01/05/2025, 15:20 COMPORTAMENTO SEXUAL COMPULSIVO
COMPORTAMENTO SEXUAL COMPULSIVO
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Ballone GJ
Referir:
Ballone GJ - Comportamento Sexual Compulsivo - in. PsiqWeb, Internet,
disponível em <http://gballone.sites.uol.com.br/sexo/hipersexo.html> revisto
em 2003
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O comportamento sexual pode ser reflexo de um aspecto hereditário, de um
aspecto médico, cultural, circunstancial, etário e pessoal. É muito complexa a
questão sexual, seja do ponto de vista qualitativo ou quantitativo. Esse artigo
privilegia a questão quantitativa, ou seja, quanto de atividade sexual seria
normal e quanto seria patológico, para mais ou para menos. Veremos aqui as
alterações para mais, ou seja, a hipersexualidade.
Uma questão primeira a ser valorizada, é o fato de muitos pacientes com
sintomas hipersexuais não apresentarem nenhuma evidência visível de outra
disfunção neuropsiquiátrica. Outros podem ter evidências sutis de algum
comprometimento neuropsiquiátrico e, finalmente, alguns de franco
comprometimento neuropsiquiátrico. A dúvida que nos apresenta é: naquelas
pessoas sem nenhuma evidência de outra disfunção neuropsiquiátrica além
da atividade sexual numericamente incomum, estaria correto pensarmos
numa patologia, ou seja, estaríamos diante de uma condição médica, ética
ou simplesmente pessoal?
Para ser tomado como algo patológico, segundo os autores e as diretrizes da
psicopatologia, o Comportamento Sexual Compulsivo deveria causar
sofrimento emocional e proporcionar sérias conseqüências interpessoais,
ocupacionais, familiares e financeiras. Mesmo assim estaríamos diante de
um critério polêmico, pois se há uma sexualidade patológica, na qual o
apetite e as fantasias sexuais aumentam a tal ponto que ocupam quase
todos os pensamentos e sentimentos, estaríamos sim diante de um quadro
Obsessivo-Compulsivo com sintomatologia sexual. Por outro lado, se
estivermos diante de uma pessoa que exige gratificação sexual sem maiores
considerações éticas, morais e legais, resolvendo-se numa sucessão
impulsiva e insaciável de prazeres, aí então estaríamos diante de um
Transtorno Sociopático ou Borderline da Personalidade, com sintomas
também sexuais.
Continuando nossa revisão, o Comportamento Sexual Compulsivo pode se
associar a outras doenças psiquiátricas, particularmente ao abuso de
substâncias psicoativas, atualmente à cocaína. Transtornos Ansiosos,
Transtornos de Personalidade e outros Transtornos do Controle de Impulsos
também podem ser concomitantes ao Comportamento Sexual Compulsivo.
(veja Transtornos Ansiosos, Transtornos de Personalidade e
Transtornos do Controle de Impulsos). Para se tentar alocar o Transtornos
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do Controle de Impulsos dentro dos Transtornos de Controle de Impulsos,
devemos lembrar que suas características essenciais dos são; o fracasso em
resistir a um impulso ou tentação de realizar algum ato que seja prejudicial à
pessoa ou a outros, com ou sem resistência consciente ao impulso e com ou
sem premeditação ou planejamento do ato, sensação crescente de tensão ou
excitação antes de cometer o ato e uma experiência de prazer, gratificação
ou alívio no momento de cometer o ato.
Black e cols. analisaram 36 pessoas com Comportamento Sexual
Compulsivo e verificaram que a maioria delas (92%) estava realmente
preocupada com seus desejos exacerbados e/ou com suas persistentes
fantasias sexuais. A maior parte dessas pessoas tentava resistir ao
comportamento sexualizado (72%), embora sem sucesso e com perda de
controle. Grande parte delas experimentava remorso pelas atividades
sexuais exageradas, impulsivas, não resistidas e, muitas vezes,
inconseqüentes.
Uma observação adicional mostrou que a maioria desses pacientes com
Comportamento Sexual Compulsivo (75%) também preenchia os requisitos
para diagnóstico de abuso de substâncias psicoativas. Estas estariam
relacionadas à desinibição do comportamento suficiente para permitir a
intensificação do prazer ou aplacar a sensação de vergonha.
(Fonte:Neuropsiconews)
Os prejuízos sócio-ocupacionais com o Comportamento Sexual Compulsivo
incluem gastos financeiros, a traição as(os) parceiras(os), perda de amigos
ou a experiência de vergonha. Pouco mais de 42% dessas pessoas
reconheceram que esse comportamento sexual afetava o casamento ou
relacionamentos importantes e, um quarto dos casos, sentia que o
Comportamento Sexual Compulsivo tinha afetado seu trabalho. A pesquisa
apontou ainda que 19% dos portadores de Comportamento Sexual
Compulsivo tinham tentado o suicídio. As complicações legais também eram
uma preocupação para vários pacientes.
Seria o Transtorno Sexual uma atitude Adictiva?
Fenichel usou o termo adicção sexual aproximadamente há 50 anos para
comparar sintomas sexuais com a mesma conotação que dava à adicção
através do uso de quantidades crescentes de uma droga (dependência com
tolerância). Há alguns anos, o antigo DSM-III-R (Diagnostic and Statistical
Manual of Mental Disorders, 3a. edição revisada) empregou o termo Adicções
Sexuais Não-Parafílicas para descrever pacientes que pudessem satisfazer
os critérios para um Transtorno Sexual Não Especificado de outro modo.
Goodman (1993) argumenta que, do ponto de vista fenomenológico, os
transtornos aditivos situam-se na intersecção de transtornos compulsivos, os
quais envolvem redução da ansiedade através de uma atitude, e transtornos
impulsivos, os quais envolvem a gratificação através do exercício de um
impulso. Além disso, ele argumentou que esse conjunto de sintomas é
embasado por mecanismos neurobiológicos, inclusive através do
envolvimento dos sistemas serotoninérgico, noradrenérgico, dopaminérgico e
de opióides.
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Outros autores argumentam que o termo adicção deveria ser monopólio dos
transtornos causados pelo uso de substâncias. A neurobiologia do abuso de
substâncias tem sido relativamente bem estudada, mas ainda não é
perfeitamente evidente que os mecanismos envolvidos na drogadicção sejam
os mesmos envolvidos na hipersexualidade.
Seria o Transtorno Sexual uma atitude Impulsiva?
Poderíamos começar perguntando se a própria atividade sexual não seria
impulsiva. Alguns autores observaram que os sintomas da hipersexualidade
poderiam satisfazer plenamente os critérios do DSM-III-R para um Transtorno
de Controle de Impulsos. Tal comportamento sexual costuma envolver uma
falha ou impotência do paciente em resistir aos impulsos, uma sensação de
tensão antes do comportamento e uma experiência de alívio, depois que o
comportamento fosse realizado. Também como no Transtorno de Controle de
Impulsos, depois do comportamento sexual impulsivo, costuma haver
sentimentos de vergonha e culpa (Barth, 1987). Vários outros autores têm
usado o termo Impulsividade Sexual com base nessa sucessão de eventos.
Além disso, transtornos comórbidos em pacientes com sintomas hipersexuais
parecem semelhantes aos de outros Transtornos do Controle de Impulsos.
Há evidências do envolvimento serotoninérgico nos transtornos de controle
de impulsos, e os agentes serotoninérgicos podem ser úteis em sintomas
hipersexuais mesmo que os efeitos não sejam tão fortes e ansiosos quanto
nos transtornos do afeto.
Outros transtornos, como por exemplo o abuso de substâncias e a bulimia
provavelmente também satisfazem os critérios diagnósticos do DSM-III-R
para o grupo dos Transtornos do Controle de Impulsos. (Ver Transtornos do
Controle de Impulsos)
Critérios de diagnóstico propostos para os transtornos hipersexuais
1. A existência de fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas,
impulsos ou comportamentos sexuais que persistam durante um período de
pelo menos seis meses e se encaixem na definição de parafilias.
2. As fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais causam desconforto ou
comprometimento clinicamente significativo na área social, ocupacional ou
outras áreas importantes.
3. Os sintomas não encontram causa em outros transtornos, como por
exemplo, no Episódio Maníaco.
4. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma
substância (abuso de droga ou medicamento) ou à afecção clínica geral.
A Quantidade de Sexo Normal - Escape Sexual Total (EST)
As pesquisas científicas sobre sexualidade costumam referir-se à quantidade
de atividade sexual com o termo Escape Sexual. Este é um conceito para
referir a iniciativa e efetivação de uma atividade sexual com orgasmo. O
número do Escape Sexual Total (EST) é a quantidade de orgasmos atingidos
durante algum tempo estabelecido, como por exemplo, Escape Sexual Total
semanal, mensal, anual, etc. Dessa forma o EST semanal deverá refletir a
prevalência de Comportamento Sexual Compulsivo entre homens.
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Kinsey (Wyatt, 1988), que desenvolveu o conceito de EST, relatou que o EST
semanal mediano foi de 2,14 para homens entre a adolescência e a idade de
30 anos, e de 1,99 para todos os homens em geral. No Brasil essa média é
de 3, segundo pesquisa da Pfiser (veja A Vida Sexual do Brasileiro).
Analisando esses e outros dados, Kafka sugeriu que um EST semanal de 7
ou mais poderia ser usado para definir comportamento hipersexual nos
homens.
De fato, não existe um consenso sobre a possibilidade da alta freqüência de
comportamento sexual ser, automaticamente, considerada patológica. Mas
alguns autores dizem que esse raciocínio é o mesmo empregado para
considerar patológicos outros comportamentos impulsivos de alta freqüência,
como por exemplo, a hiperfagia (comer demais e compulsivamente),
hipersônia (dormir demais), jogo patológico (jogar compulsivamente), etc.
Desta forma a hipersexualidade refletiria claramente uma má adaptação
sempre que resultasse de um Comportamento Sexual Compulsivo, com
sofrimento subjetivo, incapacidade psicossocial ou perda de controle (Kafka e
Prentky, 1998).
Vamos ter para nós, então, que seria patológica (mórbida) a sexualidade
capaz de produzir sofrimento na pessoa ou nas pessoas de seu entorno.
Comportamento Sexual Compulsivo e Parafilia
Parafilia é o termo atualmente empregado para os transtornos da
sexualidade, anteriormente referidos como “perversões”, uma denominação
ainda usada no meio jurídico. Estudar as Parafilias é conhecer as variantes
da sexualidade e do erotismo em suas diversas formas de estimulação e
expressão comportamental. É muito difícil conceituar a sexualidade normal
(veja artigo O Normal em Sexualidade), a ponto de o médico inglês Havelock
Ellis ter dito que “todas as pessoas não são como você, nem como seus
amigos e vizinhos, inclusive, seus amigos e vizinhos podem não ser tão
semelhantes a você como você supõe.”
As Parafilias são fantasias sexualmente excitantes, são desejos sexuais
fortes ou, ainda, comportamentos envolvendo objetos não-humanos, sempre
recorrentes e intensos. Essas parafilias podem causar sofrimento e
humilhação ao paciente, a seu parceiro(a), filhos, familiares, bem como
envolvimentos policiais e judiciais. Atualmente, entretanto, os sintomas das
parafilias podem envolver outros padrões culturalmente questionáveis, como
é o caso da masturbação repetitiva, pornografia pela Internet,
hipersexualidade, etc. (Veja outro texto sobre Parafilias)
A hipersexualidade, por sua vez, seria um aumento da sexualidade (desejo,
fantasias e atividade) para além do socialmente habitual. Os sintomas
hipersexuais têm sido rotulados como compulsivos, impulsivos ou, tal como
acontece com o vício do jogo ou das drogas, adictivos. Evidências cada vez
mais numerosas apóiam a existência de uma síndrome caracterizada por
fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou
comportamentos não normais mas, não obstante, envolvendo padrões que
escapam dos conceitos e definições da parafilia (no caso do Transtorno
Hipersexual sem Parafilia), ou seja, que escapam aos conceitos e definições
das aberrações do ato e do desejo sexual.
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Apesar desses comportamentos hipersexuais serem distintos da parafilia, há,
contudo, alta comorbidade com ela (alta comorbidade = a hipersexualidade
aparece junto com outras parafilias com freqüência). Conquanto tais
sintomas tenham sido rotulados como compulsão ou adicção sexual, esses
termos são problemáticos. A moderna classificação das doenças mentais tem
negligenciado este transtorno, embora o DSM.VI (Diagnostic and Statistical
Manual of Mental Disorders, 4a. edição), da Associação Psiquiátrica Norte-
Americana, inclua os comportamentos hipersexuais como um exemplo dos
transtornos sexuais não especificados.
No CID.10 (Classificação Internacional de Doenças, 10a.revisão), em F52 é
classificado o Apetite Sexual Excessivo, com duas subclassificações;
Satiríase e Ninfomania. De qualquer forma, alguns autores requerem que
esse transtorno seja classificado como uma das parafilias ou relacionado a
elas. Na ausência de um conhecimento mais abrangente sobre esse
transtorno, sugere-se que seja simplesmente denominado de Transtorno
Hipersexual, havendo quem classifique de Transtorno Hipersexual com
Parafilia e Transtorno Hipersexual sem Parafilia. Essa última maneira seria
preferível.
De modo geral, a questão de como categorizar melhor este transtorno
permanece polêmica. Os termos ninfomania e donjuanismo podem ter
ajudado a focalizar o esforço dos médicos e a pesquisa nesta área, mas
esses rótulos têm ares pejorativos ou conotação de “senvergonhice”. (Veja
Síndrome de Don Juan). Os comportamentos sexuais nas parafilias
costumam ser ritualísticos, ocultos e dissimulados, o que nem sempre (ou
quase nunca) acontece no Comportamento Sexual Compulsivo.
Comportamento Sexual Compulsivo e TOC (Transtorno Obsessivo-
Compulsivo)
Popularmente o termo obsessão, aplicado ao sexo, pode ser usado para
designar uma preocupação sexual excessiva. O uso do termo nesse contexto
desperta, sem dúvida, a antiga idéia de que paixão e loucura são vizinhas. A
idéia de que alguns transtornos sexuais, notadamente a hipersexualidade,
sejam de natureza obsessivo-compulsiva tem surgido mais recentemente na
literatura médica.
Vários transtornos caracterizados por comportamentos repetitivos e
impulsivos, particularmente compras compulsivas, cleptomania e jogo
patológico se colocam junto ao TOC atualmente (Veja Espectro Obsessivo-
Compulsivo). Alguns desses Transtornos do Controle dos Impulsos,
notadamente a Tricotilomania (arrancar pelos, cabelos) e a Onicofagia (roer
unhas), como o próprio TOC, respondem bem a um inibidor da recaptação de
serotonina, e não a um inibidor da recaptação da noradrenalina.
Muito embora 15% dos portadores de Comportamento Sexual Compulsivo
possam ser portadores de Transtorno Obsessivo-Compulsivo da
Personalidade (como veremos adiante), parece que a hiperatividade sexual e
o TOC são, de fato, condições psiquiátricas diferentes. Uma das diferenças
de morbidade entre o Comportamento Sexual Compulsivo e o Transtorno
Obsessivo-Compulsivo seria o fato de, no TOC, os sintomas sexuais
costumam, tipicamente, provocar ansiedade, nesse caso, causando algum
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tipo de sofrimento ao paciente, portanto, chamados comportamento e/ou
sentimento egodistônico.
No Comportamento Sexual Compulsivo, por outro lado, mais freqüente é que
os sintomas hipersexuais possam ser agradáveis ao paciente, portanto,
egosincrônico. Levado esse fato ao pé da letra e, obedecendo
recomendações do CID.10 sobre excluir do patológico aquilo que não faz
sofrer a pessoa ou seu entorno, então não estaríamos autorizados a
considerar um transtorno uma variação do comportamento humano.
Outra diferença é que, no TOC, invariavelmente o paciente tenta neutralizar
os pensamentos intrusivos (obsessivos) com toda sua força, mas no
Comportamento Sexual Compulsivo o paciente costuma dar várias
explicações para seus pensamentos e seu comportamento “assanhado”,
principalmente quando são estimulados por uma cultura que glorifica a
performance sexual como a nossa.
O que confunde esses dois conceitos (TOC e CSC) é que, em grande
número de pacientes com TOC, existem idéias obsessivas também de
conotação sexual. Nesses casos, os sintomas hipersexuais respondem
relativamente bem ao tratamento com ISRSs (antidepressivos), mas a
hipersexualidade do Comportamento Sexual Compulsivo não.
Comportamento Sexual Compulsivo e outros transtornos emocionais
Carnes relatou, a partir de uma pesquisa com quase 1.000 pessoas
internadas para tratamento por adicção ao sexo tinham, concomitantemente,
outras adicções (veja tabela abaixo). Mais tarde, Carnes e Delmonico
relataram números semelhantes numa pesquisa com 290 adictos ao sexo em
recuperação. Em outro estudo, 70% dos adictos a cocaína que entraram num
programa de tratamento sem internação relataram ter adição ao sexo.
Concomitância Comportamento Sexual Compulsivo
e Outras Adicções
Outra Adicção Carnes Delmonico
Dependência Química 42% 39%
Transtorno Alimentar 38% 36%
Trabalhadores Compulsivos 28% 28%
Gastadores Compulsivos 26% 23%
Jogadores Compulsivos 5% 4%
Comportamento Sexual Compulsivo e Transtornos de Personalidade
Black e cols. Os investigadores avaliaram os participantes quanto aos trans-
tornos de personalidade usando critérios definidos no DSM.III.R, bem como
outros métodos. Quando foi usada a Entrevista Estruturada para Transtornos
de Personalidade do DSM-III-R, 83% satisfizeram os critérios para pelo
menos um transtorno de personalidade, enquanto 82% satisfizeram os
critérios para pelo menos um transtorno de personalidade usando uma
versão revisada do Personality Diagnostic Questionnaire. Por meio de um
consenso de ambos os instrumentos, os participantes satisfaziam os critérios
para pelo menos um transtorno de personalidade, mais comumente os
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transtornos eram dos tipos histriônico (21%), paranóide (15%) e obsessivo-
compulsivo (15%). (Fonte:Neuropsiconews)
COMPORTAMENTO SEXUAL COMPULSIVO 2
Há muito se tem descrito pacientes, ou melhor, pessoas cujos sintomas
compreendem exclusivamente em fantasias sexualmente excitantes
recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos hipersexuais. Alguns
descrevem uma sexualidade patológica, na qual o apetite sexual aumenta
anormalmente a tal ponto que ocupa quase todos os pensamentos e
sentimentos, não permitindo que a consciência tenha liberdade de
desvencilhar-se deles. Seria como um estado de “cio”, exigindo gratificação
sexual sem maiores considerações éticas, morais e legais, resolvendo-se
numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres sexuais.
O Comportamento Sexual Compulsivo afeta de 3% a 6% da população,
predominantemente homens, e costuma ter início no final da adolescência ou
no início da terceira década, sendo sempre de natureza crônica, com
períodos episódicos de maior agudização. Essas cifras, por si só, não
sugerem absolutamente nada, uma vez que podemos ter igual incidência de
pessoas que pensam exageradamente e/ou praticam exageradamente a
religião, o esporte, a arte ou qualquer outra atividade do universo humano. A
diferença seria eminentemente ética e não médica.
Apesar dos transtornos caracterizados por hipersexualidade terem sido
descritos há muito tempo e de continuarem a ser assunto de grande
interesse clínico, as condições nosológicas dessas afecções permanecem
controversas e obscuras.
O Comportamento Sexual Compulsivo se caracteriza por comportamentos
sexuais impróprios, exagerados ou cognições que causam sofrimento
subjetivo e comprometimento das funções ocupacional e interpessoal. O
transtorno apresenta um desafio aos pesquisadores devido às discórdias
sobre a definição de suas características principais e da amplitude de seu
espectro.
Ao discutir o Comportamento Sexual Compulsivo, devemos levar em conta
que esse conceito tende, se não for bem criterioso, a incluir todo o
comportamento sexual. Embora sua amplitude ainda seja controversa, alguns
investigadores acreditam que o Comportamento Sexual Compulsivo seja
composto por padrões anormais de excitação e de comportamento sexuais,
quando conseqüentes de parafilias, bem como de padrões normais de
excitação e comportamento sexuais que se tornaram exagerados,
transformando-se em Comportamento Sexual Compulsivo relacionados a
parafilia ou não-parafílico.
Os sintomas hipersexuais têm sido comparados a uma espécie de adicção,
mais precisamente, como uma “adicção sexual não-parafílica”. Outros
autores têm usado termos como compulsivo, impulsivo e aditivo para
descrever esses transtornos.
Carnes>(2000) estabelece um ciclo em quatro etapas para o Comportamento
Sexual Compulsivo;
A primeira etapa é a preocupação, na qual a pessoa apresenta um afeto
semelhante ao do transe, estando completamente absorta em pensamentos
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de sexo e partindo para busca obsessiva de estimulação sexual.
A segunda etapa é uma ritualização, na qual a pessoa desenvolve uma
rotina que leva ao comportamento sexual. O ritual serve para intensificar a
excitação.
A terceira etapa é da gratificação sexual, mediante o ato sexual em si, onde
a pessoa se sente incapaz de controlar seu desejo.
A quarta etapa, o desespero, vem após o Comportamento Sexual
Compulsivo e se caracteriza por uma sensação de impotência e desânimo.
Esse autor termina observando que as pessoas com Comportamento Sexual
Compulsivo gastam uma quantidade enorme de energia emocional para
manter secretos seus comportamentos e inclinações sexuais, levando,
paradoxalmente, ao isolamento social e sexual.
A hipersexualidade pode refletir, muitas vezes, uma desinibição típica de
alguns transtornos do Lobo Frontal e não, invariavelmente, um aumento do
impulso sexual. Por exemplo, a desinibição e hipersexualidade foram
relatadas em casos de lesões frontais e peri-ventriculares da esclerose
múltipla. Semelhantemente, tem havido casos de desinibição e hiper-
sexualidade depois de lesões frontais basais e, também, podem ocorrer
desinibição e hipersexualidade no contexto da demência.
Já existem crescentes evidências de que os circuitos corticoestriatais estejam
envolvidos no Transtorno Obsessivo Compulsivo e em afecções
relacionadas, como aquelas consideradas do Espectro Obsessivo-
Compulsivo.
Blum>(2000), observou que a coprolalia e copropraxia no Transtorno de
Tourette e o aumento do impulso sexual e das parafilias associavam-se ao
grau de carga para o(s) gene(s) do Transtorno de Tourette. Ademais, relatou-
se a resposta dos sintomas do Transtorno de Tourette depois do uso de
antidepressivos inibidores de recaptação da serotonina e dos bloqueadores
da dopamina, sugerindo que os sintomas hipersexuais do Transtorno de
Tourette, assim como os tiques e sintomas de Transtorno Obsessivo
Compulsivo, por vezes podem ser atribuídos a disfunções geradas
internamente ou padrões de resposta comportamental.
Dessa forma, sintomas hipersexuais e parafilias também podem estar
presentes em alguns pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo mas,
nesses casos, sua fenomenologia parece diferir daquela de obsessões e
compulsões clássicas. Os pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo
tipicamente descrevem os sintomas, inclusive as obsessões sexuais, como
de natureza intrusiva e imprópria.
Num pequeno número de casos com Transtorno Obsessivo Compulsivo e
hipersexualidade ou parafilia, o tratamento com antidepressivos inibidores de
recaptação da serotonina ocasionou uma resposta diferencial de sintomas de
Transtorno Obsessivo Compulsivo, que muitas vezes responderam bem e os
sintomas de hipersexualidade ou parafilia, nos quais a resposta foi bem
menos evidente>(Comings, 1999).
Há relatos (Neuropsiconews) de sintomas de hipersexualidade em
pacientes portadores de disfunção estriatal, como por exemplo, na Doença
de Huntington Doença de Wilson e na Doença de Parkinson pós-encefalítico.
Além disso, muitos pacientes com doença de Parkinson apresentaram
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aumento do comportamento sexual depois de tratamento com L-dopa. Como
esses tratamentos resultam num aumento da atividade da dopamina, supõe-
se que a inervação dopaminérgica do estriado ventral é importante na
mediação de comportamentos sexuais.
O aumento do impulso sexual pode ser, ainda, um dos sintomas próprios do
Episódio Maníaco ou outros transtornos psicóticos, sendo possível que
alguns sintomas hipersexuais, como por exemplo, a masturbação
compulsiva, se associem à depressão. Muitos episódios com sintomas
hipersexuais respondem à farmacoterapia antimaníaca.
Os antidepressivos também podem ser úteis em pacientes com
hipersexualidade comórbida com transtornos do afeto. Entretanto, é muito
discutível que os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina e os
bloqueadores da dopamina são eficazes no tratamento de hipersexualidade
sem uma aparente base neuropsiquiátrica.
Abuso sexual
O abuso sexual na infância tem sido um tema muito estudado e muito
perscrutado sobre suas relações causais com o comportamento sexual do
adulto. Alguns autores acham que o abuso sexual na infância possa ser um
fator de risco para o desenvolvimento de Comportamento Sexual Compulsivo
(Murphy, 1986). Nesse esquema, desenvolve-se Comportamento Sexual
Compulsivo como meio de lidar com afetos e sensações desconfortáveis, tais
como a baixa auto-estima, vergonha e ansiedade crônica.
Embora sejam limitadas as evidências que sustentam esse ponto de vista,
Carnes e Delmonico relataram que, de uma amostra de 290 pessoas tratadas
de adição ao sexo, 78% mencionaram abuso sexual na infância. Outros
autores citam números bem menores desses antecedentes sexuais
traumáticos, algo em torno de 28 a 31%>(Prentky, Burgess, 2000).
Embora alguns autores se proponham a relacionar o abuso sexual na
infância com o Comportamento Sexual Compulsivo, o fato de esses abusos
serem relativamente comuns na população geral e entre pacientes
psiquiátricos, a eventual relação causal entre eles fica seriamente
prejudicada.
Sistema Têmporo-límbico e Hipotálamo
Estudos pré-clínicos em animais têm demonstrado uma mediação de
sintomas hipersexuais pelo Sistema Temporolímbico. Têm sido
desencadeadas ereções em primatas por estimulação direta do Sistema
Límbico. A hipersexualidade tem sido documentada em ratos depois de crises
límbicas crônica e artificialmente induzidas. Verificou-se que lesões bilaterais
dos lobos temporais resultam na síndrome de Klüver-Bucy, caracterizada por
comportamento hipersexual e outros desequilíbrios do comportamento social.
Lesões específicas do Sistema Límbico, como lesões da área septal, também
têm demonstrado levar a aumento do comportamento sexual.
Estudos de estimulação elétrica têm confirmado que estruturas límbicas,
particularmente a área septal, associam-se a intenso prazer. A síndrome de
Klüver-Bucy tem sido relatada no homem>(Duggal, 2000). Nela, contudo,
podem ocorrer alterações da preferência sexual mais comumente do que
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hipersexualidade isolada. Relata-se hipersexualidade depois de tumores do
lobo temporal, de lesão septal ou de AVC do lobo temporal. Relatou-se
erotomania em pacientes com disfunção frontal e temporal.
Sexualidade e Lobo Frontal
A relação entre transtorno cerebral disrítmico e transtornos sexuais tem sido
estudada há muito tempo. Muitos estudos verificaram uma associação entre
Epilepsia do Lobo Temporal e hipoatividade sexual, enquanto foi menos
comumente relatada uma associação com hiperatividade sexual ou parafilia.
Todavia, em vários casos mais antigos, notaram-se parafilias em pacientes
com Epilepsia do Lobo Temporal e um estudo antigo de pacientes com
Epilepsia do Lobo Temporal verificou que as parafilias associavam-se a lesão
do lobo temporal.
Demerdash e cols. verificaram que, em mulheres com Epilepsia do Lobo
Temporal, eram comuns a hipossexualidade e o exibicionismo, associando-se
a anormalidades eletroencefalográficas do lobo temporal>(Demerdash,
1991). Também pode ser visto aumento do comportamento sexual logo
depois da convulsão, sugerindo a desinibição de outras estruturas na
Epilepsia do Lobo Temporal.
Mas, se existe alguma dificuldade em associar disritmia cerebral e alterações
sexuais, o inverso é verdadeiro, ou seja, pacientes com parafilias e
alterações da sexualidade podem apresentar anormalidades do lobo
temporal. Alguns estudos no travestismo relacionam essa parafilia a um
aumento das anormalidades do lobo temporal no eletroencefalograma. Uma
série de estudos com tomografia computadorizada sugeriu anormalidades do
lobo temporal no sadismo sexual e nas agressões sexuais, mas não na
pedofilia e no exibicionismo. Raine analisou estudos de imagens estruturais e
funcionais do cérebro em agressores sexuais e sugeriu que as agressões
violentas podem associar-se à disfunção frontal, enquanto as agressões
sexuais podem associar-se à disfunção temporal>(Raine,1998, 2000).
No contexto sexual-cerebral, é interessante observar que pacientes com
sintomas hipersexuais são relacionados dinamicamente como tendo história
de abuso sexual na infância mas, na ausência de estudos mais acurados,
qualquer ligação causal entre esses dois fatos deve permanecer apenas na
esfera especulativa.
Complicações Clínicas
As pessoas com Comportamento Sexual Compulsivo podem desenvolver
complicações clínicas em decorrência direta de seu comportamento sexual.
As complicações, em potencial, incluem lesões genitais (contusões) e
doenças sexualmente transmissíveis (hepatite B, herpes simples ou infecção
pelo vírus da imunodeficiência humana).
Podem ocorrer lesões físicas nos comportamentos sexuais de alto risco ou
na atividade sadomasoquista. Nas mulheres, podem ocorrer gestações não
desejadas e complicações de aborto. Alguns pacientes podem ser
submetidos a cirurgias desnecessárias, particularmente cirurgia plástica, para
aumentar o apelo sexual (implantes de mama, transplantes capilares e
lipoaspiração).
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01/05/2025, 15:20 COMPORTAMENTO SEXUAL COMPULSIVO
Existem muito poucos estudos da psicobiologia da hipersexualidade. Todavia,
a literatura realmente sugere a possibilidade de uma neurobiologia para a
hipersexualidade. Há evidências de diferentes sistemas cerebrais que podem
desempenhar um papel neste transtorno.
Lesões frontais, por exemplo, podem ser acompanhadas por desinibição, por
resposta hipersexual impulsiva, enquanto lesões estriatais podem ser
acompanhadas por desencadeamento repetitivo de padrões de resposta
gerados internamente. Lesões límbicas temporais podem ser acompanhadas
por desequilíbrios do próprio apetite sexual, inclusive alteração do
direcionamento do impulso sexual.
Complicações Sociais
As pessoas com Comportamento Sexual Compulsivo podem ser
responsáveis por algumas complicações sociais sérias. Desafetos com
amigos e familiares, envolvimentos policiais, perda de empregos, perda da
reputação moral e toda sorte de desadaptação social e familiar em
decorrência direta de investidas, assédios e relacionamentos sexuais.
Os valores mais permissivos da sociedade moderna favorecem,
sobremaneira, a desenvoltura sexual dos portadores de Comportamento
Sexual Compulsivo. Essas pessoas não titubeiam em ceder às facilidades
sexuais atuais e não costumam estabelecer limites para sua atividade,
podendo envolver-se com menores de idade, prostitutas, homossexuais,
enfim, expondo-se a um risco social muito grande.
Complicações Familiares
Os portadores de Comportamento Sexual Compulsivo costumam ser
cônjuges complicados. Primeiramente devido ao apetite sexual maior que
do(a) parceiro(a), submetendo este(a) à uma atividade nem sempre
prazerosa ou desejada. Em segundo, devido às maiores probabilidades à
infidelidade e, em terceiro, devido maiores possibilidades de envolvimentos
sexuais com amigos ou familiares, aumentando mais ainda o
constrangimento.
Complicações Pessoais
O Comportamento Sexual Compulsivo poderá ser egosintônico, como
vimos, na eventualidade da pessoa estar consoante ao seu comportamento
ou, egodistônico, caso discorde de suas atitudes e se recrimine de sua
sexualidade. Essa situação, entretanto, não é fixa e definitiva, isto é, poderá
ser egosintônico numa fase da vida ou num momento e egodistônico em
outro.
Nas fases mais precoces da vida (adolescente ou adulto jovem),
normalmente a pessoa mantém-se de forma egosintônica, com auto-estima
elevada devido à aceitação cultura de sua performance e devido ao próprio
prazer (mais ou menos inconseqüente) que essa hiperatividade resulta.
Em fases mais tardias a tendência é haver um sentimento egodistônico
retroativo, ou seja, com arrependimentos sobre a conduta anterior,
lamentações sobre eventuais condições melhores de vida caso fosse mais
comedido sexualmente e coisas assim.
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Conclusões
Pensa-se sobre a existência de uma síndrome caracterizada por fantasias
sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos
sexuais envolvendo padrões que não são suficientemente anômalos para se
encaixar na definição de parafilia.
Essa condição parece se associar a morbidade significativa na medida em
que produz sofrimento, ansiedade e/ou arrependimento, portanto, sendo
mórbida, há quem vê nisso boas razões para colocá-la junto aos transtornos
sexuais do DSM-IV (havendo já uma classificação no CID.10 como F52 -
Apetite Sexual Excessivo).
Os termos compulsivo, aditivo e impulsivo têm proporcionado um certo valor
semiológico à compreensão e diagnóstico de pacientes com
hipersexualidade patológica. Entretanto, devemos ter um cuidado especial
sobre a possibilidade de se atrelar um rótulo psiquiátrico a toda e qualquer
variação do comportamento humano, sob o risco de eximir quaisquer
responsabilidades ao arbítrio da pessoa.
Conclui-se, também, haver uma sobreposição ou concomitância entre
atitudes de hipersexualidade e outras afecções psiquiátricas, tais como e
principalmente, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, o Transtorno por Abuso
de Substâncias e Transtorno do Controle dos Impulsos, assim como uma
sobreposição ou concomitância com alguns Transtornos da Personalidade,
notadamente do tipo Histérico e Obsessivo-Compulsivo.
Há ainda possibilidades da hipersexualidade ser apenas um sintoma de
outras alterações neuro-psiquiátricas subjacentes, como algumas epilepsias
fronto-temporais, disfunções frontais, seqüelas neurológicas de lesões
vasculares, demência ou outros quadros organomentais.
Existem autores sugerindo que o Comportamento Sexual Compulsivo possa
aparecer de 2 formas; com ou sem Parafilia, obviamente mais patológico
quando com Parafilia. Entretanto, em nossa opinião, nada impede que o
diagnóstico correto seja de Parafilia com Comportamento Sexual
Compulsivo, o que não justificaria “idealizarmos” uma outra patologia nova
para um comportamento hipersexual.
Não está claro ainda se a denominação mais correta seria Transtorno
Hipersexual, Hipersexualidade Patológica ou Comportamento Sexual
Compulsivo, assim como não está perfeitamente estabelecido se existe, de
fato, uma doença com essas características. Há dúvidas ainda sobre o fato
do comportamento hipersexualizado ser um sintoma de outra patologia
psiquiátrica ou, temerariamente, ser apenas uma tendência de
psiquiatrizarmos atitudes e comportamentos humanos variantes.
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