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RADIOMODIFICADORES

Os radiomodificadores podem ser:

• radioprotetores
• radiossensibilizadores
RADIOPROTETORES

1. Nas aplicações militares seria importante o desenvolvimento de


drogas radioprotetoras.

2. Atualmente depende somente blindagens.

3. A prática tem demonstrado que eles são eficientes “antes da


exposição”.

4. Surgem ocasiões em que a “exposição” é inevitável


(descontaminações de fallout, limpeza de áreas com acidentes
radioativos
Características dos radioprotetores

1. Dar proteção reduzindo o efeito da radiação por um fator de 2 pelo


menos. Ser facilmente auto administrado, de preferência via oral.

2. Tempo de ação longa. Em camundongos o WR - 2721 dura cerca de


4 horas com uma única injeção.

3. Deve ser bem tolerado e não interferir com o comportamento.

4. A droga deve produzir um mínimo de efeitos secundários, não


acumular e produzir efeitos tóxicos irreversíveis.

5. Deve durar com armazenamento 2 - 5 anos e ser estáveis em


condições adversas.
Perspectiva Histórica
1. Primeira experiência aconteceu na década de 50. Grandes doses de
Cisteína, I.V. em ratos; 15 min antes da dose letal de RX. Sobrevivência
foi .
2. Era época de grande investimento militar na área nuclear.
3. Após o 1o. experimento organização de grupos para estudos.
4. Testou-s eo MEA (B mercaptoetilamina) que foi efetivo em baixas doses.
5. A partir daí obtenção de novas drogas parecidas com os
conhecimentos efetivos.
6. 1950 AIEA programa de estudo que levou ao AET
(2 - aminoetilisotiouronium).
7. De 1957 1973 4400 compostos foram desenvolvidos, a
maioria aminotióis e derivados.
8. Neste programa WR 2721 efetivo.
9. Outros estudos continuam sendo feitos
Mecanismo de ação da radiação

- direta
- indireta (radicais)

alvos: DNA, proteínas, membranas

Time scale pico segundos até horas

Os radioprotetores podem agir em qualquer evento, mas o tempo


mais curto de ação seria 10-9 s após irradiação.

Eles agem por competição


Mecanismo de Radioproteção

- Radioprotetores não podem prevenir os efeitos extremamente


rápidos da radiação.

- Mas devem agir na ação indireta da radiação separando os


defeitos agindo em três níveis:

- nível molecular
- nível fisiológico - bioquímico
- nível de órgão
MECANISMOS
Nível Molecular
- Scavenger radicais livres
- Doação de hidrogênio
- Ligação a alvos biológicos críticos
- Formação de pontes S mistas

Nível Bioquímico - Fisiológico


- Hipóxia : pode agir
• Interfere na entrada de oxigênio por alterações cardiovasculares
• Bloqueio da Hb
• uso do O2 pelo tecido
• Induz hipóxia local por reações bioquímicas
• Deprime os centros respiratórios

-Sulfidril não protéico


Já existe na célula (endógeno) glutationa
- Choque Bioquímico
• Usado para descrever mudanças bioquímicas que ocorrem quando a
célula se adapta ao aumento da concentração de tióis radioprotetores.
• Pontes S-S entre radioprotetores e membranas alteração estrutural
grande na mitocôndria e outras organelas, seguida por alterações
bioquímicas , que inclui:
glicogenólise no fígado
glicose, síntese protéica
síntese do DNA
divisão celular
A síntese do DNA e da divisão celular aparece com os radioprotetores
tempo para a célula reparar-se.

- Hipotermia
T radioresistência

Nível de Órgão
Estímulo à recuperação da população celular. Renovação dos steam cell.
SCREENING DE RADIOPROTETORES
Letalidade de mamíferos em geral camundongos

Fatores que afetam:

- escolha do animal
- toxicidade e via de administração
- dose, taxa de dose
- qualidade da radiação
- tempo entre a droga e a radiação
Critérios de Avaliação
1. Redução de dose DrF

LD 50/30 animais protegidos


DrF = LD 50/30 animais não protegidos

DrF = 3,0 animais sobrevivem a doses 3 vezes maiores

2. Análise de Nódulos no Baço

Recuperação do irradiado é acompanhado por nódulos no baço.


O número é inversamente proporcional à dose

3. Cultura de Tecidos

Atividade das células de se reproduzirem


Radioprotetores aminotióis
Toxicidade Dose de
DL 50 Proteção
Composto (mg/kg) (mg/kg) DRF
Cisteína 1700 1200 1,7
MEA 200 150 1,7
Cistamina 220 150 1,7
AET 480 400 2,1
WR 638 1120 500 2,0
WR 2721 950 500 2,7
WR 3689 1120 450 2,2
WR 77913 3574 2200 2,0
WR 151327a 785 315 1,9
Mercaptopropionilglicinab 2100 20 1,4
Glutationa 4000 4000 1,3

Dados obtidos pela exposição de camundongos expostos a radiação gama ou X.


Composto injetado i.p.,com exceção da cisteína – i.v.
aPromove substancial proteção para irradiação por neutrons.
bPromove significativa proteção quando tomado após exposição.
COMPOSTO FÓMULA ESTRUTURAL

COOH
Cisteína NH2CHCH2SH

MEA NH2CH2CH2SH

Cistamina NH2CH2CH2SSCH2CH2NH2

NH2
AET NH2CH2CH2SC
NH

WR 2721 NH2CH2CH2CH2NHCH2CH2SPO3H2

WR 3689 CH3NHCH2CH2CH2NHCH2CH2SPO3H2

WR 151327 CH3NHCH2CH2CH2NHCH2CH2CH2SPO3H2
1. Cisteína
DrF = 1,7 – i.v.
1200 mg/kg camundongo
efeito i.p.
sem efeito oral

2. MEA - Mercaptoetilamino (-CO2 da Cys)


DrF = 1,7 – i.v.
150 mg/kg camundongo
melhor que Cys quando i.p.
tem proteção oral

3. AET
DrF = 2,1 – i.v.
400 mg/kg camundongo
1 dose proteção de 6 horas
baixa proteção oral
4. WR 2721 – Ácido S-2-(3-aminopropilamino/etilfosforotioco)

DrF = 2,7 – i.p. camundongo


Dura aprox. 3 horas

Farmacocinética

Metabolismo - NH2CH2-CH2-CH2NHCH2-CH2S-PO3H2 WR 2721

Ação de fosfatases NH2CH2CH2CH2NHCH2CH2S WR 1065

NH2CH2CH2CH2NHCH2CH2S WR 32278
2

T1/2 = 10 min - parte CLEARANCE


T1/2 = 1 hora - outra parte WR 2721 marcado
Biodistribuição

- Fígado, rim, glândulas salivares

- Intestino delgado, baço

- Cérebro, coluna, tumores sólidos

Máxima concentração : 15 min

Permanece constante de 60 – 90 min

Proteção não está correlacionada com a concentração


TECIDOS PROTEGIDOS OU NÃO PELO WR 2721

PROTEGIDOS NÃO PROTEGIDOS

Sistema imune cérebro


Medula óssea espinha
Fígado
Pele
Testículos
Glândulas salivares indica que o WR 2721 não
Intestino delgado atravessa a barreira cerebral
Cólon
Pulmão
Rim
Esôfago
Mucosa oral
O WR 2721 não protege células tumorais em ratos ou camundongos. Por quê?

1200

WR 2721 fígado
conc. mM
soro

tumor

20 40 80

A eficiência dos radioprotetores rapidamente com o do LET

LET = ação direta ação indireta

Cys = Drf = 1,1 para nêutrons WR 2721 = Drf = 1,41 para nêutrons LD 50/30
1,7 para g 1,32 para nêutrons LD 50/7
Outros Radioprotetores
Composto Efeito Provável mecanismo de ação
protetor
Composto contendo enxôfre Mecanismo de radicais livres
Dimetiltiocarbamato (DDC) 3 Complexo
Dimetilsulfóxido (DMSO) 2
Tiouréia 1
Derivados de cianetos Hipóxia
Cianeto 2
Hidroxiacetonitrila 3
Manolonitrila 2
Agentes quelantes Desconhecido
EDTA 1
Metabolitos Captura de radicais livres
Glicose 1
Frutose 2
a-cetoglutarato 1
Indutores de hipóxia Hipóxia
Paraminopropiofenona 3 Mudanças na hemoglobina
Monóxido de carbono 2
Etanol 2 Depressor do centro respiratório
Morfina 2
Reserpina 2
Serotonina 3 Alterações hemodinâmicas
Histamina 2
Imunomoduladores Recobrimento do sistema hemopoiético
Glucan 1
Endotoxina 1
Azimexon 1
Levamisol 1 Complexo
Antioxidantes Mecanismos de radiacis livres e
Vitamina E 1 metabolismo do oxigênio
Vitamina A (b-caroteno) 1
Superóxido dismutase 3
Selênio 1
Imuno - moduladores

1. Naturais

- Interferon, BCG, C. Pavrom, Glucan, Endotoxina bacteriana, Interleucina

DrF  1,4

2. Sintéticos

Azimexon % sobrevida 56 % camundongos

Levamisole antioxidante, tem S


Proteção Endógena

Radicais livres aparecem in vivo


processos metabólicos normais, respiração aeróbica. Inflamação,
metabolismo de drogas, detoxificação.

radioatividade natural mecanismos de defesa contra radicais livres

Compostos de P.M.

Vitaminas Vit. E protege membranas


Vit. A scavenger de O2
Vit. C solúvel em H2O e sacavenger em comp/ com H2O

Glutationa (GSH) – glutamato – Cys – Gly é radioprotetor


material - sol. em água
RADICAL LIVRE LIPÍDEOS, PROTEÍNAS
REAÇÕES NO DNA

DEFESA REAÇÕES DE ABSORÇÃO


ENZIMÁTICA TOCOFEROL
ASCORBATO
BETACAROTENO
GLUTATIONA
Enzimas

GSH co-fator de Glutationa peroxidase [H2O2]

Catalase idem

SOD – Superóxido desmutase

20% 1 H2O2 + O2
SOD em ratos DrF = 1,56
Vit. E na dieta sobrevivência
Selênium ratos 30 dias sobrevivência
CATALASE
H2O + O2

SUPERÓXIDO
DISMUTADE
O-2 CELULAR O2 + H2O2
Cu
Zn
GLUTATIONA
PEROXIDASE

SELÊNIUM
GSH GSSG
GLUTATIONA
REDUTASE
TRATAMENTOS SIMULTÂNEOS

1. Efeitos cinergéticos tem sido observado 5-metoxitriptamina


(MOT-DrF = 1,6) + AET (DrF = 1,65)
LD50/30 camundongos = 500 10,25 Gy DrF = 2.05

2. Cys (Drf = 1,35) + AET (DrF= 1,65) DrF = 2,15

3. AET + glutationa + serotonina + MEA + Cys DrF= 2,8

4. MPG – 2-mercaptopropriorilglicina

MPG + camundongo após 4h 9Gy (DL 500%) 58% sobrevida


MPG + camundongo após 24h idem 17% sobrevida
FATORES QUE DEVEM SER CONSIDERADOS
1. Modelo animal
A resposta à irradiação depende do animal. O camundongo é o mais
usado. Outros fatores: cepa, sexo, idade, saúde geral.

2. Toxicidade da droga
É necessário conhecer a toxicidade da droga usada. Após obter DL10 ou
DL50, usa-se 1 / 2 ou 2 / 3 da dose
A via + usada i.p.
A via i.v. é usada toxicidade
A via oral não deve ser usada

3. Radiação
A dose e taxa de dose devem ser conhecidas
Calcula-se DL50/30 ou DL100/30
Taxa de dose  04 – 2 Gy/min
Radiação de LET são mais usadas
4. Tempo de Pré – Exposição

O intervalo entre a administração e a irradiação é variável.


Para a maioria – tempo de melhor resposta 15 a 60 min antes da
irradiação

5. Tempo Pós – Irradiação

Em geral 30 dias

Para a síndrome gastrointestinal usa-se 10 Gy 6 dias


30 Gy 2 dias
RADIOSSENSIBILIZADORES

Células hipóxias são importantes para a radioterapia

Desde 1920: tecidos irradiados na ausência de O2 são 2,5 a 3,0 vezes


mais resistentes

1953 / 55: Gray e col. Mostraram o “modelo de hipóxia em tumores”

100 – 150mm células hipóxicas viáveis do vaso sanguíneo)

São células cronicamente hipóxicas diferentes das “células agudas


hipóxicas” decréscimo de sangue temporário
Exp. Com células hipóxicas
a) Interrupção dos vasos que irrigam o tumor

b) Morte de animais antes da irradiação

1,0
Fração de sorevida

animal respirando
hipóxia aeróbica
10,5
3000 dose rad
Em células humanas tem-se a experiência em HBO (hiperbaric oxigen
therapy) – câncer de útero.

SOBREVIDA DE
FRAÇÕES HBO (%) AR (%)

06 frações 42
46

25 frações 50

30 frações 39

HBO é cara e difícil de usar. Daí a necessidade de radiossensibilizadores


1974 – ADAMS e col. - Nitroimidasois

MIS – Misonidazol é o melhor

- Funciona bem em animais e parece ativo em humanos


- Tem efeito secundário – neurológico
- Conc. no tumor é aprox. 20 mg/g muito pouco
- DEF aprox. 1,1 a 1,3.

O ideal seria

- DEF aprox. 2,5


- Toxicidade 10x menor
- Ou 10 vezes mais eficiente com a mesma toxicidade
MELHORA DO MISONIDAZOL
- O que vale é a eletroafinidade
- Substituição na posição 5 do MIS – tem sido promissor
- SR 2537 e SR 2553 são 10X menos tóxico com mesma
radiossensibilidade

MIS – eletroafinidade radiossensibilidade


N

DL 50/8
17 mg/g NO2

CH2CHOHCH2OCH3
Lipofilicidade
Farmacocinética
toxicidade
Penetração noturna
Lipofilicidade Eliminação da droga
Neurotoxicidade

(DL 50/2 = 4,9) SR 2508 = CH2CONHCH2OH

(DL 50/2 = 8,9) SR 2555 = CH2CON(CH2CH2OH)2

SR 2508
Tumor em T6

SR 2555
Conc. mM

T após adm. 120 min


OUTROS QUIMIOSSENSIBILIZADORES

- Cyclophosphamide
- Melphalan (L-PAM)
- Benzonidazole

MECANISMOS DE QUIMIOSSENSIBILIZAÇÃO

1. da GSH (glutationa intracelular)


2. intracelular de “uptake” de L-PAM
3. ligação cruzada (cross – link) do DNA

MORTE
IRRADIAÇÃO: 20 Gy vários tempos após a droga com RX
CÉLULAS: CHO
DROGAS: 2 mmol / kg de DEM (dietilmaleato) e GSH (glutationa)

10
Fração sobrevida

10-2
GSH
GSH2

N2 + 2x10-4 DEM

N2 + 2x10-7 DEM
10-4
5 10 15 20 25 30
Dose (Gy)