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O Neoclassicismo, surgido no século XVIII, foi um movimento artístico que buscou inspiração na Antiguidade, promovendo uma ruptura com o Barroco e enfatizando a razão e a simplicidade nas artes e na arquitetura. Influenciado pelo Iluminismo e por descobertas arqueológicas, o Neoclassicismo se manifestou em várias áreas, refletindo mudanças sociais e políticas, como a Revolução Francesa. Arquitetos como Boullée e Ledoux propuseram novas formas e conceitos arquitetônicos, utilizando elementos clássicos com uma abordagem racional e moderna.

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O Neoclassicismo, surgido no século XVIII, foi um movimento artístico que buscou inspiração na Antiguidade, promovendo uma ruptura com o Barroco e enfatizando a razão e a simplicidade nas artes e na arquitetura. Influenciado pelo Iluminismo e por descobertas arqueológicas, o Neoclassicismo se manifestou em várias áreas, refletindo mudanças sociais e políticas, como a Revolução Francesa. Arquitetos como Boullée e Ledoux propuseram novas formas e conceitos arquitetônicos, utilizando elementos clássicos com uma abordagem racional e moderna.

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NEOCLÁSSICO NA EUROPA

Na unidade anterior vimos que o Barroco utilizava elementos antigos na


representação da fé cristã, diferentemente do Renascimento com suas apropriações
helenistas.
No século XVIII ocorreram várias transformações científicas, filosóficas e sociais e
elementos antigos presentes no Barroco começaram a ser questionados, buscando-se,
assim, libertação do formalismo que era fundamentado na Antiguidade. Em virtude destas
transformações o período entre os séculos XVIII e XIX é bastante agitado.
Vamos então compreender as transformações e seus efeitos para arquitetura,
considerando o contexto da época.

O Neoclassicismo

O Maneirismo estabeleceu um novo “diálogo” com princípios clássicos tradicionais.


Tendo se iniciado na Itália, também se manifestou na Europa e nas colônias europeias,
sendo que a Antiguidade era inspiração e não modelo obrigatório. Uma destas
manifestações foi o Barroco que, surgindo na Itália, propagou-se pela Europa e para outras
regiões do mundo. A arte e arquitetura barrocas contribuíram na divulgação da
contrarreforma, relacionada à religião católica. No entanto, ao mesmo tempo que o Barroco
enfatizava a igreja, existia um caráter racional da ciência que opunha a igreja aos cientistas
e seus estudos na Inquisição (RODRIGUES, KAMITA, 2018).
No século XVIII o conhecimento científico relacionado às ciências é renovado e na
arquitetura isto se manifesta interrompendo a tradição clássica. Isto é manifesto no
Iluminismo, que explora e analisa a linguagem clássica, seus componentes e suas origens,
procurando sistematizar os resultados encontrados, como realizado por Johann Joachim
Winckelmamm (1717-1768), tendo assim criado a história da arte fundamentada em bases
científicas (PEREIRA, 2010).
O surgimento do Neoaclassicismo marcou a separação da Idade do Humanismo e
da Idade Contemporânea, a partir de Revolução Francesa (1798) (SCOPEL; SANTOS,
2019).
O Iluminismo, segundo o filósofo Abbagnano, corresponde à linha filosofia que se
caracteriza por difundir e nortear a razão como crítica às áreas da experiência humana
(ABBAGNANO, 1998).
Achados das descobertas arqueológicas realizadas por volta de 1740 das cidades
romanas de Pompeia e Herculano, soterradas pelas cinzas do vulcão Vesúvio em 79 d.C.,
levaram ao interesse pelas artes e modo de vida da cultura greco-romana. Isto ocorreu
devido aos artefatos e relíquias encontrados promoverem interesse relativos aos aspectos
rotineiros da vida dos romanos. A valorização e influência dos ideais do classicismo greco-
romano promoveram o movimento neoclassicista (BARROSO; NOGUEIRA, 2018). Além
destes aspectos, o neoclassicismo também apresentou influência na política em virtude dos
estudos relativos aos gregos e sua democracia e aos romanos e sua república.
Roma foi um dos centros do movimento neoclassicista e lá morava Winckelmann,
estudioso da arte antiga que analisou a arte grega, comparou-a à arte Greco-romana,
procurando estabelecer fundamentação racional para o julgamento de beleza (BARROSO;
NOGUEIRA, 2018).
A retomada de cultura greco-romana também constituiu-se de conceitos básicos
relacionados ao ensino das artes academicamente, em instituições mantidas pelo governo
europeu, que tinham também como objetivo promover intercâmbio de intelectuais,
autoridades e ideias europeias com outros países. Barroso e Nogueira (2018) afirmam que
sob a ótica da tendência neoclássica, uma obra de arte só seria considerada bela se
imitasse a natureza, seguindo o que já havia sido criado por artistas clássicos gregos e
renascentistas italianos e para que isto fosse alcançado os artistas neoclássicos deveriam
se capacitar em técnicas ou convenções da arte clássica, assim estes conteúdos passaram a
integrar Academias Imperiais de Belas Artes.
As características gerais do neoclassicismo nas artes são:

• temas e padrões estéticos da arte clássica antiga; „


• assuntos sobre heróis e seres da antiga mitologia grega; „
• influência filosófica da razão iluminista, cores frias na pintura e opção pelo
branco do mármore na escultura;
• valorização do perspectivismo;
• retomada e a valorização da simplicidade e pureza estética nas artes; „
• clareza e perfeição na arte textual (BARROSO; NOGUEIRA, 2018, p.
129).

A simplicidade e racionalismo são constantes no Neoclassicismo.


O Neoclassicismo manifestou-se nas artes em geral, na arquitetura, na literatura. Na
arquitetura, o neoclassicismo é manifestação artística de novos arquitetos, que se formaram
no contexto cultural do racionalismo iluminista. Tiveram sua base educacional sendo
influenciada pela civilização Clássica, que era explorada por avanços nas áreas de história e
arqueologia. Como já mencionado, com estas disciplinas procurava-se desvelar os modos
de vida da Antiguidade Clássica. Os arquitetos, então, tinham como modelo construções de
templos greco-romanos mas, ao mesmo tempo, consideravam que o princípio da era
clássica deveria seguir a realidade moderna, por não considerarem que a concepção de
ideal de beleza fosse eterno e permanente (BARROSO; NOGUEIRA, 2018).
As principais caracterítiscas desta manifestação na arquitetura são resumidamente
expressas (BARROSO; NOGUEIRA, 2018):

• uso de materiais como granito, mármore, pedras e madeira;


• sistema de construção simples;
• adoção de linhas ortogonais;
• formas geométricas simétricas e regulares;
• abóboda de berço (ou abóboda cilíndrica, com a forma de meio
cilindro, apoiada sobre paredes) ou abóboda de aresta (formada pela
intersecção de duas cilíndricas) (ENGENHARIA [Link], 2001-
2020);
• cúpulas monumentais;
• pórticos com colunas;
• frontões triangulares;
• relevo em estuque (argamassa produzida com gesso e outros
componentes).

Argan (1993) apresenta que a arte neoclássica manifesta-se criticamente,


condenando o Barroco e o Rococó: condena os excessos porque adota a arte greco-romana
como modelo de clareza, proporção e equilíbrio.
Elucidando: O Rococó foi movimento artístico que surgiu em Paris, no século XVIII,
propagou-se por vários países, chegando à América. Durante o reinado de Luis XIV, este
impunha aos artistas feição clássica. Diferentemente do Barroco, surgiu o Rococó, estilo que
pudesse expressar elegância, graça e delicadeza, além da preocupação com detalhes
decorativos (BARROSO; NOGUEIRA, 2018).
Neoclassicismo na Europa

O Neoclassicismo fundamentou-se no pensamento racionalista vigente na época e


na exaltação da natureza. Para os estudiosos daquele período: Laugier e Jean-Jacques
Rousseau, a natureza era considerada o ponto inicial da arquitetura e tendo na geometria
das formas sua essência.
A Revolução Francesa 1789 e eventos como a independência dos Estados Unidos
(1775-1783), revoluções na Espanha a partir de 1812 e a emancipação ibero-americana a
partir de 1810 são parte de revolução social que, findando regimes antigos, geraram
movimento social, mais evidente no século XIX. A burguesia clamava por reformas
econômica e política e as mudanças urbana e demográfica requeriam mudanças na
arquitetura com novos sistemas técnicos e de construção ou programas de edifícios
(PEREIRA, 2010).
Com o advento da Revolução Industrial foram criados centros culturais na Europa,
que atuavam em várias áreas do conhecimento, incluindo arquitetura. Destes estudos
surgiram termos e conceitos utilizados até a presente data. Um deles foi: Tipologia, que
identifica os diferentes tipos de edificações, por exemplo: edificação religiosa ou edificação
militar. A partir das diferentes tipologias de edificações foi, portanto, possível, definir o
programa para estas edificações (SCOPEL; SANTOS, 2019).
Com estudos ainda limitados relativos às tipologias de edificações e seu programas,
Antoine-Chrysostôme Quatremère de Quincy arqueólogo, crítico de arte, filósofo e político)
dedicou-se ao tema definindo sistemas tipológicos, apresentando a ideia de que o tipo
exercia relação entre forma e função. A classificação dos tipos demonstra como estes são
limitados e poucos e insuficientes para abordar a Revolução Industrial. No entanto a
complexidade relativa às tipologias, como expresso por Pereira (2010), é válida quando a
arquitetura já é conhecida porque refina e aperfeiçoa o conhecimento existente, sem
avançar. As funções urbanas apresentam complexidade que ao longo do século indicam
que estudar arquitetura envolve também fazer referência a soluções tipológicas, mas que
nem sempre possível (PEREIRA, 2010).
Esta dificuldade apontada por Pereira (2010), permitiu que Jean-Nicolas-Louis
Durand, arquiteto e teólogo, abandonasse estudos relativos à tipologia e elaborasse estudos
relativos às metodologias de projeto em arquitetura, por meio de decomposição e análise,
com o propósito que estas fossem válidas em qualquer situação, tempo e espaço, tendo
adotado comparações.
Figura – Tabelas comparativas de teatros europeus, de acordo com Durand.

Fonte: Pereira, 2010, p. 186 e 187.

Pereira apresenta que, reagindo às insuficiências da tipologia como estrutura


platônica ou idealista para a arquitetura, Durand recorre a ideais aristotélicos como a busca
das causas e a redução dos fenômenos a um pequeno número de princípios explicativos.
(PEREIRA, 2010, p. 189).
Durand foi discípulo de Boullée, pertenceu à geração napoleônica, que
institucionalizou o processo de revolução e, ao dirigir a École Polytechnique deparou- se
com um problema social novo: o ensino da arquitetura. Sua resposta pedagógica, as “leçons
d’architecture” deveria oferecer ao estudante um método de projeto e de construção para
qualquer situação (PEREIRA, 2010).
De acordo com Pereira: Trata-se de um método e não de um tipo, pois a arquitetura
deixa de querer refletir tipos ideais para passar a aplicar o rigor do método científico aos
programas edificatórios; um método baseado na composição como momento-chave no qual
a razão age sem in terferências nem limitações construtivas. Da composição aditiva da
Academia se passa ao novo conceito de composição arquitetônica mediante um processo
metodológico. (PEREIRA, 2010, p. 189).
O vocábulo método apresenta várias explicações, sendo algumas delas (PRIBERAM
INFORMÁTICA, 2020):

• Processo racional para chegar a determinado fim e


• Obra que contém disposta numa ordem de progressão lógica os principais
elementos de uma ciência, de uma arte.

Segue exemplo do método compositivo de Durand.


O processo de composição exige decomposição antecipada para determinação e
conhecimento dos elementos da arquitetura. Veja a explicação : Entendendo o volume
arquitetônico como fundamento e base da arquitetura, esses elementos serão seus limites
físicos (o piso, o telhado ou cobertura, as paredes ou elementos de fechamento, as colunas
ou elementos de sustentação) assim como as comunicações com outros volumes (as portas,
as janelas e as escadas). Com esses elementos, conhecendo-os e dominando-os, aborda-
se a composição arquitetônica. Os elementos da arquitetura passam a ser os elementos da
composição. (PEREIRA, 2010, p. 189).

Figura – Método compositivo, Durand, de “Précis de leçons d’architecture”,1802-


1805.
Fonte: Pereira, 2010, p. 189.

Observe a numeração das etapas apontadas na imagem, indicando a ordem de


aplicação do método compositivo. Segue outro exemplo que demonstra a composição por
elementos apresentando:

• a adoção de retícula com hierarquia;


• eixos responsáveis pela organização do projeto, fixa a relação entre as
partes, define a posição das áreas, determina o traçado de colunas e paredes;
• estabelecimento de hierarquias de organização e espacial que possibilitem
o travamento de partes e da edificação.

Figura – Combinações de elementos, Durand, de “Précis de leçons


d’architecture”, 1802-1805.
Fonte: Pereira, 2010, p. 191.

Durante o século XIX as ideias de Durand foram aceitas e seus exemplos de


combinação tornaram-se modelos de traçados de arquitetura.

Arquitetos e suas obras

Os arquitetos franceses como: Étienne-Louis Boullée (1738–1799) ou Claude-


Nicolas Ledoux (1736–1806), com base em princípios iluministas, propuseram formas e
cidades ideais que utilizassem volumes ou formas puras: cubo, esfera, cilindro e cone.
Dentre as obras de Étienne-Louis Boullée, pode-se mencionar (PEREIRA, 2010;
CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019):

O cenotáfio (monumento erigido à pessoa sepultada em outro lugar) para


Isaac Newton de 1784, construção no formato de esfera, representando a Terra,
com um planetário na parte interna e aberturas representado as constelações.
Bibliothèque Nationale, de 1788, apresenta apenas algumas características
das construções neoclássicas; adota a solução abóboda de berço para acobertura.

Boullée atuou como arquiteto e foi bastante influente na área acadêmica nas
instituições: École Nationale des Ponts et Chaussées e na Académie Royale d'Architecture.
Claude-Nicolas Ledoux (1736–1806) projetou várias edificações para pedágio e
portais para a Coroa francesa, para marcar os limites da cidade, sendo elas diferentes entre
si (PEREIRA, 2010; CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019):

Uma destas edificações ainda existente é Barriére de la Villette (1785–1789),


que apresenta vocabulário arquitetônico simplificado.
Produziu edifícios para a Salina de Chaux (1775–1779), no leste da França. A
fábrica substituiu instalações precárias, e seu projeto considerou: proximidade de
floreta para obtenção de madeira para aquecimento dos fornos, local para extração
do sal, depósitos, acesso à fábrica com local para a guarda e uma prisão. Neste
projeto Ledoux quis mostrar vantagens com a solução racional e abrangente para
um problema industrial elevado.
Jacques-Germain Soufflot (1709–1780) e a Igreja de Santa Genoveva em
Paris (1757), hoje denominada “Panthéon”, está sobre edifício barroco, com planta
em cruz e centralizada; apresenta frontão neoclássico, com capitéis coríntios a
exemplo daqueles do Panteon romano (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019).

Jean-Nicolas-Louis Durand (1760-1834) foi discípulo de Étienne-Louis Boullée e


professor da École Polytechnique (fundada em 1794). Sua obra “Précis”, foi publicada em
1802 pela primeira vez, tornando-se texto de referência utilizado em toda a Europa por meio
século. Durand se opunha ao Classicismo histórico que só copiava os elementos
superficiais, mas que não apresentava racionalidade em planta. Desta maneira, para
Durand, a edificação deveria refletir clareza, ordem e hierarquia (PEREIRA, 2010; CHING;
JARZOMBEK; PRAKASH, 2019);
Karl Friedrich Schinkel (1781–1841) formou-se como arquiteto em Roma e um de
seus primeiros projetos foi Neue Wache (Nova Casa da Guarda) (1816–1818), que foi
monumento ao novo exército de cidadãos da Prússia. Foi bastante influente na Europa e
alguns de seus trabalhos são (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019):

▪ Teatro Schaus-pielhaus (1818–1821);


▪ Museu Altes em Berlim (1823–1830), museu de arte público, consideada
sua obra mais notável;
▪ Schloss Glienicke (completado em 1827); e
▪ Bauakademie (1831–1836).
O período do Neoclassicismo teve como marco acadêmico a Academia de Belas
Artes de São Fernando em Madri (Espanha), que foi fundada em 1744. Juan de Villanueva
(1739-1811), egresso desta academia, foi responsável pelo Museu do Prado em Madri e o
denominado método aditivo de composição arquitetônica (PEREIRA, 2010).
O texto “Arquitetura de museus” aborda este tipo de edificação, traz um breve relato
do surgimento deste tipo de edificação, apresentando projetos realizados no período
Neoclássico também. Confirma este texto no material de apoio.

BARROCO E NEOCLÁSSICO NO BRASIL

O Barroco no Brasil

Para compreender a manifestação barroca no Brasil vamos inicialmente verificar o


contexto social, cultural e econômico do século XVIII no país. No final do século XVII
ocorreram: a queda do preço do açúcar brasileiro no mercado europeu, em virtude da
produção antilhana e a descoberta do ouro. Tais fatos influenciaram a civilização brasileira
devido a (CURTIS, 1970):
• a transferência do poder político, social e econômico dos aristocratas de
Olinda, devido à queda do preço do açúcar na Europa, para os mercadores urbanos de
Recife, ressaltando o Sobrado sobre a Casa Grande;
• o surgimento das igrejas de confrarias nas cidades, que reuniam pessoas
de hábitos urbanos, assumindo a iniciativa de construções religiosas. Antes destas
era evidente a igreja conventual que respondia aspirações daqueles que produziam
açúcar, sendo as sacristias oferecidas para contatos sociais.

Em torno de cem anos após a manifestação barroca na Europa, esta “chega” ao


Brasil e nas Américas no século XVII como uma das contribuições das expedições marítimas
da Espanha e Portugal. Também ocorre como manifestação de artistas que viajavam à
Europa (GERIBELLO; SCOPEL; MOURA, 2019).
Curtis (1970) apresenta-nos que exemplos da liderança das construções religiosas
nesta época são:

→ a nave e o claustro de São Francisco e a sacristia do Carmo, ambas


em Salvador;
→ capela Dourada em Recife e capela dos terceiros franciscanos no Rio
de Janeiro, ambas da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência;
→ São Francisco de Assis em Ouro Preto, também da Ordem Terceira.

A criação artística do Brasil foi resultado de variáveis socioeconômicas,


determinantes físicas, aspectos culturais reunidas a decisões políticas havendo uma
separação entre interior e litoral. O litoral recebeu influência direta do barroco português,
sendo a igreja Conceição da Praia de Salvador considerada seu expoente; no interior,
devido ao isolamento geográfico e cultural e associado à atividade de mineração, incluindo a
proibição instalação de ordens religiosas na região das minas, embora houvesse padres
leigos sob autoridade do bispo de Mariana (Minas Gerais). Surgiram, assim, outros
caminhos para evolução artística, considerando a presença de portugueses em setores de
decisão e criativo da sociedade na época. Na região de mineração a manifestação artística
ocorria por artesãos, escravos alforreados, comerciantes, intelectuais (CURTIS, 1970;
MESGRAVIS, 2015).
Para Curtis, a contribuição destas pessoas para artes e o barroco no Brasil é assim
explicada: É essa gente nova que, isolada pelo corte com as fontes de cultura, e
miscigenada em grau elevado, carcaterizando mesmo um mulatismo regional, equacionaria
seus problemas de arquitetura com programas e materais da região e os solucionaria, na
segunda metade do século, com a apreciável experiência acumulada. Tornando, assim, o
rococó mineiro uma das páginas mais originais do barroco brasileiro e mesmo latino-
americano. (CURTIS, 1970, p. 22).
Com a mineração surgiram vilas e arraias em Minas Gerais, locais onde se
desenvolvia a vida social de modo mais intenso que em outros locais da colônia e com a
consequente reunião de autoridades, comerciantes, mineradores, artífices, religiosos,
artistas. Nelas localidades, devido a urbanização e ação dos crentes havia a possibilidade
de trabalho para artífices portugueses e seus filhos e para aprendizes negros em áreas
como: carpintaria, mercenária, ourivesaria, pintura, escultura e arquitetura. A produção
destes tornou-se conhecida como barroco mineiro, que agregou elementos das culturas
indígena e africana, e um desses artistas foi Aleijadinho (1738-1814) (MESGRAVIS, 2015).

Barroco no Brasil

O Barroco iniciou-se na Europa no final do século XVI, quando ocorriam as reformas


religiosas, sendo a Contrarreforma uma delas, caracterizando-se como a resposta da igreja
católica aos protestos. A igreja católica estava em crise, com perda de prestígio e poder, mas
ainda apresentava influência religiosa, política e econômica na Europa. Desta maneira,
patrocinou arquitetura e artes ao redor de Roma nos séculos XVII e XVIII, que deram origem
à manifestação barroca, cujo objetivo era reafirmar os ensinamentos católicos, visando
envolver pessoas e ideais religiosos. Assim, “o Barroco foi um estilo didático, teatral,
dinâmico e exuberante” (GERIBELLO; SCOPEL; MOURA, 2019, p. 102).
No Brasil a igreja católica se relaciona com as manifestações barrocas da seguinte
maneira, conforme Santos, Fernandes e Santos: Durante o período, a Igreja teve um
importante papel como mecenas na arte colonial. As diversas ordens religiosas
(beneditinos, carmelitas, franciscanos e jesuítas) que se instalam no Brasil desde meados
do século XVI desenvolvem uma arquitetura religiosa sóbria e muitas vezes monumental,
com fachadas e plantas retilíneas de grande simplicidade ornamental. Com o tempo, as
confrarias, irmandades e ordens terceiras começam a patrocinar a produção artística no
século XVIII e surgem as escolas regionais, sobretudo no Norte e Sudeste. (FERNANDES;
SANTOS, 2017, p. 2)
Os colonizadores portugueses que estavam inicialmente ao longo do litoral brasileiro,
deslocaram-se para o interior devido a descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais.
Como ordens religiosas eram proibidas na região das minas, não existiam lá colégios ou
conventos de ordens religiosas que resultou em cultura não muito enraizada em tradições
religiosas. Ao mesmo tempo ainda ocorriam dificuldades de importação de materiais e a
região das minas ficava distante do litoral. Por este conjunto de fatores o barroco mineiro
apresenta características de regionalismo, com a utilização da pedra-sabão, disponível na
região das minas (VAL; ROSÁRIO; MARTINS, 2012; GERIBELLO; SCOPEL; MOURA,
2019). Curtis (1970) afirma que a arquitetura barroca mineira valoriza todo o edifício e não
apenas sua frontaria.
Nas diferentes regiões do Brasil, devido ao contexto sócio, econômico e cultural de
cada região as manifestações barrocas ocorreram apresentando particularidades: Duas
linhas diferentes caracterizam o estilo barroco brasileiro. Nas regiões enriquecidas pelo
comércio de açúcar e pela mineração, encontramos Igrejas com trabalhos e relevos de
madeiras - as telhas recobertas por finas camadas de ouro, com janelas, cornijas e
portadas decoradas com detalhes e trabalhos de escultura. É o caso das construções
barrocas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco e a Paraíba especialmente.
Já nas regiões onde não existia nem o açúcar nem o ouro, a arquitetura teve outra feição. Aí
as Igrejas apresentam talhas modestas e trabalhos realizados por artistas menos
experientes e famosos do que os que viviam nas regiões mais ricas da época (SOUZA,
2012).
• as regiões do Brasil com maior economia e produção apresentaram
construções barrocas com mais adornos, tendo isto ocorrido em: Minas Gerais, Rio
de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Nestas regiões havia mineração e comércio de
açúcar. No Rio de Janeiro o principal artista foi Mestre Valentim; em Minas foram
Antônio Francisco Lisboa – Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde – Mestre Ataíde
(GERIBELLO; SCOPEL; MOURA, 2019);
• em Pernambuco o Barroco recebe o adjetivo litorâneo e utilizou materiais
nobres, seguindo padrões ibéricos daquela época (GERIBELLO; SCOPEL;
MOURA, 2019);

• na Bahia, em especial no interior das igrejas a decoração é efetuada com


elementos exagerados; em Minas Gerais nas igrejas há também excesso de
detalhes e também são produzidas pinturas no forro das edificações (GERIBELLO;
SCOPEL; MOURA, 2019);

As aglomerações que se constituíram devido à extração do ouro apresentaram


capelas simples com grande riqueza em seu acabamento interno. Como exemplos, segundo
os autores Val, Rosário e Martins (2012):

• Capela Nossa Senhora do Ó em Sabará – com conjunto de talhas


(revestimento em madeira esculpida e revestida por película de ouro), painéis
pintados e elementos da cultura chinesa trazidos por padres portugueses, oriundos
de Macau, colônia portuguesa na China;
• Capela Nossa Senhora do Rosário em Ouro Preto – na parte interna o altar-
mor e dois outros altares são entalhados e apresentam policromia;

• Matriz Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora da Conceição de Antonio


Dias em Ouro Preto apresentam nova solução para os retábulos (aquilo que fica
atrás da mesa do altar): apresentam colunas torsas com arremate de dósseis, com
elementos escultóricos e anjos e meninos; talha dourada e policromia nas cores
branca, vermelha e azul. Esta solução surge a partir de 1730 para atender ao gosto
de D. João V;
• Na segunda metade de 1700, os retábulos deixam de ter os dosséis e neste
período, Aleijadinho apresenta sua obra evidenciando o Rococó;

• São Francisco de Assis em Ouro Preto é outra igreja cujo revestimento


interno, além de obras de Aleijadinho, apresenta pintura ilusionista no teto realizada
por Mestre Ataíde, Manuel da Costa Ataíde – Mestre Ataíde (1762-1837). Esta obra
teve projeto de 1766, havendo destaque para as torres circulares, com posição
recuada e decoração escultórica em pedra sabão no óculo e portada (GERIBELLO;
SCOPEL; MOURA, 2019).
Nota: óculo refere-se à janela em formato elíptico ou circular que permite passagem
de ar e luz pela mesma ([Link], 2020).

• Igreja do Bom Jesus dos Matosinhos em Congonhas do Campo em Minas


Gerais, construção de 1757, e que apresenta obras de Aleijadinho na parte frontal:
escultura dos doze profetas (GERIBELLO; SCOPEL; MOURA, 2019);

• Vila Rica em Minas centralizava a cultura e reunia acervo arquitetônico


barroco mais importante do país (CURTIS, 1970);

• No Rio de Janeiro a Igreja e Mosteiro de São Bento, construção que durou


mais de 50 anos – de 1633 a 1691, apresenta talhas em madeira e esculturas, tendo
sido considerado o maior empreendimento que ocorreu no século XVII
(GERIBELLO; SCOPEL; MOURA, 2019);
• No Brasil, registros da primeira manifestação barroca no país referem-se à
arte missionária dos Sete Povos das Missões, na região da Bacia do Prata. Nesta
localidade, por 150 anos o processo de síntese artística baseado em modelos
europeus foi produzido por índios guaranis, tendo sido ensinados por padres
missionários. Como exemplo pode-se mencionar as atuais ruínas da missão de São
Miguel no Rio Grande do Sul (ITAÚ CULTURAL, 2017);
Desta maneira, a arquitetura barroca no Brasil auxiliou a divulgar a doutrina
católica no país.
Neoclássico no Brasil

O Neoclássico manifestou-se na Europa marcando a separação entre as Idades do


Humanismo e Contemporânea, a partir da Revolução Francesa (1789), que como
antecedentes teve as revoluções social e cultural. Nesta ocasião, acontecia revolução
urbana e demográfica, conforme Pereira (2010) que requeria variação de programas de
edificações, bem como novos sistemas construtivos e técnicos, refletindo-se na arquitetura.
O Neoclássico ou neoclassicismo surgiu de estudos relacionados à arte antiga, a
partir de escavações e explorações arqueológicas que além de provocar interesse na
população pela cultura antiga, contribui para compreensão e educação sobre o passado
(PEREIRA, 2010).
Além disso, o surgimento do neoclassicismo também esteve diretamente associado
aos princípios do Iluminismo, que apresentava como base os ideais do racionalismo.
Os ideias neoclássicos e princípios, referências e estudos associados juntamente
com a Revolução industrial propiciaram o surgimento de centros culturais na Europa em
diversas áreas do conhecimento, incluindo arquitetura (SCOPEL; SANTOS, 2019).
O Neoclássico, a exemplo de outras manifestações artísticas, teve início na Europa e
se propagou para outros continentes. No início do século XIX com a invasão de Portugal
pelo exército, D. João VI decidiu vir ao Brasil, colônia na época, chegando aqui em 1808, e
transferiu seu poder para este país. D. João VI queria inserir cultura neste país e, desta
maneira, em 1816, chega no Brasil a Missão Artística Francesa, com objetivos de: fundar e
dirigir a Escola de Artes e Ofícios, que mais tarde tornou-se Academia Imperial de Belas
Artes, e ensinar artes plásticas no Rio de Janeiro, então capital do reino Unido de Portugal.
Com essa Missão, chegaram no Brasil artistas e materiais para estabelecer a primeira
gráfica do país, Gazeta do Rio de Janeiro, que foi responsável pela impressão de jornais e
livros. A missão foi chefiada por Jacques Le Breton, que dirigia a Academia Francesa de
Belas Artes na França (SCOPEL; SANTOS, 2019).
Um dos artistas da Missão Francesa no Brasil foi o arquiteto Grandjean de Montigny.
No Rio de Janeiro, Grandjean de Montigny foi responsável pelo projeto edifício da Pontifícia
Universidade Católica para o qual adaptou “a estética do estilo neoclássico ao clima tropical
do país”. A casa França-Brasil é o primeiro registro de obra de arquitetura neoclássica no
Brasil (SCOPEL; SANTOS, 2019, p. 24). Outra obra de Montigny foi o prédio da Academia
Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro, edifício construído na Rua do Ouvidor e demolido
em 1930. Desta edificação o frontão foi preservado e transferido para o Jardim Botânico em
1940.
Demonstrando o contato entre Europa e o Brasil, quanto ao neoclássico, em cidades
como Rio de Janeiro, Recife e Belém a arquitetura neoclássica esteve presente nas
edificações, ocorrendo também em outras localidades, de modo mais tímido. O estilo
neoclássico também apresentou influência em outras escalas em cidades, não apenas nas
edificações: em ruas e bairros com a valorização de vegetação e de espaços abertos.
A chegada de D. João VI e sua comitiva no Brasil em 1808 promoveu mudanças
significativas no Rio de Janeiro como: oferta de serviços e comércio, mudanças na moda, no
mobiliário e na arquitetura, que passaram a seguir padrão europeu. A burocracia
administrativa portuguesa foi instalada no Brasil e D. João VI estabeleceu várias medidas
para impulsionar o desenvolvimento do país como: cancelamento da lei que autorizava a
criação de fábricas no Brasil; estímulo a empresas se estabelecerem no Brasil; criação de
estradas; reforma de portos; instalação da Junta de Comércio; criação do Banco do Brasil
(SCOPEL; SANTOS, 2019).
Na arquitetura a manifestação neoclássica ocorreu sob duas denominações:

• neoclássico oficial que utilizava materiais importados e volta-se para


construções destinadas à corte portuguesa; ocorreu em Rio de Janeiro, Belém e
Recife, cidades litorâneas, que permitiam maior contato com a Europa;

• neoclássico em versão provinciana, bem mais simplificado, executado por


escravos, tendo ocorrido em regiões mais afastadas do litoral.

Com a transferência da nobreza portuguesa para o Brasil, o Brasil colonial não se


mostrava preparado para receber estes e atender suas necessidades, incluindo a
arquitetura. Foram assim construídos edifícios de acordo com o estilo neoclássico,
manifestação que veio para o Brasil juntamente com a corte de Portugal. As edificações
residenciais apresentavam as seguintes soluções: alinhamento da edificação sobre a rua e
sobre os limites laterais do lote. A parte frontal das casas destinava-se aos salões e à área
social; para dentro ficavam as alcovas, os quartos e as salas de jantar, e, aos fundos, o
serviço. Os porões, que apareciam sob o térreo, eram utilizados tanto como locais de
serviço quanto como depósito de lenha, liberando o térreo para utilização com os cômodos
de permanência diurna. (SCOPEL; SANTOS, 2019, p. 33).
O Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro é exemplo deste tipo de construção
neoclássica. Segundo Nestor Goulart Reis Filho (2004), as construções residenciais
neoclássicas apresentavam como características:

• paredes de pedra ou tijolo, revestidas e pintadas;


• corpo de entrada saliente com escadarias, frontões, colunatas;
• sobre as platibandas eram dispostos objetos de louça do Porto;
• esquadrias enquadradas e arrematadas em arco pleno com bandeiras com
vidros coloridos e rosáceas.

As residências construídas em fazendas e áreas rurais apresentavam características


similares às das residências urbanas mas de modo mais modesto. Um desses exemplos é a
Fazenda do Secretário, na cidade de Vassouras, Rio de Janeiro (SCOPEL; SANTOS, 2019).
O Neoclássico no Brasil apresentou as seguintes soluções urbanas: calçadas e ruas
ampliadas; criação de passeio em frentes às construções residenciais; grades de ferro
limitando jardins em frente de edificações; criação de jardins botânicos (SCOPEL; SANTOS,
2019).
Outro efeito do Neoclássico no país refere-se ao academicismo, que teve início no
Brasil por meio da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, fundada por Dom João VI em
1816, devido ao incentivo da Missão Artística Francesa, tendo se desenvolvido neste
período, por meio da Academia Imperial de Belas Artes e do mecenato por parte Dom Pedro
II.
No século XIX existia prosperidade econômica e estabilidade política que se
relacionavam à produção do café e assim o imperador promoveu incentivo à ciência, artes e
letras. A Academia Imperial de Belas Artes foi encerrada quando incorporada por sua
sucessora republicana em 1931: a Escola Nacional de Belas Artes (Universidade Federal do
Rio de Janeiro). Esta instituição atuou na difusão do estudo e desenvolvimento de cultura e
arte no país no período neoclássico, com efeitos também na arquitetura (SCOPEL;
SANTOS, 2019).

INFLUÊNCIAS DA ARQUITETURA ORIENTAL

A cultura, as artes, a arquitetura no Brasil sofreram influência da Europa no que diz


respeito às manifestações barroca e neoclássica. No caso do Barroco, o Brasil recebeu a
contribuição da manifestação barroco europeia, seguindo as tendências portuguesas. O
Neoclássico no Brasil foi impulsionado pela transferência da corte portuguesa para o país e
pela chegada da Missão Francesa, ação de Dom João VI para atender as necessidades da
corte e promover a economia. Da mesma maneira que o Barroco, o Neoclássico apresentou
influências da Europa, contribuiu para o academicismo no país, tendo se manifestado nas
edificações, na cidade, na paisagem, na cultura.
Da mesma maneira que a Europa influenciou as manifestações barrocas e
neoclássicas no Brasil, objeto de estudo desta unidade, também há influências de outras
culturas na Europa e no Brasil. Desta maneira, continuamos nossos estudos para
compreender influências da cultura oriental.

Influência oriental na arquitetura

Há relatos de aproximação entre China e Europa datados de 1520. Estes foram


redigidos por missionários que foram enviados ao Japão, China, Indonésia, Índia. Em 1585
o papa Gregório XIII orientou Juan Gonzalez de Mendoza, padre espanhol, a reunir tudo que
era conhecido sobre a China. Este compôs o primeiro tratado de grande circulação sobre a
China, apresentando edifícios e jardins, mas com poucas informações e com repleto de
lendas e mitos (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019).
Anos mais tarde, em 1655, o livro escrito por Alvarez Semedo apresenta a história da
monarquia chinesa com conteúdo mais substancial. Outros autores Outro autor, como Jan
Nieuhof, se interessava pela arquitetura chinesa considerando-a pobre porque os palácios
eram construídos em madeira, diferentemente da Europa que utilizava pedra; Depois disso
temas chineses passam a ser incluídos em jardins das cortes europeias, sendo um destes
exemplos, o Trianon de Porcelain, construído por Luís XIV em 1675, que utilzou telhas em
padrões branco e azul , que era considerado padrão similar ao da porcelana utilizada no
pagode de Nanjing (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019).
No século XVII os jesuítas chegaram a regiões da China com o propósito de educar
e fundando missões católicas. Este é o exemplo de Matteo Ricci (1552–1610), jesuíta
italiano, que chegou em Pequim em 1601. A partir de então e por mais 200 anos membros
da igreja católica como jesuítas e integrantes de outras ordens converteram em torno de 250
mil chineses ao cristianismo, como resultado de vínculos com a corte dos Qing. Os jesuítas
relatavam o que viam na China por meio de textos que foram publicadas em Paris, centro na
Europa das atividades dos jesuítas. Devido ao interesse pela educação pelos jesuítas e sua
erudição, muitos destes missionários tornaram-se membros de confiança da corte Qing,
assumindo posições como a de controle de Conselho de Astronomia (CHING;
JARZOMBEK; PRAKASH, 2019).
Várias publicações relativas à China, sua política, cultura foram produzidas, e o
sistema político chinês foi estudado por pensadores europeus, como: Voltaire (1694–1778),
Francis Quesnay (1694–1774) e Gottfried Leibniz (1646–1716). Leibniz, filósofo, que havia
se especializado em temas chineses afirmava que seria possível alcançar nova civilização
universal se ocorresse fusão dos elementos da cultura chinesa com aqueles da cultura
ocidental. Nesta ocasião os filósofos europeus se interessavam pela ideia de que na China
o imperador governava por mandato divino que referia-se a se alguma coisa resultasse em
erro seria uma sinal de que o mandato havia sido revogado (CHING; JARZOMBEK;
PRAKASH, 2019).
A China era admirada pelos filósofos europeus, porque: os pensadores do Iluminismo
europeu admiravam a China, em particular, como uma terra onde o poder governamental
não era exercido por meio das tradições de uma aristocracia feudal (como na Europa), mas
pelos mandarins, um grupo de eruditos muito cultos, que obtinham seus cargos públicos
apenas após serem aprovados em uma série de provas de concursos públicos. Assim, o
objetivo dos iluministas era criar um “despotismo esclarecido” que beneficiaria todo o povo,
e não meramente um pequeno grupo de privilegiados. Esse conceito era defendido pelos
iluministas, em especial na obra dos economistas conhecidos como fisiocratas, cujo líder,
Francis Quesnay, escreveu O despotismo da China (1767) como um exemplo de
despotismo verdadeiramente iluminado. Quesnay influenciou as ideias de Adam Smith
(1723–1790), o precursor da economia moderna. (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019,
p. 584).
Os concursos públicos para cargos públicos na Europa e em outras regiões do
mundo foi um legado do sistema chinês. OS primeiros concursos por escrito em
universidades europeias datam de 1702. Depois ocorreram outras ações similares: na
França, a partir de 1791; os britânicos em 1806 (para recrutar funcionários para a
Companhia Britânica das Índias Orientais); nos Estados Unidos a partir de 1855.
Do mesmo modo que aspectos políticos da China foram divulgados para a Europa,
conhecidos e apreciados, assim foram outros relativos à cultura, arte, arquitetura.

Influências orientais na Europa


A divulgação da China e seus costumes, cultura, política, arte para Europa e mundo
ocorreu também pela ação e navios mercantes, que sempre transportavam objetos e
mercadorias nas viagens de ida como de volta a determinada região. Da China eram
trazidos para Europa objetos de decoração, utensílios como aparelhos de chá, livros, bem
como registros de viagens que incluíam jardins chineses. Como exemplos, Ching,
Jarzombek e Prakash (2019) apresentam:

Sir William Temple, aristocrata britânico, ensaísta: escreveu sobre jardins


de Epicuro em 1685, exaltando o conceito chinês de “sharawadgi” (cenário
paisagístico arranjado e irregular) e criticando simetrias axiais, características dos
jardins europeus na época; é creditado a Temple a criação de passeio britânico do
século XVIII que apresentava construções fantasiosas e pavilhões distribuídos
criando cenários artificiais com o propósito de criar efeitos visuais.
• William Kent projetou no Campo Elísio o Templo da Virtude Antiga Templo
dos Valorosos Britânicos em 1738 na Casa Stowe em Buckinghamshire, Inglaterra.
Neste projeto havia prédios “neopalladianos” e a continuidade visual entre o jardim
artificial e seu entorno era obtida pelas valas; neste projeto, havia interação entre a
natureza e as proporções das ordens clássicas instaladas; em Campo Elísio, no
Templo dos Valorosos Britânicos de Stowe foram homenageados: Shakespeare,
John Milton e Alexander Pope, Inigo Jones (arquiteto), Thomas Cook (explorador) e
outros. Neste templo não havia clérigos ou santos. Stowe e outros jardins como o de
Cheswick, podiam ser utilizados por seus proprietários e amigos e por outras
pessoas das classes média e alta, sendo que na época, visitar jardins estava se
popularizando, tornando-se um aspecto da vida social das elites.
• O imperador prussiano Frederico II, o grande, construiu o palácio Sans
Souci, no ano 1757 em Potsdam, que era composto por um parque com vários
pavilhões, sendo a Casa de Chá Chinesa um deles. Este palácio era a casa de
verão do imperador, palácio com vários pavilhões, dentre eles pavilhões chineses e
tendas turcas, que estavam se tornando comuns em jardins de lazer da época.
Havia também o fato de porcelana chinesa chegando ao mercado holandês,
promovendo o gosto pela estética chinesa.
Uma explicação sobre o império chinês e sua expansão pode ser obtida numa
redação bastante objetiva na publicação História global da arquitetura de Ching, Jarzombek
e Prakash, 2019, em leitura do trecho da página 588 a 590.
Em 1720, mudanças ainda ocorriam na China e próximo a Pequim o imperador
Qianlong mandou construir seis palácios em estilo barroco europeu para os missionários
jesuítas que habitavam em sua corte (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019), sendo este
fator que demonstra os jesuítas na China e sua contribuição para divulgação da cultura
chinesa pelo mundo.
No Japão, houve uma guerra civil de 10 anos, por volta de 1470, que resultou na
destruição de Kyoto. Depois disso, a reconstrução associada ao período de paz,
consolidação militar e desenvolvimento econômico, possibilitou prosperidade no comércio e
dos ofícios. Assim, Holanda e Portugal também estabeleceram portos comerciais no Japão.
Com relação aos portos, no Japão, nessa época, os navios chineses tinham prioridade,
devido ao comércio de prata existente com os mercados europeus, comércio considerado
responsável pela instabilidade que ameaçou os Ming na China.
Tanto a sociedade Qing da China como a visão xogum da sociedade japonesa
mostraram-se contrárias às ambições do mundo mercantil e criaram limitações por meio do
código Bakufu, que estabelecia o lugar de todas as pessoas no tecido social. Isto resultou
num novo desenho da cidade de Kyoto. Antes da intervenção em Kyoto edificações de usos
variados podiam ser encontrados num mesmo bairro; com a intervenção o sacerdote Maeda
Gen’i (1539-1602), xogum da cidade e nomeado governador, construiu uma via de norte a
sul que cruzava antigos quarteirões, criando novas fachadas para a rua formadas por casas
e estabelecimentos comerciais. A solução da via de norte a sul é também empregada por
Haussmann em Paris no século XIX (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019).

Influências orientais no Brasil

O Barroco no Brasil manifestou-se de modos diferentes no país, de acordo com os


polos regionais. Nos três primeiros séculos do país houve a expansão e ocupação territorial,
a monocultura do açúcar no nordeste e a mineração nas atuais regiões centro-oeste e
sudeste, sendo a economia baseada em servidão e cativeiro de índios e negros, com o
colonizador português promovendo sociedade patriarcal. Isto contribuiu para a construção
das duas primeiras cidades que foram capitais: Salvador e Rio de Janeiro, além de arraiais,
vilas, freguesias ao longo do litoral, com a presença rotineira da Igreja junto ao Estado e na
arquitetura com edificações seculares e regulares (MACHADO, 2015).
A arquitetura, como diz Machado (2015, p. 85), “é um eficaz instrumento cultural de
irradiação de ideias e conceitos”. O Barroco no Brasil estava inserido nos seguintes
contextos: expansão mercantilista e a contrarreforma. A arquitetura neste período Barroco
no Brasil assume características específicas, diferentes de Portugal e da América espanhola
(MACHADO, 2015).
O Barroco brasileiro apresenta exemplos da arte portuguesa no século XVIII,
segundo Germain Bazin (1983), estudioso do barroco no mundo ibérico, em sua obra “A
Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil”, apresentando, ainda nesta, a influência oriental.
Torelly (2019) apresenta-nos que a influência chinesa é presente no país de várias
maneiras e localidades: Identificados em afrescos e desenhos, mobiliário, cerâmica,
quadros, porcelanas, objetos de uso cotidiano, estatuária religiosa, telhados e detalhes
arquitetônicos, os chinesismos ou chinesices, estão presentes em templos e edifícios
religiosos, e até na arquitetura civil, em vários estados brasileiros, como São Paulo, Santa
Catarina, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Pará e com maior
frequência em Minas Gerais. (TORELLY, 2019).
Nesta citação surge a expressão chinesice, para a qual Torelly (2019) nos indica
possíveis explicações, segundo diferentes autores:

• para os autores Affonso Ávila, João Marcos Machado Gontijo e Reinaldo


Guedes Machado, de acordo com o Glossário de Arquitetura e Ornamentação do
Barroco Mineiro o vocábulo significa: trabalho ornamental, geralmente pintado de
vermelho, azul e ouro, à imitação oriental. Pode-se também falar de chinesices com
relação aos painéis ou portas pintadas com motivos da China, existentes em
algumas igrejas mineiras, a exemplo da Capela do Ó, em Sabará, e da Matriz da
mesma cidade (N. Sr. ª da Conceição). Pintura de charão, verniz da China e do
Japão, feito de laca e outros materiais. (1996, p. 135).

• para Longobardi,
Chinesices (como são chamadas em territórios brasileiro), ou chinoiseries
(termo francês utilizado desde, pelo menos, o século 17) são gêneros artísticos
ornamentais europeus que fazem referência ao repertório visual das artes extremo-
orientais. Esse gênero de ornamentação foi difundido em território luso-brasileiro
entre os séculos 17 e 19, como um desdobramento direto de sua intensa utilização
na Europa Moderna. (2011, p. 9).

• para José Roberto Teixeira Leite


E note-se que não estamos tratando aqui de chinoiseries ou chinesices,
China de fantasia ou de mentira, invenção de europeus que também tivemos em
dado momento, porém de influência chinesa sobre o Brasil Colonial ou já de tempos
do Império: sob tal aspecto quer-nos parecer que o Brasil constitui caso único no
mundo ocidental. (1999, p. 11).

A influência oriental no Brasil não se restringe às artes e arquitetura, é notada


também nos costumes.
Salvador e Rio de Janeiro eram portos seguros e intermediários na Carreira da Índia,
viagem inaugurada por Vasco da Gama em 1498, unindo Ocidente e Oriente e tanto as
produções de açúcar e fumo da região da Bahia como a extração de ouro e diamantes
fizerem com que o Brasil tivesse posição privilegiada no comércio ultramarino (TORELLY,
2019).
Em um primeiro momento, o comércio acontecia sem intermediação de outros
países. Em meados do século XVI, depois da fundação de Salvador, houve a instalação de
infraestrutura portuária, que permitiu que as naus que integravam a Carreira da Índia
parassem por aqui por motivos técnicos ou para embarque de produtos como açúcar e
tabaco aceitos na Europa, África e Ásia (TORELLY, 2019).
Em 1672 houve permissão para os produtos brasileiros fossem embarcados para
outros mercados, havendo nesta ocasião mais dois portos que podiam atender o comércio
internacional: Recife e Rio de Janeiro. O comércio legal, o contrabando, a isenção
alfandegária para oficiais e tripulantes de navios permitiram a entrada de bens no país. Além
dos bens, pessoas de várias etnias e culturas, tripulantes de navios de várias
nacionalidades tinham contato com os portos e população brasileira e traziam consigo
hábitos e costumes. Havia produtos que chegavam ao Brasil e outros que eram levados
daqui para África ou Oriente, além de objetos que Portugal exportava para colônias e
feitorias. A administração destes domínios era realizada por funcionários do chamado
império ultramarino, eram nobres, civis, militares que se revezavam em diferentes colônias e
localidades, existindo também a presença dos jesuítas e de outras ordens religiosas
(TORELLY, 2019).
No Brasil, o jesuíta francês Charles de Belleville, que viveu na China, morou por 22
anos aqui a partir de 1708, sendo-lhe atribuídas realizações como Igreja do Seminário
Jesuíta de Belém da Cachoeira e da Igreja do Colégio dos Jesuítas em Salvador (Bahia); a
Jacinto Ribeiro é atribuída a pintura do retábulo e de outros elementos na capela Nossa
senhora do Ó em Sabará (Minas Gerais) (TORELLY, 2019).
Na arquitetura Em Minas são localizados: painéis, retábulos, cadeirais, o órgão da
Sé de Mariana, a “porta de Macau” na Igreja Nossa Senhora da Conceição em Sabará. Na
Capela de Nossa Senhora da Expectação do Parto ou na igreja Nossa Senhora do Ó
(Sabará, MG), apresentam configuração arquitetônica que possibilitam identificar elementos
de um pagode chinês (TORELLY, 2019).
Na cidade de cachoeira na Bahia, a ordem terceira carmelita abriga os sete Cristos
Chineses de Cachoeira, relíquias do chinesismo no Brasil. Na Bahia, em virtude do porto,
havia o comércio de mercadorias, a presença de viajantes, de religiosos – jesuítas
principalmente, marinheiros oriundos do oriente e lá, pela possibilidade de contato
permanente ocorreram interações comercial e cultural (TORELLY, 2019).
Em Belém de Cachoeira, próximo a Cachoeira, existiam igreja, convento e seminário
fundados por Alexandre de Gusmão, padre e educador. O conjunto teve as obras iniciadas
em 1686, durando até 1725. É atribuída ao jesuíta Charles de Belleville, segundo Serafim
Leite (1945), participação na execução da torre da igreja, com revestimento de pratos de
porcelana de Macau, do púlpito e no teto da sacristia (TORELLY, 2019).
Na cidade de Diamantina, em Minas Gerais, aparecem elementos nas edificações
que lembram soluções construtivas chinesas, como são os casos de alguns beirais de
telhados (TORELLY, 2019).
Os jesuítas atuaram em várias regiões do Brasil, no entanto, não em todas os locais
por onde estiveram há manifestações da influência oriental na arquitetura. Para a arquitetura
produzida pelos jesuítas, Costa afirma: O programa das construções jesuíticas era
relativamente simples. Pode ser dividido em três partes, correspondendo cada uma destas a
uma determinada utilização: para o culto, a igreja com o coro e a sacristia; para o trabalho,
as aulas e oficinas; para residência, os “cubículos”, a enfermaria e mais dependências de
serviço, além da “cerca”, com horta e pomar. (COSTA, 2010, p. 130).
Desta maneira, apresentamos alguns exemplos associados aos jesuítas e em obras
nos quais tiveram algum envolvimento.
O Brasil apresenta azulejaria portuguesa em grande quantidade e os azulejos da
Bahia do século XVIII são sinal da presença da Coroa no país, mostrando o poder desta
sobre a colônia, conforme o historiador Paulo Henriques, diretor do Museu Nacional do
Azulejo, de Portugal. Segundo Henriques, a azulejaria era encomendada a Portugal pelas
ordens religiosas instaladas no Brasil. O azulejo era utilizado tanto na parte interna da
edificação quanto na externa, a partir do século XIX. Como exemplo, o Convento de São
Francisco tem em seu claustro o uso religioso da arte da azulejaria: são 37 painéis que
associam imagens e preceitos em latim, baseados em gravuras de Otto van Veen
publicadas no livro “Emblemas de Horácio” (SEREZA, 1999).
Portugal, por sua atuação no comércio marítimo intercontinental, criou relações
com os países orientais. Sua ligação com a China, tornou-o divulgador da cultura chinesa,
em especial pela comercialização de porcelana chinesa. No início de 1500 houve iniciativa
de aproximação com a China, não muito bem sucedida, no entanto, os interesses
comerciais continuaram e por volta de 1554 os portugueses apresentaram aos chineses a
necessidade de ocupar lugar para secagem de produtos úmidos para se estabelecerem em
Macau. Três anos mais tarde houve a assinatura de acordo que permitiu instalação e
organização de comunidade estável, fortalecendo a relação entre Portugal e China (DONG,
2017).
A instalação em Macau de Portugal, a colonização portuguesa de Macau por 400
anos, tendo a cidade voltado ao domínio chinês em 1999, contribuiu para troca de culturas.
No caso dos azulejos, em Macau, são muito comuns as produções de azulejo combinando o
elemento português original com o espírito tradicional e artística da China. O azulejo foi
usado na decoração de edifícios e em placas toponímicas e por isso é tomado como uma
das características específicas da cidade. Acompanha outros aspectos que misturam as
duas culturas, como a comida, a língua, etc. Macau desempenha até hoje um papel notável
nas ligações entre dois países. (DONG, 2017, p. 45).
Os descobrimentos marítimos portugueses que lhe renderam relação com o Oriente,
propiciaram o comércio de produtos como seda, marfins, porcelanas, entre outros. Os
produtos produzidos no Oriente promoveram gosto europeu pelo exotismo oriental e, por
conta disso, surge a denominada “chinoiserie” que refere-se a pessoas que produzem um
tipo de obra que é feito na Europa e parecendo chinês. Considerando este contexto, no
século XVIII elementos exóticos da China aparecem nos azulejos portugueses (DONG,
2017).
Um dos aspectos que mostra a influência da China nos azulejos portugueses é a cor
azul, que foi inspirada na porcelana azul e branca da China. A cultura islâmica influenciou
tanto a produção de porcelana chinesa como o azulejo português. Dong explica: A cultura
islâmica, ou seja, a cultura arábico-islâmica, foi criada por absorção e fusão de culturas
diferentes como a chinesa, a romana, a persa, etc., pelos povos árabes, e ocupou um lugar
importantíssimo na história da cultura mundial. [...]

Em conjunto com o aprofundamento da relação entre a China e os países de


cultura islâmica, a China sofreu influência forte da estética muçulmana, em particular
a cor. Como um símbolo de dignidade, pureza e transparência que correspondeu à
procura de imaculabilidade, o azul foi apreciado e utilizado na decoração dos
implementos e arquiteturas como mesquitas. (DONG, 2017, p. 72).
No final do século XVII em Portugal a sociedade portuguesa presença
desenvolvimento artístico e segundo Meco (1989), com relação à cor dos azulejos ocorrem
as mudanças:

• a policromia exagerada;
• início da pintura utilizando azul e branco e
• pintura inteiramente azul.

Vale observar que Portugal foi responsável por coleta de dados e informações da
realidade chinesa, por conta de:

• a China no século XVI teve sua imagem criada por Portugal e divulgada
pela Europa pela circulação de cartas e relações; a imagem era fantasiosa e
atendeu às imaginações fantásticas dos europeus de criar situação para fugir da
vida verdadeira;
• a azulejaria portuguesa, que estava na moda, desenvolvida de 1720 até a
segunda metade do século XVIII, produziu painéis que descreviam cenas chinesas,
mostrando a influência da porcelana chinesa, tendo sido base para “chinoiserie”
(DONG, 2017).
O Brasil apresenta azulejaria portuguesa em grande quantidade e os azulejos do
século XVIII na Bahia indicam a então presença da Coroa portuguesa no país, mostrando o
poder desta sobre a colônia. O azulejo português sofreu influência da China por ter
“incorporado” elementos desta cultura e seu uso em outras localidades fora de Portugal foi
um caminho para a influência chinesa se propagar pelo mundo. No Brasil os azulejos
portugueses foram utilizados em construções religiosas do século XVIII, havendo também
sua utilização em outros tipos de construções e em períodos posteriores.
REFERÊNCIAS

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