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INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA

(Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, 1792)

MECÂNICA DA FRATURA
ANÁLISE DE FALHAS
SEÇÃO DE ENSINO DE ENGENHARIA MECÂNICA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS – SE/4
O Processo de Falha

Sob o ponto de vista microscópico, a


falha de uma estrutura se dá de acordo
com a seguinte sequência:

• acúmulo de danos
• iniciação de uma ou mais trincas
• propagação de trinca
• fratura do material

A Mecânica da Fratura consiste numa parte da Engenharia, que tem


como objetivo promover respostas quantitativas para problemas
específicos relacionados com a presença de trincas nas estruturas...
O Conceito de Falha

As causas para a falha da maioria das


estruturas geralmente estão relacionadas
com os seguintes problemas:
– negligência durante o projeto, a
construção ou a operação da estrutura;
– aplicação de um novo projeto, ou de um
novo material, que vem a produzir um
inesperado (e indesejável) resultado.
O Conceito de Falha

A história da humanidade está repleta de casos em


que acidentes catastróficos ocorreram por falhas
estruturais, associadas com o emprego de novos
materiais e/ou novas tecnologias.

Fratura frágil ocorrida em um navio de carga Liberty


que separou o navio em duas partes em 1941
Exemplos de Falha

Fratura ocorrida em uma peça de um


grande moinho de minério de ferro
(problema: fadiga nas juntas soldadas).
Exemplos de Falha

Pouso bem sucedido de um 737 que perdeu o teto durante o


vôo, devido à uma Falha por Fadiga
(após mais de 32 mil decolagens)
Exemplos de Falha

DC-9 fraturado durante um pouso “normal” (notar


que os pneus não estão furados nem os trens de
pouso estão quebrados, logo a falha não pode ser
debitada à barbeiragem do piloto)
Exemplos de Falha

Navio Quebrado em Dois no Porto (em 1972)


Exemplos de Falha

Vaso de Pressão Fraturado Durante o Teste Hidrostático


Exemplos de Falha

Ponte sobre o Rio Ohio, em Point Pleasant, W.Virginia, USA


(similar à ponte Hercílio Luz em Florianópolis, SC)
Restos da ponte após a falha
(com 46 mortes) causada por
uma pequena trinca que levou
~50 anos para ficar instável
Mecânica da Fratura
X
Aproximações Convencionais

1. Aproximação Convencional
•Tensão de Escoamento
TENSÃO
•Tensão de Ruptura

Não há consideração de defeito no material


2. Mecânica da Fratura
TENSÃO Tenacidade à
Tamanho do Defeito
Fratura

O defeito é considerado
Exemplos de Falha

Fratura por maclação em Fratura frágil em filtro de


implante cranio-facial de Níquel puro sinterizado causado
Titânio puro causado por por corrosão sob-tensão, MEV.
fadiga em meio salino, MEV.
Falhas

A partir de características da superfície de fratura,


pode-se ter uma indicação do sistema de tensões que
produziu a fratura.
Falhas

Uma falha a partir de tensões monotônicas produz uma fratura


plana normal à máxima tensão principal de tração, em condições
de deformação plana.
Se prevalecer o estado plano de tensões, a fratura será
inclinada a aproximadamente 45° da máxima tensão principal de
tração.

Fratura inclinada – tensão plana Fratura plana – deformação plana


Falhas

- O exame macroscópico
geralmente determina a
direção do crescimento da
trinca e, conseqüentemente,
a origem da falha.

- Para uma fratura frágil


plana, esta determinação
depende da superfície de
fratura exibir marcas em
“V” (chevrons).

- A direção do crescimento
Fratura de um eixo de Aço SAE 1050
da trinca é quase sempre
endurecido. Superfície, mostrando
atrás da ponta do “V”. marcas em “V”, e a origem da fratura.
Falhas

O exame da superfície de fratura em baixa


ampliação geralmente pode revelar regiões de
comportamento distinto, como é o caso de falhas
por fadiga.
Falhas

LINHA DE ALTERAÇÃO
DE CARREGAMENTO
O exame da superfície de (SOBRECARGA)
fratura em baixa ampliação
geralmente pode revelar
regiões de comportamento
distinto, como é o caso de
falhas por fadiga.
Todas estruturas soldadas são suscetíveis
a presença de defeitos ...

Reparo ou convivo com o defeito?


Qual a razão para que um fio de
qualidade duvidosa tenha um
comportamento não linear e um
maior comprimento acarreta uma
menor carga admissível?
Objetivos e Campos de Atuação

1. Avaliar a significância de defeitos conhecidos: determinar a criticidade


do defeito e a necessidade de reparo imediato da estrutura;
2. Estimar o tamanho crítico de defeitos: possibilita um acompanhamento
em operação e ao longo do tempo de utilização do equipamento.
Permite a elaboração de um plano de inspeção orientado;
3. Determinação de causas de falha: Indicação das prováveis causas e
ponto de falha de estruturas. Ferramenta para confecção de laudos de
falha;
4. Projeto de componentes críticos: Critérios de mecânica da fratura
podem ser utilizados na definição do projeto de componentes críticos,
permitindo adequar o nível de tensões do componente, comportamento
do material e plano de inspeção de fabricação.
Objetivos e Campos de Atuação
Objetivos e Campos de Atuação
Perguntas Típicas ...

 Qual é a resistência residual da estrutura em função da


dimensão do defeito?

 Qual a dimensão do defeito que pode ser tolerada em


serviço (tamanho crítico)?

 Por quanto tempo um defeito irá crescer de uma dimensão


inicial tolerável até que alcance o tamanho crítico?

 Qual a dimensão de descontinuidade pré-existente que


pode ser permitida na estrutura no início de sua operação?

 Qual a freqüência / plano de inspeção recomendado de


forma a evitar uma falha prematura?
Fratura dos Materiais

Fratura é a separação de um corpo em duas ou mais partes


quando submetido a um esforço mecânico.

Fratura dútil ocorre apenas


após extensa deformação
plástica e se caracteriza pela
propagação lenta de trincas
resultantes da nucleação e
crescimento de microcavidades.

Grande absorção de
energia antes da
ocorrência da fratura.
Fratura dos Materiais
- Dúctil -
Fratura dos Materiais

Fratura frágil
Ocorre pela
propagação rápida de
trincas, acompanhada Nos materiais cristalinos
de pouca ou nenhuma ocorre em determinados
deformação, chamados planos cristalinos
planos de clivagem ou
ao longo dos contornos
de grão.

baixa absorção de energia.


Fratura dos Materiais
- Frágil -
Fratura dos Materiais

A ocorrência de falhas, algumas


catastróficas, ao longo do tempo e sua intensificação
à medida que novas tecnologias foram sendo
desenvolvidas (exemplo: soldagem) assim como novas
aplicações (exemplo: aeronáutica) gerou uma intensa
necessidade do estudo detalhado do fenômeno da
fratura nos materiais.
Fratura dúctil em monocristais

Na ausência de heterogeneidades microestruturais que


nucleiem uma trinca, a estricção prossegue até que a seção
do corpo se anule Colapso plástico, fratura por
cisalhamento.
Fratura dúctil em monocristais

Três estágios da fratura por cisalhamento


em um monocristal de alumínio.
Fratura dúctil por
coalescimento de microcavidades

Um material convencional possui um grande


numero de heterogeneidades microestruturais
que podem atuar como sítios de nucleação de
cavidades.

A observação detalhada da superfície de


fratura causada por este mecanismo com lupa
ou microscópio eletrônico de varredura revela a
presença de alvéolos (“dimples”), que são os
remanescentes das cavidades nucleadas.

O colapso plástico se desenvolve nas


fronteiras das microcavidades levando a
ruptura gradual e continua do material.

Em poli cristais os CG podem atuar como


heterogeneidades microestruturais e este e o
mecanismo predominante de fratura em
policristais dúcteis.
Fratura frágil por clivagem

A fratura frágil em geral e aproximadamente perpendicular a tensão


de tração aplicada e produz uma superfície relativamente
plana e brilhante.
Nos materiais cristalinos corresponde a quebra sucessiva das ligações
atômicas ao longo de um plano cristalográfico característico, chamado
plano de clivagem.
Este modo de fratura e característico de metais que apresentam
algum impedimento para o escorregamento de discordâncias alta
resistência mecânica

Clivagem em cerâmica (TiB2) Clivagem em aço Maraging 300M


Superfície da fratura
frágil por clivagem

A superfície de fratura por


clivagem é marcada por um relevo
característico, denominado “marcas
de praia”.

Este relevo surge do encontro de


facetas de clivagem crescendo em
planos paralelos.

Em metais, a fratura final entre as


facetas envolve considerável
deformação plástica, o que leva a um
aumento na energia absorvida no
processo de fratura.
Marcas de Praia

- Durante a propagação da trinca de clivagem, facetas podem ser


geradas quando a trinca cruza uma discordância em hélice não
contida no plano.

- Em um material cristalino as discordâncias podem se organizar


em estruturas de baixa energia, chamadas contornos de sub-
grão. Contornos de sub-grão compostos predominantemente de
discordâncias em cunha são chamados de contornos de inclinação
(tilt boundaries) e aqueles constituídos predominantemente de
discordâncias em hélice são chamados contornos de rotação
(twist boundaries).
Marcas de Praia

- Quando uma trinca de clivagem encontra um contorno de rotação


pode ocorrer a nucleação profusa de facetas.

- Com o progresso da fratura as facetas coalescem, gerando um


padrão semelhante a um rio sendo formado por seus tributários.

- Esta morfologia permite determinar a direção da propagação da


trinca pela observação da superfície de fratura fratografia.
Marcas de Praia

Modelo explicativo da
formação de facetas
pela interação da trinca
principal com uma
discordância em hélice.
Marcas de Praia

Marcas de praia em
um aço elétrico. O
padrão
demonstra que a trinca
propagou-se da parte
superior à parte
inferior da figura.
Note a presença de um
contorno de inclinação,
que não produz a
nucleação de novas
facetas.
Marcas de Praia

Esta fratura por clivagem,


em monocristal de LiF,
vem de cima para baixo.
Encontra um contorno de
rotação.
Notar nucleação profusa de
facetas que posteriormente
coalescem.
Nucleação da trinca de clivagem

Uma dificuldade importante da teoria da fratura por clivagem e


entender como trincas de clivagem podem ser nucleadas em um
material inicialmente isento de descontinuidades, já que o cálculo
teórico da tensão necessária para romper (tensão de ruptura)
todas as ligações no plano de clivagem simultaneamente resulta
em um valor pelo menos 100 vezes maior que o observado
experimentalmente.
Possibilidades:
– Mecanismo de Stroh (coalescimento de discordâncias
empilhadas contra uma barreira)
– Fratura de partículas mais frágeis que a matriz (por exemplo,
inclusões)
– Incompatibilidade de deformação do reticulado por conta de
rotações diferentes em diferentes pontos da microestrutura
(por exemplo, cruzamento de maclas ou interação entre
contornos de sub-grão.
Nucleação da trinca de clivagem
- Exemplo -

Um contorno de inclinação preexistente em (a) se subdivide em


dois pela ação e uma tensão de compressão (b).
A diferença de rotação
do reticulado em uma
região muito pequena
(c) amplifica a
componente normal (ao
plano de clivagem) da
tensão aplicada,
induzindo a formação
de uma microtrinca.
Em (d) esta
evidenciada a ação
deste mecanismo em um
monocristal de Zn.
Nucleação da trinca de clivagem
- Exercício -

Experimentalmente sabe-se que a


clivagem de metais ocorre em uma
família de planos cristalinos bem
definida, sob a ação de uma tensão
normal critica (que iremos chamar σc).
Com base nesta afirmação derive uma
expressão para a tensão normal
projetada em um dado plano cristalino
(hkl) de um monocristal cilíndrico,
quando este e solicitado em tração por
uma tensão σ0 ao longo de seu eixo, que
corresponde a direção [uvw] e
estabeleça um critério numérico para a
fratura por clivagem deste corpo.
Competição entre clivagem e
colapso plástico

Colapso plástico (e por associação, nucleação de


microcavidades) e clivagem são mecanismos competitivos
de fratura. Sendo assim o mecanismo efetivo de fratura
pode ser diferente para um mesmo material em diferentes
circunstancias.
De forma simplificada podemos dizer que clivagem
ocorrerá quando a tensão critica de clivagem for menor que
a tensão necessária para ativar os sistemas de
escorregamento.
– Isto significa que e possível atingir a tensão critica de
clivagem mesmo para um material que já sofreu uma
certa quantidade de deformação plástica (por exemplo,
se a taxa de encruamento, ∂c/∂e, causar um aumento muito
forte da resistência do material).
Competição entre clivagem e
colapso plástico

Exemplo do exposto anteriormente,


dois monocristais de ferro.
Dependendo da sua orientação a
fratura ocorre por colapso plástico
(a esquerda) ou
por clivagem (a direita).
MECÂNICA DA FRATURA

MECÂNICA DA FRATURA Elasto-plástica

MECÂNICA DA FRATURA Linear Elástica

1-Critério da Abertura de Trinca (CTOD)


2-Critério da Integral J (J)

1-Critério de Energia de Griffth (G)


2-Critério do Fator de Intensidade de Tensão (K)
3-Critério da Integral J (J)
Abordagem por Análise de Tensões (Inglis, 1913)

Seja uma chapa infinita com uma trinca passante, de formato elíptico,
com eixo maior igual a 2a e eixo menor 2b, submetida a uma tensão nominal
. Seja um material com comportamento elástico.

A tensão máxima na ponta da trinca pode ser determinada pela


expressão a seguir:

max =  (1 + 2a/) e para a>> , pode-se escrever,

max = 2  a/, onde () é o raio de concordância na

ponta da trinca e 2 a/ é o concentrador de tensão kt.


Abordagem pelo Balanço Energético (Griffith, 1920)

“Uma trinca só irá propagar-se, de modo instável, quando o


decréscimo de energia elástica com a propagação da trinca for
ao menos igual à energia necessária para criar as novas
superfícies de trinca”

ou

“Uma trinca só irá propagar-se, de modo instável, quando a taxa de


liberação de energia elástica armazenada pelo carregamento do
material for ao menos igual ao aumento de energia superficial
resultante do crescimento da trinca”
MODELO DE GRIFFITH

Griffith considerou uma chapa infinita contendo uma


trinca elíptica vazante, carregada em tração com uma tensão
, perpendicular ao plano do eixo maior da elipse. A chapa
encontra-se no regime elástico e no estado plano de tensões
(chapa fina). A trinca é pequena com relação às dimensões
da chapa, para assegurar carregamento remoto com relação
à trinca.

Figura - Trinca de Griffith

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MODELO DE GRIFFITH

Determinação da Taxa de Liberação de Energia Elástica

Griffith chegou, por métodos precisos, a seguinte expressão


para a energia de deformação elástica liberada por unidade
de espessura, em tensão plana.
UE=- 1/2 (2  a2/E),

enquanto que o ganho de energia com a criação de uma


superfície de fratura de área 2a é :

US= 2sa, e a variação total de energia é dada por:

U=UE + US= -1/2 (2  a2/E) + 2s a, pelo critério de Griffith na


propagação,
tem-se:

UE/a + US/a=0 ou U/a=0 e, portanto, 2  a/E= 2s.


MODELO DE GRIFFITH

Determinação da Taxa de Liberação de Energia Elástica

a) Variação de energia com o comprimento


da trinca;
b) b)Variação das taxas de energia com o
tamanho da trinca.

A relação anterior é visualizada na Figura


b, onde a linha - UE/a= 2  a/E corta a linha
US/a=2s. Ao valor positivo da inclinação
UE/a dá-se o nome de taxa de liberação de
energia elástica, que é designada por G
(definida por unidade de espessura).
MODELO DE GRIFFITH

Condição para Propagação Instável da Trinca e Tensão de Fratura

-Condição para propagação instável da trinca: G> US/a


-Condição para estabilização da trinca: G< US/a

A tensão de fratura da chapa pode ser determinada, para um


estado plano de tensão, pela expressão:
cr= (2E s/ a) e

para um estado plano de deformação por:

cr= 2E s/ (1-2)a .


As expressões anteriores mostram alguma similaridade com a
expressão de Inglis, entretanto, como foi visto, a abordagem de
Griffith é bem diferente, pois ela preocupa-se com variações de
energia associadas à propagação da trinca, podendo então ignorar
os detalhes do processo de fratura na ponta da trinca. Por outro
lado, as expressões foram determinadas para um sólido elástico
contendo defeitos com raio () de concordância na ponta da trinca
extremamente pequeno.
MODELO DE GRIFFITH

Correção de Orowan para a Plasticidade na Ponta da Trinca (Orowan, 1950)

A teoria de Griffith aplica-se satisfatoriamente a materiais completamente


frágeis. Orowan, em 1950, para contornar essa limitação, reconheceu a
necessidade de se considerar a plasticidade envolvida e sugeriu que as
equações de Griffith fossem modificadas. Ele propôs um termo (p,)
correspondente à energia absorvida no processo de deformação plástica, que
deveria ser somado à energia necessária para a criação das superfícies de
fratura (S). Com a correção de Orowan a tensão de fratura crítica pode ser
determinada por:

cr=√2E(S+ p)/a , para um estado plano de tensão.

Embora essa sugestão de Orowan fosse bastante interessante sob o ponto de


vista teórico, ela esbarrava na dificuldade prática de determinação de p.
MODELO DE GRIFFITH

Sugestão de Irwin para a Teoria de Grifith (Irwin, 1949)

Irwin (1949), ao invés de procurar separar as duas


componentes de energia consumidas na criação das
superfícies de fratura, (p e S), definiu o processo através da
energia elástica total liberada no processo de propagação
da trinca. Desse modo, ele utilizou a taxa de liberação de
energia elástica, G, que representa a energia elástica
liberada na propagação da trinca de uma unidade de
comprimento:

G= UE/a
A diferença entre os enfoques de Orowan e Irwin é que
enquanto o primeiro procura determinar a energia consumida no
processo de fratura (p + S), Irwin define a energia elástica total
liberada, isto é, a fonte de energia para o processo de fratura. Logo,
no momento de propagação instável da fratura, acrit,tem-se:

cr=√E Gcr/acr , para tensão plana.

O termo Gcr é uma característica do material, em função da


temperatura, velocidade de carregamento, estado de tensões e
modo de carregamento (modos I, II ou III).
IRWIN E O FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO

Fator de Intensidade de Tensão (K)

Modos básicos de
carregamento de trincas.

A abordagem da mecânica da fratura pelo comportamento mecânico nas vizinhanças


da ponta da trinca, utilizando-se o fator de intensidade de tensão (K), inicia-se a partir
da definição dos modos de propagação de trincas mais importantes em função dos
carregamentos a que estão submetidos os corpos trincados.

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IRWIN E O FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO

Westergaard estudou a distribuição de tensões nas


vizinhanças de uma trinca afiada, vazante, de
comprimento 2a, em uma chapa infinita de um material
elástico linear, submetida a uma tensão trativa
perpendicular ao plano da trinca, com propagação pelo
modo I. Ele chegou às seguintes expressões para as
tensões:

xx= √a/2r * cos /2 (1- sen /2 sen 3/2)

yy= √a/2r * cos /2 (1+ sen /2 sen 3/2)

xy= √a/2r * cos /2 sen /2 cos 3/2)

zz= 0 (estado plano de tensão)


zz= (xx + yy) (estado plano de deformação)
xz= yz=0

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IRWIN E O FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO

Fator de Intensidade de Tensão

Na Figura, r e  são as coordenadas polares cilíndricas de um ponto


com relação à ponta da trinca,  é a tensão trativa aplicada à chapa
e (a) é metade do comprimento da trinca.

a) Sólido infinito com trinca


vazante submetido à tensão ;
b) Coordenadas polares e
tensões em um ponto nas
vizinhanças da trinca
IRWIN E O FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO

Fator de Intensidade de Tensão

As equações anteriores podem se escritas, em uma forma


mais generalizada:

ij=√a/2r ‫ ٭‬fij ()

Irwin, observando essas equações, verificou que o termo (√a)


estava presente em todas elas e que todo o campo de tensões na
ponta da trinca ficava conhecido quando aquele termo era
conhecido. Isso porque (√1/2r ‫ ٭‬fij ()) é função unicamente da
posição do ponto em que estamos considerando as tensões.
A partir dessa constatação, Irwin definiu o fator de
intensidade de tensão, K, que no modo I de carregamento é:

KI= √a (chapa infinita)

Resultando para a expressão de ij: ij= (KI/ √2 r) ‫٭‬fij() e,

portanto, o fator de intensidade de tensão envolve um termo


correspondente à tensão aplicada externamente e outro
correspondente à dimensão da trinca.

Assim, quando se conhece o valor de KI para uma dada trinca,


conhece-se todo o campo de tensões na ponta da trinca.
EXPRESSÕES PARA O FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO

Fatores de Intensidade de tensão nos modos I, II e III de


carregamento para trincas de diferentes formas, orientações e
posições podem ser expressos na forma geral:

KN=YN √ a,

onde (YN) é o fator de forma (seja para o modo I, II ou III de


carregamento) e (KN), o fator de intensidade de tensão (seja para o
modo I, II ou III de carregamento).
Exemplos:

KI= √ a (chapa infinita com defeito passante elíptico central);


Y=1
KI= √ a * √sec a/W (chapa semi-infinita com largura W); Y= √sec
a/W
KI= 1,12 √ a * √sec a/W (idem anterior com a trinca na borda);
Y= 1,12 √sec a/W
Assim como há expressões de (KN) para as situações
ilustradas anteriormente, há também expressões de (KN) para
as mais diversas situações de configurações de defeitos e
geometrias.

Nas Figuras seguintes, podemos observar outras


expressões para o fator de intensidade de tensão:
Soluções para o fator de intensidade
de tensão para diferentes
configurações (American Society
for Testing and Materials).

66
Soluções para o fator de intensidade de tensão para diferentes configurações
67
(American Society for Testing and Materials).
Soluções para o fator de intensidade de tensão
para diferentes configurações
(American Society for Testing and Materials).

68
Soluções para o fator de intensidade de tensão
para diferentes configurações
(American Society for Testing and Materials).

69
Soluções para o fator de intensidade de tensão
para diferentes configurações
(American Society for Testing and Materials).
FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO CRÍTICO

Nas expressões de (K) observa-se que o valor de (K) depende


dos valores de  e de a, para uma dada geometria de trinca e corpo de
prova. Assim, K aumenta com () e / ou (a) até chegar a um valor
crítico onde ocorre a fratura.

Esse valor crítico de (K), para carregamento sob deformação plana, em


que ocorre a fratura, é uma propriedade intrínseca do material.

Mantidas as demais condições constantes, esse valor crítico (KIC)


chama-se de tenacidade à fratura do material. Na tabela seguinte
observam-se valores de KIC e de acr e/ou ac para algumas ligas
conhecidas.
Valores de KIC e de ac para Algumas Ligas Usadas em Engenharia
(Hertzberg, R. W., “Deformation and Fracture Mechamics of Engineering Materials”).
EQUIVALÊNCIA DA ABORDAGEM DO BALANÇO DE ENERGIA
E DO FATOR DE INTENSIDADE DE TENSÃO

* Abordagem de Griffith, GI=2a/E ;


* Abordagem de Irwin, KI=√a

Comparando-se as expressões, vê-se que:

GI=KI2/E (estado de tensão plana)

GI=KI2(1-2)/E (estado de deformação plana)

Relações também são validas para os valores críticos, KIC e GIC.


PLASTIFICAÇÃO NA PONTA DA TRINCA

Na Figura observa-se a plastificação na ponta da trinca e a correção da


zona plastificada de acordo com o modelo de Irwin.
Pela Mecânica da Fratura Linear Elástica YY é:

para  = 0
No escoamento as tensões são redistribuídas para que se
mantenha o equilíbrio, então, o raio plástico é dado pela
expressão abaixo. observa-se a nova distribuição de tensões.

Distribuição de tensões
com deformação
plástica na ponta da
trinca (rP).
Considerando-se o tamanho da zona plástica na ponta da trinca, pequeno,
quando comparado com o campo governado pelo fator de intensidade de
tensão – K, a expressão para YY pode ser determinada através da
Figura .

Correção de
YY considerando
o tamanho o da
zona plástica (rY).
TAMANHO DA ZONA PLÁSTICA SEGUNDO IRWIN

EPT = Estado plano de tensão e EPD = Estado plano de deformação.


O tamanho de trinca efetiva - aeff (correção pelo tamanho da zona
plástica) e Keff são determinados pelas expressões :
COMO UTILIZAR A CORREÇÃO DE IRWIN
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA PARA A CORREÇÃO DE K SEGUNDO IRWIN

Representação
gráfica para a
correção de K
segundo Irwin
FORMA DA ZONA PLÁSTICA
SEGUNDO O CRITÉRIO DE PLASTICIDADE

CRITÉRIO DE VON MISSES

r = 1/4π(KI/σYS)2 [3/2 sen2 Ө + (1 + cos Ө)] ETP

r = 1/4π(KI/σYS)2 [3/2 sen2 Ө +(1 - 2υ)2 (1 + cos Ө)] EDP

CRITÉRIO DE TRESCA

r = 1/2π(KI/σYS)2 [cos Ө/2 (1 + sen Ө/2)] ETP

r = 1/2π(KI/σYS)2 cos2 Ө/2 EDP


Representação da forma das zonas plásticas
Critérios de Von Misses e Tresca
modo I de carregamento.

Zonas plásticas segundo Von


Misses e Tresca.

(Perez, Nestor “Fracture


Mechanics”, K. Academic
Publishers).
Representação da forma das zonas plásticas
para o critério de Von Misses,
modo II e III de carregamento,
de acordo com McClintock e Irwin.

Zonas plásticas para os modos II e III de


carregamento
(Perez, Nestor, “Fracture Mechanics”, K. Academic
Publishers).
Deve-se observar que os resultados analíticos e teóricos
apresentados anteriormente estão limitados a tensão de escoamento
do material. Este procedimento analítico leva a erros nas expressões
do tamanho da zona plástica, devido a exclusão da carga extra que
o material deve suportar fora da região de fronteira da zona plástica.

Nas Figuras seguintes, observam-se dados experimentais


obtidos através de métodos de relaxação.

Na segunda figura, são comparados resultados experimentais e


teóricos normalizados, de diversos autores. O espalhamento de
dados deve-se aos diferentes procedimentos teóricos usados por
cada autor.
Na Figura, observa-se o tamanho e forma da zona plástica, modo I de
carregamento, considerando o efeito da carga suportada pelo material
fora dos limites da zona plástica (normalizada).

Zonas plásticas no modo I de carregamento (Rice, J.R).


a) Tuba, I.S., J. Strain Analysis, I (1966), pp. 115-122;
b) Rice, J.R. and Rosengren, G.F., J. Mech. Phys.Sol., 16 (1968), 1.
Tamanho da zona
plástica normalizada para
diferentes autores.

Zona plástica normalizada


(Hahn, G.T.
and Rosenfield, A.R.), em
Perez, Nestor, “Fracture
Mechanics”,
K. Academic Plubishers.

87
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

88
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Muita atenção foi dada ao parâmetro (KIC), tenacidade à fratura


sob deformação plana, nas considerações de projetos de materiais. Foi
observado que este valor representa o menor valor de tenacidade
possível, correspondendo ao valor máximo tolerável do fator de
intensidade de tensão (KI) que pode ser aplicado a uma trinca curta.

Por outro lado, têm se observado falhas para valores do fator de


intensidade de tensão (KI) bem menores de (KIC).

Como é possível isto ocorrer? Tais falhas são possíveis porque


microtrincas podem crescer até alcançarem a dimensão crítica, com o
fator de intensidade de tensão inicial crescendo até atingir o valor de
(KIC).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Crescimento sub crítico de trinca pode ocorrer por diferentes


processos: ( principais )
Mecanismos envolvendo uma interação cooperativa entre tensão
estática e meio ambiente, incluindo :
Corrosão sob tensão(SCC ou EAC), Fragilidade por
Hidrogênio(HE) e Fragilidade por metal líquido (LME).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

A suscetibilidade de uma determinada liga frente a um meio


agressivo estaria associada às condições eletroquímicas ou
diretamente à ação de elementos deletérios, principalmente o
hidrogênio. Para aços, um fato é comprovado: quanto maior a
resistência mecânica, maior a suscetibilidade à fragilização por
hidrogênio. Para aços de altíssima resistência mecânica, esta
característica assume contornos trágicos, pois a carga admissível não
raro cai a menos de 10% da normal.
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

O ensaio de CPs lisos fornece o tempo total para rompê-los.


Embora estas informações sejam importantes, o uso de corpos de
prova polidos apresentam desvantagens:

a) O tempo de ruptura inclui ambas as fases: de iniciação e de


crescimento da trinca, não sendo possível distingüi-las. Assim duas
ligas podem apresentar tempo idênticos de fratura para determinados
ambientes de trabalho e grau de carregamento, embora em uma delas
a trinca possa iniciar rapidamente e crescer vagarosamente enquanto
que a outra liga pode apresentar grande resistência à iniciação e
nenhuma para propagação.

b) Há casos em que ligas sem entalhes resistem bem à corrosão sob


tensão (provavelmente por não serem sensíveis a processos de pites),
mas quando entalhadas apresentam péssimo comportamento (alta
suscetibilidade à propagação da trinca).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

O sucesso da aplicação da Mecânica da Fratura aos problemas de


fratura estática fez com que, fosse estendida aos casos em que há
propagação sub-crítica de trinca: fratura assistida pelo ambiente,
fadiga e corrosão fadiga .

Determinação Experimental de KIEAC (KISCC)

Brown e Beachen, em 1965, utilizaram corpos de prova do


tipo viga em balanço, sob carga constante. Uma célula de corrosão,
envolvendo a área pré-trincada, permitia a ação do meio agressivo.

A propagação sub-crítica de trinca era acusada pela deflexão do


braço de aplicação de carga. Na técnica que emprega carga
constante é ensaiada uma série de corpos de prova.

Os resultados obtidos de (KI) pelo tempo de fratura (se esta vier a


ocorrer) são plotados em gráficos.
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Desenho esquemático de ensaio corpo de


prova tipo viga em balanço (Brown, B.F.
and Beachem, C.D., “Corrosion Science”,
5, 1965, Pergamon Press).
Gráfico de KI versus tempo de fratura. Liga Ti-8Al-
1Mo-1V em solução de 3,5 % de NaCl (American
Society for Testing and Materials).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Variação de K com o crescimento


sub crítico de trinca (Brown, B.F. and
Beachen, C.D., Corrosion Science, 5, Diferença entre os comportamentos
1965, Pergamon Press). apresentados pelos corpos de prova WOLF
modificado e o tipo viga em balanço.
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Na Figura seguinte observa-


se a taxa de propagação
da trinca versus K
aplicado para uma trinca
sujeita a um ambiente
corrosivo.

Diagrama esquematico:
Os três estágios de
propagação assistida pelo
ambiente.
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Corpo de prova
do tipo WOLF
Modificado para
a determinação
de KISCC ou
KIEAC .
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Nas Figuras seguintes, observam-se os comportamentos


de diversas ligas ( alumínio, aços e ligas de titânio) em diferentes
meios agressivos.

Figuras retiradas do livro ”Deformation and Fracture Mechanics


of Engineering Materials”, second edition, de Richard W. Hertzberg,
editora John Wiley & Sons.
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Corrosão sob tensão:

Ligas de alumínio tratadas


termicamente em Solução de NaCl
a 3,5 %,

(American Society for Metals).


FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Efeito do tratamento de
envelhecimento na corrosão
sob tensão (água do mar) nas
ligas de alumínio da série
7XXX:

* A liga 7079 apresenta uma


variação significativa no
comportamento do estágio I de
crescimento de trinca para
níveis de (K) alto, enquanto
(da/dt) permanece
relativamente constante.

(Speidel, M.O., Brown Bovari Co.)


FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Efeito do tratamento de
envelhecimento na corrosão
sob tensão (água do mar) nas
ligas de alumínio da série
7XXX:

* A liga 7178 apresenta uma


queda brusca em (da/dt).

(Speidel, M.O., Brown Bovari Co.)


FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Efeito da tensão de escoamento no KIC e KIEAC (em água) no aço ASTM 4340
(Peterson, M.H. Brown, B.F., Newbegin, R.L. and Grover, R.E., Corrosion, 23,
1967, Nacional Association of Corrosion Engineers).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Trinca assistida pelo meio


ambiente em mercúrio líquido
e solução aquosa de iodeto -
liga de alumínio do tipo 7075.

(Speidel, M.O., Brown Bovari


Co.).

103
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Efeito da umidade na corrosão sob


tensão (EAC) em uma liga de
alumínio do tipo 7075-T651.

(Speidel, M.O., Brown Bovari Co.)


FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

FRAGILIDADE INDUZIDA PELO


HIDROGÊNIO Vários processos envolvidos na
fragilidade induzida pelo
hidrogênio de ligas ferrosas
(Metallurgical Society of AIME).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

FRAGILIDADE INDUZIDA PELO


HIDROGÊNIO

Observa-se processos paralelos


envolvendo o comportamento de
uma trinca sujeita a um meio
agressivo.
Associado ao efeito do Hidrogênio
tem-se também a participação do
processo químico e/ou
eletroquímico.
Na Figura seguinte, observa-se
diferentes formas de participação
do Hidrogênio na fragilidade
induzida pela sua presença Processos paralelos (SCC e HAC) envolvidos
associada a uma trinca na fratura assistida pelo meio ambiente
(Metallurgical Society of AIME).
FRATURA ASSISTIDA POR
AMBIENTES AGRESSIVOS

Efeito da pressão na
fragilidade ao
hidrogênio, na região II
de propagação de
trinca, para uma liga Ti-
5 Al-2,5 Sn.

(Williams, Dell, P., IJF, 9,1973).


Corrosão sob Tensão

• A corrosão sob tensão envolve a deterioração


do material devida à presença simultânea de
tensões aplicadas ou residuais e de um meio
corrosivo. Dado que normalmente envolve a
fratura do material, é também designada por
corrosão sob tensão fraturante (stress corrosion
cracking).

• Verifica-se uma ação sinérgica da tensão e do


meio corrosivo, uma vez que a fratura ocorre
em um tempo mais curto do que o previsto
pela soma das ações isoladas da tensão e do
meio agressivo.

• Nem todas as combinações metal/meio são


susceptíveis à corrosão sob tensão.
Corrosão sob Tensão

• A corrosão sob tensão é um fenômeno


localizado: a maior parte do material não é
afetada, enquanto que em alguns locais se
formam fissuras que vão progredindo através do
metal ou liga.

• Uma característica importante da corrosão sob


tensão é o fato de praticamente não se verificar perda
de massa do material. Este mantém-se aparentemente
em bom estado até ao momento em que ocorre a
fratura.
• As diferenças entre as composições e as estruturas Fratura intergranular.
das ligas afetadas, bem como as propriedades dos
meios envolvidos podem ser tão diferentes, que não é
possível encontrar um único mecanismo que explique
este tipo de corrosão.
Corrosão sob Tensão

As variáveis mais importantes que intervêm na corrosão sob tensão


são:

• A tensão aplicada: quanto maior, menor o tempo necessário para ocorrer


a fratura - (evitar-se pontos de acumulação de tensões, como furos ou
entalhes ).

• A natureza e concentração do meio corrosivo (ex. latão em amônia).

• A temperatura.

• A estrutura e composição do material: em geral, metais puros são imunes


à corrosão sob tensão; quanto menores os grãos maior a resistência de um
material sob “SCC”.
Corrosão sob Tensão

A variável tempo também é muito importante, uma vez que os maiores


danos ocorrem na fase final do processo:

• À medida que a trinca de corrosão sob tensão (SCC) penetra no material, dá-
se uma redução da área da secção transversal; para uma mesma força aplicada,
a tensão aumenta e a fratura pode dar-se apenas devido à ação mecânica.

Fratura
Taxa de Propagação

Profundidade da Trinca
Corrosão sob Tensão

Mecanismos de Corrosão sob Tensão:


• Embora a corrosão sob tensão seja uma forma de corrosão especialmente
perigosa e importante, permanecem pouco claros os seus mecanismos.

• Normalmente considera-se que a SCC se desenvolve em dois passos:


nucleação e progressão.

• A nucleação: Se caracteriza pela existência de um tempo de indução, faz-se


em picadas ou sulcos pré-existentes, que servem como concentradores de
tensões; deverá ocorrer aí uma exposição de uma zona ativa do metal ao
ambiente corrosivo.
Corrosão sob Tensão

Mecanismos de Corrosão sob Tensão:

• A propagação da falha poderá ocorrer, num metal


passivo, devido aos diferentes estados do metal
dentro e fora da falha:

a) face às grandes tensões existentes na frente de


avanço da falha, é impossível manter-se aí o estado
passivo; pelo contrário, a maior parte do material,
incluindo as paredes das fissuras, mantém-se passiva;

b) o papel das tensões é então o de destruir os


filmes de óxido existentes e impedir a sua formação
na frente de avanço da trinca.
Corrosão sob Tensão

Mecanismos de Corrosão sob Tensão:


A propagação da falha ocorre por mecanismos:

Intergranular ou Transgranular:
Fratura intergranular acompanha o contorno dos
grãos:
Os limites de grão são zonas de maior
energia, devido à estrutura desordenada dos átomos em
posições intermédias face aos grãos adjacentes e devido
à acumulação de impurezas.
Este tipo de fratura é normalmente explicado
pelo mecanismo do percurso ativo pré-existente: as
heterogeneidades promovem a ocorrência de corrosão e
esta é potencializada devido às tensões existentes.
Corrosão sob Tensão

Fratura transgranular é mais difícil de explicar:

A presença de tensões modifica o processo


de corrosão, surge uma modalidade de fratura que
envolve um processo de corrosão que não ocorre na
ausência de tensões.
Esta fratura é explicada pelo mecanismo do
percurso ativo induzido por deformação: o caminho
de propagação da fissura é gerado ciclicamente com a
ruptura do filme de passivação e, sua formação, por
ação da tensão aplicada.
A propagação pode também estar
relacionada com o escorregamento de planos
cristalográficos.
Corrosão sob Tensão

Prevenção da Corrosão sob Tensão

• Diminuição da tensão para valores abaixo do limite mínimo para a


ocorrência de SCC, quando este limite existe;
• Eliminação de espécies críticas no meio corrosivo (desgaseificação,
desmineralização, destilação);
• Substituição da liga por outra menos susceptível à SCC:
a) por exemplo pode usar Inconel (+Ni) para substituir o aço 304;
b) as vezes o aço macio é mais resistente à SCC do que os aços INOX;
Corrosão sob Tensão

Prevenção da Corrosão sob Tensão

• Aplicação de proteção catódica;

• Utilização de inibidores de corrosão;

• Utilização de revestimentos (evitam o contacto metal/meio); e a

• Utilização de shot-peening que produz tensões de compressão residuais


( na superfície do metal ).