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SOLOS

COLAPSIVÉIS
Discentes:
◦ Alisson Kesley Oliveira Camargo
◦ Brunna Letícia Souza Ligório
◦ Douglas Alexandre
◦ Magno Mota de Oliveira Filho
◦ Matheus de Sousa Kriunas

Docente:
◦ Prof. Dr. Renato Marques Cabral
1 Solos Colapsíveis
Definição: Os solos colapsíveis são solos não saturados, com elevado
índice de vazios e baixo teor de umidade, que experimentam uma espécie
de colapso de sua estrutura em consequência à infiltração de água ou
outro líquido em quantidade capaz de desencadear o fenômeno (Cintra &
Aoki, 2009).
(Cintra & Aoki, 2009) definem ainda que o fenômeno do colapso gera um
tipo de recalque especial, que acontece de forma repentina e a qualquer
fase da vida útil da obra. Os recalques por colapso são de grandes
proporções e ultrapassam os valores admissíveis, provocando danos às
edificações. É o aumento do teor de umidade, mantida o nível de tensões,
que produz o fenômeno nos solos colapsíveis.
Características

Os solos colapsíveis ou porosos se caracterizam por


apresentarem altos índices de vazios, estrutura macroporosa e baixo grau
de saturação. São solos compostos basicamente por grãos de areia e
silte, quando submetidos ao acréscimo de umidade, sofrem um rearranjo
brusco na estrutura, com consequente redução de volume.

Onde são encontrados os solos colapsíveis


No Brasil, as primeiras investigações geotécnicas relacionadas
ao comportamento de solos colapsíveis remontam, principalmente, à
década de 60. Atualmente podem ser encontrados em praticamente todo
o território brasileiro, por exemplo:
• Pernambuco;
• Bahia;
• Interior de São Paulo;
• Tocantins;
• Mato Grosso;
• Brasilia; e,
• Rio Grande do Sul.
Causas/mecanismos dos colapsos

Não há uma faixa granulométrica específica que enquadre os solos


colapsíveis.
A colapsibilidade está ligada à estrutura que o solo adquire na sua
formação geológica e de duas componentes de tensões efetivas.
Destacam-se três condições para que um colapso apreciável ocorra:
◦ uma estrutura aberta (porosa), potencialmente instável e não
saturada;
◦ uma componente de tensão aplicada capaz de desenvolver uma
condição metaestável;
◦ um valor, suficientemente baixo de sucção
Uma das características comuns a todos os solos colapsíveis é o fato destes
possuírem uma “estrutura aberta”, frequentemente referida a grãos redondos, unidos
por algum material de ligação ou força a qual é susceptível de ser removida ou
reduzida por adição de água .
O material mais comum encontrado em vários solos colapsíveis é argila. Neste
contexto, uma infinidade de arranjos estruturais pode ocorrer.
Pode-se admitir que o fenômeno do colapso obedece ao Princípio de Tensões Efetivas,
pois a redução da sucção, necessariamente, induzirá uma redução na tensão efetiva e,
consequentemente, na resistência.
Identificação de solos colapsíveis(ensaios).

◦ SPT (NBR 8036)

◦ Ensaios pressiométricos de Ménard(PMT)

◦ Expanso Colapsômetro (Ferreira e


Lacerda, 1993)
Conseqüências do Processo de Colapso
Nas Fundações da Edificação

• O processo de colapso dos solos provoca deslocamentos nas


fundações e, como estas são elementos estruturais que tem por
finalidade receber e transferir as cargas da edificação para o solo, tais
deslocamentos podem causar danos importantes à edificação e aos
próprios elementos de fundação.
• Em se tratando de solos colapsíveis, o umedecimento do solo (uma
das possibilidades mais comuns de ocorrência de colapso), provoca
uma alteração na estrutura do solo e, consequentemente, reduz sua
capacidade de suporte ocasionado deslocamentos nos elementos de
fundação.
• Tendo sido projetado corretamente, o elemento estrutural de fundação
não sofre dano algum, havendo apenas o seu deslocamento, o que
pode provocar outros danos na edificação. Os danos maiores sempre
ocorrem nas alvenarias, lajes e coberturas. Podem ocorrer danos ao
elemento estrutural se a magnitude dos deslocamentos foi muito
acentuada, pois aí surgirão tensões para as quais esses elementos
não foram projetados, como flexão composta e torção.
Na Alvenaria da Edificação

◦ Podem surgir trincas e até mesmo rachaduras


que prejudicam a estética da edificação e às vezes
comprometer a estabilidade da estrutura, que neste
caso é a própria alvenaria.

◦ Além das alvenarias, as lajes também podem


sofrer danos, principalmente quando estão apenas
apoiadas sobre as paredes ou sobre cintas de
amarração (Figura 58). Nestes casos, surgem
trincas nas proximidades do encontro das lajes
com as alvenarias, ou no prolongamento das
trincas existentes nas paredes.
2 Prevenção e métodos de Tratamento
Existem alguns métodos que podem ser utilizados para
minimizar ou eliminar o efeito do colapso do solo e a escolha do método
apropriado depende das características do solo colapsível, da estrutura a
ser construída, além do custo e praticidade do método.
Os principais métodos de estabilização dos solos colapsíveis
encontrados são:
• Substituição do Solo;
• Inundação controlada;
• Compactação controlada;
• Tratamento térmico.
ESTUDO DE CASO, ANALISE DO ARTIGO
Muros de arrimo em solos colapsíveis provenientes do arenito Bauru: problemas
executivos e influência em edificações vizinhas em áreas urbanas

◦ A região oeste do estado de São Paulo é coberta em sua maioria por solos
residuais , originados da decomposição do arenito do grupo Bauru O nível
freático é geralmente profundo, não sendo encontradas na maioria das
sondagens de reconhecimento nessa região, resultando então numa
espessa camada de solo não saturado. Nesta região ocorre alternância de
estações chuvosas e estações de relativa seca , típico do clima tropical,
provocando intensa lixiviação dos finos do horizonte superficial, resultando
em um solo muito poroso. O solo também apresenta uma coesão temporária
ou fictícia, provocada por tensões de sucção. havendo aumento na umidade
do solo, ocorre redução nas tensões de sucção e enfraquecimento dos
agentes cimentantes, reduzindo, assim, a resistência ao cisalhamento e
provocando reduções de volume do solo, quando sob tensão.(Ademar da
Silva Lobo, 2003 )
◦ O artigo trata das consequências da construção sobre esses solos
colapsáveis sem a análise e tratamento da sua condição, suas patologias,
risco a vida e financeiro quando o colapso acontece nos muros de arrimo.)
◦ A maioria das ocorrências patológicas observadas em relação ao muro de
arrimo envolvem danos em edificações vizinhas dessas obras.
Recalque do solo de fundação em edificação vizinha

◦ Aterros em lotes urbanos que chegam a atingir 3m ou 4m acima do nível natural do


terreno, muitas vezes construídos junto às edificações existentes. Admitindo-se para
o material do aterro um peso específico igual a 17 kN/m3, uma altura de 4m de aterro
aplica ao solo subjacente um acréscimo de pressão de 68 kPa. Um edifício
residencial tem peso aproximado de 10 a 12 kN/m2/pavimento; portanto um
acréscimo de pressão dessa ordem é o mesmo que aplicaria ao solo um edifício de
cerca de 6 pavimentos, diretamente apoiado ao terreno. E como não é recomendado
apoiar um edifício desse porte nesta camada porosa superficial próximo a uma
edificação existente, pelo motivo da propagação de tensões e danos na edificação
vizinha. (Ademar da Silva Lobo .2003 )

Aterro proximo a
edificações pre-
existentes, foi necessario
a escavação de parte do
aterro para amenizar os
efeitos destrutivos nas
edificações vizinhas
Foto (Ademar da Silva Lobo .2003 )
Escavação do terreno junto ao muro de arrimo existente
◦ Os muros de arrimo, dependendo do desnível a ser vencido,
funcionam como muros de flexão, portanto têm sua estabilidade
garantida pelo desenvolvimento das tensões passivas do lado
oposto do aterro, que corresponde normalmente ao terreno
vizinho. Essas tensões passivas atuam ao longo das estacas, as
quais usualmente são armadas para resistir aos esforços de
flexão. Escavações no terreno junto a estruturas de arrimo
provocam desconfinamento do solo de fundação, redução nos
empuxos passivos atuantes na lateral das estacas de suporte da
contenção e, em decorrência disso, surgem grandes
deformações, muitas vezes provocando colapso total do muro de
arrimo. (Ademar da Silva Lobo .2003 )

Fotos e figura(Ademar da Silva Lobo .2003 )


Má condição de drenagem
◦ Normalmente, os muros de arrimos são dimensionados para resistir aos esforços
provocados pelo empuxo ativo do solo, considerando-se a hipótese de solo não-
saturado. Raramente, são projetados para resistir ao empuxo hidrostático. Assim
sendo, um eficiente sistema de drenagem do solo tem que ser projetado para evitar
acúmulo de água de chuva nele e, conseqüentemente, a sua saturação. Esse fato
também acaba por ser, inúmeras vezes, negligenciado pelos construtores,
principalmente no verão, época em que ocorrem as maiores precipitações (Ademar
da Silva Lobo .2003 )

Fotos de Ademar da Silva Lobo, 2003.


Bibliografia

◦ Cintra, J. A., & Aoki, N. (2009). Projeto de fundações em solos


colapsíveis. São Carlos: EESC-USP
◦ https://www.passeidireto.com/arquivo/10795894/solos-colapsiveis-
resumo
◦ AVALIAÇÃO DE TÉCNICA DE MELHORIA DE SOLOS
COLAPSÍVEIS POR MEIO DE COLUNAS DE SOLO LATERÍTICO
COMPACTADO, Milena Cardoso de Freitas
◦ SOLOS COLAPSÍVEIS, Identificação, comportamento, impactos,
riscos e soluções tecnológicas, José Augusto de Lollo