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Bahia nos séculos

XVI e XVII

Colégio integral
Profª Telma Souza
FUNDAÇÃO DA CIDADE
SALVADOR
 A história da cidade de Salvador inicia-
se 48 anos da sua fundação oficial com
a descoberta da Baia de Todos os
Santos, em 1501. A Bahia reunia
qualidades portuárias e de localização,
o que a tornou referência para os
navegadores, passando a ser um dos
pontos mais conhecidos e visitados do
Novo Mundo.
Continuando...
 D. João III, rei de Portugal, não escolheu o
Recôncavo Baiano para ser a sede do Governo-
Geral da colônia por acaso. Mesmo antes da
chegada de Tomé de Souza à Baía de Todos os
Santos, a região já abrigava uma próspera vila,
conhecida como Vila do Pereira ou Vila Velha. Ali,
na capitania que pertencia ao donatário Francisco
Pereira Coutinho, já existia uma pequena e
organizada produção de açúcar.
 A extração de pau-brasil era a maior de todo
território e o porto do recôncavo, além de mais
próximo da Europa, era o principal responsável
pelo escoamento de matérias-primas. O sistema
político do Governo-Geral, que entrou em vigor
em janeiro de 1549 em substituição às capitanias
hereditárias, tinha como missão primordial
colonizar ordenadamente o Brasil e garantir o
domínio luso sobre o território ultramarino
 Erguida no alto de uma escarpa, entre a Baía de
Todos os Santos e os morros, Salvador foi a
primeira cidade planejada do Brasil. Os
colonizadores tomaram o cuidado de construí-la
nos moldes das cidades de sua terra natal e
mantiveram nela a aparência medieval de Lisboa,
com ruas estreitas, curvas e dispostas
perpendicularmente umas às outras. Outra
herança lisboeta são seus fortes, que fazem de
Salvador uma típica cidade-fortaleza.
 Abrigando cerca de 1000 habitantes em 1549 e
perto de 10000 já no final do século XVI, a
primeira capital do Brasil cresceu em dois planos,
a cidade alta e a cidade baixa. O movimentado
porto e um pequeno comércio local ocupavam a
estreita e extensa faixa litorânea, ligada à cidade
alta por ladeiras e barrancos. Os edifícios oficiais
(a casa do governador-geral e a sede do governo
foram os primeiros a serem erguidos) e as
residências localizavam-se no alto da escarpa, a
parte nobre da cidade
 Em 1600, já havia uma praça central,
circundada pelos edifícios do governo, da
prisão, da alfândega e onde se localizava o
pelourinho. As igrejas completavam o cenário.
O material usado na construção dos prédios,
como pedras de liós e azulejos, era importado
de Portugal por imposição da Coroa. Até as
casas seguiam o modelo português: estreitas,
tinham frente rente à calçada, janelas com
treliças, típicas da arquitetura lusitana, e
jardins nos fundos.
 Com quase todo o litoral cercado por recifes, a
cidade tem no Porto da Barra o único lugar onde é
possível o desembarque de pequenas embarcações
em segurança. Em forma de uma pequena enseada,
o porto foi escolhido pelo Donatário Francisco
Pereira Coutinho para fundar a Vila da Capitania da
Bahia. Conhecida como Vila do Pereira, recebiam as
naus que faziam comércio com os nativos
comandados por Diogo Alvares “Caramuru”* na
primeira metade do século XVI. Aí também
desembarcaram o primeiro Governador Geral Tomé
de Souza, em 1549,.
Diogo Alvares “Caramuru” – Naufrago de
uma nau francesa que afundou nos recifes
da costa da Bahia em 1509, o português caiu
nas graças de uma tribo nativa e casou com
a filha do cacique. Branco, encontrado nú,
faminto, cansado e camuflado com
sargaços, foi, inicialmente, ridicularizado
pelos nativos que o chamavam de
“Caramuru” – um peixe semelhante a moréia
que se escondia nos recifes.
Porém, foi poupado do
sacrifício da morte e de ser
devorado pela tribo. Seu
conhecimento sobre os
interesses dos europeus
nas terras do Brasil, sua
habilidade no trato com os
nativos e sua diplomacia
acabaram por transforma-lo
na figura mais importante
da primeira metade do
século XVI na Bahia.
 “Caramuru” intermediava os negócios e
facilitava os contatos entre navegantes,
comerciantes europeus e nativos, alem de
ajudar no abastecimento e recuperação
das embarcações que seguiam pelo litoral
brasileiro com destino ao Rio da Prata e ao
Oriente, na rota das especiarias.
 Catarina Alvares “Paraguaçu” – Filha do
cacique Taparica, chefe da tribo que
encontrou o naufrago “Caramuru”, foi uma
líder de seu povo. Tornou-se a principal
companheira de Diogo Alvares “Caramuru”,
com quem se casou oficialmente na França
logo após ser batizada na Igreja Católica
em 1527.