ADOLF EICHMANN: COMO PENSAR SUA CRIMINALIDADE FRENTE À SOLUÇÃO FINAL? Ac. Pedro H. S. Pereira (COFIL-UFSJ). Prof. Ms.

José Luiz de Oliveira (doutorando-UFMG).

Resumo: Adolf Eichmann foi um dos responsáveis pelo processo de execução de milhares de judeus nos campos de concentração em quando do vigorar do regime Nazista na primeira metade do século XX, ao fazer-se hábil pelo transporte destes. Capturado e preso no fim de 1960 no subúrbio de Buenos Aires por uma equipe de agentes secretos israelitas, foi julgado em 1961 por um tribunal especialmente constituído em Israel, no qual estava presente a filósofa Hannah Arendt1, que em cobertura do julgamento pela revista The New Yorker , relatou vários fatores que nos levam a questionamentos acerca da total idoneidade do considerado genocida. Será que Eichmann foi um criminoso convicto ou um simples homem de massa impulsionado pela onda totalitarista? Palavras-Chave: Eichmann. Massificação. Criminalidade. Nazismo. Pensar.

Introdução: Quando ouvimos falar de criminosos de guerra, a primeira impressão a que somos remetidos costumeiramente nos leva a concebê-los como seres malignos, e despidos de qualquer caráter humanístico e sociável. É contra a mencionada impressão que o fenômeno da massificação, fator registrado com bastante ênfase nos escritos arendtianos vem atentar, pois por uma atitude impensada e em conformidade com determinados padrões ideológicos presentes no meio, que inúmeros indivíduos deixam de se posicionar criticamente frente às circunstâncias do senso comum (que é o ponto de partida para o pensar crítico, sentido que nos adequa ao mundo 2) nas quais estão inseridos, passando a agir em seguimento à conjuntura que lhes é imposta, perdendo seu acesso ao real, e dando lugar à contínua fantasia, pois segundo Souki: O senso comum é o que nos dá acesso ao real [...] Sem essa garantia o real se esvanece, dá lugar à ficção... 3 Talvez este tenha sido o itinerário seguido pelo personagem do presente trabalho: Adolf Eichmann, indivíduo simples, de altura mediana, magro, meia-idade, quase calvo, dentes tortos e olhos míopes... 4; que segundo a acepção arendtiana, tormara-se comum vítima da

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Johannah Arendt [1906-1975] foi uma filósofa alemã de ascendência judia que vivenciou a ascensão da Alemanha nazista, e a partir desta realidade histórica e cultural, desenvolveu alguns de seus principais questionamentos filosóficos que sempre circundam em torno do poder questionador trazido pelo pensar, e a ausência deste em indivíduos que não se preocupam com uma formação crítica e continua. 2 Em sua obra ³A vida do Espírito, Arendt considera o senso comum o sexto sentido, pois ³o senso comum, esse sexto sentido [...] µadequa nossos cinco sentidos a um mundo comum.¶´(ARENDT, 1991, p.63.) 3 SOUKI, Nádia. Hannah Arendt e a Banaildade do Mal. Belo Horizonte: UFMG, 1998. P.127. 4 ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.P.15.

e devido a I Guerra Mundial. propunha a criação de um Estado judeu soberano para garantir a vida. (HERZL. Foi julgado num tribunal especialmente constituído em Jerusalém. nasceu em março de 1906 na cidade de Solingen (às margens do rio Reno).A. Disponível em:<http://www. em 1932 foi convidado por um colega a se filiar ao partido Nazista. filho de Karl Adolf Eichmann e Maria. e 276 e ss. (Tradução do autor. Karl Adolf Eichmann. foi ainda menino para a Austrália. 242 e ss.) Há diversas objeções acerca do julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém.53).onda massificante nacional-socialista. (e-book) Teniendo en cuenta que.bu. ASSY. o que constitui uma perfeita base de estudos no que tange a questões de direito Internacional e Constitucional. ano em que foi preso e levado para campos de interrogatório.) (T. Cf: RASSINIER. 2000. A obra de Herzl. Eichmann. en la medida en 7 6 5 . foi designado para coordenar a Secretaria de assuntos judeus. chegadas pela filósofa (apesar de Arendt não ter se considerado filósofa) ocasionadora deste estudo. 276 e ss. país no qual viveu com a família até a captura em 1960 por oficiais israelitas. o que se deu somente em 1948. p. 2000) The Jewish State is essential to the world. e não teve uma ampla defesa nos moldes dos princípios que permeiam o Direito. lida por Eichmann em sua juventude. Era o primogênito. Bethanya.) (O Estado Judeu é essencial para o mundo. the Banality of Evil. em Ramleh Prison . Conseguiu a fuga com a ajuda de alguns colegas. Cit. 603) Nesse sentido. (In: AURÉLIO.T. (Cf: ARENDT. haverá de ser criado.edu/wcp/Papers/Cont/ContAssy. nos quais não nos cabe aprofundar neste trabalho. p. algo alegado por Arendt (Idem. e com dificuldades nos estudos. organizando a deportação de milhões de judeus para os campos de concentração. que tinha por fulcro o restabelecimento de um estado judaico na Palestina. por ter lido e estudado obras acerca do Sionismo6. através do incalculável mal cometido em sua plena simplicidade: A percepção arendtiana sobre Eichmann parecia ser a de um homem comum. (In: ENCARTA. em linhas gerais. it will therefore be created. La Verdad sobre el Processo Eichmann. 4. da qual faria parte até o declive da Alemanha em 1945. e em 1935. 8 após a sentença revisional dada dois dias antes. XIX por judeus.. Paul. p. 5 Uma breve biografia: Antes de centrarmo-nos na personalidade e tencionamentos de Eichmann durante sua mundaneidade.A. and Thinking in Arendt's Thought.) Sionismo: Movimento criado no séc.7 e enforcado em 31 de maio de 1962. quando foi proclamado o Estado de Israel. p.) em sua obra Eichmann em Jerusalém . 1962. é importante a menção à obra do jornalista judeu Theodor Herzl Do Estado Judeu . pois este foi captuado ilegalmente na Argentina (Cf: op. p. e em 1950 refugiou-se na Argentina. ele portanto. Desempregado. liberdade. passou a trabalhar.06.). paz e segurança do povo judeu. evidenciada em sua transparente superficialidade e mediocridade. para que tenhamos por mais propensas as devidas reflexões acerca de sua idoneidade.htm> Acesso em 15 de setembro de 2006. esquerdas à impressionante avaliação do incalculável mal cometido por ele. é importante que conheçamos alguns de seus traços biográficos. 1943. 1988.

se encontraba en contradicción.. p. e era sempre por intermédio de seu departamento que se encaminhava uma carga a seu destino final. a Solução Final foi recebida com µextraordinário entusiasmo¶ por todos os presentes. a fuga da Alemanha.. (RASSINIER. que cercearam muitos dos direitos adquiridos pelos judeus. 1962. deixando-as porém à primazia da subjetividade pessoal do leitor.) 11 Op.. P. com a deliberação da Solução Final na conferência de Wannsee10 : . p. e um de seus primeiros empregos em uma fábrica de óleo.´ (ARENDT. 4. prohibiting marriages between Aryans and Jews. perquirindo a partir das acepções tidas pela filósofa Hannah Arendt em sua obra Eichmann em Jerusalém e demais escritos arremetedores. 284-285.´(ARENDT. (.. Diversas objeções acerca da total idoneidade eichmanniana Pessoalmente.11 Com a finalidade de propiciar ao leitor uma base de dados a partir da qual poderá aprofundar na busca das oportunas ilações relativas ao tema. até ser incumbido da missão de transporte destes aos campos de concentração. 2000. 2000. BOSON. havia sido um dos responsáveis por tal movimento de fuga em massa de judeus ³Era interesse dos judeus abandonar o país. a vida que ella planteaba la cuestión de la competencia del Tribunal. Belo Horizonte: Del Rey..256. pelo que Eichmann..42. o que queria dizer os vários métodos de matar. 8 .24. ADOLF Eichmann... algumas singulares conclusões. um caso com uma judia mesmo após ter se casado e tornado integrante do Reich (que proibia tal tipo de relacionamento). Cit. Disponível em: <http://www. p. p. teremos por intuito demonstrar algumas das condutas presentes na dicotomia relativa ao comportamento de Eichmann. houve uma discussão franca sobre os µvários tipos de solução possível para o problema¶. Mas mesmo ideologicamente favorável ao sionismo..). a Conferência de Wannsee reuniu os maiores líderes do partido nazista com os objetivos de concentrar esforços na implementação da ³Solução Final´.historyplace.. como o tratamento a ser dispensado aos que eram meio ou um quarto judeus: eles deveriam ser mortos ou apenas esterilizados? Em seguida. 12 Idem.170.ele vinha à nossa casa: era de uma família de Linz de nome Sebba.com/worldwar2/biographies/eichmann.70) 10 Ocorrida em Janeiro de 1941. Eichmann jamais tivera qualquer óbice ao relacionamento e convivência com judeus pelo que demonstrara por sua conduta desde a juventude: teve um colega de escola judeu: . 12 . and brutally punishing the so-called µracial stain¶´(TENBROCK.. G. p. p. e em quando dos massacres nos campos de Concentração por volta de 1943.).) e foi isso que eu fiz..Em seu cargo. distinguishing ³between µAryan citizens of Reich¶ enjoying full rights and mere µsubjects¶. 1968. 9 Com a promulgação em 1935 das leis de Nuremberg. Eichmann era o responsável pela realização de tratados de deportação 9 de judeus entre 1937 e 1941.sempre dependia dele [Eichmann] e de seus homens a quantidade de judeus a transportar de uma determinada área.htm> Acesso em 15 de agosto de 2006.. a filha destes o procurou e obteve a emigração para a Suíça. 2000. muitos destes tiveram como opção.129. havia sido conseguido por intermédio de um primo casado com uma judia. Direito Internacional Público.. de Britto Mello. que acabou por decidir pelo massacre de milhões de judeus nos campos de concentração: ³A discussão voltou-se primeiro para as µcomplicações legais¶. e aqui também houve mais do que µalegre concordância dos participantes¶.

.Cit. Arendt nos deixou um relato bastante interessante por meio de seu texto Pensamento e Considerações Morais . ao qual nos remeteremos brevemente ao final deste trabalho. com o fim de demonstrar alguns aspectos do não-pensar presente a todo momento nas condutas eichmannianas durante a vida. numa solução por meio da violência.4. Cf: Op.. p. nº26. Ele jamais conheceu o programa do partido [. de ser um funcionário eficiente. Nesse sentido.99. . segundo os relatos da aludida filósofa. 4. Hannah Arendt e a banalidade do mal. o que culminaria no trabalho de assolação judia mesmo frente à favorabilidade a estes: Eichmann era um homem que não parava para refletir.. onde sequer haviam condições de vida: 13 SOUKI. Jamais havia cogitado a possibilidade de um massacre desses pobres apatriados que tanto contribuíram para o crescimento da economia alemã. Eichmann buscava cumprir apenas o papel de bom subordinado. In: Extensão. obedecia.8. Belo Horizonte. Seu desejo [era] de agir corretamente. 6.. o levaram ao escopo de um território no qual os judeus pudessem estabelecer sua morada comum. 44-45.eu nunca havia pensado numa coisa dessas. era levado instantaneamente junto aos rumores da situação: .13 Se nos perguntamos sobre os motivos axiológicos de sua adesão ao nacional-socialismo... sem ao mínimo cienciar-se do caminho aversivo pelo qual vogava. Cit... e mesmo ao sabê-lo.. Não entrou no Partido por convicção nem jamais se deixou convencer por ele [. Agora eu perdia tudo.53. apenas atuava..] Kaltenbrunner disse para ele: Por que não se filia à SS: E ele respondeu: Por que não?14 Dentro da funcionalidade mencionada.] foi como ser engolido pelo partido contra todas as expectativas e sem decisão prévia. p. de muito ficou atormentado: . levando a cabo todas as tarefas lhe atribuídas. V. Ele não tinha perplexidades e nem perguntas.profissional fora demasiado marcada pelo caráter funcional de sua conduta na realização das tarefas que lhe eram atribuídas pelos superiores. e sem jamais ter lido sequer as propostas partidárias ou ideologias sobre as quais o partido se sustentava. toda iniciativa. que coibiam sua ojeriza israelita (a contrário da acepção partidária à qual se aliara). pois quis em primeiro momento que os judeus fossem mandados para uma grande área na Polônia próxima à fronteira russa. até ter vistas da perplexidade com que se depararia: a obrigatória deportação dos judeus em fins de 1939: que país os quereria? Como fazê-la de maneira eqüaz? A formação e preocupação sionistas 15. 16 Op.. de ser aceito e reconhecido dentro da hierarquia. toda a alegria do meu trabalho. 16. Aconteceu muito depressa e repentinamente . cit. p.. Nádia. vemos que sem muito brilhantismo filiara-se ao partido devido à vacância empregatícia. todo interesse. Suas idéias para a deportação não foram muito bem aceitas ou propícias à campanha pela qual o país passava. 14 15 Op.

não há casas. p. Se cavarem e encontrarem água. a aprove..19 ) Quando se viu frente à clarividência dos fatos supramencionados (o termo aos judeus nos campos de concentração). (Idem) 20 23 19 Pelo que consta dos relatos da obra de Arendt Eichmann em Jerusalém . Eichmann se sentiu demasiado triste. 21 ARENDT. Se vocês construírem. sentia que já não poderia mais voltar atrás. levando-os até Madagascar. p. Pensamento e Considerações Morais. pois segundo os próprios relatos durante interrogatório na polícia. sabia disso e se consolava com a idéia de que não era mais senhor de seus próprios atos . porém ele jamais aceitaria tornar-se um transgressor de leis22. p. e de território bastante extenso. terão água 17. Op. 2001. ( Idem) Passou a agir sobre os mandos do Imperativo Categórico do Terceiro Reich (se é que não o seguira a todo momento. onde eles estariam numa ilha na qual não poderiam incomodar nenhum de seus vizinhos. and barrel down to Madagascar. p. In: Crises da Republica. 153-154) . e nenhum destes os incomodaria . mas teve que aceitar frente à maioria absoluta de adeptos à construção e envio dos judeus para os campos de concentração. se souber de sua atitude.. 10. o mais viável seria extermina-los na própria Alemanha. 1992. embora nunca aconteça.A. ele não só obedecia ordens. 20 sabia que o que considerava seu dever agora se chamava crime21 . ele também obedecia à lei. pois não tinha outra escolha senão seguir as ordens de seus superiores: Era assim que as coisas eram. essa era a nova lei da terra.) (T. a partir do momento que fora encarregado de efetivar a solução final. das leis objetivas da liberdade e que exprimem o que deve acontecer.05). p. P. Rio de Janeiro: Relume Dumará. 2000. Idem.89. e tinha conhecimento dos preceitos morais kantianos. deixara de viver segundo os princípios Kantianos. Ele cumpria o seu dever. havia lido a Critica da Razão Pura . este tivera sempre cargos de baixa patente. (KANT.Não há moradias. pois sua ambição sempre teve como meta o reconhecimento. Porém. 152. apesar da baixa patente. Temos em IRVING. Cit. Não há água. de que era incapaz de mudar qualquer coisa. ( IRVING. p. 1992. Hannah. e distinguem-se assim das leis naturais. mas seria impossível embarcar seus quase 3 milhões de judeus sem matá-los 18.) Por isso agia com tanto fervor em suas atribuições dentro da burocracia do Reich.23 Idem. where they would be on an island where they couldn't bother any of their neighbors and where none of their neighbors could bother them. 22 Eichmann sentia-se um cidadão cumpridor dos preceitos kantianos. e mesmo plenamente ciente da situação a qual integrava. haverá um teto sobre suas cabeças. que apenas tratam do que acontece.) ( este foi o único plano para retirar todos os judeus da Europa a bordo de botes.90. stock. como repetia insistentemente à polícia e à corte. p. e apenas se destacou devido à relevância que sua secretaria (de assuntos judeus) passou a ter dentro da . 1992. 1993. 4. que it was only a plan to sweep all the Jews of Europe aboard boats and transport them lock. chegando a ser Tenente Coronel (Obersturmbannführer) (IRVING. Por fim. Durante o cumprimento do que lhe tocava na burocracia nazista. baseada ns ordens do Führer. Logo após quis que fossem deportados para Madagascar.) 18 17 Cf: Op.650.143. seus atos eram de um cidadão respeitador das leis. pois o Imperativo Categórico kantiano pressupõe o todo): Aja de tal modo que o Füher. (isso Eichmann não cogitou. Cit. transportando-os juntos e armazenados. continuou pela funcionalidade. (ARENDT. os poços de toda a região estão contaminados com disenteria e tifo. ilha pertencente à França na época.10.

era preciso estar preparado para certas punições disciplinares.) ³. como fizera Sócrates. não recebia diretivas de ninguém. Cit. não sabia ir além dos mandos aos quais tinha por cumprir.ele recebeu de seu superior direto. dependia do outro.107) 27 Idem.) Atas da VIII Semana de Filosofia da UFSJ. 2005. [.] segui de carro atrás do caminhão. [Vi] uma mulher com os braços esticados para trás... vivia numa dicotomia na qual era um eu .. Cit. S.. José Maurício (org. pois por algumas poucas vezes teve que dar de frente com tal realidade.¶´(ARENDT. nenhuma ordem. [. Ele sempre considerou tal passo µinadmissível. Pedro H. [.. 28 PEREIRA. considerava inadmissível a possibilidade de se exonerar dos quadros do partido. sentiu-se como um cão sem dono ..] [em Minsk] µsó havia alguns atiradores mirando nos crânios de mortos numa longa cova¶. Implicações do dois-em-um socrático na perspectiva arendtiana.] Warthegau. sucumbia à sua unicidade. 2000.99. recebiam ordem de se despir: então chegava um caminhão.. parava bem na entrada da sala ... São João del-Rei: UFSJ.´(ARENDT. 2000. Op. Não havia porém nenhum perigo de vida¶ (. Muller.em resumo..24e apesar de banalizado e ciente de que jamais daria conta de passar os dias convivendo com situações similares: não sou duro o bastante para suportar uma coisa destas sem reação.258-259.258. Sem dúvida. (ARENDT.103) 25 Op. nem comando me seriam mais dados.] [pois não buscava] a companhia de sua própria consciência 28. p. 26 ³¶Era possível evitar um encargo por meio de um pedido de transferência. In: CARVALHO.102. Cit. Isto foi o que Eichmann viu: . 27. ele nunca ficava sabendo de nada além do que precisava para realizar um trabalho específico. p. p... 2000. mesmo sabendo de tal contingência. havia diante de mim uma vida desconhecida. p...os judeus estavam numa grande sala. não conseguia direcionar-se per se stante .27 Segundo Arendt..) Eichmann admitiu que podia ter recuado sob um pretexto qualquer. pois precisava sempre de mandos para cumprir : Senti que teria de viver uma vida individual difícil e sem liderança.. e outros o fizeram. e isso significa que jamais será capaz de estrutura do partido: .] em vez de câmaras de gás. meus joelhos fraquejaram e fui embora.. esse era o maior problema que tivera: não sabia pensar. essa havia sido a realidade que o marcara por toda vida: submissão. em casos individuais.44. como se ainda estivessem vivos. 4.. lealdade e estrito cumprimento dos deveres impostos. Eram jogados no buraco.. da passividade. tão moles estavam seus membros. 26 de sorte que após a derrota alemã na II Guerra.29o que é considerado pressuposto arendtiano para a vida em contradição: Quem não conhece a interação entre mim e mim mesmo (na qual se examina o que se diz e o que se faz) não se incomodará em contradizer-se. ordens para inspecionar [. 29 Nesse sentido Cf.. não haveria mais nenhum regulamento pertinente para consultar. p. p. 25. [.] ali me bastou.. usavam-se caminhões de gás.Seus relatos deixaram bem claro que conhecia os trabalhos de extermínio que já eram realizados com doentios e loucos nos campos de concentração antes da Solução Final. e ainda consigo enxergar um civil extraindo dentes com um boticão. Op. Eu estava acabado. em assincronia com o outro de seu interior. p. mas quais expomos a importância da sincronia do indivíduo com seu ³eu´ interior. as portas se abriam e os corpos eram jogados para fora. e o fim de seus trabalhos e contatos. e vi a coisa mais horrível que já tinha visto na vida.. limitado.e os judeus nus recebiam ordem de entrar nele [. O caminhão estava indo para um buraco aberto. 24 .

fica-nos também difícil ver como justa a pena pela qual Eichmann pagou com a vida. p.. estrelando Danny Marmontejo. inúmeros credulantes .286. 34 Idem. Cit. aconteceram as lições que ele achou que devia ensinar aos judeus e aos gentios [. O transportador de judeus fora vítima da onda totalitarista que habitara a Alemanha até meados do século XX. são os do devido processo legal. São Paulo: Perspectiva.30 Como pensar a criminalidade de Eichmann? Pelas poucas características da conduta de Eichmann que pudemos abordar nesse sucinto trabalho.] governados por muitas leis diferentes. Sobre a experiência totalitária a que Arendt se refere em muitos de seus textos. haveria como ser apenado mais brandamente? Em concordância a Arendt. Tendo como base os princípios gerais do Direito Penal35. mas o espetáculo que Ben-Gurion tinha em mente desde o começo efetivamente aconteceu. e mesmo com a precedente demonstração de seu caráter amplamente passivo e funcionalista.20.. Cit. 33. que em muitos momentos de sua obra demonstrou a revolta pelo julgamento vergonhosamente tendencioso pelo qual nosso personagem passara. e utilizando-nos da preceitualização pátria que guarda concomitância com boa parte do sistema europeu e com regras de direito Op. atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito de liberdade.. engajara-se como parte da bandeira nacional-socialista. Idem. 34. Hannah. o que nos permite entender o porque da fácil disseminação da ideologia totalitária na Europa. Porém. e ainda em seguimento a ideais de vingança presentes nos dirigentes israelitas . Cf também: ARENDT. tendo por base o que os judeus sofreram. Michael Kick e Paul Deason.166.Israel havia efetivamente violado o principio territorial . ou mesmo desejará faze-lo. filme alemão que demonstra os últimos momentos da vida de Hitler e de seus partidários. nos deixando muitos elementos da ideologia nazista cultuada por estes até o último momento de suas vidas. Eichmann não foi uma vítima qualquer. ensinantes de que ³O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo. da ampla defesa e do contraditório.] se viram na posição de ter que defender o acusado 32. P. com a direção de Leslie Waldman. p. Frank Lloyd. apático à verdade dos fatos. 4.. convictos de que nada haveria de melhor31.. p. 35 Três dos mais relevantes princípios criminais também constitucionalmente garantidos.. sem uma defesa eqüaz: Os juizes [. e deixou mesmo após a clarividência de seu desastre. 1992.. e por meio de uma captura ilegal: . cuja grande significação está no fato de a Terra ser habitada por muitos povos [.. levando-a a resultados bastante desastrosos em seu convívio.] ao mundo inteiro. e não o que efetivamente ele fez. uma vez que está certo de que ele será esquecido no minuto seguinte. p. demonstra-se bastante proveitosa a análise do filme baseado em fatos verídicos A Onda. 232.. quanto 33 32 . 31 30 Op. tampouco se importará em cometer qualquer crime. 134 e ss. e A Queda. o julgamento nunca se transformou numa peça. que conta a história de um professor de uma cidadezinha da Califórnia nos Estados Unidos.explicar o que diz ou faz. que desenvolveu uma experiência totalitária com sua turma. onda que levou todo o mundo ao segundo confronto Mundial. Que é autoridade? In: Entre o Passado e o Futuro. Arendt nos toca para um grave fenômeno pelo qual sucedera-se afetado: o da Massificação. 21. Max Copage (e outros). ou melhor..

se entender necessário. o que não ocorreu com Eichmann. 2006.] Por ampla defesa entende-se o asseguramento que é dado ao réu de condições que o possibilitem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade ou mesmo de omitir-se ou calar-se. Essa idéia parece ter sido refutada pela incrível coerência com que Eichamann. não seriam vazios. (CAPEZ. os juízes tiveram razão quando disseram ao acusado que tudo o que dissera era conversa vazia . todos são imputáveis. Nesse sentido...93. nos assevera que a semi-imputabilidade [o que pareceria ser uma consideração razoável acerca do caso Eichmann] não exclui a culpabilidade. de acordo com o § do art. p. mais óbvio ficava no âmbito formal. ou seja. arriscamos afirmar convictamente que dentre os inúmeros erros cometidos no julgamento de Adolf Eichmann. Curso de Direito Internacional Público. muitas evidências apontaram avessamente à sua completa idoneidade.) . e após análise do caso concreto. e Fernando Capez.) o que ele dizia era sempre a mesma coisa. que em seu Código Penal Comentado reza que a imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade por algum fato. e já é cediço em nosso trabalho o entendimento da transgressão destes liames em quando do julgamento de Eichmann. 2004. é o da justiça universal.. e à integridade física e moral necessária nas relações entre países para evicção de injustos.. p.). nosso Código Penal é expresso ao decretar a imputabilidade de menores de 18 anos em seu art. de Albuquerque. em princípio. 37 Nesse sentido. exceto aqueles abrangidos pelas hipóteses de inimputabilidade enumeradas na lei. que embora hediondos. que em seu Curso de Direito Penal.´ (MORAES.) Pela leitura de ³Eichmann em Jerusalém´ podemos perceber claramente a desconsideração à toda a mencionada trilogia no julgamento de Eichmann. expressa com as mesmas palavras.´(NUCCI. (. a lei confere ao juiz a opção de aplicar medida de segurança ou pena diminuída (redução de 1/3 a 2/3). como notoriara Arendt em Eichmann em Jerusalém : Sem dúvida. recheada de bordões e frases prontas por meio das quais buscava se sobressair convenientemente durante o julgamento.94).só que eles pensaram que o vazio era fingido.Internacional36 . repetia palavra por palavra as mesmas frases feitas e clichês semi-inventados (quando conseguia fazer uma frase própria. que diz que ³a punição de crime de genocídio é de interesse da humanidade. 2004. Quanto mais se ouvia Eichmann. pelo que um dos principais é o respeito aos direitos e dignidade dos seres humanos. (NUCCI. se o agente. 27: os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis. 36 Cf: MELLO.253. temos por principal a sua linguagem. p. um dos principais requisitos para que se possa chegar ao ideal de justiça almejado em quando do julgamento e penalização de um vulgo criminoso.. e a repetia até transformá-la em clichê) toda vez que se referia a um incidente ou acontecimento que achava importante. o conjunto de condições pessoais que dá ao agente a capacidade para lhe ser juridicamente imputada à prática de uma infração penal. que fora ilegalmente julgado em território inimigo. 26 do referido Código: A pena pode ser reduzida de 1/3 a 2/3. Rio de Janeiro: Renovar. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial .. Já em Bosson temos às páginas 256 e 257 um apelo no que diz respeito aos limites territoriais (que devem ser respeitados).. p. Às páginas 457 e 458. 2006. temos a preceitualização dos professores Nucci.37 Dentre os principais destaques a serem considerados além de alguns dos evidenciados no tópico anterior. e reconhecer que a incapacidade relativa de se entender sobre a ilicitude de uma determinada conduta é uma das causas de diminuição da pena. deveres mútuos entre as nações. enquanto o contraditório é a própria exteriorização da ampla defesa. Outro princípio criminal que julgamos imprescindível no que toca ao direito internacional. em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento . apesar de sua má memória. impondo a condição dialética do processo.301. [.. Mello nos ensina que a ordem jurídica internacional consagra além de direitos. e que o acusado queria encobrir outros pensamentos. 2006. ao assegurar-lhe paridade total de condições. Celso P.

p. sem água encanada. temos que o transportador de judeus 39não tivera controle sobre a situação final dada aos apátridas e confessou jamais ter matado ou dado a ordem de morte a algum: Nunca dei uma ordem para matar.. A pena de morte tornara-se apenas uma mera limitação desse sofrimento que haveria de se prolongar ainda por muitos anos. Cit.que sua incapacidade de falar estava intimamente relacionada com sua incapacidade de pensar. mas infortúnio maior do que ver-se abandonado pelos próprios sonhos41 e fadado à desgraça e miséria em meio à pobreza suburbana.ele estava µcheio de não passar de um viajante anônimo entre mundos¶´(Idem..38 Talvez na atualidade pela qual estamos envolvidos. 259. levando-o a desconsiderar que tal caminho seria hábil apenas aos olhos de uma ideologia meramente chauvinista. fosse um judeu ou um nãojudeu 40 (Idem. não sendo conditio sine qua non seu conluio à incapacidade de falar. a incapacidade de pensar possa ser encobertada pelas futilidades presentes nas conversas cotidianas. todavia esta pode ser evidenciada quando levada ao crivo do senso crítico.) por um homem que conseguira subir de µcabo dos lanceiros a chanceler do Reich¶´( ARENDT. seu problema focara-se na busca da notoriedade através de caminhos avessos à noção de Ética pela qual devemos pairar.´(Idem. Logo. 62-63. p.60..sem eletricidade. tomaremos por exemplo a figura do filósofo grego Sócrates. 2000..33. Deviam ser muito pobres. e nem tentavam desenvolver seus pretensos talentos¶´(ARENDT. e carregava consigo o ideal da fama por meio de seus feitios. que fora para Arendt modelo de indivíduo que soubera dos caminhos coesos por meio dos Op..) 42 Eichmann conseguira após a guerra um passaporte falsificado (com o nome de Richard Klement) e por meio deste estabeleceu-se na Argentina. tinha ³ilimitada e imoderada admiração por Hitler (. apenas o caminho obtuso pelo qual Eichmann fadara-se após a II Guerra Mundial. p. 4. 41 Eichmann era demasiado ambicioso.259. que nem as crianças conseguiam compensar. crera na funcionalidade como pressuposto capaz de propiciá-lo a realização. Ainda dentro das referidas considerações.). pois não demonstravam µabsolutamente nenhum interesse em estudar..42 não poderia deixar de ser pena letal para qualquer indivíduo com escopo à manifestalidade. já teria atendido à eqüidade jurídica que socialmente devemos pressupor.onde a família foi morar. Cit. o que obviamente revelaria inúmeros partidários do modus vivendi eichmanniano. p.33). país no qual trabalharia e viveria junto à família em condições miseráveis até a captura em 1960: ³No começo de 1960.166. p.. 2000. Eichmann e a ideologia massificadora Para ilustrar este último tópico. p. Para Arendt.. 11. p.) ³A verdade é que Eichmann havia feito várias tentativas de romper seu anonimato. 40 Idem..) 39 38 . essa mera funcionalidade obviamente teria que desaguar em algum infortúnio. Cf: Op. e Eichmann devia levar uma vida seca. Eichmann e seus filhos mais velhos terminaram de construir uma primitiva casa de tijolos num dos subúrbios pobres de Buenos Aires. torná-lo manifesto. Este querer jamais poderia ser perdoado. algo que contribuiu para sua captura em 1960: ³O que acabou levando a sua captura foi sua compulsão a contar vantagem.. poucos meses antes de sua captura.

Cit. descobrir seu sentido original.162.45 Segundo Arendt. vemo-la presa a inúmeras ideologias com escopo à bem visão de determinados grupos ou moldes impostos por estes. [. Apologia de Sócrates. São Paulo: Nova Cultural. ser abrigado -. 2000. Cit. na qual Arendt nos passa inúmeros elementos da já ocorrida realidade.. Hannah. 48 Cf: Op.. P. Tudo bem em acharmos que ele jamais teve como intuito o mal à humanidade. é só por meio do exercício contínuo dessa atividade questionadora e perplexível que se torna possível a fuga de uma vida sem sentido e contraditória como a de Eichmann. 44 Assim. ao perguntar a um indivíduo o que este entendia por casa . Como podemos ver na Apologia. depois que tivermos pensado sobre seu significado implícito habitar... Cit. nos deixando elementos por meio dos quais podemos desenvolucrar relações com a atualidade. 45 Op. 43 44 PLATÃO. (Coleção Pensadores) Idem.141.81. 49 Julgamos por indispensável àqueles que pretendem um esclarecimento maior sobre a questão da ideologia totalitária e os modos de sua ação durante o regime nazista. é improvável que continuemos a aceitar tudo o que dita a moda da época para nossa casa. não pararei de estimular-vos e censurar-vos. Cit. Logo. por assim dizer. [. 21. nosso caminho deve basear-se no contínuo exercício do pensar. ter um lar. e nesse sentido. 3.] o eu é uma espécie de amigo. tirar do gelo. Mas a contemporaneidade partilha com Eichmann esse fenômeno massificador deixado pelo simples ato da irreflexão. 22. 124 ss..] não pararei de filosofar. 47 Cf: Op. p. 155-158. Eichmann seguia as regras impostas tendo também uma concepção parecida 48..... A vida do Espírito.quais seria possível o alcance da notoriedade. 46 Idem. o ensinamento socrático de que é melhor estar em desacordo com todo o mundo a contradizer mesmo que culposamente a si46. que o pensar deve degelar. . perdessem a compreensão sobre palavras e frases prontas que tinham em mente. Arendt nos ensina de maneira simples como fugir da mesmidade que se faz presente de forma marcante através dos inúmeros meios de comunicação presentes no diadia49: O que Sócrates descobriu é que podemos ter interação conosco mesmos [. mas sua irreflexão o acometera a esse trilhar.] .. e não é necessário ir longe para que possamos encontrar exemplos: porque um jovem pode querer tanto um tênis azul de molinhas? Para ficar em evidência como o mocinho que na propaganda chama a atenção de todos. 50 ARENDT. p. Rio de Janeiro: Relume Dumará.. 1992. a leitura da terceira parte da obra ³Origens do Totalitarismo´.. trazia junto a si um importante elemento da filosofia arendtiana. também: Op. Sócrates iniciava com estes um contínuo debate acerca do significado e existência da palavra mencionada: A palavra casa é algo como um pensamento congelado. 41.. Cf. esta deve ser a fórmula para uma vida em contraponto aos ditames massificadores. p. deveria ser preceito como o kantiano47 em sua vida. a perplexidade. Por Sócrates. ato de fazer com que os indivíduos ficassem cheios de dúvidas. sempre que deseja.43 Sócrates jamais deixara de ser um indivíduo problematizador: enquanto tiver ânimo.. bem como relações com o atual poder massificador gerado pela mídia. 50 Para Arendt. Com olhos à juventude. p.

Sócrates atuava como uma parteira. sem o qual continuariam adormecidos pelo resto de suas vidas. o filósofo ateniense nos mostra o caráter aporético do pensamento. p.. ou simples arte de parir suas próprias idéias (por isso a comparação).no diálogo contínuo do eu consigo mesmo. possibilita que o processo de massificação e hegemonização não se generalizem numa dada sociedade. aquilo que do ponto de vista exterior. 43. p. p. este incomodava os demais indivíduos da pólis (cidade).81. 51 52 Cf: Op. e por isso jamais permite que um indivíduo torne-se como Eichmann. ao conceber o pensamento a partir da característica aporética utilizada por Sócrates. não caiam em contradição. com o intuito do genuinamente íntegro. O pensamento ao ser despertado por meio dessas comparações metafóricas. 55 Idem.. fazendo-os centrar-se profundamente na compreensão de circunstâncias da vida: . 53 Após este desperto. Partindo do referencial socrático. daqueles preconceitos não examinados que os impediriam de pensar. pelo que podemos constatar por muitos dos diálogos compilados por Platão. a filósofa propõe três comparações por meio das quais os indivíduos devem coordenar suas vidas. Arendt busca demonstrar que tal atividade não é pré-determinada.157. Cit. são circulares. 51 Este não pode ser substituído por ideais infundados ou desejos momentâneos. p. Além do método socrático do exercício do pensamento na forma do dois-em-um (por meio do mencionado diálogo com o consigo). e preservem o caráter discursivo da vida política cotidiana: A primeira proposição diz respeito à comparação de Sócrates a um moscardo. Cit. Arendt nos diz que Sócrates transformava-se numa arraia-elétrica. op. 50. certamente pensando em Sócrates. 55 Evidencia-se que Eichmann representa a figura de todos aqueles que não pensam.140-141 e op. (que Arendt busca definir como modelo para o pensar). 28.153. Cit. pai da sempre possível manifestalidade. que como Arendt menciona. para que vivenciem-se a si mesmos. e não leva [m] a lugar nenhum. p. . do ângulo do curso habitual dos assuntos humanos. livrando-os de pré-conceitos não examinados à luz da razão: o pensamento na verdade fazia o que Platão. isto é. e muito menos passam por estas três comparações do despertar para o pensar apresentadas por Arendt a partir de Sócrates. e os despertava para o pensar. Cit. pois levava os indivíduos aferroados a passar por um processo de maiêutica. fundamento da necessária criticização à qual toda a sociedade deveria se adentrar. 21. pois através do ato do ferroar. só pode ser visto como paralisia é sentido como mais alto grau de vida. os deixava perplexos. pois ao trazer a paralisia advinda do contato com os demais cidadãos. 52 Porém.156 54 Idem. Op. p. vez que trazem o contínuo parir e implicar das proposições sustentadas arbitrariamente. atribuía aos sofistas: livrava as pessoas de suas opiniões . 54 Por fim. jamais pode deixar de ser considerado pressuposto para o agir.259. 53 Idem.

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