• Apesar de gasosa e, de modo geral, quase imperceptível à visão, a atmosfera
terrestre se revela durante a passagem de um meteoro ou “estrela cadente”,
como esse fenômeno é popularmente conhecido. O meteoro é um fenômeno
óptico que corresponde à incineração de um corpo celeste, em geral, de
pequeno porte pelo atrito provocado ao atravessar determinadas camadas
gasosas de nossa atmosfera.
• Ao proteger a superfície terrestre e seus viventes do impacto da absoluta
maioria dos meteoroides, a atmosfera evidencia o quão fundamental ela é
para a existência da vida e de sua diversidade de formas.
• Nossa dependência da atmosfera se estabelece ainda pela necessidade
biológica dos processos respiratórios, pela filtragem que ela realiza em
emissões letais de radiações solares e por regular a variação de
temperaturas. Ela desempenha também papel no ciclo hidrológico, na
circulação das massas de ar e ventos, entre outras atribuições.
Formação da atmosfera terrestre
• A atmosfera é o conjunto de gases existentes no entorno do planeta Terra.
Apesar de muito leves, esses gases não se dissipam para o espaço em razão
da força de gravidade.
• Moléculas de gases aprisionadas no campo gravitacional terrestre podem
ser encontradas até, aproximadamente, 10 mil km de altitude. No entanto,
sua concentração mais expressiva ocorre nas baixas altitudes: a metade
desses gases fica abaixo de 5,6 km; 90% deles estão abaixo de 16 km; e
99,9997%, abaixo de 100 km.
• Essa camada de gases foi sendo modificada ao longo dos 4,5 bilhões de
anos de existência da Terra. Os cientistas acreditam que uma atmosfera
original, composta basicamente de hidrogênio e hélio teria sido dissipada
por completo no período em que a superfície terrestre ainda não havia se
solidificado, sendo muito mais quente do que na atualidade.
• Com a solidificação da crosta terrestre, a liberação de gases do
interior do planeta, sobretudo pelas erupções vulcânicas
especialmente vapor-d’água, gás carbônico (bem mais que na
atualidade), dióxido de enxofre e amônia, constituiu uma segunda
atmosfera, ainda praticamente sem oxigênio.
• Entre 3,3 e 3,6 bilhões de anos atrás, aproximadamente, surgiram as
primeiras bactérias capazes de produzir oxigênio.
• Pela ação delas e, posteriormente, de plantas que realizavam a
fotossíntese, de forma combinada com a retenção de carbono no
solo, nas plantas, nas superfícies líquidas e em alguns tipos de
rochas, a atmosfera foi, aos poucos, adquirindo a configuração
atual.
• A importância desses gases não decorre exclusivamente de sua
quantidade. Dióxido de carbono, vapor-d’água, ozônio, entre
outros, mesmo em pequenas proporções, têm grande relevância,
em especial no que se refere à biosfera.
• A existência da biosfera, que reúne todos os seres vivos, depende
diretamente da troca de fluxos de energia e de matéria entre os
sistemas da hidrosfera, litosfera e atmosfera.
Camadas da atmosfera
• Os gases estão distribuídos de forma irregular na atmosfera. Conforme a
altitude e o conjunto de suas características físicas, em especial as
térmicas, são reconhecidas cinco camadas principais: troposfera,
estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera.
• Os aspectos que possibilitam diferenciá-las são principalmente a
temperatura, mas também é importante considerar a densidade e a
movimentação dos gases. Nas zonas limítrofes entre essas cinco camadas,
há a existência das “pausas”, locais onde se verificam variações
expressivas nas características físicas das camadas.
• Além das cinco camadas principais e das “pausas” entre elas, destacam-se
duas outras camadas atmosféricas, de propriedades físico-químicas bem
particulares. São elas: a ionosfera, que agrega parte da mesosfera e toda a
termosfera, e a camada de ozônio ou ozonosfera, situada na baixa
estratosfera.
Efeito estufa
• O chamado efeito estufa é um fenômeno natural observado na atmosfera
terrestre (e também em outros planetas com atmosfera, como Vênus). Nela,
o calor gerado com o aquecimento da superfície do planeta pela radiação
solar, em vez de se dissipar de modo total no espaço, fica parcialmente
retido pela concentração de gases da atmosfera próximo à superfície.
• A elevada concentração de gases na troposfera – sobretudo o vapor-d’água,
que é o principal gás estufa natural do planeta, embora tenha efeitos menos
duradouros do que outros gases, como o CO2 (dióxido de carbono) – é
responsável pelo efeito estufa.
• O calor aprisionado mantém a superfície terrestre aquecida mesmo em
momentos em que não há incidência direta da radiação solar, como nos
períodos noturnos. O efeito estufa é, portanto, um regulador térmico natural
do planeta e um fator essencial para o desenvolvimento da biosfera.
• Na atualidade, um dos temas mais debatidos internacionalmente é a
contribuição antrópica para alterar a intensidade do efeito estufa.
• Existem fortes evidências de que a acentuada emissão de gases,
sobretudo de CO2, ocorrida desde o início da era industrial a partir
do século XVIII, esteja associada de maneira direta ao aquecimento
global. Desde o início do século passado, o planeta aqueceu em
torno de 1ºC (o que, para os padrões naturais, está muito acima da
dinâmica normal).
• Os dados revelam que esse aquecimento tem sido cada vez mais
intenso, o que constitui um desafio que gera grande preocupação
para a humanidade.
Camada de ozônio
• Diferentemente do oxigênio, o ozônio é um gás tóxico; contudo,
por não se concentrar na superfície terrestre, não prejudica os
seres vivos. Sua presença na atmosfera se concentra por volta
dos 25 km de altitude, na baixa estratosfera, e decorre de
reações químicas produzidas pela ação da radiação solar nas
moléculas de oxigênio. Por isso, a “fonte natural” de ozônio
produz continuamente novas moléculas desse gás, que filtram a
maior parte da radiação solar.
• Entre as radiações solares, as mais nocivas são as de ondas
curtas, também denominadas raios ultravioleta, os quais se
dividem em três tipos: UVA, UVB e UVC.
• A camada de ozônio impede que a totalidade dos raios UVC e a
maioria dos UVB cheguem à superfície terrestre. No entanto, boa
parte da radiação UVA, assim como uma pequena parcela dos
raios UVB, a atinge. Exposições prolongadas a esse tipo de
radiação podem causar diversos problemas a muitos seres vivos e
afetar as cadeias alimentares.
• Há vários estudos sendo conduzidos, por exemplo, sobre os
efeitos que uma maior exposição pode trazer ao plâncton
marinho, essencial para a fotossíntese. Nos seres humanos, os
órgãos mais expostos a essa radiação, como a pele e os olhos, são
os mais afetados, podendo originar doenças degenerativas, como
câncer de pele e glaucoma.
Protocolo de Montreal
• A fim de combater o problema da degradação da camada de ozônio,
em 1985 um grupo de nações formou a Convenção de Viena para a
Proteção da Camada de Ozônio. Os estudos e os debates realizados
pela comissão foram decisivos para que, dois anos depois (1987),
fosse firmado, no Canadá, o Protocolo de Montreal, conjunto de
tratados ratificado por mais de 150 países.
• O Protocolo de Montreal estabeleceu metas de eliminação da
fabricação e do uso de gases prejudiciais à camada de ozônio.
Trata-se de substâncias químicas sintéticas denominadas
clorofluorcarbonos (CFCs), os quais liberam átomos de cloro que
decompõem o ozônio. Atualmente, é considerado um dos tratados
internacionais mais bem-sucedidos.