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Direito Processual

O trabalho aborda o direito processual civil, focando nos atos processuais, prazos, nulidades e a atuação dos intervenientes no processo. O documento é estruturado em seis partes, detalhando a forma e a comunicação dos atos, além de discutir a importância da citação e notificação. A metodologia utilizada inclui a análise da legislação pertinente e a aplicação prática dos conceitos no contexto do oficial de justiça.

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Direito Processual

O trabalho aborda o direito processual civil, focando nos atos processuais, prazos, nulidades e a atuação dos intervenientes no processo. O documento é estruturado em seis partes, detalhando a forma e a comunicação dos atos, além de discutir a importância da citação e notificação. A metodologia utilizada inclui a análise da legislação pertinente e a aplicação prática dos conceitos no contexto do oficial de justiça.

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Direito Processual

índice
Introdução

Este presente trabalho foi realizado no âmbito de direito processual na UFCD 10354
(Atos processuais no processo civil e a instância) e tem como objetivos reconhecer a
forma dos atos processuais em processo civil, identificar e contar os prazos
associados aos atos processuais em processo civil, identificar os atos dos diversos
intervenientes no processo civil, analisar as nulidades processuais, caracterizar as
modalidades de citação e de notificação, identificar também as nulidades dos atos
processuais, explicar os princípios determinantes do início, desenvolvimento,
interrupção e suspensão da instância, identificar os factos que determinam a
interrupção da instância e por último caracterizar as causas de extinção da
instância e praticar atos processuais em processo civil no ótica do oficial de justiça.

Este encontra-se dividido em 6 grandes partes. A primeira são os atos processuais


em processo civil subdividida em outros subcapítulos, seguidamente temos a
publicidade e acesso ao processo, em terceiro a comunicação dos atos em processo
civil, temos também as nulidades dos atos, os atos em especial e por último a
instância e os seus incidentes.

O processo civil distingue-se do penal por ser um direito privado e público e porque
para que se desenrole o processo é necessário existir queixa por uma das partes,
enquanto que no penal no caso de crimes públicos o Ministério Público era quem a
apresentava. E no processo civil estão integradas várias partes e cada uma pratica
os seus atos, como os atos das partes, os atos dos magistrados e os atos da
secretaria, visando assim obedecer a modelos aprovados pelas entidades
competentes. Existindo também a instância, que será o tribunal a qual será
atribuído o processo (tribunais de comarca, de relação e o Supremo Tribunal de
Justiça) e quando o processo segue uma tramitação normal, a sequência lógica e
ordenada pode ser perturbada por certas ocorrências, como os incidentes de
instância.
A metodologia utilizada para a realização deste trabalho foi o tratamento de
informação da sebenta do professor e da lei nº 41/ 2013 de 26 de junho (código de
processo civil).
1.​ Atos Processuais em Processo Civil​

No processo civil estão integradas várias partes e cada uma pratica os seus atos:
➔​ Atos das Partes;
➔​ Atos dos Magistrados;
➔​ Atos de Secretaria.

Os atos praticados em Processo Civil visam obedecer a modelos aprovados pelas


entidades competentes (nomeadamente os atos da secretaria).
Estão igualmente fixadas disposições comuns aos atos processuais e regras a
cumprir pelas partes.
Estão estabelecidas a forma de requisição e comunião dos atos processuais (como
as cartas precatórias e rogatórias).
Não sendo lícito a realização de atos inúteis no processo (artº 130º): Princípio da
Limitação dos Atos.
Este princípio visa dar uma maior celeridade ao processo, evitando que o este se
estenda no tempo.

​ 1.1. Forma dos Atos

A forma dos atos é a que melhor corresponda aos fins que pretende alcançar (artº
131º, nº 1).
Os atos processuais podem ter modelos aprovados pela entidade competente. No
entanto, só são considerados obrigatórios os modelos relativos aos atos de
secretaria (artº 131º, nº2).
Quando os atos são reduzidos a escrito não devem deixar dúvidas quanto à sua
autenticidade formal e de conteúdo claro.
As datas e números podem utilizar algarismos, exceto quando respeitem a direitos
e obrigações. As ressalvas de algarismo têm de ser escritos também por extenso
(artº 131º, nº 3 e 4).
Podendo ser utilizados meios informáticos para o tratamento e execução dos atos.
Embora devam ser protegidos os dados pessoais e realizar a menção ao seu uso
(artº 31º, nº 5).
Hoje é possível a tramitação eletrónica, cujos termos estão definidos na portaria
280/ 2013, alterada pela portaria 44/ 2013 (artº 132º). Atualmente é utilizada a
plataforma CITIUS.
À semelhança do que se passa em processo penal, a língua a ser utilizada é a
portuguesa (artº 133º, nº1).
Sempre que esteja envolvidos estrangeiros, que não entendam português, deverá
nomear-se um intérprete (artº 133º, nº 2 e 3).
E sempre que existam documentos escritos em línguas estrangeiras o juiz ordena
ao representante que manifeste a tradução (artº 134º, nº1).
Caso existam dúvidas sobre a idoneidade da tradução pode ser solicitada a
tradução autenticada por embaixada ou consulado (artº 134º, nº 2).
Os atos são praticados nos dias em que os tribunais estiverem abertos e fora das
férias judiciais (artº 137º, nº 1).
As exceções são os atos automáticos, assim como as citações, notificações,
penhoras e atos que visem evitar dano irreparável (artº 137º, nº 2).
Os atos que não são feitos eletronicamente e exigem receção pelas secretarias
judiciais devem ser praticados nas horas e expediente. Normalmente 9h00- 12h30 e
13h30- 16h (artº 137º, nº 3).

1.2. Prazos
​ 1.2.1. Regra da Continuidade

Os prazos dos atos são contínuos, suspendendo-se durante as férias judiciais. A


contagem não é suspensa nas férias sempre que os prazos forem superiores a 6
meses e/ ou urgentes (artº 138º, nº1).
Se o prazo acabar num dia em que o tribunal está encerrado, o termo é transferido
para o dia útil seguinte (artº 138º, nº2).
Sempre que haja tolerância de ponto, os tribunais ficam encerrados e aplica-se o
definido no nº 2 (artº 138º, nº 3).

​ ​ 1.2.2. Contagem dos Prazos

O prazo dilatório distingue para um momento posterior a possibilidade de


realização de um ato ou contagem de prazo (artº 139º, nº 2).
Caso o prazo seja perentório e se esgote o tempo para praticar o ato, este deixa
de ser praticável. Ou seja, se deixar passar o prazo já não posso praticar o ato, pois
extingue-se o direito (art 139º, nº 3).
Nos casos de justo impedimento o ato poderá ser praticado fora do prazo
estipulado (artº 139º, nº4).
Podendo ainda, o ato ser praticado fora do prazo, nos 3 dias úteis seguintes e
mediante o pagamento de multa (artº 139º, nº 4).
Justo Impedimento é um evento não imputável à parte ou seus representantes
que impeça a prática do ato (artº 140º, nº 1).
Para alegar o justo impedimento a parte tem de ser oferecer a prova desse
impedimento (artº 140º, nº 2)
Exemplo: Atestado médico, ou internamento, …
O conhecimento do impedimento é oficioso sempre que o evento constitua um
facto notório (artº140º, nº 3).
Exemplo: Incêndio na casa da parte, ou um sismo, …

Em certas situações existe o prazo cominatório. Se forem cumpridos os prazos, não


se exclui a possibilidade de executar o ato, mas está sujeito a multa (artº 293º, nº
3).

Existem 3 tipos de atos:


-​ Atos das Partes;
-​ Atos dos Magistrados;
-​ Atos de Secretaria.
De forma a regular o processo, o Código de Processo Civil afirma quais os atos que
cada interveniente no processo deve concretizar.

1.3. Atos das Partes

As partes, o autor e o réu, devem exercer os atos escritos através da plataforma


eletrónica (artº 144º, nº 1), nos termos da portaria 280/ 2013, alterada pela
portaria 44/ 2013.
A parte deve apresentar eletronicamente a peça processual, como por exemplo a
petição inicial ou outra, e os documentos que devam acompanhar , devendo sempre
guardar os originais (artº 144º, nº 2).
O juiz pode determinar em qualquer altura a obrigatoriedade de exibição desses
documentos originais (artº 144º,nº 5).
No caso da causa não obrigar à constituição de mandatário (não se enquadrando no
artº 40º- < 5.000 euros 1ª instância, despejos, recursos, …), os atos podem ser
apresentados (artº 144º, nº 7):
A.​ Na secretaria;
B.​ Remessa por correio
C.​ Telecópia.
Quando um ato processual exija o pagamento de taxa de justiça, nos termos do
Regulamento das Custas Processuais (RCP), deve juntar-se o comprovativo do
pagamento (artº 145º, nº 1).
Se o comprovativo não for junto, a peça processual é aceite, porém a junção deve
ser feita nos 10 dias posteriores sob pena de cominação (ameaçar com pena) (pena,
normalmente de multa) (artº 145º, nº3).
Caso seja uma causa que não obrigue a mandatário e a parte tenha praticado o ato,
sem o pagamento da taxa, a parte é notificada para juntar o comprovativo (artº
145º, nº3).
Caso existam erros de cálculos ou escrita, podem ser retificados (artº 146º, nº 2).
O juiz deve admitir, a requerimento das partes, o suprimento ou correção de vícios
ou omissões formais, desde que essa correção não implique prejuízo relevante para
o andamento em causa (artº 146º, nº 2).
Os articulados são peças processuais onde as partes expõem os fundamentos da
ação e/ou defesa formulam pedidos (artº 147º, nº1).
Estes articulados são elaborados por artigos que enumeram os factos que
interessam à fundamentação (artº 147º, nº 2).
Os articulados devem conter a forma de proposições gramaticais seguidas e
numeradas.
Os articulados costumam ser normalmente 2 (petição inicial e contestação),
podendo ainda existir a réplica e o articulado superveniente.
Sempre que a causa não tenha mandatário , os articulados, são apresentados em
duplicado, em nº que dê para todos os interessados visados na ação (artº 148º, nº
1).
Os requerimentos, alegações e documentos apresentados por uma parte, devem ser
acompanhados de cópias suficientes para enviar à parte contrária, quando da 1º
notificação (artº 148º, nº 2).
Quando não se apresenta esses documentos duplicados é notificado para
apresentar pagando multa (artº 148º, nº 3).
O prazo para praticar qualquer ato é geralmente de 10 dias (artº 149º, nº 1).

1.4. Atos dos Magistrados

A manutenção da ordem dos atos processuais compete ao magistrado que


presida, podendo este advertir, retirar palavra, multar ou até mesmo ordenar saída
do local (artº 150º, nº 1). Tendo este atuação o magistrado regista em ata os atos
que determinem a providência (artº 150º, nº3).
Das decisões tomadas pelo juiz, cabe o recurso (artº 150º, nº 5), com efeitos
suspensivos da decisão.
Para a manutenção da ordem pode ser requisitada a força pública (artº 150º, nº 7).

O juiz, na marcação das diligências, deve providenciar um acordo prévio com os


mandatários judiciais, para marcar o dia e hora de início (artº 151º, nº1).
O juiz pode, por motivos imponderáveis ou a pedido justificado dos mandatários,
alterar a data inicialmente estabelecida, contudo deverá notificar todas as partes
interessadas e providenciando para que os convocados sejam notificados do
adiamento (artº 151º, nº 3 e 4).
Os mandatários judiciais devem comunicar ao tribunal circunstâncias impeditivas da
sua presença (artº 151º, nº 5).
Os juízes têm o dever de administrar a justiça, proferindo Despachos ou
Sentença sobre as matérias pendentes e cumprindo as decisões dos tribunais
superiores (artº 152º, nº 1).
Na administração da justiça os juízes proferem:
➔​ “sentença” é o ato pelo qual o juiz decide a causa principal (artº 152º, nº 2);
➔​ "Acórdãos" é o ato pelo qual um tribunal colegial (vários juízes- tribunal
coletivo) decide a causa principal (artº 152º, nº 3),
➔​ “Despachos” que visam prover o andamento regular do processo (artº 152º,
nº 4).
As decisões são datadas e assinadas pelo(s) juiz(es), rubricando as folhas não
manuscritas (artº 153º, nº 1).
As sentenças e acórdãos finais são registados num sistema de informação de
suporte às atividades dos tribunais (artº 153º, nº 4).
As decisões proferidas têm de ser fundamentadas, indo além dos fundamentos
alegados no requerimento ou na oposição (artº 154º, nº 1 e 2 ).

​ 1.5. Atos da Secretaria

As secretarias judiciais asseguram o expediente, a autuação e a regular tramitação


dos processos (artº 157º, nº1).
A secretaria deve executar os despachos judiciais, cumprir as orientações do juiz,
bem como praticar os atos que lhe sejam delegados pelo juiz, cumprindo-lhe
realizar as diligências necessárias (artº 157º, nº 2).
As pessoas que prestem serviço forense (advogado, solicitadores) devem ser
identificados por cartão modelo onde conste o número da cédula profissional (artº
157º, nº 4).
Dos atos dos funcionários da secretaria é sempre admissível reclamação para o juiz
de que dependem nesse processo (artº 157º, nº 5).
Os funcionários das secretaria seja do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), das
Relações (de Recurso- 5 em Portugal)e de outros tribunais podem praticar os atos
que lhes imcubem em toda a área de jurisdição do respetivo tribunal ou juízo,
quando superior a área de jurisdição do tribunal em que está inserido (artº 158º, nº
1) .
Nos casos em que as lei de organização judiciária estabeleça, a competência para
praticar os atos pelos funcionários de secretaria pode abranger a área e outras
circunscrições judiciais (artº 158º, nº 2).
Tratando da obtenção de informações, o pedido de obtenção de certidões, a
entrega de peças processuais ou de documentos em suporte físico (papel), quando
este admissível, e a consulta de processos poderão ser realizados em qualquer
tribunal judicial, apesar do tribunal onde decorre o processo (artº 158º, nº 3).
No caso de autos e termos correntes na secretaria devem conter a menção dos
elementos essenciais e da data e lugar da prática do ato a que respeitem (artº 159º,
nº 1).
No prazo de 5 (cinco) dias, na exceção de casos urgentes, a secretaria deve realizar
os processos conclusos, continuá-los com vista ou facultá-los para exame, passar os
mandados e praticar os outros atos expedientes (artº 162º, nº 1).
Sendo possível, no próprio dia, a secretaria deve submeter a despacho,
avulsamente, os requerimentos que não respeitem ao andamento processual
pendente, juntando a estes os requerimentos, respostas, articulados e alegações
que lhes caibam ou, se forem apresentados fora de prazo ou caso existam dúvidas
acerca da legalidade da junção, submetê-los a despacho do juiz, para este a ordenar
ou recusar (artº 162º, nº 2).
O prazo para que se possa concluir o processo a que se junte qualquer
requerimento conta- se da apresentação deste ou da sua ordem de junção (artº
162º, nº 3).
Decorridos 10 dias sobre o termo do prazo fixado para a prática de ato próprio da
secretaria sem que o mesmo tenha sido praticado, deve ser aberta conclusão com a
indicação da concreta razão da inobservância do prazo (artº 162º, nº 4).
A secretaria transmite, mensalmente, ao juiz presidente do tribunal informação
discriminada dos casos em que se mostrem decorridos 10 dias sobre o termo do
prazo fixado para a prática de ato próprio da secretaria, ainda que o ato tenha sido
entretanto praticado, incumbindo ao presidente do tribunal, no prazo de 10 dias
contado da data de receção, remeter o expediente à entidade com competência
disciplinar (artº 162º, nº 5).

2. Publicidade e Acesso ao Processo

O processo civil é público, salvo as restrições previstas na lei (artº 163º, nº 1).
Utiliza-se o ofício (carta) para solicitar às entidades públicas ou privadas que sejam
fornecidas informações, documentos ou prática de atos que não exijam a
intervenção dos serviços judiciários (artº 172º, nº 4).
Na transmissão de quaisquer comunicação e na expedição ou devolução de cartas
precatórias, os serviços judiciais devem utilizar o sistema de informação de suporte
à atividade dos tribunais ou, quando tal não seja possível, a via postal, a telecópia
ou o correio eletrónico (artº 172º, nº 5).
A comunicação telefónica é sempre documentada nos autos seguida de
confirmação por qualquer meio escrito, relativamente às partes, apenas é lícita
como forma de transmissão de uma convocação ou desconvocação para atos
processuais (artº 172º, nº 6).
As cartas precatórias são dirigidas ao juízo em que cuja área jurisdicional o ato
deve ser praticado (artº 133º, nº 1). Estas cartas devem ser assinadas pelo juiz e
apenas contém estritamente o necessário para a realização da diligência. As cartas
para fixação de editais são acompanhadas destes (artº 174º, nº 1 e 2).
As cartas precatórias devem ser cumpridas pelo tribunal deprecado no prazo de 2
meses a contar da expedição se a diligência é para ser realizada no estrangueiro o
prazo é de 3 meses (artº 176º, nº 1 e 2).
As cartas, sejam elas precatórias ou rogatórias, são sempre expedidas pela
secretaria (artº 177º, nº 1 e 2).
Quando a carta rogatória se dirige a um Estado que apenas recebe cartas por via
diplomática a mesma é entregue ao MP e, este tratará do procedimento (artº 177º,
nº 3 e 4).

O tribunal deprecado apenas pode deixar de cumprir a carta precatória se não tiver
competência para o ato ou se a lei o proibir (artº 179º, nº 1).
As cartas rogatórias têm de se fazer cumprir pelo tribunal rogado, a não ser nas
exceções que a lei prevê no artigo 180º.
As cartas rogatórias são recebidas e entregues ao MP para se opor ou não ao seu
cumprimento (artº 181º, nº 1 e 2).
Após se cumprir a carta, esta mesma é devolvida e junta ao processo, sendo as
partes notificadas (artº 183º).
Os mandados são passados em nome do juiz e assinados pelo funcionário,
contendo a ordem do juiz e as indicações para o seu cumprimento (artº 184º e
185º).

3. Comunicação dos Atos em Processo Civil

A comunicação dos atos processuais entre serviços e/ ou entidades é uma prática


das secretarias judiciais. Para a requisição e comunicação de atos podem-se utilizar
(artº 172º): a carta precatória e a carta rogatória, o mandato, citações e
notificações, ofícios, a via postal, telecópia e o correio eletrónico e a comunicação
telefónica.
O Mandado é utilizado para um tribunal português ordenar a execução de um ato
processual a uma entidade que lhe está subordinada
Exemplo: a detenção de alguém pela polícia para ser presente a tribunal.

As citações ou notificações por via postal são enviadas diretamente para o


interessado. A citação é utilizada para dar conhecimento ao réu de que foi
proposta uma ação contra si, sendo chamado ao processo para se defender. Já a
notificação é utilizada para chamar alguém a juízo, ou dar conhecimento de um
facto.
Utiliza-se o ofício para solicitar às entidades públicas ou privadas que sejam
fornecidas informações, documentos, ou prática de atos que não exijam a
intervenção dos serviços judiciais. (art.º 172º, nº4)
Na transmissão de quaisquer comunicações e na expedição ou devolução de cartas
precatórias, os serviços judiciais devem utilizar o sistema de informação de suporte
à atividade dos tribunais ou, quando tal não seja possível, a via postal, a telecópia
ou o correio eletrónico. (art.º 172º, nº5)
A comunicação telefónica é sempre documentada nos autos e seguida de
confirmação por qualquer meio escrito: relativamente às partes, apenas é lícita
como forma de transmissão de uma convocação ou desconvocação para atos
processuais. (art.º 172º, nº6)
As cartas devem ser assinadas pelo juiz e apenas contêm o estreitamento
necessário para a realização da diligência.
As cartas para afixação de editais são acompanhadas destes. (art.º 174º, nº 1 e 2)
As cartas precatórias devem ser cumpridas pelo tribunal deprecado no prazo de 2
meses a contar da expedição. Se a diligência é para ser realizada no estrangeiro
prazo é de 3 meses. (art.º 176º, nº1 e 2)
As cartas (precatórias ou rogatórias) são sempre expedidas pela secretaria. (art.
177º, nº1 e 2)
Quando a carta rogatória se dirige a estado que apenas recebe cartas por via
diplomática, a mesma é entregue ao Ministério Público que tratará do
procedimento. (art.º 177º, nº3 e 4).
O tribunal deprecado apenas pode deixar de cumprir a carta precatória se não tiver
competência para o ato ou se a lei a proibir. (art.º 179º, nº1)
As cartas rogatórias devem ser cumpridas pelo tribunal rogado a não ser nas
exceções previstas no (art.º 180º).
As cartas rogatórias são recebidas e entregues ao Ministério Público para se opor
ou não ao seu cumprimento. (art.º 181º, nº1 e 2)
Depois de cumprida a carta, a mesma é devolvida e junta no processo, sendo as
partes notificadas. (art.º 183º)
Os mandatos são passados em nome de juiz e assinados pelo funcionário, contendo
a ordem do juiz e as indicações para o seu cumprimento. (art.º 184º e 185º)
A petição inicial é o articulado em que o autor propõe a ação. O autor formula a
pretensão de tutela jurisdicional (direito que possui) e expõe as razões de facto e
direito que a fundamentam.
A importância da petição inicial é fundamental, pois nasce do princípio básico da
iniciativa da parte, assente no princípio do dispositivo (artº 5º). É a petição inicial
que define o âmbito da ação.
Da petição inicial devem constar indicações importantes (artº 552º), tais como a
identificação das partes, narração dos factos, exposição das razões do direito que
fundamentam as ações, formulação do pedido, especificação dos factos
considerados provados, bem os que se pretende provar, valor da causa…
Mesmo que aceite a petição inicial, o processado posteriormente pode ser
considerado nulo se o réu não for citado ou se o MP não for citado quando deva
intervir como parte principal (artº 187º).
Considera-se ter havido falta de citação quando o ato tenha sido omitido, haja erro
de identidade do citado, quando o edital não é adequado, quando a emissão for
posterior ao falecimento ou extinção do citando (artº 188º, nº 1).
Caso o réu ou o Ministério Público (MP) não arguir a nulidade por falta de citação, a
nulidade considera-se sanada (artº 189º).
Quando um ato é anulado, anula-se também os termos subsequentes que dele
dependem em absoluto (artº 195º, nº 2).
A nulidade só pode ser invocada pelo interessado em que o ato seja eliminado ou
repetido (artº 197º, nº1). Não podendo arguir a nulidade a parte que a provocou
(artº 197º, nº 2).

Como dito anteriormente, a petição inicial é fundamental. Após distribuído o


processo ao juiz, este faz um despacho que pode:
➔​ Indeferir liminarmente a petição;
➔​ Convidar o autor a completar ou corrigir a petição;
➔​ Mandar arquivar o processo;
➔​ Ordenar a citação do réu.

Assim, não sofrendo a petição nenhum defeito, o juiz ordena a citação nos termos
do artigo 562º ou 561º.
A citação está minuciosamente regulada nos artigos 225º e seguintes- Este é o ato
pelo qual se dá conhecimento ao réu de que foi proposta contra ele determinada
ação e se chama ao processo para se defender (artº 219º, nº1).
Concretizando- se deste modo o princípio do contraditório.

​ 3.1. Citações e Modalidades


​ ​ 3.1.1. Carta Precatória

-​ A Carta Precatória utiliza-se para um tribunal português solicitar a outro


tribunal português ou a um cônsul português a realização de uma dada
diligência.
Exemplo: Avaliar um prédio em Bragança, de um processo que decorre em Faro).

3.1.2. Carta Rogatória

-​ A Carta Rogatória é utilizada para um tribunal português solicitar a uma


autoridade estrangeira para realizar uma dada diligência.
Exemplo: Rogar que seja ouvida determinada testemunha em Cabo Verde que não
pode deslocar-se a Portugal.

3.2. Tipos de Notificações

​ ​ 3.2.1- Notificações Judiciais Avulsas

As notificações avulsas dependem de despacho prévio que as ordene e são feitas


pelo agente de execução, designado para o efeito pelo requerente ou pela
secretaria, ou por funcionário de justiça, nos termos do artigo 231º, n.º 9 do , na
própria pessoa do notificando, à vista do requerimento, entregando-se ao notificado
o duplicado e cópia dos documentos que o acompanhem. O agente de execução ou
funcionário de justiça lavra certidão do ato, que é assinada pelo notificado. O
requerimento e a certidão são entregues a quem tiver requerido a diligência.
Quando apresentados por uma das formas previstas nas alíneas a) e b) do n.º 7 do
artigo 144º, os requerimentos e documentos para as notificações avulsas são
apresentados em duplicado e, tendo de ser notificada mais de uma pessoa,
apresentam-se tantos duplicados quantos os necessários para a realização, pela
secretaria, de notificações por via que não seja eletrónica (artº 256º)
As notificações avulsas não admitem oposição, devendo os direitos respetivos ser
exercidos nas ações próprias. Do despacho de indeferimento da notificação cabe
recurso até à Relação (artº 257º).
Caso a notificação tenha por fim a revogação de mandato ou procuração, é feita ao
mandatário ou procurador, e também à pessoa com quem ele devia contratar, caso
o mandato tenha sido conferido para tratar com certa pessoa (artº 258º, nº1).
Não se tratando de mandato ou procuração para negociar com certa pessoa, a
revogação deve ser anunciada num jornal da localidade onde reside o mandatário
ou o procurador ou, se aí não houver jornal, publicando-se o anúncio num dos
jornais mais lidos nessa localidade(artº 258º, nº2).

4. Nulidade dos Atos

O processo é nulo quando for inepta a petição inicial.

A petição é inepta quando falte a indicação do pedido ou causa de pedir, quando


haja contradição entre o pedido e a causa de pedir, haja cumulação de causas de
pedir ou pedidos incompatíveis (artº 186º, nº 1).

A petição inicial é o articulado em que o autor propõe a ação. O autor formula a


pretensão de tutela jurisdicional (direito que possui) e expõe as razões de facto e
direito que a fundamentam.
A importância da petição inicial é fundamental, pois nasce do princípio básico da
iniciativa da parte, assente no princípio do dispositivo (artº 5º). É a petição inicial
que define o âmbito da ação.
A ação não pode nascer da iniciativa do juiz, mas sim do autor. É o titular do direito
violado que requer ao tribunal a reparação do seu direito, ou o afastamento da
ameaça.
As nulidades do artigo 186º (petição inicial) a artigo 193º (erro de forma) só podem
ser arguidas até à contestação (artº 198º, nº 1).
As previstas nos artigos 187º (falta de citação) e 194º (falta de vista MP) podem ser
arguidas em qualquer estado do processo (artº 198º, nº 2).

Regra geral sobre o prazo de arguição, em casos diferentes dos referidos (artº
199º):
➢​ Se a parte estiver presente, pode arguir a nulidade no momento em que for
cometida;
➢​ Se não estiver presente, o prazo é de 10 dias a contar da data em que a parte
participar num ato do processo ou for notificado para um termo dele.
Da petição inicial devem constar indicações importantes (art.º 552º), tais como a
identificação das partes, narração dos factos, exposição das razões de direito que
fundamentam as ações, formulação do pedido, especificação dos factos
considerados provados, bem as que se pretende provar, valor da causa...
Na fundamentação da ação são mais importantes as razões de facto do que as de
direito, pois quanto às razões de facto o juiz cinge-se às alegações das partes (art.º
5º, nº2).
Quanto à aplicação do direito o tribunal age livremente. (art.º 5º, nº3)
Quando se aceita a petição inicial, o processado posteriormente pode ser
considerado nulo se o réu não for citado ou se o Ministério Público não for citado
quando deva intervir como parte principal. (art.º 187º)
Considera-se ter havido falta de citação quando o ato tenha sido omitido, haja erro
da identidade do citado, quando o edital não é adequado, quando a emissão for
posterior ao falecimento ou extinção do citado. (art.º 188º, nº1)
Se o réu ou o Ministério Público não arguirem a nulidade por falta de citação, a
nulidade considera-se sanada (art.º 189º).
A falta de vista ou exame do Ministério Público, quando a lei exija a sua intervenção
como parte acessória, pode levar à anulação do processo a partir do momento em
que se previa a sua intervenção (art.º 194º, nº2).
Quando um ato é anulado, anulam-se também os termos subsequentes que dela
dependem em absoluto (art.º 195º, nº 2).
A nulidade só pode ser invocada pelo interessado em que o ato seja eliminado ou
repetido (art.º 197º, nº1). Não pode arguir a nulidade a parte que a causou (art.º
197º, nº2).
As nulidades do art.º 186º (petição inicial) e art.º 193º (erro na forma) só podem ser
arguidas até à contestação (art.º 188º, nº1). As previstas nos artigos 187º (falta de
citação) e 194º (falta vista MP) podem ser arguidas em qualquer estado do processo
(art.º 198º, nº2).

5. Atos em Especial
A Distribuição

A distribuição consiste na repartição dos processos pelas secções, instâncias e


tribunais, de forma equitativa (artº 203º).
Através da distribuição fica-se a conhecer o juízo que terá a incumbência de
tramitar o processo (um tribunal tem normalmente vários juízos).
Esta distribuição é feita por meios eletrónicos, garantindo a aleatoriedade e
igualdade na distribuição do serviço (artº 204º).
Os mandatários judiciais podem ter acesso à informação das partes que
representam através da página eletrónica do ministério da justiça CITIUS (artº 204º,
nº 3).
Com a distribuição eletrónica é atribuído um número ao processo, sendo colocada
uma capa que tem o número, o nome das partes e a identificação do mandatário do
autor.
Nenhum ato processual é admitido à distribuição sem que contenha todos os
requisitos externos exigidos por lei (artº 207º).

Na distribuição há as seguintes espécies (artº 212º):


1)​ Ações de processo comum;
2)​ Ações especiais para cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de
contratos e ações no âmbito do procedimento especial de despejo;
3)​ Ações de processo especial;
4)​ Divórcio e separação sem consentimento do outro cônjuge;
5)​ Execuções;
6)​ Execuções por custas, multas ou outras quantias contadas;
7)​ Inventários;
8)​ Processos especiais de insolvência;
9)​ Cartas precatórias ou rogatórias, recursos de conservadores, notários e
outros funcionários, reclamações sobre a reforma de livros das
conservatórias e quaisquer outros papéis não classificados;
10)​ Notificações avulsas, atos preparatórios, procedimentos cautelares e
quaisquer diligências urgentes.

Espécies de Relações

Nas Relações há as seguintes espécies (artº 214º):


1.​ Apelações em processo comum e especial;
2.​ Recursos em processo penal;
3.​ Conflitos e revisão de sentenças de tribunais estrangeiros;
4.​ Causas de que a Relação conhece em 1.ª instância;
5.​ Reclamação.

Espécies no Supremo Tribunal de Justiça

No Supremo Tribunal de Justiça há as seguintes espécies (artº 215º):


1.​ Revistas;
2.​ Recursos em processo penal;
3.​ Conflitos;
4.​ Apelações;
5.​ Causas de que o tribunal conhece em única instância;
6.​ Recursos extraordinários para uniformização de jurisprudência.

Incumbe à secretaria proceder às diligências necessárias à citação do réu, nos


termos previstos no artigo 226º, nº1 ao 3 (artº 562º).
O juiz pode, a requerimento do autor, caso o considere justificado, determinar que
a citação seja urgente (artº 561º, nº1).
A citação que seja declarada como urgente tem prioridade sobre as restantes,
especificamente no que respeita à concretização de diligências realizadas pela
secretaria (artº 561º, nº2).
A citação das pessoas singulares é pessoal ou edital (artº 225º, nº 1).

A citação pessoal é feita mediante (artº 225º, nº 2):


A.​ Via eletrónica, nos termos definidos na portaria prevista do artigo 132º, nº2;
B.​ Entrega ao citando de carta registada com aviso de receção, seu depósito
(artº 229, nº 5), ou certificação da recusa de recebimento, (artº 229º, nº 3);
C.​ Contacto pessoal do agente de execução ou do funcionário judicial com o
citando.

É ainda admitida a citação promovida por mandatário judicial, nos termos do artigo
237º e 238º (artº 225º, nº3).
Cabe à secretaria promover oficiosamente, sem que seja necessário um despacho
prévio, as diligências que se mostrem adequadas à efetivação da regular citação
pessoal do réu e à rápida remoção das dificuldades que obstem à realização do ato
e da citação por agente de execução ou promovida por mandatário judicial (artº
226º, nº 1).
Assim que passados os 30 dias sem que a citação se mostre efetuada, é o autor
informado das diligências efetuadas e dos motivos da não realização do ato. Sendo
o processo concluso ao juiz, com informação das diligências efetuadas e das razões
da não realização atempada do ato (artº 226º, nº 2 e 3).

A citação depende, de prévio despacho judicial (artº 226º, nº 4):


A.​ Nos casos previstos na lei;
B.​ Nos procedimentos cautelares e em todos os casos em que incumba ao juiz
decidir da prévia audiência do requerido;
C.​ Nos casos em que a propositura da ação deva ser anunciada;
D.​ Quando se trate de citar terceiros chamados a intervir em causa pendente;
E.​ No processo executivo, nos termos do artigo 726º, nº 6 e 7;
F.​ Quando se trate de citação urgente.

Como dissemos anteriormente, a petição inicial é fundamental. Depois de


distribuído o processo ao juiz, este faz um despacho que pode:
➔​ Indeferir liminarmente a petição;
➔​ Convidar o autor a completar ou corrigir a petição;
➔​ Mandar arquivar o processo;
➔​ Ordenar a citação ao réu.

Assim, não sofrendo a petição nenhum defeito, o juiz ordena a citação nos termos
dos artigos 562º ou 561º (anteriormente referidos).
A citação está minuciosamente regulada nos artigos 225º e seguintes- que é o ato
pelo o qual se dá conhecimento ao réu de que foi proposta contra ele uma certa
ação e se chama ao processo para se defender (artº 219º, nº 1, já posteriormente
referido).
Concretizando-se assim, o princípio do contraditório.

6- Instância e seus Incidentes

Existem circunstâncias que implicam uma tramitação do processo diferente da


prevista no CPC (Ex: partes chegam a acordo, autor desiste da instância, réu não
contesta, ...).
Quando o processo segue uma tramitação normal, a sequência lógica e ordenada
pode ser perturbada por certas ocorrências, como os incidentes de instância.
O termo instância pode assumir vários significados:
1.​ Diversos graus de jurisdição foram admitidos na hierarquia judiciária
(tribunal de 1º instância, tribunal 2º instância).
2.​ Relação jurídica – processual, ou seja a ação em exercício e a sua tramitação
(regulados pelos artsº 259º a 291º).

Incidentes de instância

1 – Verificação do valor da causa (artº 296º ao 310º)

-​ A determinação do valor da causa é importante pois pode determinar a


competência do tribunal, a forma do processo, a alçada do tribunal (artº
296º, nº 2).
-​ Relativamente à competência, os tribunais centrais de 1a instância têm
competência para a preparação e julgamento das ações declarativas cíveis de
processo comum de valor superior a (euro) 50 000 (instâncias locais só até
50.000 € arto 117o Lei 62/2013).

-​ Relativamente à forma do processo o valor não é relevante, mas sim a


existência de lei que determine se é comum ou especial (artº 546º).
-​ Quanto ao valor da alçada, tem a ver com o valor que os tribunais julgam
sem possibilidade de recurso.
-​ Assim, um valor inferior a 5.000 € na 1a instância (artº 44º Lei 62/2013) fica
sem possibilidade de recurso.

-​ Os (artº 296º a 304º) limitam-se a enunciar critérios para a determinação e


fixação do valor a atribuir às ações.
-​ Assim, a toda a causa é necessário atribuir um valor certo, sendo este o valor
que tem de se atender para determinar a competência do tribunal.
-​ O valor da causa é também determinante para a obrigatoriedade, ou não, de
constituição de advogado (artº 40º).

2 – Intervenção de terceiros

2.1 – Intervenção principal


-​ A intervenção de terceiros é outro incidente que traz perturbações à
instância, constituindo incidentes. Neste incidente dá-se o estatuto de parte,
ou convida-se a integrar a instância, pessoas alheias à constituição inicial da
instância.
-​ A intervenção de terceiros divide-se em intervenção principal, acessória e
oposição.

-​ Consideram-se intervenção principal os casos em que um terceiro se associa


(espontaneamente) ou é chamado a associar-se (provocadamente) a uma das
partes primitivas.
-​ Esta intervenção visa tornar possível um hipotético litisconsórcio ou
coligação inicial.
-​ A parte que se associa tem uma igualdade ou paralelismo de interesse com a
parte primitiva que já estava na instância.
-​ Esta intervenção principal (espontânea ou provocada) está contemplada no
(artº 311º).
-​ Intervenção principal espontânea é quando alguém se junta a uma parte,
porque considera ter os mesmos direitos dessa parte.
EX: Um livro que tem 2 autores. Esse livro é copiado e vendido por um terceiro (que
não participou na elaboração do livro).
-​ Um dos autores mete uma ação contra o 3o elemento pedindo uma
indemnização.
-​ O 2º autor pode pedir uma ação declarativa de condenação, fazendo prova
da autoria e pedindo metade da indemnização a atribuir.
-​ O interveniente (2º autor do livro) invoca interesse igual ao do autor (1º autor
do livro), baseando-se na permissão do artº 311º.
-​ Esta intervenção é admissível a todo o tempo (antes de julgada a causa) e o
interveniente aceita a causa no estado em que estiver

-​ Intervenção principal provocada é quando alguém coloca uma ação em


tribunal e chama à ação outros elementos para serem parte em conjunto com
o autor da ação.
EX: Alguém que comprou uma fração de um prédio a uma empresa que não lhe dá
a licença de habitabilidade. Mete uma ação para exigir uma indemnização por
prejuízos.

-​ Na ação declarativa de condenação, intentada, explicita logo quais os


restantes donos de frações do prédio para que os mesmos sejam chamados
à ação, pois o problema é comum.
-​ Esta possibilidade está expressa no artº 316º.
-​ Esta intervenção provocada só pode ser requerido até ao momento em que
se poderia fazer a intervenção espontânea (antes de julgada a causa).

2 – Intervenção de terceiros
2.2 – Intervenção Acessória

-​ Consideram-se intervenção acessória os casos em que um terceiro se associa


a uma das partes primitivas, procurando com isso evitar o prejuízo que
indiretamente a decisão lhe iria provocar.
-​ O terceiro invoca, para essa intervenção, um interesse ou relação conexa ou
dependente da ação em litigância.
-​ O incidente de intervenção acessória (ou subordinada) tem 3 versões:

●​ Provocada;
●​ Do Ministério Público;
●​ Assistência.
Intervenção acessória provocada

-​ A intervenção acessória provocada resulta do chamamento que o réu faz de


um terceiro, na altura da sua defesa, para o auxiliar (artº 321º)
-​ O terceiro, chamado à ação, não tem os mesmos direitos da parte principal
(réu).
Apenas auxilia o réu para que a ação, intentada pelo autor, seja
considerada improcedente.
Ex: Uma vítima de um acidente (autor) aciona uma ação contra a companhia de
seguros (réu) para pagamento de indemnização. O condutor (terceiro) pode ser
chamado à ação, pelo réu pois conduzia o veículo de forma ilegal.

-​ No chamamento, o juiz ouve sempre a parte contrária (autor), pois esse


incidente pode perturbar a celeridade do processo artº 322º, nº 2.
-​ O juiz tem também de ficar convencido que existe viabilidade da ação de
regresso artº 322º, nº 2.

Intervenção Acessória do Ministério Público

-​ Sempre que o MP deva intervir nos termos da respetiva Lei Orgânica, é


oficiosamente notificada a pendência da ação artº 325º, nº 1.
-​ O MP deve zelar pelo interesse que lhe está confiado (menores, incapazes,
estado,...) artº 325º, nº 2.
-​ Se o MP não for notificado, tal é motivo de nulidade do artº 194º. Porém, esta
nulidade pode ser sanada se a parte que deveria ser assistida pelo MP fizer
valer os seus direitos

Assistência

-​ A assistência é outra das modalidades da intervenção acessória. Assim,


estando pendente uma causa entre duas ou mais pessoas, pode intervir nela
como assistente, para auxiliar qualquer das partes, quem tiver interesse
jurídico em que a decisão seja favorável a essa parte (artº 326º, nº 1).
-​ O assistente pode intervir a todo o tempo (requerimento especial, articulado,
alegação), mas tem de aceitar o processo tal como está arto 327o, no 1.
Ex: O Autor (Zé) promove uma ação contra o réu (Joaquim), por morte do pai
(António) que emprestou 10.000€ ao réu (Joaquim), nunca tendo sido pagos. O
Pedro (filho de António) constitui-se como assistente do autor (Zé), pois tem
interesse (é também herdeiro) que o Zé ganhe a ação.

-​ O juiz analisa o pedido e decide. Caso aceite o pedido notifica a parte


contrária artº 327º, nº 3.

-​ O assistente (interessado) justifica e formula a sua pretensão dizendo que


parte quer assistir, qual a sua legitimidade de intervir (interesse jurídico) e
os factos de que resulta essa legitimidade.
-​ Se o juiz não tiver motivo para indeferir a pretensão, notifica a parte
contrária que se vai opor ou silenciar.
-​ O assistente pode fornecer provas e testemunhas para a ação. No caso das
testemunhas só pode completar o número atribuído à parte principal (5
testemunhas) artº 330º.

Os assistentes têm os mesmos direitos e deveres da parte principal que assistem.


Contudo, estão subordinados à parte principal não podendo praticar atos que a
parte principal tenha perdido o direito de praticar. Nem pode praticar atos em
oposição ao assistido

2.3 – A Oposição

-​ A Oposição é outro incidente da instância e consiste na possibilidade de um


terceiro intervir numa causa, para fazer valer um direito próprio incompatível
com a pretensão do autor ou do réu artº 333º.
-​ A Oposição só pode ser feita enquanto não estiver marcado dia para a
audiência final da 1a instância artº 333º, nº 2.
-​ A Oposição feita por um terceiro e que pode ser:
●​ Espontânea;
●​ Provocada;
●​ Mediante embargos de terceiros.

Oposição espontânea
-​ A oposição espontânea é feita através de petição aplicando-se, com as
devidas adaptações, as disposições da petição inicial - artº 334º e artº 552º e
seg.
-​ O oponente, se aceite, fica numa posição de parte principal com os
consequentes direitos e deveres, sendo notificadas as partes primitivas, que
podem contestar esse pedido artº 335º.
-​ Se alguma parte reconhecer o direito do oponente, fica excluída do processo,
tomando o oponente o lugar dessa parte artº 337º.
Ex: Uma ação em que Manuel (autor) pede que Maria (Ré) reconheça que ele é o
único proprietário do prédio rústico. Roberto e mulher aparecem como opositores
alegando que o prédio foi dado por herança (em partes iguais) a Manuel e Roberto.
Assim, pede a oposição no processo.

Oposição provocada

-​ A oposição provocada é feita pelo réu quando está disposto a satisfazer a


pretensão do autor, mas conhece um terceiro que pode arrogar-se de direito
incompatível com o do autor artº 338º.
-​ O réu pode, até ao prazo da contestação, requerer que o terceiro seja citado
para vir deduzir a sua pretensão. Desse modo, evita ter de vir a pagar 2
vezes.
-​ Se o terceiro, citado, não deduzir oposição a ação prossegue extinguindo-se
o direito do terceiro para com o réu arto 340o.
Ex: Uma ação em que Laurindo (autor) pede a Maria (ré) o pagamento de 11.000€
relativos a créditos da empresa Vasco da Gama sobre a ré. A ré (Maria) reconhece a
divida mas tem dúvidas pois José tinha exigido o mesmo pagamento
(extrajudicialmente) invocando ter comprado esses créditos.
Maria pede a citação de José para que venha fazer oposição e não tenha que vir a
pagar 2 vezes o crédito.

Oposição por embargo de terceiro

-​ A oposição por embargo de terceiro é uma espécie de oposição espontânea


feita por um terceiro quando existem diligências de natureza executiva que
envolve penhora ou apreensão de bens.
O terceiro opõe um direito próprio incompatível com os efeitos das diligências
efetuadas artº 342º.

-​ O cônjuge com posição de terceiro pode defender o direito aos seus bens,
que tenham sido indevidamente atingidos por diligências de penhora ou
apreensão artº 343º.
-​ O embargo de terceiro, sendo deferido, põe fim à penhora ou apreensão de
bens artº 347º.
-​ O deferimento dos embargos implica a notificação das partes primitivas, para
poderem contestar artº 348º.

3 – Habilitação

-​ Os pressupostos da ação e defesa devem manter-se ao longo da causa.


Assim, se houver um falecimento, incapacidade, se o mandatário judicial
renunciar ao mandato,... há que regularizar a instância.
-​ Uma forma de regularizar a instância é através da habilitação .
-​ A habilitação tem como objetivo certificar que certa pessoa sucede a outra na
ação, na posição jurídica que a outra ocupava.

-​ A habilitação é objeto próprio de uma ação (processo declarativo), certifica a


legitimidade das partes (provas) e é um incidente de causa em juízo (coloca o
sucessor no lugar do falecido).
-​ A habilitação dos sucessores de parte falecida pode ser promovida por
qualquer das partes que sobreviveram... artº 351º.
Ex: António (autor) tem uma ação contra José (réu). José falece o que dá origem à
suspensão da instância. José (réu) deixou testamento onde instituiu Abel e Maria
como seus herdeiros. António (autor) pede a citação dos herdeiros para ocuparem a
posição deixada por José (réu).

-​ Deduzido o incidente ordena-se a citação dos requeridos que ainda não


estejam na causa e notificam-se os restantes artº 352º.
-​ Se a qualidade de herdeiro estiver decidida (por documento), os interessados
não podem impugnar a qualidade atribuída pelo artº 353º.

4 – Liquidação
-​ O incidente de liquidação pressupõe sempre um pedido genérico, nos termos
do artº 556º, nº 2, visando converter esse pedido genérico em pedido
específico ou líquido artº 358º, nº 1.
-​ A liquidação pode ser deduzida antes de começar a discussão da causa artº
358º, nº 1, ou depois de proferida a sentença artº 358º, nº 2.
-​ A liquidação é deduzida por requerimento, no qual o autor especificará os
danos e concluirá pedindo quantia certa no artº 359º.
Ex: Bernardo (autor) arrendou a João (réu) uma quinta. João deixou de pagar a
renda e ficou na quinta. Bernardo moveu uma ação contra João com um pedido
genérico de indemnização. Deduziu um incidente de liquidação onde pediu 20.000€
resultantes: de privação de uso da quinta (17.000€) e produção inferior por mau
trato (3.000€).

6.1- Princípios

Para que a instância tenha um começo é necessário ter em conta o estabelecido no


artigo 5º, nº 1 “Às partes cabe alegar os factos essenciais que constituem a causa
de pedir e aqueles em que se baseiam as exceções invocadas”.
Assim que para a instância tenha um começo é necessário a ação das partes
(princípio do dispositivo). O tribunal só pode agir se houver um pedido de uma
parte (nº 1, do artº 3º ).
Assim, são as partes que exercem a atividade necessária para que o processo
prossiga a tramitação necessária ( articulam, requerem, produzem provas,
discutem).
Fornecem ao juiz os materiais para seu conhecimento, que lhe vão permitir
emitir uma sentença.
-​ No desenvolvimento da instância cada parte alega (através dos articulados)
os factos que lhe são favoráveis. O autor fá-lo por exemplo na petição inicial
onde enumera os factos que lhe conferem o direito (artº 552º, 1-d).
-​ O réu, por sua vez, alega os factos impeditivos, modificativos ou extintivos.
O réu fá-lo por exemplo nas exceções onde invoca os factos que impedem,
modificam ou extinguem o efeito jurídico dos factos articulados pelo autor
(artº 576º, 3).
-​ No caso destas alegações não serem feitas a petição inicial é considerada
inepta ou a exceção considerada improcedente.
-​ O processo é uma luta entre as partes, que tem de decorrer segundo certas
normas. O juiz arbitra, pugna pelo cumprimento das normas e proclama o
resultado.
-​ Predomina o princípio do dispositivo (artº 3º, nº 1), conjugado com o
princípio do inquisitório, no artigo 411º). O juiz tem hoje um papel mais
ativo na procura da verdade.
-​ O princípio do dispositivo é essencial na petição inicial (artº 552º) do autor,
assim como na procedência da execução (artº 576º) ou da reconvenção (artº
266º) deduzidas pelo réu.
-​ Para além dos factos articulados pelas partes, o juiz pode ainda considerar
mais factos (artº 5º, nº 2).
-​ A intervenção do juiz baseia-se igualmente no princípio da cooperação (artº
7º), podendo ouvir as partes para esclarecer eventuais dúvidas que tenha.
-​ Deve igualmente prevenir as partes sobre eventuais deficiências ou
insuficiências nas suas alegações e informar sobre aspetos de direito ou de
facto que não foram consideradas pelas partes.
-​ No desenvolvimento da instância há que considerar também o dever de boa
fé processual (artº 8º). A má fé é considerada dolo processual.
-​ Existe má fé se tiver deduzido pretensão cuja falta de fundamento não devia
ignorar, se alterou a verdade, se tentar impedir a descoberta da verdade,...
-​ No desenvolvimento da ação deve existir também o dever de correção (artº
9º).
-​ Este dever liga-se ao de cooperação, evitando que quer oralmente, quer de
forma escrita, se ofenda a outra parte.
Em termos formais a Instância inicia-se quando a secretaria recebe a petição inicial
(artº 259º, nº 1) .
A forma como a secretaria recebe a petição pode variar:
➔​ Entrega direta ao balcão (data do carimbo receção);
➔​ Remessa postal em correio registado (data do registo);
➔​ Telecópia (data da expedição);
➔​ Correio eletrónico (data da expedição);

Todavia, o ato da entrega da petição não produz efeitos em relação ao réu senão a
partir do momento da citação, salvo disposição legal em contrário. (artº 259º nº2)
O passo seguinte é, então, efetuar a Citação do Réu.
Só após a citação do réu se tornam estáveis os elementos essenciais da causa (artº
564º ) e no artigo 259º, nº 2. Fixam-se as pessoas, o pedido e a causa de pedir.
Passa a existir estabilidade da instância (artº 260º).

Princípio da estabilidade da instância (artº 260º):

Citado o réu, a instância deve manter-se a mesma quanto às pessoas, ao pedido e à


causa de pedir, salvas as possibilidades de modificação consignadas na lei.
Todavia, a estabilidade da instância pode sofrer modificações, nomeadamente:
De ordem subjetiva :
-​ Quando se chama uma pessoa, não referida inicialmente, podendo essa
ausência provocar ilegitimidade de uma das partes (artº 261º, nº 1).
-​ Quando uma parte é substituída, quer por sucessão, quer por ato entre vivos
(artº 262º). A substituição só se dá quando alguém legitimo (Ex.v herdeiro)
substitui a parte em litígio.
-​ Quando existem incidentes de intervenção de terceiros (arto 262o). Neste
-​ caso é quando alguém transmite o seu direito por venda, doação,... (artº
263º), o adquirente substitui o transmitente.

De ordem objetiva:

-​ Quando se altera o pedido ou/e a causa de pedir (artº 264º e artº 265º ).

Se houver acordo das partes, aplica-se o (artº 264º). Se não houver acordo aplica-se
o artigo 265º.
POderá pedir-se, em simultâneo, a alteração do pedido e da causa de pedir (artº
265º, nº 6)
Exemplo: alteração do pedido de indemnização para renda mesmo que pedida
indemnização fixa (artº 567º do CC).

O réu pode também, em reconvenção, deduzir pedidos contra o autor (artº 266º).
A reconvenção é quando o réu pede a declaração de inexistência do direito do autor
e formula um pedido contra o autor. Passa a existir uma nova ação dentro do
processo (Ex: numa ação de despejo o réu pede a indemnização por benfeitorias
realizadas no imóvel).
A admissão da reconvenção acontece quando (artº 266º):
O pedido do réu emerge do facto jurídico que fundamenta a ação.
O réu pretende tornar efetivo o direito a benfeitorias ou despesas realizadas em
coisa cuja entrega lhe é pedida.
O réu pretende obter, em seu benefício, o mesmo efeito jurídico que o autor
pretende (EX: dono de taxi processa o condutor por cometer acidente. Condutor
processa dono por não ter feito manutenção).
O réu pretende o reconhecimento de um crédito cujo valor excede o crédito
reclamado pelo autor.

A reconvenção tem requisitos processuais formais. Só pode ser pedida se o


tribunal, onde corre a ação, tiver competência quer em termos de matéria, quer em
termos de hierarquia, quer em termos de nacionalidade (artº 93).
Não interessa em razão do valor e do território.
Por outro lado, o pedido reconvencional tem de ter a mesma forma do processo do
pedido principal (ação inicial) (artº 266º nº 3).
Quanto aos requisitos substantivos a reconvenção exige uma ligação ao facto
jurídico da ação.
O réu defende-se primeiro do pedido formulado pelo autor e depois contra ataca
deduzindo um pedido contra o autor.
Ações diferentes relacionadas entre si podem ser juntas num mesmo processo -
apensação de ações (artº 267º).
Logo, ações diferentes onde se admita o litisconsórcio, a coligação, a oposição ou a
reconvenção, devem ser juntas num único processo para permitir maior celeridade
e menor incómodo para as partes.

-​ Na maioria das ações são 2 partes que se confrontam, integrando com o juiz
a relação processual (relação trilateral). (EX: o portador da letra que aciona o
aceitante para exigir o pagamento, o marido que requer o divórcio contra a
mulher,...)
-​ Contudo, há situações em que há mais de 2 partes (vários autores contra um
réu. Um autor contra vários réus. Vários autores contra vários réus).

Resumindo:
-​ Sendo necessário fazer a citação dos réus, é a partir da citação que o ato de
propositura da ação ganha eficácia face ao(s) demandado(s), ao(s) réu(s).
-​ A instância fica estável quanto aos seus elementos objetivos (o pedido) e
quanto aos elementos subjetivos (as pessoas).
-​
A citação corta igualmente ao demandado a possibilidade de propor contra o autor
ação que tenha como objeto a mesma questão jurídica (artº 564º)

6.2- Causas da Suspensão

A instância pode ser suspensa nas seguintes situações (artº 269º):


➢​ Quando falecer ou se extinguir alguma das partes, sem que tenha prejuízo o
disposto no artigo 162º do Código das Sociedades Comerciais;
➢​ Nos processos em que seja obrigatória a constituição de advogado, quando
este falecer ou ficar absolutamente impossibilitado de exercer o mandato.
Nos outros processos, quando falecer ou se impossibilitar o representante
legal do incapaz, salvo se houver mandatário judicial constituído;
➢​ Quando o tribunal ordenar a suspensão ou houver acordo das partes;
➢​ Nos outros casos em que a lei o determina especialmente.
Em caso de transformação ou fusão de pessoa coletiva ou sociedade, parte na
causa, a instância não se suspende, apenas se efetuando, caso necessário, a
substituição dos representantes.
Apenas se procede à substituição, caso necessário, e não à suspensão da instância
em caso de transformação ou fusão de pessoa coletiva ou sociedade, parte na
causa (artº 269º, nº 2).
A morte/ extinção de qualquer parte não leva à suspensão, mas sim à extinção da
instância, quando impossível/ inútil a sua continuação (artº 269º, nº 3).

Juntamente ao processo, tem de existir um documento como prova ou


falecimento/ extinção de qualquer parte, sendo logo suspensa a instância, porém
se já se tiver iniciado a audiência de discussão oral ou se o processo já estiver
inscrito na tabela para julgamento. Nesse caso a instância só é suspensa após
proferida a sentença ou acórdão. A parte deve tornar conhecido no processo a
morte ou da extinção do seu comparte ou da parte contrária, providenciando pela
junção do documento comprovativo (artº 270º, nº 1 e 2).
Sendo nulos os atos praticados após a data em que ocorreu o falecimento ou
extinção. Esta nulidade fica suprida caso os atos praticados vierem a ser ratificados
pelos sucessores da parte falecida ou extinta (artº 270º, nº 3 e 4).
Sendo que o tribunal também pode ordenar a suspensão, assim que a decisão da
causa esteja dependente do julgamento de outra já proposta ou quando ocorrer
outro motivo justificado (artº 272º, nº 1).
Não podem nem deve ser ordenada a suspensão se houver fundadas razões para
crer que aquela foi intentada unicamente para se obter a suspensão ou se a causa
dependente estiver tão adiantada que os prejuízos da suspensão superem as
vantagens (artº 272º, nº 2).
Quando se realiza a suspensão sem fundamentos da pendência de causa
prejudicial, esta é fixada no despacho o prazo sobre o qual estará suspensa a
instância. Sendo que as partes poderão acordar na suspensão, por períodos que
não ultrapassem três (3) meses, desde que dela não resulte o adiamento da
audiência final (artº 272º, nº 3 e 4).

Assim que perdurar a suspensão só podem ser praticados os atos urgentes que se
destinam a evitar algum dano irreversível e, a parte que está impedida de assistir a
estes será representada pelo MP ou um advogado nomeado pelo juiz. E os prazos
não correm enquanto durar a suspensão (artº 275º, nº 1 e 2).
A suspensão não obsta a que a instância se extinga por desistência, confissão ou
transação, contanto que estas não contrariem a razão justificativa da suspensão
(artº 275º, nº 3).
Como é de esperar, a suspensão pode cessar por conta das causas vistas
anteriormente no artº 269º, nº 1 (artigo 276º, nº1):
1.​ No caso da alínea a), quando for notificada a decisão que considere
habilitado o sucessor da pessoa falecida ou extinta;
2.​ No caso da alínea b), quando a parte contrária tiver conhecimento judicial de
que está constituído novo advogado, ou de que a parte já tem outro
representante, ou de que cessou a impossibilidade que fizera suspender a
instância;
3.​ No caso da alínea c), quando estiver definitivamente julgada a causa
prejudicial ou quando tiver decorrido o prazo fixado;
4.​ No caso da alínea d), quando findar o incidente ou cessar a circunstância a
que a lei atribui o efeito suspensivo.

Caso a decisão da causa fizer desaparecer o fundamento ou a razão de ser que


causa que estivera suspensa, esta é improcedente. Se a parte demorar a constituir
um novo advogado, qualquer outra parte que seja notificada para a constituição do
mesmo dentro do prazo fixado (artº 276º, nº 2 e 3).
A suspensão determinada por lei é por exemplo aquilo determinado no artigo 29º
(falta de autorização ou de deliberação exigida por lei). A falta do cumprimento de
obrigações tributárias pode levar também à sua suspensão (artº 274º).

Como e quando cessa a suspensão (artº 276º):

6.3. Causas de Interrupção

-​ Quando o processo está parado por mais de um (1) ano por negligência das
partes em promover os seus termos ou de algum acidente que impossibilite
o seu andamento, a instância é interrompida.
-​ Já interrompida a instância, é cessado o efeito do artigo 481 alínea a) que
atribui à citação judicial, somando- se o tempo que decorrera até à citação
com oque decorrer a partir do momento da interrupção da instância. Volta a
correr, nos mesmos termos, o prazo fixado para a proposição da ação.

6.4. Efeitos da Extinção


A extinção consiste na cessação da instância antes de atingir a sua finalidade.
Consiste numa declaração judicial que extingue a instância.

A instância extinguem-se com (artº 277º):


A.​ O julgamento (artº 278º e 279º);
B.​ O compromisso arbitral (artº 280º);
C.​ A deserção (artº 281º);
D.​ A desistência, confissão ou transação (artº 283º);
E.​ A impossibilidade ou inutilidade superveniente da lide (artº 536º, nº 3 e 4);
F.​ A morte ou extinção de alguma das partes (artº 269º, nº 3).

Sendo assim causa da suspensão (artº 269º):

➔​ O falecimento ou extinção (pessoa coletiva) de alguma das partes;


➔​ Falecimento ou impossibilidade do advogado (quando obrigatório);
➔​ Falecimento ou impossibilidade do representante do incapaz;
➔​ Por ordem do tribunal;
➔​ Por acordo entre as partes (até 3 meses – artº 272º, nº 4).
Compete assim à parte, o autor ou o réu, atingida dar conhecimento deste facto ao
tribunal, seja através de uma certidão de óbito, avisando também a parte contrária
(artº 270º e artº 271º).

Serão nulos todos os atos que forem praticados após a morte ou extinção
comunicada, desde que não exijam contraditório (artº 415º).

-​ Não existindo a comunicação desta, o processo prosseguirá normalmente até


à sentença, sendo sempre válida.
-​ A suspensão por ordem do tribunal pode ser ordenada quando a decisão que
estiver em causa esteja pendente de uma outra- causa prejudicial (artº 272º,
nº 1).
-​ Embora se ação com a causa prejudicial for intentada apenas para suspender
a ação, esta não deve ser suspensa (artº 272º, nº 2).
-​ A suspensão que seja determinada por lei é por exemplo aquilo determinado
no artigo 29º- falta de autorização ou de deliberação exigida por lei. A falta
do cumprimento de obrigações tributárias leva também à suspensão (artº
274º).
O julgamento - Em determinadas situações o juiz deve extinguir a instância, sem
nada decidir, e absolver o réu (artº 278º). Isso passa-se quando:
➔​ Julgue procedente a exceção de incompetência absoluta do tribunal (ver
incompetência absoluta, artº 96º a 101º).
➔​ Quando anule todo o processo (artº 186º). (Ineptidão da petição inicial)
➔​ Quando alguma das partes não tem personalidade judiciária (artº 11º a 14º,
16º a 22º, 26º, 29º).
➔​ Quando considere ilegítima alguma das partes.
➔​ Quando se julgue procedente uma outra exceção dilatória (artº 27º, 41º,
48º).

-​ Embora, se o processo for enviado para outro tribunal ou as irregularidades e


exceções sanadas, cessa o disposto anteriormente.
-​ Caso haja absolvição da instância (absolvição do réu), pode ser proposta
ação sobre o mesmo objeto (artº 279º).

-​ O Compromisso arbitral – Em qualquer altura da causa (antes da decisão) as


partes podem acordar entregar a decisão a árbitros escolhidos por si (artº
280º).
-​ Este acordo tem de constar nos autos e lavrado o seu termo de
compromisso. As pessoas indicadas serão objeto de exame pelo tribunal
(artº 280º, n2).
-​ A deserção – Se as partes não impulsionarem o processo durante um
período superior a 6 meses, o tribunal considera a instância deserta (artº
281º).
-​ A desistência, confissão ou transação – A desistência é um ato unilateral , no
qual o autor faz cessar o processo instaurado (artº 285º, nº 2).
Na confissão é também um ato unilateral do réu, em que este reconhece
fundamento ao pedido do autor.

-​ Na transação há um ato bilateral em que as partes estabelecem um contrato


onde fazem concessões mútuas e decidem terminar o litigio.
-​ As concessões feitas podem constituir, modificar ou extinguir vários direitos
diversos do convertido (artº 1248º, CC).
-​ A desistência, confissão ou transação só podem ser feitas de acordo com a
lei (artº 289º). Os representantes também só podem atuar de acordo com as
suas atribuições (artº 287º).
-​ No caso de litisconsórcio a desistência, confissão ou transação é livre mas
com efeitos diversos (artº 288º).

-​ A impossibilidade ou inutilidade superveniente da lide acontece quando um


terceiro vier a resolver o problema em litigio ou quando se torne impossível a
entrega de certa coisa, porque desapareceu.
-​ A morte ou extinção de alguma das partes suspende ou extingue a instância.
-​ A instância pode ainda ser renovada (artº 282º), mesmo que já extinta,
quando as circunstâncias se alteram.
-​ Por exemplo (artº 2012º, CC), em que uma pensão de alimentos, já fixada,
pode ser alterada se as circunstâncias se alterarem.
-​
Neste caso não há uma nova ação, mas uma alteração do montante baseada na
decisão anterior (economia processual).
Conclusão

Este presente trabalho foi realizado no âmbito de direito processual e todos os


objetivos estabelecidos inicialmente foram cumpridos.
Aprendi também que o processo civil distingue-se do penal por ser um direito
privado e público e porque para que se desenrole o processo é necessário existir
queixa por uma das partes, enquanto que no penal no caso de crimes públicos o
Ministério Público era quem a apresentava. E que no processo civil estão integradas
várias partes e cada uma pratica os seus atos, como os atos das partes, os atos dos
magistrados e os atos da secretaria, visando assim obedecer a modelos aprovados
pelas entidades competentes. Conclui também que o processo civil é público, salvo
as restrições previstas na lei, utilizando-se o ofício para solicitar às entidades
públicas ou privadas que sejam fornecidas informações. A comunicação dos atos
entre serviços ou entidades é realizada nas secretarias judiciais e para esta
comunicação são utilizadas a carta precatória e a carta rogatória, o mandato,
citações e notificações, ofícios, a via postal, telecópia e o correio eletrónico e a
comunicação telefónica. Os atos podem ser considerados nulos quando estes não
obedeçam aquilo que está determinado na lei. Nos atos em especial a distribuição é
a repartição dos processos pelas secções, instâncias e tribunais e esta é realizada
por via eletrónica garantindo uma mais igualdade e aleatoriedade. Existindo
também a instância, que será o tribunal a qual será atribuído o processo (tribunais
de comarca, de relação e o Supremo Tribunal de Justiça) e quando o processo segue
uma tramitação normal, a sequência lógica e ordenada pode ser perturbada por
certas ocorrências, como os incidentes de instância.

Durante a realização do trabalho foram aparecendo algumas dúvidas, porém com a


ajuda do professor consegui superá-las.
Webgrafia

-​ Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho.

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