encerra a ducha mais rápido,
pois teve a impressão de ouvir um choro.
“Minha cabeça não anda boa” pensa ela.
03
Vai saindo do banheiro e deixando tudo
organizado para o dia seguinte, lembra de
lavar as meias dos meninos enquanto põe as
roupas no cesto, confere papel higiênico e
toalhas. Volta para verificar as portas. Apaga
as luzes. Cobre o menino que está encolhido
no canto da cama. Fica a espreita para
perceber se o mais velho já foi dormir.
Lembra que não tirou a carne de amanhã
para descongelar, tenta fazer isso sem muito
barulho. Confere a hora e pensa: “vou
aproveitar para trocar a fralda do bebê e dar
de mamar agora, assim não interrompe meu
sono daqui a pouquinho”.
Pronto, deitou, terminou
o dia. Encosta os pés gelados
no marido, ele se ajeita ao
redor dela dando um beijinho
na orelha e pergunta baixinho
se ela está bem, se está tudo
bem. Ela, hesitando, percebe
a verdade: “só estou cansada”.
04
SUMÁRIO
Cap. 01 Ser mãe é exigente....... 06
>> Dom de Deus
Cap. 02 O Cansaço......................10
>> Gênese de nosso cansaço
>> Como combater a preguiça
>> Falta de energia
Os erros que perpetuam
Cap. 03 o ciclo vicioso ................ 18
>> Querer dar conta de tudo
>> Perfeccionismo
>> Controladora
>> Desordem prática
Cap. 04 Aprenda a descansar..... 36
Cap. 05 Sentido espiritual........... 40
CAPITULO 1
Ser mãe é
exigente
Ser mãe é exigente
Se pudéssemos sair um pouco do turbilhão de coisas a fazer, problemas a
resolver... Distanciarmos o olhar do burburinho e observar por sobre tudo isso, o que
poderíamos descobrir ou lembrar? Quando eu consigo me distanciar e “sobrevoar”
minha vida, me deparo com o grande dom que a própria vida é. Percebo que,
enquanto mãe, fui convidada a colaborar com este grande mistério de amor que é a
vida, tanto ao gerar quanto ao cuidar.
Muitas vezes, absorvidas pelo cotidiano e pelas tarefas e deveres, perdemos
de vista a complexidade e o mistério de nossa tarefa materna. Talvez por ser
corriqueiro o cuidado com os filhos, esquecemos que se trata de uma grande tarefa,
até mesmo uma missão. Vivemos atarefadamente esquecendo a beleza escondida na
maternidade.
Embora a maternidade seja natural, não significa que seja espontânea. O que
quero dizer com essa afirmação? É próprio da natureza feminina gerar a vida em si,
gestar, portanto natural. Mas a maternidade, que é mais
que gestar, torna-se uma tarefa a se realizar. Quero
deixar claro que ser mãe exige muito mais do que
brincar de casinha, vai além de engravidar e parir;
ser mãe é também responsabilizar-se pela vida
indefesa que nos foi confiada, para que dela se
constitua a melhor pessoa possível, da semente
que nos é dada fazer germinar todo o seu potencial
– isso, fomos colaboradoras para que a serzinho que
acolhemos como dom se transforme na melhor
pessoa que ele pode ser!
A maternidade só é própria das mulheres
maduras – aliás, toda mulher madura é mãe,
mas essa é uma outra conversa para um
próximo e-book. A mulher torna-se mãe não
simplesmente quando engravida, mas quando
toma para si a tarefa de maternar: cuidar,
07 acolher e nutrir a vida.
Ser mãe é exigente
A mãe colabora não só com o desenvolvimento físico (na gestação, por
exemplo), mas também, e na mesma importância, com o desenvolvimento
humano: formar pessoas! A “maternagem” não se dá de modo espontâneo: a
mulher precisa amadurecer para que seja capaz de sacrifícios em prol do outro
e dos pequenos outros que dependem dela. Precisa abrir mão de si mesma, do
seu tempo, às vezes de seus desejos, projetos. Precisa sair de si e das suas
comodidades.
A maternidade humana é uma tarefa exercida sob a razão e a vontade.
Não é instintiva como a ‘maternidade’ dos animais (como a dos mamíferos).
Bebês humanos precisam mais que comida, higiene e calor para tornarem-se
homens e mulheres. Para desenvolver pessoas humanas, é preciso o
empenho de outra pessoa humana. Por isso, a maternidade é uma tarefa
complexa e exigente.
Naquela noite eu chorei. Talvez por não conseguir fazê-lo dormir no
berço, já que ele acordava a cada tentativa, voltando ao colo. Talvez porque
tinha dor e queria tanto ficar quietinha num cobertor. Talvez por medo de estar
fazendo algo errado, muito errado. Por fim, a noite acabou, sobrevivemos e o
dia chegou. Agora ele ressona tranquilo, sereno e rosado.
Impossível não suspirar fundo ao olhá-lo, ou sorrir ao perceber o leve
tremor nos seus lábios pequeninos de recém-nascido. Embora tenha algumas
coisas a providenciar estou hipnotizada por ele: quem é ele? Como será? O
que será capaz de fazer? Que missão receberá da vida? Como será o som de
sua risada?... Não consigo parar de me maravilhar com o dom da vida
presente ali: uma semente. De súbito um frio na barriga me invade: tudo isso
foi confiado a mim!
08
Ser mãe é exigente
DOM DE DEUS
Creio que Deus é o Senhor da vida e o homem a obra-prima de sua criação.
Não há vida humana sem um querer de Deus. Dessa forma, há maior graça que
participar da criação desta vida humana, tão amada e querida por Deus?
Tal graça é concedida ao homem e à mulher que, em comunhão, recebem o
dom de participar da criação, concebendo seus filhos. Deus nos confia seu bem mais
precioso. Entrega a nós seres pequenos e indefesos, dependentes... e solicita nossa
colaboração neste projeto: educar pessoas (almas eternas!). Que tarefa grandiosa.
Uma tarefa desse porte é, consequentemente, uma tarefa exigente.
Qual o valor da vida humana? Quanto vale a vida de seus filhos? É este o valor
e, portanto, o custo da missão, da tarefa da maternidade e paternidade. Este é o
preço a pagar.
A responsabilidade que recaí sobre os ombros dos pais (pai e mãe) não é
apenas a de garantir a subsistência dos filhos – protegendo de perigos e alimentando.
É a responsabilidade de participar na criação de Deus forjando a pessoa, caráter,
valores e ensinando-lhes a fé. Nessa missão, homem e mulher, pais e mães,
colaboram entre si, mas com papéis distintos.
Sorte nossa que Deus costuma amparar aqueles que chama à missão, dando-
lhes as condições necessárias para que aprendam e realizem a missão dada. Por
isso, fiquemos tranqüilas. Somos chamadas a uma missão complexa e exigente, até
mesmo grandiosa; mas contamos com o auxílio da destra divina que, nos
recomendando tal tarefa, nos ajuda a realizá-la.
A maternidade é uma tarefa que realizamos não na força de nosso próprio
braço, embora nosso empenho seja importante e necessário, não se resume a ele.
09
CAPITULO 2
O CANSAÇO
O cansaço
É normal e esperado que nosso físico sinta necessidade de descanso, afinal,
exigimos do corpo energia para realizar algo. Após um longo dia de trabalho, é normal
que se sinta cansaço, pois usamos os braços, as penas, os olhos, a fala, os
pensamentos... a serviço de alguma tarefa que nos foi dada. Cansei, por que me
gastei, dei de mim mesma para a tarefa.
Seria possível realizar a tarefa da criação e educação dos filhos (tarefa
grandiosa, como já vimos) sem que nos cansemos? Seria possível dar a nossa vida
em prol de um projeto, sem se cansar nele, sem se gastar?
Todavia é comum que se coloque na “conta” do cansaço outros sentimentos e
emoções. Isto é, misturamos a experiência, a sensação de canseira, com alguns outros
fenômenos internos que, para nós, talvez sejam mais difíceis de identificar e nomear. É
comum que confundamos, chamando de cansaço, o desânimo e a frustração, por
exemplo. Nessa nossa experiência subjetiva de cansaço, o quanto tem de falta de
ânimo para realizar nossas tarefas? O quanto tem de frustração
por ter uma realidade que não condiz com as
expectativas ou sonhos?
Se ainda não ficou claro a distinção que
aqui precisamos fazer desses sentimentos, te
convido a lembrar da sensação de cansaço que se
experimenta após um dia maravilhoso de passeio e diversão.
Fisicamente, há a sensação de energias gastas, da
necessidade de descanso. Mas, emocionalmente,
há uma satisfação, uma alegria, um contentamento.
Aqui você consegue distinguir o cansaço
físico separadamente.
11
O cansaço
Vejamos agora outra experiência: é sexta-feira e você está desanimada, não
conseguiu realizar todas as atividades da casa que tinha pensado em fazer essa
semana, a casa não está arrumada como você gosta, há roupas para lavar e para
passar, brinquedos espalhados pelos cantos. Aqui seu cansaço está misturado à
frustração: você fez muitas coisas – talvez até mesmo não perceba ou não tenha
terminado –, mas sente a culpa e o peso de tudo que queria ter feito e não conseguiu,
de tudo que deu errado. Perceba, não significa que nessa segunda cena o cansaço
não seja real e físico, mas com certeza ele é bem menor do que parece, já que está
inflado pela frustração. É a frustração que traz esse desânimo atroz. Estar cansada
não te tira o ânimo, só te tira a energia, as forças... É o desânimo que nos priva da
vontade e nos abandona à preguiça.
Este tipo de cansaço de que estamos falando não vai embora apenas com
descanso físico. É preciso descobrir suas causas para então remediar. De onde nasce
nosso cansaço?
Todas as semanas ela começa a consulta dizendo que está cansada. E vai desfiando o
rosário de lamentações de tudo que deu errado nos últimos sete dias: gritou e discutiu com a mais
velha por que não suporta que a menina esteja sempre grudada ao celular, depois acabou
discutindo com o marido – meio disfarçado, na frente das crianças – por que ele estava
defendendo a filha. Mais de 15 minutos foram de reclamações sobre o pequeno que passa a noite
mamando, que só dorme com ela e que faz um escândalo para ficar na escolinha. No meio das
reclamações, começa a chorar. Não sabe bem por que, só diz que está cansada dessa confusão
toda. O roteiro de reclamações sempre conta com implicâncias com o marido, dizendo “ele não
entende” e “ele não ajuda”. Somado a isso, relata algumas dificuldades com a sogra e cunhada.
A psicóloga já mapeou o problema principal (e não é cansaço): sua paciente precisa
reorganizar o dia a dia para reencontrar a maternidade. Mas a profissional não pode dizer assim
diretamente, ela tem um plano para ajudar a cliente enxergar isso sozinha. O primeiro passo é tirar
essa mãe da posição de vítima do cansaço, de pobre coitada assolada pelo mundo... É fazê-la
perceber que ela deve tomar a sua vida em suas próprias mãos para fazer dela o melhor que
puder... A cliente precisa entender que a mudança começa nela e depende dela.
12
O cansaço
GÊNESE DO NOSSO CANSAÇO
Qual a origem e quais os agravantes da nossa experiência de cansaço? Para
encontrar maneiras de lidar com esse sentimento, faz-se necessário entender o que
está acontecendo para que ele exista.
Antes de mais nada, precisamos avaliar se de fato temos um nível de tarefas e
afazeres que estão acima de nossas forças e energia. Algumas vezes, assumimos
responsabilidades que não nos cabem, ou não temos condições de lidar, ou até
mesmo resolver. Outras vezes, carregamos como nossas as responsabilidades e
preocupações que são de um grupo ou de outras pessoas com os quais nos
importamos. Ainda, é importante que se diga, assumimos mais compromissos e
responsabilidades que nossa agenda permite ou as horas do dia possibilitam. Quero
dizer que é possível que nos sobrecarreguemos a nós mesmas, sem saber dizer não
a algumas demandas que vêm de fora, o que leva a negligenciarmos os deveres
próprios e nos causa culpa ou frustração, pois acabamos por não realizar bem
nenhum desses papéis.
Se a conclusão a que se chega é de que os afazeres não são exigentes ou
extenuantes, isto é, incapazes de gerar tamanho desgaste de energia, o cansaço tem
mais a ver conosco que com as tarefas em si. É muito plausível que a gênese da
experiência de cansaço seja a preguiça ou o egoísmo.
Tenho certeza que ao ler a última frase você fez cara feia para mim: como
assim preguiçosa e egoísta? Eu que passo o dia fazendo coisas para meus filhos e
marido? Pois é, além de preguiçosas e egoístas somos muitas vezes orgulhosas
também e não queremos reconhecer tais defeitos. Mas o que seria essa languidez,
esse cansaço que nos chega antes mesmo de iniciar a tarefa, que não fosse
preguiça? O que seria esse desejo de ficar sozinha, quieta, paradinha, sem ser
incomodada, senão egoísmo?
13
O cansaço
GÊNESE DO NOSSO CANSAÇO
Desfaça a imagem ilusória de que o amor materno é automático, além de
angelical e perfeito – vem pronto. Pare de acreditar que, ao tornar-se mãe, você foi
equipada com tal amor, como se fosse um aplicativo que pudesse apenas atualizar.
Não é por que nos tornamos mãe que nossos defeitos, tendências, vícios e
concupiscência deixaram de agir em nós. Se é certo que há uma graça especial
concedida às mulheres para exercer a maternidade, também é certo que essa graça
dá as condições para que lutemos contra tais inclinações más... Mas não instala
nenhuma super capacidade de amar.
Mães também são preguiçosas, egoístas e orgulhosas. Eu sou. Percebo a
maternidade justamente como a estrada em que posso trilhar o caminho de doação,
de saída de mim e de serviço. É nas exigências cotidianas de saída de mim que
enfrento o egoísmo, é nessa doação que venço a preguiça, é no serviço que aprendo
a dominar meu orgulho.
Enquanto não reconhecemos esses aspectos obscuros em nosso modo de ser
mãe, daremos socos no ar tentando dar conta de tudo, vivendo a frustração de não
conseguir e cansadas de tudo e de todos. As situações que enfrentamos dia após dia
para cuidar e educar filhos, afazeres da casa e tudo o mais não estão aqui para nos
esgotar emocionalmente, pelo contrário! Estão aqui para que possamos, assumindo
nossa missão materna, buscarmos com elas sermos melhores a cada dia. É na luta
contra as sombras que nos tornaremos virtuosas.
Mas preciso que você entenda a preguiça não como simples “não tenho
vontade de realizar tarefas chatas”. Preciso que perceba que a preguiça é um amor-
próprio desordenado, um apego a si mesmo ou ao comodismo. É uma falta de
vontade ou disposição para amar! Será que temos medo de amar assim? Como pode
amar quem tem pena de se gastar? Como pode amar quem busca a todo pano evitar
todo e qualquer esforço? A preguiça é uma covardia: falta de coragem para amar.
14
O cansaço
GÊNESE DO NOSSO CANSAÇO
Enquanto não houver em nós uma disposição de sacrifício, não conseguiremos
amar verdadeiramente. A preguiçosa que há em mim evita sacrifícios e se incomoda
sempre que isso lhe é exigido. A preguiça é uma canseira antecipada do esforço que
há de vir. Assim, quando cumpro minhas obrigações e deveres de mãe, mas com a
alma tomada da preguiça, os atos executados não estão impregnados do sentido
maior, que é o amor, e são vividos como pesados fardos que estamos obrigadas a
carregar. A preguiça, sem dúvida nos cansa muito. Essa preguiça de que estamos
falando nos enche de culpa, por que vai diretamente contra o cerne de nossa vocação
de amar. A preguiça nos vitimiza, e o papel de vítima nos enche de preguiça, num ciclo
de egoísmo.
Só para trazer pitada da logoterapia de Viktor
Frankl: somos seres que buscam constantemente
a transcendência. Isto é, nos realizamos
enquanto pessoas humanas à medida que
transcendemos, saímos de nós mesmos e nos
superamos. Seguindo o mesmo raciocínio, o
comodismo, o egoísmo e a preguiça nos
diminuem enquanto humanos, enquanto a
doação, o serviço e o amor nos fazem ser gente:
realizam, dão a experiência de sentido
de vida e de potência. Assim sendo,
a preguiça e comodismo serão motivo
de sofrimento psíquico, já que estão
na contramão da realização plena
de si que toda pessoa humana busca.
15
O cansaço
COMO COMBATER A PREGUIÇA
Se a preguiça, é um amor-próprio desordenado, para combatê-la devemos
começar por ordenar o amor-próprio. É possível fazer isso com saudável
autocuidado, descanso equilibrado e com muita disposição de servir. Decida-se por
servir e já começamos a ganhar a luta contra a preguiça. Quem ama tem pressa, não
se entrega à comodidade preguiçosa. Combatemos o bom combate contra a
preguiça com generosa dose de serviço para, por fim, descobrimos um paradoxo: a
cura para o cansaço crônico está em servir ainda mais!
Explico. As raízes desse cansaço que frustra e entristece as mães não está no
número de tarefas ou no pouco jeito de fazer as coisas. As raízes mais profundas da
experiência de cansaço materno estão no sentido que damos às tarefas, afazeres e
serviços. Perdendo o sentido de missão e de dom da maternidade, somos vítimas de
um “mundo cruel” que agride nosso egoísmo e instala a preguiça. Mas, se vou
encontrando o sentido de serviço (humilde e lindo serviço!) que a maternidade
contém, as tarefas, os afazeres e a vida prática em que esse serviço se dá, apesar
de exigentes e cansativos, também me realizam. Se combate a preguiça com
carinho.
Ponha mais de si em pequenas coisas que fizer e verá a mágica acontecer.
Por exemplo, já que é minha tarefa diária cozinhar para os filhos, posso fazer isso
com uma dosagem um pouco maior de carinho e generosidade, fazendo algo
especial ou do jeito que gostam, enfeitando o prato de vez em quando... Se não tive
tempo para fazer o bolo que eles adoram, posso comprar um bolinho e dizer: “lembrei
de você”. Podemos deixar um bilhetinho na lancheira, um cheirinho nas roupas, servir
um cafezinho, levar o copo d’água, já que servi um para mim... Posso me esforçar
para sorrir para meus filhos, dar-lhes bom dia, espalhar alguns beijos sem
explicação... Enfim... Sair de mim.
16
O cansaço
FALTA DE ENERGIA
Entenda que, com todo esse discurso de preguiça, sentido, egoísmo e etc, não
estou negando os fatores físicos do cansaço. Tanto que as primeiras providências
para melhorar a saúde mental de uma mãe estão relacionadas a hábitos de saúde
física. Temos um gasto grande de energia no dia a dia, mas não recarregamos as
baterias. Isto é, não nos alimentamos bem, não tomamos água suficiente e não
dormimos o mínimo necessário. A equação não fecha: ficamos devendo energia e
acumulamos cansaço.
A parte física é bastante importante para que possamos ter mais disposição,
porém é bastante negligenciada por nós, mães. Corriqueiramente, as mães
‘esquecem’ os cuidados consigo mesmas, cuidando tanto de outros, perdem a
capacidade de autopercepção. Quantas vezes nos esquecemos de ir ao banheiro?
De fazer as refeições à hora estabelecida?
Reclamamos de cansaço, fadiga e exaustão, mas quantas vezes paramos
para refletir sobre nossa alimentação? Sobre nossas capacidades físicas? Quantas
vezes não nos alimentamos mal e desordenadamente, porque comemos as sobras
dos nossos filhos? Será que não beliscamos uma comidinha aqui e ali quase
constantemente, mas não paramos para fazer uma refeição completa, de modo
tranqüilo? Percebemos que estamos deixando de nos hidratar, beber bastante água?
Talvez, por estarmos sempre na correria, optamos por ingerir muitos carboidratos – já
que são mais práticos – e aumentar a quantidade de doces e açúcares, por causa de
nosso esgotamento?
Pode parecer que uma coisa não tem relação com a outra, mas siga esta dica:
consulte um nutricionista, faça seus exames e veja se não precisa suplementar
alguma vitamina. Combine consigo mesma que irá beber mais água durante o dia,
optando também por mais proteínas e menos carboidratos, comendo comida de
verdade. Pratique algum exercício físico, cuide de si! Logo, logo, você perceberá que
não só a sua vida mudou, mas também a qualidade de vida de toda a sua família
melhorou.
17
CAPITULO 3
Os erros que
perpetuam o
ciclo Vicioso
Os erros que perpetuam
o ciclo Vicioso
Existe um ciclo vicioso que se repete num looping infinito: falta de tempo,
frustração e culpa, compensação. A mãe cansada percebe que tem pouco tempo
para tudo que precisa fazer, o que faz surgir um sentimento de frustração e culpa por
não dar conta. Percebendo isso, busca compensar com estratégias perfeitas e planos
mirabolantes que, por não estarem ligados à realidade que a mãe vive, mas sim a
uma ideia de perfeição, acabam gerando mais falta de tempo, novas frustrações...
Este ciclo vicioso se mantém ativo por meio de algumas desordens que
carregamos. Falta-nos um ordenamento interior, que se relaciona ao modo como
valoramos as coisas, nossa hierarquia de valores, nossas inseguranças e também
nosso modo de lidar com os erros e limites. Falta-nos um ordenamento exterior: não
elencamos bem prioridades, não construímos boas rotinas, sobra procrastinação e
falta disciplina. Podemos elencar tais desordens, agrupando-as em 4 erros que
perpetuam o tal ciclo.
19
Tô seguindo várias mães top no insta. Tô
maratonando as lives delas. Comprei até curso já – se bem
que não terminei de fazer. Leio e leio dicas e receitas. Às
vezes, me entristeço com tudo que vejo por ali. Meu marido
nunca vai me entender desse jeito. Eu não vou conseguir
ficar bonita assim logo de manhã. Parece que elas sempre
me mostram meus erros. Mas as soluções que me dão eu
não consigo executar. Me dá vontade, então, de desistir de
mudar e simplesmente deixar a vida rolar e rolar. Queria
colar a vida delas na minha. Mas me frustro só de olhar pra
minha casa: precisa de manutenção, não é bonita. Que
vergonha... Tenho vergonha de várias coisas da minha vida.
Cada vez que abro o Instagram isso fica claro ali pra mim:
todo mundo tem uma vida melhor que a minha. Tenho raiva
disso tudo, algumas vezes. Mas, ao mesmo tempo, eu
queria uma vida assim pra mim. Eu queria ser uma mãe
melhor. Eu queria ser feliz assim.
20
1 o
E
R
R
O
Querer dar
conta de tudo
Querer dar conta de tudo
É verdade que mulheres são multifocais, isto é, podem ter vários focos de
atenção simultânea, enquanto os homens, normalmente, são unifocais: dão atenção
a um ponto por vez. Daí que surge, no imaginário popular, a imagem das mulheres
como seres multitarefas, que são capazes de realizar várias tarefas de forma
simultânea, dividindo a atenção entre elas. De fato, essa é uma tendência que se
confirma no cotidiano familiar: a mãe, quando cozinha, faz dois ou três preparos ao
mesmo tempo, organiza a salada e também o suco; o pai traz apenas a refeição de
prato único. Mesmo que as mães tenham a capacidade de fazer várias coisas ao
mesmo tempo, isso não as capacita a dar conta de tudo e mais um pouco.
Tudo é de fato muita coisa. É como se o peso de todas as atividades, todos os
afazeres, de toda responsabilidade e de todas as dificuldades sobreviesse apenas de
uma vez. Só que na realidade não é assim que acontece: as tarefas não chegam
todas juntas, os afazeres não se dispõem para a mesma hora e os problemas não
acontecem todos juntos. Cada momento tem seu próprio dever e necessidade. Cada
fase o seu desafio particular.
As Sagradas Escrituras nos lembram que “a cada dia basta o seu próprio
cuidado” (Mt, 6,34), ou ainda em outras traduções, “a cada dia basta o seu mal”. É
assim que se dá: para cada dia temos as preocupações próprias daquele dia. E é só
isso que nos é pedido, viver o dia de hoje da melhor forma.
Nós devemos lidar com as circunstâncias à medida que elas mesmas se
apresentam a nós. Buscar dar conta de tudo é iludir-se em realizar todas as tarefas
de uma só vez, antecipar problemas ou de finalizar todos os afazeres por completo.
Temos aí outro engano, porque as tarefas maternas nunca cessam, elas reiniciam
constantemente, quase ao infinito: você nunca vai dar conta do serviço com as
roupas, por que logo elas já começam a serem colocadas nos cestos sujas. O
trabalho materno é interminável. Mas podemos dar conta de terminar a parte que
hoje nos toca, o que hoje é prioridade, o que hoje é necessidade
22
Querer dar conta de tudo
Em cada momento uma missão se apresenta a nós. O que devo
fazer agora? Cada momento tem sua tarefa própria. Se a percebemos
e cumprimos, estaremos fazendo tudo que devemos fazer.
Não se prenda a fantasia de que mães são superpoderosas. Nos
iludimos na perspectiva de que seremos especialistas desde a
amamentação até em tirar manchas, desde educação do sono à
jardinagem. Na verdade, somos mulheres como todas as outras, com
os mesmos limites físicos e psicológicos. Com certeza, temos
habilidades e facilidades. Algumas tarefas terei facilidade em realizar,
outras dificuldades. Não há como executar tudo com a mesma
excelência.
A exigência da tarefa materna não está na quantidade
de coisas a realizar, mas na grandeza da tarefa de educar
pessoas. Portanto, o sucesso de sua maternagem não
está em tudo que você consegue fazer, mas na
grandeza de alma de seus filhos, na educação que
você deu e nas sementes de fé que plantaste.
Seus filhos não esperam que você dê conta de
tudo sozinha, eles só querem que você seja a
mãe deles, que os acolha, cuide e ame. Eles
não se sentirão menos amados por que você
precisa de ajuda para passar as roupas ou para
limpar a casa, nem se sentirão mais amados se
você fizer tudo isso sem ajuda alguma.
23
Querer dar conta de tudo
Para facilitar o processo, busque seguir as dicas a seguir:
✓ quebre grandes tarefas em várias pequenas tarefas, as quais
você pode ir enfrentando e completando-as uma após a
outra. Por exemplo, a tarefa grande é arrumar o guarda-
roupa, que você pode quebrar em tarefas menores como
organizar as gavetas, organizar os cabides, organizar uma
porta de cada vez e assim por diante;
✓ organize prioridades e comece por elas;
✓ coloque pequenas metas diárias, como por exemplo dobrar e
guardar as roupas, limpar 1 armário, varrer o quarto; podes
inclusive fazer uma lista delas e a cada dia escolher 2 ou 3
para executar. Com a lista você saberá o que fazer se,
inesperadamente, sobrar algum tempinho.
✓ ensine seus filhos a colaborarem desde cedo nas tarefas e
afazeres domésticos, de acordo com as suas próprias
capacidades e fazes do desenvolvimento,
✓ não espere o momento perfeito para fazer pequenas tarefas.
Conseguimos realizar muitas pequenas tarefas (ou tarefas
grandes picadas em várias pequenas) até mesmo com as
crianças por perto.
✓ use a pergunta “o que devo fazer agora?” toda vez que
alguma angustia bater, comece fazendo aquilo que o
momento lhe exige.
24
Ele olha para ela sem entender o porquê.
Realmente não sabe por que ela está chorando
sentada no sofá, desde que as crianças foram
dormir. Ele não gosta de vê-la chorar. Ele não
gosta de fazê-la chorar. Mas ele não consegue
compreender o que ela tenta explicar. Para ele
as crianças estão ótimas, são lindas e
serelepes. Será que são os hormônios da
gravidez que a fazem chorar sem muita razão?
Quando consegue que ela fale um pouco, só
diz: “como é que eu vou dar conta agora?”.
Embora ele não saiba exatamente o que
significa para ela “dar conta”, ele sabe que ela
vai conseguir cuidar de todos com certeza. Ele
sabe que ela é capaz. Ela é o centro
magnético daquela casa. Ele sabe. Mas ela
chora por que não sabe.
25
2 o
E
R
R
O
PERFECCIONISMO
Perfeccionismo
Claro que é bom que busquemos o melhor. É sim uma virtude que nós
procuremos realizar mais coisas e de modo cada vez mais excelente. É grandeza de
caráter que uma mãe, ao perceber seus defeitos e erros, procure emendá-los e
vencê-los. Portanto, não poderia ser um erro buscar desenvolver-se cada vez mais
ou procurar a perfeição, e não é. O erro acontece quando a busca pelo ideal e, em
última instância, busca da perfeição, for realizada de modo neurótico.
Vamos pensar juntas: a empreitada por ser melhor, por não errar e por
crescer em virtudes deve estar ancorada na realidade. Não se pode dar um passo
maior que a perna, como se diria no ditado popular. Veja só, para eu me tornar a
mãe ideal, aquela que vejo como minha melhor versão, o ponto onde eu quero
chegar... será preciso passar por várias mudanças, vencer alguns defeitos grandes,
outras pequenas imperfeições, assim como será necessária a criação de hábitos e
até o rompimento com alguns vícios. Ou seja, só posso me tornar essa mãe, passar
por essa grande transformação, se eu fazer um caminho, um processo, que será
composto de vários pequenos passos, pequenas vitórias, lutando uma
batalha de cada vez.
Para que eu realmente caminhe na direção do desenvolvimento
e até da perfeição, devo abandonar a ideia de soluções mágicas e
rápidas, devo abandonar meus desejos de perfeccionismo. O
perfeccionismo é a busca neurótica da perfeição. A perfeccionista
é prisioneira da busca desenfreada pelo perfeito. Não basta o
bem feito, o feito com esmero, o feito com esforço. Só é aceitável
o perfeito.
O perigo é que qualquer pequeno detalhe destrói o perfeito,
afinal, se houver um pequeno erro sequer já não será perfeito,
mesmo que seja muito bom. A mãe perfeccionista vive escravizada
por essa busca da perfeição em todos seus afazeres e deveres.
Ela nunca será suficiente, nunca dará conta de tal aspiração.
27
Perfeccionismo
A busca neurótica pela perfeição faz com que todas as tarefas e situações
tenham o mesmo peso de importância: tudo fica muito pesado. Não há leveza
suficiente para lidar com pequenos erros e falhas. Não há jogo de cintura para lidar
com os improvisos que a vida exige, ainda mais quando lidamos com crianças. O
perfeccionismo é muito caro afetivamente. Faz com que a mãe carregue um
sobrepeso às costas. O perfeccionismo traz muitas comparações, traz culpa e
frustração. É comum que mães perfeccionistas sejam também controladoras, pois
entendem o controle de tudo como uma garantia do perfeito.
Reconheceu-se aqui? Essas dicas irão te ajudar:
✓ reconcilie-se com seus limites e defeitos. Tenha a coragem de ser
imperfeita;
✓ não confunda busca pela santidade com perfeccionismo. Se preciso for,
procure bom orientador espiritual para te ajudar a esclarecer;
✓ repita “feito é melhor que perfeito” e combata as tendências à
procrastinação que o perfeccionismo pode trazer (por querer tudo de
modo perfeito vamos adiando a realização das tarefas, metas e etc).
✓ não reclame nem critique o que outros fizeram por ou para você;
✓ faça o exercício de gratidão: seja grata pelo que recebe todos os dias,
dos outros e de Deus, ao fim do dia, retire uns minutinhos para perceber
tudo que você recebeu naquele dia.
Comece a combater seu orgulho: perceba como você
quer sempre ter razão, como não gosta de ser corrigida.
28
CONTROLADORA
3
o
E
R
R
O
Controladora
Um grande clássico da maternidade: a centralização e o controle. Acredite,
nós mesmas vamos fazendo com que tudo gire em torno de nossas decisões,
nosso modo de fazer e de nossa supervisão. O primeiro nível de controle é dos
objetos e tarefas simples, mas podemos alastrar este controle a comportamentos e
questões mais pessoais, como opiniões e decisões. Sem dúvida alguma, podemos
nos transformar na mãe chata por causa da busca de controle.
O controle é um mecanismo de defesa. Simples assim. Não é por que você é
muito exemplar ou organizada. Controlamos para lidar melhor com as
inseguranças. Buscamos controlar o máximo possível a realidade, os contingentes,
as situações para dessa forma, controlar as possibilidades de erro e falha.
Erguemos controles externos para lidar com a insegurança interna. Assim, se você
é controladora, a primeira reflexão a fazer é sobre seus pontos de insegurança:
quais são e onde estão?
Claro que, como mães, acabamos, de certa forma, por controlar a casa. Isto
é, muito do ritmo e andamento do lar depende de nós. Algo inevitável, por que faz
parte de nossa missão materna o cuidado com o lar e o seu gerenciamento. Aposto
que você já percebeu o quanto somos capazes de afetar nossa casa: se estamos
tristes, a casa inteira sofre junto; se estamos alegres, contagiamos a todos; se
temos disciplina, a casa tem ritmo e ordem; se estamos desorganizadas, a casa
também estará.
Claro, o lar é muito mais que os objetos e os móveis que temos na casa; o
lar é o clima, a cultura, o modo de agir que temos entre nós e costumeiramente na
casa. Mas isso não tem nada a ver com o erro de ser controladora a que me refiro.
Obviamente, devemos ter certo nível de controle das coisas, planos, projetos,
organizações e disciplina, porém ele precisa estar em um nível adequado, sem
estresse e ligado à realidade. Não podemos gastar mais tempo controlando ou
buscando o controle do que executando as tarefas e a própria vida. Os planos e
controles não podem ser mais importantes que a vida acontecendo.
30
Controladora
Ser centralizadora é bastante desgastante e cansativo. Mães
controladoras educam filhos dependentes e irresponsáveis, pois
sempre haverá quem pense e se antecipe por eles. Mães
controladoras afastam esposos parceiros. Mães controladoras se
sentem sozinhas. Mães controladoras não dão espaço para que os
pais cumpram seu papel. Mães controladoras estão sempre
cansadas, por precisarem manter um olho em cada realidade de toda
a vida acontecendo, para preocupar-se, para planejar... e acabam
não conseguindo dar conta de tudo que sonham em controlar.
Se você anda agindo como uma mãe controladora e
centralizadora, não se preocupe. As dicas a seguir ajudarão
a voltar para um eixo saudável:
aprenda a delegar tarefas;
saiba ninguém fará como você (por que
não é você) e aceite que isso não é ruim;
investigue se não se trata de ansiedade e
busque tratamento;
peça ajuda (sei que não é óbvio pra você).
31
4 O
ERRO
D
E
S
O
R
D
E
M
P
R
Á
T
I
C
A
Desordem Prática
O quarto erro bastante comum é a falta de ordenamento para
questões práticas do dia a dia. Com o acúmulo de tarefas e demandas
diferentes, é necessário que a mãe busque a virtude da ordem, o que
não significa ter tudo sempre super organizado e alinhado.
Ter ordem está mais relacionado à hierarquia de valores e
critérios do que à organização de objetos. Ter uma hierarquia de
valores saudável significa ter clareza do que é mais importante, do que
tem mais valor, e saber distinguir entre o que é essencial e o que é
alegórico. Com esta hierarquia de valores alinhada, podemos com
facilidade eleger prioridades, perceber as urgências e estabelecer a
sequência das tarefas e afazeres. Perceber com o que devemos gastar
mais tempo e o que pode ser deixado para depois, o que não pode
esperar e até o que pode ser esquecido.
A hierarquia de valores deve seguir a seguinte prioridade: Deus,
pessoas e, por último, coisas. Dessa forma, tudo que estiver a serviço
do bem-estar e do bem das pessoas que servimos (esposo e filhos)
ocupará lugar superior na ordem de prioridade diante das coisas.
Acontece que as mães facilmente invertem essa hierarquia deixando
as coisas, objetos e limpeza de casa como soberanos, escolhendo
lidar com as coisas, deixando de lado o tempo devido a Deus e o
tempo devido aos outros.
33
Desordem Prática
Outra desordem de hierarquia em que as mães se perdem com facilidade é
colocar os filhos e sua relação com eles acima do esposo e da relação com ele.
Ao tornarmos mães, rapidamente incorporamos a ideia cultural de que os filhos
ocupam o primeiro lugar e espaço em nosso coração, mas a verdade é que os
filhos são frutos do amor e do relacionamento do casal, e é esse relacionamento
que é o núcleo da família e, portanto, deve ter prioridade na hierarquia de valores
da mulher. Os filhos só se beneficiarão de tal ordenamento, nunca serão
prejudicados por estarem ‘abaixo’ do marido. Na prática, devemos compreender o
quanto é importante para o lar que cuidemos de nosso esposo e da nossa relação
com ele, cultivar o amor, o romantismo e a intimidade são cruciais. O amor entre
os esposos é uma fonte de água viva, da qual toda a família sorve. Muitas
confusões nascem desta desordem.
Com isso dito, acrescentamos a importância da busca pela organização e
limpeza do espaço da casa. A bagunça exterior pode refletir a bagunça interior, e
a ordenação exterior pode ajudar na organização interna. Obviamente, como já
refletimos, tudo feito com equilíbrio e sem neuroses, isto é, sem exageros. Para
uma organização mínima de qualquer casa se sugere, pelo menos uma rotina
estabelecida e regras claras para que todos colaborem.
A inimiga número um da organização prática e da ordem é a
procrastinação, que é uma escolha desordenada. Em vez de enfrentar logo o
incômodo da tarefa a ser feita e gozar do bem estar de vê-la realizada, escolhe-se
o prazer momentâneo e imediato de fazer outra coisa mais prazerosa, ou até o
prazer de não fazer nada. A pessoa procrastinadora se apega ao seu comodismo
e bem-estar, o que pode inclusive, transformar-se em um vício. Para romper com
a procrastinação, precisamos aprender a tomar decisões racionais para ordenar e
priorizar as tarefas e não os sentimentos ou afetos daquele momento.
34
Desordem Prática
A grande dica para trabalhamos a organização prática é que você precisa
descobrir o seu jeito de lidar com as demandas da sua realidade. Não adianta
fazermos um copia e cola dos scripts de outras mães, porque elas estão em outras
realidades e tem um outro jeito de ser. É preciso ir descobrindo as formas que para
você dão certo. Por exemplo, considere se é melhor lavar as roupas de dois em
dois dias ou apenas uma vez, se faz mais sentido que cozinhe uma vez por
semana e deixe congelados os pratos prontos ou que prepare as refeições todos
os dias. Descubra qual forma melhor se encaixa para que sua casa esteja em
funcionamento. Só descobrimos quando tentamos, por tentativa e erro, até
encontrarmos a fórmula que melhor se ajusta.
Mais algumas dicas para facilitar sua vida e lhe ajudar a descansar:
❑ tenha como objetivo da sua organização não uma casa perfeita, mas uma
casa que funcione, isto é, que seja funcional. É uma casa em que a rotina
necessária se dá sem muitos problemas: quando preciso de uma meia ela
está ali já disponível na gaveta das meias;
❑ procure terminar o que começou antes de iniciar nova tarefa;
❑ siga o cronograma a que se propôs, não o abandone por critérios subjetivos
ou internos (não estou com vontade, por exemplo), a menos que se imponha
a você a necessidade de troca;
❑ faça listas e marque cada tarefa concluída: o bem estar gerado pelo
cumprimento de tarefas gera motivação para as seguintes;
❑ priorize organização ao invés da limpeza;
Não tenha receio de mudar o modo de fazer alguma
coisa, fases diferentes da vida familiar trazem mudanças
importantes que precisam ser levadas em conta.
35
CAPITULO 4
Aprender
a descansar
Aprender a Descansar
Vivemos em um mundo moderno que não sabe descansar, porque não
sabe desconectar das telas e das redes sociais, porque perdeu a prática dos
hobbies e porque está cada vez mais criando distância entre as pessoas. A arte
de gozar os prazeres simples na vida, que gerariam enorme descanso em
nossas almas, está muito fora de moda. O ritmo frenético da modernidade e da
era das mensagens instantâneas retirou de nosso olhar a paciência para
contemplar a beleza, a bondade e a verdade que estão no mundo e nas
pessoas a nossa volta. O consumismo gerou em nós a perspectiva da
produtividade como valor da pessoa, e isso modificou bastante nosso modo de
lidar com o descanso e a contemplação.
Neste mundo, o descanso virou sinônimo de não fazer nada, perder
tempo nas redes sociais, maratonar séries ou filmes. Neste mundo, descansar
é estar em passividade ou não realizar nada que exija esforço. Tal descanso
moderno pode agravar ainda mais nosso cansaço crônico, pois alimenta o
egoísmo e o comodismo e, por que não, a preguiça – se a entendemos
como o capítulo 3 mostra.
Mas o que verdadeiramente nos descansa?
Nós verdadeiramente descansamos quando nossa alma
encontra a beleza, a bondade e a verdade. Quando há
esse encontro, nossa alma se engrandece, é preenchida.
Nesse encontro se desfazem as tensões e estresses.
Ou seja, o que nos descansa verdadeiramente é tudo
aquilo que nos enche de alegria, da alegria verdadeira.
Assim, descansar não tem relação exata com não fazer
nenhuma atividade, mas de fazer algo que traga alegria,
de buscar realizar algo que traga esta alegria.
37
Aprender a Descansar
Posso descansar fazendo um bolo, se nessa atividade eu me realizo e
encontro alegria. Posso descansar ouvindo música, lendo uma história, um
livro ou indo conversar com uma amiga. São muitas as possibilidades, mas
todas elas exigem certo “sair de si”, e é por isso que na maior parte das vezes
pensamos que é mais fácil apenas não fazer nada ou ficar nas telas. Ao fim da
noite, buscando certo descanso, optamos pelas telas e, apesar de gastarmos
certo tempo nessa atividade, acabamos nos sentindo até mesmo mais
cansadas que antes. É perceptível que investirmos um pequeno tempo para
realizar atividades que verdadeiramente tragam descanso vale a pena e
geram grande impacto emocional e motivacional em nós. Por exemplo, ao fim
da noite, enquanto ouve algum podcast interessante ou ouve uma música,
fazer as minhas unhas é algo que particularmente me deixa contente.
Aliás, ter tempo para cuidar de si é atividade que traz sim descanso.
Toma-se aqui cuidar de si de modo abrangente tanto fisicamente,
esteticamente e também psiquicamente. Não se iluda com qualquer
puritanismo que entenda cuidar de si como uma ação egoísta. Quando você
cuida de si mesmo, irá se doar com mais qualidade, haverá uma mãe mais
contente e feliz que pode ser mais inteira e feliz nas suas atividades maternas.
Quando cuida de si, indiretamente, a mãe está cuidando de seus filhos.
Obviamente quando este cuidar de si se dá de modo equilibrado: nosso centro
não deve ser nós mesmas, pois a vida de ninguém gira no eixo do seu próprio
umbigo – e se gira haverá neurose. Não nos realizaremos no cuidado de nós
mesmas, porque a realização é encontrada na doação de si a outro – e isso
não significa perder-se ou despersonificar-se. O cuidado de si mesma entra na
dimensão de melhor doar-se, assim como o descanso. Não pode doar-se
aquele que não se possui.
38
Aprender a Descansar
Para um descanso de qualidade é imprescindível que cultivemos o bom
humor. Sim, o bom humor pode ser cultivado e exercitado. O mau humor é
fruto de um fechamento em nós mesmos, quando olhamos o mundo a partir
de nossa perspectiva ou através de uma lente negativa e pessimista. O mal-
humorado já está fechado em si e não percebe a alegria e o bem que lhe vem
do exterior, para diante das dificuldades e contratempos. Além de tender a
remoê-los interiormente e de dar um valor excessivo a pequenos erros e
contratempos, contaminando a alegria de vitória e do convívio com estas
questões menores.
O fato é que se não aprendemos a descansar e a cuidar de nós
mesmas, tenderemos ao esgotamento e até ao bournout materno. Para
descansar, em resumo, devemos cuidar de nós mesmas, buscar a alegria e
desenvolver o bom humor.
Sei que é um tanto difícil ter ideias para resolver esse problema,
por isso trouxe aqui algumas dicas que podem te ajudar:
➢ descubra ou desenvolva algum passatempo;
➢ encontre na rotina diária um tempinho só seu, mesmo que sejam alguns
minutos;
➢ não se culpe por poder e precisar descansar;
➢ procure um tempo de qualidade com seu esposo, ao menos uma vez por
semana;
➢ imponha um limite de horário para ir dormir, mesmo que ainda restem
tarefas por fazer – elas lhe esperarão amanhã;
Aprenda a descontrair e curtir
momentos com os filhos
39
CAPITULO 5
Sentido
Espiritual
Sentido Espiritual
Quando entendemos a maternidade como uma vocação, uma missão
que compõe a participação na educação de seres humanos (que privilégio esta
missão!), isso nos lança para uma dimensão espiritual. Espiritual para além da
religiosidade, espiritual porque é transcendente, porque nos ultrapassa, porque
é maior que nós mesmos e nos liga, inevitavelmente a Deus, afinal ele é o
Senhor da vida e, ao educar filhos, nos tornamos colaboradores d’Ele. Assim,
para as tarefas corriqueiras e cotidianas, também não devemos perder de vista
esta dimensão espiritual, porque se não a tarefa perde seu sentido mais
profundo.
Quando perdemos esse sentido profundo da missão da maternidade e
distanciamos do cotidiano a dimensão de espiritualidade e transcendência, se
esvanece o sentido e, portanto, a direção a que nos dirigimos, o para onde
vamos, e a tristeza é a primeira a preencher o vazio da falta de sentido.
Conectar-se aos aspectos espirituais de nossas tarefas corriqueiras nos protege
de muitas neuroses e remorsos. Dá a clareza de que, sendo a tarefa muito
maior que nós mesmas, ela não depende, portanto, apenas de nós enquanto
mães. Dá o tamanho exato de nossa responsabilidade, ao mesmo tempo em
que ensina que ela se dará não apenas na força do nosso braço.
Quando vivemos a vida cotidiana, mas com a esperança ancorada na
espiritualidade, ao contrário do que podem pensar desavisados, nos instala bem
na realidade. Passamos então a compreender os problemas da vida real com o
peso adequado, compreendendo que existem as realidades temporais, que
passam, e as questões a ela relacionadas devem ter um peso temporal, assim
como existem as realidades ligadas à eternidade, pois a alma do homem é
imortal, e estas possuem consequências na eternidade, naquilo que não passa.
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Sentido Espiritual
Veja que, com o olhar espiritual saudável, os problemas maternos
relacionados às coisas, limpeza, organização ganham o peso adequado em
nosso coração e podemos nos atentar mais às responsabilidades que nos
cabem e que terão um efeito no eterno – formar o caráter de uma pessoa por
exemplo, fazê-los conhecer as verdade da fé, transmitir-lhes valores... Tudo isso
tem valor para além dos bens tangíveis.
Ao ter um olhar atento e ao coração aberto, não nos faltam
oportunidades para perceber a grande benção que é a própria vida e a graça de
vivê-la. Ao olhar atento já não passa despercebida a beleza que há na vida
cotidiana e lhe é possível contemplá-la. Essa contemplação e a gratidão, além
de encher nosso coração de alegria, trazem leveza aos nossos fazeres. Diante
do dom da vida de nossos filhos, qual o peso de uma sala totalmente
bagunçada de brinquedos?
A vida é tão bela para que a gente se apegue aos pequenos perrengues
e percalços e ali nos percamos, percamos tempo e a chance de viver a vida
bem mais plenamente. Ademais, ao olhar atento e ao coração disposto, não
escapa a percepção de que há uma providência divina a reger todas as coisas,
há uma mão paternal que envolve nossa vida: há uma presença de Deus no
cotidiano. Veja só que percepção mística: presença de Deus no cotidiano! Quer
dizer que, nas minhas atividades corriqueiras, nas situações de cuidado
cotidiano com meus filhos, no meio das panelas e roupas, da rotina de nossa
casa há uma presença de Deus “escondido”. Há um Deus que se esconde aqui
no nosso cotidiano, justamente para se deixar encontrar por “qualquer um”, até
por uma mãe de família comum.
42
Sentido Espiritual
A percepção da presença de Deus e sua providência bem próxima a
nós, dá-nos o entendimento de que em cada dia, em cada momento existe
para nós um convite de Dele. O momento presente, o hoje, o agora, porta
alguma missão que Deus nos convida a participar. No presente há algo a
realizar, há um dever que faz parte de nossa missão maior da maternidade e
da vida como um todo. Encarar o cotidiano com essa dimensão espiritual de
que porta um chamado a realizar, muda a forma como vamos lidar com a
rotina, com o corriqueiro e com cada situação que se apresenta. Com isso
posto e assentado em nosso coração, é mais fácil viver o momento presente e
suas exigências e intensidades. Sem nos perdermos na tendência de fuga
para o futuro ou para o passado, mas encarando o hoje como presente e
missão de Deus para mim.
Mães são facilmente puxadas ao passado e, de modo saudosista,
fogem do presente mais duro e difícil, ou podem ser lançadas ao futuro numa
ansiedade de realizar sonhos e projetos esplêndidos, mas que se
desconectam totalmente com a realidade de hoje. O hoje é o momento mais
importante, nele que podemos realizar todas as coisas e só nele podemos
amar. Mãe, não fuja de seu hoje, por mais desagradável que lhe possa
parecer, há nele um presente especial de Deus para ti, e só para ti.
43
Sentido Espiritual
Para encerrar o tópico do sentido espiritual da maternidade, trago o exemplo
de Santa Francisca Romana (1384 – 1440), que embora sentido desejo de
consagrar-se à vida religiosa, por obediência aos pais, casou-se. Durante 40 anos
desenvolveu a missão de esposa e mãe, até sua viuvez, sem nunca ter brigado
com o esposo. Como nutria desde pequena o desejo da vida religiosa, tinha o
hábito de mortificações, penitências e de uma rica vida de oração, mas entendeu
que, diante das exigências da sua condição de esposa, teria que conciliar estas
realidades. Ela nunca abandonou a oração, mas abrandou as penitências para
melhor atender aos filhos e entendeu que “uma mulher casada deve deixar Deus no
altar para encontrá-Lo nas tarefas domésticas”. Certa vez, enquanto rezava, havia
sido interrompida diversas vezes por suas responsabilidades e afazeres, mas
sempre retornava à oração; na quarta vez que voltava ao salmo, encontrou os
versos luzindo em letras douradas, numa clara aprovação de Deus a sua dedicação
tanto a oração como aos seus deveres de esposa e mãe. De fato, santa Francisca
Romana percebeu a presença escondida de Deus no seu cotidiano e que ali era
chamada a dar uma resposta de amor.
Com isso, entendemos que ter a maternidade como missão e vocação é
enxergá-la com visão sobrenatural. Afinal, é uma missão muito maior que nós
mesmas e, portanto, não pode depender apenas de nossa força. Deus nos
convidou a essa missão e nos auxilia a cumprir com fidelidade nossas tarefas,
porém precisamos de um olhar treinado para perceber a presença de Deus no
nosso cotidiano, nas tarefas domésticas. Compreendendo isso e sabendo que
nossas prioridades devem estar centradas naquilo que não passa, percebemos
também que viver o momento presente é um meio para estarmos plenamente
imersas na realidade que devemos viver, nas tarefas que temos a desempenhar.
Assim, e só assim, conseguiremos contemplar a presença do Senhor nas atividades
corriqueiras e, com Ele, fazer dos afazeres cotidianos uma resposta de amor.
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Sentido Espiritual
Para cumprir a missão à qual Deus nos convida,
separei algumas dicas:
exercite a gratidão pela vida;
busque a beleza do seu dia a dia e contemple-a;
ofereça a Deus suas pequenas dificuldades e percalços,
como pequenos sacrifícios que podem se unir a cruz de
Jesus;
crie o hábito de uma vida de oração: momentos de
oração dentro da rotina, como por exemplo leitura
orante da Palavra, ou 15 min de oração mental;
evite fugas para o passado ou para o futuro, gastando
muito tempo em pensamentos que te tiram da realidade
presente;
viva o momento presente.
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Palavras finais
Mãe cansada, você sabe que não está cansada de ser mãe. Está cansada
do modo como as coisas tem acontecido. Está cansada de si mesma.
Descansa. Põe teu coração no que realmente importa. Olha para o dom
da vida que é posto em tuas mãos.
Temos que nos levantar e servir. Assim descansaremos, quando nosso
coração se abrir e alargar. Quando o sentido da vida estiver bem claro diante de
nós. Aí descansaremos. Somente o necessário para recuperar o fôlego e seguir
em frente. Somente o necessário para reabastecer as baterias.
Cansaremos de novo! É verdade. E seremos mães cansadas, mas
alegres. Cansadas e felizes. E de novo descansaremos.
Para conseguir descansar mais e melhor, veja mais
algumas dicas que podem ajudar bastante:
❑ Descubra seu temperamento: ele determina o modo como você sente e
percebe a realidade. Com esse conhecimento a respeito de si mesma, você
pode usar os melhores meios para lidar com as dificuldades;
❑ Irritação constante é sintoma de falta de descanso e/ou alimentação correta;
❑ Diálogo com esposo é bastante importante para que possamos encontrar as
melhores formas de fazer as coisas, de pedir ajuda e de resolver
problemas;
❑ Se tuas dificuldades estão te paralisando, a ajuda psicológica pode ser
importante para sair da situação de total desânimo;
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SOBRE AUTORA
Geise Devit tem 40 anos, é casada a 19 anos, tem 8
filhos. Formada em Psicologia pela Unisinos/RS, em 2009
especialista em Saúde da Família pelo GHC (Grupo
Hospitalar Conceição), pos graduada em Psicologia
Clínica Humanista. É apaixonada pela Logoterapia e por
amor à profissão e às pessoas que auxilia busca
constantemente aprimoramento e novos conhecimentos.
Nestes 12 anos de experiência clinica já atendeu mais
de 400 pacientes, contribuindo para a formação humana
na sua integralidade. Além de atender como
psicoterapeuta (consultório on-line) dá assistência
psicológica à formação dos
seminários das dioceses de
Novo Hamburgo e Frederico
Westphalen, Ambas no RS.
Através das redes
socias tem ajudado
muitas mães a encontrar
o sentido mais profundo
da maternidade e a lidar
com seus desafios e
dificuldades cotidianas.
(51) 999947057
@geisedevit