Neoclassicismo (séc.
XVIII - XIX)
Neo = novo
Classicismo = arte da idade clássica, constituída pela arte grega e arte romana
Antes do neoclassicismo, na Europa, já́ se tinha estudado o passado grego e romano
na altura do Renascimento (séc. XV).
Pode considerar-se o renascimento o primeiro neoclassicismo, mas há diferenças
entre o homem do século XV e do século XVIII:
o homem do século XVIII tem mais ferramentas à sua disposição e está mais
preparado para realizar uma pesquisa e um estudo mais eficientes e
completos;
o homem do século de XV dificilmente teria um livro à sua disposição;
Quando surgiu o Neoclassicismo (meados do século XVIII) os Barroco e o Rococó
eram os estilos artísticos em voga.
O Neoclassicismo vem então reagir contra o Rococó assim como o
Renascimento reagiu contra o Clássico.
Neoclassicismo – arte ligada à razão, à aristocracia e à monarquia absoluta.
Ter em conta o cunho político do neoclassicismo – muitos defensores dos
ideais da revolução francesa defendiam o neoclassicismo uma vez que estão
contra o antigo regime.
Johann Joachim Winckelmann (1717-1768)
Importante estudioso do passado clássico (“pai” do neoclassicismo).
Publicou várias obras das quais se destacam:
Reflexão sobra a imitação da arte grega na Pintura e na Escultura, 1755-56
“panfleto” estético de manifesto;
defende a superioridade da arte grega sobre a arte atual.
História da Arte da Antiguidade, 1764
primeira obra com um certo rigor científico;
ocorre uma pesquisa das fontes e não apenas uma recolha de testemunhos
pouco fidedignos.
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MonumentosAntigosInéditos,1767(dois volumes)
recolha de todos os monumentos que se conheciam da antiguidade;
permitia as pessoas terem um conhecimento dos monumentos “no conforto de
sua casa”;
novidade: obra ilustrada (conhecimento através da imagem);
este conhecimento através da imagem é um conceito que surge no século
XVIII;
permite também que as pessoas analfabetas possam conhecer.
Qual a obra mais importante publicada no século XVIII? Enciclopédia
obra dividida em vários volumes
“dicionário ilustrado”
apanhado geral de todas as áreas do saber humano
pretendia recolher o saber sobre todos os temas – conhecimento artístico,
científico, literário...
através do novo conceito do conhecimento através da imagem a enciclopédia
permite que mais pessoas tenham uma ideia geral sobre as coisas.
Descoberta importantíssima nesta época em Itália (Nápoles) – descobrem-se duas
cidades romanas: Pompeia e Herculano.
Estas duas cidades ficaram preservadas da ação humana, ou seja,
“congeladas no tempo”.
Possibilitouumconhecimentomuitomaisaprofundadosobrehábitosalimentares,
materiais, técnicas e da arte.
Grandedescobertaemtermosartísticos–frescosdePompeia(pinturasafresco). As
pessoas do século XVIII viram pela primeira vez pinturas romanas.
Belo Ideal (o neoclassicismo é uma arte idealista)
O Neoclassicismo parte do princípio do Belo Ideal)
Belo Ideal – a natureza não é perfeita e a arte deve ser sempre bela
Belo Ideal: Neoclassicismo (J. J. Winkelmann) = Natureza + História;
Racionalismo (Salomon Gessner) = Natureza + Razão
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Neoclássicos – arte clássica é retrospetiva (vai ao passado) e projetiva
(projeta-se para o futuro)
Racionalistas – também acreditam que a arte clássica é um bom exemplo do
belo ideal mas defende que o presente não tem qualquer relação com o
passado
Neoclassicismo: Filo-helenistas (J. J. Winkelmann) = superioridade da arte
grega; Filo-latinistas (G. B. Piranesi) = superioridade da arte romana
Esta divisão é benéfica pois pela 1ª vez se distinguiu o que pertencia a uns e outros e
porque cada um começou a aprofundar o seu conhecimento e a procurar melhores
qualidades de cada um dos estilos.
Arquitetura Neoclássica
Barroco
Nasce no século
Começa por nascer na europa
Depois espalha-se por toda a europa e depois por todo o mundo
Tem a sua principal expressão na europa
Grande intensidade decorativa
Adquire caraterísticas regionais dependendo da região onde se insere
Arte ao serviço da religião
Arte que se dirige sobretudo aos sentidos e às emoções
Estilo luxuoso
Francesco Barromini, Igreja San Carlo, Roma
Fachada ondulante - concava, convexa e concava de novo - em S (confere
dinamismo)
Zonas de claro/escuro - utilização da luz como forma de expressão – criando
pontos de interesse
Praticamente sem superfícies vazias
Arte “para encher o olho”
Arte para impressionar
Utiliza todas as formas de artes visuais decorativas que colaboram umas com
as outras para causar maior impacto - pintura, escultura...
Apela a todos os sentidos - audição, visão e tato - maior impacto
Zwinger, Dresden
Já́ considerado Rococó́
Fachada repleta de escudos e trofeus
Dinâmica da linha curva
Circularidade
Estrutura côncava (braços)
Corpo central (convexo)
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França
Jacques-Anje Gabriel, Petit Trianon, 1762-1768, Versalhes
Pertencia à rainha Maria Antonieta
Dos primeiros edifícios do neoclassicismo
Contraste nítido com o barroco
Quase sem linhas curvas
Simplicidade decorativa
Predomínio da razão e não das emoções
Fachada exterior é mais simples do que a virada para o interior - não tem o
objetivo de impressionar o observador (do exterior) porque o que interessa é
que as pessoas vejam quando lá vivem/frequentam - querem usufruir ao
máximo das suas casas então a parte mais bonita vai ser a interior
Fachada límpida
Fachada ornamentada por colunas
Colunas com muito detalhe - decoração do friso - deriva da forma do
neoclassicismo de olhar para o passado - ao contrario do renascimento que
não é rigoroso na forma que olha para o passado, o neoclassicismo, por ter
meios para o fazer, tem um estudo mais rigoroso dos detalhes do passado
Templo do amor
Um dos templos que estão perto do lago em Versalhes
Tempos circulares
Colunas
Pavilhão das festas
Interior mais decorado (decoração de protesco) - inspirado na decoração
romana
Pierre Vignon, Igreja de Madeleine, Paris, 1764-1824
Demorou muito tempo por causa da revolução francesa que é anti religião
Quase a copia de um templo romano transformado numa igreja católica - com
colunas e frontão triangular
Curiosidade:
Templos gregos VS Templos romanos - Os templos romanos estão em cima de uma
base/pódio enquanto os gregos estão assentes numa sapata apenas com 3 degraus.
Os templos romanos têm apenas tem um acesso: lei da frontalidade enquanto nos
templos gregos podem entrar por qualquer lado.
Igreja de Sainte Genevieve (panteão) , Paris, 1764-1790, Jacques Soufflot
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Os revolucionários aproveitaram a estrutura já existente (para igreja) e usaram-
na para transformar no panteão
Apesar de construído como igreja nunca foi usado como igreja porque se
tornou o panteão de Paris (assim como a Igreja de Santa Engrácia que
demorou imenso a ser construída em Lisboa e assim nasceu p Panteão
Nacional)
Basicamente uma transposição do Panteão de Roma, 27 A.C:
Panteão: edifício religioso dedicado a louvar todos os deuses do império
romano - templos com vários altares
Frontão típico triangular por cima de uma fachada de colunas
Planta em forma de cruz
Inglaterra
Inglaterra não tinha grandes vestígios nem da arquitetura grega nem da
romana
Foi então buscar as suas inspirações à arquitetura clássica dos séculos XV e
XVI
Catedral de São Paulo, Londres; 1675-1716, Christopher Wren
Para se opor ao São Pedro dos católicos (esta em Londres era para os
protestantes)
Maior cúpula do mundo - muito imponente
Colunas gémeas - coluna, coluna espaço coluna, coluna espaço - isto não
existia na europa - arquitetura neopaladiana (André́ Paládio)
Greenwich Hospital, 1695, Christopher Wren
Chiswick House, 1720-1725, Lord Burlington
Casa mais pequena (no sentido monumental do termo)
Com duas fachadas
Frontão triangularidade
Praticamente uma cópia da Vila Rotunda, Vicenza, 1565-1569, Andrea Palladio
(esta tem quatro fachadas/entradas que dão a um haul principal)
Holkham Hall, Norfolk, 1734, Lord Burlington
ROBER ADAM (arquiteto)
Foi cônsul de Inglaterra em Roma durante muitos anos - é daí que tem a sua
inspiração
Grande importância a nível dos interiores e do mobiliário
Produz gravuras e espelhos
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Sylon House, Londres, 1760-1769, Robert Adam
Interiores que marcam o neoclassicíssimo
Interiores brancos
Interiores que transmitem clareza e pureza
Decoração feita com base no estuque - sem talhas douradas
Mais monocromática
Exceções: salas pompeianas - salas específicas da sala com ornamentos
inspirados nos Frescos de Pompeia
Kenwood House, Hampstead, 1767-1769, Robert Adam
Cumberland Terrace, Reget ́s Park, Londres, 1826-1827, John Nash (agora entramos
no século. XIX - arte ao serviço do estado e sobretudo uma arte monumental)
Neoclassicismo Inglês amadurecido - já́ é mais neogrego e neorromano
(principalmente neogrego)
Monumental
Colunas de acordo com o gosto grego
Estados Unidos da América
O primeiro estilo na América é o neoclassicismo através do Thomas Jefferson
Tomas foi cônsul em Paris e nessa altura tem contacto com a tradição clássica
francesa
Quando regressa manda fazer a sua casa privada (com linhas clássicas)
Charlotesville, Virgínia, 1768-1784
Casa do Tomas quando ele volta de França para os EUA
Linhas clássicas
O projeto tinha dois andares, mas inspira-se no panteão de Roma e acaba por
fazer só́ um andar com uma cúpula
Este estilo impera nas casas dos grandes senhores especialmente nos estados
do sul dos EUA
State Capitol , Virginia, 1785-1789, Tomas Jefferson
Inicialmente era só́ um grande bloco com fachada simples e com acesso lateral
O estado da Virgínia foi se desenvolvendo e então criaram-se dois corpos
laterais
Está em cima de um pódio, mas o acesso não é pela colunata - para quem
uma fachada imponente para ter uma entrada lateral?
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Colunas lisas - os gregos não faziam isto
Nota: Colunas de ordem jónica - remete mais para os gregos, mas os romanos
também usam.
Palácio Presidencial (Casa Branca), Washington, 1793-1801, James Hoban
Em 1900 houve um projeto para ampliar, mas não avançou
State Capitol Washington - mais imponente e famoso dos EUA
Depois foi evoluindo - cúpulas maiores - cúpula inspirada no panteão de Paris
Acrescentaram-se dois corpos laterais
Pintura Neoclássica
Jacques Louis David (1748-1825)
Membro ativo da revolução francesa – o que fez que muitos não seguidores
destes ideais não o apoiassem
As pinturas dele têm sempre uma mensagem/crítica para a sua época
A morte de Séneca, óleo sem tela, 1733
Arte dirigida aos sentimentos
Linha curva
Mais barroco/rococó
Teatral
Exagero de gestos e posições
Posturas retorcidas
Iluminação típica de teatro
Cortina no canto superior esquerdo que também remete para o teatro
Sentido dramático
Quadro com que David ganhou o prémio de Roma
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História da morte de Séneca (filósofo) – No ano 65, Séneca foi acusado de ter
participado da conspiração de Pisão, na qual o assassino de Nero teria sido planeado.
Sem qualquer julgamento, foi obrigado a cometer o suicídio. Na presença dos seus
amigos, cortou os pulsos com o ânimo sereno que defendia na sua filosofia.
Belisário recebendo esmola, óleo sem tela, 1781
Já considerado um quanto neoclássico
Cores mais sóbrias
Predomínio da linha reta
Cenário clássico
Situa-se na história grega
Belisário – grande general ao serviço do império romano. Passados poucos anos da
invasão bárbara o imperador tentou recuperar o império romano do oriente – foi
Belisário que o recuperou – conforme ele ficava mais famoso foi acusado de
conspiração contra o imperador (foi só por inveja). Depois de ser libertado passou o
resto da sua vida a pedir esmolas na rua - pintura sobre a injustiça - tem uma moral da
história que pode ser usada no presente/futuro. As suas pinturas têm sempre uma
critica à sua época.
O juramento dos Horácios, óleo sem tela, 1784
Das suas obras mais famosas
Representa a luta entre Horácios e Coriáceos
O povo conhecia estas histórias devido ao teatro
Período em que Roma é dominada por reis - existiam duas fações que a certa
altura se chateiam - em vez de lutarem uns contra os outros escolhem então os
paladinos para decidirem o seu destino - os Horácios mataram os Coriáceos
A figura masculina é marcada pela linha reta em contraste com a figura
feminina que é marcada pelas linhas curvas
Sendo assim este quadro fala sobre a luta contra a tirania
O Horácio é um homem comum - o que apela para “peguem nas armas
cidadãos e lutem contra a tirania”
A morte de Sócrates, óleo sem tela, 1787
Sócrates foi um filosofo grego que foi condenado à morte por ser acusado de
desviar os jovens
Mais uma vez o quadro fala de tirania, injustiça do estado e da censura e falta
de liberdade de expressão
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Os lictores trazendo os corpos dos filhos de Brutus, óleo sem tela, 1789
Quadro pintado nas vésperas da revolução francesa
Contraste entre o sofrimento das mães, irmãs e aia e a indiferença do pai
Tendo em conta as ideologias políticas de David o Brutus é um herói uma vez
que coloca o bem comum à frente do seu bem - Brutus denunciou os seus
filhos que consequentemente foram condenados à morte
Estruturas neoclássicas de fundo
Todo o mobiliário e acessórios foram estudadas por David e inspiradas em
antiguidades da Roma
O juramento do jogo da Pela (20 de junho de 1789), 1791
Obra de grande importância uma vez que marca uma mudança de David
Deixa de existir a monarquia absoluta
O rei (contra a evolução) manda fechar a Assembleia
De qualquer das formas os deputados, burguesia e baixo clero reuniram-se (e
jornalistas, padres e outras figuras importantes)
Momento muito importante - constituição francesa
Diferença: este quadro já́ não tem absolutamente nada a ver com as histórias
gregas ou romanas - deixa de ter necessidade de ir ao passado e começa a pintar
sobre o seu presente - já́ não precisa de ir buscar inspiração às histórias gregas
romanas porque a história da revolução francesa é tao ou mais importante e grandiosa
que a outra.
A morte de Marat, óleo sem tela, 1793
Acontecimento real
Que afeta muito David pois Marat era seu amigo
Acontece em 1793 (ano de viragem), que é um ano muito importante para a
história da Revolução Francesa – quando a França passa da monarquia para
a República
Marat era um jornalista radical na Revolução Francesa
Persistentes perseguições fizeram dele o principal defensor do povo
Torna-se um dos rostos da revolução francesa ao lado de G. Danton e M.
Rosbepierre
Uma das maiores figuras da França revolucionária
É assassinado por Charlotte de Corday
Marat, no dia 13 de julho estava na banheira quando uma mulher (que dizia
que era uma mensageira) • Marat assina a lista de nome de todos os supostos
traidores que todos deveriam ser decapitados na guilhotina (condenação à
morte)
No momento seguinte (a mulher que era uma Girondina) mantou-o com uma
facada no peito
Foi um crime político
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Ela foi condenada à morte 5 dias depois – processo de julgamento muito
rápido
O assassinato provocou represálias em que vários adversários dos Jacobinos
que foram executados
No julgamento ela testemunhou que tinha cometido o assassinato sozinha
Afirma que o matou para poder salvar 100 mil homens – está na base no que
seria uma nova fase mais radical e rebelde da Revolução Francesa
Ano em que o Rei e a Rainha são condenados à morte • Dá-se o início da
República em França
David é chamado para organizar um grande funeral
Toda a convença nacional assistiu ao funeral de Marat
Esta pintura lembra-nos Cristo no episódio da Deposição – corpo morto e com
braço caído
David que é completamente revolucionário e anti religião faz isto para tentar
torná-lo num “novo Deus” – assim como cristo foi traído pelos seus, Marat
também (uma vez que a mulher que o matou também era uma revolucionária).
É por este motivo que as duas personagens são associadas.
Para além do começo da república em 1793 esta também é a Época do Terror
em França. – já́ não se sabe distinguir o bem e o mal – revolucionários a
matarem-se uns aos outros
As Sabinas, óleo sem tela, 1795-99
Quadro de grandes dimensões (385X522 cm)
Espécie de regresso porque volta a retratar a história antiga
Representa um episodio lendário da história da cidade que mais tarde seria
Roma
A cidade era habitada por dois povos- os Sabidos e os Latinos- os Sabinos
(mais agricultores e trabalhadores) eram liderados por Tácio e os Latinos (mais
rudes) por Rómulo
Os Latinos (por terem poucas mulheres na tribo) raptam as mulheres dos
Sabinos
Muito tempo depois os Sabinos preparam um exército para ir salvar/recuperar
as suas mulheres, filhas, irmãs...
No entanto, nesta altura os Latinos já tinham tido imensos filhos das Sabinas
A pintura tem o momento preciso que Hersília, filha do rei Sabino se interpõe
entre os dois exércitos
Então este quadro fala de reconciliação e perdão
Fala do triunfo sobre a guerra
Este quadro foi pensado precisamente quando David estava na prisão
O quadro faz lembrar o Juramento dos Horácios, mas desta vez as mulheres
são as protagonistas
Quadro num momento em que França está num mau período (está a ser
invadida, guerra civil, lutas entre partidos...)
Para que a mensagem a passar fosse mais clara para os franceses temos
atrás aquela estrutura arquitetónica que nada tem a ver com a época que está
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a representar, mas representa o perfil da Bastilha para fazer com que os
franceses percebessem/lembrassem de que quando estavam unidos
conseguiram conquistar a bastilha.
Napoleão atravessando os Alpes, óleo sem tela, 1801
Inicia-se uma nova fase do trabalho de David
Entramos no século XIX
Retrata o que se passa no momento
Napoleão virá a tomar as rédeas do poder e virá a ser visto como o salvador da
pátria
Napoleão consegui expulsar as forças estrangeiras que estavam a invadir a
França para acabar com a revolução
Conseguir acabar com os conflitos que existiam no interior da França
No fundo é uma espécie de “amor reciproco” – David foi um dos grandes
apoiantes de Napoleão e Napoleão um dos grandes apoiantes e defensores de
David e também do próprio classicismo
Fez com que o neoclassicismo se tornasse a arte oficial do império
napoleónico.
Coroação de Napoleão, óleo sem tela, 1805-1807
Primeira obra encomendada a David (por Napoleão)
David foi nomeado por Napoleão diretor da Academia de Pintura e Escultura
Quadro de grande dimensão (621X979)
Pessoas representas em tamanho natural
Até à data, maior quadro coletivo
Momento da coroação de Napoleão
Representadas cerca de 250 pessoas
Apesar da mãe e irmãs não terem assistido à coroação Napoleão pediu para
que as mesmas fossem representadas
Josefina foi rejuvenescida
Madame Récamier, óleo sem tela, 1805
• Faz parte da nova fase da pintura de David
• Torna-se no retratista oficial da corte Napoleónica
• Mobiliário mais novo e moderno
• O tipo de vestidos mudou, agora são marcados em baixo do peito e caem a direito •
As perucas foram substituídas pelo cabelo natural
• Penteados inspirados nas senhoras da antiga Roma
Napoleão, óleo sem tela, 1812
• Retrato de Napoleão
• Grande diferença com o quadro que pintou 11 anos antes (Napoleão atravessando
os Alpes) • Já não temos um Napoleão com um olhar otimista, mas sim um olhar de
governante falível • Mobiliário estilo império
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• Em 1815 napoleão é derrotado e França é obrigada a voltar à Monarquia
• David perdes os cargos e é obrigado a exilar-se na Bélgica
A Cólera de Aquiles, óleo sem tela, 1819
• O neoclassicismo transformou-se numa arte académica e sem grande força,
praticamente decorativa • Bom exemplo do que se tornou o neoclassicismo
Marte desarmado por Vénus, óleo sem tela, 1824
• Grandes dimensões (308X262 cm)
• Último quadro pintado por David
• Aliás, ele não acabou de pintar este quadro (morreu antes de o acabar) e algumas
destas figuras
foram desenhadas pelos seus discípulos
• A Vénus de certa forma desproporcional faz lembras as obras do Ingres (A Grande
Odalisca) – não
está muito “certo” para com as regras da proporção
• Tudo isto tem um ar extremamente artificial
• Aquele “naturalismo” e “vulgarismo” das figuras típicas do neoclassicismo já não
existem
• Cenário que parece “falso”
• Pode considerar-se uma fase de decadência da obra de David – um homem que já
não tem nada para
dizer
• Passámos de um momento em que o Neoclassicismo é uma arte revolucionária para
se transformar
numa arte ao serviço do regime e por isso mais conservadora e não ao serviço da
revolução e
mudança
• Será a partir de aqui que Ingres irá retomar este Neoclassicismo, primeiro um pouco
indeciso entre
aderir às novidades do Romantismo, mas depois é recuperável para o Neoclassicismo.
JEAN AUGUSTE DOMINIQUE INGRES (1780-1868)
Domina a cultura francesa por mais de meio seculo
Também foi violinista
Longa carreira de mais de 70 anos
Mais de 4000 obras de pintura e desenho
Pintor extraordinário
Originalidade do seu estilo
1791 - Ingressa na Academia Real de Pintura, Escultura e Arquitetura, Toulouse
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Com apenas 11 começou a sua educação artística
Estudou com importantes pintores
1797 – Ingressa na Academia de Belas Artes de Paris
Torna-se no discípulo preferido de J. L. David
Os enviados de Agamémnon na tenda de Aquiles, óleo sem tela, 1801
A tradição clássica já́ não é o que era e o discípulo distâncias do mestre
Afirma que a arte deve ser reformada
Conhecido episódio da guerra de troia
Importância da figura masculina
Bonaparte como Primeiro Cônsul. Óleo sem tela, 1804
Assimilou a careza e monumentalidade na sua própria arte
Retrato
Caroline Riviére, óleo sem tela, 1804
Retrato
Pintado pouco antes de partir para Roma
Napoleão I, óleo sem tela, 1806
Retrato de Napoleão I como imperador
Importante
Imponente
Detalhes meticulosos
Realismo
Delicadeza do pincel
Estilo condenado como gótico o que deixou ingres muito desgostos
Édipo e a Esfinge, óleo sem tela, 1806
Parte finalmente para a academia francesa
Dedica-se à pintura de grandes conjuntos inspirados na mitologia clássica
Estadia em Roma que permite o patrocínio de burocratas e administradores
franceses
A Banhista Valpinçon, óleo sem tela, 1808
Pincelada bem visível
Superfície fria
Começa a rejeitar a arte neoclássica, pinturas de história
Rejeita a ideia de que a arte deveria ser moral ou civicamente instrutiva
Dividido em neoclássicos e românticos
Importância do feminino
Interrogamo-nos de quem é esta figura
Vai retomar este tema mais vezes
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Sem referência à pessoa ou ao espaço
A Pequena Odalisca, óleo sem tela, 1828
Mais preciso
Pessoa que está no arem
O banho turco, óleo sem tela, 1862
Espaço mais povoado
Clara alusão a um arem de uma local cheio de mulheres despidas
Ostentação de sensualidade e sexualidade
Dos quadros mais inspiradores da arte ocidental
Zeus e Tétis, óleo sem tela, 1811
Muito criticado pela falta de modelagem
Critica das formas anatómicas caracterizadoras da sua arte
Figura distorcida de Tétis
A grande odalisca, óleo sem tela, 1814
Pintura histórica em grande escala
Quadro encomendado por irmão de Napoleão Bonaparte
Assunto comum à época
Distorção anatómica do feminino
Interesse por ambiente orientais (médio oriente e norte de África)
Parece estar a oscilar para o romantismo
Mademoiselle Henriette-Ursule Claire e o seu cão, óleo sem tela, 1816
Recorre à execução de desenhos em pequena escala
Desenho caracterizado por controlo de linhas finas firmes
Impressionante capacidade de registar uma semelhança exata
O voto de Luís XIII, óleo sem tela, 1824
Regressa finalmente a paria
Catedral Montauban
França obrigada a voltar à monarquia após a derrota de Napoleão
Nomeado professor da escola de belas-artes
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Abandona a arte do retrato
Apoteose de Homero, teto do Museu Carlos X no Louvre, 1827
Arre mais ambiciosa té ao momento
Grande tela
Marca um momento de viragem
Por um lado Ingres, parece ter enterrado de uma vez por toda David, mas por
outro a oposição ao movimento romântico torna-se cada vez mais forte
Retrato de grupo
Manifesto da estética neoclássica
Defendia uma fé́ inabalável na autoridade dos antigos
Superioridade do desenho sobre a cor
Compromisso coma a idealização em oposição à mera replica da natureza
Pintura como manifesto do classicismo
Composição com o grande Homero (grande autor das famosas obras ilíada
Odisseia - obras representadas sentadas aos pés de Homero)
Encontramos gregos, romanos, pintores, escultores
Não são apenas os mestres gregos os e romanos que podem servir de base
para o a neoclassicismo, mas também os grandes mestres dos séculos XV e
XVI
Senhor Bertin, óleo sem tela, 1832
Retrato da recém imponderada classe média
Acusado de imperialismo artístico - de tentar impor o seu estilo artístico
Virgem adorando a Hóstia, óleo sem tela, 1841
Recebe duras críticas
Atacado por todos resolve regressar a Roma no ano seguinte
Antioquo e Stratonice, óleo sem tela, 1840
Sucesso
Este é o seu triunfo que p faz regressar a Paris
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Condessa de Haussonville, óleo sem tela, 1845
Regressou a paris
Retoma os seus retratos
Obtinha mais facilmente a aceitação da sociedade
Mulheres da alta sociedade parisiense
Enormes capacidades técnicas
Capacidade excecional de representar as texturas - diferenças dos tecidos
Princesa Pauline Elenore de Broglie, óleo sem tela, 1853
Época em que era o retratista mais procurado
Mais um retrato feminino
Clareza
Precisão minuciosa dos detalhes
As rendas parecem pintadas linha a linha
Dada muita atenção às joias
Detalhe extremo
Quase um realismo fotográfico
De certa forma desaparecem aquelas distorções anatómicas que
caracterizavam a sua pintura inicial
Madame Sigbert Moitessier, óleo sem tela, 1856
Precisão minuciosa dos detalhes e texturas
1855 – Recebe a medalha da religião da honra
1862 – Senador do Império
Romantismo
Primeiro movimento artístico da idade contemporânea
Nasce no séc. XIX
Pré-romantismo: séc. XVIII – interesse pela natureza e pelo campo
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Anne-Louise Germaine de Stael-Holsteis (1766-1817)
Das personagens mais importantes e pioneiras para a introdução do
movimento romântico em França
Acabou por publicar em 1810 uma obra chamada “De L’Allemagne”
o Livro de grande importância porque acabou por explorar vários
conceitos:
Embora a arte italiana se basei na herança racional e
ordenada dos clássicos (gregos e romanos), os países do
norte da Europa eram muito diferentes;
A cultura nativa da Alemanha (e da França) não era clássica,
mas sim gótica, ou seja, estava mais vocacionada para as
emoções, espiritualidade e naturalidade que se
sobrepunham à razão clássica.
Henri-Marie Beyle “Stendhal” (1783-1842)
Outro autor com uma relevância considerável, mas com uma opinião diferente
Escreve “Histoire de la Peinture em Italie” em 1817
o Equipara O Romantismo à Modernidade
o Apela a uma arte moderna que possa refletir as “paixões turbulentas”
do novo século
Romantismo
Assenta fundamentalmente sobre duas grandes ideias: Ideia de Natureza e
Ideia de História
Ideia de Natureza (representa em grande parte do Romantismo)
Rejeição da vida moderna e oposição à industrialização
A industrialização tinha provocado uma descaracterização urbana e poluição
das cidades
o As grandes zonas industriais situavam-se junto aos rios, por um lado
pelo transporte fluviais e marítimos e acesso à água e carvão que
chegavam por via marítima
o Isto, por algumas cidades como Paria e Londres, que são atravessadas
por um rio, levava a que estas cidades se situassem precisamente no
coração das cidades
o Levou à poluição do ar e dos rios
Por outro lado, outro fenómeno que está ligado à industrialização são as
migrações
o Assiste-se a uma enorme massa de pessoas do campo que vêm para a
cidade na esperança de terem uma melhor qualidade de vida – muitas
vezes não era bem-sucedido e acabavam por perder o pouco que
tinham e viviam em condições quase desumanas
Também, o desenvolvimento das fábricas levou ao aparecimento de uma nova
classe social, o proletariado
Este proletariado, que começa a ganhar força social leva a várias greves e
crises sociais o que levou a uma insegurança geral onde este proletariado tinha
mais força, ou seja, nas cidades mais industrializadas
Ao mesmo tempo de insegurança, a pobreza e consequentemente das
doenças também estavam muito presentes nestas cidades
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Por outro lado, há aquilo que se considera na altura, uma espécie de busca da
idade da inocência. O campo é visto como uma espécie de paraíso perdido, a
ideia de que a “natureza humana e pura” está no campo e não nas cidades e
também a ideia do poder da Natureza e do Sentimento.
o Caracteriza-se por um lado no paisagismo, mas também numa
oposição à raça humana, ao despoletar das paixões (que podemos
encontrar na literatura, no romance e na poesia), da literatura, do
romance e da poesia.
o Assenta fundamentalmente sobre as seguintes características:
Imaginação
Fantasia
Sonho
Ideia de História
Passado como “paraíso perdido”
Ocorre a uma rejeição do presente que leva a um refúgio no passado
Leva à “fuga no espaço” que sucede a “fuga no tempo” – fuga para o campo
Este passado é a Idade Média – passado mais misterioso
Idade Média
o Sociedade rural
o Não urbana
o Não industrializada
o Marcada por lendas, por mitos e por fantasia – interesse romântico pela
imaginação
o Razão política: na idade média é onde se situa o berço das principais
Nações Europeias e o consequente Nacionalismo e Liberalismo
romântico
Se este interesse pelo passado, por um lado diferente em termos temporais do
interesse desenvolvido pelos neoclássicos (não é a idade grega e romana mas
sim a idade média), não é só uma questão do “o quê” mas também do “como”.
Ou seja, não é um interesse arqueológico, racional e científico pelo passado
(como nos neoclássicos) mas sim, pelo contrário, um interesse mais fantasista
e imaginativo, e daí um grande interesse que vem a ter o Ruinismo (poder da
imaginação, espaço para a fantasia e uma perfeita síntese entre a ideia de
Natureza e de História. Ex: pinturas de ruínas num jardim)
A presença da arquitetura na arte sobretudo como fundo cenográfico de muitas
pinturas representa esta capacidade do homem de ir à natureza buscar os
materiais, dos somar de acordo com a sua vontade e fazer as suas obras.
Ruína é o significado oposto uma vez que representa que a natureza caba por
se sobrepor à própria vontade humana (a natureza recupera “o que é seu” daí
as ruínas)
A ruína dá espaço para a imaginação e para a fantasia
Este interesse pelas ruínas levou a alguns exageros, inclusive inventaram-se
ruínas. Isto é um sintoma que não é um interesse rigoroso e racional sobre o
passado, mas muito mais o “parecer ser”
Literatura
Teve uma importância fundamental para o Romantismo (assume o papel da
filosofia para os clássicos)
É um movimento literário e artístico que reagiu contra a restrição e o
universalismo do Iluminismo
18
Os românticos celebram a espontaneidade, a imaginação, a subjetividade e a
pureza da natureza
É toda uma vasta literatura povoada pelos romances de cavalaria, lendas, mitos
e poemas sobre a Idade Média
Surge fundamentalmente na Alemanha com um movimento chamado
Tempestade e Ímpeto que se baseia nesta emoção exacerbada e se opõe ao
equilíbrio artificial da poesia arcaica.
Da Alemanha o movimento espalhou-se por toda a Europa
A literatura elegia fundamentalmente o gótico como vemos em vários obras
Aspetos que caracterizam esta literatura romântica:
o Individualismo – o individuo é encarado como o centro do mundo
o Sentimentalismo exacerbado
o Nacionalismo
o Idealização do amor e da mulher
o Tom depressivo – diversos autores desenvolvem um discurso que exalta
a fuga da realidade, seja pela morte, seja pelo sonho ou ainda pela arte
Johann W, von Goethe, Os sofrimentos do jovem Wether (1774)
Obra ainda escrita no seculo XVIII mas que já enuncia de uma forma clara este
sentimento romântico do amor impossível
Esta obra criou o efeito Werther uma vez que após a sua publicação assiste-se
a uma onda de suicídios pela Europa – claro que esta relação de causalidade
está ainda por comprovar
Vitor Hugo, Notre-Dame de Paris (1831)
Faz parte do nosso imaginário coletivo
Suscitou muitas obras do cinema, da banda desenhada e até mesmo cinema
de animação da Disney
Lord Byron, Don Juan (1824)
Dá-nos uma visão completamente diferente de Don Juna
Aqui é tornado numa vítima
Walter Scott, Ivanhoe (1820)
Escritor muito conhecido
Obra de grande importância
Muito divulgada no cinema e na BD
Vertente do romance histórico
Personagens que acabam por se tornar muito importantes e populares
Estilo literário muito divulgado na época e que acaba por ter um certo
paralelismo na própria arquitetura – interesse medieval e histórico
Almeida Garrett, Camões (1825)
Obra portuguesa
Autor que acaba por ser abandonado por todos
Morre na pobreza
19
Injustiça do estado para com os seus génios
Alexandre Herculano, Eurico, o Prebítero (1844)
Arquitetura
INGLATERRA
Afirma o seu novo poder como uma super potência após a derrota de Napoleão
Fazendo a ligação ao poder que tinha no século XIV (no tempo da rainha
[Link] I) que está associado a este espirito nacionalista
O novo gosto reflete, por outro lado, a nova classe nobreza que ascendeu após
a revolução francesa
Esta nostalgia pelo passado leva ao desenvolvimento dos revivalismos
Valorizar o gótico Elizabetino
Incêndio no Parlamento, Westmister, 16 de outubro de 1834
Acontecimento importante que acabará por ter influência no próprio
desenvolvimento da arquitetura romântica
Destruiu o palácio
Reconstituição do que era o conjunto de Westminster
Incendio que marcou muito a vida de toda a Inglaterra, também pelo significado
político associado
Projetos para o novo Parlamento
Qualquer pessoa poderia apresentar o seu projeto
Os concorrentes tinham apenas 4 meses para apresentar as suas ideias
O resultado da competição foi divulgado 2 anos após o incendio
Foram apresentados 97 projetos
A maioria deles apresentaram projetos em estilo gótico (assim como pedido)
Ao tomas a sua decisão, os juízes limitaram-se à consideração da beleza do
design geral, à sua praticabilidade, à atenção prestada às instruções que
tinham sido entregues e à igual distribuição de luz e entradas de ar
Ganhou o projeto número 67 de Charles Barry com a colaboração de Augustus
Pugin
Charles Barry
Era um grande técnico do estilo clássico
Mas o novo edifício tinha de seguir o estilo clássico
Barry não tinha conhecimentos suficientes
Por isso, contratou a maior autoridade do estilo na época: Pugin
Pugin foi o responsável pelo desenho dos alçardes, dos detalhes decorativos e
da famosa Elizabeth Tower, hoje em dia conhecida como Big Ben
20
Augustus W. N. Pugin
Arquiteto, designer e autor
A sua vida profissional começou em 1836 quando publica uma importante obra
Tornou-se católico romano em 1835, sustentou que o declínio das artes era o
resultado de declínio espiritual ocasionado pela reforma
Entre 1837 e 1840, Pugin disfrutou de uma crescente prática arquitetónica
Ele é no fundo o que se pode considere o pai do Gothic Rvival e dos
Revivalismos históricos posteriores
Os seus planos para a Cetedral de Saint Chad’s em Birmingham sofreram com
os limitados fundos disponíveis para a sua construção, no entanto demonstrou
a sua imaginação e os eu brilhantismo
Morreu aos 40 anos de idade
Pugin, Contrasts or a parallel between the architecture on the 15th e 19th
centuries, 1836
Pugin foi um critico feroz de um materialismo grosseiro e da exploração social
do início da revolução industrial e imaginou um retorno a uma sociedade mítica
da pré-reforma e dos verdadeiros valores cristãos e formas arquitetónicas que
servem a fé, que está perfeitamente bem evidente nas várias pranchas
As suas pranchas são um com exemplo da sua mestre posição – uma cidade
católica que anos depois passa a uma cidade industrial na qual as igrejas
católicas dão lugar a fábricas – mostra como as coisas tinham piorado desde a
Idade Média
Na segunda edição contrasta a casa pobre moderna com o radiante convento
medieval
Pugin, The True Principles of Pointed or Christian Architecture, 1841
Baseado nos dois princípios fundamentais da arquitetura cristã
Escreve que os artesãos contemporâneos que procuravam imitar o estilo da
obra medieval deveriam repetir os seus métodos
Enuncia os dois princípios que deveriam ser seguidos pela arquitetura
o Não deveria haver no edifício nada que fosse não necessária à sua
construção, conveniência ou propriedade
o O ornamento não deve ser apenas aplicado, mas exprimir a estrutura
oficial do edifício
Pugin, An Apology for the Revival of Christian Architecture, 1843
Muito de seu pensamento é sobre educação arquitetónica
Exerce uma enorme influência na arquitetura, nas artes aplicadas e em formas
do design
John Ruskin (1816-1900)
Principal critico da arte inglesa Vitorina
Para além de padrão das artes foi também aguarelista, filosofo e filantropo
Escreveu sobre assuntos variados como a geologia, a arquitetura, a literatura,
a mitologia, educação, botânica e política
21
O estilo elaborado que caracteriza as suas primeiras obras delegara uma
mensagem mais simples projetada para comunicar as suas ideias de uma
forma mais eficaz
Nos seus escritos enfatizou as conexões entre natureza, arte e sociedade
O seu crescente interesse pela arquitetura e claramente pelo gótico levaram à
sua primeira obra
Ruskin, As sete lâmpadas da arquitetura, 1849
Continha 14 ilustrações gravadas pelo próprio autor
O título alune às 7 categorias morais que Ruskin considerava vitais de toda a
arquitetura
o Saber
o Sacrifício
o Verdade
o Poder
o Beleza
o Vida
o Memoria
o Obediência
Estas 7 lâmpadas deveriam promover as virtudes de uma forma clara e
protestante do gótico, o que acabou por ser um desafio à influencia católica de
Pugin
Ruskin, As Pedras de Veneza, 1851-1853
Escreve depois de ter estado em Veneza
3 volumes
Desenvolve uma história técnica da arquitetura veneziana do romano ao
renascimento, para uma ampla história cultural
Serve como alerta do espírito moral da sociedade
No capítulo de natureza do gótico (2º volume) faz um elogio do ornamento
gótico
FRANÇA
As circunstâncias politicas são marcantes
Revitalização do catolicismo
Vontade da nova casa reinante de identificar com a monarquia medieval
francesa
Valorizou-se o gótico primário
Jean Baptiste Lassus (1807-1857)
Dos principais paladinos do movimento francês
Arquiteto
Tornou-se especialista no restauro ou na remedição da arquitetura naval
Acreditava firmemente no estilo da arquitetura gótica primitiva que considerava
ser uma verdadeira tradição francesa e cristã
Opunha-se aos estilos clássicos greco-romanos
Adversário militante do classicismo
22
Propagador da esperança de uma estética neogótica
Criticou a academia francesa que só reconhecia a arquitetura grega e romana
Defendeu que a arquitetura grega não se adequava à religião ou ao clima
francês, nem aos materiais disponíveis em França
A favor do estilo cristão da França (o gótico)
Purista- usava apenas matérias de construção históricos
Tentava permanecer fiel aos conceitos originais
Acreditava também que os edifícios góticos eram funcionais e racionais
Considerava que a regeneração dos edifícios góticos deveria respeitar a sua
entidade formal e estrutural
Os princípios do 1º período gótico serviam de base para uma nova arquitetura
Jean Batiste Lassus, Catedral de Moulins, 1851
Edificio religioso
Faz uma adaptação muito inteligente do gótico primitivo
Eugéne Viollet-le-duc (1814-1879)
Personagem extremamente importante
Podemos considear perfeito representante do histoiricismo ilustrado
Resistente aquilo que eram os principios do ecletismo
Foi historiador, arqueólogo, restaurador, critico e teórico
Forma-se no contacto direto com os monumentos e pelas viagens que fez
Inicia a sua carreira como reaturador (na Notre Dame)
Publicou várias obras todas elas de grande importância
Tem uma posição historicista moderna e não revivalista isto é muito importante
ter isto em conta. Ao contrário de muitos revivalistas o seu interesse pelo
passado não é nostálgico mas sim fundamentalmente estrutural
Viollet de Duc, dicionário da arquitetura francesa do séc. XI ao XVI, 1854-1868
10 volumes ilustrados
Poe em prática as observações arqueológicas feitas no decurso das suas
viagens e trabalhos
Viollet de Duc, “Composição em pedra e ferro”, Entretiens sur l’Architecture,
1863-1872
Publicado também na europa e nos estados unidos
Influencia gerações de arquitetos
Interesse por novas técnicas como a arquitetura do ferro
Chegou a fazer um projeto de uma catedral toda em ferro
PORTUGAL
Valorizou-se o gótico tardio (do sec. XVI)
Estilo Manuelino
Restaurava valores nacionalistas e reafirmava a imagem de Portugal no
exterior
23
Barão Von Eschwege, Palácio da Pena, 1836
Edifício emblemático
Aproveita uma antiga construção Manuelina
Para alguns, é um exemplo mais do ecletismo uma vez que podemos observar
existem influencias de vários edifícios góticos portugueses (ecletismo
revivalista)
Cianatti e Rambois, Convento dos Jerónimos (restauro), 1867
Tentativa de reconstituição
Efetuado por cenógrafos
Fizeram uma gigantesca torre
Em 1878 a enorme torre caiu e assim ficou até 1920 – uma das infelizes
circunstâncias portuguesas
Em 1920 decidiu-se dar cobro aquela ruína que se tinha tornada ao que
naquela altura eram as instalações da Casa Pia
Hoje, o que eram os dormitórios, é ocupada pelo museu arqueológico nacional
e pelo museu da marinha
Luigi Manini, Palácio do Bussaco, 1888-1907
Neomanuelino do final do séc. XIX
Várias fases (neste edificio)
Representa varrições do estilo manuelino
Luigi Manini, Palácio da Regaleira, Sintra, 1905
Início do sé[Link]
Interior como estruturas góticas
José Luis Monteiro, Estação Ferroviária do Rossio, 1886-1890
O estilo também está presente em deíficos públicos
Nota: O nosso estilo manuelino também foi exportado para fora de Portugal
(especialmente para o Brasil)
Pintura
FRANÇA
Théodore Géricaul (1791-1824)
Considerado o pai do Romantismo na pintura francesa
Morreu com 33 anos de idade e por isso teve apenas 10 anos de carreira (uma
carreira muito curta interrompida por um acidente fatal num aqueda de um
cavalo à qual não sobreviveu)
A sua obra é de grande importância
24
Corrida de Cavalos em Roma, 1817 VS Derby em Epsom, 1821
Diferenças entre clássico e romântico
1817- em Roma
1821- em Inglaterra
O mesmo tema: Corridas de cavalos
O quadro da esquerda é neoclássico enquanto que o da direita é romântico
Direita (romântico)
o ponto de luz e jogo de cores
o harmonia com a natureza
o volta-se mais para os sentimentos
o natureza é uma força viva e autónoma e que não está ao serviço do
homem
o natureza pode ser vista como um obstáculo à vontade do homem
o céu nublado e ameaçador que ameaça uma tempestade – não
favorável para o homem
o “natureza violenta”
o bom exemplo do que é a força da natureza
o domina a natureza – os animais
o quadro muito influenciado pela pintura inglesa
o relacionada com a paisagem
Esquerda (clássico)
o volta-se para a razão
o a natureza é algo que está ao serviço do homem
o quadro cheio de arquitetura clássica
o arquitetura representa a capacidade do homem de tirar algo da
natureza e transformar
o domina o homem – os animais estão a ser contidos pelo homem
o pode ser considerada uma pintura de história – corrida de cavalos que
se faz na Roma antiga – muito mais relacionada com o classicismo
T. Gericault, Oficial dos Hussardos à Carga, 1812
Gericault tinha apenas 21 anos – único trabalho que apresentou e ganhou logo
a medalha de ouro
Não era um retrato: sem indicação do cavaleiro e da batalha
Quadro muito bem aceite tanto por clássicos como por românticos
Mesma linha do classicismo uma vez que estamos de novo a dar importância à
história
Mesma temático dos clássicos – importância dada à pintura de história
contemporânea – obviamente com algumas diferenças
25
Pode comparar-se com o quadro de David, Napoleão atravessando os Alpes,
1801 para identificar algumas diferenças:
o dois quadros que representam dois oficiais a cavalo
o Napoleão parece ter mais controlo sobre o cavalo
o no quadro de David há uma maior perfeição no desenho
o na pintura de David o cenário é muito mais nítido
o na pintura de Géricault as cores são muito mais escuras
o no quadro de David há uma maior procura pela perfeição
o no quadro de David sabemos quem é e onde está e no outro o espaço
é caótico e não racional
o o quadro de David é muito mais desenhado e perfeito enquanto que o
de Gericaul tem aquela pincelada romântica e rápida em que a pintura
parece quase um esboço – esta é a principal critica dos clássicos contra
os românticos (a técnica) – a técnica romântica pode ser considerada
inacabada e por isso medíocre
o já no quadro de Gericault há uma procura por demonstrar as emoções e
não só pela perfeição artística
o há uma diferença entre as expressões dos dois oficiais
o Napoleão tem um ar de confiança e coragem enquanto que o outro
cavaleiro reflete angústia, receio, medo e insegurança
o o quadro de David seria uma epopeia heroica enquanto que o de
Gericault seria um drama
T. Gericault, A Jangada do Medusa, 1818-1819
Pintura mais importante de Gericault
Depois do serviço militar viajou por Itália e por Inglaterra
Causa grande choque por diversas razoes
o considerado pornográfico pelo nu integral – especialmente pelo nu
masculino frontal
o criticado pela história que estava a representar
Trata-se de um naufrágio real em que havia a Medusa (fragada) que fazia a
ligação entre França e o Senegal
Veio uma tempestade e o Medusa naufraga
Veio a saber-se que a culpa do naufrágio teria sido do próprio comandante
(visconde)
Este visconde era um nobre que tinha fugido para Inglaterra durante a
revolução francesa
Este acontecimento foi aproveitado politicamente pelos opositores da
monarquia e do rei
Fez-se uma jangada à pressa porque havia poucos botes salva vidas
A jangada ficou à deriva
Lutas entre marinheiros e soldados para saber quem ficava no centro da
jangada
A água e comida caiu ao mar o que levou a cenas de canibalismo
A pintura final tem cores muito mais escuras
Para tornar a pintura mais mórbida ele foi buscar cadáveres à morgue para
poder estudar a decomposição do corpo humano
Dos 147 passageiros da jangada sobreviverem 10 que foram salvos por um
navio
Na pintura estão representados os sobreviventes
História que envergonhou a França
26
Quadro considerado como uma critica ao Rei
Conceito novo de pintura de história – isto é como se fosse uma pintura de
história de jornal tratada como uma notícia com dignidade da história clássica –
ele transforma o conceito de pintura de história
Eugéne Delacroix (1798-1863)
Devido à morte do seu amigo Gericault Eugéne torna-se no líder da pintura
romântica francesa
E. Delacoix, O Massacre de Kios (Grécia), 1824
Quadro de grandes dimensões
Importância da pintura de história contemporânea
Massacre devido à luta pela independência da Grécia (do império Turco)
A europa ocidental tinha uma grande simpatia por esta causa
Os gregos massacraram toda a população de Kios
Elementos típicos do romantismo: morte, drama, tragédia,
nacionalismo,sangue...
Característica do Delacroix: mostrar os corpos nus juntamente com morte
Pintura esboçada
Espaço confuso e desorganizado
Aqui não há heróis, mas apenas vitimas
E. Delacroix, A Grécia nas ruínas de Missolongui, 1826
Retoma o tema da independência
Outro episódio rela
A cidade foi cercada pelos turcos e os habitantes para não se renderem
fizeram-se explodir
Foi nesse cerco que esteve o famoso poeta Lord Byron ( que também esteve
em Portugal e viveu na vila de Sintra) – não morreu com a explosão mas sim
dois anos antes com a febre
E. Delacroix, Morte de Sardanápolo, 1827
Muito criticado por causa do nu e pela violência
História bíblica
Todos os ingredientes de morte e terror
Grande dimensão para criar maior impacto
E. Delacroix, A Liberdade guiando o Povo, 1830
Quadro mais reconhecido e replicado do pintor
Ilustra um episódio da revolução francesa no sé[Link] mas não tem nada a ver
uma vez que ocorre 50 anos depois
Revolta do povo
Várias pessoas de várias classes sociais todos aderindo à revolução
A figura de cartola é um retrato de Delacroix que obviamente não esteve
presente no episodio
27
Homem despido da cintura para baixo que contrasta com a mulher despida da
cintura para cima
No final da sua vida...
Faz uma viagem por Argélia, Marrocos e Espanha onde vai descobrir o
exotismo e a luz
Delacroix tem uma importante ligação com a fotografia – primeira geração que
começa a descobrir esta ferramenta intrigante e fascinante que vem ocupar um
lugar muito importante no seu trabalho
Delacroix vê a pintura com muito interesse para o desenvolvimento -
colecionava coleções fotográficas de obras de arte
Fotografou com Derieu alguns álbuns e fez estudos de figuras do nu masculino
e feminino – estudos realizados a partir das fotografias de Derieu
Naturalismo
Pintura
“ESCOLA DE BARBIZON”
O AR-LIBRISMO
A pintura do romantismo em França permanece ligada à pintura de história, ao
contrário do que sucede em Inglaterra, o que levou a que alguns artistas –
nomeadamente a geração mais nova – ficassem um pouco insatisfeitos com a
situação porque aquilo que realmente gostavam de fazer era pintar paisagens.
Estes jovens ficaram muito satisfeitos com a exposição de pintura inglesa que
houve em Paris
Geração mais nova que dá origem a um novo movimento: Naturalismo
Movimento que tem alguns problemas
o Não tem um líder
o Não há uma doutrina
o Os artistas são sobretudo viajantes que não têm um local fixo
Algo comum a todos: sentimento de natureza
Levou à rede coberta da pintura holandesa do século XVII, nomeadamente a
de paisagem como alternativa ao paisagismo romântico inglês
Esta redescoberta foi feita através de gravuras, das pinturas das gravuras do
museu do Louvre assim como de coleções particulares
O naturalismo tem um ponto em comum com o naturalismo inglês: o interesse
pela natureza
O interesse pela pintura holandesa vem criar uma alternativa à pintura inglesa
de paisagem
Não por uma questão da rivalidade entre nações (França e Inglaterra) mas pelo
próprio conceito de naturalismo
Semelhança nos interesses pela pintura de paisagem quer nos românticos
ingleses ou nos naturalistas franceses, mas a forma de olhar para a paisagem
é completamente diferente
Ar-librismo: deriva de ar livre – quer dizer que a pintura é feita ao ar livre
Enquanto que os românticos de preocupavam de não serem meros copistas da
realidade, os naturalistas afirmam que devem representar a forma mais real da
natureza – para o fazerem devem ter a natureza à sua frente
28
O artista vai para o campo pintar as suas paisagens – facilitado graças à
revolução industrial uma vez que aparecem as tintas armazenas em tubos – o
que permitia que os artistas se deslocassem e levassem as tintas preparadas
com eles
Por outro lado, ao contrário do visto no neoclassicismo e romantismo, o
naturalismo aposta pelas pinturas de pequena dimensão (como se deslocavam
levavam pequenas tábuas de madeira na mochila)
Essa é outra novidade, deixam a pintura em tela (que tem de ser presa num
cavalete e mexe-se com o vento) e usam uma tábua de madeira que pode ser
apoiada em qualquer lugar
Outra consequência é que as pinturas são mais baratas e mais fáceis de
vender
Nas cidades a maioria das pessoas eram de origem rural – tinham um
interesse particular por estas pinturas uma vez que as remete para as suas
origens
A arte ganha uma grande popularidade no sé[Link]
As exposições de arte começam a aparecer nos locais mais inusitados, como
por exemplo em lojas
Há de facto um grande interesse pela arte (como não há hoje)
As pessoas compravam arte (tornou-se mais acessível)
A arte era notícia de jornal
Por outro lado, havia as exposições internacionais/universais
A exposição internacional de paris foi a primeira a ter um pavilhão dedicado às
artes plásticas
Theódore Rousseaun (1812-1867)
Diz-se que foi o impulsionador do naturalismo
Tinha saído recentemente da escola de Belas Artes
Era um pintor com pouca sorte e muito rejeitado pelo salon
Sai de Paris e vai para Barbizon
Barbizon era uma pequena aldeia a cerca de 60km de Paris
A sua intenção não era fundar uma escoa com um movimento novo mas
rapidamente outros colegas interessados em pi§ntar paisagem foram para
Barbizon
Sem ser a sua intenção principal, criou uma “escola” em algumas estalagens –
inicialmente para ensinar os seus amigos
Mais tarde vem a ter uma casa ao pé da igreja onde este vem a falecer com
apenas 55 anos de idade
Theódore Rousseaun, Floresta de Fontainebleau, 1866
É este o tipo de pintura que caracteriza o pintor
Natureza vegetal
Imagens da natureza
Theódore Rousseaun, O Lago, 1840
Populada por animais
Animais do ambiente rural
Arredores de Barbizon
29
Theódore Rousseaun, A Borda da Floresta em Monts-Girard, Floresta
Fontainebleau, 1852
Jules Dupré (1811-1889)
Colega de Rousseaun
Também estevem em Barbizon
Jules Dupré, Pôr-do-sol na floresta, 1875
Ainda tem alguns traços românticos
Traços que se podem observar no quadro
Por o sol
Todo um ambiente
Jules Dupré, Paisagem, 1880
Já tem menos traços românticos
Aqui já há uma maior fidelidade à natureza
Jules Dupré, O velho carvalho junto ao rio
Já é mais naturalista
Quadros de pequena dimensão
A pincelada mantém-se parecida à romântica
Quadros muito esboçados
Quadros pintados mais rapidamente pois são pintados no momento
Não quer dizer que o pintor não esteja 2 dias no local
Quadros muito esboçados e com uma técnica muito rápida
Quadros que são “uma mancha”
Apesar da intensão ser que a imagem seja muito semelhante à realidade não
há muito realismo fotográfico
Constant Troyon (1810-1865)
Pintura muito característica: dá uma grande importância aos animais
Muito animalesca
Animais têm muito destaque
Constant Troyon, Tempestade que se aproxima
Grande destaque para os animais
Constant Troyon, Vacas no campo, 1852
Vaca com muito destaque
Considerada pelo classicismo uma temática muito baixa (Quem vai comprar
uma pintura com uma vaca?)
30
Os principais compradores eram aqueles que tinham a sua origem e vida
ligada ao campo
Constant Troyon, O repouso
Outro exemplo com vacas
Constant Troyon, A caminho do mercado, 1859
Já aparecem pessoas o que faz com que este quadro seja mais dentro da
pintura de género (conhecida como pintura de costumes)
Há um misto entre paisagem e pintura de costumes
Charles-François Daubigny (1817-1878)
Dos artistas mais consagrados a níveis internacional
Influência muitos artistas de todo o mundo
Charles-François Daubigny, Margens do rio Oise, 1850
Paisagens muito características
Como se usássemos uma lente de grande angular
Grandes planos em vez de coisas mais aproximadas como sucede noutros
paisagistas
Paisagens muito alargadas
Charles-François Daubigny , A ceifa, 1851
Por vezes aparecem figuras humanas embora que com pouco destaque
Fazendo a ligação entre pintura de paisagem e de costumes
Narcise Virgile Diaz de la Peña (1807-1876)
Embora tenha origens espanholas é francês
Artista da mesma geração de Barbizon
Narcise Virgile, Paisagem com pinheiro, 1864
Pintura muito interessante
Pincelada muito rápida e quase esboçada
A proximidade à verdade da natureza não é fotográfica
Imagem não é realista e fotográfica
Pintura de mancha
Aspeto típico: figuras solitárias – velha a carregar lenha à costa
Narcise Virgile, Apanhando lenha debaixo das árvores, 1864
Figura solitária – rapariga a apanhar lenha
Apontamento de figuras humanas isoladas
31
Toque que mostra a sensação de solidão da humanidade perante a vastidão
da natureza
Camille Corot (1796-1875)
Artista mais popular e conhecido internacionalmente
Conhecidos pelos falsos Corots
Teve uma produção muito vasta: cerca de 3000 pinturas
Devido ao sucesso da sua obra foi dos mais copiados do seu tempo
Publicou um catálogo das suas obras para evitar as copias para tentar evitar a
difusão dos falsos Corots
O causador das cópias foi ele mesmo
Começou por copiar os seus quadros para ganhar muito dinheiro
Situação que não é exclusiva do Corot
Pintores que fazem várias versões das suas obras para ganhar o máximo
possível
Explorou muito o lado comercial da pintura
Camille Corot, O fórum de Roma visto dos Jardins Farnense, 1826
A ambição dos artistas franceses era Roma
Marcado pelas vistas italianas
Camille Corot, A Floresta de Fontainebleau, 1846
Nos anos 40 vai para Barbizon
Quando é influenciado pela pintura de paisagem
Camille Corot, A Rebeca, 1839
Característica particular: tem um interesse pela pintura de história
Mas é uma pintura de história diferente do normal
Temos um quadro com uma personagem do antigo testamento, mas quando
olhamos para aqui nunca pensaríamos que é uma pintura religiosa porque
parece muito mais uma pintura de costumes
Camille Corot, Batismo de Cristo,1845
Faz uma síntese entre o paisagismo do naturalismo e a pintura de história de
clássica
Influencias italianas
Camille Corot, São Sebastião numa paisagem, 1853
Ótimo exemplo das influências italianas
É no fundo uma pintura de história religiosa
Se tirássemos as pessoas ficava uma típica paisagem naturalista de Barbizon
Camille Corot, O repouso, 1860
Apela a uma figura da mitologia clássica
32
Tem a ver com a temática que seria entendida por uma pintura de historia, mas
num ambiente típico do naturalismo
Camille Corot, Pastorinha sentada a ler, 1855-1861
Embora seja considerado um paisagista representava figuras humanas
Durante muito tempo os trabalhos em que o pintor retratava figuras humanas
foram criticados dizendo que estas eram apêndices da obra naturalista
Desde o início do século XX confirmou-se que ele tinha uma paixão pela figura
humana – mais de 300 obras em que apenas representa a figura humana
Camille Corot, Leitura interrompida, 1870
Destacam-se jovens modelos do sexo feminino
Geralmente agarram um objeto como livros ou instrumentos musicais
Interpretação muito pessoal da figura humana
Salienta a importância da leitura na obra do pintor
São mulheres de camadas sociais mais baixas
Camille Corot, Agostina, 1866
A mulher era uma pessoa real
Retrato
Foi uma modelo muito famosa
Pousou para pintores muito importantes
Dona de um café em Paris
Camille Corot, A mulher da pérola, 1870
Quadro considerada a Monalisa do séc. XIX
Quadro mais importante do pintor
Semelhança propositada
Reflete o que irá ser uma característica muito importante do séc XIX: olhar para
o passado e fazer a junção entre tradição e modernidade
Ideia que se pode ser moderno usando a tradição da pintura
Camille Corot, Souvenir de Mortefontaine, 1864
Fase final da pintura de Corot
Alguns consideram uma coisa romântica da saudade, mas continuam a ser
pinturas de paisagem
Winslow Homer (1839-1910)
A partir de 1855 quando o naturalismo é representado pela exposição universal
de Paris, o naturalismo internacionalizar-se
Abre as portas ao mundo
Os estrangeiros vão para Barbizon
Homer era um pintor americano
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Homer esteve em Paris em 1856 – logo no ano seguinte ao da exposição
internacional
É esta estadia em Barbizon que o inspira, quando regressa aos estados
unidos, a introduzir o naturalismo nos estados unidos
Winslow Homer, Os apanhadores de pássaros, 1865
Winslow Homer, Veterano num campo novo, 1865
Mostra esta imagem de uma América Rural, apesar de ser considerada
extremamente desenvolvida e industrial
Mas, assim como se vê nos filmes de cowboys, o anterior era todo muito mais
“atrasado” e rural no meio do deserto onde não havia lei nem ordem
América selvagem – esta é a representada
Winslow Homer, O meio-dia, 1872
América rural
Parte da sua pintura era marinha (pintava muitas figuras de barcos e
pescadores) mas o mais marcante são as imagens rurais
Winslow Homer, Gloucester Farm, 1874
José Tomáz da Anunciação (1818-1879)
Os portugueses começam a chegar a Barbizon nos anos 70 – muito depois dos
restantes
Foi pintor romântico toda a sua vida
Só conseguiu ir para Paris no final da sua vida
José Tomáz, O vitelo, 1873
Quando vai a paris pinta isto
Imagem pura e simples daquilo que é a natureza sem grande sentimentalismo
José Tomáz, Vista com camponeses e gado
Uma obvia aproximação à pintura naturalista
António Silva Porto (1850-1893)
Pai do naturalismo português
Vem a Lisboa concorrer para a bolsa de pintura de paisagem que ganhou
Vai para paris durante 5 anos como bolseiro
Em Paris vai para Barbizon
Quando regressa a Portugal é quase aclamado como o grande herói introdutor
da pintura moderna em Portugal
Na altura Portugal estava muito ligado ao Romantismo
Não volta para o Porto, fica em Lisboa onde concorre para o lugar da cadeira
de pintura de paisagem
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Um dos organizadores do grupo do leão
É através do grupo do leão que se difunde o naturalismo em Portugal
João Marques de Oliveira (1853-1927)
Como no porto não há cadeira de pintura de paisagem concorre à pintura de
história
Ganhou a bolsa e vai para Paris com Silva porto na mesma altura
O que ele realmente gosta é de pintar de paisagem e por isso é o que ele
desenvolve
Quando regressa é professor da cadeira pintura de história
Como era professor pintava pintura de história
Nos tempos livres pinta paisagem
Divulga e desenvolve a pintura do naturalismo
Fez parte do grupo do leão
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