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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO

ESCOLA POLITÉCNICA DE PERNAMBUCO Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil

CARLLA PEREZ DANYELLE DE HOLANDA BELTRÃO MACIEL IZABELA ANTAS VIEIRA DE MELO GEOVANNI RIBEIRO CAVALCANTI NATHALIE LUNDGREN DE QUEIROGA CAVALCANTI

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE ÁREA CONTAMINADA

Recife, PE 2012

UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO
ESCOLA POLITÉCNICA DE PERNAMBUCO Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil

CARLLA PEREZ DANYELLE DE HOLANDA BELTRÃO MACIEL IZABELA ANTAS VIEIRA DE MELO GEOVANNI RIBEIRO CAVALCANTI NATHALIE LUNDGREN DE QUEIROGA CAVALCANTI

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE ÁREA CONTAMINADA

Trabalho apresentada ao Curso de Pós-graduação em Engenharia Civil, da Escola Politécnica de Pernambuco da Universidade de Pernambuco como parte da disciplina IGDITC. Prof. Dra. Fátima Brayner.

Recife, PE 2012

1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO IMÓVEL O imóvel objeto deste estudo, localiza-se na Av. Norte, nº 7695, no bairro da Macaxeira, na cidade do Recife, Estado de Pernambuco (foto 1) por trás do açude de Apipucos, num antigo engenho, limitado pelo Loteamento Othon Bezerra de Mello a Oeste; pela Av. Norte à Leste; pela Rua do Monte, ao Norte; e pela Rua Batista do Rego Barros e parte do Loteamento Othon Bezerra de Mello, ao Sul, ocupando uma área de terreno de 50.000 m2.

Foto 1 (locação do imóvel) Foto 2 (situação do imóvel) (Fonte: Cláudia Barbosa Cardoso Dentre as benfeitorias existentes no imóvel, as edificações de frente para a Avenida Norte são consideradas pela Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) da cidade do Recife, Imóveis Especiais de Preservação (IEP’s). O Imóvel está inserido ainda numa área de preservação de área verde (IPAV). As demolições, as descaracterizações dos elementos originais e as alterações da volumetria e da feição da edificação original não são permitidas.

Figura 3 – Vista de cima da área (Fonte: Cláudia Barbosa Cardoso)

2. HISTÓRICO OCUPACIONAL Inicialmente denominava-se Fábrica de Tecidos de Apipucos (1898). Na época pertencia a Braz Silva, até meados da década de 20, e que possivelmente trabalhou apenas com estopas. Em 1925, a fábrica (foto 2) muda de proprietário e passa para o comando de industrial Othon Linch Bezerra de Mello, conhecido por Oto Lins, pernambucano de Limoeiro(PE).

Fábrica Coronel Othon, meados de 1920 Fonte: URB/Recife, DPU/ DPSH Após a transação, a Fábrica de Tecidos de Apipucos passou a se chamar Fábrica de Tecidos Othon Bezerra de Mello, começando a trabalhar não mais só com estopas, mas com tecidos também, por isso, ficou conhecida como Cotonifício Othon Bezerra de Mello, Fábrica Coronel Othon ou ainda Fábrica da Macaxeira. Othon Linch Bezerra de Mello estudou na Europa, e trouxe inovações resultantes da revolução Industrial para suas fábricas. Ele procurou adapta a fábrica às novas tecnologias, melhorando a qualidade da tecelagem e, por isso, trouxe maquinários da Europa (foto 3) e técnicos ingleses e alemães.

Foto 3 (Fábrica Coronel Othon – maquinário importado da Europa) FONTE: URB/Recife, DPU/ DPSH

A integrava o entorno da fábrica as vilas operárias que foram construídas para uma melhor acomodação dos funcionários do Cotonifício. A primeira foi a Vila Carrapateira, próxima à fábrica; a segunda, a Vila Regina ou Vila Buriti, que foram construídas pela necessidade de mais moradias. Com a interrupção da produção de algodão a fábrica sofreu momentos de instabilidade. Por isso, no início da década de 1970, o Sr. Othon, loteou e vendeu uma parte do terreno da fábrica (Loteamento Othon Bezerra de Mello), voltado para o açude. O primeiro fechamento da fábrica ocorreu em 1982. Os prováveis motivos foram: a morte do Coronel Othon (8/02/1970); a falta de interesse da família em manter a fábrica funcionando; a crise financeira da época; a dificuldade em adquirir matéria prima; a opção de investimentos na rede hoteleira; dívidas trabalhistas, entre outros. Foi reativada em seguida, porém sobreviveu precariamente até 1991, quando foi fechada definitivamente, com isto, o bairro foi perdendo o aspecto operário, e as casas das vilas foram descaracterizadas, com reformas. A comunidade passou a conviver com diversos problemas sociais que o desemprego causou. Há informações de que a fábrica já foi motivo dos mais diversos projetos que não se realizaram, dentre os quais o de um shopping em 1996, uma proposta de reocupação com a construção de dois edifícios para fins comerciais ou um condomínio de casas, em fevereiro de 2007, entre outros. 3. SITUAÇÃO ATUAL Pode-se dividir o conjunto de edifícios do Cotonifício em duas partes: o edifício principal e os galpões, além de existir uma chaminé, que se torna um ponto focal (vide ilustração 1):

Ilustração 1 – Distribuição das edificações

Atualmente, o complexo de edificações que compõe a fábrica encontra-se numa situação extremamente deplorável. A fachada principal, formada pelo edifício central e galpões, voltados para a Avenida Norte, encontra-se em avançado estado de deterioração. A degradação atinge as edificações como um todo, onde além da obsolescência do seu uso vários componentes tais como vedações, revestimentos, coberta, esquadrias, instalações em geral estão completamente inoperantes. O risco de desabamento dos galpões é considerável.

Figura 4 – Escritório/Administração

Figura 5 – Galpão

Figura 6 – Galpões (Av. Norte)

Figura 7 – Esquadrias

Figura 8 – Infraestrutura interna

Figura 9 – Coberta dos galpões

A seguir apresenta-se a descrição dos principais problemas constatados durante vistoria realizada durante estudos realizados em 2008. SUBSISTEMA CONSTRUTIVO PROBLEMAS ENCONTRADOS 1. manchas causadas pela umidade 2. fissuras, rachaduras e buracos 3. encontra-se frágil 4. pichações 5. pintura deteriorada 6. reboco deteriorado 7. lodo 1. quebradas 2. sem vidro 3. enferrujadas 4. apodrecidas 5. faltam peças 6. vedadas com tijolos 1. ausência de revestimento 2. presença de lodo e vegetação 1. sem gesso (apenas vestígios) 2. telhas quebradas, furadas ou inexistentes. 3. treliças metálicas enferrujadas 1. não dispostas a olho nu 1. esgoto a céu aberto 2. canaletas obstruídas

1. Alvenaria

2. Esquadrias

3. Piso

4. Forro, cobertura e coberta

5. Instalações elétricas 6. Instalações sanitárias

4. CRITÉRIOS DE ENQUADRAMENTO DA BROWNFIELDS Partindo-se do conceito que classifica uma área dentro do espaço urbano como uma Brownfields, verifica-se que a área apresentada figura atualmente como um imóvel sem uso, não possuindo ocupação alguma desde o fechamento da fábrica em 1991, caracterizando então como imenso espaço vazio no tecido urbano local, completamente subutilizado. Algumas brownfields prejudicam o meio ambiente por causa da contaminação dos solos e da herança de um passivo ambiental, favorecendo o depósito clandestino de lixo e resíduos e a ocupação por parte de mendigos. A economia local fica prejudicada, havendo desvalorização do entorno (Vasques, 2005). Pouco se sabe sobre a forma com que a fábrica tratava seus resíduos de produção, nem mesmo como eram manuseadas as substâncias empregadas na fabricação dos produtos e manutenção das diversas máquinas ali instaladas, haja vista o desconhecimento à época dos procedimentos seguros com o manejo de tais substâncias. De toda forma, os principais passivos ambientais das indústrias são: solos contaminados, aquíferos poluídos e resíduos tóxicos (Sanchéz, 2001).

Outra lacuna que abre precedente para a questão do passivo ambiental que fábrica pode ter deixado, inclusive com indícios de contaminação é ausência de informações sobre a disposição e o destino que fora dado aos restos de matéria prima, máquinas, ferramentas, resíduos de produção, etc, que existiam quando da desativação da fábrica. Segundo a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (CETESB, 1999), uma área contaminada pode ser definida como um local ou terreno, cujo solo sofreu dano ambiental significativo que o dificulta de tomar suas funções naturais. De acordo com Lima e Silva (2005 apud FREITAS, 2011), as atividades industriais geram e utilizam uma grande quantidade de compostos orgânicos, como os hidrocarbonetos aromáticos solúveis. Os metais alumínio, cádmio, chumbo, mercúrio, níquel, e o zinco são exemplos de contaminantes inorgânicos que podem estar atrelados à indústria química, mineração e agricultura. A contaminação do subsolo por estas substâncias é ocasionada, muitas vezes, por vazamentos de tanques subterrâneos de armazenamento, derramamentos acidentais durante o transporte e manipulação dos produtos, vazamentos no sistema de produção industrial, ou práticas antigas de destinação final de resíduos, que eram consideradas procedimentos padrão adotados pelas indústrias. De concreto, resta que de acordo com a definição da Lei Federal nº 6938/81, o imóvel é considerado de fato como uma fonte de poluição em face da situação atual, extremamente degradante que afetam as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente, além de prejudicar a saúde, a segurança e o bem-estar da população, criando inclusive condições adversas às atividades sociais e econômicas; 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS São inúmeras as possibilidades de reuso de uma brownfield, podendo ter a mesma função anterior, desde que passe pelas devidas intervenções. Para uso agrícola ou residencial é importante o nível de qualidade do terreno, devendo estar isento de contaminação. O problemas dos brownfields está presente em várias cidades, devendo haver intervenção do poder público, buscando novas potencialidades e refuncionalizando estas áreas, atribuindo novo valor de uso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARDOSO, Cláudia Barbosa. Revitalização da Fábrica da Macaxeira - um complexo sociocultural. 2008. 128 f. Monografia (Graduação) – Faculdades Unidas de Pernambuco, Recife. Contaminação em Imóveis. Guia para avaliação do potencial de contaminação em imóveis. 2005. Disponível em: < http://www.semasa.sp.gov.br>. Acesso em: 1 jun. 2012. FREITAS, Marcelo Luiz Gonçalves de. Avaliação do potencial de contaminação de áreas urbanas. Estudo de caso: área no Cais José Estelita, Recife-PE. 2011. 92 f. Dissertação (Mestrado) – Mestrado em Engenharia Civil, Universidade de Pernambuco, Recife. SANCHÉZ, L. E.; Desengenharia: o passivo ambiental na desativação de empreendimentos industriais. Edusp / Fapesp. São Paulo – SP. 2001. Disponível em: <books.google.com.br/books?hl=pt-BR&Ir=&id=SQM_xAnKtpEC&oi=fnd&pg= PP17&dq= Passivo+ambiental+da++fabrica+de+tecidos&ots=aYHA5mumDR&sig=x8oY6Smmef097PL TLKHdtkaclGM#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 01 junho 2012. VASQUES, A. R.; Refuncionalização de brownfields: estudo de caso na zona leste de São Paulo. Universidade Estadual Paulista. Rio Claro – SP. 2005. Disponível em: <www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/brc/33004137004P0/2005/vasques_ar_me_rcla. pdf>. Acesso em: 01 junho 2012.

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