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Autobiografia Alexandre

Alexandre Miguel de Oliveira Henrique compartilha sua jornada de vida, destacando a importância do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) para sua mudança pessoal e profissional. Ele reflete sobre sua infância em um ambiente rural, as dificuldades enfrentadas e a influência da família em sua formação. Além disso, enfatiza a aprendizagem prática ao longo da vida, especialmente na mecânica, e a importância da educação e da formação contínua para seu desenvolvimento.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Autobiografia Alexandre

Alexandre Miguel de Oliveira Henrique compartilha sua jornada de vida, destacando a importância do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) para sua mudança pessoal e profissional. Ele reflete sobre sua infância em um ambiente rural, as dificuldades enfrentadas e a influência da família em sua formação. Além disso, enfatiza a aprendizagem prática ao longo da vida, especialmente na mecânica, e a importância da educação e da formação contínua para seu desenvolvimento.
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Introdução

Quero começar por agradecer a oportunidade de estar a participar neste


processo. Nem sempre damos valor às voltas que a vida dá, mas com o tempo
vamos percebendo que todas as experiências contam. Cheguei a uma fase em
que sinto que preciso de mudar algumas coisas na minha vida. E acredito que
este processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências
(RVCC) vai ser uma parte importante dessa mudança, tanto a nível pessoal
como profissional.

Esta caminhada faz parte do meu objetivo de concluir o 12.º ano de


escolaridade. Quero reconhecer e validar tudo aquilo que fui aprendendo ao
longo dos anos não só no trabalho, mas também nas aprendizagens que a vida
me deu, nos momentos bons e menos bons. O que procuro é simples: terminar
a escolaridade mínima obrigatória e, aumentar as minhas hipóteses no
mercado de trabalho. Sei que este passo me vai abrir mais portas, e dar mais
segurança para enfrentar o futuro com outra confiança.

Sempre acreditei que a vida é uma grande escola. Aprendi muito nos sítios
onde trabalhei, mas também nas situações do dia a dia, nas responsabilidades
que fui tendo, nos desafios que tive de superar. Tudo isso me ensinou muito. O
processo RVCC tem esse valor: reconhece que mesmo sem um percurso
escolar completo, as pessoas adquirem conhecimentos e competências válidas
e importantes.

Na altura em que deixei a escola, achei que estava a fazer o que era melhor.
Fui trabalhar cedo como muitos outros, e achei que era o caminho certo. Hoje,
com outra maturidade e com mais vivência, percebo que talvez pudesse ter
feito diferente. Mas não vale a pena viver de arrependimentos. Agora quero
olhar em frente, corrigir esse caminho e seguir em frente com mais certezas e
preparação.

Com este processo, quero reforçar as minhas competências, atualizar o que sei
e, acima de tudo, ganhar ainda mais confiança para abraçar novas
oportunidades. Sei que este passo me vai ajudar a construir um futuro mais
sólido, mais alinhado com aquilo que quero para mim. E acredito, de coração,
que nunca é tarde para recomeçar.

1
A família e a infância

Chamo-me Alexandre Miguel de Oliveira Henrique. Nasci no dia 22 de


setembro de 1988, às 23h numa pequena aldeia chamada Panoias, nos
arredores de Braga. Vim ao mundo com 4,2 kg e 51 cm. Desde cedo, o meu
caminho foi influenciado por muitas circunstâncias, tanto boas como difíceis. A
verdade é que o ambiente onde crescemos tem um peso enorme na pessoa
que nos tornamos, e no meu caso não foi diferente.

Cresci numa família com poucas posses, onde era preciso pensar primeiro na
sobrevivência e só depois nos sonhos. Isso fez com que eu tivesse de começar
a trabalhar cedo abdicar dos estudos, seguir caminhos mais seguros e viáveis,
mesmo que não fossem os que mais desejava. A falta de dinheiro nunca me
tirou o alento nem a vontade de lutar, mas confesso que limitou algumas
oportunidades e tornou tudo mais difícil.

A minha infância foi vivida num ambiente rural, simples, mas cheio de amor e
respeito. Estávamos sempre em contacto com a natureza, com os animais,
relembro os campos e os cheiros da terra lavrada depois da chuva. Foi uma
infância à antiga com liberdade para brincar e aprender com o mundo à nossa
volta.

Os meus avós eram pessoas humildes e trabalhadoras. Do lado do meu pai,


viviam da agricultura, o meu avô dedicava-se à terra e a minha avó cuidava da
casa e dos filhos. Do lado da minha mãe, o meu avô era pedreiro e a minha
avó, uma mulher com muita força, tratava dos netos com um carinho para
aliviar a minha mãe.

O meu pai foi à guerra em 1974 e infelizmente, voltou bastante afetado. Acabou
por desenvolver esquizofrenia e teve de se reformar cedo. Apesar disso,
sempre foi um homem respeitado e trabalhador, ensinou-me a mim e aos meus
irmãos, o valor do esforço. A minha mãe foi, a figura mais presente e
importante da minha vida. Trabalhava como funcionária pública nas piscinas de
Maximinos e mesmo com todas as dificuldades, nunca nos faltou com amor,

2
dedicação e força. Foi com ela que aprendi a ser persistente e a nunca desistir,
mesmo quando o caminho parecia difícil demais.

Tenho três irmãos mais velhos, o Gaspar, a Brigite e o Márcio. Eu sou o mais
novo, mas isso nunca me fez sentir menor. Brincávamos juntos, jogávamos à
bola, aos berlindes, andávamos de trator e saltávamos à fogueira no São João.
Nunca faltávamos à missa ao domingo, porque isso fazia parte da nossa vida
em família.

Lá em casa falava-se muito de política, sempre com uma inclinação para a


esquerda. Hoje em dia, acho que a política perdeu muito do seu valor, mas
continuo a acreditar que temos o dever de votar com consciência. A nossa casa
era um espaço de união, de transmissão valores, de partilha e onde se vivia a
tradição.

Naquele tempo, não se falava muito em “direitos das crianças”, mas havia uma
grande noção do dever e proteção por parte dos pais. Os tempos mudaram,
hoje fala-se mais, mas ainda há muito por garantir. Acredito que todas as
crianças devem crescer num ambiente com segurança, acesso à saúde e à
educação, e liberdade para sonhar. E essa responsabilidade não é só dos pais,
mas também das escolas e da sociedade como um todo.

As brincadeiras da minha infância eram na rua, ao ar livre. Jogávamos à


macaca, às escondidas, fazíamos corridas de bicicleta, e criávamos brinquedos
com o que havia, paus, pedras, cordas. Gosto de recordar tempos em que
passava horas a brincar com a minha irmã e o meu primo. Éramos
inseparáveis e bastava estarmos juntos para a imaginação começar a
trabalhar. Inventávamos jogos, corríamos de um lado para o outro e ríamos por
tudo e por nada, fazíamos caças ao tesouro, pistas de corridas feitas com
pedras ou ramos, campos de batalha onde ninguém se magoava, mas todos se
divertiam. A minha infância foi feita de brincadeiras simples, mas cheias de
criatividade e alegria. E quando estava sozinho, gostava de andar de bicicleta
ou ver desenhos animados, mas nada batia aquelas brincadeiras com os
outros miúdos da rua. Era o melhor do meu dia.

Hoje, vejo as crianças presas aos telemóveis, aos tablets e às consolas. Têm
mais acesso à informação, é verdade, mas perderam o contacto humano, a

3
criatividade e aquela liberdade de brincar ao natural. Os perigos também
mudaram, antes o medo era de uma queda, de um acidente. Agora, é o
cyberbullying, o isolamento digital, os vícios online e a exposição a coisas que
não deviam ver tão novos. Por isso, hoje em dia é ainda mais importante que
os pais estejam atentos, presentes e que haja diálogo.

A verdade é que na altura em que era criança tudo era diferente. Havia menos
trânsito, as ruas estavam mais vazias e nós sentíamo-nos mais seguros. A
minha mãe deixava-me sair para brincar, tranquila, sabendo que estava por
perto e que, mais cedo ou mais tarde, eu havia de aparecer com a cara suja e
um sorriso de orelha a orelha, mal ela me chamasse da janela. Não existiam
tantos receios como os que os pais têm hoje, raptos, violência,assaltos... tudo
isso estava longe da nossa realidade.

Hoje, olho à volta e vejo como tudo mudou. As crianças de agora já não vivem
essa liberdade. A interação que nós tínhamos na rua, a correr e a tropeçar, hoje
acontece por mensagens ou vídeos. E, mesmo assim, parece mais solitária. Os
pais também têm menos tempo, trabalham mais horas, andam mais cansados,
e isso também se nota no tempo que sobra para os filhos.

Acredito muito na força da educação e do ambiente onde crescemos. A


genética tem o seu papel, herdei a força de vontade do meu pai, a garra da
minha mãe e o gosto pelo trabalho manual dos meus avós. Mas mais do que
os genes, foi a vida que me transformou, nem só o património genético que
herdamos nos condiciona. Foram os exemplos, as dificuldades, os valores que
me ensinaram e o amor com que fui criado, a ser o homem que hoje sou.

Sou fruto de um percurso com muitas lutas, mas também com muitas lições. E
é por isso que, mesmo sem ter tudo, continuo a dar valor ao que tenho, e a
acreditar que o mais importante é nunca desistir de ser melhor, um dia de cada
vez.

4
A(s) escola(s)

A minha caminhada na escola começou na pequena escola primária de


Panoias, onde dei os primeiros passos, e aprendi as letras e números. Era uma
escola simples, com aquele cheiro a madeira antiga, relembro o som das
risadas, e as correrias nos recreios. Mais tarde, fui para Maximinos e depois,
para a Escola Mosteiro e Cávado. Cheguei ao 8.º ano, mas por razões
familiares e pessoais, tive de abandonar os estudos. Não foi uma decisão fácil,
mas na altura a vida assim o exigiu.

Durante muitos anos, ficou cá dentro aquele peso de ter deixado algo por
terminar. Com o tempo, veio a maturidade, e com ela a vontade de voltar a
pegar nos livros. Foi através do processo RVCC que consegui com muito
esforço e dedicação, concluir o 9.º ano. Posso dizer com orgulho que foi um
dos momentos mais importantes da minha vida. Senti que fechei um ciclo, que
cumpri um dever comigo próprio.

Sempre fui mais virado para o lado prático e criativo. As disciplinas que me
despertavam mais interesse eram Educação Visual, Educação Tecnológica e
História. Eram áreas onde conseguia expressar-me melhor e onde sentia que o
meu esforço rendia frutos. Já noutras disciplinas como Matemática e Ciências,
davam-me mais luta. Não eram o meu forte, mas nunca deixei de tentar, fazia o
que podia, dentro das minhas capacidades.

Ao longo do meu percurso escolar, cruzei-me com professores que marcaram a


minha vida. Lembro-me em especial de uma professora do 1.º ciclo. Ela
acreditava em mim, mesmo quando eu próprio duvidava. Estava sempre pronta
a dar uma palavra de incentivo, a puxar por mim, a lembrar-me que eu era
capaz, mesmo nos dias em que parecia tudo mais difícil. São essas pessoas
que fazem a diferença.

Na escola, fiz amizades verdadeiras. Daquelas que ficam, mesmo com o


passar dos anos. Os intervalos eram momentos de pura alegria, jogávamos à
bola, trocávamos cromos, ríamos até nos doer a barriga. O lanche, quase
sempre feito pela minha mãe, era dividido com os colegas. E muitas vezes ia a
pé para a escola, acompanhado pelos vizinhos ou pelos meus irmãos. Esses
pequenos gestos do dia a dia, que na altura pareciam tão normais, hoje têm um

5
valor enorme, quando hoje vemos filas de carros junto às escolas, são os
países que vão buscar/leva os filhos.

As rotinas eram simples, mas havia tempo para aprender, para brincar, para
fazer travessuras e para sonhar. E, apesar das dificuldades era um tempo
bonito, cheio de inocência e de pequenas alegrias.

Há uma memória da infância que guardo com um carinho especial. Um dia, o


meu pai, num dos seus momentos de maior calma, chamou-me para junto do
trator. Olhou para mim e disse: “Hoje és o meu ajudante.” Subi para o banco ao
lado dele cheio de orgulho. Mostrou-me como lavrar a terra, explicou-me como
funcionava o motor, falou-me dos sons da máquina como quem partilha um
segredo.

Foi um momento marcante. Aquele dia ficou gravado em mim. Talvez tenha
sido aí que nasceu a minha paixão pela mecânica. Sujo de terra e óleo, ao lado
do meu pai senti que fazia a importância de aprender e trabalhar para uma vida
digna. Na minha opinião, foi um instante de ligação, de aprendizagem, mesmo
que ele nem o soubesse demonstrar com palavras.

Essas memórias, esses pedaços de vida, são o que ajudaram a crescer. A


escola ensinou-me muito mais do que matérias, ensinou-me valores,
convivência e regras.

6
A formação profissional

Nunca fui uma pessoa muito virada para os estudos. A verdade é que a escola
nunca me prendeu. Estar horas sentado a ouvir alguém a falar de temas que,
para mim, pareciam tão distantes da realidade... não era o meu estilo. Sempre
preferi aprender a mexer, desmontar, ver como as coisas funcionam por dentro.
Desde pequeno que mostrava esse lado prático, talvez até curioso demais, e
foi isso que, com o tempo, me levou à mecânica.

Nunca fiz um curso técnico de mecânica. Não tenho certificados emoldurados,


nem passei por salas cheias de bancadas e motores em formação. Tudo o que
sei foi aprendido com as mãos, com os olhos bem atentos e com muita
paciência. No início, limitava-me a observar. Era miúdo e adorava passar horas
na garagem, a desmontar motas, a ver como funcionavam os motores. Depois
comecei a meter as mãos à obra, mesmo sem saber bem o que estava a fazer.
Parti muita coisa, é verdade. Mas cada erro que cometi ensinou-me mais do
que qualquer aula.

Com o passar do tempo fui ganhando confiança e prática. Os amigos


começaram a pedir-me ajuda, vinham ter comigo com carros e motas, e eu
tentava sempre dar o meu melhor. Fui aprendendo peça a peça, falha a falha.
Hoje em dia, tenho clientes que me procuram porque confiam no meu trabalho,
e é um orgulho ouvir alguém perguntar: Aprendeste onde?. A minha resposta é
simples: aprendi com as mãos, com os olhos, com a vontade de não desistir, e
com muitas horas de pesquisa por conta própria.

Mesmo sendo autodidata, percebi que a formação profissional também tem o


seu valor. Ao longo do meu percurso, decidi apostar em alguns cursos que
pudessem complementar o que já sei da prática. Fiz, por exemplo, o curso de
Promoção de Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis – Prevenção de Riscos
Profissionais, onde aprendi conceitos básicos para garantir a minha segurança
e a dos que trabalham comigo, tanto em oficina como noutros ambientes
laborais.

7
Repeti esta formação para reforçar conhecimentos, porque acredito que
prevenir é sempre melhor do que remediar. Aprendi a identificar riscos, a agir
de forma mais consciente e a respeitar normas que muitas vezes são
esquecidas por quem está “no terreno”. Para além disso, fiz também um curso
de Primeiros Socorros no Âmbito Laboral – Nível I, onde aprendi a reagir em
emergências, algo essencial num trabalho como o meu, onde o risco está
sempre presente.

Estas formações podem parecer pequenas, mas fazem a diferença. Mostram


que, mesmo não tendo feito nenhuma formação oficial para a mina área
profissional, continuo a querer aprender e evoluir. A formação profissional é
muito importante, pois dá-nos mais segurança, abre portas, melhora o serviço
que prestamos e, acima de tudo, valoriza-nos enquanto profissionais.

No fim de contas, nunca estive verdadeiramente sozinho no meu caminho.


Aprendi com os erros, com os motores que me desafiaram, com os amigos que
confiaram em mim e, agora, também com estas formações que fui integrando
ao meu percurso. E é isso que torna o meu trabalho tão especial: foi feito à
minha maneira, com esforço, dedicação e uma paixão que nunca me largou.

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Outros contextos de aprendizagem

Muito do que sei hoje não aprendi nos livros nem dentro de uma sala de aula.
Foi a própria vida que me ensinou às vezes da forma mais dura, outras com
pequenas lições do dia a dia. Fora da escola, cresci a lidar com situações reais:
a gerir horários apertados, a comunicar com clientes, a resolver problemas
tanto no trabalho como em casa. Nada disto vem com manual, aprende-se
mesmo vivendo.

Fui ganhando experiência com o tempo, a observar os outros, a cometer erros,


a levantar-me e a tentar de novo. Cada situação ensinou-me algo, ou pela
dificuldade, ou pela solução que encontrei. A vida obriga-nos a adaptar, a
pensar rápido, a manter a calma mesmo quando tudo parece estar a correr
mal. E isso para mim, é uma escola por si só.

A competição automóvel e os projetos de preparação também me ensinaram


muito. Não é só a parte técnica, que já exige bastante, mas também o trabalho
em equipa, o respeito pelos prazos, o saber ouvir e colaborar com colegas e
clientes. Há um lado humano muito forte nestes ambientes. Aprende-se a
escutar, a ter paciência, a explicar, a negociar, a gerir as expectativas.

Posso dizer com toda a certeza que estas aprendizagens práticas, vindas da
vida real, valeram tanto como qualquer aula. Construíram a forma como
trabalho, como lido com os outros e como enfrento os desafios. E são essas
aprendizagens feitas no terreno, que me acompanham todos os dias.

A minha infância e juventude foram feitas de contrastes curiosos — e foi isso


que me ajudou a crescer com os pés bem assentes no chão. Durante alguns
anos frequentei a catequese. Ia aos encontros, participava nas celebrações e
aprendi valores importantes que, até hoje, carrego comigo. Fui ganhando
noções de respeito, partilha e responsabilidade. Mesmo que nem sempre
tivesse plena consciência disso na altura, essas lições ajudaram a moldar a
pessoa que sou hoje.

9
O desporto automóvel sempre fez parte de mim. Desde muito novo que me
apaixonei por carros, por velocidade, pelo barulho dos motores afinados a
puxar bem alto. Não era só um gosto, era mesmo uma paixão.

Comecei por acompanhar corridas, ver vídeos, ler sobre o assunto... e sempre
que havia um evento num autódromo, fazia os possíveis para estar lá. Aquela
adrenalina que se sente quando os carros arrancam, o cheiro da borracha a
queimar no asfalto, os olhos a seguir cada curva... é uma sensação difícil de
explicar. Parece que durante aqueles momentos tudo para, só existe a pista, os
carros e a emoção.

Mais tarde, tive também a oportunidade de participar nalguns desses eventos.


Fiz assistência a equipas, ajudei na preparação de carros de competição e fui
ganhando experiência. Foram momentos de enorme aprendizagem e de
grande entusiasmo. Cada prova era diferente, cada corrida trazia um desafio
novo. Era preciso estar atento, focado e dar sempre o melhor.

Apesar de parecerem mundos tão diferentes, a catequese e o desporto


automóvel, a verdade é que ambos me ensinaram a importância da dedicação,
do esforço e do compromisso. Um, deu-me estrutura e valores. O outro,
ensinou-me a nunca desistir dos meus sonhos.

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A vida profissional

Atualmente, trabalho na Bracardox, uma oficina especializada em Subarus e na


preparação de carros de competição. Somos uma equipa pequena, composta
por cinco pessoas, mas bastante unida e focada. Cada um tem o seu papel, e o
meu envolve várias responsabilidades importantes: montar motores forjados,
organizar o serviço, fazer diagnósticos eletrónicos e garantir que tudo é feito
com rigor, como deve ser. Aqui, não há espaço para facilidades nem para fazer
as coisas “mais ou menos”, cada detalhe conta, e é isso que torna o nosso
trabalho tão exigente, mas também tão gratificante.

A verdade é que isto para mim nunca foi apenas um trabalho. É uma paixão,
daquelas que se sente mesmo no corpo. Desde que tive o meu primeiro Honda
Civic VTi, que o mundo da preparação automóvel passou a fazer parte de mim.
Lembro-me perfeitamente da sensação de conduzir aquele carro e de começar
a perceber tudo o que podia ser feito para o melhorar. A partir daí comecei a
mergulhar de cabeça no mundo da mecânica, da performance, dos motores e
das afinações.

Gosto de ver um carro nascer e aperfeiçoar-se nas minhas mãos. Há algo de


especial em pegar numa máquina “em bruto” e transformá-la num projeto
único, cheio de potência, equilíbrio e personalidade. É como se cada carro
contasse uma história e eu tivesse o privilégio de ajudar a escrevê-la. A parte
mecânica, os ajustes, os testes, os pequenos problemas/desafios que surgem
no meio do processo, tudo isso me motiva e me dá prazer.

Trabalhar na Bracardox tem sido uma experiência de crescimento, tanto


profissional como pessoal. A responsabilidade é grande, mas também é grande
a satisfação de ver o resultado e sentir que contribuo para algo feito com
qualidade. No fundo, encontrei um sítio onde posso fazer o que gosto, rodeado
de pessoas que partilham do mesmo espírito. E isso, hoje em dia, é um
verdadeiro privilégio.

O meu primeiro trabalho começou de forma simples, lá em casa, a mexer em


carros de competição. Ainda não era nada oficial, não havia recibos nem
contrato, mas já era um trabalho a sério. Fazia serviços para outras oficinas,
tipo freelance, faziam-me pedidos e eu punha mãos à obra. Era algo que me

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dava gozo, fazia com paixão e, mesmo sem estar declarado, foi ali que
comecei a ganhar experiência a sério na área.

Em finais de 2007, decidi investir mais em mim e comecei uma formação de


soldadura em Viana do Castelo. A ideia era clara: abrir a minha própria oficina.
Estava focado e com vontade de criar algo meu. Mas, como a vida nem sempre
corre como planeamos, surgiu uma proposta de trabalho na Bracardox Oficina
Lda – Automóveis. A proposta era boa, e na altura, apesar de estar a meio da
formação, acabei por deixar tudo para trás. Desisti da formação e do sonho da
oficina própria.

Hoje, em 2025, admito com sinceridade que me arrependo dessa decisão.


Sinto que deixei algo importante por fazer. Mas a boa notícia é que estou a
retomar essa ideia e a planear, com mais maturidade, aquilo que interrompi em
2017.

A Bracardox é uma empresa de reparação e manutenção automóvel, com uma


especialização na marca Subaru. Somos três mecânicos e uma colega no
escritório. A empresa tem capacidade para oito trabalhadores, com espaço
para cerca de vinte carros no interior. Temos boas condições de espaço: casas
de banho separadas para homens, mulheres e funcionários, com chuveiro e
roupeiros, dois escritórios (um principal e outro de receção), sala de espera,
seis elevadores, máquina de alinhamento... enfim, uma oficina bem equipada a
nível estrutural.

O ambiente de trabalho é tranquilo. Nunca fui pessoa de arranjar conflitos, sou


calmo por natureza, e quando há algum mal-entendido, prefiro falar
diretamente com as pessoas e resolver as coisas com respeito. Temos uma
boa relação de equipa, ajudamo-nos uns aos outros, trocamos ideias e
estamos todos no mesmo barco. No fundo, queremos o mesmo: fazer bem o
nosso trabalho.

O nosso setor de actividade passa pela reparação de veículos, manutenção,


alterações para performance e preparação de carros para pista. Fazemos
também serviços de chaparia, polimento de óticas, pintura, e vendemos peças
como óleos, filtros, embraiagens, entre outros. Trabalhamos com carros

12
normais, mas também com veículos preparados para competição, que é
mesmo a minha especialidade e o que mais gosto de fazer.

A comunicação dentro da empresa é simples e prática: usamos o WhatsApp


para falar uns com os outros, receber instruções dos serviços e organizar o dia
de trabalho. A empresa é gerida por um sócio-gerente, que também mete as
mãos na massa connosco, e temos a colega do escritório que trata das fichas
de serviço.

Quanto ao meu papel, faço praticamente todo o tipo de reparações. Troco


peças do motor e da carroçaria, abro e fecho motores, troco embraiagens, faço
diagnósticos, substituo óleos, mexo em travões, faço tudo o que seja
necessário num carro. Além disso, desempenho trabalhos de performance em
carros de competição, que é, sem dúvida, o meu mundo e onde me sinto em
casa.

Nunca aprendi com ninguém. Fui sempre autodidata. Desde pequeno que me
meto nisto e fui sempre aprendendo por mim. O processo foi feito de tentativa e
erro, muita pesquisa, prática constante e curiosidade. Tornei-me o meu próprio
professor.

Utilizo ferramentas de todo o tipo: chaves vulgares e de precisão, dinométricas,


macacos, elevadores, compressores, pistolas de ar, rebarbadoras, ferros de
soldar... a lista é longa, e todas são importantes no dia a dia da oficina.

Este tipo de trabalho, claro, tem riscos: cortes, roturas, ferimentos nos olhos ou
cabeça, lesões musculares... por isso, usamos equipamento de proteção
individual, como botas, luvas, óculos e massas para lavar as mãos. A
segurança é essencial.

Tenho contrato de trabalho sem termo, com uma carga horária de 9 horas por
dia. Entro sempre a horas, mas sair… nem sempre consigo sair no tempo
certo, porque o trabalho às vezes estica. Mas já estou habituado.

No futuro, sei que o mundo automóvel vai mudar, e já está a mudar. A


reparação de veículos elétricos é uma realidade cada vez mais presente, por
isso é importante estar atualizado. A tecnologia entrou forte nas oficinas, com
máquinas de diagnóstico cada vez mais avançadas. E também acredito que o

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marketing digital é essencial, precisamos de estar presentes nas redes sociais,
mostrar o que fazemos, conquistar novos clientes. Isso ainda nos falta, mas sei
que seria uma grande mais-valia para a empresa.

Acho que, no fundo, o que faz um bom profissional hoje e no futuro é a


capacidade de adaptação, o gosto por aprender, e a vontade de fazer sempre
melhor. E isso, felizmente, nunca me faltou.

14
Vida pessoal

A adolescência para mim, foi uma fase intensa, cheia de movimento e


emoções. Confesso que nessa altura, a escola não era prioridade. Preferia
estar com os amigos, a ouvir música ou a passar o tempo no parque radical,
onde sentia uma liberdade que não encontrava entre quatro paredes. Era um
miúdo cheio de energia, com a cabeça a mil e pouca paciência para estar
parado numa sala de aula.

Nunca me considerei um adolescente rebelde. Sempre fui uma pessoa calma,


sem grandes dramas nem conflitos. Não era de responder mal ou de arranjar
confusão com ninguém. Desde novo que deixei claro à minha mãe que não
gostava de estudar. Aquilo simplesmente não me dizia nada. Não me sentia
ligado às aulas, ao ambiente, ao sistema em si. E por mais que tentasse, não
conseguia ver ali um caminho para mim.

Apesar disso, mantinha-me respeitador. Não era daqueles miúdos


problemáticos, apenas não tinha interesse pelos livros. Preferia aprender com a
vida, com as mãos, com o que se vive cá fora. O maior desafio da minha
adolescência foi lidar com essa falta de motivação escolar e com as
dificuldades económicas da família, mas sem me perder pelo caminho.

Houve um momento que me marcou bastante nessa altura. Tinha uns 15 anos
quando percebi, da forma mais dura, o que é sentir uma traição. Tinha um
amigo muito chegado na escola. Era daqueles amigos que se conta tudo, em
quem confiava de olhos fechados. Partilhávamos segredos, falávamos de tudo.
Mas um dia, ele quebrou essa confiança, contou a outros colegas coisas que
lhe tinha dito em privado. Senti-me completamente apanhado de surpresa. Foi
um murro no estômago.

Na altura, doeu muito. Senti-me exposto, traído, e não sabia bem como lidar
com aquilo. Fiquei em baixo, afastei-me, e foi difícil digerir tudo. Mas com o
tempo, percebi que foi uma lição. Aprendi que a confiança é uma coisa séria.
Não se dá a toda a gente. Desde aí tornei-me mais cuidadoso com quem deixo
entrar no meu mundo. Passei a dar mais valor às amizades verdadeiras,
àquelas que estão lá nos bons e nos maus momentos.

15
Hoje vejo que aquele episódio, por mais que tenha doído, ajudou-me a crescer.
Ajudou-me a criar uma força interior, uma espécie de escudo emocional que fui
construindo com as experiências. Aprendi a levantar-me quando me magoam,
a seguir em frente com mais cabeça, capaz de confiar, só que agora, com mais
sabedoria.

A vida deu uma grande volta quando fui pai aos 18 anos. A minha filha Aline
nasceu e apesar de eu ser ainda muito novo, aquele momento marcou-me para
sempre. Durante algum tempo, ela viveu em França, mas hoje está comigo.
Sou o seu tutor e faço tudo para que tenha uma vida estável e segura. É uma
responsabilidade grande, mas também um orgulho enorme. Faço o possível, e
o impossível, para que ela se sinta amada, protegida e com espaço para
crescer.

Aos 19 anos, conheci a Adriana, a mulher que tem estado ao meu lado desde
então. Construímos a nossa vida junta, passo a passo sempre com muito
esforço e dedicação. Casámos, erguemos a nossa casa com as nossas
próprias mãos e formámos uma família bonita e unida. Temos dois filhos
maravilhosos: o Tomás e a Luana. São a nossa alegria, o nosso futuro e a
nossa maior motivação.

A verdade é que a família é o centro de tudo na minha vida. São eles que me
fazem levantar todos os dias com vontade de ser melhor, de trabalhar mais, de
lutar por um futuro com mais estabilidade, e mais oportunidades. Tudo o que
faço, faço a pensar neles.

Não sou perfeito, e a vida nem sempre foi fácil, mas acredito que a dedicação à
família são os pilares que nos mantêm de pé, mesmo quando tudo parece
desabar. E é por isso que, acima de tudo, sou um homem de família, com
orgulho, com emoção e com muita vontade de continuar a construir algo de
bom.

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A Habitação

Vivo em Merelim São Paio, no concelho de Braga. A nossa casa começou a ser
construída em 2022, num terreno autónomo que conseguimos com muito
esforço e dedicação. Foi um projeto pensado em conjunto, para dar conforto e
estabilidade à minha família. Idealizamos a casa, pedimos a um arquiteto que
desenhasse o projeto, foi necessário ir à conservatória do registo predial e
contrair um empréstimo ao banco.

A localização é bastante boa, e facilita muito a nossa vida no dia a dia. A cerca
de 300 metros fica a Escola Básica Mosteiro e Cávado, onde o meu filho
Tomás estuda e que atualmente frequenta o 6.º ano. Temos uma paragem de
autocarro a apenas 50 metros, o que é uma grande ajuda principalmente para
quem não tem transporte próprio ou para os miúdos ganharem alguma
autonomia.

Também estamos bem servidos de comércio, há supermercados, cafés e


outros serviços ali à volta, tudo acessível a pé. A pouco mais de 1 km temos a
Escola Primária de Merelim São Pedro e também a Escola Primária de Merelim
São Paio, o que dá opções próximas para quem tem filhos mais novos.

Além disso, existem duas zonas industriais a cerca de 2 km, o que pode
representar oportunidades de trabalho e movimento económico na zona. E
claro, em apenas 4 km chegamos ao centro da cidade de Braga, o que nos
coloca perto de tudo, escolas, centros de saúde, transportes, comércio, cultura.

Sinto que estamos num bom sítio, calmo, mas ao mesmo tempo perto de tudo
o que precisamos. Esta casa é muito mais do que paredes e telhado,
representa o nosso esforço, o nosso sonho de uma vida melhor onde criamos
os nossos filhos.

A minha casa tem tudo o que preciso para viver com conforto. Foi pensada ao
pormenor, tanto a nível de comodidade como de poupança de energia. Temos
aspiração central e ar condicionado nas divisões principais, o que facilita muito
o dia a dia, mas também apostámos em soluções mais económicas e eficientes
para o aquecimento da casa.

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Como sempre tive em mente a importância do isolamento, coloquei placas de
roofmate de 4 cm nas paredes e de 6 cm no telhado. Isto ajuda bastante a
manter a temperatura interior, tanto no inverno como no verão, e também reduz
bastante o barulho vindo do exterior.

Na sala, temos uma lareira a lenha com recuperador de calor. Esta opção foi
escolhida por ser muito mais eficiente do que uma lareira aberta. Para além de
dar um ambiente acolhedor à casa, consegue aquecer bem o espaço e ainda
poupar na conta da luz ou do gás. Para manter o calor dentro de casa, as
janelas são todas com vidro duplo, o que também ajuda imenso no isolamento
térmico.

Hoje em dia, quando se constrói uma casa, há sempre um projeto bem


completo. Nada é feito ao acaso. Está tudo planeado, desde a eletricidade ao
gás, passando pelas telecomunicações e outras especialidades que fazem
parte de uma habitação moderna.

Cá em casa, também aproveitamos o aquecimento natural, principalmente no


inverno. Durante o dia, abrimos os estores e deixamos o sol entrar pelas
janelas, o que ajuda a aquecer o ambiente sem gastar energia. À noite,
fechamos tudo para conservar o calor. No verão, fazemos o contrário:
protegemos a casa do sol direto durante o dia, baixando os estores, e à noite,
se o tempo estiver ameno, abrimos as janelas para deixar entrar o ar fresco.

Outra coisa que fazemos com regularidade é arejar as divisões. Acho que é
mesmo essencial para a saúde da casa e de quem lá vive. O ar precisa de
circular, renovar-se, e isso só se consegue se houver entrada de ar fresco de
vez em quando.

No fundo, acredito que o conforto de uma casa não está só nas coisas
modernas que ela tem, mas também na forma como é pensada e vivida no dia
a dia.

Com o passar dos anos, tenho percebido que aquilo que procuramos numa
casa vai muito além de quatro paredes e um telhado. Antigamente, talvez o
mais importante fosse apenas ter um sítio onde nos abrigássemos do frio, da

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chuva ou do calor. Mas hoje, sinto que isso já não chega. As nossas
necessidades mudaram, tal como o nosso modo de viver.

Hoje em dia, damos mais valor ao bem-estar, ao conforto, ao sentimento de


pertença. Uma casa já não é só um espaço físico, é o lugar onde nos sentimos
verdadeiramente em paz. Onde descansamos o corpo e, acima de tudo, a
cabeça. Já não se trata apenas de um abrigo, mas sim de um espaço que nos
acolhe e que diz muito sobre quem somos.

Tenho reparado também que a decoração, o ambiente, a luz natural, as cores


das paredes ou até os pequenos pormenores fazem uma diferença enorme.
Quando entro em casa e vejo um espaço cuidado, à imagem da família, sinto
logo uma tranquilidade. A estética, mesmo que simples, traz equilíbrio e ajuda a
manter a mente mais serena.

Curiosamente, os dinamarqueses têm uma palavra que encaixa mesmo bem


nesta ideia: Hygge. É uma daquelas palavras difíceis de traduzir, mas que
dizem muito. Fala de conforto, de aconchego, daquele sentimento bom que
temos quando estamos num sítio onde nos sentimos verdadeiramente bem.
Acho que é isso que todos queremos da nossa casa.

Hoje em dia fala-se muito em casas inteligentes. É verdade que ainda não são
para todos os bolsos, mas não há dúvida de que vieram mudar a forma como
vivemos. Criaram ambientes mais eficientes, mais seguros e até mais
cómodos, especialmente para quem consegue investir nesse tipo de
tecnologia. São casas pensadas ao detalhe, que se adaptam ao dia a dia das
pessoas que lá vivem. E isso, para mim, tem muito valor.

Lembro-me de ter visto um programa no canal National Geographic que falava


precisamente sobre este tema. Fiquei mesmo impressionado com o que vi.
Mostravam casas super modernas, onde quase tudo era automático. Coisas
simples, como acender e apagar luzes, regular a temperatura da casa ou até
abrir as persianas, aconteciam sozinhas, sem que fosse preciso carregar em
botões. Bastava dar um comando por voz ou programar tudo com
antecedência. E o melhor é que estas soluções tornam a casa mais confortável
e prática.

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Outra coisa que me chamou à atenção foi o facto de se poder controlar vários
equipamentos à distância, mesmo quando se está fora de casa. Por exemplo,
ligar o aquecimento antes de chegar ou verificar se está tudo fechado e seguro.
Também vi casas com sistemas de som e vídeo integrados em várias divisões,
o que deve ser ótimo para quem gosta de música ou de ver filmes com
qualidade.

Há ainda outro ponto que achei interessante, o uso da tecnologia para ajudar a
poupar energia. Existem sistemas que fazem a gestão do consumo elétrico e
até sugerem formas de gastar menos. E, em algumas casas mais avançadas,
há sensores que monitorizam a saúde das pessoas. Coisas como os
batimentos cardíacos ou a tensão arterial, que podem ser úteis, especialmente
para quem tem problemas de saúde ou vive sozinho.

No fundo, isto tudo é a tecnologia ao nosso serviço. É verdade que ainda está
longe de ser uma realidade acessível a todos, mas acredito que, com o tempo,
estas soluções vão tornar-se mais comuns.

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Tempos livres e saúde/qualidade de vida
Nos meus tempos livres, depois de um dia de trabalho, continuo ligado àquilo
que mais gosto: a mecânica automóvel, principalmente no mundo da
competição. Faço trabalhos para mim em casa, no meu pequeno espaço de
garagem. Aos sábados, aproveito para dar continuidade a esses projetos,
muitas vezes já com carros ligados às corridas, o que também me ajuda a
ganhar um extra, que dá sempre jeito.

No período da tarde, quando sobra tempo, dedico-me às tarefas da casa.


Gosto de manter tudo em ordem, cortar a erva, limpar, cuidar do espaço. Dá-
me gosto ver as coisas arrumadas e bem tratadas, faz parte do meu sentido de
responsabilidade e do ambiente que quero para a minha família.

Os domingos são sagrados em casa. São dias para estar com os meus, para
carregar baterias. Costumamos sair em família: passeamos, vamos até à praia,
ao shopping, ao cinema ou simplesmente damos uma volta pelas lojas. É um
momento mais leve, de partilha e convívio, onde também aproveitamos para
gastar um pouco dos “extras” que fui fazendo durante a semana, seja em
roupas, seja num jantar especial.

Quando há provas, como as rampas, muitas vezes o meu fim de semana é


passado a fazer assistência. É cansativo, mas gosto do ambiente das corridas,
da adrenalina e da entreajuda entre equipas. Faz parte de quem eu sou.

As viagens em família ficam normalmente guardadas para o verão. É quando


aproveitamos para sair da rotina e descansar como deve ser. O destino mais
longe onde já fomos foi ao sul de Espanha, a Benidorm, que foi uma
experiência que gostei muito. Mas, na maior parte dos anos, optamos pelo
nosso Algarve, já passámos por Vila Real de Santo António, Albufeira, Praia da
Rocha, Armação de Pera, Olhão e Cacela Velha. São sítios que nos dizem
muito, onde já criámos memórias bonitas e onde conseguimos estar em família
com tempo, calma e sol.

Uma das coisas que mais me ajuda a relaxar são as caminhadas, gostaria de
ter, mas tempo livre para praticar com regularidade. Gosto especialmente de
andar em espaços verdes, onde se sente o cheiro da terra e o som dos
pássaros. Também aprecio caminhar junto ao mar, na praia, com os pés na

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areia e o som das ondas a acompanhar o passo. De vez em quando, também
faço circuitos de manutenção ao ar livre, sabe mesmo bem mexer o corpo e
libertar a cabeça.

Mas para além das caminhadas, dou muita importância à alimentação e ao


exercício físico no geral. São dois hábitos que considero fundamentais para
manter uma vida equilibrada e saudável. Não é só uma questão de peso ou
aparência. É uma forma de cuidar de mim, por dentro e por fora.

A verdade é que quando comemos bem e praticamos exercício com alguma


regularidade, o nosso corpo responde. Sentimo-nos com mais energia,
dormimos melhor e até o humor melhora. E, claro evitamos muitos problemas
de saúde, como doenças do coração, diabetes tipo 2 e até alguns tipos de
cancro.

A alimentação equilibrada dá ao corpo aquilo de que ele realmente precisa:


proteínas, hidratos de carbono, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais. E se
juntarmos a isso o exercício físico, os benefícios aumentam ainda mais. O
corpo aprende a usar melhor a energia dos alimentos, o que faz com que o
metabolismo funcione de forma mais eficiente.

Além disso, noto que quando me mexo com frequência, controlo melhor o
apetite, a digestão é mais leve e até a disposição melhora. Não é preciso ir ao
ginásio todos os dias ou fazer desporto de competição. Às vezes, basta mesmo
uma boa caminhada para pôr tudo no lugar.

No fundo, são pequenas escolhas que vou tentando manter no meu dia a dia. E
mesmo que nem sempre consiga cumprir tudo à risca, sei que o importante é
não desistir e continuar a cuidar de mim.

No fundo, o meu tempo livre gira à volta daquilo que me faz feliz: a mecânica, a
casa e a família. Tento manter o equilíbrio entre o trabalho e o descanso, o
esforço e os momentos bons. E é isso, para mim que define a verdadeira
qualidade de vida.

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Leitura

Não sou daqueles que andam sempre com um livro na mão, mas passo a vida
a ler. Gosto de estar informado, principalmente sobre aquilo que me interessa e
me faz crescer , seja a nível pessoal, profissional ou até relacionado com a
saúde.

Grande parte da minha leitura é ligada ao mundo automóvel. Leio artigos


técnicos, fóruns especializados, manuais e tudo o que tenha a ver com
preparação de motores, novas tecnologias e competição. Gosto de perceber
como as coisas funcionam ao pormenor. Às vezes, perco-me a pesquisar
temas específicos durante horas e nem dou pelo tempo a passar.

Para além disso, também me interesso muito por assuntos que envolvem a
natureza humana. Gosto de compreender melhor as pessoas, o
comportamento, as emoções, o que nos leva a agir de determinada forma. Não
é leitura “pesada”, mas sim informação útil que me ajuda a crescer como
pessoa e a lidar melhor com os outros, no trabalho e em casa.

Vejo muitas séries e documentários, principalmente sobre carros ou de


temática policial. São temas que me cativam, que me fazem pensar e muitas
vezes, até me inspiram. Acho que, mesmo sem estar dentro de uma sala de
aula, conseguimos aprender muito com o que escolhemos ver e ler.

Para mim, ler não é só folhear livros, é procurar conhecimento onde ele estiver.
Nesse sentido, a leitura está presente todos os dias na minha vida, mesmo que
seja em pequenos momentos, no telemóvel, no computador ou na televisão.
Gosto de aprender e acredito que enquanto mantivermos essa vontade,
estamos sempre a evoluir.

Também aprecio ver filmes, na companhia da minha mulher, e por vezes a


comer pipocas que fazemos no micro-ondas. É uma maneira de desligar do
mundo e mergulhar noutras realidades, noutros tempos, noutras vidas. Ao
longo dos anos, alguns marcaram-me, e há dois que me ficaram na memória
de forma especial.

Um deles é O Fugitivo, com o Harrison Ford. Ele interpreta um médico que é


acusado injustamente de um crime que não cometeu. É daqueles filmes que

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nos prendem ao ecrã do início ao fim. Lembro-me de ver o filme e ficar a torcer
por ele como se o conhecesse.

O outro chama-se A Idade de Adaline. É uma história mais emotiva, que


mistura romance com um toque de mistério. A personagem principal deixa de
envelhecer após um acidente, e isso muda completamente a sua vida. Fiquei
impressionado, porque nos faz pensar sobre o tempo, sobre as escolhas que
fazemos e como cada decisão pode alterar o nosso caminho.

Para além destes, gosto muito de ver filmes que retratam a força do ser
humano em momentos difíceis. Um exemplo disso é O Resgate do Soldado
Ryan. É um filme intenso, que mostra o lado mais humano da guerra, o
sacrifício, a amizade, a coragem.

De vez em quando, também gosto de ver documentários e estar a par das


notícias. Acho importante perceber o que se passa no mundo, mas admito que
nem sempre tenho paciência ou tempo para isso.

Também tenho um fraquinho por filmes de ficção científica e ação. Fascinam-


me pelo lado da tecnologia e pelas ideias futuristas. Duna, por exemplo,
realizado pelo Denis Villeneuve, foi um filme que me prendeu logo desde o
início, os cenários, a história, tudo me captou a atenção. O Matrix
Resurrections foi outro que gostei bastante, talvez por mexer com aquela
dúvida entre o real e o virtual. E não posso deixar de falar em Tenet, do
Christopher Nolan, que me deixou a pensar durante dias.

No fundo, ver filmes não é só um passatempo. É também uma forma de


aprender, de sentir, e de me deixar levar por histórias que mesmo sendo
fictícias, tocam em partes muito reais da vida.

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Reflexão Final / Conclusão

Ao olhar para o caminho que fiz até aqui, sinto que tudo teve o seu tempo e o
seu propósito. Apesar das voltas que a vida me deu, nunca deixei de sonhar
nem de querer mais para mim e para os meus. E é por isso que penso cada
vez com mais clareza, em investir numa formação como técnico superior na
área automóvel. Seria uma forma de aprofundar os conhecimentos que já
tenho na prática, dar um passo mais seguro em direção a novas oportunidades
e até abrir portas para outras funções, dentro ou fora da oficina.

Se um dia, por motivos de saúde ou por alguma mudança de vida, eu precisar


de mudar de emprego, quero estar preparado. Não quero sentir que fiquei para
trás ou que não tenho outras opções. Por isso, um dos meus grandes objetivos
agora é continuar os estudos, chegar ao 12.º ano e apostar em mim. Não
apenas por um papel ou um diploma, mas por aquilo que representa:
superação, crescimento e evolução pessoal.

Acredito que nunca é tarde para aprender e que a vida está sempre a ensinar-
nos, mesmo fora da escola. Eu já aprendi muito com a experiência, com os
erros, com o trabalho e com a responsabilidade de ser pai e homem de família.
Mas agora chegou o momento de juntar a isso uma formação mais sólida, que
me dê mais segurança e valor no mercado de trabalho.

No fundo, o meu maior objetivo é simples: quero continuar a crescer a dar o


melhor de mim, e a construir um futuro mais estável e com mais oportunidades.

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