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O Livro Do Desassossego - Apresentação

O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, é uma obra fragmentada e inacabada que reflete a inquietação do autor e suas reflexões sobre a identidade e a realidade. Escrito ao longo de sua vida, o livro é composto por textos soltos que não seguem uma narrativa linear, permitindo ao leitor explorar diferentes caminhos. A obra é considerada uma das mais importantes do século XX, revelando a complexidade da experiência humana e a natureza ilusória do eu.

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O Livro Do Desassossego - Apresentação

O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, é uma obra fragmentada e inacabada que reflete a inquietação do autor e suas reflexões sobre a identidade e a realidade. Escrito ao longo de sua vida, o livro é composto por textos soltos que não seguem uma narrativa linear, permitindo ao leitor explorar diferentes caminhos. A obra é considerada uma das mais importantes do século XX, revelando a complexidade da experiência humana e a natureza ilusória do eu.

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Introdução:

Olá a todos, o livro que vou apresentar é o livro do desassossego de Bernardo Soares.

A história do escritor do século XX, que todos nós conhecemos, Fernando Pessoa, e da
sua obra-prima, o livro do desassossego, é um daqueles casos em que a própria
história por detrás (do livro) soa como uma obra de ficção em si. Só em 1982, quarenta
e sete anos depois da morte de Pessoa, exatamente a mesma idade que Pessoa tinha
quando morreu, é que o livro do desassossego foi encontrado e publicado. Este livro
veio a tornar-se o que é hoje amplamente considerado como uma das mais únicas e
importantes obras literárias do século 20. Vamos ver porquê...

A obra começou a ser escrita aos vinte e cinco anos de Pessoa, acompanhando-a o
resto da sua vida. Nesta obra, o autor procura responder a questões como “quem sou
eu?” ou “como posso explicar a realidade?”

O Livro do Desassossego é composto essencialmente por textos breves, acabados e


autónomos. Alguns, no entanto, são incompletos ou têm lacunas – ou seja, o livro tem
uma estrutura fragmentada e é composto por anotações e textos soltos. A estrutura da
obra reflete esse desassossego: não há princípio nem fim, apenas pensamentos
soltos, rabiscos de uma alma inquieta, anotações de um viajante que nunca saiu de
Lisboa, mas que percorreu todos os labirintos do seu próprio espírito. A obra levou
vinte anos a ser escrita e ficou incompleta.

São mais de 500 textos sem princípio, meio nem fim. O Livro do Desassossego é um
“não-livro”, composto por cerca de 500 trechos em prosa que Fernando Pessoa não
chegou a organizar em volume. O Livro que hoje podemos folhear é o resultado do
trabalho de editores que optaram por uma determinada ordenação para os
fragmentos. Diferentes editores encontraram diferentes lógicas para a escolha e
combinação das peças que o compõem. Nós, leitores, podemos escolher o caminho a
percorrer – a ordem do volume ou a desordem da nossa vontade.

Publicado póstumamente

Este livro tem um caráter fragmentado e é fundamentalmente um conjunto de


fragmentos reunidos a várias mãos (por Jacinto do Prado Coelho, Teresa Sobral Cunha,
Jerónimo Pizarro, entre outros), de forma intermitente

O mundo ficcional do Livro do Desassossego não depende de uma sequência de


peripécias ou do recrudescer de um conflito, mas da permanente metamorfose do
real. Influenciado por simbolistas, associado ao movimento futurista, inserido no
modernismo, Pessoa acabaria por produzir uma estética singular, de que é exemplo o
Livro do Desassossego.
Conjunto de fragmentos que são muito variados, não só nos temas que abordam, mas
também no próprio estilo em que foram escritos, porque refletem diversos momentos
da escrita de pessoa e da vida de pessoa. Um livro, não apenas inacabado, mas um
livro inacabável. É como se fosse um testemunho da vida de pessoa e do
desassossego que ele teve, e do seu génio.

Narrador autodiegético.

O Livro do Desassossego tem duas fases de escrita. A primeira transcorre entre 1913 e
1920, associada a Vicente Guedes e contém os Grandes Trechos.

A segunda fase, mais madura, vai de 1929 até 1934/1935 e é atribuída por Fernando
Pessoa a Bernardo Soares. Está marcada por trechos mais curtos.

Prefácio:

Nesse trecho é narrado o encontro entre Pessoa e Bernardo Soares, em um jogo


especular entre autor empírico e autor de papel e/ou narrador, que marca o início da
obra. Bernardo Soares, que é um semi-heterónimo de Pessoa, passará a narrar as
sensações sem nexo nem desejo de nexo em uma autobiografia sem factos de um
contador de livros na cidade de Lisboa. Como não há nexos que ligam ação da
narrativa entre os fragmentos que compõem o livro, o leitor pode passar por eles não
de forma linear, mas saltando de uma sensação a outra.

Autor/Autores?:

Vicente Guedes foi o primeiro heterónimo a quem Pessoa atribuiu os textos que mais
tarde comporiam O Livro do Desassossego. Estes textos foram escritos por volta de
1913-1920 e têm um tom mais lírico e sonhador.

Nos anos 1920, Pessoa abandonou Vicente Guedes como “autor” do livro e passou a
associá-lo a Bernardo Soares. Esta transição marcou/levou uma mudança no tom do
livro, que se torna menos lírico e mais filosófico e introspectivo e analítico.

Chat, por isso não sei se é verdade, VERIFICAR.

Na carta de 1935 a Adolfo Casais Monteiro, que todos nós lemos na sala de aula,
diretor da revista Presença, Pessoa chamou a Bernardo Soares semi-heterónimo, dado
ser, não uma personalidade diferente da sua, mas uma “simples mutilação” dela: “Sou
eu menos o raciocínio e a afetividade”. A sua escrita era aí definida como “um
constante devaneio”

F-ernan-do/B-ernar-do – Pes-soa/Soa-res
Bernardo Soares entende o Livro do Desassossego como a sua “autobiografia sem
factos”. Estes fragmentos são os seus pensamentos, as suas confissões, as
“paisagens” daquilo que sente.

A cidade de Lisboa desempenha um papel extremamente importante na vida


de Bernardo Soares, local onde vive e trabalha. A necessidade de se libertar do
ambiente claustrofóbico leva Bernardo Soares a deambular permanentemente pelas
ruas da cidade, algo em comum com Cesário Verde.
O isolamento é consequência do seu comportamento. Outros, seres marcados pela
inconsciência, mediocridade e refugia-se numa solidão voluntária.
Esta atitude tem a vantagem de lhe permitir afastar-se de um mundo que ele
considera sórdido. O sonho
vem compensar tudo aquilo que falha na realidade. Contudo, pontualmente,
o absurdo que caracteriza o quotidiano de Bernardo Soares acaba por
mergulhá-lo numa profunda melancolia, que o leva a questionar-se

A ligação entre a personagem e o seu livro surge também representada pelo carácter
autorreflexivo da obra que é motivado por momentos de introspeção verbalizados por um
narrador autodiegético. Por seu turno, o estado fragmentário do livro sintoniza com a
entidade estilhaçada, permanentemente em construção, da personagem Bernardo Soares.

Por sua vez, o estado fragmentário do livro sintoniza com a entidade estilhaçada,
permanentemente em construção, da personagem Bernardo Soares.

Para Pessoa, “Soares não é poeta.” E, de facto, Soares salienta que prefere “a prosa ao
verso” porque “como a música, o verso é limitado por leis rítmicas (…). Na prosa falamos
livres”

Pessoa afirmou: “Não evoluo, VIAJO” (Carta a Adofo Casais Monteiro). De forma similar,
Soares não evolui ao longo de uma narrativa, mas viaja de impressão em impressão,
absorvendo o mundo como um conjunto de cenários possíveis

através de Bernardo Soares, podemos também visitar lugares, entre os quais Cascais, o
escritório da rua dos Douradores, ou o restaurante que Soares frequenta, onde há cerca de
trinta anos trabalha o mesmo empregado.

Apesar de não ser possível construir uma biografia densa acerca de Bernardo Soares
– esta é uma “biografia sem factos”, tal como a própria personagem frisa – é possível
identificar uma personagem dotada de vida. O “Sr. Soares” frequentava habitualmente uma
“casa de pasto” e terá sido aí que conheceu Fernando Pessoa. Soares terá um “metro e
setenta de altura, e sessenta e um quilos de peso” (Arquivo Pessoa, Prefácio: 2246). De acordo
com o prefácio do Livro do Desassossego, escrito por Fernando Pessoa, Bernardo Soares era
um homem que “aparentava trinta anos, magro, mais alto que baixo, curvado
exageradamente quando sentado, mas menos quando de pé, vestido com um certo desleixo
não inteiramente desleixado” (idem). A sua face era pálida e marcada por “aquele sofrimento
que nasce da indiferença que provém de ter sofrido muito” (idem.). Soares conta-nos que a
sua mãe faleceu quando tinha um ano de vida e seu pai suicidou-se quando tinha três
(Arquivo Pessoa, Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração:
2172). Foi acolhido por umas tias na província, até que foi levado por um tio “para um
escritório de Lisboa” (Arquivo LdoD, Penso, muitas vezes, em como eu seria: BNP/E3, 3-44r).

Extra:

Não esquecer. Falar sobre casa fernando pessoa, onde mais encontrar este livro, audio
book....

campo da investigação, o Livro do Desassossego tem sido objeto de análise, quer por
causa da sua composição, quer pelo teor dos fragmentos que nele se podem integrar.

Há críticos que consideram o livro um laboratório da heteronímia, isto é, um espaço de


ensaio e de confluência das questões de identidade, drama, multiplicidade e
desdobramento.

Há também estudos relacionados com a filosofia e a análise das sensações em


Bernardo Soares, bem como estudos sobre as diferenças entre Vicente Guedes e
Bernardo Soares.

E um filme realizado por João Botelho, o Filme do Desassossego (2010), fez dele o
protagonista. Um documentário sobre o seu livro foi exibido pela RTP em 2009, produção de
João Osório, como parte da série Grandes Livros. Por sua vez, o escritor Mário Cláudio deu a
esta figura o lugar de personagem central da novela Boa Noite, Senhor Soares (2008).

Foi objeto de várias edições, autores diferentes com biografias e estilos próprios.
Vários heterónimos- várias estéticas.

Conteúdo:

Dentro do livro está uma vida inteira de reflexões e reflexões – sobre a realidade e o
sonho, o tédio e o egoísmo, sobre o absurdo do ser e a futilidade do fazer sobre a
complexidade e simplicidade simultâneas da vida, sobre a contradição e o paradoxo
no centro de tudo. Estilo algures entre entradas de diários e poesia. Não há uma ordem
linear para o livro, e ele pode ser indiscutivelmente experimentado tão bem para trás
quanto para frente. Assim, o livro da inquietação não é propriamente um livro de não-
ficção de um autor anónimo, mas também não é propriamente um romance sobre uma
personagem e uma história fictícias. Está algures no meio. Por isso, é frequentemente
descrita como a mais estranha autobiografia alguma vez escrita. O próprio Pessoa
desdenhou-a como uma biografia sem factos, ou uma autobiografia de alguém que
nunca existiu. A estrutura e o estilo únicos do livro são, em muitos aspetos, uma parte
essencial dos temas do livro. O uso de heterônimos parece reforçar um tema filosófico
fundamental ao longo da obra: a natureza fragmentada e ilusória do eu. Com incrível
rigor e pungente que parece cathartic (providing psychological relief through the open
expression of strong emotions; causing catharsis:) o de ler, ao longo do livro, pessoa
descreve frequentemente a alienação, desorientação e solidão inerentes ao ser
pessoa. Para pessoa, a autocompreensão, ou talvez a tentativa de compreender o eu,
é uma queda livre numa toca de coelho com um pouso que o mata, e a impossibilidade
de compreender e comunicar as próprias experiências internas enquanto nessa queda
livre se presta a uma vida inteira de inquietação e desorientação.

Para ele, tudo é uma espécie de ilusão. A vida é uma sequência de sonhos. Para
Pessoa, não faz sentido fazer ou conseguir nada. A realidade, tal como a
experimentamos, é tão iludida e falsa como os sonhos que tivemos ontem à noite.

Final:

O livro do desassossego ficou inacabado. Com isso, é quase como se o livro


espelhasse a conceção filosófica de existência de Pessoa. Preso dentro de um tronco,
só verdadeiramente conhecido após a morte de Pessoa, uma vez que já não podia ser
mudado por ele, interpretado apenas por uma coleção fragmentada de vinhetas,
escritas por alguém que nunca existiu, terminadas pelo tempo, não pela intenção. O
livro em si parece ser uma metáfora quase perfeita para uma pessoa. Talvez o aspeto
mais confuso da história do livro seja que ele contém passagens que profetizam seu
destino. Pessoa escreveu: ...

A história do livro parece ter quase se tornado parte de sua criação artística. Provoca
uma qualidade espiritual quase metafísica, como um livro religioso para ateus. Pode e
provavelmente irá devastar a maioria dos que o leem. Mas também confortará e
lembrará a pessoa de não levar a si mesmo ou a vida muito a sério. Às vezes, a
exposição à doença faz parte do tratamento.

Talvez a coisa mais confortável sobre mergulhar neste nível da experiência humana é
saber que há poucos outros humanos que ousaram pensar tanto quanto você, e eles
sentem o terror, a beleza e o absurdo de tudo isso tanto quanto você.

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