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3 - Análise - Semana 4

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


CAMPUS AVANÇADO DE PONTAL DO PARANÁ
CENTRO DE ESTUDOS DO MAR

FENÔMENOS DE TRANSPORTE (PP036)


Análise e equacionamento de escoamentos – Equação da quantidade de movimento linear e 1ª
Lei da termodinâmica na forma integral para volumes de controle– Exemplos resolvidos

Professora: Roberta Brondani Minussi

Avenida Beira Mar s/n - Caixa Postal: 61 Rua Rio Grande do Norte, nº. 145
Balneário Pontal do Sul Balneário de Mirassol
Pontal do Paraná - PR - 83255-976 Pontal do Paraná - PR - 83255-976
Tel: 41 3511-8600 - Fax: 41 3511-8648 Tel: 41 3511-2148 - Fax: 41 3511-8648
www.cem.ufpr.br
Problema 1 – Adaptado do Problema 4.60 de Fox et al. (2018)

Água está escoando em regime permanente por um cotovelo de 180°. Na entrada do cotovelo, a
pressão manométrica é 103 kPa. A água é descarregada para a atmosfera. Considere que as
propriedades são uniformes nas seções de entrada e de saída; A1 = 2500 mm2, A2 = 650 mm2e V1 = 3
m/s. Determine a componente horizontal da força necessária para manter o cotovelo no lugar.
Solução

Dados e hipóteses: Incógnita:


- Fluido incompressível (água). - Componente horizontal da força necessária
- Regime permanente. para manter o cotovelo no lugar.
- Pressão manométrica de entrada: 103 kPa.
- Pressão manométrica de saída: 0 kPa.
- Propriedades uniformes nas seções de entrada
e de saída; A1 = 2500 mm2, A2 = 650 mm2e V1 =
3 m/s.

Desenvolvimento:

Primeiramente, vamos definir o volume de controle:

Para as hipóteses do problema, a equação da conservação da massa é igual a:

V1 A1 = V2 A2

V1 A1
V2 = = 11,54 m/s
A2

Já a equação da QDM na horizontal:


F B,x +  Fsup, x =  u  d  + SC u V dA
t VC

Na horizontal não há força de corpo, portanto F B,x = 0. Além disso, o regime é permanente então
o primeiro termo do lado direito também é nulo. Assim:

F sup, x =  uV dA (1)


SC

Vamos nos concentrar no lado direito da equação (1). Observe que podemos transformar a integral
em uma somatória, ou seja:
 uV dA =   uV A
SC SC

 uV ( ) (
dA = V1 V1 A1 +  ( −V2 ) V2 A2 )
SC

 uV dA = V1 ( −V1 A1 ) +  ( −V2 )(V2 A2 )


SC

Ou ainda,

 uV
SC
dA = − V12 A1 − V22 A2 (2)

Já para o lado direito, vamos olhar a figura a seguir onde são mostradas as pressões que atuam sobre
o volume de controle (logicamente pressão não é um vetor, mas a figura iria ficar muito
sobrecarregada e, portanto, tenha em mente que cada seta indica uma força de pressão em uma área
infinitesimal):

Então, supondo que a força Rx para manter o cotovelo no lugar seja negativa:

F sup, x = p1 A1 + patm A6 − patm A4 − Rx

F sup, x = p1, m A1 + patm A1 + patm A6 − patm A4 − Rx

Mas como A4 = A1 + A6 então:

F sup, x = p1,m A1 + ( patm A1 + patm A6 ) − patm A4 − Rx (3)

Então, substituindo (2) e (3) em (1):

p1,m A1 − Rx = − V12 A1 − V22 A2


Rx = p1,m A1 + V12 A1 + V22 A2

Rx = 333, 6 kN

➔ Resposta: o componente horizontal da força necessária para manter o cotovelo no lugar tem
um valor de 333,6 kN e atua da direita para a esquerda.
Problema 2 – Adaptação do Problema 4.80 de Fox et al. (2018)

Água entra em um canal bidimensional de largura constante, h = 75,5 mm, com velocidade uniforme,
U = 7,5 m/s. O canal faz uma curva de 90º que distorce o escoamento de modo a produzir, na saída,
o perfil linear de velocidade mostrado com Vmáx = 2Vmín. Sabendo que:
- o canal está na horizontal,
- a pressão na entrada é de 170 kPa (abs), e
- a pressão na saída é de, 130 kPa (abs),
determine a componente em y da força requerida para manter a curva no lugar.

Obs: O canal tem dimensão em z , w, igual a 1 m.


Solução

Dados e hipóteses: Incógnita:

1) Fluido incompressível (ρ = 1000 kg/m3) - Força em y para manter a curva no lugar.


2) Canal bidimensional na horizontal com
largura constante, h = 75,5 mm e que forma uma
curva 90°;
3) Regime permanente;
3) Velocidade uniforme na entrada, U = 7,5 m/s
4) Perfil linear na saída com Vmáx = 2Vmín;
5) Dimensão em z é w = 1 m.

Desenvolvimento:

Vamos utilizar o seguinte volume de controle:

Precisaremos encontrar Vmax e Vmin para resolver este problema. Sendo assim, iremos aplicar a
equação da CM para as hipóteses do problema:

UAentrada = 
Asaída
VdA (1)

E qual é a equação para V?


Vmáx − V Vmáx − Vmin
=
x h

x
V = Vmáx − (Vmáx − Vmin ) (2)
h

Então:

 x
h
UAentrada =  VdA =  Vmáx − (Vmáx − Vmin ) wdx
0
Asaída
h

Resolvendo a integral:

h
UAentrada = Vmáx wh − (Vmáx − Vmin ) w (3)
2

Como Aentrada = hw e Vmáx = 2Vmín então:

2
Vmín = U = 5 m/s. (4)
3

Vamos agora aplicar a equação da QDM em y. Para isto, vamos primeiramente desenhar o VC com
as forças e pressões atuantes:
Portanto, a QDM em y é:

patm A6 − patm A3 − psaída A4 + Fy =   V dA (5)


SC

em que A4 = Asaída:

Desenvolvendo a integral da equação (5):


h

 V dA =  V (Vwdx )
SC 0
(6)

Substituindo (2) em (6):

2
 x
h

 V dA =  Vmáx − (Vmáx − Vmin ) h  wdx


SC 0

Ou, como Vmax = 2 Vmin:

7 2
 V
SC
dA = hVmín
3
w

Então, substituindo o resultado anterior em (5):

7 2
patm A6 − patm A3 − psaída A4 + Fy =  hVmín w (7)
3
Observe que A6 = A3 + A4, então:

7 2
− psaída,m A4 + Fy =  hVmín w (8)
3

Ou seja:

7 2
Fy =  hVmín w + psaída,m A4 (9)
3

Substituindo os valores:

Fy = 1000
7
3
( )
75,5.10−3 w.25 + 130.103 − 101,3.103 75,5.10−3 w

Fy = 6596 N

→ Resposta: A componente em y da força necessária para manter a curva no lugar é igual a 6596 N
no sentido positivo de y.
Problema 3 –Problema 5.21 de Livi (2012)

Em uma tubulação horizontal de diâmetro constante ocorre um escoamento de água em regime


permanente. Desprezando as trocas de calor com a vizinhança e considerando que o atrito viscoso
causa uma queda de pressão Δp = 85000 Pa e um aumento da energia interna do escoamento entre
duas seções, determine a variação de temperatura da água entre essas duas seções. Considere que a
variação da energia interna por unidade de massa é dada por Δu = cΔT e que o calor específico da
água é c = 4200 J/kg.K
Solução

Dados e hipóteses: Incógnita:

1) Tubulação horizontal de diâmetro constante; - ΔT na água.


2) Fluido incompressível (ρ = 1000 kg/m3)
3) Problema adiabático ( Q = 0) e sem trabalho de eixo ( We = 0);
4) Queda de pressão de Δp = p1 – p2 = = 85000 Pa;
5) Regime permanente;
6) Δu = cΔT, com c = 4200 J/kg.K
7) Propriedades constantes nas entradas e saídas.

Desenvolvimento:

Vamos utilizar o seguinte volume de controle:

Então, para as hipóteses do problema, a equação de conservação de energia para o VC mostrado é:


=0 Q − We =   ed  =0 +  eV A +  pV A (1)
(hip.3) t VC SC SC
(hip.5)

Pela hipótese (7) então:

− ( e1 VA + p1VA ) + ( e2 VA + p2VA ) = 0 (2)

Rearranjando:

( e2 − e1 ) VA + ( p2 − p1 )VA = 0

( e2 − e1 ) VA − pVA = 0 (3)


V2
Mas e = gy + + u então:
2

 V2 V2 
 gy2 + + u2 − gy1 − − u1  VA − pVA = 0 (4)
2 2 
 

u VA − pVA = 0 (5)

Então, substituindo Δu = cΔT,

p 85000
T = = (6)
c  4200.1000

ΔT = 0,02 K

Resposta: O aumento de temperatura no fluido causada pelo atrito viscoso é de 0,02 K.


Problema 4 – Adaptado do Problema 5.21 de Livi (2012)

A bomba mostrada no esquema da figura recebe água, com vazão Q = 0,2 m3/s, através do duto de
sucção de diâmetro D1 = 20 cm e a descarrega através do duto de descarga de diâmetro D2 = 15 cm
que está instalado com uma elevação y2 = 0,5 m em relação à tubulação de sucção. A pressão
manométrica na entrada da bomba é igual a p1,m = - 30000 Pa, enquanto que a pressão manométrica
no tubo de descarga é igual a p2,m = 300000 Pa. Considerando que não há trocas de calor e desprezando
o atrito viscoso, determine a potência fornecida pela bomba ao escoamento.
Solução

Dados e hipóteses: Incógnita:

1) Q = 0,2 m3/s; - Wbomba .


2) Fluido incompressível (ρ = 1000 kg/m3);
3) Regime permanente;
4) D1 = 20 cm e D2 = 15 cm;
5) y1 = 0 m, y2 = 0,5 m;
6) p1,m = - 30000 Pa, p2,m = 300000 Pa;
7) Problema adiabático ( Q = 0) e isotérmico;
8) Atrito viscoso desprezível;
9) Propriedades constantes nas entradas e saídas.

Desenvolvimento:

Vamos utilizar um volume de controle que engloba apenas regiões que contenham fluido dentro da
bomba de forma que Wbomba é fornecido para o VC e, portanto, We = −Wbomba .

A equação da energia para as hipóteses apontadas é igual a:

Wbomba = − ( e1  Q + p1Q ) + ( e2  Q + p2Q ) (1)

Ou:

Wbomba = ( p2 − p1 ) Q + ( e2 − e1 )  Q (2)

Como p2 – p1 = p2,m + patm – (p1,m + patm), então p2 – p1 = p2,m – p1,m e:

Wbomba = ( p2,m − p1,m ) Q + ( e2 − e1 ) Q (3)

V2
Substituindo e = gy + + u em (3):
2
 V2 V2 
Wbomba = ( p2,m − p1,m ) Q +  gy2 + 2 + u2 − gy1 − 1 − u1  Q (4)
 2 2 

Mas y1 = 0 e u2 = u1, então:

 V2 V2 
Wbomba = ( p2,m − p1,m ) Q +  gy2 + 2 − 1  Q (4)
 2 2 

V2 e V1 podem ser encontradas da aplicação da equação da CM para o mesmo VC. Assim:

V1 D12 V2 D22


Q= → V1 = 6,366 m/s e Q= → V1 = 11,318 m/s
4 4

Portanto:

 6,3662 11,3182 
Wbomba = ( 300 + 30 )103.0, 2 +  9,8.0,5 + − 1000.0, 2
 2 2 

Wbomba = 52, 2 kW

Resposta: A potência fornecida pela bomba à água é de 52,2 kW.

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Este material se destina aos alunos regularmente matriculados na disciplina PP036 – Fenômenos de transporte.
A reprodução e/ou compartilhamento integral ou em parte só poderá ser feita mediante autorização expressa da autora.
Parte deste conteúdo foi retirado dos livros constantes da bibliografia e/ou de outros materiais didáticos.

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