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LESÃO POR

PRESSÃO - LP
AbraÃo Machado da Cunha
Mônica Leal Santos
O QUE É LP?
✘ É um dano localizado na pele e/ou tecidos moles subjacentes, geralmente sobre
uma proeminência óssea ou relacionada ao uso de dispositivo médico ou a outro
artefato;
✘ Pode se apresentar em pele íntegra ou como úlcera aberta e pode ser dolorosa.;
✘ Ocorre como resultado da pressão intensa e/ou prolongada em combinação com o
cisalhamento;
✘ Tolerância do tecido mole à pressão e ao cisalhamento pode também ser afetada
pelo microclima, nutrição, perfusão, comorbidades e pela sua condição.
Úlceras de decúbito MUDANÇAS

Úlceras de acamado
No dia 13 de abril de 2016, o
Escaras National Pressure Ulcer Advisory
Panel (NPUAP) anunciou a
Escaras de decúbito
mudança da terminologia úlcera
Úlceras de pressão por pressão para lesão por
pressão e atualizou a
Úlceras por pressão nomenclatura dos estágios do
sistema de classificação.
Lesão por pressão
Quem é o culpado ?
✘ Desde a década de 90, a incidência de LP tem sido reconhecida
como um indicador da qualidade da assistência;
✘ Serve de parâmetro para nortear a elaboração de políticas, as
tomadas de decisão e o estabelecimento de metas e comparar a
ocorrência do problema entre as instituições de saúde;
✘ Reconhecida como um evento adverso do cuidado;
✘ Demanda ações interdisciplinares para sua prevenção e
tratamento.

✘ A LP NÃO É UM PROBLEMA EXCLUSIVO DA ENFERMAGEM !!!


1.
FISIOPATOLOGIA
Pressão Tempo
Lesão por
Pressão

Fatores responsáveis (redução da tolerância):


A pressão provoca o
colapço dos capilares,  extrínsecos (fricção, cisalhamento, umidade e
diminuindo o suprimento temperature e pressão)
de sangue, nutrientes e
oxigênio  Intrínsecos (tecido, idade, imc >30 e <14,5, anemia,
deficiencia protéica, edema, comorbidades
crônicas, infecção sistemica ou local, hipotensão
Arterial sistemica, desidratação e medicamentos)
Localização das LPs

✘ Áreas de proeminência óssea


✘ Pode se desenvolver em
qualquer lugar
✘ Mudanças quanto aos dados
referente aos dispositivos e
tratamento
2.
CLASSIFICAÇÃO
Lesão por pressão – ESTÁGIO 1

✘ Pele integra
✘ Eritema
✘ Mudança de sensibilidade
✘ Temperatura
✘ Consistência (endurecimento)
Lesão por pressão – ESTÁGIO 2

✘ Perda da pele parcialmente


✘ Bolha intacta ou” rompida”
✘ Exposição da derme
✘ Leito da ferida viável
✘ Coloração rosa ou vermelha
✘ NÃO há tecido de granulação, esfacelo ou
escara
Lesão por pressão – ESTÁGIO 3

✘ Perda em sua espessura total


✘ Tecido adiposo visível
✘ Túneis, bordas enroladas (epíbole)
✘ Tecido de granulação, esfacelo e
escara podem estar presentes
✘ NÃO expõe a fáscia, musculo,
tendão, ligamento, cartilagem e
osso
Lesão por pressão – ESTÁGIO 4

✘ Perda em sua espessura total


✘ expõe a fáscia, musculo, tendão,
ligamento, cartilagem e osso
✘ Túneis, bordas enroladas (epíbole)
✘ Tecido de granulação, esfacelo e
escara podem estar presentes
Lesão por pressão – NÃO CLASSIFICÁVEL

✘ Perda em sua espessura total


✘ Extensão da perda não pode ser
confirmada
✘ Presença de escara e/ou esfacelo
Lesão por pressão – TISSULAR PROFUNDA

✘ Pode se apresentar intacta ou não


✘ Descoloração vermelha escura,
marrom ou purpura
✘ Bolha com exsudato sanguinolento
✘ Dor e mudança de temperatura
✘ NÃO se deve usar em condições
vasculares, traumáticas,
neuropáticas ou dermatológicas
Foram acressidas duas categorias :
Lesão por pressão – RELACIONADA A DISPOSITIVO MÉDICO

✘ Etiologia resultante do uso de


dispositivos médicos

Lesão por pressão – EM MEMBRANAS MUCOSAS

✘ Etiologia resultante do uso de dispositivos médicos em mucosas


✘ NÃO pode ser classificada mediante o sistema de classificação
3.
PREVENÇÃO
Atual legislação brasileira
✘ Portaria M/S nº 529, 1 de abril de 2013 = Programa Nacional de Segurança
do Paciente (PNSP)
✘ Portaria MS/MG nº 1.377, 9 de julho de 2013 = Protocolos para prática de
higienização das mãos, prevenção de LP e protocolo para cirurgia segura
✘ RDC nº 36, de 25 de julho de 2013 = Núcleo de Segurança do Paciente (NSP)
✘ Resolução nº 0567/2018 = Regulamento da atuação da equipe de
enfermagem no cuidado aos pacientes com feridas.

A maioria das LPs pode ser evitada através da identificação dos


pacientes em risco e da implementação de estratégias de prevenção
Escalas de avaliação do risco de LP
✘ Escala de Norton

REFERÊNCIA NO BRASIL
✘ Escala de Gosnell

✘ Escala de Waterlow

✘ Escala de Braden (adulto, Criança, infantil e neonatal)


Escala de Braden
( ≥ 5 anos) 1 2 3 4
PERCEPÇÃO Totalmente Muito limitado Levemente Nenhuma
SENSORIAL limitado limitado limitação

UMIDADE Completamente Muito molhada Ocasionalmente Raramente


molhada molhada molhada

ATIVIDADE acamado Confinado a Anda Anda


cadeira ocasionalmente frequentemente

MOBILIDADE Totalmente Bastante Levemente Não apresenta


imóvel limitado limitado limitações

NUTRIÇÃO Muito pobre Provavelmente adequado Excelente


inadequado

FRICÇÃO E problema Problema em Nenhum


potencial problema Paranhos (1999)
SISALHAMENTO
Escala de Braden

✘ Quanto menor for a pontuação obtida no escore total utilizando essa


escala, maior será o risco de o paciente desenvolver LP.

Risco leve: 15 a 18;

Risco moderado: 13 a 14;

Risco alto: 10 a 12;

Risco muito alto: escores iguais ou menores do que 9.


4.
PROTOCOLO
✘ “Anexo 02: Protocolo para prevenção de úlcera por pressão” = Ministério
da saúde, 2013.

✘ “Protocolo de prevenção de LPP” = Hospital Regional de M<ato Grosso do


Sul, 2017
Intervenções

✘ “A maioria dos casos de UPP pode ser evitada por meio da identificação
dos pacientes em risco e da implantação de estratégias de prevenção
confiáveis para todos os pacientes identificados como de risco”
(BRASIL, 2013)
ETAPA 1 – Avaliação da pele

✘ Avaliar o Risco para LP segundo a Escala de Braden (fixa no prontuário)

✘ Inspeção da pele (pode ser durante o banho do paciente ou na visita do


Enfermeiro)

✘ A Avaliação deve ser feita a cada 72h nos pacientes sem risco (escore > 19)
e com risco baixo (escore de 16 a 18) para desenvolver LP. Os pacientes
com grau de risco moderado e alto (escore <15) devem ser avaliados a
cada 24 horas.

DEVE SER UTILIZADO UM IMPRESSO PADRONIZADO !!!


ETAPA 2 – Sinalização e registro

✘ Pulseira de identificação de risco

✘ Registrar condições da pele

✘ Orientar paciente e acompanhante sobre LP e as medidas preventivas

✘ Solicitar materiais necessários de acordo com o risco (colchão de ar,


placa de hidrocoloide, hidratantes . . .)

✘ Prescrever no prontuário os cuidados de enfermagem


ETAPA 3 – Monitorar efeitos adversos

✘ Informar ao serviço de Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional, todo


paciente em risco nutricional e em risco de LP

✘ Atentar para tolerância tecidual, dor, condição clínica global, nível de


atividade e mobilidade para decidir a frequência da mudança de decúbito
ETAPA 4 – Monitorar risco para LP

✘ Discutir com médico, nutricionista, enfermeiro, terapeuta ocupacional


medidas que contribuam com a prevenção e/ou evolução da LP (sinais de
desnutrição, desidratação, edemas, perda de peso, baixa aceitação
alimentar entre outros)
✘ Acionar o serviço em caso de necessidade de materiais para apoio para
redistribuição da pressão sobre as proeminências ósseas como: coxins,
travesseiros e/ou outros.
✘ Notificar o evento Adverso no prontuário que todos profissionais tem
acesso.
ETAPA 5 – Monitorar eventos adversos

✘ Inspecionar diariamente condições da pele durante ou após banho


comunicando a equipe as condições da pele e fazendo anotação.

✘ Realizar a higienização da pele quando estiver suja de (fezes, urina e


outras secreções irritantes) e sempre que necessário, com água morna e
sabão neutro. Sempre evitando pele suja e/ou úmida.

✘ Avaliar a necessidade de se utilizar hidratantes tópicos para tratamento


da pele ressecada e para formação de barreira contra umidade.
ETAPA 6 – Intervenção para LP

✘ Evitar pressão direta na região de proeminência óssea.


✘ Realizar mudança de decúbito ou transferência utilizando o lençol móvel,
com o auxilio de outras pessoas a fim de evitar fricção,
✘ Fixar o relógio de mudança de decúbito próximo do leito do paciente
(explicando ao paciente e acompanhante)
✘ Estimular e/ou Apoiar a saída do paciente do leito e a deambulação
precoce, sempre que prescrito.
✘ Manter os lençóis limpos, sem dobras e sem restos alimentares.
✘ Estimular a ingesta hídrica e alimentar conforme orientação da
nutricionista, médico ou enfermeiro se não houver contraindicação;
Dispositivos e recursos utilizados
✘ Rolos : Confeccionados de espuma ou de materiais alternativos
✘ Cunhas: Grandes : para apoio de tronco e elevação de MMII; Pequenas :
para elevação dos MMSS para controle de edemas
✘ Boias Infláveis ou gel : Utilizadas para proporcionar conforto ao paciente
quando sentado fora do leito, preservando a região sacral
✘ Espumas do tipo “caixa de ovo” ou lisa : material utilizado para
confeccionar ou adequar dispositivos visando conforto e posicionamento
✘ Hidratação e Estimulação Sensorial : Feito por meio de manobras de
Amplitude de movimentos (ADM), alongamentos e exercícios passivos
com o intuito de ativar a circulação
✘ Mudanças de Decúbito: Realizadas em parceria com demais profissionais
da equipe multidisciplinar
RELÓGIO SINALIZADOR
PARA A REALIZAÇÃO DE
MUDANÇA DE DECÚBITO
5.
DIAGNÓSTICOS DE
ENFERMAGEM
6.

REFERÊNCIAS
POTTER, P.A.; PERRY,A.G.. Fundamentos de enfermagem. 8ª Ed. São Paulo:
Elsevier, 2011.

BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA –


PORTARIA n.º 1.377, de 09 de julho de 2013. Aprova os protocolos de
segurança do paciente. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jul. 2013.

BARE, B.G; SUDDARTH, D.S. Brunner. Tratado de enfermagem médico-


cirúrgica. 12ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
OBRIGADO(A)!!!
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