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Unidade Curricular: Marcos

Históricos e Normativos da Política


Nacional de Educação Especial
Aula 1
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE
CURRICULAR
Olá!

Seja bem-vindo à unidade curricular de Marcos Históricos e Normativos da Política Nacional de


Educação Especial.

Nesta unidade curricular, nosso objetivo é conhecer, analisar e discutir a Educação Especial em seus
aspectos históricos e legais para compreender a realidade atual e seus desafios.

A ementa dessa Unidade Curricular é: Aspectos normativos e Legais da Educação Especial. Contexto
histórico da Política Nacional de Educação Especial. Atendimento Educacional Especializado no contexto
escolar. Salas de Recursos Multifuncionais.

Lembre-se que as leituras, vídeos e filmes sugeridos serão fundamentais para estabelecer as relações
entre a teoria e a prática. Nos fóruns, discuta, fale sobre suas angústias e reflexões. Nossa proposta
neste espaço é que você possa compartilhar experiências e conquistas.

Então vamos lá!


Nesta primeira aula você iniciará o processo
de re/conhecimento dos Marcos Históricos e
Normativos da Educação Especial, assim
como terá a oportunidade de analisar e
discutir seus avanços e desafios.
Para iniciar esta nossa aula assista o vídeo
Uma viagem histórica sobre a construção do ideal de inclusão e cidadania das pessoas
com deficiência , disponível no nosso ambiente virtual.
https://youtu.be/eDi63uTyhkY

É importante também algumas leituras, veja a seguir:

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Marcos político-


legais da Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. Brasília, DF, 2010.
10-16.
Com a universalização da escola, se evidencia o paradoxo
inclusão/exclusão.

O processo de democratização da Educação universaliza o


acesso, mas continua excluindo indivíduos e grupos
considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola.
Tradicionalmente a Educação Especial se organizou como
atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino
comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e
modalidades que levaram à criação de instituições especializadas,
escolas especiais e classes especiais.

Essa organização, fundamentada no conceito de


normalidade/anormalidade, determinou formas de atendimento
clínico-terapêuticos ancorados nos testes psicométricos que, por
meio de diagnósticos, definiram as práticas escolares para os
alunos com deficiência.
No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência
teve início na época do Império, com a criação
de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em
1854, atual Instituto Benjamin Constant – IBC, e o Instituto dos
Surdos Mudos, em 1857, hoje denominado Instituto Nacional da
Educação dos Surdos (INES), ambos no Rio de Janeiro.

No início do século XX, é fundado em nosso país o Instituto


Pestalozzi (1926), instituição especializada no atendimento às
pessoas com deficiência mental; em 1954, é fundada a primeira
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE; e, em
1945,é criado o primeiro atendimento educacional especializado
às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi, por
Helena Antipoff.
Em 1961, o atendimento educacional às pessoas com
deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, Lei nº
4.024/61, que aponta o direito dos “excepcionais” à educação,
preferencialmente dentro do sistema geral de ensino.

A Lei nº 5.692/71, que altera a LDBEN de 1961, ao definir


“tratamento especial”. Reforça o encaminhamento dos alunos
para as classes e escolas especiais.
A década de 1970 representou a institucionalização da
Educação Especial. As leis passam a reconhecer que o aluno
com deficiência faz parte do ensino regular e tem direito a
frequentar esse espaço.

“Todavia, apesar dos avanços, a Educação Especial manteve-se


funcionando como serviço especializado paralelo: com
currículos, metodologias, pessoal e organização própria” (GLAT
e BLANCO, 2009, p. 21).
Em 1973, o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial –
CENESP, responsável pela gerência da educação especial no
Brasil, que, sob a égide integracionista, impulsionou ações
educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas
com superdotação, mas ainda configuradas por campanhas
assistenciais e iniciativas isoladas do Estado.
Você sabia que as Salas de Recursos são implantadas nessa
década?
Porém, essas salas ficaram sendo conhecidas no espaço escolar
como classes especiais e atendiam muito mais aos alunos com
dificuldades de aprendizagem, pois os alunos com deficiência,
em sua maioria, permaneceram nas instituições especializadas.

As Salas de Recursos foram se constituindo dentro da filosofia


da Normalização, que, segundo Glat e Blanco (2009), tinha
como proposta normalizar as condições de vida, ou seja, criar
condições através de recursos e serviços que possibilitassem a
participação das pessoas com deficiência na sociedade.
Continuando na linha histórica, o que dizem os documentos?

A Constituição Federal de 1988, define no artigo 205, a educação


como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da
pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho.
No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições
de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para
o ensino e garante, como dever do Estado, a oferta do
Atendimento Educacional Especializado, preferencialmente na
rede regular de ensino (art. 208).
A década de 1990 foi marcada por uma reforma educacional
nos países em desenvolvimento, orientada, entre outros
elementos, pelo consenso em torno da universalização como
política que organiza a educação básica e que passou a ser
difundida como estratégia de inclusão social na virada do
século. A educação de sujeitos com deficiência vem sendo
focada no conjunto desses debates (GARCIA, 2010, p. 13).
Em 1994, é publicada a Política Nacional de Educação
Especial, orientando o processo de “integração instrucional”
que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular
àqueles que “(...) possuem condições de acompanhar e
desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino
comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais”
(BRASIL, 1994, p.19).
A Educação Especial, com suas práticas e estratégias, passou a ser
questionada, impulsionando a busca de alternativas menos
segregadas, que foram sendo oficializadas nas políticas públicas
nacionais e internacionais.
Quadro 1: Políticas públicas nacionais e internacionais
NACIONAIS INTERNACIONAIS
Constituição Federal (1988);
Estatuto da Criança e do Adolescente Conferência Mundial de Educação para
(1990); Todos (Jomtiem, 1990);
Política Nacional da Educação Especial Conferência Mundial sobre Necessidades
(1994); Educacionais Especiais (Salamanca,1994);
Lei de Diretrizes e Bases (1996); Convenção de Guatemala (1999);
Plano Nacional da Educação (PNE) Convenção Interamericana para
(2001); Eliminação de todas as Formas de
Plano de desenvolvimento da Educação: Discriminação contra as Pessoas com
razões, princípios e programas (PDE) Deficiência – ONU (Nova Iorque, 2006).
(2007);
Política Nacional da Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva (2008).

Fonte: elaborado pela autora


Linha do tempo da Politica Nacional de Educação Especial

1854 1857 1926 1945 1954 1961 1971 1973 1988 1994
Criação o Imperial Instituto Instituto dos Criação do é criado o é fundada a o atendimento A Lei nº Criação do o Constituição 1994, é
Imperial Instituto dos Surdos Mudos Instituto primeiro primeira educacional às 5.692/71, que Centro Nacional Federal define publicada a
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regular de
ensino (art.
208).

Figura 1 – Linha do tempo da Politica Nacional da educação especial


Fonte: elaborada pelo autora (2015)
• Nesta aula, aprendemos sobre como ocorreu o início
da implantação da Educação Especial no Brasil. Como
esta foi se constituindo de forma paralela e substitutiva
a Escola Comum. Chegando até a década de 90, com
uma ampla reflexão e discussão sobre uma escola que
seja para todos, uma escola inclusiva.
• Na próxima aula daremos continuidade as discussões
referentes aos Marcos Históricos e Normativos da
PNEE-EI partindo da atual Lei de Diretrizes e Bases da
Educação - 9.394/96 até chegarmos na PNEE-EI de
2008 .
Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Marcos


político-legais da Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva.
Brasília, DF, 2010. 10-16

_______.Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília: Gráfica do Senado, 1988.

_______. Lei nº 8069/90. Institui o Estatuto da criança de adolescente. Brasília,


1990.

_______. Ministério da Educação e Cultura. Lei de diretrizes e bases da


educação nacional. Lei n. 9.349, Brasília, de 20 de dezembro de 1996.
_______.Decreto 3.956/2001. Convenção interamericana para a eliminação de todas as
formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência, 1999. Brasília,
2001.

_______.Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE. n. 2, de 11 de setembro de


2001. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília:Gráfica
do Senado, 2001.

_______.Secretaria Especial dos direitos humanos. Coordenadoria Nacional para


integração da pessoa portadora de deficiência. Convenção sobre os Direitos da Pessoa
com Deficiência: Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, 2007.

_______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de


Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.

_______.Conferência Mundial Sobre Educação para Todos. Declaração Mundial sobre


Educação para Todos. Jomtien, Tailândia, 1990. Disponível em:
<http://www.pitangui.uepg.br/nep/documentos/Declaracao%20-%20jomtien%20-%20
tailandia.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2012.

_______.Declaração de Salamanca. Sobre princípios, políticas e práticas na área das


necessidades educativas especiais. BRASIL/MEC. 1994. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2014.
• GARCIA, Rosalba Maria Cardoso. Políticas
inclusivas: do global ao local. In: BAPTISTA,
Claudio Roberto et alii. Educação Especial–
diálogo e pluralidade. Editora Mediação, Porto
Alegre, 2010.

• GLAT, Rosana; BLANCO, Leila de Macedo Varela.


Educação Especial no contexto de uma educação
inclusiva. In:_______. Educação Inclusiva:
cultura e cotidiano escolar. Rio de Janeiro: 7
letras, 2007,pp. 15-35.
Ficha institucional

[ Reitora ] Maria Clara Kaschny Schneider

[ Pró-Reitora ] Daniela de Carvalho Carrelas

[ Diretora do Centro de Referência em Formação e EaD] Gislene Miotto Catolino Raymundo

[ Chefe do Departamento de Educação a Distância] Underléa Cabreira Corrêa

[Chefe do Departamento de Formação de Formadores:] Olivier Allain

[Coordenadora do Programa Proforbas:]Maria Luiza Hilleshein de Souza

[ Coordenadora de Produção de Materiais Didáticos - EaD] Andreza Regina Lopes da Silva

Ficha técnica

[Conteúdo ] Andréia Heiderscheidt Fuck

[ Design instrucional] Andréia de Bem Machado

[ Design Gráfico] Natália Bortolás

[ Revisão gramatical ] Sandra Beatriz Koelling

[ Realização ] Centro de Referência em Formação e EaD