MICROFAUNA DE
LODOS
ATIVADOS
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0.REVISÃO DE CONCEITOS
0.1 – Lodo ativado
“Lodo ativado é o floco produzido num esgoto
bruto ou decantado pelo crescimento de
bactérias zoogléias ou outros organismos, na
presença de oxigênio dissolvido, e
acumulado em concentração suficiente graças
ao retorno de outros flocos previamente
formados.”
0.2 – Efluentes
Os efluentes são resíduos provenientes de
processos produtivos ou do consumo humano.
Os efluentes podem ser líquidos ou gasosos,
também podem ser subdivididos entre
efluentes domésticos e efluentes industriais. É
importante conhecer sua definição e origem.
Caracterizam-se por serem 1% de sujeira e
99% de água.
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0.3 – Etapas de tratamento
O tratamento preliminar consiste nos
ralos e filtros presentes nas casas e
industrias; (FÍSICO)
O tratamento primário consiste em
utilizar compostos químicos e forças
físicas para o tratamento; (FÍSICO-
QUÍMICO)
O tratamento secundário consiste em
utilizar bactérias e outros organismos
para decompor a matéria orgânica;
(MICROBIOLÓGICO)
O tratamento terciário consiste em
utilizar a osmose reversa para limpeza
final; (FÍSICO)
O polimento consiste em utilizar produtos
químicos para adequar o efluente final.
(QUÍMICO)
– Gradeamento
Remoção de particulados maiores (lixos
recicláveis, lixo orgânico, pedras).
– Caixa de areia
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Visam a remoção de partículas que passaram
pelo gradeamento. Nessa etapa ficam retidos
os restos de alimento.
- Reator anaeróbio
O efluente fica retido em tanques, onde irá
repousar para as bactérias consumirem o resto
da matéria orgânica não removida
(semelhante ao processo de DBO).
– Filtro biológico
Visam a oxigenação desse material para que
possa ser lançado nos lagos sem afetar a
quantidade de O2 presente.
- Decantação e aeração
Por fim, deverá ser desinfectado e repousado
para garantir que todo sólido sedimentável
remanescente seja devidamente removido.
0.4 – Sistema de floculação
É constituído por um tanque de aeração e um
decantador. No tanque de aeração, o efluente
é oxigenado com microbolhas para simular as
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condições do meio ambiente e permitir a
separação da sujeira.
Já no decantador, o efluente descansa para se
separar completamente da sujeira e gerar o
efluente clarificado.
O floco de lodo que precipita, volta ao sistema
para reiniciar o processo de degradação.
Quando satura esse tanque, parte do lodo é
descartada (essa parte é analisada).
0.5 – Relação de OD em corpos de água
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1.FLOCO DE LODO ATIVADO
1.1. – Bactérias
Bactérias são organismos unicelulares que não
possuem núcleo definido nem organelas
membranosas. Podem ser classificadas de
acordo com o seu formato, sendo as formas mais
comuns a esférica, a de bastão e a espiralada.
São a base do floco.
ENZIMA FUNÇÃO
HIDROLASE Quebrar moléculas menores
ISOMERASE Rearranjo da molécula
LIGASE Junta moléculas
LIPASE Degrada lipídeos
PROTEASE Degrada ligações peptídicas
ÓXIDORREDUTASE Oxida/reduz moléculas
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1.2. Filamentosas
Filamentosas embora não pareçam, também
são bactérias. São uma espécie de esqueleto
para os flocos. São caracterizadas por terem
um corpo alongado e fino.
A presença de bactérias filamentosas no lodo
é essencial, no entanto, esta deve ser bem
equilibrada. A desordem das bactérias
filamentosas pode resultar em diversos
problemas na floculação.
BULKING: Excesso de filamentosas que
impede a decantação.
PIN-POINT: Falta de filamentosas que impede
a floculação.
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1.3. Flocos
Flocos são onde toda a relação da
microfauna acontece. Formados por
fragmentos inorgânicos, células mortas e
bactérias formadoras de flocos, esses
corpos são indispensáveis no tratamento e
devem ser observados para compreender a
eficácia no tratamento.
- Biologia do floco
A união de bactérias formadoras de flocos,
filamentosas, materiais coloidais e
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protozoários darão as condições para o
pleno desenvolvimento do floco biológico.
A formação de flocos está relacionada com
um gráfico de crescimento logarítmico e,
tem uma série de fatores a ser seguidos
para ser considerado adequado:
Arredondado ou irregular | Firme ou fraco |
Compacto ou Aberto | Pequenos ou grandes.
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2. MICROBIOTA DO LODO ATIVADO
- Protozoários
Protozoários são organismos heterotróficos em
sua maioria, que geralmente possuem vida livre,
podendo vez ou outra parasitar outros
organismos.
Apresentam reprodução assexuada por fissão
binária.
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Podem se alimentar de bactérias e, no
tratamento de efluente são de suma
importância.
Grupo Locomoção
Pseudópodes Falsos pés
Ciliados Cílios pelo corpo
Flagelados Flagelos nas extremidades
- Amebas nuas
Não possuem forma definida. Possuem corpo
mole e se movem com auxílio de ‘pés falsos’,
que se projetam diretamente do protoplasma,
daí o nome “Pseudópodes”. São muito lentas,
transparentes e não possuem forma definida.
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A presença de amebas sem carapaça é um
indicativo ruim, pois demonstra um tratamento
fraco em desempenho.
A relação está ligada a elevada carga de
compostos de difícil degradação, não permitindo
ao microorganismo desenvolver uma carapaça e,
permitindo a movimentação pelos compostos
não decompostos.
São indicativos de baixa carga de oxigênio e
excesso de carga orgânica. Podem indicar
toxicidade.
- Amebas com carapaças
Possuem um revestimento externo protetivo
constituído por sílica, calcário e ferro. Chamadas
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de tecamebas, devido presença de teca
(carapaça). Também têm corpo mole e se
movem com auxílio de ‘pés falsos’, sendo
geralmente redondas.
Ao contrário das amebas nuas, a presença de
amebas com carapaça é um bom sinal. A
capacidade de criar uma carapaça de sais e
orgânicos é indicativo da boa depuração do
sistema.
Os nutrientes estão sendo digeridos
corretamente.
Esses seres costumam aparecer em efluentes
cuja aeração se dá corretamente, permitindo
uma oxigenação adequada sem desfazer os
flocos.
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- Predador de flocos
Possuem a célula achatada dorsoversalmente.
Possui cílios nas cavidades onde se alimenta,
para que o movimento destes possa quebrar o
substrato. São vorazes predadores de bactérias
e são os responsáveis por auxiliar no
clareamento do efluente.
A presença de predadores de flocos é
extremamente relevante em sistemas eficazes.
Esses protozoários se alimentam de bactérias e
flocos. Quando começam a ser predadas, as
bactérias aceleram a taxa de reprodução celular,
que consiste numa maior rapidez na alimentação
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e, consequentemente, maior rapidez no
clareamento do efluente.
Geralmente estão grudados aos flocos.
- Livre natantes
Possuem a célula achatada. Possuem cílios no
contorno de seu corpo inteiro. O movimento
desses cílios é o que o faz nadar rapidamente
entre os flocos.
A presença de livre natantes tende a ser um
mau sinal. Considerando que nadam velozmente
entre os flocos, o consumo de energia desse ser
é muito alto, tendo que consumir muito alimento
nesse interim.
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Embora pareça bom sinal, considerando que se
desenvolvem melhor em condições de baixo OD,
seu aparecimento se dá quando o efluente já
está sobrecarregado de matéria orgânica, sendo
um indicativo da falta de oxigenação e de
descarte do lodo.
- Ciliados fixos
Ficam sempre presos aos flocos pelo mionema e
geralmente não se movem. Podem formar
colônias e possuem cílios nas cavidades orais, os
quais utilizam para se alimentar através de
filtração.
Começam a vida como livre natantes até se
fixarem em um bom lugar.
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A presença desse ciliado de forma colonial tende
a ser um mau indicativo ao sistema. Esse ser se
desenvolve em condições de excesso de força
na aeração.
As microbolhas forçam tanto o sistema que não
acontece a formação de flocos e, com isso, esse
microorganismo aparece.
Sua predominância é sinônimo de eficiência em
descrescimento.
Em contrapartida, quando associado a outros
microorganismos (livre natantes e predadores de
flocos), indica um sistema de clarificação eficaz
e bem depurativo.
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- Anelídeos
Um dos maiores microorganismos presentes em
lodos, os anelídeos são caracterizados pela
presença de cílios extensos nos seus corpos e
anéis para movimentação (daí o nome).
São comuns em vários lugares, geralmente em
água doce.
A presença de anelídeos não é muito comum em
lodos ativados. Comumente está relacionada ao
excesso de OD no efluente.
Esses microorganismos utilizam dos tufos de
cerdas presentes em seu corpo para se mover
prendendo-se nos flocos.
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Alimentam-se de algas, detritos e outros
microorganismos.
- Nematóides
Possuem corpo liso e sem segmentos. Não são
muitos comuns em lodos ativados e apresentam
maioritariamente movimentos serpenteantes,
devido a não terem pés e nem cerdas.
A presença de nematóides em efluentes pode
ser um mau indicativo. Esses microorganismos
podem significar excesso de nitrificação no
processo. Além disso, podem signifcar baixa
concentração de oxigênio e excesso de
temperaturas.
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Se alimentam de todos os microorganismos que
conseguirem.
- Rotíferos
Bastante frequentes em sistemas de lodos
ativados. Podendo ser fixos ou de nado livre, se
alimentam de bactérias e flocos particulados.
Possuem corpos cilíndricos e alongados.
Rotíferos são muito comuns e importantes em
sistemas de tratamento. São organismos bem
sensíveis a mudanças e, quando relacionados a
outros microorganismos representam variedade
de espécies e boa depuração.
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O nome vem do movimento de sua boca, que
gera um vórtice na água e permite a captura de
alimentos.
Se alimentam de praticamente tudo e auxiliam
muita na limpeza e desnitrificação do efluente.
- Tardígrado
Raros em sistemas bem tratados, os tardígrados
(ou ursos d’água) aparecem apenas em lodos
antigos e possuem comportamento predatório.
Tardígrados são extremamente raros em
sistema de efluentes, já que demoram meses
para aparecer.
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Podem indicar efluentes antigos, com pouco
mais significado além disso.
Não crescem muito e podem viver até 30 meses.
Sua reprodução se dá por ovos e suportam
temperaturas extremas, falta de oxigênio e
toxicidade.
- Flagelado
Possuem obrigatóriamente um ou mais flagelos.
Se locomovem pela agitação desse flagelo em
movimentos serpenteantes.
A presença de flagelados em efluentes é
incomum, sendo de difícil visualização.
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São indicativos dependendo do tamanho.
Flagelados pequenos indicam excesso de
material não depurado, falta de OD e lodo
jovem. Já os maiores, representam sistemas
eficazes, bem tratados e de idade mais madura.
São bem resistentes a toxicidade e, podem
perder o flagelo em condições inadequadas, no
entanto, este voltará a crescer prontamente.
- Gastrotríqueo
Metazoário muito comumente confundido com o
rotífero devido a forma e nado, presente em
efluentes de longa data.
Este
metazoário pertence ao filo Gastrotricha (do
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grego: gaster, estômago; trix, cabelo). Não é
raro encontramos eles em sistemas de lodos
ativados operando com idade do lodo mais alta.
Seu tamanho varia de 50µm a 1mm
comprimento, possuem cílios na parte ventral e
tufos de cílios na cabeça (anterior). O corpo em
forma de pino de boliche ou de fita é achatado
ventralmente e arqueado dorsalmente e a
locomoção se dá por deslizamento.
Alimentam-se basicamente de bactérias,
ajudando na redução da turbidez do efluente
tratado.
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