Compulsão Sexual – erotomanina e ninfomania
existe uma enorme diferença entre ser compulsivo e gostar muito de sexo. Quem alerta é a
psicóloga dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de
São Paulo, Liliana Seger.
De acordo com ela, o fato da pessoa ter uma vida sexual intensa, de maneira alguma é um
sintoma da compulsão sexual. "Ter muita vontade de transar não caracteriza um
transtorno. A diferença é que o compulsivo não consegue resistir aos pensamentos e
desejos, que precisam ser saciados no mesmo momento, não importando com quem.
Esse transtorno está intimamente relacionado à ansiedade e, não raro, a outros
transtornos obsessivos compulsivos. "Quem sofre desse problema tem dificuldade de
pensar e se concentrar em coisas que não estejam relacionadas ao sexo. Além disso,
outra característica do compulsivo é agir por impulso, sem premeditar"
"Essas pessoas geralmente só buscam tratamento quando já estão com a vida social
totalmente abalada, convivendo com problemas na família, nocasamento e até no
trabalho", diz Seger.
O comportamento sexual pode-se tornar-se compulsivo, à semelhança das outras adições,
tornando o individuo dependente dessas compulsões para obter prazer. Este comportamento
sexual compulsivo poderá pois ser indicador de um comportamento ou pensamento sexual
excessivo que provoca sofrimento emocional ou perturbação social ou ocupacional ao
individuo que o comporta, justificando-se ai uma intervenção psicológica capaz de harmonizar
esta área de funcionamento tão importante.
Apesar de o desejo hiperativo (desejo constante na obtenção de prazer através do sexo) ser
classificado como uma perturbação do impulso sexual, seja ele de forma monossexual ou
polissexual, tal não confere obrigatoriamente um cariz patológico, salvo se este contribuir para
o sofrimento do próprio indivíduo ou de outros.
É possível tratar?
Para os pacientes que sofrem de compulsão sexual, a médica recomenda terapia sexual,
que se baseia na busca pelo controle do comportamento. Em associação ao processo
terapêutico, geralmente também são administrados antidepressivos, que colaboram para
inibir o desejo. "O indivíduo percebe que é dependente e que não está mais no controle
das suas vontades e desejos. O importante é que ele entenda em quais situações fica
mais ansioso e, a partir daí, possa aprender a se controlar"
O atosexual quando se torna uma compulsão passa de hábito à
patologia e em um caso com sintomas crescentes pode levar a perda
da vida social, saúde, emprego e condição financeira em três anos,
segundo a psiquiatra Carmita Abdo. O filme Shame, do inglês Steve
McQueen, retrata a história de um homem (interpretado por Michael
Fassbender) que convive com masturbação e pornografia diariamente
nos intervalos do trabalho e em casa. Até o momento em que a irmã
passa a morar na casa dele, interrompe estes hábitos e leva o
personagem interpretado por Michael Fassbender ao desespero e
loucura.
Carmita, também fundadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Hospital das
Clínicas, explicou que, no início, o compulsivo por sexo consegue se organizar
para saciar a libido. "Sem tratamento, não consegue mais trabalhar, não come,
não dorme, a busca por parceiros toma conta da vida. Se um parceiro já não
satisfaz, a pessoa vai atrás de outros e às vezes paga por sexo", disse a
médica.
O desejo por sexo surge independente da hora ou momento. No trabalho, se
acontece a "crise", esta pessoa vai para o banheiro se masturbar. Com o
agravamento, ela sai no meio do expediente em busca de um parceiro para
fazer sexo, afirmou Carmita. "Então, começa a sair três vezes ao dia do
trabalho para saciar o desejo, até que é demitido. Gasta todas as economias
com sexo pago, perde a vida social e relacionamentos", enumerou a psiquiatra.
O compulsivo por sexo fica sujeito a doenças sexualmente transmissíveis,
problemas de saúde por exaustão e má nutrição.
A doença
É importante distinguir o desejo sexual da compulsão. De acordo com
Rodrigues Junior, o compulsivo não tem controle sobre o que lhe
passa pelo espaço mental, não controla os pensamentos. "Os desejos
surgem impulsivamente. A pessoa vai atrás de comportar-se de modo
a suprir estas necessidades", disse ele. "O paciente compulsivo por
sexo dá vazão aos desejos sem questionar se são adequados
socialmente ou individualmente", completou.
Já uma pessoa com hipersexualidade, se organiza para obter prazer e
não destrói a vida profissional e social que tem, afirmou o psicólogo.
Segundo a psiquiatra Carmita, a compulsão sexual é vista como um
"distúrbio no metabolismo e neurotransmissores que provoca a
desregulação da atividade sexual". Ela comparou as características da
doença à dependência por drogas e álcool. "A estimativa é que de 2%
a 6% da população mundial sofra compulsão sexual. A maioria ainda é
homem, mas aparecem cada vez mais casos de mulheres
Famosos como os atores Michael Douglas e David Duchovny, o cantor
Latino e o jogador de golf Tiger Woods já admitiram sofrer compulsão
por sexo. A patologia costuma surgir na juventude, atinge o auge na
vida adulta e tende a ter os sintomas suavizados quando o indivíduo
envelhece - apesar de ser raro um doente sem tratamento sobreviver
até o período. Carmita esclareceu que os compulsivos não têm caráter
violento e a doença não pode ser relacionada a casos de estupro.
Em geral, quando há a busca de parceiros, acontece uma ansiedade no
momento da pré-atividade sexual e, após o orgasmo, segue-se uma
sensação de culpa ou de vazio com bastante freqüência.
Tratamento
A compulsão por sexo não tem cura, mas, sim, controle. O uso de
antidepressivos e neurolépticos é comum no Programa de
Sexualidade do Hospital das Clínicas, segundo a psiquiatra, os
medicamentos possuem componentes que diminuem a libido. Em
paralelo, deve ser feita psicoterapia, para promover a reestruturação
psicológica das ideias relacionadas ao sexo no indivíduo. "São vários
anos de tratamento até que a pessoa consiga se controlar", disse ela.
Mas o “desejo sexual excessivo” entrou para o rol do Código Internacional de Doenças,
publicado pela Organização Mundial da Saúde. A quarta edição do Manual estatístico de
doenças mentais (DSM, na sigla em inglês), a referência dos diagnósticos psiquiátricos,
não tem uma categoria própria para o problema. Cita o comportamento sexual excessivo
entre os “transtornos sexuais não especificados”. A próxima edição do DSM, prevista para
2013, deverá incluir uma menção a “transtorno hipersexual”.
Testemunhos fortes:
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/01/1397259-ja-transei-com-morador-
de-rua-com-mulher-feia-por-perversao-diz-compulsivo-por-sexo.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/01/1397262-quanto-mais-parceiros-eu-
tenho-mais-vazio-me-sinto-diz-estudante.shtml
outros Testemunhos - http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/02/eu-sou-viciado-
em-sexo.html
Mário, um profissional de saúde paranaense de 40 anos, tinha um bom relacionamento
com a mulher, mas sempre se sentiu atraído por homens. Nunca transformara o desejo em
prática, até que, num bate-papo on-line, marcou encontro com um desconhecido. Depois
do primeiro, seguiram-se vários nos dois anos seguintes. Em uma semana, foram oito.
Mário nem sabia seus nomes. Envergonhava-se daquele comportamento e o escondia.
Um dia, descuidou-se. Deixou o programa de chat aberto no computador. A mulher
descobriu e, arrasada, pediu a separação. Depois do divórcio, Mário entrou em depressão,
começou a beber e, com medo de se tornar dependente de álcool, decidiu buscar ajuda.
Descobriu no Alcoólicos Anônimos que seu problema não era a bebida, mas o sexo.
• Hugo, um corretor de seguros de 40 anos, de Fortaleza, tentou três vezes seduzir a
própria sogra. Colocou a culpa na bebida, mas era só a fantasia crescendo. Quando ia
para a praia, tinha de se masturbar no mar e, mesmo casado, tinha relações com várias
mulheres, prostitutas entre elas. Chegou a pagar passagem de avião e hospedagem para
uma delas visitá-lo. Um dia, voltando de uma festa em que não tinha ficado com ninguém,
decidiu passar pela Avenida Beira-Mar, ponto de programas. Com o cartão de crédito
estourado e sem dinheiro no banco, foi parar na casa de uma prostituta na favela e pagou
com um tíquete-refeição. Nesse momento, percebeu que sua relação com o sexo não era
como a de seus amigos.
• Caio, um produtor musical de 48 anos, de São Paulo, viu sua vida sexual com a mulher
murchar depois do nascimento da primeira filha. Na mesma época, suas viagens a
trabalho se intensificaram. Longe de casa, num ambiente de festas, drogas e sexo,
começou a ter aventuras. Durante a semana, voltava para a família e se acalmava. Mas a
ansiedade por novos encontros aumentou, e Caio chegou a se hospedar sozinho num
hotel em São Paulo em busca de mulheres. Numa das viagens de trabalho, numa festa,
bebeu um pouco a mais e acabou ficando com um homem, mesmo sem nunca ter tido
experiências homossexuais. Sua mulher desconfiou quando descobriu uma doença
venérea.
• Cátia, uma economista de 54 anos que mora no Rio de Janeiro, não teve muitos
parceiros. Mas sua vida era tragada pelo sexo dentro dos relacionamentos. Passou uma
semana trancada no quarto, deixando para trás o trabalho num órgão público e o cuidado
com as duas filhas. A necessidade de sexo se sobrepunha até às orientações médicas de
parar de transar durante tratamentos ginecológicos. Depois de várias relações intensas e
destrutivas, Cátia perdeu o controle sobre o próprio desejo. Com o fim do último
relacionamento, passou a se masturbar dirigindo e também no ambiente de trabalho.
O sexo entrou cedo na vida de Hugo. Cedo demais. Quando tinha 5 anos, a filha de um
casal amigo de seus pais, então com 17, 18 anos, abusou dele. Embora não seja regra, o
abuso sexual na infância e na adolescência pode aumentar a predisposição à compulsão
sexual na vida adulta. Outro fator de risco, segundo estudos, é ter um histórico de
dependência próprio ou na família. Esse foi o caso de Ricardo, cujo pai era alcoólatra, e de
Cátia, que tem três irmãos dependentes químicos. Ser compulsivo em outros
comportamentos – como compras ou comida – também aumenta as chances, assim como
ter outras condições psiquiátricas, como transtorno de ansiedade ou de deficit de atenção.
Além do uso inadequado do sexo, a segunda causa para sentimentos negativos após o ato
sexual é o descasamento entre o comportamento da pessoa e seus próprios valores.
“Tinha uma atitude que não queria ter, mas não conseguia conter, e me sentia mal depois”,
diz Hugo sobre as traições. Essa falha em atender às expectativas internas é uma fonte de
estresse e mal-estar. Arrependimento, culpa e vergonha são palavras comuns entre os
compulsivos para descrever o que sentem depois de fantasiar, se masturbar ou trair.
Mesmo olhar pornografia ou se excitar no banheiro despertam essa reação negativa.
Apesar de menos danosos para os relacionamentos do que uma traição, esses
comportamentos são problemáticos para quem tem dependência, porque mantêm o
padrão compulsivo.
Faça aqui o teste para verificar se é dependente em sexo, escolha um dos links.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/equi20000726_03.shtml
http://editora.globo.com/galileu/edic/131/teste.htm
Para ser tomado como algo patológico, segundo os autores e as diretrizes da psicopatologia,
o Comportamento Sexual Compulsivo deveria causar sofrimento emocional e proporcionar sérias
conseqüências interpessoais, ocupacionais, familiares e financeiras. Mesmo assim estaríamos
diante de um critério polêmico, pois se há uma sexualidade patológica, na qual o apetite e as
fantasias sexuais aumentam a tal ponto que ocupam quase todos os pensamentos e sentimentos,
estaríamos sim diante de um quadro Obsessivo-Compulsivo com sintomatologia sexual. Por outro
lado, se estivermos diante de uma pessoa que exige gratificação sexual sem maiores considerações
éticas, morais e legais, resolvendo-se numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres, aí então
estaríamos diante de um Transtorno Sociopático ou Borderline da Personalidade, com sintomas
também sexuais.
Em geral, trata-se de um distúrbio presente em indivíduos que não apresentam
qualquer evidência de disfunções sexuais, tais como a ejaculação precoce e a
disfunção erétil, no caso dos homens, ou anorgasmia (ausência de orgasmo) e
transtorno de excitação, entre as mulheres. No entanto, essas pessoas podem ser
consideradas potencialmente sujeitas a contraírem doenças sexualmente
transmissíveis, dada a alta rotatividade em relação ao número de parceiros que
usualmente passam a ter e, muito provavelmente, com mais promiscuidade.
Por desenvolverem um alto grau de ansiedade - o que
pode gerar Transtorno de Ansiedade aliado à compulsão
sexual - e uma excessiva inquietação em busca de
possibilidades que possam propiciar sua atividade sexual,
as pessoas compulsivas sexuais direcionam seus
sentimentos e pensamentos quase que exclusivamente
para esta dimensão. Com isso, prejudicam desde suas
atividades cotidianas mais simples até seus
relacionamentos sociais e afetivos, envolvendo a
infidelidade com os parceiros e a perda de amizades,
experimentando, assim, a sensação de vergonha e culpa.
É muito difícil medir o desejo sexual humano, mas
poderíamos dizer que ele varia numa escala extrema, que
vai desde onde ele praticamente não existe - que
corresponde ao Transtorno de Aversão Sexual - até o
oposto, em que o desejo é absoluto e incontrolável,
situação denominada de Desejo Sexual Hiperativo (DSH)
ou Hipersexualidade. Neste caso, em geral se desencadeia
a obsessão sexual, determinada por um aumento
considerável da frequência na atividade sexual, com
compulsividade ao ato e à sua consumação. Em mulheres,
o Desejo Sexual Hiperativo também é conhecido como
Ninfomania e entre os homens, denomina-se Satiríase.
Estima-se que 5 a 6% da população mundial sofra com este problema da compulsão sexual,
sendo que a prevalência dos casos recaem sobre os homens. No entanto, existe um
fenômeno que vem chamando a atenção dos especialistas: o crescente número de mulheres
viciadas em sexo e pornografia. - See more at: http://destrave.cancaonova.com/os-
transtornos-da-sexualidade/#sthash.Z3Iwytpp.dpuf
Pode-se observar níveis diferentes de adição ao sexo, desde masturbação
compulsiva e prostituição, a alguns comportamentos parafílicos (perversos)
como exibicionismo, voyeurismo ou mesmo pedofilia (abuso sexual de
crianças) e estupro.
Leia Mais: Sexo Compulsivo | ABC da
Saúde http://www.abcdasaude.com.br/sexologia/sexo-
compulsivo#ixzz3PmYcm9z2
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