HABEAS CORPUS #958183 - SC (2024/0416641-9) Relator: Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca
HABEAS CORPUS #958183 - SC (2024/0416641-9) Relator: Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca
523)
DECISÃO
Consta dos autos que a paciente foi condenada como incursa no art. 33, caput,
c/c o art. 40, inciso V, ambos da Lei n. 11.343/2006, à pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias
de reclusão, em regime inicial fechado, bem como ao pagamento de 680 dias-multa (e-
STJ fls. 349/367).
No presente writ (e-STJ fls. 3/10), a impetrante alega que a paciente está
sofrendo constrangimento ilegal, em razão da não aplicação da redutora do tráfico.
Argumenta, em síntese, que os requisitos necessários para aplicação da benesse foram
preenchidos, uma vez que a paciente é primária, não ostenta maus antecedentes, não se
dedica às atividades criminosas e não integra organização criminosa. Aponta, ainda, que a
quantidade de drogas não pode justificar o afastamento da benesse.
É o relatório. Decido.
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(e-STJ Fl.524)
Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por
meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior
Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente,
sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava
sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas
consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio
princípio constitucional da razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII,
da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela
EC n.45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, Relator
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe
13/5/2013).
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(e-STJ Fl.525)
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(e-STJ Fl.526)
Nesse sentido:
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE
RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE APLICOU A
REDUTORA DO TRÁFICO PRIVILEGIADO NA FRAÇÃO DE 1/6.
IRRESIGNAÇÃO MINISTERIAL. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA DO
ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006. NEGATIVA DE APLICAÇÃO COM
BASE APENAS NA QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA. AGENTE
QUE ATUOU COMO MULA DO TRÁFICO. AUSÊNCIA DE OUTROS
ELEMENTOS INDICATIVOS DA DEDICAÇÃO A ATIVIDADES
CRIMINOSAS. FUNDAMENTO INIDÔNEO. APLICAÇÃO DO REDUTOR.
PENA REDIMENSIONADA. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA.
AGRAVO NÃO PROVIDO.
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal contra
decisão que concedeu a ordem, de ofício, para aplicar o redutor do tráfico
privilegiado na fração 1/6 e afastar a equiparação da conduta à crime
hediondo.
2. A revaloração dos critérios jurídicos concernentes à utilização e à
formação da convicção do julgador não requer o reexame probatório. Note-
se que a análise dos fatos e fundamentos expressamente mencionados no
acórdão recorrido não constitui reexame do contexto fático-probatório, mas
valoração jurídica dos fatos já delineados pelas instâncias ordinárias.
3. A incidência da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006
pressupõe que o agente preencha os seguintes requisitos: a) seja primário; b)
de bons antecedentes; c) não se dedique às atividades criminosas; e d) não
integre organização criminosa.
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(e-STJ Fl.527)
base foi fixada no mínimo legal. Ademais, tem-se que: "é inviável a discussão,
em sede de agravo regimental, de matérias que sequer foram objeto do
recurso especial, por se tratar de inovação recursal." (AgRg no AREsp
889.252/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, DJe
24/08/2016.)
6. Agravo regimental não provido (AgRg no AREsp 606.431/SP, Rel. Ministro
RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 01/06/2017, DJe 09/06/2017).
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(e-STJ Fl.528)
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(e-STJ Fl.529)
A propósito:
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(e-STJ Fl.530)
Ante o exposto, com base no art. 34, inciso XX, do RISTJ, não conheço o
presente habeas corpus. Contudo, concedo a ordem, de ofício, para redimensionar
a pena para 5 anos, 8 meses e 1 dia de reclusão e 566 dias-multa, mantidos os demais
termos da condenação.
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Intimem-se.
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