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Prof.

Jairo Tadeu Guerra


• O que diferenciaria Psicologia de
Psicologia Social?
• Uma pergunta:
Como você explica a existência de guerras entre os seres
humanos?
• 1908 ?
• William McDougall (psicólogo) “Uma introdução à psicologia social”.
• Edward Ross (sociólogo) “Psicologia social: uma manual sobre suas
linhas gerais”
• 1895 ?
• Gustave Le Bom “Psicologia das Massas”
• 1890 ?
• Gabriel Tarde “As leis da imitação”
• 1850 ?
• Augusto Conte
• Desde 1850 até 1930 estabelecem-se diversos debates, tanto
sobre a natureza dos fenômenos sociais quanto sobre as
formas de estudá-los.(...)
• Partimos do pressuposto de que a Psicologia Social não nasce
de um projeto único de uma única definição, mas ela se
desenvolve no embate entre as diversas perspectivas.
(p. 32-33)
• 1.1 A Razão e a Modernidade

• Descartes: “Penso, logo existo” = Ato de pensar é indubitável.


• Distinção entre conhecimento natural (fruto da razão) e
conhecimento revelado (fruto da fé)
• Mas dualista (medieval)
• Ideias inexatas: nascemos com conhecimentos apropriados
para pensar sobre fenômenos suprassensíveis com deus,
alma, imortalidade.
• POLÊMICA: NATUREZA DO CONHECIMENTO HUMANO
• Como a razão se relaciona com a realidade?
• Hume
• experiência vem através da sensação que PROVOCA associação de
ideias, FORMANDO O RACIOCINIO (antecipação do condicionamento)
• Três formas de associação:
• semelhança,
• contiguidade,
• relação causa- efeito.
• Kant
• Reafirma a existência do sujeito mental não redutível aos processos
sensoriais
• Elementos independentes da experiência sensorial
• Formas de sensibilidade (espaço e tempo)
• Categorias da compreensão (causa e efeito, substância, etc)
• Ideias da razão ( liberdade, Deus, etc)
• A categoria de causalidade é a principal

• POLÊMICA estabelecida: QUAL O PAPEL DA MENTE E DA


EXPERIÊNCIA NO CONHECIMENTO HUMANO?
• Séc.XV: formação das cidades, revalorização da arte e pensamento grego
• Movimentos pela volta do cristianismo primitivo
• Laicidade na política: Maquiavel (1469-1527) “Deus x Homem”
• LEGISLADOR QUE DEFINE A VIDA COLETIVA, JUSTO OU INJUSTO (GRÉCIA)

MAS, COMO A POLÍTICA SE INSTITUI?


• Thomas Hobbes “O Leviatã”
• estado natural do homem é contraditório: que viver bem, mas possui o desejo de
dominar. “ o homem é o lobo do próprio homem”
• FUNÇÃO DO ESTADO É LIMITAR A VIOLÊNCIA HUMANA.

• John Locke
• Os homens são livres para dispor de sua vida, para usufruir da propriedade privada.
Precisam de regras comuns instituídas pelo Estado encarregado de organizar o exercício
dos direitos naturais
• FUNÇÃO DO ESTADO É GARANTIR A LIBERDADE DAS PESSOAS.
• Kant
• defende o livre arbítrio, mas com um conjunto de condições prévias
(Estado de direito)
• Hume e Kant viveram em período de paz do absolutismo
esclarecido
• Friedrich Hegel viveu a revolução francesa e volta ao império
napoleônico. GRANDES MOVIMENTOS DA SOCIEDADE DE
IR E VIR DE IDEIAS
• COMO ENTENDER OS PROCESSOS SOCIAIS/HISTÓRICOS?
• COMO EXPLICAR esta situação social, perguntava ele?
• Para Hume – as coisas mudam por leis naturais que o processo de
associação permite revelar.

• Para Kant – o sujeito transcendental, universal e imutável, seria a


condição que dá estabilidade ao conhecimento.
• Para Hegel – processo histórico de contradições pelo qual o pensamento
humano foi se manifestando. O que move a história são as contradições.
• Hegel: contra Kant que seria um processo individual ativo,
passando a ser social.
• “Absolutismo esclarecido” Prússia – como o rei racional quer
• Mas na Inglaterra, razão + conjunto de leis econômicas - “Lei
do Mercado”
• Desencanto com a razão – irracionalidade do mundo
industrial
• Romantismo: busca dos valores perdidos pelo capitalismo
industrial
• Valores ESQUECIDOS não pela “’perda de valores”, mas pelo
processo social.
• Materialismo de Marx contra o idealismo de Hegel
• Dialética das ideias X Dialética materialista e histórica
• Formação econômica não é fruto da liberdade do mercado,
mas do desenvolvimento das forças produtivas
• As relações de produção são a base para a superestrutura
jurídica e política a qual correspondem forma definidas de
consciência social.
• Força motriz da sociedade do MERCADO para CLASSE
OPERÁRIA , n0 Manifesto Comunista (Marx, 1848)
• Pág. 45, primeiro parágrafo até 46.
• Quais as tensões explicitas pelo trecho lido?
• A razão é ativa ou passiva?
• Ela é individual ou social?
• Enfim, qual condição da razão?

• 2.1 O social como fenômeno da natureza


• Augusto Conte (1842-1987)
• Método de estudo:
• Observação sistemática e
• Experimentação.
• Proposições estudáveis: direta ou indiretamente ligadas aos fatos
• Evolução da sociedade realizada pela ciência
• Lei dos Três Estados.
• Estado teológico
• Estado metafísico
• Estado positivo

• Conte exclui a psicologia como ciência, pois e explicação do


indivíduo viria da fisiologia, e como ser social, da sociologia
• EVOLUCIONISMO SOCIAL
• Charles Darwin (1809-1882): Teoria da evolução
• Herbert Spencer (1876-1961): leis da evolução se aplicam às
sociedades.
• Liberdade de mercado e liberdade das relações sociais
impulsionariam o progresso social.
• Evolucionismo: influência na psicologia norte americana
• A luta pela sobrevivência se converteu no fundamento da
ideia de ascensão social pelo esforço próprio.
“self made man”
• 2.2 o social como ciência histórica do espírito
• Whilhelm Dilthey critica as posturas positivistas e
evolucionistas
• Distinção entre CIÊNCIAS HUMANAS x CIÊNCIAS DA
NATUREZA
• Psicologia ciência limite “entre” as duas ciências humana e
natural. (Friedrich Herbart, 1776-1841)
• Influencia Wundt:
• Psicologia geral e experimental
• Psicologia social, etnográfica, “psicologia dos povos” (ler citação de
Wundt na pág. 51)
• Os fenômenos sociais não podem ser explicados pela
características da consciência individual, pois “desenvolvem-se na
vida humana em coletividade e não podem ser explicados pelas
propriedades da consciência individual, pois supõem a influência
recíproca de muitos.” (Wundt, 1916, p.3)

• NECESSIDADE DE ARTICULAÇÃO ENTRE PSICOLOGIA GERAL E A


PSICOLOGIA SOCIAL.
• MAS, ESTABELECE UMA DISTINÇÃO PROBLEMÁTICA ENTRE
INDIVÍDUO E CULTURA :
• PSICOLOGIA INDIVIDUAL (LEIS NATURAIS, UNIVERSAL, MÉTODO
EXPERIMENTAL)
• PSICOLOGIA COLETIVA (CONTEXTUAL E HISTÓRICA, MÉTODOS
VÁRIADOS.
• 2.3 O papel do individual e do social na explicação dos fenômenos sociais.
• Na compreensão dos fenômenos sociais deve-se dar primazia ao indivíduo
ou ao social?
• Holismo sociológico de Durkheim (1898-1924)?
• Individualismo psicológico de Tarde (1890- 1924)?
• Sociologismo ou psicologismo – debate dentro da própria sociologia.

• Quais os aspectos que devem se priorizados na compreensão dos


fenômenos sociais: os aspectos subjetivos, psicológicos ou os aspectos
objetivos, sociológicos?

• TARDE (psicologismo) “Socialmente, tudo não passa de Invenções e


imitações”
• Invenção, depois contágio e imitação.

• CONTE: fatos sociais são crenças, práticas e sentimento de um grupo.


• Representações coletivas
• 2.4 O coletivo como ameaça ao indivíduo
• Contexto do século XIX: conflitos sociais
• Estudo do coletivo estava ligado à preocupação com a
subversão da ordem social.
• Autores da época repudiam as manifestações coletivas,
tumultos da classe trabalhadora no contexto da revolução
industrial como Tarde (1898) e Le bom (1895)
• Contágio e sugestão fazem o indivíduo perder a razão e a
individualidade – MENTE COLETIVA x MENTE INDIVIDUAL

• OS INSTINTOS DESTRUTIVOS seriam liberados – VIOLÊNCIA


E IRRACIONALIDADE

• O VOTO deveria ser feito em ambiente individualizado e não


em assembleias
• 2.5 Da consciência ao estudo do comportamento
• Psicologia até início do Séc. XX européia
• Principais autores: Wundt, Titchener, Brentano, Kulpe
• Objeto de estudo: CONSCIÊNCIA
• Bases para a mudança do objeto – 3 raízes
• 1. Desenvolvimento da psicologia comparativa (Inglaterra) apoiada na
psicologia animal
• Livro de Darwin “Expresssion of Emotions in Man and Animals (1872)
• Certa continuidade entre comportamento do ser humano e demais
animais.
• Laboratório de psicologia comparada – primeiro lab. behaviorista
nos EUA (1911)
• 2. Estudo da fisiologia do arco reflexo (Rússia)
• psicologia reflexológica explicação do comportamento de forma
objetiva sem a mediação da consciência.

• 3. Influência da filosofia pragmática (EUA)


• Inseparabilidade entre pensamento e ação
• Impossibilidade de reconhecer a verdade fora da tentativa de
colocá-la em prática (James, 1907)
• Watson - manifesto em 1913 propõe o abandono da consciência.
• 3. A consolidação da Psicologia social psicológica nos EUA
• Influência do comportamentalismo em suas amplas
perspectivas
• Desde Skinner (mente como “caixa preta”) até o behaviorismo
mediacional de Clark Hull e Albert Bandura qe adimitem certa influência
da consciência.

• 3.1 Floyd Allport e a constituição da psicologia social


psicológica
• Menos radical que Watson
• Rejeição do determinismo psíquico (1924)
• Determinismos seriam sociais
• A base da sociologia seria o comportamento social.
• A mente do grupo é resultado e não causa dos comportamentos (critica
Le bom e Tarde)
• Objetivismo radical e experimentalismo
3.2 G. Mead e F. Bartlett: caminhos para a psicologia social
sociológica
• Inicialmente ligada ao behaviorismo, desligou-se com ligação
mais social e com mediadores mentais – “behaviorismo social”
• Não explicar o grupo a partir da diferentes ações dos indivíduos,
mas a conduta do indivíduo em termos de conduta organizada
do grupo social.
• “Para a psicologia social, o todo (a sociedade) é anterior à parte
(o indivíduo) e não a parte ao todo” (Mead, 1934)

• Divergência de Watson:
• O comportamento possui elementos não observáveis (atitudes)
• Estudo do indivíduo em situação concreta
• Linguagem é parte do comportamento social, organiza as relações
entre o estimulo e a resposta.
• A pessoa se descobre como pessoa indiretamente através do grupo
social.
• A unidade e a estrutura da pessoa refletem a unidade e a
estrutura do processos social como um todo (Mead)
• Grupo social, comunidade (“outro generalizado”) –
determinante no pensamento do indivíduo
• Distinção entre “eu” e “mim”
• Eu – resposta do organismo às atitudes dos outros. Imprevisível, pois
dependa da interação concreta no momento em que se realiza

• Mim – conjunto de atitudes organizadas dos outros que o mim assume,


autoconsciente.
• Barlett – precursor da psicologia cognitiva moderna
• Assimilação da informação através de esquemas
• Convencionalização e difusão das informações
• Experimentos:
• “telefone sem fio”
• reprodução de desenhos desconhecidos
• Resultados: adequação e simplificação da informação
• Século XIX
• Psicologismo de Tarde
• Sociologismo de Durkheim

• Início do Século XX
• Wundt (1916) – PS separada da psicologia geral, centrada na cultura,
crenças e normas sociais.
• Allport (1924) - PS parte da psicologia geral, estudo da influência dos
processos sociais no indivíduo.
• 1920 (EUA) - Desenvolvimento da psicologia a partir do
paradigma behaviorista
• Allport questiona o paradgma (1924)
• Criticas: modelo não dá conta da complexidade dos
fenômenos sociais
• Influências:
• Migração de psicológos alemães gestaltistas
• Desenvolvimento da psicanálise na Inglaterra – processos
motivacionais e da socialização das crianças
• Sem perder a perspectiva individualista e experimentalista
• Influência de 1920 a 1940 nas teorias da aprendizagem
• Como se estabalecem novas relações entre ambientais e as respostas
do organismo – elo: condicionamento
• Novo conceito: generalização de estímulo (Hilgard, 1956)
• Discriminação
• Aprendizagem social se daria por estes processos
• Explicaria a imitação por processo de condicionamento
• Quatro possíveis situações de condicionamento:
• 1. nem o modelo nem o observador são gratificados
• 2. só o observador é gratificado (Miller e Dollar, 1941), mas
acontecem pouco na vida real.
• 3. só o modelo é gratificado. O que acontece aqui?
Condicionamento clássico. Mas são criticados pelos próprios
autores (Berkowitz, 1969); aprendizagem vicária, por observação do
modelo (Bandura, 1965)
• 4. modelo e observador são gratificados
• Gestalt surge no início do século XX contra a tradição
estruturalista (Wundt)
• os fenômenos psicológicos devem ser estudados em uma totalidade
• Princípio da “boa forma”: os estímulos são organizados pela consciência
da “melhor forma”.
• A percepção não é aleatória nem arbitrária.

• Problema do behaviorismo
Considera os estímulos sociais da mesma natureza que os estímulos
naturais. Percepção do mundo físico igual que temos do outro (?)
Diferenças:
ações do outro tem intencionalidade
o outro tem subjetividade
• Heider – Austríaco (1930) o sujeito e sua atividade fazem parte de
uma mesma unidade perceptiva.
• As pessoas são percebidas como a origem de seus atos
• A partir daí constrói a teoria da atribuição de causalidade

• Propõe estudo da “psicologia ingênua” para compreender as relações


interpessoais.

• O ser humano busca não somente relacionar os comportamentos


observáveis, mas também ligá-los a invariantes dos motivos ou disposições.

• A ação humana depende da associação entre fatores pessoais (internos) e


ambientais (externos)
• Estuda como avaliamos as pessoas.

• Solomon Asch (1946) comjnugação de atributos (frio x afetivo) faz uma


avaliação global do outro.
• Kurt Lewin (conceito de grupo)
• Influência indireta: estudo da agressão, socialização, família.
(Krech, 1951)
• Teoria da frustração-agressão
• O impulso agressivo acumulado deslocaria para outros alvos menos
inibidores.

• Estudos da “personalidade autoritária” (1950): personalidade


explicaria a escolha política.
• As ideologias mobilizam pessoas predispostas pela personalidade.
• A aceitação do fascismo seria explicada por rações inconscientes
• Fruto de pais autoritários
• Temas de influência: grupos, socialização, dinâmica e estrutura da
família.
• Relação pais-filhos antecedem ao desenvolvimento foi influência da
psicanálise (Brofenbrenner, 1958)
• Contra a posição behaviorista da “tabula rasa” versus fases do
desenvolvimento infantil e sua influência no desenvolvimento.