2.

REVISÃO DE LITERATURA
2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DO COOPERATIVISMO Neste momento de grandes transformações que afetam sensivelmente a nossa estrutura social e econômica, com o agravamento das crises sociais, tanto no campo (sem-terra) com nas cidades (sem-tetos e sem-empregos), o cooperativismo mostra-se uma das mais viáveis alternativas para resolução de tais problemas, pois a origem do cooperativismo está ligada diretamente às dificuldades e lutas que os seres humanos travaram em defesa de sua dignidade. Os precursores do cooperativismo são representados pelos homens que se dedicaram a buscar uma forma de melhor organizar as sociedades em época de grandes mudanças, e que, devido ao seu despreparo, são sempre acompanhadas de grandes problemas sociais, tais como: desemprego, instabilidade econômica, incertezas, medo, fome, violência, entre outros males que afetam a sociedade moderna. A formação do pensamento cooperativo se deu graças ao sucesso dos Pioneiros de Rochdale, que demonstraram ser possível a união das pessoas em torno de um objetivo, e que a organização de uma cooperativa pode melhorar a situação econômica, social e as condições de vida de uma comunidade cooperativada. A modernização do pensamento cooperativo correu com as ramificações das cooperativas de crédito, com os estudos de Charles Gide, desenvolvidos na Escola de Nimes, e com a atuação da ACI - Aliança Cooperativa Internacional, cuja finalidade máxima é intensificar o intercâmbio entre as cooperativas dos diversos países, tanto no campo doutrinário, como no educativo e no técnico. 2.1.1 Origem do Cooperativismo A cooperação sempre existiu nas sociedades humanas, desde as eras mais remotas, estando sempre associada às lutas pela sobrevivência, às crises econômicas, políticas e sociais, bem como às mudanças. Os melhores exemplos de cooperação aparecem quando se estuda a organização social dos antigos povos como babilônios, gregos, chineses, astecas, maias e incas. A cooperação econômica se fortaleceu no século XVI, com P.C. Plockboy, que idealizava a "cooperação integral" por classes de trabalhadores, e com Jonhn Bellers, que procurava organizar "Colônias Cooperativas", para produzir e comercializar seus produtos, eliminando o lucro dos intermediários. O cooperativismo moderno surgiu junto com a Revolução Industrial, como forma de amenizar os traumas econômicos e sociais que a Revolução Industrial trouxe com suas mudanças e transformações. Pois o industrialismo, na sua primeira etapa, fez com que os artesãos e trabalhadores migrassem para as grandes cidades, atraídos pelas fábricas em busca de melhores condições de vida. Essa migração fez com que houvesse excesso de mão-de-obra, resultando na exploração do trabalhador de forma abusiva e desumana, com jornada de trabalho de até 16 horas/dia, com salários insignificantes que não lhes garantiam a compra dos alimentos, obrigando mulheres e crianças a ingressar no mercado de trabalho, em condições mais desumanas que a dos homens.

2.1.1.1 Os Precursores Tais injustiças econômicas e sociais provocaram reações de diversos pensadores socialistas que não aceitavam as condições desumanas a que os trabalhadores eram submetidos, e começaram a divulgar idéias e experiências destinadas a modificar o comportamento da sociedade. Essa preocupação com as questões sociais fizeram com que os "socialistas" estudassem as formas de organização das civilizações antigas até descobrirem a cooperação como instrumento de organização social. Os socialistas que exerceram influências sobre o cooperativismo moderno, foram Owen, Fourier, Buchez e Blanc. 2.1.1.1.1 Robert Owen (1771-1858) Owen afirmava que o homem é o resultado de seu meio social; para modificá-lo, seria necessário modificar o meio social, mas de forma pacífica, gradual e moderada, a fim de que nenhuma parte do corpo político nem do indivíduo sofressem com a mudança. A modificação do caráter dos indivíduos, por sua vez, acarretaria mudanças no sistema social. Suas principais ações baseavam-se em: a) combater o lucro e a concorrência, por considerá-los os principais responsáveis pelos males e injustiças sociais; b) combater a divisão social entre operários e patrões, pois considerava que toda a produção devia ser dos trabalhadores; c) criar medidas previdenciárias e de assistência social aos funcionários de sua fábrica de fios de algodão em New Lanarck (Escócia). 2.1.1.1.2 François Marie Charles Fourier (1772-1837) Procurou harmonizar os interesses dos trabalhadores, dos capitalistas e dos consumidores, pois acreditava que "as desigualdades entre pobres e ricos fazem parte do plano de Deus e tudo o que provém de Deus é bem feito", e que os problemas econômicos e sociais poderiam ser resolvidos por meio dos Falanstérios, onde os homens viveriam suas diferenças com justiça e harmonia. 2.1.1.1.3 Phelippe Josepnh Benjamins Buchez (1796-1865) Defendia a associação cooperativa dos operários por categoria profissional de forma pacífica e sem espoliações, para que eles se tornassem produtores livres, e, com isso: a) tivessem poupanças em comum; b) obtivessem empréstimos em comum; c) assegurassem salários iguais a todos. As principais características da associação cooperativa defendida por Buchez eram: a) sustentação financeira sem o auxílio do Estado; b) a dupla função aos associados de empresários e empregados; c) retorno das sobras (lucros) proporcionais ao trabalho; d) a indivisibilidade e inalienabilidade do capital social da cooperativa. 2.1.1.1.4 Louis Blanc (1812-1882) Defendia a associação de operários em fábricas sociais, que no primeiro momento seria organizada e financiada pelo Estado, pois defendia que o Estado era responsável pelos

problemas econômicos e sociais. As fábricas sociais seriam organizadas por estatutos próprios, mas dentro do princípio da igualdade, segundo o qual as sobras líquidas seriam divididas em três partes, sendo uma para os operários, uma constituiria um fundo de assistência social e o restante para capitalização e fortalecimento financeiro do empreendimento. 2.1.2 Formação do Pensamento Cooperativista Formam o pensamento cooperativo: a) idéias sociais dos precursores; b) experiências cooperativistas dos trabalhadores ingleses e franceses, principalmente as de Rochdale; c) idéias e princípios do cooperativismo de crédito; d) estudos da escola de Nimes. 2.1.2.1 Os Pioneiros de Rochdale Muitas experiências cooperativas não obtiveram sucesso devido às condições políticas desfavoráveis e, principalmente, pela forma como as cooperativas eram criadas. O sucesso aconteceu em Rochdale (distrito de Lancashire, na Inglaterra), devido às iniciativas próprias de 28 tecelões, que buscavam um meio de melhorar suas condições sociais e econômicas. A história do cooperativismo registra que em Rochdale, no dia 24.12.1844, os Pioneiros de Rochdale inauguraram um armazém, organizado e regido por normas estatutárias que, segundo Pinho (1982), objetivavam: a) formação de capital para emancipação dos trabalhadores, mediante economias realizadas com a compra em comum de gêneros alimentícios; b) construção de casas para fornecer habitação a preço de custo; c) criação de estabelecimentos industriais e agrícolas com duplo objetivo: produzir direta e economicamente tudo o que fosse indispensável às necessidades dos trabalhadores, e assegurar trabalho aos operários desempregados ou que percebiam baixos salários; d) educação e luta contra o alcoolismo; e) comercialização (compra e venda) somente a dinheiro, para que os cooperados só assumissem compromissos dentro de suas possibilidades orçamentárias, e evitando o crédito, que considerava um "mal social"; f) cooperação integral. Os estatutos da sociedade dos Pioneiros de Rochdale, com seus princípios, normas e estrutura organizacional, passaram a ser os Fundamentos Doutrinários do Cooperativismo, que são: a) livre adesão e demissão dos sócios; b) direito de um voto por associado ( um homem - um voto); c) juros limitados ao capital; d) distribuição das sobras (lucros) proporcional à operação; e) fundo de reserva para aumento do capital, e f) fundo de reserva para desenvolvimento da educação. 2.1.2.2 Cooperativas de Crédito As cooperativas de crédito, juntamente com as experiências dos Pioneiros de Rochdale, contribuíram para a formação do pensamento cooperativo. Entretanto, devido às particularidades regionais, especialmente na Alemanha e Itália, seus princípios diferem dos Pioneiros de Rochdale. As cooperativas de crédito apresentam diversos subtipos específicos, com princípios diferentes daqueles que as inspiraram, como os modelos

comerciantes. a 10% do capital subscrito. como. que sempre as adaptavam às suas próprias condições econômicos-sociais. por nós mesmos. 2. mas não tinha o caráter de organização classista. os bancos populares de tipo Luzzatti e as Cooperativas Haas e Wollemborg. c) o fundo de reserva era limitado. de modo solidário e ilimitado. vivia na pequena cidade de Delitzsch. pelos negócios da sociedade. que também recebeu o nome de seu fundador . e) não remuneravam os dirigentes da sociedade. durante os anos difíceis de 1847-1848. d) preconizavam a organização de um banco central para atender às necessidades das diversas cooperativas de crédito. Assim.3 Luzzatti. permitindo a participação de todas as categorias econômicas.2. pequenos empresários). c) Davam grande importância à formação moral dos associados.1 Schulze-Delitzsch Trata-se de modelo de cooperativa de crédito cujo idealizador. segundo Pinho (1982). Daí seu nome: Cooperativa de Crédito Schulze-Delitzch. chamado Schulze. Haas e Wollemborg. 2. os quais se responsabilizavam.2.2 Raiffeisen Friedrich Wilhem Raiffeisen (1818-1888). em sua escola o indivíduo se prepara para trabalhar pelo bem geral da comunidade a que pertence". recusando auxílio do Estado ou de caráter filantrópico. Para Schulze. 2. organizou na Alemanha. sendo o capital da sociedade constituído pelos próprios associados através de quotas-partes. sobretudo. somente a organização social poderia elevar o nível de vida e de cultura da sociedade: "por meio da associação.2. quanto às obrigações contraídas pela cooperativa.2. natural da Renânia. A associação nos ensina a governar. destinadas a atender às necessidades dos agricultores. a sociedade moderna organiza sua iniciativa para exercer eficaz ação em todas as esferas da vida às quais o Estado. na Alemanha. por exemplo. cooperativas de crédito. . b) admitiam auxílio de caráter filantrópico. a vida privada e a vida pública. à classe urbana (artesãos. não pode chegar.Desjardins. geralmente.2. As cooperativas raiffeiseanas apresentam as seguintes características: a) fundamentavam-se no princípio Cristão de amor ao próximo. surgiram outros sistemas. embora preferissem o princípio de entre ajuda. com todo o seu poder. No Canadá desenvolveu-se outro tipo de cooperativa de crédito. As características principais da Cooperativa de Crédito Schulze-Delitzsch são as seguintes: a) destinava-se.1. os quais inspiraram os tipos Luzzatti.2. Haas e Wollemborg O sistemas Schulze-Delitzsch e Raiffeisen inspiravam os organizadores de cooperativas de crédito em diversos países.Schulze-Delitzsch e Raiffeisen. f) não distribuíam retorno. d) o lucro era distribuído entre os sócios na forma de dividendo.1. b) adotava o princípio de "auto-ajuda". e) os sócios respondiam de modo solidário e ilimitado.1.

5ª) combater o alcoolismo . que se tornou o maior sistematizador do pensamento cooperativo rochdaleano. assim.3 A Escola de Nimes Originou-se por volta de 1886. As cooperativas do tipo Wollemborg. As cooperativas do tipo Haas representam uma transição entre os tipos Raiffeisen e Schulze-Delitzsch. através de depósitos regulares. o caráter econômico da sociedade. 4º) suprimir os parasitas. sem sacrificar a satisfação das necessidades. já que a devolução dos ganhos.2. dos quais exigiam sérias qualidades morais e fiscalização recíproca. Haas conserva de Raiffeisen: a idéia de limitação da atividade cooperativa a um círculo restrito e a idéia de agrupar as cooperativas em federações. onde algumas pessoas se reuniam para discutir problemas econômicos da época. Organizadas na Alemanha por volta de 1883. familiares e pessoais. com as seguintes modificações: a) adotavam o princípio do "auto-ajuda". c) concediam empréstimos mediante palavra de honra. proporcionalmente às operações realizadas pelos sócios na cooperativa. 2º) pagar a dinheiro. que seria apenas supletiva.2. destinavam-se inicialmente a consolidar a independência dos agricultores. As cooperativas de crédito Desjardins representam uma forma de aplicação do auxílio mútuo à atividade econômica. distinguemse das sociedades raiffeiseanas principalmente por abandonarem o ponto de vista ético. pequena cidade ao Sul da França. E. com o objetivo de criar nos associados o hábito da economia sistemática. embora admitissem ajuda estatal. com base em um só voto por pessoa (um homem = uma voz). no começo do século XX. educando-os democraticamente. 3º) poupar sem sofrimento. ao mesmo tempo.1. ou seja. através do auxílio-mútuo. sob a forma de retorno dos excedentes (lucros).finalidade educativa já acentuada pelos Pioneiros de . beneficiando-os com empréstimos a juros baixos.4 Desjardins Alphone Desjardins idealizou em Lévis (Québec) um tipo especial de cooperativa de crédito. Schulze-Dellitrzsch e Luzzatti. dentro do princípio de autogestão. a partir de 1864.2. de maneira a reduzir ao mínimo os órgãos de transmissão das riquezas do produtor ao consumidor.Os bancos populares fundados por Luzzatti. permite-lhes economizar. para atendimento das necessidade profissionais. porém.1. que considerava uma das formas de escravidão. na Itália. preocupando-se com o aspecto financeiro da empresa. a de Schulze-Delitzsh. inspiravam-se nos modelos de Schulze-Delitzsch. deixando as doze virtudes do cooperativismo. utilizando os conceitos das cooperativista de Raiffeisen. somados à tradição dos "saving banks" dos Estados Unidos e dos ensinamentos das encíclicas da Igreja Católica dos Papas Leão XIII e Pio X. b) davam grande importância às condutas dos associados. aos aspectos éticos e cristões acentuados por Raiffeisen. eliminar os intermediários. renunciando. desaparecendo tão logo a própria sociedade tivesse condições de resolver os seus problemas. que são: 1º) viver melhor ou conseguir melhor nível de vida. a fim de evitar a dívida. organizadas na Itália a partir de 1883. 2. 2. O principal representante da Escola de Nimes foi Charles Gide. em Nimes. d) não remuneravam os administradores da sociedade.

g) revolução social. criando a preocupação com a satisfação das necessidades dos homens e não com a obtenção de lucros. franceses e alemães. a influência de Charles Gide foi decisiva para que a ACI acatasse a "Hegemonia do Consumidor" (que é a vitória da produção cooperativada de consumidores. e portanto. inclusive o trabalho de direção e os trabalhos intelectuais preparatórios. com a seguinte redação: a) adesão livre (porta aberta). De acordo com Schneider (1991).1 ACI e os Princípios de Rochdale Os princípios de Rochdale de 1844 só foram recomendados como critérios para filiação à ACI a partir do décimo Congresso da ACI em Basiléia em 1921. que seria o instrumento de libertação do trabalhador assalariado. b) controle democrático. no educativo e no técnico. segundo ele. atenderiam aos interesses de todas as pessoas. em retorno ao trabalho. A fundação da ACI foi precedida por intensos debates entre duas correntes: a da Hegemonia do Produtor que pregava a transformação social por intermédio das cooperativas de produção. o sacador torna-se seu próprio sacado. que é coletivo e está a serviço de um interesse geral e permanente. com retorno proporcional às operações) em detrimento da "Emancipação do produtor" ou produção de trabalhadores cooperativados. apoiadas pelas cooperativas de crédito. as cooperativas de produção. pois sendo elas que cuidam do lar e fazem as compras.Rochdale. na cooperativa de crédito. j) adesão voluntária k) espírito de serviços. 9º) construir uma propriedade coletiva.3. h) comércio verdadeiro.1. 7º) educar economicamente o povo. e) transações à vista. na cooperativa de habitação o locatário torna-se seu próprio locador. pois entendiam que todas as pessoas são consumidoras e nem todas são trabalhadoras. na cooperativa de produção. com o objetivo de criar um órgão representativo mundial. Pois. no campo doutrinário. defendendo somente os interesses dos pequenos produtores da ameaça de se tornarem assalariados. através da formação de um patrimônio cooperativo. o operário torna-se seu próprio patrão. d) juros limitados ao capital. mas remunerando convenientemente todo trabalho consagrado à produção. 8º) facilitar a todos o acesso à propriedade.3 Aliança Cooperativa Internacional . acima de nossas existências efêmeras. com a participação dos funcionários nos lucros das empresas e a da Hegemonia do Consumidor que pregava a transformação social pela organização das cooperativas de consumo. 12º) abolir os conflitos .ACI A ACI foi fundada em 1895. por isso as cooperativas de consumo são mais universais nos objetivos que defendem. 10º) estabelecer o justo preço. l) cooperação entre cooperativas . o consumidor torna-se seu próprio fornecedor. 2. 2. 11º) eliminar o lucro capitalista. i) comércio exclusivo com membros. que intensificasse o intercâmbio entre as cooperativas dos diversos países. de modo que toda disputa social cessaria por falta de combatentes. devem conhecer os problemas do consumo e das cooperativas.1. f) neutralidade política e religiosa. tornando-o apto para a autogestão econômica e política. e assim por diante. 6º) interessar as mulheres nas questões sociais. por iniciativa de líderes cooperativistas ingleses. pleiteavam apenas a reconciliação entre o capital e o trabalho gerando a paz social. c) retorno dos dividendos sobre as compras.na cooperativa de consumo.

3. divididos em duas categorias. Outra característica desse período foi o envolvimento do poder público na economia e na sociedade. principalmente logo após a Segunda Guerra Mundial. As exclusão dos princípios de educação cooperativa e neutralidade política e religiosa como condição essencial de filiação à ACI pode ser considerada como uma manobra política. Em tais países as cooperativas se transformaram em meras repartições estatais de consumo e abastecimento. para examinar a aplicabilidade dos princípios cooperativistas nas diversas partes do mundo e em diferentes sistemas econômicos.1.2 A Primeira Reformulação dos Princípios Cooperativistas No 13º Congresso da ACI de Viena (1930). perdendo sua liberdade e autonomia. No 22º Congresso da ACI. ou contavam com um partido cooperativista. . 3) distribuição das sobras (ou excedentes) pro-rata das transações e 4) juros limitados ao capital. Na Itália fascista (1922) e na Alemanha nazista (1933). em Viena. da seguinte forma: Princípios Essenciais como condição de adesão à ACI: 1) adesão aberta. interferência que provocaria o imediato desligamento do cooperativismo desses países da ACI: 2. na Bélgica e em outros países as cooperativas estavam estreitamente vinculadas às teses e às atividades dos partidos socialistas.Inglaterra). 2) controle ou gestão democrática. o cooperativismo de consumo sofreu a interferência do Estado ou do partido.1. No 15º Congresso da ACI. No Congresso da ACI de 1966. que junto com as grandes empresas capitalistas geraram situações de monopólio. com grandes parques industriais como resposta necessária aos desafios da concorrência. os líderes cooperativistas começaram a questionar como se aplicariam os princípios cooperativistas à nova realidade econômico-política da época. foi aprovada a atualização dos princípios cooperativistas. com uma crescente automação das indústrias e progressiva opção por economias de escala.2. sufocando as pequenas e médias empresas e tornando a sociedade cada vez mais dependente e explorada pelos seus interesses. resultando em empresas multinacionais gigantescas. em 1963 (Bournemouth . os princípios cooperativistas foram aprovados com a seguinte redação: 1) adesão livre (inclusive neutralidade política. realizado em Paris em 1937. sob o enfoque de que a situação econômica da época já não era a mesma de 1844. com a criação e o fortalecimento de complexas empresas estatais.3. Tais transformações afetaram as cooperativas. iniciou-se a primeira revisão dos princípios de Rochdale.3 A Segunda Reformulação dos Princípios Cooperativistas No período de 1930-60. iniciou-se um período de grandes transformações com profundas mudanças econômicas e tecnológicas. pois na Inglaterra. obrigando-as a se transformar de pequenas associações em empresas cooperativas administrativamente complexas. Métodos Essenciais de ação e organização: 5) neutralidade política e religiosa. 6) compras e vendas à vista. e 7) promoção da educação. Por isso foi instituída uma comissão especial.

3. atualizada pelo Congresso do Centenário da Aliança Cooperativa Internacional . abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidade como membros. Eis a definição de cooperativa dada pela ICA em 1995: "Uma associação autônoma de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer suas necessidades comuns. propriedade comum da cooperativa. normalmente. 6) intercooperação. são responsáveis perante estes. 5) constituição de um fundo para educação dos cooperados e do público em geral. Parte desses capital é. 3) distribuição das sobras: a) ao desenvolvimento da cooperativa. racial e social). 4) autonomia e independência. Nas cooperativas de primeiro grau os membros têm igual direito de voto (um membro. a revisão mais recente terminou em setembro de 1995. 5) educação. formação e informação. 4) taxa limitada de juros ao capital social. Os homens e as mulheres. sem discriminações de sexo. 2. 2º) Gestão Democrática pelos Membros: as cooperativas são organizações democráticas. sociais. 2) gestão democrática. através de uma empresa de negócios da qual possuem a propriedade em conjunto e a controlam democraticamente. pelos seguintes princípios: 1) adesão voluntária e livre. Os membros recebem. em plano local. que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. no Congresso Centenário de ACI em Manchester. e pode ser utilizada por qualquer tipo de cooperativa em qualquer setor ou país.ACI. 7) interesse pela comunidade". A redação dos "Princípios dos Pioneiros de Rochdale". b) aos serviços comuns. é assim entendida: 1º) Adesão Voluntária e Livre: as cooperativas são organizações voluntárias. A nova redação dos princípios cooperativos aprovada no pela ACI preocupou-se em dar uma definição formal e internacional do que seja uma cooperativa. 6) ativa cooperação entre as cooperativas. raciais. . 3º) Participação Econômica dos Membros: Os membros contribuem eqüitativamente para o capital das suas cooperativas e o controlam democraticamente. A definição da Aliança Cooperativa Internacional identifica claramente as características principais de toda organização cooperativa. 2) gestão democrática pelos membros. 3) participação econômica dos membros. políticas e religiosas.religiosa. eleitos como representantes dos demais membros. nacional e internacional. um voto). controladas pelos seus membros. pois o crescimento quantitativo e empresarial das cooperativas fez com que os valores básicos do cooperativismo fossem substituídos pela eficiência econômicoadministrativa e pela necessidade de encontrar respostas eficazes ao crescente desafio de um mercado extremamente competitivo e monopolista devido à formação de grandes empresas multinacionais. foi convocada para examinar as mais profundas questões de identidade cooperativa.4 A Terceira Reformulação dos Princípios Cooperativistas Iniciada no ano de 1988.1. Essa revisão foi completamente diferente das primeiras. c) aos associados pró rata das operações. e as cooperativas de grau superior são também organizadas de maneira democrática.

Por exemplo: em 1993. eventualmente através da criação de reservas. Em muitos países os membros de todas as cooperativas é equivalente à maioria da população adulta. na Malásia.3. Informam o público em geral. controladas pelos seus membros. não só pela quantidade de membros e empregados. Canadá. ou recorrem a capital externo. as cooperativas da Suécia em conjunto movimentaram em torno de US$ 20 bilhões ou 8% do PIB. incluindo instituições públicas. com mais de 100 milhões de pessoas empregadas pelo sistema cooperativista. 5º) Educação. b) benefício aos membros na proporção das suas transações com a cooperativa. As empresas cooperativas possuem uma significativa importância na economia global. através das estruturas locais. no Sirilanka e nos EUA. Se estas firmarem acordos com outras organizações. Formação e Informação: as cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros. o movimento cooperativista é também significante. particularmente os jovens e os líderes de opinião. um total de 800 milhões de homens e mulheres são atualmente membros associados de empresas cooperativas. eficazmente. 6º) Intercooperação: as cooperativas servem de modo mais eficaz os seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo. dos representantes eleitos e dos trabalhadores de forma que estes possam contribuir. Em muitos países em desenvolvimento que exportam . se houver. e 7º) Interesse pela Comunidade: as cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros. Os membros destinam os excedentes a um ou mais dos seguintes objetivos: a) desenvolvimento das suas cooperativas. para o desenvolvimento das suas cooperativas. c) apoio a outras atividades aprovadas pelos membros. 4º) Autonomia e Independência: As cooperativas são organizações autônomas de ajuda mútua. devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático pelos membros e mantenham a autonomia das cooperativas. a metade da população mundial. nacionais e internacionais. Finlândia. 2. que são aproximadamente três bilhões de pessoas.1. Israel e Uruguai. ou seja. de 61% na França. 1995) Economicamente. Na região Basca da Espanha. mas pelo número de famílias que indiretamente são beneficiadas por empresas cooperativas. em Portugal. no Japão. regionais. como condição de sua adesão. Dados da ACI revelam que o número dos associados em cooperativas está na proporção de 70% e 79% na Áustria. em 1989 as ações cooperativas representam 15% do PIB regional. sobre a natureza e as vantagens da cooperação. será indivisível.(ICA. entre 50% e 59% na Bélgica e na Noruega. pelos menos. parte das quais. uma remuneração limitada ao capital integralizado. na Índia. trabalhando em conjunto. e entre 40% e 49% na Dinamarca. Em outra economia de mercado as ações cooperativistas são bem mais representativas.habitualmente.5 Dimensão Internacional do Movimento Cooperativista De acordo com dados da ICA (1995). Chipre.

Canadá. Finlândia e Suécia. presunto e peru são produzidos por cooperativas rurais.(Grassi & Canziani. manteiga ou margarina. e geram receitas superiores a 87 bilhões de dólares. As cooperativas norte-americanas comercializam em torno de 30% de todos os produtos agrícolas dos EUA. .4 O Instrumental Cooperativista O instrumental cooperativista é formado por três modelos cooperativistas. Por exemplo: em 1993. 95% da produção de arroz e 90% do pescado. os membros das cooperativas de créditos e seguros representavam em torno de 35 % e 45% da população adulta da Austrália. da racionalização administrativa e contábil etc. na União Européia. unir-se a outras cooperativas de consumo para beneficiar-se das vantagens dos preços das centrais de compras. 1995) As empresas cooperativas operam quase em todas as áreas da economia de quase todos os países. até as mistas (que combinam dois ou mais tipos de cooperativas) e integrais (que atendem as múltiplas necessidades dos associados e de suas famílias. em 1993. desde as especializadas no atendimento de necessidades econômicas e sociais específicas. Por fim em 1992. a produção cooperativa representam 55% da produção agrícola. cujas cem maiores (agrícolas e não-agrícolas) empregam mais de 750 mil pessoas. as cooperativas de empresas seguros registraram 20% do mercado. deve-se concentrar horizontalmente. a seus associados.1. 1995) Nos Estados Unidos. ou seja. Daí a necessidade de a cooperativa reunir um grande número de associados para conseguir significativo capital de giro. Além disso.1. Em 1992. na Suíça e Dinamarca 34% das vendas de alimentos foram efetuadas pelas cooperativas.(ICA.1 O Modelo de Consumo Objetiva fornecer gêneros alimentícios e bens de utilidade pessoal e doméstica a "preços mais vantajosos". amêndoas. pela eliminação dos intermediários e pela compra em grande quantidade diretamente da fonte produtora.4. No Brasil um terço dos médicos são associados a uma grande cooperativa de saúde.(ICA. Segundo Grassi & Canziani (1996) quarenta e uma das quinhentas maiores empresas norte-americanas são cooperativas. 2. as ações cooperativas caíram em torno de 10% a 20% do PIB. quer seja com ou não significativa importância em determinadas áreas. das quais 21 são agrícolas. Irlanda e Estados Unidos. os principais produtos consumidos nas refeições como: laranja. 2. No Japão. Na Índia as cooperativas possuem 6 milhões de membros associados em cooperativas de laticínios. A vantagem é obtida com a redução dos custos. 1992 os bancos cooperativos registram 17% do mercado de seguros.produtos in natura. suco de laranja. onde 43% do crédito agrícola provêm das poupanças ou cooperativas de crédito e bancos cooperativos e 65% da produção de açúcar vêm da produção cooperativada. Áustria. como os kibutzim). a partir dos quais são elaboradas todas as variações possíveis de cooperativa. 1996).

5.4. .3 Cooperativas de Crédito A cooperativas de crédito têm como objetivo fornecer recursos financeiros aos seus associados a custos mais baixos. f) obter o preço justo. mas não se abstém da liberdade social e democrática. As cooperativas de crédito podem ser urbanas e rurais. segundo Pinho (1966). 2. d) eliminar o assalariado. bem como à racionalização de todas as ações do cooperado.1 A Doutrina Cooperativista de Inspiração Rochdaleana O corpo principal da Doutrina Cooperativa foi desenvolvido a partir das experiências cooperativistas de Rochdale. A Doutrina Cooperativa. talento e capital). de maneira a atingirem o estágio de produção que lhes proporcione fluxo regular de produtos e relativa estabilidade de preços dos bens mais demandados pelos usuários-cooperados. bem como a seus interesses e aspirações. suprimir o assalariado e dar aos operários a posse dos instrumentos de produção e o direito de disposição do produto de seu trabalho. 2. 2. fazendo com que o lucro da atividade econômica (mercado financeiro) se reverta em benefício dos seus associados. com base nas cooperativas de consumo (hegemonia do consumidor). A igualdade é princípio básico do cooperativismo. g) realizar a república cooperativa.2 O Modelo Cooperativista de Produção As cooperativas de produção. independente do seu conteúdo ideológico. organizadas segundo os Princípios dos Pioneiros de Rochdale. cooperativas operárias de produção ou cooperativas de trabalhadores. Aos poucos se estruturou o seu modelo. pois não existem distinções de nenhuma espécie. atribui ao homem importância fundamental. segundo Pinho (1976). de Fourier (livre associação do trabalho. No cooperativismo o homem é o centro de tudo. inspiraram-se em uma espécie de síntese do rochdaleanismo e dos sistemas societários de Buchez.O ideal é também a concentração vertical das cooperativas de consumo. e) eliminar o lucro abusivo. com o objetivo de eliminar o patrão. A doutrina prima pela liberdade. Meio Utilizado: todos os tipos de cooperativas (especializadas ou integrais). c) eliminar a concorrência. de Louis Blanc e outros. mas foram esfaceladas pelo poder econômico dominante nos países em desenvolvimento. portanto a solidariedade está incorporada à doutrina.5 Doutrina Cooperativista A Doutrina Cooperativista é humanista. principalmente a econômica. sendo fortalecidas nos países desenvolvidos.4.1. b) prestar serviços. sistematizadas por Charles Gide e disciplinadas pela ACI a todas os tipos de cooperativas. 2.1. é assim representada: Finalidade Principal: a) corrigir e modificar o meio econômico-social.1.1. pacífica e gradativamente. No cooperativismo todos devem ser solidários.

Segundo Pinho (1976). quando Lênin e Mao TséTung estruturaram o socialismo. Na corrente doutrinária rochdaleana. não são suficientemente fortes para romper o sistema capitalista no âmbito nacional. h) neutralidade política. que em ambos os casos representam um tentativa de reintroduzir no trabalho aqueles que foram excluídos. baseia-se nos Princípios de Rochdale: a) adesão livre. k) vendas pelo "justo preço". só utilizaram as cooperativas como instrumento para reorganizar a economia. e) difusão limitada de juros ao capital. Para reverter esse quadro de exclusões. i) neutralidade religiosa. existem duas correntes de discussões. l) vendas a dinheiro. 2. Microcooperativismo é representada pelos autores que consideram as cooperativas somente como corretivo das distorções dos sistemas econômicos (capitalista ou socialista). como tal. n) aspiração à "república cooperativa".5. c) retorno pró rata das operações.4 A Autogestão Cooperativa A autogestão cooperativa pode ser entendida como gestão do sistema cooperativo pelos próprios associados. as cooperativas não apresentam conteúdo doutrinário próprio. g) cooperação entre as cooperativas. empresas de participação comunitárias e as cooperativas de trabalho. Por isso. 2. b) gestão democrática. inclusive as cooperativas operárias de produção.3 A Posição Marxista Para os pensadores marxistas.1. que são: do macrocooperativismo e a do microcooperativismo. ocasionando sempre o desemprego e a marginalização social daqueles que por qualquer motivo não acompanham tal evolução. j) neutralidade racial e social.5.2 A Corrente Doutrinária de Apoio às Cooperativas de Trabalho As mudanças econômicas e as transformações tecnológicas provocam significativas mudanças no mercado de trabalho. (hegemonia do consumidor). 2. por meio das organizações sociais.1. A autogestão exprime o desejo . É uma forma de democratização das decisões em organizações econômicas simples ou complexas. desempenham papel de complementação às atividades econômicas.Normas Operacionais. a sociedade e alguns órgãos nacionais e internacionais buscam. o) constituição de um patrimônio cooperativo indivisível entre os associados ("propriedade cooperativa"). Pinho.5. d) taxa limitada de juros ao capital. a interpretação marxista é que todas as categorias cooperativas. São consideradas meras técnicas organizatórias do trabalho operário e. característica que marca todas as cooperativas. desde os seus primórdios. não libertando o trabalhador. que se distinguem da seguinte forma: Macrocooperativismo busca atingir uma nova ordem econômica e social. especialmente no setor agropecuário. m) transações apenas com os membros. f) difusão da educação.1. pela organização do cooperativismo no plano macroeconômico. (1982) e Frantz (1986). soluções alternativas como: programas de empresas comunitárias.

que se submetem "fiduciariamente" e completamente aos interesses coletivos do grupo cooperativizado do qual é membro. Teoria da Cooperativização Fiduciária . cujo principal objetivo é auxiliar na correção das deficiências do Estado e as distorções dos sistemas capitalistas e socialistas. A preocupação com a racionalidade econômica da cooperativa iniciara-se com os alemães Franz Oppenheimer em 1896 e Robert Liefman em 1923.fundamenta-se no "homo cooperativus". com alguns esquemas de organização para certas fases do desenvolvimento cooperativo. As principais teorias que explicam o cooperativismo são: Teoria da Cooperativização Global . Administração e das Engenharias. 2.2 AS PRINCIPAIS TEORIAS DA COOPERAÇÃO Apesar da difusão do cooperativismo em todos os países e da sua importância nos mais diversos sistemas econômicos. que procura adaptar os princípios doutrinários do cooperativismo às novas mudanças que estão em curso. Isto acontece porque os pesquisadores cooperativistas não se preocuparam com o desenvolvimento da Teoria Econômica Cooperativista. sem interesses individuais ou egoístas. mas também evidencia. Essas três teorias.2. como: a) baseiam-se na atitude solidária dos cooperados mas não especificam quem tem a legitimidade para conduzir essa atitude solidária. não correspondem às exigências práticas para o desenvolvimento do cooperativismo.1 As Principais Teorias Cooperativistas Nas últimas décadas. adaptando a Doutrina Cooperativista ao atual ambiente sócio-econômico. o que pode ser a atividade cooperativa. como é. Seguindo a "Escola de Münster".de auto-gerenciamento dos recursos públicos. tem surgido a Nova Teoria da Cooperação. os estudos sobre o cooperativismo preocupam-se em não apenas explicar o que é. por um grupo de professores universitários que se dedicam ao estudo das teorias e das atividades econômicas da empresa cooperativa. 2. Teoria da Cooperativização Sistêmica . isto fez com que surgissem vários modelos teóricos que procuraram explicar o que deveria ser a atividade cooperativa. b) descuidam do "como" obter a . em Münster na Alemanha. porque apresentam os mesmos defeitos. fazendo com que até hoje o cooperativismo seja estudado como uma Teoria da Economia Política e não como um importante instrumento de organização da produção agroindustrial. sem nenhuma proposta concreta.alicerçada nos Princípios de Rochdale e desenvolvida pelos utopistas franceses do século passado.baseia-se no ato de cooperar. e nas últimas décadas. Segundo Pinho (1982) e Boettcher (1980). segundo Pinho (1982). com a transferências de parte do poder de decisão para a participação ativa do cidadão no poder. o estudo do cooperativismo tem sido ignorado por quase todos os pesquisadores das ciências: Econômica. sua principal característica é a oposição à economia de mercado e à concorrência. mas apenas com os aspectos doutrinários.

numa economia de mercado as cooperativas têm de atuar não como uma empresa. independentemente das unidades econômicas dos associados. autogestão e auto-responsabilidade. mas como um empreendimento que através do . ao contrário. para corrigirem suas falhas estruturais. Teoria Münster . Moderna Teoria da Cooperação. sociais e psicológicas que levam o homem a se tornar um cooperado e o comportamento do grupo empresarial cooperativo. cuja cultura cooperativista foi corrompida pelo individualismo do cooperado. A Moderna Teoria da Cooperação tem como objetivo alertar as cooperativas. permite que fracos se desenvolvam dentro da economia competitiva. Teoria Cooperativa Neoclássica . c) da teoria do campo psicológico. A teoria do comportamento cooperativo procura definir o comportamento do cooperado pela análise: a) da personalidade econômica de base. . d) do plano cooperativo. mas. b) da situação problema. nem a concorrência. No entendimento de Jäger (1992 e 1995). suas rendas e seu prestígio devem aumentar proporcionalmente à melhoria da situação dos associados. De acordo com Boettcher (1980) os pressupostos mais importantes da Teoria de Münster são os seguintes: a) a cooperação não exclui o interesse pessoal. que defendem o cooperativismo como instrumento de organização da produção. Vienney e Koulytchizk.analisa as motivações econômicas.revela-se ao mesmo tempo como a mais dura crítica ao cooperativismo rochdaleano. c) descuidam do "como" obter o desenvolvimento dentro de um sistema cooperativo. e) entre os associados e a cooperativa deve haver solidariedade ou lealdade consciente. o que implica necessidade permanente de se adaptar às mudanças. c) a cooperativa adquire sua própria importância econômica. e como a mais realista para o desenvolvimento do cooperativismo nos países da América-Latina. principalmente aquelas ligadas ao paternalismo e a ingerência política. é dinâmico. cujo enfoque baseia-se na tríade do cooperativismo que é : auto-ajuda. Guelfat.estabilidade da organização cooperativa. pois aceita o fato de que o meio ambiente percebido pelo cooperado não é estático. que só quer tirar vantagens do cooperativismo e pela ambição político-econômica de alguns líderes. Procura explicar a percepção e o comportamento econômico do cooperado diante das variações no seu meio ambiente. daí. embasada em normas contratuais ou estatutárias (que legitimam essa lealdade) e não solidariedade cega. b) os associados buscam satisfazer seus interesses pessoais através de cooperativas quando verificam que a ação solidária é mais vantajosa do que a ação individual. Teoria do Comportamento Cooperativo . d) os dirigentes (conselho de administração e gerentes) atendem aos seus próprios interesses na medida em que fomentam os interesses dos membros da cooperativa.segue as tendências da "Escola Münster" e tem como principal representante Wilhelm Jäger. Pichette. deserções etc. da sociedade e da economia.segue os conceitos teóricos da Economia Neoclássica e foi desenvolvida por economistas como: Angers. principalmente as da América-Latina.). a necessidade de fiscalizar a gestão empresarial (conselho fiscal) e estabelecer controles institucionalizados contra ações negativas dos membros (como sabotagem na entrega de produtos. ao contrário.

com a crise econômica mundial que provocou.mercado desenvolva seus cooperados economicamente. que cresciam rapidamente devido à industrialização. com todas as adversidades conjunturais o cooperativismo brasileiro tornou-se um sistema organizado que participa da maioria das atividades da vida humana. por meio de alianças estratégicas. social e cultural brasileiro. Devido às particularidades do desenvolvimento político. na economia de mercado. A partir da década de 30.3 DESENVOLVIMENTO DO COOPERATIVISMO AGRÍCOLA NO BRASIL O cooperativismo agrícola se desenvolveu com os crescentes desafios impostos pelo governo no sentido de aumentar a produção de alimentos para consumo e para exportação. 2. Esta nova teoria quebra certos paradigmas do cooperativismo tradicional. 1995). estimulando a busca do desenvolvimento econômico. com isso tornando o país competitivo. o cooperativismo no Brasil se desenvolveu à sombra dos subsídios e do paternalismo do governo. vinculado à necessidade de comercialização da produção e do abastecimento dos centros urbanos industriais. Mesmo assim. o fechamento do comércio mundial. Até então o cooperativismo era um instrumento dos pequenos produtores para enfrentar a ação dos intermediários durante o período de comercialização dos excedentes da safra. mas antes é necessário conscientizar todos os cooperativistas de que no atual ambiente competitivo somente sobreviverão aquelas cooperativas que estiverem disposta a mudar. cujos benefícios pertença somente a eles.1982). b) as cooperativas criarem um novo modelo agrícola capaz de competir com as mais avançadas técnicas agrícolas dos países desenvolvidos. não eliminam a competição. c) as cooperativas operacionalizarem a integração vertical intercooperativas. Essa teoria tem demonstrado que o cooperativismo pode seguir os princípios doutrinários disciplinados pela ACI. cujo pressuposto básico é que as cooperativas. O objetivo inicial era a defesa da remuneração do trabalho familiar. cujos benefícios resultariam em melhores condições para o desenvolvimento dos centros urbanos industriais. econômico. da administração e das engenharias. entre outras ações. fazendo com que o café brasileiro ficasse . onde os interesses do poder econômico dominante prevaleceram sempre em detrimento dos interesses dos pequenos e médios agricultores. 2.1 Desenvolvimento do Cooperativismo Agrícola no Brasil O movimento cooperativista agrícola brasileiro surgiu no início do século XX. uma vez que a agricultura camponesa nessa fase não possuía nenhum instrumento de proteção (Coradini & Frederico. mas a tornam mais justa (Jäger.3. d) organizarem estrategicamente um sistema de financiamento único (Banco Central da Cooperativas de Crédito). Pela nova Teoria da Cooperação o desenvolvimento econômico do cooperativismo será atingido quando: a) as cooperativas utilizarem os mais modernos instrumentos da economia.

facilitando sua integração no mercado. Em termos ideológicos. barateando os custos da força de trabalho do setor industrial e urbano em expansão. foram bemsucedidas. Daí resultou que em 1932 fosse promulgado o Decreto 22. Assim. pois atribuiu à agricultura a função de produzir alimentos para o mercado interno. 1990) Com as alterações da economia nacional a partir do final da década de 1950. Segundo Duarte (1986). b) execução de políticas de desenvolvimento industrial de bens duráveis. pois se orientavam pelas crescentes necessidades de abastecimento das cidades da região sul e sudeste do país. de acordo com os padrões do modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo governo. (Valadares. passando a ser um instrumento governamental. A razão comum para este fato foi que as cooperativas não orientavam suas ações (produção e comercialização) de acordo com as necessidades reais do mercado consumidor. que procurava a organização dos produtores agrícolas. que disciplinava a constituição e o funcionamento das cooperativas. pois o modelo de desenvolvimento econômico da época caracterizava-se por: a) busca e acumulação de capital internacional. sob a óptica econômica o cooperativismo representou o elemento fundamental do processo de modernização agrícola. 1990) Por esse motivo. A partir de então. tais transformações refletiram diretamente no setor rural. As razões que levaram o governo a intervir na economia agrária por meio do cooperativismo foi o potencial econômico e ideológico do cooperativismo. o cooperativismo agrícola deixou de ser um movimento legítimo dos produtores. Somente as cooperativas que lidavam com produtos de abastecimento.239. o governo não só passou a regular a constituição de cooperativas.sem mercado. pois segundo Fleury (1983). facilitando e simplificando a sua fundação e isentando-as de uma série de impostos. Se na década de 30 a política do Governo tendeu para incentivar ao máximo a criação de cooperativas agrícolas. fez com que o Brasil redirecionasse seu modelo de desenvolvimento econômico no sentido de substituir a importação de bens duráveis pela industrialização.(Valadares. de capital nacional e internacional. fazendo das cooperativas um mecanismo de organização da produção que atenderiam aos interesses não só do governo e dos produtores. como procurou incentivar sua criação e expansão. as forças produtivas seriam desenvolvidas e as tensões e conflitos sociais seriam mantidos nos limites do politicamente tolerável para os interesses do governo populista. em virtude da intensificação da industrialização e da urbanização nessas regiões. como hortifrutigranjeiros e leite. mas também dos grandes grupos econômicos. O sucesso de tal modelo de desenvolvimento econômico dependia da modernização tecnológica da agricultura e do desenvolvimento de uma agricultura de exportação . que seriam feitas em nome das classes menos favorecidas. pelo seu conteúdo doutrinário o cooperativismo revestia-se de um caráter reformista necessário para justificar suas intervenções na economia. o setor agrícola e o cooperativismo agrícola passaram por profundas mudança. c) aceleração do desenvolvimento do complexo agroindustrial. na década de 40 grande parte dessas cooperativas se encontravam paralisadas ou sequer chegaram a funcionar.

abastecer o mercado interno e fazer da própria agricultura uma consumidora de produtos industrializados. Na época. ajustando e moldando o avanço do capitalismo no campo de acordo com sua política econômica e com os interesses da indústria e do sistema financeiro.3. b) facilidades nas compras dos produtos agrícolas. mercado consumidor de insumos industrializados e de bens de consumo. a agricultura passou a ser fornecedora de matérias-primas para o desenvolvimento da agroindústria no Brasil. como relata Duarte (1986). é necessário conhecer as formas de intervenção do governo e sua estratégia de atuação no processo de reprodução capitalista para a formação e desenvolvimento da agricultura. fonte de reserva da força do trabalho urbano. e à atuação do governo. c) difusão e incorporação de tecnologia industrial. beneficiamento e transporte da produção agrícola. inserindo-o no novo padrão de acumulação do capital. até a metade dos anos 80. o que só foi possível alcançar com seu desenvolvimento empresarial e com sua adaptação à dinâmica do modelo de acumulação e expansão do capital. composto por grandes empresas ligadas ao capital financeiro internacional e nacional.1. . Essa intervenção é definida como um apoio seletivo de produtos e produtores. o cooperativismo existente apresentava-se economicamente inexpressivo e sem estrutura organizacional que lhe possibilitasse operar nos moldes requeridos pelo Governo. d) aumento da produtividade física e econômica da lavoura.capaz de gerar divisas. provedora de alimentos para sustentar o desenvolvimento urbano e. diante das exigências impostas pelo modelo econômico adotado e por um mercado altamente competitivo. Assim. 2. ao cooperativismo restou a alternativa de se transformar. são selecionadas as condições técnicas e sociais em que se realiza a produção. Na execução de seu modelo o governo utilizou o cooperativismo como o instrumento para viabilizar a execução de sua política econômica agrícola. tornando-a economicamente inviável sem os recursos e o apoio do poder público. a transformação do cooperativismo agrícola se deu pela integração da produção agrícola à economia urbano industrial (agroindústria). isto é. Para entender o sentido dessas transformações segundo Coradini (1982). com as seguintes vantagens: a) redução dos custos operacionais e dos gastos de armazenagem.1 Estado e Cooperativismo no Processo de Reprodução do Capitalismo na Agricultura O desenvolvimento da economia brasileira a partir de 1950 foi voltado totalmente para a industrialização. Ainda segundo Duarte (1986). que passou a regular a produção por meio do crédito ou subsídios de acordo com um sistema de classificação. buscando a modernização organizacional e a expansão econômica. Segundo Coradini (1982). o desenvolvimento agrícola brasileiro fez do setor agrícola um sistema de reprodução do sistema de capital. no qual o governo exercia o controle da transferência de renda na agricultura. O controle do governo na integração da agricultura com a agroindústria resultou na dependência e na subordinação da agricultura.

as cooperativas não conseguiram superar os oligopólios vinculados à indústria de insumos agrícolas básicos. ou seja.1. por força de uma política governamental favorável à modernização e ao aumento da produção. passando a atuar como verdadeiras empresas capitalistas em busca de alta rentabilidade nos negócios. Pelo contrário. ocasionando um amplo debate sobre a participação das cooperativas em sociedades não-cooperativas e sobre a capitalização via mercado de capitais. agroquímicos) até a colocação dos produtos nas gôndolas dos supermercados. representado pela viabilização dos interesses dos segmentos envolvidos no ciclo produtivo (Valadares.2 Transformações do Cooperativismo Agrícola A transformação do cooperativismo agrícola em empresa cooperativa se processa a partir do final da década de 1950. É um instrumento do governo e das classes dominantes para desenvolver as forças produtivas e manter tensões e conflitos sociais nos limites do politicamente tolerável para o padrão de acumulação de capital e dominação pública. pois. 1990). na medida em que o cooperativismo reorganiza a estrutura produtiva (pela orientação. . o acirramento da competição internacional principalmente pela solidificação o Mercosul. organização e integração da produção agrícola).O cooperativismo agrícola da época aparece como agente da viabilização econômica e política do capitalismo agrícola dependente. as cooperativas que já estavam integradas ao setor agroindustrial sentiram necessidade de orientar-se pela economia de mercado. administrativa e comercial aumentada. Segundo Valadares (1990). mas também em relação às pressões do poder econômico dominante e do governo. aumentando sua participação no complexo agroindustrial e concorrendo diretamente com as agroindústrias da cadeia agroalimentar. que em vez de constituírem cooperativas centrais estão optando pela formação de "empresas agroindustriais com capital aberto". assume o seu caráter político. Isto fez com que aumentasse o poder de barganha das cooperativas frente aos concorrentes e acirrasse as divergências e a oposição dos setores da agroindústria e do comércio que concorrem diretamente com as cooperativas. Após a constituição de 1988 e com advento da autogestão cooperativa. Tal proposta baseia-se em experiência isolada de cooperativas do Rio Grande do Sul e do Paraná. disputando o mercado de igual para igual com grandes empresas nacionais e internacionais. Mesmo com crescimento expressivo. 2. fertilizantes. Com isso as cooperativas desenvolveram uma política de integração horizontal e vertical. o efeito da ação do governo na tentativa de orientar e recriar o cooperativismo agrícola se deve à expansão do espaço econômico de atuação das cooperativas como empresas e à crescente integração às políticas governamentais de desenvolvimento. Nas últimas décadas tem-se fortalecido a proposta de modernização do cooperativismo agrícola pela transformação das cooperativas centrais em sociedades anônimas. pois muitos são contra a remuneração do capital em detrimento da gestão democrática e da remuneração do trabalho. teve sua dependência política. financeira. desde o fornecimento dos insumos agrícolas (sementes.3. não só em relação às indústrias. Essa proposta tem dividido os líderes cooperativistas. de processamento e de comercialização de produtos agrícolas. com a finalidade de aumentar a competitividade e a produtividade pelo completo domínio do ciclo de produção de alimentos.

taxa que está dentro do padrão internacional de remuneração do capital pelo mercado financeiro. por meio de centrais. a estabilização econômica do país poderá propiciar a capitalização das cooperativas via associados (desde que estimulada). Espanha e até a própria organização das cooperativas nos regimes socialistas. política e cultural do Brasil. tanto conjuntural como estrutural. figurando o cooperativismo . Por outro lado. pois tecnicamente a utilização de capital de risco é mais vantajosa que a captação de capital de giro via mercado financeiro pelo fato já exposto. como a de Nova Petrópolis. na Alemanha. orientada pelos princípios de Rochdale e exemplos de teorias ou práticas cooperativistas de sucessos como as teorias desenvolvidas pela Universidade de Münster. A lei não era orgânica. eles deveriam estimular as alianças entre as cooperativas que estão ao longo da cadeia agroalimentar. O grande avanço de que o cooperativismo brasileiro necessita é de uma lei que preserve a gestão democrática e mantenha efetivamente os valores de autenticidade do cooperativismo. federações e confederações e só a partir de então buscar uma aliança mais consistente e segura com empresas não-cooperativas.º 979. pois independentemente do seu resultado operacional líquido as cooperativas devem remunerar os banqueiros e os donos do capital quando os recursos são captados via mercado financeiro. Em 06 de janeiro de 1903 surgiu a primeira lei cooperativista. criando as cooperativas de crédito. mas mesmo assim é oportuno discutir a captação de recursos via mercado de capitais. O equívoco dos líderes cooperativistas que defendem a alianças de cooperativas centrais com empresas não-cooperativas é fruto de um curta visão cooperativista. o decreto n.3. contrário da remuneração do capital de risco cujo lucro do dono do capital depende exclusivamente do resultado operacional líquido das cooperativas. pois a legislação cooperativa vigente limita a remuneração do capital ao máximo de 1% ao mês. e são essas leis que estão dificultando a modernização do cooperativismo frente à realidade sócio-econômica. sendo o Rio Grande do Sul o Estado pioneiro com o trabalho do padre Theodore Amstead. que facultava aos profissionais da agricultura e indústrias rurais a organização de sindicatos para defesa de seus interesses.Na discussão é importante considerar que as cooperativas já remuneram o capital de terceiros quando recorrem ao mercado financeiro em busca de recursos para financiar suas atividades. para que as cooperativas sejam empresas eficazes e competitivas. mas que não adote os valores de referências que sejam considerados inadequados à realidade brasileira. Logo a seguir formam-se cooperativas em Pernambuco e Goiás e ramificam-se por todo o território brasileiro. a um custo mais elevado que o do capital de risco especulado pelo mercado de capitais. pois antes de buscar o capital de risco e alianças com empresas não-cooperativas. e possibilite o desenvolvimento de uma teoria cooperativa brasileira. 2. Seja qual for a decisão da cúpula cooperativa brasileira. a modernização do cooperativismo brasileiro dependerá de leis. o Sistema Cooperativo de Mondragon. visto que o cooperativismo rochdaleano foi introduzido no Brasil por meio de leis.2 Legislação e Normas Cooperativistas As primeiras cooperativas no Brasil datam do final do século passado.

a base de sustentação para qualquer ação política de representatividade junto ao governo. que criou a Política Nacional de Cooperativismo e modificou as leis anteriores. porém igualando as cooperativas às sociedades anônimas. em 05 de janeiro. pelo Decreto n.º 8.239.º 1. A proposta para a criação da OCB . e revigorado a 01 de agosto de 1938. iniciou um trabalho para a união das duas entidades (UNASCO E ABCOOP). Havia uma representação denominada UNASCO .01. através da destinação do resultado das operações de crédito das entidades e de seus cooperados.º 22. e a criação obrigatória.637.º 24. Somente a 20 de junho de 1907 é que foi aprovado o Decreto n. que reformou a disposição do Decreto Legislativo n.Organização da Cooperativas Brasileiras . desta vez através do decreto-lei n. Em 10 de junho de 1934. Após o consenso sobre a representatividade.União Nacional das Associações de Cooperativas .que. segundo Pinho (1982).º 17. chegou a uma divisão.764/71 regulamenta a constituição e a organização do cooperativismo brasileiro da seguinte forma: a) para constituir uma cooperativa é necessário o mínimo de 20 pessoas. que possibilitou à maioria das cooperativas brasileiras concluir que era necessário constituir uma entidade que reunisse todas as tendências. e as cooperativas. mesmo já regulamentado o cooperativismo não tinha a coesão necessária à defesa dos interesses comuns.º 1.º 979.Aliança Brasileira de Cooperativas.º 60.º 59/66.ACI. o Decreto n.597/67.339 aprovou o regulamento destinado a reger a fiscalização gratuita da organização e o funcionamento das caixas Raiffeisen e bancos Luzzatti.637 cria sindicatos profissionais e sociedades cooperativas. com a decisão de apelar o governo para a substituição da legislação cooperativista em vigor. por divergências internas. 1969). Este decreto-lei foi regulamentado pelo Decreto n. de forma a incorporar os princípios aprovados em 1966 no congresso da Aliança Cooperativa Internacional . o Ministério da Agricultura do Governo Médici.misturado com o sindicalismo. A cisão fez com que o movimento cooperativista perdesse forças.1907. pelas cooperativas.532. de fundos de educação e de desenvolvimento.401.239. Na década de 60. 1996) A Lei 5. o Decreto n.647. .239/32 é revogado pelo Decreto n.764/71.(OCESC. número com que será considerada cooperativa de primeiro grau (singular). O cooperativismo rochdaleano incorpora-se à legislação cooperativista brasileira em 19 de dezembro de 1932. Em de 1969. o Decreto 22. Ano de 1907. de 19 de outubro. de 06. Em 1945 é novamente revigorado o Decreto n. juntamente com a oficialização do acompanhamento estatal sob a interveniência de órgãos criados para a coordenação e tutelação do Sistema Cooperativo. A 01 de junho de 1926. o Congresso Nacional promulga a Lei 5. A estrutura atual do cooperativismo brasileiro começou a ser definida com o Decreto-lei n.º 22.º 6.nasceu durante o IV Congresso Brasileiro de Cooperativismo (Belo Horizonte. pelo Decreto n. instituir o regime jurídico das sociedades cooperativistas. para definir a Política Nacional de Cooperativismo. que instituiu o Conselho Nacional de Cooperativismo. que regulamentava execução do Decreto n. surgindo outra entidade denominada ABCOOP .º 581.

ART. situação em que cada cooperativa singular tem um voto. inicia-se a defesa da "autogestão" junto ao Congresso Nacional. de natureza civil Forma e natureza jurídica próprias Sem finalidade lucrativa Características Adesão voluntária. através da Frente Parlamentar Cooperativista. uma cooperativa de terceiro grau. 1996) Com o fim da intervenção estatal no funcionamento das cooperativas.239/32   DECRETO LEI 59/66 ART.podendo ser criada em qualquer segmento da atividade humana. Com a realização do 10º Congresso Brasileiro de Cooperativismo. sendo também admitido o voto proporcional. e) todas as cooperativas singulares.OCE tem um voto na eleição da diretoria e do conselho fiscal da OCB . c) organização. d) do mesmo modo. c) três ou mais cooperativas singulares podem constituir uma central ou uma federação de cooperativas. federações e confederações tem um voto para eleger a diretoria e conselho fiscal da OCE . 4º   DECRETO 22. d) integração. realizado em março de 1988. Na década de 80 iniciam-se estudos para o desenvolvimento mais eficiente do cooperativismo brasileiro. (OCESC.3º           Definição de Cooperativa Sociedade de pessoas. sem a tutela do governo. QUADRO 1 . O quadro 1 compara a influência dos princípios de Rochdale na legislação cooperativista brasileira.Organização da Cooperativas Brasileiras. para eleger os membros do conselho de administração e do conselho fiscal. com o Sistema Cooperativo sendo responsável pelo seu direcionamento e crescimento. Forma jurídica própria. dirigentes e funcionários. g) autocontrole. a autogestão é alicerçada em: a) educação. admitindo-se o voto proporcional. f) revisão (auditoria).     Definição de Cooperativa Sociedade de pessoas de natureza civil ou mercantil Forma jurídica "sui generis" Sem finalidade lucrativa Características Variabilidade do Definição de Cooperativa Sociedade de pessoal de natureza civil. e) autonomia. através da participação e integração entre associados. b) na cooperativa singular. centrais. os próprios associados e dirigentes passaram a assumir total responsabilidade pela gestão da empresa-cooperativa: Segundo a OCESC (1996). ficando a autogestão definitivamente assegurada pela Constituição de 1988. independente do capital integralizado. cada cooperado poderá votar e ser votado. tendo direito a um voto (independentemente do número de quota-parte que detiver). f) cada organização das cooperativas de cada Estado . b) comunicação. isto é. consideradas de segundo grau.764/71 .Comparação da Legislação Cooperativista no Brasil LEI 5.Organização das Cooperativas do Estado. três ou mais cooperativas de segundo grau podem constituir uma confederação. conforme os interesses e as necessidades das mesma. Essa organização congrega e representa todos os segmentos do cooperativismo no seu Estado e presta serviços às filiadas. Sem finalidade lucrativa Características Adesão voluntária com número .

"quorum" para funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital. facultado. Insensibilidade das quotas-partes do capital a terceiros estranho à sociedade. ainda mesmo em "causa mortis". um só voto). podendo as cooperativas centrais. Retorno das sobras líquidas do exercício. controle e          limitado de associados. Indiscriminação política. Limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado. "quorum" para funcionamento e deliberar a assembléia geral. com exceção das que exerçam atividade de crédito. Limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado. proporcionalmente às operações realizadas pelo associado com a sociedade.      com número ilimitado de associados. Insensibilidade das quotas-partes de capital a terceiros estranhos à sociedade. Singularidade de voto. salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços. "quorum" para funcionar e deliberar em assembléia baseado no número de associados e não no capital. Indivisibilidade do fundo de reserva. Distribuição de lucros ou sobras proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo associado com a sociedade. saldo havendo impossibilidade técnica de prestação de serviços. Área de ação limitada à sede e municípios circunvizinhos extensível ao município imediatamente . Retorno das sobras líquidas do exercício quando autorizado pela assembléia. o estabelecimento de critérios de proporcionalidade. Variabilidade do capital social. salvo deliberação em contrário da        capital social para aquelas que constituem com capital social declarado. federações e confederações de cooperativas. Variabilidade do capital social ou inexistência dele. Indivisibilidade no fundo de reserva entre os associados. mesmo em caso da dissolução da sociedade. observando o critério da proporcionalidade. Singularidade do voto nas deliberações (cada associado. porém. proporcionalmente às operações realizadas pelo associado. Limitação do valor da soma de quotaspartes do capitalsocial que cada associado poderá possuir. religiosa e racial. representado por quotas-partes. fundado no número de associados presentes à reunião e não no capital-social representado. Área de ação circunscrita às possibilidades de reunião. Insensibilidade das quotas-partes do capital-social a terceiros estranhos à sociedade. Singularidade de voto. optar pelo critério da proporcionalidade.

racial. Em 1995.5039. Em 26 de março de 1996. e em decorrência do processo evolutivo do cooperativismo brasileiro.    Assembléia Geral. criado no Estado do Rio Grande do Sul. operações.3 Segmento do Cooperativismo Brasileiro . juntamente com os órgãos próprios de representação. confederação. Já sem a tutela governamental. os gestores do cooperativismo elaboram um Projeto de Lei Cooperativista que está em tramite no Congresso Nacional desde 1989. controle. 2.193/95.º 2. seguinte se aí não se apresentarem condições técnicas para instalação de outra cooperativa. o cooperativismo de crédito. bem como de federações e confederações de cooperativas de crédito". o Banco Central do Brasil publica a Carta Patente n. do BACEN.º 95. Prestação de assistência aos associados. quando prevista nos estatutos aos empregados da cooperativa. passam a constituir efetivamente o Sistema Cooperativo Brasileiro. segundo a OCESC (1996) as sociedades cooperativas. cujo objetivo principal é a modernização do cooperativismo no seu aspecto legal bem como a consolidação da sua autogestão. e centrais. Educacional e Social.0053. e autorizando o funcionamento do 1º banco cooperativista estadual.3. Neutralidade política e indiscriminação religiosa. Indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica. área de admissão de associados limitada às possibilidade de reunião. Fonte: Pinho (1982) A partir de então. operações e prestação de serviços. federações e centrais. obtém a tão almejada autorização para a constituição de bancos comerciais com a participação exclusiva de cooperativas de crédito singulares (exceto as do tipo 'Luzzatti'). que recebe a adesão das cooperativas de crédito do Paraná no mês de novembro de 1996. e. através da Resolução n. social.

Cooperativa Escolar e Cooperativa de Crédito . manutenção e administração de conjuntos habitacionais. Cooperativa de Consumo.. Habitacional: constituído por cooperativas de construção.Cooperativa de Produção. As cooperativas dos alunos das escolas agrotécnicas federais (EAF) são projeto do Ministério da Educação e do Desporto MEC e já existem em todo o território nacional. silvícolas. Crédito: constituído por cooperativas de crédito rural e urbano. ou Cooperativa de Pais. deficientes mentais e outros. necessitando de um tutor ou curador para o seu funcionamento. Este sistema oferece a prestação de vasto leque de serviços.. essas escolas selecionam jovens para o aprendizado e o exercício de práticas agropecuárias.. As fechadas são as que admitem como cooperados somente as pessoas ligadas a uma mesma empresa. até a assistência social e educacional aos cooperados. A partir da década de 80 o cooperativismo de crédito busca novamente ocupar seu espaço. As cooperativas agropecuárias no Brasil é o segmento economicamente mais forte do cooperativismo. Com legislação e dotação orçamentária específicas. como estão atualmente constituídas em grande porte. ao mesmo tempo. armazenagem... Consumo: constituído por cooperativas de abastecimento.... tão logo seja concluído o projeto habitacional.. Especial: constituído por cooperativas não plenamente autogestionadas. por diversos motivos como: menores... abastece o mercado interno de produtos alimentícios. sua denominação deve ser: Cooperativa de Consumo. cuja denominação deve ser: Cooperativa Habitacional. com expressiva representação na balança comercial e..Devido à expansão do cooperativismo brasileiro... As atuais "cooperativas habitacionais". Dos antigos sete segmentos . apesar de todas as dificuldade que lhe são impostas. Sua . É um dos segmentos mais dinâmicos do cooperativismo no passado. formadas por pessoas relativamente incapazes. que foi brutalmente esfacelado pelo poder econômico dominante na década de 60 e durante a toda a década de 70. As cooperativas de consumo se subdividem em fechadas e abertas. Cooperativa de Transporte. são consórcios para construção de casas e não cooperativas. Neste segmento estão as cooperativas constituídas por pessoas relativamente incapazes.o sistema passou a ter onze segmentos. desde assistência técnica. são as que admitem qualquer pessoa que queira a elas se associar. bem como das exportações. cuja denominação deve ser: Cooperativa de Crédito Rural. cuja denominação deve ser: Cooperativa dos Produtores de. participando significativamente da organização e do desenvolvimento da agricultura... adaptando-os à nova realidade nacional. industrialização e comercialização dos produtos. como adiante são relacionados: Agrícola: constituído por cooperativa de qualquer cultura ou criação rural. ou Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo.. As abertas. já que têm como característica básica a sua liquidação. cuja denominação deve ser: Cooperativa dos Alunos da Escola Agrícola.... Cooperativa de Eletrificação Rural. em 1993 a OCB modificou a nomenclatura dos segmentos do Sistema Cooperativo Brasileiro. É o mais conhecido pela sociedade brasileira. ou populares. Sua denominação deve ser: Cooperativa de Alunos da Escola. ou Cooperativa de Deficientes Mentais.. sindicato ou profissão. Educacional: constituído por cooperativas de alunos de escola agrícola e cooperativas de pais de alunos. Cooperativa de Serviço e Trabalho...

Cooperativa de Odontólogos. Trabalho: constituído por cooperativas de profissionais que prestam serviços a terceiros. A dimensão do cooperativo brasileiro é . É um segmento extremamente abrangente.. melhorando suas condições de vida e aumentando a produção de alimentos. Produção: constituído por cooperativas.. psicólogos e atividades afins.. com um faturamento em torno de 20 bilhões de dólares ano.. cuja denominação deve ser: Cooperativa dos taxistas. cuja carência habitacional é gritante. sendo que o cooperativismo agrícola (agropecuário) é o que mais se tem destacado na geração de renda e nas exportações brasileiras de produtos básicos agropecuários e agroindustrializados. tem sido prejudicado pelo poder econômico dominante. o cooperativismo de produção pode ocupar espaço significativo no mercado. Saúde: constituído por cooperativa de médicos. dentro do processo de autogestão.. federações nos estados e uma confederação em âmbito nacional Serviço: constituído por cooperativas que têm como objetivo primordial prestar coletivamente um serviço de que o quadro social necessita.. ou Cooperativa de Usuários de Serviços Médicos e Afins... com a finalidade de melhorar a remuneração e as condições de trabalho.. pertencem à cooperativa e os cooperados formam o seu quadro diretivo. cuja denominação deve ser: Cooperativa de Mineração de Pedras preciosas. Este segmento. que cria obstáculos por meio do poder público.1 Dimensão do Cooperativismo Brasileiro Estatisticamente o cooperativismo brasileiro é responsável pela geração direta de mais de 153 mil empregos.. cuja denominação deve ser: Cooperativa de Eletrificação Rural..existência em novos moldes. entretanto.. 1996-a). organizada pelo sistema UNIMED. de forma autônoma. nas quais os meios de produção. explorados pelo quadro social. ou Cooperativa de Mineradores de. ou Cooperativa Produtora de.. ou Cooperativa dos Artesãos.... ou Cooperativa de Telefonia Rural de.. cuja denominação deve ser: Cooperativa de Médicos. é de fundamental importância para o país. Mesmo assim tais cooperativas têm contribuído significativamente para evitar o êxodo rural e manter o homem no campo. Mineração: constituído por cooperativas de mineradores..3. com cooperativas singulares nos municípios. este segmento foi criado pelo sistema OCB em 1993 para destacar as cooperativas de extração mineral. odontólogos... técnico e funcional. (OCEPAR.... principalmente no Distrito Federal. este segmento objetiva suprir a ineficiência estatal.. Como o educacional... As cooperativas deste segmento são constituídas por pessoas ligadas a uma determinada ocupação profissional. como em outros países... Porém. pois os integrantes de qualquer profissão podem organizar-se em cooperativas de trabalho. representado pelas cooperativas de eletrificação.. No Brasil ainda existem poucas cooperativas desse segmento. cuja denominação deve ser: Cooperativa Produtora de Eletrodomésticos. 2. O exemplo mais pujante desse segmento é o cooperativismo dos médicos.3.. Cooperativa de Psicólogos. Atualmente já estão surgindo cooperativas habitacionais autênticas.

31 22.455 .330 22.589 504.229 4.47 4.45 . QUADRO 2 .25 .00 .43 COOPERATIVAS ASSOCIADOS FUNCIONÁRIOS Quantidade Percentual Quantidade Percentual Quantidade Percentual .48 2. 1.734 2.322 20.44 1.03 1.15 .01 .907 79.21 1.263 414. 227 1.00 .51 13.10 2.85 .566 71.31 1. 469.511 1.652 388. 34.219 25.17 1.167 38.98 .296 697.60 9.29 3.61 1.317 1.305 664.32 0 1.demonstrada nos quadros 2 e 3.61 .50 6.33 1.44 .37 4.44 .82 1.32 .370 47.42 2.98 .93 2.770 58.13 1.34 3.45 .75 16.633 13.03 4.450 152.024 234. 451.00 .99 .51 .44 .81 5.89 1.223 22.261 672 2.20 1.021 51.45 2.NÚMERO DE COOPERATIVA.81 2.82 .82 2.70 11.974 13.36 . 5. .61 .42 1. ASSOCIADOS E FUNCIONÁRIOS POR ESTADO EM 30/10/96 Estado Acre Alagoas Amapá Amazonas Bahia Ceará Distrito Federal Espírito santo Goiás Maranhão Mato grosso Mato Grosso do Sul Minas Gerais Pará Paraíba Paraná Pernambuco 5 36 19 20 184 165 77 89 124 119 92 74 687 60 86 204 225 68 Piauí Rio de Janeiro 416 57 .86 .07 1.895 186 1.34 83 15.611 18.12 .876 18.20 .868 .

08 .38 559.80 .15 33.01 .05 .47 912.55 .22 .53 19.631 269. 2. 399 20.21 .534 36.85 3.8021 19.03 5.44 .73 .00 8.238 FONTE: OCB (1996-c) 217 664 34 16 11.08 .536 2.539 15.01 Educacional Escola 84 Agrícola 26 Educacional Escola Pais 187 de Alunos 20 Especial - .222.626.71 9. 13.837 4.57 .09 .33 11.61 4.14 5.526 93.12 15.07 31.117 7.55 .751 0 295.Rio Grande 470 do Norte 24 Rio Grande do Sul 6 Rondônia Roraima Santa Catarina São Paulo Sergipe Tocantins Totais 4.896 358. ASSOCIADOS E FUNCIONÁRIOS POR SEGMENTO EM 30/10/1996 Estado COOPERATIVAS ASSOCIADOS FUNCIONÁRIOS Agropecuário Quantidade Percentual Quantidade Percentual Quantidade Percentual Consumo Crédito Luzzati Crédito Mútuo Crédito Rural 1400 243 14 479 356 80 33.06 1.42 .26 100% 3.00 8.01 .963 1.67 .84 .109 29.549 8.126 8.932 30.23 5.601 13.40 1.89 7.327 25.505 100% 153.13 .517 25.19 . 0.26 .98 .89 1.NÚMERO DE COOPERATIVA.040 1.649 100% QUADRO 3.62 .37 117.24 1.456.71 .15 .215 .941 116 954 9 290 20 76.30 8.323 328.123 78.16 40.41 .163 4.

602 112.24 4.74 4.97 Habitacional 371 Mineração Produção Saúde Médico 65 12 10 205 Saúde Odontólogos 4 Saúde Psicólogos Saúde Usuários 40 20 393 Serviços 194 Eletrificação Tel.06 .238 FONTE: OCB (1996-c) 2.715 432.4 CONCLUSÃO 100% 3.486 .12 . que apoiados em sua doutrina buscam a produção e a distribuição daquilo que necessitam ou desejam para viver. É uma história ligada à economia daqueles que cooperam.07 1.04 2. O cooperativismo surge como uma atividade .53 .28 .11 .649 100% A história do cooperativismo faz parte da evolução da humanidade.94 .47 9.09 .433 . 4.00 7.40 4 10.626. Ela se revela diante das dificuldades e lutas que os homens encontraram e travaram no dia-a-dia para sua sobrevivência e defesa de sua dignidade.28 .45 1.787 14.00 .01 .16 .84 .241 3 95 107 1.58 960 164.00 .211 16.03 4.75 1.396 10.53 .768 251 14 55 4.83 8.363 61.Escolar 35 .93 .70 .76 .11 .01 .713 1.27 4.54 11.505 100% 153. Rural Serviços Limpeza Pública Trabalho Artesanal Trabalho Cultural Trabalho Diversos Trabalho Transportes Totais 4.023 19.

A formação do pensamento cooperativista representa a busca de construir um cooperativismo autêntico. Tal atualização é coordenada pela ACI. por outro lado. a Teoria de Münster e a Moderna da Teoria de Cooperação deverão ser amplamente utilizadas. os direitos individuais. até o início da década de 90. somando à observação de que as empresas privadas em geral apresentam melhores resultados quando utilizam o moderno instrumental oferecido por essas ciências. social e econômico das nações. pode-se falar de diferentes práticas cooperativas ao longo da história da Humanidade. revertendo para a organização e seus membros todos os benefícios. da qual seus sócios são donos e usuários. da Administração e das Engenharias. os valores sociais fossem respeitados independentemente do momento histórico ou dos objetivos específicos de cada sistema político ou econômico. as pressões do mercado e o próprio interesse do Estado em diminuir os desequilíbrios econômicos regionais e melhorar a qualidade de vida da população. não se utilizou nenhuma base teórica para o desenvolvimento do cooperativismo. mas sem o objetivo de reformar o homem e/ou a sociedade. sua doutrina. é utópico e totalmente inútil para aperfeiçoar e desenvolver o cooperativismo. de uma região e da nação. O principal enfoque do conteúdo doutrinário de Rochdale é a responsabilidade social do capital para como a sociedade.humana concreta. No Brasil. Mas tentar aplicar a Doutrina Cooperativista considerando somente seu aspecto doutrinário sem considerar o ambiente. que leva a marca histórica de cada época em que ela ocorre. deve-se considerar as exigências da sociedade consumista urbano-industrial. pois o Brasil. o rápido avanço tecnológico. organizar politicamente e economicamente seus cooperados. seus princípios e suas contradições refletem o grande desafio do cooperativismo que é conciliar os objetivos sociais e econômicos de seus sócios dentro de uma empresa. buscaram organizar a sociedade para que os direitos humanos. O desenvolvimento do cooperativismo. Para isso considerar-se-á o desenvolvimento científico da Economia. Nesse sentido. mesmo dentro de uma economia de mercado. que procura acompanhar os princípios cooperativistas estabelecidos em Rochdale. ele pode ser considerado um . fiel aos seus princípios e adaptável sempre às mudanças e transformações que ocorrem no meio político. e sim. cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento econômico dos cooperados. a cultura política e a nova realidade econômica (competitividade e globalização). Junto com a evolução do pensamento cooperativo tem surgido várias teorias cooperativas que pretendem justificar a aplicabilidade da Doutrina e dos Princípios Cooperativista como instrumento de integração regional e de organização e desenvolvimento econômico e social dos cooperados. O cooperativismo atual surgiu em função das iniciativas particulares de pessoas que preocupadas com a degradação social. para que juntos possam atingir os seus interesses individuais e de sua sociedade. Por isso.

pois ao invés de estimular a independência econômico-financeira dos agricultores e de suas cooperativas. por sua vez. o Estado utilizava os recursos oficiais de forma a fortalecer a dependência das cooperativas e da agricultura de empréstimos e dos interesses políticos do governo. mobilizava as cooperativas para execução de sua contraditória política agrícola. atrelando-a ao Estado e aos órgãos financeiros. Com a falência do Estado brasileiro iniciada na década de 80. visando ao desenvolvimento industrial dos centros urbanos e a solidificação da industrialização da agricultura. apesar dos graves problemas políticos e econômicos de nossa época. que se desenvolveu de acordo com os interesses do Estado.764/71. cujo objetivo era o desenvolvimento tecnológico da agricultura. o cooperativismo no Brasil tornou-se um sistema representativo dos agricultores. com a substituição parcial do trabalho e da terra pelo capital. que foi conseguida com a Constituição de 1988. mesmo antes da nova Carta Magna o governo já não mais assistia as cooperativas. o cooperativismo é considerado um movimento e não um sistema.instrumento de manipulação política e não uma técnica organizatória da cadeia agroindustrial. o segmento cooperativo sentiu necessidade de consolidar sua autogestão. pois os produtores rurais usavam as cooperativas para pressionar o Estado e encaminhar suas reivindicações. bem como um instrumento político com dupla finalidade devido à influência do Estado. Porém. O Estado. Com a aprovação da Lei n. tanto que as graves crises cooperativas começam a ser registradas a partir de 1984. Independentemente do passado e sem uma legislação que atende as necessidades dos diversos segmentos cooperativos. o cooperativismo brasileiro reencontrou no início da década de 90 seu caminho para a modernidade.º 5. Até a metade da década de 70. .

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