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ANÁLISE DE ERROS SISTEMÁTICOS E ERROS ALEATÓRIOS

Métodos Experimentais para Engenharia 01/2012

Professor: Márcio Avelar

Allan Parente Vasconcelos 09/0104838; José Elson Ângelo Pereira 10/0050751; Lourenço Henrique Neves Guimarães 09/0122003.

1. OBJETIVO

Identificar e analisar os erros sistemáticos e aleatórios observados no decorrer de processos de medição. Debater as variáveis que interferem no comportamento da variação total de um processo de medição.

2. INTRODUÇÃO

Este experimento trata-se do lançamento de uma bolinha de papel, por meio de uma catapulta confeccionada artesanalmente, em um alvo posicionado no chão. Sendo que a posição observada a cada lançamento será aquela do primeiro contato entre o objeto lançado e o alvo. A partir dos dados obtidos de um total de quarenta e cinco arremessos divididos igualmente em três jogadores, foram feitas analises a respeito da(s):

Reprodutibilidade: modificando um ou dois dos fatores abaixo:

O método;

O operador;

O instrumento de medição;

O local;

O tempo.

Repetitividade: conservando-se:

O mesmo método;

O mesmo operador;

O mesmo instrumento de medição;

O mesmo ambiente;

A mesma condição de uso;

A execução dentro de um curto período de tempo;

Componentes da variação total de um processo de medição.

Os resultados são expressos por meio de tabelas, gráficos, comentários e citações teóricas e daí tiram-se conclusões sobre o processo de medição utilizado e dos erros sistemáticos e aleatórios envolvidos.

3. RESUMO TEÓRICO

A análise de erros sistemáticos e aleatórios se apoia em uma série de conceitos e expressões matemáticas, desenvolvidas principalmente para padronizar o tratamento dos resultados obtidos em experimentações científicas e industriais. Para atingir os objetivos supracitados devem ser elucidadas algumas questões teóricas, e estas serão abordadas nos subitens a seguir. A equipe enumerou alguns tópicos considerados indispensáveis à discussão em questão, e são eles:

Diferença entre erro sistemático e aleatório;indispensáveis à discussão em questão, e são eles: Erro sistemático, tendência e correção; Erro aleatório,

Erro sistemático, tendência e correção;são eles: Diferença entre erro sistemático e aleatório; Erro aleatório, incerteza padrão e repetitividade;

Erro aleatório, incerteza padrão e repetitividade;e aleatório; Erro sistemático, tendência e correção; Influência da média sobre o erro; Diferença entre erro

Influência da média sobre o erro;Erro aleatório, incerteza padrão e repetitividade; Diferença entre erro e incerteza; Fontes de erros –

Diferença entre erro e incerteza;e repetitividade; Influência da média sobre o erro; Fontes de erros – fatores internos e externos

Fontes de erros – fatores internos e externos ao sistema de medições; interações e retroações; influência do operador; fatores internos e externos ao sistema de medições; interações e retroações; influência do operador; efeitos da temperatura.

3.1 Diferença entre Erro Sistemático e Erro Aleatório

Um erro ocorre quando o comportamento esperado de um sistema se afasta do ideal (ALBERTAZZI). Esse afastamento pode ocorrer de maneiras distintas, onde a diferença reside no fato desse erro ser ou não previsível. Analisando a previsibilidade, o erro pode ser classificado como aleatório - também chamado de erro residual - ou sistemático. O erro aleatório é a parcela imprevisível do erro (ALBERTAZZI). O termo “aleatório” é muito bem empregado, pois a aleatoriedade é uma característica marcante deste erro. Não se tem como prevenir o erro aleatório. Não se tem como prever a quantidade de erro e nem se será acima ou abaixo do valor esperado, gerando assim uma dispersão de valores em torno de um ponto central, que pode ser matematicamente analisada em busca de mais explicações acerca do fenômeno. O erro sistemático é a parcela previsível do erro. Corresponde ao erro médio (ALBERTAZZI). Na prática, ocorre numa situação onde você consegue imaginar facilmente onde incidirá a próxima medição, mesmo que essa seja distante do ideal. Esses erros podem ter natureza instrumental, devido a instrumentos ineficazes, mal calibrados ou mal tratados. Podem ainda advir de fatores ambientais, como temperatura, umidade, pressão e claridade, dentre outras possibilidades. Intimamente relacionado com os conceitos de erro aleatório e sistemático, estão outros dois conceitos: exatidão e precisão. Ter exatidão é se aproximar ao máximo do valor real, errar o mínimo. Ter precisão é gerar pouca dispersão entre os valores, independente desses valores serem ou não corretos. Englobando todos esses conceitos, pode-se concluir que:

Um sistema com exatidão certamente possui um baixo erro sistemático ; exatidão certamente possui um baixo erro sistemático;

Um sistema com precisão , certamente tem uma pequena faixa de incidência de erro aleatório . No entanto, precisão, certamente tem uma pequena faixa de incidência de erro aleatório. No entanto, ele pode possuir erro sistemático e manter sua precisão.

3.2 Erro Sistemático, Tendência e Correção

O erro de medição é definido pela expressão:

E = I VV

Onde E corresponde ao erro de medição, I corresponde à indicação do sistema de medição e VV corresponde ao valor verdadeiro do mensurando. Partindo desse conceito, pode-se estimar a parcela de erro sistemático dum sistema usando a expressão:

E s = - VV

Onde E s corresponde ao erro sistemático, corresponde à média do número infinito de indicações e VV corresponde ao valor verdadeiro do mensurando. Não é viável e nem possível realizar infinitas medições, portanto definiu-se como estimativa aproximada do erro sistemática a chamada tendência, representada pela expressão:

Td = - VVC

Onde Td corresponde à tendência e VVC corresponde ao valor verdadeiro convencional, uma estimativa suficientemente próxima do valor verdadeiro do mensurando (ALBERTAZZI). A partir da tendência, é possível obter mais um importante ente metrológico:

a correção. Como o próprio nome define, a correção é responsável por tentar ajustar o erro sistemático detectado. Ela é representada matematicamente pela expressão:

C = -Td = VVC -

Onde C corresponde à correção, e as demais variáveis já foram previamente identificadas.

3.3 Erro Aleatório, Incerteza-Padrão e Repetitividade

Matematicamente, pode-se representar o erro aleatório pela seguinte expressão:

Ea i = I i +

Onde Ea i corresponde ao erro aleatório da i-ésima indicação e I i corresponde a própria i-ésima medição. O valor do erro aleatório não tem grande valor prático, mas a faixa de valores dentro da qual o erro aleatório é esperado, denominada repetitividade, tem grande aplicabilidade. Ela é utilizada para estimar a faixa de incertezas associadas ao resultado da medição. A incerteza-padrão é mais um valor que pode ser estimado. Ela corresponde ao valor do desvio-padrão do erro aleatório de medição (ALBERTAZZI). De posse da conhecida expressão que calcula o desvio-padrão, basta calcular o desvio-padrão da amostra para

obter então a incerteza-padrão. De posse do valor da incerteza-padrão, calcula-se a estimativa da repetitividade assim:

Re = t u

Onde Re corresponde à repetitividade, t corresponde ao coeficiente t de student (buscado em uma tabela de probabilidades) e u corresponde à incerteza-padrão.

A estimativa da repetitividade pode ser observada através de uma distribuição

normal, onde limitando um intervalo de duas vezes o desvio-padrão da população antes e depois da origem, tem-se sob o gráfico uma área correspondente a 0,9545 (95,45%) do total. Significa dizer que há 95,45% de chances de o erro aleatório de alguma medida se encontrar nesta faixa.

3.4 Influência da Média Sobre o Erro

O erro sistemático pode ser compensado através da correção. O erro aleatório,

apesar de estimado o intervalo onde ele incide, não pode ser compensado graças a sua imprevisibilidade. No entanto, quando se tira a média de várias medições, percebe-se a

redução da influência do erro, podendo ser feita uma medida mais precisa. O erro aleatório da média é menor do que o erro aleatório de uma indicação individual. Esse efeito da média é observado e utilizado em expressões para o cálculo de desvio- padrão, incerteza-padrão e repetitividade. As expressões são as seguintes:

σ xm = σ x /n

Re = Re I /n

u I = u/n

3.5 Diferença Entre Erro e Incerteza

É importante notar que erro e incerteza não guardam o mesmo significado. O erro

vem da diferença entre o valor obtido na medição e o valor verdadeiro do mensurando. A incerteza caracteriza a dispersão de valores que podem ser atribuídos ao mensurando, é um

parâmetro associado ao resultado de uma medição (ALBERTAZZI).

3.6 Fontes de Erros

É de extrema importância o conhecimento das possíveis ou até prováveis fontes

de erro de medição. Diversos fatores, alguns óbvios e outros nem tanto, geram erros de medição que precisam ser levados em conta na hora da análise final dos resultados. Serão

brevemente enumeradas algumas fontes de erro, separadas por categorias:

Fatores internos ao sistema de medição: limitação tecnológica, calibração do equipamento, defeito desconhecido. limitação tecnológica, calibração do equipamento, defeito desconhecido.

Fontes externas ao sistema de medição: vibrações, vento, dilatações decorrentes de ação de temperatura, presença de campos eletromagnéticos. vibrações, vento, dilatações decorrentes de ação de temperatura, presença de campos eletromagnéticos.

Interações e retroações: efeitos causados no mensurando pelo próprio instrumento, durante o processo de medição. efeitos causados no mensurando pelo próprio instrumento, durante o processo de medição.

Influência do operador: leitura equivocada, método de operação equivocado, método de operação não uniforme. 4.

Influência do operador: leitura equivocada, método de operação equivocado, método de operação não uniforme.

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Material utilizado:

uniforme. 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Material utilizado : 1 2 1 1 1 eixo; porcas; arruela; elástico;

uniforme. 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Material utilizado : 1 2 1 1 1 eixo; porcas; arruela; elástico;

uniforme. 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Material utilizado : 1 2 1 1 1 eixo; porcas; arruela; elástico;

uniforme. 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Material utilizado : 1 2 1 1 1 eixo; porcas; arruela; elástico;

uniforme. 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Material utilizado : 1 2 1 1 1 eixo; porcas; arruela; elástico;

1

2

1

1

1

eixo;

porcas;

arruela;

elástico;

catapulta;

Bolinhas de papel.: 1 2 1 1 1 eixo; porcas; arruela; elástico; catapulta; Figura 4.1 – Foto dos

porcas; arruela; elástico; catapulta; Bolinhas de papel. Figura 4.1 – Foto dos materiais utilizado no

Figura 4.1 Foto dos materiais utilizado no experimento.

4.1 – Foto dos materiais utilizado no experimento. Figura 4.2 – Peças necessárias para a montagem

Figura 4.2 Peças necessárias para a montagem da catapulta.

Figura 4.3 – Catapulta totalmente preparada para a realização do experimento. O Grupo 01, componentes

Figura 4.3 Catapulta totalmente preparada para a realização do experimento.

O Grupo 01, componentes deste relatório, montou uma catapulta para que os jogadores

do Grupo 02 fizessem os lançamentos, e vice e versa. Foi realizado pelo o Grupo 02 um “Manual de uso” para o Grupo 01. As instruções foram:

- Posicionar a bolinha de papel no lançador, garantindo que ela não enrosque no parafuso interno.

- Amassar mais a bolinha para que fique mais compactada.

- Certificar-se que a catapulta esteja posicionada rente a marcação de lançamento (fita adesiva).

- Para o arremesso: segure o lançador pela madeira, unindo-o a plataforma inferior.

o lançador pela madeira, unindo-o a plataforma inferior. Figura 4.4 – Foto mostrando o “lançador” e

Figura 4.4 – Foto mostrando o “lançador” e o parafuso interno citado nas instruções.

A catapulta estava localizada a uma distância de quatro metros do alvo, marco zero. As medições foram feitas de uma forma previamente determinada. Com uma fita adesiva colada ao chão, se fizeram marcações a cada 10 centímetros, por uma distância de dois metros. Onde as posições foram enumeradas de -10 a 10 e o alvo localizado em zero. Caso a bolinha caísse antes da marcação -10, atribuir valor de -20, se a bolinha ultrapassasse a marcação em 10, atribuir valor de 20.

Figura 4.5 – ilustração das marcações no chão. Cada jogador realizou quinze lançamentos. Os dados

Figura 4.5 ilustração das marcações no chão.

Cada jogador realizou quinze lançamentos. Os dados obtidos foram:

   

Jogador

Lançamento

A

B

C

1

-3

-3

-3

2

-2

0

-3

3

0

0

-1

4

1

-3

0

5

-4

-7

-2

6

-9

2

4

7

-4

1

1

8

0

0

-1

9

-2

-5

-2

10

-2

-2

-2

11

1

1

0

12

-8

-20

-4

13

0

0

3

14

-5

-4

-5

15

1

-7

0

Tabela 4.1 Resultados dos lançamentos dos três jogadores.

Foi realizado o cálculo da média de cada jogador e média global de todos os lançamentos, assim como também o cálculo de desvio padrão. A base da fórmula do desvio

padrão usada foi:

.
.

Jogador

A

B

C

Média

Parcial

-2,4

-3,133

-1

Global

-2,178

Desvio Padrão

Parcial

3,158

5,475

2,449

Global

3,927

Tabela 4.2 Média e desvio padrão dos dados obtidos.

Tabela 4.2 – Média e desvio padrão dos dados obtidos. Figura 4.6 – Gráfico da média

Figura 4.6 Gráfico da média de cada jogador.

Figura 4.6 – Gráfico da média de cada jogador. Figura 4.7 – Gráfico do desvio padrão

Figura 4.7 Gráfico do desvio padrão de cada jogador.

Considerando o Valor Verdadeiro Conhecido (VVC) como quatro metros, e o Grau de Liberdade ( ) como 44 (45 - 1 = 44) e tendo como auxilio a Tabela 3, podemos verificar a Repetitividade (Re) e a Tendência (Td), uma estimativa do erro sistemático, do experimento. Onde “I” é o valor da média global, em módulo e “u” a incerteza padrão, correspondente ao valor do desvio padrão global.

em módulo e “u” a incerteza padrão, correspondente ao valor do desvio padrão global. Td =

Td = I - VVC Re = t • u

Tabela 4.3 – Valores do coeficiente “t” de Student. Dessa forma o valor aproximado da

Tabela 4.3 – Valores do coeficiente “t” de Student.

Dessa forma o valor aproximado da Repetitividade obtido foi de 8,091. Como observado na Tabela 3 não há o valor exato do Grau de Liberdade do experimento, = 44, portanto usou-se o valor de =40. A Tendência resultou em um valor de -1,822.

o valor de =40. A Tendência resultou em um valor de -1,822.   Re Td  
o valor de =40. A Tendência resultou em um valor de -1,822.   Re Td  
 

Re

Td

 

u = 3,82

8,091

-1,822

I = 2,178

t = 2,064

VVC = 4

Tabela 4.4 Resultados da Repetitividade e da Tendência.

5. CONCLUSÃO

Na seção 3. Resumo Teórico foi tratado o tema 3.6 Fontes de Erros, que será o foco da conclusão do presente relatório. O experimento realizado se trata de uma analogia com procedimentos de medição, onde se pode praticar os cálculos relativos à média, desvio- padrão, repetitividade e etc.

O experimento foi feito de forma bastante rudimentar, onde diversos fatores

influenciam nas medições realizadas. O grupo enumerou como fatores preponderantes:

O atrito com os dedos do lançador, no momento de soltar a extremidade do braço

O atrito com os dedos do lançador, no momento de soltar a extremidade do braço

da

catapulta. É um tipo de erro operacional;

O parafuso interno do lançador, em alguns momentos, se enroscava com a bola de

O parafuso interno do lançador, em alguns momentos, se enroscava com a bola de

papel, devido à superfície irregular da bola. É um tipo de fator interno ao sistema de

 

medição;

A montagem escolhida gerou um braço de alavanca avantajado, cujo impulso

A

montagem escolhida gerou um braço de alavanca avantajado, cujo impulso

fornecido pelo elástico deslocava a base da catapulta adiante, dissipando parte da

energia que seria fornecida à bolinha. É mais um fator interno ao sistema de

 

medição;

As marcações produzidas no chão, com fitas tipo “fita crepe”, são bastante grossas. Além do

As marcações produzidas no chão, com fitas tipo “fita crepe”, são bastante grossas. Além do mais, a precisão era bastante baixa, com divisórias apenas a cada 10 centímetros. É mais um tipo de fator interno ao sistema de medição, gerado por uma escolha operacional no momento da montagem da catapulta;

Outro fator que influenciou bastante nos valores obtidos nos cálculos foi a regra pré- definida

Outro fator que influenciou bastante nos valores obtidos nos cálculos foi a regra pré- definida de atribuir valor +20 ou -20 aos lançamentos que atingiram posições a

distâncias acima de 1 metro afastadas do centro do alvo. A amostra de resultados de um dos lançadores teve seus cálculos bastante influenciados por um único lançamento.

A realização do experimento e do relatório foi de importante valor na familiarização do grupo com as práticas da metrologia. Além disso, foi responsável por gerar uma preocupação maior com as possíveis fontes de erros presentes em qualquer experimento. É importante estudar essas fontes, a fim de poder tentar evita-las ao máximo em experimentos futuros. Quando não for possível diminuir as fontes de erros contidas na montagem, método ou operação, também se tem ferramentas matemáticas para atenuação de erros experimentais previamente abordadas em seções anteriores do relatório.

6. BIBLIOGRAFIA

ALBERTAZZI, A.A., SOUSA, A.R., Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial, Editora Manole, 1ª edição, 2008.