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Comunicado 256

Técnico ISSN 0103-9458


Fevereiro, 2003
Porto Velho, RO

Resposta de Paspalum atratum cv. Pojuca à


Regimes de Cortes
1
Newton de Lucena Costa
2
Claudio Ramalho Townsend
3
Valdinei Tadeu Paulino
2
Ricardo Gomes de Araújo Pereira
4
João Avelar Magalhães

Introdução Material e Métodos

O Pojuca (Paspalum atratum cv. Pojuca) é uma O ensaio foi conduzido no Campo Experimental da
gramínea forrageira bem adaptada às condições Embrapa Rondônia, localizado em Porto Velho. O
ecológicas do trópico úmido, apresentando altas clima da região é tropical úmido do tipo Am, com
produções de forragem, agressividade, resistência ao precipitação anual de 2.000 a 2.500mm;
pisoteio, tolerância ao fogo, à seca e ao frio, além de temperatura média anual de 24,9ºC e umidade
resistência às cigarrinhas-das-pastagens (Deois relativa do ar de 83%.
incompleta, D. flavopicta). Ademais, estudos
realizados na região Amazônica demonstraram o bom O solo da área experimental é um Latossolo
desempenho dessa gramínea em solos ácidos e de Amarelo, textura argilosa, com as seguintes
baixa fertilidade natural, boa palatabilidade, características químicas: pH = 5,2; Al = 1,8
3 3
composição química e digestibilidade satisfatórias e cmol/dm ; Ca + Mg = 1,3 cmol/dm ; P = 2 mg/kg e
uma vigorosa rebrota após o corte, queima ou pastejo K = 55 mg/kg.
(Lima & Gondim, 1982; Costa & Oliveira, 1994).
O delineamento experimental foi em blocos
No manejo de pastagens, diversos fatores casualizados com parcelas divididas e três
relacionados com a resposta morfofisiológica e a repetições. As freqüências de corte (28, 35 e 42
sobrevivência das plantas forrageiras devem ser dias) representavam as parcelas principais e as
considerados, destacando-se o estádio de alturas de corte (15 e 30 cm acima do solo) as
crescimento e a altura de corte, os quais afetam subparcelas. O plantio foi realizado em linhas
marcadamente o rendimento e a qualidade da espaçadas de 0,5 m, utilizando-se 6 kg de
forragem produzida. Em geral, o aumento da sementes/ha (Valor Cultural = 80%). Cada parcela
freqüência entre cortes resulta em incrementos foi constituída por quatro linhas de 5,0 m de
significativos da produção de forragem, contudo, comprimento, utilizando-se as duas linhas centrais
paralelamente, ocorre decréscimo em seu valor como área útil e como bordadura uma linha em
nutritivo. Já, a altura de corte é importante no rebrote cada lateral e 0,5 m nas extremidades.
pela eliminação ou não de meristemas apicais, área
foliar remanescente e pela diminuição ou não das Durante o período experimental foram realizados
reservas orgânicas acumuladas (Corsi, 1972). 8, 6 e 4 cortes, respectivamente para as
freqüências de 28, 35 e 42 dias. Os parâmetros
Este trabalho teve por objetivo determinar a avaliados foram rendimento de matéria seca (MS),
freqüência e a altura de corte mais adequadas para o teores e produções de proteína bruta (PB) e teores
manejo de pastagens de Paspalum atratum cv. de fósforo, cálcio e potássio.
Pojuca, nas condições ecológicas de Rondônia.

1
Eng. Agrôn., M.Sc., Embrapa Rondônia, Caixa Postal 406, CEP 78900-970, Porto Velho, Rondônia
2
Zootec., M.Sc., Embrapa Rondônia
3
Med. Vet., M.Sc., Embrapa Meio Norte, Caixa Postal 341, CEP 64200-000, Parnaíba, Piauí
4
Eng. Agrôn., Ph.D., Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo
2 Resposta de Paspalum atratum cv. Pojuca a Regimes de Cortes

Resultados e Discussão do gênero Paspalum. No entanto, Prates (1977)


verificou que plantas de P. notatum, cortadas em
A análise da variância revelou efeito significativo (P < estádios mais jovens de crescimento,
0,05), tanto da freqüência quanto da altura de corte apresentaram maiores rendimentos de PB, como
sobre os rendimentos de MS da gramínea (Tabela decorrência de uma acentuada diminuição do teor
1). Cortes a cada 35 e 42 dias proporcionaram as proteíco com o envelhecimento das plantas.
maiores produções de forragem, sendo isto
conseqüência do maior período de tempo que a Com relação aos teores de fósforo, cálcio e
planta dispõe para o acúmulo de MS. Já, cortes a potássio, os maiores valores foram obtidos com
cada 28 dias implicaram nas menores produções, cortes a cada 42 dias, não sendo observado efeito
pois a constante remoção da folhagem, além de significativo (P > 0,05) da altura de corte (Tabela
permitir menor acúmulo de reservas orgânicas, 1). Tal fato pode ser consequência do efeito
propiciaram rebrotes menos vigorosos. Da mesma natural de diluição dos nutrientes, em função dos
forma, Costa & Oliveira (1994) obtiveram maiores acúmulos de MS. Resultados semelhantes
incrementos de 182 e 101%, na produção de MS do foram reportados por Prates (1977) para dois
capim-guenoaro, respectivamente para os períodos ecótipos de P. notatum, submetidos a diferentes
seco e chuvoso, efetuando cortes a cada 63 dias, em intervalos entre cortes.
comparação com cortes a cada 42 dias.
Conclusões
Com relação a intensidade de corte, as maiores
produções de MS foram obtidas com cortes a 30 cm 1. Cortes a cada 28 dias e a 30 cm acima do solo
acima do solo, para cortes a cada 56 ou 70 dias, proporcionaram maiores teores de PB, contudo os
enquanto que na freqüência de 42 dias, não se maiores rendimentos de PB foram obtidos com
observou efeito significativo (P > 0,05) da altura de cortes a cada 35 ou 42 dias e a 30 cm acima do
corte (Tabela 1). Costa & Saibro (1990), verificaram solo;
que cortes a 10 cm acima do solo,
independentemente do estádio de crescimento das 2. Os maiores teores de fósforo, cálcio e potássio,
plantas (vegetativo ou florescimento), resultaram em independentemente da altura de corte, foram
maiores rendimentos de MS do capim-guenoaro cv. registrados com cortes a cada 28 dias;
Baio, além de fornecerem uma melhor distribuição
estacional da forragem durante o ano. Segundo 3. Visando conciliar produção e qualidade da
Corsi (1972) e Costa & Saibro (1985), as plantas forragem, os resultados indicam que o melhor
forrageiras cortadas a maior altura, por reterem manejo de P. atratum cv. Pojuca, consiste em
maiores quantidades de tecido foliar cortes a cada 35 ou 42 dias e a 30 cm acima do
fotossinteticamente ativos e ocorrer menor remoção solo.
de meristemas apicais, tornam-se mais produtivas,
com o decorrer do tempo, que aquelas submetidas a
cortes mais intensos, o que assegura maior Referências Bibliográficas
persistência da pastagem.
CORSI, M. Estudos da produtividade e do valor
Os maiores teores de PB, independentemente da nutritivo do capim-elefante (Pennisetum
altura de corte, foram registrados com cortes a cada purpureum Schum.), variedade Napier
42 dias (Tabela 1). Este fato tem sido bastante submetido a diferentes frequências e alturas de
relatado na literatura, como mostra os trabalhos de corte. Piracicaba, ESALQ, 1972. 139p. Tese de
Prates (1977), Costa & Saibro (1984) e Vilarreal Doutorado.
(1994). Com cortes a cada 42 dias, o maior teor de
PB foi obtido com altura de corte de 30 cm, enquanto COSTA, N. de L.; OLIVEIRA, J.R. da C. Avaliação
que, com frequências de 56 ou 70 dias, não se de gramíneas forrageiras do gênero Paspalum em
detectou efeito significativo (P > 0,05) da altura de Rondônia. Lavoura Arrozeira, v.47, n.412, p.18-
corte. Considerando-se que teores de PB inferiores a 20, 1994.
7% são limitantes à produção animal, por implicarem
em menor consumo voluntário, redução na COSTA, N. de L.; SAIBRO, J.C. de. Adubação
digestibilidade e balanço nitrogenado negativo, nitrogenada, épocas e alturas de corte em
observa-se que a gramínea, independentemente da Paspalum guenoarum Arech. Agronomia
freqüência de corte, atenderia satisfatoriamente aos Sulriograndense, v.20, n.1, p.33-49, 1984.
requerimentos proteicos mínimos dos ruminantes.
Com relação aos rendimentos de PB, os maiores COSTA, N. de L.; SAIBRO, J.C. de.
valores foram registrados com cortes a cada 56 ou Estabelecimento e regimes de corte de alfafa e
70 dias e a 30 cm acima do solo (Tabela 1). Estes Paspalum guenoarum sob cultivo estreme e
resultados demonstram um efeito compensatório consorciado. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
entre produção de forragem e teores de PB, v.20, n.12, p.1433-1442, 1985.
conforme verificado por Lima & Gondim (1982) e
Costa & Oliveira (1994) avaliando diversas espécies
Resposta de Paspalum atratum cv. Pojuca a Regimes de Cortes 3
COSTA, N. de L.; SAIBRO, J.C. de. Regimes de PRATES, E.R. Efeito de doses de nitrogênio e de
corte e rendimento estacional de forragem de intervalos entre cortes sobre a produção e
Paspalum guenoarum Arech. Pesquisa composição de dois ecótipos de Paspalum notatum
Agropecuária Brasileira, v.25, n.9, p.1349-1355, Flugge. e da cultivar pensacola de Paspalum
1990. notatum Fluegge. var. Saurae Parodi. Anuário
Técnico do Instituto de Pesquisas Zootécnicas
LIMA, R.R.; GONDIM, A.G. Avaliação de Francisco Osório, v.4, n.1, p.267-307, 1977.
forrageiras nativas especialmente do gênero
Paspalum. Belém: FCAP, 1982. 41p. (FCAP. Informe VILARREAL, M. Valor nutritivo de gramíneas y
Técnico, 9). leguminosas forrajeras en San Carlos, Costa Rica.
Pasturas Tropicales, v.16, n.1, p.27-31, 1994.

Tabela 1. Rendimento de matéria seca (MS), teores e produções de proteína bruta, teores de fósforo,
cálcio e potássio de Paspalum atratum cv. Pojuca, em função da freqüência e altura de corte.

Freqüência Altura de MS (t/ha) Proteína bruta Fósforo Cálcio Potássio


de corte (dias) corte (cm) % kg/ha % % %

28 15 16,2 d 7,69 bc 1.246 c 0,163 a 0,58 ab 1,61 a


30 19,0 cd 8,71 a 1.655 b 0,155 ab 0,63 a 1,57 a

35 15 21,9 bc 7,23 cd 1.583 bc 0,149 bc 0,50 cd 1,48 b


30 27,3 a 8,05 b 2.197 a 0,150 bc 0,54 bc 1,44 bc

42 15 23,4 b 6,50 de 1.521 bc 0,142 cd 0,49 de 1,36 c


30 29,1 a 6,86 d 1.996 a 0,137 d 0,45 e 1,28 d

- Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey

Comunicado Exemplares desta edição podem ser Comitê de Presidente: Newton de Lucena
adquiridos na: Costa
Técnico, 256 Publicações Secretária: Marly Medeiros
Normalização: Alexandre Marinho
Embrapa Rondônia Membros: Claudio R. Townsend,
Endereço: BR 364, km 5,5 Marilia Locatelli, Maria Geralda de
Caixa Postal 406, CEP 78900-970 Souza, José Nilton M. Costa, Júlio
Porto Velho, RO César F. Santos, Vanda Gorete
Fone: (69) 222-0014 Rodrigues,
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA,
Fax: (69) 222-0409
PECUÁRIA E ABASTECIMENTO E-mail: sac@cpafro.embrapa.br Supervisor Editorial: Newton de
Lucena Costa
Expediente Revisão de texto: Ademilde
Andrade Costa
1ª Edição Editoração Eletrônica: Marly
1ª Impressão 2003 Medeiros
Tiragem 100 exemplares

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